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Outro comentário: 
FONTANA, ROSELI AP. CAÇÃO. MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA EM SALA DE AULA. 
CAMPINAS: EDITORA AUTORES ASSOCIADOS, 1996 (PRIMEIRO TÓPICO DA PARTE 
I - A GÊNESE SOCIAL DA CONCEITUALIZAÇÃO). 
 
O papel do professor é destacado por Fontana (1996) como aquele responsável em 
transformar os conhecimentos espontâneos carregados de significados em conhecimentos 
sistematizados. O conhecimento é algo elaborado coletivamente nas interações entre os 
sujeitos e cabe ao profissional da educação transformar o que era espontâneo em algo 
sistematizado. Para Fontana (1996) conceitos são produtos históricos da atividade mental 
utilizados para comunicação e conhecimento sendo indispensável à colaboração do adulto 
que apresenta graus de generalidade e operações intelectuais novos para a criança que 
passa a organizar seu processo de elaboração mental através do outro. Há uma grande 
diferença na atividade mental cotidiana e a elaboração sistematizada na escola, pois interna 
e externamente são situações diferentes. No cotidiano, a mediação do adulto é espontânea 
e imediata, sempre centrada na situação e ato intelectual envolvido. A intervenção do adulto, 
no cotidiano, não é deliberada e nem planejada, enquanto em uma relação de ensino a 
finalidade é imediata e explícita pela hierarquização dos papéis sociais de professor e aluno. 
Assim sendo, a mediação é deliberada, instituída e busca a indução para utilização das 
operações intelectuais. 
Os conceitos cotidianos e científicos: o papel da escola Segundo Fontana (1996) um 
professor apaixonado que se intriga com os modos de ensinar, abandona temporariamente 
seu lugar “oficial” e se torna pesquisador participante do cotidiano da escola. Fontana (1996) 
através de seus estudos demonstra que ao internalizarmos as ações, papéis e funções 
sociais através das interações, o sujeito dirigi o próprio comportamento e a auto regulação 
redimensiona e reorganiza a atividade mental. Fontana (1996, p.13) através dos estudos de 
Luria (1987) destaca que “a palavra é o meio de generalização criado no processo histórico-
social do homem”. Portanto, para Fontana (1996), os conceitos são produtos históricos, 
significantes da atividade mental mobilizados para comunicação, conhecimento e resolução 
de problemas. O papel do outro O outro tem grande papel na mediação da formação dos 
conceitos cotidianos e científicos, Fontana (1996 nos diz que há uma coincidência de 
conteúdo nas palavras que crianças e adultos utilizam, a coincidência que permite a 
comunicação. “Essa coincidência ocorre porque a criança partilhando do sistema linguístico 
da palavra aprende desde muito cedo um grande número de palavras que significam, 
aparentemente as mesmas coisas para ambos”. (FONTANA, 1996, p. 18). Contudo no que 
diz respeito à função da palavra desempenhada na atividade mental da criança e do adulto 
não coincidem. Para Fontana (1996) crianças e adultos usam a palavra com graus de 
generalidade distintos, uma elaboração mental diferente que possibilita o desenvolvimento 
dos conceitos nas crianças. O adulto, ao utilizar a palavra nas interações com a criança, 
apresenta graus de generalidade e operações intelectuais novos para a criança. Mesmo que 
ela não elabore ou aprenda o conceito da palavra, a criança passa a organizar seu processo 
de elaboração mental, assumindo ou recusando tais palavras. Portanto, a mediação do outro 
possibilita a emergência de funções que faz com que mesmo que a criança não domine o 
conceito, ela realiza uma operação mental de forma compartilhada. “Dentro desta 
perspectiva Vygotsky defende a tese de que o ensino precede o desenvolvimento” 
(FONTANA, 1996, p.20), assim como o aprendizado, que está intrinsicamente ligado ao 
desenvolvimento, abre infinitas possibilidades de crescimento intelectual para a criança. 
Portanto, a relação entre aprendizado e desenvolvimento é muito mais complexa 
dependendo de diversos elementos que são elaborados e reelaborados o tempo todo. Para 
isso, Vygotsky (1998) dá destaque principal à zona de desenvolvimento proximal. O papel 
da escolarização Fontana (1996) enfatiza que mesmo que a conceitualização seja um 
processo único e integrado, Vygotsky destaca a necessidade de diferenciarmos a atividade 
mental centrada na vida cotidiana e a elaboração sistematizada na escola, segundo 
condições externas e internas de elaboração em diferentes situações. Cotidianamente, a 
mediação do adulto é espontânea durante o processo de utilização da linguagem nas 
situações imediatas. Fontana (1996) destaca que a atenção dos adultos e crianças está 
centrada na situação, nos seus elementos e não no ato intelectual envolvido. São raras às 
vezes em que ambos se dão conta da diferença de elaboração cognitiva entre eles. No 
entanto, nas interações escolarizadas com orientação deliberada e explícita para aquisição 
do conhecimento sistematizado pela criança, Fontana (1996) diz que os processos de 
elaboração conceitual modificam-se em vários aspectos. Fontana ainda coloca que: Nesse 
contexto, a criança é colocada diante de uma tarefa particular de “entender” as bases dos 
sistemas de concepções científicas, que se diferenciam nas elaborações conceituais 
espontâneas. Os conceitos sistematizados (científicos na expressão de Vygotsky) são parte 
de sistemas explicativos globais, organizados dentro de uma lógica socialmente construída, 
e reconhecida como legítima que procura garantir-lhes coerência interna. (FONTANA, 1996, 
p.21). Fontana (1996) segue considerando que na interação entre adultos e crianças, a 
relação de ensino tem finalidade imediata e é explícita aos seus participantes, pois ocupam 
lugares sociais diferenciados e hierarquizados, sendo a mediação do adulto deliberada com 
sistemas conceituais instituídos e induzindo-a a utilizar operações intelectuais dos signos e 
modos de dizer que são veiculados na escola. A imagem que a criança tem do professor é 
socialmente estabelecida e Fontana (1996, p.22) diz até mesmo do papel que é esperado 
da criança nesse contexto: “realizar as atividades propostas, seguindo as indicações e 
explicações dadas”. Junto a seus conceitos espontâneos, a criança busca raciocinar com o 
professor tentando reproduzir operações lógicas utilizadas por ele. Na elaboração 
interpessoal, Fontana (1996, p. 22) analisa que a criança imita a análise intelectual do adulto 
mesmo sem compreendê-la completamente. Ao utilizá-la passa a elaborá-la articulando-se 
dialeticamente. Frente a um conhecimento sistematizado desconhecido, a criança busca 
significá-lo através de sua aproximação com outros signos já conhecidos, já elaborados e 
internalizados. Ela busca enraizá-lo nas suas experiências consolidadas. Do mesmo modo, 
um conceito espontâneo nebuloso, que a criança utiliza sem saber explicar com, 
aproximando a um conceito sistematizado, coloca-se num outro quadro das relações de 
generalização. (FONTANA, 1996, p. 22). Assim, Fontana (1996) vai demonstrando como a 
criança internaliza e passa a utilizar os vários conceitos, sistematizados ou não, os quais ela 
adquire nas suas relações interpessoais realizadas na escola ou fora dela. Ambos os 
conceitos (espontâneo e sistematizado) articulam-se e transformam em uma relação 
recíproca, pois os conceitos espontâneos, segundo Vygotsky (2008), criam as estruturas 
necessárias para a evolução dos aspectos primitivos e elementares dos conceitos. Assim 
também são os conhecimentos sistematizados que criam estruturas para os conhecimentos 
espontâneos quanto à sistematização, consciência e uso deliberado de algo que é tão novo 
para a criança em idade escolar. 
Fontana (1996) descreve que para Vygotsky o aprendizado escolar tem papel decisivo no 
desenvolvimento da elaboração conceitual e tomada de consciência pela criança de seus 
processos mentais. Por essas e muitas outras razões o professor deve sempre estar 
atualizado, ativo, ser comunicativo e paciente,pois é ele o interlocutor, mediador da criança 
com o saber, mais necessariamente o saber no âmbito escolar. Conclusão Torna-se 
relevante retomar e discutir os modos pelos quais o processo de conceitualização tem sido 
produzido no interior das relações de ensino. Não para avaliar e/ou prescrever o que/ como 
se deve fazer (ou não) proceder na escola, e sim como um esforço de explicitação das 
relações de poder aí implicadas, e que nos ajudam a compreender a elaboração conceitual 
como parte de uma luta constante pela constituição da identidade social, num processo que 
é dinâmico e passa também pela escola. (FONTANA, 1996, p.161) Fontana (1996) ao 
discorrer sobre elaboração conceitual no campo pedagógico analisa que esta ocorre de duas 
maneiras: “Numa relação pedagógica tradicional, professor e criança relacionam-se com 
sistemas ideológicos constituídos (palavras alheias) como palavras que devem ser 
aprendidas independente de sua persuasão anterior”. (FONTANA, 1996, p.162). É este, 
ainda, o modo preponderante de ensino; os alunos não são instigados a buscar o 
conhecimento, a se relacionar com ele, o professor fornece respostas rápidas e diretas, isso 
na maior parte do tempo, pois é uma forma mais rápida e fácil de ensinar. Em um ensino 
não tradicional Fontana (1996, p.163) diz que “os ‘conceitos científicos’ também são 
assumidos como ‘conceitos verdadeiros’, mas o processo através do qual são ‘assimilados’ 
é outro.” Esse seria um processo de ensino-aprendizagem onde o conhecimento parte da 
criança e ela “constrói” com seus próprios recursos os sentidos das operações mentais e a 
interação com o adulto, escolar ou não, que não interfere diretamente, com conceitos já 
elaborados, a autora vai ainda mais longe quando defende que as formas adultas de 
pensamento são internalizadas pela criança ao longo de sua vida escolar. (FONTANA, 
1996). O adulto é o mediador do processo de elaboração conceitual da palavra, lembrando 
que em uma situação ideal isso seria constante, mas a escola como a concebemos tem 
pouco espaço para isso. Muito presa ao modelo tradicional e cumpridora de “tarefas” (no 
caso da escola de Campo seria a apostila e as datas comemorativas), ainda se encontra 
muito preso a um ensino tradicional. Não se pode negar que há momentos em que o 
professor faz seu papel de “mediador”, mas a incidência é muito baixa perante o que se é 
esperado para uma garantia plena do desenvolvimento do aluno, sujeito e foco da 
aprendizagem.

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