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UNIDADE Novatec Estratégias de Marketing para Varejo Inovações e diferenciações estratégicas que fazem a diferença no marketing de varejo Organizadores Alexandre Luzzi Las Casas Maria Tereza Garcia 19 CAPÍTULO 1 Marketing no varejo 1.1 Objetivo do capítulo Este capítulo tem como proposta discorrer sobre o cenário contextual em que ocorrem as transações varejistas, iniciando por um breve histórico dessa ação de negócios, definindo tipos de varejo, funções do seu administrador e variáveis que controlam esse mercado. O capítulo apresenta também um quadro das principais tendências do varejo, de forma a conduzir o leitor à melhor compreensão das possibilidades futuras desse segmento. 1.2 Introdução As mudanças decorrentes da abertura de mercado por meio da globalização vêm modificando o mercado de varejo, principalmente com a vinda de fortes grupos do exterior, o que gera grande competitividade nesse setor. O acirramento da concorrência tem levado esse segmento a buscar di- ferenciações, sejam por meio de investimentos em automação e programas de prevenção de perdas, por treinamentos, visando à busca de agilidade e eficiência operacional, ou, ainda, pela preservação das margens de lucros. De igual forma, observa-se que, na busca pela fidelidade do cliente, o varejo tem sido pressionado a utilizar estratégias cada vez mais focadas no Alexandre Luzzi Las Casas e Valdemirson Alves Barboza Estratégias dE MarkEting para VarEjo20 consumidor final, estabelecendo, assim, um grande ritmo competitivo, o qual possibilita a expansão e a sobrevivência desse segmento de negócio. Ao se analisar o cenário descrito, é fácil perceber a importância do varejo no contexto mercadológico e econômico, e de como ele afeta a todos de forma direta e indireta. Várias empresas comercializam produtos e serviços direta e indiretamente ao consumidor final e milhões de reais são transa- cionados diariamente em tais atividades. Por esses fatores, além de criar emprego e girar a economia, o varejo, principal elemento de ligação com os canais de distribuição, é também importante elemento do marketing que permite explorar utilidade de posse, tempo e lugar. 1.3 Desenvolvimento do varejo As mais antigas relíquias descobertas pelo comércio mostram a existência de atacadista e varejista em épocas bem remotas, de modo que Atenas, Alexandria e Roma foram grandes áreas comerciais, e os gregos, conhecidos como excepcionais comerciantes, conforme afirma Henry Richert no livro Retailing: principles and practices (1954). Antes de continuar o histórico do varejo, vale uma ressalva sobre as diferenças entre varejistas e atacadistas. Deve-se ressaltar que ambos, atacadistas e varejistas, auxiliam a colocar o produto do fabricante no mercado, cada um com estratégias de operação diferentes. Os atacadistas adquirem as mercadorias dos fabricantes e as vendem para os varejistas, que, por sua vez, vendem-nas para o consumidor final. No processo de satisfazer às necessidades dos clientes, tanto varejista quanto atacadista tomam as decisões a respeito de compra e manuseio das mercadorias, informando os clientes e os fornecedores, assim como vendendo os produtos. Na Tabela 1.1 são apresentados de forma mais detalhada os diferenciais entre atacadistas e varejistas. Podemos definir o atacadista como um tipo de intermediário que se caracteriza por não vender ao consumidor final. A Tabela 1.2 apresenta os tipos de atacadistas intermediários mais conhecidos. 21CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Tabela 1.1 – Papel desenvolvido pelos varejistas e atacadistas no mercado. Fonte: Adaptada de Sandhusen, R. L. de. Marketing básico (2000). Papel desenvolvido pelos varejistas e atacadistas no mercado Varejistas Atacadistas Adquirem, do atacadista, quantidade e variedade, dependendo da loja Adquirem de muitos fabricantes, compram grandes variedades e quantidades Manuseiam os produtos por meio da armazena- gem, preço e exposição Manuseiam os produtos por meio da armaze- nagem, transporte e preços Apresentam seus produtos por meio da propa- ganda dirigida ao consumidor final. Pesquisa de mercado dirigida ao fabricante e ao atacadista Seus esforços promocionais dirigidos as varejistas apresentam as tendências para o fabricante Vendem para o consumidor final, oferecem horá- rios convenientes, pessoas de vendas treinadas, estratégias de preço e de financiamento Vendem para o varejista com entrega eficiente, grande variedade de produtos, estratégias de financiamento e de preço Tabela 1.2 – Tipos de atacadistas. Fonte: Adaptada de Simões, R. Marketing básico (1984). Tipos de atacadistas Atacadistas de funções completas 1. Gerais: operam com ampla gama de produtos 2. De linha: operam em determinado ramo do mercado 3. De especialidade: revendem produtos especializados Atacadistas de funções limitadas 1. Transportadores (truck jobber) 2. Pague e leve 3. Direto (drop shipper) 4. Rack jobber Agentes 1. Comissário: trabalho de corretagem; em alguns casos, assume a posse do produto. Exemplo: corretagem de café 2. Representante comercial 3. Corretores Retornando à evolução do varejo, na época do Império Romano, as lojas tornaram-se muito numerosas em Roma e em outras cidades imperiais. Apareceram vários “shopping centers” em Roma. A maioria das lojas tinha uma placa do lado de fora para designar o tipo de mercadoria trabalhada. A queda do Império Romano demonstrou também uma queda da estrutura do varejo na época. O varejo, como elemento intermediário dos sistemas produtivos, deu-se nos Estados Unidos e na Inglaterra, no século XIX, quando surgiram as cha- madas general stores, ou lojas de mercadorias gerais, as quais comercializavam Estratégias dE MarkEting para VarEjo22 praticamente todos os tipos de mercadorias: alimentos, tecidos, utilidades domésticas, armas e munições, ferramentas, entre diversas outras. Em 1886 teve início a Sears, um varejo que vendia por meio de catálogos, que mais tarde transformou-se em loja de departamento. No Brasil, o varejo é tal qual se conhece hoje; iniciou-se no final do século XIX, com o início da industrialização e o surgimento dos meios e vias de transporte. Os historiadores citam o Visconde de Mauá como um dos primeiros e dos mais importantes varejistas, além de ser responsável por fundações de bancos, construção de estradas de ferro, estaleiros, indústrias e investimentos importantes em companhias de iluminação a gás, no Rio de Janeiro. Nos períodos seguintes surgiram novos comerciantes e estabelecimentos que fizeram história no varejo brasileiro, tais como a Casa Masson (1871), as Casas Pernambucanas (1906), a Mesbla e a Casa Anglo-Brasileira (1913) – exemplos de lojas de departamentos, instaladas nos principais centros urbanos do país. Em termos históricos, o desenvolvimento mais concreto do varejo aconteceu no período logo após a Segunda Guerra, quando teve início o declínio do setor atacadista tradicional, que dominava tanto o setor produtivo como distributivo. A partir daí houve o aumento da concentração dos negócios de varejo. A evolução histórica tanto do varejo brasileiro quanto o de outros países está diretamente relacionada ao cenário em que se assenta a infra-estrutura das cidades. Além disso, necessitam principalmente de uma concentração mercadológica que pressupõe a existência de pessoas, dinheiro, autoridade para comprar e, evidentemente, disposição para comprar. Adicionalmente à facilidade de transporte e comunicações, é determinante para o crescimento varejista o próprio crescimento das cidades. Basta comparar o comércio varejista de algumas capitais mais populosas com o das cidades interioranas para constatar essa evolução. 23CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO 1.4 Definições de varejo Existem várias definições para varejo. Sua essência é a comercialização de produtos e serviços a consumidores finais. Henry Richter (1954, p.53) define bem esse processo: “Varejo é o processo de compra de produtosem quantidade relativamente grande dos produtores atacadistas e outros fornecedores e posterior venda em quantidades menores ao consumidor final”. Outra definição usada por muitos autores é que o varejo consiste na atividade comercial responsável por providenciar mercadorias e serviços desejados pelos consumidores. No entanto, a definição mais utilizada é a fornecida pela American Marketing Association, na qual o varejo é definido como uma unidade de negócios que compra mercadorias de fabricantes, atacadistas e outros dis- tribuidores e vende diretamente a consumidores finais e, eventualmente, a outros consumidores. Uma das definições mais abrangentes em relação ao varejo, contudo, encontra-se nas publicações de Philip Kotler, nas quais o autor afirma que o varejo inclui todas as atividades envolvidas na venda de bens ou serviços diretamente aos consumidores finais para uso pessoal. Qualquer organização que utiliza essa forma de venda, seja ela fabricante, atacadista ou varejista, está praticando varejo. Não importa a maneira pela qual os bens ou serviços são vendidos se são vendas pessoais, pelos correios, por telefone ou por máquina automática, ou onde elas são efetuadas – se em loja, na rua ou residência. As definições de varejo apresentam um aspecto importante em relação à comercialização. Sendo assim, pode-se concluir que o varejo tem como condição básica de sua prática a comercialização de produtos ou serviços a consumidores finais, não importando a natureza da organização que o exerce e tampouco o local em que está sendo praticado. Estratégias dE MarkEting para VarEjo24 1.5 Funções no varejo A Tabela 1.3 apresenta as funções clássicas que integram o varejo e que devem ser cuidadosamente estudadas e analisadas. Tabela 1.3 – Principais funções de um intermediário. Fonte: Adaptada de Webster Jr., F. E. Marketing for managers (1974). Vendas Promover o produto junto a clientes potenciais Compras Comprar uma variedade de produtos de vários vendedores, usualmente para revenda Seleção Fazer sortimento de produtos, geralmente inter-relacionados, para os clientes potenciais Financiamento Oferecer crédito a clientes potenciais para facilitar a transação: providenciar também recursos para os vendedores para ajudá-los a financiar seus negócios Armazenamento Proteger o produto e manter estoques para oferecer melhores serviços ao consumidor Distribuição Comprar em grande quantidade e dividi-la em quantidades desejadas pelos clientes Controle de qualidade Avaliar a qualidade dos produtos e ajudar em seu melhoramento Transporte Movimentação física do produto do produtor ao consumidor Informações de marketing Prestam informação aos fabricantes sobre condições de merca- do, incluindo volume de vendas, tendências de moda e condições de preços Riscos Absorver riscos dos negócios, especialmente riscos de manuten-ção de estoques, obsolescência de produtos etc 1.6 Papel e classificação do varejo O papel do varejo é o de intermediar mercadoria entre consumidor final e fabricante ou atacadista. Nesse processo, o intermediário (varejista) adquire mercadoria de um dos dois (fabricante ou atacadista) e oferece os produtos aos seus clientes por meio de lojas ou outras formas de distribuição. As tabelas 1.4 e 1.5 apresentam os diversos tipos de lojas (ou outras formas) de varejo, características e exemplos. Mostra também como o va- rejo é praticado por meio de lojas e sem loja, também denominado varejo não-lojista. 25CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Tabela 1.4 – Varejo com loja. Fonte: Las Casas, A. L. Marketing de varejo (2004). Tipo Características Exemplos Lojas especializadas Formadas por varejistas do tipo independente que ofere- cem, aos consumidores, uma linha única. Operam com um número limitado de categorias de produtos World Tennis, Habib’s, Livraria Cultura, Kalunga Lojas de depar- tamento As lojas de departamento são de grande porte, apresen- tam grande variedade de produtos, como ferramentas, eletrodomésticos, confecções, cama, mesa, roupas mas- culinas e femininas. Pode-se dizer que se trata de várias lojas especializadas, departamentalizadas Fast, Extra-Eletro, C&A, Renner e Pernambucanas Lojas em cadeia Define-se como um grupo de quatro ou mais lojas que operam no mesmo tipo de negócios. A economia em escala para compras é a vantagem dessa categoria. Su- permercado e lojas de departamentos podem ser citados como exemplos Pão de Açúcar, Renner Lojas independentes Caracteriza-se pela simplicidade administrativa e freqüen- temente pelo atendimento personalizado aos clientes, devido ao contato mais direto entre proprietários ou gerentes com clientes Todas as pequenas, médias e mesmo grandes lojas sem pertencer a redes e sem imagem forte no segmento Cooperativas Agrupamentos de varejistas independentes, cada um opera sua loja, mas tomam certas decisões em conjunto, como compras e promoções Farmacem, Cooper- citrus Supermercados Estabelecimentos estruturados em departamentos, com estoque Comprebem, Futu- rama, Sonda-Super- mercado Hipermercado A junção em um único espaço físico de lojas de descontos e supermercado, onde são oferecidos produtos alimentí- cios e não-alimentícios, geralmente com preços menores dos que são oferecidos no varejo devido à grande condi- ção de negociação de compras por parte dessas lojas Extra, Carrefour, Wal-Mart Lojas de desconto Linha variada de produtos, exemplo: alimentício, de vestu- ário, brinquedo. Característica dessas lojas são os preços baixos, oferecendo sempre marcas nacionais tradicionais Sam’s Club Armazéns/ Mercearias Lojas que oferecem uma linha básica de produtos de mercearia, frios e laticínios, instalações quase sempre na periferia Pequenos pon- tos-de-venda em periferia sem nomes representativos Lojas de variedades Lojas varejistas que trabalham com diversidade muito grande de mercadorias populares de baixos valores. Os produtos oferecidos; papelaria, acessórios femininos, brinquedos, utilidades domésticas etc Armarinhos Fernan- do, Lojas Americanas Ponta de esto- que/Outlet/lojas de fábrica Varejistas que oferecem preço baixo para produtos fora de estação ou com pequenos defeitos, geralmente são operadas pelos próprios fabricantes TNG, Adidas ESTRATÉGIAS DE MARKETING PARA VAREJO26 Lojas de conveniência Lojas que oferecem produtos alimentícios e artigos de primeira necessidade. Preços mais elevados do que os praticados pelos supermercados. Esse tipo de varejista oferece aos consumidores conveniência de localização e horário, geralmente instaladas em postos de combustíveis Am-Pm, Br-Mania, Star Mart Lojas de preço único Varejistas que oferecem mercadorias para o lar, presentes e brinquedos, por preços baixos, comum a todos Lojas de R$ 1,99 Será mostrado que cada tipo de varejo sem loja tem sua forma de apre- sentar e oferecer, ao consumidor final, suas mercadorias, e que cada tipo atinge a um determinado público no mercado. Tabela 1.5 – Varejo não-lojista ou varejo sem loja. Fonte: Las Casas, A. L. Marketing de varejo (2004). Tipo Característica Produtos oferecidos Mala-direta Folhetos, catálogos, cartas de reembolso postal, onde também são oferecidos e apresentados produtos e serviços Ferramentas, viagens, casas, alimentos, revistas, academias Telemarketing Contatos telefônicos, em que são apresentados e oferecidos determinados produtos ou serviços Cartão de crédito, Assinatura de jornal, revistas Varejo virtual/ on-line Varejo eletrônico, o varejo oferecido por meio da internet, locais que possibilitam e oferecem ao consumidor final comodidade e onde ele efetua toda transação de compra. Grande parte do varejo com lojas oferece seus produtos e serviços de forma on-line web site Supermercados, bancos, ferramentas, alimentos, roupas, eletrodomésticos, Venda porta a porta Forma direta de venda ao consumidor, contato pessoal, demonstração e explicação dos produtos Perfumes, livros Vendas por máquinasProdutos oferecidos por meio de máquinas em que o consumidor deposita dinheiro. Essas máquinas geralmente estão instaladas em locais de grande circulação de pessoas Café, refrigerante, salgadi- nhos, doces, sucos. 1.7 Administração do varejo O varejo, como qualquer outro empreendimento, precisa de uma boa administração e de administradores, que planejem, organizem, dirijam e controlem o crescimento, a sobrevivência e o futuro dos seus negócios. Caso contrário, verão seus esforços desmoronar mediante a concorrência e a competitividade existente no setor. 27CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO 1.7.1 Funções do administrador varejista As funções desempenhadas pelos administradores estarão sempre ligadas ao tamanho da estrutura da organização. Conforme for essa estrutura, a administração poderá ser dividida por especializadas (normalmente grandes estruturas) ou poderão estar centralizadas somente em uma pessoa (como nas estruturas pequenas). Tais funções serão estabelecidas segundo a cultura de cada organização. A Tabela 1.6 apresenta algumas funções básicas e complementares de- senvolvidas pelo administrador de varejo. Tabela 1.6 – Funções do administrador de varejo. Fonte: Las Casas, A. Marketing de varejo (2004). Funções básicas Funções complementares Obtenção de mercadoria por meio de compras Registro de mercadoria recebida Venda pessoal Rotulagem da mercadoria Formação de preço Organização da empresa Promoção da mercadoria (propaganda e display) Delegação de autoridade e responsabilidade Oferta de serviços Determinação de procedimentos Controle (principalmente estoque) Seleção de equipamento 1.7.2 Variáveis do marketing varejista A Figura 1.1 mostra todo o processo mercadológico, independente do segmento de mercado em que as variáveis incontroláveis influenciam o composto de marketing. A figura demonstra o fato de que o setor varejista faz parte do sistema de distribuição, uma das variáveis controláveis. Deve-se observar que será a administração da empresa varejista que decidirá quais variáveis controláveis sofrerão influências das variáveis incontroláveis do ambiente em que está inserido. ESTRATÉGIAS DE MARKETING PARA VAREJO28 Ambiente sociocultural/religioso/demográfico/econômico Variáveis incontroláveis Variáveis controláveis Variáveis incontroláveis Ambiente político-legal/concorrência/tecnologia Variáveis controláveis ConsumidorOrganização Produto Preço Distribuição Promoção Figura 1.1 – Variáveis controláveis e incontroláveis. Fonte: Las Casas, A. Marketing: conceitos, exercícios e casos (1989). 1.7.3 Variáveis controláveis do varejo Os primeiros estudos desenvolvidos sobre variáveis controláveis do varejo foram feitos por William Lazer e Eugene Keiley (1961). Segundo os autores, as principais variáveis do composto de marketing varejista são: Subcomposto de produtos e serviços • Componentes: Serviços de venda – Variedade e sortimento – Ser- viços ao cliente – Crédito – Linha de preços – Garantias e trocas – Alterações e ajustes – Imagem da loja. • Entregas. Subcomposto de comunicação • Componentes: Venda pessoal – Vitrines – Displays – Relações Públicas – Layout. • Catálogos – Televendas. Subcomposto de distribuição • Componentes: Local da loja – Centros de distribuição – Armazéns – Manuseio de mercadorias – Empacotamento. 29CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Os autores observam que no centro dessas variáveis encontra-se o consumidor e que todos os esforços devem ser dirigidos a ele. Como em círculo ao seu redor, encontra-se a informação de mercado, que representa a necessidade de informações que devem ser obtidas do consumidor para se chegar mais perto dos seus desejos e necessidades. Outra observação feita pelos autores é que todo sucesso das operações de varejo não depende da seleção apropriada de cada elemento e subcomposto, mas, sim, a interação entre os mesmos. 1.7.4 Variáveis incontroláveis As atividades varejistas sofrem importantes influências dos fatores am- bientais. Sabe-se, por exemplo, que quedas e altas da economia ajudam ou prejudicam certos negócios, motivos pelos quais as variáveis incontroláveis devem ser analisadas por setores ou até mesmo por empresas individuais. Observa-se, também, que as ameaças e oportunidades causadas por essas variáveis dependerão do tipo de negócio do varejista. Variáveis incontroláveis que afetam o setor de varejo: Demográficas – mudanças nos padrões demográficos, tais como idade, índice de natalidade, estado civil, instrução, crença religiosa, etnia, renda salarial, níveis culturais; periodicamente forçam os adminis- tradores do varejo a adaptarem os produtos com os quais atuam ou até mesmo a localização das lojas, em virtude de mudanças em tais padrões e nas exigências de cada segmento. Econômicas – papel importante no setor de varejo. Por meio de medidas governamentais, inflação, mudança de câmbio, valorização, recessão, renda do consumidor desindexações pode haver necessidade de se adaptar ou mudar produtos. Fator que obriga os varejistas a criarem estratégias para cada momento instituído pela economia. Políticas – as diferentes ideologias e princípios que orientam as de- cisões políticas mudam os diversos aspectos da comercialização. Estratégias dE MarkEting para VarEjo30 Legais – as leis, regulamentações e normas federais, estaduais e muni- cipais afetam diretamente a administração das organizações de varejo, pois uma empresa não funciona apenas de acordo com seu próprio conjunto de regas, mas, sim, submetida às regras do entorno. Sociais – formado pelas pessoas de uma sociedade, seus valores, crenças e comportamentos, bem como seus interesses relativos a esses aspectos. Tecnológicas – as inovações e os aperfeiçoamentos técnicos têm tornado os varejistas mais competitivos, possibilitando a esse setor a oportunidade de oferecer aos clientes novos valores. Culturais – visto pelos varejistas como um fator importante, princi- palmente no mercado religioso. Concorrência – dificilmente uma organização é única no forneci- mento de determinado produto ou serviço. 1.8 Ciclo de vida do varejo Como as organizações e os produtos, o varejo também tem o seu ciclo de vida, o qual está dividido nas seguintes fases: introdução, crescimento, maturidade e declínio. A duração de cada uma dessas fases é diferente para cada situação. As características básicas de cada fase do ciclo de vida são: Introdução – lento crescimento em vendas, altas despesas de promo- ção, preços altos e margens altas para compensar os baixos volumes. Crescimento – vendas crescem, despesas promocionais continuam altas, mas proporcionalmente menores, quando comparadas às ven- das. Esforços de propaganda podem ser diminuídos e os lucros totais crescem rapidamente. Maturidade – taxas de crescimento das vendas diminuem, não há condições de manutenção das altas margens unitárias, despesas com propaganda são contidas, segmentação começa dar sinal de evolução. Nessa fase, começa a se pensar em aperfeiçoamentos e atualizações. 31CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Vendas caem rapidamente, porém nem sempre os lucros caem na mesma proporção, já que as despesas com propaganda e promoção podem ser reduzidas e a empresa viver de venda para clientes fiéis. Introdução Crescimento Maturidade Declínio Figura 1.2 – O ciclo de vida das empresas varejistas. Fonte: Las Casas, A. Marketing: conceitos, exercícios e casos (1989). A curva apresentada na Figura 1.2 possibilita ao administrador formu- lar não só as estratégias para determinadas fases da empresa, mas também auxiliam o administrador a adaptar-se a cada uma delas. Os conceitos de ciclo de varejo, no entanto, baseiam-se nos estudos de Malcolm McNair, publicados em The case method at the Harvard Business School, no qual o autor apresenta sua visão sobre o desenvolvimento varejista, segundo a teoria do ciclo de varejo, a qual aponta que: Normalmente os novos tipos de varejistas se introduzemno mercado atuando com preços baixos, baixa margem ou mesmo com baixo status. Com o tempo é que vão adquirindo estabelecimento, e, precisando de mais investimentos, acabam por elevar seus preços operacionais. Quando alcançam os estágios de maturidade, seus custos operacionais estão mais elevados, os preços de suas mercadorias também estão mais altos. Nessa fase, ficam mais vulneráveis aos fornecedores que trabalham ainda em padrões de preços baixos. Por exemplo, as lojas de depar- tamento que, no início, são fortes concorrentes para os pequenos varejos, por sua vez são vulneráveis às lojas de desconto. Estratégias dE MarkEting para VarEjo32 Os meios acadêmicos aceitam universalmente esse conceito, mas existem algumas limitações. Stanley Hollander, por exemplo, na obra The Wheel of Retailing, afirma que o ciclo não é válido para todo tipo de varejo e cita vários casos que confirmam ou não tal assertiva. Para o autor, no entanto, as hipóteses são válidas para explicar o padrão comum em economia indus- trializada em expansão. 1.9 O administrador varejista Determinar qual a melhor forma de administração e quais as qualidades essenciais para um administrador do varejo ou de qualquer outro segmento torna-se quase impossível, pois cada estrutura organizacional traça o perfil, as qualidades e habilidades necessárias de seus administradores. Mas dois itens são primordiais a esse profissional, independentemente da estrutura organizacional: ter dinamismo e estar sempre atualizado, para saber as ten- dências mercadológicas. Em relação ao marketing, conforme Kotler e Armstrong apontam em seu Princípios de marketing (1998), os varejistas devem estar preparados para tomar decisões relacionadas a: Seleção do(s) segmento(s)-alvo de mercado atendido(s) por suas empresas. Posicionamento que os produtos ou serviços comercializados têm na mente dos consumidores, com relação ao sortimento de produtos ofertados. Aspectos como a qualidade das mercadorias. Serviços oferecidos e ambiente físico da loja. Preço (operar com markups altos e volumes baixos ou com markups baixos e volumes altos). Promoção, como propaganda ou promoção de vendas, para atingir os consumidores. Localização dos pontos-de-venda. 33CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Com base no que foi apresentado, pode-se afirmar que o administrador do varejo além de procurar, de forma rápida, adaptar-se às mudanças de seus ambientes interno e externo, deve também agir de forma flexível aos novos processos e agir de forma criativa e inovadora em relação aos seus consumidores e aos seus concorrentes. 1.10 Tendências do varejo A competitividade no varejo vem gerando mudanças constantes no setor, haja vista que nunca o varejo sofreu tanta modificação como agora, tanto em sua forma de se relacionar com seus clientes (interno e externo) quanto na sua forma de oferecer produtos ou serviços. Grupos como Wal-Mart têm oferecido preços tão baixos que chega a provocar desconfianças em seus consumidores. Por outro lado, empresas como Sony, Nike e Apple têm criado verdadeiras butiques (com suas marcas) onde seus produtos são oferecidos e consumidos com preços altos. Mesmo que as preocupações presentes sejam muitas e mantenham qual- quer administrador muito ocupado, é importante que o profissional esteja atento às tendências do futuro. Preparar-se para enfrentá-las é a tônica do planejamento do administrador varejista. Portanto, analisar novas tendências é uma atividade necessária para o empresário moderno, principalmente no setor de varejo. Estudos recentes apontam quatro pontos que se tornam imperativos para acompanhar as novas tendências do setor de varejo: 1.10.1 Entender o novo consumidor Os estudos de marketing apresentam que as mudanças nas decisões de compra feitas pelos consumidores são constantes e se relacionam à idade, à renda, à instrução, aos sentimentos, aos pensamentos, aos valores, aos cos- tumes, à família, ao estilo de vida, aos grupos de referências e à tecnologia. São estes fatores que levam as organizações a estudar e a pesquisar, de forma detalhada, tais decisões para poder saber como, quando, onde, de que forma e por que os consumidores compram. Estratégias dE MarkEting para VarEjo34 Hoje, é possível afirmar que a tecnologia tem moldado o novo consumi- dor. Antes, seu comportamento era mais simples de entender, pois sempre estava próximo dos locais de compras, suas decisões eram vistas, percebidas e analisadas, sem dizer, também, que as suas exigências eram outras, como também suas necessidades. A utilização da internet tem criado um novo tipo de consumidor, que o setor de varejo tem procurado atender, o consumidor on-line. Para o varejo, coube a melhor parte dessa mudança, de simples facilitador do processo de levar o produto ao consumidor final, passou a ter o poder de decidir o que e como deve ser levado: preço, local de exposição, destaque nas suas ações de comunicação e assim por diante. O novo consumidor, conforme artigo What Consumers want in the 1990s, da revista Fortune, terá sua ação a partir do lar. O artigo aponta diversas situações que estamos presenciando atualmente e que, na visão de muitos estudiosos do assunto, continua sendo tendência para os próximos anos. De acordo com a Fortune, cinco questões são fundamentais para se entender o novo consumidor, conforme apresentado na Tabela 1.7: Tabela 1.7 – O novo consumidor. Fonte: Adaptada de What Consumers whant in the 1990. Fortune, 29 jan. 1990, p. 108-112. Lar A evolução no setor da informática aliada às telecomunicações têm permitido, ao consumidor atual, permanecer em casa, proporcionado relativa segurança e diversão. Ficou mais fácil e rápido consumir, pagar e se divertir pela rede, em alguns casos, mais econômico também. O mesmo comportamento já é encon- trado nas organizações, compras, pagamentos, reuniões e videoconferências Saúde A preocupação do consumidor será a saúde, a tendência de consumo passará a ser por produtos orgânicos, diet e light Ambiente Tanto indústrias quanto consumidores estarão preocupados com a preservação do meio ambiente. O consumidor torna-se cada vez mais exigente, procura obter produtos que não ofereçam tanto risco à sua saúde e à natureza Qualidade O conceito em relação à qualidade tem mudado. Antes o produto caro signifi- cava ser de boa qualidade e também proporcionava status. O consumidor do futuro, por ter mais informação e conhecimento, optará pelo produto que tenha maior durabilidade Tempo Praticidade e rapidez, nas negociações, no atendimento e na entrega Conhecer o consumidor significa conhecer cada cliente individualmen- te. Essa relação personalizada com cada cliente é conhecida como CRM 35CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO (Customer Relationship Management) que pode ser resumido como: “conjunto de estratégias que permitem o relacionamento com os clientes de forma individual, conhecendo suas preferências, costumes, hábitos de consumo e comportamento.” Sua função principal é prover informações que apóiem às gerências e equipes em suas metas. A tecnologia é fundamental na adoção das estratégias de CRM. No setor de supermercados, o Grupo Pão de Açúcar, por meio do seu CRM, em 2004, implantou o seu cartão fidelidade, o Cartão Mais. Com esse cartão, é possível monitorar os hábitos de consumo dos clientes e ten- dências, quando e como ele gasta, quais os produtos mais consumidos pelas pessoas que o utilizam. Essa estratégia, além de traçar o perfil do consumi- dor, possibilita para a empresa fornecer o que ele precisa realmente. Outras empresas adotaram estratégias semelhantes, como o Carrefour também da área supermercadista, no setor de roupas, as lojas Marisa, Renner e C&A e, no de papelaria, a Kalunga. 1.10.2 Criar uma proposta de marca diferenciada O varejo mundial tem apostado cada vez mais nos produtos de marca pró- pria. De acordo com uma das pesquisas da Gallup, 75% dos consumidores consideram marcas própriascomo quaisquer outras marcas, conferindo-lhes o mesmo grau de qualidade e características positivas dos produtos ditos “de marca”. Apoiando-se no prestígio do nome do varejista, na sua qualidade e em preços baixos, as mercadorias de marcas próprias têm crescido em quantidade e diversidade, ocupando cada vez mais espaço de prateleira nas gôndolas do auto-serviço. No Brasil, o Comitê ABRAS de marcas próprias estimou que, no ano de 2006, o setor atingiu vendas no valor de R$ 8,1 bilhões, passando a repre- sentar 7% do faturamento do setor (perto de R$ 120 bilhões/ano). Somente em 2006, os itens que levam o nome dos supermercados tive- ram crescimento recorde de 17% em comparação com o ano anterior. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Nielsen, Estratégias dE MarkEting para VarEjo36 com 500 empresas supermercadistas em todo o país, 155 varejistas possuem algum produto de marca própria, ou seja, quase 1/3 oferece aos seus clien- tes mercadorias com o nome da empresa ou com uma marca exclusiva. O consumidor brasileiro está adquirindo mais mercadorias que levam o nome do estabelecimento por causa da qualidade, do preço competitivo e, princi- palmente, do alto investimento das empresas em produtos mais atrativos. Essa tendência não se encontra apenas no segmento de supermercados como Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, mas também é encontrado na área de construção civil, por meio de empresas como C&C especialista em material para construção, em São Paulo, no setor de farmácias e drogarias, com empresas como o Drogão, conceituada rede farmacêutica de São Paulo e, no setor de roupas, pode-se citar a C&A e a Renner. Hoje, para o setor varejista, a principal fonte de vantagem competitiva é a constituição de marcas próprias. Marcel e Judith Corstjens no livro Store Wars: The Battle for Mindspace and Shelfspace (1995, p. 38) apontam que “um varejista com marcas próprias conhecidas pode constituir fidelidade, dife- renciar-se dos competidores e assegurar um posicionamento sustentável”. Já Lepsch (1999, p. 187), em Estratégia das marcas próprias em supermerca- dos brasileiros, aponta que “a marca própria é utilizada, predominante como estratégia positiva pelo supermercadista em busca de posição vantajosa perante a concorrência”. Para o autor, com marcas próprias é possível obter melhoria da imagem da loja tanto na localidade em que está inserida quanto nas adja- cências e, com isso, obter aumento da fidelidade do consumo da loja. 1.10.3 Explorar novas ferramentas e novas tecnologias No varejo, para ser bem-sucedido, é preciso estar alerta e pronto para se adaptar aos desafios dos mercados. Para tanto, é fundamental estar em permanente processo de melhoria, desenvolvendo e utilizando os mais avançados meios tecnológicos, gerencial e mercadológico para conseguir satisfazer e atender às necessidades de seus consumidores e também para se reduzirem custos operacionais. A tecnologia da informação desempenha papel nesse processo de evolução, pois proporciona, para as organizações 37CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO de varejo, a utilização de novos conceitos de administração de compras, estoques e distribuição. O uso de tecnologias de informação, no setor de varejo, teve início na retaguarda da organização, nos departamentos de finanças, recursos hu- manos, contabilidade, nos setores de compras e controle de estoque. Em uma segunda etapa, o varejo passou para a automatização das frentes das lojas. Tal etapa culminou com a introdução de tecnologias como: código de barras, leitura óptica (scanners), balanças eletrônicas, preenchimento de cheques, etiquetas eletrônicas nas prateleiras, transferência eletrônica de fundos, smatcard e outras tecnologias que objetivam otimizar a passagem dos clientes pelos caixas. No artigo Supermercado no Limiar do Futuro, publicado na revista Superhiper, há uma observação de que a tecnologia da informação criará no futuro novas lojas de supermercados, em que o carrinho será eliminado, o cliente deverá estar conectado a redes telefônicas, televisores comuns e a microcomputadores pessoais, assim tendo acesso a listas de produtos dos supermercados, verificar preços, comentar sobre qualidade, com suas com- pras entregues em sua residência. As principais atividades que deverão fazer diferença na administração do varejo do futuro, de forma resumida, são (Revista SuperHiper, 1985): Tecnologia da automação – a implementação da Tecnologia de Auto- matização – TA – facilita tarefas rotineiras que passam a ser executadas praticamente sem a intervenção humana e seus principais impactos são a redução de custos e o aumento da eficiência e da produtividade. Ex. código de barras, leitura óptica/scanners, balanças eletrônicas, preenchimento de cheques, RFIDs (etiquetas de identificação por radiofreqüência eletrônica nas prateleiras também conhecidas como etiquetas inteligentes). Supply chain – gerenciamento da cadeia de abastecimento, que tem a função de tornar a cadeia de suprimentos eficiente, reduzir perdas, evitar a burocracia, garantir o abastecimento e diminuir o preço final do produto. Estratégias dE MarkEting para VarEjo38 ECR (Efficient Consumer Response) – o ECR (resposta eficiente ao consumidor) é uma ferramenta estratégica de gestão que tem o objetivo de identificar o perfil dos clientes e suas necessidades. Tem como foco montar o mix ideal de linhas de produtos para cada loja, de modo que se possa conhecer quais são os produtos mais vendidos por dia de semana e por período do dia, manhã, tarde e noite. EDI (Eletronic Data Interchange) – o uso de EDI (troca eletrônica de dados) é utilizado no processo de compras das empresas (comércio eletrônico B2B – business-to-business). Todo o processo comercial (cotação, orçamento, fechamento do pedido, emissão de ordem de compra e envio de nota fiscal) entre supermercados e fornecedores é realizado de forma eletrônica. CE (Comércio Eletrônico) – é a realização de toda a cadeia de valor dos processos de negócio num ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação, atendendo aos objetivos de negócio. Os processos podem ser realizados de forma completa ou parcial, incluindo as transações negócio-a-ne- gócio, negócio-a-consumidor e intra-organizacional, dentro de uma infra-estrutura predominantemente pública, de fácil e livre acesso e baixo custo. O comércio eletrônico é uma forma de exposição per- manente, na qual as empresas podem ficar 24 horas em contato com seus clientes. O comércio virtual é a grande tendência do setor de varejo. Primeiro porque os custos de uma loja virtual são muito menores do que os de um estabelecimento comercial comum. No varejo on-line não há gastos com aluguel e manutenção de pontos comerciais e há menor necessidade de funcionários. Ele fornece ao seu consumidor mais informações, agilidade na entrega e apresenta descontos atraentes. Outro fator importante segundo o artigo A Maior Vitrine do Planeta, de Henrique Fruet (1999), para o va- rejo virtual é que uma das principais vantagens da rede é que não há limite de tamanho para vitrines virtuais. “Na internet, a empresa pode explorar toda a sua linha de produção, o que nem sempre é possível em uma loja tradicional”. 39CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Nos Estados Unidos, algumas lojas como Macy’s, Bloomingdales, Levi’s e After Hours Formal Wear, entre outras, utilizam o software Intellifit (www. intellifit.com) que coleta as medidas dos clientes para auxiliar as manufaturas a produzirem peças que sejam perfeitamente adaptáveis às suas medidas. Uma evolução dessa aplicação está sendo testada agora em lojas da Levi’s de São Francisco, Nova York, Chicago, Dallas e Los Angeles para oferecer jeans que melhor se ajustam ao corpo. A loja instalou um scanner corporal, no formato de um cilindro de vidro, onde o consumidor entra e tem suas formas escaneadas. Esses resultados indicam qual omodelo de calça ideal para cada cliente. Nada mais de bainhas sobrando, cintura apertada ou pernas largas demais. As primeiras lojas da rede Nau1 começaram a funcionar em fevereiro de 2007 na cidade de Portland, no estado de Oregon, com roupas de sua própria grife. O diferencial para o consumidor é que ele tem duas opções de compra: pode procurar um atendente no balcão tradicional ou pode adquirir o que deseja em um terminal de computador. Para os compradores on-line, na prateleira de cada peça de roupa ele encontra um cartão com a foto do produto e um código de barras. Passando o cartão em um terminal de computador situado perto da porta da loja, obtém todas as informações sobre a peça que deseja comprar. Caso decida levar a roupa, a loja oferece um desconto de até 10% em relação ao preço do balcão e frete grátis como incentivo para as compras on-line. Os executivos da Naul acreditam que 70% dos seus clientes serão seduzidos pelo desconto, que pode ser extremamente atraente em itens mais caros. Inicialmente, a loja espera um percentual bem menor por conta da insegurança dos consumidores. No Brasil, o pioneiro em vendas on-line foi o Pão de Açúcar ao criar o supermercado virtual. No setor automobilístico, o cliente já pode montar o seu carro on-line para depois comprá-lo. Estratégias dE MarkEting para VarEjo40 1.10.4 As limitações internas na orientação para a satisfação do cliente O objetivo do marketing das empresas consiste em fidelizar e satisfazer as necessidades de seus clientes. Mas a satisfação dos clientes não será possível se a equipe de colaboradores de uma empresa não trabalhar com motivação. Na opinião de Leonardo Barry, apontada no artigo The Employee as Customers Service Marketing, as técnicas de marketing podem e devem ser utilizadas dentro da empresa. Essa visão permitirá ao administrador de varejo tentar satisfazer as necessidades de seu público interno da mesma forma como ele procura satisfazer o externo. Para o administrador, ficou mais visível que é o seu colaborador interno que, por meio da sua forma de atender, trabalhar e produzir, que trará o cliente externo para a organização. E para que isso ocorra, deverá estar feliz. Analisa Brum, em Um olhar sobre o marketing interno (2000), observa que colaborador feliz é igual a cliente feliz, especialmente em uma economia na qual o consumidor compra muito mais que um produto. O marketing interno é um processo cujo foco é sintonizar e sincronizar, para implementar e operacionalizar a estrutura de marketing da empresa. Objetiva facilitar e realizar trocas construindo relacionamentos com o público interno, compartilhando os objetivos da empresa ou organização, harmonizando e fortalecendo tais relações. Sua função é integrar a noção de “cliente” nos processos internos da estrutura organizacional, propiciando melhoria da qualidade de produtos e serviços com produtividade pessoal e de processos. Outro ponto importante no marketing interno é procurar fazer com que os diversos departamentos e funcionários de uma empresa não só conheçam, mas compartilhem e defendam os valores e objetivos da organização. 1.10.5 Franquias A franquia é outra tendência no setor varejista. A razão desse crescimento justifica-se pelo alto índice de falências e concordatas dos novos negócios que são abertos, em decorrência da falta de preparo dos empresários. 41CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO Segundo cartilha emitida em 2005 (p.7), pelo Ministério do Desenvol- vimento, Indústria e Comércio, a franquia empresarial é definida como um sistema pelo qual “um franqueador cede ao franqueado o direito de uso da marca ou patente associando o direito de distribuição exclusiva ou semi- exclusiva de produto ou serviço” o órgão ainda aponta que o franqueado tem também o direito de eventual uso de tecnologia para a implantação e administração de negócio ou, ainda, o uso de sistema operacional desenvol- vido ou detido pelo franqueador, desde que, para tanto, efetue remuneração direta ou indireta, sem que isso caracterize como vínculo empregatício. A relação franqueador-franqueado pode ser pautada da seguinte forma, um franqueador deve fornecer toda ou variadas assistências a seus franque- ados, que recebem produtos e know-how em troca de pagamento de taxas e contribuições mensais, dependendo, lógico, das condições de contrato. 1.11 Exemplo prático Líder absoluto no segmento de restaurantes de serviço rápido, com pro- dutos de reconhecida qualidade, o McDonald’s é hoje uma das melhores empresas para se trabalhar e a melhor franquia para se administrar. Por ser considerada uma das mais bem-estruturadas organizações do mundo, sua marca é considerada no mercado uma ótima opção de negócio. Foi esse sistema de franchising que permitiu ao McDonald’s tornar-se a rede de restaurantes mais bem-sucedida do planeta, com mais de 31 mil restaurantes, presença em 118 países e um faturamento anual de US$ 20,5 bilhões. No mundo, cerca de 80% dos restaurantes são operados por franqueados. O McDonald’s repassa ao franqueado todo o conhecimento desenvolvido e aperfeiçoado ao longo dos seus 51 anos de existência. Para o McDonald’s, o sistema de franquias é a forma predominante de mutuamente fazer bons negócios e garantir a satisfação total dos clientes. O franqueado passa por um treinamento intensivo e é o responsável pela administração do restaurante. Com uma operação de qualidade e disponi- bilidade de capital, o empreendedor pode ser proprietário de mais de uma ESTRATÉGIAS DE MARKETING PARA VAREJO42 franquia, além dos segmentos disponíveis (McCafé, Quiosques e Drive- thrus, entre outros). A força da marca McDonald’s, aliada a suporte tecnológico, treinamento e avaliação de qualidade de produtos e serviços constantes, sustentados por uma relação estreita entre franqueador, franqueado e fornecedores, possi- bilitam um negócio certo, com clientela garantida e excelente retorno de capital em qualquer lugar do mundo. Hoje, os franqueados são responsáveis por 30% do total dos negócios ou das operações do McDonald’s e por 35% do faturamento total. Ao final de 2004, 34% dos franqueados possuíam mais de um restaurante McDonald’s, uma média de 4,1 pontos-de-venda por franqueado. 1.12 Considerações finais O setor varejista, por mais percalços que encontre, pelo que se vê, tem procurado encontrar mecanismos para superar barreiras e solucionar qual- quer problema com respostas criativas. Diferentemente da indústria, que mantém um distanciamento com relação aos consumidores, o varejo, por suas próprias características, possui a vantagem de estar permanentemente próxima ao consumidor o que possibilita mais agilidade na detectação de tendências e na percepção de toda e qualquer mudança no perfil do con- sumidor, razão pela qual pode promover mudanças quase que simultâneas às necessidades percebidas. Atualmente, atendendo justamente a uma das características provenientes da mudança dos hábitos de compra dos consumidores, alimentos, roupas, livros, casamentos, ações, eletrodomésticos, entre outros itens são oferecidos no comércio eletrônico. Assim, consumir ficou bem mais prático, rápido e fácil, bastando, para tanto, acessar um terminal de computador. Porém, para o varejo, é importante atentar que, mesmo sem a necessi- dade de um ponto-de-venda físico, a atuação dos funcionários é de suma importância para o sucesso e a valorização da empresa. 43CAPÍTULO 1 ▪ MARKETING NO VAREJO O varejista deve levar em conta a necessidade de valorizar os empregados da organização. Não existe empresa que possa se desenvolver sem a ajuda dos seus colaboradores internos. Para que um bom plano de marketing funcione, a participação dos colaboradores internos é de fundamental importância. 1.13 Resumo Este capítulo abordou de forma genérica a evolução ocorrida no mercado varejista, passando por sua fonte de origem, formas diferenciadas de distri- buição e desenvolvimento. Abordou também o conceito de varejo, diferenciando-odo atacado e definindo suas funções e classificação. O papel do administrador varejista também foi mencionado, bem como as variáveis que influenciam nessa área de atividade. Como introdução aos demais capítulos do livro, apresentou contextu- alização para as funções e classificação do varejo e, por meio de exemplo prático, buscou mostrar a aplicabilidade de alguns dos conceitos teóricos aqui discutidos. O capítulo apresentou, ainda, uma visão específica do ciclo de vida para o varejo e tendências para o futuro do varejo, envolvendo conhecimento do target, valorização do cliente interno, além de investimentos em automação, comércio on-line e franquias. 1.14 Questões para debate 1) Como o varejo pode ser definido? 2) Explique como o varejo pode ser classificado. 3) Quais são as principais variáveis do composto de marketing varejistas, segundo William Lazer e Eugene Keiley? 4) Aponte as novas ferramentas tecnológicas utilizadas no setor varejistas. 5) Aponte as potencialidades do comércio eletrônico. Os Poderosos do Varejo Global – 2014 O varejo além de todos os limites 2 O varejo em versão beta Entender as transformações nunca foi tão fundamental Propor uma mudança para além das formas convencionais de varejo, reformando todos os aspectos da indústria. Essa é a principal conclusão trazida pelas mudanças tecnológicas, presente nesta 17ª edição do estudo anual “Os Poderosos do Varejo Global”, desenvolvido pela Deloitte em parceria com a STORES Media. Trata-se de desenvolver uma abordagem que integre as mais variadas plataformas de negócios, proporcionando ao consumidor uma experiência única entre canais. A estratégia deve priorizar o investimento em tecnologias e nas pessoas que vão executar o novo modelo de operação, e não permite mais nenhum comportamento anacrônico por parte dos varejistas, que podem se beneficiar em grande escala ao explorar as novas possibilidades de negócios dentro da indústria, com o uso de novas tecnologias. O carro-chefe das mudanças é mesmo a internet. Ali se encontram possibilidades e informações que satisfazem o anseio do consumidor que busca algo específico – de alimentos orgânicos a roupas, eletrônicos e outros bens de consumo duráveis, em diferentes formas de pagamento e com prazos de entrega variados, além de uma série de outras facilidades. Por conta disso, a internet já vem, aos poucos, se mostrando o canal mais adequado para a propagação de nichos de consumo, que é o desejo do consumidor moderno. O futuro está na análise e na interpretação de dados É fundamental às empresas se adaptarem a essas novas demandas, diversificando formatos e criando pontos de venda que atendam públicos amplos ou que criem a a referência em um setor do varejo em nível altamente especializado. Os últimos anos foram ideais para realizar adaptações necessárias no que, até então, era conhecido como um modelo muito bem estabelecido. E a tendência de convergência das tecnologias deve apenas se aprofundar daqui em diante. Diante da enorme quantidade de informações que atualmente se possui acerca do consumidor, a gestão dos negócios do varejo deve se basear na constante prática de análise e interpretação de dados. A essência da competitividade das empresas varejistas residirá na correta utilização das informações trazidas pela tecnologia, a fim de transformar e reinventar suas estratégias continuamente, levando ao que chamamos de varejo em “versão beta”. Mesmo com a crise econômica, que desestabilizou diversas partes do mundo nos últimos anos, o forte crescimento, baseado em consumo, continuou a gerar rentabilidade acima da média no setor, principalmente no caso de regiões como a América Latina e outros países emergentes. Ao contrário dos varejistas que enfrentam ventos contrários em mercados maduros, os países emergentes continuam a oferecer perspectivas mais animadoras para as empresas que buscam se internacionalizar. A enorme quantidade de dados, unida ao acesso onipresente à informação, torna a velocidade das mudanças no setor ainda mais latente. E o mais importante: transformam uma economia baseada em estoque para um economia baseada na demanda do consumidor. Para lidar com essas gigantescas mudanças econômicas e tecnológicas, o varejo precisará transformar as suas bases. Os Poderosos do Varejo Global 3 Os varejistas de mercados emergentes foram responsáveis por boa parte do ranking dos 50 que cresceram mais rápido. No entanto, em mercados mais maduros, esse crescimento se mostrou entre os varejistas que conseguiram capitalizar em categorias fora do modus operandi convencional. Alguns exemplos são os produtos de alta performance, os supermercados voltados à venda de ingredientes orgânicos e de alto padrão, e lojas-conceito especializadas. As chamadas novas tecnologias aos poucos são integradas para gerar valor aos varejistas, criando uma vantagem competitiva significativa. Algumas dessas inovações foram aperfeiçoadas nos últimos anos, embora já sejam bastante maduras e estabelecidas. Alguns exemplos conhecidos são identificação por radiofrequência, GPS, vídeo digital, biometria, ressonância magnética, robótica, reconhecimento de voz, transmissão sem fio, armazenamento em nuvem e dispositivos móveis inteligentes. Novo cenário e as bases do varejo A enorme quantidade de dados, unida ao acesso onipresente à informação, torna a velocidade das mudanças no setor ainda mais latente. E o mais importante: transformam uma economia baseada em estoque para um economia baseada na demanda do consumidor. Para lidar com essas gigantescas mudanças econômicas e tecnológicas, o varejo precisará transformar as suas bases. O caso do Brasil, particularmente, ainda envolve uma pequena revolução: o avanço das cadeias de franquias pelo interior e por regiões crescentes de consumo no País, valendo-se do crescimento dos últimos anos, baseado em consumo, e as possibilidades que se abriram após a assimilação desse enorme contingente de consumidores. Temos assistido à inauguração de centenas de empreendimentos comerciais de grande porte, que levaram marcas consagradas no eixo Sul-Sudeste para territórios até então pouco Índice Panorama econômico global ............................................................................4 Destaques sobre os 250 Poderosos do Varejo Global ........................................6 Os 250 Poderosos do varejo global ...................................................................8 Os Poderosos por região .................................................................................12 Os Poderosos por setor de atuação ................................................................18 O futuro do varejo – Tecnologia + Tecnologia = Inovação ...............................21 Top 50 e-varejistas ..........................................................................................24 Desafios aos varejistas brasileiros ....................................................................27 O novo mapa do Brasil – As presentes e as futuras bases de consumo do País ...28 Metodologia e fontes de informação ...............................................................30 assistidos pela indústria de bens de consumo. Hoje, no Brasil, investidores já passaram a ver o setor de franquias de grandes marcas como uma possibilidade real e rentável. Este estudo apresenta as facetas desse novo panorama da economia mundial e da indústria do varejo, além de expor considerações sobre a nova sociedade brasileira, o futuro do setor varejista no País e uma visão geral sobre tendências a serem consideradas para os próximos anos. A Deloitte espera que as informações e análises contidas neste relatório proporcionem uma reflexão profunda sobre um mercado dinâmico e possam, efetivamente, auxiliar as organizações do varejo nacional a manterem-se competitivas diante dos novos cenários globais. 4 Panorama econômico globalOs fatores que podem impactar o varejo um crescimento econômico menor à medida que os bancos restringem seus empréstimos. O segundo problema, mais para o largo prazo, é que a China investe pesado em coisas que não contribuem para um maior crescimento no futuro. É necessária uma transição de um crescimento impulsionado pelo investimento rumo a um crescimento impulsionado pelo consumidor, o que seria mais sustentável e mais benéfico para os varejistas. O governo parece reconhecer o problema e pretende implementar reformas no intuito de suprimir o investimento e aumentar os gastos dos consumidores; o problema é que ainda não conhecemos os detalhes nem sabemos a que velocidade as reformas ocorrerão. Por isso, há incerteza sobre o futuro do ambiente de consumo na China. Estados Unidos A economia dos EUA tem se sustentado muito bem, se considerarmos alguns dos desafios que enfrentou. Em 2012, foi abalada por uma recessão na Europa e uma redução do crescimento na China. Em 2013, o aumento de impostos, aliado a cortes nos gastos do governo, teve impacto negativo no crescimento. Daqui para frente, há alguns fatores positivos. Portanto, se todo o resto continuar como está, o crescimento em 2014 deve ser melhor que em 2013. Outro risco diz respeito à política fiscal. Apesar de as guerras orçamentárias de 2013 terem acabado, existe ainda o risco de o congresso não chegar a um consenso quanto às prioridades orçamentárias daqui para frente. Ainda assim, dada a atual situação política, outra paralização parece improvável e erros com o gerenciamento da dívida do governo parecem ainda menos prováveis. A verdadeira questão é se um acordo orçamentário poderá ser alcançado. Se isso acontecer, poderia impactar positivamente na confiança das empresas e, consequentemente, maiores investidores. Para o varejo, um panorama econômico positivo significa um bom ambiente consumidor. Se, por um lado, é improvável que haja um retorno ao crescimento rápido da década passada, um crescimento moderado parece provável – especialmente devido a uma Bem-vindo ao 17o relatório anual dos Poderosos do Varejo Global, produzido pela Deloitte em conjunto com a STORES Media. A seguir, uma breve visão do panorama econômico dos principais mercados e o impacto potencial sobre os varejistas e seus fornecedores. China Nos últimos anos, a China se transformou de um país pobre em um país mais classe média. O governo chinês afirma que o crescimento de 7 a 8 por cento é desejável e que não tomará medidas para estimular um crescimento mais rápido. A verdadeira questão é se, devido a alguns dos desafios que a China enfrenta, até mesmo o crescimento de 7% poderá ser atingido. Há muitos problemas. O principal é um enorme nível de endividamento, muito dele acumulado através do chamado sistema bancário paralelo. As autoridades chinesas estão preocupadas, pois o crescimento rápido do crédito não está se traduzindo em crescimento econômico e isso cria riscos para a economia. Por isso, o banco central tomou providências para acalmar os mercados de crédito. Estão incluídas medidas sérias contra os fluxos de entrada de capital ilegal, condições mais rígidas no mercado hipotecário e um exame mais rigoroso desse sistema paralelo. O sistema bancário paralelo se desenvolveu principalmente devido a restrições nos bancos comerciais, que continuam sendo estatais e obedecem a regulações de taxa de juros. Para lucrar com o excesso de demanda por crédito, os bancos transformaram os empréstimos em pacotes de “produtos de gestão de riqueza” (PGRs), que são, essencialmente, ativos securitizados. O resultado foi uma explosão do crédito fora dos canais bancários normais e do alcance dos reguladores. De qualquer forma, o sistema inteiro existe por causa da regulação da taxa de juros. Sem isso, haveria pouca necessidade de um sistema fora dos canais bancários tradicionais. Entretanto, esse sistema tem dois problemas. Primeiro, os bancos acumulam ativos problemáticos e existe o risco de precisarem de um resgate do governo para manter a solvência. Isso, por sua vez, pode levar a Os Poderosos do Varejo Global 5 considerável demanda reprimida. É importante dizer que a formação de novas famílias tem sido menor devido ao alto desemprego: À medida que a economia se recuperar, jovens adultos formarão novas famílias. Isso estimulará os gastos do consumidor com produtos para o lar. Obviamente, a crescente desigualdade de renda nos EUA significa que uma porção desproporcional do crescimento do gasto virá das famílias de alta renda. Isso indica oportunidades, mas também desafios para os varejistas. Europa Depois de uma longa recessão, a zona do euro está crescendo, ainda que lentamente. Além disso, a economia britânica conseguiu evitar outra recessão e está começando a decolar. É uma boa notícia para os varejistas, que têm enfrentado tempos difíceis na Europa. Na zona do euro, muito do crescimento se deve ao aumento das exportações, e não a maiores gastos dos consumidores. A mais recente melhoria na zona do euro é resultado do crescimento das exportações para países de fora da união. Isso é reflexo de um euro mais fraco, restrições salariais, ganhos de produtividade e algumas reformas no mercado de trabalho. Quanto ao varejo, o panorama econômico europeu não é promissor. Há, porém, dois pontos positivos em potencial. Se a China se afastar do crescimento baseado em investimento, a Alemanha precisará compensar essa perda estimulando a demanda. Segundo, a economia britânica está forte, incluindo a demanda do consumidor. Após vários anos de salários reais em queda e demanda consideravelmente reprimida, os britânicos parecem prontos para gastar. Japão O Japão adotou uma política econômica radicalmente nova quando já era quase tarde demais. Depois de duas décadas de crescimento abaixo da média e preços em queda, o Japão se viu com um padrão de vida bem inferior ao que poderia ter. Também tinha um alto nível de dívida pública em relação ao PIB, uma população mais velha e uma maior competição de produtos eletrônicos e automóveis com países como a Coreia do Sul, Taiwan, China e Estados Unidos. O Japão precisava estimular o crescimento para acabar com anos de deflação, aumentar a riqueza para aumentar os gastos do consumidor e desregular mercados domésticos para aumentar a produtividade. Desde que assumiu, o primeiro-ministro Shinzo Abe tem promovido um programa para atingir esses objetivos em três frentes. Conhecido como “Abenomics”, o programa envolve estímulo fiscal, política monetária agressiva e uma combinação de comércio mais livre e desregulação. A política monetária, que envolve a compra maciça e ilimitada de ativos (quantitative easing), tem sido implementada em grande escala. Isso levou a um forte aumento nos preços das ações, contribuindo para o gasto do consumidor, e iniciou o processo do fim da deflação. De modo geral, este programa tem tido um impacto positivo na confiança dos empresários. As perspectivas para o varejo japonês no curto prazo são boas, mas incertas no longo prazo. Muito dependerá da natureza das reformas que o governo conseguirá implementar. Poderíamos incluir aqui a reforma do setor de distribuição do Japão. Essa mudança poderia trazer maiores investimentos estrangeiros no varejo e mais eficiência para a indústria. Mercados emergentes Muitos mercados emergentes sofreram desaceleração do crescimento no ano que passou. Daqui para frente, o mundo emergente deve ter um ou dois anos de crescimento insatisfatório enquanto os desequilíbrios não estão controlados, mas o panorama no longo prazo continua positivo. De fato, para aqueles mercados que não acumularam muita dívida, o panorama é bastante bom. Entre os mercados mais promissores estão Colômbia, México, Filipinas, Turquia a boa parte da África subsaariana. Esses países e regiões gozam de melhor governança, indústrias competitivas e demografiafavorável e devem ter um crescimento forte na próxima década. À medida que isso acontece, a classe média vai crescer rapidamente, criando novas oportunidades significativas para os maiores varejistas do mundo. 6 Destaques sobre os 250 Poderosos do Varejo Global Crescimento contínuo apesar das dificuldades da economia internacional do Varejo Global, depois de um ganho de 5,1% em 2011 e de 5,3% em 2010. Quase 80% do 250 maiores (199 empresas) apresentaram um aumento nas receitas de varejo. No entanto, os varejistas japoneses continuaram responsáveis por uma parcela desproporcional de empresas que experimentaram um declínio nas receitas, como foi o caso em 2011, em consequência do terremoto e do tsunami. A grande maioria das empresas do 250 maiores que divulgaram seus resultados finais tiveram, mais uma vez, lucro em 2012 (171 de 198 empresas), gerando uma margem de lucro líquida combinada de 3,1% e retorno sobre ativos (ROA) de 5%. Embora esses resultados mostrem um declínio em comparação com os números apresentados anteriormente no 250 maiores de 2011 e 2010, isto se deve estritamente a uma mudança metodológica. A partir deste relatório excluímos o lucro líquido dos cálculos da margem de lucro líquido combinada e retorno sobre ativos das empresas dos Top 250 que não são primariamente varejistas. Como essas empresas não derivam a maioria de suas receitas de operações de varejo, seus lucros consolidados refletem principalmente suas outras atividades que não de varejo. Esta mudança resultou na exclusão de nove empresas em 2012 incluindo a Apple, cujas margens de lucro não usualmente elevadas desvirtuam os resultados globais. Os leitores que monitoram o desempenho dos 250 maiores todos os anos observarão que, sem esta mudança na metodologia, a margem de lucro líquido global e o retorno sobre os ativos teria ficado levemente superior em 2012, em comparação com 2011. A receita total de varejo dos 250 Poderosos do Varejo Global atingiu quase US$ 4,3 trilhões em 2012. A receita média dos varejistas do 250 maiores ultrapassou US$ 17 bilhões. Para se classificar nesse “Top 250” em 2012, a receita de varejo precisaria ser de pelo menos US$ 3,8 bilhões. A Tesco toma o segundo lugar do Carrefour no quadro dos 10 maiores Uma reformulação ocorreu entre os 10 maiores varejistas do mundo em 2012, principalmente em função do resultado de uma onda de Os 250 maiores de 2012 em números US$ 4,29 trilhões: receita agregada de varejo dos 250 maiores US$ 17,15 bilhões: receita média de varejo dos 250 maiores US$ 3,8 bilhões: receita mínima de varejo necessária para entrar no 250 maiores 4,9%: crescimento de receita de varejo combinada ano-a-ano 4,6%: taxa de crescimento anual combinada na receita de varejo 2007-2012 3,1%: margem de lucro líquido combinada 5,0%: retorno sobre ativos combinado 24,3%: percentagem das receitas de varejo do 250 maiores provenientes de operações no exterior 10: número médio de países nos quais os 250 maiores operam seus negócios 63,2%: percentagem de varejistas do 250 maiores com operações no exterior O ano fiscal de 2012 teve um começo difícil para o setor de varejo global. Grande parte da Europa entrou em recessão em 2011, recessão essa que continuou todo o ano de 2012. No primeiro semestre, houve considerável tumulto financeiro decorrente da percepção do risco de fracasso da zona do euro. Numa perspectiva global, a crise europeia teve um impacto negativo em muitas das principais economias do mundo. Na China, o crescimento diminuiu, por conta da queda da demanda europeia de bens importados. No Japão, o crescimento foi fraco, apesar de uma recuperação inicialmente forte após o terremoto e o tsunami de março de 2011. A economia dos EUA quase parou no final de 2011, mas ganhou um pouco de fôlego quando os gastos dos consumidores e o mercado imobiliário começaram a mostrar alguns sinais de modesta melhora. Embora o crescimento tenha se mantido razoavelmente forte em alguns mercados emergentes, para os principais mercados em que operam os 250 maiores varejistas o ambiente econômico global foi fraco. Apesar das condições econômicas difíceis, os principais varejistas do mundo continuaram a crescer, apostando na recuperação que começou em 2010. A receita ponderada de vendas do varejo, com ajuste de moeda, aumentou 4,9% em 2012 para os 250 Poderosos Os Poderosos do Varejo Global 7 Os dez maiores varejistas do mundo Classificação nos 250 maiores Empresa País de origem Receita no varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo (%) 1 Walmart EUA 469.162 5,0 2 Tesco Reino Unido 101.269 0,5 3 Costco EUA 99.137 11,5 4 Carrefour França 98.757 -5,5 5 Kroger EUA 96.751 7,1 6 Schwarz Alemanha 87.236 6,6 7 Metro Alemanha 85.832 0,1 8 Home Depot EUA 74.754 6,2 9 Aldi Alemanha 73.035 7,5 10 Target EUA 71.960 5,1 Grupo dos 10 maiores* 1.257.892 4,2 Grupo dos 250 maiores* 4.287.587 4,9 Participação nas vendas dos 10 maiores no total de vendas dos 250 – 29,3% * Vendas brutas, com taxas de crescimento compostas ajustadas de acordo com as taxas de câmbio Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail desinvestimentos. Enquanto o Wal-Mart aumentou sua distância na liderança, o Carrefour – antes o segundo maior varejista do mundo – caiu para quarto após anos seguidos de declínio das vendas, devido principalmente ao desmembramento da cadeia de “hard discount” Dia em julho de 2011. A Tesco, que assumiu o segundo lugar, também sofreu o impacto do fim de uma de suas operações, ao decidir se desfazer da rede Fresh & Easy nos Estados Unidos. O ano de 2012 foi, também, de transformação para o grupo Metro. Já não sendo o maior varejista da Alemanha, o Metro vendeu sua unidade Makro Cash & Carry, que operava no Reino Unido para a Booker e suas operações da Real Eastern Europe (exceto Turquia) para a Auchan. Como resultado dessas e de outras mudanças, o Metro caiu do quarto para o sétimo lugar. Enquanto isso, um aumento de vendas de dois dígitos levou a Costco do sexto lugar para o terceiro em 2012. Um dólar mais forte em relação ao euro em 2012 fez o Home Depot passar à frente da Aldi. E a Target entrou na lista do Top 10 pela primeira vez em 2012, substituindo a Walgreens. O faturamento da rede de drogarias foi impactado negativamente por um declínio nas vendas de receituário depois que seu contrato com a rede provedora de produtos farmacêuticos Express Scripts venceu (as empresas chegaram a um novo acordo posteriormente). Como grupo, o Top 10 cresceu mais lentamente do que o Top 250 em 2012, com crescimento combinado da receita de varejo de 4,2% contra 4,9%. A rentabilidade do Top 10 também foi menor que a do Top 250. A margem de lucro líquida combinada de 2,8% do Top 10 foi moderada em função de atividades de reestruturação, ocorrida em 2012. Apesar de uma margem de lucro mais magra, o Top 10 gerou um maior retorno sobre ativos, resultando em um ROA combinado de 5,8% contra 5% para o Top 250. Os Top 10 como um todo é muito mais ativo globalmente do que todos os 250 varejistas. Em média, o Top 10 tinha operações de varejo em 16,3 países em 2012, em comparação com 10 países do Top 250. Os 10 maiores varejistas do mundo geraram quase um terço das suas receitas de varejo combinadas de operações no exterior em 2012; o que corresponde a menos de um quarto do total da receita do Top 250. Em especial, quatro das cinco empresas europeias do Top 10 obtêm a maioria das suas receitas fora de seus países de origem. Por outro lado, duas das cinco empresas americanas do Top 10 não tinham nenhuma operação internacional. O grupo líder que contempla os 10 maiores varejistas é muito mais ativo globalmente do que o restante do ranking. Em média, os dez primeiros tinham operações de varejo em 16,3 países em 2012, em comparação com 10 países entre os 250 Poderosos do Varejo Global. Os 10 maiores varejistasdo mundo geraram quase um terço das suas receitas de varejo combinadas de operações no exterior em 2012; o que corresponde a menos de um quarto do total da receita do “Top 250”. Em especial, quatro das cinco empresas europeias que encabeçaram as dez primeiras posições obtêm a maioria das suas receitas fora de seus países de origem. Por outro lado, duas das cinco empresas americanas deste mesmo grupo não tinham nenhuma operação internacional. 8 Os 250 poderosos do varejo global1 1 Para mais informações sobre a metodologia do ranking, veja a pág. 30 Ranking Nome da empresa País de origem Formato dominante Receita do varejo em 2012 (US$ milhões) 1 Wal-Mart EUA Hipermercado/centro de compras 469.162 2 Tesco Reino Unido Hipermercado/centro de compras 101.269 3 Costco EUA Atacadista 99.137 4 Carrefour França Hipermercado/centro de compras 98.757 5 The Kroger EUA Hipermercado 96.751 6 Schwarz Alemanha Loja de desconto 87.236 e 7 Metro Alemanha Atacadista 85.832 8 Home Depot EUA Construção, reforma e decoração 74.754 9 Aldi Alemanha Loja de desconto 73.035 e 10 Target EUA Loja de departamentos de desconto 71.960 11 Walgreens EUA Farmácia 71.633 12 CVS Caremark EUA Farmácia 63.654 13 Aeon Co. Japão Supermercado 63.100 ** 14 Groupe Auchan França Hipermercado 59.041 15 Woolworths Austrália Supermercado 58.602 16 Amazon.com EUA Comércio virtual (e-commerce) 58.570 17 Seven & i Japão Hipermercado/centro de compras 58.329 ** 18 Edeka Zentrale Alemanha Supermercado 55.944 ** 19 Wesfarmers Austrália Supermercado 54.231 20 Grupo Casino França Hipermercado/centro de compras 53.375 ** 21 Lowe’s EUA Construção, reforma e decoração 50.521 22 Rewe Alemanha Supermercado 48.984 ** 23 Best Buy EUA Especialista em eletrônicos 45.085 24 E. Leclerc França Hipermercado/centro de compras 44.807 e** 25 Safeway Inc. EUA Supermercado 43.322 e 26 Koninklijke Holanda Supermercado 42.236 ** 27 Sears EUA Loja de departamentos 39.854 28 J Sainsbury Reino Unido Supermercado 36.840 29 Intermarché França Supermercado 35.753 e** 30 IKEA Holanda Outras especialidades 35.290 31 Couche-Tard Canadá Conveniência 32.868 ** 32 Loblaw Canadá Hipermercado/centro de compras 30.978 33 Delhaize Bélgica Supermercado 29.242 ** 34 Wm Morrison Reino Unido Supermercado 28.790 35 Publix EUA Supermercado 27.707 36 Macy’s EUA Loja de departamentos 27.686 ** 37 TJX EUA Especialista em vestuário e calçados 25.878 38 Rite Aid EUA Farmácia 25.392 39 Migros Suíça Hipermercado/centro de compras 24.332 e** 40 Système U França Supermercado 23.715 e** 41 LVMH França Outras especialidades 22.770 e 42 Mercadona Espanha Supermercado 22.536 43 Lotte Shopping Coreia do Sul Hipermercado/centro de compras 20.978 44 Yamada Denki Japão Especialista em eletrônicos 20.588 45 Inditex Espanha Especialista em vestuário e calçados 20.560 ** 46 H.E. Butt EUA Supermercado 19.400 e 47 Kohl’s EUA Loja de departamentos 19.279 48 AS Watson Hong Kong Farmácia 19.161 49 Coop Suíça Supermercado 19.000 e 50 Apple EUA Especialista em eletrônicos 18.828 51 Cencosud Chile Supermercado 17.896 52 H&M Suécia Especialista em vestuário e calçados 17.800 53 Empire Canadá Supermercado 17.353 54 Kingfisher Reino Unido Construção, reforma e decoração 16.803 55 Adeo França Construção, reforma e decoração 16.725 56 Dollar General EUA Loja de desconto 16.022 57 Marks and Spencer Reino Unido Loja de departamentos 15.852 58 X5 Retail Rússia Loja de desconto 15.795 59 Gap EUA Especialista em vestuário e calçados 15.651 Os Poderosos do Varejo Global 9 Ranking Nome da empresa País de origem Formato dominante Receita do varejo em 2012 (US$ milhões) 60 Suning China Especialista em eletrônicos 15.608 61 Coop Italia Itália Supermercado 15.279 e 62 El Corte Inglés Espanha Loja de departamentos 14.671 63 Meijer EUA Hipermercado/centro de compras 14.600 e 64 Isetan Mitsukoshi Japão Loja de departamentos 14.600 65 Magnit Rússia Conveniência 14.424 66 ICA Suécia Supermercado 14.019 ** 67 Jerónimo Martins Portugal Loja de desconto 13.979 68 “Toys “”R”” Us” EUA Outras especialidades 13.543 69 John Lewis Reino Unido Supermercado 13.454 ** 70 Dixons Retail Reino Unido Especialista em eletrônicos 13.294 71 Conad Itália Supermercado 13.157 e** 72 Co-operative Group Reino Unido Supermercado 13.139 73 Dia Espanha Loja de desconto 13.021 ** 74 J. C. Penney EUA Loja de departamentos 12.985 75 Otto Alemanha Comércio virtual (e-commerce) 12.978 76 Staples EUA Outras especialidades 12.975 e 77 Louis Delhaize Bélgica Hipermercado/centro de compras 12.861 e 78 S Group Finlândia Supermercado 12.508 79 SPAR Áustria Áustria Supermercado 12.498 e** 80 Uny Japão Conveniência 12.398 ** 81 J. Front Retailing Japão Loja de departamentos 12.117 82 Gome Home China Especialista em eletrônicos 12.042 e 83 Metro Canadá Supermercado 11.923 84 Alliance Boots Suíça Farmácia 11.821 85 Fast Retailing Japão Especialista em vestuário e calçados 11.773 ** 86 Nordstrom EUA Loja de departamento 11.762 87 Whole Foods EUA Supermercado 11.699 88 BJ’s Wholesale Club EUA Atacadista 11.600 e 89 E-MART Coreia do Sul Hipermercado/centro de compras 11.290 90 Bed Bath and Beyond EUA Outras especialidades 10.915 ** 91 Tengelmann Alemanha Construção, reforma e decoração 10.816 e 92 Shoppers Drug Mart Canadá Farmácia 10.788 93 China Resources Hong Kong Hipermercado/centro de compras 10.754 94 Shoprite Holdings África do Sul Supermercado 10.534 ** 95 L Brands EUA Especialista em vestuário e calçados 10.459 ** 96 Canadian Tire Canadá Outras especialidades 10.387 ** 97 Falabella Chile Loja de desconto 10.269 98 NorgesGruppen Noruega Loja de desconto 10.221 ** 99 Liberty Interactive EUA Comércio virtual (e-commerce) 10.018 100 The Daiei Japão Hipermercado/centro de compras 10.007 101 Giant Eagle EUA Supermercado 9.900 e** 102 Bi-Lo Holdings EUA Supermercado 9.870 e 103 Takashimaya Japão Loja de departamentos 9.863 104 Dairy Farm Hong Kong Supermercado 9.801 105 Ross Stores EUA Especialista em vestuário e calçados 9.721 106 Makro Holanda Atacadista 9.703 107 Dansk Supermarked Dinamarca Loja de desconto 9.406 108 Beisia Group Japão Construção, reforma e decoração 9.355 e 109 Family Dollar Stores EUA Loja de desconto 9.331 110 Menard EUA Construção, reforma e decoração 9.200 e 111 Army & Air Force Exchange Service EUA Hipermercado/centro de compras 9.154 112 Kesko Finlândia Supermercado 9.152 e** 113 Oxylane França Outras especialidades 9.003 114 Jumbo Groep Holanda Supermercado 8.950 g 115 SuperValu EUA Supermercado 8.931 ** 116 C&A Europe Bélgica/Alemanha Especialista em vestuário e calçados 8.904 e 117 GameStop EUA Outras especialidades 8.887 118 Home Retail Reino Unido Outras especialidades 8.690 10 Ranking Nome da empresa País de origem Formato dominante Receita do varejo em 2012 (US$ milhões) 119 AutoZone EUA Outras especialidades 8.604 ** 120 The Pantry EUA Conveniência 8.253 121 Colruyt Group Bélgica Supermercado 8.129 122 Esselunga Itália Hipermercado/centro de compras 8.019 e 123 dm-drogerie markt Alemanha Farmácia 7.972 124 Soriana México Hipermercado/centro de compras 7.964 125 Steinhoff África do Sul Outras especialidades 7.952 126 Edion Japão Especialista em eletrônicos 7.876 e** 127 Grupo Eroski Espanha Supermercado 7.783 e 128 K’s Holdings Japão Especialista em eletrônicos 7.714 129 Yodobashi Camera Japão Especialista em eletrônicos 7.710 130 Reitan Group Noruega Loja de desconto 7.695 131 Hy-Vee EUA Supermercado 7.682 132 Dirk Rossmann Alemanha Farmácia 7.652 133 Shanghai Friendship China Supermercado 7.554 ** 134 Dollar Tree EUA Loja de desconto 7.395 135 Globus Holding Alemanha Hipermercado/centro de compras 7.388 e 136 Casey’s General Stores EUA Conveniência 7.251 137 Pick n Pay Stores África do Sul Supermercado 7.110 ** 138 Richemont Suíça Outras especialidades 7.009 139 PetSmart EUA Outras especialidades 6.758 140 Coop Dinamarca Dinamarca Supermercado 6.757 ** 141 Wegmans Food Markets EUA Supermercado 6.672 142 Beijing Jingdong China Comércio virtual (e-commerce)6.663 e 143 Dillard’s EUA Loja de departamentos 6.648 e 144 FEMSA México Conveniência 6.580 145 Izumi Japão Hipermercado/centro de compras 6.517 146 Bic Camera Japão Especialista em eletrônicos 6.483 147 The Great Atlantic & Pacific Tea Company EUA Supermercado 6.400 e 148 Wawa EUA Conveniência 6.385 e 149 President Chain Store Taiwan Conveniência 6.360 e 150 Don Quijote Japão Loja de departamentos de desconto 6.301 151 CP ALL Tailândia Conveniência 6.300 152 Kering França Especialista em vestuário e calçados 6.293 153 QuikTrip EUA Conveniência 6.260 e 154 O’Reilly Automotive EUA Outras especialidades 6.182 ** 155 Foot Locker EUA Especialista em vestuário e calçados 6.182 156 Life Japão Supermercado 6.181 157 Defense Commissary Agency EUA Supermercado 6.100 158 Office Depot EUA Outras especialidades 6.070 e 159 Shimamura Japão Especialista em vestuário e calçados 6.011 160 Advance Auto Parts EUA Outras especialidades 5.915 ** 161 Dick’s Sporting Goods EUA Outras especialidades 5.836 162 Lojas Americanas Brasil Loja de departamentos de desconto 5.835 163 H2O Retailing Japão Loja de departamentos 5.767 164 Sheetz EUA Conveniência 5.750 e 165 Sonae Portugal Supermercado 5.737 166 Primark Reino Unido Especialista em vestuário e calçados 5.524 167 BİM Birleşik Mağazalar Turquia Loja de desconto 5.506 168 Next Reino Unido Especialista em vestuário e calçados 5.501 ** 169 Bauhaus Alemanha Construção, reforma e decoração 5.495 e 170 MatsumotoKiyoshi Japão Farmácia 5.488 ** 171 Tokyu Japão Loja de departamentos 5.473 172 SPAR África do Sul África do Sul Supermercado 5.423 * 173 Sherwin-Williams EUA Construção, reforma e decoração 5.410 174 Big Lots EUA Loja de desconto 5.400 175 DCM Holdings Japão Construção, reforma e decoração 5.312 176 WinCo Foods EUA Supermercado 5.300 e 177 Arcs Japão Supermercado 5.290 178 Coop Noruega Noruega Supermercado 5.278 ** 179 KF Gruppen Suécia Supermercado 5.241 e** 180 Coppel México Loja de departamentos 5.226 181 Belle Hong Kong Especialista em vestuário e calçados 5.213 182 Lawson Japão Conveniência 5.177 ** 183 Deichmann Alemanha Especialista em vestuário e calçados 5.016 184 Valor Japão Supermercado 4.959 185 FNAC*** França Outras especialidades 4.943 186 Sundrug Japão Farmácia 4.930 ** 187 Darty Reino Unido Especialista em eletrônicos 4.895 Os Poderosos do Varejo Global 11 Ranking Nome da empresa País de origem Formato dominante Receita do varejo em 2012 (US$ milhões) 188 East Japan Railway Japão Conveniência 4.891 189 RONA Canadá Construção, reforma e decoração 4.887 ** 190 Central Retail Tailândia Loja de departamentos 4.854 e 191 Chedraui México Hipermercado/centro de compras 4.821 192 Dixy Rússia Supermercado 4.752 193 Dashang China Loja de departamentos 4.684 194 Tractor Supply EUA Outras especialidades 4.664 195 Barnes & Noble EUA Outras especialidades 4.568 196 Heiwado Japão Hipermercado/centro de compras 4.562 197 Emke/Lulu Emirados Árabes Unidos Hipermercado/centro de compras 4.560 e 198 Harris Teeter EUA Supermercado 4.535 199 Abercrombie & Fitch EUA Especialista em vestuário e calçados 4.511 200 Coach EUA Outras especialidades 4.500 e 201 El Puerto de Liverpool México Loja de departamentos 4.475 202 Douglas Holding Alemanha Outras especialidades 4.465 203 Celesio Alemanha Farmácia 4.453 204 Save Mart EUA Supermercado 4.435 e 205 E.Land World Coreia do Sul Especialista em vestuário e calçados 4.427 e** 206 Michaels Stores EUA Outras especialidades 4.408 207 Dell EUA Comércio virtual (e-commerce) 4.369 e 208 Neiman Marcus EUA Loja de departamentos 4.345 209 Chongqing China Loja de departamentos 4.340 210 Nike EUA Especialista em vestuário e calçados 4.326 211 Company M. Video Rússia Especialista em eletrônicos 4.318 212 SMU Chile Supermercado 4.291 ** 213 Joshin Denki Japão Especialista em eletrônicos 4.273 ** 214 RadioShack EUA Especialista em eletrônicos 4.258 215 Arcadia Reino Unido Especialista em vestuário e calçados 4.218 ** 216 Sugi Japão Farmácia 4.206 ** 217 Nitori Japão Outras especialidades 4.204 218 OfficeMax EUA Outras especialidades 4.185 e 219 Iceland Foods Reino Unido Supermercado 4.173 ** 220 Far Eastern Taiwan Loja de departamentos 4.172 221 RaceTrac Petroleum EUA Conveniência 4.170 e 222 Burlington Coat EUA Loja de departamentos 4.166 223 Nonggongshang China Hipermercado/centro de compras 4.099 e 224 Tsuruha Japão Farmácia 4.091 225 FamilyMart Japão Conveniência 4.089 ** 226 Hudson’s Bay Company Canadá Loja de departamentos 4.087 227 Williams-Sonoma EUA Outras especialidades 4.043 228 Karstadt Warenhaus Alemanha Loja de departamentos 4.028 e 229 Groupe Vivarte França Especialista em vestuário e calçados 4.026 230 Izumiya Japão Hipermercado/centro de compras 4.025 231 Demoulas EUA Supermercado 4.010 232 Susser EUA Conveniência 4.010 233 GS Retail Coreia do Sul Conveniência 4.005 ** 234 Woolworths África do Sul África do Sul Loja de departamentos 4.001 235 XXXLutz Áustria Outras especialidades 3.987 e 236 Signet Jewelers Bermuda Outras especialidades 3.983 237 Daiso Sangyo Japão Loja de departamentos de desconto 3.960 e** 238 Belk EUA Loja de departamentos 3.957 239 Liquor Control Board of Ontario Canadá Outras especialidades 3.920 e 240 Albertsons EUA Supermercado 3.900 e 241 HORNBACH-Baumarkt Alemanha Construção, reforma e decoração 3.897 242 Roundy’s EUA Supermercado 3.891 243 Marui Group Japão Loja de departamentos 3.886 244 Agrokor Croácia Supermercado 3.878 ** 245 Stater Bros. Holdings EUA Supermercado 3.873 246 Praktiker Alemanha Construção, reforma e decoração 3.862 247 Cosmos Pharmaceutical Japão Farmácia 3.856 248 Fuji Japão Hipermercado/centro de compras 3.832 249 The Maruetsu Japão Supermercado 3.817 250 Golub/Price Chopper Supermarkets EUA Supermercado 3.800 e e = estimativa g = faturamento bruto reportado pela empresa n/a = não disponível ne = não existente (criada por fusão ou desinvestimento) * Receita reflete vendas no atacado ** Receita reflete vendas no atacado e no varejo *** Separada da PPR (atual Kering) por meio de um IPO em Junho de 2013; classificada pela PPR como ”operação descontinuada” em 2012. 12 Os Poderosos por região região como um todo e o Canadá em particular, a receita cresceu graças ao impulso da Alimentation Couche-Tard, o maior varejista canadense. Em junho de 2012, a empresa adquiriu a Statoil Fuel & Retail, um varejista escandinavo de combustível e conveniência, resultando em um aumento de 43% nas receitas de varejo. Os varejistas europeus enfrentaram mais um ano de dificuldades nos negócios, dado que a região entrou novamente em recessão quando as medidas de austeridade provocaram uma queda no crescimento e o aumento da taxa de desemprego. Os varejistas com sede na Alemanha e no Reino Unido, tiveram um desempenho fraco no volume de negócios comparado com os outros europeus. Os 250 maiores varejistas por região/país (%) A receita dos 250 maiores varejistas por região/país (%) África/Oriente Médio Japão Ásia/Pacífico (Outros) França Alemanha Reino Unido Europa (Outros países) América Latina EUA Canadá África/Oriente Médio Japão Ásia/Pacífico (Outros) França Alemanha Reino Unido Europa (Outros países) América Latina EUA Canadá 8,4 15,62,83,6 4,8 6,8 5,6 33,2 3,6 15,6 11,9 8,8 6,4 8,71,1 10,0 3,0 6,4 42,2 1,6 Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Os varejistas europeus enfrentaram mais um ano de dificuldades em 2012 Os varejistas de mercados emergentes contaram com forte demanda em 2012, embora o ritmo de crescimento diminuiu um pouco em comparação com 2011. Os varejistas da América Latina lideram o caminho com o crescimento combinado das receitas de 14,7%, seguido pela região África/Oriente Médio. Os outros países da Ásia/Pacífico, excluindo Japão, também mostraram ganhos sólidos, mas não no nível de dois dígitos visto nos dois anos anteriores. Os japoneses se recuperaram de 2011, mas continuam na rabeira de outros países e regiões. O crescimentoesfriou para 4,3% para os varejistas norte-americanos, contra 6,3% em 2011. Para a Os Poderosos do Varejo Global 13 Os Poderosos por região Participação no ranking por região/país, 2012 Grupo, país ou região Nº de empresas Média de receita do varejo (US$ milhões) Parcela entre as 250 maiores empresas (%) Parcela entre as 250 maiores empresas Grupo dos 250 maiores 250 17.150 100,0 100,0 África/Oriente Médio 7 6.441 2,8 1,1 Ásia/Pacífico 60 10.802 24,0 15,1 Japão 39 9.564 15,6 8,7 Ásia/Pacífico (Outros) 21 13.102 8,4 6,4 Europa 82 19.398 8,4 37,1 França 12 31.601 32,8 8,8 Alemanha 17 25.239 4,8 10,0 Reino Unido 14 19.460 6,8 6,4 Outros 39 13.076 5,6 11,9 América Latina 9 7.484 3,6 1,6 América do Norte 92 21.047 36,8 45,2 EUA 83 21.797 33,2 42,2 Canadá 9 14.132 3,6 3,0 Os resultados mostram os 250 varejistas com sede central em cada região/país Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Globalização por região/país, 2012 Grupo, país ou região Receita do varejo em operações no exterior (%) Número médio de países em que atuam Empresas que operam em apenas um país (%) 250 maiores 24,3 10,0 36,8 África/Oriente Médio 23,2 11,7 0,0 Ásia/Pacífico 12,6 5,7 45,0 Japão 7.7 4,0 53,8 Ásia/Pacífico (Outros) 19.4 8,9 28,6 Europa 39,1 8,4 19,5 França 44,4 15,6 0,0 Alemanha 44,9 15,4 11,8 Reino Unido 22,4 17,3 21,4 América Latina 23,1 2,3 33,3 América do Norte 16,1 8,4 50,0 EUA 15,6 9,0 48,2 Os resultados mostram os 250 maiores varejistas com sede central em cada região/país Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail As três grandes economias europeias representaram um pouco mais da metade das empresas entre os 250 maiores, mas mais de dois terços de sua receita de varejo. Os varejistas franceses contabilizaram resultados mais expressivos do que seus colegas britânicos e alemães. Isso pode ter algo a ver com seu maior alcance global. No entanto, tem principalmente a ver com o Casino, o grupo francês de supermercados multiformato. Em julho de 2012, o Casino tornou-se o único acionista controlador do Grupo Pão de Açúcar, o maior varejista brasileiro, cujos resultados foram totalmente consolidados nas contas do Casino no segundo semestre fiscal de 2012. Classificado em 20º em 2012, o Casino provavelmente continuará a subir no ranking; em julho de 2013, adquiriu das Galeries Lafayette os 50% do supermercado Monoprix que lhe faltavam. 14 4,6 17,0 4,9 13,5 3,1 7,2 4,9 4,9 3,1 4,1 0,6 2,32,6 3,2 11,1 8,7 3,9 5,5 4,5 4,5 2,9 4,0 3,5 4,34,04,3 3,6 3,8 -0,1 0,2 5,0 4,4 5,0 1,7 1,4 2,1 14,8 14,7 4,94,6 4,2 4,8 3,2 6,3 4,04,3 3,1 6,4 250 maiores África/ Oriente Médio Europa Alemanha Reino Unido América Latina América do Norte EUAÁsia/Pacífico Ásia/Pacífico Outros FrançaJapão Crescimento das vendas e lucratividade por região/país* (%) Os resultados mostram a taxa de crescimento anual composta/acumulada de vendas no varejo * Ponderado de vendas por câmbio ajustado ** Taxa de crescimento anual composta Fonte: dados publicados nas próprias empresas e pela Planet Retail 2007-2012 CAGR** da receita do varejo Crescimento da receita do varejo (2012) Margem do lucro líquido (2012) Retorno sobre ativo ROA (2012) A rentabilidade também sofreu em 2012 para os varejistas europeus. O crescimento lento do volume de negócios para os varejistas britânicos e alemães causou impacto também nos seus resultados finais. Dito isto, a fina margem de lucro líquido combinada do Reino Unido de 1,4% foi principalmente pelos resultados da Tesco, o maior varejista do país, cujo lucro anual caiu pela primeira vez em quase 20 anos. A Tesco conseguiu a duras penas uma margem de lucro de 0,2% após contabilizar uma perda significativa no ano, principalmente por sair do mercado dos EUA. Dos 17 varejistas alemães entre os “Top 250”, nove são empresas privadas que não divulgam seus resultados finais. Quatro das oito empresas restantes neste mercado de baixa margem histórica anunciaram prejuízo, enquanto as outras quatro geraram lucro líquido de menos de 2% das receitas. Os Poderosos do Varejo Global 15 Por outro lado, na América Latina e na África/Oriente Médio, um forte crescimento continuou a gerar rentabilidade acima da média. Em 2012, os varejistas latino-americanos conseguiram uma margem de lucro líquido de 4,9%, a maior do setor, e os da região África/Oriente Médio tiveram um retorno de 7,2% sobre os ativos. Os varejistas europeus aumentam sua dependência do mercado externo Durante todos os anos em que a Deloitte vem acompanhando os Poderosos do Varejo, a fatia de receitas totais de varejo do “Top 250” proveniente de operações estrangeiras continua de vento em popa. Em 2012, quase um quarto (24,3%) da receita dos integrantes do ranking foi gerada a partir de mercados estrangeiros, um pouco acima dos 23,8% de 2011 e 23,4% de 2010. Os varejistas classificados entre os 250 maiores operaram numa média de 10 países em comparação com 9 em 2011 e 8 em 2010. É importante ressaltar que os números de 2012 incluem a Dell que, em essência, é uma empresa realmente global. Portanto, não é estritamente comparável com os anos anteriores quando a Dell foi excluída. No entanto, se a Dell for excluída dos resultados de 2012, o número médio de países ainda chega a 9,4. Como outro indicador da crescente globalização, a parte dos varejistas que operam apenas dentro das suas fronteiras nacionais continuou a cair: 36,8% em 2012, caindo de 38% em 2011 e 40,4% em 2010. O varejistas europeus continuam a ser os mais globais. Em 2012, eles operavam numa média de 15,6 países e geraram quase 40% de sua receita total de varejo em operações no exterior. Mais de 80% dos varejistas do Top 250 da região — incluindo todas as empresas francesas — operavam fora de seu país de origem. Os varejistas japoneses continuam a ser os menos globais. Fazendo negócios em 4 países, em média, geraram apenas 7,7% das receitas de varejo no mercado externo em 2012. Mais da metade permaneceu operando em um único país. Enquanto metade dos varejistas norte-americanos tinham operações internacionais, estas representavam uma parte relativamente pequena do total de receitas de varejo da região, apenas 16,1%. A maioria dos varejistas latino-americanos se aventurou fora das suas fronteiras nacionais, mas não se arriscaram além da sua região, com exceção da cadeia de hipermercados mexicana Chedraui (com lojas no sudoeste dos Estados Unidos). No entanto, em 2012, os varejistas com sede nesta região derivaram quase um quarto do total da receita de operações internacionais. 16 Europa Classificação na região Classificação nos 250 maiores varejistas Empresa País de origem Receita do varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo em 2012 (%) 1 2 Tesco Reino Unido 101.269 0,5 2 4 Carrefour França 98.757 -5,5 3 6 Schwarz Alemanha 87.236 e 6,6 4 7 Metro Alemanha 85.832 0,1 5 9 Aldi Alemanha 73.035 e 7,5 6 14 Auchan França 59.041 5,7 7 18 Edeka Alemanha 55.944 ** 1,9 8 20 Casino França 53.375 ** 22,7 9 22 Rewe Combine Alemanha 48.984 ** 3,4 10 24 E. Leclerc França 44.807 e** 6,9 América do Norte Classificação na região Classificação nos 250 maiores varejistas Empresa País de origem Receita do varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo em 2012 (%) 1 1 Wal-Mart EUA 469.162 5,0 2 3 Costco EUA 99.137 11,5 3 5 Kroger EUA 96.751 7,1 4 8 Home Depot EUA 74.754 6,2 5 10 Target EUA 71.960 5,1 6 11 Walgreen EUA 71.633 -0,8 7 12 CVS Caremark EUA 63.654 6,8 8 16 Amazon.com EUA 58.570 26,0 9 21 Lowe’s EUA 50.521 0,6 10 23 Best Buy EUA 45.085 -2,1 Ásia/Pacífico Classificação na região Classificação nos 250 maiores varejistas Empresa País de origem Receita do varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo em 2012 (%) 1 13 Aeon Japão 63.100** 8,7 2 15 Woolworths Austrália 58.602 6,5 3 17 Seven & i Japão 58.329 ** 4,2 4 19 Wesfarmers Austrália 54.231 4,4 5 43 Lotte Shopping Coreia do Sul 20.978 12,4 6 44 Yamada Denki Japão 20.588 -7,3 7 48 AS Watson Hong Kong 19.161 3,5 8 60 Suning Commerce Group China 15.608 4,8 9 64 Isetan Mitsukoshi Japão 14.600 -0,6 10 80 Uny Group Japão 12.398 ** -4,6 e = estimativa * Reflete as vendas no atacado ** Receita inclui vendas no atacado e no varejo O varejistas europeus continuam a ser os mais globais. Mais de 80% dos varejistas do Top 250 da região – incluindo todas as empresas francesas – operavam fora de seu país de origem. Os Poderosos do Varejo Global 17 América Latina Classificação na região Classificação nos 250 maiores varejistas Empresa País de origem Receita do varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo em 2012 (%) 1 34 Cencosud Chile 17.896 20,7 2 51 Falabella Chile 10.269 13,4 3 97 Soriana México 7.964 6,5 4 124 FEMSA Comercio México 6.580 16,6 5 144 Lojas Americanas Brasil 5.835 11,1 6 162 Coppel México 5.226 16,8 7 180 Comercial Chedraui México 4.821 11,3 8 191 El Puerto de Liverpool México 4.475 12,3 9 201 SMU Chile 4.291 ** 19,3 África/Oriente Médio Classificação na região Classificação nos 250 maiores varejistas Empresa País de origem Receita do varejo (US$ milhões) Crescimento da receita do varejo em 2012 (%) 1 94 Shoprite Holdings África do Sul 10.717 14,4 2 125 Steinhoff International Holdings África do Sul 7.761 132,0 3 137 Pick n Pay Stores África do Sul 7.560** 6,5 4 167 BİM Birleşik Mağazalar Turquia 5.607* 10,4 5 172 SPAR Group África do Sul 4.907 24,6 6 197 Emke Group/ Lulu Group International Emirados Árabes Unidos 4.518 22,5 7 234 Woolworths Holdings África do Sul 4.250e 52,1 e = estimativa * Reflete as vendas no atacado ** Receita inclui vendas no atacado e no varejo Por outro lado, na América Latina e na África/Oriente Médio, um forte crescimento continuou a gerar rentabilidade acima da média. Em 2012, os varejistas latino- americanos conseguiram uma margem de lucro líquido de 4,9%, a maior do setor, e os da região África/Oriente Médio tiveram um retorno de 7,2% sobre os ativos. 18 Os Poderosos por setor de atuação O segmento de bens de consumo não duráveis, relativamente livre de recessão, continua a superar os varejistas especializados Os varejistas de bens de consumo não duráveis (fast-moving consumer goods, ou FMCG) ultrapassaram os outros segmentos de produtos em 2012, como ocorreu em 2011, com crescimento de receita de varejo combinado de 5,3%. O FMCG é, de longe, o maior segmento de produtos – tanto em número quanto tamanho de empresas. Já os varejistas de moda têm sido, historicamente, o segmento mais rentável, e 2012 não foi exceção, atingindo 7,4% de margem, que foi quase o dobro da média dos “Top 250”. Os 42 varejistas de moda tiveram US$ 9 bilhões em receitas de varejo, em média, consideravelmente menor em tamanho que os outros segmentos. Os varejistas diversificados, (aqueles que não possuem receitas originadas de nenhum dos três setores específicos considerados neste estudo), continuaram apresentando o desempenho mais fraco nas quatro medidas de análise. Operando em formatos ou lojas-conceito, estes têm um aumento da complexidade operacional e de marketing e podem desviar a atenção e o compromisso da administração e afastar os investimentos sustentados do core business. Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail As receitas por setor dos 250 maiores varejistas (%) Moda Bens de consumo não duráveis Bens duráveis e produtos de lazer Diversificados 8,0 14,9 8,8 68,3 Perfis por setor de produto Nº de empresas Média de receita do varejo (US$ milhões) Parcela entre as 250 maiores empresas (%) Parcela entre as 250 maiores empresas, em receita (%) 250 maiores 250 17.150 100,0 100,0 Moda 42 9.013 16,8 8,8 Bens de consumo não duráveis 137 21.360 54,8 68,3 Bens duráveis e produtos de lazer* 52 12.322 20,8 14,9 Diversificados 19 18.001 7,6 8,0 Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Globalização por setor de produto, 2012 Receita do varejo em operações no exterior (%) Número médio de países nos quais atuam Empresas que operam apenas em um país (%) Top 250 24,3 10,0 36,8 Moda 29,8 22,2 23,8 Bens de consumo não-duráveis 23,3 5,1 44,5 Bens duráveis e produtos de lazer 26,6 13,1 26,9 Diversificados 22,6 10,3 36,8 Fonte: Dados publicados pelas próprias empresas e Planet Retail Os Poderosos do Varejo Global 19 * Ponderado de vendas por câmbio ajustado ** Os resultados mostram a taxa de crescimento anual composta/acumulada de vendas no varejo das 250 maiores empresas Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail 2007-2012 CAGR** da receita do varejo Crescimento da receita do varejo em 2012 Margem do lucro líquido em 2012 ROA em 2012 Crescimento de vendas e lucratividade por setor* (%) 4,94,6 3,1 5,0 3,3 5,1 7,4 8,4 5,3 5,3 2,6 4,5 3,9 4,5 3,2 4,8 2,3 2,6 2,4 3,3 250 maiores (todos os setores) Moda Bens de consumo não duráveis Bens duráveis e produtos de lazer Diversificados Crescimento de vendas e lucratividade por setor em operações no exterior* (%) Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Receita do varejo em operações no exterior (%) Número médio de países nos quais atuam Empresas que operam apenas em um país (%) 10,0 24,3 36,8 29,8 22,2 23,8 23,3 5,1 44,5 26,6 13,1 26,9 22,6 10,3 36,8 250 maiores (todos os setores) Moda Bens de consumo não duráveis Bens duráveis e produtos de lazer Diversificados Varejistas de artigos de moda têm maior alcance global O nível de globalização por segmento de produtos mostra que os varejistas de artigos de moda continuam a adotar um perfil mais internacional. Em média, as operações estão em 22,2 países em 2012, o que é mais que duas vezes a média dos Top 250. Mais de três quartos dos varejistas deste segmento operam internacionalmente, e os resultados das operações no exterior representam quase 30% do total de receitas do varejo de moda. À medida que os varejistas de artigos de moda procuram expandir- se para novos mercados, o sistema de franquias (franchising) tem provado ser um método atraente para entrar no mercado para muitas marcas. Isso ocorre porque o franchising oferece a flexibilidade de personalização do ritmo de expansão e do nível de controle, além de moderar o risco de mercado e o nível de investimento de capital. Os varejistas de bens de consumo de alta rotatividade foram os menos globais – pelo menos como grupo. Quase 45% dos varejistas de bens de consumo não duráveis (FMCG) tinham suas operações em um único país em 2012. 20 Mercados emergentes de vento em popa Ao contrário dos varejistas que enfrentam ventos contrários em mercados maduros, os mercados emergentes continuam tendo um agressivo crescimento orgânico. Os varejistas de mercados emergentes foram responsáveis por mais da metade (26) das empresas com crescimento mais rápido em 2012. No entanto, esse crescimento orgânico vigoroso também ficou evidente em mercados mais maduros, dado que os varejistas capitalizaram em categorias de produtos de alto valor agregado (ex. Apple Retail, Fast Retailing), segmentação (ex. Whole Foods, Richemont), formatos (ex. Dollar Tree) e canais (ex. Amazon.com). As aquisições foram o principal impulsionador de crescimento para outros varejistas do ranking de crescimento mais rápido, incluindo Jumbo Groep Holding, uma empresa de supermercados holandesa de capital fechado. Como grupo, os 50 varejistas de crescimento mais rápido aumentaram a receita de varejo a uma taxa anual combinada de 18,7% entre 2007 e 2012, quatro vezes a taxa do Top 250. Os50 varejistas com crescimento mais rápido também superaram o Top 250 no resultado final, mas não na mesma medida dos anos anteriores. A margem de lucro líquido combinada de 3,8% foi 0,7 pontos percentuais mais elevada que a do Top 250. Os 50 varejistas que crescem mais rápido (2007-2012) Ranking de crescimento Classificação nos 250 maiores Empresa/País de origem 2007-2012 CAGR¹ da receita do varejo (%) 1 114 Jumbo (Holanda) 40,7 2 209 Chongqing (China) 38,4 3 125 Steinhoff (África do Sul) 36,3 4 50 Apple (EUA) 35,5 5 16 Amazon.com (EUA) 32,3 6 192 Dixy (Rússia) 32,0 7 65 Magnit (Rússia) 31,6 8 102 Bi-Lo (Rússia) 31,4 9 167 BİM Birleşik (Turquia) 27,2 10 93 China Resources (Hong Kong) 26,3 11 197 Emke/Lulu Group (Emirados Árabes) 25,3 12 58 X5 Retail (Rússia) 24,3 13 181 Belle (Hong Kong) 23,0 14 211 Company M.Video (Rússia) 22,5 15 51 Cencosud (Chile) 20,0 16 138 Richemont (Suíça) 19,7 17 154 O’Reilly Automotive (EUA) 19,6 18 60 Suning Commerce (China) 19,6 19 232 Susser (EUA) 19,1 20 180 Coppel (México) 18,4 21 43 Lotte Shopping (Coreia do Sul) 18,0 22 247 Cosmos Pharmaceutical (Japão) 17,3 23 166 Primark (Reino Unido) 16,9 24 31 Alimentation Couche-Tard (Canadá) 16,4 25 67 Jerónimo Martins (Portugal) 16,4 26 130 Reitan Group (Noruega) 16,2 27 190 Central Retail (Tailândia) 16,1 28 193 Dashang (China) 16,1 29 133 Shanghai Friendship Group (China) 15,9 30 144 FEMSA (México) 15,5 31 97 Falabella (Chile) 14,8 32 172 SPAR (África do Sul) 14,7 33 162 Lojas Americanas (Brasil) 14,6 34 94 Shoprite (África do Sul) 14,2 35 19 Wesfarmers (Austrália) 13,8 36 132 Dirk Rossmann (Alemanha) 13,5 37 205 E.Land World (Coreia do Sul) 13,4 38 72 Co-operative Group (Reino Unido) 13,4 39 191 Chedraui (México) 13,3 40 106 Makro (Holanda) 12,8 41 177 Arcs (Japão) 12,7 42 87 Whole Foods (EUA) 12,2 43 200 Coach (EUA) 12,1 44 176 WinCo Foods (EUA) 12,1 45 85 Fast Retailing (Japão) 12,0 46 234 Woolworths (África do Sul) 11,9 47 134 Dollar Tree (EUA) 11,8 48 55 Groupe Adeo (França) 11,6 49 194 Tractor Supply Company (EUA) 11,5 50 151 CP ALL (Tailândia) 11,5 Ponderado de vendas ajustado pelo câmbio dos 50 que mais cresceram 18,7 Ponderado de vendas ajustado pelo câmbio dos 250 maiores 4,6 As empresas também estavam entre os 50 varejistas que mais cresceram em 2012 ¹Taxa de crescimento anual composta/acumulada de vendas no varejo das 250 maiores empresas Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Os Poderosos do Varejo Global 21 alteradas por uma tecnologia emergente, que mude os potenciais usos e aplicações do que veio antes. Como a convergência cria novos mercados e serviços A recente integração do GPS e das tecnologias de telefonia móvel são um bom exemplo de como a convergência pode criar novos mercados e serviços. O GPS é um fenômeno dos anos 1980, quando satélites de posicionamento global foram posicionados e ativados para substituir os sistemas de navegação terrestres. Desde então, o GPS chegou a inúmeros dispositivos, incluindo celulares, tablets, computadores e carros. À medida que se tornou um recurso comum, deu espaço para novos serviços de alto valor. As receitas geradas devem passar de US$ 12,8 bilhões em 2014. Essa revolução da localização de pessoas e espaços está afetando o varejo. Os clientes agora recebem promoções e sugestões específicas para o local em seus telefones, enquanto os lojistas podem facilmente contar e identificar os dispositivos móveis ativos em seus estabelecimentos. À espera do RFID A promessa da Identificação por Radiofrequência (RFID) já existe há 20 anos e a tecnologia, disponível há cerca de 60 anos, e mesmo assim ainda não pudemos avaliar seus impactos nas operações, já que o custo unitário O setor de varejo vive um período de ruptura e mudanças sem precedentes. Contudo, há um amplo conjunto de tecnologias que, interagindo com tendências socioeconômicas, cria o futuro do varejo. A difícil questão é como prever de forma útil como os modelos de negócio e os mercados podem ser afetados por essas tecnologias. É verdade que uma tecnologia relativamente desconhecida pode emergir e criar impacto. No entanto, é mais provável que as tecnologias existentes – algumas já existem há décadas – sejam integradas de maneira a gerar valor para os consumidores e criar uma vantagem competitiva significativa. Os componentes do futuro As tecnologias que consideramos já tem entre dez e cem anos. Normalmente pensamos nelas como “novas”, quando, na realidade, já são bastante maduras e estabelecidas: GPS, RFID, vídeo digital, biometria, ressonância magnética, sequenciamento de DNA, robótica, reconhecimento de voz, transmissão sem fio, armazenamento de dados em nuvem e dispositivos móveis inteligentes, entre outros. Embora esses componentes estejam amplamente disponíveis e sejam bem conhecidos, a magia acontece quando eles se combinam de formas inesperadas e mudam as regras do jogo. Até mesmo as tecnologias mais antigas, como câmeras e radiocomunicação, encontram vida nova ao serem combinadas ou O futuro do varejo Tecnologia + Tecnologia = Inovação Mais de 50% dos consumidores dispostos a compartilhar sua localização Consumidores 40% mais propensos a interagir com um anúncio 2,68 vezes mais receita para os varejistas, em média A revolução do smartphone 22 deste dispositivo ainda é um empecilho para sua expansão no varejo. O RFID coleta e armazena a energia das ondas de rádio para transmitir de volta informações gravadas na etiqueta do objeto, e sua vantagem é que não é necessária fonte de recarga do dispositivo. Para fabricantes e lojistas, é um número de série eletrônico ou unidade de controle de estoque e, potencialmente, um endereço na rede para qualquer informação relacionada ao item. Esperamos que o RFID substitua as etiquetas de preço e despacho por um único identificador invisível e permanente. O primeiro passo é observar a criação de valor e as oportunidades de economia com custos marginais agregados por toda a cadeia de suprimento e todo o ciclo de vida do produto: •O RFID pode permitir transações automáticas, sem o custo de um caixa. •O RFID pode funcionar como etiqueta de segurança permanente para o produto. •Também pode ser um endereço web para qualquer informação sobre o produto; uma etiqueta virtual, instruções de montagem, análises, consertos, substituições, reciclagem, etc. A experiência mostra que o RFID está atingindo um limiar importante e finalmente se transformará em uma tecnologia que mudará completamente as operações de varejo da cadeia de suprimento até o cliente. Impressão 3D A impressão 3D mudará de forma ainda mais drástica a natureza da cadeia de suprimentos. Não esperamos que os clientes façam seus próprios produtos em casa com sua impressora 3D, mas a ideia de imprimir um produto a partir de uma base de dados ou o seu próprio projeto em uma impressora remota é muito real. A impressão 3D, também conhecida como fabricação aditiva, é uma técnica para criar produtos camada por camada, em vez de retirar o material de uma peça maior. A grande oportunidade de inovação é que as impressoras 3D permitirão aos lojistas reduzir seus investimentos em produtos acabados e oferecer uma gama muito mais ampla de produtos personalizados. Se as impressoras 3D estiverem ligadas em rede aos consumidores e a uma base de dados de especificações de design, a compra e a fabricação serão realizadas sob encomenda. Essa mudança trará uma série de inovações: • Isso pode mudar a forma como muitos produtos são obtidos e distribuídos, especialmente itens difíceis de armazenar, como peças. •Os produtos podem ser produzidos e personalizados e os estoques podem ser reduzidos a zero, transformando a cadeia de suprimentos. •O desenvolvimento de produtos e protótipos pode ser acelerado, mudando o tempo de desenvolvimento do produto e a velocidade com que chega ao mercado.•A adaptação e a personalização podem se tornar a norma. Roupas podem ser feitas sob medida ou para as medidas registradas de um cliente. •O “fast fashion” pode ficar ainda mais “fast”. Marcas e tendências virais podem se tornar lugar-comum e qualquer um pode se tornar um designer. O futuro do varejo será diferente do varejo de hoje. Quase todos os componentes da experiência do cliente serão alterados e os modelos de negócio terão que se adaptar. A experiência da loja transformada Como seria a experiência de compra daqui a uma década se algumas dessas tecnologias se unissem? Eis um cenário possível: • Você entra na sua loja favorita. O sistema de monitoramento eletrônico da loja reconhece você pelos dispositivos que você usa e as etiquetas RFID em suas roupas e aciona seu assistente digital de compras pessoal. • O assistente digital sugere, pela sua aparência, as roupas novas acessando o seu guarda-roupa com base nas compras anteriores e suas necessidades em buscas recentes. • A impressora 3D da loja começa a produzir sua nova roupa usando medidas coletadas por ressonância magnética para ajustes personalizados. • Você doa ou recicla parte de seu guarda-roupa atual para abater do custo de sua nova roupa. • Finalmente, você paga com uma autorização biométrica segura, sem necessidade de cartão ou dispositivos. Esta realidade incrível é o Varejo do Futuro e já é possível hoje. É uma questão de montar e integrar esses recursos técnicos para criar a nova geração de experiência do varejo. Os Poderosos do Varejo Global 23 Novas formas de trabalho no setor de varejo Abordagens convencionais de negócios Abordagens não convencionais para enfrentar a mudança Estruturas organizacionais hierárquicas desestimulam a criatividade As culturas não recompensam a tomada de riscos, ou seja, lançar fora o modelo de negócios atual Os modelos de investimento em capitais premiam a melhoria incremental Os sistemas ligados não conseguem acompanhar quando o poder global de computação está no bolso do consumidor A infraestrutura e os modelos de negócios estabelecidos travam a inovação Estruturas organizacionais mais dinâmicas e empreendedoras Espírito de equipe e colaboração flexível Incentivos baseados em contibuição de grande valor Insucesso rápido, juntamente com estratégias de aprendizagem rápida Sendo ágil e adaptável Mercado para crowdsourcing e compartilhamento de ideias Ouvindo e envolvendo-se com clientes e funcionários Inovação com foco e propósito Ressonância magnética A tecnologia de imagens por ressonância magnética pode parecer sem relação com a indústria do varejo, mas pode se tornar muito mais útil quando combinada a outras tecnologias. Pode ser usada para personalizar e fabricar sapatos e roupas? Se o escaneamento de produtos por ressonância magnética for integrado à identificação por RFID, é possível usar o RFID para confirmar a origem e os conteúdos informados e validar sua composição com o escâner de ressonância magnética. Isso pode melhorar a integridade do produto e da cadeia de alimentos, ajudar a validar o conteúdo de uma receita médica, encontrar contaminantes em produtos alimentícios ou para autenticar e controlar a qualidade das receitas de medicamentos. Novamente, a convergência libera uma gama de possíveis recursos que mudam o jogo. Tempo de reinventar As mudanças que virão graças a essas convergências tecnológicas são enormes e estão chegando muito rápido. O acesso móvel espontâneo a informações pertinentes integrará de forma mais completa as atividades de compra no varejo físico e virtual. Isso provavelmente reinventará o mercado de varejo. Nesse mercado: • Lojistas e fabricantes identificam e rastreiam produtos por todo o seu ciclo de vida; •Clientes usam informações pesquisadas sobre um produto e suas alternativas no ponto de compra; •Clientes colaboram diretamente no design com os fabricantes e marcas; •Empresas que lidam com consumidores fazem o crowdsourcing de dados de clientes e usuários; •Novas formas móveis de pagamento e moedas e contratos digitais são as regras do mercado; •Reciclamos, reutilizamos, emprestamos, compartilhamos e revendemos praticamente tudo. O futuro do varejo será diferente do varejo de hoje. Quase todo componente da experiência do cliente será alterado e os modelos de negócio terão que se adaptar. Os desafios Se, por um lado, essas possibilidades são animadoras, por outro, trazem desafios. Entre as mais importantes está a quantidade impressionante de dados não estruturados a serem geridos e organizados para o uso e, também, a possibilidade de essas informações serem mal utilizadas. Será preciso reinventar como nós, humanos, processamos e usamos os dados: •Haverá remanejamento e ruptura contínuos de negócios, mercados e setores; •Haverá uma enorme lacuna de talento; •Haverá muitas falhas e empreendimentos frustrados. Devido às mudanças drásticas que se aproximam, os lojistas precisarão repensar suas abordagens de negócio. As tecnologias que chegarem a convergir - sejam aquelas discutidas aqui ou outras – trarão uma experiência conectada, contínua e única para os clientes. As abordagens de negócio convencionais no planejamento e estratégia de negócio deixarão muitas empresas em dificuldades e em desvantagem competitiva. A velocidade das mudanças está aumentando. A transparência do mercado e as enormes quantidades de dados, unidos ao acesso onipresente à informação torna essas mudanças ainda mais prováveis para um futuro próximo. E o mais importante: transformam uma economia baseada em estoque em uma economia baseada na demanda do consumidor. Para lidar com essas gigantescas mudanças econômicas e tecnológicas, o varejo precisará se transformar. 24 Este ano, pela primeira vez, a Deloitte elaborou uma lista dos 50 maiores “e-varejistas” do mundo. O ranking dos “e-50” não foi uma tarefa simples. Em primeiro lugar, embora muitas empresas elogiem suas taxas de crescimento do comércio eletrônico, algumas não quantificam suas vendas reais no e-commerce. Isso porque o comércio eletrônico representa uma quantia pequena de suas vendas globais. Quando as informações de comércio eletrônico não são divulgadas, confiamos nas estimativas da Planet Retail e de outros analistas de varejo. Algumas empresas contabilizam sua receita total além daquelas advindas das lojas, que inclui as vendas de catálogo, bem como as vendas por comércio eletrônico (embora as vendas de catálogo sejam uma percentagem diminuta do total). No caso da Best Buy, a empresa informa apenas suas vendas on-line domésticas, o que significa que figuraria em posição mais privilegiada se disponibilizasse os números de suas vendas totais em comércio eletrônico. Uma análise dos dados mostra que: •A Amazon domina o mundo do varejo eletrônico. •Os 250 Poderosos do Varejo Global dominam o e-50; mais de três quartos dos 50 maiores e-varejistas (39 empresas) são varejistas do Top 250. •A grande maioria do e-50 (42 empresas) é de varejistas multicanal; apenas oito são varejistas sem loja ou que vendem somente na web. •A maioria dos varejistas do e-50 está sediada nos Estados Unidos (28), seguido pela Europa (17), principalmente Reino Unido e França; apenas cinco são empresas de mercados emergentes (China 3, Brasil 2). Embora a Ásia tenha muitas empresas de comércio eletrônico grandes e de crescimento rápido, os mercados on-line tendem a servir como modelo principal de e-commerce nesta região. Empresas como o Grupo Alibaba, que explora a Taobao (mercado de consumidor a consumidor mais popular na China) e a Tmall (uma plataforma aberta de B2C), bem como a Rakuten no Japão, derivam a maioria de suas receitas como facilitadores, não como varejistas; portanto, não foram incluídas no e-50. •As vendas digitais do e-50 cresceram a um ritmo acelerado em 2012, uma média próxima de 29%. •O comércio eletrônico é responsável por uma parcela significativadas receitas totais de varejo para o e-50 em 2012 – quase um terço das vendas das empresas, em média (incluindo os e-varejistas “puros”). Porém, o comércio eletrônico era geralmente uma pequena fatia da receita dos grandes comerciantes atacadistas e dos varejistas de alimentos – frequentemente apenas 1 ou 2%; representou uma fatia maior de 5 a 15% das vendas para alguns grandes varejistas de lojas de departamento e de vestuário especializado e chegou a 15-20% para muitos varejistas de produtos eletrônicos de consumo. Os top 50 e-varejistas Os Poderosos do Varejo Global 25 Classificação entre os maiores e-varejistas em 2012 Classificação entre os 250 melhores em 2012 Empresa Vendas em e-commerce, em 2012 (US$ milhões) Taxa de crescimento do e-commerce em 2012 (%) 1 16 Amazon.com (EUA) 51.733,0 23,2 2 50 Apple (EUA) 8.600,0 e n/a 3 1 Wal-Mart (EUA) 7.500,0 e 20,0 4 75 Otto (Alemanha) 7.410,6 e 7,5 5 142 Jingdong Mall (China) 6.663,3 e 98,1 6 2 Tesco (Reino Unido) 4.761,5 e 13,0 7 99 Liberty Interactive (EUA) 4.397,4 12,4 8 207 Dell (EUA) 4.370,0 n/a 9 20 Grupo Casino (França) 3.422,6 e 11,5 10 n/a Jia.com (China) 3.204,7 g 75,7 11 n/a Newegg (EUA) 2.800,0 e 3,7 12 118 Home Retail Group (Reino Unido) 2.734,2 e 10,2 13 23 Best Buy (EUA) 2.630,0 e 12,9 14 76 Staples (EUA) 2.500,0 e n/a 15 162 Lojas Americanas (Brasil) 2.477,4 13,7 16 60 Suning Commerce (China) 2.414,0 158,0 17 70 Dixons Retail (Reino Unido) 2.362,8 e n/a 18 3 Costco (EUA) 2.100,0 e 9,0 19 n/a Shop Direct Group (Reino Unido) 2.068,4 5,2 20 36 Macy’s (EUA) 2.000,0 e 41,0 21 59 Gap (EUA) 1.927,0 NS 23,5 22 69 John Lewis Partnership (Reino Unido) 1.919,8 e,g 39,0 23 168 Next (Reino Unido) 1.895,3 NS 9,5 24 95 L Brands(EUA) 1.809,0 NS 4,0 25 8 The Home Depot (EUA) 1.800,0 e n/a 26 n/a vente.privee.com (França) 1.664,0 22,0 27 227 Williams-Sonoma (EUA) 1.656,3 17,4 28 28 J Sainsbury (Reino Unido) 1.580,9 e 20,0 29 n/a Systemax (EUA) 1.458,8 NS -14,0 30 n/a HSN (EUA) 1.453,7 13,3 31 10 Target (EUA) 1.400,0 n/a 32 47 Kohl’s (EUA) 1.400,0 e 40,0 33 14 Groupe Auchan (França) 1.304,1 21,1 34 4 Carrefour (França) 1.286,1 e n/a 35 86 Nordstrom (EUA) 1.269,0 39,0 36 24 E. Leclerc (França) 1.197,3 123,0 37 n/a L.L. Bean (EUA) 1.100,0 e n/a 38 27 Sears (EUA) 1.100,0 e n/a 39 68 Toys “R” Us (EUA) 1.100,0 e 10,0 40 n/a Overstock.com (EUA) 1.099,3 4,3 41 n/a Ocado Group (Reino Unido) 1.072,8 13,4 42 26 Koninklijke Ahold (Holanda) 1.067,4 82,0 43 7 Metro AG (Alemanha) 1.039,2 108,0 44 57 Marks & Spencer (Reino Unido) 1.030,4 16,6 45 n/a Hermes/Comprafacil.com (Brasil) 1.029,6 e n/a 46 74 J. C. Penney (EUA) 1.020,0 -33,0 47 158 Office Depot (EUA) 950,0 e n/a 48 n/a Saks (EUA) 900,0 e 20,0 49 11 Walgreens (EUA) 900,0 e 9,9 50 208 Neiman Marcus (EUA) 878,7 NS 16,1 Média dos 50 maiores 28,7 e = estimado g = volume bruto de transações NS = total de vendas fora da loja Fonte: dados publicados pelas próprias empresas e pela Planet Retail Os 50 e-varejistas Os 50 Poderosos do Varejo dominam o ranking do e-commerce 26 A atividade de comércio eletrônico para todos os 250 Poderosos do Varejo Global também foi analisada. Para 2012, os números de vendas de varejo do e-commerce estavam disponíveis para 196 empresas (seja contabilizado pela empresa ou estimado). Dessas: •Mais de um quarto (53) não tinham site de e-commerce em 2012. A maioria destas companhias eram varejistas de alimentos: supermercados eram o formato operacional dominante para quase a metade das empresas sem comércio eletrônico (24 varejistas); operadores de lojas de conveniência e varejistas de hard discount estavam menos propensos a vender on-line. •As vendas on-line cresceram quase 25%, em média, para os varejistas do Top 250 com operações de comércio eletrônico, e as vendas cresceram mais rápido para varejistas da Ásia/Pacífico e mais lentamente para os norte-americanos. •As empresas do Top 250 geraram uma média de 7,7% das suas vendas on-line em 2012. O comércio eletrônico representou a maior parte das receitas de varejo para varejistas norte-americanos e a menor para varejistas europeus. Estas conclusões sugerem que o crescimento do comércio eletrônico pode ter alcançado o ápice na América do Norte, onde a penetração é a mais alta. Atividade de e-commerce entre os 250 maiores, 2012 250 maiores Ásia/Pacífico Europa América Latina América do Norte Diversificado Moda Bens de consumo não-duráveis Bens de consumo duráveis/lazer 7,7 24,8 6,2 34,8 25,3 5,2 7,6 19,5 11,7 18,8 13,8 21,9 6,8 24,4 1,7 26,3 14,8 23,8 Parcela das vendas em e-commerce dentro da receita de varejo* Crescimento anual médio das vendas em e-commerce* *Média para todas as empresas com vendas no setor de e-commerce África/Oriente Médio não participam pois a maioria dos varejistas não têm operações em e-commerce Assim como os varejistas em mercados maduros estão procurando diversificar e ampliar suas receitas globalmente, podemos esperar que o comércio eletrônico terá ainda um papel mais relevante no mercado. O panorama do comércio eletrônico, ainda fortemente dominado por empresas locais e regionais, especialmente em mercados emergentes, incluirá cada vez mais atores internacionais à medida que mais marcas de comércio eletrônico tentem se globalizar. Mas para ganhar a aceitação dos consumidores estrangeiros, os e-varejistas deverão localizar suas ofertas e suas operações – tal como seus concorrentes de lojas físicas. Os Poderosos do Varejo Global 27 A competição mais acirrada com varejistas estrangeiros nas principais capitais tem levado os brasileiros a aumentar sua presença no interior do País, aumentando a concorrência com redes regionais. Uma forma encontrada pelos varejistas foi a expansão ao interior, aproveitando um grande contingente de consumidores que, até pouco tempo atrás, não tinha acesso aos grandes centros comerciais e às marcas brasileiras já consagradas no resto do País. O modelo é ideal para o Brasil, sustentando o pequeno e médio varejo e funcionando como uma forma de fugir dos altos índices de falência entre as microempresas. Ao juntar a expertise e a força de uma grande marca, a possibilidade de erro se torna muito menor. Os shoppings foram determinantes para esse avanço. Isso porque, com o salto no número de centros comerciais de grande porte nas cidades, surge espaço para que marcas consolidadas acompanhem a abertura desses espaços de compras. O sistema de Desafios aos varejistas brasileiros Operar em um futuro que já existe franquias dá sinais de ser altamente promissor, e já é considerado por investidores como uma possibilidade interessante de negócio. Os fundos de private equity também têm contribuído com um imenso aporte de recursos. Tornou-se comum a compra de ações e valores mobiliários diversos, como debêntures, além da participação direta destes atores no planejamento estratégico, expansão, consolidação e reestruturação dessas empresas. Segmentos variados, como alimentação, limpeza e conservação de roupas, fast food, escolas de inglês, perfumaria e vestuário têm encontrado em cidades de porte médio como Petrolina, em Pernambuco, Uberlândia, no triângulo mineiro, ou na paranaense Cascavel, terreno fértil para a expansão de suas marcas e, dessa forma, conseguem avaliar com cuidado os próximos passos do crescimento, a médio e longo prazo. As apostas para os próximos anos estão em segmentos como educação e treinamento, saúde e beleza, vestuário e alimentação. Esse movimento também se dá por meio da instalação de franquias, oriundas das grandes capitais, que vão aos poucos se estabelecendo em mercados de cidades pequenas e médias. Bastante refratário às últimas crises, o sistema de franquias vem se consolidando como uma aposta eficiente para a expansão de varejistas nacionais para além das grandes capitais.O modelo também já fincou sua presença definitiva nos shoppings – muitos espaços já são negociados de forma preliminar com as redes franqueadoras, ainda durante a fase de projeto do empreendimento. Bastante refratário às últimas crises, o sistema de franquias vem se consolidando como uma aposta eficiente para a expansão de varejistas nacionais para além das grandes capitais. 28 Entre os anos de 2008 e 2012, a região Nordeste registrou um crescimento de 54% do comércio varejista, seguida da região Norte, com 49%. É notável que a expansão econômica do mercado interno vem atraindo varejistas em diferentes regiões do País, especialmente em cidades médias do interior. Na última década, foram erguidos 160 shoppings no país. Roraima, o último estado brasileiro que ainda não tem um shopping, irá ganhar seu primeiro centro comercial ainda em 2014. O Brasil é o quinto maior país do mundo em termos de território e população, a sétima economia global e também a sétima maior em termos de poder de paridade de compra. Porém, apenas oito multinacionais brasileiras figuram na lista da Global Fortune 500 de 2013. Em comparação com os demais emergentes, as empresas brasileiras têm se internacionalizado lentamente. A baixa competitividade internacional torna a atuação das organizações brasileiras ainda mais tímida. O momento se torna propício, portanto, para que as empresas apontem seus esforços mercadológicos para outras regiões e interior do País, construindo uma relação com novos consumidores. Embora o crescimento esteja abrindo espaço para que as empresas se aproveitem das oportunidades, há o desafio provocado pela necessidade de adaptação de seus modelos às preferências do público local. Diante do aumento da renda, estes consumidores procuram por marcas de qualidade e baseiam suas decisões mais no produto e experiência do que no preço. Em 2013, o varejo brasileiro registrou a menor expansão nos últimos quatro anos, de 4,12%. Apesar da retração, o setor se demonstra forte, já que poucos países experimentaram, nos últimos anos, uma progressão do comércio varejista tão intensa quanto a brasileira. A atratividade do mercado brasileiro pode ser atribuída muito pelo crescimento consistente da renda, com a entrada de um enorme contingente da população para a classe média (ou classe “C”), em especial os consumidores do interior do país. Cerca de 32 milhões foram levados à categoria de classe média, e 19,3 milhões deixaram a pobreza. A nova classe média brasileira já atinge 55% da população. A demanda no interior do país impulsiona o setor varejista brasileiro, que vai mapeando os novos mercados. Na esteira dessas mudanças, nota-se que as vendas concentradas em lojas de bairro ou magazines deram espaço às vendas em centros comerciais diversificados. A estabilidade, o “boom” do consumo e o crescimento da população, aliada à expansão dos shoppings centers para o interior, ocasionaram a mudança do mapa de consumo no Brasil. Estima-se que o interior do país possua cerca de 150 milhões de consumidores, o que representa cerca de 64,8% do mercado nacional. O novo mapa do Brasil As presentes e as futuras bases de consumo do País A estabilidade, o “boom” do consumo e o crescimento da população, aliada à expansão dos shoppings centers para o interior, ocasionaram a mudança do mapa de consumo no Brasil. Os Poderosos do Varejo Global 29 A nova rota do consumo O mapa do consumo no Brasil demonstra a necessidade do varejo de remontar as estratégias para se adequar à nova realidade geográfica e das classes de consumo do País O avanço das classes emergentes no Brasil Região 2008 2009 2010 2011 2012 Acumulado Nordeste 11 8 14 10 11 54 Norte 17 5 10 13 4 49 Centro-Oeste 17 1 1 5 -4 20 Sul 1 3 9 4 0 17 Sudeste 5 -1 5 6 -4 11 O varejo brasileiro, ano a ano Crescimento por ano do número de estabelecimentos de varejo, incluindo shopping centers (em %) 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 44,94 41,7 351 363 376 392 408 430 457 495 13,4 13,5 13,6 13,8 13,9 14,0 14,0 14,1 14,2 42,0 42,6 43,3 43,8 44,2 44,6 44,8 45,1 44,50 43,72 42,95 42,34 41,78 41,37 41,05 40,73 Classe E (%) Classe C/D (%) Classe A/B (%) Número de shoppings (em unidades)* A conquista do interior Fonte: Research - Deloitte, com dados consolidados da Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) e da Euromonitor. *A série inclui apenas shoppings já inaugurados 49% 4% 4% Crescimento acumulado no número de shoppings entre 2008-2012 Crescimento no número de shoppings em 2012 Participação da região no número total de shoppings no Brasil 54% 11% 14% 20% -4% 9% 11% -4% 55% 17% 0% 18% 30 As empresas que compõem a relação dos 250 Poderosos do Varejo Global foram selecionadas com base nos montantes registrados para as vendas no varejo, excluindo o comércio de automóveis, para o ano completo de 2012 (inclui as que têm o ano fiscal terminando até junho de 2013). Para ser incluída na lista, a empresa não precisa contar com a maior parte de sua receita proveniente do varejo, contanto que sua atividade varejista seja grande o bastante para se qualificar. Se não estavam disponíveis informações publicadas pela empresa, outras fontes de domínio público foram utilizadas, incluindo projeções publicadas por jornais especializados, relatórios de especialistas do setor e diversos bancos de dados sobre negócios. Grande parte dos dados do varejo existente fora dos Estados Unidos foi fornecida pela Planet Retail, que oferece análises, notícias e estatísticas globais sobre mais de 10 mil operações de varejo em 211 mercados. A Retail Planet tem escritórios em Londres, Frankfurt, Nova Iorque, Tóquio, Hong Kong e Tsingtao, na China. Para obter mais informações, acesse planetretail.net. Os números de receita de varejo neste relatório refletem apenas a parte de varejo da receita líquida consolidada da empresa. A receita de varejo inclui vendas de food service, se este for vendido como uma das ofertas de mercadorias dentro da loja de varejo ou se restaurantes estiverem localizados dentro das lojas da empresa, mas exclui operações separadas de food service/restaurante. As receitas de varejo incluem também as vendas de serviços relacionados às atividades de varejo da empresa, tais como modificações, reparos, manutenção, instalação, vendas de combustível e taxas de associação. Os números de receita não incluem as vendas de varejo de lojas franqueadas, licenciadas ou membros de cooperativa independente, mas incluem royalties e taxas de franquias ou licenciamento. As receitas do grupo incluem as vendas por atacado para essas operações em rede — lojas-membro e outras lojas fornecidas. A receita de varejo inclui vendas por atacado para lojas-membro/afiliadas mas exclui a venda tradicional por atacado ou outras receitas de operações entre parceiros (exceto quando esta receita é derivada de lojas de varejo), onde é possível desmembrá-las. Com o intuito de fornecer uma base comum para classificar empresas por seus resultados de receita de varejo, as receitas (e lucros) do ano fiscal 2012 de empresas não americanas foram convertidas para dólares norte-americanos. As taxas de câmbio, portanto, têm um impacto sobre os resultados. O site Oanda (oanda.com) é a fonte de referência para as taxas de câmbio. A taxa de câmbio média diária correspondente ao ano fiscal de cada empresa foi usada para converter o resultado dessa companhia para dólares norte-americanos. A taxa de crescimento ano-a-ano de 2012 e a taxa composta de crescimento anual (CAGR) 2007-2012 para vendas no varejo, no entanto, foram calculadas na moeda local das empresas. Este relatório utiliza médias ponderadas ao invés das simples como principal medida para compreender os resultados financeiros do grupo. Portanto, resultados de empresas maiores contribuemmais para a composição do que os resultados de empresas menores. Como os dados foram convertidos para dólares para fins de classificação e de comparação entre os grupos, as taxas de crescimento combinadas também foram ajustadas para corrigir o movimento de moeda. Embora esses resultados combinados se comportem geralmente de forma semelhante a médias aritméticas, oferecem valores mais representativos para efeitos de benchmarking. Nem todos os elementos de dados estavam disponíveis para todas as empresas. As empresas do ranking que não derivam a maioria das suas receitas de operações de varejo foram excluídas do cálculo dos coeficientes de rentabilidade do grupo, dado que seus lucros consolidados refletem principalmente atividades que não são de varejo. As informações financeiras utilizadas para cada empresa em um ano determinado são as da data em que o relatório financeiro foi originalmente emitido. Embora uma empresa possa ter divulgado novamente os resultados do ano anterior para refletir uma mudança em suas operações, ou como resultado de uma mudança contábil, essas divulgações não são refletidas nestes dados. Este estudo não é um relatório contábil. Destina-se a fornecer um reflexo preciso da dinâmica do mercado e seu impacto sobre a estrutura do setor de varejo durante um certo período. Como resultado desses fatores, as taxas de crescimento de empresas individuais podem não corresponder a outros resultados publicados. Resultados financeiros dos 250 maiores varejistas do mundo Metodologia e fontes de informação Conteúdos para decisores Produção do relatório: Departamento de Strategy, Brand & Marketing da Deloitte Liderança da indústria de Bens de Consumo e Varejo para a América Latina Reynaldo Saad rsaad@deloitte.com Para mais informações, contate a Deloitte pelo e-mail comunicacao@deloitte.com ou pelo telefone (11) 5186-6686 Conteúdos globais Acesse em deloitte.com as publicações globais realizadas pela Deloitte para a indústria de varejo Aplicativo para iPad Baixe na App Store o aplicativo Deloitte Publicações para ter acesso a todos conteúdos produzidos pela Deloitte. Acompanhe-nos pelas redes sociais linkedin.com/company/deloitte-brasil twitter.com/deloitteBR facebook.com/deloittebrasil youtube.com/deloittebrasil Revista Mundo Corporativo A publicação chega ao seu décimo ano, trazendo análises e tendências sobre o mundo da economia e dos negócios. Peça sua assinatura pelo e-mail comunicacao@deloitte.com. “Deloitte” refere-se à sociedade limitada estabelecida no Reino Unido “Deloitte Touche Tohmatsu Limited” e sua rede de firmas-membro, cada qual constituindo uma pessoa jurídica independente. Acesse www.deloitte.com/about para uma descrição detalhada da estrutura jurídica da Deloitte Touche Tohmatsu Limited e de suas firmas-membro. © 2014 Deloitte Touche Tohmatsu. Todos os direitos reservados. TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O VAREJO BRASILEIRO EM SUA AMPLITUDE, COM OS DESTAQUES DE MAIS DE 20 SEGMENTOS. E MAIS: CENÁRIOS, TENDÊNCIAS, PANORAMAS E DEPOIMENTOS DE ESPECIALISTAS OS MAIS IMPORTANTES NO VAREJO NO VAREJO N O VA R EJO 2012 2013 EDIÇÃO ESPECIAL ANOVAREJO_capa.indd 52 7/21/12 2:30 PM NO | VAREJO edição especial | SUMÁRIO CENÁRIO PREPARE-SE PARA CRESCER. VAREJO BRASILEIRO SE TORNA PONTO DE ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS E CRESCE ESTIMULADO POR UM MERCADO INTERNO AQUECIDO, OFERTA DE CRÉDITO E INVESTIMENTOS DE TODA ORDEM PRÊMIO OS MAIS IMPORTANTES NO VAREJO PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO, PREMIAÇÃO RECONHECE OS VAREJISTAS DE MELHOR DESEMPENHO EM 2012 18 OPORTUNIDADES O AUMENTO DA RENDA EM CIDADES MÉDIAS E O SURGIMENTO DE NOVOS FORMATOS IMPULSIONAM A EXPANSÃO DO VAREJO NO INTERIOR DO BRASIL 22 ESTUDO DE CANAIS ESTUDO EXCLUSIVO REVELA QUAIS SÃO OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO PREFERIDOS DOS CONSUMIDORES E AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DE CADA UM – E COMO APLICAR ESSAS INFORMAÇÕES NA SUA EMPRESA 36 TENDÊNCIAS AS LOJAS-CONCEITO INOVAM NA EXPERIÊNCIA DE CONSUMO E TRADUZEM O REAL SIGNIFICADO DAS MARCAS 24 SEGMENTOS ARTIGOS ESPORTIVOS ATACADO, ATACAREJO E CASH & CARRY BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS CALÇADOS ELETROELETRÔNICOS FARMÁCIAS E MEDICAMENTOS FRANQUIAS LIVRARIA, CULTURA E ENTRETENIMENTO LOJAS DE DEPARTAMENTO E MAGAZINES LUXO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MÓVEIS E DECORAÇÃO ÓTICAS POSTOS DE COMBUSTÍVEL SERVIÇOS AUTOMOTIVOS E CONCESSIONÁRIAS SHOPPING CENTERS SUPER E HIPERMERCADOS TELEFONIA TURISMO VAREJO ON-LINE SEÇÕES MERCADO DE AÇÕES DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA RELAÇÕES DE CONSUMO TECNOLOGIA ARTIGOS VOZ DO PRESIDENTE MARKETING E VENDAS FRANCHISING SEGUROS MASSIFICADOS INOVAÇÃO OPINIÃO RETRATOS DO VAREJO SELEÇÃO DE FOTOS DE LOJAS QUE CHAMARAM A ATENÇÃO ESTE ANO 10 54 58 62 74 78 82 86 90 94 98 102 108 112 116 122 126 132 136 140 16 28 34 39 40 154 30 44 48 50 148 ANOVAREJO_sumario.indd 52 7/21/12 7:13 PM NO | VAREJO edição especial INFORMAÇÃO NO ATACADO ESTA TERCEIRA EDIÇÃO ESPECIAL QUE VOCÊ TEM EM MÃOS, “OS MAIS IMPORTANTES NO VAREJO”, É UM COM- PÊNDIO DAS TENDÊNCIAS, INOVAÇÕES E ANÁLISES QUE CIRCUNDAM NOSSO PULSANTE VAREJO. Um varejo que vive um momento de intenso amadurecimento e potencial. Isso é níti- do ao se aprofundar o olhar sobre os 20 segmentos – e suas mais de 300 empresas – de varejo que nos propusemos a retratar aqui. Ao nos debruçarmos sobre esses segmentos de grande impacto na economia do País, como, apenas para citar alguns, material de construção, turismo, luxo e franquias, é possível perceber o aumento do grau de pro� ssionalismo que essas empresas estão imprimindo em seus negócios. As portas se abriram para o Brasil, quem está fora quer entrar e, contrariando o ditado, quem está dentro quer � car, se multiplicar e também experimentar lá fora. Torna-se imperativo ser pro� ssional. São inúmeras as oportuni- dades de expansão e internacionalização para marcas brasileiras, tão acostumadas às vicissitudes e aos arrebates da economia – va- rejistas americanos e europeus se bene� ciariam de nosso jogo de cintura e de nossa criatividade para lidar com pessoas. Também voltamos nosso olhar para os assuntos que mais urgem para a comunidade varejista, caso dos problemas de infraestrutu- ra que afetam nossa distribuição e logística, a inexorabilidade dos avanços tecnológicos que mudam a cara da loja e a forma de ope- rá-la, o novo per� l do consumidor de baixa renda... São muitos os desa� os, o que obriga o varejista a estar sempre bem informado. E aqui está nossa contribuição para aumentar ainda mais o nível do serviço desse setor, compartilhando as melhores práticas, as opiniões e os pontos de vista que valem a pena serem lidos. Nos esmeramos também ao � nalizar outro projeto de peso que é a premiação “Os Mais Importantes no Varejo”, fruto de um traba- lho sério em parceria com a consultoria Accenture. Por meio desse estudo, que é realizado agora pela segunda vez, vamos reconhecer e homenagear as empresas que se empenharam para garantir o melhor serviço ao consumidor � nal. A preocupação é a de contri- buir com o setor ao se avaliar e comparar performances, criando parâmetros para a superação de metas. Acreditamos em nosso papel de disseminação de conteúdo para o engrandecimento do varejo brasileiro. É nele que estamos 100% focados. ROBERTO MEIR Publisher ANOVAREJO_editorial.indd 96 7/20/12 1:03 PM NO | VAREJO edição especial 8 | EXPEDIENTE REDAÇÃO EDITORA Ticiana Werneck ticiw@gpadrao.com.br EDITOR ON-LINE Valdir Antonelli valdir@gpadrao.com.br REPÓRTER ON-LINE Elaine Medeiros elaine@gpadrao.com.br WEBMASTER Renata Menegatti renata@gpadrao.com.br ARTE PROJETO E DESIGNER Artma Design Grá�co DESIGNER Érika Bernal REVISORA Dora Wild FOTÓGRAFO Douglas Luccena COLABORADORES Adriana Próspero, Ana Cecilia Chiesi, Carolina Figueiredo, Denis Moreira, Fabiana Zuanon, Jacques Meir, Juliana Gonçalves, Marco Goes, Tatiana Alcaldee �iago Borges PUBLICIDADE DIRETORA COMERCIAL Fabiana Zuanon fzuanon@gpadrao.com.br GERENTE-EXECUTIVA DE VENDAS E NEGÓCIOS Adriana Próspero aprospero@gpadrao.com.br GERENTES COMERCIAIS Andréia Gonçalves agoncalves@gpadrao.com.br Anselmo Bueno anselmo@gpadrao.com.br Marco Goes mgoes@gpadrao.com.br Priscila Kuiavinski priscila@gpadrao.com.br Zuleica Mazzetti zuleica@gpadrao.com.br MARKETING DIRETOR DE MARKETING, COMUNICAÇÃO E GESTÃO DE MARCAS Jacques Meir jacques@gpadrao.com.br GERENTE DE MARKETING – COMUNICAÇÃO Heloísa Hansel Vieira heloisa@gpadrao.com.br GERENTE DE MARKETING – EVENTOS Daniela de Matos danielamatos@gpadrao.com.br COORDENADORA DE EVENTOS Sabrina Lahuerta sabrina@gpadrao.com.br ADMINISTRAÇÃO DIRETORA ADMINISTRATIVA/FINANCEIRA Lucia Maria De Bellis Mascaretti GERENTE FINANCEIRA Maria Sônia Ribeiro PROJETO GRÁFICO Marina Martins CIRCULAÇÃO E ASSINATURAS assinatura@gpadrao.com.br IMPRESSÃO IBEP Grá�ca Ltda. LOGÍSTICA Door to Door Logística e Distribuição CIRCULAÇÃO Nacional PERIODICIDADE Bimestral Consumidor Moderno NOVAREJO é uma publicação da Padrão Editorial Ltda. Rua Novo Horizonte, 311 – Pacaembu – CEP 01244–020 – São Paulo – SP Telefax 55 – 11 – 3125–2244 A Editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte. Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright, sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos publicados nesta revista, salvo expresso consentimento dos seus editores. Padrão Editorial Ltda. NO VAREJO ANOVAREJO_expediente.indd 8 7/21/12 7:15 PM NO | VAREJO edição especial 10 | CENÁRIO EM JANEIRO DESTE ANO, EM NOVA YORK, DURANTE O BIG SHOW DA NRF (National Retail Federaion), o ex-presidente americano Bill Clinton, diante de uma plateia de 25 mil pes- soas, não economizou nas palavras: “O Brasil é o país que o mundo inteiro deveria prestar atenção”. Ele não está sozinho – longe disso. Segundo a consultoria A.T. Kearney, o Brasil é hoje o país em desenvolvimento mais atrativo do mundo para expansão do varejo global. Trinta países foram listados, e o Brasil teve destaque, pelo segundo ano consecutivo, devido ao desenvolvimento econômico da classe média, altas taxas de consumo, urbanização, redução do risco político e �nan- ceiro. Nossos números são bons: a receita per capita do setor varejista tem crescido a uma taxa de 12% ao ano nos últimos quatro anos e alcançou o patamar de US$ 5,548. O tamanho do mercado varejista aumentou em 15% no ano passado e os gastos com consumo têm crescido 9% ao ano desde 2007 – este ano deve superar R$ 1 trilhão, segundo o IBOPE. Em 2011, as vendas do varejo totalizaram 70% dos gastos com consumo. Sem contar a disposição para gastar do brasileiro. A última Pesquisa Global sobre Con�ança do Consumidor e Intenções de Gastos, divulgada pela Nielsen, colocou o Brasil entre os seis países com os mais altos índices de con�ança do mundo. “A con�ança do consumidor brasileiro permanece a níveis altos, re�etindo o otimismo da população, particular- mente em comparação a outros vizinhos latino-americanos”, explica Eduardo Ragasol, presidente da Nielsen Brasil. ALUGO/VENDO. TRATAR AQUI O mercado está em ebulição. Todas as semanas os jornais estampas consolidações, fusões e parcerias entre empresas nacionais e para tornar tudo ainda mais agitado somos destino de vare- jistas internacionais. Já estacionaram aqui grandes marcas, entre as mais recentes vale citar a chilena Cencosud, de varejo alimentício, que veio arre- banhando, pelo interior do Brasilzão marcas para seu conglomerado, caso de Bretas, GBarbosa, Mercantil e Prezu- nic. No varejo de luxo, a lista é extensa: Topshop, Sephora, Lanvin, Miu Miu, Burberry... Especula-se para breve mais pousadas como a da japonesa Uniqlo, da americana Abercrombie & Fitch e a tão comentada Amazon.com, que, caso se con�rme, irá balançar as estruturas do ainda tumultuado varejo on-line brasileiro. Há muitas outras marcas, principalmente de roupa e alimentação que estudam a entrada. Isso sem contar as estrangeiras que já estão aqui – caso de Walmart – e que no momento em- preendem um crescimento orgânico. “O Brasil não está saturado, há espaço para novas marcas e novos conceitos”, encaixa Esteban Bowles, sócio da A.T. Kearney, que lembra como outro fator de atração para novas marcas a quanti- dade de investimentos em shoppings: até o �nal de 2012 o País terá 40 novos empreendimentos, isso signi�ca mais um milhão de metros quadrados de ABL reservados às compras. EM RITMO ACELERADO, O VAREJO BRASILEIRO SE TORNA PONTO DE ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS E CRESCE ESTIMULADO POR UM MERCADO INTERNO AQUECIDO, OFERTA DE CRÉDITO E INVESTIMENTOS DE TODA ORDEM, UMA LISTA QUE FAZ CRESCER OS OLHOS DOS VAREJISTAS DE FORA E OS DE DENTRO TAMBÉM Por Ticiana Werneck Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o AGORA NÃO DÁ PARA PARAR ANOVAREJO_cenario.indd 10 7/20/12 1:05 PM NO | VAREJO edição especial 11 Mas há entraves. Muitas empre- sas desistem da viagem ao mirar nos- so complexo sistema de impostos e o tanto por fazer em termos de infraes- trutura e logística. Ainda, a tão falada falta de mão de obra quali�cada para varejo, empecilho que afeta tantos pa- íses, também ronda o nosso. “Feitos investimentos em infraestrutura, o e-commerce brasileiro poderia crescer a taxas muito superiores às atuais. Se o consumidor recebesse suas compras no prazo combinado, ele compraria mais”, explica Bowles. AH, OS AFORISMOS Já dizia Herbert Stein, economista americano: “se algo não progride su- cessivamente, a tendência é parar”. A máxima pode resumir o prognóstico dos varejos europeu e americano que ainda atravessam período tortuoso. Em setembro, durante o World Retail Congress, Ira Kalish, diretor de vare- jo da Deloitte, disse que “os varejistas precisam olhar para além da Europa e dos Estados Unidos para encontrar o crescimento”. Ele descreveu a situação como “profundamente preocupante”. Todo mundo por lá corre contra o pre- juízo, e �ca fácil apelar para o caminho mais rápido, o do preço baixo. Com a crise, os bene�ciados foram cadeias de Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o descontos como a americana Family Dollar, cujo tíquete médio é US$ 9,69 e cresce 6% ao ano (duas a três vezes mais que o PIB do país). É a chamada bifurcação do mercado, em que ou se vende para ricos ou para pobres. Extravasando para o varejo global, a Deloitte aposta na Índia. “Estou caute- losamente otimista em relação à Índia. Apertou as políticas monetárias e tem bons indicadores demográ�cos. É possí- vel que o País cresça mais que a China na próxima década”, disse Kalish, lembran- do que o envelhecimento dos chineses em breve será um problema insolúvel. Em termos de atração de investimentos no varejo, vimos desembarcar recente- mente, na Índia Starbucks e Dunkin’ Donuts; na China Banana Republic; na Rússia Prada, Chanel e Cartier. LONGE DA SATURAÇÃO Mais do que nunca o mundo está de olho no novo, no disruptivo, para vender mais, para �car mais próximo do consu- midor, para ser sua escolha número um. Na visão da IBM, competir por preço e produto se tornou uma estratégia in- sustentável. Con�ança é a nova moeda de troca, anunciou Jill Puleri, vice-pre- sidente global da IBM. O estudo global CONSUMIDOR EMPODERADO revelou que, enquanto o consumidor promove e critica marcas, ele está sujeito a dar sua lealdade a apenas um seleto número de varejistas, a quem ele con�a. E aqui le- aldade nada tem a ver com programas mirabolantes e soma de pontos. Não à toa outra pesquisa divulga- da no início do ano pela consultoria KPMG, em parceria com a associação varejista americana NRF, revelou que a dupla do ano no varejo é “interação e experiência”. No esforço de construir engajamento doconsumidor e aumen- tar as vendas, os varejistas devem se aperfeiçoar em atributos valorizados pelo consumidor como: serviços, prati- cidade e plataformas móveis. “Compa- rado aos anos anteriores, os varejistas deixaram de lado o crescimento e dão ênfase em melhorar as estratégias de relacionamento com o consumidor”, ANTES MAIS ESPERTO, AGORA MAIS PODEROSO Essa é a terceira vez que a IBM divulga estudo sobre comportamento de consumidor. Nos dois anos anteriores listou como o mundo tecnológico e a avalanche de informação moldaram um “consumidor mais esperto”, que sabe bem o que quer ao entrar na loja. E agora, numa evolução dessa abordagem, o estudo avança no sentido de mostrar o enorme poderio que o consumidor angariou nessa jornada. A informação se tornou ultradisponível e o poder trocou de mão, “o mercado é do comprador”, diz o relatório. Puleri, vice-presidente global da IBM adiantou: “Atenção varejista, você perdeu o controle da sua empresa”. Mas há uma maneira de recobrá-lo: aumentando os laços de confiança com o consumidor. “Confiança é intangível e facilmente influenciável”, comentou. Desde sempre o homem é movido por relações de confiança em todos os parâmetros da sua vida, mas agora esse viés ganha contornos mais fortes no mundo das compras. A rede na qual tudo se compartilha e se torna público ajuda o consumidor a construir sua percepção de confiança e decidir em quais marcas vai depositar seu voto. Assim, é importante que o varejista não apenas considere os desejos e as necessidades individuais, como também entenda como funciona a engrenagem que move as comunidades – o mundo está migrando do “eu” para “nós”. Outros aspectos do varejo ajudam a construir, ou destruir, confiança, como ambiente de loja, sortimento, marca própria, promoções e a maneira como a marca se comunica. Aliás, a loja, segundo Jill, está muito estática. Nesse caminho para a construção de confiança, a loja precisa se tornar mais pessoal, assim como era antigamente quando o dono tratava com os clientes. “Canais, processos e vendedores estão muito engessados”, pontuou. QUEM É ESSE CONSUMIDOR? Ele tem altas expectativas e só será leal com a marca que também for leal com ele. Ele espera que essa relação seja mais pessoal. Ele tem mente aberta e sabe o que acontece com sua marca. Está disposto a trocar informação com a empresa que der algo em troca, ou seja, se ele sabe que ganha descontos a cada vez que permite à varejista saber sua localização, ele não se incomoda em se registrar no Foursquare. Graças à internet, dispositivos móveis e TV digital, ele tem acesso a informações sobre lojas e produtos a qualquer hora do dia em qualquer lugar. E está usando essa informação para decidir onde vai gastar seu dinheiro. 3 3 3 HOLOFOTE BILL CLINTON “BRASIL É O PAÍS QUE O MUNDO DEVERIA PRESTAR ATENÇÃO” ANOVAREJO_cenario.indd 11 7/20/12 1:05 PM NO | VAREJO edição especial 12 | CENÁRIO declarou Mark Larson, responsável por varejo na KPMG. Uma das maneiras de fazer isso, segundo o levantamento, será o uso de ferramentas de personalização, que combi- nam serviços de geolocalização e rastreamento de hábitos de compra. Na loja, os entrevistados disseram que preten- dem inserir tecnologias de pagamento via dispositivo mó- vel para que o consumidor não precise se deslocar até o cai- xa e agilizar o pagamento. “As empresas disseram que vão aumentar a visibilidade da marca e incrementar a atuação multicanal”, conta Matthew Shay, presidente da NRF. O BRASIL EM MICROCOSMO Esse ano o Brasil assistiu a dois – se é que podemos chamar assim – fenômenos. O primeiro é o boom das fran- quias. O faturamento desse setor saltou de R$ 25 bilhões em 2001, para R$ 88,8 bilhões no ano passado, numa to- ada de crescimento acima do PIB. Já são 2.031 marcas e chama atenção o crescimento das microfranquias, de baixo investimento (máximo R$ 50 mil). O segundo está em curso, o da proliferação sem prece- dentes dos shoppings pelo nosso território. Habitantes de cidades que antes precisavam viajar duas, três horas até o shopping center mais próximo, estão vendo esses centros levantarem bem diante de si. Nossos 430 shoppings – que faturaram em 2011 R$ 109 bilhões – têm disseminado, o que Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, chama de o “há- bito de praticar shopping” pelo interior do País. O movimento de expansão desses empreendimentos acompanha a descentralização da economia, chegando às capitais menores – se antes a relação entre shoppings de cidades grandes e do interior era de 70% para 30%, hoje essa relação é quase 50%/50%. Esses empre- endimentos são atraídos principalmente pelo aumento do consumo das classes C e D e pela redução dos custos operacionais. Vin- te e sete cidades com população entre cem mil e 600 mil habitantes, terão seu primeiro shopping até 2013. E o que é melhor: com taxa de vacância beirando a zero. Aliás, voltando algumas linhas, é pre- ciso dizer que o varejo regional brasileiro merece destaque. Este ano a reportagem de NOVAREJO viajou ao Pará e ao Ceará para conhecer de perto o varejo nessas regiões. Primeiro, Pará. A última pesqui- sa do IBOPE Inteligência revelou que, apesar de abrigar 8,4% da população brasileira e representar apenas 5,2% de tudo que é consumido no País, o Norte é a região com maior potencial de expan- são do consumo, 26,5%. Apesar dessa efervescência no bol- so do consumidor, o consultor Lorenzo Mangabeira, especializado no varejo local avisa: “Os grandes players não en- tram aqui, pois as empresas locais têm preço competitivo e estrutura de loja para concorrer de igual para igual”, diz. É o caso de empresas como Yamada e Big Bem, que construíram seu império muito antes de toda essa atenção ter fundamento. Ceará também impres- siona. Até 2020, o Estado entra no seu período de ouro com obras e investi- mentos, que devem aumentar o PIB local em 50%. Lá � zeram história redes como a drogaria Pague Menos, que hoje já soma 500 lojas em 203 cidades. Ela se prepara para abrir capital. “Quero fa- zer o IPO porque toda empresa grande tem ações na Bolsa e assim pode cres- cer mais ainda”, declara o presidente Deusmar de Queirós. Assim como Ceará e Pará, outros Estados do Brasil `A ESQUERDA, FARMÁCIA BIG BEN, E ACIMA, RICARDO YAMADA, DA REDE PARAENSE IMPÉRIOS ERGUIDOS BEM ANTES DE TODA ATENÇÃO TER FUNDAMENTO ACONCHEGO OLIVIER SAGUEZ, DESIGNER “A LOJA É A CASA DA MARCA” ANOVAREJO_cenario.indd 12 7/23/12 12:40 PM NO | VAREJO edição especial 13 DIVERSÃO ASSOCIADA À COMPRA A japonesa Uniqlo montou um rinque de patinação no parque High Line, em Nova York, para promover seus produtos e criar um ponto de encontro com os consumidores. O contrato é de dois anos e a empresa se compromete a fazer a manutenção do parque público. Junto da pista há pop up shops da marca, feitas com uma arquitetura diferenciada. Consultores também ajudam o consumidor nas compras de streetwear e na patinação AS MODELOS IRREAIS DA H&M Esse caso ilustra a constatação da pesquisa da IBM sobre confiança. A falta de verdade na comunicação com o consumidor nunca incomodou tanto como agora quando o menor deslize desencadeia toda uma reação de amplo alcance. Foi assim com a campanha de moda praia da sueca H&M, uma das maiores redes de vestuário do mundo. Depois que um site noticiou uma “similaridade peculiar” entre os corpos das modelos, a informação se espalhou causando indignação entre as consumidoras que travaram discussões no Facebook e postagens no Twitter. Não demorou para um porta-voz da H&M vir a público. Hacan Andersson disse que, sim, os corpos foram manipulados em computador. Ele declarou: “Não é um corpo real, é completamente virtual. Tiramos fotos das peças num manequim e recriamos uma aparência humana em um programa de computador.” E, assim, o resultado são várias modelos com rostos diferentes compartilhando o mesmo corpo. Note que a posepermanece a mesma – assim como todas as curvas e detalhes do corpo. O que muda é o tom de pele e a cabeça que foi sobreposta ao corpo virtual. Tudo foi pensando para ser bem prático. Andersson argumentou que essa escolha foi feita porque era uma opção para simplificar a sessão de fotos e facilitar a visualização das peças. A praticidade custou caro. H&M foi acusada de criar uma imagem de corpo feminino irreal para suas consumidoras, e reinou em controvérsia nas redes sociais reúnem uma mistura de oportunidades, mas todas com seu sotaque bem particular. E estão posicionadas na maior fatia, a formada pelas micro, pequenas e médias empresas que hoje são mais de 90% dos negócios no País, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. TODO CANAL IMPORTA Uma nova palavrinha começou a circular este ano, “om- nichannel”, ou omni-canal, que seria uma evolução da termi- nologia anterior, multicanal. Se quando era multicanal, o con- sumidor tinha um comportamento diferente a cada momento da compra, agora o comprador já não faz distinção de ambien- tes. Ele conhece o produto na loja, compara preços pelo smar- tphone, compra na internet em casa e volta à loja para retirar o produto. Na Coreia, o painel de realidade aumentada da Tesco que �cou famoso no mundo todo e permitia comprar pelo celular confunde: que tipo de canal é esse? O Walmart anunciou nos EUA que mudou a forma como faz a gestão das operações on-line. Em vez de organizar cada site como áreas independentes, os executivos do e-commerce agora reportam aos executivos das lojas físicas. A guinada foi uma resposta a reclamações de consumidores que pediam uma política de compra mais consistente no site e na loja física em termos de comparação de preços e sortimento. Na rede americana de instrumentos musicais Guitar Center, a equipe de vendas das unidades físicas orienta compradores eletrônicos e os ge- rentes podem criar minilojas na web para atender sua região. Tudo se transformou em uma coisa só. É o varejo onipresente. Para Daniel Domeneghetti, sócio da E-Consulting, tudo é parte da mesma tendência. “É a ascensão de uma nova forma de fazer negócios”, argumenta. Isso torna a tão apregoada integração de canais fundamental. “Caso contrário, um canal passa a compe- tir com outro”. E ninguém quer isso. É como diz o presidente da Tesco, Philip Clarke, rede de mercados inglesa: “A revolução digital transformou o comportamento do consumidor. Não po- demos mais diferenciar a loja física da virtual. Devemos usar a loja para suportar a oferta on-line e vice-versa.” ESTEBAN BOWLES, DA A.T. KEARNEY “O BRASIL NÃO ESTÁ SATURADO, HÁ ESPAÇO PARA NOVOS CONCEITOS E MARCAS ” ANOVAREJO_cenario.indd 13 7/20/12 1:06 PM NO | VAREJO edição especial 14 | CENÁRIO Para a Interbrand, que soltou há pouco seu relatório das marcas mais valiosas do varejo no mundo, os tijolos ainda importam, na ver- dade todo canal importa. E esse é o traço que une as empresas que mais subiram no ranking Sephora, Mercadona e Uniqlo (apenas a título de informação, as primeiras colocadas foram Walmart, Target, Home Depot e CVS). “Nós, criaturas humanas, somos famintas por expe- riências”, suscita Jez Frampton CEO global da consultoria. Ele continua: ”Por mais que adore- mos pesquisar produtos via códigos QR, engajar amigos pelo Facebook ou colecionar músicas em nossos computadores, ainda há um espaço es- pecial para as lojas em nossas vidas. São nelas que aprendemos sobre as novidades, encontra- mos inspiração, e conferimos outras opções de compra que podem não ser tão óbvias na inter- net”. O papel da loja pode ter mudado, mas sua relevância para a marca permanece. É como apregoa o designer francês Olivier Sa- guez, responsável por importantes projetos vare- jistas pelo mundo, como o da Lafayette Maison, Sony e lojas do Grupo Casino. “A loja é a casa da marca, é lugar de acolhimento, onde ela legitima sua autenticidade”. Na visão de Saguez, hoje é tudo muito virtual, mas é na loja onde todas as dimensões da marca tornam-se vivas para o con- sumidor ver, cheirar, tocar, sentir, provar e ouvir. “Todo esforço do mundo não será capaz de digi- talizar isso”, assegura. O truque é encontrar valor por trás de cada transação. Essas tendências deixam claro que modelos de negócios centralizados na prateleira não prosperarão. Guiadas pela marca, e não pela presença física ou virtual em silos, as empresas varejistas de sucesso serão aquelas que entende- rem que elas não vendem produtos ou serviços, mas sim experiências de compra de sucesso. SOBRE GIRAFAS, LUTA LIVRE E UM PEDIDO DE DESCULPAS Há três meses, motivada por uma carta de uma menina de três anos, a rede de supermercados britânica Sainsbury’s mudou o nome de um produto. O que antes se chamava “Tiger Bread” agora se chama “Giraffe Bread”. Com a ajuda da mãe, a menininha escreveu uma carta ao supermercado sugerindo a troca já que o pão em questão lembrava as manchas de uma girafa. A loja respondeu com um cartão simpático apenas agradecendo a mensagem e a mãe postou no Facebook, o que acabou desencadeando uma série de compartilhamentos e curtidas dando abrangência a uma correspondência a princípio rotineira. O fato alcançou tanta repercussão que após algumas semanas a Sainsbury’s postou: “Em resposta aos milhares de comentários de que nosso pão Tigre se parece mais com uma girafa, a partir de hoje estamos mudando o nome.” Agora, a rede volta aos holofotes com o que o site americano Advertising Age chamou de “o melhor pedido de desculpas corporativa já postada no Twitter”. Um blogueiro inglês bem popular postou: “Querida Sainsbury’s, o frango do meu sanduíche está com gosto de quem foi espancado até a morte por Hulk Hogan. Ele foi?”. Imediatamente a equipe de relações públicas que coordena o perfil da rede postou: “Pedimos desculpas sinceras se o sanduíche não estava à altura. Vamos substituir o sr. Hogan pelo Ultimate Warrior na nossa linha de produção neste minuto”. Para quem não está familiarizado com esses nomes, Hulk Hogan e Ultimate Warrior são dois ícones da luta livre americana, aquela cheia de fantasias e golpes performáticos, que fazia a alegria da garotada nos anos 80. Com bom humor, a rede não tem deixado ninguém sem resposta e, o melhor de tudo, essas respostas têm agradado e revertido de imediato qualquer resquício de negatividade. LUCRANDO COM FORMAÇÃO DE OPINIÃO A agência Trendwatching avisa: o impulso de status oriundo da descoberta, da compilação, da recomendação e do compartilhamento de produtos e serviços inspiradores e úteis significa que a tendência dos consumidores se tornarem formadores de opinião vai continuar. E, embora muitos consumidores não precisem de qualquer incentivo, eles também vão acolher marcas ou plataformas que os recompensem pelo compartilhamento. Mas, cuidado, isso não tem nada a ver com subornar pessoas para tuitar sobre você ou “como” você. Marcas inteligentes serão aquelas que encorajam ou incentivam o comportamento de consumo de uma forma autêntica e natural. Como fez a Zara, na Europa. Ela convidou seus clientes a fazer uploads de fotos de si mesmos vestindo pelo menos duas peças da coleção de primavera. Toda semana são publicadas fotos no website da marca, e os consumidores selecionados ganham 300 euros. Ou também a VANCL, uma das maiores varejistas on-line de moda da China. Os clientes podem publicar fotos de si mesmos vestindo produtos Vancl e, enquanto destacam produções e estilos, recebem 10% das vendas geradas em suas lojas personalizadas (a exemplo do que fez aqui a Magazine Luiza no Facebook). JILL PULERI, DA IBM “ATENÇÃO VAREJISTA, VOCÊ SÓ RECUPERA O CONTROLE DA SUA LOJA AUMENTANDO OS LAÇOS DE CONFIANÇA” ANOVAREJO_cenario.indd 14 7/20/12 1:06 PM NO | VAREJO edição especial 16 | VOZ DO PRESIDENTE ATÉ 2014 ESTIMA-SE QUE 35 MILHÕES DE PESSOAS CHEGUEM à classe média brasilei- ra – um universo de novos consumidores que, com hábitos,desejos e exigências distintos, pede atenção especial das empresas. Vivenciamos isso fortemente no segmento de cosméticos, com inú- meras marcas nacionais e internacionais entrando no mercado, de olho nesse potencial e aquecendo a competitividade. Então, como encantar e atrair consumidores cada vez mais atentos? Em tempos de conectividade e praticidade, como estar presen- te em todos os lugares para atendê-los? Decifrá-los para entender seus anseios, ajudar nas suas escolhas e conquistá-los. Esses são os grandes desa�os para as empresas varejistas do segmento brasileiro de perfumaria e cosméticos, considerado a “bola da vez” e prestes a ocupar a se- gunda posição no ranking mundial do setor, ultra- passando o Japão e �cando logo atrás dos Estados Unidos. Em consumo de perfumes, o Brasil já é o primeiro colocado. Nesse cenário de crescente demanda e compe- titividade, precisamos construir formas diferencia- das de dialogar com o público e entender como a marca é percebida e qual a qualidade da experiên- cia que é oferecida. As empresas têm de se reinven- tar e se adaptar aos vários per�s de clientes, ofere- cendo propostas de valores que mais se adaptem a eles. Para isso, é imprescindível ser um bom ouvin- te e um excelente observador, além de se preparar com planejamento e esforços direcionados para os desa�os e oportunidades. As tendências desse novo varejo focam na conveniência, no sensorial, na inovação, na expe- riência da marca e na customização. Para atender os consumidores de acordo com sua conveniên- cia, encontramos no formato multicanal (que nos permitiu a diversi�cação de atuação por meio de novas marcas de cosméticos), o dialeto para esta- belecer a comunicação entre eles e as marcas do Grupo Boticário. Há 35 anos, operamos o modelo bem-sucedido de franquias com a marca O Boticá- rio, a maior do mercado nacional. Em 2010, acre- ditando no potencial do nosso país e entendo que havia espaço em nosso mercado, criamos o Grupo Boticário para diversi�carmos a nossa atuação em plataformas multicanais. Então, em 2011, lança- mos Eudora, nossa segunda marca de beleza que já nasceu nesse sistema. Ainda com foco na conveni- ência, reformulamos toda a plataforma de e-com- merce de O Boticário, e com Eudora inovamos com o modelo de social commerce. Nas lojas físicas, o que rege o varejo hoje é o sensorial. Por isso, tanto a rede de 3.260 lojas franqueadas de O Boticário quanto as 14 lojas- conceito próprias de Eudora são desenhadas para que os consumidores vivenciem a experimentação de cada produto. Assim, garantimos a experiência de compra, e não apenas a aquisição de produtos. Inovação e customização também compõem o leque de tendências do varejo. Nesse sentido, em fevereiro deste ano anunciamos Skingen In- teligência Genética, a terceira unidade de negócio do Grupo Boticário, que atua na área de cuidados terapêuticos da pele baseado no DNA das pessoas. Assim, para garantir um futuro próspero para o varejo, a equação é robusta: ouvir, enten- der e surpreender os consumidores, que buscam cada vez mais proximidade com sua marca de beleza preferida, respeitando seus desejos. Essa relação, que há muito derrubou os limites do balcão, começa no entendimento dos anseios do consumidor, no desenvolvimento dos pro- dutos, na elaboração da embalagem, até che- gar ao atendimento competente e estruturado para o diálogo em todos os canais. Mais do que uma conquista, o desa�o é inspirador. Mais do que seduzir, precisamos conquistar os cidadãos bem informados, que têm o poder de in�uenciar outras pessoas em busca de uma vida cada vez mais bela e com atitudes e exemplos positivos. Somente desta forma o varejo conseguirá tornar a relação com o consumidor uma união baseada no respeito, na con�ança e no encantamento. O VAREJO A SEU DISPOR! ARTUR GRYNBAUM É PRESIDENTE DO GRUPO BOTICÁRIO “AS TENDÊNCIAS DESSE NOVO VAREJO FOCAM NA CONVENIÊNCIA, NO SENSORIAL, NA INOVAÇÃO, NA EXPERIÊNCIA DA MARCA E NA CUSTOMIZAÇÃO” AVNOVAREJO_artigo_boticario.indd 16 7/20/12 2:33 PM NO | VAREJO edição especial 18 | PRÊMIO EFICIÊN CIA/ REN TABILIDADE CR ES CI M EN TO CONSISTÊNCIA Por �iago Borges NO TOPO DO VAREJO Em 2011, durante o Brazilian Retail Week, mais impor- tante evento de varejo do Brasil, as principais empre- sas do setor foram premiadas numa iniciativa inédita promovida pela revista NOVAREJO e a consultoria inter- nacional Accenture. Em 2012, o reconhecimento “Os mais importantes NOVAREJO” se fortalece com novas categorias e novos postulantes ao título de reconhecimento. “Esse esforço que a NOVAREJO e a Accenture têm toma- do juntas tem sido fundamental para que as empresas de fato consigam atingir o alto desempenho”, explica Rodrigo Diago, executivo sênior para a área de varejo da Accenture. Segundo ele, para se destacar no futuro é preciso ser mais analítico na tomada de decisão. Ao dar visibilidade a quem obteve os me- lhores desempenhos em seus respectivos setores ao longo do ano, o estudo contribui com essa expectativa dos varejistas. A seguir, con�ra como foi feita a seleção e quais são os �- nalistas. São cinco categorias que seguem critérios quantita- tivos e 14 com critérios qualitativos. O reconhecimento será entregue aos vencedores na segunda edição do Brazilian Re- tail Week, que ocorre nos dias 30 e 31 de julho e 1° de agosto. ANÁLISE QUANTITATIVA Para de�nir os varejistas com melhor desempenho em seus respectivos segmentos ao longo de 2011, a NOVAREJO, em parceria com a Accenture, realizou um estudo com mais de 42 empresas. A partir de informações públicas padroniza- das publicadas em balanços corporativos, relatórios de em- presas de pesquisa, comunicados de assessorias de imprensa e meios de comunicação, a Accenture avaliou varejistas de cin- co segmentos diferentes: supermercados com faturamento de até R$ 7 bilhões ao ano; lojas de departamento e magazines; shopping centers; atacarejo; e farmácias e drogarias. Ao todo, essas empresas faturaram, juntas, R$ 94 bilhões em 2011 contra R$ 85 bilhões em 2010 – equivalente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Os melhores varejos foram identi�cados por meio de três critérios (e�ciência e renta- bilidade, crescimento e consistência). Essa metodologia é semelhante ao estudo global da Accenture de High Performance Business, po- rém com adaptações para a realidade do varejo brasileiro. Cada um desses quesitos tem peso equivalente na avaliação e vence aquele que se sobressair perante os demais, em maior núme- ro de critérios. Diago ressalta que, em compa- ração ao estudo feito no ano passado, nesta edição houve maior abertura por parte das em- presas em compartilhar informações. PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO, NOVAREJO E ACCENTURE RECONHECEM OS VAREJISTAS DE MELHOR DESEMPENHO NO ANO DE 2012 PARA ANÁLISE DOS VENCEDORES FORAM CONSIDERADOS TRÊS QUESITOS: 1. EFICIÊNCIA Utilizado nas categorias supermercados e atacarejo, baseia-se em quanto o varejista vende, em média, por metro quadrado de loja em comparação aos concorrentes do mesmo segmento. É considerado mais eficiente aquele que consegue maximizar as vendas no mesmo espaço. RENTABILIDADE Utilizado nas categorias shopping centers, farmácias e drogarias e lojas de departamento, mede não só a venda por metro quadrado como também o esforço deferido para efetuar a venda. 2. CRESCIMENTO É avaliado o histórico de evolução do faturamento das concorrentes de um mesmo segmento. 3. CONSISTÊNCIA Nesse quesito, são cruzados os resultados de eficiência e crescimento em determinado período, uma vez que não é vantajoso a empresa crescer sem conseguir manter ou melhorar suas vendas por metro quadrado ao longo dos anos. FINALISTAS 2012 SUPERMERCADOS (até R$ 7 bilhões) PREZUNIC SONDA ZAFFARI Resultado em 2011: Prezunic (1°colocado) GBarbosa (2°) Nordestão (3°) ATACAREJO ATACADÃO ATAKAREJO ROLDÃO Resultado em 2011: Atacadão (1° colocado) Assaí (2°) Roldão (3°) MAGAZINELOJAS DE DEPARTAMENTO HERING MARISA RIACHUELO Resultado em 2011: Hering (1° colocado) Marisa (2°) Riachuelo (3°) SHOPPING CENTERS ALIANSCE BR MALLS SONAE SIERRA Resultado em 2011: BR Malls (1° colocado), Aliansce, Multiplan e Iguatemi (2°) DROGARIAS DROGARIA SÃO PAULO RAIA+DROGASIL PAGUE MENOS PACHECO Resultado em 2011: Drogasil (1° colocado), Drogaria São Paulo (2°) Droga Raia (3°) ANOVAREJO_prêmio.indd 18 7/20/12 4:11 PM NO | VAREJO edição especial 19 ANÁLISE QUALITATIVA A Accenture e a NOVAREJO de�niram em conjunto 14 categorias e critérios que norteariam a escolha por parte de representantes de entidades de classe ligadas ao varejo (veja tabela), empresas e consultores. Nessa análise, os �nalistas fo- ram selecionados com base na percepção e experiência de cada membro da banca avaliadora bem como a votação aberta nos vencedores. Nesta edição, três novas categorias foram criadas: revelação do ano, shoppings regionais e apoio �nanceiro ao de- senvolvimento do pequeno e médio varejo. PARTICIPANTES • Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv) • Associação Brasileira de Entidades Representativas e Empresas de Serviços Autorizados em Eletroeletrônicos (ABRASA) • Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) • Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) • Associação Brasileira de Vestuário (Abravest) • Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) • Grupo Padrão • GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação • Universidade de São Paulo (USP) • Universo Varejo VAREJO DO ANO Principal categoria do prêmio, reconhece o varejista que cresceu com mais eficiência no ano, com destaque para diferentes localidades ou categorias, bem como inovações relevantes para o consumidor, ações para melhor gerenciar pessoas e projeção ou menção positiva por órgãos governamentais ou entidades. FINALISTAS GRUPO BOTICÁRIO GRUPO PÃO DE AÇÚCAR SARAIVA Resultado em 2011: Grupo Pão de Açúcar (1° colocado), Grupo Boticário e Magazine Luiza LIDERANÇA/PERSONALIDADE DO VAREJO Avaliou qual gestor faz seus funcionários querer trabalhar em sua empresa, levou seu grupo a situações de sucesso, contribuiu com a cadeia de valor em que atua, ajudou a projetar o Brasil num cenário mais abrangente e é reconhecido por tudo isso. FINALISTAS ARTUR GRYNBAUM (GRUPO BOTICÁRIO) FABIO HERING (HERING) FLAVIO ROCHA (RIACHUELO) Resultado em 2011: Luiza Helena Trajano (1° colocado), Abilio Diniz e Caíto Maia REVELAÇÃO Nessa nova categoria, procurou-se avaliar quem, em algum aspecto, surpreendeu o mercado no período, seja em merchandising, inovação, tecnologia ou abordagem ao consumidor. FINALISTAS BRIGADERIA MEMOVE PORTOBELLO CATEGORIAS >>> ANOVAREJO_prêmio.indd 19 7/20/12 4:11 PM NO | VAREJO edição especial 20 | PRÊMIO INOVAÇÃO E DESIGN DE LOJA Irá premiar aquela empresa que trouxe algo de diferente para o consumidor, considerando ambiente, atendimento, iluminação, serviços, formatos de ponto de venda e adequações a diferentes geografias. FINALISTAS BRIGADERIA CHILLI BEANS MEMOVE Resultado em 2011: Chilli Beans (1° colocado), Fast Shop e Pão de Açúcar CAMPANHA DE MARKETING E COMUNICAÇÃO Foram considerados fatores como lembrança por parte do consumidor, retorno em vendas, propaganda espontânea e contribuição à sociedade. FINALISTAS GRUPO BOTICÁRIO HAVAIANAS NETSHOES Resultado em 2011: C&A (1° colocado), Magazine Luiza e McDonald’s MERCADO EMERGENTE/REGIONAL Foram selecionados os que melhor entendem e antecipam o crescimento de demanda regional, conseguiram capturar essa tendência e o fizeram de forma lucrativa e sustentável. FINALISTAS GRUPO PÃO DE AÇÚCAR MÁQUINA DE VENDAS PAGUE MENOS Resultado em 2011: Grupo Martins (1° colocado), Máquina de Vendas e Yamada VAREJO ON-LINE Além da expansão do faturamento e de tráfego, foram avaliados critérios como aparência do site, valor proposto, atendimento e qualidade do serviço, bem como o uso multicanal dessa ferramenta. FINALISTAS DAFITI NETSHOES SARAIVA Resultado em 2011: Netshoes (1° colocado), Fast Shop e Saraiva SUSTENTABILIDADE Reconhece quem melhor implantou ou desenvolveu com impacto significativo e viabilidade econômica medidas de melhor uso energético, reúso de recursos e materiais, consumo consciente e expansão disso para a cadeia de valor. FINALISTAS GRUPO PÃO DE AÇÚCAR LEROY MERLIN OSKLEN Resultado em 2011: Grupo Pão de Açúcar (1° colocado), Grupo Boticário e Magazine Luiza VAREJO EMPREGADOR DO ANO Além de aumentar sua força de trabalho e ter uma massa crítica relevante, a categoria reconhece varejistas que têm planos de carreira, balanço adequado entre homens e mulheres, leva em conta a família do colaborador e estimula a formação de grupos de criação. FINALISTAS FAST SHOP GRUPO PÃO DE AÇÚCAR SONDA SUPERMERCADOS Resultado em 2011: Magazine Luiza (1° colocado), Chilli Beans e Ri Happy EXPERIÊNCIA DE COMPRA EM SHOPPING CENTER Aqui foram selecionados centros de referência para comprar, com segurança e praticidade para o usuário, valorização da comunidade ao redor, habilidade para se reinventar e boa articulação com parceiros. FINALISTAS BARRA SHOPPING PÁTIO HIGIENÓPOLIS SHOPPING IGUATEMI Resultado em 2011: Center Norte (1° colocado), Aricanduva e Itaquera EXPERIÊNCIA DE COMPRA EM SHOPPING CENTER REGIONAL Em conformidade com a regionalização do segmento em todo o País, essa nova categoria visa a reconhecer o desempenho de empreendimentos fora do eixo Rio–São Paulo. FINALISTAS SAN PELLEGRINO MALL (CAXIAS DO SUL – RS) SHOPPING IGUATEMI FORTALEZA SHOPPING RECIFE INOVAÇÃO EM GESTÃO MULTICANAL Reconhece quem desenvolveu novos canais de relacionamento com o cliente com impacto relevante nas vendas e diferencial para a companhia. FINALISTAS FAST SHOP GRUPO BOTICÁRIO SARAIVA Resultado em 2011: Fast Shop (1° colocado), O Boticário e Saraiva APOIO E CAPACITAÇÃO DO PEQUENO E MÉDIO VAREJO Além de bons resultados, foram elencados aqueles que entendem o que o varejista precisa, levam inovação para dentro do contexto do seu negócio, desenvolvem ferramentas com impacto relevante a esse comerciante e têm espírito de colaboração. FINALISTAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING (ABF) MARTINS SEBRAE Resultado em 2011: Grupo Martins (1° colocado), Arcom e Atacado União APOIO FINANCEIRO DO PEQUENO E MÉDIO VAREJO – FINANCIAMENTO Além da questão educacional, privilegiada na categoria anterior, essa nova categoria foi criada com o intuito de reconhecer o suporte dado por instituições financeiras a comerciantes em evolução. FINALISTAS BANCO DO NORDESTE CARTÃO BNDES LOSANGO CATEGORIAS ANOVAREJO_prêmio.indd 20 7/20/12 2:57 PM NO | VAREJO edição especial 22 | OPORTUNIDADES A BÚSSOLA DO CONSUMO APONTA PARA OS RINCÕES DESTE BRASILZÃO. As picapes já chegaram. Os smartphones também. Ago- ra, é o varejo que mira cidades de médio porte para expandir sua atuação. São locais que nos últimos anos vivenciaram um forte crescimen- to do Produto Interno Bruto (PIB), por conta de investimentos governamentais e privados. Segundo levantamento da desenvolvedora de shoppings centers Vértico, há cerca de 160 ci- dades com cem mil a 200 mil habitantes que passaram por essa transformação brusca. “Essas cidades se tornaram ilhas de riqueza e oportunidades”, observa Marcio Costa, sócio e diretor de marketing da Vértico, empresa que capitaneia seis projetos de shoppings centers em obras no interior: Bauru, Limeira e Itapevi (SP), Araguaína (TO), Três Lagoas (MS) e Sinop (MT). “Está ocorrendo um movimento no Brasil seme- lhante ao que aconteceu nos Estados Unidos na década de 40, quando a riqueza estava concentra- da nas costas Leste e Oeste e começou a migrar para o interior”, continua. Três Lagoas, na divisa do Mato Grosso do Sul com São Paulo, deve receber investimentos de R$ 14 bilhões nos próximos cinco anos e, em dezanos, dobrar sua população atual de 108 mil habi- tantes. A cidade é uma das escolhidas pela Vértico para aplicar parte dos R$ 500 milhões que direcio- nou a projetos no interior do Brasil, especialmen- te Centro-Oeste, Norte e Nordeste. As maiores oportunidades estão abertas para varejistas voltados aos públicos das classes B e C, com algum espaço para quem vende para a classe A, que procura grifes famosas nacionais e especial- mente internacionais. Essa expedição para a con- quista do interior brasileiro acontece com mais força por meio da indústria de shopping centers. Atualmente, 50% dos empreendimentos do País já se encontram em cidades do interior, segundo a Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop). Existem pelo menos 70 municípios com mais de 300 mil habitantes e muitos deles não têm um centro comercial do tipo, se- gundo Manuel Puig, diretor da divisão de varejo da Jones Lang LaSalle, empre- sa especializada em gestão de imóveis. “São muitas cidades carentes de equipa- mentos de última geração e há tendên- cia de desenvolvimento nessas regiões”, completa Puig. FORMATOS Mas não para por aí. Em cidades desse mesmo porte onde já existem shopping centers há espaço para a en- trada de novos empreendimentos, os antigos centros devem passar por readequações para enfrentar a concorrência. Foi o que aconte- ceu em Barueri (SP), onde o Shopping Tamboré foi reformado e ampliado diante do anúncio da aber- tura do Iguatemi Alphaville. Puig aponta também o fortalecimento de for- matos existentes, como outlets e Centros de Con- veniência e Serviços (CCS). Até 2016, devem sur- gir de dez a 15 outlets no País, em locais próximos O MAPA DO CONSUMO Por �iago Borges A EXPEDIÇÃO PARA A CONQUISTA DO INTERIOR BRASILEIRO ACONTECE COM MAIS FORÇA POR MEIO DOS SHOPPING CENTERS O AUMENTO DA RENDA EM CIDADES MÉDIAS E O SURGIMENTO DE NOVOS FORMATOS IMPULSIONAM A EXPANSÃO DO VAREJO NO INTERIOR DO BRASIL AV Varejo_OPORTUNIDADES.indd 22 7/21/12 2:38 PM NO | VAREJO edição especial 23 a grandes capitais. “Essa é a capacidade que o Brasil comporta, porque é um formato mais restrito a regiões com mais de três milhões de habitantes”, ressalta Puig, citando como exemplo o Outlet Premium na região de Cam- pinas (SP). Já os CCS, que comportam até dez lojas em locais com boa densi- dade urbana, se apoiam em uma ânco- ra (como supermercados ou de vestu- ário) e diversas opções de serviços. A Jones Lang LaSalle tem 25 projetos do tipo em desenvolvimento. Outra tendência para cidades do interior com mais de 150 mil habitan- tes é o retail park, formato pouco fre- quente no Brasil, mas muito popular nos Estados Unidos e na Europa. São conjuntos comerciais de 15 mil a 40 mil metros quadrados, com lojas de grande dimensão (de 800 a quatro mil metros quadrados cada) geralmente em áreas rurais. Oportunidades para megalojas de brinquedos, materiais de escritório, eletrônicos, supermercados, entre ou- tras. “Os primeiros devem surgir em 2013”, adiciona Puig. Também devem aparecer conjuntos que misturam vários formatos: onde há um shopping hoje pode vir a existir um retail park, com lojas de grande porte. O caso do Centro Comercial Aricanduva, em São Paulo, é um exemplo disso, apesar de ter sido criado de forma anárquica, sem essa intenção: além do centro de com- pras, há megalojas como C&C e o Shopping do Automóvel no entorno. “O varejista deve estar atento a esses formatos que vão representar oportunidades pelo País, porque são tendên- cias que vão perdurar”, aconselha Puig. DESAFIOS Para uma cidade ser atrativa ao varejo, alguns fatores devem ser considerados. Costa, da Vértico, lembra que a empresa só investe em localidades com acesso a boas estra- das e aeroportos, renda per capita crescente, investimentos duradouros e/ou bom nível cultural, com presença de uni- versidades ou centros de pesquisa. Isso assegura que o mercado local não �cará estagnado. O maior desa�o, porém, é a falta de conhecimento por parte dos varejistas. “Mesmo quando se fala em Nordeste, se pensa primeiro nas capitais ou cidades litorâneas, e se desconhece cidades com potencial no interior e carentes de tudo”, acrescenta Costa. E, depois de identi�car esses mercados potenciais, é preciso ir a fundo. “O Brasil tem vários países aqui dentro. Quando se vai para uma cidade que cresceu rapida- mente, é preciso entender que ela criou uma dinâ- mica especi�ca”, conclui. As oportunidades estão aí. Só é preciso saber aproveitá-las. MANUEL PUIG, DA JONES LANG LASALLE “O RETAIL PARK, POUCO FREQUENTE NO BRASIL, É UMA TENDÊNCIA PARA CIDADES MENORES” A EXPEDIÇÃO PARA A CONQUISTA DO INTERIOR BRASILEIRO ACONTECE COM MAIS FORÇA POR MEIO DOS SHOPPING CENTERS AV Varejo_OPORTUNIDADES.indd 23 7/20/12 1:09 PM NO | VAREJO edição especial 24 | TENDÊNCIAS UM LUGAR EM QUE A ABSTRAÇÃO DA MARCA SE TORNA ALGO TANGÍVEL AO CONSUMIDOR. Essa é a essência das lojas-con- ceito, ou �agships, que prezam pela experimentação e tradu- zem seu posicionamento em algo real. Uma das primeiras �a- gships do mundo foi aberta pela Nike em Portland, no Estado americano do Oregon, em 1990, com produtos divididos em andares temáticos para cada categoria esportiva: basquete, futebol, tênis, beisebol, corrida. Com o sucesso, nos anos se- guintes a fabricante de artigos esportivos replicou o modelo em outras cidades, como Chicago, Nova York, Berlim, Paris e, desde 2008, em São Paulo. A partir de então, esse tipo de ponto de experiência tem sido replicado por diversos segmentos: há desde lojas de ce- lular a motocicletas e automóveis. “A loja-conceito apresenta um modo de vender, uma inspiração para as demais unida- des”, explica Romano Pansera, presidente do Popai Brasil. Com o acesso facilitado a canais digitais de consumo, o am- biente físico deixa de ser apenas um ponto de venda. É a loja 3.0. Em um estudo feito pela Deloitte com 39 grandes varejistas americanos, 85% consideram que o ponto físico servirá mais como local de experimentação que para uma simples transação comercial. Ela se torna assim peça-chave para reforçar identidade num mundo ditado pelo atual con- sumidor omnichannel, palavra da moda. Ainda não tem uma tradução ideal, mas signi�ca a experiência de consu- mo boa e dentro dos padrões estabelecidos e aceitos pelo consumidor em qualquer canal de venda. É uma garantia de permanência da marca sobre a especi�cidade de cada canal. Não importa onde seja feita a compra do bem ou serviço, ela precisa ocorrer sem rupturas, desvios ou decepções. As lojas-conceito funcionam como laboratório para no- vos feitos. Não é só isso. Por conta dos altos investimentos em mídia, as lojas conceito são uma opção viável de marke- ting para os varejistas. “Trata-se de um forte instrumento para fazer essa comunicação institucional e deixar clara a proposta da marca”, completa Daniel Zanco, sócio-diretor da consultoria Universo Varejo. Para não depender dos reven- dedores e canais físicos, a indústria também tem se valido do modelo para se aproximar dos consumidores. No Brasil, marcas como HP, Samsung, Electrolux e Procter&Gamble, entre outras, têm suas próprias �asgships. Nesses espaços, além do foco na experiência de compra, as marcas se utilizam da arquitetura e do design impactantes que re�etem seu DNA, atendimento por uma equipe de alto nível cujo foco é apresentar os produtos e serviços personalizados para o comprador. “Um movimento interessante de criar conexão com o consumidor é o de abrir espaços de entretenimento assinado por marcas, como o bar Puma Social Club, da marca esportiva, e a casa noturna Estudio Emme, da rede de roupas femininas M”, lembra Zanco. EM MULTIPLICAÇÃO, AS LOJAS-CONCEITO INOVAM NA EXPERIÊNCIA DE CONSUMO E TRADUZEM O REAL SIGNIFICADO DAS MARCAS. MAS RESTAM DÚVIDAS: POR QUE ESSE FENÔMENO ACONTECE? O QUE ELE REVELA SOBRE O FUTURO? E QUAIS OS PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS? UMA LOJA PARA VENDERA MARCA Por �iago Borges Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o ANOVAREJOtendencias 2.indd 24 7/20/12 1:10 PM NO | VAREJO edição especial 25 VOCÊ ESTÁ FAZENDO DA FORMA ERRADA... Na febre das lojas-conceito, não há como não cometer equívocos em sua elaboração. Os erros mais comuns aponta- dos por Pansera e Zanco são: expressar uma identidade to- talmente diferente; depreciar as demais unidades da rede; não se preparar para a demanda de vendas nessas lojas; ou o contrário, criar uma expectativa de vendas muito grande, quando na verdade o investimento tem de ser entendido como marketing; chamar de �agship apenas porque a loja é maior que as demais; e a tentativa de mudar o posicio- namento da marca por meio da loja, apenas. “O posicio- namento tem de ser comunicado por vários aspectos, não é só uma loja que vai conseguir reformular todo conceito da marca. Isso inclui propaganda, relações públicas etc.”, completa Pansera.Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o C&A Com um espaço permanente dedicado à São Paulo Fashion Week, a loja-conceito da magazine no Shopping Iguatemi, em São Paulo, vende produtos exclusivos assinados por designers e ambientes voltados para cada perfil de público – “loja dentro da loja”. Consultores especializados ajudam na formação de looks e combinações. A mais recente novidade é o “Fashion Like”, inspirada nas redes sociais. Na página da C&A no Facebook, os fãs opinam sobre coleções e elegem a peça que mais gostam. A que tiver mais audiência vai para as araras. Cabides com displays digitais mostram em tempo real quantas pessoas “curtiram” determinada peça NOVAREJO SEPAROU ALGUNS CASES DE LOJAS-CONCEITO PELO BRASIL E PELO O MUNDO. CONFIRA: STARBUCKS Ambientada no andar subterrâneo de um prédio histórico em Amsterdã, a loja-conceito da Starbucks se diferencia de todas as demais unidades da rede pelo mundo: 430 m2 de espaços amplos e um design que equilibra rusticidade e modernismo. A intenção era “tatuar” a personalidade da cidade progressista no design da loja. Para isso, 35 artistas e artesãos locais se revezaram, usando apetrechos peculiares, familiares apenas aos nativos, como o azulejo de louça de barro holandês, paredes decoradas com tubos de bicicleta – símbolo da cidade –, madeiras em formato de biscoito de gengibre e sacos de sisal de café UNIQLO 300 manequins girando, subindo, descendo e mostrando diferentes formas de se usar as mesmas peças de roupa. Apesar da pouca variedade, a flagship da Uniqlo explora ao máximo o que está à venda. Localizada na 5ª Avenida, mais cobiçado endereço de Nova York, a rede japonesa colocou logo na entrada uma escada rolante que conduz os visitantes ao terceiro andar, o maior da loja. Um túnel com LED liga um lado a outro e dá uma visão futurista ao ambiente COCA-COLA Ícone do consumo, a Coca-Cola se utilizou da fama construída mundialmente desde 1886, quando foi criada, para vender produtos que vão além da garrafinha de refrigerante. Nesta loja em Atlanta (EUA), sede da companhia, há camisetas com o logotipo da marca, relógios e luminárias, mesas e cadeiras de PET, tacos de beisebol, chinelos, saleiros, broches, enfeites de Natal e, claro, os clássicos ursinhos que aparecem nas propagandas de fim de ano BNP PARIBAS Até banco tem aderido ao modelo de flagship. O francês BNP Paribas criou uma agência em Paris com lustres, espelhos, móveis retrô, paredes coloridas, estofados e itens de decoração de renomados designers. Há ainda um espaço dedicado às crianças, uma cafeteria e uma parede viva cheia de plantas. E, claro, dá para fazer tudo que é possível fazer em uma agência convencional ANOVAREJOtendencias 2.indd 25 7/20/12 1:10 PM NO | VAREJO edição especial 26 | TENDÊNCIAS ENDEREÇO CONCEITUAL Nona rua mais luxuosa do mundo, a paulistana Oscar Freire é reduto de lojas conceito no Brasil. Há desde a unidade diferenciada da MMartan, com todo o mix de cama, mesa e banho da rede de moda casa, até o Espaço Havaianas, com todos os modelos da marca vendidos no Brasil e no mundo e a possibilidade de customizar as próprias sandálias. Na flagship da Natura, os visitantes podem aprender sobre sustentabilidade e ações da empresa nesse campo. Na Magnum Boutique, famosa marca de sorvetes, dá até para conhecer a história do chocolate – sabor do gelado. A Hope permite customizar produtos com cristais ou monogramas, e uma costureira está à disposição para ajustes. Entre fortes concorrentes, como Nike e Adidas, está a loja da Asics. No local, há teste de pisada em 3D de alta precisão, e um laboratório especial para realização de análise dos pés do corredor, que são escaneados e medidos com lasers e ajuda de oito câmeras. O corredor passa a conhecer as dimensões reais de seu pé; tipo de pisada e pegada, deformidades e angulações, e por fim é feita uma análise da corrida. Com livraria, galeria de arte e cafeteria parisiense, nem parece que a Citroën vende carros. Na loja de três andares, a primeira flagship da montadora fora da Europa, há painéis de vidro enormes, controle solar, tela 3D em que o cliente constrói seu próprio carro (desde a motorização até os acessórios). Também é possível comprar “souvenirs” como canetas, canecas, bolsas, óculos e relógios da marca. A Galeria Melissa, espaço da marca de calçados femininos presente há sete anos na badalada rua, une no mesmo local loja e galeria de arte – o que permite associar a marca à arte, à moda e ao design. A Galeria Melissa já sediou exposições dos irmãos Campana, foi palco de desfiles de Alexandre Herchcovitch e muda de fachada a cada temporada. Agora, a ideia é replicada no Soho, em Nova York, onde fica a primeira loja- conceito da marca fora do País, seguindo a mesma premissa da paulista, a loja abriga artistas locais em exposições. ANOVAREJOtendencias 2.indd 26 7/20/12 1:10 PM NO | VAREJO edição especial 28 | MARKETING E VENDAS Dennis Mueller, economista americano, publicou em meados da década de 80 um inte- ressante estudo cientí�co. Trabalhando com uma amostra de empresas bastante ampla, o pesqui- sador identi�cou um fenômeno a que denomi- nou regressão a média. Sinteticamente trata-se da convergência da rentabilidade para um valor intermediário. Ou seja, ao longo do tempo, as empresas com rentabilidade baixa tendem a melhorar seus resultados. Por outro lado, aque- las com desempenho alto tendem a perder fôle- go reduzindo a diferença que as separam do gru- po com resultados inferiores. De modo que as melhores deixam de ser tão melhores e as piores deixam de ser tão piores. Uma analogia talvez possa ajudar a secundar essa ideia. Considere-se, por exemplo, o futebol. Nesse esporte o principal momento é justamen- te a Copa do Mundo. Pois bem, tomando a mé- dia das diferenças de gols de todas as partidas, veri�ca-se que na Copa ocorrida no Uruguai em 1930, esse indicador foi calculado como 2,7 gols. Essa média na Copa da África do Sul, 80 anos depois, situou-se em apenas 1,2 gols. Dito de outro modo, as diferenças entre os competi- dores visivelmente estreitaram-se. Ganhar uma Copa do Mundo tornou-se signi�cativamente mais difícil. Para as empresas não é diferente, principal- mente para aquelas organizações que atuam em mercados altamente disputados, como é exata- mente o caso do varejo. As empresas que ope- ram comercializando bens são basicamente elos entre a indústria e o consumidor �nal. Ligam a complexidade dos desejos dos indivíduos à má- quina produtiva da economia. Fabricar e vender produtos, entretanto, tornou-se cada vez mais comum. Hoje não há mais novidade nos times que atuam sem que as posições dos jogadores sejam rígidas. Todos jogam desse modo. Todos atacam e todos defen- dem. Resultados mais apertados requerem mais esforço. Porém em que direção? A verdade é que o aumento dacompetição induz a compressão das margens e ela, por sua vez requer, para a manutenção dos lucros, aumento do giro. Volu- mes maiores por seu turno, em geral, levam a necessidade de ampliação do mercado. Em ou- tras palavras, fusões e incorporações de modo que todos vendem de tudo e tudo pode ser com- prado em qualquer lugar. Nesse ponto vale assinalar que o trabalho de Mueller foi apresentado há 25 anos atrás. De lá para cá a competição tornou-se ainda mais acirrada com o aumento fantástico da ve- locidade das comunicações. Mas é preciso men- cionar também um segundo achado do estudo. O autor veri�cou que, embora o desempenho das empresas convergisse para um valor mé- dio, um intervalo separando as melhores das não tão e�cientes persistia, ou seja, mantinha- -se com o passar do tempo. Mueller associou a manutenção dessa condição às características especí�cas das empresas que detinham proces- sos diferenciados não facilmente reproduzíveis pelas demais empresas. No varejo onde todos vendem de tudo e tudo é vendido por todos, onde estão as reais possibilidades de diferenciação? Aquilo que se vê é mais facilmente observado, copiado e as- similado. Assim sendo, o que é evidente não se constitui verdadeiramente em matéria-prima que propicia a diferenciação. A solução está na própria natureza da atividade de ligação do va- rejo. Decodi�car o complexo das disposições de compra dos indivíduos a partir da de�nição do vetor preço, sortimento, local e formas de paga- mento constituí-se no único traço diferenciador estável. Em suma, a empresa varejista diferen- ciada dependerá crescentemente de sua habili- dade e inteligência organizacional no gerencia- mento de informações. PROF. DR. CLAUDIO FELISONI DE ÂNGELO É PRESIDENTE DO IBEVAR (INSTITUTO BRASILEIRO DE EXECUTIVOS DE VAREJO) DIFERENCIANDO-SE EM UM AMBIENTE NO QUAL TODOS VENDEM DE TUDO E TUDO É VENDIDO POR TODOS ANOVAREJO_marketing e vendas.indd 28 7/20/12 1:13 PM NO | VAREJO edição especial 30 | MERCADO DE AÇÕES EM MOMENTO DE PUJANÇA ECONÔMI- CA NO BRASIL, O CAMINHO MAIS CURTO PARA CONSEGUIR VERBA PARA FINAN- CIAR EXPANSÕES É O MERCADO DE CA- PITAIS. Devem se bene�ciar, principal- mente, empresas voltadas às classes C e D, nas quais há maior expectativa de crescimento por conta da política go- vernamental de acesso ao crédito. De 2004 para cá, diversas empresas do varejo aderiram à Bolsa de Valores de São Paulo para bancar seus projetos, entre elas: Marisa, IMC, Drogasil, Dro- ga Raia, Dufry, Le Lis Blanc, Arezzo, Magazine Luiza e BR Pharma, além das incorporadoras de shoppings, como Iguatemi, BR Malls e Aliansce. “O que as empresas sempre fazem é buscar um nível de competição melhor para elas e essa é uma forma efetiva de se obter isso”, explica Renato Prado, analista da Fator Corretora. Com a atual conjuntura econômica global, em que Estados Unidos e Eu- ropa passam por uma crise �nanceira e a China entra em desaceleração, o momento pode não ser o mais adequa- do para fazer investimentos no mer- cado de capitais – quadro que deve se manter durante todo o ano de 2012, segundo Prado. Mas ao mesmo tempo o mundo está submerso em liquidez e os olhares dos investidores estão vol- tados aos países emergentes. Portanto a hora ideal para fazer o IPO varia de empresa para empresa. “Às vezes, o segmento dele não deu mostras de de- saceleração, então ele pode expandir”, salienta Prado. É o que ocorre com a rede de far- mácias Pague Menos, que neste ano se prepara para fazer seu IPO na Bovespa para dar conta de sua super expansão. No �nal de maio, a Comissão de Valo- res Mobiliários (CVM) recebeu o pros- pecto da companhia, que tem mais de 500 lojas em 203 municípios. Até 2017, serão abertas cem unidades por ano em todas as 112 cidades com mais de 80 mil habitantes em que a Pague Menos ainda não atua. “Começamos no Nordeste e �zemos o caminho inverso das redes sulistas. Crescemos aqui e queremos dominar o Sul e o Sudeste”, justi�ca Francisco Deusmar Queirós, presidente da empresa, que viaja de terça a sexta pelo País para inaugurar duas lojas por semana. “Quero fazer o IPO porque toda empresa grande tem ações na Bolsa e, assim, pode crescer cada vez mais”, justi�ca. Esse não é um movimento exclu- sivo dos varejistas. “Todo mundo que quer crescer e ter custos compatíveis com margens mais apertadas precisa obrigatoriamente ir para a Bolsa”, cor- robora �arcísio Bierrenbach de Souza Santos, diretor de MBA da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). OUTRAS HABILIDADES Pode parecer muito atrativo, mas vender ações exige mais do que o tino comercial comum a qualquer varejista. O Magazine Luiza, por exemplo, atraiu mais de 35 mil investidores para seu IPO em abril de 2011, com preço das ações entre R$ 16 e R$ 21 e arrecadou quase R$ 900 milhões. Pouco mais de um ano depois, os papéis da empresa valem cerca de R$ 10. “Os IPOs dos varejistas foram todos bem-sucedidos, sim, mas as ações iniciais parecem ter sido preci�cadas num valor muito alto – o que causou nos investidores a sen- sação de que as ofertas podem não ser tão interessantes”, observa Ricardo Al- meida, professor de �nanças do Insper. E num mercado aberto, as empre- sas estão mais suscetíveis ao comporta- mento macroeconômico – e aí, pode ser o momento, inclusive de fechar capital. Foi o que aconteceu com a Marisol, in- dústria fundada em 1974 e presente na ESPECIALISTAS NA ARTE DA COMERCIALIZAÇÃO, OS VAREJISTAS MIRAM A BOLSA DE VALORES PARA VENDER NACOS DA EMPRESA E, ASSIM, CONSEGUIR DINHEIRO PARA FINANCIAR EXPANSÕES. MAS SERÁ QUE O SETOR ESTÁ PRONTO PARA ASSUMIR AS RESPONSABILIDADES QUE O MERCADO EXIGE? VENDEM-SE: AÇÕES DA COMPANHIA Por �iago Borges Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o 30 | MERCADO DE AÇÕES ANOVAREJO_Mercado_acoes.indd 30 7/20/12 1:36 PM NO | VAREJO edição especial 31 Bolsa desde 1976. Em junho de 2012, a companhia – que também atua no va- rejo desde os anos 90 – anunciou sua saída do mercado de capitais. “Você abre capital quando tem projetos de expansão e busca recursos no mercado de capitais. A Marisol não vinha entendendo isso como uma ne- cessidade, ultimamente, até porque para sustentar essa operação na Bolsa há todo um dispêndio �nanceiro. Não fazia nenhum sentido manter isso”, explica Giuliano Donini, presidente da holding, que saiu da Bovespa com uma valor de R$ 3,30 para cada ação. “Cada empresa tem seu momento e seu projeto. E tem modismos tam- bém. O mercado de capitais é muito sedutor”, completa. Por isso, a Bolsa não é para sempre – e muito menos para qualquer um. San- tos, da FAAP, lembra que o processo exi- ge mudanças corporativas para melhor controle, formação de executivos, pos- tura, forma de tratar os stakeholders e uma transparência que nem sempre o varejo está pronto para executar. “Para ir à Bolsa, é preciso ter uma cabeça 2.0, mente aberta”, aponta Santos. Geralmente formado por empresas familiares, antes de entrar na Bolsa o varejo brasileiro precisa se pro�ssiona- lizar. “Gestão familiar envolve laços de sangue e os novos acionistas vão enca- rar isso como possibilidade de perda do controle”, explica Almeida, do Insper. “A família tem de trocar o comando da empresa por dinheiro no bolso”, segue. Harmonizar o desejo dos velhos proprietários com as expectativas dos investidores é o maior desa�o para a abertura de capital dos varejistas. A pro�ssionalização da gestão é premis- sa básica para atender a esses anseios. “Se a empresa tem como meta dobrar o número de lojas, o mercado acaba cobrando isso e, indiretamente, força a pro�ssionalização”, esclarece Leonardo Girela Zanfelicio, analista-chefe da cor- retora Concórdia. Mas o fato de ter origem familiar – caso de 85% dos varejistas brasileiros – não signi�ca que a empresa esteja re- pleta de incompetentes, segundo Her- bert Steinberg, especialista em gover- nança corporativa da Mesa Corporate.Herbert Steinberg indica as premissas básicas para se tornar atraente aos olhos dos investidores: 1° Formalize Tudo deve ser contemplado nos balanços, senão fica difícil se candidatar a investimentos 2° Seja transparente Tenha a postura de querer informar, dividir, mas sem que isso seja uma obrigatoriedade cumprida com sofrimento. É preciso ser um desejo da companhia 3° Tenha um plano Especifique como você quer participar desse mercado, quais são seus objetivos, como pretende expandir os negócios TRÊS PASSOS Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o RICARDO ALMEIDA, DO INSPER “AS VAREJISTAS FORAM BEM- SUCEDIDAS NA BOLSA, MAS AS AÇÕES FORAM PRECIFICADAS NUM VALOR ALTO” ANOVAREJO_Mercado_acoes.indd 31 7/20/12 1:36 PM NO | VAREJO edição especial 32 | MERCADO DE AÇÕES Caso contrário, companhias bem-suce- didas como Organizações Globo, Ode- brecht, Gerdau ou Votorantim seriam consideradas de segunda classe. “O importante é não ter uma abordagem doméstica, mas pro�ssional. Se a em- presa pretende se perpetuar, é impor- tante administrar relações de afeto, de poder e de dinheiro na família”, explica. CAMINHOS DIFERENTES Com a pecha de ser mais informal que os demais setores, é natural que o varejo gere maior descon�ança sobre os investidores dispostos a colocar di- nheiro. Portanto é preciso adotar práti- cas de governança corporativa – e mos- trar que elas estão sendo cumpridas “Se quer ser elegível ao dinheiro, demons- tre a investidores e entidades estranhas a sua estrutura que você é con�ável e que deve receber aquele dinheiro para seu projeto”, continua Steinberg, que lista três premissas básicas para atrair investimentos (con�ra no box). Uma das formas de se preparar para o IPO, e atingir o nível de investimento almejado, é seguir por outros caminhos antes de apostar na Bolsa. É possível, inclusive, “treinar” a governança cor- porativa ao mesmo tempo em que se capitaliza. Outra maneira de se fazer isso é por meio dos fundos de priva- te equity, que devem captar US$ 20 bilhões para investir em empresas brasileiras até o �m de 2012. Esses fundos, aliás, foram respon- sáveis por 50% das fusões e aquisições que ocorreram no Brasil nos primei- ros quatro meses de 2012, segundo levantamento da consultoria Pricewa- terhouse Coopers. Seis anos atrás, esse tipo de investimento respondia por apenas 15%. Para se ter uma ideia, de 2008 a 2011 aconteceram em média 700 fu- sões e aquisições por ano. De janeiro a abril deste ano, foram 236 operações – mantendo a média dos anos ante- riores – e a participação de investido- res estrangeiros aumentou 2% este ano, passando para 43% do total de negócios realizados. E foi o varejo, junto à área de TI, que liderou a alta, saltando de 11 operações no mesmo período de 2011 para 23 agora. Entre os destaques, a Máquina de Vendas adquiriu a Salfer; o Sonda comprou a rede Economax; a Farmais �cou com as redes Sant’anna e Beauty; e a Ale assumiu a Ello-Puma. Esse movimen- to deve se manter nos próximos anos, já que de acordo com um levantamen- to da Grant �ornton, 40% dos exe- cutivos brasileiros planejam fusões e aquisições nos próximos três anos e 94% deles miram negócios dentro do País. No mundo, a média é de 34%. Do ponto de vista do crescimento, a fusão ou aquisição é uma beleza. “Mas você tem problemas horríveis de ges- tão, como na hora de formar uma nova cultura corporativa, pois agora não se trata da empresa A ou B”, lembra San- tos, da FAAP, que alerta também que o investimento de um private equity é provisório e o investidor só aplicará recursos se tiver certeza de uma futura abertura de capital. “Se você convidá-lo para dançar e não levá-lo para o lugar da festa onde tem IPO, ele não vai que- rer dançar com você”, conclui. GIULIANO DONINI, DA MARISOL “O MERCADO DE CAPITAIS É MUITO SEDUTOR” THARCÍSIO SANTOS, DA FAAP “TODO MUNDO QUE QUER CRESCER VAI À BOLSA” É PRECISO ADOTAR PRÁTICAS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA – E MOSTRAR QUE ELAS ESTÃO SENDO CUMPRIDAS ANOVAREJO_Mercado_acoes.indd 32 7/21/12 2:38 PM NO | VAREJO edição especial 34 | FRANCHISING O franchising no Brasil comemora 25 anos em 2012. Desse período, os últimos cinco anos foram os mais importantes para o setor, que se profissionalizou, se consolidou e se internacionalizou. O fatura- mento das franquias passou a ser signi�cante para o varejo, o número de empregos relevante para o desenvolvimento do país e o número de unidades franqueadas de fazer inveja a qual- quer país. Já temos rede em operação no Brasil com 3.500 unidades. O faturamento do franchising tem cresci- do acima do PIB nos últimos anos e em 2011 alcançou R$ 88 bilhões. Já são mais de 830 mil empregos diretos em cerca de 90 mil unidades espalhadas por todo o País. O setor também se bene�cia de ter uma en- tidade representativa e atuante. Atualmente, a ABF reúne mais de mil empresas associadas, o mesmo número da IFA, que é a associação de franquias dos EUA, maior mercado mundial de franquias. Mais da metade das redes em ope- ração no país é associada à ABF. Essa articu- lação tem sido fundamental para aumentar a capacitação do setor e dialogar com as várias esferas do governo. A internacionalização também é um exem- plo disso. Hoje, 90 redes brasileiras já pos- suem unidades no exterior, contribuindo para a balança comercial do País, uma vez que não são apenas produtos sendo exportados, mas, sim, marcas, cujo valor agregado às exporta- ções e à imagem do Brasil são indiscutíveis. O aumento do consumo no Brasil e o in- gresso de�nitivo da mulher no mercado de trabalho estão diretamente relacionados ao sucesso do setor, assim como o acesso mais fá- cil ao crédito. Os empreendedores e os consu- midores estão utilizando o crédito de maneira inteligente e o setor de franquias se bene�ciou muito com isso. Este ano, o segmento comemorou um grande marco que foi o aumento da faixa do Super Simples, uma reivindicação antiga. O franchising nacional comemorou também a desoneração da folha de pagamento, que num primeiro momento ajudou bastante a indús- tria e as empresas que exportam, mas tam- bém o setor produtivo como um todo. Essas duas medidas incentivam a formalidade, a criação de empregos e a produção e, por isso, foram celebradas pelo setor. O Brasil é, atualmente, referência no mercado global de franquias e já conta com a maior feira de negócios em franquias do mundo, a ABF Franchising Expo. Todos esses movimentos já reproduziram um efeito posi- tivo no nosso setor, dando o ânimo necessá- rio para continuarmos investindo e almejan- do cada vez mais espaço na nossa economia e no mercado global. A expectativa é continuar crescendo e atender o consumidor atual que exige quali- dade, inovação, rapidez e bons serviços. Um dos principais desa�os enfrentados pelo fran- chising hoje é a alta dos preços dos imóveis. Infelizmente, o exagero praticado em algumas cidades brasileiras tem inibido alguns investi- mentos e até inviabilizado novos projetos. A IMPORTÂNCIA DO FRANCHISING NO VAREJO BRASILEIRO RICARDO BOMENY É PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE FRANCHISING (ABF) ANOVAREJO_artigo_franchising.indd 34 7/20/12 1:38 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 36 | ESTUDO DE CANAIS zzzzzzzhh ESTUDO EXCLUSIVO REVELA QUAIS SÃO OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO PREFERIDOS DOS CONSUMIDORES E AS VANTAGENS E DESVANTAGENS DE CADA UM – E COMO APLICAR ESSAS INFORMAÇÕES NA SUA EMPRESA Por �iago Borges Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o NO | VAREJO edição especial 36 | ESTUDO DE CANAIS ATENDIMENTO X PRATICIDADE A MELHOR CARACTERÍSTICA DA LOJA FÍSICA, ATENDIMENTO, APONTADA COMO O GARGALO DA LOJA ON-LINE O BRASILEIRO AINDA DESCONFIA DAS LOJAS VIRTUAIS? Comprar pelo smartphone é lenda por aqui? E as vendas porta a porta são, de fato, uma paixão nacional? Para responder a questões comoessas, NOVAREJO encomendou um estudo exclusivo à consultoria SAX Metrics. Entre abril e maio de 2012, 295 pessoas responderam pela Internet a um questionário em que apontam que tipos de produtos cos- tumam comprar por cada canal e quais os aspectos positivos e negativos de cada um. Se em alguns pontos as obviedades são con�rmadas, em outros os resultados surpreendem. Citadas por nove em cada dez partici- pantes, as lojas física e on-line aparecem tecnicamente empatadas entre os canais que os consumidores melhor conhecem, utilizam ou já utilizaram. “A inter- net é mais utilizada para a compra racional pela qual se olha as espe- ci�cações técnicas e há planeja- mento”, explica Erika Agostino, diretora-executiva da Sax Metrics. De fato, o e-commerce é prefe- rível para comprar itens padroni- zados, que são iguais em qualquer lugar, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, celulares e TVs. Mas a maior parte das compras ainda é feita nas lojas de tijolos e cimento – apenas uma categoria (eletroeletrônicos) tem maior re- presentatividade no canal web. O principal aspecto positivo mencionado por quem compra a distância (considerando aí os de- mais canais, como catálogo e te- lefone) é a praticidade de não ter que sair de casa. Por outro lado, a melhor característica das lojas físicas, que é o atendimento, é apontada como o gargalo das lojas on-line – à frente até da seguran- ça, que aparece em segundo lugar. O mesmo problema também é notado nas vendas por catálogo, telefone e smartphone. “O que me faz decidir por uma loja física é poder experimentar e ter um atendimento de alguém que me explica sobre o que estou procurando. No canal não físico, não tenho isso”, explica Erika, notando a preferência desse canal por quem pretende comprar ali- mentos, bebidas, vestuário, brin- quedos e cosméticos. “Compran- do presencialmente, eu tenho o aspecto emocional: ver, tocar, ex- perimentar – e isso faz diferença na minha escolha”. Por outro lado, a praticidade dos canais virtuais é vista como o principal aspecto ne- gativo das lojas físicas. UM POUCO DE CADA Diante desse embate entre o atendimento da loja física e pra- ticidade da venda a distância, o que resta ao varejista – de todos os canais – é equilibrar o que há de positivo com o que é negativo. “Se eu vendo por catálogo, não pode- ria equipar minhas revendedoras com tablets conectados à internet para ampli�car essa experiência?”, sugere Erika. No caso das lojas on-line, por exemplo, a experiência de compra pode ser melhorada para criar diferencial perante o modelo asséptico predominan- te, seja criando um chat no site para tirar dúvidas em tempo real, seja melhorando o serviço telefônico ou mesmo entregan- do amostras grátis. Uma das principais varejistas da internet brasileira, a Netshoes segue o exemplo da americana Zappos e permite ao consumidor trocar o 3 3 3 METODOLOGIA Entre os meses de abril e maio de 2012, a SAX Metrics enviou a pesquisa aos contatos do seu banco de dados Ao todo, 295 pessoas de todo o País (especialmente do Sudeste) responderam à solicitação da consultoria. 35% dos participantes são da classe A; 54% da B; e 12% da C A margem de erro varia de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos ANOVAREJO_estudo_de_canais.indd 36 7/20/12 1:38 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 37 zzzzzzzhh Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o NO | VAREJO edição especial produto sem custo nenhum caso o calçado não sirva no pé. Um informativo sobre isso vem dentro da caixa de en- trega e a empresa se responsabiliza por retirar o item e mandar o correto. Os estabelecimentos físicos podem melhorar a praticida- de da compra com a adoção de tecnologias para diminuir �las (leia mais sobre isso na matéria sobre tecnologia) ou tornan- do o espaço mais interativo. Erika lembra que, nesse caso, os varejistas podem tentar adaptar a agilidade do mundo virtual ao mundo real, com o uso de totens que permitem comprar produtos não encontrados na loja – como faz a JCPenney – ou provadores virtuais em que o cliente não precisa vestir a roupa para ver como �ca. Clássica e conservadora, a Ralph Lauren inova no aspecto e recentemente criou uma vitrine interativa em sua loja em Nova York. Uma tela gigante mostrava determinada peça de roupa e, quem passava pela rua, podia trocar por uma diferente, que �ca exposta ali até outro transeunte fazer o mesmo. No Brasil, um exemplo é a loja da Billabong no shopping Iguatemi Alphaville, em que todas as peças têm etiquetas de radiofrequência. Ao entrar em um provador com uma rou- pa, o sistema identi�ca o mo- delo e sugere automaticamente outros itens que podem combi- nar com o escolhido e ainda dá a opção de chamar o vendedor. “São situações criativas. O que a gente tem de lembrar sempre é que a experiência tem de ser agradável – e o fator surpresa melhora isso.” Apostar na experiência é o caminho para as lojas físicas, que investem cada vez mais em lojas- conceito (leia mais na matéria so- bre tendências). Isso é resultado do advento de meios digitais para fazer compras, do consumidor multicanal (que consome por di- AS LOJAS FÍSICAS PODEM MELHORAR A PRATICIDADE DA COMPRA, DIMINUIR FILAS E TORNAR O ESPAÇO MAIS INTERATIVO versos canais) e que recentemente tem se transformado em omnichannel, ou omni-canal (utiliza diversas formas para comprar ao mesmo tempo). Você está preparado? ERIKA AGOSTINO, DA SAX “ A INTERNET É A MAIS USADA PARA A COMPRA RACIONAL” NA BILLABONG TECNOLOGIA MELHORA A EXPERIÊNCIA DE COMPRA ANOVAREJO_estudo_de_canais.indd 37 7/20/12 1:39 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 38 | ESTUDO DE CANAIS 97% Internet 93% Loja física 67% Catálogo 38% Telefone 25% Porta a porta 14% Smartphone CONHECIMENTO CANAIS QUE O CONSUMIDOR BRASILEIRO UTILIZA OU JÁ UTILIZOU PARA COMPRAS DE JEITO NENHUM OS MOTIVOS PELOS QUAIS NÃO COMPRAM PELA INTERNET OU SMARTPHONE 48% Impossibilidade de ver, tocar ou experimentar o produto 40% Segurança 34% Dificuldade de troca 21% Dificuldade para comprar OS CANAIS PREFERIDOS LO JA FÍSICA 87% Vestuário 58% Brinquedos 79% Alimentação e bebidas 50% Cosméticos e perfumaria INTERNET 68% Eletroeletrônicos 63% Celular 60% TV 57% Eletrodomésticos DESTRINCHANDO OS CANAIS... O QUE OS CONSUMIDORES COMPRAM EM CADA UM DELES VALE NOTAR! AS COMPRAS NA INTERNET SÃO RACIONAIS E PLANEJADAS – DAÍ, O DESTAQUE PARA BENS DE CONSUMO DURÁVEIS LOJA FÍSICA O que as pessoas compram... 90% Alimentação/bebidas 81% Vestuário 61% Cosméticos e perfumaria 60% Brinquedos 58% Celular 57% Eletrodomésticos 55% Eletroeletrônicos 48% TV ASPECTOS POSITIVOS 82% Atendimento 49% Proximidade da loja 43% Diversidade de produtos 42% Facilidade de pagamento 25% Preço ASPECTOS NEGATIVOS 29% Praticidade 17% Preço 38% Nenhum CATÁLOGO O que as pessoas compram... 60% Cosméticos e perfumaria 17% Vestuário 15% Eletroeletrônicos 11% Eletrodomésticos 8% Alimentação/bebidas 6% Celular 4% TV ASPECTOS POSITIVOS 76% Praticidade 41% Diversidade de produtos 17% Preço ASPECTOS NEGATIVOS 34% Atendimento 18% Facilidade de pagamento 34% Nenhum TELEFONE O que as pessoas compram... 22% Alimentação/bebidas 9% Eletroeletrônicos 8% Eletrodomésticos 8% Cosméticos e perfumaria 5% Celular 2% Vestuário 2% Brinquedos 2% TV ASPECTOS POSITIVOS 46% Praticidade 21% Atendimento 43% Nenhum ASPECTOS NEGATIVOS 45% Atendimento 26% Diversidade de produtos 25% Nenhum INTERNET O que as pessoas compram... 66% Eletroeletrônicos 54% Eletrodomésticos 49% Celular 34% Vestuário 33% Cosméticos e perfumaria 32% TV 32% Brinquedos 28% Alimentação/bebidas ASPECTOS POSITIVOS 88% Praticidade 75% Diversidade de produtos 68% Facilidade de pagamento 67% Preço ASPECTOS NEGATIVOS 39% Atendimento 49% Nenhum VALE NOTAR! Apesar de sofrer rejeição por parte de 45% dos consumidores, o smartphone surpreende por já tersido utilizado por 14% dos entrevistados – ainda que para itens de baixo tíquete médio, como alimentos e bebidas. Segundo Erika, por ser novidade, o canal ainda é visto com desconfiança, mas vai crescer pegando carona na expansão da internet móvel no Brasil. SMARTPHONE O que as pessoas compram... 6% Alimentação/bebidas 5% Celular 4% Eletroeletrônicos 3% Cosméticos e perfumaria 2% Eletrodomésticos 1% Vestuário 1% Brinquedos 1% TV ASPECTOS POSITIVOS 44% Praticidade 13% Diversidade de produtos 45% Nenhum ASPECTOS NEGATIVOS 46% Atendimento 14% Preço 32% Nenhum OS REJEITADOS Se negam a comprar por... TELEFONE 56% Cosméticos e perfumaria 46% Eletrodomésticos 43% Eletroeletrônicos 39% Alimentação e bebida PORTA A PORTA 52% Celular 49% Eletroeletrônicos 46% Eletrodomésticos NO | VAREJO edição especial 38 | ESTUDO DE CANAIS ANOVAREJO_estudo_de_canais.indd 38 7/20/12 1:39 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 39SEGUROS MASSIFICADOS | ACACIO QUEIROZ É PRESIDENTE & CEO DA CHUBB SEGUROS O BRASIL – NO NORDESTE E CEN- TRO-OESTE, EM ESPECIAL – vem pas- sando por uma profunda mudança no âmbito do consumo. Com a estabilida- de econômica e os incentivos do gover- no, que têm ampliado continuamente o poder de compra do trabalhador, assis- timos à inédita ascensão de um gigan- tesco contingente à classe C, que hoje compõe mais da metade da população do País (53%). Essas pessoas, com maior acesso ao crédito, mais dinheiro no bolso e ávidas por consumo, estão na mira dos vare- jistas e também passaram a formar um alvo preferencial para os programas de a�nidade, os chamados seguros massi- �cados. São produtos de baixo custo e alto valor agregado, para os quais o va- rejo constitui um canal de comunicação e comercialização privilegiado, tornan- do as empresas varejistas estratégicas na distribuição desse tipo de seguro. Os primeiros contratos foram �r- mados com as “utilities” (distribuidoras de energia, água, serviço de telefonia etc). Depois, passaram a ser ofertados Seguros de Acidentes Pessoais, Prote- ção Financeira (desemprego), perda e roubo de cartão, residencial, garantia estendida e muitos outros produtos a um amplo público por meio das redes de varejistas, aproveitando-se a sua grande capilaridade. Criou-se assim a sinergia ideal entre seguradoras e va- rejo, para o qual o massi�cado agrega valor ao oferecer benefícios extras para o consumidor, aumentando a �delidade em relação ao varejista. Com o rápido crescimento do mer- cado de cartões, em especial os private label, chegou-se ao meio ideal para a cobrança de pagamentos mensais de valor reduzido, como é o caso do segu- ro massi�cado. O consumidor desse tipo de pro- duto geralmente tem no massi�cado seu primeiro contato com o universo do seguro. Por outro lado, apostar nes- se segmento permite inovar e, mais do que isso, conquistar esse novo público, atuando, inclusive, como fator educati- vo para o consumo de outros produtos. É a porta de entrada para seguros mais abrangentes e de maior valor. Uma vez conquistada a con�ança desses novos segurados, principalmen- te por intermédio da �delidade à marca do varejista, estabelece-se um relacio- namento de longo prazo, bene�ciando a sinergia entre o varejo, a seguradora e o próprio segurado. O seguro massi�cado constitui um mercado que oferece grandes possibili- dades e possui potencial ainda inexplo- rado. Contudo para alcançar retorno é preciso investir no desenvolvimento de produtos diferenciados e adequados para cada público especí�co, inovar na abordagem, usando uma linguagem mais fácil de ser compreendida, e criar mecanismos de simpli�cação dos pro- cessos de contratação de seguro, sem- pre por meio do corretor. SINERGIA QUE DÁ FRUTOS ANOVAREJO_seguros_massificados.indd 39 7/21/12 7:17 PM NO | VAREJO edição especial 40 | INOVAÇÃO VAREJO EM TEMPOS QUÂNTICOS Não vivemos mais a época das mudanças lineares, das transformações que seguem caminhos previsíveis. A transformação da época de nossos pais seguia a progressão aritmética, na nossa foi geométrica. Hoje ela é abrupta, não linear e quântica. E assim da noite para o dia iremos nos de- frontar com a vida em novas regras. De um ano para outro. E até sabemos quando será a próxima grande mudança, aquela que imprimirá uma transformação ainda mais radical: quan- do as novas gerações, nascidas e criadas na dinâmica em rede e conectadas globalmente, tornarem-se dominantes e deter- minantes no universo de consumo. Nos próximos 20 anos o mundo irá mudar mais rápido e todos sabemos que a trans- formação recente foi avassaladora. Então, se prepare. Prepare-se para a mudança, mudando. Prepare-se incorporando as práticas que o mundo da tecno- logia e da conexão digital nos oferece. Prepare-se aprendendo com as ondas sociais quando elas nascem. Aprenda com elas porque se você deixar para aprender todas ao mesmo tempo, talvez não consiga acompanhar o ritmo. Vejamos aqui alguns movimentos que estão em conexão contemporânea: O MUNDO TODO COMO UMA EXPERIÊNCIA DE VAREJO a PSFK, uma empresa de comportamento sediada nos Estados Uni- dos, divulgou no início deste ano um estudo intitulado “O Futuro do varejo” em que destaca: “Qualquer lugar será uma loja, tudo estará disponível para comprar a qualquer momen- to e qualquer pessoa poderá estar envolvida em uma compra.” A experiência de compra está tornando-se descentralizada e independente de tempo e espaço. O conceito não signi�ca apenas comércio eletrônico ou internet móvel, mas também lojas sem checkout como a nova Sephora do Meatpacking em Nova York ou as lojas Apple em que você pode pagar a compra em seu próprio celular por meio de um aplicativo, receber a nota em seu e-mail e levar o produto. Signi�ca também lojas que não fecham já que oferecem vitrines interativas em que é possível obter informações de produtos quando a loja está fechada como a experiência realizada pela marca Tissot na loja de departamento londrina Selfridges. Nessa iniciativa, que utilizou realidade aumentada, os consumidores podiam BETH FURTADO É SÓCIA–DIRETORA DA ALIA – CONSULTORIA ESPECIALIZADA EM MARKETING experimentar toda a coleção do lado de fora da loja. Esse movimento reforça que não existe on e o�, não existe mais loja e mundo virtual. Não existe mais momento ou lugar que não possa ser um momento de compra ou canal. VISUALIZAÇÃO PRÉ-COMPRA aplicati- vos para internet móvel estão inserin- do uma possibilidade que hoje é pouco exercitada: a visualização de lojas ou destinos previamente. Esses aplicati- vos irão permitir escolhas entre lojas cheias por outras mais vazias. Irão per- mitir ao cliente visualizar previamente um possível circuito pela loja, baseado na localização dos produtos, permi- tindo compras mais rápidas ou mais tempo em setores que interessam aos clientes. O grupo West�eld, maior ope- rador de shoppings do mundo, inseriu em seu aplicativo mobile, as funcio- nalidades do Google Commerce para facilitar e economizar tempo de seus clientes nos shoppings, fazer cotações de preços entre os lojistas do shopping visitado, e checar disponibilidade com um clique. ENGAJAMENTO ATIVO isso signi�ca proporcionar interação entre o con- sumidor e o produto/marca nas lo- jas físicas por meio de plataformas tecnológicas. A iniciativa da C&A de inserir os “likes” do Facebook nos cabides da sua coleção dos Dias das Mães na loja física, ajudando a fa- zer escolhas a partir da opinião de várias clientes, é um belo exemplo do que esta tendência signi�ca. env_artigo_beth.indd 40 7/20/12 1:41 PM NO | VAREJO edição especial 41 ESPERE O INESPERADO signi�ca a neces- sidade e importância de inserir novas práticas, táticas e abordagens na experi- ência de compra o tempo todo. Signi�ca não apenas lançar um novo conceito de loja e dar-se por satisfeito nos próximos anos, mas se manter inquieto transfor- mando-se e transformando a loja e os serviços,continuamente. Não é fácil, mas se manter atrativo na atualidade signi�ca trazer algo novo em um mun- do repleto de novidades. Essa tendência requer muita �exibilidade no conceito da loja bem como a inserção de espaços – seja onde for, até no teto – para dar lugar a novas experiências. Algumas marcas têm feito uso de projeções e da iluminação para criar a transformação, como a Gareth Pugh, marca de vestuá- rio em sua loja de Hong Kong. DIÁLOGO E COLABORAÇÃO a dinâmi- ca de consumo agora é colaborativa e social, o que signi�ca encontrar novas formas de comercializar em rede e em grupos como as lojas no Facebook. Para estabelecer maior diálogo é necessário contemplar aspectos locais já que são estes elementos que criam conexão e sentido para as pessoas, ao fazer parte da sua realidade. Mas, acima de tudo, é preciso compreender que o varejo, o consumo e o comércio são sociais. Um bom exemplo de negócio com esta vo- cação é a Make Meaning, um espaço de entretenimento sediado em Nova York que tem como proposta socializar e em consequência vender. Nos eventos po- dem-se criar sabonetes, papelaria, bi- juterias, cerâmica, decoração de doces; en�m, a loja torna-se um espaço para inspirar oferecendo seus materiais, o momento e o álibi para a diversão. TAPETE VERMELHO PARA TODOS, há alguns anos uma loja �agship era uma operação de marca mais do que de vendas. Essas lojas recebiam mais investimento e se possível o estado da arte de storytelling – a abordagem que, ao invés de vender produtos, conta histórias de marcas. No estudo da PSFK, to- das as lojas devem ser uma �agship, não no sentido do inves- timento �nanceiro, mas no sentido que todas as experiências devem ser disponibilizadas em todos os pontos de contato. Serviços antes guardados às operações ou aos clientes espe- ciais, como as variantes de serviços personalizados, agora seguem cada vez mais democratizados. Então não esqueça, mudar é um imperativo já que inova- ção é conexão com seu tempo. Nesse sentido inovar é apenas fazer movimentos para manter-se contemporâneo. A única questão é que estamos em tempos de velocidade da luz. E quem não gosta de um bom desa�o? 2. CABIDES MOSTRAM QUANTIDADE DE CURTIDAS NO FACEBOOK DA C&A 3. SEM CHECKOUT: NA LOJA SEPHORA, CLIENTE PAGA NO SEU PRÓPRIO CELULAR 4. EM HONG KONG, MARCA GARETH PUGH USA PROJEÇÕES PARA DIFERENCIAR PDV 5. NO MAKE MEANING A PROPOSTA É PROMOVER SOCIALIZAÇÃO, DEPOIS A VENDA 1. APLICATIVO DO OPERADOR DE SHOPPINGS WESTFIELD ECONOMIZA TEMPO DO CONSUMIDOR 1. 2. 3. 4. 5. env_artigo_beth.indd 41 7/20/12 1:41 PM NO | VAREJO edição especial 44 | DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA Todos os varejistas, de uma forma ou de outra, cumprem um roteiro que parece simples: aquisição, mo- vimentação, armazenamento e entre- ga de produtos. Cumprir o script não é mais o su�ciente. O varejo busca lapi- dar o que tem nas mãos, o que envolve planejar o negócio para reduzir custos e satisfazer o cliente �nal. A cada R$ 100 faturados pelas empresas brasileiras, R$ 8 são gastos ações do governo para serem ampliadas e modernizadas”, a�rma Carlos Eduar- do Severini, presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuido- res (ABAD). Há tempos, o setor alerta que a malha rodoferroviária brasileira está aquém do necessário para suportar o crescimento esperado para os próxi- mos anos. A situação �ca mais grave com o investimento escasso nos ou- tros modais, como portos, aeroportos e hidrovias. “As iniciativas do governo nesse sentido ainda são muito tímidas e pautadas em interesses políticos”, considera Rafael Barros, especialista em supply chain. Além da infraestrutura falha, o transporte rodoviário acarreta custos para as empresas com veículos, com- bustível, mão de obra direta, seguro, gestão de riscos, entre outros. E sob essas linhas de custo ainda incidem pesados impostos. Não é à toa que o setor possui altos índices de sonegação. “Como qualquer outro mercado no Bra- sil, claramente não se vê os resultados e benefícios dessa alta carga tributária”, a�rma Barros. Para minimizar os problemas, a ABAD montou um comitê para acompanhar as discussões sobre o assunto no Congresso Nacional, pela luta pela simpli�cação dos impostos federais, e redução e uni�cação dos tributos estaduais, o que bene�ciaria os agentes de distribuição e toda a cadeia de abastecimento. SEM ESPERAR POR AÇÕES GOVERNAMENTAIS, O SETOR PRIVADO INVESTE PARA GARANTIR A CHEGADA DO PRODUTO NAS MÃOS DO CLIENTE INFRAESTRUTURA EM XEQUE Por Juliana Gonçalves com custeios logísticos, segundo a pesquisa “Práticas Logísticas”, rea- lizada pelo Instituto de Engenharia de Gestão (IEG). Ou seja, perde-se muito dinheiro nos gargalos de uma infraestrutura de�citária. Os problemas começam pelas rodo- vias, estradas e ruas: 78% do transpor- te de produtos industriais é realizado por modal rodoviário. Se uma empresa pretende abastecer um país com as di- mensões avantajadas como o Brasil, o caminho literalmente não é fácil. “Um dos nossos maiores entraves está rela- cionado às estradas, que dependem de ANOVAREJO Distribuicao_e_logistica.indd 44 7/20/12 1:41 PM NO | VAREJO edição especial 45 DEVER DE CASA Enquanto a infraestrutura exter- na capenga, dentro das empresas o cuidado deve ser redobrado. “Cons- tantemente, as empresas precisam se perguntar com que frequência abaste- cem os canais, como compram e ven- dem e principalmente se estão utili- zando a tecnologia necessária para auxiliar na logística e distribuição dos produtos”, observa Daniel Mayo, dire- tor de logística da Linx. As companhias estão dispos- tas a melhorar. O Ranking ABAD 2010/2011, feito com a Nielsen, apon- ta que 74% das empresas pretendiam aumentar investimentos em tecnolo- gia de gestão e 71% em sistema de TI. Ao mesmo tempo, 60% delas tinham intenção de ampliar a área de armaze- namento e a frota em 2011. Outra iniciativa que poderia oti- mizar os processos e que é restrita, segundo Mayo, é a adesão à logística colaborativa, quando toda a cadeia de abastecimento é gerenciada. Implantar o conceito tem sido o grande desafio das empresas, principalmente das pe- quenas e médias. Isso porque varejo e indústria desejam diminuir seus custos compartilhando a estrutura logística, mas falta con�ança para que isso acon- teça na prática. O nível de sincronia entre os membros da cadeia está fortemente relacionado à tecnologia empregada nessa comunicação. André Ghignatti, especialista em solu- ções de supply chain da Neogrid, acredita que se por um lado o armazenamento e entrega dos produtos ainda esbarra em mui- tos problemas, do ou- tro, houve uma evo- lução signi�cativa na capacidade de se pro- cessar e ter acesso às informações sobre o que ocorre na cadeia. “O meio virtual apri- mora e dilui os gar- galos do meio físico. Uma vez sincroniza- da, a cadeia consegue O que pensam varejistas e fornecedores sobre a logística colaborativa 72% das empresas atribuem grande importância ao estabelecimento de relacionamentos de confiança com a cadeia de fornecedores 58% consideram muito relevante o envolvimento dos fornecedores com os propósitos gerais da empresa 48% das organizações possuem relacionamentos que podem ser considerados de parceria Fonte: Pesquisa “Práticas Logísticas 2010” VAMOS DIVIDIR? LUCIANO PEREIRA, DA UPS “AUMENTAMOS O NÚMERO DE COURIERS EM 47% E ABRIMOS 8 CENTROS OPERACIONAIS” Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o ANOVAREJO Distribuicao_e_logistica.indd 45 7/20/12 1:41 PM NO | VAREJO edição especial 46 | DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA entregar no PDV o produto que o varejo quer comprar”, a�rma. Ghignatti defende o alinhamento on-line de dados de todos os players como uma solução possível para evitar erros e retrabalhos. Um sistema único e integrado faz com que o pedido do vare- jista ao seu fornecedor só ocorra quan- do ele é realmente preciso.Há resposta em tempo real das demandas. Para ele, o futuro da logística e distribuição está nesse processo colaborativo. “Há dez anos só os dez maiores varejos es- tavam atentos à cadeia como um todo. Hoje, os cem maiores já fortalecem esse olhar”, constata. A ERA DA INFORMAÇÃO “A informação sobre um pacote é tão importante quanto o próprio pa- cote”, disse o fundador da FedEx, Fred Smith, em 1978. Desde então, a tecno- logia e os sistemas de informações lo- gísticas aparecem como um facilitador dos processos de distribuição não só na empresa, mas em todo o segmento. Os clientes FedEx ao redor do mundo po- dem ver cada detalhe da movimentação de um pacote. “Nossos couriers utili- zam computadores de mão com tecno- logia wireless para registrar o trânsito O DESAFIO É IMPLANTAR O CONCEITO DA LOGÍSTICA COLABORATIVA, QUANDO TODA A CADEIA DE ABASTECIMENTO É GERENCIADA das expedições por meio de nossa rede integrada”, conta Vera Lucia Lima, ge- rente sênior de ope- rações da empresa. Velocidade não é mais a única palavra a ser considerada na distribuição. Vi- sibilidade também conta – e muito. “A transparência da cadeia de abasteci- mento é uma referência para a maioria das empresas. Isso signi�ca ser capaz de olhar para a sua cadeia, ver onde as coisas estão e antecipar chegadas ou entregas urgentes”, detalha Vera Lucia. Para atingir patamar semelhante, a UPS investiu U$1 bilhão em tecnologia de rastreamento e visualização em todo o mundo. Apenas no Brasil foram aber- tos oito novos centros operacionais em 2011 e o número de couriers ampliado em 47%, segundo o gerente de opera- ções Luciano Pereira. R$ 151,2 bilhões foi o faturamento total em 2010 58,2% foi o crescimento real em relação a 2009 Mais de 1 milhão de pontos de vendas é atendido em todo o Brasil 8,5 milhões de metros quadrados é a soma da área de armazenagem das empresas do setor 40 mil veículos de frota própria Fonte: ABAD O SETOR DE DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA, EM NÚMEROS DANIEL MAYO, DA LINX “SE HOUVESSE CONFIANÇA, VAREJO E INDÚSTRIA PODERIAM DIMINUIR CUSTOS COMPARTINDO A ESTRUTURA LOGÍSTICA” ANOVAREJO Distribuicao_e_logistica.indd 46 7/20/12 1:43 PM NO | VAREJO edição especial 48 | RELAÇÕES DE CONSUMO OS CONSUMIDORES CONTINUAM EMERGINDO E, DEPOIS DE CHEGAR À CLASSE C, SOBEM MAIS UM DEGRAU. ENTENDA PORQUE ESSA É A REVOLUÇÃO MAIS IMPORTANTE VIVENCIADA PELO PAÍS NOS ÚLTIMOS ANOS Por �iago Borges Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o A NOVA CLASSE B Eles já passaram pela febre por bens de consumo, como carros novos, geladeiras parceladas no carnê ou roupas da moda. Hoje, são os que mais investem em educação, viagens e ingressos para eventos, shows e jogos de futebol. Ex-classe C, o grupo de novos integrantes da classe B aumenta de tama- nho com o passar do tempo – e almeja mais. O aumento da população de classe B fez elevar o consumo com a cesta básica de compras – que inclui alimentos, bebi- das, higiene e limpeza – em 42% entre 2009 e 2012, de acor- do com a consultoria Kantar Worldpanel. Entre esse público, 84% tem automóvel (contra 40% na classe C), 85% tem casa própria (78% na C), 72% contam com telefone �xo (53% na C) e 56% com banda larga (32% na C). “Isso muda o compor- tamento de compra desses domicílios”, explica Patrícia Mene- zes, gerente de marketing e comunicação da consultoria. O Brasil tem 54,2 milhões de domicílios, mais da metade deles na classe C (veja no quadro). A classe B é formada por 13,2 milhões (24,4%) de lares, mas a cada ano 1,2 milhão de famílias engrossam essa fa- tia da população, segundo o levantamento Py- xis Consumo do Ibope Inteligência. A relevância desse movimento ocorre por conta da so�sticação do consumo. Apesar do acesso facilitado ao crédito, o grosso das des- pesas das famílias de classe C é com produtos básicos. Já a classe B, ainda que tenha au- mentado seus gastos com a cesta de compras, é a maior consumidora de ensino (58,3%), combustíveis (58,3%), serviços automotivos (53,8%) e cinema (54,6%), entre outros. Outro estudo, feito pela Shopper Experien- ce, evidencia a mudança de comportamento nos pontos de venda. A pesquisa mostra que as mulheres da classe C preferem o supermercado, O ACHATAMENTO DA CLASSE MÉDIA Impensável no Brasil da classe C, a situação da classe média americana de hoje é inédita. Com a crise financeira, os índices de desemprego aumentaram e, pela primeira vez na história, uma geração atual vive em condição pior que a anterior. A renda familiar nos Estados Unidos de 2012 é igual à de 1990. pois é onde ocorre seu maior empoderamento aquisitivo, são mais controladas ou limi- tadas �nanceiramente e valo- rizam a conquista e o prazer por fazer uma compra, evitan- do o lado negativo disso: juros, di�culdades de pagamento, etc. Já na classe B, elas gostam tanto de shopping quanto de supermercado (apesar de às vezes considerarem uma obri- gação tediosa), vivem intensa- mente o prazer do consumo e convivem fortemente com os aspectos negativos que isso acarreta. E na abastada classe A, que só vai a empórios para abastecer a despensa, o ato da compra é um momento para se deliciar. A emersão dos consumidores deve continuar. De acordo com o Ibope, até 2015 mais de 15 milhões de famílias farão parte da classe B, que formará o maior grupo consumidor brasileiro, responsável por gastar R$ 753 bilhões – acima da classe C, postulante atual, que consumirá R$ 660 bilhões. Se o crescimento econômico se mantiver no patamar dos últimos anos até 2018, essa pode ser considerada a década do consu- midor de classe B. “Essa passagem da C para a B é a mais im- portante, porque o consumidor vai mudar radicalmente seus hábitos de consumo”, explica Antonio Carlos Ruótolo, diretor de geonegócios do Ibope Inteligência. A abundância desse novo per�l de consumidor vai exi- gir adaptação do varejo. “No momento não há nenhum va- rejista pensando em um formato de loja para essa pessoa egressa da classe C mais so�sticada”, diz Ruótolo. As opor- tunidades estão à vista. À ESQUERDA, RENATO MEIRELLES, DO DATA POPULAR “HÁ CONFLITO DE CLASSES QUANDO DIVIDEM O MESMO ESPAÇO.” À DIREITA, ANTONIO CARLOS RUÓTOLO, DO IBOPE “QUANDO ASCENDE DE C PARA B SEU HÁBITO DE COMPRA MUDA RADICALMENTE” ANOVAREJO_relacoes_de_consumo.indd 48 7/20/12 1:44 PM NO | VAREJO edição especial 49 Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o 62,8% dos membros da CLASSE MÉDIA tradicional se sentem incomodados com o aumento das fi las nos cinemas 55,3% deles pensam que os produtos à venda deveriam ter versões para ricos e pobres 48,4% deles apontam piora na prestação de serviços por causa do aumento de consumidores 16,5% deles acham que pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em alguns lugares Fonte: Data Popular Líder de consumo em: CDs e DVDs (27,3% do total de consumo dessa categoria), produtos fi nanceiros (25,7%), artigos de decoração (25,3%) e aquisição de veículos (25%) CLASSE A 2,6% 23,7% 16,2% Líder de consumo em: combustível e ensino (58,3%, cada), cinema (54,6%), serviços automotivos (53,8%) e artigos esportivos (53%) CLASSE B 24,4% 46,6% 38,1% Líder de consumo em: tabaco e acessórios (50,3%), carnes, aves e derivados (48,5%), alimentos-mercearia (48,2%) e matinais (47,9%) CLASSE C 52,4% 26,9% 38,7% CLASSE D e E 20,6% 2,7% 7% Fonte: Ibope Inteligência / Pixys Consumo QUAL O TAMANHO DA FATIA? APESAR DE TER MENOS DA METADE DE DOMICÍLIOS QUE A CLASSE C, A CLASSE B RESPONDE POR UM CONSUMO QUASE IGUAL AO DA NOVA CLASSE MÉDIA dos domicílios da massa salarial do consumo dos domicílios da massa salarial do consumo dos domicílios da massa salarial do consumo dos domicílios da massa salarial do consumo R$ 1,3 trilhão é quanto os brasileiros vão consumir em 2012 13,5% é a alta do consumo no Brasil em comparação a 2011 R$ 1,2 milhão de domicílios entram anualmente para as classesB e C1 O crescimento é maior na C1 (5,4% em média) e um pouco menor na classe B (4,3%) Fonte: Ibope Inteligência/Pixys Consumo “LUTA” DE CLASSES Apesar de lenta, por conta da grande faixa de renda que abrange a classe C, essa revolução não é nova. “44% das classes A e B são da primeira geração de pessoas com dinheiro na família”, explica Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular. “Os pais deles não tinham dinheiro.” Essa coincidência na faixa de renda, porém, gera um estranhamento entre os velhos integrantes das classes A e B com os consumidores que estão emergindo da C. “Rola um confl ito porque seus espaços começam a ser invadidos”, explica Meirelles. “Uma parcela considerável da elite começa a fi car incomodada com essa ascensão e reclama de fi la no aeroporto, no cinema etc.”, explica Meirelles. ANOVAREJO_relacoes_de_consumo.indd 49 7/20/12 1:44 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 50 | TECNOLOGIA NO | VAREJO edição especial MÓVEL, SEM OPERADOR E INTELIGENTE O BASTANTE PARA SABER QUE TIPO DE PRODUTO ESTÁ REGISTRANDO, SE ELE ESTÁ PRÓXIMO DE VENCER OU SE UMA FRAUDE ESTÁ OCOR- RENDO: AFINAL, PAGAR AS COMPRAS NUNCA MAIS SERÁ A MESMA COISA. A frente de caixa, com mocinhas simpáticas (ou nem tanto) e �las incômodas, está com os dias contados. Fornecedores de tecnologia apresentam soluções que podem ajudar o varejista a economizar e prevenir perdas. Há solu- ções, inclusive, que utilizam os dados coletados na boca do caixa para traçar o per�l de compra dos clientes, oferecer des- contos e adaptar o mix de produtos – tudo para melhorar a experiência do consumidor. Com o movimento constante em suas 26 lojas, a Leroy Merlin começou a registrar queixas de consumidores so- bre as �las. Há três anos, para diminuir a espera, a rede de construção iniciou mudanças nas lojas Bangu e Rio Norte: criou �la única para todos os caixas e testa um checkout móvel sem �o, que pode ser conduzido por qualquer ponto da loja no horário de pico para atender as compras de no máximo dez volumes. Quem compra produtos para entre- gar em casa nem �la pega. O pagamento é feito na própria seção, com o responsável pela área, em um terminal mó- vel. Dependendo do dia, esse tipo de compra responde por 50% do total, de acordo com o diretor de marketing Mar- co Gala. E há ainda um drive thru, em que o cliente faz a compra sem sair do carro, como no McDonald’s. Com isso, o atendimento �cou 20% mais rápido e as vendas aumenta- ram 30% nas poucas lojas onde há essas novidades. A ideia é que as novas unidades já sejam concebidas nesse modelo, que pode ser adotado por toda a rede. Enquanto isso, no interior de São Paulo a rede de super- mercados Russi conseguiu reduzir em 25% o tempo de espe- ra de sua loja em Itatiba (SP) com a instalação de checkouts com tela sensível ao toque, além de diminuir erros durante a operação e facilitar o manuseio dos operadores. “A digitação de dados, as alternativas e as funções são acessadas por meio do toque no menu do terminal, que também exibe imagens, eli- minando a tabela de preços de produtos FLV”, explica Luiz Au- gusto Custódio, gerente-geral de tecnologia da Sweda, empre- sa responsável pela solução. Ins- pirada nos fast-foods, o super- mercado é o primeiro do Brasil com a frente de caixa 100% touchs- creen. A solução também economiza espaço no checkout, já que um único equipamento concentra CPU, teclado, monitor e leitor de cartão. Um estudo exclusivo feito para esta edição (con- �ra na matéria Estudo de Canais) re- vela que o principal aspecto negativo das lojas físicas é a falta de praticida- de. Por outro lado, o atendimento é o principal ponto forte. Melhorar o que está ruim pode fortalecer ainda mais o que já é visto com bons olhos. Principal fornecedor de tecnologia para o varejo do Brasil, o Grupo Linx foi o responsável por implementar a primeira loja 100% RFID do mundo. A Memove, marca de moda de vestu- ário do Grupo Valdac, foi inaugurada em outubro de 2011 no shopping Tamboré, em Barueri (SP). Desde O FUTURO DO CHECKOUT AS TECNOLOGIAS QUE ESTÃO MUDANDO A EXPERIÊNCIA DE COMPRA NA FRENTE DE CAIXA 50 | TECNOLOGIA Por �iago Borges Colaborou Ticiana Werneck A FRENTE DE CAIXA, COMO É CONHECIDA HOJE, ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS env_tecnologia.indd 50 7/21/12 2:39 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 51 NO | VAREJO edição especial a confecção até a chegada à loja e a compra pelo cliente, todos os itens vendidos são rastreados com etiquetas de radiofrequência. Além de reduzir custos e rupturas e con- trolar melhor os produtos, a tecnologia torna o checkout muito mais ágil. Basta colocar toda compra em uma cesta habilitada que lê os códigos e encaminha as informações para um terminal. O cliente apenas escolhe a forma de pa- gamento e a compra está concluída. “O consumidor quer agilidade no atendimento e está an- tenado com as novas tecnologias. É importante que os vende- dores e os caixas estejam preparados”, observa Nercio Fernan- des, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento do Grupo Linx. Em 2012, a Memove pretende implantar cinco milhões de tags RFID em seus produtos. Outra aposta para melhorar o desempenho no PDV é o selfcheckout, ou caixa de autoatendimento. Comum na Europa e nos Estados Unidos, a IBM testa tecnologia em dois varejistas brasileiros – um do ramo alimentar e ou- tro de materiais de construção. Uma pesquisa feita pela companhia identi�cou que o selfcheckout pode �delizar a clientela, mesmo que não acelere o andamento das �las – caso da Leroy. Como é o próprio cliente que efetua a operação, ele leva mais tempo para concluí-la. Ainda as- sim, psicologicamente sente que o atendimento foi mais rápido porque se ocupou de alguma forma durante o pro- cesso. “Essa é uma transformação que vai ocorrer como ocorreu nas empresas aéreas, com autocheck-in. É uma questão cultural”, explica João Pissutto, líder de distri- buição da IBM, completando que há segmentos em que o selfcheckout deve ser melhor adaptado, como varejo ali- mentar, materiais de construção e eletro. Outra novidade da IBM é o Smarter Checkout, que tem duas telas – uma voltada para o caixa e outro para o cliente. A FRENTE DE CAIXA, COMO É CONHECIDA HOJE, ESTÁ COM OS DIAS CONTADOS Enquanto o operador registra os pro- dutos, promoções e sugestões casadas surgem na tela. É a última chance que o varejista tem de vender algum produto ao cliente antes que ele cruze a barreira do caixa. Além disso, ao lado da relação de produtos comprados, a tela também expõe jogos com os quais o cliente pode se distrair enquanto aguarda a �naliza- ção da compra – se vencer, pode ganhar descontos. Do outro lado do mundo, no Japão, a Toshiba foi além e apre- sentou um scanner para super- mercados semelhante ao que lê código de barras dos produtos. A diferença é que esse equipamento reconhece os produtos da seção de hortifruti e dispensa os códigos de barras em frutas, legumes e AGILIDADE NA MEMOVE, TODOS OS ITENS SÃO RASTREADOS COM ETIQUETAS DE RADIOFREQUÊNCIA CONSUMIDOR FAZ SOZINHO CAIXA DE AUTOATENDIMENTO DA IBM ESTÁ EM TESTE EM DUAS VAREJISTAS BRASILEIRAS verduras. Ainda em desenvolvimento, o equipamento processa a informação de acordo com a cor e o formato do produto, e é acurado o su�ciente para apontar diferenças entre dois tipos de maçãs. Para a operadora do caixa, acabou a tarefa de procurar na lis- ta o código daquela fruta exótica e depois digitá-lo à mão. E acabou também a espera do consumidor que na �la, muitas vezes, assistia a um ajudante da loja voltar até a seção e pegar outro item que tivesse o código de barras legível. env_tecnologia.indd 51 7/20/12 1:45 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 52 | TECNOLOGIA NO | VAREJO edição especial REVOLUÇÃO MÓVEL Com 250 milhões de celulares na ativa, sendo 20 milhões de smartphones, o mercadobrasileiro está mais próximo dos pagamentos móveis que de mudanças mais signi�cativas no ambiente de loja. O mobile payment vai transformar profun- damente a experiência de compra do consumidor, segundo Pissutto, da IBM. Um exemplo famoso do uso dos telefones móveis como meio de pagamento é o da M-Pesa, um servi- ço lançado pela operadora Safaricom, líder do segmento no Quênia. Lá boa parte da população paga compras e transfere dinheiro pelo celular. Mas enquanto no país africano o mobi- le payment é realidade há muito tempo, empresas e governo ainda pensam o que fazer no Brasil. A brasileira �at One se inspira em dois cases internacio- nais para desenvolver suas soluções móveis. Um deles é base- ado no caso da Tesco no metrô da Coreia do Sul, no qual, en- quanto aguardam a chegada do trem, os passageiros podem fazer suas compras apontando as câmeras de seus aparelhos para a etiqueta QR Code de cada produto “em exposição” na “gôndola” de papel que reveste a parede da estação. O cliente paga a compra e recebe os produtos em casa, quando estiver chegando da viagem. Denis Furtado, diretor da �at One, quer fazer exatamente o mes- mo no Brasil, inclusive instalando esse tipo de “prateleira” em lojas físicas, “aumentan- do” o espaço de vendas de outros produtos. Outra possibilidade é baseada no mode- lo da Apple, em que não há checkout �xo. O vendedor atende o cliente e fecha a venda em seu iPhone, por onde pode passar o car- tão do cliente. Diferentemente do exemplo anterior, Furtado acredita que esse tipo de atendimento pode não funcionar em su- permercados ou farmácias, mas é ideal para compras de tíque- te médio elevado. “Às vezes, você gasta R$ 20 mil em uma loja de construção, com areia, tijolo, cimento etc., e mesmo assim tem de esperar na �la o mesmo que um cara que comprou apenas uma torneira”, aponta. Com alguns pilotos fechados, Furtado prevê que ainda levará um tempo para que esse tipo de tecnologia se estabeleça no Brasil. A oportunidade móvel mais próxima da nossa realidade é substituir os cartões de crédito e débito, o que já diminui- ria o tempo de permanência nas �las. A Mastercard promete para 2012 o lançamento do Paypass no Brasil. O hardware já está habilitado; falta apenas o software para permitir o ser- viço nas maquininhas. “Se não �zermos isso este ano, terei problemas”, brinca Luiz Guilherme Roncato, vice-presidente de plataformas inovadoras da Mastercard. Já a Visa pretende investir na tecnologia NFC (Nier Field Communication), que já testou por aqui em 2009 com o apoio do Bradesco, Banco do Brasil e Cielo, mas ainda sem previsão de lançamento. Na América Latina, o mobile payment deve girar, em quatro anos, entre R$ 24 bilhões e R$ 67 bilhões, segundo a Accenture. O mercado brasileiro tem perspectivas de cresci- mento de 40% ao ano até 2016, quando o País deve movimentar de R$ 10 bilhões a R$ 29 bilhões pelo celular – montante ainda pequeno, em comparação às transações feitas com cartões de dé- bito e crédito, que chegaram a R$ 670 bilhões em 2011. De acordo com Guilherme Esquivel, gerente sênior da Accenture, os maiores entraves para replicar no Brasil modelos de sucesso vistos no exterior são: a baixa aderência ao modelo; a alta penetração de agências bancárias em todos os municípios brasileiros; a pulverização das operadoras de telefonia (no Quênia, a Safaricom, criadora do M-Pesa, tem 67% do merca- do); e a bancarização acima de 60%, contra menos de 50% em países subdesenvolvidos em que o m-payment já é sucesso. Mas não é só isso. O varejo também tem um papel a cum- prir. “Para o varejo, o principal desa�o é criar ofertas que con- sigam espalhar esse conceito, que possam incentivar e não criar barreiras”, observa Esquivel. Ele diz que a tendência é que o mercado aguarde uma oferta estruturada para aderir ou não ao meio de pagamento. O primeiro passo para facilitar o pagamento móvel já foi dado. Em abril de 2012, o Banco Central criou um grupo de trabalho com operadoras de telefonia, bancos e outros inte- ressados da cadeia de valor para de�nir um marco regulatório para esse serviço – que ainda não tem data de quando deve ser regulado. Apesar de não serem incluídos no grupo, os vare- jistas também devem ser ouvidos no processo, segundo Aldo Mendes, diretor de política monetária da entidade. O am- biente móvel deve permitir a interação entre pessoas físicas, clientes e empresas, além de transferência de benefícios por parte do governo, como no caso do Bolsa Família. Apesar da inde�nição, o BC já sabe quais características o sistema deve complementar: simplicidade, pois deve ser fácil de usar; universalidade, sendo aberto a todos os bancos DENIS FURTADO, DA THAT ONE, QUER DISSEMINAR USO DO CÓDIGO QR NA LOJA PARA AUMENTAR ÁREA DE VENDA O PRIMEIRO PASSO PARA FACILITAR O PAGAMENTO MÓVEL FOI DADO EM ABRIL. O BC CRIOU UM GRUPO DE TRABALHO PARA DEFINIR UM MARCO REGULATÓRIO 52 | TECNOLOGIA env_tecnologia.indd 52 7/20/12 1:45 PM CONSUMIDOR MODERNO | NO | VAREJO edição especial 53 NO | VAREJO edição especial e operadoras que desejarem criar soluções na plataforma; inte- roperabilidade, para conversar com todas as plataformas exis- tentes; segurança; competitividade, para que não haja arranjos contratuais em que outros players �quem de fora; adaptabilida- de ao que já existe; e capacidade de inclusão �nanceira. SEGURANÇA E PREVENÇÃO Não é só no atendimento aos clientes que o checkout tem grande importância. A frente de caixa também se tornou local de barragem de perdas. É lá que muitas fraudes acontecem. Combinando imagens gravadas em tempo real com as infor- mações registradas no caixa, a solução Checkout Expert, da Plastrom Sensormatic, promete reduzir em 80% os furtos e fraudes. Cruzando texto e imagem, a tecnologia consegue dizer se há procedência ou não no que está sendo registra- do. “Se um operador, por exemplo, passa 12 caixas de leite e registra apenas uma, o sistema automaticamente emite um alerta”, comenta Augusto Alvarez Pereira, gerente de soluções da empresa. E assim o checkout se torna o algoz do operador de caixa fraudulento – ou simplesmente desatento. Pereira comenta que é comum que operadores de caixa bene�ciem amigos e parentes omitindo itens da passagem do código de barra. Ou cometendo algo que o HiperMoreira, de Goiânia, que instalou a solução há seis meses, conseguiu ex- tirpar. “Cruzando a gravação da operação no caixa, com o que estava sendo passado pelo leitor de código de barra e informa- ções do estoque, a rede conseguiu desmantelar um esquema de fraudes envolvendo a venda de vinhos de alto valor. A eti- queta era adulterada e, ao passar pelo caixa, o valor registrado era o de um vinho de mesa”, conta Pereira. Além de combater esse tipo de perda, o checkout mais inteligente pode evitar do- res de cabeça, como reclamações de clientes por possíveis pro- dutos vencidos e as eventuais multas da vigilância sanitária. A pedido dos próprios supermercadistas, a Toledo do Brasil desenvolveu um sistema que avisa quando um produto que está sendo passado no caixa está com a data de vencimento próxima. Com capacidade para armazenar mais informações, o novo código de barras é apropriado para produtos perecí- veis fracionados e manipulados pelo próprio varejista, como carnes, frios, pães e hortifruti. “Pelo curto tempo de validade, esses produtos são os que oferecem maior probabilidade de erros operacionais e de serem comercializados com prazos de validade vencidos. Essa é a grande importância do novo siste- ma: evitar erros”, explica Mario Pandolfo, gerente nacional de vendas da Toledo do Brasil. ADIVINHAÇÃO Com soluções de inteligência de consumo, o SAS permi- te aos varejistas traçar todo o per�l de compra dos clientes e oferecer a eles o que procuram. “Quando o consumidor me entrega a informação, vou saber o que ele está comprando, em qual horário, quais as marcas e produtos preferidos...”, explica Douglas Montalvão,especialista em varejo do SAS. Por meio de um software de business intelligence, a com- panhia recolhe informações sobre cada consumidor, analisa seu comportamento e, quando ele passa no caixa, o operador pode oferecer descontos em outros itens ou lembrá-lo sobre produtos relacionados. No Brasil, o Grupo Pão de Açúcar utili- za a tecnologia em seu programa de �delidade Mais. Para gerar esse banco de dados, é preciso acumular infor- mações por um tempo – de seis meses a um ano. Esses dados podem ser obtidos por meio de programas de �delidade, como GPA, ou com cartões private label, como o caso da Riachue- lo ou Pernambucanas (clientes SAS no Brasil). A ideia é que o grande varejo, com milhões de clientes, tenha o mesmo conhe- cimento que um comerciante de vila tem sobre os hábitos de cada freguês. Nos Estados Unidos, a rede Target implantou a solução em suas farmácias e consegue �delizar mães em seu pro- grama de �delidade para bebês quando elas ainda estão no terceiro mês da ges- tação. Ao avaliar que mulheres compram ácido fólico, comum durante a gravidez, a Target identi�cou um per�l e passou a dar descontos e brindes, o que garantia a continuação da �delidade à rede quan- do a criança chegasse ao mundo. Em um caso especí�co, noticiado inclusive no “�e New York Times”, uma adolescente de 16 anos recebeu uma carta do varejis- ta em casa e o pai, que desconhecia que seria avô, foi à loja reclamar. No relato, o jornal nova-iorquino disse que a Target descobre a gravidez antes mesmo dos pais. Não é feitiçaria, é tecnologia. SEM FILA A LEROY MERLIN TESTA UM CHECKOUT MÓVEL SEM FIO QUE PODE SER CONDUZIDO EM QUALQUER LUGAR DA LOJA env_tecnologia.indd 53 7/20/12 1:45 PM NO | VAREJO edição especial 54 SEGMENTO | ARTIGOS ESPORTIVOS O PAÍS PENTACAMPEÃO DO MUNDO DE FUTEBOL ANDA BATENDO UM BO- LÃO EM OUTRAS MODALIDADES. Dos populares tênis à natação aos menos visados como o rúgbi e vôlei de praia, o esporte ganha corpo e visibilida- de. A indústria do esporte movimenta cada vez mais dinheiro e o varejo desempenha papel de destaque nesse cenário. Quase 70% de tudo que é arrecadado pela indústria do esporte é proveniente do varejo esportivo e somente 30% vêm de serviços esportivos e receitas indiretas geradas. O momento de prosperidade para a venda de materiais esportivos deve seguir pelo menos até 2016, já que o Brasil vai sediar a Copa do Mundo e a Olimpíada. Para se ter uma noção do crescimento econômico do esporte aqui, basta comparar as taxas de crescimento. Entre 2000 e 2010, enquanto a taxa de crescimento do Brasil foi de 3,2%, o crescimen- to anual do setor esportivo foi de 6,2%. Em valores reais, movimentou em 2010 R$78,6 bilhões. O especialista em gestão e marketing de clubes de futebol e professor de marketing esportivo, Amir Somoggi, acredita que o baixo desenvolvimento dos serviços esportivos (cotas de patrocínio, licenciamento, bilheteira, cotas de investimentos, entre outros) dá espaço para que a participação do varejo cresça. “A tendência é que o quadro mude. O varejo não deixará de ser impor- tante, mas serviços esportivos crescerão até chegar a um equilíbrio”, analisa. Quanto mais esporte o brasileiro pratica, mais aumentam os gastos com roupas e equipamentos esportivos. As classes A e B, mais ativas, são as maio- res responsáveis por isso. Mesmo com um poder de consumo cada vez maior, a classe C tem uma representatividade pequena já que a adesão à prática regu- lar esportiva é menor. ”O desa�o é fa- zer com que nossa classe média, além de ir ao shopping ou viajar, também enxergue no esporte uma atividade de entretenimento, como veri�cado nos consumidores de alta renda”, opina. A pesquisa mais recente, realiza- da pela Ipsos, indicou que os esportes mais praticados pelos brasileiros são a caminhada (31%), futebol (30%) e vôlei (13%). Com bons índices, ainda aparecem ciclismo, natação, corrida e Por Juliana Gonçalves Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o NO BRASIL, A INDÚSTRIA DO ESPORTE CRESCE A UMA TAXA ACIMA DO PIB; VAREJO RESPONDE POR 70% DO QUE É ARRECADADO VAREJO: O DONO DA BOLA ANOVAREJO_setor_artigosesportivos.indd 54 7/21/12 3:00 PM NO | VAREJO edição especial 55 basquete. De maneira geral, entre as conclusões do estudo, observa–se que 94% da população se interessa por es- porte, entre praticantes ou meros torce- dores–telespectadores, embora apenas 54% realize atividades esportivas regu- larmente ou com grande frequência. Segundo Somoggi, os grandes even- tos esportivos que serão celebrados em terras brasileiras tendem de fato a engor- dar os números tanto do varejo esporti- vo quanto da prática esportiva. “A Copa de 2006, sediada na Alemanha, originou o boom das vendas de produtos licen- ciados, a sociedade como um todo se empolgou com o futebol o que impactou também no consumo das marcas dos clubes locais”, conta o consultor. Dentro do universo dos esportes, só uma marca é patrocinadora o�cial da Copa de 2014, a alemã Adidas. Hoje, líder na confecção de artigos esporti- vos, ela já anunciou novidades, como a bola chipada com RFID que será usa- da nos jogos, desenvolvida junto com um instituto ale- mão. Tecnologia é seu foco. Com o novo unifor- me 3D do time francês de futebol Lyon, a empre- sa anunciou que homenageará os irmãos Lumière, pioneiros da in- dústria cinemato- grá�ca; o torcedor deve usar óculos especí�cos para obter o efeito desejado. No mercado há 80 anos, o Grupo Adidas (Adidas, Reebok, Rock- port, Taylor Made e CCM – Hockey) fa- turou em 2011, € 3,824 bilhões. Em terras brasileiras, a concorrên- cia se acirra. Vale de tudo para captar a atenção do consumidor de esportes. A francesa Decathlon, há 11 anos no País soma 11 lojas – são 350 no mundo –, se especializou no conceito megastore onde oferece um sortimento completo num só lugar. De artigos para a prá- tica do arco e �echa à dança clássica, uma megastore pode ter mais de 15 mil itens. Para além dos produtos, a varejista foca nos serviços como encor- doamento de raquete, estamparia nas camisetas e serviços de manutenção de bicicletas, patins e skates. Outra curio- sidade da rede é que a loja de Campinas (SP) é a única no mundo que conta com uma escola de mergulho. É em Campinas também, no Shop- ping Parque Dom Pedro, a primeira loja essencialmente em iluminação LED do Brasil, que pertence à Centauro, fruto de um investimento de R$ 235 mil do Gru- po SBF, maior rede de varejo esportivo da América Latina. O principal benefício é a redução em 70% no consumo de energia elétrica, o que possibilitará um retorno do investimento em 14 meses. A Centauro ganhou projeção ao investir em patrocínio de esportistas e provas. Este ano, pela primeira vez investiu num torneio nacional de fute- bol, com a Copa do Brasil. “Para a Cen- tauro, marcar presença em um campe- onato, que reúne clubes e torcedores de todo o Brasil, con�rma a nossa missão de democratizar e incentivar a prática esportiva. Queremos, cada vez mais, apoiar a paixão do brasileiro por espor- tes”, a�rma Ana Paula Grimaldi Roso, diretora de marketing. O Grupo SBF, que já soma 30 anos, tem hoje 227 lojas físicas espalhadas por 22 Estados brasileiros mais o Dis- trito Federal e uma operação de comér- cio eletrônico. A empresa, que faturou R$ 1,6 bilhão em 2011, detém as mar- cas Centauro, com 161 lojas, By Ten- nis, com 50 lojas e Nike Store, com 16 lojas – por meio de uma parceria criada em 2009, o grupo passou a executar no Brasil o plano de expansão da rede. Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o AMIR SOMOGGI, PROFESSOR DE MARKETING ESPORTIVO “O DESAFIO É FAZER NOSSA CLASSE MÉDIA ENXERGAR O ESPORTE COMO ATIVIDADE DE ENTRETENIMENTO” CONCORRÊNCIA ACIRRADA LOJAS DA ADIDAS, CENTAURO E DECATHLON ESTÃO ATRÁS DO CONSUMIDOR DE ESPORTE ANOVAREJO_setor_artigosesportivos.indd 55 7/21/12 3:00 PM NO | VAREJO edição especial 56SEGMENTO | ARTIGOS ESPORTIVOS Até a Copa de 2014, o SBF espe- ra somar 350 lojas e estar presente em todos os Estados brasileiros. Para isso, conta com um Centro de Distri- buição na cidade de Extrema (MG), e outro, na mesma cidade em constru- ção, voltado exclusivamente a opera- ção de e–commerce. Na esteira para conquistar o terri- tório nacional vem a brasileira Track & Field que, ao organizar e patrocinar eventos esportivos de corrida – 100 mil pessoas já participaram de suas corridas de rua –, angariou um públi- co � el às suas 30 lojas, em 19 cidades. Hoje seu processo de expansão está ancorado no modelo de franquias e a marca fortalecida já tem presença em Nova York. Aberta em 2010, a pri- meira loja da rede fora do País � ca na Madison Avenue, a poucas quadras do Central Park, destino preferido pelos corredores da cidade. 94% DOS BRASILEIROS SE INTERESSAM POR ESPORTE, EMBORA APENAS 54% REALIZEM ATIVIDADES ESPORTIVAS REGULARMENTE ARTIGOS ESPORTIVOS OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 GRUPO SBF * ADIDAS DECATHLON ATLETHIC TRACK & FIELD NICOBOCO NIKE A ESPORTIVA BAYARD PROCÓPIO SPORTS SPORTAÇÃO PIERE SPORTS SPEEDO GALVILAS SPORTS FANTASTIC SPORTS FAST RUNNER NAKAL TKA ESPORTES 228 34 12 140 50 24 19 13 12 11 8 6 4 3 3 2 2 1 5.000 800 N/D 300 N/D N/D N/D 32 22 34 18 6 N/D 3 11 8 N/D 10 SEBASTIÃO BONFIM FILHO – PRESIDENTE MARCELO FERREIRA – PRESIDENTE FRANÇOIS DEWITTE – PRESIDENTE JAIME ROMAGNA GRACCO – PRESIDENTE RICARDO ROSSEF – PRESIDENTE DAVID YOSSEF EL ETTER – PRESIDENTE CHRIS KYPRIOTIS – PRESIDENTE SILVIO DUARTE – PRESIDENTE CARLOS AFONSO – PRESIDENTE JEAN TCHORBADJAN – PRESIDENTE NIVALDO TONON – PRESIDENTE JULIO CESAR PIERE – PRESIDENTE RAUL SÉRGIO HACKER – PRESIDENTE IRVANDO SECCO – PRESIDENTE ROSANGELA RAMOS BORGES – PRESIDENTE REINALDO LEITE – PROPRIETÁRIO DAGNER BIANCHIM – PRESIDENTE ANDERSON TKASCH – PRESIDENTE número de lojas empregos gerados 1.680.772.879,00 719.236.000,00 200.000.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP SP SC SP SP SP SP SP SP SP SC SP SP SP SP SP PR PRESENÇA INTERNACIONAL LOJA DA TRACK & FIELD NA MADISON AVE, EM NOVA YORK * Centauro, By Tennis e Almax Sports ANOVAREJO_setor_artigosesportivos.indd 56 7/21/12 3:00 PM NO | VAREJO edição especial 58 SEGMENTO | ATACADO, ATACAREJO E CASH & CARRY O SEGMENTO ATACADISTA DISTRI- BUIDOR CRESCEU 2,2% EM 2011 E ATINGIU FATURAMENTO TOTAL DE R$ 164,5 BILHÕES, SEGUNDO DA- DOS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ATACADISTAS DISTRIBUIDO- RES (ABAD). Seu foco de atuação é a prestação de serviço ao varejo independente, composto prin- cipalmente por supermercados pequenos e médios, e lojas de con- veniência. Segundo a consultoria Nielsen, 95% dos pequenos (de um a quatro checkouts) e 40% dos médios (de cinco a 19 checkouts) são abastecidos por empresas atacadistas distribuidoras. Eles, aliás, são os que mais atendem os consumidores das classes C, D e E, cujo grande crescimento do poder de compra está mudando o per�l do consumo no País. Como a preferência do consu- midor está se deslocando para os supermercados de médio porte, mais do que nunca o atacadista- -distribuidor precisa trabalhar em estreita parceria com o varejista para oferecer diferenciais capazes de garantir o crescimento das lojas de vizinhança, principais clientes do atacado distribuidor. “O novo consumidor busca cada vez mais variedade e o pe- queno varejista muitas vezes não pode oferecer”, comenta Carlos Eduardo Severini, presidente da ABAD. “É preciso conhecer o per�l do novo consumidor e buscar sua �delização por meio de adequação do mix, modernização da loja e aperfeiçoamento do atendimen- to, principalmente se atentarmos para o fato de que a classe C bre- vemente dará lugar a uma nova classe B, com per�l ainda mais exigente e em busca de produtos e serviços cada vez mais diferencia- dos”, acrescenta. Outros argumentos que refor- çam esse coro estão no Ranking ABAD/Nielsen 2012. 73,6% das empresas do setor ouvidas na pesquisa apontam como muito preocupante a falta de equipes treinadas no varejo para atender o consumidor. 72,3% também con- sideram muito preocupante o foco excessivo no preço. Não ter conhe- cimento su�ciente sobre o consu- midor �nal (59,1%) e não repas- sar as vantagens obtidas para ele (58,9%) completam o quadro das principais preocupações dos ata- caditas distribuidores para com seus clientes. Em outro estudo, a associação já havia identi�cado que 95% dos pequenos varejistas não se interessam em conhecer o per�l de seu consumidor e gastam 40% do tempo em negociações com fornecedores. Para mudar esse per�l, empresas do segmento investem na oferta de serviços. O Makro conta com um pro- grama de relacionamento com o cliente desde 2007, chamado “Sa- bor & Saber”. Realizado em parce- ria com fornecedores e entidades do setor de food service (restau- rantes, bares, hotéis) e varejo, o objetivo é oferecer capacitação em gestão de negócios e gastrono- mia. Atualmente o programa está estruturado em três principais frentes: Semana do Cliente Pro- EMPRESAS ATACADISTAS-DISTRIBUIDORAS OFERECEM SERVIÇOS PARA O VAREJISTA PRESTAR MELHOR ATENDIMENTO AO CLIENTE E RENTABILIZAR SEU NEGÓCIO MUITO ALÉM DE PREÇO BAIXO Por Tatiana Alcalde e Ana Cecília Chiesi O SEGMENTO ATACADISTA DISTRIBUIDOR MOVIMENTA CERCA DE 4% DO PIB NACIONAL E É RESPONSÁVEL PELO ABASTECIMENTO DE MAIS DE UM MILHÃO DE PONTOS DE VENDA EM TODAS AS REGIÕES DO PAÍS Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o CARLOS EDUARDO SEVERINI, DA ABAD “FIDELIZAÇÃO ACONTECE POR MEIO DO MIX, AMBIENTE DE LOJA E ADEQUEÇÃO AO PERFIL DO CLIENTE” ANOVAREJO_atacado_atacarejo.indd 58 7/20/12 1:52 PM NO | VAREJO edição especial 59 � ssional, Makro Extravaganza (encontros e cursos) e Cozinhas Experimentais (Espaço Sabor & Saber). Parte do grupo holandês SHV e com 76 lojas espalhadas em 24 Estados e no Distrito Fe- deral, o atacadista ainda lançou o Portal do Empreendedor. Trata- -se de um espaço virtual para tro- ca de informações e experiências que traz artigos, notícias, cases, vídeos, links e outros meios de compartilhamento de conteú- do disponíveis na internet e nas redes sociais. “Estamos levando para a web 2.0 o trabalho de ca- pacitação de pequenos e médios empresários que já realizamos há alguns anos”, a� rma Eric Pell, gerente de marketing digital do Makro Atacadista. O distribuidor Martins, com 57 anos e mais de 260 mil clientes ativos, também aposta na capaci- tação, mas vai um pouco além. A Universidade Martins do Varejo (UMV) é um centro de excelência no desenvolvimento e aplicação de tecnologia voltada para o cres- cimento do varejo. Ela conta com treinamentos presenciais e a dis- tância, oferece modelos de gestão de negócios especí� cos para os segmentos do varejo, de� nição de mix, gerenciamento por catego- ria, ferramentas de apoio à gestão que envolve acompanhamento de implantação e projetos de moder- nização e revitalização de lojas. O trabalho já rendeu muitos frutos: mais de 14 mil projetos de mo- dernização e revitalização de lojas, treinamento em mais de 92 mil lojas de varejo e mais de 302 mil pro� ssionais de varejo capacita- dos. A Profarma, que atua na dis- tribuição de produtos farmacêuti- cos, higiene pessoal e cosméticos, comercializa aproximadamente 18 milhões de unidades por mês, atendendo cerca de 31 mil pontos de venda. Junto com as ativida- des de distribuição, a empresa soma uma variedade de serviços, como programas de relaciona- mento envolvendo a produção de materiais promocionais customi- zados para pontos de venda e pro- gramas de � delização de clientes. Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o ATACAREJO: CANALEM EVIDÊNCIA Nos últimos dez anos, o ataca- rejo, também chamado de cash & carry, cresceu mais de 500% segun- do dados da Nielsen. Para ter uma ideia em número de lojas, em 2000 havia 84 PDVs nesse formato. Em 2011 já eram 430 - até o � nal deste ano as projeções indicam um total de 520 PDVs. Como re� exo do aumento da oferta, em 2011 mais de 1,8 milhão de novas famílias passaram a fre- quentar esse canal. “O modelo, que atende a vários segmentos de mer- cado com baixo custo e margens melhores, vem ganhando espaço sobre o modelo de hipermercado, apesar de serem lojas e negócios totalmente diferentes principal- mente em mix e atendimento”, co- menta Altamiro Borges, presidente da ABGroup. Cerca de 75% do comprador do cash & carry é composto por pes- soas físicas, aponta a GfK. Apenas um quarto é pessoa jurídica, fazen- do compras para o estabelecimen- to comercial pelo menos uma vez por semana. O motivo que leva o consumidor doméstico às lojas de atacarejo são embalagens maiores e preços menores. Por isso mesmo, a compra é feita com uma frequên- cia maior (a cada 15 dias em mé- dia). As compras de reposição ou de emergência são realizadas em A POSTOS O DISTRIBUIDOR MARTINS, COM MAIS DE 260 MIL CLIENTES, APOSTA NA CAPACITAÇÃO ESPAÇO PREMIUM NO MAKRO, CONCEITO SPECIALE REÚNE VINHOS, DESTILADOS E CONDIMENTOS DE PRIMEIRA LINHA ANOVAREJO_atacado_atacarejo.indd 59 7/20/12 1:52 PM NO | VAREJO edição especial 60 SEGMENTO | ATACADO, ATACAREJO E CASH & CARRY BELMIRO GOMES, DO GPA “O ATACAREJO É UMA NOVA FORMA DE COMPRA PARA O CLIENTE DOMÉSTICO” outros locais, como hipermercados, su- permercados e mercados de bairro. O Assaí, bandeira do Grupo Pão de Açúcar, registrou vendas brutas de R$ 4,3 bilhões em 2011, uma elevação de 32% sobre o ano anterior. O bom resultado é atribuído à reestruturação da rede cujo foco foi desenvolver um modelo de negócio ainda mais voltado a transformadores, pequenos e médios comerciantes. As mudanças, ocorridas em 2011, passaram por etapas que fo- ram desde pesquisas com os clientes até alterações no projeto e layout das lojas, passando por modi�cação no sortimen- to de produtos, parcerias com indús- trias e serviços adicionais. O foco no atacado de autosserviço, porém, não impediu que os clientes domésticos continuassem a procurar O SEGMENTO DE ATACADO E DISTRIBUIÇÃO SE DESENVOLVE EM DIFERENTES MODALIDADES: ATACADO DE DISTRIBUIÇÃO Compra e vende produtos das indústrias sem vínculos de exclusividade ou de território. DISTRIBUIÇÃO E ENTREGA O distribuidor é aquele que compra e vende produtos das indústrias com as quais tem vínculo de exclusividade de produtos ou de território (área de cobertura). BALCÃO É a modalidade mais antiga de atacado, em que o varejista vai até o depósito e faz as suas compras entregando a lista a um atendente – ele mesmo leva as compras. AUTOSSERVIÇO Formato em que o empresário varejista vai até a loja e, à maneira do consumidor de autosserviço, separa os produtos e os coloca no carro, pagando na saída. Nessas lojas são vendidos volumes maiores de artigos. CASH & CARRY OU ATACAREJO Assim como autosserviço, o cash & carry vende para o consumidor final, mas com preço diferente do negociado para o varejista. Fonte: ABAD VÁRIAS FRENTES pela loja. “O atacarejo se tornou uma nova forma de compra proporcionan- do economia ao realizar compras volu- mosas”, diz Belmiro Gomes, diretor de atacado autosserviço do Grupo Pão de Açúcar. “A compra em volume tem sido um mecanismo utilizado cada vez mais para fazer render o orçamento. Uma compra de mês no Assaí pode gerar economia média de 20% dependendo do tipo de produto.” Desde a aquisição do Assaí, há três anos, a rede quadruplicou seu ta- manho. De 14 lojas em operação, em R$ 164,5 BILHÕES FOI O FATURAMENTO TOTAL DO SEGMENTO EM 2011 O SEGMENTO TEM 51,8% DE PARTICIPAÇÃO NO MERCADO MERCEARIL 2007, a bandeira já soma 60, sendo 19 inauguradas nos últimos dois anos. A expectativa continua otimista. “Acre- ditamos na continuidade desse movi- mento, já que o atacado autosserviço é um dos formatos que mais cresce no Brasil”, a�rma Gomes. O Maxxi Atacado, bandeira de cash & carry do Walmart, também está aten- to ao consumidor doméstico. Ao inau- gurar a quinta loja no interior do Estado de São Paulo, em dezembro de 2011, a empresa tinha a expectativa de cativar não só varejistas. “Esperamos que com a chegada do Maxxi em Santa Bárbara d´Oeste os microempresários da região ANOVAREJO_atacado_atacarejo.indd 60 7/20/12 1:52 PM NO | VAREJO edição especial 61 ALTAMIRO BORGES, DA ABGROUP “ ATACAREJO VEM GANHANDO ESPAÇO DOS HIPERMERCADOS” e consumidores em geral possam se privilegiar dos preços mais baixos que o formato oferece”, disse José Roberto Dalphorno, vice-presidente do Maxxi Atacado. Segundo a empresa, que já conta com 55 lojas no Brasil, os consu- midores encontram produtos 5% mais baratos em relação a outros atacadistas e 15% na comparação com concorren- tes do varejo. De fato, a exemplo de Assaí, há es- paço para expansões e fusões. “O fatu- ramento do setor já ultrapassa R$ 25 bilhões e continuará crescendo acima da média do varejo”, aponta Borges, da ABGroup. “E neste ano veremos, sim, novas aquisições. Temos conhecimento de avaliações em andamento sendo rea- lizadas por grandes redes”, � naliza. ATACADO, ATACAREJO E CASH CARRY OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 ATACADÃO* MAKRO* ASSAÍ* MARTINS* PROFARMA * CÁLAMO* TENDA** TAMBASA** ARCOM* MEGAFORT** ROLDÃO** JC DISTRIBUIÇÃO** SPANI ATACADISTA** ATACADO VILA NOVA** ATACADÃO ATAKAREJO ** VILLEFORT ATACADISTA** CARVALHO ATACADO* APOIO MINEIRO** UNIÃO ATACADO** MART MINAS** MUFATTÃO** TONIN** 84 83 59 5 12 1 15 3 1 3 13 4 7 7 4 7 38 8 1 7 2 7 12.300 8.962 9.300 3.813 2.260 1.648 3.250 1.905 1.577 1.998 2.219 802 2.004 900 1.464 1.552 689 1.000 483 1.000 400 2.058 JOSÉ ROBERTO MEISTER MUSSNICH – PRESIDENTE ROGER LAUGHLIN – PRESIDENTE BELMIRO GOMES – PRESIDENTE ALAIR MARTINS – PRESIDENTE SAMMY BIRMARCKER – PRESIDENTE ARTUR GRYNBAUM – PRESIDENTE CARLOS EDUARDO SEVERINI – PRESIDENTE GERSON BARTOLOMEU – PRESIDENTE DILSON PEREIRA DA SILVA – PRESIDENTE ANIVALDO VENÂNCIO – PRESIDENTE RICARDO MACIEL ROLDÃO – PRESIDENTE JOSÉ RODRIGUES COSTA NETO – PRESIDENTE FLÁVIO ALMEIDA – PRESIDENTE LEONARDO SEVERINI – PRESIDENTE TEOBALDO LUIS DA COSTA – PRESIDENTE VIRGILIO VILLEFORT – PRESIDENTE REGINALDO CARVALHO – PRESIDENTE EULER FUAD – PRESIDENTE GERALDO CAIXETA – PRESIDENTE MURILO MARTINS – PRESIDENTE PEDRO MUFFATO – PRESIDENTE LUIS ANTÔNIO TONIN – PRESIDENTE número de lojas empregos gerados 11.097.400 5.651.200 3.323.000 3.038.600 2.810.400 1.460.700 1.295.100 1.278.009 1.167.243 937.800 966.660 702.000 643.500 490.500 430.200 410.400 391.450 360.090 339.300 324.900 189.000 157.500 EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP SP MG RJ PR SP MG MG MG SP GO SP SP BA MG SP MG MG MG SC MG * Receita Líquida de Vendas ** Fonte ABAD. Receita Líquida aproximada obtida por meio da Receita Bruta ANOVAREJO_atacado_atacarejo.indd 61 7/20/12 1:52 PM NO | VAREJO edição especial 62 SEGMENTO | BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o BANCOS SE BENEFICIARAM DAS MEDIDAS DO BC, COMO REDUÇÃO DOS JUROS E MUDANÇAS NO IOF UNIÃO QUE FAZ A FORÇA PARA BANCOS, FINANCEIRAS, SEGURADORAS E CREDENCIADORAS, CONCEDER BENEFÍCIOS E FIRMAR ACORDOS COM O VAREJO SÃO SINAIS DE REALIZAÇÃO DE GRANDES NEGÓCIOS A RELAÇÃO ENTRE O VAREJO E O SETOR FINANCEIRO É CADA VEZ MAIS ESTREITA. De um lado, os empresários obtêm capital de giro e outros recursos para sustentar as suas atividades e incentivaro consumo. Em contrapartida, facilitam a captação de novos clientes para a oferta de seguros diversos, �nanciamentos e cartões. Esse intercâmbio é fundamental para os dois segmentos, mas é ainda mais importante para bancos, seguradoras, credenciadoras e �nanceiras. A�nal, como não se rela- cionar com um setor que, graças à explosão no consumo motivada pela estabilida- de econômica, hoje corresponde a 30% do PIB nacional? Forte, o varejo brasileiro está movimentando valores exuberantes: só neste ano, o faturamento deve ser superior a R$ 1,2 trilhão, segundo a Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado de São Paulo (Fecomercio–SP). Isso pode se reverter em lucro às instituições �nanceiras por meio de operações como a “fu- maça” (antecipação de recebíveis futuros para empresas) e a venda de garantias estendidas e cartões de crédito private label. Mas, apesar dessas possibilidades, o setor �nanceiro já esteve mais unido ao comércio, a�rma Danilo Nascimento, diretor de varejo e cartões da Serasa Experian. De acordo com ele, fatores como a crise econômica internacional e, no mercado local, o aumento da inadimplência entre os consumidores – o número de ocorrência de “calotes” no País aumentou 22,3% no ano passado, informa a Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) – levaram os bancos a reduzir a criação de linhas de �nanciamento. “Grandes bancos, como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco, têm desistido de fazer algumas ações conjuntas com os varejistas. Além disso, os projetos que se mantêm ativos tiveram a renta- bilidade reduzida, pois a concessão de crédito para o público teve de ser di�- cultada”, justi�ca. “Isso é um problema, pois essas operações são essenciais à sobrevivência do varejo em áreas como eletromóveis, moda e materiais de construção, as quais o cliente raramen- te tem dinheiro à vista para adquirir o que deseja.” Em relação aos �nanciamentos que custeiam as atividades do varejo, como o capital de giro e as linhas de expansão, o diretor da Serasa Experian garante que a situação está bem mais animadora. “Essa modalidade vem sen- do bem–sucedida em razão da redução Por Denis Moreira e Carolina Figueiredo ANOVAREJO_bancos.indd 62 7/21/12 3:01 PM NO | VAREJO edição especial 63 de taxas bancárias para algumas opera- ções”, justi�ca. Essa iniciativa, porém, não foi adotada pelo setor �nanceiro por vontade própria, foi resultado da pressão recente feita pelo governo fe- deral para reaquecer a economia bra- sileira, que cresceu 0,2% no primeiro trimestre de 2012, índice considerado decepcionante pelo mercado. BANCOS As medidas recentes adotadas pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central incluem a redução das taxas de juros (em maio, a taxa Selic foi para 8,5% ao ano, menor índice da história), a liberação de compulsórios e a mudan- ça no Imposto sobre Operações Finan- ceiras (IOF) para o crédito ao consumo, que passou de 2,5% para 1,5% ao ano. Logo após o anúncio dessas medidas, os bancos começaram uma disputa para diminuir seus juros e atrair novos clientes. Com isso, o setor varejista foi bene�ciado, uma vez que passou a ter acesso a condições melhores para suas operações �nanceiras. As instituições estatais foram as primeiras a dar resposta. Poucos dias após o ministro Guido Mantega fazer o anúncio das resoluções, o Banco do Brasil baixou os juros para as empresas contratantes do Bom pra Todos, pa- cote de serviços lançado em abril que reúne linhas de �nanciamento, a aqui- sição de um cartão e até serviço de as- sessoria �nanceira. “O principal bene- fício é a redução das taxas de juros, que facilita o acesso ao crédito, reduzindo os custos para as pessoas jurídicas. Além disso, elas tiveram seus limites ampliados”, a�rma o diretor de micro e pequenas empresas do BB, Adilson do Nascimento Anísio. De acordo com o executivo, são di- versos os serviços oferecidos pelo BB aos comerciantes. O portfólio conta com linhas variadas de capital de giro (Giro Rápido e Giro Empresa Flex, en- tre outros), antecipação de recebíveis (cheques pré–datados, duplicatas e fa- turas de cartões de crédito) e �nancia- mentos para investimentos (Proger Ur- bano Empresarial, Cartão BNDES e BB Crédito Empresa). “Em nossa carteira, temos mais 2,15 milhões de clientes do segmento de pequenas e médias empresas, com 2,23 milhões de contas corrente. Desse número, quase 93% são MPE na forma da Lei Geral (com faturamento até R$ 3,6 milhões)”, ex- plica ele. “Esse apoio é referendado pelo crescente volume de crédito que dispo- nibilizamos a cada ano. Em março, o saldo das operações para MPE foi de R$ 70,2 bilhões, crescimento de 24,3% em relação ao mesmo período de 2011.” Os bancos privados, que baixa- ram os seus juros para pessoa jurídica após as ações do Banco do Brasil – e, depois, da Caixa Econômica Federal –, têm programas semelhantes de cré- dito e �nanciamento. O Bradesco, por exemplo, também oferece capital de giro para a aquisição de matéria–pri- ma, máquinas, equipamentos e a�ns, além de linhas de repasse integradas ao BNDES. A empresa disponibiliza ainda descontos antecipados de dupli- catas, cheques e ordens de pagamento de cartões (Visa, Mastercard e Amex) e de transações via internet, além de li- mite de crédito rotativo, CDC e leasing. Com todos estes programas, a carteira da instituição bancária de crédito para pessoa jurídica atingiu no ano passado R$ 161,69 bilhões, 20,91% a mais do que em 2010. Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o ANTONIO PASTORE, DA CARDIF “VAMOS INTENSIFICAR NOSSA OPERAÇÃO NA INTERNET. ACREDITAMOS NO E–COMMERCE” EDUARDO MACCARIELLO, DO ITAÚ EMPRESAS “ 60% DE NOSSOS CLIENTES SÃO MICRO E PEQUENAS EMPRESAS VAREJISTAS” ANOVAREJO_bancos.indd 63 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 64 SEGMENTO | BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS Além desses produtos, que podem ser considerados padrão, algumas ins- tituições �nanceiras investem em ser- viços especí�cos para se diferenciar dos concorrentes e �car mais atraentes aos olhos do empresariado. O Santander, por exemplo, tem há três anos o Portal do Empreendedor, que fornece consul- torias e materiais de apoio para que o comerciante possa melhorar a gestão do seu negócio. O site tem mais de 18 mil usuários cadastrados, além de rece- ber 3.200 pageviews e visitas diárias de 2.400 pessoas. Em abril, o banco anunciou a cria- ção de um novo modelo de atendimen- to a pequenos e médios empresários, no qual o mesmo gerente é responsável pelas contas de pessoa física e jurídica do cliente. “Esse tipo de atendimento permite que o gerente conheça melhor o correntista e forneça apoio na ges- tão �nanceira do seu negócio e da sua vida pessoal. No modelo tradicional, as informações �cam divididas, o ge- rente enxerga uma realidade parcial do per�l do seu cliente. Agora, temos um diagnóstico mais preciso e podemos oferecer soluções efetivas”, diz o vice– presidente– executivo comercial do Santander, Pedro Coutinho. No Itaú Unibanco, 60% do total de clientes são do setor varejista, princi- palmente micro e pequenas empresas de vestuário, calçados, supermercados e de material de construção. Entre os produtos com maior adesão entre os empresários estão aqueles que os aju- dam a facilitar e organizar o trabalho. Como o Domicílio Único e o Gerencia- dor de Cartões, que visam ao controle dos recebimentos, as soluções automa- tizadas para gestão de caixa Sispag, Co- brança e Atualizador de Boletos, além do Corban, parceria com lojas para a implantação do serviço de correspon- dente bancário. “Nosso objetivo é ali- nhar o conhecimento do setor à oferta de produtos e serviços de acordo com a sazonalidade e o ciclo do negócio do cliente. Queremos ajudar o setor a se desenvolver”, a�rma Carlos Eduardo Maccariello, diretor de produtos do Itaú Empresas. MEIOS DE PAGAMENTO Da mesma formaque ocorre hoje com os bancos, o varejo está sendo bene�ciado pelo acirramento da concorrência no setor de meios de pagamento, que também lida com valores altíssimos: no ano passado, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), o País tinha mais de 687 milhões de cartões, que realizaram oito bi- lhões de transações e movimentaram R$ 668 bilhões no co- mércio. Desde o segundo semestre de 2010, quando acabou a exclusividade da bandeira Visa com a Cielo (antes, a Redecard fez o mesmo com a Mastercard), dando �m ao duopólio nes- se mercado no Brasil, as empresas promovem várias mudan- ças nos produtos e serviços que oferecem para atrair novos clientes e manter seus parceiros atuais. “Houve uma redução expressiva das tarifas cobradas dos comerciantes. A taxa líquida recebida pelas credenciadoras, por exemplo, estava em torno de 1,45% da transação e agora está mais ou menos em 1,18%. Outro efeito importante foi a redução do custo do aluguel da maquineta (POS, Point Of Sale), que saiu de um custo médio de quase R$ 90 para algo em torno de R$ 70”, explica Nascimento, da Serasa Experian. Segundo ele, tanto as empresas, que já estão solidi�cadas no mercado nacional, quanto os novos entrantes (por exem- plo, a americana Elavon, que iniciou suas atividades, em joint venture com a Credicard no mês de fevereiro) estão lançando produtos que dão valor agregado ao serviço oferecido, me- lhorando ainda mais a vida do lojista. “Agora, aquelas empre- sas têm programas de �delidade – se houver certo número de transações, por exemplo, os clientes ganham benefícios –, HILGO GONÇALVES, DA LOSANGO “NOSSA MISSÃO É DAR FORÇA PARA QUE O PEQUENO VAREJO SE TORNE COMPETITIVO” BANCOS E FINANCEIRAS ANUNCIAM CRIAÇÃO DE SERVIÇOS E MODELOS DE ATENDIMENTO A PEQUENOS E MÉDIOS EMPRESÁRIOS ANOVAREJO_bancos.indd 64 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 65 opções para recarga de celular nos aparelhos e até serviços de avaliação de fundos para cheques”, garante. Um exemplo recente dessa tendência foi mostrado pela Cielo, que iniciou em maio a operação da função crediário em seus terminais – por enquanto, apenas para cartões do Banco do Brasil e do Bradesco. “Estamos viabilizando, diretamente na ponta do comércio, o acesso do consumidor �nal ao cré- dito disponibilizado pelos bancos, no contexto das medidas adotadas pelo governo federal para estimular a economia”, in- forma o vice–presidente comercial de varejo, Dilson Ribeiro, da Cielo. “Para o lojista, a principal vantagem desse programa é que ele poderá realizar as vendas em até 48 vezes e receber o valor integral no dia seguinte”, continua o executivo. “O nos- so parque de terminais foi adaptado para capturar as tran- sações nesta modalidade. BB e Bradesco vão liberar, juntas, mais de R$ 100 bilhões para essa linha extra aos portadores de seus respectivos cartões.” Esse serviço reforça o pacote de ações que vem sendo feito pela credenciadora, que capturou no ano passado o equivalen- te a 7,6% do PIB brasileiro – no mesmo período, o faturamen- to foi de R$ 320,4 bilhões – para cativar tanto o consumidor �nal quanto o comércio. Em 2010, a empresa foi pioneira no País ao lançar o aplicativo Cielo Mobile, para a captura de tran- sações via celular (disponível para as plataformas Android e BlackBerry) e iPad, que personaliza campanhas promocionais conforme a necessidade do varejista com um controle auto- matizado, modernizando as campanhas por cupons. A empresa também criou programas variados, como o Cielo Premia. “É uma plataforma em que o varejista pode construir seu próprio programa de �delização, com múlti- plas formas de premiação e descontos ao seu cliente por- tador de cartão. A ferramenta faz a gestão automática das promoções e substitui os cupons em papel, permitindo que o lojista proporcione ao cliente uma experiência de compra diferenciada”, diz Ribeiro. Já a concorrente Redecard consolidou no ano passado acordos comerciais com empresas de outros segmentos para a realização de ações conjuntas. Uma delas é a Multiplus Fi- delidade, especialista em programas de �delização para o va- rejo. Com essa parceria, os consumidores das lojas cadastra- das acumulam pontos em compras com o cartão de crédito da companhia, que podem ser trocados por prêmios. Outro convênio foi acertado com a distribuidora Ipiranga, por meio do qual os adeptos do programa “Km de Vantagens” podem acumular, consultar e resgatar sua pontuação em terminais que estão instalados nos mais de 4.500 estabelecimentos da rede de postos de combustíveis. Presente há dois anos no mercado de cartões em socie- dade com a empresa de tecnologia Getnet, o Santander in- tegrou os cartões aos seus demais produtos com a solução Conta Integrada, que reúne as contas PJ e PF do varejista, além do serviço de adquiriência (máquina de captura e pro- cessamento de transações via cartão de crédito e débito). Recentemente, a credenciadora anunciou benefícios dire- cionados aos clientes que contrataram esse serviço, como o desconto no aluguel da máquina e a possibilidade de crédito de até oito vezes o valor do faturamento mensal do cartão. Além disso, a empresa fez alianças no ano passado com a Vivo e a Raízen para o lançamento de produtos que ofere- cem benefícios aos clientes dessas empresas: entre eles, está o cartão feito em parceria com a Shell, que dá descontos de até 4% na compra de combustíveis. A SITUAÇÃO É ANIMADORA PARA FINANCIAMENTOS QUE CUSTEIAM AS ATIVIDADES DE VAREJO COMO CAPITAL DE GIRO E EXPANSÃO DANILO NASCIMENTO, DA SERASA EXPERIAN “O SETOR FINANCEIRO JÁ ESTEVE MAIS UNIDO AO COMÉRCIO” ANOVAREJO_bancos.indd 65 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 66 SEGMENTO | BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS FINANCEIRAS Muito lucrativa até há poucos anos, a concessão de �- nanciamentos para os clientes do varejo encontra–se em um momento de desaquecimento, a�rma Nascimento, da Serasa Experian. “Esse mercado já foi a bala de prata do mercado �nanceiro, pois todos queriam lucrar com as classes C, D e E. Hoje, os bancos não estão mais acelerando esses investi- mentos”, a�rma o executivo. “O Itaú tinha em torno de 300 parcerias pós–fusão com o Unibanco e hoje não possui mais do que 30. O Bradesco adquiriu uma série de parcerias com a inclusão do Banco Ibi em sua carteira (em 2009), mas acabou congelando boa parte delas.” O HSBC também adotou esse tipo de política em relação à sua �nanceira, a Losango, desativando no ano passado li- nhas de negócio voltadas ao chamado varejo de massa, que inclui �nanciamento de veículos e crédito consignado. Não por acaso, o índice de inadimplência, apontado pelo mercado como uma das razões para a redução de negócios do setor, contabilizado pela empresa de janeiro a dezembro subiu de 3,6% para 4,3%. A Losango cresceu 15% em 2011, atingindo R$ 59,2 bi- lhões– menos do que a média do sistema �nanceiro – e se manteve líder de mercado, com 24% de participação em Cré- dito Direto ao Consumidor. Para o presidente Hilgo Gonçal- ves, o período foi “muito desa�ador” para a �nanceira. “Que- ríamos ter crescido mais, mas muita coisa aconteceu, como as medidas restritivas anunciadas pelo governo para frear a in�ação”, explica. “Depois, o setor voltou a ganhar incenti- vos, mas não teve tempo su�ciente para se recuperar.” Os planos da empresa para este ano consistem em expan- dir os negócios em dez pontos porcentuais, com ênfase nos setores de eletroeletrônicos, materiais de construção, móveis e mobiliário planejado. Há também o desejo de �rmar mais oito mil novos convênios, principalmente com microempre- sários. “Somos próximos desse público. Das mais de 23 mil lojas com quem trabalhamos, 21.500 são de pequenos negó- cios”, a�rma Gonçalves. “Nossa missão é dar força para que o pequeno varejo se torne competitivo já que ele tem pouco recurso de capital de giro para �nanciaro cliente que deseja comprar o seu produto em 24 meses, por exemplo, como fa- zem os grandes.” Para fortalecer essa parceria, a �nanceira possui um pro- grama de treinamento de crédito sustentável ao comércio. “Um ponto de atenção é a tendência de superendividamento da população. Por isso, o lojista precisa ouvir e conhecer me- lhor o seu cliente para auxiliá–lo a comprar a partir de sua capacidade de pagamento. Já treinamos 14 mil vendedores e queremos atingir mais dez mil neste ano”, explica o presidente da Losango. Além disso, a empresa fornece gratui- tamente materiais informativos com dicas sobre gestão do negócio e comu- nicação no ponto de venda, entre ou- tros assuntos. Braço de �nanciamento ao crédi- to da loja de departamento Magazine Luiza, a Luiza Cred também quer �r- mar em 2012 parcerias com pequenos e médios comerciantes. O objetivo é estimular o uso de seu cartão de cré- dito próprio, o Cartão Luiza, fora das lojas da companhia: esse modelo, de- nominado híbrido, tem sido adotado por grandes varejistas como alternati- va para a queda no uso de private label pelo público brasileiro. Segundo o diretor da Serasa Expe- rian, esse declínio, veri�cado pela di- minuição da participação dos cartões próprios nos lucros das redes varejistas nos últimos anos ocorre por conta da oferta abundante de bandeiras no mer- cado: com a efervescência que existe hoje nesse setor, as empresas tentam atrair o consumidor oferecendo van- tagens cada vez maiores. “Com isso, os clientes que antes usavam os cartões CLAUDIO OLIVEIRA, DA CHUBB “NOSSO DESAFIO É FAZER COM QUE AS CLASSES, QUE AGORA COMEÇAM A USAR SEGUROS, SAIBAM O QUE ESTÃO COMPRANDO” ANOVAREJO_bancos.indd 66 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 68 SEGMENTO | BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS de lojas para fazer as suas compras hoje têm acesso a produtos de maior valor agregado”, explica ele. No ano passado, essa estratégia resultou em bons índices para a Ma- gazine Luiza. O uso do Cartão Luiza fora dos pontos de venda da compa- nhia cresceu 80,5% – 66,2% do gasto total, ante 53,1% no quarto trimestre de 2010 – mesmo com a redução na taxa de aprovação de crédito em mais de dez pontos porcentuais. No mesmo período, a base de cartões de crédito emitidos pela Luizacred aumentou 34,6%, de 3,3 milhões para 4,4 mi- lhões, e a receita proveniente do seg- mento de �nanciamento ao consumo subiu 49,3%, passando de R$ 107,6 milhões para R$ 160,7 milhões. SEGUROS MASSIFICADOS Novidades não param de acontecer no mercado de seguros massi�cados, apólices de pequeno valor que garan- tem proteção contra roubo e defeito em eletroeletrônicos, acidentes em residências e veículos e até para ga- rantir renda em caso de desemprego. Nos últimos anos, graças às parcerias com estabelecimentos comerciais e ao aumento de interesse das classes C e D por esse tipo de produto, o setor se popu- larizou – estima–se que o crescimento seja, em média, duas vezes superior ao do varejo. “Muitos tipos de seguros estão sendo vendidos no comércio. Antes, exis- tiam apenas produtos de proteção �nanceira, mas agora também garantias esten- didas, capitalizações e outras modalidades”, diz Antônio Pastore, diretor comercial de varejo da seguradora Cardif, que tem parceria com Ponto Frio, Magazine Luiza, Colombo e outras redes. “O cliente se acostumou a procurar, nas lojas, os massi�- cados, que têm preços acessíveis.” Segundo o executivo, a Cardif, que aumentou o seu faturamento bruto em 44% de 2010 para 2011, planeja manter ritmo parecido de crescimento neste ano. Para isso, investirá �rme na oferta desses seguros por meio do varejo, com atenção espe- cial à internet. “Vamos procurar empresas de e–commerce, acre- ditamos nesse mercado”, justi�ca. Ele destaca a capitalização e o seguro residencial como formatos em que a Cardi� vai apostar as suas �chas – atualmente, entre os tipos que lhe dão mais lucros, estão as garantias estendidas e os seguros contra desemprego – em 2012. “Há espaço para isso, pois o brasileiro protege o auto- móvel, mas não a própria casa”, a�rma. A concorrente Assurant também tem ótimas perspectivas para o futuro próximo. A empresa espera dobrar de tamanho a cada dois anos. Para isso, quer �rmar convênios com compa- nhias de vários segmentos: recentemente, foi anunciado um acordo com a operadora Tim, com quem já oferece proteção para celulares, para a comercialização de um seguro com ga- rantia de reposição de tablets e modems em caso de roubo ou furto e que dá direito a concorrer a sorteios no valor de R$ 10 mil. “Em breve, anunciaremos novas parcerias”, garante o vice- presidente comercial e de marketing Cássio Stavale. Com mais de cinco milhões de segurados na operação de massi�cados, a Chubb tem 50% de seu público no varejo de pequeno, médio e grande porte, incluindo redes como Riachuelo, Eletro- zema, Colombo, Lojas Darom e Eletrocity. Por isso, a em- presa planeja estreitar ainda mais o contato com o lojista no intuito de adaptar a sua vasta carteira de seguros – de prestamistas a proteções para pneus, acidentes pessoais, residenciais e garantias para eletroeletrônicos – à realidade de cada estabelecimento. “Quando identi�camos um parceiro, temos uma equipe que vai até ele para entender a operação antes de começar- mos a vender os nossos produtos, pois ela tem de ser uma continuidade da atividade da loja”, explica o gerente de mas- si�cados da Chubb, Cláudio Oliveira. Segundo ele, a compa- nhia está empenhada em educar os consumidores a respeito das características e vantagens dos massi�cados. “O nosso desa�o é fazer com que essas classes que começam agora a lidar com seguros saibam o que estão comprando e os be- nefícios que obtêm com os massi�cados. Queremos traba- lhar a cultura dessas pessoas para que elas entendam que adquirir um seguro é importante”, �naliza. Dona de 60% de participação no mercado nacional de seguros massi�cados, a Garantec registrou expansão de 17,9% em 2011. Por conta EM SEGUROS MASSIFICADOS, NOVIDADES NÃO PARAM DE APARECER, E VÃO ALÉM DE APÓLICES CONTRA ROUBO E DEFEITO EM APARELHOS, ACIDENTES EM RESIDÊNCIA E SEGURO–DESEMPREGO CÁSSIO STAVALE, DA ASSURANT “VAMOS FIRMAR PARCERIAS COM DIFERENTES SEGMENTOS PARA DOBRAR DE TAMANHO EM 2 ANOS” ANOVAREJO_bancos.indd 68 7/21/12 3:01 PM NO | VAREJO edição especial 70 SEGMENTO | BANCOS, FINANCEIRAS, MEIOS DE PAGAMENTO E SEGUROS MASSIFICADOS disso, foi responsável por pouco mais de 20% da arrecadação com prêmios de seguro do grupo Itaú Unibanco, ao qual pertence, no mesmo período. Para este ano, as projeções também são positivas: mesmo com a tendência de redução na expansão do PIB brasi- leiro em relação a anos anteriores, a intenção é crescer 15%. De acordo com o diretor–execu- tivo André Rutowitsch, este número deve ser motivado pelo aumento do número de pequenos e médios comer- ciantes que incorporam a oferta de garantia estendida aos seus produtos para cativar o consumidor. “Há uma tendência de ampliação deste merca- do, pois varejistas de todos os portes estão atentos a esse diferencial”, a� rma ele. Atualmente, a Garantec está em mais de três mil pontos de assistência téc- nica no País. As possibilidades deste mercado também chamaram a atenção do Bradesco. Por meio de seu braço segurador, a instituição bancária está investindo � rmemen- te em seguros com � loso� a e conceito de microsseguro direcionados às classes C e D. Uma das iniciativas recentes criadas neste sentido foi o programa Primeira Proteção Bradesco, lançado há dois anos com exclusividade nas comunidades da Rocinha (Rio de Janeiro) e Heliópolis (São Paulo), com mensalidade de R$ 3,50 e indenização de R$ 20 mil para morte acidental. O produto, atualmente vendido em todo o país, tem mais de 1,7 milhão de apólices comercializadas. Outro projeto é o Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro, seguro resi- dencialfeito para atender os moradores da comunidade Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com custo anual a partir de R$ 9,90. Por causa dele, a em- presa ganhou destaque no relatório anual da Microinsurance Innovation Facci- lity, divisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT) especializada na promoção de microsseguros. Com a aprovação das regras para microsseguros, publicada no � m de junho pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), a empresa quer lançar novos produtos para manter sua participação atual no mercado nacional de seguros, que está na casa de 25%. “A expectativa é levar os benefícios do seguro a milhões de brasileiros. São produtos simples de ser entendidos e fáceis de adquirir, a custos muito acessíveis. O crescimento do mercado segurador é bom não apenas para seus participantes diretos, mas, sobretudo, para o País e seu desenvolvimento. Mesmo porque a dis- seminação desses produtos leva à maior consciência sobre a prevenção dos riscos”, explica Eugênio Velasques, diretor–executivo do Grupo Bradesco Seguros. número de lojas empregos gerados BANCOS OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 BANCO DO BRASIL ITAÚ UNIBANCO BRADESCO CAIXA ECONÔMICA FEDERAL SANTANDER HSBC VOTORANTIM SAFRA BTG PACTUAL CITIBANK 886.230.300.000,00 852.016.700.000,00 755.124.500.000,00 511.287.000.000,00 450.497.000.000,00 145.225.600.000,00 127.300.000.000,00 94.084.100.000,00 58.349.200.000,00 49.884.100.000,00 4.998 4.604 3.700 2.351 2.408 901 308 110 N/D 116 110.000 107.003 108.000 107.032 54.900 24.000 10.000 5.600 1.250 6.712 ADEMIR BENDINE – PRESIDENTE ROBERTO SETÚBAL – PRESIDENTE LUIZ CARLOS TRABUCO – PRESIDENTE JORGE FONTES HEREDA – PRESIDENTE MARCIAL ANGEL PORTELA ALVAREZ – PRESIDENTE ANDRÉ GUILHERME BRANDÃO – PRESIDENTE JOÃO ROBERTO GONÇALVES TEIXEIRA – PRESIDENTE ROSSANO MARANHÃO – PRESIDENTE ANDRÉ ESTEVES – PRESIDENTE HÉLIO MAGALHÃES – PRESIDENTE EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP BRADESCO SEGUROS TEVE DESTAQUE EM RELATÓRIO INTERNACIONAL POR CAUSA DE SEU PROJETO DE SEGUROS RESIDENCIAIS NA COMUNIDADE DONA MARTA ANOVAREJO_bancos.indd 70 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 71 SEGUROS MASSIFICADOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 EMPRESAS EXECUTIVO BRADESCO SEGUROS* GARANTEC** CHUBB TOKIO MARINE ASSURANT ZURICH ALFA ACE SEGURADORA CARDIF DO BRASIL QBE RADUAN SEGUROS CLASSIC AON AFFINITY VERTEX SEGUROS ABENSUR FATURAMENTO (R$) 16.803.243.000,00 5.289.245.000,00 874.028.000,00 685.953.000,00 398.991.000,00 359.834.000,00 270.758.000,00 164.539.000,00 156.337.000,00 85.239.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D 3.700 4.604 6 50 1 25 28 10 78 1 19 12 11 2 1 4.500 5.300 500 1.500 113 360 422 188 950 280 165 1.140 1.020 160 150 MARCO ANTONIO ROSSI – PRESIDENTE NEY DIAS – PRESIDENTE ACÁCIO QUEIROZ – PRESIDENTE RYOJI FUJI – PRESIDENTE RICARDO FIUZA – PRESIDENTE/BRASIL JOSÉ CARLOS MACEDO – PRESIDENTE AKIRA HARASHIMA – PRESIDENTE FARID EID – PRESIDENTE MARCUS VINICIUS LOPES MARTINS – PRESIDENTE ALESSANDRO JARZYNSKI – PRESIDENTE NAGIB RADUAN – PRESIDENTE RUBENS NOGUEIRA FILHO – PRESIDENTE JOSÉ FELIPE VIEIRA DE CASTRO – PRESIDENTE FREDERICO CATTONI – PRESIDENTE RENATO ABENSUR – PRESIDENTE número de lojas empregos gerados FINANCEIRAS 1 2 3 4 5 6 7 8 LOSANGO LUIZA CRED BANCO BONSUCESSO BANCO CACIQUE TRIBANCO MIDWAY FINANCEIRA BANISA – BANCO INTERMEDIUM BV FINANCEIRA S.A. 4.136.000.000,00 3.280.074.000,00 2.592.502.000,00 2.505.820.000,00 1.901.800.000,00 1.214.922.000,00 923.470.000,00 236.012.242,00 300 200 36 164 47 175 8 122 2.713 21.000 800 3.000 700 3.719 168 4.326 HILGO GONÇALVES – PRESIDENTE MÁRCIO DE ANDRADE SCHETTINI – PRESIDENTE PAULO HENRIQUE GUIMARÃES – PRESIDENTE RENATO MARTINS OLIVA – PRESIDENTE JOÃO AYRES RABELLO FILHO – PRESIDENTE FLÁVIO GURGEL ROCHA – PRESIDENTE AQUILES LEONARDO DINIZ – PRESIDENTE JOSÉ ERMÍRIO DE MORAES NETO – PRESIDENTE EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP MG SP MG SP MG SP SP SP SP SP SP MG SP SP SP RS SP MG SP SP RS MEIOS DE PAGAMENTO 1 2 3 CIELO* GETNET* REDECARD* 4.162.700.000,00 3.133.400.000,00 2.848.800.000,00 1.176 1.009 1.054 000 000 000 RÔMULO DE MELLO DIAS – PRESIDENTE JOSÉ RENATO HOPF – PRESIDENTE CLAUDIO TAKASHI YAMAGUTI – PRESIDENTE EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP SP * Receita Líquida de Vendas * Inclusos os prêmios de todas as modalidades da seguradora ** A Garantec é a empresa que possui o maior faturamento de seguros massi� ca- dos, com cerca de 60% de participação no mercado ANOVAREJO_bancos.indd 71 7/20/12 1:54 PM NO | VAREJO edição especial 74 SEGMENTO | CALÇADOS SEGUNDO A ABLAC (ASSOCIAÇÃO BRA- SILEIRA DE LOJISTAS DE ARTEFATOS E CALÇADOS) AS VENDAS DE CALÇADOS TOTALIZARAM NO BRASIL 780 MILHÕES DE PARES EM 2011, com um fatura- mento geral de R$ 42,9 bilhões, núme- ros foram aquém do esperado. Mesmo lançando mão de estratégias variadas para atrair o consumidor – como facili- dades para pagamentos, novos produ- tos e a quali�cação dos vendedores –, o setor atingiu um nível de crescimento nas vendas inferior ao de 2010, estima- do em 12,5%. “Os lojistas esperavam mais”, diz o presidente da entidade, Carlos Ajita. Os fabricantes também, mas a crise atrapalhou. “Para superar a recessão, os EUA e os europeus têm aumentado a liquidez e, com isso, des- valorizado suas moedas. Isso acaba por diminuir a competitividade de nossas exportações”, explica Claudio Felisoni, coordenador do Provar, da FIA (Fun- dação Instituto de Administração). Há ainda um problema adicional: o gover- no da Argentina impôs barreiras alfan- degárias a produtos brasileiros, o que provocou re�exos negativos no volume de exportações. Um relatório da Abicalçados (Asso- ciação Brasileira das Indústrias de Cal- çados) mostra que a queda no volume de pares de calçados embarcados foi de 21% no ano passado. Nos 12 meses avaliados, o País enviou ao Exterior 113 milhões de pares, contra 143 milhões em 2010. Esse quadro di�culta a vida de empresas brasileiras presentes no vare- jo internacional, caso da Via Uno, que tem 112 de suas 270 lojas fora do Brasil. Para piorar a situação, o mercado continua sendo invadido por produtos asiáticos, com preços inferiores aos de- mais em virtude do baixíssimo custo de produção, apesar das medidas anti- dumping tomadas no ano passado pelo governo federal contra a China. O segmento também observa com atenção o que acontece com a BM&FBovespa. Em maio, o Ibovespa caiu quase 12%, tendo seu pior de- sempenho desde outubro de 2008, atingindo queda acumulada de 3,99% nos cinco primeiros meses do ano. E as perspectivas futuras não são nada oti- mistas: a crise nas economias da Euro- pa e dos Estados Unidos e o crescimen- to ruim veri�cado na China e no Brasil, que aumentou o seu PIB em apenas 0,2% no primeiro trimestre, são apon- tados como fatores que podem prejudi- car o mercado de ações. Se con�rmado, esse cenário pode afetar negativamente as empresas do segmento que possuem capital em Bolsa de Valores, como a Arezzo&Co, holding das marcas Arezzo, Schutz, Alexandre Birman e Anacapri, que inaugurou 38 pontos de venda ao longo do ano passado e pretende abrir mais 58 lojas, entre 11 próprias e 47 fran- quias, até o �m de 2012. Em 2011, a em- presa se bene�ciou de seus resultados na AMBICIONANDO AUMENTAR AS VENDAS, O SETOR CALÇADISTA APOSTA EM LANÇAMENTOS, INOVAÇÕES NO PONTO DE VENDA E NA DEMANDA GERADA PELOS PRINCIPAIS EVENTOS ESPORTIVOS A SEREM REALIZADOS NO BRASIL VITAMINANDO O PASSO Por Denis Moreira e Jacques Meir Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o NO | VAREJO edição especial ANOVAREJO_calcados.indd 74 7/20/12 1:56 PM NO | VAREJO edição especial 75Bolsa e a receita líquida da empresa su- biu 18,8%. Do dia 2 de fevereiro, quan- do começaram a ser vendidos, até o último pregão de dezembro (dia 29), os papéis da companhia subiram 22,61%. Este ano a empresa vinha colecionando boa performance, mas agora, a incerte- za da bolsa, deve fazer a empresa voltar suas atenções para as lojas. NOVAS OPORTUNIDADES No curto prazo, a garantia de ga- nho comprovada para o segmento vem mesmo das medidas para estimular o consumo, adotadas pelo governo brasi- leiro desde o �m do ano passado. Uma das mais importantes foi a redução na taxa de juros. O segmento também deve se bene�ciar da Copa do Mundo e da Olimpíada ao Brasil em um intervalo de apenas dois anos. A realização desses eventos irá mexer com o cotidiano do brasileiro, que �cará mais motivado a adquirir artigos de esporte. Para se ter uma ideia do impacto desses eventos, pesquisa da Ernst & Young e da FGV apontou que o País terá R$ 142,39 bilhões a mais em circulação até 2014. No setor de calçados e artefa- tos de couro, o impacto será superior a R$ 242,7 milhões. Atentas a esse cenário, as princi- pais empresas de calçados esportivos no Brasil já estão armando as suas es- tratégias. Com 303 lojas (280 no Brasil e 23 no exterior) em mais de 20 países, a Paquetá tem planos de inaugurar até o ano que vem 30 �liais de seu braço esportivo, a Paquetá Esportes – hoje com 18, situadas em três Estados e no Distrito Federal – em cidades como São José (SC), Londrina, Cuiabá, Re- cife, Campo Grande e Salvador. Até 2015, a empresa quer abrir 145 pon- tos de venda no Brasil, incluindo es- tabelecimentos das bandeiras Paquetá Calçados, Gaston e Exposende e fran- quias das marcas próprias Dumond e Capodarte (luxo). “Estamos investin- do em lojas com projetos inovadores e tecnológicos, conceito que é modelo para nossa expansão”, a�rma Paulina Bacher, gerente de marketing. Já a Alpargatas quer aumentar a im- portância da Topper em toda a América Latina. Primeira colocada em vendas no seu segmento na Argentina e no Uru- guai, a marca aumentou no ano passado o número de países que importam os seus produtos: Peru e Colômbia entra- ram em uma lista que também conta com Chile, Paraguai e Bolívia. Além dis- so, lançou uma loja virtual, que recebeu até dezembro mais de 300 mil visitantes. No mesmo período, a empresa pôs no mercado várias novidades em suas outras bandeiras es- portivas. A Rainha ingressou na categoria de corrida com linhas de calçados e roupas, enquanto a Mizuno ampliou a linha Wave de tênis de corrida e entrou nos mercados de vôlei e futebol. Uma das principais representantes mundiais do setor de aventura, a Timberland, lançou produtos para atividades outdoor e adotou uma nova comunicação visual para seus 16 pontos de venda no Brasil, que aumentaram seu faturamento em 9,6% no comparativo com 2010. A loja virtual da marca tam- bém cresceu em vendas, atingindo 23%. A concorrente Vulcabrás também está investindo em lançamentos, como a linha da Reebok, Real Flex, direcio- nado ao público que pratica �tness, ni- cho que representa uma de principais Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o VITRINE INTERATIVA PARA DESTACAR SEUS PRODUTOS NA VITRINE DE UMA LOJA WORLD TENNIS EM SÃO PAULO, A REEBOK USOU A MESMA TECNOLOGIA DO VIDEOGAME KINECT. QUEM PASSAVA EM FRENTE PODIA INTERAGIR COM A VITRINE QUE, POR MEIO DE UM SENSOR, RECONHECE MOVIMENTOS MODELOS DA MIZUNO, BIRMAN E SCHUTZ: NOVIDADES ATRAEM O CONSUMIDOR ANOVAREJO_calcados.indd 75 7/20/12 1:56 PM NO | VAREJO edição especial 76 SEGMENTO | CALÇADOS apostas da companhia. Segundo Tullio Formicola, diretor–geral da marca no Brasil, a intenção é atrelar à marca ao Cross� t, modalidade de condiciona- mento físico que é moda no mundo. “Estamos planejando uma ação que vai abranger tanto os pontos de venda, com novas vitrines e materiais, quanto os meios digitais, em que a presença do público de Reebok é forte”, explica ele. “Criamos um documentário que apre- senta o que é o Cross� t, que é um dos pilares do trabalho de preparação para qualquer esporte.” Em relação à Olympikus, líder no mercado nacional de calçados esporti- vos, uma de suas estratégias é aumentar a presença no futebol brasileiro: além do Flamengo, com quem trabalha des- de 2009, a marca agora fornece unifor- mes para o Cruzeiro, de Minas Gerais. A bandeira também quer se reforçar no mercado argentino, patrocinando desde o ano passado os times rúgbi, basquete, vôlei e futebol, e a seleção argentina de vôleie. “Vamos manter os investimen- tos em comunicação, merchandising, patrocínios e tecnologia de alta per- formance”, diz Pedro Bartelle, diretor de marketing da Olympikus. “Estamos 100% preparados para este momento histórico no esporte brasileiro.” DA AREZZO, LOJA SCHUTZ EM SÃO PAULO, E VIA UNO NO MÉXICO A PRIMEIRA ESPERA SE CAPITALIZAR NA BOLSA, A SEGUNDA, MANTER CRESCIMENTO FORA DO BRASIL número de lojas empregos gerados CALÇADOS OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 ALPARGATAS* VULCABRÁS/AZALÉIA** PAQUETÁ AREZZO*** CITY SHOES ANDARELLA VIA UNO WORLD TENNIS CARMEN STEFFENS DEMOCRATA DI SANTINNI SANTA LOLLA AUTHENTIC FEET FERNI UNCLE K CAPODARTE / DUMMONT DENY CALÇADOS EMPÓRIO NAKA ART WALK CNS CALÇADOS 101 74 176 337 110 65 255 227 200 179 125 104 93 59 54 50 47 42 39 37 12.179 42.000 17.000 1.200 1.360 512 421 1.500 3.000 600 4.200 300 788 312 N/D N/D 185 450 320 360 MÁRCIO LUÍS SIMÕES UTSCH – PRESIDENTE MILTON CARDOSO DOS SANTOS FILHO – PRESIDENTE ADALBERTO LEIST – PRESIDENTE ANDERSON BIRMAN – PRESIDENTE RONALDO WELLISCH – PRESIDENTE BIANCA BORGES – PRESIDENTE CESAR MINETTO – PRESIDENTE RICARDO BURMAIAN – PRESIDENTE MARIO SPANIOL – PRESIDENTE URIAS FRANCISCO CINTRA – PRESIDENTE ARTHUR TCHILIAN – PRESIDENTE DANIELA RUIZ GARCIA –PRESIDENTE MAZHAR OBEID – PRESIDENTE LEANDRO CARVALHO TAVARES – PRESIDENTE ALEXANDRE CAMARA – PRESIDENTE GERSON VACCARI – PRESIDENTE PAULO CALACIAN – PRESIDENTE MARINHO NACCARATO – PRESIDENTE MAZHAR OBEID – PRESIDENTE RICHARD FLORES – PRESIDENTE 2.574.700.000,00 1.864.100.000,00 1.700.000.000,00 639.800.000,00 112.000.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP RS SP RJ RJ RS SP SP SP SP SP SP RJ RJ RS SP SP SP SP *Havaiana, Dupé,.Topper, Rainha, Mizuno, Timberlan e Meggashop ( Receita Líquida de Vendas) **Azaléia, Dijean, Olympikus, Opanka, Reebok, Botas Vulcabrás ( Receita Líquida de Vendas) *** Receita Líquida de Vendas ANOVAREJO_calcados.indd 76 7/20/12 1:56 PM NO | VAREJO edição especial 78 SEGMENTO | ELETROELETRÔNICOS FATORES COMO O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE ELE- TROELETRÔNICOS E A ASCENSÃO DA NOVA CLASSE MÉDIA TORNARAM O BRASILEIRO UM AFICIONADO POR TECNOLO- GIA. Segundo pesquisa feita pela consultoria Accenture em dez países, nós somos o povo que mais quer comprar tablets e TVs de alta de� nição e 3D. Esta movimentação positiva atinge tanto as principais redes varejistas quanto – e, em alguns casos, em especial – as cadeias de menor porte: as Lojas Cem, por exemplo, que tem aproximadamente 200 lojas pelo País, lucrou R$ 1,9 bilhão em faturamento no ano passando, rendendo um lucro de R$ 191 milhões, superior à Magazine Luiza, Ponto Frio e Casas Bahia. E até as redes situadas no interior do País estão sendo bene� ciadas. É o caso da Cybelar, presente em 94 cidades pe- quenas e médias de São Paulo, que vende eletrodomésticos, móveis, te- lefones, brinquedos, eletroportáteis e produtos de cine, foto e informática. “O interior também colhe os frutos desta corrente de bons negócios, à me- A PAIXÃO DO BRASILEIRO PELAS NOVAS TECNOLOGIAS ESTÁ OBRIGANDO AS REDES DE VAREJO DE ELETROELETRÔNICOS A MODIFICARSUAS ESTRATÉGIAS DE VENDA Por Denis Moreira Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o CORRIDA PELO OURO NO | VAREJO 78 SEGMENTO | 78 SEGMENTO | ELETROELETRÔNICOS ANOVAREJO_eletroeletronicos.indd 78 7/20/12 2:06 PM NO | VAREJO edição especial 79 dida que estamos numa área de desenvolvimento importante do País”, ex- plica Ubirajara Pasquotto, diretor–geral da Cybelar. Ele se diz otimista com as perspec- tivas para o setor, mesmo com a crise internacional e as previsões de um PIB reduzido neste ano. “Os baixos índices de desemprego, os pacotes de redução dos impostos dos produtos de consu- mo durável e o aumento da renda vão ajudar a manter este quadro de cresci- mento, apesar de mais moderado do que em 2010”, diz ele. As grandes lojas do setor estão atentas a esse cenário, mudando suas estratégias para atender esse público ávido por consumir, mas que precisa de atenção especial para realizar a com- pra com sucesso. A� nal, a maioria dos clientes não conhece as diferenças en- tre processadores de um computador, por exemplo, e acaba � cando perdida quando se vê diante das várias opções existentes no mercado. E aí há espaço para o varejo melhorar. De acordo com o professor da Escola de Administração de Empresas da FGV, Maurício Morga- do, a grande maioria dos vendedores de eletro não está preparada para aju- dar o cliente a solucionar suas dúvidas. “O varejista deve, em primeiro lugar, ajudar o consumidor a de� nir sua ne- cessidade e, em seguida, ajudá–lo a encontrar a opção que mais se adapta a ele e ao seu orçamento”, explica. “Mas só um vendedor bem treinado conse- gue seguir essa premissa simples.” Não à toa, muitas redes varejistas estão investindo fortemente para me- lhorar o treinamento dos seus colabo- radores. Como a Máquina de Ven- das, holding responsável pelas bandeiras Ricardo Eletro, Insinuante, City Lar e Eletro Shopping, dona de um faturamento superior a R$ 7 bilhões, com 1.100 lojas espalhadas por 442 cidades brasileiras e um corpo de 30 mil funcionários diretos. A em- presa desenvolveu a universidade cor- porativa Unimav e vem promovendo cursos e programas de capacitação para incrementar o atendimento. “Os dire- tores das empresas se envolvem pes- soalmente nesses treinamentos para garantir que os vendedores estejam muito bem preparados para atender a qualquer demanda, inclusive no escla- recimento de dúvidas sobre produtos”, explica Luiz Carlos Batista, presidente do conselho de administração. A Viavarejo, holding que reúne as lojas Ponto Frio e Casas Bahia e as operações da Nova Pontocom (Ponto- frio.com.br, Extra.com.br, Casasbahia. com.br e Atacado Pontofrio) é outra que aposta nessa tática para alavancar os seus resultados. Com 949 unidades em 14 Estados brasileiros e no Distrito Federal, o grupo realizou cerca de um milhão de horas de treinamento com as equipes de vendas no ano passado. Esforços como esses são importan- tes, mas não bastam: de acordo com o professor do FGV, é preciso que a in- dústria de eletroeletrônicos também se engaje neste processo. “A indústria também tem de treinar o varejo para que ele consiga repassar as informações para o consumidor � nal. É assim que funciona em todo o mundo”, comenta. LOJAS–CONCEITO Além de melhorar o atendimen- to, os principais players do varejo de eletroeletrônicos também estão bus- cando � delizar o seu público por meio das lojas–conceito, ou seja, espaços diferenciados que permitem a livre ex- perimentação de produtos e reforçam a marca na memória do seu cliente. Por Denis Moreira Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o A MAIORIA DOS CONSUMIDORES NÃO CONHECE AS DIFERENÇAS EN- TRE OS PRODUTOS. E AÍ HÁ ESPAÇO PARA O VAREJO SE DIFERENCIAR CORRIDA PELO OURO LOJA MAGAZINE LUIZA DA TIETÊ ILHAS PARA EXPERIMENTAÇÃO DE PRODUTOS, CURSOS DIVERSOS, ENTRETENIMENTO INFANTIL E SALÃO DE BELEZA ANOVAREJO_eletroeletronicos.indd 79 7/20/12 2:06 PM NO | VAREJO edição especial 80 SEGMENTO | ELETROELETRÔNICOS Dona de 70 pontos de venda, a Fast Shop reformou recentemente a sua loja no Shopping Iguatemi, em São Paulo, que agora é a primeira da rede com a �loso�a CEA (Conhecer, Experi- mentar, Aprender). Um dos principais atrativos do local é o espaço Kitchen Aid, que simula uma cozinha comple- ta, com todos os itens funcionando. A rede também conta com sete lojas A2YOU, que são �agships Apple Pre- mium Reseller (estabelecimentos cer- ti�cados pela Apple pela excelência na venda de itens da marca). Na opinião de Morgado, a Fast Shop é a empresa varejista mais avan- çada nessa questão no Brasil.“Ela deixa o consumidor à vontade para experi- mentar e mexer nos equipamentos, enquanto as outras ainda estão muito dependentes dos vendedores”, explica o professor da FGV. O professor des- taca ainda o atendimento moderno da Colombo, com 357 unidades con- centradas no Sul e Sudeste. “Além de contar com colaboradores bem prepa- rados, eles costumam demonstrar bem os produtos.” Outras grandes empresas do seg- mento possuem iniciativas semelhan- tes. No �m do ano retrasado, a Casas Bahia abriu sua primeira loja–conceito no shopping Palladium, em Curitiba. O Ponto Frio, por sua vez, entrou nesse mercado no �m de 2010 com a inauguração do seu ponto de venda no shopping RioSul, na capital carioca. Hoje, a Viava- rejo possui 17 estabelecimentos com uma estrutura interna voltada a lançamentos de novidades e à experimentação dos produtos. Nesses locais, os clientes podem testar aparelhos como computadores, celulares e videogames antes de fazer a sua compra. A Magazine Luiza é dona de duas �agships de grande porte, ambas localizadas na capital paulista. A mais antiga �ca no shopping Aricanduva, na zona leste da cidade, e foi aberta em 2008. No �m de 2010, a empresa inaugurou um megaespaço nas proximidades da marginal Tietê, em que o consumidor pode aprender novas receitas (Espaço Sabor), cuidar do visual (Espaço Beleza) e levar as crianças para brin- car (Espaço Brinque), além de desfrutar de uma programação de cursos, palestras e shows teatrais e musicais. Lá também há ilhas para a “degustação” dos aparelhos eletrônicos. “A proposta é unir satisfação pessoal e bem–estar ao oferecer ao UM MILHÃO DE HORAS DE TREINAMENTO FOI A TÁTICA DA VIAVAREJO, DETENTORA DAS CASAS BAHIA, PARA ALAVANCAR AS VENDAS UBIRAJARA PASQUOTTO, DA CYBELAR “ESTAMOS NO INTERIOR, ÁREA DE DESENVOLVIMENTO IMPORTANTE DO PAÍS” LUIZ CARLOS BATISTA, DA MÁQUINA DE VENDAS “FOCO É NO TREINAMENTO DOS VENDEDORES PARA ESCLARECER DÚVIDAS DOS CONSUMIDORES” ANOVAREJO_eletroeletronicos.indd 80 7/20/12 2:06 PM NO | VAREJO edição especial 81 Garantia de bons dividendos especialmente entre os clientes da nova classe média, os seguros massifi cados, que disponibilizam garantia adicional contra quebra, perda e furto de produtos variados, continuam nos planos das grandes redes de eletroeletrônicos. A Lojas Americanas, por exemplo, oferece esses produtos tanto em seus 621 pontos de venda (Americanas, Americanas Express e Blockbuster, presentes em 24 Estados e no Distrito Federal) quanto nas lojas virtuais Americanas.com, Submarino e Shoptime. Com planos mais ousados, a Máquina de Vendas fi rmou neste ano uma parceria com a Bradesco Seguros para oferecer os produtos da seguradora aos seus 16 milhões de clientes. “Esse acordo está em linha com nossos planos de expansão”, afi rma Batista. Já a Viavarejo afi rma que trata esses serviços como complementares, não desviando o foco da comercialização de eletrodomésticos, eletrônicos e móveis. Para Morgado, da FGV, os seguros estendidos dão uma margem grande às empresas e vão continuar crescendo, estimulado pela criatividade das companhias envolvidas nesse negócio, que estão sempre criando novos produtos atrativos para o consumidor. No entanto, ele alerta para os perigos de questões éticas que podem prejudicaro nome do varejista no mercado. “É preciso critério do varejista ao escolher que tipo de seguro ofertar. É um meganegócio e pode favorecer o consumidor, mas deve ser trabalhado com cuidado.” SEGUROS MASSIFICADOS público, além da possibilidade de com- pras, espaços de experimentação em todos os setores, sessões de relaxamen- to, serviços de beleza e diversão”, ex- plica Luiza Helena Trajano, presidente do Magazine Luiza. Nos últimos anos, a empresa também está reformulando várias de suas lojas, fazendo mudanças que vão da ampliação do espaço inter- no ao aumento do número de vendedo- res, no intuito de oferecer experiências de compra mais agradáveis ao cliente. Uma delas, reinaugurada em agosto do ano passado, � ca em Curitiba. ELETROELETRÔNICOS OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 VIA VAREJO* LOJAS AMERICANAS ** MÁQUINA DE VENDAS MAGAZINE LUIZA ** FAST SHOP LOJAS CEM ** ARMAZÉM PARAÍBA GAZIN ** CASA E VÍDEO LOJAS COLOMBO** GRUPO HERVAL POLISHOP ELETRO SHOPPING LOJAS SALFER ELETROZEMA REDE ELETROSOM LOJAS LEBES CYBELAR BERLANDA LOJAS KOERICH ** GRAZZIOTIN ** 1035 621 1.078 728 68 185 304 175 76 336 60 138 149 208 315 151 106 95 157 87 34 57.680 15.596 30.000 26.000 4.400 7.800 N/D 5.448 3.300 6.300 1.300 1.250 3.300 3.150 4.400 3.000 2.000 2.000 2.000 1.500 420 RAPHAEL KLEIN - DIRETOR PRESIDENTE MIGUEL GOMES PEREIRA GUTIERREZ - PRESIDENTE RICARDO NUNES - PRESIDENTE LUIZA HELENA TRAJANO - PRESIDENTE MILTON KAKUMOTO - PRESIDENTE NATALE DALLA VECCHIA - PRESIDENTE JOÃO CLAUDINO - PRESIDENTE MÁRIO VALÉRIO GAZIN - SÓCIO - PRESIDENTE FÁBIO CARVALHO - PRESIDENTE ADELINO COLOMBO - PRESIDENTE JOSÉ AGNELO SEGER - PRESIDENTE JOÃO APOLINÁRIO - PRESIDENTE RICHARD SAUNDERS - PRESIDENTE VANDERLEI ILÍDIO GONÇALVES - PRESIDENTE RICARDO ZEMA - PRESIDENTE NATAL ACIR - PRESIDENTE OTÉLIO BREDES- PRESIDENTE UBIRAJARA JOSÉ PASQUOTTO - PRESIDENTE NILSON BERLANDA - PRESIDENTE ANTÔNIO KOERICH - PRESIDENTE GILSON GRAZZIOTIN - PRESIDENTE número de lojas empregos gerados 21.016.716.000,00 10.201.624.000,00 7.200,000.000,00 6.419.004.000,00 3.000.000.000,00 2.554.173.000,00 2.300.000.000,00 1.908.848.010,00 1.500.000.000,00 1.324.412,000,00 1.200.000.000,00 1.000.000.000,00 930.000.000,00 800.000,000,00 700.000.000,00 624.208.000,00 500.000.000,00 460.000,000,00 410.000,000,00 384.000,000,00 271.740.206,00 EMPRESAS EXECUTIVOFATURAMENTO (R$) SP SP BA SP SP SP PB PR RJ RS RS SP PE SC MG MG RS SP SC SC RS ** Receita Líquida de Vendas *Via Varejo– Casas Bahia + Ponto Frio+ Nova pontocom ( Receita Líquida de Vendas) ANOVAREJO_eletroeletronicos.indd 81 7/20/12 2:06 PM NO | VAREJO edição especial 82 SEGMENTO | FARMÁCIAS E MEDICAMENTOS O ANO DE 2011 FOI MARCADO POR UM FORTE MOVIMENTO DE FUSÕES E AQUI- SIÇÕES ENTRE AS GRANDES DO VARE- JO FARMACÊUTICO, um segmento que registrou crescimento de 18,8% em relação a 2010, atingindo faturamento total R$ 43 bilhões segundo dados do IMS Health. De acordo a Nielsen, o canal farma cresceu três vezes a performance do Brasil. Mesmo tendo 5% de importância no faturamento do varejo, o segmento cresceu 315 pontos porcentuais. No ano passado, os gastos em farmácia aumen- taram 12% – as classes C, D e E foram as que mais contribuíram para isso. Segundo dados da Associação Bra- sileira das Redes de Farmácias e Droga- rias (Abrafarma), as 29 maiores redes agregadas à entidade contam com mais de 3.768 lojas em todos os Estados brasileiros e Distrito Federal, e repre- sentam 36% das vendas de medicamentos no País. De março de 2011 a fevereiro de 2012, o movimento des- sas redes superou R$ 22 bilhões. A comercialização de medicamento ainda corresponde à maior fatia do bolo, com R$ 15,26 bilhões, mas o destaque, porém, é dos genéricos e dos não medicamentos cujas vendas che- garam a R$ 2,55 bilhões e a R$ 6,80 bilhões respecti- vamente. Esse resultado re�ete claramente o per�l do consumidor brasileiro, que não só aposta no genérico por conta do preço, como tem visto a farmácia como um centro de conveniência. Muitas redes avançam com a comercialização de ar- tigos de higiene e beleza cujo gasto do consumidor saiu de R$ 267,70 para R$ 293. Entre as razões para isso está uma pesquisa feita pela consultoria GfK, que reve- lou que o preço no varejo de farmácia é mais competi- tivo em relação aos super e hipermercados com até dez checkouts. “Hoje, o consumidor encontra sortimento mais especializado e premium nas redes”, comenta o presidente-executivo da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto. Para Claudio Czarnobai, analista de mercado da Nielsen, o varejo farmacêutico se destaca por ter posiciona- mento bem de�nido em relação ao portfólio, principalmente em relação à beleza. DE OLHO NO POTENCIAL DE COMPRA DO CONSUMIDOR E NO FATURAMENTO CRESCENTE DA CATEGORIA HIGIENE E BELEZA, FARMÁCIAS INVESTEM EM INFRAESTRUTURA, CANAIS DE VENDA E MARCA PRÓPRIA POR UM TICKET MAIOR LINHA PLUII, MARCA PRÓPRIA DE PRODUTOS DE HIGIENE E BELEZA DA RAIA DROGASIL Por Tatiana Alcalde DE MARÇO DE 2011 A FEVEREIRO DE 2012, AS VENDAS DELIVERY TIVERAM AUMENTO DE 12,38%. AINDA ASSIM, SUA PARTICIPAÇÃO É PEQUENA NO VOLUME TOTAL (3,89%) ANOVAREJO_farmacia_medicamentos.indd 82 7/20/12 2:09 PM NO | VAREJO edição especial 83 APOSTA De olho no interesse e no potencial de compra do consumidor, e também no faturamento crescente da categoria higiene e beleza, os varejistas investem em infraestrutura, canais de venda e linhas de produtos. A Raia Drogasil, que nasceu no ano passado a partir da associação entre Raia e Drogasil, apresentou receita bruta combinada de R$ 4,7 bilhões, um crescimento de 19,7% sobre o faturamento combina- do de 2010. A venda de medicamentos correspondeu a 45,3%, a de genéricos �cou em 10,5%, a de OTC em 14,6% e a de higiene e beleza, 29,4%. A empresa investiu em dois novos centros de distribuição nos Estados do Paraná e de Goiás. Somados às duas no- vas plantas previstas para 2012, a com- panhia passará a operar com sete CDs, que terão papel fundamental para su- portar a aceleração do negócio. “A Raia Drogasil inaugurou 99 lojas em 2011 e pretende abrir 130 novas lojas somen- te em 2012, um patamar que demons- tra um forte potencial de crescimento e que nos permitirá consolidar a nossa liderança no mercado brasileiro de dro- garias”, destaca Eugênio De Zagottis, vice-presidente de relações com inves- tidores e de planejamento corporativo da Raia Drogasil. Além disso, a Raia Drogasil possui a Pluii, marca própria de produtos de higiene e beleza. Focada no prazer dos sentidos e com preços premium e boas margens, a marca tem por objetivo se tornar uma plataforma para �delização de clientes e incremento da rentabili- dade. Lançada em novembro na Droga Raia, a linha vem sendo introduzida na Drogasil ao longo de 2012. A DPSP, outra grande companhia resultante da fusão entre Drogaria São Paulo e Pacheco, tem visto o fa- turamento crescer em média 18% ao ano nos últimos cinco anos. “Os não- -medicamentos equivalem a um terço do negócio como um todo e os medi- camentos respondem pela parte prin- cipal do negócio”, aponta André Elias Gonçalves, diretor de marketing. O ticket médio geral do cliente da DPSP está em cerca de R$ 40. Para au- mentá-lo, a empresa busca melhorias nos pontos de venda, em treinamento e capacitação de pessoal e também na comunicação com os clientes. A inter- net tem papel relevante, segundo Elias. “Atualmente a loja virtual equivale em média de vendas a uma loja física.” Para a Panvel, que em 2011 faturou R$ 1,5 bilhão, marca própria também se mostra um �lão interessante. A rede começou com fraldas há 20 anos e hoje mais de 500 itens levam seu nome – desde linhas básicas de higiene até cos- méticos mais so�sticados de alto valoragregado. Dentro do universo da beleza, a categoria mais rentável é a de maquia- gem. “O grande sucesso é nossa marca própria. É um produto que nos traz um retorno �nanceiro muito signi�cativo”, diz Julio Mottin Neto, vice-presidente da rede, sem especi�car números. As vendas também ganham im- pulso por conta de diferentes canais de venda. Com 270 lojas no Sul há 12 anos, a companhia aposta no comér- cio eletrônico, mas somente quando a loja virtual passou por reformulação em 2008 é que ganhou expressão che- gando a um crescimento de 400% nas vendas on-line. Desde então, cresce de 80% a 90% ao ano. Já o “Alô Panvel”, serviço que funciona em mais de 60 ci- dades nos três Estados do Sul, hoje re- presenta 7% do faturamento da empre- sa. A quantidade de pedidos aumenta 20% ao mês, o que signi�ca uma média de R$ 60 milhões em vendas ao ano. PRESENÇA VIRTUAL DIFERENCIADA A Pague Menos, com faturamen- to de R$ 2,9 bilhões e crescimento de 28,62% no ano de 2011, fechou con- trato com a Rakuten para reformulação do e-commerce de medicamentos. Inti- tulado Pague Menos Saúde e Beleza, o canal dispõe de dez mil itens. A grande novidade, entretanto, é que a empresa criou o Pague Menos Home, em parce- ria com o Grupo Martins. O canal ofe- rece sete mil itens entre eletrodomés- ticos, eletroeletrônicos, cama, mesa e banho, entre outros. A diversi�cação do portfólio de vendas segue a mes- ma trilha traçada pela Onofre, que em Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o PAGUE MENOS MIX SEGMENTADO DE ACORDO COM O PERFIL DE CADA LOJA ANDRÉ GONÇALVES, DA DPSP “OS NÃO MEDICAMENTOS EQUIVALEM A 1/3 DO NEGÓCIO” SÉRGIO MENA BARRETO, DA ABRAFARMA “ FARMÁCIA É CENTRO DE CONVENIÊNCIA” ANOVAREJO_farmacia_medicamentos.indd 83 7/20/12 2:09 PM NO | VAREJO edição especial 84 SEGMENTO | FARMÁCIAS E MEDICAMENTOS agosto de 2010, entrou para o segmento de varejo eletroeletrônico com o Onofre Eletro. Nas drogarias, o trabalho de categorização das lojas continua a � m de formatá-las de acordo com o per� l do consumidor que a frequenta e oferecer me- lhor diversi� cação de produtos de higiene e beleza. “Nossa rede opera com todos os públicos e classes sociais”, a� rma Patriciana Rodrigues, diretora de compras e marketing da Pague Menos. “Temos um setor de gerenciamento de categoria que tem o ob- jetivo de elaborar o mix adequado de produtos para cada grupo de lojas. Por isso existem lojas com per� l A, outras com per� l B, outras com per� l C e o mix é voltado para o público atendido”, explica. NO BRASIL, EXISTEM 65.788 FARMÁCIAS ENTRE REDES, INDEPENDENTES E LOJAS LIGADAS A SUPERMERCADOS PRODUTOS MARCA PRÓPRIA PANVEL MAIS DE 500 ITENS LEVAM SEU NOME FARMÁCIAS, MEDICAMENTOS E PERFUMARIA OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 EMPRESAS EXECUTIVO RAIA DROGASIL* PAGUE MENOS (1) DROGARIA SÃO PAULO** PACHECO* BR PHARMA *** PANVEL (1) ONOFRE ARAÚJO (1) NISSEI FARMÁCIAS SÃO JOÃO BIG BEM (1) DROGARIA IGUATEMI EXTRA FARMA FARMÁCIA INDIANA DROGARIA VENANCIO FATURAMENTO (R$) 4.546.811.000,00 2.874.898.000,00 2.560.958.000,00 2.041.458.000,00 1.075.798.000,00 1.345.632.000,00 1.000.000.000,00 918.700.000,00 860.000.000,00 600.000.000,00 582.300.000,00 N/D N/D N/D N/D 776 489 356 350 832 290 42 110 203 119 138 5 140 44 16 14.000 13.587 9.568 9.064 8.662 4.494 2000 4.200 4.000 2.600 3.000 67 1.500 1.200 622 CLÁUDIO ROBERTO ELY – PRESIDENTE FRANCISCO DEUSMAR DE QUEIRÓS – PRESIDENTE GILBERTO FERREIRA – PRESIDENTE SAMUEL BARATA – VICE-PRESIDENTE ANDRE SOARES DE SÁ – PRESIDENTE JÚLIO RICARDO ANDRIGHETTO MOTIIN – PRESIDENTE MARCOS AREDE – PRESIDENTE MODESTO CARVALHO DE ARAÚJO NETO – PRESIDENTE SÉRGIO MAEOKA – PRESIDENTE PEDRO HENRIQUE BRAIR – PRESIDENTE RICARDO KITAMURA – PRESIDENTE JOSÉ LEONARDO JORGE – PRESIDENTE PAULO LAREZZO – PRESIDENTE ALEXANDRE MATTAR – PRESIDENTE RAFAEL VENÂNCIO – PRESIDENTE número de lojas empregos gerados *Faturamento da consolidação Droga Raia e Drogasil **Faturamento da Drogaria São Paulo + Drogão ***Grupo Rosário Distrital, Guararápes, Farmais, Mais Econômicoe Santana (1) Receita Líquida SP CE SP RJ SP RS SP MG PR SC PA SP PA MA RJ ANOVAREJO_farmacia_medicamentos.indd 84 7/20/12 2:09 PM NO | VAREJO edição especial 86 SEGMENTO | FRANQUIAS OS INVESTIDORES ESTÃO CADA VEZ MAIS ANIMADOS COM O MOMENTO PROMISSOR DO SEGMENTO DE FRAN- QUIAS NO BRASIL. E esse otimismo é totalmente justi� cável, considerando- se o seu desempenho no ano passado. Segundo a ABF (Associação Brasileira de Franchising), o crescimento do seg- mento ao longo de 2011 foi de 16,9%, atingindo o faturamento de R$ 88,8 bilhões e representando 2,3% do PIB do País. Neste período, o aumento do número de redes em operação foi de 9,5%, resultando na abertura de mais de 60,5 mil novos postos de trabalho – com isso, hoje, o franchising é respon- sável por 837 mil empregos diretos. Em 2012, a ABF estima que haja crescimento de 15%, no mínimo. Se- gundo Filomena Garcia, sócia-diretora da consultoria Franchise Store, “a eco- nomia está muito aquecida e, nos próximos três anos, cerca de cem novos shopping centers abrirão as portas. Isso facilita a entrada das marcas nas cidades menores, principalmente do interior, em que elas ainda não estão presentes”, explica. Outro importante motivo para o otimismo é a crescente expansão da renda da população e, consequentemente, do poder de compra das clas- ses C e D. “Esse tem sido um dos fatores que mais in� uenciam o crescimento de redes de franquia, especialmente as de alimentação, cosméticos e educação”, analisa Marcelo Cherto, presiden- te do Grupo Cherto, consultoria especiali- zada em franchising. “Há espaço para empreendedores dispostos a atender às necessidades de consumidores que, embora com renda mais baixa, têm ‘fome’ de consumir coisas de qualidade, em ambientes bonitos e com atendimento cordial e e� ciente”, EM ALTA, O SETOR DE FRANQUIAS SÓ VÊ MOTIVOS PARA SE ANIMAR: ECONOMIA AQUECIDA, ABERTURA DE SHOPPINGS, REALIZAÇÃO DE GRANDES EVENTOS ESPORTIVOS NO PAÍS... O Por Denis Moreira UTURO É PROMISSOR FILOMENA GARCIA, DA FRANCHISE STORE “BOAS PERSPECTIVAS PARA FRANQUIAS LIGADAS A ESPORTE, SAÚDE, ESTÉTICA E CONVENIÊNCIA” ANOVAREJO_franquias.indd 86 7/20/12 2:10 PM NO | VAREJO edição especial 87 continua ele. Para aproveitar esse nicho de mercado, muitas empresas que não ti- nham originalmente essa faixa da popu- lação como público-alvo estão investindo na criação de submarcas e opções mais acessíveis. É o que faz o McDonald’s, uma das principais redes de franquias do País, com mais de 600 restaurantes e que registrou crescimento de 19% nas vendas brutas no ano passado. Há três anos, a empresa criou a campanha “Pequenos Preços”, em que oferece itens tradicionais e novidades de seu cardápio a valores menores. “Nosso objetivo é o custo acessível. Isso amplia a � delização do cliente e reforça o com- promisso da rede em oferecer a todos os mesmos serviços e produtos”, explica Rogério Barreira, vice-presidente de ope- rações da empresa. Estratégias semelhantes são de- senvolvidas por empresas que desejam expandir os seus negócios para o inte- rior do Brasil, que reúne regiões com características de mercado diferentes – em termos de renda média e cultura da população, por exemplo – dos gran- des centros. De acordo com os espe- cialistas do setor, os empresários vêm desenvolvendo formatos de negócios menores e estudando adaptações de seu mix de produtos às necessidades de consumo de cada local. NOVAS POSSIBILIDADES A crescente especialização dos pro� ssionais do setor também é um fator importante. “Muitas empresas estão investindo na capacitação e na criação de instrumentos de gestão mais e� cazes”, explica Cherto. O Gru- po Habib’s, também composto pelas marcas Ragazzoe Box 30, adotou essa estratégia. Com perspectiva de inau- gurar mais 40 franquias até o � nal do ano, a rede mantém um relaciona- mento estreito com o franqueado, ofe- recendo apoio e orientação. “Damos apoio desde a implantação da loja, em questões como planejamento de metas anuais, seleção de funcionários, forne- cimento de informações para a tomada de decisões, tecnologia da informação e capacitação de pro� ssionais pela Universidade Habib’s (escola de treina- mento da empresa)”, explica a gerente de franquias Aurelisa Pereira. O Grupo Multi, holding de escolas de idiomas e cursos pro� ssionalizantes, que reúne bandeiras como Yázigi, Wi- zard, Microlins e Bit Company, também acredita nesse método. A companhia oferece treinamentos aos franqueados, inclusive na parte � nanceira. “Quere- mos que eles saibam lidar com o � u- xo de caixa, não deixando misturar o dinheiro pessoal com o do negócio, um erro bem comum”, diz Geovanna Donela, COO do grupo. Com uma perspectiva de cresci- mento de 20% para este ano, a rede quer lucrar com a realização da Copa do Mundo de 2014 e na Olímpíada de 2016, no Rio de Janeiro. Para isso, já está estabelecendo parcerias com em-Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o EXPANDINDO ATUAÇÃO MARCA NATIVA SPA É A APOSTA DO GRUPO O BOTICÁRIO REDE CACAU SHOW, COM 1.225 LOJAS, PRETENDE INAUGURAR MAIS 220 ATÉ DEZEMBRO. FOCO ESPECIAL NO NORTE E NORDESTE MARCELO CHERTO, CONSULTOR “AUMENTO DO PODER DE COMPRA DAS CLASSES C E D IMPULSIONA FRANQUIAS” ANOVAREJO_franquias.indd 87 7/20/12 2:10 PM NO | VAREJO edição especial 88 SEGMENTO | FRANQUIAS presas, entidades de classes e prefei- turas para a implantação de cursos de idiomas para os seus funcionários. EXPANSÃO À VISTA As marcas de alimentação, saúde e beleza, principalmente as que têm como público-alvo a nova classe média e o público feminino – que responde por cerca da metade da força de traba- lho no Brasil – também devem conti- nuar em expansão. Com 1.225 unida- des no País, a Cacau Show vislumbra igual perspectiva. A rede quer inaugu- rar 220 lojas até dezembro, com foco especial no Norte e Nordeste. Filomena Garcia, da Franchise Store, enumera outras áreas com boas perspectivas. “São setores ligados a espor- tes, produtos naturais, saúde, estética e conveniência”, a�r- ma. Não é por acaso, então, que O Boticário, detentora de mais de 900 franquias e 3.260 lojas em 1.650 municípios brasileiros, apresentou dados tão robustos no ano passado: inaugurou 240 lojas, cresceu 19% e se tornou a maior rede de franquias em faturamento no País – em três anos, passou de R$ 2,8 bilhões para os atuais R$ 5,5 bilhões. “O ano de 2011 foi excelente para a empresa. Cresce- mos acima da média do mercado. Soubemos aproveitar o aumento do consumo de cosméticos e itens de perfumaria no Brasil colocando em prática projetos importantes que contribuíram para esse resultado”, diz a diretora-executiva de marketing e vendas Andrea Mota. Uma destas iniciativas foi o lançamento da linha de cosméticos Eudora, comercia- lizada apenas por: venda direta, internet, redes sociais e em lojas-conceito – a primeira foi aberta em março de 2011 no Shopping Morumbi, em São Paulo. Disposta a continuar apostando no bom momento da empresa e do segmento em que atua, O Boticário tem planos ambiciosos para este ano. Entre outras iniciativas, a com- panhia pretende abrir cerca de 250 unidades (quase 30% a ROGÉRIO BARREIRAS, DO MC DONALD’S “CAMPANHAS COM PREÇO ACESSÍVEL ATRAEM PÚBLICO DE BAIXA RENDA” Fo to : C el so C on gí lio GEOVANNA DONELA, DO GRUPO MULTI “TREINAMOS OS FRANQUEADOS INCLUSIVE NA PARTE FINANCEIRA” AS MARCAS DE ALIMENTAÇÃO, SAÚDE E BELEZA COM FOCO NA MULHER DA NOVA CLASSE MÉDIA TÊM MAIOR POTENCIAL DE EXPANSÃO ANOVAREJO_franquias.indd 88 7/20/12 2:11 PM NO | VAREJO edição especial 89 mais), aumentar a participação nos mercados nos oito pa- íses estrangeiros em que atua – Portugal, Estados Unidos, Japão, Angola, Moçambique, Arábia Saudita, Venezuela e Paraguai –, fortalecer o seu canal de vendas diretas e as lojas da linha de cuidados pessoais Nativa SPA. O programa “O futuro em nossas mãos”, que capacita � lhos e parentes dos atuais franqueados para assumir ou expandir os negócios da família, também é uma aposta. Outra novidade no setor para os próximos anos será a chegada de empresas internacionais ao País, em especial europeias e americanas. Interessadas em investir em novos mercados para “fugir” da recessão que afeta as economias do Primeiro Mundo, elas estão de olho principalmente nos setores de moda, alimentação e serviços. As grifes de moda infantil Charanga, da Espanha, e La Martina, da Argenti- na, e a rede de comida fast-food americana Sbarro são al- gumas das redes que estão aportando por aqui. Também merece destaque a expansão do nicho de microfranquias, que possui 30 marcas e três mil franqueados em todo o Brasil, segundo pesquisa feita pela ABF. Com investimento máximo de R$ 50 mil, essas franquias são, em sua maioria, formadas por empresas especializadas em jardinagem (Dr. Jardim), enfermagem para idosos (Home Angels) e outras atividades “domésticas”. “Esse setor já existe há algum tempo, mas nunca foi tão expressivo em termos de opor- tunidades”, a� rma Filomena. número de lojas empregos gerados * Receita Líquida de Vendas ** Wizard, Microlins, SOS, People , Bit Company, Yazgi,Alpes, Skill,Quatrum e Smarts FRANQUIAS OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 EMPRESAS EXECUTIVO O BOTICÁRIO MC DONALD´S* GRUPO MULTI ** HABIB´S CACAU SHOW ESCOLAS FISK LOCALIZA RENT A CAR* CNA GIRAFFAS ÁGUA DE CHEIRO L’ACQUA DI FIORI ÓTICAS DINIZ MUNDO VERDE DOUTOR RESOLVE COLCHÕES ORTOBOM KUMON AM PM MINI MARKET HOKEN BOB’S JET OIL CCAA BR MANIA SUBWAY IGUI FATURAMENTO (R$) 5.500.000.000,00 3.111.100.000,00 3.000.000.000,00 1.300.000.000,00 1.200.000.000,00 900.000.000,00 774.700.000,00 620.000.000,00 600.500.000,00 400.000.000,00 320.000.000,00 320.000.000,00 250.000.000,00 200.000.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D 3.270 1.840 3.500 407 1.120 1.007 454 701 384 826 1.238 540 200 472 1.756 1.668 1.118 899 836 802 800 776 634 501 26.000 50.000 40.000 20.000 3.000 9.000 1.500 3.000 6.000 1.600 3.500 3.000 1.000 N/D 2.000 300 28.000 1.104 3.100 N/D 4.000 N/D 6.180 1.200 ARTUR GRYNBAUM – PRESIDENTE JOSÉ VALLEDOR - PRESIDENTE CARLOS WIZARD MARTINS - PRESIDENTE ALBERTO SARAIVA- PRESIDENTE ALEXANDRE COSTA - PRESIDENTE BRUNO CARAVATI –PRESIDENTE SALIM MATTAR - PRESIDENTE LUIZ NOGUEIRA DA GAMA NETO - PRESIDENTE CLÁUDIO MICCIELI JÚNIOR - PRESIDENTE HENRIQUE PINTO - PRESIDENTE LEOPOLDO MESQUITA - PRESIDENTE ARIONE DINIZ - PRESIDENTE SERGIO BOCAYUVA - PRESIDENTE DAVI PINTO - PRESIDENTE JULIO DIAS SOBRINHO - PRESIDENTE NAOYA KITAGAWA - PRESIDENTE PEDRO WONGTSCHOWSKI – PRESIDENTE HÉLIO TATSUO YOSTSUI - PRESIDENTE RICARDO FIGUEIREDO BOMENY - PRESIDENTE HENRIQUE GUTERRES - PRESIDENTE MARCELO VIEIRA - PRESIDENTE LUIZ CLAUDIO CASEIRA SANCHES -PRESIDENTE FRED DE LUCA - PRESIDENTE FILIPE SISSON - PRESIDENTE SC SP SP SP SP SP MG SP DF MG MG SP RJ SP SP SP RJ SP RJ RJ SP RJ SP SP ANOVAREJO_franquias.indd 89 7/20/12 2:11 PM NO | VAREJO edição especial 90 SEGMENTO | LIVRARIA, CULTURA E ENTRETENIMENTO CERCA DE 80 SHOPPINGS DEVERÃO SER ABERTOS ATÉ O FIM DE 2013, somando-se aos 430 que já existem. Esse cresci- mento é bom para todos os setores do varejo que costumam ter atividades nestes locais, claro, mas as empresas de cine- ma têm razões a mais para comemorar: na grande maioria deles deve haver uma ou mais salas em funcionamento. E isso é bom para os dois lados. “Para o shopping, o ci- nema é um recurso para ganhar clientes, enquanto as exi- bidoras consideramestes espaços uma área de � uxo para o seu negócio”, diz o professor Roberto Nascimento, do Nú- cleo de Varejo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Essa relação se iniciou há cerca de três décadas, quando o consumidor, atraído por fatores como comodida- de e segurança, elegeu os centros de compras como lugares ideais para ver � lmes, e a salas de rua entraram em decadên- cia, especialmente nas metrópoles. O cinema, assim como outros tipos de serviços de entretenimento, se tornou um forte atrativo para os consumidores visitarem um shopping center. Sem con- tar que muitos, até chegar à bilheteria, acabam sendo in� uenciados pelas vitrines e compram algo – ou co- mem algum lanche, doce ou refeição –, gerando mais negócios naquele ambiente. “As sa- las também geram impactos positi- vos nos outros varejistas”, explica o diretor de relações institucionais da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) Luís Augusto Ildefonso da Silva. Por outro lado, a expansão dos shoppings em cidades menores ajuda as exibidoras a ampliarem seus mer- cados. Segundo a Alshop, 51% dos estabelecimentos estão em cidades médias e 49% nos grandes centros. Há 15 anos, a proporção era de 30% a 70%, respectivamente. Por todos esses motivos, para um shopping, o entretenimento não é apenas uma importante fonte de circulação de pessoas, mas também de faturamento. Dados do Núcleo de Estudos do Varejo da ESPM apontam que cinema e outros serviços repre- sentam 16% da receita desses esta- belecimentos, enquanto “praças de alimentação” respondem por 17,3%. ESPECIALIZAR-SE É PRECISO Somados ao crescimento de ren- da da população, os fatores citados acima levaram o segmento de cine- mas a colher resultados favoráveis no ano passado. Segundo o site Filme B, o faturamento obtido com os 141,4 milhões de ingressos vendidos foi de R$ 1,4 bilhão, 16% maior do que em 2010, e o total de espectadores nas salas subiu 4%. As exibidoras, porém, terão de se esforçar bastante para manter esse mesmo ritmo. Especialistas preveem aumento da concorrência devido à entrada de outros players na área de entretenimento dos shoppings. “Es- ses empreendimentos estão buscando BENEFICIADAS PELA ABERTURA DE NOVOS SHOPPINGS CENTERS E PELO CRESCIMENTO ECONÔMICO, AS EXIBIDORAS DE CINEMA TERÃO DE EVOLUIR PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS QUE SE APRESENTAM Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o SUPERAÇÃO EM CARTAZ Por Denis Moreira ANOVAREJO_livraria_cultura_entretenimento.indd 90 7/20/12 2:12 PM NO | VAREJO edição especial 91 diversi� car ainda mais seus serviços com casas de shows, parques de di- versões e a� ns. Isso já aconteceu com a área de alimentação: hoje, você en- contra opções de comida para todos os gostos”, diz Nascimento, da ESPM. De acordo com o professor, as em- presas do segmento têm muito a me- lhorar. “A alimentação, por exemplo, poderia contribuir com cerca de um terço da receita de um cinema, mas não chega a 20%”, garante. “A maioria ofere- ce só a pipoca, que é cara, e coisas irrele- vantes. O consumidor está cheio disso.” Em sua opinião, o atendimento também precisa evoluir. De fato, na maioria dos cinemas instalados em shoppings as � las nas bilheterias estão sempre longas. Além disso, nos locais em que existem totens de autoatendi- mento – a rede Cinemark mantém 226 terminais em funcionamento no País –, veri� ca-se que pouca gente utiliza o ser- viço, em parte por falta de orientação. “O funcionário não avisa e as pessoas desconhecem que isso existe. Falta co- municação com o cliente”, diz. NOVAS OPÇÕES A tecnologia e a comodidade são fatores que devem ser olhados com ca- rinho pelo segmento. A� nal, o consu- midor precisa ter um forte motivo para ir ao cinema, já que pode ter um home theater em casa para ver � lmes baixa- dos de graça na web ou exibidos nos ca- nais a cabo. Por isso, as exibidoras estão investindo em novos sistemas, que su- peram o já popular 3D – a Cinépolis lan- çará neste ano os cinemas 4D, que pro- porcionam estímulos olfativos, físicos e climáticos – e as salas VIP, que oferecem mimos à clientela, mas cobram caro: a sessão pode custar mais de R$ 50. “A Kinoplex tem duas experiên- cias deste tipo: o KinoEvolution, que são os cinemas com 3D digital, tela gigante e sistema de som de última geração, e o Kinoplex Platinum, salas VIP com poltronas em couro ecológi- co maiores e reclináveis, com encosto para os pés e bandeja para alimentos, além de foyer e doceria VIP com car- dápio assinado por um chef de cozi- nha”, explica Patrícia Cotta, gerente de marketing da companhia. Com 49 cinemas em dez comple- xos em São Paulo, Diadema e Santo André, e Manaus – no segundo se- mestre, mais nove serão inaugura- dos em São Bernardo do Campo – a Playarte tem como joia da coroa a sala Splendor. Situada no shopping Paulista, o local oferece lounge VIP, com serviço de garçom, e um servi- ço de alimentação que inclui um bar/ lanchonete com cardápio gourmet e uma adega com mais de 30 opções de vinho para harmonização, além de champanhe, vodca e uísque. Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o NO KINOPLEX SALAS 3D, TELA GIGANTE E SOM DE ÚLTIMA GERAÇÃO SPLENDOR DA PLAYARTE SERVIÇO DE GARÇOM E ADEGA COM 30 OPÇÕES DE VINHOS SALA PRIME DO CINEMARK POLTRONAS RECLINÁVEIS E CARDÁPIO ASSINADO PELA CHEF MORENA LEITE ANOVAREJO_livraria_cultura_entretenimento.indd 91 7/20/12 2:12 PM NO | VAREJO edição especial 92 SEGMENTO | LIVRARIA, CULTURA E ENTRETENIMENTO O Cinemark, que é dono de 464 sa- las no Distrito Federal e em 14 Estados brasileiros, possui dois tipos de cinema de alto padrão. Situado no shopping Ci- dade Jardim, em São Paulo, o Bradesco Prime tem abajures, garçom para aten- der o serviço de bar e até tablets à dispo- sição para ver trailers de lançamentos e consultar o cardápio do snack bar. Já o Cinemark Premier, no Shopping Tam- boré, em Barueri, oferece sala de espera exclusiva e poltronas reclináveis, com descanso para os pés. A rede também possui 12 salas equipadas com o novo sistema Extreme Digital Cinema (XD), que possui telas maiores que as conven- cionais e sonorização especial. Em termos de tecnologia, a Uniban- co Arteplex foi pioneira no País. Há três anos, a exibidora foi a primeira a adotar a tecnologia IMAX, considerada uma das mais avançadas do mundo. Nela, a tela de exibição é hemisférica e ampla – normalmente, mede 16m x 22m e vai do teto ao chão, de parede a parede – e sistemas avançados de som. A primei- ra sala a receber esse sistema está no Shopping Bourbon, em São Paulo. A UCI também inovou neste sen- tido ao trazer com exclusividade ao País, no �m de 2010, a tecnologia di- gital Sony 4K, considerada quatro ve- zes melhor que o sistema Full HD. A rede possui ainda duas das 153 salas em operação no País com IMAX. Uma delas �ca no New York City Center, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo local, en- contram-se as salas VIP (2D e 3D) da empresa, chamadas De Lux – lá o pú- blico pode curtir poltronas com mesas individuais, pipocas com azeite aromá- tico e pratos especiais. A outra foi inau- gurada há poucos meses no shopping Anália Franco, em São Paulo. LIVRARIAS SEGUEM O MESMO CAMINHO As livrarias também devem se be- ne�ciar com a expansão dos shopping centers por todo o Brasil nos próximos anos. Do mesmo modo que ocorre com os cinemas, as redes varejistas do gêne- ro consideram os centros de compras terrenos férteis para atrair clientes e au- mentar as vendas. E, por esse motivo, miram esses espaços como ideais para a abertura de novas �liais. “Pelo conjunto de perspectivas oferecidas, como segu- rança, diversidade de lojas e ações, os shoppings continuam sendo os pontos focais para a nossa expansão”, a�rma Rodrigo de Castro, diretor comercial da Livraria Cultura. Atualmente com 13 estabelecimen- tos no Brasil, 11 deles em centros de compras, a Cultura planeja abrir nesteano mais um ponto de venda em shop- ping, na cidade de Recife, além de uma loja de rua no Rio de Janeiro. Outro plano da companhia, que deseja crescer 24% em 2012, é fortalecer as vendas pela internet (hoje, responsáveis por 20% de seu faturamento anual) e em e-books e audiobooks, sem abandonar o tradicional formato de papel. “Acredi- tamos em uma convivência harmonio- sa entre livros eletrônicos e os físicos, pois eles se complementam”, explica o diretor. “Para ser completa, uma livra- ria precisa ter no portfólio uma gama maior de produtos culturais.” A Saraiva também aposta na di- versi�cação de seu mix para continuar nas primeiras posições no ranking das maiores livrarias do Brasil. No ano pas- sado, a empresa investiu na comerciali- zação de artigos variados nos segmen- tos de informação e entretenimento, obtendo grande sucesso: o faturamento subiu 20,5% em relação a 2010, com aumento de 9,5% nas vendas líquidas, sendo que mais da metade deste mon- tante foi obtido com outros produtos que não os livros. As operações da em- presa também cresceram neste período, com a abertura de sete lojas, incluindo duas iTown (modelo Apple Premium Reseller). Para o biênio 2012/2013, a intenção é inaugurar mais cinco pontos de venda, além de um novo centro de distribuição em Salvador (Bahia), e rea- lizar mudanças nas linhas de despesas para reduzir os custos com logística. UNIDADE DA CULTURA SHOPPINGS SÃO LOCAIS PARA A EXPANSÃO ANOVAREJO_livraria_cultura_entretenimento.indd 92 7/20/12 2:12 PM NO | VAREJO edição especial 93 LIVRARIA OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESAS EXECUTIVO GRUPO SARAIVA|* CULTURA LA SELVA NOBEL SBB LIVRARIA DISAL LOYOLA LIVRARIA RT LIVRARIA LEITURA SBS LIVRARIA INTERNACIONAL CANÇÃO NOVA LIVRARIA VOZES CURITIBA LIVRARIA PAULINAS FNAC POTYLIVROS LIVRARIA AVE MARIA LIVRARIA DA VILA MARTINS FONTES VEREDAS FATURAMENTO (R$) 1.889.000.000,00 328.000.000,00 204.400.000,00 187.000.000,00 109.521.000,00 68.423.684,00 22.200.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D 106 16 41 222 10 15 5 44 33 28 27 22 20 17 11 10 9 7 6 2 5.316 1600 600 1.360 426 200 180 680 874 488 366 450 735 611 5.600 N/D 200 88 114 12 MARCILIO D’AMICO POUSADA - PRESIDENTE PEDRO HERZ - PRESIDENTE ONÓFRIO LA SELVA - PRESIDENTE SERGIO MILANO BENCLOWICZ - PRESIDENTE ADAIL CARVALHO SANDOVAL - PRESIDENTE RENATO GUAZZELLI - PRESIDENTE JAIR CANIZELA - PRESIDENTE ANTONIO BELINELO - PRESIDENTE MARCOS TELLES - PRESIDENTE JOSÉ VICENTE - PRESIDENTE WELLINGTON JARDIM - PRESIDENTE ANTONIO NOSER - PRESIDENTE MARCOS PEDRI - PRESIDENTE TERESINHA D`AMBROS - PRESIDENTE PIERRE BRAUTI - PRESIDENTE ALFREDO XAVIER GOMES - PRESIDENTE MARCO ANTONIO MENDES - PRESIDENTE SAMUEL SEIBEL - PRESIDENTE ALEXANDRE MARTINS FONTES - PRESIDENTE SOLANGE JACOB WHEHAIBE - PRESIDENTE número de lojas empregos gerados ENTRETENIMENTO 1 2 3 4 5 6 7 EMPRESAS EXECUTIVO CINEMARK PLAYARTE KINOPLEX UCI CINEPÓLIS GNC CINEMAS ARTEPLEX FATURAMENTO (R$) N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D 58 53 39 16 9 9 7 3.650 N/D 1.004 900 800 N/D 270 MARCELO BERTINI - PRESIDENTE ELDA THEREZA BETTIN COLTRO - PRESIDENTE LUIZ SEVERIANO RIBEIRO NETO - PRESIDENTE CARLOS MARIM - PRESIDENTE EDUARDO ACUÑA - PRESIDENTE RICARDO DIFILI - PRESIDENTE ADHEMAR DE OLIVEIRA - PRESIDENTE SP SP SP SP SP SP SP SP MG SP SP RJ SC SP SP RN SP SP SP RJ SP SP SP RJ SP SC SP ANOVAREJO_livraria_cultura_entretenimento.indd 93 7/20/12 2:12 PM NO | VAREJO edição especial 94 SEGMENTO | LOJAS DE DEPARTAMENTO E MAGAZINES QUASE DOIS SÉCULOS APÓS A SUA CRIAÇÃO, NA FRANÇA, AS LOJAS DE DEPARTAMENTO SEGUEM HOJE QUASE A MESMA FÓRMULA DE SUCESSO: oferta de artigos variados, foco na mulher e em sua relação com a casa e com a família, e seguem a missão de doutrinar o comportamento de seus clientes por meio do lançamento de tendências e produtos. Isso também acontece no Brasil. Para continuarem atraentes a um consu- midor que vem mudando de per�l nas últimas décadas, as empresas buscam reinventar esse modelo com novas táticas de vendas e de �delização. “A relação consumidor–ponto de venda mudou com uma velocidade muito maior do que os varejistas conseguiram res- ponder. Por isso, as empresas estão trabalhando duro para evoluir em várias frentes: a integração da loja física com a vir- tual, oferta de serviços e conveniências especiais no ponto de venda, diferenciais nos projetos arquitetônicos das lojas”, ex- plica o consultor especializado em varejo de moda Igor Paparoto. Uma das inovações mais importantes feitas pe- los players do setor nos últimos anos no segmento diz respeito à entrada de�nitiva na internet e a�ns, tanto para vender produtos quanto para estreitar o relacionamento com o consumidor. A Renner, por exemplo, está bem avançada nesse quesito: em maio, foi a primeira entre as fast fashion nacionais a criar um per�l no Pinterest. Na rede social, ela exibe referências de moda, comportamento e bele- za por meio de imagens de suas coleções. Adepta do e-commerce desde 2010, a rede diz que a estratégia permite chegar a mercados nos quais ainda não tem pontos de venda físicos: em março, a empresa tinha 166 lojas em 21 Estados, mais o Distrito Fe- deral. Para garantir a satisfação deste consumidor, a empresa disponibiliza uma tabela de medidas corporais para facilitar a compra via web. Além disso, também oferece a possibilidade de se realizar trocas de produtos nas lojas físicas, visando a combater o que ainda é uma grande di�culdade para o vare- jo brasileiro que comercializa itens de vestuário. “A venda on-line de roupas é complicada aqui, pois as lojas brasileiras não têm padronização de tamanhos, e percepções como o caimento, o toque de tecidos e a qualidade da costura só podem ser feitos in loco. Para sapatos e acessórios, porém, não há empecilhos”, explica Paparoto. “Apesar dos proble- mas logísticos, os números reportam um sucesso do comércio pela internet”, completa. No Brasil, o e-commerce fa- turou R$ 18,7 bilhões no ano passado, valor 26% maior que em 2010. Já as Lojas Marisa fazem uso da web para estreitar o seu contato com as mulheres, especialmente da classe C. Detentora de 336 unidades no País – em 2011 abriu 59 estabelecimentos e registrou um crescimento de renda líquida na ordem de 18%; para este MESMO COM FORMATO CONSOLIDADO HÁ SÉCULOS, AS LOJAS DE DEPARTAMENTO BUSCAM INOVAÇÕES PARA ATENDER ÀS DEMANDAS DE UM MERCADO QUE PASSA POR MUDANÇA DE PERFIL FRESCOR NECESSÁRIO Por Denis Moreira Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o PEÇA DA COLEÇÃO FASHION FIVE, DA RIACHUELO, ASSINADA POR ESTILISTAS RENOMADOS. AQUI, MODELITO DE MARIA GARCIA FERMENTO ATÉ DEZEMBRO A RENNER QUER INAUGURAR 30 UNIDADES ANOVAREJO_loja_departamentos.indd 94 7/20/12 2:13 PM NO | VAREJO edição especial 95 ano, a meta é inaugurar 33 novos en- dereços –, a rede possui canais de rela- cionamento via redes sociais, uma loja de e-commerce, um per�l no YouTube e um blog. “Sempre conversamos com nossas clientes de maneira muito pró- xima”, a�rma Andrea Beatrix, geren- te-geral de marketing da Marisa. Com uma fanpage no Facebook que já ultrapassou a marca dos 200 mil fãs, a C&A é outra que tem presença forte na internet. Em abril, a empresa lançou, em parceria com o YouTube, um canal de moda que tem conteúdo exclusivo produzido por “vlogueiras” (blogueiras de vídeo) famosas. Além disso, em um projeto especial para o Dia das Mães foi criado o Fashion Like, aplicativo por meio do qual os usuários da sua página no Facebook podiam “curtir” dez pe- ças da nova coleção. Na loja, os cabides especiais tinham um visor indicando quantos “likes” cada roupa possui. A Hering, por sua vez, estácriando uma estrutura de logística e distribui- ção especí�ca para atender às opera- ções de e-commerce, que apresentou no primeiro trimestre deste ano o cres- cimento mais expressivo dentre todos os seus canais de distribuição (71,1%), comportamento já observado em análi- ses anteriores. De janeiro a março deste ano, as vendas totais da rede aumenta- ram 20,5% e a receita bruta, 15,7%. Até dezembro, a rede também pretende abrir 75 lojas Hering Store e 20 lojas Hering Kids, totalizando 507 pontos de vendas em todo o País. INVESTIMENTOS Fora do ambiente virtual, as lojas de departamento também estão fazen- do investimentos, criando iniciativas como coleções de moda com assinatura própria, convênios com personalidades e a abertura de lojas dentro e fora de shopping centers. Esses empreendimentos ocorrem mesmo com os números insatisfatórios de vendas colhidos em 2011: em suas análises internas, algumas empresas apontaram desaceleração no crescimento das vendas, motivada por fatores como a pressão in�acionária de alimentos e serviços e a alta do algodão, matéria-prima de roupas e a�ns. Na visão de Paparoto, a decepção com os últimos resultados não deve assustar o segmento, pois o mercado, ainda que não esteja tão exuberante quanto em anos anteriores, continua- rá gerando bons lucros. “Ainda existe espaço para o desenvol- vimento desse formato no Brasil, pois há novas áreas a serem exploradas”, diz o especialista. Ele acredita que a nova classe C continuará sendo um potente motor para o consumo. “Na Chi- na, ocorre o mesmo fenômeno. São momentos históricos pare- cidos, com a ascensão recente de uma faixa social que se encanta com o binômio preços/variedade de produtos, só encontrado em lojas de departamento.” Nesse cenário, cada empresa cria a sua estratégia para se superar perante a concorrência. A C&A está apostando em parcerias com estilistas brasileiros e internacionais famosos, como Stella McCartney, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Amir Slama, para a criação de peças com design exclusivo e preços acessíveis. Outra grande cadeia de loja de departamentos que tem sido bem-sucedida na parceria com pro�ssionais da moda é a Riachuelo. No �nal do ano passado, a companhia instituiu o projeto Fashion Five, que reuniu os estilistas André Lima, Clô Orozco, Juliana Jabour, Maria Garcia e Martha Medeiros para a criação de co- leções especiais, com maior valor agregado. A empresa atribui à iniciativa parte do crescimento de 9,6% em receita líquida de mercadorias no quarto trimestre de 2011: nesse quesito, de janeiro a dezembro foi registrada uma expansão de 11,7%, com movimento de R$ 2,4 bilhões. No mesmo período, a empresa abriu 22 lojas, totalizando 145 unidades no Brasil. Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o IGOR PAPAROTO, CONSULTOR “CLASSE C SE ENCANTA COM BINÔMIO PREÇO/ VARIEDADE SÓ ENCONTRADO EM LOJAS DE DEPARTAMENTO” AS LOJAS DE DEPARTAMENTO SE TORNAM CADA VEZ MAIS PRESENTES NAS REDES SOCIAIS, SEJA PARA VENDER OU PARA ESTREITAR LAÇOS COM A CONSUMIDORA ANOVAREJO_loja_departamentos.indd 95 7/20/12 2:13 PM NO | VAREJO edição especial 96 SEGMENTO | LOJAS DE DEPARTAMENTO E MAGAZINES A Renner também está expandindo seus pontos de vendas pelo território nacional. No ano passado, a companhia inaugurou 36 lojas, entre lojas de depar- tamento, da rede de utilidades domés- ticas Camicado (adquirida por R$ 165 milhões no mês de abril) e da Blue Steel, grife de roupas que faz parte da carteira de marcas de propriedade pela empresa e ensaia voo solo, com lojas próprias. “Atualmente, temos 19 marcas próprias dedicadas a vestuário adulto e infantil; bijuterias, óculos e acessórios em geral; calçados, bolsas e cintos; e uma ampla linha de produtos de cuidados pessoais, com variedade de opções para mulheres e homens”, relaciona o diretor de operações Paulo Soares. Até dezembro, a intenção da rede, que cresceu 18% em receita líquida de vendas de mercadorias em 2011, é inaugurar 30 unidades Renner e seis Camicado. Prova- velmente, alguns dos novos estabelecimentos serão abertos nas ruas, retomando uma tendência que havia sido abandonada pelos grandes varejistas. “O shopping center ainda terá um longo reinado no Brasil, mas a as empresas buscam formatos para aproveitar o tráfego enorme que existe em locais ainda não servidos por cen- tros de compras”, a� rma Paparoto. Outra razão é o fato de que os custos de operação na rua é cerca de 10% menor que no shopping. Em 2010, a Renner abriu sua primei- ra loja de rua em São Paulo, na Avenida Paulista. Um dia antes, a Marisa inaugurou no mesmo local – e, um ano depois, abriu uma segunda loja. Além disso, especula- ções no mercado varejista dão conta que a rede japonesa Uniqlo fará sua estreia no Brasil ainda neste ano também com uma loja no cartão-postal da capital paulista. LOJAS DE DEPARTAMENTO E MAGAZINES OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 EMPRESAS EXECUTIVO PERNAMBUCANAS* RIACHUELO* LOJAS RENNER* MARISA* LOJAS HAVAN HERING* MARISOL LUPO* LOJAS ESPLANADA LE LIS BLANC ** LOJAS AVENIDAS DUDALINA TIP TOP C&A TNG GRUPO VALDAC *** COLLINS LEVIS ANY ANY DORINHO´S LUIGI BERTOLLI ARAMIS VILA ROMANA BESNI BLUE BEACH FATURAMENTO (R$) 3.561.403.000,00 3.046.000.000,00 2.896.600.000,00 2.046.100.000,00 1.500.000.000,00 1.388.500.000,00 568.900.000,00 528.700.000,00 500.000.000,00 484.100.000,00 300.000.000,00 234.803.892,00 37.000.000,00 N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D 283 145 167 336 50 604 335 200 45 74 60 6 58 210 109 104 94 68 40 40 39 36 32 31 24 15.612 16.000 13.340 ND 5.000 8.503 5.488 4.410 2.700 371 2.400 200 1.200 16.000 N/D 2.000 N/D 115 400 175 1.500 78 70 211 200 ANITA LOUISE REGINA HARLEY - PRESIDENTE FLÁVIO ROCHA - PRESIDENTE JOSÉ GALLÓ - PRESIDENTE MÁRCIO GOLDFARB - PRESIDENTE LUCIANO HANG - PRESIDENTE FÁBIO HERING - PRESIDENTE GUILIANO DONINI - PRESIDENTE LILIANA AUFIERO - PRESIDENTE RONALDO OTOCH - PRESIDENTE ALEXANDRE CALIXTO AFRANGE - PRESIDENTE RODRIGO CASELI - PRESIDENTE SÔNIA REGINA HESS DE SOUZA - PRESIDENTE ANDREA SALETTO - PRESIDENTE APARECIDO DONIZETTI DA SILVA - PRESIDENTE TITO BESSA JÚNIOR - PRESIDENTE DÁFIO OLIVEIRA - PRESIDENTE WON KYU LEE - PRESIDENTE ROBERT HANSON - PRESIDENTE VIKTOR LJUBTSCHENKO - PRESIDENTE JOSÉ GERALDO DAS DORES - PRESIDENTE RENATO PASMONIQUE - PRESIDENTE HENRI STAD - PRESIDENTE ROBERTO LUIZ PEREZ - PRESIDENTE JOÃO CARLOS BEHISNELIAN - PRESIDENTE RODRIGO SEIN - PRESIDENTE número de lojas empregos gerados SP SP RS SP SC SP SC SP CE SP MT SC SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP * Receita Líquida de Vendas ** Le Lis Blanc Deux, Bo.Bô, John&Jonh, Loir Lelis e Le Lis Blanc Beautê ( receita Líquida de vendas) *** Siberian, Crawford e Memove ANOVAREJO_loja_departamentos.indd 96 7/20/12 2:13 PM NO | VAREJO edição especial 98 SEGMENTO | LUXO O VAREJO DE LUXO ESTÁ FERVENDO NO BRA- SIL. Em 2010, segundo dados de pesquisa MCF/GfK, esse segmento movimentou R$ 15,7 bilhões no País. O número de 2011 ainda não está fechado, mas a MCF estima R$ 18,8 bilhões – para 2012, a cifra deve chegar a R$ 22,6 bilhões. Outro levantamento, dessa vez da consultoria Bain & Company, revela que o se- tor aqui cresceu 20% em 2011, dobro da média mundial. Tudo indica que esse cenário vai per- manecer: em abril, o Banco Central estimou que o PIB deste ano crescerá 3,12%. De olho nesses números, grifes internacionais de alto padrão de moda, acessórios, perfumes e outros artigos estão montando lojas e escritórios no País, em uma movimentação inédita no mercado local. Há quem chegue pela primeira vez por aqui: Topshop, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Issa London, Tod’s, Lanvin e Balmain. E quem já es- teja expandindo presença nacional, caso de Guc- ci,Louis Vuitton, Dior e Salvatore Ferragamo. Há pouco o paulista Iguatemi recebeu a segunda �a- gship de Marc Jacobs e o Shopping Higienópolis, a nova loja da inglesa Burberry, a terceira no País. São Paulo já tem novo reduto de luxo: o sho- pping JK Iguatemi disputa público com outro shopping AAA, Cidade Jardim, que por sua vez reúne as cintilantes Daslu, Rolex, Louis Vuitton, Hermès, Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna. Entre as mais de 170 lojas que compõem o mix do JK estão as primeiras unidades no Brasil das grifes internacionais Lanvin, Goyard, Miu Miu, Dolce & Gabanna e a primeira Gucci masculina do mundo, entre uma lista de mais de 20. Além dessas, também have- rá lojas da Topshop, Lacoste, Christian Louboutin e Bottega Veneta, entre outras. A nacional Daslu é outra que se instalará no local. A americana Coach, famosa pelas bolsas, acaba de desembarcar. Em abril inaugurou sua primeira loja no País, no Shopping Morumbi, e a segunda no JK. A marca já anunciou que pretende abrir lojas no Rio de Janeiro e em Brasília. “O Brasil detém metade do mercado de bolsas e acessórios de luxo na América Latina, e representa uma oportunida- de signi�cativa para a Coach”, diz Ian Bickley, presidente internacio- nal da grife. Para o nacional Grupo Aste (o mesmo de Kipling, Diesel e NorthFace), que capitaneia a distribuição da marca, a negociação, que durou anos, valeu a pena. “Estamos orgulhosos em participar do lançamento da marca e con�antes de que os produtos vão agradar o consumidor brasileiro”, a�rma Fabricio Luzzi, diretor do Grupo Aste. Essas marcas – muitas, desconhecidas pela maioria dos consumi- dores – estão aportando no Brasil não apenas para fugir da recessão das economias da Europa e dos Estados Unidos, principais mercados do setor, mas também para satisfazer um público que tem crescido nos últimos anos. Segundo pesquisa da “Forbes”, o País tem 19 novos mi- lionários por dia desde 2007. A instalação dessas companhias no País não deverá afetar as re- presentantes nacionais do segmento, avisa o gestor institucional da consultoria MCF, Guilherme Kosmann. “A concorrência nesse setor não é tão predatória quanto no varejo de massa. As marcas brasilei- ras são especí�cas e atuam em um nicho próprio. Já as estrangeiras vão oferecer outro tipo de serviço, bem diferenciado”, assegura. De acordo com o executivo, as grifes internacionais vão en- contrar por aqui um consumidor bem diferente do que existe no Primeiro Mundo. “O brasileiro é impulsivo. Ele não pensa muito para comprar um produto”, a�rma. Apesar dessa vantagem, essas empresas terão de se adaptar ao jeito “mimado” do público local para obterem sucesso. “A gente entra em uma loja de luxo e tem a expectativa de ser recebido com champanhe, chamado pelo nome, DISPOSTAS A APROVEITAR A EBULIÇÃO NO MERCADO LOCAL DE ARTIGOS DE LUXO, MARCAS INTERNACIONAIS FORTALECEM SUAS BASES NO BRASIL E OFERECEM NOVAS OPÇÕES A CLIENTES ESPALHADOS POR TODO O PAÍS A FESTA DO LUXO Por Denis Moreira Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã oBOLSA DA VEZ A PRIMEIRA LOJA BRASILEIRA COACH, DA BOLSA ICÔNICA, FOI INAUGURADA NO SHOPPING MORUMBI. A MARCA ESTÁ DE OLHO NO RIO DE JANEIRO E EM BRASÍLIA 98 SEGMENTO | LUXO ANOVAREJO_luxo.indd 98 7/21/12 3:02 PM NO | VAREJO edição especial 99 ter alguém que leve as suas compras. Muitas vezes, a loja chega a levar pro- dutos até a casa da pessoa para que ela faça a compra, o que é algo impensado lá fora”, explica. NOVIDADES NO SETOR Nos próximos anos, São Paulo, que também possui ruas especializadas neste tipo de comércio (Oscar Freire, Avenida Europa, de carros; Alameda Gabriel Monteiro da Silva, de design e decoração) e o Rio de Janeiro conti- nuarão sendo os principais polos do mercado de alto padrão no Brasil. Mas as empresas do setor também estão investindo em outras regiões. “O luxo não está preso a esse eixo como há alguns anos. Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Ale- gre também são cidades que devem re- ceber lojas“, diz o gestor da MCF. Espalhar a sua presença por ou- tras áreas do Brasil é um dos planos da Mont Blanc. Atualmente com nove butiques no País (e com mais cinco pre- vistas), a grife de canetas e acessórios estuda a ampliação de suas atividades para Norte e Nordeste e para o interior paulista. “Entendemos que há poten- cial de crescimento de mercado nesses locais”, informa a diretora de marke- ting Juliana Pereira. Considerada uma das prin- cipais marcas de joias do mun- do, a H. Stern também está com planos de expandir os seus negócios para além dos principais centros urbanos do Brasil. No início do ano, a em- presa inaugurou um ponto de venda no Shopping Galleria, em Campinas (interior de São Paulo) e outro no JK Iguatemi. Além disso, há inagurações previstas até o �m do ano em Recife, no Shopping Rio Mar, e no Rio de Janeiro, no Shop- ping Village Mall, no bairro da Barra da Tijuca. A diversidade no varejo brasileiro de luxo não é maior apenas por causa da descen- tralização dos locais para a rea- lização de negócios. De acordo com o estudo “Luxury Goods Worl- dwide Market Study”, feito pela Bain & Company, fragrâncias e cosméticos ainda são as principais categorias, mas outros artigos deverão crescer em ritmo acelerado. O setor de bem-estar, que envolve spas, hotéis, restaurantes, agências de viagem e a�ns, tem tudo para se de- senvolver no País, seguindo tendência vista nos últimos anos no Exterior. “A Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o GUILHERME KOSMANN, DA MCF “EMPRESAS ESTRANGEIRAS NÃO DEVEM AFETAR A OPERAÇÃO DAS NACIONAIS” JULIANA PEREIRA, DA MONT BLANC “PLANEJAMOS AMPLIAR A ATUAÇÃO NO NORTE E NORDESTE” BRASILEIRO QUE CONSOME LUXO POSSUI CARACTERÍSTICAS DIFERENTES EM RELAÇÃO AO PÚBLICO DE OUTROS PAÍSES O consumidor do mercado de luxo do País tem hábitos e costumes mais simples do que o brasileiro médio poderia imaginar. Segundo pesquisa do instituto Ipsos Marplan Media CT, a maioria desse público não tem em sua casa itens normalmente associados ao mundo dos ricos, como TV de HD (adquirida por 43% da classe A1 e 29% da A2), Blu-Ray (36% e 17%, respectivamente) e piscina (28% e 10%). Além disso, apenas 3%, em média, viajaram ao exterior nos últimos 12 meses e 75% são donos das residências onde moram, o que significa que um quarto vive de aluguel ou em um imóvel emprestado. Apesar dessa aparente simplicidade, esse público é muito exigente com a qualidade do serviço e, principalmente, com o atendimento. Um estudo feito pela consultoria GfK e pela MCF aponta que 23% dos clientes locais indicam qualidade do atendimento como o principal ponto de atração para a aquisição de um produto, contrastando com o índice mundial, de 15%. O glamour e a tradição da marca, por sua vez, motivam 39% dos brasileiros e 54% dos estrangeiros a gastar. Segundo o levantamento, o ticket médio do setor no País é de R$ 4.710 e o valor médio de gasto por compra é R$ 2.790. SIMPLES, MAS EXIGENTE ANOVAREJO_luxo.indd 99 7/20/12 2:14 PM NO | VAREJO edição especial 100 SEGMENTO | LUXO busca por viagens de experiência gastronômica, por exemplo, é cada vez maior. Há também em- presas como a operadora de viagem sul-africana &Beyond, que promove safaris, mas com muito conforto: cama king size e uma pessoa disponível 24 horas para preparar as refeições. Tudo relacio- nado à beleza também está em evidência e conti- nuará crescendo”, diz Kosmann. NEM SÓ DE TRENCHCOAT A TERCEIRA LOJA DA MARCA INGLESA BURBERRY, FAMOSA PELO TRENCHCOAT, FICA NO SHOPPING HIGIENÓPOLIS LUXO OS MAIS IMPORTANTES 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 EMPRESAS EXECUTIVO VICTOR HUGO LACOSTE MONT BLANC TOMMY HILFIGER HUGO BOSS GIORGIO ARMANI LOUIS VUITTON ERMENEGILDO ZEGNA GUCCI CHANEL DASLU NK MARC JACOBS CHRISTIAN DIOR D&G PRADA FATURAMENTO (R$) N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/DN/D N/D N/D N/D N/D N/D 67 65 9 7 7 6 5 5 3 2 2 2 2 1 1 1 100 N/D 180 ND N/D 360 ND 28 ND 32 300 160 N/D 8 10 10 ALVES GONZALEZ – PRESIDENTE RICARDO PALMARI – PRESIDENTE/BRASIL FREDDY RABBAT– PRESIDENTE FRED GEHRING – PRESIDENTE GERRIT RÜTZEL – PRESIDENTE/BRASIL PATRICIA GAIA – PRESIDENTE/BRASIL FRANÇOIS RUSSÊ – PRESIDENTE JUAN AGUILA – PRESIDENTE PATRIZIO DI MARCO – PRESIDENTE BRUNO PAVLOVSKY – PRESIDENTE MARCUS ELIAS – PRESIDENTE NATALIE KLEIN – PRESIDENTE ROBERT DUFFY – PRESIDENTE BERNARD ARNAULT – PRESIDENTE STEFANO GABBANA – PRESIDENTE PATRIZIO BERTELLI – PRESIDENTE As empresas acima não divulgam os dados de faturamento SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP SP JOIAS 1 2 3 4 5 6 8 9 10 11 EMPRESAS EXECUTIVO VIVARA H.STERN AMSTERDAN SAUER ANTONIO BERNARDO BERGERSON NATAN DRYZUN RICARDO ALMEIDA TIFANNY&CO. CARTIER FATURAMENTO (R$) N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D N/D 92 45 20 10 9 9 7 5 1 1 900 300 100 60 50 60 130 60 7 11 NELSON KAUFMAM – PRESIDENTE ROBERTO STERN – PRESIDENTE DINO PSOMOPOULO – PRESIDENTE ANTONIO BERNARDO – PRESIDENTE MARCELO BERGERSON PRESIDENTE CLAUDIO ZOHAR – PRESIDENTE TOBIAS DRYZUN – PRESIDENTE RICARDO ALMEIDA – PRESIDENTE SANDRO FERNANDES – PRESIDENTE/BRASIL JUAN CARLOS DELGADO – PRESIDENTE/AMÉRICA LATINA As empresas acima não divulgam os dados de faturamento SP SP RJ SP PR RJ SP SP SP SP ANOVAREJO_luxo.indd 100 7/20/12 2:14 PM NO | VAREJO edição especial 102 SEGMENTO | MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MÓVEIS E DECORAÇÃO OS BRASILEIROS DEVEM GASTAR R$ 87,79 BILHÕES COM MATERIAL DE CONSTRU- ÇÃO NESTE ANO, SEGUNDO ESTIMATIVAS DO IBOPE INTELIGÊNCIA. Esse potencial de consumo refere-se às compras domiciliares, ou seja, àquelas feitas por pessoa física para reforma do lar ou construção da casa própria. A cifra representa um aumento de 14,8% em relação ao valor movimentado em 2011. A classe A, que corresponde a 2,60% dos domicílios urbanos, deve gastar R$ 15,82 bilhões (18,02%). Já a classe B, que tem quase dez vezes o tamanho da A (24,45%), tem um potencial de consumo de R$ 37,69 bilhões (42,03%). A classe C, com 52,38% dos domicílios em áreas urbanas, tem 34,02% do potencial de consu- mo da categoria, ou seja, R$ 29,87 bilhões. Junto com a B responde por quase 77% do bolo e forma o time das classes que mais gastarão. Já a população D e E apresenta potencial de 5,03% (R$ 4,41 bilhões). Por região, o Sudeste tem o maior potencial de consumo (51,3%) por ter a maior concen- tração de população. O Sul vem logo a se- guir (18,08%), acompanhado do Nordeste (15,99%). O Centro-Oeste tem um poten- cial de 9,16% e o Norte, de 5,47%. PARA O ALTO E AVANTE! A continuidade de programas como Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa Minha Vida, as obras para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, e a manutenção da isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializa- dos) até o �nal do ano são fatores que contribuem para o bom desempenho do segmento. Além disso, a nova linha de crédito, anunciada pelo governo em janeiro, com os recursos do FGTS, que terá valor máximo de empréstimo de R$ 20 mil, juros de 12% ao ano para o con- sumidor e prazo de amortização de até 120 meses, é uma grande alavanca. “Sem acesso ao crédito o consumidor não vai se aventurar a fazer uma reforma”, a�r- ma Cláudio Conz, presidente da Associa- ção Nacional dos Comerciantes de Mate- rial de Construção (Anamaco). Com cenário propício e elevado po- tencial de consumo em perspectiva, as empresas se movimentam para atender um consumidor que não busca somente produto. “Ele quer comprar não apenas o piso, mas, sim, o piso instalado, a pa- rede pintada etc.”, aponta Conz. Por Tatiana Alcalde Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã oO CONSUMIDOR DO SUL TEM O GASTO PER CAPITA MAIS ALTO, COM UM VALOR MÉDIO ANUAL DE R$ 676,39 A VENDA DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DEVE MOVIMENTAR R$ 87 BILHÕES EM 2012. EMPRESAS DO SEGMENTO SE ORGANIZAM PARA ATENDER À DEMANDA POR SERVIÇOS CANTEIRO DE OBRAS 102 SEGMENTO | MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MÓVEIS E DECORAÇÃO ANOVAREJO_material_construcao.indd 102 7/21/12 7:20 PM NO | VAREJO edição especial 103 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO: PALAVRA-CHAVE Presente nos Estados de São Pau- lo, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, e sem planos de expansão para outras regiões, a C&C tem observado essa mudança no público. A procura por produtos com design aumentou. “As pessoas pensam em soluções mais completas e não apenas no que a ne- cessidade aponta”, ressalta Mauro Florio, diretor de marketing. Visando à praticidade, as novas lojas da rede têm ganhado um layout diferente, onde os produtos estão separados por ambientes, como em uma casa, facilitando, assim, a loca- lização e a comparação. São três os serviços exclusivos, como mão de obra especializada em instalação e reforma; paginação de ambientes para evitar desperdícios de mate- riais, e auxílio de pro�ssionais para que se tomem as melhores decisões na escolha de produtos. A francesa Leroy Merlin, no Bra- sil desde 1998, dispõe de um por- tfólio com 65 mil itens divididos em 14 setores. Com 26 lojas em seis Estados e no Distrito Federal, a rede também aposta em serviços diferen- ciados, como corte de madeira e vi- dro, enquadramento e confecção de cortinas sob medida. Já a Saint-Gobain Distribuição Brasil, que contempla as bandeiras Telhanorte, Pro Telhanorte e Telhanorte Conceito, oferece serviços direcionados conforme o per�l do público aten- dido pela loja. Na Telhanorte, voltada para o consumidor �nal, há consultoria com projetistas; na Pro Telhanorte, direcionada ao pro�ssional instalador, há aluguel de ferramentas, espaço para testes de produtos, cursos gratuitos de aperfeiçoamento Fo to s: D ou gl as L uc ce na /D iv ul ga çã o MANUEL CORRÊA, DA SAINT-GOBAIN “TEMOS SERVIÇOS DIRECIONADOS CONFORME O PERFIL DO PÚBLICO DA LOJA” À ESQUERDA, UNIDADE DA TOK STOK, REDE QUE PLANEJA CRESCER 15%. À DIREITA, AMBIENTE PROPOSTO PELA TODESCHINI, DONA DE 330 LOJAS JUNTAS, AS CLASSES B E C RESPONDEM POR 77% DO POTENCIAL DE CONSUMO NO SETOR ANOVAREJO_material_construcao.indd 103 7/20/12 2:15 PM NO | VAREJO edição especial 104 SEGMENTO | MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MÓVEIS E DECORAÇÃO técnico e horário diferenciado de aber- tura. Já na Telhanorte Conceito, dese- nhada para pro�ssionais especi�cadores como arquitetos, engenheiros e deco- radores, a aposta está no atendimento exclusivo e serviços especiais. “Na loja, arquitetos, decoradores e designers pos- suem acesso a um espaço para apresen- tarem seus projetos ao cliente ou mesmo para a realização de reuniões”, detalha Manuel Corrêa, diretor-geral da Saint- -Gobain Distribuição Brasil. CRESCER SEM PERDER A PERSONALIDADE Em 2011, a Tok&Stok manteve o ritmo de crescimento - mais de 15%. Se- gundo Nilo Signorini, diretor comercial, os resultados do primeiro trimestre de 2012 mostram que a empresa seguirá neste ano o mesmo compasso. Com planos de continuar crescendo nos 12 Estados onde tem presença e ex- pandir para novas regiões, a companhia não regionaliza sua atuação. “Gostamos de manter nossa proposta coerente Nos últimos cinco anos, o Grupo Gazin quase triplicou as receitas, que chegaram a R$ 1,9 bilhão em 2011. A meta para 2012 é bater R$ 2 bilhões. Com mais de 170 filiais e com uma loja virtual, o desafio da empresa está em disputar o mercado moveleiro com outras empresas nacionais e internacionais, principalmente fora do Centro-Oeste, região em que a empresa já se consolidou. “Quanto mais você cresce, mais desafios encontra pela frente”, diz Edson Oleksyw, gerente de marketing da Gazin (foto). “E o maior deles hoje é superar tudo o que já fizemos.” A concorrência não dá trégua. Com fábrica de 54 mil metros quadrados, equipada com tecnologia de ponta