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Distrofia muscular de Duchenne As mulheres são portadoras assintomáticas na maioria das vezes, mas em 5% a 22% dos casos, elas exibem sintomas clínicos que variam de fraqueza muscular leve a comprometimento cardíaco grave. O DMD é herdado de forma recessiva ligada ao X. Como as mulheres têm dois cromossomos X, caso haja uma mutação em um deles, elas ainda terão o segundo cromossomo X para produzir um gene normal da distrofina. Portanto, as portadoras do sexo feminino geralmente não são afetadas, exceto em casos raros de inativação anormal do cromossomo X. Portadoras sintomáticas do sexo feminino mostram características semelhantes de DMD de fraqueza muscular proximal, aumento dos níveis séricos de creatina quinase (CK) e hipertrofia dos músculos da panturrilha. Os homens, por outro lado, têm apenas um cromossomo X. Assim, a mutação em seu cromossomo X sempre resultaria em DMD. Portanto, dois terços dos casos de DMD são o resultado de um padrão recessivo ligado ao X e um terço dos casos são devidos a mutações espontâneas. - A distrofia muscular de Duchenne (DMD) é um distúrbio neuromuscular grave e rapidamente progressivo que pertence a um grupo de doenças hereditárias tipicamente caracterizadas por enfraquecimento muscular que leva ao aumento da incapacidade. - É um distúrbio recessivo ligado ao X, causado por mutações fora de quadro no gene da distrofina, levando à ausência da proteína distrofina. - Tem uma incidência de 1 em 3500–5000 nascidos vivos do sexo masculino. Afeta principalmente homens, que são diagnosticados entre as idades de 3 e 5 anos, quando seus marcos motores estão atrasados, em comparação com aqueles de seus pares. FISIOPATOLOGIA - Mutações no maior gene no cromossomo 21, que codifica a distrofina. - Com a deficiência dessa proteína, ocorre o rompimento da membrana celular e da lâmina basal, impossibilitando o influxo de cálcio e levando à perda da integridade muscular, já que a distrofina desempenha função estrutural no músculo ao ligar o citoesqueleto interno à matriz extracelular. - A distrofina está ligada ao CPAD (Complexo de proteínas associadas à distrofina), que ao desestabilizar, leva a degeneração progressiva das fibras musculares. QUADRO CLÍNICO - As manifestações clínicas normalmente começam na infância, geralmente nos três primeiros anos de vida. - As alterações funcionais iniciam-se com o enfraquecimento muscular, que ocorre gradualmente e de forma ascendente, simétrica e bilateral, com início na cintura pélvica e membros inferiores, progredindo para musculatura de tronco e para a musculatura responsável pela sustentação da postura bípede, cintura escapular, membros superiores, pescoço e músculos respiratórios. - A fraqueza muscular torna-se evidente por volta dos cinco anos de idade, quando as crianças apresentam sintomas iniciais, tais como dificuldade de deambular, pular e correr, além de quedas frequentes. - A força muscular tanto extensora do joelho quanto do quadril não são suficientes para permitir a extensão voluntária do tronco quando o paciente levanta-se do solo, desencadeando o sinal de Gowers. - À medida que a doença evolui a fraqueza dos músculos glúteo médio e mínimo resultam em inclinação da pelve quando a criança se mantém em bipedestação. - Com a progressão da doença essa inclinação fica ainda mais perturbada, assumido um aspecto típico devido ao excesso de movimento em cintura maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce pélvica, a denominada marcha miopática ou anserina. - Eles também exibem aumento dos músculos da panturrilha, conhecido como pseudo-hipertrofia, quando o tecido adiposo substitui o músculo degenerado. - Outras características clínicas, como contraturas articulares, geralmente são observadas primeiro nos tornozelos e, em seguida, nos quadris, joelhos, cotovelos e punhos. Fraturas de ossos longos devido a quedas e osteoporose são outras complicações ortopédicas presentes em meninos com DMD. - O paciente vai perdendo a capacidade de deambular, ficando então confinado a cadeira de rodas, aproximadamente a partir dos 10 aos 13 anos de idade. - Durante a progressão da doença, surge insuficiência respiratória com dificuldade na ventilação, falta de força para tossir, ocasionando infecções respiratórias de repetição, que na maioria dos casos, levam o paciente ao óbito. - O músculo cardíaco também é afetado em praticamente todos os pacientes que sobrevivem por maior tempo. O óbito ocorre por volta dos 18 aos 25 anos por comprometimento cardíaco ou insuficiência respiratória. - A constipação é uma complicação muito frequente da DMD. Os fatores de risco incluem diminuição do tempo de trânsito colônico, imobilidade, fraqueza muscular abdominal e desidratação. - À medida que a fraqueza do músculo esquelético progride em indivíduos com DMD, pode ocorrer um retardo no esvaziamento gástrico (gastroparesia), o que pode causar dor abdominal pós-prandial, náuseas, vômitos, saciedade precoce e perda de apetite. DIAGNÓSTICO - O processo diagnóstico geralmente começa na primeira infância, depois que sinais e sintomas sugestivos são percebidos, como fraqueza, falta de Em caso de histórico familiar, a determinação da CK deve ser feita antes da suspeita clínica. eito, um sinal de Gowers, dificuldade para subir escadas ou andar com os dedos dos pés. - Diante da suspeita clínica, deve-se realizar a determinação dos níveis séricos de Creatina quinase (CK), que no caso de pacientes com DMD superam 10-100x os valores normais. - Como aproximadamente 70% dos indivíduos com DMD têm uma deleção ou duplicação de um exon ou multiexon no gene da distrofina, o teste de deleção e duplicação do gene da distrofina é geralmente o primeiro teste confirmatório. - Se o teste de exclusão ou duplicação for negativo, o sequenciamento genético deve ser feito para rastrear os tipos restantes de mutações que são atribuídos à DMD (aproximadamente 25-30%). - Em caso do estudo genético não identificar altera- https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5869704/#R123 maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce O estudo à microscopia óptica mostra um padrão distrófico com destruição da arquitetura fascicular do músculo, necrose e regeneração das fibras musculares e aumento do tecido adiposo-conectivo endomisial. Por meio de técnicas imunohistoquímicas, verifica-se a deficiência de distrofina. ções, mas as concentrações de CK estarem altas e há a apresentação de sinais e sintomas compatíveis com a DMD, é indicada a realização da biópsia muscular para confirmar ou descartar o diagnóstico. PROGRESSÃO - A degeneração muscular começa a ser evidente por volta dos 3 anos de idade, quando ela atinge a musculatura esquelética do quadril, da pelve, do pescoço e da parte proximal dos membros inferiores. Progressivamente, atinge os ombros e as partes distais dos membros inferiores e superiores, além do tronco. - Entre os 3 e 5 anos de idade, podem ser observados: anomalias na marcha, lordose lombar e retardo no crescimento e no desenvolvimento motor. - Aos 5 anos de idade, a maioria dos pacientes utiliza a Manobra de Gowers, para se levantardo chão, e tem pseudo-hipertrofia na panturrilha, decorrente da substituição de tecido muscular esquelético por tecidos conjuntivo e adiposo. Nessa idade também começam a ser percebidas dificuldades no aprendizado, na memória, na comunicação e nas habilidades emocionais. - Aos 10 anos de idade, o diafragma e outros músculos envolvidos na respiração são afetados, reduzindo a capacidade respiratória. Como resultado, podem ocorrer dor de cabeça, dificuldade para se concentrar, sonolência e pesadelos. Progressivamente, a capacidade de tossir é diminuída, o que favorece a evolução de infecções respiratórias. - Aos 12 anos de idade, a maioria dos pacientes apenas se locomove por meio de uma cadeira de rodas e apresenta contraturas e desvios na coluna. - Entre os 14 e os 18 anos de idade, ocorrem complicações cardíacas. - Com a progressão da doença, ocorre perda da força muscular e os portadores de DMD podem evoluir com alteração da mecânica ventilatória, tais como: hipoventilação, complacência pulmonar diminuída, tosse ineficaz e padrão anormal de respiração, tornando-os mais vulneráveis a adquirir infecções pulmonares TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO - A abordagem fisioterápica deve ser planejada, adotando-se expectativas realistas para as crianças com DMD e famílias, com base nos objetivos fundamentais que consistem em: a) evitar contraturas que possam levar à incapacidade e dor; b) manter a força muscular/evitar a atrofia por desuso; c) favorecer habilidades funcionais; e d) manter a função respiratória . - Case Laura et al, 2018, ressalta que o alongamento, o uso de órtese e ajustes posturais, reduzem dor, tensão muscular, melhora a flexibilidade e também há um aumento da circulação; obtendo como resultado a prevenção de contraturas e deformidade progressivas, redução do gasto energético; proporcionando independência funcional e conforto para o paciente. - O estudo feito por YA choi et al, 2018, também descreve que o alongamento passivo reduz contraturas nas articulações principalmente nos membros inferiores, dessa maneira mantém a funcionalidade do indivíduo, o que remete a uma concordância entre os dois estudos de que o alongamento contribui para qualidade de vida e possibilita maior funcionalidade para os pacientes com Distrofia Muscular de Duchenne. - Rodini Carolina et al, 2012 mostrando que a adequação postural, na cadeira de rodas, pode diminuir o desconforto respiratório, uma vez que, devido a postura inadequada, o indivíduo com DMD acaba adquirindo uma escoliose que compromete a eficácia da sua respiração, sendo assim, o alinhamento postural adequado irá evitar compensações na coluna vertebral beneficiando a melhora da respiração. - Fachardo Gilmara et al,2004, constatou que a hidroterapia é um recurso que vem sendo utilizado para o tratamento da DMD, este estudo comprova maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce Uma das escolhas para o tratamento em domicílio é o uso da Pressão Positiva Bifásica nas Vias Aéreas (BIPAP). Quando o paciente inicia a inspiração, um fluxo negativo de ar é gerado. O BIPAP capta esse fluxo e transmite a pressão positiva de respiração para uma pressão limite pré-selecionada Uso intermitente do CPAP em pacientes com doenças neuromusculares proporciona alívio dos sinais e sintomas relacionados com a fraqueza dos músculos respiratórios, além de estimular a limpeza bronquiolar. A NPPV pode ser usada para restaurar a oxigenação do sangue normal, remove excesso de dióxido de carbono do sangue, expande bases pulmonares d paciente e normaliza o trabalho e padrão respiratório. Inabilidade de expectorar secreções orofaringeanas; Mudança do estado mental ou prejuízo cognitivo; Instabilidade cardiovascular. - Um método alternativo é o uso da VNI, com o uso da máscara nasal. - Contra-indicações para o uso de VNI: - Alguns pacientes mais graves podem requerer episódios repetidos de intubação e ventilação mecânica na UTI para prolongar sua sobrevivência. As propriedades físicas da água facilitam a movimentação em diversas posturas, permite o fortalecimento dos músculos atrofiados, redução da dor, relaxamento da musculatura, aplicação de exercícios respiratórios melhoran Com a RPPI, a pressão positiva é transmitida aos pulmões do paciente através de um bocal ou máscara facial. A pressão limite é programada para atingir uma boa expansão das bases pulmonares e da caixa torácica. a eficácia dessa terapia no retardamento da doença, observando a manutenção da mobilidade e das atividades de vida diária (AVD’s). - Uso precoce de órteses é de suma importância na vida do indivíduo com Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), principalmente para prevenir certas complicações futuras como por exemplo uma contratura muscular, ou uma postura inadequada adquirida, além de prolongar a deambulação. - Terapia de respiração profunda (insuflação pulmonar) pode ser realizada manualmente no domicílio do paciente, expandindo os pulmões com ambú ou mecanicamente, usando Respiração com Pressão Positiva Intermitente (RPPI). - O paciente com DMD apresenta assincronia ventilatória, fraqueza muscular expiratória, fluxo expiratório diminuído durante a tosse e alto volume e viscosidade das secreções. - A técnica de respiração com lábios franzidos possibilita o combate ao assincronismo ventilatório. Deve ser aplicado sob supervisão, pois pode aumentar o grau de dispneia e cansa o paciente, embora o fluxo expiratório lento, característico desta técnica, poderia mobilizar secreções em um nível médio-distal graças à interação gás-líquido desencadeada nas pequenas vias aéreas. Referências: Distrofia muscular de Arora H. Duchenne: ainda uma doença incurável. Neurol India 2019 DE MORAES, Ramon Moraes et al. Intervenções fisioterapêuticas na distrofia muscular de duchenne: revisão de literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 5182-5194, 2021. PEREIRA, Aline Chacon; ARAÚJO, Alexandra Prufer de Queiroz Campos; RIBEIRO, Márcia Gonçalves. Avaliações simples da função motora e de baixo custo podem ajudar na suspeita diagnóstica da distrofia muscular de Duchenne?. Jornal de Pediatria, v. 96, n. 4, p. 503-510, 2020. A. Nascimento Osorio, J. Medina Cantillo, A. Camacho Salas, M. Madruga Garrido, J.J. Vilchez Padilla, Consenso para el diagnóstico, tratamiento y seguimiento del paciente con distrofia muscular de Duchenne,. 2019, DAMIÁN, Alexandro Santamaría et al. Fisioterapia respiratoria, una alternativa para la eliminación de secreciones en la distrofia muscular de Duchenne. Fisioglía: revista de divulgación en Fisioterapia, v. 5, n. 3, p. 57-63, 2018. FONSECA, Jakeline Gordinho et al. Distrofia muscular de Duchenne: complicações respiratórias e seu tratamento. Revista de Ciências Médicas, v. 16, n. 2, 2012. maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Realce maria Nota Ventilação Não Invasiva com Pressão Positiva maria Realce maria Realce maria Realce