Prévia do material em texto
EFEITO DO FRIO, DO CONGELAMENTO E DO DESCONGELAMENTO NA QUALIDADE DA CARNE PÓS-ABATE SABRINA BROETTO Alterações bioquímicas que afetam a qualidade Encurtamento pelo frio Rigor de descongelamento Capacidade de retenção de água e maciez influenciando o consumidor Alterações químicas durante a conservação Refrigeração Congelamento Retardo no crescimento microbiano e minimização dos processos químicos e bioquímicos nocivos Encurtamento pelo frio Resfriamento pré-rigor x maciez Cordeiro processado na Nova Zelândia (1960): Fatores no processamento ou no armazenamento desempenham papel fundamental na maciez; Relação entre resfriamento pré-rigor e maciez da carne; Músculos pré-rigor desossados Contração • Tipo de músculo; • Tempo pós-morte; • Estado fisiológico; • Temperatura Encurtamento altoContração mínima Contração drástica Encurtamento pelo frio Encurtamento pré-rigor x dureza À medida que o grau de encurtamento : o grau de dureza até o ponto em que o músculo se contrai 40% (máximo). Após este ponto, pode ocorrer outra contração: da dureza. Encurtamento pelo frio • Músculo em pré-rigor; • Níveis adequados de ATP (energia para contração /dissociação das cabeças de miosina da actina); • T abaixo de 10̊ C. Fatores que contribuem para este processo • Maior percentual de fibras vermelhas (carnes bovina, ovina e de cordeiro). • Pouca ocorrência em carne suína e de aves (fibras brancas). Músculos mais suscetíveis ? • Temperaturada carcaça entre 10 e 20̊ C até o rigor mortis • **Abaixamento rápido da T da carcaça para a minimização do crescimento microbiano. Prevenção • Músculo unido ao osso durante o resfriamento da fase inicial de pós-morteMinimização Rigor de descongelamento Contração muscular intensa ocorrente em músculos descongelados que foram congelados na fase pré-rigor; Fenômeno parecido com o encurtamento pelo frio; Por que o Rigor de descongelamento ocorre? Dano estrutural causado às membranas do sarcolema e retículo sarcoplasmático: formação de cristais de gelo Influxo de Ca²+ no sarcoplasma Contração muscular (níveis de ATP ainda são altos para que ocorra encurtamento) Perda excessiva de líquido das fibras musculares durante o descongelamento Prevenção: Estimulação elétrica ou armazenamento da carcaça a T acima das de congelamento até que o rigor mortis inicie. Rigor de descongelamento Resfriamento e refrigeração Carcaças de animais Rapidamente resfriadas a 2-5̊ C em resfriador Minimizar crescimento microbiano t de resfriamento de até 24h para carcaças de gado com 300 Kg Carcaças de frango e peixe Resfriadas por imersão em gelo t de resfriamento < 1h para carcaças de frango Resfriamento e refrigeração Tempo necessário para que uma carcaça atinja sua T final de resfriamento varia de acordo com: Tamanho; Espessura da camada de gordura subcutânea; Método de resfriamento (Processadoras comerciais banhos com água fria e ar com alta velocidade, facilitam o resfriamento) Grau de resfriamento Afeta reações enzimáticas do tecido do músculo pós-morte Afeta a qualidade da carne maturada Queda do pH (glicólise) Esgotamento do ATP Contração muscular Oxidação lipídica Resfriamento e refrigeração • Carcaças resfriadas de forma rápida: retardamento • Oxidação lipídica ocorre de forma mais lenta em T de refrigeração Redução da atividade das enzimas oxidativas Preserva o sabor da carne e minimiza a oxidação da mioglobina Queda do pH (glicólise) Esgotamento do ATP Contração muscular Inibição das atividades enzimáticas Congelamento Um dos métodos mais efetivos para a preservação da carne Em temperaturas abaixo de -10°C Mudanças químicas: Crescimento microbiano Reações enzimáticas Minimiza a perda de qualidade Descoloração: oxidação da mioglobina Ranço oxidativo: oxidação de lipídeos insaturados Alteração da textura: desnaturação e agregação de proteínas Congelamento Mudanças químicas influenciadas: Grau de congelamento e descongelamento Tempo de armazenamento Mudanças de temperatura do freezer Condições atmosféricas da carne Congelamento Formação de cristais de gelo A velocidade de congelamento afeta as propriedades físicas e químicas da carne (congelamento lento e rápido) cristais de gelo abaixo do ponto de congelamento Rompimento das células Congelamento Formação de cristais de gelo Congelamento lento -Prolongamento da temperatura de congelamento inicial (até -2ºC); -Numerosos cristais de gelo extracelulares perdidos facilmente como “gotejamento” no descongelamento -A velocidade de congelamento ~ 0,05ºC/minuto. Ocorre também a desnaturação de proteínas, diminuindo a qualidade nutricional da carne. Uso de crioprotetores para evitar a desnaturação. Congelamento Formação de cristais de gelo Congelamento rápido -A temperatura cai rapidamente; -Causa menos efeitos prejudiciais do que o congelamento lento; -A velocidade de congelamento ~0,5ºC/minuto; -Os cristais formados são intracelulares e pequenos; -Rápida reabsorção da água pelos componentes celulares Congelamento Congelamento criogênico Nitrogênio líquido (- 195°C), gelo seco (- 98°C). Resfriam a carne de forma rápida e transformam água líquida em cristais de gelo em questão de minutos. Ar forçado (- 50°C). Transferência rápida de calor cristalizando a água intramuscular. Ar parado (- 10 a - 30°C). Dissipação lenta de calor da carne. Causa danos às células do músculo e às proteínas.