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UNIVERSIDADE DE TAUBATE Eduardo Maschietto Bellussi PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Taubaté - SP 2015 UNIVERSIDADE DE TAUBATE Eduardo Maschietto Bellussi PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Projeto Mecânico certificado pelo Departamento de Engenharia da Universidade de Taubaté. Taubaté - SP 2015 EDUARDO MASCHIETTO BELLUSSI PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Projeto Mecânico certificado pelo Departamento de Engenharia da Universidade de Taubaté. Data: ______________________ Resultado: ______________________ BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Giorgio E. O. Giacaglia (Orientador) Assinatura:______________________ Prof. Me. Jair Gustavo de Mello Torres (Co-orientador) Assinatura:______________________ Dedico este trabalho a minha esposa, Jussara de Brito Bellussi, que está sempre ao meu lado nos momentos difíceis e compartilha comigo os momentos de alegria, que me dá apoio e compreende a minha ausência e necessidade de permanecer acordado durante as madrugadas ocupadas pelos estudos. AGRADECIMENTOS Ao Prof. Dr. Giorgio Eugenio Oscare Giacaglia, por quem tenho grande consideração e respeito, pelo tempo dedicado e suporte prestado durante todo o curso e durante a disciplina de Metodologia da Pesquisa, ministrada por ele. Ao Prof.Me. Jair Gustavo de Mello Torres, pela atenção e colaboração ao me atender e esclarecer minhas dúvidas referentes aos assuntos tratados neste trabalho. Ao amigo, Eng. João Vitor Tana, parceiro nos trabalhos realizados durante todo o período de curso. Pessoa com quem pude trocar várias idéias sobre os assuntos discutidos em sala de aula, incluindo os referentes à monografia. A todos meus amigos que colaboraram de forma direta ou indireta com a execução deste trabalho. Em especial, um agradecimento a Deus e a toda minha família. Tente mover o mundo – o primeiro passo será mover a si mesmo. Platão UNIVERSIDADE DE TAUBATE Eduardo Maschietto Bellussi PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO MÉTODO QFD NA ESTRUTURA DE PROJETO E DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS Taubaté - SP 2015 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo propor uma nova maneira de se trabalhar alterando o fluxo comum (típico e usual) do processo de desenvolvimento de produto dentro da empresa XYZ, de forma a priorizar o que realmente deve ser considerado e colocar em segundo plano aquilo que demanda menor atenção no processo de desenvolvimento de produto.Com isso o objetivo de implantação do QFD é auxiliar a tornar mais rápido e preciso todo o caminho pelo qual os projetos seguem durante seu desenvolvimento, minimizando desta maneira os erros e fazendo com que as transições entre as etapas dos projetos sejam dadas como concluídas desde a primeira vez que são feitas, e assim evitando que o processo tenha que retornar várias vezes para ser refeito ou reavaliado.O QFD aparece neste estudo como a ferramenta que pode ajudar a identificar e priorizar os pontos importantes que devem ser considerados para que o andamento do processo não seja interrompido ou comprometido em nenhum momento e seu resultado final seja o melhor possível. Concluímos com a observação de que uma intervenção em tal processo e a implantação de tais etapas permitirá que o processo de desenvolvimento evolua consideravelmente. Palavras-chave: QFD, priorização, cliente interno, requisitos de qualidade. ABSTRACT This study aims at new operational way by changing the common flow (typical and usual) of the product development process in the XYZ company, in order to prioritize what really should be considered and leaving, at a second stage, what demand less attention, in the product development process. Therefore, the objective of QFD implementation is to help decrease processing time and increase the accuracy along the design development, thereby minimizing errors and providing that the transitions, between phases of the projects, are given as completed, from the initial steps of design, thus preventing several new designs modifications in previews design stages, needing design modification or re-evaluation.QFD appears, in this study, as a tool that can help identify and prioritize the important points, that should be considered, so that the progress of the design process is not interrupted or compromised, at any time, and obtaining the best possible end results. This work concludes with the remark that an intervention in this process, and the implementation of QFD stages will allow for a considerable improvement of the development process, saving time and expenditures in men-hours and paper work. Keywords: QFD, prioritization, internal customer, quality requirements. LISTA DE FIGURAS Figura 01 Organograma simplificado 17 Figura 02 Sequência de prioridades (Projeto Básico) 30 Figura 03 Sequência de prioridades (Detalhamento) 31 Figura 04 Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) 32 Figura 05 Sequência de prioridades 33 LISTA DE TABELAS Tabela 01 Matriz da qualidade (vazia) 26 Tabela 02 Matriz da qualidade (preenchida) 29 LISTA DE SIMBOLOS E SIGLAS QFD Quality Function Deployment (Desdobramento da Função Qualidade) BOM Bill of Material (Lista de materiais) SUMÁRIO 01 RESUMO 07 02 INTRODUÇÃO 13 03 OBJETIVO 16 04 MÉTODO 22 05 DESENVOLVIMENTO 27 06 CONCLUSÃO 34 07 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 35 13 INTRODUÇÃO A demanda por qualidade, tanto em produtos quanto em serviços, tem se tornando mais importante a cada dia (MIGUEL, 2001). As exigências feitas pelos clientes, internos, externos ou ambos simultaneamente, tem sido cada vez mais específicas e desafiadoras, porém no âmbito profissional, traduzir as necessidades dos clientes em requisitos técnicos e operacionais pode ser uma tarefa um tanto quanto complicada. Entretanto, ao mesmo tempo em que possa ser uma tarefa nada fácil traduzir as exigências dos clientes em requisitos técnicos e operacionais, essa atividade pode tornar o processo de desenvolvimento muito mais produtivo, rentável, rápido, competitivo e funcional (ADAM et SWAMIDASS, 1992; LEONG et al. ,1990).Deste modo isso pode ajudar muito de forma a permitir que os processos sejam documentados e a comunicação entre todos os envolvidos no fluxo de trabalho seja melhorada, e assim o processo de desenvolvimento se torne cada vez mais eficiente (DAFT, 1983). Tomando como base que a demanda por qualidade tem se tornado cada vez maior (BARKAN, 1992), foi considerado como exemplo o setor de desenvolvimento de produto da empresa XYZ que, atualmente, enfrenta problemas. Esses problemas estão dificultando o andamento das atividades diárias e tornando lento não só o processo de desenvolvimento, mas todos os processos que antecedem e que sucedem esse, além de comprometer a qualidade dos resultados finais.Isso, por sua vez acaba por gerar gastos de valores excessivos e, muitas vezes, alémdas margens de segurança adotadas pelo setor de analise de risco,durante as fases de proposta comercial, tornando inviável tal fornecimento. As atividades executadas por cada responsável, dentro do setor de desenvolvimento de produto, precisam passar pelas mãos de várias pessoas antes de 14 chegarem às etapas de fabricação e, nesse fluxo de trabalho, a transição que ocorre entre cada responsável consiste em executar uma atividade para um dado projeto e passá-la adiante, para que esta seja verificada e uma nova etapa do processo seja executada em cima desta mesma atividade.Essa atividade, posteriormente, passará para o responsável seguinte que, também, irá verificar o que foi feito e executará mais uma etapa do processo, relativa à mesma atividade, e isso se repete quantas vezes se fizerem necessárias, em um nível hierárquico não necessariamente lógico, até que o projeto seja concluído, o que, em tese, funcionaria adequadamente (DANIELLOU, 2004). No momento em que algum requisito é identificado como não atendido ou atendido de maneira incorreta em uma das etapas do projeto (algumas vezes erros humanos ou simplesmente divergências de idéias entre as partes), o responsável que identificou tal ocorrência retorna a atividade para o responsável anterior, de forma que este faça a correção do que foi identificado e, novamente, envie para o próximo responsável. Esse fluxo de trabalho poderia funcionar muito bem se cada responsável trabalhasse seguindo uma mesma linha de raciocino e objetivando sempre o mesmo resultado (DANIELLOU, 2004). Entretanto, o conhecimento empírico de cada um, os costumes, a opiniões particulares podem ser obstáculos para a obtenção de resultados rápidos e positivos. Assim, analisando o fluxo, mesmo que de forma superficial, nota-se que o grande causador dos problemas, enfrentados pelo setor de desenvolvimento de produto, pode ser o fato de que as pessoas que compõem a equipe estejam trabalhando sem saber com clareza quais são os objetivos e metas a serem atingidos durante a realização de tal trabalho e, portanto, trabalhando de maneira independente, os resultados apresentados possam não ser, exatamente, os esperados. 15 Nota-se, então, que o objetivo final, muitas vezes, se perde em meio aos procedimentos de trabalho, processos e condutas que devem ser seguidos diariamente, (além de outros pontos que envolvem o fator humano), fazendo com que não se tenha de maneira clara quais os resultados que devem ser alcançados individualmente e coletivamente. A partir da situação exposta acima, acredita-se que uma atitude deva ser tomada com relação aos “problemas” encontrados no processo de desenvolvimento de produtos da empresa XYZ, visto que esses “problemas” podem refletir nos demais setores da própria empresa e, também fora dela, como durante a logística, instalação e operação dos produtos concebidos pela tal empresa. 16 OBJETIVO Propõe- se nesse trabalho uma sugestão de implantação de algumas das etapas do QFD (CHENG, 2007), que seriam a matriz da qualidade e sequência de prioridades (gerada a partir dos resultados obtidos na matriz da qualidade) a qual define a sequência de prioridades para as atividades que devem ser executadas. Para tal, antes de tudo é necessário explicar em detalhes como funciona o setor de engenharia de desenvolvimento de produto da empresa selecionada para a proposta de implantação do QDF. O setor de engenharia faz parte de uma estrutura organizacional onde também estão inclusos setores responsáveis por diversas outras atividades, todas objetivando sempre melhores resultados para o produto final, e colocando acima de tudo, de maneira consciente, a qualidade demandada tanto pelo cliente externo como pelo cliente interno. No sistema organizacional desta empresa o setor de engenharia de produto que é o alvo deste estudo, é considerado uma das etapas mais importantes dentro do fluxo da empresa. Ele encontra-se entre os setores de proposta comercial e fabricação/montagem (Figura 01), e é responsável por todas as características técnicas e operacionais do produto final, inclusive o processo de fabricação das e peças e montagem dos equipamentos, sendo responsabilizado por quaisquer dúvidas e/ou problemas no processo de fabricação e também problemas operacionais que possam vir a ocorrer no campo após a instalação. 17 Figura 01 – Organograma simplificado (Fonte: Organograma gerado a partir de analise feita na empresa pesquisada) 18 Contudo, o sistema mostrado (Figura 01), o qual pode ser comparado ao processo de engenharia sequencial, se apresenta um tanto quanto desfavorável e também ultrapassado enquanto estrutura organizacional do processo de desenvolvimento, o que dificulta implementação das citadas etapas do QFD sugeridas neste trabalho, uma vez que no processo de engenharia sequencial a interação entre todos o setores envolvidos (direta ou indiretamente) no processo de desenvolvimento fica comprometida em função de tal método, onde as etapas do processo são executadas de forma "isolada" entre si, o que diverge completamente da engenharia simultânea, onde o desenvolvimento de um determinado produto considera todas as etapas de sua vida, desde de sua concepção até seu descarte, o que é desenvolvido de maneira integrada, envolvendo simultaneamente todos os que fazem parte do processo de desenvolvimento.Em outras palavras, essa possível dificuldade torna mais desafiador o processo de implantação das etapas do QFD. Tendo em vista possíveis dificuldades, o QFD foi escolhido para tal aplicação em função de suas contribuições práticas, as quais, quando comparadas à procedimentos e/ou métodos com finalidades similares, podem apresentar resultados mais rápidos. Como exemplo, comparando-se o QFD às ferramentas Six Sigma e processos Lean, os quais estão diretamente vinculados a gestão da qualidade e excelência operacional, para a condição de aplicação em questão, nota-se uma complexidade maior visto que tratam de forma extremamente rigorosa a gestão do projeto, tida em um primeiro momento como estando além do que se deseja implantar na condição aqui apresentada. Ademais, tendo que em seu conceito principal as ferramentas Six Sigma visam resultados a médio e longo prazo e os processos Lean visam eliminar desperdícios ou atividades inúteis, ambos, mesmo que extremamente funcionais, no presente trabalho, não se enquadram às necessidades apresentadas, sendo o QFD um 19 método mais funcional para a situação em questão, o qual pode possibilitar resultados talvez não excelentes porém rápidos. Sendo assim, consideramos que o foco neste trabalho não trata da implantação das etapas de QFD para o desenvolvimento de um produto de linha e sim para um serviço, ou seja, o processo de desenvolvimento de produtos que não são fabricados em série. Na verdade o produto que se trata nesse processo de desenvolvimento (metalurgia pesada) é desenvolvido e produzido em pequenas quantidades, somente mediante a solicitação de cliente.Desta maneira o QFD não se enquadra diretamente o desenvolvimento do produto, assim a proposta de implantação do QFD parte do principio de que este possa auxiliar na organização do setor de desenvolvimento do produto, enquadrando-se nas etapas que vão desde o recebimento da dos dados de entrada até a liberação do projeto para fabricação. O setor em analise trabalha baseando-se em dados enviados pelos clientes externos (dados de entrada), e a partir daí dá-se inicio ao processo de desenvolvimento do produto, o qual começa a surgir a partir da atuação de uma equipe de projetistas e engenheiros, que juntos desenvolvem o projeto básico do equipamento. Nessa fase o projetista, juntamente com o engenheiro, irá analisar os dados de entrada do projeto e começará a projetar oequipamento solicitado. Nesta etapa os dados de entrada precisam ser processados e convertidos em um projeto, baseando-se no conhecimento empírico dos projetistas e engenheiros e experiência profissional também de ambos. A realização de reuniões de analises críticas é de extrema importância para o andamento do projeto, e a fidelidade das características do projeto deve ser total com relação aos dados de entrada recebidos. A etapa seguinte após o projeto básico é o detalhamento, onde todo o modelo tridimensional gerado no projeto básico é literalmente detalhado (traduzido 20 para o bidimensional), onde devem constar todas as dimensões e informações necessárias para fabricação, montagem e operação do equipamento. A partir daí o detalhamento passa para a próxima etapa do fluxo de trabalho, que é chamada de verificação, onde um especialista irá avaliar se todas as características do projeto estão de acordo com os dados de entrada recebidos, se não haverá problemas durante a fabricação e montagem do equipamento, se os desenhos de fabricação e montagem podem ser facilmente interpretados, se nenhuma das características do projeto pode comprometer a fabricação, montagem e operação do equipamento. Daí então segue para a última etapa do desenvolvimento do produto, onde um engenheiro responsável pelo projeto irá verificar novamente todo o projeto desenvolvido e suas interfaces, para então aprovar e liberar para a fabricação das peças e montagem dos conjuntos. A estrutura de projetos encontrada hoje na situação em que se deseja implantar o QFD passa por dificuldades resultantes da falta de conhecimento sobre o resultado que o cliente interno espera receber de seus antecedentes vinculados ao mesmo fluxo de trabalho, além das opiniões incoerentes existentes entre as diversas pessoas envolvidas no mesmo projeto. Percebe-se que, com uma quantidade muito grande de pessoas envolvidas no mesmo projeto, existem muitos desvios de opinião entre os responsáveis de cada fase do desenvolvimento, além também da falta de conhecimento, sobre quais informações devem ser consideradas com maior ênfase em cada uma das fases do projeto, como por exemplo, situações em que uma divergência é encontrada no projeto na fase de verificação final, o que pode implicar na necessidade de correção onde o projeto deverá voltar até a etapa de projeto básico para ser reavaliado e passará novamente por todas as etapas do processo de desenvolvimento (o que gera grande atraso e impacto nos prazos), 21 quando esse imprevisto poderia ter sido evitado, se todos os responsáveis de cada etapa do projeto estivessem trabalhando alinhados,focados no mesmo objetivo, ou melhor, na mesma prioridade. O QFD se destaca pela sua grande utilidade no planejamento das atividades que afetam a qualidade do produto ou serviço, dentro ou fora da empresa (CHENG,1995). Para a situação em questão,o QFD se apresenta muito útil onde dispomos de uma de suas principais etapas, a matriz da qualidade, a qual pode auxiliar para que todas as considerações (qualidade demanda) sejam organizadas por ordem de prioridade (em coerência com as características da qualidade), e assim todos os integrantes da equipe de desenvolvimento possam trabalhar com o mesmo objetivo principal, dando ênfase àquilo que está no topo da lista de prioridades. Para a situação em questão, a definição de um check list, onde podem estar descritas as considerações de projeto e ordenadas por sequência de prioridade, seria uma solução bem prática, para que desta maneira, os indivíduos responsáveis de cada etapa do processo pudessem trabalhar “alinhados” desde o início do projeto, seguindo todos a mesma linha de raciocínio. 22 MÉTODO Tendo que, com a evolução da engenharia da qualidade, aos poucos o controle de qualidade que era realizado dentro da própria empresa foi dando lugar à qualidade demandada pelo cliente, o que passou a ser fundamental (GARVIN, 1992). A identificação da qualidade demandada pelos clientes é fundamental na metodologia do QFD, que, de acordo com EUREKA (1992), é um método sistemático para garantir o desenvolvimento das características e especificações do produto, bem como o desenvolvimento de metodologias, processos e controles, para que sejam orientados pelas necessidades dos clientes. Também, de acordo com OHFUJI (1997) e CARDOSO (2001), o QFD é um método de desenvolvimento de produtos e serviços, que busca identificar quais são os desejos e exigências dos clientes, para projetar produtos e serviços que os satisfaçam. Tem – se então a necessidade de definição da qualidade demandada pelo cliente e das características da qualidade que serão medidas no produto (OLIVEIRA, 1995). Essa necessidade de medir as características se faz com o intuito de verificar se a qualidade exigida está sendo cumprida. Neste estudo, a idéia para definir os itens referentes à qualidade demandada e características da qualidade, inicialmente foi apresentar o tema da pesquisa dentro do próprio setor de desenvolvimento de produto, e solicitar aos grupos responsáveis por cada etapa, que apresentassem suas opiniões a respeito do assunto e listassem quais itens, na opinião individual de cada um, deveriam ser considerados como importantes para a situação em questão, e posteriormente esse mesmo método seria utilizado com os clientes externos. Porém diante das dificuldades para marcar reuniões e/ou solicitar as opiniões por meio de correio 23 eletrônico, devido ao fato de não obter retorno por parte das pessoas questionadas, a estratégia foi alterada. Utilizou-se então de recursos mais simples e objetivos. Durante as reuniões de projeto, reuniões de analise crítica, reuniões com assistência técnica e reuniões com o cliente final, o assunto foi colocado em pauta de maneira informal, sem registros ou atas de reunião, de forma a abstrair de todos os responsáveis o que se teria como qualidade demandada e característica da qualidade, em se tratando do produto fornecido. E dessa forma não houve hesitação ou resistência ao falar sobre o assunto, pois este foi apresentado como se estivesse integrado aos assuntos tratados em reunião, e foi sendo absorvido no decorrer de várias reuniões realizadas, no prazo de aproximadamente seis meses. Daí então se obteve os seguintes itens: Qualidade demandada: 1. Embasamento técnico; 2. De acordo com os dados de entrada; 3. Feitos todos os cálculos necessários; 4. Realizada análise interfuncional; 5. Realizado o estudo de interface; 6. Realizada análise crítica; 7. Modelo 3D conforme boas práticas; 8. Uso de referências de outros projetos; 9. Tolerâncias dimensionais bem aplicadas; 10. Tolerâncias de forma e posição bem aplicadas; 11. Boa disposição das vistas no layout do desenho; 12. Abastecimento correto da BOM; 13. Disposição correta dos ballons (identificação dos componentes) no desenho; 14. Verificação de todas as interfaces de projeto; 24 15. Cruzamento do projeto com os dados de entrada; 16. Verificação das interfaces de montagem; 17. Erros de interpretação do desenho. Características da qualidade: 1. Liberação do projeto (data de liberação do projeto para início da fabricação); 2. Revisões de projeto (revisões abertas devido à erros de projeto). 3. Problemas na fabricação (erros em peças de usinagem / caldeiraria); 4. Problemas na montagem (ocorridos em fábrica, durante a montagem); 5. Tempo de montagem (possíveis atrasos ocorridos na montagem); 6. Data de entrega (data de entrega do equipamento para o cliente); 7. Problemas operacionais (ocorridos em campo, durante a operação); A partir daí, é possível montar a matriz da qualidade (Tabela 01), onde os itens referentes à qualidade demandada e as características da qualidade devem ser cruzados,e esse cruzamento precisa receber um peso de acordocom o grau de importância atribuído (FORTE (valor 9), MÉDIO (valor 3) e FRACO (valor 1)). O trabalho de definição dos valores que devem ser atribuídos para cada cruzamento, entre qualidade demandada e características da qualidade, precisa ser feito preferencialmente pelos responsáveis de cada etapa do projeto, incluindo as etapas fora da engenharia de produto (cliente final, controle de documentos, proposta técnica, proposta comercial, projeto básico, detalhamento, verificação, aprovação, fabricação e montagem, logística e assistência técnica), de forma que todos os que participam, direta ou indiretamente do projeto, possam atribuir um valor para cada relação. Neste momento então, de fato se faz necessário o envio da matriz da qualidade, para que esta seja preenchida por pelo menos um responsável de cada área, e assim então as médias das respostas obtidas sejam aplicadas novamente à matriz da qualidade, que resultará em uma fusão das opiniões de diversas áreas 25 completamente distintas, pois obviamente, por exemplo, os responsáveis pela área de assistência técnica não se importarão se o modelo 3D foi elaborado conforme as boas práticas, porém os responsáveis de engenharia, na etapa de detalhamento, darão total ênfase a este item. 26 Tabela 01 – Matriz da qualidade (vazia) (Fonte: Tabela gerada a partir de dados coletados na empresa pesquisada) 27 DESENVOLVIMENTO A idéia de implantação (parcial) do QFD, no processo de desenvolvimento de produto da empresa em questão, deve seguir uma sequência específica de etapas, as quais serão discutidas periodicamente por um grupo composto por pessoas de todas as áreas do fluxo de desenvolvimento. A sequência de etapas da implantação do QFD é parcialmente baseada no trabalho de Cheng et al. e para a situação em analise deverá seguir a seguinte ordem: - Definição das metas para desenvolvimento do projeto; - Elaboração da matriz da qualidade; - Definição do plano de ação. Definição das metas para desenvolvimento do projeto: As metas para o projeto foram traçadas a partir das lições aprendidas com os erros ocorridos no decorrer do processo de desenvolvimento dos equipamentos, porém, nada acontece até que um plano de ação seja criado e colocado em prática. Seriam os objetivos: • Redução do número de revisões abertas após a liberação final do projeto; • Maximizar a velocidade de fabricação dos equipamentos, desenvolvendo sistemas de fácil montagem e geometria menos complexa; • Reduzir ao máximo a ocorrência de problemas de campo e erros de operação; • Padronizar o sistema de trabalho e reduzir o tempo demandado para cada uma das atividades no processo de desenvolvimento; 28 • Evitar o constante “vai e vem” que ocorre entre as etapas do processo de desenvolvimento. Elaboração da matriz da qualidade: A matriz da qualidade (Tabela 02) envolve a relação entre as qualidades exigidas (qualidade demanda) com as características da qualidade, onde a escala de intensidade desta relação segue o seguinte esquema: FORTE (valor 9), MÉDIO (valor 3) e FRACO (valor 1). Esta foi preenchida a partir das opiniões recebidas de todos os responsáveis de todas as áreas relacionadas ao produto, de forma indireta ou direta (conforme esclarecido anteriormente neste trabalho). Então, a partir dos valores encontrados na matriz da qualidade é possível gerar gráficos (Figura 02,Figura 03, Figura 04 e Figura 05) com as qualidades demandadas organizadas por ordem de prioridade (separadas por etapa do processo ou agrupadas), e assim identificar quais atividades devem ser colocadas à frente no desenvolvimento do projeto, de forma que esteja claro para todos os envolvidos, quais itens possuem prioridade sobre os demais. 29 Tabela 02 – Matriz da qualidade (preenchida) (Fonte: Tabela preenchida a partir de dados coletados na empresa pesquisada) 30 Figura 02 – Sequência de prioridades (Projeto Básico) (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 31 Figura 03 – Sequência de prioridades (Detalhamento) (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) Figura 04 – Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 32 Sequência de prioridades (Verificação e aprovação) (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) Figura 0 (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na igura 05 – Sequência de prioridades (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na 33 (Fonte: Gráfico elaborado a partir dos resultados obtidos na Tabela 02) 34 CONCLUSÃO A análise realizada indica, por ordem de prioridade, quais atividades devem ser realizadas pelos integrantes da equipe de desenvolvimento de produto da empresa escolhida.Essa priorização pode auxiliar para que todas as etapas do processo de desenvolvimento (projeto básico, detalhamento, verificação e aprovação) sejam realizadas pelos seus respectivos responsáveis, tendo como foco principal os itens do topo da lista de prioridades, de modo que essas prioridades decresçam conforme a lista, de acordo com cumprimento dos itens que estão acima (prioritários). A sugestão para que a sequência de prioridades seja seguida por todos os responsáveis é a criação de um check list, que deverá percorrer todas as etapas do processo de desenvolvimento, onde os itens deverão receber um “OK” se atendidos, ou “NÃO OK” se não atendidos, e caso não sejam atendidos uma anotação deverá seguir junto com o check list, justificando o não atendimento ao item priorizado. O check list sugerido poderá contribuir para que todas as pessoas envolvidas no processo de desenvolvimento trabalhem de maneira mais sincronizada, o que poderá ajudar a tornar mais rápido e preciso todo o processo de desenvolvimento e também seus precedentes. 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAM, E.E.et SWAMIDASS, P.M. – “Assessing Operations Management from a Strategic Perspective, In: VOSS, C., Manufacturing Strategy – Process and Content”. Londres: Chapman & Hall, (1992). BARKAN, P. – “Productivity in process of product development; an engineering perspective. 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