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Sistema Digestório 
 
Existem diversas alterações provenientes do 
sistema digestório que necessitam de 
intervenções cirúrgicas. 
 
 
*Órgãos sistema digestório* 
 
Mucocele Salivar 
Coleção de saliva que extravasou de uma 
glândula ou de um ducto danificado e foi 
compensado por um tecido de granulação. 
• Trauma no ducto salivar excretor ou pela 
sua obstrução; 
• Comum em cães machos, geralmente 
com idade adulta; 
 
*glândulas e ductos* 
Classificação 
É subdividida em 4 classificações. 
1. Cervical – coleção de salivas nas 
estruturas mais profundas do espaço 
intermandibular no ângulo da mandíbula 
ou na região cervical superior; 
2. Sublingual – coleção salivar sublingual 
causal as aberturas dos ductos 
sublingual e mandibular; 
3. Faríngea – ocorre nos tecidos 
adjacentes à faringe; 
4. Zigomática – aparece ventral ao globo 
ocular; 
 
 
*mucocele sublingual* 
 
Mucocele não são cistos! 
 
São revestidos por um tecido de granulação 
induzido secundariamente a uma inflamação 
causada pela saliva livre nos tecidos. 
• Raramente a causa é identificada; 
• Traumatismo contusos (coleiras 
enforcadoras), corpos estranhos e 
sialólitos (cálculo); 
 
Predisposição 
• Mais comum na região intermandibular; 
• Cães mais afetados que gatos; 
• Poodles, pastores e dachshunds são 
mais acometidos; 
Sinais Clínicos 
• Massa indolor; 
• Flutuante; 
• Desenvolvimento gradual; 
• Depende da localização; 
• Apreensão anormal de alimentos ou 
sangramento oral (rânula); 
• Pode haver compressão das vias aéreas 
gerando desconforto respiratório e 
disfagia; 
• Exoftalmia e estrabismo (mucocele 
zigomática); 
 
Em casos mais graves pode ocorrer fratura 
patológica (mandíbula ou maxila) por 
comprometimento ósseo. 
 
*aumento de volume* 
 
Diagnóstico 
• Anamnese e inspeção clínica; 
• Colocar o animal em decúbito dorsal 
para avaliar a origem; 
• Exame paracentese (aspirado de saliva); 
 
*paracentese* 
Diagnóstico diferencial 
• Neoplasias; 
• Abcessos cervicais; 
• Corpo estranho; 
• Hematoma; 
• Linfonodos císticos ou neoplásicos; 
• Cistos; 
 
Tratamento 
Não é indicado puncionar para retirada do 
líquido, o tratamento é cirúrgico. 
• Mucocele cervical - excisão de todas as 
glândulas mandibulares, sublinguais e 
seus ducto e a drenagem do conteúdo; 
• Mucocele sublingual (rânulas) – 
marsupialiação; 
 
 
*excisão de glândula e drenagem do conteúdo* 
 
Complicações 
• Formação de seroma; 
• Infecções. 
• Recorrência da mucocele; 
• Resseção de linfonodos; 
• Lesões de vasos e nervos; 
 
Prognóstico excelente se a cirurgia for realizada 
corretamente 
 
Esôfago – anatomia 
Vamos relembrar algumas características do 
esôfago. 
• Começa na cavidade oral e desemboca 
no estômago (esfíncter cárdia); 
• Estrutura tubular de comprimento curto, 
formado por células esofágicas e pelas 
glândulas mucosas cuja principal função 
é proteger e lubrificar a parede do 
esôfago facilitando a passagem do 
alimento até o estômago; 
 
Camadas 
• Mucosa; 
• Submucosa (sustentação); 
• Muscular; 
• Adventícia; 
• Ausência de camada serosa; 
 
Esôfago tem péssima cicatrização 
 
Megaesôfago 
É a condição que se refere à dilatação esofágica, 
bem como sua hipomotilidade. 
• Primário ou secundário; 
 
*megaesôfago em cão – radiografia* 
 
Primário 
• M. congênito – hipomotilidade e 
dilatação generalizada do esôfago; 
• M. idiopático – mais comumente em cães 
adultos, principalmente naqueles que 
apresentam no histórico fatores 
estressantes, como fraturas e 
traumatismos; 
• M. adquirido – decorrente da inexistência 
dos movimentos peristálticos, observa-
se dilatação; 
Secundário 
• Decorre geralmente das causas 
primárias, causando disfunções motoras 
esofágicas, e a partir dessas, o órgão 
sofre dilatação; 
• Causas mais comuns – neuropatias 
degenerativas, miastenia grave, 
hipotireoidismo, hipoadrenocorticismo 
tumores; 
 
Sinais clínicos 
• Dificuldade de deglutição; 
• Regurgitação; 
• Emagrecimento; 
• Halitose; 
• Ptialismo; 
• Sinais respiratórios (pneumonia 
aspirativa) 
 
 
*regurgitação – alimento inteiro* 
 
Diagnóstico 
• Anamnese; 
• Radiografia cervicais e torácicas; 
• (pode usar contraste – esofagograma); 
• Esofagograma permite melhor avaliação 
do tamanho e da forma do esôfago nos 
casos de megaesôfago e anomalias do 
anel vascular; 
• Endoscopia; 
 
Contraste Iodado x Bário 
 
Contraste iodado 
• Administrado por via oral ou IV, pode ser 
utilizado para realçar diversos órgãos do 
aparelho digestivo, urinário, vasos 
sanguíneos em qualquer parte do corpo 
e útero; 
 
Sulfato de bário 
• Pode ser administrado por vira oral ou 
retal; 
• Indicado para estruturas do trato 
digestivo; 
 
Atenção! Se há suspeita de perfuração de 
vísceras não utilizar sulfato de bário, pois ele 
não se dissolve nem é absorvido pelo corpo. 
 
 
*radiografia contrastada – megaesôfago* 
 
Tratamento 
O tratamento pode ser cirúrgico, medicamentoso 
e também manejo nutricional, depende da causa 
base. 
 
Manejo Nutricional 
• Introduzir dieta com alimentação 
pastosa; 
• Oferecer a quantidade diária fracionada 
em pequenas e múltiplas refeições; 
• Utilizar dieta com alta densidade calórica 
para atender às exigências nutricionais 
diárias com menor volume de alimento; 
• Posicionar o animal em posição bipedal 
no momento da refeição para facilitar a 
passagem do alimento pelo esôfago; 
• Manter o animal na posição bipedal por 
pelo menos 20 minutos; 
 
 
*posição bipedal* 
 
Medicamentoso 
• Procinéticos (Metoclopramida e 
cisaprida); 
• Betanecol; 
• Anticolinérgicos e agonistas dos canais 
de cálcio; 
• Ringer Lactato; 
• Sildefafila; 
• Terapia neural; 
 
Cirúrgico 
• Descompressão / lavagem gástrica; 
• Gastropexia com sonda (gastrostomia) – 
permite descompressão e colocação de 
alimentação e medicação diretamente no 
estômago; 
• Gastropexia circuncostal – forma a 
aderência mais forte que as outras 
técnicas, porém a técnica é mais difícil e 
possui risco de pneumotórax e fratura de 
costelas; 
• Gastropexia Flape Muscular – fácil e 
rápido, não abre o lúmen gástrico mas é 
menos forte que a circuncostal; 
• Gastropexia alça de cinto (mesma coisa 
da de flape muscular); 
 
Corpo Estranho - esofágico 
Qualquer material ingerido por um animal que 
não pode ser digerida (pedras, plástico, tecidos) 
ou que são digeridas lentamente (ossos). 
• Comum em cães; 
• Risco obstrução parcial ou total; 
• Corpos estranhos lineares – mais 
comum em gatos; 
• Se visíveis na radiografia, seu 
comprimento e largura devem ser 
medidos, e a probabilidade de passagem 
sem necessidade de intervenção 
cirúrgica deve ser avaliada; 
• Esofágico, estomacal, intestinal; 
 
 
*corpo estranho esofágico* 
 
Sinais Clínicos 
• Salivação; 
• Dispneia; 
• Disfagia; 
• Náusea; 
• Tosse; 
 
Diagnóstico 
• Anamnese e exame físico; 
• Exames de imagem (radiografia, 
tomografia e ressonância, endoscopia); 
 
Em caso de suspeita de perfuração não utilizar 
contraste de bário 
Complicações 
• Perfuração esofágica; 
• Esofagite; 
• Estenose esofágica; 
• Fístulas esofágicas; 
 
Tratamento 
Caso não consiga fazer a passagem, consiste em 
remoção do corpo estranho. 
• Remoção endoscópica é a primeira 
indicação; 
• Toracotomia lateral esquerda – até base 
cardíaca; 
• Se for caudal a toracotomia é feita pela 
lateral direita; 
 
 
*remoção endoscópica* 
 
É necessário passagem de sonda no pós 
cirúrgico caso a retirada não tenha sido por 
endoscopia (20 a 30 dias). 
 
Cicatrização 
Normalmente são influenciadas pela alta da 
camada serosa, suprimento sanguíneo pobre, 
constantes movimentos e distensão com a 
passagem de alimentos. 
• Deiscência; 
• Estenose; 
• Fistulação; 
Anomalia vascular 
Algumas são as anomalias vasculares que 
podemosnos deparar na clínica cirúrgica. 
• Anomalias de anel vasculares as mais 
comuns; 
 
Persistência do 4° arco aórtico direito 
(P4AAD) 
É uma anomalia do anel vascular que resulta do 
desenvolvimento anormal dos arcos aórticos 
durante o desenvolvimento embriológico 
vascular. 
• Os anéis vasculares são malformações 
congênitas dos grandes vasos e seus 
ramos, que circundam a traqueia e o 
esôfago, gerando sinais de obstrução 
esofágica; 
• Corresponde a 95% das anomalias do 
anel vascular; 
• O 4° arco aórtico deveria involuir, mas 
em alguns animais ele persiste mudando 
a posição anatômica da aorta, com o 
esôfago passando entre eles; 
 
 
*radiografia – P4AAD* 
 
Complicações 
Essa alteração pode gerar sérias complicações 
para o animal. 
• O ligamento arterioso comunica aorta 
com a artéria pulmonar em fetos. 
Quando o paciente nasce, essa 
comunicação involui e forma um 
ligamento; 
• Quando a aorta sai do 4° arco, ela acaba 
ficando entre o ligamento arterioso e 
entra a aorta, resultando no 
estrangulamento do esôfago e na porção 
anterior geral uma dilatação; 
 
Sinais Clínicos 
Mesmas manifestações do paciente com 
megaesôfago. 
• Dificuldade de deglutição; 
• Regurgitação; 
• Emagrecimento; 
 
Diagnóstico 
• Anamnese, exame físico; 
• Radiografia torácica simples e 
contrastada; 
• Angiografia e tomografia; 
 
Somente a angiografia e a tomografia 
conseguem evidenciar qual anomalia vascular 
ocasionou tal afecção. Radiografia só 
demonstra anomalia, mas não específica. 
 
 
*radiografia simples – contrastada* 
 
Tratamento 
Consiste na correção cirúrgica que pode ser 
realizada associada a plicatura esofágica. 
 
• Transecção do ligamento arterioso – 
toracotomia intercostal; 
• A estenose esofágica deve ser corrigida 
através da dilatação esofágica da porção 
estenosada, que deve ser desfeita com a 
passagem de uma sonda de Foley; 
 
 
*toracotomia intercostal* 
 
Dilatação Vólvulo Gástrica 
É o aumento do tamanho do estômago associado 
a rotação do seu eixo mesentérico. 
• Alimentação exacerbada → exercício 
intenso; 
• Porte grande ou gigante (Pastor, 
Labrador, São Bernardo), cães idosos 
(frouxidão ligamentar); 
• Pode ocorrer torção esplênica 
associada; 
 
 
*relação exercícios – estômago* 
 
 
*relação exercícios – dilatação, torção* 
 
1. Ingestão de grandes quantidades de 
alimento seguido ou não de períodos 
prolongados de jejum, aerofagia, 
fermentação e alterações de motilidade; 
2. Acúmulo de conteúdo na câmara 
gástrica (líquido, gasosos, sólido) 
resultando na dilatação significativa do 
estômago; 
3. Rotação no eixo mesentérico, ou seja, 
rotação anormal do estômago em seu 
próprio eixo; 
 
Geralmente a rotação ocorre em sentido horário, 
mas pode ocorrer no sentido contrário também 
 
Sentido da torção 
• Horária – fundo gástrico (comum); 
• Anti-horária – duodeno por baixo (rara); 
 
*sentido horária* 
Dilatação x Dilatação Vólvulo Gástrica 
 
Fisiopatologia 
 
*regiões estômago* 
 
*anatomia estômago* 
 
*vascularização* 
 
Etiologia 
Desconhecida, pode ser multifatorial. 
• Conformação corporal; 
• Estresse; 
• Frouxidão ligamentar; 
• Fator genético; 
• Exercícios pós alimentação; 
• Ingestão súbita de grande quantidade de 
alimentos; 
 
 
*fisiopatologia* 
 
*compressão das veias pela dilatação gástrica* 
 
Choques 
Quando o animal possui torção ele vai ter choque 
hipovolêmico, obstrutivo e pode ter também 
choque distributivo. 
 
*esquema choque obstrutivo e hipovolêmico* 
• Débito cardíaco – volume de sangue 
bombeado pelo coração em uma 
determinada frequência; 
• Pré-carga – quanto o ventrículo foi 
alongado até o final da diástole (volume 
de sangue que chega nos átrios); 
• Pós-carga – pressão na aorta que a 
contração ventricular deve superar para 
abrir a válvula aórtica e ejetar o sangue 
na aorta; 
• Contratilidade – contração é necessária 
para o sangue sair do coração e ir para 
circulação; 
 
Como ocorre o choque? 
1. A compressão da veia cava e a veia 
porta; 
2. Diminuição do retorno venoso causando 
uma redução na pré-carga; 
3. Diminuição do volume circulante 
(hipotensão) e redução do débito 
cardíaco; 
4. A diminuição do débito cardíaco 
ocasiona um choque hipovolêmico 
(diminuição do volume sanguíneo) e 
choque obstrutivo (fluxo sanguíneo está 
bloqueado pela dilatação/torção); 
 
Além desses 2 choques, devido a torção o 
animal irá ter uma inflamação sistêmica irá gerar 
alterações na microcirculação, causando 
choque distributivo (má perfusão tecidual) 
 
Pressão Arterial 
Outra complicação da dilatação vólvulo gástrica 
será consequência da redução do débito 
cardíaco. 
1. Redução do débito cardíaco e 
consequente redução da pressão 
arterial; 
2. Hipoperfusão tecidual – disfunções 
orgânicas e obtenção anaeróbica de 
energia; 
3. Ácido lático + Lactato levando a uma 
acidose metabólica; 
 
 
*esquema pressão arterial* 
 
Síndrome Isquêmica Reperfusão 
1. Devido a torção gástrica ocorrerá 
apoptose celular + processo inflamatório 
ativo; 
2. Aumento de potássio e catecolaminas na 
região do estômago; 
3. Após a realizada da descompressão 
essas substâncias que estavam paradas 
nessa região irão se distribuir para a 
circulação (choque distributivo); 
4. Causa uma síndrome inflamatória 
sistêmica → síndrome isquemia 
reperfusão; 
 
Além disso o animal pode apresentar arritmias 
ventriculares, distúrbios de coagulação e 
vasodilatação mediada por N2O 
 
 
*esquema síndrome isquêmica reperfusão* 
Complicações da síndrome isquêmica 
reperfusão 
• Arritmias ventriculares; 
• Distúrbios de coagulação – CID 
(coagulação intravascular disseminada); 
• Vasodilatação mediada por N2O; 
 
 
*esquema complicações SIR* 
 
Baço 
O baço tem uma porção grudada no estômago, e 
pode torcer junto (torção esplênica). 
• Caso o baço venha a torcer é obrigatório 
sua remoção, na posição em que está 
(evitar síndrome isquêmica), sem 
retorna-lo a sua posição anatômica; 
 
 
*remoção do baço torcido* 
 
Sinais Clínicos 
• Abdômen distendido; 
• Prostração intensa; 
• Decúbito obrigatório; 
• Dispneia; 
• Sinais de dor; 
• Sialorreia intensa; 
• Mímica de êmese; 
 
 
*mímica de êmese* 
 
Exame físico 
• Abdômen timpânico; 
• Taquicardia; 
• Hipotensão; 
• Arritmias; 
• Dor abdominal; 
 
Diagnóstico 
Radiografia 
• Dilatação simples x dilatação + torção; 
• Projeções dorsoventral e latero-lateral 
direita; 
• Não realizar projeção ventrodorsal por 
risco de aspiração; 
• Compartimentalização; 
• Penumoperitôneo → ruptura gástrica; 
• Ar na parede do estômago → necrose 
gástrica; 
 
 
*radiografia DVG* 
Avaliação laboratorial 
• Avaliação das consequências; 
• Hemograma e testes bioquímicos → 
avaliação do estado geral e da função 
orgânica (principalmente rim e fígado); 
• Testes de coagulação; 
• Hemogasometria; 
 
Tratamento 
• Estabilização do paciente; 
• Cirurgia emergencial; 
• Fluidoterapia agressiva → 
preferencialmente buscar 2 acessos; 
• Não utilizar os membros pélvicos – 
obstrução das veias; 
• Ringer Lactato fluido de escolha; 
 
Descompressão Gástrica – dilatação s/torção 
• Inserção de um gastrotubo (mensurar 
distância, avaliar nível de consciência, 
realizar lavagem com água morna); 
• Gastrocentece – cateter periférico; 
• Trocárter; 
 
Cirurgia Gástrica – torção 
• Descomprimir o estômago e reposiciona-
lo; 
• Inspecionar estômago e baço para 
identificar e remover qualquer tecido 
necrótico; 
• Gastrectomia (invaginante ou não) – 
necrose; 
• Esplenectomia – baço torcido; 
• Realizar a gastropexia – fixar o 
estômago na parede do abdômen; 
 
 
*gastropexia* 
 
Pós-operatório 
• UTI (mínimo 24h); 
• Avaliar sinais de reperfusão; 
• Monitoração hemodinâmica intensiva; 
• Parâmetros de coagulação; 
• Tratamento antiarrítmico se necessário;Prognóstico 
• Quanto antes identificada e realizado o 
procedimento melhor é o prognóstico; 
• Mortalidade 10 a 45%; 
• O grau de rotação do estômago não está 
associado à pior prognóstico; 
• Necrose gástrica → mortalidade 10x 
maior; 
 
 
*taxa de eutanásia* 
 
 
Intestino 
A maior causa de cirurgias no intestino é 
decorrente de uma obstrução. 
 
 
*anatomia intestino* 
 
Causas de obstruções 
Intussuscepção 
• Invaginação de uma porção do aparelho 
gastrointestinal sobre o lúmen da porção 
adjacente; 
• Pode ser única, múltipla ou composta; 
• Uma alça entra dentro da outra; 
 
Vólvulo obstrução 
• Causada por torção ou nó do TGI podem 
bloquear o intestino e obstruir o fluxo de 
sangue; 
 
Estenose 
• Diminui o calibre do esôfago, dificultando 
ou impedindo que a saliva e os alimentos 
progridam até o estômago; 
 
Abscessos 
• Se formam entre os órgãos da cavidade 
abdominal; 
 
Granulomas 
• Um tipo de lesão que ocorre na pele ou 
na mucosa ao redor da estomia; 
• Geralmente tem aspecto de pequenos 
nódulos; 
 
Neoplasias 
• Secreção com pus; 
• Sangramento contínuo; 
• Diarreia sem motivo aparente; 
• Mais comuns – adenocarcinoma, 
redondas (mastocitoma, linfoma); 
 
Intervenção cirúrgica 
Enterectomia x Enterotomia 
 
• Enterotomia (corte) – coloração próxima 
do normal, pulso presente, peristaltismo 
presente; 
• Enterectomia (retirada) – ausente 2 ou + 
características ou sem pulso; 
 
Predisposição a deiscências 
• Comorbidades; 
• Sutura muito apertada ou sutura frouxa; 
• Mucosa revertida (porta de saída de 
bactérias); 
• Manejo alimentar errdado; 
 
Neoplasias intestinais 
Acomete uma ou + camadas intestinais. 
• Células, glândulas ou vasos linfáticos 
associados; 
• Pode acometer linfonodo (biópsia de 
linfonodo – retirar apenas uma parte); 
• A maioria são malignas; 
• Mais frequente em reto e cólon (cães) e 
intestino delgado (gatos); 
• Duodeno pior local para ter tumor, pois 
possui entrada de ductos; 
• Podem causar uma obstrução mecânica 
intramural; 
• Mais comum invadirem camada 
muscular, comprometendo o diâmetro e 
reduzindo a distensibilidade; 
• Se é epitelial, é sarcoma; 
• As neoplasias de células redondas são 
tumores mesenquimais – mastocitomas, 
histocitomas, plasmocitomas, linfomas 
(quimioterapia e em alguns casos 
cirurgia) e tumor venéreo (transmissível) 
 
Sempre realizar enterectomia em casos de 
neoplasias intestinais 
 
 
*neoplasias no intestino delgado* 
 
Sinais Clínicos 
• Êmese e diarreia; 
• Dor; 
• Anorexia e hiporexia; 
• Hematoquezia; 
• Gemidos; 
• Inapetência; 
• Melena; 
• Tenesmo; 
 
 
*melena* 
Diagnóstico 
• Anamnese e sinais clínicos; 
• Radiografia; 
• Ultrassonografia; 
• Tomografia; 
• Laparotomia exploratória; 
 
 
*massa intestinal obstrutiva* 
 
Tratamento 
O tratamento consiste na remoção cirúrgica do 
tumor (enterectomia). 
• Toda massa é mandada para análise 
 
Intussuscepção 
Distúrbio no qual um segmento do intestino 
desliza por cima do outro. 
• Desbalanço do movimento intestinal; 
• Uma alça entra dentro da outra; 
• Os segmentos afetados bloqueiam o 
intestino e o fluxo sanguíneo; 
 
Causas 
Normalmente não é identificada. 
• Corpo estranho; 
• Aumento do peristaltismo; 
 
Fisopatologia 
• Invaginação de um segmento intestinal 
(intussuscpeto) no interior do lúmen de 
um segmento adjacente 
(intussuscepiente); 
• Normalmente o intussuscepto é uma 
porção proximal (mas pode ocorrer o 
contrário); 
• Pode ocorrer em múltiplos locais e 
também duplas invaginações no mesmo 
local; 
• Inicialmente causa obstrução intestinal 
parcial, que progride para total; 
 
 
*intussuscepção* 
 
Predisposição 
• Cães jovens; 
• Cães com parvovirose (aumento do 
peristaltismo); 
 
Sinais clínicos 
• A parede se torna edematosa, isquêmica 
e túrgida; 
• Sangue extravasa no interior do lúmen e 
a camada serosa sofre fissuras; 
• Desvitalização intestinal com 
contaminação da cavidade; 
• Sepse, choque e óbito; 
 
*intussuscepção – regiões* 
 
Diagnóstico 
• Anamnese; 
• Mudança de ambiente ou se passou por 
cirurgia; 
• Prenha, mas depende da dor e região; 
• Ultrassom é diagnóstico definitivo; 
 
Exame físico 
• Palpação de uma alça intestinal 
espessada e alongada em forma de 
salsicha; 
 
Tratamento 
Redução cirúrgica ou enteroanastomose. 
 
Redução manual 
• Tração suave das alças; 
• Animais com o instestino viável, realizar 
a enteropexia (pregueamento intestinal) 
para evitar recorrência; 
 
Enteroanastomose 
• Se a porção intestinçao não estiver 
viável ou não for possível a redução 
manual; 
• Procedimento reparador de partes do 
intestino; 
 
Pós Operatório 
• Manutenção do equilíbrio 
hidroeletrolítico e de ácido-base; 
• Medicações (ANTB, analgésico, 
antiinflamatórios, antieméticos); 
• Jejum de 6 a 12 horas; 
• Introdução alimentar, inicialmente com 
alimentos líquidos; 
 
Prognóstico 
Depende da localização e completitude (parcial 
ou total) e duração. 
• Reservado – animais podem morrer de 
sepse, hipovolemia e desequilíbrios (3 a 
4 dias); 
• Prognóstico bom se houve redução 
manual sem comprometimento; 
• Remoção de grandes porções 
intestinais, risco de estenose e síndrome 
do intestino curto; 
 
Corpo estranho Intestinal 
 
• Animais jovens (menor de 4 anos), 
hiperativos e brincalhões; 
 
Sinais Clínicos 
• Vômito agudou ou recorrente; 
• Anorexia, depressão; 
• Diarreia e dor abdominal; 
Diagnóstico 
• Anamnese e exame físico; 
• Apresentação depende da localização, 
do tipo de obstrução (parcial ou total), da 
duração e integridade intestinal; 
• Palpação abdominal pode identificar 
massa intestinal anormal com alças 
contendo gás e fluido; 
• Visualização de corpos estranhos 
lineares na base da língua; 
 
Nunca puxar corpo estranho linear – lacerações 
 
Radiografia 
• Simples ou contrastada; 
• Não usar contraste de bário em suspeita 
de perfuração; 
• Aumento de gás intraluminal; 
• Intestino pregueado (c.e linear); 
• Sempre realizar radiografias repetidas, 
imediatamente antes da cirurgia; 
 
 
*corpo estranho intestinal* 
 
Ultrassom 
• Associado ao raio x permite melhor 
avaliação e estabelecimento do 
diagnóstico; 
 
Tratamento 
• Enterotomia; 
• Enterectomia / enteroanastomose; 
Prolapso Retal 
Protrusão da mucosa retal a partir do ânus. 
 
 
*prolapso* 
 
• Qualquer afecção que cause tenesmo 
pode provocar prolapso retal; 
• Associados principalmente à 
endoparasitismo ou enterites em 
animais; 
• Neoplasias e hérnias perineais em 
animais de meia idade a idosos; 
• Pode ser incompleto (envolve somente a 
mucosa) ou completo (todas as camadas 
e toda a circunferência retal); 
• Fraqueza dos tecidos conjuntivos ou 
músculos perineais, contrações 
peristálticas descoordenadas e 
inflamação ou edema de mucosa retal; 
 
Intussuscepção x Prolapso 
 
 
*prolapso retal* 
 
Tecido prolapsado fica edematoso, impedindo a 
retração espontânea 
 
Sinais Clínicos 
• Escoriações, sangramento, 
ressecamento e necrose; 
 
Não possui predileção por raça ou idade, 
acomete cães e gatos 
 
Diagnóstico 
• Anamnese e exame físico; 
• Protrusão da mucosa retal; 
• Grau de prolapso; 
• Radiografia e ultrassom (identificar a 
causa do prolapso); 
• Achados laboratoriais (inespecíficos); 
 
Diagnóstico diferencial 
• Intussuscepção ileocólica; 
• Diferencia-se na palpação retal (em caso 
de intussuscepção é possível a inserção 
de um dedo ou sonda lisa ao longo da 
massa prolapsada, o que não é possível 
no prolapso retal); 
 
 
*inserção do dedo* 
 
 
Tratamento 
Depende da causa, do grau de prolapso, 
cronicidade e se é recorrente ou não. 
• Prolapso agudo é mais facilmente 
tratado que o crônico (pode exigir 
ressecção); 
• Recomendado redução manual – 
prolapsos agudos, sem danos teciduais; 
 
Reduçãomanual 
• Realizar lavagens com SF fria, 
massagens e lubrificação; 
• Sutura suficientemente apertada para 
manter a redução do prolapso, sem 
interferir na eliminação de fezes 
pastosas; 
 
 
*redução manual* 
 
Tratamento Cirúrgico 
• Prolapsos não redutíveis ou gravemente 
traumatizados devem ser amputados; 
• Deve-se realizar a colopexia quando o 
prolapso retal recidiva repetidamente 
após redução manual ou amputação; 
 
Pré-Operatório 
• Redução do prolapso deve ser 
IMEDIATA (evitar traumatismos); 
• Antibióticos antes da indução 
anestésica; 
• Lavagem do tecido exposto com solução 
salina estéril fria e lubrificante 
hidrossolúvel; 
 
*amputação do prolapso retal* 
 
Pós Operatório 
Tratar a causa do prolapso para evitar recidivas. 
• Opióides epidurais eliminam o tenesmo 
e dor no pós operatório; 
• Analgésicos, anti-inflamatórios e 
antibiótico; 
• Dieta pobre em fibras (bolsa de fumo) – 
amolecedores fecais por 2 a 3 semanas, 
remoção da sutura 3 a 5 dias (redução 
manual); 
 
Complicações 
• Tenesmo, disquezia, hematoquezia e 
recorrência; 
• Hemorragia, vazamento, estenose anal, 
infecções, deiscência e incontinência 
fecal; 
• Animais com recorrência, deve fazer a 
colopexia; 
 
Prognóstico 
• Prognóstico de prolapsos crônicos sem 
redução manual ou cirurgia é ruim; 
• Animais tratados cirurgicamente tem 
bom prognóstico, desde que trata a 
causa primária; 
Sistema Hepato Biliar 
 
 
*anatomia* 
 
 
• Sistema porta-hepático; 
• Drenagem venosa (estômago, baço, 
intestino, pâncreas); 
• Perfusão hepática, retorno venoso; 
 
Anatomia e Fisiologia 
O sistema hepato-biliar consiste no fígado e na 
vesícula biliar. 
 
Fígado 
• É o órgão mais cranial do abdômen; 
• Possui 6 lobos hepáticos (esquerdos, 
centrais e direitos); 
• Xifoide protegendo o fígado e arcos 
costais; 
• Órgão intensamente vascularizado pois 
tem porte sanguíneo, o sangue chega no 
fígado pela artéria hepática e veia porta 
e sai do fígado pelas veias hepáticas que 
vão concluir e chegar na veia cava para 
o sangue retornar ao coração; 
• Veia hepática se ramifica para cada um 
dos lobos, artéria hepática principal e 
para cada um dos lobos; 
• Sistema porta - retorno venoso desses 
quatro órgãos (intestino, baço, pâncreas, 
estômago) que vai jogar o sangue para 
fígado para sofrer metabolização; 
 
 
*fígado e vesícula biliar* 
 
Vesícula Biliar 
• Está localizada entre os lobos hepáticos 
(lobo quadrado e medial direito), aderia a 
eles; 
• Emulsificação de gordura; 
• Armazena bile e quem produz é o fígado; 
• Fígado sintetiza bile pelos seus 
hepatócitos; 
• Ductos sísticos estão logo abaixo da 
vesícula biliar; 
• Ducto hepático (cada lobo tem ao menos 
um), todos os ductos vão para o mesmo 
local → ducto biliar comum (fluxo da 
vesícula); 
• Colédoco é a parte do trato biliar que vai 
se inserir na porção proximal do 
• duodeno, que é onde a bile sai (papila 
godenal); 
 
Gerais 
• Todo sangue do rim chega pela artéria 
renal; 
• No fígado o sangue chega pela veia 
porta e artéria hepática; 
• Tudo que chega é artéria e tudo que sai 
é pela veia (tem exceções); 
 
Neoplasias Hepáticas 
 
• A grande maioria são nódulos 
regenerativos; 
• 90% malignidade – metástase (advindas 
do sistema portal); 
• 10% das neoplasias são primárias; 
• Tumores benignos normalmente não são 
únicos, são vários nódulos pequenos, 
normalmente não cresce e se cresce é 
de forma lenta; 
 
 
 
Neoplasias primárias hepáticas 
1. Carcinoma hepatocelular (epitelial); 
2. Colangiocarcinoma (canalículos de vias 
biliares-epiteliais); 
3. Hemangiosarcoma (sarcoma de origem 
mesenquimal); 
4. Linfoma (são mais raros); 
Diagnóstico 
• Biópsia por Trucut (parece uma arma de 
brinquedo que faz guiada pelo ultrassom 
e dispara, a pontinha dela pega um 
pedaço do nódulo e manda para análise) 
- pode ter hemorragia se lesionar pois 
fígado é muito vascularizado; 
• Análise histopatológica transoperatória; 
• US → diagnóstico e triagem; 
• Tomografia → planejamento cirúrgico; 
• Exames complementares – avaliação da 
extensão da lesão (FA, LT), avaliação da 
função (albumina, ureia); 
 
Tratamento 
• Lobectomia hepática parcial; 
• Lobectomia hepática total; 
• Hepatectomia (até 80% do fígado); 
 
Quando indicar? 
• Maioria das neoplasias com indicação 
cirúrgica; 
• 2° maior causa de hemoperitônio; 
• Compressão de estruturas nobres; 
• Idade não é fator limitante; 
• Planejamento!; 
 
Lobectomia Hepática 
 
 
 
Shunt Portossistêmico 
Desvio de fluxo veno-venoso (de veia p/ veia). 
• Desvio do metabolismo, deveria ser 
metabolizado mas não foi e foi direto 
para veia; 
• Congênito (nascimento) ou adquirido 
(hipertensão portal); 
 
 
*tipos de shunt* 
 
Adquirido 
Hipertensão portal secundária 
• Doenças do parênquima hepático; 
• Hipoplasia portal; 
• Obstrução vascular (trombose); 
• Compressão extrínseca; 
 
Sinais Clínicos 
• Vômitos frequentes; 
• Diarreia; 
• Cistite; 
• Apatia; 
• Convulsões; 
 
Diagnóstico 
Ultrassonografia 
• Difícil de ver; 
• Vascular, cálculos vesicais; 
 
 
Tomografia computadorizada contrastada 
• Diagnóstico de eleição; 
 
Exames laboratoriais 
• Função renal – ureia reduzida; 
• Perfil Hepático – albumina, aumento de 
enzimas hepáticas; 
• Hemograma – leucocitose; 
• Mensuração de ácidos biliares – 
aumento; 
 
 
*tomografia* 
 
Tratamento 
Clínico e cirúrgico. 
• Se não operar, somente tratamento 
clínico o animal irá morrer em algum 
momento de shunt; 
 
Clínico 
• Temporário; 
• Controle das consequências; 
• Lactulona (absorver amônia); 
• Metronidazol; 
• Antieméticos (controlar náusea); 
 
Cirúrgico 
• Banda de celofane; 
• Anel ameróide; 
 
• Indicação cirúrgica; 
• Planejamento tomográfico; 
• Ter opções de ameróide (mínimo 3); 
 
Celofane x Ameróide 
 
Celofane 
• Promove uma ração inflamatória para 
desobstruir o vaso; 
• Menor custo; 
 
Anel ameróide 
• Comprimir a veia; 
• Maior custo; 
 
Shunt adquirido não se opera, tratar a causa de 
base e ele atrofia naturalmente 
 
 
*anel ameróide* 
 
Prognóstico 
• Sem cirurgia – reservado a ruim 
9redução de 60% da sobrevida); 
• Com cirurgia – ótimo; 
 
York e Spitz alta predisposição a shunt 
 
 
Complicação 
Principal complicação é hipertensão portal, gera 
disfunção hepática. 
• Colecistectomia; 
• Colecistoduodenostomia (desvio biliar); 
 
Mucocele Biliar 
Vesícula rompe e cai líquido digestivo na 
cavidade (peritonite biliar). 
• Muita bile densa na vesícula → 
mucocele biliar; 
• Sinais clínicos não são específicos e 
podem variar entre vômito, letargia, 
anorexia, dor abdominal e icterícia; 
• Tratamento cirúrgico; 
• Artéria cística que vasculariza a vesícula 
biliar, por isso a cicatrização é ruim; 
 
 
 
• Ultrassonografia é diagnóstica e tem alta 
especificidade; 
• Aparência de “kiwi”; 
 
Toda cirurgia biliar tem como função 
reestabelecer o fluxo de bile. 
• Colecistectomia – consiste na excisão 
cirúrgica do órgão e na colocação de 
ligaduras na artéria cística e ducto cístico 
(mortalidade perioperatória é alta); 
• Colecistoenterostomia – considerada em 
casos em que não é possível estabelecer 
a patência do ducto biliar comum, 
consiste em suturar a vesícula biliar no 
duodeno (colecistoduodenostomia) ou 
jejuno (colecistojejunostomia) para 
desviar o fluxo biliar; 
 
 
*colecistectomia*