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Hemorragia digestiva Aspectos relevantes na abordagem inicial Emergências cirúrgicas – Prof. Felipe Gois Aula 7 – 22/04/2021 Estratificação de risco Risco de complicações e de morte diferentes → Condutas diferentes Classificação Sangramento ao longo do trato gastrointestinal Hemorragia digestiva alta: esôfago, estomago duodeno Ligamento de Treitz: divide o jejuno do duodeno (separa o trato digestivo alto do baixo) Hemorragia digestiva baixa: delgado, cólon, reto e anus A cavidade abdominal é toda coberta por peritônio. O peritônio começa na raiz do mesentério, na coluna vertebral, e ele envolve os órgãos, na altura do figado e do estômago ele fecha essa bolsa, com o omento maior e omento menor. Atras do estômago existe o forame epiplóico, aonde as estruturas do retroperitônio se comunicam com as estruturas da cavidade peritoneal, esse ligamento fixa a transição entre o duodeno e o jejuno (área cega) e serve como referência anatômica. Tecido epitelial: reveste o corpo humano, forma a pele e todos os tratos (espaço dentro do corpo que faz comunicação com o meio externo - TGI, TGU e TR). Camadas de tecido: • Mucosa: tecido epitelial • Submucosa: tecido conjuntivo que nutre a mucosa Medicina UniFTC – 8º semestre Mª Manuela Ribeiro • Muscular da mucosa: dá o movimento àquela parte Os vasos ficam abaixo da mucosa, de forma que, lesões na mucosa vão promover a exposição desse vasos e com isso ocorre o sangramento. Duodeno 4 seguimentos: Superior, circular, transverso, descendente (se continua com o jejuno) A 2ª porção do duodeno é retroperitoneal; Manifestações clínicas Hematêmese: vômito de sangue, geralmente causada por um sangramento alto do esôfago ou região proximal do estômago e que por estímulo vagal, o indivíduo vomita sangue; Melena: sangue digerido nas fezes (escurecido) e com odor fétido, sangue que sofre a ação do suco gastrointestinal e das bactérias colônicas. Hematoquezia: sangue vivo nas fezes e em pequeno volume, traduz um sangramento baixo (anorretal e doença hemorroidária); Hemorroidas: dilatações varicosas do plexo hemorroidário, o vaso fica muito próximo a mucosa, no momento em que há o esforço evacuatório a mucosa é rompida e o vaso sangra. Enterorragia: sangue vivo nas fezes em grande volume, traduz um sangramento baixo; Sangue oculto nas fezes: associado a anemia, síndrome consumptiva, quando positivo pensar em neoplasias malignas (adenocarcinomas); Choque: hipoperfusão tecidual, alterações cutâneas Síndrome anêmica: palidez cutâneo-mucosa, hipoatividade, astenia, icterícia Exacerbação das doença de base: Hipertensão porta (PROVA): aumento de pressão no espaço porta Sistema porta: é a comunicação de dois sistemas de capilares fora do coração, vai para o fígado, é neutralizado e formam as veias hepáticas. O sangue que foi absorvido do intestino recircula através do sistema porta e o que fica lá é o que não presta mais, pra que o hepatócito (citocromo p450) neutralize tudo, e outro sistema de capilares recebe esse sangue, que tributam para a veia porta. A artéria hepática nutre o hepatócito. Indivíduos com cirrose hepática: fibrose no fígado e o sangue não consegue passar pelos hepatócitos, acúmulo de sangue e hipertensão portal. Formação de circulação colateral (redes de anastomoses venosas, uma no reto e outra no esôfago), exercendo pressão e dilatando outros vasos, causando um refluxo sanguíneo para as veias esofágicas e retais (varizes de esôfago e de reto). Estratificação de risco Escala de Glasgow-blachford (EGB): calcula o risco de sangramento Se EGB ≥ 1: alto risco de intervenção ou morte, com sensibilidade >99% EGB = 0: baixo risco e pode receber alta precoce, com realização de EDA ambulatorialmente no dia seguinte. Passo 2: Estabilização Paciente estável → sem sinais de choque Buscar pelo sítio de sangramento MOV + ABCDE Em casos de hematêmese volumosa é indicativo absoluto de via aérea definitiva, isso porque pode ocorrer broncoaspiração e pneumonite química. No choque hipovolêmico não há indicação de droga vasopressora. Exames de sangue: hemograma, tipagem sanguínea, lactato. Endoscopia/Colonoscopia: precoce e no melhor momento para o paciente, para identificar e tratar o foco de sangramento. Paciente estável? Sim Buscar pelo sítio de sangramento História clínica + Exame físico Não Estabilizar o paciente MOV + ABCDE Buscar pelo sítio de sangramento MOV - Monitorização - Oxigênio suplementar -Punção venosa (2 acessos calibrosos) - Reposição volêmica ABCDE A: Vias aéreas pérvias B: Avaliar via aérea definitiva C: Identificar e tratar o choque + Exame de sangue D: Drogas E: Endoscopia Passo 3: Localizar o sítio e tratar Suspeita clínica de HDA: • Úlcera péptica • Varizes esofágicas + Hipertensão porta • Síndrome de Malorey-Weis Suspeita clínica de HDB: • Doença diverticular • Doença inflamatória intestinal • Neoplasias Sonda nasogástrica: descomprime o estômago, retirando o excesso de líquido, sangue e gás e impede que o indivíduo vomite. • Passa a sonda e deixa por aspiração (facilita para não causar estase gástrica) Exame de toque retal: • Se vier sangue: HDB • Se não vier sangue: HDA Drogas IBP: omeoprazol, pantoprazol... • NUNCA usar ranitida (inibidor H2) Terlepressina/Somatostatina/ Octeotride: vasoconstricores esplânicos, leva a uma vasoconstricção dos vasos que chegam ao sistema visceral, diminuindo a quantidade de sangue que chega no TGI Endoscopia digestiva alta + Sonda nasogástrica Toque retal + Colonoscopia Reverter a anticoagulação • Uso de anticoagulante em paciente sangrando → plasmaferese (plasma fresco congelado) • Pacientes em uso de inibidores de vitamina K (Varfarina/Marevan) → Administrar Vitamina K • Uso de Protramina ou Protromblex (melhor opção, porém caro) Em pacientes com hipertensão porta→ uso de ATB (Nofloxacino ou Ceftriaxone) Outros recursos Arteriografia/ cintilografia: identificação de qual vaso está sangrando e embolização do vaso; Balão de Sengstaken Blakemore: só pode ficar por 24h Resumo