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Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 Sangramento Uterino Anormal ➔ São diferentes padrões de sangramento menstrual que variam de alteração no volume e irregularidades tanto na duração quanto no ciclo menstrual; ➔ Queixa frequente de consultas; ➔ Interfere nos hábitos diários. Conceitos: ● Hipermenorréia → Sangramento prolongado, > 8 dias; ● Menorragia → Aumento do volume > 80 ml; ● Polimenorréia → Frequência inferior a 24 dias; ● Oligomenorréia → Intervalos maiores que 35 dias; ● Hipomenorréia → Fluxo menor que 4 dias ou volume inferior; ● Metrorragia → Sangramento e períodos irregulares; ● Sangramento intermenstrual (spoting) → Entre os ciclos, porém por outra causa; ● Fase folicular ou proliferativa → Primeira fase do ciclo, com formação dos folículos; ● Fase lútea ou secretora → Segunda fase do ciclo, com presença de corpo lúteo. Recomendação de desuso destes termos! Conceitos Atuais: Sangramento Uterino Anormal Crônico: ➢ Sangramento oriundo do útero, sem gestação, alterado na regularidade, frequência e volume; ➢ Persistente por mais de 6 meses. Sangramento Uterino Anormal Agudo: ➢ Sangramento intenso, sem gravidez, em quantidade significativa, necessitando de intervenção imediata; ➢ Pode ser em vigência de quadro crônico. Padrões de Sangramento: ● Difícil contextualizar na prática; ○ Normalmente é informado pela própria paciente, que nota alteração. ● Volume sanguíneo em cada menstruação → 20 a 80 ml; ○ Informação difícil de quantificar. ○ Presença de coágulos; ○ Aumento no número de absorventes utilizados; ○ Presença de anemia indicam sangramento excessivo. ● Ciclos regulares → A cada, aproximadamente, 28 dias (+ ou - 7 dias). 1 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 Classificação Sistema PALM-COEIN: ● Define a etiologia em causas estruturais e não estruturais do útero; ● Lembrando sempre que SUA está descartado gestação, aborto, etc. ☆ Pólipos → Proliferações endometriais; ○ Padrão de sangramento irregular, sangramentos intermenstruais. ☆ Adenomioses → Implantação de estroma ou parênquima endometrial no interior do miométrio; ○ Anteriormente era chamada de endometriose uterina; ○ Sangramento intenso, volume grande. ☆ Leiomiomas → Tumores fibromusculares uterinos; ○ Os leiomiomas submucosos estão mais associados com SUA (são os que mais sangram); ○ Menometrorragia (paciente sangra muito e em períodos irregulares); ○ Ex.: Miomas uterinos. ☆ Malignidade → Hiperplasia e CA de endométrio. ○ Sangramento contínuo. As causas estruturais são mais fáceis de diagnosticar, pois os exames de imagem auxiliam! ☆ Coagulação → 13% dos casos de SUA; ○ Rastreado por anamnese e exames laboratoriais; ○ Mais comum: Doença de Von Willebrand; ○ Normalmente em mulheres mais jovens; 2 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 ○ Normalmente ocorre no período menstrual. ☆ Ovulatórias → Disfunções ovulatórias; ○ Anovulação com consequente produção inadequada de progesterona; ✓ Mulheres podem sangrar ou deixar de ter sangramento por causas anovulatórias. ○ Anormalidades do eixo hipotálamo-hipófise-ovário; ○ Imaturidade na puberdade → Pode ocorrer SUA na puberdade devido a essa causa; ○ Endocrinopatias: Tireóide, ovários policísticos, prolactina, etc; ○ Normalmente não são sangramentos muito intensos, porém duram vários dias. ☆ Endometriais → Ciclos regulares, mas aumentados em volume; ○ Alterações primárias do endométrio (Ex.: Hiperplasia de endométrio → Excesso de estrogênio ou ausência de progesterona); ○ Infecções como clamídia com resposta inflamatória local; ○ Mais comum em sangramentos pós-menopausa. ☆ Iatrogênica → Uso de hormônios exógenos ou dispositivos; ○ Contraceptivos hormonais e DIU com ou sem hormônios; ○ O principal tipo de sangramento é o intermenstrual (spotting por hormônio); ○ Mais comum em contraceptivos apenas com progesterona, porém, também podem ocorrer nos combinados. ☆ Não Classificadas → Causas não identificadas. Investigação: Anamnese: ➢ Periodicidade, volume e padrão do sangramento e ciclo; ➢ HMP; ➢ Outros sangramentos; ➢ Uso de hormônios ou contraceptivos; ➢ Idade. Exame Físico: ➢ Deve ser feito antes da solicitação de exames, primeira coisa após anamnese; ➢ Exame especular; ○ Tumores e lesões vaginais ou de colo. ➢ Avaliação de sangramento de outros locais; ○ Anus, vagina, vulva, DSTs, etc. ➢ Toque bimanual; ○ Avaliação de alterações estruturais; ○ Tamanho e irregularidades uterinas; ○ Ex.: Adenomiose e leiomioma. ➢ Demais aspectos; 3 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 ○ Petéquias, equimoses e outros sugestivos de distúrbios sistêmicos ou de coagulação. Exames Laboratoriais: ➔ Determinado pela anamnese e exame físico. ➢ Teste de gravidez; ➢ Hemograma (avaliar anemia); ➢ TSH, prolactina (quando pensamos em distúrbios ovulatórios); ➢ Provas de coagulação (quando pensamos em distúrbios de coagulação); ○ Fator Von Willebrand. Exames de Imagem: ➢ Devem ser realizados quando: ○ Suspeita de anormalidades estruturais (PALM); ○ Ausência de resposta ao tratamento em pacientes com exame físico normal; ○ Ultrassonografia transvaginal; ✓ Endométrio, corpo uterino, pólipos; ✓ Imagem normal → Descarta PALM (estruturais). ○ Histeroscopia → Permite avaliação da cavidade uterina; ✓ Permite biópsia do endométrio (coEin); ✓ Em mulheres com sangramento e endométrio de espessura ideal para menacme, não se pode descartar a possibilidade de alterações endometriais. 4 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 Tratamento: ● Manejar a fase aguda; ○ Evitar distúrbios hemorrágicos; ○ Evitar anemia; ○ Evitar desconforto; ○ “Regular” o ciclo. ● Fármacos não hormonais; ○ AINEs → Diminuição da produção de prostaglandinas e vasoconstrição (Ácido Mefenâmico); ○ Antifibrinolítico (Ácido tranexâmico). ● Fármacos hormonais; ● Cirurgia; ○ Se necessário, transfusão; ○ Curetagem; ○ Ablação. Paciente Instável pelo Sangramento Agudo: ➢ Tamponamento uterino com Sonda de Foley; ○ Comprime o endométrio para parar o sangramento. ➢ Controlar SUA agudo até medicações determinarem efeito; ➢ Altas doses de hormônios; 5 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 ○ ACO com estradiol (30 a 35 mcg) → 1 cp 3x ao dia por 7 dias; ○ Medroxiprogesterona oral (10 mg) → 2 cp 3x ao dia por 7 dias (mais utilizado); ○ Atentar para risco de TEV. ➢ Curetagem uterina; ○ A recorrência do sangramento é alta. ➢ Cirurgia; ○ Histerectomia; ○ Ausência de resposta aos tratamentos anteriores; ○ Última opção.principalmente para quem deseja manter a fertilidade. Paciente Estável: Tratamento hormonal; ○ ACO com estradiol (30 a 35 mcg) → 1 cp 3x ao dia; ○ Após controle, manter 1 cp ao dia. ➢ Em ciclos anovulatórios: ○ Medroxiprogesterona oral (10 mg) → 2 cp 3x ao dia por 7 dias. Não hormonais: ➢ AINEs; ○ Diminuem os níveis de prostaglandinas, determinando vasoconstrição e diminuição do sangramento; ○ Ácido Mefenâmico → 500 mg 3x ao dia (Ponstan); ✓ Maior resposta endometrial que os demais; ○ Naproxeno 500mg 2x ao dia; ○ Ibuprofeno 600mg ao dia. ➢ Antifibrinolíticos inibem o plasminogênio e diminuem a fibrólise, aumentando a coagulação local; ○ Ácido Tranexâmico → 500mg 3x ao dia por 3 dias; ✓ No Brasil só há 250mg. ➔ Normalmente se associa ACO + Ácido tranexâmico ou mefenâmico. Tratamento de Manutenção de SUA Crônico: ➢ Tratar a patologia de base (PALM); ○ Se possível, manter a fertilidade; ○ Histerectomia → Tratamento definitivo; ○ Miomectomia; ✓ Retirada dos miomas; ✓ Mantém a fertilidade; ✓ Para miomas submucosos; ✓ Via histeroscópica. ○ Polipectomia; ✓ Via histeroscópica. ➢ Sem etiologia elucidada e excluída malignidade, ou cirurgia não possível ou não desejada: ○ Anticoncepcionais hormonais; ○ Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (SIU-Lng) → DIU hormonal; ○ Progesterona. 6 Ginecologia e Obstetrícia Gabriela Teixeira ATM 2024/2 Indicações de Biópsia de Endométrio: ● Excluir alterações endometriais; ○ Principalmente em sangramento pós-menopausa com endométrio na US> ou = a 5 mm de espessura; ✓ Hiperplasia de endométrio; ✓ CA de endométrio. ● Outras indicações: ○ Principalmente > 45 anos; ○ Ausência de alterações em imagens; ○ SUA persistente. 7