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FATORES DE RISCO • Glicemia de jejum ≥ 126mg/dl • RCQ ≥ 0,94 e 0,90 – 0,93 (obesidade central) • Tabagismo ≥ 5 cigarros e < 5 cigarros ao dia • História familiar de doença coronariana • LDL colesterol 100-120mg/dl e >120mg/dl (dislipidemia) • Hipertensão arterial • Renda familiar de R$600 – R$1200 • Diabetes Melitus • Fatores psicossociais (estresse e depressão) • Características constitucionais: sexo, idade, raça, genética • Características comportamentais (estilo de vida): fumo, dieta, atividade física, ingestão de álcool, uso anticoncepcionais Exame cardiovascular • Identificação (idade!!!) • Fatores de risco • Hábitos e estilo de vida • Queixa principal • Sintomas de problemas cardiovasculares • Impacto dos sintomas na vida diária Durante a entrevista, observar os seguintes sintomas: • Dor: torácica, extremidades, cabeça • Falta de ar, dispneia • Fadiga • Palpitações • Síncope / desmaio • Ganho de peso Perguntas a serem feitas: • Existe o sintoma/ fator de risco? • Como é a dor? (local, duração, frequência, intensidade numa escala de 1 a 10) • Desde quando começou a dor? • A dor irradia? • O que a desencadeia? (atividade física, esforço, etc pensar em angina) • O que a alivia? • Quando incomoda / atrapalha na vida diária? Inspeção Inspeção geral → atitude de postura antálgica? Inspeção geral do tórax: • Abaulamentos (observar de duas incidências: tangencial e frontal) → se atentar a aneurisma de aorta, cardiomegalia, derrame pericárdico. • Retrações • Cicatriz e/ou Manchas Observar: • Volume → ascite? • Edema • Vascularização (circulação colateral?) Perfusão periférica Diminuição → mãos e pés frios, aumento do tempo de preenchimento capilar, diminuição dos pulsos periféricos, cianose Edema Se atentar a insuficiência cardíaca direita → Localiza-se inicialmente nos MMII pela ação da gravidade. É bilateral, podendo ser simétrico. Intensifica-se ao longo do dia, atingindo máxima intensidade à tarde. Diminui ou desaparece com o repouso noturno. Cacifo ou Sinal de Godet • 1+ cacifo: leve, sem deformação visível, desaparece rapidamente • 2+ cacifo: pouco mais profundo que o 1+, desaparece de 10 a 15 segundos • 3+ cacifo: notavelmente profundo, demora mais de 1 minuto → o membro aparenta estar aumentado e edemaciado • 4+ cacifo: muito profundo, demora de 2 a 5 minutos, com membro muito deformado. Sinal de Levine → angina Observar forma do tórax Inspeção do precórdio e pescoço: Posicionamento do paciente: em decúbito dorsal, com a parte superior do corpo erguida aproximadamente 30° pela elevação da cabeceira do leito ou da maca de exame. Para aproximar o ápice ventricular da parede torácica para melhor avaliar o ictus cordis, coloca- se o paciente em decúbito lateral esquerdo. • O examinador deve ficar de pé à esquerda do paciente ➔ Visualização e localização do Ictus cordis • O ictus cordis é a pulsação do ápice do coração. Deve-se investigar localização, extensão, mobilidade, intensidade e tipo de impulsão, ritmo e frequência. A sua localização pode variar de acordo com o biotipo do paciente • Mediolíneos: cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5º espaço intercostal. Turgência de jugular patológica ➔ É o enchimento persistente das veias jugulares quando se adota a posição semissentada (45 °) ou sentada ➔ Sinal de Kussmaul (pode indicar pericardite constritiva): é caracterizado pelo aumento ou não redução da pressão venosa (turgência jugular) com a inspiração; por causa da restrição do retorno venoso ao coração direito. ➔ Semiotécnica • Abaixar a cabeceira da cama (0 grau) • Observar as veias jugulares • É normal as jugulares estarem túrgidas • Elevar a cabeceira da cama até 45 graus • A jugular continua túrgida? Se sim: estase da jugular Palpação Pulsos arteriais: Carótida/ aorta (fúrcula esternal/ abdominal)/femoral/ radial/ braquial/ tibial/ pediosos) Checar: • Simetria e amplitude • Frequência cardíaca e ritmo • Aneurismas? (Ex; aneurisma de Ao= massa abdominal que pulsa para todos os lados) Manobra/Teste de Allen: comprimir pulso radial até palidez da palma depois solta e vê o retorno da coloração (obstrução de artérias?) Teste de Allen negativo: cor retorna em < 10s, circulação ulnar adequada. Pulsos patológicos • Magno Célere (martelo d’água) → aparecem e somem com rapidez; melhor palpado pela palma do examinador com o punho do paciente acima da cabeça; indicam hipertireoidismo, insuficiência aórtica e anemias graves. • Parvus Tardus → prolongamento da aceleração sistólica (tardus) com uma amplitude reduzida e oval do pico sistólico (parvus) • Paradoxal (PS cai >10mmHg na inspiração=tamponamento cardíaco) → percebido quando o braço do paciente que está sob pressão do manguito exatamente no nível em que se ouve o 1º som de Korotkov; exagero da redução normal da pressão sistólica durante a inspiração; indica pericardite constritiva, derrame pericárdico volumoso. • Fino ou ausente → Hipotensão/ choque Ictus cordis Palpar, localizar → normalmente está no cruzamento da linha hemiclavicular esquerda com o 5º espaço intercostal Delimitar extensão (normal até 2 polpas= 2,5cm) • Hipertrofia ventricular → 3 ou mais polpas Ver mobilidade • Primeiro marcar em decúbito dorsal, depois em decúbito lateral direito e esquerdo • Em decúbito lateral esquerdo, desvia ≤ 2 cm normalmente) • Pode pedir para o paciente ficar em decúbito lateral esquerdo se não conseguir ver em decúbito dorsal • Se ainda não for possível apalpar, pedir para o paciente expirar todo o ar e ficar sem respirar por alguns segundos Amplitude Utiliza-se a palma da mão em vez dos dedos • Estenose aórtica → ictus cordis difuso • Regurgitação mitral → ictus cordis propulsivo • Pessoas jovens ou que fazem exercício possuem amplitude aumentada Duração Ausculte as bulhas cardíacas e, simultaneamente, palpe o ictus. Faça uma estimativa da parcela da sístole ocupada. NORMAL: 2/3 iniciais da sístole ou menos do que isso, mas deixa de ser percebido antes da 2° bulha. Frêmitos Frêmito: sensação tátil de sopros de alta intensidade. Pesquise frêmitos mediante a compressão com a palma da mão aplicada firmemente sobre a parede torácica. É percebida uma vibração ou um zumbido consequente a turbulência vascular dos sopros cardíacos. • Se houver frêmitos, ausculte a área à procura de sopros. • Características: Localização (focos), situação no ciclo cardíaco (S/D), intensidade (em cruzes) Os frêmitos de origem cardíaca são o frêmito catáreo e o frêmito pericárdico. Frêmito catáreo: tradução palpatória dos sopros cardíacos. Todo frêmito catáreo é acompanhado de sopro, mas nem todo sopro é acompanhado de frêmito. • A intensidade, avaliada por cruzes (variação: + a ++++). Frêmito pericárdico: é o equivalente tátil do atrite pericárdico, ruído produzido pelo roçar dos folhetos enrugados do pericárdio. As vibrações que se palpam são irregulares, não mantém uma perfeita cronologia com as fases da revolução cardíaca e sua intensidade varia com a posição do doente e com a pressão da mão que palpa. É percebido na região descoberta do coração, zona do órgão não recoberta pelas lâminas pulmonares. Atritos Atrito: sensação tátil do atrito entre as membranas pericárdicas e pleuras (visceral e parietal) inflamadas. Para diferenciar o frêmito pericárdico do atrito pleural originado nas lâminas pulmonares, pede-se ao doente prenda a respiração: se for de origem pericárdica, o frêmito persistirá. No caso de gênese pleural desaparecerá. Ausculta Pessoa em decúbito dorsal, tórax exposto, ambiente com temperatura agradável e bem iluminado e silencioso. Ausculta-se: • Frequência cardíaca • Ritmo cardíaco (regular? Arritmias?)• Bulhas (N=B1 e B2/ bulhas acessórias? / Desdobramentos?/ hiperfonese? Hipofonese?) • Sopros (patológicos? Fisiológico? sistólicos? Diastólicos?/ em que foco?/irradia?/) • Estalidos ou cliques de abertura • Atritos • Sopros em artérias/ pescoço/ axila FOCOS: 1) AÓRTICO: 2º espaço intercostal direito na linha para esternal → foco da base 2) PULMONAR: 2º espaço intercostal esquerdo na linha para esternal → foco da base 3) AÓRTICO ACESSÓRIO: 3° espaço intercostal esquerdo, próximo ao esterno → foco da base 4) MITRAL: 5º espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular → foco apical 5) TRICÚSPIDE: parte inferior do esterno, junto ao apêndice xifoide na linha paraesternal esquerda → foco apical BULHAS • B1 (sístole)= Fecha V. mitral + Tricúspide • B2 (diástole) = Fecha V. aórtica + Pulmonar Primeira bulha (B1): • Fechamento das valvas mitral e tricúspide → contração dos ventrículos • Coincide com o ictus cordis e com o pulso carotídeo. • Tem timbre grave e tempo de duração é maior que o da segunda bulha. • É representada pela sílaba “TUM”. • A maior intensidade é no foco mitral. Segunda bulha (B2): • Vibrações originadas pelo fechamento simultâneo das valvas semilunares (aórtica e pulmonar) → relaxamento dos ventrículos. • O fechamento das semilunares não é simultâneo, ocorrendo primeiro o da aorta e, logo em seguida, o da pulmonar. • O segundo ruído é formado por dois componentes denominados A e P . • O componente A é de maior magnitude, origina-se na aorta e precede o componente P, de menor magnitude e que tem sua sede na pulmonar. • A segunda bulha aparece após um pequeno silêncio e é designada pela expressão “TÁ”. Terceira bulha (B3) • Ruído protodiastólico, baixa frequência • Corresponde a vibração da parede ventricular subitamente distendida • Choque do sangue no enchimento lento ventricular (sobrecarga de volume) • Normal em crianças e adultos jovens • Mais audível no foco mitral, em decúbito esquerdo • Ocorre pouco após B2 Quarta bulha (B4) • Ruído débil que ocorre no final da diástole ou pré-sístole • Raramente ouvida, em normalidade, em crianças e adultos jovens • Originada da desaceleração brusca do fluxo sanguíneo mobilizado pela contração atrial • Sístole Atrial (sobrecarga de pressão) • Ocorre pouco antes de B1 CLASSIFICAÇÃO DAS BULHAS Intensidade: normo, hiper e hipofonéticas Desdobramentos: Desdobramento de B1: • É percebido descontinuidade na bulha • Fisiológico → mais comum em adultos (maior diferença pressórica entre aórtica e pulmonar) e é transitório • Patológico → representa um atraso no fechamento da valva tricúspide e sobrecargas ventriculares • Presente tanto na inspiração quanto na expiração • Diferenciar de aparentes desdobramentos de B1 (estalidos sistólicos, B4) • “Trum - Ta” Desdobramento de B2 (fisiológico): • Auscultar no 2º e 3º espaços intercostais esquerdos → analisar áreas da base • Solicite ao paciente que respire silenciosamente e, em seguida mais fundo que o normal. • B2 se desdobra em seus 2 componentes como faz normalmente? o Em caso negativo, peça ao paciente que respire mais fundo ou sente-se. • O desdobramento desaparece como deveria, durante a expiração? o Desdobramento persistente decorre do atraso do fechamento da valva pulmonar ou fechamento prematuro da valva aórtica. • Evidente na inspiração → queda da pressão intratorácica → aumento do retorno venoso → aumento do tempo de ejeção do VD → atraso de B2 • “Tum – trá” Desdobramento de B2 (patológico): • Presentes na inspiração e expiração • Bloqueio de ramo direito ▪ Acentua-se na inspiração • Comunicação interatrial (desdobramento fixo de B2) o Não se modifica com inspiração • Bloqueio de ramo esquerdo (desdobramento paradoxal) o Evidente na expiração SOPROS Vibrações decorrentes de alterações de fluxo sanguíneo, viscosidade ou turbilhonamento. São intimamente ligados a lesões valvares. Ausculte o sopro com o paciente sentado!! Avaliar: • Localização (focos de ausculta) • Timbre (Suave/ rude/ musical/ aspirativo/ em jato ruflar) • Irradiação (axila, pescoço, borda esternal, região interescapular) • Modificações com manobras • Intensidade (graduar em cruzes- até 6+) • Tipos: sistólicos/ diastólico Intensidade A intensidade é classificada em 6 graus (imagem ao lado) Manobras facilitadoras Apneia inspiratória (Manobra de Rivero Carvalho): aumento dos sopros sistólicos pulmonar e tricúspide Apneia expiratória: aumento dos sopros de cavidades esquerdas Esforço físico: aumenta a intensidade do sopro Ligeira flexão do tronco: sopros aórticos e atrito pericárdico Muller (inspiração forçada com a glote fechada): sopros sistólicos pulmonar e tricúspide Decúbito de Pachon (decúbito lateral esquerdo): acentuação do ruflar diastólico da estenose mitral Tipos de sopros Sístólicos (coincide com o pulso) 1-Mesossistólicos (em crescendo e decrescendo/ diamante) Ex: estenose aórtica (EA) 2-Telessistólico começa no final da sístole e termina em B2 3-Holossistólicos (panssistólico) EX: insuficiência mitral (IM) Diastólicos (sempre patológicos) 1-Protodiastólicos (em decrescendo) EX: insuficiência aórtica (IA) 2-Mesodiastólicos- começa um pouco depois da B2 3-Telediastólico (pré-sístólico- em crescendo) EX: estenose mitral (EM) Irradiação dos sopros: • Axila: IM • Pescoço/ vasos da base: EA • Meso e foco aórtico acessório: IA • EM: não irradia (Ictus) SOPROS SISTÓLICOS Insuficiência mitral ➔ Holossistólico, apical, irradia para axila, timbre aumentado, aumenta de intensidade c/handgrip ➔ B1 hipofonética / B3 (sobrecarga de volume) / Desdobramento de B2 (A2 adianta) Estenose aórtica ➔ Mesossistólico (crescendo/decrescendo/ “em diamante”), rude, aórtico, irradia para o pescoço, aumenta de intensidade se agachado, diminui com valsalva ➔ B4 (sobrecarga de pressão) / Pulso Parvus Tardus/ Estalido de abertura aórtico Insuficiência tricúspide ➔ Sopro sistólico que aumenta com inspiração (aumenta RV), ➔ B3 (sobrecarga de volume) ➔ Pulso venoso (onda V) ➔ Turgência de jugular/ Hepatomegalia/ Pulso hepático/ Ascite Comunicação Interventricular (CIV) ➔ Holossistólico ➔ B3 (sobrecarga de volume) ➔ S/S: Hiperfluxo pulmonar (Hipertensão pulmonar/ infecção de repetição) SOPROS DIASTÓLICOS Estenose mitral ➔ Mesotelediastólico, com reforço pré sistólico (cont. atrial), baixa frequência/ s/ irradiação ➔ B1 hiperfonética ➔ Estalido de abertura mitral ➔ S/S: Hipertensão pulmonar (dispneia/ hemoptóicos/ edema agudo de pulmão) Insuficiência aórtica ➔ Protodiastólico, aspirativo, alta frequência, foco aórtico acessório, aumenta com Handgrip ➔ Sopro de Austin Flint: EM relativa devido a IA grave (não tem B1 hiperfonética) ➔ B3 (sobrecarga de volume) ➔ Sinais: • De Musset (cabeça) • Pulso em Martelo d’água ou Célere ou de Corringan • Pulso de Quink (capilar) • Hill (PA MMII 40mmHg > que em MMSS) • Sopro femoral (Durozrez) • Batimento Fúrcula esternal • PA divergente • Cardiomegalia/ precordialgia/ síncope ESTALIDOS Ruídos secos, de curta duração, diastólicos Mitral • Estalido de abertura da valva mitral, diastólico • Estenose Mitral Tricúspide • Estenose tricúspide CLIQUES Ruídos de alta frequência e curta duração, caráter estalante, sistólicos • Calcificação valvar • Prótese mecânica DOENÇAS SÍNDROMES PERICÁRDICAS PERICARDITE ➔ Dor torácica (irradia para a escápula/melhora com postura de “prece”) ➔ Atrito pericárdico (fricção entre os 2 folhetos): som “couro ou lixa” melhor audível em apneia DERRAME PERICÁRDICO ➔ Ausculta: Hipofonese de bulhas ➔ Tamponamento (acumulo >200ml) • Tríade de beck:hipotensão/ abafamento de bulhas/ turgência de jugular • Pulso paradoxal- redução da PS (>10mmHg) durante a inspiração • Hepatomegalia dolorosa • Confusão mental, oligúria, dispneia, taquipneia • Desaparecimento do colapso Y (não tem fase de enchimento rápido) ENDOCARDITE ➔ Tríade: febre + sopro + esplenomegalia ➔ Sinais vasculares: Lesões de janeway (extremidades)/ embolias/aneurismas/hemorragia conjuntival ➔ Sinais imunológicos: nódulos de Osler (extremidades/ dolorosos)/ Manchas de Roth (retina) INSUFICIÊNCIA CARDÍACA Classe funcional: • I- sem dispneia • II- dispneia aos grandes esforços • III- dispneia aos médios esforços • IV- dispneia em repouso Insuficiência de ventrículo direito (IVD): Aumento de VD • Congestão periférica: hepatomegalia/ turgência de jugular/ refluxo hepato-jugular/ ascite/ edema/ caquexia (edema TGI) Insuficiência de ventrículo esquerdo (IVE): Cardiomegalia (ictus desviado propulsivo) • Congestão pulmonar (dispneia/ dispneia paroxística noturna / ortopneia/ tosse/ edema agudo de pulmão) • Baixo débito: fadiga/ oligúria/ Respiração de Cheyne stokes (hiperpneia/ apneia) Insuficiência cardíaca congestiva (ICC): IVD + IVE CHOQUE Hipotensão arterial + palidez + confusão mental + extremidades frias + oligúria ou anúria + sudorese + colapso de veias superficiais