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DIREITO PROCESSUAL PENAL
· Lei Processual no Espaço:
Art. 1º: O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código, ressalvados: 
I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;
II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100);
III - os processos da competência da Justiça Militar; 
IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, n o 17); 
V - os processos por crimes de imprensa.
Parágrafo único.  Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso.
OBS.: Em relação a estes casos, a aplicação do CPP será subsidiária. Com relação à Justiça Militar, há certa divergência, mas prevalece o entendimento de que também é aplicável o CPP de forma subsidiária. 
OBS.: Só é aplicável aos atos processuais praticados no território nacional. Se, por algum motivo, o ato processual tiver de ser praticado no exterior, serão aplicadas as regras processuais do país em que o ato for praticado.
· Lei Processual no Tempo:
Art. 2 o: A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior.
Tempus regit actum - principio do efeito imediato ou da aplicação imediata da lei processual (o ato processual será realizado conforme as regras processuais estabelecidas pela Lei que vigorar no momento de sua realização (ainda que a Lei tenha entrado em vigor durante o processo)).
Obs.: A lei nova não pode retroagir para alcançar atos processuais já praticados (ainda que seja mais benéfica), mas se aplica aos atos futuros dos processos em curso.
Obs.: Tal disposição só se aplica às normas puramente processuais.
Cuidado! 
Normas heterótipas - ex.: art. 186 do CPP (Devem ser observadas as regras de aplicação da lei PENAL no tempo (retroatividade benéfica, etc.).
Normas hibridas ou mistas - art. 366 do CPP (Há controvérsia, mas prevalece que também devem ser observadas as regras de aplicação da lei PENAL no tempo).
Normas relativas à execução penal – Há controvérsia, mas prevalece que são normas de direito material (logo, devem ser observadas as regras de aplicação da lei PENAL no tempo).
Norma Processual X Norma Material: Norma processual regula procedimento ou a forma do ato processual. Normas materiais são as que objetivam assegurar direito ou garantias.
· Lei Processual em Relação às Pessoas:
Exceção à aplicação da lei processual penal é a existência de tratados, convenções e regras de direito internacional. Exemplo dessa hipótese é a chamada imunidade diplomática.
Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD), aprovada pelo Decreto Legislativo 103/1964, e da Convenção de Viena sobre Relações Consulares (CVRC), aprovada pelo Decreto Legislativo 06/1967.
Segundo a CVRD os Chefes de Estado e os representantes de governos ficarão absolutamente excluídos da jurisdição criminal do país onde exercem suas funções.
Atenção: a imunidade se estende a todos os agentes diplomáticos (embaixadores, secretários da embaixada, pessoal técnico e administrativo das respectivas representações, seus familiares e funcionários de organismos internacionais quando em serviço ONU, OEA etc)
Obs: É possível a renúncia da imunidade pelo Estado, nunca pelo agente 
Obs: a sede diplomática não é território estrangeiro
Atenção: funcionários consulares possuem imunidade relativa, ou seja, somente estão imunes no que se refere aos atos oficiais realizados no exercício das funções consulares.
· Disposições preliminares do Código de Processo Penal
Art. 3º A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.
Enquanto no Direito Penal a lei deve se adequar perfeitamente ao fato, no caso do Direito Processual Penal não há essa rigidez, pois a lei processual penal admite a interpretação extensiva, ou seja, é possível ampliar o seu alcance, com base no previsto no próprio CPP. 
Também diferente do que ocorre no âmbito do Direito Penal, a lei processual penal admite a aplicação analógica nos casos de vazio legislativo. Assim, é possível utilizar outra fonte para poder aplicar a norma que tem um vazio. 
A lei processual penal também pode ser suplementada por meio dos princípios gerais de direito. Com tudo isso, entende-se que o Direito Processual Penal será mais flexível que o Direito Penal, pois neste é feito o tratamento do crime e da pena aplicada a ele. Já no Direito Processual Penal não se trata diretamente do crime, mas do instrumento, que é o processo.
· Juiz das Garantias
a. Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. 
b. Art. 3º-B. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-lhe especialmente: 
I. receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do caput do art. 5º da Constituição Federal; 
II. receber o auto da prisão em flagrante para o controle da legalidade da prisão, observado o disposto no art. 310 deste Código; 
III. zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que este seja conduzido à sua presença, a qualquer tempo; 
IV. ser informado sobre a instauração de qualquer investigação criminal; 
V. decidir sobre o requerimento de prisão provisória ou outra medida cautelar, observado o disposto no § 1º deste artigo; 
VI. prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como substituí-las ou revogá-las, assegurado, no primeiro caso, o exercício do contraditório em audiência pública e oral, na forma do disposto neste Código ou em legislação especial pertinente; 
VII. decidir sobre o requerimento de produção antecipada de provas consideradas urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa em audiência pública e oral; 
 VIII. prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado preso, em vista das razões apresentadas pela autoridade policial e observado o disposto no § 2º deste artigo; 
 IX. determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver fundamento razoável para sua instauração ou prosseguimento; 
 X. requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia sobre o andamento da investigação; 
 XI. decidir sobre os requerimentos de: 
· interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática ou de outras formas de comunicação; 
· afastamento dos sigilos fiscal, bancário, de dados e telefônico; 
· busca e apreensão domiciliar; 
· acesso a informações sigilosas; 
· outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais do investigado; 
 XII. julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia; 
 XIII. determinar a instauração de incidente de insanidade mental; 
 XIV. decidir sobre o recebimento da denúncia ou queixa, nos termos do art. 399 deste Código;
 XV. assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito outorgado ao investigado e ao seu defensor de acesso a todos os elementos informativos e provas produzidos no âmbito da investigação criminal, salvo no que concerne, estritamente, às diligências em andamento; 
 XVI. deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção da perícia; 
 XVII. decidir sobre a homologação de acordo de não persecução penal ou os de colaboração premiada, quando formalizados durante a investigação; 
 XVIII. outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste artigo. 
§ 1º O preso emflagrante ou por força de mandado de prisão provisória será encaminhado à presença do juiz de garantias no prazo de 24 horas, momento em que se realizará audiência com a presença do Ministério Público e da Defensoria Pública ou de advogado constituído, vedado o emprego de videoconferência. 
§ 2º Se o investigado estiver preso, o juiz das garantias poderá, mediante representação da autoridade policial e ouvido o Ministério Público, prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 dias, após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será imediatamente relaxada. 
c. Art. 3º-C. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações penais, exceto as de menor potencial ofensivo, e cessa com o recebimento da denúncia ou queixa na forma do art. 399 deste Código. 
§ 1º Recebida a denúncia ou queixa, as questões pendentes serão decididas pelo juiz da instrução e julgamento. 
§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz da instrução e julgamento, que, após o recebimento da denúncia ou queixa, deverá reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso, no prazo máximo de 10 dias. 
§ 3º Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias ficarão acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério Público e da defesa, e não serão apensados aos autos do processo enviados ao juiz da instrução e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas irrepetíveis, medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que deverão ser remetidos para apensamento em apartado. 
§ 4º Fica assegurado às partes o amplo acesso aos autos acautelados na secretaria do juízo das garantias. 
d. Art. 3º-D. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas competências dos arts. 4º e 5º deste Código ficará impedido de funcionar no processo. 
Parágrafo único. Nas comarcas em que funcionar apenas um juiz, os tribunais criarão um sistema de rodízio de magistrados, a fim de atender às disposições deste Capítulo. 
e. Art. 3º-E. O juiz das garantias será designado conforme as normas de organização judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelo respectivo tribunal. 
f. Art. 3º-F. O juiz das garantias deverá assegurar o cumprimento das regras para o tratamento dos presos, impedindo o acordo ou ajuste de qualquer autoridade com órgãos da imprensa para explorar a imagem da pessoa submetida à prisão, sob pena de responsabilidade civil, administrativa e penal. 
Parágrafo único. Por meio de regulamento, as autoridades deverão disciplinar, em 180 dias, o modo pelo qual as informações sobre a realização da prisão e a identidade do preso serão, de modo padronizado e respeitada a programação normativa aludida no caput deste artigo, transmitidas à imprensa, assegurados a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa submetida à prisão. 
· FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL 
As fontes do Direito Processual Penal tratam da origem das normas, ou seja, como surgem as normas processuais penais. Elas se dividem em fontes materiais e fontes formais. 
As fontes materiais dizem respeito a criação da lei processual penal: 
• Art. 22, I da CF/1988: a legislação compete privativamente à União; 
• Art. 24, XI da CF/1988: competência concorrente para procedimentos (residual). 
Obs.: compete privativamente à União legislar sobre o processo penal como um todo. Além disso, de forma residual, também existe a possibilidade da competência concorrente para os procedimentos, em relação aos Estados e Distrito Federal. 
As fontes formais do Direito Processual Penal podem ser: 
• Imediatas: lei (Código de Processo Penal e as leis processuais penais especiais); 
• Mediatas: analogia, costumes, princípios gerais do Direito. 
Obs.: para aplicar o direito no processo penal, no caso das fontes formais, primeiramente deve se buscar a lei. Caso haja alguma omissão (vazio), então é possível se socorrer da analogia, dos costumes e dos princípios gerais do Direito. 
PRINCÍPIOS: 
No caso dos princípios aplicáveis ao Direito Processual Penal, alguns deles estão previstos na própria Constituição Federal de 1988 e, portanto, merecem uma atenção especial. 
· Princípio da inércia: Também conhecido como “ne procedat iudex ex officio”. Está relacionado ao chamado sistema acusatório, previsto no art. 129, I da CF/1988. De acordo com esse princípio, o juiz não pode agir de ofício para dar início a uma ação penal, pois, primeiramente, precisa ser provocado. Hoje em dia, em relação ao início da ação penal, vigora plenamente o princípio da inércia. Regra geral, quem dá início ao processo é o Ministério Público nas ações penais públicas (condicionadas e incondicionadas) e o particular (ofendido) ou seu representante legal nas ações penais privadas. 
· Princípio do devido processo legal: Para que uma pessoa cumpra uma pena é necessário que antes seja submetida a um processo, que lhe garanta todos os direitos e garantias constitucionalmente previstos. 
· O devido processo legal se manifesta de duas maneiras: 
• Formal: procedimento (rito); 
• Material: não basta o rito em si, se ele não conduzir a uma decisão justa ao final. 
· Contraditório Também é conhecido como princípio da bilateralidade da audiência, ou seja, ouvir tanto o autor da ação penal quanto o réu. Nesse sentido, o contraditório pode ser entendido como a necessidade/obrigatoriedade de se ouvir ambas as partes antes de tomar uma determinada decisão. 
O contraditório pode ser: 
• Real: ocorre no momento em que a prova é produzida; e 
• Diferido: é realizado posteriormente ao momento da produção da prova. 
Obs.: o contraditório diferido também pode ter chamado de prorrogado ou postergado, pois ocorre em momento posterior). Esse tipo de contraditório não é a regra. 
· AMPLA DEFESA CF/1988 Art. 5º, LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Enquanto no contraditório se dá a possibilidade a outra parte de contraditar o que foi dito pela outra, a ampla defesa se trata de uma defesa geral, ou seja, o acusado pode se defender com teses novas e não apenas contraditando o que foi falado contra ele. Isso é diferente do que ocorre no processo civil, pois, em muitos casos, fala-se apenas em defesa, enquanto no processo penal se fala em ampla defesa.

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