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1 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA 2 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Abertura & Petição Inicial Iniciaremos o nosso curso apontando alguns tópicos interessantes sobre a prova, indicação de marcação no Vademecum, assim como os demais tópicos interessantes e necessários para o bom desenrolar da preparação de vocês. Caro estudante, futuro advogado, a primeira tarefa para começar o estudo para a 2ª fase do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, inclui necessariamente a análise do edital, pois nele estão “as regras do jogo”, ou seja, nele encontramos as informações necessárias sobre o que PODE e o que NÃO PODE no Exame da Ordem. Também encontramos nele os prazos e, notadamente, os conteúdos que precisamos dominar para GARANTIR A APROVAÇÃO. A prova terá duração da prova: 5 (cinco) horas, das 13h às 18h, no horário oficial de Brasília/DF. A prova prático-profissional valerá 10,00 (dez) pontos e será composta de duas partes: 1ª parte: Redação de peça profissional, valendo 5,00 (cinco) pontos, acerca de tema da área jurídica de opção do examinando e do seu correspondente direito processual. A peça será desenvolvida em no máximo cinco páginas, sinalizadas, sendo o total de 150 linhas. 2ª parte: Respostas a 4 (quatro) questões discursivas, sob a forma de situações- problema, valendo, no máximo, 1,25 (um e vinte e cinco) pontos cada, relativas à área de opção do examinando e do seu correspondente direito processual. O caderno de textos definitivos da prova prático-profissional NÃO PODERÁ SER ASSINADO, RUBRICADO E/OU CONTER QUALQUER PALAVRA E/OU MARCA que o identifique em outro local que não o apropriado (capa do caderno), sob pena de ser anulado. Assim, a detecção de qualquer marca identificadora no espaço destinado à transcrição dos textos definitivos acarretará a anulação da prova prático-profissional e a eliminação do examinando. O caderno de textos definitivos será o único documento válido para a avaliação da prova prático-profissional, devendo obrigatoriamente ser devolvido ao fiscal de aplicação ao término 3 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA da prova, devidamente assinado no local indicado (capa do caderno). O caderno de rascunho é de preenchimento facultativo e não terá validade para efeito de avaliação, podendo o examinando levá-lo consigo após o horário estabelecido. Em hipótese alguma haverá substituição do caderno de textos definitivos por erro do examinando. Cuidado: Se você fizer toda a prova no rascunho e depois passar a limpo, pode não dar tempo de terminar!!! As provas prático-profissionais deverão ser manuscritas, em letra legível, com caneta esferográfica de tinta azul ou preta, não sendo permitida a interferência e/ou a participação de 4 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA outras pessoas, salvo em caso de examinando portador de deficiência que solicitou atendimento especial para esse fim, nos termos deste edital. Nesse caso, o examinando será acompanhado por um agente devidamente treinado, para o qual deverá ditar o texto, especificando oralmente a grafia das palavras e os sinais gráficos de pontuação. O examinando receberá NOTA ZERO nas questões da prova prático-profissional em casos de não atendimento ao conteúdo avaliado, de não haver texto, de manuscrever em letra ilegível ou de grafar por outro meio que não o determinado no subitem anterior. Na redação das respostas às questões discursivas, o examinando deverá indicar, obrigatoriamente, a qual item do enunciado se refere cada parte de sua resposta (“A)”, “B)”, “C)” etc.), sob pena de receber NOTA ZERO. Para a redação da peça profissional, o examinando deverá formular texto com a extensão máxima definida na capa do caderno de textos definitivos; para a redação das respostas às questões discursivas, a extensão máxima do texto será de 30 (trinta) linhas para cada questão. Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de texto que for escrito fora do local apropriado ou que ultrapassar a extensão máxima permitida. O examinando deverá observar atentamente a ordem de transcrição das suas respostas quando da realização da prova prático-profissional, devendo iniciá-la pela redação de sua peça profissional, seguida das respostas às quatro questões discursivas, em sua ordem crescente. Aquele que não observar tal ordem de transcrição das respostas, assim como o número máximo de páginas destinadas à redação da peça profissional e das questões discursivas, receberá nota 0 (zero), sendo vedado qualquer tipo de rasura e/ou adulteração na identificação das páginas, sob pena de eliminação sumária do examinando do Exame. Quando da realização das provas prático-profissionais, caso a peça profissional e/ou as respostas das questões discursivas exijam assinatura, o examinando deverá utilizar apenas a palavra “ADVOGADO...”. Ao texto que contenha outra assinatura, será atribuída NOTA ZERO, por se tratar de identificação do examinando em local indevido. 5 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Na elaboração dos textos da peça profissional e das respostas às questões discursivas, o examinando deverá incluir todos os dados que se façam necessários, sem, contudo, produzir qualquer identificação além daquelas fornecidas e permitidas no caderno de prova. Assim, o examinando deverá escrever o nome do dado seguido de reticências “...” ou “XXX” exemplo: Para realização da prova prático-profissional o examinando deverá ter conhecimento das regras processuais inerentes ao fazimento da mesma. O texto da peça profissional e as respostas às questões discursivas serão avaliados quanto à adequação ao problema apresentado, ao domínio do raciocínio jurídico, à fundamentação e sua consistência, à capacidade de interpretação e exposição e à técnica profissional demonstrada, sendo que a mera transcrição de dispositivos legais, desprovida do raciocínio jurídico, NÃO ENSEJARÁ PONTUAÇÃO, você deve explicar a sua resposta, jamais meramente transcrever o artigo, súmula ou OJ. O examinando, ao término da realização da prova prático-profissional, deverá, obrigatoriamente, devolver o caderno de textos definitivos, assinado no local indicado (capa do caderno), sem qualquer termo, contudo, que identifique as folhas em que foram transcritos os textos definitivos. Para a realização da prova prático-profissional, deverá comparecer ao local designado com antecedência, considerando a necessidade de vistoria do material de consulta permitido nesta fase. O examinando deverá estar munido somente de caneta esferográfica de tinta azul ou preta, fabricada em material transparente, e só será permitido o acesso ao local de prova munido de documento de identidade com foto em original para a realizaçãodas provas objetiva e prático-profissional. Não será permitido o uso de borracha e/ou corretivo de qualquer espécie durante a realização das provas. 6 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Durante a realização da prova prático-profissional, será permitida, exclusivamente, a consulta a legislação, súmulas, enunciados, orientações jurisprudenciais e precedentes normativos SEM QUALQUER ANOTAÇÃO OU COMENTÁRIO. Legislação com entrada em vigor após a data de publicação deste edital, bem como alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores não serão objeto de avaliação nas provas, assim como não serão consideradas para fins de correção das mesmas. Em virtude disso, somente será permitida a consulta a publicações produzidas pelas editoras, sendo vedada a atualização de legislação pelos examinandos com anotações ou material impresso separadamente. As remissões a artigo ou lei são permitidas apenas para referenciar assuntos isolados. Quando for verificado pelo fiscal advogado que o examinando se utilizou de tal expediente com o intuito de burlar as regras de consulta previstas neste edital, formulando palavras, textos ou quaisquer outros métodos que articulem a estrutura de uma peça jurídica, o uso do material será impedido, sem prejuízo das demais sanções cabíveis ao examinando. LEMBRE-SE: não é mais permitido o uso do post-it em branco, somente o de editoras, também não é possível usar símbolos para fazer marcações na legislação!!! Lembre-se ainda que serão terminantemente proibidos: códigos comentados, anotados, comparados ou com organização de índices temáticos estruturando roteiros de peças processuais. Jurisprudências. Anotações pessoais ou transcrições. Cópias reprográficas (xerox). Impressos da Internet. Informativos de Tribunais. Livros de Doutrina, revistas, apostilas, calendários e anotações. Dicionários ou qualquer outro material de consulta. Legislação comentada, anotada ou comparada. Súmulas, Enunciados e Orientações Jurisprudenciais comentados, anotados ou comparados. Quando possível, a critério do fiscal advogado e dos representantes da Seccional da OAB presentes no local, poderá haver o isolamento dos conteúdos proibidos, seja por grampo, fita adesiva, destacamento ou qualquer outro meio. Caso, contudo, seja constatado que a obra possui trechos proibidos de forma aleatória ou partes tais que inviabilizem o procedimento de isolamento retro mencionado, o examinando poderá ter seu material recolhido pela fiscalização, sendo impedido seu uso. Os materiais que possuírem conteúdo proibido não 7 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA poderão ser utilizados durante a prova prático-profissional, sendo garantida ao fiscal advogado a autonomia de requisitar os materiais de consulta para nova vistoria minuciosa durante todo o tempo de realização do Exame. O examinando que, durante a aplicação das provas, estiver portando e/ou utilizando material proibido, ou se utilizar de qualquer expediente que vise burlar as regras deste edital, especialmente as concernentes aos materiais de consulta, terá suas provas anuladas e será automaticamente eliminado do Exame. As questões e a redação de peça profissional serão avaliadas quanto à adequação das respostas ao problema apresentado. A redação de peça profissional terá o valor máximo de 5,00 (cinco) pontos e cada questão terá o valor máximo de 1,25 (um e vinte e cinco) ponto. A Nota na Prova Prático-Profissional (NPPP) será a soma das notas obtidas nas questões e na redação da peça profissional. A NPPP será calculada na escala de 0,00 (zero) a 10,00 (dez) pontos. Para cada examinando, a NPPP será obtida pelo seguinte procedimento: poderão ser concedidas notas não inteiras para as respostas do examinando tanto na peça profissional quanto nas questões; o somatório dessas notas constituirá a nota na prova prático-profissional, vedado o arredondamento. Será considerado aprovado o examinando que obtiver NPPP igual ou superior a 6,00 (seis) pontos na prova prático-profissional, vedado o arredondamento. Nos casos de propositura de peça inadequada para a solução do problema proposto, considerando para este fim peça que não esteja exclusivamente em conformidade com a solução técnica indicada no padrão de resposta da prova, ou de apresentação de resposta incoerente com situação proposta ou de ausência de texto, o examinando receberá nota ZERO na redação da peça profissional ou na questão. A indicação correta da peça prática é verificada no nomen iuris da peça concomitantemente com o correto e completo fundamento legal usado para justificar tecnicamente a escolha feita. No que tange a escrita Você, mais do que nunca, precisa ser compreendido, o que significa dizer que não basta escrever de forma que somente você entenda. Quem vai corrigir sua prova, pode estar exausto, em razão da correção de outras provas, antes da sua, por isso facilite a vida do examinador... seja CLARO e OBJETIVO, e coloque as informações que o examinador busca identificar na sua peça e questões. 8 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Além disso, a letra precisa ser legível. Treine, escreva, faça as tarefas de forma manuscrita, e tente melhorar a sua letra. Não use termos rebuscados ou inapropriados e tenha cuidado com erros de português. Por fim, como veremos nas aulas, existem dados importantes e que são imprescindíveis para cada peça e questão, por isso interpretar o enunciado é fundamental. Para isso, leia com calma, anotando as informações relevantes, e na hora de responder, lembre-se de procurar a fundamentação apropriada. Então, o que você precisa para uma boa prova? Caro estudante, uma questão crucial para a sua aprovação diz respeito à organização do seu material e do seu tempo de estudo.Por isso, adquira a legislação que pretende utilizar para a prova, e comece a utilizá-la o mais rápido possível. Conhecer a legislação, e ter agilidade em localizar os fundamentos legais é importantíssimo. Também, defina qual horário dedicará para o estudo. Não há um tempo mínimo e máximo, pois isso depende de cada pessoal e de sua rotina, mas você precisa entender que, nesse período, precisará abdicar de outras atividades e ter FOCO na prova que se aproxima. Posteriormente falaremos um pouco mais sobre métodos de estudo, forma de otimização e preparação para esta segunda fase. Tenham a certeza e convicção: dá certo, basta caprichar, que o resultado não será diverso da aprovação. Antes de falar sobre os requisitos básicos da inicial, gostaria que vocês vislumbrassem quais peças poderão ser objeto de cobrança de vocês, via de regra, neste nosso Exame. Ter calma e atenção Redação clara e objetiva Dados importantes – vamos ver em cada peça Sempre procurar a fundamentação (ou seja, o artigo, súmula ou OJ) NÃO ESQUEÇA DE INDICAR OS INCISOS E §§ CORRETAMENTE 9 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA 10 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO– DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA As presentes ações poderão levar vocês a confusão no tocante a identificação. Entretanto, existem formas bem fáceis e claras que irão apontar quando da utilização de uma demanda e/ou respectivamente da outra. Outrossim faz-se importante ressaltar que temos três grandes gêneros/grupos de demandas e/ou peças que poderão ser objeto de cobrança de nossos alunos examinandos na 2ª Fase de Direito Tributário. Ato contínuo, por fim, vamos falar sobre petição inicial. Mas afinal de contas, quais são os passos básicos de uma petição inicial: 1) Endereçamento. 2) Qualificação Requerente. Ações & Peças (Regra Geral) Processo Subjetivo Mandado de Segurança Ação Declaratória Ação Anulatória Ação de Consignação em Pagamento Ação de Repetição de Indébito Tributário Ação de Embargos à Execução Fiscal Petição de Exceção de Pré Executividade Processo Objetivo ADI ADC ADO ADPF Recursos Processuais Agravo de Instrumento Apelação Agravo Interno Recurso Especial Recurso Extraordinário 11 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA 3) Fundamento do Requerente. 4) Nome da Peça do Requerente. 5) Qualificação do Requerido. 6) Cabimento da Demanda. 7) Descrição dos Fatos. 8) Descrição dos Direitos. 9) Pedidos. 10) Valor da Causa. 11) Local e Data. 12) Advogado e OAB. Basicamente são estes os passos de uma peça inicial. Em sala de aula, falaremos sobre cada um, sua importância e forma de utilização. 12 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Da Petição Inicial Quando do estudo da prática processual em direito tributário, algumas questões iniciais são relevantes e precisam ser citadas à fim de que exista nexo e lógica no aprendizado didático da referida matéria. Inicialmente cai ao lanço afirmar que não existe nenhum codificação especial sobre processo tributário e sua formatação, fazendo-se portanto utilização tanto de normas específicas (Lei de Execução Fiscal, Lei do Mandado de Segurança, entre outras), quanto as gerais, leia-se, Código de Processo Civil. E considerando a inexistência de legislação especial, costuma-se dividir as peças processuais tributárias em três grandes grupos: processo subjetivo, objetivo e peças recursais. Logo, inclusive em face da maior utilização na prática, o presente capítulo irá trabalhar sobre a petição inicial sobre a égide do processo subjetivo, levando em consideração à defesa do contribuinte. Mas afinal de contas, qual a motivação de elaborar-se uma petição inicial junto ao Poder Judiciário? O que motiva o contribuinte (que é regra) a requerer a prestação jurisdicional certamente é a existência de litígio ou a impossibilidade de solução administrativa de uma pendência fiscal. Diante deste contexto, poderá inaugurar a esfera judicial o contribuinte por meio das seguintes ações e peças subjetivas: Mandado de Segurança, Ação Declaratória, Ação Anulatória, Ação de Consignação em Pagamento, Ação de Repetição de Indébito, Ação de Embargos à Execução Fiscal e a Petição de Exceção de Pré Executividade. E o que as presentes peças apresentam em comum? A sua estrutura. Lembrando aqui que muito embora a presente obra seja dirigida para quem está estudando para 2ª Fase da OAB em Direito Tributário, em nada obsta utilizar-se desta estrutura para a prática diária da advocacia tributária. Portanto, qual é a estrutura básica destas peças processuais do processo subjetivo: 13 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Após visualizarmos a estrutura básica de uma petição inicial do processo subjetivo, faz necessário compreender cada tópico acima exposto, ratificando-se mais uma vez que na análise dos tópicos de peça serão utilizadas como parâmetro - ação judicial contra o fisco - que terá como requerente o contribuinte e requerido o fisco. Endereçamento O endereçamento normalmente é o grande ponto nevráulgico dos examinandos da Ordem dos Advogados do Brasil. Certamente é uma das questões que torna-se campeã de questionamentos em cada certame. Mas o que é o endereçamento? Endereçamento será o destinatário da demanda, ou seja, será o juízo responsável pelo julgamento do litígio, da causa controversa em que o contribuinte buscará a solução para seus problemas. Tal previsão encontra-se disposto no artigo 319, I, do Código de Processo Civil. Estrutura Básica do Processo Subjetivo 1) Endereçamento 2) Qualificação do Requerente 3) Fundamento da Peça 4) Nome da Peça 5) Qualificação do Requerido 6) Cabimento 7) Fatos 8) Direitos 9) Pedidos 10) Valor da Causa 11) Local ... Data ... 12) Advogado ... OAB ... 14 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Normalmente e a grande regra no direito tributário é de que as causas serão ajuizadas em 1º Grau (quem julga será um juiz singular), na Justiça Federal (Subseção) se houver interesse da União, Autarquia Federal ou Empresa Pública Federal na forma do artigo 109, I, da Constituição Federal, ou como critério residual na Justiça Estadual (Comarca) acaso não houver a incidência da regra do artigo supra referido. Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; Assim como primeiro critério de endereçamento faz-se necessário estabelecer se o teu processo será dirigido para a Justiça Federal ou Estadual. Após analisado o presente critério, deverá ser analisado pelo representante do contribuinte se não existe a possibilidade da petição inicial ser dirigida aos Juizados Especiais. Mas existe possibilidade de endereçamento para os Juizados Especiais? Sim, tanto a Justiça Federal, quanto a Justiça Estadual apresentam seus próprios juizados especiais. Na Justiça Federal teremos os Juizados Especiais Federais e na Justiça Estadual os Juizados Especiais da Fazenda Pública. E qual é o critério para que tais petições iniciais sejam para os juizados dirigidas? Trata-se de critério cumulativo onde deverá o autor da demanda ser pessoa física, micro empresa ou empresa de pequeno porte e a demanda a ser ajuizada ter valor igual ou inferior a 60 Salários Mínimos Nacionais. Acaso estejam presentes estes dois requisitos de forma cumulativa, o procedimento deverá ser dirigido para os Juizados Especiais Federais (observando-se o critério do artigo 109, I, da CF) ou para os Juizados Especiais da Fazenda Pública. Lembrando ainda que jamais poderão ser dirigidos para os Juizados: Mandado de Segurança, Embargos à Execução Fiscal e Exceção de Pré Executividade, em face de previsão expressa na norma. 15 | P a g e ROTEIRODE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Lei 10.259/2001 - Art. 3º Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. § 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as causas: I - referidas no art. 109, incisos II, III e XI, da Constituição Federal, as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, execuções fiscais (...) Art. 6º Podem ser partes no Juizado Especial Federal Cível: I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; Lei 12.153/2009 - Art. 2º É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos. § 1o Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública: I – as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais (...) Art. 5º Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública: I – como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim definidas na Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; Logo o segundo critério para efeitos de definição do endereçamento é analisar a possibilidade de direcionamento da causa para os Juizados ou não. Dica do Guigui A petição inicial, para efeitos de Exame da Ordem, somente deverá ser dirigida para os Juizados, seja Federal ou da Fazenda Pública, acaso o enunciado deixar claro e expresso que o requerente é pessoa física, empresa de pequeno porte ou micro empresa e o valor da causa tem valor igual ou inferior a 60 SM. 16 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Por fim, para efeitos de endereçamento ainda é necessário ater-se a qual comarca ou subseção deverá ser dirigida a petição inicial. E para efeitos deste critério recomenda-se a utilização e observância dos artigos do Código de Processo Civil. Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União. Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal. Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal. Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. Diante disto, como terceiro critério para endereçamento, a demanda será distribuída, via de regra, no local do domicílio do requerente da demanda. Mas cuidado: acaso tratar-se de embargos à execução fiscal ou exceção de pré executividade, tais peças deverão ser endereçadas para o local onde tramita a execução fiscal. Por fim, antes de visualizarmos como se apresentarão tais endereçamentos, faz-se necessário deixar muito claro: muito embora alguns doutrinadores na maioria das vezes com razão endereçam na forma da competência do tributo, esta regra comporta algumas exceções, como por exemplo, cobrança de IPTU dos Correios que tem imunidade. Muito embora esteja tratando-se de tributo municipal, a ação deverá ser proposta junto a Justiça Federal por tratar-se de Empresa Pública Federal na forma do artigo 109, I da CF. Findo as exposições sobre endereçamento, os mesmos se apresentarão da seguinte forma: Endereçamento para Justiça Estadual Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de ... 17 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Endereçamento para os Juizados Especiais da Fazenda Pública Douto Juízo de Direito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública da Comarca de ... Endereçamento para Justiça Federal Douto Juízo Federal da ... Vara (Federal/Fazenda Pública) da Seção Judiciária do Estado ... Endereçamento para os Juizados Especiais Federais Douto Juízo Federal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Estado ... Dica do Guigui - Somente coloca-se a Vara de forma expressa se houver objetivamente no enunciado. - Somente menciona-se a Comarca ou Seção se houver expressa no enunciado. Qualificação do Requerente A qualificação do requerente deverá observar estritamente o que disposto no artigo 319, II, do Código de Processo Civil. Diante disto deverá constar na qualificação obrigatoriamente os seguintes itens: “os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu”. Para efeitos de 2ª Fase do Exame da Ordem, questiona-se se não houver a presença de tais itens acima expostos no enunciado, poderão ser criados? A resposta é negativa. Lembrando que nada poderá ser criado ou imaginado no Exame da Ordem, sob pena do examinador considerar como identificação de peça e o examinando vir a reprovar. Portanto o candidato para efeitos de elaboração da peça deverá observar estritamente o que descrito no enunciado. 18 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Lembrando, antes de citar alguns exemplos, que no momento de elaborar tal qualificação, deverá o examinando fazer a indicação do advogado (procurador), visto que somente este último detém capacidade postulatória para representação em juízo. Qualificação Pessoa Física Nome, prenome, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., endereço eletrônico ..., residente e domiciliado ..., neste ato representado por seu procurador (procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações. Qualificação Pessoa Jurídica Nome Empresa, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu procurador (procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações. Fundamento e Nome da Peça Toda peça processual terá um fundamento e uma denominação. Para efeitos práticos (prática na advocacia) a certeza de tais quesitos muito pouco altera a possibilidade de recebimento ou não da peça vestibular. Entretanto para efeitos de 2ª Fase de Exame da Ordem tais requisitos são imprescindíveis para a correção da peça processual. Em cada capítulo da presente obra iremos trabalhar individualmente sobre o fundamento e o nome de cada peça processual possível no direito tributário. Lembrando sempre que o candidato deverá colocar tais requisitos de forma expressa e legível, à fim de que o examinador não tenha dúvidas sobre aescolha por ele realizada. Exemplo de Fundamento e Nome da Peça (...) vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 164, III, CTN e artigos 539 e seguintes do CPC, propor a presente ação CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM DEPÓSITO. 19 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Qualificação do Requerido Para qualificar em face de quem será realizado o processo, ou seja, o réu da ação judicial deverá observar-se o que disposto igualmente no artigo 319, II, do CPC. Entretanto, como em nosso direito tributário, o requerido normalmente é uma pessoa jurídica de direito público, compreende- se necessário acrescer em tal qualificação à representação processual exposta no artigo 75 do CPC. Importante ainda ressaltar que tal qualificação, para efeitos de 2ª Fase de Exame da Ordem é genérica, ou seja, a ação será ajuizada em face da União, Estado, Distrito Federal ou Município. Somente será diferenciada quando tratar-se de Mandado de Segurança que veremos em capítulo próprio. Qualificação da Pessoa Jurídica de Direito Público Ente Público (União, Estado, Distrito Federal ou Município), pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., endereço eletrônico ..., representada neste ato por seu representante na forma do artigo 75, (ver o inciso que se encaixa) do CPC. Cabimento Após realizada a fase preambular da petição inicial, ou seja, informei quem irá julgar e apreciar meus pedidos (Endereçamento), quem está propondo a demanda (Requerente), fundamentos e nome da peça (Ação Escolhida) e em face de quem estarei ajuizando (Requerido), iniciaremos as fases dos tópicos processuais. E inaugura os presentes tópicos aquele que denomino de cabimento, ou seja, o que justifica a opção pela ação escolhido pelo requerente e seu procurador. Na prática processual tributária, tal tópico não apresenta qualquer relevância ou necessidade, mas para efeitos de 2ª Fase de Exame da Ordem sempre é bem pontuado e lembrado pelo examinador. 20 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Diante disto o presente tópico nada mais trata-se da justificativa do porque da ação escolhida pelo examinando ou requerente. E para elaborar o presente tópico basta justificar a ação, considerando o artigo citado na fase preambular que justifica a escolha realizada. I - Do Cabimento Reza o artigo 38 da LEF que poderá a parte anular via Ação Anulatória lançamento realizado equivocamente ou ilegalmente. No presente caso compreende-se pela ilegalidade do presente lançamento, portanto sendo cabível o ajuizamento da presente ação anulatória. Dos Fatos Após realizada a fase preambular da petição inicial, ou seja, verificado quem será o juízo que irá efetivar a prestação jurisdicional, qualificando logo após quem ajuíza a ação, qual tipo de ação escolhida, bem como contra quem será dirigida a demanda, finalizando com a explicação do porquê da escolha da demanda, cabe ao examinando descrever os fatos que levaram a ocorrência do litígio, ou seja, o que ocorreu de fato para a parte requerer a prestação jurisdicional. Para efeitos de Exame da Ordem caberá ao examinando informar/descrever, sempre observando suas próprias palavras (cópia não será considerada), os fatos como de fato ocorreram. Aqui, mais uma vez um alerta: não poderá o examinando inventar ou imaginar qualquer fato diverso do que literalmente descrito no enunciado da peça. Dos Direitos Descritos os fatos que levaram o contribuinte a desejar a prestação jurisdicional faz-se necessário elaborar o ponto mais importante e pontuado da peça processual no Exame da Ordem: os direitos que foram lesados pelo fisco. 21 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA É neste tópico processual que o examinando deverá pronunciar-se sobre as normas que lhe dão direito a socorrer-se do Poder Judiciário. Lembre-se: nenhum problema apresentado, para efeitos de Exame da Ordem, será livre de vícios, ilegalidades ou inconstitucionalidades. Portanto na análise do caso concreto, o candidato deverá extrair do enunciado as informações necessárias para identificar tais lesões ao direito. Dica do Guigui - Como eu descrevo o tópico direito: Fale da norma que está sendo lesada com suas palavras e sua adesão ao caso concreto, concluindo se ocorreu ou não vício de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Por fim é importante acrescer que neste item da peça processual que o candidato poderá igualmente falar sobre o cabimento de eventual liminar ou tutela provisória. Entretanto, para efeitos de Exame da Ordem, recomenda-se abrir um tópico novo abaixo do presente item. Dos Pedidos Finalizando a peça processual deverá ser elaborado o resumo das intenções com a peça vestibular, isto é, o candidato irá citar de forma breve e objetiva os seus pedidos. Tais itens irão variar à depender da peça processual que será redigida. Portanto recomenda-se a análise de cada peça para verificar-se a lista dos pedidos. Valor da Causa O valor da causa representa a expressão financeira do objeto da demanda que está sendo ajuizada. Lembrando que para efeitos do Exame da Ordem somente deverá ser mencionado o valor da ação se houver expresso no enunciado tal número correspondente. Visto que, mais uma vez reitera-se, que não pode ser inventado ou imaginado nenhuma quantia, sob pena de ser zerada à peça sob argumento da peça ser identificada. Do Local, Data, Advogado e Nº da OAB 22 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Recomenda-se que tais itens sejam apenas mencionados (citados e acrescidos das reticências), não devendo o examinando colocar qualquer local, data, nome de advogado e/ou número de inscrição nos quadros da ordem dos advogados. 23 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Mandado de Segurança O mesmo tem como fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 5º, LXIX, CF, combinado com o artigo 1º da Lei 12.016/2009. Importante dizer que tal demanda desfruta de status de remédio constitucional, onde para aqueles que o utilizam fundamenta-se sempre na seguinte premissa: “direito líquido e certo”. Mas este direito líquido e certo seria de quem? Daquele que venha sofrer uma ilegalidade ou abuso de poder, ou que até mesmo tenho medo de sofrer. Mas quem cometerá tais atos? Estes atos são realizados pela autoridade pública ou agente de pessoa jurídica. Mas atenção: sempre no exercício de poder dado pelo Poder Público. Ademais onde encaixa-se o Mandado de Segurança dentro do processo fiscal? Lembre- se que conforme artigo 3º do CTN, o ato de cobrar tributo está vinculado a lei. Logo, se houver cobrança sem respaldo legal, poderemos estar frente a utilização da presente demanda. Lembre-se que o Mandado de Segurança poderá serrepressivo ou preventivo. Assim você utilizará o repressivo para fatos que sucedem o lançamento. Já o preventivo quando houver uma lei, mas que ainda ela não produziu efeitos sobre determinado contribuinte. Outrossim no que tange ao direito líquido e certo, quer dizer aquela norma que está devidamente postada e poderá ser de pleno comprovada pelo ínclito julgador. Lembre-se e não esqueça: uma das grandes diferenças no Mandado de Segurança é que não existirá dilação probatória, logo as provas deverão ser anexadas e provadas de pleno (pré-constituída). Igualmente é importante ressaltar que: Aquele que Entra com Mandado de Segurança = Polo Ativo = Impetrante. Aquele que Cometeu o Ato Ilegal ou Abusivo = Polo Passivo = Impetrado. Queridos Alunos vocês não entrarão com MS contra Ente Público, mas sim contra aquele representante do ente que cometeu o ato ilegal ou abusivo. 24 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Ademais nunca é demais salientar que o prazo para a propositura da demanda será de 120 dias (art. 23 da Lei 12.016/09), contados da ciência do ato a ser impugnado por parte do prejudicado. Cuidado na hora da prova também: tal prazo jamais se interromperá ou suspenderá (uma vez iniciado, vai até o fim). Mas no que tange ao Mandado Preventivo? A doutrina majoritária compreende que não existe prazo decadencial, pois a cada dia que passa, a ameaça se prospera. Importante salientar ainda, conforme Lei própria do Mandado de Segurança que não caberá o presente remédio constitucional quando: Art. 5º - Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução; II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo; III - de decisão judicial transitada em julgado. E como eu, aluno, fundamento um Mandado de Segurança? Conjuga-se os termos do artigo 1º da Lei Própria, do art. 5º, LXIX da CF, combinado com o artigo 319 do Novo Código de Processo Civil. É importante dizer, que na maioria das vezes, a utilização do Mandado de Segurança remonta a ideia de utilização do pedido liminar. Outrossim tenha cuidado, eis que nos termos do artigo 7º, §2º da Lei própria, não caberá MS quando: § 2º - Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. 25 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA CUIDADO: Mandado de Segurança é para proteção de direito líquido e certo. Logo não caberá no Mandado de Segurança dilação probatória. As provas documentais deverão ser juntadas junto com a inicial, assim admite-se prova documental, mas jamais no curso do processo. Outra questão importante do Mandado de Segurança: tem prazo de 120 dias da ciência do ato. O STF já reafirmou que é válido esse prazo. Esse prazo não se suspende ou interrompe. CUIDADO: Súmula 271 do STF - não posso cumular MS com Repetição de Indébito. O MS é um rito mais célere (rápido) e tem prioridade de andamento. O MS não permite condenação de honorários sucumbenciais. Mas o que são honorários sucumbenciais? São aqueles honorários devidos para o advogado da parte contrária. CUIDADO: A FGV tem dito também sobre MS: ingresse com a ação menos custosa para o cliente. Considere que só precise comprovar através de prova documental. CUIDADO: E se for para o Rito Ordinário?A prova te dará pistas, do tipo: precisa provar com prova pericial. Não bastam somente os documentos para comprovação. Logo, se a à prova mencionar quaisquer destas expressões: advogado quer honorários ou preciso de provas (periciais, testemunhas), não posso entrar com MS. Caso comum de MS: contribuinte tem uma loja matriz e outras filiais. Ele precisa transportar mercadorias entre elas. Incide ICMS? Não, em razão de não haver circulação de mercadorias. A mercadoria irá para o mesmo titular (sem transferência). Assim, caberá MS preventivo, caso visualize justo receio. Também existirá uma possibilidade, remota é verdade, de Mandado de Segurança Coletivo. Neste caso os efeitos irão atingir determinado grupo de pessoas. Não será qualquer pessoa que poderá impetrar. O rol taxativo está no artigo 5º, LXX (70) da CF. Assim, o que muda aqui serão os efeitos da decisão. 26 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Lembrando ainda que no MS Coletivo só posso impetrar na defesa dos filiados, e conforme finalidades/ objetivos institucionais, assim, por exemplo à OAB não poderá tutelar direito dos médicos. Já no que tange a suspensão da exigibilidade do crédito: toda vez que for possível você deverá pedir. No Mandado de Segurança, são duas formas: depósito e liminar (jamais antecipação de tutela provisória de urgência ou de evidência). Por fim e ATENÇÃO se eu não souber se é: MS Repressivo ou Preventivo. Na dúvida, coloque só Mandado de Segurança. E antes de irmos para demonstração da peça, colaciono importante resumo para fixação sobre o Mandado de Segurança1: Competência A da pessoa jurídica a qual a autoridade está vinculada. Legitimidade ativa a) Titular do direito lesado ou ameaçado. b) Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas, qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança (artigo 1.º, § 3.º, Lei 12.016/2009). c) Terceiro que tenha direito em condições idênticas à do titular: pode impetrar Mandado de Segurança caso o titular não o faça em prazo razoável, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando notificado judicialmente (artigo 3.º). Legitimidade passiva Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática (artigo 6.º, § 3.º, Lei 12.016/2009). São equiparados os representantes ou órgãos de partidos políticos e os administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições. Legitimidade passiva Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem 1 NASSER, Guilherme Sacomano. Prática tributário / Guilherme Sacomano Nasser, Nathaly Campitelli Roque; coordenação Alvaro de Azevedo Gonzaga, Nathaly Campitelli Roque – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO: 2015.Página 184 e 185. 27 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada (artigo 2.º da Lei 12.016/2009). Litisconsórcio ativo É admitido até o despacho inicial (artigo 10, § 2.º, Lei 12.016/2009). Litisconsórcio passivonecessário Pessoa jurídica de direito público a quem se liga a autoridade. Terá ela a legitimidade para recorrer. Causa de pedir Alegação e demonstração da: a) lesão ou ameaça de lesão (ameaça fundada); b) ato ilegal ou praticado com abuso de poder por autoridade ou equiparado; c) a direito líquido e certo do impetrante; d) se o caso, a condição de prejudicado indireto pelo ato, quanto a seu interesse processual específico. Súmula 625 do Supremo Tribunal Federal: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança”. Pedido Concessão da segurança para suprir a ilegalidade ou abuso de autoridade. Prazo Caberá mandado de segurança no prazo máximo de 120 dias contado do ato impugnado (art. 23 da Lei 12.016/2009). Valor da causa Benefício material a ser aferido pela demanda. Intimação da autoridade Requerimento de intimação da autoridade, para apresentar informações no prazo de 10 (dez) dias e da pessoa jurídica de direito público a quem a autoridade pertence (artigo 7.º, I, Lei 12.016/2009). Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o Mandado de Segurança, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas a vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça 28 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Zeta é uma sociedade empresária cujo objeto social é a compra, venda e montagem de peças metálicas utilizadas em estruturas de shows e demais eventos. Para o regular exercício de sua atividade, usualmente necessita transferir tais bens entre seus estabelecimentos, localizados entre diferentes municípios do Estado de São Paulo. Apesar de nessas operações não haver transferência da propriedade dos bens, mas apenas seu deslocamento físico entre diferentes filiais de Zeta, o fisco do Estado de São Paulo entende que há incidência de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS nesse remanejamento. Diante da falta de recolhimento do imposto, o fisco já reteve por mais de uma vez, por seus Auditores Fiscais, algumas mercadorias que estavam sendo deslocadas entre as filiais, buscando, assim, forçar o pagamento do imposto pela sociedade empresária. Considere que, entre a primeira retenção e a sua constituição como advogado, passaram-se menos de dois meses. Considere, ainda, que todas as provas necessárias já estão disponíveis e que o efetivo pagamento do tributo, ou o depósito integral deste, obstaria a continuidade das operações da empresa que, ademais, não quer se expor ao risco de eventual condenação em honorários, no caso de insucesso na medida judicial a ser proposta. Com receio de sofrer outras cobranças do ICMS e novas retenções, e também pretendendo a rápida liberação das mercadorias já apreendidas, uma vez que elas são essenciais para a continuidade de suas atividades, a sociedade empresária Zeta o procura para, na qualidade de advogado, elaborar a petição cabível, ciente de que, entre a retenção e a constituição do advogado, há período inferior a 120 (cento e vinte) dias, e que, para a demonstração dos fatos, há a necessidade, apenas, de prova documental que lhe foi entregue. (Valor: 5,00 pontos Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado de São Paulo. Zeta, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem respeitosamente, por intermédio de seu procurador (procuração em anexo), este estabelecido ..., local onde receberá intimações, à presença de Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 5º, LXIX, CF, Art. 1º e Seguintes da Lei 12.016/09 e artigo 319 do CPC, impetrar MANDADO DE SEGURANÇA REPRESSIVO COM PEDIDO LIMINAR Em face de ato do Delegado da Receita Estadual, integrante dos quadros dos servidores do Estado de São Paulo, pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob o nº ..., 29 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA estabelecido ..., neste ato onde poderá ser representado pelo Procurador do Estado, na forma do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Cabimento No presente caso existe lesão à direito líquido e certo da parte impetrante, uma vez que está sendo cobrado da mesma imposto onde não é devido e consequentemente a retenção indevida das suas mercadorias. Diante disto, leciona o artigo 5º, LXIX, da Constituição Federal que caberá para toda lesão à direito líquido e certo a possibilidade de reparação via instrumento mandamental. Igualmente leciona o artigo 1º e seguintes da Lei 12.016/09 sobre a possibilidade de reparação à lesão, como no presente caso ocorre, via Mandado de Segurança. Logo, frente ao que exposto, compreende-se possível a impetração do presente Mandado de Segurança eis que presentes os requisitos para a sua interposição, eis que: existe necessidade de rápida reparação, a demanda a ser ajuizada não possibilita a condenação em honorários, bem como estão presentes todos os documentos para a comprovação do direito da parte. II – Tempestividade Leciona o artigo 23 da Lei 12.016/09 que a parte lesada terá prazo decadencial de 120 dias para impetrar Mandado de Segurança quando da ocorrência de lesão a direito líquido e certo. Tal prazo tem seu computo inicial à partir da ciência do ato. No presente caso, conforme expresso no enunciado, existe prazo inferior à 2 meses da ciência do ato. Diante disto, compreende-se possível e tempestivo à utilização do Mandado de Segurança à fim de reparar à lesão da parte impetrante. III – Dos Fatos A empresa Zeta tem como objeto à comercialização de peças metálicas. Ocorre que frente a necessidade de transportar tais peças entre seus estabelecimentos, o fisco do Estado de São Paulo resolveu tributar tal operação, mesmo não ocorrendo modificação de titularidade dos bens transportados. Ademais, por intermédio de seus auditores, o fisco resolveu reter as mercadorias com o intuito de cobrar os tributos compreendidos como devidos pelos mesmos. Diante disto, considerando à lesão ocorrida frente a empresa 30 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA impetrante, torna-se possível o ajuizamento do presente Mandado de Segurança à fim de reparar o ato manifestamente ilegal e inconstitucional realizado pela parte impetrada. IV – Dos Direitos Leciona o artigo 155, II, da Constituição Federal que teremos a incidência de ICMS toda vez que ocorrer operações relativas à circulação de mercadorias. No presente caso não existe a presente circulação, tendo em vista que a titularidade da propriedade não é alterada pelo simples fato de haver transferência dos bens da impetrante entre seus estabelecidos. Diante disto, tendo em vista a não modificação de titularidade de propriedade dos bens da empresa impetrante compreende-se pela não possibilidade e não ocorrência do fato gerador de ICMS. Outrossim tal fundamento corresponde ao que disposto na Súmula 166do STJ. Leciona a Súmula 323 do STJ que é vedada a conduta de apreender mercadorias ou retê- las com o intuito de obrigar contribuinte à pagar tributo. No presente caso houve retenção de mercadorias da parte impetrante, eis que compreende o fisco estadual sobre a incidência de ICMS nas operações de transferência dos bens pertencentes a empresa. Sendo assim, além de não existir tal incidência de imposto, torna-se ilegal a retenção/apreensão de mercadorias para obrigar o pagamento de impostos conforme leciona a Súmula 323 do STJ. V – Da Liminar Leciona o artigo 7º, III, da Lei 12.016/09 que poderá o magistrado através de solicitação da parte conceder medida liminar uma vez presentes os requisitos de fumaça do bom direito e perigo de demora. No presente caso resta comprovado a fumaça do bom direito, eis que conforme acima explicitado não existe a incidência de ICMS na presente operação realizada pela empresa frente ao que disposto na Súmula 166 do STJ e compreende-se igualmente pela impossibilidade de retenção de mercadoria na forma da Súmula 323 do STF. 31 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Igualmente o perigo de demora está claramente demonstrado eis que se por ventura continuar ocorrer a retenção de mercadorias da parte impetrante, assim como mantiver a decisão de não liberar aquelas apreendidas, a parte não poderá dar continuidade aos seus serviços, colocando em risco a sua empresa. Diante do que exposto compreende-se possível a concessão da medida liminar uma vez presentes os requisitos dispostos no artigo 7º, III, da Lei 12.016/09. Por fim, deseja a parte que tal medida liminar seja deferida sem solicitação de caução, eis que a empresa não apresenta suporte para contemplar tal pedido acaso seja solicitado. VI – Dos Pedidos Ante o exposto requer: A) Recebimento do presente Mandado de Segurança. B) A concessão da medida liminar uma vez presentes os requisitos do artigo 7º, III, da Lei 12.016/09 à fim de que exista a liberação das mercadorias retidas, assim como seja impossibilitado à cobrança de imposto e que o fisco não realize mais retenções de mercadorias da parte impetrante. C) Que a parte impetrada seja notificada, para que desejando, preste esclarecimentos na forma do artigo 7º, I, da Lei 12.016/09. D) Que seja cientificado o representante legal da autoridade coatora, para que tome ciência da presente ação assim como do ato realizado pela autoridade, e que seja lhe enviado cópia da inicial. Tudo isto na forma do art. 7º, II, da Lei 12.016/09. E) Que seja intimado o Membro do Ministério Público, fiscal da lei, à fim de tomar ciência da presente demanda, na forma do artigo 12, da Lei 12.016/09. F) Que seja confirmada a presente liminar e mantida até a sentença e que ao final seja julgada procedente o presente mandado de segurança, sendo concedida segurança, à fim de: liberar as mercadorias apreendidas e que novas não sejam retidas na forma da Súmula 323 do STF, bem como implique na impossibilidade de lançamento de ICMS eis que não existe fato gerador para tanto na forma do artigo 155, II, da CF. G) Que seja condenada à parte impetrante no pagamento das custas judiciais. 32 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Valor da Causa: R$ ... Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 33 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação Declaratória & Anulatória Após vista a nossa primeira demanda e peça sempre possível de cair em nossa OAB, vamos falar um pouco sobre a Ação Declaratória. Vale ressaltar que tal demanda confunde-se muito com o Mandado de Segurança Preventivo, visto que ambos servem para afastar a ameaça concreta de lesão. A presente Ação Declaratória apresenta como fundamento legal básico o que lecionado no que esculpido no artigo 19 do NCPC. Outrossim quando do ajuizamento igualmente o requerente deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC. A ação declaratória apresenta como finalidade a declaração de existência ou inexistência de relação jurídica tributária, e as suas devidas consequências jurídicas. Lembre-se e não esqueça: em exame da OAB, via de regra, você utilizará a presente demanda quando inexistir a constituição do crédito tributário (inexistir lançamento). Porém deverá haver algum ato concreto que sinalize a incerteza jurídica no que tange ao ato de ser cobrado ou não. Agora, se já houver lançamento tributário, você estimado aluno, já poderá iniciar a pensar em demanda Anulatória de Débito Fiscal. Mas tenha atenção: se você contribuinte deseja afastar possível cobrança futura, e na mesma demanda repetir aquele tributo pago indevidamente, é totalmente pleno e cabível uma Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica-Tributária cumulada com Repetição de Indébito Tributário. Se acaso for este seu pedido, não esqueça do artigo 165 do CTN e do pedido de repetição. Ressalta-se ainda que a presente Ação Declaratória poderá ser utilizada para todo e qualquer tipo de tributo, inclusive no que tange a declaração de inexistência de cumprimento- dever das obrigações acessórias. Para isto vide o artigo 113, §1 e 2º do CTN. Aonde vou entrar com a presente ação: no local do domicílio do contribuinte. 34 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Ademais não esqueça, portanto quando caberá ação declaratória: Declarar existência ou inexistência de relação jurídica-tributária. Declarar autenticidade ou falsidade de documento tributário. E, você poderá ficar com dúvidas, como optar pela Ação Declaratória ou Mandado de Segurança Preventivo? Buenas, sugiro ir para o rito especial, ou seja, analisar a possibilidade de cabimento de Mandado de Segurança Preventivo quando existir presente algumas condições descritas no próprio enunciado: Enunciado falar na possibilidade de adoção de procedimento mais célere. Enunciado falar na possibilidade de procedimento menos custoso. Enunciado falar na impossibilidade de dilação probatória. Depois de trabalhado sobre alguns aspectos relevantes da Ação Declaratória trago importante quadro resumido sobre ação declaratória2: Critérios da regra matriz de incidência tributária Defeito Material Não ser o fato concreto passível da incidência daquela tributação Temporal a) O fato não ter ocorrido b) já ter havido a decadência do direito de lançar Territorial O fato não ter ocorrido nos limites da competência do sujeito ativo Pessoal O ente que pretende a cobrança não é o sujeito ativo da obrigação tributária O interessado não é o sujeito passivo da obrigação tributária Quantitativo Inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da base de cálculo ou da alíquota 2 NASSER, Guilherme Sacomano. Prática tributário / Guilherme Sacomano Nasser, Nathaly Campitelli Roque; coordenação Alvaro de AzevedoGonzaga, Nathaly Campitelli Roque – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: MÉTODO: 2015.P. 154 35 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Alíquota e/ou base de cálculo pretendidos em desacordo com a regência legal da matéria Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Questão A Igreja Guigui Faz Passar com sede na cidade de Santa Cruz do Sul – RS resolve aos finais de semana vender bolos e negrinhos à fim de obter renda para a manutenção da igreja. Ocorre que através de notícia veiculada em vários portais da internet, o Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul informa que passará a cobrar ICMS pelas comercializações realizadas pela Igreja Guigui Faz Passar, conforme lei que entrará em vigor no ano de 2017. Temendo assim ser tributada, a Igreja Guigui Faz Passar resolve lhe procurar para que seja garantido o seu direito de não pagar tributo. Você como procurador da Igreja Guigui Faz Passar, deverá portanto utilizar o procedimento judicial adequado à fim de defender os interesses da mesma. Peça Resolvida Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara (Cível, Fazenda Pública) da Comarca de Santa Cruz do Sul, do Estado do Rio Grande do Sul. IGREJA GUIGUI FAZ PASSAR, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos constitutivos em anexo, estabelecida ..., endereço eletrônico ..., na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado (com procuração em anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 19 e 319 do CPC, ajuizar a presente: AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA Em face do Estado do Rio Grande do Sul, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu procurador nos termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. 36 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA I – Cabimento Reza o artigo 19, I, do CPC que caberá ação declaratória à fim de declarar a inexistência da relação jurídica. Ocorre no presente caso, tendo em vista a possibilidade concreta de ser a parte requerente tributada, deseja a mesma que seja declarado a não possibilidade de pagar o referido imposto de ICMS narrado na notícia veicula no Portal. Diante disto compreende-se possível o presente ajuizamento à fim de afastar a ameaça concreta frente a possibilidade de ano de 2017 ser tributado por ICMS frente à realização de comercialização de bolos e negrinhos. II – Dos Fatos A Igreja Guigui Faz passar resolveu aos finais de semana à fim de implementar novas rendas para manter a igreja e sua finalidade comercializar bolos e negrinhos. Ocorre que após notícia veiculada em vários portais de internet, soube a parte requerente da legislação que poderá implicar em efeitos futuros de tributação nas presentes comercializações. Compreendendo assim pela não possibilidade deseja a Igreja buscar seus direitos à fim de ser declarado a impossibilidade de ser tributado pelo fato de comercializar negrinhos e bolos à fim de obter renda para manter suas finalidades. III – Dos Direitos Reza o artigo 150, VI, B, da Constituição Federal que gozará de imunidade os templos de qualquer culto no que tange a não possibilidade de ser tributado de impostos. No presente caso existe clara e manifesta intenção do fisco de tributar a comercialização de bolos e negrinhos da Igreja Guigui Faz Passar à partir do ano de 2017. Considerando assim que frente a norma acima exposta, e diante do manejamento do lucro obtido para o cumprimento da manutenção e finalidade essencial da igreja, compreende- se impossível tal tributação, frente ao que deseja que seja provido e declarado a inconstitucionalidade da referida norma. IV – Da Tutela Provisória de Urgência 37 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Reza o artigo 294 e 300 do CPC que poderá ser concedida a tutela provisória de urgência toda vez que presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano ou ao risco ao resultado útil do processo. Sendo assim a probabilidade do direito está respaldada no artigo 150, VI, b da Constituição Federal onde está proibida a instituição de imposto frente aos Templos de Qualquer Culto. Ademais o perigo de dano resta configurado de forma implícita uma vez que caso seja tributada a igreja, terá que contribuir aos cofres públicos ao invés de ter possibilidade financeira de manter a sua igreja e finalidade. Ainda cabe salientar a parte requerente que deseja o conhecimento e o deferimento da tutela provisória de urgência sem necessidade de caução nos termos do artigo 300, §1º do CPC, uma vez que inexiste perigo de decisão ser revertida, nos termos do artigo 300, §3º do CPC. Em face do que acima exposto deseja a parte requerente, já que presentes todos os requisitos, a concessão da tutela provisória de urgência, e que ao final do feito, seja convertida em decisão definitiva de procedência da demanda. Acaso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitada à realização do depósito integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. V – Dos Pedidos Ante o exposto requer: A) Que o presente feito seja recebido. B) O deferimento da tutela provisória na forma do artigo 294 do CPC, mais notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os requisitos da probabilidade de direito e do perigo de dano, para que seja antecipada os efeitos da tutela. Tudo isto igualmente à fim de suspender a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, V do CTN. 38 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA C) Acaso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitado à realização do depósito integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. D) Julgada procedente a demanda à fim de ser declarada a inexistência da relação jurídica tributária, reconhecendo o direito da parte requerente de não ser tributada frente a ameaça concreta realizada. E) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente testemunhal, documental e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC. F) Seja à parte contrária citada para acaso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação da presente demanda. G) Aparte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação nos termos do artigo 319, VII, CPC. H) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios na forma do artigo 85, §3º do CPC. I) Seja deferida a juntada dos documentos e da guia de pagamento das custas judiciais na forma do artigo 82 do CPC. Valor da Causa: R$ ... Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Outrossim, fato outro causa grande espécie e perspectiva junto ao presente professor. Ocorre que é possível, diferente do Mandado de Segurança, cumular Ação Declaratória com Repetição de Indébito Tributário. Trata-se sim de uma boa aposta para este exame. Mas daí, você poderá se perguntar? Como faço para peticionar se houver cumulação de pedidos, ou seja, declarar a inexistência (por exemplo) e buscar junto a restituição de tributos pagos indevidamente ou à maior? É básico e tranquilo. Basta juntar e indexar em uma demanda a ação declaratória com à de repetição. Para não restar dúvidas da possibilidade, segue exemplo prático abaixo. 39 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Enunciado da Questão A Igreja Guigui Faz Passar com sede na cidade de Santa Cruz do Sul – RS resolve aos finais de semana vender bolos e negrinhos à fim de obter renda para a manutenção da igreja. Ocorre que através de notícia veiculada em vários portais da internet, o Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul informa que incidirá ICMS pelas comercializações realizadas pela Igreja Guigui Faz Passar, conforme lei que entrará em vigor no ano de 2017. Chegado o ano de 2017 Guigui Faz Passar, é tributada nos meses de Janeiro até Abril de 2017, no montante de R$ 100.000,00. Considerando à exigência do tributo, a Igreja Guigui Faz Passar acaba por satisfazer o débito tributário acima expresso. Temendo assim ser tributada novamente, visto que suas atividades são semanais, a Igreja Guigui Faz Passar resolve lhe procurar para que seja garantido o seu direito de não pagar tributo e recuperar eventual tributo pago indevidamente. Você como procurador da Igreja Guigui Faz Passar, deverá portanto utilizar o procedimento judicial adequado à fim de defender os interesses da mesma Peça Resolvida Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara ... (Cível, Fazenda Pública) da Comarca de Santa Cruz do Sul – RS. Igreja Guigui Faz Passar, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos constitutivos em anexo, estabelecida ..., endereço eletrônico ..., na cidade de Santa Cruz do Sul – RS, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado (com procuração em anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 19 e 319 do CPC e art. 165, I, do CTN , ajuizar a presente: AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA Em face do Estado do Rio Grande do Sul, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu procurador nos termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Cabimento 40 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Reza o artigo 19, I, do CPC que caberá ação declaratória à fim de declarar a inexistência da relação jurídica. Ocorre no presente caso, tendo em vista a possibilidade concreta de continuar a ser a parte requerente tributada, deseja a mesma que seja declarado a impossibilidade de pagar o referido imposto de ICMS. Diante disto compreende-se possível o presente ajuizamento à fim de afastar a ameaça concreta frente a possibilidade do fisco continuar à cobrar indevidamente o ICMS frente à realização de comercialização de bolos e negrinhos. II – Dos Fatos A Igreja Guigui Faz passar resolveu aos finais de semana à fim de implementar novas rendas para manter a igreja e sua finalidade comercializar bolos e negrinhos. Ocorre que após notícia veiculada em vários portais de internet, soube a parte requerente da legislação que poderá implicar em efeitos futuros de tributação nas presentes comercializações. E considerando a chegada do ano de 2017, a Igreja foi tributada nos meses de janeiro até abril de 2017, no montante de R$ 100.000,00. Logo compreendendo pela não possibilidade legal de tais atos, deseja a Igreja buscar seus direitos à fim de ser declarado a impossibilidade de ser tributado pelo fato de comercializar negrinhos e bolos à fim de obter renda para manter suas finalidades, bem como restituir aqueles tributos pagos indevidamente. III – Dos Direitos Reza o artigo 150, VI, B, da Constituição Federal que gozará de imunidade os templos de qualquer culto no que tange a não possibilidade de ser tributado de impostos. No presente caso existe clara e manifesta intenção do fisco de continuar à tributar a comercialização de bolos e negrinhos da Igreja Guigui Faz Passar. Além disto, já ocorreu tributação indevida entre os meses de Janeiro até Abril de 2017. Logo considerando a norma acima exposta, e diante do manejamento do lucro obtido para o cumprimento da manutenção e finalidade essencial da Igreja, compreende-se impossível tal tributação, frente ao que deseja que seja provido e declarado a inconstitucionalidade da referida norma e à devolução daqueles tributos pagos indevidamente. IV – Da Tutela Provisória de Urgência Reza o artigo 294 e 300 do CPC que poderá ser concedida a tutela provisória de urgência toda vez que presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano ou ao risco ao resultado útil do processo. 41 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Sendo assim a probabilidade do direito está respaldada no artigo 150, VI, b da Constituição Federal onde está proibida a instituição de imposto frente aos Templos de Qualquer Culto. Ademais o perigo de dano resta configurado de forma implícito uma vez que à Igreja poderá ser novamente tributada, e terá que contribuir aos cofres públicos ao invés de ter possibilidade financeira de manter a sua igreja e finalidade. Ainda cabe salientar a parte requerente que deseja o conhecimento e o deferimento da tutela provisória de urgência sem necessidade de caução nos termos do artigo 300, §1º do CPC, uma vez que inexiste perigo de decisão ser revertida, nos termos do artigo 300, §3º do CPC. Em face do que acima exposto deseja a parte requerente, já que presentes todos os requisitos, a concessão da tutela provisória de urgência, e que ao final do feito, seja convertida em decisão definitiva de procedência da demanda. Acaso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitada à realização do depósito integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. V – Da Repetição de Indébito Reza o artigo 168, I do CTN que à parte terá prazo de 5 anos, contados do recolhimentoindevido para restituir o tributo. Considerando no presente caso que os tributos foram recolhidos entre os meses de Janeiro até Abril de 2017, compreende-se tempestiva à presente repetição. Por fim e não menos importante, torna-se necessário salientar que conforme comprovação em anexo, junta-se a guia de pagamento de tributo indevido, assim comprovando-se à condição para ação. Outrossim diante do que exposto acima sobre a inconstitucionalidade da referida cobrança, resta dizer a parte requerente que reza o art. 165, I, do CTN que caberá ao contribuinte, independentemente de recurso administrativo, buscar à repetição de tributo pago indevidamente. Assim, considerando o que acima exposto, em face da inconstitucionalidade exposta, deseja à parte requerente buscar a restituição do ICMS satisfeito indevidamente no montante de R$ 100.000,00. Reza a Súmula 162 do STJ que o valor do tributo pago indevidamente ou à maior deverá ser corrigido monetariamente a partir do pagamento indevido. Igualmente reza à Súmula 188 do STJ e o artigo 167, §º único do CTN que os juros moratórios deverão incidir a partir do trânsito em julgado da demanda. Considerando que se trata de tributo de competência estadual, deseja a parte requerente que o valor pago indevidamente seja 42 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA corrigido a partir do pagamento indevido e os juros moratórios incidam a partir do trânsito em julgada da demanda. VI – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que o presente feito seja recebido. b) O deferimento da tutela provisória na forma do artigo 294 do CPC, mais notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os requisitos da probabilidade de direito e do perigo de dano, para que seja antecipada os efeitos da tutela à fim da parte requerente não poder ser cobrada do ICMS Tudo isto igualmente à fim de suspender a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, V do CTN. c) Acaso não seja deferida a tutela provisória, que seja possibilitado à realização do depósito integral em dinheiro para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia da parte contrária. d) A citação da parte requerida, para que desejando, venha contestar à presente ação no prazo legal. e) Julgada procedente a demanda à fim de ser declarada a inexistência da relação jurídica tributária, reconhecendo o direito da parte requerente de não continuar à ser tributada frente a ameaça concreta, considerando à inconstitucionalidade do ICMS conforme reza o artigo 150, VI, B, da CF. f) Igualmente que seja julgada procedente a demanda para fins de condenar a parte requerida à fim de restituir os tributos pagos mensalmente entre os meses de Janeiro até Abril de 2017, no valor de R$ 100.000,00. Tais valores deverão ser corrigidos através da correção monetária à partir do pagamento indevido na forma da súmula 162 do STJ, e com juros moratórios à partir do trânsito em julgado conforme súmula 188 do STJ e art. 167, § único do CTN. g) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente testemunhal, documental e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC. 43 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA h) A parte requerente vem informar que não deseja a audiência de conciliação e/ou mediação na forma do artigo 319, VII, do CPC. i) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios na forma do artigo 85 do CPC. j) Seja deferida a juntada dos documentos, especialmente aquele que comprova o pagamento indevido do ICMS, e da guia de pagamento das custas judiciais na forma do artigo 82 do CPC. Valor da Causa: R$ 100.000,00. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Após realizada os estudos sobre a Ação Declaratória, passaremos a famosa Ação Anulatória. O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 38 da Lei nº 6.830/80. Outrossim quando do ajuizamento igualmente o requerente deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do CPC. A presente ação anulatória de débito fiscal tem por finalidade a anulação de lançamento tributário que seja viciado (ilegal). Sendo assim, jamais esqueça caro aluno, para você utilizar a presente demanda é necessário a notícia de constituição de crédito tributário. Outra questão que é de extrema valia é aquela que fala sobre depósito para ingresso da demanda. Conforme já deve ser de seu conhecimento, por intermédio da Súmula Vinculante nº 28, o STF compreendeu não ser possível a exigência de qualquer depósito para o ingresso de demanda judicial. Lembre-se que para suspender não bastará o ajuizamento de ação, visto que você muito possivelmente terá que suspender: por meio de depósito integral em dinheiro ou por meio da tutela de provisória. A regra na sua demanda será solicitar tutela provisória. 44 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Depósito: é uma escolha do contribuinte. Ninguém será obrigado a depositar e poderá ser realizado em qualquer fase do processo. O depósito interrompe fluência dos juros e correção. Logo, se perder a ação no máximo será conversão. COMO FAÇO NA PROVA? Depósito ou tutela de urgência? O enunciado da questão irá te direcionar. Se o problema falar em falta de dinheiro ou quebrado te socorre da tutela de urgência. E se o problema falar em condições ou meios pelo cliente, te socorre do depósito integral em dinheiro. Assim, na prova, o que você deverá fazer? Optar entre depósito ou tutela de urgência. Mas se ficar na dúvida pede inicialmente a tutela de urgência e em caso de não concessão, peça depósito. Ademais a ação a anulatória poderá ser utilizada para toda e qualquer espécie de tributo. Lembre-se que: ação Anulatória rito ordinário comum. Logo a única dúvida que você poderá ter é se é MS Repressivo ou ação Anulatória. E aí o que você fará, primeiro descarte se não é mandado de segurança: Rito mais célere. Rito menos custoso. Preferência no julgamento. Não tem honorários sucumbenciais. Não tem dilação probatória. Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Equipamentos (partes e peças) que estavam sendo transportados para a empresa Micro Informática Ltda. e que seriam utilizados em sua produção foram apreendidos, sob a 45 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA alegação da Secretaria de Arrecadação Estadual de que a nota fiscal que os acompanhava não registrava uma diferença de alíquota devida ao Fisco e nãoteria havido, portanto, o recolhimento do imposto. Na ocasião, houve o auto de infração e foi realizado o respectivo lançamento. A empresa, que tem uma encomenda para entregar, procura você, na condição de advogado, para a defesa de seus interesses. Na qualidade de advogado da empresa Micro Informática, apresente a peça processual cabível para a defesa dos interesses da empresa, empregando todos os argumentos e fundamentos jurídicos cabíveis. Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara ... (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ... Micro Informática Ltda, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com atos constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu procurador (procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 38 da Lei 6.830/80 e art. 319 do CPC, propor a presente: AÇÃO ANULATÓRIA COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA Em face do Estado ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representada por seu procurador nos termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Cabimento Reza o artigo 38 da LEF que é possível o ajuizamento de ação anulatória para questionar legalidade de ato, lançamento ou penalidade que seja realizado de maneira equivocada, ou seja, para fins de discussão judicial. Ocorre no presente caso que houve apreensão das mercadorias e a consequente realização do lançamento por tributo compreendido como não satisfeito por parte da Secretaria Estadual de Arrecadação. Sendo assim, diante da ilegalidade da apreensão da mercadoria (equipamentos = partes e peças), torna-se possível o ajuizamento da presente ação anulatória à fim de liberar a mercadoria apreendida. 46 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Por fim, torna-se igualmente possível o ajuizamento diante do preenchimento dos requisitos dispostos no artigo 319 do CPC. II – Dos Fatos No presente enunciado ocorre que a empresa requerente teve apreensão de suas mercadorias (equipamentos = partes e peças) com o intuito de fazer pagar tributo. Assim procedeu a Secretaria de Arrecadação Estadual, diante do alegado não recolhimento de diferença de alíquota de imposto, com a retenção das mercadorias pertencentes a empresa. Considerando a necessidade de entrega dos equipamentos elaborados pela empresa requerente, não restou outra alternativa: procurar o Poder Judiciário à fim de realizar a prestação jurisdicional e resolver a celeuma criada. III – Dos Direitos Reza a Súmula 323 do STF que é vedado ao fisco a apreensão/retenção de mercadoria com o intuito de exigir tributo. No presente caso ocorre que a Secretaria de Arrecadação Estadual resolveu apreender às mercadorias da empresa requerente tendo em vista sua interpretação de falta de recolhimento de imposto no que tange a diferença de alíquota. Sendo assim, considerando o que disposto na Súmula acima elencada compreende-se pela não legalidade da referida apreensão, eis que depende à empresa destes equipamentos para produzir e dar sequência as suas atividades. Reza o artigo 170 da Constituição Federal que as empresas terão livre iniciativa para produzir e assim introduzir mercadorias junto ao mercado comercial. Ocorre no presente caso, diante da apreensão indevida, que a empresa Micro Informática está impossibilitada de colocar seu produto no mercado. Sendo assim, a presente apreensão igualmente fere o princípio da livre iniciativa conforme o artigo acima exposto. É defeso (vedado/proibido) que à administração pública impeça ou faça cessar de forma unilateral a atividade profissional do contribuinte, para compeli-lo ao pagamento de tributo, uma vez que tal procedimento redundaria no bloqueio de atividades lícitas, mercê de representa hipótese de autotutela, medida excecional ante o monopólio da jurisdição. Diante disto, considerando disposto na Súmula 323 do STF e artigo 170 da Constituição, compreende-se pela total ilegalidade e inconstitucionalidade do ato. IV – Tutela Provisória de Urgência 47 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Reza o artigo 294 do CPC que poderá a parte requerente solicitar tutela provisória. Ademais o mesmo artigo menciona a possibilidade de solicitar tanto tutela de urgência, quanto de evidência. Para o presente caso torna-se amplamente possível a solicitação da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, diante do preenchimento dos requisitos de probabilidade de direito e do perigo de dano. A probabilidade do direito resta devidamente comprovada eis que houve apreensão ilegal das mercadorias conforme reza a Súmula 323 do STF e a ofensa ao princípio da livre iniciativa conforme reza o artigo 170 da CF. Igualmente resta preenchido o requisito de perigo de dano, eis que a empresa dependa dos equipamentos para produzir e tem encomenda para entregar. Diante do que exposto restam preenchidos os requisitos do artigo 300 do CPC, para que se libere as mercadorias. Por fim, acaso Vossa Excelência, compreenda não deferir o pedido acima, solicita o requerente que seja intimado da decisão para que ocorra o depósito à fim de suspender a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente garantia do fisco para que as mercadorias apreendidas sejam liberadas. V – Dos Pedidos Ante o Exposto Requer: a) O deferimento da tutela provisória de urgência na forma do artigo 294 do CPC, mais notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, para que sejam liberadas as mercadorias apreendidas. b) Acaso não seja possibilitada e concedida a tutela de urgência, que seja oportunizado o depósito à fim de suspender a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente liberação das mercadorias apreendidas. c) Seja julgada procedente a demanda à fim de liberar as mercadorias apreendidas eis que foram realizadas de forma ilegal, na forma do artigo 170 da CF e da Súmula 323 do STF. d) Sejam possíveis a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente: documental, testemunha e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC. 48 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA e) Seja à parte contrária citada para acaso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação da presente demanda. f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação nos termos do artigo 319, VII, CPC. g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios na forma do artigo 85, §3º do CPC. h) Seja deferida a juntada dos documentos e da guia de pagamento das custas processuais na forma do artigo 82 do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Valor da Causa: R$ ... Local ... Data ... Advogado... OAB ... 49 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação de Consignação em Pagamento O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 164 do CTN. Outrossim quando do ajuizamento igualmente o requerente deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC. A presente demanda tem por finalidade garantir ao contribuinte o direito de pagar o tributo devido. Para feitos iniciais é importante dizer que caberá a utilização da presente demanda quando houver resistência por parte do ente público, houver dúvida para quem deve ser pago o tributo (exigência de mais de um ente) ou exigência de pagamentos (por exemplo penalidades – exigências administrativas) que não dizem respeito ao tributo que deverá ser satisfeito. Igualmente é importante salientar que se a demanda por julgada procedente, obviamente após o trânsito em julgado da decisão, a importância depositada (consignada) será convertida em renda, ocorrendo assim a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, VIII, do CTN. Agora se a consignação for julgada improcedente, o Ente Público Competente poderá cobrar o crédito tributário, acrescido de juros, e assim como de eventuais penalidades cabíveis. Outrossim conforme STJ a consignatária também servirá, conforme já dito, para consignar crédito tributário que tenha sido exigido pelo Ente Público em quantia superior. Agora, jamais teremos, por exemplo, a ação consignatária para: Discutir possibilidade da exigência tributária. Obter concessão de parcelamento, anistia ou moratória. Reconhecimento de pagamento (compensação de tributo) através de títulos da dívida pública. Lembre-se antes de mais nada que também teremos previsão legal da consignação nos artigos 539 e seguintes do CPC. Temos artigos importantes nele como por exemplo: 50 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Artigo 540 do CPC = consignação lugar do pagamento. Artigo 542 do CPC = relatório dos nossos pedidos. Igualmente é importante ressaltar que na Ação de Consignação em Pagamento o depósito não será faculdade da parte para consignar em pagamento = tenho que depositar, conforme o artigo 542, I, do CPC. Ademais se houver mais de um réu na demanda: requer citação para contestarem caso queiram, com fundamento no artigo 547 do CPC. Entretanto se houver somente um réu na demanda, requer citação para contestar, caso queira, com fundamento no artigo 542, II, do CPC. Se um dos réus for a União, independentemente do outro: a Justiça federal será competente. Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Xisto da Silva, brasileiro, administrador, solteiro, portador da carteira de identidade no. xxxx e CPF no. xxx, residente e domiciliado na Rua X, no. xxx, bairro Z, Município Y, Estado F, recebeu cobrança simultânea, por meio de uma mesma guia de documento fiscal, de dois tributos: IPTU e Taxa de Conservação das Vias e Logradouros Públicos (TCVLP). No caso da referida taxa, certo é que o contribuinte não concorda com sua cobrança, o que o levou, por meio de seu advogado, a ajuizar ação judicial a fim de declarar sua inconstitucionalidade, havendo pedido liminar, ainda não apreciado, para afastar a obrigatoriedade do recolhimento da referida exação fiscal. Por outro lado, em relação à cobrança do IPTU, pretende o contribuinte efetuar o seu pagamento. No entanto, a guia de pagamento é única e contém o valor global dos referidos tributos, tendo o banco rejeitado o pagamento parcial relativo somente ao IPTU. Nesse caso, considerando que o IPTU ainda não está vencido, bem como o contribuinte não obteve êxito para solucionar seu problema na esfera administrativa, elabore a peça adequada para efetuar o pagamento do imposto municipal, 51 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA com base no direito material e processual pertinente. Utilize todos os argumentos e fundamentos pertinentes à melhor resposta. Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública da Comarca ... do Estado ... Xisto da Silva, brasileiro, solteiro, administrador, portador da identidade nº XXX, inscrito no CPF sob o nº XXX, endereço eletrônico ..., residente e domiciliado na Rua X, nº XXX, Bairro Z, Município Y, Estado F, vem por meio de seu procurador (procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá suas intimações, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 164, I, do CTN, art. 319 do CPC e art. 539 e seguintes do CPC, ingressar com a presente: AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM DEPÓSITO Em face do Município ..., pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., endereço eletrônico ..., neste ato representado pelo seu procurador na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Do Cabimento Tendo em vista a necessidade e possibilidade do requerente de satisfazer somente o tributo que de fato é devido, torna-se necessário o ajuizamento da presente consignação em pagamento com fulcro no artigo 164, I, do CTN. Justifica-se a presente demanda eis que é direito do requerente o pagamento do tributo sem a exigência de outro, eis que se tratam de obrigações autônomas, sendo assim plenamente possível a consignação do valor devido daquele tributo que de fato pode ser cobrado pela Fazenda Pública Municipal. II – Do Depósito Considerando o que disposto no artigo 542, I, do CPC, deseja a parte solicitar que seja expedida guia para depósito do valor que está sendo tributado à fim de cumprir com o que disposto na norma. III – Dos Fatos 52 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Conforme enunciado o Sr. Xisto da Silva recebeu do Município ... cobrança de IPTU cumulada com a cobrança de taxa de limpeza e conservação de logradouro público. Ocorre que o requerente compreende que a cobrança da presente taxa é inconstitucional, e por isto já ajuizou demanda requerendo o reconhecimento de sua inconstitucionalidade através de seu procurador. Ademais até a presente data não foi apreciado o pedido liminar. Outrossim com o intuito de fazer pagar os dois tributos a fazenda municipal lançou guia de pagamento cobrando os dois tributos juntos, ou seja, IPTU e a taxa acima descrita. Logo tentou o requerente efetuar o pagamento somente do IPTU, fato este que lhe fora negado tendo em vista a negativa de recebimento por parte da instituição bancária eis que na guia estava expresso o pagamento único dos dois tributos. Diante disto, por compreender indevido o pagamento da taxa, tentou o requerente procedimento administrativo para satisfazero seu intendo de pagar somente o IPTU. Recurso administrativo este que lhe fora negado pela fazenda municipal. Sendo assim não restando outra alternativa ao requerente a não ser de provocar o Poder Judiciário à fim de que seja recebido o tributo realmente devido, mas que seja possibilitado o pagamento somente deste. IV – Do Direito Considerando que a parte requerente não obteve êxito no pagamento do tributo que realmente é devido, tornou-se necessário o presente ajuizamento da demanda. Ocorre excelência que não poderá a Fazenda Pública Municipal exigir dois tributos de maneira simultânea, ou seja, cobrar na mesma guia a satisfação do IPTU e da taxa em conjunto com fulcro no artigo 164, i, do CTN. Ademais conforme expresso no enunciado, além de não poder cobrar em conjunto o pagamento de dois tributos, a presente taxa cobrada é de fato inconstitucional eis que é cediço no direito brasileiro que taxa somente poderá ser exigida quando for específica e divisível, ou seja, que possa ser vista por aquele que recebe, in casu contribuinte, e detalhada por parte daquele que presta o serviço, in casu, o município. Outrossim com fundamento no art. 145, da CF, não se pode compreender como possível a exigência da presente taxa eis que é inconstitucional e está sendo discutida em ação autônoma. Sendo assim exigir dois tributos na mesma guia torna-se exigência ilegal eis que cada tributo tem sua constituição de maneira autônoma. 53 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA V – Da Suspensão da Exigibilidade Tendo em vista que se encontra totalmente respaldado o requerente no que tange da possibilidade de consignar o valor que de fato é devido na forma do art. 164, I, do CTN. Considerando que acaso não ocorrer a suspensão da exigibilidade do crédito, poderá o requerente sofrer execução fiscal, vindo a lhe prejudicar em seus negócios e sua vida pessoal. Deseja o requerente, com fundamento no art. 151, II, do CTN, que seja deferida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário considerando à realização do depósito integral do IPTU devido. Igualmente foram observado o depósito integral em dinheiro conforme leciona a Súmula 112 do STJ. VI – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) que seja deferida por Vossa Excelência a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, II, do CTN, uma vez ter realizado o depósito de forma integral em dinheiro conforme leciona a Súmula 112 do STJ. b) que seja deferida a possibilidade da realização do depósito integral em dinheiro até como forma de suprimento da condição da ação de consignação em pagamento, na forma do artigo 542, I do CTN. c) que seja julgado procedente a presente demanda, com a consequente extinção do crédito tributário com fundamento no art. 156, VI e VIII, do CTN combinado com o art. 164, §2º do CTN. d) Sejam possíveis a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente: documental, testemunha e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC. e) Seja à parte contrária citada para acaso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação da presente demanda. f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação nos termos do artigo 319, VII, CPC. g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios na forma do artigo 85, §3º do CPC. 54 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA h) Seja deferida a juntada dos documentos e da guia de pagamento das custas processuais na forma do artigo 82 do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Valor da Causa R$ ... Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 55 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação de Repetição de Indébito Tributário O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 165 do CTN. Outrossim quando do ajuizamento igualmente o requerente deverá vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC. Logo, a regra é bastante clara: utiliza-se a presente ação quando houver pagamento à maior ou indevido. Ademais bastará a comprovação do pagamento para que seja realizado o pedido de repetição de indébito tributário. Assim a presente ação serve para recuperar o que foi pago indevidamente. Independentemente de motivo, tenho direito. Não é preciso comprovar motivação do pagamento. Trata-se de ação condenatória. Quando da condenação em repetição, teremos um título que, via de regra, será precatório. Terá que observar a ordem de inscrição e sistema de pagamento, conforme o artigo 100 da CF, mas poderemos buscar a repetição via compensação. Veja, portanto, que na repetitória posso utilizar-me para adimplir mediante legislação específica de cada ente competente. Assim, quando do pagamento indevido ou à maior tenho duas possibilidades, na forma do art. 168 do CTN = tenho 5 anos para buscar. Seja pela via administrativa, seja pela via judicial. Lembre-se, se optar pela via judicial, renuncio a administrativa. Acaso optar pela via administrativa e vier a perder (denegar) o pedido, da decisão denegatória, terei 2 anos para buscar, conforme reza o artigo 169 do CTN. Via ação de mão dupla: anulação e condenação. Posso repetir tributo pago prescrito ou decaído? Sim, conforme o artigo 156 do CTN, são formas de extinção. Se paguei indevido prescrito ou decaído, eram indevidos, e conforme o artigo 165, I, do CTN, gerarão direito de repetição. 56 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA O principal motivo da presente ação é evitar o enriquecimento ilícito. Outrossim é importante também alertar que o requerente não precisará esgotar as vias administrativas (ou sequer ir) para recorrer à via judicial. Vale dizer que: conforme STJ o pedido administrativo não suspende/interrompe o prazo para o contribuinte entrar com ação de Repetição de Indébito Tributário. O prazo para entrar com a demanda será de 5 anos da extinção do tributo ou da decisão definitiva que der ganho de causa para o contribuinte. MODO DE PAGAMENTO (JUROS E CORREÇÃO) - O artigo 167, § único, do CTN. A Súmula 188 do STJ afirma que os juros moratórios serão devidos do Trânsito em Julgado. Mas no que tange a correção monetária não existe previsão legal. O STJ afirma ser do pagamento indevido. Vide Súmula 162 do STJ. Mas atenção, esta regra vale: - Para tributos estaduais. - Para tributos distritais. - Para tributos municipais. Para tributos federais: aplico a taxa SELIC. Correção e juros embutidos na mesma taxa, na forma do artigo 39, §4 da Lei 9.250/95. MAS CUIDADO: têm Estados e Municípios que já aplicam a taxa SELIC, portanto se na prova nada falar vai para a regra geral. Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importantedizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Lei Ordinária Municipal, publicada em 05/01/2015, estabeleceu, entre outras providências relacionadas ao ISS, a majoração da alíquota para lavagem de veículos pesados de 3% para 57 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA 4%, com vigência à partir de 05/02/2015. Considerando que a Lavagem Fausto Silva recolhia no ano de 2014, a título de tributo, o valor de R$ 10.000,00, com base na contratação dos seus serviços por construtoras locais, com a majoração da alíquota acima mencionada incidente sobre sua atividade, passou a recolher mensalmente, o valor de R$ 20.000,00. Entretanto, as referidas construtoras exigiram, e obtiveram, o desconto do valor do aumento do tributo, alegando que seria indevido. Assim sendo, o contribuinte do ISS se submeteu ao aumento desse imposto durante o período relativo aos meses de Março de 2015 até Dezembro de 2015. Ocorre que, em Fevereiro de 2016, mediante notícia veiculada no Facebook, o representante legal dessa empresa teve o conhecimento da propositura de ações deflagradas por empresas concorrentes questionando a ilegalidade do aumento do ISS. Dessa forma, na qualidade de advogado da Lavagem Fausto Silva, formule a peça adequada para a defesa dos seus interesses de forma completa e fundamentada. Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara ... (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ... Lavagem Fausto Silva, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com atos constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu procurador (procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 165, I, 166 do CTN e artigo 319 do CPC, propor a presente: AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO Em face do Município ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representada por seu procurador nos termos do artigo 75, III, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Cabimento & Tempestividade Reza o art. 165, I, do CTN que se torna possível à restituição em face de pagamentos realizados pelo contribuinte de forma indevida ou à maior. Ocorre no presente caso que o pagamento fora realizado pela parte requerente de maneira indevida. Portanto está presente o requisito para o ajuizamento da presente demanda. Reza o art. 166 do CTN que poderá o requerente buscar à restituição de tributos pagos indevidamente ou à maior quando no caso de tributação indireta, ou seja, na presença de 58 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA repercussão tributária, ficar demonstrado que não houve repasse do tributo satisfeito. Igualmente leciona a Súmula 546 do STF que caberá à presente restituição quando comprovar-se que não houve repasse e/ou repercussão. Assim, diante do caso previsto no enunciado, fica claro que o requerente não repassou o encargo para as empresas que se utilizam do seu serviço. Portanto, resta claro a comprovação de que não houve o repasse ao consumidor final, ou seja, o contribuinte de fato, sendo possível o ajuizamento da respectiva restituição contrariando o que disposto na Súmula 71 do STF. Reza o artigo 168, I, do CTN, cumulado com o artigo 3º da Lei Complementar 118/05, que o prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorrerá no prazo de 5 anos contados do pagamento indevido realizado de forma antecipada. Diante disto resta claro, no presente enunciado, que não transcorreu o presente prazo, sendo cabível, portanto à possibilidade de restituição. Por fim e não menos importante, torna-se necessário salientar que conforme comprovação em anexo, junta-se a guia de pagamento de tributo indevida, assim comprovando-se à condição para ação. II – Dos Fatos Conforme expresso no enunciado a Lavagem Fausto Silva fora compelida a satisfazer alíquota de ISSQN majorada em 05/01/2015, através de lei ordinária, a partir de 05/02/2015. Igualmente tal alíquota majorada redundou a empresa requerente aumento no pagamento mensal do referido tributo de R$ 10.000,00 para R$ 20.000,00. Outrossim tal tributo não fora repassado aos contribuintes, tendo, portanto, a requerente satisfeito os mesmos entre março de 2015 até dezembro de 2015. Diante do pagamento do tributo majorado, por 10 meses, fora cientificado a Lavagem Fausto Silva em fevereiro de 2016 que tal contribuição seria indevida, fato este que culminou na busca por um advogado. Não restando outra alternativa, frente a inconstitucionalidade, faz-se necessário o ingresso da presente demanda à fim de busca a devolução do pagamento destes tributos. III – Dos Direitos Reza o artigo 150, III, B e C da CF que os tributos, via de regra, majorados ou criados, deverão atender ao princípio da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal. Ocorre no presente caso que a empresa requerente fora compelida a satisfazer a alíquota majorada de 3% para 4% após apenas um mês de publicação da demanda. Diante disto, considerando a inobservância do princípio da anterioridade do exercício, ou seja, a possibilidade de exigência do tributo somente após o primeiro dia útil 59 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA do exercício seguinte, e, da anterioridade nonagesimal, ou seja, a possibilidade da exigência do tributo após 90 dias da sua publicação, compreende-se que os pagamentos realizados pelo requerente foram ilegais eis que realizados após 1 mês da publicação da norma majorante. Reza o artigo 8º da Lei Complementar 116/03 que a alíquota máxima de ISSQN poderá ser de até 5%. Ocorre no presente caso que tal alíquota fora majorada para 4%. Diante disto compreende-se da legalidade de tal majoração, cumprindo assim a municipalidade com o princípio da legalidade. IV – Do Modo de Correção e Juros Moratórios Reza a Súmula 162 do STJ que o valor do tributo pago indevidamente ou à maior deverá ser corrigido monetariamente a partir do pagamento indevido. Igualmente reza à Súmula 188 do STJ e o artigo 167, §º único do CTN que os juros moratórios deverão incidir a partir do trânsito em julgado da demanda. Considerando que se trata de tributo de competência municipal, deseja a parte requerente que o valor pago indevidamente seja corrigido a partir do pagamento indevido e os juros moratórios incidam a partir do trânsito em julgada da demanda. V – Dos Pedidos Ante o Exposto Requer: a) Recebimento da presente demanda. b) Seja à parte contrária citada para acaso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação da presente demanda. c) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação nos termos do artigo 319, VII, CPC. d) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente à juntada das guias de pagamento dos tributos, assim como prova documental e pericial, na forma do art. 319, VI, do CPC e) A procedênciada presente demanda à fim de condenar a parte requerida à fim de restituir os tributos pagos mensalmente entre os meses de março até dezembro de 2015, no valor de R$ 100.000,00. Tais valores deverão ser corrigidos através da correção 60 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA monetária à partir do pagamento indevido na forma da súmula 162 do STJ, e com juros moratórios à partir do trânsito em julgado conforme súmula 188 do STJ e art. 167, § único do CTN. f) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios na forma do artigo 85, §3º do CPC. g) A juntada dos documentos probatórios, assim como a juntada do comprovante de pagamento das custas processuais na forma do art. 82 do CPC Valor da Causa: R$ 100.000,00. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 61 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação de Embargos à Execução Fiscal & Redirecionamento de Execução Fiscal O fundamento legal básico do presente instrumento de defesa encontra-se esculpido no artigo 914 e seguintes do NCPC. Entretanto é importante ressaltar sobre os Embargos à Execução Fiscal é o artigo 16 da LEF. Mas da onde nasce o Direito da Execução Fiscal? A partir do momento que existe um crédito tributário que não foi satisfeito pelo contribuinte. Sendo assim ocorrerá a inscrição do débito em dívida ativa. Ademais a certidão de dívida ativa funciona como título executivo, cuja a mesma será utilizada para a cobrança do crédito pelo Ente Público. Vide artigo 202 do CTN. Outrossim, conforme Execução de Título Extrajudicial, a Execução Fiscal serve para que seja realizado um crédito impago, ou seja, aquele que é certo, líquido e exigível. Tal procedimento correrá em autos apartados da Execução Fiscal, e por isto, inclusive, alguns doutrinadores a chamem de ação autônoma. Logo sua finalidade é de fato proteger o contribuinte e os seus direitos. Tais Embargos à Execução Fiscal serão ajuizados nos seguintes ocorridos e no prazo de 30 dias: intimação da penhora. do depósito. da juntada da prova de fiança bancária ou seguro garantia. Jamais erre no momento da prova: a garantia do juízo é requisito para admitir os Embargos à Execução Fiscal, assim como o prazo de 30 dias. Ademais caberá Embargos de qualquer espécie tributária. Tenha atenção na hora de fazer a prova: não basta a garantia do juízo para embargar, terá de contar o prazo de 30 dias. Se estiver fora do prazo, se foi meus embargos. Tudo isso 62 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA conforme o artigo 16ª da LEF. Mas se o contribuinte desejar acelerar os embargos, nada impede que acaso tenha penhora nos autos, mesmo sem intimação, ele ofereça os embargos à execução. Até porque ninguém garante juízo para anulatória ou exceção. Mera propositura dos embargos suspenderá a execução? Não. Logo, o bem em garantia poderá ser vendido. E o que faço para suspender?Depósito integral em dinheiro (exceção) ou o requerimento do efeito suspensivo (regra). E como faço requerimento do efeito suspensivo? O art. 294 do CPC sobre tutela provisória, observando o que disposto no art. 919, §1º, do CPC. Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Em 10.05.2005 Livina Maria Andrade arrematou judicialmente um imóvel por R$ 350.000,00 localizado no Município de Rancho Queimado. Recolheu o ITBI, com base no valor arrematado em juízo. A Sra. Livina Maria Andrade é agricultora e utiliza o imóvel para a produção agrícola e pecuária. O imóvel está dentro da zona urbana definida por lei pelo Município, já que a rua onde se encontra o imóvel é asfaltada e o Município fornece água e sistema de esgoto sanitário .Em 10.05.2008 recebeu notificação fiscal exigindo diferenças no valor do ITBI pago por ocasião da aquisição judicial do imóvel. O Fisco Municipal entendeu que o tributo deveria ser calculado com base no valor da avaliação judicial realizada no processo de execução no qual ocorreu a arrematação (R$ 380.000,00). A Sra. Livina permaneceu inerte e é inscrita em dívida ativa em 10.08.2008. Em 10.06.2010 foi citada em execução fiscal proposta pelo Município de Rancho Queimado para a cobrança do ITBI e do IPTU dos anos de 2007, 2008 e 2009, os quais nunca foram pagos. A Sra. Livina tem bens penhorados em 10.07.2010 e lhe procura, em 20.07.2010, para a defesa de seus direitos. Na qualidade de advogado da Sra. Livina, elabore a peça processual que melhor atenda o seu direito, especificando seus fundamentos. Resolução da Peça 63 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara ... da Comarca de Rancho Queimado do Estado ... Distribuição por dependência Aos autos do processo nº ... Livina Maria Andrade, brasileira, estado civil ..., agricultora, inscrita no CPF sob o nº ..., endereço eletrônico ..., residente e domiciliada ..., por meio de seu advogado (com procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fulcro no art. 16 da lei 6.830/80 e artigos 319 e 919, §1º do CPC, vem à presença de vossa excelência opor: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO Em face do Município de Rancho Queimado, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu prefeito ou procurador nos termos do art. 75, III do CPC, em face dos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Cabimento Nos termos do art. 16 da lei de execução fiscal poderá a parte executada apresentar embargos à execução fiscal se existir garantia do juízo e a observância do prazo de 30 dias. No presente caso houve penhora dos bens de Livina, ocorrendo assim a garantia do juízo. Ademais a presente embargante fora intimada da penhora no dia 10/07/2010 e procurou seu procurador no dia 20/07/2010, ou seja, estando observado o prazo legal de 30 dias (art. 16, III, LEF) Sendo assim, compreende-se possível o ajuizamento do presente embargos à execução fiscal. II – Dos Fatos Conforme presente caso houve ajuizamento de execução fiscal contra a Livina, tendo em vista, segundo o ente público, o não pagamento do ITBI sobre o valor da avaliação do bem, cujo o mesmo foi arrematado pela embargante. Assim como não houve pagamento do IPTU referente aos anos de 2007/2008 e 2009. 64 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Diante do possíveldébito, e mediante a inscrição em dívida ativa, possibilitou ao embargado o ajuizamento de execução fiscal para a cobrança do possível débito da embargante. III – Dos Direitos Lembrar aqui que os direitos poderão ser: preliminar e mérito principal. Lembrando que preliminar, por exemplo, poderá ser eventual nulidade de CDA conforme o que previsto no art. 202 do CTN Conforme reza o art. 15 do decreto lei 57/66, não será objeto de cobrança de iptu imóvel situado em zona urbana, mas cuja sua utilização seja realizado para fins rurais. Ocorre no presente caso que Livina utiliza o imóvel arrematado para fins de produção rural, tal seja, agricultura e pecuária. Diante disto, compreende-se que torna-se, mesmo com a presença dos elementos do IPTU (art. 32, §1º do CTN), impossível cobrar IPTU da embargante considerando a previsão do art. 15 do decreto lei 57/66. Também conforme reza o art. 38 do CTN, que o ITBI será satisfeito com base no valor venal do bem que fora transmitido. Ocorre no presente caso que Livina satisfez o valor do ITBI com base no valor da arrematação. Sendo assim ilegal a cobrança do ITBI com base no valor da avaliação judicial. Posto isto, compreende-se ilegal a cobrança do ente público com base no valor da avaliação do judicial do bem arrematado, uma vez observado o que disposto no art. 38 do CTN; IV – Do Efeito Suspensivo Nos termos do art. 919, §1º do CPC o magistrado poderá deferir o efeito do suspensivo da execução fiscal, mediante requerimento do embargante, e presentes os requisitos da tutela provisória. No presente caso, estão presentes os requisitos da tutela provisória conforme artigo 294 do CPC. Ademais restam configurados igualmente os requisitos do art. 300 do CPC uma presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano. Ocorre a probabilidade do direito eis que observou a embargante o que disposto no art. 38 do CTN (pagamento do ITBI com base no valor da arrematação), assim como não deverá satisfazer IPTU uma vez que o imóvel tem exploração notamente rural, conforme reza o art. 15 do decreto lei 57/66. 65 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Também ocorre o perigo de dano, eis que acaso tenha que satisfazer o valor cobrado, poderá posteriormente a embargante ajuizar ação de repetição de indébito, tendo que possivelmente receber tais valores através de precatória conforme reza o art. 100 da constituição federal. Ademais se fizesse tal pagamento poderia acarretar danos a sua pessoa e família. Diante disto, além de estar garantida a execução fiscal, restam presentes os requisitos do art. 919, §1º, cumulados com os artigos 294 e 300 do CPC. V – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) concessão do efeito suspensivo dos embargos para suspender a execução fiscal, eis que presentes os requisitos da probabilidade do direito e perigo de dano. Tudo isto conforme art. 919, §1º, cumulado com os artigos 294 e 300 do CPC. b) a intimação do município para que acaso queira, venha impugnar os embargos, no prazo de 30 dias, designando igualmente audiência de instrução e julgamento, nos termos do art. 17 da LEF. c) a procedência dos embargos à execução fiscal, para extinção da execução, e o respectivo cancelamento das dívidas ativas referentes ao ITBI e IPTU lançados contrariando o que disposto respectivamente nos artigos 38 do CTN e 15 do decreto lei 57/66. d) a produção de prova admitida em direito, assim como a juntada de documento e do rol de testemunhas, conforme reza o art. 16, §2º da LEF. e) a condenação da parte embargada nos ônus sucumbenciais. Notadamente em custas judiciais conforme reza o art. 82, §2º do CPC e dos honorários sucumbenciais conforme reza o art. 85, §3º do CPC. f) a juntada de documentos (pode acrescer aqui art. 319, vi, CPC) e do comprovante de pagamento das custas judiciais conforme artigo 82 do CPC. Valor da Causa: R$ ... Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 66 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Petição de Exceção de Pré Executividade Tal petição (peça processual) não apresente fundamento legal próprio. Mas não esqueça de colocar a Súmula 393 do STJ. Outrossim para o seu ingresso não será necessário a garantia do juízo, conforme ocorre nos Embargos à Execução Fiscal. Ademais seu processamento será realizado mediante simples petição, sem quaisquer autos apartados, dentro da Execução Fiscal. Assim vale dizer: poderá ser suscitado via Exceção de Pré-Executividade matérias de ordem pública e nulidades absolutas. E vamos mais longe: dentro da Exceção não poderá existir produção probatória (tudo é pré constituído). Tem-se admitido inclusive Exceção para questionar nulidade flagrante (totalmente visível) quando houver nulidade de título ou ainda no processo. Outrossim é exemplo de opção para utilização da Exceção: Ilegitimidade de Parte. Falta de Condição ou Pressuposto de Ação. Inépcia da Inicial. Falta de citação regular. Falta de capacidade postulatória. Vícios de processo administrativo. Coisa Julgada. Causa Extintiva da Obrigação (Prescrição, Pagamento, Compensação). Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça prática tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça 67 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA A União Federal ajuizou em janeiro de 2016 Execução Fiscal contra a empresa Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda e seus sócios Guigui e Nini. Antes da exigência de IPI, constituído em janeiro de 2015, a Fazenda Pública Nacional inscreveu em dívida ativa a empresa devedora. A presente execução fiscal foi ajuizada na 1 Vara da Fazenda Pública da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul. Outrossim é importante ressaltar que no contrato social da empresa consta como sócio administrador somente o sócio Nini de forma exclusiva. Devidamente citadas as partes, sem haver oferecimento de bens à penhora, o pagamento da dívida ou a penhora propriamente dito de eventuais bens em nome dos executados, foi efetuada penhora em uma Lambreta 1969 de propriedade de Guigui. Diante da penhora realizada no bem móvel de Guigui, o mesmo foi intimado de sua realização em 20 de dezembro de 2016. Na qualidade de advogado de Guigui redija peça processual cabível para a defesa do mesmo nos próprios autos da Execução Fiscal, considerando ainda que o cliente teve penhora nos autos. Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da 1ª Vara da Fazenda Pública da Seção Judiciário do Estado do Rio Grande do Sul Execução Fiscal Nº ... Exequente: União Federal. Executados: Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda Guigui Nini Guigui, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., com endereço eletrônico ..., residente e domiciliado ..., vem respeitosamente perante Vossa Excelência, por meiode seu advogado (procuração anexa), este com endereço profissional ..., local onde receberá intimações, nos termos dos artigos 5º, XXXV e LV da Constituição Federal e Súmula 393 do STJ, propor a presente: EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE Em face da Execução Fiscal ajuizada pela União Federal, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu procurador, na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Do Cabimento da EPE 68 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Reza a Súmula 393 do STJ que existirá possibilidade de cabimento de Exceção de Pré Executividade em sede de defesa em Execução Fiscal, desde que a matéria trata-se de ordem pública e seja desnecessária a produção/dilação probatória. No presente caso, existe a possibilidade de Exceção de Pré Executividade uma vez que a matéria a ser arguida não carece de dilação e conforme o próprio enunciado a defesa deverá ser realizada nos autos da Execução Fiscal. Outrossim a matéria a ser arguida independe de ampla produção probatória, ou seja, podendo assim de ofício o juiz apreciá- la e decidir pela causa impeditiva de realização da Execução Fiscal. Diante disto compreende-se possível o ajuizamento da presente Exceção de Pré Executividade uma vez atendidos os requisitos da Súmula 393 do STJ e o que igualmente expresso no enunciado da questão. Por fim vale ressaltar que a parte excipiente anexa a presente petição todos os documentos necessários à fim de comprovar seu direito, mais uma vez justificando a desnecessidade de dilação probatória, uma vez que igualmente todas as provas necessárias são pré constituídas. II – Dos Fatos O presente caso trata-se de Execução Fiscal movida pela União Federal contra a empresa Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda e seus sócios referente ao possível IPI devido e não satisfeito. Ocorre que após tentativas sem sucesso de efetuar a penhora de bens da empresa e/ou a satisfação do crédito pelas partes, a União Federal obteve êxito na penhora de uma lambreta registrada em nome do sócio Guigui. Considerando que o mesmo fora intimado da penhora em 20/12/16, procurou advogado à fim de efetuar sua defesa. III – Dos Direitos Reza o artigo 135, III, do CTN que somente poderá ser responsabilizado pelo pagamento de tributos pessoalmente os sócios gestores que cometerem atos abusivos ou com excesso de poderes na sua administração do empreendimento comercial. No presente caso, houve o simples ajuizamento da Execução Fiscal contra sócio Guigui, que não era administrador, logo não podendo ser responsabilizado pessoalmente por eventuais excessos cometidos pelo sócio administrador Nini. 69 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Sendo assim, compreende-se pela impossibilidade de realização da Execução Fiscal uma vez que Guigui não fora inscrito na CDA, assim como não podendo ser responsabilizado pela dívida fiscal frente ao que disposto no artigo 135, III, do CTN. Igualmente reza a Súmula 430 do STJ que não caberá responsabilidade de sócio pelo mero inadimplemento de tributo. No presente caso, houve a responsabilização de sócio pelo simples ajuizamento da Execução Fiscal, portanto reforçando a tese de ilegalidade da cobrança do sócio, bem como da Execução Fiscal. IV – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) O recebimento da presente Exceção de Pré Executividade. b) A intimação da parte contrária para manifestar-se e ter ciência da presente petição, na forma do artigo 7º do CPC e artigo 5º, LV, da CF. c) Que seja acolhida a presente Exceção de Pré Executividade e dê provimento ao pedido para que seja extinta a presente Execução Fiscal, extinguindo igualmente o crédito tributário, nos termos do artigo 156, X, do CTN. Igualmente deseja que seja declarada nula a dívida cobrada e a CDA lançada, ordenando o cancelamento da inscrição em dívida ativa. d) A inversão da condenação em custas e honorários advocatícios sucumbenciais na forma do artigo 82, §2º e 85, §3º do CPC. e) A juntada dos documentos probatórios na forma do artigo 82 do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 70 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Teoria Geral do Recursos O que é recurso? Uma ferramenta processual que eu posso questionar, dentro do processo, um ato de caráter decisório do órgão jurisdicional que está julgando minha causa. Poderei portanto me manifestar sobre uma discordância e modificar a decisão em razão do meu fundamento cujo o mesmo não concordo com a decisão. Vale ressaltar que o recurso é questão de livre arbítrio daquele que recorre. Não existe obrigação para tanto, afora aquelas condições impostas na lei, como por exemplo, reexame necessário. Quais seriam os atos decisórios atacados por Recursos? Na Primeira Instância: Decisões Interlocutórias & Sentenças. Nos Tribunais: Acórdãos (Unânimes & Não Unânime) e Decisões Monocráticas dos Relatores (quando eles sozinhos decidem que não precisam submeter a decisão ao colegiado). Qual a diferença entre Decisão Interlocutória e Sentença: terminar a atuação do juiz de primeiro grau, mesmo resolvendo o mérito (enfrenta o mérito da causa) ou não (termina, sem definir o mérito), quanto a sua decisão final, caberá sentença, assim será o exaurimento do processo dentro do primeiro grau. Só que entre a inicial e a sentença, haverão decisões interlocutórias onde o juiz também precisará decidir, mas não terminará o feito. Aqui é o exemplo da tutela antecipada ou liminar. Já que no que tange ao Tribunal. Inicialmente cabe dizer que lá não serão mais juízes, mas sim Desembargadores. Quando recorre alego erro quando o procedimento ou o matéria. Assim busca atacar quando faço recursos: reforma ou anulação. Se existe erro de um procedimento, quando alguém desrespeitou norma legal, existe decisão contrariando a lei como conduzir a forma do processo. Assim, diante deste desrespeito, eu peço a anulação. Aqui é erro ad procedendo. Quando estou diante de um erro anulável, para 71 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA pedir ao Tribunal que acaso dê procedência ao meu pedido, para que seja anulado a decisão, requerendo que o processo seja remetido novamente para novo julgamento. Assim o Tribunal não faz nova decisão. Agora se o feito é conduzido pelo procedimento correto, mas não concordo com o conteúdo, aí eu peço a reforma. Aqui é erro ad judicando. Agora imagine que o juiz sentenciou de maneira correta. Julgou de maneira correta, não quer dizer que ele julgou de maneira correta. Quando eu recorre desta sentença, no que tange ao conteúdo, vou pedir para o Tribunal reformar a decisão, à fim de que proferi nova decisão para modificar aquela decisão. Logo é uma decisão de caráter substitutivo. Jamais peça procedência de recurso.Recurso você pedirá sempre provimento. Dar provimento é dar julgamento procedente no que tange ao Recurso. Assim o Desembargador vai dar ou não o provimento do Recurso. São os requisitos do recurso: - INTRÍNSECOS: - Cabimento (recurso certo). - Legitimidade (legitimação, parte, prejudicada) - Interesse (é possível) - Inexistência de Fatos Impedidos e Extintivos do Direito de Recorrer. - EXTRÍNSECOS: - Tempestividade. - Preparo. - Regularidade Formal. Para Resp ou RE: - Pré-Questionamento. - Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias. E ainda, se for RE: 72 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA - Repercussão Geral. Temática: Recursos de Agravo de Instrumento, Interno & Apelação O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.015 do NCPC. Tal medida será utilizada pelo contribuinte quando, dentro de um processo judicial, houver decisão interlocutória. Outrossim, via de regra, tal medida é realizada especialmente quando: O juiz indeferir pedido liminar ou tutela de urgência. O juiz indeferir ou extinguir a petição de Exceção de Pré-Executividade. O juiz indeferir pedido de efeito suspensivo da Execução Fiscal. Lembre-se, que o presente recurso será utilizado SEMPRE: para desafiar decisão interlocutória proferida em sede de 1º Grau, ou seja, pelo JUIZ. Considerando que repassamos sobre o presente recurso, vamos agora vislumbrar uma estruturação da presente peça tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Priscila e Márcia são sócias cotistas da Melati Indústria e Comércio Ltda., que responde por dívida previdenciária no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Foi proposta execução em face da pessoa jurídica e das sócias, que tramita na 2a Vara Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso, em Cuiabá. As sócias apresentaram exceção de pré- executividade, sob o argumento de que não poderiam responder pelas dívidas da empresa. O juiz não acolheu os argumentos das sócias da empresa, mantendo os seus nomes no polo passivo da demanda, com fundamento no art. 13 da Lei no 8.620/1993 combinado com o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional. A decisão foi publicada em 26 de janeiro de 2006. Como advogado (a) das sócias, tome as medidas judiciais cabíveis, e considere que a ação é contemporânea à época visualizada no problema. 73 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Resolução da Peça Colendo Tribunal Regional Federal da ... Região Ilustríssimo Senhor Presidente do Tribunal Regional Federal Ilustres Desembargadores Ínclito Desembargador Relator Processo de nº ... Agravante: Priscila e Márcia Agravado: União Priscila, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ..., residente e domiciliada ..., endereço eletrônico ..., e Márcia, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ..., residente e domiciliada ..., endereço eletrônico ..., vem por meio de seu procurador (procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, nos termos dos artigos 994, II, Art. 1.015, §º único do CPC, art. 1007 e 1.003. §5º do CPC, interpor o presente AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL Em face de decisão interlocutória que negou acolhimento da Exceção de Pré Executividade, nas folhas ..., dos autos do processo de nº ..., que litiga contra União, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu representante na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e razões de direito abaixo aduzidas. I – Do Cabimento e Pressupostos de Admissibilidade Conforme reza o artigo 1.015, §º único do CPC, a decisão interlocutória proferida por juiz em sede de processo executório, poderá ser impugnada por agravo de instrumento. Ocorre no presente caso que as partes agravantes realizaram exceção de pré executividade considerando a existência de execução fiscal contra as mesmas. Diante disto torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso, visto que também estão atendidos os demais requisitos intrínsecos de admissibilidade do recurso, ou seja, às partes são legítimas na forma do artigo 996 do CPC, bem como não ocorre 74 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA nenhum fato impeditivo, extintivo do direito de recorrer na forma dos artigos 998 até 1.000 do CPC. II – Da Tempestividade e do Preparo Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que poderá ser interposto o presente recurso no prazo de 15 dias. Ocorre no presente caso que a decisão foi publicada em 26 de janeiro de 2006. Considerando a contemporaneidade da elaboração do presente recurso, compreende-se tempestivo a interposição do presente agravo de instrumento. Rezam os artigos 1.017, §1º e 1.007 do CPC que para à interposição do presente recurso deverá à parte efetuar o pagamento do preparo. Diante desta necessidade, solicitam as partes agravantes à juntada do comprovante do pagamento das custas de preparo, requisito este indispensável para à realização do presente recurso. III – Das Peças Obrigatórias Reza o artigo 1.016, IV, do CPC que deverá à parte agravante anexar ao seu recurso todos os documentos e peças obrigatórias. Outrossim previsão igual resta presente no artigo 1.017, I e §1º do CPC. Igualmente resta anexado ao presente recurso cópia das procurações dos procuradores das partes, com suas devidas qualificações e endereços. Por fim, igualmente, resta dizer o agravante que está em anexo cópia da peça portal, da decisão interlocutória, do comprovante de intimação da decisão, da guia de recolhimento e das cópias da inicial e contestação. IV – Das Peças Facultativas Reza o artigo 1.017, III, do CPC que poderá a parte recorrente, ora agravantes, apresentar no presente recurso peças de cunho não obrigatório, ou seja, facultativas. Diante disto, apresenta as partes agravantes peças que compreendem importantes para o julgamento do presente recurso. V – Do Conhecimento do Juízo de 1º Grau Reza o artigo 1.018 do CPC que para o juízo de admissibilidade do presente agravo de instrumento deverão ser obedecidos os seguintes requisitos: a juntada da cópia no prazo 75 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA de até 3 dias do agravo de instrumento, do comprovante de interposição e dos documentos que foram anexados ao presente agravo. Diante disto obedece o agravante o que acima exposto para efeitos de não existir inadmissibilidade do presente recurso. VI – Dos Fatos As partes agravantes peticionaram nos autos da Execução Fiscal desejando as suas exclusões do pólo passivo visto que compreendem não serem devedoras da quantia tributária devidaà título de contribuição previdenciária. No presente caso houve decisão interlocutória proferida pelo magistrado não acolhendo o pedido realizado pelas partes fundamentando sua decisão com fulcro em lei ordinária. Diante disto, não restou outra alternativa as agravantes, a não ser de interpor o presente recurso. VII – Do Direito - Das Razões de Reforma Reza a Súmula 430 do STJ que os sócios gerentes não poderão ser responsáveis automaticamente por dívida da empresa. No presente caso, além das sócios não serem gerentes, visto que são quotistas, não poderá ser atribuída responsabilidade para às mesmas eis que não podem ser responsabilizadas automaticamente. Diante disto, considerando o que previsto na Súmula 430 do STJ, compreende-se pela impossibilidade de buscar a responsabilização das sócios quotistas agravantes. Outrossim reza o artigo 146, III, A e B da Constituição Federal que somente caberá a lei complementar estabelecer quem serão os contribuintes e suas respectivas obrigações. No presente caso a decisão do magistrado foi proferida com fundamento em lei ordinária. Diante disto, considerando que previsto no artigo 146, III, A e B da Constituição Federal, compreende-se pela ilegalidade de tal responsabilização visto que não caberá a lei ordinária legislar em matéria atinente somente à lei complementar. VIII – Da Antecipação de Tutela Recursal Reza o artigo 995, §º único do CPC combinado com o artigo 1.019, I do CPC que poderão as partes agravantes solicitar a concessão da antecipação da tutela recursal. Ocorre no presente caso que houve indeferimento do pedido de exclusão das sócias da execução fiscal, sendo assim proferida decisão interlocutória. 76 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Diante disto, resta esclarecido que as partes agravantes observam os requisitos necessários para o provimento do pedido de tutela recursal, uma vez que estão preenchidos os requisitos dispostos no artigo 300 do CPC, ou seja, fundamento relevante e perido de dano. IX – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Seja admitido o presente recurso, uma vez presentes os requisitos e pressupostos de admissibilidade, mais notadamente aqueles previstos nos artigos 1.017, §1º combinado com o artigo 1.007 e artigo 1.003, §5º, todos do CPC. b) Seja intimada à parte agravada para que, desejando, apresente suas contrarrazões no prazo legal de 15 dias na forma do artigo 1.003, §5º do CPC e artigo 1.019, II, do CPC . c) Seja intimado o membro do Ministério Público para que desejando, apresente suas considerações sobre o presente recurso, na forma do artigo 1.019, III, do CPC. d) Seja deferida por Vossa Excelência o pedido de antecipação de tutela recursal na forma do artigo 995, §º único do CPC e artigo 1.019, I, do CPC. e) Por fim, desejam os agravantes que seja provido o presente recurso de agravo de instrumento, sendo prolatado novo acórdão, reformando-se à decisão interlocutória indeferida, para efeitos de extinguir do pólo passivo da Execução Fiscal as sócias quotistas com fundamento na Súmula 430 do STJ e artigo 146, III, A e B, da Constituição Federal. Nestes termos, pede e espera deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Após visualizarmos e compreendermos o recurso de Agravo de Instrumento, vamos falar um pouco sobre o recurso de Apelação. O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.019, II do NCPC. Tal medida será utilizada quando houver sentença, inobstante seja ela com ou sem resolução de mérito. 77 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Mas afinal o que é sentença? Sentença é a decisão proferida pelo JUIZ, em sede de 1º GRAU, onde o mesmo encerra sua participação no processo. Vale ressaltar: via de regra, caberá apelação, mas nem sempre será somente apelação. É importante ainda ressaltar que: Julgou os Embargos à Execução? Apelação. Julgou Exceção de Pré-Executividade? Agravo. Acolheu Exceção e Extinguiu Execução? Apelação. Decisão que não concede Mandado de Segurança? Apelação. Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o recurso, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática do presente recurso tratado neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Enunciado da Peça Em janeiro de 2007, a Fazenda Nacional lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica ABC, visando à cobrança de contribuições previdenciárias dos anos de 2005 e 2006. Não houve impugnação administrativa por parte do contribuinte. Em janeiro de 2014, a Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica ABC visando à cobrança do referido tributo. Antes mesmo da citação da contribuinte, a Fazenda Nacional requereu a inclusão, no polo passivo da execução fiscal, de Carlos, gerente da pessoa jurídica ABC, por entender que o não recolhimento da contribuição é motivo para o redirecionamento da execução, o que foi acolhido pelo Juízo da 2ª Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Estado X. Após garantia do Juízo, Carlos opôs embargos de execução alegando a prescrição do crédito tributário, a ausência de responsabilidade tributária e, por fim, a nulidade da certidão de dívida ativa, uma vez que não constava na Certidão de Dívida Ativa (CDA) o número do auto de infração que originou o crédito tributário. No entanto, ao proferir a sentença nos embargos à execução, o juiz julgou improcedente o pedido, determinando o prosseguimento da execução fiscal, por entender que: 78 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA (i) inexiste prescrição dos créditos tributários, uma vez que às contribuições previdenciárias se aplicam os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91; (ii) o mero inadimplemento gera responsabilidade tributária; e (iii) a inexistência do número do auto de infração na CDA não gera a referida nulidade. Diante do exposto, elabore, como advogado (a) de Carlos, a medida judicial cabível contra a decisão publicada na quarte feira, dia 21/09/2016, dia útil, para a defesa dos interesses de seu cliente, abordando as teses, o prazo recursal, todos os fundamentos legais que poderiam ser usados em favor do autor, ciente de que inexiste qualquer omissão, contradição e/ou obscuridade na decisão. (Valor: 5,00) Resolução da Peça EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 2ª VARA DAS EXECUÇÕES FISCAIS DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO X. AUTOS DO PROCESSO Nº ... EMBARGANTE: CARLOS EMBARGADO: UNIÃO Carlos, nacionalidade, estado civil, inscrito no CPF sob o nº ...), com endereço eletrônico ..., residente e estabelecido ..., vem por intermédio de seu procurador (procuração em anexo), estabelecido este ..., local onde receberá intimações, apresentar com fundamento nos artigos 994, I, 1007, 1009 e 1010 e seguintes, todos CPC: APELAÇÃO Em face da sentença proferida por Vossa Excelência nos autos do processo nº ..., fls ..., onde litiga com União, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico..., estabelecida ..., pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Pedidos Ante o exposto requer: A. Que o presente recurso seja recebido e admitido uma vez presentes todos os requisitos de admissibilidade. 79 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA B. Que a parte contrária seja intimada para que, caso queira, manifeste-se e apresente suas contrarrazões recursais, no prazo de 15 dias, na forma do artigo 1,010, §1º do CPC. C. Acaso Vossa Excelência compreenda pela não observância dos requisitos de admissibilidade, que seja observado o que disposto no artigo 1.010, §3º do CPC. D. O presente recurso seja recebido em seu efeito suspensivo e devolutivo na forma dos artigos 1.012 e 1.013 do CPC. E. Que o presente recurso seja remitido para o Tribunal Regional Federal. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... DAS RAZÕES RECURSAIS Egrégio Tribunal Regional Federal da Região ... Doutos Desembargadores Douto Relator Desembargador Autos do Processo nº ... Apelante: Carlos Apelado: União I – Cabimento Reza o artigo 994, I do CPC que da decisão de 1º grau onde fora proferida sentença, caberá a interposição de recurso de apelação. Diante disto, considerando que da sentença dos embargos não existe omissão, obscuridade ou contradição, compreende-se possível a interposição do presente recurso para fazer reformar a decisão proferida pelo juízo de 1º grau. Outrossim resta salientar que estão presentes todos os requisitos de admissibilidade, seja aqueles extrínsecos ou intrínsecos para a interposição do presente recurso de apelação. Mais notadamente se fazem presentes os requisitos de legitimidade na forma do artigo 996 do CPC. Além disto não existe causa impeditiva ou extintiva de direito na forma dos 80 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA artigos 998 até 1000, todos do CPC. E cumpre ainda a parte apelante o requisito de forma exposto no artigo 1.010 do CPC II – Tempestividade e Preparo Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que o presente recurso de apelação deverá ser interposto no prazo de 15 dias úteis, igualmente observando o que leciona no artigo 212 do CPC. Diante da ocorrência da intimação no dia 21/09/2016, contando o prazo em dias úteis, compreende-se totalmente possível a interposição do presente recurso uma vez que tempestivo a sua realização. Igualmente leciona o artigo 1007 do CPC que deverá a parte apelante realizar o preparo (custas judiciais) para que seja interposto o recurso de apelação. Diante disto, compra a parte apelante, conforme guia em anexo, o pagamento das custas (preparo) para à realização da interposição do presente recurso. III – Fatos Doutos Desembargadores. Os presentes embargos à execução fiscal tem origem na Execução Fiscal promovida pela União em razão do possível inadimplemento da Pessoa Jurídica ABC no que tange a contribuições previdenciárias devidas e não satisfeitas. Inobstante o ajuizamento da Execução Fiscal, ocorre que a União não satisfeito em ingressar contra a Pessoa Jurídica ABC acabou por solicitar o redirecionamento, antes mesmo da citação da executada, ao apelante, então sócio gerente da empresa Carlos. Diante da não concordância de Carlos e da existência da garantia do juízo, o mesmo optou em ingressar com Embargos à Execução Fiscal pedindo a sua procedência tendo em vista que: existe prescrição, não houve observância dos requisitos da CDA e não existe responsabilidade. Assim, diante dos Embargos interpostos, ocorre que houve sentença improcedente. Sendo assim, diante da inexistência de obscuridade, contradição ou omissão, resolve a parte apelante interpor o presente recurso. IV – Direitos Considerando o que disposto na Súmula Vinculante nº 08 do STF compreende-se se inconstitucional a previsão legal disposta nos artigos 45 e 46 da Lei 8.21291. Além disto, 81 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA os presentes artigos são inconstitucionais em razão da não observância da necessidade de lei complementar legislar sobre normais gerais de direito tributário na forma do artigo 146, III, B, da CF. Diante disto, considerando a inconstitucionalidade dos artigos da lei ordinária cima referida, compreende-se que houve prescrição das contribuições cobradas uma vez que o auto de infração fora lavrado em 2007 e a Execução Fiscal interposto apenas em 2014, logo decorridos o prazo superior a 5 anos, ocorrendo portanto a prescrição na forma do artigo 174 do CTN. Leciona igualmente o artigo 135 do CTN que a somente poderá existir responsabilidade do sócio gerente se houver desvio finalidade ou excesso de poderes. Considerando a sua inexistência compreende-se não ser possível o redirecionamento da Execução Fiscal contra o Sócio Gerente Carlos. Outrossim tal fundamento também guarda relação total com o que disposto na Súmula 430 do STJ, eis que segunda a mesma o mero inadimplemento de tributo pela pessoa jurídica não gera responsabilidade automática do sócio gerente. Leciona o artigo 202, inciso V, do CTN, que a Certidão de Dívida Ativa deverá cumprir requisitos. E um destes é à referência ao nº do auto de infração cujo o qual o débito fora originado. Considerando a inexistência de tal consideração na CDA, compreende-se nula a mesma. Outrossim tal fundamento é respaldado pela Lei 6.830/80 no seu artigo 2º, §5º, eis que a nulidade de tal CDA acaba por deixar de lado o princípio básica de violação ao devido processo legal. V – Pedidos Ante o exposto, requer: A. Que o presente recurso seja recebido e admitido eis que presentes todos os requisitos de admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Mais notadamente estão presentes os requisitos do preparo na forma do artigo 1.007 do CPC e da tempestividade na forma do artigo 1.003, §5º do CPC. B. Requer a possibilidade de que o relator dê provimento ao presente recurso de forma monocrática, uma vez que a decisão viola as súmulas do STF e do STJ conforme acima exposto nas razões recursais, nos termos do artigo 932, V, alínea A, do CPC. (nem sempre terá – somente conforme possibilidade aventada pelo CPC). C. Entretanto caso Vossa Excelência relator compreenda não ser possível julgar monocraticamente, que a sentença seja totalmente reformada, sendo assim provido o 82 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA presente recurso eis que existe prescrição, ausência de responsabilidade do sócio e nulidade de CDA. D. Que seja invertido os ônus sucumbenciais fixados na sentença, condenando assim a parte apelada nas custas processuais e nos honorários advocatícios. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Por fim, vamos falar sobre o Agravo Interno. O presente recurso trata-se do grande bicho papão do Exame de Tributário que fora objeto de cobrança até os dias de hoje. Ele servirá basicamente para questionaras decisões proferidas por Desembargador Relator, em sede de 2º Grau (Tribunal). O Agravo Interno apresenta como fundamento básico o art. 1.021 CPC e deverá ser endereçado observando o que disposto no regimento interno do tribunal = decidir quem vai julgar. Por fim é importante ressaltar que terei recurso aqui de duas petições: Folha de rosto para relator (admissão + contrarrazões) e Folha das razões para o órgão colegiado, conforme regimento interno. Enunciado da Peça O Município Beta instituiu por meio de lei complementar, publicada em 28 de dezembro de 2012, Taxa de Iluminação Pública (TIP). A lei complementar previa que os proprietários de imóveis em áreas do Município Beta, que contassem com iluminação pública, seriam os contribuintes do tributo. O novo tributo incidiria uma única vez ao ano, em janeiro, à alíquota de 0,5%, e a base de cálculo seria o valor venal do imóvel, utilizado para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) lançado no exercício anterior. Fulano de Tal, proprietário de imóvel servido por iluminação pública no Município Beta, recebeu em sua residência, no início de janeiro de 2013, o boleto de cobrança da TIP relativo àquele exercício (2013), no valor de 0,5% do valor venal do imóvel, utilizado como base de cálculo do IPTU lançado no exercício de 83 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA 2012 – tudo em conformidade com o previsto na lei complementar municipal instituidora da TIP. O tributo não foi recolhido e Fulano de Tal contratou advogado para ajuizar ação anulatória do débito fiscal. A despeito dos bons fundamentos em favor de Fulano de Tal, sua ação anulatória foi julgada improcedente. A apelação interposta foi admitida na primeira instância e regularmente processada, sendo os autos encaminhados ao Tribunal de Justiça após a apresentação da resposta ao apelo por parte da Procuradoria Municipal. No Tribunal, os autos foram distribuídos ao Desembargador Relator, que negou seguimento à apelação sob o equivocado fundamento de que o recurso era manifestamente improcedente. Não há, na decisão monocrática do Desembargador Relator, qualquer obscuridade, contradição ou omissão que justifique a interposição de Embargos de Declaração. Elabore a peça processual adequada ao reexame da matéria no âmbito do próprio Tribunal de Justiça, indicando o prazo legal para a interposição do recurso e os fundamentos que revelam a(s) inconstitucionalidade(s) da TIP. (Valor: 5,00) Resolução da Peça Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator do Tribunal de Justiça ... Recurso nº ... Fulano de Tal, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., endereço eletrônico ..., residente e domiciliado ..., vem por meio de seu advogado (procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fundamento nos artigos 994, III e art. 1.021 do CPC, interpor o presente: AGRAVO INTERNO Em face de decisão monocrática proferida nos autos de nº ..., fls. ..., que indeferiu o recurso de apelação através de decisão, nos termos das razões que seguem em anexo. I – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que o relator possa se retratar da presente decisão na forma do artigo 1.021, §2º combinado com o artigo 932, V, A, do CPC, dando assim provimento ao recurso uma vez que existe decisão que contraria Súmula Vinculante nº 41 do STF. 84 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA b) Que a parte contrária seja intimada para que, caso queira, venha produzir contrarrazões do presente recurso na forma do artigo 1.021, §2º do CPC. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Razões de Recurso Egrégio Tribunal de Justiça ... Doutos Desembargadores Recurso de nº ... Agravante: Fulano de Tal Agravado: Município Beta I – Do Cabimento e Pressupostos de Admissibilidade Reza o art. 1.021 do CPC que de decisão monocrática realizada por relator, caberá a possibilidade de interposição de agravo interno. Considerando que no presente caso, houve decisão monocrática proferida por desembargador, considere-se cabível a interposição do presente recurso. Ainda cabe dizer a parte agravante que estão presentes todos os demais requisitos intrínsecos para à realização do presente recurso, vez que existe legitimidade na forma do artigo 996 do CPC e não existem causas impeditivas, extintivas ou suspensivas ao direito de recurso na forma dos artigos 996 até 1.000 do CPC. II – Da Tempestividade e do Preparo O agravante informa que o presente agravo é tempestivo, pois fora observado o prazo legal de 15 dias, conforme o que dispõe o artigo 1.003, §5º combinado com o art. 212, todos do CPC. Igualmente resta salientar a parte agravante que as custas para interposição do presente recurso já foram satisfeitas, conforme guia em anexo, observando portanto o que disposto no artigo 1.007 do CPC. III – Dos Fatos 85 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA O Município Beta por intermédio de lei complementar resolveu criar, em dezembro de 2012, Taxa de Iluminação Pública com base de cálculo idêntica a de IPTU. Considerando a existência da hipótese de incidência, Fulano de Tal foi cobrado em Janeiro de 2013, referente a tal exação fiscal. Não concordando com a cobrança, Fulano de Tal ajuizou Ação Anulatória à fim de desconstituir e anular tal cobrança, o que fora julgada improcedente. Inconformado com tal decisão, promoveu a interposição de Apelação, o que foi julgada monocraticamente por relator improcedente. Diante disto, considerando a inexistência de obscuridade, contradição e/ou omissão, resolve Fulano de Tal apresentar recurso cabível. IV – Das Razões para Reforma Reza a Súmula Vinculante nº 41 do STF que não caberá cobrança de taxa de iluminação público. Outrossim reza o artigo 145, II, da Constituição Federal que a taxa não poderá ser cobrada quando não for específica e divisível. Considerando à cobrança realizada de Fulano de Tal, referente a taxa de Iluminação Pública, compreende-se inconstitucional e impossível tal cobrança. Reza o artigo 145, §2º da Constituição Federal que a taxa não poderá ter base de cálculo igual a de outro imposto. No presente caso, o Município Beta resolveu instituir cobrança da referida taxa, observando a base de cálculo de IPTU. Portanto, igualmente, resta salientar que tal cobrança é inconstitucional visto que não se observa a base de cálculo adequada para à cobrança da referida taxa. Por fim reza o artigo 150, III, C da Constituição Federal que o tributo, uma vez criado, deverá aguardar 90 dias para ser exigido do contribuinte, ou seja, deverá aguardar a anterioridade nonagesimal à fim de exigir o tributo. No presente caso, considerando que o tributo foi criado em dezembro de 2012 e já exigido em Janeiro de 2013, compreende-se por sua inconstitucionalidade visto que não aguardou o período adequado de 90 dias para a sua perfeita exigência. V – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que o presente recurso seja conhecido e admitido vez que estão presentes todos os requisitos deadmissibilidade, mais precisamente, à tempestividade e o preparo, 86 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA observando-se portanto, respectivamente, o que leciona os artigos 1.003, §5º combinado com o artigo 212 do CPC e o artigo 1.007 do CPC. b) Acaso não seja realizada à retratação e/ou o julgamento monocrático na forma do artigo 932, V, A, do CPC, que seja conhecido o agravo para que seja remetido à Câmara/Turma para julgamento na forma do artigo 1.021, §2º do CPC, para que enfim seja provido o presente à fim de reformar tal decisão, dando-se provimento ao recurso de apelação. Nestes termos, pede e espera deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Temática: Recurso Especial & Recurso Extraordinário O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e seguintes do NCPC. Ademais apresenta-se como fundamento o artigo 105, III, a, da Constituição Federal. Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º Grau) que contrarie norma federal, exemplificando, o CTN. Agora lembre-se, de algo muito importante: ele sempre será realizado contra decisão proferida em sede de TRIBUNAL. Tem competência na Constituição Federal e quem julgará é o STJ. Tem previsão no art. 105, III, da CF. Art. 994, VI do CPC traz sua possibilidade. Art. 1029 até 1.041 do CPC traz especificidades. CABIMENTO: terá como objeto reformar decisão de TJ ou TRF, nos casos previstos no art. 105, III, da CF. Poderá ocorrer: decisão que contrariar lei federal (lei complementar, CTN), Interpretação divergente entre tribunais. Lembrar dos requisitos de admissibilidade: total de 9 (Pré questionamento + Esgotamento das vias recursais ordinárias) 87 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Considerando que repassamos por alguns tópicos sobre a presente demanda, vamos agora vislumbrar uma estrutura do presente recurso tratado neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente ou Vice Presidente do Tribunal de Justiça do Estado ... (aqui poderá ser Tribunal Regional Federal da ... Região) Processo n º ... Recorrente ... Recorrido ... Qualificação do Recorrente (Art. 319, II, do CPC), vem por intermédio de seu advogado (procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações, respeitosamente perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 105, III, ..., da CF e dos artigos 994, VI, 1.029 até 1.041, todos estes do CPC, interpor o presente: RECURSO ESPECIAL Em face da decisão prolatada por Vossas Excelências, por intermédio do acórdão motivado pelo recurso de apelação, nas folhas ..., nos autos do processo supra indicado, em que litiga com Qualificação do Recorrido (art. 319, II, CPC), pelos fundamentos abaixo aduzidos. I – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que o presente recurso seja admitido por Vossa Excelência, uma vez presentes todos os requisitos de admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Além disto resta demonstrado que a matéria está pré questionada anteriormente e não existe outra possibilidade de interposição de recurso nas vias ordinárias. Por fim, resta ainda dizer, que foram preenchidos os requisitos de tempestividade e do preparo. b) Que seja intimada a parte recorrida para que desejando apresente no prazo legal suas contrarrazões conforme o que disposto no artigo 1.030 do CPC. 88 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA c) Por fim, que seja dado prosseguimento no presente recurso, atendendo ao que exposto no artigo 1.030, II, V, do CPC, e nos termos do inciso V seja encaminhado os autos processuais por completo ao Superior Tribunal de Justiça. Por fim que Vossa Excelência atribua ao presente recurso efeito suspensivo, nos termos do artigo 995, §º único e artigo 1.029, §5º, ambos do CPC. Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... RAZÕES DE RECURSO Egrégio Superior Tribunal de Justiça Douto Ministro Presidente Ilustres Ministros Digno Ministro Relator Processo nº ... Recorrente ... Recorrido ... I – Dos Fatos Lembrar do que está exposto no enunciado. Lembrar da motivação da decisão e dos recursos. II – Do Cabimento e Pressuposto de Admissibilidade Reza o artigo 105, III, ... CF, que poderá a parte recorrente interpor o presente recurso especial quando houver ofensa ao direito material ora exposto. Ocorre que a decisão prolatada em 2º grau deixou de observar o dispositivo eleito no direito material. Por isto, compreende-se possível a interposição do presente recurso. Igualmente no presente caso, resta salientar, que estão presentes os requisitos de admissibilidade. Vale ressaltar aqui que estão presentes todos os requisitos intrínsecos e os extrínsecos. Além do pré questionamento e do esgotamento das vias recursais ordinárias. 89 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Vale ressaltar: não existe nenhuma inovação recursal que não tenha sido arguida em recurso anterior, justificando portanto o pré questionamento disposto no artigo 1.025 do CPC. III – Da Tempestividade e do Preparo O presente recurso especial é tempestivo, uma vez obedecidos o prazo de 15 dias para a presente interposição. Ademais vale ressaltar que houve o pagamento das custas processuais para recurso, o que justifica-se com a juntada da guia de pagamento. IV – Do Direito: Razões para Reforma ou Anulação Lembrar que para cada tese: norma, fato concreto e conclusão. V – Do Efeito Suspensivo A parte recorrente deseja que Vossa Excelência atribua efeito suspensivo ao acórdão que está sendo recorrido, impedindo assim .... Tudo isto conforme o que disposto no artigo 995, §º único do CPC, combinado com o artigo 1.029, §5º do CPC. Tudo isto serve para que se evite grande dano a parte recorrente, eis que está claro o fundamento relevante que alberga seu recurso. VI – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que Vossa Excelência novamente conheça do recurso e o admita, uma vez observados todos os requisitos de admissibilidade, além disto realizado o pré questionamento e o esgotamento das vias ordinárias recursais. Por fim vale ressaltar ainda que o presente recurso deve ser admitido uma vez tempestivo e realizado o pagamento das custas na forma dos artigos 1.003, §5º e art. 1.007, todos do CPC. b) Que Vossa Excelência dê provimento ao presente recurso para a finalidade de modificar o acórdão, reformando a mesma de maneira integral, reconhecendo, portanto, o direito da parte recorrente. c) Que Vossa Excelência, por fim, inverta os ônus sucumbenciais, notadamente as custas processuais e os honorários advocatícios, para que seja atribuída a sua responsabilidade a parte recorrida. 90 |P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Nestes termos, pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Já o Recurso Extraordinário apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e seguintes do NCPC. Ademais apresenta-se como fundamento o artigo 102, III, a, da Constituição Federal. Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º Grau) que contrarie a nossa carta mãe (Constituição Federal). Trata-se do recurso que desafia acórdão em matéria constitucional referente a controle difuso de constitucionalidade. Efeito concreto, inter partes. Lembrar que enunciado vai narrar que tribunal violou Constituição, por exemplo. Tem previsão constitucional e processual. Constitucional: art. 102, II, da CF. Processual: art. 1.029 do CPC. Lembrar dos requisitos de admissibilidade. RE: teremos 7 + 3 requisitos = total de 10. - Pré questionamento. - Esgotamento das vias recursais ordinárias. - Repercussão geral. Agora vamos vislumbrar uma estruturação da presente peça tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de horários. Excelentíssimo Senhor Doutor Presidente ou Vice Presidente do Tribunal de Justiça do Estado ... Recurso extraordinário Processo de nº ... Recorrente ... 91 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Recorrido ... Qualificação requerente, vem por meio de seu advogado (procuração anexa) estabelecido ..., local onde receberá intimações, respeitosamente perante à vossa excelência, com fulcro nos artigos 102, III, ... e 102, §3º, todos da CF e dos artigos 994, VII e art. 1.029 e seguintes, todos do CPC, inter o presente RECURSO EXTRAORDINÁRIO Em face de acórdão proferido pela ... câmara do presente tribunal de justiça onde fora negado provimento ao recurso de apelação interposto pela parte requerente, onde litiga com (qualificação da parte requerida – art. 319, II, CPC). diante deseja a parte recorrente reformar a decisão pelos fundamentos abaixo aduzidos. I – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) que o presente recurso extraordinário seja admitido por vossa excelência considerando à presença de todos os requisitos de admissibilidade. notamente foram satisfeitas as custas para recurso, assim como observado o prazo para a sua realização, bem como cumpriu a parte requerente os requisitos de pré questionamento, esgotamento das vias recursais ordinárias e por fim, a repercussão geral. b) que a parte recorrida seja intimada da realização do presente recurso para que caso queira venha apresentar suas contrarrazões no prazo de 15 dias, conforme o que lecionado no artigo 1.030 do CPC. c) por fim, deseja a parte recorrente que o presente recurso seja encaminhado junto com os autos processuais ao supremo tribunal federal, sendo igualmente atribuído efeito suspensivo, tudo isto conforme os termos dos artigos 1.030, II, A, V do CPC e artigos 995, § único combinado com o artigo 1.029, §5º, III, do CPC. Nestes termos, Pede deferimento. Local ... Lata ... Advogado ... OAB ... 92 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Razões de Recurso Colendo Supremo Tribunal Federal Digno Ministro Presidente Doutos Ministros Ilustre Ministro Relator Processo nº ... Recorrente ... Recorrido ... I – Dos Fatos lembrar do enunciado: - contar porque do processo. - contar porque das decisões. - porque do presente recurso. II – Do Cabimento e Dos Pressupostos de Admissibilidade A parte recorrente vem aos autos comprovar que houve atendimento ao artigo 102, III, D da CF. Diante disto torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso extraordinário. Ademais vem a parte recorrente esclarecer que foram cumpridos todos os requisitos de admissibilidade, notamente o prazo tempestivo de 15 dias, assim como o recolhimento do preparo das custas para recorrer conforme guia em anexo. Ainda cabe esclarecer a parte recorrente que é parte legítima para interposição do presente recurso, assim como não existe qualquer fato impeditivo ou extintivo de direito para que ocorra o presente recurso, obedecendo portanto os artigos 998 até 1.000 do CPC. III – Do Pré Questionamento A parte recorrente anuncia no presente recurso que não existe qualquer espécie de novidade ou inovação no que tange as provas e teses jurídicas abordadas no presente feito. Ademais cabe esclarecer ainda que o presente recurso trata-se de recurso extraordinário, ou seja, difere-se do ordinário onde caberia inovação por exemplo no que tange a tese jurídica. 93 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA IV – Do Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias Esclarece a parte recorrente que a interposição do presente recurso trata-se de última tentativa específica para a resolução do presente caso. diante disto, esclarece a parte que não existe mais possibilidade de interposição de qualquer recurso ordinário. V – Da Repercussão Geral Esclarece igualmente a parte recorrente que o presente recurso tem temática relevante sob vários pontos de vistas. Mais espeficamente no que tange a visão política, econômica e social. diante disto o presente recurso ultrapassa a esfera pessoal subjetiva, sendo que sua matéria é de interesse de toda coletividade. Assim esclarece a parte recorrente à repercussão e relevância do presente recurso nos termos do artigo 1.035, §1º do CPC. VI – Dos Direitos Que a decisão prolatada pelo tribunal de justiça foi contrário ao entedimento do colendo tribunal e consequentemente desconforme com a nossa constituição federal. lembrar: - norma - fato concreto - conclusão VII – Do Efeito Suspensivo Deseja a parte recorrente que seja declarado e decidido por vossa excelência o efeito suspensivo sobre a decisão que está sendo objeto de recurso. assim impedindo-se à realização da execução ou cumprimento da obrigação. tudo isto conforme os artigos 995, §º único e art. 1.029, §5º, I e II, todos do CPC. Justifica-se o pedido de efeito suspensivo tendo em vista o perigo de demora e a probabilidade do direito. VIII – Dos Pedidos Ante o exposto, requer: a) deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça e admitida do presente recurso, tendo em vista conforme acima já comprovado, estar presente todos os requisitos de admissibilidade. 94 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA b) deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça da solicitação do efeito suspensivo e principalmente da repercussão geral. c) requer que o presente recurso extraordinário seja provido, modificando-se assim o acórdão prolatado em 2º grau, declarando-sea inconstitucionalidade da norma (artigo) que fora objeto de recurso, dando o direito ao recorrente. d) por fim, deseja a parte recorrente a inversão dos onus sucumbenciais, notadamente as custas processuais e os honorários advocatícios, imputando a suas respectivas responsabilidades para a parte recorrida. Nestes termos, Pede deferimento. Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 95 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação Direta Inconstitucionalidade & Ação Direta de Constitucionalidade Nós temos 4 ações de controle clássicas: ADIN (Genérica & Interventiva), ADC, ADO e ADPF. Desde já importante ressaltar: a ADPF é ação de caráter subsidiário, ou seja, só uso se não caber nenhuma das outras ações supra indicadas que serão preferenciais (ADIN, ADO e ADC). Lembre-se: que a presente demanda não será para resolver a vida de ninguém diretamente, de nenhuma pessoa física ou jurídica. Tal demanda servirá para apontar sobre legalidade de um conteúdo normativo por alguém legitimado. Ou seja, trata-se processo objetivo, para analisar compatibilidade da norma com constituição, por exemplo. Vejamos as demandas: ADIN—> deverá pedir para o Supremo que declare a inconstitucionalidade da lei do ato normativo ou lei é inconstitucional. Aponto uma fonte normativo e digo que está violando a Constituição Federal. Aqui preciso pedir para que afaste a lei. Importante ressaltar que tal medida servirá para qualquer parte da Constituição: seja direito fundamental ou não. ADC —> deverá pedir para o Supremo declarar a constitucionalidade. O enunciado vai ter que dizer que eu compreendo que a lei é constitucional, mas tem tribunal entendendo que não é constitucional. Ou seja, existe insegurança jurídica e devo pedir ao Supremo declarar a constitucionalidade da norma frente a Constituição Federal. ADO —> deverá pedir para o Supremo que o ato omissivo de não ter feito a lei, está caracterizando-se uma inconstitucionalidade. Aqui não existe norma, o enunciado por isto vai dizer que existe omissão do legislador infraconstitucional, não podendo aplicar a regra (norma) da Constituição Federal. (IGF ou ITBI do Imóvel que Vem do Exterior). Lembrando ainda que poderemos ter omissão parcial, ou seja, lei é criada, mas ainda não consigo utilizar. 96 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA ADPF —> foi idealizada para levar ao Supremo uma arguição que ato do poder público (por qualquer dos três poderes) de preceito fundamental da Constituição Federal. Aqui o parâmetro é ser preceito fundamental, anulando então, parte da Constituição Federal. Legitimidade Legitimidade Para Todas Ações —> todo mundo que está no art. 103 (ADIN e ADC) da Constituição Federal. ADIN, ADO e ADC reguladas na Lei 9.868-99. Já a ADPF na Lei 9.882-99. O primeiro legitimado - universal: é o Presidente da República. Mesa Dirigente da Câmara ou do Senado —> eles representam —> eles representam todos os demais. Por isto eles representam. Imagina que 513 deputados conseguissem ajuizar e 81 Senadores. Por isto é aqui trata-se de opção da Mesa Diretora. Governador dos Estados ou DF, Mesa Diretora do Legislativo do Estado ou DF. Governador de Estado —> Pode ajuizar ADI em face de lei de outro Estado. Mas ele deverá provar que tem pertinência temática. Assim ele é legitimado especial, ou seja, terá que provar que tem interesse. Assim este não poderá ajuizar qualquer ação. Conselho Federal da OAB e o PGR —> também poderão. São legitimados universais. Partidos Políticos com Representação —> são legitimados universais. Entretanto é importante referir que terão de ter advogado. Confederações Sindicais e Entidades de Classe em âmbito nacional —> é importante referir que terão de ter advogado. São legitimadas especiais. Terão que provar pertinência temática. Assim na prova muito possivelmente poderá cair (fique ligado na leitura do enunciado: Partido Político, Confederações Sindicais e Entidades de Classe. Isto porque todos precisam de advogado. 97 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Ainda fique ligado e te lembrar: que os legitimados especiais: terão sempre provar pertinência temática —> princípio da congruência —> ver se versam sobre sua finalidade de existência. Ademais não confunda legitimidade universal com presença de advogado. Por fim importante ressaltar que conforme posição pacífica no Supremo, quase ninguém precisa de advogado para postular. Mas somente precisarão de advogados: Partido Político, Confederação Sindical e Entidade de Classe, eis que são privados. Ademais não basta uma simples procuração, mas terei que ter uma procuração especifica para tanto. Objeto da ADI Propor ao STF sobre possível inconstitucionalidade de lei federal, ato normativo com força de lei federal, lei estadual ou distrato federal, ato normativo com força de lei estadual ou distrito federal. Atenção e fique ligado: as fontes normativas municipais não serão objeto de ADIN ou ADC. Posso por ADIN questionar Medida Provisória, Decreto Regulamentar. Algumas fontes que emanam direto da Constituição Federal, poderei atacar por ADIN, desde que sejam federais ou estaduais ou distrito federal. Mas cuidado, que por meio da ADIN não pode atacar qualquer uma destas acima. Só posso atacar a norma que foi realizada posterior a Constituição Federal de 1988. Não posso então buscar via ADI atacar norma que seja anterior a Constituição de 88. Mas atenção: via ADPF poderei atacar lei anterior a Constituição, desde que ela viole preceito fundamental. Procedimento da ADIN Vamos falar sobre alguns artigos importantes sobre ADIN. 98 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Os artigos 3º e 4º —> apresentam regras sobre petição inicial quando for autor da ação. Tudo isto estará na Lei 9.868-99. A petição será redigida até pelo titular da capacidade postulatória, ou por intermédio de seu advogado. Vale ressaltar que aqui também o art. 319 do CPC também vai aparecer. Vou aplicar de forma subsidiária, eis que o artigo 3º da lei especial não traz todas informações. Obviamente que vou usar o art. 319 do CPC desde que suas regras não confronte as regras especiais. Lembre-se ainda que conforme leciona o artigo 4º a petição poderá ser indeferida liminarmente pelo relator: inepta, não fundamentada ou manifestamente improcedente. Diante disto teremos aqui a figura do Agravo Interno (impugnar a decisão do relator). Aqui o prazo é de 15 dias para agravar da decisão do relator. Vale dizer que este recurso acima = é exceção. Isto porque a regra é clara: não caberá recurso das decisões projetadas em processo objetivo, ou seja, ADI, ADO, ADPF. Vale dizer que sequer caberá ação rescisória. Assim só caberá este Agravo Interno diante do indeferimento liminar da inicial e o recurso de Embargos de Declaração. Ação Declaratória de Constitucionalidade A presente demanda serve para pedirque o Supremo Tribunal Federal declare que uma lei federal ou ato normativo com força de lei federal são constitucionais. Aqui peço para o STF que o objeto da análise é constitucional. Peço que confirme a validade da lei. Importante referir que não caberá ADC em face de Lei Estadual, art. 102, I, A da CF. Serve para o Supremo declare que tal norma é constitucional. Enunciado da Peça O Estado do Rio Grande do Sul, grande criador e produtor de carne para o Brasil, passa por grande crise financeira, política e social. Considerando as dificuldades apresentadas pela indústria frigorífica, o Governador do Estado através de Decreto resolveu isentar o ICMS à partir de Janeiro de 2016 para todo o setor frigorífico, determinando no referido instrumento legal a aplicação imediata, logo após sua publicação. A Entidade de Classe 99 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Nini, com seu maior público assistido situado no Estado de Santa Catarina, compreende que tal norma é inconstitucional e totalmente contrária aos interesses do Estado de Santa Catarina, visto que tal conteúdo normativo trará grande prejuízo a todos os frigoríficos daquele Estado. Diante disto, a Entidade de Classe Nini lhe contrata à fim de promover processo objetivo à fim de defender os interesses do cliente. Resolução da Peça Egrégio Supremo Tribunal Federal Digníssimo Senhor Ministro Presidente Ilustres Ministros Douto Ministro Relator Entidade de Classe Nini, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu advogado (procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com procuração com poderes específicos, vem respeitosamente perante os Doutos Ministros do Supremo Tribunal Federal, com fulcro nos artigos 102, I, A, da CF e artigos 1º e seguintes da Lei 9.868/99, ajuizar a presente: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR Em face de Decreto nº ..., publicado ..., com vigência à partir de ..., editada pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul, por compreender totalmente inconstitucional referido ato normativo, conforme fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Do Cabimento Conforme reza o artigo 102, I, A, da Constituição Federal poderá à parte que compreender inconstitucional ato normativo comparado à lei realizado pelo Estado, buscar a sua declaração de inconstitucionalidade. No presente caso, compreende-se inconstitucional o referido decreto realizado pelo então Governador do Estado do Rio Grande do Sul, sendo portanto possível e cabível o ajuizamento da presente demanda. Ademais resta salientar que tal decreto é posterior ao parâmetro balizador, ou seja, posterior a Constituição Federal de 1988, justificando-se portanto igualmente cabível a utilização da presente demanda. 100 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA II – Da Legitimidade e do Procurador Cabe dizer a parte requerente que detêm legitimidade conforme reza o artigo 103, IX da Constituição Federal e o artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim resta salientar que restam presentes os requisitos de procuração para representação da parte legitimada, com poderes específicos para que o presente procurador representa à parte requerente. III – Pertinência Temática Outrossim considerando que a parte requerente trata-se de legitimado especial, cumpre informar nos autos que a presente demanda guarda finalidade e propósito aos interesses da entidade de classe, considerando que a norma acaso vigente e produzindo efeitos realizará ao requerente e seus assistidos uma série de prejuízos. Diante disto, justifica-se a pertinência temática e finalidade da ação. IV – Dos Documentos Necessários O requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo 3º, §º único da Lei 9.868/99, ou seja, está a anexar junto a peça portal os documentos presentes no artigo. V – Fatos O Governador do Estado do Rio Grande do Sul considerando a grave crise que instalou- se no referido Estado, resolveu isentar o ramo de carnes de ICMS mediante decreto. Diante da inobservância do que determinado na Constituição e levando-se em consideração a guerra fiscal que poderá instalar-se no país, resolveu a Entidade Sindical provocar o Supremo Tribunal Federal à fim de declarar inconstitucional o referido ato normativo. VI – Do Direito Reza o artigo 155, §2º, XII, alínea G, que caberá somente a lei complementar estipular regras gerais sobre concessão de benefícios fiscais. Outrossim na Lei Complementar 87/96, resta claro que à fim de realizar isenção fiscal referente ao ICMS, deverá haver convênio entre os entes públicos, não podendo ser realizado apenas de forma discricionária por um ente público. 101 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA No presente caso, por intermédio de decreto, o Governador do Estado do Rio Grande do Sul, não observando a norma complementar, editou isenção para determinado setor, o que compreende-se inconstitucional. VII – Da Cautelar Deseja à parte requerente que seja apreciada e deferida medida cautelar, uma vez presentes os requisitos dispostos no artigo 10 até 12 da Lei 9.868/99 e artigo 102, I, P, da CF. Outrossim a apreciação da presente cautelar tem como objetivo estabelecer a inconstitucionalidade do decreto realizado de forma cautelar, à fim de suspender os efeitos da referida norma. Resta dizer que a fumaça do bom direito está presente eis que os fundamentos ora apresentados pelo requerente são totalmente plausíveis e passíveis de procedência da declaração de inconstitucionalidade do referido decreto. Ainda cabe salientar que o perigo de demora resta igualmente presente, eis que acaso mantido a norma vigente, a parte requerente e seus assistidos poderão experimentar graves prejuízos. Por fim, acaso Vossas Excelências, compreendam possível o deferimento da presente medida cautelar sugerida, que seja derida em caráter erga omnes, vinculada, e com efeitos ex tunc, sendo mantida até o final da presente demanda onde certamente será julgada inconstitucional à referida norma. VIII – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Seja recebida a presente demanda e os documentos anexados na forma do artigo 3º, §º único da Lei 9.868/99. b) Seja deferida a medida cautelar solicitada, uma vez presentes os requisitos da fumaça do bom direito e do perigo de demora, na forma dos artigos 10 até 12 da Lei 9.868/99 à fim de suspender até o julgamento final os efeitos do referido decreto. c) Seja realizada à citação do Governador do Estado do Rio Grande do Sul, autorizador e responsável pela norma que está sendo impugnada, para que, caso queira, venha prestar esclarecimentos na forma do artigo 6º, da Lei 9.868/99. 102 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA d) Requer à intimação do Procurador Geral de Justiça e do Advogado Geral da União, para que acaso queira, no prazolegal, venham oferecer e prestar parecer, na forma do artigo 8º da Lei 9.868/99. e) Por fim, que seja julgada procedente à presente demanda, para que seja declara a inconstitucionalidade do Decreto nº ..., com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, ou conforme modulação deseja por Vossas Excelências observando o que disposto no artigo 27 da Lei 9.868/99. Nestes termos, pede e espera deferimento. Valor da Causa: R$ ... Local ... Data ... Advogado ... OAB ... Enunciado da Peça Em Janeiro de 2016 o Congresso Nacional votou e aprovou uma Lei Federal de nº 0123, concedendo isenção de Imposto de Renda somente para pessoas que possuíssem deficiência física e/ou mental. Tal norma foi sancionada pelo Presidente da República e passou logo após sua publicação, à produzir efeitos. Não concordando com a lei, por compreender que a mesma é inconstitucional, foram ajuizadas centenas de ações nos maiores variados cantos do país, desejando a declaração de sua inconstitucionalidade visto que não respeitava a isonomia. Tal conteúdo normativo provocou grande controvérsia no Poder Judiciário, vindo o TRF4 decidir por sua inconstitucionalidade e, contrariando tal decisão o TRF1, decidindo por sua constitucionalidade. Considerando o que exposto, a Confederação Sindical Nini acreditando que tal conteúdo normativo é constitucional, procure você advogado à fim de ajuizar processo objetivo à fim de que buscar junto ao STF a declaração da constitucionalidade da referida norma. Resolução da Peça Colendo Supremo Tribunal Federal Douto Digno Ministro Presidente Digníssimos Senhores Ministros Ilustre Ministro Relator Confederação Sindical Nini ..., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem respeitosamente perante a Egrégia Corte, por intermédio de seu advogado (procuração anexa), estabelecido ..., local onde 103 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA receberá intimações, com procuração com poderes específicos, com fulcro nos artigos 102, I, A da Constituição Federal, art. 319 do CPC e art. 1º e seguintes da Lei 9.868/99, ajuizar a presente: AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE COM PEDIDO CAUTELAR Tendo em vista apresentação de julgamentos controvertidos entre Tribunais Regionais Federais sobre a validade constitucional, conforme abaixo ficará demonstrado, no que tange a aplicação, vigência e validade da norma federal de nº 0123, editada e aprovada pelo Congresso Nacional. Realiza-se igualmente a presente demanda pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Do Cabimento Considerando o que disposto no artigo 102, I, A, da CF e artigo 14, III da Lei 9.868/99, poderão os legitimados do art. 103 da Constituição Federal ajuizar ação declaratória de constitucionalidade de lei federal quando existir controvérsia judicial sobre a interpretação de norma e sua validade/vigência. No presente caso existe divergência de entendimento sobre a norma no que tange a validade/vigência da Lei Federal de nº 0123 que concede isenção para determinadas pessoas. Portanto considerando a divergência acima apontada, compreende-se plausível a utilização da presente demanda. II – Da Legitimidade e do Procurador Cabe dizer a parte requerente detêm legitimidade conforme reza o artigo 103, IX, da CF e o artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim vale ressaltar que resta presente no presente processo a procuração para representação da parte acima legitimada, esta cuja qual apresenta poderes específicos e especiais para que o presente advogado faça a representação legal na presente ação. III – Da Pertinência Temática Outrossim considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre a requerente informar nos autos, aos Doutos Ministros, que a presente demanda guarda finalidade e propósito aos interesses da Confederação Sindical, considerando que a norma acaso vigente e produzindo efeitos trará segurança jurídica a Confederação e a toda coletividade que preza pelo ordenamento jurídico seguro. Diante disto justifica-se a pertinência temática e a finalidade da legitimada com a presente demanda. 104 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA IV – Dos Documentos Necessários O requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo 14, §único da lei 9.868/99, ou seja, está a juntar junto a peça vestibular os seguintes documentos ... . V – Fatos Considerando a edição e aprovação de Lei Federal isentando deficientes para o pagamento de Imposto de Renda, e não concordando com tal norma a Confederação Sindical Nini, considerando a indicação de inconstitucionalidade por não respeitar a isonomia, resolveu a confederação ajuizar a presente demanda. VI – Direito Reza o artigo 150, II, da Constituição Federal que os iguais deverão receber tratamento igual. Já os desiguais poderão sofrer tratamento tributário diferenciado. Considerando que a Lei Federal de nº 0123 trata os deficientes, que salvo melhor juízo, de forma desigual, vindo a conceder-lhes isenção de imposto de renda, considera-se a norma constitucional visto que vislumbra total resguardo ao que disposto no artigo 150, II, da Constituição Federal. VII – Da Cautelar Deseja a parte que seja apreciada a medida cautelar, uma vez presentes os requisitos dispostos no artigo 21 da Lei 9.868/99 e artigo 102, I, P, da CF. Outrossim a apreciação da medida cautelar tem como objetivo suspender imediatamente os processos em que estão em discussão a referida norma, no prazo de até 180 dias, na forma do artigo 21, caput e §º único da lei 9.868/99. Resta dizer que a fumaça do bom direito está presente eis que os fundamentos ora apresentados pela parte requerente são totalmente plausíveis e passíveis de procedência da declaração da constitucionalidade da norma supra informada frente ao texto constitucional. Ainda cabe salientar que o perigo de demora resta igualmente presente, eis que acaso mantida a norma vigente, a parte requerente e a coletividade está segura no que tange a validade e constitucionalidade da lei federal. Por fim, acaso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da presente medida cautelar acima sugerida, que seja deferida a mesma em caráter erga ogmnes, 105 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA vinculada e com efeitos ex nunc, sendo mantida a decisão até o final da presente demanda onde certamente será julgada constitucional a norma acima referida. VIII – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Seja recebida a presente demanda e os documentos anexados à peça vestibular conforme reza o artigo 14, §º único da Lei 9.868/99. b) Seja deferida a medida cautelar solicitada uma vez que presentes os requisitos da fumaça do bom direito e do perigo de demora, na forma do artigo 21 da Lei 9.868/99, à fim de suspender os processos e eventuais decisões até o prazo de 180 dias. c) Que seja realizada a intimação do Advogado Geral da União para que acaso queira, venha prestar esclarecimento e/ou defender a norma por suas razões. d) Que seja intimadoo Procurador Geral da República, para que caso queira, venha no prazo legal, manifestar-se sobre a referida norma e suas controvérsias, conforme reza o artigo 19 da Lei 9.868/99 e artigo 103, §1º da Constituição Federal. e) Por fim, que a presente demanda seja julgada procedente, com a idéia de resolver a controvérsia judicial entre os tribunais, para que seja declarada constitucional a Lei Federal de nº 0123, com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, tudo isto nos termos do artigo 102, §2º da Constituição Federal e artigo 28, §º único da Lei 9.868/99. Nestes termos, pede e espera deferimento. Valor da Causa: R$ ... Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 106 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Temática: Ação Direta Inconstitucionalidade por Omissão & ADPF Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão Trata-se de ação direta de inconstitucionalidade, mas por razão de omissão. Aqui é ferramenta para proporcionar que se pleiteie no Supremo uma violação da Constituição. Quero no juízo uma declaração de inconstitucionalidade. A diferença é quando a Constituição é violada. A ADIN é ajuizada quando se fez algo que viola a constituição. Já na omissão busco o reconhecimento da omissão inconstitucional. Vou narrar para o Supremo uma omissão, e vou ter como objeto a inércia violadora da Constituição. Busco que a postura omissiva está impossibilitando a efetivação da Constituição Federal. Cuidado nem toda omissão é violadora da Constituição, por isto que tem ADIN por Omissão que são julgadas improcedentes. A omissão é inconstitucional quando não consigo aplicar e efetivar a regra Constitucional. Estou praticando a omissão que é responsável. A omissão constitucional ela poderá ser legislativa ou administrativa. Legislativa ocorre quando o constituinte espera e exige (não realização) uma lei para regulamentar a norma constitucional. Cuidado para não confundir com Mandado de Injunção eis que aqui é o nome da pessoa, é processo subjetivo. O que difere muito da ADI por Omissão. Lembre-se que no Mandado de Injunção o STF poderá se utilizar de lei análoga para arrumar a omissão e efetivar o direito do processo subjetivo. Já no processo objetivo de ADI o Supremo só declara e mandar alguém fazer a lei que falta. ADPF Cuidado eis que a presente demanda se trata de ação subsidiária, sendo assim somente terá cabimento quando elimino o cabimento das demais. Trata-se de ação que irá até o Supremo 107 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA para ele analisar determinado ato do poder público que não consigo levar para o Supremo via outras demais. Está regulamentada pela lei 9.882/99. Por exemplo, se Município faz lei inconstitucional de IPTU = não caberá ADI, mas poderá caber ADPF. Lei que viola constituição: poderá ser ADI ou ADPF. Tenho que olhar qual tipo de lei é e declarar a incompatibilidade (invalidade da norma) em razão da constituição. Cuidado: se houver controvérsia judicial em face de lei estadual ou municipal = caberá ADPF também. Cuidado que ADC é somente para lei federal. Para merecer admissibilidade de ação que o parâmetro é equiparado a preceito fundamental. Para que caiba ADPF tenho que ver o que estará sendo impugnado na ADPF. Mas atenção: a lei não diz o que é preceito fundamental. Não existe nenhum parâmetro objetivo. Sendo assim tenho que provar a importância do artigo que está sendo violado. Assim é: norma constitucional e que seja norma atinente a garantias, fundamentos constitucionais. Na prova da OAB: o enunciado, por mais que não diga, certamente se for caso de ADPF a norma citada o examinador compreenderá como preceito fundamental. Sendo tenho que eliminar as demais ações, e se for ação objetiva: faça ADPF. Não caberá ao examinando então discutir se é ou não preceito fundamental. Enunciado da Peça Confederação Sindical preocupada com a grave crise que se estabeleceu no país, e observando a negligência do Congresso Nacional procura você, advogado, à fim de buscar a declaração de omissão legislativa frente à não regulamentação do Imposto de Grandes Fortunas, devidamente previsto na Constituição Federal. Diante assim da visualização da possibilidade de recolhimento e forma assim caixa (renda) para União provindas das receitas deste tributo, ajuíze processo objetivo com à finalidade de atender aos interesses da Confederação Sindical. Resolução da Peça Colendo Supremo Tribunal Federal Douto Digno Ministro Presidente 108 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Digníssimos Ministros Ilustre Ministro Relator Confederação Sindical ..., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., vem respeitosamente perante a Egrégia Corte, por intermédio de seu advogado (procuração anexa – com poderes específicos), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fundamento nos artigos 12-A e seguintes da Lei 9.868/99, artigo 103, §2º da Constituição Federal e artigo 319 CPC, ajuizar a presente: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO LEGISLATIVA COM PEDIDO CAUTELAR Em face de omissão legislativa, conforme abaixo ficará demonstrado, no que tange a aplicação de norma constitucional. Realiza-se a presente demanda eis que o implemento da Carta Magna resta prejudicada conforme está exposto no artigo 153, VII. Por isto justifica-se a demanda pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Do Cabimento Considerando o que disposto nos artigos 12-A e seguintes da Lei 9.868/99 e artigo 103, §2º da Constituição Federal caberá o ingresso de ação de controle concentrado buscando a declaração de omissão legislativa. No presente caso existe a possibilidade de criação do IGF por parte da União e até a presente data, o mesmo não foi criado, deixando assim o referido ente de recolher tributo em prol da coletividade. II – Da Legitimidade e do Procurador Cabe dizer a parte requerente que detêm legitimidade na forma do artigo 103, IX da CF e do artigo 2º da Lei 9.868/99. Outrossim vale ressaltar que restam presentes nos autos à procuração para representação da parte acima legitimada, com poderes específicos e especiais para que o presente procurador represente a parte na presente demanda. III – Pertinência Temática Outrossim considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre a parte requerente informar nos autos aos Doutos Ministros que a presente demanda guarda finalidade e propósito aos interesses da Confederação Sindical, bem como de toda coletividade de seus assistidos, considerando que é destinatária também dos eventuais 109 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA tributos que serão recolhidos com a criação do IGF. Diante disto, justifica-se a pertinência temática e o vínculo da presente demanda com a parte legitimada. IV – Dos Documentos Necessários A parte requerente vem afirmar no presenteprocesso que cumpre os requisitos do artigo 12-B, §º único da Lei 9.868/99, ou seja, está a juntar a peça inicial os seguintes documentos ... V – Dos Fatos Considerando a omissão legislativa por parte da União referente a possibilidade de criação do IGF, não restou outra alternativa, se não de provocar o Supremo Tribunal Federal à fim de declarar a omissão para que seja realizada e implementada a norma constitucional. VI – Dos Direitos Reza o artigo 153, VII, da Constituição Federal que poderá a União criar, mediante lei complementar, Impostos sobre Grandes Fortunas. Logo, o objeto da presente ação, trata-se de omissão inconstitucional em razão da não existência de norma que regulamente o texto constitucional descrito no artigo acima mencionado. Outrossim considerando que existe crise no cenário nacional, bem como poderia o fisco arrecadar mais tributo, daqueles que mais tem, à fim de proporcionar melhores condições para coletividade, compreende-se possível a declaração da inconstitucionalidade por omissão à fim de que a União crie o referido tributo. VII – Da Cautelar Deseja a parte requerente que seja apreciada e deferida medida cautelar, uma vez presentes os requisitos dispostos no artigo 12-F da Lei 9.868/99. Também se faz presente os requisitos para suspensão dos processos por ventura em andamento conforme reza o artigo 12-F, §1º, da Lei 9.868/99. Resta dizer a parte requerente que o requisito da fumaça do bom direito esta presente eis que os fundamentos acima apresentados são razoáveis e plausíveis. Igualmente resta 110 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA salientar ainda que o requisito de perigo de demora também está presente eis que acaso mantida a omissão constitucional, não conseguirá a coletividade usufruir do mandamento constitucional, podendo assim experimentar danos e/ou riscos. Por fim, acaso Vossas Excelências, compreendam possível o deferimento da presente cautelar, que seja deferida em caráter erga omnes, vinculada, e com efeitos ex nunc, sendo mantida até o final da presente demanda onde certamente será julgada inconstitucional a omissão legislativa da União. VIII – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Seja recebida à presente demanda e os documentos anexados conforme o que reza o artigo 12-B, §º único da Lei 9.868/99. b)Seja deferida a medida cautelar solicitada, uma vez presentes os requisitos da fumaça do bom direito e do perigo de demora, na forma do artigo 12-F e 12-G da Lei 9.868/99. c) Seja realizada a intimação do Advogado Geral da União na forma do artigo 12-E, §2º da Lei 9.868/99 e art. 103, §3º da CF. d) Seja realizada a intimação do Procurador Geral da República, para caso queira, venha manifestar-se, na forma do artigo 12-E, §3º da Lei 9.868/99 e artigo 103, §1º, da CF. e) Seja realizada a citação do ente/órgão responsável pela omissão, para que caso queira, venha prestar esclarecimento e/ou contestar. f) Por fim, que a presente demanda seja julgada procedente, com a finalidade de declarar a omissão inconstitucional, acima apresentada que impede a efetividade do artigo 153, VII, da Constituição Federal, com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc, tudo isto nos termos do artigo 103, §2º da Constituição Federal e artigo 12-H da Lei 9.868/99. Ademais, que seja determinado ao órgão responsável que realize e tome as medidas e providências necessárias para resolver a omissão dentro de um prazo razoável a ser sugerido por Vossas Excelências. Nestes termos, pede e espera deferimento. Valor da Causa: R$ ... Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 111 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Enunciado da Peça Município de Santa Cruz do Sul – RS, preocupado com a grave crise que vem assombrando o município, principalmente pelo fato da grande implementação de políticas públicas contra o setor tabacaleiro (fumageiro), resolveu implementar uma série de mudanças nos tributos de sua competência. Dentre estas mudanças, por intermédio da Lei Municipal nº 123456, aprovada regularmente na Câmara de Vereadores, estabelece a criação de uma taxa de iluminação pública, com base de cálculo idêntica àquela prevista para o IPTU. A Confederação Sindical Nini é Demais procura você, advogado, à fim de buscar em sede de controle abstrato à invalidação da norma em face de duas regularidades existentes no que tange à taxa criada. Ajuíze ação do processo objetivo à fim de defender os interesses da Confederação Sindical. Resolução da Peça Colendo Supremo Tribunal Federal Douto Digno Ministro Presidente Digníssimos Ministros Ilustre Ministro Relator Confederação Sindical Nini É Demais, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº..., estabelecida ..., endereço eletrônico ..., vem respeitosamente perante a Egrégia Corte, por intermédio de seu advogado (procuração em anexo – com poderes específicos e especiais), estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fulcro nos artigos 1º e seguintes da Lei 9.882/99, artigo 102, §1º da Constituição Federal, artigo 319 do CPC, ajuizar a presente: ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL COM PEDIDO LIMINAR Tendo em vista a ocorrência de lesão a preceito fundamental presente nos artigos 145, II e 145, §2º, todos da Constituição Federal, considerando a manifestação através de Lei Municipal nº 123456, supra indicada aprovada pelo Município de Santa Cruz do Sul – RS. Diante disto justifica-se a presente demanda pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos. I – Dos Fatos & Cabimento 112 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Considerando a violação à preceito fundamental, presente nos artigos 145, II e 145, §2º, todos da Constituição Federal, compreende-se cabível à presente demanda objetiva conforme o que disposto nos artigos 1º e seguintes da Lei 9.882/99 e art. 102, §1º da Constituição Federal em decorrência da lei municipal lesiva do Município de Santa Cruz do Sul – RS, nos termos do artigo 3º. II, da Lei 9.882/99. Por fim vale acrescer a presente demanda que não existe possibilidade de utilização de qualquer outra ação objetiva que possa acolher o presente pedido, principalmente por tratar-se de lei municipal inconstitucional, frente ao que exposto declara a parte requerente, conforme reza o artigo 4, §1º da Lei 9.882/99. II – Legitimidade e do Procurador Cabe dizer a parte requerente que detêm legitimidade conforme reza o artigo 103, IX, da Constituição Federal e o artigo 2º, I, da Lei 9.882/99. Outrossim vale ressaltar que resta presente nos autos procuração para representação da parte legitimada, com poderes específicos e especiais para que o presente procurador represente a parte demandante. III – Da Pertinência Temática Outrossim considerando que a parte acima trata-se de legitimada especial, cumpre informar nos autos aos Doutos Ministros que a presente demanda guarda finalidade e propósito aos interesses da Confederação Sindical Nini É Demais, considerando que é destinatária da norma e acaso vigente produzindo efeitos, poderá acarretar danosa requerente e seus assistidos. Diante disto justifica-se à pertinência temática e o vínculo da presente demanda com a requerente. IV – Dos Documentos Necessários A parte requerente vem afirmar no presente processo que cumpre os requisitos do artigo 3º, III e §º único da Lei 9.882/99, ou seja, esta a juntar a peça vestibular os documentos necessários ... V – Do Direito Reza o artigo 145, II, da Constituição Federal que não existe a possibilidade de instituição de taxa, acaso ela não seja específica e divisível. No presente caso houve instituição pelo Município de Santa Cruz do Sul de Taxa de iluminação pública. Diante disto compreende- se inconstitucional à referida Lei Municipal de nº 123456. 113 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA Igualmente reza o artigo 145, §2º da Constituição Federal que a taxa instituída não poderá ter base de cálculo igual a de outro imposto. No presente caso a Lei Municipal nº 123456 tem taxa idêntica ao de IPTU. Portanto, torna-se igualmente inconstitucional por esta razão, a cobrança da presente taxa. VI – Da Liminar Deseja a parte que seja apreciada e deferida liminar, uma vez presentes os requisitos dispostos no artigo 5º da Lei 9.882/99. Também deseja a parte que seja suspendida por Vossas Excelências a Lei Municipal de nº 123456, vez que ela viola preceito fundamental, nos termos do artigo 5º, §3º da Lei 9.882/99. Resta dizer a parte que está presente os requisitos da fumaça do bom direito eis que os fundamentos apresentados acima são totalmente plausíveis e passíveis de procedência em razão da lesão aos preceitos supra informados. Ainda cabe salientar que existe perigo de demora, acaso mantido a lei municipal, eis que acarretará se mantida e produzindo efeitos, no mínimo perigo de dano a toda coletividade uma vez que a referida taxa é inconstitucional. Por fim, acaso Vossas Excelências compreendam possível o deferimento da medida liminar, que seja deferida em caráter erga omnes, vinculada, com efeito ex nunc. Diante disto, requer ainda, que seja mantida a eventual concessão de medida liminar, até o final da demanda onde será convertida em julgamento de inconstitucionalidade da norma em razão de lesão a preceito fundamental. VII – Dos Pedidos Ante o exposto requer: a) Que seja recebida à presente demanda e os documentos anexados conforme o que reza o artigo 3º, III, e §º único da Lei 9.882/99. b) Que sejam ouvidas as partes elencadas na forma do artigo 5º, §2º da Lei 9.882/99. c) Que seja deferida a medida liminar solicitada, uma vez presentes os requisitos de urgência e relevância na forma do artigo 5º da Lei 9.882/99. d) Que seja realizada a intimação do Advogado Geral da União para que acaso queira, preste esclarecimentos, na forma do artigo 103, §3º da CF. e) Que seja citado o representante legal do órgão responsável pela legislação que afronta os preceitos fundamentais da Constituição Federal, para que caso queira, preste esclarecimento e/ou contesta à presente demanda. 114 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA f) Que seja intimado o Procurador Geral da República, para que acaso queira, preste esclarecimentos, na forma do artigo 7º, §º único da Lei 9.882/99 e artigo 103, §1º da CF. g) Por fim, que seja a presente demanda julgada procedente, com a finalidade de declarar inválida a norma municipal de nº 123456, eis que a mesma afronta dois preceitos fundamentos dispostos no artigo 145, II e 145, §2º da Constituição Federal, com efeito erga omnes, vinculante, ex tunc. Tudo isto justifica-se nos termos dos artigos 102, §2º e 10, §1º da Lei 9.882/99. Ademais que Vossas Excelências determinem a retirada da norma do ordenamento jurídico com a consequente intimação da autoridade responsável para que cumpre imediatamente a decisão, conforme reza o artigo 10, caput e 10, §º1º da Lei 9.882/99. Nestes termos, pede e espera deferimento. Valor da Causa: R$ ... Local ... Data ... Advogado ... OAB ... 115 | P a g e ROTEIRO DE AULA & MATERIAL DE APOIO – DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO 2ª FASE DIREITO TRIBUTÁRIO – EXAME XXIV MATERIAL PRODUZIDO POR: PROF. GUILHERME PEDROZO DA SILVA