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Elisa Assenheimer - CBM @e.assenheimer Filosofia e Morte → A morte como parte da vida humana: A morte é um problema propriamente humano - se não é possível resolvê-lo, é condição natural dele ao menos enfrenta-lo. A Filosofia divide a morte em duas concepções: - A morte tem de ser alguma coisa, ou então não ser nada. - Se é alguma coisa, não morte, é outro tipo de vida continuada. Semelhança: em ambas há fim da vida tal como se conhece. Para o filósofo Epicuro, a morte não é nada, portanto não deve nos assombrar. Para ele, quando somos, a morte não é, e quando a morte surge, já somos. Portanto, o medo da morte teria algo de irracional. → Mas para que pensar na morte? Montaigne interpreta a morte de duas maneiras: - é a separação da alma e do corpo. Uma vida filosófica, justamente por ser mais espiritual do que carnal, seria, já em vida, uma preparação pra essa morte, ou seja, para essa divisão. Após essa separação inicia-se um novo ciclo da alma, seja esse entendido como reencarnação; uma nova vida incorpórea. - O outro sentido da morte em Montaigne é o da morte como ponto final da vida, como término, e não simplesmente uma passagem. E é por isso que os homens têm que se preparar para ela. Pensar na morte dessa forma fortalece os homens ajudando-os a encará-la sem preocupação, ansiedade ou coragem. A morte deve ser acolhida com aceitação serena, ou seja, despreocupação. Ceticismo: não escolher nem uma nem outra opção. Cristianismo: A morte entrou no mundo por causa do pecado original, este (o pecado) inverteu a ordem correta em que Deus criou os homens (espírito domina a carne). O homem passa a ser finito, mas a obra de Cristo na cruz tem a função de reconciliar os homens com Deus e assim a morte passa a ser o início de uma nova vinda que se inicia na ressureição. A vida na terra determina a nova vida eterna: o céu ou inferno. → Heidegger: a morte e a angústia: Considera a morte como possibilidade existencial, ou seja, está sempre presente na vida humana, não somente em seu término, mas sonda a totalidade da existência humana. - Heidegger considerava o ser humano um ser-aí (dasein), um ser que não sabe da onde veio (se é que veio de algum lugar) nem se sabe para onde vai (se é que ele vai para algum lugar). A única coisa que se sabe desse ser é que ele existe. Assim a morte para ele é sempre possibilidade e não pode ser experimentada a não ser por meio da antecipação emocional que é chamada de angústia. Os seres humanos se dividem em dois: - Autênticos: aqueles que sabem e têm consciência da morte. - Inautênticos: aqueles que não pensam nisso e negam. → Cosmovisões sobre a morte: Luc Ferry apresenta três leituras básicas sobre a morte: - Budismo e estoicismo ensinam que a morte é inevitável e que é preciso se preparar para a morte. O sofrimento será amenizado diante da compreensão da lei natural como a morte. - As grandes religiões especialmente o cristianismo defendem a ideia de que se praticar o amor em Deus, haverá felicidade de reencontrar os entes queridos depois dessa vida. Assim a esperança está presente e sua promessa é o que mais se quer: imortalidade pessoal e reencontro com quem se ama; - A visão de Luc Ferry a qual ele adere é a da sabedoria humanista, que é a sabedoria do amor: viver e amar com resignação e com a consciência diante da morte, enfrenta-la com resignação. 1