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Introdução e histórico da saúde do
trabalho
Principais conceitos e histórico da Saúde Ocupacional no Brasil. Aspectos legais da saúde do trabalhador.
Profª Maria de Fátima Bussinger Ferreira
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender a área de Saúde do Trabalhador é essencial para os profissionais que buscam desenvolver
competências para atuar na ampliação da Rede de Atenção ao Trabalhador.
Objetivos
Reconhecer os principais conceitos e histórico da Saúde Ocupacional.
Identificar os principais aspectos legais da Saúde do Trabalho.
Introdução
A saúde é um objetivo de todos nós seres humanos desde os primórdios da civilização.
Para atender à demanda em produção de saúde, ações de promoção, prevenção e recuperação precisam
estar alinhadas a conhecimentos técnico-científicos, tecnologia e formação de profissionais.
O Brasil passou por várias etapas na construção do acesso a Saúde, indo desde os hospitais que eram “locais
onde os pobres morreriam” à Revolta das Vacinas, aos hospitais filantrópicos, hospitais para profissionais com
carteira de trabalho assinada e hospitais militares. Somente com a promulgação das leis 8.080 e 8.142, que
regulamentam a Constituição e dão origem ao SUS, em 1990, é que o acesso à Saúde passa a ser direito de
todos.
Com a Revolução Industrial, há um aumento considerável no número de acidentes do trabalho e, para atender
a essa demanda, surge na primeira metade do século XIX a Medicina do Trabalho.
Neste conteúdo, abordaremos conceitos da Medicina Ocupacional, sua evolução no Brasil e as legislações
vigentes.
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Trabalho braçal.
1. Saúde ocupacional
Revolução industrial e o trabalho
A Revolução Industrial, com o objetivo de atingir suas metas de produção, ocorre em meio a péssimas
condições de trabalho. As empresas não consideravam em nenhum momento o esgotamento físico, mental,
tempo de descanso e alimentação, e queriam o rendimento máximo, traduzido em elevados resultados de
produção. Isso causou (e vem causando) doenças e acidentes entre os trabalhadores.
Antes de passarmos aos conceitos da Medicina Ocupacional, vamos entender o que é trabalho. Definir
trabalho pode ser extremamente complexo e vários autores já o tentaram fazer. 
Podemos definir trabalho como um meio das pessoas se desenvolverem, desenvolvendo a
sociedade, realizando seus desejos. 
Para organizar o trabalho, ou uma tarefa, é importante considerar:
 
As etapas que o trabalhador executará.
As legislações pertinentes.
A capacidade de cada trabalhador.
O ambiente e a remuneração que será oferecida.
O trabalho não pode provocar adoecimento. A saúde é necessária para trabalhar e o trabalho também é fonte
de saúde, de realização pessoal. É um meio de viver a vida. 
Na Inglaterra, no século XIX, nasceu a Medicina do
Trabalho, na mesma época em que nascia a Revolução
Industrial. O contexto era o seguinte: os processos de
trabalho desumanos traziam consequências horríveis para
os trabalhadores. Uma solução tinha que ser proposta, de
forma urgente.
Foi então que Robert Dernham, proprietário de uma fábrica
têxtil na Inglaterra, preocupou-se com a saúde de seus
funcionários. Ele convidou o Dr. Robert Baker para uma
avaliação, e concluiu que a presença de um médico dentro
da fábrica era de fundamental importância para inspeção e
prevenção. E mais: esse médico deveria assumir total
responsabilidade pelos agravos à saúde que ocorriam no local de trabalho. Foi assim que surgiu o primeiro
médico do trabalho: Dernham contratou o Dr. Baker em 1830. As finalidades iniciais desse serviço seriam:
 
Serviços dirigidos por pessoas de inteira confiança do empresário, e que se dispusessem a defendê-lo.
Serviços contratados na figura do médico.
Prevenção como tarefa eminentemente do médico.
Responsabilidade pelos problemas de saúde transferida para o médico.
O serviço de Medicina do Trabalho se espalhou e foi sendo desenvolvido em paralelo com o avanço do
processo de industrialização. Uma vez que havia escassez na atenção básica à saúde dos trabalhadores, as
empresas começaram a ter mais atenção a esse aspecto, ao mesmo tempo que controlavam a força de
trabalho.
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Organização da Medicina do Trabalho e Saúde
Ocupacional
Durante o processo de evolução da construção da Saúde Ocupacional, surge com importante destaque até os
dias atuais a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Criação
Criada em 1919, inserida na agência das Nações
Unidas, tem como objetivo principal promover a
justiça social.
Estrutura
Possui uma estrutura tripartite e sua função é
formular e aplicar as normas internacionais do
trabalho.
Nas Conferências Internacionais do Trabalho, surgem as convenções que irão nortear os trabalhadores e
empregadores. Foi em 1919 que surgiu a primeira convenção. Ela atendeu às reinvindicações sindicais, tratou
da limitação da jornada de trabalho a 8 horas diárias e 48 horas semanais. Posteriormente, outras melhorias
seriam buscadas no que se refere a direitos na maternidade, desemprego, idade mínima para o trabalho e
turno de trabalho.
Com os avanços no desenvolvimento do trabalho nas indústrias, há o fomento pela organização dos serviços
médicos do trabalho. Preocupado com o índice elevado de adoecimentos e acidentes de trabalho, a OIT busca
criar diretrizes que darão origem à Medicina do Trabalho, em 1954, na Conferência Internacional do Trabalho.
Por meio da Recomendação 112, surge a definição “Serviço de Medicina do Trabalho”, que seria um serviço
organizado nos locais de trabalho (ou próximo), realizado somente por médicos, com objetivos de cuidar da
saúde dos trabalhadores por meio da redução de riscos físicos e mentais, cuidar da integralidade da saúde e
do seu bem-estar.
A Recomendação 112 tinha como objetivos:
 
Assegurar a proteção dos trabalhadores contra todo risco.
Contribuir com a adaptação física e mental dos trabalhadores.
Contribuir com o estabelecimento e manutenção do nível mais elevado possível do bem-estar físico e
mental dos trabalhadores.
Embora a Medicina do Trabalho tenha surgido para dar conta do número de trabalhadores doentes pelo
excesso na carga de trabalho que levava à fadiga pelas péssimas condições de trabalho, para auxiliar os
empregadores que se viam às voltas com o número elevado de doenças laborais e com pagamentos de
indenizações, ela não conseguiu atingir seus objetivos, e isso ocorreu devido ao processo de industrialização
acelerado, à economia avançando com a guerra e à quantidade de doentes e perdas no pós-guerra. 
O caos foi instalado. Houve uma expectativa de promover a “adaptação” do trabalhador ao trabalho, assim
como manter sua saúde em dia. Isso refletia a influência que ainda prevalecia do pensamento mecanicista da
medicina científica da época. 
E mais: 
Basta lembrarmos da célebre frase que é atribuída a Henry Ford: 
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Desenvolvimento 
No campo das ciências da administração, o
mecanicismo sustentou o desenvolvimento
da “Administração Científica do Trabalho”.
Aliada 
A Medicina do Trabalho foi forte aliada
dos princípios de Taylor, que foram
posteriormente ampliados por Ford.
O corpo médico é a seção de minha fábrica que dá mais lucro
Henry Ford
Mas como isso pode acontecer? Simples! Vejamos:
 
O corpo médico de uma fábrica ou empresa pode selecionar mão-de-obra que pode dar “menos
problemas futuros”.
A equipe de saúde controla melhor o absenteísmo dentro da empresa, e facilita um retorno mais rápido
dos funcionários após um afastamento.
Em resposta a essa situação, criou-se a “Saúde Ocupacional”, com a proposta de investir na higiene e
segurança do trabalho, na intervenção nos postos de trabalho, com foco no trabalho em equipe multi e
interdisciplinar. O trabalho concentrado no médico deixa de ser a proposta e percebe-se a influência da saúde
pública, já que controlar os riscos ambientais passa a ser objeto de tratamento. A Saúde Ocupacional tem
como caraterística ser um serviço que busca a promoção e preservação da integridade física do trabalhador,
por meio do reconhecimentodos riscos ambientais.
Contudo, a Saúde Ocupacional se desenvolve nas grandes escolas de saúde pública dos Estados Unidos
centrada sempre na higiene ocupacional. O resultado disso foi uma relativa desqualificação do enfoque
médico e epidemiológico da relação trabalho-saúde. Entenda melhor a seguir:
 
Nesse período, algumas personalidades foram Alice Hamilton, da Universidade de Harvard, médica
pioneira nos estudos das doenças profissionais sob o prisma médico-epidemiológico, e Anna Baetjer,
pesquisadora em estudos de patologia do trabalho na Escola de Saúde Pública da Universidade Johns
Hopkins.
No Brasil, destacamos as produções acadêmicas nessa área da Faculdade de Saúde Pública da USP,
que criou a área de Saúde Ocupacional dentro do Departamento de Saúde Ambiental, o que garantiu a
expansão de sua influência como grande centro de estudos na área.
Em 1966, cria-se a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho
(FUNDACENTRO), uma versão brasileira dos modelos de institutos de pesquisa em Saúde Ocupacional
que eram desenvolvidos em todo o mundo.
Falar da saúde dos trabalhadores significa dizer que o objetivo é promover a saúde, proteger e recuperar o
trabalhador por meio de ações que detectem e reduzam os riscos presentes nos ambientes e nas condições
de trabalho, que minimizem problemas da saúde do trabalhador e que organizem e prestem assistência aos
trabalhadores de forma integral, possibilitando qualidade de vida no trabalho e no dia a dia.
Embora a OIT e os países industrializados tenham buscado soluções para controlar o adoecimento dos
trabalhadores, os acidentes de trabalho e as perdas de vidas, muito ainda precisava ser feito. 
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Atendimento ao funcionário.
Escravidão.
E com a construção dos sindicatos, junto com a busca por
indenizações, as empresas passam a investir cada vez mais
na promoção e prevenção da saúde para diminuir as
doenças ocupacionais que ocorrem por fatores sociais,
econômicos e riscos ambientais.
Infelizmente, a saúde ocupacional falhou. Falhou em quê?
Bem, podemos listar alguns aspectos importantes:
A saúde ocupacional manteve o referencial da Medicina do
Trabalho, ou seja, o mecanicismo.
A área não concretizou o apelo à interdisciplinaridade.
O alto ritmo de transformação dos processos de trabalho não foi acompanhado por um avanço na
capacitação de recursos humanos e produção de conhecimento e tecnologia.
Continuou-se a tratar os trabalhadores como “objetos” das ações de promoção à saúde.
Avanços na saúde e no trabalho
O cuidado com a saúde no século XX era concentrado no controle da doença. Não havia competências na
saúde que permitissem a prevenção das doenças e a cura, o número de óbitos era elevado e somente com
avanços na área de anestesia, assepsia, microbiologia e fisiologia é que as evoluções se iniciaram e, desde
então, as mudanças tornaram-se marcantes. O controle na morte da população e a preservação da vida
passam ser necessários para a produção nas empresas e nas guerras, papel este que será realizado pela
Saúde Ocupacional.
A evolução no Brasil demora a ocorrer, já que
por 400 anos predominou o trabalho escravo,
que foi destaque na produção e na economia
brasileiras. As pessoas escravizadas, quando
adoeciam, eram jogadas ao mar, descartadas e
executadas, ou eram tratadas pelos seus donos
da mesma forma como se tratavam os animais.
O tratamento era rude, de acordo com o valor
pago pelo escravocrata.
As pessoas escravizadas eram patrimônio dos
seus senhores e a violência prevalecia. Elas
morriam da violência imposta pelos castigos e
suplícios e doenças como escorbuto,
disenteria, doenças pestilenciais e outras
moléstias. Na tentativa de não passarem por
essa situação, muitos buscavam tratar da sua
saúde utilizando a medicina tradicional africana.
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Colheita de café.
Entramos tardiamente na industrialização e, ainda no regime
imperial, no século XIX, o regime escravista avançava, mas
com o crescimento do movimento abolicionista, a
escravidão foi finalmente extinta.
 O café seria nosso produto de destaque entre os produtos
primários de exportação, e as precárias condições de
trabalho já prevaleciam. Dentre elas, podemos citar as
condições degradantes do trabalho da criança, das
mulheres e jornadas diárias e noturnas abusivas.
Já no século XX, os movimentos sociais buscam por
melhorias, e então surge, em 1917, a legislação trabalhista.
Com o surgimento dessa lei, a comunicação do acidente de
trabalho passa a ser responsabilidade do patrão, e não mais
do trabalhador. Nessa época, houve uma intensa migração de muitos trabalhadores europeus ao Brasil e,
portanto, surge a necessidade de novas legislações relacionadas ao trabalho. Entenda melhor a seguir:
 
A Medicina do Trabalho, nascida na Inglaterra do século XIX, avançava e, muitas vezes, era confundida
com a higiene industrial, Medicina do Seguro, Medicina Legal e Saúde Ocupacional.
Algumas doenças endêmicas avançavam no Rio de Janeiro e em Santos e, para fugir delas, os navios
não atracavam nessas cidades, o que gerou um intenso prejuízo econômico.
Como tentativa de controle desse quadro, foram realizadas aplicações de medidas sanitárias
promovidas pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz e uma reurbanização promovida pelo prefeito Pereira
Passos.
Para conter essas doenças infectocontagiosas, houve o movimento de vacinação da população que
ficou conhecido como “A Revolta das Vacinas”.
Era a resposta da população à iniciativa de obrigatoriedade da vacina com intervenção até de força
policial adotada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz no tratamento aos habitantes da cidade do Rio
de Janeiro.
No início do século XX, não havia rede hospitalar para acolher e tratar os doentes. A saúde era restrita à rede
hospitalar estatal, voltada para os militares, e à rede das Santas Casas de Misericórdia, herdadas pela
colonização portuguesa. O médico particular tratava as pessoas que tinham boas condições financeiras,
sendo conhecido como “médico da família”. 
A aposentadoria dos trabalhadores avança em um novo cenário e há uma reorganização com a criação dos
Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs), que prometiam garantir as aposentadorias e prestar assistência
aos trabalhadores doentes e/ou incapazes, em nível nacional e a diversas categorias profissionais. A proposta
é implementada, mas passou a enfrentar dificuldades por ter seus recursos aplicados em outros setores da
economia, inclusive nas indústrias que surgiam. 
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Lei Eloy Chaves 
Em 1923, a lei Eloy Chaves, responsável pela
criação das Caixas de Pensões (CAPs) e
Aposentadorias dos Ferroviários (elite de
trabalhadores), cria a base do sistema
previdenciário brasileiro. Essa lei surge por
medo do pós-guerra e do pós-pandemia da
gripe espanhola.
Caixas de pensões 
As Caixas de Pensões eram responsáveis
por recolher contribuições dos
empregadores e trabalhadores para
pagar aposentadorias e pensões. Com o
avanço dos movimentos sociais, as CAPs
passaram a contemplar outras
categorias profissionais, como o
portuário, a navegação marítima e a
aviação.
Constituição da República.
Na era de Getúlio Vargas, o Brasil passou a ter
grandes mudanças nas relações de trabalho,
cujo reflexo é percebido até os dias atuais. A
Constituição de 1934 proporcionou aos
trabalhadores novos direitos, como o salário
mínimo, férias remuneradas, jornada de oito
horas, proibição do trabalho infantil, dentre
outros benefícios.
Em 1943, Vargas publica as Leis do Trabalho, a
CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), com
a intenção de normatizar e unificar de forma
coerente os direitos dos trabalhadores visando
à maior proteção dos trabalhadores. Nessa
época, o Estado passou a ser um importante
mediador nas relações laborais e questões
como saúde, higiene, Segurança do Trabalho e penalidades já perpassavam esse documento.
As primeiras grandes alterações na CLT ocorreram em 1967 pelo Decreto-Lei 229, quando surge a Medicina
do Trabalho. As alterações continuaram durante o regime militar,quando ocorreram vários avanços na CLT
referentes à saúde.
Com isso, várias doenças infectocontagiosas aumentaram sua incidência. Com a proposta de melhorar a
saúde para a população, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) unifica todos os órgãos
previdenciários que vinham funcionando desde 1930. 
O Brasil, em 1969, torna-se o campeão em acidentes de trabalho. A previdência social divulga dados
alarmantes. Na tentativa de reduzir as pressões que vinha sofrendo, inclusive do Banco Mundial, o governo
promulga a Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que emite a Portaria 3.214, e define as Normas
Regulamentadoras (NRs) que irão subsidiar a Medicina do Trabalho e posteriormente ditarão as diretrizes de
segurança e higiene do trabalho na Saúde Ocupacional até a presente data.
Atenção
A Conferência de Alma-Ata, realizada em 1978, patrocinada pela OMS, discute em conferência ministerial
da saúde a importância da Atenção Primária à Saúde e provoca uma discussão sobre regionalização e
integralidade. 
As diretrizes para um sistema nacional de saúde, único e descentralizado, que originariam o Sistema Único de
Saúde (SUS), foram criadas em 1986 na Oitava Conferência Nacional de Saúde. A Constituição Cidadã foi
promulgada por Ulysses Guimarães, em 1988, e nos artigos 196 a 200 foram estabelecidas as bases legais do
SUS. No entanto, somente em 1990, no governo de Fernando Collor de Mello, foram aprovadas a Lei Orgânica
da Saúde (8.080/90) e a Lei de Participação Social (8.142/90), que estruturam o controle social em conselhos
tripartites deliberativos.
Doenças endêmicas 
As doenças endêmicas eram controladas pelo
Ministério da Saúde, criado em 1956, e
posteriormente pelo Departamento Nacional
de Endemias Rurais. Sua principal
responsabilidade era prevenção por meio da
vacinação e controle das endemias.
Golpe militar 
Em 1964, com o golpe militar, passamos
ao governo da ditadura. Os governantes
se concentraram na segurança e no
desenvolvimento econômico e, mais
uma vez, a saúde sofreu várias reduções
de financiamento.
Ulysses Guimarães segurando a Constituição de 1988.
Depois da Constituinte, todos os brasileiros passaram a ter direito ao Sistema Único de Saúde (SUS), não
sendo mais, portanto, necessário ter vínculo empregatício, contribuição previdenciária ou realizar pagamentos
extras. 
Vamos acompanhar esse assunto de forma mais detalhada a seguir.
 
O SUS, com 30 anos de existência, atende 70% da população brasileira e teve uma atuação ímpar na
pandemia da covid-19.
É uma política de Estado, que traz a saúde como direito de todos, propondo uma atenção integral
descentralizada, regionalizada e humanizada
Tendo seus princípios, valores e diretrizes que o norteiam, o SUS é um dos maiores sistemas de saúde
do mundo, e oferece à população brasileira programas importantes, como o de imunização,
transplantes, controle da AIDS, dentre outros.
Normas Regulamentadoras
Complementando a legislação trabalhista da CLT, surgem as Normas Regulamentadoras (NRs), que são
utilizadas como ferramentas de prevenção de acidentes, doenças laborais e doenças agravadas nas
avaliações da saúde e segurança do trabalhador nas empresas e instituições públicas. Na avaliação, a
aplicação da NR observará os deveres, direitos dos trabalhadores e deveres dos empregadores. O
cumprimento da norma regulamentadora pelo empregador e trabalhador é exigido pela equipe da Saúde
Ocupacional dentro de um programa de segurança e higiene do trabalho. As normas são revisadas e
elaboradas atualmente pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (MTP).
Atenção
O não cumprimento das normas pelas empresas e instituições públicas pode causar ações reclamatórias
ou civis, ou pagamentos de multas e despesas com tratamento médico. 
Ao mesmo tempo que as normas buscam os riscos de danos ao trabalhador, elas trazem soluções para esses
riscos por meio do esclarecimento aos trabalhadores quanto aos cuidados preventivos para evitar acidentes
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de trabalho e/ou doenças laborais, incentivo à integridade física do trabalhador pela preservação e ações de
promoção da saúde, regulamentação da segurança e saúde do trabalhador e promoção de uma política de
saúde de segurança do trabalhador.
A Higiene do Trabalho, que é uma ciência que atua em equipe multiprofissional para prevenção das doenças
laborais decorrentes dos riscos ambientais, faz parte da Saúde Ocupacional. A estrutura macro da Saúde do
Trabalhador caracteriza-se por ser uma ciência que busca, por meio da redução dos riscos existentes, manter
o foco nas ações de promoção e prevenção da saúde do trabalhador.
Evolução da saúde do trabalhador
Neste vídeo, será abordado a evolução da saúde do trabalhador, desde as primeiras abordagens durante o
nascimento da Revolução Industrial, até o surgimento da Saúde Ocupacional e, por fim, a saúde do
trabalhador.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O primeiro médico do trabalho
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A Era Vargas e a CLT
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
As Normas Regulamentadoras
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Com o objetivo de fortalecer os direitos à saúde do trabalhador, Getúlio Vargas lança leis que tratarão desses
direitos trabalhistas, como a CLT (Consolidação de Leis Trabalhistas), que tinha como objetivos:
A
Servir como um conjunto normativo unificador e coerente sobre as questões do direito trabalhista de caráter
protetor da força de trabalho.
B
Servir como um conjunto normativo unificador e coerente sobre as questões do direito trabalhista, mas sem
caráter protetor da força de trabalho.
C
Nortear os deveres dos trabalhadores.
D
Estabelecer as Normas Regulamentadoras.
E
Servir como um conjunto normativo unificador e coerente sobre as questões do direito trabalhista, instituir as
Normas Regulamentadoras, mas sem caráter protetor da força de trabalho.
A alternativa A está correta.
Em 1943, Getúlio Vargas, então presidente do Brasil, consolida as regras trabalhistas, num Decreto-Lei nº
5.452, de 1º de maio de 1943, que chamou de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que tinha como
objetivo servir como um conjunto normativo unificador e coerente sobre as questões do direito trabalhista
de caráter protetor da força de trabalho. Portanto, as demais alternativas estão erradas.
Questão 2
A Saúde Ocupacional surge para dar conta do caos existente na saúde dos trabalhadores, e traz como
proposta:
A
Investir na higiene e segurança do trabalho, na intervenção nos postos de trabalho, trabalhando em equipe
multi e interdisciplinar.
B
Investir na higiene e segurança do trabalho, na intervenção nos postos de trabalho, com o trabalho
concentrado no médico.
C
Investir na higiene e segurança do trabalho, sem intervenção nos postos de trabalho, trabalhando em equipe
multi e interdisciplinar.
D
Investir somente na intervenção dos postos de trabalho com trabalho concentrado no médico.
E
Investir somente na segurança do paciente, sem intervenção nos postos de trabalho, com trabalho
concentrado no médico.
A alternativa A está correta.
Em resposta a essa situação, criou-se a "Saúde Ocupacional" com a proposta de investir na higiene e
segurança do trabalho, na intervenção nos postos de trabalho, com foco no trabalho em equipe multi e
interdisciplinar. Portanto, as demais alternativas estão erradas.
Getúlio Vargas.
2. Saúde do trabalho e seus aspectos legais
As evoluções no Brasil
O Brasil teve um longo período para evoluir do trabalho desregulamentado até as leis trabalhistas. Durante o
período colonial e imperial, o trabalho era realizado por escravos (índios e negros) e por homens livres e
pobres, e não havia preocupação com as condições de saúde e segurança no trabalho, assim como não haviauma medicina com conhecimentos voltados para cura.
O Brasil entra no processo de industrialização somente 400
anos depois, na República Velha. Houve um início do
desenvolvimento das leis trabalhistas, mas foi no governo
Vargas que foi ampliada a proteção aos trabalhadores, com
a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituída pelo
Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, sendo o
primeiro código trabalhista brasileiro.
O Estado procurou manter o controle das demandas sociais
e trabalhistas mesmo com a criação do Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio que seria depois chamado
de Ministério do Trabalho e Previdência Social.
Posteriormente, esse órgão passou a ser chamado de
Ministério do Trabalho.
Com o avanço da Medicina do Trabalho, surge a FUNDACENTRO – Fundação Centro Nacional de Segurança,
Higiene e Medicina do Trabalho. Hoje, conhecida como Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e
Medicina do Trabalho, tem como objetivo realizar estudos e pesquisas na saúde do trabalhador e oferecer
capacitação a empregadores e trabalhadores. Essa Fundação está vinculada ao Ministério do Trabalho.
Em 2004, é publicada a atual estrutura regimental do Ministério do Trabalho, tendo como competências:
 
Geração de empregos e rendas.
Fiscalização e modernização das relações trabalhistas.
Aplicação das leis de sanções.
Fiscalização da segurança e saúde do trabalho.
Política salarial, formação e desenvolvimento profissional.
Política de imigração.
Cooperativismo e associativismo urbanos.
Como órgão responsável pelas ações de segurança e saúde no trabalho dentro do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), destaca-se a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
No que se refere à saúde do trabalhador no serviço público, somente com a publicação do manual do SIASS
(Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor) e com a publicação da Lei 8.112 foi possível maior
proteção. Para que as ações de saúde do trabalhador tenham maior efetividade, precisamos enxergá-las
desde a promoção em saúde até o retorno do trabalhador às suas tarefas laborais, independentemente do
modelo de gestão e do vínculo empregatício. 
Normatização atual da saúde ocupacional
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Os avanços na normatização das legislações trabalhistas continuam ocorrendo, e surgem das convenções da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência especializada nas questões do trabalho e integrante da
Organização das Nações Unidas (ONU).
Objetivo
Um dos seus objetivos é incentivar a busca por
melhoria das condições de vida e proteção
adequada à saúde de todos os trabalhadores,
nas mais diversas profissões.
Conferência Internacional do Trabalho
Sua sede é em Genebra, onde anualmente, em
junho, ocorre a Conferência Internacional do
Trabalho, para discutir temas diversos
relacionados ao trabalho.
Adoção e revisão de normas
Nessa conferência, ocorre a adoção e revisão
das normas internacionais do trabalho e
aprovação ou não das suas políticas gerais, o
programa de trabalho e orçamento.
A legislação trabalhista no Brasil é norteada pelas normas brasileiras (Normas Regulamentadoras ou NRs) de
segurança, saúde e trabalho, que são bastante amplas.
 
Eram de competência do MTE, por intermédio do seu órgão nacional de Segurança e Saúde no
Trabalho (SST), a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
A SIT amplia a normatização da área de SST, possibilitando as necessárias revisões periódicas das
NRs, com várias atualizações desde então, além de permitir que a regulamentação em SST fique
razoavelmente atualizada.
Com a extinção do MTE, as NRs totalizam 37 normas, mas somente 32 são vigentes e passaram a ser
de responsabilidade do Ministério da Economia, do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça e
Segurança Pública.
Esses ministérios são agora responsáveis por fiscalizar e alterar as Normas Regulamentadoras junto à
comissão de avaliação.
Atualmente, é tripartite, formada por representantes do Governo, da Previdência Social, Trabalho e
Emprego e Saúde, contando também com membros que representam os trabalhadores e empregados.
Vários benefícios destacam-se com esse novo modelo de discussão. Além de permitirem a atualização e a
ampliação das NRs mais antigas, há uma discussão ampliada com os setores sociais envolvidos e,
consequentemente, as normas são atualizadas de forma mais próxima à realidade e necessidades existentes.
Apesar de haver atrasos devido a vários problemas no andamento da agenda, alguns deles seriam a baixa
representatividade e conflitos de interesse, esse modelo continua se destacando e tem mostrado grandes
êxitos.
O SUS e a inserção da Medicina Ocupacional
Na publicação da Constituinte em 1988, pelo então presidente da Assembleia Nacional da Constituinte,
Ulysses Guimarães, ficou definido, no artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. 
Com isso, surge o Sistema Único de Saúde (SUS), com diretrizes de descentralização, atendimento integral e
participação popular, respeitando os princípios de universalidade, integralidade e igualdade firmados na
própria Constituição.
No que se refere à saúde do trabalhador, é no artigo 200 que esta será contemplada na definição de que o
SUS é responsável por executar as ações de saúde do trabalhador e colaborar na proteção do meio ambiente.
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1990
Lei 8.080
A Lei 8.080, publicada em 1990, reafirma a saúde do trabalhador como integrante do campo de
atuação do SUS e regulamenta os dispositivos constitucionais sobre esse domínio.
1998
Portaria n° 3.908
Avançando nesse processo de construção, a portaria n° 3.908 é publicada em 1998, estabelecendo
os procedimentos para nortear, orientar e instrumentalizar as ações e serviços de saúde do
trabalhador no Sistema Único de Saúde (SUS).
1996
NOST
A Norma Operacional de Saúde do Trabalhador – NOST, é aprovada, complementando a então vigente
NOB-SUS (Norma Operacional Básica do SUS) 01/96.
A NOST teria por objetivo orientar e instrumentalizar a realização das ações de saúde do trabalhador
urbano e rural, pelos estados, o Distrito Federal e os municípios.
A Instrução Normativa de Vigilância em Saúde do Trabalhador no SUS é publicada em 1998 e surge com a
finalidade de definir procedimentos básicos para o desenvolvimento das ações correspondentes, e traz como
objetivos o poder de instrumentalizar minimamente os setores responsáveis pela vigilância e defesa da saúde,
nas secretarias de estados e municípios, de forma a incorporarem em suas práticas mecanismos de análise e
intervenção sobre os processos e os ambientes de trabalho (BRASIL, 2002). 
Essas legislações são os primeiros marcos dentro do SUS na construção e ampliação da saúde do
trabalhador.
Na busca de uma definição que fortalecesse a implementação da saúde do trabalhador, a Lei 8.080 a define
como um conjunto de atividades que se destina à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, por meio
das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, que tem como objetivo:
Recuperação e reabilitação
Recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos
das condições de trabalho, com abrangência a prestar assistência aos trabalhadores com acidentes
de trabalho, doença profissional e ocupacional.
Participação em estudos
Participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde
existentes no processo de trabalho.
Riscos à saúde do trabalhador.
Participação, da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração,
armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de
equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador.
Avaliação do impacto
Avaliação do impacto das tecnologias no adoecimento.
Informação ao trabalhador
Informação ao trabalhador e ao seu sindicato e a empresas sobre os riscos de acidente de trabalho,
doença profissional e do trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e
exames de saúde, deadmissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética
profissional.
Participação na normatização
Participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de saúde do trabalhador nas
instituições e empresas públicas e privadas.
Revisão periódica da listagem
Revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho, tendo na sua
elaboração a colaboração das entidades sindicais.
Garantia ao sindicato dos trabalhadores
Garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina,
de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para
a vida ou saúde dos trabalhadores.
A implementação da saúde do trabalhador pelo SUS, reconhecida pela Lei 8.080, traz para o centro da roda de
conversa a necessidade de avançar no desenvolvimento de ações de promoção e vigilância em saúde, para
transformar a organização dos processos de trabalho, os ambientes, em locais saudáveis que produzam
saúde e tenham um olhar integral na saúde do trabalhador, independentemente da gestão implantada.
Infelizmente, os avanços ocorridos não são proporcionais às necessidades da saúde do trabalhador. No que
tange às empresas, o olhar sobre a promoção e prevenção vem avançando, mas a integralidade do cuidado é
muito limitada.
Atenção
Atualmente, podemos dizer que é do MTE a responsabilidade quase total da normatização de segurança
e saúde dos trabalhadores nas empresas e instituições públicas, e é de sua competência acompanhar os
cumprimentos dessas normas, por intermédio das inspeções realizadas pela subsecretaria de inspeção
do trabalho em todos os estados e municípios. 
Grandes desafios foram e são enfrentados por vários governantes, empregados e empregadores durante esse
processo de evolução e implementação da saúde do trabalhador e Saúde Ocupacional. Preocupado com esse
cenário, o Ministério do Trabalho e Emprego publicou a Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho
(PNSST), com a proposta de avançar na promoção e prevenção da saúde do trabalhador.
A nova Política Nacional de Segurança e Saúde no
Trabalho (PNSST) 
A Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, a PNSST, foi publicada em 2011, e está fundamentada
na Constituição Federal, nas recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e no Plano de
Ação Global em Saúde do Trabalhador da Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Para garantia de avanço dessa política, sua implementação ocorre por meio de articulação continuada das
ações governamentais na esfera trabalhista, com participação ativa dos representantes de empregadores e
trabalhadores. 
A PNSST foi um documento elaborado em equipe, que define as ações para promover, manter a segurança
dos trabalhadores, contendo ações da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, desenvolvidas de
acordo com as suas diretrizes. Respaldando e embasando a PNSST, surgem as suas diretrizes:
Realizar a promoção e proteção de saúde para todos os trabalhadores;
Harmonizar a legislação e a articulação das ações de promoção, proteção, prevenção, assistência,
reabilitação e reparação da saúde do trabalhador com adoção de medidas especiais para atividades
laborais de alto risco;
Integralizar as informações em saúde do trabalhador;
Promover a implantação de sistemas e programas de gestão da segurança e saúde nos locais de
trabalho;
Estimular a capacitação e a educação continuada de trabalhadores e reestruturação da formação em
saúde do trabalhador e em segurança no trabalho, além da promoção de agenda integrada de estudos
e pesquisas em segurança e saúde no trabalho.
Responsabilidades no âmbito da PNSST
A revisão dos avanços, implementação e desafios da PNSST será periódica, estabelecendo os mecanismos de
validação e de controle social com a forma de gestão participativa, de responsabilidade da Comissão
Tripartite de Saúde e Segurança do Trabalho (CTSST). Cabe ao Ministério do Trabalho e Emprego, ao
Ministério da Saúde e o da Previdência Social a responsabilidade de implementar a PNSST nos estados.
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Segurança do tabalho.
Além de definir e implantar formas de divulgação da PNSST
e do Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho,
dando publicidade aos avanços e resultados obtidos e
articular rede de informações sobre SST, a CTSST é
também responsável por acompanhar e avaliar a revisão
periódica do Plano Nacional de Segurança e Saúde no
Trabalho.
A coordenação e supervisão da execução da PNSST e do
Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho é de
responsabilidade do Comitê Executivo, que é constituído
pelos Ministérios do Trabalho e Emprego, da Saúde e da
Previdência Social.
Vamos acompanhar esse assunto de forma mais detalhada a seguir:
 
Todo orçamento para ações de Saúde e Segurança do Trabalho serão elaboradas pelo comitê em
consonância com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, integrando os diversos
programas de governo.
Caberá a este comitê a elaboração de um relatório de atividades da PNSST desenvolvidas anualmente,
o qual será encaminhado à CTSST e à Presidência da República.
É de sua responsabilidade também divulgar os resultados, as informações sobre as ações de SST para a
sociedade, além de promover campanhas sobre saúde e segurança no trabalho.
Comentário
Com a implantação da PNSST, foi dado um passo de extrema importância na saúde dos trabalhadores,
porém, para que sua implementação avance de fato, é necessária uma mobilização coletiva da
população, trabalhadores, instituições públicas, centros acadêmicos e instâncias organizativas da
sociedade civil para vencer os desafios de aplicação das diretrizes e os problemas de gestão para
implementação de ações efetivas. 
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador – RENAST
A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi implantada em 2002, surgindo
como estratégia para implementação e consolidação da PNSST devido às dificuldades em avançar com as
ações de saúde e segurança dos trabalhadores. Tem sua organização nos princípios de descentralização,
hierarquização e regionalização do SUS, trazendo como proposta a inclusão de todos os trabalhadores,
independentemente do vínculo empregatício e do meio da sua inserção no mercado. Todos os serviços devem
ser baseados na PNSST com foco em oferecer ações de prevenção, proteção, vigilância e recuperação da
saúde e a atenção integral à saúde do trabalhador, de acordo com os princípios do SUS de equidade,
universalidade e integralidade.
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RENAST
Lesão por esforço repetitivo.
Para organizar a RENAST nos estados, a
regionalização será a meta pelos municípios e
deve ser avaliado o nível de tecnologias
implantadas com preservação da produção do
local, os resultados econômicos, os custos e os
bens de serviços incrementados (economia de
escala) na vigilância e na assistência à saúde
do trabalhador.
O Plano Diretor de Regionalização (PDR) nos
estados, instrumento de planejamento em
saúde, será o caminho em que os municípios
devem prestar atividades relacionadas à saúde
do trabalhador em suas diferentes regiões e de
acordo com o nível de concentração de trabalhadores, de acordo com a capacidade instalada do SUS e das
linhas de cuidado construídas, ou seja, o percurso que o trabalhador irá percorrer para ter sua saúde. 
Para avançar na construção da Rede e no seu funcionamento adequado, outro princípio do SUS se faz
necessário – a integralidade do cuidado. 
Mas como construir esse fluxo? 
Pensando nisso, foram criados os CERESTs – Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, constituídos
por centros estaduais, localizados nas capitais e regiões sob gestão estadual ou municipal. Entenda melhor a
seguir:
 
Seu papel é oferecer apoio técnico e científico às intervenções do SUS no que se refere à saúde do
trabalhador de forma integrada com outras regiões.
Os CERESTs diferenciam-se entre si de acordo com o nível de estruturação, sua produção, mobilização
da equipe, dos gestores envolvidos,mas todos trazem como propostas as ações de promoção da
saúde, de prevenção, de vigilância dos ambientes de trabalho, de assistência, incluindo diagnóstico,
tratamento e reabilitação e recuperação (Linha de Cuidado).
Além de prestarem assistência ao trabalhador, também oferecem capacitação de recursos humanos e
de orientação aos trabalhadores.
Lesões por Esforço Repetitivo ou Distúrbios
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) 
As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e as Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT)
comprometem hoje muitos trabalhadores, sendo as doenças mais incidentes.
Segundo o Ministério da Saúde, em 2018 mais
de 67 mil casos foram relatados.
 As lesões aparecem mais em membros
superiores e coluna vertebral, possuem como
características a fadiga neuromuscular, dor,
formigamento, dormência, choque e sensação
de peso.
As patologias mais frequentes são tendinite,
síndrome do túnel do carpo, epicondilite,
hérnias de disco, síndrome do desfiladeiro,
lesão do manguito rotador, dentre outras. 
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Atenção
As lesões por esforço repetitivo ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho muitas vezes
levam à incapacidade funcional por um longo período. O trabalhador nem sempre busca logo fazer o
diagnóstico e sua chefia não o libera logo após o diagnóstico. O tratamento requer repouso, fisioterapia
e anti-inflamatórios, o que nem sempre é bem realizado. 
O retorno ao trabalho deve ser gradual e de acordo com a norma de regulamentação NR-17, que traz as
orientações ergonômicas referentes à organização do trabalho. O acompanhamento do trabalhador deve ser
realizado com uma equipe multidisciplinar com enfoques tanto na saúde mental quanto na física, pois uma
potencializa a outra, e não é incomum as doenças físicas gerarem quadros de depressão pelo trabalhador
sentir-se incapaz no trabalho e no dia a dia da sua vida.
Um dos fatores de grande dificuldade na recuperação do trabalhador é encontrar centros com
integralidade do cuidado e com foco na saúde do trabalhador.
Todo esse processo de evolução na sociedade incentivou o governo, os empregadores e trabalhadores a
buscarem saídas para diminuir o número de adoecimentos, mortes e invalidez. Porém, toda a estrutura
existente ainda é frágil, enrijecida, burocrata e descompassada em relação aos modelos de gestão vigentes e
da realidade atual do trabalhador. Por mais que as portarias tenham criado a Rede de Atenção à Saúde do
Trabalhador e avanços tenham sido conquistados, a descontinuidade do cuidado ainda é enorme e vários são
os motivos para essa fragilidade. O processo de adoecimento continua a avançar. O trabalhador, um dos
atores principais, é desconexo da reponsabilidade dos direitos e deveres com sua saúde, realimentando sem
querer o próprio sistema em que está incluso, perpetuando conscientemente, ou inconscientemente, o
processo de doença.
Aspectos legais da saúde do trabalho no Brasil
Neste vídeo, será abordado aspectos básicos legais da Saúde do Trabalho no Brasil, desde as Leis 8080 e
8142 que instituíram o SUS, até as políticas mais recentes.
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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Lei 8.080
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Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador
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Política Nacional de Segurança
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi implantada em 2002, surgindo
como estratégia para implementação e consolidação da Política Nacional de Segurança e Saúde do
Trabalhador. A RENAST se baseia nos princípios do SUS, que são
A
equidade, universalidade e integralidade.
B
acesso, acolhimento e equidade.
C
Integralidade e acesso.
D
acesso, acolhimento e integralidade.
E
equidade, acesso e acolhimento.
A alternativa A está correta.
Todos os serviços devem ser baseados na Política Nacional de Saúde do Trabalhador, com foco em
oferecer ações de prevenção, proteção, vigilância e recuperação da saúde e a atenção integral à saúde do
trabalhador de acordo com os princípios do SUS de equidade, universalidade e integralidade. As demais
alternativas trazem princípios que não norteiam o SUS, como acolhimento e acesso.
Questão 2
Em 2011, foi instituída a política que tem por objetivos a promoção da saúde, a melhoria da qualidade de vida
do trabalhador e a prevenção de acidentes e de danos à saúde relacionados ao trabalho, ou que ocorram no
curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos nos ambientes de trabalho. Qual seria o nome dessa
política?
A
Política Nacional de Humanização.
B
Rede Nacional de Atenção à Saúde.
C
Lei 8.080.
D
Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador.
E
Serviços de Saúde do Trabalhador.
A alternativa D está correta.
A Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, PNSST, foi publicada em 2011. A promoção da
saúde, melhoria da qualidade de vida do trabalhador, a prevenção de acidentes e de danos à saúde
relacionados ao trabalho ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução dos riscos nos
ambientes de trabalho, são os seus objetivos. As demais alternativas estão incorretas. A Lei 8.080, a
Política Nacional de Humanização, a Rede Nacional de Atenção à Saúde e Serviços de Saúde do
Trabalhador não são políticas em saúde do trabalhador.
3. Conclusão
Considerações finais
Com os avanços nos conhecimentos médicos, saltamos para um maior controle das doenças e produção de
saúde, porém, em contrapartida, com a industrialização surgiram outras doenças.
Aos profissionais atuantes na área do Trabalho, é importante a busca por conhecimentos de políticas e
técnicas que possam ir ao encontro do objetivo central da Política Nacional de Segurança e Saúde (a
promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida do trabalhador, além da prevenção de acidentes e de
danos à saúde relacionados ao trabalho, ou que ocorram no curso dele, por meio da eliminação ou redução
dos riscos nos ambientes de trabalho). Quando capacitados, os trabalhadores poderão lutar de forma mais
ampla pelos seus direitos.
As conquistas realizadas pelos trabalhadores, até hoje, são marcas de lutas que não podem ser perdidas. As
normas de regulamentação, apesar de algumas vezes frágeis, são ferramentas para busca de melhorias na
saúde do trabalhador, independentemente do modelo de gestão vigente.
O trabalho não pode ser só um meio de sustento! Ele pode e deve ser um meio também de motivação, jamais
levando ao adoecimento físico ou emocional!
Podcast
Agora, neste podcast, será abordado como surgiram as primeiras ações em Medicina do Trabalho e
como evoluímos até os dias atuais.
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Leia na íntegra os seguintes documentos de suma importância para a Saúde do Trabalho no Brasil:
 
Lei 8.080.
Lei 8.192.
Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.
Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador – RENAST. Portaria GM nº 1679, de 19 de
setembro de 2002.
Normas Regulamentadoras, na página do Ministério do Trabalho e da Previdência.
Referências
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– Curso de Especialização Estratégia Saúde da Família, Universidade Federal de Minas Gerais, 2017.
 
CHAGAS, R. M. A.; SALIM, C. A.; SERVO, S. M. L. Saúde e segurança no trabalho no Brasil: aspectos
institucionais, sistemas de informação e indicadores. 2. ed. São Paulo, IPEA: FUNDACENTRO, 2012.
 
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FUNDACENTRO. Introdução à Higiene Ocupacional. São Paulo, 2004. Consultado na Internet em: 08 nov. 2021.
 
MENDES, R.; DIAS, C. E. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. Rev. Saúde Pública25(5), out., 1991.
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. 8ª Conferência Nacional de Saúde: quando o SUS ganhou forma. Brasília, DF.
Publicado em: 22 maio 2019. Consultado na Internet em: 02 nov. 2021.
 
NETO, V. G.; MALIK, M. A. Gestão em Saúde. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
 
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Conheça a OIT. Consultado na Internet em: 08 nov. 2021.
 
RIO PREFEITURA. Revolta da Vacina – 1904. A maior batalha do Rio. Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. A
Secretaria, 2006. 120 p.: il. (Cadernos da Comunicação –Série Memória). Consultado na Internet em: 08 dez.
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TORRES, E. Saúde Pública no Brasil e sua Evolução Histórica. Consultado na Internet em: 27 out. 2021.
 
VASCONCELLOS, F. C. L.; OLIVEIRA, B. H. M. Saúde, Trabalho e Direito: Uma Trajetória Crítica e a Crítica de
uma Trajetória. Rio de Janeiro: Educam, 2011.
	Introdução e histórico da saúde do trabalho
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Saúde ocupacional
	Revolução industrial e o trabalho
	Organização da Medicina do Trabalho e Saúde Ocupacional
	Criação
	Estrutura
	Avanços na saúde e no trabalho
	Atenção
	Normas Regulamentadoras
	Atenção
	Evolução da saúde do trabalhador
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	O primeiro médico do trabalho
	Conteúdo interativo
	A Era Vargas e a CLT
	Conteúdo interativo
	As Normas Regulamentadoras
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Saúde do trabalho e seus aspectos legais
	As evoluções no Brasil
	Normatização atual da saúde ocupacional
	Objetivo
	Conferência Internacional do Trabalho
	Adoção e revisão de normas
	O SUS e a inserção da Medicina Ocupacional
	Lei 8.080
	Portaria n° 3.908
	NOST
	Recuperação e reabilitação
	Participação em estudos
	Riscos à saúde do trabalhador.
	Avaliação do impacto
	Informação ao trabalhador
	Participação na normatização
	Revisão periódica da listagem
	Garantia ao sindicato dos trabalhadores
	Atenção
	A nova Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho (PNSST)
	Responsabilidades no âmbito da PNSST
	Comentário
	Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador – RENAST
	Lesões por Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
	Atenção
	Aspectos legais da saúde do trabalho no Brasil
	Conteúdo interativo
	Vem que eu te explico!
	Lei 8.080
	Conteúdo interativo
	Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador
	Conteúdo interativo
	Política Nacional de Segurança
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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