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SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália Christina da Silva Matos GRADUAÇÃO Unicesumar C397CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; CHATALOV, Renata Cristina de Souza; MATOS, Natá- lia Christina da Silva. Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Renata Cristina de Souza Chatalov; Natália Christina da Silva Matos. Maringá-Pr.: Unicesumar, 2019. 192 p. “Graduação - EaD”. 1. Sustentabilidade. 2. Esponsabilidade . 3. Social 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1852-3 CDD - 22 ed. 333.91 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Marcia de Souza Designer Educacional Bárbara Neves e Rossana Costa Giani Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Robson Yuiti Saito Qualidade Textual Silvia Caroline Gonçalves Ilustração Rodrigo Barbosa da Silva Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quan- do investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Crian- do oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógi- ca e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complemen- tando sua formação profissional, desenvolvendo com- petências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhe- cimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fó- runs e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra dis- ponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. CU RR ÍC U LO Professora Me. Natália Christina da Silva Matos Mestre em Tecnologias Limpas pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2018). Especialista em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2015). Graduada em Agronegócio pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2012). http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4850526Y9 Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Mestra em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Especialista em Gestão Ambiental pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão - Fecilcam. Graduada em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Centro Universitário Unicesumar e em Tecnologia Ambiental pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Professora no curso de graduação em Administração na Faculdade Metropolitana de Maringá e da disciplina de Indústria e Meio Ambiente na Pós-Graduação em Gestão Ambiental na Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da Pós- Graduação EAD - Unicesumar. Atualmente, é coordenadora dos cursos de Gestão da Qualidade e Tecnologia em Segurança no Trabalho na modalidade EAD - Unicesumar. http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4400997J9 SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) aluno(a), estudaremos a Sustentabilidade e a Responsabilidade Social, um tema contemporâneo e de suma importância para várias áreas do conhecimento. Dessa maneira, estudaremos a problemática ambiental, a origem do desenvolvimento sustentável, a responsabilidade social, as práticas de gerenciamento ambiental, além de conhecer algumas ferramentas importantes que refletem na sustentabilidade e na responsabilidade social. Conheceremos também as ações de marketing voltadas à sus- tentabilidade, bem como as certificações. Trabalharemos com as dimensões da respon- sabilidade social e as divulgações de resultados de ações sustentáveis. Dessa forma, di- vidiremos nossos estudos em cinco unidades. Em nossa primeira unidade, cuja temática central é o Desenvolvimento Sustentável como um novo modelo, iniciaremos nossa discussão relacionando a questão ambiental com o crescimento populacional. Para isso, começaremos abordando o contexto históri- co, desde os primórdios até a Revolução Industrial – que foi um grande marco no cresci- mento –, e época que iniciaram alguns problemas ambientais. Discutiremos a origem do Desenvolvimento Sustentável, apresentando seu conceito,que é difundido até os dias atuais, além de apresentarmos a você os pilares do desenvolvimento sustentável, bem como as suas dimensões e os seus objetivos. Em nossa segunda unidade, trabalharemos com a questão das empresas e do meio am- biente, em que apresentaremos a relação das organizações com a questão ambiental, os acidentes ambientais de grande relevância em nível mundial e nacional, a questão das indústrias e o meio ambiente. Tratando-se da relação das empresas com a sustentabili- dade econômica, discutiremos a gestão e a distribuição eficiente de recursos naturais, e conceitos como de economia ecológica e economia verde. Quanto às questões de responsabilidade socioambiental, falaremos sobre os investimentos na área social e a criação de políticas de Responsabilidade Social Empresarial. Na Unidade 3, abordaremos a questão de marketing, sustentabilidade e certificações, em que apresentaremos a você o conceito e a aplicabilidade do marketing verde, a questão de normas e certificações voltadas à responsabilidade social, nas quais traba- lharemos com a ISO 26000 e a NBR 16001, que é a norma brasileira de Gestão da Res- ponsabilidade Social. Na Unidade 4, falaremos sobre as dimensões da responsabilidade social, em que analisare- mos questões relacionadas à ética empresarial e as políticas e práticas inclusivas. Na Unidade 5, abordaremos as auditorias e os modelos de divulgações de ações sus- tentáveis, apresentando os demonstrativos de natureza social e ambiental, os principais modelos de balanço e relatórios de sustentabilidade, finalizando com algumas premia- ções na área de sustentabilidade. Esperamos que, após fazer a leitura deste livro, você aprofunde cada vez mais seus co- nhecimentos nesta área, que é muito rica em detalhes. Desejamos que tenha ótima lei- tura e bons momentos de aprendizado. Bons estudos! APRESENTAÇÃO SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL SUMÁRIO 09 UNIDADE I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO 15 Introdução 16 Dinâmicas Fundamentais do Crescimento Populacional e o Uso Sustentável de Recursos Naturais 22 Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland 31 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 34 Considerações Finais 39 Referências 42 Gabarito UNIDADE II EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE 45 Introdução 46 Modelos de Sustentabilidade Empresarial 55 Empresas e Sustentabilidade Econômica 73 Responsabilidade Socioambiental 78 Considerações Finais 83 Referências 86 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO 89 Introdução 90 Marketing Verde 101 Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social 108 NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social 117 Considerações Finais 122 Referências 124 Gabarito UNIDADE IV DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL 127 Introdução 128 Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial 133 Dimensões da Ética Empresarial 144 Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social 151 Considerações Finais 154 Referências 156 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS 159 Introdução 160 Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental 171 Modelos de Balanço Social 179 Premiações na Área de Sustentabilidade 182 Considerações Finais 186 Referências 188 Gabarito 189 Conclusão U N ID A D E I Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália Christina da Silva Matos DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Objetivos de Aprendizagem ■ Analisar os problemas ambientais contemporâneos. ■ Compreender o histórico do desenvolvimento sustentável. ■ Apresentar conceitos sobre a sustentabilidade e a responsabilidade social, bem como os ODS. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ As dinâmicas fundamentais do crescimento populacional humano e a sua relação com o uso sustentável de recursos naturais ■ Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland ■ Objetivos do desenvolvimento sustentável INTRODUÇÃO Prezado(a) acadêmico(a), seja bem-vindo(a). Nesta primeira unidade, você fará um estudo que é de extrema importância para várias áreas do conhecimento: o desenvolvimento sustentável. Para iniciarmos essa discussão, gostaríamos de esclarecer você que o meio ambiente que conhecemos hoje sofreu muitas modifi- cações ao longo dos séculos, e os conceitos hoje estudados nem sempre existiram. Assim, o grande desafio desta unidade é resgatar brevemente o contexto histó- rico ambiental, bem como entender e refletir os conceitos que são fundamentais para o bem-estar de todos. Dessa maneira, estudaremos que o desenvolvimento sustentável está rela- cionado com a preservação dos recursos naturais utilizados pela nossa geração, pensando nas gerações vindouras. Assim, buscaremos esclarecer algumas espe- cificidades acerca dos conceitos que englobam o desenvolvimento sustentável, como o crescimento populacional, os problemas causados ao meio ambiente por falta de conscientização ambiental, as interferências das organizações não governamentais (ONGs) na construção de um novo paradigma perante a huma- nidade, assim como as interferências governamentais. Ainda nesta unidade, você terá a oportunidade de ampliar sua visão sobre uma cidadania sustentável. Isto significa riqueza de possibilidades, significa come- çar a pensar de forma sistêmica, em que tudo tem conexão com tudo. Entretanto, é preciso estar atento(a) – seja qual for a conexão estabelecida, deve estar em conformidade com a concepção de sustentabilidade. À medida que as possibili- dades são conduzidas, a ação é sempre em busca do bem comum, das pessoas, de todos os seres vivos, da natureza e do planeta. Finalizaremos nossos estudos abordando a questão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que se trata de 17 metas globais determi- nadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 DINÂMICAS FUNDAMENTAIS DO CRESCIMENTO POPULACIONAL E O USO SUSTENTÁVEL DE RECURSOS NATURAIS Caro(a) aluno(a), iniciaremos nossos estudos abordando a relação do crescimento populacional e a sustentabilidade. Vejamos, a seguir, os problemas ambientais e a população humana. PROBLEMAS AMBIENTAIS E A SUA RELAÇÃO COM O CRESCIMENTO POPULACIONAL Para que o ensino da sustentabilidade alcance os objetivos propostos, é necessá- rio que o conhecimento da atividade humana seja descrita. Segundo o historiador Warren Dean (1995) em seu livro A Ferro e Fogo, a destruição da Mata Atlântica teve início quando os portugueses tomaram conta do território brasileiro. A natu- reza era vista como uma força contraditória ao desenvolvimento, um empecilho a ser eliminado para o cultivo das plantações, baseadas na monocultura de exportação. Outro marco histórico é o desenvolvimento das máquinas a vapor (por volta de 1760). A grande Revolução Industrial e os avanços tecnológicos proporciona- ram a exploração de recursos naturais em escala nunca vista antes. Esses avanços foram muito maiores com a invenção do motor à combustão (1876), assim como Dinâmicas Fundamentais do Crescimento Populacional e o Uso Sustentável de Recursos Naturais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 a eletricidade (1870). Esse crescimento tecnológico foi responsável por melho- rias no crescimento econômico, mas também por grandes problemas futuros. Imersos na mentalidade da época, a poluição das fábricas era encarada como um símbolo de vitória e prosperidade, a falta de consciência acerca da necessidade de crescimento ecologicamente viável e socialmente igual a todos era totalmente inexistente. Surgiu uma sociedade baseada na produção e no consumo. Nas décadas de 60 e 70, em meio às mudanças socioculturais que domi- navam a sociedade a todo vapor, deu-se início às despertando reflexões sobre os danos causados ao meio ambiente, havendo os primeiros esforços para uma consciência ecológica e ativa. O grande sinal de alerta foi o lançamento da obra Primavera Silenciosa, no ano de 1962, pela bióloga Rachel Carson, em que é dis- cutido o uso indiscriminado de agrotóxicos. Este se tornou um dos livros mais vendidos sobre a questão ambiental, em um contexto da organização da luta eco- lógica. A autora afirmava que De forma similar, os produtos químicos espalhados pelas terras de cul- tivo, florestas ou jardins permanecem por um longo tempo no solo, penetrando nos organismos vivos, transmitindo-se de um a outro em uma cadeia de envenenamento e morte (CARSON, 1962, p. 22). Neste contexto, a sociedade mundial ainda não possuía conhecimentos que con- firmavam o que Carson descrevia em seu livro. Historicamente, a humanidade passou por transformações devido ao crescimento populacional. Mais pessoas significam aumento da demanda por energia, maior consumo de recursos não renováveis, como petróleo e minerais, mais recursos renováveis, como peixes e florestas, maior necessidade de produção de alimentos pela agricultura, e assim por diante. O uso irracional desses recursos nos leva a impactos difíceis de resol- ver (BURSZTYN; BURSZTYN, 2012; TOWNSEND; BEGON; HARPER, 2010). Diante desse cenário, com a intensificação de consequências ambientais, sociopolíticas e econômicas, surge a percepção de que o desenvolvimento é necessário, desde que atenda a um conjunto de princípios. Conforme a Comissão Mundial do Meio Ambiente e do Desenvolvimento – cuja sigla correspondente, em inglês, é WCED –, o conceito de desenvolvimento sustentável tem se difun- dido como uma proposta para equilibrar necessidades atuais satisfatórias, sem comprometer a manutenção das gerações futuras (WCED, 1987). DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 A preocupação cada vez mais frequente dos políticos e do público em geral são o tamanho e a distribuição da população e a sustentabilidade das atividades humanas. Entre as grandes preocupações está o destino da Terra e das comunida- des ecológicas que a ocupam. Todavia muitos fatores permanecem desconhecidos e imprevisíveis, e este fato pode nos levar a uma situação pior, porém, avan- ços da tecnologia podem tornar uma atividade insustentável em sustentável (TOWNSEND; BEGON; HARPER, 2010). Neste sentido, o conceito de desen- volvimento sustentável propõe um novo modo de vida: o que antes trazia uma perspectiva puramente ecológica, agora incorpora condições econômicas e sociais. Considerando o tamanho e as taxas de crescimento exponencial da popu- lação humana, encontram-se duas áreas nas quais a sustentabilidade é um tema urgente: a extração de recursos biológicos da natureza e a produção, em agroe- cossistemas não naturais, do alimento e das fibras necessárias aos seres humanos. O crescimento populacional afeta diretamente a qualidade de vida das popu- lações, quanto maior o crescimento demográfico, maiores os desafios a serem enfrentados para permitir o crescimento econômico compatível com a pre- servação ambiental (LIMA, 2001). A taxa de expansão populacional mundial é insustentável, embora ela seja menor do que já foi – em um espaço finito e com recursos finitos, nenhuma população pode continuar crescendo para sem- pre. Seria interessante saber com que tamanho a população humana poderia ser sustentada na Terra. Qual é a capacidade de suporte global? (TOWNSEND, BEGON; HARPER, 2010) Caro(a) aluno(a), para obter a sustentabilidade ou se aproximar dela, é neces- sária a compreensão ecológica adquirida e aplicada. Insustentável não é o tamanho da população humana, mas a sua distribuição sobre a Terra [...]. Insustentável não é o tamanho da população humana mundial, mas a sua distribuição de idade [...]. Insustentável não é o tamanho da popula- ção humana global, mas a distribuição desigual de recursos dentro dela. (Colin R. Townsend, John L. Harper e Michael Begon) Dinâmicas Fundamentais do Crescimento Populacional e o Uso Sustentável de Recursos Naturais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 CONSCIÊNCIA AMBIENTAL (PAPEL DE ONGS) Antes de qualquer coisa, você sabe o que é a Organização das Nações Unidas (ONU)? Vamos descobrir juntos! A Organização das Nações Unidas, também conhecida pela sigla ONU, é uma organização internacional composta por países que se juntaram de livre e espontânea vontade para buscar a paz e o desenvolvimento mundial. No ano de 1969, a primeira foto do planeta Terra foi vista do espaço. Tocou o coração de toda a humanidade ver, pela primeira vez, o “Planeta Azul”, cha- mando a atenção de muitos e incitando a responsabilidade em protegê-la. Em dezembro de 1972, foi criado o programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (ONU Meio Ambiente), que coordena os trabalhos da organização em nome do meio ambiente global e tem como prioridades catástrofes ambientais, substâncias nocivas, mudanças climáticas, gestão dos ecossistemas, governança ambiental e eficiência dos recursos. Defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e futuras gerações se tornou uma meta fundamental para a humanidade (ESTOCOLMO, 1972, p.2). É precisamente na dignidade de todos os seres humanos que deve inci- dir o esforço maior de oferecer uma tutela ecológica que se oponha aos constantes danos à natureza, as práticas abusivas reduzem os recursos naturais e causam mudanças climáticas responsáveis por milhões de vitimados pelos danos ambientais. Não é surpresa que recentemente ocorreu na ONU, em Nova York, a conferência para a proibição das armas nucleares (BARROS; CAÚLA, 2017, p. 11). O Brasil marca dois pontos positivos na inovação para melhorias no meio ambiente, um foi com o posicionamento na 15° Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP15) em 2009, na cidade de Copenhague, quando o país assume a meta voluntária de reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases do efeito estufa projetadas até 2020. Outro ponto foi em 2012, quando ocorre, no Brasil, uma grande conferência na área de desen- volvimento sustentável, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 Estudos apontam que o Brasil foi capaz de combinar crescimento sustentável com inclusão social e avanços ambientais em um contexto de estabilidade política e fortalecimento do arcabouço legal e institucional (SOBRE..., 2012). O Brasil que sediou a Rio-92 era, de fato, bastante diferente do que se mostrava na Rio+20. A Rio+20 foi assim conhecida porque marcou os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvi- mento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximasdécadas. O objetivo da Conferência foi a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do trata- mento de temas novos e emergentes (SOBRE..., 2012, on-line). Em setembro de 2015, às vésperas da abertura da 70ª Assembleia Geral das Nações Unidas, acontece, em Nova York, a nova agenda oficialmente adotada pelos Chefes de Estado e de Governo na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. Acordada pelos 193 estados membros da ONU, nasce, então a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com seções sobre meios de implementação e uma renovada parceria mundial (TRINDADE; LEAL, 2017). Desde 2014, a ONU passou a contar com a Assembleia Ambiental das Nações Unidas (Unea), cuja primeira edição ocorreu em 2014, e a segunda, em 2016. A Unea é a mais importante plataforma da ONU para a tomada de decisões sobre o tema e marcou o início de um período em que o meio ambiente é considerado problema mundial – colocando, pela primeira vez, as preocu- pações ambientais no mesmo âmbito da paz, da segurança, das finanças, da saúde e do comércio. Em sua primeira edição, reuniu mais de 160 líderes de alto nível. Fonte: adaptado de ONU BR ([2019], on-line)1. Dinâmicas Fundamentais do Crescimento Populacional e o Uso Sustentável de Recursos Naturais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 As ONGs ambientais brasileiras ONG é a sigla para Organização Não Governamental. Uma ONG é uma organização que não tem finalidades lucrativas e é formada com o objetivo de fazer trabalhos de auxílio social ou outras questões im- portantes para a sociedade. As ONGs são enquadradas no Terceiro Setor da sociedade. Essa denominação se refere às instituições que, embora não façam parte do Poder Público, executam atividades nessa área. O Primeiro Setor é formado pelos governos e o Segundo Setor é formado por entidades privadas (LENZI, 2019, on-line). As ONGs têm atuado em várias áreas ligadas às necessidades sociais que exis- tem, por exemplo: saúde, emprego, educação, assistência social, busca por direitos políticos, questões ambientais, entre outros. Como exemplo de ONGs, temos: ■ A fundação GAIA é uma ONG sem fins lucrativos criada em 1987. ■ A fundação O Boticário foi criada em 1990 com a principal missão de promover e realizar ações para a conservação da natureza. ■ A Fundação SOS Mata Atlântica tem a missão de defender as áreas de Mata Atlântica, preservar as comunidades que habitam a região e conser- var seus riquíssimos patrimônios natural, histórico e cultural, por meio do desenvolvimento sustentável. ■ A Conservação Internacional Brasil trabalha para preservar ecossiste- mas ameaçados de extinção em mais de 30 países, distribuídos por quatro continentes. ■ A Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), fundada em 1999. Existem muitas outras ONGs e você pode procurar pelas que atuam especifica- mente em sua cidade, região ou estado. Vamos citar, por exemplo, o estado do Paraná. Veja algumas, a seguir: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 ■ Adeam – Associação Brasileira de Defesa Ambiental, em Maringá. ■ Curupira Ambiental – Associação Ambientalista Curupira, em Curitiba (http://www.curupira.org.br/). ■ MAR – Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária, em Araucária (http://www.amarnatureza.org.br/). ■ Chico Mendes – Inpra – Instituto Internacional de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental, em Borda do Campo (http://www. institutochicomendes.org.br/). NOSSO FUTURO COMUM - RELATÓRIO BRUNDTLAND Em abril de 1987, a Comissão Brundtland, como ficou conhecida, publicou um relatório inovador: “Nosso Futuro Comum” – que traz o conceito de desenvol- vimento sustentável para o discurso público, considerado altamente inovador para aquela época (ONU, [2019], on-line)2. Uma das questões que este estudo ressalta refere-se à necessidade de admi- nistrar o crescimento populacional e de controlar o esgotamento dos recursos (OLIVEIRA, 2005). De acordo com o Relatório Brundtland (1987), em um mundo onde a desi- gualdade e a pobreza não são mais inevitáveis, o desenvolvimento sustentável deve privilegiar o atendimento das necessidades básicas de todos, oferecendo oportuni- dades de melhoria de qualidade de vida para a população no presente e no futuro. Caro(a) aluno(a), você sabe o que é o Conama (Conselho Nacional do Meio Am- biente)? O Conama existe para assessorar, estudar e propor ao Governo as linhas de direção das políticas governamentais para a exploração e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. É o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente – Sisnama, instituído pela Lei 6.938/1981, regulamentada pelo Decreto 99.274/1990. Fonte: adaptado de Ministério do Meio Ambiente ([2019], on-line). Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Apesar de não definir quais são as necessidades do presente nem quais serão as do futuro, o relatório chamou a atenção do mundo sobre a importância de se encontrar novas formas de desenvolvimento econô- mico, sem redução e danos ao meio ambiente. Além disso, o relatório definiu três princípios básicos a serem cumpridos: desenvolvimento econômico, proteção ambiental e equidade social. Colocando o de- senvolvimento sustentável como um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento dos investimentos, a orien- tação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o futuro para satisfazer as necessidades hu- manas. Mesmo assim, o referido relatório foi amplamente criticado por apresentar como causa da situação de insustentabilidade do planeta o descontrole populacional e a miséria dos países subdesenvolvidos, co- locando como um fator secundário a poluição ocasionada nos últimos anos pelos países desenvolvidos (BARBOSA, 2008, p. 20). Todos esses levantamentos apresentados pela Comissão levaram à realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada em 1992, no Rio de Janeiro – a Rio-92. A proposta central da Conferência foi a criação da Agenda 21, um pla- no de ação para ser adotado em âmbito global, nacional e local por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a ação humana impacta o meio ambien- te. O documento constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada, cujo fim é orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce é a integração da sustentabilidade ambiental, social e econômica (NOVAES, 2008, p. 17). DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE Após a ONU lançar, em 1987, o relatório “Nosso Futuro Comum” na comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, o conceito de desenvol- vimento sustentável na sociedade passa a ser assunto frequente. Anos depois, em 1994, John Elkington criou o triple bottom line (tripé da sustentabilidade). Agora você conhecerá os três princípios da sustentabilidade:o social, o ambiental e o econômico. Esses fatores precisam estar integrados para que a sustentabilidade de fato aconteça. Segundo Sachs (2003), o tripé do desenvolvi- mento é apresentado como algo que deve ser simultaneamente: includente, do ponto de vista social; sustentável, do ponto de vista ecológico; e sustentado, do ponto de vista econômico. Este método incorpora a visão ecológica nas empre- sas como base nos três princípios (SACHS, 2003, p. 5): ■ Social: engloba as pessoas e suas condições de vida, como educação, saúde, violência, lazer, dentre outros aspectos. ■ Ambiental: refere-se aos recursos naturais do planeta e à forma como são utilizados pela sociedade, comunidades ou empresas. ■ Econômico: relacionado com a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços. A economia deve considerar a questão social e ambiental. Aprofundando um pouco mais esses conceitos de desenvolvimento, devemos levar em conta os objetivos, que devem ser sempre éticos e sociais, em busca do progresso, baseando-se na ética de solidariedade com as gerações presentes e futuras, respeitando as condições ambientais. No entanto, para que isso possa acontecer, é necessário que os investimentos sejam economicamente viáveis; por- tanto, a viabilidade econômica é umas das condições indispensáveis, mas não o suficiente para alcançar o caminho do desenvolvimento includente e sustentá- vel (SACHS, 2007). Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE Como você pôde ver nos tópicos anteriores, o Relatório de Brundtland foi um marco na evolução do desenvolvimento sustentável. E, de acordo com essa colo- cação, temos o ecodesenvolvimento, que visa a conciliar a proteção ambiental com o desenvolvimento socioeconômico, com o intuito de melhorar a qualidade de vida para a humanidade. A sustentabilidade leva em conta as necessidades humanas. E o grande desafio hoje, para a humanidade, talvez seja encontrar um conjunto de transi- ções interligadas para uma situação mais sustentável. Sachs (1993) aponta cinco dimensões de sustentabilidade que devem ser observadas para planejar o desen- volvimento. Adotaremos aqui a definição de Sachs (1993), presente no texto da Agenda 21 brasileira (define sustentabilidade social e política separadamente, fazendo também referência ao uso racional dos recursos no enfoque da susten- tabilidade econômica). Hoje, ser uma corporação sustentável é mais do que status – significa con- quistar o respeito dos seus consumidores e parceiros. É evidente que o objetivo de qualquer empresa é ser sustentável, embo- ra essa visão de sustentabilidade seja puramente financeira; o pensamento dos empresários é sempre do retorno que seu negócio pode dar no futuro. E esse retorno econômico somente acontecerá em longo prazo se a empresa obter uma vantagem competitiva que lhe possibilite crescimento. Poucos empresários entendem que uma empresa somente será sustentável se com- binar o retorno econômico com suas obrigações sociais e ambientais. Fonte: as autoras. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 O conceito descrito por Sachs (1993, p. 4) refere-se à sustentabilidade como: Sustentabilidade ecológica, que se refere à base física do processo de crescimento e tem como objetivo a manutenção de estoques dos recur- sos naturais, incorporados às atividades produtivas. Sustentabilidade ambiental, que se refere à manutenção da capaci- dade de sustentação dos ecossistemas, o que implica a capacidade de absorção e recomposição dos ecossistemas em face das agressões an- trópicas. Sustentabilidade social, que se refere ao desenvolvimento e tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida da população que, para o caso de países com problemas de desigualdade e de inclusão social, implica a adoção de políticas distributivas e a universalização de atendimento a questões como saúde, educação, habitação e seguridade social. Sustentabilidade política, que se refere ao processo de construção da cidadania para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao proces- so de desenvolvimento. Sustentabilidade econômica, que se refere a uma gestão eficiente dos recursos em geral e caracteriza-se pela regularidade de fluxos do in- vestimento público e privado que implica a avaliação da eficiência por processos macrossociais. Caro(a) aluno(a), todo esse processo que envolve as dimensões da sustentabi- lidade pode ser uma resposta aos anseios da sociedade, gerando cidades que incorporam os elementos naturais e sociais. Assim como diz Sen (2010, p. 21), “[...] o desenvolvimento pode ser visto como um processo de expansão das liber- dades reais que as pessoas desfrutam.” Sustentabilidade urbana é o conceito utilizado para o desenvolvimento que está diretamente ligado à vida das cidades. É o que está acontecendo na grande maioria dos países, inclusive no Brasil. Fonte: as autoras. Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 DESAFIOS E OPORTUNIDADES - ECONOMIA VERDE A expressão “economia verde”, que substituiu o conceito de “ecodesenvolvimento”, foi implantada pelo canadense Maurice Strong, primeiro diretor-executivo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, estabelecido em 1972, é a agência do Sistema ONU) e secretário-geral da Conferência de Estocolmo (1972) e da Rio-92. A conferência Rio+20 em 2012, além do tema de redução da pobreza, teve como tema central a economia verde (ONU, 2011). Por meio da divulgação mundo afora em relatório do PNUMA (UNEP 2011), tornou-se, em pouco tempo, uma expres- são aceita oficialmente pela comunidade internacional e popularizada no mundo (BELINKY, 2011) e apresentando-se como alternativa ao desenvolvimento sustentá- vel, que havia sido consagrada no Rio de Janeiro, em 1992 (MMA, [2019], on-line): [...] foi absorvida por governos, empresas e pela sociedade civil, e em- pregada na formulação e execução tanto de políticas públicas quanto de iniciativas privadas ligadas à responsabilidade socioambiental. Surge um conceito de economia verde que pode ser resumida em atividades ou pro- jetos verdes tratados atualmente, tais como painéis fotovoltaicos, reciclagem de lixo, hortas orgânicas, entre outros, com três características principais: baixa emissão de carbono, eficiência no uso de recursos e busca pela inclusão social. O que acontece, na realidade, é que a maioria dos projetos englobando a economia verde necessita de recursos governamentais. Por exemplo: para pagar todos os serviços ambientais existentes, como Talvez a principal crítica seja a negação da possibilidade de atribuir valores monetários a bens naturais, como árvores, fauna, água, ar. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 [...] os fins de raciocínio, as Reservas Legais e APPs, previstas no Código Florestal brasileiro, supondo que essas reservas fossem uma área total de 100 milhões de hectares e os donos recebessem R$ 200,00 por hectare por ano, para não desmatar as áreas (valores conservadores), o total anu- al seria R$ 20 bilhões de reais, mais que o Programa Bolsa Família que custa por volta dos R$ 15 bilhões por ano (SAWYER, 2011, p. 20). Encontramos, ainda, outros riscos, como nos casos dos PSA (Pagamentopor Serviços Ambientais), em que alguns produtores recebem por seus serviços prestados à natureza. Isso sugere que outros que não receberem pagamentos não são obrigados a se comprometer corretamente com a causa. Outro risco é quem recebe o PSA, se deixa de receber, pode se achar no direito de destruir (AMAZONAS, 2010). Desta forma, pensando no planeta e nas gerações futuras, devemos promo- ver tanto a economia verde como o desenvolvimento sustentável. PROTOCOLO VERDE O Protocolo Verde é um protocolo de intenções assinado por instituições financei- ras públicas e pelo Ministério do Meio Ambiente no ano de 1995, revisada em 2008. Tem como objetivo definir políticas e práticas bancárias, com a premissa de não financiar empreendimentos e/ou projetos que possam causar problemas ambientais. A fórmula para uma economia verde inclui: oferta de empregos, consumo cons- ciente, reciclagem, reutilização de bens, uso de energia limpa e valoração da bio- diversidade. Espera-se que seus resultados sejam a melhoria na qualidade de vida para todos, diminuição das desigualdades entre ricos e pobres, conservação da biodiversidade e preservação dos serviços ambientais. Pesquise sobre as Cotas de Reserva Ambiental (CRA); é um bom exemplo da apli- cação da economia verde e baseia-se no conceito de compensação. Para saber mais, acesse ao link: <https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28986-o-que-e-a-economia- -verde/>. Fonte: as autoras. Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 O protocolo compromete-se a financiar o desenvolvimento com sustenta- bilidade, por meio de linhas de crédito e programas que promovam qualidade de vida da população e proteção ambiental. Quando o setor bancário faz adesão ao protocolo verde, traz um importante papel para o desenvolvimento sustentável, pois traz incentivo ambiental para as empresas. O BNDES empenha-se continuamente em aprimorar as medidas que já foram definidas no Protocolo Verde, que trazem: ações que evitem danos ambientais, criação de equipes que tenham formação e consciência ambiental, diminuição de desperdícios, utilização de materiais recicláveis e incentivo à efi- ciência energética. PRINCÍPIO POLUIDOR-PAGADOR Esse princípio traz a ideia de que aquele que polui deve pagar pelo seu ato. Isso não quer dizer que o fato de pagar lhe dá o direito de poluir, o pagamento deve ser feito para reverter possíveis danos ambientais. Portanto, conclui-se que não se compra o direito de poluir, como já foi dito anteriormente. O pagamento de tributo, tarifa ou preço público não isentam o polui- dor ou predador de ter examinada e aferida sua responsabilidade resi- dual para reparar o dano (MACHADO, 2009, p. 68). Em 1995, o BNDES liderou os bancos públicos federais (além do BNDES, participam Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste do Brasil) na formalização do Protocolo Verde. Mas, em agosto de 2008, o BNDES e os bancos públicos federais celebraram, com o Ministério do Meio Ambiente, o Protocolo de Intenções pela Responsabili- dade Socioambiental, revisão atualizada do Protocolo Verde de 1995. Fonte: BNDES ([2019], on-line)3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 O princípio em referência possui assento constitucional, previsto no §3º do Art. 225 da CF/1988. § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. (BRASIL, 1988, on-line). Segundo Barbieri (2016), o princípio do poluidor-pagador atribui ao Estado o dever de estabelecer um tributo ao agente poluidor. São dois os objetivos espe- rados da aplicação desse princípio. O primeiro é de natureza fiscal, o qual relaciona a necessidade de arrecadar receita para custear os serviços públicos ambientais, evitando que os prejuízos causados pelos poluidores privados recaiam sobre a sociedade. O segundo é de natureza extrafiscal, cujo papel é interferir nas atividades econômicas para estimular comportamentos socialmente desejados e desesti- mular os indesejáveis. Esses dois objetivos podem caminhar juntos, por exemplo, quando há a cobrança de impostos sobre produtos que acabam gerando resíduos de natu- reza tóxica, em que a receita gerada é utilizada para cobrir gastos com a gestão pública desse resíduo, como a coleta, o tratamento e a disposição final adequada, que pode diminuir o consumo destes produtos. Ou até mesmo diminuir ou isen- tar a tributação de produtos com melhor desempenho ambiental, por exemplo, uma geladeira que consome menos energia. O conceito de poluidor é definido pelo Art. 3°, inciso IV, da Lei 6.938/1981 nos se- guintes termos: “poluidor: a pessoa física ou jurídica, de direito público ou priva- do, responsável direta ou indiretamente por atividade causadora de degradação ambiental.” Fonte: Souza ([2019], on-line)4. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que também podem ser conhecidos como os Objetivos Globais, tratam-se de um chamado universal que visa a ações contra a pobreza, proteção do planeta e busca garantir que as pes- soas tenham paz e prosperidade. Os ODS deverão orientar as políticas nacionais bem como as atividades de cooperação internacional nos próximos quinze anos, decorrendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). O Brasil teve papel importante e participou de todas as sessões da negocia- ção intergovernamental. Dessa forma, chegaram a um acordo que contempla 17 Objetivos e 169 metas, as quais envolvem temáticas diferentes. Além disso, o Brasil teve grande importância na implantação dos ODM, e tem mostrado grande empenho quanto aos ODS, com criações de diversos comitês para apoiar o processo pós-2015. Dessa forma, os resultados de todas as conferências das Nações Unidas esta- beleceram uma base sólida para o desenvolvimento sustentável e ajudaram a moldar a nova agenda. Os novos Objetivos entraram em vigor no dia 1° de janeiro de 2016, tendo como principal foco a erradicação da pobreza extrema até 2030. Os temas dos ODS [...] envolvem diferentes temáticas, tais como: erradicação da pobreza, segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões susten- táveis de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentá- veis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraestrutura e industrialização, go- vernança, e meios de implementação (EMBRAPA, 2017, on-line)5. O poluidor que usa gratuitamente o meio ambiente para nele lançar po- luentes invade a propriedade pessoal de todos os outros que não poluem, confiscando o direito de propriedade alheia. (Paulo Affonso Leme Machado) DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de1998. IU N I D A D E32 Conheça Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): Objetivo 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Objetivo 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, a melhoria da nutrição e pro- mover a agricultura sustentável. Objetivo 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Objetivo 4. Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promover oportunida- des de aprendizagem ao longo da vida para todos. Objetivo 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Objetivo 6. Assegurar a disponibilidade da água, a sua gestão sustentável e o saneamento para todos. Objetivo 7. Assegurar para todos o acesso confiável, sustentável, moderno e barato à energia. Objetivo 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos. Objetivo 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e susten- tável, fomentar a inovação. Objetivo 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e os seus impactos. Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclu- sivas em todos os níveis. Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desen- volvimento sustentável (AGENDA 2030, 2015). Fonte: adaptado de Unric ([2019], on-line)6. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 No ano 2000, o Pacto Global foi lançado pelo então secretário-executivo das Nações Unidas, Kofi Annan, e surgiu da necessidade de mobilizar a comuni- dade empresarial do mundo para a adoção de valores fundamentais e inter- nacionalmente aceitos em suas práticas de negócios. A iniciativa global é um avanço na implementação de um Regime de Direi- tos Humanos e Sustentabilidade empresarial. Pacto Global não é um instru- mento regulatório, um código de conduta obrigatório ou um fórum para policiar as políticas e práticas gerenciais. É uma iniciativa voluntária que procura fornecer diretrizes para a promoção do crescimento sustentável e da cidadania, por meio de lideranças corporativas comprometidas e inova- doras. A sede do Pacto Global é em Nova York. Para saber mais, acesse: <http://pactoglobal.org.br/o-que-e/>. Fonte: as autoras. Para saber mais sobre o assunto, assista o vídeo a seguir. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 CONSIDERAÇÕES FINAIS A definição aceita e difundida até os dias atuais sobre desenvolvimento sustentá- vel trata da capacidade da geração atual em suprir suas necessidades, pensando nas gerações vindouras. Dessa maneira, conseguimos associar que nossa jornada rumo ao desenvolvimento sustentável teve início no Rio de Janeiro, em junho no ano de 1992, quando a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Unced) foi realizada e adotou uma agenda para o meio ambiente e o desenvolvimento (século XXI). Referida como Agenda 21, a Unced convocou um Programa de Ação para o Desenvolvimento Sustentável que continha a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e reconheceu o direito de cada nação de progredir social e economicamente, além de atribuir aos Estados a responsabilidade de adotar um modelo de desenvol- vimento sustentável e a Declaração de Princípios Florestais. Acordos também foram alcançados na Convenção sobre Diversidade Biológica e na Convenção- Quadro sobre Mudança do Clima. Também abordamos, nesta unidade, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que definem as prioridades, bem como aspirações globais para o ano de 2030. Os ODS representam uma grande oportunidade que visa a eliminar a pobreza e outras externalidades para colocar o mundo em uma tra- jetória mais sustentável. Destacamos a participação do Brasil nas negociações e nos acordos dos 17 Objetivos e 169 metas que envolvem diferentes temáticas. Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos, e que esse desenvol- vimento sugere a qualidade em vez da quantidade. E, por fim, o resultado desses recursos depende não só da existência humana e da diversidade biológica, mas também do próprio crescimento econômico. 35 1. O tripé da sustentabilidade, denominado de triple bottom line, está expresso em três dimensões: capital humano, capital natural e benefício econômico, que precisam estar relacionadas para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado. Mediante o exposto, explique o tripé da sustentabilidade. 2. O desenvolvimento sustentável é uma expressão usada para designar um mo- delo que tente conciliar a parte econômica e a preservação dos recursos na- turais que estão disponíveis. Diante desse contexto, defina desenvolvimento sustentável. 3. O homem vive em aglomerações urbanas cada vez maiores, demandando maiores quantidades de recursos e gerando grandes quantidades de resíduos que se encontram crescentes em virtude dos maiores consumo e desperdício. Mediante o exposto, como continuar a promover adaptações no ambiente na- tural, sem esgotar os recursos naturais disponíveis? 4. Os problemas ambientais globais, muitas vezes, exigem respostas globais; as iniciativas de gestão, nesse nível de abrangência, estão baseadas em acordos intergovernamentais e na atuação dos organismos criados para administrá-los. Diante disso, cite, pelo menos, dois problemas ambientais de ordem global e explique as causas deles. 5. As questões ambientais dentro das organizações surgiram da necessidade do homem em organizar melhor suas diversas formas de se relacionar com o meio ambiente. Acerca desse assunto, quais práticas de gestão ambiental uma organização pode implementar para reduzir e/ou controlar os impactos ambientais? 36 A recente evolução do desenvolvimento sustentável É bem recente a integração da ideia de desenvolvimento econômico social sendo delimi- tada pela perspectiva de sustentabilidade ambiental, tendo por marco inicial as discussões sobre o meio ambiente, ocorridas na cidade sueca de Estocolmo, datada no ano de 1972. Portanto, são apenas quatro décadas. Até então, a perspectiva do desenvolvimentismo atuava como solução humana. Em síntese, o que se tinha era uma produção crescente movimentando recursos em termos planetários cada vez maiores que acabaram por le- var a alterações do ecossistema com reflexos cada vez mais intensos. Já em Estocolmo, chega-se à conclusão de que a produção é a maior responsável pela degradação. O que fazer num mundo em expansão? A questão passa a ganhar corpo e, em 1983, a ONU indica Gro Harlem Brundtland – a primeira-ministra da Noruega – como chefe da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, cujo objetivo era o deanalisar e refletir a questão ambiental em termos globais. O resultado surgirá em 1987, quando o grupo apresentou o documento Nosso Futuro Comum, que acabou conhecido como Relatório Brundtland e cujo texto se consagrou no conceito de desenvolvimento sustentável. O documento passou a utilizar a expressão “desenvolvimento sustentável”, com a se- guinte definição: “forma como as atuais gerações satisfazem as suas necessidades sem, no entanto, comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”. O cenário atual do objeto de estudo é tema que institucionalmente encontra seu mo- mento crucial no evento internacional realizado em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, batizada com a sigla de CNUMAD, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Am- biente e Desenvolvimento, mas cuja denominação acabou popularizada como Rio-92 ou Eco-92, em que se protagonizaram a discussão e a reflexão da questão da proteção ambiental, enfatizando como instrumento a meta de se ajustar ao desenvolvimento sus- tentável. Resultante do encontro e lastreada por 179 países, foi produzida a Agenda 21, que visava constituir um plano de trabalho baseado na hierarquização das prioridades quanto às diretrizes em relação à integração do desenvolvimento do uso sustentável dos recursos do meio ambiente. O tema retoma a uma postura de destaque no ano 2000, a partir de um diagnóstico das ações produzidas a partir do Rio-92, em torno do qual foram propostos os Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio – ODM, agora endossado por 199 nações, como impor- tante documento produzido dentro da Cúpula do Milênio promovida pela ONU e dando atenção especial aos países com menor e em desenvolvimento. Os ODM estabeleciam levantamento de indicadores para o monitoramento das ações, assim definiu-se o prazo para o segmento de tempo 2000 a 2015. O ano de 2012 vai marcar os vinte anos de Rio-92, daí a ideia de retomada e de reen- contro em torno da temática na agora denominada Rio+20, que teve por resultante a 37 confecção de documento que propunha a integração de lideranças políticas internacio- nais em ação comum, visando o desenvolvimento sustentável. Ainda foi criado o Grupo de Trabalho Aberto, que ao final de mais de ano de estudos propôs os 17 objetivos que deveriam compor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS. Assim o triênio 2012-2015 será caracterizado por um extenso e intenso processo de consultas junto à sociedade civil, setores privados específicos e ao setor públi- co dos diversos governos locais em relação aos ODS. O resultado será que no ano de 2015 a Cúpula das Nações Unidas, sobre o Desenvolvimento Sustentável, confirma os 17 objetivos e suas metas. Tratam-se dos seguintes aspectos: erradicação da po- breza; fome zero e agricultura sustentável; saúde e bem-estar; educação de quali- dade; igualdade de gênero; água potável e saneamento; energia acessível e limpa; trabalho decente e crescimento econômico, indústria inovação e infraestrutura; re- dução das desigualdades; cidades e comunidades sustentáveis; consumo e produção responsáveis; ação contra a mudança global do clima; vida na água; vida terrestre; paz, justiça e instituições eficientes e parcerias e meios de implementação. Há que se destacar o diferencial entre o ODM, Objetivos para Desenvolvimento para o Milênio do ano 2000, e ODS, Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável. Trata- -se da participação e engajamento social desta última em contraposição ao primeiro, elaborado de cima para baixo, desenvolvida por grupo de especialistas, que acaba por ser a característica que se destaca na Agenda 2030. Esta, seguindo os princípios que a constituíram, valoriza a participação da sociedade, seja na sua implementação, seja no monitoramento de seu acompanhamento, visando estabelecer um novo período futuro de planejamento; novamente se referirá a um segmento de tempo de 15 anos, entre 2016 – 2030. Como se pode observar, no curto período histórico do encaminhamento proposto à questão acima o problema é transformar intenções em prática, discurso em ação. Ou seja, talvez o problema não seja diagnosticar os problemas ou de ter conhecimento das práticas éticas que possam conduzir o ser humano a um futuro promissor, mas um gar- galo entre o discurso e a operação, entre o que o sujeito diz e o que o sujeito faz. Isto pode parecer fato secundário, porém, num sistema democrático é problema de pri- meira ordem, pois que neste temos vontade representada e representante, e ação des- conectada do almejado; coloca em xeque o sistema democrático, à medida que o rito democrático das eleições não se converte em gestão democrática dos eleitos. Se não enfrentarmos simultaneamente da discussão dos meios de financiamento destes objetivos, vamos estar trabalhando apenas no plano da retórica. Sem dúvida a formu- lação dos objetivos é muito importante, mas sem se dispor da origem dos recursos e forma de alocá-los, a qualidade do gasto a produtividade deste investimento no enfren- tamento no enfrentamento destes objetivos, nós não estaríamos proporcionando uma abordagem integral completa para enfrentar este desafio. Fonte: Marcon (2017, on-line)7. MATERIAL COMPLEMENTAR Sustentabilidade: O que é – O que não é Leonardo Boff Editora: Vozes Sinopse: a sustentabilidade representa, diante da crise socioambiental generalizada, uma questão de vida ou morte. O autor faz um histórico do conceito desde o século XVI até os dias atuais, submetendo a uma rigorosa crítica os vários modelos existentes de desenvolvimento sustentável. REFERÊNCIAS 39 REFERÊNCIAS AMAZONAS, M. C. Pagamento por serviços ambientais: dilemas conceituais e nor- mativos. Brasília: Instituto Sociedade, População e Natureza, 2010. BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. BARBOSA, G. S. O Desafio do Desenvolvimento Sustentável. Revista Visões, Rio de Janeiro, v. 1, n. 4, p. 84-94, jan./jun. 2008. BARROS, A. B.; CAÚLA, B. Q. Tributos Verdes Aplicados no Caso Concreto: Requisi- tos de Atendimento aos Critérios do ICMS no Estado no Ceará. In: TRINDADE, A. A. C.; LEAL, C. B. Direitos Humanos e Meio Ambiente. 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O tripé da sustentabilidade é dado pelo: social, econômico e ambiental. O social é referente ao capital humano, em que estão envolvidos os aspectos como o cumprimento da legislação trabalhista, ambiente bom e saudável, rela- cionamento com a sociedade no geral. O meio ambiente é referente ao capital natural, em que devemos pensar em formas de diminuir e compensar os impac- tos ambientais negativos. O econômico trata-se na parte econômica, deve-se pensar no desenvolvimento, analisando temas ligados à distribuição dos bens e consumos, à produção de forma sustentável. 2. É aquele que busca atender às necessidades das gerações atuais, sem compro- meter a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas necessidades e aspirações. 3. É importante que a sociedade se paute em uma gestão ambiental consciente. A conscientização e o reconhecimento das questões envolvendo a estreita trama de variáveis que compõem a realidade das cidades podem ser a solução do pro- blema; isso significa que o conhecer precede o agir. 4. Alterações climáticas são causas das atividades antrópicas, tais como: derrubada de florestas para obtenção de madeira e lenha, espaço para agricultura, indús- trias e assentamentos, lançamentos de gases na atmosfera; consequência do aquecimento global. Aumento de gases por emissões atmosféricas: geradas por atividades antrópi- cas, aumentam a retenção das radiações infravermelhas e contribuem para ele- var a temperatura média global do planeta. Podem causar o efeito estufa. Aquecimento global: pode causar a elevação do nível dos oceanos pelo derreti- mento das geleiras e pela expansão do volume de água, devido ao aumento da temperatura. Queimadas florestais: emissões atmosféricas que podem ajudar no efeito estufa. 5. A gestão ambiental deve pensar em práticas que estejam associadas à conser- vação e à preservação da biodiversidade, à reciclagem das matérias-primas e à redução do impacto ambiental de atividades antrópicas sobre os recursos na- turais. Além disso, podem estar associados à gestão ambiental técnicas para a recuperação de áreas degradadas, reflorestamento, métodos para a exploração sustentável de recursos naturais, estudo de riscos e impactos ambientais para a avaliação de novos empreendimentos ou a ampliação de atividades produtivas. U N ID A D E II Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália Christina da Silva Matos EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os modelos de sustentabilidade empresarial. ■ Descrever a importância da sustentabilidade econômica para as organizações. ■ Apresentar as formas de Responsabilidade Social Empresarial. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Modelos de sustentabilidade empresarial ■ Empresas e a Sustentabilidade Econômica ■ Responsabilidade socioambiental Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade, estudaremos a relação entre as empresas e o meio ambiente. Iniciaremos nossos estudos abordando a questão das empresas e a contami- nação ambiental, em que apresentaremos vários acidentes ambientais envolvendo empresas no decorrer dos anos, tivemos dois acidentes trágicos aqui no Brasil, o desastre de Mariana (MG) que aconteceu no ano de 2015, e o desastre em Brumadinho (MG). Será abordada a questão da industrialização e o meio ambiente, uma vez que dependemos de muitas atividades industriais, mas devemos estar em consonância com o meio ambiente, além de apresentar a declaração de princípios das indús- trias e os 16 princípios da gestão ambiental que envolvem as empresas. Também discutiremos as posturas das empresas no que diz respeito à questão ambiental: preocupação básica, postura típica, ações típicas, áreas envolvidas, entre outros. Além da questão ambiental, estudaremos a questão da Sustentabilidade Econômica, uma dimensão que afeta todos os setores, pois uma atividade deve ser rentável e economicamente viável. Apresentaremos as economias da sustentabilidade (neoclássica e forte), e a economia verde, postura que muitas empresas têm adotado, a de se preocupar com a sustentabilidade em seus negócios. No que diz respeito aos negócios, estudaremos que a sustentabilidade incorpo- rada nas organizações tem um fator competitivo importante, pois essas empresas têm um diferencial de mercado, a conquista de novos clientes, a obtenção de ganhos indiretos,a melhoria da imagem perante a sociedade. Se uma organização deve investir em sustentabilidade, de onde virão esses recursos? Estudaremos a questão de investimentos e custos de empresas susten- táveis. Investimentos em ecoeficiência, produção mais limpa (P + L), projetos para o meio ambiente, licitações sustentáveis, custo ambiental e também incen- tivos a práticas de sustentabilidade. Finalizaremos nossos estudos com a questão da Responsabilidade Social Empresarial, diferenciando empresas que têm ações filantrópicas daquelas que realmente têm as práticas de Responsabilidade Social. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E46 MODELOS DE SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL Neste estudo, abordaremos a questão das empresas e a contaminação ambien- tal, bem como apresentaremos alguns acidentes ambientais que tiveram grande notoriedade. EMPRESAS E CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL Na nossa primeira unidade, vimos que a Revolução Industrial foi um marco no que diz respeito aos problemas ambientais e, a partir dessa época, tivemos crescimento na ordem de produção e, consequentemente, inúmeras catástrofes ambientais, que tiveram grandes consequências regionais e globais. Segundo Dias (2017), a expansão industrial e toda a prática predatória na retirada de matéria-prima do meio ambiente ocorreram durante todo o século XIX e parte do século XX. A visão nessa época era que os recursos naturais eram infinitos e estariam disponíveis sempre para o homem. Foi somente a partir da década de 70 que essa visão começou mudar, pois foi perceptível a possibilidade de se esgotar os recursos naturais. Dentre os problemas mais comuns decorrentes da industrialização, podemos evidenciar a questão da destinação final adequada de resíduos sólidos, efluentes e emissões atmosféricas, decorrentes de processos industriais que, se forem lançados de forma inadequada, podem causar problemas ambientais e danos à saúde humana. Modelos de Sustentabilidade Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 De acordo com Barbieri (2016, p. 7), [...] ao longo do século XX, foram os grandes acidentes industriais e a contaminação resultante deles que acabaram chamando a atenção da opinião pública pela gravidade do problema. Alguns problemas am- bientais se tornaram assunto global e, pela visibilidade e facilidade de compreensão quanto à causa e efeito, constituíram-se na principal fer- ramenta de construção causados pela má gestão. No decorrer dos anos, tivemos muitos acidentes ambientais, que trouxeram gra- ves consequências para o meio ambiente, a saúde humana e até morte de pessoas. Podemos observar os principais acidentes na Figura 1. Houve a contaminação na baía de Minamata, no Japão, que ocorreu desde o ano de 1939 devido a uma indústria química instalada às margens. Em Feyzin (França), um vazamento de GPT causou a morte de 18 pessoas e deixou 65 intoxicadas. No dia 10 de junho de 1976, em Seveso (Itália), a fábrica Ho�mann-La Roche liberou uma nuvem de um desfolhante conhecido como agente laranja e que continha dioxinas. Em San Juanico (México), um incêndio de GLP, seguido de explosão, causou 650 mortes e deixou 6.400 feridos. Um incêndio provocado em uma unidade de enxofre da Al-Mishraq, perto de Mosul, no Iraque, se prolongou durante um mês, liberando 910.000 toneladas de óxido de enxofre. Em outubro, houve o rompimento da barragem de rejeito de uma mina de alumínio na Hungria. A lama tóxica derramada na região de Ajka, a 165 km de Budapeste, fez com que a Hungria declarasse estado de emergência. Foram despejados 1,1 milhões de metros cúbicos de lama tóxica vermelha, inundando três vilarejos. Em San Carlos (Espanha), um caminhão-tan- que carregado de propano explodiu, causando 216 mortes e deixando 200 feridos. Dia 26 de abril, em Chernobyl, antiga URSS, houve um acidente na usina nuclear, causado pelo desligamento do sistema de refrigeração com o reator ainda em funcionamento. A radiação espalhou-se, atingindo vários países. Uma série de explosões de grandes proporções ocorreu em uma fábrica de produtos químicos em Jilin, na China. Houve milhares de vítimas, e o rio foi atingido também. 1956 1966 1976 1978 1984 1986 2005 2003 2010 Figura 1 - Principais acidentes ambientais mundiais Fonte: adaptado de Barbieri (2016); Dias (2017). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E48 Aqui no Brasil, no dia 5 de novembro de 2015, em Mariana (MG), ocorreu um grave acidente ambiental. O rom- pimento de uma barragem de rejeitos, provenientes da atividade de extração de minério de ferro, fez com que a lama tóxica fosse lançada. Isso causou a morte de 19 pessoas e atingiu 35 cida- des do estado de Minas Gerais, além de consequências ambientais (Figura 2). Já se passaram mais de três anos do acidente que ocorreu em Mariana (MG) e os impactos ambientais ainda não são totalmente conheci- dos. Fazendo a menção desse grave acidente em nossa disciplina de responsabilidade social e sustentabi- lidade, podemos fazer uma reflexão e nos perguntarmos: e a dimensão social, como foi afetada nessa tragédia? Quais são os impactos sociais ocasio- nados por esse acidente ambiental? Além das 19 pessoas que morreram, a tragédia em Mariana provocou um conjunto incalculável de prejuízos às cidades e aos povoados das margens do rio; famílias que perderam suas casas; milhares de pessoas com futuro incerto; a ativi- dade pesqueira, fonte de renda para muitas famílias ribeirinhas, foi comprometida; a enxurrada com a lama metálica causou assoreamento no rio, comprometendo também o abastecimento de água e provocando a mortalidade de peixes. Além destes problemas sociais, será que a dimensão econômica também foi afetada? Podemos pensar em prejuízos imensos que impactam a oferta de ser- viços essenciais, como geração de energia, serviços de abastecimento de água, saúde pública, transporte, educação, dentre outros. Além de pensarmos no pre- juízo para “tentar” recuperar a área que foi completamente degradada. Figura 2 - Desastre de Mariana Modelos de Sustentabilidade Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 Ainda não foi possível medir completamente a proporção dos impactos ambientais causados pelo acidente ocorrido em Mariana (MG), pois boa parte da lama ainda está nas margens e na calha do rio, além disso, parte dos rejeitos ainda está sendo transportado pelas correntes marinhas. As análises físico-químicas e microbiológicas do monitoramento ambiental ainda não trazem dados segu- ros quanto à potabilidade da água e se os peixes estão propícios para o consumo. Com o acidente de Mariana, podemos perceber que houve um desequilíbrio nas dimensões ambientais, econômicas e sociais, os prejuízos são incalculáveis. Infelizmente, tragédias ambientais continuam acontecendo: três anos depois do acidente ambiental que ocorreu em Mariana (MG), no dia 25 de janeiro de 2019, rompeu-se uma barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho (MG), oca- sionando a morte de muitas pessoas, além de problemas ambientais. Em novembro de 2015, no município de Mariana, ocorreu o rompimento da barragemdo Fundão, causando o maior desastre minerário ambiental ocor- rido no Brasil. A população do município está exposta a uma série de riscos decorrentes da degradação do meio ambiente e, por um longo período desde o desastre. O derramamento dos rejeitos causou o revolvimento e o aumento da biodisponibilidade de uma série de componentes tóxicos. Dessa maneira, foi feita uma pesquisa em que foram aplicados questionários estruturados de autoavaliação em saúde e as necessidades de assistência local em saúde para 507 indivíduos participantes do estudo. Os dados de saúde encontrados espelham o sofrimento da população em multivariadas queixas e doenças e que a sua saúde está comprometida de diversas formas. Entre os participantes, 37% deles referem a sua saúde como pior que antes do desastre. Dentre os problemas de saúde que eles relatam espontaneamente, 40% são respiratórios (para as crianças de 0 a 13 anos, o índice alcançou 60%); 15,8% são afecções de pele; 11%, transtornos mentais e comportamentais; 6,8%, doenças infecciosas; 6,3%, doenças de olhos; e 3,1%, problemas gástricos e intestinais. Para saber mais, acesse: <http://www.greenpeace.org.br/hubfs/Campanhas/Agua_Para_Quem/docu- mentos/RelatorioGreenpeace_saude_RioDoce.pdf>. Fonte: adaptado de Greenpeace (2017). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E50 INDUSTRIALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Por isso, quando relacionamos as questões de responsabilidade social e susten- tabilidade, temos que pensar qual é o papel das organizações na construção de uma sociedade mais sustentável. E como relacionar o processo de industrializa- ção com as formas sustentáveis de produção? Dessa forma, podemos observar que a industrialização agravou os proble- mas ambientais que ocorrem no planeta. Podemos evidenciar esse fato por meio da contaminação do ar, da água e do solo, assim como o grande números de aci- dentes ambientais mencionados anteriormente. Atualmente, as indústrias precisam cumprir medidas de proteção ambien- tal que são impostas pela legislação ambiental. Para Coral (2002), as empresas têm feito mudanças com o objetivo de reduzir os impactos sociais e, ao mesmo tempo, melhorar sua imagem perante a sociedade. As empresas sustentáveis buscam modificar os seus processos produtivos. Esse tipo de mudança implica em processos de produtos que não causam impac- tos ambientais. Além de mortes de pessoas, outros primeiros reflexos do rompimento da bar- ragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, já são percebidos no Rio Paraopeba. A lama acumulada passou a “represar” a água do rio, que ficou escassa e baixou de nível em determinadas áreas, ocasionando a morte de peixes. Para saber mais, acesse: <https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2019/01/25/interna_ge- rais,1024587/tragedia-em-brumadinho-provoca-morte-de-peixes-no-para- opeba.shtml>. Fonte: adaptado de Jornal Estado de Minas (2019, on-line)1. Modelos de Sustentabilidade Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 1 2 3 4 5 6 7 8 9 11 10 Promover a efetiva participação pró-ativa do setor industrial, em conjunto com a sociedade, os parlamentares, o governo e as organizações não governamentais no sentido de desenvolver e aperfeiçoar leis, regulamentos e padrões ambientais. Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os conceitos de desenvolvimento sustentável e o uso racional dos recursos naturais e de energia. Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de gerenciamento ambiental, saúde e segurança do trabalho nas empresas. Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros ambientais nas empresas. Antecipar a análise e os estudos das questões que possam causar problemas ao meio ambiente e à saúde humana, bem como implementar ações apropriadas para proteger o meio ambiente. Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e permanente dos trabalhadores, bem como a importância do comprometimento da supervisão nas empresas, assegurando que esses trabalhadores tenham o conhecimento e o treinamen- to necessários em relação às questões ambientais. Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o objetivo de reduzir ou eliminar impactos adversos ao meio ambiente e à saúde da comunidade. Estimular o relacionamento e as parcerias do setor privado com o governo e com a sociedade, na busca do desenvolvimento sustentável, bem como da melhoria contínua dos processos de comunicação. Estimular as lideranças empresariais a agirem permanentemente junto à sociedade com relação aos assuntos ambientais. Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços que não produzam impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde da comunidade. Promover a máxima divulgação e o conhecimento da Agenda 21 e estimular sua implementação. Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade, em relação aos assuntos ambientais. DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA INDÚSTRIA PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Fi gu ra 3 - D ec la ra çã o de p rin cí pi os d a i nd ús tr ia p ar a o d es en vo lv im en to su ste nt áv el Fo nt e: CN I ( 20 02 , p . 2 4) . EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 Em 1998, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou a Declaração de Princípios da Indústria para o Desenvolvimento Sustentável (CNI, 2002). Essa iniciativa promoveu a divulgação da relação entre a economia e a questão ambien- tal com o público empresarial. Podemos observar esses princípios na Figura 3. Reconhecendo que a proteção ambiental está incluída entre as priori- dades a serem buscadas por qualquer tipo de negócio, a Câmara de Co- mércio Internacional, definiu em 27/11/1990, uma série de princípios para uma gestão ambiental empresarial, que chama-se Business Char- ter for Sustainable Development, que são constituídas por 16 princípios para a Gestão Ambiental, que, sob a ótica das organizações, são essen- ciais para atingir o Desenvolvimento Sustentável. São eles (DIAS, 2017): 1. Prioridade Organizacional: estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. 2. Gestão Integrada: tem como intuito integrar programas e práticas ambien- tais nos negócios. 3. Processos de Melhoria: visa a melhoria contínua no que diz respeito às questões ambientais. 4. Educação do Pessoal: trata-se de treinamento e motivação. 5. Prioridade de Enfoque: considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva. 6. Produtos e Serviços: pensar em produtos e/ou serviços que não sejam agressivos ao meio ambiente, além disso, fazer o uso consciente de maté- ria-prima e energia. 7. Orientação ao Consumidor: caso haja necessidade, orientar e educar consumidores e público em geral. Dentro dos princípios de sustentabilidade, não podemos separar as ques- tões sociais das ambientais. Por isso, quando uma organização é ecologi- camente sustentável, ela também estará atuando de forma socialmente responsável. Fonte: Araújo et al. (2006). Modelosde Sustentabilidade Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 8. Equipamentos e Operacionalização: projetar equipamentos utilizando de forma consciente água, energia e matéria-prima, com o intuito de minimizar impactos ambientais. 9. Pesquisa: visa apoio a projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, dos produtos, dos processos, das emis- sões e dos resíduos associados ao processo produtivo da empresa. 10. Enfoque Preventivo: pensar em formas preventivas no que diz respeito ao meio ambiente. 11. Fornecedores e Subcontratados: que os contratados também tenham a sensibilização ambiental. 12. Planos de Emergência: em áreas que são consideradas com risco poten- cial, desenvolver e manter procedimentos e planos de emergência. 13. Transferência de Tecnologia: visa a contribuição, bem como a dissemi- nação de tecnologias amigáveis ao meio ambiente. 14. Contribuição ao Esforço Comum: visa o desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacio- nais com enfoque prevencionista quanto às questões ambientais. 15. Transparência de Atitude: visa a transparência e o diálogo com a comu- nidade interna e externa. 16. Atendimento e Divulgação: medir a performance ambiental. Quando necessário, realizar as auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação. Pro- mover informações apropriadas para a alta administração, os acionistas, os empregados, as autoridades e o público em geral. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 Além disso, de acordo com Barbieri (2016), as organizações podem abordar, de diferentes maneiras, como lidarem com os problemas ambientais que estão relacionados a suas atividades. Existem três formas de estratégia empresarial: controle da poluição, prevenção da poluição e incorporação dessas questões nas estratégias empresariais. Podemos observar suas características no Quadro 1. Quadro 1 - Abordagens da gestão ambiental empresarial CARACTERÍSTICAS CONTROLE DA POLUIÇÃO PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO ESTRATÉGICA Preocupação básica Cumprimento da legisla- ção e respostas às pres- sões da comunidade. Uso eficiente dos insumos. Competitividade. Postura típica Reativa. Reativa e proa- tiva. Reativa e proativa. Ações típicas • Corretivas. • Uso de tecnologias de remediação e de controle no final do processo (end-of- pipe). • Aplicação de normas de saúde e segurança do trabalho. • Corretivas e pre- ventivas. • Conservação e substituição de insumos. • Uso de tecnolo- gias limpas. • Corretivas, preventi- vas e antecipatórias. • Antecipação de problemas e captura de oportunidades em médio e longo prazos. Percepção dos empresários e administradores Custo adicional. • Redução do custo. • Aumento de produtividade. Vantagens competi- tivas. Envolvimento da alta administração Esporádico. Periódico. Permanente e siste- mático. Áreas envolvidas Ações ambientais confinadas nas áreas geradoras de poluição. Crescente envolvimento de outras áreas como produ- ção, compras, desenvolvimento de produto e marketing. Atividades ambientais disseminadas pela organização. Ampliação das ações ambientais para a ca- deia de suprimento. Fonte: Barbieri (2016, p. 86). Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Assim, as organizações devem estar cientes que seus produtos não são sua res- ponsabilidade somente após saírem da empresa, mas o são no processo do berço-ao-berço, ou seja, desde o planejamento, o uso, o descarte e o retorno ao processo produtivo. EMPRESAS E SUSTENTABILIDADE ECONÔMICA Sabemos que o conceito apresentado pelo tripé da sustentabilidade tem três ver- tentes básicas: econômica, ambiental e social. A dimensão econômica atinge as organizações de todos os setores, já que todas elas precisam ser rentáveis para suas atividades serem viáveis e, consequen- temente, sustentáveis. Assim, é indiscutível que uma organização de qualquer porte ou setor da economia necessite ser economicamente sustentável para atin- gir a sua permanência no mercado. É necessário que as organizações pensem e repensem suas formas de produ- zir bens e oferecer serviços, prezando pelos recursos da terra ao invés de focar somente na lucratividade empresarial em um curto espaço de tempo. Para Mendes (2009), a sustentabilidade econômica vai além de acumular riquezas, contempla a geração do trabalho de forma digna, que possibilita uma distribuição de renda, promove o desenvolvimento das potencialidades locais e a diversificação de setores. A sustentabilidade econômica só é alcançada por organizações que trazem uma melhor alocação e gerenciamento dos recursos, com um fluxo regular de investimentos conjuntos dos setores público, privado e social, sendo que os três devem ter em mente que a economia eficiente é aquela na qual o de- senvolvimento de todos segue no mesmo ritmo, diminuindo as diferenças econômicas e de acesso a bens e serviços (MENDES, 2009, p. 21). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 Dessa forma, a sustentabilidade econômica está relacionada com a eficiente dis- tribuição de recursos naturais dentro de uma escala apropriada, na qual podemos fazer uma observação como se o mundo fosse analisado em termos de estoques e fluxos de capitais, não apenas monetários, mas também em aspectos sociais e ambientais. Rutherford (1997) nos lembra que muitos economistas associam a sustentabilidade com a carteira de investimentos, em que se busca maximizar o retorno mantendo o capital constante. Essa associação vale para a sustentabilidade econômica: como aumentar as vendas mantendo constante a retirada de matéria- -prima da natureza? Sustentabilidade econômica é um conjunto de práticas econômicas, finan- ceiras e administrativas que visam o desenvolvimento econômico de um país ou empresa, preservando o meio ambiente e garantindo a manutenção dos recursos naturais para as futuras gerações. Fonte: Sebrae (2017). Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 É importante salientar que [...] algumas linhas teóricas divergem sobre como manter a quantidade de capital na Terra, já que alguns teóricos e economistas têm em mente que a variação de certas quantidades de recursos naturais podem ser compensadas pela variação de outros recursos, apenas garantindo que o estoque total se mantenha (CONSULIN, 2013, p. 34). De qualquer maneira, economicamente, a organização precisa saber maximizar o uso dos recursos naturais que estão disponíveis, de maneira sustentável, além de respeitar a comunidade ao seu redor. De fato, é pensar constantemente na forma de maximizar seus lucros sem colocar seus ativos em risco. Para Foladori (2002), a análise da sustentabilidade econômica é mais compli- cada do que a sustentabilidade ambiental, já que, para o capitalismo, o crescimento econômico não é limitado, pois a economia está ligada aos recursos naturais do planeta, os quais são recursos finitos.ECONOMIAS DA SUSTENTABILIDADE (NEOCLÁSSICA - FRACA E ECOLÓGICA - FORTE) Para Romeiro (2003, p 17): [...] uma economia da sustentabilidade é um problema de alocação inter- temporal de recursos entre consumo e investimento por agentes econô- micos racionais, cujas motivações são maximizadoras de utilidade. O autor afirma ainda que o desenvolvimento sustentável só será alcançado com perspectivas teóricas que incluam meio ambiente, cultura, ética e sociedade jun- tos com a perspectiva econômica, além de que esse processo deve ser baseado em ações coletivas, e não individuais (CONSULIN, 2013). Segundo Romeiro (2003), uma economia de sustentabilidade trata-se de um problema de alocação dos recursos que são investidos e o consumo. O autor ainda afirma que o desenvolvimento sustentável só será alcançado mediante perspecti- vas que passam a incluir questões como: meio ambiente, ética, cultura, sociedade e que esses temas abordem ações coletivas. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 Diante disso, surgem duas frentes teóricas que visam a explicar essa distribuição intertemporal de recursos finitos: a economia convencional (neoclássica) denominada também de sustentabilidade fraca, e a economia ecológica, ou sustentabilidade forte. Segundo Veiga (2010), a economia convencional olha para a economia como um todo, um sistema fechado, considerando o meio ambiente como parte ou setor da macroeconomia, por exemplo, vê o meio ambiente como um setor turís- tico, mineral, agropecuário e outros. Nessa corrente, os recursos naturais não são limites à expansão da econo- mia. Para Romeiro (2003), o fato de o sistema econômico ser muito grande faz com que os recursos naturais sejam apenas restrições relativas, que conseguem ser superados pelo avanço científico e tecnológico. Esse avanço seria capaz de fazer outros recursos utilizáveis possuírem a mesma finalidade que os recursos em extinção tinham, por enxer- garem que os recursos naturais fossem substituíveis, ficou conhecida como sustentabilidade fraca. A Economia Ecológica pensa diferente sobre a não restrição econômica dos recursos naturais (CONSULIN, 2013, p. 47). Para essa linha de pensamento, a macroeconomia é vista dentro de um sistema maior, no entanto, finito, que tem entradas e saídas, que deve haver trocas com outros sistemas, como é o caso do meio ambiente, que recebe matéria-prima e devolve resíduos descartados após o uso do produto ou ao término de um pro- cesso produtivo. Essa visão foi concebida como sustentabilidade forte, que viu a relação entre o capital construído e o capital natural (VEIGA, 2010). Para os adeptos da sustentabilidade forte, a possibilidade de as gerações futu- ras exercerem suas atividades está relacionada com as atividades econômicas das gerações atuais, pois os processos produtivos utilizam recursos naturais energéti- cos e finitos e causam efeitos prejudiciais ao meio ambiente por meio da poluição. Outra diferença entre a economia neoclássica e a economia ecológica é que, na primeira, o crescimento econômico é medido exclusivamente pelo PIB. Em contrapartida, na segunda, questiona-se essa medida, a qual avalia o crescimento apenas em números monetários. Para entendermos melhor a diferença entre elas, o Quadro 2 traz esse resumo. Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 Quadro 2 - Diferença entre economia convencional e economia ecológica ECONOMIA CONVENCIONAL ECONOMIA ECOLÓGICA Sustentabili- dade Fraca. Forte. Sistema econô- mico Fechado. Aberto. Recursos naturais • Vistos como setores da economia (exemplo: agricultura, mineral, ecoturismo, pecuário, outros). • Restrições relativas ao crescimento, pois po- dem ser superadas pelo avanço tecnológico. • Não há fator limitante. • Vistos como restrição para o sistema econômico. • O fator mais escasso é o fator limitante para a produção - relação de complementaridade entre os recursos naturais e fatores de produção. Indicador de crescimento • Exclusivamente pelo PIB. • Questiona indicadores pura- mente monetários. • Defende o uso de indicadores ambientais e sociais. Fonte: adaptado de Romeiro (2003); Veiga (2010). Economia verde Para Motta (2011, p. 179), o conceito de economia verde significa que: [...] o crescimento econômico pode estar baseado em investimentos em capital natural e, portanto, a estrutura da economia muda na direção dos setores/tecnologias “verdes” ou “limpos”, que vão substituindo os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”. Trata-se de um modelo que não considera os ecossistemas como bens econô- micos escassos e não utiliza métodos eficazes para administrar determinados recursos naturais, como a água e o solo. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 A economia verde produz baixas emissões de carbono, utiliza os recursos de forma eficiente e socialmente inclusiva. A implantação de um modelo de econo- mia verde tem como objetivo final melhorar a condição de vida dos mais pobres, reduzir a desigualdade social e evitar a destruição dos recursos naturais. Segundo Dias (2017), a proposta de economia verde não se contrapõe ao modelo atual, na realidade, ultrapassa-o, incorporando variáveis sociais e ambientais. Dessa maneira, podemos afirmar que a “economia verde” é uma evolução da “econo- mia marrom” a patamares sustentáveis de produção e consumo. SUSTENTABILIDADE COMO FATOR COMPETITIVO Podemos pensar que esse é um dos principais temas em palestras relacionadas a empresas: como que uma empresa tem vantagem competitiva? Para liderar o mercado? Muitos empreendedores têm encontrado na sustentabilidade a res- posta a essas perguntas. Para Landrum e Edwards (2009, p. 4), [...] negócios que praticam a sustentabilidade melhoram suas imagens e reputação, reduzem custos e aju- dam a dinamizar a economia local. Quando olhamos para o mercado empresarial de médio e grande porte, pode- mos notar que a maioria das organizações já apresentam programas sustentáveis. Certo que alguns são apenas por imposições legais, a grande parte tem apostado na sustentabilidade como fator competitivo e de diferenciação no mercado para consolidar sua marca e ampliar seus clientes. São vantagens da sustentabilidade econômica, como fator competitivo (SEBRAE, 2017): ■ Maior economia financeira em médio e longo prazos. ■ Aumento dos lucros e a diminuição dos riscos por meio do combate à poluição e da melhoria da eficiência ambiental. Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 ■ Melhoria da imagem perante a sociedade, principalmente aos consumidores. ■ Obtenção de ganhos indiretos, pois terão um ambiente preservado, com maior desenvolvimento econômico, além da garantia de qualidade de vida melhor para as gerações vindouras. ■ Vantagem competitiva no mercado quando comparadas a suas concorrentes. ■ Conquista de novos mercados. É importante salientar que ainda há estudiosos que consideram micro e peque- nas empresas com mais vantagens para adotar mudanças que representarão diferenciais competitivos, pois: [...] elas têm uma enorme capacidade de adaptação às necessidades do mercado, já que podem tomar decisões mais rápidas do que grandes empresas, reagindo de imediato às mudanças e àsexigências do merca- do (SEBRAE, 2017, p. 9). Também não podemos nos esquecer que há grande pressão para que as empre- sas pequenas se adaptem a essa visão originária de clientes com maior força de mercado, isto é, as grandes indústrias. Ao integrar a cadeia de suprimento dessas organizações, as micro e pequenas empresas não têm outra opção a não ser se ade- quarem a essas exigências do mercado, com o intuito de se tornarem competitivas. INVESTIMENTOS E CUSTOS EM EMPRESAS SUSTENTÁVEIS Quando uma empresa planeja seus investimentos, precisa prever os custos com treinamentos, ações, programas, equipamentos, dentre outros que permitirão a integralização da sustentabilidade no dia a dia da organização. Muitos fatores têm pressionado o mundo empresarial a tomar essa atitude: a pressão dos consumidores, a necessidade da utilização de recursos de maneira eficiente e a redução de custos, a busca de aumento das receitas pela criação de novos produtos, dentre outros (SEBRAE, 2017). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 Além da conquista de novos clientes, as organizações que demonstram a sua sustentabilidade social, ambiental e, principalmente, econômica, também têm a maior facilidade na captação de recursos. Isso acontece porque a percepção dos riscos, principalmente por parte dos investidores, é bem menor. Os investidores já têm reconhecido que empresas que têm práticas sus- tentáveis são mais lucrativas e duradouras ao longo do tempo, e que em- presas que estão verdadeiramente comprometidas com a sustentabilidade demonstram maior capacidade de enfrentar crises (MENDES, 2009, p. 21). É importante que as empresas estejam cientes de que não é simplesmente desti- nar recursos para boas práticas sociais e ambientais. Faz-se necessário comprovar essas práticas de maneira palpável, séria e confiável. Assim, entre os possíveis indicadores que podem ser utilizados, além de auxiliar a empresa a elaborar o seu balanço social (documento de sistematização e comprovação das ações O Forest Stewardship Council (FSC), ONG que promove o manejo florestal responsável ao redor do mundo, fez uma pesquisa com mais de 9 mil pes- soas, em onze países, incluindo o Brasil, sobre hábitos de consumo verdes. De acordo com o levantamento, a maioria dos consumidores está disposta a pagar mais por produtos verdes (59% no mundo, 61% no Brasil) e são menos propensos a trocar de marca quando o produto é verde (53% no mundo, 60% no Brasil). Além disso, a maioria acredita que suas compras podem fazer a di- ferença (76% no mundo, 83% no Brasil) e muitos pretendem aumentar seus gastos com produtos verdes no próximo ano (60% no mundo, 69% no Brasil). Para se orientar na hora da compra, cerca de 50% dos entrevistados afirmam que confiam plenamente em selos de certificações, como o próprio FSC, e rótulos de embalagens, enquanto apenas 20% acreditam nas propagandas das empresas e 34% acreditam no que está escrito nos relatórios de susten- tabilidade das empresas. Já 44% dão crédito a prêmios e ao reconhecimento de terceiros, 43% confiam na opinião de amigos, familiares e colegas de tra- balho e 34% acham válido ler resenhas, blogs e comentários. Fonte: adpatdo de Abep (2015, on-line). Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 realizadas), estão o Instituto Ethos, o Global Reporting Initiative (GRI) e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, que veremos com detalhes mais para frente. Diante de um cenário econômico em que há crises, incertezas e enorme con- corrência, é importante que as empresas tenham um planejamento financeiro, uma ferramenta fundamental para os gestores e também fundamental para a sobrevivência da organização. Dessa forma, é preciso que as decisões referentes às práticas sustentáveis por parte das organizações estejam previstas como custos que devem ser conside- rados. Assim, o Sebrae (2017) elenca alguns investimentos e custos que devem ser planejados pelas organizações, a saber: ■ Compra de novos equipamentos. ■ Aquisição de novas matérias-primas. ■ Realização de estudos de viabilidade. ■ Contratação de colaboradores e/ou consultoria. ■ Realização de projetos sociais. ■ Elaboração de materiais de comunicação e campanhas. Ao levantar esses custos, o gestor, antes de qualquer decisão a ser tomada, pre- cisa ter informações precisas e confiáveis. O equilíbrio financeiro não depende de quanto ganhamos, mas de como gastamos o que ganhamos. (Sebrae) EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 A seguir, veremos alguns programas que podem ser adotados pelas organizações. Ecoeficiência Nas últimas décadas, tem se comentado muito sobre ecoeficiência e existe um incentivo para as organizações implementarem-na em seus processos produtivos, por meio do gerenciamento sustentável desses processos. O termo ecoeficiência foi introduzido por meio da publi- cação do livro Changing Course, em 1992 (World Business Council for Sustainable Development - WBCSD), sendo endossado pela Conferên- cia Rio-92. Esse conceito foi definido por gestores ligados ao mundo dos negócios e se disseminou rapidamente no mundo, principalmente junto a executivos (BARBIERI, 2016, p. 97). A ecoeficiência busca o uso mais eficiente de matérias-primas e energia com o intuito de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais, minimizando, ainda, os riscos de acidente e melhorando a relação da organização com as par- tes interessadas (SEBRAE, 2017). A ecoeficiência tem como objetivo a utilização de matéria-prima e energia de forma consciente e, ao mesmo tempo, a redução dos impactos ambientais (SEBRAE, 2017). Assim, desta forma, para Barbieri (2016), uma empresa torna-se ecoeficiente quando ela tem as seguintes ações: ■ Minimização do consumo de materiais com bens e serviços. ■ Redução do consumo de energia com bens e serviços. ■ Diminuição da dispersão de substâncias tóxicas. ■ Intensificação da reciclagem de materiais. ■ Maximização do uso sustentável dos recursos naturais. ■ Prolongação da durabilidade dos produtos. ■ Agregação de valor aos bens e serviços. A ecoeficiência está relacionada a três importantes objetivos (DIAS, 2017, p. 52): 1. redução do consumo de recursos; 2. redução no impacto na natureza; 3. maior aumento da produtividade e/ou do valor do produto. Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 4. Os indicadores de ecoeficiência estão sendo introduzidos aos pou- cos pelas organizações, na medida em que as grandes empresas estão se sensibilizando a respeito de um comportamento ecoefi- ciente reduzir impactos ambientais e aumentar a rentabilidade de suas empresas. A ecoeficiência pode ser medida por meio de indicadores. Dessa forma, os prin- cípios do WBCSD apresentam alguns indicadores no Quadro 3. Quadro 3 - Princípios do WBCSD para a definição e a utilização de indicadores de ecoeficiência 1. Serem relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde humana e/ou na melhoria da qualidade de vida. 2. Fornecerem informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melho- rar o desempenho da organização. 3. Reconhecerem a diversidade inerente a cada negócio. 4. Apoiarem o benchmarking e monitorar a evolução do desempenho. 5. Seremclaramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis. 6. Serem compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas. 7. Basearem-se em uma avaliação geral da atividade da empresa, dos produtos e dos serviços, concentrando-se, principalmente, nas áreas controladas direta- mente pela gestão. 8. Levarem em consideração questões relevantes e significativas, relacionadas com as atividades da empresa, a montante (ex.: fornecedores) e a jusante (ex.: utilização do produto). Fonte: adaptado de WBCSD (1999). É importante a organização ter em mente que, quando ela busca a ecoeficiência, ela também está mais protegida contra a ocorrência de possíveis riscos ambien- tais, como a falta de água. Produção mais limpa (P + L) Para Dias (2017), a P + L trata-se de uma ação contínua em uma estratégia ambiental, econômica e tecnológica, que é incorporada aos processos e produ- tos com o objetivo de melhorar a eficiência na utilização das matérias-primas, da água, dos recursos, dentre outros. Isso ocorre por meio da ordem: não gera- ção, caso seja preciso gerar, tem-se a minimização ou a reciclagem. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 Na P + L, a prioridade está à esquerda do fluxograma (Figura 4), referente à busca por evitar a geração de resíduos e emissões (nível 1). Os resíduos que não podem ser evitados devem, preferencialmente, ser reintegrados ao processo de produção (nível 2). Na impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa podem ser utilizadas (nível 3). P + L Minimização de resíduos e emissões Nível 1 Redução na fonte Modi�cação no produto Modi�cação no processo Substituição de materiais Mudanças de tecnologia Estruturas Materiais Housekeeping Reciclagem interna Reciclagem externa Ciclos biogênicos Nível 2 Nível 3 Reuso de resíduos e emissões Figura 4 - Produção Mais Limpa - Níveis de intervenção Fonte: adaptado de Barbieri (2016, p. 101). De acordo com Barbieri (2016), as mudanças dentro de processos produtivos têm por intuito minimizar as perdas nos processos produtivos por meio de: Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 ■ Housekeeping (boas práticas operacionais): trata-se de processos que visam o planejamento, a gestão de estoques, a limpeza, a organização, dentre outros. ■ Substituição de materiais: visa a selecionar materiais com o intuito de reduzir ou eliminar materiais, por exemplo, substituir um produto que tenha compostos químicos por compostos à base de água. ■ Mudanças na tecnologia: buscam as inovações nos processos produtivo para reduzirem emissões e perdas, podendo ser inovações incrementais. Projeto para o Meio Ambiente Consiste em um modelo de gestão focado na fase de concepção dos pro- dutos e em seus respectivos processos de produção, distribuição e utiliza- ção, também denominado ecodesign, que busca integrar um conjunto de atividades e disciplinas que, historicamente, sempre foi tratado separada- mente, tanto em termos operacionais quanto estratégicos, como saúde e segurança dos trabalhadores e consumidores, conservação de recursos, prevenção de acidentes e gestão de resíduos (DIAS, 2017, p. 50). Trata-se de uma forma de gestão com foco na concepção de produtos, chamada também de ecodesign, que busca conservar recursos, prevenir acidentes e geren- ciar resíduos. Barbieri (2016) explica que o ecodesign está baseado nas inovações dos pro- cessos produtivos, diminuindo a poluição em todo o ciclo de vida do produto. Licitações Sustentáveis Discutimos anteriormente que já existem consumidores, a exemplo do próprio governo, que obrigam seus fornecedores a adotarem estratégias dessa natureza. São chamadas “licitações sustentáveis” que exigem que as empresas participantes tenham programas como: reuso de água, energia solar, políticas para diminuir o consumo energético, utilização de materiais biodegradáveis, comprovação legal da origem de madeira utilizada, entre outros (AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS, [2019], on-line). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 As compras e licitações sustentáveis têm um papel estratégico para os órgãos públicos, quando feitas de maneira adequada, propiciam a sustentabilidade em atividades públicas. Assim, é importante que compradores públicos saibam deli- mitar adequadamente as necessidades da sua instituição, além de conhecer a legislação aplicável e as características dos bens e serviços que poderão ser com- prados (MMA, [2019], on-line). Quando há a decisão de fazer uma compra sustentável, não significa, neces- sariamente, mais gastos de recursos financeiros, pois nem sempre uma proposta de menor valor é lucrativa, uma compra sustentável traz alguns fatores, a saber (MMA, [2019], on-line): a) Custos ao longo de todo o ciclo de vida: é fundamental levar em con- sideração os custos de um serviço e/ou produto ao longo de sua vida útil, tais como: custos com a compra, manutenção e destinação final. b) Eficiência: quando há compras e licitações sustentáveis, é permitido satisfazer as necessidades da administração pública referente à utiliza- ção mais eficiente dos recursos e com menor impacto socioambiental. c) Compras compartilhadas: ocorre através de centrais de compras, com isso, há otimização dos recursos públicos. d) Redução de impactos ambientais e problemas de saúde: leva em consideração, também, a qualidade dos produtos que são adquiridos. e) Desenvolvimento e inovação: há o estímulo destes mercados. As denominadas “licitações sustentáveis” são aquelas que levam em consideração a sustentabilidade ambiental dos produtos e processos a ela relativos. Um passo significativo em direção a essa proposta foi dado com a Lei n. 10.520, de 17 de julho de 2002, que instituiu a modalidade de licitação denominada pregão e previu a possibilidade de realizá-lo por meios eletrônicos. Apesar do mecanismo de pregão eletrônico, a Lei n. 8.666/1993, embora leve em con- sideração o impacto ambiental do projeto básico de obras e serviços, não se refere ao fator ambiental com relação a compras. Assim, é possível que as exigências de produtos que contemplem o conceito de sustentabilidade ambiental estejam na dis- criminação do produto a ser adquirido, porém, a lei não é regulamentada e, portanto, obrigatória, o que seria um importante passo em direção às licitações sustentáveis. Licitações que levem à aquisição de produtos e serviços sustentáveis represen- tam melhor relação custo/benefício em médio ou longo prazo quando compara- das às que se valem do critério de menor preço. Fonte: adaptado de Agência Nacional das Águas ([2019], on-line). Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 CUSTO AMBIENTAL Vimos que, por muito tempo, a economia era pensada como se não tivesse dependência dos recursos naturais; hoje, já se tem a visão de que não podemos falar de economia sem considerar a questão da sustentabilidade. Para toda e qualquer ação organizacio- nal, são necessários recursos ambientais, tais como matéria-prima, água e energia. Dessa forma, os limites da capacidade de produção do homem são definidos por limites impos- tos pelos ecossistemas. É claro que é mais fácil pensar no valor de recursos ambientais, comomadeira, espécies medicinais, etc., quando esses itens já sofreram alguma forma de operação comercial (já foram retirados das florestas, no caso da madeira, ou transformados em medicamentos e vendidos, por exemplo). Quando um bem ou ativo ambiental está intacto, ainda como um recurso natural propriamente dito, é muito mais difícil valorá-los pelos métodos convencionais (SEBRAE, 2017, p. 42). Diante disso, há muitos estudos e pesquisas com o objetivo de encontrar novas formas de valoração dos custos ambientais. Faz-se essencial aumentar a visão dos custos ambientais, os quais a empresa poderá contabilizar questões como: Assista ao vídeo a seguir e saiba mais sobre a Sustentabilidade no Setor Público. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E70 ■ Exaustão de recursos ambientais. ■ Aquisição de insumos para controle, redução ou eliminação de poluentes. ■ Tratamento de resíduos gerados pela fabricação de produtos ou presta- ção de serviços. ■ Tratamento e recuperação de áreas contaminadas ou desflorestadas. ■ Mão-de-obra utilizada para ações de controle ou recuperação de danos ambientais (SEBRAE, 2017, p. 31). FINANCIAMENTOS E INCENTIVOS Vimos que são muitas as aquisições que uma organização faz para se tornar sus- tentável, e você já deve estar se perguntando: de onde tirar recursos financeiros para tais investimentos? Como já falamos anteriormente, muitas práticas sustentáveis podem gerar alguma renda para a empresa, podem se pagar com o tempo, outras exigem inves- timentos e o retorno vem em médio e longo prazo. Caso os investimentos sejam grandes, entretanto, é importante saber que existe uma ampla linha de incentivos do governo e dos bancos privados para que os ges- tores possam investir na sustentabilidade do seu negócio, as quais são denominadas de linhas de crédito para ações sustentáveis (SEBRAE, 2017) – entre os incentivos, estão as condições de créditos mais favoráveis, juros mais baixos e carências maiores. Esse tipo de financiamento pode ser procurado por aqueles que desejam montar um novo negócio, para inovações em produtos que respeitem os aspectos sustentáveis. Como exemplos de linhas de financiamento, temos o Programa Inova Sustentabilidade, iniciativa conjunta do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que tem como objetivo apoiar Planos de Negócio com foco em inovações que induzam a sustentabilidade no desenvol- vimento brasileiro (FINEP, [2019], on-line). O Quadro 4 nos apresenta as linhas de crédito do Programa Inova Sustentabilidade. Empresas e Sustentabilidade Econômica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 71 Quadro 4 - Linhas temáticas do crédito do Programa Inova Sustentabilidade Produção Sustentável • Eficiência energética no setor industrial. • Produção sustentável mais eficiente de carvão vegetal. • Prevenção e controle de emissões atmosféricas. • Tratamento e redução no uso de substâncias tóxicas ou perigosas. • Coleta, tratamento, redução e reutilização de efluentes líquidos industriais. • Redução, reutilização e reciclagem de resíduos sólidos industriais e recuperação de áreas degradadas. Recuperação de biomas brasileiros e fomento às atividades produtivas sustentáveis de base florestal • Soluções territoriais integradas para restauração de bio- mas com espécies nativas e uso de sistemas de informa- ções georreferenciadas. • Madeira tropical: i. aumento da produtividade em unidades de manejo florestal e serrarias; ii. mecanismos de rastreabilidade da madeira; iii. novas espécies madeireiras para fins comerciais; iv. agregação de valor aos produtos madeireiros. Saneamento ambiental • Tratamento, recuperação, reciclagem, aproveitamento energético e disposição de resíduos sólidos urbanos. • Água: i. sistemas de abastecimento de água com foco em con- trole de perdas e otimização das redes; ii. tratamento de água em regiões de escassez hídrica, incluindo dessalinização e tratamento de água salobra; iii. drenagem urbana; • Tratamento e valorização dos subprodutos gerados no tratamento de esgotos sanitários. • Coleta, transporte, triagem, descontaminação e trata- mento de materiais em sistemas de logística reversa. • Remediação de solos contaminados. Monitoramento am- biental e prevenção de desastres naturais • Sistemas de sensores ambientais aplicáveis a monitora- mento e prevenção de desastres naturais, especialmente para pluviometria e geotécnica. • Sistemas para monitoramento de áreas de risco a partir de sensores aerotransportados ou satelitários. Fonte: Finep ([2019], on-line). EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E72 Além deste programa, a Caixa Econômica Federal está disponibilizando uma linha de Crédito Verde Empresarial, que tem as taxas abaixo do que as que são cobradas pelo mercado, para organizações que atuam em atividades sustentáveis (BRASIL, 2012). Além destes financiamentos, podemos enfatizar que existe um número crescente de subsídios governamentais em âmbito municipal, estadual e federal para orga- nizações que têm atividades de forma mais sustentável. Como exemplos, temos: O ICMS Ecológico é um mecanismo tributário que possibilita aos municípios acesso a parcelas maiores que àquelas que já têm direito, dos recursos financeiros arrecadados pelos Estados por meio do Im- posto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, em razão do atendimento de determinados critérios ambientais estabelecidos em leis estaduais. Não é um novo imposto, mas sim, a introdução de novos critérios de redistribuição de recursos do ICMS, que reflete o nível da atividade econômica nos municípios em conjunto com a preservação do meio ambiente (ICMS ECOLÓGICO, 2018, on-line)2. Conheça outras linhas de financiamentos sustentáveis: Linha Economia Verde, da Desenvolve São Paulo: é voltada para projetos sus- tentáveis que promovam a redução de emissões de gases de efeito estufa e que minimizem o impacto da atividade produtiva no meio ambiente. Entre os exem- plos de projetos que podem ser financiados por essa linha, estão aqueles que reduzem o consumo de energia, promovem a troca de combustíveis fósseis por renováveis ou, ainda, voltados para investimentos em reflorestamento e preserva- ção dos recursos naturais. BB Agro Energia, do Banco do Brasil: criada para atender os produtores rurais que tenham projeto para a produção de energia renovável em atividades do agro- negócio. Em 2017, foram disponibilizados R$ 2,5 bilhões para essas atividades. A iniciativa, segundo a instituição, engloba pessoas físicas, empresas e cooperativas do agronegócio. Além destas, há a BRDE Energia, do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, e a CDC Eficiência Energética de Equipamentos, do Banco Santander. Para saber mais, acesse: <http://atlaconsultoria.com/artigo/linhas-financiamento- -projetos-sustentaveis/>. Fonte: Atla Consultoria (2018, on-line). RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 73 Vários municípios também estão adotando o IPTU Verde, que visa a incentivar empreendimentos imobiliários residenciais, comerciais, mistos ou institucionais a realizarem e contemplarem ações e práticas de sustentabilidade em suas construções.RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Por que as organizações devem se preocupar com a Responsabilidade Socioambiental? Porque nos ambientes de negócios, a reputação das organi- zações tem se tornado um fator preponderante para o reconhecimento junto à sociedade, as transformações do ambiente apontam para estratégias preocu- padas com os stakeholders, o crescimento, a sustentabilidade e a transparência nos negócios. Em uma discussão sobre a responsabilidade empresarial, estão configurados modelos em que se buscam o equilíbrio entre o social e o funcional. Ao pensar em uma gestão social e ambientalmente responsável, é preciso ter o comprome- timento, a aprendizagem e as práticas entre colaboradores e áreas organizadas, caracterizando um desafio aos profissionais das empresas para articular interesses. A preocupação com práticas ambientalmente sustentáveis, posturas social- mente corretas e economicamente viáveis está cada vez mais presente nos temas de gestão. É desta maneira que a responsabilidade socioambiental pode ser per- cebida como um tema bem debatido na gestão empresarial e muito importante na estratégia competitiva. Caro(a) aluno(a), no site da ICMS é possível conhecer informações de todos os estados brasileiros que possuem legislação sobre ICMS Ecológico. Para saber mais, acesse: <http://www.icmsecologico.org.br/site/>. Fonte: as autoras. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E74 DA RESPONSABILIDADE SOCIAL À SUSTENTABILIDADE Está cada vez mais evidente que as iniciativas de negócio proporcionam um impacto sobre o lucro e o mundo. Dessa maneira, o desempenho social inade- quado e a falta de políticas bem elaboradas de cunho social e ambiental podem trazer sérias implicações organizacionais, acarretar prejuízos materiais e morais com o intuito de aumentar os custos e perder as oportunidades de mercado. Não tem como ignorar esse novo compromisso das organizações, pois não é apenas sensibilização ética, mas, principalmente, econômica e mercadológica, a qual discutimos na nossa Aula 2 desta unidade. Para Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009), foi desenvolvido, nos últimos tempos, a perspectiva da organização como um ator social, podendo ser sen- sibilizada não somente pelas ações realizadas, mas, também, por resultados e consequências destas. A gestão empresarial, que predominou por parte do século XX e que res- ponde unicamente aos interesses de acionistas, tem se revelado insuficiente neste novo contexto empresarial, pois, cada vez mais, os negócios são considerados responsáveis não só por suas próprias atividades, mas também pelos fornece- dores, pela comunidade em que atuam e pelas pessoas que usam seus produtos. Assim, uma discussão conceitual referente à responsabilidade das orga- nizações pode ser vista como um contínuo que parte de pouca ou nenhuma mudança em seu papel e em suas operações, dirigindo-se para configurações RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 mais radicais, voltadas para as políticas e as relações organizacionais, envolvendo grande número de grupos de interesses. O economista Friedman está de um lado desse contínuo, sustentando que a posição da missão primordial da empresa é econômica. Para esta corrente, o modelo de gestão deve focar exclusivamente o shareholder, ou seja, investidores e proprietários da organização. Enfatiza que a obrigação legal ou o próprio bene- fício é o único determinante para a responsabilidade social empresarial, baseado na crença de que uma empresa lucrativa beneficia toda a sociedade ao pagar impostos e gerar empregos (ALIGLERI; ALIGLERI; KRUGLIANSKAS, 2009). Para os adeptos da corrente “postura tradicional”, os argumentos de Friedman estão baseados nos seguintes termos (TEIXEIRA; SANTOS, 2009): ■ O objetivo das organizações, em um mundo em que a competitividade é muito acirrada, é a maximização dos lucros. ■ As ações dos executivos das empresas precisam ser sempre voltadas para o objetivo do lucro, com o intuito de remunerar melhor os acionistas. ■ Quando uma organização investe na área social, para qualquer tipo de público (interno ou externo, colaboradores ou a sociedade) é uma forma de reduzir os ganhos dos acionistas. Existe, ainda, um grupo chamado de “progressiva”, em que algumas premissas básicas parecem já aceitas de forma mais generalizada pelos integrantes dessa corrente. Keith Davis (1978) destaca as posições a favor da Responsabilidade Social (TEIXEIRA; SANTOS, 2009): 1. A responsabilidade social surge do poder social. Como as organizações utilizam recursos da sociedade, é esperado que a sociedade receba esses recursos de volta. 2. É necessário compreender as necessidades e os desejos sociais. 3. Os custos sociais devem ser levados em consideração. 4. O usuário deve pagar os custos sociais de suas atividades, por exemplo, a sociedade não deve pagar pelos custos que são elencados contra a poluição. 5. A organização precisa reconhecer os problemas sociais e buscar formas de resolvê-los. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 Para que uma organização realmente possa assumir uma posição defini- tiva referente à Responsabilidade Social, é necessário conhecer sua essência no contexto contemporâneo; principalmente para que não seja confundida com filantropia, que se trata de atividades eventuais de caridade, e é como a Responsabilidade Social está configurada na maioria das organizações. Dessa maneira, a política de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) precisa estar associada, em suas diretrizes, aos custos operacionais, e também deve envolver todos os colaboradores da organização. Diante disso, a RSE, para Ashley (2003, p. 56), pode ser definida como: [...] compromisso que uma organização deve ter com a sociedade, ex- presso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo pró-ati- vamente e coerentemente no que tange a seu papel específico na socie- dade e a sua prestação de contas para com ela. Assim, a organização deve assumir uma obrigação que vai além do que está esta- belecido por leis; deve apropriar-se de obrigações de caráter moral com o intuito de contribuir para o desenvolvimento sustentável. Para Kreitlon (2004, p. 3) a RSE trata-se do: [...] compromisso empresarial de contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável, trabalhando em conjunto com os empregados, suas famílias, a comunidade local e a sociedade em geral para melhorar sua qualidade de vida, de maneira que sejam boas tanto para as empre- sas como para o desenvolvimento. Isso significa que as organizações que têm RSE devem adotar uma cultura interna, esse discurso de preocupação social deve estar refletido dentro da empresa, pois não adianta uma empresa remunerar salários injustos aos seus funcionários, pagar propinas a fiscais do governo, estabelecer condições de escravidão aos funcio- nários, corromper as licitações e, ao mesmo tempo, realizar programas voltados a entidades sociais da comunidade. Empresas que têm esse tipo de atitude não são condizentes com a RSE. RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 Outra definição é dada pelo Instituto Ethos (2011, p. 17), o qual aborda a RSE como: [...] a forma de gestãoque se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvol- vimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promo- vendo a redução das desigualdades sociais. Essas definições apresentadas sobre a RSE nos mostram que estão relacionadas com as preocupações da sociedade atual, isto é, com as questões de emprega- bilidade e ambientais. A partir disso, podemos afirmar que a RSE vai além de expectativas econômicas e sociais que beneficiam o ser humano. Infelizmente, a questão de RSE ainda é confundida com a filantropia. A RSE está incorporada na estratégia das organizações, enquanto a filantropia é de cará- ter pontual e com ações de assistencialismo. No Quadro 5, podemos observar essas diferenças. Quadro 5 - Diferenças entre Responsabilidade Social e filantropia Fonte: adaptado de Ashley (2003). Filantropia Responsabilidade Social • Ações individuais e coletivas. • Fomento da caridade. • Base assistencialista. • Restrita a empresários. • Decisão individual. • Ação coletiva. • Fomento da cidadania. • Base estratégica. • Extensiva a todos. • Decisão consensual. Rothgiesser (2004, p. 3) define filantropia empresarial como: [...] investimento de uma organização em ações pontuais periódicas, como campanhas de arrecadação de bens e alimentos, bem como as doações de ordem material e/ou financeira. Comumente não obede- cem a um processo sistematizado de atuação social, e sim, reativo, em momentos de maior demanda da sociedade. Dessa maneira, podemos observar que a principal diferença entre a RS e a filantro- pia é que: esta trata-se de ações externas da organização, e a principal beneficiária é a comunidade, enquanto a RS tem o foco na cadeia de negócios da organização e abrange sua preocupação com um público que vai além da comunidade, tais como acionistas, colaboradores, fornecedores, meio ambiente, governo, clientes e prestadores de serviço. EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), estudamos, nesta unidade, a questão das empresas e o meio ambiente, em que discutimos, primeiramente, a questão da contaminação ambien- tal, apresentamos a relação da industrialização com o meio ambiente e os acidentes ambientais que trouxeram inúmeras consequências para o meio ambiente e para a sociedade. Apresentamos que, atualmente, os que investem em sustentabilidade econô- mica têm um diferencial competitivo quando comparadas a empresas que não são sustentáveis. Apresentamos que a sustentabilidade econômica está relacio- nada com uma distribuição eficiente de recursos naturais dentro de uma escala apropriada, e que é referente às práticas econômicas que visam o desenvolvi- mento econômico da organização, buscando a preservação ambiental pensando nas gerações vindouras. Diferenciamos a economia neoclássica da economia ecológica, apresentando que as empresas tendem a investir na economia verde, que se trata de investimen- tos em capital natural, e apresentamos práticas de sustentabilidade econômica, como vantagens para as organizações como uma maior economia financeira em médio e longo prazo, aumento de lucros e diminuição de riscos, surgimento de competitividade de novos mercados, e clientes. Apresentamos práticas que estão sendo adotadas por empresas, como eco- eficiência, que visa o uso mais eficiente de matérias-primas e energia, com o objetivo de diminuir os custos econômicos e impactos ambientais; a produção mais limpa, que visa a estratégia ambiental, econômica e tecnológica, integrada aos processos e produtos com o intuito de aumentar a eficiência na utilização de matérias-primas, água e energia, por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados em um processo produtivo. Além disso, estuda- mos os investimentos e custos ambientais. Finalizamos nossos estudos apresentando as questões de Responsabilidade Socioambiental incorporada pelas empresas, correntes contra e a favor da RSE, e abordamos as práticas de filantropia e RSE. 79 1. Referente ao fornecimento de bens e serviços sustentáveis que são oferecidos a preços competitivos, que visam a satisfazer as necessidades humanas, pro- movendo a diminuição dos impactos ambientais e do consumo dos recursos naturais, estamos tratando do(a): a) Ecologia industrial. b) Ecoeficiência. c) Consumismo. d) Ecossistema. e) Meio ambiente. 2. Trata-se da estrutura da economia que tem mudado a direção de setores e/ ou tecnologias “verde” ou “limpos”, resultando na melhoria do bem-estar da comunidade e a igualdade social, minimizando os riscos ambientais, trata-se do(a): a) Economia verde. b) Economia marrom. c) Ecossistema. d) Ecoeficiência. e) Ecologia. 3. Trata-se da busca de inovações em processos produtivos, que visam a mini- mizar perdas e emissões, podendo ser inovações, tais como mudanças em processos produtivos, novas instalações e novos equipamentos, essa prática é referente a(s): a) Ecologia. b) Ecossistemas. c) Housekeeping. d) Substituição de materiais. e) Mudanças na tecnologia. 4. Muitas empresas praticam responsabilidade social, mas, na verdade, estão fa- zendo uma ação filantrópica, pois muitos gestores acreditam que ambas tra- tam-se da mesma coisa. Diante disso, diferencie responsabilidade social de filantropia. 5. A sustentabilidade econômica visa a gestão de recursos naturais e também a sustentabilidade do negócio. Diante desse contexto, apresente as vantagens da sustentabilidade econômica para as organizações. 80 A Tragédia dos Bens Comuns Com apenas seis páginas, o breve ensaio do ecologista Garrett Hardin (1915 – 2003) teve a façanha de ser uma das mais citadas obras nas ciências e humanidades no século XX. O cenário descrito parece ser que a exploração de recursos comuns pela ganância individual segue um caminho sem volta. Porém, há alternativas. A premissa é simples. Hardin argumenta que quando os recursos, naturais ou do traba- lho, são compartilhados a tendência lógica seria o abuso por parte dos interesses indi- viduais. “Tragédia” no título refere-se a um destino inevitável, o “comuns” a propriedade comunal típica na Idade Média, quando cada vila tinha seu bosque do qual dele os alde- ões podiam caçar, coletar frutas e lenha, deixar os animais pastarem. O camponês que coloca uma vaca a mais para pastar tem uma vantagem imediata em relação a outros aldeões, mas também terá um prejuízo, pois no final, se todos compartilharem dessa lógica, o pasto comunal vai ser destruído. Mais um diagnóstico de um dilema e um apelo à reflexão moral que uma proposta de so- lução técnica, o artigo de Hardin oferece algumas possibilidades de evitar a tragédia dos comuns. A privatização seria uma delas. Com o princípio de escolha racional dos “vícios privados, benefícios públicos” o loteamento dos comuns evitaria a superexploração por cada camponês. Alternativamente, um mecanismo de controle ao externo aos comuns, como o Estado, seria uma solução. É o que faz a estratégia do poluidor-pagador Quem usasse mais o bem comum (com mais vaquinhas, por exemplo) faria alguma contrapres- tação indenizatória. Há, porém, o custo de gerenciar quem usa mais o recurso. Por fim, a regulamentação da pastagem restringindo o uso dos comuns com certas normas ou cobrando pedágios para seu acesso. Também são sistemas onerosos e sujeitos a falhas. Polêmico, o ensaio de Hardin teve repercussão em políticas ecológicas, em estratégias econômicas, na gestão condominial e até mesmo para dividir a conta do restaurante. Defensores do individualismo metodológicose da teoria da escolha racional utilizam o dilema da tragédia dos comuns para traduzir em políticas privatizantes. E anedotas da vida real abundam, justificando essa estratégia privada. O caso da Ilha Hispaniola, dividida entre o Haiti e a República Dominicana, ilustra bem a tragédia. Os haitianos, embora compartilhando condições materiais semelhantes aos dominicanos, tiveram instabilidade política nos últimos duzentos anos que impediu o mínimo de desenvolvimento de suas infraestruturas. Consequentemente, a população cresceu dependendo de lenha e recursos das florestas que, ou sendo pública, ou sendo privada (mas sem efetiva proteção jurídica da propriedade), foram destruídas. Do lado dominicano, as instituições se consolidaram, permitindo a continuidade das florestas e a exploração racional dos recursos. Com um exemplo assustador desses, a tragédia dos comuns parece ser inexorável. En- tretanto, há outras premissas a serem consideradas. Antropólogos que estudam relações ecológicas e econômicas (Julian Steward, Leslie White, Marvin Harris e Marshall Sahlins) apontam para a existência de limitações insti- 81 tucionais para a exploração econômica do ambiente. Há ainda o debate entre substan- tivistas e formalistas em antropologia econômica, além da Nova Economia Institucional que relembram que há interesses que ultrapassam uma mera escolha racional. O estudo de Rappaport (1984) entre os tsembaga da Papua Nova-Guiné ilustra isso. Nessa econo- mia baseada na criação de porcos, o número das varas é limitado por obrigações rituais. Os esporádicos rituais que implicam na redução dos suínos limitam que um dos tsemba- gas acumule muitos porcos, pondo em risco os recursos comuns da aldeia. O trabalho da cientista política Elinor Ostrom (1933 – 2012) (1990) ofereceu uma das mais compreensivas críticas ao modelo das tragédia dos comuns. O sul da Califórnia vive em um perigoso equilíbrio entre uma população numerosa, agricultura e pecuária extensivas, clima desértico e poucos recursos hídricos perenes. Quem assistir ao filme de Polanski Chinatown (1974) entenderá o conflito californiano. Ostrom investigou como que grupos locais se arti- cularam para gestão do lençol freático. A congregação de recursos comuns (common-pool resource, CPR) pelas partes interessadas são eficazes sem necessitar regulação vinda de cima se atender alguns requisitos. Segundo o modelo de Ostrom haveria oito princípios funda- mentais a serem observados para solucionar o dilema da tragédia dos comuns: 1. Limites claramente definidos; 2. Equivalência proporcional entre benefícios e custos; 3. Implantação das decisões coletivas; 4. Monitoramento; 5. Sanções gradativas; 6. Resolução rápida e justa de conflitos; 7. Autonomia local; 8. Relações apropriadas com outros níveis de autoridade reguladora (governança policêntrica). Esse modelo de gestão resultou no Prêmio Nobel de Economia de 2009 para Elinor Ostrom. No sistema agroflorestal que estudei no Paraná, o sistema faxinal, representa uma solução prática ao dilema da tragédia dos comuns. Nesse sistema camponês, a propriedade priva- da (o sítio) coexiste com recursos comuns (o faxinal, o mutirão). Uma extensa rede de co- laboração entre as diversas famílias garante a maximização dos ganhos coletivo do grupo face a desafios internos e pressões externas (monocultura de floresta plantada, madeirei- ra, privatização da terra, falta de investimento). Apesar de modificado e constante risco, o sistema provou-se ser eficiente para manter as famílias ligadas à terra com certo conforto. Como visto, o problema da superexploração individualista de recursos comuns obser- vado por Garrett Hardin é um aviso. Os bens comuns deixados à exploração desregula- mentada (talvez, deixados à mão invisível do mercado) tendem a sua destruição. Como remédio, há alternativas desde pedágios, regulamentações ou privatizações até o inves- timento na autogestão por parte dos grupos interessados – proposta de Ostrom. Fonte: Ensaios e Notas (2016, on-line). MATERIAL COMPLEMENTAR O Sal da Terra (2014) Sinopse: o filme conta um pouco da longa trajetória do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado e apresenta seu ambicioso projeto “Gênesis”, expedição que tem como objetivo registrar, a partir de imagens, civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. REFERÊNCIAS ABEP. 61% dos brasileiros estão dispostos a pagar mais por produtos verdes. 2015. Disponível em: <http://www.abep.org/blog/noticias/61-dos-brasileiros-es- tao-dispostos-a-pagar-mais-por-produtos-verdes/>. Acesso em: 3 abr. 2019. AGÊNCIA NACIONAL DAS ÁGUAS - ANA. Licitações Sustentáveis. [2019]. Disponí- vel em:<http://a3p.ana.gov.br/Paginas/LicitacoesSustentaveis.aspx>. Acesso em: 3 abr. 2018. ALIGLERI, L.; ALIGLERI, L. A.; KRUGLIANSKAS, I. Gestão Socioambiental: responsabi- lidade e sustentabilidade do negócio. São Paulo: 2009. ATLA CONSULTORIA. Conheça as principais linhas de financiamento para pro- jetos sustentáveis no Brasil. 23 jan. 2018. Disponível em: <http://atlaconsultoria. com/artigo/linhas-financiamento-projetos-sustentaveis/>. Acesso em: 4 abr. 2019. ASHLEY, P. A. Responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2003. BARBIERI, J. C. Gestão Ambiental Empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. BRASIL. Caixa lança linha de crédito verde para atividades sustentáveis 2012. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2012/06/caixa-lan- ca-linha-de-credito-verde-para-atividades-sustentaveis. Acesso em: 15 abr. 2019. CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI). Indústria Sustentável no Brasil - Agenda 21: Cenários e Perspectivas. 2002. Disponível em: <http://arquivos.portal- daindustria.com.br/app/conteudo_24/2012/09/05/243/20121126162501925570a. pdf>. Acesso em: 4 abr. 2019. CONSULIN, P. H. 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A principal diferença entre a RS e a filantropia é que: filantropia trata-se de ações externas da organização, e a principal beneficiária é a comunidade, enquanto a RS tem o foco na cadeia de negócios da organização e abrange sua preocupação com um público que vai além da comunidade, tais como acionistas, colabora- dores, fornecedores, meio ambiente, governo, clientes e prestadores de serviço. 5. • Maior economia financeira em médio e longo prazo. • Aumento dos lucros e a diminuição dos riscos por meio do combate à poluição e melhoria da eficiência ambiental. • Melhoria da imagem perante a sociedade, principalmente aos consumidores. • Obtenção de ganhos indiretos, pois terão um ambiente preservado, com maior desenvolvimento econômico, além da garantia de uma qualidade de vida melhor para as gerações vindouras. • Vantagem competitiva no mercado quando comparadas a suas concorrentes. • Conquista de novos mercados. GABARITO U N ID A D E III Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália Christina da Silva Matos MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender a definição e a aplicação do marketing verde. ■ Entender as normas e as certificações voltadas à responsabilidade social. ■ Entender a norma brasileira de responsabilidade social. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Marketing verde ■ Normas e certificações voltadas à responsabilidade social ■ NBR 16001: a norma brasileira de gestão da responsabilidade social INTRODUÇÃO Nesta unidade, você conhecerá a trajetória da história do desenvolvimento sus- tentável, o marketing verde e o que solidifica sua existência e manutenção. Como você já teve a oportunidade de estudar nas unidades passadas, o desenvolvi- mento sustentável significa obter crescimento econômico necessário, garantindo a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento social para o presente e as gerações futuras. O marketing verde, também conhecido como marketing ambiental, é ado- tado pelas empresas como uma dessas estratégias que estão relacionadas ao vínculo da marca, do produto ou do serviço oferecido com uma imagem ecolo- gicamente correta e consciente. Para que essas novas estratégias sejam usadas de acordo com a ética e a boa conduta, algumas normas devem ser seguidas. Estas são criadas por orga- nizações nacionais e internacionais, como ABNT NBR, representante da ISO no Brasil. Dessa maneira, estudaremos duas normas, em especial a ISO 26000, norma internacional de responsabilidade social, voluntária, não certificável, e serve de base para as organizações que desejam implementar um sistema de ges- tão de responsabilidade social. Também veremos a NBR 16001, norma brasileira de responsabilidade social, que pode ser certificada e utilizada por qualquer tipo de empresa, independentemente do ramo ou porte. Veremos o ciclo PDCA, uma ferramenta eficaz para a implementação de sis- temas de gestão, que nos permite visualizar sua melhoria contínua. Vamos juntos! Bons estudos. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E90 MARKETING VERDE Para entender o que, de fato, significa marketing, apresentamos a definição de acordo com Sandhusen (2007, p. 5, grifos do autor), em seu livro Marketing Básico, em que caracteriza funções básicas do marketing: [...] sendo as funções troca (compra e venda), funções de distribuição física (transporte e armazenagem) e funções de facilitação (sortimen- to, financiamento, riscos e desenvolvimento de informações de marke- ting). O marketing demonstra gran- de influência em relação às pessoas e também às empresas. O marketing surgiu no início da década de 20, com o intuito de procurar recursos para resolu- ção dos problemas com venda e distribuição de produtos. No decorrer dos anos, tornou-se uma perspectiva mais humana por meio do surgi- mento de outras filosofias, tais como: ética nos negócios, foco em recursos humanos e marke- ting social (PEATTIE; CHARTER, 2005). Em consequência às mudanças ambientais, já no final do século XX, surge o marketing societal, por meio dele, as empresas recebem a orienta- ção de que devem, além de entregar valor aos clientes, buscar satisfazer às suas expectativas, preocupando-se com a ética e o meio ambiente (KOTLER,1995). O pensamento meramente eco- nômico predominante nas orga- nizações voltou-se para as ques- tões sociais e ambientais, segundo Layrargues (2000, p. 20), desde o ambientalismo, que foi um movi- mento histórico originado a partir do reconhecimento dos assustado- res efeitos negativos causados na biosfera, em que é criticado o mo- delo civilizatório e dos paradigmas da sociedade de consumo (LOPES; PACAGNAN, 2014, p.117). Marketing Verde Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 O termo marketing verde teve origem na década de 70, quando a American Marketing Association (AMA) iniciou as discussões referentes aos impactos do marketing em relação ao meio ambiente natural (LOPES; PACAGNAN, 2014). Assim, podemos afirmar que um produtotem um atributo verde quando ele é concebido com preocupações ecológicas e sociais, que permitem esse produto agregar valor comercial. Assim, os produtos ambientalmente corretos possuem algumas características, tais como: devem ser fabricados com quantidade mínima de matéria-prima renovável; devem ter eficiência energética; fazem uso racio- nal de água e de quantidade mínima de efluentes; geram quantidade mínima de resíduos; produzem embalagens que possam ser reutilizadas; entre outros (GONZAGA, 2005). Dessa forma, chamamos de marketing verde, marketing sustentável ou eco- lógico, aquelas empresas que encontraram soluções para produção utilizando os recursos naturais de forma sustentável e sem poluir o meio ambiente. A prática envolve a divulgação de processos que alcancem o maior número de clientes por meio da informação de produtos com baixo impacto ambiental. A sociedade do consumo é a denominação designada para definir o atu- al estágio da sociedade contemporânea, o qual se encontra caracterizada pelo consumo massivo de bens e serviços, dentro de um sistema industrial capitalista altamente desenvolvido. Um aspecto importante dentro do sis- tema capitalista é a harmonia entre oferta e demanda e o modo como este processo ocorre. Os paradigmas de consumo da sociedade contemporânea agem tanto posi- tiva quanto negativamente no cenário exposto, e a perspectiva é que tenha- mos uma sociedade cada vez mais vinculada ao consumo. Para saber mais, acesse: <http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/a-sociedade-do- -consumo-os-efeitos-da-inadimplencia/73871/>. Fonte: adaptado de Ribeiro (2013, on-line). MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E92 Assim, podemos observar que as preocupações ambientais estão assumindo, gradativamente, maior importância entre os consumidores, que passam a adqui- rir produtos e serviços incorporados à variável ecológica. Dessa maneira, para Dias (2017), as organizações buscam associar a variável “meio ambiente” como estratégia competitiva junto aos consumidores e concorrentes. Essa vertente do marketing – o “marketing verde” – nos traz preocupações com as questões mercadológicas dos produtos que atendem à legislação ambien- tal e às expectativas dos consumidores desses produtos. Sob o ponto de vista do marketing ambiental, o cliente não é o único público- -alvo; existem outros que são importantes, tais como: fornecedores, distribuidores, governo, comunidade em geral, dentre outros. Esse conceito de marketing verde está relacionado diretamente com a pre- missa de que qualquer organização que desempenhe uma atividade na sociedade é responsável, diante dela, pelos produtos ou serviços que presta, caso o produto ou serviço seja prejudicial às pessoas, precisam ser eliminados ou ter reduzi- dos, ao mínimo tolerável, os danos ocasionados. Dessa maneira, é preciso ter um equilíbrio entre as necessidades dos seus clientes e aquelas da sociedade em geral, mas que nem sempre são as mesmas (BARBIERI, 2016). Assim, o conceito de marketing ecológico está (BARBIERI, 2016): ■ Baseado em um processo integral de gestão. ■ Responsável pela identificação, antecipação e satisfação dos clientes. ■ Responsável perante a sociedade, à medida que garante que o processo produtivo seja rentável e sustentável. Dessa forma, existem algumas empresas que são conhecidas por terem adotado o marketing verde, a saber ( MARQUES, 2017, on-line)1: ■ Unilever: a empresa administra mais de 400 marcas e reduziu pela metade a emissão de gases do efeito estufa nos últimos quinze anos, fabricando produtos ecológicos e utilizando embalagens facilmente recicláveis ou biodegradáveis. ■ Natura: a marca, que é pioneira em marketing verde no Brasil, lançou uma linha de produtos que têm embalagens recicláveis, com redução na emissão de carbono em sua fabricação. Marketing Verde Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 ■ Johnson e Johnson: é a segunda marca que faz uso de energia solar nos Estados Unidos e vem trabalhando consistentemente, nos últi- mos 20 anos, para reduzir os desperdícios de produção. Em janeiro de 2011, lançou um plano de negócio para se tornar a empresa mais ambientalmente responsável do mundo. Assim, o marketing verde é representado pelos esforços das empresas para satisfazer aos desejos dos clientes por produtos que causem menores impactos ambientais ao longo do seu ciclo de vida (GONZAGA, 2005). MARCAS ECOLÓGICAS Podemos dizer que um pequeno detalhe faz toda a diferença, afinal, quem nunca comprou um determinado produto por conta da marca? Aqui abordaremos um requisito bem popular: as famosas marcas dos produtos. Mas como o intuito é a sustentabilidade, elas têm que ser ecologicamente corretas. Pois bem, vamos lá! Para saber mais sobre o assunto, assista o vídeo a seguir sobre marketing verde. MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E94 Você saberia dizer a definição da palavra marca? Para esclarecer esta questão, veremos o que diz Kotler (1998, p. 20): “marca é um nome, termo, sinal, símbolo ou combinação dos mesmos, que tem o propósito de identificar bens ou serviços de um vendedor ou grupo de vendedores e diferenciá-los de concorrentes”. As marcas só são consideradas grandes (boas marcas) quando atingem um alto número de consumidores, e este é o objetivo de muitas organizações: cons- truírem uma marca sólida e forte. Entretanto, para alcançar esse objetivo, faz-se necessário compreender os processos que envolvem as atitudes dos consumido- res em relação à marca e este detalhe é o alvo do marketing. Para Keller (1993), as atitudes dos consumidores em relação às marcas podem estar relacionadas a crenças sobre os atributos e à funcionalidade e aos benefícios dos produtos. O sucesso dos programas de marketing é um reflexo da criação de asso- ciação com a marca, ou seja, os consumidores que acreditarem que a mar- ca possui atributos e benefícios que satisfarão suas necessidades e desejos formarão uma atitude positiva em relação à marca (KELLER, 1993, p. 5). Uma das características é o que chamamos de imagem da marca, definida como a percepção que os consumidores têm sobre as marcas a partir de suas associações pela memória ou pelas atitudes em relação a elas. Uma marca pode ser esco- lhida pelo status que ela representa, ou por estar associada a causas ambientais. O uso de marketing social ou ambiental pode determinar sentimentos em relação à marca por parte dos consumidores, como: aprovação social, que seria o reconhecimento da sociedade em relação às marcas associadas a causas sociais; autorrespeito, que acontece quando a marca faz o consumidor se sentir bem com ele mesmo (senso de orgulho, satisfação pela escolha da marca) (HOEFFLER; KELLER, 2002). As marcas têm um peso crucial na tomada de decisão de compra pelo consumidor, possibilitando a ele adquirir um produto com mais confiança e credibilidade. Quando o consumidor identifica alguns atributos relacionados a determinada marca, seja por experiências, boca a boca ou propagandas, esses atributos se tornam conectados a ela. Assim, podemos concluir que a atitude em relação a uma marca é derivada das atitudes em relação aos seus atributos e benefícios (LUTZ, 1991). Marketing Verde Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .610 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 MARKETING MIX ECOLÓGICO As estratégias específicas que serão desenvolvidas em cada uma das variáveis do mix ecológico deverão estar vinculadas aos segmentos-alvo conhecidos, bem como os serviços e/ou produtos que serão oferecidos. Conheceremos estes a seguir. Produto “verde” Segundo Kotler (apud DIAS, 2017, p. 171) produto é: [...] algo que se pode ser ofe- recido a um mercado para sua apreciação, aquisição, uso ou consumo para satisfazer a um desejo ou necessidade. Assim, no mercado, temos produtos que são bens físicos, tais como automóveis, livros, geladeiras, sofás, computadores, entre outros; e serviços, como cortes de cabelo, fornecimento de água; locais; organizações e ideias. A essa ampla gama de produtos, pode ser agregada a variável “ecológica”, e quando uma empresa faz isso, é preciso associar ao ciclo de vida do produto. Dessa forma, o produto será considerado ecológico quando tiver um prejuízo menor em todo o seu ciclo de vida, considerarando sua concepção, seu uso, con- sumo e descarte final. Dessa maneira, um produto verde é aquele que tem as mesmas funções de um produto comum, no entanto, os danos ambientais são menores em todo o seu ciclo de vida, isto é, faz-se necessário analisar sua composição, se é reciclável, se agride ou não o meio ambiente, se o material de sua embalagem também pode ser reaproveitado etc. É preciso salientar que o conceito de produto ecológico envolve todo o pro- cesso de fabricação, assim, são somados os atributos específicos do produto mais os atributos de fabricação, os quais podemos observar na Figura 1. Existem muitas vantagens quando adotamos uma marca, tais como: dife- renciação dos produtos em relação aos concorrentes, consistência da quali- dade do produto, eficiência da compra, entre outros. Fonte: Dias (2009, p. 125). MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E96 Atributos do produto ecológico. Atributos especí�cos do produto. Atributos especí�cos do processo de fabricação. Figura 1 – Produto verde Fonte: adaptado de Dias (2017). As decisões que devem ser tomadas sobre o produto precisam ser direcionadas a projetar um bem ou serviço de maneira que haja a redução do consumo dos recursos empregados e da geração de resíduos ao longo do ciclo de vida, isto sem o comprometimento das características que satisfazem às necessidades dos atuais clientes. A gestão destes produtos deve se preocupar com todas essas variáveis que envolvem o produto verde, podendo ser nas seguintes direções (BARBIERI, 2016): ■ Introdução de novos produtos que poderão ser direcionados a novos mercados. ■ Melhoria de produtos existentes, que pode modificar os processos de pro- dutos e/ou produtos que já estão no mercado. ■ Eliminação dos produtos existentes, na qual a empresa analisa o produto e conclui que ele não será rentável em curto prazo, em função das exigên- cias ecológicas de mercado e/ou legislação ambiental. Sob o ponto de vista ambiental, o produto pode ser analisado por ferramentas, tais como (DIAS, 2017): ■ As normas ISO 14001, que se referem ao Sistema de Gestão Ambiental (SGA). São ações coordenadas dentro das empresas e auditadas externa- mente, envolvendo uma análise da atuação em conjunto da organização, e não somente do produto. ■ Análise do ciclo de vida do produto, que está pautada no impacto ambien- tal dele ao longo das diferentes etapas do seu ciclo: produção, venda, utilização e eliminação. Um aspecto bem interessante a ser considerado, sob o ponto de vista do marke- ting, são as certificações e os selos verdes, os quais constituem elementos tangíveis que acompanham o produto, são fonte de informação objetiva aos consumido- res e conferidos por organizações independentes que asseguram a qualidade ambiental de produtos ou serviços. Marketing Verde Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 As normas da ISO 14000 estabelecem três tipos de rótulos: tipo I, tipo II e tipo III. Segundo Barbieri (2016), os rótulos devem ser baseados em metodolo- gias científicas com o intuito de dar suporte às afirmações, e os critérios utilizados devem ser relevantes ao ciclo de vida do produto. O Quadro 1 nos apresenta os tipos de rótulos ambientais. Quadro 1 – Tipos de rótulos ambientais TIPO I TIPO II TIPO III NORMA NBR ISO 14024 NORMA NBR ISO 14021 NORMA NBR ISO 14025 Rótulo baseado em pro- grama de terceira parte de adesão voluntária. Autodeclaração feita por fabricantes, comerciantes, importadores e outros que possam se beneficiar da autodeclaração. Declaração que contém informações quantifica- das sobre parâmetros ambientais em produtos e serviços previamente definidos. Baseado em múltiplos critérios, previamente definidos pelo pro- grama e válidos para classes ou categorias de produtos e serviços. Um ou mais critérios defi- nidos pelo interessado. Por exemplo: autodeclaração do fabricante sobre o teor de materiais reciclados contido no produto. Critérios múltiplos pre- viamente definidos para categorias de produtos. Produtos de categorias previamente seleciona- das pelo programa. Qualquer produto. Produtos de categorias previamente seleciona- das pelo programa. Endereçados aos consu- midores finais. Endereçado às empre- sas. Considera o ciclo do produto. Não considera o ciclo do produto. Considera o ciclo do produto. Exige certificação de terceira parte. Não exige certificação de terceira parte. Exige certificação de terceira parte. Apresenta-se como texto e como símbolo do programa impresso em produtos e suas em- balagens, por exemplo: símbolo do Anjo Azul. Apresenta-se como texto e como símbolo impresso em produtos e suas emba- lagens, por exemplo: ciclos de Mödius. Apresenta-se como texto contendo dados da empresa, do produto, dos impactos ambien- tais quantificados, do organismo de certifica- ção etc. Fonte: Barbieri (2016, p. 245). MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E98 Em relação aos selos ambientais, existem vários deles adaptados para cada setor produtivo e que são comuns a todos. Para Dias (2017), os selos verdes: ■ Devem ser verificáveis a qualquer momento, com o objetivo de evitar fraudes. ■ Devem ser concedidos por empresas de idoneidade reconhecida. ■ Não devem criar barreiras comerciais. ■ Devem levar em consideração o ciclo de vida completo do produto. ■ Devem estimular a melhoria do produto e serviço. Preço ecológico Segundo Dias (2017), o preço é o indicador geral do valor atribuído ao produto pelo consumidor e reflete os valores ambientais que o produto tem – isso inclui os custos de fabricação. Aqui, os consumidores levam em consideração a rela- ção custo-benefício dos produtos ecológicos. Distribuição do produto ecológico Essa variável leva em consideração as atividades referentes à transparência de mercadorias dos fabricantes e fornecedores aos seus clientes, sejam eles pessoas físicas ou organizações. É o instrumento de marketing que relaciona a produ- ção e o consumo (DIAS, 2017). Essa distribuição envolve algumas ideias básicas, tais como: escolha de canal de distribuição, pontos de venda, merchandising, com o intuito de estimular a aquisição do produto, além da logística e distribuição. Sob o ponto de vista do marketing de Barbieri (2016), a distribuição implica levar adianteuma série de atividades, tais como: promoção, apresentação, ponto de venda considerando o ponto de vista ambiental, benefícios ecológicos, entre outros. Em contrapartida, sob o ponto de vista ambiental, é preciso levar em conside- ração a comercialização do produto ecológico, e que este possa ser encaminhado para reciclagem após seu uso. A reciclagem é fundamental neste canal de distri- buição, e há o estímulo da logística reversa. Marketing Verde Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 Além disso, temos que levar em consideração, na distribuição, o ponto de vista do marketing ecológico: ■ A minimização do consumo de recursos, bem como a geração de resíduos. ■ A criação de um sistema eficiente na distribuição. Comunicação do produto ecológico Os objetivos da comunicação deverão ser: informar os atributos do produto, prin- cipalmente os aspectos positivos com relação às questões ambientais, e repassar a imagem da organização com essa questão. Na comunicação, deve-se apresentar aos consumidores o fato de que o pro- duto tem um valor agregado e que compensa adquiri-lo; algumas formas podem ser: trabalho de sensibilização ecológica; informação sobre os produtos e o pro- cesso de fabricação ambientalmente corretos; realização de ações de relações públicas em torno de questões ecológicas, dentre outros. O que é logística reversa? Quais investimentos? É o gerenciamento do retorno de produtos, embalagens ou outros produtos desde o consumidor até a origem, por exemplo: garrafas retornáveis. De forma simples, o maior desenvolvimento da logística reversa está ligado à questões ambientais e ao déficit de reciclagem dos materiais. Além deste quesito legal, as indústrias estão buscando se conscientizar sobre questões ambientais. Para saber mais, acesse: <https://www.vendasexternas.com.br/tendencias-logistica-reversa-canais- -de-distribuicao-e-novas-tecnologias/>. Fonte: adaptado de Both (2017, on-line)2. MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E100 Publicidade enganosa Até agora, apresentamos a você toda forma de investimentos na questão ambien- tal que podem estar associados ao marketing ambiental, os quais são aproveitados competitivamente pelas organizações. No entanto, sabemos que isso pode não acontecer, pois existem empresas que afirmam possuírem esses diferenciais de âmbito ecológico quando, na verdade, não têm. De acordo com Barbieri (2016), a prática de comercializar, posicionar e comu- nicar um produto como se fosse um benefício para o ambiente com o objetivo de projetar uma imagem ecológica que, na verdade não há, chamamos de gre- enwashing ou lavagem verde. A publicidade ambiental enganosa vem se disseminando como um proce- dimento não ético adotado por muitas empresas e que procura, por meio da “maquiagem ambiental” de seus produtos e/ou serviços, enganar os consumido- res, fazendo-os crer que estão contribuindo com a proteção do meio ambiente. Temos muitos exemplos de greenwashing, a saber: ■ Oferecer produtos cancerígenos em embalagens de plástico. ■ Cigarros orgânicos ou pesticidas orgânicos. ■ Garrafa de água divulgando que o líquido é biodegradável. ■ Produto 100% natural (porque temos muitos produtos naturais que ofe- recem perigo, como arsênio, urânio). Esse tipo de prática é prejudicial a empresas éticas e que se preocupam com a sustentabilidade. Agora que você já conhece um pouco sobre essas práticas enganosas, não se deixe enganar! Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 NORMAS E CERTIFICAÇÕES VOLTADAS À RESPONSABILIDADE SOCIAL Agora que já falamos sobre a questão do marketing verde, da publicidade enga- nosa e de como as organizações podem tirar vantagens competitivas acerca da questão ambiental, podemos avançar em relação ao assunto. Existem empresas que buscam a responsabilidade social empresarial por meio de certificações. Mas, para que você possa entender como ocorreu esse desenvolvimento, iniciaremos nossa discussão abordando a responsabilidade social empresarial em períodos distintos: o primeiro período se deu no início do século XX até a década de 50; e o segundo, representando a abordagem contemporânea, vai da década de 50 até os dias atuais. Todos sabem que o setor automobilístico gera muitos impactos negativos, como poluição do ar, consumo de energia e de recursos naturais. Um gran- de fabricante de automóveis com sede no Japão promove o greenwashing induzindo o consumidor a pensar que comprar o seu automóvel é fator que contribui para preservar o ambiente e promover a sustentabilidade. Na pro- paganda, veiculada em jornal, são apresentadas informações sobre utilização de materiais reciclados na composição do carro, economia de água, logística reversa e eliminação de metais pesados. Mas por que isso caracterizaria um greenwashing? Ao apresentar tais informações, a empresa comete, pelo menos, três dos sete pecados da rotulagem ambiental. Os pecados do greenwashing são: 1. Pecado do custo ambiental camuflado. 2. Pecado da falta de prova. 3. Pecado da incerteza. 4. Pecado do culto a falsos rótulos. 5. Pecado da irrelevância. 6. Pecado do “menos pior”. 7. Pecado da mentira. Para saber mais, acesse: <https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/2094-de- finicao-o-que-como-traducao-greenwashing-estrategias-marketing-propa- ganda-consumo-produtos-servicos-atitude-apelo-ambiental-enganosa-em- presas-consciencia-ambiental-casos-exemplos-cuidados.html>. Fonte: adaptado de eCycle ([2019], on-line)3. MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E102 PRIMEIRO PERÍODO A sociedade experimentava a transição da economia agrícola para a industrial. A ideologia econômica que predominava era o liberalismo e, de acordo com este, a interferência do Estado na economia seria um obstáculo à concorrência. O Estado deveria ser responsável pelas ações sociais, pela promoção da concorrência e pela proteção da propriedade. E as empresas deveriam buscar a maximização do lucro, a geração de empregos e o pagamento de impostos. Segundo Friedman (1985, p. 23): Em tal economia, só há uma responsabilidade social do capital – usar seus recursos e dedicar-se a atividades destinadas a aumentar seus lu- cros até onde permaneça dentro das regras do jogo, o que significa par- ticipar de uma competição livre e aberta, sem engano ou fraude. Até a década de 50, a responsabilidade social empresarial assume a dimensão estritamente econômica. SEGUNDO PERÍODO Esse período é marcado pelo pensamento Keynesiano, pela intervenção do Estado na economia. Com o Keynesianismo, reduziram-se, aos poucos as incertezas no mercado, gerando condições para o investimento em tecnologia, o acúmulo de capital e a consolidação do modelo de produção em massa Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve reiro d e 19 98 . 103 O que levou à mudança de valores da sociedade, segundo Toffler (1995), foi a busca do sucesso econômico pela sociedade industrial, enquanto a sociedade pós-industrial buscava o aumento da qualidade de vida, a valorização e o respeito ao meio ambiente e ao ser humano, a valorização social e a organização empresarial em múltiplos meios, tanto para empresas como para indivíduos. E todos esses fatores têm impulsionado a responsabilidade social empresarial. As empresas não necessitam mais da força mus- cular dos seus funcionários, mas do seu talento, de sua criatividade e motivação. RESPONSABILIDADE SOCIAL NOS DIAS ATUAIS Agora que você já sabe como surgiu a Responsabilidade Social Empresarial e como ela chegou nos termos que temos hoje, nos aprofundaremos um pouco mais neste conceito e nas ferramentas que permitem planejar, implementar e avaliar a gestão socialmente responsável. A responsabilidade, em termos gerais, refere-se à obrigação de responder pelas consequências previsíveis das nossas ações em virtude de leis, contratos, normas de grupos sociais ou de sua convicção íntima. Portanto, Responsabilidade Social Empresarial refere-se à obrigação que o sujeito ou a empresa tem com seus relacionamentos e sua sociabilidade, baseada na ética com as partes interessadas. ISO 26000 Você, provavelmente, já deve ter se deparado com o termo “ISO” em leituras acerca das normas de certificação, ou mesmo em pesquisas acerca de organiza- ções (empresas ou indústrias), ou, ainda, teve acesso a essa informação mediante o marketing realizado por alguma organização. Note que algumas organizações dos mais variados ramos de atuação divulgam a obtenção das certificações ISO como estratégia de marketing positivo, como no caso das certificações das ISO 9000 e 14000, que se referem a certificações com valia internacional em termos de gestão da qualidade ou em relação a um sistema de gestão ambiental, respectivamente. Mas, afinal, o que vem a ser uma “ISO”? Qual o significado desta palavra? A MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E104 palavra ISO corresponde a uma sigla em inglês para International Organization for Standardization ou Organização Internacional de Normalização. Esta organiza- ção foi fundada em 1946 como uma confederação de organismos de normalização internacional, voltada à parametrização e ao desenvolvimento de padrões e normas aceitos internacionalmente. A sua criação foi fundamental em um contexto histórico do desenvolvimento das relações internacionais, de acesso ao mercado externo e, consequentemente, de desenvolvimento da situação econômica atual (DIAS, 2017). Segundo Costa (2011, p. 15), essa organização: [...] atua como entidade não governamental, desvinculada formalmen- te de empresas e governos, embora entre as suas afiliadas possam se encontrar tanto os organismos estatais de normalização como organis- mos com forte influência de setores empresariais e governamentais. A ISO está sediada em Genebra, na Suíça, e reúne em torno de 157 países desenvolvidos e em desenvolvimento, de todas as regiões do mundo. Dessa maneira, passamos a compreender o que significa uma ISO e podemos relacionar a importância de tais certificações e normas para o desenvolvimento da sociedade e das relações “internas e externas” estabelecidas, sobretudo as relações econômicas nacionais e entre nações, uma vez que uma organização detentora de uma certificação ISO passa a regular e a fiscalizar as demais organizações com as quais ela se relaciona, sendo um requisito quanto a processos e à qualidade. O lançamento da norma ISO 26000:2010, em novembro de 2010, contribuiu imensuravelmente para a difusão da responsabilidade social nas organizações, consequentemente, atraindo crescente atenção da sociedade, da comunidade científica e do setor empresarial (FREITAG; QUELHAS, 2016). Essa norma, conhecida em nosso país como ABNT NBR ISO 26000:2010 (ABNT, 2010), trata de diretrizes sobre a responsabilidade social, mediante a um amplo escopo que incorpora a dimensão social, ambiental e econômica do desen- volvimento sustentável, versando acerca de questões relativas aos direitos dos consumidores, à comercialização justa, aos direitos humanos e trabalhistas, ao com- bate à discriminação e a práticas antiéticas, à proteção às populações vulneráveis e ao relacionamento com as comunidades. Segundo Costa (2011), diante de visões diferenciadas e práticas questionáveis, essa norma, em síntese, pelo seu conteúdo e pela sua metodologia de construção, será referência para a definição de políticas e para práticas das empresas e organizações em relação à responsabilidade social. Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 Possivelmente, você está se questionando: como uma norma internacional acerca da responsabilidade social pode influenciar positivamente o contexto social? Este é um bom questionamento e será elucidado a seguir, mediante exem- plos apresentados e reflexões sobre o tema. Vamos lá!? Historicamente, toda a trajetória do desenvolvimento da humanidade e da intensificação da globalização culminou em pressões resultantes do capitalismo em relação à exploração da mão-de-obra, fato que ocorre devido à competiti- vidade de mercado. Assim, as organizações passaram a exercer pressões sobre os governos acerca dos direitos e das legislações trabalhistas, com o intuito de torná-las mais flexíveis, contribuindo e sendo fator de grande influência no pro- cesso de precarização nas mais diversas regiões do globo. Aqui, cabe mencionar casos históricos de infração de direitos trabalhistas, como aqueles envolvendo marcas famosas, para dimensionar a repercussão de situações envolvendo prá- ticas contrárias aos direitos humanos. Associar a relação dos princípios do desenvolvimento sustentável e da res- ponsabilidade social ao cenário social atual pode parecer complexo em função do caráter abstrato de tais conceitos, porém, é possível extrapolarmos com a seguinte reflexão: A eliminação da pobreza requer a promoção da justiça social e do desen- volvimento, que requer, consequentemente, o desenvolvimento econômico e, também, a proteção do meio ambiente. Claro que, pensando em um cenário positivo e otimista, isso é possível, porém, partindo de uma perspectiva rea- lista, tais mudanças só podem ser alcançadas mediante estímulos apropriados. Logo, uma certificação internacional, mesmo que de caráter “orientativo”, como no caso desta ISO, poderá influir significativamente no desenvolvimento social, vejamos: um fator que pode contribuir para a concretização da reflexão anterior é a busca por espaço de mercado. Atualmente, as organizações estão buscando, cada vez mais, atender às exigências do mercado atual, em especial quando o público consumidor se tornou cada vez mais seleto e bem informado (fatores que são reflexo do advento das mídias sociais), logo, as adequações a normas de relevância internacional passam a atuar como ferramentas de marke- ting que reduzem as pressões sociais, engajam o público interno da organização e promovem sucesso e desempenho econômico (DIAS, 2017). MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E106 Um ponto importante da ISO 26000 é uma ferramenta voluntária, que pro- vocará mudanças nas organizações. É uma norma não certificável, que oferece orientações com responsabilidade social para diferentes tipos de empresas públicas ou privadas,e também é válida para países desenvolvidos e em desenvolvimento. Tem por objetivo tornar compreensível o que é a responsabilidade social e como se relacionam os diferentes tipos de organizações, incluindo pequenas e médias empresas (BARBIERI, 2016). Uma de suas principais contribuições é a definição do que é responsabili- dade social para as empresas de maneira geral. Assim, ela é a responsabilidade que uma organização tem pelos impactos de suas decisões e atividades na socie- dade e no meio ambiente, por meio de comportamento ético e transparente, que (BARBIERI, 2016): ■ Visa a contribuir para o desenvolvimento sustentável. ■ Leve em consideração as expectativas dos stakeholders. ■ Esteja em conformidade com a legislação aplicável. ■ Esteja integrado com toda a organização. São inúmeros os benefícios que as empresas têm ao adotarem a responsabili- dade social; de acordo com a ISO 26000, são: ■ Melhor compreensão das expectativas da sociedade. ■ Melhoria das práticas de gestão de risco. ■ Melhoria da reputação e confiança por parte do público. A expressão stakeholder tornou-se comum nos textos administrativos brasi- leiros a partir de meados dos anos 90. Stakeholder é alguém que tem direi- tos em um negócio ou empresa, ou que nela participa ativamente, ou está envolvido de alguma forma. Fonte: Barbieri e Cajazeira (2009). Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 ■ Suporte ao licenciamento ambiental, especialmente a licença de operação. ■ Melhoria na competitividade empresarial. ■ Melhoria no acesso ao financiamento, economia de recursos. ■ Fidelidade de clientes. ■ Melhoria na saúde e segurança dos colaboradores. Os principais temas da responsabilidade social, de acordo com a ISO 26000, são (ABNT, 2010): 1. Accountability. 2. Transparência. 3. Comportamento ético. 4. Respeito pelos interesses das partes interessadas. 5. Respeito pelo estado de direito. 6. Respeito pelas normas internacionais de comportamento. 7. Respeito pelos direitos humanos. A estrutura da norma internacional ISO 26000 pode ser observada no Quadro 2. Quadro 2 – Estrutura da ISO 26000 0. Introdução. 1. Escopo. 2. Termos e definições. 3. Compreensão da Responsabilidade Social. 4. Princípios da Responsabilidade Social. 5. Reconhecimento da Responsabilidade Social e engajamento das partes inte- ressadas. 6. Orientações sobre temas centrais da Responsabilidade Social. 7. Orientações sobre a integração da Responsabilidade Social em toda a organi- zação. Anexo A (Informativo). Exemplos de iniciativas e ferramentas voluntárias relacio- nadas à Responsabilidade Social. Anexo B (informativo). Abreviaturas. Bibliografia. Fonte: adaptada de ABNT (2010). MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E108 NBR 16001: A NORMA BRASILEIRA DE GESTÃO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL A Responsabilidade Social configurou-se em um modelo de gestão que aproxima o relacionamento da organização com suas partes interessadas (público interno, fornecedores, clientes, comunidade de entorno, entre outros). Assim, você pode perceber que, nos dias atuais, as empresas têm sofrido pres- sões da sociedade para buscar soluções ambientalmente corretas aos seus produtos e serviços, bem como a incorporação da Responsabilidade Social no seu negócio. Os empresários têm percebido que a gestão pela sustentabilidade é fundamen- tal para garantir vantagem competitiva no mercado. Uma das formas de buscar essa gestão é a implementação de um Sistema de Gestão de Responsabilidade, no qual as empresas podem implantar seu sistema e também certificá-lo por meio da NBR 16001. A norma NBR 16001 utiliza as três dimensões da sustentabilidade, sendo Pessoa, Planeta e Lucro como um dos seus fundamentos, e pode ser implemen- tada em conjunto com outras normas, como as da família ISO 9000 (qualidade), ISO 14000 (meio ambiente) e OHSAS 18000 (segurança do trabalho), que foi alterada para ISO 45001 no ano de 2018. Cabe, porém, ao empreendedor deci- dir qual estratégia sua organização adotará. A ISO 16001 nos traz um conjunto de requisitos associados à ética, à cida- dania, aos direitos humanos e ao desenvolvimento sustentável, é uma norma NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 aplicável a qualquer tipo e porte de organização (SORATTO et al., 2006). Assim, os empresários podem se adequar, assumindo o compromisso contínuo por parte das empresas, comportando-se com ética e contribuindo com o desenvol- vimento econômico, a fim de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias, bem como da comunidade local e da sociedade de modo geral. A NBR 16001 teve sua primeira versão publicada em 2004, foi atualizada em 2012, com base na ISO 26000 (norma internacional publicada no ano de 2010). A revisão da NBR 16001 ocorreu no âmbito nacional, e o Inmetro criou o Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social de acordo com a NBR 16001, a qual teve um plano de transição para as empresas estabe- lecendo que (INMETRO, [2018], on-line): 1. As organizações certificadas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 podem, a qualquer tempo, a contar da data de publica- ção desta Portaria, migrar para a versão atual da norma, mediante auditoria; 2. As solicitações de certificação inicial poderão continuar a ser conce- didas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 em até 12 (doze) meses contados da publicação desta Portaria; 3. As solicitações de recertificação poderão continuar a ser concedidas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 em até 24 (vinte e qua- tro) meses contados da publicação desta Portaria; 4. Todas as certificações vigentes concedidas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 deverão ser migradas para a versão atual da norma ou serem canceladas no prazo de 36 (trinta e seis) meses, contar da data de publicação desta Portaria. Ou seja, a partir de 2015, todas as organizações devem ter migrado para a ver- são de 2012. PRINCIPAIS PONTOS DA NBR 16001 Os principais pontos da ISO 16001 são os que levem em conta as exigências legais, os seus compromissos éticos e a sua preocupação com a promoção da cidada- nia e do desenvolvimento sustentável, além da transparência das suas atividades. MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E110 Segundo Ursine e Sekiguchi (apud INMETRO, 2005), é uma norma: ■ Aplicável a qualquer tipo e porte de organização, desde a pequenas até médias e grandes empresas. ■ Amplia o entendimento de Responsabilidade Social. ■ Há a necessidade de comprometimento dos funcionários e dirigentes de todos os níveis e funções. ■ É preciso que haja uma política da responsabilidade social e o desenvol- vimento de programas com objetivos e metas. As organizações devem desenvolver programas (com objetivos e metas) que deve- rão contemplar onze temas da Responsabilidade Social. São eles (ABNT, 2004): ■ Boas práticas de governança. ■ Combate à pirataria, sonegação, fraude e corrupção. ■ Práticas leais de concorrência. ■ Direitos da criança e do adolescente, incluindo o combate ao trabalho infantil. ■ Direitos do trabalhador, incluindo o de livre associação, de negociação,a remuneração justa e os benefícios básicos, bem como o combate ao tra- balho forçado. ■ Promoção da diversidade e combate à discriminação (por exemplo: cul- tural, de gênero, de raça/etnia, de idade, à pessoa com deficiência). ■ Compromisso com o desenvolvimento profissional. ■ Promoção da saúde e segurança. ■ Promoção de padrões sustentáveis de desenvolvimento, produção, distri- buição e consumo, contemplando fornecedores, prestadores de serviço, entre outros. ■ Proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações futuras. ■ Ações sociais de interesse público. O atendimento aos requisitos da norma não significa que a organização é social- mente responsável, mas que possui um sistema de gestão da Responsabilidade Social. O Quadro 3 nos apresenta a estrutura da NBR ISO 16001. NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 Quadro 3 – Estrutura geral da NBR 16001 0. Introdução. 1. Objetivo. 2. Definições. 3. Requisitos do Sistema da gestão da Responsabilidade Social. 3.1. Requisitos gerais. 3.2. Política da Responsabilidade Social. 3.3. Planejamento. 3.3.1. Aspectos da Responsabilidade Social. 3.3.2. Requisitos legais e outros. 3.3.3. Objetivos, metas e programas. 3.3.4. Recursos, regras, responsabilidade e autoridade. 3.4. Implementação e operação. 3.4.1. Competência, treinamento e conscientização. 3.4.2. Comunicação. 3.4.3. Controle operacional. 3.5. Requisitos de documentação. 3.5.1. Generalidades. 3.5.2. Manual do sistema de gestão da Responsabilidade Social. 3.5.3. Controle de documentos. 3.5.4. Controle de registros. 3.6. Medição, análise e melhoria. 3.6.1. Monitoramento e medição. 3.6.2. Avaliação da conformidade. 3.6.3. Não conformidade e ações corretiva e preventiva. 3.6.4. Auditoria interna. 3.6.5. Análise pela alta administração. Anexo A – Bibliografia. Anexo B - Outros termos. Fonte: adaptado de Inmetro ([2018], on-line). Um ponto relevante da ISO 16001 é a Política de Responsabilidade Social, que deve ser definida pela alta administração, consultando as partes interessadas. Esta política deve ser (ABNT, 2012, p. 3): MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E112 a) apropriada à natureza, à escala e aos impactos da organização; b) inclua o comprometimento com a promoção da ética e do desenvol- vimento sustentável; c) inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com a pre- venção de impactos adversos; d) inclua o comprometimento com o atendimento à legislação e demais requisitos subscritos pela organização; e) forneça a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos e metas da responsabilidade social; f) seja documentada, implementada e mantida; g) seja comunicada para todas as pessoas que trabalham para ou em nome da organização; h) esteja disponível para o público; e i) seja implementada por toda a organização. Para a implementação de um sistema de gestão de responsabilidade social, pode- mos utilizar a ferramenta baseada no ciclo PDCA – Plan-Do-Check-Act. O ciclo PDCA fornece um processo iterativo utilizado pelas organizações para alcan- çar a melhoria contínua. Vamos conhecer como funciona o Ciclo PDCA? ■ P – Plan: é a etapa do planejamento. ■ D – Do: é a etapa do fazer. Aqui criamos os treinamentos, colocamos em prática o que foi proposto. ■ C – Check: é a etapa de verificação. Aqui analisamos os resultados obti- dos, se foram eficazes ou não. ■ A – Act: aqui é a etapa de agir, caso as metas terem sido atingidas. Esta é a fase em que se adota o plano aplicado como padrão. Caso algo não tenha saído como planejado, é hora de agir corretivamente sobre os pontos que não possibilitaram o alcance de todas as metas estipuladas. A Figura 2 nos apresenta esse ciclo para melhor visualização. NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 PLAN DO CHECK ACT Figura 2 – Ciclo PDCA Fonte: as autoras. PROCESSOS DE CERTIFICAÇÃO O Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social (PBCRS) é: [...] um processo voluntário, no qual a organização busca demonstrar aos clientes e à sociedade, por meio de uma avaliação de terceira parte, que o sistema de gestão atende aos princípios da responsabilidade social. Na estrutura geral do PBCRS estão incluídas a gestão do Programa, a acre- ditação de certificadoras e a normalização (INMETRO, [2018], on-line). O fornecimento de produtos com mais qualidade aumenta a satisfação do cliente e facilita a venda e a introdução do produto em novos mercados. Isso é mais perceptível pela indústria. Os consumidores dos países desenvolvidos, mais cri- teriosos no momento da compra, exigem a comprovação de origem e qualidade dos produtos por meio do processo de certificação. Apesar de a certificação cons- tituir uma agregação de valor e um diferencial para distinguir o produto junto aos consumidores, muitos produtores a enxergam como encarecimento de custos. O primeiro processo de avaliação da conformidade no Brasil, com creden- ciamento de organismo acreditador reconhecido em fóruns internacionais, na área do agronegócio, foi a Produção Integrada de Frutas (PIF), capitaneada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade (Inmetro). No Regulamento de Avaliação da Conformidade – RAC, elaborado pelo Inmetro e aprovado em fevereiro de 2006, estão estabelecidos os critérios do Programa de Avaliação da Conformidade de SGRS (Sistema de Gestão da Responsabilidade Social), com base na ABNT NBR 16001:2004. Para o processo de certificação, devemos ter as auditorias, que verificarão como anda o sistema de gestão implantado pela empresa, o qual tem duas fases, a saber: 1) Auditoria fase 1: inicia-se com a análise crítica, que compreende a veri- ficação das documentações. 2) Auditoria fase 2: trata-se da auditoria feita, em que são verificadas as ins- talações da organização por meio de entrevistas com força de trabalho, cujo objetivo é verificar os atendimentos aos requisitos da NBR 16001. O Inmetro, portanto, define procedimentos de certificação e realiza a acreditação de organismos de certificação que, por sua vez, realizam auditorias nas organizações e emitem o certificado para aquelas que estejam cumprindo os requisitos estabelecidos na norma. Esse certifi- cado leva também a marca do Inmetro (INMETRO, [2018], on-line). Talvez você, prezado(a) aluno(a), esteja se questionando o que exatamente se avalia. Pois bem, vamos lá: A certificação no Sistema de Gestão da Responsabilidade Social (SGRS), base- ada na NBR 16001, abrange as três principais dimensões da sustentabilidade, a saber: econômica, social e ambiental. Assim, de acordo com a NBR 16001 (ABNT, 2012), são avaliados os princípios que as organizações devem seguir. São eles: 1) Accountability ou responsabilização. 2) Transparência. 3) Comportamento ético. 4) Respeito pelos interesses das partes interessadas. 5) Respeito pelo estado de direito. 6) Respeito pelas normas internacionais de comportamento.7) Respeito aos direitos humanos. NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 115 Além disso, para o Inmetro ([2018], on-line), as empresas devem tratar de temas fundamentais da responsabilidade social, a saber: governança organizacional, direitos humanos, práticas de trabalho, meio ambiente, práticas leais de ope- ração, questões relativas ao consumidor, envolvimento e desenvolvimento da comunidade. Em agosto de 2017, havia 16 organizações certificadas: • ANGLOGOLD. • ASSOCIAÇÃO BAIRRO SUSTENTÁVEL – SP. • ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO. • BN PAPEL CATARINENSE LTDA. • CAMP-SBC CENTRO DE FORMAÇÃO E INTEGRAÇÃO SOCIAL. • CAMPOS ADVOGADOS S/C. • CCT CONCEITUAL CONSTRUÇÕES LTDA. • COLMÉIA ARQUITETURA E ENGENHARIA LTDA. • DUKE ENERGY INTERNATIONAL SP. • ENESA ENGENHARIA LTDA. • INSTITUTO MAXIMIANO CAMPOS. • JBR ENGENHARIA. • LÍDER TÁXI AÉREO S/A – AIR BRASIL. • MAIA MELO ENGENHARIA LTDA. • NORCONSULT PROJETOS E CONSULTORIA LTDA. • SLC AGRÍCOLA – USIMINAS / CUBATÃO SIM. O baixo número de empresas certificadas, infelizmente, reflete a relevância do tema! A responsabilidade social ainda é incipiente na gestão, assim como as prioridades estabelecidas, na grande maioria das organizações. Fonte: adaptado de Hoffmann e Associados (2017, on-line)4. MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E116 A NBR 16001 é uma norma brasileira; para as organizações que desejam obter a certificação, é importante buscar uma organização (para certificar) que seja reconhecida pelo Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial. Você pode observar que as certificações na área de sustentabilidade e responsa- bilidade social são importantes para as organizações, e que ainda é muito baixo o número de organizações certificadas pela NBR 16001. A boa notícia é que, cada vez mais, podemos observar a adoção de práticas de responsabilidade social, e também como o tema é cada vez mais entendido e difundido. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), podemos afirmar que a responsabilidade socioambiental corporativa, por meio da perspectiva de geração de valor compartilhado entre mercado, governo e sociedade, demonstra o surgimento de um novo tipo de rela- cionamento que busca a harmonia de interesses entre os três pilares da sociedade moderna: governo, empresa e sociedade. As organizações empresariais têm demonstrado a crescente preocupação com o impacto das suas ações na sociedade e, consequentemente, tem sido dada maior importância às estratégias de responsabilidade social das organiza- ções. Apesar do nosso conhecimento sobre a motivação do envolvimento em Responsabilidade Social Empresarial e do valor criado por ele serem limitados, as investigações nesta área têm aumentado por meio da busca por estratégias e normas para serem introduzidas de forma que, por sua vez, sejam diminuídos os impactos gerados por atividades empresariais, compartilhando, assim, valo- res, fortalecendo a competitividade entre as empresas. Os interesses ainda divergem, mas o convite para que todos possam tomar suas posições diante da injustiça ambiental e social é gradativamente aceito. Mesmo que o todo não seja a soma das partes, trata-se de um tema cada vez mais divulgado entre elas, nas quais observamos consumidores cada vez mais exigen- tes, mercados cada vez mais competitivos e, assim, as organizações têm buscado formas de obter a responsabilidade social e apresentá-las aos seus stakeholders, e as certificações são uma das formas de demonstrar suas práticas sustentáveis; por isso, estudamos como uma organização adota uma norma e como também pode certificá-la. Dessa maneira, os requisitos estabelecidos pela NBR 16001 podem auxiliar as organizações de qualquer tamanho e qualquer porte a certi- ficaram seus sistemas de responsabilidade social. 118 1. Existem vários tipos de produtos que são ofertados no mercado; com isso, há o surgimento de produtos verdes. Conceitue um produto verde. 2. Uma das formas demonstração de um produto verde é a rotulagem ambiental. Descreva um rótulo do tipo I. 3. Quando falamos na distribuição dos produtos ecológicos, temos que levar em conta todo o ciclo de vida, e há também o incentivo para a prática de logística reversa. Acerca deste assunto, descreva a logística reversa. 4. Existem práticas publicitárias que enganam os clientes; dessa forma, explique o que é o greenwashing. 5. A ISO 26000 é a norma internacional de responsabilidade social, e ela traz te- mas que devem ser tratados pelas organizações. Diante desse contexto, quais são os principais temas de responsabilidade social, de acordo com a ISO 26000? 119 No dia 1º de novembro de 2010, foi publicada a Norma Internacional ISO 26000 – Dire- trizes sobre Responsabilidade Social, cujo lançamento foi em Genebra, Suíça. No Brasil, no dia 8 de dezembro de 2010, a versão em português da norma, a ABNT NBR ISO 26000, foi lançada em evento na Fiesp, em São Paulo. Segundo a ISO 26000, a responsabilidade social se expressa pelo desejo e pelo propósi- to das organizações em incorporarem considerações socioambientais em seus proces- sos decisórios e a responsabilizar-se pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente. Isso implica um comportamento ético e transparente que contribua para o desenvolvimento sustentável, que esteja em conformidade com as leis aplicáveis e seja consistente com as normas internacionais de comportamento. Também implica que a responsabilidade social esteja integrada em toda a organização, seja praticada em suas relações e leve em conta os interesses das partes interessadas. A norma fornece orientações para todos os tipos de organização, independentemente de seu porte ou localização, sobre: • conceitos, termos e definições referentes à responsabilidade social; • histórico, tendências e características da responsabilidade social; • princípios e práticas relativas à responsabilidade social; • os temas centrais e as questões referentes à responsabilidade social; • integração, implementação e promoção de comportamento socialmente res- ponsável em toda a organização e por meio de suas políticas e práticas dentro de sua esfera de influência; • identificação e engajamento de partes interessadas; • comunicação de compromissos, desempenho e outras informações referentes à responsabilidade social. A ISO 26000:2010 é uma norma de diretrizes e de uso voluntário; não visa nem é apro- priada a fins de certificação. Qualquer oferta de certificação ou alegação de ser certi- ficado pela ABNT NBR ISO 26000 constitui em declaração falsa e incompatível com o propósito da norma. O desenvolvimento desta norma foi inovador, um processo multi-stakeholder. Apesar do longo período de elaboração – cinco anos – o interesse na participação foi permanente e crescente. O Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (ISO/TMB WG-SR) chegou ao seu final com a participação de cerca de 450 especialistas de 99 países do mundo inteiro, além de mais de 200 observadores e de 42 organizações D-liaisons, que 120 são organizações regionais ou internacionais com relevância para o tema, por exemplo: Organização Internacional do Trabalho, Organização Mundial da Saúde, Consumers In- ternational,UN-Global Compact (Pacto Global da ONU). Do Brasil, o Instituto Ethos de Responsabilidade Social participou como organização D-liaison pela Rede Interamerica- na de Responsabilidade Social. Os especialistas e observadores participaram do processo de construção da ISO 26000 de duas formas: por meio de delegações nacionais ou das chamadas organizações D-liaison. As delegações nacionais foram compostas pelas seguintes categorias ou par- tes interessadas (stakeholders) da sociedade: • Trabalhadores; • Consumidores; • Indústria; • Governo; • Organizações não governamentais; • Serviço, suporte e outros. O ISO/TMB WG realizou 8 reuniões que definiram as principais resoluções a respeito da ISO 26000. No Brasil a delegação brasileira, ao longo desses cinco anos de trabalho, pas- sou por algumas alterações, mas sua configuração final teve a seguinte representação: • IDEC (especialista) - Consumidor • Inmetro (especialista) e Conselho Superior da Justiça do Trabalho - CSJT (obser- vador) - Governo • Petrobras (especialista) e Furnas (observador) - Indústria • GAO Grupo de Articulação de ONGs (especialista) e Sistema de Apoio Institucio- nal - SIAI (observador) - ONGs • Fundação Vanzolini (especialista e UFF - Consultoria e Academia - Serviço, Su- porte e Outros). • Dieese (especialista) e Observatório Social (observador) – Trabalhadores. O Instituto Ethos participou como organização - D’liaison. A ABNT, além da liderança do Grupo de Trabalho da ISO em parceria com o organismo sueco de normalização, atuou como organismo normalizador. Fonte: Inmetro ([2018], on-line)⁵. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Marketing Verde Ricardo Ribeiro Alves e Laércio Antônio Gonçalves Jacovine Editora: Paco Editorial Sinopse: este livro relaciona a discussão do marketing verde com as teorias já estabelecidas e aceitas no marketing tradicional, auxiliando administradores, empresários e demais interessados na importante tarefa de incorporar as questões ambientais nas estratégias gerais das organizações, em particular, na produção, na comercialização e no descarte de produtos mais verdes. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16001:2004 - Res- ponsabilidade Social: Sistema da gestão: Requisitos. Rio de Janeiro, 2004. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 26000:2010 - Diretrizes sobre responsabilidade social. Rio de Janeiro, 2010. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16001: 2012. Res- ponsabilidade Social: Sistema da gestão: Requisitos. Rio de Janeiro, 2012. BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos, 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade Social Empresarial e Empre- sa Sustentável: da teoria à prática. São Paulo: Editora Saraiva, 2009. COSTA, C. Verdes são os campos. A questão ambiental nas empresas. Dissertação (Mestrado em Sociologia das Organizações)–Universidade do Minho, Braga, 2011. DIAS, R. Marketing ambiental: ética, responsabilidade social e competitividade nos negócios. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2009. DIAS, R. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2017. FREITAG, A. E. B.; QUELHAS, O. L. G. ISO 26000: Fatores restritivos e requisitos para adoção pela indústria de construção civil. Sistema e Gestão Revista Eletrônica. v. 11, n. 2, 2016. Disponível em: <http://www.revistasg.uff.br/index.php/sg/article/ view/952/429>. Acesso em: 9 abr. 2019. FRIEDMAN, M. Capitalismo e liberdade. São Paulo: Nova Cultura. 1985. 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Esses produtos verdes devem ser fabricados: com quantidade mínima de matéria-prima renovável; com conservação de recursos naturais no processo de extração; com a máxima eficiência energética e de utilização de água e com o mínimo despejo de efluentese resíduos; envasado em embalagens mais leves e menos volumosas. 2. É baseado na norma NBR ISO 14024, em programa de terceira parte, com adesão voluntária; baseado em múltiplos critérios, previamente definidos pelo progra- ma e válidos para classes ou categorias de produtos e serviços; considera o ciclo de vida do produto e exige certificação de terceira parte. 3. É um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou em outra destinação final ambien- talmente adequada. 4. O greenwashing ou lavagem verde é quando uma empresa afirma oficialmente que tem práticas ambientais sustentáveis quando, na verdade, faz uma propa- ganda enganosa. 5. Os principais temas são: 1. Accountability. 2. Transparência. 3. Comportamento ético. 4. Respeito pelos interesses das partes interessadas. 5. Respeito pelo estado de direito. 6. Respeito pelas normas internacionais de comportamento. 7. Respeito pelos direitos humanos. U N ID A D E IV Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália C. da Silva Matos DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Objetivos de Aprendizagem ■ Estudar as dimensões da Responsabilidade Social Empresarial. ■ Analisar as questões da ética empresarial. ■ Analisar as Políticas e Práticas Inclusivas. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial ■ Dimensões da Ética Empresarial ■ Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social INTRODUÇÃO Neste estudo, abordaremos a questão da Responsabilidade Social Empresarial, iniciando com o modelo do professor Archie Carroll (1979), o qual propôs um modelo de pirâmide composta por quatro estruturas, analisadas de sua base para o topo. Em sua base, temos a Responsabilidade Econômica, que é o pilar de uma organização, a qual visa a lucratividade da empresa. O segundo pilar é a Responsabilidade Legal, em que a organização deve estar consciente das leis e suas aplicações dentro de suas atividades. Logo após, temos a Responsabilidade Ética, em que a organização deve “fazer o que é certo”, ser justa, evitar danos; e no topo, temos a Responsabilidade Filantrópica, que visa a contribuir com recur- sos para a comunidade, melhorar a qualidade de vida. Veremos que pesquisadores, analisando a pirâmide proposta por Carroll (1979) e observando que ela pode gerar confusão entre as organizações, criaram um novo modelo, utilizando círculos para indicar os campos da Responsabilidade Social Empresarial econômico, legal e ético, onde são apresentadas interseções entre os campos, e também quando ele é analisado separadamente. Também estudaremos que a Responsabilidade Social Empresarial tem as dimensões internas e externas. A dimensão interna é dentro da organização, envolvem os colaboradores, fornecedores, os envolvidos em toda a cadeia pro- dutiva. Enquanto a dimensão externa é além dos muros da empresa, sendo contempladas as iniciativas que dão suporte à comunidade na qual a empresa está inserida, podendo ser doações, participações em fóruns, programas educa- cionais, dentre outros. Além disso, estudaremos o conceito da ética empresarial, bem como sua rela- ção com a Responsabilidade Social Empresarial e as cinco dimensões da Ética Empresarial (Sustentabilidade; Respeito à Multicultura, Aprendizado Contínuo, Inovação e Governança Corporativa). Finalizaremos nossos estudos com a apresentação de programas de inclu- são que mostram o comprometimento das organizações com a Responsabilidade Social Empresarial. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E128 DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL O professor Archie Carroll (1979) foi o primeiro autor a construir um modelo que avaliasse o desempenho das organizações ao nível social. O objetivo do modelo proposto por Carroll era construir um enquadramento conceitual para outros autores, com o intuito de os fazerem compreender que as várias definições de Responsabilidade Social Empresarial incluem-se em um modelo de desempenho social, e também criar um modelo para servir de guia para os gestores na aplica- ção da responsabilidade empresarial (MACEDO; GADELHA; CÂNDIDO, 2014). Esses debates referentes à criação de modelos sobre a responsabilidade social empresarial ganharam notoriedade e profundidade a partir da explicação de que a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) inclui as expectativas da sociedade em relação às organizações, em aspectos econômico, legal, ético e discricionário, em dado momento no tempo (CARROLL, 1979, p. 290). Para Carroll (1979), a responsabilidade econômica é a primeira e também a princi- pal responsabilidade social da empresa, pois, antes de implantar qualquer programa, uma empresa precisa ser lucrativa. Logo, temos a responsabilidade legal, em que as empresas, além de buscarem o lucro, precisam cumprir as leis e os regulamen- tos estabelecidos pelo governo. Já a responsabilidade ética é referente à obrigação da organização de fazer o que é certo e justo, evitando ou minimizando danos à sociedade, enquanto a responsabilidade discricionária, diferente das menciona- das anteriormente, aconteceu sem que fosse sinalizada pela sociedade, mas sim, ocorrendo por meio de escolhas individuais. Assim, Carroll (1979) pensou se era correto entender essa responsabilidade como sendo das organizações. Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Dando continuidade às suas pesquisas, Carroll (1991) concebeu as quatro dimensões da RSE como uma pirâmide, em que a base era econômica, sendo o pilar de toda organização, seguida pela responsabilidade legal, o cumprimento da legislação vigente, a terceira é a responsabilidade ética da organização, ou seja, esta deve fazer o que é certo, e no topo da pirâmide, Carroll chamou a quarta dimensão de responsabilidade social filantrópica, na qual contempla as ações em resposta às expectativas da sociedade. Podemos observar essa pirâ- mide na Figura 1. Resposabilidades �lantrópicas Emp resa cida dã. Con trib uir c om recu rsos par a a com unid ade mel hor ar a qua lida de d e vi da. Ser étic o. Obr igaç ão d e fa zer o qu e é cert o, just o. Evit ar d ano s. Obe dec er à s lei s. A le gisl açã o é a co di�c açã o do cer to e er rad o nu ma soc ieda de. Jog ar d ent ro d as r egr as d o jo go. Ser lucr ativ a. A b ase da pirâ mid e da qua l de riva m a s dem ais r esp ons abil idad es. Resposabilidades éticas Resposabilidades legais Resposabilidades econômicas Figura 1 - Pirâmide da RSE Fonte: adaptado de Carroll (1991, p. 42). Com a construção da pirâmide proposta por Carroll (1979), todas as responsabi- lidades dos negócios foram conferidas sobre sua base, isto é, a responsabilidade econômica, a “razão de ser” da organização, que trata da questão da lucrativi- dade da organização para seus acionistas e de atenderàs demandas da sociedade. Com isso, todas as outras responsabilidades ocorrem depois que este princípio fundamental é satisfeito. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E130 Esse modelo é um dos primeiros exemplos de como a estrutura de responsa- bilidades deve estar dentro de uma corporação, além de ser amplamente usado. Entretanto, esse modelo tem enfrentado inúmeras críticas pela afirmação de que a raiz empresarial é maximizar o lucro e agir em nome dos interesses de seus acionistas, o que pode impedir organizações de atuarem de forma social- mente responsável. Campbell (2007, p. 12) argumenta que: [...] as organizações que estão vivendo momentos desfavoráveis eco- nomicamente são menos propensas a se envolverem em atos de res- ponsabilidade social, pois têm menos recursos para investimentos em tempo, esforço e dinheiro. Portanto, essas empresas não são susceptí- veis de atingir o patamar de comportamento socialmente responsável. O autor ainda afirma que, a para a organização ter lucro em curto prazo, ela pre- cisa agir de maneira socialmente responsável. Garriga e Mele (2004, p. 56) relatam que: [...] foi por meio do modelo de governança corporativa de desempe- nho social, criado por Wood no ano 1991, que surgiu um novo desen- volvimento da RSE. Esse modelo é composto por: princípios de res- ponsabilidade social, processos de responsabilidade social corporativa e resultados do comportamento empresarial. Para Silva (2012), os princípios de Responsabilidade Social Empresarial devem contemplar: princípios de responsabilidade social, que sejam divulgados por toda organização; gestão de partes interessadas; divulgação de resultados da empresa, que devem compreender a parte ambiental, políticas sociais e programas sociais. Wood (1991) fortaleceu os trabalhos teóricos anteriores referentes à RSE, os quais foram apresentados por Carroll (1979) e Wartick e Cochran (1985), e ela- borou um modelo chamado de Desempenho Empresarial Social, que podemos observar no Quadro 1, no qual foram contemplados os princípios que devem ser avaliados para definir o perfil da RSE. Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 Quadro 1 - Modelo de desempenho empresarial social DIMENSÕES PRINCÍPIOS Princípios de RSE Legitimidade: princípio institucional. Responsabilidade Pública: princípio organizacional. Arbítrio dos executivos: princípio individual. Processos de RSE Avaliação do ambiente. Gerenciamento dos stakeholders. Gerenciamento das questões. Resultados das ações de RSE Impactos sociais. Programas sociais. Políticas sociais. Fonte: adaptado de Wood (1991). Pineda e Cárdenas (2008) confirmam que é possível aplicar um modelo de com- portamento social de três fases, em que cada uma tem seus objetivos, que servirão de vínculo com a próxima fase; assim, a RSE fica qualificada por objetivos que estejam em conformidade com as particularidades de cada organização, dando um sentido prático para qualquer tipo de empresa. Schwartz e Carroll (2007) perceberam que a pirâmide proposta por Carroll (1979) poderia gerar confusões ou maneiras inadequadas de uso, então resolveram criar um novo modelo, usando círculos para indicar os três campos ou domínios da RSE: o domínio econômico, o legal e o ético, como podemos observar na Figura 2. Exclusivamente ético Exclusivamente legal Exclusivamente econômico Econômico /ético Legal /ético Econômico/ legal/ético Econômico/ legal Figura 2 - Modelo elaborado nos três domínios da RSE Fonte: Schwartz e Carroll (2007, p. 509). DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E132 Nesse modelo dos três domínios da RSE, a filantropia deixa de ser uma dimen- são específica (como na pirâmide), porque os autores perceberam a dificuldade das organizações em distinguir as atividades éticas e filantrópicas. E, ainda, por casos da filantropia serem praticados somente por interesses econômicos (SCHWARTZ; CARROLL, 2007). Quando analisamos a Figura 3 e estudamos o campo exclusivamente econômico, este é referente às atividades que proporcionam benefícios econômicos positivos, diretos e indiretos. Aqui está a maximização do lucro. Já quando olhamos para o campo exclusivamente legal, são as ações organizacionais que não oferecem nenhum benefício, ou seja, trata-se do domínio da lei, da conformidade legal, evitar litígios e ações para antecipar as mudanças das leis. Enquanto o domínio exclusivamente ético é referente às responsabilidades empresariais com base em princípios morais, são ações que não têm nenhuma implicação econômica ou legal direta ou indireta. O que podemos notar de novidade nesse modelo é a sobreposição de domí- nios da RSE, formando sete segmentos ou categorias. A superposição ideal está localizada na interseção dos três domínios exclusivos, isto é, onde os três cam- pos da RSE estão presentes ao mesmo tempo, em equilíbrio. DIMENSÕES INTERNAS E EXTERNAS DA RSE A RSE tem duas dimensões quando considerada a organização: interna e externa. A dimensão considerada interna engloba as práticas responsáveis socialmente, que dizem respeito, em primeiro lugar, aos colaboradores, e são referentes a inves- timentos realizados para os recursos humanos, tais como: saúde e segurança do trabalho, gestão de recursos naturais utilizados em processos produtivos e mudan- ças nestes. Isso é estendido para ações, políticas, programas para os fornecedores, distribuidores e todos aqueles que fazem parte da cadeia produtiva. Enquanto que, na dimensão externa, a RSE vai além dos muros da empresa, estão incluídas as comunidades locais e demais públicos, como: clientes, consumidores, autoridades públicas e ONGs que defendem os interesses das comunidades locais e Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 o meio ambiente. Ficam incluídos programas, ações, políticas destinadas a qualquer grupo ou problema que não esteja relacionado diretamente com a empresa por meio de um contrato. Podem também ser incorporadas as iniciativas de suporte à comu- nidade local, doações, participação em fóruns sobre meio ambiente, entre outros. Tanto a RSE interna e externa têm a mesma importância para as organiza- ções e devem estar sempre conectadas. O desenvolvimento de uma RSE precisa ter respaldo por um amplo apoio de toda a organização, além disso, é preciso que o quadro de funcionários esteja envolvido nos programas de RSE, isso demonstra o fortalecimento da organização. DIMENSÕES DA ÉTICA EMPRESARIAL A ética trata-se de algo que muda de acordo com a sociedade, com os costumes, a época, e até o meio em que os indivíduos participam. E, quando falamos de ética corporativa, com certeza, ela pode variar de acordo com a organização ou o ambiente no qual está inserida, pois é reflexo da sociedade, dos produtos que vende, da cultura interna, dentre outros fatores que comporão esse ambiente. O conceito “ética” tem origem grega, da palavra ethos, que significa modo de ser e representa as características de um grupo, portanto representa a forma de agir de um coletivo, em relação à sua cultura e ao seu compor- tamento nessa sociedade. O conceito de ética, porém, evoluiu na história, podendo ser considerado caráter ou conjunto de princípios e valores mo- raisque norteiam a conduta humana na sociedade (SANTOS, 2015, p. 4). Dessa forma, podemos pensar que a ética melhora a vida da sociedade, a vida em grupos e o respeito das pessoas dentro do contexto social. A ética é reflexo da época, da sociedade, do avanço tecnológico, das relações e ações individuais, enfim, de todo o desenvolvimento da sociedade (JACQUES et al., 2008). Embora a ética influencie na construção de leis e normas, é importante salien- tar que não pode ser confundida com elas, pois essas também são reflexos das sociedades nas quais estão inseridas. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E134 Dessa forma, podemos analisar que a globa- lização mundial e as diferenças individuais são aspectos que se desenvolvem de maneira associada e paralela, de maneira que as pes- soas, as organizações e o Estado precisam se unir com o intuito de construir uma socie- dade mais justa, solidária, ética, sustentável e com responsabilidade social (COSTA; TEODOSIO, 2011). As diferenças individuais mencionadas anteriormente existem devido às diferenças culturais, raciais e religiosas, às desigualdades sociais e econômicas, aos comportamentos diferentes e aos contextos históricos. Assim, não é possível continuar o desen- volvimento e a construção de uma sociedade sendo indiferente a essas questões. Dessa forma, faz-se necessária a criação de políticas públicas e institucionais que contemplem as organizações, as entidades organizacionais, o terceiro setor, enfim, toda a sociedade (SILVA, 2012). Para Santos (2015) as cinco dimensões da ética empresarial são: Sustentabilidade; Respeito à Multicultura, Aprendizado Contínuo, Inovação e Governança Corporativa, e podemos observá-las na Figura 3. Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 SUSTENTABILIDADE As pe ct os a m bi en ta is Aspectos soc iais Aspectos econômico s Ética Governaça corporativa Inovação Aprendizado contínuo Respeito à multicultura Figura 3 - Cinco dimensões da ética empresarial Fonte: Santos (2015, p. 6). Podemos observar, na Figura 3, que a sustentabilidade está amparada pelos pila- res: econômico, ambiental e social, de acordo com o Triple Botton Line (Tripé da Sustentabilidade), criado em 1990, pelo inglês John Elkington. Dessa maneira, o grande desafio das organizações é atualizar suas polí- ticas e práticas de forma rápida, de maneira que possam atender à sociedade atual, que está em constantes transformações. Essas mudanças podem impactar diretamente nas questões éticas e também na elaboração de novas legislações, normativas e ações. Como exemplo disso, podemos abordar o fato de alguns países criarem ou fazerem revisões sobre leis referentes a temas atuais, tais como: plágio, ações dis- criminatórias, questões ambientais e/ou responsabilidade social. No entanto, há a necessidade de revisar a regulamentação de aspectos comportamentais relati- vos a crimes comuns, direitos sociais e outros. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E136 Essa necessidade legal de revisão é fruto desse desenvolvimento so- cial, uma sociedade muito mais ágil, com muita rapidez de comuni- cações e transportes, muitas influências e trocas culturais, com alta tecnologia e com uma busca desenfreada de alguns pelo lucro e pelo poder (SANTOS, 2015, p. 12). Essa preocupação pode refletir diretamente nas organizações que, muitas vezes, precisam rever alguns aspectos, tais como: ■ Políticas internas. ■ Códigos de Conduta Empresarial. ■ Processos produtivos, certificações e formas de preservar o meio ambiente. ■ Formas de avaliações dos profissionais. ■ Estratégias de marketing e a forma de se relacionar com a sociedade, inclusive interna. ■ Meios de comunicação. ■ Relatórios e demonstrativos para divulgação das práticas éticas. ■ Ações sociais. Quando uma organização revê estes aspectos, não deve ser algo formal; para Santos (2009, p. 484-485) é preciso três fatores, a saber: Com o desenvolvimento social, bem como a evolução da comunicação. As organizações se deparam com novas situações, sendo que as leis e a sociedade nem sempre estão preparadas para elas; A ética e a responsabilidade social devem ser práticas cotidianas; Existe a necessidade, não somente de tolerância, é preciso aceitar, res- peitar, conviver, portanto, há muito para aprender com a multicultura. Dentre os fatores citados e com as transformações sociais, surgem muitas deman- das que requerem a questão da ética, às quais devemos nos adaptar. Por exemplo, uma organização precisa ter políticas para: ■ Utilização de computadores para um colaborador realizar atividades pes- soais: isso deve ser aceito? Quais são os limites? Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 ■ O que deve ser considerado imoral em acessos à internet? E a fraudes? ■ E as participações em redes sociais, qual a postura da organização: deve proibir, regular ou permitir? ■ Questões de competição desleal com concorrentes ou espionagem, qual postura a organização deve ter? Quais as formas preventivas? ■ As questões de produtos eletrônicos e outros que agridem o meio ambiente: qual a política da empresa quanto a isso? Quem regulamenta? ■ Quanto ao código de defesa do consumidor: este impacta nas políticas da organização? ■ As questões de cidadania ou as ações sociais: a empresa incentivará? Qual o real grau de comprometimento da organização e de seus colaboradores? ■ As questões de assédio moral, assédio sexual, discriminação racial ou social: como uma organização regulamenta isso internamente, de forma preventiva? O que fazer após a ocorrência? São inúmeros exemplos que podemos mencionar, e as organizações devem ter políticas preventivas, analisar as tendências sociais e, ao mesmo tempo, serem ágeis para fazer ações eficazes e no tempo necessário. É importante salientar que uma falta de postura ou de alguma ação da organização pode levar a magem da empresa à crise ou ao desgaste. As questões acerca da Responsabilidade Social devem fazer parte do coti- diano das empresas, as quais devem ter políticas próprias – não adianta possuir um código de ética rígido se, na prática, isso não acontece. Um exemplo disso é uma empresa que afirma, em sua missão, ter responsabilidade social, mas no seu dia a dia, não respeita nem a legislação trabalhista no que diz respeito a seus colaboradores ou não faz ações preventivas de poluição. Essa postura ética deve vir dos gestores e ser disseminada entre os colaboradores. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E138 CONCEPÇÃO DAS DIMENSÕES ÉTICAS Segundo Santos (2015), a ética empresarial não é implementada de maneira ime- diata em uma organização ou por meio de uma determinação legal ou norma interna. Essa ética empresarial é construída por meio da evolução histórica da instituição, empresas familiares e pequenas também devem ser constituídas dessa maneira. Não é fácil mudar a postura de uma organização, transformando-a em ética e responsável. Isso pode trazer para as empresas demissões e problemas legais, caso o processo não seja conduzido de forma adequada. O assédiomoral é um tema de notável relevância jurídica, haja vista tratar-se de um fenômeno marcadamente presente na sociedade, podendo desenro- lar sua trama nos meios escolar (nesse caso, mais conhecido como bullying), familiar e, sobretudo, no âmbito das relações trabalhistas. Também denominado mobbing, o assédio moral consiste em grave afron- ta aos direitos fundamentais, especialmente à dignidade do trabalhador coagido. Podendo partir tanto de superiores quanto de agressor ocupante de degrau hierárquico idêntico ou inferior ao da vítima, os atos de assédio podem manifestar-se por meio de gestos, palavras, escritos ou qualquer conduta abusiva e humilhante que possa trazer danos à personalidade, à dignidade, ou à integridade física e psíquica de uma pessoa, colocando em risco seu emprego e degradando o ambiente de trabalho. A implantação de um programa de responsabilidade comportamental im- plica rigor na condução dos episódios de assédio, sem descuidar do propó- sito educativo, que deve ser exercitado por meio do oferecimento de cursos e cartilhas informativas destinados ao esclarecimento de todos os integran- tes do corpo empresarial, da mais alta hierarquia ao “chão da fábrica”. Fonte: adaptado de Tribuna (2011, on-line). Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 Infelizmente, ainda existem empresas e governos que pensam apenas em crescer, sem se preocupar com as questões éticas e de responsabilidade social, mas também existem muitas gestões corporativas que são exemplos de comprometimento com a sociedade. Por isso, é importante que a organização deixe claro que a construção de políticas éticas é um processo contínuo, que requer o desenvolvimento da prática diária, ter avaliações internas, normativas, e também, manutenção. Quando uma organização possui um ambiente ético e com compromisso social, isso se reflete na autoestima dos funcionários e em uma sociedade mais justa (OLIVEIRA, 2003). Dessa forma, para Santos (2015), é importante frisar que as cinco dimensões éticas apresentadas não têm relação hierárquica, foram enumeradas apenas para facilitar sua análise e devem estar integradas, pois foram criadas com o objetivo de criar políticas éticas, portanto, não devem ser analisadas de maneira separada. Dessa maneira, temos as cinco dimensões, como: 1 - Sustentabilidade, à 2 - Respeito à Multicultura; 3 - Aprendizado Contínuo; 4 - Inovação e 5 - Governança Corporativa. Veremos estas dimensões a seguir. Sustentabilidade Conforme mencionado anteriormente, a ética representa o conjunto de princí- pios e valores morais que norteiam a conduta humana na sociedade. No que diz respeito à sustentabilidade, uma empresa ética precisa contribuir para um pla- neta mais sustentável, para isso, as organizações, já em sua concepção, devem pensar na sustentabilidade. Podemos ter, mesmo em empresas familiares, a Responsabilidade Empresa- rial desde a concepção das organizações. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E140 As organizações devem se preocupar com os impactos ambientais decor- rentes do seu processo, dos recursos usados pelos seus colaboradores, impactos que suas atividades trazem junto a comunidade na qual está inserida. Exemplo disso é uma organização que está preocupada em desenvolver um processo pro- dutivo que poluaa pouco e gere a quantidade mínima de resíduos. O fato de agir dessa maneira não significa que a sua fábrica não traga impactos ambientais, no entanto, houve uma preocupação, por parte da organização, com o sistema de produção. Essa organização também deve pensar além do processo produtivo, considerar a geração de resíduos provenientes do escritório, das cozinhas, dos seus fornecedores. Nesse caso, a empresa não se preocupou com sua relação glo- bal com o meio ambiente, apenas com uma parcela. É importante afirmar que, quando falamos em impactos ambientais dentro de uma empresa, são necessárias várias ações, a saber: ■ Analisar se a matéria-prima e os insumos são altamente impactantes. ■ Verificar a maneira que os materiais são utilizados, se há qualificação dos profissionais no seu manuseio. ■ Buscar maneiras de reaproveitamento dos resíduos. ■ Procurar melhorias em processos produtivos e/ou certificações. ■ Criar maneiras de mensurar os impactos ambientais e, caso não seja pos- sível eliminá-los, buscar meios de minimizá-los. ■ Criar políticas para orientar os colaboradores com maneiras preventi- vas ou corretivas. Dessa forma, o impacto ambiental das organizações deve ser levado em consi- deração na elaboração das políticas éticas. No aspecto econômico da sustentabilidade, alguns pontos devem ser evita- dos, tais como: ter sua missão voltada para a sustentabilidade econômica e não ter toda a visão que engloba o negócio; quando a organização se preocupa de maneira adequada com os aspectos econômicos e desperdiça recursos, pode perder oportunidades de alavancagem financeira ou até encerrar as atividades (MUELLER, 2005). Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Para Santos (2015, p. 12): [...] o fato de uma instituição ser filantrópica ou sem fins lucrativos, por exemplo, não significa que não deva ter lucro, mas que a finalidade central não é o lucro. Todas as instituições necessitam do lucro para a sua manutenção. Um estudo adequado dos recursos, realizar projeções econômico-financeiras ou mercadológicas, conhecer aspectos básicos da empresa, da tributação, do comportamento do mercado e outros são fundamentais para os gestores. Quanto aos aspectos sociais, as organizações devem: ■ Promover a política interna e externa de maneira justa, com transparên- cia e ética, envolvendo o crescimento profissional dos colaboradores, o cumprimento da legislação, entre outros. ■ Criar ações que incentivem o convívio equilibrado entre fornecedores, colaboradores, clientes, comunidade interna e externa. ■ Ter salários, remunerações e benefícios justos. ■ Ter políticas amplas no que diz respeito à questão social. É importante frisar que a responsabilidade social em relação à sustentabilidade não pode estar limitada aos portões da empresa; é preciso que a responsabili- dade social contribua para a melhoria e para o desenvolvimento humano e do meio ambiente. Respeito à Multicultura Uma organização, ao desenvolver um código de ética, que traz políticas, direitos e deveres, dificilmente funcionará caso não tenha a participação dos colaboradores e outros envolvidos. Por isso, para desenvolver as políticas éticas, é muito rele- vante ter o envolvimento de funcionários, bem como o respeito pelas diferenças. Esse respeito deve considerar as diferenças individuais e permear todas as práticas éticas corporativas. Com esta visão, alguns aspectos são respeitados, tais como: a vida, a valorização pessoal, o ecossistema, as diferenças religiosas, étni- co-raciais, culturais, dentre outras. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E142 Aprendizado Contínuo São necessários a educação e o aprendizado contínuo para que as organizações possam acompanhar as novas realidades sociais. Para Santos (2009), a inclusão desta dimensão é importante porque surgem inúmeros impactos ambientais e sociais que necessitam de profissionais qualificados. InovaçãoA inovação possibilita, para a organização, a criação de políticas capazes de pensar as necessidades e as realidades das organizações, respeitando as suas diferenças. Governança Corporativa De acordo com o IBGC (2009, p. 19), Governança Corporativa é: [...] o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo as práticas e os relacionamentos entre pro- prietários, conselho de administração, diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Governança Corporativa convertem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para a sua longevidade. Para a implantação das políticas éticas, é necessário o desenvolvimento de políticas de Governança Corporativa, portanto, a empresa deve criar, aplicar e desenvol- ver o seu modelo de gestão. Para isso, é importante que sejam consideradas as características de cada instituição, bem como o seu porte. Seus princípios bási- cos podem ser analisados no Quadro 2. Dimensões da Ética Empresarial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 Quadro 2 - Princípios básicos da Governança Corporativa PRINCÍPIO DEFINIÇÃO Transparência Consiste no desejo de disponibilizar, para as partes interessa- das, as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve restringir-se ao desempenho econômico-finan- ceiro, mas contemplar também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem com a preservação e a otimização do valor da organização. Equidade Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levan- do em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas. Prestação de Contas (accoun- tability) Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempesti- vo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões, atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis. Responsabilida- de Corporativa Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-financeira das organizações, reduzir as externa- lidades negativas de seus negócios e de suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu mo- delo de negócios, os diversos capitais (financeiro, manufa- turado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional etc.) em curto, médio e longo prazos. Fonte: IBGC (2009, p. 19). Podemos observar que existe uma ligação entre o conceito de Governança Corporativa e as quatro dimensões anteriores, de forma a complementá-las. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E144 POLÍTICAS DE INCLUSÃO E RESPONSABILIDADE SOCIAL A política de inclusão é muito relevante em políticas sociais dos governos e das organizações. Thorp (2014) fala que existem dois motivos para tratarmos de desi- gualdade, que são: justiça e eficiência. Quanto à justiça, não é possível pensar em inclusão sem considerar um aspecto básico dos direitos humanos: a vida digna. No que diz respeito à eficiência, a autora menciona que um país não pode ter crescimento com estruturas desiguais, que não possibilitam reduzir a pobreza e nem fazem a inclusão. Essas realidades podem trazer problemas, tais como violência e instabili- dade. Olarte (2014, p. 36) destaca que: A partir da perspectiva de desenvolvimento humano, podemos definir a inclusão social como o conjunto de laços sociais que permite às pes- soas terem aspirações e aproveitarem o que dão valor em suas vidas e, ao mesmo tempo, sejam valorizados na sociedade em que pertencem. No Art. 5º da Constituição Federal, consta o princípio da igualdade: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos bra- sileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 Para Santos (2015, p. 101): [...] o conceito de que todas as pessoas são iguais pode levar a uma conclusão de que todos devem ter direitos iguais. Observa-se, porém, que isso não é fato, pois devem ser consideradas as desigualdades ou diferenças. Os iguais devem ser tratados de forma igual, mas, conforme o princípio da isonomia, os desiguais devem ser tratados de forma a minimizar essas desigualdades. Por esse motivo, a legislação brasileira é diferente para os desiguais. Dessa maneira, podemos exemplificar esse tratamento diferenciado com o intuito de possibilitar inclusão social e minimizar as diferenças de diversas formas, tais como: ■ Cotas para negros, índios ou pessoas de baixa renda em universidades. ■ Cotas para a contratação de pessoas com deficiência em empresas. ■ Seguro-desemprego para desempregados recentes. ■ Alíquotas menores ou não tributação de Imposto de Renda (IR) para pes- soas com menor renda. ■ Licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a dura- ção de 120 dias. ■ Licença-paternidade. ■ Diferenças entre direitos de trabalhadores rurais e urbanos. ■ Exigência de acessibilidade em instituições de ensino. Diversos outros exemplos podem ser citados, porém, foram destacados apenas alguns, devido à amplitude do tema. A exclusão social pode ser classificada em cinco tipos, a saber: ■ Econômica. ■ Social. ■ Cultural. ■ Patológica. ■ Comportamentos autodestrutivos. ■ Outras formas de exclusão, tais como discriminação por orientação sexual. DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E146 O que podemos observar é que determinado tipo de exclusão é associado a outros tipos, principalmente a exclusão econômica que, muitas vezes, está relacionada a aspectos sociais, culturais ou outros. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA As pessoas com deficiência, muitas vezes, têm dificuldade até de estudar ou fre- quentar determinados ambientes por causa de fatores limitantes, tais como: falta de planejamento das instituições ou falta de políticas públicas e privadas. Na Constituição Federal de 1988, conforme o Art. 207, inciso III, passou a ser dever do Estado a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. Assim, as organizações precisam não apenas prever procedimentos em suas normas de conduta, mas também realizar um planejamento para melhor aten- dê-los, além de conhecer a legislação específica. Sendo assim, entre as ações possíveis das empresas para inclusão de pessoas com deficiência, podemos evidenciar (SANTOS, 2015): a) Planejamento da Infraestrutura: a infraestrutura contempla desde edifica- ções até instalações ou objetos apropriados. A infraestrutura pode prever aspectos, tais como: rampas, corrimãos, elevadores, banheiros adaptados, barras de apoio e outros. Estes exemplos estão voltados para cadeirantes ou outros deficientes com dificuldade de locomoção, mas devem ser pensados também para defi- cientes visuais, auditivos e com outras necessidades. Destaca-se que o investimento para adaptação de um prédiopara defi- cientes, muitas vezes, é mais caro do que a construção dele adaptado, por esse motivo, a contratação de um profissional no momento ante- rior ao início das obras, sempre que possível, é o mais adequado. b) Políticas e Práticas Cotidianas: as organizações devem ter uma política para receberem as pessoas com deficiência de maneira adequada, propondo, além de políticas de contratação, treinamento, inclusão e adaptação. Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 As pessoas com deficiência não necessitam de um espaço específico para elas, pois desejam que as escolas, empresas, clubes, academias, shoppings, meios de trans- portes, vias públicas, órgãos públicos e outros espaços sejam comuns e adaptados para as suas necessidades. As pessoas e as organizações, por sua vez, precisam estar preparadas, pois não podem agir de forma assistencialista ou excludente. Santos (2015) exemplifica ações inadequadas, a seguir: ■ Postura assistencialista ou incorreta: o grupo de funcionários da empresa tem a concepção de que o deficiente é incapaz ou limitado e busca auxiliar até em tarefas simples, como transportar um cadeirante sem consultar se ele prefere deslocar-se sozinho ou ficar parado no local. ■ Política excludente: contratar deficientes para atividades menos relevantes, por considerá-los potencialmente incapazes. O correto seria contratá-los para cargos ou funções adaptadas às suas necessidades, pois é comum eles se superarem e obterem alto rendimento. c) Conhecer a legislação para pessoas com deficiência: as organizações preci- sam deste conhecimento, pois, além de ser importante para a inclusão social, pode evitar processos judiciais. É importante salientar que, na própria Constituição Federal (1988), é proibido qualquer discriminação no tocante a salário e a critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. Um exemplo que merece destaque é o Decreto n.. 3.298, de 20 de dezem- bro de 1999, criado para a inclusão dos Portadores de Necessidades Especiais no mercado de trabalho e que define percentuais mínimos de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais: Do Acesso ao Trabalho Art. 36. A empresa com cem ou mais emprega- dos está obrigada a preencher de dois a cinco por cento de seus cargos Se uma organização possui deficientes, eles são as pessoas mais indicadas e interessadas para auxiliar na elaboração dessas políticas. Portanto, é funda- mental a participação dos deficientes na elaboração das políticas inclusivas. Fonte: Santos (2015, p. 107). DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E148 com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoa portadora de deficiência habilitada, na seguinte proporção: I - até duzentos empregados, dois por cento; II - de duzentos e um a quinhentos empregados, três por cento; III - de quinhentos e um a mil empregados, quatro por cento; ou IV - mais de mil empregados, cinco por cento. § 1º A dispensa de empregado na condição estabelecida neste artigo, quan- do se tratar de contrato por prazo determinado, superior a noventa dias, e a dispensa imotivada, no contrato por prazo indeterminado, somente po- derá ocorrer após a contratação de substituto em condições semelhantes. § 2º Considera-se pessoa portadora de deficiência habilitada aquela que concluiu curso de educação profissional de nível básico, técnico ou tecnológico, ou curso superior, com certificação ou diplomação expe- dida por instituição pública ou privada, legalmente credenciada pelo Ministério da Educação ou órgão equivalente, ou aquela com certifica- do de conclusão de processo de habilitação ou reabilitação profissional fornecido pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. § 3º Considera-se, também, pessoa portadora de deficiência habilitada aquela que, não tendo se submetido a processo de habilitação ou reabi- litação, esteja capacitada para o exercício da função. § 4º A pessoa portadora de deficiência habilitada nos termos dos §§ 2o e 3o deste artigo poderá recorrer à intermediação de órgão integrante do siste- ma público de emprego, para fins de inclusão laboral na forma deste artigo. § 5º Compete ao Ministério do Trabalho e Emprego estabelecer siste- mática de fiscalização, avaliação e controle das empresas, bem como instituir procedimentos e formulários que propiciem estatísticas sobre o número de empregados portadores de deficiência e de vagas preen- chidas, para fins de acompanhamento do disposto no caput deste artigo (BRASIL, 1999, on-line). A Organização das Nações Unidas (ONU) batizou de A Acessibilidade (Figura 4) o novo desenho, que tem como proposta não tipificar nenhuma deficiência específica. De acordo com a ONU, trata-se de uma figura simétrica conectada por quatro pontos a um círculo, e que representa a harmonia entre o ser humano e a sociedade, e com os braços abertos, simbolizando a inclusão de pessoas com todas as habilidades, em todos os lugares. Para sua utilização, não há a necessi- dade de autorização prévia, no entanto, percebe-se que é pouco utilizado. Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 Figura 4: A Acessibilidade Fonte: Reflexão sobre rodas (2017, on-line)2. PROJETOS QUE VISAM A INCLUSÃO SOCIAL A seguir, vamos apresentar alguns projetos que buscam a inclusão social. Projeto Espaço Cultural da Grota - O projeto acontece há mais de 20 anos na comunidade da Grota do Surucucu, em Niterói, onde cerca de 250 crianças e jovens têm aulas gratuitas de música, além de diversas atividades recreativas e educacionais. O trabalho deu origem à Orques- tra de Cordas da Grota, grupo reconhecido internacionalmente, e já formou diversos músicos profissionais que atuam como instrumentis- tas e professores. Além da unidade principal, há outros 11 polos espa- lhados pelo Estado do Rio de Janeiro (GRUPO, [2018], on-line)3. Qualificação profissional de pessoas com deficiência: o Projeto Construir, desenvolvido pelo Senai, em Alagoas, oferece qualificação profissional e inclu- são de pessoas com deficiência e em reabilitação. Atualmente, são atendidos 70 aprendizes de 20 construtoras alagoanas (SENAI, 2017, on-line)4. Sociedade Benfeitora Jaguaré: é uma organização sem fins lucrativos que atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, por meio de projetos socioeducativos e de profissionalização. A organização foi fundada DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E150 por empresários que se reuniam na região do Jaguaré, os quais perceberam que havia, nesse bairro industrial da Zona Oeste do município, grande demanda, pois sua população era constituída, em grande parte, por pessoas com baixa ou nenhuma renda e, em 1958, criaram uma organização sem fins lucrativos que pudesse atender a seus moradores. A ONG oferece programas socioeducativos às famílias que não têm acesso a outros recursos da comunidade. A instituição desenvolve e implanta programas sociais, educativos e econômicos que vão ao encontro das necessidades da população em situação de vulnerabilidade social. Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD): é conhecida em todo o Brasil por meio da campanha Teleton, tem um dos melhores comple- xos hospitalares da área, além de ser referência emqualidade no tratamento de pessoas com deficiência física. Por meio do Teleton, que tem como mascotes Tonzinho e Nina, inspirados nos usuários da ONG, doações são feitas por meio do site AACD e via telefone, e toda renda é revertida à entidade. O trabalho do terceiro setor e destas atividades de inclusão social são fun- damentais para o desenvolvimento do país (SANTOS, 2015). Existem inúmeros projetos de inclusão social no Brasil, cada um com sua finalidade e seu público a ser atendido. Além desses projetos, podemos citar vários outros, com diferen- tes objetivos, por exemplo, projetos para: ■ Ressocialização de apenados. ■ Pesquisa na área da saúde. ■ Minimização de desigualdades sociais. ■ Prestação de serviços de saúde para áreas isoladas. ■ Alfabetização e outros. Desta forma, prezado(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade, conhecendo um pouco mais das muitas práticas de inclusão social realizadas no Brasil. Podemos, então, pensar: o que realmente as organizações estão pro- pondo para práticas inclusivas? Estão inseridas em todo contexto da organização? Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estudamos, nessa unidade, a pirâmide da Responsabilidade Social Empresarial proposta pelo professor Archie Carroll (1979), que está dividida em quatro par- tes: Responsabilidade Econômica, Responsabilidade Legal, Responsabilidade Ética e Responsabilidade Filantrópica ou Discricionária. Vimos, também, que a construção da pirâmide teve sua base na responsabilidade econômica, levando em consideração os lucros da empresa e que, em algumas vezes, as organizações com problemas financeiros têm dificuldades para implementar a Responsabilidade Social. Também estudamos pesquisadores que propuseram um modelo com círcu- los para apresentar os domínios da Responsabilidade Social Empresarial, sendo: domínio econômico, legal e ético. Nesta representação, temos a interseção entre os três domínios, e o desafio das organizações é essa interligação. Foi abordada a questão da ética dentro das organizações, que ela vai além de fazer o certo, e que uma empresa que busca a Responsabilidade Social deve ter a ética em sua cultura. Suas cinco dimensões são: Sustentabilidade; Respeito à Multicultura, Aprendizado Contínuo, Inovação e Governança Corporativa. A sustentabilidade aborda a questão de minimização de impactos ambientais causados pelas organizações, a proposta de programas voltados à área ambien- tal, a promoção de políticas internas e externas, a transparência, entre outros. O Respeito à Multicultura trata-se do respeito às diferenças entre as pessoas, da cria- ção de um código de ética dentro da organização; o Aprendizado Contínuo visa a qualificação dos profissionais na área de Responsabilidade Social; a Inovação possibilita pensar em novas necessidades; e a Governança Corporativa trata do sistema pelo qual as empresas são monitoradas, dirigidas e incentivadas, bus- cando a longevidade da empresa. 152 1. Carroll criou a pirâmide da responsabilidade social, que está dividia em quatro partes, a saber: Responsabilidade Econômica, Responsabilidade Legal, Res- ponsabilidade Ética e Responsabilidade Filantrópica. Diferencie as quatro RSEs propostas por Carroll. 2. De acordo com Santos (2015), as cinco dimensões da ética empresarial são: Sustentabilidade; Respeito à Multicultura, Aprendizado Contínuo, Inovação e Governança Corporativa. Diante desse contexto, explique sobre a dimensão: Respeito à Multicultura. 3. Vimos, em nossos estudos, que a Responsabilidade Social tem Dimensões In- ternas e Externas. Diante disso, cite algumas ações externas da RSE. 4. Governança Corporativa tem como intuito dirigir, monitorar, incentivar, envol- ver a relação dos sócios das empresas, bem como as partes interessadas. Acer- ca desse assunto, explique o princípio da equidade. 5. Quando falamos em inclusão social, temos que pensar nas ações cujo objetivo é combater a exclusão da vida em sociedade, o que, muitas vezes, é provoca- da por diferenças. Diante desse contexto, cite algumas formas de possibilitar a inclusão social. 153 Roteiro de como se elaborar um código de Ética O que é código de conduta e ética profissional? Para compreendermos o que é ética profissional, precisamos viajar pela etimologia da palavra ética primeiro. O termo é originário do grego, éthos, que significa “propriedade do caráter”. Dessa forma, é possível concluir que a ética profissional é um conjunto de regras que norteiam o comportamento dos indivíduos durante o exercício de seu ofício. Como resultado, têm-se os códigos de ética e conduta, que são elaborados pelos conse- lhos e federações que fiscalizam as profissões e pelas empresas que os contratam como prestadores de serviços. A ética profissional tem como objetivo a disciplina a moral e os costumes das pessoas, sendo essa a base do exercício das suas funções. Por isso, mais do que meramente segui- das durante o expediente de trabalho, ela deve fazer parte da consciência dos profissio- nais inclusive em âmbito pessoal. Saber mais sobre o que é ética profissional oferece as diretrizes adequadas para os funcio- nários desempenharem com excelência as suas atividades dentro dos parâmetros culturais que a empresa impõe. Além disso, o guia de conduta ajuda a estabelecer um relacionamen- to com colegas de trabalho, clientes e fornecedores que tenham como referência alguns dos valores mais importantes, tais como o respeito, a responsabilidade e a honestidade. Apesar do código de ética e conduta abranger vários princípios que dependem de cada grupo profissional e das diversas companhias existentes, existem algumas regras que são universais para todos. Entre eles, está proceder bem, não prejudicar os colegas de trabalho e cumprir os valores estabelecidos pela organização e pela sociedade. Fonte: Marques (2018, on-line). REFERÊNCIASREFERÊNCIAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Bra- sília: Senado Federal, 1988. ______. Decreto n. 3.298, de 20 de dezembro de 1999. 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Da Responsabilidade Filantrópica é funcionamento consistente com as expectativas filantrópicas e de caridade da sociedade, é esperado que a empresa apoie a cultura, participe de voluntariado e atividades nas comunidades locais, apoie as instituições educacionais, melhore a qualidade de vida em geral, na co- munidade. 2. A dimensão Respeito à Multicultura e as políticas que consideram as diferenças individuais devem permear todas as práticas éticas corporativas. Trata-se de res- peitar as diferenças dentro da organização. 3. Desenvolvimento de projetos e programas sociais, parcerias com o governo, as ONGs e a sociedade civil, aplicação de recursos em programas de preservação ambiental, capacitação para o trabalho por meio de programas de voluntariado, entre outros. 4. É um princípio caracterizado pelo tratamento justo e isonômico de todos os só- cios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas. 5. Cotas para negros, índios ou pessoas de baixa renda em universidades; cotas para a contratação de pessoas com deficiência em empresas; seguro-desempre- go para pessoas desempregadas recentemente; licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de 120 dias; licença-paternidade; dife- renças entre direitos de trabalhadores rurais e urbanos; exigência de acessibili- dade em instituições de ensino. GABARITO U N ID A D E V Professora Me. Renata Cristina de Souza Chatalov Professora Me. Natália C. da Silva Matos AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os demonstrativos de natureza social e ambiental. ■ Demonstrar os principais modelos de Balanço Social e relatórios de sustentabilidade. ■ Apresentar as premiações na área de sustentabilidade. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Demonstrativos de natureza social e ambiental ■ Modelos de Balanço Social ■ Premiações na área de sustentabilidade INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta quinta e última unidade da nossa disciplina de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, estudaremos as formas de demons- trar os resultados de ações sustentáveis e de investimentos na área ambiental e social. Mas as empresas podem fazer esse tipo de ação? Sim, podem, por meio de balanços sociais, relatórios de sustentabilidade e premiações, que são as manei- ras encontradas pelas empresas para apresentar esses investimentos. Começaremos estudando os demonstrativos de natureza social e ambiental, que se tratam de: Balanço social; Demonstração do Valor Adicionado (DVA); Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 15 (NBC T 15); Relato Integrado. Analisaremos a diferença entre eles. Veremos que o Balanço Social tem por objetivo apresentar a realidade eco- nômica, social e ambiental de uma empresa, do governo ou de uma ONG. Estudaremos os precedentes históricos do balanço social. Dentre os modelos que estudaremos, você conhecerá o modelo Ibase, pro- posto pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Este modelo é um balanço de cunho social, lançado nos anos 90, o qual tem por objetivo publicar a respon- sabilidade social empresarial, trazendo informações sobre projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos colaboradores, investidores, acionistas e à comuni- dade em geral. Veremos o relatório GRI, pois, quando falamos em sustentabilidade empre- sarial, aqui mesmo, no Brasil, há muitas empresas que já conhecem e aplicam muito bem esse conceito. Entretanto, há empresas que têm um pouco de difi- culdade em mensurar suas ações sustentáveis no impacto social e ambiental nas operações no dia a dia da organização. Você verá que, nesse modelo, já existe o “preenchimento online”, facilitando, paraas organizações, a análise do modelo proposto por esse relatório. Finalizaremos nossos estudos apresentando a você algumas premiações que são muito importantes na área de sustentabilidade e disseminação dos ODS. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E160 DEMONSTRATIVOS DE NATUREZA SOCIAL E AMBIENTAL De acordo com Santos (2015), as organizações têm observado uma necessidade maior do que se limitar aos demonstrativos de natureza ambiental e estão buscando construir instrumentos de natureza social e ambiental. Esta abordagem possibilita per- ceber a necessidade de associar dados contábeis e financeiros a esses demonstrativos. Com esta concepção, foram construídos, entre outros, os seguintes instrumentos: ■ Balanço social. ■ Demonstração do Valor Adicionado (DVA). ■ Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 15 (NBC T 15). ■ Relato Integrado. Além disso, é preciso analisar o seguinte: ■ Existe uma proposta que está sendo desenvolvida, que se trata do rela- tório integrado. ■ É preciso aperfeiçoar os instrumentos, criando indicadores que possibi- litem comparabilidade entre períodos e entre empresas com diferentes perfis, em especial, que sejam efetivos para as pequenas e médias empresas. Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 Os demonstrativos de natureza social e ambiental consistem em instrumentos que possibilitam (SANTOS, 2015): ■ Comparar períodos diferentes. ■ Divulgar o comprometimento e as ações sociais e ambientais das empresas. ■ Comparar empresas e segmentos. ■ Ampliar a transparência institucional. ■ As empresas prestarem contas para acionistas, funcionários, terceirizados, fornecedores, parceiros, governo, comunidade externa e outros. A responsabilidade social e ambiental, assim como os seus demonstrativos, são muito relevantes para a sociedade atual e devem ser aprimorados e mais utili- zados pelas empresas. Segundo Vallaeys (2014, p. 133): O Movimento de Responsabilidade Social das Empresas (RSE) se desen- volveu fortemente durante as últimas décadas. As normas de qualidade in- tegram agora os aspectos sociais e ambientais dos processos de produção. BALANÇO SOCIAL O Balanço Social ou Relatório de Sustentabilidade tem por intuito descrever a rea- lidade econômica, social e ambiental de uma entidade (empresa, governos, ONGs). O Balanço Social objetiva ser equitativo e comunicar informação que satis- faça à necessidade de quem dele precisa (TINOCO, 2010). Esta é a missão da Contabilidade, como ciência de reportar informação contábil, financeira, Para saber mais sobre o assunto, assista o vídeo a seguir: Observatório Social, com Giuliana Lenzi. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E162 econômica, social, ambiental, física, de produtividade e de qualidade, mas com sustentabilidade, buscando o Desenvolvimento Sustentável. Para Kroetz (2000, p. 68): O Balanço Social, antes de ser uma demonstração endereçada à socieda- de, é uma ferramenta gerencial que reúne dados quantitativos e qualita- tivos sobre as políticas administrativas e as relações entidade/ambiente. Sobre sua utilidade, Tinoco (2010) relata que as organizações precisam satisfa- zer às necessidades de seus clientes e parceiros, divulgar e buscar transparência aos agentes sociais e a toda sociedade no que diz respeito às relações econômi- cas, financeiras, sociais e ambientais, por meio de um Balanço Social, que é um relatório específico para essa finalidade. Para Tinoco (2001, p. 34): A função principal do Balanço Social da organização é tornar público a responsabilidade social da empresa. Isso faz parte do processo de pôr as cartas na mesa e mostrar com transparência para o público em geral, para os atentos consumidores e para os acionistas e investidores o que a empresa está fazendo na área social. A divulgação do desempenho social das organizações interessa a vários grupos por inúmeras razões, por exemplo, a questão ética e os princípios da organização em relação à qualidade de vida da sociedade onde essa organização está inserida. Dessa maneira, podemos observar que o balanço foi criado para que, anual- mente, as organizações publiquem dados sobre os seus projetos e ações sociais, bem como os impactos e a sua relação com a sociedade interna e externa, além de, buscarem descrever a sua relação com o meio ambiente. As entidades devem satisfazer às necessidades de seus clientes e de seus parceiros e, especialmente, divulgar e dar transparência aos agentes sociais e a toda a sociedade. (João Eduardo Prudêncio Tinoco) Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 Balanço Social - Breve Histórico No final do século XIX, há registros de manifestações e documentos que citavam a necessidade de ações sociais das empresas. No início do século XX, é possível observar questionamentos de trabalhadores e citações de situações insalubres ou de empresas que agrediam a natureza, não contribuíam com a sociedade ou não tinham a contribuição social adequada. Na década de 30, com a depres- são de 1929, e também com os movimentos no Brasil e no exterior em décadas posteriores, foi possível identificar questionamentos sobre a ação e o compro- metimento das empresas (SANTOS, 2015). Apesar dessa realidade, a responsabilidade social das empresas, assim como a necessidade de prestar contas, começa a ser fato relevante para os empresários apenas na segunda metade do século XX (TINOCO, 2010). Torres (2001) divide em três períodos as fases que antecedem o Balanço Social. Conforme dados do autor os períodos são os seguintes: a) Origem nos anos 60 e 70 Para Torres (2001), a concepção da responsabilidade social das empresas popu- larizou-se na década de 70, na Europa. Neste período, tivemos os fatos a seguir: ■ 1971: a companhia alemã Steag produziu uma espécie de relatório social, um balanço de suas atividades sociais. ■ 1972: a empresa Singer, na França, fez o que é considerado o primeiro balanço social da história das empresas. ■ 1977: a ADCE (Associação de Dirigentes Cristãos do Brasil) organizou o segundo Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas, e o tema cen- tral foi o balanço social. b) Anos 80 e fortalecimento da questão Nos anos 80, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social (Fides) chegou a elaborar um modelo de balanço social. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E164 ■ 1984: Tinoco apresentou o primeiro trabalho acadêmico sobre Balanço Social no Brasil, na área contábil (TINOCO, 2010). ■ 1984: a empresa publicou relatório que denominou de balanço social. Foi considerado o primeiro relatório social no Brasil. Neste período, no Brasil, não houve muitas iniciativas voltadas ao Balanço Social, mas, no mundo, aconteceram experiências interessantes, como na França, que, segundo Tinoco (2010, p. 21), passoua exigir das empresas a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que continha os seguintes indicadores: ■ Valor adicionado/produção realizada. ■ Valor adicionado/quadro efetivo (pessoal). ■ Custos de pessoal/valor adicionado. ■ Encargos financeiros/valor adicionado. ■ Valor adicionado/efetivo médio. ■ Valor adicionado/ativo fixo operacional médio. O valor adicionado consiste na diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Assim, o valor adicionado demonstra a efetiva contribuição da empresa, considerando o seu desempenho e a sua capacidade para a geração de riqueza da economia. c) Anos 90 e consolidação da Responsabilidade Social das Empresas e do Balanço Social no Brasil Nos anos 90, muitas empresas passaram a adotar ações de filantropia e assistên- cia social (SANTOS, 2015). O primeiro modelo de balanço social apresentado foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), em 1997, em parce- ria com técnicos(as), pesquisadores(as) e representantes de instituições públicas e privadas, que apresentou indicadores específicos ao setor educacional, porém, seu foco principal era o pilar social, que não foi abordado na mesma intensidade que as outras dimensões (TERMIGNONI, 2012). Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 165 Assim, o Balanço Social começou a ser realizado por várias empresas e pas- sou a ser um instrumento institucional. No mesmo período, muitas organizações passam a publicar relatórios de sustentabilidade e outros instrumentos. Algumas organizações começam a se conscientizar de que é necessária a prestação de contas para a sociedade; outras passam a elaborar por ser um instrumento de marketing, pois a sociedade tende, cada vez mais, a exigir das empresas uma postura ética. De acordo com o Ibase, citado por Santos (2015), desde meados de 1997, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e o Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (Ibase) destacavam a importância de realizar um balanço social das empresas em um único e simplificado modelo. Por isso, além do modelo de balanço social que foi desenvolvido, a instituição fornecia o “Selo Balanço Social” para as empresas que aderiam à proposta. Este selo foi fornecido até o ano de 2008, mas, hoje, ainda há empresas que utilizam esse modelo (SANTOS, 2015). Lançado nos anos 90, o Balanço Social Ibase teve como principal função tornar pública a responsabilidade social empresarial, construindo maiores vínculos entre a empresa, a sociedade e o meio ambiente. Publicado anual- mente pelas organizações que escolhem esse modelo, o Balanço Social re- úne um conjunto de informações sobre projetos, benefícios e ações sociais dirigidos aos empregados, investidores, analistas de mercado, acionistas e à comunidade. É também um instrumento estratégico para avaliar e multipli- car o exercício da responsabilidade social corporativa. A base de dados do Balanço Social Ibase é aberta a todas e a todos que quei- ram pesquisar sobre o tema. Há, ainda, a publicação Balanço Social, o desafio da transparência, publicado em 2008. O livro analisa mais de mil balanços entre 1997 e 2005. Desde 2010, o Ibase produz seu próprio Balanço Social, que é publicado junto com os relatórios anuais. Fonte: Ibase ([2018], on-line)1. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E166 DVA (Demonstração do Valor Adicionado) A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é parte integrante do Balanço Social e, ainda que este não tenha se tornado obrigatório, com a publicação da Lei 11.638/2007 (BRASIL, 2007), a DVA passou a ser obrigatória para as com- panhias abertas, sendo normatizada pela NBC TG-09 (Norma Brasileira de Contabilidade – Técnica Geral). Segundo a NBC TG-09, a DVA: ■ É fundamentada em conceitos macroeconômicos. ■ Busca apresentar a parcela de contribuição que a entidade tem na for- mação do Produto Interno Bruto (PIB) do país onde essas operações são realizadas e eliminados os valores que representam dupla contagem. NBC T (Norma Brasileira de Contabilidade Técnica - NBC 15 – In- formações de natureza social e ambiental) No ano de 2006, o Conselho Federal de Contabilidade, por meio da NBC T 15 (Norma Brasileira de Contabilidade – 15), estabeleceu procedimentos para a evidenciação de informações de natureza social e ambiental. Tal norma objetiva demonstrar, para a sociedade, a responsabilidade social das empresas. O conteúdo é divido em quatro tópicos, a saber: 1) A geração e a distribuição de riqueza. 2) Os recursos humanos. 3) A interação da entidade com o ambiente externo. 4) A interação com o meio ambiente. Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 167 Um aspecto que precisa ser melhorado é a inclusão de indicadores que possibilitem: a) Relativizar, considerando as realidades das empresas. Por exemplo, quando afirma-se o total de investimentos com saúde ou com educação, não pode- mos comparar um grande grupo com uma microempresa. Relativizando o porte, é possível fazer comparações. b) Comparar períodos de forma mais clara. A Demonstração de Informações de Natureza Social e Ambiental, quando elaborada, deve evidenciar os dados e as informações de natureza social e ambiental da entidade, extraídos ou não da contabilidade, de acordo com os procedimentos determinados por esta norma. A demonstração referida no item anterior, quando divulgada, deve ser efe- tuada como informação complementar às demonstrações contábeis, não se confundindo com as notas explicativas. Fonte: adaptado de Conselho Federal de Contabilidade (2004). Podemos observar que essa norma não é obrigatória para as empresas, não há necessidade de um auditor e contador. Mesmo assim, você acha que é importante sua adoção? (Fernando de Almeida Santos) AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E168 RELATO INTEGRADO Podemos observar que existe uma preocupação das organizações com os aspec- tos éticos e com a transparência em relação à sustentabilidade. A preocupação é elaborar um relatório que tenha informações financeiras e não financeiras, com o intuito de possibilitar uma visão integrada. Assim, haverá a possibilidade de analisar a organização de forma mais global. Esta visão possibilita agregar os três pilares da sustentabilidade: aspectos ambientais, sociais e econômicos. Dessa forma, para Santos (2015), o mercado busca construir o relato inte- grado. Assim, no ano 2012, foi criada a Comissão Brasileira de Acompanhamento do Relato Integrado, que tem por objetivo manter o mercado brasileiro atuali- zado sobre essa iniciativa, além de contribuir com o processo de implantação e estimular o engajamento das empresas brasileiras nesse processo. No período de abril a julho de 2013, o modelo de Relatório Integrado ficou em audiência pública. Há, também, o IIRC (International Integrated Reporting Council), cujo objetivo é criar um modelo global, o IR (Integrated Reporting). No IIRC par- ticipam: empresas, organismos reguladores e instituições para padronização, além de investidores, organizações não governamentais e consultorias de quase 30 países. Para Santos (2015), o relato integrado trata-sede uma comunicação concisa sobre como a estratégia, a governança, o desempenho e as possibilidades de uma organização, no contexto do seu ambiente externo, levam à criação de valor em curto, médio e longo prazos. De acordo com o IIRC ([2019], on-line)2, o Relato Integrado possibilitará: ■ Melhorar a articulação da estratégia para o negócio e como o seu modelo de negócios está respondendo às novas necessidades e expectativas do mercado. ■ Permitir um melhor diálogo entre a empresa e os fornecedores do capi- tal financeiro. ■ Desenvolver departamentos mais conectados e quebrar áreas fechadas. ■ Aprimorar processos internos. ■ Reduzir custo de capital. O relato integrado representa grande avanço para o mercado, pois possibilitará uma visão integrada, além de ampliar a transparência das empresas em relação Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 169 aos aspectos sustentáveis. Também podemos observar que se trata de um pro- cesso em desenvolvimento e que merece regulamentação e apoio de instituições públicas e privadas. DEMONSTRATIVOS PARA MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS Apesar de não serem obrigatórios no Brasil, estes instrumentos têm sido adota- dos por inúmeras organizações, principalmente as de grande porte. Este fato de ser mais adotado pelas grandes empresas se deve a dois fato- res, a saber: 1. As empresas menores, muitas vezes, por terem menor infraestrutura, podem ter dificuldade de acesso às informações. 2. Os indicadores não consideram o porte das empresas. Como exemplo, Santos (2015) menciona: uma empresa pequena e criada para a subsistência de uma família, como muitas no país, não tem interesse em elaborar e divulgar demonstrativos de baixo gasto em educação ou em saúde, sem considerar a sua realidade. Ao analisar a situação desta empresa, que tem quatro colaboradores e gastos mensais com bolsas de estudos para três destes quatro colaboradores. Ao apresentar os gastos reais, estes podem ter pouca representatividade, pois, ao com- parar o número de estudo por colaborador, observa-se o índice de 75%. Para relativizar à as empresas de pequeno porte, o autor sugere indicado- res como: ■ Bolsas de estudo por ano/funcionário. ■ Gastos de treinamento/funcionário. ■ Gastos com alimentação e transportes/funcionário. ■ Gastos com saúde/funcionário. ■ Participação nos lucros e resultados/lucro líquido. ■ Demissões no ano/funcionários. ■ Estagiários/funcionários. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E170 ■ Número de processos trabalhistas julga- dos procedentes/funcionários. ■ Número de reclamações recebidas por meio da justiça/número de clientes (no caso de clientes correntistas ou assinantes). ■ Investimentos e gastos em projetos ambientais/receita bruta. ■ Investimentos e gastos em projetos edu- cacionais/receita bruta. RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA O conceito de responsabilidade social corporativa (RSC) é: [...] está associado ao reconhecimento de que as decisões e os resulta- dos das atividades das companhias alcançam um universo de agentes sociais muito mais amplo do que o composto por seus sócios e acionis- tas (shareholders). Desta forma, a responsabilidade social corporativa, ou cidadania empresarial, como também é chamada, enfatiza o impac- to das atividades das empresas para os agentes com os quais intera- gem (stakeholders): empregados, fornecedores, clientes, consumidores, colaboradores, investidores, competidores, governos e comunidades (TINOCO, 2010, p. 153). Esse conceito, demonstra os compromissos que vão além daqueles que são obriga- tórios para as organizações, tais como o cumprimento das legislações trabalhistas, tributárias e sociais, de leis ambientais, de usos do solo, dentre outros. Apresenta, dessa maneira, a adoção e a disseminação de valores, condutas e procedimentos que induzam e estimulem o aperfeiçoamento contínuo de processos empresariais, para que também resultem em preservação e melhoria da qualidade de vida das socie- dades, sob o ponto de vista ético, social e ambiental. O tema da responsabilidade social integra-se, portanto, ao da gover- nança corporativa, ou seja, com a administração das relações contra- tuais e institucionais estabelecidas pelas companhias e as medidas ado- tadas para o atendimento das demandas e dos interesses dos diversos participantes envolvidos. Dessa forma, a responsabilidade social cor- porativa está relacionada com a gestão de empresas em situações cada vez mais complexas, nas quais questões como as ambientais e sociais são crescentemente mais importantes para assegurar o sucesso e a sus- tentabilidade dos negócios (SANTOS, 2015, p. 92). Figura 1: Selo Ibase Fonte: Ibase (2018, on-line)1. Modelos de Balanço Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 MODELOS DE BALANÇO SOCIAL A seguir, apresentaremos alguns modelos de balanços sociais, sendo eles o Modelo Ibase, o Modelo GRI, os indicadores Ethos e a certificação social, outra forma de verificar os resultados desses investimentos feitos nas áreas ambien- tais e sociais. Vamos juntos! MODELO IBASE Betinho, fundador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), apresenta a expressão “empresa pública e cidadã” em um artigo publicado na Folha de S. Paulo (26/03/1997). Nesse artigo, Betinho aborda questões de natureza pública, empresarial, comunitária e social para chamar a atenção da sociedade quanto à necessidade de implantar o Balanço Social no Brasil (TINOCO, 2010). Os primeiros passos que devem ser levados em consideração para que uma empresa seja reconhecida como “pública e cidadã” são: 1. Desenvolver uma missão, uma visão e um conjunto de valores a serem seguidos. 2. Comprometimento das lideranças e stakeholders para que a responsabili- dade social seja parte integrante de cada processo decisório. 3. Colocar seus valores em prática. 4. Promoção da gestão executiva responsável. 5. Comunicação, educação e treinamento. 6. Publicação de balanços sociais e ambientais. 7. Utilizar sua influência de forma positiva. O modelo do balanço Ibase tem a forma de uma planilha, na qual traz informações sobre a folha de pagamento dos colaboradores, gastos com encargos sociais, participação nos lucros, detalhes com despesas de controles ambientais e investimentos sociais exter- nos em várias áreas, tais como: educação, cultura, saúde, entre outras. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E172 Para seu preenchimento, não são necessários profissionais especializados na área contábil, porque o próprio Ibase fornece essa planilha para preenchimento, a qual podemos observar no Quadro 1. Quadro 1 - Modelo Ibase de Balanço Social 1. BASE DE CÁLCULO VALOR (MIL REAIS) Receita Líquida (RL) Resultado Operacional (RO) Folha de Pagamento Bruta (FPB) 2. INDICADORES SOCIAIS INTERNOS VALOR (MIL R$) % SOBRE FPB % SOBRE RL Alimentação Encargos sociais compulsórios Previdência privada Saúde Segurança e medicina no trabalho Educação Cultura Capacitação e desenvolvimento profissional Creches ou auxílio-creche Participação nos lucros ou resultados Outros Total - Indicadores Sociais Internos 3. INDICADORES SOCIAIS EXTERNOSVALOR (MIL R$) % SOBRE RO % SOBRE RL Educação Cultura Saúde e saneamento Habitação Esporte Lazer e diversão Creches Alimentação Combate à fome e segurança alimentar Outros Total das Contribuições para a Sociedade Tributos (excluídos encargos sociais) Modelos de Balanço Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 Total Indicadores Sociais Externos 4. INDICADORES AMBIENTAIS VALOR (MIL R$) % SOBRE RO % SOBRE RL Investimentos realcionados com a produção/operação da empresa Investimentos em programas e/ou projetos externos Total dos Investimentos em Meio Ambiente Quanto ao estabelecimento de metas anuais para minimizar os resíduos e o consumo em geral na produção/operação, além de aumentar a eficácia na utilização de recursos naturais, a empresa: 5. INDICADORES DO CORPO FUNCIONAL Nº de empregados(as) ao final do período Nº de admissões durante o período Nº de empregados(as) tercerizados(as) Nº de estagiários(as) Nº de empregados(as) acima de 45 anos Nº de mulheres que trabalham na empresa Nº de cargos de chefia ocupados por mulheres Nº de negros(as) que trabalham na empresa Nº de cargos de chefia ocupados por negros(as) Nº de portadores de deficiência ou necessidades especiais 46 6. INFORMAÇÕES RELEVANTES QUANTO AO EXERCÍCIO DA CIDADANIA EMPRESARIAL XXXXX METAS XXXXX Relação entre a maior e a menor remuneração da empresa Número total de acidentes de trabalho Os projetos sociais ambientais desenvovidos pela empresa foram definidos por: Os padrões de segurança e salubridade no ambiente de trablaho foram definidos por: Quanto à liberdade sindical, ao direito de negociação coletiva e à representação interna dos(as) trabalhadores(as), a empresa contempla: Na seleção dos fornecedores, os mesmos padrões éticos e de res- ponsabilidade social e ambiental adotados pela empresa: Quanto à participação dos emrpegados(as) em programas de trabalho voluntário, a empresa: Númerações e críticas de consumidores(as): % de reclamações e críticas soluncionadas: Valor adicionado total a distribuir (em mil R$): Distribuição do Valor Adicionado (DVA) Fonte: Ibase (2018 on-line)3. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E174 Além disso, até o ano de 2008, cada organização que divulgava seu balanço social de acordo com a metodologia proposta pelo Ibase era reconhecida por meio de um selo, representado na Figura 1. No entanto, este selo encontra-se desconti- nuado desde aquele ano e, atualmente, encontra-se em fase de reformulação. Tendo em vista estas limitações, bem como a publicação de modelos de balanço social e relatórios de sustentabilidade vinculados a tratativas internacionais, os registros e a concessão dos selos às empresas que publicaram seus balanços sob esse modelo estão suspensos desde 2008, sem perspectivas de reformulação. O “Selo Balanço Social Ibase/Betinho” não será fornecido às empresas de cigar- ro, armas de fogo/munições e bebidas alcoólicas. O Ibase reserva-se ao direito de não conceder, suspender e/ou retirar o “Selo Balanço Social Ibase/Betinho” de qualquer empresa envolvida, denunciada e/ou processada por corrupção, violação de direitos humanos, sociais e ambientais relacionados com a “De- claração da OIT sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho”, de 1998; a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”; a “Convenção das Na- ções Unidas para Eliminar todas as Formas de Discriminação contra as Mulhe- res”; a “Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Infância e da Ado- lescência”; as Diretrizes da OCDE, de 2000; a “Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento”, de 1992; bem como toda a legislação brasileira relativa a esses direitos e deveres já estabelecidos. Para saber mais, acesse: <www.balancosocial.org.br>. Fonte: Ibase ([2018], on-line)1. Para saber mais sobre o assunto, assista o vídeo a seguir: Balanço Social, com Francielli Muller Modelos de Balanço Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 MODELO GRI Figura 2 - GRI: Global Reporting Initiative Fonte: Intedya ([2018], on-line)4. A sigla GRI, no contexto da Sustentabilidade e da Responsabilidade Social Corporativa, significa Global Reporting Initiative. Refere-se a uma organização não governamental fundada em 1997 por iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela ONG norte-americana CERES. A GRI é uma organização internacional que ajuda empresas, governos e outras instituições a compreender e comunicar o impacto dos negó- cios em questões críticas de sustentabilidade. Mudanças climáticas, di- reitos humanos e problemas de corrupção são algumas dessas questões (CEBDS, 2017 , on-line)5. As organizações podem utilizar os Padrões GRI para desenvolver seus relatórios de sustentabilidade, entretanto, não é necessário fazer uso de todos eles; podem ser empregadas partes específicas para relatar as informações que são válidas para sua organização. É preciso ter muita atenção, pois cada maneira de utilização dos padrões requer uma declaração de uso correspondente, a que as organizações precisam incluir em quaisquer relatórios com divulgação baseada nos modelos previstos pelo documento. As Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade da GRI consistem de princípios para a definição do conteúdo do relatório e da garantia da qualidade das informações relatadas. Incluem também o conteúdo do relatório, composto de indicadores de desempenho e outros itens de divulgação, além de orientações sobre temas técnicos específicos e relativos à elaboração do relatório (GRI, 2015, on-line)6. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E176 Os principais motivos pelos quais as grandes organizações no mundo implemen- tam relatórios com base nos Padrões GRI são (CEBDS, 2017, on-line)5: ■ Demonstrar compromisso com os impactos ambientais e sociais. ■ Transparência nas relações. ■ Apresentar capacidade de participação em mercados competitivos. ■ Planejar atividades, tornar-se mais sustentável e posicionar a empresa. ■ Seguir a legislação. Todos esses benefícios são adicionados como valores positivos à imagem da orga- nização, aumentam as chances de fidelização e facilitam a análise de dados para a comparação de desempenho com outras companhias. INDICADORES ETHOS Figura 3 - Indicadores Ethos Fonte: Ecodesenvolvimento (2014, on-line)7. Para que serve a GRI As diretrizes da GRI – chamadas G4 – na elaboração dos relatórios ajudam a identificar os impactos das operações da organização sobre o meio ambiente, economia e sociedade civil. O objetivo é apontar informações confiáveis, rele- vantes e padronizadas para que sua empresa avalie oportunidades e riscos a partir desses impactos e tome decisões mais embasadas sobre o assunto. As diretrizes que compõem o G4 são universalmente aplicáveis a empresas de todos os tamanhos, tipos e setores do mercado e foram reestruturadas em um conjunto de padrões no final de 2016. Essa remodelagem originou os Padrões GRI de Relatório de Sustentabilidade. Foram os primeiros padrões globais para criação de relatórios de sustentabilidade. Os indicadores são dispostos em módulos inter-relacionados e representamas melhores práticas de relato dos impactos econômicos, ambientais e sociais dos negócios. Fonte: CEBDS (2017, on-line)5. Modelos de Balanço Social Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 Os indicadores Ethos são uma ferramenta de gestão que tem por objetivo apoiar as organizações para incorporar sustentabilidade e responsabilidade social em estratégias de negócio. Os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis têm como foco avaliar o quanto a sustentabilidade e a responsabilidade so- cial têm sido incorporadas nos negócios, auxiliando na definição de es- tratégias, políticas e processos. Embora traga medidas de desempenho em sustentabilidade e responsabilidade social, esta ferramenta não se propõe a medir o desempenho das empresas nem reconhecer organi- zações como sustentáveis ou responsáveis. A nova geração dos Indicadores Ethos foi criada para estar a serviço dos negócios, com aplicações e funcionalidades que permitem total fle- xibilidade em sua aplicação pelas empresas e a geração de relatórios mais próximos da realidade empresarial, que apoiam efetivamente a gestão, com mecanismos para planejamento, compartilhamento de da- dos com as partes interessadas e desenvolvimento da sustentabilidade nas cadeias de valor (INSTITUTO ETHOS, 2018, on-line)8. Essa ferramenta é composta por um questionário, que permite o diagnóstico da organização, e um sistema de preenchimento online, que visa a obtenção de rela- tórios, por meio dos quais é possível fazer o planejamento e a gestão de metas para o avanço da gestão na temática da RSE/Sustentabilidade. Essa geração atual dos Indicadores Ethos está sendo continuamente aprimorada, nos apresenta uma nova abordagem para a gestão das em- presas e procura integrar os princípios e comportamentos da RSE com os objetivos para a sustentabilidade, baseando-se em um conceito de negócios sustentáveis e responsáveis ainda em desenvolvimento. Além de ter maior integração com as diretrizes de relatórios de sustentabili- dade da Global Reporting Initiative (GRI), com a Norma de Responsa- bilidade Social ABNT NBR ISO 26000, CDP, e outras iniciativas (INS- TITUTO ETHOS, 2018, on-line)8. Sabia que você pode obter o questionário de Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis juntamente com uma amostra de como fazer seu preenchimento online? Para saber mais, acesse: <https://www3.ethos.org.br/cedoc/indicadores-ethos-para-negocios-susten- taveis-e-responsaveis/#.W6eo0_ZReUl>. Fonte: as autoras. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E178 Além desses modelos, existem outros que você pode pesquisar e analisar se sua empresa está enquadrada nesse modelo. AUDITORIA E CERTIFICAÇÃO SOCIAL Outra forma que a organização pode usar para verificar os resultados de inves- timentos na área ambiental e social é por meio da auditoria e certificação social. Para Tinoco (2010), a auditoria é de suma importância para a segurança dos agentes sociais, referente às atividades que são desenvolvidas pelas organizações, incluindo os gestores e controladores dessas entidades. A auditoria preocupa-se, basicamente, com a análise de elementos contábeis e sociais, bem como a determinação e exatidão das demonstrações e dos relatórios contábeis, sociais e ambientais. Ademais, a auditoria procura determinar se as demonstrações e os registros contábeis que lhe deram origem são de confiança. Assim como as Normas ISO 9000 e ISO 14000 certificam empresas por sua capaci- dade gerencial (qualidade do processo de produção) e pelo respeito ao meio ambiente, temos as Normas BS 8800 e a SA 8000, que certificam, respectivamente, as empresas que dão garantias adequadas para a segurança e a saúde do trabalhador e as que res- peitam os direitos humanos e trabalhistas. A Social Accountability Standard (SA) 8000 possui estrutura similar à da ISO 9000 e enfatiza os direitos dos empregados, como licença-maternidade, remuneração de horas extras e salários que garantam a cobertura das necessidades mínimas dos trabalhadores, dentre outros. A norma é baseada nos preceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e foi criada pelo Council on Economic Priorities Accreditation Agency (CEPAA), uma organização internacional afi- liada ao Council on Economic Priorities (CEP) de Nova Iorque, que possui, como diretriz central, a difusão das questões relativas a condições trabalhistas dentre os consumidores de todo o mundo, conhecida por seu guia ao consumidor Shopping for a Better World. Premiações na Área de Sustentabilidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 PREMIAÇÕES NA ÁREA DE SUSTENTABILIDADE Além de demonstrar os resultados de investimentos na área social e ambiental, as organizações podem perceber que os stakeholders representados por algumas entidades de elevada reputação buscavam “premiar”, por assim dizer, por meio de diversos mecanismos, aquelas companhias que tivessem práticas reconhecidamente benéficas para a socie- dade de acordo com critérios específicos de análise. Dessa maneira, as premiações têm como obje- tivo demonstrar aos stakeholders as boas práticas sociais e ambientais. A seguir, você conhecerá alguns prêmios importantes na área de sustentabilidade. PRÊMIO INOVAÇÃO EM SUSTENTABILIDADE O Instituto Ethos e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) têm editais para que empresas e ONGs possam apresen- tar inovações em sustentabilidade. Para concorrer ao prêmio, sustentabilidade é entendida como a busca pela harmonia entre os três pilares: equilíbrio ambiental, justiça social e viabilidade econômica. Dessa maneira, o prêmio será dado àquela que tiver uma alternativa economicamente viável, ambientalmente equilibrada e socialmente inclusiva que esteja em uso, nos temas: De- senvolvimento de Cadeia de Valor, Educação, Meio Ambiente, Saúde e Tecnologia da Informação (INSTITUTO ETHOS, 2018, on-line)8. De acordo com o Instituto Ethos (2018, on-line)9, podem concorrer ao Prêmio Inovação em Sustentabilidade pessoas e organizações, desde que estabelecidas no Brasil, dentre: AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E180 ■ Associações comunitárias. ■ Empreendedores sociais. ■ Institutos de pesquisa. ■ Micro e pequenas empresas. ■ ONGs. ■ Universidades. Os temas estão apresentadas no Quadro 2. Quadro 2 - Temas e objetivos a que as empresas podem concorrer às premiações em sustentabilidade TEMAS OBJETIVOS Desenvolvimento de cadeia de valor Apoiar expansão de projetos. Educação Estimular parcerias futuras entre empresas e ONGs; encorajar pesquisa em sustentabilidade; estimular o desenvolvimento de culturas alinhadas com o desenvolvimento sustentável. Meio ambiente Reconhecer esforços em Responsabilidade Socioambiental de sucesso e destaque. Saúde Estimular abordagem preventiva em questões de saúde; estimular ações de ampliação de acesso ao serviço de saúde. Tecnologia da Infor- mação Documentar estes esforços e apoiar sua disseminação; demonstrar como a TI está auxiliando projetos sustentáveis. Fonte: Instituto Ethos (2018, on-line)9. PRÊMIO OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ODS BRASIL Trata-se de iniciativas brasileiraspara apoiar o cumprimento dos ODS, da Caso você tenha interesse em saber mais sobre o prêmio Inovação e Susten- tabilidade, acesse o regulamento: <https://ethos.org.br/PremioInovacaoemSustentabilidade/PDFs/Portu- gues_PREMIOINOVACAOOEMSUSTENTABILIDADE_RegulamentointegralFI- NAL.pdf>. Fonte: as autoras. Premiações na Área de Sustentabilidade Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 Organização das Nações Unidas (ONU), sendo promovida pela Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria de Governo da Presidência da República. A pre- miação é voltada a governos, organizações da sociedade civil e instituições de ensino, pesquisa e extensão que desenvolvam projetos que contribuam para melhorar con- dições sociais, ambientais, econômicas e institucionais (BRASIL, 2018, on-line)10. Como participar? Cada instituição pode se inscrever com até três ações replicáveis; os melhores projetos serão apresentados em um banco de práticas que servirão de referência para implementação e disseminação da Agenda 2030. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) integra a Comissão Nacional para os ODS, que tem a missão de estruturar a agenda brasileira a partir da agenda global proposta pela ONU. Até 2030, o Brasil se comprometeu a alcançar os 17 objetivos de desen- volvimento sustentável e suas 169 metas que buscam erradicar a pobreza e a fome, reduzir as desigualdades, combater a mudança climática, pro- mover o crescimento econômico inclusivo, entre outras (BRASIL, 2018, on-line)10. PRÊMIO SUSTENTABILIDADE - FECOMÉRCIO Podem participar do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade quaisquer tipos de organizações que tenham o pilar em evolução e sustentabilidade e, como obje- tivo principal, estimular a prática dos ODS. Apresentamos para você alguns prêmios na área de sustentabilidade e incen- tivo aos desafios do ODS, mas é importante lembrar que esses prêmios não se esgotam por aqui; para participar, basta ler os editais e ver se sua organização se encaixa dentro das categorias analisadas. É uma boa maneira de as empresas demonstrarem suas práticas sustentáveis, concorda? Para saber sobre o regulamento do prêmio ODS Brasil, acesse: <http://www4.planalto.gov.br/ods/menu-de-relevancia/premio-ods-brasil-1/ regulamento-premio-ods-brasil>. Fonte: as autoras. AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E182 CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos nossa unidade estudando as demonstrações de investimentos na área ambiental e social, pois as empresas que fazem esses investimentos podem mostrar para os stakeholders e para sociedade suas práticas, que existem muitas empresas em processo de apredizagem e que já têm essas práticas implementadas. Vimos também que as empresas têm verificado que a sociedade está cada vez mais exigente com as aplicações de natureza ambiental, assim, estão asso- ciados os dados contábeis e financeiros a balanços sociais. Estudamos os instrumentos: Balanço social; Demonstração do Valor Adicionado (DVA); Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 15 (NBC T 15) e Relato Integrado. Vimos que esses demonstrativos de natureza ambiental e social possibilitam a organização: comprar períodos diferentes, divulgar as ações das empresas, fazer comparações a vários segmentos, prestar contas aos stakeholders. Sobre a importância do balanço social, falamos de seu intuito de comuni- car as informações para atender à necessidade de quem está interessado e que, embora tenha fundamentos e princípios na contabilidade, pode ser aplicado para informações de cunho social. Dentre os principais modelos, falamos sobre o Ibase, que é modelo proposto pelo sociólogo Betinho, de cunho social, e é uma planilha que pode ser preenchida de forma simplificada (modelo já existente) sem a necessidade de um conheci- mento aprofundado na área contábil; podemos, com ela, visualizar facilmente o que foi aplicado. O modelo GRI também está disponível em um formulário online como um modelo que as organizações possam seguir. Finalizamos nossos estudos dizendo que outra maneira de as organizações demonstrarem os resultados de suas ações sustentáveis é por meio da partici- pação de premiações na área sustentável, o que gera maior notoriedade perante a sociedade. 183 1. Cada vez mais as organizações estão comprometidas com a questão ambiental e social, precisando de ética, transparência e compromisso ambiental/social. Assim, tem-se os balanços sociais. Diante disso, qual objetivo do balanço social? 2. Um prêmio na área de sustentabilidade pode dar reconhecimento e exposição para qualquer organização de qualquer porte, e também pode ser um argu- mento para alavancar uma empresa. Mediante o exposto, explique qual o ob- jetivo de um prêmio com o tema sustentabilidade. 3. As Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC) constituem-se em um conjunto de regras e procedimentos de conduta que devem ser observados como re- quisitos para o exercício da profissão contábil. Diante disso, cite os principais tópicos da NBC T 15. 4. Lançado nos anos 90, o Balanço Social Ibase tem como principal função tornar pública a responsabilidade social empresarial, construindo maiores vínculos entre a empresa, a sociedade e o meio ambiente. Diante disso, explique a for- ma do modelo Ibase. 5. A GRI é uma organização internacional que ajuda empresas, governos e outras instituições a compreender e a comunicar o impacto dos negócios em ques- tões críticas de sustentabilidade. Mudanças climáticas, direitos humanos e problemas de corrupção são algumas dessas questões (CBDES, 2018, on-line)11. Diante disso, cite os principais motivos pelos quais as organizações buscam a implementação do relatório dentro dos padrões GRI. 184 Práticas sustentáveis viram vantagens para empresas e meio ambiente Podemos perceber que algumas práticas são vantajosas para as empresas, dessa forma engana-se quem acha que adotar medidas mais ecológicas é apenas uma maneira de proteger o meio ambiente, objetivando unicamente a qualidade de vida de gerações futuras. É claro, esses motivos devem ser uma grande motivação, mas, além disso, a sus- tentabilidade visa à redução de custos de produção e do valor final dos produtos e, prin- cipalmente, ao fortalecimento da marca. O impacto ambiental provocado pela ação industrial é, atualmente, uma pauta recor- rente, assim como a busca por atitudes que evitem ou ajudem a reduzir as suas conse- quências. Dados mostram efeitos da falta de consciência ambiental refletindo-se, por exemplo, na crise hídrica que assola o país desde 2014, chegando a reduzir hoje o vo- lume da principal barragem que abastece o Distrito Federal a 20% da sua capacidade. Beleza sustentável Atualmente, o número de consumidores conscientes que buscam por empresas de al- guma forma sustentáveis é grande, o que indica a preocupação crescente em relação ao bem-estar, à qualidade dos produtos e ao cuidado com o meio ambiente. Como conse- quência, importantes mudanças vêm ocorrendo mundialmente na forma como as em- presas concebem e incorporam princípios de sustentabilidade em seus negócios. Inicialmente, esse conceito estava relacionado à produção das indústrias; agora, ocorre a ampliação do tema para todas as áreas da sociedade. Desta consciência sustentável surgiu, então, uma nova maneira de cuidar da aparência e da estética: o universo de beleza “verde” ou Beleza Sustentável. Os consumidores desse tipo de empreendimento buscam cuidar do corpo, da alma e, principalmente, do planeta. Ações adotadaspor salões sustentáveis são desde a insta- lação de painéis solares até a utilização somente de produtos não testados em animais. Uma pesquisa realizada pelo Datafolha revelou que 41% dos brasileiros “discordam ple- namente” dos testes. Fonte: Sebrae (2018, on-line)12. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Balanço Social e o Relatório da Sustentabilidade João Eduardo Prudêncio Tinoco Editora: Atlas Sinopse: o livro objetiva, estruturalmente, estudar, evidenciar e dar transparência aos aspectos econômicos, sociais, ambientais e de responsabilidade pública que dizem respeito às atividades desempenhadas pelas entidades econômicas. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11638.htm>. Acesso em: 10 maio 2019. CFC. Conselho Federal de Contabilidade. Resolução CFC n. 1.003/04. Aprova a NBC T 15. Disponível em: <www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1003.doc>. Acesso em: 10 maio 2019. FECOMÉRCIO. Prêmio Sustentabilidade. Fecomércio [online], [s. d.]. Disponível em: <http://www.fecomercio.com.br/premio/sustentabilidade/regulamento>. Acesso em: 10 maio 2019. INSTITUTO ETHOS. Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis. Instituto Ethos [online], [s. d.]. Disponível em: <https://www3.ethos.org.br/conteu- do/indicadores/#.W6enJv-ZReUk>. Acesso em: 10 maio 2019. KROETZ, C. E. S. Balanço social: teoria e prática. São Paulo Atlas, 2000. SANTOS, F. A. Ética Empresarial: Políticas de Responsabilidade Social em 5 Dimen- sões. São Paulo: Atlas, 2015. TERMIGNONI, L. D. F. Framework de Sustentabilidade para Instituições de Ensi- no Superior Comunitária. 2012. 145f. Dissertação (Mestrado em Administração e Negócios) - Faculdade de Administração, Contabilidade e Economia, Pontifícia Uni- versidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. TINOCO, J. E. P. Balanço social e o relatório de sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2010. TORRES, C. Responsabilidade social das empresas (RSE) e balanço social no Brasil. In: SILVA, C. A. T.; FREIRE, F. S. (Orgs.). Balanço social: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2001. VALLAEYS, F. Definir la responsabilidad social. Una urgencia filosófica. In: DEL ÁGUI- -LA, L. (Ed.). Ética de la gestión desarrollo y responsabilidad social. Lima: Pontifi- cia Universidad Católica del Perú, 2014. p. 133-148. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS 187 REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <http://ibase.br/pt/balanco-social/>. Acesso em: 10 maio 2019. 2 Em: <www.theiirc.org>. Acesso em: 10 maio 2019. 3 Em: <http://www.ibase.br/userimages/BS_7.pdf>. Acesso em: 10 maio 2019. 4 Em: <http://www.intedya.pt/internacional/175/noticia-o-que-e-global-reporting- -initiative-gri.html>. Acesso em: 10 maio 2019. 5 Em: <http://cebds.org/blog/o-que-e-gri/#.W6oZH3tKi00>. Acesso em: 10 maio 2019. 6 Em: <https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos15/20622202.pdf>. Acesso em: 10 maio 2019. 7 Em: <http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2014/indicadores-ethos-orien- tam-sobre-negocios>. Acesso em: 10 maio 2019. 8 Em: <https://www3.ethos.org.br/conteudo/indicadores/#.W6enJvZReUk>. Acesso em: 10 maio 2019. 9 Em: <https://ethos.org.br/PremioInovacaoemSustentabilidade/PDFs/Portugues_ PREMIOINOVACAOOEMSUSTENTABILIDADE_RegulamentointegralFINAL.pdf>. Acesso em: 10 maio 2019. 10 Em: <http://www4.planalto.gov.br/ods/menu-de-relevancia/premio-ods-bra- sil-1/regulamento-premio-ods-brasil>. Acesso em: 10 maio 2019. 11 Em: <http://cebds.org/blog/o-que-e-gri/#.XBbfNuJ7mUk>. Acesso em: 10 maio 2019. 12 Em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/praticas-sustenta- veis-viram-vantagens-para-empresas-e-meio-ambiente,5adaa7deccc0c510VgnV- CM1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 10 maio 2019. GABARITO 1. O Balanço Social ou Relatório de Sustentabilidade refere-se a um conjunto de in- formações que demonstram a realidade na qual as empresas estão relacionadas e que tem por intuito descrever a situação econômica, social e ambiental de uma entidade (empresa, governos, ONGs), em que são mostrados esse relacionamen- to com a comunidade, bem como o resultado de sua responsabilidade social. 2. Uma empresa, quando concorre a um prêmio com o tema voltado para a susten- tabilidade, tem como objetivo incentivar os investimentos e ações na área sus- tentável, apresentando à comunidade as ações que são realizadas pela empresa; assim, há um fortalecimento da marca no mercado e um diferencial. 3. Divididos em quatro tópicos, a saber: • A geração e a distribuição de riqueza. • Os recursos humanos. • A interação da entidade com o ambiente externo. • A interação com o meio ambiente. 4. O modelo do balanço Ibase tem uma forma de uma planilha, na qual traz infor- mações sobre a folha de pagamento dos colaboradores, gastos com encargos sociais, participação nos lucros, detalhes com despesas de controle ambientais e investimentos sociais externos em várias áreas, tais como: educação, cultura, saúde, entre outras. 5. Os principais motivos para uma empresa ou organização manter-se nos padrões GRI são por demonstrar compromisso com os impactos ambientais e sociais; ter transparência nas relações; para obter maior participação em mercados compe- titivos, pelo planejamento de atividades, tornando-se uma empresa mais sus- tentável e posicionada, assim como para seguir as legislações vigentes. GABARITO CONCLUSÃO 189 Caro(a) aluno(a), em nossa disciplina de Sustentabilidade e Responsabilidade Social, que teve como intuito apresentar a importância da sustentabilidade e da responsa- bilidade social, entre várias áreas do conhecimento, estudamos, em cinco unidades, muitos conceitos, bem como exemplos de Responsabilidade Social. Para isso, iniciamos nossos estudos abordando o desenvolvimento sustentável como novo modelo, fazendo uma breve introdução dos problemas ambientais que ocorreram no decorrer dos anos. Falamos sobre o Relatório Brundtland ou Nosso Fu- turo Comum, que trouxe o conceito de Desenvolvimento Sustentável, abordamos o tripé da sustentabilidade: econômico, ambiental e social e, em seguida, discutimos as cinco dimensões da sustentabilidade: social; econômica; ecológica; espacial (ou geográfica) e cultural. Nesse início, também apresentamos a você os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Dando continuidade à nossa discussão, abordamos os modelos de sustentabilidade aplicáveis às empresas, em que apresentamos a importância das organizações, da gestão ambiental empresarial, da relação com a sustentabilidade econômica, e a Responsabilidade Social Ambiental. Em seguida, discutimos a questão do marketing verde, diferenciando esse conceito das práticas de greenwashing ou lavagem verde. Falamos sobre a importância das certificações de responsabilidade social, em que tratamos da norma internacional ISO 26000, não certificável e que traz recomendações importantes na área de Res- ponsabilidade Social. Também falamos sobre a NBR 16001, que é a norma Brasileira de Responsabilidade Social, é certificável e pode ser aplicável a qualquer tipo de organização, desde que a empresa atenda aos requisitos propostos pela norma. Sobre a dimensão da Responsabilidade Social, abordamos a questão da ética e das práticas inclusivas dentro das organizações, e finalizamos nossos estudos com as auditorias e modelos de divulgações de ações sustentáveis, em que apresentamos a você alguns tipos de balanços sociais e de premiações referentes à sustentabilidade. Esperamos ter contribuído para seu crescimento como profissional na área de Sus- tentabilidade e ResponsabilidadeSocial, e que o conhecimento adquirido neste material ajude você a se destacar no mercado de trabalho. Até a próxima oportunidade! Grande abraço! CONCLUSÃO ANOTAÇÕES ANOTAÇÕES 191 ANOTAÇÕES h.ppyellxvnfmz UNIDADE I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO UM NOVO MODELO Introdução Dinâmicas Fundamentais do Crescimento Populacional e o Uso Sustentável de Recursos Naturais Nosso Futuro Comum - Relatório Brundtland Objetivos do Desenvolvimento Sustentável Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE II EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE Introdução Modelos de Sustentabilidade Empresarial Empresas e a Sustentabilidade Econômica RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE III MARKETING VERDE, SUSTENTABILIDADE E CERTIFICAÇÃO Introdução Marketing Verde Normas e Certificações Voltadas à Responsabilidade Social NBR 16001: A Norma Brasileira de Gestão da Responsabilidade Social Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE IV DIMENSÕES DA RESPONSABILIDADE SOCIAL Introdução Dimensões da Responsabilidade Social Empresarial Dimensões da Ética Empresarial Políticas de Inclusão e Responsabilidade Social Considerações Finais Referências GABARITO UNIDADE V AUDITORIAS E MODELOS DE DIVULGAÇÕES DE AÇÕES SUSTENTÁVEIS Introdução Demonstrativos de Natureza Social e Ambiental Modelos de Balanço Social Premiações na Área de Sustentabilidade Considerações Finais Referências GABARITO Conclusão