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SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIAL_240921_215644

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<p>SUSTENTABILIDADE E</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>SOCIAL</p><p>PROFESSORES</p><p>Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>ACESSE AQUI</p><p>O SEU LIVRO</p><p>NA VERSÃO</p><p>DIGITAL!</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3620</p><p>EXPEDIENTE</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ.</p><p>Núcleo de Educação a Distância. CHATALOV, Renata Cristina de</p><p>Souza; MATOS, Natália Christina da Silva; AYRES, Wilian D’Agostini.</p><p>Sustentabilidade e Responsabilidade Social.</p><p>Renata Cristina de Souza Chatalov; Natália Christina da Silva</p><p>Matos; Wilian D’Agostini Ayres.</p><p>Maringá - PR.: UniCesumar, 2021.</p><p>184 p.</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Sustentabilidade 2. Social 3. Responsabilidade. EaD. I. Título.</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>NEAD - Núcleo de Educação a Distância</p><p>Av. Guedner, 1610, Bloco 4Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná</p><p>www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo</p><p>Luciano Santana Pereira</p><p>Projeto Gráfico e Capa</p><p>Arthur Cantareli, Jhonny Coelho</p><p>e Thayla Guimarães</p><p>Editoração</p><p>Juliana Duenha</p><p>Design Educacional</p><p>Bárbara Neves</p><p>Revisão Textual</p><p>Cindy Mayumi Okamoto Luca</p><p>Cintia Prezoto Ferreira</p><p>Ilustração</p><p>André Azevedo</p><p>Fotos</p><p>Shutterstock</p><p>CDD - 22 ed. 658.408</p><p>CIP - NBR 12899 - AACR/2</p><p>ISBN 978-65-5615-330-8</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679</p><p>DIREÇÃO UNICESUMAR</p><p>NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacional Débora</p><p>Leite Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo</p><p>Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie</p><p>Fukushima Head de Produção de Conteúdo Franklin Portela Correia Gerência de Contratos e Operações</p><p>Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos</p><p>Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel Supervisora</p><p>de Produção de Conteúdo Daniele C. Correia</p><p>Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de</p><p>Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino</p><p>de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>Neste mundo globalizado e dinâmico, nós tra-</p><p>balhamos com princípios éticos e profissiona-</p><p>lismo, não somente para oferecer educação de</p><p>qualidade, como, acima de tudo, gerar a con-</p><p>versão integral das pessoas ao conhecimento.</p><p>Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profis-</p><p>sional, emocional e espiritual.</p><p>Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com</p><p>dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje,</p><p>temos mais de 100 mil estudantes espalhados</p><p>em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais</p><p>(Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e</p><p>em mais de 500 polos de educação a distância</p><p>espalhados por todos os estados do Brasil e,</p><p>também, no exterior, com dezenas de cursos</p><p>de graduação e pós-graduação. Por ano, pro-</p><p>duzimos e revisamos 500 livros e distribuímos</p><p>mais de 500 mil exemplares. Somos reconhe-</p><p>cidos pelo MEC como uma instituição de exce-</p><p>lência, com IGC 4 por sete anos consecutivos</p><p>e estamos entre os 10 maiores grupos educa-</p><p>cionais do Brasil.</p><p>A rapidez do mundo moderno exige dos edu-</p><p>cadores soluções inteligentes para as neces-</p><p>sidades de todos. Para continuar relevante, a</p><p>instituição de educação precisa ter, pelo menos,</p><p>três virtudes: inovação, coragem e compromis-</p><p>so com a qualidade. Por isso, desenvolvemos,</p><p>para os cursos de Engenharia, metodologias ati-</p><p>vas, as quais visam reunir o melhor do ensino</p><p>presencial e a distância.</p><p>Reitor</p><p>Wilson de Matos Silva</p><p>Tudo isso para honrarmos a nossa mis-</p><p>são, que é promover a educação de qua-</p><p>lidade nas diferentes áreas do conheci-</p><p>mento, formando profissionais cidadãos</p><p>que contribuam para o desenvolvimento</p><p>de uma sociedade justa e solidária.</p><p>P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A</p><p>Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Graduada em Agronegócio pelo Centro de Ensino Superior de Maringá (2012). Espe-</p><p>cialista em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo Centro de Ensino</p><p>Superior de Maringá (2015). Mestre em Tecnologias Limpas pelo Centro de Ensino</p><p>Superior de Maringá (2018).</p><p>http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4850526Y9</p><p>Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Possui Graduação em Engenharia Ambiental e Sanitária pelo Centro Universitário Ce-</p><p>sumar. Possui graduação em Tecnologia Ambiental pelo Centro Federal de Educação</p><p>Tecnológica do Paraná. Possui especialização em Gestão Ambiental pela Faculdade</p><p>Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão - FECILCAM. Tem Mestrado em</p><p>Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá - UEM. Foi professora no</p><p>curso de graduação em Administração na Faculdade Metropolitana de Maringá. Foi</p><p>professora da disciplina de Indústria e Meio Ambiente na Pós-graduação em Gestão</p><p>Ambiental na Faculdade Metropolitana de Maringá. Professora da pós-graduação</p><p>EAD - Unicesumar. Atualmente, é coordenadora dos cursos de Gestão da Qualidade</p><p>e Tecnologia em Segurança no Trabalho na modalidade EAD - Unicesumar.</p><p>http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4400997J9</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Especia-</p><p>lista em Docência no Ensino Superior: Novas Tecnologias Educacionais e Inovação,</p><p>em Empreendedorismo e Inovação Social nas Organizações e em MBA em Coaching</p><p>Aplicado à Gestão de Pessoas pela Unicesumar. Bacharel em Relações Internacionais</p><p>pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Tem experiência acadêmica</p><p>na área de Ciência Política, com ênfase em Sociologia do Desenvolvimento e em Meio</p><p>Ambiente, atuando principalmente nos seguintes temas: conferências, participa-</p><p>ção, meio ambiente, políticas públicas e desenvolvimento sustentável. Atualmente,</p><p>é professor mediador e formador da Unicesumar, desenvolvendo atividades na</p><p>modalidade de educação a distância (EaD).</p><p>http://lattes.cnpq.br</p><p>A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A</p><p>SUSTENTABILIDADE E</p><p>RESPONSABILIDADE SOCIAL</p><p>Caro(a) aluno(a), neste material, trabalharemos o tema “sustentabilidade e a responsabilidade</p><p>social”. Tratar desse assunto, nos dias atuais, é de grande importância para a sua carreira</p><p>profissional, dada a sua relevância, independentemente da área do conhecimento.</p><p>Considerando esse aspecto, estudaremos as questões históricas vinculadas às problemáti-</p><p>cas ambientais que levaram à consolidação do conceito de desenvolvimento sustentável e o</p><p>papel da responsabilidade social nesse processo. Além disso, analisaremos as características</p><p>do gerenciamento ambiental, as suas ferramentas e o seu princípio, os quais afetam outras</p><p>áreas correlatas, tais como o marketing aplicado aos anseios da sustentabilidade.</p><p>Também conheceremos as certificações e as normas relacionadas à sustentabilidade e, prin-</p><p>cipalmente, à responsabilidade social, a qual será enfatizada, ao analisarmos as suas dimen-</p><p>sões. Por fim, entenderemos a relevância das ações sustentáveis e apresentaremos os seus</p><p>resultados por intermédio de relatórios, de balanços e de premiações. Nesse sentido, para o</p><p>desenvolvimento dos estudos elencados, esta unidade foi dividida em cinco unidades.</p><p>Na primeira unidade, o ponto de partida para os nossos estudos se dá com a necessidade</p><p>de se debater o crescimento populacional e a escassez de recursos naturais a longo prazo.</p><p>Assim, explicaremos os marcos históricos que levaram à consolidação do conceito de de-</p><p>senvolvimento sustentável enquanto uma proposta para o novo modelo econômico e social,</p><p>desde a Revolução Industrial, até chegarmos às problemáticas ambientais e à sustentabilidade</p><p>propriamente, que será trabalhada em conjunto com os seus pilares, dimensões e objetivos.</p><p>Na segunda unidade, trataremos dos aspectos empresariais acerca do meio ambiente. Para</p><p>35 cidades do estado de Minas Gerais (MG)</p><p>e trouxe consequências ambientais irreparáveis.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>45</p><p>Figura 2 - Desastre ocorrido em Mariana (MG)</p><p>Fonte: Augusto, Tomazela e Moura (2015, on-line)¹.</p><p>Figura 3 - Desastre ocorrido em Mariana (MG)</p><p>Fonte: Augusto, Tomazela e Moura (2015, on-line)¹.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>46</p><p>Já se passaram alguns anos desde o acontecimento desse desastre ambiental, mas</p><p>os seus impactos ainda não são totalmente conhecidos. Ao relacionarmos esse</p><p>acidente à nossa disciplina, podemos fazer uma reflexão: a respeito da dimensão</p><p>social, como ela foi afetada nessa tragédia? Quais foram os impactos sociais oca-</p><p>sionados por esse acidente ambiental?</p><p>A tragédia ocorrida em Mariana não ocasionou somente a morte de 19 pes-</p><p>soas, mas provocou um conjunto incalculável de prejuízos às cidades e aos po-</p><p>voados localizados às margens do rio. Assim, famílias perderam as suas casas,</p><p>milhares de pessoas tiveram o seu futuro incerto, a atividade pesqueira – fonte</p><p>de renda para muitas famílias ribeirinhas – foi comprometida e a enxurrada de</p><p>lama metálica causou assoreamento no rio, o que prejudicou o abastecimento de</p><p>água e causou a morte de peixes.</p><p>Além dos problemas sociais apresentados, será que a dimensão econômica</p><p>também foi afetada? É possível afirmar que prejuízos imensos impactam a oferta</p><p>de serviços essenciais, tais como a geração de energia, os serviços de abasteci-</p><p>mento de água, a saúde pública, o transporte, a educação, dentre outros. Também</p><p>devemos considerar os obstáculos para “tentar” recuperar a área que foi comple-</p><p>tamente degradada.</p><p>Diante do acidente acontecido em Mariana, é certo que houve um desequi-</p><p>líbrio nas dimensões ambientais, econômicas e sociais: os prejuízos são incalcu-</p><p>láveis. No entanto, infelizmente, tragédias ambientais continuam acontecendo:</p><p>três anos depois do acidente ambiental em questão, no dia 25 de janeiro de 2019,</p><p>rompeu-se uma barragem de rejeitos da empresa Vale, em Brumadinho, cidade</p><p>localizada também em Minas Gerais, que ocasionou a morte de muitas pessoas,</p><p>além de problemas ambientais.</p><p>Pelo fato de que o acidente em Brumadinho é o mais recente, os seus reflexos</p><p>são mais evidentes e presentes do que os de Mariana. O Córrego do Feijão, o qual</p><p>foi impactado ambientalmente por esse acidente, tem passado por uma revitaliza-</p><p>ção, mediante o projeto Território-Parque, que busca melhorar o meio ambiente</p><p>afetado pelo rompimento da barragem (VALE, 2020). Para tentar minimizar os</p><p>impactos causados, a empresa envolvida nos acidentes anteriores tem realizado</p><p>um reforço nas barragens que compõem o sistema de mineração local. Também</p><p>foi inaugurado um sistema de alarmes sonoros nos locais de habitação próximos</p><p>às áreas de mineração e, em agosto de 2020, foram retomadas as buscas pelos</p><p>desaparecidos na tragédia de Brumadinho (VALE, 2020).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>47</p><p>A industrialização e o desenvolvimento sustentável</p><p>Quando relacionamos a responsabilidade social à sustentabilidade, devemos</p><p>refletir sobre o papel que as organizações devem assumir para a construção de</p><p>uma sociedade mais sustentável. Desse modo, como vincular o processo de in-</p><p>dustrialização às formas sustentáveis de produção?</p><p>A industrialização agravou os problemas ambientais que ocorrem no planeta.</p><p>Esse fato é evidenciado a partir da contaminação do ar, da água e do solo, além da</p><p>ocorrência de um grande número de acidentes ambientais, tais como os expostos.</p><p>Diante disso, o setor privado brasileiro tem passado por uma releitura de seus</p><p>parâmetros de comportamento, defronte aos impulsionamentos sofridos por</p><p>eventos governamentais, como as Conferências Nacionais do Meio Ambiente</p><p>(CNMA). A quarta edição, em especial, ocorrida em 2013, defendeu a aborda-</p><p>gem de temas, como a produção, o consumo sustentável, a redução dos impactos</p><p>ambientais e a geração de trabalho, emprego e renda, os quais estão diretamente</p><p>vinculados ao papel da indústria e do comércio nacional (AYRES, 2018).</p><p>As empresas sustentáveis buscam modificar os seus processos produtivos e</p><p>esse tipo de mudança implica na fabricação de produtos que não causam impac-</p><p>tos ambientais. Em 1998, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou</p><p>a Declaração de Princípios da Indústria para o Desenvolvimento Sustentável</p><p>(CNI, 2002) e promoveu a divulgação da relação entre a economia e a questão</p><p>ambiental com o público empresarial. Os princípios defendidos pela CNI podem</p><p>ser visualizados na figura a seguir:</p><p>Os impactos ambientais gerados por acidentes, como os apresentados, ge-</p><p>ram inúmeros reflexos na saúde pública, em detrimento do aumento de</p><p>doenças provenientes do desequilíbrio ecológico. Para saber mais, acesse</p><p>o QR Code ao lado.</p><p>conecte-se</p><p>http://www.greenpeace.org.br/hubfs/Campanhas/Agua_Para_Quem/documentos/RelatorioGreenpeace_saude_RioDoce.pdf</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>48</p><p>DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA INDÚSTRIA PARA O</p><p>DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>1. Promover a efetiva participação pró-ativa do setor industrial, em conjunto</p><p>com a sociedade, os parlamentares, o governo e as organizações não go-</p><p>vernamentais no sentido de desenvolver e aperfeiçoar leis, regulamentos</p><p>e padrões ambientais.</p><p>2. Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade, em relação aos assun-</p><p>tos ambientais.</p><p>3. Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os</p><p>conceitos de desenvolvimento sustentável e o uso racional dos recursos</p><p>naturais e de energia.</p><p>4. Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de ge-</p><p>renciamento ambiental, saúde e segurança do trabalho nas empresas.</p><p>5. Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros</p><p>ambientais nas empresas. Antecipar a análise e os estudos das questões</p><p>que possam causar problemas ao meio ambiente e à saúde humana,</p><p>bem como implementar ações apropriadas para proteger o meio am-</p><p>biente.</p><p>6. Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e perma-</p><p>nente dos trabalhadores, bem como a importância do comprometimen-</p><p>to da supervisão nas empresas, assegurando que esses trabalhadores</p><p>tenham o conhecimento e o treinamento necessários em relação às</p><p>questões ambientais.</p><p>7. Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o</p><p>objetivo de reduzir ou eliminar impactos adversos ao meio ambiente e à</p><p>saúde da comunidade.</p><p>8. Estimular o relacionamento e as parcerias do setor privado com o gover-</p><p>no e com a sociedade, na busca do desenvolvimento sustentável, bem</p><p>como da melhoria contínua dos processos de comunicação.</p><p>9. Estimular as lideranças empresariais a agirem permanentemente junto à</p><p>sociedade com relação aos assuntos ambientais.</p><p>10. Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços</p><p>que não produzam impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde</p><p>da comunidade.</p><p>11. Promover a máxima divulgação e o conhecimento da Agenda 21 e esti-</p><p>mular sua implementação.</p><p>Figura 4 - Declaração de princípios da indústria para o desenvolvimento sustentável</p><p>Fonte: CNI (2002, p. 24).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>49</p><p>No início dos anos 90, a Câmara de Comércio Internacional (CCI), na busca por</p><p>ações prioritárias para atingir o desenvolvimento sustentável, publicou a cha-</p><p>mada “Carta de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável”, que apresentava</p><p>16 princípios que direcionavam as estratégias de negócios voltadas à proteção</p><p>ambiental.</p><p>De acordo com Dias (2017), a carta foi estruturada, a fim de propiciar um</p><p>olhar analítico sobre o tema para as organizações. Os seus princípios são apre-</p><p>sentados a seguir:</p><p>1. Prioridade organizacional: estabelece políticas, programas e práticas ao</p><p>desenvolvimento das operações voltadas a questão ambiental.</p><p>2. Gestão integrada: tem como intuito integrar programas e práticas ambien-</p><p>tais aos negócios.</p><p>3. Processos de melhoria: visa à melhoria contínua no que diz respeito às</p><p>questões ambientais.</p><p>4. Educação do pessoal: trata-se do treinamento e da motivação.</p><p>5. Prioridade de enfoque: considera as repercussões ambientais antes de ini-</p><p>ciar uma nova atividade ou projeto e antes da instalação de novos equipa-</p><p>mentos ou do abandono de alguma unidade produtiva.</p><p>6. Produtos e serviços: considera que produtos e/ou serviços não devem ser</p><p>agressivos ao meio ambiente. Além disso, defende o uso consciente da ma-</p><p>téria-prima e da energia.</p><p>O comportamento das organizações, sejam públicas, sejam privadas, refletem o pensa-</p><p>mento e o comportamento ético difundidos pela comunidade. Dessa forma, a maneira</p><p>como as empresas exploram o meio ambiente representa o seu caráter socialmente res-</p><p>ponsável enquanto um membro da sociedade.</p><p>pensando juntos</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>50</p><p>7. Orientação ao consumidor: caso haja necessidade, é preciso orientar e edu-</p><p>car os consumidores e o público em geral.</p><p>8. Equipamentos e operacionalização: deve-se projetar os equipamentos por</p><p>meio do uso consciente da água, da energia e da matéria-prima, com o intuito</p><p>de minimizar os impactos ambientais.</p><p>9. Pesquisa: visa ao apoio aos projetos de pesquisas que estudam os impactos</p><p>ambientais das matérias-primas, dos produtos, dos processos, das emissões</p><p>e dos resíduos associados ao processo produtivo da empresa.</p><p>10. Enfoque preventivo: reflete sobre formas preventivas em relação ao meio</p><p>ambiente.</p><p>11. Fornecedores e subcontratados: defende que os contratados também te-</p><p>nham a sensibilização ambiental.</p><p>12. Planos de emergência: em áreas consideradas de risco potencial, é preciso</p><p>desenvolver e manter procedimentos e planos de emergência.</p><p>13. Transferência de tecnologia: visa à contribuição e à disseminação de tec-</p><p>nologias amigáveis ao meio ambiente.</p><p>14. Contribuição ao esforço comum: objetiva o desenvolvimento de políticas</p><p>públicas e privadas aos programas governamentais e às iniciativas educacio-</p><p>nais com enfoque prevencionista quanto às questões ambientais.</p><p>15. Transparência de atitude: propaga a transparência e o diálogo com a co-</p><p>munidade interna e externa.</p><p>16. Atendimento e divulgação: defende a aferição da performance ambien-</p><p>tal. Quando necessário, deve-se realizar as auditorias ambientais regulares</p><p>e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na</p><p>legislação. Também é pertinente promover informações apropriadas à alta</p><p>administração, aos acionistas, aos empregados, às autoridades e ao público</p><p>em geral.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>51</p><p>Além disso, de acordo com Barbieri (2016), as instituições podem lidar de dife-</p><p>rentes maneiras com os problemas ambientais relacionados às suas atividades.</p><p>Existem três formas de estratégia empresarial: o controle da poluição, a prevenção</p><p>da poluição e a incorporação dessas questões às estratégias empresariais. As suas</p><p>características são encontradas no quadro a seguir:</p><p>Características</p><p>Controle da</p><p>População</p><p>Prevenção da</p><p>Poluição</p><p>Estratégica</p><p>Preocupação</p><p>básica</p><p>Cumprimeiro da</p><p>legislação e respos-</p><p>tas às pressões da</p><p>comunidade.</p><p>Uso eficiente</p><p>dos insumos.</p><p>Competitivi-</p><p>dade.</p><p>Postura típica Reativa.</p><p>Reativa e</p><p>proativa.</p><p>Reativa e</p><p>proativa.</p><p>Ações típicas</p><p>• Corretivas.</p><p>• Uso de tecnologias</p><p>de remediação</p><p>e de controle no</p><p>final do processo</p><p>(end-of-pipe).</p><p>• Aplicação de</p><p>normas de saúde</p><p>e segurança do</p><p>trabalho.</p><p>• Corretivas e</p><p>preventivas.</p><p>• Conservação</p><p>e substi-</p><p>tuição de</p><p>insumos.</p><p>• Uso de</p><p>tecnologias</p><p>limpas.</p><p>• Corretivas,</p><p>preventi-</p><p>vas e ante-</p><p>cipatórias.</p><p>• Anteci-</p><p>pação de</p><p>problemas</p><p>e captura</p><p>de opor-</p><p>tunidades</p><p>em médio</p><p>e longo</p><p>prazos.</p><p>Percepção dos</p><p>empresários e</p><p>administradores</p><p>Custo adicional.</p><p>Redução do</p><p>custo.</p><p>Aumento de</p><p>produtividade.</p><p>Vantagens</p><p>competitivas.</p><p>Envolvimento</p><p>da alta adminis-</p><p>tração</p><p>Esporádico. Periódico.</p><p>Permanente</p><p>e sistemático.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>52</p><p>Áreas envolvidas</p><p>Ações ambientais</p><p>nas áreas geradoras</p><p>de poluição.</p><p>Crescente</p><p>envolvimen-</p><p>to de outras</p><p>áreas como</p><p>produção,</p><p>compras, de-</p><p>senvolvimento</p><p>de produto e</p><p>marketing.</p><p>Atividades</p><p>ambientais</p><p>disseminadas</p><p>pela organi-</p><p>zação.</p><p>Ampliação</p><p>das ações</p><p>ambientais</p><p>para a cadeia</p><p>de suprimen-</p><p>to.</p><p>Quadro 1 - Abordagens da gestão ambiental empresarial</p><p>Fonte: Barbieri (2016, p. 86).</p><p>Assim, as organizações devem estar cientes de que os seus produtos não são de sua</p><p>responsabilidade somente antes da saída da empresa. A instituição é a responsável</p><p>por suas mercadorias durante todo o processo, do berço ao berço, ou seja, desde</p><p>o planejamento, o uso, o descarte e o retorno ao processo produtivo.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>53</p><p>Sabemos que o conceito apresentado pelo tripé da sustentabilidade possui três</p><p>vertentes básicas: a econômica, a ambiental e a social. A dimensão econômica</p><p>atinge as organizações de todos os setores, já que todas precisam ser rentáveis,</p><p>para que as suas atividades sejam viáveis e, consequentemente, sustentáveis. As-</p><p>sim, é indiscutível que uma empresa de qualquer porte ou setor da economia pre-</p><p>cisa ser economicamente sustentável para atingir a sua permanência no mercado.</p><p>Entretanto, é necessário que as organizações pensem e repensem em suas</p><p>formas de produzir os seus bens e oferecer os seus serviços. Tudo isso, a fim de que</p><p>prezem pelos recursos da terra, ao contrário de visarem somente à lucratividade</p><p>empresarial em um curto espaço de tempo. Para Mendes (2009), a sustentabili-</p><p>dade econômica vai além do acúmulo de riquezas, mas contempla a geração de</p><p>trabalho de forma digna, o que possibilita a distribuição de renda, promove o</p><p>desenvolvimento das potencialidades locais e a diversificação de setores.</p><p>Portanto:</p><p>“ A sustentabilidade econômica só é alcançada por organizações que</p><p>trazem uma melhor alocação e gerenciamento dos recursos, com</p><p>um fluxo regular de investimentos conjuntos dos setores público,</p><p>privado e social, sendo que os três devem ter em mente que a eco-</p><p>nomia eficiente é aquela na qual o desenvolvimento de todos segue</p><p>2</p><p>AS EMPRESAS E A</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>econômica</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>54</p><p>no mesmo ritmo, diminuindo as diferenças econômicas e de acesso</p><p>a bens e serviços (MENDES, 2009, p. 21).</p><p>Dessa forma, a sustentabilidade econômica está relacionada com a distribuição</p><p>eficiente de recursos naturais dentro de uma escala apropriada. Nessa categoria,</p><p>a análise de mundo não se dá apenas em termos de estoques e fluxos de capitais,</p><p>mas também considera os aspectos sociais e ambientais. Muitos economistas</p><p>associam a sustentabilidade com a carteira de investimentos, a qual busca maxi-</p><p>mizar o retorno, mas mantendo o capital constante. Essa associação vale para a</p><p>sustentabilidade econômica: como explorar menos recursos naturais e aumentar</p><p>a lucratividade nas vendas?</p><p>Diante das problemáticas expostas:</p><p>“ [...] algumas linhas teóricas divergem sobre como manter a quanti-</p><p>dade de capital na Terra, já que alguns teóricos e economistas têm</p><p>em mente que a variação de certas quantidades de recursos naturais</p><p>podem ser compensadas pela variação de outros recursos, apenas ga-</p><p>rantindo que o estoque total se mantenha (CONSULIN, 2013, p. 34).</p><p>De qualquer maneira, economicamente, a organização precisa saber como ma-</p><p>ximizar o uso dos recursos naturais que estão disponíveis, de forma sustentável,</p><p>além de respeitar a comunidade ao seu redor. Essa atitude, de fato, corresponde</p><p>ao pensar constante no modo de maximização de seus lucros sem colocar os seus</p><p>ativos em risco. Para Foladori (2002), a análise da sustentabilidade econômica é</p><p>mais complexa do que a da sustentabilidade ambiental, já que, para o capitalismo,</p><p>o crescimento econômico não é limitado, uma vez que a economia está ligada</p><p>aos recursos naturais do planeta, os quais são finitos.</p><p>A sustentabilidade econômica é um conjunto de práticas econômicas, financeiras e admi-</p><p>nistrativas que visam ao desenvolvimento econômico de um país ou uma empresa, mas</p><p>preservando o meio ambiente e garantindo a manutenção dos recursos naturais para as</p><p>futuras gerações.</p><p>Fonte: Sebrae (2017).</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>55</p><p>Dois modelos de economia: a neoclássica e a</p><p>ecológica</p><p>A economia é um dos aspectos de maior relevância no alcance de resultados</p><p>consideráveis</p><p>no desenvolvimento sustentável. Contudo, quais são as mudanças</p><p>necessárias para que a economia adquira padrões sustentáveis? Para Romeiro</p><p>(2018, p. 17), “uma economia da sustentabilidade é um problema de alocação</p><p>intertemporal de recursos entre consumo e investimento por agentes econômi-</p><p>cos racionais, cujas motivações são maximizadoras de utilidade”. Dessa forma, a</p><p>relação entre os recursos e os seus usos eficientes não inclui apenas a finalidade</p><p>a ser alcançada, mas também as formas de se alcançar determinada meta.</p><p>Seguindo essas premissas, o desenvolvimento sustentável só será alcança-</p><p>do mediante às perspectivas teóricas que incluam o meio ambiente, a cultura, a</p><p>ética e a sociedade em conjunto com a perspectiva econômica. Além disso, esse</p><p>processo deve ser baseado em ações coletivas, e não individuais (CONSULIN,</p><p>2013). Em decorrência disso, surgem duas frentes teóricas que visam explicar essa</p><p>distribuição intertemporal de recursos finitos: a economia convencional (neo-</p><p>clássica), também chamada de “sustentabilidade fraca”, e a economia ecológica,</p><p>também conhecida como “sustentabilidade forte”.</p><p>Segundo Veiga (2010), a economia convencional analisa a economia como</p><p>um todo, um sistema fechado, e considera o meio ambiente como parte ou setor</p><p>da macroeconomia. Nesse sentido, a economia convencional entende o meio am-</p><p>biente como um setor turístico, mineral ou agropecuário, por exemplo. Portanto,</p><p>sob essa perspectiva, os recursos naturais não são considerados limites para a</p><p>expansão da economia. Para Romeiro (2018), o fato de o sistema econômico ser</p><p>muito grande permite que os recursos naturais sejam apenas restrições relativas,</p><p>as quais são superadas pelo avanço científico e tecnológico:</p><p>“ Esse avanço seria capaz de fazer outros recursos utilizáveis possuí-</p><p>rem a mesma finalidade que os recursos em extinção tinham, por</p><p>enxergarem que os recursos naturais fossem substituíveis, ficou co-</p><p>nhecida como sustentabilidade fraca. A Economia Ecológica pensa</p><p>diferente sobre a não restrição econômica dos recursos naturais</p><p>(CONSULIN, 2013, p. 47).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>56</p><p>Além do mais, a macroeconomia é compreendida dentro de um sistema maior,</p><p>porém, finito, e com entradas e saídas para a realização de trocas com outros</p><p>sistemas, como é o caso do meio ambiente, que recebe a matéria-prima e devolve</p><p>os resíduos descartados após o uso do produto ou ao término de um processo</p><p>produtivo. Essa visão foi concebida como sustentabilidade forte, visto que cons-</p><p>tatou a relação entre o capital construído e o capital natural (VEIGA, 2010).</p><p>Para os adeptos da sustentabilidade forte, a possibilidade de as gerações futu-</p><p>ras exercerem as suas atividades está relacionada com as atividades econômicas</p><p>das gerações atuais, dado que os processos produtivos utilizam os recursos na-</p><p>turais energéticos e finitos e causam efeitos prejudiciais ao meio ambiente, por</p><p>meio da poluição.</p><p>Outra diferença entre a economia convencional, também chamada de neo-</p><p>clássica, e a economia ecológica é o fato de que, na primeira, o crescimento eco-</p><p>nômico é medido exclusivamente pelo PIB. Em contrapartida, na segunda, ques-</p><p>tiona-se essa medida, a qual avalia o crescimento apenas em números monetários.</p><p>Para entendermos melhor as diferenças entre ambos os tipos de economia,</p><p>analisemos o quadro a seguir:</p><p>ECONOMIA</p><p>CONVENCIONAL</p><p>ECONOMIA</p><p>ECOLÓGICA</p><p>Sustentabilidade Fraca Forte</p><p>Sistema Econômico Fechado Aberto</p><p>Recursos Naturais</p><p>• Compreendidos</p><p>como setores da</p><p>economia. São</p><p>exemplos: agricultu-</p><p>ra, mineral, ecoturis-</p><p>mo, pecuário, entre</p><p>outros.</p><p>• Há restrições relati-</p><p>vas ao crescimento,</p><p>pois podem ser su-</p><p>peradas pelo avanço</p><p>tecnológico.</p><p>• Não há fator limi-</p><p>tante.</p><p>• Compreendidos</p><p>como restrições ao</p><p>sistema econômico.</p><p>• O fator escassez</p><p>é limitante para a</p><p>produção, basea-</p><p>do na relação de</p><p>complementaridade</p><p>entre os recursos</p><p>naturais e os fatores</p><p>de produção.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>57</p><p>Indicador de Cresci-</p><p>mento</p><p>• Exclusivamente pelo</p><p>PIB.</p><p>• Questiona os indi-</p><p>cadores puramente</p><p>monetários.</p><p>• Defende o uso de</p><p>indicadores ambien-</p><p>tais e sociais.</p><p>Quadro 2 - Diferenças entre a economia convencional e a economia ecológica</p><p>Fonte: adaptado de Romeiro (2018) e Veiga (2010).</p><p>Economia verde</p><p>Com o passar do tempo, surgiram conceitos que são parte das estratégias de de-</p><p>senvolvimento sustentável que visam estruturar e instruir os modos de alcance</p><p>de resultados plausíveis. Esse é o caso da expressão “economia verde”. Para Motta</p><p>(2011, p. 179), o conceito de economia verde significa que:</p><p>“ [...] o crescimento econômico pode estar baseado em investimentos</p><p>em capital natural e, portanto, a estrutura da economia muda na</p><p>direção dos setores/tecnologias “verdes” ou “limpos”, que vão subs-</p><p>tituindo os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”.</p><p>Trata-se de um modelo que não considera os ecossistemas como bens econômicos</p><p>escassos e não utiliza métodos eficazes para administrar determinados recursos</p><p>naturais, como a água e o solo. Nesse contexto, a economia verde produz baixas</p><p>emissões de carbono e utiliza os recursos de forma eficiente e socialmente inclusiva.</p><p>A implantação de um modelo de economia verde tem como objetivo final</p><p>melhorar a condição de vida dos mais pobres, reduzir a desigualdade social e</p><p>evitar a destruição dos recursos naturais. Segundo Dias (2017), a proposta da</p><p>economia verde não se contrapõe ao modelo atual, na realidade, ultrapassa-o,</p><p>incorporando variáveis sociais e ambientais. Assim, é possível afirmar que a eco-</p><p>nomia verde evoluiu a economia marrom a patamares sustentáveis de produção</p><p>e de consumo.</p><p>São exemplos de ações que correspondem à economia verde:</p><p>■ Coleta seletiva dentro da empresa.</p><p>■ Fontes de energias limpas, como a solar e a eólica.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>58</p><p>■ Parceria entre a iniciativa pública e a privada para a conscientização social.</p><p>■ Substituição de equipamentos para a obtenção de maior eficiência energética.</p><p>Sustentabilidade como fator competitivo</p><p>Um dos principais questionamentos em palestras voltadas às empresas é: como</p><p>uma empresa obtém vantagem competitiva para liderar o mercado? Muitos em-</p><p>preendedores têm encontrado, na sustentabilidade, a resposta para essa e outras</p><p>perguntas. Landrum e Edwards (2009, p. 4) explicam que os “negócios que pra-</p><p>ticam a sustentabilidade melhoram suas imagens e reputação, reduzem custos e</p><p>ajudam a dinamizar a economia local”.</p><p>Quando analisamos o mercado empresarial de médio e grande porte, é per-</p><p>ceptível que a maioria das organizações já apresentam programas sustentáveis.</p><p>É certo que algumas implantações se deram apenas por imposições legais, mas a</p><p>grande parte tem apostado na sustentabilidade enquanto um fator competitivo e</p><p>de diferenciação no mercado para consolidar a sua marca e ampliar os seus clientes.</p><p>De acordo com o Sebrae (2017), enquanto fator competitivo, são vantagens</p><p>da sustentabilidade econômica:</p><p>■ Maior economia financeira em médio e longo prazos.</p><p>■ Aumento dos lucros e diminuição dos riscos, por meio do combate à poluição</p><p>e da melhoria da eficiência ambiental.</p><p>■ Melhoria da imagem perante a sociedade, principalmente aos consumidores.</p><p>■ Obtenção de ganhos indiretos, pois terão um ambiente preservado, com maior</p><p>desenvolvimento econômico, além da garantia de qualidade de vida melhor</p><p>para as gerações vindouras.</p><p>■ Vantagem competitiva no mercado, quando comparadas às suas concorrentes.</p><p>■ Conquista de novos mercados.</p><p>É importante salientar que, ainda, há estudiosos que consideram que as micro e as</p><p>pequenas empresas possuem mais vantagens em relação à adoção de mudanças</p><p>que representarão diferenciais competitivos, pois têm “capacidade de adaptação</p><p>às necessidades do mercado, já que podem tomar decisões mais rápidas do que</p><p>grandes empresas, reagindo de imediato às mudanças e às exigências do mercado</p><p>(SEBRAE, 2017, p. 9).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>59</p><p>Há uma grande pressão para que as empresas pequenas se adaptem a essa</p><p>visão originária de clientes com maior</p><p>força de mercado, isto é, as grandes in-</p><p>dústrias. Ao integrar a cadeia de suprimento dessas organizações, as micro e as</p><p>pequenas empresas não possuem outra opção a não ser se adequarem a essas</p><p>exigências do mercado, com o intuito de se tornarem competitivas.</p><p>Investimentos e custos em empresas sustentáveis</p><p>Quando uma empresa planeja os seus investimentos, precisa prever os seus custos</p><p>com treinamentos, ações, programas, equipamentos, dentre outros elementos que</p><p>permitirão a integralização da sustentabilidade no dia a dia da organização. Mui-</p><p>tos fatores têm pressionado o mundo empresarial a tomar essa atitude e alguns</p><p>deles são: a pressão dos consumidores; a necessidade da utilização de recursos de</p><p>maneira eficiente; a redução de custos; a busca pelo aumento das receitas a partir</p><p>da criação de novos produtos; dentre outros (SEBRAE, 2017).</p><p>Além da conquista de novos clientes, as organizações que demonstram a</p><p>sua sustentabilidade social, ambiental e, principalmente, econômica, também</p><p>adquirem maior facilidade na captação de recursos. Isso acontece, porque a per-</p><p>cepção dos riscos, principalmente, por parte dos investidores, é bem menor. Os</p><p>investidores já reconhecem que as instituições que possuem práticas sustentáveis</p><p>são mais lucrativas e duradouras ao longo do tempo. Não só, mas defendem que</p><p>as empresas que estão verdadeiramente comprometidas com a sustentabilidade</p><p>demonstram maior capacidade de enfrentar crises (MENDES, 2009).</p><p>Todavia, é importante que as empresas estejam cientes de que não basta sim-</p><p>plesmente destinar os recursos para as boas práticas sociais e ambientais. É ne-</p><p>cessário comprovar essas práticas de maneira palpável, séria e confiável. Assim,</p><p>dentre os possíveis indicadores que podem ser utilizados para auxiliar a organiza-</p><p>ção a elaborar o seu balanço social (documento de sistematização e comprovação</p><p>das ações realizadas), estão o Instituto Ethos, o Global Reporting Initiative (GRI)</p><p>e o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, o qual estudaremos</p><p>com detalhes posteriormente.</p><p>Diante de um cenário econômico em que há crises, incertezas e enorme con-</p><p>corrência, é imprescindível que as instituições tenham um planejamento financei-</p><p>ro, uma ferramenta fundamental para os gestores e para a sobrevivência da orga-</p><p>nização. Portanto, é preciso que as decisões referentes às práticas sustentáveis, por</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>60</p><p>parte das organizações, estejam previstas enquanto custos a serem considerados.</p><p>O Sebrae (2017) elenca alguns investimentos e custos que devem ser plane-</p><p>jados pelas organizações a partir da instituição de práticas sustentáveis, a saber:</p><p>■ Compra de novos equipamentos.</p><p>■ Aquisição de novas matérias-primas.</p><p>■ Realização de estudos de viabilidade.</p><p>■ Contratação de colaboradores e/ou consultoria.</p><p>■ Realização de projetos sociais.</p><p>■ Elaboração de materiais de comunicação e campanhas.</p><p>Ao levantar esses custos, o gestor, antes de qualquer decisão a ser tomada, precisa</p><p>obter informações precisas e confiáveis. A seguir, conheceremos alguns progra-</p><p>mas que podem ser adotados pelas organizações.</p><p>O equilíbrio financeiro não depende de quanto ganhamos, mas de como gastamos o que</p><p>ganhamos.</p><p>(Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)</p><p>pensando juntos</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>61</p><p>Ecoeficiência</p><p>A ecoeficiência defende o uso mais eficiente das matérias-primas e da ener-</p><p>gia, com o intuito de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais.</p><p>Também objetiva minimizar o risco de acidentes e melhorar a relação da orga-</p><p>nização com as partes interessadas (SEBRAE, 2017). Para melhor entender o</p><p>assunto, compreenda o cenário envolvido:</p><p>“ Nas últimas décadas, tem se comentado muito sobre ecoeficiência</p><p>e existe um incentivo para as organizações implementarem-na em</p><p>seus processos produtivos, por meio do gerenciamento sustentável</p><p>desses processos. O termo ecoeficiência foi introduzido por meio</p><p>da publicação do livro Changing Course, em 1992 (World Business</p><p>Council for Sustainable Development - WBCSD), sendo endossado</p><p>pela Conferência Rio-92. Esse conceito foi definido por gestores</p><p>ligados ao mundo dos negócios e se disseminou rapidamente no</p><p>mundo, principalmente junto a executivos (BARBIERI, 2016, p. 97).</p><p>A ecoeficiência tem como objetivo a utilização da matéria-prima e da energia de</p><p>forma consciente. Ao mesmo tempo, também preconiza a redução dos impactos</p><p>ambientais (SEBRAE, 2017) e está, de acordo com Dias (2017), relacionada a três</p><p>importantes objetivos:</p><p>1. Redução do consumo de recursos.</p><p>2. Redução dos impactos na natureza.</p><p>3. Maior aumento da produtividade e/ou do valor do produto.</p><p>Os indicadores de ecoeficiência estão sendo introduzidos aos poucos pelas or-</p><p>ganizações, na medida em que as grandes empresas estão se sensibilizando a</p><p>respeito de que um comportamento ecoeficiente reduz os impactos ambientais</p><p>e aumenta a rentabilidade de suas empresas. Além do mais, quando a instituição</p><p>busca pela ecoeficiência, também está mais protegida da ocorrência de possíveis</p><p>riscos ambientais, como a falta de água.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>62</p><p>Produção mais limpa (P + L)</p><p>A produção mais limpa, que também é conhecida como (P + L), trata-se de uma</p><p>ação contínua em uma estratégia ambiental, econômica e tecnológica, que é in-</p><p>corporada aos processos e aos produtos, com o objetivo de melhorar a eficiên-</p><p>cia da utilização das matérias-primas, da água, dos recursos, dentre outros. Isso</p><p>ocorre por meio da seguinte ordem: não geração de resíduos e, caso seja preciso</p><p>gerar, há a minimização ou a reciclagem.</p><p>Na (P + L), a prioridade está à esquerda do fluxograma (Figura 5), referente</p><p>ao ato de evitar a geração de resíduos e emissões (Nível 1). Os resíduos que não</p><p>podem ser evitados devem, preferencialmente, ser reintegrados ao processo de</p><p>produção (Nível 2). Na impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa</p><p>podem ser utilizadas (Nível 3).</p><p>PR</p><p>O</p><p>D</p><p>U</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>M</p><p>A</p><p>IS</p><p>L</p><p>IM</p><p>PA Minimização de</p><p>resíduos e emissões</p><p>Nível 3</p><p>Nível 1</p><p>Nível 2</p><p>Reciclagem</p><p>externa</p><p>Ciclos biogênicos</p><p>Redução na fonte</p><p>Reciclagem interna</p><p>Estruturas</p><p>Materiais</p><p>Modi�cação</p><p>no produto</p><p>Modi�cação</p><p>no processo</p><p>Substituição</p><p>de materiais</p><p>Mudança</p><p>de tecnologia</p><p>Housekeeping</p><p>Figura 5 - Produção mais limpa – Níveis de intervenção</p><p>Fonte: adaptada de Barbieri (2016).</p><p>De acordo com Barbieri (2016), as mudanças nos processos produtivos têm por</p><p>intuito minimizar as perdas nesses processos por meio de:</p><p>■ Housekeeping (boas práticas operacionais): são processos que visam ao</p><p>planejamento, à gestão de estoques, à limpeza, à organização, dentre outros.</p><p>■ Substituição de materiais: seleciona materiais com o intuito de redu-</p><p>zi-los ou eliminá-los. Um exemplo é a substituição de um produto que</p><p>tenha compostos químicos por um composto à base de água.</p><p>■ Mudanças na tecnologia: buscam inovar os processos produtivos para</p><p>reduzirem as emissões e as perdas. Podem ser inovações incrementais.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>63</p><p>Ecodesign: um projeto para o meio ambiente</p><p>O ecodesign é uma forma de gestão com foco na concepção de produtos, a fim de</p><p>conservar recursos, prevenir acidentes e gerenciar resíduos. Desse modo:</p><p>“ Consiste em um modelo de gestão focado na fase de concepção dos</p><p>produtos e em seus respectivos processos de produção, distribuição</p><p>e utilização, também denominado ecodesign, que busca integrar um</p><p>conjunto de atividades e disciplinas que, historicamente, sempre</p><p>foi tratado separadamente, tanto em termos operacionais quanto</p><p>estratégicos, como saúde e segurança dos trabalhadores e consu-</p><p>midores, conservação de recursos, prevenção de acidentes e gestão</p><p>de resíduos (DIAS, 2017, p. 50).</p><p>Barbieri (2016) explica que o ecodesign está baseado nas inovações dos proces-</p><p>sos produtivos, diminuindo a poluição em todo o ciclo de vida do produto. Em</p><p>outras palavras, é uma proposta de negócios calcada no meio ambiente em todas</p><p>as etapas do processo produtivo.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>64</p><p>Licitações sustentáveis</p><p>Já</p><p>sabemos que existem consumidores que obrigam os seus fornecedores a ado-</p><p>tarem estratégias de natureza sustentável. Um exemplo é o próprio governo, o</p><p>qual exige que as prefeituras e as secretarias, ao abrirem um processo licitatório,</p><p>determinem que os candidatos apresentem um plano de redução de impacto am-</p><p>biental no desenvolvimento do serviço. São as chamadas “licitações sustentáveis”,</p><p>que ordenam que as empresas participantes tenham programas, tais como reuso</p><p>de água, energia solar, políticas para diminuir o consumo energético, a utilização</p><p>de materiais biodegradáveis, a comprovação legal da origem de madeira utilizada,</p><p>dentre outros (ANA, [2020], on-line)².</p><p>As compras e as licitações sustentáveis têm um papel estratégico para os ór-</p><p>gãos públicos e, quando feitas de maneira adequada, propiciam a sustentabilidade</p><p>em atividades públicas. Nesse contexto, é importante que os compradores públi-</p><p>cos saibam delimitar adequadamente as necessidades da sua instituição, além</p><p>de conhecerem a legislação aplicável e as características dos bens e serviços que</p><p>poderão ser comprados (A3P, [2020], on-line)³.</p><p>Quando há a decisão de fazer uma compra sustentável, isso não representa,</p><p>necessariamente, mais gastos de recursos financeiros, visto que nem sempre uma</p><p>proposta de menor valor é lucrativa. De acordo com o site A3P ([2020], on-line)³,</p><p>uma compra sustentável traz alguns fatores, a saber:</p><p>a) Custos ao longo de todo o ciclo de vida: é fundamental considerar os</p><p>custos de um serviço e/ou produto ao longo de sua vida útil. São exem-</p><p>plos: custos com a compra, com a manutenção e a destinação final.</p><p>b) Eficiência: quando há compras e licitações sustentáveis, é permitido sa-</p><p>tisfazer as necessidades da administração pública referentes à utilização</p><p>eficiente dos recursos e com menor impacto socioambiental.</p><p>c) Compras compartilhadas: ocorre por meio de centrais de compras.</p><p>Com isso, há a otimização dos recursos públicos.</p><p>d) Redução de impactos ambientais e problemas de saúde: leva em con-</p><p>sideração a qualidade dos produtos que são adquiridos.</p><p>e) Desenvolvimento e inovação: há o estímulo desses mercados.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>65</p><p>Custo ambiental</p><p>Para toda e qualquer ação organizacional, são necessários recursos ambientais,</p><p>tais como a matéria-prima, a água e a energia. Em consequência disso, os limites</p><p>da capacidade de produção do homem são definidos pelos limites impostos pelos</p><p>ecossistemas, ou seja:</p><p>“ É claro que é mais fácil pensar no valor de recursos ambientais, como</p><p>madeira, espécies medicinais, etc., quando esses itens já sofreram al-</p><p>guma forma de operação comercial (já foram retirados das florestas,</p><p>no caso da madeira, ou transformados em medicamentos e vendidos,</p><p>por exemplo). Quando um bem ou ativo ambiental está intacto, ain-</p><p>da como um recurso natural propriamente dito, é muito mais difícil</p><p>valorá-los pelos métodos convencionais (SEBRAE, 2017, p. 42).</p><p>Há muitos estudos e pesquisas realizadas com o objetivo de en-</p><p>contrar novas formas de valoração dos custos ambientais. Assim, é</p><p>essencial aumentar a visão dos custos ambientais, os quais incluem</p><p>a contabilização de questões, tais como:</p><p>As licitações sustentáveis estão cada vez mais presentes no cotidiano do Estado e essa é</p><p>uma consequência da preocupação com a maximização do dinheiro público e o engaja-</p><p>mento do setor público com as causas ambientais. Dada a cobrança do governo para que</p><p>as organizações se tornem mais sustentáveis e respeitem o meio ambiente, a administra-</p><p>ção pública também tem buscado ser um exemplo/modelo. Assim, para que as empresas</p><p>participem de um processo de licitação de obras e serviços públicos, devem apresentar</p><p>elevados padrões de sustentabilidade.</p><p>explorando Ideias</p><p>O setor público é o promotor e o ator das ações de responsabilidade social</p><p>e sustentabilidade. Diante disso, a cultura organizacional nacional tem sido</p><p>modificada, com a inserção de novas formas de atuação socioambiental. As-</p><p>sista ao vídeo presente no QR Code para saber mais.</p><p>conecte-se</p><p>https://vimeo.com/321279805/9ea8dfa2ee</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>66</p><p>• Exaustão de recursos ambientais;</p><p>• Aquisição de insumos para controle, redução ou eliminação de</p><p>poluentes;</p><p>• Tratamento de resíduos gerados pela fabricação de produtos ou</p><p>prestação de serviços.</p><p>• Tratamento e recuperação de áreas contaminadas ou desflorestadas.</p><p>• Mão-de-obra utilizada para ações de controle ou recuperação de</p><p>danos ambientais (SEBRAE, 2017, p. 31).</p><p>Financiamentos e incentivos</p><p>Já concluímos que muitas práticas sustentáveis podem gerar renda para a empre-</p><p>sa. Também sabemos que algumas dessas ações podem ser pagas com o tempo,</p><p>enquanto outras exigem investimentos, e o retorno se dá em médio e em longo</p><p>prazo. Caso os investimentos sejam grandes, entretanto, existem várias linhas de</p><p>incentivos do governo e dos bancos privados para que os gestores possam investir</p><p>na sustentabilidade do seu negócio, as chamadas de linhas de crédito para ações</p><p>sustentáveis (SEBRAE, 2017).</p><p>Entre os incentivos, estão as condições de créditos mais favoráveis, os juros</p><p>mais baixos e as carências maiores. Esse tipo de financiamento pode ser procu-</p><p>rado por aqueles que desejam elaborar um novo negócio ou buscam inovações</p><p>em produtos que respeitem os aspectos sustentáveis.</p><p>Como forma de estimular o desenvolvimento de condutas sustentáveis e a</p><p>adequeção dos sistemas e produtos das organizações, além da recuperação das</p><p>perdas ambientais obtidas até o momento, o Banco Nacional do Desenvolvimen-</p><p>to Econômico e Social (BNDES) disponibiliza diversas linhas de crédito para os</p><p>financiamentos direcionados:</p><p>■ Aos microempreendedores e à pessoa física.</p><p>■ Às micro, pequenas e médias empresas.</p><p>■ Às empresas médias e grandes.</p><p>■ Ao agronegócio.</p><p>■ À União, aos estados e aos municípios.</p><p>■ Às infraestruturas públicas e privadas.</p><p>Dessa forma, muitos são contemplados com capital para a realização de ações sus-</p><p>tentáveis. Como exemplos de fundos de financiamento que o BNDES oferece, temos:</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>67</p><p>■ BNDES Finem - Meio Ambiente - Planejamento e Gestão: financiamen-</p><p>to a partir de R$ 40 milhões para “projetos que contribuam para o aumento</p><p>da capacidade das empresas em reduzir e mitigar riscos ambientais” (BNDES,</p><p>[2020], on-line)4.</p><p>■ BNDES Finem - Meio Ambiente - Eficiência Energética: financiamento a</p><p>partir de R$ 20 milhões “para projetos voltados à redução do consumo de energia</p><p>e aumento da eficiência do sistema energético nacional” (BNDES, [2020], on-line)5.</p><p>■ BNDES Finame - Energia Renovável: financiamento “para aquisição e comer-</p><p>cialização de sistemas de geração de energia solar e eólica e aquecedores solares, in-</p><p>cluindo serviço de instalação e capital de giro associado” (BNDES, [2020], on-line)6.</p><p>Além desses financiamentos, também há um número crescente de subsídios go-</p><p>vernamentais em âmbito municipal, estadual e federal para as organizações que</p><p>realizam as suas atividades de forma mais sustentável. Um exemplo é O ICMS</p><p>Ecológico, que:</p><p>“ […] é um mecanismo tributário que possibilita aos municípios</p><p>acesso a parcelas maiores que àquelas que já têm direito, dos re-</p><p>cursos financeiros arrecadados pelos Estados através do Imposto</p><p>sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, em razão do</p><p>atendimento de determinados critérios ambientais estabelecidos</p><p>em leis estaduais. Não é um novo imposto, mas sim a introdução de</p><p>novos critérios de redistribuição de recursos do ICMS, que reflete</p><p>o nível da atividade econômica nos municípios em conjunto com a</p><p>preservação do meio ambiente (O ECO, 2014, on-line)7.</p><p>Além desse programa, a Caixa Econômica Federal disponibiliza uma linha de</p><p>Crédito Verde Empresarial, a qual possui taxas abaixo do que as que são cobradas</p><p>pelo mercado, destinadas às organizações que atuam em atividades sustentáveis</p><p>(NOTÍCIAS E NEGÓCIOS, 2012, on-line)8.</p><p>Surgiram dúvidas, tais como: quem pode requisitar essas linhas de crédito? O que pode</p><p>ser financiado? Quais são as condições e as formas de pagamento? Como</p><p>funciona na</p><p>prática? Acesse o link:</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>conecte-se</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>68</p><p>Por que as organizações devem se preocupar com a responsabilidade socioam-</p><p>biental? Isso se deve, uma vez que, nos ambientes de negócios, a reputação das</p><p>empresas tem se tornado um fator preponderante para o reconhecimento junto à</p><p>sociedade. Nesse sentido, as transformações do ambiente exigem a realização de</p><p>estratégias preocupadas com os stakeholders, o crescimento, a sustentabilidade</p><p>e a transparência nos negócios.</p><p>Em uma discussão sobre a responsabilidade empresarial, estão configurados</p><p>modelos que buscam o equilíbrio entre o social e o funcional. Ao pensar em uma</p><p>gestão social e ambientalmente responsável, é preciso ter comprometimento,</p><p>aprendizagem e práticas entre os colaboradores e as áreas organizadas, o que</p><p>caracteriza um desafio aos profissionais das empresas para articular interesses.</p><p>A preocupação com as práticas ambientalmente sustentáveis e as posturas</p><p>socialmente corretas e economicamente viáveis estão cada vez mais presentes nos</p><p>temas da gestão. É dessa maneira que a responsabilidade socioambiental pode ser</p><p>percebida como algo muito debatido na gestão empresarial e muito importante</p><p>na estratégia competitiva.</p><p>3</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>SOCIOAMBIENTAL</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>69</p><p>A responsabilidade social para à sustentabilidade</p><p>É cada vez mais evidente que as iniciativas de negócio proporcionam um im-</p><p>pacto sobre o lucro e o mundo. Assim sendo, o desempenho social inadequado</p><p>e a falta de políticas bem elaboradas de cunho social e ambiental podem trazer</p><p>sérias implicações organizacionais e acarretar prejuízos materiais e morais, com</p><p>o intuito de aumentar os custos e perder as oportunidades de mercado. Não há</p><p>como ignorar esse novo compromisso das organizações, pois não é apenas sen-</p><p>sibilização ética, mas, principalmente, econômica e mercadológica.</p><p>Para Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009), foi desenvolvido, nos últimos</p><p>anos, a perspectiva da organização enquanto um ator social que pode ser sensi-</p><p>bilizado não somente pelas ações realizadas, mas também pelos seus resultados</p><p>e pelas suas consequências. Desse modo, a gestão empresarial que predominou</p><p>durante grande parte do século XX e que responde unicamente aos interesses dos</p><p>acionistas tem se revelado insuficiente nesse novo contexto empresarial.</p><p>Isso se deve, pois, cada vez mais, os negócios são considerados responsáveis</p><p>não só pelas suas próprias atividades, mas também pelos seus fornecedores, pela</p><p>comunidade em que atuam e pelas pessoas que usufruem dos seus produtos.</p><p>Assim, uma discussão conceitual referente à responsabilidade das organizações</p><p>pode ser entendida como um contínuo que parte de pouca ou nenhuma mudança</p><p>em seu papel e em suas operações, dirigindo-se para configurações mais radicais,</p><p>voltadas para as políticas e as relações organizacionais, o que envolve um grande</p><p>número de grupos de interesses.</p><p>Considerando tais aspectos, de acordo Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009),</p><p>o economista Friedman está de um lado desse contínuo, ao sustentar que a posi-</p><p>ção da missão primordial da empresa é econômica. Tendo em vista esse aspecto,</p><p>as ações das empresas são baseadas em uma corrente teórica chamada de “postura</p><p>tradicional”, que considera os comportamentos empresariais pautados apenas nas</p><p>questões econômicas.</p><p>O termo “stakeholder”, amplamente utilizado nas áreas de gestão e de negócios, muitas</p><p>vezes, é entendido como sinônimo de “acionista”. No entanto, ele ultrapassa esse signi-</p><p>ficado, dado que equivale a todas as partes interessadas nas estratégias de governança</p><p>corporativa que a empresa desenvolve. São exemplos: os fornecedores, os colaboradores</p><p>e os clientes.</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>70</p><p>Segundo essa corrente baseada na lógica de Friedman, o modelo de gestão</p><p>deve focar exclusivamente nos stakeholders, ou seja, nos investidores e nos pro-</p><p>prietários da organização. Enfatiza que a obrigação legal ou o próprio benefício</p><p>é o único determinante para a Responsabilidade Social Empresarial, calcado</p><p>na crença de que uma empresa lucrativa beneficia toda a sociedade, ao pagar</p><p>impostos e gerar empregos.</p><p>Existe, ainda, outra corrente teórica chamada de “progressiva”, que defende que</p><p>algumas premissas básicas aparentemente já foram aceitas de forma mais gene-</p><p>ralizada, como as posições a favor da responsabilidade social. Considerando os</p><p>aspectos de ambas as correntes teóricas apresentadas, analise o quadro a seguir.</p><p>Postura Tradicional Progressiva</p><p>O objetivo das organizações, em um</p><p>mundo em que a competitividade é</p><p>muito acirrada, é a maximização dos</p><p>lucros.</p><p>A responsabilidade social surge do</p><p>poder social. Pelo fato de que as or-</p><p>ganizações utilizam recursos da so-</p><p>ciedade, é esperado que a coletivida-</p><p>de receba esses recursos de volta.</p><p>As ações dos executivos das empre-</p><p>sas precisam sempre estar voltadas</p><p>ao lucro, com o intuito de remunerar</p><p>melhor os acionistas.</p><p>É necessário compreender as neces-</p><p>sidades e os desejos sociais.</p><p>Quando uma organização investe</p><p>na área social, para qualquer tipo de</p><p>público (interno ou externo, colabo-</p><p>radores ou a sociedade), essa é uma</p><p>forma de reduzir os ganhos dos acio-</p><p>nistas.</p><p>Os custos sociais devem ser levados</p><p>em consideração.</p><p>O usuário deve pagar pelos custos</p><p>sociais de suas atividades. Por exem-</p><p>plo, a sociedade não deve pagar pe-</p><p>los custos que são elencados contra</p><p>a poluição.</p><p>A organização precisa reconhecer os</p><p>problemas sociais e buscar formas</p><p>de resolvê-los.</p><p>Quadro 3 - Correntes teóricas dos objetivos econômicos e da responsabilidade social</p><p>Fonte: adaptado de Teixeira e Santos (2009).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>71</p><p>Para que uma instituição realmente possa assumir uma posição definitiva refe-</p><p>rente à responsabilidade social, é necessário conhecer a sua essência no contexto</p><p>contemporâneo. Essa atitude é necessária, para que não seja confundida com</p><p>filantropia, que se refere às atividades eventuais de caridade e é o modo como a</p><p>responsabilidade social está configurada na maioria das organizações.</p><p>Dessa maneira, a política de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) pre-</p><p>cisa estar associada, em suas diretrizes, aos custos operacionais. Ela também deve</p><p>envolver todos os colaboradores da organização e, de acordo com Ashley (2003,</p><p>p. 56), pode ser definida como:</p><p>“ [...] compromisso que uma organização deve ter com a sociedade,</p><p>expresso por meio de atos e atitudes que a afetem positivamente, de</p><p>modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo específico, agindo</p><p>pró-ativamente e coerentemente no que tange a seu papel específico</p><p>na sociedade e a sua prestação de contas para com ela.</p><p>Assim, a instituição precisa assumir uma posição que vai além do que está es-</p><p>tabelecido nas leis: deve-se apropriar de obrigações de caráter moral, a fim de</p><p>contribuir para o desenvolvimento sustentável.</p><p>Para Kreitlon (2004, p. 3), a RSE se trata do:</p><p>“ [...] compromisso empresarial de contribuir para o desenvolvimen-</p><p>to econômico sustentável, trabalhando em conjunto com os empre-</p><p>gados, suas famílias, a comunidade local e a sociedade em geral para</p><p>melhorar sua qualidade de vida, de maneira que sejam boas tanto</p><p>para as empresas como para o desenvolvimento.</p><p>Isso significa que as organizações que têm RSE devem adotar, em sua cultura inter-</p><p>na, o discurso de preocupação social, o qual também deve estar refletindo dentro</p><p>da empresa. Portanto, é contraditório que uma empresa pague baixos salários aos</p><p>seus colaboradores, sonegue impostos e pratique condutas antiéticas, mas pro-</p><p>mova uma imagem socialmente responsável, com o objetivo de angariar clientes.</p><p>Outra definição é atribuída pelo Instituto Ethos ([2020], on-line)9, o qual</p><p>compreende a RSE como:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>72</p><p>“ Reconhecemos a responsabilidade pelos resultados e impactos das</p><p>ações de nossa empresa no meio natural e social afetados por nossas</p><p>atividades empresariais e envidaremos todos os esforços no sentido</p><p>de conhecer e cumprir a legislação e de, voluntariamente, exceder</p><p>nossas obrigações naquilo que seja relevante para o bem-estar da</p><p>coletividade. Procuraremos desenvolver e divulgar a todas as partes</p><p>interessadas um programa ativo e contínuo de aperfeiçoamento</p><p>ético de nossas relações com as pessoas e entidades públicas ou</p><p>privadas envolvidas em nossas ações.</p><p>Essas definições sobre a RSE nos evidenciam que estão relacionadas às preocu-</p><p>pações da sociedade atual, isto é, com as questões de empregabilidade e as am-</p><p>bientais. A partir disso, é plausível afirmar que a RSE ultrapassa as expectativas</p><p>econômicas e sociais que beneficiam o ser humano.</p><p>No entanto, infelizmente, a RSE ainda é confundida com a filantropia. A RSE está</p><p>incorporada na estratégia das organizações, enquanto a filantropia é de caráter pon-</p><p>tual e com ações de assistencialismo. A seguir, é possível observar essas diferenças:</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>73</p><p>FILANTROPIA:</p><p>• ações individuais e coletivas</p><p>• fomento de caridade</p><p>• base assistencialista</p><p>• restrita a empresários</p><p>• decisão individual</p><p>RESPONSABILIDADE SOCIAL:</p><p>• ação coletiva</p><p>• fomento à cidadania</p><p>• base estratégica</p><p>• extensiva a todos</p><p>• decisão consensual</p><p>Figura 6 - Diferenças entre a responsabilidade social e a filantropia</p><p>Fonte: adaptada de Ashley (2003).</p><p>Rothgiesser (2004, p. 3 apud DORNELAS, 2005, p. 10) define a filantropia em-</p><p>presarial como:</p><p>“ [...] investimento de uma empresa em ações pontuais periódicas,</p><p>como campanhas de arrecadação de bens e alimentos, assim como</p><p>as doações de ordem material e/ou financeira. Comumente não</p><p>obedecem a um processo sistematizado de atuação social e sim</p><p>reativo, em momentos de maior demanda da sociedade.</p><p>Portanto, é evidente que a principal diferença entre a responsabilidade social e</p><p>a filantropia se dá no fato de que esta trata das ações externas à organização e a</p><p>sua principal beneficiária é a comunidade, enquanto a responsabilidade social</p><p>tem foco na cadeia de negócios da empresa e se preocupa com um público que</p><p>vai além da comunidade. São eles: acionistas, colaboradores, fornecedores, meio</p><p>ambiente, governo, clientes e prestadores de serviço.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>74</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Caro(a) aluno(a), estudamos, nesta unidade, a relação das empresas com o meio</p><p>ambiente. Assim, primeiramente, discutimos a contaminação ambiental, apresen-</p><p>tamos a relação da industrialização com o meio ambiente e expomos os princi-</p><p>pais acidentes ambientais que trouxeram inúmeras consequências para o meio</p><p>ambiente e para a sociedade.</p><p>Além disso, constatamos que, atualmente, as organizações que investem em</p><p>sustentabilidade econômica têm um diferencial competitivo, se comparadas</p><p>com as que não são sustentáveis. Também foi explicado que a sustentabilidade</p><p>econômica está relacionada com a distribuição eficiente de recursos naturais</p><p>dentro de uma escala apropriada, referente às práticas econômicas que visam ao</p><p>desenvolvimento econômico da organização. Tudo isso, com base na preservação</p><p>ambiental e pensando nas gerações vindouras.</p><p>Diferenciamos a economia neoclássica da economia ecológica, ao susten-</p><p>tarmos que as empresas tendem a investir na economia verde, relacionada aos</p><p>investimentos em capital natural. Também defendemos que as práticas de sus-</p><p>tentabilidade econômica são vantagens para as organizações, as quais obtêm uma</p><p>maior economia financeira em médio e longo prazo, além de diminuírem os seus</p><p>riscos e aumentarem os seus lucros e competitividade.</p><p>Apresentamos as práticas que estão sendo adotadas por empresas, como a</p><p>ecoeficiência, que visa ao uso mais eficiente de matérias-primas e energia, a fim</p><p>de diminuir os custos econômicos e os impactos ambientais, e a produção mais</p><p>limpa, que integra as estratégias ambiental, econômica e tecnológica aos proces-</p><p>sos e aos produtos, com o objetivo de aumentar a sua eficiência na utilização de</p><p>matérias-primas, água e energia.</p><p>Para finalizar, estudamos os investimentos e os custos ambientais. Também</p><p>compreendemos as questões de responsabilidade socioambiental incorporadas</p><p>pelas empresas, as suas correntes contra e a favor, além da diferenciação entre as</p><p>práticas de filantropia e de RSE.</p><p>75</p><p>na prática</p><p>1. O fornecimento de bens e serviços sustentáveis a preços competitivos, a fim de</p><p>que satisfaçam as necessidades humanas e promovam a diminuição dos impactos</p><p>ambientais e do consumo dos recursos naturais diz respeito:</p><p>a) À ecologia industrial.</p><p>b) À ecoeficiência.</p><p>c) Ao consumismo.</p><p>d) Ao ecossistema.</p><p>e) Ao meio ambiente.</p><p>2. Trata-se da estrutura da economia que tem mudado a direção de setores e/ou tec-</p><p>nologias “verde” ou “limpos”. Isso resultou na melhoria do bem-estar da comunidade</p><p>e na igualdade social, minimizando os riscos ambientais.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta corretamente o elemento ao qual o enunciado</p><p>diz respeito:</p><p>a) Economia verde.</p><p>b) Economia marrom.</p><p>c) Ecossistema.</p><p>d) Ecoeficiência.</p><p>e) Ecologia.</p><p>3. Trata-se da busca por inovações em processos produtivos, com o objetivo de minimi-</p><p>zar perdas e emissões. Essas inovações incluem mudanças em processos produtivos,</p><p>novas instalações e novos equipamentos.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta corretamente a prática à qual o enunciado diz</p><p>respeito:</p><p>a) Ecologia.</p><p>b) Ecossistemas.</p><p>c) Housekeeping.</p><p>d) Substituição de materiais.</p><p>e) Mudanças na tecnologia.</p><p>76</p><p>na prática</p><p>4. Muitas empresas acreditam que estão praticando a responsabilidade social, mas,</p><p>na verdade, estão fazendo uma ação filantrópica, dado que muitos gestores as</p><p>consideram sinônimos. Diante do exposto, diferencie a responsabilidade social da</p><p>filantropia.</p><p>5. A sustentabilidade econômica visa à gestão de recursos naturais e à sustentabilidade</p><p>do negócio. Nesse sentido, apresente as vantagens da sustentabilidade econômica</p><p>para as organizações.</p><p>77</p><p>aprimore-se</p><p>CASE DE SUCESSO: O VALOR DA SUSTENTABILIDADE</p><p>Um dos grandes cases nacionais de empresas sustentáveis é a Natura. Ela é reconhe-</p><p>cida por ser uma fabricante de produtos de beleza com grande preocupação socioam-</p><p>biental. Além disso, conseguiu repassar uma percepção de valor aos seus clientes de</p><p>como a proteção à natureza é importante e como as riquezas naturais das florestas</p><p>podem contribuir para a produção cosméticos excelentes de forma sustentável.</p><p>Para isso, a marca utiliza boas estratégias de marketing e projetos colaborativos</p><p>com comunidades tradicionais. A Natura desenvolve parcerias com produtores ru-</p><p>rais para a exploração consciente e o manejo controlado de algumas das riquezas</p><p>naturais do país: castanha do pará, erva doce, dentre outros.</p><p>Com essas estratégias, a empresa consegue gerar uma boa</p><p>renda para os agri-</p><p>cultores e preserva a natureza com a adoção de práticas conservacionistas. Dessa</p><p>forma, a Natura revela que para crescer e criar novos produtos é possível estar em</p><p>harmonia com a natureza, além de gerar um maior engajamento dos seus clientes</p><p>e respeito pela marca. Um verdadeiro processo de branding utilizando os conceitos</p><p>de sustentabilidade como estratégia.</p><p>Fonte: Comércio em ação (2018, on-line)10.</p><p>78</p><p>eu recomendo!</p><p>Gestão estratégica da sustentabilidade: experiências brasi-</p><p>leiras</p><p>Autor: Isak Kruglianskas e Vanessa Cuzziol Pinsky</p><p>Editora: Alta Books</p><p>Sinopse: a obra, que reúne artigos de diversos especialistas e</p><p>apresenta as mais variadas análises de casos de gestão da sus-</p><p>tentabilidade corporativa, traz um texto embasado por pesquisas</p><p>empíricas. Constitui-se, portanto, uma leitura valiosa tanto para a obtenção de uma</p><p>referência específica para cada setor quanto para a aquisição de uma visão ampla</p><p>sobre as repercussões das práticas sustentáveis na administração e na produção.</p><p>livro</p><p>3</p><p>MARKETING VERDE,</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>e certificação</p><p>PROFESSORES</p><p>Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Marketing verde • Normas e</p><p>certificações voltadas à responsabilidade social • NBR 16001: a norma brasileira de gestão da respon-</p><p>sabilidade social.</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>• Compreender a definição e a aplicação do marketing verde • Entender as normas e as certificações</p><p>voltadas à responsabilidade social • Analisar a norma brasileira de responsabilidade social.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro(a) aluno(a), nesta unidade, trabalharemos o conceito e as caracte-</p><p>rísticas do marketing verde. Também saberemos o que solidifica a sua</p><p>existência e manutenção, além dos seus elementos de composição. Assim</p><p>como você já sabe, o desenvolvimento sustentável pressupõe a elevação do</p><p>crescimento econômico, o que garante a preservação do meio ambiente e o</p><p>desenvolvimento social para o presente e para as gerações futuras.</p><p>O marketing verde, também conhecido como marketing ambiental, é</p><p>adotado pelas empresas como uma estratégia que está relacionada à marca,</p><p>ao produto ou até ao serviço oferecido, a partir da demonstração de uma</p><p>imagem ecologicamente correta e consciente.</p><p>Para que essas novas estratégias sejam utilizadas de acordo com a ética</p><p>e a boa conduta, algumas normas devem ser seguidas. Essas regras são</p><p>elaboradas por organizações nacionais e internacionais, tais como a Asso-</p><p>ciação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pelas normas</p><p>brasileiras (NBR). Ela é uma organização nacional equivalente à Internatio-</p><p>nal Organization for Standardization (ISO), que, em português, significa</p><p>Organização Internacional de Normalização.</p><p>Dessa forma, estudaremos duas normas que recebem o nome de sua</p><p>organização responsável, acrescido de um número de controle. Uma delas é</p><p>a ISO 26000, que é voluntária, de responsabilidade social, não certificável e</p><p>basilar para as organizações que desejam implementar um sistema de gestão</p><p>de responsabilidade social. Também trabalharemos a NBR 16001, uma nor-</p><p>ma brasileira de responsabilidade social que pode ser certificada e utilizada</p><p>por qualquer tipo de empresa, independentemente do seu ramo ou porte.</p><p>Também compreenderemos o ciclo Plan, Do, Check, Act (PDCA), que,</p><p>em português, significa planejar, fazer, verificar e agir. É uma ferramenta</p><p>eficaz para a implementação de sistemas de gestão, uma vez que nos per-</p><p>mite visualizar a sua melhoria contínua.</p><p>Vamos juntos! Bons estudos.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>81</p><p>1</p><p>MARKETING</p><p>VERDE</p><p>Para entendermos o que, de fato, significa marketing, apresentamos a definição</p><p>de Sandhusen (2007, p. 5), exposta em seu livro Marketing Básico, em relação às</p><p>funções básicas do marketing:</p><p>“ [...] sendo as funções troca (compra e venda), funções de distri-</p><p>buição física (transporte e armazenagem) e funções de facilitação</p><p>(sortimento, financiamento, riscos e desenvolvimento de informa-</p><p>ções de marketing). O marketing demonstra grande influência em</p><p>relação às pessoas e também às empresas.</p><p>O marketing surgiu no início da década de 20, com o intuito de obter recursos</p><p>para a resolução dos problemas vinculados à venda e à distribuição de produtos.</p><p>No decorrer dos anos, adquiriu uma perspectiva mais humana, a partir do sur-</p><p>gimento de outras filosofias, tais como a ética nos negócios, o foco em recursos</p><p>humanos e o marketing social (PEATTIE; CHARTER, 2005).</p><p>Em consequência às mudanças ambientais, já no final do século XX, surgiu</p><p>o marketing societal. Por meio dele, as empresas recebem a orientação de que</p><p>devem, além de entregar valor aos clientes, satisfazer às suas expectativas, preo-</p><p>cupando-se com a ética e com o meio ambiente (KOTLER, 1995).</p><p>Nesse sentido:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>82</p><p>“ O pensamento meramente econômico predominante nas orga-</p><p>nizações voltou-se para as questões sociais e ambientais, segundo</p><p>Layrargues (2000, p. 20), desde o ambientalismo, que foi um movi-</p><p>mento histórico originado a partir do reconhecimento dos assus-</p><p>tadores efeitos negativos causados na biosfera, em que é criticado</p><p>o modelo civilizatório e dos paradigmas da sociedade de consumo</p><p>(LOPES; PACAGNAN, 2014, p. 117).</p><p>O marketing verde surgiu na década de 70, quando a American Marketing As-</p><p>sociation (AMA) iniciou as discussões referentes aos impactos do marketing em</p><p>relação ao meio ambiente natural (LOPES; PACAGNAN, 2014). Esses debates</p><p>ocorreram, visto que o marketing estimula o consumo exagerado e é focado espe-</p><p>cificamente no lucro, o que aumenta a exploração do meio ambiente para suprir</p><p>a elevada demanda por produtos que é estimulada pelo segmento.</p><p>Um produto tem um atributo verde quando é concebido em conjunto com</p><p>as preocupações ecológicas e sociais, as quais permitem que esse item agregue</p><p>valor comercial. Assim, os produtos ambientalmente corretos possuem algumas</p><p>características, a saber: devem ser fabricados com uma quantidade mínima de</p><p>matéria-prima renovável; devem ter eficiência energética; fazem o uso racional de</p><p>água e de uma quantidade mínima de efluentes; geram uma quantidade mínima de</p><p>resíduos; e produzem embalagens que podem ser reutilizadas (GONZAGA, 2005).</p><p>Portanto, chamamos de “marketing verde”, “marketing sustentável” ou “mar-</p><p>keting ecológico”, as ações das empresas que encontraram soluções para a sua</p><p>produção por intermédio do uso, de forma sustentável e sem poluírem o meio</p><p>ambiente, de recursos naturais. A prática envolve a divulgação de processos que</p><p>alcançam o maior número de clientes, visto que informam que os produtos pro-</p><p>venientes possuem baixo impacto ambiental.</p><p>Diante do exposto, é visível que as preocupações ambientais estão assumindo,</p><p>gradativamente, uma maior importância entre os consumidores, que passaram</p><p>A expressão “sociedade do consumo” é utilizada para explicar o consumo excessivo de</p><p>bens e serviços na sociedade da pós-revolução industrial, cuja produção ultrapassou a</p><p>quantidade que é consumida. Dessa forma, relaciona-se ao consumismo crescente para o</p><p>aumento da lucratividade, e não por necessidade.</p><p>Fonte: adaptado de Ribeiro (2013, on-line)¹.</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>83</p><p>a adquirir os produtos e os serviços incorporados à variável ecológica. Para Dias</p><p>(2017), as organizações buscam associar a variável “meio ambiente” enquanto</p><p>uma estratégia competitiva junto aos consumidores e concorrentes.</p><p>Essa vertente do marketing – o marketing verde – apresenta preocupações</p><p>com as questões mercadológicas dos produtos, a fim de que atendam à legisla-</p><p>ção ambiental e às expectativas dos seus consumidores. Sob o ponto de vista do</p><p>marketing ambiental, o cliente não é o único público-alvo, mas existem outros</p><p>que são importantes, tais como os fornecedores, os distribuidores, o governo, a</p><p>comunidade em geral, dentre outros.</p><p>Além disso, o conceito de marketing verde está atrelado diretamente à pro-</p><p>posta</p><p>de responsabilidade social, pois procura:</p><p>■ O desempenho de atividades responsáveis na sociedade.</p><p>■ A entrega de produtos e serviços condizentes com as necessidades da</p><p>sociedade.</p><p>■ A eliminação ou a redução, ao mínimo tolerável, dos danos ocasionados,</p><p>caso seus produtos ou serviços sejam prejudiciais às pessoas.</p><p>Segundo Barbieri (2016), todos os objetivos dessa vertente do marketing são im-</p><p>plantados para que haja um equilíbrio entre as necessidades dos clientes e as da</p><p>sociedade em geral, as quais nem sempre são as mesmas. Desse modo, o conceito</p><p>de marketing ecológico é constituído por (BARBIERI, 2016):</p><p>■ Processo integral de gestão.</p><p>■ Responsabilidade pela identificação, antecipação e satisfação dos clientes.</p><p>■ Responsabilidade perante a sociedade, visto que garante que o processo</p><p>produtivo seja rentável e sustentável.</p><p>Assim, o marketing verde é representado pelos esforços das empresas que buscam</p><p>satisfazer aos desejos dos clientes a partir da produção de produtos que causem</p><p>menores impactos ambientais ao longo do seu ciclo de vida (GONZAGA, 2005).</p><p>Você conhece alguma empresa que desenvolva o marketing verde com exce-</p><p>lência? Quer conhecer alguns cases de sucesso nessa área?</p><p>conecte-se</p><p>http://www.atpsolar.com.br/5-empresas-sustentaveis-marketing-verde/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>84</p><p>Marcas ecológicas ou ecologicamente corretas</p><p>Um pequeno detalhe faz toda a diferença, afinal, quem nunca comprou um deter-</p><p>minado produto devido à marca? Neste tópico, abordaremos um requisito bem</p><p>popular: as famosas marcas dos produtos. No entanto, pelo fato de que o nosso</p><p>foco é a sustentabilidade, elas devem ser ecologicamente corretas.</p><p>Você saberia dizer a definição da palavra “marca”? Para esclarecer essa ques-</p><p>tão, Kotler (1998, p. 20) defende que a “marca é um nome, termo, sinal, símbolo</p><p>ou combinação dos mesmos, que tem o propósito de identificar bens ou serviços</p><p>de um vendedor ou grupo de vendedores e diferenciá-los de concorrentes”.</p><p>As marcas só são consideradas grandes (ou boas) quando atingem um grande</p><p>número de consumidores, que é o objetivo de muitas organizações: a construção</p><p>de uma marca sólida e forte. Entretanto, para atingir esse objetivo, é necessário</p><p>compreendermos os processos que envolvem as atitudes dos consumidores em</p><p>relação às marcas, um detalhe imprescindível ao marketing.</p><p>Para Keller (1993), as atitudes dos consumidores a respeito das marcas podem</p><p>estar relacionadas às crenças sobre os atributos, a funcionalidade e os benefícios</p><p>de seus produtos. Diante disso:</p><p>“ O sucesso dos programas de marketing é um reflexo da criação de</p><p>associação com a marca, ou seja, os consumidores que acreditarem</p><p>que a marca possui atributos e benefícios que satisfarão suas neces-</p><p>sidades e desejos formarão uma atitude positiva em relação à marca</p><p>(KELLER, 1993, p. 5, tradução nossa).</p><p>Uma das características do sucesso do marketing é o que chamamos de imagem</p><p>da marca, definida como a percepção que os consumidores têm sobre as marcas</p><p>a partir das associações construídas em relação a elas. Assim, uma marca pode ser</p><p>escolhida pelo status que representa ou por estar associada às causas ambientais.</p><p>O uso do marketing social ou ambiental pode determinar sentimentos a res-</p><p>peito da marca por parte dos consumidores. Segundo Hoeffler e Keller (2002),</p><p>duas dessas sensações são a aprovação social, que representa o reconhecimento</p><p>da sociedade em relação às marcas associadas às causas sociais, e o autorrespeito,</p><p>que ocorre quando a marca faz o consumidor se sentir bem consigo (senso de</p><p>orgulho, satisfação pela escolha da marca).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>85</p><p>Dessa forma, as marcas têm um peso crucial na tomada de decisão de compra</p><p>pelo consumidor, uma vez que dão a possibilidade de aquisição de um produto que</p><p>transmite mais confiança e credibilidade. Quando o consumidor identifica alguns</p><p>atributos relacionados à determinada marca, seja pelas experiências vivenciadas,</p><p>pelo “boca a boca” ou pelas propagandas conhecidas, esses traços ficam conectados</p><p>à empresa. Portanto, é possível afirmar que a atitude em relação a uma marca é</p><p>derivada das ações vinculadas aos seus atributos e benefícios (LUTZ, 1991).</p><p>Mix de marketing: versão verde ou ecológica</p><p>Na área de negócios, o relacionamento entre a empresa e os seus clientes se de-</p><p>senvolve por meio do mix de marketing, que é representado pelos “4 Ps”, ou seja,</p><p>produto, preço, praça e promoção. Eles podem ser visualizados na figura a seguir:</p><p>PRODUTO PREÇO PRAÇA PROMOÇÃO</p><p>Figura 1 - Mix de marketing</p><p>Ao utilizarmos a métrica preconizada pelo mix de marketing para analisarmos a</p><p>proposta de valor aos produtos ecologicamente corretos, são gerados os elemen-</p><p>tos apresentados a seguir.</p><p>Produto</p><p>Segundo Kotler (1998 apud DIAS, 2017, p. 171), o produto é “algo que se pode</p><p>ser oferecido a um mercado para sua apreciação, aquisição, uso ou consumo</p><p>para satisfazer a um desejo ou necessidade”. Nesse contexto, no mercado, temos:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>86</p><p>1. Os produtos, que são os bens físicos, tais como os automóveis, os livros,</p><p>as geladeiras, os sofás e os computadores.</p><p>2. Os serviços, os quais incluem cortes de cabelo e o fornecimento de água,</p><p>por exemplo.</p><p>3. Os locais, que são compostos por organizações e ideias.</p><p>A essa ampla gama de produtos pode ser agregada a variável ecológica. Quando</p><p>uma empresa toma essa atitude, é preciso associá-la ao ciclo de vida do produto.</p><p>Assim sendo, o produto será considerado ecológico quando gerar um prejuízo</p><p>menor em todo o seu ciclo de vida, considerando a sua concepção, o seu uso,</p><p>consumo e descarte final.</p><p>Um produto verde carrega as mesmas funções de um produto comum. Toda-</p><p>via, os seus danos ambientais são menores em todo o seu ciclo de vida, o que exige</p><p>a análise de sua composição, se é reciclável, se agride, ou não, o meio ambiente, se o</p><p>material de sua embalagem também pode ser reaproveitado, dentre outros fatores.</p><p>Também é preciso salientar que o conceito de produto ecológico envolve todo</p><p>o processo de fabricação. Diante disso, são somados os atributos específicos do</p><p>produto em conjunto com os atributos de fabricação, os quais podemos observar</p><p>na figura a seguir:</p><p>ATRIBUTOS</p><p>ESPECÍFICOS DO</p><p>PROCESSO DE</p><p>FABRICAÇÃO</p><p>ATRIBUTOS</p><p>ESPECÍFICOS</p><p>DO</p><p>PRODUTO</p><p>ATRIBUTOS</p><p>DO PRODUTO</p><p>ECOLÓGICO</p><p>Figura 2 - Produto verde / Fonte: adaptada de Dias (2017).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>87</p><p>As decisões que devem ser tomadas sobre o produto precisam ser direcionadas</p><p>à projeção de um bem ou serviço, de maneira que haja a redução do consumo</p><p>dos recursos empregados e da geração de resíduos ao longo do ciclo de vida,</p><p>mas sem o comprometimento das características que satisfazem às necessida-</p><p>des dos atuais clientes.</p><p>Barbieri (2016) explica que a preocupação da gestão dos produtos verdes em</p><p>relação às suas variáveis pode se dar nas seguintes direções:</p><p>■ Introdução de novos produtos que poderão ser destinados a novos mercados.</p><p>■ Melhoria de produtos existentes, o que pode modificar os processos de produtos</p><p>e/ou os itens que já estão no mercado.</p><p>■ Eliminação dos produtos existentes. Nesse caso, a organização analisa deter-</p><p>minado item e conclui que ele não será rentável a curto prazo, em função das</p><p>exigências ecológicas de mercado e/ou da legislação ambiental.</p><p>■ Sob o ponto de vista ambiental, de acordo com Dias (2017), o produto pode ser</p><p>analisado por ferramentas, tais como:</p><p>■ Análise do ciclo de vida do produto, que está pautada em seu impacto ambien-</p><p>tal ao longo das diferentes etapas do seu ciclo (produção, venda, utilização e</p><p>eliminação).</p><p>■ A norma ISO 14001, que se refere ao Sistema de Gestão Ambiental (SGA).</p><p>Constitui ações coordenadas dentro das empresas e auditadas externamente,</p><p>ao envolver uma análise da atuação da organização em conjunto, e não somente</p><p>do produto.</p><p>Um aspecto interessante a ser considerado, sob o ponto de vista do marketing,</p><p>são as certificações e os selos verdes, os quais serão apresentados de forma mais</p><p>ampla no próximo tópico. Esses</p><p>itens são elementos tangíveis que acompanham</p><p>o produto, ou seja, são uma fonte de informação objetiva aos consumidores e são</p><p>As normas ISO são formuladas pela International Organization for Standardization e cada uma</p><p>possui uma numeração, de acordo com a sua finalidade. As normas relacionadas são perten-</p><p>centes à mesma série de normas, a chamada de “família” de normas. Por exemplo: a norma</p><p>14000 e a sua respectiva sequência – até a 14999 – representam a mesma série de normas.</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>88</p><p>conferidos por organizações independentes que asseguram a qualidade ambien-</p><p>tal de produtos ou serviços.</p><p>Em relação aos selos ambientais, existem vários e cada um é adaptado para</p><p>cada setor produtivo. Dias (2017) sustenta que os selos verdes:</p><p>■ Devem ser verificáveis a qualquer momento, com o objetivo de evitar fraudes.</p><p>■ Devem ser concedidos por empresas com idoneidade reconhecida.</p><p>■ Não devem criar barreiras comerciais.</p><p>■ Devem levar em consideração o ciclo de vida completo do produto.</p><p>■ Devem estimular a melhoria do produto e serviço.</p><p>Preço</p><p>Segundo Dias (2017), o preço é o indicador geral do valor atribuído ao produto</p><p>pelo consumidor e reflete os valores ambientais que o item possui, incluindo,</p><p>inclusive, os custos de fabricação. Aqui, os consumidores levam em consideração</p><p>a relação custo-benefício dos produtos ecológicos.</p><p>Praça</p><p>O item “praça”, no mix de marketing, considera as atividades referentes à trans-</p><p>parência das mercadorias dos fabricantes e dos fornecedores aos seus clientes,</p><p>sejam pessoas físicas, sejam organizações. Segundo Dias (2017), é o instrumento</p><p>de marketing que relaciona a produção e o consumo.</p><p>Assim, a praça está ligada diretamente à distribuição e envolve algumas ideias</p><p>básicas, tais como a escolha de canal de distribuição, os pontos de venda, o mer-</p><p>chandising, com o intuito de estimular a aquisição do produto, além da logística</p><p>e da distribuição.</p><p>Barbieri (2016), sob o ponto de vista do marketing, defende que a distri-</p><p>buição implica a continuidade de uma série de atividades, como a promoção, a</p><p>apresentação, o ponto de venda (considerando a ótica ambiental), os benefícios</p><p>ecológicos, dentre outros.</p><p>Em contrapartida, sob o ponto de vista ambiental, é preciso considerar a co-</p><p>mercialização do produto ecológico e a ideia de que ele possa ser encaminhado</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>89</p><p>para a reciclagem após o seu uso. A reciclagem é fundamental nesse canal de</p><p>distribuição e há o estímulo da logística reversa.</p><p>Além disso, na distribuição, é preciso levar em consideração o ponto de vista do</p><p>marketing ecológico, o qual inclui:</p><p>■ A minimização do consumo de recursos e da geração de resíduos.</p><p>■ A criação de um sistema eficiente durante a distribuição.</p><p>Promoção</p><p>Neste item, encontram-se os fatores que envolvem a comunicação e a publicidade</p><p>do produto, considerando os aspectos positivos e os negativos. Desse modo, os</p><p>objetivos da comunicação abrangem as informações dos atributos do produto,</p><p>principalmente os aspectos positivos em relação às questões ambientais, e a pro-</p><p>pagação da imagem da organização em conjunto com esse aspecto. Portanto, na</p><p>publicidade, deve-se difundir a imagem e a funcionalidade do produto, a fim de</p><p>obter um posicionamento de mercado.</p><p>Já na comunicação, é preciso apresentar aos consumidores o fato que o produto tem</p><p>um valor agregado e que, diante disso, é compensável adquiri-lo. Algumas formas de</p><p>difusão dessas ideias incluem o trabalho de sensibilização ecológica, a veracidade das</p><p>informações sobre o produto e o processo de fabricação ambiental, a realização de ações</p><p>de relações públicas em torno de questões ecológicas, dentre outros.</p><p>De acordo com Barbieri (2016), a prática de comercializar, posicionar e comu-</p><p>nicar um produto como se fosse um benefício para o ambiente, a fim de projetar</p><p>uma imagem ecológica que, na verdade, não há, é chamada de greenwashing ou</p><p>lavagem verde. A publicidade ambiental enganosa vem se disseminando como</p><p>A expressão “logística reversa” é utilizada para descrever o processo de retorno dos resí-</p><p>duos finais dos produtos para o processo de produção, como as embalagens, que podem</p><p>ser retornáveis ou recicláveis. É crescente a inserção de produtos com esse princípio no</p><p>mercado, pois, além da redução de impactos ambientais, gera uma redução nos custos</p><p>de produção.</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>90</p><p>um procedimento que não é ético, mas adotado por muitas empresas. Essas ins-</p><p>tituições visam, por meio da “maquiagem ambiental” de seus produtos e/ou servi-</p><p>ços, enganar os seus consumidores, fazendo-os crer que estão contribuindo com</p><p>a proteção do meio ambiente.</p><p>Há muitos exemplos de greenwashing, mas alguns deles são:</p><p>■ Oferecimento de produtos cancerígenos em embalagens de plástico.</p><p>■ Cigarros ou pesticidas orgânicos.</p><p>■ Garrafa de água que contém a divulgação de que o líquido é biodegradável.</p><p>■ Produto 100% natural, uma vez que existem muitos produtos naturais</p><p>que oferecem perigo, tais como o arsênio e o urânio.</p><p>Esse tipo de prática é prejudicial às empresas éticas e que se preocupam com a</p><p>sustentabilidade.</p><p>Assim como foi apresentado, o greenwashing é uma prática que coloca em</p><p>risco a vida dos consumidores e a imagem da marca e/ou empresa. Acesse</p><p>o QR Code para saber mais sobre o assunto.</p><p>conecte-se</p><p>https://www.vgresiduos.com.br/blog/greenwashing-o-que-e-e-por-que-sua-empresa-deve-evitar/</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>91</p><p>2</p><p>NORMAS E CERTIFICAÇÕES</p><p>VOLTADAS À</p><p>responsabilidade social</p><p>Agora que já tratamos do marketing verde, da publicidade enganosa e dos modos</p><p>como as organizações podem tirar vantagens competitivas acerca da questão</p><p>ambiental, podemos avançar em relação ao assunto. Existem instituições que bus-</p><p>cam a responsabilidade social empresarial por meio de certificações, tais como</p><p>algumas que já foram apresentadas.</p><p>Contudo, para que você possa entender como ocorreu esse desenvolvimento,</p><p>iniciaremos a nossa discussão apresentando a responsabilidade social empresa-</p><p>rial em períodos distintos: o primeiro período se deu no início do século XX e</p><p>prosseguiu até a década de 50, enquanto o segundo, que representa a abordagem</p><p>contemporânea, iniciou-se na década de 50 e permanece até os dias atuais.</p><p>Primeiro período: o liberalismo</p><p>A sociedade experimentava a transição da economia agrícola para a industrial.</p><p>Além do mais, a ideologia econômica que predominava era o liberalismo, que</p><p>defendia que a interferência do Estado na economia era um obstáculo para a</p><p>concorrência. Nesse sentido, o Estado deveria ser o responsável pelas ações so-</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>92</p><p>ciais, pela promoção da concorrência e pela proteção da propriedade, enquanto</p><p>as empresas deveriam buscar a maximização do lucro, a geração de empregos e</p><p>o pagamento de impostos.</p><p>Segundo Friedman (1985, p. 23):</p><p>“ Em tal economia, só há uma responsabilidade social do capital – usar</p><p>seus recursos e dedicar-se a atividades destinadas a aumentar seus</p><p>lucros até onde permaneça dentro das regras do jogo, o que significa</p><p>participar de uma competição livre e aberta, sem engano ou fraude.</p><p>Até a década de 50, a responsabilidade social empresarial assumia uma dimensão</p><p>estritamente econômica.</p><p>Segundo período: o keynesianismo</p><p>Esse período é marcado pelo pensamento keynesiano, que sustentava a interven-</p><p>ção do Estado na economia. Com o keynesianismo, reduziram-se, aos poucos, as</p><p>incertezas no mercado, o que gerou condições para o investimento em tecnologia,</p><p>o acúmulo de capital e a consolidação do modelo de produção em massa.</p><p>O que propiciou a mudança de valores da sociedade, segundo Toffler e Toffler</p><p>(1995), foi a busca do sucesso econômico pela sociedade industrial, enquanto a</p><p>sociedade pós-industrial buscava o aumento da qualidade de vida, a valorização</p><p>social, a relevância e o respeito ao meio ambiente e ao ser humano, bem como</p><p>a organização empresarial em múltiplos meios, tanto para as empresas quanto</p><p>para os indivíduos. São esses os fatores que têm impulsionado</p><p>isso, aprofundaremos os nossos estudos sobre o papel das empresas em relação às ques-</p><p>tões ambientais, como a necessidade de prevenção dos acidentes ambientais. Além disso,</p><p>explanaremos a importância da sustentabilidade econômica das organizações, o que envolve</p><p>elementos vinculados à gestão e à distribuição eficiente de recursos naturais, assim como os</p><p>atuais conceitos de economia ecológica e verde. Também será abordado o social na área da</p><p>responsabilidade social empresarial, nas políticas e nos investimentos.</p><p>Ao chegarmos à terceira unidade, estudaremos o marketing verde, as suas normatizações</p><p>e certificações, com ênfase vinculada à sustentabilidade e à responsabilidade social, como</p><p>a ISO 26000 e a NBR 16001. Em outras palavras, exploraremos as normas internacionais e</p><p>nacionais sobre o tema.</p><p>D A D I S C I P L I N AA P R E S E N TA Ç Ã O</p><p>Na quarta unidade, conheceremos os fatores relacionados à ética empresarial, tais como as</p><p>políticas e as práticas que influenciam nos âmbitos já mencionados, como os da responsa-</p><p>bilidade social.</p><p>Por fim, na quinta unidade, analisaremos as auditorias, os modelos de divulgação de ações</p><p>sustentáveis e os elementos que as compõem. São exemplos: os demonstrativos de natu-</p><p>reza social e ambiental, os modelos de balanço, os relatórios de sustentabilidade de maior</p><p>aplicabilidade nesse contexto e as premiações das organizações mais reconhecidas da área.</p><p>Com isso, almejamos que o conteúdo trabalhado seja de grande valia em sua rotina profissio-</p><p>nal e pessoal. Também desejamos que os seus estudos não parem por aqui, mas que você</p><p>aprenda cada vez mais, a fim de gerarmos uma sociedade sustentável.</p><p>Bons estudos!</p><p>ÍCONES</p><p>Sabe aquele termo ou aquela palavra que você não conhece? Este ele-</p><p>mento ajudará você a conceituá-lo(a) melhor da maneira mais simples.</p><p>conceituando</p><p>No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida</p><p>para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos.</p><p>quadro-resumo</p><p>Neste elemento, você fará uma pausa para conhecer um pouco</p><p>mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos.</p><p>explorando ideias</p><p>Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e</p><p>transformar. Aproveite este momento!</p><p>pensando juntos</p><p>Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes</p><p>on-line e aprenderá de maneira interativa usando a tecno-</p><p>logia a seu favor.</p><p>conecte-se</p><p>Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar</p><p>Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicati-</p><p>vo está disponível nas plataformas: Google Play App Store</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>8</p><p>CONTEÚDO</p><p>PROGRAMÁTICO</p><p>UNIDADE 01 UNIDADE 02</p><p>UNIDADE 03</p><p>UNIDADE 05</p><p>UNIDADE 04</p><p>FECHAMENTO</p><p>O NOVO MODELO DE</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>SUSTENTÁVEL</p><p>10</p><p>EMPRESAS E O</p><p>MEIO AMBIENTE</p><p>40</p><p>79</p><p>MARKETING VERDE,</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>E CERTIFICAÇÃO</p><p>110</p><p>DIMENSÕES DA</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>SOCIAL</p><p>140</p><p>AUDITORIAS E</p><p>MODELOS DE</p><p>DIVULGAÇÕES</p><p>DE AÇÕES</p><p>SUSTENTÁVEIS</p><p>166</p><p>CONCLUSÃO GERAL</p><p>1</p><p>O NOVO MODELO DE</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>sustentável</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • O crescimento populacional e</p><p>o uso sustentável dos recursos naturais • Nosso Futuro Comum – Relatório Brundtland • Objetivos do</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>Analisar os problemas ambientais contemporâneos. • Compreender o histórico do desenvolvimento</p><p>sustentável. • Apresentar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os conceitos de susten-</p><p>tabilidade e de responsabilidade social.</p><p>PROFESSORES</p><p>Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Prezado(a) acadêmico(a), seja bem-vindo(a). Nesta primeira unidade,</p><p>você fará um estudo que é de extrema importância para várias áreas do</p><p>conhecimento: o desenvolvimento sustentável. Para iniciarmos essa dis-</p><p>cussão, gostaríamos de esclarecer que o meio ambiente que conhecemos</p><p>hoje sofreu muitas modificações ao longo dos séculos e os conceitos que</p><p>são estudados atualmente nem sempre existiram. Assim, o grande desafio</p><p>desta unidade é o de resgatar brevemente o contexto histórico ambiental e</p><p>expor os conceitos que são fundamentais para o entendimento da necessi-</p><p>dade de um novo modelo econômico e social que considere a capacidade</p><p>de renovação dos recursos naturais.</p><p>Dessa maneira, constataremos que o desenvolvimento sustentável está</p><p>relacionado com a preservação dos recursos naturais utilizados pela nossa</p><p>geração, tendo em vista as gerações vindouras. Assim, buscaremos esclarecer</p><p>algumas especificidades dos conceitos que englobam o desenvolvimento</p><p>sustentável, tais como o crescimento populacional, os problemas causados ao</p><p>meio ambiente, devido à falta de conscientização ambiental, as interferências</p><p>das organizações não governamentais (ONGs) na construção de um novo</p><p>paradigma perante a humanidade, além das interferências governamentais.</p><p>Ainda nesta unidade, você terá a oportunidade de ampliar a sua visão</p><p>sobre a criação de uma cidadania sustentável. Isso representa uma riqueza</p><p>de possibilidades, ao pensar de forma sistêmica e perceber que tudo possui</p><p>conexão com tudo. Entretanto, é preciso estar atento, visto que, seja qual for</p><p>a conexão estabelecida, ela deve estar em conformidade com a concepção</p><p>de sustentabilidade. Além do mais, as metas devem ser conjuntas, conside-</p><p>rando os aspectos econômicos, sociais e ambientais, para que, dessa forma,</p><p>alcancemos os padrões consistentes de sustentabilidade.</p><p>Diante disso, foram estabelecidas metas e propostas pautadas nos al-</p><p>cances da sustentabilidade. Um exemplo são os Objetivos de Desenvolvi-</p><p>mento Sustentável (ODS), que se referem a 17 metas globais determinadas</p><p>pela Assembleia Geral das Nações Unidas e as quais serão abordadas neste</p><p>capítulo. Bons estudos!</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>12</p><p>1</p><p>O CRESCIMENTO</p><p>POPULACIONAL</p><p>e o uso sustentável de</p><p>recursos naturais</p><p>Caro(a) aluno(a), iniciaremos os nossos estudos a partir da apresentação da relação</p><p>do crescimento populacional com a sustentabilidade. Nesse sentido, conheceremos,</p><p>a seguir, os problemas ambientais e o seu vínculo com a população humana.</p><p>Problemas ambientais: consequência do modelo</p><p>social e a sua relação com o crescimento popula-</p><p>cional</p><p>Para entendermos os fatores que geraram os debates sobre a necessidade de pro-</p><p>moção do desenvolvimento sustentável, é importante compreendermos quais</p><p>foram os marcos que influenciaram esse processo. Segundo o historiador Warren</p><p>Dean (1995), em seu livro “A Ferro e Fogo”, a destruição da Mata Atlântica teve</p><p>início no momento em que os portugueses tomaram conta do território brasi-</p><p>leiro. A natureza era vista como uma força contraditória ao desenvolvimento, ou</p><p>seja, um empecilho a ser eliminado para o cultivo das plantações, as quais eram</p><p>baseadas na monocultura de exportação.</p><p>Outro marco histórico é o desenvolvimento das máquinas a vapor, que ocor-</p><p>reu por volta de 1760. A grande Revolução Industrial e os avanços tecnológicos</p><p>proporcionaram a exploração de recursos naturais em escalas inigualáveis. Esses</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>13</p><p>avanços aumentaram a partir da invenção do motor à combustão, em 1876, e</p><p>da eletricidade, em 1870. Esse crescimento tecnológico foi o responsável por</p><p>proporcionar melhorias no crescimento econômico, mas também gerou gran-</p><p>des problemas futuros. Imersos na mentalidade da época, a poluição vinda das</p><p>fábricas era encarada como um símbolo de vitória e de prosperidade: a falta de</p><p>consciência sobre a necessidade de se promover um crescimento ecologicamente</p><p>viável e socialmente igual a todos era totalmente inexistente. Assim, surgiu uma</p><p>sociedade baseada na produção e no consumo (DEAN, 1995).</p><p>Na década de 60 e 70, em meio às mudanças socioculturais que domina-</p><p>vam a sociedade, foram iniciadas as reflexões sobre os danos causados ao meio</p><p>ambiente, o que proporcionou a elaboração dos primeiros esforços para uma</p><p>consciência ecológica e ativa. O grande sinal de alerta foi</p><p>a responsabilidade</p><p>social empresarial. As organizações não precisam mais da força muscular dos seus</p><p>funcionários, mas do seu talento, de sua criatividade e motivação.</p><p>Terceiro período: a responsabilidade social</p><p>Já sabemos como surgiu a responsabilidade social empresarial e as etapas pelas</p><p>quais passou até chegar ao que temos hoje. Assim, aprofundaremos os nossos</p><p>estudos sobre esse assunto e sobre as ferramentas que permitem planejar, imple-</p><p>mentar e avaliar uma gestão socialmente responsável.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>93</p><p>A responsabilidade, em termos gerais, refere-se à obrigação de responder</p><p>pelas consequências previsíveis das nossas ações, em virtude das leis, dos con-</p><p>tratos, das normas de grupos sociais ou de nossa convicção íntima. Portanto, a</p><p>responsabilidade social empresarial diz respeito à obrigação que o sujeito ou a</p><p>empresa tem em relação aos seus relacionamentos e à sua sociabilidade, baseada</p><p>na ética com as partes interessadas.</p><p>Barbieri e Cajazeira (2009, p. 20) explanam que:</p><p>“ A responsabilidade social centrada na função econômica da empre-</p><p>sa como geradora de lucros, salários e impostos já não seria mais</p><p>suficiente para orientar os negócios diante de novos valores reque-</p><p>ridos pela sociedade pós-industrial, como a busca de qualidade de</p><p>vida, valorização do ser humano e respeito ao meio ambiente.</p><p>Qual é a diferença entre as normas de responsabilidade social da ISO e da NBR?</p><p>Em 2004, o Brasil já havia publicado uma norma sobre Responsabilidade Social, a ABNT</p><p>NBR 16001, que foi atualizada em 2012, à luz da ISO 26000 (contemplando suas Defini-</p><p>ções, Princípios, Temas Centrais e Questões).</p><p>A Norma Brasileira difere da Norma Internacional, porque, enquanto a ISO 26000 traz</p><p>orientações e diretrizes, a ABNT NBR 16001 é uma norma de requisitos, os quais são</p><p>obrigatórios para quem declarar segui-la. Estes requisitos possibilitam a verificação do</p><p>cumprimento à Norma. Essa verificação pode, inclusive, ser feita por uma terceira par-</p><p>te independente, em um processo de auditoria externa. Isso é vantajoso principalmente</p><p>para o consumidor ou para o investidor, que podem dar preferência e escolher comprar</p><p>produtos ou serviços, ou investir em organizações que sigam os requisitos (regras) esta-</p><p>belecidos na Norma, tendo alguma confiança quanto ao seu cumprimento, pois alguém</p><p>atesta e emite um certificado com a sua assinatura. O Instituto Nacional de Metrologia,</p><p>Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desenvolveu um Programa de Avaliação da Conformida-</p><p>de específico para esta Norma, o Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilida-</p><p>de Social (PBCRS). O Inmetro define procedimentos de certificação e realiza a acreditação</p><p>de organismos de certificação que realizam auditorias nas organizações e emitem o certi-</p><p>ficado, que leva também a marca do Inmetro.</p><p>Fonte: Inmetro ([2020], p. 11).</p><p>explorando Ideias</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>94</p><p>Normas e certificações</p><p>Você provavelmente já deve ter se deparado com o termo “ISO” em leituras sobre</p><p>as normas de certificação, em pesquisas acerca das organizações (empresas ou</p><p>indústrias) ou, ainda, teve acesso a essa sigla mediante o marketing realizado por</p><p>alguma organização. Note que algumas empresas, dos mais variados ramos de</p><p>atuação, divulgam a obtenção das certificações ISO enquanto uma estratégia de</p><p>marketing positiva, como no caso das ISO 9000 e 14000, que possuem validade</p><p>internacional em termos de gestão da qualidade e em relação a um sistema de</p><p>gestão ambiental, respectivamente.</p><p>Contudo, afinal, o que vem a ser uma “ISO”? Qual é o seu significado? A sigla</p><p>“ISO” corresponde, em inglês, à International Organization for Standardization</p><p>ou Organização Internacional de Normalização. Essa organização foi fundada,</p><p>em 1946, enquanto uma confederação de organismos de normalização inter-</p><p>nacional voltada à parametrização e ao desenvolvimento de padrões e normas</p><p>aceitos internacionalmente. A sua criação foi fundamental ao contexto histórico</p><p>do desenvolvimento das relações internacionais, ao acesso ao mercado externo</p><p>e, consequentemente, à situação econômica atual (DIAS, 2017).</p><p>Segundo Costa (2011, p. 15), a ISO:</p><p>“ [...] atua como entidade não governamental, desvinculada formal-</p><p>mente de empresas e governos, embora entre as suas filiadas possam</p><p>se encontrar tanto os organismos estatais de normalização como</p><p>organismos com forte influência de setores empresariais e gover-</p><p>namentais. A ISO está sediada em Genebra, na Suíça, e reúne em</p><p>torno de 157 países desenvolvidos e em desenvolvimento, de todas</p><p>as regiões do mundo.</p><p>Diante do exposto, é possível compreender o que significa uma ISO e qual é a</p><p>sua importância para o desenvolvimento da sociedade e das relações “internas e</p><p>externas” estabelecidas, sobretudo as econômicas nacionais e entre nações. Isso</p><p>se deve, uma vez que uma organização detentora de uma certificação ISO passa</p><p>a regular e a fiscalizar as demais instituições com as quais se relaciona, sendo um</p><p>requisito quanto aos seus processos e à sua qualidade.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>95</p><p>Um exemplo é o conjunto de normas ISO 14000, o qual estabelece três tipos</p><p>de rótulos: tipo I, tipo II e tipo III. Esse grupo está diretamente atrelado ao “p” de</p><p>produto, assim como trabalhamos no tópico anterior. Barbieri (2016) explana</p><p>que os rótulos devem ser baseados em metodologias científicas, com o intuito</p><p>de darem suporte às afirmações, e os critérios utilizados devem ser relevantes ao</p><p>ciclo de vida do produto.</p><p>O quadro a seguir nos apresenta os tipos de rótulos ambientais:</p><p>TIPO1 TIPO II TIPO III</p><p>NORMA NBR</p><p>ISO 14024</p><p>NORMA NBR</p><p>ISO 14021</p><p>NORMA NBR</p><p>ISO 14025</p><p>Rótulo baseado no pro-</p><p>grama de terceira parte</p><p>de adesão voluntária.</p><p>Autodeclaração feita</p><p>por fabricantes, comer-</p><p>ciantes, importadores e</p><p>outros que possam se</p><p>beneficiar.</p><p>Declaração que contém</p><p>as informações quan-</p><p>tificadas sobre parâ-</p><p>metros ambientais em</p><p>produtos e em serviços</p><p>previamente definidos.</p><p>Baseado em iniciativas</p><p>voluntárias, consideran-</p><p>do a competitividade</p><p>no mercado. Também</p><p>é calcado em aspectos</p><p>de procura dos consu-</p><p>midores por produtos</p><p>ecologicamente corre-</p><p>tos.</p><p>Um ou mais critérios</p><p>definidos pelo inte-</p><p>ressado. Por exemplo:</p><p>autodeclaração do fa-</p><p>bricante sobre o teor</p><p>de materiais reciclados</p><p>contido no produto.</p><p>Critérios múltiplos pre-</p><p>viamente definidos</p><p>para categorias de pro-</p><p>dutos.</p><p>Produtos de categorias</p><p>previamente seleciona-</p><p>das pelo programa.</p><p>Qualquer produto.</p><p>Produtos de categorias</p><p>previamente seleciona-</p><p>das pelo programa.</p><p>Pautado no desenvolvi-</p><p>mento do marketing e</p><p>na conscientização do</p><p>consumidor.</p><p>Descreve termos se-</p><p>lecionados, utilizados</p><p>comumente em de-</p><p>clarações ambientais.</p><p>Também fornece quali-</p><p>ficações para o seu uso.</p><p>Endereçado às empre-</p><p>sas.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>96</p><p>Considera o ciclo do</p><p>produto, assim como</p><p>a redução de impactos</p><p>ambientais negativos.</p><p>Não considera o ciclo</p><p>do produto.</p><p>Considera o ciclo do</p><p>produto.</p><p>Certificação voluntária</p><p>e realizada por um or-</p><p>ganismo certificador,</p><p>com auditoria de tercei-</p><p>ra parte.</p><p>Não exige certificação</p><p>de terceira parte.</p><p>Exige certificação de</p><p>terceira parte.</p><p>As rotulagens são uma</p><p>estratégia de comuni-</p><p>cação entre os setores</p><p>público e privado e os</p><p>consumidores.</p><p>Apresenta-se como tex-</p><p>to e como símbolo im-</p><p>pressos em produtos e</p><p>em suas embalagens.</p><p>Por exemplo: ciclos de</p><p>Mödius.</p><p>Apresenta-se como um</p><p>texto que possui dados</p><p>da empresa, do produ-</p><p>to, dos impactos am-</p><p>bientais quantificados,</p><p>do organismo de certi-</p><p>ficação etc.</p><p>Quadro 1 - Tipos de rótulos ambientais / Fonte: adaptado de Barbieri (2016).</p><p>Outro exemplo é a ISO 26000, elaborada em novembro de 2010, que contribuiu</p><p>imensuravelmente para a difusão da responsabilidade social nas organizações.</p><p>Como consequência, atraiu uma crescente atenção da sociedade, da comunidade</p><p>científica e do setor empresarial (FREITAG; QUELHAS, 2016).</p><p>A referida norma também é conhecida, no Brasil, como NBR ISO 26000:2010</p><p>(ABNT, 2010), que trata de diretrizes sobre a responsabilidade social. Assim,</p><p>por</p><p>exemplo, quando as normas internacionais são incorporadas aos padrões inter-</p><p>nos, consolidando a consonância entre o que é internacional e nacional, não há</p><p>apenas uma mera tradução da norma ISO, mas são realizadas adaptações, tendo</p><p>em vista a realidade interna.</p><p>A NBR ISO 26000:2010 carrega um amplo escopo, o qual inclui a dimensão</p><p>social, ambiental e econômica do desenvolvimento sustentável, ao versar sobre as</p><p>questões relativas aos direitos dos consumidores, à comercialização justa, aos di-</p><p>reitos humanos e trabalhistas, ao combate à discriminação e às práticas antiéticas,</p><p>à proteção às populações vulneráveis e ao relacionamento com as comunidades.</p><p>Segundo Costa (2011), diante de visões diferenciadas e práticas questionáveis,</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>97</p><p>essa norma, em síntese, devido ao seu conteúdo e à sua metodologia de cons-</p><p>trução, torna-se a base para a definição de políticas e práticas de empresas e</p><p>organizações em relação à responsabilidade social.</p><p>Possivelmente, você está se questionando: como uma norma internacional</p><p>acerca da responsabilidade social pode influenciar positivamente o contexto</p><p>social? Esse é um bom questionamento e será elucidado a seguir, a partir dos</p><p>exemplos apresentados e das reflexões sobre o tema. Vamos começar?</p><p>Historicamente, toda a trajetória do desenvolvimento da humanidade e da in-</p><p>tensificação da globalização culminou em pressões resultantes do capitalismo em</p><p>relação à exploração da mão de obra, fato que ocorreu devido à competitividade</p><p>do mercado. Nesse contexto, as organizações passaram a exercer pressões sobre</p><p>os governos no tocante aos direitos e às legislações trabalhistas, com o intuito de</p><p>torná-las mais flexíveis, o que foi um fator de grande influência no processo de</p><p>precarização nas mais diversas regiões do globo.</p><p>Também é válido mencionarmos os casos históricos de infração de direitos</p><p>trabalhistas, como aqueles que envolviam marcas famosas, a fim de dimensionar-</p><p>mos a repercussão das situações que envolviam práticas contrárias aos direitos</p><p>humanos. Algumas dessas atitudes incluíam:</p><p>■ Jornadas de trabalho exorbitantes.</p><p>■ Assédio moral e perseguições trabalhistas.</p><p>■ Casos de partos em “chão de fábrica”.</p><p>■ Trabalho infantil.</p><p>■ Baixos salários e trabalho por dívida.</p><p>Uma certificação internacional, mesmo que de caráter orientativo, como é o caso</p><p>da NBR ISO 26000:2010, poderá influenciar significativamente o desenvolvi-</p><p>mento social. Um fator que pode contribuir para essa concretização é a busca</p><p>por espaço de mercado.</p><p>Gostaria de conhecer alguns casos históricos de infrações aos direitos huma-</p><p>nos e trabalhistas no Brasil e no mundo?</p><p>conecte-se</p><p>https://www.politize.com.br/direitos-trabalhistas-historia/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>98</p><p>Atualmente, as organizações buscam cada vez mais atender às exigências do</p><p>mercado atual, ação que teve início, em especial, no momento em que o público</p><p>consumidor se tornou seleto e bem informado (fatores que são reflexos do ad-</p><p>vento das mídias sociais). Nesse sentido, as adequações às normas de relevância</p><p>internacional passaram a atuar como ferramentas de marketing que reduzem as</p><p>pressões sociais, engajam o público interno da organização e promovem sucesso</p><p>e desempenho econômico (DIAS, 2017).</p><p>A NBR ISO 26000 é uma ferramenta voluntária que provocará mudanças nas</p><p>organizações. Além disso, é uma norma não certificável que oferece orientações</p><p>de responsabilidade social para diferentes tipos de instituições públicas e priva-</p><p>das, assim como é válida para os países desenvolvidos e os em desenvolvimento.</p><p>Tem por objetivo tornar compreensível o que é a responsabilidade social e como</p><p>se relacionam os diferentes tipos de organizações, incluindo as pequenas e as</p><p>médias empresas (BARBIERI, 2016).</p><p>Uma de suas principais contribuições é a definição do que é a responsabilidade</p><p>social para as empresas, de maneira geral. Desse modo, a norma sustenta que ela</p><p>é a responsabilidade que uma organização tem pelos impactos de suas decisões</p><p>e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento</p><p>ético e transparente. Segundo Barbieri (2016), essa conduta:</p><p>■ Visa contribuir para o desenvolvimento sustentável.</p><p>■ Leva em consideração as expectativas dos stakeholders.</p><p>■ Está em conformidade com a legislação aplicável.</p><p>■ Está integrada com toda a organização.</p><p>A preservação ambiental é consequência da consciência ambiental e da responsabilidade</p><p>social. Já o desenvolvimento econômico exploratório vai contra essa lógica, ao mesmo</p><p>tempo em que aumenta as desigualdades sociais.</p><p>pensando juntos</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>99</p><p>Como exemplo, é possível constatar os benefícios das empresas que adotam a</p><p>responsabilidade social e os temas vinculados à NBR ISO 26000:2010:</p><p>De acordo com a ABNT (2010),</p><p>os principais temas da respon-</p><p>sabilidade social são:</p><p>1. Accountability.</p><p>2. Transparência.</p><p>3. Comportamento ético.</p><p>4. Respeito pelos interesses</p><p>das partes interessadas.</p><p>5. Respeito pelo estado de</p><p>direito.</p><p>6. Respeito pelas normas</p><p>internacionais de comporta-</p><p>mento.</p><p>7. Respeito pelos direitos</p><p>humanos.</p><p>Benefícios que as empresas têm ao</p><p>adotarem a responsabilidade social, de</p><p>acordo com a ABNT (2010):</p><p>1. Melhor compreensão das expectati-</p><p>vas da sociedade.</p><p>2. Melhoria das práticas de gestão de</p><p>risco.</p><p>3. Melhoria da reputação e da confiança</p><p>por parte do público.</p><p>4. Suporte ao licenciamento ambiental,</p><p>especialmente a licença de operação.</p><p>5. Melhoria na competitividade empre-</p><p>sarial.</p><p>6. Melhoria no acesso ao financiamento</p><p>e à economia de recursos.</p><p>7. Fidelidade de clientes.</p><p>8. Melhoria na saúde e na segurança</p><p>dos colaboradores.</p><p>Toda norma é estruturada com os parâmetros que norteiam os seus princí-</p><p>pios e diretrizes. Quer saber como se estrutura a NBR ISO 26000?</p><p>conecte-se</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/pontos-iso.asp</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>100</p><p>3</p><p>NBR 16001: A NORMA</p><p>BRASILEIRA DE</p><p>Gestão da Responsabilidade</p><p>Social</p><p>A responsabilidade social se configurou como um modelo de gestão que apro-</p><p>xima o relacionamento da organização com as suas partes interessadas (público</p><p>interno, fornecedores, clientes, comunidade de entorno, dentre outros). Assim, é</p><p>perceptível que, nos dias atuais, as empresas têm sofrido pressões da sociedade</p><p>em relação à busca por soluções ambientalmente corretas aos seus produtos e</p><p>serviços, além da incorporação da responsabilidade social em seu negócio.</p><p>Nesse ínterim, os empresários têm percebido que a gestão da sustentabilidade</p><p>é fundamental para garantir uma vantagem competitiva no mercado. Uma das</p><p>formas de realização dessa gestão é a implementação de um sistema de gestão de</p><p>responsabilidade, o qual as empresas podem incluir em seu sistema e certificá-lo</p><p>por meio da NBR 16001.</p><p>A NBR 16001 utiliza as três dimensões da sustentabilidade enquanto os seus</p><p>fundamentos, a saber: pessoa, planeta e lucro. Ela pode ser implementada em</p><p>conjunto com outras normas, como as da família NBR ISO 9000 (qualidade),</p><p>NBR ISO 14000 (meio ambiente) e OHSAS 18000 (segurança do trabalho), que</p><p>foi alterada para NBR ISO 45001 no ano de 2018. Cabe, porém, ao empreendedor</p><p>decidir qual estratégia a sua organização adotará.</p><p>A NBR 16001 é uma norma aplicável a qualquer tipo e porte de organização</p><p>e apresenta um conjunto de requisitos associados à ética, à cidadania, aos direi-</p><p>tos humanos e ao desenvolvimento sustentável (SORATTO et al., 2006). Dessa</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>101</p><p>maneira, os empresários podem incluí-la, assumindo o compromisso contínuo</p><p>de comportamento ético e contribuição com o desenvolvimento econômico, a</p><p>fim de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, de suas famílias, da co-</p><p>munidade local e da sociedade, de modo geral.</p><p>A NBR 16001 teve a sua primeira versão publicada em 2004, que foi atualiza-</p><p>da em 2012 com base na ISO 26000 (norma internacional publicada no ano de</p><p>2010). A revisão da NBR 16001 ocorreu no âmbito nacional e o Inmetro criou o</p><p>Programa Brasileiro de Certificação em</p><p>Responsabilidade Social, de acordo com</p><p>a referida norma, a qual teve um plano de transição para as empresas.</p><p>Nesse plano, segundo o Inmetro ([2020], on-line)², foi estabelecido que:</p><p>“ 1. As organizações certificadas com base na norma ABNT NBR</p><p>16001:2004 podem, a qualquer tempo, a contar da data de publica-</p><p>ção desta Portaria, migrar para a versão atual da norma, mediante</p><p>auditoria;</p><p>2. As solicitações de certificação inicial poderão continuar a ser</p><p>concedidas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 em até 12</p><p>(doze) meses contados da publicação desta Portaria;</p><p>3. As solicitações de recertificação poderão continuar a ser conce-</p><p>didas com base na norma ABNT NBR 16001:2004 em até 24 (vinte</p><p>e quatro) meses contados da publicação desta Portaria;</p><p>4. Todas as certificações vigentes concedidas com base na norma</p><p>ABNT NBR 16001:2004 deverão ser migradas para a versão atual</p><p>da norma ou serem canceladas no prazo de 36 (trinta e seis) meses,</p><p>contar da data de publicação desta Portaria.</p><p>Em outras palavras, a partir de 2015, todas as organizações deveriam ter migrado</p><p>para a versão mais atual da norma.</p><p>NBR 16001: principais elementos</p><p>Os principais elementos da NBR ISO 16001 consideram as exigências legais, a</p><p>transparência das atividades, os compromissos éticos e a preocupação com a pro-</p><p>moção da cidadania e do desenvolvimento sustentável. Além do mais, segundo</p><p>Ursine e Sekiguchi (2005 apud INMETRO, [2020], on-line)², é uma norma que:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>102</p><p>■ É aplicável a qualquer tipo e porte de organização, desde pequenas até médias</p><p>e grandes empresas.</p><p>■ Amplia o entendimento de responsabilidade social.</p><p>■ Exige o comprometimento dos funcionários e dos dirigentes de todos os níveis</p><p>e funções.</p><p>■ Determina uma política da responsabilidade social e desenvolve programas</p><p>com objetivos e metas.</p><p>Portanto, as empresas devem desenvolver programas (com objetivos e metas)</p><p>que contemplem onze temas da responsabilidade social. São eles, de acordo com</p><p>a ABNT (2004):</p><p>1. Boas práticas de governança.</p><p>2. Combate à pirataria, à sonegação, à fraude e à corrupção.</p><p>3. Práticas leais de concorrência.</p><p>4. Direitos da criança e do adolescente, incluindo o combate ao trabalho</p><p>infantil.</p><p>5. Direitos do trabalhador, incluindo o de livre associação, de negociação, a</p><p>remuneração justa, os benefícios básicos e o combate ao trabalho forçado.</p><p>6. Promoção da diversidade e o combate à discriminação. São exemplos</p><p>de segregação: cultural, de gênero, de raça/etnia, de idade, à pessoa com</p><p>deficiência.</p><p>7. Compromisso com o desenvolvimento profissional.</p><p>8. Promoção da saúde e da segurança.</p><p>9. Promoção de padrões sustentáveis de desenvolvimento, produção, dis-</p><p>tribuição e consumo, contemplando os fornecedores, os prestadores de</p><p>serviço, dentre outros.</p><p>10. Proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações futuras.</p><p>11. Ações sociais de interesse público.</p><p>O atendimento aos requisitos da norma não significa que a organização é so-</p><p>cialmente responsável, mas que possui um sistema de gestão da responsabili-</p><p>dade social.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>103</p><p>Um outro aspecto relevante da NBR 16001 é a política de responsabilidade so-</p><p>cial que deve ser definida pela alta administração, a partir da consulta às partes</p><p>interessadas. De acordo com a ABNT (2004, p. 3-4), essa política deve ser:</p><p>“ a) apropriada à natureza, à escala e aos impactos da organização;</p><p>b) inclua o comprometimento com a promoção da ética e do de-</p><p>senvolvimento sustentável;</p><p>c) inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com a</p><p>prevenção de impactos adversos;</p><p>d) inclua o comprometimento com o atendimento à legislação e</p><p>demais requisitos subscritos pela organização;</p><p>e) forneça a estrutura para o estabelecimento e revisão dos objetivos</p><p>e metas da responsabilidade social;</p><p>f) seja documentada, implementada e mantida;</p><p>g) seja comunicada para todas as pessoas que trabalham para ou</p><p>em nome da organização;</p><p>h) esteja disponível para o público; e</p><p>i) seja implementada por toda a organização.</p><p>Para a implementação de um sistema de gestão de responsabilidade social, é pos-</p><p>sível utilizar uma ferramenta baseada no ciclo PDCA – Plan, Do, Check, Act ou,</p><p>em português, planejar, fazer, checar e agir –, uma vez que esse ciclo fornece um</p><p>processo iterativo utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua.</p><p>Vamos conhecer como funciona o ciclo PDCA?</p><p>Assim como a NBR 26000, a NBR 16001 também possui uma estrutura, a</p><p>qual é ainda mais abrangente! Quer conhecê-la?</p><p>conecte-se</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/norma_nacional.asp</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>104</p><p>ETAPAS</p><p>P - Plan/</p><p>Planejar</p><p>D - Do/</p><p>Fazer</p><p>C - Check/</p><p>Checar</p><p>A - Act/Agir</p><p>ELEMENTOS</p><p>Planejamen-</p><p>to</p><p>Políticas</p><p>Recursos</p><p>Objetivos</p><p>Processos</p><p>Treinamen-</p><p>tos</p><p>Prevenção</p><p>Prática</p><p>Verificar</p><p>Audições</p><p>Verificações</p><p>Continuidade</p><p>Melhorias</p><p>Ações Preven-</p><p>tivas</p><p>Ações Corre-</p><p>tivas</p><p>O processo de certificação</p><p>O Programa Brasileiro de Certificação em Responsabilidade Social (PBCRS) é:</p><p>“ [...] um processo voluntário, no qual a organização busca demons-</p><p>trar aos clientes e à sociedade, por meio de uma avaliação de terceira</p><p>parte, que o sistema de gestão atende aos princípios da responsabi-</p><p>lidade social. Na estrutura geral do PBCRS estão incluídas a gestão</p><p>do Programa, a acreditação de certificadoras e a normalização (IN-</p><p>METRO, [2020], on-line)³.</p><p>O fornecimento de produtos com mais qualidade aumenta a satisfação do cliente</p><p>e facilita a venda e a introdução do item em novos mercados, fato que é mais</p><p>perceptível pela indústria. Os consumidores dos países desenvolvidos, mais crite-</p><p>riosos no momento de sua compra, exigem a comprovação da origem e da quali-</p><p>dade dos produtos por meio do processo de certificação. No entanto, apesar de a</p><p>certificação constituir uma agregação de valor e um diferencial para a distinção</p><p>do produto junto aos consumidores, muitos produtores ainda a visualizam como</p><p>um encarecimento de custos.</p><p>O primeiro processo de avaliação da conformidade, no Brasil, com creden-</p><p>ciamento de organismo acreditador reconhecido em fóruns internacionais na</p><p>área do agronegócio foi a Produção Integrada de Frutas (PIF), capitaneada pelo</p><p>Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em parceria com</p><p>o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e</p><p>com o Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade (Inmetro).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>105</p><p>No Regulamento de Avaliação da Conformidade (RAC) elaborado pelo</p><p>Inmetro e aprovado em fevereiro de 2006, estão estabelecidos os critérios do</p><p>Programa de Avaliação da Conformidade de SGRS (Sistema de Gestão da Res-</p><p>ponsabilidade Social) com base na NBR 16001. Para isso:</p><p>“ O Inmetro, portanto, define procedimentos de certificação e realiza a</p><p>acreditação de organismos de certificação, que por sua vez realizam</p><p>auditorias nas organizações e emitem o certificado para aquelas que</p><p>estejam cumprindo os requisitos estabelecidos na norma. Esse certifi-</p><p>cado leva também a marca do Inmetro (INMETRO, [2020], on-line)³.</p><p>Além do mais, no processo de certificação, as auditorias são imprescindíveis, dado</p><p>que verificam a situação do sistema de gestão implantado pela empresa, o qual</p><p>tem duas fases. Essas etapas podem ser visualizadas no quadro a seguir:</p><p>FASE 1 FASE 2</p><p>Inicia-se com a análise crítica, que</p><p>compreende a verificação das docu-</p><p>mentações.</p><p>Trata-se da auditoria feita. Nela,</p><p>são verificadas as instalações da</p><p>organização por meio de entrevistas</p><p>com a força de trabalho, cujo objeti-</p><p>vo é o de verificar os atendimentos</p><p>aos requisitos da NBR 16001.</p><p>Quadro 2 - Fases da auditoria para a certificação</p><p>Fonte: adaptado de Inmetro ([2020], on-line)4.</p><p>A certificação, no Sistema de Gestão da Responsabilidade Social (SGRS), com</p><p>base na NBR 16001, abrange as três principais dimensões da sustentabilidade: a</p><p>econômica, a social e a ambiental. Assim, de acordo com a ABNT (2012), são</p><p>avaliados os princípios que as organizações devem seguir, a saber:</p><p>1. Accountability ou responsabilização.</p><p>2. Transparência.</p><p>3. Comportamento ético.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>3</p><p>106</p><p>4. Respeito aos interesses das partes interessadas.</p><p>5. Respeito ao estado de direito.</p><p>6. Respeito às normas internacionais de comportamento.</p><p>7. Respeito aos direitos humanos.</p><p>O Inmetro ([2020], on-line)³ também sustenta que as empresas devem tratar</p><p>de temas fundamentais da responsabilidade social, tais como a governança or-</p><p>ganizacional, os direitos humanos, as práticas de trabalho, o meio ambiente, as</p><p>práticas legais de operação, as questões relativas ao consumidor, o envolvimento</p><p>e o desenvolvimento da comunidade.</p><p>A NBR 16001 é uma norma brasileira e, para as empresas que desejam obter a</p><p>sua certificação, é importante buscar uma organização (para a certificação) que</p><p>seja reconhecida pelo Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial</p><p>(Inmetro). As certificações na área de sustentabilidade e responsabilidade social</p><p>são importantes para as instituições, mas esse índice ainda é muito baixo. Por</p><p>outro lado, é cada vez mais visível a adoção de práticas de responsabilidade social,</p><p>bem como a sua compreensão e difusão.</p><p>Conhece alguma empresa que possui a certificação NBR 16001? Que tal co-</p><p>nhecer algumas instituições que obtiveram excelência nessa temática?</p><p>conecte-se</p><p>http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/programa_certificacao.asp</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>107</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Prezado(a) aluno(a), podemos afirmar que a responsabilidade socioambiental</p><p>corporativa, por meio da perspectiva de geração de valor compartilhado entre</p><p>mercado, governo e sociedade, demonstra o surgimento de um novo tipo de re-</p><p>lacionamento que busca a harmonia dos interesses dos três pilares da sociedade</p><p>moderna: o governo, as empresas e a sociedade.</p><p>As organizações empresariais têm demonstrado uma crescente preocupação</p><p>com o impacto de suas ações na sociedade e, consequentemente, tem sido dada</p><p>uma maior importância às estratégias de responsabilidade social. Apesar da li-</p><p>mitação do nosso conhecimento sobre os motivos pelos quais há o envolvimento</p><p>de instituições em relação à responsabilidade social empresarial e qual é o seu</p><p>valor criado, as investigações nessa área têm aumentado, a partir da busca por</p><p>estratégias e normas que possam ser introduzidas, de forma que sejam diminuí-</p><p>dos os impactos gerados por atividades empresariais. Diante disso, é favorecido o</p><p>compartilhamento de valores e fortalecida a competitividade entre as empresas.</p><p>Os interesses ainda divergem, mas o convite para que todos possam tomar</p><p>as suas posições diante da injustiça ambiental e social é gradativamente aceito.</p><p>Mesmo que o todo não seja a soma das partes, trata-se de um tema cada vez</p><p>mais divulgado entre elas, nas quais observamos consumidores cada vez mais</p><p>exigentes e mercados cada vez mais competitivos. Diante disso, as organizações</p><p>têm buscado formas de obter a responsabilidade social e apresentá-la aos seus</p><p>stakeholders, o que pode ser alcançado por meio das certificações, que demons-</p><p>tram as suas práticas sustentáveis. Portanto, os requisitos estabelecidos pela NBR</p><p>16001 podem auxiliar as empresas de qualquer tamanho e porte a certificarem</p><p>os seus sistemas de responsabilidade social.</p><p>108</p><p>na prática</p><p>1. Existem vários tipos de produtos que são ofertados no mercado e, consequente-</p><p>mente, há o surgimento dos produtos verdes. Diante disso, explique o que é um</p><p>produto verde.</p><p>2. Uma das formas de demonstração que um produto é verde é por meio da rotulagem</p><p>ambiental. Assim, descreva um rótulo do tipo I.</p><p>3. Quando tratamos da distribuição dos produtos ecológicos, devemos considerar todo</p><p>o ciclo de vida do item e o incentivo para a prática de logística reversa. Sobre esse</p><p>assunto, descreva a logística reversa.</p><p>4. Existem práticas publicitárias que enganam os clientes. Nesse sentido, explique o</p><p>que é o greenwashing.</p><p>5. A NBR ISO 26000 é uma norma internacional de responsabilidade social e apresenta</p><p>temas que devem ser tratados pelas organizações. Dessa forma, segundo a referida</p><p>norma, quais são os principais temas de responsabilidade social?</p><p>109</p><p>eu recomendo!</p><p>Marketing verde: estratégias para o desenvolvimento da</p><p>qualidade ambiental nos produtos</p><p>Autor: Ricardo Ribeiro Alves e Laércio Antônio Gonçalves Jacovine</p><p>Editora: Paco Editorial</p><p>Sinopse: a obra relaciona a discussão do marketing verde com as</p><p>teorias já estabelecidas e aceitas pelo marketing tradicional. Essa</p><p>associação auxilia os administradores, empresários e demais in-</p><p>teressados na importante tarefa de incorporar as questões ambientais nas estra-</p><p>tégias gerais de suas organizações, em particular, na produção, na comercializa-</p><p>ção e no descarte de produtos mais verdes.</p><p>livro</p><p>Auditoria e certificação ambiental</p><p>Autor: Clauciana Schmidt Bueno de Moraes e Érica Pugliesi</p><p>Editora: Intersaberes</p><p>Sinopse: as organizações visualizam uma necessidade cada vez</p><p>maior de aliar os seus processos de produção a uma gestão</p><p>ambiental responsável. Alguns desses procedimentos podem</p><p>ser implantados, gerenciados e certificados por meio de guias</p><p>e normas, as quais, para que possam ser utilizadas em organizações, produtos</p><p>e serviços, demandam auditorias que confiram o aval às empresas solicitantes.</p><p>Diante disso, a obra analisa a evolução da gestão ambiental – suas normas, se-</p><p>los, certificações e ferramentas de gerenciamento e auditoria – enquanto um</p><p>instrumento de melhoria da qualidade e do desempenho ambiental nas institui-</p><p>ções públicas e privadas.</p><p>livro</p><p>4</p><p>DIMENSÕES DA</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>Social</p><p>PROFESSORES</p><p>Prof. Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Prof. Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Prof. Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Dimensões da Responsabilidade</p><p>Social Empresarial • A importância da ética empresarial • Políticas de inclusão e de responsabilidade</p><p>social.</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>• Compreender as dimensões da Responsabilidade Social Empresarial • Analisar as nuances da ética</p><p>empresarial • Trabalhar as políticas e as práticas inclusivas.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro(a) aluno(a), nesta unidade, abordaremos as questões relacionadas à</p><p>Responsabilidade Social Empresarial (RSE), tais como os seus padrões e</p><p>parâmetros de análise. Para tanto, iniciaremos os nossos estudos a partir do</p><p>modelo de Archie Carroll (1979), que tratava a RSE em pilares. Esse modelo</p><p>tem, como base, a responsabilidade econômica, que é o pilar o qual visa à</p><p>lucratividade da empresa. Já o segundo pilar é a responsabilidade legal, que</p><p>preconiza que a organização deve estar consciente das leis e da sua aplica-</p><p>ção em suas atividades. Depois, há o pilar da responsabilidade ética, que</p><p>defende que a instituição deve “fazer o que é certo”, ou seja, deve ser justa e</p><p>evitar danos. Por fim, tem-se o pilar da responsabilidade filantrópica, que</p><p>sustenta que a empresa deve contribuir com recursos para a comunidade,</p><p>a fim de melhorar a qualidade de vida.</p><p>Analisaremos outras abordagens baseadas na análise e na interpretação</p><p>do padrão proposto por Carroll (1979). No entanto, pelo fato de que os vá-</p><p>rios estudos podem ser confusos para as organizações, foi criado um novo</p><p>modelo, o qual faz o uso de círculos para indicar os campos da RSE eco-</p><p>nômica, legal e ética. Nesse modelo, são apresentadas interseções entre os</p><p>campos, mas os elementos também podem ser analisados separadamente.</p><p>Também estudaremos as dimensões internas e externas da RSE. A di-</p><p>mensão interna ocorre no interior da organização e abrange os colabo-</p><p>radores, os fornecedores e os integrantes de toda a cadeia produtiva. Por</p><p>sua vez, a dimensão externa ultrapassa os limites da empresa, uma vez que</p><p>são contempladas as iniciativas que dão suporte à comunidade na qual a</p><p>instituição está inserida, por meio de doações, participações em fóruns,</p><p>programas educacionais, dentre outros.</p><p>Além disso, trabalharemos o conceito de ética empresarial, as suas cin-</p><p>co dimensões e a sua relação</p><p>com a RSE. Finalizaremos a nossa unidade</p><p>com a apresentação de programas de inclusão que demonstram o compro-</p><p>metimento das organizações com a RSE. Bons estudos!</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>112</p><p>1</p><p>AS DIMENSÕES DA</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>SOCIAL</p><p>empresarial</p><p>O professor Archie Carroll (1979) foi o primeiro autor a construir um mode-</p><p>lo que avaliasse o desempenho das organizações a nível social. O objetivo do</p><p>modelo proposto por Carroll era o de construir um enquadramento conceitual</p><p>para outros estudiosos, com o intuito de os fazerem compreender que as várias</p><p>definições de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) incluem um modelo de</p><p>desempenho social. Não só, mas também visava à criação de um modelo que fosse</p><p>uma espécie de guia aos gestores na aplicação da responsabilidade empresarial</p><p>(MACEDO; GADELHA; CÂNDIDO, 2014). Nesse sentido:</p><p>“ Esses debates referentes à criação de modelos sobre a responsabi-</p><p>lidade social empresarial ganharam notoriedade e profundidade a</p><p>partir da explicação de que a Responsabilidade Social Empresarial</p><p>(RSE) inclui as expectativas da sociedade em relação às organiza-</p><p>ções, em aspectos econômico, legal, ético e discricionário, em dado</p><p>momento no tempo (CARROLL, 1979, p. 499, tradução nossa).</p><p>Para Carroll (1979), a responsabilidade econômica é a primeira e a principal</p><p>responsabilidade social da empresa, pois, antes de implantar qualquer progra-</p><p>ma, uma instituição precisa ser lucrativa. Logo, há a responsabilidade legal, visto</p><p>que as organizações, além de buscarem o lucro, precisam cumprir as leis e os</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>113</p><p>regulamentos estabelecidos pelo governo. Já a responsabilidade ética é referente</p><p>à obrigação da organização em fazer o que é certo e justo, evitando ou minimizan-</p><p>do os danos à sociedade. A responsabilidade discricionária, diferentemente das</p><p>demais, surgiu sem a sinalização da sociedade, mas ocorreu a partir de escolhas</p><p>individuais. Em consequência disso, Carroll (1979) refletiu se era correto afirmar</p><p>que essa responsabilidade estaria vinculada às organizações.</p><p>Em continuidade às suas pesquisas, Carroll (1991) concebeu as quatro di-</p><p>mensões da RSE em uma pirâmide. A sua base é a responsabilidade econômica,</p><p>visto que é o suporte de toda organização, seguida da responsabilidade legal, que</p><p>diz respeito ao cumprimento da legislação vigente. O terceiro pilar dessa pirâmide</p><p>é a responsabilidade ética da organização, a qual defende que a empresa deve fazer</p><p>o que é correto. Por fim, no topo, Carroll denominou o quarto pilar de responsa-</p><p>bilidade social filantrópica, que contempla as ações em resposta às necessidades</p><p>da sociedade. Podemos observar a pirâmide de Carroll (1991) na figura a seguir:</p><p>Responsabilidades �lantrópicas:</p><p>Empresa cidadã - contribuir com recursos</p><p>para a comunidade melhorar a</p><p>qualidade de vida.</p><p>Responsabilidades éticas:</p><p>Ser ético - obrigação de fazer o que</p><p>é certo, justo; evitar danos.</p><p>Responsabilidades legais:</p><p>Obedecer às leis - a legislação é a codi�cação</p><p>do certo e errado numa sociedade; jogar</p><p>dentro das regras do jogo.</p><p>Responsabilidades Econômicas:</p><p>Ser lucrativa - a base da pirâmide da qual</p><p>derivam as demais responsabilidades.</p><p>Figura 1 - Pirâmide da RSE</p><p>Fonte: adaptada de Carroll (1991).</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>114</p><p>Com a construção da pirâmide proposta por Carroll (1979), todas as responsabi-</p><p>lidades dos negócios foram conferidas sobre a sua base, isto é, a responsabilidade</p><p>econômica, a “razão de ser” da organização, que trata da questão da lucratividade</p><p>da empresa aos seus acionistas e atende às demandas da sociedade. Desse modo,</p><p>todas as demais responsabilidades ocorrem depois que esse princípio funda-</p><p>mental é satisfeito.</p><p>Esse modelo é um dos primeiros exemplos de como a estrutura de responsabi-</p><p>lidades deve ser incluída em uma corporação e é amplamente utilizado. Entretanto,</p><p>tem enfrentado inúmeras críticas, por meio da afirmação de que as raízes empresa-</p><p>riais são a maximização do lucro e a ação em nome dos interesses de seus acionistas,</p><p>o que pode impedir que as organizações atuem de forma socialmente responsável.</p><p>A priorização do lucro constitui uma visão deturpada da RSE, uma vez</p><p>que, segundo Campbell (2007, p. 12, tradução nossa), “as organizações que estão</p><p>vivendo momentos desfavoráveis economicamente são menos propensas a se</p><p>envolverem em atos de responsabilidade social, pois têm menos recursos para</p><p>investimentos em tempo, esforço e dinheiro”. No entanto, o autor também afir-</p><p>ma que, para a instituição ter lucro em curto prazo, ela precisa agir de maneira</p><p>socialmente responsável, ou seja, a lucratividade não é um fator contrário a RSE,</p><p>mas uma ferramenta de alcance.</p><p>Considerando a lógica apresentada, Garriga e Melé (2004, p. 56, tradução</p><p>nossa) relatam que:</p><p>“ [...] foi por meio do modelo de governança corporativa de desem-</p><p>penho social, criado por Wood no ano 1991, que surgiu um novo</p><p>desenvolvimento da RSE. Esse modelo é composto por: princípios de</p><p>responsabilidade social, processos de responsabilidade social corpo-</p><p>rativa e resultados do comportamento empresarial (tradução nossa).</p><p>Para Silva (2012 apud WOOD, 1991), os princípios da Responsabilidade Social</p><p>Empresarial (RSE) devem contemplar os preceitos da responsabilidade social,</p><p>os quais precisam ser divulgados por toda a organização, a gestão das partes</p><p>interessadas e a divulgação dos resultados da empresa, que devem compreender</p><p>a parte ambiental, as políticas e os programas sociais.</p><p>Wood (1991) fortaleceu os trabalhos teóricos anteriores e referentes à RSE, os</p><p>quais foram apresentados por Carroll (1979) e Wartick e Cochran (1985). Nesse</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>115</p><p>sentido, elaborou um modelo chamado “desempenho empresarial social”, em que</p><p>foram contemplados os princípios que devem ser avaliados para a definição do</p><p>perfil da RSE.</p><p>Resultados das</p><p>ações de RSE:</p><p>• Impactos sociais</p><p>• Programas sociais</p><p>• Políticas sociais</p><p>Princípios de RSE:</p><p>• Legitimidade: princípio</p><p>institucional</p><p>• Responsabilidade Pública:</p><p>princípio organizacional</p><p>• Arbítrio dos executivos:</p><p>princípio individual</p><p>Processos de RSE:</p><p>• Avaliação do ambiente</p><p>• Gerenciamento dos stakeholders</p><p>• Gerenciamento das questões</p><p>Figura 2 - Modelo de desempenho empresarial social</p><p>Fonte: adaptada de Wood (1991).</p><p>Pineda e Marroquín (2008) também defendem que é possível aplicar um modelo</p><p>de comportamento social de três fases, cada uma vinculada a outra, mas portando</p><p>os seus objetivos próprios. Assim, a RSE se qualifica por intermédio das metas</p><p>que estão em conformidade com as particularidades de cada organização, o que</p><p>atribui um sentido prático para qualquer tipo de empresa.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>116</p><p>Exclusivamente ético</p><p>Econômico /</p><p>ético</p><p>Legal /</p><p>ético</p><p>Econômico /</p><p>legal / ético</p><p>Econômico /</p><p>legal</p><p>Exclusivamente</p><p>econômico</p><p>Exclusivamente</p><p>legal</p><p>Schwartz e Carroll (2007) perceberam que a pirâmide proposta por Carroll</p><p>(1979) poderia gerar confusões ou modos inadequados de uso. Diante disso, decidi-</p><p>ram elaborar um novo modelo, o qual faz o uso de círculos para indicar os três campos</p><p>ou domínios da RSE: o domínio econômico, o legal e o ético, assim como podemos</p><p>observar na figura a seguir:</p><p>Figura 3 - Modelo dos três domínios da RSE</p><p>Fonte: adaptada de Schwartz e Carroll (2007).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>117</p><p>A sociedade atual está cada dia mais consciente de suas responsabilidades, principalmen-</p><p>te em relação ao papel dos cidadãos. Considerando o fato de que uma pessoa física ou</p><p>jurídica tem a mesma parcela de compromisso, as empresas devem analisar frequente-</p><p>mente a sua atuação no mercado, a fim de construir uma sociedade mais justa e iguali-</p><p>tária para todos. Contudo, as grandes corporações que visaram apenas à obtenção de</p><p>lucro, hoje, são monitoradas pelos stakeholders, que, em geral, impedem a retomada dos</p><p>padrões de comportamento empresarial que não sejam socialmente responsáveis, pois é</p><p>isso o esperado de todos.</p><p>pensando juntos</p><p>No modelo dos três domínios da RSE, a filantropia deixa de ser uma dimensão</p><p>específica</p><p>(assim como é na pirâmide), porque os autores perceberam a dificul-</p><p>dade das instituições em distinguir as atividades éticas e as filantrópicas. Essa</p><p>alteração também ocorreu em detrimento do fato de os casos de filantropia serem</p><p>praticados somente por interesses econômicos (SCHWARTZ; CARROLL, 2007).</p><p>Ao fazermos uma análise explicativa da Figura 3, o campo exclusivamente</p><p>econômico é referente às atividades que proporcionam benefícios econômicos</p><p>positivos, sejam diretos, sejam indiretos. É nele que está a maximização do lucro.</p><p>O campo exclusivamente legal é constituído pelas ações organizacionais que não</p><p>oferecem nenhum benefício social, ou seja, trata-se de cumprir as exigências das</p><p>leis para estar em conformidade legal e fugir dos litígios, a fim de antecipar as</p><p>mudanças das leis. Já o domínio exclusivamente ético diz respeito às responsabili-</p><p>dades empresariais com base em princípios morais. Em outras palavras, são ações</p><p>que não possuem nenhuma implicação econômica ou legal direta ou indireta.</p><p>O que há de diferente nesse modelo é a sobreposição dos domínios da RSE, o que</p><p>forma sete segmentos ou categorias. A superposição ideal está localizada na interseção</p><p>dos três domínios exclusivos, isto é, onde os três campos da RSE estão presentes ao</p><p>mesmo tempo e em equilíbrio. Assim, caso a empresa determine um comportamento</p><p>exclusivo enquanto conduta (como o exclusivamente econômico), será limitada em</p><p>relação à sua abordagem de responsabilidade social.</p><p>No tocante à instituição, a RSE carrega duas dimensões: a interna e a externa.</p><p>Vejamos, no quadro, a seguir os seus detalhes:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>118</p><p>Você deve estar se perguntando: quais são os benefícios obtidos por uma empresa que</p><p>desenvolve a Responsabilidade Social Empresarial (RSE)? Para responder a essa questão,</p><p>leia o artigo presente no link a seguir:</p><p>https://bit.ly/3pWLkSF</p><p>conecte-se</p><p>DIMENSÃO INTERNA DIMENSÃO EXTERNA</p><p>FOCO: pautada nas práticas de responsa-</p><p>bilidade social voltadas ao público interno,</p><p>tais como colaboradores em geral. São</p><p>comumente praticadas pelo setor de</p><p>Recursos Humanos.</p><p>INFLUÊNCIAS: uso de recursos naturais e</p><p>maximização dos processos produtivos,</p><p>da saúde, do bem-estar e da segurança</p><p>no trabalho.</p><p>EXEMPLOS: ações, políticas e programas</p><p>para distribuidores, fornecedores e quais-</p><p>quer indivíduos ou organizações que têm</p><p>relações com a produção da empresa.</p><p>FOCO: pautada nas práticas direcionadas</p><p>aos stakeholders e à sociedade em geral,</p><p>tais como clientes, consumidores, au-</p><p>toridades públicas e Organizações Não</p><p>Governamentais.</p><p>INFLUÊNCIAS: desenvolvimento de po-</p><p>líticas, programas, ações e projetos que</p><p>estejam vinculados direta ou indireta-</p><p>mente às ações da empresa.</p><p>EXEMPLOS: doações, ações prioritárias e</p><p>instâncias participativas de cunho políti-</p><p>co ou social.</p><p>Quadro 1 - Dimensões da RSE</p><p>Fonte: os autores.</p><p>Tanto a RSE interna quanto a externa possuem a mesma importância para as</p><p>organizações e sempre devem estar conectadas. O desenvolvimento de uma RSE</p><p>precisa ter o apoio de toda a organização e é necessário que o quadro de funcio-</p><p>nários esteja envolvido nos programas de RSE, uma vez que essa atitude propicia</p><p>o fortalecimento da instituição.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>119</p><p>2</p><p>DIMENSÕES DA</p><p>ÉTICA</p><p>empresarial</p><p>O conceito de “ética” tem origem grega e é proveniente da palavra “ethos”, que significa</p><p>“modo de ser”. Assim, representa as características e as formas de agir de um grupo em</p><p>relação à sua cultura. Entretanto, esse conceito evoluiu com o passar dos anos e, hoje,</p><p>pode ser considerado o caráter ou o conjunto de princípios e valores morais que norteiam</p><p>a conduta humana na sociedade.</p><p>Fonte: Santos (2015).</p><p>conceituando</p><p>A ética é algo que se altera de acordo com a sociedade, com os costumes, a época</p><p>e até o meio em que os indivíduos participam. Quando nos referimos à ética</p><p>corporativa, certamente, ela pode variar conforme a organização ou o ambiente</p><p>no qual está inserida, pois é o reflexo da sociedade, dos produtos que vende, da</p><p>sua cultura interna, dentre outros fatores que compõem esse ambiente.</p><p>Diante disso, é plausível afirmar que a ética melhora a vida em grupo e promove</p><p>o respeito entre as pessoas dentro de um contexto social. Além disso, é o reflexo</p><p>de uma determinada época, do avanço tecnológico, das relações estabelecidas e</p><p>das ações individuais, enfim, de todo o desenvolvimento da sociedade (JACQUES</p><p>et al., 2008). Todavia, embora a ética influencie na construção de leis e normas, é</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>120</p><p>importante salientar que ela não pode ser confundida com ambas, visto que elas</p><p>também são um reflexo das sociedades nas quais estão inseridas.</p><p>A globalização mundial e as diferenças individuais são elementos que se desen-</p><p>volvem de maneira associada e paralela, o que exige que as pessoas, as organizações</p><p>e o Estado se unam, com o intuito de construir uma sociedade mais justa, solidária,</p><p>ética, sustentável e com responsabilidade social (COSTA; TEODOSIO, 2011).</p><p>As diferenças individuais existem devido:</p><p>■ Às variedades culturais, raciais e religiosas.</p><p>■ Às desigualdades sociais e econômicas.</p><p>■ Aos comportamentos distintos.</p><p>■ Aos contextos históricos.</p><p>Por isso, não é possível continuar o desenvolvimento e a construção de uma so-</p><p>ciedade de forma indiferente a essas questões. É necessária a criação de políticas</p><p>públicas e institucionais que contemplem as organizações privadas e o terceiro</p><p>setor, ou seja, toda a sociedade (SILVA, 2012).</p><p>Para Santos (2015), as cinco dimensões da ética empresarial são a sustenta-</p><p>bilidade, o respeito à multicultura, o aprendizado contínuo, a inovação e a go-</p><p>vernança corporativa. Esses aspectos podem ser observados na figura a seguir:</p><p>ÉTICA</p><p>Governança</p><p>corporativa</p><p>Aprendizado</p><p>contínuo</p><p>Inovação</p><p>Respeito à</p><p>multicultura</p><p>Figura 4 - Cinco dimensões da ética empresarial / Fonte: Santos (2015, p. 6).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>121</p><p>A necessidade legal de revisão é fruto do desenvolvimento social, que gerou uma socieda-</p><p>de muito mais ágil em sua comunicação e em seus transportes. Essa sociedade também</p><p>é composta pelo uso da alta tecnologia, por muitas influências e trocas culturais, além da</p><p>busca desenfreada de alguns pelo lucro e pelo poder.</p><p>(Fernando de Almeida Santos)</p><p>pensando juntos</p><p>É visível que a sustentabilidade é amparada pelos pilares econômico, ambiental</p><p>e social, de acordo com o Triple Botton Line (Tripé da Sustentabilidade), criado</p><p>em 1990 pelo inglês John Elkington. Dessa maneira, o grande desafio das orga-</p><p>nizações é o de atualizar as suas políticas e práticas de forma rápida, a fim de que</p><p>possam atender à sociedade atual, a qual está em constante transformação.</p><p>Essas mudanças podem impactar diretamente nas questões éticas e na ela-</p><p>boração de novas legislações, normativas e ações. Como exemplo, é possível citar</p><p>o fato de alguns países criarem ou fazerem revisões sobre as leis referentes aos</p><p>temas atuais, tais como plágio, ações discriminatórias, questões ambientais e/ou</p><p>responsabilidade social. Em contrapartida, também há a necessidade de revisar</p><p>a regulamentação dos aspectos comportamentais relativos aos crimes comuns,</p><p>aos direitos sociais e outros.</p><p>A preocupação com as políticas e com as práticas pode refletir diretamente nas</p><p>empresas, que, muitas vezes, precisam rever alguns aspectos. São eles:</p><p>■ Políticas internas.</p><p>■ Códigos de conduta empresarial.</p><p>■ Processos produtivos, certificações e formas de preservação do meio am-</p><p>biente.</p><p>■ Modos de avaliação dos profissionais.</p><p>■ Estratégias de marketing e a forma de se relacionar com a sociedade.</p><p>■ Meios de comunicação.</p><p>■ Relatórios e demonstrativos para a divulgação das práticas éticas.</p><p>■ Ações sociais.</p><p>O processo de análise dos elementos expostos não deve ser algo formal, mas, de</p><p>acordo com Santos (2009, p. 484-485), é preciso considerar três fatores:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>122</p><p>1. Com o desenvolvimento social, bem como a evolução da co-</p><p>municação. As organizações se deparam com novas situações, sendo</p><p>que as</p><p>leis e a sociedade nem sempre estão preparadas para elas;</p><p>2. A ética e a responsabilidade social devem ser práticas cotidia-</p><p>nas;</p><p>3. Existe a necessidade, não somente de tolerância, é preciso acei-</p><p>tar, respeitar, conviver, portanto, há muito para aprender com a mul-</p><p>ticultura.</p><p>Frente aos fatores apresentados e às transformações sociais, surgiram muitas</p><p>demandas que exigem ética e as quais devemos nos adaptar. Por exemplo:</p><p>■ Uma organização precisa de políticas para o uso de computador para a</p><p>realização de atividades pessoais de um colaborador? Essa atitude pode</p><p>ser aceita? Se sim, quais são os seus limites?</p><p>■ O que deve ser considerado imoral no acesso à Internet? E em fraudes?</p><p>■ Qual deve ser a postura da organização quanto às participações em redes</p><p>sociais: proibir, regular ou permitir?</p><p>■ Qual deve ser a postura da instituição em relação às questões de compe-</p><p>tição desleal com concorrentes ou em casos de espionagem? Quais são</p><p>as formas preventivas?</p><p>■ Qual deve ser a política da empresa quanto aos produtos eletrônicos e aos</p><p>outros que agridem o meio ambiente? Quem a regulamentará?</p><p>■ O código de defesa do consumidor impacta nas políticas da organização?</p><p>■ A organização incentivará os debates em relação à cidadania ou às ações</p><p>sociais? Qual deve ser o real grau de comprometimento da instituição e</p><p>de seus colaboradores?</p><p>■ Como uma empresa pode regulamentar internamente, de forma preven-</p><p>tiva, o assédio moral e sexual e a discriminação racial ou social? O que</p><p>fazer após uma ocorrência?</p><p>São inúmeros exemplos que poderiam ser apresentados. Nesse sentido, as organi-</p><p>zações devem ter políticas preventivas, analisar as tendências sociais e, ao mesmo</p><p>tempo, ser ágeis para realizar ações eficazes e no tempo necessário. É importante</p><p>salientar que a falta de postura ou tomada de alguma ação por parte da instituição</p><p>pode levar a imagem da empresa à crise ou ao desgaste.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>123</p><p>A responsabilidade social e as suas nuances precisam fazer parte do cotidiano das</p><p>empresas, as quais devem ter políticas próprias. Entretanto, de nada vale ter um</p><p>código de ética rígido se, na prática, ele não é seguido. Um exemplo disso é uma</p><p>empresa que afirma, em sua missão, ter responsabilidade social, mas, no seu dia</p><p>a dia, não respeita sequer a legislação trabalhista ou não faz ações preventivas de</p><p>poluição. Essa postura ética deve partir dos gestores e ser disseminada entre os</p><p>todos os integrantes da organização.</p><p>Já ouviu falar sobre assédio moral? É uma realidade presente em muitas organizações e</p><p>deve ser tratada por meio de políticas institucionais preventivas e corretivas. Quer saber</p><p>mais? Então, acesse o link a seguir:</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-99/assedio-moral-no-trabalho-um-estudo-</p><p>-sobre-os-seus-elementos/</p><p>conecte-se</p><p>Concepção das dimensões éticas</p><p>Segundo Santos (2015), a ética empresarial não é implementada de maneira ime-</p><p>diata em uma organização ou se efetiva por meio de uma determinação legal ou</p><p>norma interna, mas é construída por intermédio da evolução histórica da própria</p><p>instituição. Contudo, não é fácil mudar a postura de uma empresa, transforman-</p><p>do-a em ética e responsável, o que pode gerar demissões e problemas legais, caso</p><p>o processo não seja conduzido de forma adequada.</p><p>Ainda existem organizações e governos que buscam apenas crescer, sem se</p><p>preocupar com as questões éticas e de responsabilidade social. Por outro lado,</p><p>também há muitas gestões corporativas que são exemplos de comprometimento</p><p>com a sociedade. Por isso, é importante que as empresas evidenciem que a cons-</p><p>trução de políticas éticas é um processo contínuo, requer o seu desenvolvimento</p><p>na prática diária e exige a realização de manutenção e de avaliações internas e</p><p>normativas. Quando uma instituição possui um ambiente ético e com compro-</p><p>misso social, isso reflete na autoestima dos funcionários e na construção de uma</p><p>sociedade mais justa (OLIVEIRA, 2003).</p><p>Dessa forma, segundo Santos (2015), as cinco dimensões éticas apresentadas</p><p>não têm uma relação hierárquica, mas foram enumeradas apenas para facilitar a</p><p>sua análise. Além do mais, devem estar integradas, pois foram idealizadas com o</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-99/assedio-moral-no-trabalho-um-estudo-sobre-os-seus-elementos/</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-99/assedio-moral-no-trabalho-um-estudo-sobre-os-seus-elementos/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>124</p><p>objetivo de elaborar políticas éticas, ou seja, não devem ser analisadas de maneira</p><p>separada. Estudaremos especificamente cada uma dessas dimensões nos tópicos</p><p>a seguir.</p><p>Sustentabilidade</p><p>Já sabemos que a ética representa o conjunto de princípios e valores morais que</p><p>norteiam a conduta humana na sociedade. Uma empresa ética precisa contribuir</p><p>para a construção de um planeta mais sustentável e, diante disso, as organizações,</p><p>já em sua concepção, devem pensar na sustentabilidade. Nesse contexto, precisam</p><p>se preocupar com os recursos utilizados pelos seus colaboradores, os impactos</p><p>ambientais decorrentes do seu processo e as consequências que as suas atividades</p><p>trazem para a comunidade na qual estão inseridas.</p><p>Um exemplo é uma empresa que está preocupada em desenvolver um proces-</p><p>so produtivo que polua pouco e gere uma quantidade mínima de resíduos. Agir</p><p>dessa maneira não significa que a fábrica não trará impactos ambientais, mas há</p><p>uma preocupação, por parte da instituição, com o seu sistema de produção. Con-</p><p>tudo, essa organização também deve pensar para além do seu processo produtivo,</p><p>ao considerar a geração de resíduos provenientes dos escritórios, das cozinhas e</p><p>dos seus fornecedores. Assim, no exemplo exposto, a empresa não se preocupou</p><p>com a sua relação global com o meio ambiente, mas apenas com uma parcela.</p><p>Quando nos referimos aos impactos ambientais dentro de uma empresa, são</p><p>exigidas várias ações, a saber:</p><p>■ Analisar se a matéria-prima e os insumos são altamente impactantes.</p><p>■ Verificar o modo com que os materiais são utilizados e se há qualificação</p><p>dos profissionais durante o seu manuseio.</p><p>■ Buscar formas de reaproveitamento dos resíduos.</p><p>■ Procurar melhorias em processos produtivos e/ou certificações.</p><p>■ Criar maneiras de mensuração dos impactos ambientais. Caso não seja</p><p>possível eliminá-los, é preciso encontrar meios de minimizá-los.</p><p>■ Elaborar políticas de orientação aos colaboradores em relação às atitudes</p><p>preventivas ou corretivas.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>125</p><p>Portanto, o impacto ambiental das organizações deve ser levado em consideração</p><p>na elaboração das políticas éticas.</p><p>Já em relação ao aspecto econômico da sustentabilidade, de acordo com</p><p>Mueller (2005), alguns aspectos devem ser evitados, tais como:</p><p>■ Ter uma missão voltada para a sustentabilidade econômica, mas não dotar</p><p>de uma visão que englobe o negócio.</p><p>■ Preocupar-se de maneira adequada com os aspectos econômicos, mas</p><p>desperdiçar recursos, o que pode eliminar as oportunidades de alavan-</p><p>cagem financeira ou propiciar o encerramento das atividades.</p><p>Para Santos (2015, p. 12):</p><p>“ [...] o fato de uma instituição ser filantrópica ou sem fins lucra-</p><p>tivos, por exemplo, não significa que não deva ter lucro, mas</p><p>que a finalidade central não é o lucro. Todas as instituições</p><p>necessitam do lucro para a sua manutenção. Um estudo ade-</p><p>quado dos recursos, realizar projeções econômico-financeiras</p><p>ou mercadológicas, conhecer aspectos básicos da empresa, da</p><p>tributação, do comportamento do mercado e outros são fun-</p><p>damentais para os gestores.</p><p>Quanto aos aspectos sociais, as organizações devem:</p><p>■ Promover a sua política interna e externa de maneira justa, com transpa-</p><p>rência e ética, ao envolver o crescimento profissional dos colaboradores,</p><p>o cumprimento da legislação, dentre outros fatores.</p><p>■ Elaborar ações que incentivem o convívio equilibrado entre fornecedores,</p><p>colaboradores, clientes e comunidade interna e externa.</p><p>■ Atribuir salários, remunerações e benefícios justos.</p><p>■ Ter políticas</p><p>amplas, no que diz respeito à questão social.</p><p>A responsabilidade social, em relação à sustentabilidade, não pode estar limitada</p><p>aos portões da empresa, mas é preciso que contribua para a melhoria e para o</p><p>desenvolvimento humano e do meio ambiente.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>126</p><p>Respeito à multicultura</p><p>Uma organização, ao desenvolver um código de ética que apresenta políticas,</p><p>direitos e deveres, dificilmente funcionará, caso não tenha a participação dos</p><p>colaboradores e outros sujeitos em sua formulação. Desse modo, para o desen-</p><p>volvimento das políticas éticas, o envolvimento de funcionários e o respeito pelas</p><p>diferenças são relevantes.</p><p>O respeito deve considerar as diferenças individuais e permear todas as prá-</p><p>ticas éticas corporativas. Com essa visão, alguns componentes são respeitados,</p><p>tais como a vida, a valorização pessoal, o ecossistema e as diferenças religiosas,</p><p>étnico-raciais e culturais.</p><p>Aprendizado contínuo</p><p>A educação e o aprendizado contínuo são necessários para que as organizações</p><p>possam acompanhar as novas realidades sociais. De acordo com Santos (2009),</p><p>a inclusão dessa dimensão é importante, porque dela surgem inúmeros impactos</p><p>ambientais e sociais que precisam de profissionais qualificados.</p><p>Inovação</p><p>Para a organização, a inovação possibilita a criação de políticas capazes de abran-</p><p>ger as necessidades e a realidade das organizações, respeitando as suas diferenças.</p><p>Governança corporativa</p><p>De acordo com o IBGC (2009, p. 19), a governança corporativa é:</p><p>“ [...] o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, moni-</p><p>toradas e incentivadas, envolvendo as práticas e os relacio-</p><p>namentos entre proprietários, conselho de administração,</p><p>diretoria e órgãos de controle. As boas práticas de Gover-</p><p>nança Corporativa convertem princípios em recomendações</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>127</p><p>objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar</p><p>e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao</p><p>capital e contribuindo para a sua longevidade.</p><p>Para a implantação das políticas éticas, é necessário o desenvolvimento de políti-</p><p>cas de governança corporativa, ou seja, a empresa deve criar, aplicar e desenvolver</p><p>o seu modelo de gestão. Nesse sentido, é importante que sejam consideradas as</p><p>características de cada instituição e o seu porte. Seus princípios básicos podem</p><p>ser analisados na figura a seguir:</p><p>Figura 5 - Princípios básicos da governança corporativa</p><p>Fonte: adaptada de IBGC (2009).</p><p>É perceptível a existência de um vínculo entre o conceito de governança corpo-</p><p>rativa e as quatro dimensões anteriores, de forma a complementá-las.</p><p>Transparência: Consiste no desejo de disponibilizar, para as partes</p><p>interessadas, as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas</p><p>impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve restringir-se ao</p><p>desempenho econômico-�nanceiro, mas contemplar também os demais</p><p>fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem</p><p>com a preservação e a otimização do valor da organização.</p><p>Equidade: Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico</p><p>de todos os sócios e demais partes interessadas</p><p>(stakeholders), levando em consideração seus direitos,</p><p>deveres, necessidades, interesses e expectativas.</p><p>Prestação de Contas (accountability): Os agentes de governança</p><p>devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso,</p><p>compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as</p><p>consequências de seus atos e omissões, atuando com diligência e</p><p>responsabilidade no âmbito dos seus papéis.</p><p>Responsabilidade Corporativa: Os agentes de governança devem</p><p>zelar pela viabilidade econômico-�nanceira das organizações, reduzir</p><p>as externalidades negativas de seus negócios e de suas operações e</p><p>aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de</p><p>negócios, os diversos capitais (�nanceiro, manufaturado, intelectual,</p><p>humano, social, ambiental, reputacional etc.) em curto, médio e</p><p>longo prazos.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>128</p><p>3</p><p>POLÍTICAS DE INCLUSÃO E DE</p><p>RESPONSABILIDADE</p><p>SOCIAL</p><p>A política de inclusão é muito relevante às políticas sociais dos governos e das</p><p>organizações. Thorp (2014) sustenta que existem dois motivos para tratarmos da</p><p>desigualdade: a justiça e a eficiência. Quanto à justiça, não é possível pensar em</p><p>inclusão sem considerar um aspecto básico dos direitos humanos: a vida digna.</p><p>Já em relação à eficiência, a autora afirma que um país não pode ter crescimento</p><p>com estruturas desiguais, as quais impossibilitam a inclusão e a redução da po-</p><p>breza, o que gera alguns problemas, tais como a violência e a instabilidade.</p><p>Olarte (2014, p. 36) destaca que:</p><p>“ A partir da perspectiva de desenvolvimento humano, pode-</p><p>mos definir a inclusão social como o conjunto de laços sociais</p><p>que permite às pessoas terem aspirações e aproveitarem o que</p><p>dão valor em suas vidas e, ao mesmo tempo, sejam valorizados</p><p>na sociedade em que pertencem.</p><p>No Art. 5º da Constituição Federal, consta o princípio da igualdade, que afirma que</p><p>“todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se</p><p>aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à</p><p>vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” (BRASIL, 1988, p. 13).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>129</p><p>Santos (2015, p. 101) argumenta que:</p><p>“ [...] o conceito de que todas as pessoas são iguais pode levar a</p><p>uma conclusão de que todos devem ter direitos iguais. Obser-</p><p>va-se, porém, que isso não é fato, pois devem ser consideradas</p><p>as desigualdades ou diferenças. Os iguais devem ser tratados</p><p>de forma igual, mas, conforme o princípio da isonomia, os</p><p>desiguais devem ser tratados de forma a minimizar essas de-</p><p>sigualdades.</p><p>Por esse motivo, a legislação brasileira é diferente aos desiguais. A seguir, são</p><p>apresentados alguns exemplos de tratamento diferenciado, com o intuito de pos-</p><p>sibilitar a inclusão social e minimizar as diferenças de diversas formas:</p><p>■ Cotas para negros, índios ou pessoas com baixa renda em universidades.</p><p>■ Cotas para a contratação de pessoas com deficiência em empresas.</p><p>■ Seguro-desemprego para desempregados recentes.</p><p>■ Alíquotas menores ou não tributação de Imposto de Renda (IR) para</p><p>pessoas com rendas pequenas.</p><p>■ Licença à gestante, sem prejuízo de emprego e de salário, com a duração</p><p>de 120 dias.</p><p>■ Licença-paternidade.</p><p>■ Diferenças entre os direitos de trabalhadores rurais e urbanos.</p><p>■ Exigência de acessibilidade em instituições de ensino.</p><p>Gostaria de conhecer os aspectos positivos das políticas de inclusão para as empresas?</p><p>Exemplos de boas práticas? Então, acesse o link a seguir:</p><p>https://blog.cedrotech.com/o-poder-de-uma-politica-de-inclusao-nas-empresas/</p><p>conecte-se</p><p>Outros exemplos poderiam ser citados, mas foram destacados apenas alguns,</p><p>devido à amplitude do tema. A exclusão social pode ser classificada em cinco</p><p>tipos, a saber:</p><p>■ Econômica.</p><p>■ Social.</p><p>https://blog.cedrotech.com/o-poder-de-uma-politica-de-inclusao-nas-empresas/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>130</p><p>■ Cultural.</p><p>■ Patológica.</p><p>■ Por comportamentos autodestrutivos.</p><p>Também existem outras formas de exclusão, tais como a discriminação por orien-</p><p>tação sexual. O que é observável é que determinado tipo de exclusão é associado</p><p>a outros tipos, principalmente a exclusão econômica, que, muitas vezes, está re-</p><p>lacionada aos aspectos sociais e culturais, por exemplo.</p><p>Pessoas com deficiência</p><p>As pessoas com deficiência, muitas vezes, têm dificuldade até de estudar ou fre-</p><p>quentar determinados ambientes, em detrimento de fatores limitantes, tais como</p><p>a falta de planejamento das instituições ou a ausência de políticas públicas e</p><p>privadas.</p><p>Na Constituição Federal de 1988, de acordo com o Art. 207, inciso III, é dever</p><p>do Estado a garantia de um atendimento educacional especializado aos porta-</p><p>dores de deficiência, de preferência, na rede regular de ensino. Assim, as organi-</p><p>zações precisam não apenas prever procedimentos em suas normas de conduta,</p><p>mas também realizar</p><p>um planejamento para melhor atendê-los, além de conhecer</p><p>a legislação específica.</p><p>Dentre as ações das empresas para a inclusão de pessoas com deficiência, de</p><p>acordo com Santos (2015), podem ser evidenciados:</p><p>a) O planejamento da infraestrutura: contempla desde as edificações até as</p><p>instalações e os objetos apropriados. A infraestrutura pode prever alguns</p><p>aspectos, tais como rampas, corrimãos, elevadores, banheiros adaptados</p><p>e barras de apoio. Esses exemplos estão voltados aos cadeirantes ou a ou-</p><p>tras pessoas com dificuldade de locomoção, mas as adaptações também</p><p>devem ser pensadas aos deficientes visuais, auditivos e aos portadores</p><p>de outras necessidades. O investimento para a adaptação de um prédio</p><p>para deficientes, muitas vezes, é mais caro do que a sua construção. Por</p><p>esse motivo, antes do início das obras, a contratação de um profissional é</p><p>a atitude mais adequada a se fazer.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>131</p><p>b) Políticas e práticas cotidianas: as organizações devem ter uma política de</p><p>recebimento de pessoas com deficiência de maneira adequada. Devem,</p><p>portanto, propor, além das políticas de contratação, o treinamento, a in-</p><p>clusão e a adaptação.</p><p>Os sujeitos portadores de alguma deficiência não precisam de um espaço espe-</p><p>cífico, pois desejam que as escolas, as empresas, os clubes, as academias, os sho-</p><p>ppings, os meios de transportes, as vias e os órgãos públicos, por exemplo, sejam</p><p>comuns e adaptados às suas necessidades. As pessoas e as empresas, por sua vez,</p><p>precisam estar preparadas, uma vez que não podem agir de forma assistencialista</p><p>ou excludente. Santos (2015) exemplifica algumas ações inadequadas. São elas:</p><p>■ Postura assistencialista ou incorreta: ocorre quando um grupo de funcio-</p><p>nários da empresa carrega a concepção de que o deficiente é incapaz ou</p><p>limitado. Assim, busca auxiliá-lo até em tarefas simples, como transpor-</p><p>tar um cadeirante sem saber se ele prefere se deslocar sozinho ou deseja</p><p>permanecer no local onde está.</p><p>■ Política excludente: contratar deficientes para atividades menos relevan-</p><p>tes, por considerá-los potencialmente incapazes. O correto seria con-</p><p>tratá-los para cargos ou funções adaptadas às suas necessidades, pois a</p><p>superação e a obtenção de alto rendimento são comuns.</p><p>■ Desconhecer a legislação para pessoas com deficiência: as organizações</p><p>precisam conhece-la, visto que, além de ser importante para a inclusão</p><p>social, pode evitar processos judiciais.</p><p>Também é importante salientar que, na própria Constituição Federal de 1988, é</p><p>proibida qualquer discriminação em relação ao salário e aos critérios de admissão</p><p>do trabalhador portador de deficiência.</p><p>A Constituição Federal de 1988 já apresentava direitos trabalhistas aos portadores de ne-</p><p>cessidades especiais. No entanto, foi o Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, que</p><p>trouxe a efetivação desses parâmetros. Para saber mais, acesse o documento na íntegra,</p><p>disponível no link a seguir:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm</p><p>conecte-se</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>132</p><p>A Organização das Nações Unidas (ONU) chamou o novo desenho de “A Aces-</p><p>sibilidade” (Figura 6), cuja proposta é a não tipificação de nenhuma deficiência</p><p>específica. De acordo com a ONU, trata-se de uma figura simétrica e conectada por</p><p>quatro pontos a um círculo, o que representa a harmonia entre o ser humano e a</p><p>sociedade. Também há a analogia aos braços abertos, simbolizando a inclusão de</p><p>pessoas com todas as habilidades, em todos os lugares. Para a sua utilização, não há</p><p>a necessidade de autorização prévia, mas é percebível que ainda é pouco recorrente.</p><p>Figura 6 - A Acessibilidade</p><p>Fonte: Daniel (2017, on-line)¹.</p><p>Projetos que visam à inclusão social</p><p>As atividades de inclusão social e o trabalho do terceiro setor e do serviço social são</p><p>fundamentais para o desenvolvimento do país (SANTOS, 2015). Existem inúmeros</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>133</p><p>Projeto Espaço Cultural da Grota: O projeto voltado</p><p>para a comunidade da Grota do Surucucu, na cidade de</p><p>Niterói, no Rio de Janeiro. Proporciona aulas de musica e</p><p>atividades recreativas para jovens e crianças (GRUPO,</p><p>[2018], on-line)3.</p><p>Projeto Construir: Desenvolvido pelo Senai, do Estado</p><p>de Alagoas, promove pro�ssionalização e reabilitação</p><p>para pessos com de�ciência. (SENAI, 2017, on-line)4.</p><p>Associação de Assistência à Criança De�ciente</p><p>(AACD): Comumente conhecida por Teleton, voltada</p><p>para a arrecadação e auxílio de complexos hospitalares</p><p>que proporcionam o tratamento de pessoas com</p><p>de�ciência física. As doação são feitas para a AACD e via</p><p>site ou telefone.</p><p>projetos de inclusão social no Brasil, cada um com a sua finalidade e público a ser</p><p>atendido. Além desse tipo de projeto, há outros, tais como os para:</p><p>■ A ressocialização de apenados.</p><p>■ A pesquisa na área da saúde.</p><p>■ A minimização de desigualdades sociais.</p><p>■ A prestação de serviços de saúde para áreas isoladas.</p><p>■ A alfabetização.</p><p>A seguir, apresentamos alguns projetos que buscam a inclusão social:</p><p>A responsabilidade social compartilhada entre indivíduos e empresas é a proposta para</p><p>o futuro da sustentabilidade. Pensando nisso, é importante entendermos as concepções</p><p>que são aplicadas na prática do dia a dia, as quais estão disponíveis no link a seguir:</p><p>https://youtu.be/yal_8JTxwK4</p><p>conecte-se</p><p>https://youtu.be/yal_8JTxwK4</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>4</p><p>134</p><p>Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade. Nela, conhecemos</p><p>ainda mais as práticas de inclusão social realizadas no Brasil. Diante disso, po-</p><p>demos refletir: o que realmente as organizações estão propondo para as práticas</p><p>inclusivas? Essas ações estão inseridas em todo o contexto da organização?</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Caro(a) aluno(a), nesta unidade, estudamos a concepção de Responsabilidade</p><p>Social Empresarial (RSE) apresentada por Archie Carroll (1979), que estrutura</p><p>as formas de análise e de ação aos diferentes âmbitos: econômico, legal, ético e</p><p>filantrópico ou discricionário.</p><p>Assim, ao utilizarmos os parâmetros apresentados para a análise das formas</p><p>de ação que a empresa deseja utilizar, é possível constatar onde há a necessidade</p><p>de melhoria e os possíveis pontos de atenção no processo de desenvolvimento</p><p>de uma RSE qualitativa.</p><p>Além disso, trabalhamos a ideia de que a RSE não é uma abordagem</p><p>contrária à lucratividade da empresa, mas é uma ferramenta de alcance de</p><p>resultados efetivos, os quais beneficiam a imagem da organização e promo-</p><p>vem a sustentabilidade do negócio.</p><p>Diante dos debates realizados, foi possível identificar as áreas de domínio da</p><p>RSE, a saber: econômico, legal e ético. Proporcionamos um debate profundo, ao</p><p>refletirmos sobre o modo como a empresa deve agir econômica e financeiramente.</p><p>Também debatemos o respeito à legislação e ao comportamento ético propriamente</p><p>dito, que se refere à forma como a sociedade compreende a atuação da empresa.</p><p>Tratamos das dimensões da RSE, ou seja, a sustentabilidade, o respeito à multi-</p><p>cultura, o aprendizado contínuo, a inovação e a governança corporativa. Constata-</p><p>mos que a sustentabilidade também é uma forma de comportamento da empresa,</p><p>a fim de assegurar a sua manutenção no mercado. Para isso, o papel da governança</p><p>corporativa é vital na promoção de valores como os informados nas dimensões.</p><p>135</p><p>na prática</p><p>1. Carroll (1979) elaborou a pirâmide da responsabilidade social, que está dividida</p><p>em quatro partes, a saber: responsabilidade econômica, responsabilidade legal,</p><p>responsabilidade ética e responsabilidade filantrópica. Diferencie as quatro RSEs</p><p>propostas por Carroll.</p><p>2. De acordo com Santos (2015), as cinco dimensões da ética empresarial são a sus-</p><p>tentabilidade, o respeito à multicultura, o aprendizado contínuo, a inovação e a</p><p>governança corporativa. Diante disso, explique a dimensão respeito à multicultura.</p><p>3. Em nossos estudos, compreendemos que a responsabilidade social tem dimensões</p><p>internas e externas. Cite algumas ações externas da RSE.</p><p>4. A</p><p>governança corporativa tem como intuito dirigir, monitorar, incentivar e envolver</p><p>a relação dos sócios das empresas com as partes interessadas. Sobre esse assunto,</p><p>explique o princípio da equidade.</p><p>5. Quando falamos em inclusão social, devemos refletir sobre as ações que objetivam</p><p>combater a exclusão da vida em sociedade, o que, muitas vezes, é provocada por</p><p>diferenças. Assim, exponha algumas formas de possibilitar a inclusão social.</p><p>136</p><p>aprimore-se</p><p>CERTIFICAÇÕES SOCIOAMBIENTAIS</p><p>No intuito de estimular a responsabilidade social empresarial, instrumentos de</p><p>certificação foram criados nos últimos anos. O apelo relacionado a esses selos ou</p><p>certificados é de fácil compreensão: estimular a aplicabilidade das medidas susten-</p><p>táveis nas empresas, de forma que isso seja auditado e regularizado, tornando-se</p><p>um diferencial competitivo. Num mundo cada vez mais competitivo, empresas vêm</p><p>vantagens comparativas em adquirir certificações que atestem sua boa prática em-</p><p>presarial. A pressão por produtos e serviços socialmente corretos faz com que em-</p><p>presas adotem processos de reformulação interna para se adequarem às normas</p><p>impostas pelas entidades certificadoras. Entre algumas das certificações mais cobi-</p><p>çadas atualmente, as seguintes:</p><p>■ Selo Empresa Amiga da Criança: Selo criado pela Fundação Abrinq para em-</p><p>presas que não utilizem mão-deobra infantil e contribuam para a melhoria</p><p>das condições de vida de crianças e adolescentes.</p><p>■ ISO 14000: O ISO 14000 é apenas mais uma das certificações criadas pela</p><p>International Organization for Standardization (ISO). O ISO 14000, parente do</p><p>ISO 9000 (que se refere à qualidade dos produtos e serviços oferecidos), dá</p><p>destaque às ações ambientais da empresa merecedora da certificação.</p><p>■ AA1000: Foi criada em 1996 pelo Institute of Social and Ethical Accountability.</p><p>Esta certificação de cunho social enfoca principalmente a relação da empresa</p><p>com seus diversos parceiros, ou stakeholders. Uma de suas principais carac-</p><p>terísticas é o caráter evolutivo já que é uma avaliação regular (anual).</p><p>137</p><p>aprimore-se</p><p>■ SA8000: A Social Accountability 8000 é uma das normas internacionais mais</p><p>conhecidas. Criada em 1997 pelo Council on Economic Priorities Accreditation</p><p>Agency (CEPAA), o SA8000 enfoca, primordialmente, relações trabalhistas e</p><p>visa assegurar que não existam ações antissociais ao longo da cadeia produ-</p><p>tiva, como trabalho infantil, trabalho escravo ou discriminação.</p><p>■ ABNT-ISO 26000: No dia 1º de novembro de 2010, foi publicada a Norma In-</p><p>ternacional ISO 26000 – Diretrizes sobre Responsabilidade Social, cujo lança-</p><p>mento foi em Genebra, na Suíça. No Brasil, no dia 8 de dezembro de 2010, a</p><p>versão em português da norma, a ABNT NBR ISO 26000, foi lançada em São</p><p>Paulo. A norma é de grande utilidade a empresas interessadas em adotar</p><p>programas de Responsabilidade Social, uma vez que oferece orientações re-</p><p>lacionadas a sete princípios norteadores.</p><p>Fonte: Daniel e Aguiar (2014, p. 117).</p><p>138</p><p>eu recomendo!</p><p>O advogado Rodolfo Ciciliato explica o que é uma empresa socialmente respon-</p><p>sável e o que ela precisa ter e fazer para ser considerada como tal. Além disso,</p><p>explicita o seu papel e importância no corpo social.</p><p>Web: https://youtu.be/YxAa7ZsHqBU</p><p>conecte-se</p><p>Responsabilidade social das empresas: a contribuição das</p><p>universidades</p><p>Autor: Andresa Silva Neto Franschini, Bill Nunes Pereira, Cristiani</p><p>Oliveira Silva de Duarte, Danielle Levy, Elói Junior Damke, Fernan-</p><p>da Branco Belizário, Fernanda Gomes dos Santos, Giuliana Orte-</p><p>ga Bruno, Juliana Queiroz Ribeiro de Torres, Marina Costa Cruz</p><p>Peixoto, Marley Rosana Melo de Araújo e Queila Regina Souza r</p><p>Editora: Fundação Peirópolis</p><p>Sinopse: este livro, o quarto volume da série que publica anualmente os trabalhos</p><p>acadêmicos finalistas do Prêmio Ethos-Valor, é apenas um dos excelentes resulta-</p><p>dos já consolidados da cooperação entre a universidade e a sociedade como um</p><p>todo. Representa, sem dúvida, o comprometimento cada vez maior da academia</p><p>com a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e a crescente sensibilização dos</p><p>pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento em relação à necessidade</p><p>de acompanhamento teórico da evolução das práticas de gestão socialmente res-</p><p>ponsáveis, a fim de garantir a sua permanência e aperfeiçoamento.</p><p>livro</p><p>https://youtu.be/YxAa7ZsHqBU</p><p>anotações</p><p>5</p><p>AUDITORIAS E MODELOS DE</p><p>DIVULGAÇÕES</p><p>de ações sustentáveis</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Demonstrativos de natureza social</p><p>e ambiental • Modelos de balanço social • Premiações na área da sustentabilidade</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>Apresentar os demonstrativos de natureza social e ambiental • Compreender os principais modelos de</p><p>balanço social ou relatórios de sustentabilidade • Conhecer as premiações na área de sustentabilidade.</p><p>PROFESSOR</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro(a) aluno(a), nesta quinta e última unidade de nossa disciplina, estu-</p><p>daremos os modos de demonstração dos resultados das ações sustentá-</p><p>veis e dos investimentos de uma organização nas áreas ambiental e social.</p><p>Como forma de difundir atitudes similares e agregar valor à sua marca,</p><p>as empresas apresentam os seus resultados e investimentos por meio de</p><p>balanços sociais e relatórios de sustentabilidade. Além disso, essas ações</p><p>podem ser reconhecidas por intermédio de premiações, assim como as</p><p>que conheceremos nesta unidade.</p><p>Começaremos os nossos estudos a partir da compreensão dos demons-</p><p>trativos de natureza social e ambiental. São eles: balanço social, Demons-</p><p>tração do Valor Adicionado (DVA), Norma Brasileira de Contabilidade</p><p>Técnica 15 (NBC T 15) e relato integrado. Também analisaremos as rela-</p><p>ções e as diferenças existentes entre eles.</p><p>Conheceremos o objetivo e os precedentes históricos do balanço so-</p><p>cial. Dentre os modelos que estudaremos, você conhecerá o proposto pelo</p><p>Ibase, instituição fundada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Esse</p><p>modelo é um balanço de cunho social lançado nos anos 90, o qual visa à</p><p>publicação da responsabilidade social empresarial, ao expor informações</p><p>sobre projetos, benefícios e ações sociais dirigidas aos colaboradores, in-</p><p>vestidores, acionistas e à comunidade em geral.</p><p>Também estudaremos o relatório GRI, pois, quando se trata de susten-</p><p>tabilidade empresarial, no Brasil, há muitas instituições que já conhecem</p><p>e aplicam esse conceito. Entretanto, ainda há as que possuem dificuldade</p><p>em mensurar as suas ações sustentáveis em relação ao impacto social e am-</p><p>biental das operações do seu dia a dia. Você perceberá que, nesse modelo,</p><p>já existe o “preenchimento on-line”, o que facilita, para as organizações, a</p><p>análise do modelo proposto por esse relatório.</p><p>Finalizaremos os nossos estudos conhecendo algumas premiações que</p><p>são muito importantes na área da sustentabilidade e como se deu a disse-</p><p>minação dos ODS. Vamos juntos? Bons estudos!</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>142</p><p>1</p><p>DEMONSTRATIVOS DE NATUREZA</p><p>SOCIAL E AMBIENTAL</p><p>De acordo com Santos (2015), as organizações têm buscado não se limitar aos</p><p>demonstrativos de natureza ambiental e desejam cada vez mais a construção,</p><p>em paralelo, de instrumentos de natureza social. Essa abordagem defende a ne-</p><p>cessidade de associação dos dados contábeis e financeiros aos demonstrativos.</p><p>Assim, mediante essa concepção, foram construídos, dentre outros, os se-</p><p>guintes instrumentos:</p><p>■ Balanço social.</p><p>■ Demonstração do Valor Adicionado (DVA).</p><p>■ Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 15 (NBC T 15).</p><p>■ Relato integrado.</p><p>Um motivo pelo qual os demonstrativos de natureza social e ambiental foram</p><p>elaborados se deu pela necessidade de difundir as ações realizadas pelas organi-</p><p>zações, que são reunidas no relatório integrado. Não só, mas também era preciso</p><p>estimular uma cultura de responsabilidade socioambiental empresarial em todas</p><p>o lançamento da obra</p><p>“Primavera Silenciosa”, no ano de 1962, pela bióloga Rachel Carson, em que se</p><p>é discutido o uso indiscriminado de agrotóxicos. Esse se tornou um dos livros</p><p>mais vendidos em relação à questão ambiental, em um contexto da organização</p><p>da luta ecológica (DEAN, 1995).</p><p>Além disso, historicamente, a humanidade passou por transformações, de-</p><p>vido ao crescimento populacional, uma vez que o nascimento de mais pessoas</p><p>representa um aumento da demanda por energia. Não só, mas também pressupõe</p><p>um maior consumo de recursos não renováveis, tais como petróleo e minerais, a</p><p>produção de mais recursos renováveis, como peixes e florestas, e a necessidade de</p><p>aumento da produção de alimentos pela agricultura. O uso irracional desses re-</p><p>cursos proporciona impactos que são difíceis de serem resolvidos (BURSZTYN;</p><p>BURSZTYN, 2012; TOWNSEND; BEGON; HARPER, 2010).</p><p>Diante desse cenário, levando em consideração os aspectos vinculados às</p><p>influências ambientais, sociopolíticas e econômicas, surge a percepção de que o</p><p>desenvolvimento é necessário, desde que atenda a um conjunto de princípios e</p><p>os comportamentos humanos sejam amparados pelo senso de responsabilidade</p><p>socioambiental. Segundo a Comissão Mundial do Meio Ambiente e do Desenvol-</p><p>vimento – cuja escrita e sigla correspondentes, em inglês, são World Comission</p><p>on Environment and Development (WCED) –, o conceito de desenvolvimento</p><p>sustentável tem se difundido enquanto uma proposta para equilibrar as necessi-</p><p>dades atuais satisfatórias, sem comprometer a manutenção das gerações futuras</p><p>(WCED, 1987). Todavia, para obter uma visão macro da forma como se desen-</p><p>volveram os fatos históricos que influenciaram os debates sobre o meio ambiente</p><p>e o desenvolvimento, analise a tabela a seguir:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>14</p><p>ANO ACONTECIMENTO MARCO HISTÓRICO</p><p>Livro sobre crise ambiental</p><p>“Primavera Silenciosa” (título</p><p>original: “Silent spring”).</p><p>Livro sobre crise ambiental “Primavera</p><p>Silenciosa” (título original: “Silent spring”).</p><p>Formação do renomado Clube</p><p>de Roma.</p><p>Esse clube foi constituído com a �nalidade de</p><p>compreender os fatores que in�uenciam o meio</p><p>ambiente e, consequentemente, o sistema global</p><p>em seus fatores naturais, sociais, políticos e</p><p>econômicos.</p><p>Conferência da Unesco sobre a</p><p>conservação e o uso racional</p><p>dos recursos da biosfera.</p><p>Realizada em Paris, marca a criação do</p><p>Programa “Homem e a Biosfera”,</p><p>representado pela sigla MAB.</p><p>Consolidação do programa</p><p>Homem e Biosfera (MAB) (em</p><p>inglês, Man and the Biosphere)</p><p>da UNESCO.</p><p>Voltado para as pesquisas sobre a relação causal</p><p>entre a humanidade e o meio ambiente, tem</p><p>a sua pauta vinculada às questões naturais e</p><p>sociais, tais como a conservação da natureza</p><p>e o bem-estar da humanidade.</p><p>Novo livro sobre a crise ambiental,</p><p>intitulada “Os limites do</p><p>crescimento”.</p><p>Material produzido pelo Clube de Roma,</p><p>o qual alerta uma escassez de recursos naturais</p><p>e contaminação da natureza nos próximos</p><p>100 anos.</p><p>Conferência das Nações Unidas</p><p>para o Meio Ambiente Humano,</p><p>realizada em Estocolmo, Suécia.</p><p>É marcado como primeiro evento de natureza</p><p>governamental que vincula as questões econômicas</p><p>ao meio ambiente. Reuniu 113 Estados-membros da</p><p>ONU e possibilitou a criação do Programa das</p><p>Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (PNUMA).</p><p>Primeira Estratégia Mundial</p><p>para a Conservação.</p><p>Parceria entra o PNUMA e a WWF (World Wildlife</p><p>Fund), estipula uma estratégia para a conservação</p><p>dos recursos naturais. Marca, também, a primeira</p><p>menção ao conceito de desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>Criação da Comissão sobre o</p><p>Meio Ambiente e o</p><p>Desenvolvimento (CMMAD).</p><p>Essa comissão tinha a �nalidade de desenvolver</p><p>estratégias plausíveis para as questões econômicas</p><p>e ambientais. Foi presidida pela Primeira-Ministra da</p><p>Noruega, Gro Harlem Brundtland.</p><p>Publicação do informe “Nosso</p><p>Futuro Comum”, feito pela CMMAD,</p><p>também conhecido como “Informe</p><p>Brundtland”.</p><p>Consolidou o conceito de desenvolvimento</p><p>sustentável, ao relacionar as questões ambientais</p><p>ao desenvolvimento econômico.</p><p>1962</p><p>1968</p><p>1968</p><p>1971</p><p>1972</p><p>1972</p><p>1980</p><p>1983</p><p>1987</p><p>1991</p><p>Segunda Estratégia Mundial para</p><p>a Conservação: “Cuidando da</p><p>Terra”.</p><p>Dá continuidade ao Informe Brundtland, em</p><p>esforços conjuntos entre o IUCN (International</p><p>Union for Nature Conservation), o PNUMA e a WWF,</p><p>ao vincular os fatores políticos e sociais para um</p><p>desenvolvimento sustentável consistente.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>15</p><p>Tabela 1 – Marcos históricos dos debates para o desenvolvimento sustentável</p><p>Fonte: adaptada de Ayres (2018).</p><p>O conceito de desenvolvimento sustentável é baseado no princípio de cresci-</p><p>mento econômico, social e ambiental. Dessa forma, garante a acessibilidade das</p><p>gerações futuras aos recursos naturais.</p><p>ANO ACONTECIMENTO MARCO HISTÓRICO</p><p>Conferência das Nações Unidas</p><p>sobre o Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento, também</p><p>conhecida como Cúpula da</p><p>Terra e/ou Eco 92.</p><p>Marca a primeira ocasião em que um debate</p><p>governamental é realizado no Brasil. Nesse sentido,</p><p>o Rio de Janeiro se tornou palco para</p><p>a discussão de estratégias de ação mundial para</p><p>o modelo de desenvolvimento sustentável.</p><p>Na ocasião, estiveram representados 170 Estados,</p><p>foi publicada a Declaração do Rio, além de outros</p><p>quatro documentos. O mais importante foi a</p><p>Agenda 21.</p><p>Fórum Rio + 5.</p><p>Cinco anos após a Eco 92, foi realizada, em</p><p>Nova York, com a �nalidade de veri�car o</p><p>andamento da Agenda 21 até então.</p><p>Protocolo de Kyoto.</p><p>Tinha, como �nalidade estratégica, o</p><p>monitoramento da emissão de gases de efeito</p><p>estufa na atmosfera, reduzindo, assim, os</p><p>impactos do aquecimento global e,</p><p>consequentemente, do efeito estufa.</p><p>Primeiro Foro Mundial de âmbito</p><p>Ministerial realizado em Malmo,</p><p>na Suécia.</p><p>Gerou a Declaração de Malmo, que trata das</p><p>perspectivas futuras para as questões ambientais.</p><p>Os que estavam presentes asseguraram o seu</p><p>engajamento com o desenvolvimento sustentável.</p><p>Cúpula Mundial sobre o</p><p>Desenvolvimento Sustentável –</p><p>Rio + 10, realizada em</p><p>Johanesburgo, na Africa do Sul.</p><p>Novo marco temporal após a Eco 92, passados 10</p><p>anos de sua precursora. Teve por �nalidade</p><p>veri�car os resultados alcançados em relação ao</p><p>desenvolvimento sustentável, além de debater</p><p>sobre a fome.</p><p>Conferência da ONU sobre as</p><p>mudanças climáticas realizada</p><p>em Cophenhague, na Dinamarca.</p><p>Reuniu 120 chefes de Estado e de governo. Gerou a</p><p>substituição do Protocolo de Kyoto. Além disso, foi</p><p>consagrado o acordo de Copenhague, que tratava</p><p>das questões ambientais e das mudanças no clima.</p><p>Conferência das Nações</p><p>Unidas sobre o Meio Ambiente</p><p>e Desenvolvimento, também</p><p>conhecida como Rio +20.</p><p>Assim com a Eco 92, foi realizada no Rio de Janeiro,</p><p>20 anos depois. Procurou veri�car o andamento dos</p><p>acordos realizados na Agenda 21, além de rea�rmar</p><p>os compromissos com o desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>1992</p><p>1997</p><p>1997</p><p>2000</p><p>2002</p><p>2009</p><p>2012</p><p>2015 Cúpula das Nações Unidas sobre</p><p>o Desenvolvimento Sustentável.</p><p>Proposta dos Objetivos do Desenvolvimento</p><p>Sustentável (ODS) enquanto agenda para 2030.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>16</p><p>Assim como foi visível na Tabela 1, um documento marcante nesse processo</p><p>foi a Agenda 21, que consiste em planejar as ações assertivas no que diz respeito</p><p>à sustentabilidade. O referido documento possui cerca de 40 capítulos e tem por</p><p>finalidade propor um novo modelo de desenvolvimento em escala global, com</p><p>base em aspectos de preservação ao meio ambiente, bem-estar social e eficiência</p><p>econômica (OLIVEIRA; MOREIRA, 2012).</p><p>Desenvolvimento sustentável como um novo</p><p>modelo</p><p>Assim como estudamos no tópico anterior, a ONU e os Estados que a compõem</p><p>estipularam estratégias de ação, considerando as demandas que o crescimento</p><p>populacional geraria a curto e longo prazo. Além disso, foi estipulada a necessi-</p><p>dade de oferta de matérias-primas para a manutenção dos meios de produção.</p><p>Ambos os aspectos mencionados colocam em xeque a capacidade da natureza</p><p>em oferecer os recursos suficientes para suprir tais necessidades. Para isso, o de-</p><p>senvolvimento tecnológico mudaria</p><p>as empresas, independentemente do seu porte, além de verificar os indicadores</p><p>que demonstram os dados dos impactos gerados por tais ações.</p><p>De acordo com Santos (2015), os demonstrativos de natureza social e am-</p><p>biental são instrumentos que possibilitam:</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>143</p><p>O balanço social, antes de ser uma demonstração endereçada à sociedade, é uma ferra-</p><p>menta gerencial que reúne dados quantitativos e qualitativos sobre as políticas adminis-</p><p>trativas e as relações entidade/ambiente.</p><p>Fonte: Kroetz (2000, p. 68).</p><p>conceituando</p><p>■ Comparar períodos diferentes.</p><p>■ Divulgar o comprometimento e as ações sociais e ambientais das orga-</p><p>nizações.</p><p>■ Comparar empresas e segmentos.</p><p>■ Ampliar a transparência institucional.</p><p>■ A prestação de contas, pelas empresas, aos acionistas, funcionários, tercei-</p><p>rizados, fornecedores, parceiros, governo, comunidade externa e outros.</p><p>A responsabilidade social e ambiental, assim como os seus demonstrativos, é</p><p>muito relevante para a sociedade atual e deve ser aprimorada e utilizada pelas</p><p>empresas. Vallaeys (2014, p. 133, tradução nossa) explica que “o movimento de</p><p>Responsabilidade Social das Empresas (RSE) se desenvolveu fortemente durante</p><p>as últimas décadas. As normas de qualidade integram agora os aspectos sociais</p><p>e ambientais dos processos de produção”.</p><p>Para saber mais sobre a temática, assista ao vídeo a seguir, “Observatório Social”,</p><p>de Giuliana Lenzi.</p><p>Google Play App Store</p><p>Balanço social ou relatório de sustentabilidade</p><p>O balanço social ou relatório de sustentabilidade tem por intuito descrever a</p><p>realidade econômica, social e ambiental de uma entidade (empresa, governo</p><p>ou ONGs). Assim, busca ser equitativo e expor uma informação que satisfaça</p><p>a necessidade de quem dele precisa (TINOCO, 2010). Essa também é a mis-</p><p>são da contabilidade, uma ciência que reporta informações contábil, financeira,</p><p>econômica, social, ambiental, física, de produtividade e de qualidade, mas com</p><p>sustentabilidade, a fim de obter o desenvolvimento sustentável.</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3892</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>144</p><p>Tinoco (2010) afirma que as organizações precisam satisfazer às necessidades de</p><p>seus clientes e parceiros. Não só, mas devem divulgar e demonstrar transparência</p><p>aos agentes sociais e à toda sociedade no que diz respeito às relações econômicas,</p><p>financeiras, sociais e ambientais. Tudo isso pode ser realizado por meio de um</p><p>balanço social, que é um relatório específico para esse fim.</p><p>Para Tinoco (2010, p. 34):</p><p>“ A função principal do Balanço Social da organização é tornar</p><p>público a responsabilidade social da empresa. Isso faz parte do</p><p>processo de pôr as cartas na mesa e mostrar com transparên-</p><p>cia para o público em geral, para os atentos consumidores e</p><p>para os acionistas e investidores o que a empresa está fazendo</p><p>na área social.</p><p>A divulgação do desempenho social das instituições é interessante a vários grupos</p><p>por inúmeras razões. Um exemplo é a questão ética e os princípios da empresa</p><p>em relação à qualidade de vida da sociedade na qual está inserida.</p><p>Dessa maneira, é possível afirmar que o balanço foi criado para que, anual-</p><p>mente, as organizações publiquem dados sobre:</p><p>■ Os seus impactos, projetos e ações sociais.</p><p>■ A sua relação com a comunidade interna e externa.</p><p>■ A sua relação com o meio ambiente.</p><p>As entidades devem satisfazer às necessidades de seus clientes e parceiros, além de, es-</p><p>pecialmente, divulgar as suas ações e demonstrar transparência aos agentes sociais e a</p><p>toda a sociedade.</p><p>(João Eduardo Prudêncio Tinoco)</p><p>pensando juntos</p><p>Histórico dos balanços sociais</p><p>No final do século XIX, há registros de manifestações e documentos que apre-</p><p>sentavam a necessidade de realização de ações sociais por parte das empresas. Já</p><p>no início do século XX, é possível observar questionamentos de trabalhadores</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>145</p><p>e relatos de situações insalubres e de empresas que agrediam a natureza ou não</p><p>realizavam uma contribuição social adequada. Na década de 30, com a depressão</p><p>de 1929, em detrimento de movimentos no Brasil e no exterior, também foram</p><p>constatadas indagações sobre a ação e o comprometimento das organizações</p><p>(SANTOS, 2015).</p><p>Apesar da ocorrência desses fatos, a necessidade de prestar contas e a res-</p><p>ponsabilidade social das instituições começam a ser relevantes aos empresários</p><p>apenas na segunda metade do século XX (TINOCO, 2010). Torres (2001) divide</p><p>as fases que antecedem o balanço social em três períodos, os quais são apresen-</p><p>tados a seguir:</p><p>Anos 70</p><p>Para Torres (2001), a concepção de responsabilidade social por parte das em-</p><p>presas se popularizou na década de 70, na Europa. Nesse período, ocorreram</p><p>seguintes fatos:</p><p>■ 1971: Steag, uma companhia alemã, produziu uma espécie de relatório</p><p>social, ou seja, um balanço de suas atividades sociais.</p><p>■ 1972: Singer, uma empresa localizada na França, fez o que é considerado</p><p>o primeiro balanço social da história das empresas.</p><p>■ 1977: a Associação de Dirigentes Cristãos do Brasil (ADCE) organizou o</p><p>segundo Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas, cujo tema central</p><p>foi o balanço social.</p><p>Anos 80</p><p>Nos anos 80, a Fundação Instituto de Desenvolvimento Empresarial e Social</p><p>(Fides) chegou a elaborar um modelo de balanço social. Outros acontecimentos</p><p>relacionados à temática e ocorridos nesse período são:</p><p>■ 1984: Tinoco apresentou o primeiro trabalho acadêmico sobre balanço</p><p>social no Brasil, na área contábil (TINOCO, 2010).</p><p>■ 1984: a empresa Nitrofértil publicou um relatório chamado “balanço so-</p><p>cial”. Foi considerado o primeiro relatório social no Brasil.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>146</p><p>Nesse período, no Brasil, não houve muitas iniciativas voltadas ao balanço social.</p><p>Todavia, no mundo, aconteceram experiências interessantes, tais como na França,</p><p>que, segundo Tinoco (2010), passou a exigir a Demonstração do Valor Adicio-</p><p>nado (DVA) por parte das empresas, o qual continha os seguintes indicadores:</p><p>■ Valor adicionado/produção realizada.</p><p>■ Valor adicionado/quadro efetivo (pessoal).</p><p>■ Custos de pessoal/valor adicionado.</p><p>■ Encargos financeiros/valor adicionado.</p><p>■ Valor adicionado/efetivo médio.</p><p>■ Valor adicionado/ativo fixo operacional médio.</p><p>O valor adicionado é a diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos</p><p>de terceiros. Assim, demonstra a efetiva contribuição da instituição, tendo em vis-</p><p>ta o seu desempenho e a sua capacidade para a geração de riqueza da economia.</p><p>Anos 90</p><p>De acordo com Santos (2015), nos anos 90, muitas empresas passaram a ado-</p><p>tar ações de filantropia e assistência social. O primeiro modelo de balanço so-</p><p>cial apresentado foi desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e</p><p>Econômicas (Ibase) em 1997, em parceria com técnicos(as), pesquisadores(as) e</p><p>representantes de instituições públicas e privadas. Esse modelo apresentou indi-</p><p>cadores específicos ao setor educacional, porém, o seu foco principal era o pilar</p><p>social, o qual não foi abordado na mesma intensidade que as outras dimensões</p><p>(TERMIGNONI, 2012).</p><p>Assim, o balanço social começou a ser realizado por várias empresas e passou</p><p>a ser um instrumento institucional. No mesmo período, muitas organizações</p><p>passaram a publicar relatórios de sustentabilidade e outros documentos. Algu-</p><p>mas empresas começaram a se conscientizar de que era necessária a prestação</p><p>de contas para a sociedade, enquanto outras passaram a elaborar o documento</p><p>como um instrumento de marketing, pois a sociedade exigia cada vez mais uma</p><p>postura ética por parte das instituições.</p><p>O Ibase, segundo Santos (2015), desde meados de 1997, elaborado pelo so-</p><p>ciólogo Herbert de Souza, o Betinho, destacava a importância da realização de</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>147</p><p>O balanço social do Ibase é sinônimo de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) no</p><p>Brasil. Dessa forma, é importante conhecê-lo. Para saber mais, conecte-se no link a seguir:</p><p>https://ibase.br/pt/quem-somos/</p><p>conecte-se</p><p>A Demonstração do Valor Adicionado (DVA)</p><p>é o demonstrativo contábil que evidencia,</p><p>de forma sucinta, o valor gerado por uma empresa em determinado período e a sua dis-</p><p>tribuição entre todos aqueles que participaram de sua produção. Assim como o próprio</p><p>nome sugere, a DVA demonstra a quantidade de “riqueza” que foi adicionada no balanço</p><p>da empresa entre uma data e outra.</p><p>Fonte: Reis (2018, on-line)¹.</p><p>conceituando</p><p>um balanço social das empresas em um único e simplificado modelo. Por isso,</p><p>além do modelo de balanço social que foi desenvolvido, a instituição fornecia</p><p>o “Selo Balanço Social” para as empresas que aderiram à proposta. Este selo foi</p><p>fornecido até o ano de 2008, mas, hoje, ainda há organizações que o utilizam</p><p>(SANTOS, 2015).</p><p>Demonstração do Valor Adicionado (DVA)</p><p>A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é parte integrante do balanço social</p><p>e, apesar de não ter se tornado obrigatória, com a publicação da Lei nº 11.638,</p><p>em 28 de dezembro de 2007, passou a ser exigida para as companhias abertas</p><p>(BRASIL, 2007) e normatizada pela NBC TG-09 (Norma Brasileira de Contabi-</p><p>lidade – Técnica Geral). Segundo a NBC TG-09, a DVA:</p><p>■ É fundamentada em conceitos macroeconômicos.</p><p>■ Busca apresentar a parcela de contribuição que a entidade tem na for-</p><p>mação do Produto Interno Bruto (PIB) do país onde essas operações são</p><p>realizadas, eliminados os valores que representam dupla contagem.</p><p>https://ibase.br/pt/quem-somos/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>148</p><p>Norma Brasileira de Contabilidade Técnica – NBC T</p><p>15 – Informações de natureza social e ambiental</p><p>No ano de 2006, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), por meio da Norma</p><p>Brasileira de Contabilidade – 15 (NBC T 15), estabeleceu procedimentos para a</p><p>evidenciação de informações de natureza social e ambiental. Essa norma objetiva</p><p>demonstrar a responsabilidade social das empresas para a sociedade.</p><p>Nesse sentido, o seu conteúdo é dividido em quatro tópicos, assim como</p><p>explica Santos ([2020], p. 6), a saber:</p><p>1. A geração e a distribuição de riqueza.</p><p>2. Os recursos humanos.</p><p>3. A interação da entidade com o ambiente externo.</p><p>4. A interação com o meio ambiente.</p><p>Um aspecto que precisa ser aprimorado é a inclusão de indicadores que possi-</p><p>bilitem:</p><p>a) Relativizar, considerando as realidades das empresas. Por exemplo, quan-</p><p>do se expõe o total de investimentos feitos em relação à saúde ou à educa-</p><p>ção, não podemos comparar um grande grupo com uma microempresa.</p><p>Ao relativizarmos o porte, é possível fazermos comparações.</p><p>b) Comparar períodos de forma mais clara.</p><p>Mesmo sem a obrigatoriedade da NBC T 15, reconhecemos a sua relevância, ao nortear os</p><p>comportamentos de qualidade nas empresas que se preocupam com a sustentabilidade</p><p>e com a responsabilidade social do negócio.</p><p>pensando juntos</p><p>Relato integrado</p><p>Já sabemos que as organizações devem se preocupar com os aspectos éticos e com</p><p>a transparência em relação à sustentabilidade. Essa preocupação se materializa na</p><p>elaboração de um relatório que não possui apenas informações financeiras, com</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>149</p><p>o intuito de estabelecer uma visão integrada. Assim, há a possibilidade de analisar</p><p>a empresa de forma mais global, ao agregar os três pilares da sustentabilidade: os</p><p>aspectos ambientais, sociais e econômicos.</p><p>Santos (2015), nesse contexto, defende que o mercado busca construir o relato</p><p>integrado. Em 2012, foi criada a Comissão Brasileira de Acompanhamento do</p><p>Relato Integrado, que tem por objetivo manter o mercado brasileiro atualizado</p><p>sobre essa iniciativa, além de contribuir com o processo de implantação e esti-</p><p>mular o engajamento das empresas brasileiras nessa formulação.</p><p>No período que compreende abril a julho de 2013, o modelo de relatório</p><p>integrado ficou em audiência pública. Há, também, o International Integrated</p><p>Reporting Council (IIRC), cujo objetivo é criar um modelo global, o Integrated</p><p>Reporting (IR). No IIRC, participam empresas, organismos reguladores e institui-</p><p>ções para padronização, além de investidores, organizações não governamentais</p><p>e consultorias de quase 30 países.</p><p>Para Santos (2015), o relato integrado diz respeito a uma comunicação con-</p><p>cisa sobre o modo como a estratégia, a governança, o desempenho e as possibili-</p><p>dades de uma organização, no contexto do seu ambiente externo, levam à criação</p><p>de valor em curto, médio e longo prazos.</p><p>POSSIBILIDADES DO RELATO INTEGRADO</p><p>Melhorar a articulação da estratégia para o negócio e como</p><p>o seu modelo de negócios está respondendo às novas</p><p>necessidades e expectativas do mercado.</p><p>Permitir um melhor diálogo entre a empresa e os fornecedores</p><p>do capital �nanceiro.</p><p>Desenvolver departamentos mais conectados e quebrar</p><p>áreas fechadas</p><p>Aprimorar processos internos.</p><p>Reduzir custo de capital05</p><p>04</p><p>03</p><p>02</p><p>01</p><p>Figura 1 – Possibilidades de relato integrado / Fonte: adaptada de IIRC ([2020], on-line)².</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>150</p><p>O relato integrado representa um grande avanço ao mercado, pois possibilita uma</p><p>visão integrada e amplia a transparência das empresas em relação aos aspectos</p><p>sustentáveis. Contudo, também se trata de um processo em desenvolvimento e</p><p>que merece regulamentação e apoio de instituições públicas e privadas.</p><p>Demonstrativos para micro, pequenas e médias</p><p>empresas</p><p>Apesar de não serem obrigatórios no Brasil, os demonstrativos têm sido adotados</p><p>por inúmeras organizações, principalmente as de grande porte. O fato de serem</p><p>mais empregados pelas grandes instituições se deve a dois fatores, a saber:</p><p>1. As empresas menores, muitas vezes, por terem menor infraestrutura, po-</p><p>dem ter dificuldade de acesso às informações.</p><p>2. Os indicadores não consideram o porte das empresas.</p><p>Santos (2015) apresenta um exemplo: uma empresa pequena e criada para a</p><p>subsistência de uma família, assim como muitas existentes no país, não possui in-</p><p>teresse em elaborar e divulgar demonstrativos de baixo gasto em educação ou em</p><p>saúde, sem considerar a sua realidade. Ao analisar a situação da organização, que</p><p>tem quatro colaboradores e gastos mensais com bolsas de estudos para três deles,</p><p>ao apresentar os seus gastos reais, pode haver pouca representatividade, pois, ao</p><p>comparar o número de estudo por colaborador, observa-se um índice de 75%.</p><p>Para relativizar às empresas de pequeno porte, Santos (2015) sugere alguns</p><p>indicadores, tais como:</p><p>■ Bolsas de estudo por ano (funcionário).</p><p>■ Gastos com treinamento (funcionário).</p><p>■ Gastos com alimentação e transportes (funcionário).</p><p>■ Gastos com saúde (funcionário).</p><p>■ Participação nos lucros e resultados (lucro líquido).</p><p>■ Demissões no ano (funcionários).</p><p>■ Estagiários (funcionários).</p><p>■ Número de processos trabalhistas julgados procedentes (funcionários).</p><p>■ Número de reclamações recebidas por meio da justiça/número de clientes</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>151</p><p>(no caso de clientes correntistas ou assinantes).</p><p>■ Investimentos e gastos em projetos ambientais (receita bruta).</p><p>■ Investimentos e gastos em projetos educacionais (receita bruta).</p><p>Responsabilidade Social Corporativa (RSC)</p><p>A Responsabilidade Social Corporativa, representada pela sigla RSC, demonstra</p><p>os compromissos que vão além daqueles que são obrigatórios para as organiza-</p><p>ções, tais como o cumprimento das legislações trabalhistas, tributárias e sociais,</p><p>das leis ambientais e de usos do solo, dentre outros. Apresenta, dessa maneira,</p><p>a adoção e a disseminação de valores, condutas e procedimentos que induzem</p><p>e estimulam o aperfeiçoamento contínuo de processos empresariais, para que</p><p>sejam geradas a preservação e a melhoria da qualidade de vida da sociedade, sob</p><p>o ponto de vista ético, social e ambiental.</p><p>Santos (2015, p. 92) explica que:</p><p>“ O tema da responsabilidade social integra-se, portanto, ao</p><p>da governança corporativa, ou seja, com a administração</p><p>das relações contratuais e institucionais estabelecidas pelas</p><p>companhias e as medidas adotadas para o atendimento das</p><p>demandas e dos interesses dos diversos participantes envol-</p><p>vidos. Dessa forma, a responsabilidade social corporativa está</p><p>relacionada com</p><p>a gestão de empresas em situações cada vez</p><p>mais complexas, nas quais questões como as ambientais e so-</p><p>ciais são crescentemente mais importantes para assegurar o</p><p>sucesso e a sustentabilidade dos negócios.</p><p>O conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) está associado ao reconheci-</p><p>mento de que as decisões e os resultados das atividades das companhias alcançam um</p><p>universo de agentes sociais muito mais amplo do que o composto por seus sócios e acio-</p><p>nistas (shareholders). Dessa forma, a RSC, ou cidadania empresarial, como também é</p><p>chamada, enfatiza o impacto das atividades das empresas para os agentes com os quais</p><p>interagem (stakeholders): empregados, fornecedores, clientes, consumidores, colabora-</p><p>dores, investidores, competidores, governos e comunidades</p><p>Fonte: Tinoco (2010).</p><p>conceituando</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>152</p><p>2</p><p>MODELOS DE</p><p>BALANÇO SOCIAL</p><p>A seguir, apresentaremos alguns modelos de balanços sociais. São eles: o modelo</p><p>Ibase, o GRI, os indicadores Ethos e a certificação social, outra forma de verificar</p><p>os resultados dos investimentos feitos nas áreas ambiental e social.</p><p>Modelo Ibase</p><p>Figura 2 - Selo Ibase utilizado até o ano de 2008</p><p>Fonte: Ibase (2020, on-line)³.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>153</p><p>Que tal conhecer a fundo o artigo redigido por Betinho? Conecte-se:</p><p>https://bit.ly/39jN82Y</p><p>conecte-se</p><p>Betinho, o fundador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas</p><p>(Ibase), apresenta os termos “empresa pública e cidadã” em um artigo publicado</p><p>na Folha de São Paulo em 26 de março de 1997. Nesse artigo, Betinho aborda</p><p>as questões de natureza pública, empresarial, comunitária e social para chamar</p><p>a atenção da sociedade quanto à necessidade de implantar o balanço social no</p><p>Brasil (TINOCO, 2010).</p><p>Os primeiros passos que devem ser levados em consideração para que uma em-</p><p>presa seja reconhecida como “pública e cidadã” são:</p><p>1. Desenvolver uma missão, uma visão e um conjunto de valores a serem</p><p>seguidos.</p><p>2. Comprometimento das lideranças e stakeholders para que a responsabi-</p><p>lidade social seja parte integrante de cada processo decisório.</p><p>3. Colocar os seus valores em prática.</p><p>4. Promoção de uma gestão executiva responsável.</p><p>5. Comunicação, educação e treinamento.</p><p>6. Publicação de balanços sociais e ambientais.</p><p>7. Utilizar a sua influência de forma positiva.</p><p>O modelo do balanço Ibase tem a forma de planilha, a qual traz informações</p><p>sobre a folha de pagamento dos colaboradores, gastos com encargos sociais, par-</p><p>ticipação nos lucros, detalhes com as despesas de controles ambientais e inves-</p><p>timentos sociais externos em várias áreas, tais como educação, cultura, saúde,</p><p>entre outras.</p><p>Para o seu preenchimento, não é necessário um profissional especializado na</p><p>área contábil, porque o próprio Ibase fornece essa planilha. Além disso, até 2008,</p><p>cada organização que divulgava o seu balanço social de acordo com a metodolo-</p><p>gia proposta pelo Ibase era reconhecida por meio de um selo, o qual é visualizado</p><p>na Figura 2. Contudo, esse selo não é mais utilizado.</p><p>https://bit.ly/39jN82Y</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>154</p><p>Ao reconhecer a importância do balanço social Ibase e ao torná-lo basilar para a realiza-</p><p>ção de balanços estruturados e qualitativos, a fim de organizar as ações realizadas pelas</p><p>empresas, acesse a sua base de dados, que é aberta a todos, no link disponível a seguir:</p><p>https://ibase.br/pt/balanco-social/</p><p>conecte-se</p><p>Diante do exposto e da publicação de modelos de balanço social e de relatórios de</p><p>sustentabilidade vinculados às tratativas internacionais, os registros e a concessão</p><p>dos selos às empresas que publicaram os seus balanços sob o modelo Ibase estão</p><p>suspensos desde 2008, sem perspectiva de reformulação.</p><p>Acesse o QR Code ao lado e assista a um vídeo de Francielli Muller, que explica a im-</p><p>portância dos relatórios e dos balanços sociais, ao expor o funcionamento do Ibase</p><p>e do Global Reporting Initiative (GRI), o qual estudaremos a seguir.</p><p>Google Play App Store</p><p>Modelo GRI</p><p>Figura 3 - Global Reporting Initiative (GRI)</p><p>Fonte: Global Reporting Iniciative ([2020], on-line)4.</p><p>https://ibase.br/pt/balanco-social/</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3893</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>155</p><p>As organizações podem utilizar os padrões da Global Reporting Initiative (GRI)</p><p>para desenvolver os seus relatórios de sustentabilidade. Entretanto, não é neces-</p><p>sário fazer o uso de todos, mas podem ser empregadas partes específicas para</p><p>relatar as informações que são válidas para a sua organização.</p><p>A GRI:</p><p>“ [...] é uma organização internacional que ajuda empresas,</p><p>governos e outras instituições a compreender e comunicar o</p><p>impacto dos negócios em questões críticas de sustentabilidade.</p><p>Mudanças climáticas, direitos humanos e problemas de cor-</p><p>rupção são algumas dessas questões (CEBDS, 2017, on-line)5.</p><p>A sigla GRI, no contexto da sustentabilidade e da Responsabilidade Social Corporativa</p><p>(RSC), significa Global Reporting Initiative. Em outras palavras, refere-se a uma organização</p><p>não governamental fundada em 1997 por iniciativa do Programa das Nações Unidas para</p><p>o Meio Ambiente (PNUMA) e pela organização não governamental norte-americana Ceres.</p><p>Fonte: CEBDS (2017, on-line)5.</p><p>conceituando</p><p>É preciso muita atenção, pois cada modo de utilização dos padrões requer uma</p><p>declaração de uso correspondente. As organizações precisam incluir essa decla-</p><p>ração em qualquer relatório com divulgação baseada nos modelos previstos pelo</p><p>documento, já que:</p><p>“ As Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilida-</p><p>de da GRI consistem de princípios para a defi nição do con-</p><p>teúdo do relatório e a garantia da qualidade das informações</p><p>relatadas. Incluem também o conteúdo do relatório, composto</p><p>de indicadores de desempenho e outros itens de divulgação,</p><p>além de orientações sobre temas técnicos específi cos relativos</p><p>à elaboração do relatório (GRI, 2006, p. 3).</p><p>De acordo com o CEBDS (2017, on-line)5, os principais motivos pelos quais as</p><p>grandes organizações implementam relatórios com base nos padrões da GRI são:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>156</p><p>■ Demonstrar compromisso com os impactos ambientais e sociais.</p><p>■ Transparência nas relações.</p><p>■ Apresentar capacidade de participação em mercados competitivos.</p><p>■ Planejar atividades, tornar-se mais sustentável e posicionar a empresa.</p><p>■ Seguir a legislação.</p><p>Todos esses benefícios são adicionados enquanto valores positivos à imagem da</p><p>organização, visto que aumentam as chances de fidelização e facilitam a análise</p><p>de dados para a comparação de desempenho com outras companhias.</p><p>O modelo GRI estabelece padrões internacionais de sustentabilidade. Portanto, empresas</p><p>que desejam espaço em um mercado cada vez mais globalizado precisam estar engajadas</p><p>com a causa. Para saber mais, conecte-se:</p><p>https://www.globalreporting.org/standards/global-sustainability-standards-board/</p><p>conecte-se</p><p>Indicadores ETHOS</p><p>Figura 4 - Instituto Ethos</p><p>Fonte: Instituto Ethos ([2020], on-line)6.</p><p>Os indicadores Ethos são uma ferramenta de gestão que objetiva apoiar as orga-</p><p>nizações, a fim de incorporar a sustentabilidade e a responsabilidade social nas</p><p>estratégias do negócio. Desse modo:</p><p>https://www.globalreporting.org/standards/global-sustainability-standards-board/</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>157</p><p>“ A nova geração dos Indicadores Ethos foi criada para estar a servi-</p><p>ço dos negócios, com aplicações e funcionalidades que permitem</p><p>total flexibilidade em sua aplicação pelas empresas e a geração de</p><p>relatórios mais próximos da realidade empresarial, que apoiam efe-</p><p>tivamente a gestão, com mecanismos para planejamento, compar-</p><p>tilhamento de dados com as partes interessadas e desenvolvimento</p><p>da sustentabilidade nas cadeias de valor (INSTITUTO ETHOS,</p><p>[2020], on-line)7.</p><p>“Os Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis têm como foco avaliar</p><p>o quanto a sustentabilidade e a responsabilidade social têm sido incorporadas nos negó-</p><p>cios, auxiliando a definição de estratégias, políticas e processos. Embora traga medidas</p><p>de desempenho</p><p>em sustentabilidade e responsabilidade social, esta ferramenta não se</p><p>propõe a medir o desempenho das empresas nem reconhecer empresas como sustentá-</p><p>veis ou responsáveis”.</p><p>Fonte: Instituto Ethos ([2020], on-line)8.</p><p>conceituando</p><p>Os indicadores Ethos funcionam como uma verificação diagnóstica das organiza-</p><p>ções que o utilizam. Além disso, geram relatórios que proporcionam a realização</p><p>de planejamentos direcionados a metas, o que propicia uma gestão pautada em</p><p>sustentabilidade e responsabilidade social:</p><p>“ Essa geração atual dos Indicadores Ethos está sendo continuamen-</p><p>te aprimorada, nos apresenta uma nova abordagem para a gestão</p><p>das empresas e procura integrar os princípios e comportamentos</p><p>da RSE com os objetivos para a sustentabilidade, baseando-se em</p><p>um conceito de negócios sustentáveis e responsáveis ainda em de-</p><p>senvolvimento. Além de ter maior integração com as diretrizes de</p><p>relatórios de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI),</p><p>com a Norma de Responsabilidade Social ABNT NBR ISO 26000,</p><p>CDP, e outras iniciativas (INSTITUTO ETHOS, [2020], on-line)9.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>158</p><p>Além dos modelos apresentados, existem outros que podem ser analisados, a fim</p><p>de constatar em qual a sua empresa se enquadra.</p><p>Auditoria e certificação social</p><p>Outra forma que a organização pode utilizar para verificar os resultados dos</p><p>investimentos feitos nas áreas ambiental e social é por meio da auditoria e da</p><p>certificação social. Para Tinoco (2010), a auditoria é de suma importância para</p><p>a segurança dos agentes sociais em relação às atividades que são desenvolvidas</p><p>pelas organizações, incluindo os gestores e os controladores dessas entidades.</p><p>A auditoria se preocupa basicamente com a análise de elementos contábeis</p><p>e sociais, bem como a determinação e a exatidão das demonstrações e dos re-</p><p>latórios contábeis, sociais e ambientais. Além do mais, procura garantir se as</p><p>demonstrações e os registros contábeis que lhe deram origem são de confiança.</p><p>Assim como as normas ISO 9000 e ISO 14000 certificam as empresas pela</p><p>sua capacidade gerencial (qualidade do processo de produção) e pelo respeito</p><p>ao meio ambiente, as normas BS 8800 e SA 8000 certificam, respectivamente, as</p><p>organizações que garantem a segurança e a saúde do trabalhador, além de res-</p><p>peitar os direitos humanos e trabalhistas.</p><p>A Social Accountability Standard (SA) 8000 possui estrutura similar à da ISO</p><p>9000 e enfatiza os direitos dos empregados, tais como a licença-maternidade, a</p><p>remuneração de horas extras e salários que garantam a cobertura das suas neces-</p><p>sidades mínimas. A norma é baseada nos preceitos da Organização Internacional</p><p>do Trabalho (OIT) e foi criada pelo Council on Economic Priorities Accreditation</p><p>Agency (CEPAA), uma organização internacional filiada ao Council on Econo-</p><p>mic Priorities (CEP), de Nova Iorque, que possui, como diretriz central, a difusão</p><p>das questões relativas às condições trabalhistas entre os consumidores de todo</p><p>o mundo por meio do seu guia ao consumidor, o Shopping for a Better World.</p><p>É necessário se aprofundar na temática para saber mais sobre o preenchimento do ques-</p><p>tionário que contempla os requisitos dos indicadores Ethos. Para isso, acesse o link a seguir:</p><p>https://www3.ethos.org.br/cedoc/indicadores-ethos-para-negocios-sustentaveis-e-res-</p><p>ponsaveis/#.W6eo0_ZReUl</p><p>conecte-se</p><p>https://www3.ethos.org.br/cedoc/indicadores-ethos-para-negocios-sustentaveis-e-responsaveis/#.W6eo0_ZReUl</p><p>https://www3.ethos.org.br/cedoc/indicadores-ethos-para-negocios-sustentaveis-e-responsaveis/#.W6eo0_ZReUl</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>159</p><p>3</p><p>PREMIAÇÕES NA ÁREA DA</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>Quando consumimos produtos e serviços, nosso maior interesse se dá na entrega que</p><p>recebemos. No entanto, é necessário observarmos as empresas que ofertam tais pro-</p><p>dutos e serviços, considerando as suas condutas, para desempenharmos um consumo</p><p>consciente. Quer saber mais? Acesse:</p><p>https://betterworldshopper.org/</p><p>Fonte: os autores.</p><p>explorando Ideias</p><p>Além de demonstrar os resultados dos investimentos nas áreas social e ambiental,</p><p>as organizações podem perceber que os stakeholders representados por algumas</p><p>entidades de elevada reputação buscam “premiar”, por assim dizer, por meio de</p><p>diversos mecanismos, as companhias que realizam práticas reconhecidamente</p><p>benéficas para a sociedade, de acordo com critérios específicos de análise.</p><p>Dessa maneira, as premiações têm como objetivo demonstrar aos stakehol-</p><p>ders as boas práticas sociais e ambientais. A seguir, você conhecerá alguns prê-</p><p>mios importantes na área da sustentabilidade.</p><p>https://betterworldshopper.org</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>160</p><p>Prêmio Inovação em Sustentabilidade</p><p>O Instituto Ethos e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento In-</p><p>ternacional (Usaid) têm editais para que empresas e ONGs possam apresentar</p><p>inovações em sustentabilidade. Assim:</p><p>“ Para efeito do prêmio, sustentabilidade é entendida como</p><p>a busca pela harmonia entre os três pilares: equilíbrio am-</p><p>biental, justiça social e viabilidade econômica. O Prêmio será</p><p>dado para uma iniciativa inovadora economicamente viável,</p><p>ambientalmente equilibrada e socialmente inclusiva que es-</p><p>teja em uso, nos temas: Desenvolvimento de Cadeia de Valor,</p><p>Educação, Meio Ambiente, Saúde e Tecnologia da Informação</p><p>(INSTITUTO ETHOS, [2020], on-line)10.</p><p>De acordo com o Instituto Ethos ([2020], on-line)10, pessoas e organizações po-</p><p>dem concorrer ao Prêmio Inovação em Sustentabilidade, desde que estabelecidas</p><p>no Brasil. Nesse contexto, compreende:</p><p>■ Associações comunitárias.</p><p>■ Empreendedores sociais.</p><p>■ Institutos de pesquisa.</p><p>■ Micro e pequenas empresas.</p><p>■ ONGs.</p><p>■ Universidades.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>161</p><p>Prêmio Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</p><p>(ODS) Brasil</p><p>Trata-se de uma iniciativa brasileira para apoiar o cumprimento dos Objetivos do</p><p>Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).</p><p>É promovida pela Secretaria Nacional de Articulação Social da Secretaria de</p><p>Governo da Presidência da República. A sua premiação é voltada aos governos,</p><p>às organizações da sociedade civil e às instituições de ensino, pesquisa e extensão</p><p>que desenvolvam projetos que contribuam para melhorar as condições sociais,</p><p>ambientais, econômicas e institucionais do país (ODS, 2018).</p><p>Como participar? Cada instituição pode se inscrever com até três ações re-</p><p>plicáveis. Os melhores projetos serão apresentados em um banco de práticas que</p><p>servirão de referência para a implementação e a disseminação da Agenda 2030. A</p><p>Confederação Nacional da Indústria (CNI) integra a Comissão Nacional para os</p><p>ODS, a qual possui a missão de estruturar a agenda brasileira a partir da agenda</p><p>global proposta pela ONU:</p><p>Com o propósito de não deixar ninguém para trás, foram definidos 17 Ob-</p><p>jetivos, 169 Metas e 232 Indicadores, a serem cumpridos até 2030. Destacam-se</p><p>temas relevantes, tais como: erradicação da pobreza, saúde, educação, trabalho</p><p>decente, inovação, consumo sustentável, combate à mudança do clima, paz e par-</p><p>cerias (ONU, 2018, p. 3).</p><p>Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade</p><p>Quaisquer tipos de organizações que tenham como objetivo principal estimular</p><p>a prática dos ODS e os pilares “evolução” e “sustentabilidade” podem participar</p><p>do Prêmio Fecomércio de Sustentabilidade.</p><p>Foram apresentados alguns prêmios na área de sustentabilidade e incentivo</p><p>aos desafios do ODS. No entanto, é importante frisar que esses prêmios não se</p><p>esgotam por aqui. Para participar, basta ler os editais e analisar se a sua organi-</p><p>zação se enquadra nas categorias analisadas.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>5</p><p>162</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Caro(a) estudante, finalizamos a nossa unidade! Nela, estudamos as demonstra-</p><p>ções dos investimentos nas áreas ambiental e social, pois as empresas que as fazem</p><p>podem comprovar as suas práticas aos stakeholders e à sociedade. Nesse sentido,</p><p>há muitas organizações em processo de aprendizagem ou que já possuem essas</p><p>práticas implementadas.</p><p>Também constatamos que as empresas já possuem</p><p>ciência de que a sociedade</p><p>está cada vez mais exigente em relação às aplicações de natureza ambiental, em</p><p>que são associados os dados contábeis e financeiros aos balanços sociais. Acerca</p><p>disso, estudamos o balanço social, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA),</p><p>a Norma Brasileira de Contabilidade Técnica 15 (NBC T 15) e o relato integrado.</p><p>Esses demonstrativos de natureza ambiental e social permitem que a organiza-</p><p>ção divulgue as ações da empresa, realize comparações entre vários segmentos e</p><p>preste contas aos stakeholders.</p><p>Sobre a importância do balanço social, foi esclarecido que o seu intuito é o de</p><p>comunicar informações, a fim de atender à necessidade de quem está interessado.</p><p>Além disso, embora tenha fundamentos e princípios da contabilidade, pode ser</p><p>aplicado em informações de cunho social.</p><p>Dentre os principais modelos de cunho social, apresentamos o Ibase, propos-</p><p>to pelo sociólogo Betinho. Ele é uma planilha que pode ser preenchida de forma</p><p>simplificada, tendo em vista que o modelo já é existente. Assim, permite visualizar</p><p>facilmente o que foi aplicado e não exige um conhecimento aprofundado na área</p><p>contábil. O modelo GRI também está disponível em um formulário on-line, a</p><p>fim de ser um modelo que as organizações podem seguir.</p><p>Finalizamos os nossos estudos demonstrando outra maneira de as organiza-</p><p>ções demonstrarem os resultados de suas ações sustentáveis. Essa atitude se dá</p><p>por meio da participação em premiações na área sustentável, o que gera maior</p><p>notoriedade para a empresa perante a sociedade.</p><p>163</p><p>na prática</p><p>1. Cada vez mais, as organizações estão comprometidas com as questões ambiental</p><p>e social, o que exige ética, transparência e compromisso ambiental e social. Nesse</p><p>contexto, existem os balanços sociais: qual é o seu objetivo?</p><p>2. Um prêmio obtido na área da sustentabilidade pode dar reconhecimento e exposi-</p><p>ção para qualquer organização, independentemente de seu porte, além de ser um</p><p>argumento para alavancar uma empresa. Mediante o exposto, explique qual é o</p><p>objetivo de um prêmio em relação à sustentabilidade.</p><p>3. A NBC T 15 estipula os parâmetros para o exercício da profissão e os princípios</p><p>norteadores para o alcance das metas estabelecidas, promovendo condutas pro-</p><p>fissionais condizentes às necessidades. Diante disso, cite os principais tópicos da</p><p>NBC T 15.</p><p>4. Lançado nos anos 90, o balanço social Ibase tem como principal função tornar pú-</p><p>blica a responsabilidade social empresarial, ao construir vínculos maiores entre a</p><p>empresa, a sociedade e o meio ambiente. Assim, explique a forma do modelo Ibase.</p><p>5. “A GRI é uma organização internacional que ajuda empresas, governos e outras</p><p>instituições a compreender e a comunicar o impacto dos negócios em questões</p><p>críticas de sustentabilidade. Mudanças climáticas, direitos humanos e problemas</p><p>de corrupção são algumas dessas questões” (CEBDS, 2017, on-line)5. Mediante o</p><p>enunciado, apresente os principais motivos pelos quais as organizações buscam a</p><p>implementação do relatório dentro dos padrões GRI.</p><p>164</p><p>aprimore-se</p><p>SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL SÓ SE ALCANÇA COM QUALIDADE</p><p>Mas o que uma organização deve fazer para alcançar a sustentabilidade empresa-</p><p>rial? Quais os melhores caminhos e as práticas mais eficazes?</p><p>É consenso que a sustentabilidade empresarial deve ser trabalhada em conformi-</p><p>dade com as normas técnicas internacionais referentes à qualidade, à proteção do</p><p>meio ambiente, à saúde e segurança dos funcionários e à responsabilidade social.</p><p>E por que a qualidade empresarial tem a ver com sustentabilidade? Essas duas</p><p>práticas estão totalmente relacionadas porque são essenciais para o desenvolvi-</p><p>mento responsável de produtos e processos empresariais. Isso significa dizer que</p><p>uma empresa com um sistema eficiente de qualidade poderá ter alta produtividade,</p><p>custos reduzidos, excelência em níveis de desempenho, tudo isso atrelado a práti-</p><p>cas sustentáveis e de preocupação socioambiental.</p><p>Nesse sentido, as normas da ISO são fundamentais. A ISO 9000 é uma série de</p><p>normas desenvolvidas pela International Organization for Standardization (ISO), vol-</p><p>tadas para a qualidade do produto ou do processo. Dessa lista de normas, a ISO</p><p>9001 é a mais abrangente e também a mais utilizada entre as normas do Sistema de</p><p>Gestão de Qualidade (SGQ).</p><p>Fonte: Verde Ghaia (2018, on-line)¹¹.</p><p>165</p><p>eu recomendo!</p><p>165</p><p>eu recomendo!</p><p>Contabilidade ambiental: relato integrado e</p><p>sustentabilidade</p><p>Autor: João Roberto Kassai, Nelson Carvalho e José Rubens Seylo</p><p>Kassai</p><p>Editora: Atlas</p><p>Sinopse: : o livro é uma contribuição ao debate sobre as grandes</p><p>mudanças e a necessidade de se aprimorar o processo de comu-</p><p>nicação corporativa que culminou na proposição global do relato integrado por</p><p>uma comissão internacional: o International Integrated Reporting Council (IIRC).</p><p>livro</p><p>Relatório Anual Natura 2019</p><p>A Natura celebrou 50 anos em 2019, um ano marcado por conquistas importan-</p><p>tes, em detrimento do seu esforço em gerar um impacto positivo nas esferas eco-</p><p>nômica, ambiental e social. Assim, seu relatório anual traz informações sobre o</p><p>progresso da visão de sustentabilidade e segue as diretrizes da Global Reporting</p><p>Initiative (GRI).</p><p>Web: https://static.rede.natura.net/html/home/2020/br_09/relatorio-anual-2019/</p><p>relatorio_anual_natura_2019.pdf</p><p>conecte-se</p><p>https://static.rede.natura.net/html/home/2020/br_09/relatorio-anual-2019/relatorio_anual_natura_2019.pdf</p><p>https://static.rede.natura.net/html/home/2020/br_09/relatorio-anual-2019/relatorio_anual_natura_2019.pdf</p><p>166</p><p>conclusão geral</p><p>conclusão geral</p><p>166</p><p>conclusão geral</p><p>conclusão geral</p><p>Caro(a) aluno(a),</p><p>No decorrer da disciplina, foram trabalhados, em cinco unidades, os aspectos re-</p><p>lacionados ao desenvolvimento do conceito de sustentabilidade, assim como o de-</p><p>senvolvimento sustentável enquanto proposta de um modelo econômico capaz de</p><p>alcançar tal meta.</p><p>Após a realização de uma retomada histórica, concluímos que o Relatório</p><p>Brundtland, também conhecido como “Nosso Futuro Comum”, foi o marco histórico</p><p>que reuniu o tripé da sustentabilidade (social, econômico e ambiental) em um con-</p><p>ceito chave, que é o desenvolvimento sustentável.</p><p>Em conjunto com o conceito de desenvolvimento sustentável, apresentamos as</p><p>suas segmentações de análise, tais como o tripé da sustentabilidade. Outra forma</p><p>de abordagem são as dimensões que dividem a sustentabilidade em social, econô-</p><p>mica, ecológica, espacial (ou geográfica) e cultural.</p><p>Nesse contexto, surgiram os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS),</p><p>os quais permitem a execução de ações baseadas na gestão ambiental empresa-</p><p>rial, garantem a sustentabilidade econômica das empresas e o desenvolvimento da</p><p>Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Apesar de ainda haver empresas que</p><p>realizam greenwashing, ou lavagem verde, organizações com conduta ética desen-</p><p>volvem o marketing verde. Em outras palavras, são calcadas em fatores estrutura-</p><p>dos em certificações de responsabilidade social, como a norma internacional ISO</p><p>26000 e a nacional NBR 16001, a qual é certificável e representa as instituições que</p><p>atendem aos seus requisitos.</p><p>Outro fator de grande relevância para considerar as organizações enquanto so-</p><p>cialmente responsáveis é a realização de auditorias. Não só, mas também existem</p><p>os balanços ou relatórios de sustentabilidade, sejam de teor ambiental ou social.</p><p>Por fim, também há as premiações da área, as quais reconhecem as empresas com</p><p>alto nível de desempenho.</p><p>Desejamos que este material contribua com o seu conhecimento e o torne um</p><p>profissional diferenciado no mercado de trabalho.</p><p>Bons estudos e um grande abraço!</p><p>referências</p><p>167</p><p>UNIDADE 1</p><p>AMAZONAS, M. C. Pagamento por serviços ambientais: dilemas conceituais e normativos.</p><p>Brasília: Instituto Sociedade, População e Natureza, 2010.</p><p>AYRES, W. D. Conferências nacionais de meio ambiente: efetividade e participação social.</p><p>2018. 87 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade Estadual</p><p>de Maringá,</p><p>Maringá, 2018.</p><p>BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>BARBOSA, G. S. O desafio do desenvolvimento sustentável. Revista Visões, Rio de Janeiro, v.</p><p>1, n. 4, p. 84-94, jan./jun. 2008.</p><p>BARROS, A.; CAÚLA, B. Q. Tributos verdes aplicados no caso concreto: requisitos de atendi-</p><p>mento aos critérios do ICMS no estado no Ceará. In: TRINDADE, A. A. C.; LEAL, C. B. (coord.).</p><p>Direitos Humanos e meio ambiente. Fortaleza: Expressão, 2017. p. 11-28.</p><p>BELINKY, A. Rumo à Rio 2012: considerações sobre a 1ª reunião intersecional preparatória.</p><p>São Paulo: Instituto Vitae Civilis, 2011.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil: texto cons-</p><p>titucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas</p><p>Emendas Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a</p><p>91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. Brasília: Senado Federal, 2016.</p><p>BRUNDTLAND, G. H. et al. Nosso futuro comum. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento. Nova York: ONU, 1987.</p><p>BURSZTYN, M. A.; BURSZTYN, M. Fundamentos de política e gestão ambiental: caminhos</p><p>para a sustentabilidade. Rio de Janeiro: Garamond, 2012.</p><p>DEAN, W. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica Brasileira. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 1995.</p><p>LIMA, M. C. B. Desenvolvimento sustentável, o uso e o aproveitamento adequados da água.</p><p>Água, justiça e desenvolvimento: desafios para gestão dos recursos hídricos. Revista da</p><p>AMAERJ, Rio de Janeiro, jun. 2001.</p><p>MACHADO, P. A. L. Direito ambiental brasileiro. 17. ed. São Paulo: Malheiros, 2009.</p><p>MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Conferência Nacional do Meio Ambiente. Fortalecendo o</p><p>Sistema Nacional do Meio Ambiente. Texto Base. Brasília: MMA, 2003. Disponível em: http://</p><p>www.mma.gov.br/images/arquivo/80054/TextoBase_ICNMA.pdf. Acesso em: 23 ago. 2020.</p><p>MOREIRA, P. G.; OLIVEIRA, N. C. O Brasil e as três conferências das Nações Unidas sobre meio</p><p>ambiente. História e Economia, v. 9, p. 99-116, 2012.</p><p>referências</p><p>168</p><p>NOVAES, W. Agenda 21: um novo modelo de civilização. In: TRIGUEIRO, A. Meio ambiente no</p><p>século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. 5.</p><p>ed. São Paulo: Sextante, 2008. p. 322-331.</p><p>OLIVEIRA, L. D. A ideologia do desenvolvimento sustentável: notas para reflexão. Revista Ta-</p><p>moios, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, jul./dez. 2005.</p><p>ONU. Synthesis report on best practices and lessons learned on the objective and the-</p><p>mes of the conference. New York: United Nations, 2011.</p><p>SACHS, I. Estratégias de transição para o século XXI – Desenvolvimento e meio ambiente. Re-</p><p>vista de Administração de Empresas, v. 34, n. 2, 1993.</p><p>SACHS, I. O tripé do desenvolvimento includente. In: SEMINÁRIO DE INCLUSÃO SOCIAL, 2003,</p><p>Brasília. Palestra Magna. Brasília: BNDES, 2003.</p><p>SACHS, I. Primeiras Intervenções. In: NASCIMENTO, E. P.; VIANNA, J. N. (org.). Dilemas e desa-</p><p>fios do desenvolvimento sustentável no Brasil. Rio de Janeiro: Garamond, 2007. p. 21-41.</p><p>SAWYER, D. Economia verde e/ou desenvolvimento sustentável? Conservação Internacional,</p><p>Belo Horizonte, n. 8, p. 36-42, jun. 2011.</p><p>SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia de Bolso, 2010.</p><p>TOWNSEND, C. R.; BEGON, M.; HARPER, J. L. Fundamentos em Ecologia. 3. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2010.</p><p>TRINDADE, A. A. C.; LEAL, C. B. Direitos ambientais e humanos. Fortaleza: Expressão, 2017.</p><p>UNEP. Towards a green economy: pathways to sustainable development and poverty</p><p>eradication: a synthesis for policy makers. Nairobi: United Nations Environment Programme,</p><p>2011.</p><p>WCED. Our common future. Oxford: Oxford University Press, 1987.</p><p>REFERÊNCIAS ON-LINE</p><p>1 Em: http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20.html#:~:text=A%20Rio%2B20%20foi%20</p><p>assim,sustent%C3%A1vel%20para%20as%20pr%C3%B3ximas%20d%C3%A9cadas. Acesso</p><p>em: 3 dez. 2020.</p><p>2 Em: https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente. Acesso em: 3 dez. 2020.</p><p>3 Em: https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/27961-o-que-e-o-conama/. Acesso em: 3</p><p>dez. 2020.</p><p>4 Em: https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28986-o-que-e-a-economia-verde/. Aces-</p><p>referências</p><p>169</p><p>so em: 3 dez. 2020.</p><p>5 Em: https://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Hotsites/Relatorio_Anual_2011/</p><p>Capitulos/atuacao_institucional/o_bndes_e_protocolo_verde.html. Acesso em: 4 dez. 2020.</p><p>6 Em: http://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/42158/principio-do-poluidor-pagador-</p><p>-no-direito-ambiental. Acesso em: 4 dez. 2020.</p><p>7 Em: http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/politica-externa/desenvolvimento-sustentavel-e-</p><p>-meio-ambiente/134-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-ods. Acesso em: 4 dez.</p><p>2020.</p><p>8 Em: https://www.embrapa.br/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-ods/o-que-sao-os-</p><p>-ods. Acesso em: 4 dez. 2020.</p><p>9 Em: https://administradores.com.br/artigos/a-recente-evolucao-do-desenvolvimento-sus-</p><p>tentavel. Acesso em: 4 dez. 2020.</p><p>UNIDADE 2</p><p>ALIGLERI, L.; ALIGLERI, L. A.; KRUGLIANSKAS, I. Gestão socioambiental: responsabilidade e</p><p>sustentabilidade do negócio. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>ASHLEY, P. A. Responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2003.</p><p>AYRES, W. D. Conferências nacionais de meio ambiente: efetividade e participação social.</p><p>2018. 87 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Universidade Estadual de Maringá,</p><p>Maringá, 2018.</p><p>BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial. 4. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>CNI. Indústria Sustentável no Brasil. Agenda 21: cenários e perspectivas. Brasília: CNI, 2002.</p><p>Disponível em: http://arquivos.portaldaindustria.com.br/app/conteudo_24/2012/09/05/243/2</p><p>0121126162501925570a.pdf. Acesso em: 8 dez. 2020.</p><p>CONSULIN, P. H. C. Sustentabilidade e responsabilidade social em empresas de serviços</p><p>com foco em consultorias estratégicas: um estudo de caso múltiplo. 2013. 104 f. Trabalho</p><p>de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia de Produção – Universidade de São Paulo,</p><p>São Paulo, 2013.</p><p>DIAS, R. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas,</p><p>2017.</p><p>DORNELAS, M. A. Responsabilidade social versus filantropia empresarial: um estudo de</p><p>casos na cadeia automobilística de Minas Gerais. 2005. Dissertação (Mestrado em Adminis-</p><p>tração) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2005.</p><p>referências</p><p>170</p><p>FOLADORI, G. Avances y límites de la sustentabilidad social. Economia, Sociedad y Território.</p><p>v. 3, n. 12, p. 621-637, 2002.</p><p>KREITLON, M. P. A ética nas relações entre empresas e sociedade: fundamentos teóricos da</p><p>responsabilidade social empresarial. 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Acesso</p><p>em: 10 dez. 2020.</p><p>10 Em: https://comercioemacao.cdlbh.com.br/2018/09/04/as-5-empresas-mais-susten-</p><p>taveis-do-mundo-e-o-que-aprender-com-elas/. Acesso em: 10 dez. 2020.</p><p>UNIDADE 3</p><p>ABNT. NBR 16001. Responsabilidade social - Sistema da gestão - Requisitos. Rio de Janeiro,</p><p>ABNT, 2004.</p><p>ABNT. NBR 16001. Responsabilidade social - Sistema da gestão - Requisitos. Rio de Janeiro:</p><p>ABNT, 2012.</p><p>ABNT. NBR ISO 26000. Diretrizes sobre responsabilidade social. Rio de Janeiro: ABNT, 2010.</p><p>BARBIERI, J. C. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 4. ed. São</p><p>Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>BARBIERI, J. C.; CAJAZEIRA, J. E. R. Responsabilidade social empresarial e empresa susten-</p><p>tável: da teoria à prática. São Paulo: Saraiva, 2009.</p><p>COSTA, C. Verdes são os campos. A questão ambiental nas empresas. 2011. Dissertação</p><p>(Mestrado em Sociologia das Organizações) – Universidade do Minho, Braga, 2011.</p><p>DIAS, R. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. 3. ed. São Paulo: Atlas,</p><p>2017.</p><p>FREITAG, A. E. B.; QUELHAS, O. L. G. ISO 26000: fatores restritivos e requisitos para adoção pela</p><p>indústria de construção civil. Sistemas & Gestão, v. 11, n. 2, 2016.</p><p>FRIEDMAN, M. Capitalismo e liberdade. São Paulo: Nova Cultura, 1985.</p><p>GONZAGA, C. A. M. Marketing verde de produtos florestais: teoria e prática. Revista Floresta,</p><p>referências</p><p>172</p><p>Curitiba, v. 3, n. 2, maio/ago. 2005.</p><p>HOEFFLER, S., KELLER, K. L. Building brand equity marketing. Journal of Public Policy & Mar-</p><p>keting, v. 21, n. 1, p. 78-89, 2002.</p><p>INMETRO. Compreendendo a responsabilidade social: ISO 26000 E ABNT NBR 16001. Brasí-</p><p>lia: [s. n.], [2020]. 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Aces-</p><p>so em: 21 dez. 2020.</p><p>2 Em: https://integratedreporting.org/resource/creating-value-board/. Acesso em: 21 dez.</p><p>2020.</p><p>3 Em: https://ibase.br/pt/destaques/ibase-tem-nova-marca-e-homenageia-betinho/. Acesso</p><p>em: 21 dez. 2020.</p><p>4 Em: https://www.globalreporting.org/. Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>5 Em: https://cebds.org/o-que-e-gri/#.X-EMENhKibi. Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>6 Em: https://www.ethos.org.br/cedoc/por-que-ethos-participa-de-comissao-paulista/logo-e-</p><p>thos-2/. Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>7 Em: https://www.ethos.org.br/conteudo/indicadores-ethos-gestao-para-o-desenvolvimen-</p><p>to-sustentavel/#:~:text=A%20nova%20gera%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Indicadores,ges-</p><p>t%C3%A3o%2C%20com%20mecanismos%20para%20planejamento%2C. Acesso em: 21 dez.</p><p>2020.</p><p>8 Em: https://www.ethos.org.br/conteudo/indicadores/#.W6enJvZReUk. Acesso em: 21 dez.</p><p>2020.</p><p>9 Em: https://www.ethos.org.br/?post_type=conteudo&p=8680#:~:text=A%20atual%20gera%-</p><p>C3%A7%C3%A3o%20dos%20Indicadores,e%20respons%C3%A1veis%20ainda%20em%20</p><p>desenvolvimento. Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>10 Em: https://ethos.org.br/PremioInovacaoemSustentabilidade/OqueeoPremio.asp.</p><p>Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>11 Em: https://www.consultoriaiso.org/sustentabilidade-empresarial-saiba-por-que-a-</p><p>dotar-essa-pratica. Acesso em: 21 dez. 2020.</p><p>gabarito</p><p>177</p><p>UNIDADE 1</p><p>1. O tripé da sustentabilidade é dado pelo</p><p>social, econômico e ambiental. O social</p><p>é referente ao capital humano, em que</p><p>estão envolvidos aspectos, tais como o</p><p>cumprimento da legislação trabalhista,</p><p>ambiente agradável e saudável, e o rela-</p><p>cionamento com a sociedade em geral.</p><p>O meio ambiente é referente ao capital</p><p>natural, o que exige a formulação de</p><p>maneiras de diminuição e compensa-</p><p>ção dos impactos ambientais negativos.</p><p>O econômico trata da parte econômica,</p><p>ou seja, é preciso pensar no desenvol-</p><p>vimento, ao analisar temas ligados à</p><p>distribuição dos bens e consumos e à</p><p>produção de forma sustentável.</p><p>2. É aquele que busca atender às neces-</p><p>sidades das gerações atuais, sem com-</p><p>prometer a capacidade das gerações</p><p>futuras de realizar as suas necessidades</p><p>e aspirações.</p><p>3. É importante que a sociedade se paute</p><p>em uma gestão ambiental consciente.</p><p>A conscientização e o reconhecimento</p><p>das questões que envolvem a estreita</p><p>trama de variáveis que compõem a rea-</p><p>lidade das cidades podem ser a solução</p><p>ao problema. Isso significa que o conhe-</p><p>cer precede o agir.</p><p>4. Alterações climáticas são causas das ati-</p><p>vidades antrópicas, tais como: derruba-</p><p>da de florestas para a obtenção de ma-</p><p>deira e lenha; espaço para agricultura,</p><p>indústrias e assentamentos; lançamen-</p><p>tos de gases na atmosfera; consequên-</p><p>cia do aquecimento global. O aumen-</p><p>to de gases por emissões atmosféricas</p><p>é gerado por atividades antrópicas, as</p><p>quais aumentam a retenção das radia-</p><p>ções infravermelhas e contribuem para</p><p>a elevação da temperatura média glo-</p><p>bal do planeta. Podem causar o efeito</p><p>estufa. Aquecimento global: pode gerar</p><p>a elevação do nível dos oceanos, a par-</p><p>tir derretimento das geleiras e da ex-</p><p>pansão do volume de água, devido ao</p><p>aumento da temperatura. Queimadas</p><p>florestais: emissões atmosféricas que</p><p>podem ajudar no efeito estufa.</p><p>5. A gestão ambiental deve pensar em</p><p>práticas que estejam associadas à con-</p><p>servação e à preservação da biodiver-</p><p>sidade, à reciclagem das matérias-pri-</p><p>mas e à redução do impacto ambiental</p><p>de atividades antrópicas sobre os recur-</p><p>sos naturais. Além disso, podem estar</p><p>associados a gestão ambiental, técnicas</p><p>para a recuperação de áreas degrada-</p><p>das, o reflorestamento, os métodos para</p><p>a exploração sustentável de recursos</p><p>naturais, o estudo de riscos e de impac-</p><p>tos ambientais para a avaliação de no-</p><p>vos empreendimentos ou a ampliação</p><p>de atividades produtivas.</p><p>UNIDADE 2</p><p>1. B.</p><p>2. A.</p><p>3. E.</p><p>4. A principal diferença entre a respon-</p><p>sabilidade social e a filantropia se dá</p><p>no fato de que esta trata das ações ex-</p><p>gabarito</p><p>178</p><p>ternas à organização e a sua principal</p><p>beneficiária é a comunidade, enquan-</p><p>to a responsabilidade social tem foco</p><p>na cadeia de negócios da empresa e</p><p>se preocupa com um público que vai</p><p>além da comunidade. São eles: acio-</p><p>nistas, colaboradores, fornecedores,</p><p>meio ambiente, governo, clientes e</p><p>prestadores de serviço.</p><p>5. Para as empresas, enquanto fator</p><p>competitivo, são vantagens da susten-</p><p>tabilidade econômica:</p><p>• Maior economia financeira em médio</p><p>e longo prazos.</p><p>• Aumento dos lucros e diminuição dos</p><p>riscos, por meio do combate à polui-</p><p>ção e da melhoria da eficiência am-</p><p>biental.</p><p>• Melhoria da imagem perante a socie-</p><p>dade, principalmente aos consumido-</p><p>res.</p><p>• Obtenção de ganhos indiretos, pois</p><p>terão um ambiente preservado, com</p><p>maior desenvolvimento econômico,</p><p>além da garantia de qualidade de vida</p><p>melhor para as gerações vindouras.</p><p>• Vantagem competitiva no mercado,</p><p>quando comparadas às suas concor-</p><p>rentes.</p><p>• Conquista de novos mercados</p><p>UNIDADE 3</p><p>1. O produto será considerado ecológico</p><p>e/ou verde quando tiver um prejuízo</p><p>menor em todo o seu ciclo de vida,</p><p>considerando a sua concepção, o seu</p><p>uso, consumo e descarte final. Dessa</p><p>maneira, um produto verde é aquele</p><p>que tem as mesmas funções de um</p><p>produto comum, mas os seus danos</p><p>ambientais são menores em todo o</p><p>seu ciclo de vida. Para tanto, é neces-</p><p>sário analisar a sua composição, a fim</p><p>de constatar se é reciclável, se agride,</p><p>ou não, o meio ambiente, se o mate-</p><p>rial de sua embalagem também pode</p><p>ser reaproveitado etc.</p><p>2. O rótulo do tipo I é baseado na norma</p><p>NBR ISO 14024, em um programa de</p><p>terceira parte, com adesão voluntá-</p><p>ria. Também é calcado em múltiplos</p><p>critérios previamente definidos pelo</p><p>programa e válidos para as classes</p><p>ou categorias de produtos e serviços,</p><p>além de considerar o ciclo de vida do</p><p>produto e exigir uma certificação da</p><p>terceira parte.</p><p>3. “Logística reversa” é uma expressão</p><p>utilizada para descrever o processo de</p><p>retorno dos resíduos finais dos produ-</p><p>tos para o processo de produção, tais</p><p>como as embalagens, que podem ser</p><p>retornáveis ou recicláveis. É crescente</p><p>a inserção de produtos com esse prin-</p><p>cípio no mercado, pois, além de re-</p><p>duzir o impacto ambiental, gera uma</p><p>redução nos custos de produção.</p><p>4. O greenwashing ou lavagem verde</p><p>ocorre quando uma empresa afirma</p><p>oficialmente que têm práticas am-</p><p>bientais sustentáveis quando, na ver-</p><p>dade, faz uma propaganda enganosa.</p><p>5. Os principais temas são:</p><p>gabarito</p><p>179</p><p>• Accountability.</p><p>• Transparência.</p><p>• Comportamento ético.</p><p>• Respeito aos interesses das partes in-</p><p>teressadas.</p><p>• Respeito ao estado de direito.</p><p>• Respeito às normas internacionais de</p><p>comportamento.</p><p>• Respeito aos direitos humanos.</p><p>UNIDADE 4</p><p>1. A base da pirâmide é a responsabilida-</p><p>de econômica, a qual carrega os lucros</p><p>obtidos pela empresa. Nela, visa-se ao</p><p>máximo a geração de lucro, a compe-</p><p>tição e a eficiência no mercado. Já a</p><p>responsabilidade legal exige que a or-</p><p>ganização tenha um comportamento</p><p>exemplar de acordo com as leis e as</p><p>normas do país onde está inserida.</p><p>A responsabilidade ética é composta</p><p>pelos comportamentos e pelas atitu-</p><p>des da empresa. Por sua vez, a respon-</p><p>sabilidade filantrópica diz respeito ao</p><p>funcionamento em consonância com</p><p>as expectativas filantrópicas e de cari-</p><p>dade da sociedade. Assim, é espera-</p><p>do que a organização apoie a cultura,</p><p>participe de voluntariado e de ativida-</p><p>des nas comunidades locais, além de</p><p>apoiar as instituições educacionais, a</p><p>fim de melhorar a qualidade de vida</p><p>da comunidade.</p><p>2. A dimensão “respeito à multicultura”</p><p>e as políticas que consideram as di-</p><p>ferenças individuais devem permear</p><p>todas as práticas éticas corporativas.</p><p>Trata-se de uma forma de respeitar as</p><p>diferenças dentro da organização.</p><p>3. São exemplos de ações externas da</p><p>SER: o desenvolvimento de projetos</p><p>e programas sociais; parcerias com o</p><p>governo, as ONGs e a sociedade civil;</p><p>aplicação de recursos em programas</p><p>de preservação ambiental; capaci-</p><p>tação para o trabalho por meio de</p><p>programas de voluntariado; dentre</p><p>outros.</p><p>4. É um princípio caracterizado pelo tra-</p><p>tamento justo e isonômico de todos</p><p>os sócios e demais partes interessadas</p><p>(stakeholders), levando em considera-</p><p>ção os seus direitos, deveres, necessi-</p><p>dades, interesses e expectativas.</p><p>5. Algumas formas de possibilitar a in-</p><p>clusão social são: cotas para negros,</p><p>índios ou pessoas com baixa renda</p><p>em universidades; cotas para a contra-</p><p>tação de pessoas com deficiência em</p><p>empresas; seguro-desemprego para</p><p>pessoas recentemente desemprega-</p><p>das; licença à gestante, sem prejuízo</p><p>de emprego e de salário, com a dura-</p><p>ção de 120 dias; licença-paternidade;</p><p>diferença entre os direitos de traba-</p><p>lhadores rurais e urbanos; e a exigên-</p><p>cia de acessibilidade em instituições</p><p>de ensino.</p><p>UNIDADE 5</p><p>1. O balanço social ou relatório de sus-</p><p>tentabilidade se refere a um conjunto</p><p>gabarito</p><p>180</p><p>de informações que demonstram a</p><p>realidade na qual as empresas estão</p><p>vinculadas e tem por intuito descre-</p><p>ver a situação econômica, social e am-</p><p>biental de uma entidade (empresa,</p><p>governos, ONGs). Assim, é evidenciado</p><p>o relacionamento da instituição com</p><p>a comunidade e o resultado de sua</p><p>responsabilidade social.</p><p>2. Uma empresa, quando concorre a um</p><p>prêmio em relação à sustentabilidade,</p><p>objetiva incentivar a realização de in-</p><p>vestimentos e ações na área sustentá-</p><p>vel, ao expor as suas atitudes que são</p><p>realizadas para a comunidade. Conse-</p><p>quentemente, há o fortalecimento da</p><p>marca no mercado e um diferencial</p><p>estabelecido.</p><p>3. Os principais tópicos da NBC T 15 são:</p><p>i) geração e distribuição de riqueza; ii)</p><p>recursos humanos; iii) interação da en-</p><p>tidade com o ambiente externo; e iv) a</p><p>interação com o meio ambiente.</p><p>4. O modelo Ibase se dá em forma de</p><p>planilha. Assim, apresenta informa-</p><p>ções sobre a folha de pagamento dos</p><p>colaboradores, gastos com encargos</p><p>sociais, participação nos lucros, de-</p><p>talhes em relação às despesas de</p><p>controle ambientais e investimentos</p><p>sociais externos em várias áreas, tais</p><p>como educação, cultura, saúde, den-</p><p>tre outras.</p><p>5. Os principais motivos para uma em-</p><p>presa ou organização se manter nos</p><p>padrões do GRI são: i) demonstrar</p><p>compromisso com os impactos am-</p><p>bientais e sociais; ii) ter transparência</p><p>nas relações; iii) obter maior partici-</p><p>pação em mercados competitivos, a</p><p>partir do planejamento das ativida-</p><p>des, tornando-se uma empresa mais</p><p>sustentável e posicionada; e iv) seguir</p><p>as legislações vigentes.</p><p>anotações</p><p>anotações</p><p>anotações</p><p>anotações</p><p>O NOVO MODELO DE</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>sustentável</p><p>EMPRESAS E O</p><p>MEIO AMBIENTE</p><p>MARKETING VERDE,</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>e certificação</p><p>dimensões da</p><p>responsabilidade</p><p>Social</p><p>AUDITORIAS E MODELOS de</p><p>DIVULGAÇÕES</p><p>de ações sustentáveis</p><p>conclusão geral</p><p>https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/guia</p><p>_GoBack</p><p>o cenário de insustentável para sustentável,</p><p>com a maximização dos recursos (TOWNSEND; BEGON; HARPER, 2010).</p><p>Nesse sentido, o conceito de desenvolvimento sustentável incorpora os padrões</p><p>econômicos e sociais ao que o ambientalismo tratava apenas como ecológico.</p><p>O crescimento populacional afeta a distribuição dos recursos, dado que a quan-</p><p>tidade desses recursos não aumentou em conformidade com o crescimento da</p><p>população. Diante disso, em detrimento do crescimento populacional, as demandas</p><p>econômicas e sociais também tendem a aumentar, o que gera o risco de escassez</p><p>de recursos. Assim, a preservação ambiental deixa de ser uma opção para se tornar</p><p>uma prioridade (LIMA, 2001). A taxa de expansão populacional mundial é insus-</p><p>tentável: embora seja menor do que já foi – em um espaço finito e com recursos</p><p>finitos –, nenhuma população pode continuar crescendo para sempre.</p><p>Seria interessante saber a quantidade máxima de população humana que</p><p>poderia ser sustentada na Terra. Townsend, Begon e Harper (2010) propõem</p><p>o seguinte questionamento: qual é a capacidade de suporte global? Com esse</p><p>dado, seria possível desenvolver uma equação que considere os recursos versus</p><p>as demandas, para chegarmos a uma informação que determine quando alcan-</p><p>çaremos a sustentabilidade.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>17</p><p>Você já se questionou o “quão ecológico” é o seu comportamento cotidiano?</p><p>Já se perguntou se há aspectos que possuem maior engajamento, em com-</p><p>paração aos demais? Vamos fazer um teste?</p><p>conecte-se</p><p>Nesse contexto, caro(a) aluno(a), para obtermos a sustentabilidade ou nos apro-</p><p>ximarmos dela, é necessária aquisição e a aplicação da compreensão ecológica.</p><p>O papel da ONU no desenvolvimento da consciên-</p><p>cia ambiental</p><p>Em dezembro de 1972, foi criado o programa das Nações Unidas para o Meio</p><p>Ambiente (ONU - Meio Ambiente), que coordena os trabalhos da organiza-</p><p>ção em nome do meio ambiente global. Suas prioridades incluem as catástrofes</p><p>ambientais, as substâncias nocivas, as mudanças climáticas, a gestão dos ecos-</p><p>sistemas, a governança ambiental e a eficiência dos recursos. Desse modo, as</p><p>estratégias voltadas a um novo modelo de desenvolvimento econômico e social</p><p>são direcionadas à “defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as</p><p>gerações presentes e futuras” que “se converteu na meta imperiosa da humanida-</p><p>de” (CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O MEIO AMBIENTE</p><p>HUMANO, 1972, on-line)¹.</p><p>Dessa forma, o novo modelo não era apenas um desafio, mas era uma propos-</p><p>ta de melhoria continuada de uma sociedade que precisa de equidade na distri-</p><p>buição dos seus recursos, além de aperfeiçoamentos em seus padrões, visto que:</p><p>“ É precisamente na dignidade de todos os seres humanos que deve</p><p>incidir o esforço maior de oferecer uma tutela ecológica que se opo-</p><p>nha aos constantes danos à natureza, às práticas abusivas que, por</p><p>exemplo, provocam a poluição (atmosférica, hídrica, sonora, visual,</p><p>etc.), aceleram os processos de desertificação, reduzem os recursos</p><p>naturais e causam mudanças climáticas responsáveis por milhões</p><p>de vitimados pelos danos ambientais. Não há que passar desperce-</p><p>bido que, neste momento histórico, ocorre na ONU, em Nova York,</p><p>a Conferência para a Proibição das Armas Nucleares (BARROS;</p><p>CAÚLA, 2017, p. 8).</p><p>http://www.pegadaecologica.org.br/2019/pegada.php</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>18</p><p>Para o Brasil, houve dois momentos históricos que marcaram o engajamento</p><p>nacional em relação às causas ambientais. São eles:</p><p>1. Resistência ao engajamento nas causas ambientais. Um exemplo disso é</p><p>a participação na COP15 (XV Conferência das Partes da Convenção da</p><p>ONU sobre Mudanças Climáticas), que aconteceu na cidade de Cope-</p><p>nhague, em 2009. Na ocasião, o país assumiu apenas o compromisso de</p><p>reduzir cerca de 36,1% até 38,9% das emissões de gases que geram o efeito</p><p>estufa, metas que tinham, como prazo, o ano de 2020.</p><p>2. Engajamento e compromisso com o desenvolvimento sustentável. En-</p><p>quanto exemplo e marco, temos a Conferência das Nações Unidas sobre</p><p>o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que consolidou a atuação do</p><p>país nas causas ambientais.</p><p>O posicionamento do Brasil foi diferente na Rio+20, comparado-se à primeira</p><p>conferência realizada em 1992 (a Rio-92). Na década de 90, o país iniciava a sua</p><p>atuação na política internacional do meio ambiente, com a finalidade de ganhar</p><p>espaço no cenário político internacional. Desse modo, em 2012, na Rio+20, reafir-</p><p>mou o seu engajamento com as causas ambientais e apresentou novas estratégias</p><p>para trabalhar as metas relacionadas à sustentabilidade:</p><p>“ A Rio+20 foi assim conhecida porque marcou os vinte anos de rea-</p><p>lização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do</p><p>desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. O objetivo</p><p>da Conferência foi a renovação do compromisso político com o</p><p>desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso</p><p>e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas prin-</p><p>cipais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e</p><p>emergentes (RIO+20, [2020], on-line)².</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>19</p><p>Desde 2014, a ONU passou a contar com a Assembleia Ambiental das Nações Unidas</p><p>(Unea), cuja primeira edição ocorreu em 2014, e a segunda, em 2016. A Unea é a mais</p><p>importante plataforma da ONU para a tomada de decisões sobre o tema e marcou o</p><p>início de um período em que o meio ambiente é considerado um problema mundial – ao</p><p>considerar, pela primeira vez, as preocupações ambientais no mesmo âmbito da paz, da</p><p>segurança, das finanças, da saúde e do comércio. Em sua primeira edição, reuniu mais de</p><p>160 líderes de alto nível.</p><p>Fonte: adaptado de ONU ([2020], on-line)2.</p><p>explorando Ideias</p><p>Em setembro de 2015, às vésperas da abertura da 70ª Assembleia Geral das Nações</p><p>Unidas, aconteceu, em Nova York, a formulação da nova agenda oficialmente adotada</p><p>pelos chefes de Estado e de governo na Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvi-</p><p>mento Sustentável. Acordada pelos 193 estados membros da ONU, nasceu, portanto,</p><p>a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, com seções sobre os meios de</p><p>implementação e uma renovada parceria mundial (TRINDADE; LEAL, 2017).</p><p>A Sociedade civil organizada e a sua atuação no</p><p>Brasil</p><p>O desenvolvimento sustentável teve os seus aspectos em constante pauta gover-</p><p>namental, dada a atuação de representantes de causas sociais e organizações Não</p><p>Governamentais. “Vale ressaltar que a sociedade civil organizada, por meio de</p><p>ONGs e dos movimentos sociais, cumpre um papel fundamental na consolidação</p><p>e na ampliação das questões ambientais no Brasil e no mundo” (MINISTÉRIO</p><p>DO MEIO AMBIENTE, 2003, p. 7).</p><p>Para compreendermos melhor esse aspecto, é importante sabermos que a</p><p>economia é composta por três setores distintos. São eles:</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>20</p><p>Figura 1 - Setores que compõem a economia / Fonte: os autores.</p><p>As Organizações da Sociedade Civil (OSC) têm atuado em várias áreas ligadas às</p><p>necessidades sociais que existem. Por exemplo: saúde, emprego, educação, assis-</p><p>tência social, direitos políticos, questões ambientais, entre outros. Nesse sentido,</p><p>há uma lista de representantes da sociedade civil organizada que foi elaborada</p><p>na quarta e na última Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA). De</p><p>acordo com o Ministério do Meio Ambiente (2003), são eles:</p><p>1. Centro Multidisciplinar de Estudos em Resíduos Sólidos (CeRSOL).</p><p>2. Universidade de São Paulo (USP).</p><p>3. Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).</p><p>4. Conselho Nacional de Seringueiros (CNS).</p><p>5. Coletivo de Entidades Negras de Minas Gerais (CEN-MG).</p><p>6. Central Única dos Trabalhadores (CUT).</p><p>7. Força Sindical.</p><p>8. Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (ASSE-</p><p>MAE).</p><p>9. Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP).</p><p>10. Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM).</p><p>11. Rede Brasileira de Agendas 21 Locais (REBAL).</p><p>12. União Nacional de Cooperativas da</p><p>Agricultura Familiar e Economia</p><p>Solidária (UNICAFES).</p><p>13. União Nacional dos Estudantes (UNE).</p><p>O Terceiro Setor é formado pela sociedade civil organizada, que é composta</p><p>pelas Organizações da Sociedade Civil (OSC), as quais reúnem diversos formatos</p><p>e naturezas institucionais, tais como: Organizações Não Governamentais (ONG);</p><p>movimentos sociais; institutos; fundações; associações, entre outros. O terceiro</p><p>setor visa oferecer produtos e serviços a grupos e/ou indivíduos que não são</p><p>assistidos pelo Estado e/ou não tem poder aquisitivo para custear as suas</p><p>necessidades.</p><p>O Primeiro Setor é</p><p>representado pelo Estado,</p><p>que também compõe os</p><p>serviços e os aspectos de</p><p>acesso público.</p><p>O Segundo Setor é o</p><p>mercado, representado pelas</p><p>empresas que oferecem os</p><p>seus produtos e serviços, a</p><p>�m de obter lucro.</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>21</p><p>Caro(a) aluno(a), você sabe o que é o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)? O</p><p>Conama assessora, estuda e propõe, ao governo, as linhas de direção das políticas gover-</p><p>namentais para a exploração e a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais.</p><p>É o órgão consultivo e deliberativo do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama),</p><p>instituído por meio da Lei nº 6.938/1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274/1990.</p><p>Fonte: adaptado de O Eco (2014, on-line)3.</p><p>explorando Ideias</p><p>14. Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG).</p><p>15. Instituto Nacional de Pesquisas e Defesa do Meio Ambiente (IMA).</p><p>2</p><p>NOSSO FUTURO</p><p>COMUM -</p><p>relatório brundtland</p><p>A Comissão Brundtland foi a responsável por reunir aspectos econômicos em</p><p>ambientais em um único conceito: o desenvolvimento sustentável. Esse conceito</p><p>foi apresentado pela primeira vez no Relatório Nosso Futuro Comum e defende</p><p>a preservação ambiental, para que as gerações atuais e futuras tenham acesso aos</p><p>recursos naturais necessários para suprir as suas demandas. Além disso, alguns</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>22</p><p>aspectos relacionados a essa questão se referem à necessidade de administrar</p><p>o crescimento populacional como um dos responsáveis pelo esgotamento dos</p><p>recursos naturais (OLIVEIRA, 2005).</p><p>De acordo com o Relatório Brundtland (1987), em um mundo em que a de-</p><p>sigualdade e a pobreza não são mais inevitáveis, o desenvolvimento sustentável</p><p>deve privilegiar o atendimento das necessidades básicas de todos, ao oferecer</p><p>oportunidades de melhoria de qualidade de vida para a população no presente</p><p>e no futuro:</p><p>“ Apesar de não definir quais são as necessidades do presente nem</p><p>quais serão as do futuro, o relatório chamou a atenção do mundo</p><p>sobre a importância de se encontrar novas formas de desenvolvi-</p><p>mento econômico, sem redução e danos ao meio ambiente. Além</p><p>disso, o relatório definiu três princípios básicos a serem cumpridos:</p><p>desenvolvimento econômico, proteção ambiental e equidade so-</p><p>cial. Colocando o desenvolvimento sustentável como um processo</p><p>de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento</p><p>dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico</p><p>e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o futuro</p><p>para satisfazer as necessidades humanas. Mesmo assim, o referido</p><p>relatório foi amplamente criticado por apresentar como causa da si-</p><p>tuação de insustentabilidade do planeta o descontrole populacional</p><p>e a miséria dos países subdesenvolvidos, colocando como um fator</p><p>secundário a poluição ocasionada nos últimos anos pelos países</p><p>desenvolvidos (BARBOSA, 2008, p. 20).</p><p>Todos esses levantamentos apresentados pela Comissão Brundtland levaram à</p><p>necessidade da realização de uma reunião no âmbito das Nações Unidas para</p><p>fomentar o debate entre os países. Assim, surgiu a Conferência das Nações Unidas</p><p>sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), realizada em 1992,</p><p>no Rio de Janeiro: a Rio-92. A referida conferência teve como meta:</p><p>“ […] a criação da Agenda 21, um plano de ação para ser adotado</p><p>em âmbito global, nacional e local por organizações do sistema das</p><p>Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas</p><p>em que a ação humana impacta o meio ambiente. O documento</p><p>constitui-se na mais abrangente tentativa já realizada, cujo fim é</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>23</p><p>orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século</p><p>XXI, cujo alicerce é a integração da sustentabilidade ambiental, so-</p><p>cial e econômica (NOVAES, 2008, p. 17).</p><p>Após tais acontecimentos históricos, o desenvolvimento sustentável, enquanto</p><p>proposta de modelo econômico e social, ganhou parâmetros consistentes que</p><p>ampliaram as suas abordagens, a fim que as propostas se tornassem realidade,</p><p>como é o caso dos pilares da sustentabilidade.</p><p>Os pilares da sustentabilidade</p><p>Após a ONU lançar, em 1987, o relatório “Nosso Futuro Comum” na Comissão</p><p>Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, o conceito de desenvolvi-</p><p>mento sustentável, na sociedade, passa a ser um assunto frequente. Anos depois,</p><p>em 1994, John Elkington criou o triple bottom line (tripé da sustentabilidade), o</p><p>qual é exemplificado na figura a seguir:</p><p>Figura 2 – Tripé da sustentabilidade</p><p>PILAR</p><p>ECONÔMICO</p><p>PILAR</p><p>SOCIAL</p><p>PILAR</p><p>AMBIENTAL</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>24</p><p>Esses fatores precisam estar integrados, para que a sustentabilidade, de fato, acon-</p><p>teça. Segundo Sachs (2003), o tripé do desenvolvimento é entendido como algo</p><p>que deve ser, simultaneamente: includente, do ponto de vista social; sustentável, do</p><p>ponto de vista ecológico; e sustentado, do ponto de vista econômico. Além disso,</p><p>esse método incorpora a visão ecológica nas empresas com base em três princípios:</p><p>“ Social: engloba as pessoas e suas condições de vida, como educação,</p><p>saúde, violência, lazer, dentre outros aspectos.</p><p>Ambiental: refere-se aos recursos naturais do planeta e à forma</p><p>como são utilizados pela sociedade, comunidades ou empresas.</p><p>Econômico: relacionado com a produção, a distribuição e o consu-</p><p>mo de bens e serviços. A economia deve considerar a questão social</p><p>e ambiental (SACHS, 2003, p. 5).</p><p>Ao aprofundarmos um pouco mais os nossos estudos acerca dos conceitos de</p><p>desenvolvimento, devemos considerar os objetivos, os quais devem ser sempre</p><p>éticos e sociais, em busca do progresso. Nesse contexto, devem ser baseados na</p><p>solidariedade com as gerações presentes e futuras, respeitando as condições am-</p><p>bientais. No entanto, para que isso possa acontecer, é necessário que os inves-</p><p>timentos sejam economicamente viáveis. Portanto, a viabilidade econômica é</p><p>uma das condições indispensáveis, mas não a suficiente, para alcançar o êxito do</p><p>desenvolvimento includente e sustentável (SACHS, 2007).</p><p>Dimensões da sustentabilidade</p><p>Já sabemos que o Relatório de Brundtland foi um marco na evolução do desenvol-</p><p>vimento sustentável. Diante disso, houve o surgimento do “ecodesenvolvimento”,</p><p>que visa conciliar a proteção ambiental com o desenvolvimento socioeconômico,</p><p>com o intuito de melhorar a qualidade de vida da humanidade.</p><p>A sustentabilidade considera as necessidades humanas. O grande desafio,</p><p>hoje, para a humanidade, talvez, seja encontrar um conjunto de transições in-</p><p>terligadas para uma situação mais sustentável. Sachs (1993, p. 4) aponta cinco</p><p>dimensões de sustentabilidade que devem ser observadas para planejar o de-</p><p>senvolvimento. São elas:</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>25</p><p>Quando trabalhamos a sustentabilidade urbana, as estratégias de planejamento urbano</p><p>são vitais ao processo de obtenção de padrões de sustentabilidade concretos para esse</p><p>segmento. Dessa forma, as cidades do futuro devem agregar padrões ecológicos e tecno-</p><p>lógicos em prol de ambientes sustentáveis.</p><p>explorando Ideias</p><p>Sustentabilidade ecológica, que se refere à base física do processo de</p><p>crescimento. Tem como objetivo a manutenção de estoques dos recursos</p><p>naturais incorporados às atividades produtivas.</p><p>Sustentabilidade ambiental, que se refere à manutenção da capacidade de</p><p>sustentação dos ecossistemas, o que implica na capacidade de absorção e de</p><p>recomposição dos ecossistemas, em face às agressões antrópicas.</p><p>Sustentabilidade social,</p><p>que se refere ao desenvolvimento. Tem por obje-</p><p>tivo a melhoria da qualidade de vida da população. Para os países que pos-</p><p>suem problemas de desigualdade e de inclusão social, é necessária a adoção</p><p>de políticas distributivas e a universalização do atendimento a questões, tais</p><p>como saúde, educação, habitação e seguridade social.</p><p>Sustentabilidade política, que se refere ao processo de construção da ci-</p><p>dadania, a fim de garantir a incorporação plena dos indivíduos ao processo</p><p>de desenvolvimento.</p><p>Sustentabilidade econômica, que se refere a uma gestão eficiente dos re-</p><p>cursos em geral. Caracteriza-se pela regularidade de fluxos do investimento</p><p>público e privado, o que exige a avaliação da eficiência por meio de processos</p><p>macrossociais.</p><p>Caro(a) aluno(a), todo o processo que envolve as dimensões da sustentabilidade</p><p>pode ser uma resposta aos anseios da sociedade, o que propicia cidades que in-</p><p>corporam os elementos naturais e sociais. Nesse sentido, Sen (2010, p. 21) defende</p><p>que “[...] o desenvolvimento pode ser visto como um processo de expansão das</p><p>liberdades reais que as pessoas desfrutam”.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>26</p><p>Responsabilidade é um padrão de comportamento valorizado pela sociedade e diz respei-</p><p>to às questões individuais para uma boa convivência em grupo. Portanto, quando falamos</p><p>em responsabilidade socioambiental, estamos nos referindo aos princípios individuais e</p><p>coletivos acerca das questões ambientais e sustentáveis, ou seja, o comportamento das</p><p>pessoas em relação às normas de conduta para o meio ambiente, a sociedade e a eco-</p><p>nomia.</p><p>pensando juntos</p><p>Economia verde: um novo modelo econômico</p><p>A expressão “economia verde”, que substituiu o conceito de “ecodesenvolvimento”,</p><p>foi implantada pelo canadense Maurice Strong, primeiro diretor-executivo do</p><p>PNUMA e secretário-geral da Conferência de Estocolmo (1972) e da Rio-92 (O</p><p>ECO, 2015, on-line)4.</p><p>A conferência Rio+20, realizada em 2012, além de discutir a redução da po-</p><p>breza, teve, como tema central, a economia verde (ONU, 2011). Por meio da</p><p>divulgação dessa expressão pelo mundo, em um relatório do PNUMA (UNEP</p><p>2011), em pouco tempo, ela foi aceita oficialmente pela comunidade internacio-</p><p>nal e popularizada no mundo (BELINKY, 2011). Também se apresentou como</p><p>alternativa ao desenvolvimento sustentável, que havia sido consagrado no Rio</p><p>de Janeiro, na primeira Conferência da ONU no Brasil, em 1992: “[...] foi absor-</p><p>vida por governos, empresas e pela sociedade civil, e empregada na formulação</p><p>e execução tanto de políticas públicas quanto de iniciativas privadas ligadas à</p><p>responsabilidade socioambiental” (O ECO, 2015, on-line)4.</p><p>O conceito de economia verde pode ser resumido em atividades ou “projetos</p><p>verdes” que são realizados atualmente, tais como a implantação de painéis fo-</p><p>tovoltaicos, a reciclagem de lixo, as hortas orgânicas, entre outros. Todos eles</p><p>possuem três características principais: baixa emissão de carbono, eficiência no</p><p>uso de recursos e busca pela inclusão social (OECO, 2015, on-line) 4.</p><p>Entretanto, na realidade, a maioria dos projetos que engloba a economia verde</p><p>necessita de recursos governamentais. Um exemplo se dá para o pagamento de</p><p>serviços ambientais existentes, tais como:</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>27</p><p>A economia verde busca a promoção de uma sociedade com equidade so-</p><p>cial e econômica que se desenvolva junto com a tecnologia, a fim de obter</p><p>padrões palpáveis para toda a população mundial. Além disso, forças cen-</p><p>trífugas levam ao impulsionamento desse processo, ao colocar em xeque a</p><p>capacidade da humanidade de se adaptar a novas realidades sociais, como</p><p>foi o caso da pandemia de 2020.</p><p>conecte-se</p><p>“ [...] os fins de raciocínio, as Reservas Legais e APPs, previstas no</p><p>Código Florestal brasileiro, supondo que essas reservas fossem uma</p><p>área total de 100 milhões de hectares e os donos recebessem R$</p><p>200,00 por hectare por ano, para não desmatar as áreas (valores</p><p>conservadores), o total anual seria R$ 20 bilhões de reais, mais que</p><p>o Programa Bolsa Família que custa por volta dos R$ 15 bilhões por</p><p>ano (SAWYER, 2011, p. 20).</p><p>Encontramos, ainda, outros riscos, como nos casos dos Pagamentos por Serviços</p><p>Ambientais (PSA), em que alguns produtores recebem por seus serviços prestados à</p><p>natureza. Isso sugere que outros sujeitos que não recebem pagamentos não são obriga-</p><p>dos a se comprometer corretamente com a causa. Outro risco é quem recebe o PSA: se</p><p>deixa de receber, pode acreditar que possui o direito de destruir (AMAZONAS, 2010).</p><p>Dessa forma, pensando no planeta e nas gerações futuras, devemos promover</p><p>tanto a economia verde quanto o desenvolvimento sustentável.</p><p>Protocolo Verde</p><p>O Protocolo Verde é um protocolo de intenções assinado por instituições financeiras</p><p>públicas e pelo Ministério do Meio Ambiente no ano de 1995 e revisado em 2008. Tem</p><p>como objetivo definir políticas e práticas bancárias, com a premissa de não financiar</p><p>empreendimentos e/ou projetos que possam causar problemas ambientais.</p><p>O protocolo se compromete a financiar o desenvolvimento com sustentabi-</p><p>lidade, por meio de linhas de crédito e programas que promovam a qualidade de</p><p>vida da população e a proteção ambiental. Quando o setor bancário faz adesão ao</p><p>protocolo verde, traz um importante papel para o desenvolvimento sustentável,</p><p>pois realiza incentivo ambiental para as empresas.</p><p>https://nacoesunidas.org/economia-verde-as-escolhas-que-fazemos-agora-moldarao-o-futuro/</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>28</p><p>Em 1995, o BNDES liderou os bancos públicos federais (além do BNDES, participam a Caixa</p><p>Econômica Federal, o Banco do Brasil, o Banco da Amazônia e o Banco do Nordeste do Bra-</p><p>sil) na formalização do Protocolo Verde. Contudo, em agosto de 2008, o BNDES e os bancos</p><p>públicos federais celebraram, com o Ministério do Meio Ambiente, o Protocolo de Intenções</p><p>pela Responsabilidade Socioambiental, revisão atualizada do Protocolo Verde de 1995.</p><p>Fonte: BNDES ([2020], on-line)5.</p><p>explorando Ideias</p><p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), se</p><p>empenha continuamente em aprimorar as medidas que já foram definidas no</p><p>Protocolo Verde, que incluem: as ações que evitem danos ambientais; a criação de</p><p>equipes que tenham formação e consciência ambiental; a diminuição de desper-</p><p>dícios; a utilização de materiais recicláveis; e o incentivo à eficiência energética.</p><p>Princípio poluidor-pagador</p><p>Esse princípio traz a ideia de que aquele que polui deve pagar pelo seu ato. Todavia,</p><p>isso não significa que o fato de pagar lhe dá o direito de poluir, mas o pagamento</p><p>deve ser feito para reverter possíveis danos ambientais, uma vez que “o pagamento</p><p>de tributo, tarifa ou preço público não isentam o poluidor ou predador de ter exa-</p><p>minada e aferida sua responsabilidade residual para reparar o dano” (MACHADO,</p><p>2009, p. 68). Portanto, conclui-se que não se compra o direito de poluir.</p><p>O princípio em referência possui assento constitucional previsto nos § 2º e</p><p>§3º do Art. 225 da CF/1988, que defende que:</p><p>“ § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recu-</p><p>perar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica</p><p>exigida pelo órgão público competente, na forma da lei.</p><p>§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambien-</p><p>te sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções pe-</p><p>nais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar</p><p>os danos causados (BRASIL, 1988, p. 131).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>29</p><p>O conceito de poluidor é definido pelo Art. 3°, inciso IV, da Lei nº 6.938/1981, nos seguintes</p><p>termos: “poluidor: a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável</p><p>direta ou indiretamente por atividade causadora de degradação ambiental.”</p><p>Fonte: Conteúdo Jurídico (2014, on-line)6.</p><p>explorando Ideias</p><p>Segundo Barbieri (2016), o princípio do poluidor-pagador atribui, ao Estado, o</p><p>dever de estabelecer um tributo ao agente poluidor. Esse princípio é baseado em</p><p>duas abordagens, segundo Barbieri (2016):</p><p>1. Natureza fiscal: há a</p><p>necessidade de arrecadação de receita para o custeio</p><p>de produtos e serviços públicos com respaldo ambiental. Considera a</p><p>proteção da sociedade de abusos do setor privado que causam prejuízos,</p><p>ao poluir o meio ambiente.</p><p>2. Natureza extrafiscal: a estimulação da responsabilidade social gera im-</p><p>pactos nas atividades econômicas, influenciando o comportamento na</p><p>economia. São aceitas condutas socioambientais e repudiadas as condutas</p><p>poluidoras.</p><p>Esses dois objetivos podem caminhar juntos. Por exemplo, quando há a cobrança</p><p>de impostos sobre produtos que acabam gerando resíduos de natureza tóxica,</p><p>em que a receita gerada é utilizada para cobrir gastos com a gestão pública desse</p><p>resíduo, como a coleta, o tratamento e a disposição final adequada, é possível</p><p>diminuir o consumo desses produtos. Outro exemplo é a diminuição ou a isen-</p><p>ção da tributação de produtos com melhor desempenho ambiental, como uma</p><p>geladeira que consome menos energia.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>30</p><p>O poluidor que usa gratuitamente o meio ambiente para lançar poluentes invade a pro-</p><p>priedade pessoal de todos os outros que não poluem, o que confisca o direito de proprie-</p><p>dade alheia.</p><p>(Paulo Affonso Leme Machado)</p><p>pensando juntos</p><p>Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que também podem ser</p><p>conhecidos como os “Objetivos Globais”, tratam de um chamado universal que</p><p>visa às ações contra a pobreza e buscam a proteção do planeta e a garantia de</p><p>que as pessoas tenham paz e prosperidade. Os ODS deverão orientar as políticas</p><p>nacionais e as atividades de cooperação internacional por quinze anos, de 2015</p><p>até 2030, decorrendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio</p><p>(ODM) que também duraram 15 anos, dos anos 2000 até 2015, quando foram</p><p>atualizados e passaram a ser ODS.</p><p>3</p><p>OBJETIVOS DO</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>sustentável</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>31</p><p>O Brasil teve um papel importante e participou de todas as sessões da nego-</p><p>ciação intergovernamental. Dessa forma, chegaram a um acordo que contempla</p><p>17 objetivos e 169 metas, as quais envolvem temáticas diferentes. Além disso, o</p><p>Brasil teve grande importância na implantação dos ODM e tem mostrado gran-</p><p>de empenho quanto aos ODS, com criações de diversos comitês para apoiar o</p><p>processo após 2015 (ITAMARATY, [2020], on-line)7.</p><p>Dessa forma, os resultados de todas as conferências das Nações Unidas es-</p><p>tabeleceram uma base sólida para o desenvolvimento sustentável e ajudaram a</p><p>moldar a nova agenda. Os novos objetivos entraram em vigor no dia 1° de janeiro</p><p>de 2016, tendo como principal foco a erradicação da pobreza extrema até 2030.</p><p>Os temas dos ODS:</p><p>“ [...] envolvem temáticas diversificadas como erradicação da pobre-</p><p>za, segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade</p><p>de gênero, redução das desigualdades, energia, água e saneamento,</p><p>padrões sustentáveis de produção e de consumo, mudança do clima,</p><p>cidades sustentáveis, proteção e uso sustentável dos oceanos e dos</p><p>ecossistemas terrestres, crescimento econômico inclusivo, infraes-</p><p>trutura e industrialização, governança, e meios de implementação</p><p>(EMBRAPA, [2020], on-line)8.</p><p>Os ODS são instrumentos acessíveis a diversas áreas da sociedade e são uma</p><p>estratégia necessária para o desenvolvimento da sustentabilidade em suas dimen-</p><p>sões. Para isso, a agenda que devemos embasar as nossas ações futuras já existe e</p><p>se chama “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.</p><p>Conheça Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>32</p><p>Figura 3 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)</p><p>Fonte: ONU (2015, p. 15).</p><p>Acabar com</p><p>a pobreza</p><p>em todas as</p><p>suas formas,</p><p>em todos os</p><p>lugares.</p><p>Acabar com</p><p>a fome,</p><p>alcançar a</p><p>segurança</p><p>alimentar, a</p><p>melhoria da</p><p>nutrição e</p><p>promover a</p><p>agricultura</p><p>sustentável.</p><p>Assegurar</p><p>uma vida</p><p>saudável e</p><p>promover o</p><p>bem-estar</p><p>para todos,</p><p>em todas as</p><p>idades.</p><p>Assegurar a</p><p>educação</p><p>inclusiva,</p><p>equitativa e</p><p>de qualidade,</p><p>promover</p><p>oportunidades</p><p>de</p><p>aprendizagem</p><p>ao longo da</p><p>vida para</p><p>todos.</p><p>Alcançar a</p><p>igualdade</p><p>de gênero e</p><p>empoderar</p><p>todas as</p><p>mulheres e</p><p>meninas.</p><p>Assegurar a</p><p>disponibilidade</p><p>da água, a sua</p><p>gestão</p><p>sustentável e o</p><p>saneamento</p><p>para todos.</p><p>Promover</p><p>sociedades</p><p>pací�cas e</p><p>inclusivas para o</p><p>desenvolvimento</p><p>sustentável,</p><p>proporcionar o</p><p>acesso à justiça</p><p>para todos e</p><p>construir</p><p>instituições</p><p>e�cazes,</p><p>responsáveis e</p><p>inclusivas em</p><p>todos os níveis.</p><p>dddd</p><p>p</p><p>aaa</p><p>p</p><p>in</p><p>e</p><p>rreesesspo</p><p>innncclus</p><p>ttooddoos o</p><p>13 14 15 16 17</p><p>Tomar</p><p>medidas</p><p>urgentes para</p><p>combater a</p><p>mudança do</p><p>clima e os seus</p><p>impactos.</p><p>Conservação e</p><p>uso sustentável</p><p>dos oceanos,</p><p>dos mares e</p><p>dos recursos</p><p>marinhos para o</p><p>desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>Proteger,</p><p>recuperar e</p><p>promover o uso</p><p>sustentável dos</p><p>ecossistemas</p><p>terrestres, gerir</p><p>de forma</p><p>sustentável as</p><p>�orestas,</p><p>combater a</p><p>deserti�cação,</p><p>deter e reverter a</p><p>degradação da</p><p>terra e deter a</p><p>perda de</p><p>biodiversidade.</p><p>Assegurar</p><p>padrões de</p><p>produção e</p><p>de consumo</p><p>sustentáveis.</p><p>Assegurar</p><p>para todos o</p><p>acesso</p><p>con�ável,</p><p>sustentável,</p><p>moderno e</p><p>barato à</p><p>energia.</p><p>Promover o</p><p>crescimento</p><p>econômico</p><p>sustentado,</p><p>inclusivo e</p><p>sustentável,</p><p>emprego</p><p>pleno e</p><p>produtivo e</p><p>trabalho</p><p>decente para</p><p>todos.</p><p>Construir</p><p>infraestruturas</p><p>resilientes,</p><p>promover a</p><p>industrialização</p><p>inclusiva e</p><p>sustentável,</p><p>fomentar a</p><p>inovação.</p><p>Reduzir a</p><p>desigualdade</p><p>dentro dos</p><p>países e entre</p><p>eles.</p><p>11 12</p><p>Tornar as</p><p>cidades e os</p><p>assentamentos</p><p>humanos</p><p>inclusivos,</p><p>seguros,</p><p>resilientes e</p><p>sustentáveis.</p><p>Fortalecer os</p><p>meios de</p><p>implementação</p><p>e revitalizar a</p><p>parceria global</p><p>para o</p><p>desenvolvimento</p><p>sustentável</p><p>(AGENDA 2030,</p><p>2015).</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>33</p><p>Nos anos 2000, com o Pacto Global, surgiram os Objetivos do Desenvolvi-</p><p>mento do Milênio (ODM). Já em 2015, essas metas foram atualizadas e, as-</p><p>sim, surgiram os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).</p><p>conecte-se</p><p>Para saber mais sobre o assunto, assista o vídeo.</p><p>conecte-se</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>1</p><p>34</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A definição aceita e difundida até os dias atuais sobre o desenvolvimento sus-</p><p>tentável trata da capacidade da geração atual em suprir suas necessidades, mas</p><p>pensando nas gerações vindouras. Dessa maneira, durante os nossos estudos,</p><p>conseguimos compreender que a nossa jornada rumo ao desenvolvimento sus-</p><p>tentável teve início no Rio de Janeiro, em junho de 1992, quando houve a pri-</p><p>meira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento</p><p>(CNUCED) e foi adotada uma agenda para o meio ambiente e o desenvolvimento</p><p>(século XXI). Referida como Agenda 21, a CNUCED convocou um Programa</p><p>de Ação para o Desenvolvimento Sustentável que continha a Declaração do Rio</p><p>sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, além de reconhecer o direito de cada</p><p>nação de progredir social e economicamente. Também foi atribuída aos Estados</p><p>a responsabilidade de adotar um modelo de desenvolvimento sustentável.</p><p>Também abordamos, nesta unidade, as estratégias de alcance global estrutura-</p><p>das por meio dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que têm o seu</p><p>prazo estipulado o ano de 2030. Suas principais metas são acabar com a pobreza</p><p>e quaisquer problemáticas econômicas e sociais que impactem negativamente a</p><p>sustentabilidade. Assim, destacamos a participação do Brasil nas negociações e nos</p><p>acordos dos 17 objetivos e 169 metas que envolvem diferentes temáticas.</p><p>Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento</p><p>e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos. Esse desenvolvi-</p><p>mento sugere a qualidade, ao contrário da quantidade. Além do mais, o resultado</p><p>desses recursos depende não só da existência humana e da diversidade biológica,</p><p>mas também do próprio crescimento econômico.</p><p>Considerando esses aspectos, o desenvolvimento sustentável não se restringe</p><p>aos fatores de preservação ambiental, mas a proposta vai além dessa visão eco-</p><p>lógica. A sustentabilidade é constituída por melhorias na qualidade de vida da</p><p>sociedade e por novas formas de consumo consciente. São esses os fatores que</p><p>possibilitam a melhoria na administração dos recursos naturais e propagação de</p><p>novos valores sociais.</p><p>35</p><p>na prática</p><p>1. O tripé da sustentabilidade, denominado de “triple bottom line”, está expresso em</p><p>três dimensões: capital humano, capital natural e benefício econômico, que preci-</p><p>sam estar relacionadas, para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado.</p><p>Mediante o exposto, explique o tripé da sustentabilidade.</p><p>2. O desenvolvimento sustentável é uma expressão usada para designar um modelo</p><p>que tenta conciliar a parte econômica e a preservação dos recursos naturais que</p><p>estão disponíveis. Diante desse contexto, defina desenvolvimento sustentável.</p><p>3. O homem vive em aglomerações urbanas cada vez maiores, o que demanda maiores</p><p>quantidades de recursos e gera grandes quantidades de resíduos que se encontram</p><p>crescentes, em virtude dos crescimento do consumo e do desperdício. Mediante o</p><p>exposto, como continuar a promover adaptações no ambiente natural, sem esgotar</p><p>os recursos naturais disponíveis?</p><p>4. Os problemas ambientais globais, muitas vezes, exigem respostas globais. As iniciati-</p><p>vas de gestão, nesse nível de abrangência, estão baseadas em acordos intergoverna-</p><p>mentais e na atuação dos organismos criados para administrá-los. Diante disso, cite,</p><p>pelo menos, dois problemas ambientais de ordem global e explique as suas causas.</p><p>5. As questões ambientais, dentro das organizações, surgiram a partir da necessidade</p><p>do homem em organizar melhor as suas diversas formas de se relacionar com o meio</p><p>ambiente. Sobre esse assunto, quais práticas de gestão ambiental uma organização</p><p>pode implementar para reduzir e/ou controlar os impactos ambientais?</p><p>36</p><p>aprimore-se</p><p>A RECENTE EVOLUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>É bem recente a integração da ideia de desenvolvimento econômico social sendo</p><p>delimitada pela perspectiva de sustentabilidade ambiental, tendo por marco inicial</p><p>as discussões sobre o meio ambiente, ocorridas na cidade sueca de Estocolmo, da-</p><p>tada no ano de 1972.</p><p>Portanto, são apenas quatro décadas. Até então, a perspectiva do desenvolvi-</p><p>mentismo atuava como solução humana. Em síntese, o que se tinha era uma pro-</p><p>dução crescente movimentando recursos em termos planetários cada vez maiores</p><p>que acabaram por levar a alterações do ecossistema com reflexos cada vez mais</p><p>intensos. Já em Estocolmo, chega-se à conclusão de que a produção é a maior res-</p><p>ponsável pela degradação. O que fazer num mundo em expansão?</p><p>A questão passa a ganhar corpo e, em 1983, a ONU indica Gro Harlem Brundtland</p><p>– a primeira-ministra da Noruega – como chefe da Comissão Mundial sobre Meio</p><p>Ambiente e Desenvolvimento, cujo objetivo era o de analisar e refletir a questão</p><p>ambiental em termos globais. O resultado surgirá em 1987, quando o grupo apre-</p><p>sentou o documento Nosso Futuro Comum, que acabou conhecido como Relatório</p><p>Brundtland e cujo texto se consagrou no conceito de desenvolvimento sustentável.</p><p>O documento passou a utilizar a expressão “desenvolvimento sustentável”, com</p><p>a seguinte definição: “forma como as atuais gerações satisfazem as suas necessida-</p><p>des sem, no entanto, comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfaze-</p><p>rem suas próprias necessidades”.</p><p>O cenário atual do objeto de estudo é tema que institucionalmente encontra seu</p><p>momento crucial no evento internacional realizado em 1992, na cidade do Rio de</p><p>Janeiro, batizada com a sigla de CNUMAD, a Conferência das Nações Unidas sobre</p><p>Meio Ambiente e Desenvolvimento, mas cuja denominação acabou popularizada</p><p>como Rio-92 ou Eco-92, em que se protagonizaram a discussão e a reflexão da ques-</p><p>tão da proteção ambiental, enfatizando como instrumento a meta de se ajustar ao</p><p>desenvolvimento sustentável. Resultante do encontro e lastreada por 179 países,</p><p>foi produzida a Agenda 21, que visava constituir um plano de trabalho baseado na</p><p>37</p><p>aprimore-se</p><p>hierarquização das prioridades quanto às diretrizes em relação à integração do de-</p><p>senvolvimento do uso sustentável dos recursos do meio ambiente.</p><p>O tema retoma a uma postura de destaque no ano 2000, a partir de um diag-</p><p>nóstico das ações produzidas a partir do Rio-92, em torno do qual foram propostos</p><p>os Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio – ODM, agora endossado por 199</p><p>nações, como importante documento produzido dentro da Cúpula do Milênio pro-</p><p>movida pela ONU e dando atenção especial aos países em desenvolvimento. Os</p><p>ODM estabeleciam levantamento de indicadores para o monitoramento das ações,</p><p>assim definiu-se o prazo para o segmento de tempo 2000 a 2015.</p><p>O ano de 2012 vai marcar os vinte anos de Rio-92, daí a ideia de retomada e de</p><p>reencontro em torno da temática na agora denominada Rio+20, que teve por resul-</p><p>tante a confecção de documento que propunha a integração de lideranças políticas</p><p>internacionais em ação comum, visando o desenvolvimento sustentável. Ainda foi cria-</p><p>do o Grupo de Trabalho Aberto, que ao final de mais de ano de estudos propôs os 17</p><p>objetivos que deveriam compor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS.</p><p>Assim o triênio 2012-2015 será caracterizado por um extenso e intenso processo</p><p>de consultas junto à sociedade civil, setores privados específicos e ao setor público</p><p>dos diversos governos locais em relação aos ODS. O resultado será que no ano de</p><p>2015 a Cúpula das Nações Unidas, sobre o Desenvolvimento Sustentável, confirma</p><p>os 17 objetivos e suas metas. Tratam-se dos seguintes aspectos: erradicação da po-</p><p>breza; fome zero e agricultura sustentável; saúde e bem-estar; educação de quali-</p><p>dade; igualdade de gênero; água potável e saneamento; energia acessível e limpa;</p><p>trabalho decente e crescimento econômico, indústria inovação e infraestrutura; re-</p><p>dução das desigualdades; cidades e comunidades sustentáveis; consumo e produção</p><p>responsáveis; ação contra a mudança global do clima; vida na água; vida terrestre;</p><p>paz, justiça e instituições eficientes e parcerias e meios de implementação.</p><p>Há que se destacar o diferencial entre o ODM, Objetivos para Desenvolvimento</p><p>para o Milênio do ano 2000, e ODS, Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.</p><p>Trata-se da participação e engajamento social desta última em contraposição ao</p><p>primeiro, elaborado de cima para baixo, desenvolvida por grupo de especialistas,</p><p>38</p><p>aprimore-se</p><p>que acaba por ser a característica que se destaca na Agenda 2030. Esta, seguindo</p><p>os princípios que a constituíram, valoriza a participação da sociedade, seja na sua</p><p>implementação, seja no monitoramento de seu acompanhamento, visando estabe-</p><p>lecer um novo período futuro de planejamento; novamente se referirá a um seg-</p><p>mento de tempo de 15 anos, entre 2016 – 2030.</p><p>Como se pode observar, no curto período histórico do encaminhamento pro-</p><p>posto à questão acima o problema é transformar intenções em prática, discurso</p><p>em ação. Ou seja, talvez o problema não seja diagnosticar os problemas ou de ter</p><p>conhecimento das práticas éticas que possam conduzir o ser humano a um futuro</p><p>promissor, mas um gargalo entre o discurso e a operação, entre o que o sujeito diz</p><p>e o que o sujeito faz.</p><p>Se não enfrentarmos simultaneamente da discussão dos meios de financiamen-</p><p>to destes objetivos, vamos estar trabalhando apenas no plano da retórica. Sem dú-</p><p>vida a formulação dos objetivos é muito importante, mas sem se dispor da origem</p><p>dos recursos e forma de alocá-los, a qualidade do gasto a produtividade deste inves-</p><p>timento no enfrentamento no enfrentamento destes objetivos, nós não estaríamos</p><p>proporcionando uma abordagem integral completa para enfrentar este desafio.</p><p>Fonte: Marcon (2019, on-line)9.</p><p>39</p><p>eu recomendo!</p><p>Sustentabilidade: O que é – O que não é</p><p>Autor: Leonardo Boff</p><p>Editora: Vozes</p><p>Sinopse: a sustentabilidade representa, diante da crise socioam-</p><p>biental generalizada, uma questão de vida ou morte. Nesse sen-</p><p>tido, o autor faz um histórico desse conceito desde o século XVI</p><p>até os dias atuais, submetendo os vários modelos existentes de</p><p>desenvolvimento sustentável a uma rigorosa crítica.</p><p>livro</p><p>2</p><p>EMPRESAS E O</p><p>MEIO AMBIENTE</p><p>PROFESSORES</p><p>Me. Renata Cristina de Souza Chatalov</p><p>Me. Natália Christina da Silva Matos</p><p>Me. Wilian D’Agostini Ayres</p><p>PLANO DE ESTUDO</p><p>A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Modelos de sustentabilidade</p><p>empresarial • Empresas e a sustentabilidade econômica • Responsabilidade socioambiental.</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>• Apresentar os modelos de sustentabilidade empresarial • Descrever a importância da sustentabilidade</p><p>econômica para as organizações • Compreender as formas de Responsabilidade Social Empresarial.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Caro(a) aluno(a), nesta unidade, compreenderemos a relação entre as em-</p><p>presas e o meio ambiente. Para tanto, iniciaremos os nossos estudos a partir</p><p>da apresentação do vínculo existente entre as organizações e a contamina-</p><p>ção ambiental. Nesse sentido, serão expostos vários acidentes ambientais</p><p>ocorridos no decorrer dos anos e que envolveram instituições. Dois desses</p><p>acontecimentos foram extremamente castastróficos ao país: o desastre de</p><p>Mariana, em Minas Gerais, que aconteceu no ano de 2015, e a tragédia de</p><p>Brumadinho, também em Minas Gerais, ocasionado em 2019.</p><p>Também abordaremos a questão da industrialização e o meio ambiente,</p><p>uma vez que dependemos de muitas atividades industriais, mas devemos estar</p><p>em consonância com o meio ambiente. Assim, apresentaremos a Declaração</p><p>de Princípios da Indústria e os 16 princípios da gestão ambiental que envol-</p><p>vem as empresas. Além disso, discutiremos as posturas das organizações no</p><p>que diz respeito à questão ambiental, ou seja, qual deve ser a sua preocupação</p><p>básica, a postura e as ações típicas, as áreas envolvidas, entre outros.</p><p>Outro tema de estudo será a sustentabilidade econômica, uma dimen-</p><p>são que afeta todos os setores, tendo em vista que uma atividade deve ser</p><p>rentável e economicamente viável. Dessa forma, explicaremos as econo-</p><p>mias da sustentabilidade (a neoclássica e a forte) e a economia verde, pos-</p><p>tura a qual muitas empresas têm adotado, que é a de se preocupar com a</p><p>sustentabilidade em seus negócios.</p><p>Em relação aos negócios, constararemos que a sustentabilidade incor-</p><p>porada nas organizações é um fator competitivo importante, uma vez que</p><p>as empresas que desenvolvem condutas sustentáveis têm um diferencial de</p><p>mercado. Isso gera alguns aspectos, tais como conquista de novos clientes,</p><p>obtenção de ganhos indiretos e melhoria da imagem perante a sociedade.</p><p>Se uma instituição deve investir em sustentabilidade, de onde virão es-</p><p>ses recursos? Nesse contexto, conheceremos os investimentos e os custos de</p><p>empresas sustentáveis. Não só, mas também serão trabalhados os investi-</p><p>mentos em ecoeficiência, a produção mais limpa (P + L), os projetos para o</p><p>meio ambiente, as licitações sustentáveis, o custo ambiental e os incentivos</p><p>às práticas de sustentabilidade. Finalizaremos os nossos estudos tratando</p><p>da Responsabilidade Social Empresarial, ao diferenciarmos as empresas</p><p>que possuem ações filantrópicas daquelas que realmente praticam a res-</p><p>ponsabilidade social. Bons estudos!</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>42</p><p>1</p><p>MODELOS DE</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>empresarial</p><p>Neste tópico, estudaremos o vínculo existente entre as empresas e a contaminação</p><p>ambiental. Além disso, apresentaremos alguns acidentes ambientais que tiveram</p><p>grande notoriedade no Brasil.</p><p>As empresas e a contaminação ambiental</p><p>Em nossa primeira unidade, compreendemos que a Revolução Industrial foi um</p><p>marco em relação aos problemas ambientais, dado que, a partir dela, tivemos um</p><p>crescimento na ordem de produção e, consequentemente, foram geradas inúmeras</p><p>catástrofes ambientais, as quais causaram grandes consequências regionais e globais.</p><p>Segundo Dias (2017), a expansão industrial e toda a prática predatória rea-</p><p>lizada durante a retirada da matéria-prima do meio ambiente aconteceram no</p><p>decorrer de todo o século XIX e parte do século XX. O pensamento, nessa época,</p><p>era o de que os recursos naturais eram infinitos, ou seja, estariam disponíveis para</p><p>sempre ao homem. Foi somente a partir da década de 70 que essa visão começou</p><p>mudar, pois foi visualizada a possibilidade de se esgotarem os recursos naturais.</p><p>Dentre os problemas mais comuns e derivados da industrialização, podemos</p><p>evidenciar a necessidade de se destinar adequadamente os resíduos sólidos, os</p><p>efluentes e as emissões atmosféricas decorrentes de processos industriais. Caso</p><p>U</p><p>N</p><p>IC</p><p>ES</p><p>U</p><p>M</p><p>A</p><p>R</p><p>43</p><p>sejam lançados de forma inadequada, podem gerar problemas ambientais e danos</p><p>à saúde humana que, de acordo com Barbieri (2016, p. 7):</p><p>“ [...] ao longo do século XX, foram os grandes acidentes industriais e</p><p>a contaminação resultante deles que acabaram chamando a atenção</p><p>da opinião pública pela gravidade do problema. Alguns problemas</p><p>ambientais se tornaram assunto global e, pela visibilidade e facili-</p><p>dade de compreensão quanto à causa e efeito, constituíram-se na</p><p>principal ferramenta de construção causados pela má gestão.</p><p>No decorrer dos anos, tivemos muitos acidentes ambientais que, além de trazerem</p><p>graves consequências ao meio ambiente e à saúde humana, também ocasionaram</p><p>a morte de pessoas. É possível observar algumas das principais tragédias que</p><p>influenciaram o meio ambiente na figura a seguir:</p><p>1956 – Houve uma contaminação na baía de Minamata, no Japão. Essa</p><p>degradação ocorria desde 1939, devido a uma indústria química instalada</p><p>às suas margens.</p><p>1966 – Em Feyzin, na França, um vazamento de Gás Liquefeito de Petró-</p><p>leo (GLP) causou a morte de 18 pessoas e deixou 65 intoxicadas.</p><p>1976 – Em 10 de junho de 1976, em Seveso, na Itália, a fábrica Hoffmann-</p><p>-La Roche liberou uma nuvem de um desfolhante conhecido como “agen-</p><p>te laranja” que continha dioxinas.</p><p>1978 – Em San Carlos, na Espanha, um caminhão-tanque carregado de</p><p>propano explodiu, o que gerou 216 mortes e deixou 200 feridos.</p><p>1984 – Em San Juanico, no México, um incêndio de Gás Liquefeito de Petró-</p><p>leo (GLP) , seguido de explosão, causou 650 mortes e deixou 6.400 feridos.</p><p>1986 – Em 26 de abril, em Chernobyl, antiga URSS, houve um acidente</p><p>em uma usina nuclear causado pelo desligamento do sistema de refrige-</p><p>ração com o reator ainda em funcionamento. A radiação se espalhou e</p><p>atingiu vários países.</p><p>U</p><p>N</p><p>ID</p><p>A</p><p>D</p><p>E</p><p>2</p><p>44</p><p>1987 – Em 13 de setembro de 1987, ocorreu o vazamento de Césio 137</p><p>em Goiânia, localizada no estado de Goiás, em detrimento de má gestão</p><p>de um equipamento de radiologia.</p><p>2000 – No dia 18 de janeiro, um duto da Petrobrás se rompeu e despejou</p><p>óleo na baía de Guanabara.</p><p>2003 – Um incêndio provocado em uma unidade de enxofre da Al-</p><p>-Mishraq, localizada perto de Mosul, no Iraque, prolongou-se durante um</p><p>mês. Diante disso, foram liberadas 910.000 toneladas de óxido de enxofre.</p><p>2005 – Uma série de explosões de grandes proporções ocorreu em uma</p><p>fábrica de produtos químicos em Jilin, na China. Houve milhares de ví-</p><p>timas e um rio também foi atingido.</p><p>2010 – Em outubro, houve o rompimento da barragem de rejeito de uma</p><p>mina de alumínio na Hungria. A lama tóxica derramada na região de</p><p>Ajka, a 165 km de Budapeste, fez com que a Hungria declarasse estado</p><p>de emergência. Foram despejados 1,1 milhões de metros cúbicos de lama</p><p>tóxica vermelha, inundando três vilarejos.</p><p>2019 – Em 30 de agosto de 2019, foram identificadas manchas de óleo na</p><p>costa do nordeste brasileiro. Esse desastre gerou um imensurável impacto</p><p>ambiental, ainda sem identificação dos responsáveis.</p><p>Figura 1 - Principais acidentes ambientais mundiais</p><p>Fonte: adaptada de Barbieri (2016) e Dias (2017).</p><p>No Brasil, em 05 de novembro de 2015, em Mariana, cidade localizada no estado</p><p>de Minas Gerais, ocorreu o pior desastre socioambiental da história do nosso</p><p>país: o rompimento de uma barragem de rejeitos provenientes da atividade de</p><p>extração de minério de ferro, o que fez com que a lama tóxica fosse lançada. Isso</p><p>causou a morte de 19 pessoas, atingiu</p>

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