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D. E.NOAKES
Obras publicadas pela
Livraria Varela & Varela Editorial
. Alle,m- Fertilidade e obstetrícia no
cavalo (no prelo)
. Bacila, M - Bioquímica veterinária
. Bobbio & Bobbio - Introdução à
química de alimentos
. Bobbio & Bobbio - Química do
processamento de alimentos
(no prelo)
. Figueiredo, S,R - O cavalo de sela
brasileiro e outros eqüídeos
. lazzeri, l- Fases fundamentais da
técnica cirúrgica
. Smythe, R H - A psique do cavàlo
. Thomassian, A - Enfermidades dos
cava los
. Vaske, H & G - Manual de patologia
bovina
D. E. NOAKES
BVetMed. PhD MR.r."{T~
FERTILIDADEE
,.
OBSTETRICIA
EM BOVINOS
l.a EDIÇÃO
1991
DISTRIBUIÇÃO PARA O BRASIL:
Livraria
~A-l
Largo do Arouche, 396 - Conj. 45
01219 - São Paulo - SP
Telefone: (011) 222-8622
Telex: 1125363
Fax: (011) 572-1185
São Paulo - 1991
SUMARIO
Prefácio, XI
Seção 1: Fêmea
1 . Animal não-gestante normal, 3
1.1. ~berdade
1.2. Fatores que influenciam o início da puberdade
1.3. Atividade cíclica ovariana
1.4. Estágios do ciclo estral
1.5. Modificações ovarianas durante o ciclo estral
1.6. Hormônios produzidos pelos ovários
1.7 . Modificações hormonais durante o ciclo estral
1.8. O estro e sua detecção
Sinais de estro
Métodos de detecção
1.9. Métodos auxiliares para melhorar a detecção do estro
1.10. Métodos artificiais de controle do ciclo estral
1.11. Redução da vida útil do corpo lúteo
1.12. Progestágenos - princípios de uso
Sincronização com dispositivo intravaginal liberador de
progesterona (PRID)
Sincronização com Norgestamet
1.13. Sincronização de estro com PGFza e análogos
Razões para sincronização ineficiente
Razões de baixas taxas de concepção (taxa de gestação)
Método de trabalho
Prostaglandina e análogos disponiveis para bovinos
1.14. Exame clínico do sistema genital
Exame clinico externo
Exame vaginal utilizando espéculo
Exame manual da vagina
Palpação retal
2. Gestação normal, 21
2.1. Ovulação
2.2. Fertilização
2.3. Desenvolvimento embrionário
2.4. Membranas fetais
2.5. Fluidos fetais
2.6. Crescimento fetal e comprimento crânio-caudal
2.7. Estimativa da idade fetal
2 .8. Placenta
v
VI
2.9. Reconhecimento materno da gestação
2. 10. Endocrinologia da gestaçEo
2 .11. Métodos de diagnóstico de gestação
2.12. Precisão do diagnóstico de gestação por palpação retal
3. Parto normal, 30
3.1.
3.2.
3.3.
3.4.
3.5.
Duração da gestação
Peso ao nascimento
Taxa de crescimento fetal
Gêmeos e múltiplos
Freemartins
Diagnóstico de freemartins
3.6. Inicio do parto (desencadeamento)
3.7. Sinais de impedimento ao parto
3.8. 1Q estágio do parto
3.9. 2Q estágio do parto
3.10. 3Q estágio do parto
3.11. Ambiente do parto
3. 12. Indução prematura do parto
Hormônios utilizados na indução
Indicações para indução
Requisitos
Procedimentos
Problemas
3. 13. Retardando o parto
4. Cuidados com o recém-nascido, 38
4. 1. Introdução
4.2. Adaptação ao ambiente
4.3. Procedimentos imediatos com o
4.4. Problemas após o nascimento
4.5.' Bezerros debilitados
recém-nascido
5. o período pós-parto (puerpério), 40
5.l.
5.2.
5.3.
5.4.
5.5.
5.6.
Introdução
Retorno à atividade ciclica ovariana normal
Métodos para determinar o retorno à atividade cíclica
Fatores que influenciam o retorno à atividade cíclica
Involução
Fatores que influenciam a taxa de involução
Regeneração do endométrio
Fatores que retardam a regeneração do endométrio
Contaminação bacteriana
Eliminação dacontamínação bacteriana
Fatores que interferem na eliminação das bactérias.
Fertilidade pós-parto
5.7.
5.8.
5.9.
6. Lactação, 46
6.1.
6.2.
6.3.
6.4.
Desenvolvimento mamário normal
Lactogênese
Ejeção do leite
Indução da ejeção
Indução artificial dá lactação
Método A
Método B
Resultados
Indicações
7. Fertilidade e infertilidade na vaca, 49
7 .1. Definições
7 .2 . Infertilidade e descarte
7.3. Expectativas de fertilidade - a vaca como indivíduo
7.4. Razões para o intervalo de 12 meses entre partos
7.5. Fatores responsáveis pela infertilidade
7.6. Ausência de sinais de estro - abordagem e exame clínico
Novilha
Novilhas e vacas
7 .7 . Retorno regular ao estro
Falha da fertilização
Morte embrionária precoce
7.8. Intervalo curto entre estros
7.9. Intervalo prolongado entre estros
7. 10. Avaliação da fertilidade do rebanho
7. 11. Monitorização e manutenção de boa fertilidade
Registros precisos e permanentes
Vacas que requerem exame
Freqüência das visitas
Sistemas de registro
8. Problemas durante a gestação, 63
8.1. Morte pré-natal
Morte embrionária precoce
Morte embrionária tardia .
Causas de morte embrionária
Agentes infecciosos específicos responsáveis pela morte
embrionária
Morte fetal
Mumificação fetal
Abortamento
Freqüência
Conduta a ser tomada após abortamento
Abortamentos e registros em rebanhos
Causas de abortamento
Causas infecciosas de abortamento
Causas não-infecciosas de abortamento
8.2.
8.3.
8.4.
8.5.
8.6.
8.7.
VII
8.8. Diagnóstico das causas de abortamento
8.9. Natimortos
8.10. Maceração fetal
8.11. Anomalias congênitas
Causas
Algumas anomalias comuns e suas causas
8.12. Prolapso cérvico-vaginal
Causas
Diagnóstico e prognóstico
Tratamento
8. 13. Torção uterina
8.14. Ruptura uterina
8. 15. Hidroâmnion e hidroalantóide
9. Distocia, 75
9 .1. Definição
9.2. Incidência
9.3. Causas
9.4. Conduta em casos de distocia
9. 5. Exame clínico
9 .6 . Diagnóstico
9.7. Tratamento
Correção de posição anômala
Tração
Fetotomia (embriotomia)
Operação cesariana
9 .8. Causas específicas de distocia - Grupo 1
Desproporção feto-maternal
Dilatação cervical parcial (ou incompleta)
Estreitamento vaginal ou vulvar
Obstruções de tecidos moles
Defeitos ósseos da pelve
Torção uterina
Apresentação simultânea de gêmeos
Monstros (bezerros congenitamente anormais)
Disposição anômala
Disposição anômala devido a anormalidades posturais
Disposição anômala devido a anormalidades de posição
Disposição anômala devido a anormalidades de apresentação
9.9. Causas específicas de distocia - Grupo 2
Ruptura uterina
Torção uterina
Dilatação cervical incompleta
Inércia uterina
Deslocamento ou desvio ventral do útero
10. Retenção de placenta, 90
10.1. Introdução
10.2. Incidência
VIII
10.3. Causas
10.4. Conseqüências
10.5. Tratamento
11.
11.1.
11.2.
11.3.
11.4.
11.5.
11.6.
11.7.
11.8.
11.9.
11.10.
12.
Problemas durante o puerpério, 93
Introdução'
Lacerações da vulva e vagina
Lacerações vaginais
Lacerações vulvares
Contusões do trato genital
Hematomas
Lesões de nervos perüéricos
Lacerações uterinas
Prolapso uterino
Metrite aguda
Endometrite crônica
Piometra
Manipulação da reprodução, 101
12.1. Gêmeos e ovulações múltiplas
Desejo para a indução de gêmeos
12.2. Transferência de embrião
Aplicações da transferência de embriões
Requisitos para o sucesso da transferência de
Conduta da transferência de embriões
Seleção da doadora
Seleção das receptoras
Preparação e superovulação da doadora
Preparação das receptoras
Coleta dos embriões
Recuperação dos embriões
Transferência dos embriões
12.3. Congelamento e armazenamento de embriões
12.4. Micromanipulação de embriões
13.
Seção 2: Macho
Macho normal, 113
13.1. Anatomia reprodutiva do touro
Os testículos - estrutura e função
Função endócrina
Epidídímo
Dutos deferentes e ampolas
Glândula prostática
Glândulas vesiculares (vesículas seminais)
Glândulas bulbo-uretrais
Pênis
embriões
IX
13.2. Puberdade
13.3. Comportamento copulatório
13.4. Exame clínico do touro para escolha
13.5. Métodos de coleta de sêmen
13.6. Composição do sêmen
13.7. Avaliação do sêmen
13.8. Freqüência de monta natural
do reprodutor
14. Inseminação artificial, 122
14.1. Introdução
Vantagens
Desvantagens
14.2. Coleta de sêmen
14.3. Manipulação e processamento do sêmen - princípios gerais
Procedimento do processamento
Descongelamento antes da inseminação
14.4. Técnica de inseminação
Momento da inseminação
14.5. Seleção e cuidados com touros em centrais de inseminação
artificial
14.6. Regulamentos relacionados ao uso de IA no Reino Unido
14.7. Métodos de avaliação da eficiência da inseminação artificial
14.8. Resultados insatisfatórios da inseminaçãoartificial
15. Infertilidade no ~ouro, 129
15. 1. Considerações gerais
15.2. Métodos de investigação
15.3. Perda ou falta de libido
Tratamento para baixa libido
15.4. Impotência associada à libido normal
15.5. Impotência associada à falha na protrusão do pênis
15.6. Impotência associada à falha na introdução
15.7. Introdução sem ejaculação
15.8. Redução ou falha da fertilização
Leitura complementar, 134
Índice Remissivo, 135
x
PREFACIO
Este livro tem a finalidade primária de servir como fonte ime-
diata de referências e informações para estudantes de Veterinária,
cirurgiões veterinários e demais pessoas da área. Não pretendemos
ter escrito minucioso tratado sobre o assunto; por isso o interes-
se pela brevidade tornou inevitável certo dogmatismo.
Há extensa e rica literatura sobre reprodução de bovinos e lista
extensa pode ser encontrada no final do livro pela qual estimula-
mos o leitor à leitura de outras posições e filosofias.
Meu interesse inicial pelo assunto foi estimulado desde minha
infância, quando passava vários dias auxiliando meu tio com seu
rebanho de gado Shorthorns, e mantido pelos ensinamentos do emé-
rito professor Geoffrey Arthur, do Royal Veterinary College. A am-
bos, minha sincera gratidão. Agradeço aos autores de todos os li-
vros e artigos que tenho lido e aos meus colegas veterinários, espe-
cialmente aos membros da Sociedade para o Estudo da Reprodução
Animal com os quais muito tenho aprendido.
Finalmente, desejo agradecer à Srta. Barbara Robertson pelo
paciente trabalho de datilografia, ao Sr. David Gunn por providen-
ciar as fotografias e ao Sr. John Sutton que, como editor da cole-
ção, tem esboçado comentários e críticas e corrigido minha redação.
DAVID NOAKES
XI
Seção 1
FÊMEA
1 - ANIMAL NAO-GESTANTE NORMAL
1.1 Puberdade
Por ocasião do nascimento, o ovário da recém-nascida contém
acima de 150.000 folículos primordiais. Alguns folículos crescem
no período pré-púbere, mas eles sofrem atresia enquanto relativa-
mente imaturos.
A puberdade ocorre, com o estabelecimento da atividade cícli-
ca ovariana regular, entre 7 e 18 meses de idade e é muito de-
pendente das novilhas atingirem peso acima do limiar de 50% e
35% do peso corporal do adulto em rebanhos de corte e leite res-
pectivamente.
1.2 Fatores que influenciam o início da puberdade
. Genótipo.
. Estado nutricional. A subalimentação influencia negativamente a
taxa de crescimento.
. Clima. O início da puberdade é mais precoce em climas tropicais
do que nos temperados.
. Doenças. Elas retardam particularmente a taxa de crescimento.
A razão para o ovário não ciclarantes da puberdade é devida
à deficiência da secreção ou liberação dos hormônios do hipotála-
mo/hipófise anterior, necessários para o crescimento folicular. Po-
de também ser devida à falha da resposta ovariana.
1.3 Atividade êÍclica ovariana
A vaca é poliéstrica com ciclos periódicos a cada 21 dias em
média (variação de 17-24); o intervalo entre ciclos é referido como
intervalo interestro. A atividade cíclica está ausente antes do início
da puberdade, durante a gestação e por um curto período após o
parto (vide seção 5.1.).
3
1.4 Estágios do ciclo estral
A única fase claramente definida é a do estro, quando a vaca
ou' novilha aceita a monta do touro; dura 15 horas em média
(variação de 2-30 horas). A ovulação ocorre cerca de 15 horas após
o fim do estro.
O restante do ciclo pode ser dividido em proestro, metaestro
e diestro, mas não estão claramente definidos.
. Proestro é a fase que precede o estro, quando há crescimento
folicular e regressão do corpo lúteo e o sistema genital está perden-
do a influência do hormônio progesterona. Existem alguns sinais
comportamentais que indicam a proximidade do estro, como aumen-
to da freqüência de tentativas de montar outras vacas.
. Metaestro é Q p~ríodo após o final do estro quando o folículo
amadurece, ovula e o corpo lúteo começa a desenvolver.
. Diestro é a fase na qual o corpo lúteo é a estrutura dominante.
Seu efeito é exercido p~lo hormônio progesterona.
1.5 Modificações ovarianas durante o ciclo estral
Com o início da puberdade há considerável crescimento e de-
senvolvimento dos folículos no ovário. Ondas de crescimento fo-
licular ocorrem ao longo de todo o ciclo estral; entretanto, é so-
mente durante o estro e logo após, que um ou mais folículos so-
frem crescimento rápido, amadurecem e ovulam. O folículo de
Graaf maduro parece como ilustrado na Figura 1.la: tem entre 2
e 2,5cm de diâmetro. .Outros folículos freqüentemente crescem de
1,2 a 1,5cm de diâmetro antes de regredirem e tornarem-se atrési-
coso ~ muito comum se identificar tais folículos em associação com
corpos lúteos maduros.
Na ovulação o folículo se rompe através de abertura na túnica
albugínea, a qual cobre completamente a superfície do ovário. O
oócito (ovo) é liberado enquanto rodeado por massa de células -
cumulus oophorus (Fig. 1.lb) - e é colhido pelas fímbrias da tuba
uterina (oviduto) adjacente ao ovário onde ocorreu a ovulação.
A cavidade anteriormente ocupada pelo folículo rompido é ra-
pidamente invadida pelas células da granulosa e da teca, as quais
4
Teca externa
Teca interna
Células da granulosa
Oócito
Cumulus
oophorus
(a)
o Corona radiata (fragmentos de
- ~o....o.. o.. o..o......0.0.... ...00.0
células do cumulus oophorusl
Membrana vitelina<-
000.000. Zona Pelúcida
(bl
Fig. 1.1.
(a) Estrutura do foliculo de Graaf. (b) Oócito após a ovulação.
(Diagrama (a) reproduzido de Hunter R.F.H. (1982) Physiology and
Technology of Reproduction in Female Domestic Animals. Academic
Press, London.)
se tornam células luteínicas e formam o corpo lúteo (CL). Este é
inteiramente formado cerca de 7 dias após a ovulação e persiste
neste estado por volta de 17 dias, quando começa a regredir.
A Figura 1.2. ilustra as alterações no tamanho dos folículos e
do corpo lúteo durante o ciclo estral.
5
o
.CtJ
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Corpo lúteo
22
Fig. 1.2.
Crescimento e regressão dos folículos e corpo lúteo durante o
ciclo estral.
1.6 Hormônios produzidos pelos ovários
o folículo de Graaf em desenvolvimento produz 17{3-estradiol
e dois outros hormônios que são metabólitos, isto é, estrona e es-
trio!. O corpo lúteo produz progesterona, que é o hormônio-chave
e controla a atividade cíclica ovariana na vaca.
1.7 Modificações hormonais durante o ciclo estral
A função ovariana é controlada principalmente pela secreção
dos hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH) da
glândula pituitária anterior. Estes, por sua vez, são liberados se-
gundo a ação de um polipeptídeo produzido pelo hipotálamo e
transportado à hipófise anterior pela circulação portal hipofisária.
Este é referido como fator liberado r do hormônio luteinizante
(LHRH) ou hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), sendo
verdadeiro que na vaca uma única substância é responsável pela
liberação de FSH e LH.
6
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o FSH é responsável pelo crescimento inicial dos folículos.
O LH causa a maturação final, ovulação e também estimula a for-
mação e manutenção do corpo lúteo (efeito luteotrófico). Estes dois
hormônios são liberados em ondas em torno do período de estro,
ocorrendo a ovulação 24-32 horas após a onda combinada de
FSHjLH.
O crescimento e maturação folicular resultam num aumento da
produção de estrógenaos, especialmente o 17f3-estradiol, com o pico
de produção ocorrendo no início do estro. Isto estimula o eixo hipo-
talâmico-hipofisário a liberar onda de LH necessária para a matu-
ração folicular e ovulação. Um 2.° pico menor de estradiol ocorre
6 dias após o estro, sendo seu significado desconhecido.
O corpo lúteo, formado pelas células luteinizadas da granulosa
e da teca produz progesterona. Esta se eleva dos níveis basais 3
a 4 dias após o estro, alcançando valores máximos em cerca de
8 dias, persistindo por 16-17 dias antes de decair até alcançar ní-
veis basais na época do próximo estro. A. Prolactina,outro hormô-
nio pituitário, também se eleva na época do estro, mas o seu papel
nesta fase é desconhecido.
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Dias do ciclo estral
- Progesterona
Hormônio luteinizante
1713- estradiol
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Fig. 1.3.
Alterações hormonais no sangue periférico durante o ciclo estral.
7
A progesterona e, portanto, o corpo lúteo, têm o papel princi-
pal no controle da atividade cíclica, já que este hormônio exerce
um "feedback" negativo sobre o eixo hipotalâmico-hipofisário, supri-
mindo amplamente a liberação de gonadotrofinas.
A vida útil do corpo lútero é encerrada pela liberação de
substância luteolítica, a prostaglandinaF2iX (PGF2iX), secretada pelo
útero. Quando o endométrio estiver sob a influência da progeste-
rona por cerca de 14 dias e com ausência de gestação (vide seção
2.9), pulsos d~ PGF2iXsão secretados. Estes chegam ao ovário via
artéria ovariana, tendo passado diretam~nte da drenagem venosa
uterina.
À medida que o corpo lúteo regride, o "feedback" negativo
da progesterona no eixo hipotalâmico-hipofisário é removido. Isto
seguido pela elevação nas concentrações de LH e FSH, que estimu-
la o crescimento folicular e síntese de 17/3-estradiol, e assim dispara
a onda de FSHjLH com a maturação foliculal', ovulação e formação
do corpo lúteo. As alterações hormonais estão ilustradas na Fi-
gura 1. 3 .
1.8 Estro e sua detecção
A duração média doestro é de 15 horas; entretanto existe
uma ampla variação de 2-30 horas. Uma vez que a vaca tenha tido
sua 1.a ovulação pós-parto, é raro que ela não mostre nenhum sinal
de estro, conseqüentemente o "cio silencioso" é uma raridade.
Sinais de Estro
Os sinais de estro são muitos e variados:
. Inquietação e atividade aumentada, o que resulta em agrupamento
de indivíduos sexualm~nte ativos e redução na alimentação e pro-
dução de leite.
. Muge quando isolada.
.. Ligeiro aumento na temperatura corpórea (O,l°C).
. Muco vulvar claro - "mugido característico".
. Marcas de esfregamento e escoriações da base da cauda, manchas
de lama ou sujeira nos flancos.
. Monta em outras vacas, particularmente uma do grupo.
. Aceitação da monta.
Os únicos sinais confiáveis são a aceitação de monta e o ato de
montar a cabeça (característica mostrada por poucas vacas). A va-
8
ca pode ser montada uma vez ou mais de cem vezes durante um
único estro; a duração de uma resposta positiva à monta deve ser
de pelo menos 5 segundos.
A razão mais importante para uma baixa eficiência reprodu-
tiva é a dificuldade de detecção de estro, especialmente em grandes
rebanhos. Isto é 'devido às variações entre vacas e porque há mais
manifestações de estro durante à noite.
Métodos de detecção
A detecção depende da observação de resposta tolerante
quando montada, assim, para uma boa detecção, deve haver:
. Identificação individual clara dos animais com marcação a frio,
ferro quente, coleiras e brincos grandes.
. Iluminação adequada para facilitar a identificação.
. Registro permanente da identidade da vaca no momento da
observação.
. Rotina regular de pelo menos 3 períodos de observações de
20-30min, durante 24 horas, em outras horas que não sejam de
ordenha, por exemplo, 8; 14 e 21 horas, sendo a última vez a
mais importante.
. Áreas adequadas com espaço suficiente e boa superfície de piso
para permitir que as vacas expressem comportamento de estro.
. Registrar todos os períodos de estro antes do 1.° serviço ou inse-
minação artificial (IA).
1.9 Métodos auxiliares para melhorar a detecção do estro
. Tinta de cauda, quando aplicada à base da cauda e sacro, é re-
movida por esfregadura quando a vaca fica em estação para ser
montada. Não é específico, mas é barato e um tanto eficaz quando
usado sensatamente, de forma seletiva.
. Detectores de cio e monta KaMaR são ativados da mesma forma
descrita acima. São mais caros e as vacas devem ser identificadas
quando forem afixados, porque em alguns casos a monta desloca
o dispositivo.
. Circuito fechado de televisão com programação de timer pelo ví-
deo é de instalação cara, mas é bem efetivo quando usado seleti-
vamente, por exemplo, durante as horas da noite em que as vacas
não são observadas. Uma boa identificação das vacas é importante.
. Rufiões ou vacas androgenizadas irão identificar vacas que estão
em estro desde que tenham algum tipo de marcador tal como dis.
9
positivo de queixo. Existem problemas de segurança e o perigo de
disseminação de doenças venéreas com touros. Alguns adqüirem ha-
rens de vacas específicas.
. Avaliações de certas mudanças fisiológicas, tais como tempera-
tura corpórea aumentada, alterações no impedance elétrica na va-
gina ou muco vaginal, podem ser usados, mas requerem equipa~
mento específico.
. Testes hormonais, particularmente progesterona, podem ser de va-
lia quando testes rápidos se tornarem disponíveis.
. É possível eliminar a necessidade de detecção de cio, sincroni-
zando-se estro e ovulação, seguido por um horário fixo de IA (vi-
de seções 1.12. e 1.13).
1 . 10 Métodos artificiais de controle do ciclo estral
Para controlar artificialmente a atividade cíc1ica, o animal con-
siderado deve ter atingido a puberdade e estar em atividade ovariana
normal. Existem 2 métodos:
. Encurtamento da função do corpo lúteo.
. Uma fonte exógena de progesterona é usada para substituir a fun-
ção do corpo lúteo.
1 . 11 ReduçãQ da vida útil do corpo lúteo
A Prostaglandina F21Xé uma luteolisina natural na vaca e é
responsável pela extinção do CL antes do próximo estro. Assim
se PGF21Xou seus análogos forem administrados paralelamente a
uma vaca com corpo lúteo, irão causar a regressão precoce deste e
retorno ao estro prematuramente. Entretanto, o CL não responde nos
primeiros 4-5 dias pós-ovulação; além disso, uma vez que o CL
tenha iniciado espontaneamente sua regressão nos dias 16 e 17, ela
não pode ser acelerada.
1 . 12 Progestágenos - princípios de uso
Uma fonte exógena de progesterona ou um progestágeno sin-
tético funcionam como um corpo lúteoartificial, exercendo assim
um efeito de "feed-back" negativo sobre o eixo hipotalâmico-hipo-
fisário e suprimindo a atividade cíclica. Quando removida, há um
retorno ao estro e retomada desta atividade.
10
Se, num grupo de animais, progestógenos são removidos ao mes-
mo tempo, há uma boa sincronização desde que não haja proges-
tágeno endógeno residual derivado de um corpo lúteo que tenha so-
brevivido à duração do implante. Assim é necessário o uso de algo
que cause luteólise ou suprima a formação de corpo lúteo.
Sincronização com dispositivo intravaginal liberador
de progesterona (PRID)
O dispositivo intravaginal liberado r de progesterona (PRID) é
uma espiral plana de aço inoxidável coberta por um elastômero
inerte incorporando 1. 55g de progesterona juntamente com uma
cápsula de lOmg de benzo ato de estradiol (vide Fig. 1.4).
Fig. 1.4.
Dispositivo intravaginal de liberação de progesterona (PRID).
. A vaca ou novilha deve estar vazia, não deve ter parido nos úl-
timos 20 dias, ou ter qualquer infecção no trato genital e deve
estar em boa condição física.
. Usando uma técnica delicada e limpa, o PRID é inserido no inte-
rior da vagina.
. Após cerca de 12 dias é retirado e o estro ocorre 2-3 dias depois.
A IA pode ser realizada 48 e 72 horas ou somente uma IA após
56 horas da remoção.
11
. Animais mostrando comportamento de estro alguns dias após a
remoção do PRID devem ser inseminados normalmente.
O grau de sincronização pode ser variável porque o benzo ato
de estradiol é um ineficiente agente luteolítico e antiluteotrófico.
Melhores resultados podem ser obtidos se PGF2a for injetada 24,
horas antes da remoção do PRID.
Alguns animais expelem o PRID e em muitos há descarga va-
ginal, que é resolvida espontaneamente após a retirada e sem
tratamento.
Sincronização com Norgestamet
Norgestamet é um potenteprogestágeno sintético que é dispo-
nível como polímero de implante subcutâneo contendo 6mg da
substância ativa.
. A vaca ou novilha não deve estar gestante e ter boas condições
físicas.
. O implante de 6mg de Norgestamet é inserido subcutaneamente
na base da orelha e, imediatamente após, 3mg de Norgestamet e 5mg
de Valerato de estradiol são injetados via intramuscular.
. O implante é removido 9 dias depois.
. O estro ocorre 2-3 dias após e a IA pode ser feita com 48 e 60
horas ou 48 e 72 horas após a remoção do implante.
Melhor sincronização pode ser consegui da ~e a PGF2a for in-
jetada 24 horas antes da remoção do implante, já que o valerato
de estradiol é um fraco luteolítico, especialmente no início do diestro.
1. 13 Sincronização de estro com PGF 2a e análogos
Para conseguir sincronização,
injetada em duas doses separadas,
aplicações, assegurando assim que
a 2.a injeção.
Antes de iniciar o procedimento de sincronização:
. Checar a condição física dos animais no início do procedimento,
especialmente no caso de novilhas. Devem estar em boa condição fí-
sica, crescendo a uma taxa de 0,7kgjdia.
. Assegurar que não hajam animais gestantes e, no caso de novi-
lhas, que o trato genital esteja normal, por palpação retal. .
. Informar à central de IA local as datas previstas da IA assegu-
rando que haja sêmen adequado e pessoal disponível.
a PGF2,a ou análogo deve ser
com 11 dias de intervalo entre
o estro ocorrerá 2-4 dias após
12
Então:
. Aplicar em todos os animais PGF2aou análogo (PGl).
. Repetir 11 dias após PGl (PG2).
. A IA pode ser realizada 78 horas após PG2 ou em duas insemi-
nações 72 e 96 horas ou 72 e 90 horas após PG2.
. IA em qualquer animal que seja visto em estro 5-6 dias após
a PG2.
A sincronização será melhor em novilhas do que em vacas.
Razões para baixa sincronização
. Técnica de injeção ineficiente, se PGF2,a foi depositada na gordura
ou uma grande parte do volume da injeção se perdeu.
. Uma parcela dos animais são acíclicos.
. Há atraso na formação de corpo lúteo que ir.á responder a PFG2X.
Isto é mais provável que ocorra em vacas onde as concentrações
de progesterona permanecem baixas por longo período pós-ovulação
(progesterona baixa por longo tempo).
Razões de baixas taxas de concepção (taxa de gestação)
. Nutrição insatisfatória, especialmente em novilhas e vacas de alta
produção.
. Estresse associado a manejo e mistura de diferentes grupos de
animais.
. Sincronização de animais recém-adquiridos, porque eles teriam se
estressado durante o transporte.
. Fadiga do inseminador.
Método de trabalho
Melhores taxas de concepção podem ser freqüentemente obtidas,
especialmente se há boa e precisa detecção de estro, se o método
de trabalho a seguir for utilizado:
. Injetar todos os animais com PGF2a ou análogo (PG1).
. Observar sinais deestro e inseminar qualquer vaca ou novilha
normalmente.
. Animais que não tenham sido observados em estro após 11 dias
são injetados com 2.a dose de PGF2aou análogos (PG2).
. Horário fixo de inseminaçãocomo descrito na seção 1.3 .
13
Este esquema também reduz o manuseio dos animais e a quanti-
dade de prostaglandina utilizada.
Prostaglandina e análogos disponíveis para bovinos
. Dinoprost (UpJohn Ltd. "Lutalyse"). Prostaglandina (PGF2IX)na-
tural sintética, dose indicada 25mg.
. Cloprostenol (Coopers Animal Health, "Estrumate"). Análogo sinté-
tico, dose indicada 500fJ.g.
. Fenprostalene (Syntex Pharmaceuticals Ltd., "Synchrocept B").
Dose indicada 1,Omg.
. Luprostiol (lntervet Laboratories Ltd., "Prosolvin"). Dose indica-
da 15mg para vacas e 7,5mg para novilhas.
1.14 Exame clínico do sistema genital
o sistema genital pode ser examinado por palpação retal, e o
vestíbulo, vagina e abertura externa da cérvix por palpação manual
ou, visualmente, com o auxílio de espéculo. Antes de iniciar estes
procedimentos, inspeção cuidadosa da vulva, períneo e superfícies
do corpo é importante.
Exame clínico externo:
. Examinar a base da cauda, verificando se os pêlos estão eriçados
ou lesados, sugerindo que a vaca possa ter sido montada por outras
vacas e possivelmente estado em estro.
. Examinar os flancos para sinais de lama ou sujeira de casco indi-
cativo de estar sendo montada por outras vacas.
. Examinar o períneo e a cauda para sinais de corrimentos. Este
pode ser normal, fisiológico, associado ao estro, metaestro, ou lóquio
pós-parto (olhar a seção 5.5), ou ser patológico, associado a exsu-
dato inflamatório ou pus.
. Examinar a vulva para evidência de lesões recentes ou cicatrizadas.
Os lábios devem ser afastados e a mucosa deve ser examinada quanto
a cor, presença de pápulas, pústulas, vesículas, úlceras ou lesões gra-
nulomatosas provocadas.
. Examinar a glândula mamária para determinar o estágio de lactação.
. Examinar a pelve e os ligamentos pélvicos para determinar o grau
de relaxamento no caso da vaca estar próxima ao parto.
14
Exame vaginal utilizando espéculo:
Quando o espéculo é usado ele deve estar estéril para cada
vaca ou, como alternativa, um tubo porta-espéculo estéril pode ser
usado (Fig. 1.5) - estes geralmente têm sua fonte de luz própria.
O espéculo convencional requer lanterna ou outra fonte de luz na
outra mão.
Fig. 1.5.
Espéculo vaginal.
O procedimento para o uso de espéculo com iluminação pró-
pria está a seguir:
. A vulva é rigorosamente limpa.
. Os lábios são afastados e o espéculo lubrificado é cuidadosamente
inserido num ângulo de cerca de 30° do plano horizontal subindo
ao entrar no vestíbulo e depois horizontalmente acima do assoalho
da pelve.
. Assim que o espéculo é inserido, a cor, a aparência de mucosa
vaginal e o fluido devem ser vistos, como também qualquer estru-
tura aberrante.
15
. A cor, forma e grau de dilatação da abertura externa da cérvix
deve ser observada, assim como a presença e aparecimento de qual-
quer fluido que escape do canal cervical.
. Notar a presença de qualquer fluído que acumule na região cra-
nial da vagina.
Exame manual da vagina:
. Isto não é possível numa novilha nulípara.
. Uma luva limpa e lubrificada é cuidadosamente inserida na vagina.
. Evidências de estenose, abscesso e outras anormalidades podem
ser observadas.
. A cérvix é palpada para evidenciar rupturas, lesões e o grau de
dilatação da abertura externa. .
. Qualquer fluido acumulado no assoalho da região cranial da va-
gina deve ser drenado para a palma da mão e examinado quando
retirado.
Palpação retal
Uma rotina regular é requerida e a vulva deve ser observada
para evidências, de secreções ou descargas ocorridas durante o processo.
. A vagina é de difícil identificação porque tem parede flácida
e delgada, a não ser que um exame vaginal prévio tenha resultado
numa pneumovagina temporária quando estará distendida.
. A cérvix é um limite importante. Notar sua posição em relação
à borda da pelve, seu formato, tamanho e grau de mobilidade. Em
novilhas não-gestantes a cérvix tem cerca de 2-3cm de diâmetro e
5-6cm de comprimento. Durante a gestação torna-se aumentada e, em-
bora rígida no pós-parto, o tamanho total aumenta com gestações
sucessivas. Em vacas multíparas velhas, tem cerca de 5-6cm de diâ-
metro e até lOcm de comprimento. A cérvix afila-se de forma leve
cranialmente, e é, freqüentemente possível palpar as pregas anela-
res. Abscessos associados à parição ou injúrias por Inseminação Ar-
tificial causam marcadas distorções.
A cérvix na novilha é sempre intrapélvica enquanto em ani-
mais multíparos normais não-gestantes é localizada na borda cranial
da pelve ou em frente. Com o desenvolvimento .da gestação ela é
tracionada para além do bordo pélvico.
No animal não-gestante normal é livrementé móvel lateral
e crânio-caudalmente. A medida que a gestação progride, a disten-
]6
são do útero grávido reduz a mobilidade, como ocorre em algumas
condições patológicas como aderências, piometrae tumores.
. A bifurcação dos cornos uterinos pode ser identificada logo cra-
nialmente à cérvix, especialmente se forem comprimidos contra o
bordo pélvico, como uma fissura oufenda antes dos cornos bi-
furcarem.
Fig. 1.6.
Trato genital da vaca.
Cornos uterinos
Tuba uterina
Ovário
Corpo uterino
Cérvix
. Os cornos uterinos inicialmente se curvam para baixo e para fren-
te e depois para trás e para cima em direção ao ápice, que se situa
a 5-6cm da cérvix (vide Fig. 1.6). O tamanho dos cornos dependerá
do animal estar gestante ou não e do estágio de gestação, pós-parto
ou se está sofrendo alguma condição patológica.
Os cornos do útero não-grávido têm cerca de 35-40cm de com-
primento e 4-5cm de diâmetro; são mais ou menos iguais em ta-
17
manha. Na gestação (vide seção 2.11) e imediatamente após o parto
(vide seção 5.4) há uma assimetria.
A cada gestação sucessivaeles se tornam levemente aumentados.
. Os cornos uterinos sofrem alterações cíclicas, que podem ser iden-
tificadas na palpação. Durante o diestro são flácidos e é difícil idén-
tificar seu contorno ao longo de todo o comprimento do corno. À me-
dida que o corpo lúteo regride e há crescimento folicular 1-2 dias
antes do estro, o tônus uterino aumenta de modo que os cornos tor-
nam-se túrgidos e espiralados, especialmente quando manipulados.
O tônus aumenta durante o estro e persiste por mais 1-2 dias após
o final do estro e ovulação.
. As tubas uterinas (trompas de Falópio) são estruturas convolutas
com cerca de 20-25cm de oomprimento. Quando normais, são difíceis
de identificar na palpação; por isso, se a identificação é fácil, geral-
mente sugere que estejam espessadas.
. A bolsa ovariana é difícil de ser palpada via retal. Deve ser livre
da superfície do ovário (Fig. 1.7).
Fig. 1.7.
Bolsa ovariana.
18
. Os ovários são mais facilmente localizados seguindo-se os cornos
uterinos até a grande curvatura e depois gentilmente tracionados para
trás em direção à cérvix com a ponta dos dedos.
. Uma alternativa para se localizar a cérvix e a bifurcação é passar
os dedos para baixo ou para os lados no sentido do assoalho e
borda da pelve. 'Em novilhas elas são normalmente intrapélvicas,
enquanto em vacas multíparas elas estão normalmente localizadas à
frente ou sobre o bordo pélvico.
Com o processo de gestação, os ovários são puxados para baixo
no abdômen, eventualmente tornando-se fora do alcance.
. Na palpação dos ovários, sua posição, tamanho e natureza das
estruturas presentes devem ser avaliadas. As estruturas palpáveis são:
folículos, folículos luteinizados, corpos lúteos e cistos.
. Os folículos variam de tamanho, alcançando um diâmetro máximo
de 2-2,Sem. São preenchidos por fluido, portanto, flutuam na pal-
pação. A facilidade de identificação dependerá de seu tamanho, po-
sição no ovário e presença de outras estruturas. O crescimento foli-
cular ocorre ao longo do ciclo estral e os folículos são de 1,3-1,Scm
de diâmetro na metade do diestro, associados a um corpo lúteo ma-
duro. A identificação de um folículo no ovário de uma vaca é de
pouco valor como método único para avaliar o estágio do ciclo estral.
. Os folículos luteinizados são pouco comuns, ocorrendo mais fre-
qüentemente no período imediatamente pós-parto, antes que a ativi-
dade cíclica normal tenha se estabelecido (vide seção S. 1); eles
decorrem da luteinização de um folículo anovulatório. A identifica-
ção por palpação retal é difícil. Têm cerca de 2-2,Scm de diâme-
tro com uma parede levemente mais espessa que a de um folículo
normal. Funcionam como corpo lúteo, embora sua vida útil seja
provavelmente menor.
. Os corpos lúteos se formam como seqüela da ovulação; conse-
qüentemente, se forem palpados, a única suposição imediata que pode
ser feita é que a vaca ovulou em algum estágio. O corpo lúteo pode
ser associado com diestro, gestação ou ocasionalmente pode ser
persistente.
A identificação positiva de um corpo lúteo nem sempre é pos-
sível;entretanto, desde que o corpo lúteo é a estrutura que leva a
um aumento fisiológico, normal do ovário, sua presença pode às
vezes ser suposta. A confirmação pode ser feita pela presença de
concentração elevada de progesterona no leite ou plasma.
A idade do corpo lúteo pode ser avaliada pelo seu tamanho e
consistência. Imediatamente após a ovulação é igualmente possível
19
palpar uma leve depressão no local da ovulação; haverá também
marcado tônus uterino (vide Tabela 1.1). À medida que o corpo
lúteo cresce, o ovário aumenta e o corpo lúteo usualmente começa
a se projetar na superfície ovariana; é macio à palpação. O corpo
lúteo atinge seu tamanho máximo de cerca de 2,S-3,Ocm em diâme-
tro 7-8 dias após o estro e permanece até 16-17 dias, quando, co-
meça a diminuir e endurecer; ao mesmo tempo há tônus uterino
aumentado (Tabela 1.1). Durante os 7-17 dias do ciclo, as altera-
ções no tamanho ovariano são devidas ao crescimento e regressão
folicular.
A facilidade e exatidão da palpação de um corpo lúteo depen-
dem do seu grau de projeção e de seu formato.
. Cistos são estruturas preenchidas de fluido com diâmetro acima
de 2,Scm, persistentes e usualmente associados a comportamento re-
produtivo aberrante (seção 7.6 e 7.8).
As alterações no trato genital durante o ciclo estral estão rela-
cionadas na Tabela 1. 1.
Tabela 1.1.
Crescimento do Corpo Lúteo
Dia do ciclo Ovário útero Descarga vaginal
O (estro) CL regredindo Tônus evidente Muco claro,
< 1cm, talvez comas espiralados elástico e
folículos de 1cm aumentados copioso
na palpação
1 (ovulação) CL regredindo Bom tônus Algum muco
<lcm, Comas claro ou turvo
depressão espiralados
ovulat6ria macia
3 Desenvolvendo Tônus fraco Muco turvo,
. CL macio de de coloração
1-l,5cm de vermelho-
diâmetro -sangüíneo
brilhante
7-17 CL totalmente útero flácido Sem descarga
formado 2,5-3cm
de diâmetro.
Folículos de até
lcm de diâmetro
17-19 CL duro e Tônus de Sem descarga
regredindo moderado
diâmetro<l,5cm a bom
21 Idem a dia O
20
2 - GESTAÇAO NORMAL
2.1 Ovulação
o oócito ovulado é captado pelas fimbrias da tuba uterina
adjacente, que é intimamente justaposta à superfície do ovário du-
rante e após o estro. O oócito é transportado pela ação dos cílios e
contrações peristálticas, e talvez pelas secreções da tuba, para a am-
pola onde ocorre a fertilização (Fig. 2.1). Transporte prematuro ou
retardado pode afetar sua viabilidade. O oócito é capaz de ser ferti-
lizado por 8-12 horas após a ovulação, embora melhores resultados
sejam obtidos dentro de 6 horas.
--Corno uterino
Ampola
-- Fímbria
Fig. 2.1.
Tuba uterina (Falópio).
2.2 Fertilização
Enquanto pequeno número de espermatozoides tenha alcan-
çado a tuba uterina em uma hora após a cobertura ou IA, são ne-
cessárias pelo menos 6-8 horas pós cobertura natural antes que uma
reserva de espermatozóides suficientemente grande esteja presente no
ístmo da tuba uterina. Isto é provavelmente mais rápido quando o
sêmen é depositado no útero por IA.
Os espermatozóides sofrem processo de maturação antes de
serem capazes de fertilizar. Este processo, chamado capacitação, é
21
estimuladO' por secreções uterinas. O tempo necessário é de 4 hQras.
O sêmen mantém sua motilidade por 15-56 horas. Embora seja fér-
til PO'raté 30-48 horas, há um declínio na fertilidade após 15-20horas.
Quando um espermatQzóide penetra a zona pelúcida (vi-
de Fig. 1.1), QS outrQS sãO' geralmente impedidos de fazê-Io pelo
bloqueio vitelino. Quando vários espermatQzóides penetram O'oócito,
há a chamada poliespermia e O'S embriões em desenvolvimento
morrerão.
2.3 Desenvolvimento embrionário
Vide Tabela 2. 1 abaixo:
Após a formaçãO' dos órgãos (organO'gênese completa, o bezer-
ro é considerado feto.
Tabela 2.1.
Desenvolvimento embrionário
Dias após
a ovulação
Crescimento
do embrião
0-1
1-2
1-2
2-3
3-6
6-9
8-10
12-14
13-16
20-28
24-28
35
(chegada no útero)
1 célula
2 células
4 células
8 células
Mórula
Blastocisto
Blastocisto em eclosão
Blastocisto em expansão
Amnio formado
1.as alterações no trofoblasto
adjacente às carúnculas uterinas
Alantóide completamente formado
Alantóide é preenchido e
distende-se no corno grávido
Organogênese completa
Tuba uterina
45
2.4 ~embranas fetais
O âmniO' forma-secerca de 13-16 dias após a fertilização como
uma evaginação da vesícula ectodérmica. Torna-se um "saco" de
parede dupla que contorna completamente o embrião/feto, excetQ no
anel umbilical (Fig. 2.2).
O âmnio é uma membrana transparente consideravelmente re.
sistente.
22
(a)
Corioalantóide
Fig. 2.2.
(a) e (b) Membranas fetais de 1 bezerro, mostrando os cotilédones.
(Diagrama (a) reproduzido de Steven D.H. (1982) Placentation in
the mare. Journal of Reproduction and Fertility, Suppl. 31, 41-5.)
23
o alantóideaparece 14-21 dias após a fertilização como uma
protuberância do intestino embrionário posterior. A parte externa
funde-se com o trofoblasto coriônico para formar o alantocórion, que
é estrutura altamente vascularizada e está envolvida na formação da
da placenta. A parte interna recobre o âmnio. (Fig. 2.2.)
2.5 Fluidos fetais
o âmnio envolve o fluido amniótico o qual protege o em-
brião/feto de injúrias mecânicas, possivelmente infecções e propor-
ciona um veículo de excrção. No final da festação, torna-se viscoso,
atuando como lubrificante na parição e facilitando a expulsão do
bezerro.
O fluido alantóide é aquoso. Protege o embrião/feto de trau-
mas mecânicos e proporciona espaço para deposição da urina fetal
via úraco.
Os volumes aproximados de fluidos fetais durante a gestação
são dados na Tabela 2.2. abaixo.
Tabela 2.2.
Volume aproximado dos fluidos fetais durante a gestação
O volume total d::: fluidos fetais aumenta progressivamente ao
longo da gestação, com rápido aumento aos 70-80 dias. Durante o
1.° terço da gestação o volume de fluido alantóide é maior que
o amniótico; durante o 2.° terço o volume de fuido amniótico é
maior que o alantóide; enquanto durante o último terço, o vo-
lume do fluido alantóide é maior que o amniótico. Existem conside-
ráveis variações individuais nos volumes de fluido associados a fe-
tos na mesma idade de gestação.
24
Estágio de gestação Fluido amniótico Fluido alantóide
(dias) (m1) (ml)
30 0-5 55
35-45 21 140
46-60 96, 202
61-90 375 415
91-120 1450 1170
121-150 3026 1417
151-180 2544 2638
181-210 1541 4672
211-240 2028 4893
241-Termo 2272 9862
2.6 Crescimento fetal e comprimento crânio-caudal
Médias de peso embrião/feto em gestação com um único be-
zerro são mostradas na Tabela 2.3. abaixo:
Tabela 2.3.
Peso médio de bezerros (embrionário/fetal) *
* Bezerros gêmeos serão relativamente menores e haverá consideráveis
variações individuais e de raça em bezerros únicos.
2.7 Estimativa da idade fetal
Várias fórmulas têm sido obtidas para estimar a idade fetal,
desde que o comprimento crânio-caudal (CRL) é medido.
Fórmula para estimar a idade letal em dias
Assim, se CRL
idade do feto em dias
= 2.5 x (C~Lcm + 21)
= 10cm
= 2.5 x (10 + 21.)
= 2.5 x 31
= 77.5 dias
ou, com menos precisão
Fórmula para estimar a idade letal em meses
Assim se CRL
idade do feto
= Y2X CRL paI.
= 4.5 paI.
= v2 x 4.5
=-.[9
= 3 meses
25
Estágio de gestação Peso Comprimento
(diaS) embrionário /fetal (cm)
30 0,3-0,5g 0,8-1,0
40 1-1,5g 1,75-2,5
50 3-6g 3,5-5,5
60 8-30g 6-8
70 25-100g 7-10
80 120-200g 8-13
90 200-400g 13-17
120 1-2kg 22-32
150 3-4kg 30-45
180 5-lOkg 40-60
210 8-18kg 55-75
240 15-25kg 60-85
270 20-50kg 70-100
2.8 Placenta
A placenta da vaca é classificada como cotiledonária ou múl-
tipla, porque é confinada em restritas áreas ovais bem definidas
ou áreas circulares do alantocórion - os cotilédones (vide Fig.
2.2b). Estes desenvolvem-se naquelas partes adjacentes a áreas' es-
pecíficas do endométrio - as carúnculas.
A placenta também pode ser classificada de acordo com a es-
trutura microscópica e em particular pelo número de camadas de
tecidos que separa a circulação materna e fetal - é classificada
como epiteliocorial.
2.9 Reconhecimento matemo da gestação
Sea vaca não estiver gestante, ela voltará ao estro no inter-
valo interestro normal após o serviço ou IA (vide seção 1.3).
A presença de embrião em desenvolvimento impede a regres-
são do corpo lúteo, que assim persiste. O embrião em desenvolvi-
mento ou concepto produz substância - fator precoce da ges-
tação (EPF) - o qual é provavelmente produzido no período de
expansão do blastocisto e impede a regressão do CL (vide seção 2.3).
E
C)
.5
Progesterona
Ovulação
10r~
IV
5 5
2!'"
CII
C)
on:
Fig. 2.3.
Concentrações hormonais na circulação periférica da vaca durante
a gestação e parto. (Reproduzido de Arthur G.H., NOakes, D.E. &
Pearson, H. (1982). Veterinary Reproduction anel Obstetrics, 5th ed.
. Bailliere Tindall, Eastbourne.)
26
Parturição
400 -,8000 E
C)
.9-
E 111o
C) c:
c CII
200 -;;; 4000.g' ...c: 1;1.;;u CII
IV CII
Õ "a
n: ãi..
o I
2.10 Endocrinologia da gestação
o hormônio mais importante é a progesterona, que suprime
a atividade dclica normal via seu efeito de "feedback" negativo
sobre a hipófise anterior (vide seção 1.7).
A progesterpna também estimula alterações no endométrio que
conduzem para a nutrição e desenvolvimento do embrião. Ao final
da gestação há um dec1ínio na progesterona (Fig. 2.3).
A progesterona é sintetizada pelo corpo lúteo e pela unidade
feto-placentária. Após cerca de 150 dias de gestação, o corpo lúteo
não é necessário para a manutenção da gestação porque já não é
a principal fonte deste hormônio.
2 . 11 Métodos de diagnóstico de gestação
1 . 18-24 dias. Falhas em retomar ao estro, o que é dependente
da detecção do mesmo (seções 1.8 a 1.9). Algumas vacas mos-
tram estro durante a gestação, especialmente mais tarde.
2. 18-24 dias. Persistência de CL na palpação reta!. Não é pos-
sível distinguir entre um CL ou diestro e gestação.
3. Medida de concentração de progesterona no leite ou no plasma
através de radioimunoensaio, ou ELISA (Enzyme-linked-imunosor-
bent assay). As concentrações no leite seguem aproximadamente as
ca 30
c:
o
ai
'li!Q)::-
0)'
E E,20
CoO)
Q) c:,,-
o!
.ca 'Qj
~~ 10
E c:
Q)
(.)
c:
o
U
Inserminado Amostra de leite
o 9
I.
21
24 dias
33
~
42
Dias
Fig. 2.4.
Concentrações de progesterona no leite durante o ciclo estral, para
mostrar um falso positivo para gestação devido a uma IA em
momento errado.
27
mudanças que ocorrem no plasma embora os valores absolutos se-
jam mais elevados (Fig~ 2.4), porque a progesterona é solúvel na
gordura do leite.
O teste do leite é usualmente realizado com amostra de leite
de uma vaca, sendo o ideal realizar o teste com 24 dias após a
IA ou cobertura, embora possa também ser feito mais precocemen-
te. Se um tablete preservativo contendo dicromato de potássio ou
cloreto de mercúrio é adicionado à amostra, esta pode ser mantida
à temperatura ambiente por vários meses sem nenhuma perda signi-
ficativa de progesterona.
O teste de progesterona do leite é cerca de 85 % preciso para
diagnóstico positivo de gestação e quase 100% para identificar uma
vaca não-prenhe.
Razões para falso positivo:
. IA em momento errado quando a vaca é inseminada no diestro
(Fig. 2.4).
. Morte pré-natal após a colheita da amostra.
. Cisto luteínico (vide seção 7.6).
. CL persistente associado à infecção uterina crônica (vide se-
ção 11.10).
. Intervalo entre estros mais curto que a média.
Razões para falso negativo:
. Mistura inadequada da amostra inicial do leite.
. Exposição da amostra a calor excessivo ou luz U.V.
. Incorreta identificação do animal ou amostra.
4. 28 dias. Usando um real-time ultra-som (B mode) e uma in-
vestigação retal, é possível identificar o saco amniótico deste estágio
de gestação. O equipamento é caro.
5 . 30 dias. A vesícula amniótica pode ser palpada como um
objeto pequeno, túrgido, de "tamanho de ervilha", de 1cm de diâ-
metro aos 30 dias, pressionando delicadamente os cornos uterinos
entre o polegar e os dedos. Aos 35 dias tem 1.7cm de diâmetro.
Há perigo de trauma ao coração embrionário.
6. 30-35 dias. Existe certa assimetria de tamanho dos cor-
nos uterinos, àquele adjacente ao ovário que contém o CL tor-
nando-se maior. Há evidência de flutuação do como ligeiramente
distendido, devido à presença do líquido alantóide (vide seção 2.5)
e adelgaçamento daparede uterina.
28
7. 35-40 dias. É possível palpar o alantocórion neste estágio
(vide seção 2.4) usando a técnica do "beliscamento". O como ute-
rino é delicadamente seguro entre o polegar e indicador e depois
pressionado de modo que o conteúdo do como "escorregue". A pri-
meira estrutura a ser liberada do "aperto" é o fino alantocórion
antes da parede 'uterina mais espessa.
8. 40 dias. Usando investigação retal e detectores ultra-sônicos
de pulso fetal ou analisadores de profundidade ultra-sônicos (A
mode), é possível detectar a gestação tão precocemente quanto
aos 40 dias.
9. 45-50 dias. É freqüentemente possível palpar o feto neste
estágiocomo uma estrutura, quiçá como um pedaço de cortiça flu-
tuando em fluido.
10. 70-80 dias. Os placentonas aumentados podem ser palpados
nesse estágio como pequenas irregularidades na parede do corpo
uterino e base dos cornos. Eles se tomam maiores e mais distintos
com o avanço da gestação.
11. 90-120dias. É possível identificar a alteração do caráter de
pulso da artéria uterina, que causa zumbido ou vibração. É cha-
mado de frêmito. Inicialmente é a artéria que supre o como grá-
vido e subseqüentemente ambos.
12. 105 dias. A identificação do hormônio conjugado sulfato
de estrona na amostra de sangue ou leite, neste estágio gestacional
e posteriormente, serve para diagnóstico de gestação.
2 . 12 Precisão do diagnóstico de gestação por palpação retal
Apalpação retal tem mais que 95% de precisão, desde que
pelo menos um sinal positivo seja identificado.
Falso positivo é devido a:
. O útero não está retraído para permitir palpação detalhada.
. O útero não está completamente evoluído (seções 5.4 e 5.5).
. Há piometra (seção 11. 10).
. Há mucometra.
. Há subseqüente morte pré-natal.
Felso negativo é devido a:
. O útero não está retraído para permitir palpação detalhada.
. A data de serviço não foi corretamente registrada.
. A vaca foi servida ou inseminadaapós o registro de cobertura.
29
3 - PARTO NORMAL
3.1 Duração da gestação
A duração média da gestação é de 280 dias; entretanto exis-
tem consideráveis diferenças raciais (vide Tabela 3.1). A influên-
cia do genótipo é observada quando touros de certas raças são cru-
zados c'Om vacas de raças diferentes, c'Om 'Oprol()ngament'O do pe-
rí'Oda de gestaçãa.
Tabela 3.1.
Período de gestação e peso ao nascer de díferentes raças de gado.
Dentr'O da mesma raça, a gestaçãa é um pauca mais l'Onga
(1 'Ou 2 dias) para as c'Oncept'Osmachas em relaçãa às fêmeas.
3.2 Peso ao nascer
Os números médi'Os para diferentes raças são mastrad'Os na
Tabela 3. 1 .
Os fatares que padem influenciar a pes'O aa nascer sã'O as
seguintes:
. Genótipa.
. Duraçãa de gestaçãa - os bezerras sã'O maiares em gestaçãa
mais langa.
. Parta de n'Ovilhas - bezerr'Os menares de navilhas.
30
Raça Período de gestação (dias). Peso médío ao
Varíação dada entre nascer (kg)
parênteses.
Aberdeen Angus 280(273-283) 28
Ayrshíre 279(277-284) 34
Pardo Suíço 286(285-287) 43.5
Charolês 287(285-288) 43.5
Holandês 279(272-284) 41
Guernsey 284(281-286) 30
Hereford 286(280-289) 32
Jersey 280(277-284) 24.5
Simmental 288(285-291) 43
South Devon 287(286-287) 44.5
. Estação do ano.
. Nutrição - somente com severa subnutrição da fêmea.
. Gêmeos ou múltiplos.
3.3 Taxa de crescimento fetal
o período de taxa de crescimento mais rápido ocorre por vol-
ta dos 230 dias de gestação com o feto ganhando cerca de 0,25Kg
de peso por dia; depois, então, declina.
3.4 Gêmeos e múltiplos
Gêmeos ocorrem em 1-2% e triplos em 0,013% dos nascimentos.
A taxa de ovulação, e por isso a incidência de gêmeos ou múlti-
plos, não pode ser influenciada pela nutrição. A gemelação é de-
pendente do genótipo. A incidência de ovulação dupla é mais alta
do que a de nascimentos duplos, devido à morte embrionária de
um dos gêmeos.
3.5 Freemartins
Freemartins normalmente ocorrem quando uma bezerra nasce
gêmea de bezerro macho. Isto é devido à fusão placcntária por
volta dos 40 dias de gestação. Noventa por cento de tais bezerras
são freemartins. Entretanto, também, é possível o nascimento de uma
única freemartin quando o feto macho morre e é reabsorvido após
ter coorrido a fusão placentária.
Diagnóstico do freemartins
O uso de prova vaginal ao nascimento, como um estojo
de termômetro, pode evidenciar a profundidade da vagina, quan-
do comparada com bezerra normal da mesma idade. A pro-
fundidade é de cerca de 1/3 de uma bezerra normal, Le., cerca
de 3-5cm. Confirmação precisa pode ser obtida por avaliação cro-
mossômica (carioti pagem) .
À medida que a novilha se aproxima da puberdade, pode ha-
ver evidência de clitórís aumentado e aumento de tufos de pê-
los na comissura ventral da vulva. Apalpação retal revelará a
ausência de estruturas normais do trato genital anterior à cérvix.
Não haverá ovários normais e, portanto, nenhuma atividade cíclica
(vide seção 7.6).
31
3.6 Início do parto (desencadeamento)
o feto é responsável pelo início do parto. Ele desencadeia uma
complexa cascata de alterações endócrinas:
. Durante a gestação o hormônio predominante é a progesterona
produzida p~lo corpo lúteo e unidade feto-placentária (seção 2.10).
. A progesterona suprime a atividade cíclica, estimula alterações
no útero que permitem o desenvolvimento do embrião/feto e supri-
me a atividade do miométrio que poderia eliminar o feto.
. À medida que o feto atinge a maturidade, o hipotálamo fetal é
estimulado, ou torna-se capaz de responder a estímulos que acele-
ram a liberação de ACTH da hipófise fetal e subseqüentemente cor-
ticóides da adrenal fetal.
. O aumento dos corticóides resulta numa diminuição na produ-
ção de progesterona e concomitante aumento na produção de es-
trógenos pela placenta, o que leva a um amolecimento ou amadu-
recimento da cérvix.
. Os estrógenos produzidos pela placenta estimulam a síntese e
liberação de prostaglandina F2cx(PGF2CX).
. A PGF2C(causa a lise do corpo lúteo da gestação e estimulam
contrações do miométrio que iniciam a dilatação cervical.
. Contrações uterinas forçam o feto e as membranas fetais adjacentes
contra a cérvix e vagina anterior, estimulando, assim, receptores sen-
sitivos, e, como conseqüência deste fato, ocorre liberação reflexa de
oxitocina (reflexo de Ferguson).
. A ocitocina estimula o miométrio preparado pelo estrógeno a con-
trair, causando posterior dilatação cervical e expulsão do feto.
3.7 Sinais de proximidade do parto
São amplamente dependentes de alterações hormonais; existin-
do consideráveis variações. individuais entre os animais, quanto à
extensão destas alterações e seu momento de aparecimento.
. Aumento de desenvolvimento do úbere e presença de colostro.
. Edema do úbere e da parede abdominal ventral.
. Relaxamento dos ligamentos pélvicos, especialmente sacroisquiá-
tico e sacroilíaco.
. "Afundamento" da área sacroisquiática com aparente elevação da
base da cauda.
32
. Relaxamento do períneo e vulva.
. Liquefação do tampão mucoso cervical
mucóide pela vulva.
. Leve queda da temperatura corporal.
com resultante descarga
3.8 1.0 estágio do parto (Duração média de 6 horas; vadação de
1-24 horas)
É difícil determinar em algumas vacas, especialmente naquelas
que já tiveram vários bezerros. Começa com a ocorrência de con-
trações uterinas regulares e coordenadas que aumentam em freqüên-
cia e amplitude à medida que progride este estágio. Os efeitos dessas
contrações são:
. Causam dor e desconforto que resultam em alterações do com-
portamento como inquietação, inapetência, desejo por isolamento,
solidão, movimentos bruscos da cauda e elevação do pulso.
. Estimulação do bezerro a alterar sua situação dentro do útero, de
modo que seja capaz de passar através do canal do nascimento
(vide Fig. 9.1).
. Dilatação da cérvix; o óstio externo precede o interno.
. O feto empurra seus fluidos e membranas fetais adjacentes em
direção à cérvix e canal pélvico.
3.9 2.0 estágio do parto (Duração média de 70 minutos; variação
de 30 minutos a 4 horas)
Este começa quando há contrações regulares e vigorosas,que
são estimuladas quando o feto e/ou membranas fetais entram no
canal pélvico. Uma conseqüência inicial é a ruptura do alantocórion
com escape de fluido alantóide aquoso (bolsa d'água).
Durante este estágio o bezerro é gradualmente expelido devido
a contrações abdominais e também contrações miometrais. O maior
esforço de expulsão ocorre com a passagem da cabeça através da
vulva e o tórax através do canal pélvico e vulva.
3.10 3.0 estágio do parto (Duração média de 6 horas)
As contrações uterinas continuam por vários dias após o nas-
cimento do bezerro, tomando-se progressivamente menos fréqentes
33
e menos vigorosas. Estas auxiliam no destacamento normal da pla-
centa que ocorre com resultado de:
. Desenvolvimentoe maturação da placenta devido a alterações en-
dócrinas descritas na seção 3. 6 .
. Ruptura do cordão umbilical com rápida perda sangüínea da parr
te fetal da placenta com encolhimento dos seus vilos.
. Distorção da carúncula pelas contrações miometrais, causando
destacamento docotilódone pela separação do vilo das criptas as-
sociadas.
. O peso da placenta exerce força de tração.
. Persistência das contrações uterinas, expelindo a placenta.
3 . 11 Ambiente do parto
Para um parto bem-sucedido com nascimento de bezerro vivo
e fêmea saudável, é necessário bom ambiente. Deve ser convenien-
te, se surgirem problemas, internação antecipada e efetiva. Parto
em campo bem gramado e drenado é recomendável, entretanto, boa
observação pode às vezes tornar-se difícil. Quando o parto for em
local fechado, são necessários as seguintes condições:
. A vaca deve ser separada do restante do rebanho no início do
1.° estágio (seção 3.7) ou antes.
. Baia, limpa, aqueci da, bem ventilada, com boa cama, ilumi-
nação adequada e tamanho suficiente para permitir procedimentos
obstétricos a serem realizados (5 x 4m).
. Um método de contenção da vaca pela cabeça.
. Habilidade de observar a vaca sem perturbá-Ia.
. Suprimento adequado de água fresca para beber.
. Ausência de objetos salientes que possam ferir a vaca, o peão ou
veterinário cirurgião.
3 . 12 Indução prematura do parto
A indução prematura do parto é possível através da adminis-
tração de hormôniosexógen05, que mimetizam algumas das altera-
ções endócrinas resumidas na seção 3. 6 .
34
Hormôniosusadosna indução
. Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) - impraticável, mui-
to caro.
. Corticosteróides hidrossolúveis de curta ação, em geral, betameta-
sona, dexametasona, flumetasona na dose de 20-30mg por vaca.
. Ésteres insolúvens de longa duração ou suspensões, em geral, fe-
nilproprionato de dexametasona, dose de 20-30mg por vasa.
. Prostaglandina F2(Zou análogos, em geral, cloprostenol, dinoprost,
fenprostalene, luprostiol (vide seção 1.13 para doses), ou prosta-
glandina E2 - não disponível comercialmente.
. Combinação de ésteres de corticosteróides de longa duração e
prostaglandina F2'(Z e análogos.
Indicações para indução
. Para reduzir a possibilidade de distocia devido a desproporção
feto-maternal associada a gestação prolongada, imaturidade materna
ou a conformação do bezerro.
. Para manter um padrão sazonal, adiantando o momento do parto,
particularmente para coincidir com a disponibilidade de crescimento
de pasto para produção de leite.
. Para adiantar o momento do parto numa vaca sofrendo de doença
ou injúria, de modo que possa ser mandada para abate de emergência.
Requisitos
. Conhecimento da data de serviço de IA ou estimativa correta.
. Pelo menos 26"0 dias de gestação para o nascimento de bezerros
viáveis.
. Discussão detalhada entre o cirurgião veterinário e proprietário
de modo que as possíveis conseqüências da indução prematura se-
jam conhecidas.
. Acomodação adequada para parto se grupos de animais forem in-
duzidos ao mesmo tempo.
. Bom padrão de criação com disponibilidade de pessoal experimen-
tado, capaz de criar bezerros prematuros.
35
Procedimentos
. Se forem usados corticosteróides, as vacas ou novilhas deveriam
ser examinadas para eliminar a presença de doença infecciosa. Anti-
bióticos de amplo espectro podem ser usados profilaticamente.
. Corticosteróides de curta ação induzirão parto 2-5 dias após a'
aplicação ou após 260 dias de gestação.
. Corticosteróides de longa ação são efetivos em cerca de 240 dias
de gestação; o tempo de intervalo da aplica~ão ao parto é variável.
. Uma única injeção de prostaglandina F2X ou análoso induzirá o
parto após os 255 dias de gestação, dentro de 2-3 dias da aplicação.
. Indução prematura (210-250 dias de gestação) pode ser conse-
guida pela aplicação de corticosteróide de longa duração. Aplicação
de fenilproprionato de dexametasona, seguido 11 dias após à apli-
cação de prostaglandina F2cxou análogo, o que induzirá o parto em
48 horas.
Problemas
. Relaxamento e amaciamento suficiente da vulva, períneo e liga-
mentos pélvicos nem sempre ocorrem seguidos ao uso de prosta-
glandinas. Melhores resultados têm sido obtidos com corticosteróides.
. .É comum a retenção da placenta - a possibilidade aumenta
quanto mais cedo é induzido o parto.
. A involução uterina (vide seção 5.5) pode ser retardada e pode
haver maior tendência para vacas desenvolverem endometrites. Não
parece haver nehum efeito adverso sobre a fertilidade subseqüente.
. Embora exista alguma evidência de nível reduzido de imunoglo-
bulinas no colostro de vacas induzidas com corticosteróides, isto
não parece aumentar a susceptibilidade dos bezerros a doenças ou
reduzir sua viabilidade, desde que não sejam muito prematuros.
3 . 13 Retardando o parto
É possível retardar temporariamente o processo do parto, de
modo que não ocorra em momentos inconvenientes, especialmente
à noite na ausência de supervisão adequada, ou talvez de modo a
permitir que ocorra relaxamento da vagina, vulva e períneo em
novilhas.
36
Um agoQista/32cloridrato de clenbuterol ("Planipart", Boehrin-
ger Inglheim ttd, Brackenell, Berkshire) estimula os ~ receptores do
miométrio causando relaxamento da musculatura lisa e abolindo as
contrações uterinas.
. Para retardar Q parto: O,3mg de cloridrato de clenbuterol (tOml),
via intramuscular, seguido de uma segunda injeção de O,21mg(7ml),
4 horas depois, inibirá o parto por 8 horas após a 2.a injeção.
Para melhorar o relaxamento: regime similar com itnervalo de
pelo menos 4 horas entre doses sucessivas.
. Se a cérvix estiver totalmente dilatada e o 2.° estágio tiver co-
meçado (vide seção 3.8), não deve ser usado.
37
4 - CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO
4.1 Introdução
Em se tratando de distocia ou assistindo um parto normal,
atenção também deve ser dispensada ao bezerro e seu bem-estar.
Detalhes de peso normal ao nascimento são dados na Tabela 3. 1 .
4.2 Adaptação ao ambiente
Durante o final da gestação e processo de parto, o bezerro
pasas por alterações de maturação que permitem sobreviver livre-
mente em novo ambiente.
Muitas dessas mudanças são induzi das por modificações endó-
crinas que iniciam o ato do parto (vide seção 3.6), em particular
a elevação nos níveis de coriÍcosteróides, estrógenos e prostaglandi-
nas. São exemplos dessas modificações: desenvolvimento de surfa-
tante pulmonar permitindo respiração normal, mudanças na compo-
sição da hemoglobina, habilidade do bezerro em controlar a homeos-
tase de glicose, fechamento do forame oval e dueto arterioso.
4.3 Procedimentos imediatos com o recém-nascido
As seguintes ações são necessárias:
. Checar se o bezerro está vivo palpando seu coração ou pulso da
carótida, avaliando os reflexos.
. Limpar o muco das narinas e cavidade oral.
. Colocar o bezerro de cabeça para baixo, de modo que possam
ser drenados os fluidos do trato respiratório superior (a maior parte
do fluido provavelmente origina-se do abomaso).
. Assegurar que a respiração espontânea esteja presente e que as
vias aéreas estejam livres.
. Checar o umbigo para evidência de hemorragia dos vasos. Se for
grave, pinçar e ligar.
. Checar anormalidades congênitas óbvias (vide seção 8.11).
. Assegurar que a vaca aceite o bezerro, para queo vínculo mater-
nal se estabeleça e que ela não vá atacá-Io ou feri-Io.
. Checar o úbere da vaca para presença de colostro.
38
4.4 Problemas após o nascimento
. Ausência de batimento cardíaco e pulso. Realizar massagem caro
díaca externa.
e Trato respiratório obstruído. Usar sugador para aspirar fluido
da cavidade bucal e trato respiratório superior, entubação endo-
traqueal e fonte de oxigênio.
. Estimular reflexo da tosse ou espirro.
. Falha na respiração espontânea. Realizar respiração artificial, com-
primindo o tórax ou imediata entubação endotraqueal. Oxigênio
com máscara facial pode também ser ben~fico. Esfregar ativamente
o tórax e superfície do corpo com palha ou pano.
Podem ser usados estimulantes respiratórios: cloridrato de
dopram via intravenosa, intramuscular, subcutânea ou sublingual,
na dose de 40-100mg (2,0 a 5,Oml). Uma mistura de (crothamide) e
cropropamide ("Respirot", Ciba-Geigy Ltd.) como xarope ou sob
a língua.
. Falha na aceitação do bezerro. Pode-se estimular a lembedura do
bezerro pela vaca espalhando fluido amniótico pelo muflo da vaca
e colocando o bezerro próximo à sua cabeça. Uma vaca indócil
deve ser sedada.
. Ausência de colostro ou falha de ejeção do leite. Usar colostro
estocado ou induzir ejeção com oxitocina seguida de ordenha ma-
nual. Assegurar que o bezerro receba pelo menos 2,5 litros de co-
lastro nas primeiras 6 horas de vida.
. Ferimentos no parto. Tração excessiva e mal-aplicada pode resul-
tar em separação das epifises, fratura de ossos dos membros e para-
lisia do nervo femural, especialmente em raças como Charolês
e Simmental.
4.5 Bezerros debilitados
Ocorrem como resultado de distocia, talvez devido a algum
grau de anoxia cerebral ou possivelmente fatores genéticos e certos
agentes infecciosos. Requerem muito mais atenção na observação
que sejam capazes de mamar. Em caso contrário, o uso de mama-
deira pode ser necessário. Prognóstico mau.
39
5 -. PERfODO PÓS-PARTO (PUERPÉRIO)
5.1 Introdução
o período pós~parto, quando o trato genital está retomando
ao seu estado não-gestante normal é conhecido por puerpério. Para
obter ótima fertilidade, com a vaca produzindo um bezerro vivo
a cada 12 meses, é importante que esta fase da vida reprodutiva
seja normal para permitir que a fêmea conceba em torno de 85 dias
pós-parto (vide seções 7.4 e 7.10).
Algumas importantes modificações ocorrem durante o puerpé-
rio, as quais são:
. Retorno à atividade cíclica ovariana normal.
. Diminuição do útero ao seu estado não-gestante normal (involução).
. Regeneração do endométrio.
. Eliminação de contaminantes bacterianos.
.5 . 2 Retorno à atividade ovariana cíclica normal
Durante a gestação o ovário cessa sua atividade cíclica. Após
o parto há um período de 3-4 semanas em vacas de leite (ligeira-
mente mais longo para as de corte) antes que a primeira ovulação
ocorra, invariavelmente no ovário oposto ao corno uterino previa-
mente grávido.
A primeira ovulação ocorre freqüentemente na ausência de
sinais comportamentais de estro; as ovulações seguintes são inva-
riavelmente associadas a sinais comportamentais de cio.
Evidências de crescimento folicular podem freqüentemente ser
detectadas antes da primeira ovulação. Em algumas vacas, estruturas
cheias de fluido de mais de 2,5cm de diâmetro podem ser palpadas
nos ovários; estes não são cistos verdadeiros (vide seções 7.6 e 7.8).
O primeiro ciclo após o retorno da atividade ovariana é muitas
vezes curto (15-16 dias) devido à reduzida fase luteínica. É possí-
vel que alguns desses ciclos estejam associados com a formação de
folículos luteinizados que se comportam de forma semelhante a um
corpo lúteo normal. Estes não são cistos porque são menores que
2,5cm de diâmetro; não persistem ou causam comportamento re-
produtivo aberrante.
40
5.3 Métodos para determinar o retorno à atividade cíclica
~ esperado que o retorno à atividade cíclica tenha ocorrido se
um corpo lúteo for palpado com certeza em um dos ovários (o
corpo lúteo da gestação sempre regride antes do parto). Se o cor-
po lúteo não puder ser palpado; então palpações seguidas devem
ser feitas, ou alternativamente pelo menos uma amostra de sangue
ou leite para teste de progesterona deveria ser realizado 10 dias
antes ou após a época da palpação retal.
5.4 Fatores que influenciam o retorno à atividade cíclica
. Problemas durante o parto, tais como distocia, metrite, retenção
da placenta ou mastite, irão retardar o retorno.
. Alta produção de leite pode aumentar o intervalo da primeira
ovulação.
. Nutrição deficiente durante o final da gestação e após o parto
pode retardar o retorno.
. Raça: raças de corte são mais lentas para retomar ao estro que
as de leite, existindo diferenças entre raças..
. Comparativamente as primíparas (novilhas de primeira cria) são
~cíclicas por mais tempo que as pluríparas (mais de uma cria).
. Estação do ano: há boa evidência da influência da duração da
luminosidade.
. Clima: vacas retomam ao estro mais cedo em climas temperados
do que tropicais.
. Mamada e freqüência de ordenha: a rapidez do retorno é elevada
e inversamente proporcional à freqüência de ordenha e intensidade
de mamada. Perda de peso devido à alimentação inadequeda pode
ser importante.
5.5 Involução
Involução ou regressão é o retorno do útero ao seu tamanho
normal, de não-gestante. À medida que o útero diminui, este tor-
na-se mais curvado ou espiralado e retoma para a cavidade pélvica.
A cérvix, e numa proporção menor a vagina, também sofreu in-
volução.
Inicialmente o processo de involução é rápido mas a veloci
dade diminui gradualmente; é completo provavelmente cerca de
41
42 dias pós-parto, embora, se for clinicamente avaliado por pal-
pação retal, sejam as alterações após 25-30 dias imperceptí-
veis (Fig. 5. 1). A cérvix também diminui em comprimento e diâ-
metro (largura, extensão) com relativamente pouca alteração ocor-
rendo após 25-30 dias.
A involução uterina é processo ativo onde há redução no
tamanho das fibras musculares do miométrio. Isto pode ser bem
assistido pela persistência de contrações miometrais por vários dias
pós-parto. A prostaglandina F1Xé produzida pelo útero no pós-parto,
alcançando valores máximos 3-4 dias pós-parto e persistindo por
cerca de 2-3 semanas; este hormônio parece estar envolvido no
processo de involução uterina.
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Dia do parto Dias pós-parto
Fig. 5.1.
Diagrama mostrando a taxa de involução uterina no pós-parto.
Fatores que influenciam a taxa de involução
. Comparativamente a involução parece ser mais
para que em pluríparas.
. Estação do ano: a involução é provavelmente
vacas que parem na primavera e verão.
42
rápida em primí-
mais rápida nas
. Amamentação: possivelmente acelera a involução.
. Clima.
. Problema de parto e periparto tais como distocia, retenção de
placenta ou infecção.
. Rapidez de retorno à atividade cíclica (vide seção 5.3).
5.6 Regeneração do endométrio
A vaca não possui placenta decídua verdadeira. Entretanto,
após o parto e deiscência placentária, há necrose e descamação do
tecido caruncular, seguido da regeneração do endométrio revestin-
do as carúnculas.
As alterações podem ser resumidas:
. Alterações degenerativas ocorrem 2 dias após o parto, envolvendo
a superfície das carúnculas.
. Cerca de 5 dias após o parto, a carúncula é coberta por uma
camada necrótica de 1-2mm de espessura.
. Dos 5 aos 10 dias há descamação de tecido necrótico o qual tor-
na-se liquefeito e contribui para a evacuação do lóquio ou "2.a
limpeza".
. Por volta dos 15 dias há início de reepitelização da carúncula
desnuda, a qual é completada em torno de 25 dias.
. A completa restauração da estrutura endometrial, inclusive das
glândulas uterinas, é completada provavelmente em 50-60 dias.
Fatores que retardam a regeneraçãodo endométrio
. Problemas durante o periparto, tais como distocia, retenção de
placenta, trauma ou infecção.
. Possivelmente deficiências dietéticas.
5 .7' Contaminaçãobacteriana
o útero é estéril durante a gestação; o acesso ao lúmen é pro-
tegido pela cérvix fechada e tampão mucoso. Durante e imediata-
mente após o parto, a cérvix está dilatada e a vulva e o períneo re-
laxados, permitindo assim a entrada de bactérias das fezes da vaca
43
e contaminaçãodo ambiente para dentro do útero. Cultura do útero
após o parto da maioria das vacas revelará a presença de flora bacte-
riana vasta e variada. Os principais organismt)s cultivados são coli-
formes, Corynebacterium pyogenes, estreptococos e estafilococos spp.,
e em alguns casos bactérias anacróbicas gram-negativas.
5.8 Eliminação da contaminação bacteriana
A flora bacteriana é flutuante, mas o útero da maioria das
vacas é estéril dentro de 4-5 samanas após o parto. As bactérias
são eliminadas por:
. Separação física devido à necrose e descamação da superfície das
carúnculas.
. Expulsão física associada às contrações uterinas persistentes, invo-
lução e descarga de lóquio.
. Atividade fagocítica dos leucócitos que migram .para a luz uterina.
. Secreção de imunoglobulinas.
. . . ..
.
.
80 90 100
Fig. 5.2.
Taxas de gestação em relação ao tempo pós-parto.
44
70
60
50
o
'(11
()o 40
ai
C)
30
(11
)( I
20
.
10
L
O 10
Fatores que int(!rferem na eliminação das bactérias
. Retenção da placenta.
. Trauma do trato genital.
. Involução uterina deficiente.
. Retorno retardado ao estro pós-parto (vide seções 11.8 e 11.9).
5.9 Fertilidade pós-parto
Embora o retorno à atividade cíclica e ovulação tenha ocor-
rido cerca de 3-4 semanas na maioria das vacas leiteiras, a fertili-
dade ótima, medida pela taxa de gestação (vide seção 7.11) não
é alcançada até 9Q-.100 dias pós-parto. Isto é devido ao ambiente
do trato genital que é incapaz ou de assegurar a fertilização, ou de
manter o embrião em desenvolvimento. Entretanto, a melhora de
fertilidade 50 dias pós-parto é relativamente pequena (Fig. 5.2).
Não há evidência de que cobertura precoce após o parto terá
qualquer efeito cumulativo prejudicial sobre a fertiÍidade.
45
6 - LACTAÇAO
6.1 Desenvolvimento mamário normal
Após o início da puberdade e a cadaestro sucessivo há algum
crescimento e proliferação do sistema de duetos do úbere, devido
ao estímulo dos estrógenos. Durante os primeiros 4 meses de ges-
tação, quando os estrógenos são os hormônios dominantes, há ex-
pansão do sistema de duetos. Durante a última metade da gestação
a progesterona torna-se o hormônio dominante e estimula a for-
mação dos lóbulos do tecido alveolar (local de secreção do leite);
isto aumenta até o momento do parto.
Durante a gestação, outros hormônios como a prolactina,
hormônio do crescimento, ACTH e hormônios tireoidianos podem
estar também envolvidos no desenvolvimento mamário.
O úbere da vaca é capaz de produzir leite a partir da metade da
gestação; se ocorrer abortamento após os 7 meses já há presença de
tecido alveolar suficiente para produzir leite, embora modestamente.
6.2 Lactogênese
o início da lactação no momento do parto é devido a altera-
ções endócrinas que ocorrem nesta fase (seção 3.6). Em resumo:
. Os estrógenos se elevam bruscamente no
. A progesterona declina gradualmente e
24-48 horas antes do parto.
. Os corticosteróides elevam-se bruscamente no parto.
. Prolactina aumenta 4-6 dias antes do parto. O hormônio-chave é
provavelmente a progesterona, já que, tendo estimulado o desenvol-
vimento de tecido alveolar no final da gestação, ela subtamente de-
clina permitindo a liberação de prolactina e conseqüêntemente
exerce seu efeito.
parto.
então cai bruscamente
Além disso, progesterona também pode bloquear os receptores
do úbere para cortisol, assim com esse bloqueio o cortisol pode
atuar sobre a glândula mamária.
46
6.3 Ejeção do leite
o leite secretado pelo tecido alveolar é acumulado nos duetos
coletores e cisternas do leite (cerca de 80% é armazenado nesses
locais do úbere).
A ejeção ou descida é principalmente devido à ação da oxito-
cina e numa menor proporção ao hormônio antidiurético (ADH)~
O estímulo para liberação de oxitocina origina-se de receptores sen-
sitivos do úbere, tetas e órgãos genitais e também como resultado
de um condicionamento da rotina associado à mamada ou ordenha.
A oxitocina tem meia-vida curta, ou seja, menos de 2 minutos
na vaca e, conseqüentemente a reestimulação é necessária.
Indução da ejeção
Aplicar 10 VI de oxitocina, via intravenosa em aplicações re-
petidas, se necessário.
6.4 Indução artificial da lactação
Tem sido tentada em vacas e novilhas de leite por muitos
anos na tentativa de mimetizar as alterações endócrinas que são
normalmente responsáveis pela lactogênese.
Método A
. Injeção combinada de lOmg de benzo ato de estradiol (2ml) e
100mg de progesterona, ambos em veículo oleoso (4ml), via sub-
cutânea nos dias O, 3, 6, 9, 12, 15, 18, 21, 24, 27 e 30.
. Nos dias 31 e 32, 20mg de dexametasona (solúvel), via 1M.
. A partir do dia 10, vacas/novilhas deveriam ser conduzi das para
a sala de ordenha para entrar na rotina; os úberes devem ser mas-
sageados e a ordenhadeira usada por curtos períodos.
. A produção de leite pode começar antes do final do tratamento
ou até uma semana após.
47
MétodoB
. Injeção da associação de benzoato de estradiol (0,05mg/kg-l) e
progesterona (0,125mg/kg-l), a intervalos de 12hs nos dias O a 7;
catorze injeções no total.
. 20mg de betametasona ou dexametasona (solúvel), injetável 110S
dias 18, 19 e 20.
. Massagem do úbere e regime de ordenha como descrito no mé-
todo A.
Em ambos os métodos, as vacas devem estar secas há pelo
menos 6 semanas. O leite deve ser retirado de uso por 7 dias.
Resultados
. Cerca de 20% de falha de indução.
. Produção de leite é cerca de 70% da prevista.
. Fertilidade subseqüente é normal.
. Algumas vacas mostram alguma evidência de ninfomania durante
a terapia com estrógeno.
lndicações
. Permitir que vacas sadias e de alta produção, que não con-
ceberam, sejam mantidas no rebanho, visando a cobertura no pró-
ximo ano.
. Manter vacas de alta produção leiteira, apesar de inférteis ou es.
téreis no rebanho, como forma de evitar a substituição desses animais.
Os procedimentos são caros e é improvável a substituição da
gestação e parto pela estimulação da lactação.
48
7 - FERTILIDADE E INFERTILlDADE NA VACA
7. 1 DefiDições
. Fertilidade é a habilidade da vaca em parir um bezerro vivo
em intervalos de aproximadamente 12 meses.
. Esterilidade é a total inabilidade de uma vaca tomar-se gestante
e parir um bezerro vivo.
. Infertilidade é a redução da fertilidade, isto é, a vaca é sabida-
mente capaz de gestar e parir um bezerro vivo, mas o intervalo
pode ser bem maior que 12 meses.
7 .2 Infertilidade e descarte
Devido a problemas reprodutivos, são descartadas anualmente
no Reino Unido entre um quarto e um terço das vacas leiteiras.
Algumas destasvacas são estéreis; a maioria, no entanto, é in-
fértil, mas devido a perdas econômicasassociadasà eficiência repro-
dutiva insatisfatória, elas são descartadasao invés de dar-lhes tem-
do suficiente para iniciar a gestação.Algumas vacas são descartadas
por problemas que podem ser antecipados, por exemplo, a vaca
pode ter sofrido trauma durante o parto ou grave infecção pós-
-parto (seções 1.3, 11. 6 e 11. 8).
7 .3 Expectativas de fertilidade - a vaca individualmente
Em qualquer população normal de vacas é improvável que a
taxa de parição para cada inseminaçãoseja muito maior que 55%
(isto é, se 100 vacas forem inseminadas uma vez, então conseqüen-
tementeapenas55 irão parir um bezerro).As razõespara que 45%
falhem em parir são:
. Cerca de 10-15% dos oócitos ovulados não são fertilizados.
. Cerca de 15-20% dos 06citos fertilizados ou embriões jovens
morrem antes do dia 13 do ciclo estral.
. Cerca de 10% dos embriões morrem entre os dias 14 e 42.
. Cerca de 5% de morte fetal ocorre após 42 dias.
49
Quando a fertilização apresenta falhas na ocorrência, ou quan-
do há morte embrionária precoce, as vacas retomam ao estro no
intervalo normal de 18-24 dias (25-35%) e,se observado, devem ser
reinseminadas. As mesmas probabilidades são passíveis de ocorrer
após a 2.a e subseqüente inseminações. Assim se qualquer rebanho
com fertilidade normal, pelo menos 6% das vacas irão precisar de
mais de três inseminações, embora sejam completamente normais
do ponto de vista reprodutivo.
7.4 Razões para o intervalo de 12 meses entre os partos
Intervalo de 12 meses (365 dias) entre partos sucessivos é
ótimo, exceto para vacas de 1.a lactação ou de alta produção lei-
teira (> 8.000kg por lactação), quando um intervalo de 13 meses
é mais adequado.
As razões para intervalo de 12 meses são:
. Há maior produção em lactação de 305 dias.
. O parto ocorre sempre na mesma época a cada ano, de modo
a utilizar a alimentação disponível, mais eficientemente.
. Permite aos bezerros serem criados em grupos de idade e peso
corporal semelhantes.
7.5 Fatores responsáveis pela infertilidade
A solicitação para examinar uma vaca infértil sempre surge por-
que ela parece não se adequar aos objetivos esperados do reba-
nho - em particular, ela é incapez de produzir um bezerro aproxi-
madamente 12 meses após ter parido o anterior. Alternativamente
ela pode ser identificada por estar mostrando comportamento re-
produtivo anormal.
É indicado que a vaca seja tratada individualmente pelo peão
responsável por seu programa de cobertura. Antes de ler a seção
pode ser válido consultar os capítulos 1 e 5.
7.6 Ausência de sinais de estro - abordagem e exame clínico
Uma vez que a puberdade tenha ocorrido aos 7-18 meses de
idade (seção 1.1), a novilha e a vaca deveriam ter atividade ovaria-
na cíclica. As duas únicas ocasiões normais em que isto não ocorre
50
são durante a gestação e num curto período após o parto (seção 5,2).
Em todos os animais sem sinais de estro, a gestação deve ser sem-
pre eliminada, como a causa antes que uma terapia seja implemen-
tada (vide seção 2. 11).
Condição orgânica geral e saúde devem ser sempre avaliadas e
a produção de leite determinada. Uma palpação cuidadosa dos ová-
rios trato genital tubula1,'deve ser realizada e um reexame pode
ser necessário.
Novilha
. Sem tecido ovariano palpável: agenesia ovariana a qual é muito
rara; o animal deve ser descartado.
. Ovários pequenos em forma de fuso com trato genital tubular nor-
mal, mas infantil: hipoplasia ovariana, rara, ou puberdade retar-
dada. Estimar o peso corpóreo e comparar com novilhas de idade
e tamanho semelhantes. Se for puberdade retardada, o crescimento
futuro deveria aliviar o problema.
. Estruturas pequenas e em forma de fuso onde os ovários deve-
riam estar normalmente localizados e ausência de genitália tubular
normal representa freemartinismo. Verificar se foi adquirida de um
mercado ou revendedor. Examinar genitália externa, especialmente o
clitóris (seção 3.5). Freemartins de nascimento simples podem ocor-
rer (seção 3.6). Confirmação por cariotipagem. Não há tratamento.
Novilhas e vacas
Avaliar as condições orgânicas e realizar palpação reta!. Elimi-
nar gestação.
. Ovários pequenos, achatados e de consistência macia com genitália
tubular normal: acíclicos (anestro verdadeiro). A confirmação pode
exigir uma 2.a palpação retal ou exame de progesterona no sangue
ou leite, 10 dias após; valor elevado de progesterona indicará pre-
sença de atividade ovariana cíclica.
Aumentar a ingestão de energia se o apetite permitir; em Va-
cas de alta produção pode ser necessário esperar até que a produ-
ção diminua. Vestígios de grave deficiência de elementos como cobre
ou cobalto e parasitismo crônico podem ser responsáveis em novilhas.
Estimular a atividade ovariana inserindo um PRID (vide se-
ção 1.12) o qual é retirado após 12 dias, com o estro ocorrendo den-
51
tro de 3-4 dias. Pode ser benéfico aplicar 600 VI de PMSG no
dia da remoção do PRID.
. Usualmente um ou ocasionalmente ambos ovários aumentados
(4-5cm de comprimento) e contendo uma estrutura preenchida de
fluido com diâmetro> 2,5cm: é um cisto que surge como resultado
de falha de ovulação de 1 folículo que não regride e torna:se atré-
sico, mas continua a crescer e persiste; São freqüentemente de pa-
redes espessas.
A confirmação de uma estrutura como um cisto luteinizado ou
luteínico pode ser feita após um exame de progesterona no leite
ou sangue, o qual mostrará altas concentrações de progesterona.
Tratar com prostaglandina PGFzlX ou análogo, que causará a
regressão e estro em 2-3 dias; cobrir ao observar-se o estro. Os cis-
tos freqüentemente desaparecerão.
Às vezes os cistos estão presentes, mas os testes de progeste-
rona no leite ou sangue, mostram níveis baixos ou níveis basais;
não repondem à terapia com prostaglandinas. Tratamento com hor-
mônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) ou gonadotrofina coriô-
nica humana (HCG) causa luteinização; pode ser usadó 10 dias
após a PGFzlXou análogo, para causar a regressão da estrutura.
. Corpos lúteos em um ou ambos os ovários: eliminar a presença de
gestação. A causa mais provável é a não-detecção de estro (vide
seção 1.8). Entretanto, pode ser devido à falha da vaca em mos-
trar comportamento de estro (subestro ou cio silencioso) ou muito
raramente é corpo lúteo persistente.
A não-detecção de estro é geralmente problema de manejo do
rebanho. Se for em animal isoladamente, tratar com prostaglandina
FZIXou análogo, cobrir ao observar o estro, usualmente 3 a 5 dias
após, ou se não observar o estro repetir a F2<%após 11 dias seguido
de IA em horário pre-fixado (vide seção 1.11 aI. 13). PRIDS po-
dem ser lsados (vide seção 1.12). Se for um problema de rebanho,
assegurar que sinais verdadeiros de estro sejam conhecidos e que
rotina regular seja usada; ou usar métodos auxiliares de detecção de
estro (vide seções 1.8 e 1.9).
Fora a primeira e menos freqüentemente a segunda, a ovulação
manifesta sinais comportamentais de estro. Normalmente subestro ou
cio silencioso é usado como desculpa para ineficiente detecção; en-
tretanto algumas vacas podem passar desapercebidas devido a curta
duração dos sinais comportamentais. Tratar com prostaglandina F2<%
ou análogo para estro não-detectado.
52
Corpo lúteo persistente é muito raro na ausência de lesões
uterinas, desde que ocorra como resultado de falha de liberação de
prostaglandina endógena (seção 1.7). Palpar os cornos uterinos ve-
rificando assimetria e espessamento, edema de parede e distinguir
gestação (seção 2.11). A razão mais provável para a persistência de
corpo lúteo seria' infecção uterina pós-parto, especialmente piometra
(seção 11.1). Exame vaginal pode revelar descarga purulenta. Tra-
tar com prostaglandina F2/Xou análogo, exigir que a vaca seja cuida-
dosamente observada havendo presença de descarga pela vulva e
reexaminá-Ia 10 dias depois.
. Ovários pequenos mas arredondados e ativos; tônus uterino de
bom a moderado; a vaca ou novilha pode estar entrando em estro,
no estro, ou ainda em início de metaestro. Procurar sinais do ani-
mal ter sido montado e evidência de muco na cauda ou períneo;
abrir os lábios vulvares e averiguar se há muco estral ou sangra-
mento de metaestro (vide seção 1.8).
Diagnóstico positivo pode freqüentemente ser difícil com um
único exame, conseqüentemente novo exame ou teste de progeste-
rona no leite/sangue em 10 dias deveria confirmar a presença de
corpo lúteo e indicar atividade cíclica normal.
7.7 Retorno regular ao estro
A vaca ou novilha retoma ao estro regularmente no intervalo
normal (18,24 dias) após cada inseminação. Isto pode ser devido à
falha da fertilização ou morte embrionária precoce (antesdo dia 14).
Falha da fertilização
:É necessário eliminar causas relacionadas ao macho, antes de
investigar a vaca ou novilha, as quais são:
. Touro infértil. Examinar os registros de reprodução ou outras
fêmeas servidas pelo touro, para gestações positivas. Se um número
considerável de vacas - ou todas - estiver vazias,então o touro
deve ser examinado detalhadamente (vide capítulo 15).
. DIY - IA. Verificar se o armazenamento, manipulação do sê-
men e inseminação estão corretos. Sendo assimentão outras fêmeas
estarão retomando ao estro. Examinar uma vaca ou novilha para
verificar a dificuldade de inseminar (seção 14.4).
53
. IA de uma central aprovada. Deve ser possível eliminar as causas
do problema, touro e técnica.
Uma vez que fatores ligados ao macho tenham sido excluídos,
a seguinte abordagem deveria ser feita em novilhas: na palpação
retal os ovários são provavelmente normais, mostrando evidênci~s
de atividade cíclica; palpação cuidadosa do trato genital tubular
pode indicar aplasia segmentar; ver se há acúmulo de fluido em
qualquer parte do trato; avaliar a abertura cervical com catéter.
Na maioria das vacas não haverá anormalidades detectáveis
através de palpação retal ou exploração da vagina.
. Lesõesadquiridas tais como aderências do ovário e bolsa, tubas
uterinas e cornos, ou distensão e aumento das tubas uterinas. Essas
lesões ou ocluem completamente o trato genital tubular, conseqen-
temente impedem os espermatozóides e oócitos de se encontrar, ou
mais freqüentemente interferem na função normal, principalmente
transporte de espermatozóides e oócito. A confirmação da oclusão
pode ser obtida usando-se fenolsulfoftaleina (PSP) teste de corante
Não há tratamento.
. Anovulação ocorre quando o folículo de Graaf maduro falha em
ovular (vide seção 1.5), regride e torna-se atrésico. O crescimento foli-
cular com regressão e atresia ocorre continuamente ao longo do
ciclo estral (vide seção 1.5). Entretanto, normalmente após o estro
pelo menos um folículo maduro ovula para liberar oócito.
A anovulação é mais provável de ocorrer no período imediata-
mente após o parto. Pode também ser seguido da formação dos
folículos luteinizados (seção 5. 1) ou o folículo pode crescer e tor-
nar-se cístico (seções 7.6 e 7.8).
Diagnóstico preciso só pode ser feito através de palpações re-
tais seqüenciadas quando será notado que o folículo persiste por
mais tempo que o normal e sem o desenvolvimento de corpo lúteo.
Testes de progesterona no sangue ou leite podem demonstrar a au-
sência de um corpo lúteo.
O tratamento é a base de hormônio liberador de gonadotro-
fina (GnRH) ou gonadotrofina coriônica humana (HCG).
. Ovulação tardia implica uma ovulação ocorrendo mais tarde que
o período normal de 12-15 horas após o final do estro. Embora
os espermatozóides sejam capazes de fertilização 30-48 horas após
a inseminação, há declínio de sua capacidade, em torno de 15-20
54
horas (seção 2.2). Assim, se a ovulação é retardada, os espermato-
zóides podem ser incapazes de fertilização; além disso, o oócito pode
ter envelhecido e também ser incapaz de ser fertilizado.
Isto só pode ser diagnosticado por palpações retais repetidas.
Tratamento com GnRH ou HCG como acima.
. Ambiente uterino anormal pode ser devido a desequilíbrio endó-
crino ou infecção crônica.
O transporte de sêmen e do oócito é influenciado pelo estado
endócrino da vaca. A deficiência no equilíbrio é quase impossível
de se provar e não pode ser corrigida.
Infecção uterina pode interferir no transporte de esperma
ou causar morte dos espermatozóides. É pouco provável que per-
sista após um ou dois ciclos estrais devido ao efeito terapêutica do
estro (seções 5.7 e 11.9) e também é improvável que esteja pre-
sente na ausência de sinais clínicos. Pode ocorrer em associação
à vaginite devido a pneumovagina causada por injúrias à vulva
durante o parto (seção 11.2) ou urovagina onde pequenas quanti-
dades de urina se acumulam na porção cranial da vagina (vacas Cha-
rolesas). Pneumovagina pode ser corrigida cirurgicamente (seção
11.2). Urovagina não tem tratamento.
Morte embrionária precoce
Quando o embrião morre antes do dia 14 do ciclo estral, en-
tão a vida útil do corpo lúteo não é prolongada e a vaca retoma
ao estro no intervalo normal. Não é possível saber se morte em-
brionária precoce está ocorrendo ou se há falha na fertilização.
Como descrito na seção 7. 3, certo nível de morte embrionária
é normal - não existe explicação para este fenômeno.
As possíveis razões para a morte embrionária precoce são:
. Incompatibilidade genética pode ser responsável pelo desenvol-
vimento de embriões anormais. Provar é muito difícil, em vaca que
retoma regularmente ao estro. O uso de touro diferente, talvez
de uma outra raça, possa ser válido.
. Estresse:difícil quantificar.
. Infecçãoresultandoem pirexia.
. Esteatose hepática ocorre em vacas com excesso de gordura na
época da parição, mas são alimentadas com energia insuficiente
após o parto e início da lactação.
55
. Deficiências e excessos nutricionais provavelmente exercem efeito
sobre a sobrevivência embrionária pela sua influência no ambiente
uterino. Súbitas alterações na dieta durante a fase embrionária ini-
cial crítica deveriam ser evitadas.
Provavelmente o fator dietético principal é a energia, a qual
pode ser particularmente importante em vacas de alta produção;
devido a sua inabilidade de consumir o suficiente para satisfazer
as necessidades para a lactação. Há perda de peso após o parto,
o que usualmente não é revertido antes de 60 dias; a estimativa da
condição de saúde e peso corporal é importante. Animais em cres-
cimento, especialmente novilhas de primeira cria, são particular-
mente susceptíveis.
Deficiência e excesso de proteína às vezes são importantes, as-
sim como o são os elementos traços, se a forragem e os concentra-
dos produzidos na própria propriedade formam uma grande pro-
porção da dieta. Vacas leiteiras alimentadas com concentrados adqui-
ridos não estão sujeitas a sofrer de deficiência de elementos traços.
Problemas nutricionais usualmente afetam o rebanho inteiro ou
um grande grupo dentro do rebanho.
. Infecção e desequilíbrio endócrino provavelmente criam um am-
biente adverso dentro do útero que impede o desenvolvimento nor-
mal do embrião. Esta provavelmente não é uma causa muito co-
mum deste problema (seção 7.7).
. Deficiência luteínica pode resultar em morte embrionária, embora
seja difícil provar. O predomínio de progesterona é necessário para
a sobrevivência do embrião e conseqüentemente a manutenção da
gestação. O hormônio luteinizante (LH) é luteotrófico na vaca.
HCG pode ser injetado por volta do dia 4 do ciclo, quando o corpo
lúteo estaria começando a regredir se a vaca não estivesse gestante.
Este tratamento é muito empírico.
7.8 Intervalo interestro curto
O intervalo normal interestro é de 18-24 dias. Intervalos meno-
res que 18 dias são anormais, exceto para o 1.° ciclo após o
parto (seção 5.1). As razões para intervalos curtos são:
. Cistos foliculares os quais ocorrem como resultado de ano-
vuiação (seção 7.7). Um ou ambos os ovários estarão aumentados
(4-5cm de diâmetro) e contendo uma ou mais estruturas preenchidas
56
de líquido com diâmetro,> 2,5cm; são usualmente de paredes finas e
flutuam quando palpados.
A vaca terá histórico de ninfomania aparentemente retornan-
do ao estro em poucos dias, embora o principal sinal comporta-
mental seja a monta excessiva, indiscriminada e cavalgando outras
vacas. Pode ter éxpressiva descarga de muco pela vulva.
O tratamento é feito com GnRH ou HCG para causar luteini-
zação com subseqüente suspensão do comportamento ninfomaníaco.
Esta estrutura luteinizada irá às vezes regredir espomàneamente
após 2-3 semanas. PRID irá parar prontamente com os proble-
mas de comportamento com regressão do cisto e a vaca retomará
ao estro com ovulação 3-5 dias após sua retirada.
Cistos não devem ser intencionalmente rompidos através de
compressão pelo reto.
. Incorreta identificação e registro do estro pode resultar em inter-
valos curtos de menos de 18 dias. B inevitável que seja feito com
algumas vacas, mas quando um grande número de intervalos cur-
tos são registrados, aponta uma necessidade de melhorar a detecção
de estro (vide seção 7.6 e 7. tO).
7.9 Intervalo interestro prolongado
Intervalos prQlongados interestro, isto é, > 24 dias, se devem
ao que se segue:
. Falha na detecção do estro. Nestes casos o intervalo será múl.
tiplo de 18-24 dias, isto é, 36-48 dias quando um estro éperdido ou
talvez 54-72 dias se dois forem perdidos. O trato genital e ová-
rios estarão normais ao exame clínico. Se apenas pequeno nú-
mero de animais estiver envolvido, então o estro pode ser induzido
com prostaglandina F2G>:ou análogos ou com PRID (seção 1.12).
Se grande número de animais estiver envolvido, então deve ser
dada atenção para a melhoria na detecção de estro (seções 1.8,
1.9 e 7.6).
. Identificação incorreta de estro. A vaca esteve em estro, sen-
do não observado foi identificada incorretamente em algum estágio
no diestro subseqüente. Os intervalos irão variar entre 25 e 35 ou
49 e 53 dias. Vacas individualmente podem ser tratadas com pros-
taglandina F2'1Xou análogos ou com PRID. Se grande número
de animais estiver envolvido, a detecção de estro deve ser melho-
rada (seções 1.9 e 7.10).
57
. Morte embrionária tardia ou fetal precoce. Cerca de 10% dos
embriões mais velhos morrem '~ntre os 14 e 42 dias; menor por-
cetnagem de morte fetal precoce ocorre após esse estágio (seção
7.3). Em todos os casos a vida útil do corpo lúteo é prolongada,
conseqüentemente o intervalo entre estros sucessivos é alongado.
As causas são as mesmas descritas como sendo responsáveis pela
morte embrionária precoce (seção 7.7) e na maioria dos casos ne-
nhuma causa específica pode ser encontrada.
Se grande número de animais de um rebanho está envolvido
se a monta natural é usada e as vacas têm histórico de descarga
mucpourulenta pela vulva ou abortamentos, então deve-se suspeitar
de infecção por Campylobacter fetus e deve-se realizar posteriores
investigaçõespara confirmar sua presença ou ausência (seção 8.6).
7.10 Avaliação da fertilidade do rebanho
Antes de tentar avaliar a fertilidade de todo o rebanho, é ne-
cessário obter registros precisos dos dados reprodutivos de todas
as vacas. Às vezes estes estão prontamente disponíveis, em outros
casos será necessário colher qualquer informação disponível de fon-
tes, tais como certificados de IA ou produção de leite.
Nas seções 7. 1 e 7.4, a fertilidade foi definida em relação
à habilidade da vaca em produzir bezerro vivo a todo intervalo
de 12 meses e as razões para este intervalo foram descritas. O in-
tervalo em dias entre um parto e o seguinte de uma vaca é co-
nhecido como intervalo entre partos. E medida útil de fertili-
dade para uma vaca e deve ser de 365 dias.
Tendo coletado os dados disponíveis, é possível fazer alguns
cálculos simples, para obter os diversos índices, que são medidas
de fertilidade do rebanho.
. O índice de parição é calculado como a média de intervalos en-
tre partos de todas as vacas do rebanho em momento especí-
fico, calculado retrospectivamente de suas parições mais recentes até
aquele momento. Deve ser de 365 dias. O índice de parição é de
valor limitado, pois é medida histórica calculada retrospecticamtm-
te. Assim ele não inclui vacas que presentemente não ficaram ges-
tantes ou levaram longo tempo para tornarem-se gestantes e além
disso pode favorecer a fertilidade dos rebanhos se grande número
de .vacas vazias for descartado.
. Intervalo parto-concepçãoé o intervalo em dias entre aparição
e inseminação fértil. Esta é medida mais imediata da fertilidade, e
58
desde que a duração média da gestação é fixada em cerca de 280
dias, então o intervalo médio parto-concepção de 85 dias dará ín-
dice de parição de 365 dias.
O intervalo parto-concepçãoserá influenciado quanto mais cedo
as vacas são servidas após o parto - primeiroserviçodo intervalo
de parto - quánto mais rapidamente tornam-se gestantes - taxa
de gestação:
. Intervalo parto-primeiroserviço é o número de dias entre o par-
to e o 1.° serviço após o mesmo. De modo a atingir em 85 dias
intervalo parto-concepção as vacas devem ser servidas cerca de
45-50 dias após o parto.
O intervalo parto-primeiro serviço será influenciado por:
- período de retorno à atividade cíclica ovariana normal (se-
ções 5.1 e 7.6).
- detecção de vacas em estro pós-parto (seções 1.8 e 7.9).
- tipo de animal - novilhas primíparas e vacas de alta pro-
dução freqüentemente necessitam de intervalo mais longo,
antes do 1.° serviço (seção 7 .4).
- a necessidade de alterar ou manter o padrão de parições de
um rebanho, por exemplo, concentrar o período de pari-
ções do rebanho.
. Taxa de gestação (conhecida como taxa de concepção) pode ser
calculada para o 1.° serviço ou todos os serviços. É o número de
serviços que resulta em gestação confirmada, expressa como por-
centagem do número total de serviços. Deve ser cerca de 60%
para os primeiros serviços e 55% para todos os serviços.
A taxa de gestação será reduzida por:
- falha na fertilização (seção 7.7);
- morte embrionária ou fetal (seções 7.7 e 7.9).
. A detecção precoce e precisa do estro é importante para assegurar
fertilidade ótima. É possível fazer estimativa da eficiência de am-
bos os dados coletados de registros do rebanho.
. A taxa de detecção de estro é estimativa do número de pe-
ríodos de estro detectado ao longo de dado período, expres-
so como porcentagem o número total que ocorreu ao longo do
mesmo período. Isto é calculado contando-se o número de perío-
dos de estros supostamente omitidos (vide seção 7.9) no decorrer
do mesmo período de tempo. A taxa de detecção deve ser em tor-
59
no de 80%, mas em muitos rebanhos é raramente melhor que 50%
ou 60%. Detecção de estro ineficiente pode ser identifica da em uma
propriedade, quando elevadas porcentagens de vacas que não estão
gestantes são submetidas para diagnóstico de gestação.
Vacas são às vezes inseminadas artificialmente quando e~
diestro (seção 7.9). A medida da precisão ou eficiência na detecção
de um estro verdadeiro pode ser obtida, calculando-se os intervalos
entre estros e entre serviços. Os números de intervalos são somados
em diferentes grupos: (a) 2-17dias, (b) 18-24 dias, (c) 25-35 dias,
(d) 36-48 dias e (e) > 48 dias.
A eficiência de detecção de estro é calculada assim:
b + d
x 100%
a+b+c+2 (d+e)
Em bom rebanho, valor de 42 ou mais será obtido, em reba-
nho ruim será de 31 ou menos.
O valor obtido é somente guia e não pode ser considerado
como sendo mais que uma estimativa.
Medida usada mais recentemente para a eficiência de iden-
tificação de vacas em estro e as que foram servidas é a taxa de
submissão. Isto é particularmente válido num rebanho de parições
sazonais e é definida como o número de vacas cobertas dentro de
um período de 21 dias, expressa como a porcentagem do número
de vacas ou além de seu serviço mais recente após o parto no
início do mesmo período de 21 dias. Deve ser em torno de
80"90% .
. Taxa de descarte para aquelas vacas que falham em tornar-se
gestantes é também medida válida de fertilidade global de rebanho.
Cerca de 95 % das vacas que parem deveriam definitivamente ficar
gestantes novamente.
7 . 11 Monitorização e manutenção de boa fertilidade
Em rebanho que tenha tido fertilidade insatisfatória, a qual
foi corrigida, ou em rebanho que tenha boa fertilidade, é impor-
tante manter-se o padrão. As chaves para monitorar e manter boa
fertilidade são:
60
. Registro preciso e permanente de todos os dados relevantes.
. Identificação precoce de vacas inférteis.
. Visitas de rotina regulares para examinar vacas inférteis e outras.
Esquema eficiente só poderá ser executado com o entusiasr
mo do peão, proprietário ou veterinário.
Registros permanentes e precisos
Os seguintes dados devem ser registrados:
. Identidade da vaca; identificação boa e clara é importante.
. Número de bezerros/lactações.
. Data da parição.
. Datas de observação de estro antes do primeiro serviço.
. Data do primeiro serviço e dos subseqüentes (identidade do touro,
se possível).
. Confirmação da gestação.
. Detalhes de problemas reprodutivos, por exemplo: retenção de
placenta, distocia e metrite.
Estes devem ser imediatamente registrados por escrito ao se.
tem conhecidos e transferidos para livro, folheto de rebanho ou
ficha individual do animal.
Esses dados são expedidos em escritório de computação e a
duplicata deve ser guardada.A partir dos dados listados acima, deve ser possível calcular os
índices necessários que podem ser usados para medir a fertilidade. As
médias podem ser obtidas e os vários índices calculados em rela-
ção às semanas ou meses do ano. Isto é particularmente útil quan-
do estão relacionadas várias alterações no manejo do rebanho, tais
como alojamento das vacas no outono, retirada das mesmas na pri-
mavera, abertura de novo silo, alimentação com novas misturas
concentradas ou a introdução de novo peão ou touro.
Vacas que requerem exame
Estas devem ser identificadas para o registro de dados e
incluirão:
61
. Vacas que tenham sofrido distocia, retenção de placenta ou me-
trite: devem ser examinadas 5-6 semanas após o parto, mesmo que
não tenham mostrado nenhum outro problema.
. Vacas que tenham descarga anormal pela vulva, tal como leu-
corréia (vide seção 11. 9 e 11. 10).
. Vacas que tenham abortado (uma prévia investigação deverá ser
feita, vide s~ções 8.5 e 8.6).
. Vacas que tenham mostrado sinais de ninfomania (vide seção 7.8).
. Vacas que não tenham sido vistas em estro 40 dias após o parto
ou que não tenham sido servidas até 60 dias após o parto.
. Vacas que foram servidas, mas não tenham sido observadas em
estro por 42 dias, isto é, t~nham perdido 2 períodos de estro
consecutivos.
Estas vacas deviam estar gestantes (seção 2. 11) ou não ter
sido observadas em estro (seção 7.6) ou são acíclicas (seção 7.6).
. Vacas que tenham retomado ao estro pelo menos 3 vezes após
o serviço (seções 7.3 e 7.7).
. Vacas que tenham sido diagnosticadas gestantes mas que mos-
tram sinais de estro (seção 2.11).
Freqüência das visitas
Isto dependerá do tamanho do rebanho e do padrão sazonal
de parições. Obviamente grandes rebanhos com estacionalidade
de parições muito imensa precisarão de pelo menos uma visita se-
manal, a qual pode ser reduzida em freqüência quando a maioria
das vacas estiver com gestação confirmada.
Sistemas de registro
Estes devem servir a propriedade, o número de vacas no re-
banho e o pessoal envolvido em lidar com o rebanho. Evitar esque-
mas complexos de registro; devem ser simples e diretos.
Registros computadorizados, particularmente impressoras de
computador, podem criar dificuldades para algumas pessoas. Progra-
mas de computador sofisticados têm a vantagem de ser capazes
de calcular grande número de índices e freqüentemente fornecer
gráficos. Entretanto, os resultados são seguros somente quanto à
precisão dos dados iniciais.
62
8 - PROBLEMAS DURANTE A GESTAÇAO
8.1 Morte pré-natal
Como indicado na seção 7.3, nem todas as vacas que se tor-
nam gestantes dão à luz um bezerro vivo a termo. Morte pré-natal
pode ocorrer em qualquer estágio da gestação; portanto as conse-
qüências são variáveis e podem envolver o embrião jovem ou mais
velho, o feto resultando em abortamento, mumificação, maceração
ou bezerro a termo que é natimorto.
Morte embrionária precoce
O embrião morre antes do dia 13. Este, juntamente com suas
membranas associadas, sofre autólise e é reabsorvido. A vaca re-
toma ao estro no intervalo normal e conseqüentemente é impossível
diferenciá-Io de falha na fertilização (seção 7.7).
Obviamente se o intervalo entre estros normal é maior que a
média, e ainda dentro da variação normal (vide seção 1.3), a morte
embrionária pode ocorrer depois do dia 13 e pode ainda resultar
em retorno ao estro em intervalo normal.
Morte embrionária tardia
O embrião morre entre os dias 13 e 42, os fluidos fetais são
reabsorvidos e o embrião com suas membranas associadas sofrem
autólise. Pode haver ligeira descarga pela vulva e eliminação de
pequenas quantidades de tecido fetal que podem não ser observado.
A vaca retoma ao estro após intervalo prolongado e irregular (se-
ção 7.9).
8.2 Causas de morte embrionária
Estas estão relacionadas nas seções 7.7 e 7.9 e são:
. Fatores genéticos.
. Extresse
. Infecçãoresultandoem pirexia.
. Esteatosehepática.
. Deficiênciase excessosnutricionais.
63
. Deficiências e desequilíbrio endócrino.
. Agentes infecciosos não-específicos.
. Agentes infecciosos específicos.
Agentes infecciosos específicos responsáveis pela morte embrionár,ia
. Trichomonas fetus.
. Campylobacter fetus.
. Vírus da Rinotraqueíte
Infecciosa (IBR/IPV).
Infecciosa Bovina/Vulvovaginite Pustulal'
8.3 Morte letal
A morte fetal ocorre entre o dia 43 e o fim da gestação. As
conseqüências são:
. Morte fetal precoce pode ser seguida de reabsorção dos fluídos,
autólise dos tecidos e membranas fetais, os quais são eliminados e
às vezes não são detectados.
. Mumificação.
. Abortamento.
. Natimortos.
. Maceração fetal.
8.4 Mumificação fetal
Após a morte fetal há reabsorção dos fluidos, desidratação
dos tecidos fetais e membranas associadas, e persistência do corpo
lúteo da gestação de modo que os produtos da concepção são reti-
dos no interior no útero.
A condição será identificada quando a vaca:
. Falha em parir no tempo esperado.
. Falha em mostrar desenvolvimento do úbere e outras alterações
que são esperadas em tomo do último trimestre de gestação.
Na palpação retal, dura massa será identifica da no útero,
com a parede uterina fortemente contraída sobre a mesma; o útero
e conteúdos são prontamente palpados sem necessidade de tração.
Nenhuma carúncula ou cotilédone será palpável e não haverá evi-
dência de frêmito na artéria uterina (seção 2. 11).
64
A múmia será expelida após tratamento com prostaglandina
F2'o:ou análogos (seção 3.12) dentro de 3-5 dias, embora, por estar
desidratada, pode haver necessidade de assistência na forma de lu-
brificação e tração pela vagina.
Na maioria pos casos causa específica de morte fetal com
mumificação não pode ser encontrada. Agentes infecciosos podem
usualmente ser excluídos, já que geralmente causam abortamento
(seção 8.5).
8.5 Abortamento
Abortamento é definido como a expulsão de um ou mais be-
zerros com menos de 271 dias após a cobertura ou IA; eles nas.
cem mortos ou permanecem vivos por menos de 24 horas.
Freqüência
B normal que menos de 1-2% das vacas gestantes abortem. Se
a porcentagem se eleva a 5% ou mais, deve ser profundamente
investigada.
8.6 Conduta a ser tomada após um abortamento
Segundo as Normas de Brucelose de 1979 (Escócia) e 1981
(Inglaterra e País de Gales), todos os nascimentos antes de 271 dias
constituem abortamento e sob estes regulamentos as seguintes me-
didas devem ser tomadas:
1. Inspetor veterinário ou oficial ,usualmente o Oficial Veteriná-
rio Divisional) do Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentos
(MAFF) deve ser notificado.
2. A vaca que esteja abortando ou tenha abortado deve ser isola-
da, juntamente com o feto ou bezerro e a placenta.
3. O feto, bezerro e placenta devem ser retidos de antemão.
Os leitores devem verificar os regulamentos atuais no que con-
cerne ao controle de Brucelose.
Independente das exigências estatutárias sob Normas de Bru-
celose, boa e cuidadosa higiene é necessária para prevenir a possi-
bilidade de disseminação de agente infeccioso, responsável pelo
abortamento. Se agente infeccioso for confirmado, ou se houver
65
qualquer suspeita de que algum agente esteja envolvido, deve ser
implementado o seguinte:
1. A placenta e produto abortado devem ser eliminados por inci-
neração ou enterramento profundo.
2. As baias e construções contaminadas devem ser limpas e de-
sinfetadas.
3. Cama e alimentos que possam estar contaminados, devem ser
queimados.
4. Esterco ou sujeira devem ser eliminados de modo que haja pou-
ca chance do agente infeccioso ser disseminado.
Em alguns países abortamento é definido quando ocorre antes
de 260 dias.
Abortamentos e registros de rebanhos
Se o abortamento ocorrer antes de 152 dias, não há necessi-
dade de começar novo registro de fertilidade. Se ocorrer após
152 dias, então novo registro começa a partir da data do abor-
tamento como se a vaca tivesse parido normalmente naquela data.
8.7 Causas de abortamento
Podem ser agentes infecciosos ou não-infecciosos.
Causas infecciosas de abortamento
A identificaçãode organismo cousal específico para abor-
tamento é difícil. Valores publicados pelos Centros Diagnósticos de
Investigação Veterinária (VIDA) do MAFF mostraram que em mais
de 31.000 exames de casos de aborto, um agente específico só foi
identificado em 5,45% dos casos.
. Corynebacterium pyogenes é identificado mais freqüentemente
como sendo a causa infecciosa mais comum de abortamentos. Em
1983 foi isolado de 25% daqueles casos onde infecção foi identi-
ficada (VIDA). Ocorre esporadicamente ou epizooticamente, cau-
sando aborto no último terço da gestação.
. Espécies de Leptospira são causa comum de abortamento.
. Cinco espécies são normalmente isoladas, a saber: L. canícola, L.
pomona, L. icterohaemorrhagiae,L. hardjo e L. grippotyphosa. Há
freqüentemente certa pirexia e queda na produção de leite algumas
66
semanas antes do abortamento; que geralmente ocorre no último
terço da gestação.
. Fungos são causas comuns de abortamento aos 4-9 meses de ges-
tação. Geralmente são esporádicos e são devidos principalmente a
Aspergillus sp e Mucor sp. Lesões semelhantes às de micose são
freqüentemente 06servadas na pele do feto.
. Salmonella dublin é a espécie de Salmonella mais freqüente iso-
lada após aborto. Abortamentos esporádicos, às vezes acompanhados
de grave diarréia, ocorrem por volta dos 7 meses de gestação, em-
bora isto seja bastante variável. Portadores assintomáticos podem
ocorrer.
. Diarréia Viral Bovina (BVD) provocada por togavirus que causa
abortamento esporádico até os 4 meses de gestação e é geralmente
precedida de pirexia. O vírus também causa defeitos congênitos.
. Brucella abortus foi diagnosticada como sendo responsável por 2,9%
ods abortamentos devido a agentes infecciosos de acordo com os
valores do VIDA para 1983. E ainda importante causa de aborta-
mentos em todo o mundo, onde até 80% das vacas gestantes são
susceptíveis, e as não-vacinadas abortam. Abortamentos geralmente
ocorrem entre 6 e 9 meses de gestação; natimortos e bezerros vivos
mas fracos também podem ser observados.
. Rinotraqueíte infecciosa bovina (lER) é causada por vírus de her-
pes bovino I. Abortamento pode acompanhar a forma respirató-
ria da doença ou pode ser sinal clínico prévio. Raramente ocorre
em associação com a forma genital da doença, vulvovaginite pus-
tular infecciosa (IPV) (vide seções 8.2 e 15.3). Abortamentos ge-
ralmente ocorrem a partir dos 4 meses até o final da gestação.
. Salmonella typhimurium e outras espécies de salmonela.
. Listeria monocytogenes. Abortamento, que ocorre no quarto final
da gestação, acompanhado por certa pirexia. Ocorre mais freqüente-
mente onde os animais são alimentados com silagem.
. Campylobacter fetus (anteriormente chamado de Vibrio fetus).
Existem duas subespécies desse organismo:
(I) C. fetus spp. fetus, o qual é transmitido pela cópula e causa
infertilidade por morte embrionária (seções 8.5 e 15.9); cerca de
10% das vacas abortarão aos 6-8 meses de gestação.
(113 C. fetus spp. intestinalis, não é transmitido venereamente, causa
aborto esporádico aos 4-9 meses e não causa infertilidade.
67
. Trichomonas fetus - não ocorre na Grã-Bretanha. É um proto-
zoário flagelado transmitido venereamentee causa abortamento na
metade da gestação.É causa de infertilidade (vide seção 8.2).
. Coxiella burneti (febre Q).
Causasnão-infecciosasde abortamento
São essencialmentesemelhantesàquelas responsáveispela mor-
te embrionária (vide seção 7.7; 7.9 e 8.2).
. Fatores genéticos como anomalias cromossômicas.
. Deficiências e excessos endócrinos.
. Deficiências nutricionais - raras, talvez vitamina A.
. Substâncias tóxicas tais como nitratos, plantas estrogênicas, mico-
toxinas, warfarin substâncias bociogênicas.
. Estresse devido ao calor.
. Substâncias terapêuticas - especialmente prostaglandinas, mas
também estrógenos e corticosteróides.
8.8 Diagnóstico das cansas do abortamento
Frequentemente diagnóstico seguro das causas de abortamento
não pode ser feito. Uma razão importante para isso é que o agente
responsável exerceu seu efeito algum tempo antes do abortamento
ter ocorrido. As razões para número relativamente pequeno de
agentes infecciosos específicos serem implicados (vide seção 8.7) são:
. Agentes infecciosos são responsáveis por número relativamente
pequeno de abortamento.
. Freqüentemente o material submetido a exame laboratorial é
inadequado.
. O organismo responsável pela morte fetal e abortamento já desa-
pareceu dos tecidos e descarga vaginal no momento do abortamento.
Para auxiliar uma investigação detalhada de abortamento (ou-
tros, sob a legislação da Brucelose, vide seção 8.6), as seguintes con-
dutas devem ser seguidas:
. Assim, quanto mais cedo possível, submeter todo o feto e mem-
branas fetais a exames laboratoriais.
. Coletar amostras de sangue da fêmea no dia do abortamento e
repetir pelo menos 3 semanas após, para exames sorológicos. Títu-
68
10 ascendente de anticorpos, especialmertte se há aumento de até
quatro vezes, pode ser significativo. Quando possível, coletas assép.
ticas usando vacutainers devem ser realizadas, especialmente para
investigações virais.
. Obter a data precisa do serviço ou IA de modo que evidências
do retardono desenvolvimentofetal possamser obtidas (vide seção
2 .6 e 2. 7).
8.9 Natimortos
Natimorto é definido como sendo o nascimento de um bezerro
morto após 272 dias de gestação. A maioria dos natimortos ocorre
durante o ato da parição.
8.10 Maceração letal
Ocorre como conseqüência de morte fetal, normalmente na
última metade da gestação, seguida pela regressão do corpo lúteo
e dilatação da cérvix, mas o feto não é abortado e permanece no
trato genital. Bactérias penetram no trato genital e estas, justamente
com alterações autolíticas, resultam na digestão dos tecidos fetais,
finalmente deixando apenas o esqueleto fetal.
8 . 11 Anomalias congênitas
São anomalias de estrutura ou função que estão presentes antes
ou no momento do parto. Em alguns casos podem ser aparentes até
algum tempo após o nascimento. As conseqüências são:
. Podem causar morte pré-natal (seções 7.3, 8. 1 e 8.3).
. Podem causar distocia (vide seção 9. 8).
. Podem afetar adversamente a habilidade do bezerro sobreviver
após o nascimento.
. Pode ser antieconômico manter o bezerro, pois ele poderá não
ser produtivo na possibilidade de transmitir o defeito à sua progê-
nie. Cerca de 1,0% dos bezerros tem defeitos congênitos.
Causas
. Fatores ambientais tais como estresse ao calor ou agentes tera-
togênicos.
69
. Defeitos genéticos devido a mutações gênicas ou anomalias cro-
mossômicas.
. Agentes infecciosos tais como os vírus da BVD, Língua azul ou
Akabane vírus.
Em muitos casos causa precisa é desconhecida. Conseqüente-
mente, qualquer defeito congênito deve ser tratado como pos-
sivelmente genético; o bezerro não deve ser mantido para fins re-
produtivos.
Algumas anomalias congênitas comuns e suas causas
. Principais anomalias
Schistosomus reflexus: causa desconhecida.
Gêmeos Siameses: causa desconhecida.
. Anomalias musculares e esqueléticas
Hidrocefalia: genético.
Desvio de cabeça e escoliose (desvio e torção da coluna vertebral):
possivelmente genético.
Pálato fendido: genético e teratogênico.
Artrogripose (anquilose fibrosa das articulações): genético e
teratogênico.
Agenesia da cauda: desconhecido.
Encurtamento da mandíbula: desconhecido.
Polidactilia (membros ou dedos adicionais): desconhecido.
Sindactilia (fusão de dedos funcionais): genético.
Duplicidade muscular: genético.
. Anomalias do olho
Microftalmia: desconhecido.
Dermóide: genético.
Catarata: genético.
. Defeitos cardiovasculares
Ectopia cardíaca: possivelmente genético.
Ducto arterioso e forame oval: desconhecido.
. Sistema cutâneo
Epiteliogêneseimperfeita: genético.
Hérnia umbilical: genético.
. Defeitos do sistema genital (seção 3.5 e 7.6).
70
8 .12 Prolapso cérvico-vaginal
Implica na protusão da vagina e cérvix através da vulva. A gra-
vidade varia de leve e protusão intermitente do assoalho da vagina
a grave, com protusão permanenteda vagina e cérvix.
Causas
o prolapso é essencialmente devido à fraqueza dos músculos
constrictores do vestíbulo e vulva, e talvez o relaxamento dos liga-
mentos suspensórios do trato genital.
Vários fatores predispõem à condição:
. Genético: observado mais freqüentemente em raças de corte, tais
como Hereford e Charolês.
. Obesidade: especialmente devido à inten:sa deposição de gordura
retroperitonial.
. Gestação: mais freqüentemente observado em gestação adiantada,
conseqüentemente pode estar associada com o relaxamento devido
ao estado endócrino da vaca ou ao aumento da pressão intra-
-abdominal.
. Alta ingestão de forragem; aumento do tamanho do rúmen ha-
vendo com isso aumento da pressão intra-abdominal.
. Autoperpetuação: à medida que o prolapso evolui a mucosa tor-
na-se progressivamente mais desidratada, desvitalizada, traumatizada
e infectada, assim estimulando a vaca a contrair.
Diagnóstico {fprognóstico
A condição é obvia à inspeção visual. Pólipos vaginais e mem-
branas em protusão podem ser confundidos.
Grau moderado de prolapso algumas semanas antes do par-
to é de pouca conseqüência; prolapso mais grave, especialmente se
ocorrer a 6 ou mais semanas antes do parto, deve ser tratado.
Falha em fazê-Io resultará em dissolução do tampão mucoso cervi-
cal, invasão bacteriana do útero, morte fetal e abortamento.
Tratamento
O objetivo principal deve ser a retenção dos tecidos prolapsa.
dos até o parto da vaca, quando o problema geralmente será resol-
vido. Como há forte possibilidade de que o prolapso ocorra
71
novamente nas próximas e sucessivas gestações, é duviooso que a
vaca deva ser coberta novamente. Há também a possibilidade de
que a tendência possa ser herdada.
Anestesia epidural é realizada para abolir as contrações, a mu-
cosa é limpa com fluido não-irritante, preferivelmente solução f,i-
siológica ou água), seca, lubrificada com geléia de petróleo, cuida-
dosamente recolocada e mantida no lugar por um dos métodos
seguintes:
. Amarração com corda.
. Suturas de vulva com colchoeiro simples ou captonada.
. Sutura perivulvar subcutânea usando fita de nylon - método de
Bühner, o qual é o método de eleição (Fig. 8.1).
. Operação de Caslick.
As suturas temporárias devem ser removidas no parto e em
muitos casos o parto deve ser induzido (seção 3.12). Métodos per-
manentes tais como resecção submucosa (vide Bovine Sugery and
Lameness de weaver) ou fixação cérvico-vaginalpodem ser usados,
mas estes métodos são difíceis.
8 . 13 Torção uteriua
A maior parte dos casos de torção uterina ocorre na época
do parto (seção 9.9); um pequeno número de vacas desenvolve
torção uterina durante o final da gestação. :f: provável que haja
sinais clínicos somente quando excedeu os 1800 no eixo longitudinal.
Quando há dor ou desconforto abdominal na gestação avan-
çada com pulso elevado, a torção uterina deveria ser considerada
como possível causa. O diagnóstico pode ser feito por palpação
vaginal (a menos que seja uma novilha) ou retal. A correção con-
siste em rolar a vaca, ou via laparotomia ou talvez histerotomia
(vide seção 9.7). Em alguns casos, morte fetal com mumificação
ou ruptura com gestação pseudo-ectópica pode ocorrer.
8 . 14 Ruptura uteriua
Isto pode ocorrer espomãneamente durante a gestação sem cau-
sa aparente ou como conseqüência de torção uterina (seção 8. 13).
O feto pode morrer ou em alguns casos, desde que o cordão um-
bilical e placenta estejam intactos, desenvolver-se-á pseudogestação
ectópica.
72
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1- Incisãode 2cm
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1- Incisãode 3cm
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Linha de náilon
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" 11
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l~\'
Pontas da linha a
ser apertadas,
amarradas e
postas
subcutaneamente
(d)
Fig. 8. 1.
Método de Bühner para redução de prolapso cérvico-vaginal.
73
8 . 15 Hidroamnion e hidroalantóide
Os volumes normais de líquido amniótico e alantóide durante
a gestação são dados na seção 2. 5. Hidropsias implicam o excesso
de produção de líquidos fetais - o hidroalentóide é o mais comum.
Casos leves de excesso de líquidos fetais podem passar desper-
cebidos; entretanto, em casos graves, o volume do fluido amniótico
pode chegar a tOO litros e alantóide a 250 litros.
. Sinais clínicos. No último terço da gestação haverá evidências de
distensão abdominal excessiva. Haverá redução de apetite porque o
rúmen está comprimido e torna-se pequeno. A vaca terá dificuldade
para andar e, se os sintomas forem graves, permanecerá deitada.
. Diagnóstico é baseado no histórico e sinais clínicos. Percussão
abdominal revelará grande massa preenchida de líquido e a pal-
pação retal evidenciará útero inteiramente aumentado, onde umas
poucas carúnculas podem ser palpadas.
. Prognóstico é grave a menos que a vaca esteja próxima do final
da gestação ou seja tratada. Distocia devida à inércia uterina (se-
ção 9.9), ou retenção placentária seguida de metrite são muito pro-
váveis (seção 11.8).
. Tratamento. A menos que a vaca seja valiosa, raramente é econô-
mico e assim o abate é preferível na maioria dos casos. O parto
pode ser induzido com corticosteróides ou alternativamente pode-se
realizar a histeretomia para remover o bezerro, entretanto deve ser
permitido que os líquidos fetais sejam drenados lentamente por
período de cerca de 30 minutos. Isto assegura que não ocorra cho-
gue circulatório devido à descompressão viscerol. Se permitir-se que
.:>fluido saia repentinamente com súbita redução da pressão intra-
-abdominal, o choque circulatório poderá acontecer.
74
9 - DISTOCIA
9.1 Definição,
A distocia é definida como um nascimento difícil. Pode variar
de ligeiro atraso no processo à completa inabilidade da vaca
parir. As conseqÜênciasda distocia são importantes e podem ser:
. Morte do bezerro.
. Redução do apetite e
. Fertilidade reduzida.
. Esterilidade.
. Morteda vaca.
da produção leiteira.
9.2 Incidência
E difícil se dar número que expresse esse valor, pois é influen-
ciado por fatores como idade, nÚmero de partos, a raça do touro e
da fêmea. Valores entre 3 e 8% são freqÜentementecitados.
9.3 Causas
Tradicionalmente são divididas naquelas que primariamente são
de origem fetal e materna. FreqÜentemente a distinção não é clara
e um problema pode dar origem a outro.
9.4 Couduta em casos de distocia
A suspeita de um caso de distocia deve ser sempre tratada
como emergência, necessitando visita e exame imediatos. O objetivo
principal deve ser bezerro e vaca vivos.
Deve ser obtido histórico detalhado:
. Idade e partos da vaca.
. Histórico de partos anteriores.
. Estado de saúde durante a gestação,
imediato.
especialmente no período
75
. Atividade e apetite presentes.
. Data de cobertura ou dia esperado de parto.
. Touro e detalhes de outros partos em que o touro foi o mesmo.
. Primeiros sinais de impedimento de parto (início do primeiro es-
tágio- seção 3. 8). '
. Evidência de contrações, quando foram primeiramente observa-
das e sua natureza.
. Evidência de feto e/ou membranas fetais na vulva.
. Evidência de ruptura do alantocórion ou âmnio com escape de
fluidos. if' i
. A natureza de qualquer exame ou tenativa de auxílio ao parto
pelo pessoal da propriedade.
9.5 Exame clínico
A vaca deve ser adequadamente contida pela cabeça em
baia de parição adequada (vide seção 3.11). A seguinte conduta
deve ser seguida:
. Avaliação geral da condição orgânica e de saúde com ênfase par-
ticular na presença de hipocalcemia ou mastite.
. Avaliar o grau de relaxamento da vulva e ligamentos pélvicos.
. Observar a natureza de qualquer descarga pela vulva, especial-
mente seu odor.
. Examinar a vulva para evidências de traumapor interferências
anteriores.
. Lavar todo o períneo e vulva com água morna, sabão e escova
cirúrgica.
. Introduzir gentilmente na vagina o braço limpo (preferivelmente
enluvado) e adequadamente lubrificado. A presença do(s) bezerros(s)
deveria ser determinada juntamente com sua posição.
. Avaliar a presença de bezerro vivo, verificando os reflexos
ocular, de flexão e sucção, e notar o batimento cardíaco e pulso
carotídeo. Na apresentação posterior o reflexo anal pode ser avaliado.
. Avaliar a integridade do âmnio e alantocórion.
. Observar o grau de dilatação da cérvix. Quando estiver totalmen-
te dilatada, apenas pequena saliência de tecido separando a vagina
do útero pode ser palpada.
76
. Observar se o bezerro está no abdômen ou no canal pélvico.
. Determinar e informar a presença de quaisquer lacerações, hema-
tomas ou outras injúrias.
. Após o nascimento do bezerro, sempre verificar se há outro.
9.6 Diagnóstico
O histórico do exame clínico deve permitir que se faça o
diagnóstico da distocia. A seguir temos um lembrete da duração de
cada estágio:
. O primeiro estágio deve ser completado em + 6 horas; novilhas
freqüentemente necessitam mais tempo.
. O segundo estágio geralmente leva cerca de 70 minutos; deve
certamente completar-se em cerca de 4 horas, exceto em novilhas,
onde até 6 horas devem ser dadas para permitir dilatação adequada
do canal do parto.
9.7 Tratamento
O tratamento dependerá da causa precisa da distocia, entre-
tanto as seguintes técnicas gerais são freqüentemente usadas.
Correção de posição anômala
Durante o primeiro estágio do parto (seção 3.8), o bezerro so-
fre mudanças na sua situação no interior do útero de modo que
possa passar através do canal do parto. Essas mudanças envolvem
extensão das extremidades e rotação do bezerro sobre seu eixo lon-
gitudinal de modo que a superfície dorsal fique adjacente ao sacro
e vértebras da vaca. f: determinado no início da gestação se o be-
zerro penetra no canal do parto em posição anterior ou posterior.
A situação normal do bezerro pode ser descrita como segue:
Apresentação longitudinal anterior (relação entre o eixo longi-
tudinal do bezerro para o canal do parto), posição dorsal (relação
da superfície dorsal do bezerro para o sacro e vértebras da fêmea
e postura estendida (a cabeça e membros estão estendidos (Fig. 9.1).
A disposição normal deve ser conseguida antes que o bezerro
possa ser expelido. Isto é obtido aplicando-se forças corretivas
pela vagina e é amplamente dependente de procedimentos mecâni-
cos simples. A correção é facilitada empurrand(}-se o bezerro para
77
Cérvix
Vagina
Púbis
Útero
Fig. 9.l.
Bezerro em situação normal para o nascimento - apresentação
longitudinal anterior, posição dorsal e postura estendida. (Seta indica
passagem em arco do bezerro do útero para o exterior.)
o interior do útero a fim de propiciar espaço suficiente para reali-
zar a manipulação necessária. Agentes /32 miméticos ajudam a rela-
xar o útero e anestesia epidural previne as contrações e auxilia na
repulsão. A correção da situação anômala é mais fácil se o bezerro
estiver vivo (porque movimentos espontâneos ocorrem) e se hou-
ver lubrificação natural ou complementar adequada.
Tração
Isto é necessário para completar as forças de expulsão nor-
mais, as quais são a combinação de concentrações miometriais e
contração abdominal. É necessária quando a força de expulsão é
insuficiente para expelir o bezerro e deve ser preferivelmentecoor-
denada com a contração. A tração é aplicada através de laços de
corda ou correntes obstétricas, as quais são colocadas atrás das ore-
lhas e da região occípital no caso de laços de cabeça (Fig. 9. 2a)
78
b
a
Fig. 9.2.
Locais de fixação dos laços de corda para tração. (a) Laço de Benesch
para tração de cabeça. (b) Laço para tração de membros.
ou acima da articulação radio-cárpica, no caso de membros (Fig.
9. 2b). Deve haver lubrificação adequada ou natural dos líquidos
fetais ou artificial na forma de lubrificantes obstétricos à base de
celulose ou sabão. .
A tração deve ser aplicada de modo que haja estimulação da
progressão normal do bezerro através do canal do parto (Fig. 9. 1)
com a extremidade de um membro ligeiramente antes do outro.
Tração excessiva não deve ser aplicada na cabeça. A direção da
força segue em arco e é dependente da situação do bezerro em
relação ao canal do parto.
Os instrumentos usados para tração, tais como tracionadores
mecânicos de bezerro, devem ser usados com muito cuidado devido
à força mecânica por eles gerada e deve ser usado apenas por
pessoas experimentadas e responsáveis.
Petotomia (embriotomia)
Esta tcnica envolve a amputação de parte do bezerro, ou
sua divisão em porções de modo que possam ser retiradas pela
vagina. Os seguintes princípios básicos devem ser seguidos:
. O bezerro deve estar morto ou não há interesse em mantê-Io vivo,
isto é, monstro fetal, que no caso deve ser morto.
. Anestesia epidural deve ser utilizada.
. Raramente envolve mais do que um corte.
. Instrumentos adequados devem ser usados.
A maior parte dos embriótomos são do tipo tubular (Fig. 9.3)
o que protege de traumas o trato genital da vaca.
79
Cabos
Canos ou
guardas
Fig. 9.3.
Embriótomo tubular de Thygesen.
80
--- Tarraxa
Laço do fio de
embriotomia
o corte é feito com fio serra de aço trançado, o qual é
passado ao redor da parte do bezerro a ser cortada.
A fetotomia deve ser realizada com cuidado, sabendo-se que
traumas, particularmente se o procedimento é prolongado, podem
afetar a ferti1idad~da vaca.
Operação cesariana
Este é o método de eleição quando um bezerro normal e vivo
está presente, e a distocia não pode ser corrigida por nenhum
outro método. Desde que seja realizada adequadamente, deve haver
taxa alta de sobrevivência de bezerros e baixa de mortalidade da
vaca. Há redução de fertilidade (seção 7.7).
Detalhes da técnica podem ser encontrados em Bovine Surgery
and Lameness de Weaver.
9.8 Causas específicas de distocia - Grupo 1
No primeiro grupo estão aquelas causas onde a vaca é obser-
vada tendo contração vigorosa, porém improdutiva, por várias horas.
Desproporçãofeto-maternal
Isto implica que o feto é maior que o normal ou que o canal
do parto, particularmente a pelve óssea, é muito pequeno ou de má
conformação. Em ambos os casos o bezerro é incapaz de passar
através do canal do parto mesmo com assistência.
Esta é a causa mais comum de distocia atendida por veteriná-
rios; é especialmente comum em novilhas e raças de corte com hi-
pertrofia muscular (seção 8.11). Há histórico de contração im-
produtiva, talvez com a extremidade de 1 ou 2 membros projetan-
do-se pela vulva.
Exameclínico pela vaginamostraráque o bezerro tem apresentação,
posição e postura normais (seção 9.7) com a cérvix completamen-
te dilatada e a vagina, vulva e períneo normalmente relaxados.
Tratamento em primeira instância será por tentativa de tração, des-
de que haja lubrificação adequada. O tratamento pode ser fre-
qüentemente subjetivo, determinando-se a progressão após período
de tentativa de 10 minutos de esforço coordenado de 3 pessoas.
A tração é provavelmente bem-sucedida se o bezerro estiver em
apresentação anterior, de modo que a tração permita ambos os co-
tovelos dassarem juntos sobre o bordo da pelve.
81
Alternativamente, tentativas podem ser feitas para prever o su-
cesso da tração usando-se a fórmula de Hindson para calcular a
taxa de tração (TR).
distância entre ísqueos P, 1x-x-TR =
diâmetro digital do bezerro P2 E
P, = Fator de parto de 0,95 para novilhas.
P2 = Fator de correção para apresentação posterior de 1,05.
E = Fator de 1,05 para raças com hipertrofia muscular.
TRs de 2,5 ou mais são prováveis de serem resolvidos com
sucesso por tração; TRs de 2,5 ou menos necessitam cesariana.
Em alguns casos, tração com sucesso permite o progresso do
bezerro até a altura do tórax, mas a parte caudal do bezerro não
atravessa o canal do parto. Isto é conhecido como "GARUPA TRA-
VADA" onde os trocânteres maiores do fêmur dobezerro fazem pres-
são sobre o eixo dos íleos e os "joelhos" no bordo da pelve. O bezer-
ro deve ser empurrado e girado em 45°-90° sobre seu eixo longitu-
dinal e a tração repetido. A falha requer fetotomia (vide abaixo).
A operação cesariana é o método de eleição se a tração for
malsucedida. B preferível escolher este método se o bezorro esti-
ver vivo, do que falhar com uma tração excessiva e produzir um
bezerro morto.
A fetotomia só é um método de tratamento praticável em ca-
sos de "GARUPA TRAVADA" quando o bezerro estiver morto.
A porção cranial do bezerro é amputada; ele é eviscerado e a pél-
vis é duplamente seccionada, usando-se o embriótomo. Cada parte
é removida separadamente.
A prevenção da desproporção feto-maternal é o objetivo e isto
pode ser conseguido como se segue:
. Seleção da vaca - assegurar que seja de tamanho adequado.
. Seleção do touro - não usar touros de raças com alta predis-
posição a causar distocia. Selecionar touros com baixa taxa de dis-
tocia para novilhas.
. Assegurar que vacas não sejam superalimentadas e conseqüente-
mente tornem-se muito gordas. Ingestão reduzida de alimento tem
pouco ou nenhum efeito sobre a taxa de crescimento e tama-
nho fetal.
82
. Induzir o parto antes do termo (seção 3. 12).
. Selecionar vacas com boa conformação pélvica. A pélve deve ser
inclinada crânio-caudalmente e ampla.
Dilatação cervica~ incompleta
Há o histórico de contração improdutiva (para exceções veja
seção 9.9).
O exame clínico pela vagina mostrará a cérvix parcialmente
dilatada com protusão de parte do bezeror (usualmente um ou am-
bos os membros e talvez parte da cabeça) através dela; em alguns
casos a cérvix parece tensa e firme.
Ê causada por hipocalcemia, fibrose da cérvix ou deficiências
endócrinas ou neurológicas.
Tratamento. Se o bezerro estiver vivo, aplicar borogluconato de
cálcio, subcutaneamente e esperar por 30-60 minutos, no caso
de o primeiro estágio ainda não se ter completado. Se não
houver resposta após este tempo, tração moderada deve promover
a dilatação se estiver próxima de se completar; a operação cesa-
riana é indicada como alternativa. Um bezerro morto e em putre-
fação pode indicar fechamento da cérvix acompanhando distocia
devido a outra causa.
Constrição vulvar ou vaginal
Há histórico de contração improdutiva, geralmente em novilha.
O exameclínico no caso de estreitamentovulvar mostraráuma
vulva pequena e insatisfatoriamente relaxada, na qual é difícil in-
troduzir mão ou braço. Um ou ambos os membros podem proje-
tar-se pela vulva e o bezerro está em apresentação, posição e poso
tura normais. A cérvix está completamente dilatada. Onde houve
uma (constricção) da vagina, será identificado como uma este-
nose, na exploração vaginal.
Ê causada por deficiência endócrina ou defeito congênito.
O tratamento de estreitamento vulvar é feito por tração mode-
rada com lubrificação adequada para dilatar a vulva, ou episio-
tomia (veja figura 11.1) ou ainda droga ~2 mimética como
o clenbuterol (Planipart, Boehringer-Ingleheim) para adiar o parto
e assim permitir o relaxamento da vulva (vide seção 3.12). Tração
83
pode levar a Laceração perineal de 1.°, 2.° ou 3.° grau (vide se-
ção 11.2). As constricções vaginais leves podem permitir tração
cuidadosa; uma constricção grave requer operação cesariana.
Obstrução de tecidos moles
Há histórico de contração improdutiva.
O exame clínico pela vagina, mostrará o bezerro em apresen-
tação, posição e postura normais; a cérvix estará totalmente dila-
tada, mas haverá obstrução de tecidos moles, o que pode ser con-
fundido com constricção vaginal (seção 9.8). Pode haver tumor
vaginal, remanescentes dos ductos de MüIler, presentes como faixas
de tecido fibroso ou uma cérvix dupla com as extremidades do
bezerro penetrando em ambos os canais cervicais.
Tratamento. Os vestígios dos ductos de MüIler podem ser cor-
tados com tesoura. Tumores e dupla cérvix requerem operação
cesariana.
Defeitos ósseos da pelve
Há histórico de contração improdutiva e possivelmente injú-
rias anteriores da pelve.
O exame clínico pode mostrar sinais externos de defeito pél-
vico como deslocamento sacroilíaco. O exame da vagina mistrará o
bezerro em apresentação, posição e postura normais, com a cérvix
totalmente dilatada e canal do parto ósseo deformado e anormal.
Tratamento. Se for defeito leve, tração cuidadosa pode ser
tentada; ou, então, realizar operação cesariana e não cobrir a vaca
novamente.
Torção uterina (vide também seção 9.9).
Há no histórico alguma evidência de leve contração, esforço
improdutivo, embora em muitos casos não haja tal evidência.
A vaca ficará às vezes com a cauda levantada e sinais de des-
conforto.
O exame clínico da vulva e períneo pode mostrar leve assime-
tria da rima vulvar e repuchados para dentro da pelve. Será difícil
explorar a vagina manualmente se a torção for de 360", pois o lúmen
estará quase ocluído. Se a torção for de 180° é possível introduzir o
braço na vagina e através dacérvix, seguindo-sea direção da torção.
84
As torções podem ser para direita ou esquerda, sendo a último
mais comum. Os membros do bezerro podem estar envolvidos
na torção.
A causa da condição não é conhecida com certeza; está pro-
vavelmente associada a movimentos fetais vigorosos e a suspensão
instável do útero' grávido, especialmente em animais pluríparos.
Tratamento. O método simples e mais bem-sucedido é rolar
a vaca. Ela é derrubada, os membros anteriores e posteriores são
peadose ela é colocada em decúbito lateral do lado para o qual
o útero está torcido (isto é, sobre o lado esquerdo se a torção for
do lado esquerdo). Um bràço é .introduzido na vagina para segurar
o feto, se possível, ou pelo menos para tentar parar a movimen-
tação do útero; a vaca é então virada rápida e repentinamente
em 180°. Se for bem-sucedido sentir-se-á o desaparecimento da
torção; se não, ou se for apenas parcialmente corrigido, o rola-
mento deve ser repetido.
Na maioria dos casos, uma vez que a torção tenha sido corri-
gida, a cérvix estará dilatada e o bezerro poderá ser retirado por
tração. Se a cérvix não estiver completamente dilatada, a vaca deve
ser deixada por uma hora para permitir a ocorrência da dilatação.
Se não ocorrer, a operação cesariana será necessária.
Se o rolamento falhar em corrigir a torção, esta pode ser tra-
tada via laparotomia no flanco esquerdo e se isto por malsucedido,
deve-se optar pela operação cesariana.
Apresentação simultânea de gêmeos
Há o histórico de contração improdutiva, com talvez uma ou
1?ais extremidades de membros aparecendo pela vulva.
O exame clínico revela o períneo e a vulva normais e relaxa-
dos, uma cérvix completamente dilatada e 2 bezerros adentrando o
canal do parto simultaneamente. Palpação cuidadosa deve ser rea-
lizada para determinar as relações das várias extremidades e a po-
sição dos bezerros, para a p'ossibilidade de gêmeos siameses. (Veja
monstros a seguir.)
Tratamento. Um bezerro deve ser empurrado para dar espaço
para o outro ser trazido ao canal do parto. Muitas vezes é difícil
de emparelhar os membros do mesmo animal. Se ambos os bezer-
ros estiverem igualmente colocados no canal do parto e um estiver em
apresentação longitudinal posterior, este deveria ser retirado pri-
85
meiro. Se um estiver à frente do outro, então este deve ser reti-
rado primeiro.
Bezerros gêmeos são usualmente menores do que quando úni-
cos e conseqüentemente a manipulação é mais fácil.
Monstros (bezerros congenitamente anormais)
Há histórico de contração improdutiva, talvez com extremida-
des projetando-se através da vulva; no caso de Schistosomus reflexus
(veja abaixo), os intestinos e outras vísceras podem estar na vulva.
O exame clínico pela vagina revelará vulva normal e relaxada,
cérvix completamente relaxada e partes do bezerro no canal do
parto. Freqüentemente é difícil determinar o tipo de monstro.
As causas de anomalias congênitas dando origem a monstros
são descritas na seção 8. 11.
A seguir estão alguns tipos de anomalias mais comuns.
. Schistosomusreflexus (seção 8.11). Estará em apresentação visce-
ral, quando os intestinos se projetam para dentro da vagina e mes-
mo através da vulva, ou membros são apresentados. Quando são
pequenos, parição via vagina é possível, caso contrário a operação
cesariana ou fetotomia é necessária.
. Gêmeos siameses.A fusão de 2 bezerros pode se dar virtualmente
em qualquer ponto do corpo. A diferenciação de gêmeos normais
pode ser difícil às vezes (veja acima). Devem ser retirados por
operação cesariana.
. Perosomus elumbis. Isto ocorre quando a. parte cranial do corpo é
normal, mas a parte caudal tem anquilose vertebral e de mem-
bros posteriores. Às vezes, é difícil identificar num exame vaginal
e devem ser retirados por cesariana.
. Artrogripose, torticollis e escoliose descrevemcondiçõesonde as
extremidades estão flexionadas e rígidas. Pode ser difícil de deter-
minar até que se note a impossibilidade de estender extremidades
por manipulações através da vagina. A retirada é feita após feto-
tomia ou operação cesariana; às vezes a fetotomia parcial deve ser
realizada através de histerotomia.
. Ascite. Às vezes é vista associada à acondroplasia. Tratar drenando
o abdômen, realizando tração, ou por operação cesariana.
. Anasarca. :É edema subcutâneo generalizado, e é tratado atra-
vés de operação cesariana.
86
Disposição anômala
E a causa mais comum de distocia em todos os tipos e raças
de gado.
Sinais clínicos. Há contração improdutiva, talvez com alguma
evidência de extremidades fetais na vulva. O exame vaginal mos-
trará a cérvix completamente dilatada com o bezerro em apresen-
tação, posição ou postura anormal. Palpação cuidadosa permitirá
precisar a anormalidade a ser determinada.
A causa de situação anormal não é totalmente compreendida,
talvez devido a falha no desenvolvimento dos reflexos do bezerro,
estimulação inadequada dos movimentos fetais ouanoxia fetal.
Tratamento. Os princípiosgerais são discutidosna seção 9.7.
Situação anômala devido a anormalidades posturais
Estas anomalias podem ser uni ou bilaterais, envolvendo cabe-
ça e pescoço, os membros sozinhos ou em combinação.
As anormalidadesposturais que ocorrem com o bezerro em
apresentaçãoanterior são:
. Flexão unilateral ou bilateral do carpo; tratado por repulsão e
extensão do membro.
. Flexão unilateral ou bilateral do cotovelo; tratado por repulsão
e extensão.
. Flexão unilateral ou bilateral do ombro; tratado por repulsão e
extensão. A cabeça pode projetar-se na vulva e tornar-se edematosa
e congesta (bezerro enforcado).
. Se estiver morto, fetotomia simples envolvendo amputação da
cabeça na região da articulação atlanto.occipital, permitindo a
repulsão e extensão dos membros anteriores.
. Flexão lateral de cabeça e pescoço; também pode ocorrer com
outras anomalias de postura. O tratamento por repulsão e exten-
são pode ser realizado, a menos que haja anquilose das vértebras.
Se for malsucedido deve-se realizar fetotomia ou operação cesariana.
. Flexão ventral da cabeça e pescoço, tratado por repulsão e ex-
tensão dos mesmos.
. Flexão do quadril (postura de "cão sentado") onde os membros
posteriores estão estendidos em direção à cabeça e estão posiciona-
dos sobre o bordo da pelve da vaca, para dentro do canal do par-
87
to; pode ser confundido com apresentação simultânea de gêmeos
(veja acima). O tratamento é por repulsão e tração.
As anormalidades de postura que ocorrem com o bezerro em
apresentaçãoposterior são:
. Flexão do jarrete uni ou bilateral; tratado por repulsão e extensão.
. Flexãouni ou bilateral do quadril; tratado por repulsão e extensão.
Situação anômala devido a anormalidade de posição
Estasanomaliaspodemocorrercomo bezerroem apresentação
longitudinal anterior ou posterior em combinação com anormali-
dade de postura. São elas:
. Posição ventral.
. Posição lateral esquerda.
. Posição lateral direita.
. Variações intermediárias, por exemplo, posição ventro-Iateral.
O tratamento envolve repulsão e rotação sobre o eixo longitu-
dinal, o qual pode ser necessário repetir várias vezes até que a
correção esteja completa. Lubrificação é importante.
Situação anômala devido a anormalidades de apresentação
Estas anormalidades não são comuns em vacas a não ser que
apresentação longitudinal posterior seja considerada (cerca de 5%
dos bezerros nascem assim, freqüentemente sem distocia). A des-
proporção feto-maternal é acentuada nesta apresentação e a inci-
dência de natimortos mais elevada que nos casos de apresenta-
ção anterior.
Apresentações transversas são raras devido ao formato do útero
grávido e do espaço restrito.
9.9 Causas específicas de distocia - Grupo 2
Estas ocorrem quando a contração uterina não está presente
ou está limitada, e o primeiro estágio do parto (seção 3.8) é apa-
rentemente prolongado.
88
Ruptura uterina (vide seção 11.6).
Há histórico de alguma contração improdutiva e que tenha
agora cessado, ,ou tenha havido alguma evidência de início do pri-
meiro estágio do parto sem progressão para o segundo. Os sinais
clínicos depender,ão de quando tenha ocorrido a ruptura uterina.
O exame clínico pela vagina mostrará cérvix dilatada sem
bezerro palpável e evidência de ruptura uterina, através do qual
passa o cordão umbilical.
Tratamentopor laparotomia.
Torção uterina
Veja seção 9.9. Pode ocorrer sem nenhuma evidência de con-
tração mas com histórico da vaca ter estado no primeiro estágio do
parto sem progressão para o segundo.
Dilatação cervical incompleta
Veja seção 9.9.
Há histórico de 1.° estágio prolongado sem progressão para o
segundo; não há evidência de contração.
O exame clínico pela vagina mostrará que a cérvix está apenas
parcialmente dilatada em grau insuficiente para permitir a passa-
gem das extremidades do bezerro; as membranas fetais podem estar
se projetando. Deve-se avaliar a viabilidade do bezerro e procurar
sinais de alterações putrefativas.
Tratamento. É possível que a vaca não tenha completado o 1.°
estágio; portanto, deve-se deixá-Ia por 1 hora e reexaminá-Ia para
evidências de posterior dilatação. Deve ser aplicado borogluconato
de cálcio, subcutaneamente, mesmo se não houver sinais clínicos de
febre de leite. Se a dilatação não ocorrer, o bezerro deve ser reti-
rado por operação cesariana vide seção 9. 7 e Bovine Surgery
e Lameness).
Se o bezerroestivermortoe houversinaisde putrefação,é pro-
vavelmente devido à falha na expulsão do bezerro, de modo que
a cérvix encontra-se fechada. Ocorre após abortamentos tardios (vi-
de seções 8.7 e 8.8).
89
Inércia uterina
A inércia uterina primária é comum, especialmente em vacas
velhas, pluriparas está também associada com abortamento tardio
(vide seções 8.7 e 8.8).
Há histórico de 1.0 estágio prolongado, sem sinais de cOn-
tração. Pode haver alguma evidência de hipocalcemia.
O exame clínico pela vagina mostra cérvix totalmente di-
latada com membranas fetais entrando no canal do parto, mas com
o bezerro em situação normal, ainda dentro do útero.
Tratamento..Deve ser administrado borogluconato de cálcio e,
desde que a volva e vagina estejam relaxadas, o bezerro é retirado
por tração.
Deslocamento ou desvio ventral do útero
Não é condição comum.
O histórico é de vaca velha plurípara com abdômen pêndulo,
talvez com ruptura dos músculos reto-abdominais ou do tendão
pré-púbico, em 1.0 estágio prolongado sem sinal de contração.
O exame clínico pela vagina mostrará cérvix totalmente dila-
tada com o bezerro presente no útero e situado profundamente no
abdômen. Pode haver alguma evidência de inércia uterina.
Tratamento. Administrar burogluconato de cálcio e usar tração.
90
10 - RETENÇAO PLACENTARIA
10.1 Introdução
A placenta é normalmente eliminada cerca de 6 horas, em
média, após a expulsão do bezerro. O método normal de separação
e expulsão foi descrito na seção 3. 10.
10.2 Incidência
E. difícil obter dados precisos devido à variação de opiniões ao
tempo normal de separação e expulsão. Entretanto, a prev&lênciaé
mais comum em vacas de leite do que de corte - valor médio se-
ria de cercade 8%. É mais comum devido a certas anormalidades
(vide abaixo) em certas propriedades, em determinados anos, há
aumento dramático. Freqüentemente a causa é desconhecida.
10.3 Causas
Não são totalmente compreendidas e freqentemente não se
encontra explicação precisa.
. Falha na maturação placentária. Alterações endócrinas responsá-
veis pelo início do parto (seção 3.6) estão também envolvidas
nas modificações de maturação da placenta.
. Nascimento prematuro. Tanto o abortamento (seções 8.7 e 8.8)
quanto a indução do parto (seção 3.12). Isto pode resultar de ma-
turação incompleta da placenta.
. Inércia uterina. A separação física da placenta é dependente da
persistência das contrações uterinas após a expulsão do bezerro
(seção 5.4). Fatores como hipocalcemia, que deprime a atividade
do miométrio, distocia, que pode resultar em inércia uterina secun-
dária (seção 9.9) e deficiências ou desequilíbrio endócrino podem
influenciar na tonicidade e duração das contrações uterinas.
. Nascimentos de gêmeos ou múltiplos. A retenção pode ser devido
a parto ligeiramente prematuro, já que o período de gestação
para gêmeos é mais curto, ou devido à inércia uterina por hiper-
tonicidade do miométrio.
. Lesões patológicas da placenta, tais como placentite ou edema
placentário, podem aumentar o grau de aderência física ou impe-
dir a separação.
91
10.4 Conseqüências
É difícil quantificar precisamente as conseqüências, já que a
retenção de placenta pode ser manifestação de alguma outra anor-
malidade reprodutiva. Entretanto, podem ser listadas como:
. Sabor alteradodo leite.
. Apetite e produção de leite possivelmente reduzidos.
. Provavelmentepredisposição a infecção uterina (vide seções 11.8
e 11.9).
. Redução na velocidade da involução uterina (vide seções 5.4
e 5.5).
. Extensão do intervalo parto-concepção (vide seção 7. tO).
10.5 Tratamento
As opiniões variam quanto ao valor de diferentes formas de
tratamento, devido a problemas em quantificar exatamente a res-
posta. Os peões não gostam de trabalhar com vacas com retenção
de placenta, especialmente em sala de ordenha, devido ao odor
desagradável; conseqüentemente é exercida pressão para sua rápida
remoção manual. Consideráveis traumas podem ser causados no útero
se for tentada a remoção manual antes que a placenta se destaque
com facilidade. As seguintes condutas devem ser consideradas:
. O peão deve ser aconselhado a cortar aquelas porções da pla-
centa que estão exteriorizadas através da vulva.
. Remoção manual não deve ser tentada se a vaca estiver doente
e com pirexia. Antibióticos sistêmicos devem ser administrados.
. Remoção manual não deve ser tentada antes de 4 dias após
o parto e isto deve constar de tração delicada mas firme na massa
placentária contida na vagina. A mão não deve ser forçada atra-
vés da cérvix.
. Terapia intra-uterina é de pouco valor. Dose terapêutica de anti-
biótico de amplo espectro é preferível mas requer a retirada do
consumo de leite.
. Oxitocina e outros hormônios são de pouco ou nenhum valor.
. Todas as vacas que tiverem retenção de placenta devem ser
examinadas em cerca de 3-4 semanas pós-parto para avaliar o grau
de involução e ausência de infecção uterina (vide seções 5.4,
5.5 e 11.9).
92
11 - PROBLEMAS DURANTE O PUERPÉRIO
11.1 Introduçã9
o puerpério normal é considerado no capítulo 5. Problemas
durante esta fase da vida reprodutiva da vaca podem ter graves
efeitos, causando infertilidade e esterilidade (capítulo 7). Muitos
dos problemas podem ser prevenidos por boa prática obstétrica
(capítulo 9).
11.2 Lacerações da vulva e vagina
Ocorrem mais freqüentemente em decorrência da distocia, estan-
do associadas a manipulações obstétricas inadequadas.
Lacerações vaginais
Ocorrem quando se emprega tração violenta, especialmente se
não existir lubrificação adequada; quando a vagina não está rela-
xada ou onde houver estreitamento vaginal e ainda tentativas na
tração dos membros, sem correção adequada.
A fêmea mostrará sinais de desconforto pélvicocom freqüente
esforço e eventual eliminação de exsudato,acompanhado de frag-
mentos ou descamação (incluindo tecido adiposo da região retro-
peritoneal em vacas velhas e gordas). As lesões tornam-se muitas
vezes contaminadas com patógenos oportunistas, particularmente
Fusobacterium necrophorum.
O tratament{) pode ser feito com anestesia epidural para dar
alívio temporário e talvez diminuir a freqüência de contrações,
associando o emprego de antibióticos sistêmicos e cremes emolien-
tes locais.
Lacerações vulvares
Estas geralmente envolvem o períneo em geral. Surgem quan-
do houver desproporção feto-maternal, estenose vulvar (seção 9.8).
ou quando for realizada tração excessiva antes que a vulvaestej,a
suficientemente relaxada.
Lacerações superficiais de 1.° grau envolvem a mucosa e pele
e devem ser suturadas o mais rápido possível após a ocorrência.
93
Lacerações de 2.° grau envolvem tecidos mais profundos, tais
como os músculos constritores da vulva e devem ser suturadas ime-
diatamente. Cicatrização sem reparação pode levar à pneumovagi-
na e infertilidade.
Lacerações de 3.° grau envolvem a vulva, parede vaginal, e~-
fíncter anal e reto, de modo a formar uma cloaca. O tratamento
pode ser retardado por 6 semanas até que a cicatrização ocorra,
depois da qual o método de Aanes deve ser usado (vide Bovine
Surgery and Lamenessde Weaver). A falha na reparação predispõe
a contaminação fecal na vagina, pneumovagina, vaginite e metrite.
Lacerações vulvares podem ser prevenidas pela técnica de episi-
siotomia (Fig. 11. 1) e cuidadoso acompanhamento durante a fase
de expulsão do feto.
6'
(
0/" ,"
w" ,"'
:1/
"
}, :{,
;~i-- Ânus
~
~"
'
,
"'
,.,,
' Direç~o, da in~isão
, '.. da eplslotomla
',' Vulva
Fig. 11.1.
Local da incisão da episiotomia.
11.3 Contusões do trato genital
São muito comuns como resultado de desproporções feto-mater-
nais ou tração sem lubrificação adequada. Contusões leves são de
pouca conseqüência, mas as extensas podem estar associadas a in-
júrias de tecidos mais profundos (vide seção 11.5).
11.4 Hematomas
Estão usualmente associados com práticas obstétricas grossei-
ras, embora possam ocorrer em seguida a partos normais. Quano
94
do extensos e presentes antes da expulsão do bezerro, podem cau-
sar obstrução e distocia; neste caso, drenagem asséptica usando agu-
lha hipodérmica é necessária. Se surgirem após o nascimento do
bezerro, não deve ser drenado. Às vezes ocorrem abscessos como
conseqüência.
11.5 Lesões de nervos periféricos
Contusões graves da vagina estão freqüentemente associadas
a lesões em nervos periféricos na pelve, em virtude da pressão do
esqueleto do bezerro durante a tração. A lesão nervosa pode ser
uni ou bilateral.
. Paralisia do nervo obturador. Os músculos adutores dos membros
pélvicos são inervados pelo obturador. Se a paralisia for bilateral,
a vaca pode encontrar dificuldades para levantar-se quando deitada.
Quando de pé ou andando, o(s) membro(s) são afastados haven-
do perigo da vaca cair com os membros pélvicos em abdução, pre-
dispondo à fratura do colo do fêmur, rompimento do ligamento
redondo ou deslocamento do osso ilíaco.
O tratamento envolve cuidados, cama macia (palha ou esterco)
e peia dos membros pélvicos para evitar uma abdução excessiva.
A recuperação ocorrerá normalmente com o tempo.
. Paralisia do nervo glúteo. O glúteo inerva os músculos ao redor
da pelve e membros pélvicos. A vaca encontrará dificuldades para
levantar quando deitada e para suportar seu peso quando em po-
sição quadrupedal.
O tratamento envolve os mesmos cuidados descritos acima. De-
vem ser feitas tentativas regulares para levantar a vaca com colchão
Ipneumático ou uso de outros instrumentos para evitar injúrias e
paralisia.
11.6 Lacerações uterinas
Podem ocorrer durante parto normal ou distocia quando há
manipulação; às vezes ocorrendo considerável hemorragia pela vulva.
A possibilidade de sutura é remota e considerando que a invo-
lução reduzirá o tamanho da laceração (vide seção 4.5), oxitocinapode ser administrada para acelerar o processo.
O prognóstico vai depender do local da laceração, se o bezer-
ro estava vivo, morto ou em putrefação. Se a laceração for dorsal
95
e o bezerro estiver vivo, o prognóstico é bom. Se a laceração for
ventral e o bezerro estiver em putrefação é mau e a vaca deve ser
mandada para abate de emergência.
Lacerações uterinas podem ter efeito a longo prazo sobre
a fertilidade podendo causar esterilidade.
11.7 Prolapso uterino
o termo vulgar é mãe do corpo. Prolapso ocorre em mais ou
menos 0,5% dos partos.
O histórico é de prolapso em menos de 36 horas após o parto;
a maior parte ocorre em 4-6 horas. Freqüentemente a vaca está
deitada e pode ter tido distacia, a qual foi corrigida após ter sido
executada a tração. Raramente há qualquer problema em realizar
o diagnóstico, embora exista possibilidade de confundir-se com re-
tenção de placenta.
Os fatores predisponentes são:
. Idade da vaca - prolapso é mais comum em vacas leiteiras
velhas.
. Hipocalcemia - com ou sem sinais clínicos de febre do leite
e decúbito.
. Distocia - especialmente após tração em novilhas de corte.
. Prolapso vaginal pré-parto (seção 8.12) - alguma associação
com esta condição.
. Retenção de placenta (seções tO.l e tO.4).
Como ocorre o prolapso? Isto não é sabido com certeza, mas
é possível especular:
. O ápice do corno uterino flácido, talvez a placenta ainda aderida,
invagina-se.
. Isto estimula as contrações uterinas, o que exacerba a invaginação.
. Uma vez que isto alcance a pelve, estimula contrações e o útero
é completamente evertido.
Tratamento. Imediatamenteidentificado o prolapso, o peão
pode fazer muito para auxiliar o tratamento:
. Remover outras vacas ou isolar a vaca com prolapso, para evitar
trauma induzido por outras vacas farejando e pisoteando o órgão.
96
. Cobrir o órgão com toalhas ou panos molhados e, se possível,
mantê-Io acima do nível da vagina para evitar ou reduzir a conges-
tão venosa passiva do órgão.
. Na chegada à fazenda, rapidamente verificar o estado geral da
vaca, especialmente o pulso e mucosas para evidência de hemorra-
gia. Se ela estivér gravemente hipocalcêmica, tratar com boroglu-
conato de cálcio; se for um caso leve deixe sem tratar até que o
prolapso tenha sido revertido.
. Se a vaca estiver em decúbito lateral, colocá-Ia em decúbito ester-
nal com ambos os membros pélvicos estendidos para trás. Aplicar
anestesia epidural.
. Se a vaca estiver de pé, mantenha o útero acima do nível da
vulva; com a ajuda de dois assistentes com toalha ou bençol.
. Limpe rigorosamente o útero com salina ou água morna (sem
desinfetante) .
. Verifique evidências de lacerações. Se houver alguma presente,
suture 'Com fio absorvível (categute cromado).
. Tentar remover a placenta se ainda estiver aderida e separar
prontamente das carúnculas; senão corte as porções pendentes e
deixe aderida.
De modo firme porém gentil, usando as falmas das mãos ou
punhos, comece a recolocar o órgão prolapsado na parte adjacente à
vulva (Fig. 11.2). A operação torna-se mais difícil à medida que a re-
Cérvix
Cauda
Direção na qual
puxar para
repor
Fig. 11.2.
Método de reposição do útero prolapsado.
Útero
prolapsado
97
dução avança" A última porção é a mais difícil e freqüentemente re-
quer um assistente para manter aberta a vulva.
. Uma vez que o órgão tenha ultrapassado a vulva, este deve ser
empurrado cranial e ventralmente, para garantir que o prolapso
esteja completamente reduzido e que o útero tenha voltado ao nor-
mal. Isto é auxiliado mantendo-se primeiro o punho e o braço
numa ação de bombeamento; o comprimento do braço pode ser
complementado utilizando-se uma garrafa de vinho e inserindo-a
como um êmbolo.
. Injetar borogluconato de cálcio, 50 UI de oxitocina e antibióticos
sistêmicos de amplo espectro.
. Fechar a vulva com duas suturas de colchoeirocom fita de nylon
inserindo no tecido perivulvar.
. Reexaminar a vaca em 12-24 horas, remover as suturas da vulva
e paipar a vagina para assegurar que o útero não se tenha repro-
lapsado e que a cérvix esteja parcialmente fechada.
. Se o prolapso não puder ser reduzido, então a amputação é um
método extremo de tratamento, ou preferivelmente a vaca deveria
ser mandada para abate de emergência.
Prognóstico. O sucesso da reposição e o prognóstico irão de-
pender da duração do prolapso, bem como o grau de trauma e a
habilidade de remover prontamente a placenta. Todas as vacas de-
senvolverão metrite de gravidade variável (vide seção 11.8).
O intervalo entre parto e concepção será estendido e talvez
10% das vacas serão descartadas por infertilidade.
11.8 Metrite aguda
Ocorre em períodos variáveis do pós-parto, embora a maioria
dos casos ocorra dentro de 7 dias após o nascimento.
A anamnese revela ocorrência de distocia tratada com mani-
pulação e/ou tração, ou prolapso uterino. A vaca adoece, mos-
trando-se inapetente, com redução da produção leiteira, letargia e
fraqueza. Ela pode contrair-se periodicamente, especialmente se há
vaginite concomitante, podendo haver descarga sero-sanguinolenta de
odor desagradável.
O exame clínico mostrará hipertermia, taquicardia e taquipnéia.
Mastite e pneumonia devem ser eliminadas. O exame vaginal não
deverá ser feito na fase aguda; o exame retal permitirá apalpação
do útero, o qual estará insuficientemente involuído.
98
Tratamento.Aplicar anestesia epidural para impedir as con-
trações (seção 11.2). Antibióticos sistêmicos de amplo espectro,
fluidoterapia de suporte e cuidados adequados são necessários.
O prognóstico é reservado - algumas vacas tornar-se-ão to-
xêmicas e morrerão, outras mostrarão uma melhora geral na saúde
dentro de 24 hOTas.Posteriormente, exame vaginal pode ser feito
e o útero lavado com 5 a 10 litros de soro fisiológico, que é rapida-
mente sifonado. Inevitavelmente, a maioria dos casos de metrite
evoluem para endometrite crônica (vide seção 11.9 abaixo).
11.9 Endometrite crônica
No sentido exato da palavra, isto significa inflamação do en-
dométrio. Entretanto, é difícil saber se camadas mais profundas da
parede uterina estão envolvidas.
Histórico. Endometrite crônica é achado de ocorrência isola-
da em vacas (algumas das quais tiveram metrite aguda e se recupe-
raram) com descarga mucopurulenta vulvar (leucorréia) algumas
semanas pós-parto. A maioria não teve nenhuma complicação pós-
-parto, além da retenção de placenta, mas poderão apresentar leu-
corréia. Em algumas fazendas número considerável de vacas pode
ser afastado em alguns anos.
Exame clínico. A vaca não mostrará sinais de doença; apetite
e produção leiteira são normais. O exame vaginal mostrará presen-
ça de material mucopurulento de consistência e volume variáveis,
alternando de pus espesso e muco fino contendo flócos de ma-
terial purulento. Palpação retal demonstrará que na maioria dos
casos o útero é ligeiramente mais espesso do que deveria ser (invo-
lução deficiente) e terá sensação edematosa ou "pastosa"; em
alguns casos estará distendido com pus (piometra - vide seção
11.10). Os ovários poderão mostrar, ou não, sinais de atividade d-
dica (vide seção 1.26 e tabela 1.1).
Causas. Em alguns casos a condição pode ser seqüela de
metrite aguda. A maioria dos casos surge devido a falha do
útero em eliminar a contaminação bacteriana que ocorre na maior
parte das vacas no pós-parto (seções 5.7 e 5.8). Esta falha pode
ser devida ao seguinte:
. Contaminação bacteriana excessiva superando os mecanismos na-
turais de defesa.
. Involução uterina deficiente.
99
. Mecanismos de defesa deficientes - atividade macrofágica e sis-
tema imune.
. Retomo tardio ou, talvez. prematuro ao estro após o parto.
. Injúria a tecidos.
. Naturezada flora bacteriana- notavelmente o papel de Cory-
nebacterium pyogenes e Fusobacteriumnecrophorum.
Tratamento. Tem havido pouca avaliação significativa de dife-
rentes tratamentos. Os métodos utilizados são os seguintes: .
. Se um corpo lúteo é palpável em um dos ovários, prostaglandi-
na F2<Xou análogo lisará o corpo lúteo, acelerando o retomoao
estro ou encurtando a fase luteínica. Ambos os procedimentos
aumentam a habilidade do trato genital para eliminar a infecção.
. Se não há nenhum corpo lúteo palpável, é indicado uma injeção
de 3,Omg de benzoato de estradiol 1M.
. Infusão intra-uterina de uma dose terapêutica de um antibiótico de
amplo espectro pode ser dada; o leite não deve ser utilizado.
. Injeção 1M de antibiótico de amplo espectro pode ser adminis-
trado, o leite não deve ser utilizado.
Efeito sobre a fertilidade. A endometrite irá deprimir a fertili-
dade pela extensão do intervalo entre parto e concepção (seção
7.10). Algumas vacas podem se tomar estéreis, devido a mudanças
irreversíveis no trato genital tubular. Não é comum que endome-
trites na ausência de sinais clínicos irá ter muito efeito sobre a
fertilidade (vide seção 7.7).
11.10 Piometra
Isto implica um acúmulo de pús no útero.
Histórico. Ausência de estro (vide seção 7.6), e talvez ocor-
rência de leucorréia intermitente.
Exame clínico. Pode mostrar alguma evidência de material mu-
copurulento na vagina. Palpação retal revelará útero com volume
aumentado,o qual deve ser diferenciadode gestação(vide seção 2.1),
e corpo lúteo em ovário.
Tratamento. PGF2<Xou análogo lisará o corpo lúteo e a vaca
terá estro e eliminará a infecção.
100
12 - MANIPULAÇAO DA REPRODUÇAO
Gêmeos ~ovulaçõesmúltiplas
Normalmente, após o estro, um único folículo ovula e um úni-
co ovócito é liberado. A incidência de gêmeos gira em torno de
1,04%, e de trigêmeos, 0,013%.
Aumentar o nível de nutrição por irrigação não aumenta a
taxa de ovulação. Isto pode ser obtido por:
. Seleção genética.
. Uso de hormônios gonadotróficos exógenos. A resposta é im-
previsível.
Técnicas de transferência de embriões podem ser utilizadas
para produzir gêmeos (vide abaixo).
12.1
Desejopara a induçãode gêmeos
Problemas podem ocorrer como resultado de bezerros gêmeos:
. Alta incidência de retenção de placenta (seção 10.2).
. Distocia com aumento de mortalidade de bezerros (seção 9.8).
. Redução de produção de leite.
. Subseqüente redução da fertilidade da fêmea.
. Bezerros "Freemartins".
Alguns destes problemas podem ser superados sabendo-se que
a vaca está gestando gêmeos. Em particular, alimentação adicional
pode ser dada.
12 .2 Transferência de embrião
Esta é uma técnica da qual embriões são coletados do trato
genital de uma vaca (a doadora) e são transferidos para o trato
genital de outra vaca (a receptora), na qual a gestação é completada.
Aplicações da transferência de embriões
Quando combinada à superovulação da doadora, as aplicações
são as seguintes:
101
. Aumento no número de descendentes de vacas genéticamente
superiores.
. Aumento na velocidade do teste de progênie.
. Diminuição do intervalo entre partos, superovulando-se novilhas
pré-púberes e transferência dos embriões para receptoras maduras.
Isto pode aumentar a velocidade da seleção genética. '
. O transporte de embriões de um país a outro, como para supe-
rar problemas de alastramento de doenças e da não-necessidade
de quarentena. O possível perigo de doenças, especialmente virais,
sendo disseminadas deve ser considerado.
. Investigação da mortalidade embrionária.
. Embriões podem ser obtidos de vacas férteis que podem não estar
aptas a sustentar gestação normal.
. Transferência de embrião pode ser utilizada como instrumento
de pesquisa.
Requisitos para o sucesso da transferência de embriões
. Doadora adequada como fonte de embriões. Embora um único
embrião possa ser coletado e transferido, mais embriões podem s~r
coletados e transferidos quando é induzida a superovulação.
. Um número suficiente de receptoras, cujos ciclos estrais são sin-
cronizados com aqceh~s da doadora, para receber os embriões
coletados.
Condutada transferênciade embriões
Na Grã-Bretanha existe atualmente um código de prática edi-
tado pelo Ministério da Agricultura, muito embora haja grande
possibilidade de que legislação pertinente seja elaborada para nor-
matizar o procedimento.
A transferência de embrião não deve ser tentado a menos que
equipamento adequado e assitência estejam disponíveis e a pessoa
tenha experiência adequada.
Seleção da doadora
. A vaca em particular deverá ser escolhida pelo proprietário,
porque ele a reconhece como sendo doadora desejável.
. Deve ter sido há pelo menos 2 meses a última parição da vaca.
. Ela deve ter função e estrutura reprodutivas normais.
102
Seleção das receptoras
. Devem ter tamanho e maturidade adequados, para serem capazes
de parir normalmente.
. Devem ter estrutura e função reprodutivas normais.
. Deve fazer pelo menos 2 meses, desqe a última paríção.
Preparação e, superovulação da doadora (Fig. 12.1)
Existe grande quantidade de pequenas variações no procedi-
mento descrito abaixo, mas é importante que o regime recomendado
pelo técnico envolvido na transferência seja acurado. A seguir, há
exemplo de esquema:
Dia o
Estro
Doadora observado
~
Dia o
Receptaras PG1
~
Fig. 12.1.
Regimes de tratamento da doadora e receptoras para
transferência de embriões.
103
FICHAA
PMSGPG AI AI Fluxo
9 11 13 14
Embriões
PG2 Estro Recebidos
I I I
10 12 1314 20
FICHAB
Doadora PG1 PG2 PMSG PG3 AI AI Fluxo
.
Dia O 11 23 25 2728 34
Embriões
Receptaras PG1 PG2 Estro Recebidos
I I I
Dia O 13 24 26,27,28 34
. A doadora ou é observada para os sinais de estro e a data anotada
(Esquema A), ou são dadas 2 injeções de PGF2c:t(PG1Gt2)com 11
dias de intervalo (PGl e PG2) (esquema B). E esperado que o
estro ocorrerá 2-3 dias após PG2 (Figura 12.1).
. Dose superovulatória de gonadotrofina, usualmente PMSG, é in-
jetada 9-13 dias após o estro observado ou 12-16 dias após PG2.
A dose de PMSG é usualmente 2500 DI. Gonadotrofina hipofisárias
(FSH) e HCG podem ser usadas, mas, devido à sua meia-vida bio-
lógica curta, injeções repetidas são dadas.
. Dois dias após a PMSG, PGF~ é injetada (PG3). A vaca deve-
ria estar em estro 2 dias após e deveria ser observado e anotado
(Fig. 12.1).
. A doadora é inseminada 2 a 3 dias após PG3 (em torno de
12 horas de intervalo) com 2 doses de sêmen. Alguns regimes usam
3 inseminações ou inseminam no dia do estro ou no dia seguinte.
. Embriões f;ão coletados 7 dias após a primeira IA.
. Se a doadora não retomar ao estro em 28 dias após a coleta,
PGF2c:tdeverá ser injetado para evitar gestação de múltiplos embriões.
Preparaçãodas receptoras
Para melhores resultados os ciclos estrais das receptoras devem
estar exatamente sincronizados com os das doadoras; :t: 1 dia irá
reduzir a taxa de gestação. Pelo menos 12 receptoras devem estar
disponíveis para cada doadora.
Dois esquemas são possíveis:
. Se o esquema A for usado para a doadora (Fig. 12.1), então as
receptoras são injetadas com PGl no dia O e com PG2 10 dias
depois.
. Se o esquema B for usado para a doadora, então cada receptora
horas antes que a doadora receba PG3); a resposta luteolítica é mais
recebe PGl no dia 2, PG2 no dia 13 e PG3 no dia 24 (16-24
rápida na doadora depois da aplicação de PMSG.
. O estro deve ser observado nos dias 12, 13, 14 (Esquema A) ou
26, 27 e 28 (Esquema B) e anotados. Receptoras recebem os em-
briões no dia 20 (Esquema A) ou no dia 34 (Esquema B).
104
Coleta dos embriões
Inicialmente os embriões eram recuperados cirurgicamente sob
anestesia geral através da laparotomia pela linha média. Esta técni-
ca foi superada por métodos não-cirúrgicos.'{)S embriões são cole-
tados nos dias 6, ou 7, quando são mórulas tardias ou blastocistos
iniciais (seção 2.3).
. A doadora é convenientemente contida em um tronco.
. B aplicada anestesia epidural. Sedação pode ser necessária: drogas
espasmolíticas e ~2 mimética podem ser usadas.
. O reto deve ser criteriosamente esvasiado.
. Vulva e períneo cuidadosamente lavados e todo o procedimento
é realizado o mais assépticamente possível.
. Espéculo com cilindro incompleto (Fig. 12.2) é introduzido na
vagina de modo que uma cânula de aço inox cônica com trocarte
(Fig. 12.3) possa ser inserida no óstio externo da cérvix. O espéculoé removido (por isso o cilindro incompleto) e a cânula e o trocarte
são cuidadosamente passados através da cérvix, usando o procedi-
mento convencional de IA (seção 14.4).
Fig. 12.2.
Espéculo com cilindro incompleto, usado para
inserir a cânula cervical.
105
(a)
~ )
(b)
Fig. 12.3.
Cânula cervical (a) trocarte (b), usados para transferência
não-cirúrgica de embriões.
Fig. 12.4.
Cateter de Foley de 3 vias.
. O trocarte é então removido e um cateter de Foley de luz dupla
ou simples (Fig. 12.4) introduzido através da cânula para dentro
de um corno. O balonete é inflado para ocluir a luz do corno.
. 300ml de meio de cultura para coleta (salina e fosfato tampo-
nado enriquecido EPS) aquecido à temperatura corporal são infun-
didos usando seringa em alíquotas de 50m1. Os lavados são cole-
tados em alíquotas de 50-100ml; o corno é gentilmente pressionado
pelo reto para deslocar os embriões.
106
. Quando a maior parte do meio de cultura tiver sido coletada,
o balonete é desinflado e o cateter removido. Um segundo cateter
de Foley estéril é então inserido no corno oposto e o procedimento
repetido.
Recuperação dos 'embriões
. Os vasos recipientes, (lisos ou cilindros graduados) são deixados
em repouso por 30min. A maior parte do fluido é decantada, de
modo que restem 20-30ml. Este então é pesquisado em placa de co-
leta de fundo côncavo (Fig. 12.5) e num microscópio com aumento
de 20 a 50 vezes.
Fig. 12.5.
Placa de coleta de fundo côncavo redondo para embriões.
. Cada embrião é cuidadosamente aspirado por u:TIa pipeta de Pas-
teur e transferido para EPS fresco para avaliação.
. Os embriões estarão em estágios de desenvolvimento ligeiramente
diferentes. A avaliação é feita na aparência morfológica e requerem
avaliação de especialista. Uma avaliação qualitativa é feita como
parâmetro de possibilidade de desenvolver-se {'':TIum bezerro normal.
107
. Os embriões permanecem viáveis por + 7. horas em meio EPS.
Podem ser cultivados por 12 horas em soro fetal bovino caso haja
alguma dúvida sobre sua normalidade, e são então reexaminados.
Transferência dos embriões
Dois métodos são usados, cirúrgico ou não 1cirúrgico. A última
técnica está se tornando mais popular, embora as taxas de gestação
não sejam tão boas quanto a primeira.
Transferência cirúrgica - preferivelmente via laparotomia alta da
fossa sublombar esquerda, sob anestesia paravertebral usando técni-
cas assépticas normais. O embrião é aspirado numa pipeta de Pas-
teur com O,5ml de EPS e é depositado com esse meio dentro do
corno uterino adjacente ao corpo lúteo. Uma agulha "cega" de ca-
libre 16 é usada para fazer pequena punção na parede do corno
uterino. .
Transferência não-cirúrgica - isto é feito usando pipeta Standart
ou a de Cassou ligeiramente modificada para IA (vide seção 14.8).
Cada embrião, juntamente com pequeno volume de EPS, é aspirado
por pipeta de inseminação convencional (vide seção 14.6) com pe-
quena bolha de ar de qualquer lado para auxiliar na identificação
(Fig. 12.6). Os ovários são gentilmente palpados para determinar
qual deles contém o corpo lúteo.
Meio Bolhas de ar
Fig. 12.6.
Diagrama mostra o método de colocação do embrião numa pipeta
de IA antes da transferência não-cirúrgica.
o paillete é colocado na pipeta Cassou. A fêmea é contida num
tronco, freqüentemente sob anestesia epidural. A vulva e períneo
são rigorosamentelimpos e é introduzido espéculo similar àquele usa-
do para a coleta. A pipeta é inserida até o óstio externo da cér-
vix, o espéculo é removido, e a pipeta gentilmente introduzida usan-
108
do o procedimento normal de IA (seção 14.4). É cuidadosamente
introduzida ao longo do corno adjacente ao corpo lúteo e o êm-
bolo firmemente pressionado para expelir o embrião. A pipeta é
cuidadosamente retirada.
A palpação do trato genital deve ser a menor possível e a técnica
deve ser realizada com extremo cuidado na higiene. A qualidade
do corpo lúteo da receptora é freqüentemente determinada por pal-
pação retal e também medindo-se a concentração plasmática perifé-
rica de progesterona.
12.3 Congelamento e armazenamento de embriões
Embriões podem ser estocados com sucesso após o congela-
mento. Estes são colocados em frascos de vidro com glicerol a
10% e resfriados lentamente até 37°C, sendo então resfriados ainda
mais em nitrogênio líquido onde são estocados até o uso na trans-
ferência em receptora adequada. Taxas de gestação não são tão
boas quanto aquelas utilizando embriões frescos.
12.4 Micromanipnlação de embriões
Gêmeos monozigóticos podem ser produzidos dividindo-se mó-
rulas ou blastocistos jovens colhidos de uma doadora. Isto é feito
por micromanipulação sob microscópio, e gestações bem-sucedidas
são obtidas transferindo os blastocistos divididos para receptoras
sincronizadas.
109
Seção 2
MACHO
13 - MACHO NORMAL
13.1 Anatomia ~eprodutiva do touro
Os três principais componentes do sistema reprodutivo são:
. Testículos.
. Orgãos sexuais acessórios: epidídimos, duetos deferentes, glându-
las vesiculares (vesículas seminais), próstata e glândulas bulbo-
-uretrais.
. Pênis.
Eles estão representados no diagrama abaixo.
Reto Ampola Glândulas Vesiculares
TOURO
Músculo retrator
do pênis
Curvatura sigmóide
Ducto deferente
Cabeça do epidídimo
Testículos
Escroto
Cauda do
epidídimo
Fig. 13.1.
Diagrama do sistema genital do touro. (Reproduzido de Ashdown, R.
& Hancock, J. L. (1980). Reprodução Animal, 4\1 ed., editado por
E. S. E. Hafez Lea & Febiger, Filadélfia.)
Pênis
113
Testículos- estrutura e função
Os testículos descem do abdômen em torno da metade do
tempo da vida feta!. No touro maduro eles têm ao redor de
13 x 7 x 7cm e formato oval, peso aproximadamente de 350g e são
simétricos. Os testículos estão contidos em resistente cápsula de
tecido conjuntivo, a túnica albugínea, a qual mantém sob tensãó o
tecido testicular. Isto dá aos testículos sua textura característica na
palpação, isto é, ligeiramente flutuante.
Os testículos compreendem uma massa de túbulos seminíferos
convolutos na qual ocorre a produção de espermatozóides (esper-
Parede de tecido conjuntivo
Túbos seminíferos
Espermátidas
Espermatogônio
Fig. 13.2.
Microestrutura dos túbulos seminíferos para mostrar as camadas das
células. (Reproduzido de Hunter, R. F. H. (1980). Reproduction in
Farm Animals, 4(1 ed., editado por E. S. E. Hafez Lea & Febiger,
Filadélfia.)
114
matogênese), e tecido intersticial compreendendo as células de Ley-
digo Os túbulos seminíferos compreendem mebrana de embasamen-
to, células germinativas que dão origem aos espermatozóides ecé-
lulas de Sertoli que parecem ter papel de suporte para as células
germinativas e possivelmente função endócrina (Fig. 13.2). Ocorre
divisão celular e, os vários tipos de células genninativas progridem
desde espermatogônia, adjacente à membrana basal através de esper-
matócitos primários e secundários e espermátide até espermatozóide,
os quais estão presentes no lúmen dos túbulos centrais (Fig. 13.2).
Durante este processo de espermatogênese, o qual leva em torno
de 54 dias no touro, o número de cromossomos é reduzido à me-
tade do número normal (haplóide).
As células de Leydig parecem ter apenas função endócrina,
produzindo testosterona e outros hormônios androgênicos.
Funçãoendócrina
A espermatogênese é induzida e controlada diretamente pela
ação do hormônio folículo estimulante (FSH) e indiretamente pelo
hormônio luteinizante (LH) atuando via testosterona produzida pe-
las células de Leydig. Devido à proximidade das células de Leydig
e os túbulos seminíferos, os últimos são continuamente banhados
em altos níveis de testosterona. A prolactina também pode estimu-
lar as células de Leydig. Há também evidência de que hormo-
nio não-esteróide chamado Inibina, () qual é provavelmente pro-
duzido pelas células de Sertoli, exerça "feedback" negativo sobre
a produção de FSH, mas provavelmente não a de LH, regulando
assim a espermatogênese.
As concentrações de testosterona na circulação periférica flu-
tuam consideravelmente;valores em torno de 6. 7ngmP são usual-
mente registrados.
Epidídimo
E um tubo convoluto com cerca de 30m de comprimento inti-
mamente ligado à superfície de cada testículo e compreendendo
cabeça, corpo e cauda (vide Fig. 13.1). Espermatozóides são trans-
portados ao longo dos túbulos seminíferos como suspensão em
fluido, através da rete testis e ductos eferentes à cabeça do epidí-
dimo. Espermatozóides epididimários não possuem motilidade e são
incapazes de fertilização e lá permanecem por cerca de 11-18 dias.
No epidídimo há:
. concentração d~ espermatozóide.
. maturação do espermatozóide.
115
Duetos deferentes e ampolas
Estes permitem transporte dos espermatozóides da cauda do
epidídimo para a uretra; também atuam como armazenadores.
Glândula prostática
f: estrutura circular que produz fluido acessório. Raramente é
sítio de doença no touro.
Glândulas vesiculares (vesículas seminais)
São pares, compactas, lobuladas, glândulas em forma de cantil,
com cerca de 12cm de comprimento, 5 cm de largura e 3 cm de
espessura, situada na pelve adjacente à uretra (vide Fig. 13 .1);
produzem fluido acessório. Podem ser foco de infecção (seção 15.8).
Glândulas bulbo-uretrais
São glândulas pares não-palpáveis e supostamente produzem secre-
ção prepucial pré-copulatória (seção 13.3).
Pênis
O touro tem pênis tipo fibro-elástico com flexura
Ereção envolve principalmente a obliteração da flexura
que o pênis é estendido: existe apenas ligeiro aumento
primento.
A ereção ocorre devido ao engurgitamento do corpo cavernoso
do pênis (CCP) (Fig. 13.3) com sangue. Inicialmente há supri-
mento aumentado de sangue arterial ao CCP seguido de contrações
rítmicas do músculo ísqueo cavernoso, o qual ajuda a bombear san-
gue para os espaços fechados distais do CCP e algumas vezes oclui
a drenagem venosa do CCP. Há grande aumento na pressão no
CCP de 100 vezes a pressão arterial normal. o que desfaz a flexura
sigmóide e produz ereção.
Uma vez que os músculos isquivocavernosos parem de contrair,
ocorre detumescência e a flexura sigmóide é restabelecida.
sigmóide.
de modo
em com-
13.2 Puberdade
Puberdade é o estágio no qual o touro desenvolve o desejo de
cópula (libido), a habilidade de cópula e de fertilizar. Jovens tou-
116
Corpo cavernoso com um
canal dorsal e dois canais
ventrolaterais
Túnica albugínea
- nota-se que ela
inclui o corpo
esponjoso
Revestimento
tegumentar
Músculo retrator
do pên is
Camadas concêntricas
internas contendo vasos
sangüíneos e o músculo
retrator do pênis
Corpo esponjoso
e uretra
Fig. 13.3.
Corte transversal do pênis do touro para mostrar a constricção vas-
cular. (Reproduzido de Cox, J.E. (1982). Surgery of the Genital System.
Liverpool University Press, Liverpoo1.)
ros apresentam freqüentemente aumento de libido com alguns me-
ses de idade, mas são incapazes de produzir espermatozóide. Pu-
berdade desenvolve gradualmente e ocorre aproximadamente aos
9-10 meses de idade; e é largamente dependente do peso corpóreo.
O início da puberdade é influenciado por:
. A raça do touro - puberdade mais precoce em raças leiteiras
que de corte. Existe também variação dentro da raça.
. Peso corporal e taxa de crescimento, envolve plano de nutrição.
. Ambiente.
Embora a puberdade ocorra aos 9-10 meses de idade, a total
maturidade sexual não é alcançada antes de 2-3 anos de idade,
dependendo da raça.
13.3 Comportamento copulatório
A cópula é relativamente breve, uma vez que o touro tenha
identificado que a vaca está em estro, lambendo e cheirando a vul-
va e depois apoia a cabeça na garupa da vaca para ver se o
117
aceita. Evidência de ereção pode ser vista antes da monta com
movimento na bainha e haverá usualmente gotas de secreção pre-
pucial (vide seção 13.1, glândulas bulbo-uretrais). O touro monta,
o pênis é exposto, a vulva identificada e a introdução realizada.
Ejaculação é sempre associada com vigorosos movimentos, de
propulsão da pelve requerendo bom apoio dos membros pélvicos.
Falha de propulsão indica que a ejaculação não ocorreu. Desmonta
ocorre rapidamente e o touro pode servir a vaca várias vezes no
mesmo estro.
13.4 Exame clínico do touro para escolha do reprodutor
Isto é feito na época da aquisição do touro ou onde infertili-
dade num rebanho ou grupo, sugere que o touro possa ser respon-
sável. O procedimento é o que se segue:
. Histórico. Histórico detalhado é requerido, com informação rela-
cionada a:
1. Idade do touro.
2. Fertilidade prévia, se conhecido.
3. Tempo em que o touro é utilizado.
4. Histórico de injúrias ou doença.
5. Método de acasalamento e procedimento de serviço.
6. Número e experiência de pessoas lidando com o touro.
7. Ambiente no qual ele é mantido e se houve alguma mudança.
S. Intervalo de tempo desde o último serviço.
9. Freqüência de serviço.
10. Se provado, intervalo de tempo desde o último registro de
nascimento.
11. Se há questionário sobre sua fertilidade, a natureza do pro-
blema ou reclamação.
. Observar comportamento em serviço. O comportamento em res-
posta a uma vaca ou novilha em estro deve ser observado nos tou-
ros em ambiente natural (pelo menos duas vacas devem estar dispos-
níveis e em estro seguindo indução com PGF21X(seção 1.11 e 1.13).
Disto será possível avaliar o padrão de acasalamento e determinar
se sua libido é normal ou se ele é incapaz de servir. Também per-
mitirá inspeção visual do pênis ereto.
. Exame clínico. Exame clínico deve ser
referência aos sistemas locomotor e genital.
feito com particular
O procedimento para
118
sistema genital é o seguinte: 1) palpar o escroto, testículos, epi-
dídimo, funículos espermáticos e glândulas mamárias inguinais;
11) palpar a flexura sigmóide, pênis e prepúcio; lU) avaliar o ta.
manho do óstio prepucial e observar a presença de secreções anor-
mais ou lesões; IV) realizar palpação retal da genitália interna, par-
ticularmente palp,ação das vesículas seminais.
. Coleta de sêmen. Se o touro tem servido a manequim repetida-
mente, é preferível tentar a coleta de sêmen após descanso sexual
de 7 dias. Os métodos são descritos na seção 13.5.
13.5 Métodos de coleta de sêmen
Inúmeros métodos podem ser usados para coletar sêmen:
. Aspiração da vagina. Se o sêmen não pode ser coletado por ne-
nhum outro método, ao touro é permitido servir naturalmente e
parte do ejaculado pode então ser aspirado da vagina. Avaliação
quantitativa não pode ser feita, mas a presença de espermatozóides
pode ser demonstrada.
. Massagem das ampolas pelo reto. Não é método muito satisfatório.
. Eletroejaculação. Este é método satisfatório de coleta de sê-
men, mas fora de consideração, para o bem do touro precisa ser
feito sob narcose. Não deve ser usado para coletas repetidas.
. Vaginaartificial. Este é método de coleta mais satisfatório. É nes-
cessário que uma vaca em estro esteja disponível, a maioria dos
touros irá montar e servir a vagina artificial (VA).
Essencialmente consiste de um cilindro de borracha rígido den-
tro do qual é colocada membrana de látex, de modo que uma bol-
sa d'água possa ser criada (Fig. 13 .4). Um cone de látex com
recipiente de coleta é acoplado. É usada água entre 42 e 46°C na
bolsa d'água e a superfície interna do revestimento de látex é co-
berta com fina camada de geléia obstétrica. Ao touro é permi-
tido montar e o pênis é desviado através do prepúcio, para den-
tro da VA. Imediatamente o touro deve penetrar e impulsionar
vigorosamente, ejacular e, enquanto o touro desmonta, o sêmen será
visto depositado no tubo; este deve ser protegido do choque tér-
mico e da luz ultravioleta.
119
Válvula e enchimento
Cilindro externo de
borracha rigida
Cobertura aquosa I Revestimento
interno de látex
Cone de látex
Tubo de coleta
Fig. 13.4.
Diagrama da vagina artificial.
13.6 Composição do sêmen
. Volume: 6ml (variação 2-12ml).
. Côr: amarelo-cremosopara branco-leitoso.
. Concentração espermática: 1200 (500-2500) x 106 por m!.
. Produção total de sêmen por ejaculação: 7500 (2000-15000) x 106.
13.7 Avaliação do sêmen
A avaliação a seguir pode serrealizada com equipamento mo-
desto: .
. Volume: pode ser registrado imediatamente se um tubo graduado
for usado.
. Cor: pode ser avaliada e registrada imediatamente. A presença de
coloração de sangue, fezes, urina ou contaminação de pus, deve ser
notada para futuro exame clínico.
. Motilidade da massa (turbilhonamento): deve ser avaliada imedia-
tamente na fazenda. Uma platina de microscópio ou superfície
aquecida deve estar disponível. Uma gota de sêmen colocada numa
lâmina é examinada sob pequeno aumento para sinais de movimen-
120
tos ondulatórios vigorosos; isto é avaliado subjetivamente e dada
uma pontuação entre O e 5.
. Mobilidade individual do esperma: pode. ser avaliada usando-se
amostra diluída, aquecida de sêmen (soro fisiológico) sob magnifi-
cação de alta pO,tência.
. Número de espermatozóides vivos: pode ser verificado usando-se
esfregaço corado. Isto é feito com sêmen diluído em corante vital,
como nigrosina-cosina. Espermatozóides mortos ou moribundos são
corados em rosa; espermatozóides vivos não coram e aparecem
brancos contra o fundo azul-escuro. A porcentagem de mortos é
contada; o ideal deve ser menor que 15%.
. Estrutura morfológica do espermatozóide individual: pode ser ve-
rificada usando-se lâmina com ~sfregaço corada com nigrosina-
-eosina. Espermatozóides anormais devem ser notados e o tipo de
anormalidade anotado. Algumas anormalidades podem ser induzidas
pela manipulação do sêmen pós-coleta. A identificação de algumas
anormalidades e seu significado para a fertilidade do touro irão re-
querer a opinião de especialista. Entretanto, touros em centrais de
IA devem ter baixo número de espermatozóides anormais, isto é,
<20%, devido às pequenas doses de esperma usadas, comparadas
com o serviço natural (vide seção 14.4), muitos touros férteis usa-
dos para serviço natural têm maior número de espermatozóides anor-
mais. Grandes percentagens, entretanto, devem ser vistas com cautela.
. A concentração espermática, pode ser verificada aproximadamente
notando-se a cor e densidade do ejaculado. É melhor determinar
usando-se uma câmara de contagem, tal como o hemocitômetro de
Neubauer, juntamente com pipeta de células vermelhas para diluir
a amostra.
13.8 Freqüência de monta natural
Touros jovens com menos de 2 anos de idade devem ser usa-
dos menos freqüentemente que touros maduros; para o 1.°, em
torno de 2 a 4 serviços por semana; para o último 2.° até 12
serviços por semana, desde que não seja toda semana. Touros jo-
vens não devem estar servindo mais do que 10-15 vacas ou novi-
lhas; touros mais velhos podem servir aproximadamente 25. Um
touro jovem pode ficar amedrontado por vacas e novilhas, especial-
mente se ele não for muito dominante.
121
14 - INSEMINAÇAO ARTIFICIAL
14.1 Introdução
A inseminação artificial (IA) é extensivamente usada em mui-
tas partes do mundo, particularmente em gado de leite; seu uso
em raças de corte é mais restrito devido a problemas de detecção
de estro (seção 1.8) e manejo.
Vantagens
. Uso extensivo pod~ ser feito com reprodutores genéticamente
superiores.
. Sêmen pode ser estocado, quando congelado, por muitos anos
depois que o touro morreu.
. Sêmen pode ser usado de touros depois que tenham sido testa-
dos para progênie.
. Doenças venéreas podem ser controladas, desde que haja cuida-
dosa seleção e monitoramento dos touros em centrais de IA.
. A segurança da fazenda é melhorada porque touros leiteiros po-
tencialmente perigosos, não precisam ser mantidos na propriedade.
. A necessidade de criar e alimentar touro na fazenda é removida.
Desvantagens
. O estro deve ser detectado, bem como o momento exato da inse-
minação (seções L 8, 1.11 e 14.4), para obter boas taxas de gestação.
. O sêmen de raças exóticas pode causar distocias se usado em
novilhas imaturas.
. Há possibilidade de consangüinidade ocorrer eom o uso extensi-
vo em limitado número de reprodutores.
. Há a possibilidade de extensiva transferência de traços genéticos
indesejáveis se os touros não forem cuidadosamente monitorados.
. Há a possibilidade de extensiva disseminação de doenças vené-
reas e outras doenças infecciosas se a supervisão p~lo pessoal da
IA for inadequada.
122
14.2 Coleta de sêmen
É prática padrão usar a vagina artificial (VA) para coleta de
sêmen. Touros são treinados a montar em vacas ou mànequim.
Grande cuidado têm sido tomado para prevenir contaminação do
ejaculado. Cada touro tem sua própria VA.
A fim de aumentar o volume do ejaculado e o número de es-
permatozóide ejaculado, os touros são geralmente excitados antes
da coleta. O procedimento da coleta é descrito na seção 13.5.
14.3 Manipulação e processamento do sêmen - princípios gerais
Sêmen fresco pode ser usado, embora haja o perigo de disse-
minação de doenças; é proibido no Reino Unido.
Praticamente toda IA envolve o uso de sêmen congelado. O con-
gelamento tem vantagens distintas porque o sêmen pode ser esto-
cado por longo período de tempo mesmo depois que o touro
tenha morrido; permite O pronto transporte do sêmen por todo o
mundo; e, desde que se tenha quarentena e manipulação cuida-
dosa, previne-se a disseminação de doenças.
O sêmen deve ser protegido dos efeitos do congelamento e
manipulação, que poderia resultar na morte dos espermatozóides.
Por esta razão, diluente é adicionado ao sêmen. O diluente deve ter
os seguintes constituintes:
. Substrato nutritivo, usualmente um açúcar.
. Substância para proteger espermatozóides de danos no congela-
mento, ou outras alterações de temperatura.
. Tampão para prevenir mudanças no pH e também pressão osmótica.
. Antibióticos para matar bactérias que possam ser transmitidas do
touro e aquelas que possam afetar os espermatozóides.
Diluente também aumenta o número de doses possíveis de sê-
men, já que o touro produz mais espermatozóides que são neces-
sários para fertilização em um ejaculado.
Procedimento
Imediatamente após a coleta, o ejaculado é rapidamente ava-
liado para adequação ao processamento. Os diluentes usados são:
123
gema de ovo citrato, ou, mais comumente, leite desnatado com gema
de ovo aquecida, frutose e glicerol (o glicerol permite que o sê-
men seja congelado).
Após a adição de diluente, o sêmen é colocado em pipetas
(polivinil dorado) com capacidade entre 0,25 e 0,5ml. Estas pipe-
tas são coloridas em código para auxiliar a identificação e seÍadas
com tampão polivinílico, que também pode ser colorido para auxi-
liar a identificação da fonte do sêmen. Detalhes do touro e a data
da coleta são registrados ao lado. A maioria das pipetas usadas no
comércio agora contêm 0,25ml de sêmen diluído.
As pipetas preenchidas são então reunidas e resfriadas no va-
por do nitrogênio líquido, antes de serem merguhadas à tempera-
tura de - 196°C. Desde que atenção cuidadosa seja dada para manu-
tenção do nível de nitrogênio líquido num recipiente deestocagem, o
sêmen pode ser estocado por anos a esta temperatura, apenas com
perda mínima da capacidade fertilizante. Pipetas de sêmen também
podem ser transportadas em pequeno frasco de nitrogênio líquido com
capacidade tão pequena quanto 3 litros.
Uma vez que a pipeta tenha sido descongelada, não pode ser
recongelada sem afetar gravemente a capacidade fertilizante dos
espermatozóides, por isso as pipetas devem ser escolhidas no fras-
co de nitrogênio líquido para seleção e só removidas pouco antes
da inseminação.
Descongelamento antes da inseminação
o sêmen na pipeta deve ser descongelado após sua remoção do
nitrogênio líquido, antes da inseminação. Isto é realizado aumentan-
do-se uniformemente a temperatura daquela do nitrogênio (- 196°C)
àquela da temperatura ambiente de 37°C antes de depositá-Io na vaca.
Colocar a pipeta num becker de água a 37°C por 7 a 15s. - depen-
dendo da capacidade da pipeta - é adequado.
14.4 Técnica de inseminação
A pipeta é removida do becker de vidro, seca com papel lim-
op, e a ponta de um dos seus extremos é cortada com tesoura
limpa para remover o tampão. É então colocada na pipeta de in-
seminação de Cassou ou pistola(Fig. 14. 1).
124
(a)
(b)
Fig. 14.1.
Pipetas de inseminação de Cassou, (a) desmontada e (b) montada.
o procedimento para depositar o sêmen na vaca é o seguinte:
. A vaca ou novilha é adequadamente contida, preferencialmente
num tronco ou baia para prevenir movimento para frente, para trás
ou para os lados; um assistente para segurar a cauda é vantajoso.
. A pipeta de Cassou é gentilmente segura pelos dentes do insemina-
dor e, se o inseminador é destro, a mão esquerda é inserida no
reto para localizar a cérvix. Se grande quantidade de fezes estiver
presente no reto, a defecção deveria ser estimulada ou as fezes
removidas.
. A vulva é rigorosamente limpa com papel-toalha seco.
. O antebraço é gentilmente pressionado para baixo e para compri-
mir ligeiramente a vulva, a qual é então parcialmente dilatada.
. A pipeta é cuidadosamente inserida em ângulo de 45°, com sua
ponta direcionada crânio-dorsalmente dentro da vulva e ao longo
125
da parede vaginal. Às vezes, remanescentes do hímen podem impe.
dir seu progresso; estender a cérvix cranialmente, às vezes, ajuda.
. Uma vez que a ponta é localizada no fórnix da vagina, a cérvix
é firmemente segura pela mão esquerda e o óstio externo localizado
com a ponta da pipeta; isto pode usualmente ser determinado pela
presença de sensação de ranger.
. Uma vez que o óstio externo tenha sido localizado, a cérvix pode
ser tracionada, e, usando-se uma combinação de empurrar a pipeta
através do canal cervical e puxando a cérvix na pipeta, deve ser
possível possibilitar sua passagem. Às vezes a ponta esbarra numa
dobra cervical; nesse caso a pipeta deve ser ligeiramente retirada
e então redirecionada. A técnica é mais fácil em pluríparas que
em novilhas e quando a. vaca está realmente em estro. Cuidados para
prevenir trauma devem ser regra.
. A ponta da pipeta deve ser introduzida somente dentro do corpo
uterino; isto pode ser localizado por suave pressão com a ponta do
dedo indicador.
. O êmbolo da pipeta deve ser firmemente pressionado para depo.
sitar o sêmen bem no corpo uterino.
. A pipeta deve ser cuidadosamente retirada.
. Excessiva palpação do trato genital e ovários deve ser desen-
corajada.
e A dose de 20-30 x 106 espermatozóides está presente em cada
pipeta.
Momento da inseminação
O momento de IA é importante' para assegurar boas taxas de
gestação e depende da acurada detecção de estro (seção 1.8). A vaca
vista em estro pela manhã deve ser inseminada no mesmo dia (pre-
ferivlmente à tarde), já se observada à tarde ou ao anoitecer, deve
ser inseminada na manhã seguinte. O tempo ótimo é próximo ao
final do estro ou dentro de algumas horas depois.
14.5 Seleção e cuidados com touros em centrais de I.A.
Touros que são rotineiramente usados para coleta de sêmen em
central de IA devem ter boa condição física e ser exercitados.
126
Particular atenção deve ser dada ao estado do sistema locomotor,
especialmente os pés. Manejo firme, mas simpático e contenção
são necessários.
Touros são examinados por veterinário oficial do Ministério
da Agricultura, para reduzir a possibilidade de disseminação de
traços genéticos 'indesejáveis e também por causa do perigo de
disseminação de doenças venéreas transmissíveis e outras doenças.
o exame do touro compreende avaliação de algum. defeito ana-tô-
mico que possa ser transmitido à sua progênie e a avaliação do
rebanho de origem e de qualquer animal que tenha sido servida
por ele. Testes para a presença de agentes infecciosos específicos
tais como Mycobacterium tuberculosis, Brucella abortus, Trichomo-
nas fetus, Campilobacter fetus, IBR e Leucose Enzoótica bovina
são conduzidos juntamente com testes para outras condições que
possam afetar a saúde do touro. Somente quando um certificado
veterinário de ausência de infecção é emitido, um touro pode ser
removido da central autorizada de IA. Lá ele permanece em isola-
mento por mais 60 dias, tempo durante o qual mais testes são
realizados, antes que entre no esquema de coleta.
Exame:;, regulares para saúde são realizados pelo veterinário
oficial responsável pelo centro.
14.6 Regulamentos relacionados ao uso de IA no Reino Unido
o Ministério da Agricultura é responsável pela regulamentação
da IA no Reino Unido; os leitores são estimulados a consultar os arti-
gos relevantes e devem contatar os oficiais veterinários apropriados
para orientação se necessário.
Centrais de IA são aprovadas pelo MA. Veterinário visitará
as centrais a intervalos de 3 meses para registrar a eficiência técnica
de inseminações. Há requerimento estatutário para o registro deta-
lhado do criador e da vaca e registro de identidade da vaca e do
touro em toda a inseminação. Todo o sêmen utilizado em IA é
congelado e deve ser submetido a um período de 28 dias de qua-
rentena antes do uso.
Existem rígidos controles na importação de sêmen para o Reino
Unido e muitos países têm normas específicas na importação de sê-
men do mesmo país regulamento vigente é considerado.
A IA pode ser feita pelo próprio criador, e isto tem uma re-
gulamentação à parte, o que permite a eles e seus empregados
realizarem IA em seu próprio rebanho com sêmen estocado na
fazenda e sujeito a licença pelo MAPA.
127
14.7 Métodos de avaliação da eficiência da inseminação artificial
A eficiência é medida pela "taxa de não-retorno", a qual é a
percentagem de vacas que não retomaram ao estro após certo
período de tempo desde a inseminação - normalmente a interva-
los de 30-60 ou 90-120 dias.
As taxas de não-retorno são mais elevadas que as de gestação
(seção 7.16), das quais a melhor medida. deve ser entre 70 e
80%. A discrepância entre taxa de gestação e de não-retorno é
devido a:
. Falha em se detectar retorno ao estro.
. Falha em comunicar o retorno ao estro antes da escolha.
. Um certo nível de morte embrionária e morte fetal
(seção 7.3).
precoce
14.8 Resultados insatisfatórios da inseminação artificial
Estes podem ser devidos a:
. Momento incorreto da IA (seção 14.4 e 5. )5.
. Técnica de inseminação deficiente ou incorreta, especialmente se
a IA é feita pelo próprio criador (seção 14.4).
. Estocagem e manipulação de sêmen deficiente, especialmente no
descongelamento (seção 14.3).
. Vaginites devido a bactérias - Uma estreita bainha plástica
colocada sobre a pipeta de IA pode prevenir contaminação uterina.
. Variações na fertilidade do touro.
128
15 - INFERTILlDADE DO TOURO
15.1 Considerações gerais
Quando a infertilidade é observada num rebanho onde é utili-
zada a monta natural, o touro deve sempre ser suspeit9 e seu pos-
sível envolvimento determinado. Vários exames podem ser necessá-
rios antes que um diagnóstico possa ser feito (vide seção 13 .4-13.6).
15.2 Métodos de investigação
Uma rotina específica e cuidadosa é necessária, como a seguinte:
. Amplo histórico da ascendência, a saber: idade, reprodução, ori-
gem, duração da propriedade e prova de fertilidade.
. Anamnese recente, para o qual bons registros são importantes,
a saber: freqüência de uso, método de uso, alojamento e alimenta-
ção, manejo, prova recente de fertilidade e a observação precisa
sobre falhas do touro.
. Exame clínico detalhado da saúde geral, especialmente do siste-
ma genital. A resposta do touro a uma vaca ou novilha em estro
deve ser notada. Seu comportamento copulatório, se possível, deve
ser rigorosamente observado e amostra de sêmen deve ser coletada
e avaliada (vide seções 13.4 e 13.7).
15 3 Perda ou falta de libido
A libido (desejo sexual) varia geralmente de raça para raça e
dentro das raças. Geralmente touros de corte que são calmos, têm
menor líbido que os de leite.
O ambiente no qual o touro é mantido, a pessoa que maneja
o touro, o método de contenção usado para o touro e local onde
o serviço é realizado podem ter influência profunda na libido, em-
bora freqüentemente a causa precisa para libido deficiente não
possa ser determinada. O seguinte pode ser responsável:
. Idade: libido declina em touros velhos.
. Rufião: especialmente touros jovens são usados para rufião em
grupos de vacase novilhas; isto pode ter efeitos de longo e curto
prazo na libido.
129
. Barulho e distrações.
. Ambientes estranhos, manejadores ou métodos de contenção.
. Tédio: algumas variações na rotina de serviço pode ser vantajoso.
. Falta de exercício.
. Excesso de peso.
. Debilidade grave.
. Excesso de uso.
. Doenças intercorrentes.
. Dor intensa no sistema locomotor e dorso e também pênis, onde
agentes infecciososcomo Herpes Virus I Bovino (lPV - seção 8.7)
podem causar grave inflamação e ulceração da glande do pênis e
prepúcio (balanopostite).
. Ruptura do corpo cavernoso do pênis (seções 13.3 e 15.5).
. Deficiência no apoio.
. Esteróides anabólicos.
Tratamento para deficiência da livido
Em muitos casos isto envolve deficiência no acasalamento, des-
canso sexual e tratamento de doenças intercorrentes. Touros com
libido deficiente não devem ser usados para cobertura devido à
possibilidade de ser herdado.
Tratamento com gonadotrofina coriônica humana (HCG) ou
testosterona é de pouco valor.
15.4 Impotência associada a libido normal
o touro tem bom nível de libido, mas não serve a vaca, isto é,
ele é impotente. Uma descrição acurada e detalhada do comporta-
mento do touro em tentativa de serviço deve ser obtida. Pode
ser necessário observar o touro em várias ocasiões.
15.5 Impotência associada a falha na protrusão do pênis
. Fimose (estenose do orifício prepucial). Em exploração digital o
orifício deve aceitar pelo menos 3 dedos simultaneamente. Pode ser
congênito em touros jovens e não deve ser tratado cirurgicamente
devido a possível hereditariedade. Pode ser condição adquirida em
touros jovens e outros touros devido ao uso excessivo, trauma e
balanopostite crônica.
130
. Falha na ereção. Isto pode ser congênito ou, mais comumente a
lesões vasculares adquiridas, as quais permitem que o sangue es-
cape do corpo cavernoso do pênis, impedindo assim a ereção nor-
mal (seção 13.1). A porção parcialmente protusa é flexível e flá-
cida; não há tratamento. Trombose da vascularização peniana tam-
bém pode ser responsável.
. Tumores penianos. Usualmente fibropapilomas, os quais são bem
mais comuns, podem impedir a protusão quando grande.
. Encurtamento congênito do pênis. Alguma dúvida se isto ocorre
ou se é meramente uma falha na ereção. O pênis de um touro adul-
to é de cerca de 90cm de comprimento.
. Aderênciasentre pênis e prepúcio. Balanopostite crônica devido
a trauma ou infecções como IPV. Tratamento por separação cirúr-
gica das aderências raramente tem sucesso.
. Falha da separação do pênis e prepúcio na puberdade.
. Frênulo persistente (seção 15.5).
. Ruptura do corpo cavernoso do pênis. Usualmente diagnosticado
mais cedo por causa do efeito sobre a libido e evidência de dor.
Edema cranialmente à flexura sigmóide e escroto.
. Desvioespiraldentro do prepúcio (seção 15.5). Pode ser inter-
mitente dentro do prepúcio, conseqüentemente às vezes irá ocorrer
movimento do pênis ereto pode ser visto e palpado dentro do
prepúcio.
15.6 Impotência associada à falha na introdução
O touro monta e expõe o pênis, mas é incapaz de introdução
Isto pode ser devido a:
. Desvio espiral do pênis (seção 15.5). O pênis normalmente
espirala dentro da vagina após a introdução; se espiralar antes,
esta não é possível. O pênis é defletido ventralmente e para
a direita e pode se tornar uma espiral anti-horária completa. B de-
vido ao deslizamento do ligamento apical dorsal do pênis. Corre-
ção cirúrgica é possível (vide Bovine Surgery and Lamenesspor
Weaver), mas deve ser realizada somente em touros usados para
cruzamento. Pode ocorrer intermitentemente.
. Desvio ventral do pênis (pênis em arco). O pênis curvado ven-
tralmente sem espiralar; é devido ao ligamento apical dorsal fraco
ou trauma.
131
. Frênulo persistente. Pode impedir a protusão completa ou cau-
ser algum grau de desvio peniano. É devido à falha na completa
separação de pênis e prepúcio na puberdade e pode ser caracte-
rística herdada.
. Fibropgpiloma grande.
. Causas indeterminadas. O pênis parece normalmente ereto e pro-
tuso mas introduções não ocorrem por dor, deficiência no apoio,
disparidade no tamanho da vaca ou novilha, problemas comporta-
mentais ou anormalidades neurológicas.
15.7 Introdução sem ejaculação
Introdução ocorre mas o touro não impulsiona e nem ejacula
(vide seção 13.3).
É usualmente impossível determinar a causa precisa. Pode ser
devido à dor, deficiência no apoio, problema comportamental ou
anormalidade neurológica.
Tratar com descanso sexual e mudança na rotina de serviço.
15.8 Redução ou falha da fertilização
O touro tem libido e comportamento copulatório normal, mas
não fertiliza.
Detalhado exame clínico do sistema genital é necessário com
coleta de sêmen e avaliação em pelo menos três ocasiões especiais
com intervalo de 30 dias (seção 13.1). Causas de baixa qualidade
do sêmen são:
. Temperaturaambientalelevada.
. Doenças intercorrentes,especialmente se há pirexia.
. Estresse associado com transporte, novo ambiente e casqueamento.
. Uso excessivo (seção 13.8).
. Infecção do sistema genital. Pus pode ser observado noejaculado
ou elevado número de leucócitos no esfregaço de sêmen, o local da
infecçãopode ser o testículo, epidídimos ou vesículas seminais. A pal-
pação irá usualmente revelar a mudança na consistência do órgão.
Tratamento prolongado com antibioticoterapia.
132
. Mastite das glândulas mamárias vestigiais.
Hipoplasia testicular. Isto é observado em touros jovens onde os
testículos são pequenos e macios, embora a libido seja normal;
há geralmente ejaculado azoospérmico. É possível que seja condi-
ção herdada. Nãp há tratamento.
. Degeneração testicular. Há histórico de fertilidade normal segui-
da de declínio gradual e ultimamente falha completa para gerar
bezerros. Libido normal. Testículos são pequenos, inicialmente ma-
cios, tornando-se atrofiados e endurecidos. Inicialmente ejaculado
pobre é obtido, com baixa densidade espermática e grande número
de espermatozóides mortos e anormais; eventualmente azoospermia
é total. Não há tratamento.
. Doenças venéreas. Estas são improváveis em produzir efeito so-
bre os espermatozóides. Palha no desenvolvimento da gestação
precoce, resultado de ambiente uterino desfavorável (seções 7.7,
7.9 e 8.2).
. Aplasia segmentar dos ductos de Wolff. Palha no desenvolvimento
embriológico normal do sistema de ductos, o que iria permitir o
transporte dos espermatozóides dos testículos. Aplasia unilateral
teria pouco ou nenhum efeito na fertilidade; a bilateral resultaria no
touro ser estéril já na puberdade.
. Espermatozóides morfologicamente anormais. Alguns defeitos ocor-
rem devido a manipulação grosseira do sêmen, outros ocorrem de-
vido a falhas na espermatogênese e maturação espermática. A inter-
pretação da significância de leves defeitos na morfologia espermá-
tica requer opinião de especialista.
133
LEITURA COMPLEMENTAR
ARTHUR, G. H., NOAKES, D. E. & PEARSON, H. (1982), Veterinarll
Reproduction and Obstetrics, 5th ed., Bailliere Tindall, Eastbourne.
AUSTIN, C. R. & SHORT, R. V. (1982), Reproduction in Mammals,
2nd ed., vols. 1-5. Cambridge University Press, Cambridge.
COX, J. E. (1982), Surgery Df the Reproductive Tract of Large Animals.
Liverpool University Press, Liverpool.
EDDY, R. G. & DUCKER, M. J. (eds.) (1984), Dairy Cow Fertility.
British Veterinary Association, London.
ESSLEMONT, R. J., BAILIE, J. H. & COOPER, M. J. (1985), Fertility
Management in Dairy Cattle. Collins Professional and Technical
Books, London.
HAFEZ, E. S. E. (ed.) (1980), Reproduction in Farm Animals, 4th ed.
Lea & Febiger, Philadelphia.
HUNTER., R. F. H. (1982), Physiology and Technology 01 Reproduction
in Female Domestic Animals. Academic Press, London.
McDONALD, L. E. (1980), Veterinary Endocrinology and Reproduction,
3rd ed. Lea & Febinger, Philadelphia.
Ministry of Agriculture, Fisheries and Food (1984), Dairy Herd Fertility:
reproductive terms and definitions, book n. 2476. Her Majesty's
Stationery Office, London.
Ministry af Agriculture,Fisheries and Food (1985), Dairy Herd Fer-
tility, book n. 259. Her Majesty's Stationery Office, London.
MORROW, D. A. (1980), Current Therapy in Theriogenology. W. B.
Saunders, Philadelphia.
ROBERTS, S. J. (1971), Veterinary Obstetrics and Genital Diseases.
Published by the author, New York.
SLOSS, V. & DUFTY, J. H. (1980), Handbook of Bovine Obstetrics.
Williams & Wilkins, Baltimore.
WEAVER, D. (1986), Bovine Surgery and Lameness. Blackwell Scien-
tific PUblications, Oxford.
134
fNDICE REMISSIVO
Abortamento
causa, 66-8
definição, 65
freqüência, 65
investigação, 68-9
requisitos legais, 65-6
Alantocórion, 23, 24
palpação, 29
Alantóides, 22, 23, 24
Ambiente do parto, 34
Âmnion, 22, 23
Ampolas, 113, 116
Anasarca, 86
Anestro, 51
Anomalias congênitas, 69-70, 85-6
Anormalidades dos olhos, 70
Anovulação, 54
Apresentação
anormal, 87-8
longitudinal anterior, 77, 78
Aptidão do touro para reprodução
determinação, 118-9
Artrogripose, 70, 86
Ascite, 86
Atestados de Brucelose
1979 (Escócia), 65
1981 (Inglaterra e País de Gales), 65
Atividade cícIica ovariana, 3
controle hormonal, 6-8
retorno pós-parto, 40-1
Veja também ciclo estral
Balanopstite, 130
Bezerro, recém-nascido
adaptação, 38
peso ao nascimento, 30
exame, 38
rejeição pela vaca, 39
ressuscitação, 39
debilitados, 39
"Bolsa d'água", 33
Bolsa ovariana, 18
Carúnculas, 26
após o parto, 43
palpação, 29
Cateter de Foley, 106
Células de Leydig, 115
Cérvix
dilatação, 76
incompleta, 83, 89
exame, 15
involução, 41-2
palpação, 16-7
prolapso, 71-2, 73
Veja também atividade ovariana cícIica
Cistos, 20, 52, 56-7
CicIo estral
controle artificial, 10-14
alterações hormonais, 6-8
estágios, 4
CL veja corpo lúteo
Cloprostenol, dosagem, 14
Cloridrato de cIenbuterol, 37
Comprimento cabeça-garupa, 25
Cópula, 118
Corante de cauda, 9
Cornos uterinos, 20, 21
durante gestação, 28
palpação, 17-8
Corpo cavernoso do pênis, 116, 117
ruptura, 131
Corpo lúteo
após o parto, 41
encurtamento artificial da vida
útil, 10
crescimento, 5, 6, 8, 20
produção hormonal, 6-8
na prenhez, 26, 27
palpação, 19-20
persistente, 53
Corticosteróides, 46
uso na indução de parto, 35-6
Cortilédones, 23, 26
palpação, 29
Cumulus oophorus, 4, 5
Defeitos cardiovasculares, 70
Deficiência luteínica, 56
Descarte
devido a problemas de fertilidade, 49
taxa, 60
Desenvolvimento mamário, 46
detector de estro Kamar, 9
17 ,B-estradiol, 6, 7, 8
Desproporção feto-maternal, 82
135
Diestro, 4
Dinoprost, dosagem, 14
Distocia
definição, 75
incidência, 75
investigação, 75-6
Duração da gestação, 30
Ductos deferentes, 113, 116
Ductos de WoUf
apwia se~eutar. 133
Ejaculação, 118
falha de, 132
Ejeção de leite, 47
Eletroejaculação, 119
Embrião
coleta, 105-7
desenvolvimento, 22, 25
congelamento, 109
micromanipulação, 109
recuperação, 107
armazenamento, 108-9
Veja também transferência de
embriões
Embriotomia, 79
Embriótomo, 80
Endométrio, 26
Endometrite crônica, 99-100
regeneração, 43
Epidídimo, 113, 115
Episiotomia, 94
Ereção, 116
falha na 130-1
Escoliose, 70, 86
Espéculo vaginal, 15, 105
Espermatogênese, 114-5
Espermatozóides, 114, 115, 116
anormais, 121, 133
capacitação, 21-2
concentração, 121
avaliação, 120-1
motilidade, 121
produção, 120
Esterilidade, definição, 49
Estriol, 6
Estro, 4
detecção, 8-10
eficiência, 59-60
taxa, 59
duração, 4,8
durante gestação, 27
não-ocorrência, 50-3
sinais, 8-9
136
silencioso, 8
sincronização, 11-3
Estrógenos
no parto, 32, 46
no desenvolvimento
na gestação, 27
Estrona, 6
Estrumate, 14
mamário, 46
Fator precoce da g,estação, 26-7
Fenprostalene, dosagem, 14
Fertilidade
pós-parto, 44, 45
definição, 49
avaliação num rebanho, 58-60
manutenção, 60-2
monitoração, 60-2
registros, 61
Veja também infertilidade, taxa de
gestação
Fertilização, 21-2
falha na, 53,5 132-3
Feto
morte, 49, 57, 64-9
estimativa de idade, 25
crescimento, 25, 31
maceração, 69
mumificação, 54-5
palpação, 29
Fetotomia, 79, 82
Fibropapiloma, 131, 132
Fimose, 130
Flancos, exame dos, 14
Fluidos fetais, 24, 33
excesso de produção, 72, 74
FolÍculos, 4
pós-parto, 40
crescimento, 4, 6-8
produção hormonal, 6
luteinizado, 19, 40
palpação, 19 .
Folículos de Graaf veja Folículos
Freemartins, 31, 51
Frêmito, 29
Frênulo, persistente, 132
FSH
na função ovariana, 6-8
na espermatogênese, 114-5
"Garupa Travada', 82.3
Gest3ção
diagnóstico, 27.9
duração, 30
endocrinologia, 27
Gêmeos
incidência, 31, 101
indução, 101, 109
Gêmeos
siameses, 70, 86
apresentação simultânea, 85
Glândulas bulbo-uretrjlis, 113, 116
Glândula prostática, 113, 116
Glândulas vesicular (seminais) 113, 116
Hematomas, 94-5
Hidroalantóide, 74
Hidroamnion, 74
Hidrocéfalia, 70
Hormônios Folículo Estimulante
veja FSH
Hormônio luteinizante veja LH
Hormônios veja pelos nomes
individualmente
Hormônios liberadores de LH
veja LHRH
Impotência, 130-2
índice de parto, 58
Infertilidade, fêmea
definição, 49
investigação, 50-8
Infertilidade, macho, 53
investigação, 129
Inibição, 115
Inseminação Artificial, 53
vantagens, 122
desvantagens, 122
faça você mesmo, 53, 127, 128
eficiência, 127-8
razões para falhas, 128
regulamentos, 127
técnica, 124-6
determinação do momento, 126
Intervalo entre partos, 50, 58
Intervalo interestro, 3
prolongado, 57-8
curto, 56-7
Intervalo parto-concepção, 58
Intervalo parto - 1.° serviço, 59
Introdução, 117-8
falha na, 131-2
Lactação
LH
indução artificial, 47-8
início, 46
Lactogênese, 46
Lesão nervosa durante o parto, 95
LHRH, 6
Libertador de progesterona intravaginal
veja PRID
Libido, 117
insatisfatória, 129-30
Luprostiol, dosagem, 14
"Lutalyse", 14
Mãe do corpo, 96
Manequim, 119, 123
Membranas fetais, 22, 23, 24, 33
Metaestro, 4
Método de Bühner, 72, 73
Metrite aguda, 98-9
Monstros, 86
Morte embrionária
precoce, 49-50, 55-6, 63,4
tardia, 49, 58, 63-4
Matimortos, 69
Ninfomania, 57
Norgestamet, 12
Nutrição
relação com fertilidade, 55-6
Oócitos, 4, 5, 21
Operação cesariana, 81
Organogênese, 22
Ovários
agenesia, 51
mudanças durante o ciclo estral, 4-6
função, 6-8
hipoplasia, 51
palpação, 18
Ovidutos veja tubas uterinas
Ovulação, 21
pós-parto, 40
retardada, 54-5
taxa de, 31, 101
relação para o estro, 4, 7
Oxitocina, 32, 47
Palato fendido, 70
Palpação retal, 16-20
para diagnóstico de gestação, 29
para investigar infertilidade, 54
Paralisia do nervo obturador, 95
Paralisia do nervo glúteo, 95
Parto
atraso, 36-7
1.° estágio, 33, 77
indução, 34-6
137
início, 32
2.° estágio, 33, 77
sinais, 32-3
3.° estágio, 33-4
Pelve
defeitos ósseos, 84
exame, 14
Pênis, 113, 116, 117
aderências, 131
encurtamento congênito, 131
falha na exposição, 131
desvio em espiral, 131
tumores, 131, 132
desvio ventral, 131
Períneo
exame, 14
laceração, 93-4
Perosomus clumbis, 86
PGF2X veja prostaglandina F2X
Piometra, 53, 100
Pipeta de inseminação de Cassou, 124-6
Placenta, 26, 43
expulsão, 34
retenção, 91
"Planipart", 37
Pneumovagina, 16, 55, 94
Polidactilia, 70
Poliespermia, 22
Posição
anormal, 87-8
dorsal, 77, 78
Postura
anormal, 86-7
extendida, 77, 78
PRID, 11-2
Proestro, 4
Progestágenos, 10-2
Progesterona, 6, 7-8
no parto, 32, 46
no desenvolvimento mamário, 46
na gestação, 27
teste de concentração no leite, 27-8
uso na sincronização de estro, 10-12
Prolactina, 7, 26, 46, 115
Prolapso
cervico-vaginal, 71-2, 73
uterino, 96-8
"Prosolvin", 14
Prostaglandina F2X, 8, 32, 42
uso na indução de parto, 35, 36
uso na sincronização de estro, 10,
12-4
138
Puberdade
fêmea, 3
retardada, 51
macho, 117
Puerpério, definição, 40
Resposta à monta, 9
Rolamento, 85
Schistosomus reflexus, 70, 86
Sêmen
coleta, 119
composição, 120
avaliação, 120-1
congelamento, 123-4
importação, 127
baixa qualidade, 132-3
processamento, 123-4
descongelamento, 124
Serviço natural
freqüência, 121
Sindactilia, 70
Sistema genital, fêmea, 17
contusões pós-parto
exame externo, 14
oc1usão, 54
palpação retal, 16-20
aplasia segmentar, 54
exame vaginal, 15-6
Sistema genital, macho, 113, 114-17
exame clínico, 118-9
infecção, 132
Situação
anormal, 87-8
correção, 77
normal, 77, 78
Sulfato de, 29
Superovulação, 103-4
"SynchroceptB", 14
Taxa de concepção veja taxa
de gestação
Taxa de nlão-retorno, 128
Taxa de parição por insemina-
ção, 49-50
Taxa de gestação, 58, 59
após inseminação artificial, 128
pós-parto, 44, 45
após sincronização de estro, 13
Taxa de submissão, 59-60
Taxa de tração, cálculo, 82
torsão, 72, 84-5, 189
desvio ventral, 90
Testículos, 113, 114-5
degeneração, 133
hipoplasia, 133
Testosterona, 115
Torção cervical, 70, 86
Tração, 78-9, 81-2
Transferência de embriões
aplicações, 101-2
código de prática, 102
não-cirúrgica, 108
cirúrgica, 108
Triplos, incidência, 31, 101
Trompas de Falópio veja tubas uterinas
Tubas uterinas, 4, 21
palpação, 18
Túbulos seminíferos, 114, 11~
Túnica albugínea, 114, 117
Ultra-som, 28, 29
Urovagina, 55
Útero
contaminação bacteriana
gestação, 43-4
inércia, 90
infecção, 55
involução, 41-2
prolapso, 96-8
ruptura, 72, 89
laceração, 95-6
tônus, 20
após
Vacas doadoras na transferência
de embriões
preparação, 193-4
seleção, 102
Vacas receptoras na transferência de
embriões
preparação, 103, 104
seleção, 103
Vagina
artificial, 119, 120, 123
descarga, 20
exame, 15-6
involução, 41-2
laceração, 93-4
na função ovariana, 6-8
na espermatogênese, 114-5
palpação, 16
prolapso, 71-2, 73
estreitamento, 83-4
Vesículos seminais, 113, 116
Vulva
durante apalpação retaI, 16
exame, 14
laceração, 93-4
estreitamento, 83-4
Zona pelúcida, 5, 22
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