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Patologia Média I Luiza Andrade @medbyluiza Órgãos acessórios do TGI Fígado: órgão solido, localizado no hipocôndrio direito e revestido por uma cápsula (Glisson). O peso é geralmente entre 1300g a 1800g e é dividido em lobo direito e esquerdo. Funções: • Metabólicas, ex: glicose, proteínas, lipídeos, bilirrubina • Síntese ex: albumina, globulina, fatores de complemento, lipoproteínas • Catabólicas ex: andógeno, estrógeno, insulina e glucagon, álcool • Excretora ex: glicogênio, triglicérides, ferro, cobre • Defesa: células de Kupffer à macrófagos especializados Anatomia: dividido em 8 segmentos (útil cirurgicamente) à cada segmento tem irrigação e drenagem biliar independentes um do outro. É possível remover esses segmentos cirurgicamente sem grandes repercussões. O fígado possui dupla circulação: entrada da veia porta e da artéria hepática Espaço portal: ducto biliar, ramo da artéria hepática e vênula ramo da veia porta à os ramos da vênula e da arteríola se fundem formando os capilares sinusoides. As veias centrolobulares se unem e formam as veias hepáticas à direita, intermédia e esquerda à drenam pra VCI. Artéria hepática à mais rica em O2, 30 a 40% da irrigação. Veia porta à mais rica em nutrientes, 60 a 70% da irrigação. Lóbulo hepático: • Zona 1 ou periportal • Zona 2 ou mediozonal • Zona 3 ou perivenular As zonas são importantes pela drenagem venosa do órgão Patologia Hepática Histologia: espaço portal (veia, artéria e ramo biliar) e veia centro lobular. O sinusoide passa na zona 1, 2 e 3 até chegar na VCL. O fígado é comporto por hepatócitos, que formam a estrutura trabecular Bloqueio da circulação arterial: • Infarto à raro pela dupla circulação (garante proteção), se ocorrem são pequenos e hemorrágicos • Fígados transplantados à no momento do transplante é necessário fazer anastomose, que pode cursar com dificuldade de irrigação ou formação de trombo Influxo de sangue ou fluxo intra-hepático insuficientes: • Obstrução da veia porta à trombose • Cirrose hepática • Isso pode levar a uma hipertensão portal Bloqueio da drenagem venosa: • Represamento de sangue no fígado • Causas principais: Insuficiência cardíaca direita (fígado cardíaco) ou trombose/compressão das veias hepáticas ou VCI (síndrome de Budd-CHiari). Fígado cardíaco: Causa: IC direita Patogênese: V. porta à a estase normalmente ocorre nas veias centrolobulares. O coração direito, insuficiente, fica com sangue represado. Achado principal: congestão das veias centrolobulares e, se for intenso, necrose e hemorragia centrolobular à possível hipertensão portal Morfologia: hepatomegalia congestiva dolorosa (pois a cápsula fica distendida e é muito inervada), aspecto em noz moscada Microscopia: congestão de veia centrolobular e espaço perivenular (zona 3) à imagem 2. Em casos mais graves, os hepatócitos podem sofrer necrose e desaparecerem (seta verde). Além disso, é possível ver elevação enzimática que indica lesão à imagem 3. Alterações circulatórias Ocorre uma obstrução por trombose das veias hepáticas ou da VCI à aumento da pressão intra-hepática. Causa: distúrbios trombogênicos diversos. Morfologia: igual ao fígado cardíaco, mas em geral com congestão mais intensa. Clínica: hepatomegalia dolorosa, ascite e hipertensão portal. Aspectos gerais da doença hepática • Vulnerável a insultos metabólicos, tóxicos, microbianos, circulatórios e neoplásicos; • Principais doenças hepáticas primárias: hepatites virais, doenças hepáticas gordurosas (alcóolica e não alcóolica) e CHC; • Grande reserva funcional à é necessário perder 70-90% do parênquima para ter uma grande alteração sistêmica • Processo insidioso à clínica tardia (meses a anos); • Flutuações das lesões hepáticas e seu processo de reparo (cicatrização) podem passar desapercebidas; • Alterações laboratoriais: “provas de função hepática” • Doença hepática crônica à cirrose hepática. Síndromes hepáticas SÍNDROME DE BUDD-CHIARI Síndromes: é a compilação de sinais e sintomas que em seu conjunto definem o diagnostico e o quadro clínico de uma condição médica. Síndromes clínicas no fígado: distúrbios do metabolismo da bilirrubina, insuficiência hepática e hipertensão portal Distúrbios do metabolismo da bilirrubina: Drenagem biliar normal: Função da bile: emulsificação de gordura, eliminação de bilirrubina, excesso de colesterol, xenobióticos (qualquer substância que não tenha sido produzida pelo organismo à drogas, produtos industrializados, medicamentos). • Icterícia: coloração amarelo-esverdeada da pele, esclera e mucosas. Ocorre aumento sérico por: excesso de produção ou defict de eliminação • Colestase: interrupção do fluxo biliar, com retenção sistêmica de todos os componentes da bile, inclusive da bilirrubina Ciclo êntero-hepático da bilirrubina: heme à hemeoxigenase à biliverdina à biliverdina redutase à bilirrubina não conjugada (indireta) à UGT-1AI à bilirrubina conjugada (direta) à beta-glicuronidase à urobilinogenio (parte é reabsorvido, parte é oxidado)à oxidação à estercobilina (cor escurecida das fezes) Bilirrubina indireta Bilirrubina direta Insolúvel em água Solúvel em água Ligada à albumina Frouxamente ligada a albumina Não pode ser excretada na urina Pode ser excretada na urina quando acumulada à colúria Fração não ligada: tóxica, acúmulo em tecidos, kernicterus (cérebro) à eritroblastose fetal (hemólise) atóxica Icterícia: coloração amarelo- esverdeada da pele, esclera e mucosa devido a aumento dos níveis plasmáticos de bilirrubina. Patogênese: produção excessiva de bilirrubina, captação reduzida pelo hepatócito, conjugação prejudicada à bilirrubina direta; excreção hepatocelular reduzida (deficiência de transporte), fluxo biliar prejudicado (colestase) à bilirrubina conjugada Icterícia precoce em RN, que ocorre por imaturidade fisiológica do sistema de excreção da bile e, principalmente, de conjugação. Ocorre em até 2 semanas de vida à depois desse tempo, o sistema amadurece. O RN tem uma hiperbilirrubinemia indireta (não conjugada) discreta e transitória. Essa icterícia pode ser exacerbada pela amamentação à contém enzimas que desconjugam a bilirrubina. Tratamento: fototerapia à luz modifica a bilirrubina indireta e a torna hidrossolúvel Ocorre deficiência na conjugação da bilirrubina, por deficiência parcial da enzima UGT-IAI. O paciente tem elevação discreta da bilirrubina indireta de forma intermitente. Tem caráter genético à herança autossômica recessiva. Acomete até 5% da população mundial. Está associado a estresse, exercício vigoroso ou jejum à não há consequências clínicas. Colestase: é a interrupção do fluxo biliar para o intestino, com refluxo de todos os componentes da bile para a corrente sanguínea. Causas: • Intra-hepática: excreção deficiente pelos hepatócitos; bstrução dos canalículos / ductos biliares; • Extra-hepática à obstrução dos grandes ductos (hepático e colédoco). Clínica: icterícia, colúria (urina escurecida) e acolia fecal (fezes sem cor pela ausência da excreção da bilirrubina); prurido e xantomas (pequenos tumores benignos, que contem lipídeo à pelo refluxo de colesterol advindo da bile); má absorção SÍNDROME OU DOENÇA DE GILBERT: ICTERÍCIA NEONATAL FISIOLÓGICA intestinal de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K – a bile, que possui colesterol, não chega ao ID); aumento da fosfatase alcalina e GGT Morfologia da colestase: bile represada no interior do citoplasma dos hepatócitos (marrom) e no interior dos canalículos biliares, que se alargam. Hepatite é um conjunto de lesões necroinflamatorias que acometem difusamente o fígado, de forma heterógena, causadas por agentes agressores e pela resposta do hospedeiro. Causas: virais, autoimune, drogas/medicamentos, alcóolica e metabólicas.Hepatites virais: Vírus em geral: mononucleose (EBV), citomegalovírus (CMV), febre amarela, adenovírus, herpes vírus. Vírus hepatotrópicos à A (HVA), B (HVB), C, D e E Formas de apresentação: Infecção aguda assintomática: evidência sorológica, aumento de TGO e TGP à pode evoluir pra cura ou forma crônica. Essa forma pode ser causada por todos os tipos de vírus Hepatite aguda sintomática à pode ser anictérica (sintomas inespecíficos como fadiga, febre, dor) e icterícia (aumento da BD, o paciente apresenta colúria, acolia e prurido pelo refluxo da bilirrubina) à pode evoluir pra cura ou forma crônica. Essa forma pode ser causada por todos os tipos de vírus, principalmente HAV e HBV. OBS: Hepatite fulminante: insuficiência hepática aguda, fatal em 70% dos casos. Essa forma pode ser causada por todos os tipos de vírus, principalmente HAV e HBV. Hepatite crônica: persistência da inflamação por mais de 6 meses, aumento da TGO e TGP, com ou sem fibrose, com evidência sorológica à o paciente pode ser sintomático ou portador assintomático. • Vírus de RNA, incubação de 2 a 6 meses • Doença normalmente benigna e autolimitada à letalidade de 0,1 a 0,3% • Transmissão: fecal-oral à ingestão de água e alimentos contaminados • Relacionada à baixo nível socioeconômico e higiene à endêmica no Brasil Formas: assintomática ou hepatite aguda (25%, raramente hepatite fulminante) à o paciente normalmente evolui para cura Sorologia: Anticorpos IgM anti-HAV à marcador da fase aguda Anticorpos IgG anti-HAV à imunidade (se da pelos anti-HAV totais – IgM) Hepatites HEPATITE A - HAV • Vírus de DNA, incubação de 2 a 26 semanas • Transmissão: via parenteral, sexual e vertical • É uma doença que se pode prevenir por vacina • Enorme problema de saúde global à 200 milhões de portadores do mundo Formas: assintomática (65%), hepatite aguda (25% à raramente hepatite fulminante), hepatite crônica (5 a 10%) Marcadores sorológicos da hepatite B: genoma do HBV (HBC0DNA) codifica algumas proteínas (antígenos): Anticorpos: A vacina leva a positividade do HBS uma vez que estimula a produção de anticorpos à imunidade ativa. à o HBS que é inoculado na pessoa. HEPATITE B - HBV Em vermelho: transaminases, que são marcadores de lesão hepática OBS: • HBeAg e HBV-DNA à surgem um pouco depois do HBsAg (no gráfico surgem juntos, mas não é assim) • Na hepatite crônica, não há Anti-HBs à só surte quando o HBsAg cai • Na hepatite crônica, o TGO e TGP fluem uma vez que o vírus lesa o fígado à destruição hepatocitaria à o fígado se regenera à lesão pelo vírus... (continua) Evolução da Hepatite B: a resposta imune do hospedeiro determina o resultado da infecção • Resposta imunitária inata e adquirida • Forma crônica: idade é o melhor preditor de cronicidade: 95% dos recém-nascidos evoluem para crônica, criança 20 a 30%, adultos 5% • Tratamento: antivirais (cura difícil), mas são importantes para retardar a progressão da doença, reduzindo lesão hepática e prevenindo cirrose • Prevenção: vacinação e triagem de sangue, órgãos e tecidos de doadores • Vírus de RNA à instável, múltiplos genótipos e subtipos. Incubação de 2 a 26 semanas (não há vacina) • Transmissão: via parenteral, sexual e vertical (rara) • Diagnóstico sorológico: carga viral HCV-RNA; anticorpo anti-HCV à não confere imunidade Formas: assintomática, hepatite aguda (rara, curso clínico leve), hepatite crônica (80 a 90%, com cirrose em 20%) à infecção persistente e hepatite crônica são as marcas da hepatite C, apesar da natureza geralmente assintomática da doença aguda. HEPATITE C - HCV OBS: quando as transaminases sobem, o paciente tem sintomas e quando caem, o paciente fica assintomático Tratamento: medicamentos com bons resultados (cura em 50% e 80% dos pacientes à ex: antivirais (ribavirina e interferons) Prevenção: triagem de sangue, órgãos e de tecidos de doadores Hepatite aguda: Macroscopia: fígado congesto, edema e depressões na superfície externa, cor esverdeada (em caso de colestase) Microscopia: degeneração hidrópica (acúmulo de água no citoplasma da célula), fusão de hepatócitos, apoptose, IIMN (linfócito, plasmócito e macrófagos, predominantemente perivenular com necrose focal/lobular. O infiltrado é portal, discreto e restrito sem hepatite de interface), colestase hepatocitaria e canalicular Morfologia da colestase ASPECTOS MORFOLÓGICOS DAS HEPATITES Hepatite aguda grave ou fulminante: Macroscopia: destruição maçica dos hepatócitos à fígado menor, pela diminuição de volume, retraído (murcha – capsula de Glisson enrugada0 e amolecido (pela necrose). O fígado pode ficar um pouco esverdeado e amarelado Microscopia: • Necrose hepatocitária evidente à restos celulares, fibras de reticulina rompida (que dão sustentação pro fígado), congestão/hemorragia, inflamação variável e reação ductular (é a forma que o fígado se regenera à proliferação de células epiteliais progenitoras) • Necrose em ponte: confluência de necroses focais à colapso do arcabouço reticular, pontes entre espaço portal a uma veia centroobular • Necrose maçica (hepatite fulminante) à confluência das pontes, colapso mais acentuado do parênquima Áreas claras: hepatócitos necrosados, “em ponte” à Infiltrado inflamatório, áreas brancas são edema, reação ductular (bolinhas rosas querendo formar ductos, mas podem formar hepatócitos também, já que são células progenitoras) à Fibras reticulinicas necrosadas à Quadro clínico: grave e abrupto, progredindo para insuficiência hepática aguda em 2 a 3 semanas após o início dos sintomas Causas: • hepatites virais (10 a 12%) à HAV e HBV • medicamentosa/ toxicidade a drogas (50 a 55%) à ex: paracetamol • causas desconhecidas (18%) • outros (15 a 20%) Insuficiência hepática aguda: doença hepática aguda associada com encefalopatia e coagulopatia Início: náuseas, voitos e icterícia/ colestase; progride para: encefalopatia potencialmente fatal e coagulopatia • TGO e TGP inicialmente elevadas pela lesão dos hepatócitos à podem cair, mas não por cura e sim pela diminuição de hepatócitos Encefalopatia hepática: espectro de alterações de consciência, • anormalidades comportamentais sutis à confusão acentuada à coma ou morte • patogênese à alterações metabólicas e de neurotransmissores; amônia (principal fator) • sinais neurológicos: rigidez e hiperreflexia da cabeça e extremidades à Asterix ou flapping Coagulopatia: fígado produz fatores de coagulação e hemorragias Síndrome hepatorrenal: insuficiência renal como consequência da insuficiência hepática, sem que haja lesões aparente nos rins Hepatite crônica: persistência da inflamação, com evidência sorológica, associada a níveis séricos elevados de TGP e TGO por mais de 6 meses. Biópsia hepática: estadiamento METAVIR à inflamação, necrose e fibrose Microscopia: Variável (depende do grau), acometimento hepático difuso à IIMN portal (predominantemente linfocitário) • Hepatite de interface: necrose de hepatócitos da placa limitante – necrose “em saca bocados”, é um indicador de atividade inflamatória e progressão • Reação ductular • Fibrose: portal, septos (EP-EP; EP-VCL), nódulos (cirrose) Imagem 1: vasos, espaço porta com infiltrado inflamatório mononuclear Imagem 2: parte do espaço porta e parênquima hepático (difícil determinar o limite do EP à hepatite de interface) Particularidades: aumenta a suspeita, mas não confirma diagnóstico • Hepatócito em vidro fosco pelo acúmulo do HbsAg à HBV crônica • Esteatose e agregado linfocitário denso à HCV Alterações de reparações à fibrose (primeiro no espaço porta e depois aumenta, ficando mais espessa) Em caso de extensa fibrose àevolução da doença à cirrose hepática Resumindo: Hepatite autoimune É uma inflamação crônica,com hipergamaglobulinemia e fibrose progressiva, causada pela produção de autoanticorpos; a predisposição genética; mais comum em mulheres (≅ 80%). Está associação com outras doenças autoimunes (artrite reumatoide, tireoidite de Hashimoto, etc). Clínica: raro ser assintomática; quadro agudo sintomático; hepatite fulminante (incomum); mais comumente diagnosticada na forma crônica, por vezes com cirrose. Diagnóstico (combinação de fatores): aspectos clínicos + laboratoriais + histológicos + exclusão de outras etiologias Classificação: com base nos anticorpos circulantes Tipo 1: 80% dos casos em adultosmaior prevalência em mulheres, Anticorpos à anti-músculo liso (SMA) e anti-núcleo (ANA) Tipo 2: 20% dos casos em adultos; predomínio em crianças, Anticorpos à antimicrossomos hepático e renal tipo 1 (anti-LKM-1) anticitosol hepático tipo 1 (ACL-1) Microscopia: • IIMN portal rico em plasmócitos; • Lesão da placa limitante de hepatócitos à Hepatite de interface • Atividade necroinflamatória lobular proeminente: áreas confluentes de necrose e colapso do parênquima (trama reticular) • Fibrose precoce à cirrose hepática Imagem 1: hepatite de interface Imagem 2: plasmáticos nas setas (roxos com área clara) Evolução: evolução melhor em adultos que crianças • Antes: descompensação clínica e óbito • Mortalidade de pacientes não tratados: óbito em 40% dentro de 6 meses após o diagnóstico; cirrose em 40% dos sobreviventes • Hoje: terapia imunossupressora à melhor sobrevida OBS: Remissão em 80% dos pacientes • Doença em estágio terminal à transplante hepático à 75% de sobrevida em 10 anos; recorrência em 20% dos casos. Hepatite medicamentosa ou por drogas O fígado é o principal órgão metabolizador de fármacos no corpo; Mecanismos de lesão: • Ação lesiva direta no fígado; • Conversão hepática para uma substância tóxica ativa • Mecanismos imunes: fármaco ou droga fazem a conversão de uma proteína celular em antígeno lesivo Lesões: • Previsíveis (intrínsecas): afetam todos os indivíduos e são dose-dependente • Imprevisíveis (idiossincrásicas): afetam alguns indivíduos e não são dose-dependente • Podem ser imediatas ou demorar semanas/meses para se desenvolverem. Morfologia: é extremamente variável; A história clínica, os marcadores sorológicos virais e os anticorpos são importantes para o diagnóstico. Esteatohepatites – doença hepática gordurosa Espectro de lesões: Esteatose hepática → esteatohepatite (esteatose + lesões inflamatórias) → fibrose → cirrose hepática. Causas: • Alcoólica → doença hepática alcoólica • Não alcoólica → doença hepática gordurosa não alcoólica O consumo excessivo de álcool é a principal causa de doença hepática no ocidente. 3,8% das mortes em todo o mundo estão, de certa forma, ligadas ao álcool. Risco de doença hepática: ingestão regular, duração do etilismo prolongada, quantidade de álcool ingerido: 60 a 80 g / dia (ao longo de semanas, meses) Fatores de risco adicionais (além da ingestão prolongada e regular de álcool): DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA • Caráter genético (genes que codificam ALDH2*2). o ALDH tipo 1: converte o álcool em acetaldeído de forma mais rápida e adequada. o ALDH tipo 2: converte mais lentamente. Quem codifica mais essa enzima tem maior predisposição à lesão hepática pelo álcool. • Desnutrição: pacientes muito magros, muito desnutridos, têm carência de enzimas que metabolizam o álcool (falta de proteínas) à essas pessoas sofrem mais com os efeitos do álcool. • Sexo feminino: possível relação com a farmacocinética do álcool e com o estrógeno. • Doenças hepáticas associadas: fígado é agredido por mais de um fator. Além disso, a doença hepática alcoólica é um distúrbio crônico, que pode causar: • Esteatose hepatocelular (alteração gordurosa) • Esteatohepatite (hepatite alcoólica) • Esteatofibrose (fibrose hepática) → cirrose (10 a 15% dos etilistas crônicos) Patogênese: 90% do álcool ingerido é eliminado pelo fígado (oxidação). O restante é eliminado pelos rins e pelos pulmões. 3 vias de metabolização: Álcool entra no hepatócito à é convertido em acetaldeído pelas 3 vias: • Álcool desidrogenase (ADH) à ADH converte etanol em acetaldeído por meio da NAD+. Essa via ocorre no citosol do hepatócito. • Sistema do citocromo p450 à ocorre nos microssomos do REL do hepatócito, principalmente pela isoforma CYP2E1. Essa isoforma atua na transformação do álcool em acetaldeído. • Catalase à ocorre nos peroxissomos. Catalase ajuda na transformação do álcool em acetaldeído. É a via menos importante, converte só 10%. O acetaldeído entra nas mitocôndrias → ALDH (aldeído desidrogenase) o oxida em ácido acético com ajuda no NAD → acetato é convertido em AcetilCoa. Consumo do NAD e redução dele → como ele é necessário para oxidação de ácido graxo, ocorre acúmulo de ácidos graxos nos hepatócitos → esteatose. Além disso, a AcetilCoa favorece a síntese de ácidos graxos. Essas reações de oxidação, especialmente pela via do CYP450, liberam radicais livres e citocinas (TNF) → inflamação → hepatite. Esteatose + hepatite → esteatohepatite alcoólica. Morfologia: acúmulo de triglicerídeos (formados em parte por ácidos graxos) nos hepatócitos. Microscopia: Imagem negativa de gordura no citoplasma dos hepatócitos (lipídio é lavado durante o processamento da lâmina). Esses lipídeos se depositam em gotículas e vão se expandindo, rechaçando o núcleo (fica na periferia). A esteatose iniciam na região centrolobular (zona 3). Macroscopia: hepatomegalia; amarelado; macio (pelo acúmulo de gordura). A esteatose é reversível à quando a pessoa para de beber Esteato hepatite (hepatite alcoólica): lesão mais típica da doença hepática alcoólica (10 a 35% dos etilistas). Microscopia: esteatose; balonização (acúmulo de lipídeos e de água dentro do citoplasma, é uma mistura de degeneração hidrópica e esteatose, deixando o hepatócito como um balão); corpúsculos de Mallory-Denk (material eosinofílico/hialino, amorfo e condensado no citoplasma, formado por filamentos do citoesqueleto que se desorganizou pelo processo de balonização); infiltrado inflamatório neutrofílico lobular; necrose de hepatócitos (citocinas, neutrófilos). Imagem a: esteatose; balonização, hepatócitos enormes, com corpúsculos de Mallory → não são patognomônicos, mas são característicos. Imagem b: hepatócitos um pouco balonizados, na seta superior vemos isso e corpúsculo de Mallory. Infiltrado inflamatório neutrofílico → destruição de hepatócitos à necrose. Esteatofibrose (fibrose hepática): Ativação de células estreladas dos sinusoides (células de Ito) e fibroblastos portais → produção de colágeno por essas duas células Fibrose perivenular (zona 3), onde começou a esteatose e fibrose perissinusoidal “tela de galinheiro”. Cirrose alcoólica: • Septos fibrosos finos (centro-porta). • Septos unindo onde a fibrose se inicia (região da veia centrolobular) até o espaço porta. • Com o passar do tempo à septos fibrosos espessos (centro-porta, centro-centro, porta-porta) → Cirrose. • Micronodular (cirrose de Laennec) à geralmente cirrose alcoólica é desse tipo, com nódulos menores que 3mm. Porém, pode ser macronodular. Cirrose alcólica: Fígado retraído, acastanhado e firme (muito colágeno) → fígado cirrótico. Micronodular à cirrose de Laennec Septos de fibrose contornando nódulos de hepatócitos, caracterizando a cirrose hepática. Nem sempre a esteatose é visível Nada impede que o paciente vá da esteatose para cirrose ou já iniciar o quadro com hepatite e evoluir para cirrose, apesar de não ser o habitual. Alguns pacientes podem apresentar cirrose de uma vez. Clínica: Esteatose: hepatomegalia, elevação discreta de TGO e TGP e enzimas canaliculares. Importante lembrar que é reversível Hepatite alcoólica: • Hepatomegalia, elevação mais acentuada de TGO, TGP e enzimas canaliculares;• Quadro clínico variável • Anorexia, perda de peso, dor ou desconforto abdominal; colestase (às vezes); • Óbito (risco de 10 a 20% em um surto agudo) • Também costuma ser reversível, mas nem sempre. Cirrose alcoólica: • Insuficiência hepática crônica • Hipertensão portal • Icterícia É um distúrbio metabólico, com quadro clínico e morfológico semelhante a doença hepática alcoólica (diagnóstico diferencial e de exclusão) Ocorre em indivíduos que não consomem álcool ou o fazem em quantidades muito pequenas ( < 20g / semana); → forma de diferenciar. É a doença hepática crônica mais comum nos EUA e em crescendo no Brasil; Principal causa: Síndrome metabólica à obesidade central, resistência insulínica (DM tipo 2), HAS e dislipidemia Patogênese: dieta (carboidratos, lipídeos), sedentarismo e fatores genéticos e teoria de “múltiplos golpes”: 1º golpe: acúmulo de ácidos graxos livres nos hepatócitos por: à esse golpe justifica a esteatose • lipólise de tecido adiposo --> resistência insulínica. Como a causa principal é síndrome metabólica, o indivíduo tem resistência à insulina, tendo dificuldade de usar a glicose como fonte de energia. Assim, ocorre lipólise. • lipogênese à dieta. Dieta rica em carboidratos e lipídeos também estimula a lipogênese, acumulando lipídeos nos hepatócitos DOENÇA HEPÁTICA NÃO ALCOÓLICA NAFLD 2º golpe: estresse oxidativo e aumento de citocinas pró-inflamatórias (TNF e IL) por: à esse golpe explica a hepatite • excesso de ácidos graxos livres no organismo → liberação de metabólitos lipotóxicos → hepatite no fígado. 3º golpe: inibição de replicação de hepatócitos por: à esse golpe justifica a fibrose (cirrose) • estresse oxidativo (devido à inflamação): dificulta a multiplicação correta do hepatócito, prejudicando a regeneração hepática → fibrose (cirrose). Morfologia: Muito semelhante à Doença Hepática Alcoólica, sendo necessário avaliação clínica. Esteatose à Esteatohepatite não alcóolica (NASH) à fibrose (cirrose); Dicas para diferenciar (diagnostico só fecha com a clínica) • Além de neutrófilos, há mais células inflamatórias mononucleares; • Corpúsculos de Mallory-Denk menos frequentes; • Fibrose portal mais proeminente; ainda é predominante na zona 3, perivenular, e na região perissinusoidal, mas há mais fibrose portal nesta do que na alcoólica. A: esteatose difusa. B esteatose, balonização hepatocitária. C: esteatose, infiltrado inflamatório com neutrófilos. D: fibrose em tela de galinheiro (perissinusoidal). Clínica: Esteatose à hepatomegalia, costuma ser assintomático. Pode ter desconforto abdominal. Esteatohepatite: ● oligossintomáticos c/ fadiga, desconforto ou dor abdominal; ● sinais e sintomas da síndrome metabólica; ● elevação de transaminases (TGO e TGP), além das enzimas canaliculares, devido à agressão inflamatória dos hepatócitos. Diagnóstico e acompanhamento: ● Ultrassonografia (sugere esteatose); ● Biópsia → acompanhamento. Interessante biópsia seriada para acompanhar. Tratamento: controle da síndrome metabólica como prevenção de evolução para cirrose (10 a 20%). Dieta, atv física → prevenir a evolução para cirrose. OBS: Acredita-se 75 a 90% das cirroses ditas “criptogênicas” (de causa desconhecida) provavelmente sejam consequência de NAFLD. É o estágio final comum de várias doenças hepáticas: Hepatites virais B e C, autoimune, alcoólica, doenças de origem metabólica (NASH à esteatohepatite não alcoólica, hemocromatose à acúmulo de ferro anormal, Doença de Wilson à acúmulo anormal de cobre, e Deficiência de alfa-1-antitripsina), vascular ou biliar. OBS: Cirrose criptogênica = idiopática Patogênese: 1- Necrose hepatocelular: agressões diversas → comprometimento arquitetural extenso. Os hepatócitos não conseguem regenerar por completo. 2- Proliferação de componentes estromais: colapso da trama reticulínica + neoformação de fibras colagênicas 3- Regeneração hepatocitária: fibrose insula (circunda) o parênquima → nódulos hepatocitários regenerativos. Os hepatócitos na região do nódulo estão constantemente se multiplicando na tentativa de regenerar o órgão. Cirrose hepática Morfologia: Macroscopia: órgão com volume e peso aumentado (2kg) pela fibrose, mas, nas fases terminais, se encolhe e encurta (800g) Superfície de corte: subversão da arquitetura por fibrose; formação de nódulos. Microscopia: ● Nódulos de parênquima hepático, de tamanhos variados, circundados por septos fibrosos. ● Nos septos conjuntivos e espaços porta: IIMN e proliferação de ductos (na imagem da esquerda, no laser vermelho) biliares (numa tentativa de escoar a bile) ● Hepatócitos em regeneração, e às vezes, necrose. Classificação: Tradicional ● Macronodular, micronodular ou mista ● Pouca reprodutibilidade e utilidade clínica ● Obs. a macronodular é a forma final de todos os tipos de cirrose. Etiológica ● História clínica; ● Marcadores bioquímicos, virológicos e imunológicos ● Biópsia hepática (dicas): ○ Esteatose, neutrófilos, hialino de Mallory à esteatohepatite alcoólica ou não ○ Hepatócito em “vidro fosco” à hepatite viral B ○ Plasmócitos + hepatite de interface à hepatite autoimune ou viral ○ Depósitos de ferro e cobre à hemocromatose, doença de Willson Obs. como a cirrose é uma evolução final, pode não ter esses indicativos da etiologia. Clínica: ● Assintomática por anos ● Manifestações inespecíficas: anorexia, perda de peso, fraqueza, dores abdominais... ● Quadros clínicos tardios (complicações) à ● Óbito: insuficiência hepática, hemorragia digestiva ou infecções bacterianas recorrentes Se da pela incapacidade do fígado de cumprir suas funções, em consequência da cirrose hepática. É um processo insidioso, contínuo ou intermitente, com necrose hepatocitária em graus variáveis. Características: ● Icterícia → aumento BD e BI ● Redução da síntese proteica → hipoalbuminemia (edema; ex: ascite) ● Redução dos fatores de coagulação → hemorragias ● Redução da metabolização de hormônios → ex: hiperestrogenismo ○ Eritema palmar (vermelhidão da mão); aranhas vasculares (devido ao efeito vasodilatador do estrógeno) ○ Homens à ginecomastia e hipotrofia testicular INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA CRÔNICA ● Aumento da amônia (que não é metabolizada de forma eficiente no fígado) à encefalopatia hepática à manifestações neuropsíquicas. ● Fetor hepaticus à halitose pelos tióis (mercaptanos): ocorre pela baixa metabolização hepática e passam a ser eliminados pelos pulmões. ● Síndrome hepatorenal à pode levar a disfunção renal e insuficiência. É o aumento da pressão venosa no sistema porta ( > 17 mmHg), por aumento da resistência ao fluxo sanguíneo. Pode ser uma alteração na veia porta, no leito hepático e nas veias hepáticas ou na veia cava inferior. Classificação: Pré-hepática: ● Trombose portal; ● Compressão portal extrínseca (neoplasia); ● Esplenomegalia com aumento do fluxo esplênico; Intra-hepática: ● Cirrose (sinusoidal) ● Esquistossomose (pré-sinusoidal) à a fibrose não está no lóbulo e nos sinudoides, está apenas no espaço porta. Pós-hepática: ● Síndrome de Budd-Chiari (trombose das vv. hepáticas ou da VCI); ● Insuficiência cardíaca direita severa. Patogênese na Cirrose: Ocorre por 3 motivos principais: ● Compressão dos sinusoides hepáticos pela fibrose e pelos nódulos → dificulta a drenagem. ● Anastomoses arteriovenosas (shunts arteriovenosos intra-hepáticos) à sangue arterial com pressão elevada é lançado diretamente no sistema venoso. Ou seja, o sangue do espaço porta (artéria hepática ou veia porta) vai direto para a veia centrolobular, sem passar pelos sinusoides. O sangue passa direto para a circulação sistêmica sem ser depurado pelos hepatócitos, o que ajuda, inclusive, a causar a encefalopatia hepática. ● Endotélio sinusoidal (alterações na cirrose): redução na síntese de NO2 (vasodilatador)e aumento na liberação de endotelina e angiotensina (vasoconstritoras) Manifestações clínicas: Esplenomegalia congestiva. ● Aumento do volume esplênico por congestão, pesando até 1kg (normal é até 250g). ● Hiperesplenismo: função esplênica aumentada → plaquetopenia e pancitopenia (redução de leucócitos, hemácias e plaquetas). Circulação colateral porto-sistêmica (shunts venosos): ocorre o represamento e desvio do sangue portal para circuitos venosos secundários: HIPERTENSÃO PORTAL ● Varizes gastroesofágicas (fundo gástrico e esôfago). Vv. do plexo venoso retal → hemorroidas. ● Cabeça de medusa: dilatação de colaterais periumbilicais. Circulação colateral a partir do ligamentos falciforme, com remanescente fibroso da v. umbilical recanalização. Ascite: é o acúmulo de líquido em excesso na cavidade peritoneal; ● Clinicamente detectável > pelo menos 500 ml; ● Líquido de transudato (baixo nível proteico < 3g/dL); É possível realizar a punção (paracentese) para aliviar e analisar. ● Maior risco de infecção bacteriana (falta de opsoninas no líquido). Patogênese da ascite: Hipertensão portal à aumento da P hidrostática à líquido extravasa para o interstício. Sistema linfático não consegue drenar tudo ascite. Menor volume plasmático (devido à ascite) à vasodilatação esplâncnica, ou seja, dos vasos do TGI à outros órgãos ficam menos perfundidos, como o rim à ativação do sistema RAA à retenção de sódio e água à ascite. OBS: hipoalbuminemia, hipertensão portal, ativação do SRAA. É uma parasitose causada por vermes trematódeos, do gênero Schistosoma. Brasil: grande prevalência → S. mansoni. Estados endêmicos: Minas Gerais, Bahia (⅔ dos casos nesses dois estados), Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Essa patologia acomete ambos os sexos (H > M), faixa etária de 10-40 anos, mais frequentes na idade escolar. A transmissão esta relacionada a aspectos socioeconômicos: educação sanitária, saneamento básico e serviços de saúde. Cirrose: septos fibrosos circundando e formando os nódulos de hepatócitos. Na macroscopia também se vê os nódulos Esquistossomose: não há nódulos circundados por fibrose, há uma fibrose portal que pode se expandir e fundir um espaço porta com o outro. Na macroscopia, também não vemos nódulos, vemos fibrose na região dos espaços porta. NÃO é cirrose. Tem fibrose principalmente portal. Esquistossomose Formas anatomoclínicas: Forma aguda: geralmente, assintomática, ou com manifestações brandas e inespecíficas (dermatite cercariana, febre, mal-estar). Pode evoluir para cura, mas é mais comum evoluir para a forma crônica (sem tratamento). Praziquantel ou oxamniquine. Formas crônicas: ● Forma intestinal: ou é assintomática ou tem sintomas abdominais brandos e inespecíficos. Diagnóstico por encontro de ovos nas fezes (kato-katz), carga parasitária não é muito alta. Não há muitas sequelas no fígado, não havendo hepatomegalia. Pode tratar e curar. ● Forma hepática avançada: apenas 10 a 20% dos infectados evoluem para essa fase, em que há hepatomegalia. Um pouco de fibrose portal, mas SEM hipertensão portal. Não há esplenomegalia, pois não há hipertensão portal. ● Forma hepatoesplênica: hipertensão portal → esplenomegalia. Fibrose mais desenvolvida. Forma clássica dos pacientes com esquistossomose crônica. Todas essas formas apresentam ovos no fígado → resposta inflamatória granulomatosa. Outras formas: (ovos podem migrar) à pulmonar, renal e neural (SNC) Comum nas áreas endêmicas, sendo a forma clínica de maior relevância. As lesões hepáticas ocorrem pelos ovos do Schistosoma; ● Alta carga parasitária e reinfecções; ● Acomete 4 a 10% dos indivíduos infectados (fatores individuais). ● 5 a 15 anos para se manifestar; ● Indivíduos jovens (por volta dos 15 anos); Patogênese: ovos em vênulas mesentéricas à veia porta à ocluem ramos da veia porta (espaço porta) à formação degranulomas à aumento da pressão no sistema venoso intra-hepático à abertura de pequenas vênulas colaterais à oclusão dessas vênulas por novos ovos à fibrose (“em haste de cachimbo”). Quanto mais ovos, mais ramos portais ocluídos e mais processo inflamatório granulomatoso que evolui com fibrose. Os granulomas são dinâmicos e ativos, produzindo citocinas e fatores estimuladores de fibroblastos. São formados por resposta inflamatória inicialmente deTH1 (fase aguda) e depois são sustentadas por resposta TH2 (fase crônica) à IL-13, responsáveis por estimular os fibroblastos, que serão transformado em fibrose Microscopia: ● Pileflebite → ovos em ramos da veia porta, causando inflamação nesses ramos. ● Peripileflebite → ovos atravessam a parede das veias e alojam-se no tecido conjuntivo portal; Inflamação periportal. ● Granulomas em torno de ovos de S. mansoni: FORMA HEPATOESPLÊNICA ○ Células gigantes multinucleadas, macrofágos epitelioides, linfócitos e eosinófilos ● Hiperplasia de células de Kupffer com pigmento esquistossomótico > pigmento de hematina proveniente do intestino do parasita, que é fagocitado pelas células de Kupffer. ● Alargamento fibroso portal, com emissão de finos septos: Fibrose de Symmers-Bogliolo (fibrose em “haste de cachimbo”). A arquitetura lobular preservada. à fibrose fica restrita ao espaço porta e ao seu entorno A: trato portal muito alargado, aumentado de tamanho. Vários focos de inflamação granulomatosa nas pontas das setas e fibrose. B: granulomas. Ovo de schistosoma no meio A: granuloma com macrófagos epitelioides. Ovo no centro, embrionado, com vários miracídios, espícula lateral. B: outro granuloma, ovo não embrionada (não viável, sem embrião). Célula gigante. A: granuloma, célula gigante, muitos eosinófilos (infecção parasitária → eosinofilia no hemograma e no infiltrado inflamatório é comum). B: ovos calcificados à infecções antigas. Pouca resposta inflamatória, maior quantidade de fibrose. A: proliferação de vasos com paredes finas na região da fibrose, com formação de circulação colateral, já que os ramos de veia porta foram ocluídos pelos ovos. B: células de Kupffer com pigmentos de hematina. Macroscopia: ● Consistência firme e endurecida devido à fibrose. ● Superfície externa irregular por retração da cápsula de Glisson. Fibrose portal e periportal à aqueles pontos puxam pontos da cápsula à aspecto pseudo-cirrótico. ● Superfície de corte: alargamento estrelar e irregular dos espaços portais por fibrose; fibrose de Symmers-Bogliolo (em “haste de cachimbo”). Fibrose na região periportal pode estender um pouquinho. Essa fibrose não é patognomônica, então tem que observar o ovo na microscopia. Clínica: As lesões podem ser não neoplásicas, ou benignas à hiperplasia nodular focal à hepatócito Neoplásicas: Tumores hepáticos Tumores hepáticos beningnos É o segundo tumor sólido benigno mais comum no fígado, com predomínio em adultos jovens ou de meia idade (3 a 4 década). Além disso, é predominante no sexo feminino. A lesão é assintomática à diagnostico incindental. Além disso, não apresenta risco de evolução maligna. A hiperplasia nodular focal é importante por ser diagnóstico diferencial com outras neoplasias hepáticas. Patogênese: artéria anômala à hipoperfusão à fibrose e outra área fica hiperperfusão à hiperplasia hepatocitária Morfologia nódulo subcapsular, < 5cm, bem demarcado, mal encapsulado, mais claro que o fígado ao redor, com cicatrizestrelada central. Na histologia observa-se fibrose, os hepatócitos são chamados de hiperplásicos, com vários ramos arteriolares (da artéria anômola) Tumor benigno mais comum do fígado (5% da população), é uma neoplasia de origem vascular. Afeta pessoas de qualquer idade, em ambos gêneros. É assintomático à diagnóstico incidental por imagem. Se for > 5cm o paciente pode ter dor abdominal pelacompressão capsular e hemorragia (rara). Sua importância se deve ao diagnostico diferencial com outras neoplasias hepáticas. Inicialmente, a biopsia é contraindicada pelo risco de sangramento. Morfologia: nódulo geralmente subcapsular, macio, vermelho-azulado, maioria < 2 cm, áreas esbranquiçadas (fibrose). Na microscopia, presença de sangue que pode necrosas e levar a isquemia à o resultado é fibrose (como visto na macroscopia) Os vasos, na microscopia, são revestidos por células endoteliais sem atipias (pois é um tumor benigno) HIPERPLASIA NODULAR FOCAL HEMANGIOMA CAVERNOSA Neoplasia benigna dos hepatócitos, com prevalência em adultos jovens ou de meia idade (3 a 4 décadas) em especial no sexo feminino, pela relação ao estrógeno e ACO (aumenta de 30 a 40%). O uso de anabolizantes esteroides aumenta o risco em homens. É assintomático à diagnostico incidental (incidentaloma), mas é importante por ser diagnostico diferencial com outras neoplasias. O paciente pode apresentar dor abdominal, pela compressão capsular. Existe risco de malignização. O tratamento deve ser feio à risco de hemorragia e risco de hemorragia intra-abdominal pela ruptura do adenoma (OBS: suspender ACO). Patogênese: depende do subtipo de adenoma (classificação morfomolecular à HE + genéticas) Morfologia à macrscocopia: nódulo subcapsular, 5 a 15 cm, solitário, bem delimitado, pálido (comparado ao parênquima) e com áreas de hemorragia dentro do adenoma. Microscopia: proliferação de hepatócitos, em geral se atipias (poucas e discretas), dispostos em arranjos trabeculares (cordão de hepatócitos enfileirados), no meio da lesão não tem trato portal, presença de estruturas vasculares finas (predispõe a sangramentos). Na última imagem, observa-se as trabéculas de hepatócitos (fibras de reticulina à linhas pretas). As fibras de reticulina estão preservadas e as trabéculas tem no máximo 2 hepatócitos de espessura. Neoplasias hepáticos Neoplasia maligna embrionária rara (1 a 2 por 1 milhão de nascimentos). Acomete RN e crianças até 2 anos de idade, sendo raro após os 3 anos. É mais comum em meninos (2:1). É uma lesão agressiva, sendo fatal em pouco tempo (meses a poucos anos): ocorre pela ruptura da massa neoplásica, insuficiência hepática ou metástase (pulmão, cérebros e ossos). Patogênese: mutações em reguladores da via WNT (controla gênese do fígado, diferenciação celular, etc). ADENOMA HEPATOCELULAR HEPATOBLASTOMA Tratamento: quimioterapia neoadjuvamnte (realizada antes da ressecção) e ressecção cirúrgica. A sobrevida em 5 anos é ate 80%. Morfologia: Macroscopia à nódulo único, grande, heterogêneo (varias cores à hemorragia, tumor e necrose), de 5 a 25 cm, (imagem a direita) componentes mesenquimais à osteoide (matriz óssea), cartilagem Microscopia à tipos: • Epitelial: células de padrão embrionários (células pequenas, com citoplasma escasso e citoplasma hipercorado) e/ou de padrão fetal (célula maior, citoplasma mais claro, lembra hepatócito maduro) • Misto: epitelial + mesenquimal (células estromais, fibrose, osteoide e cartilagem) Segunda neoplasia maligna primaria mais comum do fígado (10 A 20%). Afeta ambos os generos, após a 5 decada de vida, em pacientes sem cirrose hepática. Origem: epitélio dos ductos biliares. Patogênese: pouco conhecida, relacionada a inflamação crônica e colestase (principais fatores) à mutação no epitélio biliar. Localização: intra-hepático (10%), prei-hilar ou central (60%) à tumor de Klatskin; e extra-hepático distal (30%) COLANGIOCARCINOMA Clínica: • Tumor intra-hepático à demoram a provocar sintomas • Tumor peri-hilar ou extra-hepático distal à icterícia obstrutiva precoce (colestase), sintomas mais precoces Morfologia: Macroscopia à lesão branco-acizentada, lesão firme, endurecida, infiltrativa, de tamanho variado (mesmo que o tumor seja pequeno, se for na região peri-hilar ou extra-hepático, pode apresentar sintomas). Microscopia à é um adenocarcinoma glândulas: estruturas atípicas, por vezes com mucina, em meio a estroma desmoplásico abundante). Desmoplasia estromal: o tumor secreta substâncias e estimula produção de um colágeno, que vai ser denso e compacto. Prognostico sombrio: • Tumores peri-hilar e extra hepático distal: o diagnóstico é precoce mas a região peri-hilar (central) é uma região de alta vascularização, o que favorece metástases. Além disso, a sobrevida é de 15% em 2 anos • Tumores intra-hepáticos: demora a ter o diagnostico, que normalmente é na fase final. O tempo médio entre o diagnostico e óbito é de 6 meses. Neoplasia maligna primária mais comum do fígado (80 a 90%). A origem são os hepatócitos, com predomínio em homens (3:1) entre a 4 e 7 décadas. É o sexto câncer mais comum (principalmente na Ásia) e é quarta causa de morte. No Brasil, tem baixa prevalência, mas a mortalidade é alta (sexta causa). Aspectos epidemiológico: aumento ou decréscimo da mortalidade por câncer no mundo à aumento do CHC CARCINOMA HEPATOCELULAR (CHC) Etiopatogênese: Doenças hepáticas crônicas avançadas (cirrose): atividade regenerativa aumenta à ciclos repetidos de morte e regeneração de hepatócitos à aumento da chance de ocorrer algum erro. Apesar da cirrose não ser uma lesão pré-maligna, ela é fator de risco para CHC. Aflotoxinas: podem contaminar alimentos e causam mutação dos hepatócitos quando absorvidas no intestino, e são encaminhadas para o fígado para a metabolização. Qualquer agressão crônica à resposta inflamatória à citocinas e estresse oxidativo Morfologia: Macroscopia à lesão nodular pequena ou maciça, única ou múltipla à bem delimitadas; a lesão também pode ser uma infiltração difusa à mal delimitada Na esquerda, tem uma lesão com quase 3 cm à acima de 2cm, em fígados cirróticos à alta chance de ser CHC. Imagem 2: lesão bem delimitada Imagem 3: fígado sem cirrose com CHC; lesão bem delimitada Imagem 3: lesão mal delimitada, pequenos nódulos cirróticos Imagem 4: massa principal com nódulos satélites primários ou metástases intra-hepáticas da massa. Microscopia à proliferação de hepatócito atípico, em arranjos: • Trabecular e pseudoglandular à predomina em lesões bem e moderamente diferenciadas • Sólido à lesões pouco diferenciadas (mais agressivas) Além disso, observa-se alteração do arcabouço reticular e, é um tumor com alta propensão a invasão vascular. Imagem A: padrão mais comum, pois lembra um fígado normal. A espessura da trabecula está aumentada (mais de 4 hepatócitos) Imagem B: alterado pois as trabéculas estão espessas (cheias de hepatócitos) Imagem C: hepatócitos com lumem aberto, simulando uma glândula Imagem D: massa de célula, sem trabéculas Imagem E: tumor com invasão vascular, vaso sanguíneo (núcleos achatados no endotélio), com hemácia no interior e células neoplásicas Imagem F: parede do vaso demarcada, para ver se existem células neoplásicas e confirmar a invasão Estadiamento: tumor classificado além do tamanho, por apresentar ou não invasão vascular à muda o T do paciente, pois a invasão é muito frequente e altera o prognóstico do paciente Clínica: 90% assintomático, mas, com o crescimento do tumor: dor abdominal, perda ponderal, prostração, febre, icterícia, ascite à depende do tamanho tumoral e crescimento O CHC geralmente se apresenta em estágios mais avançado à prognóstico ruim Diagnóstico: exames laboratoriais, alfa-fetoproteina serica (glicoproteína sintetizada pelo hepatócito, presente no soro fetal, entretanto fica em níveis baixos à níveis se elevam em caso de CHC à não é um bom exame para triagem pois só surge com o câncer avançado), exames de imagem: USG, TC, RNM; biópsia. Evolução • Neoplasia altamente maligna; • Evolução rápida e sobrevida curta: a maioria dos pacientes vai a óbito nos 2 primeiros anos após o diagnóstico. • Invade precocemente ramos de veia porta: disseminação intra-hepáticaprecoce. • Metástases para linfonodos regionais; • Metástases sanguíneas tendem a ser tardias: Pulmões, ossos, tubo digestivo. • Tratamento geralmente cirúrgico (nem sempre se faz cirurgia, com o quando vai para o hilo hepático): segmentectomia, lobectomia ou transplante. Muito mais comuns que neoplasias primárias. Fontes mais comuns: cólon, mama, pulmão, estomago e pâncreas. Em geral, nódulos múltiplos, de tamanhos variados e bem delimitados à hepatomegalia volumosa. Pode haver necrose, hemorragia, destruição maciça e obstrução de ductos biliares: clínica de insuficiência hepática e colestase Imagem: fígado não cirrótico, lesões nodulares bem delimitadas, a lesão provém do colón, possível ver glândulas à adenocarcinoma de origem colonica Vesícula biliar: colelitíase, colecistite aguda, colecictite crônica Pâncreas exócrino: pancreatite aguda, pancreatite crônica e adenocarcinoma Vesícula biliar: órgão oco, com formato de pera, capaz de armazenar 50ml de bile, que ajuda no processo digestivo. É dividida em 3 porções: fundo, corpo e istmo (origem ao ducto cístico que se une ao ducto hepático comum à ducto colédoco). A parede da vesícula biliar lembra um pouco o intestino, mas com 3 camadas à mucosa, muscular e adventícia. A mucosa possui dobras e é revestida por um epitélio colunar simples, com mucossecreção METÁSTASES HEPÁTICAS (NEOPLASIAS SECUNDÁRIAS) Patologia Pancreatobiliar Vesícula biliar Doença mais prevalente das vias biliares; predomina em mulheres (2:1). Acomete 10 a 20% da população adulta, mas a maioria assintomática, por ser uma doença silenciosa (80%) Os componentes insolúveis da bile dão origem aos cálculos à Colesterol, bilirrubinato de cálcio, outros sais de cálcio, sais biliares e glicoproteínas Patogênese: • Relacionada a aumento dos constituintes na bile; • Estase à bile represada por mais tempo que o normal • Precipitação de sais inorgânicos ao redor de um núcleo orgânico (células descamadas, bactérias...) • Fatores de risco: obesidade, dislipidemia, diabetes... Classificação: cálculos de colesterol puro, pigmentares negros (bilirrubinato de cálcio + outros sais de cálcio) e mistos (colesterol + sais de cálcio à mais comuns). Imagem: mistos Clínica: maioria assintomática, diagnostico: USG (> 3mm). O paciente pode ter cólica biliar por obstrução calculosa das vias: dor em hipocôndrio direito ou epigastro. OBS: barro biliar à os constituintes da bile formam grumos, que podem causar complicações Complicações: • coledocolitíase à colestase e colangite • colecistites à perfuração; fistulas COLELITÍASE • adenocarcinoma de vesícula • pancreatite (quando obstrui a ampola de vater) Associada à colelitíase em 90 a 95% dos casos. Atinge mulheres predominantemente, média de 60 anos. 5 a 10% à colecistite acalculosa à precipitada por isquemia: ex: grandes cirurgias, traumas, queimaduras e sepse. Patogênese: Morfologia: Macroscopia à aumentada de volume, distendida com hiperemia e áreas de hemorragia, parede espessada e deposito de fibrina. Nos casos graves à necrose da parede (colecistite aguda gangrenosa) Microscopia: hiperemia, hemorragia, edema acentuado, erosões e depósitos de fibrina. IIGMN à neutrófilos (polimorfonuclear). Clínica: • Dor no hipocôndrio direito (sinal de Murphy +) ou epigástrica contínua, febre, sudorese, hiporexia, náuseas, vômitos... • Icterícia discreta à se acentuada: suspeitar de coledocolitíase; • Exames laboratoriais: leucocitose, fosfatase alcalina (marcador de lesão de via biliar) Complicações: Gangrena e perfuração Tratamento: • Sintomas leves à Regressão espontânea (pode recorrer) • Quadro súbito à Colecistectomia (emergência cirúrgica) Doença mais frequente da vesícula biliar, 95% dos casos associada a colelitíase. Predomina em mulheres (3:1), 5 e 6 décadas de vida. Patogênese: incerta à sequela de surtos repetidos de colecistite aguda branda? Cálculos? Estase biliar? Microorganismos? Clínica: náuseas, vômitos, dor abdominal recorrente em hipocôndrio direito ou epigastro COLECISTITE AGUDA COLECISTITE CRÔNICA Morfologia: Macroscopia à tamanho variável, espessura da parede variável. A serosa normal a opaca, mucosa normal a hipotrófica (tende a perder a aveludamento normal) OBS: vesícula contraída, com extensa fibrose e calcificação (vesícula em porcelana) à em casos mais avançados Vesicula em porcelana à risco aumentado de surgimento de adenocarcinoma de vesícula Microscopia: inflamação crônica, mononuclear (linfócitos, plasmócitos e macrófagos) Seios de Rokitansky Aschoff: são invaginações da mucosa à a mucosa invagina e fica aprisionada. Observa-se fibrose (nem sempre tem). O pâncreas é uma glândula acessória do TGI, é alongado (20 cm), lobulado, branco-amarelado, envolto por pseudocápsula. O pâncreas exócrino corresponde a 85%: Células acinares; Pró-enzimas digestivas (+ de 20); Ex: Amilase; Lipase e fosfolipase; Tripsina e quimiotripsina; Elastase; Calicreína Morfologia microscopia: células acinares (lembram flores, rosetas à são as mais roxas) e ilhotas pancreáticas (nas setas). Pâncreas exócrino Pancreatites: Processo inflamatório do pâncreas, na maioria das vezes de etiologia não infecciosa. Pode ser classificada em: • Pancreatite Aguda à processo inflamatório agudo que pode ser reversível com a remoção da causa (formas graves podem ser irreversíveis); • Pancreatite Crônica àprocesso inflamatório irreversível, mesmo com a remoção da causa (perda do parênquima glandular – fibrose) Afeta principalmente adultos, entre a 3 a 6 décadas, sendo uma causa importante de abdome aguda. Ocorrem 10 a 20 casos a cada 100 mil pessoas. As principais causas são: colelitíase (mulheres) e álcool (homens) à 80% de todos os casos. Os 20% podem ser: obstrução do ducto pancreático por tumor ou parasitas, trauma, medicamentos, hipercalcemia, genética/hereditário Patogênese: Formas de pancreatite: • Edematosa/ intersticial à forma branda e autolimitada, pouca autodigestão • Necrosante à • Necrohemorrágica Lesões básicas: • Edema; • Necrose gordurosa (esteatonecrose) • Necrose parenquimatosa • Destruição de paredes vascularesàhemorragia • IIGMN (polimorfonuclear) Pancreatite edematosa/ intersticial: aumento de volume (edema), esteatonecrose focal (“pingo de vela”); sem necrose do parênquima PANCREATITE AGUDA ou hemorragia. O órgão não fica muito alterado, mas tem áreas de necrose gordurosa. Pancreatite Necrosante: extensas áreas de necrose do parênquima e esteatonecrose. • Microscopia: perda de acinos, hemácias no parênquima, focos de hemorragia, esteatonecrose (direita) Pancreatite Necrohemorrágica: extensas áreas de necrose do parênquima e esteatonecrose + hemorragia abundante • . parênquima todo perdido, hemorragia (regiões em vinho/preto), esteatonecrose (setas à gordura), no detalhe cálcio na esteatonecrose (influencia no prognóstico) Clínica: dor abdominal em faixa (doi na frente, ao lado e atrás), intensa e persistente. Pode estar acompanhado de náuseas, vômitos, febre, taquicardia (pela hemorragia) e hipotensão. Sinais clínicos característicos, mas nem sempre presentes: cullen (equimose na região periumbilical) e grey-turner (equimose no flanco). Exames laboratoriais: aumento da amilase (24h) e aumento de lipase (72h – é mais específica). Além disso, o paciente pode ser hipocalcemia à sinal de mau prognostico à se a necrose da gordura for extensa, muito cálcio vai se depositar. Exams de imagem pode ajudar Tratamento: suporte à suspensão de dieta oral + analgésicos e fluido EV Evolução e complicações: depende da gravidade do quadro depende da intensidade e extensão da lesão. • Pancreatite edematosa/intersticial à reversão do quadro • Pancreatite necrosante e necro-hemorrágica (principalmente): abcesso peri-pancreatico, pseudocistopancreático (pela destruição do parênquima e dilatação de ducto), insuficiência renal aguda, SARA (pelo dano alveolar difuso à edema no pulmão), coagulação intra-vascular disseminada, hipotensão arterial e choque, óbito Inflamação persistente associada a destruição irreversível do parênquima exócrino, com substituição por fibrose e perda da função. Em estágios mais avançados: destruição do parênquima endócrino. Afeta principalmente homens de meia-idade (4a e 5a décadas); Principal causa: à etilismo crônico (10 a 15 anos). Outras causas: obstrução prolongada do ducto pancreático (cálculos e neoplasia); pancreatite autoimune; radioterapia abdominal; anomalias congênitas; hereditária/genética... Patogênese: Macroscopia: tamanho variável; consistência firme/rígida (por conta da fibrose); aspecto nodular grosseiro (análogo à cirrose); sistema ductal dilatado. Microscopia: fibrose parenquimatosa; hipotrofia / atrofia e destruição acinar; dilatação variável de ductos pancreáticos; IIMN permeando ductos e ácinos; tampões de proteína e calcificações em ductos. Imagem A: aspecto fibrótico, órgão rígido, dilatação de ductos Imagem B: fibrose, poucos acinos, infiltrado inflamatório, dilatação de ductos Imagem C: redução de acinos, preservação das ilhotas de langehans Imagem D: ducto dilatado contendo material eosinófilico à tampão proteico PANCREATITE CRÔNICA Clínica: • Dor abdominal e no dorso, recorrente ou contínua, moderada a acentuada; • Crises podem ser precipitadas pelo abuso de álcool ou excessos alimentares; • Pode haver febre baixa; • Icterícia à obstrução por cálculos na ampola de Vater • Insuficiência pancreática à má-absorção (emagrecimento) e esteatorreia (pela falta de lipase); • Diabetes Mellitus à tardio (destruição das ilhotas); • Mortalidade de 50% em 20 anos; Exames laboratoriais: elevação da amilase sérica (quando tem acino remanescente já que eles produzem amilase) Exames de imagem: Hipotrofia pancreática e calcificações Representa 90 a 95% dos tumores do órgão, tem origem no epitélio dos ductos pancreáticos. É o 13 em incidência no Brasil, 5o em mortalidade. A sobrevida em 5 anos: menos de 5%, predominando em homens, negros, 60 a 80 anos; Fatores de risco: tabagismo, dieta rica em lipídeos e pobre em fibras; pancreatite crônica à não se sabe se causa ou não, apenas tem certeza a hereditária. Patogênese: • Mutação em oncogenes (KRAS), genes supressores (TP53) • Alteração de metilação em alguns genes (ex: CDKN2A) Morfologia: Cabeça do pâncreas (principal sede) - 60 a 70% dos casos: diagnóstico precoce à icterícia obstrutiva ou pancreatite obstrutiva (causa sintomas precoce) Corpo e Cauda: diagnóstico tardio à demora a dar sintomas Macroscopia: sólido, firme/rígido, branco- acinzentado ou branco- amarelado e infiltrativo Imagem A: adenocarcinoma de cabeça do pâncreas Imagem B: massa infiltrando o parênquima do órgão Microscopia: arranjos tubulares, com células colunares/cuboides atípicas; intensa desmoplasia estromal; infiltração perineural frequente. Imagem D: nervo com glândulas infiltrando ADENOCARCINOMA DUCTAL DO PÂNCREAS Clínica: • Tumor “silencioso”, insidioso • Manifestações tardias. • Dor abdominal, perda de peso, anorexia, fraqueza (50%); �Icterícia obstrutiva (20%), diabetes (70%) • Síndrome de Trousseau ou tromboflebite migratória (10%) à as células tumorais podem secretar fatores de agregação plaquetária que predispõe formação de trombos em veias distantes ao tumor, principalmente no MMII, apresentando complicação local ou distante, podendo aparecer e desaparecer • Infiltração de estruturas vizinhas: nervos, baço, coluna vertebral, cólon transverso, estômago e fígado; suprarrenais, • Metástases: linfática à linfonodos regionais; hematogênica à fígado, pulmões, suprarrenais, rins, ossos, cérebro e pele