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Sistema Digestório Existem diversas alterações provenientes do sistema digestório que necessitam de intervenções cirúrgicas. *Órgãos sistema digestório* Mucocele Salivar Coleção de saliva que extravasou de uma glândula ou de um ducto danificado e foi compensado por um tecido de granulação. • Trauma no ducto salivar excretor ou pela sua obstrução; • Comum em cães machos, geralmente com idade adulta; *glândulas e ductos* Classificação É subdividida em 4 classificações. 1. Cervical – coleção de salivas nas estruturas mais profundas do espaço intermandibular no ângulo da mandíbula ou na região cervical superior; 2. Sublingual – coleção salivar sublingual causal as aberturas dos ductos sublingual e mandibular; 3. Faríngea – ocorre nos tecidos adjacentes à faringe; 4. Zigomática – aparece ventral ao globo ocular; *mucocele sublingual* Mucocele não são cistos! São revestidos por um tecido de granulação induzido secundariamente a uma inflamação causada pela saliva livre nos tecidos. • Raramente a causa é identificada; • Traumatismo contusos (coleiras enforcadoras), corpos estranhos e sialólitos (cálculo); Predisposição • Mais comum na região intermandibular; • Cães mais afetados que gatos; • Poodles, pastores e dachshunds são mais acometidos; Sinais Clínicos • Massa indolor; • Flutuante; • Desenvolvimento gradual; • Depende da localização; • Apreensão anormal de alimentos ou sangramento oral (rânula); • Pode haver compressão das vias aéreas gerando desconforto respiratório e disfagia; • Exoftalmia e estrabismo (mucocele zigomática); Em casos mais graves pode ocorrer fratura patológica (mandíbula ou maxila) por comprometimento ósseo. *aumento de volume* Diagnóstico • Anamnese e inspeção clínica; • Colocar o animal em decúbito dorsal para avaliar a origem; • Exame paracentese (aspirado de saliva); *paracentese* Diagnóstico diferencial • Neoplasias; • Abcessos cervicais; • Corpo estranho; • Hematoma; • Linfonodos císticos ou neoplásicos; • Cistos; Tratamento Não é indicado puncionar para retirada do líquido, o tratamento é cirúrgico. • Mucocele cervical - excisão de todas as glândulas mandibulares, sublinguais e seus ducto e a drenagem do conteúdo; • Mucocele sublingual (rânulas) – marsupialiação; *excisão de glândula e drenagem do conteúdo* Complicações • Formação de seroma; • Infecções. • Recorrência da mucocele; • Resseção de linfonodos; • Lesões de vasos e nervos; Prognóstico excelente se a cirurgia for realizada corretamente Esôfago – anatomia Vamos relembrar algumas características do esôfago. • Começa na cavidade oral e desemboca no estômago (esfíncter cárdia); • Estrutura tubular de comprimento curto, formado por células esofágicas e pelas glândulas mucosas cuja principal função é proteger e lubrificar a parede do esôfago facilitando a passagem do alimento até o estômago; Camadas • Mucosa; • Submucosa (sustentação); • Muscular; • Adventícia; • Ausência de camada serosa; Esôfago tem péssima cicatrização Megaesôfago É a condição que se refere à dilatação esofágica, bem como sua hipomotilidade. • Primário ou secundário; *megaesôfago em cão – radiografia* Primário • M. congênito – hipomotilidade e dilatação generalizada do esôfago; • M. idiopático – mais comumente em cães adultos, principalmente naqueles que apresentam no histórico fatores estressantes, como fraturas e traumatismos; • M. adquirido – decorrente da inexistência dos movimentos peristálticos, observa- se dilatação; Secundário • Decorre geralmente das causas primárias, causando disfunções motoras esofágicas, e a partir dessas, o órgão sofre dilatação; • Causas mais comuns – neuropatias degenerativas, miastenia grave, hipotireoidismo, hipoadrenocorticismo tumores; Sinais clínicos • Dificuldade de deglutição; • Regurgitação; • Emagrecimento; • Halitose; • Ptialismo; • Sinais respiratórios (pneumonia aspirativa) *regurgitação – alimento inteiro* Diagnóstico • Anamnese; • Radiografia cervicais e torácicas; • (pode usar contraste – esofagograma); • Esofagograma permite melhor avaliação do tamanho e da forma do esôfago nos casos de megaesôfago e anomalias do anel vascular; • Endoscopia; Contraste Iodado x Bário Contraste iodado • Administrado por via oral ou IV, pode ser utilizado para realçar diversos órgãos do aparelho digestivo, urinário, vasos sanguíneos em qualquer parte do corpo e útero; Sulfato de bário • Pode ser administrado por vira oral ou retal; • Indicado para estruturas do trato digestivo; Atenção! Se há suspeita de perfuração de vísceras não utilizar sulfato de bário, pois ele não se dissolve nem é absorvido pelo corpo. *radiografia contrastada – megaesôfago* Tratamento O tratamento pode ser cirúrgico, medicamentoso e também manejo nutricional, depende da causa base. Manejo Nutricional • Introduzir dieta com alimentação pastosa; • Oferecer a quantidade diária fracionada em pequenas e múltiplas refeições; • Utilizar dieta com alta densidade calórica para atender às exigências nutricionais diárias com menor volume de alimento; • Posicionar o animal em posição bipedal no momento da refeição para facilitar a passagem do alimento pelo esôfago; • Manter o animal na posição bipedal por pelo menos 20 minutos; *posição bipedal* Medicamentoso • Procinéticos (Metoclopramida e cisaprida); • Betanecol; • Anticolinérgicos e agonistas dos canais de cálcio; • Ringer Lactato; • Sildefafila; • Terapia neural; Cirúrgico • Descompressão / lavagem gástrica; • Gastropexia com sonda (gastrostomia) – permite descompressão e colocação de alimentação e medicação diretamente no estômago; • Gastropexia circuncostal – forma a aderência mais forte que as outras técnicas, porém a técnica é mais difícil e possui risco de pneumotórax e fratura de costelas; • Gastropexia Flape Muscular – fácil e rápido, não abre o lúmen gástrico mas é menos forte que a circuncostal; • Gastropexia alça de cinto (mesma coisa da de flape muscular); Corpo Estranho - esofágico Qualquer material ingerido por um animal que não pode ser digerida (pedras, plástico, tecidos) ou que são digeridas lentamente (ossos). • Comum em cães; • Risco obstrução parcial ou total; • Corpos estranhos lineares – mais comum em gatos; • Se visíveis na radiografia, seu comprimento e largura devem ser medidos, e a probabilidade de passagem sem necessidade de intervenção cirúrgica deve ser avaliada; • Esofágico, estomacal, intestinal; *corpo estranho esofágico* Sinais Clínicos • Salivação; • Dispneia; • Disfagia; • Náusea; • Tosse; Diagnóstico • Anamnese e exame físico; • Exames de imagem (radiografia, tomografia e ressonância, endoscopia); Em caso de suspeita de perfuração não utilizar contraste de bário Complicações • Perfuração esofágica; • Esofagite; • Estenose esofágica; • Fístulas esofágicas; Tratamento Caso não consiga fazer a passagem, consiste em remoção do corpo estranho. • Remoção endoscópica é a primeira indicação; • Toracotomia lateral esquerda – até base cardíaca; • Se for caudal a toracotomia é feita pela lateral direita; *remoção endoscópica* É necessário passagem de sonda no pós cirúrgico caso a retirada não tenha sido por endoscopia (20 a 30 dias). Cicatrização Normalmente são influenciadas pela alta da camada serosa, suprimento sanguíneo pobre, constantes movimentos e distensão com a passagem de alimentos. • Deiscência; • Estenose; • Fistulação; Anomalia vascular Algumas são as anomalias vasculares que podemosnos deparar na clínica cirúrgica. • Anomalias de anel vasculares as mais comuns; Persistência do 4° arco aórtico direito (P4AAD) É uma anomalia do anel vascular que resulta do desenvolvimento anormal dos arcos aórticos durante o desenvolvimento embriológico vascular. • Os anéis vasculares são malformações congênitas dos grandes vasos e seus ramos, que circundam a traqueia e o esôfago, gerando sinais de obstrução esofágica; • Corresponde a 95% das anomalias do anel vascular; • O 4° arco aórtico deveria involuir, mas em alguns animais ele persiste mudando a posição anatômica da aorta, com o esôfago passando entre eles; *radiografia – P4AAD* Complicações Essa alteração pode gerar sérias complicações para o animal. • O ligamento arterioso comunica aorta com a artéria pulmonar em fetos. Quando o paciente nasce, essa comunicação involui e forma um ligamento; • Quando a aorta sai do 4° arco, ela acaba ficando entre o ligamento arterioso e entra a aorta, resultando no estrangulamento do esôfago e na porção anterior geral uma dilatação; Sinais Clínicos Mesmas manifestações do paciente com megaesôfago. • Dificuldade de deglutição; • Regurgitação; • Emagrecimento; Diagnóstico • Anamnese, exame físico; • Radiografia torácica simples e contrastada; • Angiografia e tomografia; Somente a angiografia e a tomografia conseguem evidenciar qual anomalia vascular ocasionou tal afecção. Radiografia só demonstra anomalia, mas não específica. *radiografia simples – contrastada* Tratamento Consiste na correção cirúrgica que pode ser realizada associada a plicatura esofágica. • Transecção do ligamento arterioso – toracotomia intercostal; • A estenose esofágica deve ser corrigida através da dilatação esofágica da porção estenosada, que deve ser desfeita com a passagem de uma sonda de Foley; *toracotomia intercostal* Dilatação Vólvulo Gástrica É o aumento do tamanho do estômago associado a rotação do seu eixo mesentérico. • Alimentação exacerbada → exercício intenso; • Porte grande ou gigante (Pastor, Labrador, São Bernardo), cães idosos (frouxidão ligamentar); • Pode ocorrer torção esplênica associada; *relação exercícios – estômago* *relação exercícios – dilatação, torção* 1. Ingestão de grandes quantidades de alimento seguido ou não de períodos prolongados de jejum, aerofagia, fermentação e alterações de motilidade; 2. Acúmulo de conteúdo na câmara gástrica (líquido, gasosos, sólido) resultando na dilatação significativa do estômago; 3. Rotação no eixo mesentérico, ou seja, rotação anormal do estômago em seu próprio eixo; Geralmente a rotação ocorre em sentido horário, mas pode ocorrer no sentido contrário também Sentido da torção • Horária – fundo gástrico (comum); • Anti-horária – duodeno por baixo (rara); *sentido horária* Dilatação x Dilatação Vólvulo Gástrica Fisiopatologia *regiões estômago* *anatomia estômago* *vascularização* Etiologia Desconhecida, pode ser multifatorial. • Conformação corporal; • Estresse; • Frouxidão ligamentar; • Fator genético; • Exercícios pós alimentação; • Ingestão súbita de grande quantidade de alimentos; *fisiopatologia* *compressão das veias pela dilatação gástrica* Choques Quando o animal possui torção ele vai ter choque hipovolêmico, obstrutivo e pode ter também choque distributivo. *esquema choque obstrutivo e hipovolêmico* • Débito cardíaco – volume de sangue bombeado pelo coração em uma determinada frequência; • Pré-carga – quanto o ventrículo foi alongado até o final da diástole (volume de sangue que chega nos átrios); • Pós-carga – pressão na aorta que a contração ventricular deve superar para abrir a válvula aórtica e ejetar o sangue na aorta; • Contratilidade – contração é necessária para o sangue sair do coração e ir para circulação; Como ocorre o choque? 1. A compressão da veia cava e a veia porta; 2. Diminuição do retorno venoso causando uma redução na pré-carga; 3. Diminuição do volume circulante (hipotensão) e redução do débito cardíaco; 4. A diminuição do débito cardíaco ocasiona um choque hipovolêmico (diminuição do volume sanguíneo) e choque obstrutivo (fluxo sanguíneo está bloqueado pela dilatação/torção); Além desses 2 choques, devido a torção o animal irá ter uma inflamação sistêmica irá gerar alterações na microcirculação, causando choque distributivo (má perfusão tecidual) Pressão Arterial Outra complicação da dilatação vólvulo gástrica será consequência da redução do débito cardíaco. 1. Redução do débito cardíaco e consequente redução da pressão arterial; 2. Hipoperfusão tecidual – disfunções orgânicas e obtenção anaeróbica de energia; 3. Ácido lático + Lactato levando a uma acidose metabólica; *esquema pressão arterial* Síndrome Isquêmica Reperfusão 1. Devido a torção gástrica ocorrerá apoptose celular + processo inflamatório ativo; 2. Aumento de potássio e catecolaminas na região do estômago; 3. Após a realizada da descompressão essas substâncias que estavam paradas nessa região irão se distribuir para a circulação (choque distributivo); 4. Causa uma síndrome inflamatória sistêmica → síndrome isquemia reperfusão; Além disso o animal pode apresentar arritmias ventriculares, distúrbios de coagulação e vasodilatação mediada por N2O *esquema síndrome isquêmica reperfusão* Complicações da síndrome isquêmica reperfusão • Arritmias ventriculares; • Distúrbios de coagulação – CID (coagulação intravascular disseminada); • Vasodilatação mediada por N2O; *esquema complicações SIR* Baço O baço tem uma porção grudada no estômago, e pode torcer junto (torção esplênica). • Caso o baço venha a torcer é obrigatório sua remoção, na posição em que está (evitar síndrome isquêmica), sem retorna-lo a sua posição anatômica; *remoção do baço torcido* Sinais Clínicos • Abdômen distendido; • Prostração intensa; • Decúbito obrigatório; • Dispneia; • Sinais de dor; • Sialorreia intensa; • Mímica de êmese; *mímica de êmese* Exame físico • Abdômen timpânico; • Taquicardia; • Hipotensão; • Arritmias; • Dor abdominal; Diagnóstico Radiografia • Dilatação simples x dilatação + torção; • Projeções dorsoventral e latero-lateral direita; • Não realizar projeção ventrodorsal por risco de aspiração; • Compartimentalização; • Penumoperitôneo → ruptura gástrica; • Ar na parede do estômago → necrose gástrica; *radiografia DVG* Avaliação laboratorial • Avaliação das consequências; • Hemograma e testes bioquímicos → avaliação do estado geral e da função orgânica (principalmente rim e fígado); • Testes de coagulação; • Hemogasometria; Tratamento • Estabilização do paciente; • Cirurgia emergencial; • Fluidoterapia agressiva → preferencialmente buscar 2 acessos; • Não utilizar os membros pélvicos – obstrução das veias; • Ringer Lactato fluido de escolha; Descompressão Gástrica – dilatação s/torção • Inserção de um gastrotubo (mensurar distância, avaliar nível de consciência, realizar lavagem com água morna); • Gastrocentece – cateter periférico; • Trocárter; Cirurgia Gástrica – torção • Descomprimir o estômago e reposiciona- lo; • Inspecionar estômago e baço para identificar e remover qualquer tecido necrótico; • Gastrectomia (invaginante ou não) – necrose; • Esplenectomia – baço torcido; • Realizar a gastropexia – fixar o estômago na parede do abdômen; *gastropexia* Pós-operatório • UTI (mínimo 24h); • Avaliar sinais de reperfusão; • Monitoração hemodinâmica intensiva; • Parâmetros de coagulação; • Tratamento antiarrítmico se necessário;Prognóstico • Quanto antes identificada e realizado o procedimento melhor é o prognóstico; • Mortalidade 10 a 45%; • O grau de rotação do estômago não está associado à pior prognóstico; • Necrose gástrica → mortalidade 10x maior; *taxa de eutanásia* Intestino A maior causa de cirurgias no intestino é decorrente de uma obstrução. *anatomia intestino* Causas de obstruções Intussuscepção • Invaginação de uma porção do aparelho gastrointestinal sobre o lúmen da porção adjacente; • Pode ser única, múltipla ou composta; • Uma alça entra dentro da outra; Vólvulo obstrução • Causada por torção ou nó do TGI podem bloquear o intestino e obstruir o fluxo de sangue; Estenose • Diminui o calibre do esôfago, dificultando ou impedindo que a saliva e os alimentos progridam até o estômago; Abscessos • Se formam entre os órgãos da cavidade abdominal; Granulomas • Um tipo de lesão que ocorre na pele ou na mucosa ao redor da estomia; • Geralmente tem aspecto de pequenos nódulos; Neoplasias • Secreção com pus; • Sangramento contínuo; • Diarreia sem motivo aparente; • Mais comuns – adenocarcinoma, redondas (mastocitoma, linfoma); Intervenção cirúrgica Enterectomia x Enterotomia • Enterotomia (corte) – coloração próxima do normal, pulso presente, peristaltismo presente; • Enterectomia (retirada) – ausente 2 ou + características ou sem pulso; Predisposição a deiscências • Comorbidades; • Sutura muito apertada ou sutura frouxa; • Mucosa revertida (porta de saída de bactérias); • Manejo alimentar errdado; Neoplasias intestinais Acomete uma ou + camadas intestinais. • Células, glândulas ou vasos linfáticos associados; • Pode acometer linfonodo (biópsia de linfonodo – retirar apenas uma parte); • A maioria são malignas; • Mais frequente em reto e cólon (cães) e intestino delgado (gatos); • Duodeno pior local para ter tumor, pois possui entrada de ductos; • Podem causar uma obstrução mecânica intramural; • Mais comum invadirem camada muscular, comprometendo o diâmetro e reduzindo a distensibilidade; • Se é epitelial, é sarcoma; • As neoplasias de células redondas são tumores mesenquimais – mastocitomas, histocitomas, plasmocitomas, linfomas (quimioterapia e em alguns casos cirurgia) e tumor venéreo (transmissível) Sempre realizar enterectomia em casos de neoplasias intestinais *neoplasias no intestino delgado* Sinais Clínicos • Êmese e diarreia; • Dor; • Anorexia e hiporexia; • Hematoquezia; • Gemidos; • Inapetência; • Melena; • Tenesmo; *melena* Diagnóstico • Anamnese e sinais clínicos; • Radiografia; • Ultrassonografia; • Tomografia; • Laparotomia exploratória; *massa intestinal obstrutiva* Tratamento O tratamento consiste na remoção cirúrgica do tumor (enterectomia). • Toda massa é mandada para análise Intussuscepção Distúrbio no qual um segmento do intestino desliza por cima do outro. • Desbalanço do movimento intestinal; • Uma alça entra dentro da outra; • Os segmentos afetados bloqueiam o intestino e o fluxo sanguíneo; Causas Normalmente não é identificada. • Corpo estranho; • Aumento do peristaltismo; Fisopatologia • Invaginação de um segmento intestinal (intussuscpeto) no interior do lúmen de um segmento adjacente (intussuscepiente); • Normalmente o intussuscepto é uma porção proximal (mas pode ocorrer o contrário); • Pode ocorrer em múltiplos locais e também duplas invaginações no mesmo local; • Inicialmente causa obstrução intestinal parcial, que progride para total; *intussuscepção* Predisposição • Cães jovens; • Cães com parvovirose (aumento do peristaltismo); Sinais clínicos • A parede se torna edematosa, isquêmica e túrgida; • Sangue extravasa no interior do lúmen e a camada serosa sofre fissuras; • Desvitalização intestinal com contaminação da cavidade; • Sepse, choque e óbito; *intussuscepção – regiões* Diagnóstico • Anamnese; • Mudança de ambiente ou se passou por cirurgia; • Prenha, mas depende da dor e região; • Ultrassom é diagnóstico definitivo; Exame físico • Palpação de uma alça intestinal espessada e alongada em forma de salsicha; Tratamento Redução cirúrgica ou enteroanastomose. Redução manual • Tração suave das alças; • Animais com o instestino viável, realizar a enteropexia (pregueamento intestinal) para evitar recorrência; Enteroanastomose • Se a porção intestinçao não estiver viável ou não for possível a redução manual; • Procedimento reparador de partes do intestino; Pós Operatório • Manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico e de ácido-base; • Medicações (ANTB, analgésico, antiinflamatórios, antieméticos); • Jejum de 6 a 12 horas; • Introdução alimentar, inicialmente com alimentos líquidos; Prognóstico Depende da localização e completitude (parcial ou total) e duração. • Reservado – animais podem morrer de sepse, hipovolemia e desequilíbrios (3 a 4 dias); • Prognóstico bom se houve redução manual sem comprometimento; • Remoção de grandes porções intestinais, risco de estenose e síndrome do intestino curto; Corpo estranho Intestinal • Animais jovens (menor de 4 anos), hiperativos e brincalhões; Sinais Clínicos • Vômito agudou ou recorrente; • Anorexia, depressão; • Diarreia e dor abdominal; Diagnóstico • Anamnese e exame físico; • Apresentação depende da localização, do tipo de obstrução (parcial ou total), da duração e integridade intestinal; • Palpação abdominal pode identificar massa intestinal anormal com alças contendo gás e fluido; • Visualização de corpos estranhos lineares na base da língua; Nunca puxar corpo estranho linear – lacerações Radiografia • Simples ou contrastada; • Não usar contraste de bário em suspeita de perfuração; • Aumento de gás intraluminal; • Intestino pregueado (c.e linear); • Sempre realizar radiografias repetidas, imediatamente antes da cirurgia; *corpo estranho intestinal* Ultrassom • Associado ao raio x permite melhor avaliação e estabelecimento do diagnóstico; Tratamento • Enterotomia; • Enterectomia / enteroanastomose; Prolapso Retal Protrusão da mucosa retal a partir do ânus. *prolapso* • Qualquer afecção que cause tenesmo pode provocar prolapso retal; • Associados principalmente à endoparasitismo ou enterites em animais; • Neoplasias e hérnias perineais em animais de meia idade a idosos; • Pode ser incompleto (envolve somente a mucosa) ou completo (todas as camadas e toda a circunferência retal); • Fraqueza dos tecidos conjuntivos ou músculos perineais, contrações peristálticas descoordenadas e inflamação ou edema de mucosa retal; Intussuscepção x Prolapso *prolapso retal* Tecido prolapsado fica edematoso, impedindo a retração espontânea Sinais Clínicos • Escoriações, sangramento, ressecamento e necrose; Não possui predileção por raça ou idade, acomete cães e gatos Diagnóstico • Anamnese e exame físico; • Protrusão da mucosa retal; • Grau de prolapso; • Radiografia e ultrassom (identificar a causa do prolapso); • Achados laboratoriais (inespecíficos); Diagnóstico diferencial • Intussuscepção ileocólica; • Diferencia-se na palpação retal (em caso de intussuscepção é possível a inserção de um dedo ou sonda lisa ao longo da massa prolapsada, o que não é possível no prolapso retal); *inserção do dedo* Tratamento Depende da causa, do grau de prolapso, cronicidade e se é recorrente ou não. • Prolapso agudo é mais facilmente tratado que o crônico (pode exigir ressecção); • Recomendado redução manual – prolapsos agudos, sem danos teciduais; Reduçãomanual • Realizar lavagens com SF fria, massagens e lubrificação; • Sutura suficientemente apertada para manter a redução do prolapso, sem interferir na eliminação de fezes pastosas; *redução manual* Tratamento Cirúrgico • Prolapsos não redutíveis ou gravemente traumatizados devem ser amputados; • Deve-se realizar a colopexia quando o prolapso retal recidiva repetidamente após redução manual ou amputação; Pré-Operatório • Redução do prolapso deve ser IMEDIATA (evitar traumatismos); • Antibióticos antes da indução anestésica; • Lavagem do tecido exposto com solução salina estéril fria e lubrificante hidrossolúvel; *amputação do prolapso retal* Pós Operatório Tratar a causa do prolapso para evitar recidivas. • Opióides epidurais eliminam o tenesmo e dor no pós operatório; • Analgésicos, anti-inflamatórios e antibiótico; • Dieta pobre em fibras (bolsa de fumo) – amolecedores fecais por 2 a 3 semanas, remoção da sutura 3 a 5 dias (redução manual); Complicações • Tenesmo, disquezia, hematoquezia e recorrência; • Hemorragia, vazamento, estenose anal, infecções, deiscência e incontinência fecal; • Animais com recorrência, deve fazer a colopexia; Prognóstico • Prognóstico de prolapsos crônicos sem redução manual ou cirurgia é ruim; • Animais tratados cirurgicamente tem bom prognóstico, desde que trata a causa primária; Sistema Hepato Biliar *anatomia* • Sistema porta-hepático; • Drenagem venosa (estômago, baço, intestino, pâncreas); • Perfusão hepática, retorno venoso; Anatomia e Fisiologia O sistema hepato-biliar consiste no fígado e na vesícula biliar. Fígado • É o órgão mais cranial do abdômen; • Possui 6 lobos hepáticos (esquerdos, centrais e direitos); • Xifoide protegendo o fígado e arcos costais; • Órgão intensamente vascularizado pois tem porte sanguíneo, o sangue chega no fígado pela artéria hepática e veia porta e sai do fígado pelas veias hepáticas que vão concluir e chegar na veia cava para o sangue retornar ao coração; • Veia hepática se ramifica para cada um dos lobos, artéria hepática principal e para cada um dos lobos; • Sistema porta - retorno venoso desses quatro órgãos (intestino, baço, pâncreas, estômago) que vai jogar o sangue para fígado para sofrer metabolização; *fígado e vesícula biliar* Vesícula Biliar • Está localizada entre os lobos hepáticos (lobo quadrado e medial direito), aderia a eles; • Emulsificação de gordura; • Armazena bile e quem produz é o fígado; • Fígado sintetiza bile pelos seus hepatócitos; • Ductos sísticos estão logo abaixo da vesícula biliar; • Ducto hepático (cada lobo tem ao menos um), todos os ductos vão para o mesmo local → ducto biliar comum (fluxo da vesícula); • Colédoco é a parte do trato biliar que vai se inserir na porção proximal do • duodeno, que é onde a bile sai (papila godenal); Gerais • Todo sangue do rim chega pela artéria renal; • No fígado o sangue chega pela veia porta e artéria hepática; • Tudo que chega é artéria e tudo que sai é pela veia (tem exceções); Neoplasias Hepáticas • A grande maioria são nódulos regenerativos; • 90% malignidade – metástase (advindas do sistema portal); • 10% das neoplasias são primárias; • Tumores benignos normalmente não são únicos, são vários nódulos pequenos, normalmente não cresce e se cresce é de forma lenta; Neoplasias primárias hepáticas 1. Carcinoma hepatocelular (epitelial); 2. Colangiocarcinoma (canalículos de vias biliares-epiteliais); 3. Hemangiosarcoma (sarcoma de origem mesenquimal); 4. Linfoma (são mais raros); Diagnóstico • Biópsia por Trucut (parece uma arma de brinquedo que faz guiada pelo ultrassom e dispara, a pontinha dela pega um pedaço do nódulo e manda para análise) - pode ter hemorragia se lesionar pois fígado é muito vascularizado; • Análise histopatológica transoperatória; • US → diagnóstico e triagem; • Tomografia → planejamento cirúrgico; • Exames complementares – avaliação da extensão da lesão (FA, LT), avaliação da função (albumina, ureia); Tratamento • Lobectomia hepática parcial; • Lobectomia hepática total; • Hepatectomia (até 80% do fígado); Quando indicar? • Maioria das neoplasias com indicação cirúrgica; • 2° maior causa de hemoperitônio; • Compressão de estruturas nobres; • Idade não é fator limitante; • Planejamento!; Lobectomia Hepática Shunt Portossistêmico Desvio de fluxo veno-venoso (de veia p/ veia). • Desvio do metabolismo, deveria ser metabolizado mas não foi e foi direto para veia; • Congênito (nascimento) ou adquirido (hipertensão portal); *tipos de shunt* Adquirido Hipertensão portal secundária • Doenças do parênquima hepático; • Hipoplasia portal; • Obstrução vascular (trombose); • Compressão extrínseca; Sinais Clínicos • Vômitos frequentes; • Diarreia; • Cistite; • Apatia; • Convulsões; Diagnóstico Ultrassonografia • Difícil de ver; • Vascular, cálculos vesicais; Tomografia computadorizada contrastada • Diagnóstico de eleição; Exames laboratoriais • Função renal – ureia reduzida; • Perfil Hepático – albumina, aumento de enzimas hepáticas; • Hemograma – leucocitose; • Mensuração de ácidos biliares – aumento; *tomografia* Tratamento Clínico e cirúrgico. • Se não operar, somente tratamento clínico o animal irá morrer em algum momento de shunt; Clínico • Temporário; • Controle das consequências; • Lactulona (absorver amônia); • Metronidazol; • Antieméticos (controlar náusea); Cirúrgico • Banda de celofane; • Anel ameróide; • Indicação cirúrgica; • Planejamento tomográfico; • Ter opções de ameróide (mínimo 3); Celofane x Ameróide Celofane • Promove uma ração inflamatória para desobstruir o vaso; • Menor custo; Anel ameróide • Comprimir a veia; • Maior custo; Shunt adquirido não se opera, tratar a causa de base e ele atrofia naturalmente *anel ameróide* Prognóstico • Sem cirurgia – reservado a ruim 9redução de 60% da sobrevida); • Com cirurgia – ótimo; York e Spitz alta predisposição a shunt Complicação Principal complicação é hipertensão portal, gera disfunção hepática. • Colecistectomia; • Colecistoduodenostomia (desvio biliar); Mucocele Biliar Vesícula rompe e cai líquido digestivo na cavidade (peritonite biliar). • Muita bile densa na vesícula → mucocele biliar; • Sinais clínicos não são específicos e podem variar entre vômito, letargia, anorexia, dor abdominal e icterícia; • Tratamento cirúrgico; • Artéria cística que vasculariza a vesícula biliar, por isso a cicatrização é ruim; • Ultrassonografia é diagnóstica e tem alta especificidade; • Aparência de “kiwi”; Toda cirurgia biliar tem como função reestabelecer o fluxo de bile. • Colecistectomia – consiste na excisão cirúrgica do órgão e na colocação de ligaduras na artéria cística e ducto cístico (mortalidade perioperatória é alta); • Colecistoenterostomia – considerada em casos em que não é possível estabelecer a patência do ducto biliar comum, consiste em suturar a vesícula biliar no duodeno (colecistoduodenostomia) ou jejuno (colecistojejunostomia) para desviar o fluxo biliar; *colecistectomia*