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Gastroentereologia 5 Luanna Albuquerque Fernandes Raros Epidemiologia: 30-50 anos; leve prevalência em pessoas do sexo masculino; Tipos mais comuns: leiomiomas (60%): são provenientes do m. liso, conhecidos como tumores mesenquimais, mais comuns no terço médio e inferior do esôfago; cistos (20%); pólipos fibrovasculares (5%) Quadro clínico: observados apenas em leiomiomas de 5cm: disfagia lenta e progressiva; Diagnóstico: Endoscopia Digestiva Alta: avalia o aspecto de compressão extrínseca; Esofagograma (Esofagografia baritada): usado quando não existia EDA: paciente ingere um líquido branco (contraste de bário) para que o esofago seja visualizado em raio X Tratamento: assintomático: EDA a cada 6 meses - sensação de pressão retroesternal (assintomático) sintomático: pequeno (<2cm): ressecação endoscópica; grande: toracotomia + enucleação ou toracoscopia + enucleação tumores do esôfago tumores benignos tumores malignos 6% dos tumores de esôfago predominante no sexo masculino (escamoso: 3:1; adenocarcinoma: 15:1) e em pessoas mais velhas (acima dos 50 anos) a taxa de mortalidade é alta, principalmente entre os 60-70 anos Carcinoma Escamoso Derivado do epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado (mucosa normal do esôfago) 70% dos cânceres de esôfago Derivado do epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado (mucosa normal do esôfago) Origina-se no terço médio (50%) ou terço superior (25%) Adenocarcinoma 30% dos cânceres de esôfago Derivado do espitélio de Barret (metaplasia intestinal) Localiza-se no terço distal do esôfago (25%) Carcinoma Escamoso Gastroentereologia 6 Luanna Albuquerque Fernandes fatores de risco Hábitos de vida: tabagismo, etilismo (bebidas destiladas) ou ingestão de bebidas muito quentes Fatores dietéticos: alimentos ricos em nitratos ou nitrosaminas (defumados); contaminação com fungo produtor de toxinas; deficiência de selênio, zinco, molibdênio e vitaminas (principalmente vitamina A) Doenças esofágicas: acalásia, síndrome de plummer-vinson, estenose cáustica Genética: tilose palmar e plantar (predispõe ao Ca escamoso) Outros fatores: bulimia, infeções fúngicas crônicas, HPV, exposição à radiação, câncer no trato aerodigestivo, divertículos no esôfago e doença celíaca carcinoma escamoso Obesidade e Tabagismo; Uso de biforfonados orais, como o alendronato (droga utilizada para tratamento da osteoporose -essa classe de drogas deve ser contraindicada para portadores de esôfago de Barret-) Idade avançada Cerca de 10-15% dos pacientes com DRGE (doença do refluxo gastroesofágico) sintomática desenvolvem esôfago de Barret (1 a cada 200 pacientes/ano) adenocarcinoma quadro clínico Sintomas iniciais inespecíficos: dor retroesternal, indigestão Principal manifestação clínica: disfagia progressiva e rápida (geralmente inicia-se para sólidos e evolui para líquidos) Perda de peso Sialorréia (produção excessiva de saliva) Odinofagia Anemia Tosse durante a deglutição (lúmen corrompido) Rouquidão (envolvimento do N. laríngeo Hematemese maciça (sangue no vômito) Icterícia (infltração hepática metastática) Afagia Linfonodomegalia cercival Sinais/sintomas que indicam doença avançada: diagnóstico Melhor forma de diagnóstico: Esofagografia Baritada (duplo contraste) + Endoscopia Digestiva Alta com biópsia - EDA + biópsia: coleta o material e analisa por meio do anatomopatológico, além disso, permite a identificação do esôfago de barret falta de material/tumor grande (endoscópio não entra): fazer esofagograma - Esofagografia baritada: avalia irregularidades da mucosa e súbita transição entre o esôfago normal e obstrução (sinal do degrau) estadiamento Tumores do terço superior e médio São cânceres extremamente agressivos e que se disseminam localmente e à distância , estendendo-se do epitélio para a submucosa, muscular e linfonodos regionais (a ausência da serosa facilita essa disseminação) Metástases à distância mais importantes: fígado, pulmão, ossos e rins - invasão da árvore traqueobrônquica, aorta e n. laríngeo recorrente Gastroentereologia 7 Luanna Albuquerque Fernandes Tumores do terço distal TC toracoabdominal: avalia o tamanho do tumor, os linfonodos mediastinais e as metástases à distância (observa-se uma parede espessa com luz estreita) Ultrassom endoscópico: melhor exame para estadiamento T e N Broncofibroscopia: endoscopia respiratória: avalia invasão traqueobrônquica (fístula esofagotraqueal): mais solicitado em pacientes com tosse persistente) Mediastinoscopia e Laparoscopia com biópsia: linfoodos + metástases PET scan: metástases à distância (mais sensível, porém, alto custo). Recomenda-se que qualquer suspeita de metástase pelo PET seja confirmada por biópsia Diagnóstico de câncer esôfago por biópsia endoscópica TC toracoabdominal para determinar a presença de metástases à distância Ausência de metástases: ultrassom endoscópico (USE), para avaliar a penetração do tumor na parede esofagiana e extensão da doença para linfonodos locorregionais - drenagem para linfonodos cervicais profundos (supraclaviculares), paraesofágicos, mediastínicos posteriores e traqueobrônquicos - invasão do diafragma, pericárdio e estômago - drenagem para linfonodos paraesofágicos, celíacos e do hilo esplênico O estadiamento do esôfago se baseia na escala TNM (tumor; linfonodos; metástases à distância) Exames utilizados para estadiamento: menos utilizados: Sequência de estadiamento: 1. 2. 3. prognóstico Estágio I: tumor confirmado à camada superficial do esôfago (60%)* Estágio II: tumor presente nas camadas mais profundas do esôfago (IIA) ou comprometendo os linfonodos próximos ao esôfago (IIB) (30%)* Estágio III: tumor invade as camadas mais profundas do esôfago e infiltra os linfonodos próximos ao esôfago ou órgãos vizinhos (20%)* Estágio IV: tumor invade linfonodos mais distantes (IVA) ou órgãos como pulmões, fígado e ossos (IVB) (4%)* *sobrevida em 5 anos do câncer tratamento Cirurgia curativa: pacientes com razoável estado geral, sem comorbidades importantes e ausência de metástases e de um T4 irressecável Esofagogastrectomia com reconstrução À Y de Roux (1): câncer localizado do terço distal; retirada de uma porção do esôfago e todo o estômago; reconstrução: esofagojejunostomia (anastomose do esôfago e estômago) Esofagectomia total (2): câncer localizado nos 2/3 proximais do esôfago; retirada de todo o esôfago; para a reconstrução do esôfago transforma-se o estômago em um tubo (perde sua função) Estágio T1 sem metástase: ressecação endoscópica - Cerca de 40-50% dos Ca de esôfago são "ressecáveis", porém, a cura é alcançada em apenas 10-35% dos casos -digestão de proteínas nesse caso: tripsina (produzida pelo pâncreas, que pode substituir o papel da pepsina) Gastroentereologia 8 Luanna Albuquerque Fernandes Possíveis complicações cirúrgicas: atelectasia, derrame pleural, arritmia cardíaca, IAM, infecção da ferida, mediastinite, necrose do tubo gástrico, lesão do nervo laríngeo (rouquidão) (1) (2)