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- A pele, cútis ou tegumento representa 15% do peso corpóreo, constitui o revestimento do organismo e o protege contra agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos. - É o maior órgão do corpo e um dos melhores indicadores de saúde geral. É constituída por três camadas, sendo elas a epiderme (camada externa), a derme (córion) e tecido celular subcutâneo. - Exerce importantes funções, tais quais revestimento, regulação térmica, isolamento e reserva alimentar, sendo assim, reflete muitas das modificações sofridas no organismo. - Epiderme: consiste na camada fina e mais externa da pele, constituída por quatro camadas: camada basal ou germinativa, camada espinhosa ou de Malpighi, camada granulosa e camada córnea. Suas células epiteliais escamosas dispostas em camadas, estão em contínuo processo de renovação. Além disso, não possui vascularização contendo as terminações nervosas e os corpúsculos sensoriais situados na camada mais profunda. . Camada germinativa é a mais profunda e está disposta sobre a membrana basal, formada por dois tipos celulares. As células basais ou queratinócitos representam a maioria, têm reprodução constante e originam as outras camadas epidérmicas. . Os melanócitos, localizados entre as células basais, possuem citoplasma claro e núcleo pequeno e picnótico, propiciam que o seu produto pigmentar - a melanina - seja fagocitado pelos queratinócitos por meio de íntima ligação com seus dendritos e contribuem fundamentalmente para a coloração do tegumento. . A quantidade dos melanócitos é a mesma em todas as raças, o que varia é sua capacidade funcional de produzir maiores ou menores quantidades de melanina, determinando a proteção contra a penetração de raios UV e a coloração da pele, a qual é regulada por um mecanismo citogenético, podendo apresentar variações por influência dos raios solares, hormônios e outros processos. . Na camada espinhosa os queratinócitos, ao deixarem a camada basal, sofrem modificações morfológicas, moleculares e histoquímicas, obtendo uma configuração poliédrica, de citoplasma acidófilo e que se unem por finos filamentos semelhantes a espinhos. O número de camadas é variável e as células vão se achatando progressivamente em direção à epiderme. . A camada granulosa é constituída por um grupo de células escuras, achatadas, quase aderentes, com núcleo de difícil visualização em virtude da grande quantidade de grânulos cromatófilos, os quais expressam a queratinização da epiderme. . A camada córnea é a mais externa da pele, formada por células planas e anucleadas, denominadas queratina. Este processo de sucessiva transformação dos queratinócitos em células córneas é denominado queratinização, quando estas células se destacam e esfoliam. A capa córnea é variável conforme a região, sendo mais espessa nas regiões palmoplantares, protegendo mais intensamente contra a penetração de agentes químicos e físicos. Nessas regiões existe mais uma camada, denominada estrato lúcido, localizada entre a camada córnea e a granular, e é composta de células anucleadas, planas e transparentes. - Derme: é uma camada de tecido conjuntivo, rica em mucopolissacarídios e material fibrilar (fibras de colágeno, fibras elásticas e fibras reticulares), na qual são acomodados vasos, nervos e anexos epidérmicos. Sua característica é a flexibilidade e elasticidade, além de defender o organismo contra agentes nocivos que ultrapassaram a primeira barreira protetora, representada pela epiderme. . É dividida em superficial ou papilar, predominando finos feixes de colágeno e grande número de células, profunda ou reticular, constituída por densos feixes de colágeno, e adventicial, constituída por finos feixes de colágenos dispostos em torno de anexos e vasos. . Inclui tecidos conjuntivos ricos em vasos sanguíneos, linfáticos, nervos, receptores sensoriais, fibras elásticas, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas, elementos celulares e corpúsculos de Merkel, Pacini, Meissner e Krause. Denomina-se plexo venoso subpapilar a rede de capilares venosos localizada logo abaixo da camada papilar. - Hipoderme: tecido celular subcutâneo ou panículo adiposo, situa-se logo abaixo da derme e apresenta lóbulos de células adiposas delimitadas por septos conjuntivo elásticos. . É rica em tecido adiposo e representa importante reserva calórica para o organismo, além de funcionar, em certas regiões, como um coxim, protegendo contra traumas. . É constituído de feixes conjuntivos, fibras elásticas, parte dos folículos pilosos, glândulas sudoríparas e grande quantidade de células adiposas que se alojam nos alvéolos formados pelo entrecruzamento das fibras elásticas. - Na pele há um plexo profundo no nível dermo- hipodérmico, formado por arteríolas, e um plexo superficial localizado na derme subpapilar, composto essencialmente por capilares. - Nas pontas dos dedos (sulco e leito ungueais), orelhas e centro da face há estruturas especiais que representam anastomoses diretas entre arteríolas e vênulas. Os glomos têm capacidade contrátil para regular o fluxo de sangue periférico, de grande importância na regulação térmica do organismo. - Os vasos linfáticos distribuem-se analogamente aos vasos sanguíneos. Os vasos da pele, além da função metabólica e de nutrição, participam também no controle da temperatura e na regulação da pressão sanguínea. - Pelo grande número de estruturas nervosas, a pele assume grande importância como órgão do sentido, captando e transmitindo diversas alterações do meio que nos cerca. -Os nervos sensitivos, que são sempre mielinizados, formam em algumas regiões órgãos terminais específicos, como os corpúsculos de Vater- Pacini, com localização sub epidérmica, relacionados com a sensibilidade tátil e a pressão; os corpúsculos de Meissner, mais encontrados nas polpas digitais e também relacionados com a sensibilidade tátil; os corpúsculos de Krause, situados nas áreas de transição, entre pele e mucosa, são chamados órgãos nervosos terminais subcutâneos e considerados receptores do frio, principalmente quando se situam em outras regiões. Os meniscos de Merkel-Ranivers também estão relacionados com o tato. - A inervação motora é realizada pelo sistema nervoso autônomo, cujas fibras adrenérgicas provocam contração das células dos músculos lisos dos vasos, dos músculos eretores dos pelos, ativam corpúsculos glômicos e as células mioepiteliais. - Os fâneros ou anexos cutâneos surgem devido a modificações da epiderme durante a vida embrionária; são os pelos e folículos pilosos, as glândulas sebáceas, sudoríparas e unhas. - Pelos: situados em invaginações profundas da epiderme, são constituídos por células queratinizadas produzidas pelos folículos pilosos. Nos folículos pilosos abrem-se glândulas sebáceas, e a este conjunto denomina-se umidade pilossebácea ou folículo pilossebáceo, cercada de fibras musculares lisas - o músculo eretor do pelo. . Têm uma parte livre, denominada haste, e uma parte intradérmica, denominada a raiz. Na haste encontram-se três camadas, sendo elas cutícula externa, córtex e medula. A cutícula externa é a parte que circunda o pelo, sendo composta por queratina compacta e coesa. Na parte inferior, o bulbo piloso ou raiz, observa-se a matriz do pelo, onde se introduz a papila dérmica ricamente vascularizada e inervada e onde se encontra a camada de células germinativas de permeio aos melanócitos. As células germinativas produzem a bainha radicular interna do pelo até o início da queratinização. . Observam-se dois tipos de pelos: o velo ou lanugem e o pelo terminal. O velo, pelo fetal ou lanugem é fino, claro e pouco desenvolvido. O pelo terminal é espesso, pigmentado e compreende os cabelos, a barba, a pilosidade pubiana e axilar. Os pelos protegem as áreas orificiais e os olhos e fazem partetambém do aparelho sensorial cutâneo devido a sua rica inervação. - Glândulas sebáceas: localizadas na pele, exceto nas regiões palmoplantares, desembocam sempre em um folículo pilossebáceo, com ou sem pelo; preferencialmente na região frontal, atrás das orelhas e nas regiões mediotorácicas. Tais regiões são chamadas seborreicas. Possuem estrutura acinosa holócrina, cujo produto é lançado diretamente no infundíbulo folicular, fluindo para o exterior. A secreção sebácea é constante e constitui valiosa proteção contra as bactérias e fungos que penetram na pele. - Glândulas sudoríparas: podem ser classificadas em écrinas e as apócrinas. . Écrinas: localizam-se em toda a extensão da pele, em particular nas áreas palmoplantates e axilas. São glândulas tubulares compostas por três segmentos: a porção secretora e os canais sudoríparos intradérmico e intraepidérmico. Sua inervação é feita por fibras simpáticas pós-ganglionares não mielinizadas, embora fisiologicamente sejam regidas por mediadores parassimpáticos. Sua secreção, de importância fundamental no equilíbrio da temperatura corporal, compreende 99% de água. . Apócrinas: situam-se na região axilar, anoperineal, inguinal, monte de Vênus e em volta dos mamilos. São modificadas no canal auditivo externo e na borda palpebral, constituindo as glândulas de Moll. Apresentam aspecto morfológico semelhante ao das glândulas écrinas, mas desembocam no folículo polissebáceo ou nas suas proximidades. - Unhas: são formações de queratina dura que recobrem a última falange dos dedos, fixadas sobre superfície epidérmica denominada leito ungueal. Nela encontra-se a porção posterior, raiz ou matriz ungueal, recoberta por uma dobra de pele e cutícula, a lâmina aderente do leito ungueal, que apresenta bordas laterais e a borda livre. A espessura das unhas sofre alterações decorrentes de processos patológicos locais e sistêmicos. - Para a realização do exame da pele são necessárias condições básicas, sendo elas iluminação adequada, preferencialmente a luz natural; desnudamento ou exposição adequada das partes a serem examinadas, e conhecimento prévio dos procedimentos semiotécnico (inspeção e palpação). - Coloração, continuidade ou integridade, umidade, textura, espessura, temperatura, elasticidade e mobilidade, turgor, sensibilidade e lesões elementares serão sistematicamente investigados. - Determinar os sintomas subjetivos e objetivos da doença - Podem ser percebidos durante a avaliação clínica (inspeção e palpação), mas pode utilizar lentes de aumento, espátulas, agulhas e lanternas. - Deve abranger todo o tegumento: cabelos, unhas e mucosas. - Para um bom exame deve ter: . Iluminação e exposição adequada das partes a serem examinadas . Conhecimento prévio dos procedimentos semiotécnico e padrões de referência. - Registrar a cor da pele no momento da identificação do paciente. Esse dado influi de modo considerável na apreciação das modificações da coloração. - Nos indivíduos de cor branca e nos pardos-claros, observa- se a coloração levemente rosada, que é o aspecto normal em condições de higidez, isto ocorre em virtude da circulação do sangue pela rede capilar cutânea e pode sofrer variações fisiológicas, aumentando ou diminuindo de intensidade, quando há exposição ao frio, ao sol ou após emoções. - Situações patológicas podem alterar a coloração da pele perdendo ou aumentando seu aspecto róseo. Já em pessoas de pele escura tem-se dificuldade em avaliar transtornos de coloração. - As principais alterações da coloração da pele são: palidez, vermelhidão ou eritrose, cianose, icterícia, albinismo, bronzeamento da pele, dermatografismo e fenômeno de Raynaud. - Palidez: constitui uma atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Deve ser investigada em toda a extensão da superfície cutânea, inclusive nas regiões palmoplantares. . Nos pardos e negros só se consegue identificar palidez nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. . Distingue-se em palidez generalizada, a qual é observada em toda a pele, revelando diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações cutânea e subcutânea, e palidez localizada, constatada em áreas restritas dos segmentos corporais, sendo a isquemia a causa principal. - Vermelhidão: é o exagero na coloração rósea da pele e indica aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea, podendo decorrer de vasodilatação. . Pode ser do tipo generalizada, que é observada nos pacientes febris, nos indivíduos que ficaram expostos ao sol, nos estados policitêmicos e em algumas afecções que comprometem toda a pele, ou localizada ou segmentar, a qual pode ter caráter fugaz quando depende de um fenômeno vasomotor ou ser duradoura. É um dos quatro sinais cardinais que caracterizam um processo inflamatório (dor, calor, rubor e tumor). - Cianose é a cor azulada da pele e das mucosas e manifesta-se quando a hemoglobina reduzida. . Deve ser pesquisada no rosto, especialmente ao redor dos lábios, na ponta do nariz, nos lobos das orelhas e nas extremidades das mãos e dos pés. . Nos casos de cianose muito intensa, todo o tegumento cutâneo adquire tonalidade azulada ou mesmo arroxeada. . Pode ser classificada em generalizada ou localizada (central, periférica, mista ou por alteração da hemoglobina). . Quanto à intensidade, é classificada em três graus: leve, moderada ou intensa. - Icterícia: caracteriza-se pela coloração amarelada da pele, das mucosas visíveis e da esclerótica, resultante de acúmulo de bilirrubina no sangue. . A coloração ictérica pode ser desde amarelo-clara até amarelo- esverdeada. . Principais causas: hepatite infecciosa, hepatopatia alcoólica, hepatopatia por medicamentos, leptospirose, dentre outras. - Albinismo: caracterizado pela coloração branco-leite da pele em decorrência de uma síntese defeituosa da melanina. Pode afetar os olhos, a pele e os pelos (albinismo oculocutâneo) ou apenas os olhos (albinismo ocular). - Bronzeamento: é normalmente artificial e ocorre por ação dos raios solares em substâncias químicas bronzeadoras. Pele bronzeada naturalmente pode ser vista na doença de Addison e na hemocromatose por transtornos endócrinos que alteram o metabolismo da melanina. - Dermatografismo: ou urticária factícia é resultado do atrito com a unha ou com um objeto (lápis, estilete, abaixador de língua), resultando no aparecimento de uma linha vermelha ligeiramente elevada. Trata-se de uma reação vaso motora. - Fenômeno de Raynaud: é uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente observa-se palidez, em seguida, a extremidade torna-se cianótica, e o episódio costuma culminar com vermelhidão da área. Trata-se de fenômeno vasomotor que pode ser deflagrado por muitas causas. - A verificação da umidade inicia-se pela inspeção, mas o método adequado é a palpação, por meio das polpas digitais e da palma da mão. - Umidade normal: tem certo grau de umidade que pode ser percebido ao se examinarem indivíduos hígidos. - Pele seca: confere ao tato uma sensação especial. - Umidade aumentada (pele sudorenta): observada em alguns indivíduos normais ou pode estar associada a febre, ansiedade, hipertireoidismo e doenças neoplásicas. - Trama ou disposição dos elementos que constituem um tecido. É avaliada deslizando-se as polpas digitais sobre a superfície cutânea. - Textura normal: encontrada em condições normais - Pele lisa ou fina: observada nas pessoas idosas, em indivíduos com hipertireoidismo e em áreas recentemente edemaciadas. - Pele áspera: observada nos indivíduos expostos às intempéries e que trabalham em atividades rudes, tais como lavradores, pescadores, garis e foguistas, e em algumas afecções como mixedema e dermatopatias crônicas, oupele enrugada, percebida nas pessoas idosas, após emagrecimento rápido, ou quando se elimina o edema. - Avaliação: faz-se o pinçamento de uma dobra cutânea, usando o polegar e o indicador. Há de se ter o cuidado de não alcançar o tecido celular subcutâneo, ou seja, pinçam-se apenas a epiderme e a derme. Essa manobra deve ser realizada em várias e diferentes regiões, tais como antebraço, tórax e abdome. - Espessura normal: observada em indivíduos hígidos, seu reconhecimento depende de aprendizado prático e componente subjetivo - Pele atrófica: tem alguma translucidez que possibilita a visualização da rede venosa superficial - Pele hipertrófica ou espessa: notada nos indivíduos que trabalham expostos ao sol. - Avaliação: usa-se a palpação com a face dorsal das mãos ou dos dedos, comparando-se com o lado homólogo cada segmento examinado. - Varia entre amplos limites e, nas extremidades, essas variações são mais acentuadas. É muito influenciada pela temperatura do meio ambiente, emoção, ingestão de alimentos, sono e outros fatores. - Adquirem significado semiológico especial diferenças de temperatura em regiões homólogas, pois discrepâncias de até 2°C podem ser detectadas pela palpação e indicam transtornos da irrigação sanguínea, em que a área isquêmica é mais fria. - Podem ser relatadas temperatura normal, temperatura aumentada ou temperatura diminuída. O aumento da temperatura da pele pode ser universal ou generalizado, e aí, então, trata-se da exteriorização cutânea do aumento da temperatura corporal (febre). - A hipotermia localizada ou segmentar revela quase sempre redução do fluxo sanguíneo em determinada área. Isso decorre, muitas vezes, de oclusão arterial. Quase sempre a frialdade aparece com a palidez, e os dois sinais juntos se reforçam e se valorizam. - É mais acentuada nas extremidades e é influenciada pela temperatura ambiental, emoção, ingestão de alimentos, sono e outros fatores. - A temperatura da pele pode não corresponder à temperatura corporal. - Deve ser avaliada de forma comparativa ao lado contralateral com o dorso da mão. - Temperatura Cutânea Normal - Elasticidade: é a propriedade de o tegumento cutâneo se estender quando tracionado e mobilidade refere-se à sua capacidade de se movimentar sobre os planos profundos subjacentes, essas duas características devem ser analisadas e interpretadas simultaneamente. - Para avaliar a elasticidade, pinça-se a prega cutânea com o polegar e o indicador, fazendo em seguida certa tração, ao fim da qual se solta a pele. - Para a pesquisa da mobilidade, emprega-se a seguinte manobra: pousa-se firmemente a palma da mão sobre a superfície que se quer examinar e movimenta-se a mão para todos os lados, fazendo-a deslizar sobre as estruturas subjacentes. - Pode-se ter elasticidade normal, aumento da elasticidade ou pele hiperelástica e diminuição da elasticidade ou hipoelasticidade. - Quanto à mobilidade, pode-se verificar mobilidade normal, mobilidade diminuída ou ausente ou mobilidade aumentada. - Avaliação: pinçando com o polegar e o indicador uma prega de pele que abranja o tecido subcutâneo. - Normal: examinador tem a sensação de pele suculenta em que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente. - Diminuído: caracterizado pela sensação de pele murcha e observação de lento desfazimento de prega. SENSIBILIDADE A sensibilidade pode ser classificada em dolorosa, a qual sua perda chamada hipoalgesia ou analgesia, e seu denomina-se hiperestesia; tátil, que tem como receptores os corpúsculos de Meissner, os de Merkel e as terminações nervosas dos folículos pilosos e para pesquisá-la, fricciona-se levemente o local com uma mecha de algodão, ou térmica, buscada com dois tubos de ensaio, um com água quente e outro com água fria. - São modificações do tegumento cutâneo causadas por processos inflamatórios, degenerativos, circulatórios, neoplásicos, transtornos do metabolismo ou por defeito de formação. - Externas: são avaliadas facilmente pelo exame clínico, em que se emprega a inspeção e apalpação. O uso de uma lupa para ampliar a superfície da pele e as lesões é vantajoso. - Áreas circunscritas de coloração diferente da pele normal, porém não tem alterações pigmentares. - Máculas: até 1cm - Manchas: acima de 1cm - PIGMENTARES: decorrem de alterações da deposição de melanina. . Acrômicas, Hipercrômicas ou Hipocrômicas - VASCULARES: resultantes de distúrbios na microcirculação. . Taleangiectasia . Manchas Eritematosas - HEMORRÁGICAS: não desaparecem à compressão, já que é um sangue extravasado. . Petéquias: até 1cm . Equimoses: maior que 1 cm - DEPOSIÇÃO PIGMENTAR: decorrente de deposição de bilirrubina (icterícia), pigmento carotênico (ingesta exagerada de cenoura e mamão), tatuagem e outros. - PÁPULAS/ PLACAS: elevações superficiais da pele bem delimitadas. . PÁPULA: puntiforme e até 1 cm * Pápulas Agrupadas * Pápula Verrucosa * Pápula Eritematosa . PLACA: acima de 1 cm, podendo coalescer . Cor da lesão varia a depender da dermatose. . Hanseníase- lesão infiltrada - NÓDULOS: formações sólidas localizadas na hipoderme, mais perceptíveis na palpação. . Limites das lesões são imprecisos, podendo ter uma consistência firme, elástica ou mole. . Nódulo eritematoso = lesão sólida na derme - VEGETAÇÕES: lesões sólidas e salientes. . Podem ter formas filiformes ou em couve flor e consistência mole. . Carcinoma Espinocelular Avançado - Diferenciam-se pelo conteúdo líquido que está presente. - VESÍCULAS/ BOLHAS: elevações que contêm líquido claro . VESÍCULAS: até 1 cm * Pênfigo Bolhoso- coleção líquida entre a epiderme e a derme . BOLHAS: acima de 1 cm *Bolhas e pústulas, alergia medicamentosa = coleção líquida intradérmica . Urticária - PÚSTULAS: vesículas de conteúdo purulento (aparecem na acne pustulosa) . Dermatite Herpetiforme- coleção purulenta na epiderme - ABCESSOS: consistem em coleções purulentas, de tamanho variável, localizando-se da derme e hipoderme - HEMATOMAS: formações líquidas resultantes do derramamento de sangue na pele ou nos tecidos adjacentes. - QUERATOSE: pele torna-se mais dura e inelástica pelo espessamento da camada córnea (Ex: calo) . Perda linear na epiderme e derme - ESPESSAMENTO: aumento da consistência e espessura, porém a pele se mantém depressível. . Menor evidência dos sulcos dermatológicos e ter limites imprecisos. - LIQUENIFICAÇÃO: espessamento da pele com aumento dos sulcos, formando um quadriculado em rede. . Espessamento da pele do joelho = espessamento das camadas da pele - Lesões decorrentes da eliminação ou destruição patológica da pele. - ESCAMAS: lâminas epidérmicas secas, que tendem a se desprender. . Podem apresentar um aspecto de farelo (furfuráceas) ou em tiras (laminares ou foliáceas). - EROSÃO: eliminação da epiderme, podendo ser traumática (escoriação) ou não traumática (pós ruptura de vesículas, bolhas e pústulas). - ÚLCERA: perda de estruturas da pele, que atinge ao menos a derme, diferenciando-a da erosão. - FISSURA: perda da continuidade da pele de forma linear (superficial ou profunda), que não é causada por instrumento cortante. - CROSTAS: aspecto secundário ao ressecamento de secreções existentes em uma pele previamente lesada. . Presentes na fase final da cicatrização de lesões como impetigo. - CICATRIZ: proliferação de tecido fibroso como reposição ao tecido destruído. . Podem ser róseo-claras, avermelhadas ou com um pigmento mais escuro do que a pele ao redor. . Podem ser deprimidas ou exuberantes . Queloide pós herpes-zoster . Cicatriz Atrófica . Queloide pós-trauma - FERIDAS TRAUMÁTICAS . Provocadas acidentalmente. Agentes Mecânicos: contenção, perfuração, corte e outros . Agentes Químicos: iodo, cosméticos, ácido sulfúrico e outros . Agentes Físicos: frio, calor, radiação e outros - FERIDAS ULCERATIVAS . São lesões escavadas, circunscritas na pele, formadas pela morte e expulsão do tecido, resultantes de traumatismo ou doenças relacionadas com o impedimento do suprimento sanguíneo. . O termo úlcera de pele representa uma categoria de ferimento que inclui úlceras de decúbito, assim como de estase venosa, arteriais e úlceras diabéticas. - LIMPA . Condições assépticas sem microrganismos - LIMPA-CONTAMINADA . Lesão inferior a 6 horas (trauma e atendimento) . Sem contaminação significativa - CONTAMINADA . Lesão ocorrida com tempo maior que 6 horas (trauma e atendimento) . Sem sinal de infecção - INFECTADA . Presença de agente infeccioso no local . Lesão com evidência de intensa reação inflamatória . Destruição de tecidos, podendo haver pus - FERIDAS DE CICATRIZAÇÃO POR PRIMEIRA INTENÇÃO . Não há perda tecido, as bordas da pele ficam justapostas . É o objetivo das feridas fechadas cirurgicamente com requisitos da assepsia e sutura das bordas - FERIDAS DE CICATRIZAÇÃO POR SEGUNDA INTENÇÃO . Há perda de tecidos e as bordas da pele ficam distantes . Cicatrização é mais lenta - FERIDAS DE CICATRIZAÇÃO POR TERCEIRA INTENÇÃO . É corrigida cirurgicamente após a formação do tecido de granulação, a fim de que apresente melhores resultados funcionais e estéticos. - FERIDA ABERTA . Tem as bordas da pele afastadas - FERIDA FECHADA . Tem as bordas justapostas - FERIDAS AGUDAS . São as feridas recentes - FERIDAS CRÔNICAS . Tem um tempo de cicatrização maior que o esperado, devido a sua etiologia. . Os pontos epiteliais de uma ferida cirúrgica podem ser retirados com 7 a 10 dias após o procedimento, pois nesse período espera-se ter ocorrido o reparo da lesão, que aguarda apenas a fase de maturação. . No caso de a ferida não apresentar a fase de regeneração na época esperada, é encarada como crônica. - Conceito: conjunto de processos complexos, interdependentes, cuja finalidade é restaurar os tecidos lesados. - É otimizada em ambiente úmido, isto porque a síntese do colágeno e a formação do tecido de granulação são melhoradas, ocorrendo com maior rapidez a recomposição epitelial e não há formação de crostas e escaras. - Fatores que influenciam . Idade . Nutrição . Tabagismo . Higiene . Doenças de base - Complicações em cirurgias cutâneas: relacionadas a má técnica, condição clínica do paciente e medicação que ele utiliza. . Infecção a ferida cirúrgica . Úlcera por pressão . Úlceras Crônicas: Erispela . Deiscência - Deiscência: abertura espontânea dos pontos cirúrgicos ou da cicatriz ao longo de sua linha de incisão. - Evisceração: extrusão das vísceras abdominais através de uma ferida cirúrgica. - Lesão diabética/ Pé diabético: infecções ou problemas na circulação dos membros inferiores estão entre as complicações mais comuns, provocando o surgimento de feridas que não cicatrizam e infecções nos pés. - Úlcera venosa: anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso. - Úlcera arterial: lesões de pele causadas por problemas na circulação sanguínea. - Desbridamento: técnica de remoção dos tecidos inviáveis através dos tipos autolitico, enzimático, mecânico ou cirúrgico. - Pletora: aumento de volume de sangue no organismo, que provoca inturgescência vascular. - Tubérculos: nódulo arredondado, uma eminência pequena ou uma elevação encontrada em ossos, na pele e dentro dos pulmões no caso de o paciente apresentar tuberculose. - Eritema: rubor da pele ocasionado pela vasodilatação capilar. - Enantema: erupção que se localiza nas mucosas, especialmente na face interna das bochechas e garganta. - Púrpura: manchas roxas ou avermelhadas indicativas de sangramentos que aparecem na pele. - Petéquia: pequena lesão da pele ou das mucosas, de cor vermelha ou azulada. - Cromomicose: infecção fúngica de longa duração da pele e do tecido subcutâneo. - Escara: também conhecidas como lesões por pressão ou úlceras de pressão são feridas que aparecem na pele de pessoas que permanecem muito tempo na mesma posição, geralmente acamadas ou com mobilidade reduzida. - Hipercromia: desordens na pigmentação devido uma produção excessiva de melanina. - Hipocromia: manchas na pele que são mais claras que a própria pele. - Vitiligo: condição crónica caracterizada por áreas de despigmentação da pele. - Xerodermia: extrema sensibilidade à radiação ultravioleta/ pele seca - Hiperidrose: condição que provoca suor excessivo, na qual os pacientes podem transpirar muito até mesmo em repouso. - Taleangiectasia: vasos capilares finos, vermelhos ou acastanhados que se adensam debaixo da superfície da pele. - Urticária: são de pele, cuja principal característica é a formação de urticas ou pápulas (elevações circulares, salientes e bem demarcadas), circundadas por vergões vermelhos (eritema) e inchaço (edema). - Equimose: infiltração de sangue na malha de tecidos do organismo, devido à ruptura de capilares. - Acromia: ausência total de pigmentação em determinado local da pele do indivíduo ou em áreas generalizadas - Dermatite: inflamação na pele que pode causar vermelhidão, coceira, pequenas bolhas e descamação. - Hematoma: acúmulo de sangue extravasado em uma párea traumatizada, seja num acidente ou numa cirurgia. - Edema: intumescimento de partes moles decorrente do aumento de líquido intersticial. - Abcesso: bolsa de pus que se acumula em tecidos, órgãos ou espaços dentro do corpo. - Fístula: conexão anormal entre órgãos/ canal patológico que cria uma comunicação entre duas vísceras (fístula interna) ou entre uma víscera e a pele (fístula externa). - Psoríase: células da pele se acumulam e formam escamas e manchas secas que causam coceira. - Pênfigo: doença autoimune que provoca o aparecimento de bolhas cheias de líquido, intraepidérmicas, de diâmetros diferentes, primeiro nas membranas mucosas da boca, vagina e pênis, ou na pele do tórax, rosto e couro cabeludo, mas que depois se espalham pelo corpo todo. - Seborreia: inflamação crônica, bastante comum e que se manifesta em partes do corpo onde existe maior produção de óleo pelas glândulas sebáceas. - Pediculose: piolho/ infestação dos cabelos pelo parasita Pediculus humanus. - Escabiose: doença de pele contagiosa que provoca muita coceira, causada por um ácaro. - Alopecia: perda de pelos do corpo - Hipertricose: crescimento aumentado de pelos em qualquer área do corpo. - Onicofagia: vício em roer as unhas - Paroníquia: infecção da pele que rodeia a unha, habitualmente causada pela levedura Candida albicans e, mais raramente, por bactérias. - Escleroníquia: engrossamento e secura anormal das unhas. - Evandro, 62 anos, diabético controlado com medicamentos e sem queixas desde os 30 anos. Há meses percebeu lesão plantar entre o dedo hálux e os demais artelhos de MIE com aspecto fechado semelhante a um calo. Referiu média glicêmica entre 280 a 420 mg/dl, mas nunca sentiu nada, as vezes uns formigamentos nos pés, mas quando tirava a botina em casa à noite aliviava, já que na embarcação onde trabalha, faz parte do uniforme. Há um mês observou o surgimento de pequena quantidade de secreção fétida e esverdeada, por pequena abertura nessa lesão, passou a lavar com soro, secar e passava álcool a 70%. No decorrer dos dias, a ferida apresentou os seguintes aspectos: - PERGUNTAS 1. Que tipo de lesão surgiu no pé do paciente? R: Pé diabético, resultante de um quadro de diabetes não controlado, provocando feridasque não cicatrizam e infecções nos pés. 2. Que tipos de tecidos podem ser observados nessa ferida? R: Necrose de tecidos profundos e da pele. 3. Quais os fatores de risco esse paciente apresenta que comprometem essa cicatrização? R: Idade, condição clínica (diabetes), hiperglicemia, uso de botina ao longo do dia e outros. 4. Dê as classificações dessa ferida. R: Causa- Ulcerativa Conteúdo Microbiano- Infectada Tempo de Cicatrização- Segunda Intenção Grau de Abertura- Aberta Tempo de Duração- Crônica 5. Quais os fatores que interferem no processo de cicatrização? R: Dimensão e profundidade da lesão, tipo de tecido lesado, localização da lesão, infecção local e grau de contaminação, presença de secreções, necrose tecidual, falta de oxigenação, tensão na ferida, hemorragia, corpos estranhos e hematomas.