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UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV ANATOMIA DO ESÔFAGO E MEDIASTINO Forma tubular Músculo liso e estriado Comprimento varia de 25 a 35 cm Dividido em cervical, torácico e abdominal o Cervical: 5 cm, ⅕ do esôfago, começa abaixo do esfíncter esofágico superior e vai até T1, localizado atrás a traqueia o Torácico: 16 a 18 cm, dividido em supra e infrabrônquico (divisão é a carina da traqueia); ao entrar no tórax, o esôfago vai um pouquinho pra esquerda, cruzando o brônquio esquerdo posteriormente; o Abdominal: 0,5 a 2 cm, entra obliquamente no estômago formando o ângulo de His (internamente = membrana de Gubaroff) Serosa só na parte abdominal Mediastino postero inferior Tem 4 locais de estreitamento bem definidos → locais de afecções esofágicas, como obstrução por corpo estranho, lesões cáusticas e câncer o Cricofaríngeo: na origem do esôfago, compressão pelo músculo cricofaríngeo o Aórtico: nível do arco da aorta (T5) o Brônquico: cruzamento do brônquio-fonte esquerdo o Diafragmático: nível do hiato diafragmático (T10) EEI: pilares diafragmáticos, ângulo de His, HISTOLOGIA 4 camadas: mucosa, submucosa, muscular e adventícia/serosa (depende se está intra ou extraperitoneal) UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV Mucosa: epitélio de revestimento, lâmina própria e muscular da mucosa Epitélio de revestimento: escamoso estratificado não queratinizado Há glândulas produtoras de mucina na submucosa e lâmina própria Camada muscular: circular interna e longitudinal externa → entre as duas, há o plexo de Auerbach/mioentérico VASCULARIZAÇÃO ARTERIAL Porção cervical: artérias tireóideas inferiores Torácico: ramos que nascem direto da aorta e ramos esofágicos das artérias intercostais e bronquiais Abdominal: artéria frênica inferior e esofagocardiotuberositária (ramo da gástrica esquerda) VENOSA Cervical: veias tireóideas inferiores → veia cava superior Torácica: sistemas ázigos e hemiázigos → veia cava superior Abdominal: veia gástrica esquerda → sistema porta INERVAÇÃO Plexos mioentéricos de Meissner e Auerbach Conexões entre o plexos têm comunicações com o vago Suprimento motor: núcleo motor dorsal do nervo vago e núcleo do n. acessório espinhal Parassimpático: vago Cervical: n. laríngeos recorrentes n. vagos descem paralelamente formando um plexo visível UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV ABORDAGEM DO PACIENTE COM DISFAGIA HMA Duração Localização Uso de medicamentos: corticoides Sintomas associados: febre, lesões na boca, alergias, infecções recentes Criança: perguntar se colocou algo na boca - sabão, pedra, brinquedo EXAME FÍSICO Cabeça, pescoço e tórax! IMC Abdome rígido, ascite, distendido e escavado Tireomegalia (bócio) Câncer: metástase p fígado, pulmão → quando dá sintoma, câncer já afetou 50 a 70% do esôfago o Pesquisa de linfonodos → subclaviculares UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV COMPREENDER A ACALASIA E O MEGAESÔFAGO CHAGÁSICO DEFINIÇÃO Acalasia é uma doença rara causada pela perda das células ganglionares existentes no plexo mioentérico do esôfago Destruição ou ausência dos plexos nervosos intramurais do esôfago ACALASIA Ausência de peristaltismo ao nível do corpo do órgão Os neurônios inibitórios são responsáveis pelo relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) durante a deglutição e pela propagação sequencial da peristalse. Não abertura do esfíncter inferior do esôfago (EIE) em resposta à deglutição Estase esofágica e, de início, acentuada incoordenação motora; De modo progressivo ocorre dilatação e diminuição de sua capacidade de contração MEGAESÔFAGO Alterações da motilidade ocorreriam quando 50% das células estivessem destruídas, e dilatação quando houvesse comprometimento de 90% ETIOLOGIA/ EPIDEMIO Doença de Chagas, trypanosoma cruzi- Endêmico na América Latina- Nordeste, norte do PR- açaí, caldo de cana Incidência populacional de cerca de 1:100.000 e geralmente evidenciada entre as idades de 25 e 60 anos. No entanto, no restante do mundo, a causa do megaesôfago é de origem desconhecida FISIOPATOLOGIA peristalse anomal, relaxamento incompleto e hipertonia –mas nem sempre- (hipertrofia na doença de chagas) Ocorre perda do caráter peristáltico, principalmente nos 2/3 inferiores do esôfago, onde a musculatura é lisa. A estase constitui estímulo para contrações do corpo do esôfago, que tenta vencer o obstáculo funcional representado pelo EIE. De início, as contrações são intensas e, progressivamente, perdem sua força. Ao mesmo tempo, as fibras musculares, que no começo apresentam hipertrofia e espessam a camada muscular, vão se alongando gradualmente, sendo substituídas por tecido conjuntivo. A estase também contribui para a ocorrência de complicações do megaesôfago, como esofagite, ulcerações da mucosa e leucoplasia. Já na fase avançada da enfermidade, o esôfago passa a apresentar-se ectasiado, geralmente com seu segmento distal deitado sobre o diafragma, sem resposta, por menor que seja, ao estímulo da deglutição, tornando-se esta ineficaz. Obs: acalasia e megaesôfago não são a mesma coisa, a acalasia gera megaesôfago, mas outras doenças também geram* ANATOMIA PATOLÓGICA UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV MICROSCOPIA Espessamento da parede do esôfago por hipertrofia das células musculares lisas e aumento do tecido conjuntivo; progressiva diminuição da espessura da parede, pela substituição da camada muscular por tecido conjuntivo; dilatação progressiva, com alongamento variável; ausência de lesão orgânica obstrutiva no esôfago distal, região onde, inclusive, não acontece a hipertrofia da camada muscular observada no restante do esôfago; presença eventual de complicações como esofagite, úlcera de estase, leucoplasia e câncer. Os plexos nervosos intramurais (de Auerbach) encontram- se em diferentes graus de destruição Observa-se perineurite, neurite, ganglionite e periganglionite. Em alguns gânglios, há completo desaparecimento das células nervosas e sua substituição por tecido denso. Existe sempre uma fibrose intersticial entre as fibras musculares. MACROSCOPIA Mucosa pode apresentar edema, exulcerações ou mesmo úlceras. A presença de áreas de leucoplasia é frequente. QUADRO CLÍNICO FASE AGUDA Podem ocorrer sintomas esofágicos, como disfagia transitória ou que se instala no momento da evolução da doença Sintomas de infecção por Chagas: Predominam os sintomas de fase aguda, como febre, hepatoesplenomegalia, infartamento ganglionar e miocardite aguda. O sinal da porta de entrada (complexo oftalmoganglionar- complexo de Romana), localizado na pálpebra, ou chagoma de inoculação, em outras regiões do corpo FASE CRÔNICA Disfagia, regurgitação, dor retroesternal, pirose, sialorreia e broncopneumonias de repetição, hipertrofia da glândula parótida, retardo no desenvolvimento somático e emagrecimento. Pirose: comida fermenta no esôfago e produz a pirose aumenta a chance em 16% para CEC Disfagia longa evolução (anos), forma LENTA, BAIXA, progressiva, inicialmente para sólidos, depois para pastosos e mais tarde para líquidos. Existe a sensação da parada dos alimentos ingeridos na região do apêndice xifoide ou em posição retroesternal, o que causa sensação de peso, plenitude e mesmo dor *Obs: disfagia alta- EES-neurológico* Regurgitação volta do alimento represado no esôfago para a cavidade oral, sem ocorrência de náusea. Regurgitação da forma que engoliu, o alimento não é digerido. Tanto a inclinação do corpo para frente ou o decúbito horizontal favorecem esse acontecimento. Não raro o paciente refere, ao acordar, a existência de alimento sólido ou líquido manchando o travesseiro favorece a broncoaspiração e broncopneumonias de repetição Manobras inspiração profunda, alongamento do pescoço, deglutiçõesrepetidas e, mais frequentemente, ingestão de líquidos, (formação de coluna hídrica quase sempre faz vencer a barreira esfincteriana, determinando a passagem de quantidades variáveis do alimento para o estômago) COMPLICAÇÕES UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV Crônica, pode levar à morte por inanição Pneumonia aspirativa Inflamação pela estase acantose, paraceratose e leucoplasia + câncer DIAGNÓSTICO Suspeita clínica + epidemiologia (zona endêmica, transfusão de sangue) Reação sorológica para Chagas fase aguda: após 4 a 8 semanas do início dos sintomas, parasito em gota espessa; fase crônica: reação de fixação do complemento (de Guerrero-Machado), imunofluorescência e hemaglutinação Radiografia contrastada de esôfago: quase sempre confirma o diagnóstico do megaesôfago. Nota-se sempre a estase de contraste no esôfago. Podem ser observadas ondas terciárias, floculação do contraste (demonstrando a presença de estase alimentar) e ausência de bolha gástrica. Existe um afilamento gradual e regular na região da transição esofagogástrica (TEG). Na maioria das vezes, a dilatação encontra-se presente. Pede RX de EED- esôfago, estômago e duodeno, em doença inicial para avaliar a retenção do contraste Endoscopia digestiva alta: complementar, exclui diagnósticos diferenciais e a maior chance de CEC. Confirma a ausência de obstrução orgânica do cárdia, o aspecto da mucosa esofágica e a presença de tumores esofágicos associados ao megaesôfago. Eletromanometria de esôfago: estudo da motilidade esofágica tem importância nos casos em que há dúvida diagnóstica, pela ausência de dilatação do esôfago. Verifica-se através dele a presença de ondas sincrónicas ao nível do corpo do esôfago, além de ondas de longa duração e baixa amplitude, bem como acalasia do cárdia. Importante na escolha da terapêutica cirúrgica e pode fazer o diagnóstico de hérnia hiatal associada e presença de esfíncter em casos de recidiva da disfagia após tratamento cirúrgico. Não diminuição da pressão no EEI com ausência de onda Ondas terciárias e hipertonia de EEI e inversão da onda sem ondas nos outros níveis* Outros exames podem ser realizados para detecção de doenças associadas: tempo de esvaziamento gástrico (gastropatia chagásica), ultrassonografia do fígado e vias biliares (colelitíase) e enema opaco (megacólon). CLASSIFICAÇÃO 1. Classificação de Mascarenhas, baseada no diâmetro e na retenção do meio de contraste no esôfago I- ANECTÁSICO II- DISCINÉTICO III- CLÁSSICO IV- DOLICOMEGAESÔFAGO>10 cm Classificação de Rezende, baseada na retenção do contraste, no diâmetro, na atividade contrátil e tonicidade do segmento inferior e no alongamento do órgão. UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV Grau 1- abaixo de 4; grau 2- de 4 a 7; grau 3- 7 a 10, grau 4- maior que 10 Classificação baseada na dilatação, no alongamento e na atividade motora. Tem finalidade prática, determinando o tipo de tratamento cirúrgico a ser adotado" TRATAMENTO A acalasia não pode ser evitada ou revertida por qualquer intervenção terapêutica. O tratamento tem como objetivo reduzir a pressão do EEI Doença crônica objetivo é a resolução da disfagia, principal sintoma + prevenção do refluxo gastresofágico resultante da anulação do EIE CLÍNICO Estagio I e II Medidas dietético-comportamentais apenas pacientes que não são muito sintomáticos, TTO ruim, mais comum na acalasia idiopática, pois não evita a progressão da doença Redução da pressão do EEI: nitratos (isossorbida), bloqueadores do canal de cálcio (nifedipina) e sildenafil (viagra → redução do tônus do EEI…) → antes das refeições o Toxina botulínica → tratamento temporário o Dilatação endoscópica ou cirurgia → efetivo Estágio II e III Miotomia de Heller e fundoaplicadura parcial Dilatação da cárdia: extensão ou ruptura das fibras musculares da TEG, com diminuição da pressão do EEI e passagem dos alimentos; pode ser realizada com balões hidrostáticos ou pneumáticos (mais em idosos) Grau I: tratamento clínico – medicamentos e toxina botulínica no EEI. • Nitratos sublinguais. • Antagonistas dos canais de cálcio (10 mg nifedipina VO 6/6h). • Toxina botulínica em injeções locais por via endoscópica. Grau II: dilatação por balão ou Heller rasga a musculatura, risco de ruptura esofágica e formação de fibrose, grande chance de recidiva • A dilatação pneumática da cárdia é o tratamento conservador definitivo mais empregado para o tratamento da AC. Tem como objetivo romper as fibras musculares do EEI, reduzindo sua pressão e a obstrução funcional do esôfago. Grau III: cirurgia de Heller-Pinotti corte da camada muscular e o fundo do esôfago e estômago contorna o esfíncter • A esofagomiotomia de Heller ou miotomia de Heller (casos refratários e recidivantes) consiste na secção das camadas musculares do esôfago distal e da cárdia, e em geral é acompanhada de fundoplicatura. UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV • No BR, em pct grau II e III em pct muito emagrecidos tem tendência e fazer balão, para depois pct nutridos fazer a cirurgia de Heller e pct muito sintomáticos, mesmo grau I, faz Heller Grau IV: esofagectomia ou Serra-Dória • Cirurgias mais invasivas como esofagoplastias e esofagectomias. • Pede ECG e enema opaco- megacólon • https://www.youtube.com/watch?v=78-o84A3dkc DIFERENCIAR A ESOFAGITE TRAUMÁTICA QUÍMICA EPIDEMIOLOGIA Frequente em crianças abaixo dos 5 anos → ingesta acidental (pilhas/produto de limpeza) 2ª causa mais frequente nos adultos e adolescentes → tentativa de suicídio FISIOPATOLOGIA Necrose aguda → ulceração e granulação → cicatrização Álcali (mais grave) → necrose liquefativa com morte celular imediata → trombose → isquemia local → perfuração Ácido → necrose coagulativa → impede a penetração mais profunda do ácido na parede do esôfago Primeiros segundos = lesão tecidual 24h = hemorragia, trombose, inflamação e edema 1ªsemana = colonização por fibroblastos, desnudamento da mucosa, tecido de granulação 10 – 15 dias = inicia-se a reparação esofágica 6 semanas = reepitelização da mucosa completa 3 meses – vários meses = retração cicatricial → estenoses! o Dismotilidade esofágica → refluxo gastroesofágico → acelera a retração cicatricial SODA CAUSTICA Os álcalis promovem necrose de liquefação. Há degeneração e morte celular devido à trombose de vasos, saponificação de gorduras e proteínas. Há portanto, comprometimento em profundidade12. Após a ingestão de álcalis há um espasmo esofágico em nível do cricofaríngeo com progressão da substância até o estômago. O piloro se contrai e a substância permanece em movimento entre o estômago e esôfago distal, até a neutralização ou atonia gástrica. Como há relaxamento do esfíncter inferior do esôfago, o esôfago distal é mais comprometido por refluxo gastroesofágico ÁCIDOS https://www.youtube.com/watch?v=78-o84A3dkc UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV Os ácidos, por produzirem uma necrose de coagulação, formam uma "capa protetora" para os tecidos mais profundos. Não agem tanto em profundidade, mas sim em extensão. O estômago é por isso mais frequentemente atingido, além do mais a secreção gástrica não neutraliza o ácido. Em resposta à agressão, o estômago apresenta espasmo de piloro que facilita a corrosão do antro. Estas tendem a ficar mais distais, especialmente no piloro, se o estômago estiver cheio ao momento da ingestão. Se o estômago estiver vazio, as lesões ocorrem na metade ou no terço distal do órgão. As lesões podem evoluir em 24 a 48 horas para necrose com perfuração. Tardiamente pode haver fibrose cicatricial com deformidade e obstrução pilórica QUADRO CLÍNICO odinofagia, vômito dor retroesternal hematêmese epigastralgia dispneia e rouquidão tosse sialorreia broncoaspiração → vômito forçado queimadura de boca edema de VAS febre = infecção (mediastinite/sepse) Os sintomas mais alarmantessão os relacionados com as vias aéreas superiores. Rouquidão, estridor e afonia são caracteristicamente de queimaduras das vias aéreas superiores, com edema da epiglote, das cordas vocais ou de toda a laringe. Em poucos dias, quando não ocorre lesão do mediastino e da cavidade peritoneal, diminuem os sintomas agudos. As manifestações tardias são devidas às sequelas, à estenose esofágica e/ou antropilórica. DIAGNÓSTICO UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV RX tórax: suspeita de perfuração → PA ortostase e decúbito dorsal o pneumomediastino EDA: lesões primeiras 24h, se o paciente não estiver instável TC: se paciente estável TRATAMENTO Chegou o paciente → ver vias aéreas, cabeceira elevada, não deixar comer Não fazer neutralização ácido base (libera calor) Não fazer lavagem Não fazer indução de vômito Sonda nasogástrica em casos mais leves ou gastrostomia feita por EDA tto no forte indício de perfuração → cirurgia (nem adianta fazer EDA) não tem perfuração: hidratação, IBP com lesão de mucosa na endoscopia: hidratação, IBP Nutrição enteral: sonda nasogástrica e nasoenteral Nutrição parenteral: veia (central) - tem que dar tudo quebrado já: aminoácidos, glicose Segundo o Otto: Derivação esôfago superior, cerclagem esofágica inferior e gastrostomia + ATB COMPREENDER AS NEOPLASIAS DE ESÔFAGO – ADENOCARCINOMA O adenocarcinoma desenvolve-se no interior do epitélio colunar displásico principalmente na junção esôfago- gástrica/cárdia. ETIOLOGIA/ EPIDEMIOLOGIA O adenocarcinoma surge na parte distal do esôfago, na presença de refluxo gástrico crônico e metaplasia gástrica do epitélio (esôfago de Barret). Correlação com obesidade (IMC >30 Kg/m2)-DRGE mutação do gene p53 e provável associação entre a colecistectomia, possivelmente por uma toxicidade do refluxo duodenal na mucosa esofagiana. Nos EUA nos últimos 20 anos, constatou uma notável elevação na taxa de adenocarcinomas, particularmente em homens brancos CEC UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV É derivado do epitélio estratificado não-queratinizado, característico da mucosa normal do esôfago. EPIDEMIOLOGIA Trata-se do tipo histológico mais comum e ocorre mais frequentemente em homens, negros, a partir dos 50 anos. Esse tumor acomete principalmente os terços médio e inferior (mais de 80% dos casos) do esôfago. Correlação entre alcoolismo e tabagismo QUADRO CLÍNICO O carcinoma esofágico tem início insidioso e produz disfagia e obstrução rápida e tardia. • Disfagia rapidamente progressiva – alimentos sólidos pastosos líquidos • Odinofagia • Sialorréia • Regurgitação • Hematêmese • Caquexia Metástase: Fígado, pulmão e ossos SINAIS E SINTOMAS DE DOENÇA AVANÇADA • Afagia (incapacidade para deglutir) • Pneumonia aspirativa (estenose do esôfago) • Rouquidão (infiltração de nervo laríngico recorrente) • Tosse durante deglutição (fístula esôfago-traqueal) • Insuficiência respiratória (infiltração de traqueia) DIAGNÓSTICO UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV Exame radiológico com duplo contraste para estudo do relevo mucoso: permite diagnosticar 70 % dos tumores superficiais e mais de 90 % do total de casos de carcinoma do esôfago Padrão de maçã mordida Esofagoscopia, complementada pela biópsia e citologia: melhor método diagnóstico do câncer do esôfago. À visão endoscópica, a neoplasia pode apresentar-se de aspecto vegetante, ulcerado ou infiltrante. Os tumores superficiais são identificados como pequenas lesões planas, erosivas ou elevadas. Qualquer irregularidade da mucosa no tocante à coloração, brilho ou relevo deve ser considerada suspeita Uso de corantes, especialmente a solução de lugol a 3 %, que tem a propriedade de corar em marrom as células normais, por seu conteúdo de glicogênio, enquanto as células neoplásicas permanecem claras, orientando com maior precisão o local da biópsia Ultra-sonografia endoscópica possibilita avaliar a invasão da parede do esôfago e a biópsia de linfonodos periesofagianos suspeitos. A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são utilizadas para o estadiamento: A TC permite classificar o câncer de esôfago em quatro estádios: I) lesão polipóide intraluminal ou espessamento localizado da parede esofágica (3 a 5 mm), sem invasão mediastinal ou metástases; II) espessamento da parede esofágica (>5mm), sem invasão dos órgãos adjacentes ou metástases; III) espessamento da parede esofágica com extensão direta para o tecido circunjacente, presença ou ausência de adenopatia local ou regional, sem metástase à distância; e IV) metástase à distância Para estadiamento TNM: RX+ TC de abdome e TC de tórax Para ver o T: endoscopia com ultrassom ou TC Para ver o N: ressecção e biópsia Para ver o M: TC UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV TRATAMENTO Definição de câncer de esôfago precoce- pega mucosa ou submucosa (sem invasão da muscular própria), INDEPENDENTE dos linfonodos. Não precisa fazer tratamento. • Tumor precoce (apenas 5% dos casos): – Cirurgia Ressecção • Tumor não-avançado: – Cirurgia Esofagectomia Quimio-Radioterapia adjuvante • Tumor avançado: – Se Ressecável • Quimio-Radioterapia neo-adjuvante Reestadiamento com TC Cirurgia Esofagectomia Obs: Classificação diferente sobre o TNM no câncer de esôfago Ma: linfonodo cervical ou abdominal (tronco celíaco) são característicos de metástase!- intratável, tto paliativo Mb: linfonodos em órgãos como fígado UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV ESOFAGITE EOSINOFÍLICA EPIDEMIOLOGIA - doença crônica imunomediada - mais de 65% dos casos ocorrem na infância - mais homens, caucasianos - 2ª causa de esofagite crônica, depois da DRGE - FISIOPATOLOGIA ● inflamação alérgica!! ○ metade dos pacientes tem sintomas alérgicos → eczema, rinite alérgica, broncoespasmo ● infiltrado eosinofílico no esôfago ● resposta TH2 de linfócitos T + predisposição genética ● TH2 → citocinas pró alérgicas (4, 5, 13) → formação de anticorpos IgE + recrutamento, maturação, ativação de mastócitos e eosinófilos ● Alérgenos mais notáveis: leite, soja e ovo ● Exclusão da DRGE: persistência dos sintomas e inflamação eosinofílica da mucosa esofágica, apesar da terapêutica com IBP em doses elevadas ou pela associação a pHmetria normal do esôfago distal QUADRO CLÍNICO ● crianças: recusa alimentar, vômitos e dor abdominal ● a partir da adolescência: disfagia e impactação de alimentos ● sintomas esofágicos intermitentes! - relacionado com o que a pessoa come UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV HPF: campo de grande aumento DIAGNÓSTICO Endoscopia: aneis esofágicos rígidos ⇒ TRAQUEALIZAÇÃO - lesões esbranquiçadas que parecem Candida → abscessos de eosinófilos - perda no padrão vascular da mucosa - colher biópsia! UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV ACHADOS HISTOLÓGICOS ● >15 eosinófilos por campo de grande aumento, microabscessos eosinofílicos (>4 no epitélio). eosinófilos na superfície do epitélio ○ hiperplasia de células escamosas TRATAMENTO - 3 Ds: dieta, drogas e dilatação 1. eliminação de possíveis alérgenos da dieta 2. fármacos úteis em condições inflamatórias e alérgicas: IBP, corticoides sistêmicos (controlam sintomas e infiltrado inflamatório), corticoides tópicos - líquido (proprionato de fluticasona; minimiza efeitos colaterais) 3. tratamentos endoscópicos com dilatações esofágicas para corrigir o calibre do esôfago 4. Endoscopia com biópsia confirma DX → primeiro orientação da dieta → tratamento (IBP e corticoide VO) UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV ESOFAGITE VIRAL - HERPES SIMPLES EPIDEMIOLOGIA - vírus da herpes simples tipo 1 fica nas glândulas salivares dos adultos → saliva é fonte de autoinoculação e transmissão - 2ª causa mais frequente de esofagite infecciosa, após candidíase esofágica - pacientes imunossuprimidos!FISIOPATOLOGIA ● primária ou por reativação do vírus latente em lesões orais ou genitais (+ comum) ● episódios de reativação são leves, mas graves em imunodeprimidos, podendo se disseminar pro fígado, pulmões e SN central ● pctes imunocompetentes: autolimitada (2 semanas) ● condições predisponentes são similares às da esofagite por Candida, e é mais frequente em pacientes com AIDS, neoplasia, enfermidades crônicas debilitantes (etilistas, desnutridos graves), insuficiência renal, recebendo drogas imunossupressoras e quimioterapia e grandes queimados. ● chega no epitélio - prolifera - lesão QUADRO CLÍNICO - disfagia - dor retroesternal - náusea e vômito - lesões na boca (podem ter - se não tiver, não exclui) - hematêmese DIAGNÓSTICO EAD: pequenas lesões purpúreas ou vesiculares; evoluem para pequenas úlceras superficiais com fundo enantematoso e halo de hiperemia - biópsia das bordas da úlcera - microscopia: inclusões nucleares tipo Cowdry A, núcleo em vidro fosco, células gigantes multinucleadas, balonização (degeneração) UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV TRATAMENTO - aciclovir 200mg VO 5x/dia por 7 a 10 dias - imunocomprometidos: aciclovir (400 mg VO 5x dia por 14-21 dias), usado para pctes com odinofagia grave; fanciclovir (500mg VO 3x/dia) ou valaciclovir (1g VO 3x/dia) - Analgésico para dor - IBP ESOFAGITE VIRAL - CITOMEGALOVÍRUS EPIDEMIOLOGIA - imunossuprimidos! → AIDS, tto quimioterápico, transplante renal - HIV+ com CD4 <50 - incidência aumenta com o grau de imunossupressão FISIOPATOLOGIA UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV - inflamação → necrose - vírus se multiplica no epitélio → lesão QUADRO CLÍNICO - início gradual - náuseas e vômitos → diferencial de esofagite por CMG - febre, dor epigástrica, diarreia e perda de peso → comum - disfagia, odinofagia e dor retroesternal → menos comum DIAGNÓSTICO EAD: lesões ulceradas, de tamanhos variados, únicas ou múltiplas, ocupando preferencialmente o terço média e distal do esôfago - biópsia do centro da úlcera - microscopia: células e núcleos grandes, inclusões nucleares e ovoides, corpos de inclusão (eosi ou basofílicos) separados por membrana nuclear por um halo TRATAMENTO UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV - Pctes com alto risco de desenvolver esofagite por CMV (CD4<50) = tto enquanto espera a confirmação patológica - Ganciclovir (5mg/kg/dose IV 12/12h) por 3-6 sem à preferido devido ao custo e efeitos colaterais renais - Foscarnet = medicamento para quem tem contraindicações ao ganciclovir (trombocitopenia mod a grave ou ganciclovir) ESOFAGITE FÚNGICA EPIDEMIOLOGIA - principal causa de esofagite infecciosa - várias espécies de Candida podem estar presentes na flora normal da cavidade oral e de outros segmentos do aparelho gastrointestinal - pacientes imunossuprimidos! - em pctes HIV + é uma doença definidora!! se tem suspeita de HIV e DX positivo de esofagite por cândida ⇒ confirma DX de HIV FISIOPATOLOGIA - principais fatores predisponentes de candidíase esofágica são as doenças esofágicas que causam estase, como acalasia e esclerodermia, uso de corticoide inalatório ou sistêmico, e doenças que causam imunossupressão, como AIDS, neoplasias, alcoolismo, idade avançada e diabetes mellitus QUADRO CLÍNICO ● pode ser assintomática, principalmente nos pacientes sem comprometimento imunológico → DX por EDA! ● odinofagia, dor retroesternal discreta ● comum ter esofagite e candidíase oral juntas DIAGNÓSTICO ● EDA: DX definitivo → placas esbranquiçadas, pouco elevadas, menores que 1cm, lineares, aderentes, difíceis de serem retiradas com lavado ○ material p biópsia ● microscopia: pseudo-hifas e leveduras (ovóides) + esofagite aguda ○ pseudo-hifas: aparência linear com indentações (não são septações verdadeiras) ○ coloração: PAS - marca carboidratos (fica rosa forte) UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV TRATAMENTO 1. medicamentos topicamente ativos e não absorvíveis, que incluem a nistatina, o clotrimazol, o miconazol e a anfotericina oral; 2. medicamentos absorvíveis, administrados oralmente, como o cetoconazol, ou fluconazol e o itraconazol; 3. medicamentos administrados via parenteral, como a anfotericina B, o fluconazol, a ílucitosina e o caspofungin → pctes graves A escolha do tratamento é determinada pelo grau de comprometimento imunológico do hospedeiro e a gravidade da infecção - nistatina VO → imunocompetentes - fluconazol → não responde a nistatina / imunossuprimidos https://cbcsp.org.br/wp-content/uploads/2016/aulas/Cancer_do_esofago.pdf Julio Coelho Harisson gastroenterologia e hepatologia *Em vermelho, o que o Otto falou* https://cbcsp.org.br/wp-content/uploads/2016/aulas/Cancer_do_esofago.pdf