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Patologia Média I Luiza Andrade @medbyluiza 
Órgãos acessórios do TGI 
 
 
 
Fígado: órgão solido, localizado no hipocôndrio direito e 
revestido por uma cápsula (Glisson). O peso é geralmente 
entre 1300g a 1800g e é dividido em lobo direito e esquerdo. 
Funções: 
• Metabólicas, ex: glicose, proteínas, lipídeos, bilirrubina 
• Síntese ex: albumina, globulina, fatores de 
complemento, lipoproteínas 
• Catabólicas ex: andógeno, estrógeno, insulina e 
glucagon, álcool 
• Excretora ex: glicogênio, triglicérides, ferro, cobre 
• Defesa: células de Kupffer à macrófagos 
especializados 
Anatomia: dividido em 8 segmentos (útil cirurgicamente) à 
cada segmento tem irrigação e drenagem biliar independentes 
um do outro. É possível remover esses segmentos 
cirurgicamente sem grandes repercussões. O fígado possui 
dupla circulação: entrada da veia porta e da artéria hepática 
Espaço portal: ducto biliar, ramo da artéria hepática e vênula 
ramo da veia porta à os ramos da vênula e da arteríola se 
fundem formando os capilares sinusoides. 
 
As veias centrolobulares se unem e formam 
as veias hepáticas à direita, intermédia e 
esquerda à drenam pra VCI. 
 
Artéria hepática à mais rica em O2, 30 a 
40% da irrigação. 
Veia porta à mais rica em nutrientes, 60 a 
70% da irrigação. 
 
 
 
Lóbulo hepático: 
• Zona 1 ou periportal 
• Zona 2 ou mediozonal 
• Zona 3 ou perivenular 
As zonas são importantes pela drenagem venosa do órgão 
 
 
 
 
Patologia Hepática 
 
Histologia: espaço portal (veia, artéria e ramo biliar) e veia centro 
lobular. O sinusoide passa na zona 1, 2 e 3 até chegar na VCL. O 
fígado é comporto por hepatócitos, que formam a estrutura 
trabecular 
 
 
 
Bloqueio da circulação arterial: 
• Infarto à raro pela dupla circulação (garante proteção), se ocorrem são pequenos e hemorrágicos 
• Fígados transplantados à no momento do transplante é necessário fazer anastomose, que pode cursar com dificuldade 
de irrigação ou formação de trombo 
Influxo de sangue ou fluxo intra-hepático insuficientes: 
• Obstrução da veia porta à trombose 
• Cirrose hepática 
• Isso pode levar a uma hipertensão portal 
Bloqueio da drenagem venosa: 
• Represamento de sangue no fígado 
• Causas principais: Insuficiência cardíaca direita (fígado cardíaco) ou trombose/compressão das veias hepáticas ou VCI 
(síndrome de Budd-CHiari). 
 
Fígado cardíaco: 
Causa: IC direita 
Patogênese: V. porta à a estase 
normalmente ocorre nas veias 
centrolobulares. O coração direito, 
insuficiente, fica com sangue 
represado. 
Achado principal: congestão das 
veias centrolobulares e, se for 
intenso, necrose e hemorragia centrolobular à possível hipertensão portal 
 
Morfologia: hepatomegalia congestiva dolorosa (pois a cápsula 
fica distendida e é muito inervada), aspecto em noz moscada 
 
Microscopia: congestão de veia centrolobular e espaço 
perivenular (zona 3) à imagem 2. Em casos mais graves, os 
hepatócitos podem sofrer necrose e desaparecerem (seta 
verde). Além disso, é possível ver elevação enzimática que 
indica lesão à imagem 3. 
 
 
 
Alterações circulatórias 
 
 
 
Ocorre uma obstrução por trombose das veias hepáticas 
ou da VCI à aumento da pressão intra-hepática. 
Causa: distúrbios trombogênicos diversos. 
Morfologia: igual ao fígado cardíaco, mas em geral com 
congestão mais intensa. Clínica: hepatomegalia dolorosa, 
ascite e hipertensão portal. 
 
 
 
 
 
Aspectos gerais da doença hepática 
• Vulnerável a insultos metabólicos, tóxicos, microbianos, circulatórios e neoplásicos; 
• Principais doenças hepáticas primárias: hepatites virais, doenças hepáticas gordurosas (alcóolica e não alcóolica) e CHC; 
• Grande reserva funcional à é necessário perder 70-90% do parênquima para ter uma grande alteração sistêmica 
• Processo insidioso à clínica tardia (meses a anos); 
• Flutuações das lesões hepáticas e seu processo de reparo (cicatrização) podem passar desapercebidas; 
• Alterações laboratoriais: “provas de função hepática” 
• Doença hepática crônica à cirrose hepática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Síndromes hepáticas 
SÍNDROME DE BUDD-CHIARI 
Síndromes: é a compilação de sinais e sintomas que em seu conjunto definem o diagnostico e o quadro clínico de uma condição 
médica. Síndromes clínicas no fígado: distúrbios do metabolismo da bilirrubina, insuficiência hepática e hipertensão portal 
 
Distúrbios do metabolismo da bilirrubina: 
Drenagem biliar normal: 
Função da bile: emulsificação de gordura, eliminação de bilirrubina, excesso de colesterol, xenobióticos (qualquer substância que 
não tenha sido produzida pelo organismo à drogas, produtos industrializados, medicamentos). 
• Icterícia: coloração amarelo-esverdeada da pele, esclera e mucosas. Ocorre aumento sérico por: excesso de produção 
ou defict de eliminação 
• Colestase: interrupção do fluxo biliar, com retenção sistêmica de todos os componentes da bile, inclusive da bilirrubina 
 
Ciclo êntero-hepático da bilirrubina: heme à hemeoxigenase à biliverdina à biliverdina redutase à bilirrubina não conjugada 
(indireta) à UGT-1AI à bilirrubina conjugada (direta) à beta-glicuronidase à urobilinogenio (parte é reabsorvido, parte é 
oxidado)à oxidação à estercobilina (cor escurecida das fezes) 
 
 
Bilirrubina indireta Bilirrubina direta 
Insolúvel em água Solúvel em água 
Ligada à albumina Frouxamente ligada a albumina 
Não pode ser excretada na urina Pode ser excretada na urina quando acumulada à 
colúria 
Fração não ligada: tóxica, acúmulo em tecidos, 
kernicterus (cérebro) à eritroblastose fetal (hemólise) 
atóxica 
 
Icterícia: coloração amarelo-
esverdeada da pele, esclera e mucosa 
devido a aumento dos níveis 
plasmáticos de bilirrubina. 
Patogênese: produção excessiva de 
bilirrubina, captação reduzida pelo 
hepatócito, conjugação prejudicada à 
bilirrubina direta; excreção 
hepatocelular reduzida (deficiência de 
transporte), fluxo biliar prejudicado 
(colestase) à bilirrubina conjugada 
 
 
 
Icterícia precoce em RN, que ocorre por imaturidade fisiológica do 
sistema de excreção da bile e, principalmente, de conjugação. Ocorre 
em até 2 semanas de vida à depois desse tempo, o sistema amadurece. 
O RN tem uma hiperbilirrubinemia indireta (não conjugada) discreta e 
transitória. Essa icterícia pode ser exacerbada pela amamentação à 
contém enzimas que desconjugam a bilirrubina. 
Tratamento: fototerapia à luz modifica a bilirrubina indireta e a torna 
hidrossolúvel 
 
 
 Ocorre deficiência na conjugação da bilirrubina, por deficiência parcial da enzima UGT-IAI. O paciente tem elevação discreta da 
bilirrubina indireta de forma intermitente. Tem caráter genético à herança autossômica recessiva. Acomete até 5% da população 
mundial. Está associado a estresse, exercício vigoroso ou jejum à não há consequências clínicas. 
 
Colestase: é a interrupção do fluxo biliar para o intestino, com 
refluxo de todos os componentes da bile para a corrente 
sanguínea. 
Causas: 
• Intra-hepática: excreção deficiente pelos hepatócitos; 
bstrução dos canalículos / ductos biliares;
 
• Extra-hepática à obstrução dos grandes ductos 
(hepático e colédoco). 
Clínica: icterícia, colúria (urina escurecida) e acolia fecal (fezes 
sem cor pela ausência da excreção da bilirrubina); prurido e 
xantomas (pequenos tumores benignos, que contem lipídeo 
à pelo refluxo de colesterol advindo da bile); má absorção 
SÍNDROME OU DOENÇA DE GILBERT: 
ICTERÍCIA NEONATAL FISIOLÓGICA 
intestinal de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K – a bile, que possui colesterol, não chega ao ID); aumento da fosfatase alcalina e 
GGT 
 
Morfologia da colestase: bile represada no interior do citoplasma dos hepatócitos (marrom) e no interior dos canalículos biliares, 
que se alargam. 
 
 
 
Hepatite é um conjunto de lesões necroinflamatorias que acometem difusamente o fígado, de forma heterógena, causadas por 
agentes agressores e pela resposta do hospedeiro. 
Causas: virais, autoimune, drogas/medicamentos, alcóolica e metabólicas.Hepatites virais: 
Vírus em geral: mononucleose (EBV), citomegalovírus (CMV), febre amarela, adenovírus, herpes vírus. 
Vírus hepatotrópicos à A (HVA), B (HVB), C, D e E 
Formas de apresentação: 
Infecção aguda assintomática: evidência sorológica, aumento de TGO e TGP à pode evoluir pra cura ou forma crônica. Essa 
forma pode ser causada por todos os tipos de vírus 
Hepatite aguda sintomática à pode ser anictérica (sintomas inespecíficos como fadiga, febre, dor) e icterícia (aumento da BD, o 
paciente apresenta colúria, acolia e prurido pelo refluxo da bilirrubina) à pode evoluir pra cura ou forma crônica. Essa forma 
pode ser causada por todos os tipos de vírus, principalmente HAV e HBV. 
OBS: Hepatite fulminante: insuficiência hepática aguda, fatal em 70% dos casos. Essa forma pode ser causada por todos os tipos 
de vírus, principalmente HAV e HBV. 
Hepatite crônica: persistência da inflamação por mais de 6 meses, aumento da TGO e TGP, com ou sem fibrose, com evidência 
sorológica à o paciente pode ser sintomático ou portador assintomático. 
 
 
• Vírus de RNA, incubação de 2 a 6 meses 
• Doença normalmente benigna e autolimitada à letalidade de 0,1 a 0,3% 
• Transmissão: fecal-oral à ingestão de água e alimentos contaminados 
• Relacionada à baixo nível socioeconômico e higiene à endêmica no Brasil 
Formas: assintomática ou hepatite aguda (25%, raramente hepatite fulminante) à 
o paciente normalmente evolui para cura 
 
Sorologia: 
Anticorpos IgM anti-HAV à marcador da fase aguda 
Anticorpos IgG anti-HAV à imunidade (se da pelos anti-HAV totais – IgM) 
 
Hepatites 
HEPATITE A - HAV 
 
 
• Vírus de DNA, incubação de 2 a 26 semanas 
• Transmissão: via parenteral, sexual e vertical 
• É uma doença que se pode prevenir por vacina 
• Enorme problema de saúde global à 200 milhões de portadores do mundo 
Formas: assintomática (65%), hepatite aguda (25% à raramente hepatite fulminante), hepatite crônica (5 a 10%) 
 
Marcadores sorológicos da hepatite B: genoma do HBV (HBC0DNA) codifica algumas proteínas (antígenos): 
 
Anticorpos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A vacina leva a positividade do HBS uma vez que estimula a produção de anticorpos à imunidade ativa. à o HBS que é inoculado 
na pessoa. 
HEPATITE B - HBV 
 
Em vermelho: transaminases, que são marcadores de lesão hepática 
OBS: 
• HBeAg e HBV-DNA à surgem um pouco depois do HBsAg (no gráfico surgem juntos, mas não é assim) 
• Na hepatite crônica, não há Anti-HBs à só surte quando o HBsAg cai 
• Na hepatite crônica, o TGO e TGP fluem uma vez que o vírus lesa o fígado à destruição hepatocitaria à o fígado 
se regenera à lesão pelo vírus... (continua) 
 
Evolução da Hepatite B: a resposta imune do hospedeiro determina o resultado da infecção 
• Resposta imunitária inata e adquirida 
• Forma crônica: idade é o melhor preditor de cronicidade: 95% dos recém-nascidos evoluem para crônica, criança 20 a 
30%, adultos 5% 
• Tratamento: antivirais (cura difícil), mas são importantes para retardar a progressão da doença, reduzindo lesão hepática 
e prevenindo cirrose 
• Prevenção: vacinação e triagem de sangue, órgãos e tecidos de doadores 
 
 
• Vírus de RNA à instável, múltiplos genótipos e subtipos. Incubação de 2 a 26 semanas (não há vacina) 
• Transmissão: via parenteral, sexual e vertical (rara) 
• Diagnóstico sorológico: carga viral HCV-RNA; anticorpo anti-HCV à não confere imunidade 
Formas: assintomática, hepatite aguda (rara, curso clínico leve), hepatite crônica (80 a 90%, com cirrose em 20%) à infecção 
persistente e hepatite crônica são as marcas da hepatite C, apesar da natureza geralmente assintomática da doença aguda. 
HEPATITE C - HCV 
 
 
OBS: quando as transaminases sobem, o paciente tem sintomas e quando caem, o paciente fica assintomático 
Tratamento: medicamentos com bons resultados (cura em 50% e 80% dos pacientes à ex: antivirais (ribavirina e interferons) 
Prevenção: triagem de sangue, órgãos e de tecidos de doadores 
 
 
 
Hepatite aguda: 
Macroscopia: fígado congesto, edema e depressões na superfície externa, cor esverdeada (em caso de colestase) 
Microscopia: degeneração 
hidrópica (acúmulo de água no 
citoplasma da célula), fusão de 
hepatócitos, apoptose, IIMN 
(linfócito, plasmócito e 
macrófagos, predominantemente 
perivenular com necrose 
focal/lobular. O infiltrado é portal, 
discreto e restrito sem hepatite 
de interface), colestase 
hepatocitaria e canalicular 
 
 
Morfologia da colestase 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS MORFOLÓGICOS DAS HEPATITES 
Hepatite aguda grave ou fulminante: 
Macroscopia: destruição maçica dos hepatócitos à fígado menor, pela 
diminuição de volume, retraído (murcha – capsula de Glisson enrugada0 
e amolecido (pela necrose). O fígado pode ficar um pouco esverdeado 
e amarelado 
Microscopia: 
• Necrose hepatocitária evidente à restos celulares, fibras de 
reticulina rompida (que dão sustentação pro fígado), 
congestão/hemorragia, inflamação variável e reação ductular 
(é a forma que o fígado se regenera à proliferação de células 
epiteliais progenitoras) 
• Necrose em ponte: confluência de necroses focais à colapso 
do arcabouço reticular, pontes entre espaço portal a uma veia 
centroobular 
• Necrose maçica 
(hepatite fulminante) 
à confluência das 
pontes, colapso mais 
acentuado do 
parênquima 
Áreas claras: hepatócitos 
necrosados, “em ponte” à 
 
Infiltrado inflamatório, áreas brancas são edema, reação ductular 
(bolinhas rosas querendo formar ductos, mas podem formar 
hepatócitos também, já que são células progenitoras) à 
 
Fibras 
reticulinicas 
necrosadas 
à 
 
 
 
 
 
Quadro clínico: grave e abrupto, progredindo para insuficiência hepática aguda em 2 a 3 semanas após o início dos sintomas 
Causas: 
• hepatites virais (10 a 12%) à HAV e HBV 
• medicamentosa/ toxicidade a drogas (50 a 55%) à ex: paracetamol 
• causas desconhecidas (18%) 
• outros (15 a 20%) 
 
Insuficiência hepática aguda: doença hepática aguda associada com encefalopatia e coagulopatia 
Início: náuseas, voitos e icterícia/ colestase; progride para: encefalopatia potencialmente fatal e coagulopatia 
• TGO e TGP inicialmente elevadas pela lesão dos hepatócitos à podem cair, mas não por cura e sim pela diminuição 
de hepatócitos 
Encefalopatia hepática: espectro de alterações de consciência, 
• anormalidades comportamentais sutis à confusão acentuada à coma ou morte 
• patogênese à alterações metabólicas e de neurotransmissores; amônia (principal fator) 
• sinais neurológicos: rigidez e hiperreflexia da cabeça e extremidades à Asterix ou flapping 
Coagulopatia: fígado produz fatores de coagulação e hemorragias 
Síndrome hepatorrenal: insuficiência renal como consequência da insuficiência hepática, sem que haja lesões aparente nos rins 
 
Hepatite crônica: persistência da inflamação, com evidência sorológica, associada a níveis séricos elevados de TGP e TGO por 
mais de 6 meses. Biópsia hepática: estadiamento METAVIR à inflamação, necrose e fibrose 
Microscopia: Variável (depende do grau), acometimento hepático difuso à IIMN portal (predominantemente linfocitário) 
• Hepatite de interface: necrose de hepatócitos da placa limitante – necrose “em saca bocados”, é um indicador de 
atividade inflamatória e progressão 
• Reação ductular 
• Fibrose: portal, septos (EP-EP; EP-VCL), nódulos (cirrose) 
Imagem 1: vasos, espaço porta com infiltrado inflamatório mononuclear Imagem 2: parte do espaço porta e parênquima hepático 
(difícil determinar o limite do EP à hepatite de interface) 
 
 
Particularidades: aumenta a suspeita, mas não confirma diagnóstico 
• Hepatócito em vidro fosco pelo acúmulo do HbsAg à HBV crônica 
• Esteatose e agregado linfocitário denso à HCV 
 
 
Alterações de reparações à fibrose 
(primeiro no espaço porta e depois aumenta, 
ficando mais espessa) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em caso de extensa fibrose 
àevolução da doença à 
cirrose hepática 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumindo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hepatite autoimune 
É uma inflamação crônica,com hipergamaglobulinemia e fibrose progressiva, causada pela produção de autoanticorpos; a 
predisposição genética; mais comum em mulheres (≅ 80%). Está associação com outras doenças autoimunes (artrite reumatoide, 
tireoidite de Hashimoto, etc). 
Clínica: raro ser assintomática; quadro agudo sintomático; hepatite fulminante (incomum); mais comumente diagnosticada na forma 
crônica, por vezes com cirrose. 
Diagnóstico (combinação de fatores): aspectos clínicos + laboratoriais + histológicos + exclusão de outras etiologias 
 
Classificação: com base nos anticorpos circulantes 
Tipo 1: 80% dos casos em adultosmaior prevalência em mulheres, Anticorpos à anti-músculo liso (SMA) e anti-núcleo (ANA) 
Tipo 2: 20% dos casos em adultos; predomínio em crianças, Anticorpos à antimicrossomos hepático e renal tipo 1 (anti-LKM-1) 
anticitosol hepático tipo 1 (ACL-1) 
 
Microscopia: 
• IIMN portal rico em plasmócitos; 
• Lesão da placa limitante de hepatócitos à Hepatite de interface 
• Atividade necroinflamatória lobular proeminente: áreas confluentes de necrose e colapso do parênquima (trama reticular) 
• Fibrose precoce à cirrose hepática 
Imagem 1: hepatite de interface Imagem 2: plasmáticos nas setas (roxos com área clara) 
 
Evolução: evolução melhor em adultos que crianças 
• Antes: descompensação clínica e óbito 
• Mortalidade de pacientes não tratados: óbito em 40% dentro de 6 meses após o diagnóstico; cirrose em 40% dos 
sobreviventes 
• Hoje: terapia imunossupressora à melhor sobrevida 
OBS: Remissão em 80% dos pacientes 
• Doença em estágio terminal à transplante hepático à 75% de sobrevida em 10 anos; recorrência em 20% dos casos. 
 
Hepatite medicamentosa ou por drogas 
O fígado é o principal órgão metabolizador de fármacos no corpo; 
Mecanismos de lesão: 
• Ação lesiva direta no fígado; 
• Conversão hepática para uma substância tóxica ativa 
• Mecanismos imunes: fármaco ou droga fazem a conversão de uma proteína celular em antígeno lesivo 
Lesões: 
• Previsíveis (intrínsecas): afetam todos os indivíduos e são dose-dependente 
• Imprevisíveis (idiossincrásicas): afetam alguns indivíduos e não são dose-dependente 
• Podem ser imediatas ou demorar semanas/meses para se desenvolverem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Morfologia: é extremamente variável; 
A história clínica, os marcadores sorológicos virais e os anticorpos são importantes para o diagnóstico. 
 
Esteatohepatites – doença hepática gordurosa 
Espectro de lesões: Esteatose hepática → esteatohepatite (esteatose + lesões inflamatórias) → fibrose → cirrose hepática. 
Causas: 
• Alcoólica → doença hepática alcoólica 
• Não alcoólica → doença hepática gordurosa não alcoólica 
 
 
O consumo excessivo de álcool é a principal causa de doença hepática no ocidente. 3,8% das mortes em todo o mundo estão, 
de certa forma, ligadas ao álcool. 
Risco de doença hepática: ingestão regular, 
duração do etilismo prolongada, quantidade de 
álcool ingerido: 60 a 80 g / dia (ao longo de 
semanas, meses) 
Fatores de risco adicionais (além da ingestão 
prolongada e regular de álcool): 
DOENÇA HEPÁTICA ALCOÓLICA 
 
• Caráter genético (genes que codificam ALDH2*2). 
o ALDH tipo 1: converte o álcool em acetaldeído de forma mais rápida e adequada. 
o ALDH tipo 2: converte mais lentamente. Quem codifica mais essa enzima tem maior predisposição à lesão 
hepática pelo álcool. 
• Desnutrição: pacientes muito magros, muito desnutridos, têm carência de enzimas que metabolizam o álcool (falta de 
proteínas) à essas pessoas sofrem mais com os efeitos do álcool. 
• Sexo feminino: possível relação com a farmacocinética do álcool e com o estrógeno. 
• Doenças hepáticas associadas: fígado é agredido por mais de um fator. 
Além disso, a doença hepática alcoólica é um distúrbio crônico, que pode causar: 
• Esteatose hepatocelular (alteração gordurosa) 
• Esteatohepatite (hepatite alcoólica) 
• Esteatofibrose (fibrose hepática) → cirrose (10 a 15% dos etilistas crônicos) 
 
Patogênese: 90% do álcool ingerido é eliminado pelo fígado (oxidação). O restante é eliminado pelos rins e pelos pulmões. 
3 vias de metabolização: Álcool entra no hepatócito à é 
convertido em acetaldeído pelas 3 vias: 
• Álcool desidrogenase (ADH) à ADH converte etanol 
em acetaldeído por meio da NAD+. Essa via ocorre 
no citosol do hepatócito. 
• Sistema do citocromo p450 à ocorre nos 
microssomos do REL do hepatócito, principalmente 
pela isoforma CYP2E1. Essa isoforma atua na 
transformação do álcool em acetaldeído. 
• Catalase à ocorre nos peroxissomos. Catalase ajuda 
na transformação do álcool em acetaldeído. É a via 
menos importante, converte só 10%. 
 
 
O acetaldeído entra nas mitocôndrias → ALDH (aldeído desidrogenase) o oxida em ácido acético com ajuda no NAD → acetato 
é convertido em AcetilCoa. Consumo do NAD e redução dele → como ele é necessário para oxidação de ácido graxo, ocorre 
acúmulo de ácidos graxos nos hepatócitos → esteatose. Além disso, a AcetilCoa favorece a síntese de ácidos graxos. 
Essas reações de oxidação, especialmente pela via do CYP450, liberam radicais livres e citocinas (TNF) → inflamação → hepatite. 
Esteatose + hepatite → esteatohepatite alcoólica. 
Morfologia: acúmulo de triglicerídeos 
(formados em parte por ácidos 
graxos) nos hepatócitos. 
Microscopia: Imagem negativa de 
gordura no citoplasma dos hepatócitos 
(lipídio é lavado durante o 
processamento da lâmina). Esses 
lipídeos se depositam em gotículas e vão se expandindo, 
rechaçando o núcleo (fica na periferia). A esteatose iniciam na 
região centrolobular (zona 3). 
 
Macroscopia: hepatomegalia; amarelado; macio (pelo acúmulo de 
gordura). A esteatose é reversível à quando a pessoa para de 
beber 
Esteato hepatite (hepatite alcoólica): lesão mais típica da doença hepática alcoólica (10 
a 35% dos etilistas). 
Microscopia: esteatose; balonização (acúmulo de lipídeos e de água dentro do 
citoplasma, é uma mistura de degeneração hidrópica e esteatose, deixando o 
hepatócito como um balão); corpúsculos de Mallory-Denk (material eosinofílico/hialino, 
amorfo e condensado no citoplasma, formado por filamentos do citoesqueleto que 
se desorganizou pelo processo de balonização); infiltrado inflamatório neutrofílico 
lobular; necrose de hepatócitos (citocinas, neutrófilos). 
Imagem a: esteatose; balonização, hepatócitos enormes, com corpúsculos de Mallory 
→ não são patognomônicos, mas são 
característicos. 
Imagem b: hepatócitos um pouco 
balonizados, na seta superior vemos isso 
e corpúsculo de Mallory. Infiltrado 
inflamatório neutrofílico → destruição de 
hepatócitos à necrose. 
 
Esteatofibrose (fibrose hepática): 
Ativação de células estreladas dos sinusoides (células de Ito) e fibroblastos portais → produção de colágeno por essas duas células 
Fibrose perivenular (zona 3), onde começou a esteatose e fibrose 
perissinusoidal “tela de galinheiro”. 
Cirrose alcoólica: 
• Septos fibrosos finos (centro-porta). 
• Septos unindo onde a fibrose se inicia (região da veia 
centrolobular) até o espaço porta. 
• Com o passar do tempo à septos fibrosos espessos 
(centro-porta, centro-centro, porta-porta) → Cirrose. 
• Micronodular (cirrose de Laennec) à geralmente cirrose 
alcoólica é desse tipo, com nódulos menores que 3mm. 
Porém, pode ser macronodular. 
 
Cirrose alcólica: 
Fígado retraído, acastanhado e firme (muito 
colágeno) → fígado cirrótico. 
Micronodular à cirrose de Laennec 
Septos de fibrose contornando nódulos de 
hepatócitos, caracterizando a cirrose 
hepática. Nem sempre a esteatose é visível 
 
Nada impede que o paciente vá da 
esteatose para cirrose ou já iniciar o 
quadro com hepatite e evoluir para 
cirrose, apesar de não ser o habitual. 
Alguns pacientes podem apresentar 
cirrose de uma vez. 
 
 
 
 
 
 
 
Clínica: 
Esteatose: hepatomegalia, elevação discreta de TGO e TGP e enzimas canaliculares. Importante lembrar que é reversível 
Hepatite alcoólica: 
• Hepatomegalia, elevação mais acentuada de TGO, TGP e enzimas canaliculares;• Quadro clínico variável 
• Anorexia, perda de peso, dor ou desconforto abdominal; colestase (às vezes); 
• Óbito (risco de 10 a 20% em um surto agudo) 
• Também costuma ser reversível, mas nem sempre. 
Cirrose alcoólica: 
• Insuficiência hepática crônica 
• Hipertensão portal 
• Icterícia 
 
É um distúrbio metabólico, com quadro clínico e morfológico semelhante a doença hepática alcoólica (diagnóstico diferencial e de 
exclusão) Ocorre em indivíduos que não consomem álcool ou o fazem em quantidades muito pequenas ( < 20g / semana); → 
forma de diferenciar. 
É a doença hepática crônica mais comum nos EUA e em crescendo no Brasil; 
Principal causa: Síndrome metabólica à obesidade central, resistência insulínica (DM tipo 2), HAS e dislipidemia 
 
Patogênese: dieta (carboidratos, lipídeos), sedentarismo e fatores genéticos e teoria de “múltiplos golpes”: 
1º golpe: acúmulo de ácidos graxos livres nos hepatócitos por: à esse golpe justifica a esteatose 
• lipólise de tecido adiposo --> resistência insulínica. Como a causa principal é síndrome metabólica, o indivíduo tem 
resistência à insulina, tendo dificuldade de usar a glicose como fonte de energia. Assim, ocorre lipólise. 
• lipogênese à dieta. Dieta rica em carboidratos e lipídeos também estimula a lipogênese, acumulando lipídeos nos 
hepatócitos 
DOENÇA HEPÁTICA NÃO ALCOÓLICA NAFLD 
 
2º golpe: estresse oxidativo e aumento de citocinas pró-inflamatórias (TNF e IL) por: à esse golpe explica a hepatite 
• excesso de ácidos graxos livres no organismo → liberação de metabólitos lipotóxicos → hepatite no fígado. 
3º golpe: inibição de replicação de hepatócitos por: à esse golpe justifica a fibrose (cirrose) 
• estresse oxidativo (devido à inflamação): dificulta a multiplicação correta do hepatócito, prejudicando a regeneração 
hepática → fibrose (cirrose). 
 
Morfologia: 
Muito semelhante à Doença Hepática Alcoólica, sendo necessário avaliação clínica. 
Esteatose à Esteatohepatite não alcóolica (NASH) à 
fibrose (cirrose); 
Dicas para diferenciar (diagnostico só fecha com a clínica) 
• Além de neutrófilos, há mais células inflamatórias 
mononucleares; 
• Corpúsculos de Mallory-Denk menos 
frequentes; 
• Fibrose portal mais proeminente; ainda é 
predominante na zona 3, perivenular, e na 
região perissinusoidal, mas há mais fibrose portal 
nesta do que na alcoólica. 
A: esteatose difusa. 
B esteatose, balonização hepatocitária. 
C: esteatose, infiltrado inflamatório com neutrófilos. 
D: fibrose em tela de galinheiro (perissinusoidal). 
 
Clínica: 
Esteatose à hepatomegalia, costuma ser assintomático. 
Pode ter desconforto abdominal. 
Esteatohepatite: 
● oligossintomáticos c/ fadiga, desconforto ou dor abdominal; 
● sinais e sintomas da síndrome metabólica; 
● elevação de transaminases (TGO e TGP), além das enzimas canaliculares, devido à agressão inflamatória dos hepatócitos. 
Diagnóstico e acompanhamento: 
● Ultrassonografia (sugere esteatose); 
● Biópsia → acompanhamento. Interessante biópsia seriada para acompanhar. 
Tratamento: controle da síndrome metabólica como prevenção de evolução para cirrose (10 a 20%). Dieta, atv física → prevenir 
a evolução para cirrose. 
OBS: Acredita-se 75 a 90% das cirroses ditas “criptogênicas” (de causa desconhecida) provavelmente sejam consequência de 
NAFLD. 
 
 
É o estágio final comum de várias doenças hepáticas: Hepatites virais B e C, autoimune, alcoólica, doenças de origem metabólica 
(NASH à esteatohepatite não alcoólica, hemocromatose à acúmulo de ferro anormal, Doença de Wilson à acúmulo anormal 
de cobre, e Deficiência de alfa-1-antitripsina), vascular ou biliar. OBS: Cirrose criptogênica = idiopática 
Patogênese: 
1- Necrose hepatocelular: agressões diversas → comprometimento arquitetural extenso. Os hepatócitos não conseguem 
regenerar por completo. 
2- Proliferação de componentes estromais: colapso da trama reticulínica + neoformação de fibras colagênicas 
3- Regeneração hepatocitária: fibrose insula (circunda) o parênquima → nódulos hepatocitários regenerativos. Os hepatócitos na 
região do nódulo estão constantemente se multiplicando na tentativa de regenerar o órgão. 
 
Cirrose hepática 
Morfologia: 
Macroscopia: órgão com volume e peso aumentado (2kg) pela fibrose, mas, nas fases terminais, se encolhe e encurta (800g) 
Superfície de corte: subversão da arquitetura por fibrose; formação de nódulos. 
Microscopia: 
● Nódulos de parênquima hepático, de 
tamanhos variados, circundados por 
septos fibrosos. 
● Nos septos conjuntivos e espaços porta: 
IIMN e proliferação de ductos 
 
(na imagem da esquerda, no laser vermelho) biliares (numa tentativa de 
escoar a bile) 
● Hepatócitos em regeneração, e às vezes, necrose. 
 
 
 
Classificação: 
Tradicional 
● Macronodular, micronodular ou mista 
● Pouca reprodutibilidade e utilidade clínica 
● Obs. a macronodular é a forma final de todos os tipos de cirrose. 
Etiológica 
● História clínica; 
● Marcadores bioquímicos, virológicos e imunológicos 
● Biópsia hepática (dicas): 
○ Esteatose, neutrófilos, hialino de Mallory à esteatohepatite alcoólica ou não 
○ Hepatócito em “vidro fosco” à hepatite viral B 
○ Plasmócitos + hepatite de interface à hepatite autoimune ou viral 
○ Depósitos de ferro e cobre à hemocromatose, doença de Willson 
Obs. como a cirrose é uma evolução final, pode não ter esses indicativos da etiologia. 
 
Clínica: 
● Assintomática por anos 
● Manifestações inespecíficas: anorexia, perda de peso, fraqueza, dores abdominais... 
● Quadros clínicos tardios (complicações) à 
● Óbito: insuficiência hepática, hemorragia digestiva 
ou infecções bacterianas recorrentes 
 
 
 
Se da pela incapacidade do fígado de cumprir suas funções, em consequência da cirrose hepática. É um processo insidioso, 
contínuo ou intermitente, com necrose hepatocitária em graus 
variáveis. Características: 
● Icterícia → aumento BD e BI 
● Redução da síntese proteica → hipoalbuminemia 
(edema; ex: ascite) 
● Redução dos fatores de coagulação → hemorragias 
● Redução da metabolização de hormônios → ex: 
hiperestrogenismo 
○ Eritema palmar (vermelhidão da mão); 
aranhas vasculares (devido ao efeito 
vasodilatador do estrógeno) 
○ Homens à ginecomastia e hipotrofia 
testicular 
INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA CRÔNICA 
● Aumento da amônia (que não é metabolizada de forma eficiente no fígado) à encefalopatia hepática à manifestações 
neuropsíquicas. 
● Fetor hepaticus à halitose pelos tióis (mercaptanos): ocorre pela baixa metabolização hepática e passam a ser eliminados 
pelos pulmões. 
● Síndrome hepatorenal à pode levar a disfunção renal e insuficiência. 
 
 
É o aumento da pressão venosa no sistema porta ( > 17 mmHg), por aumento da resistência ao fluxo sanguíneo. Pode ser uma 
alteração na veia porta, no leito hepático e nas veias hepáticas ou na veia cava inferior. 
Classificação: 
Pré-hepática: 
● Trombose portal; 
● Compressão portal extrínseca (neoplasia); 
● Esplenomegalia com aumento do fluxo esplênico; 
Intra-hepática: 
● Cirrose (sinusoidal) 
● Esquistossomose (pré-sinusoidal) à a fibrose não está no lóbulo e nos sinudoides, está apenas no espaço porta. 
Pós-hepática: 
● Síndrome de Budd-Chiari (trombose das vv. hepáticas ou da VCI); 
● Insuficiência cardíaca direita severa. 
 
Patogênese na Cirrose: 
Ocorre por 3 motivos principais: 
● Compressão dos sinusoides hepáticos pela fibrose e pelos nódulos → dificulta a drenagem. 
● Anastomoses arteriovenosas (shunts arteriovenosos intra-hepáticos) à sangue arterial com pressão elevada é lançado 
diretamente no sistema venoso. Ou seja, o sangue do espaço porta (artéria hepática ou veia porta) vai direto para a 
veia centrolobular, sem passar pelos sinusoides. O sangue passa direto para a circulação sistêmica sem ser depurado 
pelos hepatócitos, o que ajuda, inclusive, a causar a encefalopatia hepática. 
● Endotélio sinusoidal (alterações na cirrose): redução na síntese de NO2 (vasodilatador)e aumento na liberação de 
endotelina e angiotensina (vasoconstritoras) 
 
Manifestações clínicas: 
Esplenomegalia congestiva. 
● Aumento do volume esplênico por congestão, pesando até 1kg (normal é até 250g). 
● Hiperesplenismo: função esplênica aumentada → plaquetopenia e pancitopenia (redução de leucócitos, hemácias e 
plaquetas). 
Circulação colateral porto-sistêmica (shunts venosos): ocorre o represamento e desvio do sangue portal para circuitos venosos 
secundários: 
HIPERTENSÃO PORTAL 
● Varizes gastroesofágicas (fundo gástrico e esôfago). Vv. do plexo venoso retal → hemorroidas. 
● Cabeça de medusa: dilatação de colaterais periumbilicais. Circulação colateral a partir do ligamentos falciforme, com 
remanescente fibroso da v. umbilical 	 recanalização. 
Ascite: é o acúmulo de líquido em excesso na cavidade peritoneal; 
● Clinicamente detectável > pelo menos 500 ml; 
● Líquido de transudato (baixo nível proteico < 3g/dL); É possível realizar a punção (paracentese) para aliviar e analisar. 
● Maior risco de infecção bacteriana (falta de opsoninas no líquido). 
 
Patogênese da ascite: Hipertensão portal à aumento da P hidrostática à líquido extravasa para o interstício. Sistema linfático 
não consegue drenar tudo ascite. 
Menor volume plasmático (devido 
à ascite) à vasodilatação 
esplâncnica, ou seja, dos vasos do 
TGI à outros órgãos ficam menos 
perfundidos, como o rim à 
ativação do sistema RAA à 
retenção de sódio e água à 
ascite. OBS: hipoalbuminemia, 
hipertensão portal, ativação do 
SRAA. 
 
 
É uma parasitose causada por vermes trematódeos, do gênero Schistosoma. Brasil: grande prevalência → S. mansoni. Estados 
endêmicos: Minas Gerais, Bahia (⅔ dos casos nesses dois estados), Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba. Essa patologia 
acomete ambos os sexos (H > M), faixa etária de 10-40 anos, mais frequentes na idade escolar. A transmissão esta relacionada a 
aspectos socioeconômicos: educação sanitária, saneamento básico e serviços de saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Cirrose: septos fibrosos circundando e formando os nódulos de hepatócitos. Na macroscopia também se vê os nódulos 
Esquistossomose: não há nódulos circundados por fibrose, há uma fibrose portal que pode se expandir e fundir um espaço porta 
com o outro. Na macroscopia, também não vemos nódulos, vemos fibrose na região dos espaços porta. NÃO é cirrose. Tem 
fibrose principalmente portal. 
Esquistossomose 
 
Formas anatomoclínicas: 
Forma aguda: geralmente, assintomática, ou com manifestações brandas e inespecíficas (dermatite cercariana, febre, mal-estar). 
Pode evoluir para cura, mas é mais comum evoluir para a forma crônica (sem tratamento). Praziquantel ou oxamniquine. 
Formas crônicas: 
● Forma intestinal: ou é assintomática ou tem sintomas abdominais brandos e inespecíficos. Diagnóstico por encontro de 
ovos nas fezes (kato-katz), carga parasitária não é muito alta. Não há muitas sequelas no fígado, não havendo 
hepatomegalia. Pode tratar e curar. 
● Forma hepática avançada: apenas 10 a 20% dos infectados evoluem para essa fase, em que há hepatomegalia. Um 
pouco de fibrose portal, mas SEM hipertensão portal. Não há esplenomegalia, pois não há hipertensão portal. 
● Forma hepatoesplênica: hipertensão portal → esplenomegalia. Fibrose mais desenvolvida. Forma clássica dos pacientes 
com esquistossomose crônica. 
Todas essas formas apresentam ovos no fígado → resposta inflamatória granulomatosa. 
Outras formas: (ovos podem migrar) à pulmonar, renal e neural (SNC) 
 
Comum nas áreas endêmicas, sendo a forma clínica de maior relevância. As lesões hepáticas ocorrem pelos ovos do Schistosoma; 
● Alta carga parasitária e reinfecções; 
● Acomete 4 a 10% dos indivíduos infectados (fatores individuais). 
● 5 a 15 anos para se manifestar; 
● Indivíduos jovens (por volta dos 15 anos); 
Patogênese: ovos em vênulas mesentéricas à veia porta à ocluem ramos da veia porta (espaço porta) à formação 
degranulomas à aumento da pressão no sistema venoso intra-hepático à abertura de pequenas vênulas colaterais à oclusão 
dessas vênulas por novos ovos à fibrose (“em haste de cachimbo”). Quanto mais ovos, mais ramos portais ocluídos e mais 
processo inflamatório granulomatoso que evolui com fibrose. 
 
Os granulomas são dinâmicos e ativos, produzindo citocinas e fatores estimuladores de fibroblastos. São formados por resposta 
inflamatória inicialmente deTH1 (fase aguda) e depois são sustentadas por resposta TH2 (fase crônica) à IL-13, responsáveis por 
estimular os fibroblastos, que serão transformado em fibrose 
 
Microscopia: 
● Pileflebite → ovos em ramos da veia porta, causando inflamação nesses ramos. 
● Peripileflebite → ovos atravessam a parede das veias e alojam-se no tecido conjuntivo portal; Inflamação periportal. 
● Granulomas em torno de ovos de S. mansoni: 
FORMA HEPATOESPLÊNICA 
○ Células gigantes multinucleadas, macrofágos epitelioides, linfócitos e eosinófilos 
● Hiperplasia de células de Kupffer com pigmento esquistossomótico > pigmento de hematina proveniente do intestino 
do parasita, que é fagocitado pelas células de Kupffer. 
● Alargamento fibroso portal, com emissão de finos septos: Fibrose de Symmers-Bogliolo (fibrose em “haste de cachimbo”). 
A arquitetura lobular preservada. à fibrose fica restrita ao espaço porta e ao seu entorno 
 
 
A: trato portal muito alargado, 
aumentado de tamanho. Vários focos 
de inflamação granulomatosa nas 
pontas das setas e fibrose. 
 
B: granulomas. Ovo de schistosoma no 
meio 
 
 
 
A: granuloma com macrófagos epitelioides. 
Ovo no centro, embrionado, com vários 
miracídios, espícula lateral. 
 
B: outro granuloma, ovo não embrionada (não 
viável, sem embrião). Célula gigante. 
 
 
 
 
 
 
A: granuloma, célula gigante, muitos 
eosinófilos (infecção parasitária → 
eosinofilia no hemograma e no 
infiltrado inflamatório é comum). 
 
B: ovos calcificados à infecções 
antigas. Pouca resposta inflamatória, 
maior quantidade de fibrose. 
 
 
A: proliferação de vasos com 
paredes finas na região da 
fibrose, com formação de 
circulação colateral, já que os 
ramos de veia porta foram 
ocluídos pelos ovos. 
B: células de Kupffer com 
pigmentos de hematina. 
 
 
Macroscopia: 
● Consistência firme e endurecida devido à fibrose. 
● Superfície externa irregular por retração da cápsula de 
Glisson. Fibrose portal e periportal à aqueles pontos 
puxam pontos da cápsula à aspecto pseudo-cirrótico. 
● Superfície de corte: alargamento estrelar e irregular dos 
espaços portais por fibrose; fibrose de Symmers-Bogliolo 
(em “haste de cachimbo”). Fibrose na região periportal 
pode estender um pouquinho. Essa fibrose não é 
patognomônica, então tem que observar o ovo na 
microscopia. 
 
Clínica: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As lesões podem ser não neoplásicas, ou benignas à hiperplasia nodular focal à hepatócito 
Neoplásicas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tumores hepáticos 
Tumores hepáticos beningnos 
 
 
É o segundo tumor sólido benigno mais comum no fígado, com predomínio em adultos jovens ou de meia idade (3 a 4 década). 
Além disso, é predominante no sexo feminino. A lesão é assintomática à diagnostico incindental. Além disso, não apresenta risco 
de evolução maligna. A hiperplasia nodular focal é importante por ser diagnóstico diferencial com outras neoplasias hepáticas. 
Patogênese: artéria anômala à hipoperfusão à fibrose e outra área fica hiperperfusão à hiperplasia hepatocitária 
Morfologia nódulo subcapsular, < 5cm, bem demarcado, mal encapsulado, mais claro que o fígado ao redor, com cicatrizestrelada 
central. Na histologia observa-se fibrose, os hepatócitos são chamados de hiperplásicos, com vários ramos arteriolares (da artéria 
anômola) 
 
 
Tumor benigno mais comum do fígado (5% da população), é uma neoplasia de origem vascular. Afeta pessoas de qualquer idade, 
em ambos gêneros. É assintomático à diagnóstico incidental por imagem. Se for > 5cm o paciente pode ter dor abdominal pelacompressão capsular e hemorragia (rara). Sua importância se deve ao diagnostico diferencial com outras neoplasias hepáticas. 
Inicialmente, a biopsia é contraindicada pelo risco de sangramento. 
Morfologia: nódulo geralmente subcapsular, macio, vermelho-azulado, maioria < 2 cm, áreas esbranquiçadas (fibrose). Na 
microscopia, presença de sangue que pode necrosas e levar a isquemia à o resultado é fibrose (como visto na macroscopia) 
Os vasos, na microscopia, são revestidos por células endoteliais sem atipias (pois é um tumor benigno) 
 
HIPERPLASIA NODULAR FOCAL 
HEMANGIOMA CAVERNOSA 
 
Neoplasia benigna dos hepatócitos, com prevalência em adultos jovens ou de meia idade (3 a 4 décadas) em especial no sexo 
feminino, pela relação ao estrógeno e ACO (aumenta de 30 a 40%). O uso de anabolizantes esteroides aumenta o risco em 
homens. É assintomático à diagnostico incidental (incidentaloma), mas é importante por ser diagnostico diferencial com outras 
neoplasias. O paciente pode apresentar dor abdominal, pela compressão capsular. Existe risco de malignização. O tratamento deve 
ser feio à risco de hemorragia e risco de hemorragia intra-abdominal pela ruptura do adenoma (OBS: suspender ACO). 
Patogênese: depende do subtipo de adenoma (classificação morfomolecular à HE + genéticas) 
Morfologia à macrscocopia: nódulo subcapsular, 5 a 15 cm, solitário, bem delimitado, pálido (comparado ao parênquima) e com 
áreas de hemorragia dentro do adenoma. 
 
Microscopia: proliferação de hepatócitos, em geral se atipias (poucas e discretas), dispostos em arranjos trabeculares (cordão de 
hepatócitos enfileirados), no meio da lesão não tem trato portal, presença de estruturas vasculares finas (predispõe a 
sangramentos). Na última imagem, observa-se as trabéculas de hepatócitos (fibras de reticulina à linhas pretas). As fibras de 
reticulina estão preservadas e as trabéculas tem no máximo 2 hepatócitos de espessura. 
 
Neoplasias hepáticos 
 
 
Neoplasia maligna embrionária rara (1 a 2 por 1 milhão de nascimentos). Acomete RN e crianças até 2 anos de idade, sendo raro 
após os 3 anos. É mais comum em meninos (2:1). É uma lesão agressiva, sendo fatal em pouco tempo (meses a poucos anos): 
ocorre pela ruptura da massa neoplásica, insuficiência hepática ou metástase (pulmão, cérebros e ossos). 
Patogênese: mutações em reguladores da via WNT (controla gênese do fígado, diferenciação celular, etc). 
ADENOMA HEPATOCELULAR 
HEPATOBLASTOMA 
Tratamento: quimioterapia neoadjuvamnte (realizada antes da ressecção) e ressecção cirúrgica. A sobrevida em 5 anos é ate 
80%. 
Morfologia: Macroscopia à nódulo único, grande, heterogêneo (varias cores à hemorragia, tumor e necrose), de 5 a 25 cm, 
(imagem a direita) componentes mesenquimais à osteoide (matriz óssea), cartilagem 
Microscopia à tipos: 
• Epitelial: células de padrão embrionários (células pequenas, com citoplasma escasso e citoplasma hipercorado) e/ou de 
padrão fetal (célula maior, citoplasma mais claro, lembra hepatócito maduro) 
• Misto: epitelial + mesenquimal (células estromais, fibrose, osteoide e cartilagem) 
 
 
Segunda neoplasia maligna primaria mais 
comum do fígado (10 A 20%). Afeta 
ambos os generos, após a 5 decada de 
vida, em pacientes sem cirrose hepática. 
Origem: epitélio dos ductos biliares. 
Patogênese: pouco conhecida, relacionada 
a inflamação crônica e colestase 
(principais fatores) à mutação no epitélio 
biliar. 
Localização: intra-hepático (10%), prei-hilar 
ou central (60%) à tumor de Klatskin; e 
extra-hepático distal (30%) 
COLANGIOCARCINOMA 
Clínica: 
• Tumor intra-hepático à demoram a provocar sintomas 
• Tumor peri-hilar ou extra-hepático distal à icterícia obstrutiva precoce (colestase), sintomas mais precoces 
Morfologia: Macroscopia à lesão branco-acizentada, lesão firme, endurecida, infiltrativa, de tamanho variado (mesmo que o tumor 
seja pequeno, se for na região peri-hilar ou extra-hepático, pode apresentar sintomas). 
Microscopia à é um adenocarcinoma glândulas: estruturas atípicas, por vezes com mucina, em meio a estroma desmoplásico 
abundante). Desmoplasia estromal: o tumor secreta substâncias e estimula produção de um colágeno, que vai ser denso e 
compacto. 
 
Prognostico sombrio: 
• Tumores peri-hilar e extra hepático distal: o diagnóstico é precoce mas a região peri-hilar (central) é uma região de alta 
vascularização, o que favorece metástases. Além disso, a sobrevida é de 15% em 2 anos 
• Tumores intra-hepáticos: demora a ter o diagnostico, que normalmente é na fase final. O tempo médio entre o 
diagnostico e óbito é de 6 meses. 
 
 
Neoplasia maligna primária mais comum do fígado (80 a 
90%). A origem são os hepatócitos, com predomínio em 
homens (3:1) entre a 4 e 7 décadas. É o sexto câncer mais 
comum (principalmente na Ásia) e é quarta causa de morte. 
No Brasil, tem baixa prevalência, mas a mortalidade é alta 
(sexta causa). 
Aspectos epidemiológico: aumento ou decréscimo da 
mortalidade por câncer no mundo à aumento do CHC 
 
CARCINOMA HEPATOCELULAR (CHC) 
Etiopatogênese: 
Doenças hepáticas crônicas avançadas (cirrose): atividade regenerativa aumenta à ciclos repetidos de morte e regeneração de 
hepatócitos à aumento da chance de ocorrer algum erro. Apesar da cirrose não ser uma lesão pré-maligna, ela é fator de risco 
para CHC. 
Aflotoxinas: podem contaminar alimentos e causam mutação dos hepatócitos quando absorvidas no intestino, e são encaminhadas 
para o fígado para a metabolização. 
Qualquer agressão crônica à resposta inflamatória à citocinas e estresse oxidativo 
 
Morfologia: Macroscopia à lesão nodular 
pequena ou maciça, única ou múltipla à bem 
delimitadas; a lesão também pode ser uma 
infiltração difusa à mal delimitada 
Na esquerda, tem uma lesão com quase 3 cm 
à acima de 2cm, em fígados cirróticos à alta 
chance de ser CHC. 
 
 
Imagem 2: lesão bem delimitada 
Imagem 3: fígado sem cirrose 
com CHC; lesão bem delimitada 
Imagem 3: lesão mal delimitada, 
pequenos nódulos cirróticos 
Imagem 4: massa principal com 
nódulos satélites primários ou 
metástases intra-hepáticas da 
massa. 
 
Microscopia à proliferação de hepatócito atípico, em arranjos: 
• Trabecular e pseudoglandular à predomina em lesões bem e moderamente diferenciadas 
• Sólido à lesões pouco diferenciadas (mais agressivas) 
Além disso, observa-se alteração do arcabouço reticular e, é um tumor com alta propensão a invasão vascular. 
 
Imagem A: padrão mais 
comum, pois lembra um 
fígado normal. A espessura 
da trabecula está aumentada 
(mais de 4 hepatócitos) 
Imagem B: alterado pois as 
trabéculas estão espessas 
(cheias de hepatócitos) 
 
 
 
Imagem C: hepatócitos com 
lumem aberto, simulando uma 
glândula 
Imagem D: massa de célula, 
sem trabéculas 
 
 
 
 
 
 
Imagem E: tumor com 
invasão vascular, vaso 
sanguíneo (núcleos achatados 
no endotélio), com hemácia no 
interior e células neoplásicas 
Imagem F: parede do vaso 
demarcada, para ver se existem 
células neoplásicas e confirmar 
a invasão 
 
 
 
Estadiamento: tumor classificado 
além do tamanho, por 
apresentar ou não invasão 
vascular à muda o T do 
paciente, pois a invasão é muito 
frequente e altera o prognóstico 
do paciente 
 
 
 
 
Clínica: 90% assintomático, mas, com o crescimento do tumor: dor abdominal, perda ponderal, prostração, febre, icterícia, ascite 
à depende do tamanho tumoral e crescimento 
O CHC geralmente se apresenta em estágios mais avançado à prognóstico ruim 
Diagnóstico: exames laboratoriais, alfa-fetoproteina serica (glicoproteína sintetizada pelo hepatócito, presente no soro fetal, 
entretanto fica em níveis baixos à níveis se elevam em caso de CHC à não é um bom exame para triagem pois só surge 
com o câncer avançado), exames de imagem: USG, TC, RNM; biópsia. 
 
Evolução 
• Neoplasia altamente maligna; 
• Evolução rápida e sobrevida curta: a maioria dos pacientes vai a óbito nos 2 primeiros anos após o diagnóstico. 
• Invade precocemente ramos de veia porta: disseminação intra-hepáticaprecoce. 
• Metástases para linfonodos regionais; 
• Metástases sanguíneas tendem a ser tardias: Pulmões, ossos, tubo digestivo. 
• Tratamento geralmente cirúrgico (nem sempre se faz cirurgia, com o quando vai para o hilo hepático): segmentectomia, 
lobectomia ou transplante. 
 
 
Muito mais comuns que neoplasias primárias. Fontes mais comuns: cólon, mama, pulmão, estomago e pâncreas. Em geral, nódulos 
múltiplos, de tamanhos variados e bem delimitados à hepatomegalia volumosa. Pode haver necrose, hemorragia, destruição 
maciça e obstrução de ductos biliares: clínica de insuficiência hepática e colestase 
Imagem: fígado não cirrótico, lesões nodulares bem delimitadas, a lesão provém do colón, possível ver glândulas à 
adenocarcinoma de origem colonica 
 
 
 
Vesícula biliar: colelitíase, colecistite aguda, colecictite crônica 
Pâncreas exócrino: pancreatite aguda, pancreatite crônica e adenocarcinoma 
 
 
 
Vesícula biliar: órgão oco, com formato de pera, capaz de armazenar 50ml de bile, que ajuda no processo digestivo. É dividida 
em 3 porções: fundo, corpo e istmo (origem ao ducto cístico que se une ao ducto hepático comum à ducto colédoco). 
A parede da vesícula biliar lembra um pouco o intestino, mas com 3 camadas à mucosa, muscular e adventícia. A mucosa possui 
dobras e é revestida por um epitélio colunar simples, com mucossecreção 
 
 
 
METÁSTASES HEPÁTICAS (NEOPLASIAS SECUNDÁRIAS) 
Patologia Pancreatobiliar 
Vesícula biliar 
 
 
Doença mais prevalente das vias biliares; predomina em mulheres (2:1). Acomete 10 a 20% da população adulta, mas a maioria 
assintomática, por ser uma doença silenciosa (80%) 
Os componentes insolúveis da bile dão origem aos cálculos à Colesterol, bilirrubinato de cálcio, outros sais de cálcio, sais biliares 
e glicoproteínas 
Patogênese: 
• Relacionada a aumento dos constituintes na bile; 
• Estase à bile represada por mais tempo que o normal 
• Precipitação de sais inorgânicos ao redor de um núcleo orgânico (células 
descamadas, bactérias...) 
• Fatores de risco: obesidade, dislipidemia, diabetes... 
Classificação: cálculos de colesterol puro, pigmentares negros (bilirrubinato de cálcio + 
outros sais de cálcio) e mistos (colesterol + sais de cálcio à mais comuns). Imagem: mistos 
 
 
 
 
 
Clínica: maioria assintomática, diagnostico: USG (> 3mm). 
O paciente pode ter cólica biliar por obstrução calculosa das vias: dor em hipocôndrio direito ou epigastro. OBS: barro biliar à os 
constituintes da bile formam grumos, que podem causar complicações 
Complicações: 
• coledocolitíase à colestase e colangite 
• colecistites à perfuração; fistulas 
COLELITÍASE 
• adenocarcinoma de vesícula 
• pancreatite (quando obstrui a ampola de vater) 
 
 
Associada à colelitíase em 90 a 95% dos casos. Atinge mulheres predominantemente, média de 60 anos. 5 a 10% à colecistite 
acalculosa à precipitada por isquemia: ex: grandes cirurgias, traumas, queimaduras e sepse. 
Patogênese: 
 
 
 
 
 
Morfologia: Macroscopia à aumentada de volume, distendida com hiperemia e áreas de hemorragia, parede espessada e deposito 
de fibrina. Nos casos graves à necrose da parede (colecistite aguda gangrenosa) 
 
Microscopia: hiperemia, hemorragia, edema acentuado, 
erosões e depósitos de fibrina. IIGMN à neutrófilos 
(polimorfonuclear). 
 
Clínica: 
• Dor no hipocôndrio direito (sinal de Murphy +) 
ou epigástrica contínua, febre, sudorese, 
hiporexia, náuseas, vômitos... 
• Icterícia discreta à se acentuada: suspeitar de 
coledocolitíase; 
• Exames laboratoriais: leucocitose, fosfatase 
alcalina (marcador de lesão de via biliar) 
 
Complicações: Gangrena e perfuração 
Tratamento: 
• Sintomas leves à Regressão espontânea (pode recorrer) 
• Quadro súbito à Colecistectomia (emergência cirúrgica) 
 
 
Doença mais frequente da vesícula biliar, 95% dos casos associada a colelitíase. Predomina em mulheres (3:1), 5 e 6 décadas de 
vida. 
Patogênese: incerta à sequela de surtos repetidos de colecistite aguda branda? Cálculos? Estase biliar? Microorganismos? 
Clínica: náuseas, vômitos, dor abdominal recorrente em hipocôndrio direito ou epigastro 
COLECISTITE AGUDA 
COLECISTITE CRÔNICA 
Morfologia: 
Macroscopia à 
tamanho variável, 
espessura da parede 
variável. A serosa 
normal a opaca, 
mucosa normal a 
hipotrófica (tende a 
perder a aveludamento 
normal) 
OBS: vesícula contraída, com extensa fibrose e calcificação 
(vesícula em porcelana) à em casos mais avançados Vesicula em 
porcelana à risco aumentado de surgimento de adenocarcinoma 
de vesícula 
 
Microscopia: inflamação crônica, mononuclear (linfócitos, 
plasmócitos e macrófagos) Seios de Rokitansky Aschoff: são 
invaginações da mucosa à a mucosa invagina e fica aprisionada. 
Observa-se fibrose (nem sempre tem). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O pâncreas é uma glândula acessória do TGI, é alongado (20 cm), 
lobulado, branco-amarelado, envolto por pseudocápsula. O pâncreas 
exócrino corresponde a 85%: Células acinares; Pró-enzimas digestivas 
(+ de 20); Ex: Amilase; Lipase e fosfolipase; Tripsina e quimiotripsina; 
Elastase; Calicreína 
 
Morfologia microscopia: células acinares (lembram flores, rosetas à 
são as mais roxas) e ilhotas pancreáticas (nas setas). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pâncreas exócrino 
Pancreatites: 
Processo inflamatório do pâncreas, na maioria das vezes de etiologia não infecciosa. Pode ser classificada em: 
• Pancreatite Aguda à processo inflamatório agudo que pode ser reversível com a remoção da causa (formas graves 
podem ser irreversíveis); 
• Pancreatite Crônica àprocesso inflamatório irreversível, mesmo com a remoção da causa (perda do parênquima 
glandular – fibrose) 
 
 
Afeta principalmente adultos, entre a 3 a 6 décadas, sendo uma causa importante de abdome aguda. Ocorrem 10 a 20 casos a 
cada 100 mil pessoas. As principais causas são: colelitíase (mulheres) e álcool (homens) à 80% de todos os casos. Os 20% podem 
ser: obstrução do ducto pancreático por tumor ou parasitas, trauma, medicamentos, hipercalcemia, genética/hereditário 
Patogênese: 
 
Formas de pancreatite: 
• Edematosa/ intersticial à forma 
branda e autolimitada, pouca 
autodigestão 
• Necrosante à 
• Necrohemorrágica 
 
Lesões básicas: 
• Edema; 
• Necrose gordurosa (esteatonecrose) 
• Necrose parenquimatosa 
• Destruição de paredes 
vascularesàhemorragia 
• IIGMN (polimorfonuclear) 
 
Pancreatite edematosa/ intersticial: aumento 
de volume (edema), esteatonecrose focal 
(“pingo de vela”); sem necrose do parênquima 
PANCREATITE AGUDA 
ou hemorragia. O órgão não fica muito alterado, mas tem áreas de necrose gordurosa. 
Pancreatite Necrosante: extensas áreas de necrose do parênquima e esteatonecrose. 
• Microscopia: perda de acinos, hemácias no parênquima, focos de hemorragia, esteatonecrose (direita) 
Pancreatite Necrohemorrágica: extensas áreas de necrose do parênquima e esteatonecrose + hemorragia abundante 
• . parênquima todo perdido, hemorragia (regiões em vinho/preto), esteatonecrose (setas à gordura), no detalhe cálcio 
na esteatonecrose (influencia no prognóstico) 
Clínica: dor abdominal em faixa (doi na frente, ao lado e atrás), intensa e persistente. Pode estar acompanhado de náuseas, 
vômitos, febre, taquicardia (pela hemorragia) e hipotensão. Sinais clínicos característicos, mas nem sempre presentes: cullen 
(equimose na região periumbilical) e grey-turner (equimose no flanco). 
Exames laboratoriais: aumento da amilase (24h) e aumento de lipase (72h – é mais específica). Além disso, o paciente pode ser 
hipocalcemia à sinal de mau prognostico à se a necrose da gordura for extensa, muito cálcio vai se depositar. Exams de 
imagem pode ajudar 
Tratamento: suporte à suspensão de dieta oral + analgésicos e fluido EV 
Evolução e complicações: depende da gravidade do quadro depende da intensidade e extensão da lesão. 
• Pancreatite edematosa/intersticial à reversão do quadro 
• Pancreatite necrosante e necro-hemorrágica (principalmente): abcesso peri-pancreatico, pseudocistopancreático (pela 
destruição do parênquima e dilatação de ducto), insuficiência renal aguda, SARA (pelo dano alveolar difuso à edema no 
pulmão), coagulação intra-vascular disseminada, hipotensão arterial e choque, óbito 
 
 
 
Inflamação persistente associada a destruição irreversível do parênquima exócrino, com substituição por fibrose e perda da 
função. Em estágios mais avançados: destruição do parênquima endócrino. Afeta principalmente homens de meia-idade (4a e 5a 
décadas); 
Principal causa: à etilismo crônico (10 a 15 anos). Outras causas: obstrução prolongada do ducto pancreático (cálculos e neoplasia); 
pancreatite autoimune; radioterapia abdominal; anomalias congênitas; hereditária/genética... 
Patogênese: 
Macroscopia:
tamanho variável; consistência firme/rígida (por conta da fibrose); aspecto nodular grosseiro (análogo à cirrose); 
sistema ductal dilatado. 
Microscopia: fibrose parenquimatosa; hipotrofia / atrofia e destruição acinar; dilatação variável de ductos pancreáticos; IIMN 
permeando ductos e ácinos; tampões de proteína e calcificações em ductos. 
 
Imagem A: aspecto 
fibrótico, órgão rígido, 
dilatação de ductos 
 
Imagem B: fibrose, 
poucos acinos, 
infiltrado inflamatório, 
dilatação de ductos 
 
 
 
Imagem C: redução 
de acinos, 
preservação das 
ilhotas de langehans 
 
Imagem D: ducto 
dilatado contendo 
material eosinófilico 
à tampão proteico 
 
 
 
 
PANCREATITE CRÔNICA 
Clínica: 
• Dor abdominal e no dorso, recorrente ou contínua, moderada a acentuada; 
• Crises podem ser precipitadas pelo abuso de álcool ou excessos alimentares; 
• Pode haver febre baixa;
 
• Icterícia à obstrução por cálculos na ampola de Vater 
• Insuficiência pancreática à má-absorção (emagrecimento) e esteatorreia (pela falta de lipase); 
• Diabetes Mellitus à tardio (destruição das ilhotas);
 
• Mortalidade de 50% em 20 anos; 
 
Exames laboratoriais: elevação da amilase sérica (quando tem acino remanescente já que eles produzem amilase) 
Exames de imagem: Hipotrofia pancreática e calcificações 
 
 
Representa 90 a 95% dos tumores do órgão, tem origem no epitélio dos ductos pancreáticos. É o 13 em incidência no Brasil, 5o 
em mortalidade. A sobrevida em 5 anos: menos de 5%, predominando em homens, negros, 60 a 80 anos; 
Fatores de risco: tabagismo, dieta rica em lipídeos e pobre em fibras; pancreatite crônica à não se sabe se causa ou não, 
apenas tem certeza a hereditária. 
Patogênese:
 
• Mutação em oncogenes (KRAS), genes supressores (TP53) 
• Alteração de metilação em alguns genes (ex: CDKN2A) 
 
Morfologia: 
Cabeça do pâncreas (principal sede) - 60 a 70% dos casos:
diagnóstico precoce à icterícia obstrutiva ou pancreatite obstrutiva 
(causa sintomas precoce) 
Corpo e Cauda:
diagnóstico tardio à demora a dar sintomas 
 
Macroscopia: sólido, 
firme/rígido, branco-
acinzentado ou branco-
amarelado e infiltrativo 
 
Imagem A: adenocarcinoma 
de cabeça do pâncreas 
Imagem B: massa infiltrando 
o parênquima do órgão 
 
 
 
 
Microscopia:
arranjos tubulares, 
com células colunares/cuboides 
atípicas; intensa desmoplasia 
estromal; infiltração perineural 
frequente. 
Imagem D: nervo com glândulas 
infiltrando 
 
 
 
ADENOCARCINOMA DUCTAL DO PÂNCREAS 
Clínica: 
• Tumor “silencioso”, insidioso 
• Manifestações tardias. 
• Dor abdominal, perda de peso, anorexia, fraqueza (50%); �Icterícia obstrutiva (20%), diabetes (70%)
 
• Síndrome de Trousseau ou tromboflebite migratória (10%) à as células tumorais podem secretar fatores de agregação 
plaquetária que predispõe formação de trombos em veias distantes ao tumor, principalmente no MMII, apresentando 
complicação local ou distante, podendo aparecer e desaparecer 
• Infiltração de estruturas vizinhas: nervos, baço, coluna vertebral, cólon transverso, estômago e fígado; suprarrenais, 
• Metástases: linfática à linfonodos regionais; hematogênica à fígado, pulmões, suprarrenais, rins, ossos, cérebro e pele

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