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Giovanna Paola de Rezende Pivoto– 3º Período 
FMIT – Faculdade de Medicina de Itajubá 
Sistemas Orgânicos Integrados III – SOI III, APG. 
Pericardite 
Pericárdio 
O pericárdio é constituído por 
um saco fechado constituído por 2 
camadas (serosa e fibrosa) e é 
responsável pela proteção mecânica, 
restrição diastólica e diminuição do 
atrito durante as contrações. 
Definição 
A pericardite é a inflamação do 
pericárdio, e esta pode ser subdivida 
em: pericardite aguda e pericardite 
constritiva crônica. Além disso, 
também são distinguidas por serem 
isoladas ou causadas secundariamente 
por outras doenças sistêmicas. 
Etiologia 
As causas de pericardite são 
divididas em infecciosas e não-
infecciosas. Entre as infecções 
pericárdicas, a pericardite viral é a mais 
comum e seu processo inflamatório 
deve-se à ação direta do vírus ou a 
uma resposta imune. Os mais comuns 
são: enterovírus, ecovírus, Epstein barr, 
herpes simples, influenza e 
citomegalovírus (CMV), sendo o último 
mais frequente em imunodeprimidos e 
soropositivos. A pericardite nos 
soropositivos pode ser devida a 
doenças infecciosas, não infecciosas 
ou neoplásicas (sarcoma de Kaposi ou 
linfoma), podendo por vezes resultar 
em miopericardite 
•Causas primárias →Infecções virais, 
bacterianas e micro bacterianas. 
•Causas secundárias → Cirurgia 
cardíaca, radiação do mediastino ou 
doenças que envolvem outras 
estruturas torácicas (p. ex., pneumonia 
ou pleurite), traumatismo, efeitos 
tóxicos de alguns fármacos. A uremia é 
o distúrbio sistêmico mais comum 
associado à pericardite. 
•Causas secundárias incomuns → 
Febre reumática, Lúpus eritematoso 
sistêmico, Tumores malignos 
metastáticos. 
 
Fisiopatologia 
As lesões pericárdicas, devido 
bactérias ou outros agentes, resultam 
da liberação de mediadores químicos 
de inflamação (prostaglandinas, 
histaminas, bradicininas e serotonina) 
nos tecidos adjacentes, iniciando o 
processo inflamatório. 
Consequentemente, os 
macrófagos presentes no tecido 
iniciam a fagocitose das bactérias 
invasoras sendo acompanhados por 
neutrófilos e monócitos. O aumento da 
permeabilidade da capilar acarretando 
o preenchimento da área por exsudato 
(líquido com alto teor de proteínas 
séricas e leucócitos, produzido como 
reação a danos nos tecidos e vasos) o 
qual é composto de tecido necrótico e 
bactérias mortas, neutrófilos e 
macrófagos. Essa solução se cicatriza e 
pode evoluir para a formação de um 
tecido fibrótico e eventual aderência 
das duas camadas pericárdicas. 
 No caso, se houver acúmulo de 
líquido na cavidade, ocorre o derrame 
pericárdico (acúmulo anormal de fluido 
entre as membranas que envolvem o 
coração), levando ao tamponamento 
cardíaco. Tal acúmulo promove a 
compressão do coração impedindo 
seu enchimento durante a diástole, 
resultando na diminuição do débito 
cardíaco. Esse acúmulo de líquido 
ocorre devido a ação das histaminas e 
os demais mediadores químicos que 
dilatam os vasos e aumentam a 
permeabilidade vascular, de modo que 
as paredes dos vasos deixam líquidos e 
proteínas para os tecidos causando 
edema extracelular. 
As consequências do acúmulo 
de líquido pericárdico dependem do 
volume do líquido e da capacidade 
dedo pericárdio parietal de se 
expandir; esta última depende em 
grande parte da velocidade de 
formação do derrame. Assim, os 
derrames que se acumulam lentamente 
— mesmo aqueles com 1.000 mL — 
podem ser bem tolerados. Por outro 
lado, as coleções de líquido com 
apenas 250 mL que surgem 
rapidamente (p. ex., IM com ruptura ou 
dissecção da aorta com ruptura) 
podem restringir o enchimento 
cardíaco diastólico a ponto de produzir 
um tamponamento cardíaco 
potencialmente fatal. 
As principais manifestações clínicas da 
pericardite agudam são a tríade de dor 
torácica, atrito pericárdico e alterações 
do eletrocardiograma (ECG). A 
pericardite aguda pode eventualmente 
provocar um derrame pericárdico. 
 
 
Normalmente saco pericárdico 
contém, no máximo, 30-50 mL de um 
líquido seroso e transparente. Os 
derrames serosos e/ou fibrinosos que 
ultrapassam esses valores geralmente 
são vistos nos casos de inflamação 
pericárdica. Os outros tipos de 
derrame pericárdico e suas causas são: 
✓ Seroso: insuficiência cardíaca 
congestiva e hipoalbuminemia 
de qualquer causa; 
✓ Serossanguíneo: trauma 
fechado de tórax, tumor 
maligno, IM com ruptura e 
dissecção da aorta com ruptura; 
✓ Quiloso: obstrução linfática 
mediastinal. 
 
 
Tipos de pericardite 
A pericardite aguda é definida 
por sinais e sintomas resultantes da 
inflamação pericárdica com duração 
menor do que 2 semanas. Está 
associada a infecções virais 
(principalmente por vírus Coxsackie e 
ecovírus) , bacterianas, micobacteriana, 
doenças no tecido conjuntivo, uremia, 
procedimentos cirúrgicos cardíacos, 
toxicidade de fármacos, radioterapia, 
fungos dentre outros. 
Em caso de pericardite 
constritiva crônica há o revestimento do 
coração por um tecido cicatricial 
fibroso ou fibrocalcicificado denso 
(também é conhecida como 
concretiocortis), que limita a expansão 
diástólica , o débito cardíaco e a reserva 
cardíaca torna-se invariável. Os 
principais sinais e sintomas da 
pericardite constritiva é a Tríade de 
Beck (estase jugular/Sinal de Kussmal, 
hipotensão e abafamento das bulhas). 
Além disso, ascite, edema e dispneia ao 
exercício, fadiga, edema dos pés e 
atrofia muscular também são sintomas 
da doença. 
Características clínicas 
✓ Dor torácica (não 
relacionada com os esforços 
e que piora quando o 
paciente se deita), atrito 
pericárdico e alterações do 
ECG; 
 
✓ Varia de acordo com o 
agente etiológico; 
 
✓ Dor de início repentino → na 
área precordial e pode 
irradiar ao pescoço, dorso, 
abdome ou lado do tórax; 
 
✓ Há piora da dor quando o 
paciente respira 
profundamente, tosse, 
deglute e muda de posição. 
→ em razão das alterações 
do retorno venoso e 
enchimento cardíaco. 
 
✓ Quando associada a 
acúmulo significativo de 
líquido, a pericardite aguda 
pode causar tamponamento 
cardíaco, acompanhado de 
redução do débito cardíaco 
e choque. 
 
✓ A pericardite constritiva 
crônica produz uma 
combinação de distensão 
venosa do lado direito com 
baixo débito cardíaco — um 
quadro clínico similar ao 
observado na 
miocardiopatia restritiva 
Diagnóstico 
• O diagnóstico baseia-se em: 
✓ Manifestações 
clínicas; 
 
✓ ECG → elevações 
difusas do segmento 
ST e depressão do 
segmento PR; 
normalização dos 
segmentos ST e PR; 
inversões com 
alargamento das 
ondas T; e 
normalização das 
ondas T. 
 
✓ Radiografias de Toráx; 
 
✓ Ecocardiograma; 
 
✓ Marcadores 
laboratoriais de 
inflamação sistêmica; 
 
✓ Exames laboratoriais: 
leucometria, elevação 
da velocidade de 
hemossedimentação 
(VHS) e aumento da 
proteína C reativa 
(PCR). 
Principais alterações no ECG 
As principais alterações da pericardite 
no ECG são: 
Aguda: As alterações 
eletrocardiográficas da pericardite 
geralmente passam por quatro 
estágios progressivos: elevações 
difusas do segmento ST e depressão 
do segmento PR; normalização dos 
segmentos ST e PR; inversões com 
alargamento das ondas T; e 
normalização das ondas T. 
 
Derrame: o ECG geralmente revela 
alterações inespecíficas da onda T e 
complexos QRS com voltagem baixa 
. Crônica: 
 
Tratamento 
• A pericardite idiopática 
aguda geralmente é 
autolimitada e sua etiologia 
suposta é viral. Em geral, os 
sintomas são controlados 
eficientemente com 
anti-inflamatórios não 
esteroides (AINE). 
 
• A colchicina pode ser 
acrescentada ao esquema 
terapêutico, e alguns 
estudos demonstraram que 
este fármaco tem efeitos 
favoráveis nos pacientes com 
resposta lenta aos AINE. A 
colchicina produz seus 
efeitos anti-inflamatórios 
impedindo a polimerização 
dosmicrotúbulos, inibindo a 
migração e a fagocitose dos 
leucócitos. 
 
• Quando há infecção, 
frequentemente são 
prescritos antibióticos 
específicos para o agente 
etiológico. 
 
• Os corticoides podem ser 
usados para tratar pacientes 
com doenças do tecido 
conjuntivo ou pericardite 
sintomática grave, que não 
melhore com AINE e 
colchicina. Quando for 
possível, os corticoides 
deverão ser evitados, já que 
aumentam o número de 
recidivas associadas quando 
a pericardite não estão as 
sociada às doenças 
autoimunes. Entretanto, se 
não for possível evitar seu 
uso, deverão ser 
administrados ministrados 
apenas por um intervalo 
curto. 
Posição de “Prece maometana” 
Na atitude genupeitoral, o 
paciente posiciona-se de joelhos com 
o tronco fletido sobre as coxas, 
enquanto a face anterior do tórax põe-
se em contato com o solo ou colchão. 
Essa posição facilita o enchimento do 
coração nos casos de derrame 
pericárdico.

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