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Direito Processual do Trabalho e LGPD

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REVISTA 
TRABALHISTA 
Direito e Processo 
~ L1R 
ANAtV\\AliRA 
Direito Processual do Trabalho e os 
Influxos da Lei Geral de Proteção de 
Dados Pessoais na Produção da Prova 
em Ambiente Processual Virtual 
Leonardo Tibo Barbosa Limal*l 
Resumo: 
1JJ> O presente artigo tem como objeto a análise das provas produzidas em ambiente virtual 
e as regras da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, com a finalidade de apresentar 
uma reflexão sobre as medidas necessárias ao tratamento de dados pessoais no Processo 
do Trabalho. 
Palavras-chave: 
1JJ> Direito processual do trabalho - Produção de prova em ambiente virtual - Lei Geral 
de Proteção de Dados Pessoais. 
Abstract: 
IJJ> This scientific paper aims to analyze the production of judicial evidence in a context of 
virtual environment and the rules o f the General Law on the Protection ofPersonal Data, 
in order to understand the reflections on the necessary measures for the treatment of 
personal data in Labor Procedural Law. 
Keywords: 
IJJ> Labor procedurallaw- Judicial evidence in virtual environment- General Law on the 
Protection o f Personal Data. 
Índice dos Temas: 
IJJ> 1. Introdução 
IJJ> 2. Teoria geral da prova 
1JJ> 3. O ambiente virtual 
IJJ> 4. Os influxos da Lei Geral de Proteção de Dados na prova judicial 
(*) Doutor em Direito Privado e Mestre em Direito do 
Trabalho pela PUC/MG. Especialista em Direito Público 
pela UGF/RJ. Juiz do Trabalho substituto do TRT da 3ª Re-
gião. Conselheiro da Escola Judicial do TRT da 3ª Região. 
Membro da Comissão Legislativa da Anamatra. Diretor 
Cultural da Amatra3. 
234 ~ REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19- N. 64 
., 5. Considerações finais 
li' 6. Referências 
1.1ntrodução 
A prova é um signo, um fenômeno da 
linguagem que indica ou expressa uma ideia 
(significante) sobre a realidade (significado). 
Ela conta a história, cria uma ponte entre o 
presente e o passado e anseia fazer as vezes da 
onisciência. A sua finalidade é, pois, indicar 
ou expressar a ideia de verdade sobre os fatos 
alegados. 
É por meio da prova que o Juiz consegue 
percorrer todas as etapas do citado itinerário 
cognitivo. Se as provas existentes não forem 
capazes de levar o Juiz até a decisão, o fato não 
terá sido provado. 
Com as restrições à realização das audiên­
cias presenciais (Resoluções ns. 313, 314 e 322 
do CNJ) e o surgimento do Juízo 100% Digital 
(Resolução n. 345 do CNJOl), a produção da 
prova em ambiente virtual passou a ser um 
desafio, mas vencível, como se pretende de­
monstrar. 
O artigo inicia apresentando noções gerais 
sobre a teoria da prova, avança com a exposi­
ção da argumentação teórica sobre a relação 
entre as provas produzidas em ambiente virtual 
e a Lei Geral de Proteção de Dados e conclui 
mostrando um extrato das reflexões do autor. 
Como o tema é vasto e flerta com a prática, 
foi adotado um estilo objetivo de texto, com 
apresentação de argumentação de forma es­
quematizada, sempre que possível, a fim de 
facilitar a compreensão e a localização dos 
pontos de maior interesse do leitor. 
(1) No Juízo 100% Digital,"todos os atos processuais serão 
exclusivamente praticados por meio eletrônico e remoto 
por intermédio da rede mundial de computadores:' (art. 
12, parágrafo único). "A escolha pelo 'Juízo 100% Digital' 
é facultativa e será exercida pela parte demandante 
no momento da distribuição da ação, podendo a parte 
demandada opor-se a essa opção até o momento da con­
testação:' (art. 3º). "As audiências e sessôes no 'Juízo 100% 
Digital' ocorrerão exclusivamente por videoconferência. 
(art. Sº). 
2. Teoria geral da prova 
Tecnicamente, as provas são meios desti­
nados a demonstrar a verdade dos fatos. O 
princípio do devido processo legal tem como 
um dos seus corolários o direito fundamental 
à prova (art. 5º , LV e LVI, da CF) . 
Os meios de prova podem ser diretos, 
quando se referem diretamente ao fato que se 
pretende provar, ou indiretos, quando relativos 
a outros fatos que, indiretamente, levam ao 
conhecimento da verdade do fato principal. 
Os meios diretos mais comuns são: a) de­
poimento das partes, cuja iniciativa é da parte 
contrária; b) interrogatório das partes, cuja 
iniciativa é do juiz; c) confissão judicial ou 
extrajudicial; d) testemunhal; e) documental; 
f) pericial; e g) inspeção judicial. 
O Novo CPC também introduziu a ata no­
tarial como meio autônomo de prova, a qual 
consiste no registro de fatos realizado pelo 
Tabelião de cartório em uma ata, a pedido do 
interessado (art. 384). 
Sem embargo, outros meios podem ser 
criados, como é o caso da prova estatística, (Z) 
por exemplo. 
Já os meios indiretos de prova podem ser 
de dois tipos: a) presunção; e b) indício. A 
primeira é a certeza da existência de um fato 
em função da comprovação de outro, por força 
da lei ou da interpretação do Juiz (art. 374, IV, 
do CPC) . Ela é dedutiva ("a priori"), isto é, in­
depende da experiência e do caso concreto, de 
maneira que o simples acontecimento do fato 
"!\.' já será capaz de provar a verdade relativa 
ao fato "B': Dessa forma, a presunção deriva da 
(2) Nessa modalidade de prova, são utilizadas estatísticas 
para demonstrar a ocorrência de fatos, como, por exemplo, 
no caso de uma empresa que, apesar de ter entre seus 
quadros maioria feminina, nunca promoveu uma mulher 
a gerente. Em casos assim, a estatística pode provar a 
existência de discriminação. 
REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO - ANO 19- N. 64 ... 235 
lógica, isto é, da ilação (nexo de causalidade) 
que o julgador faz de um fato provado para se 
convencer da ocorrência de outro fato. 
A presunção pode ser absoluta ("juris et de 
iure") ou relativa ("juris tantum"). A primeira 
não admite a produção de prova em contrário 
e a segunda, sim. É exemplo de presunção 
absoluta o fato de o Juiz ser irmão de uma das 
partes, gerando a presunção absoluta de par­
cialidade (art. 144, IV, do CPC). Já as anotações 
constantes da CTPS geram presunção relativa 
de veracidade (Súmula n. 12, do TST). 
Nos termos do art. 239 do Código de Pro­
cesso Penal, indício é a circunstância conhecida 
e provada, que, tendo relação com o fato, 
autorize, por indução, concluir-se sobre outra 
ou outras circunstâncias. Ele é, pois, indutivo 
("a posteriori"), isto é, dependerá dos elemen­
tos (sinais) do caso concreto, para ser formado. 
Não se pode, portanto, estabelecer indícios 
previamente, de forma abstrata, como ocorre 
com a presunção. 
Quaisquer fatos naturais ou humanos que 
provoquem efeitos no mundo jurídico podem 
ser considerados como fonte da prova. 
Em regra, o objeto da prova são os fatos, 
uma vez que o Juiz conhece o direito ("juria 
novit cu ria"). Constituem exceção a essa regra 
o direito municipal, estadual, estrangeiro ou 
consuetudinário, os quais devem ter o teor e a 
vigência provados pela parte, se assim deter­
minar o Juiz (art. 375 do CPC). 
No Processo do Trabalho, a mesma regra se 
aplica às convenções coletivas de trabalho e aos 
acordos coletivos de trabalho, às convenções 
da OIT não ratificadas e aos regulamentos de 
empresa. 
Alguns fatos, no entanto, não precisam ser 
provados. É o caso dos seguintes fatos (art. 374 
do CPC): a) notórios; b) afirmados por uma parte 
e confessados pela parte contrária; c) admitidos, 
no processo, como incontroversos (como a con­
fissão real ou a ficta); e d) em cujo favor milita 
presunção legal de existência ou de veracidade. 
Sobre o tema das provas judiciais, os prin­
cípios mais relevantes são os enumerados a 
seguir. 
Necessidade. As provas são necessárias à 
elucidação dos fatos, porque o Juiz não possui 
o sentido da onisciência. Dessa forma, o fato 
não provado será tido como inexistente. De 
outra face, em se tratando de fato não alegado 
ou de fato tido como incontroverso, notório, 
confessado pela parte contrária ou em favor 
do qual milite presunção legal de existência ou 
de veracidade (art. 374 do CPC), não haverá, 
em regra, a necessidade de produzir a prova 
sobre ele, razãopela qual a lei autoriza o Juiz 
a indeferir as diligências inúteis ou meramente 
protelatórias (art. 370, parágrafo único, do 
CPC c/c art. 765 da CLT). 
Obrigatoriedade. Na classificação dos atos 
processuais, a prova tem natureza jurídica de 
ônus para a parte, pois elas têm o direito (e não 
o dever ou a faculdade) de produzi-las (art. 369 
do CPC), sob a consequência de sofrerem 
restrições ao direito à prova, que vão desde a 
preclusão até a improcedência do pedido por 
falta de provas. Do ponto de vista do Juiz e, 
bem assim, do devido processo legal, a prova 
têm natureza de poder-dever. Se as partes 
alegam fatos e manifestam o interesse em 
produzir provas, é dever do juiz determiná-las 
(arts. 370 do CPC e 765 da CLT), como ocorre, 
por exemplo com a perícia, que depende de 
ordem judicial para ser realizada. 
Oportunidade. Cada prova tem seu momen­
to próprio para ser produzida, como é o caso 
da prova documental que é pré-constituída, 
pelo que deve acompanhar a petição inicial e a 
contestação (arts. 787 e 845 da CLT). As provas 
orais, por sua vez, devem ser produzidas em 
audiência, ao passo que as periciais, no curso 
da relação processual, porque dependem de 
ordem judicial. 
Unidade. As provas formam um todo, o qual 
deverá ser analisado como tal, em conjunto. 
Em vista disso, existindo vários depoimentos 
de testemunhas, cabe ao Juiz considerá-los em 
236 ~ REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO - ANO 19 - N. 64 
conjunto, podendo, no entanto, desconstituir o 
que se mostrar viciado, como o contraditório, 
por exemplo. Isso não impede, ainda, que o Juiz 
atribua especial valor a um dos depoimentos, 
em que apenas uma das testemunhas, entre ou­
tras cinco, presenciou o fato de uma distância 
mais próxima. 
Proibição de provas ilícitas. Nos termos 
do art. 5º, LVI, da CF, "são inadmissíveis, no 
processo, as provas obtidas por meios ilícitos." A 
doutrina tradicional diz que ilícita é o gênero 
da qual são espécies as provas ilegítimas e as 
ilegais. A primeira está relacionada à obtenção 
da prova (na relação material) e, a segunda, ao 
momento em que ela é produzida (na relação 
processual). 
Com efeito, uma prova ilícita pode servir 
de fonte para outra prova, como no caso em 
que o documento obtido por furto tenha sido 
visualizado por uma testemunha, que em juízo 
narra o seu conteúdo. Haveria vício por deri­
vação? Pela teoria dos frutos podres da árvore 
envenenada (''jruits of the poisonous tree"), 
abrigada pelo art. 157 do CPP, o depoimento 
da citada testemunha seria ilegítimo, porque 
está calcado em prova obtida por meio ilícito. 
Essa teoria tem sido aplicada pelo STF, desde 
que de fato haja nexo entre as duas provas. (3) 
(3) "( ... ]1. As provas ilícitas, bem como todas aquelas delas 
derivadas, são constitucionalmente inadmissíveis, mesmo 
quando reconduzidas aos autos de forma indireta, deven­
do, pois, serem desentranhadas do processo, não tendo, 
porém, o condão de anulá-lo, permanecendo válidas as 
demais provas lícitas e autônomas delas não decorrentes, 
ou ainda, que também decorreram de outras fontes, além 
da própria prova ilícita; garantindo-se, pois, a licitude da 
prova derivada da ilícita, quando, conforme salientado pelo 
Ministro EROS GRAU, "arrimada em elementos probatórios 
coligidos antes de sua juntada aos autos". 2. Assentou o 
Superior Tribunal de Justiça que, em matéria de provas 
ilícitas, o art. 157, § 1 º·do Código de Processo Penal. com a 
redação dada pela Lei n. 11 .690/2008, excepciona a adoção 
da teoria dos frutos da árvore envenenada na hipótese 
em que os demais elementos probatórios não estiverem 
vinculados àquele cuja ilicitude foi reconhecida. [ ... ]" (STF­
·HC 156.157 AgR/PR, relator Min. Alexandre de Morais, 1ª 
Turma, DJe 26.11.2018). 
Parte da doutrina entende que a prova ilícita 
é sempre inadmissível, sendo esta uma regra 
absoluta. Outra corrente, no entanto, entende 
que, desde que o conteúdo da prova seja lícito, 
ela poderá ser utilizada, mesmo que tenha sido 
obtida por meio ilícito (forma) . Em outras 
palavras, desde que a prova ateste a verdade 
dos fatos, a maneira pelo qual ela foi obtida 
não terá relevância, como no exemplo do furto 
do documento. 
Terceira vertente opta pela aplicação do 
princípio da proporcionalidade (art. 8º do 
CPC) ou da ponderação, segundo o qual, 
os interesses devem ser sopesados, a fim de 
que o Juiz dê a decisão mais justa para o caso 
concreto. 
Em se tratando de direitos fundamentais, 
essa parece ser mesmo a melhor tese, mor­
mente no Processo do Trabalho, que é regido 
pelo princípio da proteção, de maneira que 
deverá ser analisada caso a caso. Veja-se que 
no próprio Direito Penal, essa regra não é 
aplicada à defesa, tendo em vista a proteção 
que é destinada ao réu, de forma similar à que 
o Direito do Trabalho dispensa ao trabalhador. 
Para se ter uma noção de como o tema vem 
sendo administrado pelo TST, vale dizer que 
este tribunal já considerou válida a gravação 
por um dos interlocutores da conversaações 
censuráveis sob o prisma ético. No caso concreto, o Tribunal 
Regional manifestou-se no sentido de que a prova - gra­
vação de imagens em que o trabalhador promove desvio 
de mercadorias da empresa- foi produzida no horário de 
trabalho, em local público, na presença de terceiros, sem 
que fosse utilizado qualquer artifício para indução ao 
censurável comportamento que corresponde a ato de im­
probidade. A conduta empresarial questionada, longe de 
afrontar quaisquer dos direitos imanentes à personalidade 
(art. 5º, X, da CF), traduziu exercício regular do direito de 
aferir a forma como executados os serviços confiados ao 
prestador, que, lamentavelmente, incorreu em tipo penal, 
com reflexos trabalhistas, como decidiu a Corte Regional. 
Precedentes do STF e desta Corte. Recurso de revista não 
conhecido:' (TST-RR- 735-14.2010.5.03.0086, relator Mi­
nistro: Douglas Alencar Rodrigues, Data de Julgamento: 
15.06.2016, ?ª Turma, Data de Publicação: DEJT 17.06.201 6) 
Aquisição. Uma vez produzida, a prova 
passa a pertencer ao processo e não à parte 
que a produziu, de maneira que o Juiz deverá 
apreciá-la independentemente do sujeito que 
a tiver promovido (art. 371 do CPC). Por isso, 
não é tecnicamente adequado dizer que a 
testemunha é do autor ou do réu, mas sim que 
ela é do processo. 
Imediatidade. Não deve haver obstáculo entre 
o Juiz e a prova, razão pela qual é dele o dever de 
tomar os depoimentos das partes e testemunhas 
(art. 820 da CLT). O CPC de 2015, no entanto, 
prevê que a parte possa fazer perguntas direta­
mente às testemunhas (art. 459), o que, no nosso 
sentir, não se aplica ao Processo do Trabalho, já 
que a CLT possui norma específica (art. 820). No 
mesmo sentido é o art. 11, da IN n. 39/16, do TST. 
A principal decorrência prática desse princípio é 
o prestígio do juízo de primeiro grau na interpre­
tação dos depoimentos das testemunhas, já que 
ele teve contato direto com elas, a ponto de olhar 
nos olhos e sentir se falavam a verdade ou não.(?) 
Livre convencimento motivado ou persuasão 
racional. Ao longo da história da prova no di­
reito processual, a fase da valoração da prova 
foi responsável por um injustificado solipsismo 
do juiz, que fazia a valoração da prova sozinho, 
sem a participação das partes. No CPC de 
2015, em lugar do livre convencimento, o 
art. 371 estabeleceu apenas que "o juiz apreciará 
(7) "Prova oral- Valoração- É privilegiada a valoração 
da prova testemunhal produzida pelo juízo de origem, 
que está em posição privilegiada para avaliar a cred ibi­
lidade dos depoimentos, pelo contato direto com partes 
e testemunhas, permitindo ao julgador observar, através 
do comportamento, modo de falar, etc., qual depoimen­
to é verdadeiro em suas alegações, correspondendo à 
realidade fática. Tudo isso em atenção aos princípios da 
imediatidade, livre convencimento motivado (art. 131 do 
CPC). bem como o da oralidade, que assegura ao juiz uma 
maior participação na condução do processo e segurança 
na análise do complexo probatório. O contato contínuo e 
imediato do juiz com as partes e testemunhas permite-lhe 
ao inquiri-las perceber a lisura daqueles que prestam seus 
depoimentos:' (TRT 3ª Região. Processo: RO 00082-2010-
140-03-00-3. Relator: Desembargador Paulo Roberto de 
Castro. ?ª Turma. DEJT: 21.07.2010). 
238 -4fl REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19 - N. 64 
a prova(B) A liberdade, portanto, só subsiste 
na fundamentação dotada de racionalidade, 
lógica e coerência, com aptidão para alcançar 
o máximo grau de consenso possível. 
Contraditório e ampla defesa. A parte tem 
o direito de produzir todas as provas que se 
fizerem necessárias, participar da produção 
da prova pela parte contrária e manifestar-se 
sobre todas as provas realizadas (art. 5º, LV, 
da CF). Em outras palavras, os princípios do 
contraditório e da ampla defesa garantem às 
partes, em relação à prova, o direito de pro­
duzir, participar, manifestar e persuadir o Juiz 
em todas as etapas do itinerário cognitivo da 
prova (art. 369 do CPC). 
Verdade real. A prova, por mais qualidade 
que tenha, não é capaz de fornecer onisciência, 
sendo incapaz de expressar a realidade ou a ver­
dade em si, senão uma perspectiva da verdade, 
ou seja, uma ideia da verdade. Por isso é que 
cabe ao juiz examinar, por exemplo, se uma 
testemunha relata o que de fato sabe ou o que 
lhe foi ensinado. No primeiro caso, a prova é 
legítima, mas está sujeita à valoração, pois uma 
testemunha pode conhecer mais os fatos que 
outra. No segundo caso, a falta de espontanei­
dade torna a prova ilegítima, estando passível 
de ser anulada. Esses fragmentos da verdade, 
(8) "Confissão real. Valoração. Existência de prova em 
contrário. Princípio do livre convencimento do juiz. O 
princípio do livre convencimento do juiz, consubstanciado 
no art. 131 do CPC, que estabelece a liberdade do julgador 
no exame das provas produzidas no curso da instrução 
processual, permite concluir que a confissão real não se 
sobrepõe, por si só, ao conjunto das demais provas cons­
tantes dos autos, cabendo ao juiz definir seu valor, à luz 
das circunstâncias de cada caso. Com esse entendimento, 
aSBDH, por unanimidade, conheceu dos embargos por 
divergência jurisprudencial e, no mérito, por maioria, ne­
gou-lhes provimento, mantendo decisão turmária que, na 
h1pótese, reconheceu a possibilidade de se elidir os efeitos 
da confissão resultante de depoimento pessoal por meio 
de prova em contrário juntada aos autos e não impugnada. 
Venc1dos os Ministros Milton de Moura França, Horácio 
Senna Pires, Renato de Lacerda Paiva, Aloysio Corrêa da 
Veiga, Augusto César de Carvalho e Delaíde Miranda 
Arantes:· (TST. E-ED-ED-ED-RR-1 12300-51.2000.5.02.0024. 
Relator: Ministro Lelio Bentes Corrêa. SDI-1. DEJT: 21 .6.201 2, 
Informativo número 1 4). 
trazidos aos autos pelas provas, reconstroem 
os fatos de maneira formal. Todavia, para além 
da forma, existe uma verdade substancial, que 
é a que corresponde integralmente à realidade, 
chamada, pois, de verdade real. Pode parecer 
muita presunção dizer que o Processo do 
Trabalho se interessa pela verdade real, em 
vez da formal, porque isso gera uma sensação 
de utopia. Mas o princípio da verdade real não 
é tão audacioso, porque, em verdade, ele está 
mais voltado ao próprio exame da verdade 
formal. Explica-se. No processo, a verdade 
corresponde à quantidade de realidade que as 
provas foram capazes de fazer. Mais que isso, o 
Juiz só teria acesso por intuição, íntima convic­
ção ou algum poder sobrenatural. E, estando 
a verdade no processo, pode-se chamá-la de 
verdade processual. Um documento assinado 
por alguém exprime a vontade desse alguém e, 
vindo o documento aos autos, a vontade é a que 
consta do documento. Esse é o juízo de valor 
sob o prisma da vontade formal, que é a vigente 
no Processo Civil. Veja-se que o Código Civil 
ainda dispõe de prova legal, como é o caso da 
prova plena descrita nos arts. 220 e 225, por 
exemplo. Desse modo, o que a verdade real 
impõe é o poder-dever de o Juiz do Trabalho de 
valorar a prova em seu conjunto, sem precon­
cepções de valor. Não há falar, pois, em "prova 
plena" na relação de emprego, porque até a 
CTPS tem presunção relativa de veracidade 
(Súmula n. 12 do TST). Eliminada a hierarquia 
entre as provas, o Juiz deve buscar, entre as que 
constam dos autos, aquelas que tenham maior 
potencial de exprimirem a realidade dos fatos. 
Por isso é que a prova testemunhal costuma 
ser capaz de desconstituir documentos, por 
exemplo, tal qual acontece com o cartão de 
ponto, que pode perder valor de prova quando 
testemunhas fidedignas relatam que ele contém 
registros fictícios e não corresponde com a real 
jornada de trabalho cumprida pelo empregado. 
3. O ambiente virtual 
O meio ambiente é "o conjunto de condições, 
leis, influências e interações de ordem física, 
química e biológica, que permite, abriga e rege a 
REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19- N. 64 .... 239 
vida em todas as suasformas" (art. 3º, I, da Lei 
n. 6.938/1981 ), nele estando compreendido do 
trabalho (art. 200, VIII, da CF). Tanto o Poder 
Público quanto a coletividade possuem o dever 
de defendê-lo e preservá-lo (art. 225 da CF). 
Paralelamente a esse mundo concreto, a 
contemporaneidade tem convivido com um 
mundo digital: 
Nos dois mundos, o indivíduo nasce, se 
constrói e estabelece relacionamentos. 
No mundo digital, no entanto, não se 
morre. Os dados digitais têm persistên­
cia histórica. Ao que parece, enquanto 
existir humanidade, eles permanecerão. 
Fala-se até em testamento de bens di­
gitais para tratar da destinação jurídica 
de manifestações voluntárias em mídias 
sociais, que acumulam dados pessoais 
e têm valor intangível, como contas de 
Facebook, Instagram e Twitter. O grande 
volume de informações disponíveis di­
gitalmente é o que se denomina de Big 
Data. Um conjunto de dados de todas as 
categorias e formatos que compõe um 
universo de múltiplos interesses.354/2020 do CNJ), podendo o 
depoimento ser tomado pelo próprio juízo 
"deprecante" (art. 7º do Ato CGJT n. 11/20); 
d) Os depoimentos prestados de forma 
remota equivalem à forma presencial 
para todos os fins legais, sem prejuízo da 
publicidade dos atos e das prerrogativas 
processuais dos advogados (art. 7º, I, Reso­
lução n. 354/2020 do CNJ), salvo nos casos 
de segredo de justiça (art. 7º, V, Resolução 
n. 354/2020 do CNJ); 
e) A regra da incomunicabilidade das tes­
temunhas (art. 824 da CLT) deve ser pre­
servada (art. 7º, II, Resolução n. 354/2020 
do CNJ); 
f) Os depoimentos serão gravados (art. 7º, 
IV, Resolução n. 354/2020 do CNJ), inclu­
sive a qualificação dos depoentes (art. 4º do 
Ato CGJT n. 11/2020), o que não dispensa 
o termo de audiência escrito nos autos 
(art. 2º do Ato CGJT n. 11/2020), muito 
embora sem a necessidade da respectiva 
transcrição (Resolução n. 105/2010 do CNJ 
e decisão proferida no PP/CSJT-1001015-
64.2020.5.00.0000); 
g) A gravação da audiência pode ser dis­
pensada se houver transmissão ao vivo, 
por exemplo, pelo YouTube (arts. 2º e 3º do 
Ato CGJT n. 11/2020), situação em que a 
transcrição dos depoimentos será essencial; 
h) Será possível desfocar, desviar ou inabili­
tar a imagem de eventual ofensor que estiver 
presente na audiência, ou mesmo a deslocá­
-lo para o lobby, no caso de a testemunha 
se sentir intimidada com a sua presença 
(art. 7º, III, Resolução n. 354/2020 do CNJ); 
i) A imagem dos juízes e desembarga­
dores durante as audiências e sessões de 
julgamento telepresenciais deverá ocorrer 
durante todo o ato, sendo vedada sua inter­
rupção sem justificativa plausível (art. 1 º do 
Ato CGJT n. 4/2021); 
j) Os sujeitos do processo devem se apre­
sentar de forma condizente com a liturgia 
dos atos processuais presenciais, quanto à 
vestimenta e local da transmissão (art. 7º, 
VI, Resolução n. 354/2020 do CNJ), mas 
sem a necessidade de utilização de vestes 
talares (art. 1º do Ato CGJT n. 4/2021); 
k) As audiências por meio telepresencial 
devem considerar as dificuldades de intima­
ção de partes e testemunhas, realizando-se 
esses atos somente quando for possível a 
participação, vedada a atribuição de respon­
sabilidade aos advogados e procuradores 
em providenciarem o comparecimento de 
partes e testemunhas a qualquer localidade 
fora de prédios oficiais do Poder Judiciário 
para participação em atos virtuais (art. 15, 
§ 2º, do Ato Conjunto CSJT.GP.GVP n. 
6/2020); 
I) Se houver prejuízo à participação das par­
tes, testemunhas ou advogados, impedidos 
de participar da audiência por questões de 
ordem técnica devidamente justificada, o 
juiz pode determinar a repetição dos atos 
(art. 7º, III, Resolução n. 354/2020 do CNJ); 
m) Os atos que não puderem ser praticados 
na audiência, por questões técnicas, pode­
rão ser adiados, mas o juiz pode prosseguir 
no interrogatório das partes (art. 5º do Ato 
CGJT n. 11/2020); 
n) A oposição à realização de audiência 
telepresencial deve ser fundamentada, 
submetendo-se ao controle judicial (art. 3º, 
Resolução n. 354/2020 do CNJ). 
Não se olvide de que todas as demais regras 
previstas no Processo do Trabalho permane­
cem vigentes, como é o caso do número de 
testemunhas (arts. 821 e 852-H, § 2º, da CLT), 
242está entre elas, 
o que leva à conclusão de que os dados 
pessoais de pessoas naturais constantes 
da prova judicial devem observar as suas 
diretrizes protetivas; 
b) art. 5º - apresenta conceitos essenciais, 
com destaque para o de tratamento, que 
muito bem se encaixa na produção da prova 
judicial em ambiente virtual;(14
) 
c) art. 7º e art. 11 -dispensam a exigência de 
consentimento do titular para o tratamento 
de dados pessoais destinados ao "exercício 
regular de direitos" em processo judicial; 
dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumpri­
mento da finalidade de seu tratamento; VI - transparência: 
garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e 
facilmente acessíveis sobre a realização do tratamento 
e os respectivos agentes de tratamento, observados os 
segredos comercial e industrial; VIl - segurança: utilização 
de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger 
os dados pessoais de acessos não autorizados e de situa­
ções acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, 
comunicação ou difusão; VIII - prevenção: adoção de 
medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude 
do tratamento de dados pessoais; IX- não discriminação: 
impossibilidade de realização do tratamento para fins 
discriminatórios ilícitos ou abusivos; X - responsabiliza­
ção e prestação de contas: demonstração, pelo agente, 
da adoção de medidas eficazes e capazes de comprovar 
a observância e o cumprimento das normas de proteção 
de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas:' 
(13)"Art. 23. O tratamento de dados pessoais pelas pessoas 
jurídicas de direito público referidas no parágrafo único 
do art. 1º da Lei n. 12.527, de 18 de novembro de 2011 
(Lei de Acesso à Informação) , deverá ser realizado para o 
atendimento de sua finalidade pública, na persecução do 
interesse público, com o objetivo de executar as compe­
tências legais ou cumprir as atribuições legais do serviço 
público, desde que[ ... ]". 
(14) Art. Sº,"X- tratamento: toda operação realizada com 
dados pessoais, como as que se referem a coleta, produção, 
recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, 
transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, 
armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da 
informação, modificação, comunicação, transferência, 
difusão ou extração;" 
d) art. 16 - determina a eliminação dos 
dados pessoais após o término de seu tra­
tamento e enumera exceções, com destaque 
para a situação em que a conservação se 
destina ao uso exclusivo do controlador; 
e) art. 17 - garante a titularidade da pes­
soa natural sobre os seus dados pessoais, 
abrangendo os direitos fundamentais da 
liberdade, da intimidade e da privacidade; 
f) art. 18- relaciona providências a serem 
requeridas pelo titular em relação ao tra­
tamento de seus dados, que vão desde o 
acesso até a revogação do consentimento 
de tratamento; 
g) art. 31 - estabelece que a autoridade 
nacional poderá enviar informe com me­
didas cabíveis para fazer cessar os vícios 
decorrentes de atos de órgãos públicos, que 
se assemelha a um "writ" administrativo; 
h) art. 37- institui o dever de o controlador 
manter o registro das operações de trata­
mento de dados pessoais que realizar, situação 
que subsume à dos órgãos da Justiça do 
Trabalho, jurisdicionais e administrativos; 
i) arts. 42 e 43 - impõem a responsabilidade 
civil objetiva dos agentes de tratamento 
(controlador ou operador) pelos atos que 
causarem danos patrimoniais e morais; 
j) art. 46 - inicia a seção sobre a segurança 
e o sigilo de dados, determinando a ado­
ção de medidas de segurança, técnicas e 
administrativas, que possuam aptidão para 
proteger os dados pessoais de acessos não 
autorizados e de situações acidentais ou 
ilícitas; 
k) art. 64 - enuncia a natureza geral da 
LGPD, ressalvando a aplicação das leis 
especiais. 
Considerando todo esse regramento, a nós 
parece salutar a adoção das seguintes práticas 
no Processo do Trabalho, do ponto de vista 
procedimental, a fim de garantir a proteção 
dos dados pessoais: 
1) partes e procuradores: considerando a 
dispensa de consentimento (arts. 4º, VI, 
244 ... REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19- N. 64 
e 11, Il, "d", da LGPD) e o princípio da 
publicidade dos atos processuais (art. 93, 
IX, da CF), não sendo o caso de segredo de 
justiça (art. 189 do CPC), os dados devem 
permanecer acessíveis a terceiros, mas 
apenas até o arquivamento dos autos (art. 
16 da LGPD), quando então as informações 
só serão disponibilizadas por autorização 
judicial, mantidas a qualquer tempo as prá­
ticas já existentes contra a pesquisa em massa 
(art. 27 daRes. n. 185/2017 do CSJT), a fim 
de evitar a criação de cadastro de litigantes. 
Mas isso não impede que, a requerimento, 
o juízo determine a atribuição de sigilo a 
determinados documentos, como é o caso 
do termo de audiência que contiver dados 
bancários em função de acordo judicial, 
por exemplo; 
2) parte pessoa jurídica: muito embora a 
LGPD só se aplique à pessoa natural, é 
certo que a empresa, no sentido trabalhista 
(arts. 2º, 10 e 144 da CLT), é formada pela 
universidade de bens, direitos e pessoas 
organizadas para a consecução da ativi­
dade econômica, também possui direito 
à proteção de sua personalidade (art. 5º, 
X, da CF) e de sua propriedade imaterial 
e industrial (Lei n. 9.279/1996). Por isso, é 
razoável estender a ela a proteção de seus 
dados, sempre que houver receio de dano a 
esses bens jurídicos, inclusive por meio da 
decretação do segredo de justiça (art. 27 da 
Resolução n. 185/2017 do CSJT); 
3) testemunhas e informantes: "o serviço da 
Justiça do Trabalho é relevante e obrigatório, 
ninguém dele podendo eximir-se, salvo mo­
tivo justificado" (art. 645 da CLT). Por isso é 
que no caso de testemunhas e de informantes 
(inclusive os interrogados por peritos e ofi­
ciais de justiça, por exemplo), os dados pes­
soais relativos à sua qualificação (art. 828 da 
CLT) e sua relação pessoal com os fatos que 
interessam à causa (arts. 827 e 829) podem 
ser exigidos e devem ser fornecidos, inde-
pendentemente de consentimento. Todavia, 
no caso das audiências virtuais, considerando 
a eventual exposição da imagem, da voz e do 
ambiente privado desses sujeitos, é razoável 
exigir que o link dos depoimentos, quando 
gravados, conste de certidão específica (e não 
do termo de audiência), a qual deverá ficar 
em sigilo (art. 27 da Resolução n. 185/2017 
do CSJT), com acesso franqueado apenas por 
autorização judicial, que poderá ser prévia 
para as partes e procuradores, inclusive com 
o envio do link para e-mail adrede informado; 
4) juiz e auxiliares da justiça: esses sujeitos 
atuam no processo como profissionais que 
materializam os atos atribuídos ao órgão 
judiciário (arts. 139 e 149 do CPC), pelo que 
estão na condição de agentes de tratamento. 
Dessa formal, via de regra, atuando nesse 
mister, eles não informam dados pessoais, 
mas profissionais, decorrentes da função 
pública, em relação à qual prevalece o in­
teresse público da respectiva transparência. 
Todavia, com o advento das audiências 
virtuais, alguns dados pessoais passaram a 
ficar vulneráveis, como é o caso da imagem 
dos juízes e servidores, situações em que 
será razoável adotar a mesma citada prática 
relativa às testemunhas, para evitar o uso 
indevido (item 3); 
5) prova emprestada: quando a prova em­
prestada contiver dados pessoais de pessoas 
naturais que não sejam partes no processo, 
as respectivas informações deverão ser 
mantidas em sigilo, porque quanto a essas 
pessoas não se pode presumir que tenham 
aquiescido com a sua utilização fora da 
relação processual na qual os dados foram 
informados na condição do exercício re­
gular de direito de ação (arts. 4º, VI, e 11, 
Il, ''d", da LGPD), o que pode ser feito na 
forma do item 3; 
6) prova pericial: as perícias que obtiverem 
dados de pessoas naturais (por exemplo, 
as médicas) e que possam causar risco à 
proteção dos direitos da personalidadeREVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19- N. 64 .. 245 
de pessoas jurídicas (mais comum nas de 
engenharia), também devem ser mantidas 
sob sigilo, salvo se versarem exclusivamente 
sobre fatos alegados e relativos às próprias 
partes, porque nesse caso estará subenten­
dido a necessidade de seu tratamento para 
o exercício regular do direito de ação (arts. 4º, 
VI, e 11, II, "d", da LGPD); 
7) prova documental: quando a prova docu­
mental contiver dados das próprias partes, 
inclusive na fase de execução (como as de­
correntes do uso de ferramentas eletrônicas 
de busca patrimonial) está autorizado o 
tratamento independentemente de con­
sentimento, como decorrência do direito 
de ação (arts. 4º , VI, e 11, II, ''d", da LGPD). 
Todavia, em se tratando de dados sensíveis, 
é salutar que o juízo verifique seu eventual 
enquadramento nas hipóteses de segredo 
de justiça (art. 189 do CPC); 
8) prova ilícita: a prova que não obedece 
aos requisitos de proteção da LGPD não 
pode ser considerada ilícita, porque o vício 
não é de conteúdo (obtenção), mas sim de 
produção, pelo que poderá ser considerada 
ilegítima. Todavia, trata-se de vício sanável 
(arts. 794 a 798 da CLT), de modo que 
podem ser preservadas e utilizadas a partir 
do momento em que forem devidamente 
saneadas, sem prejuízo da responsabilidade 
administrativa, civil e criminal daqueles que 
delas fizeram uso de forma indevida. 
S. Considerações finais 
Como visto, todos os meios de prova podem 
ser feitos de forma virtual, muito embora al­
guns deles necessitem de algumas adaptações. 
Foi destacado que o CPC dispõe de regra­
menta básico sobre o tema, o qual pavimenta 
uma base sólida para que a prova seja produzi­
da com segurança (jurídica e física), isonomia 
e com observância do devido processo legal 
citado no tópico anterior. 
Os atos normativos judiciários, notadamente 
as Resoluções ns. 313,314, 322,329,337,341 
e 345 do CNJ, a Resolução n. 185/2017 do 
CSJT e os Atos ns. 6/2020, 11/20 e 4/2021 da 
CGJT, por sua vez, regulamentam de forma 
detalhada a dinâmica das audiências virtuais, 
a bem de garantir o devido processo legal, mas 
em especial a isonomia, a acessibilidade e a 
segurança jurídica. 
Quanto à LGPD, foi apresentada funda­
mentação sobre a sua aplicação ao Processo 
do Trabalho, sendo certo que a desnecessidade 
de consentimento prévio pelas partes e pro­
curadores não dispensa a adoção de medidas 
protetivas em relação a situações específicas. 
Quanto aos demais sujeitos do processo, a 
proteção deve ser mais ampla, com a máxima 
cautela na exposição dos respectivos dados 
pessoais, sob pena de responsabilização dos 
agentes de tratamento de dados. 
6. Referências 
LIMA, Leonardo Tibo Barbosa; RENAULT, Luiz 
Otávio Unhares. Iniciativa probatória no segundo 
grau. p. 223-240. In: SOARES, Marcelo; FERRAZ, 
Felipe de Ávila; SOARES FILHO, Deophanes Araú­
jo; FERREIRA; Davidson Malaco. (Orgs.). Belo 
Horizonte: D'Plácito, 2018. 
RAMOS, Lara Castro Padilha; GOMES, Ana Virgínia 
Moreira. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e 
seus reflexos nas relações de trabalho. Scientia Iuris, 
Londrina, v. 23, n. 2, p. 127-146, jul. 2019. 
REIS, Émilien Vias Boas; NAVES, Bruno Torquato 
de Oliveira. O meio ambiente digital e o direito à 
privacidade diante do Big Data. In: Revista Veredas 
do Direito, v. 17. n. 37, Belo Horizonte, jan./abri. 
2020, p. 147. 
246 ..... REVISTA TRABALHISTA DIREITO E PROCESSO- ANO 19 - N. 64

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