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Políticas em Saúde do Trabalhador

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Políticas públicas em saúde do
trabalhador
A construção histórica e as bases legais da implantação de políticas públicas em saúde do trabalhador.
Adriana de Souza Marinho Teixeira
1. Itens iniciais
Propósito
O fisioterapeuta tem atuado cada vez mais na atenção básica, focando na prevenção de doenças e na
promoção de saúde. Assim, conhecer a evolução das políticas públicas implementadas no Brasil contribui para
a formação de um agente promotor de saúde, não somente de reabilitação.
Objetivos
Identificar as características dos processos de implantação da saúde do trabalhador no Brasil.
Conhecer as bases legais sobre saúde do trabalhador - normas regulamentadoras de segurança e 
saúde no trabalho.
Reconhecer a saúde do trabalhador na rede de atenção à saúde.
Introdução
Este é um conteúdo que, apesar de sua complexidade, pode e deve ser desenvolvido por profissionais de
saúde que muito têm a contribuir com a saúde do trabalhador. Assim como temos um olhar específico na
saúde da criança, do idoso, do homem e da mulher, também temos, no sistema público de saúde, um olhar
específico para o trabalhador, baseado, principalmente, na proteção e prevenção. Ressaltamos que, quando
nos referimos aos trabalhadores, trazemos um conceito bem amplo, sendo todos destinatários das ações de
saúde.
Vamos iniciar o nosso estudo pela identificação das evoluções gerais das políticas públicas voltadas para a
saúde. Em seguida, chegaremos à preocupação com a pessoa trabalhadora, sendo, para isso, necessárias
ações governamentais, através da elaboração e implementações de todo um sistema legal para a prestação
de uma efetiva proteção.
Vamos perceber também que os conceitos relacionados à saúde dentro das empresas foram evoluindo ao
longo do tempo, passando pela Medicina do Trabalho, que pensava inicialmente na rentabilidade da própria
empresa, evoluindo para a saúde ocupacional, que ampliou a preocupação para além da doença, passando a
atuar também na prevenção dos riscos, para, então, chegarmos às relações sociais que envolvem os
processos de trabalho, um novo e atual conceito de saúde do trabalhador. Vamos iniciar nossos estudos? 
• 
• 
• 
Santa Casa da Misericórdia - Olinda.
1. Implantação da saúde do trabalhador no Brasil
História da saúde pública no Brasil
Com mais de 500 anos de história brasileira, contada a partir da vinda dos portugueses, a história da saúde
sofreu diversas transformações. Até a chegada dos portugueses, aqui habitavam os índios, que já padeciam
de algumas enfermidades. Por isso, ao longo do tempo, passou a ser precisa a busca de soluções para
questões de saúde com os brasileiros. 
Durante os mais de 300 anos de colônia e império, pouco ou quase nada se fez pela saúde no Brasil, havendo
um tratamento diferenciado por classe social, em que pobres e escravos eram os primeiros a sofrer com a
desigualdade, enquanto os nobres e colonos brancos e com posses tinham acesso a remédios e assistência
médica, e, consequentemente, maiores chances de enfrentar as doenças e a morte.
Para a maior parte da população, a opção eram
as Santas Casas de Misericórdia, implantadas
por religiosos, e que surgiram ainda no período
colonial. Seu primeiro local de instalação foi em
Olinda, Pernambuco, em 1539, onde funcionou
a primeira instituição hospitalar do país, que
atendia enfermos que chegavam nos portos por
meio de navios e moradores das cidades
vizinhas.
Depois, foram instituídas as Santas Casas de
Misericórdia de Santos, Bahia, Espírito Santo,
Rio de Janeiro e São Paulo, porém, embora
tivessem a função de prestar atendimento, não
se destacavam na época as práticas científicas, que somente foram implementadas após a chegada da Corte
portuguesa e da criação das faculdades de Medicina e Direito.
Santa Casa da Misericórdia - Santos.
Brasil Império
No Brasil Império, até mesmo pessoas dos mais altos estratos da sociedade recorriam aos chamados
curandeiros, uma vez que muitos partilhavam da crença da origem sobrenatural das enfermidades. Para
enfrentar as adversidades causadas pelas doenças no transcurso do cotidiano, os habitantes das capitais e
do interior apelavam a quem estivesse ao seu alcance, como barbeiros, boticários, parteiras e curandeiros,
que, muitas vezes, eram desprezados pela visão dos médicos e do Estado, por conjugarem seus
conhecimentos empíricos a rezas e práticas mágicas. Nessa época, não havia uma preocupação com a saúde
pública, sendo cada indivíduo responsável por sua saúde.
D. Pedro I entrega a Vicente Navarro de Andrade
decreto autorizando a emissão de diplomas de médicos
formados no Brasil.
Aplicação de ventosas no Brasil Império por curandeiros.
No Brasil Império (1822 - 1889), ocorreram grandes transformações sociais e políticas no Brasil, podendo
incluir as ações em saúde, como a vacinação contra varíola instaurada por Pedro I, sendo um marco histórico
no Brasil. Na mesma época, foi criado também o Instituto Vacínico para controlar a tuberculose, malária e
febre amarela. Nesse período, ocorreram as primeiras mudanças significativas para melhorar a saúde da
população, como a transformação da Escola Médico-Cirúrgica do Rio de Janeiro em faculdade de Medicina,
em 1832, e a criação de órgãos para vistoriar a higiene pública. 
Veja na imagem o imperador D. Pedro I entregando ao
médico, professor e diretor da Escola de Anatomia,
Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Vicente Navarro de
Andrade, o decreto que autorizou as instituições de ensino
a emitirem diplomas aos médicos formados no Brasil.
Embora algumas medidas tenham sido tomadas no Brasil
Império, ainda eram ineficazes, com muito pouco feito em
relação à saúde, não havendo políticas públicas
estruturadas, nem centros de atendimento à população.
Com a República, que teve início em 1889, houve novos
avanços no sistema de saúde. Com o fim da escravidão, em
13 de maio de 1888, o Brasil passou a depender da mão de
obra de imigrantes nas lavouras de café e nas fábricas. No
final do século XIX, milhões de europeus emigraram para outros países, para fugir dos problemas
socioeconômicos que afligiam a Europa. Muitos deles vieram para o Brasil, porém a fama de ser um país
insalubre afugentava novos trabalhadores.
Imigrantes europeus em plantação de café no Brasil, no início do século XX, com a
presença da mão de obra infantil.
Interior de uma fábrica no Brasil, em 1880.
Revolução Industrial e seus desdobramentos
O berço da Revolução Industrial foi a Inglaterra, no século XIX. A condição de vida dos operários era
degradante, pois eles estavam expostos à fome, acidentes de trabalho e diversos tipos de doenças, como a
cólera e o tifo, que foram personagens de grandes epidemias nesta época. A população era desprovida de
saneamento básico, com esgoto a céu aberto, sendo um espaço propício para a proliferação de doenças.
Associado a todo esse contexto social, os operários eram expostos a uma exaustiva jornada de trabalho,
chegando a trabalhar 16 horas por dia, em condições insalubres, com salários muito baixos, fazendo com que
as mulheres e crianças trabalhassem para ajudar no orçamento familiar, ganhando metade do que os homens
ganhavam, o que deixava a produção mais barata e aumentava os lucros. 
Imagem do desenho animado atribuído a Lewis Hine (1874-1940).
Esse processo de exploração gerava muita riqueza, o que ocasionava grande desequilíbrio social,
distanciando mais ainda o operário e o patrão. Essa disparidade começou a causar conflitos e
descontentamentos. No entanto, as mudanças propostas eram contrárias aos interesses políticos e
econômicos naquele momento. Mas, de forma contrastante às condições desrespeitosas da época, para que
ocorresse o desenvolvimento econômico, o país dependia de uma população saudável e com capacidade
produtiva. Podemos destacar a atuação nesta fase de sanitaristas trabalhando em campanhas de saúde e
vacinação.
Bonde virado na Revolta da Vacina.
Século XX
No início do século XX, o planejamento urbano da cidade do Rio de Janeiro não se adequava às demandas da
Capital e centrodas atividades econômicas que era, sofrendo ainda com sérios problemas de saúde pública.
Doenças como a varíola e a febre amarela assolavam a população e eram um problema de saúde pública. 
Com a intenção de modernizar a cidade e controlar as epidemias, foi iniciada uma série de reformas urbanas e
sanitárias que mudaram a geografia da cidade, intervindo também no cotidiano de sua população, removendo
os mais pobres de suas antigas moradias. 
As medidas sanitárias ficaram a cargo do médico Oswaldo Cruz, que assumiu a diretoria geral de
Saúde Pública em 1903, visando erradicar a febre amarela, a peste bubônica e a varíola.
Saiba mais
Febre Amarela: pode ser transmitida por mosquitos. Oswaldo Cruz implantou medidas sanitárias que
percorriam casas, jardins e ruas para combater os focos dos insetos. Peste Bubônica: as medidas para
combatê-la incluíam ações de isolamento, notificações compulsórias e campanhas de saneamento para
redução da incidência de ratos (a doença é transmitida por pulgas de ratos). Varíola: para combetâ-la,
foram necessárias medidas de vacinação. 
Em 31 de outubro de 1904, foi aprovada a lei que tornava obrigatória a vacinação da população, apesar da
forte campanha de oposição, passando a exigir comprovantes de vacinação para a realização de matrículas
nas escolas, obtenção de empregos, viagens e hospedagens, havendo ainda a previsão de multa para quem
resistisse a vacinação. 
No entanto, várias questões que envolviam
preceitos morais, culturais e desconhecimento
levaram a população a se manifestar de forma
contrária à obrigatoriedade da vacina,
rejeitando esse tipo de tratamento, como na
Revolta da Vacina, em 13 de novembro de 1904.
As mulheres precisavam expor parte do seu
corpo para a administração da vacina, o que,
para muitos, estaria ferindo códigos morais
femininos, além de argumentarem que o que
estava sendo injetado era de origem duvidosa. 
Comentário
Outro motivo importante para a rejeição à vacina era cultural. Os negros suspeitavam da medicina dos
brancos e preferiam recorrer às práticas tradicionais de seus curandeiros, pois, segundo suas tradições,
as epidemias de varíola eram um castigo infligido por Omolu, seu orixá. Consideravam que a doença era
uma espécie de purificação pelos seus pecados e que a vacina causaria mais epidemias e mortes. 
Greve Geral de 1917.
O povo, ao ouvir notícias sobre as novas medidas, ficou indignado e contrariado, gerando diversas
manifestações e conflitos que se estenderam por aproximadamente uma semana. Contudo, existiam outros
motivos que geraram tamanha insatisfação, pois o então presidente, Rodrigues Alves, com mandato de 1902 a
1906, pretendia sanear a cidade do Rio de Janeiro e “civilizá-la”, realizando, para isso, uma série de medidas
impopulares, como a derrubada de aproximadamente duas mil casas no centro da cidade para abrir a Avenida
Central, atual Avenida Rio Branco.
Essa medida fez com que as pessoas que lá residiam fossem deslocadas para o morro da Providência, morro
da Saúde e Gamboa, na região portuária da cidade. O desemprego em massa também justificava tamanho
descontentamento. 
As manifestações ganharam proporções a ponto de ser decretado no dia 16 de novembro o estado
de sítio e a suspensão da vacinação obrigatória.
Medidas continuaram sendo tomadas, como as campanhas de vacinação nos sertões do país, divulgando a
importância do cuidado com a saúde no meio rural. No entanto, a população de menor condição econômica
continuava em moradias com condições de higiene precárias, fazendo cada vez mais vítimas, como na gripe
espanhola, uma pandemia que causou a morte de muitos brasileiros.
Nessa época, trabalhadores, como os ferroviários, faziam
greves e, por vezes, paralisavam o Brasil, como ocorreu a
histórica Greve Geral de 1917, promovida por operários em
São Paulo. A lista de reivindicações dos grevistas incluía
direitos trabalhistas, como reajuste salarial, adicional
noturno, auxílio médico, férias e aposentadoria. O Brasil
havia abolido a escravidão pouco tempo antes, em 1888, e
os empresários ainda não aceitavam e nem compreendiam
o porquê de garantir o bem-estar de seus empregados,
havendo, inclusive, exploração do trabalho infantil, o que
gerava constantes manifestações das classes
trabalhadoras.
Em 1923, a lei federal, conhecida como Eloy Chaves, que é
considerada a origem da previdência social, tornou
obrigatória a criação de uma caixa de aposentadoria e
pensões (CAP) por cada companhia ferroviária do país, que era um departamento com a função de recolher a
contribuição do patrão e dos empregados e pagar os benefícios aos aposentados e pensionistas. Eloy Chaves
recebeu críticas por favorecer somente uma classe, mas, segundo ele, tratava-se de uma estratégia para
vencer a resistência dos empresários.
Eloy de Miranda Chaves (1875 - 1964)
Nascido em Pindamonhangaba, São Paulo, foi um advogado, empresário, banqueiro, proprietário rural e
político brasileiro. Eloy Chaves foi eleito vereador de Jundiaí em 1897, pelo Partido Republicano Paulista
(PRP). Em 1902, lançou-se candidato a deputado federal, logrando êxito. Na Câmara dos Deputados, foi
um dos defensores da modernização da Marinha. Em 1905, foi um dos defensores da Missão Militar
Francesa na Força Pública de São Paulo. Após exercer quatro mandatos seguidos na Câmara, afastou-se
para assumir a Secretaria de Justiça do estado de São Paulo (FILHO, 2011).
Com o passar do tempo e com a pressão popular, os benefícios foram ampliados também para outras
categorias profissionais, havendo uma extensão das CAPs para empresas de outros ramos, como portuário,
navegação marítima e aviação. 
Capa da Constituição Federal de 1934.
Comentário
Em 1933, houve a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAPs), reorganizando o setor
previdenciário, garantindo aposentadorias e assistência em casos de adoecimento e incapacidade,
assistindo categorias profissionais inteiras, como bancários, comerciários, industriários, com
abrangência nacional. Porém, recursos dos IAPs eram aplicados em diversos setores da economia,
participando do financiamento do processo de industrialização do País. 
Percebemos que, no período entre 1888 (abolição da escravatura) e 1930, ocorreram grandes mudanças nas
relações trabalhistas, motivando a necessidade de regulamentações e adequações para esta nova forma de
trabalho livre e assalariado. Entretanto, nessa época, ainda não havia um movimento operário organizado e
capaz de gerar as necessárias transformações.
A Era Vargas, em 1930, passou a ter grandes
mudanças nas relações de trabalho, cujo
reflexo é percebido até os dias atuais. A
Constituição de 1934 proporcionou aos
trabalhadores novos direitos, como o salário-
mínimo, férias remuneradas, jornada de oito
horas, proibição do trabalho infantil, repouso
remunerado, assistência médica e sanitária ao
trabalhador e à gestante, assegurando a ela
descanso antes e depois do parto. Nessa
época, o Estado passou a ser um importante
mediador nas relações laborais.
Entre as medidas realizadas por Getúlio Vargas,
podemos destacar a criação do Ministério do
Trabalho e a instituição da Consolidação das
Leis Trabalhistas (CLT), aprovada em 1° de maio
de 1943. Apesar de diversas alterações no seu texto original, a CLT continua em vigor até os dias atuais. A
consolidação é fruto das legislações esparsas que já existiam sobre o Direito do Trabalho, organizando e
tornando mais clara a disposição das normas.
Relembrando
Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mundo ficou perplexo diante de Adolf Hitler, político da
Alemanha e líder do partido nazista. As crises econômicas e político-sociais que antecederam esse
conflito militar precisavam ser controladas a todo custo. Para tanto, os Estados nacionais precisavam
mobilizar-se para promover o crescimento de suas economias. Naqueles tempos, poucos acreditavam
que tudo pudesse ser resolvido pela melhoria da economia e do trabalho, porém já era de conhecimento
de todos que uma população saudável era importante para o desenvolvimento.No Brasil, continuava a preocupação com a saúde. Em 1953, foi criado o Ministério da Saúde. Em 1956, foi
instituído o Departamento Nacional de Endemias Rurais, promovendo o combate de diversas doenças, como a
doença de Chagas, febre amarela, esquistossomose e outras endemias. Porém, o Ministério da Saúde tinha
um campo limitado de atuação, sendo sua principal incumbência a prevenção, com campanhas de vacinação
em massa e controle de doenças endêmicas.
1956 - 1961
Industrialização
O presidente Juscelino Kubitschek, cujo mandato foi de 1956 a 1961, estava preocupado em construir
a nova capital do país, Brasília, e dar impulso à industrialização.
1964
Segurança e no desenvolvimento econômico
Com o golpe de Estado em 1964, entramos no período da Ditadura Militar e os governos militares
focaram na segurança e no desenvolvimento econômico, e, mais uma vez, a saúde sofreu com as
reduzidas verbas. Com isso, doenças como dengue, meningite e malária passaram a ser
preocupantes.
1966
Criação do Instituto Nacional de Previdência Social
Foi criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) com a missão de unificar todos os órgãos
previdenciários que vinham funcionando desde 1930, buscando melhorar o atendimento médico. A
saúde primária era vista como responsabilidade dos municípios, sendo direcionados os casos mais
complexos para as órbitas estaduais e Federais.
1974
Criação do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social
Foi criado o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social, FAZ (Lei nº 6.168/1974), para dar apoio
financeiro a programas e projetos de caráter social, destinando rendas da loteria esportiva sob forma
de financiamento voltado, preferencialmente, a projetos de interesse do setor público, nas áreas de
saúde e saneamento, educação, trabalho e previdência e assistência social. Mas a saúde ainda
recebia pouco recurso, havendo uma destinação insuficiente de verbas.
Com toda falta de atendimento e de disponibilidade da saúde pública brasileira, os planos de saúde passaram
a ser uma saída e uma necessidade. Eles surgiram no Brasil na década de 1950 como resultado do
descontentamento com o atendimento oferecido até então pelo Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAP).
8ª Conferência Nacional de Saúde.
Comentário
Durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, as indústrias automobilísticas começaram a se
estabelecer no país e demandavam uma força de trabalho mais saudável. Assim, nasceram os primeiros
planos de saúde coletivos. Desde então, a saúde suplementar só se expandiu. 
8ª Conferência Nacional de Saúde
Em março de 1986, podemos destacar um marco histórico na saúde pública brasileira, que foi a 8ª Conferência
Nacional de Saúde, com enorme participação popular, que ocorreu em Brasília, estabelecendo diretrizes para
um sistemanacional de saúde único e descentralizado, que veio a ser aprovada na Assembleia Nacional
Constituinte de 1987, dando origem ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Descentralizado
A Lei nº 8.080/1990 consolidou o SUS, trazendo uma abordagem descentralizada, ou seja, a
necessidade de atuação e cooperação entre todos os entes federativos (União, estados, Distrito Federal
e municípios) para a promoção e desenvolvimento das ações em saúde. 
No relatório final da conferência, que serviu de
base para a elaboração do capítulo de saúde da
Constituição de 1988, foram estabelecidas
algumas diretrizes, como:
 
1. A adoção de um conceito ampliado de saúde.
 
2. Estabelecimento da saúde como um direito
do cidadão e uma responsabilidade do Estado.
 
3. A criação de um sistema nacional de saúde -
o SUS -, com gestão descentralizada, acesso
universal (cesso aos serviços de saúde em
todos os níveis de assistência - primária, secundária e terciária), controle social e financiamento público.
 
4. Descentralização (ações integradas à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios),
integralidade (conjunto de ações individuais e coletivas, preventivas e curativas) e equidade (respeito aos
direitos individuais buscando a igualdade).
Veja a imagem abaixo:
Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, segura cópia
da Constituição de 1988.
Leia um trecho da Constituição que trata da saúde: 
Arts. 196 a 200 Seção II Da Saúde. Título VIII, Capítulo II, Seção II, Da Saúde Art. 196. A saúde é direito
de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do
risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações e serviços de saúde,
cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle,
devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou
jurídica de direito privado.
(Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988)
O SUS estabeleceu um sistema de saúde para todos os brasileiros, não sendo necessário nenhum tipo de
vínculo empregatício, contribuição previdenciária ou pagamentos de taxas para ter acesso à saúde pública. 
Atenção
É inegável que houve vários ganhos em nossa saúde pública, como a erradicação de epidemias, da
paralisia infantil, desenvolvimento de um sistema de vacinação eficiente, mas os desafios continuam,
uma vez que o financiamento público da saúde é diretamente afetado por decisões políticas e
econômicas. 
Segundo Sergio Piola, médico sanitarista e pesquisador do Núcleo de Estudos de Saúde Pública da
Universidade de Brasília (UnB): 
É absolutamente impossível garantir serviços integrais de boa qualidade com o atual nível de gasto
público com saúde. Não há mágica. Mesmo com ganhos de eficiência — sempre possíveis, pois muitos
são os exemplos de falta de gestão mais eficiente e de desperdícios —, para melhorar os serviços do
SUS são necessários mais recursos.
(EM DISCUSSÃO, 2014)
Veja alguns momentos marcantes para a saúde após a implementação do SUS (EM DISCUSSÃO, 2014).
Cronologia histórica da Saúde Pública: os principais marcos após a
implementação do SUS.
1988
Saúde como direito de todos
A Constituição estabelece que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”.
1990
Aprovação da Lei Orgânica da Saúde
O SUS ganha regras de funcionamento, com a aprovação da Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080).
1994
Lançamento do Programa Saúde da Família
É lançado o Programa Saúde da Família. Cada equipe (com médicos, enfermeiros e agentes de saúde)
cuida das famílias de determinada área da cidade, com visitas mensais.
1996
 Distribuição do coquetel antiaids
Início da distribuição do coquetel antiaids
1997
Criação do Sistema Nacional de Transplantes 
O Sistema Nacional de Transplantes é instituído. A Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira (CPMF) é criada para ajudar a custear a saúde pública.
1999
Criação da ANVISA
É criada a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)
2000
Aprovação da Emenda Constitucional 29
É aprovada a Emenda Constitucional 29, que prevê os valores mínimos que União, estados e
prefeituras devem aplicar em saúde. O SUS passa a ter financiamento garantido .
2001
Sanção da Lei da Reforma Psiquiátrica
Com a Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei 10.216), os doentes Mentais passam a ser tratados fora dos
manicômios, que vão aos poucos sendo fechados.
2003
Lançamento do Samu
É lançado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com ambulâncias acionadas pelo
telefone 192.
2006
Lançamento do Programa Aqui Tem Farmácia Popular
Por meio do Programa Aqui Tem Farmácia Popular, as pessoas podem receber remédios
gratuitamente em farmácias privadas ou comprá-los com grandes descontos.
2007
Tributação CPMF deixa de existir 
A renovação do CPMF é rejeitada e o tributo deixa de existir.
2011
Regulamentação da Emenda Constitucional 29 
A Emenda Constitucional 29 é regulamentada, impedindo que ações como saneamento básico,
aposentadoria de servidor público e merenda escolar sejam custeadas com verbas doSUS.
2013
Lançamento do Mais Médicos
É lançado o Mais Médicos, programa que leva médicos para regiões do país com poucos profissionais.
Um dos destaques é a importação de médicos cubanos.
Retrospectiva
Após abordarmos o panorama histórico da saúde no Brasil, faremos uma retrospectiva de momentos
relevantes relacionados à saúde do trabalhador:
1904
Criação da Liga Contra a Vacinação Obrigatória
Medidas de vacinação obrigatória contra a varíola, somadas à forte oposição popular. Parlamentares e
associações de trabalhadores protestaram organizando a Liga Contra a Vacinação Obrigatória, o que
culminou na Revolta da Vacina, em 13 de novembro.
1909
Início de ações de combate de Oswaldo Cruz
O médico sanitarista Oswaldo Cruz recomendou ainda exames periódicos nos empregados,
fornecimento diário de quinino (primeiro medicamento usado para tratar a malária), desconto dos dias
em que o trabalhador não ingerisse o medicamento e gratificação para o operário que passasse três
meses sem sofrer nenhum acesso de malária. Ainda em 1909, Carlos Chagas (biólogo e médico
sanitarista, atuante na saúde pública brasileira) desenvolveu ações para combater a malária entre os
trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil.
1942
Organização do Serviço Especial de Saúde Pública
O Ministério da Educação e Saúde organizou o Serviço Especial de Saúde Pública, e, na ampliação
desse convênio básico, medidas foram implementadas no Vale do Rio Doce, prestando assistência
aos trabalhadores na reconstrução da estrada de ferro Vitória-Minas. Nessa época, também ocorreu a
I Conferência Nacional de Saúde.
1988
Artigo 200 indica obrigações do SUS
O artigo 200 da Constituição da República indica que compete ao SUS executar as ações de
vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador.
2001
Adoção da obrigatoriedade da vacina
Foi adotada a vacinação obrigatória de trabalhadores das áreas portuárias, aeroportuárias, de
terminais e passagens de fronteira.
2004
Início da Política Nacional de Educação Permanente
Institui-se a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único
de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores.
A evolução histórica dos processos de saúde e doença no Brasil
A especialista Adriana de Souza Marinho apresentará o contexto histórico em que foram implantadas políticas
públicas voltadas para a saúde de uma forma geral em nosso país.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
(Unitau) No governo Rodrigues Alves (1902-1906), ocorreu a Revolta da Vacina, que tinha como contexto:
A
A modernização e o saneamento do Rio de Janeiro.
B
A modernização e o saneamento do Brasil como um todo.
C
O combate às doenças epidêmicas promovido pela ONU
D
A recepção aos imigrantes.
E
A oposição entre os setores rural e urbano.
A alternativa A está correta.
A cidade do Rio de Janeiro, no governo de Rodrigues Alves, passou por uma grande reforma urbana,
iniciada em 1903. Algumas doenças, como a varíola e a febre amarela, precisavam ser erradicadas, e a
reforma urbana fazia parte dessa erradicação. Associada a ela, estava a campanha da vacinação
obrigatória ocorrida no ano seguinte, em 1904.
Questão 2
Relacione corretamente os princípios/diretrizes e seus respectivos significados, completando os parênteses
com o número correspondente: 
Princípios/diretrizes: 
(1) Descentralização
(2) Equidade
(3) Integralidade
(4) Universalidade
Significados: 
( ) Implica acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência.
( ) Feita de forma integrada entre a União, estados e municípios - é um dos princípios organizativos do
Sistema Único de Saúde (SUS).
( ) Entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e
coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema.
( ) É o conceito em que a justiça pela igualdade se baseia, ao propor o respeito aos direitos de cada um. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
A
3 - 2 - 1 - 4
B
1 - 2 - 3 - 4
C
4 - 1 - 3 - 2
D
2 - 3 - 4 - 1
E
2 - 4 - 1 - 3
A alternativa C está correta.
As justificativas são encontradas na Lei nº 8.080/90: a universalidade de acesso aos serviços de saúde em
todos os níveis de assistência consta no art. 7º I; promover a descentralização para as Unidades Federadas
e para os Municípios, dos serviços e ações de saúde, respectivamente, de abrangência estadual e
municipal consta no art. 16 alínea "d", inciso XV, a integralidade de assistência, entendida como conjunto
articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para
cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema consta no art. 7°, II; a equidade pode ser
compreendida como um meta-princípio que diz respeito aos direitos individuais buscando a igualdade,
sendo este princípio relacionado com a Dignidade da Pessoa Humana.
2. Bases legais sobre saúde do trabalhador
Bases legais sobre saúde do trabalhador
Quando podemos dizer que surgiu uma verdadeira preocupação estatal com a saúde do trabalhador? Qual
base legal pode ser usada em defesa da saúde do trabalhador?
Bem, vamos iniciar este estudo partindo da Constituição Federal 1988: 
Artigo 200 da Constituição
 
A assistência à saúde do trabalhador passa a ser de competência do SUS.
 
Lei nº 8.080/1990
 
Regulamenta o SUS e a execução de ações na saúde do trabalhador.
 
Percebemos, portanto, que, a partir da Constituição de 1988, a saúde do trabalhador passa a ser uma
atribuição do SUS. Porém, não podemos deixar de destacar que as preocupações com a saúde do trabalhador
tiveram início antes da nossa Constituição, por meio da Organização Internacional do Trabalho (OIT), criada
em 1919.
Organização Internacional do Trabalho (OIT)
A OIT é uma agência da Organização das Nações Unidas, com representantes de governos, de organizações
de trabalhadores e de empregadores, formando, assim, uma estrutura tripartite, com 187 Estados-membros,
incluindo o Brasil. A organização busca desenvolver propostas para que os trabalhadores tenham condições 
dignas e produtivas em condições de liberdade, com segurança e dignidade, com controle eficaz dos riscos
nos postos de trabalho. 
O conceito de trabalho decente foi formalizado pela OIT em 1999, sendo descrito como uma condição
fundamental para a superação da pobreza, redução das desigualdades sociais e desenvolvimento sustentável.
O trabalho decente integra objetivos estratégicos, que são:
 
Respeito aos direitos no trabalho, como liberdade sindical, direito de negociação coletiva, eliminação
de todas as formas de discriminação e erradicação do trabalho forçado e infantil.
Estímulo ao emprego produtivo e de qualidade.
Ampliação da proteção social.
Fortalecimento do diálogo social, dando voz aos trabalhadores e empregadores junto aos governos em
suas deliberações.
A OIT é fruto do Tratado de Versalhes, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, tendo como objetivo promover
a justiça social. A organização foi ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1969, devido à grande importância
no cenário internacional. 
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Saiba mais
Com a criação da CLT, em 1943, foi organizado um conjunto de normas que orienta a atuação dos
empregadores e traz também uma série de direitos para os trabalhadores, norteando as relações
trabalhistas. 
Legislações específicas para a saúde do trabalhador
Temos, ainda, legislações específicas voltadas para a saúde do trabalhador:
Decreto-Lei nº 5.452/1943
Esta norma, que se mostra relevante por regulamentar a CLT, apresenta os seguintes destaques:
 
A obrigatoriedade do fornecimento pelo empregador de equipamentos de proteção individual, de forma
gratuita.
 
A necessidade de iluminação adequada, de acordo com o caráter das tarefas.
 
A obrigatoriedade de indicação de carga máxima permitida nos equipamentos de transporte, dos 
avisos de proibiçãode fumar e de advertência quanto à natureza perigosa ou nociva à saúde das
substâncias em movimentação ou em depósito, bem como das recomendações de primeiros socorros e
de atendimento médico e símbolo de perigo, segundo padronização internacional, nos rótulos dos
materiais ou substâncias armazenados ou transportados.
 
Determinação de que o Ministério do Trabalho expedirá normas complementares quanto à segurança.
 
Ainda: serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza,
condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos
limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de
exposição aos seus efeitos.
Lei nº 8.213/1991
Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências. Segundo o art. 1° desta
lei:
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A Previdência Social, mediante contribuição, tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios
indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, desemprego involuntário, idade avançada,
tempo de serviço, encargos familiares e prisão ou morte daqueles de quem dependiam
economicamente.
(LEI Nº 8.213/1991, ART. 1º)
Cabe destacar que essa lei foi regulamentada somente oito anos após sua vigência, com o decreto 3.048/99,
complementando o que seria seguridade social (BRASIL, 1999):
Decreto 3.048/1999
A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e
da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social.
A seguridade social obedecerá, dentre outros princípios: Caráter democrático e descentralizado da
administração, mediante gestão quadripartite, com participação de:
Trabalhadores;
Empregadores;
Aposentados;
Governo nos orgãos colegiados.
Portaria nº 1.339/1999
Já a Portaria nº 1.339/1999 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999) instituiu uma extensa lista de doenças relacionadas
ao trabalho, que envolve doenças da pele, do sistema circulatório, do sistema respiratório, doenças do ouvido,
doenças do olho, do sistema nervoso, transtornos mentais e do comportamento, doenças endócrinas,
nutricionais e metabólicas, doença do sangue e dos órgãos hematopoiéticos, neoplasias, doenças infecciosas
e parasitárias, doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, doenças do sistema geniturinário,
doenças do sistema digestório, traumatismos e envenenamentos e algumas outras consequências de causas
externas.
Podemos exemplificar as doenças enumeradas na Portaria nº 1.339/1999 com alguns dos seus agentes
causadores:
Exemplos de algumas doenças Agentes etiológicos ou fatores de risco de
natureza ocupacional
Doenças infecciosas e parasitárias 
Tuberculose
Exposição ocupacional ao bacilo de Koch em
atividades em laboratórios de biologia; atividades
realizadas por pessoal de saúde
Neoplasias (tumores) 
Neoplasia maligna do estômago
Asbesto ou amianto
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Exemplos de algumas doenças Agentes etiológicos ou fatores de risco de
natureza ocupacional
Doenças do sangue e dos órgãos
hematopoiéticos 
Síndromes mielodisplásicas
Benzeno e radiações ionizantes
Doenças endócrinas, nutricionais e
metabólicas 
Hipotireoidismo devido a substâncias
exógenas
Ex.: Chumbo ou seus compostos tóxicos
Transtornos mentais e do
comportamento 
Transtornos mentais decorrentes de
lesão e disfunção cerebrais e de
doença física
Ex.: Chumbo ou seus compostos tóxicos
Doenças do sistema nervoso 
Ataxia cerebelosa
Mercúrio e seus compostos tóxicos
Doenças do olho 
Catarata
Radiações ionizantes e radiações infravermelhas
Doenças do ouvido 
Perfuração da membrana do tímpano
Ex.: "Ar comprimido"
Doenças do sistema circulatório 
Infarto agudo do miocárdio
Ex.: Problemas relacionados ao emprego e ao
desemprego
Doenças do sistema respiratório 
Rinites Alérgicas
Ex.: Proteínas animais em aerossóis
Doenças do sistema digestório 
Estomatite ulcerativa crônica
Arsênio, bromo e mercúrio.
Doenças da pele e do tecido
subcutâneo 
Dermatite alérgica de contato devido a
corantes
Corantes, em exposição ocupacional
Doenças do sistema geniturinário 
Insuficiência renal crônica
Chumbos ou seus compostos
Doenças do sistema osteomuscular e
do tecido conjuntivo 
Transtornos articulares não
classificados em outra parte: dor
articular
Posições forçadas e gestos repetitivos Vibrações
localizadas
Tabela: Principais exemplos de doenças e alguns dos seus agentes causadores, enumeradas na Portaria nº
1.339/1999. 
Adriana Marinho
Após essa exemplificação, percebemos que as doenças ocupacionais podem se manifestar nos mais diversos
sistemas e órgãos, indo muito além das doenças musculoesqueléticas, o que justifica a importância da
disponibilização de equipamentos de segurança individuais, entre outros cuidados, pelo empregador, bem
como a utilização pelo trabalhador dos equipamentos disponibilizados.
Por isso, quando o fisioterapeuta está inserido em empresas, atuando com atividades de ginástica laboral ou
cinesioterapia compensatória do trabalho, deve também procurar estar integrado e conhecer os cuidados
especiais que as atividades laborais demandam para reforçar a necessidade dos cuidados devidos durante a
jornada de trabalho, sendo atuante dentro de uma globalidade, não somente na prescrição e intervenção de
atividades voltadas para o sistema musculoesquelético.
Portaria nº 1.679
A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST) foi criada em 2002, por meio da
Portaria nº 1.679/1999, constituindo uma rede nacional de práticas de saúde com a finalidade de implementar
ações sob a perspectiva da saúde do trabalhador. São elas:
Assistenciais;
De vigilância;
Prevenção;
Promoção de saúde.
A RENAST deve integrar a rede de serviços do SUS por meio de Centros de Referência em Saúde do
Trabalhador (CEREST).
Decreto nº 7.602/2011
Agora, vamos falar do Decreto nº 7.602/2011, que disciplina a Política Nacional de Segurança e Saúde no
Trabalho (PNSST), que tem por objetivos:
1
A promoção da saúde e a melhoria da qualidade
de vida do trabalhador.
2
A prevenção de acidentes e de danos à saúde
relacionados ao trabalho ou que ocorram no
curso dele, por meio da eliminação ou redução
dos riscos nos ambientes de trabalho.
Os princípios basilares do PNSST são:
Universalidade;
Prevenção;
Precedência das ações de promoção, proteção e prevenção sobre as de assistência, reabilitação e
reparação;
Diálogo social;
Integralidade.
A implementação da PNSST deve se dar por meio da articulação continuada das ações de governo no campo
das relações de trabalho, produção, consumo, ambiente e saúde, com a participação de representantes dos
trabalhadores e dos empregadores. Percebemos que a atuação ocorre principalmente no âmbito da prevenção
de acidentes, uma vez que não basta o tratamento, mas evitar que situações traumáticas venham a ocorrer
nas atividades laborativas. 
Comunicação de acidente de trabalho (CAT)
Atualmente, existem diferentes meios para impedir que algum colaborador sofra um acidente de trabalho.
Ainda assim, isso eventualmente acontece e, quando ocorre, é necessário emitir a CAT.
A CAT informa um acidente ocorrido no trabalho, no trajeto, ou mesmo uma doença ocupacional, mas,
primeiramente, precisamos compreender o que é considerado, de forma técnica, um acidente de trabalho.
Veja a definição segundo a Lei nº 8.213/1991:
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Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador
doméstico ou pelo exercício do trabalho dos segurados provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o
trabalho.
(LEI Nº 8.213/1991)
Esses eventos podem se manifestar através de:
 
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).
Estresse ocupacional.
Outras formas de lesões ou perturbação que cause a morte, perda ou redução da capacidade
laborativa.
Comissão internade prevenção de acidentes (CIPA)
Quando falamos em prevenção de acidente do trabalho, devemos destacar a Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes (CIPA), que teve sua origem em 1944. Hoje, muitas empresas, em especial as de grande e de
médio porte, já possuem conhecimento da importância da CIPA para a prevenção de acidentes e identificação
de riscos nos locais de trabalho, porém as empresas de pequeno porte ou até mesmo empresas de
administração familiar consideram a CIPA um fator de custos e de impedimento às atividades da empresa.
A CIPA, regulamentada pela CLT e pela Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho - NR5, é composta
por representantes do empregador e dos empregados, com os seguintes cargos:
Presidente
Indicado pelo empregador.
Vice-presidente
Nomeado pelos representantes dos empregados, entre os seus titulares.
Secretário e suplente
Escolhidos de comum acordo pelo representante do empregador e dos empregados.
Cabe ao Ministério do Trabalho, através das Delegacias Regionais do Trabalho (DRT), fiscalizar a organização
das CIPAs. A empresa que não cumprir a lei será autuada por infração ao disposto no artigo 163 da CLT,
sujeitando-se à multa prevista nessa mesma legislação.
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Será obrigatória a constituição de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), de conformidade
com instruções expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou locais de obra nelas
especificadas.
(CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1943, ART. 163)
Hierarquia das normas legais
Quando abordamos as regulamentações trabalhistas, utilizamos bastante o termo norma regulamentadora. No
entanto, devemos ter cuidado, pois norma não é sinônimo de lei. Existe uma hierarquia no ordenamento
jurídico, estando a Constituição Federal de 1988 no topo da pirâmide, e qualquer lei, ato normativo, decreto e
norma regulamentadora deve estar de acordo com o comando constitucional, não podendo prever nada que
seja contrário à constituição. 
Ainda devemos ficar atentos ao fato de que as leis são criadas pelo poder legislativo (câmara dos vereadores,
nos municípios; assembleia legislativa, nos estados; câmara legislativa, no Distrito Federal; congresso
nacional, na União), enquanto as normas regulamentadoras, as conhecidas NR, não são expedidas pelo corpo
legislativo dos Entes federativos, mas por um órgão da administração pública.
Hierarquia das Normas Legais.
Falando em Normas Regulamentadoras, quando discorremos sobre segurança do trabalho, podemos destacar
especialmente duas, que são:
NR 5 → CIPA → Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA – tem como objetivo a prevenção de acidentes
e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
NR 6 → EPI → Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora – NR –, considera-se Equipamento de
Proteção Individual – EPI, todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador,
destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. 
Conforme regulamenta a NR 6, em relação ao EPI, o empregador deve:
 
Adquirir o equipamento adequado ao risco de cada atividade.
Exigir seu uso.
Fornecer ao trabalhador somente o EPI aprovado pelo órgão nacional competente em matéria de
segurança e saúde no trabalho.
Orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação.
Comunicar ao Ministério Público do Trabalho qualquer irregularidade observada.
Ainda assim, o uso de EPI é uma responsabilidade mútua, cabendo também ao empregado:
 
Usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina.
Responsabilizar-se pela guarda e conservação.
Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso.
Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.
Devemos ainda destacar a NR 17 que aborda fatores ligados à ergonomia:
Ergonomia
Estuda a interface entre homem e máquina, em busca de segurança e eficiência. 
Esta Norma Regulamentadora visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições
de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo
de conforto, segurança e desempenho eficiente.As condições de trabalho incluem aspectos
relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às
condições ambientais do posto de trabalho, e à própria organização do trabalho.
(MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL, 1990)
A NR 17 aborda diversas questões, como ruídos, mobiliário e equipamentos do posto de trabalho, condições
ambientais, como umidade, temperatura e velocidade do ar, organização do trabalho e capacitação dos
trabalhadores. Destacamos ainda que, segundo a norma, nas atividades que exijam sobrecarga muscular
estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso, membros superiores e inferiores, a partir da análise
ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:
Devem ser incluídas pausas para descanso.
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1. 
Quando do retorno do trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou superior a 15 (quinze) dias,
a exigência de produção deverá permitir um retorno gradativo aos níveis de produção vigentes na
época anterior ao afastamento.
O conhecimento das normas regulamentadoras é importante para os profissionais da área de saúde que
atuam nas empresas, e especialmente a NR 17 que orienta a atuação do fisioterapeuta quando atua em
atividades laborais, auxiliando na implementação das regras determinadas pelo Ministério do Trabalho,
especialmente as relativas aos sistemas musculoesqueléticos. 
Bases Legais da saúde do trabalhador
A especialista Adriana de Souza Marinho apontará as principais regulamentações vigentes relacionadas à
saúde do trabalhador.
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda a manutenção do mais alto grau de bem-estar
físico, mental e social dos trabalhadores em todas as suas ocupações. Essa recomendação depende,
fundamentalmente,
A
do tipo da atividade exercida.
B
das características dos trabalhadores.
C
do planejamento das atividades exercidas.
D
do tipo de riscos existentes nos locais de trabalho.
E
do controle eficaz dos riscos existentes nos locais de trabalho.
A alternativa E está correta.
A OIT busca desenvolver propostas para que os trabalhadores tenham condições produtivas e com
segurança, o que inclui o controle eficaz dos riscos nos postos de trabalho.
2. 
Questão 2
Conforme o Manual de Aplicação da Norma Regulamentadora 17 – Ergonomia, analise as assertivas a seguir: 
I. De acordo com a Ergonomics Research Society (1949), “ergonomia é o estudo do relacionamento entre o
homem e seu trabalho, equipamento e ambiente e, particularmente, a aplicação dos conhecimentos de
anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento” (BROWNE R. C.;
DARCUS, H. D.; ROBERTS, C. G. et al. Ergonomics Research Society. Br Med J, p. 1009, 1950.) A data 1949 faz
alusão à fundação da Ergonomics Research Society. 
II. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores,
cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo esta abordar, no mínimo, as
condições de trabalho, conforme estabelecido na Norma Regulamentadora 17. 
III. Deve-se fazer uma distinção entre o ritmo e a cadência. A cadência tem um aspecto quantitativo, o ritmo,
qualitativo. 
Quais estão corretas?
A
Apenas I
B
Apenas II
C
Apenas III
D
Apenas I e II
E
I, II e III
A alternativa E está correta.
Devemos ter atenção com o item III, que aborda a diferença entre cadência e ritmo, sendo cadência um
aspecto quantitativo, ou seja, refere-se à velocidade dos movimentos que se repetem em uma dada
unidadede tempo, enquanto ritmo tem um aspecto qualitativo, ou seja, é a maneira como as cadências são
ajustadas ou arranjadas.
3. Saúde do trabalhador na rede de atenção à saúde
Saúde do trabalhador na rede de atenção à saúde
Quando estudamos a evolução do trabalho na sociedade, percebemos que as mudanças do tipo de trabalho
repercutem na saúde, e que as condições de saúde de uma população interferem na sua capacidade
laborativa, sendo, portanto, termos interligados: trabalho - saúde - doença. Veja abaixo:
 
O trabalho pode ser visto como um determinante na saúde.
A saúde é entendida como uma condição para o trabalho.
O trabalho é visto como causa para o desenvolvimento da doença.
A doença representaria impedimento para o trabalho e, consequentemente, uma barreira para o
desenvolvimento da sociedade.
Um ambiente de trabalho saudável é aquele onde os riscos, inerentes a qualquer processo de trabalho, são
avaliados e controlados, reduzindo ao máximo possível qualquer possibilidade de acidentes, com medidas
preventivas eficazes que devem ser adotadas pelo empregador e pelo colaborador.
Podemos associar a ocorrência de doenças relacionadas ao trabalho a um ambiente desfavorável, à cobrança
para o cumprimento de metas, à carga horária excessiva, à ausência de pausas, à utilização de maquinário
sem o devido treinamento e às relações tensas e desarmônicas entre subordinado e chefia. Já sabemos que a
utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) é uma medida indispensável, devendo o empregado
conhecer o seu processo de trabalho, pois a realização de suas atividades de forma adequada é um fator
relevante na prevenção de eventos traumáticos e adoecimentos.
Fazendo uma retrospectiva das medidas voltadas para a saúde do trabalhador, percebemos o seguinte
processo:
Medicina do Trabalho
Surge para tratar doenças, evitando deslocamentos do trabalhador do ambiente da empresa para
procurar atendimento médico e, assim, produzir mais.
Saúde ocupacional
Além da questão da doença, que era o foco da Medicina do Trabalho, foi percebida a importância de
cuidar dos riscos.
Saúde do trabalhador
Preocupação que vai além das doenças e dos riscos inerentes ao trabalho, passando a ter um olhar
sobre as relações sociais que envolvem o processo de trabalho, por serem fatores causais do
desenvolvimento de doenças no ambiente laborativo.
RENAST
A partir desse olhar mais amplo, que envolve as doenças, medidas preventivas e as relações sociais, o Estado
passa a pensar como inserir e implementar ações eficazes voltadas à saúde do trabalhador, quando surge,
como vimos, a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador - RENAST, uma estratégia utilizada
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para operacionalizar a Política Nacional de Saúde, buscando articular os recursos disponíveis no SUS para a
proteção da saúde do trabalhador.
Atenção
Podemos traçar um comparativo com o Programa de Saúde da Família (PSF), que foi implementado com
o objetivo de melhor atender a saúde da família, enquanto o RENAST veio para amparar a saúde do
trabalhador. 
Ocorre uma reorganização do atendimento em saúde do trabalhador, saindo da abordagem puramente
assistencial, como ocorria, por exemplo, no tratamento de uma tendinite desenvolvida no trabalho, que antes
somente tratava da lesão. Isso é importante, porém, com a criação da RENAST, passamos a ter uma visão
mais sistêmica deste processo doença-trabalho, com um olhar coletivo, uma vez que indivíduos apresentam
respostas semelhantes de desenvolvimento de lesões quando expostos a risco, passando a atuar também, e
de forma não menos importante, nas ações de prevenção e de promoção à saúde.
Ferramentas da RENAST
Quais seriam as ferramentas que a RENAST traz para as ações de prevenção e promoção da saúde do
trabalhador? Podemos apontar algumas ferramentas básicas, como:
Notificação obrigatória
Caracteriza o que chamamos de Vigilância em Saúde do Trabalhador. A Portaria nº 777/2004 (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2004) traz a lista de agravos de notificação compulsória:
I. Acidente de Trabalho Fatal.
II. Acidentes de Trabalho com Mutilações.
III. Acidente com Exposição a Material Biológico.
IV. Acidentes do Trabalho em Crianças e Adolescentes.
V. Dermatoses Ocupacionais.
VI. Intoxicações Exógenas (por substâncias químicas, incluindo agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados).
VII. Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT).
VIII. Pneumoconioses.
IX. Perda Auditiva Induzida por Ruído - PAIR.
X. Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho.
XI. Câncer Relacionado ao Trabalho.
Organização da assistência
Deve ser ofertado no SUS atendimento de baixa complexidade, até as demandas de mais especialização e de
altas complexidades. O atendimento de baixa complexidade ocorre através dos Programas de Saúde da
Família e do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). O NASF foi criado em 2008
pelo Ministério da Saúde, com a intenção de ampliar as ações da atenção básica, sendo um núcleo de apoio à
saúde da família, composto por assistente social, profissional de educação física, fisioterapeuta, farmacêutico,
fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, médico pediatra e geriatra, entre outros profissionais da saúde. 
Comentário
A Secretaria de Atenção Primária em Saúde, pertencente ao Ministério da Saúde, publicou a Nota
Técnica nº 3/2020, na qual revoga os serviços do (NASF-AB) e cria um novo modelo de financiamento de
custeio da Atenção Primária à Saúde (APS), instituído pelo programa “Previne Brasil”. 
Como estamos falando da atenção básica, que funciona como “uma porta de entrada” para o SUS, cabe ao
profissional de saúde fazer algumas importantes perguntas: qual é a sua ocupação profissional? Com o que
você trabalha?
O questionamento é importante, pois muitas lesões abordadas na atenção básica podem progredir para a
necessidade de um tratamento mais especializado, tornando-se mais limitante e incapacitante. Porém, se
tivermos um olhar atento, desde o contato inicial da doença, podemos orientar e intervir de forma mais eficaz,
notificando a relação da lesão com o ambiente de trabalho, principalmente se estivermos falando de Dort/LER,
para que medidas sejam tomadas, prevenindo novas lesões no ambiente de trabalho.
Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST)
Serviço especializado no atendimento à saúde do trabalhador vinculado ao RENAST. Muitas vezes, o paciente
é recebido na unidade básica de saúde e encaminhado para uma atenção mais especializada, que seria o
CEREST.
O CEREST:
 
Atende aqueles já acidentados no trabalho.
Tem atuação preventiva.
Seu principal objetivo é a implantação da Atenção Integral à Saúde do Trabalhador no SUS, sendo um
centro especializado em saúde do trabalhador. Funciona ainda como um centro de informações
técnicas capaz de indicar se as doenças ou os sintomas das pessoas atendidas estão relacionados às
atividades que elas exercem.
Realiza promoção, proteção e recuperação da saúde dos trabalhadores.
Investiga, juntamente com a vigilância sanitária, as condições do ambiente do trabalho.
Estabelece parcerias estratégicas com o Ministério Público do Trabalho (MPT), que faz parcerias com
os municípios; o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não é órgão fiscalizador; o Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) e com a Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do
Trabalho (FUNDACENTRO), um órgão do governo federal que tem por objetivo elaborar estudos e
pesquisas sobre a temática de segurança, higiene e meio ambiente.
Saúde do trabalhador por níveis de atenção
Veja abaixo os níveis de atenção em saúde do trabalhador:
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Atenção Primária
Realizada, geralmente, pelo agente comunitário de saúde nas estratégias de saúde da família, sendo
importante definir o perfil ocupacional da população, ou seja, o perfil da atividade econômica
predominante local, identificando:
Potenciais riscos;
Ações de promoção e prevenção;
Encaminhamento paraa rede secundária;
Notificação compulsória.
Atenção Secundária
Podemos exemplificar um encaminhamento para os Centros de Apoio ao Deficiente Físico quando,
por exemplo, houver a necessidade da utilização de prótese ou órtese após algum evento traumático
no âmbito do trabalho. Nesse caso, haverá a necessidade da articulação do INSS com o CEREST para
reinserção no ambiente de trabalho, juntamente com orientações previdenciárias que, muitas vezes,
ocorre através da assistência social. São características da atenção secundária:
Acolhimento;
Ações de proteção e promoção da saúde do trabalhador;
Recuperação e reinserção do trabalhador no mercado de trabalho;
Orientações previdenciárias e trabalhistas;
Notificação compulsória.
Atenção Terciária
Podemos utilizar como exemplo os acidentes que ocorrem no percurso para o trabalho. Nesse
momento, é importante verificar as identificações do prontuário e encaminhar para o CEREST, quando
necessário, para completar as informações que identificam o fato como acidente do trabalho. São
características de atenção terciária:
Atenção de emergência e urgência;
Notificação compulsória.
Portaria nº 1.823/2012
Como mencionamos na introdução, quando nos referimos ao trabalhador, trazemos um conceito bem amplo,
que inclui todos os destinatários das ações de saúde, como verificamos ao ler a Portaria nº 1.823/2012, que
institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora:
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Art. 3º
Todos os trabalhadores, homens e mulheres,
independentemente de sua localização, urbana
ou rural, de sua forma de inserção no mercado
de trabalho, formal ou informal, de seu vínculo
empregatício, público ou privado, assalariado,
autônomo, avulso, temporário, cooperativados,
aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou
desempregado são sujeitos desta Política.
Art. 7º
A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e
da Trabalhadora deverá contemplar todos os
trabalhadores priorizando, entretanto, pessoas
e grupos em situação de maior vulnerabilidade,
como aqueles inseridos em atividades ou em
relações informais e precárias de trabalho, em
atividades de maior risco para a saúde,
submetidos a formas nocivas de discriminação,
ou ao trabalho infantil, na perspectiva de
superar desigualdades sociais e de saúde e de
buscar a equidade na atenção.
A distinção que existe em relação ao tipo de trabalhador diz respeito ao SUS e à Previdência Social, uma vez
que o SUS deve realizar ações com todos os trabalhadores, formais ou informais, enquanto a previdência
atinge os que são cobertos pelo seguro de acidente de trabalho, ou seja, os que colaboram com a
previdência. 
Percebemos, portanto, uma diferença significativa entre os dois órgãos: o cidadão, que, para ter direito aos
benefícios previdenciários, deve contribuir para o INSS, enquanto a assistência médica do SUS é garantida a
todo cidadão, de qualquer idade, sem a necessidade de contribuição.
Apesar de toda legislação e organização direcionada ao atendimento do trabalhador, os desafios continuam a
existir, sendo apontados a seguir:
1 Dificuldade de levantamento de dados epidemiológicos para identificação dos grupos de risco →
que deve ser iniciada desde a atenção primária, coletando dados do perfil do mercado de trabalho
no atendimento da comunidade.
2 O não encaminhamento para atendimento multidisciplinar, como fisioterapeutas, psicólogos,
terapeuta ocupacional, entre outros. 
3 O atendimento somente após a instalação de doenças, o que dificulta o acolhimento e a
organização de ações preventivas.
4O trabalhador por receio de ser substituído, ou desligado da empresa, muitas vezes, suporta os
desconfortos em silêncio, sem buscar ajuda especializada, procurando auxílio quando a doença –
psicológica, musculoesquelética ou de algum órgão ou sentido – já está em estágio avançado.
Previdência Social 
O Ministério da Previdência Social, por meio
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
concede benefícios aos seus contribuintes em
caso de doença, invalidez, morte,
aposentadoria e gestantes. São realizadas
também perícia médica e reabilitação de
trabalhadores. 
SUS 
O Ministério da Saúde oferece
assistência à saúde por meio do SUS
que ampara todo e qualquer cidadão,
independentemente de qualquer
contribuição. 
5A exigência de produtividade, com estabelecimento contínuo de metas, manutenção de posturas por
tempo prolongado sem pausas ou intervalos, maquinário e mobiliário inadequado, ambiente com
iluminação e/ou temperaturas inadequadas e relações de chefia inadequadas são fatores que, muitas
vezes, persistem nas mais diversas relações empregatícias.
Formas de atenção à saúde do trabalhador
A especialista Adriana de Souza Marinho abordará formas de promoção de saúde no meio laborativo.
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Questão 1
Analise as informações a seguir: 
I. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora deverá contemplar todos os trabalhadores,
priorizando, entretanto, os que estão inseridos no mercado de trabalho formal.
II. Os desempregados não são sujeitos dessa política.
III. A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora abrange somente o trabalhador urbano, que
sofre mais riscos de adoecimento que o trabalhador rural. 
Marque a alternativa CORRETA.
A
As três afirmativas são verdadeiras.
B
As afirmativas I e III são verdadeiras, e a II é falsa.
C
A afirmativa II é verdadeira, e a I e III são falsas.
D
As três afirmativas são falsas.
E
Somente a alternativa I é verdadeira.
A alternativa D está correta.
As afirmativas são falsas, pois a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora abrange o
desempregado e os trabalhadores rurais, tendo como prioridade as pessoas e grupos que se apresentam
em situação de maior vulnerabilidade, e isto inclui aqueles que estão inseridos em atividades ou relações
informais e precárias de trabalho.
Questão 2
A organização dos serviços de saúde pode conter unidades prestadoras de atenção primária, secundária e
terciária. Assinale a alternativa correta quanto aos tipos de atenção.
A
A vacinação pode ser classificada como um procedimento de atenção secundária, quando for realizada no
ambulatório de um hospital.
B
O trabalhador acidentado que é atendido no pronto-socorro utiliza o serviço de atenção secundária.
C
A amputação de um artelho em decorrência de acidente de trabalho é considerada um procedimento de
atenção secundária.
D
quimioterapia pode ser realizada em serviço de atenção primária, desde que os profissionais de saúde sejam
treinados.
E
A organização dos serviços de saúde em níveis de atenção primário, secundário e terciário considera a
complexidade dos procedimentos realizados.
A alternativa E está correta.
Diferentemente do que é afirmado na alternativa A, a vacinação é um procedimento de intervenção
primária. Já o pronto-socorro, a amputação e a quimioterapia mencionados nas alternativas B, C e D são
todos de intervenção terciária. Logo, apenas a letra E está correta, pois os níveis de atenção estão
relacionados com os níveis de complexidade.
4. Conclusão
Considerações finais
Ao estudar a história da saúde pública no Brasil, descobrimos que passamos por sérios problemas, como
epidemias, falta de saneamento básico e grande descaso governamental. Lentamente, fomos evoluindo para
chegarmos à Constituição Federal de 1988, que implantou um sistema de saúde para todos e se preocupou,
de fato, com a inserção de políticas públicas em prol do trabalhador.
Percebemos que existe uma íntima relação entre saúde-trabalho-doença, e que a sociedade precisa estar
saudável para ser produtiva. No entanto, a produção não pode ser exagerada a ponto de adoecer o
trabalhador.
Muitas mudanças foram feitas. Várias ainda serão necessárias, pois, apesar dos avanços, o desafio da
atenção integral à saúde do trabalhador no SUS permanece associado à necessidade de produtividade e a
níveis altíssimos deexigências nos processos de produção.
O fisioterapeuta, como todo profissional que atua na saúde do trabalhador, tem um importante papel nas
ações de prevenção, coletando dados de risco e traçando um perfil para atuação não somente após a
instalação da lesão, mas, previamente, o que poderá beneficiar demais trabalhadores para que não
desenvolvam o mesmo tipo de adoecimento. 
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Agora, a especialista Adriana de Souza Marinho abordará questões que podem dificultar ações em
benefício da saúde do trabalhador.
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Para saber mais sobre os assuntos estudados aqui, busque as seguintes sugestões de leitura:
 
Saúde Pública no Brasil e sua Evolução Histórica, de Ewerthon Torres.
Conheça a OIT, disponível no portal da Organização Internacional do Trabalho.
Referências
BRASIL. Decreto Lei nº 5.452, de 01 de maio de 1943. Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
BRASIL. Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
CHAGAS, J.; TORRES, R. Oitava Conferência Nacional de Saúde: o SUS ganha forma. EPSJV/Fiocruz, 2008.
 
• 
• 
EM DISCUSSÃO. Antes do SUS, saúde era para poucos. Brasília: SEGRAF, 2014. Consultado na Internet em: 13
jul. 2021.
 
EM DISCUSSÃO. Saúde carece de fonte fixa de verbas. Brasília: SEGRAF, 2014. Consultado na Internet em: 13
jul. 2021.
 
FILHO, F. P. Eloy chaves e as origens da previdência social no Brasil. Jornal Lince, 2011.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 1.339, de 18 de novembro de 1999. Consultado na Internet em: 14 jul.
2021.
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 1.823, de 23 de agosto de 2012. Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 777, de 28 de abril de 2004. Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
MINISTÉRIO DO TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL. Portaria MTPS nº 3.751, de 23 de novembro de 1990.
Consultado na Internet em: 14 jul. 2021.
 
SILVEIRA, A. C.; PIMENTA, J. F. A inserção institucional do controle da doença de Chagas. Revista da
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical [online]. v. 44, suppl 2, 2011. Consultado na Internet em: 11 jun.
2021.
 
SOARES, M, S. Médicos e mezinheiros na Corte Imperial: uma herança colonial. História, Ciências, Saúde-
Manguinhos [online]. v. 8, n. 2, p. 407-438, 2001. Consultado na Internet em: 02 jun. 2021.
 
TORRES, E. Saúde Pública no Brasil e sua evolução histórica. Consultado na Internet em: 02 jun. 2021.
	Políticas públicas em saúde do trabalhador
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Implantação da saúde do trabalhador no Brasil
	História da saúde pública no Brasil
	Brasil Império
	Revolução Industrial e seus desdobramentos
	Século XX
	Saiba mais
	Comentário
	Comentário
	Relembrando
	Industrialização
	Segurança e no desenvolvimento econômico
	Criação do Instituto Nacional de Previdência Social
	Criação do  Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social
	Comentário
	8ª Conferência Nacional de Saúde
	Atenção
	Cronologia histórica da Saúde Pública: os principais marcos após a implementação do SUS.
	Saúde como direito de todos
	Aprovação da Lei Orgânica da Saúde
	Lançamento do Programa Saúde da Família
	Distribuição do coquetel antiaids
	Criação do Sistema Nacional de Transplantes
	Criação da ANVISA
	Aprovação da Emenda Constitucional 29
	Sanção da Lei da Reforma Psiquiátrica
	Lançamento do Samu
	Lançamento do Programa Aqui Tem Farmácia Popular
	Tributação CPMF deixa de existir
	Regulamentação da Emenda Constitucional 29
	Lançamento do Mais Médicos
	Retrospectiva
	Criação da Liga Contra a Vacinação Obrigatória
	Início de ações de combate de Oswaldo Cruz
	Organização do Serviço Especial de Saúde Pública
	Artigo 200 indica obrigações do SUS
	Adoção da obrigatoriedade da vacina
	Início da Política Nacional de Educação Permanente
	A evolução histórica dos processos de saúde e doença no Brasil
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	Verificando o aprendizado
	2. Bases legais sobre saúde do trabalhador
	Bases legais sobre saúde do trabalhador
	Organização Internacional do Trabalho (OIT)
	Saiba mais
	Legislações específicas para a saúde do trabalhador
	Decreto-Lei nº 5.452/1943
	Lei nº 8.213/1991
	Decreto 3.048/1999
	Portaria nº 1.339/1999
	Portaria nº 1.679
	Decreto nº 7.602/2011
	1
	2
	Comunicação de acidente de trabalho (CAT)
	Comissão interna de prevenção de acidentes (CIPA)
	Presidente
	Vice-presidente
	Secretário e suplente
	Hierarquia das normas legais
	NR 5 → CIPA → Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
	NR 6 → EPI → Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
	Bases Legais da saúde do trabalhador
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	3. Saúde do trabalhador na rede de atenção à saúde
	Saúde do trabalhador na rede de atenção à saúde
	Medicina do Trabalho
	Saúde ocupacional
	Saúde do trabalhador
	RENAST
	Atenção
	Ferramentas da RENAST
	Notificação obrigatória
	Organização da assistência
	Comentário
	Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST)
	Saúde do trabalhador por níveis de atenção
	Atenção Primária
	Atenção Secundária
	Atenção Terciária
	Portaria nº 1.823/2012
	Art. 3º
	Art. 7º
	Formas de atenção à saúde do trabalhador
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	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
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	Referências

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