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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
 
 MEDIAÇÃO DE CONFLITOS 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.004 DO DIA 17/08/2017 
 
0800 283 8380 
 
www.faculdadeunica .com.br 
 
2 
Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de 
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios 
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e 
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
SUMÁRIO 
 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ............................ ......................................................... 3 
UNIDADE 2 – OS CONFLITOS NO DIREITO DE FAMÍLIA – AL GUMAS 
APROXIMAÇÕES ...................................... ................................................................. 4 
2.1 GÊNESE, CONCEITO E CAUSA-RAIZ ......................................................................... 8 
2.2 CAUSAS ACESSÓRIAS E FATORES QUE LEVAM AOS CONFLITOS ................................ 12 
2.3 O CUSTO DOS CONFLITOS.................................................................................... 12 
UNIDADE 3 – OS PRINCÍPIOS DA MEDIAÇÃO DE CONFLITOS .......................... 15 
UNIDADE 4 – MÉTODOS PARA ADMINISTRAR CONFLITOS .... .......................... 18 
4.1 JUSTIÇA ESTATAL ............................................................................................... 20 
4.2 ARBITRAGEM ...................................................................................................... 21 
4.3 NEGOCIAÇÃO ..................................................................................................... 23 
4.4 CONCILIAÇÃO ..................................................................................................... 25 
4.5 MEDIAÇÃO ......................................................................................................... 27 
UNIDADE 5 – O PROCESSO DE MEDIAÇÃO ................ ......................................... 35 
UNIDADE 6 – O MEDIADOR ............................ ........................................................ 40 
UNIDADE 7 – OS MEDIANDOS .......................... ..................................................... 44 
7.1 COMPORTAMENTOS DOS MEDIANDOS ................................................................... 44 
7.2 A MEDIAÇÃO FAMILIAR ......................................................................................... 45 
7.3 APLICAÇÃO DA MEDIAÇÃO NA RECONCILIAÇÃO DE CASAIS ....................................... 48 
7.4 A MEDIAÇÃO NA SEPARAÇÃO AMIGÁVEL ................................................................ 48 
7.5 A MEDIAÇÃO FAMILIAR COMO FORMA DE RESOLUÇÃO DE CONFLITOS EM CASOS DE 
ALIENAÇÃO PARENTAL ............................................................................................... 49 
UNIDADE 8 – O ADVOGADO NA MEDIAÇÃO ................ ........................................ 53 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 55 
 
 
 3 
Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de 
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios 
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e 
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO 
 
Os conflitos sempre existiram na história da humanidade, mesmo porque o 
ser humano é um ser complexo e suas relações passam por modificação de 
comportamento, necessidades, desejos, enfim, situações que na realidade são 
normais em qualquer sistema social e, porque não dizer, uma condição fundamental 
para o desenvolvimento pessoal e do próprio sistema havendo ambos condições 
para sua resolução. 
A mediação de conflitos, por sua vez, constitui um marco nas relações 
interpessoais porque demonstra a fragilidade de soluções impostas e a inutilidade do 
rancor como substituto às decisões temperadas pelo bom-senso (FIORELLI; 
FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008). 
Filosoficamente, a mediação representa a substituição da disputa adversarial 
pelo acordo cooperativa. Seria o mesmo que pacificar por meio da obtenção da 
convergência de interesses. 
Pois bem, nosso objetivo neste momento é justamente expor a gênese dos 
conflitos, causas e fatores que levam a eles; discorrer sobre os métodos existentes 
para administrar os conflitos; o processo de mediação em si, apresentar 
características e qualidades peculiares do mediador e do mediando e o papel do 
advogado nesta seara. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como 
premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 
deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas 
opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo modo, 
podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo dos 
estudos. 
 
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direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios 
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UNIDADE 2 – OS CONFLITOS NO DIREITO DE FAMÍLIA – 
ALGUMAS APROXIMAÇÕES 
 
De acordo com BEVILÁQUA (1937 apud VENOSA, 2013). 
 
Direito de família é o complexo das normas, que regulam a celebração do 
casamento, sua validade e os efeitos, que dele resultam, as relações 
pessoais e econômicas da sociedade conjugal, a dissolução desta, as 
relações entre pais e filhos, o vínculo do parentesco e os institutos 
complementares da tutela e da curatela 
 
Mesmo diante desse conceito que podemos considerar perene, faltou referir-
se às uniões sem casamento que, sabemos, é real e abundante, e representam um 
rico campo para estudos jurídicos e sociológicos. 
GISELLE CÂMARA GROENINGA e RODRIGO DA CUNHA PEREIRA 
(2003, p. 08) ressaltam uma observação interessante: no passado, qualquer 
referência jurídica à família tomava por base o casamento. Só mais recentemente a 
família foi observada pelos juristas sob prisma de instituição, abrangendo as uniões 
sem casamento e até mesmo as chamadas famílias monoparentais. A Constituição 
de 1988 ampliou, entre nós, o conceito de família, para reconhecer “como entidade 
familiar, a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”, bem 
como a união estável entre o homem e a mulher (art. 226). Destarte, a família é um 
gênero que comporta várias espécies. 
Ainda seguindo pelo caminho que analisa os fenômenos derivados das 
relações familiares, dentre eles, evolução da ciência genética, questões geradas 
pelo homossexualismo, transexualismo e outros, se faz mister lembrar que todos 
esses fenômenos geram questões conflitantes que precisam ser dirimidas, de 
preferência consensualmente. 
Precisamos fazer uma breve volta à origem do direito que regulou a família 
até o século XVIII e inspirou as leis civis que se seguiram. Estamos falando do 
direito canônico, ou sob inspiração canônica, que não era um direito civil na acepção 
técnica do termo. O direito de família canônico era constituído por normas 
imperativas, inspiradas na vontade de Deus ou na vontade do monarca. Era 
constituídopor cânones, regras de convivência impostas aos membros da família e 
sancionadas com penalidades rigorosas. O casamento, segundo os cânones, era a 
 
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pedra fundamental, ordenado e comandado pelo marido: “O pai/marido transforma-
se, assim, numa verdadeira fonte de criação de Direito, de normas de organização 
interna da família que se impõem aos dependentes. A vontade do pai é lei” 
(CAMPOS, 1993 apud LEITE, 2007). 
Nesses preceitos, o casamento tinha caráter de perpetuidade com o dogma 
da indissolubilidade do vínculo, tendo como finalidade a procriação e criação dos 
filhos. A desvinculação do matrimônio da Igreja abriu caminho para a revisão dessa 
dogmática. 
O direito de família, ramo do direito civil com características peculiares, é 
integrado pelo conjunto de normas que regulam as relações jurídicas familiares, 
orientado por elevados interesses morais e bem-estar social. Originalmente, em 
nosso país, o direito de família vinha regulado exclusivamente pelo Código Civil. 
Princípios constitucionais e numerosas leis complementares derrogaram 
parcialmente vários dispositivos do Código de 1916, além de disciplinar outros 
fenômenos e fatos jurídicos relacionados direta ou indiretamente com a família. O 
Código Civil de 2002 procurou fornecer uma nova compreensão da família, adaptada 
ao novo século, embora tenha ainda passos tímidos nesse sentido. 
Seguindo o que já determinara a Constituição de 1988, o atual estatuto 
procura estabelecer a mais completa igualdade jurídica dos cônjuges e dos 
companheiros, do homem e da mulher. Da mesma forma, o vigente diploma civil 
contempla o princípio da igualdade jurídica de todos os filhos, independentemente 
de sua origem. Nesse diapasão, não mais se refere o Código ao pátrio poder, 
denominação derivada do pater familias do Direito Romano, mas ao poder familiar, 
aquele que é exercido como um poder-dever em igualdade de condições por ambos 
os progenitores. 
Uma vez que o organismo familiar passa por constantes mutações, é 
evidente que o legislador deve estar atento às necessidades de alterações 
legislativas que devem ser feitas no curso deste século. Não pode também o Estado 
deixar de cumprir sua permanente função social de proteção à família, como sua 
célula mater, sob pena de o próprio Estado desaparecer, cedendo lugar ao caos. Daí 
porque a intervenção do Estado na família é fundamental, embora deva preservar os 
 
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direitos básicos de autonomia. Essa intervenção deve ser sempre protetora, nunca 
invasiva da vida privada. 
Desse modo, o direito de família, por sua própria natureza, é ordenado por 
grande número de normas de ordem pública. Essa situação, contudo, não converte 
esse ramo em direito público. Parte da doutrina procurou situar o direito de família 
como integrante do direito público. As normas de ordem pública no direito privado 
têm por finalidade limitar a autonomia de vontade e a possibilidade de as partes 
disporem sobre suas próprias normas nas relações jurídicas. 
A ordem pública resulta, portanto, de normas imperativas, em contraposição 
às normas supletivas. Isso não significa, contudo, que as relações assim ordenadas 
deixem de ser de direito privado. 
No direito de família, a ordem pública prepondera dispondo sobre as 
relações pessoais dos cônjuges, relações entre pais e filhos, regimes matrimoniais, 
celebração e dissolução do casamento, etc. Tal se deve ao interesse permanente do 
Estado no direcionamento da família como sua célula básica, dedicando-lhe 
proteção especial (art. 226, caput, da CF). Por outro lado, esse ramo também possui 
normas supletivas que permitem, por exemplo, acordos entre cônjuges no divórcio a 
respeito de seu patrimônio, visita e guarda de filhos, etc. 
Estamos quase chegando ao ponto que nos interessa: a mediação e 
resolução de conflitos! 
Desse modo, embora o direito de família se utilize majoritariamente de 
normas imperativas para ordenar as relações entre seus membros, como afirma 
GUILLERMO A. BORDA (1993 apud VENOSA, 2013), a pretensão de deslocar a 
família do direito privado representa um contrassenso. Não se pode conceber nada 
mais privado, mais profundamente humano do que a família, em cujo seio o homem 
nasce, vive, ama, sofre e morre. O direito de família visto como direito público 
prepara o terreno para um intervencionismo intolerável do Estado na vida íntima, 
como tantos que ocorrem ordinariamente. O autor acrescenta com propriedade, ser 
sintomático que os únicos regimes que trataram da família como direito público 
foram os falecidos e não saudosos regimes comunistas da Rússia, Iugoslávia, 
Bulgária e a extinta Tchecoslováquia. Desse modo, não há como se admitir o direito 
de família como direito público em um Estado democrático, porque cabe a ele tutelar 
 
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e proteger a família, intervindo de forma indireta apenas quando essencial para sua 
própria estrutura. 
Levando em conta suas particularíssimas características, talvez seja melhor 
considerar, no futuro bem próximo, o direito de família como um microssistema 
jurídico, integrante do denominado direito social, embora essa denominação seja 
redundante, na zona intermediária entre o direito público e o privado, possibilitando a 
elaboração de um Código ou Estatuto da Família (em projeto), como em outras 
legislações. 
Daí porque legislativamente seria melhor, já atualmente, que tivéssemos um 
estatuto próprio da família, que albergasse todos os seus princípios, bem como 
regulasse também o direito sucessório, intimamente ligado à família, e o direito do 
menor e institutos correlatos. Não foi a posição do Código de 2002 que manteve o 
compartimento dedicado a esse campo jurídico. De qualquer forma, sente-se na 
atualidade que o Direito de Família desgarra-se cada vez mais do Direito Civil, 
ganhando autonomia de estudos e, consequentemente, de especialistas. 
Como regra geral, SÍLVIO DE SALVO VENOSA (2013) lembra que os novos 
mestres e autores de direito de família em nosso país, a exemplo do que já ocorria 
em países estrangeiros, tendem a especializar-se exclusivamente nesse campo, não 
se dedicando mais aos outros campos do direito privado. A essa situação agrega-se 
o fato de que o juiz de uma Corte de família deve ter vocação e preparo emocional 
diverso do magistrado que decide questões exclusivamente patrimoniais. Daí 
porque, sempre que possível, a organização judiciária dos Estados cria varas 
especializadas em direito de família, com serviços auxiliares de ordem sociológica e 
psicológica. 
Enfim, a mediação e conciliação, com profissionais habilitados, devem 
ganhar amplo espaço, evitando-se contendas processuais inúteis e depreciativas da 
honra de membros da família, e converter-se no grande palco de soluções para os 
problemas da família. 
Conciliação, mediação e arbitragem, embora tenham origens e vertentescomuns, apresentam características próprias. A conciliação possui longa tradição 
em nosso direito processual, nesta, polarizam-se os pontos controversos em busca 
de um consenso, acordo ou transação. O acordo, com ou sem transação, é o ponto 
 
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que se busca na conciliação. A mediação é algo mais flexível, que se apresenta com 
característica e linguagem própria. A mediação permite a argumentação ampla, que 
por vezes extrapola o conflito que primitivamente a motivou. O mediador deve ser 
uma pessoa neutra e treinada que procura despertar soluções pessoais entre os 
envolvidos. Não haverá necessariamente um acordo na mediação. 
Conforme BARBOSA (s.d. apud GROENINGA; PEREIRA, 2003), “O 
mediador não decide pelos mediandos, já que a essência dessa dinâmica é permitir 
que as partes envolvidas em conflito ou impasse fortaleçam-se, resgatando a 
responsabilidade por suas próprias escolhas”. 
Na arbitragem existe uma lide ou conflito de interesses. Nesse caso, as 
partes se valem do compromisso para permitir que julgadores não togados, os 
árbitros, decidam as pendências substituindo o juiz. É muito restrito o âmbito da 
arbitragem no direito de família uma vez que não pode ser utilizada para direitos 
indisponíveis e a maioria dos direitos no campo ora visto o são. Não fica totalmente 
afastada, porém. Nada impede que os interessados releguem ao juízo arbitral a 
fixação do quantum de alimentos, por exemplo. 
Sem sombra de dúvida, na mediação, conciliação e arbitragem reside um 
dos fatores mais importantes para a tão decantada reforma do Judiciário (VENOSA, 
2013). 
 
2.1 Gênese, conceito e causa-raiz 
A causa-raiz de todo conflito é a mudança, real ou apenas percebida, ou a 
perspectiva de que ela venha a ocorrer. 
A mudança afeta o relacionamento entre pessoas e conduz ao conflito. Uma 
fusão de empresas, a troca de chefias, o casamento de um filho ou filha, o 
falecimento de um ente querido, um divórcio, uma nova etapa da vida são exemplos 
de transformações reais, indutoras de conflitos entre os envolvidos. 
A transformação pode ser percebida apenas por um dos envolvidos, ainda 
que sem evidência de que ela, de fato, acontece ou possa ocorrer. Assim, por 
exemplo, o empregado percebe que o chefe passou a ignorá-lo; a esposa percebe o 
marido menos carinhoso; o aluno sente que o professor o persegue com perguntas 
mais difíceis; tais percepções podem não corresponder à realidade, porém, 
 
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produzem conflitos porque, para alguns dos envolvidos, elas são reais; constituem o 
que se denomina “realidade psíquica”. 
Mudanças acontecem quando algo ou alguém intervém em um sistema (que 
pode ser desde um indivíduo até uma sociedade completa) e, nele, provoca algum 
tipo de transformação ou perspectiva de que ele aconteça. A natureza do conflito 
depende das pessoas envolvidas e de inúmeros fatores, tais como: 
• bens, compreendendo patrimônio, direitos, haveres pessoais etc.; 
• princípios, valores e crenças de qualquer natureza, inclusive políticas, 
religiosas, científicas, etc.; 
• poder, em suas diferentes acepções; 
• relacionamentos interpessoais (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 
2008). 
Em geral, esses elementos combinam-se; o exercício do poder, por 
exemplo, inclui a luta pela posse de bens, envolve valores pessoais e coletivos e 
manifesta-se por meio de relacionamentos interpessoais. As situações de conflito 
(especialmente no litígio já instalado) não são simples, nem quanto à condição 
presente, nem quanto aos processos que conduziram a ela, aos quais não se pode 
conhecer totalmente nem predizer, com certeza, sua evolução (SUARES, 2002, p. 
78 apud VENOSA, 2013). 
Alguém tem que mudar e alguém deverá pagar um preço por essa mudança: 
o que terá que ser modificado, qual deve ser o preço, como e quando deve ser pago 
são questões cruciais que precisam ser esclarecidas, compreendidas e resolvidas. 
A percepção de que ocorreu ou ocorre uma mudança, entretanto, assinala 
Acland (1993, p. 120 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008), 
origina-se na mente de pessoas e repercute nas mentes de outras. Não se pode 
controlar mentes, mas é possível controlar os processos por meio dos quais as 
pessoas tomam contato com as proposições de mudanças. Gerenciam-se os 
inevitáveis conflitos administrando as mudanças, para que os envolvidos assimilem 
suas consequências de maneira harmoniosa e pacífica. 
 
Em mediação, conflito é 
 
 
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um processo interacional que se dá entre duas ou mais partes em que 
predominam as relações antagônicas nas quais as pessoas intervêm como 
seres totais com suas ações, pensamentos, afetos e discursos que algumas 
vezes, mas não necessariamente, podem ser processos conflitivos 
agressivos que se caracteriza por ser um processo coconstruído pelas 
partes e que pode ser conduzido por elas ou por um terceiro (SUARES, 
2002 apud VENOSA, 2013). 
 
O conflito, enquanto processo, evolui por meio de múltiplas interações entre 
as partes; seu agravamento torna-as prisioneiras do conflito por elas mesmas 
engendrado. 
O processo conflitivo constitui uma incompatibilidade que nasce, cresce, 
desenvolve-se e às vezes pode morrer; às vezes pode simplesmente estacionar, 
que se constrói entre as partes, com envolvimento e não necessariamente 
consentimento. A ideia de coconstrução reforça a concepção de gerenciamento do 
conflito e justifica encará-lo como processo. 
Numa visão mais abrangente que o direito de família, Folberg e Taylor 
(1984, p. 40 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008) distinguem 
estrutura de conflito, situação de conflito e conflito manifesto. 
a) Estrutura de conflito corresponde à presença de interesses com tendência a se 
opor, como sugerem as situações seguintes: 
• em Organizações, a separação de poderes e atribuições entre diferentes 
áreas de resultados conduz, naturalmente, a conflitos de decisão 
(observando-se que razões estruturais podem evoluir para o campo pessoal). 
Há objetivos imediatos antagônicos, ainda que os gerais não o sejam; 
• a oposição de interesses encontra-se nas relações familiares, como acontece 
entre marido e esposa a respeito da educação do filho; acentuando-se o 
conflito pelas diferenças de personalidades; 
• nas famílias, a adolescência, com sua busca de transformação de costumes e 
valores, estabelece uma estrutura de conflito entre jovens e pais. 
b) Situação de conflito refere-se à condição em que os interesses, aptidões e 
poderes encontram-se ativados. Caracteriza o conflito em andamento. 
c) Conflito manifesto é o conjunto de condutas específicas ou ações que indicam e 
compreendem o conflito – aquilo que dele se observa. Para alguns autores esta 
 
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condição representa o conflito aberto ou explícito; quando não visível, trata-se do 
conflito oculto, implícito ou negado. 
Os conflitos também podem ser avaliados quanto às etapas de sua 
evolução, sendo: 
• latência – existe a estrutura de conflito, porém, não manifesta; permanece 
oculto, depende de um desencadeante. Às vezes, demora a aparecer; o 
conflito entre marido e esposa, por exemplo, manteve-se latente até a criança 
atingir idade escolar; 
• início – os envolvidos avaliam-se mutuamente; a disparidade de forças pode 
ser um motivo para evitá-lo, prudentemente, aguardando nova oportunidade. 
Ou, declara-se a diferença; 
• desenvolvimento – as ações sucedem-se. Pode-se apresentar um longo e 
recorrente desenvolvimento, a cada etapa ou, em outra situação, marido e 
esposa talvez, enfrentem a decisão uma única vez, ao escolher a escola da 
criança; 
• estabilização – o conflito chega ao final, com definição de um acordo; 
dependendo do resultado, inicia-se nova etapa de latência, preparatória de 
novo conflito. Ou marido ou mulher “vence” a disputa familiar; 
• equilíbrio instável – o conflito não chega ao final, não há acordo; a situação 
permanece conflituosa sem perspectiva de solução apaziguadora. Se um dos 
cônjuges não se conformar; os atritos entre os dois continuarão; 
• reformulação – um dos litigantes decide buscar intervenção externa; evita a 
estabilização desfavorável ou o equilíbrio instável, por meio de novo desenho 
para o conflito. A mediação atua nesta etapa, quando uma das partes procura o 
apoio de um terceiro, na tentativa de encontrar saída para o dilema. Quanto 
mais o conflito evolui em direção à etapa de equilíbrio instável, tanto mais difícil 
equacioná-lo e chegar a solução cooperativa; torna-se necessário um terceiro 
para auxiliar os litigantes a reformular suas percepções. 
 
 
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2.2 Causas acessórias e fatores que levam aos confl itos 
Vimos que a causa-raiz é a mudança, porém, a mesma mudança gera 
conflitos que evoluem de maneira saudável entre algumas pessoas e produzem 
graves litígios entre outras. 
Esse fato aponta para causas acessórias, de natureza psíquica que podem 
ser: 
� esquemas rígidos de pensamento; 
� pensamentos automáticos; 
� crenças inadequadas ao contexto; 
� fenômenos de percepção, entre eles o denominado “efeito de figura e fundo”; 
� comportamentos condicionados; 
� experiências anteriores; 
� influência de natureza sociocultural. 
 
Como causas acessórias funcionais, temos as deficiências de comunicação; 
as fronteiras mal estabelecidas entre os subsistemas que compõem o sistema maior 
e os erros de desempenho de papéis pelos indivíduos envolvidos no conflito. 
Quanto aos fatores que influenciam os conflitos, citam-se: 
� expectativas em relação à mudança; 
� expectativas associadas aos relacionamentos; 
� resistência à mudança; 
� consequências para a estabilidade do sistema; 
� aderência à realidade; 
� diferenças de personalidade; 
� efeitos da mudança sobre os valores; 
� modificações na estrutura de poder (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS 
JUNIOR, 2008). 
 
2.3 O custo dos conflitos 
O conflito apresenta custos financeiros e emocionais. Acland (1993, p. 137) 
alerta que se tende a superestimar os benefícios e subestimar o custo dos conflitos 
porque: 
 
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� as pessoas são movidas por paixões e emoções, cujos efeitos sobre o 
pensamento impedem a plena utilização de critérios e argumentos “racionais” 
em suas decisões; 
� adotam-se posições e defendem-se princípios não quantificáveis; coisas 
como “honra”, “tradição”, “vergonha” constituem idealizações pessoais, 
geradas e alimentadas por elementos da cultura e da vida de cada um; 
� a emoção conduz pessoas a apoiarem outras sem considerar seus próprios 
interesses; 
� motivos socioculturais levam a sacrifícios heróicos, porém, inúteis. 
 
Na avaliação dos benefícios, os responsáveis pela mudança procuram sinais 
confirmadores de suas percepções. Um dos fenômenos psicológicos mais presentes 
nesse processo é o tratamento que se empresta a gastos ocorridos no passado. 
Nos estudos econômicos, a premissa de que “gastos do passado não 
interessam” é fundamental; nos litígios, acontece o oposto: eles chegam a ocupar o 
centro das atenções, na tentativa dos litigantes de “recuperar” investimentos que não 
voltam mais. 
 
Exemplo: 
Comum à maioria das separações litigiosas, os comportamentos de Leonor 
e Sandro repetem os de inúmeros cônjuges que se apegam a eventos do passado; 
deixam o banquete da vingança para o momento da separação. 
Esse sentimento manifesta-se em exigências relacionadas com a divisão 
dos bens, o contato com os filhos, os valores de pensões alimentícias e outros. 
O que poderia ser um evento relativamente rápido transformou-se em um 
doloroso processo, com grande custo emocional, que se estendeu a filhos, pais, 
parentes e até mesmo a amigos dos envolvidos no conflito, por se tratar de uma 
família bastante integrada, coesa, com muita interdependência entre seus 
integrantes. 
A dificuldade para estabelecer um acordo refletiu-se, também, em 
perspectivas de grandes custos financeiros, na forma de remunerações de 
advogados, capital paralisado, imóveis sem destinação e outros; enfim, decidiram 
 
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tentar a mediação para tentar reduzir as perdas materiais, já que para as afetivas 
não mais havia remédio. 
Na mediação, o desafio foi separar os sentimentos relacionados com as 
pessoas dos fatos em si, para abrir espaço ao entendimento. 
Enfim, no transcorrer de um conflito, os gastos (materiais e emocionais) 
acumulam-se em uma “caderneta de poupança de sofrimentos”, sob o argumento 
falso de que “depois de tudo o que já passamos, não podemos voltar atrás”. 
 
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UNIDADE 3 – OS PRINCÍPIOS DA MEDIAÇÃO DE 
CONFLITOS 
 
Para mediar um conflito, é importante observar alguns princípios, ou 
condições. Se ignorarmos estes princípios básicos, a mediação de conflito tem 
poucas chances de funcionar corretamente (ITS/BRASIL, 2008). 
a) LIBERDADE DAS PARTES: 
Para resolverem os seus conflitos através da mediação, as pessoas 
envolvidas devem estar livres, ou seja, não estarem sendo ameaçadas ou até 
mesmo sofrer algum tipo de violência física. A mediação é um processo voluntário,ou seja, as pessoas só participam se quiserem, e a mediação só é possível quando 
todas as pessoas concordam com ela. 
Quando optar pela mediação, um meio de solução amigável, a pessoa deve 
fazê-lo de forma consciente e por vontade própria. 
Isso também significa que, além da mediação em si, as pessoas envolvidas 
devem concordar na escolha do mediador. 
b) NÃO-COMPETITIVIDADE: 
A mediação não é uma competição. Por isso, o conflito deve ser tratado de 
maneira positiva e colaborativa. Nessa lógica, a mediação não busca criar um 
“vencedor” para o conflito, mas sim uma forma de resolver o problema de forma 
satisfatória para todos, de forma pacífica. 
c) PODER DE DECISÃO DAS PARTES: 
Apenas as pessoas envolvidas no conflito têm o poder de tomar decisões ao 
longo do processo de mediação. O mediado apenas ajuda as partes, facilitando o 
diálogo e esclarecendo cada um dos lados. 
O mediador não tem poder de decisão, já que a mediação não é um 
processo impositivo; ou seja, ele não interfere na tomada de uma decisão, e esta 
não depende de pessoas que não estejam envolvidas no conflito. Somente as partes 
envolvidas é que decidirão acerca do problema. 
 
d) PARTICIPAÇÃO DE TERCEIRO IMPARCIAL: 
O mediador tem que ser sempre imparcial, ou seja, não pode se colocar do 
lado de nenhum dos lados envolvidos no conflito. É papel do mediador facilitar o 
 
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diálogo, ajudar as pessoas a reconhecer o conflito existente, porém, sem ficar 
favorável a nenhuma das partes. 
e) COMPETÊNCIA DO MEDIADOR: 
A pessoa tem que ter capacidade para resolver a controvérsia. O mediador 
tem que ter qualificações mínimas para dar andamento no processo de mediação. 
A pessoa que for mediar tem que ter cuidado e prudência assegurando 
sempre a qualidade do processo para obter com sucesso a solução do conflito. 
f) INFORMALIDADE DO PROCESSO: 
Na mediação, não existem regras rígidas onde o processo se baseia; não 
existe uma forma predeterminada. Neste método, não são seguidas as regras do 
Direito: existe um código de ética que pode ser seguido, mas isso não é obrigatório, 
pois no Brasil não existe uma legislação que regule o processo da mediação. Isso 
não significa que o compromisso assumido no processo de mediação não tenha 
validade. As pessoas que participam de um processo de mediação se comprometem 
umas com as outras, e elas mesmas são responsáveis pelo cumprimento de seus 
compromissos. 
g) CONFIDENCIALIDADE NO PROCESSO: 
O processo de mediação é confidencial. O mediador deve manter o sigilo do 
que foi discutido entre as partes, ou seja, não pode divulgar as informações 
discutidas durante a mediação, nem antes, durante ou depois do processo. A 
confiança dos mediados no mediador também surge quando este mostra estar 
comprometido com o sigilo da mediação. A juíza ELLEN GRACIE NORTHFLEET 
(1994), do Supremo Tribunal Federal, afirma que: 
 
O clima de informalidade e confidencialidade das sessões favorecem o 
esclarecimento de situações que talvez não aflorassem na sala das 
audiências. O diálogo que se estabelece entre as partes é mais verdadeiro 
porque envolve a inteireza de suas razões e não apenas aquelas que 
poderiam ser deduzidas com forma e figura de juízo. 
 
h) SOLUÇÕES GANHA-GANHA: 
A mediação de conflitos, reforçando, não é competitiva – ou seja, não segue 
à lógica de que tem que haver um vencedor, e os outros são perdedores. O 
processo de mediação é busca para que todos os lados saiam ganhando. Por isso, a 
mediação é uma solução do tipo “ganha-ganha”. As soluções do tipo ganha-ganha 
 
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caracterizam-se por atender, ao mesmo tempo, as exigências do eu (assertividade) 
e do outro (compreensão). O que pede, por um lado, um autoconhecimento e um 
autêntico conhecimento e escuta do outro. Muitas vezes projetamos nos outros as 
nossas próprias sombras, criando e inventando inimigos. 
A tabela a seguir, retirada do manual de mediação passo a passo 
(ITS/BRASIL, 2008), tenta mostrar que caminhos são possíveis quando você 
consegue expressar o seu ponto de vista, o seu problema (assertividade); e quando 
você compreende o outro lado, o ponto de vista do outro e o seu respectivo 
problema (compreensão): 
 
 
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UNIDADE 4 – MÉTODOS PARA ADMINISTRAR CONFLITOS 
 
Conflitos não possuem apenas aspectos negativos, porque são “as 
interações antagônicas que mantêm a diferença entre os elementos: estes 
desapareceriam se essa diferença não se mantivesse [...] Porém, as interações 
antagônicas por si só exacerbariam o sistema e o levariam ao colapso e à 
destruição” (SUARES, 2002 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 
2008); é preciso, pois, administrá-los. 
Os seres humanos demonstram, entretanto, maior habilidade para se 
envolver em conflitos do que para lidar com eles, talvez porque a maneira como se 
deve gerenciar um conflito depende de diversos fatores, tais como: 
� o conflito em si – um acidente com feridos requer providências muito 
diferentes das necessárias para resolver um atraso na entrega de pizza; 
� características dos envolvidos – o perfil de cada pessoa afeta a maneira de 
encarar o conflito e reagir a ele; 
� características do ambiente – o mesmo conflito será percebido de maneira 
muito diferente por um aposentado residente em conservadora região serrana 
ou um jovem surfista de Natal; 
� experiências anteriores com conflitos idênticos ou semelhantes – o divorciado 
tem percepção da separação muito diferente sobre esse assunto em relação 
a outra pessoa que nunca o viveu; 
� urgência, probabilidade percebida de sucesso, limitações legais e outros etc. 
– a urgência, por exemplo, estimula buscar a mediação nos casos em que a 
delonga causaria danos irreparáveis (por exemplo, uma situação que envolve 
cuidados críticos com pessoa idosa). 
Quando as pessoas escolhem, de maneira precipitada ou superficial, o 
método pelo qual irão gerenciar um conflito, podem tomar decisões inadequadas e 
incorrer em prejuízos irreversíveis. 
Temos os remédios caseiros. São três os mais comuns utilizados para lidar 
com os conflitos das mais diferentes naturezas: 
 a) “Nada fazer” (ou, “dar tempo ao tempo”) 
 
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19
 
Opta-se por fazer de conta que o conflito não existe, em geral com 
resultados insatisfatórios. É comum esse comportamento quando se trata de 
assuntos culturalmente tabus, incômodos ou delicados. 
Muitas situações tornam-se de difícil manejo simplesmente porque se 
protelou a decisão de encarar e resolver o conflito. 
b)Acomodação 
Na acomodação, as pessoas solucionam o conflito por seus esforços e 
iniciativas, praticando mútuas e pequenas concessões. Isso evita “tempestades em 
copo d'água”; impede a transformação de um evento corriqueiro em batalha de 
grandes proporções. 
c) Aconselhamento 
Buscam-se as opiniões de pessoas mais experientes e/ou respeitadas, tais 
como amigos, religiosos, parentes etc. 
Quando esses métodos mostram-se ineficazes, o conflito agrava-se e os 
litigantes procuram profissionais especializados: advogados, psicólogos, consultores 
de empresas, conselheiros matrimoniais, etc., que atuam por meio de métodos 
consagrados. 
Mais detalhes encontram-se no texto “Remédios caseiros para a gestão de 
conflitos”, que está disponível em <www.editoraatlas.com.br/fiorelli>. 
Os métodos de gestão de conflitos podem ser subdivididos de várias formas. 
Alguns os distinguem entre adversariais e cooperativos (como preferem 
FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008); outros, em autocompositivos e 
heterocompositivos. 
Nos métodos autocompositivos, como o termo indica, as partes buscam uma 
solução sem a decisão ou determinação de um terceiro. Cooperativas por 
excelência, com as diferenciações adiante apontadas, destacam-se a negociação, a 
conciliação e a mediação. 
Os heterocompositivos recebem essa denominação porque se deixa a 
solução nas mãos de um terceiro; fica à responsabilidade dele determinar o que as 
partes devem ou não fazer. É o caso, pois, do trabalho do Juiz Estatal (Poder 
Judiciário – braço do Poder Público) e do Árbitro (em caso de demanda arbitral). As 
partes se “digladiam” (por isso, “adversarial”) enquanto o Juiz, ou o Árbitro, decide. 
 
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20
 
A arbitragem, a negociação, a conciliação e a mediação são conhecidas por 
muitos pela sigla “MESC”, que significa “Métodos Extrajudiciais de Solução de 
Conflitos”. Todavia, nem todos eles são tão extrajudiciais assim, já que o Poder 
Judiciário se vale de alguns em seus processos. Veja-se, por exemplo, o projeto -
CONCILIAR, levado a efeito por incentivo do Conselho Nacional de Justiça e que 
grande acolhida recebeu no mundo jurídico (ao menos por parte da Justiça do 
Trabalho e daqueles que nela, incansavelmente, militam). A própria “mediação” vem 
sendo praticada no âmbito do Poder Judiciário, não pelos juízes, mas por 
mediadores credenciados e com experiência no trabalho. 
Vamos destacar a justiça estatal, a arbitragem, a negociação, a conciliação e 
a mediação como “Métodos Alternativos de Gestão de Conflitos”. Emprega-se o 
termo alternativo em relação ao método tradicional da busca ao Judiciário. 
 
4.1 Justiça Estatal 
Trata-se do método “tradicional” de solução de conflitos para os brasileiros. 
Faz parte da cultura nacional entregar às mãos de um juiz, aos braços do 
Poder Judiciário, a tarefa de decidir todo tipo de conflito pela comodidade ou pelo 
desconhecimento de formas alternativas. 
Em um processo judicial, o “Estado-Juiz” profere a decisão, fundamentada 
na apreciação dos fatos e na aplicação do direito, em sentença vinculativa para as 
partes. O método, adversarial, é o único indicado para diversas situações; 
entretanto, apresenta inconvenientes intrínsecos (Acland, 1993, 26 apud FIORELLI; 
FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008, p. 52), tais como: 
� destruição das relações interpessoais; acumulam-se inimigos e 
ressentimentos para o futuro; 
� solapamento da confiança e destruição de relacionamentos, impossibilitando 
soluções futuras que requeiram algum tipo de cooperação (por exemplo, na 
guarda de filhos); 
� supressão forçada de problemas, perdendo-se a oportunidade de resolvê-los 
e aprender com eles; 
� lentidão, em um mundo cada vez mais rápido; 
� resultado imprevisível; 
 
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21
 
� possibilidade de tornar a solução muito dispendiosa, inclusive para o 
“ganhador”; 
� quando há muitos protagonistas discutindo diversas questões inter-
relacionadas, possibilidade de se tornar impossível chegar a alguma 
conclusão que resolva a situação de fato; 
� publicidade: a questão vai ao tribunal e o desenrolar do processo torna-se 
público; 
� existência de muitas disputas que não giram em torno de questões regidas 
pela lei, mas apenas pela dinâmica das relações pessoais. 
Comprova-se que a busca de soluções pela via adversarial, por meio de 
decisões judiciais, não é intrinsecamente atrativa pelo fato de que, 
independentemente dos entraves burocráticos, as pessoas relutam em adotá-la em 
inúmeras situações, preferindo arcar com prejuízos a defender seus direitos. 
O recurso de buscar apoio no “Estado-Juiz” provoca um efeito emocional 
que se situa entre a humilhação e o desconforto, ocasionado por diversos fatores: 
• o ritual dos julgamentos; o indivíduo praticamente não pode se manifestar e 
somente o faz dentro de rígida burocracia; 
• durante os procedimentos, a possibilidade de se estabelecer um diálogo com 
a outra parte torna-se muito difícil; cria-se um obstáculo real a qualquer 
chance de um acordo que possa ser vislumbrada no transcorrer do 
julgamento; 
• remota possibilidade de modificar o curso de um processo judicial, após o 
mesmo ser instalado; 
• finalmente, não há como deixar de reconhecer que a sorte fica entregue a 
terceiros; ainda que estes sejam de indiscutível competência, as pessoas 
veem-se impedidas de decidir a respeito de questões que lhes dizem 
respeito. 
 
4.2 Arbitragem 
Na arbitragem, outro método adversarial, a decisão também cabe a um 
terceiro, o árbitro, escolhido pelas partes. Não é um instituto recente. A história 
 
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mundial registra sua utilização antes mesmo da jurisdição estatal. No Brasil, vem 
sendo regulamentada desde a colonização portuguesa. 
A chamada “Lei Marco Maciel”, Lei nº 9.307/96, veio com o intuito de 
implementar o uso nacional da arbitragem e defini-la como um dos mais eficazes 
métodos alternativos de resolução de conflitos, ao lado da “mediação”, da 
“negociação” e da “conciliação”. Para tanto, ela trouxe inúmeras inovações e 
eliminou todos os obstáculos até então existentes. 
A arbitragem, salvo casos excepcionalíssimos, não é imposta às partes, 
tendo em vista que somente poderá ocorrer quando existir “cláusula 
compromissória”, ou então, o “compromisso arbitral” firmado pelos interessados. Aos 
que participam de uma demanda por meio de arbitragem é assegurado o direito de 
ampla defesa, inclusive com a participação ativa e salutar de seus defensores, os 
advogados. 
Aliás, e aqui cabe um parênteses, a arbitragem vem se destacando como 
um grande e fértil campo de trabalho para o advogado, que, com a celeridade, 
objetividade e efetividade do processo arbitral, obtém resposta aos reclamos de 
seus clientes de forma ágil e satisfatória (o mesmo ocorre, obviamente, com a 
remuneração decorrente de seu trabalho na demanda) (FIORELLI; FIORELLI; 
MALHADASJUNIOR, 2008). 
O árbitro (ou árbitros), escolhido livremente pelos litigantes, credencia-se a 
atuar como “julgador” da causa pela confiança que inspira às partes, baseada na 
especialidade que detém sobre determinada matéria e na idoneidade (consolidadas 
ao longo de sua vida profissional e pessoal). Instalado o “tribunal arbitral”, composto 
de dois ou mais árbitros com total imparcialidade, indicados, repete-se, livremente 
pelos próprios litigantes, torna-se natural que se aceite e se cumpra sua decisão. 
Em resumo, dentre as principais vantagens da arbitragem destacam-se: 
• a especialidade (as partes indicam os árbitros que irão atuar na causa, 
normalmente um especialista no assunto); 
• o sigilo (a arbitragem é processada em segredo, sem publicidade); 
• a rapidez (em questões mais simples, a solução pode ser dada em 
aproximadamente 90 dias); 
 
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• a efetividade (por lei, a sentença arbitral tem efeito de coisa julgada, contra 
ela não cabendo qualquer recurso); 
• a realização em um ambiente menos formal e mais flexível, sem o rigor dos 
processos judiciais. 
Segundo C. W. MOORE (1998, p. 23), “as pessoas, em geral, escolhem a 
arbitragem devido a sua natureza privada e também porque ela é mais informal, 
flexível, menos dispendiosa e mais rápida do que um procedimento judicial”. 
Esses diferenciais e vantagens em relação à Justiça Estatal, contudo, não 
retiram da arbitragem as seguintes características: 
• a natureza adversarial do processo, portanto, não se aplica quando existe 
necessidade de solução cooperada (por exemplo, na relação entre empresas 
parceiras, na assistência a idosos, em guarda de filhos etc.); 
• os resultados podem não ser satisfatórios para nenhum dos envolvidos; 
• as opções restringem-se ao conflito manifesto, isto é, às posições defendidas 
pelas partes; 
• a decisão continua competindo a um terceiro (“tribunal arbitral”), trazendo 
consigo resultados imprevisíveis. 
 
4.3 Negociação 
Do latim negotiatus, negociação significa, simplesmente, cuidar dos 
negócios. 
Existe desde os tempos em que o homem passou a viver em sociedade; 
afinal, negócios e negociações fazem parte da rotina da vida humana, da infância à 
velhice. 
A “negociação” é, e sempre foi, muito utilizada para lidar com situações de 
conflito; as perdas e os ganhos de cada parte são colocados na mesa e constituem 
as cartas com as quais a negociação se desenvolve, com objetivos claramente 
definidos. 
Em tempos não muito remotos, restringia-se, apenas, às posições dos 
litigantes, pouco ou nada contribuindo para a genuína identificação e compreensão 
dos interesses das partes. O acordo podia acontecer porque as partes se 
satisfaziam com os resultados (“afinal, não perdemos tudo” ou “ganhamos o máximo 
 
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que se podia”) ou, muitas vezes, porque o acordo se dava mais pelo prazer que os 
prejuízos da outra parte proporcionavam do que pela satisfação com os benefícios 
conseguidos. 
Essa maneira intuitiva de negociar evoluiu, notadamente com os 
desenvolvimentos proporcionados pela Universidade de Harvard nos Estados 
Unidos, que criou e aperfeiçoou métodos de gestão de empresas, entre os quais os 
de “negociação”. O chamado “Método de Harvard”, amplamente utilizado por 
negociadores profissionais, baseia-se em alguns princípios que também se aplicam 
à mediação de conflitos, entre eles: 
• separar as pessoas do problema; 
• concentrar-se nos interesses e não nas posições; 
• criar várias possibilidades antes de decidir; insistir em um resultado objetivo, 
independente de vontades; lembrar que na negociação não há opositores ou 
adversários, e sim participantes (FIORELLI; FIORELLI; MALHADA JUNIOR, 
2008). 
Na moderna negociação, compreende-se que negociar não é discutir, é 
conversar com um objetivo em mente. Também não se confunde com manipulação, 
posto que esta consiste em um indivíduo convencer outra pessoa de que está certo, 
quando sabe que está errado. Negociar não exige agressividade; requer 
determinação e preparação, acima de tudo. 
Todavia, a “negociação” direta, como método de solução de conflitos, nem 
sempre se mostra vantajosa, mais ainda quando realizada por pessoas leigas ou 
despreparadas. Algumas de suas desvantagens: 
• quando um dos lados possui maior poder (físico, econômico, emocional), terá 
facilidade para exercê-lo a seu favor e, com isso, conquistar as cartas que 
mais lhe interessam; 
• praticada sem a devida técnica, ela acentua as diferenças a favor do mais 
forte; 
• nada obsta que uma parte atue com malícia e perversidade e se valha desse 
comportamento para auferir vantagens; isso pode acontecer em todos os 
métodos, porém, como na negociação não há influência de terceiros, a 
conduta má é ainda mais beneficiada.Todavia, a técnica de negociação 
 
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possui diversos métodos para se descobrir, esvaziar e usar essa má-fé contra 
seu próprio autor; 
• um dos lados pode ter grande experiência em negociar e aproveitar-se da 
ingenuidade ou despreparo do outro. É comum empresas de grande porte 
terem ou contratarem negociadores profissionais, com o objetivo de construir 
acordos vantajosos para elas na negociação de dívidas e compromissos 
assumidos com outras empresas, clientes e colaboradores; 
• diferenças de personalidade contribuem para pender a negociação para um 
lado ou outro. Quando uma das partes apresenta timidez, dificuldade para se 
expressar, e a outra se mostra agressiva, independente, bem falante, a mesa 
de negociação se desequilibra. 
O “negociador” capacitado, de posse de todas as técnicas de negociação, 
consegue equilibrar as diferenças e minimizar estas desvantagens. 
 
4.4 Conciliação 
Este método cooperativo de resolução do conflito tem por objetivo colocar 
fim ao conflito manifesto; não necessariamente a solução estende-se aos elementos 
nele ocultos. Portanto, da mesma maneira que o julgamento e a arbitragem, trabalha 
no domínio das posições, daquilo que as partes expressam. 
Dela participa um terceiro, o conciliador, que atua com as posições 
manifestas pelas partes. Ele envolve-se segundo sua visão do que é justo ou não; 
deve e pode interferir e questionar os litigantes. Esse profissional independente, 
imparcial e sem poderes para decidir, dá sugestões, recomenda soluções e alerta a 
respeito dos riscos da aceitação ou não de determinada proposta. Não lhe interessa 
buscar ou identificar as razões que levaram ao conflito, as questões pessoais dos 
envolvidos, seus interesses, etc. Na conciliação, bem como nos métodos anteriores, 
não se trabalham os conteúdos ocultos do conflito. Por exemplo, em um acidente de 
trânsito, limitado a danos materiais, interessa basicamente identificar quem vai pagar 
a conta e como isso será feito. 
Não há relação necessária entre as partes, nem anterior e nem posterior à 
ocorrência; o envolvimentoemocional, passados os efeitos do acidente, esgota-se 
por ação do tempo. 
 
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A conciliação, nesse caso, apresenta-se como forma eficiente e eficaz de 
tratar o conflito porque proporciona solução rápida; por meio dela, uma das partes 
pode concordar em não receber o total da indenização que seria devida, em troca de 
recebimento assegurado de parte do prejuízo; ou pode haver acordo para 
pagamento integral, contudo, parcelado de maneira conveniente; o credor sai 
parcialmente satisfeito por não aguardar um desfecho de longo prazo, com resultado 
relativamente imprevisível pela via do julgamento. Além disso, a conciliação pode 
ser ainda mais atrativa quando as duas partes são parcialmente culpadas 
(FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008). 
A conciliação apresenta, entretanto, algumas limitações: 
• o poder educativo do processo continua limitado; 
• os envolvidos, focalizados na questão objetiva (por exemplo, o pagamento 
dos danos provocados pelo acidente de trânsito), não perceberão, 
necessariamente, outros aspectos relacionados com ela (as causas, como 
evitar novas ocorrências, comportamentos que deveriam e poderiam ser 
evitados); 
• consequências de dirigir concentrado em outros problemas ou sob efeitos de 
álcool ou noite mal dormida; 
• acontece a negociação tradicional, com movimentos de ceder, transigir, 
trocar, permutar, barganhar, etc.; 
• “cada um dos lados toma uma posição, defende-a e faz concessões para 
chegar a uma solução de compromisso” (FISHER, PATTON e URY, 1992 
apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 2008), a qual pode não ser 
a melhor para qualquer das partes. 
Interpretada como negociação, a conciliação apresenta diversos 
inconvenientes, segundo Acland (1993 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS 
JUNIOR, 2008), em situações nos quais fatores emocionais predominam e não 
recebem a devida consideração na formulação de opções para acordos: ela pode 
tornar-se luta pelo poder e, pelo temor de sentir-se desprestigiada, uma ou ambas 
as partes talvez não reconheça um erro ou oculte uma proposta satisfatória; as 
emoções impedem a comunicação eficaz e o conflito pode agravar-se; corre-se o 
 
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risco de se derivar para a barganha, o que, além de péssimo para as relações, torna 
a decisão dependente da capacidade de argumentação de cada envolvido. 
Essas questões não afetam, necessariamente, a decisão em litígios, como o 
citado no exemplo, um acidente de trânsito; entretanto, são decisivas em outros (por 
exemplo, guarda de filhos, perda de posição de chefia, saída de um sócio), em que 
os fatores emocionais importam tanto ou mais do que os fatores econômicos e o 
relacionamento entre os envolvidos permanecerá após a decisão, qualquer que 
venha a ser ela. 
De maneira simplificada, a conciliação aplica-se vantajosamente a conflitos 
novos, em que às partes não interessa relacionamento futuro, e o envolvimento 
emocional, se existir, será transitório e circunstancial. 
 
4.5 Mediação 
A mediação constitui um processo de transformar antagonismos em 
convergências, não obrigatoriamente em concordâncias, por meio da intervenção de 
um terceiro escolhido pelas partes. 
O terceiro, o mediador, atua para promover a gestão do conflito por meio do 
realinhamento das divergências entre as partes, os mediandos. 
FISCHER, KOPELMAN e SCHNEIDER (1996 apud FIORELLI; FIORELLI; 
MALHADAS JUNIOR, 2008) veem a mediação como o manejo de conflitos, em vez 
de “resolvê-los”: abandona-se o foco em soluções estáticas e parte-se “em direção a 
uma atitude que põe ênfase no poder do desenvolvimento”. 
Nela, as diferenças são reconhecidas, aceitas e entendidas como 
necessárias, não para se imporem umas às outras, mas para construírem a 
diversidade saudável que produz, aperfeiçoa e traz a paz. 
Para conseguir essa transformação, busca-se atender os interesses, 
explícitos ou não. O terceiro participa, porém, a responsabilidade sobre os acordos 
recai exclusivamente sobre os mediandos e nisso consiste a principal distinção em 
relação aos outros métodos. 
Os fatores emocionais, determinantes para os resultados da mediação, 
constituem a moeda de troca, o “capital emocional”. Capital emocional é o valor 
 
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subjetivo que os fatores emocionais apresentam para cada um dos envolvidos na 
mediação. 
O capital emocional pode ser positivo, quando os valores correspondem a 
emoções positivas: amor, compaixão, afeto; ou negativo, quando esses valores 
correspondem a emoções negativas: raiva, desprezo, medo, etc. 
Quanto maior o capital emocional positivo, mais recursos estarão disponíveis 
para que as pessoas animem-se a ceder ou conceder, qualitativa ou 
quantitativamente, para a celebração de algum acordo. A mediação trabalha com os 
recursos disponíveis, em vez de se concentrar nas deficiências que dominam o 
pensamento inicial dos litigantes. 
O conceito de capital emocional é fundamental para se entender o poder da 
mediação. Quanto mais um indivíduo investe capital emocional em um acordo, tanto 
maior será a sua satisfação com o resultado e a responsabilidade com que assumirá 
a decisão tomada. A satisfação interior constitui os juros que o capital emocional 
agrega continuamente, a cada vez que os relacionamentos ocorrem; portanto, o 
capital emocional aumenta e se fortalece com os bons resultados. 
O mediador identifica a presença e a dimensão do capital emocional que 
cada um dos mediandos dispõe para investir e atua para que eles adquiram essa 
compreensão. Por exemplo, na guarda de filhos, o capital emocional é representado 
pela felicidade, saúde, segurança e perspectivas futuras das crianças, cujo valor 
cada um dos mediandos, subjetivamente, estabelece. 
Em um conflito organizacional, por exemplo, relacionado com aumento de 
salário, os fatores emocionais serão representados por fidelidade, orgulho de 
pertencer, espírito de equipe, gratidão e outros, tanto do empregador como do 
empregado. 
O campo fértil da mediação encontra-se, pois, nos conflitos onde 
predominam questões emocionais, oriundas de relacionamentos interpessoais 
intensos e, em geral, de longa duração. Cada caso é único porque as pessoas são 
singulares. 
As soluções tornam-se particulares aos casos específicos porque a 
metodologia da mediação possibilita a plena investigação dessas peculiaridades e 
sua consideração na formulação das opções. 
 
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A mediação aplica-se a substancial parte dos conflitos (familiares, 
trabalhistas, societários, religiosos,étnicos, político-partidários, ambientais, etc.) 
porque, em essência, eles constituem conflitos de longa duração, entre pessoas que 
deverão manter algum tipo de relacionamento futuro; pode ser utilizada “em um 
ambiente formal para dirimir querelas multimilionárias, ou [...] para solucionar um 
problema com os vizinhos” (ACLAND, 1993 apud FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS 
JUNIOR, 2008). 
Os mediandos, com o apoio do mediador, identificam seus interesses, 
desenvolvem opções para satisfazê-las e negociam as que melhor proporcionam 
mútua satisfação. A mediação, portanto, abrange a negociação assistida, que faz 
parte do processo. É fundamental que os participantes aceitem a ajuda do mediador 
para lidar com suas diferenças (MOORE, 1998, p. 23). 
O marco distintivo da mediação, em relação aos outros métodos, encontra-
se na presença dos conteúdos emocionais no desenho do acordo. Justifica-se, pois, 
ainda mais, o uso da expressão “gestão”, em lugar de “solução” de conflitos. 
A Mediação é, certamente, o método mais recomendável nas situações 
crônicas, com elevado envolvimento emocional e necessidade de preservar os 
relacionamentos. 
A mediação não é um processo “melhor” de solução de conflitos. Mostra-se 
eficaz quando utilizada corretamente, em situações às quais se aplica. 
Ela também não é psicoterapia; não tem por objetivo modificar estruturas 
intrapsíquicas. Por ser educativa – os mediandos aprendem novas maneiras de se 
comportar – é inevitável, entretanto, o efeito transformador. A vida da pessoa que 
aprende a ler nunca mais será a mesma; na mediação, passa-se pela experiência de 
uma nova leitura dos acontecimentos; a mudança ocorre para aqueles que 
aprendem a realizá-la. 
A mediação não é senso comum, caminho de fácil acesso, porém, cercado 
de perigos e incertezas; também, não se confunde com a intuição, esse complexo 
mecanismo mental, à mercê das emoções, “por meio do qual chegamos à solução 
de um problema sem raciocinar” (DAMÁSIO, 1996, p. 220). Palpites proporcionados 
pela intuição desencadearam inúmeros avanços científicos, porém, o raciocínio é 
indispensável na absoluta maioria das situações. 
 
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A observação do comportamento de excelentes mediadores permite afirmar 
que a intuição tem seu lugar na mediação, da mesma maneira que se encontra 
presente em todas as atividades humanas, de laboratórios de pesquisa a salas de 
aula, com as devidas limitações; entretanto, é inegável que a qualidade da intuição 
melhora com a prática e depende de fatores pessoais. 
Celebrar um acordo é importante, mas não o principal. A mediação será 
bem-sucedida se os participantes aprenderem, com o processo, novos conceitos e 
comportamentos para suas vidas (FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR, 
2008). 
 
Vale guardar... 
A mediação é um recurso extrajudicial, privado e voluntário de resolução de 
conflitos, sendo especialmente vocacionada para todos os litígios em que há 
interesse, por parte dos seus intervenientes, em atender, não só ao presente, mas, 
também, às consequências futuras da solução a encontrar, possibilitando, além do 
mais, a manutenção das suas relações (comerciais, de vizinhança, de amizade, 
familiares, bom nome, etc.) ou a sua melhoria, através de uma atitude de 
responsabilização e cooperação cívica, respeitosa e sigilosa, na resolução do 
problema e sua observância futura. 
 
A MEDIAÇÃO 
Instituto de Mediação e Arbitragem de Portugal – IMAP/2009 
 
A arbitragem é o método de resolução de conflitos mais parecido com o 
sistema judicial tradicional. A sua grande vantagem é que, ao ser uma técnica 
privada, permite que as partes envolvidas numa disputa escolham a pessoa 
(técnico) que assumirá a responsabilidade de decidir por elas sobre a questão. Outra 
grande vantagem é que as partes também podem escolher o procedimento que o 
árbitro seguirá para dirimir a questão (legislação nacional ou estrangeira, usos e 
costumes, etc.). 
O árbitro não é um profissional em si; é um entendido na sua área, 
(advogado, arquiteto, engenheiro, jardineiro, etc.) escolhido como árbitro pelos 
conhecimentos técnicos específicos que possui. As pessoas que desejem atuar 
 
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como árbitros devem receber informação sobre a lei que a rege, os procedimentos 
de redação do compromisso arbitral e da sentença arbitral. Essa informação 
facilitará o seu trabalho. Caso contrário, deverão recorrer aos serviços de alguém 
que conheça esses procedimentos e cumpra com os requisitos da lei. 
Porque razão é a arbitragem considerada um meio híbrido (misto) de 
resolução de conflitos? 
A arbitragem é a melhor técnica privada de resolução de conflitos, quando 
estes são eminentemente técnicos e circunscritos a determinadas áreas patrimoniais 
em que os cidadãos podem dispor livremente dos seus direitos sem necessidade da 
intervenção do Poder Judicial ou do Poder Público. É o melhor exemplo de 
procedimento misto (não contencioso e contencioso): numa primeira fase, as partes 
dominam totalmente o processo e, depois de assinado o compromisso arbitral, 
passam o mesmo para as mãos do árbitro. 
Nada mais afastado da função de um árbitro que a função de um juiz. O 
árbitro age para satisfazer as necessidades dos clientes que o contratam e que 
desejam conhecer a sua decisão sobre um determinado ponto que eles não 
conseguem resolver de forma direta. Um juiz cumpre a função social de determinar 
em que pontos a lei foi ou não cumprida. A sua função é a de ordenamento social e 
cuidado na aplicação correta das leis. 
Devemos distinguir a conciliação técnica não contenciosa de resolução de 
disputas da conciliação das audiências previstas no procedimento judicial com essa 
designação. Também devemos diferenciá-la da conciliação usada nos Tribunais 
Especiais, pelo fato de os profissionais que a aplicam não terem, na maioria dos 
casos, formação em conciliação. 
Juízes e Conciliadores utilizam o seu bom senso e critério para tentar 
aproximar as reclamações dos litigantes a um ponto de convergência de interesses 
(Nos Tribunais Especiais nem sempre os conciliadores estão formados nestas 
técnicas e usam todo o seu empenho e desejo de cooperar sem as ferramentas 
necessárias. A falta de verbas impede a contratação de profissionais com melhor 
formação). 
A conciliação, como técnica, exige um profissional que domine a 
investigação e a escuta e mantenha a sua imparcialidade para que, sem forçar as 
 
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vontades das partes, as convença das vantagens de alcançarem um acordo que, 
mesmo não sendo totalmente satisfatório, lhes evite complicações futuras em que 
ambas perderão tempo e dinheiro. 
Como saber se estamos perante um caso de Mediação ou de Conciliação? 
Para perceber se um problema é caso de conciliação ou de mediação 
devemos analisar alguns aspectos: 
A grande diferença ao escolher entre a conciliação e a mediaçãoreside na 
existência ou não de relacionamento entre as partes (família, comerciantes com um 
longo trabalho conjunto, relações laborais, relações de vizinhança, relações 
contratuais em que as partes desejam manter o relacionamento). A sua existência 
exige um trabalho de mediação e a sua ausência ou a existência de simples 
relacionamentos circunstanciais sem desejo de continuação ou aprofundamento 
(acidentes de viação, compra e venda de objetos, agressões entre desconhecidos) 
permitem a aplicação rápida e econômica da conciliação. 
Outra grande diferença é o tratamento superficial do conflito na conciliação, 
o qual é aprofundado na mediação. 
Quanto aos seus resultados, podemos dizer que as diferenças residem num 
acordo parcialmente satisfatório na conciliação e totalmente satisfatório na 
mediação. 
Resumindo: nos casos em que o objeto da disputa é exclusivamente 
material, não existe um relacionamento comum significativo ou contínuo entre as 
partes, que preferem acabar logo com o problema (ainda que o acordo não 
contemple todas as expectativas em jogo, a técnica de resolução de conflitos mais 
indicada é a conciliação, conduzida por um terceiro). 
É a técnica de resolução de conflitos que mais rapidamente tem crescido no 
mundo, pelas grandes vantagens que oferece no tratamento do conflito: 
- domínio absoluto pelas partes do seu procedimento, desde o início até ao 
fim; 
- total sigilo; 
- tratamento profundo e exaustivo dos problemas; 
 
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- trabalho sobre as relações existentes entre as partes, as quais acabam por 
encontrar um caminho de respeito e de cooperação no tratamento das suas 
diferenças; 
- economia de tempo e de dinheiro. 
A filosofia da mediação é que as pessoas envolvidas num conflito são as 
que melhor sabem como resolvê-lo. Atinge-se a satisfação de todas as partes 
envolvidas com o resultado alcançado. 
A base da mediação é o tratamento dos clientes como seres humanos, 
únicos, que devem esclarecer as suas dificuldades melhorando as inter-relações que 
Ihes permitem deter o controle absoluto de todas as etapas do processo, através de 
um diálogo esclarecedor que possibilite a negociação e, pelo qual, eles criem 
responsavelmente as soluções para não serem escravos de soluções impostas. 
 
Principais Características da Mediação: 
• privada – como técnica privada, surge para oferecer mais uma opção aos 
cidadãos, fundamentalmente para reduzir custos e tempo na resolução de 
conflitos. Mesmo quando os serviços de mediação estão instalados dentro do 
próprio sistema judicial, também a mediação é privada, pois o que acontece 
nas sessões pertence exclusivamente aos clientes e nada do que seja aí 
tratado se tornará público nem constará de registos da Justiça. Só passa a 
ser pública quando o acordo é homologado pelo Juiz; 
• voluntária – é voluntária porque só pode realizar-se com a aceitação expressa 
dos clientes. São eles que escolhem este caminho, o seu início e as suas 
interrupções. 
Responde aos seguintes princípios: 
• autocomposição do litígio – são os mediados que dialogam sobre os seus 
problemas e, conduzidos pelo mediador, serão eles que encontrarão a 
solução. Não há nem imposição, nem pressão por parte do mediador; 
• boa fé – a apresentação dos fatos, assim como os compromissos assumidos, 
responde à clara intenção dos mediados de resolverem o problema num clima 
de confiança e ética, conferindo transparência a todo o processo. 
É exigido dos mediados: 
 
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� cooperação – trabalho conjunto com vista a alcançar soluções mutuamente 
satisfatórias. Não há soluções duráveis quando não satisfazem ambas as 
partes; 
� respeito – qualquer que seja o problema em que os mediados estejam 
envolvidos, exige-se consideração e cuidado recíprocos, tanto no tratamento 
entre eles como no tratamento dos interesses envolvidos; 
� confiança – não se trata de aceitação cega, mas da atitude que deve reger a 
mediação. Quando dois ou mais seres humanos estão envolvidos num 
problema, é necessário que haja o compromisso mútuo e sério de 
acreditarem um no outro durante a análise do conflito, bem como na procura 
das soluções. Isto não significa concordar com o que o outro pensa ou 
deseja, mas aceitar esse pensamento com respeito e tentar assimilá-lo. 
Porque escolher a Mediação? 
Os critérios que os advogados e clientes devem tomar em consideração 
para escolher a mediação são os seguintes: 
� posição e direitos equilibrados de ambas as partes; 
� necessidade de sigilo e celeridade na solução do conflito; 
� desejo de manter, melhorar ou, pelo menos, não deteriorar o relacionamento; 
� compromisso afetivo muito importante com o problema, a ser resolvido num 
clima que contenha e canalize essas emoções. 
Nos países onde a mediação funciona há muito tempo, uma percentagem 
superior a 70% dos casos que antes recorriam à justiça, é resolvida pela mediação. 
Nesses países já são incluídas nos contratos cláusula de obrigatoriedade de recorrer 
à mediação, em caso de não cumprimento ou problemas no cumprimento do 
contrato. Assim, muitas empresas preservam o sigilo e preservam o relacionamento 
com outras empresas, poupando tempo e dinheiro. Além disso, a inclusão da 
obrigatoriedade da mediação nos contratos de trabalho confere à empresa e ao 
funcionário a certeza de serem ouvidos e atendidos nos seus problemas (IMAP, 
2009). 
 
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UNIDADE 5 – O PROCESSO DE MEDIAÇÃO 
 
O processo de mediação compreende um conjunto de atividades, 
distribuídas em etapas, que têm a seguinte sequência: 
 
1) Atendimento ou acolhimento da solicitação da mediação 
Compreende o conjunto de procedimentos que vão do acolhimento de uma 
das partes, aquela que traz o pedido de mediação, o solicitante, até a obtenção da 
concordância da outra parte, o solicitado, para a realização da pré-mediação; ou, se 
esta não for obtida, a desistência de realização do processo. 
A solicitação de mediação acontece: 
� por iniciativa do solicitante; 
� por recomendação de advogado ou terceiro que acredita na eficácia da 
mediação para a questão em pauta; 
� por determinação judicial, quando a mediação faz parte dos procedimentos 
que antecedem o julgamento. 
 
2) Pré-mediação 
A pré-mediação trata-se da entrevista ou entrevistas com os mediados, 
antes de ser iniciado o processo de mediação. A sua aplicação responde a duas 
exigências do Código de Ética do mediador. 
- A de informar os mediados, pormenorizadamente, em que consiste o 
processo da mediação e os seus custos; 
- A de prestar atenção ao problema que desejam resolver pela mediação 
para avaliar se é possível tratar o caso apresentado através deste procedimento. 
A pré-mediação compõe-se de procedimentos preparatórios para a 
mediação propriamente dita, com os seguintes propósitos: 
a) avaliar se a questão, de fato, enquadra-se nas hipóteses favoráveisà 
utilização da mediação; 
b) esclarecer para as partes o funcionamento da mediação e seus objetivos; 
c) estabelecer valores e forma de pagamento; 
d) escolher o mediador, quando for o caso, e a assessoria técnica, se 
necessária; 
 
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e) obter a anuência dos envolvidos para a realização do processo; 
f) agendar a primeira sessão de mediação; 
g) esclarecer todas as dúvidas pertinentes ao processo. 
 
São objetivos da pré-mediação: 
� eliminar a adversariedade; 
� assumir absoluta responsabilidade pelo processo; 
� trabalhar em cooperação com a outra parte; 
� promover o respeito mútuo; 
� escutar atentamente o que cada um deseja; 
� fomentar a confiança mútua. 
 
Na pré-mediação deverá ficar esclarecido que: 
a) o mediador não decide; 
b) o mediador não sugere soluções; 
c) o mediador não dá assessoria jurídica nem técnica; 
d) o mediador conduz o diálogo; 
e) promove o respeito; 
f) investiga os reais interesses e desejos das partes envolvidas; 
g) orienta-as para que procurem informações corretas sobre o que devem 
decidir; 
h) orienta-as para que procurem aconselhamento legal sempre que necessário; 
i) investiga para que as partes saibam quais são os reais conflitos; 
j) intervém para que assumam juntas a responsabilidade de os resolver; 
k) incentiva a criatividade dos clientes na busca de opções de solução; 
l) aplica técnicas para que avaliem cuidadosamente cada uma das opções e 
escolham as melhores; 
m) auxilia-os a analisar cada uma das opções escolhidas para ver qual ou quais 
são realizáveis e satisfazem todos os interesses em jogo; 
n) avalia o acordo final para ver se é justo, equitativo e durável. 
 
3) Mediação propriamente dita 
 
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Compõe-se das sessões de mediação, com a presença do mediador (e de 
um co-mediador, se houver) e dos mediandos. O objetivo é conseguir que estes 
desenvolvam competência para lidar com a questão e decidir a respeito de um 
possível acordo. 
 
4) Encerramento 
Contém os procedimentos destinados a formalizar o acordo. 
e) acompanhamento dos resultados: 
São os controles destinados a avaliar a eficácia das mediações realizadas. 
 
Atendimento e pré-mediação constituem etapas iniciais e interdependentes 
do processo de mediação; as sugestões e orientações são flexíveis e se 
condicionam às possibilidades práticas das Câmaras ou Escritórios de Mediação. 
Por exemplo, dependendo das dimensões e estruturas da Câmara ou Escritório de 
Mediação, um único profissional realiza essas atividades. 
A importância da pré-mediação nem sempre é bem compreendida, em 
função do foco sobre a ação do mediador. Há o risco de ser percebida como uma 
mera atividade burocrática de registrar informações e convocar pessoas. Essa visão 
é tão limitada quanto inadequada. 
Com efeito, a pré-mediação proporciona às partes uma oportunidade de 
ponderarem o interesse e de formarem a sua vontade de se disporem, ou não, a 
tentar a mediação. Bem conduzida, leva à mediação litigantes mais propensos a se 
empenhar na busca de um acordo e evita a tentativa de mediar conflitos aos quais 
ela não se aplica. 
A pré-mediação confirma a disposição das partes para a negociação, ainda 
que cada uma delas encare o processo, neste momento inicial, como forma de 
ratificar suas posições. 
Busca-se com a pré-mediação: 
a) Proporcionar conhecimento do processo, sua amplitude e a natureza dos 
resultados que poderão ser obtidos. 
b) Obter a responsabilização dos participantes, tanto sobre a escolha das 
opções como pela sua implementação. 
 
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c) Conhecer os comportamentos adequados às sessões de mediação, o que 
inclui respeito à outra parte, obediência às determinações do mediador, 
comportamento cortês e cooperativo. Esses comportamentos serão novamente 
enfatizados pelo mediador, no início da sessão. 
d) Filtragem, para assegurar que somente pessoas realmente interessadas 
em encontrar saída para o conflito sejam conduzidas à mediação. É o caso vivido 
por uma experiente mediadora, atuando na seguinte pré-mediação: 
 
Celeste e a má-fé de Benedito 
Celeste, jovem senhora, mãe de dois filhos (dois e cinco anos), separou-se 
de Benedito quando constatou que este vivia maritalmente com outra mulher, com a 
qual possuía um filho, em idade escolar. 
Ela procurou manter-se sem o auxílio de Benedito, que a visitava 
esporadicamente para brincar com os dois meninos, levando-Ihes presentes 
simbólicos; Celeste, contudo, viu-se forçada a solicitar-lhe ajuda, porque os gastos 
cresciam e suas qualificações profissionais não lhe possibilitavam melhores 
remunerações. 
Benedito concordou em comparecer à sessão de pré-mediação. Mostrou-se 
extrovertido, expansivo e muito amistoso. 
Ângela, a mediadora, observou sua grande disposição em colaborar, dando 
a entender que esperava negociar, com Celeste, “um pequeno aumento” na quantia 
paga. 
A mediadora também percebeu sua intenção de aproveitar-se do desespero 
de Celeste, do qual tinha conhecimento. Experiente, compreendeu que Benedito 
percebia, na mediação, a chance de realizar uma negociação altamente favorável a 
seus interesses, porque receava que a ida de Ângela à justiça convencional pudesse 
resultar em uma obrigação que não lhe seria nem um pouco satisfatória. 
Não havia capital emocional positivo na mesa; o pai não possuía qualquer 
afeto pelas crianças - não há o que mediar. 
A saída para Celeste foi o recurso ao Judiciário. 
 
 
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A situação acima nos mostra que o profissional experiente identifica sinais 
de má-fé. A pessoa comete deslizes, inconscientes. Como observou alguém, o 
inconsciente só o é para o próprio sujeito. Contudo, toda a atenção na pré-mediação 
poderá ser insuficiente para detectar a dissimulação de pessoas hábeis em iludir; 
nesse caso, ocorrerá uma mediação com alto potencial de insucesso. 
O mediador, posteriormente, terá melhores condições de detectar o 
comportamento malicioso e corrigir o desequilíbrio. 
e) Ratificação de percepções dos interessados a respeito da mediação, 
certificando-se de que conhecem o alcance do processo e o escolheram 
conscientemente. 
 
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UNIDADE6 – O MEDIADOR 
 
Uma das vias mais efetivas para definir o mediador é dizer o que ele não é. 
O mediador não é um juiz, porque não impõe um veredicto, nem tem o poder 
outorgado pela sociedade para decidir por outrem, porque não se julga com 
sabedoria para conhecer o que é justo ou o que é melhor para os outros. 
Tal como um juiz, deve obter o respeito das partes, conquistado com a sua 
atuação e imparcialidade; ao contrário do juiz, não é designado para as partes por 
distribuição ou sorteio de causas, mas sim por escolha delas. Também não é um 
negociador que toma parte na negociação, com interesse direto nos resultados. Para 
o mediador, o importante é que as partes descubram os seus verdadeiros interesses 
e consigam manter um mínimo de relacionamento para falarem sobre eles. 
Dependerá das partes a conclusão da mediação por um acordo ou não. Também 
não é um árbitro que emite um parecer ou uma decisão (IMAP, 2009). 
O mediador é um terceiro, imparcial, competente e eleito pelas partes. Em 
se tratando de competência, é válido salientar que diz respeito à capacitação do 
mediador, vez que, diante da inexistência de regulamentação desta atividade, 
qualquer pessoa pode exercê-la, porém deve ter conhecimentos básicos de 
psicologia, sociologia, técnicas de escuta, comunicação e estratégias de lidar com 
conflitos. 
DÉBORAH LÍDIA LOBO MUNIZ (2004, p. 66) instrui que: 
 
O terceiro não diz de forma autoritária o certo e o errado, mas mostra 
caminhos através da persuasão que estão em acordo com a vontade das 
partes e que serão benéficos para essas partes e para comunidade. 
Influencia, mesmo que não fale, pois, sua simples presença fará com que as 
pessoas moderem mais o que falam e controlem mais o seu 
comportamento. 
 
No Brasil, o Projeto de Lei que trata da mediação não faz restrições sobre a 
figura do mediador. Em outros países a mediação só pode ser exercida por 
advogados, porém, para cada caso, é escolhido um mediador (BITENCURT, 2009). 
O mediador, em regra, necessita contemplar características para o sucesso 
de um processo. FARINHA e LAVADINHO (1997, p. 26 apud BITENCURT, 2009, p. 
 
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142) elencam três aspectos que clarificam a ideia da atitude favorável à cooperação, 
ou seja: 
a) o mediador deve possuir uma postura conciliadora; 
b) a experiência profissional; e, enfim, 
c) a formação em mediação, adquirindo um perfil imparcial para que favoreça o 
sucesso da mediação (BITENCURT, 2009). 
Na mediação, o mediador, não pode prestar assessoria sobre a questão em 
debate. Ele cuida especialmente do relacionamento entre as partes e da descoberta 
dos interesses reais de cada uma delas. O árbitro não se preocupa com o 
relacionamento, mas apenas com as informações técnicas apresentadas, com base 
nas quais e fundamentado nos seus conhecimentos específicos, ditará um parecer 
ou sentença que as partes se comprometem a aceitar. O árbitro nem precisa de 
conhecer pessoalmente as partes. É suficiente que elas lhe apresentem um relatório 
das suas posições (IMAP, 2009). 
Esta técnica, que apresenta vantagens quando o problema é muito técnico e 
precisa da avaliação de um especialista, tem fracassado em muitos países porque, 
não contemplando os reais interesses, o parecer baseia-se em dados técnicos e 
normalmente dá razão a uma parte, deixando a outra descontente. Por isso, muitas 
sentenças não são acatadas pelo vencido, que recorre à justiça, perdendo-se o 
tempo investido na Arbitragem. 
É importante sublinhar que tal como o mediador, o árbitro é escolhido de 
comum acordo pelas partes. Resumindo, o mediador é um terceiro neutro. Conduz, 
sem decidir. É neutro em tudo quanto dele se espera, em termos de intervenção na 
decisão. E, nesta condição, deve fazer com que as partes envolvidas participem 
ativamente na busca das melhores soluções para os seus interesses, pois ninguém 
sabe mais do que elas próprias para decidir sobre si mesmas. Na mediação tudo 
deve ser feito pelas partes. O mediador é somente o parteiro, que ajuda a dar à luz 
os reais interesses que possibilitarão o acordo final. 
Quanto ao perfil do mediador, FIORELLI; FIORELLI; MALHADAS JUNIOR 
(2008) elencam: 
� a formação superior representa maior garantia, embora não absoluta, de que 
o profissional encontra-se mais capacitado; 
 
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� deve ter competência interpessoal; 
� dominar sua língua; 
� conhecedor mínimo do Direito; 
� ter conhecimentos e competências a respeito de mediação e suas técnicas; 
� sintonia cultural – competência para imergir no universo do conflito; 
� preservar a imagem pública; 
� resistência física uma vez que as sessões podem alongar-se; 
� resistência ao estresse emocional; 
� paciência; 
� autoconfiança. 
 
Seus objetivos serão: 
� apaziguar; 
� estabelecer comunicação; 
� estabelecer cooperação; 
� equilibrar a mesa de negociação. 
 
Vale guardar sobre o mediador... 
O Mediador é uma terceira pessoa independente e imparcial que não decide, 
não sugere soluções e não presta assessoria jurídica nem técnica. 
O Mediador tem como principal função a facilitação da comunicação entre os 
mediados. Esta facilitação é feita através de técnicas próprias da mediação: 
� promove o respeito; 
� investiga os reais interesses e desejos dos mediados; 
� investiga para auxiliar a que os mediados descubram quais são os 
reais conflitos; 
� orienta os mediados para que procurem informações corretas sobre o 
que vão decidir; 
� intervém para que os mediados assumam juntos a responsabilidade 
de resolver as questões que ali os levaram; 
� incentiva a criatividade dos mediados na busca de soluções; 
 
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� auxilia na análise de cada uma das opções de solução criadas para 
ver qual ou quais satisfazem os interesses dos mediados; 
� auxilia na construção de um acordo final no sentido de garantir a sua 
exequibilidade, durabilidade e aceitabilidade para as partes. 
 
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UNIDADE 7 – OS MEDIANDOS 
 
7.1 Comportamentos dos mediandos 
Diante de um processo de mediação, as pessoas podem apresentar 
comportamentos habituais, bem como podem apresentar desequilíbrio psicológico 
com os quais o mediador terá contato. 
Dentre os comportamentos habituais, temos as características de 
personalidade que são a um mesmo tempo específicas de cada sujeito, mas 
pertencente a um grupo como ser extrovertido, pessimista, narcisista ou 
independente. São exemplos deste tipo de comportamento: a consciência social, 
antissocial, expansividade, agressividade,evitativa (ser retraída), independência e 
dependência, estável ou instável emocionalmente, ousada, prática, conservadora, 
passivo-agressiva, obsessivo-compulsiva. 
Identificar, compreender e conhecer o funcionamento das diversas 
características de personalidade e, especialmente, daquela ou daquelas mais 
dominantes contribui para: 
� a correta interpretação de comportamentos; 
� clarificar comportamentos e ideias; 
� compreender as declarações; 
� prever reações de uma parte aos comentários e propostas da outra; 
� aumentar a chance de formular acordos satisfatórios; 
� encontrar estratégias adequadas para conter ou estimular as participações e 
lidar com as diferentes situações; 
� facilitar a condução da sessão como um todo (FIORELLI; FIORELLI; 
MALHADAS JUNIOR, 2008). 
O oponente, o próprio mediador, outros participantes, conteúdos pessoais e 
o problema em si são alguns dos fatores que podem influenciar o comportamento 
dos mediandos na sessão de mediação, desencadeando emoções que oscilarão 
entre extremos, do medo à raiva, carregadas de ansiedade e de incertezas quanto 
aos resultados e aos passos futuros. Assim como ansiedade, manias, depressão, 
uso de substâncias psicoativas podem comprometer a capacidade de decidir do 
mediando. 
 
 
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7.2 A mediação familiar 
Como resultado de uma sociedade moderna, os conflitos na família, tornam-
se cada vez mais complexos, a paciência e o respeito são substituídos pelo 
“imediatismo”, a correria é enorme, o tempo parece diminuir, o lazer se torna cada 
vez mais escasso e as pessoas percebem isso em um momento de explosão, cuja a 
emoção toma conta da razão (BITENCURT, 2009). 
O conflito pode ser positivo quando leva as partes a refletirem sobre o 
assunto e a chegada de um denominador comum, ou pode ser considerado 
negativo, quando as partes não cedem e tornam a situação ainda mais complexa. 
Para JOHN WAGNER E JOHN HOLLENBECK (2002, p. 63), os conflitos 
podem ser benéficos quando: 
 
são resolvidos de forma a permitir discussão, ajudando a estabilizar e 
integrar as relações interpessoais; permitem a expressão de reivindicações, 
ajudando a reajustar recursos valorizados; ajudam a manter o nível de 
motivação necessário para a busca de inovações e mudanças; ajudam a 
identificar a estrutura de poder e as interdependências da organização; 
auxiliam na delimitação das fronteiras entre indivíduos e grupos, fornecendo 
senso de identidade. 
 
Os conflitos existentes na família são inúmeros, porém é possível enumerar 
os mais comuns como a impaciência, a depressão, a dificuldade de adaptação, a 
ansiedade, o medo, a violência e a ausência de comunicação. Cada qual traz 
consigo a gravidade e o poder de acabar com qualquer relação, porém cada um, 
trabalhado de forma individual e positiva, pode se tornar um aliado na reconstrução 
de uma vida a dois (BITENCURT, 2009). 
Os problemas familiares, antes de serem de direito, são afetivos, emocionais 
e relacionais, antecedidos de sofrimento e dor. Dizem respeito a casais que, além da 
ruptura, devem imperativamente conservar as relações de pais, em seu próprio 
interesse e no interesse das crianças. 
Abrangem a questão da parentalidade – guarda, visitas, alimentos e afeto 
(novo paradigma do direito de família contemporâneo) – e da conjugalidade – 
separação e divórcio e outras conflitos que decorrem da área da família. 
Em linhas gerais, a mediação familiar traz consigo inovações sobre: 
� como definir e pacificar um conflito familiar; 
� como restaurar a comunicação entre casais em processo de separação; 
 
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� como compreender o questionamento sobre a parentalidade; enfim, 
� como humanizar as relações (BARBOSA, 2003). 
 
Ademais, segundo o estudo de DANIÈLE GANÂNCIA (2001, p. 15), a 
mediação familiar possui um tríplice escopo: pacificar o conflito, responsabilizar as 
partes e permitir a continuação das relações de coparentalidade. 
A pacificação do conflito refere-se ao despertar das partes e dos operadores 
do direito da responsabilidade na reorganização da família, revendo a ruptura do 
vínculo conjugal. Este ‘despertar’ visa criar um novo modelo: o que antes revelava 
uma litigiosidade transforma-se em uma família pós-divórcio (CACHAPUZ; GOMES, 
2009). 
Assim, tem-se uma reorganização familiar e passam a compreender sua 
nova estrutura: de pais de família nuclear (pai, mãe, filhos) para binuclear (pai e 
filhos, mãe e filhos). Fixam-se ainda os papéis dos antigos cônjuges: deixam 
conjugalidade (marido e esposa) e permanece a parentalidade (pais e filhos), 
distinguindo-os entre si. Isto porque, os cônjuges perdem as funções maritais. 
A percepção dos benefícios da mediação no trato dos conflitos familiares é 
indispensável para respostas aos novos paradigmas do Direito. A família 
transformou-se e carece de tratamento que corresponda a sua realidade e que 
possibilite o resgate da afetividade e do sentimento das partes envolvidas. É preciso 
que haja a valorização do ser humano e da entidade familiar, isto através da 
mediação (CACHAPUZ; GOMES, 2009). 
Segundo CIBELE RAMOS GALVÃO (2010), a mediação familiar é um meio 
alternativo a via judicial, ou seja, não irá substituí-la, sendo complemento desta, não 
tendo que ser necessariamente submetidos ao Judiciário. 
Concebida originalmente para atender aos casos de divórcio, atualmente a 
mediação familiar teve ampliado o seu espectro de aplicação nas varas de família 
em todos os países onde é utilizada, passando a ter aplicação em todas as 
situações de conflito ou desagregação dos núcleos familiares, nos processos de 
alimentos, guarda de crianças e adolescentes, regulação de visitas e outras 
situações presentes no dia-a-dia da família contemporânea (DANTAS, 2010). 
 
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O objeto principal da mediação familiar é a família, que se encontra em um 
processo de crise, desestruturada, que procura apoio profissional, para que sejam 
oferecidas possibilidades de conforto psicológico e afetivo aos seus integrantes, 
devido ao desgaste que sofreram no decorrer do processo de separação ou divórcio; 
e também para que obtenham uma solução mais rápida e menos onerosa, portanto 
uma eficácia das decisões judiciais e assim o descongestionamento processual nos 
tribunais e a melhoria das suas estruturas e do seu funcionamento (SILVA, 2004). 
Os conflitos familiares são bastante complexos porque envolvem emoções e 
sentimentos ocultos como mágoa, dor, vingança, entre outros. É precisamente nos 
conflitos familiares que a mediação familiar encontra a sua mais adequada 
aplicação, uma vez que a tensão das relações familiares exige em muitos casos, 
uma solução diversa da decisão judicial (SILVA, 2010). 
A mediação procura transformar a crise familiar da relação conjugal em uma 
relação estável, com intuito de uma reconstrução aceitável da vida. Para tanto, 
precisam-seacatar as ideias do mediador, que em sua árdua tarefa, escutará os 
problemas, esclarecendo os pontos em divergência auxiliando-os ao entendimento 
que a separação e o divórcio não dissolvem a família, apenas os cônjuges terão 
novos papéis, diante de seus filhos, como por exemplo, a guarda compartilhada, o 
direito de visita em direito de convivência, entre outros (GANANCIA, 2001). 
Da mesma forma elucida ROZANE DA ROSA CACHAPUZ (2006, p. 133): 
 
A mediação reconhece que as emoções são parte integral do processo de 
resolução e, como tal, devem ser atendidas, para que mais tarde não 
resultem em constantes ações revisionais, até porque os conflitos de casais, 
antes de serem de direito, na grande maioria, são essencialmente 
emocionais. Mediação de família é, em especial, um processo que enfatiza 
a responsabilidade dos cônjuges de tomarem decisões que vão definir suas 
próprias vidas, isolando pontos de acordo e desacordo e desenvolvendo 
opções que levam a uma nova tomada de decisões. 
 
A medição se apresenta como um importante instrumento para a aplicação 
da paz nos conflitos familiares. Resolver os conflitos não se limita a uma mera 
aplicação da lei, ou a tratamentos psicoterapêuticos. Sua eficácia está em outra 
linha de atuação, que dependerá de uma visão interdisciplinar e mais global que o 
mediador possa ter. 
 
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Os operadores de direito devem contemplar a mediação como uma grande 
aliada, pois não deve ser considerado um instrumento concorrente e competitivo, e 
sim como um auxílio técnico mais sensível, agregando conhecimentos que 
enriquecem sua atuação profissional (MARTÍN, 2005). 
A mediação pode ser útil em muitos pontos de um processo de divórcio, 
pode também proporcionar em forma posterior para ajudar a resolver questões 
relacionadas com modificações no cumprimento de ordens previas do tribunal. A 
maioria dos casos de mediação inclui as necessidades e direitos de outros 
dependentes, portanto é útil entender a felicidade dinâmica e saber quais as 
técnicas se devem utilizar quando necessário. 
 
7.3 Aplicação da mediação na reconciliação de casai s 
A mediação, ao atuar nos aspectos emocionais dos conflitos, reconhece que 
os sentimentos fazem parte do problema e da solução e, uma vez esclarecidos, 
possibilita a transformação da situação, facilitando a negociação das opções mais 
satisfatórias, reorganizando os papéis e obrigações da família. A mediação capacita 
as pessoas a reverem o passado com o intuito de superar, auxiliando a avaliar todas 
as questões para construir o futuro de forma positiva. 
Em virtude dessas considerações, vale ratificar a importância da Mediação 
como forma de resolução de conflitos na família, tendo em vista uma possível 
reconciliação do casal, vez que os problemas são analisados e as partes 
amadurecem e buscam a solução de forma amigável. É sempre bom pensar na 
possibilidade de casar novamente com a mesma pessoa, ou, então, ao optar pela 
separação, que seja ela consensual, beneficiando as partes, os filhos, os familiares 
e, consequentemente, toda uma sociedade (BITENCURT, 2009). 
 
7.4 A mediação na separação amigável 
A utilização da Mediação nos conflitos, envolvendo separação e divórcio, 
permitirá que os interessados busquem as melhores soluções que satisfarão a 
ambos, proporcionando-lhes, assim, uma ruptura conjugal harmoniosa e sem 
traumas para os ex-cônjuges, bem como para os filhos. A mediação na separação é 
 
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uma tentativa de evitar o litígio. Não se podendo evitar o ingresso no Judiciário, 
pode-se, portanto, tentar evitar uma guerra desnecessária. 
Cumpre dizer que, ao se falar em separação e divórcio, surgem várias novas 
situações que, muitas vezes, agravam ainda mais o conflito, como, por exemplo, a 
guarda dos filhos, a pensão alimentícia, a partilha, entre outros. Para que isso seja 
resolvido, é necessário que as partes entrem em negociação, porém, quando esta 
não está sendo positiva, é imprescindível a intervenção de um terceiro, para que 
este estimule as partes a ver o problema de forma diferenciada e buscar soluções 
possíveis para ambos a fim de que se chegue a um denominador comum. 
Na mediação, tendo em vista a sua informalidade, os casais podem trabalhar 
de forma mais confortável seus problemas, tendo em vista que eles são 
responsáveis pelo andamento do processo, bem como pelos resultados a serem 
atingidos. 
Como pondera MARIA NAZARETH SERPA (1998, p. 27): 
 
A mediação aplicada ao divórcio tem como objetivo melhorar a 
comunicação entre o casal, proporcionando a exploração de alternativas de 
solução para as questões conflitantes, bem como criando um acordo 
considerado justo pelos cônjuges. 
 
Utilizando-se da mediação, as partes resolvem seus conflitos de forma 
branda, de modo que não precisam levar aos autos do processo os problemas do 
casamento e sim as soluções já acordadas (BITENCURT, 2009). 
 
7.5 A mediação familiar como forma de resolução de conflitos em casos de 
alienação parental 
GRASIELA CRISTINE CELICH DANI e TATIANA POLTOSI DORNELES 
(2012) explicam que a maioria das disputas judiciais envolvendo a família demonstra 
a dificuldade das partes em distinguir as funções parentais das conjugais, gerando 
competições, tornando a justiça estatal ineficiente para solucionar os conflitos 
familiares, geralmente imbuídos de forte carga emocional. 
A síndrome da alienação parental interfere diretamente nas relações de 
filiação, tendo por base o envolvimento das famílias em disputas judiciais, situações 
julgadas pelos fatos narrados, não representando o real interesse das partes. 
 
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Aponta-se a mediação familiar como uma alternativa adequada para restabelecer o 
diálogo entre a família e na resolução de tais conflitos. 
A Lei nº 12.318, promulgada em 26 de agosto de 2010, abarca juridicamente 
a alienação parental, situação presente em inúmeros núcleos familiares brasileiros, 
mas em muitos casos, se torna ineficiente para a resolução de conflitos. 
Para as autoras a mediação familiar funciona como uma alternativa eficiente 
na resolução de conflitos, em especial no caso da alienação parental, auxiliando as 
partes a encontrarem soluções que correspondam às suas necessidades e da 
entidade familiar. 
A alienação parental, geralmente, começa a ocorrer em situações que tem 
por base o envolvimento das famílias em disputas judiciais. Tais disputas podem ser 
entendidas como o divórcio de um casal, onde as partes, muitas vezes, não 
conseguem distinguir as funções parentais das conjugais. Isso torna o 
relacionamento, seja entre o casal que está se divorciando ou que já está divorciado, 
em uma competição para “ganhar” o(s) filho(s). Isto é, um dos cônjuges pode não 
admitir a separação e faz de tudo para prejudicar o outro, utilizando os filhos, mesmo 
que de forma inconsciente. Isso ocorre, postoque, um dos cônjuges passa a ter um 
sentimento de abandono e rejeição perante o outro, fazendo com que haja uma 
tendência vingativa de um deles para com o outro, por não conseguir lidar bem com 
a separação. 
Diante dessas situações, é que se faz relevante uma proposta inovadora 
para a resolução de tais conflitos. Tal forma é se utilizar da mediação no Direito de 
Família. Vimos que ela é uma técnica de resolução de conflitos que vem sendo 
utilizada como uma alternativa para levar as partes a uma solução consensual da 
demanda. Assim, a mediação jamais deve ser utilizada como substituta da via 
judicial, mas de forma acessória, objetivando dirimir os conflitos e reestabelecer elos 
familiares. 
Fala-se em reestabelecimento dos elos familiares, pois, de acordo com 
relatos de vítimas da alienação parental, bem como de profissionais da psicologia, 
nessas situações há abandono, solidão e as crianças/adolescentes são afetados em 
seu desenvolvimento biopsicossocial. Seria, na definição do artigo 1º, da Lei nº 
12.318, Lei da Alienação Parental: 
 
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O ato de interferência na formação psicológica da criança ou do 
adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou 
pelos que tenham a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou 
vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao 
estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. 
 
Tais situações degradantes podem ser encontradas no parágrafo único do 
artigo 2º da Lei nº 12.318/2010, já que a legislação traz um rol exemplificativo de 
condutas que caracterizam tal síndrome: 
Parágrafo único – são formas de alienação parental, além dos atos assim 
declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com 
auxílio de terceiros: 
I – Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício 
da paternidade ou maternidade. 
II – Dificultar o exercício da autoridade parental. 
III – Dificultar contato de criança ou adolescente com genitor. 
IV – Dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar. 
V – Omitir deliberadamente ao genitor informações pessoais relevantes 
sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de 
endereço. 
VI – Apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou 
contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou 
adolescente. 
VII – Mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a 
dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com 
familiares deste ou com os avós. 
Em razão desses comportamentos de um genitor, os psicólogos entendem 
que a alienação parental é utilizada como forma de vingança contra o outro genitor, 
sendo os filhos, as principais vítimas, pois acabam crescendo com raiva pelo 
suposto abandono e solidão. Assim, há casos em que a alienação ocorria durante as 
visitas entre pai e filho. A mãe da criança, mesmo percebendo a alienação parental, 
ficava calada, pois tinha medo de perder a guarda do filho. Em face disso, o 
alienador acaba se convencendo de que, os fatos criados por ele mesmo, para 
prejudicar o(a) ex-companheiro(a) acabam sendo verdadeiros e, fazem com que a 
 
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criança/adolescente se afaste do outro genitor. Isso, de acordo com MARIA 
BERENICE DIAS (2010, s.p.), 
 
[...] gera contradição de sentimentos e destruição do vínculo entre ambos. 
Restando órfão do genitor alienado, acaba identificando-se com o genitor 
patológico, passando a aceitar como verdadeiro tudo que lhe é informado. 
 
Frente a isso, a alienação parental, torna-se um conflito, mas que, se bem 
trabalhado, pode ter resultados positivos para as partes nele envolvidas. É por isso 
que a mediação, nesse caso, pode ser uma maneira viável para a solução desse 
conflito. Isso por ser percebido pela definição do que seja mediação familiar, afinal, 
segundo MARIA BERENICE DIAS (2005), ela é um acompanhamento das partes na 
organização de seus conflitos, objetivando uma decisão rápida, ponderada, eficaz e 
satisfatória aos interesses em conflito. Portanto, a decisão é tomada pelas partes, 
que orientadas por um mediador, resgatam a responsabilidade de suas escolhas. 
Sendo uma complementação da via judicial que qualifica as decisões, tornando-as 
mais eficazes e as partes comprometidas com o resultado (DANI; DORNELES, 
2012). 
 
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53
 
UNIDADE 8 – O ADVOGADO NA MEDIAÇÃO 
 
Muitos profissionais de Direito olham a mediação com desconfiança, pois por 
desconhecer a sua verdadeira função, pensam que a mesma possa ir contra o seu 
próprio desempenho profissional. Nada mais longe da realidade. 
O advogado é o profissional que a sociedade consulta quando se trata de 
tentar resolver um conflito. Isto continuará sempre assim, pois é ele o indicado para 
dar aos seus clientes a assessoria acerca do melhor caminho para resolver jurídica 
e satisfatoriamente o problema. 
Ao mesmo tempo, assim como o advogado prepara o caso para ser 
apresentado no Tribunal, também deverá preparar o caso para a negociação, a 
conciliação, a mediação ou a arbitragem. Cada técnica exige um procedimento 
específico de apresentação do caso e um tipo especial de preparação do cliente. O 
advogado deve trabalhar com o seu cliente, explicando a atividade a ser 
desenvolvida e o que se espera dele na técnica escolhida. 
No caso da mediação, o cliente deverá participar de forma cooperativa, 
submeter-se ao trabalho de investigação do mediador e assumir a responsabilidade 
de procurar, junto da outra parte, as melhores opções. No processo de mediação, os 
mediados apreendem a importância de trabalhar para a mútua satisfação, a única 
forma de conseguir uma solução durável. O advogado pode ou não tomar parte nas 
sessões de mediação, cabendo esta escolha a si e ao seu cliente. Participando, 
poderá informar, investigar e assessorar o seu cliente sobre o que é mais 
conveniente para ele. Participando ou não, o advogado fará sempre assessoria, 
ciente do espírito da mediação, que vela sobre os interesses dos clientes e o seu 
relacionamento, visando o presente e o futuro. É sua função sugerir, e não impor, 
soluções alternativas e fazer com que o cliente se capacite do compromisso que vai 
assumir, da sua transcendência e da repercussão futura, para que possa decidir se 
essa é a solução que o satisfaz. 
Ao trabalhar a mediação ao nível da realidade real, o advogado deve 
incentivar o cliente a confiar no procedimento e fazer com que se sinta à vontade, 
dando-lhe todas as informações necessárias, tendo em mente o sigilo contraído por 
todos os participantes da mediação. O advogado pode dar o primeiro passo para a 
destruição da posição e do discurso cristalizado do cliente, levando-o a descobrir as 
 
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motivações desse discurso para que falando delas, possam ser alcançadas soluções 
originais e criativas que satisfaçam essas motivações. 
Cooperação e não competição, motivações e não discursos fechados e 
cristalizados, criatividade e não reiteração de soluções-chave, vontade das partes e 
não decisão de terceiros, cooperação e confiança e não oposição e desconfiança. 
Em mediação são estes os parâmetros com que o advogado deverá preparar o caso 
e o cliente (IMAP, 2009). 
 
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recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 
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