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Livro Eletrônico Aula 08 Direito Civil p/ Polícia Civil-SP 2017/2018 (Delegado) Com videoaulas Professor: Paulo H M Sousa 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 08 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES: TRANSMISSÃO E ATOS UNILATERAIS Sumário Sumário .................................................................................................... 1 Considerações Iniciais ................................................................................ 2 DIREITO DAS OBRIGAÇÕES ........................................................................ 2 2.5. Transmissão das obrigações ................................................................. 2 1. Cessão de crédito ................................................................................ 2 2. Assunção de dívida .............................................................................. 6 2.6. Atos unilaterais ................................................................................... 8 1. Promessa de recompensa ..................................................................... 8 2. Gestão de negócios............................................................................ 10 3. Pagamento indevido .......................................................................... 13 4. Enriquecimento sem causa ................................................................. 17 2.7. Teoria do Adimplemento Substancial ................................................... 19 Legislação pertinente ................................................................................ 21 Jurisprudência e Súmulas Correlatas .......................................................... 21 Questões ................................................................................................. 27 Questões sem comentários ..................................................................... 27 Gabaritos ............................................................................................. 47 Questões com comentários ..................................................................... 52 Resumo .................................................................................................. 88 Considerações Finais ................................................................................ 94 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 08 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES III Considerações Iniciais Na aula de hoje vamos continuar com o tratamento do Direito das Obrigações. Antes, vimos a Teoria do Pagamento, que engloba a classificação e as modalidades do adimplemento, bem como os meios alternativos de extinção da relação jurídica obrigacional. Igualmente, vimos as facetas do inadimplemento, que apresenta numerosas situações peculiares resolvidas pela jurisprudência. Hoje, a aula vai ser um pouco mais light para concluir o Direito das Obrigações. Veremos três temas: a transmissão das obrigações, que se ligará, quando chegarmos aos contratos, à transmissão contratual, os atos unilaterais, que, apesar de se situarem, geograficamente, após os contratos, têm mais ligação com o Direito das Obrigações do que com o Direito dos Contratos, e, por fim, a Teoria do Adimplemento Substancial. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 2.5. Transmissão das obrigações No direito contemporâneo, admite-se a negociabilidade dos bens incorpóreos, além dos corpóreos. Tornou-se claro que os créditos e débitos seriam elementos do patrimônio dos indivíduos e, mesmo incorpóreos, poderiam ser negociados, ou seja, há princípio de liberdade de transmissibilidade de créditos e débitos, que é uma parte do princípio a autonomia privada. Abrem-se, então, duas formas de o fazer: 1. Cessão de crédito É o negócio jurídico pelo qual o titular de um crédito, chamado cedente, transfere esse crédito para um terceiro, chamado de cessionário, perante o devedor, chamado de cedido. A relação jurídica continua a mesma, altera-se apenas o titular do crédito. Essa cessão pode ser onerosa ou gratuita. Em geral, a cessão é livre, entretanto há exceções, nas quais não se pode operar a cessão de crédito, segundo o art. 286 do CC/2002: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Por isso, a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. O devedor pouco ou quase nada pode fazer em relação à cessão de crédito. Existência, validade e eficácia da cessão operam-se independentemente da anuência ou concordância do cedido. O devedor deve ser meramente notificado para tomar conhecimento da cessão e, deste modo, surtir-lhe os efeitos, nos termos do art. 290 do CC/2002. Tem-se por notificado o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita. Do contrário, o pagamento feito por ele ao cedente é válido, não podendo o cessionário, posteriormente, alegar falta de pagamento, segundo o art. 292 do CC/2002. O cedente, em regra, responde pela existência do crédito perante o cedido (presunção relativa), mas não responde pela solvência do devedor-cedido (presunção relativa, igualmente), na dicção dos arts. 295, 296 e 297 do CC/2002. Essa é a chamada cessão pro soluto. Porém, a vontade das partes pode alterar essas presunções, mas sempre sendo o limite da responsabilidade o valor pelo qual foi realizada a cessão de crédito. Se o credor se responsabiliza pela solvência do devedor-cedido, teremos uma cessão de crédito pro solvendo. Nesse caso, não responde ele por mais do que recebeu, acrescido dos juros, das despesas da cessão e das despesas que o cessionário teve com a cobrança, segundo o art. 297. O credor não pode afastar a responsabilidade pela existência do crédito em duas situações: nas cessões onerosas e nas cessões gratuitas nas quais agiu de má-fé; nestes dois casos, a cessão será sempre, ao menos, pro soluto. 1. Quando a Lei veda a cessão de crédito 2. A vontade das partes não permite 3. A natureza do crédito não permitir a livre cedibilidade 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Qual é o objeto da cessão de crédito? Em geral, a presunção, relativa, é de que o objeto inclui os acessórios do crédito (conforme estabelece o art. 287 do CC/2002. Presume-se também, na interpretação do art. 289, que há transmissão das garantias, que são acessórias ao crédito, como fiança, caução, penhor, hipoteca. Especificamente quanto à hipoteca, o referido dispositivo estabelece que o cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel. Para a validade da cessão não é necessária a adoção de formalidades especiais. No entanto, para que ela tenha eficácia perante terceiros, é necessário que adote a forma escrita, por instrumento público ou particular revestido das solenidades do art. 654, §1°, conforme disposto no art. 288 do CC/2002. O devedor cedido deve ser pura e simplesmente comunicado de tal cessão. Ou seja, a única coisa que o credor deve fazer é notificá-lo da cessão, sem que o devedor possa embaraçar a transmissão do crédito. Veja que, independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer osatos conservatórios do direito cedido, deixa claro o art. 293. Entretanto, este não pode ser prejudicado com a cessão de crédito, ou seja, os ônus e as vantagens devem ser mantidas tal qual em relação ao credor original. O cedido pode opor todas as exceções que detinha contra o credor originário, na forma do art. 294. • Regra • Cedente responde pela existência da dívida • Cedente não responde pela solvência do devedor-cedido • Inafastável a responsabilidade: cessões onerosas e cessões gratuitas de má-fé Cessão pro soluto • Exceção • Cedente responde pela existência da dívida • Cedente responde pela solvência do devedor-cedido, até o limite do valor da cessão, mais juros, despesas da cessão e despesas que o cessionário teve com a cobrança Cessão pro solvendo 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Tome cuidado, porém, pois o art. 377 estabelece que o devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente. Tendo por base o mesmo raciocínio, estipula o art. 298 que o crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. Não obstante, se o devedor pagar ao credor do crédito penhorado, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. Se o crédito se representa por título, prevalece a cessão na qual o título foi entregue, seguindo a regra do art. 291 do CC/2002. Se não houver a tradição do título em nenhuma cessão, prevalece a que primeiro foi notificada ao devedor cedido. Quando o crédito constar de escritura pública, prevalece a prioridade da notificação. Por fim, o crédito, se for penhorado, não pode mais ser cedido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. No entanto, se o devedor pagar ao devedor originário, não tendo sido notificado da cessão, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro, consoante regra do art. 298 do CC/2002. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Considere a seguinte situação hipotética. Aldo, Bruno e César assumiram dívida de obrigação relativa à entrega de um automóvel. Na vigência dessa obrigação, César faleceu, tendo deixado os herdeiros Elmo e Fausto. Após tais fatos, este último foi demandado sozinho para entregar o objeto. Nessa situação, por inferência da indivisibilidade da coisa, o credor deveria ter manejado a demanda conjuntamente em face de Elmo e Fausto, pois este não possui a obrigação de entregá-la por inteiro ao credor. Comentários A alternativa está incorreta, conforme vimos na aula passada. Primeiro, conforme o art. 258, “A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico.” É o caso do exemplo. Assim, segundo o art. 259, “Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.” Logo, Fausto pode ser cobrado individualmente a entregar a coisa inteira. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Na cessão de crédito pro solvendo, o cedente se desonera inteiramente em relação ao cessionário apenas com a própria cessão, ou seja, independentemente do recebimento do crédito. Comentários A alternativa está incorreta, já que na cessão pro solvendo, o credor-cedente só se desonera com o recebimento do crédito, quando ele é solvido, numa interpretação do art. 297: “O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.” 2. Assunção de dívida Tem-se uma relação jurídica obrigacional entre credor e devedor, na qual este transmite sua dívida a um assuntor, mediante expressa anuência do credor, na dicção do art. 299 do CC/2002. A anuência deve ser expressa, pois o silêncio será interpretado como recusa, portanto, como estabelece o parágrafo único do artigo. Isso porque, tendo em vista a responsabilização patrimonial do devedor e do assuntor, faz toda diferença para o credor ter um devedor a outro, para que sua satisfação seja. Em regra, o silêncio importa em recusa, porém, há uma exceção prevista no art. 303 do CC/2002, que estabelece que quando o adquirente de imóvel hipotecado assume o pagamento do crédito garantido, se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento. Em alguma medida, o devedor original responde pela solvência do assuntor, pois segundo o art. 299, o devedor primitivo continua responsável se o assuntor, “ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. Ou seja, o devedor não precisa ter agido de má-fé, pois mesmo de boa-fé e desconhecendo a insolvência do assuntor, responderá perante do credor. Credor tem que aceitar? SIM E se silenciar? RECUSOU! Exceção? SIM, adquirente de imovel hipotecado, em 30 dias, aceitou 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Seguindo a lógica da transmissão, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor primitivo, nos termos do art. 302 do CC/2002, já que as exceções pessoais são intransmissíveis, justamente por serem pessoais. Isso é reforçado pelo art. 376, que expressamente estabelece que aquele que se obriga por terceiro não pode compensar essa dívida com a que o credor dele lhe dever. Porém, se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros. A exceção ocorre na situação em que o terceiro conhecia o vício que contaminava a assunção, situação na qual ele continua obrigado, segundo a regra do art. 301 do CC/2002. Com a assunção, em regra, são extintas todas as garantias especiais sobre a dívida, exceção feita para a participação e concordância dos garantidores na transmissão da dívida, do modo como estabelecido no art. 300 do CC/2002. Mas, que garantias são essas? TODAS! Todas as que forem prestadas pelo próprio devedor ou por terceiro. Garantia geral é a garantia que está intrinsecamente ligada à obrigação, qual seja, a possibilidade que o credor tem de devassar todo o patrimônio do devedor, salvo as exceções legais (bem de família e bens impenhoráveis). Garantias especiais são outras, que não a geral, que se subdividem em reais (relativas a coisas, como a hipoteca) ou pessoais/fidejussórias (relativas a pessoas, como a fiança). Assim, independentemente de que garantia é (real ou pessoal) ou de quem a prestou (devedor ou terceiro), elas se extinguem. 2013 – PGE – PGE/GO – Procurador do Estado Conforme disposto no Código Civil, em caso de assunção de dívida, extinguem-se as garantias especiais originariamente dadas pelo devedor primitivo. Segundo a doutrina, definem-se exclusivamente como garantias especiais a) todas aquelas prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro. b) as reais prestadas pelo devedor, decorrentesda determinação do regime jurídico próprio. c) as fidejussórias prestadas pelo garantidor por determinação legal, originariamente. d) qualquer das prestadas pelo garantidor decorrentes de imposição do regime jurídico próprio. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) todas as reais prestadas voluntariamente por terceiro, posterior à constituição da dívida. Comentários A alternativa A está correta, pois salvo a garantia geral, todas as garantias especiais, independentemente de terem sido prestadas pelo próprio devedor ou por terceiro se extinguem, desde que feitas originariamente. A alternativa B está incorreta. Correta estaria se a alternativa A não existisse, já que as garantias reais prestadas pelo próprio devedor, como a hipoteca, se extinguem, mas não só; as fidejussórias também se extinguem. A alternativa C está incorreta. Novamente, correta estaria se não existisse a alternativa A, já que as garantias fidejussórias prestadas por terceiros, como o fiador, também se extinguem, mas não só. A alternativa D está incorreta, mais uma vez, porque as garantais especiais são todas as que não são a garantia geral, de acesso, pelo credor, ao patrimônio do devedor. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa D. 2.6. Atos unilaterais Os atos unilaterais são condutas humanas voluntárias, sendo que a vontade pode servir ao suporte fático ou servir para a escolha das categorias eficaciais decorrentes da obrigação. Eles são praticados por uma parte e deste ato potencialmente surgem efeitos jurídicos obrigacionais. Por isso, o ato unilateral depende da anuência da parte contrária para produzir os efeitos jurídicos visados. Em resumo, um lado apenas pratica o ato e deste ato surgem efeitos jurídicos relevantes, desde já. Vejamos as espécies tipificadas pelo CC/2002: 1. Promessa de recompensa Ato pelo qual alguém unilateralmente, mediante anúncios públicos, promete recompensar quem preencher determinada condição ou realizar determinado serviço pela entrega de um prêmio. São, portanto, três elementos, presentes no art. 854 do CC/2002: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A promessa de recompensa é um ato unilateral relativo, não absoluto, pois exige o contato com outra esfera jurídica A consequência desse ato unilateral é a vinculação, por meio da qual o promitente fica adstrito a cumprir a obrigação de entregar o prêmio na hipótese de alguém cumprir o serviço ou a condição. Essa obrigação, porém, só surge quando alguém cumpre a condição ou serviço, quando este tem pretensão ao prêmio pelo qual o promitente encontra-se obrigado. A vinculação, portanto, não se confunde com a obrigação, pois esta só surge no momento do cumprimento (vide art. 855 do CC/2002). Ou seja, do art. 855 não nos interessa a vontade daquele que cumpre a promessa (se tinha interesse ou não), mas o fato da promessa existir e criar pretensão, ou seja, é um ato-fato jurídico. A revogabilidade da promessa de recompensa é possível, antes de prestado o serviço ou preenchida a condição. As promessas de recompensa com termo final para cumprimento devem ser mantidas até o advento do termo final. Ou seja, pode-se dizer que nesses casos a promessa é irrevogável até o advento do termo final, nos termos do art. 856 do CC/2002. As promessas de recompensa sem termo final para cumprimento são passíveis de revogação a qualquer momento desde que a revogação se dê antes do cumprimento do serviço ou condição e que para a revogação se dê a mesma publicidade utilizada para a promessa, segundo o mesmo artigo. Se por um lado se permite a revogabilidade da promessa feita sem termo final, desde que esse ato de revogação seja feito antes do cumprimento e com a devida publicidade, por outro lado mantém-se o vínculo para que sejam ressarcidas todas as despesas àquele que, de boa-fé, diligenciou esforços para o cumprimento para a promessa de recompensa e viu-se frustrado pela revogação. Esse é o entendimento que se extrai do art. 856 e seu parágrafo único. Ou seja, ao lado do bônus de se poder revogar há o ônus de ter de indenizar. Assim, o ressarcimento pode atingir um número relativamente grande de pessoas, acabando por fazer a revogação mais custosa que o cumprimento da obrigação (ou, no popular, "o caldo sair mais caro que o peixe"). O limite ao ressarcimento é o próprio valor a ser recebido pela promessa, vedando- se, assim, que o ressarcido busque um valor maior que o valor da promessa. Anúncio ao público (publicidade) Designação de serviço ou de condição que se pretenda premiar Indicação de um prêmio 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Agora, imagine que mais de uma pessoa cumpra a obrigação presente na promessa. Quem tem direito ao prêmio? Nos casos de promessa de recompensa em concursos públicos promete- se recompensar serviço ou condição mediante avaliação julgadora. Inexistindo comissão julgadora indicada, presume-se que o próprio promitente julgará os trabalhos, na dicção do art. § 2º desse artigo. No caso de empate, valem as mesmas regras da recompensa com pluralidade subjetiva (prevista nos arts. 857 e 858), segundo o art. 859, § 3º do CC/2002. O julgamento feito pelas pessoas designadas pelo edital é vinculante, indiscutível e obriga os interessados (art. 859, § 1º). Assim, não se permite levar ao Judiciário a escolha deste ou daquele trabalho. O juiz, portanto, não pode questionar o mérito da decisão dos julgadores. Para sua validade, necessita-se a designação de um termo final para entrega dos trabalhos, que é uma condição essencial do ato, segundo o art. 859 do CC/2002. Por fim, salvo cláusula específica em contrário (nos termos do art. 860), não se transferem os direitos autorais patrimoniais para o promitente, daí ser quase regra na prática haver cláusula específica prevendo a transferência. 2. Gestão de negócios O que é gestão de negócios? Ela ocorreria quando aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar, segundo o art. 861. Segundo Silvio Rodrigues esse seria um ato de altruísmo, cuidando de algo como se fosse seu. Alguém interfere na propriedade alheia sem que seja legitimado Primeiro critério: temporal. Quem primeiro cumprir, ganha o prêmio (art. 857) E se mais de um cumprir ao mesmo tempo? O prêmio será dividido entre os cumpridores (art. 858) E se o prêmio for indivisível? Faz-se um sorteio e o que ganhar deve indenizar o outro (art. 858) 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa para tanto por seu titular ou pela lei. Cria-se uma relação obrigacional entre o gestor e o dono do negócio, cujos elementos são, segundo Pontes de Miranda: Em resumo, a vontade deve ser de gerir negócio alheio, ainda que não se conheça o dono, mas não é gestão quando o gestor acredita o negócio ser seu. Ao gestor do negócio cabe: O gestor deverá responder pelo negócio cuja gestão ele faz, em regra, quando age culposamente. Porém, o gestor responde ainda que em casos fortuitos, quando a gestão se inicia contra a vontade manifestaou presumível do dono do negócio (art. 862) ou quando o gestor fizer operações arriscadas, mesmo que o dono costumasse fazê-las, ou quando preterir interesse do dono em proveito de interesses seus (art. 868). Pode, no entanto, o gestor se afastar da responsabilização quando, no caso de ter iniciado a gestão contra a vontade do dono, numa situação. Quando prova que o caso fortuito causaria o prejuízo ao dono do negócio independentemente da gestão feita; ou seja, mesmo que ele tivesse se omitido, o prejuízo teria se abatido. De qualquer forma, nesses casos de gestão contra a vontade do dono, prevê o art. 863 que, se os prejuízos da gestão excederem o seu proveito, pode o dono do negócio exigir que o gestor restitua as coisas ao estado anterior, ou o indenize da diferença. Tão logo seja possível, exige o art. 864, o gestor deve comunicar ao dono do negócio a gestão que assumiu, aguardando a resposta, se da espera não resultar perigo (dever de aviso). Enquanto a resposta não chega, em cumprimento ao dever de continuidade, deve o gestor cuidar do negócio, até • Falta de poder de gerir (representação sem mandato) • Alheabilidade do negócio (ou seja, o negócio é alheio) Objetivos • Vontade manifesta de gerir coisa alheia • Vontade de obrigar o dono e não a si (de modo benéfico) Subjetivos Dever de diligência e de atuar conforme vontade manifesta ou presumível do dono do negócio (art. 866) Dever de aviso (art. 864) Dever de continuidade, no caso de não conseguir contato com o dono, até a sua intimação (art. 865) 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo ==dcc3d== Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa o finalizar. Se o dono do negócio falecer durante a gestão, deve o gestor aguardar as instruções dos herdeiros, sem se descuidar, entretanto, das medidas de conservação que o caso reclame. Com comunicação e aprovação pura e simples do dono do negócio, há uma ratificação e firma-se um contrato de mandato com eficácia retroativa ao dia do começo da gestão (na dicção do art. 873). Ao contrário, com a comunicação e rejeição do dono do negócio, deve-se imediatamente cessar-se a gestão, aplicando-se a responsabilização ampla, incluindo nos casos de força maior. O gestor não pode passar a gestão a terceiro, sob pena de responder pelos prejuízos que este causar, a teor do art. 867 do CC/2002. Obviamente, guarda o gestou ação regressiva contra o causador do dano e, se for o caso, o próprio dono também terá tais ações. Em havendo cogestão, há responsabilidade solidária entre os cogestores, segundo a norma do art. 867 em seu parágrafo único. Já ao dono do negócio cabe: Atento porque, segundo o art. 869, § 1º, e contrariando as expectativas, a utilidade, ou necessidade, da despesa, aprecia-se não pelo resultado obtido, mas segundo as circunstâncias da ocasião em que se fizerem. Mesmo que o gestor, por erro escusável, preste contas a terceiro, que julga ser o dono, vigora a mesma disposição. Igualmente, o mesmo critério deve ser usado, segundo o art. 870, para os casos nos quais a gestão se proponha a acudir a prejuízos iminentes, ou redunde em proveito do dono do negócio ou da coisa; mas a indenização ao gestor não excederá, em importância, as vantagens obtidas com a gestão. Por fim, os arts. 871 e 872 apresentam duas modalidades peculiares e altruístas de gestão: Dever de indenizar o gestor caso a gestão lhe seja proveitosa, pelos gastos necessários, úteis, com juros, desde o desembolso e pelos prejuízos causados (arts. 868, parágrafo único e 869) Dever de cumprimento das obrigações assumidas pelo gestos, no caso de aceitação (art. 869 do CC/2002) 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Excepcionalmente, o dono do negócio não precisará indenizar o gestor, segundo o parágrafo único do art. 873, provando que este fez essas despesas com o simples intento de bem-fazer. De maneira peculiaríssima, pode-se constituir uma espécie de sociedade entre o gestor e o dono; em que situação? Segundo o art. 875, se os negócios do dono forem conexos ao do gestor, de modo que se não possam gerir separadamente, o gestor será considerado sócio daquele cujos interesses agenciar de envolta com os seus. Nessa situação específica, o dono do negócio só é obrigado na razão das vantagens que lograr. 3. Pagamento indevido Não raro, paga-se dívida indevida ou inexigível, por variadas razões, como a nulidade, por exemplo. A Lei visa impedir o enriquecimento sem causa (disciplinado nos arts. 884 a 886 do CC/2002), mas, por outro lado, não pode deixar o credor insatisfeito (já que esse é o fim último da obrigação). Assim surge a teoria do pagamento indevido, que pretende proteger tanto credores quanto devedores, evitando, de um lado, locupletamento ilícito (enriquecimento indevido) e, de outro, a insatisfação do crédito. O art. 876 estabelece as linhas gerais do pagamento indevido, estabelecendo que aquele que recebe o que não era devido deve restituir, com atualização monetária; igualmente, aquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição deve restituir. Dessa noção, desdobram-se em elementos de fato e de direito. São dois os elementos materiais: • Quando alguém, na ausência do indivíduo obrigado a alimentos, por ele os prestar a quem se devem, poder-lhes-á reaver do devedor a importância, ainda que este não ratifique o ato. Curiosamente, aqui, o dono do negócio não pode recusar a gestão, de modo a facilitar o adimplemento dos alimentos Alimentos • Nas despesas do enterro, proporcionadas aos usos locais e à condição do falecido, feitas por terceiro, podem ser cobradas da pessoa que teria a obrigação de alimentar a que veio a falecer, ainda mesmo que esta não tenha deixado bens. Essa é, a rigor, uma exceção, nas sucessões, à regra segundo a qual as dívidas do morto não podem ultrapassar as forças da herança Enterro 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa São três os elementos jurídicos: Por conta disso, o art. 877 deixa claro que a prova do pagamento indevido incumbe àquele que fez o pagamento; deve ele provar ter feito o pagamento em erro. Porém, são as hipóteses em que mesmo indevido o pagamento não cabe restituição: No caso da quitação por terceiro, em que pese incabível a repetição, aquele que pagou a dívida alheia Prestação • Entrega da coisa (obrigação de dar) ou realização/abstenção de fato (obrigação de fazer/não fazer) Intenção • A vontade de cumprir uma obrigação Falta de causa • Não há fundamento jurídico para sustentar a obrigação, significando enriquecimento sem causa (ao contrário, pagar demais por um bem, ou dívida prescrita, ou de jogo, não é enriquecimento sem causa) Pagamento mal feito • Enriquece-se um em detrimento do empobrecimento de outro Ausência de culpa • Agiu o devedor com cautela, de boa-fé (ausência de negligência, imprudência ou imperícia), como se estabelece no art. 877 do CC/2002 Obrigação prescrita • Presume-se, absolutamente, que o devedor renunciou à prescrição (art. 882 do CC/2002) Obrigação natural/mutilada • Já vistas as razões de ordem moral que impedem a repetição (art. 882) Obrigação quitada por terceiro • Quando o credor inutiliza o título, perde as garantias recebidas ou deixa a obrigação prescrever (art. 880); Obrigação ilícita • Não pode a lei proteger quem comete ilegalidade, ou seja, ninguém pode beneficiar-se de sua própria torpeza (art. 883) • Por outro lado, aquele que recebeu o pagamentoo perderá em favor de instituição de beneficência, segundo o parágrafo único desse artigo. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador. Do contrário, haveria enriquecimento sem causa do devedor verdadeiro, o que não parece razoável. Mesmo quando o pagamento indevido não constitui efetivamente pagamento (ou seja, deveria ele se chamar pelo gênero, adimplemento indevido), deve haver restituição. Em outras palavras, o pagamento indevido é aplicável também às obrigações de fazer e mesmo, curiosamente, às obrigações de não fazer. Nesse sentido, o art. 881 estabelece que se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido. Do contrário, haveria enriquecimento sem causa. De qualquer forma, o art. 883 espanca quaisquer dúvidas de que não há direito à repetição por parte daquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei. Cria-se, no entanto, um imbróglio, já que, por não poder repetir o pagamento, aquele que recebeu acabaria por, ao final, “lucrar” com a situação ilícita, imoral ou proibida. Nesses casos, o que se deu reverterá em favor de estabelecimento local de beneficência, a critério do juiz. A disciplina do CC/2002 ainda cuida das eventuais modificações que venham a ocorrer com a coisa. Prevê o art. 878, que aos frutos, acessões, benfeitorias e deteriorações sobrevindas à coisa dada em pagamento indevido, aplica-se o disposto quanto ao possuidor de boa-fé ou de má-fé, conforme o caso. Especificamente quanto aos imóveis, o pagamento indevido apresenta alguns desafios. Suponha que aquele que recebeu, recebeu um imóvel e, ato contínuo, tenha o alienado. Como resolver o problema? Deve-se analisar se a alienação foi a título gratuito ou oneroso e se feita de boa ou má-fé, relativamente ao alienante que recebeu indevidamente quanto ao adquirente, na dicção do art. 879 e seu parágrafo único. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2014 – CESPE – MPE/AC – Promotor de Justiça Substituto Assinale a opção correta no que se refere ao pagamento indevido. a. De acordo com o Código Civil, no qual é adotada, em relação ao tema, a teoria subjetiva, a demonstração do erro cabe àquele que voluntariamente tenha pago o indevido. Consequência Alienante Título - Alienação Oneroso Boa-fé Indeniza pela quantia recebida Má-fé Valor do imóvel + perdas e danos Gratuito - Reivindi- cação Consequência Adquirente Título - Alienação Oneroso Boa-fé Verificar boa/má-fé do alienante Má-fé Reivindicação 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b. No Código Civil, a disposição normativa referente ao pagamento indevido tem a mesma natureza da disciplinada no CDC, segundo a qual o fornecedor deve restituir em dobro ao consumidor, com correção monetária e juros de mora, aquilo que este tenha pago indevidamente c. A repetição do indébito é devida ainda que o objeto da prestação não cumprida seja ilícito, imoral ou proibido por lei. d. Cabe o ajuizamento de ação fundada no enriquecimento sem causa ainda que a lei confira ao lesado outros meios para ressarcir-se do prejuízo sofrido, visto que, sendo esta ação mais ampla, as demais serão por ela absorvidas. e. Não há possibilidade de pagamento indevido com relação a obrigações de fazer e não fazer, não cabendo, portanto, a repetição do indébito. Comentários A alternativa A está correta, na literalidade do art. 877: “Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”. A alternativa B está incorreta, já que o CC/2002 não tem disposição semelhante. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 883: “Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei”. A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa E está incorreta, pela previsão do art. 881: “Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir- se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido”. 4. Enriquecimento sem causa Já o enriquecimento sem causa consiste na obtenção de uma vantagem sem a respectiva causa ou, em outras palavras, é o acréscimo patrimonial sem motivo juridicamente reconhecido. Segundo o art. 884 do CC/2002 é necessário, para configurar o enriquecimento sem causa: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Atente porque, segundo o art. 884, parágrafo único, se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. A restituição pelo enriquecimento sem causa é feita, em regra, pela ação in rem verso. No entanto, a lei excepciona o cabimento desta ação quando aquele que “empobreceu” pode recorrer a outras ações, segundo o art. 886 do CC/2002. 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal Sobre o enriquecimento sem causa, ́ correto afirmar que: A) O enriquecimento sem causa ́ um exemplo de ato ilícito, passível de gerar indenização por perdas e danos ao lesado. B) No Direito brasileiro, ́ aplicável exclusivamente na modulação da indenização por dano moral, visando a evitar indenizações exorbitantes ou desproporcionais. C) Se tiver havido causa para o enriquecimento, não são aplicáveis as regras sobre indenização por enriquecimento sem causa, ainda que a causa, posteriormente, deixe de existir. D) A aplicação do enriquecimento sem causa como fonte autônoma de obrigação pressupõe a subsidiariedade, ou seja, o enriquecimento sem causa sóば ́ aplicável se a lei não oferecer ao lesado outro meio capaz de satisfazer os seus interesses. E) O enriquecimento sem causa sóば ́ aplicável a relações contratuais de adesão. Enriquecimento de alguém • Enriquecimento não precisa gerar um lucro apenas no sentido positivo (ganhar algo), mas também no sentido negativo (deixar de perder) Empobrecimento de outrem • Do mesmo modo, pode ser positivo ou negativo (perder algo ou deixar de ganhar) Nexo de causalidade • Deve haver nexo entre o enriquecimento de um e o empobrecimento do outro Falta de causa justa • A ausência de causa pode ser contemporânea ao ato ou posterior, ou seja, a perda da causa também gera enriquecimento sem causa 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários A alternativa A está incorreta, pois a ausência de causa não indica, de per si, que o enriquecimento é ilícito. Trata-se, portanto de ausência de causa apta a embasar o enriquecimento alheio. Ao contrário, se a causa for ilícita, o enriquecimentotem causa, mas ilícita, que gera dever de indenizar. A alternativa B está incorreta, não se vinculando, de maneira alguma, o enriquecimento sem causa ao dano moral. Posteriormente, a jurisprudência utilizou desse princípio para modular os efeitos da indenização por dano moral, sem que isso o limite a essa espécie de dano. A alternativa C está incorreta, na norma do art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. A alternativa D está correta, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa E está incorreta, eis que o art. 884 (“Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”), base do princípio, nada dispõe sobre tal limitação. 2.7. Teoria do Adimplemento Substancial Quando há inadimplemento, automaticamente surgem para o credor duas possibilidades: cobrar o devedor pelo restante da dívida, pelas perdas e danos, mantendo-se o vínculo contratual ou resolver o contrato, desfazendo-se a relação com retorno ao status quo ante, com, se for o caso, a tomada de medidas específicas, como a reintegração de posse ou a busca e apreensão do bem. Em regra, portanto, todo inadimplemento gera o direito de haver resolução do contrato. Entretanto, por vezes a resolução é sanção demasiado forte ao inadimplente. Por isso, no caso do descumprimento insignificante, de proporções mínimas, que não afeta os efeitos do contrato, há relativização do art. 475 (a partir do qual se permite a resolução, mais perdas e danos) através dos princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato, além da vedação ao enriquecimento ilícito. Para aplicar essa teoria é necessário: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo d Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Veja-se que não se obsta ao credor perseguir seu crédito, inclusive lançando mão dos demais instrumentos materiais e processuais disponíveis; igualmente, a aplicação da Teoria simplesmente não apaga o débito, com o “perdão” do devedor, que devedor continua sendo. A aplicação a teoria apenas obsta a resolução unilateral do contrato, impede que o credor maneje a exceção de contrato não cumprido e veda que ele use de meios mais gravosos na execução do débito. Ainda que não tenha previsão legal, é construção doutrinária e jurisprudencial. A teoria do Adimplemento Substancial, igualmente, encontra-se prevista no Enunciado nº. 361 da IV Jornada de Direito Civil do CJF. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual A caracterização do adimplemento substancial das obrigações produz os seguintes efeitos, EXCETO: (A) inaugurar ou ratificar a possibilidade de o credor perseguir o ressarcimento pelas perdas e danos. (B) obstar a resolução unilateral do contrato. (C) impedir que o credor argua a exceção do contrato não cumprido. (D) liberar o devedor da obrigação. (E) descaracterizar a impossibilidade absoluta de cumprimento da obrigação. Comentários A alternativa A está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, podendo o credor, a despeito de não poder, por exemplo, cumprir a busca e apreensão do veículo financiado, obter o ressarcimento pelas perdas e danos. A alternativa B está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, dado que o credor não poderá resolver o contrato unilateralmente. A alternativa C está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, pois o credor não poderá arguir a exceção, como ficará mais claro na aula subsequente. Cumpri- mento expressivo do contato Realização da prestação correspon- dente ao fim visado Preservação da boa-fé objetiva do devedor na execução Preservação do equilíbrio contratual Ausência de enriqueci- mento sem causa e abuso de direito 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo c Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está correta, já que esse não é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, pois a despeito de haver uma moratória, permitindo ao devedor adimplir de maneira menos gravosa, não se libera ele do pagamento. A alternativa E está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, porque o devedor poderá e deverá cumprir a obrigação. Legislação pertinente Relembre que o prazo prescricional do enriquecimento sem causa é de 3 anos: Art. 206. Prescreve: § 3o Em três anos: IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. No caso de exercício de poderes em excesso ao que se prevê no contrato de mandato, o mandatário é tido como mero gestor de negócio: Art. 665. O mandatário que exceder os poderes do mandato, ou proceder contra eles, será considerado mero gestor de negócios, enquanto o mandante lhe não ratificar os atos. Ainda que não seja exatamente uma promessa, a descoberta também exige uma recompensa a quem encontra objeto de outrem: Art. 1.234. Aquele que restituir a coisa achada, nos termos do artigo antecedente, terá direito a uma recompensa não inferior a cinco por cento do seu valor, e à indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa, se o dono não preferir abandoná-la. Parágrafo único. Na determinação do montante da recompensa, considerar-se-á o esforço desenvolvido pelo descobridor para encontrar o dono, ou o legítimo possuidor, as possibilidades que teria este de encontrar a coisa e a situação econômica de ambos. Jurisprudência e Súmulas Correlatas 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo c Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Tome cuidado com uma exceção à regra do CC/2002 que estabelece a necessidade de prova de erro quanto ao pagamento indevido (art. 877), no caso de conta corrente: Súmula 322 Para a repetição de indébito, nos contratos de abertura de crédito em conta corrente, não se exige a prova do erro. Num recente REsp, o STJ fixou o entendimento acerca da pretensão de repetição de indébito nos casos de planos de saúde. Saliente-se os itens 5 a 8, que tratam especificamente do enriquecimento sem causa: 1. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CIVIL. CONTRATO DE PLANO OU SEGURO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PRETENSÃO DE NULIDADE DE CLÁUSULA DE REAJUSTE. ALEGADO CARÁTER ABUSIVO. CUMULAÇÃO COM PRETENSÃO DE RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE. EFEITO FINANCEIRO DO PROVIMENTO JUDICIAL. AÇÃO AJUIZADA AINDA NA VIGÊNCIA DO CONTRATO. NATUREZA CONTINUATIVA DA RELAÇÃO JURÍDICA. DECADÊNCIA. AFASTAMENTO. PRAZO PRESCRICIONAL TRIENAL. ART. 206, § 3º, IV, DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. PRETENSÃO FUNDADA NO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. 2. CASO CONCRETO: ENTENDIMENTO DO TRIBUNAL A QUO CONVERGE COM A TESE FIRMADA NO REPETITIVO. PRESCRIÇÃO TRIENAL. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO ÂNUA PREVISTA NO ART. 206, § 1º, II DO CC/2002. AFASTAMENTO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 5. A doutrina moderna aponta pelo menos três teorias para explicar o enriquecimento sem causa: a) a teoria unitária da deslocação patrimonial; b) a teoria da ilicitude; e c) a teoria da divisão do instituto. Nesta última, basicamente,reconhecidas as origens distintas das anteriores, a estruturação do instituto é apresentada de maneira mais bem elaborada, abarcando o termo causa de forma ampla, subdividido, porém, em categorias mais comuns (não exaustivas), a partir dos variados significados que o vocábulo poderia fornecer, tais como o enriquecimento por prestação, por intervenção, resultante de despesas efetuadas por outrem, por desconsideração de patrimônio ou por outras causas. 6. No Brasil, antes mesmo do advento do Código Civil de 2002, em que há expressa previsão do instituto (arts. 884 a 886), doutrina e jurisprudência já admitiam o enriquecimento sem causa como fonte de obrigação, diante da vedação do locupletamento ilícito. 7. O art. 884 do Código Civil de 2002 adota a doutrina da divisão do instituto, admitindo, com isso, interpretação mais ampla a albergar o termo causa tanto no sentido de atribuição patrimonial (simples deslocamento patrimonial), como no sentido negocial (de origem contratual, por exemplo), cuja ausência, na modalidade de enriquecimento por prestação, demandaria um exame subjetivo, a partir da não obtenção da finalidade almejada com a prestação, hipótese que mais se adequada à prestação decorrente de cláusula indigitada nula (ausência de causa jurídica lícita). 8. Tanto os atos unilaterais de vontade (promessa de recompensa, arts. 854 e ss.; gestão de negócios, arts. 861 e ss.; pagamento indevido, arts. 876 e ss.; e o próprio enriquecimento sem causa, art. 884 e ss.) como os negociais, conforme o caso, comportam o ajuizamento de ação fundada no enriquecimento sem causa, cuja pretensão está abarcada pelo prazo prescricional trienal previsto no art. 206, § 3º, IV, do Código Civil de 2002. 9. A pretensão de repetição do indébito somente se refere às prestações pagas a maior no período de três anos compreendidos no interregno anterior à data do ajuizamento 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo 3 Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa da ação (art. 206, § 3º, IV, do CC/2002; art. 219, caput e § 1º, CPC/1973; art. 240, § 1º, do CPC/2015). 10. Para os efeitos do julgamento do recurso especial repetitivo, fixa-se a seguinte tese: Na vigência dos contratos de plano ou de seguro de assistência à saúde, a pretensão condenatória decorrente da declaração de nulidade de cláusula de reajuste nele prevista prescreve em 20 anos (art. 177 do CC/1916) ou em 3 anos (art. 206, § 3º, IV, do CC/2002), observada a regra de transição do art. 2.028 do CC/2002 (REsp 1360969/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 19/09/2016). O STJ fixou entendimento de que o prazo prescricional para as ações de enriquecimento sem causa começa a fluir da ciência inequívoca do ato lesivo: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESSARCIMENTO POR ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. PRAZO PRESCRICIONAL. TERMO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA DO ATO LESIVO. PRINCÍPIO DA ACTIO NATA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. O instituto da prescrição é regido pelo princípio da actio nata, ou seja, o curso do prazo prescricional tem início com a efetiva lesão do direito tutelado, pois nesse momento nasce a pretensão a ser deduzida em juízo, caso resistida, como preceitua o art. 189 do Código Civil. 2. Demonstrado nos autos que o autor pagou parte das parcelas de financiamento do veículo e que a ré transferiu a propriedade do bem sem lhe ressarcir os valores pagos, começa a contar desta data o prazo prescricional trienal para o ajuizamento da ação por enriquecimento sem causa e não do momento em que houve a proibição do seu uso (AgInt no AREsp 876.731/DF, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/09/2016, DJe 30/09/2016). Em regra, os alimentos são irrepetíveis; regra essa fundamental no Direito de Família. No entanto, a irrepetibilidade dos alimentos não é absoluta, comportando, nesses casos, ação de restituição para evitar o enriquecimento sem causa daquele que os recebeu: RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. LEVANTAMENTO PELO CAUSÍDICO. POSTERIOR REDUÇÃO DO VALOR EM RESCISÓRIA. AÇÃO DE COBRANÇA. RESTITUIÇÃO DO EXCEDENTE. POSSIBILIDADE. IRREPETIBILIDADE DE ALIMENTOS E VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. FLEXIBILIZAÇÃO. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. MÁXIMA EFETIVIDADE DAS DECISÕES JUDICIAIS. 1. É possível e razoável a cobrança dos valores atinentes aos honorários advocatícios de sucumbência já levantados pelo causídico se a decisão que deu causa ao montante foi posteriormente rescindinda, inclusive com redução da verba. 2. O princípio da irrepetibilidade das verbas de natureza alimentar não é absoluto e, no caso, deve ser flexibilizado para viabilizar a restituição dos honorários de sucumbência já levantados, tendo em vista que, com o provimento parcial da ação rescisória, não mais subsiste a decisão que lhes deu causa. Aplicação dos princípios da vedação ao enriquecimento sem causa, da razoabilidade e da máxima efetividade das decisões judiciais (REsp 1549836/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 06/09/2016). Ainda tratando dos alimentos, a jurisprudência do STJ entende que o fato de a genitora pagar as despesas que eram de responsabilidade do pai 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo d Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa significam uma gestão de negócio sui generis, que comporta ação própria, prescritível no prazo geral de 10 anos: RECURSO ESPECIAL. DIREITO DE FAMÍLIA. ALIMENTOS. INADIMPLEMENTO. GENITORA QUE ASSUME OS ENCARGOS QUE ERAM DE RESPONSABILIDADE DO PAI. CARACTERIZAÇÃO DA GESTÃO DE NEGÓCIOS. ART. 871 DO CC. SUB-ROGAÇÃO AFASTADA. REEMBOLSO DO CRÉDITO. NATUREZA PESSOAL. PRESCRIÇÃO. PRAZO GERAL DO ART. 205 DO CC. 1. Segundo o art. 871 do CC, "quando alguém, na ausência do indivíduo obrigado a alimentos, por ele os prestar a quem se devem, poder-lhes-á reaver do devedor a importância, ainda que este não ratifique o ato". 2. A razão de ser do instituto, notadamente por afastar eventual necessidade de concordância do devedor, é conferir a máxima proteção ao alimentário e, ao mesmo tempo, garantir àqueles que prestam socorro o direito de reembolso pelas despesas despendidas, evitando o enriquecimento sem causa do devedor de alimentos. Nessas situações, não há falar em sub-rogação, haja vista que o credor não pode ser considerado terceiro interessado, não podendo ser futuramente obrigado na quitação do débito. 3. Na hipótese, a recorrente ajuizou ação de cobrança pleiteando o reembolso dos valores despendidos para o custeio de despesas de primeira necessidade de seus filhos - plano de saúde, despesas dentárias, mensalidades e materiais escolares -, que eram de inteira responsabilidade do pai, conforme sentença revisional de alimentos. Reconhecida a incidência da gestão de negócios, deve-se ter, com relação ao reembolso de valores, o tratamento conferido ao terceiro não interessado, notadamente por não haver sub-rogação, nos termos do art. 305 do CC. 4. Assim, tendo-se em conta que a pretensão do terceiro ao reembolso de seu crédito tem natureza pessoal (não se situando no âmbito do direito de família), de que se trata de terceiro não interessado - gestor de negócios sui generis -, bem como afastados eventuais argumentos de exoneração do devedor que poderiam elidir a pretensão materialoriginária, não se tem como reconhecer a prescrição no presente caso. 5. Isso porque a prescrição a incidir na espécie não é a prevista no art. 206, § 2º, do Código Civil - 2 (dois) anos para a pretensão de cobrança de prestações alimentares -, mas a regra geral prevista no caput do dispositivo, segundo a qual a prescrição ocorre em 10 (dez) anos quando a lei não lhe haja fixado prazo menor (REsp 1453838/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/11/2015, DJe 07/12/2015). Apesar de a ação in rem verso ser subsidiária, aplicável somente nos casos em que não há outra medida processual disponível, ela não se aplica a todos os casos em que não há outra medida judicial disponível. Segundo o STJ, nos casos em que ocorrida a prescrição de ação específica, não pode o prejudicado valer-se da ação de enriquecimento sem causa, sob pena de violação da finalidade da lei: RECURSO ESPECIAL. CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO ART. 535 DO CPC. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE RESTITUIÇÃO POR ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. CARÁTER SUBSIDIÁRIO. EXISTÊNCIA DE MEIO PRÓPRIO PARA DEFENDER O DIREITO. 1. Não há violação ao artigo 535, II, do CPC, quando embora rejeitados os embargos de declaração, a matéria em exame foi devidamente enfrentada pelo Tribunal de origem, que emitiu pronunciamento de forma fundamentada, ainda que em sentido contrário à pretensão da recorrente. 2. A configuração do enriquecimento sem causa requer a conjugação de quatro elementos: a) o enriquecimento em sentido estrito de uma parte; b) o empobrecimento da outra parte; c) o nexo de causalidade entre um e outro; d) a ausência de justa causa. 3. Quanto à ação in re verso, o art. 886 do Código Civil preceitua 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa não ser cabível nos casos em que existir na lei outros meios de pleitear a recomposição do patrimônio desfalcado. 4. É função da subsidiariedade, prevista na lei a proteção do sistema jurídico, para que, mediante a ação de enriquecimento, a lei não seja contornada ou fraudada, evitando-se que o autor consiga, por meio da ação de enriquecimento, o que lhe é vedado pelo ordenamento. 5. Nos casos em que ocorrida a prescrição de ação específica, não pode o prejudicado valer-se da ação de enriquecimento, sob pena de violação da finalidade da lei (REsp 1497769/RN, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/05/2016, DJe 07/06/2016). A primeira decisão do STJ a respeito da aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial é de 1997, relativamente à ausência de pagamento, por um segurado, da última prestação do prêmio do contrato. Isso ensejaria, portanto, a extinção do contrato. A extinção do contrato, por sua vez, permitiria à Seguradora não pagar a indenização pelo sinistro havido. O STJ entendeu que essa situação caracterizaria abuso de direito e violação da boa-fé objetiva, ante a aplicação da referida Teoria: SEGURO. INADIMPLEMENTO DA SEGURADA. FALTA DE PAGAMENTO DA ULTIMA PRESTAÇÃO. ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. RESOLUÇÃO. A COMPANHIA SEGURADORA NÃO PODE DAR POR EXTINTO O CONTRATO DE SEGURO, POR FALTA DE PAGAMENTO DA ULTIMA PRESTAÇÃO DO PREMIO, POR TRES RAZÕES: A) SEMPRE RECEBEU AS PRESTAÇÕES COM ATRASO, O QUE ESTAVA, ALIAS, PREVISTO NO CONTRATO, SENDO INADMISSIVEL QUE APENAS REJEITE A PRESTAÇÃO QUANDO OCORRA O SINISTRO; B) A SEGURADORA CUMPRIU SUBSTANCIALMENTE COM A SUA OBRIGAÇÃO, NÃO SENDO A SUA FALTA SUFICIENTE PARA EXTINGUIR O CONTRATO; C) A RESOLUÇÃO DO CONTRATO DEVE SER REQUERIDA EM JUIZO, QUANDO SERA POSSIVEL AVALIAR A IMPORTANCIA DO INADIMPLEMENTO, SUFICIENTE PARA A EXTINÇÃO DO NEGOCIO (REsp 76.362/MT, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 11/12/1995, DJ 01/04/1996, p. 9917). A segunda decisão do STJ a respeito da aplicação da Teoria do Adimplemento Substancial é de 2001, agora relativamente à ausência de pagamento, por um adquirente, da última prestação do contrato de alienação fiduciária. Isso ensejaria, assim, a extinção do contrato. A extinção do contrato, por sua vez, permitiria ao banco manejar a busca e apreensão do veículo alienado fiduciariamente e objeto do financiamento. O STJ entendeu que essa situação caracterizaria abuso de direito e violação da boa-fé objetiva, ante a aplicação da referida Teoria, mais uma vez: ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. Busca e apreensão. Falta da última prestação. Adimplemento substancial. O cumprimento do contrato de financiamento, com a falta apenas da última prestação, não autoriza o credor a lançar mão da ação de busca e apreensão, em lugar da cobrança da parcela faltante. O adimplemento substancial do contrato pelo devedor não autoriza ao credor a propositura de ação para a extinção do contrato, salvo se demonstrada a perda do interesse na continuidade da execução, que não é o caso. Na espécie, ainda houve a consignação judicial do valor da última parcela. Não atende à exigência da boa-fé objetiva a atitude do credor que desconhece esses fatos e promove a busca e apreensão, com pedido liminar de reintegração de posse (REsp 272.739/MG, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 01/03/2001, DJ 02/04/2001, p. 299). 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O STJ entendeu, pela parte final do acórdão, que é cabível indenização por danos morais em face de transtornos causados pela rescisão de um contrato de maneira abusiva pela contraparte, quando possível a aplicação da teoria do adimplemento substancial. No entanto, esse raciocínio é incabível, descabendo falar em dano moral, quando há busca e apreensão decorrente de inadimplemento de financiamento garantido por alienação fiduciária lastreada no permissivo do Decreto-Lei nº 911/1969: RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. TRANSTORNOS RESULTANTES DA BUSCA E APREENSÃO DE AUTOMÓVEL. FINANCIAMENTO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. INADIMPLEMENTO PARCIAL. AUSÊNCIA DE QUITAÇÃO DE APENAS UMA DAS PARCELAS CONTRATADAS. INAPLICABILIDADE, NO CASO, DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL DO CONTRATO. BUSCA E APREENSÃO. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DO DECRETO-LEI Nº 911/1969. EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO. DEVER DE INDENIZAR. INEXISTÊNCIA. PEDIDO DE DESISTÊNCIA RECURSAL. INDEFERIMENTO. TERMO FINAL PARA APRESENTAÇÃO. INÍCIO DA SESSÃO DE JULGAMENTO. 1. Ação indenizatória promovida por devedor fiduciante com o propósito de ser reparado por supostos prejuízos, de ordem moral e material, decorrentes do cumprimento de medida liminar deferida pelo juízo competente nos autos de ação de busca e apreensão de automóvel objeto de contrato de financiamento com cláusula de alienação fiduciária em garantia. 2. Recurso especial que veicula pretensão da instituição financeira ré de (i) ver excluída sua responsabilidade pelos apontados danos morais, reconhecida no acórdão recorrido, por ter agido, ao propor a ação de busca e apreensão do veículo, em exercício regular de direito e (ii) ver reconhecida a inaplicabilidade, no caso, da "teoria do adimplemento substancial do contrato". 4. A teor do que expressamente dispõem os arts. 2º e 3º do Decreto-Lei nº 911/1969, é assegurado ao credor fiduciário, em virtude da comprovação da mora ou do inadimplemento das obrigações assumidas pelo devedor fiduciante, pretender, em juízo, a busca e apreensão do bem alienado fiduciariamente. O ajuizamento de ação de busca e apreensão, nesse cenário, constitui exercício regular de direito do credor, o que afasta sua responsabilidade pela reparação de danos morais resultantesdo constrangimento alegadamente suportado pelo devedor quando do cumprimento da medida ali liminarmente deferida. 5. O fato de ter sido ajuizada a ação de busca e apreensão pelo inadimplemento de apenas 1 (uma) das 24 (vinte e quatro) parcelas avençadas pelos contratantes não é capaz de, por si só, tornar ilícita a conduta do credor fiduciário, pois não há na legislação de regência nenhuma restrição à utilização da referida medida judicial em hipóteses de inadimplemento meramente parcial da obrigação. 6. Segundo a teoria do adimplemento substancial, que atualmente tem sua aplicação admitida doutrinária e jurisprudencialmente, não se deve acolher a pretensão do credor de extinguir o negócio em razão de inadimplemento que se refira a parcela de menos importância do conjunto de obrigações assumidas e já adimplidas pelo devedor. 7. A aplicação do referido instituto, porém, não tem o condão de fazer desaparecer a dívida não paga, pelo que permanece possibilitado o credor fiduciário de perseguir seu crédito remanescente (ainda que considerado de menor importância quando comparado à totalidade da obrigação contratual pelo devedor assumida) pelos meios em direito admitidos, dentre os quais se encontra a própria ação de busca e apreensão de que trata o Decreto-Lei nº 911/1969, que não se confunde com a ação de rescisão contratual - esta, sim, potencialmente indevida em virtude do adimplemento substancial da obrigação (REsp 1255179/RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/08/2015, DJe 18/11/2015). 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa No entanto, o mesmo STJ, contrariando visão outrora consagrada acerca do cabimento da aplicação da teoria do adimplemento substancial nos casos de financiamento, mais recentemente passou a entender que descabe a Teoria em se tratando de alienação fiduciária regida por lei especial. O fundamento – bastante rasteiro e inadequado, a meu ver – é a incompatibilidade da Teoria do Adimplemento Substancial com o Decreto-Lei 911/1969, que não prevê limitações à busca e apreensão, a despeito de ela derivar dos princípios contratuais da boa-fé objetiva e da função social do contrato, aplicáveis ao regime contratual em sentido amplo, e não apenas ao regime do CC/2002: RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE VEÍCULO, COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA REGIDO PELO DECRETO-LEI 911/69. INCONTROVERSO INADIMPLEMENTO DAS QUATRO ÚLTIMAS PARCELAS (DE UM TOTAL DE 48). EXTINÇÃO DA AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO (OU DETERMINAÇÃO PARA ADITAMENTO DA INICIAL, PARA TRANSMUDÁ-LA EM AÇÃO EXECUTIVA OU DE COBRANÇA), A PRETEXTO DA APLICAÇÃO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL. DESCABIMENTO. 1. ABSOLUTA INCOMPATIBILIDADE DA CITADA TEORIA COM OS TERMOS DA LEI ESPECIAL DE REGÊNCIA. RECONHECIMENTO. 2. REMANCIPAÇÃO DO BEM AO DEVEDOR CONDICIONADA AO PAGAMENTO DA INTEGRALIDADE DA DÍVIDA, ASSIM COMPREENDIDA COMO OS DÉBITOS VENCIDOS, VINCENDOS E ENCARGOS APRESENTADOS PELO CREDOR, CONFORME ENTENDIMENTO CONSOLIDADO DA SEGUNDA SEÇÃO, SOB O RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS (REsp n. 1.418.593/MS). 3. INTERESSE DE AGIR EVIDENCIADO, COM A UTILIZAÇÃO DA VIA JUDICIAL ELEITA PELA LEI DE REGÊNCIA COMO SENDO A MAIS IDÔNEA E EFICAZ PARA O PROPÓSITO DE COMPELIR O DEVEDOR A CUMPRIR COM A SUA OBRIGAÇÃO (AGORA, POR ELE REPUTADA ÍNFIMA), SOB PENA DE CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE NAS MÃOS DO CREDOR FIDUCIÁRIO. 4. DESVIRTUAMENTO DA TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL, CONSIDERADA A SUA FINALIDADE E A BOA-FÉ DOS CONTRATANTES, A ENSEJAR O ENFRAQUECIMENTO DO INSTITUTO DA GARANTIA FIDUCIÁRIA. VERIFICAÇÃO. 5. RECURSO ESPECIAL PROVIDO (REsp 1622555/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 16/03/2017). Questões Questões sem comentários As questões abaixo foram tratadas ao longo da aula. Na sequência, estão elas sem comentários, secas, para você acompanhar. Adiante, estarão os gabaritos dessas questões e, ao final, os comentários: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal Sobre o enriquecimento sem causa, ́ correto afirmar que: A) O enriquecimento sem causa ́ um exemplo de ato ilícito, passível de gerar indenização por perdas e danos ao lesado. B) No Direito brasileiro, ́ aplicável exclusivamente na modulação da indenização por dano moral, visando a evitar indenizações exorbitantes ou desproporcionais. C) Se tiver havido causa para o enriquecimento, não são aplicáveis as regras sobre indenização por enriquecimento sem causa, ainda que a causa, posteriormente, deixe de existir. D) A aplicação do enriquecimento sem causa como fonte autônoma de obrigação pressupõe a subsidiariedade, ou seja, o enriquecimento sem causa sóば ́ aplicável se a lei não oferecer ao lesado outro meio capaz de satisfazer os seus interesses. E) O enriquecimento sem causa sóば ́ aplicável a relações contratuais de adesão. 2014 – CESPE – MPE/AC – Promotor de Justiça Substituto Assinale a opção correta no que se refere ao pagamento indevido. a. De acordo com o Código Civil, no qual é adotada, em relação ao tema, a teoria subjetiva, a demonstração do erro cabe àquele que voluntariamente tenha pago o indevido. b. No Código Civil, a disposição normativa referente ao pagamento indevido tem a mesma natureza da disciplinada no CDC, segundo a qual o fornecedor deve restituir em dobro ao consumidor, com correção monetária e juros de mora, aquilo que este tenha pago indevidamente c. A repetição do indébito é devida ainda que o objeto da prestação não cumprida seja ilícito, imoral ou proibido por lei. d. Cabe o ajuizamento de ação fundada no enriquecimento sem causa ainda que a lei confira ao lesado outros meios para ressarcir-se do prejuízo sofrido, visto que, sendo esta ação mais ampla, as demais serão por ela absorvidas. e. Não há possibilidade de pagamento indevido com relação a obrigações de fazer e não fazer, não cabendo, portanto, a repetição do indébito. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Considere a seguinte situação hipotética. Aldo, Bruno e César assumiram dívida de obrigação relativa à entrega de um automóvel. Na vigência dessa obrigação, César faleceu, tendo deixado os herdeiros Elmo e Fausto. Após tais fatos, este último foi demandado sozinho para entregar o objeto. Nessa situação, por inferência da indivisibilidade da coisa, o credor deveria ter manejado a demanda conjuntamente em face de Elmo e Fausto, pois este não possui a obrigação de entregá-la por inteiro ao credor. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Na cessão de crédito pro solvendo, o cedente se desonera inteiramente em relação ao cessionário apenas com a própria cessão, ou seja, independentemente do recebimento do crédito. 2013 – PGE – PGE/GO – Procurador do Estado Conforme disposto no Código Civil, em caso de assunção de dívida, extinguem-se as garantias especiais originariamente dadas pelo devedor primitivo. Segundo a doutrina, definem-se exclusivamente como garantias especiais a) todas aquelas prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro. b) as reais prestadas pelo devedor,decorrentes da determinação do regime jurídico próprio. c) as fidejussórias prestadas pelo garantidor por determinação legal, originariamente. d) qualquer das prestadas pelo garantidor decorrentes de imposição do regime jurídico próprio. e) todas as reais prestadas voluntariamente por terceiro, posterior à constituição da dívida. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual A caracterização do adimplemento substancial das obrigações produz os seguintes efeitos, EXCETO: (A) inaugurar ou ratificar a possibilidade de o credor perseguir o ressarcimento pelas perdas e danos. (B) obstar a resolução unilateral do contrato. (C) impedir que o credor argua a exceção do contrato não cumprido. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) liberar o devedor da obrigação. (E) descaracterizar a impossibilidade absoluta de cumprimento da obrigação. As questões abaixo, agora sem comentários, não estão contidas na aula. Elas orbitam em torno das questões acima e, por isso, apresentam comentários não tão detalhados quanto as questões anteriores. É pra você treinar! Adiante, seguem os gabaritos e, ao fim, os comentários. 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto Assinale a opção correta: a) É nula a cessão de crédito celebrada de modo verbal. b) A cessão de crédito celebrada por escrito particular, para que seja oponível a terceiros, deve ser levada a registro, em regra no Cartório de Títulos e Documentos. c) A validade da cessão de crédito previdenciário, no plano federal, depende de escritura pública. d) A assunção de débito, realizada através de escritura pública, é oponível ao credor independenlemenle de seu assentimento. e) As exceções comuns, não pessoais, que o devedor tenha para impugnar o crédito cedido devem ser comunicadas ao cessionário imediatamente após o devedor ser notificado da cessão, sob pena de não mais poderem ser arguidas, sem prejuízo do regresso contra o cedente. 2. 2016 – CESPE – TJ/DFT – Juiz de Direito Substituto Em atenção ao direito das obrigações, assinale a opção correta. a) Se há assunção cumulativa, compreende-se como estabelecida a solidariedade obrigacional entre os devedores. b) A multa moratória e a multa compensatória podem ser objeto de cumulação com a exigência de cumprimento regular da obrigação principal. c) A obrigação portável (portable) é aquela em que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor, ficando o credor, portanto, obrigado a buscar a quitação. d) Na solidariedade passiva, a renúncia e a remissão são tratados, quanto aos seus efeitos, de igual forma pelo Código Civil. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) Na assunção de dívida, a oposição da exceção de contrato não cumprido é permitida ao assuntor em face do devedor primitivo, mas vedada em face do credor. 3. 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Considere as afirmações abaixo, sobre o adimplemento da obrigação. I - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub- roga-se nos direitos do credor, desde que notifique previamente o devedor e este não apresente oposição. II - A eficácia típica reconhecida da aplicação da teoria do adimplemento substancial é a extinção da obrigação nas hipóteses de pagamento parcial feito de boa-fé. III - O direito brasileiro, nas dívidas em dinheiro, adota o princípio do nominalismo, admitindo, contudo, que as partes convencionem cláusula de escala móvel. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. 4. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual Sobre a cessão de crédito e a assunção de dívida, é correto afirmar: (A) a cessão de crédito não depende da anuência do devedor para que seja válida. (B) o fiador do devedor originário segue responsável pela dívida em caso de assunção por terceiro. (C) na cessão de crédito há novação subjetiva passiva em relação à relação obrigacional originária. (D) com a cessão de crédito, cessam as garantias reais e pessoais da dívida. (E) terceiro pode assumir a obrigação do devedor com o consentimento expresso do credor, exonerando o devedor primitivo, ainda que o credor ignorasse que o assuntor fosse insolvente ao tempo da assunção de dívida. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 5. 2016 – CESPE – TCE/PA – Auditor de Controle Externo - Área Fiscalização - Direito A respeito das obrigações, dos contratos e dos atos unilaterais, julgue o item que se segue. O adimplemento substancial do contrato tem sido reconhecido como impedimento à resolução unilateral, havendo ou não cláusula expressa. 6. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto Acerca do direito das obrigações, no âmbito civil, assinale a opção CORRETA. a) Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, nitidamente obstam a realização da compensação, tendo em vista que há, nesta hipótese, grande interesse no adimplemento voluntário através da dilação do prazo. b) A assunção da dívida consiste na possibilidade de terceiro, estranho à relação obrigacional, assumir a obrigação do devedor, responsabilizando-se pela dívida, desde que com a anuência expressa do credor. c) Caso fortuito e força maior elidem a responsabilização do devedor pela impossibilidade de cumprimento da obrigação, ainda que tenham ocorrido quando o cumprimento da obrigação já estava em atraso. d) A cessão de crédito somente poderá ser operada com o consentimento prévio do devedor, a fim de que o negócio produza o efeito jurídico pretendido. e) A compensação efetiva-se entre dívidas recíprocas, vencidas ou vincendas, líquidas, fungíveis entre si, sendo estritamente necessário que não haja diversidades de causa ou fundamento jurídico, já que obrigações de origens diferentes não podem ser compensadas. 7. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto Em tema de obrigações: a) A ação de in rem verso visa à compensação das perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem causa. b) O terceiro não interessado, ao realizar o pagamento da dívida de outrem em seu próprio nome, tem direito tanto ao reembolso do que adimpliu quanto à subrogação dos direitos do credor. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa c) Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, deverá o credor, obrigatoriamente, aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu, haja vista a ausência de culpa do devedor. d) O pagamento de dívida prescrita constitui-se em verdadeira renúncia do favor da prescrição pelo devedor. e) Em observância à vedação do enriquecimento sem causa, é vedado às partes convencionar o aumento progressivo das prestações sucessivas. 8. 2015 – TRT 16ª Região – TRT 16ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Examine as proposições seguintes e assinale a alternativa CORRETA: I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, estedeverá ressarcir o credor por perdas e danos. III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja mais valiosa. a) Somente as proposições II e IV estão corretas. b) Somente as proposições I e V estão incorretas. c) Somente a proposição III está correta. d) Todas as proposições estão corretas. e) Todas as proposições estão incorretas. 9. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Sobre as obrigações no Código Civil Brasileiro, é CORRETO afirmar que: a) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, com culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou. c) A solidariedade na obrigação não se presume; resulta da lei, costume ou da vontade das partes. d) Importará renúncia da solidariedade passiva, a propositura de ação pelo credor apenas contra um ou alguns dos devedores. e) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. 10. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto Um agricultor encontrou um carneiro perdido depois de evadir do aprisco e recusando-se as autoridades a abrigá-lo, passou a alimentá-lo e dele cuidar. Passados seis meses, o dono, descobrindo seu paradeiro, foi buscá-lo, sendo-lhe imediatamente entregue, porém cobrado das despesas comprovadamente realizadas, por quem o encontrara. Nesse caso, o dono do carneiro a. apenas terá de pagar uma recompensa a seu critério, mas não as despesas. b. nada terá de pagar ao agricultor, porque a hipótese configura obrigação natural, cujo ressarcimento não pode ser coercitivamente exigido. c. deverá ressarcir o agricultor das despesas que teve, porque houve gestão de negócio, que não se presume gratuita. d. deverá pagar ao agricultor as despesas que teve, e este poderá cobrá-las com fundamento na vedação de enriquecimento sem causa. e. só terá de ressarcir o agricultor, se houver feito publicamente promessa de recompensa. 11. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. A) O devedor pode opor ao cessionário as exceções que tinha contra o cedente no momento em que conhece da cessão. B) Fala-se em ausência de eficácia em relação ao devedor quanto à cessão realizada sem a sua notificação. C) Quando estipulado, o cedente pode responder pela solvência do devedor. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa D) Havendo concordância do devedor originário, podem as garantias oferecidas por este ao negócio jurídico permanecerem válidas a partir da assunção da dívida. E) Não se interpreta como recusa o silêncio do credor quando assinado prazo para consentir na assunção da dívida. 12. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Considere que as prestações periódicas de tal negócio jurídico tenham sido cumpridas, reiteradamente e com a aceitação de ambas as partes, no domicílio de uma das partes da relação jurídica. Nesse caso, ainda que tenha sido disposto na avença que as prestações fossem cumpridas no domicílio da outra parte, esta não poderia exigir, unilateral e posteriormente, o cumprimento de tal disposição. 13. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Supondo que duas partes tenham estabelecido determinada relação jurídica, julgue o item. Caso o credor da relação jurídica ceda seu crédito a terceiro, a ausência de notificação do devedor implicará a inexigibilidade da dívida. 14. 2015 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual Sobre a teoria geral das obrigações, é correto afirmar: (A) Quando uma obrigação indivisível se converte em perdas e danos, ela se torna uma obrigação divisível. Pelo equivalente em dinheiro devido em razão do inadimplemento respondem todos os devedores, assim como pelas perdas e danos. No entanto, os devedores que não deram causa à impossibilidade da prestação podem reaver do culpado o que pagaram ao credor. (B) Ocorrendo a chamada novação subjetiva por expromissão, mesmo sendo o novo devedor insolvente, não tem o credor ação regressiva contra o primeiro devedor. (C) A cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral pelo qual o credor transfere a outrem seus direitos na relação obrigacional, responsabilizando- se não só pela existência da dívida como pela solvência do cedido, por força de lei. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) Não pode ser considerado em mora o credor que não quiser receber o pagamento no lugar estabelecido contratualmente, mesmo que o devedor comprove que o pagamento se faz reiteradamente em outro lugar. (E) Nas obrigações alternativas, caso uma das prestações torne-se inexequível antes da concentração, sem culpa do devedor, este poderá escolher entre adimplir com a prestação restante ou pagar em dinheiro o valor daquela que pereceu. 15. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Bruno adquiriu um veículo mediante contrato de alienação fiduciária, em 300 parcelas no valor de R$ 200,00 (duzentos reais) cada. Bruno pagou pontualmente as parcelas até que, faltando apenas seis prestações para o adimplemento, não teve condições de realizar o pagamento. Diante da impontualidade de Bruno, a instituição financeira ajuizou ação de busca e apreensão do veículo. Na condição de defensor público atuando em favor de Bruno, para defendê-lo neste pedido de busca e apreensão, é correta a alegação de abuso do direito por parte da instituição financeira por aplicação da a) autonomia da vontade. b) vedação de cláusula comissória. c) exceção do contrato não cumprido. d) vedação legal de busca e apreensão em alienação fiduciária. e) teoria do adimplemento substancial. 16. 2015 – FMP – DPE/PA – Defensor Público Estadual Assinale a alternativa INCORRETA. a) A boa-fé objetiva configura norma impositiva de limites ao exercício de direitos subjetivos, configurando, assim, importante critério de mensuração da ocorrência do adequado adimplemento e dos limites do enriquecimento ilícito. b) O adimplemento substancial deriva do postulado ou princípio da boa-fé objetiva e obsta o direito à resolução do contrato, como exceção ao princípio da exatidão do dever de prestar, em contratos bilaterais ou comutativos. c) O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome se sub- roga no direito do credor. d) A falência do devedor é causa legal de vencimento antecipado da obrigação, que não atinge devedores solidários solventes. e) A cláusula penal tem natureza de obrigação acessória. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br37 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 17. 2015 – FCC – SEFAZ/PE – Julgador Administrativo Tributário do Tesouro Estadual A ação de restituição por enriquecimento sem causa: a. é cabível para repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. b. tem os mesmos requisitos da ação de restituição por pagamento indevido. c. é cabível quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas não é cabível quando esta deixou de existir. d. não é cabível, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. e. não pode ter por objeto a restituição de coisa determinada, mas somente quantia em dinheiro. 18. 2014 – FCC – TRT 18ª REGIÃO (GO) – Juiz do Trabalho Substituto Em relação ao enriquecimento sem causa, examine o quanto segue: I. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. II. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. III. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. IV. Caberá a restituição por enriquecimento, ainda que a lei confira ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. Está correto o que consta APENAS em a. I, III e IV b. I, II e IV c. II, III e IV d. I, II e III e. I e III 19. 2014 – CESPE – PGE/BA - Procurador do Estado 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A teoria do adimplemento substancial impõe limites ao exercício do direito potestativo de resolução de um contrato. 20. 2014 – IDECAN – Câmara Municipal/Serra (ES) – Procurador Legislativo De acordo com o Código Civil, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa prescreve em a. dois anos. b. três anos. c. quatro anos. d. cinco anos. 21. 2014 – FUNDEP – Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro (SE) – Procurador Municipal Sobre o enriquecimento ilícito e pagamento indevido, assinale a alternativa CORRETA. a. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, é obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários e abrangendo juros. b. Aquele que voluntariamente pagou o indevido tem direito à restituição. c. Aquele que deu alguma coisa em pagamento para obter fim ilícito, imoral ou proibido por lei responderá por perdas e danos. d. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito. e. Pode-se repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, provando tê- lo feito por erro. 22. 2014 – VUNESP – DPE/MS – Defensor Público Estadual Jean decidiu adquirir um imóvel, necessitando de financiamento bancário para viabilizar a aquisição. Ao consultar determinada instituição financeira, apresentaram a Jean a opção do financiamento com pacto de alienação fiduciária. Jean aceitou o financiamento e a modalidade de garantia, comprometendo-se ao pagamento de 100 (cem) prestações de R$ 1.000,00 (mil reais). O comprador honrou 95 (noventa e cinco) parcelas e, em 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa seguida, perdeu seu emprego. Por essa razão, deixou de honrar as parcelas restantes. Nesse panorama, é correto afirmar que a) a modalidade de garantia pactuada não admite a aplicação da teoria do adimplemento substancial, devendo a instituição financeira constituir o fiduciante em mora, consolidar a propriedade do imóvel e promover o leilão público no prazo legal. b) pela aplicação da teoria do adimplemento substancial, restará a possibilidade da instituição financeira cobrar as parcelas faltantes, abstendo- se de consolidar a propriedade do imóvel em nome do fiduciário e levá-lo à hasta pública. c) a aplicação da teoria do adimplemento substancial dependerá de previsão contratual fixando o número de parcelas mínimas para que o instituto possa aproveitar ao comprador. d) se aplica a teoria do adimplemento substancial, pela qual, considerando a boa-fé do comprador e a função social do contrato, a instituição financeira deverá absorver o prejuízo das parcelas faltantes, outorgando quitação a Jean. 23. 2014 – CS-UFG – DPE/GO – Defensor Público Estadual Em contraponto ao formalismo exacerbado na execução das obrigações contratuais, desenvolveu-se na Inglaterra, a partir do século XVIII, a teoria do adimplemento substancial, corolário do princípio da boa-fé objetiva positivado no ordenamento jurídico brasileiro a partir da entrada em vigor da Lei n. 8.078, de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). A esse respeito, considera-se que a) a aplicação da teoria do adimplemento substancial prescinde do cumprimento de parte significativa das obrigações contratuais por quem dela se beneficia. b) a teoria do adimplemento substancial tende a preservar o negócio jurídico aventado, limitando o direito do credor à exceptio non adimpleti contractus, quando, diante de um adimplemento das obrigações tão próximo do resultado final e tendo em vista a conduta das partes, deixa de ser razoável a resolução contratual. c) a aplicação da teoria do adimplemento substancial restringe-se às relações de consumo no direito brasileiro. d) a falta de positivação do princípio da boa-fé objetiva no ordenamento jurídico brasileiro impediu que os tribunais pátrios o aplicassem na resolução de casos concretos, de modo que a exceptio non adimpleti contractus foi aplicada de maneira absoluta até o ano de 1990. e) a determinação expressa no artigo 475 do Código Civil proíbe à parte lesada pelo inadimplemento que propugne pela resolução contratual. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 24. 2014 – IADES – CAU/RJ – Analista Jurídico Com relação aos atos unilaterais previstos no Código Civil, assinale a alternativa correta. a. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição. b. Àquele que voluntariamente pagou o indevido desobriga-se da prova de tê-lo feito por erro. c. Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa- fé, por título oneroso, responde pela quantia recebida, além das perdas e danos. d. Pode-se repetir o que se pagou para solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. e. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários, aplicados os juros legais e aplicada a multa de 5% ao mês. 25. 2013 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto A teoria do adimplemento substancial, adotada em alguns julgados, sustenta que: a) independentemente da extensão da parte da obrigação cumprida pelo devedor, manifestando este a intenção de cumprir o restante do contrato e dando garantia, o credor não pode pedir a sua rescisão. b) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, autoriza a composição deindenização, mas não a resolução do contrato. c) o cumprimento parcial de um contrato impede sua resolução em qualquer circunstância, porque a lei exige a preservação do contrato. d) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, autoriza apenas a resolução do contrato, mas sem a composição de perdas e danos. e) o adimplemento substancial de um contrato, por parte do devedor, livra- o das consequências da mora, no tocante à parte não cumprida, por ser de menor valor. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 26. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria De acordo com o Código Civil brasileiro, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa prescreve em: a) um ano. b) dois anos. c) três anos. d) cinco anos. e) quatro anos. 27. 2013 – CESPE – STF – Analista Judiciário - Área Judiciária A respeito dos contratos, julgue o item seguinte. A teoria do substancial adimplemento visa impedir o uso desequilibrado, pelo credor, do direito de resolução, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação do acordado, com vistas à realização de princípios como o da boa-fé objetiva e o da função social dos contratos. 28. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República É correto afirmar que: a) As obrigações naturais se distinguem das obrigações civis pelo fato de que são inspiradas na moral, embora detenham juridicidade. b) A assunção de divida tem como peculiaridade o fato de que as garantias ditas especiais jamais subsistirão com a substituição do devedor. c) A expromissão, modalidade de novação subjetiva passiva, é forma de exclusão do devedor originário. d) A cláusula penal, no Código Civil de 2002, pode ser reduzida pelo julgador se seu montante for manifestamente excessivo. 29. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República Em tema de obrigações: a) Tratando-se de cessão de crédito, os créditos impenhoráveis, por si sós, impedem que haja a transferência; b) A cessão de contrato é também conhecida como novação subjetiva, porque o novo devedor – ou o novo credor -, sucede o antigo; 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa c) A ação de in rem verso visa compensar as perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem causa; d) O pagamento de divida prescrita constitui-se em verdadeira renúncia do favor da prescrição pelo devedor. 30. 2012 – FEPESE – DPE/SC – Defensor Público Estadual Sobre atos unilaterais e preferências e privilégios creditórios, é correto afirmar: a. ( ) Nos concursos que se abrirem com promessa pública de recompensa, na falta de pessoa designada para julgar o mérito dos trabalhos que se apresentarem, o juiz do local do concurso deverá avaliá-los. b. ( ) O gestor não responde pelo caso fortuito advindo de operações arriscadas, desde que prove que o dono costumava fazê-las. c. ( ) A restituição somente é devida quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento. d. ( ) Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido. e. ( ) Quando concorrerem aos mesmos bens, e por título igual, dois ou mais credores da mesma classe especialmente privilegiados, haverá entre eles rateio proporcional ao número de credores, por cabeça. 31. 2011 – MPE/PB – MPE/PB – Promotor de Justiça Substituto Julgue as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta. I - Se a evicção for parcial, mas considerável, ao evicto caberá, cumulativamente, a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. II - A transação não aproveita, nem prejudica, senão aos que nela intervieram, salvo se disser respeito a coisa indivisível. III - Sem anuência de seu autor, não pode o proprietário da obra introduzir modificação no projeto por ele aprovado, ainda que a execução seja confiada a terceiros, que as alterações sejam de pouca importância e que se mantenha a unidade estética da obra projetada. IV - O gestor de negócio é obrigado a responder até pelo caso fortuito, se fizer operações arriscadas, ainda que o dominus negotii costumasse fazê- las. a. Apenas uma das afirmações acima está inteiramente correta. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b. Apenas duas das afirmações acima estão inteiramente corretas. c. Apenas três das afirmações acima estão inteiramente corretas. d. Todas as quatro afirmações acima estão inteiramente corretas. e. Nenhuma das quatro afirmações acima estão inteiramente corretas. 32. 2011 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Assinale a opção correta de acordo com as disposições do Código Civil. A A novação subjetiva passiva por expromissão independe do consentimento do credor; assim, o devedor primitivo, desde que anua, poderá ser substituído por novo devedor. B A remissão de dívida somente opera com a concordância do devedor, mas, quando praticada por devedor já insolvente ou por ela reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderá ser anulada. C Sendo menor de dezesseis anos de idade a única pessoa a presenciar determinado fato, não pode o juiz admitir o seu depoimento para a comprovação do acontecimento, pois o menor com essa idade não pode, em nenhuma hipótese, atuar como testemunha. D Como exceção ao princípio da conservação do negócio jurídico, a invalidade das obrigações acessórias acarreta, necessariamente, a invalidade da obrigação principal. E Desde que haja o consentimento expresso do credor, o adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantidor, interpretando-se o silêncio do credor notificado como recusa. 33. 2011 – FGV – SEFAZ/RJ – Auditor Fiscal da Receita Estadual A respeito dos atos unilaterais descritos no Código Civil, é correto afirmar que a. aquele que indevidamente recebeu, ainda que de boa–fé, determinado imóvel e o aliena por título oneroso, responderá não só pelo valor do imóvel como também por perdas e danos. b. contrai obrigação de cumprir o prometido aquele que, por meio de anúncios públicos, se compromete a recompensar a quem preencher certa condição. c. é possível exigir a repetição do que se pagou por uma dívida prescrita. d. não se admite a intervenção na gestão de negócio alheio daquele que não tenha sido autorizado pelo interessado. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e. a restituição, na hipótese de enriquecimento sem causa, será devida, salvo se a causa que tenha justificado o enriquecimento deixe de existir. 34. 2011 – FCC – TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Analista Judiciário - Área Judiciária A respeito do enriquecimento sem causa, considere: I. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, pelo valor da data em que ocorreu o enriquecimento. II. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem da época em que ocorreu o enriquecimento.III. A restituição do indevidamente auferido será devida quando a causa que justificou o enriquecimento deixou de existir. Está correto o que consta APENAS em a. II e III. b. I e II. c. I e III. d. III. e. II. 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Constitui requisito da ação de repetição de indébito o fato de o pagamento ter sido realizado voluntariamente. 36. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Considere que Ângela tenha locado imóvel de sua propriedade a Suzi e que esta não pague os aluguéis há três meses. Nessa situação hipotética, considerando-se que a falta de pagamento gera o enriquecimento de Suzi e o empobrecimento de Ângela, não havendo causa jurídica que os justifique, a locadora poderá ingressar com ação in rem verso para se ressarcir dos prejuízos sofridos. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 37. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Julgue os itens a seguir, a respeito das obrigações. A assunção de dívida transfere a terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento do débito importará a manutenção dessa garantia. 38. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor. O crédito, mesmo penhorado, pode ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. 39. 2009 – FCC – DPE/MT – Defensor Público Estadual No Direito das Obrigações, (A) pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido, independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor. (B) na cessão de um crédito sempre se abrangem todos os seus acessórios. (C) o cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel, desde que haja autorização do devedor. (D) o credor pode ceder o seu crédito, ainda que a isso se oponha a natureza da obrigação, não se admitindo cláusula proibitiva da cessão por se tratar de condição protestativa. (E) a cessão do crédito tem eficácia em relação ao devedor, independentemente de notificação. 40. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual A assunção de dívida transfere a terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento do débito importará a manutenção dessa garantia. 41. 2008 – CESPE – PGE/CE – Procurador do Estado Acerca do direito das obrigações, assinale a opção correta. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa a) Em um contrato em que as partes estipularam cláusula penal para o caso de descumprimento total ou do retardamento da obrigação, se ocorrer o inadimplemento, o credor pode, ao recorrer às vias judiciais, exigir o recebimento da multa e o cumprimento da obrigação. b) Nas obrigações de dar coisa incerta, se a coisa a ser entregue ainda não tiver sido individualizada e se ocorrer perda ou deterioração da coisa, o devedor pode exonerar-se da obrigação, quando essa perda ou deterioração tenha se dado por caso fortuito ou força maior. c) A cessão de crédito é um negócio jurídico por meio do qual o credor transmite total ou parcialmente o seu crédito a terceiro, com expressa anuência do devedor, o que acarreta a extinção da relação obrigacional primitiva com esse devedor. Para que seja eficaz em relação a terceiros, a cessão deve ser celebrada mediante instrumento público. d) Tratando-se de obrigação de dar coisa certa e incerta ou de dívida fiscal, sendo duas pessoas reciprocamente credora e devedora, as duas obrigações se extinguem, até onde se compensarem e independentemente da vontade do credor, se as dívidas se originarem da mesma causa. e) Novação é a extinção de uma obrigação mediante a constituição de nova obrigação, que substitui a anterior. Se a obrigação é solidária, a novação celebrada entre o credor e apenas um dos devedores exonera os demais, de modo que somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação remanescem as garantias do crédito novado. 42. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Assinale a opção correta a respeito dos atos unilaterais. A A gestão de negócio é a administração autorizada de negócios alheios, feita independentemente de obrigação legal ou convencional. O gestor responde pelos prejuízos resultantes de qualquer culpa na gestão, bem como pelo caso fortuito, quando fizer operação que cause risco ao negócio. B Aquele que quitou dívida prescrita ou natural poderá exigir a restituição daquilo que pagou, ainda que não o tenha feito por erro ou involuntariamente. Nessa situação, o pagamento é indevido e gera, para aquele que o recebeu indevidamente, a obrigação de restituí-lo. C A promessa de recompensa adquire sua eficácia vinculante no momento em que a vontade do promitente é tornada pública, independentemente de aceitação, caracterizando-se, assim, como uma obrigação pela manifestação unilateral do promitente. D Se o ato contemplado na promessa de recompensa foi praticado por mais de uma pessoa, ainda que não tenha sido simultânea a execução, a recompensa será dividida em partes iguais entre aqueles que executaram a ação recompensável. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa E Na gestão de negócio alheio, se o dono da coisa desaprovar a gestão por considerá-la contrária aos seus interesses, ele deverá resilir a avença e indenizar o gestor pelas despesas que efetuou, acrescidas de juros e correção monetária. 43. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Acerca do direito das obrigações, assinale a opção correta. A Nas arras penitenciais, se a parte que as recebeu não cumprir o contrato, a outra parte poderá considerá-lo resolvido e exigir a devolução do sinal, somado ao equivalente, com atualização monetária, juros e indenização por perdas e danos. B Na cessão do crédito onerosa, voluntária ou convencional, o cedente ficará responsável pela existência do crédito transferido no momento da cessão, embora não responda pela solvabilidade do devedor. C O credor, para exigir o pagamento da cláusula penal convencional, deverá provar a culpa do devedor pelo inadimplemento e o prejuízo efetivamente sofrido. Se tal prejuízo exceder o previsto na cláusula penal, o credor poderá exigir indenização suplementar. D A assunção de dívida é um negócio bilateral, não condicionado à anuência do credor, pelo qual o devedor transfere a um terceiro os seus encargos obrigacionais. Nesse negócio, ocorre a substituição do sujeito passivo da relação de crédito, sendo extinta a obrigação primitiva e surgindo a solidariedade obrigacional entre os devedores. E O inadimplemento absoluto de uma obrigação se dá quando essa não for cumprida no tempo, no lugar e na forma devidos. Nesse caso, o credor deverá exigir do inadimplente o recebimento do valor devido ou a prestação a que o devedor se obrigou, acrescida da multa contratual. Gabaritos Gabaritos das questões com comentários ao longo da aula: 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal D 2014 – CESPE – MPE/AC – Promotor de Justiça Substituto 36644015816 - Heitor dos Santos AraujoProf. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado E 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado C 2013 – PGE – PGE/GO – Procurador do Estado A 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual D Gabaritos das questões sem comentários ao longo da aula: 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto B 2. 2016 – CESPE – TJ/DFT – Juiz de Direito Substituto E 3. 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto C 4. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual A 5. 2016 – CESPE – TCE/PA – Auditor de Controle Externo - Área Fiscalização - Direito C 6. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa B 7. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto D 8. 2015 – TRT 16ª Região – TRT 16ª Região – Juiz do Trabalho Substituto D 9. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto E 10. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto D 11. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado E 12. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal C 13. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal E 14. 2015 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual B 15. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual E 16. 2015 – FMP – DPE/PA – Defensor Público Estadual C 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 17. 2015 – FCC – SEFAZ/PE – Julgador Administrativo Tributário do Tesouro Estadual D 18. 2014 – FCC – TRT 18ª REGIÃO (GO) – Juiz do Trabalho D 19. 2014 – CESPE – PGE/BA - Procurador do Estado C 20. 2014 – IDECAN – CM/Serra (ES) – Procurador Legislativo B 21. 2014 – FUNDEP – Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro (SE) - Procurador Municipal D 22. 2014 – VUNESP – DPE/MS – Defensor Público Estadual B 23. 2014 – CS-UFG – DPE/GO – Defensor Público Estadual B 24. 2014 – IADES – CAU/RJ – Analista Jurídico A 25. 2013 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto B 26. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria C 27. 2013 – CESPE – STF – Analista Judiciário - Área Judiciária C 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 28. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República C 29. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República D 30. 2012 – FEPESE – DPE/SC – Defensor Público Estadual D 31. 2011 – MPE/PB – MPE/PB – Promotor de Justiça Substituto A (IV) 32. 2011 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual B 33. 2011 – FGV – SEFAZ/RJ – Auditor Fiscal da Receita Estadual A 34. 2011 – FCC – TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Analista Judiciário - Área Judiciária D 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União C 36. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União E 37. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual E 38. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual E 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 39. 2009 – FCC – DPE/MT – Defensor Público Estadual A 40. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual E 41. 2008 – CESPE – PGE/CE – Procurador do Estado E 42. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado C 43. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado B Questões com comentários Aqui, as questões que foram comentadas ao longo da aula, com comentários: 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal Sobre o enriquecimento sem causa, ́ correto afirmar que: A) O enriquecimento sem causa ́ um exemplo de ato ilícito, passível de gerar indenização por perdas e danos ao lesado. B) No Direito brasileiro, ́ aplicável exclusivamente na modulação da indenização por dano moral, visando a evitar indenizações exorbitantes ou desproporcionais. C) Se tiver havido causa para o enriquecimento, não são aplicáveis as regras sobre indenização por enriquecimento sem causa, ainda que a causa, posteriormente, deixe de existir. D) A aplicação do enriquecimento sem causa como fonte autônoma de obrigação pressupõe a subsidiariedade, ou seja, o enriquecimento sem causa 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa sóば ́ aplicável se a lei não oferecer ao lesado outro meio capaz de satisfazer os seus interesses. E) O enriquecimento sem causa sóば ́ aplicável a relações contratuais de adesão. Comentários A alternativa A está incorreta, pois a ausência de causa não indica, de per si, que o enriquecimento é ilícito. Trata-se, portanto de ausência de causa apta a embasar o enriquecimento alheio. Ao contrário, se a causa for ilícita, o enriquecimento tem causa, mas ilícita, que gera dever de indenizar. A alternativa B está incorreta, não se vinculando, de maneira alguma, o enriquecimento sem causa ao dano moral. Posteriormente, a jurisprudência utilizou desse princípio para modular os efeitos da indenização por dano moral, sem que isso o limite a essa espécie de dano. A alternativa C está incorreta, na norma do art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. A alternativa D está correta, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa E está incorreta, eis que o art. 884 (“Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”), base do princípio, nada dispõe sobre tal limitação. 2014 – CESPE – MPE/AC – Promotor de Justiça Substituto Assinale a opção correta no que se refere ao pagamento indevido. a. De acordo com o Código Civil, no qual é adotada, em relação ao tema, a teoria subjetiva, a demonstração do erro cabe àquele que voluntariamente tenha pago o indevido. b. No Código Civil, a disposição normativa referente ao pagamento indevido tem a mesma natureza da disciplinada no CDC, segundo a qual o fornecedor deve restituir em dobro ao consumidor, com correção monetária e juros de mora, aquilo que este tenha pago indevidamente c. A repetição do indébito é devida ainda que o objeto da prestação não cumprida seja ilícito, imoral ou proibido por lei. d. Cabe o ajuizamento de ação fundada no enriquecimento sem causa ainda que a lei confira ao lesado outros meios para ressarcir-se do prejuízo sofrido, visto que, sendo esta ação mais ampla, as demais serão por ela absorvidas. e. Não há possibilidade de pagamento indevido com relação a obrigações de fazer e não fazer, não cabendo, portanto, a repetição do indébito. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SPTeoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários A alternativa A está correta, na literalidade do art. 877: “Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”. A alternativa B está incorreta, já que o CC/2002 não tem disposição semelhante. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 883: “Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei”. A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa E está incorreta, pela previsão do art. 881: “Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir- se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido”. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Considere a seguinte situação hipotética. Aldo, Bruno e César assumiram dívida de obrigação relativa à entrega de um automóvel. Na vigência dessa obrigação, César faleceu, tendo deixado os herdeiros Elmo e Fausto. Após tais fatos, este último foi demandado sozinho para entregar o objeto. Nessa situação, por inferência da indivisibilidade da coisa, o credor deveria ter manejado a demanda conjuntamente em face de Elmo e Fausto, pois este não possui a obrigação de entregá-la por inteiro ao credor. Comentários A alternativa está incorreta, conforme vimos na aula passada. Primeiro, conforme o art. 258, “A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico.” É o caso do exemplo. Assim, segundo o art. 259, “Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda.” Logo, Fausto pode ser cobrado individualmente a entregar a coisa inteira. 2014 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Na cessão de crédito pro solvendo, o cedente se desonera inteiramente em relação ao cessionário apenas com a própria cessão, ou seja, independentemente do recebimento do crédito. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa está incorreta, já que na cessão pro solvendo, o credor-cedente só se desonera com o recebimento do crédito, quando ele é solvido, numa interpretação do art. 297: “O cedente, responsável ao cessionário pela solvência do devedor, não responde por mais do que daquele recebeu, com os respectivos juros; mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança.” 2013 – PGE – PGE/GO – Procurador do Estado Conforme disposto no Código Civil, em caso de assunção de dívida, extinguem-se as garantias especiais originariamente dadas pelo devedor primitivo. Segundo a doutrina, definem-se exclusivamente como garantias especiais a) todas aquelas prestadas voluntária e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro. b) as reais prestadas pelo devedor, decorrentes da determinação do regime jurídico próprio. c) as fidejussórias prestadas pelo garantidor por determinação legal, originariamente. d) qualquer das prestadas pelo garantidor decorrentes de imposição do regime jurídico próprio. e) todas as reais prestadas voluntariamente por terceiro, posterior à constituição da dívida. Comentários A alternativa A está correta, pois salvo a garantia geral, todas as garantias especiais, independentemente de terem sido prestadas pelo próprio devedor ou por terceiro se extinguem, desde que feitas originariamente. A alternativa B está incorreta. Correta estaria se a alternativa A não existisse, já que as garantias reais prestadas pelo próprio devedor, como a hipoteca, se extinguem, mas não só; as fidejussórias também se extinguem. A alternativa C está incorreta. Novamente, correta estaria se não existisse a alternativa A, já que as garantias fidejussórias prestadas por terceiros, como o fiador, também se extinguem, mas não só. A alternativa D está incorreta, mais uma vez, porque as garantais especiais são todas as que não são a garantia geral, de acesso, pelo credor, ao patrimônio do devedor. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa D. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público A caracterização do adimplemento substancial das obrigações produz os seguintes efeitos, EXCETO: (A) inaugurar ou ratificar a possibilidade de o credor perseguir o ressarcimento pelas perdas e danos. (B) obstar a resolução unilateral do contrato. (C) impedir que o credor argua a exceção do contrato não cumprido. (D) liberar o devedor da obrigação. (E) descaracterizar a impossibilidade absoluta de cumprimento da obrigação. Comentários A alternativa A está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, podendo o credor, a despeito de não poder, por exemplo, cumprir a busca e apreensão do veículo financiado, obter o ressarcimento pelas perdas e danos. A alternativa B está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, dado que o credor não poderá resolver o contrato unilateralmente. A alternativa C está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, pois o credor não poderá arguir a exceção, como ficará mais claro na aula subsequente. A alternativa D está correta, já que esse não é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, pois a despeito de haver uma moratória, permitindo ao devedor adimplir de maneira menos gravosa, não se libera ele do pagamento. A alternativa E está incorreta, já que esse é um efeito da aplicação da teoria do adimplemento substancial, porque o devedor poderá e deverá cumprir a obrigação. Aqui, as questões que não foram tratadas ao longo da aula, com comentários: 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto Assinale a opção correta: a) É nula a cessão de crédito celebrada de modo verbal. b) A cessão de crédito celebrada por escrito particular, para que seja oponível a terceiros, deve ser levada a registro, em regra no Cartório de Títulos e Documentos. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa c) A validade da cessão de crédito previdenciário, no plano federal, depende de escritura pública. d) A assunção de débito, realizada através de escritura pública, é oponível ao credor independenlemenle de seu assentimento. e) As exceções comuns, não pessoais, que o devedor tenha para impugnar o crédito cedido devem ser comunicadas ao cessionário imediatamente após o devedor ser notificado da cessão, sob pena de não mais poderem ser arguidas, sem prejuízo do regresso contra o cedente. Comentários A alternativa A está incorreta, como se extrai do art. 288: “É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654”. A alternativa B está correta, na dicção do supracitado art. 288. A alternativa C está incorreta, em conformidade com o art. 114 da Lei 8.213/1991: “Salvo quanto a valor devido à PrevidênciaSocial e a desconto autorizado por esta Lei, ou derivado da obrigação de prestar alimentos reconhecida em sentença judicial, o benefício não pode ser objeto de penhora, arresto ou seqüestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cessão, ou a constituição de qualquer ônus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em causa própria para o seu recebimento”. A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. A alternativa E está incorreta, conforme o art. 294: “O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente”. Aqui, ao que me parece, a banca queria confundir o candidato com o art. 377, que tratada da compensação, especificamente: “O devedor que, notificado, nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos, não pode opor ao cessionário a compensação, que antes da cessão teria podido opor ao cedente. Se, porém, a cessão lhe não tiver sido notificada, poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente”. 2. 2016 – CESPE – TJ/DFT – Juiz de Direito Substituto Em atenção ao direito das obrigações, assinale a opção correta. a) Se há assunção cumulativa, compreende-se como estabelecida a solidariedade obrigacional entre os devedores. b) A multa moratória e a multa compensatória podem ser objeto de cumulação com a exigência de cumprimento regular da obrigação principal. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa c) A obrigação portável (portable) é aquela em que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor, ficando o credor, portanto, obrigado a buscar a quitação. d) Na solidariedade passiva, a renúncia e a remissão são tratados, quanto aos seus efeitos, de igual forma pelo Código Civil. e) Na assunção de dívida, a oposição da exceção de contrato não cumprido é permitida ao assuntor em face do devedor primitivo, mas vedada em face do credor. Comentários A alternativa A está incorreta, já que, de acordo com o art. 265, “a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”, sendo que não há previsão legal estabelecendo solidariedade na assunção de dívida cumulativa A alternativa B está incorreta, pela previsão do art. 410 (“Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta converter-se-á em alternativa a benefício do credor”), que tratada cláusula penal disjuntiva ou multa compensatória. A alternativa C está incorreta, sendo esse o caso de obrigação quérable. A alternativa D está incorreta. Como eu disse, há controvérsias a respeito do tema, mas, mesmo quanto ao credor, ambas as situações são diversas, podendo ele receber parte da dívida no caso de renúncia à solidariedade, e deixando de receber o crédito quanto à remissão. Ademais, no art. 284 (“No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente”) trata-se somente da renúncia, ainda que o STJ tenha um posicionamento mais alargado a respeito do tema. A alternativa E está correta, já que a exceção de contrato não cumprido é pessoa, e, ademais, descabe falar em sua oposição contra o credor, já que o assuntor assume apenas o débito, mas não tem direito ao correspectivo crédito. 3. 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Considere as afirmações abaixo, sobre o adimplemento da obrigação. I - O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome sub- roga-se nos direitos do credor, desde que notifique previamente o devedor e este não apresente oposição. II - A eficácia típica reconhecida da aplicação da teoria do adimplemento substancial é a extinção da obrigação nas hipóteses de pagamento parcial feito de boa-fé. III - O direito brasileiro, nas dívidas em dinheiro, adota o princípio do nominalismo, admitindo, contudo, que as partes convencionem cláusula de escala móvel. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) Apenas II e III. Comentários O item I está incorreto, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor”. O item II está incorreto, já que o adimplemento substancial não tem o condão de extinguir a dívida, mas apenas evitar que o credor se utilize de meios mais gravosos na cobrança da dívida. O item III está correto, como se extrai do art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas”. A alternativa C está correta, portanto. 4. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual Sobre a cessão de crédito e a assunção de dívida, é correto afirmar: (A) a cessão de crédito não depende da anuência do devedor para que seja válida. (B) o fiador do devedor originário segue responsável pela dívida em caso de assunção por terceiro. (C) na cessão de crédito há novação subjetiva passiva em relação à relação obrigacional originária. (D) com a cessão de crédito, cessam as garantias reais e pessoais da dívida. (E) terceiro pode assumir a obrigação do devedor com o consentimento expresso do credor, exonerando o devedor primitivo, ainda que o credor ignorasse que o assuntor fosse insolvente ao tempo da assunção de dívida. Comentários A alternativa A está correta, pois o art. 286 não exige anuência do devedor (“O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação)”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa B está incorreta, na forma do art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor”. A alternativa C está incorreta, eis que a cessão de crédito e a novação não se confundem. A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 287: “Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios”. A alternativa E está incorreta, conforme o art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. 5. 2016 – CESPE – TCE/PA – Auditor de Controle Externo - Área Fiscalização - Direito A respeito das obrigações, dos contratos e dos atos unilaterais, julgue o item que se segue. O adimplemento substancial do contrato tem sido reconhecido como impedimento à resolução unilateral, havendo ou não cláusula expressa. Comentários O item está correto, impedindo-se que o credor se valha de meio excessivamente gravoso para recuperar seu crédito. 6. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto Acerca do direito das obrigações, no âmbito civil, assinalea opção CORRETA. a) Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, nitidamente obstam a realização da compensação, tendo em vista que há, nesta hipótese, grande interesse no adimplemento voluntário através da dilação do prazo. b) A assunção da dívida consiste na possibilidade de terceiro, estranho à relação obrigacional, assumir a obrigação do devedor, responsabilizando-se pela dívida, desde que com a anuência expressa do credor. c) Caso fortuito e força maior elidem a responsabilização do devedor pela impossibilidade de cumprimento da obrigação, ainda que tenham ocorrido quando o cumprimento da obrigação já estava em atraso. d) A cessão de crédito somente poderá ser operada com o consentimento prévio do devedor, a fim de que o negócio produza o efeito jurídico pretendido. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) A compensação efetiva-se entre dívidas recíprocas, vencidas ou vincendas, líquidas, fungíveis entre si, sendo estritamente necessário que não haja diversidades de causa ou fundamento jurídico, já que obrigações de origens diferentes não podem ser compensadas. Comentários A alternativa A está incorreta, pela literalidade do art. 372: “Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação”. A alternativa B está correta, de acordo com o art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 399: “O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada”. A alternativa D está incorreta, porque, como se extrai do art. 286 (“O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”), em regra, a vontade do devedor é irrelevante. A alternativa E está incorreta, na regra do art. 369: “A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis”. 7. 2015 – TRT 16ª REGIÃO – TRT 16ª REGIÃO (MA) – Juiz do Trabalho Substituto Em tema de obrigações: a) A ação de in rem verso visa à compensação das perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem causa. b) O terceiro não interessado, ao realizar o pagamento da dívida de outrem em seu próprio nome, tem direito tanto ao reembolso do que adimpliu quanto à subrogação dos direitos do credor. c) Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, deverá o credor, obrigatoriamente, aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu, haja vista a ausência de culpa do devedor. d) O pagamento de dívida prescrita constitui-se em verdadeira renúncia do favor da prescrição pelo devedor. e) Em observância à vedação do enriquecimento sem causa, é vedado às partes convencionar o aumento progressivo das prestações sucessivas. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, voltando-se a ação in rem verso se aplica à repetição dos valores pagos com enriquecimento sem causa à contraparte, e não como compensação. A alternativa B está incorreta, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar- se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor”. A alternativa C está incorreta, nos termos do art. 235: “Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu”. A alternativa D está correta, dado que a obrigação mutilada constitui verdadeiro vínculo obrigacional, presumindo-se o pagamento como renúncia que impede a repetição. A alternativa E está incorreta, como se extrai do art. 316: “É lícito convencionar o aumento progressivo de prestações sucessivas”. 8. 2015 – TRT 16ª Região – TRT 16ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Examine as proposições seguintes e assinale a alternativa CORRETA: I. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. II. Nas obrigações de fazer, acaso seja impossível o cumprimento da obrigação por culpa do devedor, este deverá ressarcir o credor por perdas e danos. III. Na assunção de dívida por terceiro, qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que aceite a assunção, interpretando-se, porém, o seu silêncio como recusa. IV. A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, devendo designar o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. V. O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, mesmo que seja mais valiosa. a) Somente as proposições II e IV estão corretas. b) Somente as proposições I e V estão incorretas. c) Somente a proposição III está correta. d) Todas as proposições estão corretas. e) Todas as proposições estão incorretas. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O item I está correto, segundo o art. 233: “A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela não mencionados, salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso”. O item II está correto, na dicção do art. 248: “Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa do dele, responderá por perdas e danos”. O item III está correto, conforme o art. 299: “Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da vívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. O item IV está correto, como prevê o art. 320: “A quitação sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante”. O item V está correto, na literalidade do art. 313: “O credor não é obrigado a aceitar o pagamento de prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa”. A alternativa D está correta, portanto. 9. 2015 – TRT 8ª Região – TRT 8ª Região – Juiz do Trabalho Substituto Sobre as obrigações no Código Civil Brasileiro, é CORRETO afirmar que: a) Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, com culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar. b) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se estipulou. c) A solidariedade na obrigação não se presume; resulta da lei, costume ou da vontade das partes. d) Importará renúncia da solidariedade passiva, a propositura de ação pelo credor apenas contra um ou alguns dos devedores. e) O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé,se não constar do instrumento da obrigação. Comentários A alternativa A está incorreta, na dicção do art. 250: “Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne impossível abster- se do ato, que se obrigou a não praticar”. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 252: “Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, pela previsão do art. 265: “A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. A alternativa D está incorreta, conforme o art. 275, parágrafo único: “Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores”. A alternativa E está correta, na literalidade do art. 286: “O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”. 10. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto Um agricultor encontrou um carneiro perdido depois de evadir do aprisco e recusando-se as autoridades a abrigá-lo, passou a alimentá-lo e dele cuidar. Passados seis meses, o dono, descobrindo seu paradeiro, foi buscá-lo, sendo-lhe imediatamente entregue, porém cobrado das despesas comprovadamente realizadas, por quem o encontrara. Nesse caso, o dono do carneiro a. apenas terá de pagar uma recompensa a seu critério, mas não as despesas. b. nada terá de pagar ao agricultor, porque a hipótese configura obrigação natural, cujo ressarcimento não pode ser coercitivamente exigido. c. deverá ressarcir o agricultor das despesas que teve, porque houve gestão de negócio, que não se presume gratuita. d. deverá pagar ao agricultor as despesas que teve, e este poderá cobrá-las com fundamento na vedação de enriquecimento sem causa. e. só terá de ressarcir o agricultor, se houver feito publicamente promessa de recompensa. Comentários A alternativa A está incorreta, porque as despesas com a conservação do animal correspondem a empobrecimento daquele que abrigou o animal. A alternativa B está incorreta, inexistindo que se falar em obrigação natural, mas de enriquecimento sem causa do dono do animal, que ficou tempos sem precisar arcar com os custos de manutenção do animal. A alternativa C está incorreta, porque falta aí o requisito de obrigar o dono do animal, e não a si mesmo, perante terceiros. Igualmente, a gestão de negócio é, em si, gratuita, não gerando contraprestação ao dono, mas apenas a obrigação de indenizar as despesas e prejuízos. A alternativa D está correta, sendo que a falta de indenização pelas despesas geraria empobrecimento daquele que cuidou do animal em detrimento daquele que é o dono, situação vedada pelo art. 884 (“Aquele que, sem justa causa, se 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”), que exige o pagamento das despesas. A alternativa E está incorreta, não havendo que se falar, no caso, em promessa de recompensa. 11. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. A) O devedor pode opor ao cessionário as exceções que tinha contra o cedente no momento em que conhece da cessão. B) Fala-se em ausência de eficácia em relação ao devedor quanto à cessão realizada sem a sua notificação. C) Quando estipulado, o cedente pode responder pela solvência do devedor. D) Havendo concordância do devedor originário, podem as garantias oferecidas por este ao negócio jurídico permanecerem válidas a partir da assunção da dívida. E) Não se interpreta como recusa o silêncio do credor quando assinado prazo para consentir na assunção da dívida. Comentários A alternativa A está correta, nos termos do art. 294: “O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente”. A alternativa B está correta, segundo o art. 290: “A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada”. A alternativa C está correta, conforme o art. 296: “Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor”. A alternativa D está correta, na inversão da leitura do art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor”. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 299, parágrafo único: “Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando-se o seu silêncio como recusa”. 12. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Considere que as prestações periódicas de tal negócio jurídico tenham sido cumpridas, reiteradamente e com a aceitação de ambas as partes, no domicílio de uma das partes da relação jurídica. Nesse caso, ainda que tenha sido disposto na avença que as prestações fossem cumpridas no domicílio da outra parte, esta não poderia exigir, unilateral e posteriormente, o cumprimento de tal disposição. Comentários O item está correto, conforme o art. 330: “O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao previsto no contrato”. 13. 2015 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Supondo que duas partes tenham estabelecido determinada relação jurídica, julgue o item. Caso o credor da relação jurídica ceda seu crédito a terceiro, a ausência de notificação do devedor implicará a inexigibilidade da dívida. Comentários O item está incorreto, conforme o art. 290: “A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita”. 14. 2015 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual Sobre a teoria geral das obrigações, é correto afirmar: (A) Quando uma obrigação indivisível se converte em perdas e danos, ela se torna uma obrigação divisível. Pelo equivalente em dinheiro devido em razão do inadimplemento respondem todos os devedores, assim como pelas perdas e danos. No entanto, os devedores que não deram causa à impossibilidade da prestação podem reaver do culpado o que pagaram ao credor. (B) Ocorrendo a chamada novação subjetiva por expromissão, mesmo sendo o novo devedor insolvente, não tem o credor ação regressiva contra o primeiro devedor. (C) A cessão de crédito é um negócio jurídico bilateral pelo qual o credor transfere a outrem seus direitos na relação obrigacional, responsabilizando- se não só pela existência da dívida como pela solvência do cedido, por força de lei. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) Não pode ser considerado em mora o credor que não quiser receber o pagamento no lugar estabelecido contratualmente, mesmo que o devedor comprove queo pagamento se faz reiteradamente em outro lugar. (E) Nas obrigações alternativas, caso uma das prestações torne-se inexequível antes da concentração, sem culpa do devedor, este poderá escolher entre adimplir com a prestação restante ou pagar em dinheiro o valor daquela que pereceu. Comentários A alternativa A está incorreta, pela previsão do art. 263, §2º: “Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos”. A alternativa B está correta, na conjugação dos arts. 362 (“A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste”) e 363 (“Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição”). A alternativa C está incorreta, conforme o art. 296: “Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor”. A alternativa D está incorreta, já que, evidentemente, se o credor não aceitar o pagamento no lugar estipulado está em mora. A alternativa E está incorreta, por duas razões. Primeiro, não se estipulou a quem competia a escolha. Segundo, ainda que se considerasse que o exercício implicitamente tivesse tido que competia a escolha ao devedor, no caso, deveria ele adimplir com a prestação restante. 15. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Bruno adquiriu um veículo mediante contrato de alienação fiduciária, em 300 parcelas no valor de R$ 200,00 (duzentos reais) cada. Bruno pagou pontualmente as parcelas até que, faltando apenas seis prestações para o adimplemento, não teve condições de realizar o pagamento. Diante da impontualidade de Bruno, a instituição financeira ajuizou ação de busca e apreensão do veículo. Na condição de defensor público atuando em favor de Bruno, para defendê-lo neste pedido de busca e apreensão, é correta a alegação de abuso do direito por parte da instituição financeira por aplicação da a) autonomia da vontade. b) vedação de cláusula comissória. c) exceção do contrato não cumprido. d) vedação legal de busca e apreensão em alienação fiduciária. e) teoria do adimplemento substancial. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários A alternativa A está incorreta, porque a autonomia da vontade daria ensejo à busca e apreensão, interesse contrário ao do devedor. A alternativa B está incorreta, pois não há vedação a cláusula resolutiva expressa nesse tipo de contrato. A alternativa C está incorreta, já que a instituição financeira já cumpriu a parte dela na avença. A alternativa D está incorreta, porque a lei especial textualmente permite a brusca e apreensão mencionada. A alternativa E está correta, dado que esse seria o fundamento da vedação à busca e apreensão. Chamo atenção para o julgado no REsp 1622555/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 16/03/2017, citado abaixo. 16. 2015 – FMP – DPE/PA – Defensor Público Estadual Assinale a alternativa INCORRETA. a) A boa-fé objetiva configura norma impositiva de limites ao exercício de direitos subjetivos, configurando, assim, importante critério de mensuração da ocorrência do adequado adimplemento e dos limites do enriquecimento ilícito. b) O adimplemento substancial deriva do postulado ou princípio da boa-fé objetiva e obsta o direito à resolução do contrato, como exceção ao princípio da exatidão do dever de prestar, em contratos bilaterais ou comutativos. c) O terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome se sub- roga no direito do credor. d) A falência do devedor é causa legal de vencimento antecipado da obrigação, que não atinge devedores solidários solventes. e) A cláusula penal tem natureza de obrigação acessória. Comentários A alternativa A está correta, e é, de certa forma, autoexplicativa. A alternativa B está correta, sendo essa uma derivação interpretativa do adimplemento substancial, como exceção à exatidão do cumprimento da obrigação no polo passivo. A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 305: “O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu próprio nome, tem direito a reembolsar- se do que pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor”. A alternativa D está correta, na regra do art. 333, parágrafo único: “Nos casos deste artigo, se houver, no débito, solidariedade passiva, não se reputará vencido quanto aos outros devedores solventes”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa E está correta, eis que ela se acopla à obrigação principal no caso de inadimplemento. 17. 2015 – FCC – SEFAZ/PE – Julgador Administrativo Tributário do Tesouro Estadual A ação de restituição por enriquecimento sem causa: a. é cabível para repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. b. tem os mesmos requisitos da ação de restituição por pagamento indevido. c. é cabível quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas não é cabível quando esta deixou de existir. d. não é cabível, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. e. não pode ter por objeto a restituição de coisa determinada, mas somente quantia em dinheiro. Comentários A alternativa A está incorreta, na literalidade do art. 882: “Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. A alternativa B está incorreta, porque pagamento indevido e enriquecimento sem causa não se confundem, notadamente como se extrai do requisito do art. 877 (“Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”), que inexiste no caso de enriquecimento sem causa. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. A alternativa D está correta, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa E está incorreta, consoante o art. 884, parágrafo único: “Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido”. 18. 2014 – FCC – TRT 18ª REGIÃO (GO) – Juiz do Trabalho Substituto Em relação ao enriquecimento sem causa, examine o quanto segue: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa I. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. II. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. III. A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir. IV. Caberá a restituição por enriquecimento, ainda que a lei confira ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. Está correto o que consta APENAS em a. I, III e IV b. I, II e IV c. II, III e IV d. I, II e III e. I e III Comentários O item I está incorreto, deacordo com o art. 884: “Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”. O item II está incorreto, consoante o art. 884, parágrafo único: “Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido”. O item III está correto, conforme o art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. O item IV está incorreto, de acordo com o art. 886: “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. A alternativa D é a correta, portanto. 19. 2014 – CESPE – PGE/BA - Procurador do Estado A teoria do adimplemento substancial impõe limites ao exercício do direito potestativo de resolução de um contrato. Comentários O item está correto, sendo vedado ao credor se utilizar dos meios mais gravosos para perseguir seu crédito. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 20. 2014 – IDECAN – Câmara Municipal/Serra (ES) – Procurador Legislativo De acordo com o Código Civil, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa prescreve em a. dois anos. b. três anos. c. quatro anos. d. cinco anos. Comentários A alternativa A está incorreta, conforme a regra do art. 206 citada adiante. A alternativa B está correta, segundo o art. 206, §3º, inc. IV: “Prescreve em três anos a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa”. A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões expostas naa alternativa B. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões expostas naa alternativa B. 21. 2014 – FUNDEP – Prefeitura de Nossa Senhora do Socorro (SE) – Procurador Municipal Sobre o enriquecimento ilícito e pagamento indevido, assinale a alternativa CORRETA. a. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, é obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários e abrangendo juros. b. Aquele que voluntariamente pagou o indevido tem direito à restituição. c. Aquele que deu alguma coisa em pagamento para obter fim ilícito, imoral ou proibido por lei responderá por perdas e danos. d. Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito. e. Pode-se repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, provando tê- lo feito por erro. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 884: “Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”, sem juros. A alternativa B está incorreta, na literalidade do art. 877: “Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 883: “Não terá direito à repetição aquele que deu alguma coisa para obter fim ilícito, imoral, ou proibido por lei”. A alternativa D está correta, segundo o art. 880: “Fica isento de restituir pagamento indevido aquele que, recebendo-o como parte de dívida verdadeira, inutilizou o título, deixou prescrever a pretensão ou abriu mão das garantias que asseguravam seu direito; mas aquele que pagou dispõe de ação regressiva contra o verdadeiro devedor e seu fiador”. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 882: “Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. 22. 2014 – VUNESP – DPE/MS – Defensor Público Estadual Jean decidiu adquirir um imóvel, necessitando de financiamento bancário para viabilizar a aquisição. Ao consultar determinada instituição financeira, apresentaram a Jean a opção do financiamento com pacto de alienação fiduciária. Jean aceitou o financiamento e a modalidade de garantia, comprometendo-se ao pagamento de 100 (cem) prestações de R$ 1.000,00 (mil reais). O comprador honrou 95 (noventa e cinco) parcelas e, em seguida, perdeu seu emprego. Por essa razão, deixou de honrar as parcelas restantes. Nesse panorama, é correto afirmar que a) a modalidade de garantia pactuada não admite a aplicação da teoria do adimplemento substancial, devendo a instituição financeira constituir o fiduciante em mora, consolidar a propriedade do imóvel e promover o leilão público no prazo legal. b) pela aplicação da teoria do adimplemento substancial, restará a possibilidade da instituição financeira cobrar as parcelas faltantes, abstendo- se de consolidar a propriedade do imóvel em nome do fiduciário e levá-lo à hasta pública. c) a aplicação da teoria do adimplemento substancial dependerá de previsão contratual fixando o número de parcelas mínimas para que o instituto possa aproveitar ao comprador. d) se aplica a teoria do adimplemento substancial, pela qual, considerando a boa-fé do comprador e a função social do contrato, a instituição financeira deverá absorver o prejuízo das parcelas faltantes, outorgando quitação a Jean. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, conforme o gabarito oficial e conforme a jurisprudência majoritária e a doutrina, mas estaria correta conforme o entendimento recente do STJ, visto na jurisprudência, relativamente à alienação fiduciária de bens móveis. A alternativa B está correta, por aplicação da teoria, que veda a utilização de meios mais gravosos na cobrança da dívida pelo credor. A alternativa C está incorreta, inexistindo esse requisito. A alternativa D está incorreta, não se excluindo a dívida em si, em momento algum. 23. 2014 – CS-UFG – DPE/GO – Defensor Público Estadual Em contraponto ao formalismo exacerbado na execução das obrigações contratuais, desenvolveu-se na Inglaterra, a partir do século XVIII, a teoria do adimplemento substancial, corolário do princípio da boa-fé objetiva positivado no ordenamento jurídico brasileiro a partir da entrada em vigor da Lei n. 8.078, de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). A esse respeito, considera-se que a) a aplicação da teoria do adimplemento substancial prescinde do cumprimento de parte significativa das obrigações contratuais por quem dela se beneficia. b) a teoria do adimplemento substancial tende a preservar o negócio jurídico aventado, limitando o direito do credor à exceptio non adimpleti contractus, quando, diante de um adimplemento das obrigações tão próximo do resultado final e tendo em vista a conduta das partes, deixa de ser razoável a resolução contratual. c) a aplicação da teoria do adimplemento substancial restringe-se às relações de consumo no direito brasileiro. d) a falta de positivação do princípio da boa-fé objetiva no ordenamento jurídico brasileiro impediu que os tribunais pátrios o aplicassem na resolução de casos concretos, de modo que a exceptio non adimpleti contractus foi aplicada de maneira absoluta até o ano de 1990. e) a determinação expressa no artigo 475 do Código Civil proíbe à parte lesada pelo inadimplemento quepropugne pela resolução contratual. Comentários A alternativa A está incorreta, sendo esse requisito essencial de sua aplicação. A alternativa B está correta, já que se objetiva com a aplicação dessa teoria exatamente evitar a resolução de um contrato tão próximo de seu término regular. A alternativa C está incorreta, valendo suas regras também para as relações civis. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, já que o Judiciário brasileiro aplica o princípio da boa-fé objetiva de maneira bastante difundida de 1990, sendo ela conhecida da doutrina já desde a década de 1960. A alternativa E está incorreta, pois esse dispositivo faz exatamente o oposto, permitindo a resolução. 24. 2014 – IADES – CAU/RJ – Analista Jurídico Com relação aos atos unilaterais previstos no Código Civil, assinale a alternativa correta. a. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição. b. Àquele que voluntariamente pagou o indevido desobriga-se da prova de tê-lo feito por erro. c. Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa- fé, por título oneroso, responde pela quantia recebida, além das perdas e danos. d. Pode-se repetir o que se pagou para solver dívida prescrita ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. e. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários, aplicados os juros legais e aplicada a multa de 5% ao mês. Comentários A alternativa A está correta, segundo o art. 876: “Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir; obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição”. A alternativa B está incorreta, na literalidade do art. 877: “Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 879: “Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do valor do imóvel, responde por perdas e danos”. A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 882: “Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. A alternativa E está incorreta, e acordo com o art. 884: “Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 25. 2013 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto A teoria do adimplemento substancial, adotada em alguns julgados, sustenta que: a) independentemente da extensão da parte da obrigação cumprida pelo devedor, manifestando este a intenção de cumprir o restante do contrato e dando garantia, o credor não pode pedir a sua rescisão. b) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, autoriza a composição de indenização, mas não a resolução do contrato. c) o cumprimento parcial de um contrato impede sua resolução em qualquer circunstância, porque a lei exige a preservação do contrato. d) a prestação imperfeita, mas significativa de adimplemento substancial da obrigação, por parte do devedor, autoriza apenas a resolução do contrato, mas sem a composição de perdas e danos. e) o adimplemento substancial de um contrato, por parte do devedor, livra- o das consequências da mora, no tocante à parte não cumprida, por ser de menor valor. Comentários A alternativa A está incorreta, porque a extensão do inadimplemento é essencial para a aplicação da teoria. A alternativa B está correta, aplicando-se ao cumprimento imperfeito em termos qualitativos a mesma regra do inadimplemento em termos quantitativos. A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões expostas na alternativa A. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões expostas na alternativa B. A alternativa E está incorreta, já que não se afasta o dever de prestar, ainda que afastada a resolução. 26. 2013 – FEPESE – DPE/SC – Analista Técnico da Defensoria De acordo com o Código Civil brasileiro, a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa prescreve em: a) um ano. b) dois anos. c) três anos. d) cinco anos. e) quatro anos. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está correta, pela previsão do art. 206, §3º, inc. IV: “Prescreve em três anos a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa”. Assim, incorretas as alternativas A, B e D. 27. 2013 – CESPE – STF – Analista Judiciário - Área Judiciária A respeito dos contratos, julgue o item seguinte. A teoria do substancial adimplemento visa impedir o uso desequilibrado, pelo credor, do direito de resolução, preterindo desfazimentos desnecessários em prol da preservação do acordado, com vistas à realização de princípios como o da boa-fé objetiva e o da função social dos contratos. Comentários O item está correto, sendo a alternativa praticamente a explicação do funcionamento da teoria do adimplemento substancial. 28. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República É correto afirmar que: a) As obrigações naturais se distinguem das obrigações civis pelo fato de que são inspiradas na moral, embora detenham juridicidade. b) A assunção de divida tem como peculiaridade o fato de que as garantias ditas especiais jamais subsistirão com a substituição do devedor. c) A expromissão, modalidade de novação subjetiva passiva, é forma de exclusão do devedor originário. d) A cláusula penal, no Código Civil de 2002, pode ser reduzida pelo julgador se seu montante for manifestamente excessivo. Comentários A alternativa A está incorreta, já que a distinção entre ambas reside na mutilação que as obrigações naturais sofrem por não deterem exigibilidade processual, tão somente, não se tratando de obrigações morais, cujo pretenso pagamento permitiria repetição pelo pretenso devedor, em vista do enriquecimento sem causa da contraparte. A alternativa B está incorreta, dado o permissivo do art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor”. A alternativa C está correta, ainda que de maneira truncada e um tanto questionável. A hipótese de expromissão está configurada no art. 362: “A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa consentimento deste”. A despeito da ausência do nome, a expromissão significa o acordo novatório decorrente de ato do credor com terceiro, de maneira autônoma, e mesmo contra a vontade do devedor. Ela pode ou não liberar o devedor, se assim o quiserem credor e terceiro. Quando se exclui o devedor, a novação subjetiva passiva por expromissão é dita liberatória. A alternativa D está incorreta, nos termos do art. 413: “A penalidadedeve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo- se em vista a natureza e a finalidade do negócio”. 29. 2012 – PGR – PGR – Procurador da República Em tema de obrigações: a) Tratando-se de cessão de crédito, os créditos impenhoráveis, por si sós, impedem que haja a transferência; b) A cessão de contrato é também conhecida como novação subjetiva, porque o novo devedor – ou o novo credor -, sucede o antigo; c) A ação de in rem verso visa compensar as perdas e danos sofridos em razão do enriquecimento sem causa; d) O pagamento de divida prescrita constitui-se em verdadeira renúncia do favor da prescrição pelo devedor. Comentários A alternativa A está incorreta, talqualmente funciona com as garantias reais, que permitem ao dono da coisa – no caso, dos créditos – seu uso com função de garantia. A alternativa B está incorreta, sendo a cessão de posição contratual instituto diverso e sem conexão com a novação, que é a criação de nova obrigação. A alternativa C está incorreta, dado que a ação in rem verso busca apenas repetir o pago de maneira equivocada, apenas. A alternativa D está correta, conforme dita o art. 882 (“Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”), há renúncia à prescrição, nesses casos, daí a regra (revogada) de que a prescrição não é cognoscível de ofício pelo juiz. 30. 2012 – FEPESE – DPE/SC – Defensor Público Estadual Sobre atos unilaterais e preferências e privilégios creditórios, é correto afirmar: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa a. ( ) Nos concursos que se abrirem com promessa pública de recompensa, na falta de pessoa designada para julgar o mérito dos trabalhos que se apresentarem, o juiz do local do concurso deverá avaliá-los. b. ( ) O gestor não responde pelo caso fortuito advindo de operações arriscadas, desde que prove que o dono costumava fazê-las. c. ( ) A restituição somente é devida quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento. d. ( ) Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir-se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido. e. ( ) Quando concorrerem aos mesmos bens, e por título igual, dois ou mais credores da mesma classe especialmente privilegiados, haverá entre eles rateio proporcional ao número de credores, por cabeça. Comentários A alternativa A está incorreta, segundo o art. 859, §2º: “Em falta de pessoa designada para julgar o mérito dos trabalhos que se apresentarem, entender-se- á que o promitente se reservou essa função”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 868: “O gestor responde pelo caso fortuito quando fizer operações arriscadas, ainda que o dono costumasse fazê-las, ou quando preterir interesse deste em proveito de interesses seus”. A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. A alternativa D está correta, de acordo com o art. 881: “Se o pagamento indevido tiver consistido no desempenho de obrigação de fazer ou para eximir- se da obrigação de não fazer, aquele que recebeu a prestação fica na obrigação de indenizar o que a cumpriu, na medida do lucro obtido”. A alternativa E está incorreta, consoante a regra trazida pelo art. 962: “Quando concorrerem aos mesmos bens, e por título igual, dois ou mais credores da mesma classe especialmente privilegiados, haverá entre eles rateio proporcional ao valor dos respectivos créditos, se o produto não bastar para o pagamento integral de todos”. 31. 2011 – MPE/PB – MPE/PB – Promotor de Justiça Substituto Julgue as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta. I - Se a evicção for parcial, mas considerável, ao evicto caberá, cumulativamente, a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa II - A transação não aproveita, nem prejudica, senão aos que nela intervieram, salvo se disser respeito a coisa indivisível. III - Sem anuência de seu autor, não pode o proprietário da obra introduzir modificação no projeto por ele aprovado, ainda que a execução seja confiada a terceiros, que as alterações sejam de pouca importância e que se mantenha a unidade estética da obra projetada. IV - O gestor de negócio é obrigado a responder até pelo caso fortuito, se fizer operações arriscadas, ainda que o dominus negotii costumasse fazê- las. a. Apenas uma das afirmações acima está inteiramente correta. b. Apenas duas das afirmações acima estão inteiramente corretas. c. Apenas três das afirmações acima estão inteiramente corretas. d. Todas as quatro afirmações acima estão inteiramente corretas. e. Nenhuma das quatro afirmações acima estão inteiramente corretas. Comentários O item I está incorreto, conforme o art. 455: “Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não for considerável, caberá somente direito a indenização”. O item II está incorreto, pela previsão do art. 844: “A transação não aproveita, nem prejudica senão aos que nela intervierem, ainda que diga respeito a coisa indivisível”. O item III está incorreto, de acordo com o art. 621: “Sem anuência de seu autor, não pode o proprietário da obra introduzir modificações no projeto por ele aprovado, ainda que a execução seja confiada a terceiros, a não ser que, por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica, fique comprovada a inconveniência ou a excessiva onerosidade de execução do projeto em sua forma originária”. O item IV está correto, consoante o art. 868: “O gestor responde pelo caso fortuito quando fizer operações arriscadas, ainda que o dono costumasse fazê- las, ou quando preterir interesse deste em proveito de interesses seus”. A alternativa A é a correta, portanto. 32. 2011 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Assinale a opção correta de acordo com as disposições do Código Civil. A A novação subjetiva passiva por expromissão independe do consentimento do credor; assim, o devedor primitivo, desde que anua, poderá ser substituído por novo devedor. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa B A remissão de dívida somente opera com a concordância do devedor, mas, quando praticada por devedor já insolvente ou por ela reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderá ser anulada. C Sendo menor de dezesseis anos de idade a única pessoa a presenciar determinado fato, não pode o juiz admitir o seu depoimento para a comprovação do acontecimento, pois o menor com essa idade não pode, em nenhuma hipótese, atuar como testemunha. D Como exceção ao princípio da conservação do negócio jurídico, a invalidade das obrigações acessórias acarreta, necessariamente, a invalidade da obrigação principal. E Desde que haja o consentimento expresso do credor, o adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantidor, interpretando-se o silêncio do credor notificado como recusa.Comentários A alternativa A está incorreta, já que, conforme extensamente dito, o credor tem de assentir na novação, não necessariamente o devedor (“Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada independentemente de consentimento deste”). A alternativa B está correta, na conjunção dos arts. 385 (“A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro”) e 158 (“Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos”). A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 228, in. I e §1º: “Não podem ser admitidos como testemunhas: I - os menores de dezesseis anos; §1º Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo”. A alternativa D está incorreta. Na realidade, tão incorreta que é difícil apontar a incorreção. Primeiro, princípio da conservação serve para salvar negócio jurídico defeituoso. Segundo, em regra é a invalidade da obrigação principal que acarreta a invalidade da obrigação acessória, sendo excepcional o inverso. Terceiro, se é excepcional, a anulação da obrigação acessória não necessariamente invalida a principal, mas excepcionalmente. A alternativa E está incorreta, pois a alternativa trata da exceção trazida pelo art. 303: “O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o assentimento”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 33. 2011 – FGV – SEFAZ/RJ – Auditor Fiscal da Receita Estadual A respeito dos atos unilaterais descritos no Código Civil, é correto afirmar que a. aquele que indevidamente recebeu, ainda que de boa–fé, determinado imóvel e o aliena por título oneroso, responderá não só pelo valor do imóvel como também por perdas e danos. b. contrai obrigação de cumprir o prometido aquele que, por meio de anúncios públicos, se compromete a recompensar a quem preencher certa condição. c. é possível exigir a repetição do que se pagou por uma dívida prescrita. d. não se admite a intervenção na gestão de negócio alheio daquele que não tenha sido autorizado pelo interessado. e. a restituição, na hipótese de enriquecimento sem causa, será devida, salvo se a causa que tenha justificado o enriquecimento deixe de existir. Comentários A alternativa A está incorreta, conforme o art. 879: “Se aquele que indevidamente recebeu um imóvel o tiver alienado em boa-fé, por título oneroso, responde somente pela quantia recebida; mas, se agiu de má-fé, além do valor do imóvel, responde por perdas e danos”. A alternativa B está correta, segundo o art. 854: “Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido”. A alternativa C está incorreta, na literalidade do art. 882: “Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível”. A alternativa D está incorreta, como é possível se extrair do art. 867: “Se o gestor se fizer substituir por outrem, responderá pelas faltas do substituto, ainda que seja pessoa idônea, sem prejuízo da ação que a ele, ou ao dono do negócio, contra ela possa caber”. A alternativa E está incorreta, na norma do art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. 34. 2011 – FCC – TRT - 24ª REGIÃO (MS) – Analista Judiciário - Área Judiciária A respeito do enriquecimento sem causa, considere: 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa I. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, pelo valor da data em que ocorreu o enriquecimento. II. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem da época em que ocorreu o enriquecimento. III. A restituição do indevidamente auferido será devida quando a causa que justificou o enriquecimento deixou de existir. Está correto o que consta APENAS em a. II e III. b. I e II. c. I e III. d. III. e. II. Comentários O item I está incorreto, de acordo com o art. 884: “Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários”. O item II está incorreto, consoante o art. 884, parágrafo único: “Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituí-la, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido”. O item III está correto, na norma do art. 885: “A restituição é devida, não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento, mas também se esta deixou de existir”. A alternativa D é a correta, portanto. 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Constitui requisito da ação de repetição de indébito o fato de o pagamento ter sido realizado voluntariamente. Comentários O item está correto, como se extrai do art. 877: “Àquele que voluntariamente pagou o indevido incumbe a prova de tê-lo feito por erro”. 36. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Considere que Ângela tenha locado imóvel de sua propriedade a Suzi e que esta não pague os aluguéis há três meses. Nessa situação hipotética, considerando-se que a falta de pagamento gera o enriquecimento de Suzi e o empobrecimento de Ângela, não havendo causa jurídica que os justifique, a locadora poderá ingressar com ação in rem verso para se ressarcir dos prejuízos sofridos. Comentários O item está incorreto, porque nesse caso cabe ação de despejo e, segundo o art. 886, “Não caberá a restituição por enriquecimento, se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido”. 37. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Julgue os itens a seguir, a respeito das obrigações. A assunção de dívida transfere a terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento do débito importará a manutenção dessa garantia. Comentários O item está incorreto, conforme prevê o art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor”. 38. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor. O crédito, mesmo penhorado, pode ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. Comentários O item está incorreto, nos termos do art. 298: “O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificaçãodela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro”. 39. 2009 – FCC – DPE/MT – Defensor Público Estadual No Direito das Obrigações, 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (A) pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido, independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor. (B) na cessão de um crédito sempre se abrangem todos os seus acessórios. (C) o cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel, desde que haja autorização do devedor. (D) o credor pode ceder o seu crédito, ainda que a isso se oponha a natureza da obrigação, não se admitindo cláusula proibitiva da cessão por se tratar de condição protestativa. (E) a cessão do crédito tem eficácia em relação ao devedor, independentemente de notificação. Comentários A alternativa A está correta, de acordo com o art. 293: “Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer os atos conservatórios do direito cedido”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 287: “Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios”. A alternativa C está incorreta, consoante regra do art. 289: “O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no registro do imóvel”. A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 286: “O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação”. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 290: “cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita”. 40. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual A assunção de dívida transfere a terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento do débito importará a manutenção dessa garantia. Comentários O item está incorreto, conforme o art. 300: “Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor”. 41. 2008 – CESPE – PGE/CE – Procurador do Estado 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Acerca do direito das obrigações, assinale a opção correta. a) Em um contrato em que as partes estipularam cláusula penal para o caso de descumprimento total ou do retardamento da obrigação, se ocorrer o inadimplemento, o credor pode, ao recorrer às vias judiciais, exigir o recebimento da multa e o cumprimento da obrigação. b) Nas obrigações de dar coisa incerta, se a coisa a ser entregue ainda não tiver sido individualizada e se ocorrer perda ou deterioração da coisa, o devedor pode exonerar-se da obrigação, quando essa perda ou deterioração tenha se dado por caso fortuito ou força maior. c) A cessão de crédito é um negócio jurídico por meio do qual o credor transmite total ou parcialmente o seu crédito a terceiro, com expressa anuência do devedor, o que acarreta a extinção da relação obrigacional primitiva com esse devedor. Para que seja eficaz em relação a terceiros, a cessão deve ser celebrada mediante instrumento público. d) Tratando-se de obrigação de dar coisa certa e incerta ou de dívida fiscal, sendo duas pessoas reciprocamente credora e devedora, as duas obrigações se extinguem, até onde se compensarem e independentemente da vontade do credor, se as dívidas se originarem da mesma causa. e) Novação é a extinção de uma obrigação mediante a constituição de nova obrigação, que substitui a anterior. Se a obrigação é solidária, a novação celebrada entre o credor e apenas um dos devedores exonera os demais, de modo que somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação remanescem as garantias do crédito novado. Comentários A alternativa A está incorreta, segundo o art. 411: “Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláusula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com o desempenho da obrigação principal”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 246: “Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por força maior ou caso fortuito”. A alternativa C está incorreta, na conjugação do art. 290 (“A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita”) com o art. 288 (“É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1º do art. 654”). A alternativa D está incorreta, já que o art. 374, que permitia a novação de dívida fiscal, foi revogado antes mesmo de o CC/2002 entrar em vigor. A alternativa E está correta, de acordo com o art. 365: “Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados”. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 42. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Assinale a opção correta a respeito dos atos unilaterais. A A gestão de negócio é a administração autorizada de negócios alheios, feita independentemente de obrigação legal ou convencional. O gestor responde pelos prejuízos resultantes de qualquer culpa na gestão, bem como pelo caso fortuito, quando fizer operação que cause risco ao negócio. B Aquele que quitou dívida prescrita ou natural poderá exigir a restituição daquilo que pagou, ainda que não o tenha feito por erro ou involuntariamente. Nessa situação, o pagamento é indevido e gera, para aquele que o recebeu indevidamente, a obrigação de restituí-lo. C A promessa de recompensa adquire sua eficácia vinculante no momento em que a vontade do promitente é tornada pública, independentemente de aceitação, caracterizando-se, assim, como uma obrigação pela manifestação unilateral do promitente. D Se o ato contemplado na promessa de recompensa foi praticado por mais de uma pessoa, ainda que não tenha sido simultânea a execução, a recompensa será dividida em partes iguais entre aqueles que executaram a ação recompensável. E Na gestão de negócio alheio, se o dono da coisa desaprovar a gestão por considerá-la contrária aos seus interesses, ele deverá resilir a avença e indenizar o gestor pelas despesas que efetuou, acrescidas de juros e correção monetária. Comentários A alternativa A está incorreta, já que se fosse autorizada, não seria gestão, mas representação, mandato ou figuras afins. Isso fica claro na dicção do art. 861: “Aquele que, sem autorização do interessado, intervém na gestão de negócio alheio, dirigi-lo-á segundo o interesse e a vontade presumível de seu dono, ficando responsável a este e às pessoas com que tratar.” Igualmente,a distribuição dos riscos está apresentada de maneira equivocada pela questão, conforme a regra do art. 862: “Se a gestão foi iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do interessado, responderá o gestor até pelos casos fortuitos, não provando que teriam sobrevindo, ainda quando se houvesse abatido.” A alternativa B está incorreta, na literalidade do art. 882: “Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.” A alternativa C está correta, na regra do art. 854, que assim dispõe: “Aquele que, por anúncios públicos, se comprometer a recompensar, ou gratificar, a quem preencha certa condição, ou desempenhe certo serviço, contrai obrigação de cumprir o prometido.” 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, de acordo com o art. 857: “Se o ato contemplado na promessa for praticado por mais de um indivíduo, terá direito à recompensa o que primeiro o executou.” Apenas se fosse simultânea a execução haveria a divisão do prêmio, conforme estabelece o art. 858 (“Sendo simultânea a execução, a cada um tocará quinhão igual na recompensa”). A alternativa E está incorreta. A resposta é um pouco complexa; vejamos. O art. 874 estabelece que “Se o dono do negócio, ou da coisa, desaprovar a gestão, considerando-a contrária aos seus interesses, vigorará o disposto nos arts. 862 e 863, salvo o estabelecido nos arts. 869 e 870.” O art. 862, por sua vez, dispõe que “Se a gestão foi iniciada contra a vontade manifesta ou presumível do interessado, responderá o gestor até pelos casos fortuitos, não provando que teriam sobrevindo, ainda quando se houvesse abatido.” Nesse caso, diz o art. 863, “No caso do artigo antecedente, se os prejuízos da gestão excederem o seu proveito, poderá o dono do negócio exigir que o gestor restitua as coisas ao estado anterior, ou o indenize da diferença.” Ou seja, em verdade, é o gestor quem deve indenizar o dono do negócio, e não ser indenizado, pela má administração. 43. 2008 – CESPE – PGE/PI – Procurador do Estado Acerca do direito das obrigações, assinale a opção correta. A Nas arras penitenciais, se a parte que as recebeu não cumprir o contrato, a outra parte poderá considerá-lo resolvido e exigir a devolução do sinal, somado ao equivalente, com atualização monetária, juros e indenização por perdas e danos. B Na cessão do crédito onerosa, voluntária ou convencional, o cedente ficará responsável pela existência do crédito transferido no momento da cessão, embora não responda pela solvabilidade do devedor. C O credor, para exigir o pagamento da cláusula penal convencional, deverá provar a culpa do devedor pelo inadimplemento e o prejuízo efetivamente sofrido. Se tal prejuízo exceder o previsto na cláusula penal, o credor poderá exigir indenização suplementar. D A assunção de dívida é um negócio bilateral, não condicionado à anuência do credor, pelo qual o devedor transfere a um terceiro os seus encargos obrigacionais. Nesse negócio, ocorre a substituição do sujeito passivo da relação de crédito, sendo extinta a obrigação primitiva e surgindo a solidariedade obrigacional entre os devedores. E O inadimplemento absoluto de uma obrigação se dá quando essa não for cumprida no tempo, no lugar e na forma devidos. Nesse caso, o credor deverá exigir do inadimplente o recebimento do valor devido ou a prestação a que o devedor se obrigou, acrescida da multa contratual. Comentários 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, pela previsão do art. 420: “Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las- á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar”. A alternativa B está correta, na conjugação do art. 295 (“Na cessão por título oneroso, o cedente, ainda que não se responsabilize, fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu; a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito, se tiver procedido de má-fé”) com o art. 296 (“Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor”). A alternativa C está incorreta, eis que a cláusula penal dispensa prova de prejuízo. A alternativa D está incorreta, segundo o art. 299: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava”. A alternativa E está incorreta, porque no caso de inadimplemento absoluto não cabe a exigência da prestação devida, mas apenas a multa. Resumo Quando não se pode operar a cessão de crédito? Como distinguir a cessão de crédito pro soluto da cessão pro solvendo? 1. Quando a Lei veda a cessão de crédito 2. A vontade das partes não permite 3. A natureza do crédito não permitir a livre cedibilidade 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Como funciona a aceitação/recusa/silêncio do credor na assunção de dívida? São três elementos para se caracterizar a promessa de recompensa: Se mais de uma pessoa cumpre a obrigação presente na promessa de recompensa, quem tem direito ao prêmio? • Regra • Cedente responde pela existência da dívida • Cedente não responde pela solvência do devedor-cedido • Inafastável a responsabilidade: cessões onerosas e cessões gratuitas de má-fé Cessão pro soluto • Exceção • Cedente responde pela existência da dívida • Cedente responde pela solvência do devedor-cedido, até o limite do valor da cessão, mais juros, despesas da cessão e despesas que o cessionário teve com a cobrança Cessão pro solvendo Credor tem que aceitar? SIM E se silenciar? RECUSOU! Exceção? SIM, adquirente de imovel hipotecado, em 30 dias, aceitou Anúncio ao público (publicidade) Designação de serviço ou de condição que se pretenda premiar Indicação de um prêmio 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são os requisitos da gestão de negócio? Quais são as obrigações do gestor do negócio: Quais são as obrigações do dono do negócio? Primeiro critério: temporal. Quem primeiro cumprir, ganha o prêmio (art. 857) E se mais de um cumprir ao mesmo tempo? O prêmio será dividido entre os cumpridores (art. 858) E se o prêmio for indivisível? Faz-se um sorteio e o que ganhar deve indenizar o outro (art. 858) • Falta de poder de gerir (representação sem mandato) • Alheabilidade do negócio (ou seja, o negócio é alheio) Objetivos • Vontade manifesta de gerir coisa alheia • Vontade de obrigar o dono e não a si (de modo benéfico) Subjetivos Dever de diligência e de atuar conforme vontade manifesta ou presumível do dono do negócio (art. 866) Dever de aviso (art. 864) Dever de continuidade, no caso de não conseguir contato com o dono, até a sua intimação (art. 865) 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br91 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Lembra das duas modalidades peculiares de gestão de negócio, que independem da aceitação do gestor? Quais são os dois elementos materiais do pagamento indevido? Quais são os três elementos jurídicos do pagamento indevido? Dever de indenizar o gestor caso a gestão lhe seja proveitosa, pelos gastos necessários, úteis, com juros, desde o desembolso e pelos prejuízos causados (arts. 868, parágrafo único e 869) Dever de cumprimento das obrigações assumidas pelo gestos, no caso de aceitação (art. 869 do CC/2002) • Quando alguém, na ausência do indivíduo obrigado a alimentos, por ele os prestar a quem se devem, poder-lhes-á reaver do devedor a importância, ainda que este não ratifique o ato. Curiosamente, aqui, o dono do negócio não pode recusar a gestão, de modo a facilitar o adimplemento dos alimentos Alimentos • Nas despesas do enterro, proporcionadas aos usos locais e à condição do falecido, feitas por terceiro, podem ser cobradas da pessoa que teria a obrigação de alimentar a que veio a falecer, ainda mesmo que esta não tenha deixado bens. Essa é, a rigor, uma exceção, nas sucessões, à regra segundo a qual as dívidas do morto não podem ultrapassar as forças da herança Enterro Prestação • Entrega da coisa (obrigação de dar) ou realização/abstenção de fato (obrigação de fazer/não fazer) Intenção • A vontade de cumprir uma obrigação 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 92 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quando, mesmo sendo indevido o pagamento, não cabe restituição? Quais são as consequências do pagamento indevido feito com um imóvel que é posteriormente alienado a terceiros, por quem recebeu o pagamento? Falta de causa • Não há fundamento jurídico para sustentar a obrigação, significando enriquecimento sem causa (ao contrário, pagar demais por um bem, ou dívida prescrita, ou de jogo, não é enriquecimento sem causa) Pagamento mal feito • Enriquece-se um em detrimento do empobrecimento de outro Ausência de culpa • Agiu o devedor com cautela, de boa-fé (ausência de negligência, imprudência ou imperícia), como se estabelece no art. 877 do CC/2002 Obrigação prescrita • Presume-se, absolutamente, que o devedor renunciou à prescrição (art. 882 do CC/2002) Obrigação natural/mutilada • Já vistas as razões de ordem moral que impedem a repetição (art. 882) Obrigação quitada por terceiro • Quando o credor inutiliza o título, perde as garantias recebidas ou deixa a obrigação prescrever (art. 880); Obrigação ilícita • Não pode a lei proteger quem comete ilegalidade, ou seja, ninguém pode beneficiar-se de sua própria torpeza (art. 883) • Por outro lado, aquele que recebeu o pagamento o perderá em favor de instituição de beneficência, segundo o parágrafo único desse artigo. 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O que é necessário para se caracterizar o enriquecimento sem causa? Consequência Alienante Título - Alienação Oneroso Boa-fé Indeniza pela quantia recebida Má-fé Valor do imóvel + perdas e danos Gratuito - Reivindi- cação Consequência Adquirente Título - Alienação Oneroso Boa-fé Verificar boa/má-fé do alienante Má-fé Reivindicação 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Como se aplica a Teoria do Adimplemento Substancial? Quais são seus requisitos, segundo a doutrina e a jurisprudência? Considerações Finais Chegamos ao final desta aula. Vimos a terceira parte do Direito das Obrigações inserida no CC/2002. Com isso, na aula que vem, entramos num novo grande tópico, o livro do Direito dos Contratos. Essa é uma matéria que, nas provas, é exigida apenas pela letra da lei, geralmente, pelo que perder algum tempo na leitura do CC/2002 e numa releitura da matéria pode ser bastante proveitoso para matar algumas questões mais simples. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. Aguardo vocês na próxima aula. Até lá! Enriquecimento de alguém • Enriquecimento não precisa gerar um lucro apenas no sentido positivo (ganhar algo), mas também no sentido negativo (deixar de perder) Empobrecimento de outrem • Do mesmo modo, pode ser positivo ou negativo (perder algo ou deixar de ganhar) Nexo de causalidade • Deve haver nexo entre o enriquecimento de um e o empobrecimento do outro Falta de causa justa • A ausência de causa pode ser contemporânea ao ato ou posterior, ou seja, a perda da causa também gera enriquecimento sem causa Cumpri- mento expressivo do contato Realização da prestação correspon- dente ao fim visado Preservação da boa-fé objetiva do devedor na execução Preservação do equilíbrio contratual Ausência de enriqueci- mento sem causa e abuso de direito 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 95 DIREITO CIVIL – PC/SP Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Paulo H M Sousa prof.phms@gmail.com facebook.com/prof.phms Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno 36644015816 - Heitor dos Santos Araujo