Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

C O M P O N E N T E CURRI C U L A R :
F I L O S O F I A 
APOSTILA DE FILOSOFIA 1ºsemestre 
Organização:
Prof. José Claudemir Borges
O que é Filosofia?
Pense um pouco e responda: 
TRABALHO DE PESQUISA – 
10,0
1. Você saberia dizer o que é
Filosofia?
2. O que seria ter uma 
Atitude Filosófica?
Muitos filósofos dedicaram
boa parte da vida tentando
responder o seria a filosofia? No
entanto, uma definição fechada,
específica e precisa do termo
Filosofia é im- praticável, pois
qualquer formula- ção poderia
induzir a erros ou a equívocos.
A palavra Filosofia é a junção
de dois termos gregos: filos ou
philia
- que significa
amor fraterno,
amizade - e
sofia ou sophia,
que significa
sabedo- ria.
Assim, o senti- do
etimológico da
palavra Filosofia
seria amor à sa-
bedoria ou amor
pelo saber.
Desse modo,
filósofo não é aquele que detém
o saber, e sim aquele que ama e
busca a sabedoria, que tem
amiza- de e desejo pelo saber.
No entan- to, a Filosofia não é
apenas a pura razão, ela é a
procura da verdade.
A filosofia não é um conjunto
de conhecimentos, mas para
além disso. Ela nos leva a uma
inquieta- ção, uma atitude ou um
posiciona- mento diante da vida
e do mundo. Essa inquietude
conduz a uma sé- rie de
indagações e
reflexões e
Indagação: Ato
ou efeito de per-
guntar, investi-
gar, pesquisar.
Equivoco: Inter-
pretação incorre-
ta; engano por
má interpretação
C
ap
ítu
lo
 1
também à não aceitação do ób- vio. A tudo
isso, chamamos de atitude filosófica.
Engana-se aquele que pensa não haver
espaço para a filoso- fia no cotidiano. Nosso
dia a dia é permeado de questões filosó- ficas,
desde a mais simples até as mais complexas.
Um exem- plo disso, são os debates sobre a
pena de morte, o levantamen- to de questões
sobre o desma- tamento e questões
relaciona- das com os direitos humanos, tudo
isso passa pelo espaço
filosófico.
A indagação filosó- fica
geralmente parte de bases
simples, funda- mentos básicos
que, por vezes, são intocados por
parecerem óbvios demais. Na
filoso- fia, o
Indagador que
agora passa a
ser chamado de Filósofo, deve
manter uma postura crítica.
O indagar, a atitude crítica,
a reflexão crítica, levam o ser
que os pratica a uma outra
condi- ção. As redescobertas
feitas po- dem gerar o
agradável espanto do novo,
como também deses- tabilizar
o individuo em todas as suas
certezas.
¹in CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 1995
É por isso que a filosofia nem
sempre teve boa aceitação em
alguns países ou entre algumas
pessoas mais conservadoras.
Seu compromisso em estimular o
pen- samento crítico e dar a
oportuni- dade de que cada um
tire suas próprias conclusões
sobre as situ-
ações de sua
vida, da políti-
ca, da
socieda- de,
sobre as
outras
pessoas, pode
incomo- dar
àqueles que
não têm
interesse em
deixar o pensamento livre e
crítico ganhar espaços em nossa
socie- dade.
Alguns importantes pensadores
e escritores, dentre eles Rubem
Alves, afirma que devemos ter es-
pírito de criança para que
possa- mos exercer nossa plena
capaci- dade filosófica, isso
porque a cri- ança busca saber
coisas novas e se espanta diante
do novo. O ado- lescente,
público alvo do ensino médio
também é curioso e essa
curiosidade é elemento funda-
mental para a filosofia.
Na introdução da obra Mundo
de Sophia, o escritor Jostein
Gaar- der, disse: " A capacidade
de nos surpreendermos é a
única coisa de que precisamos
para
nos tornarmos bons
filó- sofos (...). E agora
tens que te decidir,
Sofia: és uma criança
que ainda não se
habituou ao mun- do?
Ou és uma filósofa que
pode jurar que isso
nunca lhe acontecerá?
...Não quero que tu
per- tenças à categoria
dos apáticos e dos
indiferen-
tes. Quero que vivas a tua vida
de forma consciente."
Assim podemos afirmar que a
atitude filosófica seria a “decisão
de não aceitar como naturais,
ób- vias e evidentes as coisas,
as ide- ais, os fatos, as
situações, os va- lores, os
comportamentos de nos- sa
existências cotidiana; jamais
aceita-los sem antes havê-los
in- vestigados e compreendido”.²
A historia em quadrinhos com a personagem Mafalda, do cartunista argentino Quino. Ao
questionar o mundo, Mafalda se aproxima da atitude filosófica.
As inquietações de Mafalda põem os adultos para pensar.
PERGUNTAS DO HOMEM COMUM PERGUNTAS DE UM FILÓSOFO
Que horas são? O que é o tempo?
Ele está sonhando? O que é o sonho?
As flores são bonitas O que é o belo?
Você está mentindo? O que é a verdade? O que é o erro? 
O que é a mentira?
Fazer perguntas como as citadas acima diz respeito à atitude da
filo- sofia. Com estas perguntas o filosofo busca investigar conceitos,
O
 P
ensador - R
odin/ 1902 - B
ronze e M
árm
ore
abor- dando-os de forma crítica e reflexiva.
²in CHAUÍ, Marilena. Iniciação a Filosofia. 2010. p17.
LEITURA COMPLEMENTAR
“Nós, [homem comum] que vivemos aqui, somos os bichi-
nhos microscópicos que
vivem na base dos pêlos do coelho. Mas os filósofos
ten- tam subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim
de po- der olhar bem dentro dos olhos do grande
mágico.³”
No livro O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder expõe uma
si- tuação figurativa para explicar o que é ser filósofo e o
que o
diferencia do “homem comum”. Para tanto, ele nos trás o
exemplo de um mágico que retira de sua cartola um
coelho que simboliza o mundo. Nos pelos desse coelho
existem “bichinhos microscópicos”, alguns residem na
base dos pe- los, são os homens comuns, ou seja, pessoas
que estão cos- tumadas com o mundo em que vivem,
estão na escuridão da base dos pelos, não se perguntam
sobre o mundo e estão acomodadas no conforto da
pelagem do coelho, aceitando, assim, as coisas como são.
Elas não se questionam, portan- to, por que as coisas não
são diferentes do que se apresen- tam a elas, tendo como
verdades, principalmente, o que ve- em e o que ouvem.
O filósofo, por sua vez, sobe da base para as pontas
dos pelos do coelho em busca da iluminação do
conhecimento que lhe permite questionar o mundo em que
vive, ou seja, a filosofia existe para fazer questionamento
que os “homens comuns” não fazem.
1. Afinal o que é filosofia?
2.Você acredita que a Filosofia pode mudar a vida das pessoas?
3.Qual o significado da palavra filosofia?
4.O que é a atitude filosófica?
5.Quais as características da atitude filosófica?
6.Porque nem sempre a filosofia é aceita entre as pessoas?
7.Dê exemplos de perguntas filosóficas
TESTE DE FILOSOFIA -10,0
Exercitando o que 
aprend
deu
4in GAARDER, Jositein. O Mundo de Sofia. Adaptado
O Nascimento da Filosofia
A filosofia, como a entendemos
hoje, tem seu início no século VI
a.C., na Grécia Antiga. O
nascimen- to da filosofia pode ser
entendido como o surgimento de
uma nova ordem do pensamento,
comple- mentar ao mito, que era
a forma de pensar dos gregos.
Uma visão de mundo que se
formou de um con- junto de
narrativas contadas de ge-
ração a ge-
ração por
séculos e
que trans-
mitiam aos
jovens a
experiência
dos an-
ciãos. Essa
passagem
no entanto,
ocorreu durante um longo
processo histórico. Poderia ter
surgido em qualquer lugar, mas
naquele mo- mento da história
diversas coisas ocorriam para que
ali fosse seu co- meço.
A Grécia Antiga vivia um
momen- to de auge de sua cultura.
O comér- cio com outros povos
trouxe conhe- cimento. A
produção artística era muito ativa.
Havia os jogos olímpi- cos. A
linguagem, moeda e tecnolo- gia
(de arquitetura e militar) tam- bém
marcaram esse período.
Os primeiros pensadores a se-
Tales, Pitágoras, Heráclito e
Xe- nófanes que, na época,
concen- travam seus esforços
em tentar responder
racionalmente às
questões da realidade
humana. Numa época em que
pratica- mente tudo era
explicado atra- vés da
mitologia e da ação dos
deuses, esses pensadores
bus- cavam, em pensamentos
lógi- cos e racionais, explicar
qual a fundamentação e a
utilidade dos valores morais na
socieda- de da época.
Também queriam identificar as
característicasdo
conhecimento puro, as origens
das coisas e dos fatos e
outras indagações que surgiam
confor- me o caminhar
intelectual da época.
Numa época em
que praticamen-
te.
Hi s t o r i c a
- mente, a
Filoso- fia como
conhe- cimento
se inici- ou com
Tales de Mileto,
o primei- ro
filosofo oci-
dental que bus-
cou explicar a
existência por
meio de um
principio único.
Tales de Mileto
(624 a 546 a.C)
C
ap
ítu
lo
 2
rem chamados de filósofos foram Considerado o primeiro Filosofo
Grego, afirmava que a origem de
todas as coisas era a água.
2.1. Condições históricas para o
surgimento da Filosofia
A filosofia não surgiu de uma
aos gregos uma situação
financei- ra mais igualitária, o
prestígio soci- al que antes era
benefício de ape-
dia para o outro, o pensamento nas algumas famílias diminuiu,
filosófico é resultado de um pro- assim como o prestígio que deti-
cesso gestado ao longo dos
tem- pos.
Vejamos agora alguns dos
fato- res que contribuíram para o
surgi- mento da filosofia.
Invenção do calendário -
Os gregos aprende-
ram que era
nham. As artes ganharam
patroci- nadores, estimulando
assim o sur- gimento de novos
artistas.
Invenção da escrita alfabética
- O uso do alfabeto fez com que
os gregos se expressassem de
forma mais clara, colaborando
para
que suas ideias fossem me-
possível contar lhor compreendidas e difundi-
o tempo das 
es-
das pelo mundo afora, levan-
tações do ano,
definindo quan-
do e de que
for- ma
aconteciam
do a sabedoria as pessoas. 
Invenção da política - Com 
a invenção da politica 
surgiram novas fontes de 
informação, a
as mudanças 
do
lei passou a abranger muitas
clima e do dia, outras coisas e chegou até as
notando que o
tempo passava por transforma-
ções espontaneamente e não
por intervenções divinas.
Invenção da moeda - Os
gre- gos aprenderam a arte
de negociar, não mais se
efe- tuava a venda de uma
mer- cadoria
aceitando como
pagamento a troca por mer-
cadoria semelhante, o paga-
mento tornou-se monetário, ou
seja, a moeda substituiu o poder
de troca.
Surgimento da vida urbana -
O desenvolvimento da cidade
trouxe
pessoas,
pública vol-
tada para
discursos e
debates, lo-
cal no qual
os gregos
debatiam e
propagavam
suas ideias
a respeito
da política.
criou-se uma área
A política estimula um discurso que
procura ser público, ensinado,
transmitido, comunicado e
discutido.
LEITURA COMPLEMENTAR
A filosofia nasceu do espanto
Certo dia um menino chamado Saber abriu os olhos e viu que
a Terra era um pequeno planeta, perdido na imensidão do caos.
O pequeno filósofo passou, então, a contemplar os pequenos
seres que Deus havia criado com tanta paixão. E admirando-se,
então, das coisas estranhas à sua volta, começou a formular as
mais variadas perguntas:
OBSERVATÓRIO 
-Por que os astros se movimentam?
-O que é o ser?
-Quem é o homem?
-Qual o sentido da vida?
Ao nos concentrarmos nas perguntas formuladas pelo
pequeno sábio, vemos que não podem ser respondidas
cientificamente, o que as tornam perguntas irrespondíveis.
Portanto, o estado de admiração diante das novas e que o
pe- queno sábio não consegue compreender, chamamos aquilo
de es- panto.
O espanto, pois, é o inicio do filosofar. E o filósofo, por sua vez,
é um perito na arte de espantar-se.
A filosofia nasceu da admiração dos gregos diante daquilo
que não compreendiam.
E porquê o espanto? Porque é este sentimento de
admiração, que o Homem experimenta ao confrontar-se com as
coisas e os acontecimentos, que determina o aparecimento de
interrogações. Do espanto nasce a interrogação, característica
essencial da atitu- de filosófica. Possuidor de espírito critico, o
filosofo é assaltado pela dúvida, pois sabe que o habitual e o
que pensa conhecer, po- de não ser mais do que uma ilusão. É
por isso que o que a muitos de nós parece óbvio continua a ser
problemático para o filósofo, continua a espantá-lo e a dar
origem a questões que se renovam constantemente.
Exercitando o que aprendeu TESTE 
1.Onde e quando surgiu a Filosofia?
2. O que tentavam responder os primeiros filósofos?
3. Quais fatores contribuíram para o surgimento da filosofia?
4. Quais perguntas fizeram os primeiros filósofos?
5. Quem foi o primeiro filósofo a ver a filosofia como uma forma de conhecimen-
to?
6.Qual o principio de todas as coisas segundo Tales de Mileto?
7. Como a invenção da politica influenciou o surgimento da Filosofia?
Mito e Filosofia
Cena do filme Como Treinar o seu Dragão
Antes da Filosofia, todas as
coisas eram explicadas por
meio da crença em seres e
forças so-
origem e a forma das coisas,
suas funções e finalidade, os
poderes do divino sobre a
natureza e os
brenaturais que agiam sobre o homens. 
Ele
vem em forma de
mundo, governando os
aconteci- mentos e o destino
dos homens. Os povos
primitivos acreditavam
que as doen-
ças, a morte,
os fenômenos
naturais depen-
diam da vonta-
de dos deuses.
Pr o c u r av am
por isso agir de
modo a não
lhes provocar a
ira para não
serem por eles
castigados.
Um mito é uma narrativa sobre
a origem de alguma coisa
(origem dos astros, dos
homens, das plantas, dos
animais, do bem e
narrativa, cria-
da por um nar-
rador que pos-
sua credibilida-
de diante da
sociedade, po-
der de lideran-
ça e domínio
da linguagem
con- vincente,
e que, acima
de tudo, “jogue
para a boca do
mito” o que
gostaria de
impor, mas
adequando a estrutura do mito
de uma forma que tranquilize os
âni- mos e responda às
necessidades do coletivo.
Assim, Homero e Hesíodo são
do mal, da morte, etc). O mito considerados os educadores da
narra as origens das coisas por
meio de forças sobrenaturais.
Ele narra como seres
sobrenaturais fizeram a
realidade começar a
Grécia por excelência, pois por
se- rem tidos como portadores
de uma verdade fundamental
sobre a origem do universo, das
leis etc.
existir. Como já foi visto no capitulo
A palavra mito é grega e
signifi- ca contar, narrar algo
para al- guém que reconhece o
proferidor do discurso como
autoridade so- bre aquilo que foi
dito.
O mito surge a
partir da ne-
cessidade de
explicação sobre a
C
ap
ít
u
lo
 3
anterior somente a partir de deter- minadas
condições que o modelo mítico foi sendo
questionado e substituído por uma forma de
pen- sar que exigia outros critérios para a
confecção de argumentos.
3.1. Diferença entre mito e Filosofia
O mito é um relato que oferece
uma explicação definitiva; o mito
não precisa de justificativa.
Ao
contrário, é o
mito que justifica
uma sociedade,
uma cultura, um
costu- me, como
vimos acima.
Da maneira
como é
elaborado, o mito
não é para ser
criticado ou
discutido. Da
mesma forma,
ele não precisa
ser apresentado
atra- vés de
argumen-
tações - ele simplesmente é co-
municado à comunidade por
aqueles que se consideram os
arautos das Musas ou dos Deu-
ses.
A filosofia é uma narrativa que
não oferece uma explicação defi-
nitiva, já que a discussão é
própria da filosofia. Existem
sistemas filo- sóficos que
pretendiam oferecer uma
explicação definitiva da reali-
dade.
Outro aspecto é que a filosofia
sempre precisa se justificar. O
pró- prio ato de filo-
sofar já implica
a apresentação
de uma
justifica- tiva
daquilo que vai
ser dito. Por ser
um processo
baseado na ex-
periência e/ou
no raciocínio
lógico, a
filosofia sempre
está su- jeita a
criticas.
Assim Mito e Filosofia, se com-
plementam entre si, haja vista
que um sempre sucede o outro
de for- ma cíclica no decorrer do
tempo.
Mito da caixa de pandora
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE MITO E FILOSOFIA
MITO FILOSOFIA
- Fixa a narrativa no passado - Se preocupa em explicar como e porque,
no passado, no presente e no futuro
- Narra a origem através de genea- logias
e rivalidades ou alianças entre forças
divinas sobrenaturais e personalizadas
(Urano, Ponto e Gaia);
- Explica a produção natural das coi- sas
por elementos e causas naturais e
impessoais (céu, mar e terra).
- Não se importa com contradi-ções,
com o fabuloso e o incom- preensível; a
autoridade é posta na confiança
religiosa no narra-
- Não admite contradições, fabula- ção e 
coisas incompreensíveis; exige explicação 
coerente, lógica e racio- nal; autoridade: 
vem da razão
Os gregos como já se foi
menciona- do nos capítulos
anteriores buscavam explicar a
origem das coisas, através de
historias fantasiosas e que geral-
mente trazia nessas explicações
seres
na forma física como no comporta-
mento e nos sentimentos, tinham
qua- lidades humanas, mas
também ti-
nham defeitos, sentiam ciúmes,
inve- ja, raiva e as mais diversas
emoções.
divinos e com poderes sobrenaturais.
Para os gregos a
ideia de algum
ser, dono de uma
inteli- gência
superior cri- ar o
mundo parece
natural porque se
nós, com a nossa
inteligência, pode-
mos criar coisas e
se não fomos nós
que criamos o
mun- do ele deve
ter sido
Embora dotado de sentimentos, pai-
xões humanas, ao
contrario dos ho-
mens, porem tinham
poderes sobrenatu-
rais, eram imortais e
permaneciam
eterna- mente
jovens.
De acordo com os
historiadores, para
os gregos os deuses
vi- viam na
montanha
mais alta da Grécia, o
criado por um ser dotado de uma
inte- ligência superior à nossa. Foi
dessas indagações que apareceram
os mitos da criação.
Os gregos tinham uma visão
mito- lógica para explicar a origem
do mun- do e do homem. Para eles,
todas as coisas aparentemente
inexplicáveis eram sobrenaturais e
decorrentes da ação dos DEUSES.
Isso mesmo deuses, pois o povo
grego assim como a maioria dos povos
antigos eram politeístas, mas diferen-
te dos outros povos os deuses
gregos tinham características
humanas,
tanto
A visão mitológica dos Gregos
C
ap
ít
u
lo
 4
Monte Olimpo, lá era a morada dos deuses, acreditava-se
que no alto do monte eles se reuniam, comiam, bebi- am,
cantavam, dançavam e se diverti- am.
4.1. Mitologia Grega
A mitologia grega é uma das
mais geniais e belas concepções
huma- na. Os gregos, com sua
fantasia, povoaram o céu, a terra
e os mares com suas divindades e
com seres e ac o n tec im e n to
s
mágicos. Ela se
apresenta como
uma possibilidade,
riquíssima, de
expli- car e
experimentar o
mundo. Superan-
do o tempo e
resis- tindo a
racionalida- de ela
é muito pre- sente
na vida do homem
contempo- râneo:
alimentou a
literatura, o teatro,
as artes visuais através dos sécu-
los.
Os gregos cultuavam uma série
de deuses, além de heróis ou se-
mideus. Relatando a vida desses
deuses e heróis e se u
envolvimen-
to com os ho-
mens, os
gregos criaram
uma rica
mitologia, isto
é um con- junto
de lendas e
crenças que,
de modo
simbó- lico
fornecem
explicações pa-
ra a realidade
universal. Inte-
gra a mitologia
grega grade numero de relatos
ma- ravilhosos e de lendas que inspira- ram e ainda
inspiram diversas
obras artísticas ocidentais.
Assi
m os
grego
s
cultua
vam
os
deuse
s,
onde
cada
um
tinha
um
atribut
o
especi
fico.
Os
mais
famo-
sos
deuse
s
grego
s
eram:
Zeus,
o mais
podero
so, o
deus
dos
deuse
s, era
o
senho
r os
céus;
He-
ra, esposa de Zeus, con-
s
i
d
e
r
a
d
a
 
a
 
p
r
o
t
e
tora do
casamento;
Demeter, a
deusa da
agricultura;
Poseidon, o
senhor dos
mares; Afrodi-
te, Deusa
do amor
sensu-
al; Atena, deusa da
sa- bedoria; Ares,
deus da guerra; Apolo,
deus da adivinhação,
da verda-
de e da música e da medicina;
Ar- têmis, Deusa da caça e
protetora da vida selvagem.
Hefáistos, deus do fogo e dos
metais; Dionísio, deus do vinho e
da embriaguez.
Fora os deuses, os gregos
acredi- tavam que nas origens de
suas historia viveram pessoas
nascida da união de um deus
com um mortal, os semideus,
que foram responsáveis por
feitos e ações extraordinárias.
Dentre os mais famosos estão:
Teseu, Hercules, Prometeu e
Perseu.
O mito no mundo atual
Não podemos negar que o
mito ainda está presente em
nossa sociedade basta
prestarmos atenção nos contos
populares, no
folclo- re, e na vida
diária do ser
humano, a partir
dessa reflexão
percebemos que
ao proferir certas
pala- vras míticas:
casa, lar, amor,
pai, mãe, paz,
liberdade, mor- te,
o homem as com
valores que são
mo-
delos universais, existentes na
natureza inconsciente e primitiva
de todos nós.
Em nossa sociedade, as
estru- turas míticas estão
fortemente
presentes
nas ima-
gens e
nos
comporta-
m e n t o
s que são
impostos
às pesso-
as através
da mídia.
Um exemplo são os
personagens das histórias em
quadrinhos que trazem
presentes em seus dese- nhos
e em seus diálogos os he- róis mitológicos ou
folclóricos.
C
ap
ít
u
lo
 5
Nos
desenh
os
animad
os e
nos
quadrin
hos,
alguma
s
figuras
cha-
mam a
atenção
das
criança
s. São
os
super-
heróis,
que es-
t
i
m
u
l
a
m
 
o
 
d
e
s
e
j
o
 
e
 
o
s
 
a
n
s
e
i
o
s
 
q
u
e
 
e
x
i
stem no nosso
inconsciente.
Mas não só os super-
heróis dos filmes e
qua- drinhos que
podem ser
considerados mitos. Al-
gumas pes-
soas de car-
ne e osso
to r n a m -
se 
ídolos de uma gera-
ção e são também
tratadas como verda-
deiros mitos. Em
nos- sa sociedade
como em qualquer
outra, existem
valores que que se
deseja que
todos possuam. Esses valores
podem ser a bondade, a
honesti- dade, a coragem a
inteligência. E algumas pessoas
encarnam tão bem esse
valores
que se tornam
modelos de com-
portamento para
todos, é como se
fossem verdadei-
ros heróis.
5.1. A permanência do mito
Se a pergunta inicial era se
ain- da existe mito no mundo de
hoje, podemos afirmar com toda
a cer- teza que sim, ele existe,
por meio das crenças, temores
e desejos, mas o mito não tem
tanto poder quanto tinha
antigamente, pois com o
pensamento crítico racional o
indivíduo é capaz de encontrar
reflexivos, pois assim não há ne-
cessidade de criticar ou
questioná- los. Analisando as
manifestações coletivas do
cotidiano do brasilei- ro, percebe-
se componentes míti- cos no
carnaval e no futebol, am- bos
manifestações do imaginário
nacional e da expansão de
forças inconscientes.
Portanto podemos afirmar que o
explicações mais lógicas para 
os
mito não 
se
reduz a simples len-
acontecimentos.
Os mitos de
hoje podem ser
divi- didos em
mitos
autênticos e em
mitos fabricados
pelos meios de
comunicação
de massa e
pela mídia.
Atualmente per-
sistem os mitos autênticos que
são derivados das mesmas
neces- sidades de propiciar o
bem e afas- tar o mal e são
exemplares, fazem parte da vida
e podem ser vividos por todos
os indivíduos de uma
comunidade. Os exemplos mais
das, mas faz parte da vida huma-
na desde seus primórdios e
ainda persiste no nosso cotidiano
como uma das experiências
possíveis do existir humano,
expressas por meio das
cr e n ça s
, dos temo-
res e dos
desejos.
No en-
tanto o mi-
to não apa-
rece com
mesma for-
ça que
anti- ga m e
n t e,
porque o
comuns em nossa sociedade 
são:
exercício da critica racional nos
Ano-novo, Baile de 15 anos,
Casa- mento, entre outros. Hoje
na soci- edade são criados
mitos de ma- neira que possam
ser entendidos por todos sem
maiores esforços
permite validá-los ou negá-los
quando nos desumanizam.
Imaginação, Fantasia e Filosofia
De origem no latim imagina-
tióne, que significa imagem,
a imaginação é a representação
da realidade ou dos objetos e
não a coisa em si.
A imaginação enquanto
produ- ção de representações
pressupõe uma atividade do
espírito. É a ca- pacidade de
criar imagens men- tais e poder
pensar além da pró- pria
realidade, inovando-a
A imaginação permite ao ser
humano conceber um mundo
imaginário. É assim uma
imagina- ção produtora e que
pode enri- quecer o nosso
espírito, já que é a
representação de uma realida-
de ausente, mas que permite a
existência da liberdade do
espíri- to.
Na corrente inspirada por
Des- cartes e Espinosa, a
imaginação
tem como função produzir a
apa- rência e produz erros no
espírito. Segundo Descartes, é
necessário romper com a
aparência ilusória das coisas
que nos surgem pelas imagens.Por outro lado, Kant fez da
ima- ginação transcendental a
condi- ção primeira de todos os
pensa- mentos, isto porque
considerou que a imaginação é
a faculdade das imagens e,
como tal, pode intervir na
sensação onde a ima- gem se
produz e na memória on- de se
repro-
duz. Por últi-
mo, segundo
Bachelard, a
imaginação
é a faculda-
de de inven-
ção e de re-
novação.
O homem
é um ser
imaginário,
pois ele é capaz de inventar o
no- vo a partir de sua
imaginação cri- adora.
C
ap
ít
u
lo
 6
6.1. A Imaginação criadora e 
re-
produtora
ra.
A imaginação criadora, é a que
A tradição filosófica sempre
deu prioridade à imaginação
reproduto- ra, considerada como
um resíduo
do objeto percebido
que permanece retido
em nossa consciência.
A imagem seria um
ras- tro ou um vestígio
dei- xado pela
percepção. A
imaginação
reprodutora é aquela
que reproduz imagens
anteriormente
percebidas. Apesar de
utilizar nossas
experiên- cias
adquiridas a imagi-
nação reprodutora não
se situa no tempo,
pois
é capaz de reproduzir imagens
rela-
inventa ou cria algo novo nas
artes, nas ciências, nas técnicas e
na Filo- sofia. Aqui, combinam-se
elementos afetivos, intelectuais e
culturais que preparam as con-
dições para que
algo novo seja
criado e que só
existia, primeiro,
como imagem
futura ou como
po s si b i l i d a d
e aberta. A
imagi- nação
criadora pede
auxílio à
percepção, à
me-
mória, às ideias existentes, à
imagi- nação reprodutora e
evocadora pa-
tiva ao passado, a o presente ao
futuro.
ra cumprir-se
venção.
como criação ou in-
Por exemplo, se neste
momento você fechar os olhos,
poderá imagi- nar a sala de aula,
as carteiras os colegas que estão
com você ou se- ja imagem seria
a coisa atual per- cebida quando
ausente. Seria uma percepção
enfraquecida, que, asso- ciada a
outras, formaria as ideias no
pensa-
mento.
Quando a
ima gin ação
reprodutora
chega a fazer
parte de nos-
sas relações
c o t i d i a n a s ,
nos faz acre-
ditar na pre-
sença do ob-
jeto represen-
tado, como
acontece nas
alucinações e nos sonhos.
Mas o que seria a imaginação
criadora?
O homem é o único que tem a
capacidade de
reassentar objetos
pelo pensamento,
por isso só ele é
capaz de usar a
imaginação criado-
Ela é pois uma maneira complexa
de se apresentar a atividade consci- ente,
combinando assim, certos ele- mentos que são
armazenados pela imaginação reprodutora, com
os quais realiza sínteses imaginativas
inteiramente nova.
Quando a criança representa ob-
jetos pelo p e n s a - me
n t o , ela cria um mun-
do de fan- tasia. O
homem é um ser eu
vive sem- pre imagi- na
nd o , por isso, vive
sem- pre crian-
do fantasias.
O homem é a medida de todas as coisas
Mas o que é o homem? O que
o diferencia dos outros seres?
Esta problemática surge
basicamente a partir de três
fatores: o homem é capaz de
observar os fenômenos que o
envolvem; sente-se ameaça- do
de extinção por alguns destes
fenômenos; questiona-se sobre o
aparente absurdo do própria exis-
tência.
Então, o que é o homem? O
ho- mem é o único ser capaz de
fazer perguntas. Todos os demais
seres não se colocam este
problema. Es- tão submetidos às
leis e fenôme- nos e não tem a
capacidade de se perguntar por
sua essência ou pe- las razões
de sua existência.
O homem pergunta pelo seu
pró- prio ser. Quer compreender
e ter consciência de si. Mas
identifica também sua
incapacidade de se compreender
de modo total. Seu conhecimento
sobre si é limitado e parcial. No
entanto está inquieto, deve expor
para si mesmo as ra- zões de seu
existir.
7.1 O homem é um ser que 
pen- sa!
O homem é o único ser que
pen- sa, deseja e se comunica.
Sendo pois um ser racional ele é
capaz de construir o mundo e
fazer história uma vez que o é
dono da razão e da inteligência,
ele se apossa da
cultura fazendo com que a lingua- 
gem se torne o seu único meio de 
chegar a qualquer objetivo por ele 
desejado, aliás, é até justo afirmar 
que o homem é a própria 
linguagem. Pois, uma vez
que ele planeja
qualquer objetivo a
alcançar ele usa da
própria linguagem para
desenvolver esse plano,
que passa pela
inteligência, a atividade
de desenvolver esse
pla- no, e que vai dar
razão ao
desenvolvimento de seu
próprio plano.
Por meio do pensa-
mento o homem é
capaz de voar para
lugares dis-
tantes ou planejar um futuro me-
lhor, a partir dos erros e acertos
do presente.
Assim, diferentemente dos ou-
tros animais os homens não são
apenas seres biológicos
produzidos pela natureza. Os
homens são tam- bém seres
culturais que modificam o estado
de natureza, isto é, o mo- do de
ser, a condição natural das
coisas, definida pela natureza.
C
ap
ít
u
lo
 7
Linguagem e comunicação
Alguns estudiosos entendem
que o fator determinante da
tran- sição natureza-cultura é a
lingua- gem. Trata-se de uma
corrente que entende o ser
humano funda-
mentalmente
como um ser
linguístico.
Para entender-
mos melhor
observemos o
exemplo do
an t r o p ó l o g
o Claude
Lévi
Strauss:
Suponhamos que num
planeta desconhecido
encontremos seres vivos que
fabricam utensílios. Is- so não
nos dará a certeza de que eles
se incluem na ordem huma- na.
Imaginemos, agora, esbarrar-
mos com seres vivos que possu-
am uma linguagem que, por
mais diferente que seja da
nossa, pos- sa ser traduzida
para nossa lin- guagem - seres,
portanto, com os quais
poderíamos nos comunicar.
Estaríamos, então, na ordem
da cultura e não mais da
natureza1.
Assim, segundo esse antropó-
logo, o que teria distanciado
defi- nitivamente o homem da
ordem comum dos animais -
animal que ele também é e
nunca deixará de ser - e
permitido a sua entrada no universo da cultura seria o
desen-
C
ap
ít
u
lo
volvime
nto da
linguag
em e
da
comuni
cação.
De
fato, a
linguag
em
constitu
i uma
das
dimens
ões
mais
impor-
tantes
da
cultura.
É pela
lingua-
gem,
por
exempl
o, que
os pais
comuni
cam
aos
filhos
não ape- nas suas experiências
pessoais, mas algo mais amplo:
as experi- ências acumula-
das e comparti-
lhadas pela
socie- dade.De
modo
inverso, é tam-
bém por meio da
linguagem que o
co n h e ci m e n
t o individual de
ca- da pessoa
pode incorporar-
se ao
patrimônio social.
A linguagem
animal em comparação com a
linguagem humana é bastante
limitada, porque está associada
unicamente aos instintos de so-
brevivência. Se fossemos tradu-
zir o significado dessas expres-
sões linguísticas provavelmente
elas equivaleriam apenas a ex-
pressões do tipo: “vamos”,
“foge”, “cuidado!” ou algo seme-
lhante. A linguagem humana é
muito mais complexa porque há
algo de especifico nela, que é a
utilização de elementos abstra-
tos.
1LÉVI-STRAUSS, Claude. Culture et langage. Apud CUVILLIER, Arnoud. 
Sociologia da cultura, p. 2.)
C
ap
ít
u
lo
Observe atentamente a tirinha abaixo:
Em sua opinião houve uma comunicação?
Quando falamos em “natureza”,
atualmente, pensamos logo na reali-
dade exterior, no meio ambiente em
que nascemos e vivemos, e que
mar- camos tão fortemente com
nossa pre- sença, nossas técnicas,
esse mundo natural no qual
construímos nossas cidades, que
cortamos com nossas estradas, e
cuja
existência acredi-
tamos estar
amea- çada, por
causa de nossa
atitude predatória
com relação a
ele.
No entanto, a
natureza pode ser
compreendida de
maneira mais am-
pla, ou seja, abar-
cando mais do
que esse “lugar”
o u e s s a
“exter ior idade”
que recebemos
de presente
quando
nascemos. É muito importante
perce- bermos que, na verdade, os
termos natureza e natural referem-
se àquilo que nos é dado (ou
imposto), não só externa, mas
também internamente, como
determinações que nos definem e
que não podemos alterar ou que,
para serem alteradas exigem muita
inventividade ou técnica.
O homem é um ser que se distin-
gue dos demais por transformar a
na- tureza, criando para si uma
"segunda natureza", a cultura.
No passado remoto da
humanida- de, a natureza erasentida como uma
potência superior
à qual os homens
estavam submeti-
dos. Os
fenômenos
naturais eram
com- preendidos
como "fenômenos
sagra- dos", que
revela- vam uma
intenção, uma
razão. Ora eram
vistos como
recompensa ou
pu- nição divina
pelos atos
humanos, ora
eram percebidos
como a própria
ma- nifestação
dos deuses, que
con-
versavam diretamente com os ho-
mens. Era uma natureza encantada.
8.1 A Cultura
Os homens não são apenas
seres biológicos produzidos pela
natureza. Os homens são também
Homem, natureza e cultura
C
ap
ít
u
lo
 9
seres cultu-
rais que modificam o estado de
natu- reza, isto é, o modo de ser, a
condição natural das coisas, definida
pela natu- reza.
Na Grécia antiga o termo cultura
adquiriu um significado todas especial
ligada à formação individual do cida-
dão. Correspondia a chamada
Paideia, processo pelo qual o homem
realizava o que os gregos
consideravam a sua verdadeira
natureza, isto é desenvol- ver a o
conhecimento de si e do mun- do e
a consciência da vida em socie-
dade.
O mundo que resulta do pensar e do
agir humano não pode ser chamado de
natural, pois se encontra modificado por
nós. Portanto as diferenças entre ser
hu- mano e animal não são apenas
de grau, porque, enquanto o animal
per- manece mergulhado na
natureza,
nós somos capazes de transformá-
las em cultura.
Podemos definir cultura como um
amplo conjunto de conceitos,
símbo- los, valores e atitudes que
modelam uma sociedade. Nesse
sentido, todas as sociedades
humanas, da pré- história aos dias
atuais, possuem cultura. E cada
cultura tem seus pró- prios valores
e sua própria identida- de. De uma
maneira mais filosófica podemos
afirmar que a cultura é a
reposta oferecida pelos grupos
humanos ao desafio da existência.
Portanto, dada a infinita
possibilidade humana de simbolizar, as
culturas são múltiplas. Variam as
formas de pensar, de agir, de valorar;
são diferentes as ex- pressões
artísticas e os modos de inte- pretação
do mundo, tais como com o mi- to, o
senso comum, a filosofia ou a ciên- cia.
Vale lembrar que a ação cultural é
coletiva, por ser exercida
como tarefa social.
A cultura é portanto uma
processo que caracteriza
o ser humano como ser
de mutação, de projeto
que se faz à medida que
trans- cende, que
ultrapassa a própria
experiência.
Pensemos agora sobre a vida cotidi-
ana de cada pessoa e sua relação
com o universo cultural de que ela
participa.
Sabemos que a cultura abrange
um conjunto de conceitos, valores e
atitu- des que modelam uma
comunidade. Assim, podemos dizer
que toda pes- soa vive sob a
influencia de diversas culturas, e
não
só de uma, pois
participa de dis-
tintos grupos
so- ciais, e cada
um deles lhe
impri- me a sua
marca cultural.
Vejamos um
exemplo: um
bra- sileiro que
tem uma família
fre-
quenta uma igreja e trabalha numa
empresa, recebe influência de pelo
menos quatro fontes culturais - a cul-
tura popular brasileira; a
cultura familiar, basica-
mente transmitida por
seus pais e avós; a
cultura de seu grupo
religioso; e a cultura
organizacional de-
senvolvida em seu local
de trabalho.
Cada universo cultural de
que uma pessoa participa influi de
for- ma específica em sua maneira de
pen- sar, sentir e agir, ou seja, em
sua for- ma de ser no dia-a-dia.
Então, se por um lado a cultura é
uma criação coletiva dos grupos hu-
manos através do tempo, por outro
lado cada pessoa também é, em
gran- de medida, uma criação diária
e cons-
tante da cultura em
que vivemos, desde
o instante do nosso
nascimento. No en-
tanto, quase não
percebemos isso,
pois a cultura à qual
pertencemos é
prati- camente
invisível para nós
em nosso cotidiano.
9.1 Cultura em nossa vida diária
Em geral, vivemos dentro de
nossa cultura num fluir contínuo,
como se o nosso modo de ser fosse
igual para todas as pessoas e as
diversas coisas do mundo fossem
sempre assim como as
experimentamos. Ilustremos me-
lhor essa ideia: Somos como um
peixe que nasceu dentro de um
aquário e toma esse ambiente como
sendo o mundo. Esse estado
habitual de nos-
Cultura e cotidiano1
C
ap
ít
u
lo
 9
1Adaptado de: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. 16ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2006.
sas vidas se vê confrontado, por
exemplo, quando viajamos para fora
do nosso país.
Nesse instante, ocorre um estra-
nhamento em relação a esses
elemen- tos culturais que estão fora
de nós, quebrando a invisibilidade
da nossa própria cultura. Mas depois
que volta- mos ao nosso cotidia-
no, nossa cultura se
toma "invisível' de
novo para nós. Por-
tanto, de modo
geral, só temos
consciência da
nossa própria cul-
tura quando somos
confrontados com
outra.
Na cultura em ge-
ral ocorre algo
seme- lhante: a
pessoa per- cebe e
aprende do
grupo cultural do qual participa, por
imitação e de forma quase
inconscien- te, boa parte de como
deve pensar e agir nas mínimas
coisas - o que é boni- to ou feio, o
que é adequado ou inade- quado, o
que é possível ou impossível, como é
a vida, como são as pessoas, que
coisas são importantes, etc. Isso
ocorre primeiro dentro de sua família
e, depois, no contato com a vizinhan-
ça, na escola em que estuda, na
igreja que frequenta, na empresa em
que trabalha.
Essa assimilação cultural ocorre
de forma tão "transparente" que
quem assimila ou aprende não
percebe que está aprendendo algo
com alguém ou uma situação. E
aqueles que lhe transmitem esses
ensina-
mentos nem sempre se
dão conta de que lhe
estão transmitindo a sua
maneira de ser e viver, o
seu modelo de mundo, o
seu "filtro" da realidade.
Assim, de modo geral,
vive- mos nossa própria
cultura sem vê-la e,
muitas vezes, sem
questioná-la.
O problema dessa
invisibili- dade cultural é
que muitas pessoas não
compartilham
a mesma maneira de ver e viver as
coisas e por conta disso podem
acre- ditar em uma verdade absoluta,
fazen- do com que desprezem e
menospre- zem outros grupos
culturais.
Acreditamos que a filosofia pode
ser um bom apoio nesse processo
de transformação cultural, pois
filosofar é promover uma reflexão
profunda so- bre a natureza e o ser
humano, anali- sando o que
fazemos, senti-
mos, pensamos e manifes-
tamos.
Aprender a filosofar contri-
bui para a compreensão
do mundo e nos
impulsiona a desempenhar
um papel mais consciente
e ativo den- tro dele.
Toda sociedade humana é
determi- nada por certos valores
culturais. Por isso em
to- das as sociedades
exis- tem regras. Essas
regras expressam certos
valores que são de
fundamental importância
para o nosso convívio
em sociedade.
Por exemplo, a
regra não
roubar expressa
o valor que
devemos dar
ao objeto do
outro: a regra
não matar expressa o valor
que devemos dar a vida hu-
mana. .Percebemos então
que as regras sociais estão
ligadas diretamente a
valores culturais.
10.1 Onde aprendemos os 
valores?
Não podemos nos esquecer que
as regras e valores são transmitidos
aos adolescentes pelas instituições
soci- ais. E que eles não só
aprendem es- ses valores como
também, podem cri- ticá-los, rejeitá-
los ou substituí-los por outros.
Em casa, nas escola, na igreja e
em todos os grupos que podemos
partici- par é consenso a ideia de
que não de- vemos matar ou roubar.
Os valores estão presentes na
nos- sa vida diária. Na verdade,
nenhum
ser humano pode viver numa socieda-
de de forma plena sem que se siga as
normas e as regras criadas
pela sociedade.
10.2 Somos todos diferen-
tes?
Apesar das diferenças,
étni- cas, religiosas e de
riqueza, podemos afirmar
que somos todos iguais,
pois pertence- mos à raça
humana. Porem ao andar
pelas ruas da nos- sa
cidade percebemos que as
pessoas não são tão
iguais as-
sim, e que
essa dife-
rença que é
notada são
basicamen-
te as dife-
renças físi-
cas. Claro que na sociedade existem
outras diferenças, mas a que a
marca profundamente é a diferença
de po- der.
Cultura e valores sociais
C
ap
ítu
lo
 1
0
Contato HumanoContato Humano
Observe atentamente o cartumcriado pelo cartunista argentino Quino, autor
da Mafalda, que desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a
valores e educação, deixou impresso o seu sentimento.
Contato Humano
Pernas
Deus
O próximo a quem amar
Cérebro Ideais, Moral e Honestidade
É importante que desde pequeno 
aprenda como é tudo.
Na Antiguidade, dizia-se que “0
pen- samento é o passeio da alma”,
pois este era considerado uma
atividade na qual saímos de nós
mesmos sem sairmos de nosso
interior. Em nosso cotidiano, usamos
as palavras pensar e pensamento
em sentidos variados, podendo se
constituir em uma ativida-
de solitária, invisí-
vel para nós e
que precisa ser
proferi- da para
ser com-
partilhada, ou
tam- bém se
traduzir em sinais
corpo- rais e
visíveis.
Há várias
manei- ras de se
interpre- tar o
pensar, que pode
ser visto co- mo
preocupação,
cisma ou dúvida;
pode ser
sinônimo de
deliberação e de
decisão, como
algo que resulta
numa ação; pode se referir a algo que
se pode ou não querer, uma forma de
atenção e concentração; pode repre-
sentar uma determinada ideia que,
definindo algum assunto, foi publica-
mente anunciada; ou pode ainda, con-
forme mencionado por Descartes na
frase “Penso, logo existo”, indicar a
própria essência da natureza humana.
Podemos
inclusive supor
que há
Filosofia e pensamento
C
ap
ítu
lo
 1
1
bons e maus pensamentos.
Pensar é, portanto, suspender o jul- gamento até se
formar uma ideia ou opinião, comparar os pontos de vista,
avaliar, julgando seu valor e se essa ideia é verdadeira ou
falsa, justa ou injusta, examiná-las, ponderando os pontos
de vista para escolher um de- les e equilibrar, encontrando
um meio- termo entre extremos ou opiniões opostas.
Podemos chegar à conclusão de que o pensamento é
uma atividade pela qual a consciência ou a inteligên- cia
coloca algo diante de si para aten- tamente considerar,
avaliar, pesar, equilibrar, reunir, compreender, esco- lher,
entender e ler por dentro.
O pensamento, portanto, exprime nossa existência como
seres racionais e capazes de conhecimento abstrato e
intelectual, e manifesta sua própria capacidade para dar a
si mesmo leis, normas, regras e princípios para al-
cançar a verdade de alguma coisa.
Quando pensamos, pomos em
movi- mento o que nos vem da
percepção, da imaginação, da
memória, compre- endemos o
sentido das palavras, en-
cadeamos e articulamos significações,
sendo algumas vin-
das de nossa
expe- riência
sensível, outras
de nosso
raciocínio e outras
formadas pelas
relações entre
idei- as anteriores.
11.1 Pensamen-
to e Linguagem1
Sem as palavras não teríamos
como expressar nossos
pensamentos, sem a linguagem não
seriamos racionais.
O filosofo grego Platão dizia que o
pensamento é um diálogo silencioso
da alma consigo mesma. De acordo
com o entendimento de Platão as
pa- lavras seria apenas
instrumentos do pensar. Elas seriam
uteis apenas para comunicação. Só
no momento de di- zer oque se
pensa é que utilizaríamos a
linguagem.
Os filósofos argumentam que a
lin- guagem é parte essencial do
pensa- mento, ou seja, o
pensamento é, des- de o seu
nascimento, um ato linguísti- co oque
quer dizer que é com a lingua- gem
que pensamos sem a linguagem
não haveria pensamento.
Por meio da linguagem podemos
entender melhor o que somos
capazes e porque somos tão
diferentes dos animais. A invenção
da linguagem foi determinante para
que o homem “se
descobrisse” como ser racional.
11.2 Pensamento e Filosofia
O homem filosofa isto é, pensa so-
bre o pensar. Ele tem consciência
do caráter, do valor, das
possibilidades e dos limites de seus
conhecimentos. A filosofia consiste
num pensar que se volta sobre si
mesmo, sendo, portan- to, por meio
dela que o homem se re- conhece
como homem.
Quando dizemos que a filosofia é
um pensar sobre o pensar, que ela é
conhecimento do conhecimento,
esta- mos falando de uma qualidade
especi- fica da filosofia. A filosofia é
uma for- ma de conhecimento que
tem um con-
teúdo, um método e
objetivos distintos das
ciências.
Nesse sentido afirma-
mos que a filosofia é
um conhecimento do
conhecimento, um
pen- sar sobre o
pensar.
1adaptado do livro Nonato Nogueira
Por meio de perguntas Sócrates
questionava as pessoas em praça
pú- blica e ali discutia os mais
diversos assuntos: O que é o bem?
O que é a justiça? O que é a
virtude? Toda sua filosofia estava a
serviço do conheci- mento do
homem e de sua vida moral.
Seu espiritualismo afirmava-se no
“conheça-te a ti mesmo”. Essa
mensa- gem estava escrita no tem-
plo de Apolo. O conheci-
mento de si mesmo impli-
cava o conhecimento de
nossas ações, de nossos
desejos e de nossa vida
moral. Para ele, a 
sabedo- ria consistia em 
vencer a si mesmo e a 
ignorância em ser 
vencido por si mesmo. 
Sua indagação principal
era sobre “a justa vida” e 
o “viver bem”. Uma vez 
lhe perguntaram qual lhe 
pare-
cia a melhor tarefa para o homem. 
Ele sem rodeios respondeu: viver 
bem.
Mas viver bem para Sócrates não
era viver dos prazeres e da
ociosidade, mas viver da
contemplação
do conhecimen-
to e do cuidado
de si. Por toda
parte Sócrates
ia persuadindo
a todos, jovens
e velhos, a não
se pr e o c u pa r
e m
exclusivamente,
e nem tão ar-
de n t e m e n t e
, com o corpo, a
beleza e a
rique- za.
Dizia que devemos nos preocupar
mais com a alma para que ela seja
quanto possível melhor. Ele
identifica- va a virtude com o
conhecimento. Afir- ma que ninguém
faz o mal porque quer, mas por
ignorância. Ninguém erra
voluntariamente. Somente o igno-
O conhecimento de si mesmo
C
ap
ítu
lo
 1
2
rante não é virtuoso. Todo homem
que conhece o bem é virtuoso. Ser
virtuoso para Sócrates é conhecer
as causas e o fim das ações
permitindo uma vida moral e
virtuosa em dire-
ção a ideia de
bem. Por isso,
ele defendia a
ideia de que a
melhor forma de
se viver era
cultivando o
próprio
desenvol-
vimento ao invés
de buscar os
pra- zeres e os
bens materiais.
É necessário se
conhecer melhor para ser feliz.
“Conheça-te a ti mesmo”, essa
frase emblemática é o fundamento
de toda felicidade aqui na terra.
Sócrates aconselhava seus
discípulos a se au- toconhecerem,
pois somente assim as pessoas
sairiam da caverna, das trevas de
seus espíritos para alcan- çarem a
luz, a verdade e a felicidade.
Quando nos conhecemos
dificilmente agimos por impulso,
dificilmente so- mos domina-
dos por nos-
sas paixões,
mais resolvi-
dos e deter-
minados so-
mos em
nos- sos
objeti- vos.
Conhe- cer
a si mes-
mo significa-
va que
deve- mos
nos ocu-
par menos com as coisas desse mun-
do, como riquezas, fama e poder, e
nos preocuparmos mais com o
culti- vo de si, cultivando o
conhecimento para contemplar o
bem, o belo e a verdade.
12.1 Como ter acesso a verdade
Para se ter acesso à verdade,
con- tudo, não é um ato puramente
inte- lectual. Ela exige, por vezes,
determi- nadas
renúncias e
purificações, das
quais Sócrates é
um exemplo.
Sócrates dizia ter recebido a missão de exortar os
atenienses, fossem eles velhos ou jovens, a deixarem
de cui- dar das coisas, passando a cuidar de si
mesmos. Tal atitude o fez dedicar- se inteiramente à
filosofia e à prática dialógica (uma forma especial de
diá- logo, denominada maiêutica) por meio da qual ele
fazia com que seu interlocutor percebesse as inconsis-
tências de seu discurso e se autocorri- gisse.
A atitude de Sócrates questionava os valores da
sociedade ateniense, razão pela qual seus inimigos o
leva- ram ao tribunal, onde foi julgado e condenado à
morte. Sua morte, po- rém, não impediu que a questão
do cuidado de si se tornasse um tema central na
filosofia durante mais de mil anos - e chegasse a
influenciar alguns filósofos modernos e contem-
porâneos.
A questão central do cuidado de si é que jamais se
tem acesso à verdade sem uma experiência de
purificação, de meditação, de exame de consciên- cia -
enfim, através de determinados
exercícios espiritu- aiscapazes de
transfigurar nosso próprio ser.
Dito de outro mo- do, o estado de
iluminação, de descoberta da ver-
dade, não é pro- duto do estudo,
mas de uma práti- ca
acompanhada
de reflexão constante sobre minhas ações, atitudes - e
de como posso mo- dificá-las para me tornar uma
pessoa melhor. É como se a vida fosse uma obra de
arte em que nós vamos nos moldando, nos
aperfeiçoando no de- correr da existência.
Em Filosofia, Realidade é o
estado das coisas como elas
realmente exis- tem, ao invés de
como eles podem aparecer ou pode
ser pensado para ser. Em uma
definição mais ampla, a realidade
inclui tudo o que é e tem sido, ou
não é observável ou compre-
ensível.
A percepção é o processo de acu-
mulação de informações sensoriais
do ambiente.
Nossa percepção não identifica o
mundo exterior como ele é na
realida-
de, e sim como as
tra n s fo r maç õe s
, efetuadas pelos
nossos órgãos dos
sentidos nos
permi- tem
reconhecê-lo.
nada na natureza que não tivesse
existido antes no mundo das ideias”¹.
Estes dois grandes filósofos gre-
gos, e também amigos, travaram
uma batalha de pensamentos para
desven- dar justamente a origem dos
mesmos. Enquanto um propunha a
razão como artefato para se
alcançar a realidade, o outro
denominava os sentidos como meios
para se experimentá-la.
Platão (427-347 a.C), discípulo de
Sócrates, elegeu a “ideia” como a
ori- gem de todos os conceitos que
temos em mente. Essa “ideia”,
entretanto, não vem com um sentido
de “eureka, tive uma ideia”, e sim
como a respon- sável por inserir em
nós, enquanto nossa mente ainda
habita um outro mundo, o
reconhecimento das formas
Assim é que trans- que vemos aqui onde vivemos atual-
formamos fótons
em imagens, vibra-
ções em sons e
ruí-
dos e reações químicas em cheiros
e gostos específicos. Na verdade, o
uni- verso é incolor, inodoro, insípido
e si- lencioso, excluindo-se a
possibilidade que temos de percebê-
lo de outra for-
mente, chamado por Platão de
“mundo sensível”.
Por outro lado, Aristóteles (384-
322 a.C.), discípulo do próprio
Platão, dis- cordou do “inatismo” das
ideias pro- postas por seu mestre.
Para ele, tudo que existe é o que
conseguimos cap- tar por nossos
sentidos, e através da
ma. apropriação das imagens captadas
13.1 Platão e Aristóteles: O dilema
da Razão vs. os Sentidos
“Aristóteles nos chama a atenção
para o fato de que não existe nada
na consciência que já não tenha
sido ex- perimentado antes pelos
sentidos.
Platão poderia
ter dito que
não existe
Percepção e Realidade
C
ap
ítu
lo
 1
3
podemos denominar e formar ideias do que vemos. Assim,
para Aristóteles, a formação de nossos pensamentos se dá
através do Empirismo, e não de uma Reminiscência, como
propôs Pla- tão ao defender o
Inatismo.
¹Jostein Gaarder, em O mundo de Sofia.
	O que é Filosofia?
	O Nascimento da Filosofia
	Exercitando o que aprendeu TESTE
	Mito e Filosofia
	O mito no mundo atual
	Imaginação, Fantasia e Filosofia
	O homem é a medida de todas as coisas
	Linguagem e comunicação

Mais conteúdos dessa disciplina