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As origens da filosofia. Aula 1 Objetivo: Identificar as condições de surgimento da filosofia ocidental; Analisar a etimologia da palavra filosofia e como ela representa esse conhecimento. · O que é filosofia? - Talvez esse seja seu primeiro contato com a filosofia na escola. Veja o vídeo e reflita sobre o seu conteúdo. O vídeo trouxe uma posição sobre o que é filosofia, mas pode ser que você conheça outras explicações a partir do seu cotidiano. O exercício a seguir deve ser realizado a partir do conhecimento que você construiu em seu cotidiano. Não se preocupe com a “resposta certa”. Fique atento às orientações do professor, que pedirá para alguns estudantes compartilharem suas respostas. Responda às indagações em seu caderno: Você já ouviu falar em filosofia em outros contextos fora da escola? Em quais? O vídeo ajudou a compreender o que é filosofia? · Origens da filosofia: Talvez seja coerente falar de filosofias, no plural, contudo, no ocidente, costuma-se compreender a filosofia como um conhecimento cujos primeiros movimentos se deram entre os séculos VI e V a.C. na Grécia. Ela não surgiu em um lampejo, havia uma série de condições que favoreceram seu aparecimento, dentre elas: · Explicações acerca do mundo para além mitos e crenças tradicionais; · Organização do conhecimento de forma racional e sistemática; · Nascimento de uma nova tradição cultural baseada na linguagem conceitual – logos; · Surgimento das cidades-estado, que criaram um ambiente de diversidade cultural e intelectual; · Crescimento do comércio e das viagens, que ampliaram o contato dos gregos com outras culturas; · A ascensão da democracia em Atenas, que exigia dos cidadãos uma compreensão mais aprofundada da política. Foco no conteúdo: “Filosofia” é a composição das palavras gregas "philos" (amor, amizade) e "sophia" (sabedoria), cuja etimologia significa “amizade à sabedoria". Pitágoras de Samos (séc. VI a.C.) não se considerava um sábio, mas amigo da sabedoria, alguém que tinha amor por ela. Por isso é atribuída a ele a criação da palavra filosofia, representada, muitas vezes, pela letra grega φ, e a coruja também representa a filosofia. Além das condições materiais apontadas, a filosofia depende da atitude humana que, diante de uma coisa, um fenômeno ou uma relação, é capaz de se espantar, admirar e tornar-se curiosa de tal forma que não se satisfaz com explicações tradicionais. A filosofia, dessa forma, está na orientação para conhecer além das aparências e do que está posto como “verdade”. Dessa forma, a filosofia, mais do que um conjunto de saberes e argumentos, é uma atitude. A atitude filosófica que busca o uso correto da razão para conhecer o mundo, seus fenômenos e relações, assim como o próprio movimento da razão, este último, identificado como reflexão filosófica. “[...] de fato, os homens, tanto agora como no início, começaram a filosofar devido a admirar-se, admirando inicialmente, entre as coisas surpreendentes, aquelas que estavam à mão, em seguida, paulatinamente, progredindo e formulando impasses sobre problemas maiores, por exemplo, sobre as afeções da lua, do sol e dos astros, e sobre a geração do todo”. (ARISTÓTELES. Metafísica. Livro I (Alfa)) A partir das aprendizagens desenvolvidas nesta aula, explique, utilizando um ou mais detalhes do excerto, a atitude filosófica. · Primeiros filósofos - Alguns dos primeiros filósofos. Aula 2 · Objetivos: Identificar o problema central da filosofia dos pré-socráticos; Analisar a importância de Sócrates para a filosofia até a atualidade; Comparar os objetos de reflexão dos pré-socráticos e de Platão e Aristóteles. · Os primeiros filósofos A partir das condições estabelecidas para o surgimento da filosofia, veja algumas reflexões filosóficas sobre a composição de todas as coisas, “inaugurando” a filosofia ocidental. https://www.youtube.com/watch?v=tbj4X5PNPus&t=29s A partir do conteúdo do vídeo do slide anterior, responda em seu caderno às indagações: 1. Quais elementos foram identificados como primordiais, o princípio constitutivo de todas as coisas, pelos três filósofos destacados na animação? 2. Por que você acredita que eles chegaram a esses elementos? Alguns dos primeiros filósofos Os primeiros filósofos se preocuparam em saber qual era o elemento essencial (a arché) de todas as coisas existentes na natureza, por meio da reflexão, por isso foram chamados de “naturalistas” ou “físicos”. Também são chamados de pré-socráticos, porque, a partir de Sócrates, o indivíduo e suas relações passaram a ser o elemento central da reflexão, com indagações mais complexas, como, por exemplo, “o que é justiça?”. Esse divisor foi tão importante que a influência de Sócrates se mantém até a atualidade. Para uma melhor compreensão da importância dos filósofos pré-socráticos, vale a pena destacar que, ao trazer as explicações sobre o mundo, a partir dos elementos da natureza, possibilitaram pensar o universo material como princípio de todas as coisas, trazendo mudanças na percepção da origem da vida e do mundo. Eles lançaram explicações para além da cosmogonia vigente (mito fundador de origem). E, assim, iniciaram para explicações mais sistemáticas e conceituais (cosmologia) sobre a origem das coisas na natureza. Esse movimento deu início às primeiras investigações científicas no mundo grego, que procuraram explicar as causas do mundo no próprio mundo, e não fora dele. Tales, por exemplo, ao identificar a água como elemento primordial, buscou demonstrar que a vida de todos os seres é determinada por uma substância material claramente identificada. · Tales de Mileto (c. 624-546 a.C.): a água é a substância primordial; muitos o consideram o “primeiro filósofo” ou “pai da filosofia”. · Pitágoras (c. 570-495 a.C.): os números e suas relações matemáticas são o elemento primordial. · Heráclito (c. 535-475 a.C.): a mudança é perpétua e tudo está em constante deslocamento, como o fogo, que se movimenta em suas chamas e se alastra, por isso é o elemento primordial. · Parmênides (c. 515-450 a.C.): a realidade é imutável e única, o “imobilismo” é o elemento essencial, porque o ser é e o não ser não é. · Zenão (c. 490- 430 a.C.): a unidade, representada na imutabilidade das coisas, é o princípio primordial. · Demócrito (c. 460-370 a.C.): o átomo, porque é indivisível, é o princípio de tudo, estando presente em todas as coisas. · Sócrates (c. 470-399 a.C.): não escreveu uma linha sequer sobre suas reflexões; sabemos de suas ideias por meio dos diálogos de Platão. Utilizando-se de questionamentos a seus interlocutores, e valendo-se da reflexão, ele procurava a verdade e a sabedoria. · Platão (c. 427-347 a.C.): discípulo de Sócrates, seu principal personagem nos diálogos platônicos. Abordou temas como ética, política, conhecimento e realidade na Academia, sua escola. Formulou a teoria das ideias, sistema que apresenta reflexões sobre o estatuto do conhecimento sensível e inteligível. Nesse contexto, considerou o mundo material como uma cópia imperfeita do mundo das ideias. Influenciou profundamente a filosofia ocidental por meio da “escola racionalista”. · Aristóteles (384-322 a.C.): discípulo de Platão, divergiu do mestre ao afirmar que o conhecimento não está nas ideias, mas se constitui pela experiência sensível, teoria da “escola empirista”, e deve ser sistematizado, por meio de classificações, ordenamento etc. Suponha que você seja um filósofo pré-socrático. Reflita sobre o que seria o elemento essencial que está presente em todas as coisas, a arché. Utilize argumentos como os pré-socráticos fizeram para justificar sua resposta no caderno. · Os primeiros filósofos eram chamados de físicos ou naturalistas, porque se preocuparam em saber qual era o elemento essencial (a arché) de todas as coisas; · Sócrates foi tão importante para a filosofia, que serve de “marco temporal”, isto é, todos aqueles que são anteriores a ele são chamados de pré-socráticos; · Platão e Aristóteles seguiram o caminho aberto por Sócrates, ampliando a reflexão filosófica para além dos elementos da natureza. Mitologiae filosofia – Aula 3 A mitologia - A explicação na seção. Para começar é mitológica. Trata-se de uma maneira de explicar a realidade que antecede a ciência e a filosofia e que satisfaz exigências que estão fora da experiência da racionalidade filosófica, científica e tecnológica. Segundo Mircea Eliade (1907-1986), o mito trata sempre de um relato de como algo ou uma relação foi produzida ou começou a ser. “Essas narrativas são o resultado da ação de seres sobrenaturais que deram origem a algo, seja uma realidade total como o Cosmos, seja um fragmento da realidade como uma ilha, um comportamento humano, uma instituição ou uma planta” (ANAZ, Silvio. Sobre mitologias ancestrais e contemporâneas, 2011) O mito de Narciso - Você sabe o que é uma pessoa narcisista? A palavra se relaciona a Narciso. Tão belo que, ao nascer, o oráculo Tirésias disse que ele seria muito atraente e teria vida longa; desde que não admirasse sua própria beleza. O mito de Narciso - Portanto, não deveria ver sua face, sob pena de ter a vida amaldiçoada. Dono de uma beleza ímpar, encantando homens e mulheres, Narciso era também muito esnobe ao ignorar todos aqueles que se apaixonavam por ele por ter se apaixonado por si mesmo depois de ver o próprio reflexo em um lago. Como vingança pelo desprezo, a ninfa Eco lançou um feitiço sobre Narciso, que definhou até morte no leito do lago, transformando-se em uma flor. Narciso e redes sociais - A partir do teor do mito de Narciso, converse com seus colegas, sob orientação do professor, acerca do significado do mito em questão, levando em consideração a exposição nas redes sociais. Anote suas considerações e dos colegas no caderno, pois o professor pode pedir que você compartilhe o que discutiu com os demais. Características da filosofia - Radical: a filosofia radicaliza ao analisar e refletir sobre as diversas questões até chegar à raiz dos problemas, levando os questionamentos até a última instância. A filosofia é autônoma na sua busca, mas também sempre comprometida com o conhecimento e com as questões que cada época coloca para ela. Além das suas características gerais, a filosofia também possui características específicas de cada período histórico em que se desenvolve, tendo sempre relação com o contexto e com as problemáticas pertinentes a cada época. Rigor: a filosofia é rigorosa, por ser argumentativa e manter a coerência. É fundamental sustentar uma linguagem reflexiva e rigorosa para se evitar equívocos e se estabelecer uma comunicação objetiva, de forma que outros possam analisar e compreender os caminhos trilhados pelo pensador, seja para concordar ou discordar dele. Logo, é por isso que, na filosofia, vemos constantemente a criação de conceitos. · De conjunto: ao abordar um problema, a reflexão filosófica não deve fazê-lo de forma parcial ou de forma fragmentada. A reflexão filosófica engloba um problema em seu conjunto, entendendo que as questões não podem ser resolvidas pontualmente. Por isso, a filosofia se ocupa com as produções e resultados da ciência, da política, da arte, da tecnologia, da educação, da ética, da justiça etc. Ela sempre questiona e busca as relações e conexões entre questões e problemas, entre o que é central ou periférico, entre o que é tido como verdadeiro e falso, entre outras dualidades. · Muito se discute sobre a utilidade da filosofia, no mundo contemporâneo, que preza pela utilidade imediata das coisas, um saber que não se constitui dessa maneira é constantemente questionado, afinal, para que serve a filosofia? Responda a indagação em seu caderno. · Útil... Como você avalia a questão da utilidade na contemporaneidade? Devemos seguir apenas coisas que são úteis ou há espaço para mais do que a utilidade em nossa vida? Escreva uma pequena reflexão sobre isso em seu caderno. · A mitologia engloba narrativas de origem que procuram explicar o início e as relações das coisas e relações no mundo; · A filosofia procura questionar e refletir sobre as questões do mundo natural e humano. A reflexão filosófica é radical, rigorosa, e de conjunto; · Filosofia e mitologia são saberes distintos em suas características e finalidades. A atitude filosófica. - Aula 4 - * Identificar a forma como a atitude filosófica opera, a fim de compreender a atuação da filosofia como um saber que desdobra saberes. · O vídeo trata de uma característica marcante da atitude filosófica: perguntar, questionar. O que você achou dele? Converse com seus colegas sobre suas percepções. Amplie o assunto com o ponto central do vídeo: a importância das questões, mesmo aquelas de que ninguém tem a resposta. · A partir do conteúdo do vídeo, somado às suas próprias percepções, responda em seu caderno à indagação: O que você entende ou imagina ser a atitude filosófica? A atitude filosófica pode ser cultivada por todos porque é uma habilidade que pode ser desenvolvida com a prática e a dedicação, ajudando a se viver uma vida mais plena e significativa. Algumas características da atitude filosófica: Questionamento: a atitude filosófica se faz por meio da desconfiança das coisas como elas são e/ou parecem ser, a fim de entender as razões por trás delas. Ao questionar crenças, valores, instituições etc., ela busca novas respostas para desde as grandes questões da vida até aquelas mais simples e próximas. Reflexão: a atitude filosófica não se contenta com respostas “impensadas” ou baseadas na mera repetição do que se diz por aí. Ela busca compreender as coisas em profundidade, por meio da reflexão, que se ocupa da natureza, da realidade, do conhecimento, da moral, da ética, entre outros. Busca de novos conhecimentos: a atitude filosófica é impulsionada pela busca de novos conhecimentos. Ela geralmente procura por novas informações e novas perspectivas para entender o mundo. Logo, está aberta às novas ideias e se dispõe a desafiar seus próprios pressupostos. Fases da atitude filosófica - A primeira fase da atitude filosófica é a dúvida, a admiração, o estranhamento a crítica e a análise daquilo que chega de imediato à razão (logos). Certamente você já se sentiu curioso sobre algo. Teve dúvidas e quis saber mais para entender. A segunda fase é a investigação e busca por respostas, por conceitos, claros e distintos. Ainda que não sejam definitivos, são elaborados por meio de uma reflexão mais apurada e mais adequados à questão que foi levantada. É a fase de investigar sua questão! Três exemplos do cotidiano que podem ser considerados “atitudes filosóficas”. Muitos exemplos podem ser retirados do cotidiano para exemplificar a atitude filosófica, entre os quais: 1) Um telespectador que questiona a imparcialidade de uma informação apresentada em um telejornal; 2) Um indivíduo que reflete sobre o significado da vida e sua implicação no futuro pessoal e coletivo; 3) Um cientista que busca novas evidências para sustentar suas teorias. *********************************************************************** Períodos da atividade filosófica. – Aula 5 - Identificar os períodos de atividade da Filosofia; Comparar as preocupações entre os períodos de atividade da Filosofia; Analisar as características semelhantes e divergentes entre os períodos de atividade da Filosofia para compreender seu percurso e sua relação com a História. Linha do tempo - Para compreender o fluxo desta aula, observe a resumida linha do tempo. Observe que a Filosofia guarda relação com a história cronológica. · Filosofia é grega... e outras. Como você já estudou nas aulas anteriores, a Filosofia é uma atividade humana que se dedica ao estudo da natureza da realidade, do conhecimento, da ética e da estética, entre outros temas. A Filosofia Ocidental, da qual aqui tratamos, surgiu na Grécia Antiga, no século VII a.C., e, desde então, vem sendo desenvolvida por filósofos de todo o mundo. Mas a Filosofia não é só grega e ocidental, pois há inúmeros sistemas filosóficos mundo e sociedades afora. · Atitude filosófica - A história da Filosofia Ocidental pode ser dividida em quatro grandes períodos: · Filosofia Antiga (700 a.C. - 500d.C.); · Filosofia Medieval (501 - 1500); · Filosofia Moderna (1501 - 1800); · Filosofia Contemporânea (1801 - presente). · Filosofia Antiga A Filosofia Antiga é o período mais longo da história da filosofia, abrangendo um período de mais de 800 anos. Ela é marcada pelo surgimento das primeiras escolas filosóficas, como a escola jônica, a escola pitagórica e a escola socrática. Os filósofos da Antiguidade se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas à natureza, ao conhecimento e à ética. Eles buscavam entender a origem do universo, a natureza da realidade e o propósito da vida. Alguns dos principais filósofos da Antiguidade são: · Tales de Mileto (624-546 a.C.); · Pitágoras de Samos (580-500 a.C.); · Heráclito de Éfeso (535-475 a.C.); · Sócrates (469-399 a.C.); · Platão (427-347 a.C.); · Aristóteles (384-322 a.C.). · Filosofia Medieval A Filosofia Medieval se estende do século V ao século XV. Ela é marcada pelo domínio da Igreja Católica, que exerceu uma grande influência sobre o pensamento filosófico da época. Os filósofos medievais se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas à religião, à metafísica e à ética. Eles buscavam conciliar a fé cristã com a razão filosófica. Alguns dos principais filósofos da Filosofia Medieval são: · Santo Agostinho (354-430); · São Tomás de Aquino (1225-1274); · Guilherme de Ockham (1285-1347). · Filosofia Moderna A Filosofia Moderna é o período da história da Filosofia que se estende do século XVI ao século XVIII. Ela é marcada pelo renascimento do humanismo, que enfatiza a importância da razão humana e da liberdade individual. Os filósofos modernos se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas ao conhecimento, à ética e à política, buscando construir uma sociedade mais justa e equitativa. Alguns dos principais filósofos da Filosofia Moderna são: · René Descartes (1596-1650); · John Locke (1632-1704); · Immanuel Kant (1724-1804); · David Hume (1711-1776). · Filosofia Contemporânea A Filosofia Contemporânea compreende o período que se estende do século XIX até o presente. Ela é marcada pela diversidade de ideias e perspectivas filosóficas. Os filósofos contemporâneos se preocupam com uma ampla gama de questões, incluindo a natureza da realidade, o significado da vida, a ética, a tecnologia, entre outras. Alguns dos principais filósofos da Filosofia Contemporânea são: · Friedrich Nietzsche (1844-1900); · Karl Marx (1818-1883); · Sigmund Freud (1856-1939); · Martin Heidegger (1889-1976); · Jean-Paul Sartre (1905-1980); · Hannah Arendt (1906-1975). *********************************************************************** Descreva, em breves parágrafos, no seu caderno, algumas características da Filosofia Antiga, da Filosofia Medieval, da Filosofia Moderna e da Filosofia Contemporânea. Fique atento, porque o professor pode o chamar para compartilhar sua resposta com os demais. · Correção Os períodos da história da Filosofia são marcados por diferentes características, tanto no que diz respeito aos temas abordados pelos filósofos, quanto às metodologias utilizadas e às perspectivas filosóficas predominantes. Filosofia Antiga - marcada pelo surgimento das primeiras escolas filosóficas, que se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas à natureza, ao conhecimento e à ética. Os filósofos da Antiguidade buscavam entender a origem do universo, a natureza da realidade e o propósito da vida. · Correção Filosofia Medieval - marcada pelo domínio da Igreja Católica, que exerceu uma grande influência sobre o pensamento filosófico da época. Os filósofos medievais se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas à religião, à metafísica e à ética. Eles buscavam conciliar a fé cristã com a razão filosófica. Filosofia Moderna - marcada pelo renascimento do humanismo, que enfatiza a importância da razão humana e da liberdade individual. Os filósofos modernos se preocuparam, principalmente, com questões relacionadas ao conhecimento, à ética e à política, buscando construir uma sociedade mais justa e equitativa. · Correção Filosofia Contemporânea - marcada pela diversidade de ideias e perspectivas filosóficas. Os filósofos contemporâneos se preocupam com uma ampla gama de questões, incluindo a natureza da realidade, o significado da vida, a ética, a tecnologia, entre outras. · Comparando e analisando Com orientação do professor, forme um grupo com seus colegas para comparar as principais características de dois períodos da história da Filosofia. · Anote, em seu caderno ou em folhas avulsas, as suas conclusões e as justifique. Por exemplo, a Filosofia Antiga, a partir do período socrático, e a Filosofia Medieval se preocupavam com questões fundamentais da existência, mas a Filosofia Antiga era marcada pela ênfase na razão e na lógica, enquanto a Filosofia Medieval era marcada pela ênfase na religião e na metafísica. Áreas da filosofia - Aula 06 - Campos de investigação da filosofia. - Identificar os principais campos de investigação da filosofia; Comparar os objetos dos campos de investigação da filosofia para compreender os métodos utilizados em cada um. · Áreas da filosofia - A filosofia abarca diferentes campos de investigação e reflexão, com destaque para a ética, lógica, epistemologia, estética, metafísica, filosofia da ciência e filosofia política. Cada uma dessas áreas tem objetos específicos e características particulares, embora estejam unidas pela reflexão filosófica. Essas são áreas atuais. Vale destacar que alguns campos outrora filosóficos ganharam autonomia e outros passaram a compor o campo das reflexões filosóficas, por exemplo, a bioética. Você já conhece um desses campos? Os nomes dos campos já trazem indícios dos temas a serem investigados? · Campos de investigação da filosofia - A filosofia abrange uma gama ampla de temas e questões, o que torna sua divisão em diferentes campos de investigação algo bastante importante, de forma a sustentar sua radicalidade, rigorosidade e visão de conjunto. Os campos de investigação a serem desdobrados, que também podem ser chamados de “áreas”, podem ser definidos pelas questões que os filósofos levantam e pelo estilo de abordagem. Alguns dos principais campos de investigação da filosofia são: Metafísica; Lógica; Epistemologia; Ética; Estética; Filosofia política; Filosofia da ciência · Metafísica A metafísica é o campo da filosofia que investiga os primeiros princípios e as primeiras causas de todas as coisas. Apesar de ter importância singular na filosofia, há uma discussão sobre sua própria validade. As principais questões metafísicas incluem: · A existência de Deus – o debate quanto à existência ou não de Deus. · A natureza da alma – o debate acerca da natureza da alma, se ela é material ou imaterial, por exemplo. A Ontologia faz parte da metafísica tradicional e seus estudos objetivam o estudo do ser como gênero universal e suas relações. · Lógica A lógica é o campo da filosofia que estuda a validade do raciocínio. Ela é uma ferramenta essencial para a compreensão e a avaliação do pensamento humano. A lógica investiga os princípios que governam o pensamento correto e a argumentação racional. Ela fornece regras para identificar e corrigir erros lógicos. · Epistemologia A epistemologia, também chamada de teoria do conhecimento, é o campo da filosofia que estuda a natureza do conhecimento, investigando sua origem, natureza e validade. As principais questões epistemológicas incluem: · Origem do conhecimento – debate de onde vem o conhecimento, se vem da experiência ou da razão. · Natureza do conhecimento – debate sobre a natureza do conhecimento, se ele é subjetivo ou objetivo. · Validade do conhecimento – debate acerca da validade do conhecimento, se ele pode ser justificado ou não. · Ética A ética é o campo da filosofia que estuda os valores morais e o agir humano. Ela investiga questões como o bem e o mal, o certo e o errado, a justiça e a injustiça, entre outras. As principais questões éticas incluem: · O que é o bem e o mal? – debate sobre o que é o bem e o mal,quais valores morais se alinham com eles, logo, quais devem ser cultivados, quais evitados. · O que é o certo e o errado? – debate quanto ao que é o certo e o errado, quais são as normas que devemos seguir, questionar e evitar. · O que é justiça? – debate acerca do que é justiça, quais são os princípios que devem guiar a distribuição de bens e direitos. · Estética A estética é o campo da filosofia que se ocupa do belo, do gosto, da imaginação, da percepção, das sensações. Nesse contexto, a estética é um campo da filosofia, cuja reflexão inclui a perspectiva subjetiva e sensível. As principais questões estéticas incluem: · O que é belo? – debate sobre o que é belo, quais são as características que tornam algo belo. · Qual é a relação entre belo e arte? – debate acerca da relação entre beleza e arte, se a arte deve ser bela ou não. · Qual é o papel da arte na sociedade? – debate sobre o papel da arte na sociedade, se a arte tem um papel social ou não. · Filosofia política A filosofia política é o campo da filosofia que investiga a natureza da política, do governo e da sociedade. Ela se preocupa com questões como a origem do Estado, a natureza da justiça e sua aplicação, a relação entre o indivíduo e o Estado. Alguns dos principais temas da filosofia política incluem: · Natureza do Estado – O que é? De onde vem? Qual é sua função? · Natureza da justiça – O que é? Quais são os seus princípios? · Relação entre indivíduo e Estado – Qual é o papel do Estado na vida do indivíduo? Quais são os direitos e os deveres do indivíduo em relação ao Estado? · Filosofia da ciência A filosofia da ciência é o campo da filosofia que investiga a natureza da ciência, o método e o conhecimento científico. Ela se preocupa com questões como a origem do conhecimento científico, provisoriedade da “verdade” científica, a relação entre ciência e realidade, o papel da ciência na sociedade. Alguns dos principais temas da filosofia da ciência incluem: · Natureza da ciência e conhecimento científico – o que é ciência e quais são as suas características. O que é conhecimento científico e como é obtido. · Método científico – qual é o método científico e como funciona. · Ciência e realidade – qual é a relação entre a ciência e a realidade. · Ciência na sociedade – qual é o papel da ciência na sociedade. · IFES – FILOSOFIA II - 2011 - 2 Qual seria, então, a utilidade da Filosofia? Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se deixar guiar pela submissão às ideias dominantes e aos poderes estabelecidos for útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da História for útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes. Marilena Chauí, em clara apologia à utilidade da Filosofia, expõe campos de investigação muito próprios à construção do saber filosófico, como a Estética, a Ética e a Filosofia Política. Tendo por base os diversos campos, temas e disciplinas que cabem à Reflexão Filosófica, apresente a assertiva que NÃO corresponde ao campo filosófico com sua definição de maneira plenamente correta. A. A Ontologia ou Metafísica: é o conhecimento dos princípios e fundamentos últimos da realidade e de todos os seres. B. A Lógica: é a modalidade de saber preocupada com as formas e regras gerais do pensamento correto e verdadeiro, levando em consideração os conteúdos e as maneiras em que o discurso é colocado. C. A Epistemologia: é a análise crítica e ponderada dos postulados científicos, tanto das ciências exatas quanto das ciências humanas, avaliando métodos e resultados, compatibilidade e incompatibilidade. D. A Ética: corresponde aos estudos dos valores morais, das relações entre vontade e paixão, ideias de liberdade, responsabilidade, dever e obrigação. E. A Filosofia Política: corresponde aos estudos sobre a natureza do poder e da autoridade, além das ideias de direito, lei, justiça, dominação, violência, Estado, Revolução, formas de governo e a análise e crítica das ideologias. ************************************************************************** Aula 7 - Senso Comum - O conhecimento do senso comum. –Selecionar evidências acerca do senso comum; Elaborar hipóteses, a partir do senso comum, sobre a explicação de desdobramentos da sociedade; Selecionar evidências que distingam o senso comum da filosofia e da ciência. O senso comum - No vídeo curto, o professor de inglês, Eustáquio Pereira, faz uma distinção clara entre bom senso e senso comum que, dentre outras formas, pode ser descrito como convergência de ideias de um grupo social. Por exemplo, há um consenso de que chá de camomila é calmante. Você conhece algum outro exemplo de senso comum? O senso comum e o conhecimento científico Chamamos de senso comum ao conhecimento herdado pela tradição, assim como ao conhecimento adquirido pela experiência, que é compartilhada socialmente. Não se trata de conhecimento sistematizado, mas tem o potencial de conferir uma certa unidade a grupos sociais. O conhecimento científico deriva de uma busca objetiva por resultados e respostas para questões e problemas complexos. Esse conhecimento envolve a proposição de hipóteses, coleta de dados e experiências capazes de comprovar ou refutar uma teoria proposta. O conhecimento científico é formalizado e divulgado por meio de artigos, revistas, bases de dados, entre outros. A Filosofia e o conhecimento científico A Filosofia e a Ciência têm uma origem comum: a busca por conhecimento seguro sobre a natureza e sobre as relações humanas. Os filósofos pré-socráticos são um exemplo desse início comum, ao buscarem relações de causalidade nos fenômenos naturais. Mas o início comum acabou levando a caminhos diferentes. Filosofia e Ciência separaram-se gradativamente ao longo dos séculos. Foi determinante para essa separação, o estabelecimento do método científico fundamentado na experimentação, comprovação de hipóteses e neutralidade da ciência, assim como uma certa especialização dos saberes. A filosofia, por meio da atividade reflexiva, questiona as certezas, inclusive as científicas, assim como a suposta neutralidade da ciência, e se expressa por meio de diferentes gêneros textuais. “Verdades” do senso comum Marque (S) para enunciados do senso comum ou (C) para enunciados científicos: 1. ( C) A água entra em ebulição quando atinge 100°C ao nível do mar. 2. ( S ) Sal grosso descarrega o ambiente das energias negativas. 3. ( S ) Quebrar espelho traz sete anos de azar. 4. ( C ) O verão é mais quente, porque o sol está mais próximo da Terra. 5. ( S e C ) Roupas escuras são mais quentes. “Chamamos de senso comum ao conhecimento adquirido por tradição, herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da experiência vivida na coletividade a que pertencemos. Trata-se de um conjunto de ideias que nos permite interpretar a realidade, bem como de um corpo de valores que nos ajuda a avaliar, julgar e, portanto, agir. O senso comum, porém, não é refletido e se encontra misturado a crenças e preconceitos. É um conhecimento ingênuo (não-crítico), fragmentário (porque é difuso, assistemático e muitas vezes sujeito a incoerências) e conservador (resistente a mudanças) ” (ARANHA; MARTINS, 2003, p. 60). Senso comum - Principais características do senso comum: · Informal, pois é adquirido pela experiência cotidiana, pela observação e pela repetição. · Subjetivo, pois é influenciado por crenças, valores e preconceitos pessoais. · Compartilhado por um grupo social. · Prático, pois é utilizado para orientar nossas ações no mundo. · · Senso comum invalidado? Apesar de o senso comum ser um conhecimento que se encontra em primeiro nível em termos de sabedoria, não deve ser desvalorizado ou ter sua importância reduzida. Em diversassituações, ele é de suma importância para o ser e estar no mundo. Contudo, é preciso discutir suas “verdades” de forma a se construir um conhecimento mais complexo, sistematizado e coerente, para além do porque sim ou porque todo mundo faz assim. É preciso ser crítico, utilizar argumentos consistentes, repensar soluções e situações. · A pobreza e o senso comum Suponha que um grupo de pessoas está discutindo sobre "a melhor maneira de resolver o problema da pobreza". São apresentados diferentes pontos de vista, todos pautados no senso comum. Escreva, pelo menos dois pontos de vista sobre a pobreza, embasados pelo senso comum, e explique por que trata-se de senso comum e não de uma reflexão filosófica ou pesquisa científica. 1. A pobreza é causada pela falta de vontade de trabalhar. As pessoas que são pobres são preguiçosas e não querem se esforçar para melhorar suas vidas. Porque é senso comum: Este ponto de vista é fundamentado na ideia de que as pessoas são responsáveis pelo seu próprio destino. Se as pessoas são pobres, é porque elas escolheram ser pobres. Ele não leva em consideração os fatores externos que contribuem para a pobreza, como a desigualdade social, a falta de oportunidades e a discriminação. Isto é, não há uma reflexão filosófica, questionadora, assim como falta análise de dados e pesquisas sobre economia e políticas públicas etc., para fazer a afirmação. 2. A pobreza é causada pela falta de educação. As pessoas que são pobres não têm acesso a uma boa educação e isso dificulta que elas encontrem um emprego decente e tenham uma vida melhor. Porque é senso comum: Este ponto de vista é fundamentado na ideia de que a educação é a chave para o sucesso. Se as pessoas tiverem uma boa educação, elas terão mais chances de encontrar um emprego e melhorar suas vidas. Contudo, assim como o anterior, este ponto de vista não leva em consideração outros fatores que contribuem para a pobreza, como a falta de oportunidades, a discriminação e a desigualdade social. Sua afirmação carece de reflexão e pesquisas. Aula 8 - Civilização científica e tecnológica – Elaborar hipóteses, selecionar evidências, compor argumentos acerca dos avanços da ciência e da tecnologia ao longo do tempo; Utilizar as reflexões de quatro filósofos, de tempos distintos, sobre o mesmo tema, para discutir a civilização científica e tecnológica. Ciência e tecnologia - A ciência e a tecnologia avançam o tempo todo. Esses avanços geram impactos diretos na vida das pessoas e precisam ser pensados. O que as crianças observam e por quê? Nesse momento, elas estariam pensando ou refletindo? Quais seriam suas preocupações? Você se reconhece nessa cena? A ciência e a tecnologia estão em todo lugar. Você concorda com a afirmação acima? Quais elementos do seu entorno corroboram a sua posição? Por quê? Faça dupla com a pessoa que está ao seu lado para responder a essa questão. Quem tiver o número menor na chamada começa. A civilização científica - Ciência e tecnologia estão sempre próximas, e uma acaba influenciando o desenvolvimento da outra, a ponto até de se confundirem. A Ciência, de forma geral, tem como desafio inicial conhecer a natureza e seus fenômenos, descobrir as suas leis gerais causais e, para isso, faz uso de recursos tecnológicos. A Tecnologia tem caráter prático e instrumental, como forma de extensão das capacidades humanas, que possibilita a expansão da ação humana no mundo. Nesse processo, utiliza de certos conhecimentos científicos. Desde os tempos remotos, o ser humano contempla o universo buscando compreender algo. Existem mistérios que, até hoje, o homem busca entender e desvelar. Se hoje vivemos em uma civilização científica e tecnológica, é devido à curiosidade e à busca contínua pelo conhecimento, de forma crítica. Alguns nomes marcaram a história da Filosofia e da Ciência, entre eles estão Aristarco de Samos, Nicolau Copérnico, Giordano Bruno e Galileu Galilei. Aristarco de Samos - Aristarco de Samos foi o primeiro estudioso a propor o modelo heliocêntrico do Sistema Solar, colocando o Sol, e não a Terra, no centro do universo. Viveu, aproximadamente, entre 310 a.C. e 230 a.C., no período pré-socrático da Grécia Antiga, em que os pensadores se ocupavam em desvendar os “mistérios da natureza”, por isso também eram chamados de físicos. Era astrônomo e matemático. Nicolau Copérnico - Nicolau Copérnico viveu entre 1473 e 1543, na Prússia Real, reino da Polônia. Filósofo e astrônomo que propôs a teoria heliocêntrica, posicionando o Sol no centro do Sistema Solar, uma antítese da teoria vigente, a geocêntrica, que posicionava a Terra no centro. Mesmo sendo cônego da Igreja, que defendia o geocentrismo, ele acreditava no heliocentrismo. A teoria de Copérnico impulsionou a Astronomia, sendo considerada uma das mais importantes hipóteses científicas já elaboradas. Giordano Bruno - Giordano Bruno viveu entre 1548 e 1600, no território que hoje é a Itália. Propôs o pluralismo cósmico, teorizando que as estrelas são sóis longínquos, com seus respectivos planetas, os quais poderiam criar e desenvolver vida, ampliando o modelo copernicano. Também afirmava que o universo é infinito, por isso não teria "centro". Foi condenado à morte pela Inquisição Romana, acusado de negar importantes doutrinas católicas. Além de filósofo e matemático, foi frade dominicano italiano. Galileu Galilei - Galileu Galilei (Pisa, 1564-Florença, 1642), com o aperfeiçoamento do telescópio de Hans Lippershey, fez observações detalhadas do céu e identificou as quatro maiores luas de Júpiter, manchas solares, montanhas e crateras da superfície lunar, pontos fixos na órbita de Saturno (primeiros indícios da existência dos anéis), comprovando sua teoria de que o Sol girava em torno de um eixo. Também era defensor da teoria heliocêntrica de Copérnico e foi condenado pela Igreja, mas se retratou apenas para ser poupado da morte. 1. Há um tema em comum nas reflexões dos quatro pensadores. Qual? A questão em comum, na reflexão dos quatro pensadores, é a proposição do heliocentrismo como substituto do geocentrismo. 2. Como o contexto temporal em que cada um deles está inserido diferencia suas abordagens sobre o tema? Séculos separam Aristarco de Samos e Galileu Galilei. Esse fator é determinante quanto ao desenvolvimento da tecnologia que facilitou ou incapacitou a corroboração de suas teorias. Nesse caso, enxerga-se uma progressão do conhecimento, que se constitui também no aprimoramento daquilo que já foi produzido anteriormente. Aristarco observava o movimento dos corpos celestes a olho nu, lançando mão de cálculos para estabelecer seus enunciados. Copérnico, também por meio de observação, focalizou o eixo da Terra como argumento para afirmar a rotação e translação em torno do Sol, mas, como Aristarco, não tinha instrumentos precisos para comprovar suas teorias. Giordano Bruno se valeu das proposições de Copérnico para ampliar a ideia deste, propondo o pluralismo de mundos em que planetas e estrelas circundam um único sol. Por fim, Galileu se beneficiou do telescópio para realizar seus estudos e enxergar o espaço e suas estrelas com mais nitidez e detalhes. Destaca-se que é evidente como o conhecimento foi se ampliando ao longo do tempo, de forma cumulativa. Galileu mesmo aprimorou o telescópio a partir do projeto de Hans Lippershey. Aula 9 - Ciência e tecnologia – Ética e liberdade – Elaborar hipóteses, selecionar evidências, compor argumentos acerca da discussão ética e da liberdade na ciência e na tecnologia; Protagonizar debates e discussões quanto aos limites propostos pela ética e para a liberdade. Ciência e tecnologia - Cabelos bonitos e pele macia por causa dos cosméticos que a ciência desenvolveu. Saúde em dia por causa de remédios, das vacinas e dos tratamentos. De onde veio tudo isso? Será que é tão simples assim? Muitos produtos de saúde e beleza que utilizamos foram desenvolvidos a partir de pesquisas científicas com testes em animais. Porém, atualmente, há movimentos na sociedade contrários a essa prática da ciência. Você acha que o cientistadeve ter toda a liberdade para pesquisar o que e como quiser? Desenvolvimento da ciência e do bem-estar - Sofrimento animal e bem-estar humano podem andar juntos? Não! O artigo “Ciência em animais de laboratório” (Ciência e Cultura) traz uma importante reflexão sobre o uso de animais em laboratório. O texto alerta para os constantes questionamentos sobre essa prática em experimentação científica. O artigo traz um importante questionamento acerca do que é bem-estar em laboratórios para as diferentes espécies e uma importante conclusão: “o desenvolvimento da ciência a favor do homem não pode nem deve servir de alicerce para o uso indiscriminado e o desrespeito com os animais. É necessária uma postura ética frente à necessidade do desenvolvimento da ciência e a adoção de medidas que diminuam o sofrimento dos animais e favoreçam seu bem-estar”. · Atualmente a sociedade está bastante preocupada com o uso e as condições dos animais nas pesquisas científicas. Se eles são importantes para o avanço de algumas pesquisas, é imprescindível respeitar todos os seres vivos, garantindo-lhes condições mínimas de bem-estar nos laboratórios, dentro de princípios éticos. · Portanto, o cientista deve estar atento aos valores adotados pela comunidade científica, bem como da sociedade como um todo, no desenvolvimento de suas pesquisas, procurando novos rumos ao se deparar com limites éticos e de liberdade determinados por ela. As teorias e o pensamento científico - As teorias científicas buscam responder perguntas e, para além de uma pretensa neutralidade e imparcialidade, devem buscar objetividade e generalização. Sobre as teorias, podemos fazer algumas considerações: · Teorias são explicações generalizadas sobre algum aspecto da realidade e são baseadas em evidências capazes de produzir predições. · Teorias são constantemente defendidas, modificadas ou substituídas (sempre que se mostrem insuficientes para generalização e predição). · A definição científica de “teoria” não pode ser confundida com uma suposição, uma vez que teorias científicas demandam testes variados e constantes com uso de protocolos de observação, medida e avaliação dos resultados. A ciência é sempre um trabalho em progresso e as suas conclusões são sempre provisórias. Mas assim como a palavra “teoria” significa algo especial para o cientista, o mesmo acontece com a palavra “tentativa”. As conclusões da ciência não são provisórias no sentido de que são temporárias até que a verdadeira resposta apareça. As conclusões científicas estão bem fundamentadas no seu conteúdo factual e no seu pensamento e são provisórias apenas no sentido de que todas as ideias estão abertas ao escrutínio. Na ciência, a hesitação de ideias como a natureza dos átomos, das células, das estrelas ou da história da Terra refere-se à vontade dos cientistas de modificar suas ideias à medida que surgem novas evidências. Assim, uma teoria não se apresenta como uma conclusão fechada em si mesma, mas deve possibilitar ampliar perspectivas. Agora, reflita sobre o significado da liberdade no contexto do pensamento conforme o contexto do excerto apresentado. · Ciência, tecnologia e ética Para o filósofo Gérard Fourez, a ciência é feita por humanos, que têm limitações e sofrem influências sociais e, por isso, a ciência deve ser também crítica. “[...] um laboratório terá uma boa performance tanto por seu pessoal ser bem-organizado e ter acesso a aparelhos precisos como por raciocinar corretamente. A fim de produzir resultados científicos, é preciso também possuir recursos, acesso às revistas, às bibliotecas, a congressos etc. É preciso que, nas unidades de pesquisa, a comunicação, o diálogo e a crítica circulem. [...] Mais uma vez, a ciência aparece como um processo humano, feito por humanos, para humanos e com humanos” (FOUREZ, 2012, p. 175). · O filósofo Gérard Fourez aponta o caráter humano do fazer científico. Logo, é necessário reconhecer a ciência como processo humano para estabelecer limites éticos? Por quê? · Correção A ciência é um fazer humano, assim como a ética. Muitos exemplos permeiam o meio científico em relação às questões éticas. Um deles, bastante contundente, é a pesquisa por medicação para curar doenças. É uma questão de ética não deixar que pessoas adoeçam ou até mesmo morram, para verificar a eficácia de fármacos. Cabe à ciência procurar caminhos para chegar às conclusões almejadas, de forma a respeitar a humanidade e a natureza como um todo. Além disso, o cientista, como qualquer indivíduo, tem responsabilidades das quais não pode abdicar, precisa ser capaz de examinar sua produção e a dos colegas, refletir sobre sua atividade, sem perder de vista que está inserido em uma civilização. Logo, deve fazer uso de sua liberdade considerando os valores éticos. · Grupo e discussão Você costuma acompanhar notícias sobre o avanço científico? Aplique o que você aprendeu nesta aula no cotidiano. Procure por um tema que lhe interessa e se aprofunde por meio da imprensa e outros meios de divulgação. Então, crie um grupo de discussão com seus colegas acerca dele, em redes sociais. Vocês podem estabelecer muitos critérios para a manutenção do grupo, mas alguns são imprescindíveis, como a validade das informações compartilhadas e os valores a elas imbricados. As ações do grupo podem e devem também discutir a própria ética estabelecida e os contextos de liberdade a ela atrelados. Aula 10 - Ciência e tecnologia - A civilização científica e tecnológica no contexto da cultura e da religião. Elaborar hipóteses, selecionar evidências, compor argumentos acerca do contexto da cultura e da religião na ciência e na tecnologia; Compreender o papel e os limites da cultura e da religião. Ciência, cultura e fé - 1. Ciência e religião enxergam o mundo do mesmo jeito? 2. Atualmente, há conflitos entre conhecimentos científicos, cultura e a fé religiosa? Dê um exemplo. Circule pela sala e encontre alguém para discutir as duas questões anteriores. · Os desafios da ciência Imagine um país com histórico de ter erradicado várias doenças por meio de amplas campanhas de vacinação, com rede pública de saúde capilarizada, técnicos experientes e capacidade de produção nacional. Esse país deveria se sair muito bem diante de uma emergência em saúde pública como a pandemia de covid-19, certo? Mas quando ela chega, esse mesmo país lidera em número de mortes, não tem articulação central para um programa de imunização, demora para comprar vacinas e sofre com a lentidão na aplicação das doses, por conta de uma nova cultura, o movimento antivacina. · Os desafios da ciência “É frequente, entre nós, que análises baseadas nas ciências sociais sejam confundidas com interpretações do senso comum por parte das demais áreas do conhecimento. Não levam em conta o que é metodologicamente próprio das diferentes ciências. Provavelmente nem sabem que uma das funções das ciências sociais é a de estudar e diagnosticar as consequências socialmente problemáticas do próprio desenvolvimento científico [...]. Em nome de religião que eventualmente professe, um cientista pode cercear-se na pesquisa, suprimindo temas e problemas de investigação que contrariem suas convicções religiosas. Ou em nome de determinada opção político-partidária, mesmo um cientista social pode fazer danosas correções de interpretações para que não colida com suas ideias não científicas [...] · Os desafios da ciência Não é raro que haja quem pense que a função do cientista se baseia no pressuposto da condição de ateu. Em alguns casos, nas culturas de religiosidade extremada e ultramontana, a opção pelo ateísmo favoreceu defensivamente a indagação científica. Nos cientistas de opção preferencial pela ciência deixou aberta a iluminadora porta da dúvida em relação ao propriamente extracientífico. Exatamente porque a ciência não é campo de certeza absoluta. Ciência só é ciência cercada pela margem da incerteza, da dúvida. Todo o tempo a ciência põe em dúvida o já sabido. Ainda que acumulativo, o conhecimento científico é provisório e relativo. (MARTINS,José de Souza. Ideologia na ciência no Brasil. Jornal da USP, 2000) A Igreja [...] por muito tempo rejeitou o heliocentrismo, em parte porque pregava que a Terra era o centro do universo, conforme interpretação do mito bíblico da criação. Também existe um salmo (93) que foi compreendido como evidência para a teoria geocêntrica: "A Terra está firme no seu lugar e não poderá ser abalada". Especificamente, membros da Igreja [...] usaram esse versículo para pregar que a Terra não girava em torno de nada, por estar "firme no seu lugar". Isso vai na direção oposta à ideia heliocentrista da órbita dos planetas, [que foi aprimorada ao longo do tempo por diversas pessoas ligadas às ciências e à filosofia, a partir de evidências concretas]. Como parte de uma civilização, a visão de mundo que as pessoas têm se constrói por meio de elementos oriundos da filosofia, da arte, da ciência, da cultura, da religião, entre outros. Uma forma de estudar a influência desses conhecimentos no cotidiano das pessoas é compreendê-los como lentes, pelas quais se enxerga o mundo. Cada lente tem formato e objetivo particular, o que a torna excelente em propósitos específicos, mas que distorce o que se enxerga por ela, quando utilizada em finalidades para as quais não foi criada. Tais distorções não podem ser utilizadas para desqualificá-la, quando se tem consciência de seu uso inadvertido; bem como não é coerente apropriar-se das distorções para justificar posicionamentos específicos, ante a interesses particulares ou de um grupo específico. Portanto, a lente da ciência serve para analisar a ciência. Assim como a lente da religião deve ser utilizada na religião e a da cultura, especificamente, em análises da cultura. · Retome as duas indagações iniciais da aula (1. Ciência e religião enxergam o mundo do mesmo jeito? 2. Atualmente, há conflitos entre conhecimentos científicos, cultura e a fé religiosa? Dê um exemplo.) e as respostas que você lhes deu, para realizar a atividade. De acordo com Galileu, o conflito entre a lente da ciência e a lente da fé é apenas aparente. Assim, é importante compreender o papel de cada uma dessas “lentes” para utilizá-las, pois se usadas em finalidades para as quais não foram criadas, elas podem distorcer o que se enxerga através delas. Escolha um dos exemplos de conflitos entre ciência e fé religiosa, apresentados no início dessa aula, e responda à seguinte questão: Como seria possível superar tal conflito? · Correção Essa é uma questão aberta. Um conflito que pode ser analisado são os tratamentos para a saúde: fazer orações, promessas ou outras atitudes movidas pela fé, bem como pela cultura, como colocar um algodão molhado na testa para acabar com o soluço, conhecimentos do senso comum e da fé, não eliminará doenças. Contudo, a ciência reconhece que a fé e a cultura têm papel importante em tratamentos médicos. As interpretações religiosas e culturais, em geral, não são equivocadas se analisadas dentro das instituições e das comunidades em que se inserem. O problema é quando se propõe utilizá-las para interferir em esferas que lhes são estranhas, como a ciência, por exemplo, dificultando o avanço científico. Muitas vezes, as lentes religiosas culturais não se comportam bem com elementos da materialidade científica. · Aprofunde e compartilhe o conhecimento O desenvolvimento científico não para em todos os campos de atuação da civilização. Portanto, é importante que saibamos o que está sendo pesquisado e como as descobertas científicas beneficiam ou prejudicam a humanidade. Uma forma de fazer isso é acompanhando a mídia especializada, participando de fóruns de discussão e mesmo esclarecendo o que é o desenvolvimento científico e como ele se processa, para as pessoas de seu convívio, o que é uma forma de aplicar o que aprendeu. Comece pelos seus colegas. Aula 11 - Ciência e tecnologia - Desenvolvimento científico - O desenvolvimento científico. Elaborar hipóteses, selecionar evidências, compor argumentos acerca dos meios pelos quais o desenvolvimento científico se processa; Reconhecer a importância da filosofia para o desenvolvimento científico. Avanços científicos e novas tecnologias podem estar em desacordo com os nossos conhecimentos e crenças prévias, como ocorreu em relação às descobertas de Galileu. Escreva um parágrafo em seu caderno em resposta às questões: · Há alguma tecnologia recente que produziu resistências semelhantes? Por quê? Procure explicar por que, mesmo sendo a ciência e a filosofia produtoras de conhecimentos seguros, as pessoas optam por acreditar em pseudoconhecimentos. Trata-se de uma resposta aberta. Uma possível redação seria: Sim, há algumas tecnologias recentes que produziram resistências semelhantes àquelas que Galileu Galilei sofreu. Uma delas é a inteligência artificial (IA). A IA tem o potencial de automatizar tarefas que, atualmente, são realizadas por humanos, o que poderia levar a um aumento do desemprego e a mudanças sociais significativas. Algumas pessoas temem que a IA possa se tornar tão inteligente a ponto de se voltar contra a humanidade. Outros temem que a IA possa ser usada para criar sistemas de vigilância que violem a privacidade das pessoas, entre outros exemplos. Desenvolvimento científico Você deve ter observado que o vídeo faz alusão a elementos estudados nas aulas anteriores: heliocentrismo e geocentrismo; Aristarco, Copérnico e Galileu; aperfeiçoamento do telescópio e seu uso por Galileu; religião e ciência; desenvolvimento da ciência moderna. Em meados do século passado, a corrida espacial propiciou um desenvolvimento científico e tecnológico nunca experimentado pela civilização. Desse movimento, desdobraram-se diversas facilidades e melhorias que tornaram o cotidiano das pessoas mais prático. Atualmente, vivenciamos algo semelhante, mas não análogo. Com uma “corrida tecnológica”, várias frentes se unem para aprimorar a tecnologia, valendo-se do avanço científico. Segundo Thomas Kuhn, a ciência se desenvolve por meio de paradigmas: “paradigmas são as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência” (1991, p. 13). Podemos compreender os paradigmas como aplicações tomadas pela comunidade científica no desenvolvimento de pesquisas científicas, como leis, teorias, experimentos, metodologias, relações, interpretações etc. Um fato a se destacar é que um paradigma nunca deve ser tomado como definitivo. Todo paradigma é provisório. O geocentrismo é um exemplo claro disso. Esse paradigma foi questionado por que apresentava muitas anomalias, que demandaram pesquisas que comprovaram que ele não explicava e/ou ignorava uma série de elementos e evidenciaram que o centro do universo era o Sol, estabelecendo um novo paradigma, por meio de uma “revolução científica”. Esse exemplo vai ao encontro da proposição de Thomas Kuhn. Para ele, o desenvolvimento científico é movido por “revoluções científicas” que marcam a mudança de paradigmas. As revoluções científicas, ou seja, mudanças no paradigma dominante, podem ter repercussões sociais mais amplas, para muito além da comunidade de pesquisadores à qual esse paradigma está ligado. A civilização científica e tecnológica na qual vivemos é fruto das revoluções científicas do passado. Vimos que o estudo da astronomia motivou o desenvolvimento do telescópio por Galileu. Também vimos que o uso desse instrumento de pesquisa produziu uma revolução científica no campo da astronomia, com consequências sociais, religiosas, políticas e culturais. Vamos finalizar as discussões acerca da ciência. Retome as anotações que você fez em seu caderno sobre esta aula e as três aulas anteriores. Forme um grupo de quatro integrantes com seus colegas e leia os tópicos que cada um anotou, de forma a criar um consenso no grupo para responder brevemente aos itens a seguir: 1. Como vocês definiriam “civilização científica e tecnológica”? 2. Por que é possível afirmar que a ética, a liberdade, a cultura e a religiãose conectam ao desenvolvimento científico? Correção 3. A civilização científica e tecnológica é marcada por revoluções científicas constantes em diversas áreas do saber. Um exemplo pode ser encontrado na ciência da computação, com o advento da inteligência artificial e a massificação de ferramentas como o Chat GPT. Essa nova tecnologia tem grandes implicações éticas, sociais e culturais, com as quais estamos aprendendo a lidar. 4. Como o desenvolvimento científico é marcado por revoluções nos paradigmas adotados, segundo Kuhn, não é possível afirmar que no futuro não haverá novas revoluções científicas. A ética, a liberdade, a cultura e a religião podem indicar anomalias no paradigma vigente, estimulando uma nova revolução.