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QUINTANEIRO, Tania. Labirintos Simétricos: introdução à teoria sociológica de Talcoltt Parsons. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2002. Capítulo II - Os elementos constitutivos da ação, p. 54 · A ação é a unidade básica ou auto-unidade na teoria da ação. O agente, individual ou coletivo, atua tendo em vista um fim, um futuro estado de coisas para o qual a ação se orienta, que o agente estima ser desejável e que difere do estado que sobreviria se não houvesse sua intervenção e supõe opções entre meios alternativos para o seu alcance. · A ação é uma iniciativa que provoca algum tipo de mudança numa situação composta de objetos sociais e não-sociais, dotados de significado para o agente. Existem também elementos na situação que o agente pode avaliar mas sobre os quais não tem controle e que às vezes funcionam como obstáculos: as condições. · O último componente da ação são as orientações do agente, de caráter motivacional ou valorativo, que serve para orientar os meios e fins os esforços para que se obtenha o objetivo. O agente seleciona os meios que utilizará o que compõe o caráter racional da ação. O agente · Um agente pode ser um indivíduo ou coletividade e é um sistema empírico de ação. Ele pode buscar, esperar as oportunidades favoráveis ou renunciar a certos fins em função de prioridades. · A teoria voluntarista não aceita que a ação seja apenas um resultado determinado pelas condições: ela comporta seleções. · O agente individual é tratado pela teoria da ação com um ‘eu’ (self), capaz de fazer escolhas. · O conceito de motivações aplica-se somente a agentes individuais. Sua ação poderá ser incentivada ou contida pelos estímulos ou sanções que a coletividade coloca, por meio da motivação e do controle social, e regulada por valores e normas ditados socialmente e presentes nos sistemas culturais das coletividades (orientação normativa). · Quando o agente é uma coletividade, seja uma ONG ou uma seita religiosa, sua ação não é equivalente ao conjunto das ações de todos os seus membros. · O agente individual é membro de muitas coletividades e exerce, em cada uma delas, papéis diversos, e em geral, congruentes. · A coletividade incita seus membros à conduta desejável para a obtenção de certos objetivos, isto é conformidade com os fins por ela prescritos e com os valores constantes de seu sistema cultural. A situação · A ação inicia-se numa situação que o agente leva em conta e que pretende modificar. Esta consiste nos objetos aos quais e pelos quais ele se orienta porque são significativos para ele. · O objetos podem ser sociais e não-sociais. · Objetos sociais definem-se pela propriedade de serem interativos: indivíduos (sistemas de personalidade) ou coletividades (sistemas sociais). · Tomados reciprocamente como objetos sociais na situação, os agentes interagem uns com os outros. Essas ações mutuamente orientadas, as interações, são a base dos sistemas sociais. · A unidade mínima de interação é a relação entre ego e alter. Para o agente, que pode ser individual ou coletivo, ego, algumas ações e atitudes de alter podem ter significado, possibilitando que ego compreenda e espera e espere uma gama de reações por parte de alter. As respostas de alter à ação perpetrada por ego são chamadas de sanções: positivas quando gratificantes e negativas quando se constituem privação ou punição. · Os objetos não sociais são os objetos físicos e os recursos culturais que servem como meios, regras, condições ou ainda empecilhos à ação, podendo ser elementos simbólicos da tradição cultural ou mesmo seres humanos. · Ego percebe os objetos não-sociais como não-portadores de expectativas em relação a ele. · Os significados dos objetos organizam-se em sistemas que ocupam um lugar determinado na situação. · Os padrões culturais participam da estrutura do sistema de interação ou social quando institucionalizados e do sistema de personalidade quando internalizados. As orientações do agente · As orientações constitui-se de referência para o agente quanto às escolhas a serem feitas diante de possíveis cursos de ação. · Segundo Parsons não existe espaço para o arbítrio absoluto. · As orientações do agente a respeito de uma dada situação são portanto, de dois tipos: motivacionais e valorativas. · O aspecto das motivações ou gratificações corresponde ao conteúdo das trocas do agente. · O segundo aspecto é o das orientações valorativas do agente e refere-se ao como de sua relação com o mundo dos objetos: padrões ou modos em que se organizam estas relações. As orientações motivacionais · O conceito de ‘motivação’ é aplicável a agentes individuais, seja em busca de seus próprios interesses ou dos de uma coletividade. · As coletividades também motivam seus membros a agirem no sentido de atingir objetivos significativos para elas. · Existem três modos de orientação motivacional: (1) avaliativo, (2) cognitivo e (3) catético. · A avaliação é o princípio organizador do sistema de ação, fazendo com que o agente leve em conta as consequências de escolhas que a cognição lhe apresenta e diz como alcançar. · O modo avaliativo opera quando se coloca um problema de seleção e o agente precisa decidir-se por uma dentre as gratificações possíveis. · Somente um sistema coerente de ação possibilitará um equilíbrio entre o impulso a obter gratificação e a decisão de privar-se da satisfação. · O agente buscará um objeto que satisfaça suas necessidades e/ou disposições. As orientações valorativas · Um aspecto crucial da teoria parsoniana é que ela considera indispensável tomar em conta a existência de um sistema normativo que passa a fazer parte da conduta de um agente, levando-o a observar certas regras e normas e limitando ou estimulando suas escolhas no que se refere aos fins e aos meios. · As orientações de valor são critérios socialmente fornecidos para a seleção e solução de problemas de conduta numa dada situação, que permitem ao agente responder perguntas como: o fim é desejável do ponto de vista coletivo? · O agente se conduz tendo em vista fins que lhe são significativos, também o faz segundo as normas colocadas por sua cultura. · São três os modos de orientação valorativa: (1) cognitivo, (2) apreciativo e (3) moral. Norma Cognitiva (de veracidade) Norma Apreciativa (de pertinência) Normas Morais 1) campo de suas cognições a objetos verídicos ou não verídicos; Um norma cognitiva (de veracidade) é capaz de prover um critério de verdade que permite avaliar a veracidade ou falsidade de dados e a importância de diferentes problemas. Portanto, quando o agente julga ou faz juízos cognitivos, a norma lhe fornece a referência para saber se são ou não válidos. 2 ) campo dos objetos por ele desejados a apropriados ou não-apropriados; Uma norma apreciativa (de pertinência) fornece critérios para julgar quais objetos serão capazes de nos gratificar ou de nos impor alguma forma de privação. 3) o leque de alternativas e ações morais ou imorais; As normas morais (de retidão) orientam-se para a integração de um sistema mais amplo de ação e definindo, desse modo, a responsabilidade do agente o qual deve considerar se seu fim é justo, moral, digno ou apropriado. · As normas definem também o conteúdo dos papéis. · Um sistema de orientação valorativa contém, portanto, três subsistemas de normas: um para solucionar problemas cognitivos, outro para resolver problemas catéticos ou apreciativos e por fim, um que visa integrar as unidades e processos do próprio sistema e as demais normas. · Os modos de orientação motivacional ligam-se a problemas de interesse pessoal relativos a atividades ou a objetos, enquanto a orientação se dá por meio de valores refere-se aos problemas de primazia de normas válidas numa determinada coletividade. Sistemas e Subsistemas · Um sistema é a expressão de um todo coerente, articulado, formado por estruturas integradas por partes interdependentes. Agrega grau de organização e consistência. · Os sistemas são compostos por partes, variáveis ou subsistemas. · Tendência das partesno sentido de restaurar o equilíbrio do todo por meios de ajustes integrativos. O equilíbrio sistêmico resulta da satisfação de suas necessidades. A análise estrutural-funcional · Parsons pretende estabelecer modos de análise estruturais e funcionais de maneira a compreender tanto os traços permanentes quanto os dinâmicos do sistema da ação. · Os aspectos estruturais são aqueles que delineiam os elementos relativamente estáveis que possibilitam as interações. · Os aspectos funcionais referem-se aos processos que atuam no sentido da conservação e manutenção, ou no sentido de impedir a desintegração e desequilíbrio daquelas estruturas conferindo-lhes dinamismo. · O aspecto estrutural possibilitaria captar: 1) as uniformidades dos processos dinâmicos por meio da descrição de um quadro do sistema onde elas se situam, 2) as relações entre as partes e 3) as mudanças ocorridas. · O conceito de estrutura não pode se desvincular da concepção de processos. A mudança estrutural · Um dos princípios da reorganização dos sistemas é a diferenciação funcional, com a criação de subsistemas distintos dos então existentes ou com a atribuição a certas partes de um novo e especializado sentido do funcionamento do todo, visando solucionar problema do desequilíbrio. · A busca incessante do equilíbrio é a garantia de existência e identidade do sistema. · A obra de Parsons é voltada primordialmente para problemas de estabilidade com menos ênfase nos processos de mudança. · A diferenciação é definida como a divisão de uma unidade ou estrutura num sistema social, em duas ou mais unidades ou estruturas, que diferem em suas características e significação funcional para o sistema. Capítulo III - Os sistemas gerais da ação · São quatro sistemas gerais da ação pelos quais se interessa a teoria parsoniana. O primeiro desses sistemas, o cultural, compreende padrões simbólicos de orientação, valores e normas. Os sistemas de personalidade e o social correspondem à ação motivada, ligada a interesses sejam eles individuais ou coletivos. · O organismo comportamental, leva a que o agente individual, motivado pela coletividade de que é membro ou por necessidades pessoais, estabeleça relações diretas com um quinto sistema que completa o esquema de ação e que se encontra abaixo dela, o sistema ambiental, o mundo físico-orgânico. · Acima da ação está um nível chamado de realidade última, vinculada diretamente ao sistema cultural. · Os quatro sistemas são: cultural, de personalidade, o organismo comportamental e o social. · O sistema social é o foco principal da teoria parsoniana e os outros três exercem/servem como seus ambientes. · Esquema AGIL, adaptação, realização de objetivos, integração e manutenção de padrão sendo o organismo comportamental, os sistemas de personalidade, social e cultural respectivamente. Os sistemas culturais · São formados pela organização dos valores, ideias, crenças, gostos comuns, normas e símbolo que guiam a conduta e oferecem opções segundo as quais os agentes empreendem sua seleção de fins e de meios. · Os sistemas culturais formam a ossatura dos sistemas social e de personalidade por meios de seus valores, crenças e de símbolos expressivos. · A possibilidade de compartilhar sistemas simbólicos, sentimentos, normas padrões de conduta etc, é que permite a constituição da estrutura social. · Os sistemas culturais podem transcender uma sociedade, como os que orientam sistemas políticos internacionais, igrejas cristãs etc. · A conformidade de ego relativamente aos padrões normativos é expressa por meio de uma dada consistência de seu comportamento frente às reações de alter, um foco de coação. · A cultura é um elemento do quadro de referência da ação, que pode ser abstraída e transmitida, através sols sistemas simbólicos, para o sistema de personalidade por meios da aprendizagem ou de um sistema social para outro por meio da difusão. · Os processos pelos quais valores e normas tornam-se partes constitutivas dos (1) sistemas de personalidade são chamados de internalização e do (2) sistemas sociais, institucionalização. É através do grau que isso ocorre que se pode medir a integração do sistema social ou o seu reverso: a anomia. · Uma instituição é um complexo de padrões de papéis interdependentes que compreende expectativas definidas de conduta para seus integrantes, com seus direitos e obrigações. Ex: Família. · A função dos sistemas culturais é manter a estabilidade dos modelos de cultura institucionalizada que definem a estrutura dos sistemas sociais, a integração de sua rede de coletividades. · Para Parsons, a cultura corresponde às ideias e valores compartilhados pelos membros de um sistema social, tendo significados normativos para a conduta de seus diferentes membros. · É por meios da cultura que os indivíduos concebem e discriminam objetos, agem relativamente a eles de certas maneiras ou reconhecem neles meios de atendimento de suas carências. Os padrões culturais são ‘pautas internalizadas de expectativas cognitivas e de seleção catético-avaliativa, entre orientações possíveis que são de significado crucial no sistema de personalidade e no sistema social’. A fome é uma necessidade de todos os seres humanos no entanto, o grande número de objetos que satisfazem a fome tem seu significados dados pela cultura. Os símbolos constituintes dos sistemas culturais · As sociedades modernas caracterizam-se por um sistema cultural altamente diferenciado. Ele é distinto dos demais elementos da ação por ser constituído de símbolos, objetos de orientação, efetivamente existentes no mundo externo cujo significado encerra possibilidade de orientação da conduta e que são transmissíveis por um agente a outro. · A unidade básica de análise do sistema cultural é o significado atribuído socialmente a seus componentes simbólicos permitindo a comunicação através desse sistema comum, precondição para que ego e alter sejam, um para o outro, objetos de orientação. Os símbolos que possuem signficação para determinados agentes fazem com que apenas estes reajam, guiando-se por eles embora não necessariamente acatando-os. · Os sistemas estáveis de orientação permitem a generalização ou abstração, de modo que o agente orienta-se, não casualmente mas de forma similar em distintas situações. Símbolos necessidades/disposições, papéis e expectativas de papéis são todos eles padrões de orientação. · Os elementos estruturais da cultura constitui-se de três sistemas simbólicos relativamente estáveis, que permitem a comunicação e a abstração de seus significados em situações particulares: (1) o de símbolos cognitivos constituídos pelas crenças ou ideias, (2) o de símbolos expressivos e o (3) de símbolos, normas, padrões e modos de orientação de valor, avaliativos ou reguladores, ou ideias normativas. · Essa classificação obedece a função que predomina em cada uma dessas formas de orientação que são, respectivamente: (1) cognitivas (voltadas a conhecer as propriedades externas, como sistema métrico); (2) catéticas (orientadas a estados afetivos, como o desenho de um coração); (3) avaliativas (modos de avaliar e solucionar conflitos, como sinal de proibição); · O sistema cultural fornece significados aos objetos, de modo que eles sejam identificados pelos membros de coletividades como respostas positivas ou negativas às necessidades e também colabora no delineamento destas. Os sistemas de personalidade · O sistema de personalidade é aquele que organiza as orientações e motivações da ação de um agente individual, tratando de otimizar gratificações e ao mesmo tempo de minimizar as privações. · As ações individuais são motivadas pelo organismo enquanto fonte de energia e de disposição e dotado de necessidades a serem satisfeitas. Mas o sistema de personalidade também interage com: o sistema social, que incentiva seus membros para que as metas coletivas sejam atingidas e o cultural que fornece os fins e os meios desejáveis. O indivíduo interioriza objetos sociais e normas culturais em sua personalidade.· A socialização é um processo ligado à motivação do agente individual, que necessita aprender orientações que lhes serão exigidas num sistema de interações supostamente estabilizado. · Quando um agente ignora ou contesta certas orientações iniciando mudanças ou afastando-se da conformidade com os critérios normativos presentes numa cultura comum, caracteriza-se um desvio e se o sistema não consegue tolerá-lo além de certos limites, poderá utilizar-se de algum mecanismo de controle social a fim de não correr o risco de desintegração. O controle social é um processo de motivação através do qual um sistema social atua no sentido de promover a conformidade do agente que tende ao desvio. · O sistema reage diante de tendências ao desvio no desempenho das expectativas de papel, tratando de restaurar seu equilíbrio ameaçado. São mecanismos de defesa e ajuste relativamente à possibilidade de violação das expectativas de papel. · O sistema social constitui assim as orientações dos agentes e os padrões normativos relativos a seus papéis. A integração do sistema total de ação é apenas um caso limite. · Segundo Parsons, existe uma simetria entre os dois sistemas empíricos de ação, o de personalidade e o social. Os sistemas sociais · A interação entre dois indivíduos pode gerar um sistema social estruturado e integrado que o sistema social. · Isso ocorre quando tal interação funda-se em expectativas mútuas a respeito da conduta um do outro, cada um dos quais podendo compartilhar elementos simbólicos presentes em um sistema cultural comum, que lhes permite dar significado à situação ou ainda constituir um sistema próprio. · No caso de um sistema social simples, o outro o alter, que participa da situação é um objeto de catexia para o ego, o qual corresponde ao ponto de referência na perspectiva analítica. · O acordo que existe neste sistema social é orientado por metas e valores compartilhados presentes nos sistemas gerais da ação. As hierarquias de controle dos sistemas de ação · Em análise aos quatro sistemas de ação, Parsons identifica uma hierarquia de relações de controle cibernético entre eles, relativamente à quantidade de informações contida em cada uma ou em suas partes. O sistema cultural controla o social, o qual faz o mesmo com o de personalidade e este com os organismos. · O sistema que controla mais diretamente a personalidade é o social. · O sistema cultural tem a máxima capacidade de controle sobre os demais. A definição dos significados da situação e as variáveis padrão · As variáveis padrão que formulam as escolhas indispensáveis a qualquer ação: (1) afetividade e neutralidade afetiva - ao problema de se, numa situação dada houve ou não avaliação (2) orientação para si mesmo ou para a coletividade - à prioridade ou não das normas morais num procedimento avaliativo (3) universalismo ou particularismo - à prioridade relativa das normas cognitivas e catéticas (4) adscrição ou desempenho - a percepção de objetos como complexos de qualidade ou de realizações (5) especificidade ou difusividade - ao âmbito de significado do objeto Cada variável padrão se relaciona com os três sistemas empíricos de ação de modo diferente; sistemas empíricos de ação afetividade e neutralidade orientação para si mesmo ou para a coletividade universalismo ou particularismo ascrição ou desempenho especificidade ou difusividade sistema cultural os padrões normativos (a) permitem aproveitar a oportunidade para a gratificação ou (b) prescrevem a renúncia em função de certas avaliações; padrões normativos (a) permitem a obtenção de vantagens privadas ou (b) prescrevem a área dentro da qual um agente está obrigado a levar em conta uma seleção de valores, que ele compartilha com outros membros da coletividade e sua responsabilidade para com ela ou interesses de outros agentes; padrões normativos obrigam (a) o agente a orientar-se de acordo com as normas gerais e não como as propriedades objetos têm relação com suas qualidades ou realizações pessoais ou (b) a priorizar relações particulares do objeto como agente e não atributos generalizados e capacidades de realização; padrões normativos prescrevem nas escolhas para dar ao objeto um tratamento diferencial (a) a priorização de acordo com os atributos do objeto ou (b) com as realizações passadas, presentes e futuras do objeto; padrões normativos prescrevem (a) que a orientação não deve conter especificações prévias no que se refere ao seu interesse pelo objeto e o seu compromisso com ele, e deve variar de acordo com as exigências da situação ou (b) limitação do compromisso com um tipo de objeto ou com uma esfera pública, impedindo a admissão de outros compromissos possíveis; sistema de personalidade as necessidades/disposições levam a considerações avaliativas que (a) permitem tirar proveito de uma situação ou (b) proíbem a gratificação imediata: o agente deve renunciar a ela sem levar em conta os fundamentos alegados para as renúncias; necessidades/disposições do agente (a) permitem que ele siga um objetivo ou interesses próprios, sem levar em conta os efeitos que possam recair sobre a coletividade a que pertence ou (b) obrigam-no a aceitar a responsabilidade de subordinar seus interesses aos coletivos; necessidades/disposições do agente possibilitam que ele (a) responda aos objetos de acordo com uma norma geral e não com as propriedades que se relacionam com ele próprio ou (b) com um critério de escolha pessoal e de acordo com a posição do objeto, antes que por critérios definidos segundos termos generalizados; necessidade/disposições do agente (a) deixam que ele responda a atributos específicos do objeto social ou do (b) o agente responde a realizações específicas do objeto; necessidades-disposições do agente levam a que ele (a) responda a um objeto em qualquer forma que exija a natureza do agente, do objeto e da relação que esse mantenha com o ego, variando a significação de acordo com as circunstâncias que se apresentam (b) ou responda de uma maneira limitada a um modo ou contexto de significação específico do objeto que inclui obrigação com ele e exclusão de outros modos potenciais de significação do objeto; sistema social expectativas relativas ao papel do agente no sistema levam a que (a) possa expressar livremente certas reações afetivas referentes ao objeto sem ter que controlá-las por motivo de disciplina ou (b) deva refrear expressões afetivas, sejam elas negativas ou positivas; expectativas relativas papel ocupado pelo agente (a) permitem que dê prioridade a seus próprios interesses independentemente de seus efeitos sobre os interesses ou valores da coletividade que pertence os agentes ou (b) ele está obrigado a levar em conta os valores e interesses da coletividade da qual faz parte e dar-lhes prioridade, subordinando a eles seus objetivos privados; expectativas relativas ao papel (a) dão prioridades às normas definidas em termos gerais, no caso das qualificações concedidas aos membros do grupo e nas decisões para o tratamento diferencial, independentemente da relação entre o status do agente e do objeto ou (b) dão prioridade às normas que garantem a primazia dos valores fixados aos objetos que se relacionam a certas propriedades do agente; expectativas relativas ao papel do agente levam a que o ocupante (a) dê prioridade aos atributos próprios do objeto ou (b) priorize as realizações apropriados a tais realizações; expectativas relativas ao papel levam a que o ocupante (a) aceite qualquer significado potencial do objeto social ou (b) oriente-se apenas dentro de um campo específico de seu significado como objeto catético, como meio instrumental ou como condição priorizando esta expectativa e confinando a significação do objeto a um campo específico; 1. afetividade x neutralidade afetiva · Nas circunstâncias de a resposta ser afetiva, os modos cognitivo-catéticos determinam a conduta, sem que a avaliação tenha intervindo. Em qualquer um dos casos, o sistemade personalidade desse indivíduo, no qual estão também internalizadas normas culturais, pode levá-lo avaliar que ele deve aproveitar-se da situação ou ao contrário, motivá-lo a renunciar à gratificação que tentaria obter, desobedecendo o padrão cultural dominante. 2. orientação para si mesmo x orientação para a coletividade · A segunda variável padrão refere-se a, se num contexto, o agente dá primazia aos interesses, metas e valores compartilhados com os outros membros de uma unidade coletiva ou o faz com respeito a seus interesses pessoais, sem levar em consideração possíveis efeitos sobre a coletividade. O dilema que se coloca para ele é o do interesse privado versus o coletivo. 3. universalismo/particularismo · Refere-se aos critérios a serem utilizados pelo agente, quando ele deve decidir se trata os objetos de acordo com normas cuja validez transcende qualquer sistema específicos de relações (universalismo) ou senão com base em normas inerentes à aquele sistema (particularismo). · Normas cognitivas são universais, normas apreciativas são particulares e se relacionam com à catexia. 4. adscrição x desempenho · É o dilema das modalidades dos objetos sociais. 5. difusividade x especificidade · Dilema do significado do objeto social. Quando o alter está relacionado com o ego, este lhe confere alguns ‘direitos’ que podem ser universais ou ao contrário, definidos. Em outras palavras, na medida em que alter possui uma significação é um objeto social, ego permite que a ação de alter tenha consequências sobre ele. · Especificidade: o agente atribui a um objeto apenas os direitos que estão definidos explicitamente na formalização de suas relações mútuas. Nesse caso alter tem significação específica ou segmentária. · Difusividade: o agente solicita a um objeto social tudo o que não interfira com suas demais obrigações, isto porque não existe uma indefinição total de limites. O caso da prática média · Parsons acredita que uma das suas descobertas teóricas foi ter mostrado que a prática da ciência médica era mais do que uma aplicação tecnológica, um campo de interação de social.