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UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
ANATOMIA DO ESÔFAGO E MEDIASTINO 
 Forma tubular 
 Músculo liso e estriado 
 Comprimento varia de 25 a 35 cm 
 Dividido em cervical, torácico e abdominal 
o Cervical: 5 cm, ⅕ do esôfago, começa abaixo do 
esfíncter esofágico superior e vai até T1, localizado atrás a 
traqueia 
o Torácico: 16 a 18 cm, dividido em supra e 
infrabrônquico (divisão é a carina da traqueia); ao entrar no 
tórax, o esôfago vai um pouquinho pra esquerda, cruzando o 
brônquio esquerdo posteriormente; 
o Abdominal: 0,5 a 2 cm, entra obliquamente no 
estômago formando o ângulo de His (internamente = 
membrana de Gubaroff) 
 Serosa só na parte abdominal 
 Mediastino postero inferior 
 
 Tem 4 locais de estreitamento bem definidos → locais de afecções esofágicas, como obstrução por corpo 
estranho, lesões cáusticas e câncer 
o Cricofaríngeo: na origem do esôfago, compressão pelo músculo cricofaríngeo 
o Aórtico: nível do arco da aorta (T5) 
o Brônquico: cruzamento do brônquio-fonte esquerdo 
o Diafragmático: nível do hiato diafragmático (T10) 
 EEI: pilares diafragmáticos, ângulo de His, 
 
HISTOLOGIA 
 4 camadas: mucosa, submucosa, muscular e adventícia/serosa (depende se está intra ou extraperitoneal) 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 Mucosa: epitélio de revestimento, lâmina própria 
e muscular da mucosa 
 Epitélio de revestimento: escamoso estratificado 
não queratinizado 
 Há glândulas produtoras de mucina na submucosa 
e lâmina própria 
 Camada muscular: circular interna e longitudinal 
externa → entre as duas, há o plexo de 
Auerbach/mioentérico 
 
VASCULARIZAÇÃO 
ARTERIAL 
 Porção cervical: artérias tireóideas inferiores 
 Torácico: ramos que nascem direto da aorta e ramos 
esofágicos das artérias intercostais e bronquiais 
 Abdominal: artéria frênica inferior e 
esofagocardiotuberositária (ramo da gástrica esquerda) 
VENOSA 
 Cervical: veias tireóideas inferiores → veia cava 
superior 
 Torácica: sistemas ázigos e hemiázigos → veia cava 
superior 
 Abdominal: veia gástrica esquerda → sistema porta 
 
INERVAÇÃO 
 Plexos mioentéricos de Meissner e Auerbach 
 Conexões entre o plexos têm comunicações com o vago 
 Suprimento motor: núcleo motor dorsal do nervo vago e núcleo do n. acessório espinhal 
 Parassimpático: vago 
 Cervical: n. laríngeos recorrentes 
 n. vagos descem paralelamente formando um plexo visível 
 
 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
ABORDAGEM DO PACIENTE COM DISFAGIA 
 
HMA  Duração 
 Localização 
 Uso de medicamentos: corticoides 
 Sintomas associados: febre, lesões na boca, alergias, infecções recentes 
 Criança: perguntar se colocou algo na boca - sabão, pedra, brinquedo 
EXAME 
FÍSICO 
 Cabeça, pescoço e tórax! 
 IMC 
 Abdome rígido, ascite, distendido e escavado 
 Tireomegalia (bócio) 
 Câncer: metástase p fígado, pulmão → quando dá sintoma, câncer já afetou 50 a 70% do 
esôfago 
o Pesquisa de linfonodos → subclaviculares 
 
 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
COMPREENDER A ACALASIA E O MEGAESÔFAGO CHAGÁSICO 
DEFINIÇÃO 
 Acalasia é uma doença rara causada pela perda das células ganglionares existentes no plexo mioentérico do 
esôfago 
 Destruição ou ausência dos plexos nervosos 
intramurais do esôfago ACALASIA 
 Ausência de peristaltismo ao nível do corpo do 
órgão 
 Os neurônios inibitórios são responsáveis pelo 
relaxamento do esfíncter esofágico inferior (EEI) 
durante a deglutição e pela propagação sequencial 
da peristalse. 
 Não abertura do esfíncter inferior do esôfago (EIE) 
em resposta à deglutição 
 Estase esofágica e, de início, acentuada 
incoordenação motora; 
 De modo progressivo ocorre dilatação e diminuição 
de sua capacidade de contração MEGAESÔFAGO 
 Alterações da motilidade ocorreriam quando 50% das células estivessem destruídas, e dilatação quando 
houvesse comprometimento de 90% 
ETIOLOGIA/ EPIDEMIO 
Doença de Chagas, trypanosoma cruzi- Endêmico na América Latina- Nordeste, norte do PR- açaí, caldo de cana 
Incidência populacional de cerca de 1:100.000 e geralmente evidenciada entre as idades de 25 e 60 anos. 
No entanto, no restante do mundo, a causa do megaesôfago é de origem desconhecida 
FISIOPATOLOGIA 
 peristalse anomal, relaxamento incompleto e hipertonia –mas nem sempre- (hipertrofia na doença de chagas) 
Ocorre perda do caráter peristáltico, principalmente nos 2/3 inferiores do esôfago, onde a musculatura é lisa. 
A estase constitui estímulo para contrações do corpo do esôfago, que tenta vencer o obstáculo funcional representado 
pelo EIE. De início, as contrações são intensas e, progressivamente, perdem sua força. 
Ao mesmo tempo, as fibras musculares, que no começo apresentam hipertrofia e espessam a camada muscular, vão se 
alongando gradualmente, sendo substituídas por tecido conjuntivo. 
A estase também contribui para a ocorrência de complicações do megaesôfago, como esofagite, ulcerações da mucosa 
e leucoplasia. 
Já na fase avançada da enfermidade, o esôfago passa a apresentar-se ectasiado, geralmente com seu segmento distal 
deitado sobre o diafragma, sem resposta, por menor que seja, ao estímulo da deglutição, tornando-se esta ineficaz. 
Obs: acalasia e megaesôfago não são a mesma coisa, a acalasia gera megaesôfago, mas outras doenças também geram* 
ANATOMIA PATOLÓGICA 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
MICROSCOPIA 
Espessamento da parede do esôfago por hipertrofia das células musculares lisas e 
aumento do tecido conjuntivo; progressiva diminuição da espessura da parede, 
pela substituição da camada muscular por tecido conjuntivo; dilatação 
progressiva, com alongamento variável; ausência de lesão orgânica obstrutiva no 
esôfago distal, região onde, inclusive, não acontece a hipertrofia da camada 
muscular observada no restante do esôfago; presença eventual de complicações 
como esofagite, úlcera de estase, leucoplasia e câncer. 
Os plexos nervosos intramurais (de Auerbach) encontram- se em diferentes graus 
de destruição 
Observa-se perineurite, neurite, ganglionite e periganglionite. Em alguns gânglios, 
há completo desaparecimento das células nervosas e sua substituição por tecido 
denso. Existe sempre uma fibrose intersticial entre as fibras musculares. 
MACROSCOPIA 
Mucosa pode apresentar edema, exulcerações ou mesmo úlceras. A presença de áreas de leucoplasia é frequente. 
QUADRO CLÍNICO 
FASE AGUDA 
Podem ocorrer sintomas esofágicos, como disfagia transitória ou que se instala no momento da evolução da doença 
Sintomas de infecção por Chagas: Predominam os sintomas de fase aguda, como febre, hepatoesplenomegalia, 
infartamento ganglionar e miocardite aguda. O sinal da porta de entrada (complexo oftalmoganglionar- complexo de 
Romana), localizado na pálpebra, ou chagoma de inoculação, em outras regiões do corpo 
FASE CRÔNICA 
Disfagia, regurgitação, dor retroesternal, pirose, sialorreia e broncopneumonias de repetição, hipertrofia da glândula 
parótida, retardo no desenvolvimento somático e emagrecimento. 
Pirose: comida fermenta no esôfago e produz a pirose aumenta a chance em 16% para CEC 
Disfagia longa evolução (anos), forma LENTA, BAIXA, progressiva, inicialmente para sólidos, depois para pastosos e 
mais tarde para líquidos. Existe a sensação da parada dos alimentos ingeridos na região do apêndice xifoide ou em 
posição retroesternal, o que causa sensação de peso, plenitude e mesmo dor 
*Obs: disfagia alta- EES-neurológico* 
Regurgitação volta do alimento represado no esôfago para a cavidade oral, sem ocorrência de náusea. Regurgitação 
da forma que engoliu, o alimento não é digerido. Tanto a inclinação do corpo para frente ou o decúbito horizontal 
favorecem esse acontecimento. Não raro o paciente refere, ao acordar, a existência de alimento sólido ou líquido 
manchando o travesseiro favorece a broncoaspiração e broncopneumonias de repetição 
Manobras inspiração profunda, alongamento do pescoço, deglutiçõesrepetidas e, mais frequentemente, ingestão de 
líquidos, (formação de coluna hídrica quase sempre faz vencer a barreira esfincteriana, determinando a passagem de 
quantidades variáveis do alimento para o estômago) 
COMPLICAÇÕES 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
Crônica, pode levar à morte por inanição 
Pneumonia aspirativa 
Inflamação pela estase acantose, paraceratose e leucoplasia + câncer 
DIAGNÓSTICO 
Suspeita clínica + epidemiologia (zona endêmica, transfusão de sangue) 
Reação sorológica para Chagas fase aguda: após 4 a 8 semanas do início dos sintomas, parasito em gota espessa; fase 
crônica: reação de fixação do complemento (de Guerrero-Machado), imunofluorescência e hemaglutinação 
Radiografia contrastada de esôfago: quase sempre confirma o diagnóstico do megaesôfago. Nota-se sempre a estase 
de contraste no esôfago. Podem ser observadas ondas terciárias, floculação do contraste (demonstrando a presença de 
estase alimentar) e ausência de bolha gástrica. Existe um afilamento gradual e regular na região da transição 
esofagogástrica (TEG). Na maioria das vezes, a dilatação encontra-se presente. 
Pede RX de EED- esôfago, estômago e duodeno, em doença inicial para avaliar a retenção do contraste 
Endoscopia digestiva alta: complementar, exclui diagnósticos diferenciais e a maior chance de CEC. Confirma a ausência 
de obstrução orgânica do cárdia, o aspecto da mucosa esofágica e a presença de tumores esofágicos associados ao 
megaesôfago. 
Eletromanometria de esôfago: estudo da motilidade esofágica tem importância nos casos em que há dúvida diagnóstica, 
pela ausência de dilatação do esôfago. Verifica-se através dele a presença de ondas sincrónicas ao nível do corpo do 
esôfago, além de ondas de longa duração e baixa amplitude, bem como acalasia do cárdia. Importante na escolha da 
terapêutica cirúrgica e pode fazer o diagnóstico de hérnia hiatal associada e presença de esfíncter em casos de recidiva 
da disfagia após tratamento cirúrgico. 
 Não diminuição da pressão no EEI com ausência de onda Ondas terciárias e hipertonia de EEI e inversão da 
onda sem ondas nos outros níveis* 
Outros exames podem ser realizados para detecção de doenças associadas: tempo de esvaziamento gástrico 
(gastropatia chagásica), ultrassonografia do fígado e vias biliares (colelitíase) e enema opaco (megacólon). 
CLASSIFICAÇÃO 
1. Classificação de Mascarenhas, baseada no diâmetro e na retenção do meio de contraste no esôfago 
 
I- ANECTÁSICO 
II- DISCINÉTICO 
III- CLÁSSICO 
IV- DOLICOMEGAESÔFAGO>10 cm 
 
Classificação de Rezende, baseada na retenção do contraste, no diâmetro, na atividade contrátil e tonicidade do 
segmento inferior e no alongamento do órgão. 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 
Grau 1- abaixo de 4; grau 2- de 4 a 7; grau 3- 7 a 10, grau 4- maior que 10 
Classificação baseada na dilatação, no alongamento e na atividade motora. Tem finalidade prática, determinando o tipo 
de tratamento cirúrgico a ser adotado" 
 
TRATAMENTO 
A acalasia não pode ser evitada ou revertida por qualquer intervenção terapêutica. O tratamento tem como objetivo 
reduzir a pressão do EEI 
Doença crônica objetivo é a resolução da disfagia, principal sintoma + prevenção do refluxo gastresofágico resultante 
da anulação do EIE 
CLÍNICO 
Estagio I e II 
 Medidas dietético-comportamentais apenas pacientes que não são muito sintomáticos, TTO ruim, mais 
comum na acalasia idiopática, pois não evita a progressão da doença 
 Redução da pressão do EEI: nitratos (isossorbida), bloqueadores do canal de cálcio (nifedipina) e sildenafil 
(viagra → redução do tônus do EEI…) → antes das refeições 
o Toxina botulínica → tratamento temporário 
o Dilatação endoscópica ou cirurgia → efetivo 
Estágio II e III 
 Miotomia de Heller e fundoaplicadura parcial 
 Dilatação da cárdia: extensão ou ruptura das fibras musculares da TEG, com diminuição da pressão do EEI e 
passagem dos alimentos; pode ser realizada com balões hidrostáticos ou pneumáticos (mais em idosos) 
Grau I: tratamento clínico – medicamentos e toxina botulínica no EEI. 
• Nitratos sublinguais. 
• Antagonistas dos canais de cálcio (10 mg nifedipina VO 6/6h). 
• Toxina botulínica em injeções locais por via endoscópica. 
Grau II: dilatação por balão ou Heller rasga a musculatura, risco de ruptura esofágica e formação de fibrose, grande 
chance de recidiva 
• A dilatação pneumática da cárdia é o tratamento conservador definitivo mais empregado para o tratamento da 
AC. Tem como objetivo romper as fibras musculares do EEI, reduzindo sua pressão e a obstrução funcional do 
esôfago. 
Grau III: cirurgia de Heller-Pinotti corte da camada muscular e o fundo do esôfago e estômago contorna o esfíncter 
• A esofagomiotomia de Heller ou miotomia de Heller (casos refratários e recidivantes) consiste na secção das 
camadas musculares do esôfago distal e da cárdia, e em geral é acompanhada de fundoplicatura. 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
• No BR, em pct grau II e III em pct muito emagrecidos tem tendência e fazer balão, para depois pct nutridos fazer 
a cirurgia de Heller e pct muito sintomáticos, mesmo grau I, faz Heller 
Grau IV: esofagectomia ou Serra-Dória 
• Cirurgias mais invasivas como esofagoplastias e esofagectomias. 
• Pede ECG e enema opaco- megacólon 
• https://www.youtube.com/watch?v=78-o84A3dkc 
DIFERENCIAR A ESOFAGITE TRAUMÁTICA QUÍMICA 
EPIDEMIOLOGIA 
 Frequente em crianças abaixo dos 5 anos → ingesta acidental (pilhas/produto de limpeza) 
 2ª causa mais frequente nos adultos e adolescentes → tentativa de suicídio 
FISIOPATOLOGIA 
Necrose aguda → ulceração e granulação → cicatrização 
Álcali (mais grave) → necrose liquefativa com morte celular imediata → trombose → isquemia local → perfuração 
Ácido → necrose coagulativa → impede a penetração mais profunda do ácido na parede do esôfago 
 
 Primeiros segundos = lesão tecidual 
 24h = hemorragia, trombose, inflamação e edema 
 1ªsemana = colonização por fibroblastos, desnudamento da mucosa, tecido de granulação 
 10 – 15 dias = inicia-se a reparação esofágica 
 6 semanas = reepitelização da mucosa completa 
 3 meses – vários meses = retração cicatricial → estenoses! 
o Dismotilidade esofágica → refluxo gastroesofágico → acelera a retração cicatricial 
SODA CAUSTICA 
Os álcalis promovem necrose de liquefação. Há degeneração e morte celular devido à trombose de vasos, saponificação 
de gorduras e proteínas. Há portanto, comprometimento em profundidade12. 
Após a ingestão de álcalis há um espasmo esofágico em nível do cricofaríngeo com progressão da substância até o 
estômago. O piloro se contrai e a substância permanece em movimento entre o estômago e esôfago distal, até a 
neutralização ou atonia gástrica. Como há relaxamento do esfíncter inferior do esôfago, o esôfago distal é mais 
comprometido por refluxo gastroesofágico 
ÁCIDOS 
https://www.youtube.com/watch?v=78-o84A3dkc
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
Os ácidos, por produzirem uma necrose de coagulação, formam uma "capa protetora" para os tecidos mais profundos. 
Não agem tanto em profundidade, mas sim em extensão. O estômago é por isso mais frequentemente atingido, além do 
mais a secreção gástrica não neutraliza o ácido. Em resposta à agressão, o estômago apresenta espasmo de piloro que 
facilita a corrosão do antro. Estas tendem a ficar mais distais, especialmente no piloro, se o estômago estiver cheio ao 
momento da ingestão. Se o estômago estiver vazio, as lesões ocorrem na metade ou no terço distal do órgão. As lesões 
podem evoluir em 24 a 48 horas para necrose com perfuração. Tardiamente pode haver fibrose cicatricial com 
deformidade e obstrução pilórica 
 
QUADRO CLÍNICO 
 odinofagia, vômito 
 dor retroesternal 
 hematêmese 
 epigastralgia 
 dispneia e rouquidão 
 tosse 
 sialorreia 
 broncoaspiração → vômito forçado 
 queimadura de boca 
 edema de VAS 
 febre = infecção (mediastinite/sepse) 
Os sintomas mais alarmantessão os relacionados com as vias aéreas superiores. Rouquidão, estridor e afonia são 
caracteristicamente de queimaduras das vias aéreas superiores, com edema da epiglote, das cordas vocais ou de toda 
a laringe. Em poucos dias, quando não ocorre lesão do mediastino e da cavidade peritoneal, diminuem os sintomas 
agudos. As manifestações tardias são devidas às sequelas, à estenose esofágica e/ou antropilórica. 
DIAGNÓSTICO 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 RX tórax: suspeita de perfuração → PA ortostase e decúbito dorsal 
o pneumomediastino 
 EDA: lesões primeiras 24h, se o paciente não estiver 
instável 
 TC: se paciente estável 
TRATAMENTO 
Chegou o paciente → ver vias aéreas, cabeceira elevada, não 
deixar comer 
 Não fazer neutralização ácido base (libera calor) 
 Não fazer lavagem 
 Não fazer indução de vômito 
 Sonda nasogástrica em casos mais leves ou gastrostomia feita por EDA 
 tto no forte indício de perfuração → cirurgia (nem adianta fazer EDA) 
 não tem perfuração: hidratação, IBP 
 com lesão de mucosa na endoscopia: hidratação, IBP 
Nutrição enteral: sonda nasogástrica e nasoenteral 
Nutrição parenteral: veia (central) - tem que dar tudo quebrado já: aminoácidos, glicose 
Segundo o Otto: Derivação esôfago superior, cerclagem esofágica inferior e gastrostomia + ATB 
COMPREENDER AS NEOPLASIAS DE ESÔFAGO – 
ADENOCARCINOMA 
O adenocarcinoma desenvolve-se no interior do epitélio colunar displásico principalmente na junção esôfago-
gástrica/cárdia. 
ETIOLOGIA/ EPIDEMIOLOGIA 
O adenocarcinoma surge na parte distal do esôfago, 
na presença de refluxo gástrico crônico e metaplasia 
gástrica do epitélio (esôfago de Barret). 
Correlação com obesidade (IMC >30 Kg/m2)-DRGE 
mutação do gene p53 e provável associação entre a 
colecistectomia, possivelmente por uma toxicidade 
do refluxo duodenal na mucosa esofagiana. 
Nos EUA nos últimos 20 anos, constatou uma notável 
elevação na taxa de adenocarcinomas, particularmente em homens brancos 
CEC 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
É derivado do epitélio estratificado não-queratinizado, característico da mucosa normal do esôfago. 
EPIDEMIOLOGIA 
Trata-se do tipo histológico mais 
comum e ocorre mais frequentemente 
em homens, negros, a partir dos 50 
anos. 
Esse tumor acomete principalmente 
os terços médio e inferior (mais de 80% 
dos casos) do esôfago. 
Correlação entre alcoolismo e 
tabagismo 
QUADRO CLÍNICO 
O carcinoma esofágico tem início insidioso e produz disfagia e obstrução rápida e tardia. 
• Disfagia rapidamente progressiva 
– alimentos sólidos pastosos líquidos 
• Odinofagia 
• Sialorréia 
• Regurgitação 
• Hematêmese 
• Caquexia 
Metástase: Fígado, pulmão e ossos 
SINAIS E SINTOMAS DE DOENÇA AVANÇADA 
• Afagia (incapacidade para deglutir) 
• Pneumonia aspirativa (estenose do esôfago) 
• Rouquidão (infiltração de nervo laríngico recorrente) 
• Tosse durante deglutição (fístula esôfago-traqueal) 
• Insuficiência respiratória (infiltração de traqueia) 
DIAGNÓSTICO 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
Exame radiológico com duplo contraste para estudo do relevo mucoso: permite diagnosticar 70 % dos tumores 
superficiais e mais de 90 % do total de casos de carcinoma do esôfago 
Padrão de maçã mordida 
Esofagoscopia, complementada pela biópsia e 
citologia: melhor método diagnóstico do câncer do 
esôfago. À visão endoscópica, a neoplasia pode 
apresentar-se de aspecto vegetante, ulcerado ou 
infiltrante. Os tumores superficiais são 
identificados como pequenas lesões planas, 
erosivas ou elevadas. Qualquer irregularidade da 
mucosa no tocante à coloração, brilho ou relevo 
deve ser considerada suspeita 
Uso de corantes, especialmente a solução de lugol a 3 %, que tem a propriedade de corar em marrom as células normais, 
por seu conteúdo de glicogênio, enquanto as células neoplásicas permanecem claras, orientando com maior precisão 
o local da biópsia 
Ultra-sonografia endoscópica possibilita avaliar a invasão da parede do esôfago e a biópsia de linfonodos periesofagianos 
suspeitos. 
A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são utilizadas para o estadiamento: A TC permite 
classificar o câncer de esôfago em quatro estádios: I) lesão polipóide intraluminal ou espessamento localizado da parede 
esofágica (3 a 5 mm), sem invasão mediastinal ou metástases; II) espessamento da parede esofágica (>5mm), sem 
invasão dos órgãos adjacentes ou metástases; III) espessamento da parede esofágica com extensão direta para o tecido 
circunjacente, presença ou ausência de adenopatia local ou regional, sem metástase à distância; e IV) metástase à 
distância 
Para estadiamento TNM: RX+ TC de abdome e TC de tórax 
 
Para ver o T: endoscopia com ultrassom ou TC 
Para ver o N: ressecção e biópsia 
Para ver o M: TC 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
TRATAMENTO 
Definição de câncer de esôfago precoce- pega mucosa ou submucosa (sem invasão da muscular própria), 
INDEPENDENTE dos linfonodos. Não precisa fazer tratamento. 
• Tumor precoce (apenas 5% dos casos): 
– Cirurgia Ressecção 
• Tumor não-avançado: 
– Cirurgia Esofagectomia Quimio-Radioterapia adjuvante 
• Tumor avançado: 
– Se Ressecável 
• Quimio-Radioterapia neo-adjuvante Reestadiamento com TC Cirurgia Esofagectomia 
Obs: Classificação diferente sobre o TNM no câncer de esôfago 
 Ma: linfonodo cervical ou abdominal (tronco celíaco) são característicos de metástase!- intratável, tto paliativo 
Mb: linfonodos em órgãos como fígado 
 
 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 
 
 
 
 
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ESOFAGITE EOSINOFÍLICA 
EPIDEMIOLOGIA 
- doença crônica imunomediada 
- mais de 65% dos casos ocorrem na infância 
- mais homens, caucasianos 
- 2ª causa de esofagite crônica, depois da DRGE 
- 
FISIOPATOLOGIA 
● inflamação alérgica!! 
○ metade dos pacientes tem sintomas alérgicos → eczema, rinite alérgica, broncoespasmo 
● infiltrado eosinofílico no esôfago 
● resposta TH2 de linfócitos T + predisposição genética 
● TH2 → citocinas pró alérgicas (4, 5, 13) → formação de anticorpos IgE + recrutamento, maturação, ativação de 
mastócitos e eosinófilos 
● Alérgenos mais notáveis: leite, soja e ovo 
● Exclusão da DRGE: persistência dos sintomas e inflamação eosinofílica da mucosa esofágica, apesar da 
terapêutica com IBP em doses elevadas ou pela associação a pHmetria normal do esôfago distal 
QUADRO CLÍNICO 
● crianças: recusa alimentar, vômitos e dor abdominal 
● a partir da adolescência: disfagia e impactação de alimentos 
● sintomas esofágicos intermitentes! - relacionado com o que a pessoa come 
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HPF: campo de grande aumento 
DIAGNÓSTICO 
Endoscopia: aneis esofágicos rígidos ⇒ TRAQUEALIZAÇÃO 
- lesões esbranquiçadas que parecem Candida → abscessos de eosinófilos 
- perda no padrão vascular da mucosa 
- colher biópsia! 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 
 
ACHADOS HISTOLÓGICOS 
● >15 eosinófilos por campo de grande aumento, microabscessos eosinofílicos (>4 no epitélio). eosinófilos na 
superfície do epitélio 
○ hiperplasia de células escamosas 
 
TRATAMENTO 
- 3 Ds: dieta, drogas e dilatação 
1. eliminação de possíveis alérgenos da dieta 
2. fármacos úteis em condições inflamatórias e alérgicas: IBP, corticoides sistêmicos (controlam sintomas e 
infiltrado inflamatório), corticoides tópicos - líquido (proprionato de fluticasona; minimiza efeitos colaterais) 
3. tratamentos endoscópicos com dilatações esofágicas para corrigir o calibre do esôfago 
4. Endoscopia com biópsia confirma DX → primeiro orientação da dieta → tratamento (IBP e corticoide VO) 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
ESOFAGITE VIRAL - HERPES SIMPLES 
EPIDEMIOLOGIA 
- vírus da herpes simples tipo 1 fica nas glândulas salivares dos adultos → saliva é fonte de autoinoculação e 
transmissão 
- 2ª causa mais frequente de esofagite infecciosa, após candidíase esofágica 
- pacientes imunossuprimidos!FISIOPATOLOGIA 
● primária ou por reativação do vírus latente em lesões orais ou genitais (+ comum) 
● episódios de reativação são leves, mas graves em imunodeprimidos, podendo se disseminar pro fígado, 
pulmões e SN central 
● pctes imunocompetentes: autolimitada (2 semanas) 
● condições predisponentes são similares às da esofagite por Candida, e é mais frequente em pacientes com 
AIDS, neoplasia, enfermidades crônicas debilitantes (etilistas, desnutridos graves), insuficiência renal, 
recebendo drogas imunossupressoras e quimioterapia e grandes queimados. 
● chega no epitélio - prolifera - lesão 
 
 
QUADRO CLÍNICO 
- disfagia 
- dor retroesternal 
- náusea e vômito 
- lesões na boca (podem ter - se não tiver, não exclui) 
- hematêmese 
DIAGNÓSTICO 
EAD: pequenas lesões purpúreas ou vesiculares; evoluem para pequenas úlceras superficiais com fundo enantematoso 
e halo de hiperemia 
- biópsia das bordas da úlcera 
- microscopia: inclusões nucleares tipo Cowdry A, núcleo em vidro fosco, células gigantes multinucleadas, 
balonização (degeneração) 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 
 
TRATAMENTO 
- aciclovir 200mg VO 5x/dia por 7 a 10 dias 
- imunocomprometidos: aciclovir (400 mg VO 5x dia por 14-21 dias), usado para pctes com odinofagia grave; 
fanciclovir (500mg VO 3x/dia) ou valaciclovir (1g VO 3x/dia) 
- Analgésico para dor 
- IBP 
 
ESOFAGITE VIRAL - CITOMEGALOVÍRUS 
EPIDEMIOLOGIA 
- imunossuprimidos! → AIDS, tto quimioterápico, transplante renal 
- HIV+ com CD4 <50 
- incidência aumenta com o grau de imunossupressão 
FISIOPATOLOGIA 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
- inflamação → necrose 
- vírus se multiplica no epitélio → lesão 
QUADRO CLÍNICO 
- início gradual 
- náuseas e vômitos → diferencial de esofagite por CMG 
- febre, dor epigástrica, diarreia e perda de peso → comum 
- disfagia, odinofagia e dor retroesternal → menos comum 
DIAGNÓSTICO 
EAD: lesões ulceradas, de tamanhos variados, únicas ou múltiplas, ocupando preferencialmente o terço média e distal 
do esôfago 
- biópsia do centro da úlcera 
- microscopia: células e núcleos grandes, inclusões nucleares e ovoides, corpos de inclusão (eosi ou basofílicos) 
separados por membrana nuclear por um halo 
 
 
 
TRATAMENTO 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
- Pctes com alto risco de desenvolver esofagite por CMV (CD4<50) = tto enquanto espera a confirmação 
patológica 
- Ganciclovir (5mg/kg/dose IV 12/12h) por 3-6 sem à preferido devido ao custo e efeitos colaterais renais 
- Foscarnet = medicamento para quem tem contraindicações ao ganciclovir (trombocitopenia mod a grave ou 
ganciclovir) 
ESOFAGITE FÚNGICA 
EPIDEMIOLOGIA 
- principal causa de esofagite infecciosa 
- várias espécies de Candida podem estar presentes na flora normal da cavidade oral e de outros segmentos do 
aparelho gastrointestinal 
- pacientes imunossuprimidos! 
- em pctes HIV + é uma doença definidora!! se tem suspeita de HIV e DX positivo de esofagite por cândida ⇒ 
confirma DX de HIV 
FISIOPATOLOGIA 
- principais fatores predisponentes de candidíase esofágica são as doenças esofágicas que causam estase, como 
acalasia e esclerodermia, uso de corticoide inalatório ou sistêmico, e doenças que causam imunossupressão, 
como AIDS, neoplasias, alcoolismo, idade avançada e diabetes mellitus 
QUADRO CLÍNICO 
● pode ser assintomática, principalmente nos pacientes sem comprometimento imunológico → DX por EDA! 
● odinofagia, dor retroesternal discreta 
● comum ter esofagite e candidíase oral juntas 
DIAGNÓSTICO 
● EDA: DX definitivo → placas esbranquiçadas, pouco elevadas, menores que 1cm, lineares, aderentes, difíceis de 
serem retiradas com lavado 
○ material p biópsia 
 
● microscopia: pseudo-hifas e leveduras (ovóides) + esofagite aguda 
○ pseudo-hifas: aparência linear com indentações (não são septações verdadeiras) 
○ coloração: PAS - marca carboidratos (fica rosa forte) 
UC14 SP1 Evelin Salvi TXIV 
 
TRATAMENTO 
1. medicamentos topicamente ativos e não absorvíveis, que incluem a nistatina, o clotrimazol, o miconazol e a 
anfotericina oral; 
2. medicamentos absorvíveis, administrados oralmente, como o cetoconazol, ou fluconazol e o itraconazol; 
3. medicamentos administrados via parenteral, como a anfotericina B, o fluconazol, a ílucitosina e o caspofungin 
→ pctes graves 
A escolha do tratamento é determinada pelo grau de comprometimento imunológico do hospedeiro e a gravidade da 
infecção 
 
- nistatina VO → imunocompetentes 
- fluconazol → não responde a nistatina / imunossuprimidos 
 
 
 
 https://cbcsp.org.br/wp-content/uploads/2016/aulas/Cancer_do_esofago.pdf 
Julio Coelho 
Harisson gastroenterologia e hepatologia 
*Em vermelho, o que o Otto falou* 
https://cbcsp.org.br/wp-content/uploads/2016/aulas/Cancer_do_esofago.pdf

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