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<p>E-BOOK</p><p>GESTÃO AMBIENTAL III</p><p>A Crise Ambiental Atual</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem vamos estudar alguns eventos que ocorreram a nível mundial e</p><p>que influenciaram nas políticas ambientais atuais. Vamos identificar alguns dos principais</p><p>eventos de poluição que marcaram as últimas décadas e que contribuíram para as mudanças no</p><p>cenário mundial. Ainda iremos refletir sobre o nosso papel e quais as atitudes que poderíamos</p><p>adotar para melhorar as condições de vida do nosso planeta.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Analisar os principais eventos de poluição causados pelo homem no meio ambiente;•</p><p>Reconhecer os principais encontros mundiais que ocorreram para a melhoria da qualidade</p><p>ambiental;</p><p>•</p><p>Definir o papel do homem para a melhoria das condições ambientais.•</p><p>DESAFIO</p><p>As alterações causadas pelo homem no meio ambiente resultaram na atual “crise ambiental”,</p><p>sendo esta uma das questões mais preocupantes na atualidade a nível mundial. Alguns autores</p><p>consideram que o planeta pode estar chegando em um momento crítico no que se refere ao uso</p><p>indiscriminado dos recursos naturais, perdurando o dilema se atingimos ou nos aproximamos de</p><p>um ponto irreversível desse uso. O entendimento comum é de que muitos são os fatores que</p><p>contribuem para desencadear a presente crise.</p><p>Com base nos fatores que levam à crise ambiental, descreva dois problemas ambientais</p><p>enfrentados na sua cidade. De que forma você pode contribuir para a resolução desses</p><p>problemas e, assim, contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Na figura, podemos nomear alguns dos principais fatores que causam a crise ambiental.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Para falarmos de Crise Ambiental, acompanhe o artigo "Crise ambiental: adaptar ou</p><p>transformar? As diferentes concepções de educação ambiental diante deste dilema" de</p><p>Vicente Paulo dos Santos Pinto e Rachel Zacarias.</p><p>Boa leitura.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Vamos analisar quais os eventos que marcaram as últimas décadas na área ambiental:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Em 1992 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento, ou somente, Cúpula da Terra, sendo palco para um maior</p><p>discussão e entendimento acerca da importância da compreensão da dependência</p><p>entre desenvolvimento e um ambiente equilibrado.</p><p>Com relação ao tema, marque a alternativa correta:</p><p>A) A Convenção do clima e da Biodiversidade foram dois dos importantes documentos</p><p>produzidos durante esse evento.</p><p>B) A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento teve a</p><p>participação de 120 nações.</p><p>C) A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ficou</p><p>conhecida também como a ZOO-92.</p><p>D) A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento produziu</p><p>somente um documento: a Agenda 21.</p><p>E) A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento ocorreu na</p><p>cidade de São Paulo.</p><p>2)</p><p>Após a revolução industrial, o ser humano começou a manipulação de substâncias e</p><p>materiais. Apesar do enorme desenvolvimento, não havia uma gestão adequada dos</p><p>resíduos ou mesmo controle de risco de seus sistemas produtivos. E assim, a história</p><p>da humanidade também é marcada por graves acidentes. De acordo com o assunto,</p><p>analise as afirmativas a seguir e marque a alternativa correta:</p><p>I – O acidente de Chernobyl ocorreu em 26 de abril de 1986, na Ucrânia, e devido a</p><p>falha humana;</p><p>II - Em 13 de setembro de 1987, em um ferro velho de Goiânia, no Brasil, ocorreu</p><p>vazamento de petróleo.</p><p>III – O desastre de Mariana, em Minas Gerais, Brasil, ocorreu em 2016 e causou uma</p><p>avalanche de rejeitos.</p><p>A) I e II.</p><p>B) II e III.</p><p>C) Apenas a II</p><p>D) Apenas a I.</p><p>E) Apenas a III.</p><p>3) Distintos encontros dos líderes mundiais foram feitos durante o último século tendo</p><p>em vista um desenvolvimento mais sustentável. Distintos documentos e acordos</p><p>foram firmados durante esses encontros.</p><p>Com relação ao clima, qual foi o maior acordo já firmado ao longo da trajetória</p><p>desses encontros?</p><p>A) O documento "Nosso Futuro Comum".</p><p>B) O livro “Primavera Silenciosa”.</p><p>C) O relatório “Limites ao crescimento".</p><p>D) A agenda 21.</p><p>E) O Protocolo de Quioto.</p><p>4) A Conferência de Estocolmo, em 1987, começou a delinear o conceito de</p><p>desenvolvimento sustentável como resposta à procura de uma forma mais consciente</p><p>de coexistir.</p><p>O desenvolvimento da humanidade deve ser pautado por três alicerces, o</p><p>_______________, o _______________ e o ______________.</p><p>Marque a alternativa que completa corretamente a assertiva acima, e conforme os</p><p>alicerces do desenvolvimento sustentável.</p><p>A) ambiental / justo / tributário.</p><p>B) ambiental / econômico / social.</p><p>C) econômico / social / capital.</p><p>D) Justo / capital / ambiental.</p><p>E) tributário / social / econômico.</p><p>A Educação Ambiental é, sem dúvida, um pilar para a busca de soluções para a crise</p><p>ambiental em que vivemos. Atualmente, existem duas correntes principais da</p><p>Educação Ambiental, que apresentam visões distintas das ações necessárias à</p><p>superação da crise: Visão Reformista e Visão Crítica.</p><p>5)</p><p>Analise as afirmações a seguir e assinale as alternativas que correspondem à Visão</p><p>Reformista:</p><p>I – A solução da crise requer a transformação da ordem social e do modelo</p><p>econômico vigente.</p><p>II – A crise atual se deve, entre outros aspectos, ao desperdício de recursos e à</p><p>ineficiência na produção.</p><p>III – Desconsidera mecanismos de compensação (ex: Protocolo de Quioto) como</p><p>alternativa para atenuação da crise.</p><p>A) Apenas I.</p><p>B) Apenas I e III .</p><p>C) Apenas II.</p><p>D) Apenas I e II.</p><p>E) Apenas III.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Vamos ver agora um exemplo das consequências que o meio ambiente pode sofrer com a</p><p>interferência do homem.</p><p>Caminhando nas ruas de grandes centro urbanos, você teve a sensação de que a</p><p>temperatura está mais elevada do que indicam os termômetros?</p><p>As ilhas de calor podem ser percebidas em grandes centros urbanos como: Porto Alegre, São</p><p>Paulo e Rio de Janeiro.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Controle da Poluição</p><p>Para aprofundar os seus conhecimentos sobre a temática em estudo, leia o capítulo "A Crise</p><p>Ambiental Atual" (páginas 13 a 27).</p><p>A batalha de Cubatão contra a poluição atmosférica</p><p>Em 1981, Cubatão, em São Paulo, foi considerada a cidade com a pior qualidade do ar em todo</p><p>o mundo, e conhecida globalmente como o "Vale da Morte". Acesse o documentário e descubra</p><p>como Cubatão se tornou o símbolo de recuperação ambiental.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Antropoceno: a Era do colapso ambiental</p><p>A nossa espécie surgiu e se espalhou pela Terra durante o Pleistoceno, mas foi no Holoceno que</p><p>nos tornamos o que somos hoje, mais de 7 bilhões de habitantes. E é exatamente por isso que</p><p>Paul Crutzen ganhou o prêmio Nobel de Química ao afirmar que o mundo entrou em uma nova</p><p>era geológica, a do ANTROPOCENO, que significa “época da dominação humana”. Acesse e</p><p>descubra o que isso significa.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A ambientalização das relações de</p><p>consumo</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, abordaremos as relações entre capitalismo, consumo e meio</p><p>ambiente.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Identificar o consumo, o capitalismo e suas relações com o meio ambiente.•</p><p>Reconhecer o conceito de desenvolvimento e consumo sustentável.•</p><p>Indicar as consequências das relações de consumo sobre o meio ambiente.•</p><p>DESAFIO</p><p>Um famoso pesquisador, Abraham Maslow, tentou compreender como o ser humano se</p><p>relaciona com suas necessidades. Para tal, ele fez uma divisão hierárquica, na qual as</p><p>necessidades de nível</p><p>de ativos.</p><p>Logo, percebe-se que diferentes linhas econômicas foram responsáveis pelos</p><p>conhecimentos do atual modelo econômico em uso. Mais recentemente, devido</p><p>à conscientização quanto aos impactos ambientais que veem sendo causados,</p><p>o ser humano vem cada vez mais se preocupando com a questão ambiental e</p><p>buscando uma economia mais limpa e ambientalmente mais eficiente.</p><p>Tipos de ambientalismo</p><p>De acordo com Pereira (2018), atualmente é comum as pessoas (ou até mesmo</p><p>as empresas) se declarem ambientalistas, mesmo que não participem de um</p><p>grupo da sociedade civil dedicado à proteção ambiental.</p><p>Desenvolvimento sustentável 9</p><p>De modo geral, o ambientalismo é um movimento construído historica-</p><p>mente, estando disperso em diversas vertentes, dedicando-se a proteção e</p><p>conservação do ambiente.</p><p>Philippi Jr. (2014) descreve que, ao longo das décadas de 1950 e 1960,</p><p>várias questões sociais e políticas criaram um intenso ativismo</p><p>público, que acabou instigando a formação de um movimento ambientalista</p><p>mais amplo. No Brasil, durante a década de 1960 foram produzidas importantes</p><p>legislações voltadas à proteção ambiental, como o novo Código Florestal e a</p><p>nova Lei de Proteção aos Animais.</p><p>Alguns fatores desempenharam um papel decisivo na formação dos mo-</p><p>vimentos ambientalistas, dentre os quais podemos destacar os seguintes</p><p>(PHILIPPI JR., 2014):</p><p>� tomada de consciência a respeito dos efeitos da afluência no pós-guerra</p><p>e das consequências dos testes atômicos;</p><p>� ampla divulgação de uma série de desastres ambientais;</p><p>� avanços no conhecimento científico no tocante à temática ambiental;</p><p>� publicação de estudos antropológicos a respeito dos valores e do estilo</p><p>de vida dos povos tradicionais e a influência de outros movimentos</p><p>sociais.</p><p>No âmbito mundial, o ambientalismo vem mostrando uma crescente</p><p>integração com outros movimentos sociais, pois cada vez mais as pessoas</p><p>estão percebendo que, por trás das crescentes disparidades sociais, da de-</p><p>gradação ambiental e dos abusos aos direitos humanos, estão as estruturas</p><p>econômicas globalizadas, o que exige, portanto, uma estratégia política</p><p>de enfrentamento global para garantir a construção e a consolidação das</p><p>sociedades sustentáveis (PHILIPPI JR., 2014).</p><p>O ambientalismo está comprometido não apenas com um ambiente em</p><p>que prepondera e preocupa a questão da poluição decorrente da industria-</p><p>lização, mas também com fatores subjacentes à vida das espécies presentes</p><p>no planeta (GOMES; BRANDALISE, 2017).</p><p>Em termos gerais, podemos distinguir tipos diferentes ambientalismo. O</p><p>primeiro deles pode ser chamado de ambientalismo conservacionista, que</p><p>busca a compensação por uma atividade extrativa, como a mineração ou a</p><p>extração de petróleo. A compensação busca proteger determinado fragmento</p><p>de paisagem natural da ocupação e uso extrativista pelo ser humano. Por</p><p>Desenvolvimento sustentável10</p><p>isso, seus representantes buscam criar zonas de amortecimento e zonas de</p><p>proteção, seja da vegetação nativa, fauna ou corpos d'água, a fim de que não</p><p>haja atividades antrópicas extrativistas nessas áreas.</p><p>Há também o chamado de ambientalismo populista, aquele que busca</p><p>promover a nacionalização das atividades extrativas e estimular a indústria</p><p>nacional. Ou seja, seu objetivo é transferir o impacto ambiental causado por</p><p>empresas para o Estado, já que as empresas geram impostos e empregos.</p><p>Dessa forma, esse tipo de ambientalismo apresenta a ideia de que o Estado é</p><p>responsável por encontrar formas de evitar e mitigar os impactos ambientais.</p><p>Tamos ainda o que poderíamos chamar de ambientalismo das formas</p><p>de vida, cuja ideia central é que as empresas possam praticar a atividade</p><p>extrativa, desde que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e o</p><p>crescimento econômico da população afetada e/ou que se encontre próxima</p><p>ao empreendimento. Ou seja, esse tipo de ambientalismo busca compensar</p><p>a atividade extrativista por meio do apoio à população.</p><p>Já o chamado ambientalismo de justiça socioambiental critica o modelo</p><p>econômico vigente, que discrimina certos grupos da sociedade, principalmente</p><p>quem apresenta menores condições financeiras. Dessa forma, busca a justiça</p><p>social e vê a desigualdade social como algo inaceitável. Dentre as práticas</p><p>adotadas por esse tipo de ambientalismo, destacam-se o consentimento</p><p>livre, prévio e informado, o zoneamento ecológico socioeconômico, a plena</p><p>participação da população nas decisões que a afetam e a regulamentação</p><p>estrita das indústrias extrativas para garantir que os direitos da população</p><p>envolvida não sejam violados.</p><p>Por fim, temos o ambientalismo radical (também chamado de profundo),</p><p>que encara a natureza como portadora de direitos semelhantes aos possu-</p><p>ídos pelas pessoas. Dessa forma, nenhuma atividade extrativista pode ser</p><p>praticada, uma vez que a terra seria um ser vivo, assim como as plantas e os</p><p>animais. Todos teriam o mesmo direito de não serem violados, e isso inclui</p><p>o ambiente como um todo. Tampouco busca qualquer tipo de compensação</p><p>da empresa extrativista, apenas a manutenção de ambientes sem qualquer</p><p>interferência externa.</p><p>Frente ao que prega o ambientalismo radical, parece impossível imagi-</p><p>narmos o desenvolvimento da economia e da própria humanidade sem haver</p><p>interferências e impactos ambientais. Obviamente, precisamos encontrar</p><p>formas de produzir e promover o desenvolvimento econômico, mas de forma</p><p>mais sustentável.</p><p>Todos esses tipos de ambientalismo surgiram principalmente após a</p><p>década de 1960, quando emergiu uma maior preocupação com as questões</p><p>Desenvolvimento sustentável 11</p><p>ambientais, dando origem à chamada economia verde. Mesmo que o ser</p><p>humano venha causando grandes impactos ambientais, não podemos ser</p><p>radicais a ponto de proibir toda e qualquer prática extrativista ou que vise</p><p>o desenvolvimento econômico. Para haver desenvolvimento, a humanidade</p><p>depende dos recursos naturais. Caso as atividades extrativistas fossem</p><p>proibidas, haveria consequências sociais enormes, pois muitos iriam morrer</p><p>de fome, principalmente nações e pessoas com piores condições financeiras.</p><p>Por outro lado, é necessário repensarmos como o planeta vem sendo alte-</p><p>rado pelo ser humano, pois já não está mais dando conta de tanta exploração</p><p>e retirada de recursos. Com uma população mundial estimada em mais de 7,5</p><p>bilhões de pessoas, o desenvolvimento sustentável precisa ser colocado em</p><p>prática imediatamente, nos mais diferentes setores da economia.</p><p>Referências</p><p>ALIGLERI, L.; ALIGLERI, L. A.; KRUGLIANSKAS, I. Gestão industrial e produção sustentável.</p><p>São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>ALMEIDA, D. H. C. Mudanças climáticas: premissas e situação futura. São Paulo: LCTE,</p><p>2007.</p><p>BARBIERI, F.; FEIJÓ, R. L. C. Metodologia do pensamento econômico: o modo de fazer</p><p>ciência dos economistas. São Paulo: Atlas, 2014.</p><p>CAMPOS, L. M. S. SGADA: sistema de gestão e avaliação de desempenho ambiental:</p><p>uma proposta de implementação. 2001. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção)</p><p>— Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2001. Disponível em: https://</p><p>repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/81601. Acesso em: 31 mar. 2021.</p><p>CARVALHO, A. M.; MANO, C. M. Ecodesign. Porto Alegre: SAGAH, 2018. (Série: Universitária).</p><p>CAVALCANTI, C. Uma tentativa de caracterização da economia ecológica. Ambient.</p><p>Soc., v. 7, n. 1, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/asoc/v7n1/23541.pdf.</p><p>Acesso em: 3 abr. 2021.</p><p>CHEHEBE, J. R. B. Análise do ciclo de vida de produtos: ferramenta gerencial da ISO</p><p>14000. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997.</p><p>GODOY, A. M. G. A abordagem neoclássica sobre a cobrança pelo uso da água dá conta</p><p>da realidade? Estudos do CEPE, n. 34, p. 202-230, 2011. Disponível em: https://online.</p><p>unisc.br/seer/index.php/cepe/article/view/1678/1689. Acesso em: 1 abr. 2021.</p><p>GOMES, E. B.; BRANDALISE, A. E. A teoria ambientalista (green theory) e a competência</p><p>consultiva da Corte Interamericana de Direitos Humanos: o caso da Colômbia. Revista</p><p>de Direito Internacional, v. 14,</p><p>n. 3, 2017. Disponível em: https://www.publicacoesaca-</p><p>demicas.uniceub.br/rdi/article/view/4594. Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>HADDAD, P. R. Meio ambiente, planejamento e desenvolvimento sustentável. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2015.</p><p>LEITE, P. R. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Pearson</p><p>Prentice Hall, 2009.</p><p>Desenvolvimento sustentável12</p><p>LEMOS, A. D. C.; MELLO, M. C. A.; NASCIMENTO, L. F. Gestão socioambiental estratégica.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2008.</p><p>PEREIRA, A. L. et al. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning,</p><p>2012.</p><p>PEREIRA, E. M. Sensibilidade ecológica e ambientalismo: uma reflexão sobre as relações</p><p>humanos-natureza. Sociologias, v. 20, n. 49, p. 338-366, 2018. Disponível em: https://</p><p>www.scielo.br/pdf/soc/v20n49/1807-0337-soc-20-49-338.pdf. Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>PHILIPPI JR., A. (coord.). Curso de gestão ambiental. 2. ed. Barueri: Manole, 2014.</p><p>PORTUGAL, N. S.; PORTUGAL JÚNIOR, P. S.; BRITO, M. J. Desenvolvimento sustentável:</p><p>da consciência às exigências, uma visão paradigmática do pensamento econômico</p><p>ambiental. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 9., 2012, Resende.</p><p>Anais [...]. Resende: AEDB, 2012. Disponível em: https://www.aedb.br/seget/arquivos/</p><p>artigos12/41617.pdf. Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>PRADO, E. F. S. A ortodoxia neoclássica. Estudos Avançados, v. 15, n. 41, 2001. Disponível</p><p>em: https://www.scielo.br/pdf/ea/v15n41/v15n41a03.pdf. Acesso em: 3 abr. 2021.</p><p>ROMEIRO, A. R. Desenvolvimento sustentável: uma perspectiva ecológica. Estudos</p><p>Avançados, v. 26, n. 74, p. 65-92, 2012. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/eav/</p><p>article/view/10625. Acesso em: 10 abr. 2021.</p><p>SCHWANKE, C. (org.). Ambiente: tecnologias. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Desenvolvimento sustentável 13</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>O desenvolvimento econômico pautado no respeito ao meio ambiente e às suas formas de vida</p><p>vem sendo discutido há muito tempo. Em 1972, em Estocolmo, na Suécia, essa ideia foi</p><p>chamada de ecodesenvolvimento, mas foi em 1987, com a apresentação do documento Nosso</p><p>Futuro Comum, ou Relatório Brundtland, que o conceito de desenvolvimento sustentável</p><p>ganhou destaque.</p><p>Veja, na Dica do Professor, mais informações acerca do desenvolvimento sustentável e as ações</p><p>propostas nesse relatório para alcançar esse objetivo.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) O desenvolvimento econômico da humanidade após a Revolução Industrial impediu</p><p>que os problemas ambientais fossem considerados com a sua devida importância,</p><p>resultando em muitos danos ao meio ambiente e às pessoas. Com respeito ao</p><p>desenvolvimento econômico predominante na época, analise as afirmativas a seguir:</p><p>I – Os recursos são finitos.</p><p>II – O meio ambiente tem a capacidade infinita de reciclar matéria e poluição.</p><p>III – Predomina o foco no crescimento econômico ou lucro.</p><p>Qual(is) está(ão) correta(s)?</p><p>A) I.</p><p>B) II e III.</p><p>C) III.</p><p>D) I e II.</p><p>E) II.</p><p>2) Após aumentar a discussão acerca dos impactos ao meio ambiente e aos seres vivos</p><p>provocados por um desenvolvimento pautado apenas no lucro, surgiram linhas de</p><p>pensamentos que integram as questões ambientais às econômicas. Acerca do assunto,</p><p>marque a alternativa correta.</p><p>A) A linha malthusiana defende que a cobrança de taxa pelo uso de recursos altera o</p><p>comportamento dos agentes para melhor.</p><p>B) A economia ecológica, também chamada de verde, inclui os custos ambientais na</p><p>abordagem econômica.</p><p>C) A linha neoclássica liga a questão do crescimento populacional à falta de recursos naturais,</p><p>indicando um colapso.</p><p>D) A linha neoclássica indicou a falta de alimentos como um dos problemas mundiais mais</p><p>relevantes da época.</p><p>E) A linha malthusiana, também chamada de verde, é uma crítica direta ao sistema</p><p>econômico clássico.</p><p>Já percebemos que o desenvolvimento econômico a qualquer custo causa danos</p><p>negativos diretos ao meio ambiente e às populações, de modo que novos modelos</p><p>precisam ser propostos para a busca de um desenvolvimento mais equilibrado e</p><p>voltado à qualidade ambiental, essencial à saúde e ao bem-estar das pessoas. Um</p><p>desses modelos é o desenvolvimento sustentável. Leia a afirmativa a seguir e marque</p><p>a alternativa que completa corretamente as lacunas:</p><p>O desenvolvimento sustentável visa a atender três aspectos básicos: o ____________,</p><p>3)</p><p>o _____________ e o _________________. Estes propõem que o desenvolvimento seja</p><p>pautado em atender às necessidades atuais da humanidade, mas sem comprometer os</p><p>recursos para ________________.</p><p>A) ecológico / ambiental / social / os demais seres vivos.</p><p>B) ecológico / socioambiental / econômico / a população.</p><p>C) econômico / ambiental / social / as futuras gerações.</p><p>D) ambiental / socioambiental / populacional / as futuras gerações.</p><p>E) econômico / socioambiental / ecológico / os demais seres vivos.</p><p>4) O desenvolvimento sustentável é um conceito cada vez mais difundido nas empresas,</p><p>promovendo diversos benefícios e impactando diretamente no mercado. Com relação</p><p>às vantagens diretas do desenvolvimento sustentável para as empresas, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>A) O desenvolvimento sustentável maximiza a utilização de insumos e matérias-primas.</p><p>B) O desenvolvimento sustentável descentraliza a gestão e minimiza a produção de resíduos.</p><p>C) O desenvolvimento sustentável maximiza os gastos com energia, recursos e insumos.</p><p>D) O desenvolvimento sustentável fortalece as parcerias em prol do lucro e da produção.</p><p>E) O desenvolvimento de produtos sustentáveis potencializa o valor percebido pelo cliente.</p><p>O termo "ambientalismo" tem se tornado cada vez mais comum. No entanto, esse é 5)</p><p>um movimento construído historicamente, com distintas vertentes, mas todas se</p><p>dedicando à proteção e à conservação do ambiente.</p><p>Qual são, respectivamente, os tipos de ambientalismo que (i) projetam ao Estado a</p><p>responsabilidade em recuperar e/ou minimizar os danos causados pelas empresas ao</p><p>meio ambiente; e (ii) não aceitam modificação ambiental de qualquer forma?</p><p>A) Ambientalismo conservacionista / ambientalismo populista.</p><p>B) Ambientalismo de justiça socioambiental / ambientalismo populista.</p><p>C) Ambientalismo das formas de vida / ambientalismo conservacionista.</p><p>D) Ambientalismo radical / ambientalismo de justiça socioambiental.</p><p>E) Ambientalismo populista/ ambientalismo radical.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>O termo "sustentabilidade" vem moldando o mercado e dando visibilidade às empresas</p><p>certificadas. A definição de políticas, a aplicação de normas ambientais e a responsabilidade</p><p>com a melhoria contínua vêm pautando o desenvolvimento de empresas de sucesso. As ações</p><p>em termos de sustentabilidade precisam ter três eixos: o econômico, o social e o ambiental.</p><p>Vamos conhecer, em Na Prática, uma das empresas brasileiras que se destacam quando se trata</p><p>de sustentabilidade.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Pacto Global</p><p>Vamos conhecer os objetivos do desenvolvimento sustentável? Conheça o Pacto Global, uma</p><p>iniciativa das Nações Unidas para o alinhamento das estratégias rumo ao desenvolvimento mais</p><p>sustentável. Acesse o link e conheça os 10 princípios universais nas áreas de Direitos Humanos,</p><p>Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção que estão unindo lideranças corporativas</p><p>comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Boa pesquisa!</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA FRENTE AOS PRINCÍPIOS DA</p><p>SUSTENTABILIDADE E DA COOPERAÇÃO AMBIENTAL</p><p>O desenvolvimento</p><p>sustentável deve estar presente em todos os setores. Particularmente nas</p><p>empresas, o conceito é mais conhecido quando a mesma explora mercados externos. No entanto,</p><p>muitas utilizam de propaganda verde sem entender o que realmente esse conceito significa.</p><p>Acesse o link e leia um artigo que visa discutir a relação social das empresas frente à</p><p>sustentabilidade.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO NA IDEIA DE</p><p>SUSTENTABILIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A PERCEPÇÃO E</p><p>CONSERVAÇÃO DO MUNDO NATURAL</p><p>A economia é um dos maiores condicionantes do desenvolvimento da civilização humana e, por</p><p>isso, deve ser cada vez mais discutida no viés ambiental. Acesse o link para conhecer um</p><p>trabalho que se propôs identificar a influência do pensamento econômico na ideia de</p><p>sustentabilidade e suas implicações para a preservação ambiental. Bons estudos!</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Introdução à Educação ambiental</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Sem dúvidas, a educação ambiental é considerada um instrumento na sensibilização das pessoas</p><p>e das organizações, sendo fundamental para que as políticas ambientais funcionem de forma</p><p>eficiente.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos estudar os conceitos básicos da educação ambiental.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Definir o sistema conceitual básico da educação ambiental.•</p><p>Reconhecer a educação ambiental das organizações.•</p><p>Identificar as principais tendências atuais da educação ambiental.•</p><p>DESAFIO</p><p>O conceito de educação ambiental (EA) tem diversas interpretações, de acordo com o contexto e</p><p>conforme a influência e a vivência de cada indivíduo. Para muitos, a educação ambiental se</p><p>restringe a desenvolver temas relacionados à natureza, como o lixo, a preservação, as paisagens</p><p>naturais, os animais, dentro de um caráter basicamente naturalista.</p><p>A partir disso, responda a este desafio.</p><p>1. Defina o que é meio ambiente e quais os seus componentes.</p><p>2. Entreviste seus familiares e amigos sobre esses conceitos. Pergunte se eles sabem o que é</p><p>meio ambiente e educação ambiental.</p><p>3. Caso haja um problema conceitual, explique o que poderia ser feito para resolvê-lo.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Atualmente existem duas interpretações fundamentais da educação ambiental (EA). Observe-as</p><p>no esquema a seguir.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>A educação ambiental possui um caráter mais amplo, é embasada na busca de um equilíbrio</p><p>entre o homem e o ambiente, com vistas à construção de um futuro planejado sob uma lógica de</p><p>desenvolvimento, ou, em outras palavras, é uma ferramenta de educação para o</p><p>desenvolvimento sustentável. Leia a partir do tópico 2.4 Educação Ambiental do livro Gestão</p><p>Socioambiental Estratégica e aprofunde seu conhecimento sobre o tema.</p><p>Boa leitura!</p><p>N458g Nascimento, Luis Felipe</p><p>Gestão socioambiental estratégica / Luis Felipe Nascimento,</p><p>Ângela Denise da Cunha Lemos, Maria Celina Abreu de Mello. –</p><p>Porto Alegre : Bookman, 2008.</p><p>232 p. ; 23 cm.</p><p>ISBN 978-85-7780-104-6</p><p>1. Administração. 2. Gestão Ambiental. 3. Gestão Estratégica.</p><p>I. Lemos, Ângela Denise da Cunha. II. Mello, Maria Celina Abreu de.</p><p>III. Título.</p><p>CDU 504.06</p><p>Catalogação na publicação: Juliana Lagôas Coelho – CRB 10/1798</p><p>C2 Abordagens relacionadas ao macroambiente 79</p><p>Em âmbito nacional, cabe destacar os sites do Ministério do Meio Ambien-</p><p>te (www.mma.gov.br) e do Ibama (www.ibama.gov.br) como fontes de informação</p><p>sobre a legislação ambiental brasileira e acesso a documentos para download.</p><p>A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende que um dos grandes</p><p>desafios do mundo atual é conciliar crescimento econômico e social com equilí-</p><p>brio ecológico. Para que tal desafio seja adequadamente superado, a CNI considera</p><p>essencial que as indústrias, fundamentadas no conceito de desenvolvimento sus-</p><p>tentável, passem a desenvolver suas atividades de maneira compromissada com a</p><p>proteção do meio ambiente, da saúde, da segurança e do bem-estar dos seus traba-</p><p>lhadores e das comunidades. Assim, a CNI propõe que a indústria brasileira se em-</p><p>penhe em atender aos 11 princípios sugeridos por ela na Declaração de Princípios</p><p>da Indústria para o Desenvolvimento Sustentável:</p><p>1. Promover a efetiva participação proativa do setor industrial, em conjunto</p><p>com a sociedade, os parlamentares, o governo e organizações não-governa-</p><p>mentais no sentido de desenvolver e aperfeiçoar leis, regulamentos e padrões</p><p>ambientais.</p><p>2. Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade em relação aos assuntos</p><p>ambientais.</p><p>3. Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os conceitos</p><p>de desenvolvimento sustentável e de uso racional dos recursos naturais e de</p><p>energia.</p><p>4. Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de gerencia-</p><p>mento ambiental, saúde e segurança do trabalho nas empresas.</p><p>5. Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros ambientais</p><p>nas empresas. Antecipar a análise e os estudos das questões que possam causar</p><p>problemas ao meio ambiente e à saúde humana, bem como implementar ações</p><p>apropriadas para proteger o meio ambiente.</p><p>6. Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e permanente</p><p>dos trabalhadores e do comprometimento da supervisão nas empresas, asse-</p><p>gurando que os mesmos tenham o conhecimento e o treinamento necessários</p><p>com relação às questões ambientais.</p><p>7. Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o obje-</p><p>tivo de reduzir ou eliminar impactos adversos ao meio ambiente e à saúde da</p><p>comunidade.</p><p>Gestão socioambiental estratégica80</p><p>8. Estimular o relacionamento e parcerias do setor privado com o governo e com</p><p>a sociedade em geral, na busca do desenvolvimento sustentável, bem como da</p><p>melhoria contínua dos processos de comunicação.</p><p>9. Estimular as lideranças empresariais a agir permanentemente junto à socieda-</p><p>de com relação aos assuntos ambientais.</p><p>10. Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços que não</p><p>produzam impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde da comunidade.</p><p>11. Promover a máxima divulgação e conhecimento da Agenda 21 e estimular sua</p><p>implementação.</p><p>Em 2002 a CNI editou dois livros sobre o desenvolvimento sustentável e</p><p>a temática ambiental, disponíveis para download gratuito no site www.cni.org.br:</p><p>Indústria Sustentável no Brasil - Agenda 21: Cenários e Perspectivas e Indústria</p><p>Sustentável no Brasil - Rio+10: Balanço e Perspectivas.</p><p>Cabe destacar também o site do Conselho Empresarial Brasileiro para</p><p>o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) (www.cebds.org.br), que apresenta os</p><p>compromissos dos empresários brasileiros com a sociedade, em relação à questão</p><p>do desenvolvimento sustentável.</p><p>2.4 Educação ambiental</p><p>O conceito de educação ambiental (EA) tem diversas interpretações, de acordo com</p><p>o contexto e conforme a influência e a vivência de cada indivíduo. Para muitos, a EA</p><p>se restringe a desenvolver temas relacionados à natureza, como o lixo, a preservação,</p><p>as paisagens naturais, os animais, dentro de um caráter basicamente naturalista.</p><p>Atualmente, a EA assume um caráter mais amplo, embasada na busca de</p><p>um equilíbrio entre o homem e o ambiente, com vistas à construção de um futuro</p><p>planejado sob uma lógica de desenvolvimento e progresso (pensamento positi-</p><p>vista). Nesse contexto, a EA é ferramenta de educação para o desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>O primeiro registro de uso da expressão educação ambiental (enviromen-</p><p>tal education) ocorreu em 1965, na Conferência de Educação da Universidade de</p><p>Keele, na Grã-Bretanha. Desde então, muito vem sendo dito, refletido, sugerido e</p><p>repensado nos âmbitos nacional e internacional. Na I Conferência Intergoverna-</p><p>mental sobre Educação Ambiental, ocorrida em Tbilisi, na Geórgia (ex-URSS), em</p><p>1977, foram estabelecidos os princípios orientadores da EA e foi reforçado o seu</p><p>caráter interdisciplinar, crítico, ético e transformador. A definição</p><p>de EA estabele-</p><p>C2 Abordagens relacionadas ao macroambiente 81</p><p>cida neste evento foi a seguinte: “A educação ambiental é um processo de reconhe-</p><p>cimento de valores e clarificações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das</p><p>habilidades e modificando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar</p><p>as inter-relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A</p><p>educação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de deci-</p><p>sões e a ética que conduzem para a melhoria da qualidade de vida”24.</p><p>2.4.1 Evolução histórica da educação ambiental</p><p>O portal Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br) apresenta um resumo ela-</p><p>borado por Naná Minnini Medina, consultora de educação ambiental, sobre even-</p><p>tos históricos que estão relacionados com o desenvolvimento da EA no mundo.</p><p>Este resumo está reproduzido no Quadro 2.4.</p><p>Pode-se dizer que a EA, passando de um “conservacionismo extremo” a</p><p>uma compreensão mais ampla, deu um salto quantitativo e qualitativo nos cená-</p><p>rios internacional e brasileiro. Embora a maior parte das pessoas ainda compre-</p><p>enda ambiente como sinônimo de natureza, esta visão vem sendo gradualmente</p><p>modificada, dando lugar a uma percepção mais crítica, com elementos culturais</p><p>e naturais, refletindo uma preocupação social adequada na dimensão ambiental.</p><p>Para reforçar esse paradigma, algumas pessoas passaram a adotar o termo socio-</p><p>ambiental.25</p><p>Entretanto, a EA ainda exige um debate sobre suas bases de sustentação.</p><p>É claro que esse debate deverá contemplar uma abertura epistemológica que lhe</p><p>confira o alto poder de diversidade e interfaces que a sua própria natureza requer.</p><p>2.4.2 A educação ambiental e a legislação brasileira</p><p>No Brasil, a educação ambiental (EA) foi regulamentada pela Lei 9.795, em abril</p><p>de 1999, que estabeleceu a Política Nacional de Educação Ambiental. A Diretoria</p><p>de Educação Ambiental foi instituída no Ministério do Meio Ambiente (MMA)</p><p>em 1999, para desenvolver ações a partir das diretrizes definidas pela lei, cuja re-</p><p>gulamentação define que a coordenação da Política Nacional de Educação fica a</p><p>cargo de um órgão gestor, dirigido pelos ministros de Estado do Meio Ambiente e</p><p>da Educação.</p><p>No Art. 1º da Lei 9.795 encontramos a definição da EA: “Entendem-se por</p><p>educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade</p><p>constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências</p><p>voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essen-</p><p>cial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.”</p><p>Gestão socioambiental estratégica82</p><p>QUADRO 2.4</p><p>Eventos históricos da educação ambiental internacional</p><p>ANO ACONTECIMENTOS NO MUNDO</p><p>Século 19</p><p>1869 Ernst Haeckel propõe o termo ecologia para os estudos das relações entre as</p><p>espécies e seu ambiente.</p><p>1872 Criação do primeiro parque nacional do mundo, o Yellowstone, nos Estados</p><p>Unidos.</p><p>Século 20</p><p>1947 Fundada na Suíça a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).</p><p>1952 Acidente com poluição do ar em Londres provoca a morte de 1.600 pessoas.</p><p>Anos 1960</p><p>1962 Publicação de Primavera Silenciosa, de Rachel Carlson.</p><p>1965 É utilizada a expressão educação ambiental (enviromental education) na Con-</p><p>ferência de Educação da Universidade de Keele (Grã-Bretanha).</p><p>1966 Pacto Internacional sobre os Direitos Humanos – Assembléia Geral da ONU.</p><p>1968 Fundação do Clube de Roma.</p><p>1968 Manifestações de maio de 1968 na França.</p><p>Anos 1970</p><p>1972 Publicação do relatório Os Limites do Crescimento - Clube de Roma.</p><p>1972 Conferência de Estocolmo – Discussão do Desenvolvimento e Ambiente, Con-</p><p>ceito de Ecodesenvolvimento. Recomendação 96 Educação e Meio Ambiente.</p><p>1973 Registro Mundial de Programas em Educação Ambiental – EUA.</p><p>1974 Seminário de Educação Ambiental em Jammi, Finlândia – Reconhece a Educa-</p><p>ção Ambiental como educação integral e permanente.</p><p>1975 Congresso de Belgrado – Carta de Belgrado estabelece as metas e princípios</p><p>da educação ambiental.</p><p>1975 Programa Internacional de Educação Ambiental – Piea.</p><p>1976 Reunião Subregional de EA para o ensino secundário – Chosica (Peru). Ques-</p><p>tões ambientais na América Latina estão ligadas às necessidades de sobrevi-</p><p>vência e aos direitos humanos.</p><p>1976 Congresso de Educação Ambiental em Brasarville (África) reconhece que a po-</p><p>breza é o maior problema ambiental.</p><p>1977 Conferência de Tbilisi (Geórgia), que estabelece os princípios orientadores da</p><p>EA e remarca seu caráter interdisciplinar, crítico, ético e transformador.</p><p>1979 Encontro Regional de Educação Ambiental para a América Latina em San José,</p><p>na Costa Rica.</p><p>Anos 1980</p><p>1980 Seminário Regional Europeu sobre EA para Europa e América do Norte. Assi-</p><p>nala a importância do intercâmbio de informações e experiências.</p><p>C2 Abordagens relacionadas ao macroambiente 83</p><p>ANO ACONTECIMENTOS NO MUNDO</p><p>1980 Primeira Conferência Asiática sobre EA, em Nova Delhi (Índia).</p><p>1987 Divulgação do Relatório da Comissão Brundtland, Nosso Futuro Comum.</p><p>1987 Congresso Internacional da Unesco – Pnuma sobre Educação e Formação</p><p>Ambiental - Moscou. Realiza a avaliação dos avanços desde Tbilisi, reafirma os</p><p>princípios de Educação Ambiental e assinala a importância e a necessidade da</p><p>pesquisa e da formação em Educação Ambiental.</p><p>1988 Declaração de Caracas. ORPAL – PNUMA, Sobre Gestão Ambiental na América.</p><p>Denuncia a necessidade de mudar o modelo de desenvolvimento.</p><p>1989 Primeiro Seminário sobre Materiais para a Educação Ambiental. Orleac –</p><p>Unesco - Piea. Santiago (Chile).</p><p>1989 Declaração de Haia, preparatória da Rio 92, aponta a importância da coopera-</p><p>ção internacional nas questões ambientais.</p><p>Anos 1990</p><p>1990 Conferência Mundial sobre Ensino para Todos, Satisfação das necessidades</p><p>básicas de aprendizagem, em Jomtien (Tailândia). Destaca o conceito de anal-</p><p>fabetismo ambiental.</p><p>1990 ONU declara o ano de 1990 como o Ano Internacional do Meio Ambiente.</p><p>1991 Reuniões preparatórias da Rio 92.</p><p>1992 Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, UNCED, Rio 92 -</p><p>Criação da Agenda 21 Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sus-</p><p>tentáveis Fórum das ONGs – compromissos da sociedade civil com a educação</p><p>ambiental e o meio ambiente. Carta Brasileira de Educação Ambiental. Aponta</p><p>as necessidades de capacitação na área. MEC.</p><p>1993 Congresso Sul-americano continuidade Eco 92 (Argentina).</p><p>1993 Conferência dos Direitos Humano (Viena).</p><p>1994 Conferência Mundial da População (Cairo).</p><p>1994 I Congresso Ibero Americano de Educação Ambiental, em Guadalajara (México).</p><p>1995 Conferência para o Desenvolvimento Social (Copenhague). Criação de um am-</p><p>biente econômico, político, social, cultural e jurídico que permita o desenvolvi-</p><p>mento social.</p><p>1995 Conferência Mundial da Mulher (Pequim).</p><p>1995 Conferência Mundial do Clima (Berlim).</p><p>1996 Conferência Habitat II (Istambul).</p><p>1997 II Congresso Ibero-americano de EA, em Guadalajara (México).</p><p>1997 Conferência sobre EA (Nova Delhi).</p><p>1997 Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e</p><p>Conscientização Pública para a Sustentabilidade, em Thessaloniki (Grécia).</p><p>Gestão socioambiental estratégica84</p><p>O Art. 2º diz que a “educação ambiental é um componente essencial e per-</p><p>manente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos</p><p>os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.”26</p><p>2.4.3 A EA e as organizações</p><p>É importante salientar que a EA também deve fazer parte do mundo organizacio-</p><p>nal, como preconiza a alínea V do Art. 3º da Lei 9.795:</p><p>Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educa-</p><p>ção ambiental, incumbindo:</p><p>V - Às organizações, entidades de classe, instituições públicas e privadas, promo-</p><p>ver programas destinados à capacitação dos trabalhadores, visando à melhoria e</p><p>ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como sobre as repercussões</p><p>do processo produtivo no meio ambiente;</p><p>Nesse sentido, muitos dos problemas ambientais que à primeira vista pa-</p><p>recem</p><p>complicados para as organizações podem ser facilmente resolvidos, desde</p><p>que haja algum investimento em educação ambiental. A EA no ambiente organi-</p><p>zacional pode se transformar em um “completo programa educacional, incluindo</p><p>material didático-pedagógico e podendo ser adotada com eficácia e adaptada às</p><p>necessidades de qualquer organização, com simplicidade e baixo custo”.27</p><p>Mais ainda, a EA conduz os profissionais a uma mudança de comporta-</p><p>mento e atitudes em relação ao meio ambiente interno e externo às organizações.</p><p>A EA nas organizações tem um papel muito importante, porque desperta cada</p><p>funcionário para a ação e a busca de soluções concretas para os problemas am-</p><p>bientais que ocorrem, principalmente no seu dia-a-dia, no seu local de trabalho,</p><p>na execução de sua tarefa, portanto onde ele tem poder de atuação para a melhoria</p><p>da qualidade ambiental dele e dos colegas. Esse tipo de educação extrapola a sim-</p><p>ples aquisição de conhecimento.</p><p>Assim, entendemos que a educação ambiental é uma importante ferra-</p><p>menta para o gerenciamento ambiental de uma organização. Entretanto, na prá-</p><p>tica, o que vemos é outra situação. A EA desenvolvida pelas organizações é nor-</p><p>malmente praticada fora de seus limites, geralmente nas escolas da sua área de</p><p>influência, por meio da reciclagem ou da sensibilização de professores para a</p><p>questão ambiental.</p><p>Em geral, as organizações realizam ações que são frutos da pressão das</p><p>partes interessadas – geralmente o poder público, na figura dos órgãos de controle</p><p>ambiental – e desprovidas de um planejamento estratégico no qual todos os agentes</p><p>envolvidos possam, com precisão, estabelecer objetivos e metas mensuráveis, bem</p><p>como indicadores que permitam aferir a eficácia de programas desta natureza.28</p><p>C2 Abordagens relacionadas ao macroambiente 85</p><p>Em artigo publicado na Revista Eletrônica do Instituto de Educação Tec-</p><p>nológica, M. J. Motta observa que o fato de as organizações utilizarem programas</p><p>de educação ambiental exclusivamente para o público externo significa que elas</p><p>ainda não entenderam ou não aprenderam a usufruir dessa ferramenta para o geren-</p><p>ciamento ambiental.</p><p>Um programa de educação ambiental tem que ser um conjunto de atividades sis-</p><p>tematizadas e com a participação ativa dos diversos setores da organização, que</p><p>auxiliem na elaboração de indicadores ambientais e operacionais que demons-</p><p>trem não só os benefícios de um programa de educação ambiental como, também,</p><p>do próprio sistema de gestão ambiental. Somente desse jeito teremos a educação</p><p>ambiental realmente como uma ferramenta fundamental do sistema de gestão am-</p><p>biental, e não como um programa isolado de causa nobre, mas distanciado da rea-</p><p>lidade operacional e ambiental da organização e sempre passível de ser o primeiro</p><p>item a ser cortado em revisões de orçamento.</p><p>2.4.4 Tendências da EA</p><p>Discutir os caminhos da pesquisa talvez seja uma forma interessante de colaborar</p><p>com a (re)construção da EA. Essa foi uma das mais importantes trilhas que condu-</p><p>ziram ao atual pensamento da EA, em constante movimento dinâmico. Os avanços</p><p>e os recuos desse movimento, ora em círculo fechado, ora aberto, possibilitam en-</p><p>veredar por caminhos desconhecidos, descobrindo, assim, novas formas de pensar</p><p>e agir, inseridas em contextos plurais, nos quais a diversidade possibilita e garante</p><p>a riqueza da descoberta da própria.</p><p>Obviamente, ao assumirmos que a EA é realmente um processo educativo,</p><p>cabe questionar qual é a base pedagógica que orienta as nossas ações. Cabe a edu-</p><p>candos e educadores refletir sobre os diversos paradigmas e, sobretudo, agir para a</p><p>transformação necessária.</p><p>Não seria este o propósito maior da EA?</p><p>Trazer às teias tecidas no silêncio obscuro do cotidiano e à individualidade um</p><p>sentido cósmico universal? Isso implica o sentido de unidade e interdependência,</p><p>a experiência de unidade com a Terra, e tudo que está nela tem relação intrínse-</p><p>ca entre si. Afinal, por civilização deve-se entender que é um processo de reco-</p><p>nhecimento do mundo, com seus sintomas vitais de um sistema “naturossocial</p><p>ou socionatural”, onde os avanços científicos e tecnológicos devem considerar</p><p>a convivência, espiritualidade e solidariedade como alternativas possíveis para a</p><p>humanidade e o ecossistema planetário.29</p><p>Entendemos que a EA, tratada de forma transversal e disciplinar, é a base</p><p>do processo de implementação de uma gestão socioambiental estratégica. Como</p><p>já abordamos anteriormente, um programa de gestão ambiental não deve ser rea-</p><p>Gestão socioambiental estratégica86</p><p>lizado somente para a obtenção de certificados ou para melhoria da imagem da</p><p>organização, deve efetivamente poder melhorar os indicadores de performance das</p><p>organizações.</p><p>2.5 Capitalismo natural</p><p>A proposta do capitalismo natural procura diminuir a lacuna que existe entre de-</p><p>senvolvimento econômico e sustentabilidade, que muitas vezes aparecem como</p><p>aspectos dicotômicos, como já vimos anteriormente. Esta proposta desenvolve-se</p><p>dentro dos marcos do capitalismo, mas questiona o modelo de produção capitalis-</p><p>ta. Trata-se de um conceito que deve ser conhecido e analisado por quem está inte-</p><p>ressado em aumentar a produtividade de uma organização e reduzir os respectivos</p><p>impactos ambientais.</p><p>Para compreender a proposta do capitalismo natural é necessário entender</p><p>o modelo mental que perpassa pelo pensamento econômico tradicional e que molda</p><p>o capitalismo tradicional, tal como o conhecemos. Na seqüência, são mencionados</p><p>os pressupostos do capitalismo natural, além das quatro estratégias que deveriam</p><p>ser adotadas a fim de que seja possível chegar a esse novo modelo de capitalismo,</p><p>proposto por Hawken e por Almory e Hunter Lovins.</p><p>30</p><p>2.5.1 O que significa capitalismo natural</p><p>O capitalismo natural é uma extensão da noção econômica de capital (meios de pro-</p><p>dução) para a produção de bens e serviços ambientais. Ele se refere a um estoque (por</p><p>exemplo, uma floresta) que produz um fluxo de bens (por exemplo, árvores novas) e</p><p>serviços (por exemplo, seqüestro de carbono, controle de erosão, habitat, fotossínte-</p><p>se, manutenção da umidade e da vida do solo, manutenção do clima, etc.). O capital</p><p>natural pode ser dividido em renovável e não-renovável; o nível de fluxo de recursos</p><p>não-renováveis (por exemplo, combustíveis fósseis) é politicamente determinado.</p><p>O capitalismo natural compreende todos os recursos individuais conheci-</p><p>dos e usados pela humanidade, tais como a água, os minérios, o petróleo, as árvo-</p><p>res, os peixes, o solo, o ar, etc. (ou seja, os recursos minerais, vegetais e animais).</p><p>Entretanto, além dos recursos individuais, o capitalismo natural envolve os chama-</p><p>dos sistemas vivos, tais como os pastos, as savanas, os mangues, os estuários, os</p><p>oceanos, os recifes de coral, as áreas ribeirinhas, as tundras e as florestas tropicais,</p><p>etc., bem como todos os serviços que os mesmos prestam.</p><p>Se os sistemas vivos são a fonte de bens desejáveis, como a madeira, o</p><p>peixe ou o alimento, importância ainda maior tem os serviços que eles oferecem,</p><p>pois são muito mais decisivos para a prosperidade dos seres humanos do que os</p><p>recursos não-renováveis.</p><p>C2 Abordagens relacionadas ao macroambiente 87</p><p>O estoque de capital natural vem diminuindo e os serviços fundamentais</p><p>de geração de vida que dele fluem estão se tornando críticos no que diz respeito à</p><p>nossa prosperidade. O capitalismo natural reconhece, por um lado, a interdepen-</p><p>dência fundamental entre a produção e o uso do capital produzido pelo homem e,</p><p>por outro, a conservação e o fornecimento do capital natural.</p><p>2.5.2 O modelo mental do pensamento econômico vigente e o</p><p>capitalismo tradicional</p><p>O capitalismo, sob o ponto de vista tradicional, pode ser conceituado como um sis-</p><p>tema econômico em que os indivíduos, em relativa liberdade de restrições externas,</p><p>produzem bens e serviços para o consumo público, sob condições de concorrência,</p><p>tendo como motivação principal o lucro. Esses bens e serviços se deslocam dos</p><p>produtores</p><p>para os consumidores, por intermédio de um intercâmbio (ou vendas)</p><p>no qual o meio comum de pagamento é a moeda ou algum sucedâneo aceitável,</p><p>como o crédito.</p><p>O capitalismo é um sistema econômico, e não um sistema político, mas</p><p>que floresce melhor em países democráticos. Há no capitalismo três liberdades bá-</p><p>sicas: propriedade privada, livre organização e liberdade de escolha. Os principais</p><p>requisitos para seu bom funcionamento são: capital, produção, distribuição, preço,</p><p>concorrência, risco e lucro.</p><p>O capitalismo tradicional se define como a riqueza acumulada na forma de</p><p>investimentos, fábricas e equipamentos. Na realidade, uma economia requer quatro</p><p>tipos de capital para funcionar adequadamente:</p><p>capital humano, na forma de trabalho e inteligência, cultura e organização;•</p><p>capital financeiro, que consiste em dinheiro, investimentos e instrumentos mo-•</p><p>netários;</p><p>capital manufaturado, inclusive infra-estrutura, máquinas, ferramentas e fá-•</p><p>bricas;</p><p>capital natural, constituído de recursos, sistemas vivos e os serviços do ecossis-•</p><p>tema.</p><p>O primeiro passo para qualquer mudança econômica e ecológica abran-</p><p>gente consiste em compreender o modelo mental que constitui a base do pensa-</p><p>mento econômico atual, sintetizado a seguir.</p><p>O progresso econ��mico tem melhores condições de ocorrer em sistemas de pro-•</p><p>dução e distribuição de mercado livre, nos quais os lucros reinvestidos tornam o</p><p>trabalho e o capital cada vez mais produtivos.</p><p>Gestão socioambiental estratégica88</p><p>Obtém-se vantagem competitiva quando fábricas maiores e mais eficientes pro-•</p><p>duzem mais produtos para a venda no mercado em expansão.</p><p>O crescimento da produção total, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB) maxi-•</p><p>miza o bem-estar humano.</p><p>Todo advento de escassez de recursos estimula o desenvolvimento de substi-•</p><p>tutos.</p><p>As preocupações com a saúde do ambiente natural são importantes, mas devem•</p><p>equilibrar-se com as exigências do crescimento econômico se ainda quisermos</p><p>manter um alto nível de vida.</p><p>As organizações e as forças de mercado livres alocarão pessoas e recursos para•</p><p>o seu uso superior e melhor.</p><p>A origem dessa visão de mundo remonta a séculos. Contudo, foi a Re-</p><p>volução Industrial que a estabeleceu como ideologia econômica principal. Os úl-</p><p>timos dois séculos de crescimento maciço em prosperidade e capital industrial</p><p>se fizeram acompanhar de um prodigioso corpo de teorias econômicas que os</p><p>analisavam, todas baseadas na falácia segundo a qual o capital natural e o humano</p><p>tinham pouco valor em comparação com o produto final. No modelo produtivo</p><p>padrão, a criação de valor é apresentada como uma seqüência linear de extração,</p><p>produção e distribuição.</p><p>Os resíduos do processo de produção e os produtos são, de algum modo,</p><p>encaminhados a algum lugar. Em tal cenário, esse “algum lugar” não interessa à</p><p>economia clássica, pois, conforme reza a teoria, dinheiro suficiente compra recur-</p><p>sos suficientes e também suficientes “outros lugares” onde se desfazer dos resíduos</p><p>posteriormente.</p><p>Como curiosidade, citada pelos autores de Capitalismo Natural,</p><p>Hawken, Lovins e Lovins, o material utilizado no metabolismo da indústria</p><p>dos Estados Unidos é de cerca de 450 mil quilos por habitante ao ano. Isso</p><p>corresponde a 1.233 quilos por habitante ao dia. Ou seja, a cada dia é gerado nos</p><p>EUA, per capita, um volume de produtos e resíduos que corresponde a cerca de</p><p>20 vezes o peso de cada cidadão.</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Nesta aula veremos os elementos conceituais mais importantes relacionados à temática da</p><p>educação ambiental.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Atualmente o conceito de educação ambiental tem duas interpretações, de acordo</p><p>com o contexto e conforme a influência e a vivência de cada indivíduo.</p><p>Analise os itens a seguir:</p><p>I. Trabalhar os aspectos físicos e químicos do ambiente.</p><p>II. Levar em consideração a vida animal dentro dos ecossistemas.</p><p>III. Desenvolver temas relacionados à natureza, ao lixo, às paisagens etc.</p><p>IV. Buscar o equilíbrio entre o homem e o ambiente.</p><p>V. Relacionar o homem e as paisagens.</p><p>Quais dos itens acima estão implicados no conceito de educação ambiental?</p><p>A) I e II.</p><p>B) I e III.</p><p>C) II e IV.</p><p>D) III e IV.</p><p>E) IV e V.</p><p>A educação ambiental nas organizações é muito importante. Geralmente muitas 2)</p><p>empresas elaboram projetos e programas de educação ambiental completamente</p><p>formais, para cumprirem com uma "obrigação social". Nesse sentido, se a</p><p>organização deve cortar gastos, seguramente um dos primeiros projetos a serem</p><p>cortados serão os de educação ambiental. No entanto, um trabalho sério neste sentido</p><p>pode trazer resultados positivos para a organização, basicamente por algumas razões</p><p>básicas. Analise os itens a seguir:</p><p>I. Obriga os empresários a desenvolverem ações de EA.</p><p>II. Conduz aos profissionais a uma mudança de atitude perante o meio ambiente.</p><p>III. Estimula investimentos na área ambiental.</p><p>IV. Desperta os funcionários para a ação e busca de soluções de problemas</p><p>ambientais.</p><p>V. Estabelece multas pelo descumprimento da política ambiental.</p><p>Dos itens acima, quais poderiam ser considerados razões básicas para o trabalho de</p><p>EA numa organização?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) II, III e IV</p><p>C) I, III e IV.</p><p>D) II, IV e V.</p><p>E) III, IV e V</p><p>3) Um programa de educação ambiental correto numa organização deve conter alguns</p><p>aspectos básicos que farão com que a educação ambiental seja realmente uma</p><p>ferramenta fundamental no sistema de gestão ambiental de uma empresa.</p><p>Assinale a alternativa que NÃO apresenta um desses aspectos.</p><p>A) Conter atividades sistematizadas.</p><p>B) Prever a participação do coletivo.</p><p>C) Depender dos estudos de impacto ambientais.</p><p>D) Estar vinculado ao sistema de gestão ambiental da organização.</p><p>E) Priorizar os interesses da empresa que o implanta.</p><p>4) Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE o objetivo fundamental de</p><p>um programa de EA numa organização:</p><p>A) Obter certificados.</p><p>B) Melhorar a imagem da organização.</p><p>C) Melhorar os indicadores de performance da organização.</p><p>D) Cumprir com a legislação estabelecida.</p><p>E) Evitar multas e outras sanções à organização.</p><p>5) A Lei nº 9.795/99 dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de</p><p>Educação Ambiental. O artigo 3º da referida lei informa que todos têm direito à</p><p>educação ambiental e estabelece obrigações para algumas instituições.</p><p>Nesse sentido assinale a alternativa CORRETA:</p><p>A) Os meios de comunicação de massa devem manter atenção permanente à formação de</p><p>valores e atitudes que propiciem a solução de problemas ambientais.</p><p>B) A sociedade como um todo deve colaborar para a disseminação de informações e práticas</p><p>educativas sobre meio ambiente.</p><p>C) As empresas e entidades de classe devem capacitar os trabalhadores, visando ao controle</p><p>sobre o ambiente de trabalho e sobre as repercussões da produção no meio ambiente.</p><p>D) O Poder Público deve promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas</p><p>educacionais que desenvolvem.</p><p>E) As instituições educativas devem definir políticas públicas que incorporem a dimensão</p><p>ambiental.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Na atualidade, a educação ambiental é trabalhada basicamente por meio de projetos em</p><p>diferentes níveis e instituições. Veja a seguir um projeto desenvolvido pelo Ministério de Meio</p><p>Ambiente.</p><p>Conheça mais sobre o Projeto Salas Verdes, por meio deste link:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Reflexões sobre educação e as práticas em educação ambiental</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Educação ambiental: abordagens múltiplas.</p><p>Área do Professor RUSCHEINSKY, A. (Org.).2. ed. Porto Alegre:</p><p>Penso, 2012. (Capítulo 11)</p><p>Educação ambiental: pesquisa e desafios</p><p>SATO, M. et al.. Porto Alegre: Artmed, 2005. (Introdução)</p><p>Mapeando as macro-tendências político-pedagógicas da educação ambiental</p><p>contemporânea no brasil</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Sustentabilidade e Desenvolvimento</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nessa Unidade de Aprendizagem você vai conhecer os conceitos sobre os aspectos que</p><p>envolvem o desenvolvimento sustentável. Para tanto serão selecionadas algumas iniciativas que</p><p>refletem ações de sustentabilidade. Dessa forma, você vai identificar quais atitudes podem ser</p><p>adotadas para que se alcance o desenvolvimento sustentável.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Associar o conceito de desenvolvimento sustentável e as alternativas para alcançá-lo.•</p><p>Avaliar o papel do homem no desenvolvimento sustentável.•</p><p>Reconhecer a relação do crescimento econômico, do desenvolvimento social e da</p><p>preservação do meio ambiente.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>Para uma cidade ser sustentável, vários aspectos podem ser considerados, como mobilidade</p><p>urbana, tratamento de efluentes, energia renovável, entre outros.</p><p>Com base nos fatores que determinam uma cidade sustentável, descreva uma atitude</p><p>aplicada pela cidade onde você mora que a torna mais sustentável.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Acompanhe no infográfico os principais fatores que devem ser analisados quando se pensa em</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Desenvolvimento sustentável e economia verde são dois termos muito difundidos nas mídias.</p><p>Relacione os aspectos que estão envolvidos nesses dois conceitos. Para tanto, leia o artigo</p><p>Economia Verde e sustentabilidade.</p><p>Boa leitura.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Um ambiente mais equilibrado e sadio pode ser alcançado por meio do desenvolvimento</p><p>sustentável. Assista ao vídeo e analise alguns aspectos envolvidos nesse conceito.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Nesta unidade são analisados os principais conceitos que devem reger a</p><p>transformação do modelo atual da sociedade. Entre esses conceitos, estão o de</p><p>desenvolvimento sustentável, que é:</p><p>A) É o desenvolvimento que deve suprir as necessidades da geração atual por meio da adoção</p><p>de modelos econômicos que visem elevados índices produtivos, sem medidas ambientais</p><p>compensatórias.</p><p>B) É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual e das gerações</p><p>futuras sem a preocupação com o meio ambiente.</p><p>C) É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a</p><p>capacidade de atender às necessidades das gerações futuras.</p><p>D) É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual e das gerações</p><p>futuras sem qualquer tipo de alteração no meio ambiente e com crescimento econômico</p><p>reduzido.</p><p>E) É o desenvolvimento capaz de suprir somente as necessidades da geração atual sem</p><p>preocupação com o atendimento das necessidades das gerações futuras.</p><p>2) Conforme você já estudou nesta Unidade de Aprendizagem, a dimensão econômica é</p><p>um dos pilares do desenvolvimento sustentável. De acordo com esse conceito,</p><p>considera-se que:</p><p>A) Os países em desenvolvimento preservam o meio ambiente de forma mais eficaz, visto que</p><p>possuem baixo desenvolvimento econômico.</p><p>Os países desenvolvidos são os únicos que promovem o desenvolvimento sustentável por B)</p><p>inovarem com novas tecnologias.</p><p>C) Apesar de a quantidade de recursos naturais utilizados em países desenvolvidos e países</p><p>em desenvolvimento diferir, todos somos igualmente responsáveis pela implementação do</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>D) Deve-se buscar uma forma de crescimento econômico que não comprometa o meio</p><p>ambiente por meio de educação continuada e desenvolvimento de novas tecnologias.</p><p>E) Somente os países desenvolvidos têm responsabilidade em promover ações de educação</p><p>ambiental e conservação do meio ambiente, por serem os maiores poluidores.</p><p>3) Diversas são as maneiras para alcançar o desenvolvimento sustentável. Assinale a</p><p>alternativa que NÃO descreve uma atitude condizente com a busca do</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>A) Desenvolver tecnologias que utilizem fontes de energia renováveis.</p><p>B) Implantar políticas de proteção ambiental.</p><p>C) Utilizar conscientemente os recursos naturais.</p><p>D) Aumentar o consumo de energia e recursos naturais a fim de impulsionar o</p><p>desenvolvimento econômico.</p><p>E) Uma das formas de se alcançar o desenvolvimento sustentável é realizando o planejamento</p><p>estratégico.</p><p>No artigo 225 da Constituição Federal está expresso que: “Todos têm direito ao meio</p><p>ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia</p><p>qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-</p><p>4)</p><p>lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” No que tange ao</p><p>desenvolvimento sustentável, assinale a alternativa que NÃO representa o exposto na</p><p>referida lei.</p><p>A) As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei</p><p>federal; sem isso, não poderão ser instaladas.</p><p>B) As empresas são responsáveis por atender aos padrões de qualidade ambiental, sendo essa</p><p>uma das maneiras de manter o meio ambiente equilibrado e saudável.</p><p>C) Aquele que explorar os recursos minerais deverá recuperar o meio ambiente degradado</p><p>com solução técnica exigida pelo órgão público competente.</p><p>D) Entre as atividades menos impactantes está a agricultura, pois essa atividade</p><p>essencialmente busca a preservação e conservação dos recursos naturais para as presentes</p><p>e futuras gerações.</p><p>E) O poder público é responsável por preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais</p><p>e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas.</p><p>5) O termo "economia verde" foi proposto pelo Programa das Nações Unidas para o</p><p>Meio Ambiente. Assinale a sentença que NÃO está de acordo com esse conceito.</p><p>A) A economia verde foi tema central da Conferência das Nações Unidas sobre</p><p>Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que ocorreu no ano de 2012.</p><p>B) A economia verde tem como princípios o desenvolvimento de novos modelos econômicos</p><p>que utilizem de forma racional os recursos naturais, sem considerar a questão de inclusão</p><p>social.</p><p>A economia verde alia sustentabilidade ambiental, crescimento econômico e inclusão C)</p><p>social, buscando diminuir assim os índices de pobreza e contribuindo para atingir um dos</p><p>Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.</p><p>D) A conservação de recursos naturais, a integração social e o uso de tecnologias ambientais</p><p>inovadoras podem resultar na melhoria da qualidade de vida do homem.</p><p>E) Entre os princípios da economia verde pode-se destacar: integração social, proteção dos</p><p>ecossistemas, racionalização do uso dos recursos e incentivo a atividades com baixa</p><p>emissão de carbono.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Hoje muitas grandes empresas compreendem a importância de tornarem seus negócios mais</p><p>sustentáveis. A adoção de medidas de conservação da água, a minimização do uso de recursos</p><p>energéticos, a adoção de técnicas de produção mais limpa, a realização de ações na esfera social,</p><p>a percepção dos consumidores, entre outros aspectos, são avaliadas pela Interbrand, que publica</p><p>anualmente a lista das Melhores Marcas Verdes Globais.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Sustentabilidade – Tecnologias sustentáveis</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Sorocaba inicia projeto de Eficiência Energética na Mobilidade Urbana</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Sustentabilidade Ambiental: discutindo o lugar – Barreira Filho e Sampaio (2004)</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Sociedade e Ambiente – questões legais I</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, abordaremos a legislação relacionada ao meio ambiente.</p><p>Bons</p><p>estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Reconhecer a Política Nacional de Meio Ambiente.•</p><p>Explicar o conceito de poluição, poluidor e recursos naturais.•</p><p>Identificar o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e os instrumentos da</p><p>Política Nacional do Meio Ambiente.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>A questão ambiental no Brasil começou a ser considerada pela sociedade brasileira a partir da</p><p>década de 80. Anteriormente, esta questão se mostrava relegada a legislações estaduais,</p><p>destacando-se a do estado de São Paulo, as quais definiam padrões de emissão e de descarte de</p><p>efluentes industriais.</p><p>Com o advento da Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, essa situação começou a mudar. Esta</p><p>lei, marco da Política Ambiental Brasileira, definiu a Política Nacional do Meio Ambiente, a</p><p>qual trouxe uma regulamentação federal sobre a questão ambiental no Brasil.</p><p>A partir desta Lei, definiram-se alguns conceitos básicos (meio ambiente, degradação ambiental,</p><p>poluição, poluidor e recursos naturais) e os princípios, os objetivos e os instrumentos da Política</p><p>Nacional do Meio Ambiente. Instituiu-se o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e</p><p>criou-se o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).</p><p>Para entender a Política Nacional do Meio Ambiente, acesse o site e responda as seguintes</p><p>perguntas:</p><p>LEI No 6.938, DE 31 DE AGOSTO DE 1981.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>1) Observe quais são os princípios elencados na lei da Política Nacional do Meio Ambiente. Em</p><p>sua opinião, quais são os três princípios que você considera os mais importantes? Justifique sua</p><p>resposta.</p><p>2) O termo poluição significa apenas a degradação gerada pelo lançamento de efluentes das</p><p>atividades industriais? Se não, qual seria então o conceito de poluição? O que ele significa no</p><p>seu dia a dia e em suas atividades?</p><p>3) Pode-se chamar de poluidor somente a pessoa jurídica responsável direta ou indiretamente</p><p>por atividade causadora de degradação ambiental? Justifique sua resposta.</p><p>4) O que são recursos naturais? Cite, pelo menos, três exemplos de produtos e serviços nos quais</p><p>você consome recursos naturais.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Este Infográfico apresenta os principais tópicos da Política Nacional do Meio Ambiente.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>A questão da relação entre a sociedade e o meio ambiente passa pela compreensão dos anseios</p><p>da população e consequente tradução destes anseios em uma legislação ambiental compatível.</p><p>Acompanhe trechos extraídos da cartilha Agenda Ambiental na Administração Pública,</p><p>organizada pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do</p><p>Meio Ambiente. Esta obra foi escolhida como base teórica da nossa Unidade de Aprendizagem</p><p>iniciar a leitura a partir do capítulo Legislação e Políticas Públicas página 9 a 18 do obra.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Apresenta-se no vídeo a seguir uma reflexão sobre a Política Nacional do Meio Ambiente.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Segundo o exposto na cartilha Agenda Ambiental na Administração Pública (p. 10-</p><p>18), a preocupação ambiental vem sendo tratada no âmbito internacional desde a</p><p>realização da Conferência de Estocolmo em 1972. Algumas convenções e tratados</p><p>internacionais passaram a oferecer elementos para fundamentar o arcabouço</p><p>jurídico brasileiro. Observe as convenções e tratados a seguir e assinale aquela que</p><p>possui a correspondência CORRETA, de acordo com o referido texto.</p><p>A) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Zonas Úmidasde Importância Internacional.</p><p>B) Convenção das Nações Unidas para Combate à Fome.</p><p>C) Protocolo de Montreal sobre o Procedimento de Consentimento Prévio Informado</p><p>Aplicado a Certos Agrotóxicos e Substâncias Químicas Perigosas.</p><p>D) Convenção de Basileia sobre o Movimento dos Sem-Terra.</p><p>E) Convenção RAMSAR sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional especialmente</p><p>como Habitat de Aves Aquáticas.</p><p>2) A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981) e as Resoluções CONAMA</p><p>01/1986 e 237/1997 trazem uma série de conceitos relacionados ao planejamento e</p><p>gestão ambiental no Brasil, os quais nos direcionaram para a adoção de uma agenda</p><p>ambiental aplicada às atividades humanas. Observe os conceitos expostos abaixo e os</p><p>trechos da cartilha Agenda Ambiental na Administração Pública e assinale a</p><p>alternativa que apresenta a definição de Impacto Ambiental.</p><p>A) Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,</p><p>causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que,</p><p>direta ou indiretamente, afetem a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as</p><p>atividades sociais e econômicas, a biota, e as condições dos recursos ambientais.</p><p>B) Um estudo técnico (estudo de impacto ambiental) que busca identificar impactos</p><p>ambientais de atividades ou projetos sobre o meio ambiente, demonstrando medidas</p><p>mitigadoras e de monitoramento destes.</p><p>C) Ferramenta de planejamento integrado, visando o ordenamento do uso racional dos</p><p>recursos, garantindo a manutenção da biodiversidade, os processos naturais e os serviços</p><p>ambientais ecossistêmicos.</p><p>D) Estabelecimento de um limite – definido por leis, normas ou resoluções – para as</p><p>perturbações ambientais, em particular, da concentração de poluentes e resíduos, que</p><p>determina a degradação máxima admissível do meio ambiente.</p><p>E) Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a</p><p>localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades</p><p>utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras; ou</p><p>aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as</p><p>disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.</p><p>3) Refletindo sobre as legislações ambientais vigentes em nosso país, em uma delas tem-</p><p>se a imposição ao poder público e à coletividade o dever de defender e preservar o</p><p>meio ambiente e exige, na forma da lei, que sejam realizados estudos prévios de</p><p>impacto ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de</p><p>significativa degradação do meio ambiente. Observe as leis abaixo e escolha aquela</p><p>que possui tal imposição.</p><p>A) Política Nacional do Meio Ambiente.</p><p>B) Lei de Crimes Ambientais.</p><p>C) Lei de Ação Civil Pública.</p><p>D) Constituição Federal – Artigo 225.</p><p>E) Política Nacional de Recursos Hídricos.</p><p>4) A questão da água em nosso país é de grande relevância, impactando o dia a dia das</p><p>pessoas e de suas atividades, sendo essencial a sua preservação e conservação. Dentro</p><p>desse escopo, a Política Nacional dos Recursos Hídricos foi concebida a partir das</p><p>necessidades da sociedade ligadas à conservação dos recursos hídricos e seu</p><p>adequado planejamento e gestão. Dessa maneira, objetiva-se com esta política:</p><p>A) Garantir a biodiversidade, a diversidade dos recursos genéticos e a integridade dos</p><p>processos ambientais, tanto por meio da preservação quanto da conservação dos</p><p>ecossistemas.</p><p>B) Buscar o ordenamento para pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da</p><p>propriedade urbana.</p><p>Promover a utilização sustentável dos recursos hídricos e a prevenção contra os eventos C)</p><p>hidrológicos nocivos.</p><p>D) Preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida, assegurando</p><p>condições ao desenvolvimento socioeconômico, à segurança nacional e à proteção da</p><p>dignidade da vida humana.</p><p>E) Visa o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas</p><p>múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais,</p><p>políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos.</p><p>5) A sociedade atual, após anos de descaso com a questão ambiental, vem observando as</p><p>consequências deste descaso sobre o meio de vida das populações. Várias são as</p><p>consequências,</p><p>entre as quais se citam as enchentes, a mudança do clima, os</p><p>terremotos, os maremotos, entre outros, direta ou indiretamente ligados ao homem e</p><p>suas atividades econômicas. Dessa maneira, a partir de uma conscientização iniciada</p><p>no final da década de 60 do século passado, o Brasil, no ano de 1981, promulgou a Lei</p><p>no 6.938 - Política Nacional do Meio Ambiente, a qual define alguns instrumentos</p><p>para viabilizar a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental</p><p>propícia à vida, visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento</p><p>socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da</p><p>vida humana. O instrumento "Licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou</p><p>potencialmente poluidoras" é um(a):</p><p>A) limite - definido por leis, normas ou resoluções - para as perturbações ambientais, em</p><p>particular, da concentração de poluentes e resíduos, que determina a degradação máxima</p><p>admissível do meio ambiente.</p><p>B) b) estudo técnico (estudo de impacto ambiental) que busca identificar impactos ambientais</p><p>de atividades ou projetos sobre o meio ambiente, demonstrando medidas mitigadoras e de</p><p>monitoramento destes.</p><p>c) ferramenta de planejamento integrado, visando o ordenamento do uso racional dos</p><p>recursos, garantindo a manutenção da biodiversidade, os processos naturais e os serviços</p><p>C)</p><p>ambientais ecossistêmicos.</p><p>D) d) procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a</p><p>localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades</p><p>utilizadoras de recursos ambientais; ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar</p><p>degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas</p><p>técnicas aplicáveis ao caso.</p><p>E) e) ação de preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida,</p><p>assegurando condições ao desenvolvimento socioeconômico, à segurança nacional e à</p><p>proteção da dignidade da vida humana.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A seguir, destacam-se dois instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente e suas</p><p>interações com as atividades humanas.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Lei 6938/81 - Política Nacional do Meio Ambiente.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Resolução CONAMA no 237 de 19 de Dezembro De 1997.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Resolução no 357, de 17 de março de 2005.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Resolução no 430, de 13 de maio de 2011.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Saúde e meio ambiente</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Muitos problemas de saúde estão estreitamente ligados aos problemas ambientais. Nesta</p><p>Unidade de Aprendizagem, estudaremos essas relações, o que, certamente, é de seu interesse.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Definir as relações existentes entre saúde e Meio Ambiente.•</p><p>Reconhecer alguns exemplos de problemas de saúde vinculados a problemas ambientais ao</p><p>longo da história.</p><p>•</p><p>Identificar a importância da qualidade da água e dos problemas atmosféricos na saúde</p><p>humana.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>No gráfico a seguir, é possível observar os níveis de concentração média anual de material</p><p>particulado inalável em diferentes pontos da cidade de Cubatão-SP, desde 1982 até 2010.</p><p>Após a análise do gráfico, responda:</p><p>1. Qual é a tendência desses níveis de concentração média anual de material particulado</p><p>inalável?</p><p>2. Você acha que estes gases podem provocar problemas de saúde para a população da cidade?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>No infográfico a seguir, apresentam-se os fatores mais importantes do Meio Ambiente que</p><p>interferem na saúde humana. Observe que se tratam de fatores físicos, químicos e sociais, ou</p><p>seja, que pertencem ao Meio Ambiente no seu sentido mais amplo.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Até o início do século XVIII, o homem vivia em certa "harmonia" com o ambiente, retirando os</p><p>insumos que realmente necessitava, e ao mesmo tempo, o ambiente conseguia recuperar tais</p><p>insumos (ao menos os considerados renováveis). Porém, esta situação começou a mudar em</p><p>meados de 1820, quando então iniciou-se a Revolução Industrial.</p><p>A partir deste momento, o homem começou a retirar insumos e matéria prima em uma escala</p><p>muito maior do que o ambiente consegue repor. Como consequência, tem-se enormes</p><p>desequilíbrios ambientais, colocando em risco a existência de inúmeras espécies animais,</p><p>vegetais e do próprio planeta em si.</p><p>Além disso, a frequência com que novas doenças vem surgindo e o grau de contaminação vem</p><p>aumentando, fruto deste desequilíbrio ambiental. Para saber mais a respeito, leia o capítulo</p><p>titulado Saúde e Meio ambiente, base teórica desta Unidade de Aprendizagem.</p><p>GESTÃO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Vanessa de Souza Machado</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Definir as relações existentes entre saúde e meio ambiente.</p><p>> Exemplificar problemas de saúde decorrentes de desequilíbrio ambiental.</p><p>> Identificar o impacto da qualidade da água e do ar na saúde humana.</p><p>Introdução</p><p>Se a saúde é um estado de equilíbrio que decorre do funcionamento harmonioso</p><p>de todos os sistemas corporais, a doença é um estado em que algumas das funções</p><p>normais do corpo humano encontram-se prejudicadas. Infelizmente, as ações</p><p>humanas sobre o ambiente vêm causando um enorme desequilíbrio ambiental</p><p>e, como consequência, inúmeras doenças, tanto na população humana como no</p><p>próprio ambiente.</p><p>Neste capítulo, você estudará a relação entre saúde e meio ambiente e os</p><p>problemas de saúde decorrentes do desequilíbrio ambiental. Além disso, você</p><p>verá diferentes ações antrópicas que ocasionam alterações físicas, químicas e</p><p>biológicas no solo, na água e no ar e os principais impactos dessa contaminação</p><p>na saúde humana.</p><p>Saúde e meio</p><p>ambiente</p><p>Ronei Tiago Stein</p><p>Relação entre saúde e meio ambiente</p><p>O ambiente está passando por constantes alterações e com o passar do</p><p>tempo as espécies (animais, vegetais, microrganismos) evoluem. Quando</p><p>falamos de evolução, estamos falando do processo pelo qual os seres vivos</p><p>se transformam no transcurso das gerações. A evolução é extremamente</p><p>vagarosa e somente após muitas gerações é possível observar mudanças</p><p>(BURNIE, 1997).</p><p>Após a Revolução Industrial (período de transição de processos de ma-</p><p>nufatura, que ocorreu no período entre 1760 e 1840), o homem começou a</p><p>produzir em larga escala. Assim, segundo Barsano, Barbosa e Viana (2014), à</p><p>medida que a população mundial foi crescendo e a tecnologia evoluindo, a</p><p>produção (dos mais diferentes bens e produtos) aumentou paralelamente.</p><p>Entretanto, isso vem causando graves consequências, uma vez que o</p><p>homem provoca desmatamentos, queimadas, geração de resíduos sólidos,</p><p>poluição atmosférica, dentre outros. Como resultado, tem-se o aquecimento</p><p>global, ocasionando alterações em várias espécies. Ou seja, o homem vem</p><p>impactando negativamente na evolução das espécies, pois está acelerando</p><p>um processo que levaria centenas/milhares de anos para ocorrer, não dando</p><p>tempo suficiente para as espécies se adaptarem. Além disso, a caça e a</p><p>comercialização em larga escala acarretaram (e ainda acarreta) a extinção</p><p>de várias espécies ao redor do mundo.</p><p>A partir desse contexto, é importante entender que qualquer alteração no</p><p>ambiente desencadeia, em maior ou menor grau, modificações nas cadeias</p><p>biológicas, e propicia o aparecimento ou o reaparecimento de doenças. Isso</p><p>porque o homem vem liberando no ambiente diferentes substâncias nocivas,</p><p>causando um desequilíbrio ambiental.</p><p>O termo "nocivo" é utilizado para designar tudo que é considerado</p><p>como perigoso ou prejudicial para o ser humano ou para qualquer</p><p>organismo vivo.</p><p>Tanto produtos químicos como resíduos desempenham papéis críticos na</p><p>sociedade e na economia, ao mesmo tempo que têm grandes impactos sobre</p><p>o meio ambiente e a saúde humana. De fato, muitas substâncias químicas</p><p>são</p><p>prejudiciais para as pessoas e o meio onde vivem, enquanto muitas formas</p><p>de resíduos resultam em substâncias nocivas e representam perigos à vida</p><p>e à natureza.</p><p>Saúde e meio ambiente2</p><p>Portanto, são cada vez mais conhecidas as substâncias químicas que</p><p>podem causar impactos à saúde humana, entre elas, ganham destaque:</p><p>� substâncias persistentes, biocumulativas e tóxicas (PBTs);</p><p>� substâncias químicas cancerígenas ou mutagênicas, ou que afetam</p><p>negativamente os sistemas reprodutor, endócrino, imunológico ou</p><p>nervoso;</p><p>� produtos químicos que oferecem perigos imediatos (tóxicos, explosivos,</p><p>corrosivos);</p><p>� poluentes orgânicos persistentes (POPs);</p><p>� gases causadores de efeito estufa e substâncias destruidoras do ozônio</p><p>(ODS);</p><p>� resíduos hospitalares, caso não sejam adequadamente manejados e</p><p>descartados.</p><p>Produtos considerados perigosos (seja para a saúde humana ou para o</p><p>ambiente) são identificados por diferentes símbolos, de forma universal,</p><p>apresentando as características e os perigos associados. Para um melhor</p><p>entendimento, a Figura 1 apresenta os principais símbolos adotados para</p><p>identificar produtos químicos nocivos.</p><p>Figura 1. Principais simbologias utilizadas para identificar produtos perigosos.</p><p>Fonte: Santa Catarina (2021, documento on-line).</p><p>Saúde e meio ambiente 3</p><p>A relação entre o ambiente e o padrão de saúde de uma população, define</p><p>um campo de conhecimento denominado de saúde ambiental (ou saúde e</p><p>ambiente). Essa área de estudo analisa toda e qualquer doença relacionada</p><p>a substâncias químicas, a elementos biológicos ou a situações que interfiram</p><p>no estado psíquico do indivíduo, ou até aquelas relacionadas com aspectos</p><p>negativos do desenvolvimento social e econômico dos países (TAMBELLINI;</p><p>CÂMARA, 1998).</p><p>Quando um ambiente está poluído, existem riscos de haver patologias</p><p>na população. Por exemplo, qualquer água é passível de causar doenças</p><p>mesmo sem apresentar contaminantes, porém quando o ser humano incor-</p><p>pora grandes cargas de poluentes nas águas, seja superficial ou subterrânea,</p><p>aumentam bactérias, protozoários, vírus e vermes nas águas, microrganismos</p><p>que são responsáveis por provocar ou agravar muitas das patologias nos</p><p>seres humanos.</p><p>Poluição refere-se a qualquer degradação das condições ambientais</p><p>do habitat de uma coletividade humana. A poluição ocorre devido</p><p>a deposição, armazenamento, acúmulo, injeção, aterramento ou infiltração</p><p>de produtos, nos estados sólido, líquido ou gasoso, que provocam alterações</p><p>na composição natural do solo, da água ou do ar, modificando características</p><p>físicas, químicas e biológicas.</p><p>Dessa forma, podemos dizer que toda atividade desenvolvida pelo homem</p><p>irá obrigatoriamente resultar em um impacto ambiental (na grande maioria</p><p>dos casos, um impacto negativo) e, consequentemente, em riscos à saúde</p><p>humana e ao próprio ambiente. Acompanhe no Quadro 1, alguns exemplos</p><p>de impactos ambientais causados devido às diferentes atividades humanas</p><p>e os riscos decorrentes.</p><p>Saúde e meio ambiente4</p><p>Quadro 1. Principais impactos ambientais e riscos à saúde ocasionados</p><p>pelas atividades antrópicas</p><p>Atividades Impactos ambientais Riscos à saúde</p><p>Desmata-</p><p>mento</p><p>� Alterações climáticas;</p><p>� danos à flora e à fauna;</p><p>� erosão do solo;</p><p>� empobrecimento do solo;</p><p>� assoreamento de recursos hídricos;</p><p>� aumento do escoamento superficial</p><p>da água;</p><p>� redução de infiltração da água no</p><p>solo;</p><p>� inundações.</p><p>� Risco de extinção de</p><p>espécies (animais e</p><p>vegetais);</p><p>� aumento de patolo-</p><p>gias causadas por</p><p>microrganismos;</p><p>� liberação de gases</p><p>causadores do efeito</p><p>estufa;</p><p>� aquecimento global.</p><p>Movimen-</p><p>tos de terra</p><p>� Alterações na drenagem das águas;</p><p>� erosão do solo.</p><p>Assoreamento dos</p><p>recursos hídricos e,</p><p>consequentemente,</p><p>alterações negativas na</p><p>fauna aquática.</p><p>Imperme-</p><p>abilização</p><p>do solo</p><p>� Aumento do escoamento das águas;</p><p>� redução da infiltração da água;</p><p>� problemas de drenagem;</p><p>� inundações.</p><p>Principalmente em</p><p>centros urbanos, as inun-</p><p>dações podem aumentar</p><p>o risco de patologias,</p><p>devido ao aumento do</p><p>contato das pessoas com</p><p>agentes vetores (ratos,</p><p>baratas, dentre outros).</p><p>Destruição</p><p>dos ecos-</p><p>sistemas</p><p>� Danos à fauna e à flora;</p><p>� desfiguração da paisagem;</p><p>� problemas ecológicos;</p><p>� prejuízos às atividades humanas;</p><p>� danos sociais e econômicos.</p><p>� Risco de extinção de</p><p>espécies (animais e</p><p>vegetais);</p><p>� aumento de patolo-</p><p>gias causadas por</p><p>microrganismos.</p><p>(Continua)</p><p>Saúde e meio ambiente 5</p><p>Atividades Impactos ambientais Riscos à saúde</p><p>Emissão de</p><p>resíduos</p><p>� Poluição ambiental;</p><p>� prejuízos à saúde humana;</p><p>� danos à fauna e à flora;</p><p>� danos materiais;</p><p>� prejuízos às atividades;</p><p>� danos econômicos e sociais.</p><p>Aumento de patologias</p><p>causadas por microrga-</p><p>nismos ou contato direto</p><p>com os resíduos.</p><p>Emissão</p><p>de gases</p><p>carbônico,</p><p>cloroflu-</p><p>orcarbo-</p><p>no (CFC),</p><p>metano e</p><p>outros</p><p>� Alterações de caráter global;</p><p>� efeito estufa (aumento da tempera-</p><p>tura; elevação do nível de oceanos,</p><p>alterações na precipitação; desa-</p><p>parecimento de espécies animais e</p><p>vegetais);</p><p>� destruição da camada de ozônio</p><p>(aumento da radiação ultravioleta;</p><p>riscos à diversidade genética; cân-</p><p>cer de pele, catarata).</p><p>Aumento de proble-</p><p>mas respiratórios na</p><p>população</p><p>Fonte: Adaptado de Mota (1999).</p><p>A exposição à poluição ambiental é geralmente involuntária e, muitas</p><p>vezes, os seus possíveis efeitos são ignorados ou desconhecidos, o</p><p>que dificulta que os indivíduos, em sua maioria, exerçam algum controle sobre</p><p>os riscos de exposição. Agentes biológicos, químicos e físicos podem ser encon-</p><p>trados no ambiente exterior ou nos diversos tipos de ambientes interiores e são</p><p>responsáveis por diferentes efeitos à saúde. Para saber mais sobre a relação</p><p>entre ambiente e saúde, leia o livro Saneamento, Saúde e Ambiente: fundamentos</p><p>para um desenvolvimento sustentável, de Arlindo Philippi Jr.</p><p>Principais fatos históricos entre saúde</p><p>e meio ambiente</p><p>Quando falamos da relação entre meio ambiente e saúde, existem inúmeros</p><p>exemplos que podem ser mencionados, no entanto, antes de citar alguns</p><p>exemplos, é preciso compreender a definição de peste, que, segundo Botkin</p><p>e Keller (2018), refere-se a alguma doença infecciosa, normalmente causada</p><p>por baratas, pulgas, cupins, ratos, pardais, pombos e diferentes espécies</p><p>de insetos.</p><p>(Continuação)</p><p>Saúde e meio ambiente6</p><p>Uma das pestes mais conhecidas foi a peste bubônica (ou popularmente</p><p>conhecida como peste negra), a qual se proliferou na Antiguidade e na Idade</p><p>Média devido às precárias condições de higiene daquela época. A peste</p><p>bubônica é causada por uma bactéria, a qual é transmitida do rato para o</p><p>homem por meio das pulgas.</p><p>Naquela época, esse modo de contágio era totalmente desconhecido, sendo</p><p>que as pessoas, inclusive, toleravam ratos em suas casas e pulgas nas roupas.</p><p>Nesse contexto, a peste bubônica se espalhou e dizimou cerca de 25% da popu-</p><p>lação da Europa da época (matando entre 75 milhões e 200 milhões pessoas).</p><p>Outra doença que merece destaque é a varíola, que atormentou a po-</p><p>pulação mundial por mais de 3 mil anos. Essa doença é transmitida por um</p><p>vírus (Orthopoxvírus variolae), que passa de pessoa para pessoa por meio</p><p>das vias respiratórias. Apenas em 1980 a varíola foi considerada erradicada,</p><p>devido a uma campanha de vacinação em massa que ocorreu em todo o mundo.</p><p>A cólera, transmitida por meio do consumo de água (ou alimentos) conta-</p><p>minados, matou milhares de pessoas em 1817. Essa doença infelizmente ainda</p><p>é muito comum nos dias de hoje, principalmente em países subdesenvolvidos,</p><p>onde o investimento em saneamento básico é baixo. Recentemente, a cólera</p><p>atingiu o Haiti, após um terremoto em 2010.</p><p>Em 1918, o mundo sofreu os efeitos da gripe espanhola (Figura 2). Estima-</p><p>-se que entre 40 e 50 milhões de pessoas tenham morrido em decorrência</p><p>da doença causada pelo vírus que se tornou pandêmico. O vírus, que surgiu</p><p>nos Estados Unidos, se espalhou rapidamente pelo mundo devido à grande</p><p>comercialização por</p><p>mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto,</p><p>visando atingir a sua autorrealização. Esta hierarquia ficou conhecida por pirâmide de Maslow.</p><p>A pirâmide define um conjunto de cinco necessidades:</p><p>- Necessidades fisiológicas (básicas), tais como: a fome, a sede, o sono, o abrigo, entre outras.</p><p>- Necessidades de segurança, tais como: sentir-se seguro em casa, ter emprego estável, ter</p><p>condições de cuidar da saúde (plano de saúde), entre outras.</p><p>- Necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos, tais como: pertencer a um</p><p>grupo, fazer parte de um clube, entre outras.</p><p>- Necessidades de estima, as quais passam por dois caminhos: o reconhecimento da capacidade</p><p>pessoal e o reconhecimento dos outros mediante a nossa capacidade de adequação às funções</p><p>que desempenhamos.</p><p>- Necessidades de autorrealização, nas quais o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode</p><p>ser.</p><p>Quando refletimos sobre a pirâmide de Maslow e sua relação com o capitalismo e com o</p><p>consumo, percebe-se que o ser humano sempre almeja mais em função do meio ao qual ele</p><p>acessa. Quanto maior a satisfação de suas necessidades “básicas” (fisiológicas, de segurança e</p><p>sociais), maior é a procura por novas necessidades, alimentadas pelo consumismo e pelo status.</p><p>Logicamente, diante do sistema econômico vigente (capitalismo), o consumo é a base para a</p><p>geração de renda, pois ele gera produção, a qual gera empregos. Estes, por sua vez, geram renda</p><p>e, consequentemente, aumentam do consumo.</p><p>A partir da perspectiva ambiental, como podemos sustentar indefinidamente este consumo?</p><p>Cabe lembrar que, do ponto de vista ambiental, o consumismo (modo de vida orientado pelo</p><p>consumo de bens ou serviços calcados na ideia de status que ele pode oferecer – sucesso,</p><p>felicidade e prazer –, atribuído pelos meios de comunicação de massa) se apresenta como</p><p>responsável pelos impactos ambientais e suas consequências.</p><p>Qual seria, então, a solução? Existe outra maneira de se manter o padrão de vida das pessoas e</p><p>ao mesmo tempo não impactar significativamente o meio ambiente? Veja a definição de</p><p>desenvolvimento sustentável no link a seguir:</p><p>O que é desenvolvimento sustentável?</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Consumo Sustentável</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A partir dos conceitos apresentados sobre a pirâmide de Maslow e dos conceitos de</p><p>desenvolvimento e consumo sustentável, escreva um texto crítico relacionando uma necessidade</p><p>básica e uma necessidade social da pirâmide de Maslow. Demonstre como podemos atender às</p><p>necessidades das pessoas e não impactar significativamente o meio ambiente. Procure utilizar os</p><p>conceitos de desenvolvimento e consumo sustentável. Cite exemplos do dia a dia.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>O infográfico a seguir apresenta as relações entre o capitalismo, o consumo e o meio ambiente e</p><p>suas consequências.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Aprofunde seus conhecimentos lendo o capítulo A Ambientalização das Relações de Consumo,</p><p>do livro Realidade socioeconômica e política brasileira, base teórica para esta Unidade de</p><p>Aprendizagem.</p><p>Boa leitura!</p><p>REALIDADE</p><p>SOCIOECONÔMICA E</p><p>POLÍTICA BRASILEIRA</p><p>Daniele Fernandes da Silva</p><p>Revisão técnica:</p><p>Luciana Bernadete de Oliveira</p><p>Graduada em Ciências Políticas e Econômicas</p><p>Especialista em Administração Financeira</p><p>Mestre em Desenvolvimento Econômico Regional</p><p>Lilian Martins</p><p>Especialista em Controladoria e Planejamento Tributário</p><p>Gisele Lozada</p><p>Graduada em Administração de Empresas</p><p>Especialista em Controladoria e Finanças</p><p>Alexsander Canaparro da Silva</p><p>Bacharel em Administração de Empresas</p><p>MBA em Marketing Práticas Avançadas</p><p>MBA em Comércio Exterior e Internacional</p><p>Mestre em Administração</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin - CRB -10/2147</p><p>R429 Realidade socioeconômica e política brasileira [recurso</p><p>eletrônico ] / Daniele Fernandes da Silva... et al.; [revisão</p><p>técnica: Luciana Bernadete de Oliveira... et al.]. – Porto</p><p>Alegre: SAGAH, 2018.</p><p>ISBN 978-85-9502-450-2</p><p>1. Economia. I. Silva, Daniele Fernandes da.</p><p>CDU 338</p><p>A ambientalização das</p><p>relações de consumo</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar o consumo, o capitalismo e suas relações com o meio</p><p>ambiente.</p><p> Reconhecer o conceito de desenvolvimento e consumo sustentável.</p><p> Indicar as consequências das relações de consumo sobre o meio</p><p>ambiente.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai aprofundar-se no estudo da complexa relação</p><p>entre o consumo e o meio ambiente, vendo o que significa consumo</p><p>sustentável e analisando as consequências dessa relação.</p><p>Consumo no capitalismo e os impactos</p><p>no meio ambiente</p><p>Desde a era de produção em massa, no início do século XX, estimulada pelo novo</p><p>modo de produção fordista, as relações de consumo passaram a apresentar uma</p><p>nova fase. A implementação de linhas de montagem automatizadas na fábrica</p><p>de automóveis de Henry Ford permitiu que os trabalhadores se especializassem</p><p>na produção de uma determinada etapa do processo produtivo. A esteira rolante</p><p>reduzia o tempo de transporte das peças ao longo do processo de produção, de</p><p>maneira que, com a repetição da mesma tarefa sucessivamente, o trabalhador</p><p>se tornaria cada vez mais ágil, aumentando a produtividade – a quantidade</p><p>de bens produzidos por hora aumentou consideravelmente (RIBEIRO, 2015).</p><p>O uso de máquinas transformou radicalmente a natureza da atividade</p><p>produtiva: o processo produtivo passou a ser rotinizado com a precisão de um</p><p>relógio e se esperava que tudo acontecesse com precisão no modo e no tempo</p><p>esperados. Assim, “as máquinas levaram” as organizações a se adaptarem às</p><p>suas exigências e o processo mecanizado passou a ditar as relações e o modo</p><p>como as pessoas se comunicam.</p><p>Contudo, o processo de produção vigente apresentava uma visão autoritária</p><p>de Ford, que tinha grande controle sobre os trabalhadores tanto durante quanto</p><p>após a jornada de trabalho. Isso se justificava pela necessidade de garantir a</p><p>resistência física dos trabalhadores, uma vez que se tratava de um processo</p><p>de produção intensivo. Porém, essa metodologia gerava insatisfação da classe</p><p>trabalhadora, tornando-se um ponto negativo para os resultados que Ford</p><p>esperava. Assim, uma das formas que o empresário encontrou para estimular</p><p>a adesão dos trabalhadores foi o aumento dos salários, que passaram a ser dos</p><p>maiores entre as grandes empresas da época. Ford identificou que era preciso</p><p>satisfazer necessidades dos trabalhadores para que eles interagissem melhor</p><p>com a empresa (RIBEIRO, 2015).</p><p>A produção aumentou significativamente e, mesmo com maiores custos</p><p>devido ao pagamento de maiores salários aos trabalhadores, bem como uma</p><p>quantidade de horas de trabalho diárias inferior, a lucratividade passou a</p><p>crescer consideravelmente com o novo método de gestão de Ford. Assim,</p><p>o sucesso desse modo de produção capitalista, em que o crescimento da</p><p>riqueza é resultado da exploração da força de trabalho, disseminou-se pelo</p><p>país e pelo mundo.</p><p>A partir do início do século XX, a produção em massa da indústria norte-</p><p>-americana, junto a maiores ganhos salariais, oferecia à sociedade maior poder</p><p>aquisitivo e maior quantidade de bens a preços mais acessíveis. Novas necessi-</p><p>dades de consumo passavam a ser criadas pelas empresas, estimulando ainda</p><p>mais o consumo; surgia uma nova mentalidade na sociedade norte americana.</p><p>A população passava a objetivar melhores condições de vida, introduzindo em</p><p>seus planos a aquisição da casa própria e do carro, que anteriormente eram</p><p>considerados bens de luxo, ao alcance de poucos indivíduos (RIBEIRO, 2015).</p><p>Os desejos dos consumidores passaram a ser moldados pela cultura de uma</p><p>sociedade capitalista e o que em tempos antigos era considerado necessidade,</p><p>passou a ser confundido com desejo. Por exemplo, para alguém que tivesse</p><p>sede, um copo de água seria o ideal; em uma sociedade capitalista, para</p><p>meio de navios na época. No Brasil, o vírus veio da Eu-</p><p>ropa, a bordo do navio Demerara, que desembarcou passageiros infectados,</p><p>resultando na morte de mais de 35 mil brasileiros.</p><p>Figura 2. A gripe espanhola foi uma vasta e mortal pandemia do vírus influenza, que durou</p><p>entre 1918 e 1920, deixando mais de 50 milhões de mortos no mundo.</p><p>Fonte: Galileu (2020, documento on-line).</p><p>Saúde e meio ambiente 7</p><p>Epidemia é um surto de doença infecciosa que se espalha rapida-</p><p>mente e afeta muitos indivíduos de uma determinada população.</p><p>Caso a epidemia atinja grandes proporções e se espalhe por diferentes países,</p><p>passa a ser considerada pandemia.</p><p>Segundo Amabis e Martho (2006), uma mesma doença pode ser endêmica</p><p>em uma determinada população, epidêmica em outra e não existir em uma</p><p>terceira. Diversos fatores são responsáveis por esse quadro, que depende</p><p>tanto das condições ambientais quanto do nível sociocultural das populações.</p><p>Por exemplo, a malária (doença transmitida por mosquitos) não existe em</p><p>locais de clima frio e está ausente dos grandes centros urbanos, de onde o</p><p>agente transmissor e o parasita foram erradicados. Nas regiões em que o</p><p>mosquito é combatido, ainda que insatisfatoriamente, a malária pode existir</p><p>na forma endêmica. No entanto, a doença pode se tornar epidêmica nesses</p><p>locais se o combate ao agente transmissor for negligenciado.</p><p>Assim, percebe-se que o ambiente está relacionado diretamente com a</p><p>proliferação de doenças e vetores. Felizmente, com o aumento da tecnologia,</p><p>o avanço das pesquisas e da medicina, essas doenças acabam sendo con-</p><p>troladas mais rapidamente. Como exemplos, podemos citar a raiva, a gripe</p><p>aviária, a doença da vaca louca, o H1N1 e, mais recentemente, a Covid-19.</p><p>Fatos históricos no Brasil</p><p>No Brasil, existem vários exemplos de impactos decorrentes da relação direta</p><p>entre o ambiente e a saúde humana. Um deles foi o vazamento de gasolina em</p><p>um dos oleodutos da Petrobrás, em fevereiro de 1984, na Vila Socó (atual Vila</p><p>São José) em Cubatão/SP, que ligava a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC)</p><p>ao Terminal de Alemoa. A tubulação passava em região alagadiça (mangue),</p><p>sendo que em suas margens se encontrava uma vila carente, construída</p><p>principalmente com palafitas.</p><p>Segundo relatos da época, um operador abriu uma válvula errada e iniciou</p><p>a transferência de gasolina para uma tubulação, gerando sobrepressão e</p><p>ruptura, que espalhou aproximadamente 700 mil litros de gasolina pelo man-</p><p>gue. Com a movimentação das marés, o produto inflamável se espalhou pela</p><p>região alagada. Ocorrido duas horas do vazamento, um incêndio se alastrou</p><p>por toda a área alagadiça, incendiando as palafitas e provocando a morte</p><p>de 93 pessoas. Contudo, estima-se que esse número possa ter chegado a</p><p>700 pessoas, haja vista que famílias inteiras devem ter sido queimadas, não</p><p>sobrando ninguém para reclamar seus corpos.</p><p>Saúde e meio ambiente8</p><p>Além dos problemas sociais ocasionados pelo vazamento e incêndio</p><p>da gasolina, o meio ambiente também foi severamente contaminado.</p><p>Isso porque, de acordo com Manzoli (2009), a gasolina é composta por uma mis-</p><p>tura de hidrocarbonetos com alguns contaminantes, como enxofre, nitrogênio e</p><p>certos metais, sendo que sua composição varia conforme a origem do petróleo,</p><p>os processos de refino e especificações de qualidade.</p><p>Outro gravíssimo acidente ambiental ocorreu em setembro de 1987, na</p><p>cidade de Goiânia (GO), sendo considerado um dos mais graves acidentes</p><p>causados por exposição à radiação do mundo. Cerca de 6 mil toneladas de</p><p>lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana após o acidente. Todo esse</p><p>material com suspeita de contaminação radioativa foi levado para a unidade do</p><p>Cnen, em Abadia de Goiás, onde foi enterrado. No entanto, o desaparecimento</p><p>completo de riscos de radiação só deve ocorrer em pelo menos 275 anos.</p><p>Esse acidente iniciou após dois catadores de lixo encontrarem um apare-</p><p>lho abandonado em um instituto de tratamento de câncer desativado. Após</p><p>levarem o aparelho para casa e o desmontaram, os catadores tiveram contato</p><p>com uma porção de cloreto de césio, o césio-137. Ainda, os catadores venderam</p><p>as peças para um ferro-velho. Dentro de uma das peças, foram encontradas</p><p>19 gramas de césio, e, devido à peça apresentar um brilho verde-azulado, o</p><p>comprador, sem desconfiar da contaminação, resolveu levar o pó para casa</p><p>e mostrar para várias pessoas.</p><p>Dois dias após desmontagem da máquina pelos catadores, várias pessoas</p><p>apresentaram sintomas de indisposição, como náuseas, vômitos, tonturas e</p><p>diarreia. Duas semanas depois, a esposa do dono do ferro-velho percebeu</p><p>que todas as pessoas expostas ao pó brilhante estavam doentes. Intrigada,</p><p>levou a cápsula para a Vigilância Sanitária, que imediatamente identificou a</p><p>substância como radioativa (Figura 1). Oficialmente, quatro pessoas morreram</p><p>devido à exposição à radiação, mas, de acordo com a Associação de Vítimas</p><p>do Césio-137, o número de vítimas é bem maior e chega a 80 (CÉSIO 137, 2017).</p><p>Outro exemplo que deve ser citado é o vazamento de 1,3 milhão de litros</p><p>de óleo in natura na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (RJ), em janeiro de</p><p>2000. Esse vazamento foi causado por um acidente com um navio petroleiro,</p><p>resultando na morte da fauna local e na poluição do solo em vários municípios,</p><p>como Magé. Nesse caso, o Ibama aplicou duas multas a Petrobras, uma de</p><p>R$ 50 milhões e outra de R$ 1,5 milhão.</p><p>Saúde e meio ambiente 9</p><p>Mais recentemente, dois graves acidentes ambientais relacionados à</p><p>mineração ocorreram em Minas Gerais. O primeiro ocorreu no dia 5 de no-</p><p>vembro de 2015, na cidade de Mariana, com o rompimento da barragem do</p><p>Fundão, que pertence à mineradora Samarco. O rompimento da barragem</p><p>provocou uma enxurrada de lama (cerca de 62 milhões de metros cúbicos</p><p>foram liberados) que devastou o distrito de Bento Rodrigues, deixando um</p><p>rastro de destruição à medida que avançava pelo Rio Doce. Além dos enormes</p><p>impactos ambientais, o acidente ocasionou a morte de 19 pessoas.</p><p>O segundo acidente ocorreu no dia em 25 de janeiro de 2019, também</p><p>com o rompimento de uma barragem de mineração, dessa vez, a Barragem 1</p><p>da Mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale. Esse acidente desencadeou</p><p>uma avalanche de lama, destruindo a comunidade próxima, bem como as</p><p>construções da própria Vale (empresa que administrava a mina) e resultou</p><p>na morte de 259 pessoas, além de deixar 11 desaparecidos.</p><p>Impactos da qualidade da água e dos</p><p>problemas atmosféricos na saúde humana</p><p>A água é o principal agente causador de doenças, uma vez que ela é consumida</p><p>diariamente pelos seres humanos. As águas superfi ciais, de rios e lagos, já pos-</p><p>suem microrganismos, mas a incorporação desenfreada de dejetos humanos</p><p>e de esgotos domésticos acarreta a contaminação por outros microrganismos</p><p>causadores de doenças. Ao ter contato com essa água contaminada, seja pela</p><p>ingestão ou pelo contato com a pele, a população poderá contrair diferentes</p><p>patologias (Figura 3).</p><p>Figura 3. Água contaminada é a principal causadora de patologias na população.</p><p>Fonte: (a) Calixto (2016, documento on-line); (b) Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca</p><p>(2013, documento on-line); (c) Rylo (2017, documento on-line).</p><p>Saúde e meio ambiente10</p><p>Saneamento consiste no conjunto de medidas que objetivam preservar</p><p>ou modificar o meio ambiente para prevenir doenças e promover saúde. Ele</p><p>melhora a qualidade de vida dos cidadãos, sua produtividade e otimiza a</p><p>atividade econômica. No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado</p><p>pela Constituição e pela Lei nº 11.445/2007, pois sabe-se que o saneamento</p><p>básico e o tratamento de água e esgoto são práticas de extrema importância,</p><p>não apenas para garantir a saúde e o bem-estar da população, mas também</p><p>para que um país possa ser considerado desenvolvido (BRASIL, 2007).</p><p>No entanto, o saneamento básico está longe de ser considerado satis-</p><p>fatório ao redor do mundo (incluindo no Brasil). A ausência de serviços de</p><p>saneamento tem resultado em</p><p>precárias condições de saúde e incidência</p><p>de doenças, principalmente de veiculação hídrica. Segundo uma pesquisa</p><p>realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações</p><p>Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de 4,5 bilhões de pessoas no mundo</p><p>(mais da metade da população global, estimada em 7,6 bilhões de pessoas)</p><p>não têm acesso a saneamento básico seguro (ONU, 2019).</p><p>Segundo Silva (2016, p. 98), população com menores condições financeiras</p><p>acaba sendo a mais atingida pela falta de saneamento:</p><p>A determinação da água na dinâmica das relações entre saúde está intimamente</p><p>vinculada a forças sociais que moldam e estabelecem os riscos existentes, que</p><p>não são equitativamente distribuídos. Como poderemos observar, populações mais</p><p>vulneráveis apresentam uma exposição mais elevada às cargas ambientais e, por</p><p>conseguinte, se configuram como sendo de risco mais acentuado.</p><p>Existem muitos locais sujeitos a inundações periódicas, que, além</p><p>de contribuir para a rápida disseminação de doenças, se tornam um</p><p>ambiente propício para espécies, muitas vezes, nocivas, como ratos e baratas.</p><p>As doenças causadas por águas contaminadas (principalmente por esgo-</p><p>tos) podem proliferar doenças de origem bacteriológica, protozoária, viral e</p><p>de verminoses, e são comumente conhecidas como doenças de veiculação</p><p>hídrica. O esgoto doméstico consiste em resíduos líquidos provenientes</p><p>de diversas atividades que, em sua maioria, utilizam água em áreas como</p><p>cozinha e sanitários, contendo, aproximadamente, 99,9 % de água, sendo o</p><p>restante (0,1 %) composto de sólidos orgânicos e inorgânicos, bem como de</p><p>Saúde e meio ambiente 11</p><p>microrganismos (bactérias, fungos, protozoários, vírus e helmintos). Apesar</p><p>da baixa porcentagem de poluentes, necessitam ser tratados antes de serem</p><p>lançados no meio ambiente, devido ao risco de patologias (ROSA; FRACETO;</p><p>MOSCHINI-CARLOS, 2012).</p><p>Dentre as principais doenças hídricas, são citadas as doenças a seguir.</p><p>� Cólera: doença causada pela bactéria Vibrio cholerae. Após a inges-</p><p>tão, a incubação ocorre no estômago por cerca de cinco dias, depois</p><p>multiplica-se rapidamente no intestino delgado, provocando desidra-</p><p>tação, perda de sais minerais e queda na pressão sanguínea, podendo</p><p>levar o indivíduo à morte. A cólera é uma doença considerada de fácil</p><p>dissipação e é transmitida para a água por meio de qualquer animal</p><p>contaminado, inclusive o ser humano. A própria mão de uma pessoa</p><p>contaminada, ou contato com animais, como baratas e ratos, também</p><p>portadores da bactéria, pode contaminar um outro indivíduo. Não é à</p><p>toa que a cólera já foi associada a pandemias.</p><p>� Hepatite: o modo de transmissão ocorre por meio da ingestão de</p><p>água ou de alimentos contaminados pelo vírus — moscas e baratas</p><p>podem contaminar as partes externas do corpo humano com hepatite</p><p>e transportar esses vírus para alimentos. Além disso, fezes de pessoas</p><p>com hepatite podem contaminar a água de rios e mares.</p><p>� Febre tifoide: doença causada pela bactéria Salmonella typhi, sendo que</p><p>o maior contato ocorre por meio da água e de alimentos contaminados.</p><p>A transmissão direta é rara, mas existe. Após a ingestão da bactéria,</p><p>ela ruma para a corrente sanguínea, podendo alojar-se em qualquer</p><p>órgão e multiplicar-se nas células de defesa. Após a bactéria chegar</p><p>na corrente sanguínea, sintomas como febre alta, dor de cabeça, falta</p><p>de apetite, manchas pelo corpo, tosse e diarreia são comuns e, se não</p><p>tratados, podem levar o indivíduo à morte.</p><p>� Leptospirose: causada por bactérias do gênero Leptospira, presente</p><p>na urina de ratos. A contaminação é direta e a bactéria pode, inclusive,</p><p>penetrar a pele, principalmente se houver algum ferimento ou arranhão,</p><p>e reproduzir-se na corrente sanguínea. Os sintomas da leptospirose</p><p>envolvem febre alta, mal-estar, dor muscular, tosse, cansaço, náuseas,</p><p>diarreia, manchas no corpo e outros, e, caso não seja tratada, a do-</p><p>ença pode evoluir para a forma mais grave, com complicações renais,</p><p>hemorragias, coma e morte.</p><p>Saúde e meio ambiente12</p><p>� Dengue: é transmitida através da picada da fêmea do mosquito Aedes</p><p>aegypti contaminado pelo vírus. É necessário que haja água parada</p><p>para que o mosquito se desenvolva, não importando se a água está</p><p>limpa ou suja. Mesmo não havendo uma relação direta entre a dengue</p><p>e a contaminação hídrica, o homem acabou interferindo para que a</p><p>espécie se desenvolva mais facilmente, pois com o desmatamento</p><p>e aumento de áreas urbanas, os predadores naturais foram sendo</p><p>eliminados/extintos, além do mosquito se espalhar mais facilmente.</p><p>� Disenteria bacilar: é causada pela bactéria Shigella, a qual é transmitida</p><p>pela contaminação fecal da água e de alimentos. Dentre os sintomas,</p><p>estão febre, cólica e diarreia, e, consequentemente, desidratação.</p><p>� Peste bubônica: causada pela bactéria Pasteurella pestis, a transmissão</p><p>ocorre por meio da urina de ratos contaminados ou pela picada de</p><p>pulgas contaminadas. Dentre os sintomas, tem-se a inflamação e a</p><p>ruptura de gânglios linfáticos (bubões).</p><p>Um dos instrumentos do saneamento básicos é investir em Estações</p><p>de Tratamento de Esgoto (ETE) e em fossas sépticas, em que a água após o</p><p>uso passa por vários tipos de tratamento, podendo variar de empresa para</p><p>empresa. O sistema de coleta é caracterizado pelas instalações prediais de</p><p>esgotos sanitários e pelos componentes de uma rede pública de coletores</p><p>de esgotos (Figura 4). Dessa forma, a água é liberada para o corpo receptor</p><p>(normalmente rios) somente após estar tratada e livre de patologias.</p><p>Figura 4. Estação de tratamento de água e fossa séptica são essenciais para garantir o</p><p>saneamento básico e evitar a proliferação de doenças hídricas.</p><p>Fonte: Sul Brasil (2016, documento on-line).</p><p>Saúde e meio ambiente 13</p><p>A qualidade da água está, portanto, relacionada diretamente com a quali-</p><p>dade de vida das pessoas e com o meio ambiente. Se a água estiver inadequada</p><p>ao consumo humano, ela poderá se comportar como um dos principais meios</p><p>de transmissão de doenças (PRATTE-SANTOS; TERRA; BARBIÉRI, 2008). Outro</p><p>fator importante é que a qualidade da água é fundamental para a manutenção</p><p>dos sistemas aquáticos, pois, uma vez que qualquer alteração ocorra, poderá</p><p>causar prejuízos ambientais e econômicos, como a redução da atividade</p><p>pesqueira, aumento do custo de aquisição da água e do tratamento, além</p><p>de perdas sociais, como a proibição de atividades de recreação no recurso</p><p>hídrico (BILICH; LACERDA, 2005).</p><p>Entretanto, não são apenas as águas contaminadas que podem causar</p><p>patologias, os poluentes atmosféricos também são grandes responsáveis</p><p>por causar doenças na população, principalmente para aqueles que vivem</p><p>em grandes metrópoles ou áreas urbanas, devido a maior concentração de</p><p>poluentes na atmosfera (Figura 5).</p><p>Figura 5. A poluição atmosférica causa patologias na população, principalmente respiratórias.</p><p>Fonte: Pasca-Palmer (2019, documento on-line).</p><p>A Resolução CONAMA nº 003/90 descreve poluente atmosférico como</p><p>qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e quantidade, concen-</p><p>tração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos</p><p>por essa norma, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio nocivo ou</p><p>ofensivo à saúde; inconveniente ao bem-estar público; danoso aos materiais,</p><p>à fauna e à flora; prejudicial à segurança, ao uso e ao gozo da propriedade e</p><p>às atividades normais da comunidade (CONAMA, 1990).</p><p>Saúde e meio ambiente14</p><p>Dentre as principais patologias, a emissões atmosféricas causam inflama-</p><p>ções relacionadas ao sistema respiratório, podendo apresentar-se na forma</p><p>de rinites (nariz), faringites, traqueites, bronquites e alveolites (infecção dos</p><p>alvéolos pulmonares), além disso, as conjuntivites (inflamação da conjuntiva</p><p>do olho) também são comuns. Caso essas doenças não forem tratadas, os</p><p>tecidos afetados podem desenvolver infecções, devido à exposição a micror-</p><p>ganismos, evoluindo, por exemplo, para pneumonia, infecção pulmonar, ou</p><p>mesmo faringites, rinites</p><p>e bronquites.</p><p>Dentre os principais poluentes encontrados na atmosfera, tem-se o óxido</p><p>de nitrogênio, dióxido de enxofre, hidrocarbonetos, aldeídos, material par-</p><p>ticulado e oxidantes fotoquímicos, poluentes comumente associados com</p><p>problemas inflamatórios. Outros poluentes atmosféricos são cancerígenos</p><p>e mutagênicos, principalmente os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos.</p><p>O monóxido de carbono (CO), presente em grande quantidade na atmosfera,</p><p>principalmente nas grandes cidades, impede a oxigenação dos tecidos bioló-</p><p>gicos, e a inalação crônica de CO pode agravar ateroscleroses, principalmente</p><p>do coração, sobretudo em fumantes.</p><p>Estima-se que, anualmente, são despejados na atmosfera cerca de 5</p><p>bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), principal gás causador do</p><p>efeito estufa. Em nível de comparação, no início do século XX, eram lançados</p><p>cerca de 60 milhões de toneladas desse gás anualmente na atmosfera. Com</p><p>isso, a temperatura do planeta Terra aumentou cerca de 0,5°C nos últimos</p><p>170 anos. Alerta-se, portanto, para o fato de que o aumento de 4°C na tempe-</p><p>ratura global, causado pelo efeito estufa e pelo aquecimento global, poderá</p><p>provocar a extinção de milhares de espécies de animais e vegetais no planeta.</p><p>Referências</p><p>AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Fundamentos da biologia moderna. 4. ed. São Paulo:</p><p>Moderna, 2006.</p><p>BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P.; VIANA, V. J. Poluição ambiental e saúde pública. São</p><p>Paulo: Érica, 2014.</p><p>BILICH, M. R.; LACERDA, M. P. C. Avaliação da qualidade da água do Distrito Federal</p><p>(DF), por meio de geoprocessamento. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO</p><p>REMOTO, 12., 2005, Goiânia. Anais [...]. Goiânia: INPE, 2005.</p><p>BOTKIN, D. B.; KELLER, E. A. Ciência ambiental: Terra, um planeta vivo. Rio de Janeiro:</p><p>LTC, 2018.</p><p>BRASIL. Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o</p><p>saneamento básico [...]. Brasília, DF: Presidência da República, 2007. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm. Acesso em:</p><p>7 abr. 2021.</p><p>Saúde e meio ambiente 15</p><p>BURNIE, D. Dicionário temático de biologia. São Paulo: Scipione, 1997.</p><p>CALIXTO, B. Vamos continuar lançando esgotos nos rios até pelo menos 2054. Época, 22</p><p>jan. 2016. Disponível em: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/</p><p>noticia/2016/01/vamos-continuar-lancando-esgotos-nos-rios-ate-pelo-menos-2054.</p><p>html. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>CÉSIO 137. A história do acidente radioativo em Goiânia. Goiânia: Césio 137, 2017. Dispo-</p><p>nível em: http://www.cesio137goiania.go.gov.br/o-acidente/. Acesso em: 24 mar. 2021.</p><p>CONAMA. Resolução CONAMA nº 3, de 28 de junho de 1990. Brasília, DF: CONAMA, 1990.</p><p>Disponível em: http://www.ibram.df.gov.br/images/resol_03.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA SERGIO AROUCA. Uma criança morre a cada 15</p><p>segundos devido a problemas relacionados à falta de água potável, diz UNICEF. Rio de</p><p>Janeiro: ENSP, 2013. Disponível em: http://www6.ensp.fiocruz.br/visa/?q=node/4788.</p><p>Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>GALILEU. 7 fatos sobre a gripe espanhola no Brasil. Galileu, 6 jun. 2020. Disponível em:</p><p>https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2020/06/7-fatos-sobre-</p><p>-gripe-espanhola-no-brasil.html. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>MANZOLI, A. Análise das emissões veiculares em trajetos urbanos curtos com localização</p><p>por GPS. 2009. Tese (Doutorado) — Escola de Engenharia, Universidade de São Paulo,</p><p>São Carlos, 2009. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18143/</p><p>tde-26052009-170127/publico/Manzoli.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>MOTA, S. Urbanização e meio ambiente. Rio de Janeiro: ABES, 1999.</p><p>ONU. ONU: 4,5 bilhões de pessoas não dispõem de saneamento seguro no mundo.</p><p>Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2019. Disponível em: https://www.fundaj.gov.br/</p><p>index.php/educacao-contextualizada/9749-onu-4-5-bilhoes-de-pessoas-nao-dispoem-</p><p>-de-saneamento-seguro-no-mundo. Acesso em: 24 mar. 2021.</p><p>PASCA-PALMER, C. Vencer a poluição atmosférica. Rio de Janeiro: ECO21, 2019. Disponível</p><p>em: https://eco21.eco.br/vencer-a-poluicao-atmosferica/. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>PRATTE-SANTOS, R.; TERRA, V. R.; BARBIÉRI, R. S. Perspectivas da avaliação da qualidade</p><p>da água em rios por intermédio de parâmetros físicos, químicos e biológicos. Natureza</p><p>on line, v. 6, n. 2, p. 63-65, 2008. Disponível em: http://naturezaonline.com.br/natureza/</p><p>conteudo/pdf/03_Pratte-SantosRetal_6365.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>ROSA, A. H.; FRACETO, L. F.; MOSCHINI-CARLOS, V. Meio ambiente e sustentabilidade.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>RYLO, I. Contato com água contaminada aumenta risco de doenças durante cheia</p><p>no AM. G1, 25 maio 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/</p><p>contato-com-agua-contaminada-aumenta-risco-de-doencas-durante-cheia-no-am.</p><p>ghtml. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>SANTA CATARINA. Defesa Civil. Produtos perigosos: classificação. Florianópolis: Defesa</p><p>Civil do Estado de Santa Catarina, 2021. Disponível em: https://www.defesacivil.sc.gov.</p><p>br/noticias/produtos-perigosos-classificacao/. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>Saúde e meio ambiente16</p><p>SILVA, L. F. Epidemiologia ambiental: fundamentos para engenharia. Rio de Janeiro:</p><p>Elsevier, 2016.</p><p>SUL BRASIL. Esgotamento sanitário: como devo fazer a ligação? Sul Brasil: Prefeitura,</p><p>2016. Disponível em: https://www.sulbrasil.sc.gov.br/noticias/ver/2016/04/esgota-</p><p>mento-sanitario-como-devo-fazer-a-ligacao. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>TAMBELLINI, A. T.; CÂMARA, V. M. A temática saúde e ambiente no processo de desenvol-</p><p>vimento do campo da saúde coletiva: aspectos históricos, conceituais e metodológicos.</p><p>Ciênc. Saúde Coletiva, v. 3, n. 2, p. 47-59, 1998. Disponível em: https://www.scielo.br/</p><p>pdf/csc/v3n2/7150.pdf. Acesso em: 7 abr. 2021.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Saúde e meio ambiente 17</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>No vídeo a seguir, apresentam-se os principais aspectos estudados nesta Unidade de</p><p>Aprendizagem. Esta aula servirá de base para seus estudos.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) O homem já provocou, e provoca, alterações no Meio Ambiente, seja nos</p><p>componentes físicos, biológicos ou sociais. Sua atividade já provocou situações que</p><p>afetaram a saúde humana. Analise os itens a seguir:</p><p>I. Acidentes nucleares</p><p>II. Tsunamis</p><p>III. Epidemias, como a Peste Negra</p><p>IV. Incêndios e vazamentos de gases em grandes indústrias</p><p>V. Terremotos</p><p>Tendo em vista os itens listados, assinale a alternativa que indica três problemas de</p><p>responsabilidade humana que afetam o Meio Ambiente e provocam problemas de</p><p>saúde.</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) I, III e IV.</p><p>C) I, IV e V.</p><p>D) II, III e IV.</p><p>E) II, III e V.</p><p>2) Os profissionais da área da Saúde e do Meio Ambiente devem se esforçar para</p><p>manter um ambiente saudável, no qual todos os seus elementos interajam de forma</p><p>equilibrada e em harmonia. Das afirmações a seguir, assinale a CORRETA.</p><p>A) A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu saúde como o estado do indivíduo livre</p><p>de doenças.</p><p>B) O modelo atual do conceito em saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) é</p><p>biológico de ser humano.</p><p>C) A água e o ar são exemplos de fatores ambientais que podem interferir diretamente na</p><p>saúde.</p><p>D) Os fatores ambientais contribuem indiretamente na saúde humana, causando doenças de</p><p>diversos tipos.</p><p>E) A exposição à níveis elevados de poluição da água causa problemas respiratórios graves.</p><p>3) A Vigilância em Saúde Ambiental foi estruturada por meio do Subsistema Nacional</p><p>de Vigilância em Saúde Ambiental e compreende o conjunto de ações e serviços</p><p>prestados por órgãos e entidades públicas e privadas.</p><p>Com relação ao assunto, avalie</p><p>as sentenças colocadas e marque a alternativa correta:</p><p>I – A finalidade da Vigilância em Saúde Ambiental é de gerar dados acerca dos</p><p>fatores de risco relacionados às doenças e outros agravos à saúde.</p><p>II – Dentre os fatores de especial interesse da vigilância em saúde ambiental podemos</p><p>destacar o consumo de água, a qualidade do ar e do solo, e acidentes com produtos</p><p>químicos;</p><p>III - As doenças e agravos à saúde humana associados aos desastres naturais são</p><p>aqueles especialmente relacionados com a exposição a agrotóxicos, amianto,</p><p>mercúrio, benzeno e chumbo;</p><p>A) Apenas a I</p><p>B) Apenas a II</p><p>C) Apenas a III</p><p>D) Apenas a I e II</p><p>E) Apenas a I e III</p><p>4) (ENEM 2010)</p><p>"Os lixões são o pior tipo de disposição final dos resíduos sólidos de uma cidade,</p><p>representando um grave problema</p><p>ambiental e de saúde pública. Nesses locais, o lixo é jogado diretamente no solo e a</p><p>céu aberto, sem nenhuma norma de controle, o que causa, entre outros problemas, a</p><p>contaminação do solo e das águas pelo chorume – líquido escuro com alta carga</p><p>poluidora, proveniente da decomposição da matéria orgânica presente no lixo."</p><p>RICARDO, B.; CAMPANILLI, M. Almanaque Brasil Socioambiental 2008. São</p><p>Paulo: Instituto Socioambiental, 2007.</p><p>Considere um município que deposita os resíduos sólidos produzidos por sua</p><p>população em um lixão. Esse procedimento é considerado um problema de saúde</p><p>pública porque os lixões...</p><p>A) Causam problemas respiratórios, devido ao mau cheiro que provém da decomposição.</p><p>B) São locais propícios à proliferação de vetores de doenças, além de contaminarem o solo e</p><p>as águas.</p><p>C) Provocam o fenômeno da chuva ácida, devido aos gases oriundos da decomposição da</p><p>matéria orgânica.</p><p>D) São instalados próximos ao centro das cidades, afetando toda a população que circula</p><p>diariamente na área.</p><p>E) São responsáveis pelo desaparecimento das nascentes na região onde são instalados, o que</p><p>leva à escassez de água.</p><p>5) Os impactos das mudanças climáticas já apontam para sérios riscos diretos e</p><p>indiretos para a saúde humana. Estes impactos podem ser decorrentes de vários</p><p>fatores e ter várias consequências. Acerca do assunto avalie as sentenças a seguir e</p><p>marque a alternativa que representa as corretas:</p><p>I – As mudanças climáticas afetam o regime de chuvas, causando efeitos brandos,</p><p>mas com significativo impacto na saúde humana.</p><p>II – A estiagem, ou seja, o excesso de água, causa problemas como a proliferação de</p><p>vetores, por exemplo;</p><p>III – As ondas de calor podem provocar incêndios e interferir na qualidade do ar</p><p>bem como na saúde das pessoas;</p><p>IV – Dengue, febre amarela, malária e leishmaniose são exemplos de doenças</p><p>diretamente vinculadas com a água;</p><p>A) Apenas a I</p><p>B) Apenas a I e II</p><p>C) Apenas a III e IV</p><p>D) Apenas a II e IV</p><p>E) Apenas a III</p><p>NA PRÁTICA</p><p>O meio ambiente deve ser visto como um sistema complexo em que interatuam tanto os</p><p>componentes físicos e biológicos, quanto os econômicos e sociais. Estas interações podem</p><p>interferir na saúde humana, principalmente quando não existe uma consciência clara desta</p><p>relação ou quando medidas preventivas não são tomadas. Veja, a seguir, alguns exemplos desta</p><p>interação.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>A relação entre meio ambiente e saúde e a importância dos princípios da prevenção e da</p><p>precaução</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Saúde e meio ambiente nas cidades: os desafios da saúde ambiental</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SCHWANKE, Cibele. Ambiente: tecnologias. Porto Alegre: Bookman, 2013. p. 54-56; 71-</p><p>74.</p><p>Poluição Ambiental e Saúde</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem você verá como as alterações no ambiente podem resultar em</p><p>problemas de saúde, sendo essencial sua compreensão para definir programas de promoção e</p><p>prevenção, o que é um desafio de todos os profissionais que atuam nas áreas de saúde e de meio</p><p>ambiente. Analisar quais os fatores que contribuem para o aumento dos índices de poluição</p><p>pode colaborar para a definição de estratégias de prevenção dos danos causados à saúde e para a</p><p>definição de padrões de qualidade ambiental, resultando, dessa forma, na melhoria da qualidade</p><p>de vida individual, coletiva e ambiental.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Listar alguns eventos de poluição ambiental que ocasionaram problemas de saúde na</p><p>população.</p><p>•</p><p>Identificar órgãos responsáveis pelas ações em vigilância em saúde.•</p><p>Relacionar aspectos de saúde com a ação do homem sobre o ambiente.•</p><p>DESAFIO</p><p>O despejo de esgoto doméstico e de efluentes industriais nos recursos hídricos vem alterando a</p><p>qualidade da água. Podemos observar elevados índices de contaminação da água por substâncias</p><p>orgânicas e inorgânicas, que além de prejudicar o equilíbrio ecológico do meio, podem causar</p><p>sérios problemas à saúde do homem.</p><p>Além disso, outro problema decorrente da poluição hídrica é a transmissão de doenças ao</p><p>homem. Alguns autores estimam que 80% das doenças de veiculação hídrica e um terço das</p><p>mortes em países em desenvolvimento são causados pelo consumo de água contaminada.</p><p>Diante deste contexto, você foi desafiado a responder:</p><p>a) Quais as principais formas de contaminação do homem por doenças de veiculação hídrica?</p><p>b) Cite algumas doenças de veiculação hídrica e como podemos preveni-las.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Observe no infográfico que para que se tenha boas condições de saúde é importante que</p><p>estejamos inseridos em um ambiente equilibrado.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Várias ações vêm sendo promovidas para alcançar a melhoria das condições de saúde e</p><p>qualidade do ambiente. Acompanhe um trecho do livro Meio Ambiente e sustentabilidade. Inicie</p><p>sua leitura a partir do título Mudança de paradigma na área de saúde e meio ambienteaté o final</p><p>deste tópico.</p><p>Boa leitura.</p><p>M514 Meio ambiente e sustentabilidade [recurso eletrônico] /</p><p>Organizadores, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes</p><p>Fraceto, Viviane Moschini-Carlos. – Dados eletrônicos. –</p><p>Porto Alegre : Bookman, 2012.</p><p>Editado também como livro impresso em 2012.</p><p>ISBN 978-85-407-0197-7</p><p>1. Meio ambiente. 2. Sustentabilidade. I. Rosa, André</p><p>Henrique. II. Fraceto, Leonardo Fernandes. III. Moschini-</p><p>Carlos, Viviane.</p><p>CDU 502-022.316</p><p>Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150</p><p>Meio ambiente e sustentabilidade 163</p><p>MUDANÇA DE PARADIGMA</p><p>NA ÁREA DE SAÚDE E</p><p>MEIO AMBIENTE</p><p>As últimas décadas registraram vários even-</p><p>tos na área tanto de meio ambiente</p><p>como da saúde, documentando a</p><p>mudança de uma série de paradigmas</p><p>nessas áreas. A mudança de valores se</p><p>reflete na atualização do conceito de</p><p>saúde que reconhece que, para enfatizar</p><p>o viés profilático, deve ser re-conhecida a</p><p>relevância da interferência di-reta ou</p><p>indireta dos fatores ambientais na</p><p>prevenção de doenças e agravos à saúde</p><p>hu-mana.</p><p>A Declaração da Conferência sobre</p><p>cuidados Primários de Saúde da OMS-</p><p>-UNICEF, que ocorreu em 1978 em Alma-</p><p>-Ata, no Cazaquistão, enfatiza a saúde como</p><p>um direito humano fundamental. Permitiu</p><p>que a saúde, como um bem público, se in-</p><p>corporasse à legislação nacional e interna-</p><p>cional como instrumento de ações que ob-</p><p>jetivassem a redução das desigualdades do</p><p>estado de saúde dos povos, principalmente</p><p>entre os de países desenvolvidos e em de-</p><p>senvolvimento.</p><p>Portanto, a saúde não mais se explica</p><p>exclusivamente pela ausência de doença,</p><p>apoiada principalmente em intervenções</p><p>clínico-cirúrgicas ou em medidas preventi-</p><p>vas tradicionais, mas sim como resultado de</p><p>ações de caráter intersetorial, que a conside-</p><p>rem um produto e, ao mesmo tempo, um</p><p>insumo do desenvolvimento. Em 1986,</p><p>ocorreu no Canadá a Primeira Conferência</p><p>Internacional sobre a Promoção da Saúde,</p><p>na qual foi promulgada, pela Organização</p><p>Mundial da Saúde, a “Carta de Ottawa para</p><p>promoção</p><p>da Saúde” atendendo à demanda</p><p>de uma nova concepção de saúde pública.</p><p>Nesse contexto, delineou-se um cenário no</p><p>qual a importância da qualidade do meio</p><p>ambiente era redimensionada para um espa-</p><p>ço ecossocial. Definiram-se linhas de ação</p><p>no sentido de se criarem ambientes favorá-</p><p>veis à saúde, os chamados ambientes saudá-</p><p>veis. Inúmeras conferências internacionais</p><p>sobre o tema se sucederam e vêm influen-</p><p>ciando políticas de saúde coletiva dos mais</p><p>diversos países.</p><p>O texto da Constituição Federal Brasi-</p><p>leira, promulgada em 1988, já reflete essa</p><p>concepção de relação intrínseca entre meio</p><p>ambiente e saúde. Em seu Artigo 196, a</p><p>saúde é definida como direito de todos e</p><p>dever do Estado, garantido mediante políti-</p><p>cas sociais e econômicas que visem à redu-</p><p>ção do risco de doença e de outros agravos e</p><p>ao acesso universal e igualitário às ações e</p><p>serviços para sua promoção, proteção e re-</p><p>cuperação.</p><p>Já em seu Art. 225, prevê que todos</p><p>têm direito ao meio ambiente ecologica-</p><p>mente equilibrado, bem de uso comum do</p><p>povo e essencial à sadia qualidade de vida,</p><p>impondo-se ao Poder Público e à coletivi-</p><p>dade o dever de defendê-lo, preservá-lo</p><p>para as presentes e futuras gerações.</p><p>Em 1990 a Organização Mundial da</p><p>Saúde cria uma Comissão de Saúde e Meio</p><p>Ambiente. Durante essa mesma década, o</p><p>Brasil deu início à elaboração da Política</p><p>Nacional de Saúde Ambiental, possibilitan-</p><p>do posteriormente a implantação do Siste-</p><p>ma de Vigilância em Saúde Ambiental com</p><p>o objetivo de compreender as relações entre</p><p>os elementos ambientais e de saúde sobre os</p><p>quais cabe à saúde pública intervir.</p><p>164 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)</p><p>De acordo com o documento “Subsí-</p><p>dios para construção da Política Nacional de</p><p>Saúde Ambiental”, divulgado em 2007 pelo</p><p>Ministério da Saúde, o campo da Saúde Am-</p><p>biental compreende a área da saúde pública</p><p>afeita ao conhecimento científico e à for-</p><p>mulação de políticas públicas e as corres-</p><p>pondentes intervenções (ação) relacionadas</p><p>à interação entre a saúde humana e os fato-</p><p>res do meio ambiente natural e antrópico</p><p>que a determinam, condicionam e influen-</p><p>ciam, com vistas a melhorar a qualidade de</p><p>vida do ser humano sob o ponto de vista da</p><p>sustentabilidade.</p><p>Nesse sentido, a articulação e a visão</p><p>de indissociabilidade entre as áreas de meio</p><p>ambiente e saúde aponta para a necessidade</p><p>de ações preventivas, tanto relacionadas à</p><p>proteção do meio ambiente como à promo-</p><p>ção de saúde. No caso particular da vigilân-</p><p>cia em saúde, a Fundação Nacional de</p><p>Saúde (FUNASA) estruturou o Sistema Na-</p><p>cional de Vigilância Ambiental em Saúde</p><p>(SINVAS). Sua regulamentação através da</p><p>Instrução Normativa No 1 do Ministério da</p><p>Saúde, de 25 de setembro de 2001, definiu</p><p>competências no âmbito federal dos Esta-</p><p>dos, do Distrito Federal e dos Municípios e,</p><p>para esses fins, apontou também como</p><p>prioridades para intervenção os fatores bio-</p><p>lógicos representados pelos vetores, hospe-</p><p>deiros, reservatórios e animais peçonhen-</p><p>tos; e os fatores não biológicos, que incluem</p><p>a qualidade da água para consumo huma-</p><p>no, ar, solo, contaminantes ambientais, de-</p><p>sastres naturais e acidentes com produtos</p><p>perigosos.</p><p>A Vigilância Ambiental em Saúde é</p><p>definida pela Fundação Nacional da Saúde</p><p>como um conjunto de ações que proporciona</p><p>o conhecimento e a detecção de qualquer mu-</p><p>dança nos fatores determinantes e condicio-</p><p>nantes do meio ambiente que interferem na</p><p>saúde humana, com a finalidade de identifi-</p><p>car as medidas de prevenção e controle dos fa-</p><p>tores de risco ambientais relacionados às do-</p><p>enças ou outros agravos à saúde. Compete ao</p><p>sistema produzir, integrar, processar e in-</p><p>terpretar informações que sirvam de ins-</p><p>trumentos para que o Sistema Unificado de</p><p>Saúde possa planejar e executar ações relati-</p><p>vas à promoção de saúde e de prevenção e</p><p>controle de doenças relacionadas ao am-</p><p>biente.</p><p>A Vigilância em Saúde Ambiental foi</p><p>estruturada por meio do Subsistema Nacio-</p><p>nal de Vigilância em Saúde Ambiental, re-</p><p>gulamentado pela Instrução Normativa</p><p>MS/SVS Nº 1, de 7 de março de 2005. O</p><p>Subsistema Nacional de Vigilância em</p><p>Saúde Ambiental – SINVSA compreende o</p><p>conjunto de ações e serviços prestados por</p><p>órgãos e entidades públicas e privadas, rela-</p><p>tivos à vigilância em saúde ambiental, vi-</p><p>sando ao conhecimento e à detecção ou pre-</p><p>venção de qualquer mudança nos fatores</p><p>determinantes e condicionantes do meio</p><p>ambiente que interferem na saúde humana,</p><p>com a finalidade de recomendar e adotar</p><p>medidas de promoção da saúde ambiental,</p><p>prevenção e controle dos fatores de risco re-</p><p>lacionados às doenças e outros agravos à</p><p>saúde, em especial:</p><p>I. água para consumo humano;</p><p>II. ar;</p><p>III. solo;</p><p>IV. contaminantes ambientais e substân-</p><p>cias químicas;</p><p>V. desastres naturais;</p><p>VI. acidentes com produtos perigosos;</p><p>VII. fatores físicos; e</p><p>VIII. ambiente de trabalho.</p><p>Parágrafo Único – Os procedimentos de vi-</p><p>gilância epidemiológica das doenças e agra-</p><p>vos à saúde humana associados a contami-</p><p>nantes ambientais, especialmente os rela-</p><p>cionados com a exposição a agrotóxicos,</p><p>amianto, mercúrio, benzeno e chumbo serão</p><p>de responsabilidade da Coordenação Geral de</p><p>Vigilância Ambiental em Saúde – CGVAM.</p><p>O conceito ampliado de exposição,</p><p>tratado não como um atributo da pessoa,</p><p>Meio ambiente e sustentabilidade 165</p><p>mas como conjunto de relações complexas</p><p>entre a sociedade e o ambiente, é central</p><p>para a definição de indicadores e para a</p><p>orientação da prática de vigilância ambien-</p><p>tal. Entre as dificuldades encontradas para</p><p>sua efetivação no Sistema Único de Saúde</p><p>no Brasil, estão a necessidade de reestrutu-</p><p>ração das ações de vigilância em saúde e a</p><p>formação de equipes multidisciplinares,</p><p>com capacidade de diálogo com outros se-</p><p>tores, além da construção de sistemas de in-</p><p>formação capazes de auxiliar a análise de si-</p><p>tuações de saúde e a tomada de decisões.</p><p>Por exemplo, a Figura 7.5 mostra o poten-</p><p>Figura 7.5</p><p>Mapa da distribuição espacial do Risco Relativo da incidência de tuberculose em Rio Claro,</p><p>São Paulo, Brasil.</p><p>166 Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (Orgs.)</p><p>cial do uso de indicadores de risco para ges-</p><p>tão e planejamento em vigilância ambiental</p><p>que, muitas vezes, não são incorporados aos</p><p>métodos de análise.</p><p>Como tentativa de articular as esferas</p><p>governamentais e demais atores envolvidos</p><p>nesse processo e consolidar a Política Na-</p><p>cional de Saúde Ambiental, o Ministério de</p><p>Meio Ambiente programou para dezembro</p><p>de 2009, em Brasília, a I Conferência Nacio-</p><p>nal de Saúde Ambiental.</p><p>INTEGRAÇÃO DAS AÇÕES</p><p>DE PROMOÇÃO DE SAÚDE</p><p>E PROTEÇÃO DO MEIO</p><p>AMBIENTE</p><p>Ações de integração dos vários setores en-</p><p>volvidos são sempre bem-vindas e necessá-</p><p>rias. A complexidade das questões socioam-</p><p>bientais exige cada vez mais preparo para</p><p>seu enfrentamento, pois muitas vezes a apa-</p><p>rente resolução de um problema pode agra-</p><p>var outro. O equacionamento dessas situa-</p><p>ções é um grande desafio. Geralmente, a</p><p>promoção à saúde e a proteção ao meio am-</p><p>biente são vistas como valores que intera-</p><p>gem sempre em harmonia. No entanto, em-</p><p>bora a interface e a interdependência dessas</p><p>duas questões seja inquestionável, as ações</p><p>voltadas para promoção da saúde, se conce-</p><p>bidas de forma desarticulada da proteção</p><p>ao meio ambiente, podem gerar um cenário</p><p>muito negativo. Por exemplo, a produção</p><p>de alimento em larga escala, como ação de</p><p>combate à fome, normalmente representa a</p><p>ocupação de extensas áreas de vegetação</p><p>natural substituídas pelas culturas utiliza-</p><p>das como alimentos. Isso tem representado</p><p>desmatamento, destruição de hábitats natu-</p><p>rais e também pode significar a introdução</p><p>local de inúmeros contaminantes no ar, na</p><p>água e no solo com a justificativa de manter</p><p>a produtividade e combater as pragas, o que</p><p>ao final, também se reverte em comprome-</p><p>timento da saúde humana.</p><p>O combate a vetores de inúmeras do-</p><p>enças como a febre amarela, a dengue e a</p><p>malária pode resultar na intensificação da</p><p>contaminação ambiental. Isso só reforça a</p><p>necessidade de implementação de</p><p>ações de</p><p>impacto ecossistêmico positivo, integradas</p><p>à dinâmica ambiental e não mais apenas</p><p>pontuais e de emergência como a aplicação</p><p>de inseticidas.</p><p>A própria atenção à saúde gera inú-</p><p>meros resíduos biológicos, químicos, físi-</p><p>cos, inclusive radioativos. Além disso, a</p><p>ampla gama de medicamentos gera sobras</p><p>que podem ser descartadas no ambiente,</p><p>bem como resíduos desses, contidos nas ex-</p><p>cretas humanas e podem se dispersar cau-</p><p>sando contaminação ambiental.</p><p>Os dados divulgados em 2009, refe-</p><p>rentes ao ano de 2007, pelo Sistema Nacio-</p><p>nal de Informações Tóxico-Farmacológicas</p><p>(Sinitox) da Fiocruz, registraram mais de</p><p>100 mil casos de intoxicação humana e</p><p>quase 500 óbitos registrados pelos centros</p><p>de Informação e Assistência Toxicológica</p><p>em todo o país. Esses dados apontam as</p><p>crianças menores de cinco anos como as</p><p>mais atingidas, representando 25% dos</p><p>casos. Os principais agentes desses quadros</p><p>de intoxicação são justamente os medica-</p><p>mentos (30,7%), seguidos pelos animais pe-</p><p>çonhentos (20,1%) e produtos de limpeza</p><p>domiciliar (11,4%). Portanto, mais de 42,1%</p><p>dos casos são provocados por produtos que</p><p>deveriam ser utilizados na promoção da</p><p>saúde humana.</p><p>Segundo a Organização Mundial da</p><p>Saúde, a quantidade de antimicrobianos</p><p>utilizados em animais e o seu padrão de uti-</p><p>lização não são conhecidos. Embora os nú-</p><p>meros variem, e a maioria dos países não</p><p>tenha essas estatísticas, dados atuais indi-</p><p>cam que praticamente metade dos antibió-</p><p>ticos produzidos são utilizados na medicina</p><p>humana e a outra parte na produção ani-</p><p>Meio ambiente e sustentabilidade 167</p><p>mal, seja como elemento profilático ou te-</p><p>rapêutico, seja como fator de crescimento.</p><p>A liberação desses compostos no am-</p><p>biente pode causar desequilíbrios nas mi-</p><p>crobiotas do solo e da água e também disse-</p><p>minar fatores de resistência antimicrobiana</p><p>em locais que não deveriam apresentar</p><p>essas ocorrências, agravando, assim, a disse-</p><p>minação de cepas resistentes aos tratamen-</p><p>tos. Esse fato é relevante principalmente</p><p>quando consideramos a disseminação de pa-</p><p>tógenos agentes de DTAs (Doenças Trans-</p><p>mitidas por Alimentos), como as bactérias</p><p>Campylobacter jejuni, Escherichia coli, Sal-</p><p>monella e Enterococcus. Esses microrganis-</p><p>mos se encontram associados aos animais e</p><p>seus produtos, podendo atingir os seres hu-</p><p>manos que consomem estes como alimen-</p><p>tos. O combate a um processo infeccioso</p><p>humano, causado por um microrganismo</p><p>cuja resistência aos antimicrobianos já se</p><p>deu no ambiente, é cada vez mais difícil e</p><p>oneroso. Além disso, os elementos genéticos</p><p>que determinam a resistência aos antimi-</p><p>crobianos podem ser disseminados no or-</p><p>ganismo do hospedeiro humano e transmi-</p><p>tidos às bactérias que já colonizam esses in-</p><p>divíduos acelerando e amplificando o</p><p>problema da resistência microbiana aos an-</p><p>timicrobianos.</p><p>Na tentativa de melhorar a aborda-</p><p>gem dessas questões, a própria legislação já</p><p>esboça a tentativa de articular as normas le-</p><p>gais contemplando ambos os setores, com</p><p>aspectos enfatizados pelas Resoluções do</p><p>Ministério da Saúde articuladas às do Meio</p><p>ambiente, como no caso dos Resíduos Sóli-</p><p>dos de Serviços de Saúde, mas há necessida-</p><p>de ainda de disseminar essa cultura entre os</p><p>distintos setores, envolvendo várias outras</p><p>esferas.</p><p>Esses pontos apenas ilustram e refor-</p><p>çam a necessidade de ações integradas, que</p><p>não visem à resolução focada apenas em</p><p>um setor, pois o resultado de uma ação, seja</p><p>voltada exclusivamente para a saúde ou</p><p>para o meio ambiente, representará um</p><p>risco potencial para a outra área se não for</p><p>planejada e executada de forma ampla e in-</p><p>tegrada.</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Acompanhe no vídeo alguns dos eventos de poluição que causaram danos à saúde do homem e</p><p>perceba mais claramente as relações existentes entre saúde, poluição e ambiente.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Goiânia, no estado de Goiás, foi palco de um dos principais acidentes ambientais do</p><p>Brasil. Em setembro de 1987, houve o manuseio de um aparelho de radioterapia</p><p>abandonado, que continha Césio-137. Este acidente envolveu pessoas de forma direta</p><p>ou indireta. De acordo com a Secretaria de Saúde de Goiás, 79 pessoas receberam</p><p>tratamento ambulatorial, 14 pessoas em estado grave foram encaminhadas para o</p><p>hospital, sendo que quatro morreram, oito desenvolveram a síndrome aguda da</p><p>radiação, 14 apresentaram falência da medula e uma sofreu amputação do</p><p>antebraço.</p><p>Sobre o acidente de Goiânia, a única sentença FALSA é:</p><p>A) As vítimas do acidente sofreram os danos decorrentes com o descaso na destinação correta</p><p>dos resíduos gerados em estabelecimentos de saúde.</p><p>B) o Césio-137 é um isótopo radioativo resultante da Fissão nuclear de urânio e plutônio e</p><p>seus raios gama são extremamente nocivos à saúde, pois possuem alto poder de</p><p>penetração, podendo ocasionar na morte dos indivíduos contaminados.</p><p>C) O acidente radioativo de Goiânia nos mostra como saúde e meio ambiente estão</p><p>relacionados. Se fosse dada a destinação correta do equipamento radioativo, o acidente</p><p>poderia ter sido evitado.</p><p>D) O acidente não só causou danos à saúde humana, mas também contaminou animais,</p><p>plantas e solo, que precisaram ser removidos para evitar novos riscos.</p><p>E) Passados mais de 25 anos do acidente, as pessoas contaminadas não precisam mais ser</p><p>monitoradas, já que o risco era momentâneo.</p><p>2) A Vigilância Ambiental em Saúde é um conjunto de ações que proporciona o</p><p>conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e</p><p>condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana. Sua finalidade é</p><p>identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais</p><p>relacionados à doenças ou outros agravos à saúde.</p><p>De acordo com o exposto, assinale a questão que NÃO cita um dos objetivos da</p><p>Vigilância Sanitária.</p><p>A) Disponibilizar ao SUS instrumentos para o planejamento e execução de ações relativas ao</p><p>controle de doenças relacionadas ao meio ambiente.</p><p>B) Estabelecer ações relacionadas à vigilância ambiental em saúde nas diversas instâncias de</p><p>competência</p><p>C) Um dos objetivos deste instrumento da Funasa é divulgar as informações referentes aos</p><p>fatores ambientais das doenças e outros agravos à saúde.</p><p>D) Promover, junto aos órgãos competentes, ações de proteção da saúde humana relacionadas</p><p>ao controle e recuperação do meio ambiente.</p><p>E) A Vigilância Ambiental em Saúde tem como principal objetivo fiscalizar as ações dos</p><p>municípios quanto ao saneamento e a sua relação com a saúde do homem.</p><p>3) Diversos são os fatores associados às doenças de veiculação hídrica, entre estes</p><p>podemos destacar a falta de tratamento de esgoto, carência de acesso à água potável,</p><p>falta de hábitos de higiene. Abaixo são listadas enfermidades que podem ser</p><p>classificadas como de veiculação hídrica.</p><p>Assinale a doença que NÃO pode ser classificada da mesma forma que as demais.</p><p>A) Cólera.</p><p>B) Amebíase.</p><p>C) Giardíase.</p><p>D) Dengue.</p><p>E) Gastroenterite.</p><p>4) Considerando o conceito da Organização Mundial de Saúde, quais os fatores que</p><p>podem estar relacionados à saúde. Indique a resposta CORRETA.</p><p>A) Saúde envolve o bem-estar físico, mental e social e depende de fatores individuais e</p><p>coletivos, com destaque, as políticas públicas.</p><p>B) A saúde está relacionada com o bem-estar físico, mental e social, entretanto depende</p><p>unicamente de medidas curativas oferecidas pelo Estado.</p><p>C) A saúde relaciona-se à ausência de doenças, sendo que pode ser alcançada através da</p><p>promoção de iniciativas preventivas e ações curativas.</p><p>D) O bem-estar físico e mental são os fatores determinantes para se ter boas condições de</p><p>saúde, sendo que estes são alcançados com um meio ambiente ecologicamente equilibrado.</p><p>E) Condições dignas promovidas pelo Estado é o fator determinante para prevenção de</p><p>doenças e para o bem-estar físico, mental e social.</p><p>Os acidentes ambientais podem ser definidos como um acontecimento imprevisível,</p><p>que causam impactos ao meio ambiente. Podem ser classificados como: desastres</p><p>5)</p><p>naturais e desastres tecnológicos. O primeiro se caracteriza por ocorrências de</p><p>fenômenos da natureza, já os desastres tecnológicos se caracterizam por ocorrências</p><p>causadas pelas atividades do homem.</p><p>De acordo com o exposto, assinale o acidente ambiental decorrente de causas</p><p>naturais.</p><p>A) Vazamento químico de 700 mil litros de gasolina de um oleoduto da Petrobras, o qual</p><p>causou um incêndio de grandes proporções na Vila Socó, em Cubatão, no ano de 1984.</p><p>B) No ano de 2010, 3,9 milhões de barris de petróleo vazaram depois da explosão da</p><p>plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México.</p><p>C) Na década de 50, na cidade de Minamata, no Japão, moradores começaram a ter</p><p>convulsões e nascer com deformações no corpo. Estes efeitos foram causados pelo</p><p>vazamento de mercúrio de uma empresa eletroquímica que despejava seus efluentes na</p><p>água desde os anos 30.</p><p>D) O ciclone tropical do Atlântico Sul, mais conhecido como Furacão Catarina, atingiu a</p><p>costa Sul do Brasil em março de 2004. Este fenômeno destruiu cerca de 1.500 residências</p><p>e danificou outras 40 mil casas, além de causar prejuízos econômicos. Foram registradas 3</p><p>mortes e outras 75 pessoas com ferimentos.</p><p>E) O desastre de Chernobyl é considerado o pior acidente radioativo do mundo, o qual exigiu</p><p>a evacuação de 45 mil pessoas. Na época houve 31 mortes, mas ao longo do tempo, mais</p><p>de 300 mil pessoas tiveram doenças graves relacionadas a esse acidente.Feedback:</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Veja como a poluição nos centros urbanos afeta diretamente a nossa saúde.</p><p>As principais doenças causadas pela poluição atmosférica são:</p><p>- Irritação e inflamação das mucosas.</p><p>- Complicações pulmonares e cardiovasculares.</p><p>- Câncer de pulmão.</p><p>- Asma.</p><p>- Rinite.</p><p>- Bronquite.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Saneamento, o básico inexiste</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Poluição do ar pode causar danos ao cérebro, alerta pesquisa</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Meio ambiente e sustentabilidade</p><p>Restauração de Áreas Degradadas</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>A elevada biodiversidade brasileira atraiu a atenção dos europeus desde a época da colonização.</p><p>O Brasil foi alvo de uma considerável exploração de seus recursos florestais, conforme ocorreu</p><p>com a Mata Atlântica. A vegetação mais preservada do país é a amazônica, mas esta também</p><p>sofre, anualmente, elevados índices de desmatamento.</p><p>Portanto, nesta Unidade de Aprendizagem, estudaremos alguns aspectos relacionados com essa</p><p>problemática, assim como algumas técnicas que contribuem para restaurar as áreas brasileiras</p><p>degradadas.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Definir as características fundamentais da vegetação brasileira.•</p><p>Identificar as principais causas do desmatamento.•</p><p>Reconhecer alguns procedimentos que contribuem para a restauração ecológica de áreas</p><p>degradadas.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>Vegetação corresponde ao conjunto de plantas que ocorrem em uma determinada região. Pode</p><p>ser caracterizada pela sua composição florística ou pela combinação de suas características</p><p>estruturais e funcionais referentes à aparência ou fisionomia (Moore e Chapman, 1986, apud</p><p>Rosa et al., 2012, p. 284). As características dominantes da vegetação, associadas às relações</p><p>que possui com os fatores abióticos do meio onde ocorrem, são utilizadas na definição dos</p><p>conceitos de ecossistema, bioma e áreas de domínio.</p><p>Tendo em vista este conceito, identifique o bioma original da região onde você mora,</p><p>observe a situação atual da vegetação e responda às seguintes questões:</p><p>1- Determine quais as possíveis causas do desmatamento da área (se existir) ou as causas</p><p>de sua conservação.</p><p>2- Se a área estiver desmatada, como você agiria para tentar restaurar a vegetação</p><p>original nas áreas onde isso é possível?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Observe o infográfico a seguir e conheça os procedimentos necessários para a restauração</p><p>ecológica de áreas degradadas. O cumprimento destes passos é fundamental para recuperá-las.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>A restauração de áreas degradadas é um processo em evolução, que deverá agregar</p><p>procedimentos técnicos, legislação ambiental e políticas públicas que associem a capacidade de</p><p>desenvolvimento com o mínimo de impacto ambiental. Para saber mais sobre as questões a</p><p>serem consideradas na tomada de decisões para a recuperação de áreas degradadas, leia o</p><p>capítulo Restauração de Áreas Degradadas, do livro Recuperação de Áreas Degradadas.</p><p>Boa leitura!</p><p>Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094</p><p>Revisão técnica:</p><p>Vanessa de Souza Machado</p><p>Bióloga</p><p>Mestre e Doutora em Ciências</p><p>Professora do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental</p><p>R294 Recuperação de áreas degradadas / Ronei Tiago Stein ... [et al.]</p><p>; [revisão técnica: Vanessa de Souza Machado]. – Porto</p><p>Alegre : SAGAH, 2017.</p><p>338 p. : il. ; 22,5 cm.</p><p>ISBN 978-85-9502-136-5</p><p>1. Gestão ambiental. I. Stein, Ronei Tiago.</p><p>CDU 504</p><p>Restauração de áreas</p><p>degradadas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Defi nir as características fundamentais da vegetação brasileira.</p><p> Identifi car as principais causas do desmatamento.</p><p> Reconhecer alguns procedimentos que contribuem para a restauração</p><p>ecológica de áreas degradadas.</p><p>Introdução</p><p>A elevada biodiversidade brasileira atraiu a atenção dos europeus desde</p><p>a época da colonização. Como você sabe, o Brasil foi alvo de uma consi-</p><p>derável exploração de seus recursos florestais, conforme ocorreu com a</p><p>Mata Atlântica. A vegetação mais preservada do País é a amazônica, mas</p><p>esta também sofre pelos elevados índices de desmatamento.</p><p>Recuperar 15 milhões de hectares de áreas de pastagens degrada-</p><p>das até o ano de 2020 (ação que iniciou em 2010) é uma das metas do</p><p>Ministério da Agricultura.</p><p>Neste texto, você estudará alguns aspectos relacionados com essa</p><p>problemática, assim como técnicas que contribuem para restaurar áreas</p><p>degradadas.</p><p>A degradação ambiental no Brasil</p><p>Existem diversos tipos de degradação ambiental. A degradação do solo (e, por</p><p>consequência, vegetativa), por exemplo, impõe elevados custos à sociedade,</p><p>além do empobrecimento do produtor rural. O solo degradado é resultado da</p><p>perda de sua capacidade física e química (fertilizantes) de continuar produtivo,</p><p>o que o impossibilita de reter gás carbônico (CO</p><p>2</p><p>).</p><p>Recuperar áreas de pastagens degradadas é uma das metas do Ministério</p><p>da Agricultura para o programa do Governo Federal de redução da emissão</p><p>de gases de efeito estufa.</p><p>O Brasil tem cerca de 30 milhões de hectares de áreas de pastagens em</p><p>algum estágio de degradação, com baixíssima produtividade para o alimento</p><p>animal. O uso correto de tecnologias e de boas práticas agropecuárias torna</p><p>possível reinserir esse espaço no processo produtivo.</p><p>Para cumprir com essa meta, o programa do governo faz o mapeamento</p><p>das áreas degradadas, define as estratégias de intervenção com tecnologias</p><p>sustentáveis, assistência técnica e crédito rural facilitado e implanta projetos</p><p>demonstrativos em parceria com órgãos públicos e privados.</p><p>Entre as tecnologias aplicáveis, destacam-se a agricultura orgânica, os</p><p>sistemas de produção integrada, a integração lavoura-pecuária-floresta plan-</p><p>tada (ILPF), o plantio direto e os sistemas agroflorestais e capacitação de</p><p>produtores e assistentes técnicos, além do uso de estratégias específicas para</p><p>o barateamento dos custos de transporte dos insumos e de escoamento.</p><p>Características fundamentais da vegetação</p><p>brasileira</p><p>Para começar a pensar e estruturar uma “restauração de área degradada”, é</p><p>preciso</p><p>conhecer as características da região onde você fará a intervenção.</p><p>As características da vegetação de cada lugar dependem de clima, altitude,</p><p>pressão atmosférica, volume pluviométrico (chuva), luminosidade e fatores</p><p>como a atuação de massas de ar da região em questão. Contudo, devido à ação</p><p>do homem, a vegetação terrestre está em constante mudança. Tais caracterís-</p><p>ticas, portanto, servem apenas para identifi car os tipos de vegetação natural.</p><p>Por conta dos diferentes climas em cada região e de suas dimensões con-</p><p>tinentais, o Brasil abriga oito tipos diferentes de vegetação. São eles:</p><p> Floresta Amazônica.</p><p> Mata Atlântica.</p><p> Caatinga.</p><p> Cerrado.</p><p> Pantanal.</p><p> Pampas.</p><p> Mata de Araucária.</p><p> Manguezais.</p><p>Restauração de áreas degradadas38</p><p>Floresta Amazônica</p><p>A Floresta Amazônica (Figura 1) é de clima equatorial. É conhecida também</p><p>por Amazônia Legal e Floresta Latifoliada, devido ao tipo de folhagem que</p><p>apresenta, com folhas largas e em grande número, que tornam as árvores</p><p>densas. Estas podem atingir grandes alturas. Esse tipo de fl oresta ocupa cerca</p><p>de 49% do território nacional, indo da Amazônia ao Centro-Oeste e Nordeste</p><p>do País, constituindo uma das fl orestas mais extensas do planeta. O clima da</p><p>Floresta Amazônica é quente e úmido, e suas folhas são de um verde bastante</p><p>defi nido. Ela abriga inúmeras espécies que se alimentam de si mesmas, sendo</p><p>denominadas autofágicas.</p><p>Figura 1.</p><p>Mata Atlântica</p><p>A Mata Atlântica (Figura 2) corresponde à vegetação mais afetada pelas ações</p><p>do homem durante o passar dos anos. Sua cobertura estendia-se do Rio Grande</p><p>do Norte ao Rio Grande do Sul quase sem interrupções, mas, devido à ação dos</p><p>portugueses com a retirada de mata nativa para o plantio de cana-de-açúcar e</p><p>em função das queimadas e da extração ilegal de madeira vistas atualmente,</p><p>restam apenas 7% do seu total em todo o Brasil. Tem vegetação latifoliada, é</p><p>de clima tropical úmido e encontra-se predominantemente no litoral brasileiro.</p><p>39Restauração de áreas degradadas</p><p>Figura 2.</p><p>Caatinga</p><p>A Caatinga é a vegetação típica do Nordeste brasileiro (Figura 3). Seu clima é</p><p>semiárido e tem como característica ser xerófi ta (classifi cação de vegetações</p><p>adaptadas à escassez de água). Devido à constante falta de água, as plantas</p><p>adquirem formato espinhoso para manter a pouca água que conseguem re-</p><p>ter e são muito pobres em nutrientes. Esse tipo de vegetação vem sofrendo</p><p>agressões ambientais – como queimadas –, o que empobrece o solo e difi culta</p><p>o crescimento das plantas.</p><p>Figura 3.</p><p>Cerrado</p><p>Segunda maior vegetação brasileira, cobrindo 20% do território nacional, o</p><p>Cerrado fi ca atrás apenas da Floresta Amazônica e é típico das regiões do</p><p>Planalto Central, as quais apresentam clima tropical semiúmido (Figura 4).</p><p>Sua paisagem é composta por árvores baixas e retorcidas. O Cerrado apresenta</p><p>a maior biodiversidade do planeta, mas sua vegetação vem sofrendo danos</p><p>Restauração de áreas degradadas40</p><p>ambientais causados pelo plantio de soja e cana-de-açúcar e pela pecuária,</p><p>situação que tem chamado a atenção de ambientalistas nos últimos anos.</p><p>Figura 4.</p><p>Pantanal</p><p>Localizado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Pantanal</p><p>(Figura 5) é considerado uma vegetação de transição por ser composto de</p><p>forma heterogênea por diferentes ecossistemas. Sua vegetação se desenvolve</p><p>apenas em certas épocas do ano, em que as áreas alagadas fi cam emersas.</p><p>Figura 5.</p><p>Pampas</p><p>Também conhecidos como Campos do Sul ou Campos Sulinos, os Pampas</p><p>(Figura 6) são de clima subtropical e predominantes na região Sul do Brasil.</p><p>41Restauração de áreas degradadas</p><p>A vegetação é composta basicamente por gramíneas e capins. No Rio Grande</p><p>do Sul, os Pampas surgem em colinas suaves, conhecidas como coxilhas.</p><p>Figura 6.</p><p>Mata de Araucária</p><p>A vegetação da Mata de Araucária é predominante em pinheiros, típica de</p><p>clima subtropical e está presente no estado do Paraná (Figura 7). Sua madeira</p><p>é muito requisitada no ramo de produção de móveis, motivo pelo qual sua</p><p>cobertura original é quase inexistente.</p><p>Figura 7.</p><p>Manguezais</p><p>Os Manguezais (Figura 8) são áreas restritas do litoral, como pântanos lito-</p><p>râneos e regiões inundadas e preferencialmente baixas, sujeitas às ações das</p><p>Restauração de áreas degradadas42</p><p>marés. São caracterizados por abrigar uma vegetação diversa e pelas grandes</p><p>raízes respiratórias, dotadas de pneumatóforos, o que lhes permite obter</p><p>oxigênio mesmo em áreas alagadas.</p><p>Figura 8.</p><p>Procedimentos que contribuem para a</p><p>restauração ecológica de áreas degradadas</p><p>Defi ne-se área degradada como a região que sofreu, em algum grau, altera-</p><p>ções em sua integridade, sejam elas de natureza física, química ou biológica.</p><p>A recuperação, por sua vez, é a reversão da condição degradada para a não</p><p>degradada, independentemente de seu estado original e de sua destinação</p><p>futura. A recuperação de determinada área degradada deve ter como objetivos</p><p>recuperar sua integridade física, química e biológica (estrutura) e, ao mesmo</p><p>tempo, recuperar sua capacidade produtiva (função), seja na produção de ali-</p><p>mentos e matérias-primas ou na prestação de serviços ambientais. De acordo</p><p>com a natureza e a gravidade da degradação, além do esforço necessário para</p><p>a reversão do estado em que a região se encontra, podem ser considerados</p><p>os seguintes casos:</p><p>Restauração: retorno completo da área degradada às condições existentes</p><p>antes da alteração, ou a um estado intermediário estável. Neste caso, a recu-</p><p>peração se opera de forma natural (resiliência ou autodepuração), uma vez</p><p>eliminados os fatores de degradação.</p><p>Reabilitação: retorno da área degradada a um estado intermediário da</p><p>condição original, havendo necessidade de intervenção antrópica.</p><p>Redefinição ou redestinação: recuperação da área com vistas ao uso/</p><p>destinação diferente da situação pré-existente, havendo a necessidade de</p><p>43Restauração de áreas degradadas</p><p>uma forte intervenção antrópica. Na Embrapa Meio Ambiente, as pesquisas</p><p>nesta linha temática estão voltadas para o emprego de técnicas convencionais</p><p>e alternativas na recuperação de áreas degradadas, como no uso de lodo de</p><p>esgoto ou na avaliação e estabilização de processos erosivos.</p><p>A restauração de áreas degradadas é um processo em evolução, que deverá agregar</p><p>procedimentos técnicos, legislação ambiental e políticas públicas que associem a</p><p>capacidade de desenvolvimento com o mínimo de impacto ambiental.</p><p>Principais causas do desmatamento</p><p>Estudos indicam que o desmatamento tem sua origem bem marcada pelas</p><p>seguintes razões:</p><p>Pecuária: o gado criado para a produção de carne em larga escala é um</p><p>enorme agravante para o desmatamento. De acordo com um estudo divul-</p><p>gado em 2011, 62,2% dos 720 quilômetros de áreas desmatadas na floresta</p><p>amazônica foram ocupados por pastagens. O mesmo cenário se repete em</p><p>áreas da Mata Atlântica e de outros biomas essenciais para a biodiversidade</p><p>brasileira e mundial.</p><p>Agricultura: os impactos agrícolas são bem semelhantes aos da pecuária.</p><p>Para que uma área se torne própria ao plantio em escala comercial, os agricul-</p><p>tores precisam primeiro “limpá-la”. Isso significa destruir e derrubar muitas</p><p>árvores, prejudicando diretamente o ecossistema local. Outro problema é a</p><p>monocultura, que acaba por tornar o solo improdutivo com o passar dos anos.</p><p>Para que você consiga mensurar isso, é importante que saiba que o Brasil é</p><p>responsável pela produção de 34% de toda a soja consumida no mundo.</p><p>Queimadas: as queimadas são ocasionadas por consequência natural ou por</p><p>ação humana. Em ambos os casos, o impacto costuma ser grande. Dependendo</p><p>do clima, focos de incêndio podem se alastrar por grandes áreas em poucos</p><p>segundos. O controle das queimadas também é muito difícil, principalmente</p><p>porque, na maioria dos casos, elas ocorrem em área de floresta, cujo acesso é</p><p>Restauração de áreas degradadas44</p><p>difícil. Além disso, as dimensões são enormes, o que facilita o alastramento</p><p>do fogo.</p><p>Mineração: a busca por minérios tem gerado impactos ambientais e des-</p><p>matamentos há centenas de anos. Essa atividade requer a remoção de grandes</p><p>áreas florestadas no seu entorno para a própria mineração e também para a</p><p>construção de estradas e vias de acesso para o transporte das mercadorias.</p><p>Urbanização: nas ultimas décadas, a quantidade de pessoas que migraram</p><p>do campo para as grandes cidades cresceu muito, e, para abrigar todo esse</p><p>contingente, foram necessárias muitas mudanças e construções, causando</p><p>graves alterações nas florestas. Cerca de 50% da população mundial mora</p><p>em regiões urbanizadas.</p><p>Extração madeireira: redução da área florestada. Cada árvore derrubada</p><p>para que sua madeira seja utilizada significa mais gás carbônico lançado na</p><p>atmosfera. Você sabia que durante toda a vida da árvore, sobretudo durante os</p><p>primeiros estágios de seu desenvolvimento, ela capta muito CO</p><p>2</p><p>da atmosfera?</p><p>No entanto, quando é destruída e não utilizada, o que acontece muito, ela se</p><p>decompõe e volta a liberar gases prejudiciais na atmosfera.</p><p>Hidrelétricas: apesar de ser fonte de energia limpa, hidrelétricas geram</p><p>enormes impactos socioambientais nas regiões em que são instaladas. O</p><p>desmatamento necessário para uma obra deste porte é imenso. Além disso,</p><p>muita área florestada no entorno é represada, ficando inundada. Atualmente,</p><p>esta é a principal fonte de energia elétrica no Brasil.</p><p>Outros impactos que demandam restauração:</p><p> Erosão agropecuária.</p><p> Poluição e lixo nos solos.</p><p> Percolação do chorume da decomposição de resíduos.</p><p> Contaminações por agrotóxicos.</p><p> Assoreamento de rios e lagos.</p><p> Extinção de nascentes e outros.</p><p>Veja a seguir e na Figura 9 algumas práticas de restauração ambiental:</p><p> Plantio de mudas nativas;</p><p> Reconstituição de mata ciliar do leito hídrico;</p><p>45Restauração de áreas degradadas</p><p> Reconstituição do equilíbrio hídrico, como ajustes de oxigênio, DBO</p><p>e reduções de efluentes químicos e biológicos;</p><p> Reconstituição vegetal em encostas;</p><p> Ajustes da qualidade do ar com aspectos naturais e orgânicos, além de</p><p>ajustes e mitigação de emissões.</p><p>Figura 9.</p><p>Procedimentos para a restauração</p><p>ecológica de áreas degradadas</p><p>Identificação dos agentes de</p><p>degradação ou perturbação</p><p>Conhecimento da</p><p>vegetação degradada</p><p>Seleção da</p><p>intervenção</p><p>Eliminação</p><p>desses agentes</p><p>Diagnóstico da</p><p>potencialidade</p><p>de regeneração</p><p>Isolamento</p><p>da área</p><p>Restauração de áreas degradadas46</p><p>1. Indique aspectos que colaboram</p><p>para o desmatamento:</p><p>a) Extração de minérios,</p><p>hidrelétricas e geração</p><p>de energia eólica.</p><p>b) Urbanização, queimadas</p><p>e pecuária.</p><p>c) Mineração e extração madeireira.</p><p>d) As alternativas B e C</p><p>estão corretas.</p><p>e) Utilização de biodiesel.</p><p>2. Qual vegetação tem a característica</p><p>de ser a segunda maior vegetação</p><p>brasileira, apresentando a maior</p><p>biodiversidade do planeta?</p><p>a) Caatinga.</p><p>b) Cerrado.</p><p>c) Montes.</p><p>d) Pantanal.</p><p>e) Pampa.</p><p>3. Indique algumas tecnologias</p><p>aplicáveis para reduzir</p><p>áreas degradadas.</p><p>a) Sistemas de produção</p><p>integrada, plantio direto,</p><p>sistemas agroflorestais e</p><p>plantio de mudas nativas.</p><p>b) Utilização de placas solares.</p><p>c) Plantio direto e sistemas</p><p>agroflorestais, reconstituição</p><p>de mata ciliar do leito</p><p>hídrico e reconstituição</p><p>de equilíbrio hídrico.</p><p>d) As alternativas A e C</p><p>estão corretas.</p><p>e) Estação de tratamento e</p><p>utilização de mais insumos.</p><p>4. (ENEM 2008) Calcula-se que 78%</p><p>do desmatamento na Amazônia</p><p>tenha sido motivado pela pecuária</p><p>– cerca de 35% do rebanho nacional</p><p>está na região – e que pelo menos</p><p>50 milhões de hectares de pastos</p><p>são pouco produtivos. Enquanto</p><p>o custo médio para aumentar a</p><p>produtividade de 1 hectare de</p><p>pastagem é de 2 mil reais, o custo</p><p>para derrubar igual área de floresta</p><p>é estimado em 800 reais, o que</p><p>estimula novos desmatamentos.</p><p>Adicionalmente, madeireiras retiram</p><p>as árvores de valor comercial que</p><p>foram abatidas para a criação</p><p>de pastagens. Os pecuaristas</p><p>sabem que problemas ambientais</p><p>como esses podem provocar</p><p>restrições à pecuária nessas áreas,</p><p>a exemplo do que ocorreu em</p><p>2006 com o plantio da soja, o qual,</p><p>posteriormente, foi proibido em</p><p>áreas de floresta. (Época, 3/3/2008</p><p>e 9/6/2008 [com adaptações]).</p><p>A partir da situação-problema</p><p>descrita, conclui-se que:</p><p>a) O desmatamento na Amazônia</p><p>decorre, principalmente,</p><p>da exploração ilegal de</p><p>árvores de valor comercial.</p><p>b) Um dos problemas que os</p><p>pecuaristas vêm enfrentando</p><p>na Amazônia é a proibição</p><p>do plantio de soja.</p><p>c) A mobilização de máquinas</p><p>e de força humana torna</p><p>o desmatamento mais</p><p>caro que o aumento da</p><p>produtividade de pastagens.</p><p>d) O superavit comercial</p><p>decorrente da exportação</p><p>de carne produzida na</p><p>47Restauração de áreas degradadas</p><p>ROSA, A.H.; FRACETO, L.F.; MOSCHINI-CARLOS, V. Meio ambiente e sustentabilidade.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2012. Cap. 12.</p><p>MUNDO Educação. Impactos ambientais. Goiânia. Recuperado de: . Acesso em: 13 de Jan. 2017.</p><p>AGEITEC. Árvore do conhecimento: arroz. Brasília. Recuperado em: . Acesso em: 13 de Jan. 2017.</p><p>BOSSLE. M. B. Responsabilidade Sócio-ambiental em pequenas empresas de serviço.</p><p>Porto Alegre, UFRGS, 2008. Recuperado de: . Acesso em: 13 de Jan. 2017.</p><p>BRASIL. Recuperação de Áreas Degradadas. Brasília. Recuperado em: .</p><p>Acesso em: 13 de Jan. 2017.</p><p>EMBRAPA. Recuperação de Áreas Degradadas. São Paulo. Recuperado em: . Acesso em: 13</p><p>de Jan. 2017.</p><p>ARAUJO G. Tipos de vegetação do Brasil. [S. l.: s. n] , 2013. Recuperado em: . Acesso em: 13 de Jan. 2017.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>Amazônia compensa a possível</p><p>degradação ambiental.</p><p>e) A recuperação de áreas</p><p>desmatadas e o aumento de</p><p>produtividade das pastagens</p><p>podem contribuir para a redução</p><p>do desmatamento na Amazônia.</p><p>5. Defina restauração de área</p><p>degradada.</p><p>a) Contaminação por agrotóxico</p><p>e plantio de mudas nativas.</p><p>b) Gás carbônico lançado na</p><p>atmosfera durante toda a vida</p><p>da árvore, principalmente</p><p>durante os primeiros estágios</p><p>de desenvolvimento.</p><p>c) Migração da população da</p><p>cidade para o campo. Para</p><p>abrigar todo esse contingente,</p><p>são necessárias muitas</p><p>mudanças e construções.</p><p>d) Isolamento da área e utilização</p><p>de mudas diversas.</p><p>e) Melhorias das condições</p><p>existentes antes da degradação,</p><p>ou a evolução para um estado</p><p>intermediário estável. Neste caso,</p><p>a recuperação se opera de forma</p><p>natural (autodepuração), após</p><p>serem eliminados os fatores de</p><p>degradação de acordo com a</p><p>natureza da área em questão.</p><p>Restauração de áreas degradadas48</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Neste vídeo, apresentam-se os principais biomas brasileiros, as causas de sua destruição e como</p><p>agir para restaurá-los.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) A vegetação nativa constitui o hábitat e a base da cadeia alimentar de todos os demais</p><p>organismos de um ecossistema. Marque a alternativa que apresenta uma</p><p>característica fundamental da Caatinga e do Cerrado:</p><p>A) Elevada umidade do solo.</p><p>B) Floresta seca, adaptadas à pouca umidade.</p><p>C) Presença de árvores perenifólias.</p><p>D) Presença de semidecíduos.</p><p>E) Vegetação ribeirinha.</p><p>2) Historicamente, o homem sempre buscou na natureza recursos para sua subsistência:</p><p>alimentos, construção de abrigos, enfeites, remédios etc. Assinale a alternativa que</p><p>NÃO apresenta uma causa do desmatamento:</p><p>A) Expansão urbana.</p><p>B) Caça furtiva.</p><p>C) Aumento da necessidade de alimentos.</p><p>D) Agricultura.</p><p>E) Exploração de lenha.</p><p>3) A restauração dos ecossistemas brasileiros, afetados historicamente pelo interesse na</p><p>nossa biodiversidade, exige que se considere alguns aspectos. Nesse sentido, analise os</p><p>itens a seguir:</p><p>I. Distribuição geográfica.</p><p>II. Conhecimento estrutural e dinâmico em condições de não perturbação.</p><p>III. Capacidade de restauração natural.</p><p>IV. Seleção de técnicas mais adequadas.</p><p>V. Condições de umidade da área.</p><p>Dos aspectos listados acima, quais interferem na recuperação de ecossistemas?</p><p>A) Apenas I, II e III.</p><p>B) Apenas I, II e IV.</p><p>C) Apenas II, III e IV.</p><p>D) Apenas I, II e V.</p><p>E) Apenas III, I.V e V.</p><p>(ENEM 2008)</p><p>4)</p><p>Calcula-se que 78% do desmatamento na Amazônia tenha sido motivado pela</p><p>pecuária — cerca de 35% do rebanho nacional está na região — e que pelo menos 50</p><p>milhões de hectares de pastos são pouco produtivos. Enquanto o custo médio para</p><p>aumentar a produtividade de 1 hectare de pastagem é de 2 mil reais, o custo para</p><p>derrubar igual área de floresta é estimado em 800 reais, o que estimula novos</p><p>desmatamentos. Adicionalmente, madeireiras retiram as árvores de valor comercial</p><p>que foram abatidas para a criação de pastagens. Os pecuaristas sabem que</p><p>problemas ambientais como esses podem provocar restrições à pecuária nessas áreas,</p><p>a exemplo do que ocorreu em 2006 com o plantio da soja, o qual, posteriormente, foi</p><p>proibido em áreas de floresta.</p><p>Época, 3/3/2008 e 9/6/2008 (com adaptações).</p><p>A partir da situação-problema descrita, conclui-se que</p><p>A) o desmatamento na Amazônia decorre principalmente da exploração ilegal de árvores de</p><p>valor comercial.</p><p>B) um dos problemas que os pecuaristas vêm enfrentando na Amazônia é a proibição do</p><p>plantio de soja.</p><p>C) a mobilização de máquinas e de força humana torna o desmatamento mais caro que o</p><p>aumento da produtividade de pastagens.</p><p>D) o superavit comercial decorrente da exportação de carne produzida na Amazônia</p><p>compensa a possível degradação ambiental.</p><p>E) a recuperação de áreas desmatadas e o aumento de produtividade das pastagens podem</p><p>contribuir para a redução do desmatamento na Amazônia.</p><p>O processo de restauração ecológica segue uma ordem determinada, começando com</p><p>a identificação dos agentes de degradação ou perturbação do ecossistema.</p><p>Posteriormente, é necessário desenvolver algumas ações. Observe a seguir algumas</p><p>delas:</p><p>5)</p><p>( Isolamento da área.</p><p>( Eliminação dos agentes de degradação.</p><p>( Conhecimento da vegetação degradada.</p><p>( Seleção da intervenção mais adequada.</p><p>(5) Diagnóstico da potencialidade de regeneração.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a ordem CORRETA das ações numeradas</p><p>acima:</p><p>A) 1, 2, 3, 4 e 5.</p><p>B) 1, 2, 4, 3 e 5.</p><p>C) 2, 1, 5, 3 e 4.</p><p>D) 2, 1, 5, 4, e 3.</p><p>E) 5, 4, 3, 2 e 1.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Veja a seguir o exemplo de um casal cuja iniciativa possibilitou a recuperação de uma área</p><p>degradada.</p><p>Veja a fazenda antes e depois da recuperação ambiental e conheça mais sobre o Instituto Terra</p><p>acessando o link a seguir:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Recuperação de áreas degradadas</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Recursos energéticos e meio ambiente</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>O problema do uso da energia é hoje muito importante. Existem muitas fontes de energia, mas</p><p>nem todas são exploradas, por diversos motivos. Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos</p><p>estudar todas as fontes de energia e a situação que cada uma apresenta no balanço energético</p><p>nacional.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Identificar os diferentes recursos energéticos existentes e sua relação com o meio</p><p>ambiente.</p><p>•</p><p>Reconhecer as diferentes fontes de energia renováveis e não renováveis.•</p><p>Sintetizar as principais vantagens e desvantagens das fontes de energia renováveis e não</p><p>renováveis.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>Com certeza na sua casa você consome energia elétrica proveniente da rede de distribuição de</p><p>uma empresa determinada. Você sabe qual a fonte de energia que gera essa eletricidade? Você</p><p>conhece outras fontes de energia utilizadas no Brasil e no mundo? Já ouviu falar de energia</p><p>renovável? Ela tem vantagens frente à energia que utiliza fontes não renováveis?</p><p>Pense nisso, pesquise se necessário e escreva suas reflexões, respondendo às questões anteriores.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>No infográfico a seguir você pode observar a situação da utilização de diferentes fontes de</p><p>energia no Brasil desde 2010 até 2020. Ainda nesta perspectiva, a utilização de fontes</p><p>alternativas não é importante, embora sua situação tenha, em geral, melhorado.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Leia o capítulo 6 do livro Meio ambiente e sustentabilidade, de Rosa, Fraceto e Moschini-</p><p>Carlos, e estude sobre a relação entre os recursos energéticos e o meio ambiente, a conversão de</p><p>energia, as fontes energéticas, entre outros assuntos importantes.</p><p>Boa leitura.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Esta videoaula apresenta os aspectos mais importantes relacionados aos recursos energéticos.</p><p>Este tema é muito importante, já que a produção da energia a partir de diferentes fontes pode</p><p>poluir, em maior ou menor medida, acusando ou não danos ambientais significativos.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) (ENEM/2012 - Adaptada) Suponha que você é um consultor e foi contratado para</p><p>assessorar a implantação de uma matriz energética num pequeno país com as</p><p>seguintes características: região plana, chuvosa e com ventos constantes, dispondo de</p><p>poucos recursos hídricos e sem reservatórios de combustíveis fósseis.</p><p>De acordo com as características desse país, a matriz energética de menor impacto e</p><p>risco ambiental é a baseada na energia:</p><p>A) de biocombustíveis.</p><p>B) solar.</p><p>C) nuclear.</p><p>D) hidráulica.</p><p>E) eólica.</p><p>(ENEM/2002) Em usinas hidrelétricas, a queda d’água move turbinas que acionam</p><p>geradores. Em usinas eólicas, os geradores são acionados por hélices movidas pelo</p><p>vento. Na conversão direta solar-elétrica são células fotovoltaicas que produzem</p><p>2)</p><p>tensão elétrica. Além de todos produzirem eletricidade, esses processos têm em</p><p>comum o fato de:</p><p>A) não provocarem impacto ambiental.</p><p>B) independerem de condições climáticas.</p><p>C) poderem armazenar a energia gerada.</p><p>D) utilizarem fontes de energia renováveis.</p><p>E) dependerem de reservas de combustíveis fósseis.</p><p>3) De acordo com o livro-texto desta Unidade de Aprendizagem, Meio ambiente e</p><p>sustentabilidade, de Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos, existem diferentes fontes de</p><p>energia, diferentes energéticos, que podem causar maior ou menor impacto no</p><p>ambiente. Observe as características a seguir:</p><p>• Melhor lubrificação e menor corrosão do motor.</p><p>• Presença de oxigênio molecular, que auxilia a queima e diminui a produção de</p><p>fuligem.</p><p>• Melhor funcionamento do motor em épocas frias.</p><p>• Ausência de enxofre na composição.</p><p>Qual dos seguintes combustíveis têm as características listadas acima?</p><p>A) Petróleo.</p><p>B) Energia eólica.</p><p>C) Energia dos oceanos.</p><p>D) Biomassa (biodiesel).</p><p>E) Energia nuclear.</p><p>4) (ENEM/2007) Qual das seguintes fontes de produção de energia é a mais</p><p>recomendável para a diminuição dos gases causadores do aquecimento global?</p><p>A) Óleo diesel.</p><p>B) Gasolina.</p><p>C) Carvão mineral.</p><p>D) Gás natural.</p><p>E) Vento.</p><p>De acordo com o livro-texto desta Unidade de Aprendizagem, Meio ambiente e</p><p>sustentabilidade, de Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos, o etanol é considerado um</p><p>combustível pouco poluidor, já na sua combustão não se geram gases de efeito estufa</p><p>nem outras substâncias passíveis de produzir contaminação. No entanto, é necessário</p><p>levar em consideração os possíveis problemas ambientais gerados no processo de</p><p>produção deste combustível. Analise a seguir</p><p>satis-</p><p>fazer a sede, passa-se a desejar um copo de suco ou refrigerante (conforme a</p><p>característica de cada pessoa). Nota-se que desejo e necessidade passam a ser</p><p>confundidos entre a população: de acordo com Sandroni (2005), a necessidade</p><p>é a exigência individual ou social que deve ser satisfeita por meio do consumo</p><p>de bens e serviços. O desejo, segundo Jales (2017), é a vontade de comprar</p><p>aquilo que se quer (não o que se precisa).</p><p>A ambientalização das relações de consumo308</p><p>As necessidades não são apenas fisiológicas, como representa a Figura 1,</p><p>pois envolvem também questões psicológicas e relacionadas às condições básicas</p><p>de vida.</p><p>Figura 1. As necessidades humanas.</p><p>Fonte: Andreasi (2011, documento on-line).</p><p>A pirâmide de Maslow, criada em meados dos anos 1950 pelo psicólogo</p><p>norte-americano Abraham Maslow, é uma representação de que as necessidades</p><p>humanas ultrapassam a esfera biológica. A teoria de Maslow organizou essas</p><p>necessidades em uma pirâmide, na qual, na base, encontram-se as necessi-</p><p>dades mais básicas, relacionadas à sobrevivência do indivíduo, como água e</p><p>comida, e, no topo, as mais complexas, envolvendo a autorrealização, como</p><p>o desenvolvimento pessoal e o talento (REZ, 2016).</p><p>Desse modo, sabendo que as necessidades das pessoas não se resumem</p><p>apenas a itens relacionados à própria sobrevivência, com o tempo, as empre-</p><p>sas passaram a adquirir cada vez mais espaços publicitários para conquistar</p><p>a atenção dos consumidores. Porém, diante de tamanha concorrência nos</p><p>anúncios, tornou-se difícil para uma marca se destacar entre as outras, o que</p><p>refletiu a menor eficácia da propaganda tradicional.</p><p>Para chamar e reter a atenção das pessoas, os anunciantes identificaram</p><p>que era preciso oferecer algo que se destacasse em todos os veículos de co-</p><p>309A ambientalização das relações de consumo</p><p>municação: intervalo de televisão, outdoor, revista, ônibus, metrô, mensagens</p><p>no celular, e-mail e redes sociais.</p><p>Assim, o estímulo diário da propaganda sobre os desejos das pessoas torna</p><p>insaciável o consumo na sociedade. A questão que se levanta, nesse sentido, é</p><p>o impacto da aceleração do consumo sobre o meio ambiente, pois os recursos</p><p>para a produção dos bens e serviços são escassos e se confrontam com as</p><p>necessidades e desejos humanos, que são ilimitados e renascem diariamente.</p><p>Um adicional a essa pressão é o crescimento populacional e o aumento dos</p><p>padrões de vida, que aumentam o consumo absoluto e a pressão sobre a utili-</p><p>zação dos recursos escassos (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).</p><p>Alguns países já começaram a alertar a população em relação à utilização</p><p>racional dos recursos disponíveis, em especial aos métodos de produção das</p><p>indústrias, que podem provocar degradação do meio ambiente (ar, solo, rios,</p><p>por exemplo). Assim, cada vez mais, a satisfação do consumidor e a opinião</p><p>pública passaram a estar diretamente ligadas à participação das organizações</p><p>em causas sociais, e a responsabilidade social transformou-se numa vantagem</p><p>competitiva por parte das empresas (LEITE et al., 2007).</p><p>Desenvolvimento e consumo sustentável</p><p>O modo de produção capitalista, iniciado no século XX, tem como característica</p><p>principal o acúmulo de riquezas por parte dos donos dos meios de produção</p><p>e a exploração da força de trabalho. A produção em massa, resultado da</p><p>mecanização dos processos de produção, permitiu, também, o consumo em</p><p>massa: a maior quantidade de bens a preços mais populares representou um</p><p>avanço no desenvolvimento econômico.</p><p>Desenvolvimento econômico se distingue de crescimento econômico:</p><p>o primeiro está relacionado a questões qualitativas, ou seja, se o aumento</p><p>de riquezas está sendo distribuído de forma igualitária entre os indivíduos</p><p>daquela sociedade, gerando bem-estar – são exemplos de itens que provo-</p><p>cam aumento da qualidade de vida. Para Vasconcellos e Garcia (2014), o</p><p>crescimento econômico se refere à geração de riquezas em um país em um</p><p>determinado período – um país ser rico não significa que é desenvolvido, e</p><p>vice-versa. O crescimento é um dos principais objetivos dos governos em</p><p>todos os países do planeta, portanto, é inevitável que aconteça. Em alguns</p><p>casos, o crescimento ocorre de modo mais lento e, em outros, mais acelerado,</p><p>mas o importante é criar uma estrutura para suportá-lo e supri-lo de forma</p><p>sustentável. Isso significa dizer que, com o aumento da produção de bens e</p><p>A ambientalização das relações de consumo310</p><p>serviços, é preciso dar importância às atitudes relacionadas à utilização dos</p><p>recursos do meio ambiente. Em relação ao consumidor, a sua tarefa está no</p><p>consumo consciente, para que a agressão ao meio ambiente seja minimizada</p><p>ou zerada (ARAÚJO et al., 2006).</p><p>Estimular o consumo significa aumento de produção, geração de empregos</p><p>e renda, crescimento e desenvolvimento. Assim, dado que o consumo de bens</p><p>é um dos itens que representa crescimento com desenvolvimento, configura-</p><p>-se como um elemento fundamental nas políticas econômicas dos governos,</p><p>mas gera preocupações em relação aos impactos no meio ambiente, pois os</p><p>recursos naturais são limitados.</p><p>A ameaça de escassez dos recursos disponíveis, tanto para a produção de</p><p>bens e de serviços quanto para o próprio consumo direto, tem recebido grande</p><p>atenção por parte dos governos e da população. O consumo e a utilização</p><p>racional dos recursos permitem que o desenvolvimento seja sustentável, ou</p><p>seja, que possa ser usufruído pelas gerações futuras – daí surge a ideia do</p><p>capitalismo sustentável. A sustentabilidade pode ser econômica, social e</p><p>ambiental, mas todas se preocupam com a utilização dos recursos existentes</p><p>de forma racional, para manter a subsistência das próximas gerações, confi-</p><p>gurando uma preocupação de longo prazo (BRASIL, 2005).</p><p>Para Philippi (2001), sustentabilidade é a capacidade de se autossustentar,</p><p>de se automanter. Quando se realiza uma atividade sustentável qualquer,</p><p>isso significa que a mesma pode ser mantida por um período indeterminado</p><p>de tempo. Uma sociedade sustentável é aquela que não coloca em risco os</p><p>recursos naturais necessários para a vida do ser humano, não comprometendo</p><p>a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias necessidades.</p><p>O meio ambiente é motivo de preocupação, principalmente, desde as últimas</p><p>décadas do século XX, quando passou a fazer parte da agenda dos governos</p><p>de vários países, bem como dos diversos segmentos da sociedade civil or-</p><p>ganizada. Os dados revelam que os problemas ambientais têm se agravado</p><p>com as atividades produtivas e com o consumismo nas sociedades. A partir</p><p>da Revolução Industrial, com a possibilidade de produção em grande escala</p><p>e, posteriormente, com a produção em massa, permitida pela introdução da</p><p>linha de montagem automatizada por Henry Ford, no século XX, a poluição</p><p>no planeta se agravou (BRASIL, 2005).</p><p>Segundo o Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2005), o modelo</p><p>atual de desenvolvimento econômico vem gerando enormes desequilíbrios</p><p>sociais. O mundo vem apresentando elevados níveis de crescimento econô-</p><p>mico, ou seja, de geração de riqueza, ao mesmo tempo em que se registra</p><p>o crescimento da miséria, da degradação do meio ambiente e o aumento da</p><p>311A ambientalização das relações de consumo</p><p>poluição do planeta. Daí a importância do desenvolvimento sustentável, que</p><p>surge como uma forma de reduzir as desigualdades existentes, bem como</p><p>de dar continuidade às atividades que são essenciais para a vida humana.</p><p>Foi na década de 1970 que assuntos relacionados ao desenvolvimento sustentável</p><p>surgiram pela primeira vez, sendo chamados, na época, de ecodesenvolvimento. O link</p><p>a seguir apresenta melhor esse conceito.</p><p>https://goo.gl/Qgd7eb</p><p>Segundo o Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2005), quando surgiu</p><p>a preocupação com o meio ambiente e a relação do mesmo com a busca pelo</p><p>desenvolvimento econômico nos diversos países, podia-se observar duas visões:</p><p> Os possibilistas culturais (ou “tecnocêntricos” radicais): os possibi-</p><p>listas culturais defendiam que os</p><p>alguns impactos negativos:</p><p>I. Impactos negativos advindos de qualquer empreendimento industrial.</p><p>II. Produção de gases de efeito estufa produzidos no processo agrícola da cana de</p><p>açúcar.</p><p>III. Produção de gases de efeito estufa produzidos pela queima da cana para o corte.</p><p>IV. Produção de elevadas quantidades de fuligem geradas na queima dos canaviais</p><p>para facilitar o corte.</p><p>V. Destruição da matéria orgânica e impermeabilização do solo na produção agrícola</p><p>da cana de açúcar.</p><p>5)</p><p>Dos itens listados acima, os impactos negativos da produção de álcool são:</p><p>A) I e II.</p><p>B) I, II e III.</p><p>C) III e V.</p><p>D) I, II, III, IV e V.</p><p>E) II, III, IV e V.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Os Parques Eólicos de Osório, localizados no município gaúcho de mesmo nome, formam o</p><p>maior complexo gerador de energia a partir do vento, da América Latina. Conheça mais sobre</p><p>eles a seguir:</p><p>Centro de Visitação e Difusão de Informações</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Fontes renováveis de energia</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>É importante conhecer os impactos ambientais e trabalhar para reduzi-los ou minimizá-los, mas</p><p>sempre existirá o risco de eles acontecerem. Discutiremos, portanto, estes riscos nesta Unidade</p><p>de Aprendizagem.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Definir os conceitos relacionados com os riscos ambientais: perigo, risco, gerenciamento</p><p>de risco.</p><p>•</p><p>Identificar a relação existente entre impacto e risco na gestão ambiental.•</p><p>Reconhecer a importância das ações de controle e emergência nos estudos de riscos</p><p>ambientais.</p><p>•</p><p>DESAFIO</p><p>Num empreendimento, é importante a identificação dos possíveis impactos ambientais. O</p><p>Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) estabelecem</p><p>medidas para evitar ou minimizar esses impactos.</p><p>No entanto, deve-se considerar o seguinte:</p><p>1. Existe o risco de acontecer um fenômeno que provoque um impacto ambiental?</p><p>2. O que a emissão de gases tóxicos de uma fábrica de fertilizantes poderia provocar à</p><p>atmosfera?</p><p>3. Como se poderia evitar essa emissão de gases? Nesse caso, que medidas preventivas</p><p>poderiam ser tomadas?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Na análise de riscos, deve-se levar em consideração alguns parâmetros, tais como o perigo de</p><p>acontecer um evento, os riscos que tal evento oferece, a análise e o posterior gerenciamento</p><p>desses riscos, caso o evento aconteça.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>A gestão ambiental consiste em ações baseadas em estudos e avaliações que tem o objetivo de</p><p>definir medidas administrativas para empresas e empreendimentos, de modo a evitar ou reduzir</p><p>os impactos ambientais.</p><p>Neste Capítulo, você vai aprender os conceitos de impactos e riscos ambientais, como se</p><p>relacionam com a gestão ambiental e quais os tipos de medidas de controle ambiental.</p><p>Bons estudos!</p><p>GESTÃO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Diego da Luz Adorna</p><p>Análise de impactos</p><p>e riscos ambientais I</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir os conceitos relacionados com os riscos ambientais: perigo,</p><p>risco, gerenciamento de risco.</p><p> Identificar a relação existente entre impacto e risco na gestão</p><p>ambiental.</p><p> Reconhecer a importância das ações de controle e emergência</p><p>nos estudos de riscos ambientais.</p><p>Introdução</p><p>As atividades humanas resultam em alterações físicas, químicas e bio-</p><p>lógicas no meio ambiente. As alterações sofridas pelo meio ambiente</p><p>são denominadas impactos ambientais e podem, ou não, acarretar</p><p>danos ao ambiente.</p><p>A análise dos impactos ambientais consiste em estudo indispensável</p><p>para promoção de gestão ambiental adequada, de modo a garan-</p><p>tir que os princípios de sustentabilidade sejam atingidos no setor da</p><p>construção civil.</p><p>Neste capítulo, você vai aprender os principais conceitos relaciona-</p><p>dos à gestão ambiental, os estudos envolvidos na análise de impactos e</p><p>riscos ambientais e a importância das ações de controle e emergência.</p><p>Riscos ambientais: contextualização</p><p>A humanidade, desde eras primitivas, utiliza os recursos disponíveis no</p><p>meio ambiente, de modo a promover melhorias em suas condições de vida.</p><p>O desenvolvimento tecnológico, intensifi cado a partir da Revolução Indus-</p><p>trial, ocorrida no século XVIII, promoveu avanços sociais, econômicos,</p><p>políticos e culturais, resultando em melhorias signifi cativas na qualidade</p><p>de vida da sociedade, como aumento da expectativa de vida, redução da</p><p>mortalidade infantil, redução do mapa da fome, erradicação de doenças,</p><p>entre outros.</p><p>Os avanços promovidos pelo desenvolvimento tecnológico levaram ao</p><p>surgimento de novas necessidades no cotidiano da sociedade. Conforme</p><p>afirmam Barsano e Barbosa (2014), a adaptação do homem às condições</p><p>ambientais deixou de ser um modus operandi viável, sendo suprimida pela</p><p>adaptação do ambiente às vontades do homem.</p><p>O novo panorama da interação homem versus ambiente resultou no</p><p>aumento do consumo de recursos naturais, de emissão de gases poluentes,</p><p>no descarte inadequado de resíduos, entre outros, promovendo a degradação</p><p>do meio ambiente, conforme observado na Figura 1.</p><p>Figura 1. Degradação ambiental em praia.</p><p>Fonte: Musleemin Noitubtim/Shutterstock.com.</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I2</p><p>No Quadro 1, são apresentados alguns exemplos comuns de degradação</p><p>ambiental.</p><p>Fonte: Adaptado de Barbosa (2014).</p><p>Degradação Descrição</p><p>Degradação</p><p>do solo</p><p>Erosão e</p><p>desertificação</p><p>Uso indiscriminado e abusivo do solo, que</p><p>leva a perda de umidade e desertificação</p><p>do clima.</p><p>Contaminação</p><p>do solo</p><p>Contaminação por deposição inadequada</p><p>de resíduos industriais, domiciliares ou</p><p>agrícolas.</p><p>Poluição das</p><p>águas</p><p>Ocasionada, principalmente, pela deposição de resíduos tóxi-</p><p>cos na água, configura um dos mais graves tipos de degrada-</p><p>ção do ambiente em função do seu caráter imediatista.</p><p>Poluição do ar Ocasionada pela emissão de gases poluentes por veículos e in-</p><p>dústrias, acarreta prejuízos à saúde, às construções, incidência</p><p>de chuvas ácidas, entre outros. A poluição do ar se caracteriza</p><p>como uma forma de degradação global.</p><p>Quadro 1. Tipos comuns de degradação ambiental</p><p>Definições e conceitos</p><p>No que se refere aos estudos técnicos de gestão ambiental, dois conceitos</p><p>merecem especial destaque: perigos e riscos. Perigo consiste em uma condição,</p><p>ou conjunto de condições, que tem potencial para causar danos às pessoas,</p><p>propriedades e ao meio ambiente, como, por exemplo, incêndios, explosões,</p><p>geração de resíduos e substâncias tóxicas, entre outros.</p><p>O risco, por outro lado, está relacionado à frequência ou probabilidade de</p><p>exposição de uma pessoa, propriedade ou meio ambiente a um determinado</p><p>perigo. Em outras palavras, uma situação de perigo só se configura em um</p><p>risco quando existe a exposição de uma pessoa, de uma propriedade ou do</p><p>meio ambiente a essa situação. Observe o exemplo apresentado a seguir.</p><p>3Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>O amianto consiste em uma fibra mineral natural composta por silicatos hidratados de</p><p>ferro e magnésio. A inalação do pó do amianto pode causar doenças respiratórias e câncer,</p><p>e a disposição inadequada desse material pode contaminar o solo e o lençol freático.</p><p>Os materiais compostos por amianto são classificados, portanto, como materiais</p><p>perigosos, pois possuem potencial de provocar danos às pessoas e ao meio ambiente.</p><p>O risco de contaminação por este material, por outro lado, varia de acordo com o</p><p>grau de exposição a ele.</p><p>A disposição de telhas de amianto em invólucros enterrados no solo, por exemplo,</p><p>oferece maior risco de contaminação do meio ambiente do que o armazenamento</p><p>desses materiais em galpões industriais.</p><p>O perigo oferecido pelo material é o mesmo, mas o risco varia de acordo com o</p><p>grau de exposição do meio ambiente a ele.</p><p>O gerenciamento de riscos consiste em um conjunto de análises com o</p><p>objetivo de determinar as fontes de riscos ambientais e as suas consequências</p><p>para o meio ambiente, de modo a permitir que sejam adotadas medidas para re-</p><p>duzir ou eliminar os impactos ambientais decorrentes da atividade em questão.</p><p>Impactos e riscos na gestão ambiental</p><p>As consequências da interação homem versus ambiente são denominadas</p><p>impactos ambientais. O conceito de impactos ambientais é defi nido por meio</p><p>da Resolução CONAMA nº. 01/86, conforme segue:</p><p>Art. 1º. Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental qualquer</p><p>alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente,</p><p>causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades</p><p>humanas que, direta ou indiretamente, afetam:</p><p>I – a saúde, a segurança e o bem-estar da população;</p><p>II – as atividades sociais e econômicas;</p><p>III – a biota;</p><p>IV – as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;</p><p>V – a qualidade dos recursos ambientais. (CONSELHO NACIONAL DE</p><p>MEIO AMBIENTE, 1986, documento on-line).</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I4</p><p>A Resolução CONAMA nº. 01/86 está disponível, na íntegra, no link a seguir.</p><p>https://qrgo.page.link/s7UQZ</p><p>Os impactos ambientais, portanto, são alterações do meio ambiente</p><p>decorrentes das atividades humanas. Contudo, a expressão impacto am-</p><p>biental não quer dizer, necessariamente, que a alteração ambiental promo-</p><p>vida pela atividade humana é danosa ao meio ambiente. Barbosa (2014),</p><p>desse modo, atenta para a diferença entre os termos impacto ambiental</p><p>e dano ambiental.</p><p>Os impactos ambientais são identificados por meio de estudo técnico,</p><p>realizado por profissionais habilitados e qualificados, que buscam carac-</p><p>terizar o impacto, determinando, entre outros itens, o dano causado ao</p><p>meio ambiente.</p><p>O estudo técnico dos impactos ambientais decorrentes de determinada</p><p>atividade consiste em um requisito para promover a sustentabilidade no setor</p><p>da construção civil. A sustentabilidade possui três aspectos fundamentais:</p><p>tecnologia, economia e meio ambiente. Em outras palavras, a sustentabilidade</p><p>busca o desenvolvimento de novas tecnologias economicamente viáveis que</p><p>acarretem impactos reduzidos ao meio ambiente.</p><p>Classificação dos impactos ambientais</p><p>Os impactos ambientais podem ser positivos e negativos. Os impactos positivos</p><p>são aqueles relacionados a técnicas de recuperação ambiental, como recupe-</p><p>ração de matas ciliares, práticas de proteção do solo ou ações de preservação</p><p>e recuperação da qualidade das águas. Os impactos negativos consistem</p><p>nos danos ambientais, ou seja, nas ações físicas, químicas ou biológicas que</p><p>promovem alterações prejudiciais à saúde e ao bem-estar das pessoas, às</p><p>propriedades e ao meio ambiente.</p><p>5Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>Os impactos negativos podem ser classificados da forma como você confere</p><p>a seguir.</p><p> Quanto ao modo: os impactos ambientais podem ser diretos ou indire-</p><p>tos. Os impactos diretos são aqueles resultantes de uma relação causa/</p><p>efeito, enquanto os impactos indiretos são decorrentes do impacto direto.</p><p>Podem ser denominados também como impactos primários (diretos) e</p><p>impactos secundários (indiretos). Exemplo: degradação do ar urbano</p><p>por emissão de gases industriais poluentes (impacto primários) com</p><p>prejuízos à saúde da população (impacto secundário).</p><p> Quanto ao alcance: os impactos ambientais podem ser classificados</p><p>como locais, regionais, nacionais e globais. Exemplos: o vazamento</p><p>de gás tóxico em uma indústria pode ser considerado um impacto</p><p>local, enquanto o vazamento de óleo no mar consiste em um impacto</p><p>ambiental de nível global.</p><p> Quanto ao efeito: os impactos ambientais podem ser imediatos, quando</p><p>as consequências são observadas no instante da ação, ou podem ocorrer a</p><p>médio ou longo prazo. Exemplo: o vazamento de um tanque de armaze-</p><p>namento de produtos químicos tóxicos consiste em um impacto imediato,</p><p>enquanto as doenças provenientes da contaminação da água do lençol</p><p>freático por esses produtos consistem em impactos a médio ou longo prazo.</p><p> Quanto à duração: os impactos ambientais podem ser classificados</p><p>em: temporários, permanentes ou cíclicos. Os impactos temporários</p><p>são aqueles cujos efeitos permanecem durante determinado período</p><p>de tempo, como, por exemplo, a poluição sonora proveniente de uma</p><p>obra de engenharia civil. Os impactos permanentes são aqueles em que</p><p>não existe previsão de término dos seus efeitos, como, por exemplo,</p><p>a contaminação de um rio por meio de despejo de produtos tóxicos.</p><p>Os impactos cíclicos, por fim, são aqueles que se repetem durante</p><p>determinados períodos de tempo — por exemplo, o desmatamento de</p><p>regiões agrícolas, durante os períodos de colheita.</p><p> Quanto à reversibilidade: os impactos ambientais podem ser classifica-</p><p>dos em reversíveis e irreversíveis. Os impactos reversíveis são aqueles</p><p>cujos danos podem ser contornados em curto ou longo prazo, como,</p><p>por exemplo, o reflorestamento de uma área desmatada. Os impactos</p><p>irreversíveis são aqueles cujos danos não podem ser contornados, como,</p><p>por exemplo, a exploração de recursos minerais.</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I6</p><p>Processo de gerenciamento de riscos</p><p>ambientais (PGRA)</p><p>O processo de gerenciamento de riscos consiste em um estudo multidisciplinar</p><p>que busca analisar os riscos decorrentes do uso de determinada técnica ou</p><p>tecnologia, avaliar o impacto ambiental envolvido e, por fi m, traçar medidas</p><p>que permitam suprimir, mitigar ou transferir os riscos envolvidos.</p><p>O processo de gerenciamento de riscos é dividido em duas fases: a primeira</p><p>consiste na análise dos riscos, enquanto a segunda consiste no gerenciamento</p><p>dos riscos propriamente dito.</p><p>A etapa de análise dos riscos, de acordo com Aquino, Paletta e Almeida</p><p>(2017), engloba os seguintes procedimentos:</p><p> identificação do perigo;</p><p> quantificação do risco e seus efeitos;</p><p> determinação dos danos, de acordo com as condições de exposição;</p><p> caracterização dos riscos.</p><p>O gerenciamento dos riscos, por sua vez, é constituído pelos seguintes</p><p>procedimentos:</p><p> implementação de plano de controle de riscos;</p><p> monitoração do plano de controle de riscos;</p><p> reavaliação periódica do plano de controle de riscos.</p><p>O processo de gerenciamento de riscos ambientais faz parte dos estudos</p><p>exigidos pelos órgãos ambientais para emissão do licenciamento ambiental</p><p>de obras de engenharia civil e arquitetura.</p><p>A gestão ambiental, por meio dos estudos de impactos ambientais e ge-</p><p>renciamento de riscos, busca a adoção de práticas que permitam a satisfação</p><p>de critérios de sustentabilidade.</p><p>Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)</p><p>A Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) consiste em um instrumento de</p><p>gestão ambiental vinculado à Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº.</p><p>6.938/81).</p><p>7Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>A Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei nº. 6.938/81, tem por objetivo</p><p>regularizar todas as atividades relacionadas ao meio ambiente e definir diretrizes que</p><p>promovam a preservação, a recuperação e a revitalização do meio ambiente. No link</p><p>a seguir, você terá acesso à Lei nº. 6.938/81 na íntegra.</p><p>https://qrgo.page.link/rnakn</p><p>A AIA tem o objetivo de explicitar todas as condições ambientais envolvidas</p><p>em um empreendimento, permitir que os impactos negativos sejam evitados</p><p>ou, então, mitigados, otimizar os impactos positivos, proteger os sistemas</p><p>naturais e promover o desenvolvimento sustentável.</p><p>Dentre as ferramentas utilizadas na AIA, merecem especial destaque o</p><p>Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental</p><p>(RIMA).</p><p>O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) consiste em um documento</p><p>multidisciplinar que apresenta os impactos ambientais envolvidos em um</p><p>empreendimento, bem como as soluções utilizadas para o seu controle.</p><p>O EIA deve seguir os princípios constantes na Política Nacional do Meio</p><p>Ambiente. A</p><p>Resolução CONAMA nº. 01/86 estabelece as principais diretrizes</p><p>que devem ser contempladas no EIA:</p><p> contemplação de todas as alternativas tecnológicas e de localização do</p><p>projeto, de modo a identificar as melhores opções e descartar aquelas</p><p>que são inviáveis;</p><p> identificar os impactos envolvidos nas fases de instalação e operação</p><p>do empreendimento;</p><p> definir a área de influência dos impactos ambientais decorrentes do</p><p>empreendimento;</p><p> adequar o empreendimento às normas e políticas públicas ambientais.</p><p>A necessidade de EIA é definida por meio dos órgãos ambientais com-</p><p>petentes, que determinam os procedimentos e as diretrizes que devem ser</p><p>respeitadas.</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I8</p><p>O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) é um dos documentos mais</p><p>importantes gerados por meio do EIA. O RIMA consiste em um resumo do que</p><p>foi exposto no EIA, redigido de forma clara, concisa e objetiva, disponibilizado</p><p>de forma a conferir transparência e permitir o controle social.</p><p>O EIA/RIMA é exigido na etapa inicial dos empreendimentos, sendo condi-</p><p>cionante para a emissão da licença prévia pelos órgãos ambientais responsáveis.</p><p>Ações de controle e emergência</p><p>A gestão ambiental, por meio da AIA e do EIA, objetiva a determinação dos</p><p>impactos ambientais decorrentes da implantação, operação e desativação</p><p>de empreendimento e, desse modo, determinar as soluções necessárias para</p><p>reduzir os danos ao meio ambiente.</p><p>Recuperação ambiental</p><p>A recuperação ambiental consiste em ações que têm por objetivo devolver ao</p><p>ambiente suas características originais. As ações adotadas variam de acordo</p><p>com os impactos ambientais aos quais o ambiente foi submetido e devem</p><p>constar no EIA/RIMA.</p><p>A recuperação ambiental da área atingida nem sempre é possível, sendo</p><p>adotadas medidas paliativas de reabilitação, de modo a recuperar a área para</p><p>algum uso diferente do original.</p><p>As operações técnicas e administrativas utilizadas na recuperação ambien-</p><p>tal devem estar explicitadas no Plano de Recuperação de Áreas Degradadas</p><p>(PRAD), estabelecido por meio da Instrução Normativa nº. 4 de 13 de abril</p><p>de 2011, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Re-</p><p>nováveis (IBAMA) (INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E</p><p>RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS, 2011). A metodologia por trás da</p><p>elaboração do PRAD incluiu as etapas a seguir.</p><p> Diagnóstico ambiental: consiste na caracterização da área a ser es-</p><p>tudada. O diagnóstico ambiental é feito por meio do reconhecimento</p><p>topográfico, das características do solo, relevo, clima e geologia e das</p><p>condições hidrológicas da região. Tem por objetivo fornecer informações</p><p>que permitam a identificação dos riscos físicos, químicos e biológicos</p><p>existentes na referida região.</p><p>9Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p> Planejamento ambiental: consiste no conjunto de diretrizes adotadas</p><p>com o objetivo de coletar, organizar e analisar os dados obtidos por meio</p><p>do diagnóstico ambiental, de modo a permitir a elaboração do PRAD.</p><p> Implantação: consiste nas medidas mitigadoras a serem adotadas, de</p><p>modo a promover a recuperação total ou parcial da área degradada.</p><p> Monitoramento: consiste na verificação e análise da eficiência das</p><p>medidas adotadas, de modo a controlar o processo de recuperação</p><p>ambiental e, caso necessário, auxiliar na escolha de medidas alternativas,</p><p>que colaborem com o processo de recuperação.</p><p>Medidas mitigadoras</p><p>As medidas mitigadoras são ações, ou conjunto de ações, que buscam reduzir</p><p>os danos decorrentes de impactos ambientais oriundos da implantação, manu-</p><p>tenção, operação e desativação de empreendimentos. As medidas mitigadoras</p><p>são classifi cadas conforme apresentado no Quadro 2.</p><p>Fonte: Adaptado de Barbosa (2014).</p><p>Classificação Objetivo</p><p>Medida</p><p>mitigadora</p><p>Preventiva Minimizar ou eliminar os impactos ambientais</p><p>negativos.</p><p>Corretiva Restabelecer a situação anterior à ocorrência</p><p>de um impacto ambiental negativo.</p><p>Compensatória Reposição dos bens socioambientais perdi-</p><p>dos devido a impactos negativos decorrentes</p><p>de um empreendimento.</p><p>Potencializadora Otimização dos impactos positivos decorren-</p><p>tes de um empreendimento.</p><p>Quadro 2. Classificação das medidas mitigadoras</p><p>A seguir, é apresentado exemplo de recuperação de áreas degradadas por</p><p>mineração com uso de medidas mitigadoras compensatória.</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I10</p><p>A extração de minerais em minas e pedreiras leva à degradação do solo por meio da</p><p>extração das matérias-primas, assim como à degradação dos recursos hídricos, em</p><p>função do uso de produtos químicos no beneficiamento dos minérios. Além disso,</p><p>a escavação de túneis e patamares resulta em alterações na topografia do terreno,</p><p>conforme observado na Figura 2.</p><p>Figura 2. Degradação ambiental em uma pedreira.</p><p>Fonte: COAST PRODUCTIONS/Shutterstock.com.</p><p>O EIA/RIMA de um empreendimento de exploração do solo deve apresentar medidas</p><p>mitigadoras, como, por exemplo, controle da erosão, controle da poluição atmosférica</p><p>e reposição paisagística e florestal.</p><p>A reposição paisagística e florestal de pedreiras desativadas consiste em uma medida</p><p>mitigadora compensatória, pois visa compensar os bens ambientais perdidos, sem,</p><p>contudo, restabelecer a situação anterior do ambiente.</p><p>Emergências ambientais</p><p>No EIA/RIMA, devem ser previstos, também, os impactos ambientais decor-</p><p>rentes de eventos acidentais ocasionados por falhas humanas ou por fenômenos</p><p>da natureza, como vulcões, abalos sísmicos, chuvas torrenciais tornados, entre</p><p>outros. Os eventos decorrentes de fenômenos da natureza variam de acordo</p><p>com a região em que o empreendimento está sendo instalado, bem como dos</p><p>riscos envolvidos no empreendimento.</p><p>11Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>As diretrizes envolvidas na análise de emergências ambientais são definidas</p><p>pelo Decreto nº. 5.098/2004, que dispõe sobre o Plano Nacional de Resposta</p><p>Rápida a Emergências Ambientais.</p><p>O Plano Nacional de Resposta Rápida a Emergências Ambientais, instituído pelo Decreto</p><p>nº. 5.098/2004, pode ser acessado na íntegra pelo link a seguir.</p><p>https://qrgo.page.link/aVfuq</p><p>1. A análise de impactos e riscos ambien-</p><p>tais e seu correto gerenciamento é</p><p>essencial para todas as atividades, prin-</p><p>cipalmente aquelas com manuseio de</p><p>produtos perigosos. Com respeito ao</p><p>conceito e às características de riscos e</p><p>impactos, marque a alternativa correta.</p><p>a) Enquanto impacto significa algo</p><p>negativo que possa ocorrer, risco sig-</p><p>nifica mudança, positiva ou negativa.</p><p>b) Impacto significa mudança, sempre</p><p>negativa, e tem como objetivo</p><p>minimizar ou eliminar os perigos de</p><p>uma determinada atividade.</p><p>c) Risco significa identificar os im-</p><p>pactos de uma determinada ativi-</p><p>dade, buscando eliminar os perigos.</p><p>d) A análise de risco minimiza ou</p><p>elimina os perigos de uma deter-</p><p>minada atividade.</p><p>e) Perigo refere-se aos impactos, que</p><p>podem ser negativos e positivos.</p><p>2. O EIA-RIMA refere-se a __________</p><p>documento(s) com o objetivo de</p><p>analisar os _____________ que uma</p><p>determinada atividade irá causar</p><p>________________. Das alternativas a</p><p>seguir, qual complementa correta-</p><p>mente a sentença colocada?</p><p>a) um/riscos/na saúde do trabalhador</p><p>b) dois/impactos/no meio ambiente</p><p>c) três/impactos/na empresa</p><p>d) um/perigos/no meio ambiente</p><p>e) dois/riscos/na saúde do trabalhador</p><p>3. A avaliação de impactos e riscos</p><p>possuem contextos separados, mas</p><p>não deixam de andar lado a lado no</p><p>processo de licenciamento am-</p><p>biental. Avalie as questões colocadas</p><p>e marque as alternativas corretas.</p><p>I. O EIA-RIMA é utilizado para a</p><p>avaliação de riscos.</p><p>II. A avaliação de riscos é feita</p><p>durante a licença prévia.</p><p>III. A avaliação de riscos está asso-</p><p>ciada à identificação dos perigos</p><p>de uma determinada atividade.</p><p>IV. A avaliação de impactos ocorre</p><p>somente durante a licença de</p><p>operação.</p><p>a) Apenas a I.</p><p>b) Apenas a II.</p><p>Análise de impactos e riscos ambientais I12</p><p>AQUINO, A. R.; PALETTA, F. C.; ALMEIDA, J. R. (Org.). Risco</p><p>ambiental. São Paulo: Blucher, 2017.</p><p>BARBOSA, R. P. Avaliação de risco e impacto ambiental. São Paulo: Érica, 2014.</p><p>BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Gestão ambiental. São Paulo: Érica, 2014.</p><p>CONSELHO NACIONAL DE MEIO AMBIENTE. Resolução nº. 01, de 23 de janeiro de 1986.</p><p>Conama, 1986. Disponível em: http://www2.mma.gov.br/port/conama/legislacao/</p><p>CONAMA_RES_CONS_1986_001.pdf. Acesso em: 06 out. 2019.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS.</p><p>Instrução Normativa IBAMA nº 04, de 13 de abril de 2011. IBAMA, 2011. Disponível em:</p><p>http://www.ctpconsultoria.com.br/pdf/Instrucao-Normativa-IBAMA-04-de-13-04-2011.</p><p>pdf. Acesso em: 06 out. 2019.</p><p>Leitura recomendada</p><p>BORGA, T.; CAMPOS, R. F. F. Proposta de recuperação de uma área degradada pela</p><p>atividade de extração de basalto no município de Caçador, Santa Catarina. Revista</p><p>Geonorte, v. 8, n. 29, p. 23–37, 2017.</p><p>c) Apenas a III.</p><p>d) Apenas a I e II.</p><p>e) Apenas a III e IV.</p><p>4. Como profissional do meio ambiente,</p><p>você é chamado para orientar uma em-</p><p>presa a obter a certificação ambiental. A</p><p>primeira etapa é o diagnóstico, e você</p><p>percebe que existe um documento</p><p>técnico de análise de risco com data</p><p>de 5 anos que sistematiza e quantifica</p><p>as informações de identificação dos</p><p>perigos e riscos e apresenta estimativa</p><p>de frequência e consequência, além de</p><p>análise de vulnerabilidade. Diante do</p><p>exposto, você então coloca que:</p><p>a) a empresa tem feito o gerencia-</p><p>mento correto dos riscos.</p><p>b) a empresa precisa adequar a</p><p>análise de riscos apresentada.</p><p>c) a empresa precisa realizar um</p><p>EIA/RIMA.</p><p>d) a empresa precisa realizar também</p><p>o gerenciamento dos riscos.</p><p>e) a empresa possui um SGA exemplar</p><p>e está pronta para a certificação.</p><p>5. Uma empresa de transportes de pro-</p><p>dutos perigosos está realizando a sua</p><p>análise de riscos. No momento, está</p><p>descrevendo o risco de acidentes,</p><p>relatando a causa e seus efeitos, mas</p><p>pensando no que colocar quanto</p><p>às medidas preventivas ou mesmo</p><p>corretivas. O que você sugere?</p><p>I. Uso de protetor auricular</p><p>II. Manutenção dos veículos</p><p>III. Treinamentos</p><p>IV. Uso de capacete de proteção</p><p>a) Apenas a I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas a II e III.</p><p>d) Apenas a III e IV.</p><p>e) Apenas a IV.</p><p>13Análise de impactos e riscos ambientais I</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Neste vídeo, apresentam-se a relação existente entre riscos e impactos e como se deve agir</p><p>diante dessas situações.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) A análise de impactos e riscos ambientais, e seus correto gerenciamento é essencial</p><p>para todas as atividades, principalmente aquelas com manuseio de produtos</p><p>perigosos. Com respeito ao conceito e características de riscos e impactos, marque a</p><p>alternativa correta:</p><p>A) Enquanto impacto significa algo negativo que possa ocorrer, risco significa mudança,</p><p>positiva ou negativa;</p><p>B) Impacto significa mudança, sempre negativa, e tem como objetivo minimizar ou eliminar</p><p>os perigos de uma determinada atividade;</p><p>C) Risco significa identificar os impactos de uma determinada atividade, visando eliminar os</p><p>perigos;</p><p>D) A análise de risco minimiza ou elimina os perigos de uma determinada atividade;</p><p>E) Perigo refere-se aos impactos, que podem ser negativos e positivos.</p><p>O EIA-RIMA refere-se a __________ documento(s) com o objetivo de analisar os</p><p>_______________ que uma determinada atividade irá causar</p><p>_____________________. Das alternativas a seguir, qual complementa corretamente</p><p>2)</p><p>a sentença colocada?</p><p>A) Um – risco – na saúde do trabalhador</p><p>B) Dois – impacto – no meio ambiente</p><p>C) Três – impacto – na empresa</p><p>D) Um – perigo - no meio ambiente</p><p>E) Dois – risco – na saúde do trabalhador</p><p>3) A avaliação de impactos e riscos possuem contextos separados, mas não deixam de</p><p>andar lado a lado no processo de Licenciamento Ambiental. Avalie as questões</p><p>colocadas e após marque quais as alternativas estão corretas:</p><p>I – O EIA-RIMA é utilizado para a avaliação de riscos;</p><p>II – A avaliação de riscos é feita durante a licença prévia;</p><p>III – A avaliação de riscos está associada a identificação dos perigos de uma</p><p>determinada atividade;</p><p>IV – A avaliação de impactos ocorre somente durante a licença de operação.</p><p>A) Apenas a I</p><p>B) Apenas a II</p><p>C) Apenas a III</p><p>D) Apenas a I e II</p><p>E) Apenas a III e IV</p><p>4) Como profissional do meio ambiente você é chamado para orientar uma empresa a</p><p>obter a certificação ambiental. A primeira etapa é o diagnóstico, e você percebe que</p><p>existe um documento técnico de análise de risco com data de 5 anos, que sistematiza e</p><p>quantifica as informações de identificação dos perigos e riscos e apresenta estimativa</p><p>de frequência e consequência além de análise de vulnerabilidade. Diante do exposto,</p><p>você então coloca:</p><p>A) Muito bem, a empresa tem feito o gerenciamento correto dos riscos</p><p>B) A empresa precisa adequar a análise de riscos apresentada</p><p>C) A empresa precisa realizar um EIA-RIMA</p><p>D) A empresa precisa realizar também o gerenciamento dos riscos</p><p>E) A empresa possui um SGA exemplar e está pronta para a certificação</p><p>5) Uma empresa de transportes de produtos perigosos está realizando a sua análise de</p><p>risco. Está no momento descrevendo o risco de acidentes, relatando a causa e seus</p><p>efeitos, mas pensando no que colocar quanto as medidas preventivas ou mesmo</p><p>corretivas. O que você sugere?</p><p>I – Uso de protetor auricular</p><p>II – Manutenção dos veículos</p><p>III – Treinamentos</p><p>IV – Uso de capacete de proteção</p><p>A) Apenas a I</p><p>B) Apenas II</p><p>C) Apenas a II e III</p><p>D) Apenas a III e IV</p><p>E) Apenas a IV</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Veja a seguir um exemplo de um acidente ocorrido numa empresa, o qual pode provocar</p><p>impactos ambientais.</p><p>Veja imagens do incêndio e obtenha mais informações na reportagem a seguir:</p><p>Incêndio provoca explosões em área industrial de Santos, SP</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Análises de risco na operação de usinas de reciclagem de resíduos eletroeletrônicos</p><p>(REEE)</p><p>Para garantir um funcionamento mais adequado às distintas atividades que possam causar</p><p>qualquer dano ao meio ambiente e às pessoas, aplica-se então a identificação e avaliação de</p><p>riscos ambientais, e que possui como objetivo central prevenir acidentes e garantir um ambiente</p><p>saudável. Acompanhe agora um artigo publicado pela revista Gestão & Produção, em 2019, que</p><p>aplicou a identificação e avaliação de riscos ambientais, de saúde e segurança do trabalhador, no</p><p>processo de gerenciamento da cadeia de retorno de resíduos eletroeletrônicos (REEE). Vais</p><p>perceber que a atividade, se executado de forma inadequada, possui grande potencial para causar</p><p>severos danos ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores, e consolidar assim a importância</p><p>do gerenciamento correto dos riscos ambientais.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A efetividade dos sistemas de avaliação de impacto ambiental nos estados de São Paulo e</p><p>Minas Gerais</p><p>Mas será que esses estudos de avaliação de impacto ambiental (AIA) são realmente válidos, será</p><p>que minimizam realmente os impactos de uma determinada atividade? Acompanhe agora uma</p><p>avaliação da efetividade da AIA aplicada a 37 casos de licenciamento ambiental em SP e MG,</p><p>publicada pela revista Ambiente & Sociedade, volume 20, número 2, de 2017.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>macroambiente I</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>O macroambiente é o retrato de uma economia globalizada, na qual algumas variáveis não</p><p>atuam de forma independente. Nesta Unidade de Aprendizagem, estudaremos este</p><p>macroambiente dentro da Gestão Socioambiental Estratégica (GSE).</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Distinguir o macroambiente dentro da GSE.•</p><p>Identificar as diferentes variáveis que atuam no macroambiente numa GSE.•</p><p>Reconhecer as interações que existem entre estas variáveis.•</p><p>DESAFIO</p><p>Para resolver este desafio, considere a seguinte situação:</p><p>Imagine que você é um grande empresário da área de alimentação e deverá elaborar um plano</p><p>para definir sua gestão socioambiental estratégica em nível do macroambiente. Para tal,</p><p>responda:</p><p>Quais as variáveis você deverá considerar para elaborar sua estratégia? Pense que estas variáveis</p><p>podem ser de diversos tipos, sejam naturais ou sociais. Se você acertar entre três e quatro das</p><p>que realmente devem ser levadas em consideração, você já tem uma ideia bastante clara do</p><p>trabalho a ser feito.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Esta figura relaciona as variáveis que compõem o macroambiente: econômica, tecnológica,</p><p>ambiente natural, demográfica, sociocultural, político-legal e competitiva. Estas variáveis</p><p>devem ser observadas pelas organizações em âmbito nacional e internacional, no contexto do</p><p>macroambiente. Isoladamente ou em conjunto, elas podem afetar a organização.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>O macroambiente é um sistema aberto, que se comunica com o ambiente externo, e suas</p><p>variáveis (econômica, tecnológica, ambiente natural, demográfica, sociocultural, político-legal e</p><p>competitiva) interagem a todo momento e geram novas oportunidades e ameaças para as pessoas</p><p>e organizações. Para saber mais sobre este assunto, leia o capítulo 1, do livro Gestão</p><p>Socioambiental Estratégica, de Nascimento, Lemos e Mello.</p><p>Boa leitura.</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Neste vídeo, apresentam-se as sete variáveis mais significativas na Gestão Socioambiental</p><p>Estratégica (GSE) e suas características fundamentais, baseadas nas principais questões a serem</p><p>consideradas na análise de cada uma delas.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) O macroambiente é um sistema aberto, que se comunica com seu ambiente externo, e</p><p>suas variáveis interagem a todo o momento e geram novas oportunidades e ameaças</p><p>para as pessoas e organizações. Observe os itens a seguir:</p><p>I. Variável tecnológica</p><p>II. Variável logística</p><p>III. Variável demográfica</p><p>IV. Variável competitiva</p><p>V. Variável financiadora</p><p>Dos itens acima listados, quais são variáveis fundamentais do macroambiente?</p><p>A) Apenas I, II e III.</p><p>B) Apenas II, III e IV.</p><p>C) Apenas I, III e IV.</p><p>D) Apenas II, IV e V</p><p>E) Apenas III, IV e V.</p><p>2)</p><p>"Uma organização, seja uma grande indústria, uma microempresa, uma prefeitura</p><p>municipal ou uma entidade ambientalista, precisa estar atenta para perceber para</p><p>onde sopram os ventos ou, melhor ainda, para onde os ventos vão soprar. Analisando</p><p>esta questão, o professor e consultor C. K. Prahalad diz que, em vez de as</p><p>organizações se preocuparem em conhecer as best practice, deveriam estar atentas às</p><p>next practice."</p><p>(NASCIMENTO, LEMOS, MELLO, 2008, p. 22)</p><p>A ideia central deste parágrafo é:</p><p>A) Os problemas climáticos são importantes para a organização.</p><p>B) A previsão do rumo e a velocidade dos ventos devem ser consideradas para o futuro da</p><p>organização.</p><p>C) Uma organização deve estar atenta ao que pode acontecer no futuro, e não só na</p><p>atualidade.</p><p>D) As grandes indústrias devem estar atentas ao desenvolvimento das prefeituras municipais.</p><p>E) As organizações devem estar atentas fundamentalmente a melhores práticas.</p><p>3) As tendências são variações do ambiente externo, lentas ou rápidas, mas persistentes,</p><p>que podem afetar, de forma leve ou profunda, os negócios ou atividades da</p><p>organização, de seus clientes, dos fornecedores e da sociedade em geral. No Brasil,</p><p>existem algumas tendências de evolução rápida.</p><p>Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma dessas tendências:</p><p>A) Redução do emprego formal e aumento das ocupações informais.</p><p>B) Aumento progressivo do nível de escolaridade.</p><p>C) Esgotamento progressivo das reservas minerais, de hidrocarbonetos e do potencial de</p><p>geração elétrica.</p><p>D) Maior intercâmbio comercial com os países do MERCOSUL.</p><p>E) Crescimento da participação da mulher na economia, nos negócios, na política e na vida</p><p>familiar e social.</p><p>4) A Análise SWOT possibilita identificar as tendências e descontinuidades de um</p><p>negócio nos ambientes em que ele está inserido. Ela baseia-se na análise de</p><p>oportunidades, ameaças no ambiente interno e em suas forças e fraquezas. Veja os</p><p>itens a seguir:</p><p>I. Novos concorrentes</p><p>II. Expansão da linha de produtos</p><p>III. Capacidade de inovar</p><p>IV. Economia enfraquecida</p><p>V. Mudanças na preferência do cliente</p><p>Dos itens acima, quais são considerados ameaças ao ambiente interno?</p><p>A) Apenas I, II e IV.</p><p>B) Apenas II, III e IV.</p><p>C) Apenas I, III e V.</p><p>D) Apenas I, IV e V.</p><p>E) Apenas III, IV e V.</p><p>A variável tecnológica é também de grande importância na GSE. Analise os itens a 5)</p><p>seguir:</p><p>I. Carros de gasolina são substituídos por híbridos e por fontes de energia mais</p><p>limpas.</p><p>II. Organismos geneticamente modificados são usados intensivamente na agricultura.</p><p>III. As pessoas querem que o planeta seja preservado.</p><p>IV. Uso de descartáveis é repensado devido à geração de lixo.</p><p>V. Leis ambientais são mais restritivas.</p><p>Dos itens acima listados, quais são exemplos de tendências relativas ao ambiente</p><p>tecnológico para uma organização?</p><p>A) Apenas I, II e III.</p><p>B) Apenas I, II e IV.</p><p>C) Apenas II, III e IV.</p><p>D) Apenas I, III e IV,</p><p>E) Apenas III, IV e V.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Empresas do setor mineral estão se conscientizando sobre a necessidade de estabelecer práticas</p><p>sustentáveis nas organizações. Foi o que demonstrou o estudo de Kneipp et al. Veja a seguir:</p><p>Para mais informações, consulte o trabalho mencionado no link:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Gestão Socioambiental Estratégica: uma proposta para PMEs</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>macroambiente II</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, trataremos da gestão socioambiental estratégica no</p><p>macroambiente. Veremos também alguns aspectos muito importantes, destacando as variáveis</p><p>ambientais controláveis e as incontroláveis, assim como as abordagens do trabalho vinculadas</p><p>ao meio ambiente. Bons estudos! Ao final desta unidade você deve apresentar os seguintes</p><p>aprendizados:</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Reconhecer os eventos mais importantes da evolução das questões ambientais.•</p><p>Identificar as principais variáveis ambientais controláveis e incontroláveis que podem</p><p>interferir na GSE (gestão socioambiental estratégica) no macroambiente.</p><p>•</p><p>Explicar as principais abordagens relacionadas com o meio ambiente.•</p><p>DESAFIO</p><p>Nas abordagens relacionadas ao macroambiente existem diferentes forças que as influenciam.</p><p>Dentre esta forças temos: furações, tsunamis, sismos, erupções vulcânicas, chuvas fortes,</p><p>inundações etc. Essas forças são conhecidas como incontroláveis. A partir desse conceito,</p><p>responda ao desafio.</p><p>• Por que estas forças recebem esse nome?</p><p>• Como podem interferir na organização? Escreva um exemplo.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Veja no esquema as quatro principais abordagens vinculadas ao meio ambiente, na gestão</p><p>socioambiental estratégica no macroambiente.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>O conceito de ecossistema do mercado pode ser definido como o conjunto de interações entre os</p><p>componentes e/ou variáveis do macroambiente, do microambiente e do ambiente interno. Todos</p><p>esses componentes constituem o que se convencionou chamar de ambiente do mercado.</p><p>Leia trecho do capítulo 2 do livro Gestão socioambiental estratégica e aprofunde seu</p><p>conhecimento sobre o assunto.</p><p>Boa leitura!</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Esta videoaula apresenta os aspectos gerais sobre gestão estratégica e macroambiente,</p><p>enfatizando as suas principais abordagens vinculadas ao meio ambiente.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) A gestão ambiental tem em conta variáveis controláveis e incontroláveis. NÃO é uma</p><p>variável incontrolável da gestão socioambiental:</p><p>A) Tsunamis.</p><p>B) Urbanização.</p><p>C) Furacões.</p><p>D) Sismos.</p><p>E) Erupções vulcânicas.</p><p>2) Analise os itens a seguir:</p><p>I. Agenda 21.</p><p>II. Crescimento econômico.</p><p>III. Educação ambiental.</p><p>IV. Desenvolvimento sustentável.</p><p>V. Capitalismo tradicional.</p><p>Dos itens acima, quais representam CORRETAMENTE as principais abordagens da</p><p>gestão socioambiental estratégica, vinculadas ao meio ambiente?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) II, III e IV.</p><p>C) I, III e IV.</p><p>D) II, IV e V.</p><p>E) III, IV e V.</p><p>3) A Agenda 21 é um programa proposto na Rio 92, que pretende estabelecer</p><p>estratégias de trabalho que visam a melhoria do ambiente e o desenvolvimento</p><p>sustentável, e pode ser considerada em alguns níveis territoriais. Analise os itens a</p><p>seguir:</p><p>I. Nível de bairro.</p><p>II. Nível municipal.</p><p>III. Nível estadual.</p><p>IV. Nível nacional.</p><p>V. Nível global.</p><p>Dos itens acima, quais representam os níveis territoriais considerados pela Agenda na</p><p>Rio 92?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) I, III e IV.</p><p>C) II, III e IV</p><p>D) II, IV e V.</p><p>E) III, IV e V.</p><p>4) A metodologia empregada internacionalmente para a elaboração das Agendas 21</p><p>Nacionais contempla a participação de diferentes níveis de governo, do setor</p><p>produtivo e da sociedade civil organizada, com as atribuições de propor estratégias</p><p>de desenvolvimento sustentável e de coordenar, elaborar e acompanhar a</p><p>implementação da Agenda. Diferentemente de outras experiências no mundo, a</p><p>Agenda 21 brasileira optou pela inclusão das agendas locais, o que é uma condição</p><p>indispensável para o êxito do programa num país de dimensões continentais e de</p><p>múltiplas diferenças. A experiência de consolidação democrática no país estimulou a</p><p>realização de debates nacionais, que, por sua vez, originaram diversas inovações para</p><p>a construção do documento brasileiro. Da leitura e análise deste texto podemos</p><p>concluir que:</p><p>A) A Agenda 21 brasileira seguiu os mesmos princípios levados em consideração por todos os</p><p>países, sem nenhuma inovação evidente.</p><p>B) A Agenda 21 deve ser elaborada por instâncias governamentais, ouvindo os interesses da</p><p>sociedade, mas sem sua participação efetiva.</p><p>C) O Brasil levou em consideração, na elaboração da Agenda 21 a condição de ser um país de</p><p>magnitude continental, com múltiplas diferenças.</p><p>D) A experiência de debates nacionais estimulou a democratização do país.</p><p>E) O documento brasileiro serviu de exemplo para outros países do mundo.</p><p>O capitalismo natural é uma das principais abordagens da gestão socioambiental</p><p>estratégica vinculadas ao meio ambiente.</p><p>Analise os itens a seguir:</p><p>I. O ambiente natural é um invólucro que contem, abastece e sustenta o conjunto da</p><p>economia.</p><p>5)</p><p>II. Crescimento radical da produtividade dos recursos como chave do emprego mais</p><p>eficaz das pessoas, do dinheiro e do ambiente natural.</p><p>III. O crescimento do PIB maximiza o bem-estar humano.</p><p>IV. As preocupações com a saúde do ambiente natural são importantes, mas devem</p><p>equilibrar-se com as exigências do desenvolvimento econômico.</p><p>V. A sustentabilidade econômica e ambiental depende da superação das</p><p>desigualdades globais de renda e bem-estar material.</p><p>Dos itens acima, quais são pressupostos do capitalismo natural?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) II, III e IV.</p><p>C) I, III e V.</p><p>D) I, II e IV</p><p>E) I, II e V.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Veja a seguir um exemplo de gestão socioambiental estratégica numa empresa do ramo de</p><p>automóveis.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Gestão estratégica da responsabilidade socioambiental empresarial: operacionalização por</p><p>meio do sistema de gestão integrado</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>microambiente I</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>O microambiente do ecossistema de mercado é formado por atores que se relacionam, de</p><p>alguma forma, com a organização, seja atravessando seus muros, como é o caso dos</p><p>fornecedores, intermediários e clientes, seja exercendo algum tipo de fiscalização, como é o</p><p>caso dos stakeholders externos, ou por algum tipo de interesse sobre o lançamento de novos</p><p>produtos, como é o caso dos concorrentes. Portanto, nesta Unidade de Aprendizagem,</p><p>iniciaremos o estudo deste microambiente e seus atores.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Contextualizar o microambiente dentro da gestão socioambiental estratégica.•</p><p>Reconhecer os principais atores que intervêm no microambiente.•</p><p>Identificar as características fundamentais dos atores do microambiente.•</p><p>DESAFIO</p><p>Para resolver este desafio, considere a seguinte situação:</p><p>Imagine que você planejou abrir uma empresa. Você entrou em contato com um contador,</p><p>providenciou toda a documentação e acredita que tudo está pronto. Mas, será que é só isso?</p><p>Você não acha que deve analisar aqueles que poderão ter relações diversas com sua empresa?</p><p>Quem são eles? Qual o papel de cada um deles? Pense nisso e faça esta análise, listando as</p><p>possíveis relações que sua empresa deverá manter com pessoas ou grupos.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Veja neste infográfico os componentes ou atores do microambiente na Gestão Socioambiental</p><p>Estratégica (GSE).</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>É importante que uma organização conheça os atores do microambiente, pois isso permitirá o</p><p>estabelecimento de relações que poderão melhorar o seu desempenho. Para saber mais sobre</p><p>este assunto, leia o capítulo 3, da obra Gestão Socioambiental Estratégica, de Nascimento,</p><p>Lemos e Mello.</p><p>Boa leitura!</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Fornecedores, intermediários, concorrentes, stakeholders e clientes são os integrantes do</p><p>microambiente. Neste vídeo, você conhecerá o conceito e as características de cada um deles.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Considere que uma organização está implementando um programa de Gestão</p><p>Socioambiental Estratégica (GSE), por exemplo, e um dos itens deste programa é a</p><p>identificação das matérias-primas tóxicas. Assim, após a identificação, a organização</p><p>deverá estabelecer uma forma de prevenção e minimização do problema ambiental,</p><p>por meio da substituição de matérias-primas. Neste ponto do problema, qual ator é</p><p>fundamental?</p><p>A) Clientes.</p><p>B) Fornecedores.</p><p>C) Concorrentes.</p><p>D) Stakeholders.</p><p>E) Intermediários.</p><p>Entre os atores no microambiente estão os intermediários. Como o nome indica, eles</p><p>intermedeiam as relações entre a empresa e, por exemplo, os fornecedores, ou têm</p><p>outros papéis importantes. Um destes intermediários são as agências de marketing,</p><p>que, além de serem importantes, podem até ser consideradas como atores</p><p>independentes. Analise os itens a seguir</p><p>2)</p><p>I. Logística</p><p>II. Clientes</p><p>III. Stakeholders</p><p>IV. Financiadores</p><p>V. Concorrentes</p><p>Dos atores listados acima, quais representam intermediários fundamentais numa</p><p>empresa?</p><p>A) Apenas I e II.</p><p>B) Apenas II e III.</p><p>C) Apenas III e IV.</p><p>D) Apenas I e IV.</p><p>E) Apenas IV e V.</p><p>3) Quando uma organização decide utilizar os serviços de uma agência de marketing,</p><p>ela deve fazer uma escolha cuidadosa, já que entre as agências existem grandes</p><p>diferenças numa série de características que podem ser o diferencial no resultado de</p><p>um plano de marketing. Quanto a essa seleção de agências, assinale a alternativa que</p><p>apresenta um dos aspectos que a empresa NÃO deve levar em consideração:</p><p>A) Criatividade.</p><p>B) Localização física.</p><p>C) Preço.</p><p>D) Qualidade.</p><p>E) Cumprimento de prazos.</p><p>4) Basicamente, em mercados não monopolísticos, é possível observar que as</p><p>organizações</p><p>têm vários concorrentes. Para o sucesso de uma empresa, ela deve</p><p>satisfazer os desejos e necessidades dos clientes melhor que seus concorrentes, para</p><p>garantir a freguesia. Para isso, a empresa deve elaborar uma estratégia de</p><p>competição que leve em consideração determinado(s) aspecto(s). Observe os itens a</p><p>seguir:</p><p>I. O tamanho da própria organização diante das organizações concorrentes.</p><p>II. Seu público-alvo e o dos concorrentes.</p><p>III. Sua área geográfica de atuação e a dos seus concorrentes.</p><p>IV. Sua performance socioambiental e a dos seus concorrentes.</p><p>Dos itens listados acima, deve(m) ser considerados(s) pela empresa APENAS:</p><p>A) I.</p><p>B) I e II.</p><p>C) II e III.</p><p>D) I, II e IV.</p><p>E) I, II, III e IV.</p><p>5) ,Refere-se a qualquer grupo que tenha um interesse real ou potencial ou que</p><p>interfira, de alguma forma, na capacidade da organização de atingir seus objetivos.</p><p>No entanto, está fora dela. Este conceito corresponde a:</p><p>A) Clientes.</p><p>B) Agentes de marketing.</p><p>C) Stakeholders internos.</p><p>D) Stakeholders externos.</p><p>E) Concorrentes.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Como fazer uma análise do marketing de uma pequena organização? Em primeiro lugar, nunca</p><p>se deve pensar que uma empresa, por ser pequena, não precisa de marketing. Este garante, de</p><p>fato, que a empresa e seus produtos ou serviços sejam conhecidos.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Plano estratégico de marketing para a Shekiná Flores</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>microambiente II</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, estudaremos as três abordagens vinculadas com os atores do</p><p>microambiente. São elas: a permacultura, a emissão zero e a produção mais limpa. Esta unidade</p><p>nos permite ter uma ideia final do microambiente dentro da Gestão Socioambiental Estratégica.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Conhecer as três abordagens relacionadas com os atores do microambiente.•</p><p>Identificar as características fundamentais das abordagens relacionadas com o</p><p>microambiente.</p><p>•</p><p>Conhecer o significado destas abordagens nas relações entre os atores do microambiente.•</p><p>DESAFIO</p><p>O objetivo de uma empresa é gerar a menor quantidade de resíduos possíveis. No entanto, para</p><p>ela, é impossível reutilizar ou reciclar alguns deles, o que significa que sempre existirão</p><p>determinados volumes de resíduos, por exemplo, de papel. De fato, isso significa que a empresa</p><p>não consegue mais reutilizar ou reciclar este papel, mas seu compromisso é que, no final,</p><p>praticamente não existam resíduos.</p><p>O que você acha que a empresa poderia fazer, neste caso, com este papel?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Este infográfico apresenta as três abordagens relacionadas com os atores do microambiente na</p><p>Gestão Socioambiental Estratégica.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Há três abordagens que se relacionam diretamente ao microambiente: a permacultura, a emissão</p><p>zero e a produção mais limpa. No capítulo 4, da obra Gestão Socioambiental Estratégica, de</p><p>Nascimento, Lemos e Mello, você conhecerá o conceito e outras abordagens ligadas a cada um</p><p>desses atores.</p><p>Boa leitura!</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>ste vídeo apresenta, de maneira sintética, os atores relacionados ao microambiente.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) Uma empresa de prestação de serviços de propaganda gera, mensalmente, 300 kg de</p><p>resíduos de papel e papelão. Seu sistema de ecoeficiência já conseguiu reduzir o</p><p>consumo de papel e, consequentemente, os resíduos. Para isso, ela reutiliza quase a</p><p>metade do papel, antes jogado fora, para fazer rascunhos para anotações. No entanto,</p><p>ela ainda gera uma quantidade importante de resíduos de papel, quase 150 kg.</p><p>Baseando-se nos mesmos princípios da ecoeficiência ou produção mais limpa, o que a</p><p>empresa poderia fazer com esses resíduos pensando na máxima eficiência econômica</p><p>e ambiental?</p><p>A) Produzir papel artesanal.</p><p>B) Enviar o papel para ser queimado.</p><p>C) Descartar esses resíduos no lixo.</p><p>D) Aplicar o princípio da reciclagem externa.</p><p>E) Acumular os resíduos até achar uma solução para utilizá-lo dentro da empresa.</p><p>Numa fazenda estabelecem-se cinco zonas e em cada uma delas se desenvolvem</p><p>atividades diferentes. Estas zonas são:</p><p>1. local visitado diariamente, com horta, árvores frutíferas e criação de alguns</p><p>2)</p><p>animais de pequeno porte.</p><p>2. local com árvores frutíferas e animais de médio porte. Esta zona deve receber</p><p>elementos que exigem manejo frequente.</p><p>3. zona mais distante, com culturas com fins comerciais que não necessitam de</p><p>cuidados diários.</p><p>4. zona visitada raramente, com açudes e floresta.</p><p>5. zona pouco visitada. A entrada nesta zona ocorre somente para a coleta de</p><p>sementes. Nela, a floresta se desenvolve naturalmente.</p><p>Analisando esta distribuição espacial, podemos dizer que nela se desenvolve um</p><p>programa com abordagem de:</p><p>A) Permacultura.</p><p>B) Programa Zeri.</p><p>C) Produção mais limpa.</p><p>D) Zero emissão.</p><p>E) Ecoeficiência.</p><p>3) Qual dos aspectos a seguir NÃO é um alvo do sistema de gestão no programa Zeri?</p><p>A) Zero defeito.</p><p>B) Zero desemprego.</p><p>C) Zero acidente.</p><p>D) Zero reclamação.</p><p>E) Zero emissão.</p><p>4) Leia o seguinte conceito:</p><p>"Aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada</p><p>aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas,</p><p>água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos</p><p>gerados, com benefícios ambientais e econômicos para os processos produtivos."</p><p>(SENAI-RS, 2006 apud NASCIMENTO; LEMOS; MELLO, 2008, p. 194)</p><p>Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE o termo correspondente à</p><p>definição acima:</p><p>A) Permacultura.</p><p>B) Emissão zero.</p><p>C) Produção mais limpa.</p><p>D) Programa Zeri.</p><p>E) Qualidade total.</p><p>(COPEL - 2010)</p><p>A ecoeficiência atinge-se através da oferta de bens e serviços a preços competitivos,</p><p>que, por um lado, satisfaçam as necessidades humanas e contribuam para a</p><p>qualidade de vida e, por outro, reduzam progressivamente o impacto ecológico e a</p><p>intensidade de utilização de recursos ao longo do ciclo de vida, até atingirem um nível</p><p>que, pelo menos, respeite a capacidade de sustentação estimada para o planeta Terra.</p><p>Analise os itens a seguir:</p><p>I. Redução de consumo de recursos</p><p>II. Redução do impacto na natureza</p><p>III. Melhoria do valor do produto ou serviço</p><p>IV. Melhoria do desempenho econômico-financeiro</p><p>5)</p><p>Dos itens listados acima, podem ser considerados objetivos centrais da ecoeficiência</p><p>APENAS:</p><p>A) II e III.</p><p>B) I e II.</p><p>C) I, II e IV.</p><p>D) I, II e III.</p><p>E) I, II, III e IV.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A AGCO é uma empresa líder em exportação de máquinas agrícolas. Como parte dos programas</p><p>de responsabilidade social, esta empresa elaborou um programa de produção mais limpa com</p><p>algumas medidas voltadas para estes três aspectos: energia, água e resíduos. Veja a seguir:</p><p>Conheça o programa na íntegra acessando este link:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>A produção mais limpa na micro e pequena empresa</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Britânicos criam casa com zero emissão de carbono</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>ambiente interno I</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, discutiremos algumas questões relacionadas com o ambiente</p><p>interno na ótica da Gestão Socioambiental Estratégica (GSE), aprofundando as suas funções e</p><p>necessidades e o processo gerencial PDCA (do inglês: PLAN - DO - CHECK – ACT). Dentre</p><p>as</p><p>funções, estudaremos especificamente as de pesquisa e desenvolvimento, compras e produção.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Definir o lugar do ambiente interno dentro das funções organizacionais.•</p><p>Identificar as organizações e suas principais funções e necessidades de reavaliação dos</p><p>processos do sistema interno.</p><p>•</p><p>Reconhecer o processo gerencial PDCA como sistema de análise sob a óptica da GSE.•</p><p>DESAFIO</p><p>Imagine que você trabalha numa indústria de médio porte do setor de calçados. Nela, você</p><p>começou a trabalhar como funcionário da produção, mas seus estudos lhe permitiram se</p><p>desenvolver na organização de forma relativamente rápida e, hoje, você é o responsável pela</p><p>compra da matéria-prima. A indústria tem um plano de GSE, ou seja, ela está comprometida</p><p>num processo de sustentabilidade econômica, social e ambiental.</p><p>Sendo assim, responda às seguintes questões:</p><p>- Esse compromisso atinge somente a produção?</p><p>- Qual é o seu papel neste plano de GSE?</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Veja neste infográfico as funções organizacionais do ambiente interno.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>É no ambiente interno que a alta administração tem poder para implantar medidas, alterar</p><p>processos e desenvolver produtos. A fim de ser socioambientalmente responsável, a empresa</p><p>deverá realizar todas as ações, observando as normas e os procedimentos recomendados.</p><p>Para saber mais sobre a Gestão Socioambiental Estratégica e o ambiente interno, leia a seguir</p><p>trechos do capítulo 5, do livro Gestão Socioambiental Estratégica, de Nascimento, Lemos e</p><p>Mello.</p><p>Boa leitura.</p><p>N458g Nascimento, Luis Felipe</p><p>Gestão socioambiental estratégica / Luis Felipe Nascimento,</p><p>Ângela Denise da Cunha Lemos, Maria Celina Abreu de Mello. –</p><p>Porto Alegre : Bookman, 2008.</p><p>232 p. ; 23 cm.</p><p>ISBN 978-85-7780-104-6</p><p>1. Administração. 2. Gestão Ambiental. 3. Gestão Estratégica.</p><p>I. Lemos, Ângela Denise da Cunha. II. Mello, Maria Celina Abreu de.</p><p>III. Título.</p><p>CDU 504.06</p><p>Catalogação na publicação: Juliana Lagôas Coelho – CRB 10/1798</p><p>É no ambiente interno que a alta administração tem poder para</p><p>implantar medidas, alterar processos e desenvolver produtos.</p><p>Para ser socioambientalmente responsável, no entanto, ela deverá</p><p>realizar todas as ações observando as normas e os procedimentos</p><p>recomendados. As funções descritas neste capítulo poderão variar</p><p>de uma organização para outra, dependendo da complexidade da</p><p>estrutura existente.</p><p>Capítulo 5</p><p>O ambiente interno e</p><p>suas funções</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 129</p><p>ComprasRecursos</p><p>Humanos</p><p>Finanças</p><p>Marketing</p><p>Pesquisa e</p><p>Desenvolvi-</p><p>mento</p><p>P&D</p><p>Produção</p><p>Alta</p><p>Administração</p><p>Figura 5.1</p><p>O ambiente interno da organização.</p><p>FONTE: Kotler e Armstrong, 1998, p. 37.1</p><p>5.1 As organizações e o processo gerencial (PDCA)</p><p>O PDCA é composto das seguintes atividades:</p><p>1. Planejar (plan): identificar os problemas e suas causas, assim como os aspec-</p><p>tos organizacionais que podem ser melhorados. Definir objetivos e planejar as</p><p>ações a implementar.</p><p>2. Fazer/implementar (do): implementar as ações definidas.</p><p>3. Verificar/corrigir (check): analisar os resultados obtidos, compará-los com</p><p>os objetivos e implementar as ações necessárias para reduzir os desvios.</p><p>4. Fazer a análise crítica (act): assegurar que os objetivos são atingidos e que</p><p>as ações implementadas estão consolidadas. Divulgar os resultados e come-</p><p>çar novamente.</p><p>Gestão socioambiental estratégica130</p><p>PLAN DO</p><p>ACT CHECK</p><p>P D</p><p>A C</p><p>1</p><p>4</p><p>3</p><p>2</p><p>1. Planejar a mudança</p><p>visando melhorias</p><p>- Mapeamento dos clientes/</p><p>fornecedores</p><p>- Análise de Pareto</p><p>- Técnicas de grupo</p><p>- Árvore de decisões</p><p>- Matriz de avaliação</p><p>- Diagrama de causa</p><p>e efeito</p><p>4. Agir de forma a obter</p><p>o melhor benefício das</p><p>mudanças</p><p>- Mapear os processos</p><p>- Padronizar os processos</p><p>- Avaliar os controles</p><p>- Efetuar treinamento dos</p><p>processos padronizados</p><p>3. Verificar se as</p><p>mudanças estão</p><p>acontecendo e se os</p><p>resultados estão</p><p>sendo atingidos</p><p>- Checar os dados</p><p>- Fazer análises</p><p>gráficas</p><p>- Criar controles</p><p>- Estabelecer</p><p>indicadores de</p><p>performance</p><p>2. Fazer pequenas mudanças</p><p>a fim de alcançar maiores</p><p>resultados</p><p>- Estimular lideranças</p><p>em pequenos grupos</p><p>- Elaborar desenhos</p><p>experimentais</p><p>- Resolver conflitos</p><p>- Efetuar treinamentos</p><p>internos</p><p>- Brainstorming</p><p>Figura 5.2</p><p>Ciclo PDCA.</p><p>FONTE: Adaptado do site www.hci.com.au/hcisite3/toolkit/pdcacycl.htm. Acesso em 22 dez. 2006.</p><p>O planejamento estratégico tem como objetivo primordial proporcionar as</p><p>bases necessárias para as manobras que permitam que as organizações naveguem e</p><p>se perpetuem, mesmo dentro de condições mutáveis e cada vez mais adversas em</p><p>seu contexto de negócios.2 Entretanto, além de ter essa capacidade de adaptação ao</p><p>ambiente, que neste livro é denominado de ecossistema do mercado, é necessário</p><p>que a organização seja proativa, que se antecipe ao futuro.</p><p>Como é possível antecipar-se ao futuro? É necessário ter uma bola de cris-</p><p>tal? A resposta está no planejamento estratégico. Concordamos com esta opinião,</p><p>e apresentamos a gestão socioambiental estratégica (GSE) como uma ferramenta</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 131</p><p>oriunda do planejamento estratégico com o objetivo de inserir a variável socioam-</p><p>biental como tema central no momento da elaboração de um planejamento estraté-</p><p>gico organizacional.</p><p>Acreditamos que as estratégias desenvolvidas na elaboração do planeja-</p><p>mento estratégico organizacional devem contemplar as questões social e ambien-</p><p>tal. Assim, a organização terá maior coerência e coesão, desenvolverá objetivos</p><p>mais claros e terá inspiração para realizar mudanças profundas e significativas,</p><p>valorizadas tanto pelo mercado quanto por quem nela trabalha, atingindo sua sus-</p><p>tentabilidade e sucesso ao longo do tempo.</p><p>Peter Drucker3, uma das maiores autoridades mundiais em administra-</p><p>ção, define planejamento estratégico como “o processo contínuo de, sistemati-</p><p>camente e com o maior conhecimento possível do futuro, tomar decisões atuais</p><p>que envolvam riscos; organizar sistematicamente as atividades necessárias à</p><p>execução dessas decisões; e, por meio de uma retroalimentação organizada e</p><p>sistemática, medir o resultado dessas decisões em confronto com as expectativas</p><p>alimentadas”.</p><p>Pode-se dizer que a missão da organização é planejar estrategicamente ob-</p><p>jetivos e metas, portfólio de negócios e planos funcionais, vinculados ao potencial</p><p>de mercado, à economia vigente e aos recursos internos da organização.</p><p>Uma missão corporativa é um conjunto de objetivos de longo prazo que</p><p>são únicos para cada organização. Esta missão costuma incluir declarações sobre o</p><p>tipo de negócio em que a organização quer estar envolvida, quem são seus clientes,</p><p>princípios e valores (suas convicções básicas) a respeito dos negócios e suas metas</p><p>de sobrevivência, crescimento e lucratividade.</p><p>A estratégia de negócios é um plano de ação de longo prazo e constitui-se</p><p>em um mapa de como realizar a missão corporativa. Essas estratégias devem ser</p><p>incorporadas ao plano de negócios da organização, o que significa um plano para</p><p>cada área funcional dos negócios (p. ex. marketing, produção, finanças, recursos</p><p>humanos, etc.). A estratégia de negócios é desenvolvida enquanto se considera uma</p><p>avaliação das condições comerciais globais (análise do ecossistema do mercado</p><p>em macro e microambientes) e as competências essenciais, que são as forças ou</p><p>fraquezas da organização. A grande questão na formação da estratégia de negócios</p><p>é encontrar maneiras de capitalizar as competências essenciais e desenvolver as no-</p><p>vas, a fim de que fatias de mercado possam ser desenvolvidas ou aumentadas. Cabe</p><p>registrar que algumas organizações estabelecem os seus limites e, quando atingem</p><p>a fatia de mercado desejada, administram para manter o mercado conquistado e</p><p>não buscam aumentar sua participação.</p><p>Gestão socioambiental estratégica132</p><p>O papel dos profissionais, independentemente da área funcional em que</p><p>estejam atuando (marketing, produção,</p><p>finanças ou recursos humanos, por exem-</p><p>plo, de forma isolada ou inter-relacionada), é definir, cumprir e aperfeiçoar esse</p><p>planejamento. Além disso, é importante identificar onde a organização está inseri-</p><p>da e que tipo de interferências podem ocorrer. Tais interferências podem variar de</p><p>acordo com o ramo de atividade, o tipo de produto fabricado ou serviço prestado e</p><p>a região onde está localizada.</p><p>Como já foi abordado nos capítulos anteriores, após realizar a análise do</p><p>macroambiente e do microambiente, a organização tem maior clareza sobre que</p><p>oportunidades e que ameaças existem nesses ambientes. Contudo, essas informa-</p><p>ções não são suficientes para a organização se ela também não realizar uma análise</p><p>interna que identifique suas forças e fraquezas.</p><p>É mais fácil conhecer os outros do que a si mesmo. A sugestão de Sócrates</p><p>“conhece-te a ti mesmo” encerra um grande desafio, tanto para as pessoas quanto</p><p>para as organizações, pois é justamente pelo conhecimento das forças e fraquezas</p><p>da organização que são construídas as estratégias corporativas e competitivas, que,</p><p>se adequadas, apresentam grandes chances de sucesso.</p><p>Sabemos que é difícil fazer uma auto-avaliação e que há situações em que</p><p>as pessoas com as quais convivemos conseguem perceber mais facilmente nossos</p><p>problemas e nossas falhas. Nesse sentido, Aristóteles já afirmava: “observe seus</p><p>inimigos”. Eles são os primeiros a descobrir suas falhas.</p><p>Às vezes, nós até percebemos que temos um problema, mas resolvemos</p><p>fazer de conta que ele não existe, a fim de não gerar nenhum compromisso com a</p><p>mudança. Então, colocamos a culpa em alguém ou afirmamos que “é assim mesmo</p><p>e não dá para mudar, pois é muito complicado”, não é mesmo? Falar em mudanças</p><p>assusta a maioria das pessoas, pois representa o risco de elas saírem da sua situação</p><p>de conforto.</p><p>A ferramenta conhecida como Janela de Johari auxilia quem deseja rea-</p><p>lizar uma auto-avaliação e confrontar o eu e o outro. Essa ferramenta pode ser</p><p>utilizada para uma auto-avaliação de pessoas físicas, bem como de organizações. A</p><p>Janela de Johari destina-se a analisar a maneira como uma pessoa se relaciona com</p><p>as outras em seu grupo de trabalho. Foi criada por Joseph Luft e Harry Ingham em</p><p>1961, nos Estados Unidos4. A Janela de Johari consiste em um quadro composto de</p><p>quatro partes, que pode ser visto na Figura 5.3.</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 133</p><p>FEEDBACK</p><p>E</p><p>X</p><p>P</p><p>O</p><p>S</p><p>IÇ</p><p>Ã</p><p>O</p><p>I</p><p>EU ABERTO</p><p>III</p><p>EU CEGO</p><p>IV</p><p>EU</p><p>DESCONHECIDO</p><p>II</p><p>EU FECHADO</p><p>Figura 5.3</p><p>Janela de Johari.</p><p>FONTE: CASTELO, L. O feedback como prática indispensável para</p><p>o desenvolvimento pessoal (2000)5.</p><p>Em suas relações interpessoais o indivíduo e as organizações apresentam</p><p>quatro facetas diferentes, como se vê na figura acima: o “eu aberto”, o “eu fe-</p><p>chado”, o “eu cego” e o “eu desconhecido”. As áreas “eu aberto” e “eu fechado”</p><p>correspondem às partes conhecidas pela própria pessoa. As áreas “eu cego” e “eu</p><p>desconhecido” são por elas ignoradas. Salientamos que, quanto menor for a área</p><p>aberta no relacionamento interpessoal de um grupo ou organização, menor será sua</p><p>eficácia.</p><p>A região 1, do “eu aberto”, representa os aspectos da personalidade de que</p><p>o indivíduo tem conhecimento e aceita compartilhar com os outros. Segundo pes-</p><p>quisas, a produtividade e a eficácia estão relacionadas à quantidade de informações</p><p>possuídas mutuamente em um relacionamento, ou seja, dependem de uma maior</p><p>área aberta.</p><p>A região 2, do “eu fechado”, representa os aspectos que a pessoa conhece,</p><p>mas consciente e deliberadamente esconde dos outros por motivos diversos, como</p><p>insegurança, status, medo da reação, medo do ridículo, etc. Essa região constitui a</p><p>chamada fachada em que o indivíduo se comporta de maneira defensiva. A defesa é</p><p>inerente a toda pessoa, mas a questão é saber qual a quantidade de defesa tolerável</p><p>que não iniba o inter-relacionamento nem impeça seu crescimento.</p><p>Gestão socioambiental estratégica134</p><p>A região 3, do “eu cego”, refere-se àquilo que inconscientemente esconde-</p><p>mos de nós mesmos, mas que faz parte de nossa personalidade e é comunicado aos</p><p>outros pelas nossas atitudes e desconhecido por nós. As pessoas falam por meio de</p><p>tudo, e não apenas das palavras. Em suas atitudes e comportamentos, muita coisa</p><p>é transmitida sem que o próprio indivíduo perceba. Vale destacar que a área cega é</p><p>um fator limitante da região 1 e é inibidora da eficácia interpessoal.</p><p>Finalmente, a região 4, o “eu desconhecido”, é a área desconhecida pela</p><p>própria pessoa e pelos outros. Nela estão incluídas as potencialidades, os talentos e</p><p>as habilidades ignoradas, os impulsos e sentimentos mais profundos e reprimidos</p><p>e a criatividade bloqueada. Por exemplo, pesquisadores em criatividade afirmam</p><p>que, em geral, utilizamos apenas cerca de 15 a 20% de nosso potencial criativo. A</p><p>região 4 pode tornar-se conhecida à medida que aumenta a eficácia interpessoal</p><p>dentro de um processo dinâmico.</p><p>Não obstante o quadro estático na representação gráfica, o modelo da Ja-</p><p>nela de Johari é bastante dinâmico e pode ser combinado diferentemente de acordo</p><p>com o estilo de cada indivíduo. As diversas áreas não são estáticas e podem variar</p><p>de dimensão. O inter-relacionamento grupal pode aumentar a região do “eu aber-</p><p>to”. Esse alargamento ocorre com a redução da fachada: aumenta a confiança gru-</p><p>pal e o indivíduo se comporta de maneira menos defensiva, disposto a correr riscos.</p><p>Esse processo é chamado pelos criadores da Janela de Johari de “exposição”. Ele</p><p>implica uma abertura de sentimentos e de conhecimentos pertinentes, com dimi-</p><p>nuição progressiva do “eu oculto”.</p><p>Igualmente, o “eu cego”, dentro de um processo dinâmico, pode diminuir</p><p>cada vez mais com a boa vontade estabelecida de lado a lado. Do lado do indiví-</p><p>duo, a superação das barreiras defensivas facilita-lhe realizar o feedback, aceitando</p><p>informações e avaliações grupais e vendo como é visto pelos outros. Do lado do</p><p>grupo, a maior cooperação e o clima de confiança possibilitam a maior transmissão</p><p>de dados. A superação do “eu cego” só é possível com a queda das defesas rígidas</p><p>e com o estabelecimento da confiança grupal.</p><p>O objetivo de uma dinâmica de grupo é aumentar o “eu aberto” dos indiví-</p><p>duos, diminuindo o “eu fechado e o “eu cego” e, conseqüentemente, descobrindo</p><p>e explorando mais o “eu desconhecido” de cada um. Assim, combinando as quatro</p><p>regiões, é possível estabelecer quatro estilos diferentes de relacionamento.</p><p>A primeira tarefa para uma análise do ambiente interno é elaborar uma lis-</p><p>ta ampla das forças e fraquezas da organização e também dos pontos que precisam</p><p>ser melhorados. Essa atividade pode ser desenvolvida por meio de um brainstor-</p><p>ming, de forma livre. Se possível, também seria recomendável ouvir pessoas de</p><p>fora da organização.</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 135</p><p>A análise SWOT, já apresentada no Capítulo 1, é uma das ferramentas</p><p>mais utilizadas para proceder essa análise. A organização poderá utilizar outras fer-</p><p>ramentas, como, por exemplo, o benchmarking, mostrando a posição comparativa</p><p>da organização frente às melhores práticas conhecidas.</p><p>Ainda no processo de busca de autoconhecimento (autodiagnóstico da or-</p><p>ganização), sugerimos a utilização da ferramenta chamada 10 Ms, criada por Cos-</p><p>ta. A seguir listamos os 10 Ms em ordem alfabética.</p><p>QUADRO 5.1</p><p>Os 10 Ms do autodiagnóstico para o ambiente interno organizacional</p><p>Management (gestão)</p><p>Mão-de-obra</p><p>Máquinas</p><p>Marketing</p><p>Materiais</p><p>Meio ambiente</p><p>Meio físico</p><p>Mensagens (comunicação)</p><p>Métodos</p><p>Money (dinheiro, finanças)</p><p>FONTE: Costa, 2002, p. 113.</p><p>Essas dez áreas de concentração e foco cobrem praticamente todos os pon-</p><p>tos internos relevantes para qualquer organização. Cada organização deve classifi-</p><p>car nessas categorias suas forças, as fraquezas e os pontos a melhorar, levantados</p><p>anteriormente. Caso existam pontos de difícil classificação, devem então ser colo-</p><p>cados no item gestão (management).</p><p>Dessa forma, apresentamos aqui algumas ferramentas para facilitar o au-</p><p>todiagnóstico da organização, com o objetivo de proceder à análise do ambiente</p><p>interno. Não devemos esquecer que a variável socioambiental deve ser uma driving</p><p>force (força direcionadora) das intenções estratégicas organizacionais, ou seja, uma</p><p>força que orienta para que a gestão socioambiental estratégica (GSE) seja efetiva-</p><p>mente implementada na organização.</p><p>Portanto, a GSE inicia com um diagnóstico de toda a organização, ava-</p><p>liando-a globalmente. Dessa forma, a organização é analisada, tendo em vista as</p><p>entradas de matérias-primas e insumos em geral, os processos realizados, as saídas</p><p>(resíduos, emissões e efluentes) e as relações com seus stakeholders, tanto internos</p><p>como externos, a fim de configurar a questão social.</p><p>A seguir, é feita uma avaliação dos aspectos e impactos ambientais e so-</p><p>ciais mais significativos que a organização gera, priorizando os setores ou pro-</p><p>Gestão socioambiental estratégica136</p><p>cessos que apresentam os maiores problemas. Para que a GSE seja efetivamente</p><p>incorporada à estratégia da organização, é importante analisar os diferentes papéis</p><p>desempenhados pelos departamentos e setores dessa organização, buscando iden-</p><p>tificar as fontes dos problemas.</p><p>ENTRADAS</p><p>no processo</p><p>produtivo:</p><p>Matérias-primas,</p><p>água, energia</p><p>SAÍDAS</p><p>do processo produtivo:</p><p>PRODUTOS e SERVIÇOS</p><p>+</p><p>resíduos, efluentes e emissões</p><p>Setores de apoio:</p><p>Compras,</p><p>RH, Custos,</p><p>Qualidade, etc.PRODUÇÃOMARKETING P&D</p><p>ALTA ADMINISTRAÇÃO</p><p>CONSUMIDOR</p><p>INOVAÇÃO LEGISLAÇÃO</p><p>TECNOLOGIA</p><p>FINANÇAS</p><p>Figura 5.4</p><p>Representação da organização – visão sistêmica (entrada – produção – saída).</p><p>As organizações são formadas por diversas áreas ou funções organizacio-</p><p>nais, cada qual com seus processos próprios, como finanças, pesquisa e desen-</p><p>volvimento (P&D), compras, produção, contabilidade, custos, qualidade, recursos</p><p>humanos (RH) e marketing. Todos esses grupos inter-relacionados formam o am-</p><p>biente interno, e cada um deles tem um papel importante no alcance dos objetivos e</p><p>das metas da organização. A Figura 5.4 mostra esse ambiente interno e a estrutura</p><p>das suas relações.</p><p>A missão, os objetivos, as estratégias mais amplas e as políticas da organi-</p><p>zação podem ser discutidos nas diversas instâncias da organização, mas a decisão</p><p>final é do nível mais alto da administração. Todas as demais áreas, independen-</p><p>temente de terem ou não participado do processo, devem trabalhar e tomar suas</p><p>decisões de acordo com os planos estratégicos delineados pela alta administração,</p><p>gerando, assim, os planos táticos e operacionais. Cabe lembrar que todas as áreas/</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 137</p><p>funções estão inter-relacionadas e, portanto, quanto maior for a harmonia, a comu-</p><p>nicação e a cooperação entre as funções, maiores serão as chances de a organização</p><p>atingir os objetivos esperados.</p><p>A área de marketing, por exemplo, costuma lidar com decisões relativas</p><p>ao mix de marketing (os 4 Ps) – produto, preço, praça e promoção. A área de fi-</p><p>nanças dedica-se a administrar os recursos financeiros para viabilizar o plano de</p><p>marketing. A área de P&D concentra-se em projetar novos produtos ou serviços.</p><p>A área de compras preocupa-se em conseguir suprimentos e materiais, enquanto</p><p>a produção é responsável por produzir o bem ou serviço necessário ao cliente. O</p><p>grande desafio é fazer com que todas essas áreas realizem suas atividades tendo por</p><p>foco orientador o cliente final e obtendo o maior lucro possível.</p><p>A implementação da GSE mexe com todas essas áreas e, especialmente,</p><p>com as pessoas que nelas atuam. Manter o foco na melhoria contínua e na mudança</p><p>de atitudes é o grande desafio, pois estaremos nos reportando às condições desfa-</p><p>voráveis de trabalho, a erros de operacionalização, à não-obediência da legislação,</p><p>entre outros fatores complicadores.</p><p>5.2 A alta administração e a GSE</p><p>As organizações têm entendido a importância de uma atuação mais responsável e</p><p>preocupada com as questões socioambientais e, paulatinamente, começam a assu-</p><p>mir seu papel nesse âmbito. Contudo, quando se fala em organizações, é preciso</p><p>ter sempre presente que elas são formadas por “pessoas”. Ou seja, quando pessoas</p><p>que trabalham em organizações começam a refletir sobre suas atitudes e se dão</p><p>conta de que não estão agindo da melhor forma ou se sensibilizam com problemas</p><p>externos à organização, dão um sinal de que mudanças podem ocorrer, mas para</p><p>que tais mudanças se realizem é necessário um fato concreto, um estímulo ou uma</p><p>determinação da direção.</p><p>Mudamos nossa forma de pensar e agir se estivermos certos de que isso</p><p>é necessário. Só assim podemos começar a falar em mudança, que é uma palavra-</p><p>chave no processo de implementação de algo novo, como a GSE, dentro de uma</p><p>organização. Por isso, sempre que algo novo precisa ser implementado nas orga-</p><p>nizações, deve começar pela alta administração ou ter o aval desta. Se a proposta</p><p>de mudança surgir nos escalões inferiores, será necessário que a alta administração</p><p>abrace a idéia e a torne sua, responsabilizando-se por sua difusão. Do contrário,</p><p>será muito difícil que iniciativas dos escalões inferiores resultem em mudanças de</p><p>fato. Por exemplo, se uma pessoa da área operacional demonstrar ser muito cons-</p><p>Gestão socioambiental estratégica138</p><p>ciente em relação às causas socioambientais, ela poderá influenciar alguns de seus</p><p>colegas mais próximos e conquistá-los para que abracem a mesma causa. Entretan-</p><p>to, se a alta administração da organização não compartilhar da idéia, o efeito dessa</p><p>ação será muito pequeno e, provavelmente, ela não terá continuidade.</p><p>Sabemos que resistências sempre ocorrem nas organizações quando as</p><p>rotinas e os métodos de trabalho são alterados. Contudo, é necessário reverter es-</p><p>sas resistências, e cabe à alta administração desencadear o processo de motivação</p><p>dos funcionários para a importância da preservação e conservação ambiental, bem</p><p>como dos aspectos sociais.</p><p>Uma nova forma de liderança é preconizada por gurus como James C.</p><p>Hunter,6 para quem motivação é uma comunicação que influencia escolhas. “Como</p><p>líderes, podemos fornecer todas as condições, mas são as pessoas que devem fazer</p><p>as próprias escolhas para mudar. O melhor que podemos fazer é fornecer o ambien-</p><p>te certo e provocar um questionamento que leve as pessoas a se analisarem para</p><p>poderem fazer suas escolhas, mudar e crescer.”</p><p>Portanto, assumir a liderança de um processo de implementação de gestão</p><p>ambiental significa, entre outras coisas:7</p><p>1. Partilhar com os colaboradores as metas da organização.</p><p>2. Demonstrar vontade de mudar o que for preciso.</p><p>3. Analisar com os colaboradores os principais riscos ambientais.</p><p>4. Implementar programas-piloto para que os colaboradores aprendam como re-</p><p>solver problemas ambientais.</p><p>5. Colocar à frente das mudanças as pessoas que as sugeriram.</p><p>6. Reconhecer o esforço dos responsáveis por melhorias na gestão ambiental da</p><p>organização.</p><p>A gestão socioambiental precisa ser integrada à missão das organizações</p><p>e perpassar os planejamentos estratégico, tático e operacional, a fim de que dei-</p><p>xe de ser apenas uma filosofia bonita, mas sem aplicabilidade interna. Quando a</p><p>organização atinge este estágio de evolução, pode-se dizer que está a caminho da</p><p>excelência socioambiental. A organização passa a se preocupar não somente com</p><p>seu desempenho produtivo e econômico, mas também com seus valores éticos e seu</p><p>desempenho socioambiental. Quando a questão socioambiental é inserida na gestão</p><p>administrativa, atingindo as mais altas esferas de decisão, ela passa a fazer parte</p><p>do planejamento estratégico, do desenvolvimento das atividades de rotinas, da dis-</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 139</p><p>cussão dos cenários alternativos e, conseqüentemente, da análise de sua evolução,</p><p>gerando políticas, metas e planos de ação.</p><p>5.3 A função marketing e a GSE</p><p>Segundo Philip Kotler, o marketing tem como função identificar as necessidades e</p><p>desejos do consumidor, determinar que mercados-alvo a organização pode atender</p><p>melhor, planejar produtos,</p><p>benefícios gerados pelo crescimento</p><p>econômico eram maiores do que os custos do impacto sobre o meio</p><p>ambiente. Tais benefícios se resumem na eliminação das desigualdades</p><p>sociais na medida em que o crescimento econômico é alcançado, o que</p><p>constituía, para esses indivíduos, um bem maior quando comparado aos</p><p>impactos desse crescimento sobre as condições ambientais.</p><p> Deterministas geográficos (ou “ecocêntricos” radicais): os determi-</p><p>nistas geográficos apresentavam uma preocupação máxima em relação</p><p>às condições ambientais, que sofriam grandes ameaças com a aceleração</p><p>do crescimento econômico. Para os mesmos, os limites do meio ambiente</p><p>são tamanhos que a humanidade estaria próxima de uma catástrofe.</p><p>Isso porque o crescimento econômico observado nas diversas regiões</p><p>do planeta exigia a expansão da utilização dos recursos naturais que</p><p>são limitados, levando-os ao esgotamento, ao mesmo tempo em que</p><p>os níveis de poluição aumentavam significativamente.</p><p>Assim, o ecodesenvolvimento surge como uma proposição conciliadora</p><p>entre o crescimento e os limites do meio ambiente, pois o relatório The limits</p><p>to growth (“Os limites do crescimento”), publicado em 1972, alertou sobre</p><p>a situação potencial do planeta, por meio da apresentação de cenários catas-</p><p>A ambientalização das relações de consumo312</p><p>tróficos, caso o padrão de desenvolvimento utilizado na época continuasse.</p><p>Nesse sentido, o crescimento econômico estava limitado à capacidade dos</p><p>recursos naturais (BRASIL, 2005).</p><p>Para os ecocêntricos radicais, o crescimento se constituía em um processo</p><p>relevante para o progresso, mas não absoluto na erradicação da pobreza e</p><p>das disparidades sociais. Havia a necessidade de se conquistar um equilíbrio</p><p>global, estando-se atento aos limites do crescimento populacional, ao modo</p><p>com o que os países menos desenvolvidos buscavam o crescimento e desen-</p><p>volvimento econômico e, principalmente, aos impactos das ações do homem</p><p>no meio ambiente.</p><p>Desde então, outros relatórios passaram a alertar sobre a necessidade de</p><p>mudança no padrão de desenvolvimento que vigorava nos diversos países do</p><p>mundo. Assim, surge a necessidade de intervenção e o direcionamento do</p><p>desenvolvimento econômico, de forma a conciliar os níveis de crescimento</p><p>econômico com o uso prudente dos recursos naturais. Cabe à entidade su-</p><p>perior, o Estado, agir no sentido de estimular um consumo sustentável, com</p><p>base na criação de leis e na fiscalização adequada do cumprimento das regras</p><p>estabelecidas.</p><p>É na década de 1980 que o conceito de desenvolvimento sustentável surge,</p><p>a partir do relatório Our common future (“Nosso futuro comum”), que também</p><p>ficou conhecido como Relatório de Brundtland. Esse relatório foi divulgado</p><p>pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em</p><p>1983, apresentando de forma detalhada os desafios a serem enfrentados pelos</p><p>diversos países, bem como os esforços a serem realizados por todos em relação</p><p>à paz, à segurança, ao desenvolvimento e ao meio ambiente (BRASIL, 2005).</p><p>Nesse relatório, encontram-se:</p><p>[...] estratégias ambientais de longo prazo para obter um desenvolvimento</p><p>sustentável por volta do ano 2000 e daí em diante; [...] maneiras para que a</p><p>preocupação com o meio ambiente se traduza em maior cooperação entre</p><p>os países em desenvolvimento e entre países em estágios diferentes de de-</p><p>senvolvimento econômico e social e leve à consecução de objetivos comuns</p><p>e interligados que considerem as inter-relações de pessoas, recursos, meio</p><p>ambiente e desenvolvimento; [...] meios e maneiras pelos quais a comunidade</p><p>internacional possa lidar mais eficientemente com as preocupações de cunho</p><p>ambiental; [...] noções comuns relativas a questões ambientais de longo prazo</p><p>e os esforços necessários para tratar com êxito os problemas da proteção e</p><p>da melhoria do meio ambiente, uma agenda de longo prazo para ser posta</p><p>em prática nos próximos decênios e os objetivos a que aspira a comunidade</p><p>mundial (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESEN-</p><p>VOLVIMENTO, 1991, apud LAYRARGUES, 1998, p. 143-144).</p><p>313A ambientalização das relações de consumo</p><p>A evolução do conceito de ecodesenvolvimento para o de desenvolvi-</p><p>mento sustentável foi resultado da maior abrangência deste último e da</p><p>ligação entre o crescimento econômico e as relações com o meio ambiente</p><p>no longo prazo:</p><p>[...] o fator diferenciador entre ecodesenvolvimento e desenvolvimento sus-</p><p>tentável reside a favor deste último quanto à sua dimensão, globalizante, tanto</p><p>desde o lado do questionamento dos problemas ambientais como da ótica</p><p>das reações e soluções formuladas pela sociedade. Ele não se refere especi-</p><p>ficamente ao problema limitado de adequações ecológicas de um processo</p><p>social, mas a uma estratégia para a sociedade que deve levar em conta tanto a</p><p>viabilidade econômica quanto a ecológica. Num sentido abrangente, a noção</p><p>de que a sustentabilidade leva à necessária redefinição das relações sociedades</p><p>humanas/natureza, portanto, a uma mudança substancial do próprio processo</p><p>civilizatório, introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito para</p><p>ação (OLIVEIRA FILHO, 2004, p. 8).</p><p>Para Vasconcellos e Garcia (2014), se as necessidades a serem supridas se</p><p>limitassem à esfera biológica, seria possível dizer que a quantidade de bens</p><p>disponível seria suficiente, solucionando o problema da escassez. Contudo,</p><p>as ilimitadas necessidades se expandem para fora da esfera biológica da so-</p><p>brevivência. Além disso:</p><p> as necessidades se renovam diariamente, exigindo o contínuo suprimento</p><p>dos bens para atendê-las;</p><p> enfrentamos a constante criação de novos desejos e necessidades mo-</p><p>tivados pela perspectiva de aumento do nível vida.</p><p>Observando que a necessidade abrange tanto a esfera biológica quanto a</p><p>psicológica, a sua satisfação, bem como a dos desejos humanos, está muito</p><p>longe de ser alcançada. Isso ocorre tanto em economias mais desenvolvidas</p><p>quanto em vias de desenvolvimento – o resultado disso é que o problema de</p><p>escassez se renova (VASCONCELLOS; GARCIA, 2014).</p><p>Com o passar do tempo e com a influência do Estado e das atitudes or-</p><p>ganizacionais sobre os impactos no meio ambiente, os indivíduos passaram</p><p>a se dar conta da necessidade do uso consciente dos recursos da natureza,</p><p>uma vez que eles são escassos e podem se esgotar. Assim, a noção de que</p><p>A ambientalização das relações de consumo314</p><p>o desenvolvimento econômico deve ser sustentável se dissemina entre os</p><p>diversos países do planeta.</p><p>O consumo e o meio ambiente</p><p>Os danos ambientais provocados pelas indústrias para atender ao consumismo</p><p>existente estão entre as grandes preocupações que envolvem tanto os políticos</p><p>quanto a população em geral. O modelo de produção industrial em massa,</p><p>para atender o consumo em massa, inicialmente levou as empresas a deixarem</p><p>de lado as preocupações com os impactos na natureza, que se encontram</p><p>entre as externalidades negativas de sua atuação – o grande objetivo era a</p><p>acumulação de riquezas.</p><p>Quando uma transação econômica resulta em custos ou benefícios para terceiros,</p><p>ocorre uma externalidade negativa ou positiva (respectivamente). Se essas externa-</p><p>lidades resultarem em benefícios, chamamos isso de externalidade positiva; se os</p><p>impactos provocarem custos ou prejuízos, estaremos diante de uma externalidade</p><p>negativa (SANDRONI, 2005).</p><p>As ameaças ao meio ambiente e as pressões de organismos não governa-</p><p>mentais ligados ao meio ambiente influenciaram a legislação e o surgimento</p><p>voluntário de novas condutas ambientais por parte dos indivíduos e também</p><p>dos setores industriais. Todas essas questões modificaram a rotina das orga-</p><p>nizações, as quais passaram a adequar os seus processos de produção e de</p><p>prestação de serviços às novas regras e à nova visão dos consumidores em</p><p>relação às questões ambientais.</p><p>Os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre suas próprias</p><p>atitudes, que podem impactar o meio ambiente, e têm se tornado mais exi-</p><p>gentes com relação à atuação das empresas nas questões sociais</p><p>serviços e programas adequados para satisfazer a esses</p><p>mercados, convocando todos que participam da organização a pensar e servir aos</p><p>consumidores. Do ponto de vista social, o marketing é uma ponte entre as exigên-</p><p>cias materiais de uma sociedade e seus padrões econômicos de resposta.</p><p>CONCEITOS</p><p>CENTRAIS DO</p><p>MARKETING DEMANDA</p><p>PRODUTOSTROCA</p><p>TRANSAÇÕES</p><p>MERCADOS</p><p>NECESSIDADES</p><p>DESEJOS</p><p>Figura 5.5</p><p>Conceitos centrais do marketing.</p><p>FONTE: Kotler, 1998, p. 3.</p><p>A necessidade humana é o conceito mais básico e inerente ao marketing –</p><p>é um estado em que se percebe alguma privação. Considera-se desde as necessida-</p><p>des básicas de alimentação e vestuário, até as mais complexas, de auto-realização.</p><p>Já o desejo humano é a necessidade moldada pela cultura e pelas características</p><p>individuais, que, quando viabilizada pelo poder de compra de cada um, torna-se</p><p>demanda.</p><p>Gestão socioambiental estratégica146</p><p>Trata-se de um novo paradigma estratégico ambiental, definido como o</p><p>processo de formulação e implementação de estratégias organizacionais e ambien-</p><p>tais, com o objetivo de retorno pela disponibilização de trocas que satisfaçam os</p><p>objetivos econômicos e sociais de uma organização.10 O enviropreneurial marke-</p><p>ting caracteriza-se por:</p><p>promover a inovação e estimular soluções tecnológicas;•</p><p>adotar uma orientação organizacional de melhoria contínua da performance so-•</p><p>cioambiental;</p><p>buscar compatibilizar performance socioambiental e objetivos econômicos.•</p><p>No conceito de enviropreneurial marketing, a degradação socioambiental</p><p>é resultado da interação entre a ação humana, evolução tecnológica e desenvolvi-</p><p>mento econômico. Portanto, essas mesmas forças são as responsáveis pela sua re-</p><p>solução. Portanto, os problemas socioambientais serão minimizados pela inovação</p><p>na forma de produzir, embalar e distribuir bens e serviços para os consumidores e</p><p>dispor ou reciclar os resíduos criados durante as fases de produção e consumo. Em</p><p>segundo lugar, é fundamental o estabelecimento de uma postura organizacional</p><p>proativa, e não somente administrativa e de negócios. Um dos valores centrais do</p><p>enviropreneurial marketing é que as restrições socioambientais podem tornar-se</p><p>oportunidades de mercado.</p><p>5.4 A função pesquisa e desenvolvimento e a GSE</p><p>Quando a área de marketing identifica a necessidade de inserção de um novo produto</p><p>no mercado, aciona a área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para que o proje-</p><p>to desse produto seja transformado em algo físico, concreto, pois até então é algo</p><p>apenas hipotético. Neste momento, é fundamental que sejam considerados todos os</p><p>aspectos pertinentes ao produto (custos de projeto, de fabricação, de distribuição, de</p><p>disposição, etc), com o desenvolvimento de um ou mais protótipos. Espera-se, então,</p><p>que nesse protótipo os consumidores possam ver os atributos-chave descritos no con-</p><p>ceito do produto, que ele possa ser utilizado com segurança sob condições normais</p><p>de uso e que possa ser produzido dentro dos custos de produção orçados.</p><p>Os temas de proteção ambiental estão se tornando cada vez mais impor-</p><p>tantes. Portanto, os projetistas precisam passar a considerar as questões ambien-</p><p>tais e sociais em seu trabalho. Ou seja, quando começam a desenvolver conceitos</p><p>e idéias de novos produtos e serviços, estas questões precisam ser inseridas. Há</p><p>alguns assuntos que são fundamentais no momento da realização do projeto: as</p><p>fontes de materiais usadas em um produto, as quantidades e as fontes de energia</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 147</p><p>consumidas no processo, a quantidade e o tipo de material rejeitado que é gerado</p><p>nos processos de manufatura, o tempo de vida do produto e o seu descarte após</p><p>sua vida útil.</p><p>Para Sir Monty Finneston11, projeto é o processo conceitual pelo qual</p><p>algumas exigências funcionais de pessoas, individualmente ou em massa, são</p><p>satisfeitas pelo uso de um produto, que é a tradução física do conceito. A pesqui-</p><p>sa e o desenvolvimento de um produto devem levar em consideração aspectos</p><p>como:</p><p>Criatividade:• da modificação de um produto já existente até a elaboração de um</p><p>conceito completamente novo.</p><p>Complexidade:• decidir sobre um grande número de variáveis e parâmetros (des-</p><p>de configurações e desempenho globais até componentes, materiais, aparência e</p><p>método de produção).</p><p>Compromisso:• balanceamento de requisitos múltiplos e, algumas vezes, confli-</p><p>tantes, tais como desempenho e custo, materiais e durabilidade, etc.</p><p>Escolha:• fazer escolhas entre diversas soluções possíveis para um problema,</p><p>desde o conceito básico até detalhes de cor, forma, etc.</p><p>A implementação da GSE pode muitas vezes sinalizar a necessidade de</p><p>se alterar um produto em função de seu design. Ou seja, o design atual pode estar</p><p>em desacordo com os novos princípios adotados pela organização, devido a um</p><p>projeto mal elaborado, que, por exemplo, não aproveita a matéria-prima da forma</p><p>mais adequada, é altamente consumidor de energia durante o processo de produ-</p><p>ção, etc.</p><p>Em muitos países existem leis que regulamentam o uso de determinadas</p><p>matérias-primas tóxicas, limitando as descargas poluentes no ar e na água e prote-</p><p>gendo os colaboradores das organizações e a comunidade de prejuízos de curto e</p><p>longo prazo.</p><p>Novamente, a GSE entra na organização norteando a estratégia para a</p><p>pesquisa e para o desenvolvimento de produtos. Fazer produtos ambientalmente</p><p>corretos, que consumam menos matérias-primas e insumos, que sejam produzidos</p><p>por processos mais eficientes e que gerem uma menor quantidade de resíduos e</p><p>emissões pode colocar a organização em uma posição de vantagem competitiva,</p><p>que se refletirá em ganhos econômicos.</p><p>Gestão socioambiental estratégica148</p><p>5.4.1 Inovação</p><p>Atualmente, existe uma certa concordância quanto ao valor estratégico da inova-</p><p>ção. Mas, na prática, o processo que sustenta o fluxo contínuo de boas idéias e</p><p>soluções inovadoras, visando o mercado, é um processo de P&D caro e arriscado.</p><p>Muitas idéias de inovação na organização surgem da análise dos problemas nos</p><p>processos, dos fracassos inesperados, para os quais a organização precisa desen-</p><p>volver alguma ação.</p><p>As oportunidades de inovação também podem surgir do ambiente de negó-</p><p>cios externo à organização (macro e microambientes), e podem estar relacionadas a</p><p>mudanças demográficas, culturais e sociais e pressões político-legais, entre outros</p><p>fatores. O caso do desenvolvimento dos automóveis do tipo flex-power ou bicom-</p><p>bustível (álcool e gasolina) no Brasil é um bom exemplo, pois o próprio Governo</p><p>Federal pressionou as montadoras para que essa tecnologia fosse viabilizada.</p><p>A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, ou seja, é o</p><p>processo pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um</p><p>negócio ou um serviço diferente, conforme afirma Peter Drucker.12 A inovação não</p><p>se limita ao produto; pode-se renovar tudo: dos processos de fabricação à relação</p><p>com o mercado.13</p><p>Em relação ao conceito de inovação tecnológica, trata-se da aplicação de</p><p>pesquisa ou de conhecimento tecnológico em um produto ou serviço que se trans-</p><p>forme em um bem para a sociedade. Desse esforço em gerar inovação tecnológi-</p><p>ca participam principalmente as universidades, mas também as organizações, no</p><p>caso de realizarem pesquisa e desenvolvimento (P&D). As universidades realizam</p><p>a pesquisa básica, a formação de recursos humanos, a aplicação do conhecimento</p><p>nos laboratórios, entre outras atividades. As organizações, em geral, realizam pes-</p><p>quisa aplicada.</p><p>O conceito de inovação tecnológica é econômico, pois está vinculado à</p><p>apropriação comercial de conhecimentos para introdução de aperfeiçoamentos ou</p><p>criação de bens e serviços. Avanço científico, invenção ou descoberta não são o</p><p>mesmo que inovação, a qual requer necessariamente a aceitação do mercado. Por-</p><p>tanto, inovação compreende a introdução de produtos e serviços novos ou modi-</p><p>ficados no mercado, ou a apropriação comercial pioneira de invenções, conheci-</p><p>mentos, práticas organizacionais, técnicas e processos de produção.</p><p>As inovações</p><p>tecnológicas podem ser:</p><p>Radicais:• a partir de descobertas ou bases inteiramente novas de conhecimentos</p><p>técnico-científicos, modificando completamente práticas econômicas e sociais.</p><p>Incrementais:• apenas aperfeiçoam produtos, processos e serviços existentes.</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 149</p><p>Além disso, costuma-se dizer que a inovação também possui o seu ciclo de</p><p>vida, que apresenta quatro estágios.14</p><p>Geração de idéias:• é o estágio primordial da criação de uma idéia. Inclui da ex-</p><p>ploração inicial à rigorosa análise de intervalo e idéias aleatórias. Conceitos com</p><p>potencial para evoluir são pouco reconhecíveis nesta fase.</p><p>Desenvolvimento:• é a partir deste ponto que os recursos para transformar uma</p><p>idéia em um produto, serviço, processo, empresa, etc. começam a ser emprega-</p><p>dos. Nesta fase existem atividades como elaboração de protótipos, experimenta-</p><p>ção, testes beta e outras atividades que tornam uma idéia realmente útil.</p><p>Adoção e difusão:• diz-se que a adoção é a absorção e aplicação de um conceito,</p><p>produto, etc. por uma pessoa ou por um grupo. Nesta fase é que as inovações são</p><p>postas em ação e começam a agregar valor real. A difusão representa a propa-</p><p>gação daquela absorção inicial por uma população, empresa ou outros sistemas.</p><p>O impacto aumenta, e é neste momento que as inovações se diferenciam das</p><p>invenções.</p><p>Fim de jogo:• Em um certo momento, não há mais valor a ser obtido de uma</p><p>inovação como tal. Isso acontece quando a inovação se torna uma commodity</p><p>(os caixas automáticos dos bancos, por exemplo) ou foi superada por uma tec-</p><p>nologia superior (como a obsolescência dos aparelhos de fax diante do e-mail).</p><p>Todas as inovações chegam a um ponto de queda de rendimento, mesmo se ainda</p><p>forem valiosas.</p><p>Esses quatro estágios representam uma progressão fluida ao longo da vida</p><p>de uma inovação. É importante entender cada um deles, pois ajuda a fazer a inova-</p><p>ção acontecer com maior freqüência e com melhores resultados.</p><p>O economista Joseph Schumpeter foi um dos grandes estudiosos da inova-</p><p>ção. Ele descreveu, por exemplo, os impactos econômicos, sociológicos e organiza-</p><p>cionais da inovação e seus “ventos de destruição criadora” há mais de meio século.</p><p>Schumpeter atribuiu às inovações a responsabilidade pela dinâmica econômica. As</p><p>organizações produzem inovações gerando um diferencial, que afeta toda a estrutura</p><p>industrial e de mercado, a fim de obter maior lucratividade.</p><p>Atualmente, a novidade refere-se à questão da conectividade – tanto a</p><p>tecnológica como a não-tecnológica – sobre o processo de inovação. Schumpeter</p><p>comenta que a economia altamente conectada, por tecnologias ou parcerias, tem</p><p>maior impacto sobre o processo de inovação das organizações nos quatro estágios</p><p>de seu ciclo de vida vistos anteriormente.</p><p>Gestão socioambiental estratégica150</p><p>Assim, a consolidação do sistema nacional de inovação depende do forta-</p><p>lecimento das conexões entre todos os seus agentes: governos, instituições de pes-</p><p>quisa, organizações, universidades e consumidores. Quando isso ocorre, o resulta-</p><p>do só pode ser a melhoria ou aceleração do processo de inovação em cada país.</p><p>As inovações resultam em tecnologias que seguem um padrão de curva em</p><p>S, com uma fase inicial de experimentação, seguida do crescimento com difusão</p><p>acelerada e, por fim, a maturidade.15 Para manter-se competitiva, a organização</p><p>deve continuamente buscar inovações que melhorem sua posição na curva com</p><p>relação aos demais concorrentes ou que gerem novas curvas de tecnologia.</p><p>Organizações mais inovadoras estão atentas a todas as oportunidades, e</p><p>isso significa também geração de novas oportunidades de negócios e de ganhos</p><p>a partir da otimização e de modificações no processo produtivo, e de um melhor</p><p>atendimento às exigências dos consumidores e às pressões do mercado.</p><p>As inovações não se relacionam apenas com questões de ordem técnico-</p><p>científica, apresentam também dimensões de ordem política, econômica e so-</p><p>ciocultural. A multiplicidade de possibilidades de escolha, que afetam de forma</p><p>diferenciada os ambientes social e natural, caracteriza a dimensão política das ino-</p><p>vações. Além disso, tecnologia como uma forma de poder e de dominação envolve</p><p>necessariamente considerações de ordem política.</p><p>A inovação organizacional tende a aparecer em ambientes com diversidade</p><p>de habilidades e culturas e costuma fazer uso da técnica de benchmark. A inovação</p><p>consistente pode garantir a liderança de mercado. A inovação com foco no cliente</p><p>coloca no mercado produtos programáveis ou sujeitos à personalização. Ou seja, o</p><p>cliente deve poder projetar sua própria versão daquilo que realmente quer.</p><p>A concorrência no mercado de bens e serviços depende de vantagens</p><p>comerciais obtidas pela exploração pioneira de produtos e serviços, isto é, da</p><p>capacidade de introduzir inovações. Os valores socioculturais também influem</p><p>sobre as possibilidades de sanção do mercado ou de aceitação de novos bens e</p><p>serviços. A relação da inovação com a competitividade torna evidente a sua di-</p><p>mensão econômica.</p><p>Schumpeter entende que o empresário inovador é o agente que, por meio</p><p>das mais eficientes combinações, introduz no mercado novos produtos e induz os</p><p>consumidores a demandá-los. No entanto, diversos fatores, externos ou internos à</p><p>organização, podem interferir tanto positivamente quanto negativamente no pro-</p><p>cesso de inovação, tais como:</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 151</p><p>Instabilidade econômica, pois as possibilidades de lucro são neutralizadas e os •</p><p>riscos envolvidos na introdução de inovações são aumentados em ambientes ins-</p><p>táveis ou altamente inflacionários.</p><p>Capacidade de identificação de demandas de mercado.•</p><p>Educação dos consumidores e suas exigências, tanto no que se refere às con-•</p><p>dições de preço e qualidade, quanto às condições de procura e capacidade de</p><p>compra de produtos ou serviços especiais.</p><p>Capacidade e estratégias de regulação do Estado.•</p><p>Direitos de propriedade industrial ou de exploração comercial.•</p><p>Qualificação dos trabalhadores, atitude e capacidade de resposta da base técnico-•</p><p>científica instalada no País para atender às demandas econômicas e sociais.</p><p>Aspectos socioculturais que pouco têm a ver com qualidade e preço que deter-•</p><p>minam os valores reais ou percebidos por uma comunidade em relação a deter-</p><p>minados bens e serviços.</p><p>Capacidade de investimento.•</p><p>Infra-estrutura de serviços técnico-científicos, capacidade de gestão.•</p><p>Estratégias de competição das organizações.•</p><p>A abertura da economia e as parcerias que o Brasil está desenvolvendo</p><p>com os países latino-americanos e europeus estão exigindo preço e qualidade dos</p><p>produtos brasileiros. Contudo, existem dificuldades de desenvolvimento de inova-</p><p>ções em nosso país, devido à falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimen-</p><p>to por parte do governo e das organizações.</p><p>Em todo o mundo verifica-se um enorme esforço de readaptação dos ins-</p><p>titutos de pesquisa, enquanto que no Brasil isso foi iniciado de forma ainda muito</p><p>tímida. Os investimentos privados são insuficientes para atender aos requisitos de</p><p>P&D porque as organizações ainda não possuem cultura nem crédito voltados à</p><p>pesquisa em novas tecnologias.</p><p>A GSE é uma ferramenta para buscar essas inovações, haja vista as difi-</p><p>culdades existentes em nosso País, uma vez que a capacidade inovativa das orga-</p><p>nizações depende fortemente da incorporação de técnicos, engenheiros e adminis-</p><p>tradores qualificados nos seus quadros. O surgimento de inovações pode ser uma</p><p>Gestão socioambiental estratégica152</p><p>conseqüência natural do processo de implementação da GSE nas organizações,</p><p>seja incremental, como uma medida de housekeeping (organização da casa), seja</p><p>radical, com o desenvolvimento de uma nova tecnologia, mais adequada aos prin-</p><p>cípios socioambientais.</p><p>5.5 A função compras e a GSE</p><p>Além da questão da certificação ambiental, representada pela ISO 14000, aspectos</p><p>ligados a questões estratégicas de competitividade, oportunidades em novos</p><p>mer-</p><p>cados, inovações em produtos e serviços estão provando para a indústria que a pro-</p><p>teção ambiental também pode ser considerada uma estratégia para os negócios.16</p><p>Vários indicadores mostram isso. Um deles é o indicador de atividades de “compra</p><p>verde” (green procurement) que estão sendo conduzidas em diversos níveis e lu-</p><p>gares. A elaboração de guias sobre como incluir a “compra verde” nas políticas</p><p>públicas está sendo discutida, os quais estão sendo estabelecidos definitivamente</p><p>em países como o Canadá e os Estados Unidos e na Comunidade Européia.</p><p>Com isso, podemos deduzir o quanto a função de compras é importante</p><p>para a efetiva implementação da GSE em uma organização. A área de compras é</p><p>crucial para o sucesso organizacional. Por exemplo, para Francesco Matarazzo,</p><p>empresário ítalo-brasileiro que criou o maior complexo industrial da América Lati-</p><p>na do início do século XX, comprar era mais importante do que vender. Matarazzo</p><p>tornou-se um dos marcos da modernização no Brasil, sendo considerado um ho-</p><p>mem com intuição aguçada para os negócios.</p><p>As compras de matéria-prima de cada fábrica eram feitas pessoalmente por Ma-</p><p>tarazzo ou com seu conhecimento de preços e quantidades. Para ele (Matarazzo),</p><p>comprar era até mais importante do que vender pelos melhores preços.17</p><p>No processo tradicional, a organização espera que o responsável pelas</p><p>compras pesquise, compare e negocie, sempre visando a reduzir os custos dos</p><p>produtos para poder oferecer um bom preço ao cliente e vender com uma certa</p><p>margem de lucro. Estamos falando da inclusão de mais uma variável na análise da</p><p>qualidade dos produtos a serem comprados: a qualidade ambiental.</p><p>A qualidade ambiental do produto terá repercussões nos custos durante o</p><p>processo produtivo, bem como durante o uso e o descarte do produto comercializa-</p><p>do. Se os clientes valorizam os atributos ambientais do produto que estão adquirin-</p><p>do, mais importante ainda torna-se a qualidade ambiental dos insumos adquiridos,</p><p>pois eles irão interferir diretamente na análise do ciclo de vida do produto ofertado</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 153</p><p>pela organização aos seus clientes. Quando adquire um produto, o cliente busca</p><p>resolver um problema e não deseja arranjar outros. Por exemplo, se ele quer pintar</p><p>a sua casa, busca uma tinta que cumpra as funções de proteção das paredes e aber-</p><p>turas e que embeleze sua casa. Provavelmente o cliente não tem conhecimento de</p><p>que o resto de tinta que ficará na lata tornará esta embalagem um resíduo perigoso,</p><p>impedindo-o de descartá-la como “lixo seco” ou como lixo convencional. Ou seja,</p><p>ele deverá procurar um local que aceite resíduos perigosos para descartar a lata</p><p>com os restos de tinta, mesmo que sejam apenas alguns gramas do produto que</p><p>ficaram na parede da embalagem. Se o cliente soubesse disso, na hora da compra</p><p>talvez tivesse optado por uma loja que recebesse a embalagem de volta ou teria</p><p>buscado outras alternativas.</p><p>Situações como a compra de uma lata de tinta para a pintura de uma</p><p>casa podem ser resolvidas em uma ação conjunta entre os setores de P&D, pro-</p><p>dução e compras. O responsável pelas compras poderá buscar um fornecedor de</p><p>insumos que reduza ou elimine a toxicidade do seu produto final. Se não existir</p><p>no mercado o insumo desejado, poderá fazer uma parceria com um fornece-</p><p>dor para desenvolvê-lo. Esse processo exige uma negociação que seja vantajosa</p><p>para quem vai desenvolver o novo insumo e para quem irá comprá-lo. Muitas</p><p>vezes, ocorre um “co-desenvolvimento” do insumo, no qual comprador e for-</p><p>necedor trabalham juntos, e o comprador garante a aquisição deste insumo por</p><p>determinado período. Algumas vezes, existem cláusulas de exclusividade e de</p><p>segredo industrial por tempo limitado. Ou seja, é possível melhorar a qualidade</p><p>ambiental de um produto quando existe cooperação e comprometimento entre</p><p>comprador e fornecedor.</p><p>Independentemente dos clientes valorizarem ou não os atributos ambien-</p><p>tais de um produto, o responsável pelas compras da organização deverá analisar</p><p>os impactos ambientais dos insumos adquiridos. Montadoras de automóveis e</p><p>máquinas agrícolas já perceberam que o menor preço na hora da compra de tinta</p><p>não significa o menor custo. Por exemplo, o fornecedor que oferece o menor</p><p>preço mas não recolhe as embalagens e não recebe de volta a borra da tinta está</p><p>vendendo um insumo para a montadora e deixando o problema dos resíduos para</p><p>ela resolver. Ou seja, a montadora terá custos para o tratamento do resíduo da</p><p>borra de tinta e com o descarte da embalagem da tinta, que é considerado um</p><p>resíduo perigoso. Quando for somado o preço pago na aquisição da tinta com os</p><p>custos de tratamento dos resíduos gerados e do descarte de embalagens, a empre-</p><p>sa perceberá que o custo total foi maior que a proposta de outro fornecedor que se</p><p>dispunha a recolher as embalagens, levando junto a borra de tinta que foi gerada</p><p>no processo de pintura.</p><p>Gestão socioambiental estratégica154</p><p>5.5.1 Funções e importância do responsável pelas compras</p><p>Por ser uma atividade responsável pela maior fatia do capital de giro de uma orga-</p><p>nização, comprar bem é tão importante quanto produzir e vender. Se o comprador</p><p>organizacional não estiver integrado com as demais funções da organização, não</p><p>perceberá que o insumo de menor preço poderá representar um custo maior para a</p><p>organização. Portanto, a organização precisa valorizar o responsável pelas compras</p><p>e treiná-lo para inserir a preocupação ambiental nos procedimentos tradicionais,</p><p>adotando ações como:</p><p>comprar insumos que apresentem menor periculosidade, sem perda para a qua-•</p><p>lidade do produto;</p><p>participar do processo de GSE, desenvolvendo políticas de compras compatíveis •</p><p>com a estratégia ambiental a ser adotada pela empresa;</p><p>evitar perdas de materiais (resíduos, estragos) comprando nas especificações •</p><p>corretas e nas quantidades necessárias;</p><p>quando não for possível evitar a geração de resíduos, negociar com o fornecedor •</p><p>para que este os receba de volta;</p><p>buscar minimizar o volume de embalagens e considerar a possibilidade de utili-•</p><p>zar embalagens retornáveis;</p><p>fazer uma boa seleção de fornecedores e apresentar subsídios para que a organi-•</p><p>zação desenvolva uma política de qualificação de fornecedores.</p><p>Cabe salientar que algumas organizações se especializaram nas compras, a</p><p>ponto de esta ser a atividade que lhes garante a competitividade no mercado.</p><p>5.6 A função produção e a GSE</p><p>A função produção representa a reunião de recursos destinados à produção de bens</p><p>e serviços. Administração da produção e operações é o termo usado para as ativida-</p><p>des, decisões e responsabilidades dos gerentes de produção.</p><p>Quanto mais eficaz for a função produção de uma organização, mais efi-</p><p>ciente será o uso dos seus recursos, produzindo bens e serviços de maneira que</p><p>satisfaça os clientes, com menor custo ou obtendo maior lucro. Quanto mais cria-</p><p>tiva for a função produção, mais produtos e serviços inovadores surgirão, propor-</p><p>cionando à organização os meios de sobrevivência a longo prazo e mantendo-a em</p><p>vantagem competitiva.</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 155</p><p>Qual é a importância, então, da função produção para a implementação da</p><p>GSE? Relembramos que a GSE consiste na inserção da variável socioambiental</p><p>ao longo de todo o processo gerencial de planejar, organizar, dirigir e controlar,</p><p>visando a que a organização atinja seus objetivos e metas da maneira mais sus-</p><p>tentável possível, por meio de todas as funções que a compõem e de seus relacio-</p><p>namentos com os atores do microambiente e com as variáveis que compõem o</p><p>macroambiente.</p><p>Assim, a função produção está intimamente ligada ao sucesso da imple-</p><p>mentação da GSE na organização, pois acreditamos que a área de produção é uma</p><p>das mais atingidas quando a GSE é implementada. Juntamente com a função pro-</p><p>dução podem ser encontradas muitas oportunidades de melhoria ambiental, pois</p><p>esta função é a transformadora dos insumos em produtos ou serviços e, em con-</p><p>seqüência, é a geradora</p><p>da maior parte dos resíduos sólidos, efluentes líquidos e</p><p>emissões atmosféricas encontradas nas organizações. A Figura 5.9 demonstra este</p><p>raciocínio.</p><p>TRANSFORMAÇÃO OUTPUTSINPUTS</p><p>RECURSOS DE</p><p>TRANSFORMAÇÃO</p><p># Pessoas</p><p># Instalações</p><p>RECURSOS A SEREM</p><p>TRANFORMADOS</p><p># Materiais (matérias-</p><p>primas, água e energia)</p><p># Informações</p><p># Consumidores</p><p># Materiais</p><p>#Informações</p><p># Consumidores</p><p>Serão transformados na</p><p>produção/operação pelos</p><p>Recursos de</p><p>Transformação</p><p>(pessoas, instalações)</p><p>BENS E</p><p>SERVIÇOS</p><p>+</p><p>Resíduos</p><p>Efluentes</p><p>Emissões</p><p>Figura 5.9</p><p>Modelo do processo de transformação.</p><p>FONTE: Adaptado de Slack et al., 1997, p. 36, op. cit.</p><p>Qualquer atividade de produção pode ser vista conforme esse modelo de</p><p>input-transformação-output. As entradas (inputs) para a produção são classifica-</p><p>das em:</p><p>recursos a serem transformados• : aqueles que são tratados, transformados ou</p><p>convertidos de alguma forma – materiais (matérias-primas, água e energia), in-</p><p>formações ou consumidores;</p><p>recursos de transformação• : aqueles que agem sobre os recursos transformados</p><p>(instalações e funcionários).</p><p>Gestão socioambiental estratégica156</p><p>O processo de transformação está diretamente relacionado à natureza das</p><p>entradas:</p><p>Processamento de materiais: alteração da característica física de um material, •</p><p>por exemplo</p><p>Processamento de informações: alteração das propriedades informativas, como •</p><p>a atividade de um contador</p><p>Processamento de consumidores/usuários/clientes: atividades realizadas por ca-•</p><p>beleireiros, cirurgiões plásticos, hotéis, etc</p><p>Na saída do processo, teremos os bens ou serviços e todo o tipo de rejeitos</p><p>gerados durante a produção. Em relação à diferença na produção de bens e serviços,</p><p>em geral diz-se que os serviços, diferentemente dos produtos/bens produzidos, são</p><p>intangíveis. Ou seja, serviços não podem ser estocados, a produção do serviço é si-</p><p>multânea ao seu uso e este apresenta um alto nível de contato com o consumidor.</p><p>Portanto, as operações desenvolvidas no processo de produção diferem em</p><p>relação a:</p><p>volume de saídas: pode ser alto (p. ex.: sapatos em série) ou baixo (p. ex.: cons-•</p><p>trução de edifícios);</p><p>variedade de saídas: pode ser alta (p. ex.: fábrica de utensílios de plástico) ou •</p><p>baixa (p. ex.: produção de mídias do tipo CD para gravação de dados);</p><p>grau de contato com o consumidor/cliente/usuário: pode ser alto (p. ex.: serviço •</p><p>de cabeleireiro) ou baixo (p. ex.: fábrica de televisores).</p><p>O papel da administração da produção e operações envolve responsabili-</p><p>dades diretas e indiretas:</p><p>Diretas: desenvolver e entender os objetivos estratégicos da produção; desenhar •</p><p>produtos, serviços e processos; planejar e controlar a produção.</p><p>Indiretas: discutir planos de produção com as outras funções; informar sobre as •</p><p>oportunidades e as restrições fornecidas pela capacidade instalada.</p><p>O papel da função produção é apoiar, implementar e impulsionar a estra-</p><p>tégia organizacional. As estratégias de operações resultam diretamente da missão</p><p>corporativa e da estratégia de negócios. A estratégia de operações é “um plano de</p><p>ação de longo prazo para a produção de produtos e serviços de uma organização, e</p><p>constitui-se em um mapa daquilo que a função produção deve fazer se quiser que</p><p>suas estratégias de negócios sejam realizadas”18. A Figura 5.10 ajuda a compreen-</p><p>der esta definição:</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 157</p><p>Avaliação do</p><p>Ecossistema de</p><p>Mercado</p><p>(Macroambiente e</p><p>Microambiente)</p><p>Oportunidades</p><p>e Ameaças</p><p>Avaliação do</p><p>Ambiente Interno</p><p>Forças</p><p>e</p><p>Fraquezas</p><p>Missão Corporativa</p><p>(A GSE deve ser contemplada a partir daqui)</p><p>Estratégia de Negócios</p><p>Plano de Produtos/Serviços</p><p>Prioridades Competitivas</p><p>(rapidez, confiabilidade,</p><p>flexibilidade, qualidade, custo)</p><p>Estratégia de Operações</p><p>Posicionar o Sistema de Produção</p><p>Foco da Produção</p><p>Projetos e Planos de Produtos/</p><p>Serviços</p><p>Planos de Processo e Tecnologia</p><p>da Produção</p><p>Alocação de Recursos para</p><p>Alternativas Estratégicas</p><p>Planos de Instalações: capacidade,</p><p>localização,</p><p>Estratégias Socioambientais</p><p>layout</p><p>Figura 5.10</p><p>Desenvolvendo uma estratégia de operações.</p><p>FONTE: Adaptado de Gaither e Frazier (2004, p. 39).</p><p>Gestão socioambiental estratégica158</p><p>A avaliação da função produção pode ser feita por meio de vários objeti-</p><p>vos de desempenho, chamados por Gaither e Frazier de prioridades competitivas,</p><p>quais sejam:</p><p>Qualidade dos produtos e serviços (P/S) que serão oferecidos pela organização. •</p><p>Neste item, nós ampliaríamos o foco para a qualidade socioambiental dos P/S</p><p>que a organização produz, adequando a mesma às definições da GSE.</p><p>Rapidez com que os P/S são entregues ao cliente.•</p><p>Confiabilidade na entrega dos P/S.•</p><p>Flexibilidade da operação para mudar visando a atender o cliente.•</p><p>Custo de produzir os P/S.•</p><p>Saliento que, conforme o tipo de operação da organização, fica muito di-</p><p>fícil competir por meio de todos os objetivos acima mencionados. Portanto, faz-se</p><p>necessário priorizar alguns deles, sempre considerando o que o cliente final espera</p><p>receber. São as prioridades competitivas que a organização precisa definir em seu</p><p>planejamento estratégico.</p><p>Conforme já salientado na função produção, todo processo de transforma-</p><p>ção gera resíduos e/ou consome energia. Todas as organizações possuem processo</p><p>de transformação, tanto em relação à manufatura de um bem tangível (produto que</p><p>se pode ver, tocar, sentir) ou de um bem intangível (a prestação de um serviço, por</p><p>exemplo). Isso quer dizer que a GSE invariavelmente afeta a função produção e</p><p>exige padrões de eficiência, eficácia e efetividade por parte das organizações que</p><p>estão atuando neste novo milênio.</p><p>O Quadro 5.2 mostra as definições de eficiência, eficácia e efetividade de</p><p>acordo com Chiavenato e Sapiro.</p><p>QUADRO 5.2</p><p>Princípios de efi ciência, efi cácia e efetividade</p><p>• Fazer as coisas de maneira</p><p>adequada</p><p>• Resolver problemas</p><p>• Cuidar dos recursos apli-</p><p>cados</p><p>• Cumprir o dever</p><p>• Reduzir custos</p><p>• Fazer as coisas certas</p><p>• Produzir alternativas cria-</p><p>tivas</p><p>• Maximizar a utilização dos</p><p>recursos</p><p>• Obter resultados</p><p>• Aumentar o lucro</p><p>• Manter-se sustentável no</p><p>ambiente</p><p>• Apresentar resultados glo-</p><p>bais ao longo do tempo</p><p>• Coordenar esforços e ener-</p><p>gias sistematicamente</p><p>EFICIÊNCIA EFICÁCIA EFETIVIDADE</p><p>FONTE: Chiavenato e Sapiro, 2003, p. 40.</p><p>C5 O ambiente interno e suas funções 159</p><p>5.6.1 Gestão da qualidade</p><p>A gestão da qualidade é uma preocupação presente na maioria das organizações</p><p>que pretendem ser competitivas. Esta preocupação é discutida na literatura por di-</p><p>versos autores. Philip B. Crosby, no artigo O que será da qualidade?</p><p>19 enfatiza que</p><p>a qualidade no século XXI será realidade, e não apenas certificação.</p><p>Juran20 relata que o século XXI será lembrado como o século da produti-</p><p>vidade, pois trouxe turbulência e mudanças para o mundo da qualidade. O grande</p><p>obstáculo constituído pela criação de modelos e parâmetros para a qualidade já</p><p>foi superado, e um dos obstáculos a ser vencido, para o avanço desse processo, é</p><p>a falta de liderança da alta gerência. Ou seja, chegamos ao momento em que o ser</p><p>humano passa a ser o foco principal do processo de gestão de qualidade. Algumas</p><p>organizações consideram qualidade como conformidade às especificações ou aos</p><p>padrões. No entanto, este foco se baseia em premissas do passado, nas quais o en-</p><p>foque da gestão da qualidade era baseado em métodos e ferramentas com ênfase</p><p>na produtividade.</p><p>Atualmente as organizações estão indo além do conceito clássico de qua-</p><p>lidade e buscando a qualidade ambiental, que envolve o aumento da eficiência do</p><p>processo produtivo e a satisfação dos clientes, fornecendo-lhes produtos menos</p><p>poluentes ou que resultem de processos menos agressivos ao ambiente natural.</p><p>Assim, as metas socioambientais podem e devem estar associadas às metas de qua-</p><p>lidade da organização, como já dissemos anteriormente.</p><p>O que se vê para o século XXI é uma mudança de foco: o ser humano e as</p><p>suas relações passam a ter uma importância vital, assim como tudo que a ele está</p><p>relacionado,</p><p>como criatividade, capacidade de inovar, capacidade de fazer mudan-</p><p>ças, etc. Os futuros líderes devem ser capazes de observar e perceber o meio em</p><p>que estão inseridos, de assumir compromissos com valores éticos e de perceber a</p><p>compreensão do conceito de excelência e de respeito mútuo. Terão de se preparar</p><p>tanto em conhecimentos técnicos quanto na capacidade de perceber, de se relacio-</p><p>nar com as pessoas e, em especial, deverão ter a mente aberta para mudanças.</p><p>Paralelamente, a GSE traz esse nível de exigências. É um compromisso</p><p>contínuo com a mudança, com o socioambientalmente correto. O desafio para os</p><p>países em desenvolvimento é criar condições para melhorar a produtividade opera-</p><p>cional quanto às opções de alocação de recursos e, principalmente, investir muito</p><p>no conhecimento e no ser humano.</p><p>Além da qualidade de produtos, processos e serviços, a conscientização</p><p>ecológica da sociedade e dos consumidores, a atuação de órgãos ambientais gover-</p><p>namentais e ONGs e a legislação promovem a busca da qualidade ambiental nas</p><p>atividades produtivas.</p><p>Gestão socioambiental estratégica160</p><p>Uma organização com um excelente produto, mas cuja produção cause</p><p>impactos socioambientais negativos significativos, pode ter sua posição no mer-</p><p>cado afetada, pois concorrentes, órgãos governamentais, não-governamentais e a</p><p>comunidade atingida podem vir a exercer pressões para que o problema seja elimi-</p><p>nado. Isso gera custos elevados, pois o período requerido para sanar um problema,</p><p>especialmente os de natureza ambiental, é normalmente longo, afetando o desem-</p><p>penho da organização no mercado.</p><p>Segundo Wever21, o enlace entre gestão da qualidade total (TQM – Total</p><p>Quality Management) e gestão da qualidade total ambiental (TQEM – Total Quality</p><p>Environmental Management)22 é um agente para mudança cultural da organização,</p><p>um veículo pelo qual as organizações aprenderam a ser mais sensíveis aos consumi-</p><p>dores e às suas necessidades, avaliando o próprio sucesso nesses novos termos.</p><p>A TQEM pode ser desenvolvida com base em um sistema de gestão am-</p><p>biental (SGA), aplicando-se a este sistema a filosofia que rege a qualidade total,</p><p>expressa principalmente por Deming e Juran, com um enfoque voltado ao ambien-</p><p>te natural. Dessa forma, a TQEM busca o aperfeiçoamento das atividades produti-</p><p>vas, do ponto de vista da qualidade total, a fim de obter melhorias do ponto de vista</p><p>ambiental.</p><p>Segundo Sturtevant, Trowbridge e Edgeman23, a melhoria da qualidade e</p><p>a gestão ambiental são complementares. Com a TQM procura-se atingir um índice</p><p>de defeitos nulo, por meio de melhorias no processo produtivo, com o monitora-</p><p>mento das atividades, garantindo a competitividade e a lucratividade da organiza-</p><p>ção. A qualidade total envolve um desempenho ambiental satisfatório como ponto</p><p>integrante do processo de gerenciamento.</p><p>A TQEM, por sua vez, busca um melhor aproveitamento das fontes ener-</p><p>géticas e das matérias-primas, conduzindo a constantes reduções dos impactos</p><p>ambientais e caracterizando uma produção ambientalmente correta. Dessa forma,</p><p>a TQEM constitui-se em um instrumento de obtenção de lucros, na medida em</p><p>que contribui para a competitividade da organização no mercado. As empresas que</p><p>adotam a TQEM em seus processos já possuem uma linha de pensamento voltada</p><p>para a eficácia, facilitando a implementação da GSE.</p><p>5.7 A função finanças e a GSE</p><p>Administrar as finanças de uma organização é estar atento a três questões básicas:</p><p>pagamentos e investimentos de curto prazo, pagamentos e investimentos de longo</p><p>prazo e como financiar esses investimentos. Administrar as finanças é gerenciar os</p><p>investimentos feitos em ativos (estoques, máquinas, terrenos, mão-de-obra, etc.) e</p><p>o passivo (obrigações) da organização.</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Este vídeo aborda, entre outras questões, a relação entre as organizações e o processo gerencial.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) No ambiente interno, existem aspectos vinculados diretamente com a alta</p><p>administração na GSE. Assinale a seguir a alternativa que NÃO representa um</p><p>desses aspectos:</p><p>A) Marketing.</p><p>B) Finanças.</p><p>C) Compras.</p><p>D) Localização geográfica.</p><p>E) Produção.</p><p>O processo gerencial PDCA é hoje um processo básico em qualquer organização.</p><p>Este método é ainda utilizado em muitos outros processos, mas na gerência é</p><p>considerado o mais efetivo. Ele é formado por quatro passos: planejar (plan), fazer</p><p>(do), verificar ou corrigir (check), fazer a análise crítica (act). Cada um desses passos</p><p>tem suas características e componentes. Quanto ao segundo passo (fazer), analise os</p><p>itens a seguir:</p><p>I. Estimular lideranças em pequenos grupos.</p><p>II. Elaborar desenhos experimentais.</p><p>2)</p><p>III. Checar os dados.</p><p>IV. Resolver conflitos.</p><p>V. Avaliar os controles.</p><p>Das ações acima listadas, quais se referem APENAS ao segundo passo (fazer)?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) II, III e IV.</p><p>C) III, IV e V.</p><p>D) I, II e IV</p><p>E) II, IV e V.</p><p>3) Quando a área de marketing identifica a necessidade de inserção de um novo produto</p><p>no mercado, ela aciona a área de ___________________ para que o projeto desse</p><p>produto seja transformado em algo físico, concreto, pois, até então, é apenas algo</p><p>hipotético. Que elemento componente da alta administração deve ocupar o espaço em</p><p>branco?</p><p>A) Finanças.</p><p>B) Compras.</p><p>C) Recursos humanos.</p><p>D) Pesquisa e Desenvolvimento.</p><p>E) Produção.</p><p>4) No processo tradicional de produção, a organização espera que o responsável pelas</p><p>compras pesquise, compare e negocie, sempre visando a reduzir os custos dos</p><p>produtos para oferecer um bom preço ao cliente e vender com certa margem de</p><p>lucro. Mas, atualmente, levando em consideração a GSE, entra em cena uma nova</p><p>variável na análise da qualidade dos produtos. Esta variável é:</p><p>A) As características dos clientes.</p><p>B) Os preços de atacado.</p><p>C) As possibilidades de financiamento.</p><p>D) A qualidade ambiental.</p><p>E) As facilidades de pagamento.</p><p>5) (ENEM 2003 - Adaptada) Uma indústria decide, no seu programa de GSE, reanalisar</p><p>seu consumo de água, a partir da análise dos custos e da importância da preservação</p><p>dos recursos hídricos. Depois que o departamento de Pesquisa e Desenvolvimento</p><p>analisou as possibilidades reais para diminuir o consumo de água, se decidiu instalar</p><p>um processo de reutilização de uma parte da água e depois um tratamento adequado.</p><p>Numa perspectiva de gestão socioambiental, estas mudanças são importantes porque:</p><p>A) permitem que toda água seja devolvida limpa aos mananciais.</p><p>B) diminuem a quantidade de água adquirida e comprometida pelo uso industrial.</p><p>C) reduzem o prejuízo ambiental, aumentando o consumo de água.</p><p>D) tornam menor a evaporação da água e mantém o ciclo hidrológico inalterado.</p><p>E) recuperam o rio onde são lançadas.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Veja a seguir os objetivos do plano de gestão socioambiental do Serviço Autônomo Municipal</p><p>de Água e Esgoto (SAMAE) de Brusque/SC.</p><p>Consulte o plano de gestão socioambiental do SAMAE na íntegra:</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Responsabilidade Socioambiental</p><p>Aprofunde seus conhecimentos por meio da leitura deste livro.</p><p>Meio Ambiente e Sustentabilidade</p><p>Acompanhe por meio da leitura deste livro a busca de soluções para os problemas ambientais</p><p>que também sejam economicamente eficientes e socialmente justas.</p><p>Gestão socioambiental e desenvolvimento sustentável</p><p>Conheça por meio da leitura deste artigo, um indicador para avaliar a sustentabilidade</p><p>empresarial.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Gestão socioambiental estratégica e o</p><p>ambiente interno II</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, vamos trabalhar as abordagens vinculadas ao ambiente</p><p>interno, destacando a gestão ecológica (ecomanagement) e a responsabilidade social</p><p>corporativa, relacionadas à organização. Em geral, vamos trabalhar a gestão sustentável na</p><p>cadeia</p><p>de suprimentos, o chamado Natural Step, a produção mais limpa, a neutralização de</p><p>carbono e o ecodesign.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Reconhecer as principais abordagens relacionadas ao ambiente interno.•</p><p>Destacar, entre as abordagens estudadas, a importância da gestão ecológica, ou</p><p>ecomanagement, e a responsabilidade socioambiental corporativa.</p><p>•</p><p>Identificar a características básicas da gestão socioambiental da cadeia de suprimentos, do</p><p>Natural Step, da produção mais limpa, da neutralização de carbono e do ecodesign.</p><p>•</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>Este infográfico esquematiza as abordagens relacionadas ao ambiente interno. Das que estão</p><p>nele listadas, vamos estudar nesta unidade: ecomanagement, responsabilidade socioambiental</p><p>corporativa, princípio da atuação responsável, gestão sustentável da cadeia de suprimentos,</p><p>natural step, produção mais limpa, neutralização de carbono e ecodesign. Os demais itens</p><p>apresentados no esquema podem servir para sua pesquisa futura. Confira.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Leia trecho do capítulo 6 do livro Gestão socioambiental estratégica, de NASCIMENTO,</p><p>LEMOS e MELLO, e aprofunde seus conhecimentos sobre as abordagens relacionadas ao</p><p>ambiente interno.</p><p>Boa leitura.</p><p>N458g Nascimento, Luis Felipe</p><p>Gestão socioambiental estratégica / Luis Felipe Nascimento,</p><p>Ângela Denise da Cunha Lemos, Maria Celina Abreu de Mello. –</p><p>Porto Alegre : Bookman, 2008.</p><p>232 p. ; 23 cm.</p><p>ISBN 978-85-7780-104-6</p><p>1. Administração. 2. Gestão Ambiental. 3. Gestão Estratégica.</p><p>I. Lemos, Ângela Denise da Cunha. II. Mello, Maria Celina Abreu de.</p><p>III. Título.</p><p>CDU 504.06</p><p>Catalogação na publicação: Juliana Lagôas Coelho – CRB 10/1798</p><p>O objetivo deste capítulo é apresentar as abordagens vinculadas ao</p><p>ambiente interno. Destacamos as abordagens do ecomanagement e da</p><p>responsabilidade social corporativa, as quais se relacionam com todas</p><p>as funções da organização. Com menor interação com as funções do</p><p>ambiente interno, citamos o ecodesign, que tem, no entanto, grande</p><p>relevância no desenvolvimento de produtos e serviços.</p><p>As normas ISO 14000, além de padronizar procedimentos, têm</p><p>se mostrado como chave para acessar mercados exigentes. Já a</p><p>norma AA 1000 não é certificável, mas vem se tornando um padrão</p><p>internacional de responsabilidade social.</p><p>Os indicadores Ethos tornaram-se conhecidos no Brasil e no</p><p>exterior e, junto com o GRI, orientam as práticas das organizações</p><p>que desejam ser socialmente responsáveis.</p><p>Encerramos este capítulo com as considerações finais, nas quais</p><p>elaboramos um quadro estabelecendo as relações entre essas</p><p>metodologias, normas e indicadores com as funções da organização.</p><p>Capítulo 6</p><p>Abordagens</p><p>relacionadas ao</p><p>ambiente interno</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 179</p><p>6.1 Gestão ecológica (ecomanagement)</p><p>A proposta da gestão ecológica ou ecomanagement foi desenvolvida por Ernest</p><p>Callenbach e colaboradores no Instituto Elmwood,1 com o objetivo de mudar a</p><p>forma de pensar e agir dos gestores, visando à redução do impacto que suas organi-</p><p>zações causam no ambiente. Sua proposta é mostrar como estabelecer prioridades</p><p>e como criar um plano de ação para implementar melhorias de forma sistemática.</p><p>O Instituto Elmwood foi fundado por Fritjof Capra, em 1984, e dedica-se</p><p>a promover instrução básica em ecologia, com foco em três componentes: (1) pen-</p><p>samento sistêmico; (2) conhecimento dos princípios da ecologia; (3) prática dos</p><p>valores ecológicos. A instituição baseia-se nos princípios da ecologia profunda e</p><p>aplica o pensamento sistêmico à compreensão e à solução dos problemas sociais,</p><p>econômicos e ambientais da atualidade. Sua meta é fazer da instrução básica em</p><p>ecologia o princípio organizador central da educação, dos negócios e da política</p><p>em geral. Um projeto do instituto, chamado Arquivo Global, deu origem ao livro</p><p>Ecomanagement.</p><p>A distinção entre gestão ambiental e gestão ecológica implica o uso do</p><p>termo “ecológico” em um sentido mais amplo e profundo. O Quadro 6.1 sintetiza</p><p>as diferenças entre o ambientalismo superficial e a ecologia profunda.</p><p>QUADRO 6.1</p><p>Distinção entre ambientalismo superfi cial e ecologia profunda</p><p>AMBIENTALISMO SUPERFICIAL ECOLOGIA PROFUNDA</p><p>Aceita o paradigma mecanicista dominante. Envolve a mudança para uma visão holística e</p><p>sistêmica do mundo.</p><p>É antropocêntrico. Encara os humanos como a</p><p>fonte de todo valor e atribui apenas valor de uso</p><p>à natureza.</p><p>Reconhece o valor intrínseco de todos os seres</p><p>vivos e encara os humanos simplesmente como</p><p>um determinado fio da teia da vida.</p><p>Tende a aceitar, por omissão, a ideologia do</p><p>crescimento econômico ou a endossá-la aber-</p><p>tamente.</p><p>Substitui a ideologia do crescimento econômico</p><p>pela idéia da sustentabilidade ecológica.</p><p>FONTE: Adaptado de Fox (1984) e Callenbach et al.(1993, p. 88-89).</p><p>A gestão ambiental, para Callenbach e os demais defensores da gestão</p><p>ecológica, é uma abordagem defensiva e reativa, exemplificada pelos esforços am-</p><p>bientais reativos e pela auditoria de cumprimento.</p><p>Já a gestão ecológica designa uma abordagem ativa e criativa, desen-</p><p>volvida na Alemanha, e conceitualmente aprimorada pelo Elmwood Institute. O</p><p>Gestão socioambiental estratégica180</p><p>objetivo da gestão ecológica é minimizar o impacto ambiental e social das or-</p><p>ganizações e tornar todas as suas operações tão ecologicamente corretas quanto</p><p>possível.</p><p>O ponto de partida para a transformação da gestão ambiental em gestão</p><p>ecológica é o reconhecimento de que os problemas ecológicos do mundo não po-</p><p>dem ser entendidos isoladamente. São problemas sistêmicos – interligados e inter-</p><p>dependentes – e sua compreensão e solução requerem um novo tipo de pensamento</p><p>sistêmico ou ecológico.</p><p>Além disso, esse novo pensamento precisa ser acompanhado de uma mu-</p><p>dança de valores, passando da expansão para a conservação, da quantidade para a</p><p>qualidade, da dominação para a parceria. O novo pensamento e o novo sistema de</p><p>valores, juntamente com as correspondentes novas percepções e práticas, consti-</p><p>tuem o que os autores denominam o “novo paradigma”. A filosofia que fundamenta</p><p>a prática da gestão ecológica, da maneira como é entendida pelo Instituto Elmwood,</p><p>baseia-se na convicção de que o impacto ecológico das operações de uma organiza-</p><p>ção não terá uma melhoria significativa enquanto a organização não passar por uma</p><p>mudança radical em sua cultura organizacional – uma mudança de paradigma.</p><p>O Quadro 6.2 fornece um resumo da comparação entre a gestão ambien-</p><p>tal (superficial) e a gestão ecológica (profunda), conforme a visão do Instituto</p><p>Elmwood.</p><p>Em função dessas diferenças, fica mais fácil compreender por que os auto-</p><p>res de Ecomanagement consideram o ambientalismo superficial uma “maquiagem</p><p>verde”. Para eles, as organizações fazem apenas mudanças ambientais cosméticas</p><p>e com objetivos cínicos, cuja principal finalidade são as relações públicas. Assim,</p><p>essas organizações gastam dinheiro em propaganda, marketing e promoção de uma</p><p>imagem “verde”, mas não para “esverdear” os processos de produção, as instalações</p><p>e as condições de trabalho de seus funcionários. Tais práticas podem, também, ser</p><p>uma indicação de que a organização desconhece as mudanças ecológicas possíveis.</p><p>Pode parecer satisfatório para um gestor que não tenha conhecimento das</p><p>inovações introduzidas por outras organizações na área ambiental optar unicamente</p><p>por um programa de reciclagem ou de eficiência de energia. Esse é um esforço im-</p><p>portante e útil, mas também é recomendável uma reavaliação de produtos e processos</p><p>de produção da organização, buscando, de fato, uma modificação mais profunda.</p><p>O pensamento ecológico profundo, portanto, gera uma série de possibi-</p><p>lidades. As organizações podem traçar estratégias de investimento em pesquisas</p><p>para desenvolver substitutos, adotar outros produtos e práticas ou preparar sua gra-</p><p>dual retirada do ramo em que atuam dentro de um determinado prazo, se não for</p><p>possível encontrar outras soluções.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 181</p><p>QUADRO 6.2</p><p>Comparação entre gestão ambiental e gestão ecológica</p><p>GESTÃO AMBIENTAL</p><p>“Superficial”</p><p>GESTÃO ECOLÓGICA</p><p>“Profunda”</p><p>PARADIGMA MECANICISTA VISÃO HOLÍSTICA E SISTÊMICA</p><p>A auditoria ambiental e outras práticas adminis-</p><p>trativas ambientais não questionam o paradig-</p><p>ma organizacional dominante.</p><p>A ecoauditoria questiona o paradigma organi-</p><p>zacional dominante e envolve a passagem do</p><p>pensamento mecanicista para o pensamento</p><p>sistêmico.</p><p>Estas ferramentas ambientais vêem a organiza-</p><p>ção como uma máquina que pode ser controlada</p><p>e adotam o quadro de referência da economia</p><p>tradicional.</p><p>A gestão ecológica percebe o mundo, a natu-</p><p>reza, o organismo humano, a sociedade e as</p><p>organizações como sistemas vivos, cuja com-</p><p>preensão não é possível apenas sob o prisma</p><p>econômico.</p><p>Na auditoria de cumprimento podem ser apli-</p><p>cados métodos baseados unicamente na quan-</p><p>tificação, já que as regulamentações e normas</p><p>governamentais são quantificadas. Isto reforça o</p><p>status quo e não fornece orientação alguma para</p><p>a solução de problemas ambientais urgentes,</p><p>não contemplados nas medidas governamentais.</p><p>Como a organização é vista como um sistema</p><p>vivo, ela não pode ser rigidamente controlada</p><p>por meio de intervenção direta. Porém, pode ser</p><p>influenciada pela transmissão de orientações</p><p>e emissão de impulsos. Esse novo estilo de</p><p>administração é conhecido como administração</p><p>sistêmica.</p><p>VISÃO ANTROPOCÊNTRICA VISÃO NÃO-ANTROPOCÊNTRICA</p><p>Está associada à idéia de resolver problemas</p><p>ambientais em benefício da organização.</p><p>É motivada por uma ética ecológica e por uma preo-</p><p>cupação com o bem-estar das futuras gerações.</p><p>Carece de uma dimensão ética e suas principais</p><p>motivações são a observância das leis e a me-</p><p>lhoria da imagem da organização.</p><p>Seu ponto de partida é uma mudança de valores</p><p>na cultura organizacional (mudança no pensar e</p><p>agir dos gestores).</p><p>IDEOLOGIA DO CRESCIMENTO</p><p>ECONÔMICO</p><p>SUSTENTABILIDADE</p><p>ECOLÓGICA</p><p>A gestão ambiental não questiona a ideologia do</p><p>crescimento econômico, que é a principal força</p><p>motriz das atuais políticas econômicas e, tragi-</p><p>camente, da destruição do ambiente global.</p><p>A gestão ecológica implica o reconhecimento</p><p>de que o crescimento econômico ilimitado num</p><p>planeta finito só pode levar ao desastre.</p><p>Busca incessantemente o crescimento econô-</p><p>mico irrestrito, entendido em termos puramen-</p><p>te quantitativos como a maximização dos lucros</p><p>ou do PNB.</p><p>A gestão ecológica faz uma restrição ao concei-</p><p>to de crescimento, introduzindo a questão da</p><p>sustentabilidade ecológica como critério funda-</p><p>mental de todas as atividades de negócios.</p><p>FONTE: Adaptado de Callenbach et al. (1993, p. 88-90, op. cit.).</p><p>Uma ferramenta para monitorar o desempenho das organizações é a eco-</p><p>auditoria ou auditoria ecológica, que vem conquistando reconhecimento cada vez</p><p>maior como instrumento essencial da administração contemporânea. A ecoauditoria</p><p>é definida como o exame e a revisão das operações de uma organização com a pers-</p><p>Gestão socioambiental estratégica182</p><p>pectiva da ecologia profunda ou do novo paradigma. É motivada por uma mudança</p><p>nos valores da cultura organizacional – da dominação para a parceria, da ideologia</p><p>do crescimento econômico para a ideologia da sustentabilidade ecológica.</p><p>O resultado de uma ecoauditoria é um plano de ação para minimizar o</p><p>impacto ambiental da organização e fazer com que todas as suas operações sejam</p><p>mais ecologicamente corretas. Para realizar uma ecoauditoria, deve-se mapear os</p><p>fluxos de entrada, tais como energia e materiais. Logo após, realiza-se a observa-</p><p>ção do projeto, o processamento e fabricação. Por fim, analisam-se os fluxos de</p><p>saída, tais como vendas, marketing, resíduos, emissões e efluentes.</p><p>Para realizar um trabalho como este é preciso identificar, dentro da or-</p><p>ganização, equipes de auditoria com experiência diversificada (energia, química,</p><p>reciclagem, etc.), que devem levar em conta métodos quantitativos e qualitativos.</p><p>O Guia do Instituto Elmwood de Auditoria Ecológica e Negócios Sus-</p><p>tentáveis fornece 13 listas de verificação para uma ecoauditoria: (1) energia; (2)</p><p>materiais; (3) projeto e desenvolvimento de produtos; (4) fabricação e produção;</p><p>(5) reciclagem; (6) marketing e vendas; (7) resíduos e emissões; (8) finanças; (9)</p><p>investimentos; (10) o local de trabalho; (11) transportes; (12) a fábrica e seus arre-</p><p>dores e (13) relações internacionais de negócios.</p><p>Na visão dos autores de Ecomanagement, parece provável que a transfor-</p><p>mação ecológica dos negócios se torne mais e mais profunda no século XXI. Essa</p><p>mudança abalará os próprios alicerces da economia como a conhecemos. Novas</p><p>prioridades precisarão ser definidas para instituições e organizações, baseadas nos</p><p>princípios da sustentabilidade e não do crescimento exponencial. A contínua busca</p><p>de novas estratégias de mudança parece inevitável, e nela a gestão ecológica terá</p><p>um importante papel.</p><p>6.2 Responsabilidade socioambiental corporativa</p><p>A responsabilidade socioambiental corporativa (RSC) e o comportamento ético</p><p>dos gestores encontram-se entre as mais importantes tendências que hoje influen-</p><p>ciam a teoria e a prática da administração. Mas, apesar do esforço de diversas or-</p><p>ganizações nacionais e internacionais, que buscam elucidar e difundir as propostas</p><p>da responsabilidade socioambiental corporativa, existem diferentes entendimentos</p><p>sobre esse conceito, o que torna a teoria frágil e mal fundamentada, abrindo espa-</p><p>ços para várias práticas equivocadas.</p><p>O conceito de responsabilidade socioambiental tem sido reduzido à res-</p><p>ponsabilidade corporativa, dificultando a identificação de padrões que permitam</p><p>uma conceituação mais abrangente e precisa em torno do tema. Por isso, as defi-</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 183</p><p>nições encontradas estão relacionadas a diferentes proposições, tais como as con-</p><p>tribuições sociais voluntárias e filantrópicas, o comportamento ético e socialmente</p><p>responsável, responsabilidade legal, entre outras possibilidades. Dependendo do</p><p>contexto, o conceito é aplicado de acordo com a vontade e a necessidade daquele</p><p>que quer se colocar em evidência como socioambientalmente responsável.</p><p>Mas todas as ações que visem a promover a melhoria da qualidade de vida</p><p>e da qualidade ambiental de forma conjunta e integrada às necessidades e expecta-</p><p>tivas humanas, como proteção ao meio ambiente, proteção social, saúde, educação,</p><p>lazer, organização do trabalho, são ações que se caracterizam como transformado-</p><p>ras e, por isso, socialmente responsáveis.2</p><p>Responsabilidade social corporativa dos gestores é a obrigação de estabele-</p><p>cer diretrizes, tomar decisões e seguir rumos de ação que são importantes em termos</p><p>de valores e objetivos da sociedade. Outros termos ou expressões costumam ser uti-</p><p>lizados com o mesmo sentido, como ação social, relações públicas, atividades co-</p><p>munitárias, desafios sociais, preocupação social. Mas há uma grande diferença entre</p><p>agir legalmente, seguindo a letra da lei, e agir com ética e responsabilidade social.</p><p>Algumas organizações têm demonstrado que é possível desenvolver um</p><p>sistema produtivo mais sustentável e ainda obter lucro. No início do século XXI, a</p><p>questão socioambiental tornou-se mais difundida no meio empresarial e mais co-</p><p>brada pela sociedade, até porque muitos problemas que necessitam soluções urgen-</p><p>tes ainda não foram resolvidos no âmbito planetário, como, por exemplo a fome,</p><p>a miséria, a poluição e a degradação cada vez maior do meio ambiente. Governos</p><p>de diversos países têm deixado que a própria sociedade tente resolver esses proble-</p><p>mas. Assim, o empresariado, bem como as ONGs, buscam suprir essas lacunas.</p><p>Da mesma forma que a RSC, a gestão socioambiental estratégica exige um</p><p>comportamento ético baseado em novos valores, os quais podem ainda não estar</p><p>internalizados nas pessoas. Pelo fato de serem recentes, muitas das degradações do</p><p>meio ambiente são derivadas da ação do homem, mas não são assumidas como de</p><p>sua responsabilidade.</p><p>É possível que todos se preocupem com as conseqüências</p><p>do efeito estufa, mas ninguém se sinta responsável pela geração desse fenômeno,</p><p>atribuindo a responsabilidade aos governos, às grandes empresas, aos países de-</p><p>senvolvidos, etc.</p><p>Na última década poucas organizações buscaram incluir a questão socio-</p><p>ambiental no seu planejamento estratégico. Mais recentemente, essas práticas es-</p><p>tão se disseminando com maior rapidez. Para que essas transformações ocorram é</p><p>necessário que as organizações assumam o pensamento sistêmico e comecem a de-</p><p>senvolver uma visão holística, visando melhor compreender as especificidades do</p><p>seu macroambiente, do seu microambiente e do seu ambiente interno, bem como</p><p>as suas inter-relações.</p><p>Gestão socioambiental estratégica184</p><p>O ponto de partida é considerar as organizações como sistemas abertos,</p><p>isto é, que realizam trocas em suas fronteiras, tanto internas quanto externas. Me-</p><p>lhor definindo, sistema é qualquer conjunto de elementos dinamicamente relacio-</p><p>nados entre si, formando uma atividade para atingir um objetivo, operando sobre</p><p>entradas (informação, energia e matéria) e fornecendo saídas (informação, energia</p><p>ou matéria) processadas.</p><p>É necessário avaliar a posição da organização em relação às questões so-</p><p>cioambientais, analisando:3</p><p>ramo de atividade da organização;•</p><p>produto desenvolvido;•</p><p>tipo de processo de industrialização;•</p><p>nível de conscientização ambiental;•</p><p>cumprimento da legislação ambiental;•</p><p>comprometimento da alta direção;•</p><p>capacitação de pessoal;•</p><p>capacidade de desenvolver P&D;•</p><p>capital (retorno do investimento na questão ambiental).•</p><p>Contudo, a prática da RSC não é uma unanimidade entre os pensadores</p><p>e pesquisadores do tema. O economista Milton Friedman, Prêmio Nobel de Eco-</p><p>nomia em 1976, falecido em 2006, advogava que a tarefa da empresa é otimizar o</p><p>lucro do acionista (proprietário) pelo bom uso dos recursos organizacionais. Para</p><p>ele, uma empresa lucrativa beneficia indiretamente a sociedade quando cria novos</p><p>empregos, paga salários justos, melhora as condições de trabalho dos empregados</p><p>e paga seus impostos. Friedman entendia que a empresa que concentra seus recur-</p><p>sos em suas próprias atividades, e não em ações sociais, usa esses recursos com</p><p>mais eficiência e eficácia, aumentando sua competitividade. Assim, para Friedman,</p><p>a empresa não tem responsabilidade social, a não ser que seja exigida por lei.4</p><p>Por outro lado, o professor Keith Davis, da Universidade Estadual do Ari-</p><p>zona, afirma que se a empresa obtém poder na sociedade, ela deveria exercer esse</p><p>poder para melhorá-la e, portanto, tem obrigação de demonstrar sensibilidade so-</p><p>cial. Davis entende que ser socialmente responsável tem seu preço. Contudo, quan-</p><p>do a sociedade melhora, a empresa se beneficia. Assim, para Davis, a empresa tem</p><p>responsabilidade social porque lhe foi dado poder pela sociedade.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 185</p><p>Existem graus diferentes de envolvimento organizacional na responsa-</p><p>bilidade social. São eles: (1) abordagem da obrigação social; (2) abordagem da</p><p>responsabilidade social; (3) abordagem da sensibilidade social. O Quadro 6.3 de-</p><p>monstra esses graus.</p><p>QUADRO 6.3</p><p>Níveis de sensibilidade social das organizações</p><p>Abordagem da obrigação</p><p>social</p><p>Assume que as únicas obrigações de RSC da empresa são aquelas</p><p>exigidas por lei.</p><p>Uma empresa que assume esta postura se satisfaz apenas cum-</p><p>prindo as obrigações sociais, ou seja, não realiza nenhuma ação</p><p>voluntária na área socioambiental.</p><p>Abordagem da</p><p>responsabilidade social</p><p>Reconhece que a empresa tem responsabilidades econômicas (RE)</p><p>e sociais (RS). As responsabilidades econômicas são a otimização</p><p>dos lucros e o aumento do patrimônio líquido dos acionistas. As RS</p><p>consistem em lidar com os problemas sociais atuais, mas somente</p><p>até o ponto em que o bem-estar econômico da empresa não é afeta-</p><p>do de forma negativa. Os grupos de ação social são reconhecidos e</p><p>pode-se até contribuir com eles, encorajando gerentes e funcioná-</p><p>rios a fazer o mesmo. Esta postura é denominada adaptação reativa</p><p>– um processo de reação aos problemas.</p><p>Abordagem da</p><p>sensibilidade social</p><p>Esta abordagem enfatiza que a empresa não tem apenas respon-</p><p>sabilidades econômicas e sociais. Ela também precisa se antecipar</p><p>aos futuros problemas sociais e destinar recursos organizacionais</p><p>para lidar com esses problemas. Isso é feito pela adaptação proati-</p><p>va, ou seja, prevendo problemas futuros e lidando com eles agora.</p><p>Esses problemas podem não estar diretamente ligados à empre-</p><p>sa, mas sua solução beneficiará a sociedade como um todo. Esta</p><p>postura da organização atribui aos gestores a responsabilidade de</p><p>compatibilizar os interesses dos proprietários da empresa com os</p><p>interesses da sociedade.</p><p>FONTE: Adaptado de Montana e Charnov, 1998, p. 36-37, op. cit.</p><p>O que a gestão socioambiental estratégica preconiza está muito próximo</p><p>da abordagem da sensibilidade social citada no Quadro 6.3. A gestão da empresa</p><p>deve estar voltada para antever os impactos de suas atividades num contexto muito</p><p>mais global. Por exemplo, quais seriam as conseqüências para a região da contami-</p><p>nação do lençol freático pela empresa?</p><p>Conforme a Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade, as organiza-</p><p>ções socialmente responsáveis devem abordar essas responsabilidades por meio de</p><p>cinco estágios, que vão desde uma fase embrionária até uma fase mais avançada5.</p><p>Os cinco estágios estão descritos no Quadro 6.4:</p><p>Gestão socioambiental estratégica186</p><p>QUADRO 6.4</p><p>Estágios e atitudes das organizações frente à RSC</p><p>1</p><p>A organização não assume responsabilidades perante a sociedade e não</p><p>toma ações em relação ao exercício da cidadania. Não há promoção do</p><p>comportamento ético.</p><p>2</p><p>A organização reconhece os impactos causados por seus produtos, pro-</p><p>cessos e instalações, apresentando algumas ações isoladas no sentido de</p><p>minimizá-los. Eventualmente busca promover o comportamento ético.</p><p>3</p><p>A organização está iniciando a sistematização de um processo de avaliação</p><p>dos impactos de seus produtos, processos e instalações e exerce alguma</p><p>liderança em questões de interesse da comunidade. Existe envolvimento</p><p>das pessoas em esforços de desenvolvimento social.</p><p>4</p><p>O processo de avaliação dos impactos dos produtos, processos e instala-</p><p>ções está em fase de sistematização. A organização exerce liderança em</p><p>questões de interesse da comunidade de diversas formas. O envolvimento</p><p>das pessoas em esforços de desenvolvimento social é freqüente. A organi-</p><p>zação promove o comportamento ético.</p><p>5</p><p>O processo de avaliação dos impactos dos produtos, processos e insta-</p><p>lações está sistematizado, buscando antecipar as questões públicas. A</p><p>organização lidera questões de interesse da comunidade e do setor. O es-</p><p>tímulo à participação das pessoas em esforços de desenvolvimento social</p><p>é sistemático. Existem formas implementadas de avaliação e melhoria da</p><p>atuação da organização no exercício da cidadania e no tratamento de suas</p><p>responsabilidades públicas. É o estágio mais avançado e deve ser conside-</p><p>rado como meta da organização.</p><p>ATITUDE ORGANIZACIONALESTÁGIOS</p><p>FONTE: Tachizawa, 2002, p. 85-86.</p><p>A questão socioambiental tem assumido proporções estratégicas nas or-</p><p>ganizações. A prática de ações com base na responsabilidade socioambiental cor-</p><p>porativa é vista pelo mercado como uma forma inovadora de diferenciar-se das</p><p>demais organizações ou de criar vantagens competitivas em mercados saturados e</p><p>de concorrência sem fronteiras.</p><p>Cabe salientar que a International Organization for Standardization (ISO)</p><p>escolheu o Swedish Standards Institute (SIS) e a Associação Brasileira de Normas</p><p>Técnicas (ABNT) para desenvolver a proposta (draft) da ISO 26000, o padrão in-</p><p>ternacional que fornece orientações sobre o tema da responsabilidade social, com</p><p>base na Norma ABNT NBR 16001 publicada em dezembro de 2004.</p><p>Uma forma de divulgar as ações das organizações com relação à RSC é a</p><p>publicação do balanço social, o qual demonstra como a organização está</p><p>se rela-</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 187</p><p>cionando e o que tem feito para melhorar o bem-estar (qualidade de vida) de seus</p><p>stakeholders internos (empregados, seus dependentes, sócios, acionistas, etc.) e</p><p>externos (terceiros, comunidade local, governos, mídia, etc.).6</p><p>Embora o balanço social tenha sua origem na contabilidade, não deve ser</p><p>visto como um demonstrativo meramente contábil. Ele é uma ferramenta que ajuda</p><p>a explicitar a preocupação das empresas com o cumprimento de sua responsabilida-</p><p>de social, ou seja, torna a organização mais transparente para todos os públicos de</p><p>interesse. Constitui-se em um distintivo de qualidade para aqueles que o adotarem.</p><p>O desenvolvimento do balanço social por parte das organizações demons-</p><p>tra a mudança da visão tradicional para uma visão mais moderna, com a incorpora-</p><p>ção da responsabilidade social juntamente com os lucros.</p><p>6.3 Princípio da Atuação Responsável</p><p>O Princípio da Atuação Responsável (Responsible Care) foi criado em 1984, no</p><p>Canadá, pelas indústrias químicas, com o apoio da Chemical Manufactures Asso-</p><p>ciation (CMA). No Brasil, é difundido pela Associação Brasileira das Indústrias</p><p>Químicas (Abiquim) desde 1992. A partir de 1998, a adesão dos sócios da Abiquim</p><p>a esse modelo tornou-se obrigatória.</p><p>O programa enfoca saúde, segurança e meio ambiente, conhecidos inter-</p><p>nacionalmente pela sigla SHE (safety, health and environment). As empresas que</p><p>aderem ao programa comprometem-se a adotar um código de práticas gerenciais,</p><p>formar um conselho comunitário consultivo, participar de fóruns de discussão e</p><p>trocas de experiência, utilizar indicadores de verificação do andamento dos pro-</p><p>cessos e difundir o programa para a cadeia produtiva, incluindo clientes e fornece-</p><p>dores. É um exemplo de atuação proativa e parte de um setor visado pela opinião</p><p>pública pelos riscos potenciais que apresenta.</p><p>Os 12 princípios diretivos que devem ser adotados tratam, em linhas ge-</p><p>rais, do gerenciamento ambiental como prioridade em todos os níveis da empresa,</p><p>da transparência no relacionamento com stakeholders e de medidas para minimi-</p><p>zar os impactos trazidos pelos produtos e processos das empresas. Os códigos de</p><p>práticas gerenciais são documentos que auxiliam na implantação de sete princípios</p><p>diretivos: (1) segurança de processos; (2) saúde e segurança do trabalhador; (3)</p><p>proteção ambiental; (4) transporte e distribuição de produtos químicos; (5) diálogo</p><p>com a comunidade; (6) preparação de atendimento a emergências; (7) gerencia-</p><p>mento do produto.</p><p>Gestão socioambiental estratégica188</p><p>6.4 Gestão sustentável da cadeia de suprimentos</p><p>(Green supply chain management)</p><p>O foco tradicional dos gerentes de empresas de manufatura sempre foi diminuir</p><p>custos na compra de insumos e em gastos operacionais, considerando suas pró-</p><p>prias capacidades. No momento em que as empresas passam a adotar o conceito</p><p>de cadeia de valor, privilegiando o core business, o foco se transfere para as ativi-</p><p>dades essenciais, ou seja, para as atividades que a empresa tem competência para</p><p>desempenhar, seja pela produtividade de suas operações, seja porque a tecnologia</p><p>utilizada é própria e ainda não dominada pelos concorrentes. As demais atividades</p><p>são terceirizadas, sendo da responsabilidade de parceiros de negócios, cujas ope-</p><p>rações ficam sob a coordenação daquele que tem poder para isso. Esses parceiros,</p><p>por sua vez, têm competência para atuar nessas atividades, essenciais para eles,</p><p>considerando a cadeia de valor estendida de seus produtos.7</p><p>O princípio básico da gestão de cadeias de suprimento (GCS), em inglês</p><p>supply chain management (SCM), é assegurar maior visibilidade de custos e outros</p><p>eventos relacionados com a produção para satisfação da demanda, com o objetivo</p><p>de minimizar os gastos das operações produtivas e da logística entre as empresas,</p><p>constituída pelo fluxo de materiais, componentes e produtos acabados.</p><p>A gestão da cadeia de suprimentos pode ter também o enfoque da susten-</p><p>tabilidade. Trata-se de uma oportunidade de minimizar, na relação com os fornece-</p><p>dores, os problemas adquiridos com a compra de insumos, ou mesmo com a própria</p><p>relação que se estabelece com os fornecedores. Comprar de alguém que não possui</p><p>boas práticas socioambientais pode afetar a imagem de quem está comprando.</p><p>A gestão sustentável da cadeia de suprimentos ainda é um tema pouco</p><p>explorado no Brasil, mas que tem se mostrado como uma grande oportunidade</p><p>para agregar valor ao produto, minimizar os impactos no processo de produção,</p><p>gerar inovações de produto e processo e aumentar a competitividade dos elos dessa</p><p>cadeia. Esse processo geralmente ocorre por iniciativa da empresa que coordena</p><p>a cadeia, a qual pode fazer exigências visando a atender determinado padrão e/ou</p><p>criar condições para que seus fornecedores atinjam o padrão desejado num deter-</p><p>minado período de tempo.</p><p>As relações na cadeia de suprimentos tendem a ser mais cooperativas, uma</p><p>vez que a responsabilidade pelo produto final é de quem entrega ao cliente. A em-</p><p>presa que entrega o produto precisa estar cercada de parceiros que lhe garantam a</p><p>qualidade do produto, um preço competitivo, o cumprimento de prazos e também</p><p>uma boa imagem. Ou seja, os fornecedores precisam estar cada vez mais alinhados</p><p>com os valores da empresa para a qual vendem, pois entregarão não apenas o pro-</p><p>duto, mas também a sua credibilidade.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 189</p><p>No exterior está mais desenvolvido o conceito de green supply chain ma-</p><p>nagement, que traduzimos aqui como gestão sustentável da cadeia de suprimen-</p><p>tos, pois as empresas tentam evitar os riscos de ter na sua cadeia de suprimentos</p><p>fornecedores com menor consciência ambiental. Um exemplo disso é o que vem</p><p>ocorrendo com as grandes montadoras de automóveis, que consideram os atributos</p><p>ambientais de seus fornecedores no momento de definir seus fornecedores, bem</p><p>como avaliam o ciclo de vida dos insumos e estruturam a logística reversa dos</p><p>automóveis após o final da sua vida útil.8 A análise do ciclo de vida deve ser incor-</p><p>porada à gestão da cadeia de suprimentos, pois na concepção e no desenvolvimento</p><p>dos projetos de produtos e insumos está a grande oportunidade de minimizar im-</p><p>pactos socioambientais ao longo da cadeia. A Figura 6.1 exemplifica essa expansão</p><p>da gestão da cadeia de suprimentos.</p><p>Concepção</p><p>Projetando as melhores</p><p>práticas para a cadeia</p><p>de suprimentos</p><p>Cadeia de suprimentos tradicional</p><p>Projeto</p><p>Extração</p><p>Matéria-prima Transporte Transporte Consumo DescarteTransporteManufatura</p><p>Figura 6.1</p><p>Análise do ciclo de vida na gestão da cadeia de suprimentos.</p><p>6.5 The Natural Step</p><p>A The Natural Step (TNS) é outra organização independente que apresenta uma</p><p>metodologia para atingir a sustentabilidade empresarial. Para tanto, considera qua-</p><p>tro princípios: concentração de substâncias extraídas da crosta terrestre, concen-</p><p>tração de substâncias produzidas pela sociedade, degradação dos meios físicos e</p><p>necessidades humanas.</p><p>A metodologia em si inicia-se com a compreensão, na qual a alta direção,</p><p>colaboradores e stakeholders devem ter o conceito de sustentabilidade alinhado. A</p><p>segunda etapa trata do ambiente, cujo produto é uma análise dos impactos das ati-</p><p>vidades desenvolvidas. Parte-se, então, para a criação de uma visão e de um plano</p><p>estratégico, com a participação de todos os envolvidos no processo, bem como dos</p><p>públicos interessados, sempre pensando no longo prazo. A última fase é a de efe-</p><p>tiva implementação, com projetos que podem ser de retorno em um curto espaço,</p><p>estando na perspectiva de longo prazo.</p><p>Gestão socioambiental estratégica190</p><p>Comparando com as outras metodologias abordadas, a TNS trabalha com</p><p>o alinhamento de objetivos nos níveis estratégicos da organização, mas não traba-</p><p>lha com indicadores. Trata-se de uma filosofia que deve ser incorporada à empresa</p><p>– como na maior parte dos casos – com o objetivo de levar à busca de novas solu-</p><p>ções, sem nada predeterminado.</p><p>A liberdade dada amplia</p><p>a gama de possibilidades e pode levar a empresa</p><p>a se concentrar em questões que considere mais relevantes para o seu ambiente.</p><p>Todavia, vale lembrar que essa concentração de ações pode levar a empresa a não</p><p>considerar todas as variáveis referentes à sustentabilidade. É uma metodologia di-</p><p>ferenciada, com princípios científicos e que propõe uma melhoria incremental na</p><p>organização. Seu grande desafio é transpor a visão em resultados práticos que tra-</p><p>gam resultados efetivos na busca pela sustentabilidade. Mais informações podem</p><p>ser encontradas em www.naturalstep.org.</p><p>6.6 Produção mais limpa (P+L)</p><p>No modo de produção atual existem pelo menos duas características comuns a pra-</p><p>ticamente todos os setores produtivos: o desperdício de matérias-primas e o des-</p><p>perdício de energia. Tais desperdícios ocorrem, geralmente, pela intensa geração</p><p>de rejeitos. Com o objetivo de minimizar ou eliminar esses desperdícios surgiu, por</p><p>ocasião da Rio 92, o conceito de Produção mais limpa (P+L ou PmaisL).</p><p>As discussões de 1992 levaram a United Nations Industrial Development</p><p>Organization (Unido) e a United Nations Environment Programme (Unep) a de-</p><p>senvolver, em 1994, um programa conjunto de incentivo à criação de centros na-</p><p>cionais ou regionais difusores dessa proposta, que foram denominados National</p><p>Cleaner Production Centres (NCPCs). Inicialmente foram criados nove centros</p><p>em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, pois estimava-se que nesses</p><p>países ocorriam os maiores desperdícios de matéria-prima e energia. Foram ofere-</p><p>cidos treinamentos, consultorias e suporte financeiro para esses centros, os quais</p><p>deveriam encontrar organizações dispostas a implantar as propostas da P+L. Essas</p><p>organizações participantes do programa de difusão da P+L não tinham custos, mas</p><p>assumiriam o compromisso de permitir a divulgação dos resultados obtidos e a vi-</p><p>sita dos interessados em verificar in loco os resultados obtidos. Essas visitas eram</p><p>denominadas demonstrações em planta e serviam para convencer os interessados</p><p>de que realmente implantar a P+L seria um bom negócio para qualquer organiza-</p><p>ção, independentemente do seu tamanho ou do setor em que estivesse inserida.</p><p>Em junho de 2004, quando foram comemorados os 10 anos de operação</p><p>do Programa de Produção Mais Limpa da Unido-Unep, este já estava operando em</p><p>31 países, tendo aumentado seu orçamento para cerca de 35 milhões de dólares,</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 191</p><p>dos quais 60% provinham da Áustria e da Suíça. Além desses países, apóiam finan-</p><p>ceiramente o Programa de P+L Brasil, Canadá, República Checa, União Européia,</p><p>Finlândia, Hungria, Itália, Japão, Países Baixos, Noruega, Coréia do Sul, Eslovê-</p><p>nia, Suécia e Reino Unido.</p><p>6.6.1 Conceituando a P+L</p><p>No processo de industrialização ocorrido em diversos países, a relação com a pre-</p><p>servação ambiental seguiu quatro passos sucessivos: ignorar, diluir, controlar e</p><p>prevenir. Nessa seqüência, cada passo pode ser uma possível “solução” para os</p><p>problemas que não poderiam ser resolvidos com a estratégia do estágio anterior.</p><p>De acordo com a Unep/Unido, a P+L é a aplicação contínua de uma estratégia</p><p>ambiental preventiva e integrada nos processos produtivos, nos produtos e nos ser-</p><p>viços para reduzir os riscos relevantes aos seres humanos e ao ambiente natural,</p><p>conforme pode ser observado na Figura 6.2.</p><p>Contínuo Serviços Homens</p><p>PRODUÇÃO</p><p>MAIS LIMPA</p><p>P+L</p><p>Meio</p><p>Ambiente</p><p>Redução de</p><p>riscosPreventiva</p><p>Integrativa</p><p>(ar, água, terra)</p><p>Produtos e</p><p>Processos</p><p>Estratégia para</p><p>Figura 6.2</p><p>Elementos essenciais da estratégia de P+L.</p><p>FONTE: UNEP/UNIDO (1995, Part One, p. 5).9</p><p>Praticar a P+L é realizar ajustes no processo produtivo que permitam a</p><p>redução da emissão/geração de resíduos diversos, podendo ser feitas desde peque-</p><p>nas reparações no modelo existente até adquiridas novas tecnologias (simples e/</p><p>ou complexas). A P+L, com seus elementos essenciais, adota uma abordagem pre-</p><p>ventiva, em resposta à responsabilidade financeira adicional trazida pelos custos de</p><p>controle da poluição e dos tratamentos de final de tubo.</p><p>A P+L busca direcionar o design para a redução dos impactos negativos do</p><p>ciclo de vida, desde a extração da matéria-prima até a disposição final. Em relação</p><p>aos processos de produção, busca a economia de matéria-prima e energia a elimi-</p><p>Gestão socioambiental estratégica192</p><p>nação do uso de materiais tóxicos e a redução nas quantidades e toxicidade dos</p><p>resíduos e emissões. Além disso, seu foco também está voltado para a incorporação</p><p>das questões ambientais dentro da estrutura e entrega de serviços.</p><p>A P+L caracteriza-se pelos seguintes aspectos: (1) só a mudança tecnoló-</p><p>gica com a adoção de T+L muitas vezes não é suficiente para tornar um processo</p><p>produtivo “mais limpo”; (2) a geração de conhecimento endógeno e a aplicação</p><p>do know-how (saber como fazer) externo ou interno à organização são elementos-</p><p>chave para o sucesso de um programa de P+L; (3) é preciso que ocorram mudanças</p><p>de atitudes em todos os níveis da organização, referentes ao comprometimento</p><p>com a implementação de um programa de P+L.</p><p>A aplicação de know-how significa melhorar a eficiência e a eficácia,</p><p>adotando melhores técnicas de gestão, fazendo alterações por meio de práticas de</p><p>housekeeping ou soluções caseiras e revisando políticas e procedimentos quando</p><p>necessário. Isso significa aplicar ou desenvolver tecnologias do tipo soft, na qual</p><p>está embutida toda a inteligência ou capital intelectual de que a organização pode</p><p>dispor quando está realizando mudanças.</p><p>Mudar atitudes significa encontrar uma nova abordagem para o relacio-</p><p>namento entre a indústria e o ambiente, pois ao repensar um processo industrial</p><p>ou um produto em termos de P+L pode ocorrer a geração de melhores resultados,</p><p>sem ser necessária a compra de novas tecnologias do tipo hard (máquinas e equi-</p><p>pamentos).</p><p>A ótica e a hierarquia com que trabalha a P+L estão apresentadas na Figura</p><p>6.3. Como podemos observar nesse fluxograma, no topo da hierarquia dos objeti-</p><p>vos da P+L, à esquerda, está a prioridade: não gerar/minimizar resíduos e emissões</p><p>(nível 1). Somente quando não for mais possível evitar a geração de resíduos é que</p><p>estes devem ser reintegrados ao processo de produção da empresa (nível 2). Se essa</p><p>abordagem não for possível, a organização deve tomar medidas de reciclagem fora</p><p>da empresa (nível 3).</p><p>Inversamente, a P+L está relacionada com a prevenção e a não-geração</p><p>de rejeitos. Isso não significa, no entanto, que as tecnologias de fim-de-tubo não</p><p>sejam alternativas que possam ser adotadas quando se realiza a gestão ambiental.</p><p>A P+L possibilita à indústria manejar seus problemas de processos, produtos e ser-</p><p>viços, com a seleção e planejamento da tecnologia mais apropriada para a situação</p><p>da organização.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 193</p><p>PRODUÇÃO MAIS LIMPA</p><p>Minimização de</p><p>resíduos e emissões</p><p>Nível 1 Nível 2</p><p>Redução</p><p>na fonte Reciclagem</p><p>interna</p><p>Modificação</p><p>no processo</p><p>Modificação</p><p>no produto</p><p>Reutilização de</p><p>resíduos e emissões</p><p>Nível 3</p><p>Reciclagem</p><p>externa</p><p>Ciclos</p><p>biogênicos</p><p>Estruturas Materiais</p><p>Substituição de</p><p>matérias-primas</p><p>Modificação</p><p>de tecnologia</p><p>Housekeeping</p><p>Figura 6.3</p><p>Princípios hierárquicos da P+L - O que fazer com os resíduos?</p><p>FONTE: UNIDO, 2001, p. 11.10</p><p>6.6.2 Diferenças conceituais</p><p>A proposta básica do conceito P+L se identifica com o que é expresso em ou-</p><p>tros conceitos, como, por exemplo, ecoeficiência, minimização de resíduos, pro-</p><p>dutividade verde, ecologia industrial ou metabolismo industrial e environmental</p><p>pollution prevention pays (EP3). Além desses, existem outros conceitos que são</p><p>confundidos com a P+L, em função da semelhança dos termos, como é o caso de</p><p>Gestão socioambiental estratégica194</p><p>produção limpa, tecnologias limpas e tecnologias mais limpas. Existem também</p><p>conceitos muito semelhantes, como prevenção da poluição (pollution prevention</p><p>– PP ou P2), termo mais utilizado nos EUA para definir o que aqui estamos cha-</p><p>mando de P+L. Outro conceito</p><p>e ambientais</p><p>– muitos indivíduos acabam priorizando os produtos de empresas que estão</p><p>comprometidas com a questão ambiental.</p><p>315A ambientalização das relações de consumo</p><p>Posto isso, a imagem das empresas em relação à sua participação nas</p><p>questões sociais e ambientais passou a ser fundamental nos seus planeja-</p><p>mentos estratégicos. A adoção de novas posturas entre os administradores e</p><p>empresários os levou a adequar os processos às novas exigências impostas</p><p>pela sociedade: minimizar ou zerar os impactos das atividades sobre o meio</p><p>ambiente passou a ser um diferencial na conquista de maiores fatias de mercado.</p><p>A inserção em novos mercados também passou a exigir que as empresas sejam</p><p>ecologicamente corretas.</p><p>Dentre as atitudes das empresas em relação à sustentabilidade ambiental,</p><p>destaca-se adequar a estrutura, assim como os colaboradores em geral e os</p><p>parceiros comerciais para que também sejam responsáveis pela questão da</p><p>sustentabilidade. Isso permite que se efetive o objetivo da empresa de minimizar</p><p>os impactos ambientais de suas atividades.</p><p>São exemplos simples de medidas sustentáveis que podem ser realizadas</p><p>nas organizações, segundo Grisotto (2015):</p><p> economia no uso da energia elétrica;</p><p> utilização racional dos materiais de expediente;</p><p> redução no uso de materiais descartáveis;</p><p> prática de reuso, reciclagem ou renovação de recursos.</p><p>O envolvimento de todos os colaboradores contribui para que as práticas</p><p>sustentáveis se multipliquem dentro e fora da organização. Segundo Marques</p><p>(2009), as organizações têm forte influência sobre o ambiente político social</p><p>no desempenho das suas atividades, assumindo novas responsabilidades</p><p>nesse âmbito. Além da melhora na imagem da empresa no mercado, as</p><p>práticas sustentáveis podem influenciar o aumento da lucratividade, uma</p><p>vez que ampliam o leque de consumidores que se preocupam com as ques-</p><p>tões ambientais.</p><p>O consumidor que opta por produtos e serviços de empresas que realizam</p><p>práticas sustentáveis acaba sendo um consumidor consciente que também rea-</p><p>liza o seu papel em relação à sustentabilidade ambiental. Uma das estratégias</p><p>utilizadas pelas organizações para conquistar esse tipo de clientela é o chamado</p><p>“marketing verde”, voltado ao processo de venda de produtos e serviços que</p><p>apresentam benefícios ao meio ambiente. É uma estratégia de vinculação</p><p>A ambientalização das relações de consumo316</p><p>de marca, produto ou serviço a uma imagem ecologicamente consciente, de</p><p>uma empresa que faz sua parte perante a sociedade, ou seja, uma empresa</p><p>ecologicamente consciente (OLIVEIRA et al., 2015).</p><p>A empresa brasileira Natura é um exemplo de organização que apresenta</p><p>uma forte imagem no mercado relacionada à preocupação com o meio am-</p><p>biente. Desde o surgimento da empresa, na década de 1950, a questão de</p><p>sustentabilidade está presente nas suas práticas, que permanecem até os dias</p><p>atuais, sendo o seu grande diferencial (TERRA, 2009).</p><p>Apesar de ser uma preocupação mais atual na sociedade, a questão da</p><p>sustentabilidade sempre foi utilizada nas estratégias de marketing da Na-</p><p>tura. Atualmente, a empresa apresenta-se engajada nas causas sustentáveis</p><p>e, desde 2005, faz parte do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). O</p><p>reconhecimento de suas práticas em relação ao uso sustentável da biodiver-</p><p>sidade brasileira ocorre tanto no Brasil quanto no exterior (CARVALHO;</p><p>BARBIERI, 2012).</p><p>A influência das atitudes da Natura sobre a sociedade inicia no controle</p><p>das práticas sustentáveis dos próprios fornecedores. São diversas as estra-</p><p>tégias adotadas com foco sua cadeia de suprimentos; os seus fornecedores,</p><p>por exemplo:</p><p> São induzidos a passar por processos de autoavaliação em relação à</p><p>qualidade, ao meio ambiente e à responsabilidade social.</p><p> Passam por programas de capacitação de fornecedores para elaboração</p><p>de relatórios de sustentabilidade e quantificação e gestão de emissões</p><p>de gases de efeito estufa (CARVALHO; BARBIERI, 2012).</p><p>Em relação aos próprios produtos:</p><p> Algumas linhas apresentam o uso de tecnologias limpas, as quais re-</p><p>duzem os impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva.</p><p> Existe um direcionador específico em relação às fórmulas dos produtos</p><p>da empresa, de modo a evitar a utilização de matérias-primas de origem</p><p>animal, mineral ou sintética em prol das alternativas de origem vegetal.</p><p>Com isso, a empresa busca reduzir os efeitos negativos do processo</p><p>produtivo em todo o ciclo de vida do produto.</p><p>317A ambientalização das relações de consumo</p><p>Em 2008, a Natura implementou o Programa de Certificação de Ingredientes, de modo</p><p>a garantir que os insumos utilizados como matéria-prima no processo de produção</p><p>sejam extraídos de maneira sustentável, bem como promovam o desenvolvimento</p><p>social das comunidades extrativistas.</p><p>O principal exemplo do caso Natura é que é possível adotar inovações que gerem</p><p>benefícios sociais e ambientais ao longo de uma cadeia produtiva completa (CARVALHO;</p><p>BARBIERI, 2012).</p><p>A empresa Faber-Castell, líder mundial na fabricação de lápis de madeira reflorestada,</p><p>é outro exemplo de organização que realiza práticas sustentáveis. A fabricação dos</p><p>lápis, chamados de EcoLápis, é realizada com 100% de madeira reflorestada. Além</p><p>disso, existe um total aproveitamento da madeira e dos seus subprodutos que não</p><p>são utilizados na fabricação do EcoLápis e que são direcionados, por exemplo, para</p><p>a geração de energia, como substrato orgânico para plantas, para a fabricação de</p><p>chapas de aglomerado e em granjas de criação de frangos. A empresa assumiu um</p><p>compromisso com a sociedade e o meio ambiente que se estende a projetos socio-</p><p>ambientais para despertar a consciência da comunidade em relação à importância</p><p>de cuidar do ambiente natural, além de oferecer oportunidade para que crianças em</p><p>situação de desigualdade social desenvolvam sua criatividade (FABER CASTELL, 2018).</p><p>ANDREASI, D. Consumismo x pirâmide de Maslow: uma outra visão da teoria. [S.l.]:</p><p>Jovem Administrador, 2011. Disponível em: . Acesso em: 10</p><p>jan. 2018.</p><p>ARAÚJO, G. C. et al. Sustentabilidade Empresarial: conceito e indicadores. In: CON-</p><p>GRESSO VIRTUAL BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO – CONVIBRA. 3., nov. 2006. Artigos...</p><p>Disponível em: . Acesso</p><p>em: 11 abr. 2018.</p><p>BRASIL. Manual de educação para o Consumo Sustentável. Brasília, DF: Consumers</p><p>International/ MMA/ MEC/ IDEC, 2005. 160 p. Disposnível em: . Acesso em:</p><p>11 abr. 2018.</p><p>CARVALHO, A. P.; BARBIERI, J. C. Inovação em Práticas Sustentáveis: o caso Natura. 2012.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>A ambientalização das relações de consumo318</p><p>GRISOTTO, R. As práticas sustentáveis que já dão dinheiro a empresas brasileiras. Época</p><p>Negócios. 2015. Disponível em: . Acesso em 13 abr. 2018.</p><p>JALES, S. Desejo X Necessidade. 26 jun. 2017. Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>LAYRARGUES. P. P. A cortina de fumaça: o discurso empresarial verde e a ideologia da</p><p>racionalidade econômica. São Paulo: Annablume, 1998.</p><p>LEITE, A. P. R. Marketing para Causas Sociais: uma abordagem na visão dos consu-</p><p>midores natalenses. 2007. Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018</p><p>MARQUES, C.S.A. Notas de aula de Gestão Ambiental. Faculdade de Ilha Solteira, p.</p><p>1-9, 2009.</p><p>OLIVEIRA, F. S. et al. Marketing verde nas empresas. 2015. Disponível em:</p><p>que tem o foco na cadeia produtiva, mas que faz</p><p>referência à P+L, é o de emissão zero. Por fim, cabe mencionar os procedimentos</p><p>e tecnologias fim-de-tubo (end-of-pipe), que são vistos como antônimos da P+L</p><p>porque buscam minimizar os efeitos no final do processo. Na nossa opinião, os</p><p>processos e tecnologias fim-de-tubo devem ser complementares, sendo utilizados</p><p>nas situações que a P+L ainda não conseguiu resolver.</p><p>A diferença-chave entre controle da poluição e P+L está na questão do</p><p>tempo. O controle da poluição é uma atividade reativa, ou seja, após o evento (po-</p><p>luição) ter sido gerado. Já a P+L é uma abordagem proativa, pois procura antecipar-</p><p>se e prevenir a geração do evento (poluição). Com a implementação do Programa</p><p>de P+L, juntamente com melhores técnicas de gestão e boas medidas de houseke-</p><p>eping, a utilização de soluções end-of-pipe serão significativamente reduzidas, ou</p><p>até mesmo eliminadas. Housekeeping, ou boas práticas, são alterações simples nos</p><p>processos ou nas matérias-primas, incluindo mudanças no nível organizacional.</p><p>Normalmente, são medidas economicamente mais interessantes e fáceis de im-</p><p>plementar. Podem incluir treinamento e motivação pessoal, alteração na forma de</p><p>operar os equipamentos, alteração na concentração ou dosagem de produtos; in-</p><p>cremento no uso da capacidade dos equipamentos; reorganização do sistema de</p><p>manutenção preventiva e corretiva; evitar perdas por evaporação; melhoria nas</p><p>compras, armazenagem e entrega de produtos e matérias-primas; padronizações e</p><p>normatizações, etc.</p><p>Mais recentemente, a P+L está sendo definida como “a aplicação contínua</p><p>de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e</p><p>produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia</p><p>pela não-geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados em um proces-</p><p>so produtivo. Esta abordagem induz inovação nas empresas, dando um passo em</p><p>direção ao desenvolvimento econômico sustentado e competitivo, não apenas para</p><p>elas, mas para toda a região que abrangem”.11</p><p>Percebe-se que os conceitos surgem focados em determinada parte dos</p><p>sistemas produtivos (produto, processo, serviço), nos arranjos produtivos (cadeia</p><p>de suprimentos, clusters), no interesse público ou privado, em questões locais ou</p><p>globais, com graus de profundidade, radicalidade e complexidade diferentes, mas</p><p>com o tempo tendem a ampliar o seu foco e tornam-se muito semelhantes. Todos,</p><p>de alguma forma, referem-se à redução/eliminação de desperdícios, ecoeficiência,</p><p>sustentabilidade e desenvolvimento sustentável.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 195</p><p>Sem a pretensão de reduzir a importância ou de hierarquizar os conceitos</p><p>apresentados neste livro, buscamos identificar o foco de cada conceito para tornar</p><p>clara as diferenças entre eles.</p><p>Produção mais limpa = prevenção à poluição:• técnicas utilizadas para pre-</p><p>venir a geração de resíduos, efluentes e emissões. Trata-se de uma compara-</p><p>ção entre duas ou mais formas de produção. A implementação das técnicas de</p><p>P+L deve sensibilizar e mobilizar toda a organização, e não apenas o setor de</p><p>produção.</p><p>Produção limpa:• sistema de produção que busca as condições ideais e exige</p><p>transparência e forte participação dos stakeholders. Trata-se de uma meta a ser</p><p>perseguida, mas que dificilmente será atingida na sua plenitude, pois sempre</p><p>haverá algum tipo de impacto, de falta de transparência, de não-aplicação dos</p><p>princípios da precaução, de uma visão holística, etc.</p><p>Tecnologia mais limpa:• tecnologia que causa menor impacto ambiental, quando</p><p>comparada com outras tecnologias.</p><p>Tecnologia limpa:• tecnologia que não causa impacto ambiental. Da mesma for-</p><p>ma que no caso da produção limpa, trata-se de uma meta a ser perseguida.</p><p>Tecnologia fim-de-tubo:• tecnologia utilizada para remediar os impactos am-</p><p>bientais decorrentes dos processos produtivos. Visa a evitar que a poluição gera-</p><p>da seja diluída no ambiente natural. Enquanto existirem resíduos, será necessário</p><p>utilizar as tecnologias fim-de-tubo.</p><p>6.6.3 Benefícios do investimento em P+L</p><p>Investir em P+L é lucrativo, pois, na maioria das vezes, o retorno do investimento</p><p>ocorre em poucos meses. O maior investimento a ser feito é na mudança de com-</p><p>portamento e, para isso, é necessário realizar treinamentos buscando sensibilizar as</p><p>pessoas em todos os níveis da organização. Ao comparar-se as mudanças que ocor-</p><p>rem na estrutura dos custos totais da organização que implementa a P+L, verifica-</p><p>se, com muita freqüência, que os custos relacionados com a proteção ambiental</p><p>tendem a diminuir ao longo do tempo, pois ocorre a geração de diversos benefícios</p><p>a partir do aumento da eficiência dos processos produtivos, tais como a redução no</p><p>consumo de matérias-primas e energia, a diminuição da geração de todo o tipo de</p><p>rejeitos de processo e a diminuição ou eliminação de itens contaminantes do pro-</p><p>cesso produtivo. A Figura 6.4 ilustra os ganhos com a P+L.</p><p>Gestão socioambiental estratégica196</p><p>P+L em Contexto</p><p>Macroambiente</p><p>Microambiente</p><p>Ambiente Interno</p><p>Implementação</p><p>de P+L</p><p>Estudos de Caso</p><p>Bibliografia</p><p>C</p><p>u</p><p>s</p><p>to</p><p>s</p><p>Ganhos Ganhos</p><p>sem p+1</p><p>com p+1</p><p>Tempo</p><p>Produção Mais Limpa</p><p>Produção Mais Limpa</p><p>Voltar Avançar</p><p>B</p><p>e</p><p>n</p><p>e</p><p>fí</p><p>c</p><p>io</p><p>s</p><p>Gráfico – Custos e benefícios da PML</p><p>• sem P+L - sem investimentos e sem variações substanciais ao longo do</p><p>tempo (linha horizontal)</p><p>• com P+L segmento A - ocorre uma redução dos custos totais pela adoção</p><p>de medidas sem investimento</p><p>• com P+L segmento B - incremento nos custos totais, resultados dos</p><p>investimentos feitos para as adaptações necessárias</p><p>• com P+L segmento C - redução nos custos totais que permite a</p><p>recuperação do investimento inicial: os ganhos com a maior eficiência</p><p>permite uma redução permanente nos custos totais</p><p>A B C</p><p>Fonte: Adaptado de BKH Consulting Engineers – Policies and policy instruments to promote</p><p>cleaner production. Recommendations for Colombia. Delft, 1996. In: Política Nacional de</p><p>Producción más Limpa (1997) apud Nascimento, Lemos e Mello (2002, CD-ROM).</p><p>Voltar Avançar</p><p>Figura 6.4</p><p>Custos e benefícios da P+L.</p><p>FONTE: Adaptado de BKH Consulting Engineers – Policies and policy instruments to promote cleaner production. Recom-</p><p>mendations for Colombia. Delft, 1996. In: Política Nacional de Producción más Limpia (1997) apud Nascimento, Lemos e</p><p>Mello (2002, CD-ROM).12</p><p>Quando se toma a decisão de implantar ações de P+L, ocorre uma re-</p><p>dução dos custos totais pela adoção de medidas sem investimento, o que pode</p><p>ser observado no segmento A, da Figura 6.4. Em um segundo momento (seg-</p><p>mento B), ocorre um incremento nos custos totais, resultado dos investimentos</p><p>feitos para as adaptações necessárias, incluindo a adoção de novas tecnologias</p><p>e modificações nos processos existentes. Com a entrada em ação de processos</p><p>otimizados e novas tecnologias, há uma redução nos custos totais, que permite</p><p>a recuperação do investimento inicial e, com o passar do tempo, os ganhos com</p><p>a maior eficiência permitem uma redução permanente nos custos totais. Visu-</p><p>almente, essa redução de custos pode ser observada na diferença entre as duas</p><p>curvas, no segmento C da figura.</p><p>C6 Abordagens relacionadas ao ambiente interno 197</p><p>Os programas de P+L têm como foco o potencial de ganhos diretos no</p><p>mesmo processo de produção e de ganho indireto pela eliminação de custos as-</p><p>sociados ao tratamento e à disposição final de resíduos, desde a fonte, ao menor</p><p>custo, e com períodos curtos de amortização dos investimentos.</p><p>A P+L também pode ser um importante instrumento para a formação de</p><p>econegócios, devido aos valores e princípios que começam a fazer parte das orga-</p><p>nizações que a implementam. Um econegócio ou ecobusiness é todo e qualquer</p><p>empreendimento que se preocupa com as variáveis ambiental, social e econômica</p><p>e que seja proativo em criar mecanismos de proteção (preservação ou conservação)</p><p>dos recursos, tanto naturais quanto culturais, desde a concepção dos produtos até a</p><p>sua disposição</p><p>pdf>. Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>OLIVEIRA FILHO, J. E. Gestão ambiental e sustentabilidade: um novo paradigma eco-</p><p>-econômico para as organizações modernas. DOMUS ON LINE, v. 1, n. 1, p. 92-113. jan./</p><p>jun., 2004. Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>PHILIPPI, L. S. A Construção do Desenvolvimento Sustentável. In: LEITE, A. L. T. A.;</p><p>MININNI-MEDINA, N. Educação Ambiental: questões ambientais – conceitos, história,</p><p>problemas e alternativa. 2. ed. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2001. (Curso</p><p>básico à distância, 5).</p><p>REZ, R. Pirâmide de Maslow: hierarquia de necessidades do consumidor. 02 fev. 2016.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>RIBEIRO, A. F. Taylorismo, fordismo e toyotismo. Lutas Sociais, v. 19, n. 35, 2015. Dispo-</p><p>nível em: . Acesso em:</p><p>11 abr. 2018.</p><p>SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.</p><p>TERRA, T. Natura: a história de uma marca sustentável. 16 set. 2009. Disponível em:</p><p>. Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>VASCONCELLOS, M. A; GARCIA, M. E. Fundamentos da Economia. 5. ed. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2014.</p><p>VIVO. Práticas sustentáveis: veja como se beneficiar e minimizar impactos. 2018. Dispo-</p><p>nível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>319A ambientalização das relações de consumo</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ECO D. O que é EcoDesenvolvimento? 2013. Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>FABER-CASTELL. Faber-Castell: a única empresa a plantar árvores para a produção</p><p>de EcoLápis. 2018. Disponível em: . Acesso em: 11 abr. 2018.</p><p>A ambientalização das relações de consumo320</p><p>DICA DO PROFESSOR</p><p>Apresenta-se no vídeo uma reflexão sobre a ambientalização das relações de consumo.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>EXERCÍCIOS</p><p>1) No livro Consumo sustentável, destaca-se que os bens, em todas as culturas,</p><p>funcionam como manifestação concreta dos valores e da posição social de seus</p><p>proprietários. Analisando o conceito de consumismo, leia as afirmativas abaixo e</p><p>defina qual delas mais se encaixa em tal conceito:</p><p>A) O consumismo é o modo de vida orientado pelo consumo de bens ou serviços calcados na</p><p>ideia de status que ele pode oferecer (sucesso, felicidade, prazer), atribuído pelos meios de</p><p>comunicação de massa.</p><p>B) O consumismo não envolve a mudança de hábitos e nem a replicação de valores da</p><p>sociedade.</p><p>C) O consumismo mostra algo ligado aos desejos da pessoa, independente da sociedade e do</p><p>grupo a qual pertence.</p><p>D) O consumismo foca produtos locais desprovidos de marcas valorizadas pela sociedade,</p><p>sem utilizar meios de propaganda de massa e de marketing, favorecendo o consumo mais</p><p>consciente.</p><p>E) A felicidade e a qualidade de vida estão intimamente ligadas a conceitos coletivos e</p><p>altruístas, sempre se pensando no bem coletivo e na consciência do cidadão.</p><p>Várias são as estratégias que foram surgindo em função da maior conscientização 2)</p><p>sobre o nosso papel de consumidor em relação ao meio ambiente. Entre as estratégias</p><p>que surgiram, o consumo verde:</p><p>A) mostra-se como aquele que busca a qualidade e o preço, refletindo sobre o processo de</p><p>produção mais limpo do produto, a partir da escolha de produtos e serviços que poluam</p><p>menos o ambiente (através de seu ciclo de vida).</p><p>B) revela que o consumidor verde não está preocupado em reduzir os problemas ambientais, e</p><p>sim em demonstrar status de poder comprar produtos mais caros.</p><p>C) não possui limitações.</p><p>D) mostra que muitas empresas, em função da questão ambiental, passaram a mapear o</p><p>consumo das populações de menor renda, as quais se apresentam como um nicho de</p><p>mercado interessante para os produtos verdes.</p><p>E) destaca uma preocupação por parte das pessoas, do governo e das empresas de diminuir a</p><p>desigualdade ao acesso aos bens ambientalmente corretos, abaixando os preços de tais</p><p>produtos para que as classes mais pobres possam consumi-los.</p><p>3) Refletindo sobre o conceito de consumo sustentável, que está além de consumir</p><p>produtos “verdes”, do tipo de tecnologia existente nos produtos e do comportamento</p><p>individual de consumo, marque a alternativa correta acerca do conceito de consumo</p><p>sustentável:</p><p>A) Comprar o que é realmente necessário, estendendo a vida útil do produto o quanto for</p><p>possível e descartando-o de maneira correta, considerando também o incremento de</p><p>políticas públicas de inserção de todas as classes sociais em um patamar igualitário de</p><p>escolha de produtos.</p><p>B) O desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a</p><p>capacidade de atender às necessidades das futuras gerações.</p><p>C) O modo de vida orientado pelo consumo de bens ou serviços calcados na ideia de status</p><p>que ele pode oferecer (sucesso, felicidade, prazer), atribuído pelos meios de comunicação</p><p>de massa.</p><p>D) O modelo de produção no qual se desenvolve, fabrica-se e distribui-se um produto para</p><p>consumo de forma que este se torne obsoleto ou não funcional, em um tempo programado,</p><p>sem perder a confiança do consumidor na marca, visando forçá-lo a comprar um novo</p><p>produto.</p><p>E) Um modelo de consumo que valoriza o produto ambientalmente correto, não importando a</p><p>forma como podemos acessá-lo. É um estilo de vida individual.</p><p>4) Leia atentamente as afirmativas a seguir e escolha a que descreve</p><p>CORRETAMENTE as características das relações entre consumo e cidadania.</p><p>A) Consumo e cidadania não podem ser pensados de forma conjunta e inseparável.</p><p>B) O exercício da cidadania pode ser desvinculado do consumo.</p><p>C) O consumo é uma apropriação coletiva de objetos que nos passam status e satisfação</p><p>biológica e tem relação direta com a cidadania.</p><p>D) O consumo está diretamente regulado pela cidadania e pelo pensamento de comunidade.</p><p>E) O consumidor não deve ser crítico, devendo se ater aos desejos individualistas e esquecer-</p><p>se das pessoas e de suas comunidades.</p><p>5) Sobre a politização das relações de consumo, leia atentamente as afirmativas a seguir</p><p>e escolha a que condiz com seus conceitos e práticas.</p><p>É aquela política que busca ações em todos os locais, visando integrar o máximo de A)</p><p>pessoas para que elas entendam as relações de consumo e sejam cidadãs mais conscientes.</p><p>B) Uma das respostas políticas para a percepção da exploração e das desigualdades nas</p><p>relações de consumo deve ser a tentativa de fomentar a exploração, aumentando a</p><p>proporção do consumo realizado dentro do mercado convencional.</p><p>C) A soberania do consumidor deve se ater a sua própria vontade, esquecendo-se das questões</p><p>políticas, sociais e ambientais que o cercam.</p><p>D) O movimento dos consumidores não utiliza estratégias de boicote, cooperativas,</p><p>rotulagens, entre outras, pois busca identificar, cada vez mais, produtos estilizados e que</p><p>deem cada vez mais status.</p><p>E) O consumidor deve estar consciente de sua posição, se politizar na defesa das forças do</p><p>mercado e visar produtos com menores preços, independente das consequências ligadas às</p><p>questões ambientais.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A seguir, veremos as relações de consumo, suas características e suas consequências, a partir da</p><p>apresentação do ciclo de vida como uma das ferramentas para um consumo sustentável e</p><p>consciente.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do</p><p>professor:</p><p>Avaliação de ciclo de vida</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Ciclo da lata de alumínio</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>A história das</p><p>coisas (versão brasileira)</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Desenvolvimento sustentável</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>A preocupação com o meio ambiente tem ganhado cada vez mais força. Para as empresas que</p><p>pretendem se destacar no mercado, não basta gerar lucro e crescer. Agora, como diferencial, elas</p><p>precisam se destacar em sua forma de gestão e posicionamento frente às questões ambientais.</p><p>Distintas correntes de pensamento econômico foram propostas ao longo da história para incluir</p><p>as questões ambientais.</p><p>Concomitantemente, nasce um conceito-chave, o desenvolvimento sustentável, que não vai</p><p>contra o crescimento econômico, porém esse deve ser comprometido com a preservação do</p><p>meio ambiente e o desenvolvimento social, além de garantir às gerações futuras acesso às</p><p>matérias-primas e a um ambiente de qualidade. O desafio é grande. Será que você está</p><p>preparado? Não basta ser radical. É preciso pensar e propor soluções.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai saber a diferença entre crescimento econômico e</p><p>desenvolvimento econômico sustentável, conhecer as principais correntes do pensamento</p><p>econômico que integram as questões ambientais, bem como reconhecer os tipos de</p><p>ambientalismo.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico e sustentável.•</p><p>Reconhecer as principais vertentes econômicas que abordam os problemas ambientais.•</p><p>Identificar as características principais do ambientalismo e do ambientalismo radical.•</p><p>DESAFIO</p><p>Durante muitos anos, a humanidade utilizou os recursos naturais para promover o seu</p><p>desenvolvimento sem nenhuma preocupação com o meio ambiente. Rios foram poluídos, solos</p><p>foram contaminados e o ar, por vezes, ficou irrespirável, trazendo enormes prejuízos ao meio</p><p>ambiente e também à saúde das pessoas. No entanto, estamos mudando.</p><p>Luciano, gestor ambiental, acaba de ser contratado por uma consultoria para atuar no</p><p>assessoramento ambiental dentro das empresas. Em seu primeiro processo, precisa vistoriar uma</p><p>oficina mecânica para o atendimento de condicionantes de licença ambiental. Chegando ao</p><p>local, Luciano se depara com um ambiente de aspecto sujo, com manchas de óleo pelo piso,</p><p>peças jogadas pelos cantos e tonel com óleo direto no piso. Além disso, constatou que</p><p>os funcionários, moradores do entorno da oficina, estavam sujos e sem o devido equipamento de</p><p>segurança, e o dono do estabelecimento reclamava do processo e das exigências por parte do</p><p>órgão ambiental, bem como do baixo fluxo de clientes. Luciano, então, propôs ao dono do</p><p>estabelecimento uma mudança completa na oficina, baseada na limpeza do local, na renovação</p><p>de pintura, na colocação de caixa de madeira para estocagem de peças com óleo, no treinamento</p><p>e no acompanhamento dos funcionários. O objetivo foi obter mais qualidade de vida e atividade,</p><p>bem como local adequado para a colocação do tonel, assegurando que essas ações, além de</p><p>atenderem às exigências do órgão ambiental, fariam a oficina crescer economicamente. As</p><p>mudanças foram feitas na oficina e, de fato, a clientela retornou ao local. Luciano acabou</p><p>ganhando uma promoção pela sua atuação nesse processo.</p><p>Agora, seu desafio será compreender por que Luciano se saiu tão bem nesse trabalho. Analise o</p><p>case colocado e avalie o posicionamento de Luciano. Para tanto, responda:</p><p>1. Levando em consideração o desenvolvimento sustentável, por que você acha que Luciano</p><p>teve êxito nesse processo?</p><p>2. Luciano poderia ser enquadrado em algum tipo de ambientalismo? Justifique.</p><p>INFOGRÁFICO</p><p>A sociedade humana depende dos recursos naturais. Extraímos tudo do meio ambiente para</p><p>transformar e produzir os bens de consumo de que necessitamos. No entanto, nossa economia</p><p>pouco discutiu e incluiu essa relação estreita entre o desenvolvimento econômico e as questões</p><p>ambientais. Não obstante, e considerando que se trata de uma discussão muito mais profunda da</p><p>civilização humana que a econômica, nasceu o conceito de desenvolvimento sustentável e que</p><p>tem moldado muito a gestão mundial pública e privada.</p><p>Vamos, agora, neste Infográfico, conhecer as principais vertentes do pensamento econômico que</p><p>integram as questões ambientais. Atente também para os principais eventos que deram origem a</p><p>esse importante conceito. Seguimos, então, rumo ao desenvolvimento mais sustentável para a</p><p>humanidade.</p><p>CONTEÚDO DO LIVRO</p><p>Desenvolvimento sustentável é um assunto que está em alta, sendo amplamente discutido na</p><p>mídia mundial. De modo geral, a sustentabilidade visa garantir um equilíbrio entre a economia,</p><p>a sociedade e o ambiente, a fim de diminuir os impactos ambientais, e desta forma, deixar para</p><p>as gerações futuras um ambiente mais limpo.</p><p>Falando dessa forma, parece fácil implantar a sustentabilidade, mas na prática, nem sempre isto</p><p>se torna fácil. Muitas vezes empresas e governos resistem em adotar formas de diminuir os</p><p>impactos ambientais, pois muitas vezes os custos financeiros são elevados. Muitas empresas</p><p>estão preocupadas apenas com o desenvolvimento econômico, não havendo uma real</p><p>preocupação com as questões ambientais e/ou sociais.</p><p>Para saber mais a respeito desse assunto, leia o capítulo titulado Desenvolvimento sustentável da</p><p>obra Gestão Ambiental, base teórica desta Unidade de Aprendizagem.</p><p>Boa leitura.</p><p>GESTÃO</p><p>AMBIENTAL</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico sus-</p><p>tentável.</p><p>> Reconhecer as principais vertentes econômicas que abordam os problemas</p><p>ambientais.</p><p>> Identificar as características principais do ambientalismo e do ambienta-</p><p>lismo radical.</p><p>Introdução</p><p>O objetivo geral da gestão ambiental em empresas é fazer com que cada uma</p><p>delas obtenha lucros, mas evitando ou mitigando os impactos ao meio ambiente,</p><p>otimizando o uso de matérias-primas e reduzindo os resíduos gerados. Dessa</p><p>forma, as empresas buscam promover o desenvolvimento sustentável, pelo qual</p><p>obtêm crescimento econômico, mas sem comprometer a preservação do meio</p><p>ambiente e o desenvolvimento social, fazendo com que as gerações futuras tenham</p><p>acesso a um ambiente equilibrado. O primeiro passo para que o desenvolvimento</p><p>sustentável seja alcançado é reconhecer que os recursos naturais são finitos.</p><p>Neste capítulo, você conhecerá as condições necessárias para um crescimento</p><p>econômico sustentável, bem como as ferramentas e conhecimentos de que as</p><p>empresas dispõem para colocá-lo em prática e ainda assim garantir seus lucros. Por</p><p>fim, verá a importância do ambientalismo e suas diversas formas de manifestação.</p><p>Desenvolvimento</p><p>sustentável</p><p>Ronei Tiago Stein</p><p>Crescimento econômico versus</p><p>desenvolvimento econômico sustentável</p><p>O aumento da população mundial ao longo da história exige áreas cada vez</p><p>maiores para a produção de alimentos, bem como técnicas de cultivo que</p><p>aumentem a produtividade da terra. Florestas cedem lugar a lavouras e</p><p>criações, espécies animais e vegetais são domesticadas, muitas extintas e</p><p>outras, ao perderem seus predadores naturais, multiplicam-se acelerada-</p><p>mente, afetando toda a cadeia alimentar (ALMEIDA, 2007).</p><p>Há séculos, o ser humano vem retirando matérias-primas do ambiente, para</p><p>promover seu sustento e desenvolvimento. Em troca, ele devolve poluição,</p><p>contaminação e degradação ao ambiente, provocando enormes impactos.</p><p>Conforme ressalta Schwanke (2013), esse modelo é denominado sistema</p><p>aberto, e está baseado nas seguintes premissas:</p><p>� suprimento inesgotável de energia;</p><p>� suprimento inesgotáveĺ de matéria;</p><p>� capacidade infinita do meio de reciclar matéria e absorver energia.</p><p>Infelizmente, muitas pessoas, empresas e alguns governos ainda possuem</p><p>essa errônea ideia de que a energia e a matéria são inesgotáveis. Sob essa</p><p>premissa, o ambiente acaba sendo deixado totalmente de lado, havendo</p><p>apenas e unicamente a preocupação com o crescimento da economia. Esses</p><p>agentes não estão</p><p>preocupados com a causa ambiental, fazendo apenas o</p><p>estritamente necessário em relação ao ambiente. Ou seja, o lucro é o único</p><p>objetivo do crescimento econômico, não importando como exatamente será</p><p>obtido, quais as consequências ambientais para obtê-lo e quais efeitos que</p><p>a sociedade irá enfrentar.</p><p>Por outro lado, Schwanke (2013) menciona que cada vez mais a questão</p><p>ambiental vem se tornando uma realidade para os diversos setores da so-</p><p>ciedade (indústrias, governos, população), com a conscientização de que</p><p>o acúmulo de resíduos, desmatamentos, queimadas e outras formas de</p><p>degradação ambiental podem trazer graves consequências para a saúde,</p><p>para a qualidade ambiental e para a própria imagem dos agentes envolvidos.</p><p>No setor produtivo, esses valores foram gradativamente incorporados com</p><p>ações no sentido da utilização racional dos recursos naturais e do controle</p><p>dos impactos negativos ao meio ambiente, originando uma nova percepção</p><p>ambiental. Dessa forma, surgiu o modelo de desenvolvimento sustentável,</p><p>que foi conceituado em 1987, pela Comissão Mundial de Desenvolvimento e</p><p>Desenvolvimento sustentável2</p><p>Meio Ambiente, formada originalmente pela Organização das Nações Unidas</p><p>(ONU) em 1984.</p><p>De maneira geral, o desenvolvimento sustentável busca atender três</p><p>aspectos básicos: o econômico, o ambiental e o social. Cabe mencionar que</p><p>esses três aspectos devem estar em total integração para que a sustenta-</p><p>bilidade realmente se mantenha. Qualquer atividade econômica, seja ela</p><p>para produção ou consumo, envolve a utilização de ambiente natural. Logo,</p><p>quando uma empresa deseja otimizar insumos e gerar menos poluentes,</p><p>além do próprio ambiente sair ganhando, a empresa economiza dinheiro e</p><p>a população de modo geral sai ganhando em qualidade de vida, pois menos</p><p>poluentes são gerados.</p><p>Para uma empresa ser considerada sustentável, deve contemplar as cinco</p><p>dimensões de sustentabilidade, descritas a seguir (CAMPOS, 2001):</p><p>� Sustentabilidade social — entendida como a criação de um processo de</p><p>desenvolvimento sustentado por uma civilização com maior equidade</p><p>na distribuição de renda e de bens, de modo a reduzir o abismo entre</p><p>os padrões de vida dos ricos e dos pobres.</p><p>� Sustentabilidade econômica — deve ser alcançada mediante o ge-</p><p>renciamento e a alocação mais eficientes dos recursos e de um fluxo</p><p>constante de investimentos públicos e privados.</p><p>� Sustentabilidade ecológica — pode ser alcançada por meio do aumento</p><p>da capacidade de utilização dos recursos, limitação do consumo de</p><p>combustíveis fósseis e de outros recursos e produtos que são facil-</p><p>mente esgotáveis, redução da geração de resíduos e poluição, tudo</p><p>isso mediante conservação de energia e recursos e da reciclagem.</p><p>� Sustentabilidade espacial — voltada à obtenção de uma configuração</p><p>rural–urbana mais equilibrada e uma melhor distribuição territorial</p><p>dos assentamentos humanos e das atividades econômicas.</p><p>� Sustentabilidade cultural — inclui a procura por raízes endógenas de</p><p>processos de modernização e de sistemas agrícolas integrados, que</p><p>facilitem a geração de soluções específicas para o local, o ecossistema,</p><p>a cultura e a área.</p><p>Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2016) mencionam que a gestão da produção,</p><p>com foco na sustentabilidade, deve considerar não apenas a eficiência do</p><p>processo em termos de perda de matéria-prima, uso de energia, qualidade dos</p><p>produtos e serviços, tecnologia e capacidade de inovação, responsabilidade</p><p>social e ecológica, mas também a recuperação, reutilização ou reciclagem,</p><p>Desenvolvimento sustentável 3</p><p>a conservação dos recursos naturais e os impactos ocasionados pelo ciclo</p><p>de vida dos produtos. Dessa forma, princípios de prevenção e precaução</p><p>ambiental tornam-se parte do processo de produção.</p><p>Dentre os benefícios que uma empresa pode obter ao implantar uma</p><p>produção mais sustentável, Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2016) destacam:</p><p>� desenvolvimento de produtos com ecodesign e potencialização do</p><p>valor percebido pelo cliente;</p><p>� integração dos sistemas de gestão para tornar o uso de informações</p><p>mais objetivo;</p><p>� relação de parceria com os clientes e fornecedores para adequar a</p><p>produção e produzir somente o que for necessário;</p><p>� otimização do esforço produtivo pelo desperdício zero, para gerar</p><p>menor número de ações e resíduos;</p><p>� menor consumo de energia e recursos;</p><p>� seleção de matérias-primas e insumos ambientalmente adequados;</p><p>� locais de trabalho mais limpos e seguros.</p><p>A Figura 1 resume alguns propósitos dos modelos de produção sustentáveis.</p><p>Figura 1. Elementos vinculados aos modelos de produção sustentável.</p><p>Fonte: Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2016, p. 154).</p><p>Desenvolvimento sustentável4</p><p>Segundo Haddad (2015), nos últimos tempos têm surgido iniciativas do</p><p>governo federal estimulando o desenvolvimento mais sustentável por meio</p><p>de alguns incentivos fiscais. Algum exemplos são destacados a seguir.</p><p>� Ecocrédito municipal: mecanismo econômico de mercado sob a forma</p><p>de incentivo fiscal que visa estimular, dentro das propriedades ru-</p><p>rais nos limites geográficos de um município, a formação de áreas de</p><p>preservação ambiental destinadas à conservação da biodiversidade</p><p>e dos recursos hídricos.</p><p>� ICMS ecológico: denominação para qualquer critério ou conjunto de</p><p>critérios de caráter ambiental utilizados para o cálculo do valor que</p><p>cada município de um estado tem direito a receber do repasse de</p><p>25% dos recursos financeiros do Imposto sobre Operações Relativas</p><p>à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte</p><p>Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), decididos</p><p>autonomamente por lei estadual. Quanto maior a participação do ICMS</p><p>ecológico nesse valor, maiores serão os incentivos fiscais para que os</p><p>municípios implementem projetos de preservação ambiental, incluindo</p><p>os ecossistemas de bacias hidrográficas e a sua biodiversidade.</p><p>� Impostos verdes e taxas ambientais: representam basicamente a</p><p>imposição de um ônus financeiro sobre a poluição ou degradação</p><p>ambiental. Seria pago pelas empresas que, nas fases de implantação,</p><p>de operação e de manutenção de seus empreendimentos, provocas-</p><p>sem danos ambientais, descarregando e emitindo resíduos no meio</p><p>ambiente, sendo que suas alíquotas diferenciadas seriam calibradas</p><p>de acordo com o dano que a poluição do empreendimento provoca.</p><p>Inversamente, pode-se pensar no imposto verde positivo (ou benefício)</p><p>para empresas e consumidores, como o Imposto de Renda Ecológico,</p><p>um tipo de Lei Rouanet para o patrimônio natural.</p><p>� Financiamentos incentivados: abertura ou uso de linhas especiais de</p><p>financiamento para projetos de investimento que tenham por objetivo</p><p>a conservação e a preservação dos recursos ambientais, assim como a</p><p>introdução de critérios ambientais na avaliação de projetos de inves-</p><p>timentos de infraestrutura econômica e de projetos de investimento</p><p>diretamente produtivos.</p><p>Sendo assim, existe uma grande diferente entre o desenvolvimento eco-</p><p>nômico e o desenvolvimento econômico sustentável. Obviamente, a economia</p><p>de uma nação ou empresa é fundamental, mas o crescimento precisa trazer</p><p>Desenvolvimento sustentável 5</p><p>bem-estar social e respeitar o ambiente. Os lucros são importantes, mas</p><p>devem estar baseados em uma economia que vise encontrar formas de reduzir</p><p>ou diminuir os impactos ambientais.</p><p>Soluções econômicas para problemas</p><p>ambientais</p><p>Algumas correntes de economistas têm procurado desenvolver conceitos,</p><p>métodos e técnicas que objetivam calcular os valores econômicos detidos</p><p>pelo ambiente. Dessa forma, ao longo da história, foram surgindo diferentes</p><p>linhas de pensamento/vertentes econômicas. Logo, quando mencionamos</p><p>vertentes econômicas que abordam as questões ambientais, estamos falando</p><p>de formas de promover um crescimento que respeite o ambiente. Cabe res-</p><p>saltar que esses pensamentos foram evoluindo à medida que o ser humano</p><p>obteve mais informações/conhecimentos sobre as questões ambientais.</p><p>Dentre as principais linhas de pensamento</p><p>nessa área, Portugal, Portugal</p><p>Júnior e Brito (2012) mencionam:</p><p>� malthusiana;</p><p>� neoclássica;</p><p>� economia ecológica;</p><p>� economia do desenvolvimento sustentável (ecodesenvolvimento).</p><p>Cada linha de pensamento citada apresenta diferentes vertentes</p><p>econômicas, ou seja, características específicas, seja em relação</p><p>ao surgimento ou à evolução. Além disso, apresentam diferentes contribuições</p><p>para o entendimento da problemática ambiental no âmbito econômico mundial.</p><p>A linha de pensamento malthusiana tem origem na teoria do economista</p><p>inglês Thomas Robert Malthus (1766–1834), cuja doutrina relacionava a</p><p>evolução da população e a capacidade produtiva da economia. Conforme</p><p>mencionam Barbieri e Feijó (2014), Malthus ligou a questão da sobrevivência</p><p>humana com o crescimento populacional e a competição por recursos</p><p>naturais. A quantidade de alimentos e outros recursos disponíveis para</p><p>o consumo humano representava para ele um freio ou um estímulo, de-</p><p>pendendo de sua escassez relativa, para o crescimento demográfico.</p><p>Ou seja, afirmava que a população cresceria até o ponto em que seria</p><p>Desenvolvimento sustentável6</p><p>simplesmente impossível produzir alimentos suficientes para o grande</p><p>número de pessoas que existentes no planeta.</p><p>De acordo com Portugal, Portugal Júnior e Brito (2012, documento on-line),</p><p>Malthus afirmava:</p><p>Que a população crescia em uma progressão geométrica enquanto que a produção,</p><p>principalmente de alimentos, tinha seu crescimento em progressão aritmética.</p><p>Isso levaria a um grave problema de baixo abastecimento de um mercado com</p><p>demanda em franca expansão.</p><p>Na época de Malthus, não havia, nas mais diferentes áreas, tecnologias e</p><p>conhecimentos científicos como nos dias atuais. Por isso, ele imaginava que</p><p>esse “colapso alimentar” ocorreria em um futuro muito breve. Passados mais</p><p>de 190 anos de sua morte, tal colapso alimentar ainda não chegou, apesar</p><p>de algumas nações, principalmente as mais pobres, apresentarem graves</p><p>problemas de fome.</p><p>Por sua vez, a linha de pensamento neoclássica defende que o mercado ga-</p><p>rante o equilíbrio entre a disponibilidade e a demanda de recursos básicos, como</p><p>de água, por exemplo, sendo que a cobrança altera o comportamento dos agentes</p><p>para melhor (GODOY, 2011). A economia neoclássica surgiu no fim do século</p><p>XIX e início do século XX, pelos estudos do austríaco Carl Menger (1840–1921), do</p><p>inglês William Stanley Jevons (1835–1882) e do francês Léon Walras (1834–1910).</p><p>Cabe mencionar que houve outros autores/estudiosos que compuseram as bases</p><p>da economia neoclássica, mas estes três foram os que mais se destacaram.</p><p>A economia neoclássica nasceu em diversos países, sob culturas econô-</p><p>micas diferentes, quase ao mesmo tempo, tendo o “[...] objetivo central de</p><p>mostrar como um mercado funciona quando tais átomos sociais dançam,</p><p>por assim dizer, a música dos preços” (PRADO, 2001, p. 11). Ou seja, a eco-</p><p>nomia neoclássica estuda a formação dos preços, a produção e a distribui-</p><p>ção da renda por meio do mecanismo de oferta e demanda dos mercados.</p><p>Atualmente, predomina no cenário mundial a economia neoclássica,</p><p>sendo que existem diferentes versões em uso na área da economia.</p><p>Prado (2001) menciona que há uma versão macroeconômica, que se caracteriza</p><p>por empregar variáveis agregadas como produto nacional, consumo, renda,</p><p>quantidade de moeda, etc., em especial a noção de função de produção agregada,</p><p>na qual entram, grosso modo, os fatores de produção de capital, trabalho e terra.</p><p>Há também uma versão microeconômica, em que os fatores de produção são</p><p>considerados, um a um, como quantidades homogêneas, e os consumidores e</p><p>as firmas são agentes que tomam decisões individualmente.</p><p>Desenvolvimento sustentável 7</p><p>Porém, principalmente após a década de 1960, no período pós-guerra,</p><p>empresas, governos e indivíduos começaram a se preocupar mais com as</p><p>questões ambientais. Dessa forma, surgiu a economia ecológica (também</p><p>chamada de economia verde em algumas bibliografias), que está baseada</p><p>em um desenvolvimento mais sustentável, que inicialmente era denominado</p><p>de ecodesenvolvimento.</p><p>A economia ecológica representa uma crítica direta ao sistema econômico</p><p>clássico, o qual não insere os custos ambientais na abordagem econômica.</p><p>O ponto de vista ecológico na economia implica uma mudança fundamental</p><p>na percepção dos problemas de alocação de recursos e de como devem ser</p><p>tratados, postulando uma revisão da dinâmica do crescimento econômico</p><p>(CAVALCANTI, 2003).</p><p>Conforme Romeiro (2012), para algo ser considerado sustentável, o desen-</p><p>volvimento deve ser economicamente sustentado (ou eficiente), socialmente</p><p>desejável (ou includente) e ecologicamente prudente (ou equilibrado). O</p><p>autor ainda menciona que a proposição conciliadora dos ecodesenvolvi-</p><p>mentistas se baseia num conceito normativo sobre como pode e deve ser o</p><p>desenvolvimento. A intenção é manter um crescimento econômico eficiente</p><p>(sustentado) a longo prazo, acompanhado da melhoria das condições sociais</p><p>(distribuindo renda) e respeitando o meio ambiente. De modo análogo, os</p><p>ecodesenvolvimentistas propõem um conjunto de políticas ambientais ca-</p><p>pazes de levar em conta o risco ambiental, havendo um equilíbrio entre o</p><p>crescimento econômico e meio ambiente.</p><p>Atualmente, existem diferentes maneiras de promover o desenvolvimento</p><p>mais sustentável em empresas e garantir uma economia mais ecológica. Como</p><p>exemplos, podemos citar a Análise do Ciclo de Vida (ACV) dos produtos, a</p><p>Produção mais Limpa (P+L), o ecodesign e a logística reversa.</p><p>Chehebe (1997) menciona que a ACV dos produtos é uma técnica que busca</p><p>avaliar os aspectos e os impactos potenciais associados a um determinado pro-</p><p>duto, compreendendo etapas que vão desde a retirada da natureza das matérias-</p><p>-primas elementares que entram no sistema produtivo até o descarte do produto</p><p>final. Logo, a ACV é a parte da gestão ambiental que avalia produtos e processos.</p><p>A partir da ACV, empresas podem identificar e prever falhas na questão</p><p>ambiental, para então encontrar soluções que busquem minimizar ou eliminar</p><p>essas falhas, bem como eventuais impactos ambientais, e até mesmo diminuir</p><p>a quantidade de materiais/rejeitos gerados. Com isso, o próprio consumidor/</p><p>cliente poderá escolher produtos mais sustentáveis.</p><p>Já a P+L consiste em realizar ajustes no processo produtivo, a fim de</p><p>reduzir a emissão e geração de resíduos sólidos. Segundo Lemos, Mello e</p><p>Desenvolvimento sustentável8</p><p>Nascimento (2008), esses ajustes podem envolver pequenas reparações na</p><p>situação atual da planta empresarial, compra de novas tecnologias (simples</p><p>ou complexas) ou a troca de todo o sistema de produção. Essa escolha varia</p><p>de empresa para empresa, sendo preciso avaliar o processo produtivo de</p><p>cada uma de forma isolada.</p><p>Por sua vez, o ecodesign busca evitar o uso de determinados materiais,</p><p>tendo em vista a dificuldade em relação aos seus processos de reciclagem</p><p>e descarte final de forma isolada. O ecodesign deve prever que os objetos/</p><p>produtos serão reciclados e, para isso, precisam ser desmontados. É im-</p><p>portante facilitar o reconhecimento dos materiais, de modo que todos os</p><p>componentes, mesmo os constituídos por diferentes materiais, possam ser</p><p>reciclados e reutilizados.</p><p>Assim, o ecodesign promove o uso de materiais renováveis. Carvalho e</p><p>Mano (2018) descrevem que os processos e métodos dos materiais renováveis</p><p>partem do descarte de um material ou de partes de um produto. Quanto mais</p><p>fácil for a desmontagem e a extensão de vida desses materiais, maiores serão</p><p>as possibilidades de renovação de novos materiais.</p><p>Por fim, as atividades da logística reversa estão relacionadas com o des-</p><p>tino adequado de produtos e embalagens, de forma que respeitem o meio</p><p>ambiente. Leite (2009) e Pereira et al. (2012) mencionam que a logística reversa</p><p>em empresas tem como vantagens:</p><p>� aumento da competitividade;</p><p>� promoção da limpeza de estoque;</p><p>� garantia do respeito às legislações em vigor;</p><p>� valorização econômica;</p><p>� garantia da recuperação</p>