Prévia do material em texto
Calculando o Custo de Vida e a Inflação Precisa transformar cifras monetárias em medidas significativas de poder aquisitivo, este é o papel do Índice de preço aos consumidor – IPC; IPC Medida de custo geral dos bens e serviços comprados por um consumidor típico; É divulgado mensalmente por algumas organizações IPEA FGV IBGE Conceitos Gerais ROTEIRO 1. Determinação da Cesta 2. Pesquisar os preços 3. Calcular o custo da cesta 4. Escolher um ano base e calcular índice Cálculo o IPC PASSO 1 – Pesquisar os Consumidores para determinar uma cesta de bens fixa 4 Cachorros quentes 2 Hambúrgueres PASSO 2 : Levantar o preço de cada bem a cada ano Ano Preço do cachorro - quente Preço do Hambúrguer 2001 1 2 2002 2 3 2003 3 4 PASSO 3: Cálculo do custo da certa de bens a cada ano Ano Custo da cesta 2001 (US$ 1 por cachorro – quente x 4 cachorros – quentes)+ (US$ 2 por hambúrguer x 2 hambúrgueres) = US$ 8 2002 (US$ 2 por cachorro – quente x 4 cachorros – quentes)+ (US$ 3 por hambúrguer x 2 hambúrgueres) = US$ 14 2003 (US$ 3 por cachorro – quente x 4 cachorros – quentes)+ (US$ 4 por hambúrguer x 2 hambúrgueres) = US$ 20 PASSO 4: Escolha o ano base (2001) e cálculo do índice de preços ao consumidor a cada ano Ano Índice de preço ao consumidor 2001 (US$8/US$8)X100=100 2002 (US$14/US$8)X100=175 2003 (US$20/US$8)X100=250 PASSO 5: Uso do índice de preço ao consumidor para cálculo da taxa de inflação e relação ao ano anterior Ano Taxa de Inflação 2002 [(175-100)/100]X100=75% 2003 [(250-175)/175]X100=43% O índice de preço ao consumidor tenta avaliar quanto é que as rendas devem aumentar para manter constante o padrão de vida; Há três problemas amplamente reconhecidos mas difíceis de resolver: Tendência a Substituição Introdução de novos bens Mudança de qualidade não quantificada Problemas do cálculo Profundas disparidades nos padrão de vida; Mesmo em um só país há grandes variações no padrão de vida ao longo do tempo; As taxas de crescimento variam substancialmente de país para país; O que explica estas diferenças? Como podem os países ricos garantir a manutenção de seu alto padrão de vida? Que políticas deveriam adotar os países pobres para promover um crescimento mais rápido e poderem aproximar – se do mundo desenvolvido? Produção e Crescimento Explicar as grandes variações mundiais nos padrões de vida é, de certo ponto de vista, muito fácil. As variações internacionais são bastantes intrigantes; Para explicar porque a renda são tão mais altas em alguns países do que em outros, temos que observar os muitos fatores que determinam e produtividade de uma nação; Produtividade POR QUE A PRODUTIVIDADE É TÃO IMPORTANTE Robson Crusoé é um marinheiro encalhado em uma ilha deserta; Como crusoé está sozinho, pesca seu próprio peixe, planta seus legumes e confecciona suas roupas; Sua produção e consumo é como funciona uma economia simples; O que é que determina o padrão de vida de crusoé? Produtividade A sua própria produtividade, pois quanto mais ele produzir melhor seu padrão de vida; Produtividade é a quantidade de bens e serviços que um trabalhador pode produzir a cada hora de trabalho; A produtividade é um determinante chave do padrão de vida; Mas porque algumas economias são tão melhores na produção de bens e serviços do que outras? Produtividade Embora a produtividade seja singularmente importante para determinar o padrão de vida, existem alguns fatores que determinam a produtividade: Capital físico; Capital humano; Recursos naturais; Conhecimento tecnológico. Produtividade Capital Físico O estoque de equipamentos e estruturas usados para produzir bens e serviços é denominado capital físico, ou simplesmente capital; Uma característica importante do capital é a de que ele é um fator de produção produzido; O capital é um insumo do preso produtivo que no passado foi o produto do processo produtivo; Produtividade Capital Humano Capital humano é o termo que os economistas empregam para descrever o conhecimento e as habilidades que os trabalhadores adquirem por meio da educação, do treinamento e da experiência; Como o capital físico, o capital humano aumenta a capacidade da nação para a produção de bens e serviços; A produção do capital humano exige insumos no forma de professores, bibliotecas e tempo de estudo; De fato, os estudantes podem ser considerados “trabalhadores” que têm a importante tarefa de produzir o capital humano que será utilizado na produção futura. Produtividade Recursos Naturais Os recursos naturais são insumos fornecidos pela natureza, como a terra, os rios e as jazidas minerais; Os recursos naturais se apresentam de duas formas; Renováveis Não - renováveis Diferenças na dotação de recursos naturais são responsáveis por algumas das diferenças mundiais de padrão de vida Embora os recursos naturais sejam importantes, não são essenciais para que uma economia registre alta produtividade. Produtividade Conhecimento Tecnológico A compreensão das melhores formas de produzir bens e serviços; O conhecimento tecnológico assume várias formas; Parte da tecnologia é conhecimento comum – depois de utilizado por alguém, todos se tornam conscientes do mesmo Outras tecnologias são proprietárias – são só conhecidas pela empresa Há ainda tecnologias que são proprietárias apenas por um curto período de tempo Produtividade É importante distinguir conhecimento e capital humano; Embora estejam estreitamente relacionados, há uma diferença importante; O conhecimento tecnológico se refere ao entendimento por parte da sociedade a respeito do funcionamento do mundo; O capital humano tem haver com os recursos despendidos para transmitir esse conhecimento à força de trabalho; O conhecimento tecnológico tem a ver com a qualidade dos livros – textos da sociedade, enquanto o capital humano tem a ver com o tempo que as pessoas destinam à sua leitura Produtividade INFLAÇÃO A inflação é definida como um aumento generalizado e contínuo dos preços; Deflação e uma diminuição generalizada dos preços; Quando ocorre o aumento dos preços temos a inflação. Quando se diz que a inflação foi de 10% em determinado mês (ou ano) está se dizendo que naquele período os preços em média aumentaram 10%. Se essa taxa se mantém constante nos meses (ou anos) seguintes, isso significa que os preços continuam a subir em média 10% ao ano; Inflação A inflação está estabilizada em 10%, mas não os preços; Se a inflação passa para 15% no mês seguinte, 20% no subsequente, existe uma aceleração inflacionária, em que os preços estão em média subindo e subindo cada vez mais – a inflação é cada vez mais alta A Europa com o período da Alta Idade Média, viveu um extenso tempo desde o século XIII até 1290 com uma certa estabilidade de preços, pois na época a Europa Ocidental era rica em minérios e a agricultura apresentava as condições certas para uma produção suficiente para alimentação da região, observando que apesar da produção da época ser considerada elevada, a distribuição para a população camponesa e artesã era desigual para os membros da Igreja e além disso, as alterações climáticas prejudicavam ou ajudavam na produção agrícola. Inflação Porém, durante o mandato de Eduardo II entre 1309 até 1329, houve a elevação inflacionária entre 6% á 7% ao mês até 1329, quando Eduardo II morreu, descendendo Eduardo III, em que iniciou a Guerra dos Cem Anos (1336-1450). Entre 1336 até 1350, a inflação anual era de 96% a 104% , até a epidemia de Peste bubônica quando a inflação disparou para 300% ao ano, pela escassez alimentar e de mão-de-obra. Inflação Dois tipos básicos: Inflação de demanda Deve-se à existência de excesso de demanda em relação à produção disponível; Esta inflação ocorre quando existe um aumento dademanda sem acompanhamento do crescimento da oferta Pode ser ocasionado por expansão monetária Tipos de Inflação A inflação de Custos Decorre do aumento dos custos das empresas repassados para os preços. Varias podem ser as pressões de custo: Aumento nos preços da matérias – primas e de insumos decorrentes da quebra da safra agrícola Aumento salários, via negociações ou política governamental, sem estarem ancorados pelo aumento de produtividade dos trabalhadores Elevações nas taxas de juros Tipos de Inflação Inflação Inercial Quando a inflação tende a se manter permanentemente no mesmo patamar, sem aceleração inflacionária, e quando essa inflação estagnada decorre de mecanismos de indexação; Mecanismos de indexação Atrelam os preços do presente à inflação passada; formalmente os contratos de alugueis, carnês escolares; Tipos de Inflação Principais consequências da inflação alta Desvalorização da moeda do país - Com a inflação elevada, a moeda vai perdendo seu valor com o passar do tempo e os consumidores (trabalhadores) que não tem reajustes constantes não conseguem comprar os mesmos produtos com o mesmo valor usado anteriormente. O preço dos produtos sofrem reajustes constantes. Uma inflação de 50% ao mês (hiperinflação), por exemplo, corrói pela metade o salário dos trabalhadores. Alta do dólar e aumento dos preços dos importados - Outro problema é que enquanto a moeda do país se desvaloriza, as outras (principalmente o dólar) faz o movimento inverso. Se este país com inflação elevada é muito dependente de importações, os produtos importados aumentam de preço, fato que alimenta ainda mais a alta da inflação. Consequências da Inflação Diminuição dos investimentos no setor produtivo - Num ambiente de inflação elevada, muitos investidores preferem deixar o dinheiro aplicado em bancos (para que ocorra a correção monetária) do que investir no setor produtivo. Embora dê uma falsa ideia de que o dinheiro está “rendendo” muito, muitas pessoas preferem as aplicações financeiras. Clima econômico desfavorável - Um país que sofre de inflação alta é visto no mercado internacional de forma negativa. Os grandes investidores e empresas evitam fazer investimentos produtivos de médios e longos prazos nestes países, pois sabem que a inflação alta é um indicativo de economia com problemas. Consequências da Inflação Elevação da taxa de juros - Muitos países usam o recurso da elevação da taxa de juros como mecanismo de controlar a inflação. A lógica é simples: com juros elevados o consumo diminui, forçando os preços a caírem. Porém, a alta dos juros desestimula a tomada de financiamentos, prejudicando assim os investimentos internos no setor produtivo, o mercado imobiliário e a venda de bens de consumo duráveis (veículos, eletrodomésticos, etc.). Aumento do desemprego - Países que não conseguem baixar e controlar a inflação sofrem, no longo prazo, com o aumento das taxas de desemprego. Isso acontece, pois ocorre diminuição significativa nos investimentos no setor produtivo. Aumento da especulação financeira - Muitos investidores externos, em busca de rendimentos altos e rápidos, costumam fazer investimentos em países de inflação alta com o objetivo de tirar vantagens das altas taxas de juros. Este capital especulativo é prejudicial para a economia de um país, pois grandes somas de capital podem entrar e sair rapidamente, causando instabilidade no mercado de câmbio. Consequências da Inflação Os índices de inflação no Brasil são medidos de diversas maneiras. Duas formas de medir a inflação ao consumidor são: INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) - aplicado à famílias de baixa renda (aquelas que tenham renda de um a seis salários mínimos) IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) - aplicado à famílias que recebem um montante de até quarenta salários mínimos. Até 1994 a economia brasileira sofreu com inflação alta, entrando num processo de hiperinflação na década de 80. Esse processo só foi interrompido em 1994, com a criação do Plano Real e a mudança da moeda para o real (R$), atual moeda do país. Atualmente a inflação é controlada pelo Banco Central através da política monetária que segue o regime de metas de inflação. Medidas de Inflação no Brasil Década de 1930 = média anual de 6,1%; Década de 1940 = média anual de 12,3%; Década de 1950 = 19,5% Décadas de 1960 e 1970 = 40,1% Década de 1980 = 330% Entre 1990 a 1994 =média anual de 764% Entre 1995 a 2000 = média anual de 8,6% Consequências da Inflação Desde 1999, o Brasil está sob o regime de metas de inflação, para orientar sua política monetária. Desta forma, a oferta de moeda pelo Banco Central segue uma estratégia para atingir uma banda de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional. Especificamente, temos o seguinte quadro inflacionário pelo IPCA cheio, no período 1999-2012: Metas de Inflação GREMAUD, Amaury Patrick. et al. Economia brasileira contemporânea. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Cap. 5 MANKIW, N. Gregory. Introdução à Economia: Princípios de Micro e Macroeconomia. Tradução da 2º ed. Original Maria José C Monteiro – Rio de Janeiro: Elsevier, 2001. Dúvidas: damarisbento@unemat@gmail.com Referências Bibliográficas