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Gerenciamento de Processos de neGócios Gerenciamento de Processos de neGócios copyright © UVa 2019 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prévia autorização desta instituição. Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. aUtoria do conteúdo Claudio Ribeiro da Silva reVisão Theo Cavalcanti Janaina Senna Lydianna Lima Projeto Gráfico UVA diaGramação UVA S586 Silva, Claudio Ribeiro da. Gerenciamento de processos de negócios [livro eletrônico] / Claudio Ribeiro da Silva. – Rio de Janeiro: UVA, 2020. 987 KB : PDF. ISBN 978-65-5700-043-4 1. Controle de Processo. 2. Negócios. 3. Elicitação. 4. Fluxo de Trabalho. 5. Melhoria Contínua. I. Universidade Veiga de Almeida. II. Título. CDD – 658.5 BN Bibliotecária Flávia Fidelis Calmon - CRB 7/5309. Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UVA. sUmário apresentação autor 6 7 definição dos processos de negócios 32 • Modelagem dos processos de negócios • Técnicas de elicitação de requisitos de negócio • Qualidade de um processo de negócio Unidade 2 8 • O que são processos de negócios? • Tipos de processos de negócio • Elementos do processo de negócio fundamentos de processos de negócio Unidade 1 sUmário aspectos sociais e organizacionais de um processo de negócio 77 • Técnicas de melhoria contínua de um processo • Escritório de gestão por processos • O papel do gestor do processo de negócio Unidade 4 55 • Fluxo de trabalho • Business Process Model and Notation – BPMN • Cadeia de processos orientada por eventos técnicas de modelagem de processos Unidade 3 6 Esta disciplina tem como objetivo oferecer o material necessário para o aprendizado das fases de levantamento e análise dos processos de negócios existentes em uma empresa visando identificar e implementar as melhorias que podem ser realizadas. Identificar os processos organizacionais existentes em uma empresa permitirá que seu gestor realize estudos com o objetivo de propor alternativas de execução que reduzam seu tempo e os recursos utilizados (financeiro, material, humano etc.) nas atividades que os compõem. Com os materiais apresentados na disciplina, você conhecerá os tipos de processos existentes em uma empresa e as muitas técnicas de levantamento utilizadas que per- mitirão identificar, em parceria com as pessoas que atuam nesses processos, as ativi- dades de cada uma delas, os documentos recebidos e produzidos em cada uma dessas atividades e os parâmetros de qualidade e conformidade que devem ser observados com o objetivo de propor soluções, automatizadas ou não, que venham a produzir o mesmo resultado com menores esforço e custo e permitir que a empresa se torne mais competitiva no mercado em que atua. Você conhecerá algumas ferramentas automa- tizadas que permitem a representação gráfica da sequência com que as atividades de um processo são realizadas, incluindo pessoas e setores envolvidos, de modo a identi- ficar e eliminar os eventuais “gargalos” que possam vir a existir em formato simples de ser entendido, mesmo por aqueles que não possuem conhecimentos tecnológicos. Ao conhecer de forma detalhada cada uma das atividades existentes, será possível descre- ver passo a passo como elas ocorrem e identificar as habilidades e os conhecimentos necessários para a pessoa que a executa (perfil profissional), identificando eventuais subutilizações de pessoas. Todo esse cenário de transformações organizacionais deve ser observado atentamente pelos gestores da empresa, não podendo ignorar as conse- quências sociais e humanas que mudanças podem provocar. aPresentação 7 claUdio ribeiro da silVa Claudio Ribeiro da Silva é doutor em Engenharia de Sistemas e Computação pelo Insti- tuto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia – Coppe/UFRJ, mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, pós-graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do RJ – PUC-RJ e graduado em Ciências Contábeis pela Faculdade de Adminis- tração São Paulo Apóstolo, cuja mantenedora era a Sociedade Educacional São Paulo Apóstolo (Faspa/Sespa). Professor dos cursos de graduação nas modalidades presen- cial e a distância na área de Gestão de Tecnologia da Informação, Sistema da Informação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. Atuou durante mais de 30 anos como tecnolo- gista da informação em autarquia federal de médio porte realizando atividades de desen- volvimento de software e gerenciamento de projetos de desenvolvimento de software. aUtor c. lattes http://lattes.cnpq.br/5688226948488152 Fundamentos de processos de negócio Unidade 1 9 Uma organização é composta de diversos processos que, trabalhando de forma integra- da, fazem com que ela atinja seu objetivo. Identificar corretamente cada um desses pro- cessos e fazer com que eles funcionem de forma cada vez mais eficiente geram redução de custos, possibilitando que os objetivos sejam atingidos, o que melhora a competitivi- dade da empresa. Um profissional que conheça os principais fundamentos e conceitos de processos, que identifique a forma como ele funciona e proponha melhorias faz com que a empresa otimize de maneira constante seus recursos humanos, materiais e finan- ceiros, aumentando sua lucratividade. Dessa forma, esta primeira unidade identificará os fundamentos, os conceitos e os tipos de processos existentes em uma organização. introdUção Nesta unidade, você será capaz de: • Conhecer os conceitos de processos de negócio, os tipos e os elementos utiliza- dos para representar a sequência das atividades na execução de um processo. objetiVo 10 o que são processos de negócios? É comum lermos ou ouvirmos a palavra “processo” em diferentes meios de comunica- ção por haver múltiplos entendimentos e formas de utilização do termo. Alguns exemplos: Na área jurídica, é comum ouvirmos os profissionais envolvidos tratarem “processo” como sendo uma ação judicial com a qual se requer alguma coisa. Na área industrial, os gestores comentam que o atual “processo” de fabricação de um produto permite a produção de uma determinada quantidade por hora ou por dia. o que existe de comum entre um processo judicial e um processo industrial? Apesar de apresentarem situações diferentes, o uso da palavra, nesses casos, está correto, porque, segundo o Dicionário do Aurélio Online, processo significa: “Meter em processo; intentar ação judicial contra; verificar, conferir.” Essa palavra tem origem no latim procedere, que significa “proceder”, “avançar”, “marchar”, ou seja, tem o significado de “alguma coisa que caminha”. Todo processo “avança”, tanto o judicial, em suas diversas tramitações, como o industrial, quando as atividades que o compõem são realizadas. De que forma um veículo é produzido? Como exemplo de um processo industrial, vamos analisar a linha de produção de um veículo em uma montadora. Uma linha de produção representa a produção em série de um determinado produto, em que funcionários, utilizando equipamentos e tecnologia, montam, de forma sequencial, esse produto a partir das matérias-primas introduzidas no processo. No caso da indústria automobilística, a matéria-prima é representadao grau de qualidade de um processo por meio da escolha de métricas que apresentem de forma clara e objetiva essas informações. 54 referências GIATTI, K. Mapeamento de processos, como fazer da maneira correta? ERP Flex. [S. l.], 12 maio 2017. Disponível em: https://www.erpflex.com.br/blog/mapeamento-de-processos. Acesso em: 3 fev. 2019. KAIZEN. In: SIGNIFICADOS. Matosinhos: 7Graus, 2016. Disponível em: https://www.signifi- cados.com.br/kaizen/. Acesso em: 3 fev. 2019. MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem de pro- cessos de trabalho. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. MORAES, J. B. D. Técnicas para levantamento de requisitos. Devmedia. Rio de Janeiro, 27 fev. 2009. Disponível em: https://www.devmedia.com.br/tecnicas-para-levantamento- de-requisitos/9151. Acesso em: 3 fev. 2019. OLIVEIRA, W. Como mapear processos passo a passo em 11 etapas simples. Heflo. São Paulo, 18 jan. 2018. Disponível em: https://www.heflo.com/pt-br/bpm/como-mapear-pro- cessos-passo-a-passo/. Acesso em: 3 fev. 2019. ______. Melhoria contínua: conheça o método japonês e o método americano. Venki. São Paulo, 3 dez. 2014. Disponível em: https://www.venki.com.br/blog/melhoria-continua/. Acesso em: 3 fev. 2019. QUAL a diferença entre mapeamento e modelagem? Publicado pelo canal Tempo Real: Eventos Corporativos. Trecho do treinamento Tempo Real Eventos sobre Gestão por Processos, ministrado por Ivan Magalhães. [S. l.: s. n.]: 2011. 1 vídeo (9 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8IUmHh3Csew&pbjreload=10. Acesso em: 3 fev. 2019. SHANKAR, K. R. Kaizen. SlideShare. [S. l.], 18 set. 2010. Disponível em: https://www.slide- share.net/ramashankar1985/kaizen-5230222. Acesso em: 3 fev. 2019. VEYRAT, P. Como criar indicadores de performance de processos empresariais. Heflo. São Paulo, 29 jul. 2017. Disponível em: https://www.heflo.com/pt-br/planejameto-estrategico/ indicadores-de-performance/. Acesso em: 3 fev. 2019. ______. Conheça 10 indicadores de desempenho de processos (KPI). Venki. São Paulo, 1º abr. 2015. Disponível em: https://www.venki.com.br/blog/indicadores-de-desempenho- de-processos/. Acesso em: 3 fev. 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?- v=8IUmHh3Csew&pbjreload=10. Acesso em: 3 fev. 2019. https://www.erpflex.com.br/blog/mapeamento-de-processos https://www.significados.com.br/kaizen/ https://www.significados.com.br/kaizen/ https://www.heflo.com/pt-br/bpm/como-mapear-processos-passo-a-passo/ https://www.heflo.com/pt-br/bpm/como-mapear-processos-passo-a-passo/ https://www.venki.com.br/blog/melhoria-continua/ https://www.youtube.com/watch?v=8IUmHh3Csew&pbjreload=10 https://www.slideshare.net/ramashankar1985/kaizen-5230222 https://www.slideshare.net/ramashankar1985/kaizen-5230222 https://www.heflo.com/pt-br/planejameto-estrategico/indicadores-de-performance/ https://www.heflo.com/pt-br/planejameto-estrategico/indicadores-de-performance/ https://www.youtube.com/watch?v=8IUmHh3Csew&pbjreload=10 https://www.youtube.com/watch?v=8IUmHh3Csew&pbjreload=10 Técnicas de modelagem de processos UNIDADE 3 56 A importância de realizar o mapeamento de um processo fica evidenciada quando o ges- tor e aqueles que atuam de forma direta ou indireta na sua execução passam a conhecer e entender as suas atividades com elevado nível de detalhamento por meio da documen- tação produzida na etapa. Entretanto para obter esse entendimento é importante o uso de ferramentas que produzam facilidades para isso. Realizar leitura de várias páginas de material produzido em texto é importante para conhecer o “detalhe” da atividade, porém o conhecimento macro do processo, a busca por eventuais “gargalos” ou a possiblidade de otimização no seu fluxo de trabalho se torna mais simples de se identificar se fo- rem utilizadas ferramentas visuais com as quais é possível enxergar mais facilmente a maneira como o processo é realizado, tanto por parte dos especialista em BPM quanto pelo pessoal envolvido na sua execução. Conhecer, de modo detalhado, algumas dessas ferramentas, identificando as suas características e notação utilizada, é o que será apre- sentado nesta unidade. introdUção objetiVo Nesta unidade, você será capaz de: • Identificar as principais técnicas de modelagem de processos existentes. 57 fluxo de trabalho A representação de um fluxo de trabalho por meio de um fluxograma permite realizar o mapeamento de um processo e ter a compreensão das características gerenciais, per- formance e competências, além de visualizar possibilidades de melhorias. O fluxograma de processos é uma técnica que apresenta os processos pela representa- ção gráfica, descrevendo passo a passo as suas atividades e fluxo de trabalho, visando apresentá-los de uma forma simples e de fácil entendimento da sequência com que es- sas atividades são realizadas. tipos de fluxogramas Quando optamos por descrever um processo utilizando a diagramação por meio do flu- xograma, podemos escolher dentre as duas formas mais comuns existentes: O primeiro é utilizado para apresentar o processo, explicando o seu funcionamento, enquanto que o segundo é utilizado para, também, explicar quem são os responsáveis pela execução de cada tarefa, ou onde cada grupo se encaixa no processo. Forma linear Forma matricial Também conhecida como fluxograma linear, que apresenta a sequência, passo a passo, das atividades realizadas no processo. Chamada de fluxograma funcional ou matricial, que apresenta a sequência, passo a passo, das atividades realizadas no processo. Apresenta linhas verticais e horizontais que são usadas para delimi- tar as atribuições e demonstrar como cada grupo específico ou pessoa se relaciona com o outro. 58 Figura 1: Diferença entre os fluxogramas linear e funcional. Início Fim Coloca o insumo na máquina para produção Inicia a operação da máquina e a produção do produto Embala o produto Envia para o cliente Descarta o produto e abre uma ocorrência de não conformidade Produto dentro da especificação? Sim Não Fluxograma Linear 59 Início Fim Coloca o insumo na máquina para produção Inicia a operação da máquina e a produção do produto Embala o produto Envia para o cliente Descarta o produto e abre uma ocorrência de não conformidade Produto dentro da especificação? Sim Não Fluxograma Funcional O pe ra çã o Ex pe di çã o Tr an sp or ta do ra Fonte: Silveira (2018). 60 O uso do fluxograma como ferramenta para modelagem de processos pode ser aplicado nas seguintes situações: • Quando desejamos entender como um processo funciona. • Quando desejamos estudar um processo a fim de implantar melhorias. • A fim de comunicar para outras pessoas como funciona um processo. • Quando precisamos de melhorar a comunicação entre as pes- soas envolvidas em um mesmo processo. • Quando precisamos documentar um processo. • Quando deseja-se planejar um projeto. (SILVEIRA, 2018) importante como construir um fluxograma? A construção de um fluxograma se inicia com o símbolo representado por um círculo, que caracteriza o início do processo. A partir dele, são interligadas por uma flecha as atividades ou etapas do processo representadas por um retângulo que contém a descrição da operação que é realizada. As atividades vão sendo interligadas pela flecha para representar a ligação entre elas, ou seja, a sequência com que elas são executadas, até o símbolo oval que representa o final do processo. Quando um paralelogramo é utilizado, está sendo representada alguma informação adicional, ajudando na sua documentação, entretanto, ele não representa uma ação do processo. O uso do losango representa as decisões que ocorrem no processo, de onde devem sair flechas indicando as alternativas possíveis na decisão. 61 Figura 2: Algumas figuras de um diagrama. Figuras básicas de um fluxograma Início ou fim Processo predefinido ProcessoDecisão Operação manual Conector Informação Preparação DocumentoEntrada manual O uso de ferramentas de apoio para a construção de um fluxograma não é um fator impeditivo ao seu uso. Os softwares de edição de textos populares incluídos em pacotes de escritório de uso geral possuem as simbologias e os recursos necessários para a construção de um diagrama, entretanto devem ser considerados alguns fatores que representam as vantagens e desvantagens da técnica, conforme você pode ver a seguir. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 3 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre os símbolos utilizados para a construção de um fluxograma e o objetivo de cada um deles. 62 Quais são as vantagens? • Baixo custo – Por estar disponível na maioria dos pacotes de escritório. • Fácil entendimento – Por possuir um conjunto pequeno de símbolos. • Facilidade na elaboração dos objetivos – Apesar de possuir o 11 elementos, é possível construir um diagrama simples utilizando apenas cinco deles. • Simplifica e racionaliza a avaliação – Por possuir poucos elementos, fica facilitado o entendimento do diagrama. • Facilidade na identificação de problemas – Por ser de fácil entendimento, a tarefa de identificar problemas, gargalos ou caminhos críticos fica facilitada. E quais são as desvantagens? • Direcionado às atividades – Apresenta o fluxo do processo da forma como as atividades são realizadas, porém dificulta o entendimento quando existem múltiplas decisões. • Não representa dados – Não possui simbologia que represente os dados. • Dificuldade de detalhamento das etapas – Não existe um padrão sobre o nível de detalhamento que o diagrama deve contemplar. • Dificuldade na manutenção – Manutenção manual na maioria das situações. • Difícil entendimento em grandes processos – O uso dessa técnica não é indicado para representar grandes processos. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 3 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre algumas dicas que devem ser utilizadas para a construção de um fluxograma. 63 business process model and notation – bPmn Segundo Hammer e Champy (1994 apud ARANTES, 2014),“um processo é um grupo de atividades realizadas numa sequência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço que tem valor para um grupo específico de clientes”. Representar corretamente essa sequência significa permitir o seu entendimento e, como consequência, identificar os pontos que necessitam ser melhorados. Sendo feitas por meio de diagramas, as no- tações gráficas facilitam o entendimento do fluxo de trabalho pelas pessoas ligadas à área de negócio. O BPMN apresenta uma notação desenvolvida para representar a modelagem de pro- cesso de negócio, não sendo indicado o seu uso para outros tipos de representações, como organogramas, modelagem de dados, estruturas organizacionais etc. Seu objeti- vo é apoiar a gestão de processos de negócios para usuários técnicos e de negócios, oferecendo uma representação gráfica intuitiva para os usuários corporativos que lhes permita entender a complexidade de um processo. O BPMN foi desenvolvido pela Business Process Management Initiative – BPMI, sendo atualmente mantida pelo Object Management Group – OMG em razão da fusão das duas organizações ocorrida em 2005. A versão atual do BPMN é a 2.0.1, liberada em março de 2011. Ele surgiu como resultado de um acordo entre diversas empresas de ferramentas de modelagem, que possuíam suas próprias notações. O objetivo era criar uma linguagem única para a modelagem de processos de negócios, visando facilitar o entendimento e treinamento do usuário final. Vantagens/desvantagens do bPmn Segundo Canello (2015), o BPMN pode ser utilizado em níveis diferentes de acordo com a necessidade do modelo: descritiva, analítica e executável. Vamos conhecer algumas vantagens e desvantagens em seu uso? curiosidade 64 Dentre as vantagens identificadas por Canello, podemos citar: • Possibilidade de redução de custos e identificação dos desperdícios. • Possibilidade de aumentar o nível de qualidade dos serviços e produtos. • Fácil para pessoas de negócios aprenderem como usar. • Documenta os processos de forma rápida, facilitando a modelagem das mudanças. • Não é controlada ou detida por fornecedores de software. • Vem se tornando um padrão comum e muito utilizado. • Preenche a lacuna entre o pessoal de sistemas de negócios e técnicos. • Grande facilidade em mapear os processos em razão da sua notação clara. • É intuitivo, facilitando a ilustração e leitura de processos grandes e complexos. • Durante a modelagem, o software facilita o processo, caso este possua erros de desenho. Dentre as desvantagens identificadas pelo mesmo autor, podemos citar: • Grande variedade de elementos usados nos modelos. • Ainda não pode ser mapeado em sua totalidade para a linguagem BPFL (business process execution language), ferramenta de definição da lógica para acompanhamento/fluxo entre serviços. • Não fornece apoio ao processo de tomada de decisão, apenas auxilia na identificação de problemas. Leia o artigo BPMN: técnicas de modelagem, produzido por Kelson Lima, indicado nas referências desta unidade, para conhecer outras vantagens e desvantagens apontadas pelo autor. dica 65 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 3 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre os principais símbolos utilizados pela notação. notações utilizadas Para a construção de diagramas valendo-se da notação BPMN, é utilizado um espaço chamado de business process diagrams – BPD, em que o processo é construído por meio dos elementos gráficos utilizados. O BPD possui três tipos de representação de diagramas, conforme você pode ver a seguir: Processos Internos Processos Abstratos Processos de Colaboração Apresenta as atividades de um processo que são realizadas exclusivamen- te dentro da organização. Representa as ações rea- lizadas por organizações externas nas quais não se tem nenhum tipo de gerência ou gestão. Representa a comunica- ção entre dois ou mais processos independentes, que podem ou não ser internos à organização. A representação do diagrama do processo é feita por meio de notações gráficas, algumas delas semelhantes ao do fluxograma, que representam os fluxos internos, tarefas e pontos de decisões, ou seja, todos os eventos que ocorrem no processo acrescidos dos seus atores e setores em que são realizados. Na modelagem BPMN são apresentados quatro grupos de elementos, conforme você pode conferir abaixo. • Objetos de fluxo (flow objects) – Elementos que definem o comportamento do processo de negócio. São representados por três tipos. 66 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 3 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre o processo de construção de um diagrama BPMN utilizando o software Bizagi. • Objetos de conexão (connecting objects) – Elementos que representam a forma como os objetos de fluxo se conectam. São divididos em três tipos. • Raia de piscinas (swimlanes) – Representa uma forma de organização das atividades em categorias visuais, facilitando a identificação dos atores ou setores. São apresentados dois tipos de raias. • Artefatos – Utilizados para adicionar informações ao processo e representar as suas entradas e saídas. O BPMN apresenta três tipos de artefatos. 67 cadeia de processos orientada por eventos O diagrama EPC (event-driven process chain, traduzido para o nosso idioma como “cadeia de processo orientado a eventos”) representa uma das ferramentas para modelagem de processos de negócios utilizada para representar a execução de uma instância do fluxo de trabalho de um processo, sendo um importante componente quando associado aos conceitos de modelagem SAP R/3 para engenharia de negócios. Ela trata do controle de fluxos de atividade e eventos junto com as relações de dependência entre eles, apresen- tando os processos em seus níveis lógicos, nem sempre nos níveis formais do negócio. O método de cadeia deprocesso orientado a eventos foi desenvolvido no âmbito da Arquitetura de Sistemas Integrados de Informação – ARIS pelos professores Scheer, Keller e Nüttgens do Instituto de Sistemas de Informações Empresariais da Universidade de Saarland no início dos anos 1990. curiosidade O mapeamento utilizando a notação EPC permite à empresa desenhar a sua arquitetura empresarial, incluindo a associação de diversos elementos às suas atividades, como, por exemplo, se a atividade é feita de forma manual ou automatizada. O processo de negócio é representado por um fluxo de eventos que desencadeia ações compostas por eventos, funções (atividades) e conectores lógicos. Ele também permite a identificação de riscos associados, pessoas, departamentos, entradas e saídas, atores e eventos do processo, produzindo relatórios estatísticos que facultam a análise do processo. Diferentemente da notação BPMN, o EPC permite que sejam obtidas as seguintes informações, segundo Veroneze (2018): • Identificar o percentual de atividades manuais e sistêmicas. • Porcentagem de riscos associados ao processo. • Importância dos sistemas envolvidos no processo, podendo realizar simulações, caso um sistema fique inoperante, de quais atividades são diretamente impactadas. • Porcentagem de departamentos e recursos envolvidos em um determinado processo. • Atividades passíveis de automatização. • Porcentagem de atividades com retrabalho. 68 • As atividades desempenhadas por recursos com diferentes graduações (júnior, pleno e sênior), com impacto direto em questões trabalhistas. Com base nessas informações, além de identificar melhorias no processo, é possível identificar as formas de mitigar os riscos e avaliar o seu desempenho. EPC e BPMN não são ferramentas concorrentes utilizadas para mapear processos. Segundo Veroneze (2018) “o formato EPC tem como objetivo mapear processos em uma visão de arquitetura empresarial e o formato BPMN tem como finalidade a automatização dos processos de negócio”. dica Vantagens e desvantagens do ePc Amorim (2013) cita alguns autores que relacionam vantagens e desvantagens no uso da notação do EPC. Vamos conhecê-las? Vantagens: • Mapeia com perfeição o fluxo de controle em processos complexos. • Notação simples com suporte de diversos BPMS. • Possui integração de elementos com outras visões (não exclusivamente processos). • Notação consistente. • Desenvolvida na plataforma ARIS Toolset, o maior sucesso mundial em softwares de processos. • ERPs (sistemas corporativos integrados) corporativos costumam utilizar a metodologia (SAP softwares). Desvantagens: • Não possui uma entidade para gerir e atualizar os padrões. • O fato de ter necessariamente um evento após cada atividade torna o mapa complexo e confuso, já que diversos eventos são dispensáveis para a assimilação do processo. • Notação pouco intuitiva, os padrões utilizados exigem um conhecimento prévio para compreensão. • A navegação entre os diferentes diagramas não é intuitiva. 69 notações utilizadas Abaixo algumas notações utilizadas para a construção de um diagrama EPC: Figura 3: Diagrama EPC. Símbolo SímboloNome Evento Função / atividade (não SAP) Atividade (SAP) Conectores Fluxo Caminho Unidades organizacionais Informação ou dados Produtos ou serviços Objetivos Fluxo de informação Relações organizacionais Pessoas ou cargos Outro processo, podendo ser interno, de origem ou destino. Nome Fonte: Adaptado de Alves (2013) e Marceloudo (2010). XOR XOR AND OR 70 Figura 4: Exemplo de processo usando EPC. Fonte: Marceloudo (2010). Estimar lista de projetos Avaliar problemas e incidentes endereçados Estabelecer projetos de releases periódicos Classificar projeto no quadrante de priorização Estabelecer fila de projetos corporativos no portfólio de projetos e programas com base em critérios Investigar projeto Planejar atendimento à demanda de projetos Definição de metas e estratégias Gestão de problemas Gestão de recursos Caso de negócios armazenados que não foram aprovados Problemas e incidentes endereçados Capacidade e folga de recursos para projetos Objetivos estratégicos Necessidades defensivas Caso de negócio a ser avaliado Definição Releases Trimestrais 71 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 3 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre a construção de um diagrama utilizando a notação EPC. na Prática Vamos supor a situação de uma empresa ter feito a opção de divulgar o resultado do levantamento de um processo sem realizar nenhuma notação visual que ajudasse a entender a sua execução. Dessa forma, ela fez essa divulgação disponibilizando o material produzido na forma textual nas suas redes internas solicitando aos envolvidos nesse trabalho que fizessem a leitura e registrassem a opinião, aceitando ou não o documento, além de propor melhorias. Como previsível em situações como essa, o retorno foi muito pequeno e as opiniões não foram suficientes para validar o levantamento, uma vez que as pessoas não possuíam tempo suficiente para realizar a leitura de várias páginas de texto. Após o fracasso desse trabalho, a empresa optou por utilizar diagramas com a notação BPMN, construindo o diagrama AS-IS do processo. Com o diagrama pronto, reuniu os interessados e apresentou o fluxo das atividades existentes no processo, ficando muito mais rápido e fácil o seu entendimento, possibilitando a coleta de sugestões que, após avaliadas, permitiu a construção do diagrama TO-BE do processo, que representa as melhorias que serão incorporadas a ele. Com o sucesso da experiência, a empresa passou a utilizar a notação visual como forma de entendimento do fluxo de um processo, avaliação e melhorias, por considerar que a comunicação visual é muito mais fácil de ser entendida do que textos ou tabelas. 72 resumo da Unidade 3 Nesta unidade, você conheceu algumas das técnicas utilizadas por ferramentas auto- matizadas existentes para realizar mapeamento de processos. Embora seus objetivos sejam semelhantes, cada uma delas apresenta suas vantagens e desvantagens, ca- racterísticas e notações. A escolha da ferramenta correta representa um grande passo para que o entendimento, por parte dos atores do processo, possa ser realizado sem maiores dificuldades. A clareza dos recursos gráficos, a padronização do modelo e a simplicidade dos diagramas produzidos são alguns dos recursos que devem ser ava- liados pelo especialista em BPM nessa escolha. As notações utilizadas por meio das técnicas de fluxograma, BPMN e EPC são oferecidas em algumas dessas ferramentas, sendo que a sua escolha deve obedecer a alguns aspectos não apenas técnicos como também financeiros, porém o que precisa ser considerado é a importância em produzir corretamente os diagramas para que possam representar fielmente o processo que está sendo modelado. Lembre-se de que, por meio dessas ferramentas, serão construídos os diagramas “AS -IS” e “TO-BE”. A clareza do “AS-IS” vai permitir que os atores “se vejam” no gráfico por meio das atividades que desempenha, possibilitando validar a sua exatidão. Por outro lado, o entendimento correto do diagrama “TO-BE” irá permitir visualizar se a nova ver- são do processo estará de acordo com o desejado. Em algumas situações, implantar uma nova versão de um processo poderá causar im- pactos na organização, seja na questão social, seja na organizacional. A habilidade que os gestores possam vir a ter no gerenciamento de processos pode fazer com que a em- presa faça a opção por adotar a gestão por processos, e não mais o modelo hierárquico tradicional, mas esses assuntos você irá estudar em outro momento. conceito Nesta unidade foram apresentados três conceitos importantes relacionados ao uso das ferramentas tecnológicas disponíveis para a modelagem de processo: 1. Os tipos de diagramas produzidos por cadaferramenta. 73 2. As características de cada uma delas, para a escolha daquela que melhor se adapta ao processo a ser modelado. 3. As notações existentes nas ferramentas para construir o fluxo das atividades de um processo. 74 referências ALONÇO, G. O que é fluxograma de processos? Certificação ISO. Campinas, 14 jul. 2017. Disponível em: https://certificacaoiso.com.br/o-que-e-fluxograma-de-processos/. Acesso em: 2 mar. 2019. ALVES, D. BPM Notação EPC (ARIS). Cram. [S. l.], mar. 2013. 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Para que essas ações possam ser implementadas, algumas mudanças são necessáriastanto na questão organizacional, na qual a alta gestão deve estar comprometida com a mudança na forma de gerenciar, quanto no aspecto social, na qual devem ser realizadas ações junto aos colaboradores nas áreas social e profissional, para que percebam que as mudanças visam melhorar a competitividade da empresa e, como consequência, a rela- ção profissional, não sendo vistas como uma ameaça às suas atividades profissionais e manutenção da sua relação de trabalho. Nesta unidade, serão apresentados os aspec- tos sociais e organizacionais provocados pela adoção da gestão por processo, sendo observadas as ações que o gestor do processo deve realizar para que haja melhorias contínuas no processo sem impacto na relação pessoal dos colaboradores. introdUção objetiVo Nesta unidade, você será capaz de: • Identificar os aspectos sociais e gerenciais que devem ser observados para a otimização dos processos de negócios. 79 técnicas de melhoria contínua de um pro- cesso Modelar processos de negócio pode trazer diversos benefícios diretos e indiretos para uma organização. A produção da documentação do processo, em que são descritas as suas atividades, personagens, entradas, saídas etc., representadas por meio dos diagra- mas e em alguns casos também de forma descrita, é um exemplo de um benefício direto em que fica registrada a forma como as atividades são realizadas, o que irá permitir a padronização do processo, uma vez que ele deve ser realizado de acordo com o que está descrito. Entretanto, apesar de a documentação ser uma ferramenta importante, não é esse o objetivo de mapear processos; o objetivo maior dessa atividade pode ser repre- sentado pela etapa seguinte a ela, representada pela avaliação dos resultados obtidos na sua execução e, como consequência, a busca por resultados cada vez melhores por meio de avaliações constantes. Ela deve ser vista como uma prática que visa aperfeiçoar produtos, serviços e processos, tornando-os cada vez melhores, buscando redução de custos, redução no tempo de execução ou aumento da produtividade para que a empre- sa possa se tornar mais competitiva no segmento de mercado em que atua. importante Por melhor que possa parecer a qualidade de um processo, ele deve sempre ser reavaliado e melhorado. Um processo é um elemento vivo e em constante evolução. Uma organização não pode “ficar satisfeita” com os resultados apu- rados, pois, em um mercado competitivo, a concorrência busca sempre melho- res resultados. Dessa forma, aquilo que parece ser bom um dia no dia seguinte pode não ser mais. Algumas das técnicas utilizadas para avaliação contínua em processos são amplamente apresentadas na literatura, já tendo sido abordadas na própria disciplina. Os métodos japoneses Kaizen e 5S e o modelo americano PDCA (plan, do, check, act) são alguns dos exemplos apresentados e que podem ser relacionados como sendo adotados com frequência pelas empresas. Embora eles tenham diferenças na forma como são implementados, a base ou o objetivo é o mesmo, ou seja, eles têm como referência a busca constante pela qualidade cada vez maior dos processos. Outras técnicas e ferramentas são identificadas na literatura com maior ou menor aceitação pelo mercado. 80 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre algumas ferramentas utilizadas pelo mercado para a melhoria de processos de negócio. a implantação da melhoria contínua nos processos organi- zacionais Implantar o modelo de gestão aplicado à melhoria contínua dos processos faz com que a empresa se preocupe não apenas com as suas atividades diárias de execução desses processos, mas também com a atividade de avaliá-los. Isso representa uma mudança no seu modelo de gestão e, consequentemente, na sua forma de agir. Conforme você pode ver a seguir, alguns princípios importantes devem ser considerados no dia a dia de uma empresa que deseja aplicar a melhoria contínua nos seus processos: • A padronização na produção do produto ou serviço é importante para que haja confiança. O processo automatizado de produto ajuda a obter esse padrão, entre- tanto, no caso dos serviços, é necessário treinamento e documentação para que o resultado seja igual independentemente de quem o produz. • A aplicação de técnicas ou ferramentas utilizadas no mercado é importante para evitar “experimentos”. Não perca tempo em criar sua própria ferramenta; não com- pensa “reinventar a roda” nessa situação. • Procure manter o foco nos processos que estão sendo avaliados. Melhorar, moni- torar, avaliar e melhorar mais uma vez faz com que eles estejam sempre em evi- dência. Além disso, devem ser registrados os históricos de cada revisão. A empresa deve desenvolver um plano de ação no qual todos os seus processos tenham esse acompanhamento. • Talvez o de maior relevância seja a escolha das métricas que devem ser utilizadas no processo e das medidas consideradas ideais para cada uma delas. O resultado obtido deve permitir ao gestor entender e avaliar esse resultado, aplicando meca- nismos de controle e análise para identificar tendências de variações nos valores de forma positiva ou negativa. 81 importante Medida – Valor numérico que representa o resultado que se deseja analisar. Ex.: quantidade de requerimentos analisados (ex.: 40 requerimentos); tempo médio gasto na análise de um requerimento (ex.: duas horas) etc. Métrica – Significa o dado que, quando atribuído à medida obtida, permite tra- zer informação sobre o processo. Ex.: o que representam 50 requerimentos analisados por dia? Nesse exemplo, 50 é a medida obtida para a métrica “quan- tidade de requerimentos analisados”. Essa medida deve ser comparada com aquela definida como ideal para saber se o processo está produzindo o resul- tado esperado ou não. Qual é a importância da fase de análise das melhorias de um processo? Quanto ao principal objetivo da gestão por processos, podemos dizer que é a busca incessante pela melhoria dos seus processos, sejam eles do tipo organizacional, gerencial ou finalístico. Analisar um processo na busca da sua melhoria requer o seu entendimento e análise dos seus componentes, avaliando tempo, custo, capacidade, qualidade e outros fatores que impactam a qualidade ou a rapidez da sua execução. Dentro desse contexto, explica-se a necessidade de escolher métricas que tragam informações relevantes para a avaliação. O primeiro aspecto que deve ser considerado é: qual o processo que deve ser analisado? Considerando que fazer uma análise e revisão demanda tempo e custo, é importante definir dentre aqueles cujo mapeamento já tenha sido realizado o de maior relevância e importância para a empresa. O Business Process Management Common Body of Knowledge – BPM CBOK propõe uma avaliação por meio de uma matriz de importância x urgência, em que os processos são classificados nos níveis alto e baixo em cada um desses itens, sendo dada prioridade àqueles que tiverem alta importância e urgência. Sendo o processo identificado, é dado início à sua análise para identificar os possíveis pontos de melhorias que podem ocorrer. Alguns dos pontos considerados estão relacionados à melhoria na relação com clientes, à agregação de valor ao processo, à eliminação de gargalos, à melhoria no fluxo do processo etc. Nesse item, a avaliação das medidas obtidas pelas métricas é uma importante ferramenta para essa análise. 82 É importante ressaltar que, após a análise, irão surgir propostas de melhorias que devem ser analisadas, sendo considerados os aspectos positivos e negativos, riscos, impactos organizacionais etc. na sua implantação. Após todas essas avaliações e considerando ser positiva a mudança, deve-se iniciar o projeto de mudança no processo; caso ainda não tenha sido feito, as pessoas envolvidas devem ser informadas sobre as decisões tomadas, considerando que elas devem estar cientes da proposta de mudança e devem ter tido participação em todas as etapas, inclusiveno processo decisório, para que se sintam envolvidas e motivadas em mudar a forma de realizar as suas atividades. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre melhoria do desempenho organizacional. 83 escritório de gestão por processos Muito se fala em gestão de processos ou da importância da TI em acompanhar os pro- cessos organizacionais de uma empresa, conhecendo-os e propondo alternativas para a sua melhoria, entretanto qualquer instituição trabalha com um conjunto integrado de processos que são interdependentes entre eles. Alterar a operação de um processo ou o resultado por ele produzido pode impactar outros sem que os gestores envolvidos tenham conhecimento. O acompanhamento dos projetos de melhorias em processos, a avaliação dos impactos propostos e a conscientização de que a empresa é um todo representam algumas das atividades que o escritório de processos de negócios deve exercer; afinal, gerenciamento de processos de negócios não representa um conjunto de ferramentas tecnológicas e diagramas em que as pessoas discutem se estão ou não de acordo, ele representa mudanças na cultura organizacional — muitas vezes a própria estrutura orga- nizacional hierárquica tradicional é substituída por outra no formato horizontal. Conhecer a integração entre os processos de uma empresa é como conhecer as engrenagens que fazem um motor funcionar. De forma isolada, nenhuma delas produz resultado prático, é necessário estarem alinhadas, ajustadas e in- tegradas para que tudo funcione de forma perfeita. Para refletir Qual a atuação de um escritório de processos? O escritório de processos de negócios (do inglês, business process office ou BPM office) tem como objetivos o mapeamento, a automatização e o gerenciamento das informações sobre os fluxos dos processos por meio de uma visão ampla da integração entre os processos existentes na empresa. Segundo o gerente de TI da Sebrae/RJ (apud OLIVEIRA, 2012b): […] a partir da implantação do escritório de processos a empresa terá to- tal controle das atividades executadas e poderá acompanhar o desenvol- vimento de cada processo, além de estabelecer prioridades e exigências a partir da padronização dessas atividades. 84 A centralização da gestão dos processos permite criar padrões de obtenção de métricas de resultados nos processos, além de criar padrões para a obtenção desses resultados; dessa forma, alguns desses valores podem ser comparáveis entre processos por possuírem a mesma base de obtenção. Segundo Oliveira (2012a), o escritório de processo é liderado por um chief process officer – CPO, responsável por solucionar as dificuldades e problemas surgidos com a implantação do BPM, tendo a responsabilidade de definir as metodologias das diversas áreas da empresa, facilitando o levantamento dos indicadores e informações sobre os fluxos de processos. Seus profissionais devem realizar as atividades de análise, levantamento e modelagem dos processos, obtendo a melhor compreensão possível do negócio, com o objetivo de identificar e eliminar gargalos e identificar otimizações. importante Segundo a empresa Lecom (ESCRITÓRIO…, 2017), a estruturação de um BPM office em uma organização passa por algumas etapas, tais como: • Divulgação e conscientização da gestão por processos para os colaborado- res da organização. • Desenvolvimento e manutenção do método de gestão por processos da própria organização. • Capacitação e desenvolvimento de competências profissionais no método. • Gestão de projetos envolvendo diagnóstico e melhoria de processos. A participação das áreas de negócio na gestão dos processos é fundamen- tal para o sucesso dessa implantação, pois cabe a elas a responsabilidade de administrar o processo e obter a melhoria dos resultados, ficando o escritório apenas como apoio na gestão estratégica dos processos. Principais atividades de um escritório de processos Segundo o Ministério Público Federal – MPF, o escritório é responsável pela guarda e disseminação de metodologias, além de ser fonte de orientação e coordenação das iniciativas de gestão e melhoria de processos, realizando as seguintes atividades: • Traduz a visão estratégica para a área operacional. 85 • Guarda e dissemina metodologias. • Promove a melhoria contínua dos processos. • Fomenta a inovação e a criatividade nas ações de processos. • Acompanha os benefícios entregues a partir da melhoria e da gestão dos processos. • Apoia projetos de melhorias das unidades. • Mantém o portfólio de processos do MPF. • Mensura o desempenho dos processos. • Gerencia programas educacionais de gestão de processos. • Desenvolve e difunde uma cultura orientada a processos. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre modelagem de processo de negócio utilizando a notação BPMN. Quais as justificativas para a implantação de um bPm Office? Segundo Magalhães (2014), uma empresa que não possui um BPM office se depara com problemas comuns na gestão de processos, tais como: • Desintegração da gestão organizacional com redundância de atividades e responsabilidades. • Dificuldade na integração da documentação dos processos e em mantê-la atualizada. • Falta de entendimento dos processos corporativos da empresa. • Concentração excessiva na atuação no dia a dia para solucionar problemas emergenciais, sem ter tempo e estrutura para pensar em como melhorar os processos. • Desmotivação e perda de desempenho por não conseguir efetivamente implantar novos processos. • Falta de apoio, continuidade e permanência das práticas e iniciativas de gestão de processos de negócio. 86 Quais as vantagens na adoção por uma empresa de um bPm office? • Planejamento na obtenção do alinhamento estratégico da empresa. • Treinamento da equipe especializada em BPM para suporte às áreas da empresa e capacitação dos colaboradores das diversas áreas. • Padronização das atividades, permitindo maior agilidade e especialização sobre o assunto. • Transparência nos processos de negócios realizados pela empresa. • Otimização dos recursos, promovendo redução de custos e retorno nos investimentos. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre escritório de processos. 87 o papel do gestor do processo de negócio Por meio da gestão de processos, observamos a importância do gerenciamento cons- tante nos muitos processos existentes nas empresas, mediante planejamento, organiza- ção, conhecimento, condução, monitoramento, análise, correção e melhorias contínuas de cada um deles, sempre alinhados às estratégias organizacionais. Entretanto, a capa- cidade em administrar toda essa sequência de atividades tem que ser atribuída a um profissional que possua alguns requisitos importantes. Observe que fatores técnicos, sejam gerenciais ou de conhecimento da área específica relacionada ao processo, são importantes para que o profissional tenha sucesso como gestor. Entretanto, em muitas situações existe a gestão envolvendo pessoas; nesse caso, não apenas a capacidade técnica deve ser considerada, mas também a habilidade que ele deve ter no relaciona- mento humano com aqueles que interagem ou participam do processo. Segundo Adalberto Chiavenato (apud SOCIEDADE BRASILEIRA DE COACHING, 2018), “o gestor é a figura que deve conduzir as pessoas em uma organização, e, para isso, deve compreender como lidar com cada uma delas, assim extraindo os melhores resultados”. Analisando a definição dada por Chiavenato, observamos duas características importan- tes que devem estar presentes em um gestor: Gerencial Humana Quando afirma “que deve conduzir as pessoas”, ou seja, deve orientar, ensinar o que deve ser feito e como fazê-lo. Quando afirma que “deve compreender como lidar com cada uma delas”, ou seja, entender que, atrás de cada inte- grante de um processo, existe um ser hu- mano,com suas deficiências, limitações, emoções, problemas pessoais etc., que podem impactar a sua produtividade. Cabe ao gestor entender as restrições do momento e “extrair os melhores resul- tados” possíveis quando ocorrem situa- ções adversas. 88 Principais atribuições de um gestor São muitas as atribuições dadas ao gestor. Resumindo algumas delas, podemos citar as relacionadas no início deste tópico (planejamento, organização, conhecimento etc.). Entretanto, atividades gerenciais e responsabilidades específicas lhe são atribuídas e devem ser realizadas com sucesso. Vamos relacionar algumas das atividades gerenciais vinculadas ao gestor de processo, descritas pela Sociedade Brasileira de Coaching (2018). • Gestor de planejamento – Na condução do processo de forma organizada, sendo esse o ponto inicial da função. • Gestor de orçamento – Para o planejamento, acompanhar e executar o orçamento previsto para o processo, obedecendo às diretrizes institucionais. • Gestor de resultados – Acompanhar e monitorar os resultados obtidos pelos processos, por meio da definição dos objetivos a serem alcançados, no monitoramento, avaliação e melhoria constante do processo para a obtenção de resultados cada vez melhores para a empresa. • Gestor de entrega – Mediante o monitoramento de todos os processos que podem trazer algum impacto àquele que está sendo por ele gerenciado, a principal atividade do gestor de entrega é oferecer um produto ou serviço de máxima qualidade, que agrade plenamente ao cliente, com a maior eficiência possível. • Gestor de pessoas e equipe – Outra atividade importante atribuída, pois cabe a ele buscar a motivação das pessoas que atuam no processo por meio de desenvolvimento pessoal e profissional, aperfeiçoamento, integração entre as pessoas etc. importante Veja algumas orientações importantes sobre gestor de processo definidas por Mello (2012): • O gestor deve ter a visão global do negócio. • O processo ponta a ponta — quer dizer inteiro — tem um único gestor. • O gestor de processo não precisa ser gestor no organograma. • Não defina gestor de processo por área. Isso não é BPM! • O gestor de processo não precisa ser chefe de nenhuma pessoa que parti- cipe da execução do processo. • Não há BPM sem gestor do processo. 89 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre as responsabilidades usuais atribuídas a um gestor de processo. Quais são as características para um bom gestor? As principais características para que uma pessoa possa ser considerada uma boa gestora estão associadas à questão gerencial e técnica e ao relacionamento humano, conforme descrito anteriormente; entretanto, a forma com que essa pessoa faz a comunicação entre os participantes do processo também deve ser considerada. Atitudes autoritárias e falta de sinceridade ou transparência na relação interpessoal são fatores que gradativamente vão deteriorando a relação entre o gestor e aqueles que ele necessita para a perfeita execução do processo. importante O uso das melhores práticas de comunicação entre gestor e as pessoas envol- vidas e interessadas faz com que sejam evitadas situações que podem pôr em risco a capacidade dessas pessoas em produzir os resultados esperados no processo. O papel desempenhado pelo gestor do processo é fundamental para manter a sinergia do grupo. Para atingir esse objetivo, veja algumas das características que ele precisa ter: • Confiança e respeito das pessoas que interagem e participam do processo. • Ser orientador e ouvinte, simultaneamente. • Ter empatia, ou seja, saber entender as pessoas. • Dar e receber feedbacks. • Motivar sempre a atingir os resultados, incentivando e elogiando as pessoas sempre que um resultado positivo é alcançado, procurando elevar a produtividade de forma gradativa. • Saber delegar tarefas quando assim for possível. 90 Além das características gerenciais relacionadas ao aspecto humano, outras também devem ser observadas: • Ter visão ampla dos negócios da empresa e da interdependência entre eles. • Ter capacidade na gestão financeira do processo, sabendo usar o foi orçado de forma racional, procurando atingir os objetivos sem desperdícios. importante Gestor é uma função estratégica em um processo, sendo processos ativida- des estratégicas para uma empresa; portanto, se um gestor falha, um processo pode não produzir os resultados esperados e, com isso, a empresa pode perder o seu espaço no mercado. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 4 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre gestão de processos e indicadores de desempenho. na Prática As empresas que adotam a gestão por processos como modelo gerencial produzem a integração entre todas as suas áreas, produzindo uma visão integrada de todos os seus processos. Essa visão se faz perceber quando todos estão integrados e dependentes uns dos outros, não existindo aquele que seria o mais ou menos importante, pois, se um desses processos falhar, toda a organização empresarial poderá ficar comprometida. Essa integração produz a necessidade de evolução em todos os processos e faz com que a busca por melhorias seja constante, pois entende- se que “ficar parado” pode representar a ultrapassagem do concorrente no mercado. 91 A mudança no modelo de gestão, a adoção, muitas vezes, de estruturas hierárquicas diferentes daquelas adotadas pela maioria das empresas e a necessidade de estar sempre inovando, aprendendo e mudando a sua rotina de trabalho fogem um pouco do que as pessoas estão acostumadas. A necessidade constante de sair da sua “zona de conforto”, em que a rotina já bastante absorvida e compreendida é mudada a cada revisão em algum processo, muitas vezes provoca insegurança nos colaboradores. Falar com essas pessoas sobre a importância e a necessidade dessas mudanças representa uma importante tarefa que o gestor do processo deve fazer para transmitir a tranquilidade necessária para que possam produzir cada vez mais e melhor. O papel dos gestores dos processos em integrar todos aqueles que possuem algum tipo de interação com os processos, produzindo melhorias constantes sob a supervisão do escritório de gestão, é uma atividade integradora que, quando bem executada, produz efeitos positivos para a empresa na otimização e racionalização de tempo e custo, permitindo, dessa forma, maior participação no segmento em que atua. 92 resumo da Unidade 4 Nesta unidade, você estudou talvez a atividade mais importante na gestão de processo, que são as ações que devem ser feitas na análise desses processos para que seja possível a sua constante melhoria. A implantação desse modelo de gestão permite que a empresa esteja sempre voltada para a melhoria de algum dos seus processos, fazendo com que ela esteja sempre em evolução, mas, para que isso ocorra, é importante o entendimento macro da empresa: saber a importância de cada processo no seu dia a dia e ficar atento para que as mudanças constantes não tenham impactos em aspectos organizacionais e sociais. Por meio do uso de algumas técnicas de melhorias existentes, é possível organizar e sequenciar os processos que podem ser avaliados, mas para isso é importante a exis- tência do escritório de projeto de negócios como elemento integrador dessa atividade, possuindo a visão macro da empresa. A implantação de um escritório de projeto em uma organização pode representar uma ruptura no modelo tradicional de gestão, pois a estru- tura hierarquizada definida nos organogramas tradicionais, cuja gestão é verticalizada, começa a sofrer transformação, dando lugar a um modelo horizontal, no qual a figura do “chefe” de um setor é substituída pelo gestor do processo. O gestor do processo, sendo responsável pelo seu controle e monitoramento da sua execução, passa também a ser responsável pelas pessoas que atuam nele. Dessa forma, ele se torna “chefe” de pessoas que atuam em diferentes níveis daestrutura hierárquica. Essas mudanças fazem com que ele tenha não apenas o conhecimento técnico do pro- cesso, mas também a capacidade de gestão e bom relacionamento humano, caracterís- ticas que devem estar presentes em qualquer nível gerencial. conceito Nesta unidade, destacamos três aspectos importantes na mudança de ações gerenciais que devem ser realizadas pelas empresas que adotam a gestão por processo: 1. As ações de acompanhamento permanente que os gestores devem fazer para propor melhorias continuadas nos processos por meio do uso das técnicas de melhoria contínua. 93 2. A participação que os colaboradores devem ter no processo de melhoria para evitar ações de resistência às mudanças propostas. 3. As mudanças no formato de gerenciamento organizacional a partir da implantação da gestão por processos. 94 referências ESCRITÓRIO de processos: o que é e para que serve. Lecom. São Paulo, 7 nov. 2017. Disponível em: https://www.lecom.com.br/blog/escritorio-de-processos/. Acesso em: 25 mar. 2019. MAGALHÃES, A. Escritório de processos: os 7 passos importantes para um BPM Offi- ce (BPO). Dherka. Rio de Janeiro, 7 jul. 2014. Disponível em: https://www.dheka.com. br/7-passos-escritorio-processos/. Acesso em: 25 mar. 2019. MELLO, P. O. S. Gestor de processo e suas responsabilidades. BPM Quotes. [S. l.], 21 jan. 2012. Disponível em: https://bpmquotes.wordpress.com/2012/01/21/09-responsabilida- des-do-gestor/. Acesso em: 16 abr. 2019. OLIVEIRA, W. Entenda o que é análise de processos de negócios e aplique já na sua em- presa. Heflo. São Paulo, 7 abr. 2018. Disponível em: https://www.heflo.com/pt-br/bpm/o- que-e-analise-processos-negocio/. Acesso em: 6 abr. 2019. . Análise e melhoria de processos de negócio: as melhores práticas. Venki. São Paulo, 14 jan. 2015. Disponível em: https://www.venki.com.br/blog/analise-e-melhoria-de -processos-de-negocios/. Acesso em: 5 abr. 2019. . Para entender o conceito de escritório de processos. Venki. São Paulo, 26 jul. 2012a. Disponível em: https://www.venki.com.br/blog/entender-escritorio-de-processos -bpm/. Acesso em: 25 mar. 2019. . Sebrae/RJ implanta escritório de processos. Venki. São Paulo, 26 nov. 2012b. Disponível em: https://www.venki.com.br/blog/sebrae-escritorio-de-processos/. Acesso em: 25 mar. 2019. O QUE é análise de processos e como fazer? Ideia Consultoria. Londrina, 2 fev. 2016. Disponível em: https://ideiaconsultoria.com.br/gestao-empresarial/o-que-e-analise-de -processos-e-como-fazer/. Acesso em: 5 abr. 2019. PEREIRA, L. L. Gestores de processos. Administradores. João Pessoa, 8 nov. 2018. Dis- ponível em: http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/gestores-de-proces- sos/26393/. 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Ideia Consultoria. Londrina, 3 jul. 2017. Disponível em: https://ideiaconsultoria.com.br/gestao-empresarial/ qual-a-importancia-da-melhoria-continua-dentro-de-uma-empresa/. Acesso em: 5 abr. 2019. SOCIEDADE BRASILEIRA DE COACHING. O faz um gestor? Principais funções e desafios comuns. SBCoaching. São Paulo, 17 set. 2018. Disponível em: https://www.sbcoaching. com.br/blog/atinja-objetivos/o-que-faz-um-gestor/. Acesso em: 5 abr. 2019. VEYRAT, P. A melhoria contínua nas empresas pode funcionar sem a automatização? Heflo. São Paulo, 10 nov. 2017. Disponível em: https://www.heflo.com/pt-br/automacao- processos/melhoria-continua-nas-empresas/. Acesso em: 5 abr. 2019. https://ideiaconsultoria.com.br/gestao-empresarial/qual-a-importancia-da-melhoria-continua-dentro-de-uma-empresa/ https://ideiaconsultoria.com.br/gestao-empresarial/qual-a-importancia-da-melhoria-continua-dentro-de-uma-empresa/ https://www.sbcoaching.com.br/blog/atinja-objetivos/o-que-faz-um-gestor/ https://www.sbcoaching.com.br/blog/atinja-objetivos/o-que-faz-um-gestor/ https://www.heflo.com/pt-br/automacao-processos/melhoria-continua-nas-empresas/ https://www.heflo.com/pt-br/automacao-processos/melhoria-continua-nas-empresas/pelas muitas peças que compõem o veículo, que vão sendo introduzidas de forma sequencial até que ele fique completo. 11 Diante de situações no âmbito industrial, alguns questionamentos precisam ser respondidos, por exemplo: É importante que o gestor tenha o controle de como o processo está sendo realizado?? Como posso fazer para produzir o mesmo produto em um tempo menor?? Qual a capacidade de produzir produtos dessa linha de produção? ? Essas e outras perguntas devem ser respondidas, analisadas e implementadas por quem gerencia o processo por meio das diversas etapas que o compõem; entretanto, qual é sua opinião a respeito de cada uma delas? Um processo industrial é representado pela entrada de matéria-prima, serviços, informa- ções, dados, requisitos etc., e sua transformação é realizada por pessoas que se utilizam desses recursos por meio de um conjunto de atividades produzindo valor ao cliente por intermédio de produtos ou serviços. Figura 1:Processo de transformação de matéria-prima em produto. 12 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 1 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre alguns conceitos utilizados no gerenciamento de processos. Se avaliarmos a definição de um processo, concluímos que o nosso dia a dia é feito por diferentes processos, por exemplo, o despertar pela manhã, que se inicia com o acordar e, após várias etapas como levantar da cama, realizar a higiene pessoal, trocar a roupa etc., estamos prontos para iniciarmos o dia. Também podemos considerar o conjunto de atividades que realizamos para o deslocamento de onde residimos até o local do trabalho como sendo outro processo, assim como o retorno do trabalho para casa. Observe como realizamos vários processos diariamente sem que tenhamos percebido. Em uma organização não é diferente. A linha de produção de um veículo representa um dos processos de negócios em uma indústria automobilística por realizar uma sequência de atividades para a produção de um resultado que representa um valor para o cliente ou para a própria entrega, conforme definição dada por Almeida. Processo de Negócio é o conjunto de atividades ou tarefas que são estruturadas e giram em torno da produção de um resultado de valor para o cliente, por meio da entrega de um serviço ou produto. Ele mostra O QUE deve ser realizado, COMO deve ser realizado e QUEM é o responsável. (ALMEIDA, 2018) Podemos encontrar outras definições de processo na literatura; por exemplo, a NBR ISO 9000:2000 o define como: “Conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transforma insumos (entradas) em produtos (saídas)” (ABNT, 2000). Do ponto de vista industrial, um processo de negócio representa a sequência de atividades que devem ser realizadas para transformar a matéria-prima em produto final. Voltando ao exemplo da produção automobilística, a matéria-prima é formada pela carroceria do veículo mais todas as peças que irão compô-lo, e o produto final, representado pelo veículo produzido, pronto para ser comercializado. 13 saiba mais Mais de 100 anos atrás, Henry Ford, engenheiro, empreendedor e homem de negócios, com o objetivo de tornar o automóvel acessível ao cidadão comum, criou a linha de montagem, em que, no lugar de o veículo ser produzido por uma única pessoa, cada trabalhador era responsável por uma das fases de fabricação, ou seja, em vez de o operário ir até a tarefa, a tarefa ia até o operário. Dessa forma, ele otimizou e padronizou o processo de fabricação do veículo, fazendo com que a mesma ação fosse realizada repetidas vezes diariamente pelo trabalhador. Tal situação foi representada, de forma crítica, no filme Tempos Modernos, com Charles Chaplin, que mostra a vida de operários com a Revolução Industrial, em que a produção artesanal foi substituída pela produção em série. Isso representou uma revolução no processo de produção de automóveis, e, posteriormente, essa forma de produzir foi utilizada por outras atividades industriais. Para entender a realidade de uma empresa, é importante percebermos que ela possui vários processos com diferentes objetivos, mas que, de alguma forma, eles se relacionam. Uma empresa é um elemento “vivo” que sofre transformação a cada instante, e a interação e a atualização desses processos fazem com que ela evolua. Seus vários processos interagem trocando informações entre si. Quando o setor de vendas de uma empresa observa que um produto tem tido pouco volume de vendas, ele deve sinalizar para que sejam realizadas ações de marketing para promover esse produto ou, simplesmente, planejar a suspensão de seu processo de produção. Sem essa interação entre os setores, a produção continuaria produzindo, e os produtos ficariam parados no estoque por falta de comprador sem identificar a razão do problema, que poderia ser a pouca divulgação do produto ou o desinteresse do cliente por ele por alguma razão. 14 A troca de informações entre os setores é fundamental para a evolução, a integração e a otimização dos diferentes processos da empresa. Rever um processo pode significar revisar outros, daí a importância de que ela possua todos os seus processos documentados e estruturados para identificar corretamente quais são as consequências que uma mudança pode impactar em outros processos. importante Vamos imaginar uma empresa que permaneça durante 30 anos sem realizar qualquer tipo de alteração em sua rotina de trabalho. Será que essa companhia possui computadores? Será que suas informações estão integradas? As respostas para essas perguntas, muito provavelmente, seriam: não. Será que essa empresa se mantém, durante muito tempo, no mercado? Outra resposta negativa seria a mais indicada. A tecnologia empurra as empresas a reverem seus processos, entretanto nem sempre ela é a única responsável por isso. Uma empresa não pode “parar” no tempo sem reavaliar seus processos de forma sistemática. A necessidade constante de realizar esse trabalho permite que eventuais alterações sejam introduzidas sem que se perceba, ou até mesmo soluções que antes não seriam possíveis possam ser feitas. O registro de todos os processos da empresa, como funciona cada um deles, quem é o responsável, quais são suas atividades, as entradas e as saídas de cada uma delas são informações importantes para que os produtos ou serviços realizados pela empresa sejam feitos de forma padronizada. Imagine se houvesse diferenças entre tamanho de peças ou outros componentes em cada um dos veículos produzidos no Brasil. Onde estaria o padrão? Como compraríamos as peças de reposição? Essa necessidade de padronização do produto fica associada à sua qualidade. Se um produto é bom, é porque todos os seus componentes funcionam de forma harmoniosa, ao contrário de um produto que utiliza peças de baixa qualidade, que tende a ter o mesmo resultado ruim. 15 Esse controle no processo de fabricação deve ser gerenciado, monitorado, avaliado pelo responsável do processo e pelo gestor da empresa, e, de forma frequente, reavaliado, buscando sempre a melhora da qualidade ou a redução no custo de produção. Isso é fundamental para que a empresa se torne competitiva no mercado. A companhia deve ter uma política institucional de criar, de forma periódica, avaliações em cada um de seus processos, identificando e realizando melhorias que devem produzir redução de tempo e recursos em sua execução para que haja redução de custos. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 1 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre a importância de uma empresa possuir seus processos padronizados. 16 tipos de processos de negócio Os processos de uma organização atuam de forma integrada, cada um deles com seus objetivos e suas atividades próprias, visando a um objetivo maior representado pela mis- são da empresa. Considere uma indústria em que os operários possuam processos para a elaboração dos produtos. Isso significa que a linha de produção dessa empresapode estar com suas ati- vidades claramente definidas, e seus operários executem cada uma delas como previsto. A partir dessa situação, surgem alguns questionamentos: Independentemente das atividades realizadas pelas empresas, não pode deixar de haver processos que atuem nas áreas administrativas ou financeiras; caso contrário, como seriam o gerenciamento e a realização dos pagamentos e dos recebimentos? Os processos que realizam essas atividades não possuem nenhuma relação direta com a produção da indústria ou qualquer outra atividade voltada a seus clientes. Será que esses operários estão realizando suas tarefas como deveriam ser feitas? ? Como essa empresa realiza a gestão desses colaboradores, adequando-os à legislação trabalhista vigente?? 17 Aqueles que estão diretamente relacionados à atividade-fim de uma empresa. 1 Aqueles que fornecem suporte às atividades administrativas para que a empresa possa atender a seus compromissos legais, financeiros e de pessoal. 2 No entanto, existe um terceiro tipo que visa criar processos de apoio ao gerenciamento e controle das atividades que são realizadas nos demais tipos. Como questionado anteriormente, será que os processos estão sendo realizados corretamente, de acordo com o previsto em sua documentação, dentro dos padrões de qualidade definidos e em conformidade com a legislação? Em resumo, os processos de negócio são classificados de acordo com suas características relacionadas ao objetivo final da empresa, sendo divididos em três tipos: • Processos primários. • Processos de suporte. • Processos de gerenciamento. Processos primários – Representam os processos que geram valor para o cliente. Estão diretamente relacionados às atividades que a empresa precisa realizar para cumprir com seus objetivos, ou seja, sua missão de negócio, e, quando suportados por outros processos, produzem o produto ou serviço recebido pelo cliente externo. Os problemas identificados nesses processos e a necessidade em mantê-los sempre otimizados são rapidamente percebidos pelo cliente, produzindo imagens negativas ou positivas para a empresa. Também são conhecidos como processos finalísticos, essenciais ou operacionais, podendo ser exemplificados como aqueles relacionados à produção industrial, à venda, ao recebimento e à entrega de um pedido ao cliente etc. Processos de suporte – Representam os processos que produzem o suporte necessário para que a empresa possa realizar os processos primários, apoiando todos os demais existentes. Esses processos não geram valor para o cliente, no entanto eles atuam de forma a integrar os demais processos, coordenando sistemas e os fluxos necessários Observe que, dessa forma, identificamos dois tipos de processos: 18 para a garantia do bom desempenho da empresa. Eles estão diretamente relacionados à gestão dos recursos internos da empresa, voltados para as áreas de gestão de pessoas, orçamentária e financeira, aquisição de bens e serviços, estoque, TI etc. São conhecidos como processos de apoio, organizacionais. Processos de gerenciamento – Representam os processos que executam as atividades de coordenação e controle dos demais processos. Eles não produzem valor diretamente ao cliente; no entanto, por meio deles é possível monitorar como os demais processos estão sendo realizados, medindo-os e avaliando-os por meio de métricas previamente definidas com o objetivo de proporcionar a melhoria contínua de cada um deles e atender melhor os clientes. Eles estão associados às ações que os gestores devem realizar para buscar aumentar a eficácia e a eficiência, além de manter a qualidade desejada aos processos da empresa. Também são conhecidos como processos gerenciais ou de gestão. 19 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 1 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre a classificação dos processos em uma organização. Confira, a seguir, outras formas de classificação de processos. 1) Quanto a seu grau de importância institucional: Uma das formas existentes está relacionada à criticidade de um processo, ou seja, o quanto ele é importante para a empresa. A classificação de um processo em uma dessas categorias é importante, pois define previamente a prioridade que deve ter em sua gestão. Dessa forma, eles estão divididos em dois tipos: • Processos críticos. • Processos não críticos. Processos críticos – São aqueles associados aos processos primários da empresa e a outros, normalmente de suporte, que, caso sejam interrompidos ou executados de forma ineficiente, podem gerar graves prejuízos ao resultado final. São considerados de natureza estratégica para o sucesso institucional por gerar os resultados que produzem valor para o cliente, estando diretamente relacionados à satisfação desses clientes e aos resultados financeiros da empresa. Como exemplo, podemos citar o processo de logística de entrega de um produto para o cliente, pois, caso seja ineficiente, gerará insatisfação ao consumidor. saiba mais Segundo o Secaf, são considerados processos críticos aqueles que se encaixam em, pelo menos, uma destas categorias: • Risco elevado. • Essenciais para o funcionamento da empresa. • Contato direto com o cliente. 20 Figura 2: Situação da empresa que não controla seus processos críticos. Processos não críticos – São aqueles que não estão associados aos clientes e cuja execução ineficiente não produz impactos na operação da empresa. Esses processos normalmente são representados por processos internos de natureza administrativa, excluindo aqueles classificados como críticos. Como exemplo, podemos citar o processo para realizar a reserva da sala de reunião de uma empresa. Caso ela não esteja disponível por alguma razão, não produzirá nenhum impacto nas atividades primárias da empresa. 2) Quanto a seu contexto de atuação: Outra forma de classificação de processo está relacionada à sua área de atuação, ou seja, qual o nível de interação que o processo possui com o mundo exterior. Dessa forma, eles estão divididos em dois tipos: • Processos internos. • Processos externos. Processos internos – São iniciados, processados e finalizados na própria organização. Como exemplo, podemos citar o processo de controle da manutenção preventiva dos equipamentos caso ela seja realizada pelos próprios funcionários. 21 Por meio de algum modelo de controle são verificados quais equipamentos necessitam sofrer manutenção (interno). Manutenção realizada e controles atualizados (interno). Realização da manutenção pelo funcionário (interno). É possível que seja necessário adquirir alguma peça ou material para a manutenção, sendo acionado o processo de compra, que possui suas próprias atividades, entradas e saídas. IN ÍC IO FI N A LI ZA Ç Ã O P R O C ES SA M EN TO Processos externos – São iniciados ou finalizados externamente e processados internamente ou compartilhados com meio externo. Normalmente, são processos que estão relacionados à interação da empresa com o mundo exterior, principalmente seus clientes, fornecedores. Vamos citar, como exemplo, o processo de venda on-line: Solicitação do pedido feito pelo cliente (externo). Entrega do produto ao cliente (externo). Processos finalísticos da empresa, que podem ser internos ou externos, tais como gestão do estoque (processo interno) e autorização do pagamento pela administradora de cartão de crédito (processo externo). IN ÍC IO FI N A LI ZA Ç Ã O P R O C ES SA M EN TO 3) Quanto a seu modelo de operação e decisão: A classificação de um processo pode também ser feita pela maneira como suas atividades são executadas pela estrutura organizacional da empresa. O modelo tradicional de organograma de uma organização apresenta uma forma estruturada na qual, a partir do 22 topo da pirâmide representado pela autoridade maior da empresa, como o presidente, por exemplo, são realizadas subdivisões em outras unidades até atingiro nível mais baixo da hierarquia. A classificação pelo modelo de operação e decisão está relacionada à forma como as atividades são realizadas entre essas unidades, podendo ser de dois tipos: • Processo horizontal. • Processo vertical. Figura 3: Modelo de estrutura hierárquica. Processo horizontal – As atividades são realizadas por diversas unidades funcionais ligadas a diferentes estruturas hierárquicas. Como exemplo, no processo de venda existem atividades executadas pelos setores de vendas, financeiro, compra, estoque, entrega etc., áreas que normalmente fazem parte hierarquicamente de diferentes departamentos ou unidades. Nessa situação, setores de mesmo nível na hierarquia se relacionam para realizar esse processo. Processo vertical – As atividades são executadas dentro da mesma estrutura hierárquica, com a cadeia de comando oriunda de baixo para cima. Observe que os processos são classificados nesses tipos de forma simultânea, por exemplo, o processo de venda on-line é primário, crítico, externo e horizontal. As classificações apresentadas não são exclusivas. importante 23 elementos do processo de negócio Para que se possa entender o que representam os processos e a importância em tê-los mapeados e gerenciados de forma eficiente, é fundamental que sejam conhecidos os elementos associados a cada um deles. Para isso, deve ser feita a decomposição de um processo até sua menor unidade para que se possa entender exatamente como ele funciona, permitindo, dessa forma, seu es- tudo e sua otimização. Como vimos anteriormente, processo é um conjunto de atividades que devem ser reali- zadas de forma sequencial para a obtenção do resultado final. Entretanto, que atividades são essas e em que sequência são executadas? Seria essa a melhor sequência? Com essas perguntas, identificamos dois importantes elementos na gestão de processo: seu mapeamento e a procura pela sua melhoria. Quando falamos em processos, enxergamos algo macro que recebe suas entradas e rea- liza o processamento para produzir a saída. Olhar essa grande “caixa-preta” e dizer o que está certo ou errado e o que pode ser melhorado é algo impossível de se fazer. Para que possamos conhecer melhor o processo, é necessário “abri-la” identificando eventuais subprocessos existentes. Vamos pensar em uma venda: como processo, ele recebe o pedido do cliente e produz a entrega desse pedido. Seria tão simples assim? Certamente que não. Quando recebido, o pedido deve ser validado; o pagamento, confirmado; o produto, encaminhado para a gestão de estoque; e os registros fiscais, realizados, para que o artigo seja encaminhado à transportadora e entregue ao cliente. Observe que o processo “venda” é composto por alguns subprocessos, cada um deles com objetivos específicos: validar pedido, confirmar pagamento, encaminhar para o es- toque etc. Continuamos tendo uma visão macro do subprocesso. O que significa validar pedido? O que deve ser feito para realizar essa tarefa? Caso o pedido não seja validado, o que fazer? Enquanto houver perguntas sobre como o processo é executado, significa que ele ainda não está fácil de ser entendido. Precisamos definir exatamente quais atividades devem ser realizadas dentro de cada subprocesso, descrevendo como é feita a validação, por exemplo, detalhando as tarefas que são realizadas de forma rotineira. 24 Cada tarefa deve ser representada de forma que fique claro seu entendimento e sejam identificadas quais regras legais ou do negócio são aplicadas, representando suas entradas e saídas, ou seja, o que ela recebe e de quem, e o que produz e para quem. Dessa forma, são conhecidas suas interfaces e interações. A tarefa é o menor enfoque dado ao processo e desempenha uma ação específica dentro dele. Conhecer bem o que cada uma faz e como faz é o primeiro passo para identificar se ela está sendo feita da melhor forma possível ou propor mudanças para que possa ser executada de maneira mais eficiente. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 1 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre a forma como um processo está composto. Após conhecermos a composição de um processo, temos de identificar como as atividades ou tarefas são realizadas para que possam ser avaliadas e identificadas melhorias. Para que esse trabalho seja realizado, é importante definirmos um projeto cujo objetivo seja propor melhorias para um processo. Esse projeto deve ser dividido em quatro principais etapas: • Levantamento do processo. • Modelagem do processo. • Análise do processo. • Propostas de melhoria. A implementação das propostas de melhorias no processo deve ser realizada em um novo projeto cujo objetivo consista em implementar as mudanças apresentadas. Dessa forma, faça dois projetos: o primeiro para identificar as melhorias, e o segundo para implementá-las. dica 25 Levantamento do processo – Essa etapa consiste em definir o estado atual do processo identificado pelo trabalho de levantamento de como ele funciona. Nesse levantamento, as pessoas envolvidas em sua execução e indicadas pelo gestor fornecem as informações necessárias sobre ele por meio de uma das técnicas de elicitação de requisitos. Algumas das informações coletadas são: como funciona, quais são suas atividades e tarefas, entradas e saídas, clientes e fornecedores, responsáveis pela realização de cada tarefa, setores e pessoas envolvidas, regras de negócio e legislação que devem ser consideradas, recursos tecnológicos, métricas utilizadas, documentos produzidos ou manipulados, ou seja, tudo que envolva o processo que está sendo estudado. Modelagem do processo – Nessa fase de levantamento, tudo que for coletado deverá ser registrado a fim de produzir a documentação necessária para que possa ser feita sua modelagem, permitindo discussões, medições e análises para futuras propostas de melhorias. Na modelagem, todo o processo é detalhado por meio de gráficos, diagramas, fluxogramas ou outra forma de representação gráfica que permita o entendimento fácil pelas pessoas envolvidas. Essa fase produz um diagrama conhecido como “AS-IS”, que representa o fluxo atual do processo. Análise do processo – Nessa fase, o diagrama “AS-IS” é apresentado aos interessados para que possam ser verificadas e discutidas propostas para a melhoria do processo. Essas melhorias podem ocorrer pela reformulação do processo otimizando ou automatizando suas atividades ou seu fluxo. As métricas utilizadas devem ser reavaliadas para identificar se estão produzindo as informações necessárias para a gestão do processo. Eventuais problemas identificados ao longo do tempo pelo gestor devem ser apresentados para que possam ser avaliadas soluções que os impeçam de ocorrer no futuro. A análise de um processo deve ser feita constantemente por seu gestor por meio do estudo do resultado das métricas produzidas, identificando comportamentos fora do padrão ou tendências de resultados não satisfatórios em um prazo curto. importante 26 Entretanto, o que são métricas de um processo? O gestor de processo deve estar atento às métricas que serão utilizadas para avaliar um processo. Do ponto de vista gerencial, métrica representa valores numéricos que servem como base para avaliação e ação estratégica por possibilitarem a mensuração, o monitoramento e a avaliação dos processos de forma clara e objetiva. Esses valores devem ser obtidos automaticamente; caso seja necessário algum tipo de processamento, este deve ser claramente especificado e produzir como resultado um valor numérico. Esse resultado deve ser comparado ao valor definido pelo gestor como sendo o ideal para que o processo seja executado da melhor forma possível. Alguns exemplos de métricas que podem ser utilizadas em processos: tempo médio de atendimento de uma solicitação, quantidade de produtos produzidos em um período etc. As métricas devem ter como objetivo possibilitar a identificação da satisfação do cliente, a produtividade,os custos etc. A avaliação correta de um processo se inicia com a escolha da métrica, ou métricas, que melhor produz as informações sobre seu comportamento, portanto: • Se o gestor não consegue medir um processo, ele não consegue entendê-lo. • Se o gestor não consegue entender um processo, ele não o controla. • Se o gestor não consegue controlar um processo, ele não consegue aperfeiçoá-lo. Para refletir exemplo Os resultados das métricas apurados ao longo do tempo devem ser armazenados em uma base de dados para que possam ser avaliados seu comportamento histórico e as variações ocorridas ao longo do tempo. Dessa forma, é possível monitorar o processo verificando alguma tendência de comportamento positiva ou negativa durante um determinado período. 27 Propostas de melhorias – Durante a etapa de análise do processo, diversas melhorias são propostas pelos participantes das reuniões que são realizadas para apresentação e análise da modelagem do processo. Nessa etapa, todas as propostas apresentadas devem ser avaliadas, e os gestores devem definir quais serão implantadas. Muitos fatores influenciam essa decisão, como o impacto financeiro que as mudanças irão provocar, o tempo para sua adequação, o treinamento e a implantação. Enfim, não é uma decisão trivial, pois diversos aspectos financeiros, gerenciais e estratégicos devem ser considerados. Após definidas as alterações, outro diagrama representando o fluxo do processo atualizado será construído utilizando a mesma notação do “AS-IS”. Esse diagrama é conhecido como diagrama “TO-BE”. AS-IS – Representa o diagrama com o fluxo do processo produzido na fase de levantamento. TO-BE – Representa o diagrama com o fluxo do processo que será implantado. importante midiateca Acesse a midiateca da Unidade 1 e veja o conteúdo complementar sobre as fases que devem ser realizadas para a melhoria constante de um processo. 28 na Prática Nas atividades realizadas pela gestão de TI, é importante que o profissional entenda que os processos têm suas características próprias e, entre elas, a definição de sua criticidade. Esse conhecimento é relevante para que possam ser definidas as ações que devem ser realizadas e sua velocidade de recuperação, para que se tornem operacionais caso um dos serviços de TI associados a esses processos sofra interrupções não previstas. A rapidez com que eles voltam a operar é fundamental para a empresa, uma vez que impacta diretamente sua credibilidade e imagem. 29 resumo da Unidade 1 Nesta unidade, você estudou os principais conceitos de processos, seus tipos e os ele- mentos que compõem a gestão de processos. Já na aula de vídeo, você viu as diferenças entre projetos e processos. Independentemente do porte de uma empresa, ela é constituída por um conjunto de pro- cessos que, de forma interligada, permitem que seus objetivos sejam atingidos. Conhe- cer detalhadamente como cada um deles é realizado, observar a integração entre os pro- cessos e verificar de forma contínua o grau de qualidade dos resultados que estão sendo produzidos são ações fundamentais para um bom gerenciamento. Entretanto, para que o gestor possa realizar sua função de gerenciar, ele deve conhecer os fundamentos da ges- tão dos processos, a forma como são decompostos e os diferentes tipos de processos que existem em uma empresa para definir a importância que cada um deles deve ter. Sa- ber que um mesmo processo pode ser classificado em diferentes tipos e a combinação destes pode levar a identificar seu grau de relevância para a empresa. Um processo é um elemento vivo dentro da empresa e, por esse motivo, precisa estar sempre se inovando, daí a necessidade de avaliações e melhorias contínuas. Criar proje- tos para avaliações periódicas é fundamental para atingir esse resultado. Dessa forma, você estudou de maneira superficial nesta unidade as etapas que devem ser realizadas para buscar essas otimizações, assim como o objetivo de cada uma delas. Na próxima unidade, você estudará de forma mais detalhada essas etapas e conhecerá a importân- cia que elas têm para uma organização. Até a próxima unidade. Nesta unidade, foram estudados cinco conceitos importantes: • Os tipos de processos organizacionais existentes nos quais a combinação de diferentes tipos em um processo pode definir o grau de relevância para a em- presa. conceito 30 • Os principais conceitos de processos de negócios, identificando o que significa a palavra “processo”, sua origem e a importância do termo em um ambiente empresarial. • Os elementos que compõem um processo, nos quais se destaca a importância do monitoramento e das melhorias constantes. • As atividades de um processo, que representam a contribuição que cada uma das pessoas envolvidas faz para que o processo possa ser realizado. • A diferença entre projetos e processos, dois termos bastante semelhantes, mas que possuem objetivos totalmente diferentes. 31 referências ALMEIDA, V. N. O que é processo de negócio: entenda a classificação de processos em uma organização. Euax Consulting. Joinville, 29 ago. 2018. Disponível em: https://www. euax.com.br/2018/08/processo-de-negocio/. Acesso em: 3 fev. 2019. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9000/2000: sistema de gestão da qualidade: fundamentos e vocabulário. Rio de Janeiro, 2004. BARRIOS, B. Tipos de processo de negócio. Portal da Justiça Federal da 5ª Região. Recife, 12 jul. 2013. Disponível em: https://www.trf5.jus.br/downloads/userupload/2c- 7ce39ec4/Tiposdeprocessodenegocio.pdf. Acesso em: 3 fev. 2019. COMO funciona uma linha de montagem de carros. Manutenção e Suprimentos. Mauá, 6 maio 2018. Disponível em: https://www.manutencaoesuprimentos.com.br/como-fun- ciona-uma-linha-de-montagem-de-carros/. Acesso em: 3 fev. 2019. GESTÃO horizontal e vertical: conceitos, diferenças e exemplos. Sociedade Brasileira de Coaching. São Paulo, 19 dez. 2018. Disponível em: https://www.sbcoaching.com.br/ blog/negocios/gestao-horizontal-vertical/. Acesso em: 3 fev. 2019. PROCESSO. In: DICIONÁRIO do Aurélio Online. [S. l.], 2019. Disponível em: https://diciona- riodoaurelio.com/processo. Acesso em: 3 fev. 2019. SECAF NETO, J. Processos críticos de uma empresa: definição, importância e como identificá-los. Setting Consultoria. São Paulo, 6 mar. 2018. Disponível em: https://www. setting.com.br/blog/processos/processos-criticos-de- -uma-empresa/. Acesso em: 3 fev. 2019. https://www.euax.com.br/2018/08/processo-de-negocio/ https://www.euax.com.br/2018/08/processo-de-negocio/ https://www.trf5.jus.br/downloads/userupload/2c7ce39ec4/Tiposdeprocessodenegocio.pdf https://www.trf5.jus.br/downloads/userupload/2c7ce39ec4/Tiposdeprocessodenegocio.pdf https://www.manutencaoesuprimentos.com.br/como-funciona-uma-linha-de-montagem-de-carros/ https://www.manutencaoesuprimentos.com.br/como-funciona-uma-linha-de-montagem-de-carros/ https://www.sbcoaching.com.br/blog/negocios/gestao-horizontal-vertical/ https://www.sbcoaching.com.br/blog/negocios/gestao-horizontal-vertical/ https://dicionariodoaurelio.com/processo https://dicionariodoaurelio.com/processo https://www.setting.com.br/blog/processos/processos-criticos-de- -uma-empresa/ https://www.setting.com.br/blog/processos/processos-criticos-de- -uma-empresa/ https://www.setting.com.br/blog/processos/processos-criticos-de- -uma-empresa/ Definição dos processos de negócios UNIDADE 2 33 Em qualquer organização, todas as atividades existentes fazem parte de algum proces- so. Identificar quais são esses processos para, a partir daí, conhecer as atividades que os compõem e a sequência com que elas ocorrem representa o princípio básico da gestão por processos. A importância desse conhecimento consiste na necessidade de cada gestor avaliar, de forma continuada, essas atividades, propondo frequentemente as me- lhorias necessárias para que possam estar sempre sendo realizadas da forma mais oti- mizada possível. Conhecer, de modo detalhado, cada uma das etapas que compõem a gestãopor processo bem como as técnicas utilizadas para o levantamento do processo até a definição das métricas que irão avaliar sua qualidade são os assuntos que serão apresentados nesta unidade. introdUção objetiVo Nesta unidade, você será capaz de: • Analisar um processo e, por meio do uso das técnicas de elicitação, realizar seu mapeamento, identificando suas atividades e sequência em que ocorrem para que possam ser propostas melhorias. 34 modelagem dos processos de negócios Os primeiros entendimentos que devemos ter sobre modelagem dos processos são re- presentados pela forma como um processo está inserido dentro de um conceito maior e pela maneira como ele pode ser subdividido. Uma organização é composta por vários processos que, se agrupados, formam todas as atividades realizadas. Uma empresa é constituída por um conjunto de processos, cada um deles com objetivo específico. Quando esses processos atuam de forma integrada, eles o fazem buscando o objetivo maior, que é o institucional, ou seja, não importa o tipo ou a característica de cada processo, o importante são as atividades que ele realiza para que a empresa possa atingir seus objetivos estratégicos. importante Vamos analisar a imagem a seguir: Figura 1: Estrutura de macroprocesso e seus subprocessos. Fonte: Elaborada pelo autor (2019). MACROPROCESSO SUBPROCESSOS Recursos humanos Contratação de pessoal Folha de pagamento Férias Benefícios 35 Existe um macroprocesso identificado como recursos humanos – RH. Um macroprocesso reúne um conjunto de processos que possuem objetivos específicos para atender a um objetivo maior, o objetivo do macroprocesso. Nesse exemplo, temos um macroprocesso que representa todos os processos existentes na área de RH de uma empresa, identificados como subprocessos, tais como: contratação de pessoal, folha de pagamento, férias etc. Essa situação mostra que a empresa possui vários subprocessos nessa área — cada um deles com seu objetivo específico —, que, quando integrados, representam as atividades do setor de RH. Cada subprocesso é inter-relacionado de forma lógica a outro, que realiza atividades que apoiam o macroprocesso e contribuem para sua missão. Decompondo cada processo, observamos que ele é composto por várias atividades, e estas, por tarefas, conforme figuras a seguir. Figura 2: Estrutura do subprocesso e suas atividades. Fonte: Elaborada pelo autor (2019). SUBPROCESSO ATIVIDADES Contratação de pessoal Atividade ZAtividade KAtividade X Atividade P Nesse exemplo, o processo “contratação de pessoal” é formado por um conjunto de atividades, e cada uma delas, por um conjunto de tarefas. 36 Figura 3: Estrutura de uma atividade e suas tarefas. Fonte: Elaborada pelo autor (2019). ATIVIDADE TAREFAS Atividade X Tarefa ATarefa WTarefa M Tarefa U As atividades ocorrem dentro dos processos, sendo executadas por uma unidade (pessoa ou setor) para produzir um resultado particular. As tarefas representam as partes específicas do trabalho, ou seja, a menor unidade do processo, tendo cada uma delas entrada e saída, sendo executada por função e controlada por regras que definem o negócio. Uma empresa é constituída por vários macroprocessos, que são formados por vários processos, que possuem várias atividades, e estas, várias tarefas. A etapa de levantamento das informações para o mapeamento de um processo deve definir, inicialmente, o escopo do trabalho, ou seja, qual o processo a ser modelado, para, a partir daí, identificar suas atividades e tarefas. importante O trabalho de mapeamento de um processo de negócio consiste em identificar cada um desses elementos (macroprocessos, subprocessos, atividades e tarefas) observando a relação de sequenciamento que existe entre eles, entre outras informações, por meio de diversas técnicas de elicitação, sendo um trabalho que consome tempo e dedicação, pois desse ponto “nasce” o sucesso do projeto. 37 ciclo de vida da modelagem de processo Todos os processos de negócios possuem um ciclo de vida composto de ações que vão desde seu mapeamento, no qual as atividades que o compõem são identificadas, até o processo de avaliar para propor melhorias em sua realização. Não existe um padrão literário quanto à quantidade de etapas que compõem o ciclo completo da vida de um processo, por esse motivo adotaremos um modelo mais simples que utilize apenas três grandes grupos de ações. importante Figura 4: Ciclo de vida de um processo. Fonte: Elaborada pelo autor (2019). Levantamento Melhoramento Gerenciamento O trabalho realizado na fase de levantamento é representado pelas tarefas de mapear e modelar o processo com o objetivo de identificar as atividades e produzir a documentação necessária para seus perfeitos conhecimento e entendimento. Segundo Maranhão e Macieira (2004, p. 65), “o mapeamento dos processos de negócios é o conhecimento e a análise dos processos e seus relacionamentos com dados, estruturados de maneira top-down (do topo para a base) e detalhados até que seja possível compreendê-los totalmente”. 38 A etapa de gerenciamento representa as atividades diárias do processo, na qual a execução de cada uma de suas instâncias deve ser controlada e gerenciada por seu gestor por meio da produção dos resultados produzidos (métricas) para posterior avaliação. Com a obtenção da coleta de informações produzidas durante um determinado tempo, representada pelas métricas aplicadas ao processo, damos início à fase de melhoramento do processo, na qual os resultados devem ser avaliados e utilizados para sua melhoria. O gestor deve realizar avaliações frequentes do processo para que possa observar eventuais tendências de perda em sua qualidade, intervindo de forma rápida antes que possa impactar seu valor. Ao realizar pesquisas na internet utilizando como termos de busca “fases do mapeamento de processos” ou “etapas do mapeamento de processos”, além de encontrarmos diversos artigos, blogs e trabalhos sobre o assunto, identificamos diferentes quantitativos de etapas ou fases. Alguns trabalhos apontam cinco fases, outros, sete, e assim por diante, mostrando que não existe um padrão quanto à divisão em etapas desse trabalho. As diferenças encontradas nesses documentos estão relacionadas ao nível de detalhamento dado a cada uma delas. Por exemplo, no artigo disponibilizado pela empresa Heflo, são relacionadas 11 etapas, em que algumas têm como objetivo identificar o objetivo do processo, outras, as saídas, as entradas etc., ou seja, possuem um nível de detalhamento muito elevado. Em um projeto cujo objetivo seja propor melhorias a um processo existente, podemos relacionar quatro grandes etapas com os seguintes objetivos e pessoas envolvidas: • Levantamento do processo – Identificar as atividades e as tarefas que são realizadas no processo por meio de aplicação das técnicas de elicitação de requisitos. Essa etapa deve ter a participação do gestor do processo e das demais pessoas que atuam direta ou indiretamente nele por parte do cliente e do analista de processos e do engenheiro de requisito como especialistas em mapeamento de processos. • Modelagem do processo – Identificar o sequenciamento das atividades identificadas, produzir toda a documentação necessária ao processo e relacionar as propostas de melhorias produzidas na etapa de levantamento. Por ser uma fase cuja ênfase é produzir documentação e estudar o processo, a participação é feita pelos especialistas em mapeamento, tais como o analista de negócio e o engenheiro de requisito. 39 • Análise do processo – Avaliar a documentação produzida considerando os problemas apresentados, os valores das métricas existentes (qualidade do processo) e os impactos produzidos na implementação das propostas. Nessa etapa, os especialistas em mapeamento podem apresentar sugestões de melhorias no processo, e ela deve ter a participação do mesmo grupo de pessoas que participaram da etapa de levantamento, pois representaa “resposta” produzida para a etapa. • Proposições das melhorias – Apresentar a documentação produzida, considerando as propostas apresentadas e as melhorias identificadas, validando cada uma delas e definindo aquelas que serão implementadas. Nessa etapa, é fundamental a participação do gestor e de especialistas do processo e de representantes das partes interessadas (clientes, fornecedores, comunidade etc.). A participação de representantes da alta gestão da empresa também se torna importante, além dos especialistas em mapeamento de processos. Com as propostas de melhorias definidas, deve-se iniciar um novo projeto para implementá- las. Em razão da necessidade de dimensionar seu tamanho, o impacto organizacional, o pessoal envolvido, os custos etc., para essas melhorias, é necessário um intervalo de tempo entre a conclusão do primeiro projeto, cujo objetivo foi atingido ao indicar as melhorias que devem ser realizadas, e o início do segundo, cujo objetivo é a implementação dessas melhorias, para que possa ser realizado esse trabalho de avaliação. Dessa forma, é importante que sejam concluídos o projeto de mapeamento e a apresentação de melhorias para que possa haver tempo necessário para planejar essa implementação. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 2 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre mapeamento de processo. 40 técnicas de elicitação de requisitos de negócio Uma das etapas que compõem a modelagem de um processo de negócio é a fase de le- vantamento, ou elicitação, dos requisitos do processo, ou seja, identificar de que forma o processo é executado. Essa atividade normalmente é realizada por um perfil especializa- do de profissional de TI identificado como “engenheiro de requisito”, embora seja comum os analistas de sistemas desenvolverem essa atividade. Entretanto, independentemente de quem fará esse levantamento, o gestor de TI deverá acompanhá-lo para conhecer o processo e para que possa contribuir combinando seu conhecimento do negócio ao de TI. A partir deste ponto, sempre que formos tratar da pessoa responsável por conduzir a etapa de levantamento, iremos identificá-lo como engenheiro de requisito. As técnicas de elicitação de requisitos também são utilizadas na fase de levantamento de requisitos para o desenvolvimento de um sistema, com pequenas diferenças entre os objetivos. Nesse caso, os requisitos a serem identificados são aqueles que devem estar presentes no software que será desenvolvido, ou seja, algo que precisa existir na aplicação (situação futura). No mapeamento de um processo, os requisitos a serem identificados estão relacionados à forma como o processo é executado (situação presente). curiosidade Vamos analisar alguns exemplos sobre levantamento de requisitos para o mapeamento de um processo de negócio. como funciona uma geladeira? Os níveis de conhecimentos que se deve ter para responder a essa pergunta variam de acordo com seu objetivo. Se você deseja apenas utilizar a geladeira, normalmente o conhecimento de que precisa está no nível de usuário: como é ligada, quais recursos possui, como cada um desses recursos são acionados, como controlar a temperatura interna, quais são os cuidados com manutenção que se deve ter etc. Essa é a visão que nós temos como usuário, a qual é explicada no manual que acompanha o produto. 41 Fazendo uma comparação com um processo de negócio, vamos pensar em uma compra em um site de comércio eletrônico, no qual nós escolhemos os produtos, pagamos pela compra e, alguns dias depois, recebemos os itens no endereço definido. Observe que, nos dois exemplos, nós não sabemos “como” funciona, apenas o que é gerado como resultado. Essa seria uma representação de um processo, no qual, a partir de um conjunto de dados de entrada, eles sofrem transformação e produzem a saída esperada, sendo, na visão do usuário, uma “caixa-preta” por não saber como ocorre essa transformação. Figura 5: Caixa-preta em um processo. Bem, acreditamos que, se você não for um especialista em refrigeração ou não trabalhar em uma das indústrias que fabricam geladeira, certamente seu conhecimento não vai além do que está escrito no manual do usuário. Então, vamos ser um pouco mais curiosos e conhecer não apenas como é o ligar ou desligar de uma geladeira, mas sim o que acontece internamente quando você realiza essas ou outras operações disponíveis no produto. como descobrir essas informações? Perguntando a quem conhece, que são os especialistas da área de negócio do processo que está sendo mapeado. Se você quiser saber exatamente como funciona a linha de produção de uma geladeira, deverá obter informações com todas as pessoas envolvidas, sejam os gestores, responsáveis pela linha de produção, sejam os engenheiros de refrigeração ou outras áreas relacionadas, sejam os operários que atuam produzindo os produtos. 42 Com o objetivo de obter as informações necessárias para realizar o mapeamento de um processo, você deve reunir todas as pessoas que atuam no processo, independentemente de nível hierárquico, formação ou cargo. Qualquer pessoa que realize alguma atividade no processo deve informar o que faz para que haja o perfeito entendimento da forma como ele é realizado. importante Para realizar a tarefa de levantamento de como o processo funciona, são apresentadas diversas técnicas, que vão desde o trabalho individual de cada pessoa envolvida, por meio de entrevistas ou observações, até atividades em grupos, seja de forma presencial, seja remotamente. O importante é observar que as técnicas existentes contemplam todas as possibilidades de obtenção de informações independentemente do tamanho da empresa, da quantidade de pessoas envolvidas ou de sua distribuição geográfica. As técnicas utilizadas para levantamento de processos também são aplicadas na fase de levantamento dos requisitos de um sistema. Embora a forma de condução de cada uma delas seja semelhante em ambas as tarefas, os objetivos a serem alcançados são diferentes. Por esse motivo, elas também são identificadas como “técnicas de elicitação de requisitos”. importante O levantamento correto do processo representa uma das etapas mais importantes no mapeamento, porque é a partir dele que todo o trabalho será realizado. Caso os requisitos sejam identificados de forma errada ou incompleta, o resultado será desastroso. Para evitar isso, a escolha da técnica mais apropriada e a gestão da condução desse trabalho são fundamentais para o sucesso do levantamento. 43 Elicitar significada “extrair”, “expulsar”, “fazer aparecer”. Nesse caso, elicitar significa extrair das pessoas envolvidas as informações de que necessita, sejam os requisitos para o desenvolvimento de um sistema, sejam as atividades realizadas em um processo. curiosidade Figura 6: Trabalho investigativo que representa o levantamento de um processo. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 2 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre boas práticas que devem aplicadas para a elicitação dos requisitos de um processo. Veja algumas técnicas utilizadas para a elicitação das atividades realizadas em processos: Análise de documentação – Consiste no estudo de toda a documentação existente sobre o processo, tais como contratos, legislação, regras de negócios existentes, mapeamentos anteriores etc. Quando aplicada, é feita na fase inicial do levantamento para conhecer detalhes operacionais e legais do processo que está sendo mapeado. 44 Entrevista – É uma das técnicas mais simples de serem realizadas, sendo indicado seu uso na fase inicial do levantamento, na qual são identificados os principais pontos a serem abordados nas fases seguintes. As entrevistas são individuais, sendo importante que o entrevistador tenha um plano de entrevista em que os principais assuntos a serem abordados estejam relacionados, podendo ser previamente enviado ao entrevistado. Etnografia – Também conhecida como técnica de observação,na qual o observador analisa as atividades realizadas pelo observado registrando essas ações. Essa técnica pode ser do tipo “visível”, em que existe interação entre eles durante o trabalho de observação, questionando, por exemplo, por que uma determinada atividade está sendo realizada, ou do tipo “invisível”, em que não há nenhuma comunicação, apenas o registro das atividades para posteriores esclarecimentos em entrevistas se necessário. Questionário – Técnica utilizada para coleta de informação das partes interessadas de forma estruturada por meio de perguntas — preferencialmente de múltipla escolha, mas com espaço para comentários —, que deverão ser posteriormente tabuladas e analisadas para a obtenção das respostas necessárias. Essa técnica deve ser utilizada quando o universo de pessoas a ser avaliado é muito grande e o processo já for previamente conhecido, fazendo uso apenas para esclarecimentos específicos. Não se deve usá-la para novas descobertas. Brainstorming – Essa técnica consiste em promover novas ideias sobre uma determinada situação. Ela pode ser utilizada na fase de levantamento do processo como forma de registro de propostas de melhorias para análises futuras. Deve ser realizada em grupos presencialmente com uma quantidade limitada de pessoas para que possam ser realizados os registros das propostas que surgirem, e não deve haver, por parte do condutor do processo, qualquer interferência ou restrição aos assuntos abordados. Grupo focal – Técnica utilizada para obter ideias e atitudes sobre o processo que está sendo mapeado, na qual os participantes, representados por pessoas previamente selecionadas, discutem suas impressões e opiniões sobre o assunto propondo melhorias. Técnica semelhante ao brainstorming, tendo como diferenças o fato de ser mais estruturado e possuir quantidade menor de participantes, enquanto o brainstorming procura por ideias mais abrangentes, criativas e, até mesmo, exageradas. A reunião de um grupo focal pode ocorrer local ou remotamente dependendo das características da empresa e da avaliação de custos. 45 Workshop – Técnica estruturada para a obtenção de informações que pode ser utilizada para identificar e validar requisitos em menor espaço de tempo por obter, no próprio evento, o consenso sobre opiniões conflitantes sobre o processo. Assim como o grupo focal, essa técnica pode ser aplicada por meio de reuniões com as partes interessadas ou por reuniões remotas, tais como videoconferência. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 2 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre outras técnicas de elicitação de requisitos utilizadas para levantamento de processos. 46 Qualidade de um processo de negócio Uma das principais alternativas utilizadas para analisar um processo de negócio é iden- tificar seus pontos fortes e fracos. Essa análise deve ser feita estudando os resultados obtidos por meio das métricas definidas para o processo identificadas como KPIs (key performance indicators), ou “indicadores de desempenho de processos”, sendo a sigla em inglês mais utilizada. O objetivo de fazer uso de métricas está diretamente relacionado à necessidade de eli- minar fatores subjetivos que possam influenciar o resultado, da mesma forma que o acompanhamento das avaliações obtidas elimina o fator “sorte” na gestão de TI, por ser essa a etapa que conduz ao controle e à melhoria do processo. Não existe um padrão para a definição das métricas do processo nem quantidade a ser utilizada, no entanto é indicado que não se utilize um número muito elevado, pois dificulta o gerenciamento, havendo uma sugestão de uso entre cinco a oito métricas que contem- plem os seguintes fatores: • Relevância – Para que possa ser entendido o valor que a métrica está tendo para o cliente; dessa forma, é possível identificar se o processo está sendo positivo ao va- lor. Esse valor pode ser obtido por pesquisas de opinião, nas quais o serviço presta- do e sua qualidade devem ser avaliados pelo cliente por meio de valores numéricos, a fim de que possa ser realizado algum tipo de cálculo para a obtenção de um valor. • Específico – Devem ser evitadas métricas genéricas que não produzam informa- ções relevantes. Como exemplo, podemos citar o tempo médio de atendimento a um cliente em relação ao volume de operações por ele realizadas que meça a qua- lidade desse atendimento, considerando que, quanto mais eficiente for, mais rápido o cliente será atendido para que sejam evitadas filas de espera no atendimento. Outro exemplo que pode ser utilizado é o tempo médio de espera entre o contato do cliente e o início do atendimento em uma central de serviço. 47 • Mensurável – Esse talvez seja um dos principais fatores a serem considerados para a definição de um KPI. A métrica adotada deve ser objetiva, de fácil obtenção, sem interferência humana. Caso haja a necessidade de algum cálculo, que ele seja simples e fácil de ser implementado. Uma métrica não deve ter seus valores questionados, pois isso gera insegurança na avaliação. Por esse motivo, ao defini- la, especifique claramente como obter os dados, produzir os resultados e definir os valores considerados ótimos, bons e críticos para que sirvam de alerta para a necessidade imediata ou não de ações de melhorias. Atenção O fato de o valor de uma métrica de processo estar na faixa da avaliação considerada ótima não significa que o processo possa ser ignorado nas avaliações e melhorias, entretanto essa informação serve para a situação na qual, entre um processo avaliado como “bom” e outro como “ótimo”, o primeiro tenha prioridade no estudo. • Atingível – Consiste em definir quais são os valores que se deseja atingir no processo. Eles devem estar coerentes com a realidade da empresa e ser considerados possíveis de serem atingidos. Por exemplo, se você realiza uma quantidade média de atendimento de 50 pedidos por mês, não adianta criar como métrica ideal atingir 500 pedidos no mesmo período, pois no curto prazo não é possível de ser atingida. Se esse for o objetivo estratégico, procure aumentar essa quantidade de forma gradativa, pois certamente serão necessários investimentos, para os quais talvez não haja condições de realização de imediato. • Tempo – O fator pode ser avaliado sob a seguinte óptica: em quanto tempo eu consigo alcançar os resultados esperados pela empresa? Esse questionamento leva em consideração o planejamento estratégico da companhia em desejar crescer e melhor se posicionar no mercado, atingindo as métricas que considera ideal, estando no momento distante desses valores. Conforme descrito no fator anterior, as métricas devem ser atingíveis pelo processo, entretanto você pode buscar sempre melhores resultados ou definir um objetivo futuro, e ir até ele é importante na questão motivacional das pessoas envolvidas e muito correto em ser aplicado. 48 midiateca Acesse a midiateca da Unidade 2 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre KPIs que podem ser utilizados para a avaliação de um processo. avaliação contínua de um processo Conforme citado algumas vezes neste material, uma das atuações que o gestor deve realizar é a avaliação constante das métricas obtidas pelo processo. Esse trabalho tem como objetivo identificar variações ou tendências negativas nesses resultados que possam provocar perda na qualidade do processo em curto ou médio prazo. Para que essa situação não venha a ocorrer, é necessário que o gestor realize algumas das metodologias de melhoria contínua do processo de sucesso que surgiram ao longo do tempo e têm sido praticadas por algumas empresas. O conceito de melhoria contínua tem sua origem no período pós-guerra, no qual alguns países tiveram que passar por processos de reconstruções. Dentro desse cenário, o Japão passou a ser aquele que melhor realizou esse trabalho, implantando o seguinte lema: “Hoje melhor do que ontem, amanhã melhor do que hoje.” A implantação desse conceitode trabalho fez com que as atividades fossem constantemente avaliadas, e as melhorias, implementadas em um curto espaço de tempo. Confira, agora, alguns métodos de melhoria utilizados: O método japonês Kaizen: a palavra Kaizen, de origem japonesa, significa “mudança” (kai) “para melhor” (zen). Inicialmente aplicada no contexto empresarial, hoje ela é usada no cotidiano da população como significado para melhoria contínua em todos os aspectos da vida, ocorrendo em processos, produtos e serviços. Conforme Oliveira (2014), os mandamentos que regem o Kaizen são: • Aprender na prática. • Todo desperdício deve ser eliminado. 49 • Todos os colaboradores devem estar engajados no processo de melhoria. • O aumento da produtividade deve ser baseado em ações que não demandem investimento financeiro alto. • Deve ser aplicado em qualquer local ou empresa. • As melhorias obtidas devem ser divulgadas, como forma de se ter uma comunicação transparente. • As ações devem ter foco no local de maior necessidade. • O Kaizen deve ser direcionado de forma que seu objetivo seja unicamente a melhoria dos processos. • A priorização na melhoria das pessoas deve ser mais importante. Os principais benefícios apresentados pelo Kaizen podem ser relacionados como a redução de desperdício em estoque e no esforço humano; a melhoria na utilização do espaço físico, aumentando a produtividade, e a elevação da moral e da satisfação do time, reduzindo a rotatividade. Entretanto, ele apresenta alguns problemas, como a resistência à mudança, a ausência de procedimentos para a implantação e o fato de que, muitas vezes, o excesso de sugestão pode levar a um estado de confusão. O programa 5S: o programa 5S tem como objetivo mobilizar, motivar e conscientizar a empresa para a qualidade total por meio da organização e da disciplina do local de trabalho, usando-se uma metodologia de planejamento para produzir aumento de produtividade, segurança, clima organizacional e motivação, sendo o programa adotado pelo método Kaizen. O programa 5S é identificado por reunir a primeira letra das seguintes cinco palavras japonesas: • Seiri (“utilização”): separar apenas o que é necessário para o trabalho, eliminando do espaço o que seja inútil. • Seiton (“organização”): colocar cada coisa em seu lugar, organizando o espaço de trabalho de forma eficaz. • Seiso (“limpeza”): melhorar o nível de limpeza do ambiente de trabalho, mantendo-o sempre limpo. • Seiketsu (“higiene”): criar normas padronizadas para triagem, arrumação e limpeza, mantendo um aspecto sempre sadio. • Shitsuke (“disciplina”): todos ajudam a incentivar a melhoria contínua por meio da manutenção dos outros quatro “S”. 50 Os principais benefícios obtidos com a implantação do programa 5S são representados: pela redução de despesas e melhor aproveitamento de materiais; pela melhoria da qualidade de produtos e serviços; pela redução de acidentes de trabalho e pela maior satisfação das pessoas com o trabalho. Figura 7: Programa 5S aplicado ao método Kaizen. O ciclo PDCA: O ciclo PDCA representa o método americano de melhoria contínua, sendo também conhecido como ciclo de Deming. Tem como princípio tornar os processos envolvidos na execução da gestão mais claros e ágeis. O termo PDCA é originado da primeira letra das seguintes palavras, que representam as etapas a serem aplicadas: • P (plan/“planejar”) – Planejar o trabalho a ser realizado, estabelecendo os objetivos e o caminho para alcançá-los por meio de um plano de ação. • D (do/“fazer”) – Realizar o trabalho planejado de acordo com o plano de ação. • C (check/“verificar”) – Monitorar e avaliar os processos e os resultados, comparan- do-os com o planejado para identificar diferenças entre o previsto no plano de ação e o realizado. • A (act/“ação”) – Melhorar a qualidade do trabalho, corrigindo as falhas identificadas para a correção das diferenças. O método PDCA tem como objetivo a redução de custos, a ampliação de lucros e o aumento da satisfação dos clientes, sendo amplamente utilizado pelas empresas para a 51 Figura 8: Modelo PDCA. midiateca Acesse a midiateca da Unidade 2 e veja o conteúdo complementar indicado pelo professor sobre técnicas de melhoria contínua praticadas pelas empresas. melhoria de seu nível de gestão por meio do controle eficiente de processos e atividades internas e externas, da padronização de informações e da redução das chances de erros no processo de tomada de decisão. 52 na Prática Imagine a seguinte situação: em uma organização, todo o controle gerencial de um processo é feito tendo como base anotações diárias realizadas manualmente por pessoas, cuja produtividade também é medida por essas anotações. Observando que os resultados apresentados não eram compatíveis com os resultados financeiros apurados pelo setor responsável, essa organização optou por rever todo o processo, realizando seu mapeamento para produzir a documentação necessária e acompanhar sua execução tendo como objetivo inicial definir mecanismos automatizados para sua gestão. Para atender a essa demanda, a organização iniciou um projeto no qual foi possível conhecer detalhadamente as atividades que eram realizadas e identificar os principais gargalos e problemas existentes, tendo sido proposto um conjunto de melhorias que, quando implementadas, produziram resultados muito superiores ao esperado. O uso da tecnologia na gestão do processo, a implantação de soluções tecnológicas e a melhoria no fluxo do processo permitiram a redução de seus custos operacionais, possibilitando a redução do valor cobrado e obtendo avanços sobre a concorrência. A partir desses resultados, a empresa adotou o modelo de gestão por processo, em que todos os processos sofreram ações semelhantes, e seus gestores passaram a ter a atribuição de avaliar permanentemente cada um deles, propondo melhorias contínuas para que a empresa pudesse se manter competitiva no mercado. 53 resumo da Unidade 2 Nesta unidade, você estudou as ações que devem ser realizadas para o mapeamento de processos. Conforme a característica e a complexidade do processo a ser modelado, pode haver variações na forma de condução desse trabalho, no entanto alguns fatores são fundamentais para seu sucesso. O envolvimento das pessoas que serão atingidas direta ou indiretamente pelas mudanças a serem apresentadas, a escolha das técnicas mais adequadas para o levantamento das atividades e tarefas que o compõem e o moni- toramento constante dos resultados apurados para identificar e propor melhorias são os aspectos mais importantes nesse trabalho. Definir métricas de avaliação corretas é outro fator importante para o sucesso de um pro- cesso. Informações com obtenção de valores subjetivos ou questionáveis são resultados que não permitem avaliação e monitoramento corretos. Para atingir esse objetivo, a documentação deve ser produzida de forma certa, e a avaliação e a aprovação por parte dos interessados são tarefas que devem ser realizadas, mas, para que isso ocorra, é importante o entendimento do processo e a comunicação eficiente entre os especialistas em mapeamento e os envolvidos no processo e os gestores. Para facilitar essa comunicação, são propostos alguns modelos que dão ênfase aos aspectos visuais entre as partes por meio do uso de alguns tipos de diagramas. Esses diagramas permitem o entendimento mais fácil de como o processo é hoje e qual será a proposta futura, evitan- do a leitura cansativa de textos e textos. Na próxima unidade, você estudará alguns desses diagramas e conhecerá outros, “TO-BE” e “AS-IS”, que utilizam a notação BPMN. conceito Nesta unidade, destacamos três aspectos importantes na gestão de um processo: 1. As etapas que compõem essa gestão, sua importância e as atividades que devem ser realizadas. 2. As técnicas utilizadas para identificar com as pessoas que executam os processos de que forma cada uma delas atua. 3. A importância em se avaliar