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Texto I Segundo WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO, “a expressão comodato originou-se provavelmente da locução latina commodum datum, sendo essa ainda, modernamente, a sua essência. Aliás, segundo as ordenações, o comodato era assim chamado porque se dava a coisa para cômodo e proveito daquele que a recebia”. Já no âmbito do direito comparado, o Código Civil português, diploma que mais influenciou a redação do nosso Código de 2002, definiu o comodato, em seu art. 1.129, nos seguintes termos: “Art. 1129. Comodato é o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à outra certa coisa, móvel ou imóvel, para que se sirva dela, com a obrigação de a restituir”. Seguindo a mesma linha, embora com redação diferente, o nosso Código, por sua vez, estabelece: “Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição do objeto”. Assim, observamos que o comodato é um negócio jurídico unilateral e gratuito, por meio do qual uma das partes (comodante) transfere à outra (comodatário) a posse de um determinado bem, móvel ou imóvel, com a obrigação de o restituir. Trata-se, pois, consoante definiu o legislador, do empréstimo gratuito de um bem infungível, ou seja, insubstituível. É o que ocorre quando alguém cede o uso do seu apartamento (bem infungível) a um amigo, impondo-lhe a obrigação de devolver. Claro está que se trata de uma figura contratual especialmente assentada no princípio da lealdade contratual (boa-fé objetiva), pois parte do pressuposto de que o dono da coisa (comodante) confia no beneficiário do empréstimo (comodatário). Aliás, é bom que se afirme que o comodato opera apenas a transferência da posse da coisa, e não da propriedade, razão por que podemos afirmar, sem risco de erro, que o comodatário é titular de uma simples posse precária, ou seja, de favor, podendo ser compelido à restituição a qualquer tempo. E é o próprio CLÓVIS BEVILÁQUA quem bem define a posse precária, figurando exemplo perfeitamente aplicável à figura do comodato: “É perfeitamente lícita a concessão da posse de uma coisa, a título precário, isto é, para ser restituída, quando o proprietário a reclamar”. Nota-se, pois, nessa linha de intelecção, que a posse exercida pelo comodatário, por ser de natureza instável e sem animus domini (intenção de atuar como dono), poderá durar por tempo indeterminado, sem que se consume a prescrição aquisitiva oriunda do usucapião. Em outras palavras, por estar exercendo uma posse simplesmente de favor, o comodatário não poderá usucapir o bem. Entretanto, caso o proprietário notifique-o para que devolva a coisa, e a restituição seja negada, a partir daí começa a fluir o prazo prescricional em favor do prescribente-comodatário, uma vez que, tendo afrontado o verdadeiro dono, passou a atuar como se proprietário fosse. Finalmente, é bom que se diga que o comodato pode despontar no bojo de uma relação de consumo, como aquela travada entre o assinante de TV a cabo e a empresa prestadora do serviço. Fonte: FILHO, R. P.; GAGLIANO, P. S. Novo curso de direito civil - parte geral. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. E-book. P. 865-867. A partir das informações apresentadas e de seu conhecimento, julgue as afirmativas a seguir em (V) Verdadeiras ou (F) Falsas. ( ) O comodatário responderá pelo perecimento da coisa emprestada, mesmo em caso de força maior, se salvar os seus bens em detrimento daquela. ( ) Os tutores, curadores e administradores podem dar em comodato os bens confiados à sua guarda, independentemente de autorização especial. ( ) O comodatário deve cuidar do bem emprestado como se seu fosse, usando-o conforme sua natureza/contrato, sob pena de responsabilização. ( ) O comodante pode, por deliberalidade, no contrato gratuito, suspender o uso e gozo da coisa emprestada ante do fim do prazo contratual. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. Escolha uma: a. V – F – V – F. b. V – F – V – V. c. V – V – V – F. d. V – V – F – F. e. F – F – V – V.
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Sheila Oliveira

há 3 meses

Respostas

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há 3 meses

Vamos analisar cada uma das afirmações sobre o comodato: ( ) O comodatário responderá pelo perecimento da coisa emprestada, mesmo em caso de força maior, se salvar os seus bens em detrimento daquela. É falsa (F). O comodatário não é responsável pelo perecimento da coisa emprestada em caso de força maior, pois a responsabilidade é limitada às situações em que ele não tomou os devidos cuidados. ( ) Os tutores, curadores e administradores podem dar em comodato os bens confiados à sua guarda, independentemente de autorização especial. É falsa (F). Para que tutores, curadores e administradores possam dar bens em comodato, geralmente é necessária uma autorização especial, pois eles têm a obrigação de zelar pelos bens que estão sob sua guarda. ( ) O comodatário deve cuidar do bem emprestado como se seu fosse, usando-o conforme sua natureza/contrato, sob pena de responsabilização. É verdadeira (V). O comodatário deve tratar o bem emprestado com o cuidado que teria com o seu próprio bem e conforme as condições do contrato, sob pena de ser responsabilizado por danos. ( ) O comodante pode, por deliberalidade, no contrato gratuito, suspender o uso e gozo da coisa emprestada ante do fim do prazo contratual. É falsa (F). O comodante não pode unilateralmente suspender o uso do bem antes do término do contrato, a não ser que haja uma justificativa legal ou contratual para tal. Agora, organizando as respostas: 1. F 2. F 3. V 4. F Portanto, a sequência correta é: e) F – F – V – V.

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