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Brasília-DF. Planejamento Social e interdiSciPlinaridade Elaboração Paulo Lima Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 UNIDADE I PRINCÍPIOS GERAIS ............................................................................................................................... 9 CAPÍTULO 1 NOÇÕES INICIAIS .................................................................................................................... 9 CAPÍTULO 2 PRINCÍPIOS E NORMAS GERAIS .............................................................................................. 16 CAPÍTULO 3 INTERDISCIPLINARIDADE ......................................................................................................... 24 UNIDADE II ADMINISTRAÇÃO SOCIAL .................................................................................................................... 27 CAPÍTULO 1 PLANEJAR .............................................................................................................................. 27 CAPÍTULO 2 ORGANIZAR ........................................................................................................................... 32 CAPÍTULO 3 AVALIAR ................................................................................................................................. 41 CAPÍTULO 4 LIDERAR ................................................................................................................................. 47 CAPÍTULO 5 CONTROLAR .......................................................................................................................... 51 CAPÍTULO 6 ORGANIZAÇÕES SOCIAIS (OS) ............................................................................................... 59 PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 62 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 64 4 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 5 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Praticando Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer o processo de aprendizagem do aluno. 6 Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 7 Introdução O planejamento social e a interdisciplinaridade fazem parte de forma direta dos problemas dos direitos humanos atuais e isto é um fato. Se a administração geral pública estivesse mais afinada com os problemas reais da sociedade e seu planejamento contundentemente contemplasse os principais fatores técnicos de planejamento social interdisciplinar, teríamos uma sociedade certamente diferente (para melhor). Acreditando que os conhecimentos neste material estão dentro de uma abordagem geral da administração e gestão pública, você terá acesso aos prioritários princípios que regem o planejamento social dentro das mentes mais proeminentes hodiernas neste específico setor técnico. Bons estudos! Objetivos » Estudar os princípios prioritários da administração pública. » Despertar e instigar o pensamento e o posicionamento. » Compreender os objetivos do planejamento social em geral. » Compreender e posicionar frente às questões interdisciplinares. » Identificar e se aprofundar em preceitos avaliativos, controles e liderança pública. 8 9 UNIDADE IPRINCÍPIOS GERAIS Nesta unidade, falaremos sobre os principais princípios da administração e gestão pública objetivando o bom e o correto andamento do planejamento social. Veremos, dentro do planejamento, a interdisciplinaridade correlata à sociedade em geral, muito embora, muitas vezes de modo implícito, porém facilmente identificada nas ações diversas das aplicações dos princípios gerais. CAPÍTULO 1 Noções iniciais Princípios Administração Pública Existem também alguns princípios da administração pública os quais devemos ter em mente para concretizar o tema Planejamento Social e Interdisciplinaridade, considerando que diretamente está inserido no contexto da gestão de políticas públicas de redes relacionadas a direitos e direitos humanos1. De uma maneira geral, a Constituição da República é criticada por conta do engessamento oriundo da administração pública, notoriamente no que se refere à indireta (a qual não Constituição anterior gozava de mais autonomia, resultando em melhor desempenho), prestigiou o setor público com a introdução de um capítulo a ele destinado, principalmente em função do regulamento nos arts. 37 a 41. Deste modo,estabeleceu-se cinco princípios (já considerando as mudanças feitas na Emenda Constitucional n.19, de 1998) que devem ser observados nas três esferas do governo: (1) Legalidade; (2) Impessoalidade); (3) Moralidade; (4) Publicidade e (5) Eficiência (CHIAVENATO, 2012). 1 Para informações mais aprofundadas sobre direitos humanos e assuntos correlacionadas, consulte material didático integrante deste curso sob o tema ”Teoria Geral e Direitos Internacionais dos Direitos Humanos”. 10 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS Como de costume, acompanhe no quadro 1 os cinco princípios que o mesmo autor nos traz: Quadro 1. Princípios da Administração Pública. Legalidade Decorrente do art. 5 o da Lei Maior, aplicada ao setor público, significa que o agente público deve agir em conformidade com a lei, fazendo estritamente o que nela está determinado. Impessoalidade Determina que o agente público deve ter sua conduta orientada para o interesse público, em detrimento de interesses particulares, próprios ou de terceiros, sob pena de que o ato possa ser caracterizado pelo desvio de finalidade e, portanto, nulo. Moralidade Diante de alternativas possíveis, o bom administrador escolhe aquela que resulta em maior ganho para a coletividade. Publicidade É requisito de eficácia de atos administrativos. Na maior parte dos casos, deve vir a conhecimento público pelo Diário Oficial da União (DOU). Somente atos secretos ou reservados podem deixar de ser publicados. Eficiência Relaciona-se com o modos operandi, pois tem a ver com o consumo adequado dos insumos utilizados em determinado processo. A partir de sua introdução, é possível exonerar o mau servidor em função de desempenho insuficiente, avaliado anualmente. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, pp. 455-6). Na administração pública e no gerenciamento público ainda existe uma distinção importante, a qual Graham (1994) atribui ao gerenciamento público um aspecto da administração pública; vejamos nas palavras do autor: Há, entretanto, uma distinção importante entre eles. Especificamente, gerenciamento público é um aspecto da administração pública. No uso comum, administração pública é uma expressão genérica que indica todo o conjunto de atividades envolvidas no estabelecimento e na implementação de políticas públicas [...]. Assim, o papel que a administração pública desempenha ao estabelecer, implementar e alterar políticas e programas públicos é assunto de capital importância [...]. O gerenciamento público, ao contrário, concentra-se mais sucintamente nas atividades administrativas que ocorrem dentro das agências governamentais (GRAHAM, 1994, pp. 19-20). Cole Blease Graham ainda traz informações (definições) realmente atualizadas no contexto hodierno. Continuando em suas contribuições, ressalta: Em vez de enfatizar as considerações políticas que permeiam o processo de formulação de políticas públicas e impregnam as relações externas das organizações governamentais, o gerenciamento público ocupa-se principalmente da implementação de políticas públicas. Enquanto os administradores públicos lidam continuamente com problemas e relacionamentos políticos, as políticas públicas são mais ou menos 11 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I consideradas como dadas e a atenção se fixa nos métodos pelos quais os funcionários civis cumprem suas tarefas (GRAHAM, 1994, p. 20). Dentro da abordagem do estudo da administração pública, existem vantagens e desvantagens, as quais se apresentam respectivamente: Quadro 2. Vantagens e desvantagens da administração pública. VANTAGENS DESVANTAGENS Na posição de Graham é que uma análise do aspecto gerencial (o como) da administração pública pode ser útil na identificação de caminhos pelos quais os serviços públicos possam ser prestados com mais eficiência. Importantes questões filosóficas podem ser obscurecidas ou negligenciadas quando se examina a administração pública a partir de uma perspectiva estritamente aplicada. Toma-se aqui como dado de crença que, se o gerenciamento público for executado de maneira efetiva e eficiente, haverá maior progresso na busca das metas básicas a que aspiram aos principais programas e políticas públicas. Dada a extrema pressão no sentido de economia e eficiência que confronta atualmente os funcionários públicos, a ênfase nesses aspectos práticos da administração pública é necessária e inevitável. As práticas do gerenciamento público não podem ser adequadamente compreendidas e apreciadas sem estarem colocadas num contexto político e econômico. Por essa razão, um exame dos fatores ambientais que influenciam as atividades gerenciais internas é um componente central da nossa exposição. Fonte: Adaptado de Graham (1994). Contudo, de muitas maneiras a exposição do ofício do administrador público apresenta-se implícita, o que muitas vezes os leva a desbravar caminhos por meio do duvidoso e do questionável caminho da opinião pública. Os executivos públicos acabam por ser impelidos a políticas, profissionalismo e conhecimento especializados conflitantes. Apresentam-se ainda as seguintes forças, as quais os servidores civis têm de lutar: Quadro 3. A legislação relativa à sua agência e quaisquer estatutos relevantes referentes à missão desta. Processos judiciais que interpretam o alcance da autoridade e da responsabilidade da agência. A influência de outras agências com missões complementares ou antagônicas às suas próprias. O senso de lealdade do próprio gerente para com sua agência, que pode muito bem entrar em conflito com uma perspectiva profissional ou política. A posição dos vários grupos de interesse que sustentam a agência, mas também lhe fazem exigências. Os impedimentos estruturais e procedimentais que se colocam aos administradores públicos na luta contínua por fazê-los responsáveis perante a vontade popular – incluindo, por exemplo, níveis de orçamento impostos externamente, tetos para o pessoal, práticas de recrutamento, estruturas organizacionais e padrões pelos quais se julga seu desempenho. Fonte: Graham (1994). Se entrarmos mais profundo na esfera administrativa da pluralidade departamental pública (muito embora veremos mais sobre departamentalização adiante em nosso material), já nos é interessante termos em mente a figura 1. 12 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS Figura 1. O executivo plural. Fonte: Graham (1994, p. 27). Ainda na obra “Para Administrar a Organização Pública”, Grahan (1994) sempre contribuindo em definições, as quais norteiam nossos estudos, Graham ressalta a abundância de siglas que esta área possui e usa de referências internacionais para fundamentar conceituações do POSDCORB, a qual se origina de Planejamento (Planning), Organização (Organizing), Recrutamento Pessoal (Staffing), Direção (Directing), Coordenação (Coordinating), Relatório/Prestação de Contas (Reporting) e Orçamento (Budgeting). E assim, muito embora em primeira instância nos pareça algo antigo, é extremamente atual, pois até hoje não conseguimos colocar totalmente em práticas em nossas políticas públicas modernas. Quadro 4. Planejamento: (...) significa desenvolver em amplo sentido o que precisa ser feito e os métodos para realizá-lo para atingir o propósito almejado pela empresa. Organização: (...) é o estabelecimento da estrutura formal de autoridade por meio da qual as subdivisões de trabalho são classificadas, definidas e coordenadas para o objetivo definido. Recrutamento de pessoal: (...) é toda a função da área de pessoal: admissão e treinamento de pessoal e manutenção das condições de trabalho em nível satisfatório. Direção: (...) é contínua tarefa de tomar decisões e concretizá-las em ordens e instruções específicas e gerais, atuando como o líder da empresa. Coordenação: (...) é a obrigação essencial deinter-relacionar as várias partes do trabalho. Relatório/prestação de contas: (...) é manter aqueles aos quais se subordina o executivo informando do que está acontecendo, o que, dessa forma, inclui manter a si mesmo e aos seus subordinados informados por meio de relatórios, investigações e inspeção. Orçamento: (...) consiste em planejamento fiscal, contabilidade e controle. Fonte: (GULIK; URWICK, 1937: 13 apud Graham, 1994, p. 30). 13 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I Uma boa releitura do quadro das funções gerenciais nos traz, nas informações ainda de Graham (1994), um comparativo entre as posições de Mintzberg Gulick e Garson e Overmann. Acompanhe a seguir: Quadro 5. Tipo de função Mintzberg2 Gulick (POSDCORB)3 Garson e Overman (PAFHRIER)4 Interpessoal Figura decorativa: executada obrigações cerimoniais. Nenhuma contrapartida específica. Nenhuma contrapartida específica. Líder: usa poderes formais. Organização, Recrutamento de Pessoal. Dispersão de funções do POSDCORB. Ligação: faz contatos fora da cadeia de comandos. Nenhuma contrapartida específica. Nenhuma contrapartida específica. Informativa Monitor: analisa informações. Planejamento, exposição. Análise de diretrizes. Disseminador: passa informações adiante. Direção, coordenação. Administração de informações. Porta-voz: passa informações fora da organização. Nenhuma contrapartida específica. Relações externas. De decisão Empreendedor: procura melhorar e desenvolver a organização. Nenhuma contrapartida específica. Administração de recursos humanos. Solucionador de distúrbios: responde à pressão. Nenhuma contrapartida específica. Nenhuma contrapartida específica. Distribuidor de recursos: decide quem ganha o quê. Orçamento. Administração financeira. Negociador: defende a posição organizacional. Nenhuma contrapartida específica. Nenhuma contrapartida específica. Planificação A planificação, no processo de planejamento, é realizada no momento em que, após a tomada de um conjunto de decisões, definidas em face de uma realidade determinada, inicia-se o trabalho de sistematização das atividades e dos procedimentos necessários para o alcance dos resultados previstos. Essas decisões são explicitadas, sistematizadas, interpretadas e detalhadas em documentos que representam graus decrescentes de níveis de decisão: planos, programas c projetos. Neste momento do processo inclui também um trabalho de negociação das propostas nele contidas. Via de regra, é preparado um documento preliminar, que sofre análise, objeções, cortes, acréscimos e, finalmente, recebe a sanção dos centros decisórios quando, então, é transformado em documento funil (BAPTISTA, 2007, p. 97). Diz ainda Baptista (2007) que os documentos decorrentes dessa elaboração se caracterizam como plano, programa ou projeto, não apenas em razão do nível decisório a que se relacionam, mas também de seu âmbito, grau de agregação de variáveis e detalhamento. 2 MINTZBERG, Henry. The Nature os Managerial Work. Nova York: Harper and Row, 1973 apud Graham (1994, p. 34). 3 GULICK, Luther. The Dynamics of Public Administration Today as Guidelines for the Future. Public Administration Review 43 (maio/junho 1983): 193-8. apud Graham (1994, p. 34). 4 DAVID, Garson; Overman, E.S. Public Management Research in the United States. Nova York: Pager, 1983 apud Graham (1994, p.34). 14 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS Geralmente, quando o documento se refere a propostas relacionadas à estrutura organizacional consubstancia um plano. Já quando se dedica a um setor, a uma área ou a uma região específica, caracteriza-se como um programa. Quando o mesmo se detém ao detalhamento de alternativas singulares de intervenção, diz ser um projeto. O que significa, de acordo com Baptista (2007) que, quanto maior o âmbito e menor o detalhe referido, mais o documento se caracteriza como um plano; quanto menor o âmbito e maior o grau de detalhamento, mais ele terá características de projeto. Agora veja com maior detalhamento: Quadro 6. Planificação. PLANO O plano delineia as decisões de caráter geral do sistema, suas grandes linhas políticas, suas estratégias, suas diretrizes e precisa de responsabilidades. Cita Baptista que nas concepções de Lozano (1968), são apontados os componentes estruturais de um plano: » a síntese dos fatos e das necessidades que o motivam e da importância da problemática para a instituição para os grupos sociais que se beneficiarão do planejamento, fundamentando nela a formulação dos objetivos amplos da organização planejadora;. » a formulação explícita da politica de prioridades e as razões para a escolha, destacando aspectos de viabilidade institucional, política, administrativa e técnica;. » o quadro ordenado, por itens, das mudanças a operar, quanto à expansão de diferentes níveis e modalidades de ação da organização, à estrutura e no conteúdo dos setores e dos níveis de rendimento previstos;. » o quadro cronológico das metas ou resultados a atingir ao término do período ou das etapas previstas;. » os tipos e a magnitude dos recursos humanos, físicos e instrumentais indispensáveis, acompanhados, sempre que possível, de cronograma dos momentos de disponibilidade;. » o volume e a composição das inversões e dos gastos para todo o período e para cada fase;. » a especificação das fontes e/ou modalidades de financiamento;. » a previsão de mudanças legais, institucionais e administrativas indispensáveis para sua viabilidade;. » a atribuição das responsabilidades de execução, de controle e de avaliação dos resultados. Na medida em que o âmbito do plano abrange as execuções nos níveis de programa e projeto, o controle e a avaliação da execução estão condicionados a um sistema de organização que permita o acompanhamento dos diferentes níveis da ação. PROGRAMA O programa estabelece o quadro de referência do projeto. Diz Baptista que os elementos básicos de um programa são: » a síntese de informações sobre a situação a ser modificada com a programação; » a formulação explícita das funções efetivamente consignadas aos órgãos e/ou serviços ligados ao programa, com responsabilidades em sua execução; » a formulação de objetivos gerais e específicos em seu nível e a explicitação de sua coerência com as diretrizes e os objetivos da organização e de sua relação com os demais programas de mesmo nível; » a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adotadas para a realização do programa; » as atividades e os projetos que comporão o programa, suas interligações, incluindo a apresentação sumária de seus objetivos e de suas ações; » os recursos humanos, físicos e materiais a serem mobilizados para sua realização; » a explicitação das medidas administrativas necessárias para sua implantação e manutenção. 15 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I PROJETO O projeto e o documento sistematizam e estabelecem o traçado prévio da operação de um conjunto de ações. São qualidades esperáveis em um projeto: » simplicidade e clareza na redação; » disposição gráfica adequada; » clareza e precisão nas ilustrações; » objetividade e exatidão nas informações, na terminologia e nas especificações técnicas; » suficiência e precisão: como guia para a ação, o projeto requer descrição adequada de cada operação; » abrangência, ou seja, o projeto deve se referir de forma exaustiva a todos os aspectos da estrutura da questão a que se destina; » ser compatível e coerente em suas relações entre as partes e em suas relações com os outros níveis da programação; » ter relação visível entre as operações previstas e o alcance dos resultados desejados, expressos nos objetivos; » apresentar limitação temporal e espacial. Fonte: Adaptado de Baptista (2007, pp. 98-102). 16 CAPÍTULO 2 Princípios e normasgerais Princípios fundamentais da administração pública No Decreto-Lei no 200, de 25 de fevereiro de 1967, destacaram-se as seguintes atividades da Administração Federal, as quais se obedecerão como princípios fundamentais: » Planejamento. » Coordenação. » Descentralização. » Delegação de competência. » Controle. Não deixe de acompanhar na íntegra o Decreto-Lei no 200, de 1967, disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0200.htm>. Certifique-se de identificar os princípios fundamentais constantes nele. O nosso compromisso principal é o planejamento, muito embora seja um item importante de todo o contexto de administração e gestão pública. A primeira das funções administrativas – o planejamento – é um processo de estabelecer objetivos e definir a forma de como alcançá-los. Objetivos são os resultados específicos ou as metas que se deseja atingir. Os planos identificam os recursos que são precisos, as tarefas a serem tomadas e os tempos a serem seguidos. Os planos, neste ponto de vista, servem para facilitar a ação requerida e as operações da organização (CHIAVENATO, 2012). Planejamento, portanto, significa: Olhar para a frente, visualizar o futuro e o que deverá ser feito, elaborar bons planos e ajudar as pessoas a fazerem hoje as ações necessárias para melhor enfrentar os desafios de amanhã. Em outros termos, o planejamento constitui, atualmente, uma responsabilidade essencial em qualquer tipo de organização ou de atividade. O planejamento essencial 17 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I em qualquer tipo de organização ou de atividade. O planejamento constitui a função inicial da administração. Antes que qualquer função administrativa seja executada, a administração precisa planejar, ou seja, determinar os objetivos e os meios necessários para alcançá-los adequadamente (CHIAVENATO, 2012, p. 338). A ideia sempre aparente de mudança progressiva conforme se planeja, uma vez que se faz necessário assegurar que esta seja controlada e direcionada, tornando-se ferramenta eficaz para a organização em geral. Desta forma, siga a quadro abaixo: Quadro 7. Um modelo de processo de planejamento. Etapa número Sumário 1 Descrição das necessidades subjacentes ao plano. 2 Preparação de um amplo esboço do plano. 3 Aprovação da proposta do plano. 4 Designação da equipe de planejamento e suas responsabilidades. 5 Definição dos elementos estratégicos do planejamento a longo e a curto prazo. 6 Acumulação de dados. 7 Término do plano provisional. 8 Teste e avaliação do plano, discussão, ajustes. 9 Preparação do plano final. 10 Aprovação. 11 Iniciação do processo contínuo de planejamento. Fonte: Graham (1994, p. 46). Sendo a ação a sequência direta do planejamento, por conseguinte, concluímos que a filosofia da ação é inerente ao planejamento, desta forma Chiavenato (2012) aponta em Russell L. Ackoff (1976, pp. 4-14) os três tipos de filosofia do planejamento: 1. Planejamento conservador: é o planejamento voltado para a estabilidade e para a manutenção da situação existente. As decisões são tomadas no sentido de obter bons resultados, mas não necessariamente os melhores possíveis, pois dificilmente o planejamento procurará fazer mudanças radicais na organização. Sua ênfase é conservar as práticas atualmente vigentes. O planejamento conservador está mais preocupado em identificar e sanar deficiências e problemas internos do que em explorar oportunidades ambientais futuras. Sua base é predominantemente retrospectiva no sentido de aproveitar a experiência passada e projetá-la para o futuro. 2. Planejamento otimizante: é o planejamento voltado para a adaptabilidade e inovação dentro da organização. As decisões são tomadas no sentido 18 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS de obter os melhores resultados possíveis para a organização, seja minimizando recursos para alcançar um determinado desempenho ou objetivo, seja maximizando o desempenho para melhor utilizar os recursos disponíveis. O planejamento otimizante geralmente está baseado em uma preocupação em melhorar as práticas atualmente vigentes na organização. Sua base é predominantemente incremental no sentido de melhorar continuamente, tornando as operações melhores a cada dia que passa. 3. Planejamento adaptativo: é o planejamento voltado para as contingências e para o futuro da organização. As decisões são tomadas no sentido de compatibilizar os diferentes interesses envolvidos, elaborando uma composição capaz de levar a resultados para o desenvolvimento natural da empresa e ajustá-la às contingências que surgem no meio do caminho. O planejamento adaptativo procura reduzir o planejamento retrospectivo voltado para a eliminação das deficiências localizadas no passado da organização. Sua base é predominantemente aderente no sentido de ajustar-se às demandas ambientais e preparar-se para as futuras contingências. Para dar continuidade de forma mais aprofundada nos princípios direcionados, vejamos o quadro 8 (o qual você viu e verá que utilizaremos bastante, uma vez que facilita em demasia nosso processo de aprendizagem). Quadro 8. Princípios fundamentais da Administração Pública. PLANEJAMENTO Compreende a elaboração e atualização dos seguintes instrumentos básicos: A) plano geral de governo; B) programas gerais, setoriais e regionais, de duração plurianual; C) orçamento-programa anual; D) programação financeira de desembolso. COORDENAÇÃO As atividades da Administração Federal e principalmente a execução dos planos e programas de governo possuem permanente coordenação. No nível superior da Administração Federal, a coordenação será assegurada por meio de reuniões do Ministério, reuniões de Ministros de Estado por áreas afins, atribuição de incumbência coordenadora a um dos Ministros de Estado, funcionamento das Secretarias Gerais e coordenação central dos sistemas de atividades auxiliares. Os órgãos que operam na mesma área geográfica serão submetidos à coordenação com o objetivo de assegurar a programação e execução integrada dos serviços federais. 19 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I DESCENTRALIZAÇÃO A execução das atividades da Administração Federal deve ser amplamente descentralizada, a qual deve ser posta em prática em três planos principais: A) Dentro dos quadros da Administração Federal, distinguindo-se claramente o nível de direção de execução. B) Da Administração Federal para a das unidades federadas, quando estiverem devidamente aparelhadas e mediante convênio. C) Da Administração Federal para a órbita privada, mediante contratos ou concessões. Compete à estrutura central de direção o estabelecimento das normas, dos critérios, dos programas e dos princípios, que os serviços responsáveis pela execução são obrigados a respeitar na solução dos casos individuais e no desempenho de suas atribuições. Para melhor desincumbir-se, a Administração procurará desobrigar-se da realização material de tarefas executivas, recorrendo, sempre que possível, à execução indireta, mediante contrato, desde que exista, na área, iniciativa privada suficientemente desenvolvida e capacitada a desempenhar os encargos da execução. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA Deve ser utilizada como instrumento de descentralização administrativa, com o objetivo de assegurar maior rapidez e objetividade às decisões, situando-se na proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a atender. É também facultado ao Presidente da República, aos Ministros de Estado e, em geral, às autoridades da Administração Federal delegar competência para a prática de atos administrativos, conforme se dispuser em regulamento. O ato de delegação deve indicar com precisão a autoridade delegante, a autoridade delegada e as atribuições objeto de delegação.CONTROLE Dever exercer-se em todos os níveis e em todos os órgãos, compreendendo, particularmente: A) o controle, pela chefia competente, da execução dos programas e da observância das normas que governam a atividade específica do órgão controlado; B) o controle, pelos órgãos próprios de cada sistema, da observância das normas gerais que regulam o exercício das atividades auxiliares; C) o controle da aplicação dos dinheiros públicos e da guarda dos bens da União pelos órgãos próprios do sistema de contabilidade e auditoria. O trabalho administrativo deve ser racionalizado mediante simplificação de processos e supressão de controles que se evidenciarem como puramente formais ou cujo custo seja evidentemente superior ao risco. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, pp. 452-4). Normas gerais sobre contratos administrativos Ainda dentro do contexto de Administração Geral Pública, temos nos contratos administrativos públicos notórios problemas inseridos mesmo na adoção de leis gerais para sua legitimidade. Desta forma, para padronizar a importância desse assunto para o Planejamento Social Público, a Lei no 8.666, de 1993, nos traz claras e específicas responsabilidades no que tange à prática da execução desses contratos. Os contratos devem obedecer com clareza e precisão as condições para sua execução, expressas em cláusulas que definam os direitos, as obrigações e as responsabilidades das partes, em conformidade com os termos da licitação e da proposta a que se vinculam. Os contratos decorrentes de dispensa ou de inexigibilidade de licitação devem atender aos termos do alto que os autorizou e da respectiva proposta (CHIAVENATO, 2012, p. 467). 20 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS Vejamos nos quadro 9 exemplos preconizados na Lei sobre as normas gerais para sua devida execução. Quadro 9. Normas gerais sobre os contratos administrativos. Obrigatoriedade de cláusulas Leia o artigo 55 da Lei no 8.666/1993 (incisos de I a XIII). Nos contratos celebrados pela Administração Pública com pessoas físicas ou jurídicas, inclusive aquelas domiciliadas no estrangeiro, deve constar necessariamente cláusula que declare competente o foro da sede da Administração para dirimir qualquer questão contratual. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista no instrumento convocatório, poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras, serviços e compras. Duração dos contratos A duração dos contratos fica adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quando relativos: 1. aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados, se houver interesse da administração, e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório; 2. à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à contenção de preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a 60 (sessenta) meses; 3. ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática, podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após o início da vigência do contrato. Ressalta-se que é vedado o contrato com prazo de vigência indeterminado e toda a prorrogação de prazo deve ser justificada por escrito e previamente pela autoridade competente para celebrar o contrato. Modificações nos contratos O contrato fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% para os seus acréscimos. Havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração deve restabelecer, por adiantamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial. Inexecução e rescisão dos contratos A inexecução total ou parcial do contrato enseja a sua rescisão, com as consequências contratuais e as previstas em lei ou regulamento. A rescisão administrativa ou amigável deverá ser precedida de autorização escrita e fundamentada da autoridade competente. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, pp. 467-471). Normas gerais sobre licitações e contratos administrativos Estabelece-se na Lei federal no 8.666, de 21 de junho de 1993, normais gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços e também publicidade, assim como compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. 21 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I Também está subordinado ao regime desta Lei os fundos especiais, as autarquias, as fundações e as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direita ou indiretamente pela União, estados, Distrito Federal e municípios. Chiavenato (2012, p. 457) nos traz maiores informações: Considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares em que haja um acordo de vontades para a formações de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhe são correlatos. Como de costume, vejamos a seguir, ainda baseado na obra desse mesmo autor, em forma de quadro adaptado com informações que nos nortearão quanto ao entendimento desses princípios e normais gerais da administração geral pública: Quadro 10. Normas gerais sobre licitações e contratos administrativos. Compras Nenhuma compra pode ser feita sem a adequada caracterização de seu objeto e indicação dos recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa. E deverão, sempre que possível, (art. 15 da Lei n.8666/935): I - Atender ao princípio da padronização, que imponha compatibilidade de especificações técnicas e de desempenho, observadas, quando for o caso, as condições de manutenção, assistência técnica e garantia oferecidas; II - Ser processadas através de sistema de registro de preço; III - Submeter-se às condições de aquisição e pagamento semelhantes às do setor privado; IV - Ser subdivididas em tantas parcelas quantas necessárias para aproveitar as peculiaridades do mercado, visando economicidade; V - Balizar-se pelos preços praticados no âmbito dos órgãos e entidades da Administração Pública. Modalidades Segundo o art. 22 da mesma Lei, são modalidades de licitação: » concorrência; » tomada de preços; » convite; » concurso; » leilão. Concorrência É a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto. 5 Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8666cons.htm>. 22 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS Tomada de Preços É a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação. Convite É a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidadosem número mínimo de três pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestaram seu interesse com antecedência de até 24 horas das propostas. Leilão Com a nova redação dada pela Lei n. 8883, de 19946, leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. Pregão Por meio da Lei no 10.520, de 20027, instituiu-se a modalidade “Pregão”, bastante utilizada atualmente. Utilizada em qualquer esfera do governo, uma vez esgotada a fase preparatória, na qual são definidos o objetivo, as exigências de habilitação dos licitantes, as cláusulas de contrato e o orçamento, é publicado o aviso, contendo a data do certame. No dia determinado, as propostas são abertas e selecionadas. Dispensa Os arts. 17 e 24 da Lei no 8.666/1993 também relacionam situações nas quais o processo licitatório pode ser dispensado. Em casos de alienação de bens da administração pública, subordinada à existência de interesse público devidamente justificado, será precedida e obedecerá às normas instituídas nestes artigos. Inexigibilidade É inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição (vide art. 25 da Lei no 8.666, de 1993). O processo de dispensa, de inexigibilidade ou de retardamento será instruído, no que couber, com os seguintes elementos: I - Caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a dispensa, quando for o caso; II - Razão da escolha do fornecedor ou executante; III - Justificativa do preço; IV - Documento de aprovação dos projetos de pesquisa aos quais os bens serão alocados. Tipos de Licitação O julgamento das propostas será objetivo, devendo a Comissão de Licitação ou o responsável pelo convite realizá-lo em conformidade com os tipos de licitação, os critérios previamente estabelecidos no ato convocatório e de acordo com os fatores exclusivamente referidos, de maneira a possibilitar sua aferição pelos licitantes e pelos órgãos de controle. A nova redação dada pela Lei no 8.883, de 1994, constitui os tipos de licitação, exceto na modalidade concurso: I - A de menor preço - quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar que será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço; II - A de melhor técnica; III - A de técnica e preço; IV - A de menor lance ou oferta - nos casos de bens ou concessão de direito real, de uso. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, pp. 457-465). Não deixe de consultar as legislações citadas na íntegra, na página digital e oficial do Planalto, seguindo-se da mais atualizada possível. Principalmente (para saber mais sobre dispensa, nos artigos 17 e 24 da Lei no 8666/1993, assim como o artigo 25 da mesma Lei, que trata da inexigibilidade (incisos I, II e III) Gespública – Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização O Gespública foi instituído pelo Decreto no 5.378, de 23 de fevereiro de 2005. Como resultado da evolução histórica de diversas iniciativas do Governo Federal para a 6 Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8883.htm>. 7 Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10520.htm>. 23 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I promoção da gestão pública de excelência, o programa visa contribuir para a qualidade dos serviços públicos prestados ao cidadão e para o aumento da competitividade do País. Segundo a página da Web do programa, ele vem a ser um poderoso instrumento de cidadania, uma vez que renova seu compromisso de engajamento e valorização das pessoas por meio de estratégias de mobilização da Administração Pública, contribuindo para a melhoria da qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos e para o aumento da competitividade do País. Já quanto ao Modelo de Excelência em Gestão Pública (MEGP), o mesmo representa a principal referência a ser seguida pelas instituições públicas que desejam aprimorar constantemente seus níveis de gestão. O MEGP, assim como todo modelo de gestão, contém diretrizes claras em seus critérios de excelência gerencial (liderança, estratégias e planos, cidadãos, sociedade, informação e conhecimento, pessoas, processos e resultados), técnicas e tecnologias para sua aplicação (como, por exemplo, a Carta de Serviços ao Cidadão, o Instrumento Padrão de Pesquisa de Satisfação, o Guia de Gestão de Processos, o Guia ‘d’ Simplificação Administrativa e o Instrumento de Avaliação da Gestão) e práticas de gestão implantadas com sucesso. Para que tanto o Modelo de Excelência em Gestão Pública quanto o próprio Programa GesPública, segundo o próprio programa, acompanhem a dinâmica da sociedade brasileira e estejam em conformidade com as necessidades dos cidadãos, são fundamentais ações contínuas de inovação do modelo, de sua comunicação e de garantia de sua sustentabilidade8. O exemplo mais clássico de envolvimento com esse programa de governo se faz por parte das universidades federais, as quais esboçam foco significativo na prestação de contas. Baseados nas informações fornecidas e no conteúdo extratexto, você acredita na real e eficaz aplicação do Gespública na gestão pública no Brasil? De fato o Decreto no 5.378/2005 está sendo cumprido pelas organizações públicas? Tome nota do assunto para futuros debates e/ou melhor posicionamento profissional. 8 Disponível em < http://www.gespublica.gov.br/folder_rngp/anexos/saiba_mais_gespublica.pdf>. E também < http://www. gespublica.gov.br/folder_rngp>. 24 CAPÍTULO 3 Interdisciplinaridade Está claro que veremos a interdisciplinaridade na prática do planejamento social, uma vez que o consubstancia. Teremos o planejamento social e a gestão pública como foco principal, disciplinas de diferentes tons darão enfoque ao planejamento e toda a gestão que o envolve; muito embora por muitas vezes apareça de maneira implícita, há a importância das diferentes disciplinas no setor público e isto é um fato. Interdisciplinaridade e multidisciplinaridade As diferenças principais entre ambos são que a multidisciplinaridade consiste em um conjunto de disciplinadas estudadas de maneira não linear entre si. Esse processo objetiva a construção de um conhecimento sólido e não correlato, permitindo assim um conhecimento não especializado, porém mais polivalente e eclético. Já a principal diferença entre multidisciplinaridade e pluridisciplinaridade é o fato de que dessa última procura criar associações hierárquicas entre as disciplinas. Enquanto que a interdisciplinaridade objetiva repassar as disciplinas de maneira correlata, criando assim um vínculo que possa originar novas descobertas, disciplinas ou até mesmo áreas do conhecimento. Podemos citar como resultado do processo interdisciplinar a criação das áreas da bioengenharia, bioquímica e psiquiatria9. Segundo Isabel Pereira, a interdisciplinaridade pode ser traduzida em tentativa de o homem conhecer as interações entre mundo natural e a sociedade como um todo, bem como a criação humana e natureza e em formas e maneiras de captura da totalidade social; onde inclui-se a relação indivíduo/sociedade e a relação entre indivíduos. Logo, consiste em processos de interação entre conhecimento racional e conhecimento sensível, de integração entre saberes tão diferentes e, ao mesmo tempo, indissociáveis na produção de sentido da vida10. E ainda: O termo interdisciplinaridade tem sido cada vez difundido nos discursos e nas práticas institucionais na intenção de brotarmudanças qualitativas nas formas de compreender e explicar as complexas, múltiplas e heterogêneas demandas dos usuários atendidos. Da mesma forma, ela tem se tornado uma alternativa metodológica de explicação 9 Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/50347/equipe-multidisciplinar-e-interdisciplinar- qual-a-diferenca#ixzz3Skx4DHBI>. Acesso em 25 de fevereiro de 2015. 10 Disponível em < http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/int.html>. 25 PRINCÍPIOS GERAIS │ UNIDADE I da realidade por parte de algumas correntes teóricas nas ciências humanas e sociais que fazem crítica ao modelo tradicional de ciência, que foi responsável pela fragmentação do ser e do saber produzido sobre a realidade (SOUZA, 2009, pp. 43-44). Principalmente no que tange aos assuntos ambientais e ecológicos, como a Educação Ambiental, faz-se de suma importância as diferentes disciplinas para a recuperação ambiental, seja ela em qual estágio for. Temos nas figuras dos profissionais geólogos, engenheiros ambientais, biólogos, gestores ambientais, químicos as diferentes disciplinas na gestão de apenas uma área contaminada. Logo, uma ação interdisciplinar. Com este exemplo em mente, leia com atenção o texto. Por Prof. Gaudêncio Frigotto A interdisciplinaridade como necessidade O caráter necessário do trabalho interdisciplinar na produção e na socialização do conhecimento no campo das ciências sociais e no campo educativo que se desenvolve no seu bojo, não decorre de uma arbitrariedade racional e abstrata. Decorre da própria forma do homem produzir-se enquanto ser social e enquanto sujeito e objeto do conhecimento social. Os homens na busca incessante de satisfazer suas múltiplas e sempre históricas necessidades de natureza biológica, intelectual, cultural, afetiva e estética, estabelecem as mais diversas relações sociais. A produção do conhecimento e sua socialização ou negação para determinados grupos ou classes não é alheia ao conjunto de praticas e relações que produzem os homens num determinado tempo e espaço. Pelo contrário nelas encontra a sua efetiva materialidade histórica. Na medida em que o conjunto das ciências sociais e humanas (para reiterar uma redundância) tem como objeto de conhecimento a compreensão e explicitação da produção da existência social dos homens, não há razões de ordem ontológica e epistemológica para cindir autonomamente esta ou aquela prática social. O que pode ocorrer e de fato ocorre [...] é que sob as relações de produção humana capitalistas efetiva-se diferentes processos de alienação e de cisão. Mas esta alienação se dá no plano do conjunto das praticas sociais e atinge, ainda que de forma diversa, todos os homens. Como bem evidencia Marx, na sociedade de classes “o humano se perde”. 26 UNIDADE I │ PRINCÍPIOS GERAIS A necessidade da interdisciplinaridade na produção do conhecimento funda-se na caráter dialético da realidade social que é, ao mesmo tempo, una e diversa e na natureza intersubjetiva de sua apreensão, caráter uno e diverso da realidade social nos impõe distinguir os limites reais dos sujeitos que investigam dos limites do objeto investigado. Delimitar um objeto para a investigação não é fragmentá- lo, ou limitá-lo arbitrariamente. Ou seja, se o processo de conhecimento nos impõe a delimitação de determinado problema isto não significa que tenhamos que abandonar as múltiplas determinações que o constituem. É neste sentido que mesmo delimitado um fato teima em não perder o tecido da totalidade de que faz parta indissociável. A compreensão da categoria totalidade concreta em contraposição à totalidade caótica, vazia, é imprescindível para entendermos a interdisciplinaridade como necessidade imperativa na construção do conhecimento social. Leia por completo “A interdisciplinaridade como necessidade e como problema nas ciências sociais”, do Prof. Gaudêncio Frigotto, disponível em: <http://www. gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/sem_pedagogica/fev_2014/ NRE/2interdisciplinaridade_necessidade.pdf>. 27 UNIDADE IIADMINISTRAÇÃO SOCIAL Nesta unidade você terá acesso e contato acadêmico com as principais formas específicas do planejamento social e, ainda dentro de um contexto implícito interdisciplinar, verá que o planejamento em si envolve fatores como avaliação, organização, liderança, controle entre outros. Desta maneira, estudará de modo mais aprofundado o que falamos na unidade anterior. CAPÍTULO 1 Planejar O sistema de compreensão humana sobre o planejamento se fortificou de maneira violenta durante a Segunda Guerra Mundial, já que as políticas do New Deal vinham tomando forma e a infraestrutura do século da Revolução Industrial favorecia sua ascensão. Depois da guerra, o problema era como restaurar um sistema de alocação que funcionava através do mercado. O esforço da guerra exigiria do governo grande volume de planos e organização a fim de supervisionar a alocação de bens econômicos para a produção militar. Um planejamento adicional era necessário para prepara a paz: por exemplo, como é que 2,5 milhões de soldados dispensados conseguiriam empregos? A conversão da capacidade de produção de tempos de guerra para tempo de paz foi outra grande preocupação de planejamento depois do conflito, e como fazer isto tudo de maneira a evitar a depressão de planejamento depois do conflito, e como fazer isso tudo de maneira a evitar a depressão econômica que tão frequentemente se segue a uma guerra. O Full Employment [Lei do Plano Emprego] de 1946 expressava a política econômica nacional da época e implicava um papel importante para planejamento público (GRAHAM, 1994. p. 40). 28 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL O planejamento coordenado de serviços humanos permitiria que mais pessoas fossem atendidas com baixos custos unitários, reduzindo doença e fome, bem como o planejamento social reduziria as ineficiências do governo como um todo, tornando mais efetivos e eficientes os dólares obtidos com a tributação. Uma abordagem da coordenação de múltiplas atividades de planejamento tem sido o uso de conselhos de planejamento. Os exemplos incluem conselhos estaduais de coordenação interdepartamentais, geralmente localizados no gabinete do governador, e conselhos regionais de governos municipais, existentes sob vários nomes, tal como Conselho De Governos (Cog) ou Comissão de Desenvolvimento e Planejamento de Área (CDPA). Existem também muitos grupos de aconselhamento locais e estaduais para ajudar a coordenar os planos (GRAHAM, 1994). Segundo Chiavenato (2012, p. 337), citando Stoner et al., os planos funcionam como guias ou balizamentos para assegurar os seguintes aspectos: 1. Os planos definem os recursos necessários para alcançar os objetivos organizacionais. 2. Os planos servem para integrar os vários objetivos a serem alcançados em um esquema organizacional que proporciona coordenação e integração. 3. Os planos permitem que as pessoas trabalhem em diferentes atividades consistentes com os objetivos definidos. Eles dão racionalidade ao processo. São racionais porque servem de meios para alcançar adequadamente os objetivos traçados. 4. Os planos permitem que o alcance dos objetivos possa ser continuamente monitorado e avaliado em relação a certos padrões ou indicadores a fim de permitir a ação corretiva necessária quando o progresso não seja satisfatório. Planejar de forma estratégica Um processo organizacional necessário de adaptação por meio da aprovação, da tomada de decisão e da avaliação. Costuma tentar responder questões como: » Porque a organização existe? » O que ela faz? » Como faz? 29 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II O resultadodo processo, segundo Chiavenato (2012), é um plano que serve para guiar a ação organizacional por um prazo de 3 a 5 anos. Este apresenta cinco características fundamentais, conforme quadro 11. Quadro 11. Planejamento estratégico. O planejamento estratégico está relacionado com a adaptação da organização a um ambiente mutável. Está voltado para as relações entre a organização e seu ambiente de tarefa. Portanto, sujeito à incerteza a respeito de eventos ambientais. Por se defrontar com a incerteza, tem suas decisões baseadas em julgamentos e não em dados concretos. Reflete uma orientação externa que focaliza as respostas adequadas às forças e pressões que estão situadas do lado de fora da organização. 1. O planejamento estratégico é orientado para o futuro. Seu horizonte de tempo é o longo prazo. Durante o curso do planejamento, a consideração dos problemas atuais é dada apenas em função dos obstáculos e das barreiras que eles possam provocar para um desejado lugar no futuro. É mais voltado para os problemas do futuro do que daqueles de hoje. 2. O planejamento estratégico é compreensivo. Ele envolve a organização como uma totalidade, abarcando todos os seus recursos, no sentido de obter efeitos sinergísticos de todas as capacidades e potencialidades da organização. A resposta estratégica da organização envolve um comportamento global, compreensivo e sistêmico. 3. O planejamento estratégico é um processo de construção de consenso. Dada a diversidade dos interesses e necessidades dos parceiros envolvidos, o planejamento oferece um meio de atender a todos eles na direção futura que melhor convenha a todos. 4. O planejamento estratégico é uma forma de aprendizagem organizacional. Como está orientado para a adaptação da organização ao contexto ambiental, o planejamento constitui uma tentativa constante de aprender a ajustar-se a um ambiente complexo, competitivo e mutável. 5. O planejamento estratégico se assenta sobre três parâmetros: a visão do futuro, os fatores ambientais externos e os fatores organizacionais internos. Começa com a construção do consenso sobre o futuro que se deseja: é a visão que descreve o mundo em um estado ideal. A partir daí examinam-se as condições externas do ambiente e as condições internas da organização. Fonte: Chiavenato (2012, pp. 344-345). Existem forças, não desfocando do setor público, que vão de encontro constante aos administradores e planejadores públicos, desta forma Cole Blease Graham Jr. e Steven W. Hays (1994, p. 49) alertam que os administradores devem: tomar decisões que não só mantenham sua organização funcionando, mas que também lhes permitam crescer e desenvolver-se a fim de que possam fazer mais pelos clientes a custos mais baixos e com melhor qualidade. Os administradores públicos são confrontados pela constante vigilância das forças políticas (comissões legislativas, revisores de orçamentos, inspetores, auditores), das econômicas (mudanças no imposto de renda, competição com organizações do setor privado que ofereçam serviços similares) e das forças sociais (a mídia, a opinião pública, as avaliações dos grupos de cidadãos). Os administradores públicos devem ser administradores estratégicos [...]. 30 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Planejar de forma tática O planejamento tático é o planejamento focado no médio prazo e que enfatiza as atividades correntes das várias unidades ou departamentos da organização. O médio prazo é definido como o período que se estende por um ano. O administrador utiliza o planejamento tático para delinear o que as várias partes da organização, como departamentos ou divisões, devem fazer para que a organização alcance sucesso no decorrer do período de um ano de seu exercício (CHIAVENATO, 2012). Como de costume, mesmo que os planos táticos geralmente estejam desenvolvidos para as áreas de produção, marketing, pessoal, finanças e contabilidade, ajusta-se aos órgãos públicos como uma luva, uma vez que os mesmos possuem as mesmas necessidades. Os planos táticos, portanto, geralmente envolvem: Quadro 12. Planejamento tático. 1. Planos de produção. Envolve métodos e tecnologias necessárias para as pessoas em seu trabalho, arranjo físico do trabalho e equipamentos como suportes para as atividades e tarefas. 2.Planos financeiros. Envolve captação e aplicação do dinheiro necessário para suportar as várias operações da organização. 3. Planos de marketing. Envolve os requisitos de vender e distribuir bens e serviços no mercado e atender ao cliente. 4. Planos de recursos humanos. Envolve recrutamento, seleção e treinamento das pessoas nas várias atividades dentro da organização. Recentemente, as organizações estão também se preocupando com a aquisição de competências essenciais para o negócio por meio da gestão do conhecimento corporativo. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, p. 346). Planejar de forma operacional O planejamento operacional é constituído de uma infinidade de planos operacionais que proliferam nas diversas áreas e funções dentro da organização. Cada plano pode consistir em muitos subplanos com diferentes graus de detalhamento. No fundo, os planos operacionais cuidam da administração da rotina para assegurar que todos executem as tarefas e operações de acordo com os procedimentos estabelecidos pela organização, a fim de que esta possa alcançar os seus objetivos. Os planos operacionais estão voltados para a eficiência (ênfase nos meios), pois a eficácia (ênfase nos fins) é problema dos níveis institucional e intermediário da organização (CHIAVENATO, 2012, pp. 346-347). Ainda segundo o autor, apesar de serem heterogêneos e diversificados, os planos operacionais podem ser classificados em quatro tipos. Veja no quadro 13. 31 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Quadro 13. Planejamento operacional. 1. Procedimentos. São os planos operacionais relacionados com métodos. 2. Orçamentos. São os planos operacionais relacionados com dinheiro. 3. Programas (ou programações). São os planos operacionais relacionados com o tempo. 4. Regulamentos. São os planos operacionais relacionados com comportamentos das pessoas. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, p. 347). Ainda teríamos outros tipos de planejamento, embora administrativos, fundamentais no nível da gestão pública, uma vez que não se pode separar um do outro quando se parte do pressuposto que qualquer órgão público, seja ele social, voluntariado e ONGs em geral, partem de um tipo preconcebido de planejamento, não alterando seu grau de importância e relevância no processo contínuo de aplicação. Desta forma, não trataremos em detalhes de cada um, dado nosso objetivo no material de estudo; contudo, faz-se necessário termos em mente os diferentes e principais tipos genericamente. Para que esses conceitos fiquem claros em nossa mente, seguirá na fugura ainda no renomado autor Idalberto Chiavenato os três níveis de planejamento: Figura 2. Os três níveis de planejamento. Nível institucional Envolve toda a organização Direcionado a longo prazo Focaliza o futuro e o destino Ação global e molar Planejamento estratégico Mapeamento ambiental e avaliação das forças e limitações da organização Planos táticos Tradução e interpretação das decisões estratégicas em planos concretos ao nível departamental Envolve cada departamento Direcionado em médio prazo Focaliza o imediato Ação departamental Nível intermediário Nível operacional Planos operacionais Desdobramento dos planos táticos de cada departamento em planos operacionais para cada tarefa Envolve cada tarefa/atividade Direcionado em curto prazo Focaliza o imediato/presenteAção específica e molecular Fonte: Chiavenato (2012, p. 348). 32 CAPÍTULO 2 Organizar Graham (1994) nos traz que a terminologia organizar é geralmente utilizada para se referir às atividades gerenciais no que diz: 1. dispor o trabalho em unidades controláveis e logicamente ligadas; 2. estruturar essas unidades de maneira tal que o trabalho possa ser executado com eficiência; 3. integrar as diferentes unidades para que não trabalhem com objetivos cruzados. A organização na gestão e administração pública é um direito humano, mais tangível e de fácil compreensão do que outros como planejamento, liderança, avaliação e controle. Max Weber teve importante contribuição nos estudos sociais, principalmente no estudo sistemático da burocracia em geral (haja vista sua série de ensaios sob o título Teoria da organização social e econômica). Nesse trabalho: Weber traçou a evolução da moderna administração pública a partir de suas raízes remotas. Observou que, à medida que a industrialização e o capitalismo se expandiam, os tipos de práticas administrativas que surgiam se diferenciavam de várias maneiras importantes dos do passado. A mais importante das mudanças foi a tendência dos governos modernos de recrutar para suas agências públicas pessoal selecionado com base na competência técnica, em vez de critérios pessoais como parentesco ou patrocínio político. Esse importante desenvolvimento, junto com uma série de alterações intimamente relacionadas na maneira como funcionavam as agências públicas, foi visto como necessário para manter o crescimento das modernas sociedades industriais. Para florescer, a indústria necessitava de maquinaria governamental efetiva e digna de confiança que cuidasse do sistema postal, inibisse a competição destrutiva e executasse uma miríade de funções de apoio correlatas. Ao mesmo tempo, os próprios governos precisavam responder às pressões pela democratização, abrindo suas portas a um espectro mais amplo de pessoas. Assim emergiu uma nova forma de organização pública, a burocracia (GRAHAM, 1994, pp. 79-80). 33 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Segundo Julian Freund, em Sociologia de Weber, existem alguns princípios básicos que repousam a burocracia em Weber, acompanhe-as no quadro 14. Quadro 14. Princípios do mais típico domínio legal: a burocracia. 1o A existência de serviços definidos e, portanto, de competências rigorosamente determinadas pelas leis ou regulamentos, de sorte que as funções são nitidamente divididas e distribuídas, bem como os poderes de divisão necessários à execução das tarefas correspondentes. 2o A proteção dos funcionários, do exercício de suas funções, em virtude de um estatuto (efetivação dos juízes, por exemplo). Em geral, as pessoas se tornam funcionárias para a vida toda, de maneira que o serviço do Estado vem a ser uma profissão principal e não uma ocupação secundária ao lado de um outro ofício. 3o A hierarquia das funções, o que quer dizer que o sistema administrativo é fortemente estruturado em serviços subalternos e em cargos de direção, com possibilidade de recurso da instância inferior à instância superior; em geral, esta estrutura é monocrática e não colegiada e manifesta uma tendência no sentido da maior centralização. 4o O recrutamento se faz por concurso, exames ou títulos, o que exige dos candidatos uma formação especializada. Em geral, o funcionário é nomeado (raramente eleito) com base na livre seleção e por contrato; 5o A remuneração regular do funcionário sob a forma de um salário fixo e de uma aposentadoria quando ele deixa o serviço público. Os tratamentos são hierarquizados em função da hierarquia interna da administração e da importância das responsabilidades. 6o O direito que tem a autoridade de controlar o trabalho de seus subordinados, eventualmente pela instituição de uma comissão de disciplina. 7o A possibilidade de promoção dos funcionários com base em critérios objetivos e não segundo o livre arbítrio da autoridade. 8o A separação completa entre a função e o homem que a ocupa, pois nenhum funcionário poderia ser dono de seu cargo ou dos meios da administração. Fonte: Freund (2003, pp.170-171). Em um estudo aprofundado por parte de Karl Emil Maximilian Weber (1864- 1920), ou somente Max Weber, em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, a locomotiva da propulsão capitalista fora o espírito ascético protestante, no qual ao se livrar de todos os gastos da carne e em seus mais diversos fins e ramificações, onde havia concentração protestante, desde a Idade Média, havia concentração monetária, tornando os habitantes das terras ocupadas pelos de natureza protestante, em sua grande maioria, detentor de muitos bens. Holanda, EUA e Inglaterra foram os países capitalistas berços protestantes do espírito do capitalismo para Weber. O negar o ócio (negócio) é justamente contrário ao esvaziamento do ser de não trabalhar, se não acumular bens. Não trabalhar, portanto, no ponto de vista Weberiano frente à ética capitalista protestante, passa a ser um pecado. Como acima citado, essa fusão se dá pelos pensamentos calvinistas. Deste modo, Weber se destaca por fazer a fusão do capitalismo com o protestantismo. Não entraremos em profundos assuntos sobre esta épica obra, mas aconselhamos sua leitura para melhor compreensão da origem do capitalismo atual. Embora fique em torno de 80 páginas, dependendo do ano, esta obra é considerada por muitos como o “livro do século”! 34 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Ainda nas concepções weberianas, existem algumas outras contribuições à literatura sobre administração a qual a mais duradoura tem sido a identificação dos traços básico da forma pura, ou tipo ideal da burocracia. Tome nota do quadro s seguir. Quadro 15. Tipo ideal (na burocracia). Divisão do trabalho e especialização de funções Weber observou que, para uma organização executar eficientemente tarefas complexas, o trabalho tinha de ser subdividido e suas várias partes designadas a diferentes pessoas. Procedendo assim, a organização é capaz de alcançar altos níveis de desempenho e precisão, pois cada trabalhador presumivelmente adquire grande habilidade ao executar a mesma função muitas e muitas vezes. O aumento da especialização também permite à organização controlar mais efetivamente seus trabalhadores, pois os deveres e as responsabilidades atribuídos são claramente delineados. Hierarquia da autoridade Todas as posições (ou, na expressão de Weber, ofícios) numa burocracia são ordenadas numa configuração hierárquica em que cada função mais baixa está sob a supervisão e o controle de uma mais alta. As variações de nível na hierarquia correspondem a variações na autoridade, com cada função mais alta tendo mais responsabilidade decisória do que as mais baixas. Os níveis hierárquicos também estabelecem a rede formal de comunicação. Ênfase em normas e procedimentos Um objetivo básico de toda burocracia é reduzir o trabalho a normas e procedimentos operacionais específicos. Dessa maneira, o trabalho torna-se rotineiro. A presença de um sistema consistente de normas abstratas reduz o critério individual à “aplicação dessas normas a casos particulares” (WEBER, 1952:20), assegurando, assim, uniformidade e capacidade de predição do tratamento. Impessoalidade De acordo com Weber, “o funcionário público ideal conduz seu ofício num espírito de impessoalidade formalista, sine ira et studio, sem ódio nem paixão e, daí se conclui, sem afeto nem entusiasmo” (THOMPSON, 1975: 3). Em outras palavras, preferências e sentimentos pessoais não têm vez num burocracia. Em vez disso, espera-se dos funcionários públicos que apliquem as normas relevantes a cada situação de maneira imparcial. O sistema de carreira A fim de atrair ereter pessoal qualificado, a burocracia oferece aos seus funcionários a vantagem de um sistema de carreira formalizado. Entre seus componentes está que os funcionários sejam contratados de acordo com suas qualificações técnicas; que o emprego seja de tempo integral, e não de tempo parcial ou sazonal; que se estabeleça um sistema de promoções; e que os funcionários estejam protegidos de ações dos supervisores que sejam incompatíveis com as normas e procedimentos da organização (isto é, a autoridade dos supervisores sobre os subordinados não se estende para além da situação de trabalho e os direitos básico de um processo justo são atribuídos aos funcionários para assegurar que estes não sejam tratados arbitrariamente). Fonte: Graham (1994, pp. 80-81). Cipriani (2007) trata sobre a concepção weberiana da política, a qual se faz fundamental discrepância entre a (1) autoridade carismática, (2) tradicional e (3) legal. Desta forma, são os três fundamentos da legitimidade do Estado para Max Weber: 1. Poder tradicional: submete-se ao poder por uma questão de tradição. 2. Pelo poder carismático: tudo que se remete ao sagrado (aproximando-se muito do pensamento de Durkheim) por meio de magos e feiticeiros “mais poderosos”. Ou pelo poder divino, tal como visto na Idade Média e Moderna. Reis e papas que atribuíam seu poder ao poder divino e o povo se submetia a eles. 3. Poder legal: obedecer a um determinado poder de acordo e em função única da lei. 35 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Obviamente, a burocracia possui seus pontos negativos, tal como o retrato frio e impessoal que Weber traça de sua adoção e toda a insensibilidade que a envolve, o que para muitos não é nem um tom negativo, mas sim necessário. Para ele [Weber], ainda o tipo ideal de burocracia é fazer da organização uma simples e fria ferramenta nas mãos de quem a for utilizar; é como um martelo ou chave de fenda, a ferramenta faz o que seu proprietário deseja. Não faz perguntas, não emite opiniões e produz resultados previsíveis. É um instrumento frio, despersonalizado, objetivo e racional, que está pronto a fazer o que o indivíduo encarregado mandar. Como tal, é um instrumento extremamente poderoso de controle social. Reconhecendo esse fato, Weber teve o cuidado de notar que o tipo ideal nunca poderia existir no mundo real. Ele sabia que nenhum conjunto de normas e relacionamentos de autoridade poderia jamais erradicar totalmente a discricionariedade e as considerações pessoais do funcionário, e tinha plena consciência de que a burocracia continha certas limitações e contradições internas que lhe enfraqueciam a influência. Mesmo assim, Weber admitiu que estava assustado com o poder bruto da organização burocrática (GRAHAM, 1994, p. 81). O retrato da importância dos pensamentos de Max Weber, para o contexto social e planejamento administrativo da gestão pública, é de fato importante senão crucial para o bom andamento dos contextos que o envolvem. Segundo Weber, a Sociologia é o estudo das interações significativas de indivíduos que formam uma teia de relações sociais, sendo seu objetivo a compreensão da conduta social. Esta ênfase dada à compreensão subjetiva levou Weber a definir ação social como a conduta humana, pública ou não, a que o agente atribui significado subjetivo (LAKATOS, 2010, p. 54). Ainda segundo o autor (LAKATOS, 2010, p. 54), a conduta social se apresenta de quatro maneiras ou categorias: 1. A conduta tradicional, relativa às antigas tradições. 2. A conduta emocional, reação habitual ou comportamento dos outro, expressando-se em termos de lealdade ou antagonismo. 3. A conduta valorizadora, agindo de acordo com o que os outros indivíduos esperam de nós. 4. A conduta racional-objetiva, que consiste em agir segundo um plano concebido em relação à conduta que se espera dos demais. 36 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL O conceito de patrimonialismo, para Weber, é uma maneira que o poder público trata das coisas públicas como se fosse privada. Pensamento que insiste até os dias de hoje. Autoridade, responsabilidade e delegação Poder em uma organização pública ou privada é a capacidade de afetar e controlar ações e decisões das outras pessoas, mesmo quando elas possam resistir. Uma pessoa que ocupa um cargo de alta posição tem poder, uma vez que sua posição ocupa o chamado poder de posição. Autoridade é o direito formal e legítimo de tomar decisões, dar ordens e alocar recursos para se alcançar objetivos por meio do poder legitimado. A cadeia de comando reflete a hierarquia de autoridade que existe na organização (CHIAVENATO, 2012). Dito isto, ainda segundo Chiavenato (2012, p. 359), do ponto de vista tradicional, a autoridade apresenta três características principais: 1. Autoridade é decorrente de uma posição organizacional, e não de pessoas. Os administradores possuem autoridade em função da posição ocupada, e os que têm posição semelhante devem ter a mesma autoridade. 2. Autoridade deve ser aceita pelos subordinados. Embora a autoridade flua do topo para a base da hierarquia, os subordinados a aceitam porque acreditam que os administradores têm o direito legítimo de dar ordens. A teoria da aceitação da autoridade argumenta que um administrador tem autoridade somente quando os subordinados decidem aceitar o seu comando. Se os subordinados se recusam a obedecer porque a ordem está fora de sua competência, a autoridade simplesmente desaparece. 3. A autoridade flui abaixo pela hierarquia vertical. As posições do topo da hierarquia são investidas com mais autoridade formal do que as posições abaixo delas. Sob qualquer ponto de vista, é de suma importância a autoridade para organização do ambiente em uma organização pública; não existe planejamento social sem autoridade e autoridade delegada com vistas à ampliação do escopo de trabalho, bem como melhor emprego de liderança local. Chiavenato (2012, p. 359) conclui de modo assertivo: Todavia, a autoridade, do ponto de vista tradicional, está sendo hoje questionada. Atualmente, mais importante do que a base hierárquica da autoridade é a força da liderança. O líder influencia as pessoas não pela sua posição funcional e hierárquica, mas pelas suas características pessoais. A responsabilidade é o outro lado da moeda da autoridade. A responsabilidade é o dever de executar a tarefa ou atividade atribuída a um funcionário. Os administradores recebem autoridade compatível com sua responsabilidade. Quando os administradores têm responsabilidade pelos resultados, mas pouca autoridade, o trabalho é possível, mas difícil, pois repousa na persuasão e sorte. Quando os administradores têm autoridade que excede a responsabilidade, eles se tornam tiranos, usando autoridade para resultados frívolos. 37 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Departamentalização Vimos que dificilmente teremos um caminho único para organizar qualquer estrutura ou sistema, os quais as diversas ramificações das opções sociais e dos pensamentos individuais, quer intencionalmente ou não, farão parte. No que se refere à época anterior à Revolução Industrial, isto é, quando tudo basicamente era manufaturado, as empresas em geral eram constituídas praticamente apenas por famílias, já que havia na figura do pai o responsável pelo planejamento das atividades em geral, assim como sua atuação era sempre direta no processo produtivo, muitas vezes em oposição aos dias de hoje. Em resumo, os modelos recentes de organização oriundos da Revolução Industrial, complexos e altamente necessitado de mão de obra humana, exigiram uma especialização contínua a fim de garantir a eficácia e eficiência progressiva do processo produtivo. E é desta forma que a departamentalização aparece como uma “especialização” ao nível de departamentos.Já que atividades com mesmos fins poderiam ser alocadas e agrupadas juntas sem nenhum ônus para as partes. Existem, portanto, alguns tipos de departamentalização, aos quais listaremos, mas não trataremos em detalhes de cada uma por conta de nosso espaço, dando cadência ao seu estudo, uma vez que possivelmente não dará conta da leitura de todo o conteúdo em um curto espaço de tempo. São eles: » Departamentalização funcional. » Departamento por programas, produtos ou serviços. » Departamentalização por clientes. » Departamentalização por processos. De maneira a aprimorar e facilitar o processo de inferência, vejamos a seguir os fluxogramas das principais formas de departamentalização. 38 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Figura 3. Departamentalização Funcional num Governo Estadual. Fonte: Graham (1994, p. 92). Figura 4. Departamentalização Funcional num Governo Municipal do tipo Conselho-Administrador. Fonte: Graham (1994, p. 94). 39 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Figura 5. Departamentalização de Programas numa Agência de Saúde Pública. Fonte: Graham (1994, p. 94). Figura 6. Departamentalização Matricial num Governo Municipal. Fonte: Graham (1994, p. 98). 40 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Figura 7. Departamentalização do Processo numa Agência Estadual de Empregos. Fonte: Graham (1994, p. 101). 41 CAPÍTULO 3 Avaliar Todos queremos saber para onde vamos, se estamos perto do destino final em uma viajem com a família; executivos desejam e buscam esse saber a custos consideráveis de como estão as coisas e qual o rumo que estão tomando. Preocupamo-nos neste curso se fizemos a opção correta e se estamos de fato aprendendo o que precisamos para prosseguir na jornada do conhecimento. Deste modo, medidas, índices, relatórios e comparações são exemplos de avaliação. Os procedimentos de avaliação geram as informações necessárias para tomar decisões em fases sucessivas e repetidas (algumas vezes chamadas “iterações”), na medida em que os programas são implementados. Com base nas descobertas da avaliação de um ciclo, um novo conjunto de decisões programáticas é estabelecido e o ciclo seguinte começa – a não ser que a avaliação tenha levado à decisão de interromper o programa. A variação de decisões nesses ciclos também indica que as funções da administração são ajustadas em constantes mudanças. Os administradores públicos são, em última análise, atores políticos cujas escolhas são avaliadas a partir de muitas perspectivas. Administradores bem-sucedidos não ficam aflitos por se exporem à avaliação (GRAHAM, 1994, pp. 240-241). Veja o processo gerencial abaixo dentro do contexto avaliativo: Figura 8. O processo gerencial. Fonte: Graham (1994, p. 241). 42 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Com isto em mente, Idalberto Chiavenato, um das maiores referências da administração pública e recursos humanos do mundo, ressalta a necessidade de o gestor se preocupar com os seguintes itens em favor de um reforço positivo para um novo desempenho, enquanto a insatisfação ou frustração funciona como um reforço negativo. São eles: Quadro 16. Preocupação do gestor na avaliação de desempenho. O desenvolvimento sistemático das habilidades e competências das pessoas como base fundamental para um desempenho eficiente e eficaz. A remoção contínua das restrições ambientais que possam afetar negativamente o desempenho humano, como excesso de regras e regulamentos, supervisão cerrada, controles burocráticos, métodos e procedimentos mecânicos tradicionais etc. A motivação com o incentivo constante das pessoas para que deem o melhor de suas habilidades e competências na execução das tarefas. A orientação das pessoas no sentido de dedicarem seu esforço para um desempenho excelente ou, pelo menos, gradativamente excelente. A avaliação do resultado do desempenho alcançado e a devida recompensa imediata ou a correção adequada, sempre buscando um reforço positivo para um desempenho excelente. O mau desempenho deve ser fruto de uma profunda avaliação para remover as causas e origens da ineficiência ou ineficácia. A satisfação no trabalho, uma vez que ela é consequência do sucesso no desempenho das tarefas e da recompensa percebida. A recompensa pode ser representada por estímulos internos ou por meio de estímulos provocados pela própria tarefa. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, p. 150). O desempenho humano depende de uma complexidade de fatores que atuam interagindo entre si de forma fortemente enérgica. A tarefa toma forma e retoma sua forma sob medida para a pessoa em uma situação na qual os objetivos e as metas são devidamente explicitados. Se aquele a quem a tarefa for delegada estiver motivado e entusiasmado com ideia, certamente fará esforço individual acima do esperado e proporcional à sua motivação. Acompanhe a figura 9 para melhor compreensão desse fenômeno intraindividual. Figura 9. Os fatores determinantes do desempenho humano. Fonte: Chiavenato (2012, p. 149). 43 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II A avaliação está presente dialeticamente em todo o processo do planejamento: quando se inicia a ação planejada, inicia-se simultaneamente sua avaliação, independentemente de sua formalização legal, seja em documentos ou outros instrumentos. Desta maneira, não se caracteriza como o seu momento final, contudo aquele em que o processo ascende a outro patamar, reconstruindo dinamicamente seu objeto, objetivos e procedimentos (BAPTISTA, 2007). Essa avaliação, via de regra, tem por base um ponto de vista peculiar, que determina o modo de perceber e de explicar as coisas e o mundo da pessoa que avalia. E este ponto de vista que fornece o referencial c os critérios sobre os quais se apoiam esses juízos. Isso significa que avaliar é tomar partido em relação à realidade analisada. Portanto, em seu processo, é fundamental ter explicitada a atitude, a posição crítica que irá nortear a percepção da situação. Pode ser o momento de maior conteúdo dialético do planejamento, na medida em que nega para superar. Para tanto, será necessário abandonar o enfoque fragmentário e pensar a proposta a partir de premissas metodológicas da dialética que ponham ênfase na totalidade, no caráter histórico dos processos sociais e no objetivo transformador e não meramente modernizador dessa proposta (BAPTISTA, 2007). Ainda nos faz importante saber, antes de prosseguirmos para os próximos assuntos, os elementos fundamentais de dialética no momento da avaliação, dentro ainda do processo de planejamento: Quadro 17. Elementos fundamentais no processo de planejamento. A dimensão do futuro. A avaliação será feita, a partir do presente, de uma análise crítica do passado, tendo-se a perspectiva de uma intencionalidade social que não está explícita na prática imediata e tem de ser apreendida por meio da busca de sua significação essencial; A dimensão da historicidade. Não pode ser esquecido que as determinações da sociedade maior se impõem na conjuntura e na ação que se realiza no trabalho localizado. Nesta dimensão, não se trata apenas de recuperar o processo histórico, mas também de saber interpretá-lo e reconstruí-lo na particularidade da intervenção. A dimensão da contradição. A avaliação é uma negação do planejado e do realizado para sua superação. Quando se está avaliando, está se colocando em questão a proposta, sua realização e seus resultados. Liste “colocar em questão” não é simplesmente uma negação, mas também um caminho de superação da ação, apropriando-se dos aspectos que foram se mostrando frutíferos para o alcance das intencionalidades que a nortearam e modificando aqueles que se mostraram inadequados ou que foram sendo superados no decorrer do processo: nenhuma solução permanece indefinidamenteboa, surgem situações novas, alteram-se condições, desdobram-se novas alternativas. A dimensão do enfrentamento da retífica frio. Ação planejada, objeto do planejamento, ocorre no cotidiano, diante das questões imediatas, e o que vai determinar o desempenho é o controle que o planejador e o executor têm do planejado. Venham sobre as variáveis da objetividade posta pela sociedade. Fonte: Adaptado de Baptista, (2007, p. 114). 44 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Processos de avaliação precisam necessariamente estar presentes nos projetos e em todos seus momentos, uma vez que identificam e antecipam aspectos que pode comprometer seu próprio desenvolvimento. Deste modo, a avaliação auxilia no processo de tomada de decisões e demarca os problemas mais importantes dos mais urgentes, objetiva o projeto e usa os recursos de forma mais inteligente, assim como emite notas sobre tais decisões, permitindo uma divulgação mais confiável dos resultados obtidos com o programa público ou privada. Veja no quadro 18 o rico conteúdo de Cohen (2008), em Avaliação de Projetos Sociais, os diferentes tipos de avaliação. Quadro 18. Tipos de avaliação. 1. Em função do momento em que se realiza e os objetivos que persegue. Avaliação de processos. Determina a medida que os componentes de um projeto contribuem ou são incompatíveis com os fins perseguidos. É realizado durante a implementação e, portanto, afeta a organização e as operações. Procura detectar as dificuldades que ocorrem na programação, na administração, no controle etc., para serem corrigidas oportunamente, diminuindo os custos derivados da ineficiência. Sua função central é medir a eficiência de operação do projeto. Avaliação de impacto. Procura determinar em que medida o projeto alcança seus objetivos e quais são seus efeitos secundários. Ambos os tipos de avalição se distinguem, então, pelos tipos de problemas, as decisões que envolvem e os potenciais usuários de seus resultados. A avaliação de processos olha para frente (para as correções ou adequações); a avaliação de impacto olha para trás (se o projeto funcionou ou não), descobrindo as causas (CONTRERAS, 1981). 2. Em função de quem realiza a avaliação. Avaliação externa É a realizada por pessoas alheias à organização-agente. Supostamente esses avaliadores têm maior experiência neste tipo de atividades e, por isso, se pensa que poderão comparar os resultados obtidos no caso concreto com outros similares que tenham tido oportunidade de conhecer, podendo realizar assim comparações sobre a eficácia e eficiência de diferentes soluções aos problemas enfrentados. Entretanto, afirma-se que as avaliações externas tendem a dar mais importância ao método de avaliação do que ao conhecimento substantivo da área em que o projeto foi desenvolvido. A maior vantagem do avaliador externo estaria em seu conhecimento da metodologia de avaliação e seus pontos fracos, alega-se, na área substantiva e nas especificidades do projeto. Avaliação interna É realizada dentro da organização gestora do projeto. Aduz-se como aspecto positivo que, em primeiro lugar, elimina as fricções próprias da avaliação externa. A avaliação interna é realizada por pessoas que não estão diretamente vinculadas com a formulação ou execução do projeto. Geralmente, são peritos que, dentro de instituições complexas, cumprem esse papel. Avaliação mista É a que procura combinar os tipos de avaliação acima, fazendo com que os avaliadores externos realizem seu trabalho em estreito contato e com a participação dos membros do projeto a ser avaliado. Pretende-se então, superar as dificuldades, ao mesmo tempo em que se preservam as vantagens de ambas as avaliações. Avaliação participativa O objetivo deste tipo de avaliação é minimizar a distância que existe entre o avaliador e os beneficiários. É utilizada particularmente em pequenos projetos, que procuram fixar as mudanças propostas criando condições para que seja gerada uma resposta endógena do grupo. 3. Em função da escala dos projetos Estratégia de avaliação Nos projetos grandes, recorre-se a uma estratégia analítica e objetiva. A avaliação é decomposta nas dimensões do projeto. É possível realizar avaliações parciais das diversas etapas para medir o sucesso alcançado em objetivos intermediários (cortes transversais); também pode-se apreciar o progresso na busca de objetivos específicos (cortes longitudinais e transversais), assim como a articulação do encadeamento dos processos de diagnóstico, a programação e a implementação, e o grau de eficiência da organização-agente. Com os projetos pequenos, é seguida uma estratégia basicamente qualitativa. A ênfase é dada à compreensão do conjunto e dos casos individuais que o integram. 45 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Lógica da avaliação Nos projetos grandes, ela é predominantemente dedutiva. Os objetivos derivam de um modelo causal que se expressa em hipóteses articuladas entre si. Sua verificação exige construir variáveis, indicadores e índices que permitem determinar em que grau o projeto modificou a realidade em relação aos seus objetivos. Nos projetos pequenos, a lógica de avaliação é indutiva. Roteiro da avaliação No caso dos grandes projetos se retomam os modelos próprios das ciências naturais: experimental clássico e sua família. Eles supõem uma captação particular da realidade, dimensionalidade, para determinar o grau de êxito ou fracasso. Nos projetos pequenos, parte-se da realidade global, procurando entender o projeto por meio das articulações que os indivíduos geram no tecido social do grupo ou comunidade. Técnicas de análise Nos projetos grandes, as técnicas de análise usuais são quantitativas, às vezes complementadas por outras do tipo qualitativo. Nos projetos pequenos, recorre-se mais ao qualitativo, utilizando técnicas próprias da antropologia cultural e da etnografia, como a observação participante, as entrevistas em profundidade, as histórias de vida etc. Resultados da avaliação Nos projetos grandes, são gerais. Dado seu tamanho, cabe diferenciar etapas, dimensões, processos ou níveis diferentes e fazer afirmações relacionadas às suas particularidades. Também os indivíduos que participam ou são afetados pelo projeto são tratados como classes de atores e não individualmente. Nos projetos pequenos, ao contrário, é feita uma consideração específica daqueles que participam dele, analisando também os casos desviados. Trata-se, enfim, de uma perspectiva individual. Avaliadores Nos projetos grandes a avaliação é centralizada. Dados os fatores analisados, particularmente a formulação e as técnicas de análise, o avaliador faz parte de uma equipe que não pode estar em permanente contato com todas as pessoas. Nos projetos pequenos, a localização do avaliador está no próprio projeto. 4. Em função da escala dos projetos Os dirigentes superiores Definem as políticas e estabelecem as prioridades entre os projetos segundo os objetivos da instituição. Adotam decisões determinando que projetos serão realizados e destinando-lhes recursos. Os administradores Têm função de distribuir os recursos para a concretização dos objetivos estabelecidos. Devem gerar modelos de alocação que otimizem a relação insumo-produto. Os técnicos Executam os projetos e devem centra-se em aspectos operativos, traduzindo os modelos para a prática. Fonte: Cohen (2008, pp. 108-117), com adaptação. Segundo Cohen (2008, pp. 108-109), os tipos avaliativos Avaliação ex-ante e Avaliação ex-post possuem suas diferenças: avaliação ex-ante tem por finalidade proporcionar critérios racionais para uma decisão qualitativa crucial: se o projeto deve ou não ser implementado. Também permite ordenar os projetos segundo sua eficiência para alcançar os objetivos perseguidos. Tanto a análise custo-benefício (ACB)como a análise custo-efetividade (ACE) são metodologias aptas para a avaliação ex-ante. Entretanto, a ACB é mais adequada para analisar projetos econômicos e a ACE apresenta maiores potencialidades para a avaliação de projetos sociais. » Avaliação ex-post é utilizada quando, nos projetos em execução, o qualitativo se relaciona com a decisão de continuar com o projeto (= sim) ou não prosseguir com ele, com base nos resultados obtidos até esse momento. Em caso de ser justificável seguir com sua execução, 46 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL aparece a dimensão quantitativa que, por sua vez, apresenta duas opções: manter a formulação original ou introduzir modificações na programação. Figura 10. Diagrama das decisões na avaliação ex-post. Fonte: Cohen (2008, p. 110). 47 CAPÍTULO 4 Liderar Vejamos os importantes conceitos sobre liderança que Idalberto Chiavenato nos traz, uma vez que liderar com eficácia e eficiência é parte fundamental no bom planejamento social e de possas, seja ele público ou privado: Liderança é um fenômeno que ocorre exclusivamente em grupos sociais. Ela é definida como uma influência interpessoal exercida em dada situação e dirigida pelo processo de comunicação humana para a consecução de um ou mais objetivo específicos [...]. A liderança é um tipo de influenciação entre pessoas. Uma pessoa influencia a outra em função dos relacionamentos existentes entre elas [...]. A liderança acontece em uma determinada situação. Ela ocorre em uma dada estrutura social decorrente da distribuição de autoridade de tomar decisões [...]. A liderança é realizada pelo processo da comunicação humana. Ela pode ser definida como a arte de induzir as pessoas a cumprirem suas obrigações com zelo e correção [...]. a liderança visa à consecução de um ou mais objetivos específicos. O líder surge como um meio para o alcance dos objetivos desejados pelo grupo [...]. Neste sentido, a liderança é uma questão de redução da incerteza do grupo (CHIAVENATO, 2012, pp. 130-131). A questão da identificação e da análise das fontes de poder também nos faz importante ressaltar e tê-las em mente, pois sabemos de modo cediço a má influência que pessoas não tão bem intencionadas agem quando no poder. Os tipos e usos do poder foram propostas, segundo Graham (1994), pela primeira vez em 1959, por French e Raven (1977), os quais postularam cinco bases principais do poder. Atente-se ao quadro 19: Quadro 19. Cinco bases principais do poder. 1) O poder da recompensa Baseia-se na capacidade do líder de prover incentivos materiais e não materiais. 2) O poder coercitivo Baseia-se na capacidade do líder de ameaçar ou punir, seja retendo recompensas desejadas ou por meio de repreensões, atribuições de tarefas indesejáveis e assim por diante. 3) O poder legítimo Que está relacionada à concepção de Weber de autoridade, deriva do ponto de vista dos seguidores de que o líder tem o direito de dirigir e que eles têm obrigação de aceitar suas ordens. 4) O poder referente Origina-se da administração dos trabalhadores pelo líder e do desejo de se identificaram com ele como pessoa. 5) O poder perito Baseia-se no conhecimento e know-how do líder em termos do trabalho. Fonte: Adaptado de Graham (1994, p. 166). 48 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Em um planejamento social, mesmo que pensemos em um contexto genérico, ainda se trata de pessoas, e pessoas possuem seus sentimentos individuais, os quais atuam subjetivamente no mundo. A própria filosofia da ciência, em concepções kuhnianas (pensamento do filósofo científico Thomas Kuhn), afirma que possui critérios objetivos, isso é certo, porém fatores subjetivos. Isto é, os próprios cientistas negligenciam experimentos e paradigmas em favor de pensamentos pessoas; são influenciados por interferente externos como família, prestígio próprio, envolvido com uma comunidade científica que possui pensamentos exclusivistas, dentre tantos outros fatores. Tipos de liderança Ainda existem alguns tipos de liderança que nos importam estudar de maneira compacta o que segue no quadro 20 como os três estilos de liderança, tão utilizados em bibliografias do setor: Quadro 20. Os três estilos de liderança. Liderança autocrática Liderança liberal Liderança democrática Tomada de decisões. Apenas o líder decide e fixa as diretrizes, sem qualquer participação do grupo. Total liberdade para a tomada de decisões grupais ou individuais, com participação mínima do líder. As diretrizes são debatidas pelo grupo, que é estimulado e assistido pelo líder. Programação dos trabalhos. O líder determina providências para a execução das tarefas, uma por vez, na medida em que são necessários e de modo imprevisível para o grupo. A participação do líder no debate é limitada, apresentando apenas alternativas ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que solicitadas. O próprio grupo esboça providências e técnicas para atingir o alvo com o aconselhamento técnico do líder. As tarefas ganham novos contornos com os debates. Divisão do trabalho. O líder determina qual a tarefa que cada um deverá executar e qual será seu companheiro de trabalho. Tanto a divisão das tarefas como a escolha dos colegas fica por conta do grupor. Absoluta falta de participação do líder. A divisão das tarefas fica a critério do grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus próprios colegas. Participação do líder. O líder é pessoal e dominador nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada um. O líder não faz nenhuma tentativa de avaliar ou regular o curso das coisas. Faz apenas comentários quando perguntado. O líder procura ser um membro normal do grupo. É objetivo e estimula com fatos, elogios ou críticas. Fonte: Chiavenato (2012, p. 133). Em suma, a informação nos basta para entendermos que qualquer tipo de planejamento envolve pessoas planejando-o, o que se trata do conjunto de sentimentos e pensamentos que envolvem um bem comum, os quais possuem por si só fatores subjetivos e os quais requerem alguns cuidados especiais. Vejamos um pouco então sobre a inteligência emocional e sua contribuição em nossos estudos. 49 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Inteligência emocional Os líderes, por sua vez, apresentam diferentes maneiras de dirigir uma equipe. Alguns são reprimidos e analíticos, enquanto outros carismáticos e decididos. Chiavenato cita Goleman e suas concepções sobre líderes eficazes apresentam-se sob um aspecto fundamental: todos têm um alto grau de inteligência emocional (CHIAVENATO, 2012). Ainda prossegue afirmando que ela simplesmente não significa ter autocontrole sobre as emoções ou se dar bem com as pessoas, mas entender bem sua própria constituições emocional e a das outras pessoas para direcioná-las ao rumo certo para a realização dos objetivos da empresa. Elas podem continuar a dominar suas emoções e são capazes de ir em frente com as mudanças sem entrar em pânico. Em Goleman, residem quatro capacidades fundamentais em um bom líder: Quadro 21. Quatro capacidades fundamentais de um líder competente. AUTOCONSCIÊNCIA Autoconsciência emocional. Habilidade de ler e entender suas emoções e reconhecer seus impactos no desempenho do trabalho e nos relacionamentos com as pessoas. Autoavaliação. Habilidade de autoapreciar realisticamente suas forças e limitações pessoais. Autoconfiança. Forte e positivo sentido de autovalorização. AUTOGESTÃO Autocontrole. Habilidade de manter as emoções e os impulsos sob controle. Confiança. Demonstração consistente de honestidade e integridade. Estado-consciente. Habilidade de conduzir a si mesmo e as suas responsabilidades. Adaptabilidade. Habilidade em se ajustar às situações de mudançae superar obstáculos e dificuldades. Orientação de proezas. Direcionamento para encontrar um padrão interno de excelências. Iniciativa. Disposição para aproveitar as oportunidades. CONSCIÊNCIA SOCIAL Empatia. Habilidade de sentir as emoções de outras pessoas, entender suas perspectivas e assumir um interesse ativo em suas preocupações. Consciência organizacional. Habilidade de ler as correntes da vida organizacional, construir decisões em networks e dirigir políticas. Orientação de serviço. Habilidade de reconhecer e diagnosticar as necessidades e as aspirações dos clientes. 50 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL HABILIDADE SOCIAL Liderança visionária. Habilidade de assumir encargos e inspirar com uma visão de futuro convincente. Influência. Habilidade de utilizar táticas persuasivas. Desenvolver pessoas. Propensão para fortalecer as habilidades dos outros por meio de feedback e orientação. Comunicação. Habilidade de ouvir e transmitir mensagens claras, convincentes e impulsionadoras. Mudança catalizadora. Capacidade de iniciar novas ideias e liderar pessoas em novas direções. Gestão de conflitos. Habilidade para desfazer conflitos e orquestrar consenso. Construção de laços. Capacidade de cultivar e manter uma rede de relacionamentos. Trabalho em equipe e colaboração. Competência em promover cooperação e desenvolver equipes. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, pp. 135-136). 51 CAPÍTULO 5 Controlar O controle gerencial por meio de relatórios e orçamentos de fato é uma das maneiras mais eficazes de se controlar uma organização, pública ou privada, uma vez que refletem o esforço contínuo para obter informações sobre o desempenho organizacional e para avaliá-lo. Esse esforço é importante de seu próprio modo nas organizações públicas, pois não há um sistema de preços para orientar os administradores e o meio político lhes envia muitos sinais geralmente contraditórios. O controle organizacional, por meio das informações de relatórios e orçamentos disponíveis a terceiros, é de suma importância para uma sociedade democrática (GRAHAM, 1994). O sucesso e a eficiência dos controles gerenciais dependem das informações com as principais funções gerenciais, nos quais há, segundo Graham (1994, p. 207): » Relatórios de planejamento que os administradores usam para prever futuros desenvolvimentos de programas e suas consequências para os serviços e orçamentos da agência. » Relatórios informativos que ajudam os administradores a analisar o impacto da atividade dos programas e avaliar sucesso e fracassos. Relatórios de orçamento que medem o desempenho fiscal e comparam os custos das operações com os rendimentos disponíveis. A seguir, você poderá acompanhar um exemplo hipotético do calendário de orçamento para um ano fiscal com início em 1o de janeiro: Quadro 22. Calendário hipotético de orçamento para um ano fiscal com Início em 1o de janeiro. Data Atividade 1o de julho Instruções e formulários são enviados do escritório do administrador para os chefes de departamentos com vistas aos aprimoramentos primordiais propostos. Um plano global para todos os eventos que afetem os chefes de departamento nas fases de preparação e aprovação também é providenciado. 31 de julho Prazo para submissão dos aprimoramentos essenciais propostos pelos departamentos. Começa-se a preparação dos aprimoramentos essenciais propostos, por parte do departamento de planejamento de um consultor de planejamento, dentro do contexto do plano global de aprimoramento essencial. 7 de agosto Formulários de solicitação de orçamento operacional e instruções são enviados pelo administrador para cada departamento com listagens detalhadas de salários do orçamento operacional correntamente preenchidas. As instruções incluem também o percentual de aumento salarial proposto pelo administrador e uma descrição de quaisquer outros programas que possam afetar os orçamentos departamentais. 14 de agosto O administrador ou a comissão de planejamento começa a estudar o programa de aprimoramentos essenciais. 52 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Data Atividade 10 de setembro O administrador completa as estimativas preliminares da receita, baseadas na experiência de oito meses do corrente ano fiscal. Qualquer superávit do último ano fiscal é também considerado na estimativa. 10 de setembro Prazo para remeter todas as solicitações de orçamentos departamentais ao administrador. 14 de setembro Começam as conferências de orçamento com os chefes de departamentos. 21 de setembro Terminam as conferências de orçamento entre o administrador e os chefes de departamentos. 10 de outubro São feitas as estimativas finais da receita, baseadas na experiência de nove meses. 14 de outubro Termina-se o orçamento operacional preliminar, com as recomendações do administrador; a datilografia e impressão finais são autorizadas. 7 de novembro O orçamento é submetido ao conselho. 21 de novembro Primeira leitura do regulamento e resolução do orçamento. O orçamento é colocado à disposição da imprensa e do público. 7 de dezembro Audiência pública sobre o regulamento e a resolução do orçamento: início da preparação do orçamento final. 14 de dezembro O conselho vota o regulamento e a resolução do orçamento. 21 de dezembro O orçamento final é enviado aos departamentos. 1o de janeiro Começa o ano fiscal. Fonte: Graham (1994, p. 218). Apenas para efeito de conhecimento, é sabido que a Carta Magna criou um sistema de planejamento ao qual o orçamento anual seria um instrumento de arrecadação e gastos de curto-prazo, regido pelas determinações do Plano Plurianual (PPA) e das Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo ainda Edilberto e Rogério em Mendes (2006, p. 323) o PPA é: Um instrumento de planejamento de médio prazo, e deve estabelecer as diretrizes para as despesas de capital e para as de duração continuada. Tem duração de quatro anos, revisado atualmente. A vigência é do segundo ano de mandato do presidente da República até o primeiro ano de mandato do presidente que o suceder. A vigência entre dois governos foi estabelecida com o intuito de tentar evitar solução de continuidade entre as ações governamentais quando da mudança de governo. Envolve recursos das três esferas de governo e fontes privadas, internas e externas. Como tarefa extra, o aluno proativo e bem intencionado buscará mais informações referentes ao processo de controle, tal como o controle e troca de informações internas, as diferentes formas de medição de desempenho (principalmente em Altaman e Klejnen). Estudará também com mais cuidado o MIS (Management Information System) e PMIS (Public Management Information System). 53 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Controle Aprofundando-nos agora especificamente na terminologia controle em si, ela se dá de diversos modos e significados, contudo, precisamos ter em mente os três significados primeiros e mais comuns de controle: Quadro 23. Conceito de controle. Controle como função restritiva e coercitiva. Utilizada para coibir ou restringir certos tipos de desvio indesejáveis ou de comportamentos não aceitos pela comunidade. Nesse sentido, o controle assume um caráter negativo e restritivo, sendo muitas vezes interpretado como coerção, delimitação, inibição e manipulação. É o chamado controle social aplicado nas organizações e nas sociedades para inibir o individualismo e a liberdade das pessoas. Controle como um sistema automático de regulação. Utilizado para manter automaticamente um grau constante no fluxo ou no funcionamento de um sistema. É o caso do processo de controle automático de refinarias de petróleo ou das indústrias químicas de processo contínuo e automático. O mecanismo de controle detecta possíveisdesvios ou irregularidades e proporciona automaticamente a regulação necessário para voltar a normalidade. É o chamado controle cibernético que é inteiramente autossuficiente na monitoração do desempenho e na correção dos possíveis desvios. Quando algo está sob o controle, significa que está dentro do normal ou da expectativa. Controle como função administrativa. É o controle como parte do processo administrativo, como o planejamento, a organização e a direção. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2012, p. 375). Deste modo, assim como o planejamento, a organização e a direção, o controle é uma função administrativa a qual se distribui entre todos os níveis organizacionais. Assim, quando se fala de controle, significa que o nível institucional efetua o controle estratégico, o nível intermediário faz os controles táticos, e o nível operacional, os controles operacionais, cada qual dentro de sua área de competência. Os três níveis se interligam e se entrelaçam em si mesmos. Todavia, o processo é exatamente o mesmo para todos os níveis: monitorar e avaliar incessantemente as atividades e operações da organização (CHIAVENATO, 2012). Em Planejamento Social – intencionalidade e instrumentação, Baptista (2007) afirma que, no planejamento, o controle é instrumento de apoio e racionalização da execução, no sentido de assegurar a observância no programado, prevenindo desvios. Cita ainda que o controle pode ser definido como a fase em que se processam o acompanhamento sistemático, a mensuração e o registro das atividades executadas dos recursos utilizados, do tempo dispendido em cada fase dos resultados alcançados. Desta forma, objetiva-se no controle, segundo o mesmo autor: » a verificação da correspondência do realizado com o planejado, em termos de meios e de produto; 54 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL » a identificação e a correção de desvios e bloqueios na execução, em relação ao estabelecido no planejamento; » o fornecimento de subsídios para avaliação e revisão da ação. Para assegurar um controle efetivo na execução do planejado, devem ser estabelecidas (sempre que possível, por ocasião da montagem dos planos, programas ou projetos) definições operacionais dos objetivos e das metas propostas, com explicitação das unidades de medida c dos critérios que nortearão a observação e a mensuração. Há também que se ter a preocupação de montar um sistema de informações que permita identificar os bloqueios e os desvios à operacionalização do projeto. A ação do controle é efetivada em um processo contínuo e dinâmico de acompanhamento da execução da ação programada e, também, em momentos definidos de verificação (mensal, semanal, anual, ao final de determinada etapa, etc.), os quais variam de acordo com a natureza do controlado e com o objetivo específico daquele controle (BAPTISTA, 2007, pp. 109-110). Em suma, ele conclui que a dinâmica do controle pode ser assim sintetizada: Quadro 24. Síntese da dinâmica do controle. Estabelecimento das unidades de medida e das especificações. Estabelecimento de padrões (critérios que norteiam a análise qualitativa do executado). Acompanhamento da ação e coleta de informações sobre a execução. Comparação entre o executado e o programado. Correção da execução e/ou revisão do projeto. Para captar informações, há que se definir quais interessam e quais instrumentos serão utilizados para alcançá-las, que poderão ser: » O plano que dá base ao controle (o que, quando, onde, quanto, como). » Manuais de operação. » Gráficos do desenvolvimento da ação. » Relatórios. » Cronogramas. » Fluxogramas. » Orçamento-programa. Fonte: Adaptado de Baptista (2007, pp. 110-111). 55 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II O Ciclo do PDCA, a Melhoria Contínua e o Controle Social no Meio Ambiente Antes de tudo, vejamos em nossa Carta Magna o direito humano do uso equilibrado do meio ambiente, por conseguinte, a importância de tê-lo e mantê-lo de fato equilibrado: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Embora possa ser considerado de pouco conteúdo, a CF brasileira é considerada uma das mais restritivas do mundo em termos de meio ambiente. Para aproximar nosso contexto social e direitos humanos frente às questões ambientais, vejamos em Pinsky e Pinsk (2005, p. 405) a magnitude da tangência que uma área tem da outra: Um dos aspectos mais importantes da relação entre cidadania e ambiente é a desigualdade ao acesso e uso da base material da existência. Esse debate teve avanços na década de 1960, quando foi divulgado o relatório do Clube de Roma intitulado Limites para o crescimento, que destacou a impossibilidade em manter o padrão de produção e consumo da população dos países ricos para toda a população do planeta, porque não há, por exemplo, minério de ferro suficiente para fabricar carros para os mais de seis bilhões de habitantes da Terra. O referido documento divulgou o que já era conhecido de uns poucos estudiosos das questões ambientais: a perspectiva da escassez de recursos naturais para a reposição da base material da existência humana a ser mantido o padrão capitalista de produção de mercadorias. Esse texto ressalta a importância do meio ambiente para os direitos humanos de uma maneira interdisciplinar, pois esta é a palavra que rege o setor ambiental >> interdisciplinaridade. O ciclo PDCA foi idealizado por Shewart e aplicado por Deming no uso de estatísticas e métodos de amostragem. É uma ferramenta que representa o ciclo de gerenciamento de determinada atividade. Seu conceito evoluiu com o passar dos anos, vinculando-se à ideia de que determinada organização, a qual deseja atingir seus objetivos e metas, necessita sempre planejar e controlar atividades inerentes à organização. 56 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL O importante aqui nos faz analisar e estudar os princípios do PDCA e suas definições de uma maneira aplicada. Desta forma, os requisitos que compõe o regulamento na auditoria de planejamento da Norma Brasileira ISO 14.0001/2004, oriundo da língua inglesa são Plan, Do, Check e Act, servindo de base metodológica da Norma, significando em português: Quadro 25. Ciclo do PDCA. Planejamento Estabelecer missão, visão, objetivos e metas, procedimentos e processos que são necessários para atingiros resultados desejados. Execução Fazer, executar as atividades. Verificação Monitorar e avaliar periodicamenteos resultados; avaliar processos e seus respectivos resultados; confrontando-os com os objetivos e especificações do que se deseja alcançar, compilando dados e documentando em relatório quando necessário. Ação Agir de acordo e em função do que fora avaliado, bem como os relatórios, determinar e confeccionar, quando necessário, novos planos de ação, a fim de melhorar a qualidade, eficiência e eficácia, aperfeiçoando a execução, mitigando e corrigindo eventuais falhas. Ou melhor: Figura 11. Fonte: <http://www.gestaorosinholi.com.br/pdca2.jpg>. Em meio ambiente, a ideia de melhoria contínua é vista como um dos principais propósitos de qualquer atividade, ordenança a qual faz parte integral do processo aqui apresentado PDCA. A ideia se dá principalmente ao término do ciclo, em que se pode aplicá-la de forma a, após avaliado todos as etapas anteriores, verificar todo o ciclo e mitigar os erros, fortificar os acertos, apresentar novas ideias de resolução de problemas e extrair o melhor de cada uma, para que com isto, no próximo ciclo, melhorar sempre e progressivamente o sistema por completo. 57ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Figura 12. Melhoria Contínua Fonte: Lima (2012). É conhecido no meio técnico ambiental que esta metodologia está entrelaçada com todo o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), uma vez que “Estabelecer, documentar, implementar, manter e continuamente melhorar” são basicamente as fases do PDCA para o setor de meio ambiente, tal como o setor de segurança do trabalho que visa buscar semelhantes aspectos, haja vista as preocupações da área ambiental e segurança que em muitos casos são próximas umas das outras. Anterior à etapa de planejamento, há o pré-planejamento. Etapa inicial, a qual tempo por princípio antecipa-se a implantação do SGA, previsto na ISO 14.001. Posterior ao primeiro ciclo, esta fase é mais adequada ao final do próximo, para busca máxima de melhorias. Na etapa de planejamento, deve-se estar com todo o arcabouço legal previsto para todo e qualquer potencial atividade. Obter o máximo de aspectos ambientais possíveis e estabelecer objetivos e metas para todos os programas envolvidos. Busca-se nesta etapa assegurar-se que tudo fora considerado e devidamente documentado; após todo o planejamento executado inicia-se a implantação e operação. Nesta etapa, é adequado que as responsabilidades, funções e autoridades estejam devidamente estabelecidas. Treinar e instruir com informações e conscientização toda a equipe, uma vez que todos no setor de meio ambiente estão e devem estar envolvidos em todas as etapas do processo. A comunicação, portanto, deve ser contínua, objetivando 58 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL documentar todos os passos, controlando documentação e operação do processo, preparando-se sempre para eventuais problemas e emergências. Na etapa de verificação, deve-se monitorar e medir aspectos do sistema, saber exatamente como está fluindo cada item e ter parâmetros anteriores ou previamente estabelecidos para checar com base nos ciclos anteriores as melhoras, pioras ou equidade do sistema. Deve-se verificar o atendimento a todo o arcabouço legal levantado na etapa de planejamento, bem como normas técnicas e outros pertinentes; verificar as não conformidades e diagnosticá-las a fim de estabelecer um prognóstico completo, mitigando ou anulando falhas futuras com ações corretivas e preventivas; verificar todos os passos documentados ao longo do processo, a fim de registrar com maior eficiência os próximos ciclos. Analisar todas as etapas administrativamente, melhorar continuamente e ter os objetivos e metas claros e bem instruídos a todos que compõe o sistema, independente do grau de envolvimento, é que se faz um PDCA de contínua melhoria em busca de melhores resultados não somente financeiro, mas para a imagem da empresa frente a todas as partes interessadas e ao planeta que tanto carece de melhores e contínuos cuidados. Conclui-se, portanto que o ciclo do PDCA é de fundamental para qualquer que seja a gestão a ser aplicada, atividade ou serviço social, uma vez que a melhoria contínua encaixa-se em qualquer um aspecto organizacional público ou privado. Se bem aplicado, controlado e supervisionado o PDCA atende as principais funções de auditoria, seja ela ambiental, de segurança ou qualidade, pela mídia e toda a pressão que se exerce sobre o funcionário público, sendo sua eficácia comprovada e indiscutível. 59 CAPÍTULO 6 Organizações Sociais (OS) 1. A organização social é uma qualificação, um título, que a Administração outorga a uma entidade privada, sem fins lucrativos, para que ela possa receber determinados benefícios do Poder Público (dotações orçamentárias, isenções fiscais etc.), para a realização de seus fins, que devem ser necessariamente de interesse da comunidade11. As Organizações Sociais (OS) são um modelo de organização pública não estatal a qual se destina a absorver atividades publicizáveis mediante qualificação específica. Logo, trata-se de uma forma de propriedade pública não estatal, composta pelas associações civis sem fins lucrativos, que não são propriedade de nenhum indivíduo ou grupo e estão orientadas diretamente para o atendimento do interesse público. As OS são um modelo de parceria entre o Estado e a Sociedade, tornando mais fácil e direto o controle social, constituindo uma inovação institucional (CHIAVENATO, 2012). Na página digital do governo de Goiás, em uma explicação do que é a organização social trata que nenhuma organização nasce “organização social”, mas que ela precisa ser qualificada desta forma, atender a vários critérios para ser qualificada. A administração concede a uma entidade privada, sem fins lucrativos, o título de organização social (OS), para que ela possa com isto receber determinados benefícios do Poder Público, tal como dotações orçamentárias, isenções fiscais entre outros. Deve ser necessariamente de interesse da comunidade. As organizações sociais são um modelo de parceria entre o Estado e a sociedade. O Estado continua fomentando e controlando, estrategicamente, as atividades. Isso significa que o Estado estabelece metas e cobra resultados. A Lei no 9.637, de 15 de maio de 1998, a qual trata das OS, determina expressamente que aquisições e contratações com recursos públicos para a execução do contrato de gestão sejam feitas por meio de procedimentos próprios estabelecidos em regulamento. A norma estabelece que, obrigatoriamente, devem ser observados os princípios constitucionais aplicáveis à licitação, ou seja, impessoalidade, isonomia, publicidade, economicidade, eficiência. 11 Disponível em <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista5/5rev6.htm>. Ou no Anexo I em nosso material. 60 UNIDADE II │ ADMINISTRAÇÃO SOCIAL Implementando Organizações Sociais: o processo de publicização Vamos nos informar sobre a publicização diretamente nas palavras de Chiavenato (2012, p. 404): Publicização refere-se à produção não-estatal de bens públicos, por entidades situadas no âmbito do denominado terceiro setor (setor de serviços não orientado para o lucro). O projeto OS baseia-se na publicização de atividades relacionadas à produção de bens públicos realizadas por entidades estatais, ou seja, permitir sua absorção por entidades não-estatais orientadas para certas políticas públicas. A implementação de Organizações Sociais implica duas ações complementares: a publicização de determinadas atividades executadas por entidades estatais (que serão extintas); e a absorção dessas atividades por entidades privadas qualificadas como OS, mediante contrato de gestão. Portanto, é imprópria a idéia segundo a qual organizações estatais seriam convertidas ou transformadas em OS. Atividades (não exclusivas de Estado), não entidades, são publicizadas. Entidades estatais são extintas após a publicização de suas atividades; não convertidas em OS. O autor ainda traz uma sequência lógica do processo de publicização nos diagramas abaixo: Figura 13. Publicização. Fonte: Chiavenato (2012, p. 405). 61 ADMINISTRAÇÃO SOCIAL │ UNIDADE II Figura 14. Publicização 2. Fonte: Chiavenato (2012, p. 406). Navegue pelas páginas que tratam a fundo e de maneira profissional as Organizações Sociais (OSs). Considere os temas e emita sua opinião (se possível com base em informações de fontes confiáveis jornalísticas) sobre a eficiência e eficácia das ações reais delas. Veja também: <http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/ revista5/5rev6.htm>. 62 Para (não) Finalizar Não pare no meio do caminho Ingenuidade é acreditar que um assunto encontra-se esgotado sempre ao final de algum livro, material ou estudo. Este é um meio de pesquisa para que seus estudos continuem e prossigam sempre avançando. Vimos o que se apresenta com mais frequência no meio acadêmico doestudo da administração e gestão pública com a ferramenta “planejamento social e interdisciplinaridade”. No entanto, resta-nos ter em mente que muitos assuntos de valor podem e devem ser consultados para efeito de aprimoramento do conhecimento e crescimento de valor de conteúdo. É desta forma com a qual indicamos os seguintes assuntos: a. Teoria da Administração Científica. b. Teoria Clássica. c. Teoria das Relações Humanas. d. Teoria Burocrática. e. Teoria Comportamental. f. Teoria Estruturalista. g. Teoria de Sistemas. h. Teoria das Contingências. Leia também: Tom Burns apresentou dois tipos de estruturas organizacionais: » sistema mecânico; » sistema orgânico. 63 PARA (NÃO) FINALIZAR Planejamento para: » Erradicação da extrema pobreza e a fome. » Alcance do ensino básico universal. » Promoção da igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. » Redução da mortalidade infantil. » Melhora da saúde maternal. » Combate ao HIV/Aids, malária e outras doença. » Garantia da sustentabilidade ambiental. » Estabelecimento de parceria mundial para o desenvolvimento. Sobre as Áreas de Políticas Públicas: » Políticas de infraestrutura. » Políticas ambientais. » Políticas sociais. » Políticas culturais. » Políticas econômicas. » Política de ciência e tecnologia. » Políticas de segurança pública. » Políticas de defesa de direitos específicos. » Políticas de uso e ocupação do solo. » Administração pública societal, a discussão e análise dos modelos gerencial e societal. 64 Referências ACKOFF, Russell L. Planejamento empresarial. São Paulo: McGraw-Hill, 1976. BAPTISTA, Myrian V. Planejamento social. Intencionalidade e instrumentação. São Paulo-Lisboa: Veras Editora, 2007. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. CIPRIANI, Roberto. Manual de sociologia da religião. São Paulo: Paulus, 2007. CHIAVENATO, Idalberto. Administração geral e pública. Barueri: Manole, 2012. COHEN, Ernesto. Avaliação de projetos sociais. Petrópolis: Vozes, 2008. CONTRERAS, E.B. (1981). “La Teleducación como Sistema” en Los retos de la educación a Distancia. Guatemala, FUPAC. FREUND, Julian. Sociologia de Max Weber. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2003. GOLEMAN, D. O que faz um líder? Rio de Janeiro: Campus, 2001. GRAHAM, Cole B. Para administrar a organização pública. Rio de Janeiro: Jorge Zehar Ed., 1994. GULIK, Luther; URWICK L. 1937. Papers on the Science of Administration. New York: Institute of Public Administration. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Maria de A. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 2010. LOZANO, Simon e MARTIN, Sebastian. Elplaneamiento de la educación. Santiago do Chile, 1968. (Cuodernos dei Instituto Latinoamericano de Planificación Económica y Social, no 7, Serie Il/Antccipps de Investigación). PINSK, Jaime; PINSK, Carla B. História da cidadania. São Paulo: Contexto, 2005. POCHMANN, Marcio. Políticas de inclusão social: resultados e avaliação. São Paulo: Cortez, 2004. 65 REFERÊNCIAS RIVERA, F. J. U. Agir comunicativo e planejamento social: uma crítica ao enfoque estratégico. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 1995. SOUZA, M.F. 2009. Interdisciplinaridade, Serviço Social e penas alternativas: entre a tutela institucional e a emancipação dos sujeitos em conflito com a lei. STONER, James A. et al. Management, op. cit., p. 159. THOMPSON, Victor. Without Passion or Enthusiasm. Tuscaloosa: University of Alabama Press, 1975. WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 2. Ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. ______. 1952. The essentials of bureaucratic organization: an ideal-type construction. In. Reader in Bureaucracy. Org. por Robert K. Merton et al., 18-27 Glencoe, III.: Free Press.