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UNIVERSIDADE DE TAUBATE 
Eduardo Maschietto Bellussi 
 
 
 
 
 
 
PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE 
PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Taubaté - SP 
2015 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE DE TAUBATE 
Eduardo Maschietto Bellussi 
 
 
 
 
 
 
PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE 
PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 
 
Monografia apresentada para obtenção do 
título de Especialista em Projeto Mecânico 
certificado pelo Departamento de Engenharia 
da Universidade de Taubaté. 
 
 
 
 
 
Taubaté - SP 
2015 
 
 
EDUARDO MASCHIETTO BELLUSSI 
 
PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE 
PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 
 
 
 
Monografia apresentada para obtenção do 
título de Especialista em Projeto Mecânico 
certificado pelo Departamento de Engenharia 
da Universidade de Taubaté. 
 
 
 
 
 
 
 
Data: ______________________ 
Resultado: ______________________ 
 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
Prof. Dr. Giorgio E. O. Giacaglia (Orientador) 
Assinatura:______________________ 
 
Prof. Me. Jair Gustavo de Mello Torres (Co-orientador) 
Assinatura:______________________ 
 
 
Dedico este trabalho a minha esposa, Jussara de Brito Bellussi, que está sempre 
ao meu lado nos momentos difíceis e compartilha comigo os momentos de 
alegria, que me dá apoio e compreende a minha ausência e necessidade de 
permanecer acordado durante as madrugadas ocupadas pelos estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Ao Prof. Dr. Giorgio Eugenio Oscare Giacaglia, por quem tenho grande 
consideração e respeito, pelo tempo dedicado e suporte prestado durante todo o 
curso e durante a disciplina de Metodologia da Pesquisa, ministrada por ele. 
 
Ao Prof.Me. Jair Gustavo de Mello Torres, pela atenção e colaboração ao me 
atender e esclarecer minhas dúvidas referentes aos assuntos tratados neste 
trabalho. 
 
Ao amigo, Eng. João Vitor Tana, parceiro nos trabalhos realizados durante todo 
o período de curso. Pessoa com quem pude trocar várias idéias sobre os assuntos 
discutidos em sala de aula, incluindo os referentes à monografia. 
 
A todos meus amigos que colaboraram de forma direta ou indireta com a 
execução deste trabalho. 
 
Em especial, um agradecimento a Deus e a toda minha família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tente mover o mundo – o primeiro passo será mover a si mesmo. 
 
Platão 
 
 
 
 
UNIVERSIDADE DE TAUBATE 
Eduardo Maschietto Bellussi 
 
 
 
 
 
 
PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE 
PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Taubaté - SP 
2015 
 
 
RESUMO 
 
O presente trabalho tem por objetivo propor uma nova maneira de se trabalhar 
alterando o fluxo comum (típico e usual) do processo de desenvolvimento de produto 
dentro da empresa XYZ, de forma a priorizar o que realmente deve ser considerado e 
colocar em segundo plano aquilo que demanda menor atenção no processo de 
desenvolvimento de produto.Com isso o objetivo de implantação do QFD é auxiliar a 
tornar mais rápido e preciso todo o caminho pelo qual os projetos seguem durante seu 
desenvolvimento, minimizando desta maneira os erros e fazendo com que as transições 
entre as etapas dos projetos sejam dadas como concluídas desde a primeira vez que são 
feitas, e assim evitando que o processo tenha que retornar várias vezes para ser refeito 
ou reavaliado.O QFD aparece neste estudo como a ferramenta que pode ajudar a 
identificar e priorizar os pontos importantes que devem ser considerados para que o 
andamento do processo não seja interrompido ou comprometido em nenhum momento 
e seu resultado final seja o melhor possível. Concluímos com a observação de que uma 
intervenção em tal processo e a implantação de tais etapas permitirá que o processo de 
desenvolvimento evolua consideravelmente. 
 
 
Palavras-chave: QFD, priorização, cliente interno, requisitos de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
This study aims at new operational way by changing the common flow 
(typical and usual) of the product development process in the XYZ company, in order 
to prioritize what really should be considered and leaving, at a second stage, what 
demand less attention, in the product development process. Therefore, the objective of 
QFD implementation is to help decrease processing time and increase the accuracy 
along the design development, thereby minimizing errors and providing that the 
transitions, between phases of the projects, are given as completed, from the initial 
steps of design, thus preventing several new designs modifications in previews design 
stages, needing design modification or re-evaluation.QFD appears, in this study, as a 
tool that can help identify and prioritize the important points, that should be 
considered, so that the progress of the design process is not interrupted or 
compromised, at any time, and obtaining the best possible end results. This work 
concludes with the remark that an intervention in this process, and the implementation 
of QFD stages will allow for a considerable improvement of the development process, 
saving time and expenditures in men-hours and paper work. 
 
 
Keywords: QFD, prioritization, internal customer, quality requirements. 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 01 Organograma simplificado 17 
Figura 02 Sequência de prioridades (Projeto Básico) 30 
Figura 03 Sequência de prioridades (Detalhamento) 31 
Figura 04 Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) 32 
Figura 05 Sequência de prioridades 33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 01 Matriz da qualidade (vazia) 26 
Tabela 02 Matriz da qualidade (preenchida) 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE SIMBOLOS E SIGLAS 
 
QFD Quality Function Deployment (Desdobramento da Função Qualidade) 
BOM Bill of Material (Lista de materiais) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
01 RESUMO 07 
02 INTRODUÇÃO 13 
03 OBJETIVO 16 
04 MÉTODO 22 
05 DESENVOLVIMENTO 27 
06 CONCLUSÃO 34 
07 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
 
INTRODUÇÃO 
 
A demanda por qualidade, tanto em produtos quanto em serviços, tem 
se tornando mais importante a cada dia (MIGUEL, 2001). As exigências feitas pelos 
clientes, internos, externos ou ambos simultaneamente, tem sido cada vez mais 
específicas e desafiadoras, porém no âmbito profissional, traduzir as necessidades 
dos clientes em requisitos técnicos e operacionais pode ser uma tarefa um tanto 
quanto complicada. 
Entretanto, ao mesmo tempo em que possa ser uma tarefa nada fácil 
traduzir as exigências dos clientes em requisitos técnicos e operacionais, essa 
atividade pode tornar o processo de desenvolvimento muito mais produtivo, 
rentável, rápido, competitivo e funcional (ADAM et SWAMIDASS, 1992; LEONG 
et al. ,1990).Deste modo isso pode ajudar muito de forma a permitir que os 
processos sejam documentados e a comunicação entre todos os envolvidos no fluxo 
de trabalho seja melhorada, e assim o processo de desenvolvimento se torne cada 
vez mais eficiente (DAFT, 1983). 
Tomando como base que a demanda por qualidade tem se tornado 
cada vez maior (BARKAN, 1992), foi considerado como exemplo o setor de 
desenvolvimento de produto da empresa XYZ que, atualmente, enfrenta problemas. 
Esses problemas estão dificultando o andamento das atividades diárias e tornando 
lento não só o processo de desenvolvimento, mas todos os processos que antecedem 
e que sucedem esse, além de comprometer a qualidade dos resultados finais.Isso, 
por sua vez acaba por gerar gastos de valores excessivos e, muitas vezes, alémdas 
margens de segurança adotadas pelo setor de analise de risco,durante as fases de 
proposta comercial, tornando inviável tal fornecimento. 
As atividades executadas por cada responsável, dentro do setor de 
desenvolvimento de produto, precisam passar pelas mãos de várias pessoas antes de 
14 
 
chegarem às etapas de fabricação e, nesse fluxo de trabalho, a transição que ocorre 
entre cada responsável consiste em executar uma atividade para um dado projeto e 
passá-la adiante, para que esta seja verificada e uma nova etapa do processo seja 
executada em cima desta mesma atividade.Essa atividade, posteriormente, passará 
para o responsável seguinte que, também, irá verificar o que foi feito e executará 
mais uma etapa do processo, relativa à mesma atividade, e isso se repete quantas 
vezes se fizerem necessárias, em um nível hierárquico não necessariamente lógico, 
até que o projeto seja concluído, o que, em tese, funcionaria adequadamente 
(DANIELLOU, 2004). 
No momento em que algum requisito é identificado como não 
atendido ou atendido de maneira incorreta em uma das etapas do projeto (algumas 
vezes erros humanos ou simplesmente divergências de idéias entre as partes), o 
responsável que identificou tal ocorrência retorna a atividade para o responsável 
anterior, de forma que este faça a correção do que foi identificado e, novamente, 
envie para o próximo responsável. 
Esse fluxo de trabalho poderia funcionar muito bem se cada 
responsável trabalhasse seguindo uma mesma linha de raciocino e objetivando 
sempre o mesmo resultado (DANIELLOU, 2004). Entretanto, o conhecimento 
empírico de cada um, os costumes, a opiniões particulares podem ser obstáculos 
para a obtenção de resultados rápidos e positivos. 
Assim, analisando o fluxo, mesmo que de forma superficial, nota-se 
que o grande causador dos problemas, enfrentados pelo setor de desenvolvimento 
de produto, pode ser o fato de que as pessoas que compõem a equipe estejam 
trabalhando sem saber com clareza quais são os objetivos e metas a serem atingidos 
durante a realização de tal trabalho e, portanto, trabalhando de maneira 
independente, os resultados apresentados possam não ser, exatamente, os esperados. 
15 
 
Nota-se, então, que o objetivo final, muitas vezes, se perde em meio 
aos procedimentos de trabalho, processos e condutas que devem ser seguidos 
diariamente, (além de outros pontos que envolvem o fator humano), fazendo com 
que não se tenha de maneira clara quais os resultados que devem ser alcançados 
individualmente e coletivamente. 
A partir da situação exposta acima, acredita-se que uma atitude deva 
ser tomada com relação aos “problemas” encontrados no processo de 
desenvolvimento de produtos da empresa XYZ, visto que esses “problemas” podem 
refletir nos demais setores da própria empresa e, também fora dela, como durante a 
logística, instalação e operação dos produtos concebidos pela tal empresa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
OBJETIVO 
 
Propõe- se nesse trabalho uma sugestão de implantação de algumas 
das etapas do QFD (CHENG, 2007), que seriam a matriz da qualidade e sequência 
de prioridades (gerada a partir dos resultados obtidos na matriz da qualidade) a qual 
define a sequência de prioridades para as atividades que devem ser executadas. 
Para tal, antes de tudo é necessário explicar em detalhes como 
funciona o setor de engenharia de desenvolvimento de produto da empresa 
selecionada para a proposta de implantação do QDF. 
O setor de engenharia faz parte de uma estrutura organizacional onde 
também estão inclusos setores responsáveis por diversas outras atividades, todas 
objetivando sempre melhores resultados para o produto final, e colocando acima de 
tudo, de maneira consciente, a qualidade demandada tanto pelo cliente externo 
como pelo cliente interno. 
No sistema organizacional desta empresa o setor de engenharia de 
produto que é o alvo deste estudo, é considerado uma das etapas mais importantes 
dentro do fluxo da empresa. Ele encontra-se entre os setores de proposta comercial 
e fabricação/montagem (Figura 01), e é responsável por todas as características 
técnicas e operacionais do produto final, inclusive o processo de fabricação das e 
peças e montagem dos equipamentos, sendo responsabilizado por quaisquer dúvidas 
e/ou problemas no processo de fabricação e também problemas operacionais que 
possam vir a ocorrer no campo após a instalação. 
 
17 
 
 
Figura 01 – Organograma simplificado 
(Fonte: Organograma gerado a partir de analise feita na empresa pesquisada) 
 
 
18 
 
Contudo, o sistema mostrado (Figura 01), o qual pode ser comparado 
ao processo de engenharia sequencial, se apresenta um tanto quanto desfavorável e 
também ultrapassado enquanto estrutura organizacional do processo de 
desenvolvimento, o que dificulta implementação das citadas etapas do QFD 
sugeridas neste trabalho, uma vez que no processo de engenharia sequencial a 
interação entre todos o setores envolvidos (direta ou indiretamente) no processo de 
desenvolvimento fica comprometida em função de tal método, onde as etapas do 
processo são executadas de forma "isolada" entre si, o que diverge completamente 
da engenharia simultânea, onde o desenvolvimento de um determinado produto 
considera todas as etapas de sua vida, desde de sua concepção até seu descarte, o 
que é desenvolvido de maneira integrada, envolvendo simultaneamente todos os que 
fazem parte do processo de desenvolvimento.Em outras palavras, essa possível 
dificuldade torna mais desafiador o processo de implantação das etapas do QFD. 
Tendo em vista possíveis dificuldades, o QFD foi escolhido para tal 
aplicação em função de suas contribuições práticas, as quais, quando comparadas à 
procedimentos e/ou métodos com finalidades similares, podem apresentar 
resultados mais rápidos. 
Como exemplo, comparando-se o QFD às ferramentas Six Sigma e 
processos Lean, os quais estão diretamente vinculados a gestão da qualidade e 
excelência operacional, para a condição de aplicação em questão, nota-se uma 
complexidade maior visto que tratam de forma extremamente rigorosa a gestão do 
projeto, tida em um primeiro momento como estando além do que se deseja 
implantar na condição aqui apresentada. 
Ademais, tendo que em seu conceito principal as ferramentas Six 
Sigma visam resultados a médio e longo prazo e os processos Lean visam eliminar 
desperdícios ou atividades inúteis, ambos, mesmo que extremamente funcionais, no 
presente trabalho, não se enquadram às necessidades apresentadas, sendo o QFD um 
19 
 
método mais funcional para a situação em questão, o qual pode possibilitar 
resultados talvez não excelentes porém rápidos. 
Sendo assim, consideramos que o foco neste trabalho não trata da 
implantação das etapas de QFD para o desenvolvimento de um produto de linha e 
sim para um serviço, ou seja, o processo de desenvolvimento de produtos que não 
são fabricados em série. 
Na verdade o produto que se trata nesse processo de desenvolvimento 
(metalurgia pesada) é desenvolvido e produzido em pequenas quantidades, somente 
mediante a solicitação de cliente.Desta maneira o QFD não se enquadra diretamente 
o desenvolvimento do produto, assim a proposta de implantação do QFD parte do 
principio de que este possa auxiliar na organização do setor de desenvolvimento do 
produto, enquadrando-se nas etapas que vão desde o recebimento da dos dados de 
entrada até a liberação do projeto para fabricação. 
O setor em analise trabalha baseando-se em dados enviados pelos 
clientes externos (dados de entrada), e a partir daí dá-se inicio ao processo de 
desenvolvimento do produto, o qual começa a surgir a partir da atuação de uma 
equipe de projetistas e engenheiros, que juntos desenvolvem o projeto básico do 
equipamento. Nessa fase o projetista, juntamente com o engenheiro, irá analisar os 
dados de entrada do projeto e começará a projetar oequipamento solicitado. 
Nesta etapa os dados de entrada precisam ser processados e 
convertidos em um projeto, baseando-se no conhecimento empírico dos projetistas e 
engenheiros e experiência profissional também de ambos. A realização de reuniões 
de analises críticas é de extrema importância para o andamento do projeto, e a 
fidelidade das características do projeto deve ser total com relação aos dados de 
entrada recebidos. 
A etapa seguinte após o projeto básico é o detalhamento, onde todo o 
modelo tridimensional gerado no projeto básico é literalmente detalhado (traduzido 
20 
 
para o bidimensional), onde devem constar todas as dimensões e informações 
necessárias para fabricação, montagem e operação do equipamento. 
A partir daí o detalhamento passa para a próxima etapa do fluxo de 
trabalho, que é chamada de verificação, onde um especialista irá avaliar se todas as 
características do projeto estão de acordo com os dados de entrada recebidos, se não 
haverá problemas durante a fabricação e montagem do equipamento, se os desenhos 
de fabricação e montagem podem ser facilmente interpretados, se nenhuma das 
características do projeto pode comprometer a fabricação, montagem e operação do 
equipamento. 
Daí então segue para a última etapa do desenvolvimento do produto, 
onde um engenheiro responsável pelo projeto irá verificar novamente todo o projeto 
desenvolvido e suas interfaces, para então aprovar e liberar para a fabricação das 
peças e montagem dos conjuntos. 
A estrutura de projetos encontrada hoje na situação em que se deseja 
implantar o QFD passa por dificuldades resultantes da falta de conhecimento sobre 
o resultado que o cliente interno espera receber de seus antecedentes vinculados ao 
mesmo fluxo de trabalho, além das opiniões incoerentes existentes entre as diversas 
pessoas envolvidas no mesmo projeto. 
Percebe-se que, com uma quantidade muito grande de pessoas 
envolvidas no mesmo projeto, existem muitos desvios de opinião entre os 
responsáveis de cada fase do desenvolvimento, além também da falta de 
conhecimento, sobre quais informações devem ser consideradas com maior ênfase 
em cada uma das fases do projeto, como por exemplo, situações em que uma 
divergência é encontrada no projeto na fase de verificação final, o que pode 
implicar na necessidade de correção onde o projeto deverá voltar até a etapa de 
projeto básico para ser reavaliado e passará novamente por todas as etapas do 
processo de desenvolvimento (o que gera grande atraso e impacto nos prazos), 
21 
 
quando esse imprevisto poderia ter sido evitado, se todos os responsáveis de cada 
etapa do projeto estivessem trabalhando alinhados,focados no mesmo objetivo, ou 
melhor, na mesma prioridade. 
O QFD se destaca pela sua grande utilidade no planejamento das 
atividades que afetam a qualidade do produto ou serviço, dentro ou fora da empresa 
(CHENG,1995). 
Para a situação em questão,o QFD se apresenta muito útil onde 
dispomos de uma de suas principais etapas, a matriz da qualidade, a qual pode 
auxiliar para que todas as considerações (qualidade demanda) sejam organizadas 
por ordem de prioridade (em coerência com as características da qualidade), e assim 
todos os integrantes da equipe de desenvolvimento possam trabalhar com o mesmo 
objetivo principal, dando ênfase àquilo que está no topo da lista de prioridades. 
Para a situação em questão, a definição de um check list, onde podem 
estar descritas as considerações de projeto e ordenadas por sequência de prioridade, 
seria uma solução bem prática, para que desta maneira, os indivíduos responsáveis 
de cada etapa do processo pudessem trabalhar “alinhados” desde o início do projeto, 
seguindo todos a mesma linha de raciocínio. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
MÉTODO 
 
Tendo que, com a evolução da engenharia da qualidade, aos poucos o 
controle de qualidade que era realizado dentro da própria empresa foi dando lugar à 
qualidade demandada pelo cliente, o que passou a ser fundamental (GARVIN, 
1992). 
A identificação da qualidade demandada pelos clientes é fundamental 
na metodologia do QFD, que, de acordo com EUREKA (1992), é um método 
sistemático para garantir o desenvolvimento das características e especificações do 
produto, bem como o desenvolvimento de metodologias, processos e controles, para 
que sejam orientados pelas necessidades dos clientes. Também, de acordo com 
OHFUJI (1997) e CARDOSO (2001), o QFD é um método de desenvolvimento de 
produtos e serviços, que busca identificar quais são os desejos e exigências dos 
clientes, para projetar produtos e serviços que os satisfaçam. 
Tem – se então a necessidade de definição da qualidade demandada 
pelo cliente e das características da qualidade que serão medidas no produto 
(OLIVEIRA, 1995). Essa necessidade de medir as características se faz com o 
intuito de verificar se a qualidade exigida está sendo cumprida. 
Neste estudo, a idéia para definir os itens referentes à qualidade 
demandada e características da qualidade, inicialmente foi apresentar o tema da 
pesquisa dentro do próprio setor de desenvolvimento de produto, e solicitar aos 
grupos responsáveis por cada etapa, que apresentassem suas opiniões a respeito do 
assunto e listassem quais itens, na opinião individual de cada um, deveriam ser 
considerados como importantes para a situação em questão, e posteriormente esse 
mesmo método seria utilizado com os clientes externos. Porém diante das 
dificuldades para marcar reuniões e/ou solicitar as opiniões por meio de correio 
23 
 
eletrônico, devido ao fato de não obter retorno por parte das pessoas questionadas, a 
estratégia foi alterada. 
Utilizou-se então de recursos mais simples e objetivos. Durante as 
reuniões de projeto, reuniões de analise crítica, reuniões com assistência técnica e 
reuniões com o cliente final, o assunto foi colocado em pauta de maneira informal, 
sem registros ou atas de reunião, de forma a abstrair de todos os responsáveis o que 
se teria como qualidade demandada e característica da qualidade, em se tratando do 
produto fornecido. E dessa forma não houve hesitação ou resistência ao falar sobre 
o assunto, pois este foi apresentado como se estivesse integrado aos assuntos 
tratados em reunião, e foi sendo absorvido no decorrer de várias reuniões realizadas, 
no prazo de aproximadamente seis meses. 
Daí então se obteve os seguintes itens: 
Qualidade demandada: 
1. Embasamento técnico; 
2. De acordo com os dados de entrada; 
3. Feitos todos os cálculos necessários; 
4. Realizada análise interfuncional; 
5. Realizado o estudo de interface; 
6. Realizada análise crítica; 
7. Modelo 3D conforme boas práticas; 
8. Uso de referências de outros projetos; 
9. Tolerâncias dimensionais bem aplicadas; 
10. Tolerâncias de forma e posição bem aplicadas; 
11. Boa disposição das vistas no layout do desenho; 
12. Abastecimento correto da BOM; 
13. Disposição correta dos ballons (identificação dos componentes) no desenho; 
14. Verificação de todas as interfaces de projeto; 
24 
 
15. Cruzamento do projeto com os dados de entrada; 
16. Verificação das interfaces de montagem; 
17. Erros de interpretação do desenho. 
Características da qualidade: 
1. Liberação do projeto (data de liberação do projeto para início da fabricação); 
2. Revisões de projeto (revisões abertas devido à erros de projeto). 
3. Problemas na fabricação (erros em peças de usinagem / caldeiraria); 
4. Problemas na montagem (ocorridos em fábrica, durante a montagem); 
5. Tempo de montagem (possíveis atrasos ocorridos na montagem); 
6. Data de entrega (data de entrega do equipamento para o cliente); 
7. Problemas operacionais (ocorridos em campo, durante a operação); 
A partir daí, é possível montar a matriz da qualidade (Tabela 01), onde 
os itens referentes à qualidade demandada e as características da qualidade devem 
ser cruzados,e esse cruzamento precisa receber um peso de acordocom o grau de 
importância atribuído (FORTE (valor 9), MÉDIO (valor 3) e FRACO (valor 1)). 
O trabalho de definição dos valores que devem ser atribuídos para 
cada cruzamento, entre qualidade demandada e características da qualidade, precisa 
ser feito preferencialmente pelos responsáveis de cada etapa do projeto, incluindo as 
etapas fora da engenharia de produto (cliente final, controle de documentos, 
proposta técnica, proposta comercial, projeto básico, detalhamento, verificação, 
aprovação, fabricação e montagem, logística e assistência técnica), de forma que 
todos os que participam, direta ou indiretamente do projeto, possam atribuir um 
valor para cada relação. 
Neste momento então, de fato se faz necessário o envio da matriz da 
qualidade, para que esta seja preenchida por pelo menos um responsável de cada 
área, e assim então as médias das respostas obtidas sejam aplicadas novamente à 
matriz da qualidade, que resultará em uma fusão das opiniões de diversas áreas 
25 
 
completamente distintas, pois obviamente, por exemplo, os responsáveis pela área 
de assistência técnica não se importarão se o modelo 3D foi elaborado conforme as 
boas práticas, porém os responsáveis de engenharia, na etapa de detalhamento, 
darão total ênfase a este item. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
Tabela 01 – Matriz da qualidade (vazia) 
 (Fonte: Tabela gerada a partir de dados coletados na empresa pesquisada) 
 
 
 
27 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
A idéia de implantação (parcial) do QFD, no processo de 
desenvolvimento de produto da empresa em questão, deve seguir uma sequência 
específica de etapas, as quais serão discutidas periodicamente por um grupo 
composto por pessoas de todas as áreas do fluxo de desenvolvimento. 
A sequência de etapas da implantação do QFD é parcialmente baseada 
no trabalho de Cheng et al. e para a situação em analise deverá seguir a seguinte 
ordem: 
- Definição das metas para desenvolvimento do projeto; 
- Elaboração da matriz da qualidade; 
- Definição do plano de ação. 
Definição das metas para desenvolvimento do projeto: 
As metas para o projeto foram traçadas a partir das lições aprendidas 
com os erros ocorridos no decorrer do processo de desenvolvimento dos 
equipamentos, porém, nada acontece até que um plano de ação seja criado e 
colocado em prática. 
Seriam os objetivos: 
• Redução do número de revisões abertas após a liberação final do projeto; 
• Maximizar a velocidade de fabricação dos equipamentos, desenvolvendo 
sistemas de fácil montagem e geometria menos complexa; 
• Reduzir ao máximo a ocorrência de problemas de campo e erros de operação; 
• Padronizar o sistema de trabalho e reduzir o tempo demandado para cada uma 
das atividades no processo de desenvolvimento; 
28 
 
• Evitar o constante “vai e vem” que ocorre entre as etapas do processo de 
desenvolvimento. 
Elaboração da matriz da qualidade: 
A matriz da qualidade (Tabela 02) envolve a relação entre as 
qualidades exigidas (qualidade demanda) com as características da qualidade, onde 
a escala de intensidade desta relação segue o seguinte esquema: FORTE (valor 9), 
MÉDIO (valor 3) e FRACO (valor 1). 
Esta foi preenchida a partir das opiniões recebidas de todos os 
responsáveis de todas as áreas relacionadas ao produto, de forma indireta ou direta 
(conforme esclarecido anteriormente neste trabalho). 
Então, a partir dos valores encontrados na matriz da qualidade é 
possível gerar gráficos (Figura 02,Figura 03, Figura 04 e Figura 05) com as 
qualidades demandadas organizadas por ordem de prioridade (separadas por etapa 
do processo ou agrupadas), e assim identificar quais atividades devem ser colocadas 
à frente no desenvolvimento do projeto, de forma que esteja claro para todos os 
envolvidos, quais itens possuem prioridade sobre os demais. 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
Tabela 02 – Matriz da qualidade (preenchida) 
(Fonte: Tabela preenchida a partir de dados coletados na empresa pesquisada) 
 
 
30 
 
 
Figura 02 – Sequência de prioridades (Projeto Básico) 
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 
31 
 
 
Figura 03 – Sequência de prioridades (Detalhamento) 
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 
 
 
 
Figura 04 – Sequência de prioridades (Verificação e aprovação)
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02)
Sequência de prioridades (Verificação e aprovação)
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02)
32 
 
Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) 
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 
 
Figura 0
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na 
igura 05 – Sequência de prioridades 
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na 
 
 
 
 
33 
 
(Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 
34 
 
CONCLUSÃO 
 
A análise realizada indica, por ordem de prioridade, quais atividades 
devem ser realizadas pelos integrantes da equipe de desenvolvimento de produto da 
empresa escolhida.Essa priorização pode auxiliar para que todas as etapas do 
processo de desenvolvimento (projeto básico, detalhamento, verificação e 
aprovação) sejam realizadas pelos seus respectivos responsáveis, tendo como foco 
principal os itens do topo da lista de prioridades, de modo que essas prioridades 
decresçam conforme a lista, de acordo com cumprimento dos itens que estão acima 
(prioritários). 
A sugestão para que a sequência de prioridades seja seguida por todos 
os responsáveis é a criação de um check list, que deverá percorrer todas as etapas do 
processo de desenvolvimento, onde os itens deverão receber um “OK” se atendidos, 
ou “NÃO OK” se não atendidos, e caso não sejam atendidos uma anotação deverá 
seguir junto com o check list, justificando o não atendimento ao item priorizado. 
O check list sugerido poderá contribuir para que todas as pessoas 
envolvidas no processo de desenvolvimento trabalhem de maneira mais 
sincronizada, o que poderá ajudar a tornar mais rápido e preciso todo o processo de 
desenvolvimento e também seus precedentes. 
 
 
 
 
 
35 
 
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