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E-Book Curso Regular _ Tributário

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<p>Curso Regular</p><p>Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>TRIBUTÁRIO</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>1</p><p>Olá!</p><p>Seja bem-vindo ao material do Curso Regular para o 37º Exame em</p><p>direito Tributário do Ceisc. Estamos muito felizes em tê-lo conosco nessa</p><p>trajetória. O caminho para a preparação para 2ª Fase será longo, mas,</p><p>nossa missão é te guiar para que ele seja mais leve.</p><p>O presente material é de autoria do Professor Guilherme Pedrozo da</p><p>Silva, porém abrange todas as aulas da pasta Curso Regular (incluindo</p><p>as aulas ministradas pelo Professor Matheus Silva De Gregori). Logo,</p><p>recomendamos a leitura e acompanhamento do presente material</p><p>durante todas as aulas.</p><p>O presente material possui o mesmo conteúdo apresentado no livro de</p><p>Teoria e Prática do Professor Guilherme Pedrozo da Silva (com uma</p><p>disposição diferente). Ademais, o livro é mais completo (visto que</p><p>direcionado também para a prática) e conta com mapas mentais (os</p><p>mapas são diferentes dos disponibilizados no curso). Logo, caso tenha</p><p>optado por adquirir o livro, poderá acompanhar o conteúdo da pasta</p><p>Curso Regular pelo mesmo.</p><p>Qualquer dúvida, ficamos a disposição pela plataforma “Pergunte ao</p><p>Professor”, acesse clicando aqui.</p><p>Abraços, Equipe Ceisc.</p><p>https://ceisc.com.br/nova_pergunta</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>2</p><p>2ª FASE OAB | TRIBUTÁRIO | 37º EXAME</p><p>Direito e Processo Tributário</p><p>Prof. Guilherme Pedrozo</p><p>SUMÁRIO</p><p>Olá! Boas-Vindas! 1</p><p>1. Abertura e Petição Inicial 5</p><p>2. Petição Inicial 14</p><p>3. Mandado de Segurança 21</p><p>4. Ação Declaratória e Anulatória 29</p><p>5. Ação de Consignação em Pagamento 38</p><p>6. Ação de Repetição de Indébito Tributário 43</p><p>7. Ação de Embargos à Execução Fiscal e Redirecionamento da Execução Fiscal 48</p><p>8. Petição de Exceção de Pré-executividade 52</p><p>9. Teoria Geral dos Recursos 56</p><p>10. Recurso de Agravo de Instrumento, Interno e Apelação 58</p><p>11. Recurso de Agravo Interno e Ordinário Constitucional 67</p><p>12. Recurso Especial e Recurso Extraordinário 76</p><p>13. Tributo 85</p><p>14. Competência Tributária 87</p><p>15. Limitações ao Poder de Tributar - Princípios 100</p><p>16. Limitações ao Poder de Tributar - Imunidades 112</p><p>17. Legislação Tributária 138</p><p>18. Obrigação Tributária e Constituição do Crédito Tributário 139</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>3</p><p>19. Da suspensão da exigibilidade do crédito 153</p><p>20. Da extinção do crédito tributário 159</p><p>21. Da exclusão do crédito tributário 164</p><p>22. Da responsabilidade tributária 182</p><p>23. Da denúncia espontânea, garantias e privilégios do crédito tributário 193</p><p>24. Da Administração Pública 196</p><p>25. Dos Impostos em Espécie 205</p><p>26. Taxas 264</p><p>27. Contribuição de melhoria 268</p><p>28. Empréstimos Compulsórios 270</p><p>29. Contribuição Especial 271</p><p>Olá, aluno(a).</p><p>Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório para a 2ª Fase</p><p>OAB Tributário do 37º Exame e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas aulas. A</p><p>leitura desse material por si só não contempla a metodologia Ceisc que engloba o acompanhamento</p><p>das aulas do Curso Regular.</p><p>Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação pertinente.</p><p>Bons estudos, Equipe Ceisc.</p><p>Atualizado em fevereiro de 2023.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>4</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>5</p><p>1. Abertura e Petição Inicial</p><p>Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>@ prof.guilhermepedrozo</p><p>Iniciaremos o nosso curso apontando alguns tópicos interessantes sobre a prova, como a</p><p>indicação de marcação no Vade Mecum, bem como os demais tópicos interessantes e</p><p>necessários para o bom desenrolar da preparação de vocês.</p><p>Caro estudante, futuro advogado, a primeira tarefa para começar o estudo para a 2ª fase</p><p>do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, inclui, necessariamente, a análise do edital, pois</p><p>nele estão “as regras do jogo”, ou seja, nele encontramos as informações necessárias sobre o</p><p>que PODE e o que NÃO PODE no Exame da Ordem. Também, encontramos nele os prazos e,</p><p>notadamente, os conteúdos que precisamos dominar para GARANTIR A APROVAÇÃO.</p><p>A prova terá duração de 5 (cinco) horas, das 13h às 18h, no horário oficial de Brasília/DF.</p><p>A prova prático-profissional valerá 10,00 (dez) pontos e será composta de duas partes:</p><p>1ª parte: Redação da peça profissional, valendo 5,00 (cinco) pontos, acerca de tema da</p><p>área jurídica de opção do examinando e do seu correspondente direito processual. A peça</p><p>será desenvolvida em no máximo cinco páginas, sinalizadas, sendo o total de 150 linhas.</p><p>2ª parte: Respostas a 4 (quatro) questões discursivas, sob a forma de situações-problema,</p><p>valendo, no máximo, 1,25 (um e vinte e cinco) pontos cada, relativas à área de opção do</p><p>examinando e do seu correspondente direito processual.</p><p>O caderno de textos definitivos da prova prático-profissional NÃO PODERÁ SER</p><p>ASSINADO, RUBRICADO E/OU CONTER QUALQUER PALAVRA E/OU MARCA que o</p><p>identifique em outro local que não o apropriado (capa do caderno), sob pena de ser anulado.</p><p>Assim, a detecção de qualquer marca identificadora no espaço destinado à transcrição dos textos</p><p>definitivos acarretará a anulação da prova prático-profissional e a eliminação do examinando.</p><p>O caderno de textos definitivos será o único documento válido para a avaliação da prova</p><p>prático-profissional, devendo obrigatoriamente ser devolvido ao fiscal de aplicação ao término da</p><p>prova, devidamente assinado no local indicado (capa do caderno). O caderno de rascunho é de</p><p>preenchimento facultativo e não terá validade para efeito de avaliação, podendo o examinando</p><p>levá-lo consigo após o horário estabelecido.</p><p>Em hipótese alguma haverá substituição do caderno de textos definitivos por erro do</p><p>examinando.</p><p>Cuidado: Se você fizer toda a prova no rascunho e depois passar a limpo, pode não dar</p><p>tempo de terminar!!!</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>6</p><p>OBSERVAÇÕES:</p><p>Você não pode escrever fora das linhas de demarcação, sob pena de não ter corrigido</p><p>tudo o que estiver fora da área delimitada e se você errar alguma palavra, faça apenas</p><p>um traço simples e siga escrevendo ao lado. Confira o exemplo:</p><p>Imagem com exemplo de estruturação de uma peça indicando que não pode sair da</p><p>margem, não se deve deixar mais de uma linha e que não se pode rabiscar palavras</p><p>erradas, mas, apenas fazer um traço simples.</p><p>As provas prático-profissionais deverão ser manuscritas, em letra legível, com caneta</p><p>esferográfica de tinta azul ou preta, não sendo permitida a interferência e/ou a participação de</p><p>outras pessoas, salvo em caso de examinando portador de deficiência que solicitou atendimento</p><p>especial para esse fim, nos termos deste edital. Nesse caso, o examinando será acompanhado</p><p>por um agente devidamente treinado, para o qual deverá ditar o texto, especificando oralmente</p><p>a grafia das palavras e os sinais gráficos de pontuação.</p><p>O examinando receberá NOTA ZERO nas questões da prova prático-profissional em</p><p>casos de não atendimento ao conteúdo avaliado, de não haver texto, de manuscrever em letra</p><p>ilegível ou de grafar por outro meio que não o determinado no subitem anterior.</p><p>Na redação das respostas às questões discursivas, o examinando deverá indicar,</p><p>obrigatoriamente, a qual item do enunciado se refere cada parte de sua resposta (“A)”, “B)”, “C)”</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>7</p><p>etc.), sob pena de receber NOTA ZERO.</p><p>Para a redação</p><p>forma unilateral</p><p>a atividade profissional do contribuinte, para compeli-lo ao pagamento de tributo, uma vez que tal</p><p>procedimento redundaria no bloqueio de atividades lícitas, mercê de hipótese de autotutela,</p><p>medida excepcional ante o monopólio da jurisdição. Diante disso, considerando o disposto na</p><p>Súmula 323 do STF e artigo 170 da Constituição, compreende-se pela total ilegalidade e</p><p>inconstitucionalidade do ato.</p><p>IV – Tutela Provisória de Urgência</p><p>Reza o artigo 294 do CPC que poderá a parte requerente solicitar tutela provisória. Ademais, o</p><p>mesmo artigo menciona a possibilidade de solicitar tanto tutela de urgência, quanto de evidência.</p><p>Para o presente caso torna-se amplamente possível a solicitação da tutela de urgência, na forma</p><p>do artigo 300 do CPC, diante do preenchimento dos requisitos de probabilidade de direito e do</p><p>perigo de dano.</p><p>A probabilidade do direito resta devidamente comprovada, eis que houve apreensão ilegal das</p><p>mercadorias, conforme reza a Súmula 323 do STF e a ofensa ao princípio da livre iniciativa,</p><p>conforme reza o artigo 170 da CF.</p><p>Igualmente, resta preenchido o requisito de perigo de dano, eis que a empresa depende dos</p><p>equipamentos para produzir e tem encomenda para entregar.</p><p>Diante do que exposto, restam preenchidos os requisitos do artigo 300 do CPC, para que se libere</p><p>as mercadorias.</p><p>V – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) o deferimento da tutela provisória de urgência, na forma do artigo 294 do CPC, mais</p><p>notadamente da tutela de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os</p><p>requisitos da probabilidade do direito e do perigo de dano, para que sejam liberadas as</p><p>mercadorias apreendidas.</p><p>b) Caso não seja possibilitada e concedida a tutela de urgência, que seja oportunizado o depósito</p><p>a fim de suspender a exigibilidade do crédito, na forma do artigo 151, II, do CTN e a consequente</p><p>liberação das mercadorias apreendidas.</p><p>c) Seja julgada procedente a demanda a fim de liberar as mercadorias apreendidas, eis que foram</p><p>realizadas de forma ilegal, na forma do artigo 170 da CF e da Súmula 323 do STF.</p><p>d) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente: documental,</p><p>testemunhal e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>37</p><p>e) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação</p><p>da presente demanda.</p><p>f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos do</p><p>artigo 319, VII, do CPC.</p><p>g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do artigo</p><p>85, §3º do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Valor da Causa: R$ ...</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>38</p><p>5. Ação de Consignação em Pagamento</p><p>O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 164 do</p><p>CTN. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente deverá vislumbrar os</p><p>requisitos do artigo 319 do NCPC.</p><p>A presente demanda tem por finalidade garantir ao contribuinte o direito de pagar o tributo</p><p>devido. Para feitos iniciais é importante dizer que caberá a utilização da presente demanda</p><p>quando houver resistência por parte do ente público, houver dúvida para quem deve ser pago o</p><p>tributo (exigência de mais de um ente) ou exigência de pagamentos (por exemplo penalidades –</p><p>exigências administrativas) que não dizem respeito ao tributo que deverá ser satisfeito.</p><p>Igualmente, é importante salientar que se a demanda for julgada procedente, obviamente</p><p>após o trânsito em julgado da decisão, a importância depositada (consignada) será convertida</p><p>em renda, ocorrendo, assim, a extinção do crédito tributário, na forma do artigo 156, VIII, do CTN.</p><p>Agora, se a consignação for julgada improcedente, o Ente Público Competente poderá</p><p>cobrar o crédito tributário, acrescido de juros, assim como eventuais penalidades cabíveis.</p><p>Outrossim, conforme o STJ, a consignatária também servirá, conforme já dito, para</p><p>consignar crédito tributário que tenha sido exigido pelo Ente Público em quantia superior.</p><p>Agora, jamais teremos, por exemplo, a ação consignatária para:</p><p>• Discutir possibilidade de exigência tributária.</p><p>• Obter concessão de parcelamento, anistia ou moratória.</p><p>• Reconhecimento de pagamento (compensação de tributo) através de títulos da dívida</p><p>pública.</p><p>Lembre-se, antes de mais nada, que também teremos previsão legal de consignação nos</p><p>artigos 539 e seguintes do CPC. Temos artigos importantes nele, como por exemplo:</p><p>• Artigo 540 do CPC = consignação do lugar do pagamento.</p><p>• Artigo 542 do CPC = relatório dos nossos pedidos.</p><p>Igualmente, é importante ressaltar que na Ação de Consignação em Pagamento o</p><p>depósito não será faculdade da parte para consignar em pagamento = tenho que depositar,</p><p>conforme o artigo 542, I, do CPC.</p><p>Ademais, se houver mais de um réu na demanda: requer citação para contestarem caso</p><p>queiram, com fundamento no artigo 547 do CPC. Entretanto, se houver somente um réu na</p><p>demanda, requer citação para contestar, caso queira, com fundamento no artigo 542, II, do CPC.</p><p>Se um dos réus for a União, independentemente do outro: Será competente a Justiça</p><p>federal.</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>39</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Xisto da Silva, brasileiro, administrador, solteiro, portador da carteira de identidade nº. xxx e CPF</p><p>nº. xxx, residente e domiciliado na Rua X, nº. xxx, bairro Z, Município Y, Estado F, recebeu cobrança</p><p>simultânea, por meio de uma mesma guia de documento fiscal, de dois tributos: IPTU e Taxa de</p><p>Conservação das Vias e Logradouros Públicos (TCVLP). No caso da referida taxa, certo é que o</p><p>contribuinte não concorda com sua cobrança, o que o levou, por meio de seu advogado, a ajuizar</p><p>ação judicial a fim de declarar sua inconstitucionalidade, havendo pedido liminar, ainda não</p><p>apreciado para afastar a obrigatoriedade do recolhimento da referida exação fiscal. Por outro lado,</p><p>em relação à cobrança do IPTU, pretende o contribuinte efetuar o seu pagamento. No entanto, a</p><p>guia de pagamento é única e contém o valor global dos referidos tributos, tendo o banco rejeitado</p><p>o pagamento parcial relativo somente ao IPTU. Nesse caso, considerando que o IPTU ainda não</p><p>está vencido, bem como o contribuinte não obteve êxito para solucionar seu problema na esfera</p><p>administrativa, elabore a peça adequada para efetuar o pagamento do imposto municipal, com base</p><p>no direito material e processual pertinente. Utilize todos os argumentos e fundamentos pertinentes</p><p>à melhor resposta.</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública da Comarca ... do Estado ...</p><p>Xisto da Silva, brasileiro, solteiro, administrador, portador da identidade nº XXX, inscrito no CPF</p><p>sob o nº XXX, endereço eletrônico ..., residente e domiciliado na Rua X, nº XXX, Bairro Z, Município</p><p>Y, Estado F, vem por meio de seu procurador (procuração em anexo), estabelecido ..., local onde</p><p>receberá suas intimações, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no art. 164, I, do</p><p>CTN, art. 539 e seguintes do CPC, ingressar com a presente:</p><p>AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM DEPÓSITO</p><p>Em face do Município ..., pessoa jurídica</p><p>de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ...,</p><p>estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representado pelo seu procurador, na forma do</p><p>artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>40</p><p>I – Do Cabimento</p><p>Tendo em vista a necessidade e possibilidade do requerente de satisfazer somente o tributo que</p><p>de fato é devido, torna-se necessário o ajuizamento da presente consignação em pagamento,</p><p>com fulcro no artigo 164, I, do CTN.</p><p>Justifica-se a presente demanda, eis que é direito do requerente o pagamento do tributo sem a</p><p>exigência de outro, por se tratar de obrigações autônomas, sendo assim, plenamente possível a</p><p>consignação do valor devido daquele tributo que de fato pode ser cobrado pela Fazenda Pública</p><p>Municipal.</p><p>II – Do Depósito</p><p>Considerando o que disposto no artigo 542, I, do CPC, deseja a parte solicitar que seja expedida</p><p>guia para depósito do valor que está sendo tributado, a fim de cumprir com o que disposto na</p><p>norma.</p><p>III – Dos Fatos</p><p>Conforme enunciado, o Sr. Xisto da Silva recebeu do Município ... cobrança de IPTU cumulada</p><p>com a cobrança de taxa de limpeza e conservação de logradouro público. Ocorre que o</p><p>requerente compreendeu que a cobrança da presente taxa é inconstitucional, e por isso já ajuizou</p><p>demanda requerendo o reconhecimento de sua inconstitucionalidade através de seu procurador.</p><p>Ademais, até a presente data não foi apreciado o pedido liminar.</p><p>Outrossim, com o intuito de fazer pagar os dois tributos, a fazenda municipal lançou guia de</p><p>pagamento cobrando eles juntos, ou seja, o IPTU e a taxa acima descrita. Logo, tentou o</p><p>requerente efetuar o pagamento somente do IPTU, fato este que lhe fora negado, tendo em vista</p><p>a negativa de recebimento por parte da instituição bancária, eis que na guia estava expresso o</p><p>pagamento único dos dois tributos.</p><p>Diante disso, por compreender indevido o pagamento da taxa, tentou o requerente entrar com</p><p>procedimento administrativo para satisfazer o seu intento de pagar somente o IPTU. Recurso</p><p>administrativo este que lhe fora negado pela fazenda municipal. Sendo assim, não resta outra</p><p>alternativa ao requerente a não ser de provocar o Poder Judiciário, a fim de que seja recebido o</p><p>tributo realmente devido, mas que seja possibilitado o pagamento somente deste.</p><p>IV – Do Direito</p><p>Considerando que a parte requerente não obteve êxito no pagamento do tributo que realmente é</p><p>devido, tornou-se necessário o presente ajuizamento da demanda. Ocorre que não poderá a</p><p>Fazenda Pública Municipal exigir dois tributos de maneira simultânea, ou seja, cobrar na mesma</p><p>guia a satisfação do IPTU e da taxa em conjunto, com fulcro no artigo 164, I, do CTN.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>41</p><p>Ademais, conforme expresso no enunciado, além de não poder cobrar em conjunto o pagamento</p><p>de dois tributos, a presente taxa cobrada é de fato inconstitucional, eis que é cediço no direito</p><p>brasileiro que taxa somente poderá ser exigida quando for específica e divisível, ou seja, que</p><p>possa ser vista por aquele que recebe, in casu contribuinte, e detalhada por parte daquele que</p><p>presta o serviço, in casu, o município.</p><p>Outrossim, com fundamento no art. 145, da CF, não se pode compreender como possível a</p><p>exigência da presente taxa, eis que é inconstitucional e está sendo discutida em ação autônoma.</p><p>Sendo assim, exigir dois tributos na mesma guia torna-se exigência ilegal, eis que cada tributo</p><p>tem sua constituição de maneira autônoma.</p><p>V – Da Suspensão da Exigibilidade</p><p>O requerente encontra-se totalmente respaldado no que tange a possibilidade de consignar o</p><p>valor que de fato é devido, na forma do art. 164, I, do CTN. Considerando que, caso não ocorra</p><p>a suspensão da exigibilidade do crédito, poderá o requerente sofrer execução fiscal, vindo a lhe</p><p>prejudicar em seus negócios e sua vida pessoal. Deseja o requerente, com fundamento no art.</p><p>151, II, do CTN, que seja deferida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, considerando</p><p>a realização do depósito integral do IPTU devido. Igualmente, foi observado o depósito integral</p><p>em dinheiro, conforme leciona a Súmula 112 do STJ.</p><p>VI – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Que seja deferida por Vossa Excelência a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na</p><p>forma do art. 151, II, do CTN, uma vez ter realizado o depósito de forma integral e em dinheiro,</p><p>conforme leciona a Súmula 112 do STJ.</p><p>b) Que seja deferida a possibilidade de realização do depósito integral em dinheiro até como</p><p>forma de suprimento da condição da ação de consignação em pagamento, na forma do artigo</p><p>542, I do CTN.</p><p>c) Que seja julgada procedente a presente demanda, com a consequente extinção do crédito</p><p>tributário, com fundamento no art. 156, VI e VIII, do CTN combinado com o art. 164, §2º do CTN.</p><p>d) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente: documental,</p><p>testemunhal e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.</p><p>e) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação</p><p>da presente demanda.</p><p>f) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos do</p><p>artigo 319, VII, CPC.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>42</p><p>g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do artigo</p><p>85, §3º do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Valor da Causa R$ ...</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>43</p><p>6. Ação de Repetição de Indébito Tributário</p><p>O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 165 do</p><p>CTN. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente deverá vislumbrar os</p><p>requisitos do artigo 319 do NCPC.</p><p>Logo, a regra é bastante clara: utiliza-se a presente ação quando houver pagamento a</p><p>maior ou indevido. Ademais, bastará a comprovação do pagamento para que seja realizado o</p><p>pedido de repetição de indébito tributário.</p><p>Assim, a presente ação serve para recuperar o que foi pago indevidamente.</p><p>Independentemente de motivo, possui-se direito. Não é preciso comprovar motivação do</p><p>pagamento. Trata-se de ação condenatória.</p><p>Quando da condenação em repetição, teremos um título que, via de regra, será precatório.</p><p>Terá que observar a ordem de inscrição e o sistema de pagamento, conforme o artigo 100 da</p><p>CF, mas poderemos buscar a repetição via compensação. Veja, portanto, que na repetitória</p><p>posso utilizar-me para adimplir legislação específica de cada ente competente.</p><p>Assim, quando do pagamento indevido ou a maior tenho duas possibilidades, na forma do</p><p>art. 168 do CTN = tenho 5 anos para buscar. Seja pela via administrativa, seja pela via judicial.</p><p>Lembre-se, se optar pela via judicial, renuncia-se a administrativa.</p><p>Caso opte pela via administrativa e venha a perder (denegar) o pedido, da decisão</p><p>denegatória, terei 2 anos para buscar, conforme reza o artigo 169 do CTN. Via ação de mão</p><p>dupla: anulação e condenação.</p><p>Posso repetir tributo pago prescrito ou decaído? Sim, conforme o artigo 156 do CTN, são</p><p>formas de extinção. Se paguei indevidamente tributo prescrito ou decaído, eram indevidos, e</p><p>conforme o artigo 165, I, do CTN, gerarão direito de repetição.</p><p>O principal motivo da presente ação é evitar o enriquecimento ilícito. Outrossim, é</p><p>importante também alertar que o requerente não precisará esgotar as vias administrativas (ou</p><p>sequer ir para ela) para recorrer à via judicial.</p><p>Vale dizer que: conforme o STJ o pedido administrativo não suspende/interrompe o prazo</p><p>para o contribuinte entrar com a ação de Repetição de Indébito Tributário.</p><p>O prazo para entrar com a demanda será de 5 anos da extinção do tributo ou da decisão</p><p>definitiva que der ganho de causa para o contribuinte.</p><p>MODO DE PAGAMENTO (JUROS E CORREÇÃO) - O artigo 167, § único, do CTN. A</p><p>Súmula 188 do STJ afirma que os juros moratórios serão devidos do Trânsito em Julgado. Mas</p><p>no que tange a correção monetária não existe previsão legal. O STJ afirma ser do pagamento</p><p>indevido. Vide Súmula 162 do STJ.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>44</p><p>Para tributos federais: aplico a taxa SELIC. Correção e juros embutidos na mesma taxa,</p><p>na forma do artigo 39, §4º da Lei 9.250/95. MAS CUIDADO: têm Estados e Municípios que já</p><p>aplicam a taxa SELIC, portanto, se na prova nada falar vai para a regra geral.</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Esta regra vale:</p><p>- Para tributos estaduais.</p><p>- Para tributos distritais.</p><p>- Para tributos municipais.</p><p>Lei Ordinária Municipal, publicada em 05/01/2015, estabeleceu, entre outras providências</p><p>relacionadas ao ISS, a majoração da alíquota para lavagem de veículos pesados de 3% para 4%,</p><p>com vigência a partir de 05/02/2015. Considerando que a Lavagem Fausto Silva recolhia no ano</p><p>de 2014, a título de tributo, o valor de R$ 10.000,00, com base na contratação dos seus serviços</p><p>por construtoras locais, com a majoração da alíquota acima mencionada incidente sobre sua</p><p>atividade, passou a recolher mensalmente o valor de R$ 20.000,00. Entretanto, as referidas</p><p>construtoras exigiram e obtiveram o desconto do valor do aumento do tributo, alegando que seria</p><p>indevido. Assim sendo, o contribuinte do ISS se submeteu ao aumento desse imposto durante o</p><p>período relativo aos meses de Março de 2015 até Dezembro de 2015. Ocorre que, em Fevereiro</p><p>de 2016, mediante notícia veiculada no Facebook, o representante legal dessa empresa teve o</p><p>conhecimento da propositura de ações deflagradas por empresas concorrentes questionando a</p><p>ilegalidade do aumento do ISS. Dessa forma, na qualidade de advogado da Lavagem Fausto Silva,</p><p>formule a peça adequada para a defesa dos seus interesses de forma completa e fundamentada.</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>45</p><p>Lavagem Fausto Silva, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com atos</p><p>constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu procurador</p><p>(procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá intimações,</p><p>perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 165, I, 166 do CTN propor a presente:</p><p>AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO</p><p>Em face do Município ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço</p><p>eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representada por seu procurador nos termos do artigo 75,</p><p>III, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Cabimento & Tempestividade</p><p>Reza o art. 165, I, do CTN que se torna possível a restituição em face de pagamentos realizados</p><p>pelo contribuinte de forma indevida ou à maior. Ocorre no presente caso que o pagamento fora</p><p>realizado pela parte requerente de maneira indevida. Portanto, está presente o requisito para o</p><p>ajuizamento da presente demanda.</p><p>Reza o art. 166 do CTN que poderá o requerente buscar a restituição de tributos pagos</p><p>indevidamente ou à maior quando, no caso de tributação indireta, ou seja, na presença de</p><p>repercussão tributária, ficar demonstrado que não houve repasse do tributo satisfeito.</p><p>Igualmente, leciona a Súmula 546 do STF que caberá a presente restituição quando comprovar-</p><p>se que não houve repasse e/ou repercussão. Assim, diante do caso previsto no enunciado, fica</p><p>claro que o requerente não repassou o encargo para as empresas que se utilizam do seu serviço.</p><p>Portanto, resta claro a comprovação de que não houve o repasse ao consumidor final, ou seja, o</p><p>contribuinte de fato, sendo possível o ajuizamento da respectiva restituição, contrariando o que</p><p>disposto na Súmula 71 do STF.</p><p>Reza o artigo 168, I, do CTN, cumulado com o artigo 3º da Lei Complementar 118/05, que o prazo</p><p>para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorrerá no prazo de 5 anos</p><p>contados do pagamento indevido realizado de forma antecipada. Diante disso, resta claro, no</p><p>presente enunciado, que não transcorreu o presente prazo, sendo cabível, portanto, a</p><p>possibilidade de restituição.</p><p>Por fim, e não menos importante, torna-se necessário salientar que, conforme comprovação em</p><p>anexo, junta-se a guia de pagamento de tributo indevido, comprovando-se, assim, a condição</p><p>para a ação.</p><p>II – Dos Fatos</p><p>Conforme expresso no enunciado, a Lavagem Fausto Silva fora compelida a satisfazer alíquota</p><p>de ISSQN majorada em 05/01/2015, através de lei ordinária, a partir de 05/02/2015. Igualmente,</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>46</p><p>tal alíquota majorada redundou à empresa requerente aumento no pagamento mensal do referido</p><p>tributo de R$ 10.000,00 para R$ 20.000,00. Outrossim, tal tributo não fora repassado aos</p><p>contribuintes, tendo, portanto, a requerente satisfeito eles entre março de 2015 até dezembro de</p><p>2015. Diante do pagamento do tributo majorado por 10 meses, a Lavagem Fausto Silva fora</p><p>cientificado, em fevereiro de 2016, que tal contribuição seria indevida, fato este que culminou na</p><p>busca por um advogado. Não restando outra alternativa, frente a inconstitucionalidade, faz-se</p><p>necessário o ingresso da presente demanda, a fim de buscar a devolução do pagamento destes</p><p>tributos.</p><p>III – Dos Direitos</p><p>Reza o artigo 150, III, B e C da CF que os tributos, via de regra, majorados ou criados, deverão</p><p>atender ao princípio da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal. Ocorre no</p><p>presente caso, que a empresa requerente fora compelida a satisfazer a alíquota majorada de 3%</p><p>para 4%, após apenas um mês de publicação da demanda. Diante disso, considerando a</p><p>inobservância do princípio da anterioridade do exercício, ou seja, a possibilidade de exigência do</p><p>tributo somente após o primeiro dia útil do exercício seguinte, e, da anterioridade nonagesimal,</p><p>ou seja, a possibilidade da exigência do tributo após 90 dias da sua publicação, compreende-se</p><p>que os pagamentos realizados pelo requerente foram ilegais, eis que realizados após 1 mês da</p><p>publicação da norma majorante.</p><p>Reza o artigo 8º da Lei Complementar 116/03 que a alíquota máxima de ISSQN poderá ser de</p><p>até 5%. Ocorre no presente caso que tal alíquota fora majorada para 4%. Diante disso,</p><p>compreende-se da legalidade de tal majoração, cumprindo, assim, a municipalidade com o</p><p>princípio da legalidade.</p><p>IV – Do Modo de Correção e Juros Moratórios</p><p>Reza a Súmula 162 do STJ que o valor do tributo pago indevidamente ou à maior deverá ser</p><p>corrigido monetariamente a partir do pagamento indevido. Igualmente, reza a Súmula 188 do STJ</p><p>e o artigo 167, §º único do CTN que os juros moratórios deverão incidir a partir do trânsito em</p><p>julgado da demanda. Considerando que se trata de tributo de competência municipal, deseja a</p><p>parte requerente que o valor pago indevidamente seja corrigido a partir do pagamento indevido e</p><p>os juros moratórios</p><p>incidam a partir do trânsito em julgado da demanda.</p><p>V – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Seja a parte contrária citada para que, caso queira, no prazo hábil, venha oferecer contestação</p><p>da presente demanda.</p><p>b) A parte não deseja que seja designada audiência de conciliação ou mediação, nos termos do</p><p>artigo 319, VII, do CPC.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>47</p><p>c) A produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente a juntada das guias de</p><p>pagamento dos tributos, assim como prova documental e pericial, na forma do art. 319, VI, do CPC.</p><p>d) A procedência da presente demanda, a fim de condenar a parte requerida, para que restitua os</p><p>tributos pagos mensalmente entre os meses de março até dezembro de 2015, no valor de R$</p><p>100.000,00. Tais valores deverão ser corrigidos através da correção monetária a partir do</p><p>pagamento indevido, na forma da súmula 162 do STJ, e com juros moratórios a partir do trânsito</p><p>em julgado, conforme súmula 188 do STJ e art. 167, § único do CTN.</p><p>e) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do artigo</p><p>85, §3º do CPC.</p><p>Valor da Causa: R$ 100.000,00.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>48</p><p>7. Ação de Embargos à Execução Fiscal e</p><p>Redirecionamento da Execução Fiscal</p><p>O fundamento legal básico do presente instrumento de defesa encontra-se esculpido no</p><p>artigo 914 e seguintes do NCPC. Entretanto, é importante ressaltar sobre os Embargos à</p><p>Execução Fiscal, o artigo 16 da LEF.</p><p>Mas de onde nasce o Direito da Execução Fiscal? A partir do momento que existe um</p><p>crédito tributário que não foi satisfeito pelo contribuinte. Sendo assim, ocorrerá a inscrição do</p><p>débito em dívida ativa.</p><p>Ademais, a certidão de dívida ativa funciona como título executivo, cuja a mesma será</p><p>utilizada para a cobrança do crédito pelo Ente Público. Vide artigo 202 do CTN.</p><p>Outrossim, conforme Execução de Título Extrajudicial, a Execução Fiscal serve para que</p><p>seja realizado um crédito não pago, ou seja, aquele que é certo, líquido e exigível.</p><p>Tal procedimento correrá em autos apartados da Execução Fiscal e, por isso, inclusive,</p><p>alguns doutrinadores a chamam de ação autônoma. Logo, sua finalidade é de fato proteger o</p><p>contribuinte e os seus direitos.</p><p>Tais Embargos à Execução Fiscal serão ajuizados nos seguintes casos e no prazo de 30</p><p>dias:</p><p>• Intimação da penhora.</p><p>• Do depósito.</p><p>• Da juntada da prova de fiança bancária ou seguro garantia.</p><p>Jamais erre no momento da prova: a garantia do juízo é requisito para admitir os</p><p>Embargos à Execução Fiscal, assim como o prazo de 30 dias. Ademais, caberá Embargos de</p><p>qualquer espécie tributária.</p><p>Tenha atenção na hora de fazer a prova: não basta a garantia do juízo para embargar,</p><p>terá de contar o prazo de 30 dias. Se estiver fora do prazo, não cabe mais embargos. Tudo isso</p><p>conforme o artigo 16 da LEF. Mas se o contribuinte desejar acelerar os embargos, nada impede</p><p>que, caso tenha penhora nos autos, mesmo sem intimação, ele ofereça os embargos à execução.</p><p>Até porque ninguém garante juízo para anulatória ou exceção.</p><p>Mera propositura dos embargos suspenderá a execução? Não. Logo, o bem em garantia</p><p>poderá ser vendido. E o que faço para suspender? Depósito integral em dinheiro (exceção) ou</p><p>o requerimento do efeito suspensivo (regra).</p><p>E como faço requerimento do efeito suspensivo? O art. 294 do CPC fala sobre tutela</p><p>provisória, observando o que disposto no art. 919, §1º, do CPC.</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>49</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Em 10.05.2005 Livina Maria Andrade arrematou judicialmente um imóvel por R$ 350.000,00</p><p>localizado no Município de Rancho Queimado. Recolheu o ITBI, com base no valor arrematado em</p><p>juízo. A Sra. Livina Maria Andrade é agricultora e utiliza o imóvel para a produção agrícola e</p><p>pecuária. O imóvel está dentro da zona urbana definida por lei pelo Município, já que a rua onde se</p><p>encontra o imóvel é asfaltada e o Município fornece água e sistema de esgoto sanitário. Em</p><p>10.05.2008 recebeu notificação fiscal exigindo diferenças no valor do ITBI pago por ocasião da</p><p>aquisição judicial do imóvel. O Fisco Municipal entendeu que o tributo deveria ser calculado com</p><p>base no valor da avaliação judicial realizada no processo de execução, no qual ocorreu a</p><p>arrematação (R$ 380.000,00). A Sra. Livina permaneceu inerte e foi inscrita em dívida no dia</p><p>10.08.2008. Em 10.06.2010 foi citada em execução fiscal proposta pelo Município de Rancho</p><p>Queimado para a cobrança do ITBI e do IPTU dos anos de 2007, 2008 e 2009, os quais nunca</p><p>foram pagos. A Sra. Livina teve bens penhorados em 10.07.2010 e lhe procurou, em 20.07.2010,</p><p>para a defesa de seus direitos. Na qualidade de advogado da Sra. Livina, elabore a peça processual</p><p>que melhor atenda o seu direito, especificando seus fundamentos.</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de Rancho Queimado do</p><p>Estado ...</p><p>Distribuição por dependência</p><p>Aos autos do processo nº ...</p><p>Livina Maria Andrade, brasileira, estado civil ..., agricultora, inscrita no CPF sob o nº ..., endereço</p><p>eletrônico ..., residente e domiciliada ..., por meio de seu advogado (com procuração anexa),</p><p>estabelecido ..., local onde receberá intimações, com fulcro no art. 16 da Lei 6.830/80, vem à</p><p>presença de Vossa Excelência, opor:</p><p>EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>50</p><p>Em face do Município de Rancho Queimado, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ</p><p>sob o nº ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu prefeito ou procurador, nos termos</p><p>do art. 75, III do CPC, em face dos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Cabimento</p><p>Nos termos do art. 16 da lei de execução fiscal, poderá a parte executada apresentar embargos</p><p>à execução fiscal se existir garantia do juízo e a observância do prazo de 30 dias.</p><p>No presente caso houve penhora dos bens de Livina, ocorrendo, assim, a garantia do juízo.</p><p>Ademais, a presente embargante fora intimada da penhora no dia 10/07/2010 e procurou seu</p><p>procurador no dia 20/07/2010, ou seja, estando observado o prazo legal de 30 dias (art. 16, III,</p><p>LEF).</p><p>Sendo assim, compreende-se possível o ajuizamento do presente embargos à execução fiscal.</p><p>II – Dos Fatos</p><p>Conforme presente caso, houve ajuizamento de execução fiscal contra a Livina, tendo em vista,</p><p>segundo o ente público, o não pagamento do ITBI sobre o valor da avaliação do bem, que foi</p><p>arrematado pela embargante. Assim, não houve pagamento do IPTU referente aos anos de</p><p>2007/2008 e 2009.</p><p>Diante do possível débito, e mediante a inscrição em dívida ativa, possibilitou ao embargado o</p><p>ajuizamento de execução fiscal para a cobrança do possível débito da embargante.</p><p>III – Dos Direitos</p><p>Lembrar aqui que os direitos poderão ser: preliminar e mérito principal. Lembrando que preliminar,</p><p>por exemplo, poderá ser eventual nulidade de CDA, conforme o que previsto no art. 202 do CTN.</p><p>Conforme reza o art. 15 do decreto lei 57/66, não será objeto de cobrança de IPTU imóvel situado</p><p>em zona urbana, cuja utilização seja realizado</p><p>para fins rurais.</p><p>Ocorre, no presente caso, que Livina utiliza o imóvel arrematado para fins de produção rural, tal</p><p>seja, agricultura e pecuária. Diante disso, compreende-se que torna-se, mesmo com a presença</p><p>dos elementos do IPTU (art. 32, §1º do CTN), impossível cobrar IPTU da embargante,</p><p>considerando a previsão do art. 15 do decreto lei 57/66.</p><p>Ainda, conforme reza o art. 38 do CTN, o ITBI será satisfeito com base no valor venal do bem que</p><p>fora transmitido. Ocorre no presente caso que Livina satisfez o valor do ITBI com base no valor</p><p>da arrematação. Sendo assim, ilegal a cobrança do ITBI com base no valor da avaliação judicial.</p><p>Posto isso, compreende-se ilegal a cobrança do ente público com base no valor da avaliação</p><p>judicial do bem arrematado, uma vez observado o que disposto no art. 38 do CTN.</p><p>IV – Do Efeito Suspensivo</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>51</p><p>Nos termos do art. 919, §1º do CPC o magistrado poderá deferir o efeito suspensivo da execução</p><p>fiscal, mediante requerimento do embargante, e presentes os requisitos da tutela provisória.</p><p>No presente caso, estão presentes os requisitos da tutela provisória, conforme artigo 294 do CPC.</p><p>Ademais, restam configurados, igualmente, os requisitos do art. 300 do CPC, uma vez presente</p><p>a probabilidade do direito e o perigo de dano.</p><p>Ocorre a probabilidade do direito, eis que observou a embargante o que disposto no art. 38 do</p><p>CTN (pagamento do ITBI com base no valor da arrematação), assim como não deverá satisfazer</p><p>o IPTU, uma vez que o imóvel tem exploração notadamente rural, conforme reza o art. 15 do</p><p>decreto lei 57/66.</p><p>Também ocorre o perigo de dano, eis que, caso tenha que satisfazer o valor cobrado, poderá</p><p>posteriormente a embargante ajuizar ação de repetição de indébito, tendo que possivelmente</p><p>receber tais valores através de precatória, conforme reza o art. 100 da constituição federal.</p><p>Ademais, se fizesse tal pagamento poderia acarretar danos a sua pessoa e família. Diante disso,</p><p>além de estar garantida a execução fiscal, restam presentes os requisitos do art. 919, §1º,</p><p>cumulados com os artigos 294 e 300 do CPC.</p><p>V – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) a concessão do efeito suspensivo dos embargos para suspender a execução fiscal, eis que</p><p>presentes os requisitos da probabilidade do direito e perigo de dano. Tudo isso, conforme art.</p><p>919, §1º, cumulado com os artigos 294 e 300 do CPC.</p><p>b) A intimação do município para que, caso queira, venha impugnar os embargos no prazo de 30</p><p>dias, designando, igualmente, audiência de instrução e julgamento, nos termos do art. 17 da LEF.</p><p>c) A procedência dos embargos à execução fiscal, para extinção da execução, e o respectivo</p><p>cancelamento das dívidas ativas referente ao ITBI e IPTU lançados, contrariando o que disposto,</p><p>respectivamente, nos artigos 38 do CTN e 15 do decreto lei 57/66.</p><p>d) A produção de prova admitida em direito, assim como a juntada de documento e do rol de</p><p>testemunhas, conforme reza o art. 16, §2º da LEF.</p><p>e) A condenação da parte embargada nos ônus sucumbenciais. Notadamente em custas judiciais,</p><p>conforme reza o art. 82, §2º do CPC e dos honorários sucumbenciais, conforme reza o art. 85,</p><p>§3º do CPC.</p><p>Valor da Causa: R$ ...</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>52</p><p>8. Petição de Exceção de Pré-executividade</p><p>Tal petição (peça processual) não apresenta fundamento legal próprio. Mas não esqueça</p><p>de colocar a Súmula 393 do STJ.</p><p>Outrossim, para o seu ingresso não será necessária a garantia do juízo, conforme ocorre</p><p>nos Embargos à Execução Fiscal. Ademais, seu processamento será realizado mediante simples</p><p>petição, sem quaisquer autos apartados, dentro da Execução Fiscal.</p><p>Assim, vale dizer: poderão ser suscitadas via Exceção de Pré-Executividade matérias de</p><p>ordem pública e nulidades absolutas. E vamos mais longe: dentro da Exceção não poderá existir</p><p>produção probatória (tudo é pré constituído).</p><p>Tem-se admitido, inclusive, Exceção para questionar nulidade flagrante (totalmente</p><p>visível) quando houver nulidade de título ou ainda no processo. Outrossim, é exemplo de opção</p><p>para utilização da Exceção:</p><p>• Ilegitimidade de Parte.</p><p>• Falta de Condição ou Pressuposto de Ação.</p><p>• Inépcia da Inicial.</p><p>• Falta de citação regular.</p><p>• Falta de capacidade postulatória.</p><p>• Vícios de processo administrativo.</p><p>• Coisa Julgada.</p><p>• Causa Extintiva da Obrigação (Prescrição, Pagamento, Compensação).</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça prática tratada neste capítulo. É</p><p>importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que</p><p>serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>53</p><p>A União Federal ajuizou, em janeiro de 2016, Execução Fiscal contra a empresa Peppa Pig</p><p>Indústria de Brinquedos Ltda. e seus sócios Guigui e Nini. Antes da exigência de IPI, constituído</p><p>em janeiro de 2015, a Fazenda Pública Nacional inscreveu em dívida ativa a empresa devedora. A</p><p>presente execução fiscal foi ajuizada na 1ª Vara da Fazenda Pública da Seção Judiciária do Rio</p><p>Grande do Sul. Outrossim, é importante ressaltar que no contrato social da empresa consta como</p><p>sócio administrador somente o sócio Nini de forma exclusiva. Devidamente citadas as partes, sem</p><p>haver oferecimento de bens à penhora, o pagamento da dívida ou a penhora propriamente dita de</p><p>eventuais bens em nome dos executados, foi efetuada penhora em uma Lambreta 1969 de</p><p>propriedade de Guigui. Diante da penhora realizada no bem móvel de Guigui, o mesmo foi intimado</p><p>de sua realização em 20 de dezembro de 2016. Na qualidade de advogado de Guigui redija a peça</p><p>processual cabível para a defesa do mesmo nos próprios autos da Execução Fiscal, considerando,</p><p>ainda, que o cliente teve penhora nos autos.</p><p>Douto Juízo Federal da 1ª Vara da Fazenda Pública da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande</p><p>do Sul</p><p>Execução Fiscal Nº ...</p><p>Exequente: União Federal.</p><p>Executados: Peppa Pig Indústria de Brinquedos Ltda.</p><p>Guigui</p><p>Nini</p><p>Guigui, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., com endereço eletrônico ...,</p><p>residente e domiciliado ..., vem respeitosamente perante Vossa Excelência, por meio de seu</p><p>advogado (procuração anexa), este com endereço profissional ..., local onde receberá intimações,</p><p>nos termos dos artigos 5º, XXXV e LV da Constituição Federal e Súmula 393 do STJ, propor a</p><p>presente:</p><p>EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE</p><p>Em face da Execução Fiscal ajuizada pela União Federal, pessoa jurídica de direito público,</p><p>inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada por</p><p>seu procurador, na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>54</p><p>I – Do Cabimento da EPE</p><p>Reza a Súmula 393 do STJ que existirá possibilidade de cabimento de Exceção de Pré</p><p>Executividade em sede de defesa em Execução Fiscal, desde que a matéria seja de ordem</p><p>pública e seja desnecessária a produção/dilação probatória.</p><p>No presente caso, existe a possibilidade de Exceção de Pré Executividade, uma vez que a matéria</p><p>a ser arguida não carece de dilação probatória e, conforme o próprio enunciado, a defesa deverá</p><p>ser realizada nos autos da Execução Fiscal. Outrossim, a matéria a ser arguida independe de</p><p>ampla produção probatória, ou seja, podendo, assim, o juiz apreciá-la de ofício e decidir pela</p><p>causa impeditiva de realização da Execução Fiscal.</p><p>Diante disso, compreende-se possível o ajuizamento da presente Exceção de Pré Executividade,</p><p>uma vez atendidos os requisitos da Súmula 393 do STJ e o que igualmente expresso no</p><p>enunciado da questão.</p><p>Por fim, vale ressaltar que a parte excipiente anexa à presente petição todos os documentos</p><p>necessários, a fim de comprovar seu direito, mais uma vez justificando a desnecessidade de</p><p>dilação probatória, uma vez que, igualmente, todas as provas necessárias são pré constituídas.</p><p>II – Dos Fatos</p><p>O presente caso trata-se de Execução Fiscal movida pela União Federal contra a empresa Peppa</p><p>Pig Indústria de Brinquedos Ltda. e seus sócios, referente ao possível IPI devido e não satisfeito.</p><p>Ocorre que, após tentativas sem sucesso de efetuar a penhora de bens da empresa e/ou a</p><p>satisfação do crédito pelas partes, a União Federal obteve êxito na penhora de uma lambreta</p><p>registrada em nome do sócio Guigui. Considerando que o mesmo fora intimado da penhora em</p><p>20/12/16, procurou um advogado a fim de efetuar sua defesa.</p><p>III – Dos Direitos</p><p>Reza o artigo 135, III, do CTN que somente poderá ser responsabilizado pelo pagamento de</p><p>tributos, pessoalmente, os sócios gestores que cometerem atos abusivos ou com excesso de</p><p>poderes na sua administração do empreendimento comercial.</p><p>No presente caso, houve o simples ajuizamento da Execução Fiscal contra o sócio Guigui, que</p><p>não era administrador, logo, não podendo ser responsabilizado pessoalmente por eventuais</p><p>excessos cometidos pelo sócio administrador Nini.</p><p>Sendo assim, compreende-se pela impossibilidade de realização da Execução Fiscal, uma vez</p><p>que Guigui não fora inscrito na CDA, assim como não poderá ser responsabilizado pela dívida</p><p>fiscal, frente ao que disposto no artigo 135, III, do CTN.</p><p>Igualmente, reza a Súmula 430 do STJ que não caberá responsabilidade de sócio pelo mero</p><p>inadimplemento de tributo.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>55</p><p>No presente caso, houve a responsabilização do sócio pelo simples ajuizamento da Execução</p><p>Fiscal, portanto, reforçando a tese da ilegalidade da cobrança do sócio, bem como da Execução</p><p>Fiscal.</p><p>IV – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) o recebimento da presente Exceção de Pré Executividade.</p><p>b) A intimação da parte contrária para manifestar-se e ter ciência da presente petição, na forma</p><p>do artigo 7º do CPC e artigo 5º, LV, da CF.</p><p>c) Que seja acolhida a presente Exceção de Pré Executividade e dado provimento ao pedido, para</p><p>que seja extinta a presente Execução Fiscal, extinguindo, igualmente, o crédito tributário, nos</p><p>termos do artigo 156, X, do CTN. Igualmente, deseja que seja declarada nula a dívida cobrada e</p><p>a CDA lançada, ordenando o cancelamento da inscrição em dívida ativa.</p><p>d) A inversão da condenação em custas e honorários advocatícios sucumbenciais na forma do</p><p>artigo 82, §2º e 85, §3º do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>56</p><p>9. Teoria Geral dos Recursos</p><p>O que é recurso? Uma ferramenta processual que pode ser questionada dentro do</p><p>processo. Um ato de caráter decisório do órgão jurisdicional que está julgando minha causa.</p><p>Poderei, portanto, me manifestar sobre uma discordância e modificar a decisão em razão do</p><p>fundamento cujo mesmo não concordo com a decisão.</p><p>Vale ressaltar que o recurso é questão de livre arbítrio daquele que recorre. Não existe</p><p>obrigação para tanto, fora aquelas condições impostas na lei, como por exemplo, reexame</p><p>necessário.</p><p>Qual a diferença entre Decisão Interlocutória e Sentença: terminar a atuação do juiz de</p><p>primeiro grau, mesmo resolvendo o mérito (enfrenta o mérito da causa) ou não (termina sem</p><p>definir o mérito), quanto a sua decisão final, caberá sentença, assim, será o exaurimento do</p><p>processo dentro do primeiro grau. Só que entre a inicial e a sentença, haverão decisões</p><p>interlocutórias onde o juiz também precisará decidir, mas não terminará o feito. Aqui é o exemplo</p><p>da tutela antecipada ou liminar.</p><p>Já no que tange ao Tribunal. Inicialmente, cabe dizer que lá não serão mais juízes, mas</p><p>sim Desembargadores. Quando recorre alega-se erro quanto ao procedimento ou a matéria.</p><p>Assim, se busca atacar nos recursos: reforma ou anulação.</p><p>Se existe erro de um procedimento, quando alguém desrespeita uma norma legal, existe</p><p>decisão contrariando a lei, como conduzir a forma do processo. Assim, diante deste desrespeito,</p><p>pede-se a anulação. Aqui é erro ad procedendo. Quando estou diante de um erro anulável, pede-</p><p>se ao Tribunal que, caso dê procedência ao pedido, para que seja anulada a decisão, requerendo</p><p>que o processo seja remetido novamente para julgamento. Assim, o Tribunal não faz nova</p><p>decisão.</p><p>Agora, se o feito é conduzido pelo procedimento correto, mas não concordo com o</p><p>conteúdo, aí eu peço a reforma. Aqui é erro ad judicando. Imagine que o juiz sentenciou de</p><p>maneira correta. Julgou de maneira correta, não quer dizer que ele julgou de maneira correta.</p><p>Quando eu recorrer desta sentença, no que tange ao conteúdo, vou pedir para o Tribunal</p><p>reformar a decisão, a fim de que seja proferida nova decisão para modificar àquela. Logo, é uma</p><p>decisão de caráter substitutivo.</p><p>• Na Primeira Instância: Decisões Interlocutórias e Sentenças.</p><p>• Nos Tribunais: Acórdãos (Unânimes & Não Unânimes) e Decisões Monocráticas dos</p><p>Relatores (quando eles sozinhos decidem que não precisam submeter a decisão ao</p><p>colegiado).</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>57</p><p>Jamais peça procedência de recurso. Recurso você pedirá sempre provimento. Dar</p><p>provimento é dar julgamento procedente no que tange ao Recurso. Assim, o Desembargador vai</p><p>dar ou não o provimento do Recurso.</p><p>São os requisitos do recurso:</p><p>Para Resp ou RE:</p><p>- Pré-Questionamento.</p><p>- Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias.</p><p>E ainda, se for RE:</p><p>- Repercussão Geral.</p><p>INTRÍNSECOS</p><p>•Cabimento (recurso certo)</p><p>•Legitimidade (legitimação, parte, prejudicada)</p><p>•Interesse (é possível)</p><p>•Inexistência de Fatos Impeditivos e Extintivos do direito de recorrer</p><p>EXTRÍNSECOS</p><p>•Tempestividade</p><p>•Preparo</p><p>•Regularidade Formal</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>58</p><p>10. Recurso de Agravo de Instrumento, Interno e Apelação</p><p>O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.015 do NCPC. Tal medida</p><p>será utilizada pelo contribuinte quando, dentro de um processo judicial, houver decisão</p><p>interlocutória.</p><p>Outrossim, via de regra, tal medida é realizada especialmente quando:</p><p>• O juiz indeferir pedido liminar ou tutela de urgência.</p><p>• O juiz indeferir ou extinguir a petição de Exceção de Pré-Executividade.</p><p>• O juiz indeferir pedido de efeito suspensivo da Execução Fiscal.</p><p>Lembre-se que o presente recurso será utilizado SEMPRE para desafiar decisão</p><p>interlocutória proferida em sede de 1º Grau, ou seja, pelo JUIZ.</p><p>Considerando que repassamos sobre o presente recurso, vamos agora vislumbrar uma</p><p>estruturação da presente peça tratada neste capítulo. É importante dizer que o presente material</p><p>deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas conforme grade de</p><p>horários.</p><p>Priscila e Márcia são sócias cotistas da Melati Indústria e Comércio Ltda., que responde por dívida</p><p>previdenciária no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Foi proposta execução em face</p><p>da pessoa jurídica e das sócias, que tramita na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Mato Grosso,</p><p>em Cuiabá. As sócias apresentaram exceção de pré-executividade, sob o argumento de que não</p><p>poderiam responder pelas dívidas da empresa. O juiz</p><p>não acolheu os argumentos das sócias da</p><p>empresa, mantendo os seus nomes no polo passivo da demanda, com fundamento no art. 13 da</p><p>Lei nº 8.620/1993 combinado com o art. 124, inciso II, do Código Tributário Nacional. A decisão foi</p><p>publicada em 26 de janeiro de 2006. Como advogado (a) das sócias, tome as medidas judiciais</p><p>cabíveis, e considere que a ação é contemporânea à época visualizada no problema.</p><p>Ilustríssimo Senhor Presidente do Tribunal Regional Federal da ... Região</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>59</p><p>Processo de nº ...</p><p>Agravante: Priscila e Márcia</p><p>Agravada: União</p><p>Priscila, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ..., residente e domiciliada ...,</p><p>endereço eletrônico ..., e Márcia, estado civil ..., profissão ..., inscrita no CPF sob o nº ..., residente</p><p>e domiciliada ..., endereço eletrônico ..., vem por meio de seu procurador (procuração anexa),</p><p>estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, nos termos do artigo</p><p>Art. 1.015, §º único do CPC, interpor o presente:</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA RECURSAL</p><p>Em face de decisão interlocutória que negou acolhimento da Exceção de Pré Executividade, nas</p><p>folhas ..., dos autos do processo de nº ..., que litiga contra a União, pessoa jurídica de direito</p><p>público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato</p><p>representada por seu representante, na forma do artigo 75, I, do CPC, pelos fatos e razões de</p><p>direito abaixo aduzidas.</p><p>I – Do Cabimento e Pressupostos de Admissibilidade</p><p>Conforme reza o artigo 1.015, §º único do CPC, a decisão interlocutória proferida por juiz em sede</p><p>de processo executório, poderá ser impugnada por agravo de instrumento.</p><p>Ocorre no presente caso que as partes agravantes realizaram exceção de pré executividade</p><p>considerando a existência de execução fiscal contra as mesmas.</p><p>Diante disso, torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso, visto que também</p><p>estão atendidos os demais requisitos intrínsecos de admissibilidade do recurso, ou seja, as partes</p><p>são legítimas na forma do artigo 996 do CPC, bem como não ocorre nenhum fato impeditivo,</p><p>extintivo do direito de recorrer, na forma dos artigos 998 até 1.000 do CPC.</p><p>II – Da Tempestividade e do Preparo</p><p>Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que poderá ser interposto o presente recurso no prazo de 15</p><p>dias. Ocorre no presente caso que a decisão foi publicada em 26 de janeiro de 2006.</p><p>Considerando a contemporaneidade da elaboração do presente recurso, compreende-se</p><p>tempestiva a interposição do presente agravo de instrumento.</p><p>Rezam os artigos 1.017, §1º e 1.007 do CPC que para a interposição do presente recurso deverá</p><p>a parte efetuar o pagamento do preparo. Diante desta necessidade, solicitam as partes</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>60</p><p>agravantes a juntada do comprovante do pagamento das custas de preparo, requisito este</p><p>indispensável para a realização do presente recurso.</p><p>III – Das Peças Obrigatórias</p><p>Reza o artigo 1.016, IV, do CPC que deverá a parte agravante anexar ao seu recurso todos os</p><p>documentos e peças obrigatórias. Outrossim, previsão igual resta presente no artigo 1.017, I e</p><p>§1º do CPC.</p><p>Igualmente, resta anexado ao presente recurso cópia das procurações dos procuradores das</p><p>partes, com suas devidas qualificações e endereços.</p><p>Por fim, igualmente, resta dizer o agravante que está em anexo cópia da peça portal, da decisão</p><p>interlocutória, do comprovante de intimação da decisão, da guia de recolhimento e das cópias da</p><p>inicial e contestação.</p><p>IV – Das Peças Facultativas</p><p>Reza o artigo 1.017, III, do CPC que poderá a parte recorrente, ora agravante, apresentar no</p><p>presente recurso peças de cunho não obrigatório, ou seja, facultativas. Diante disso, apresenta</p><p>as partes agravantes peças que compreendem importantes para o julgamento do presente</p><p>recurso.</p><p>V – Do Conhecimento do Juízo de 1º Grau</p><p>Reza o artigo 1.018 do CPC que para o juízo de admissibilidade do presente agravo de</p><p>instrumento deverão ser obedecidos os seguintes requisitos: a juntada da cópia no prazo de até</p><p>3 dias do agravo de instrumento, do comprovante de interposição e dos documentos que foram</p><p>anexados ao presente agravo. Diante disso, obedece o agravante o que acima exposto para</p><p>efeitos de não existir inadmissibilidade do presente recurso.</p><p>VI – Dos Fatos</p><p>As partes agravantes peticionaram nos autos da Execução Fiscal desejando as suas exclusões</p><p>do polo passivo, visto que compreendem não serem devedoras da quantia tributária devida à título</p><p>de contribuição previdenciária.</p><p>No presente caso, houve decisão interlocutória proferida pelo magistrado não acolhendo o pedido</p><p>realizado pelas partes, fundamentando sua decisão com fulcro em lei ordinária.</p><p>Diante disso, não restou outra alternativa às agravantes, a não ser de interpor o presente recurso.</p><p>VII – Do Direito - Das Razões de Reforma</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>61</p><p>Reza a Súmula 430 do STJ que os sócios gerentes não poderão ser responsáveis</p><p>automaticamente por dívida da empresa. No presente caso, além dos sócios não serem gerentes,</p><p>visto que são quotistas, não poderá ser atribuída responsabilidade para às mesmas, eis que não</p><p>podem ser responsabilizadas automaticamente. Diante disso, considerando o que previsto na</p><p>Súmula 430 do STJ, compreende-se pela impossibilidade de buscar a responsabilização dos</p><p>sócios quotistas agravantes.</p><p>Outrossim, reza o artigo 146, III, “a” e “b” da Constituição Federal que somente caberá à lei</p><p>complementar estabelecer quem serão os contribuintes e suas respectivas obrigações. No</p><p>presente caso, a decisão do magistrado foi proferida com fundamento em lei ordinária. Diante</p><p>disso, considerando o que previsto no artigo 146, III, “a” e “b” da Constituição Federal,</p><p>compreende-se pela ilegalidade de tal responsabilização, visto que não caberá à lei ordinária</p><p>legislar em matéria atinente somente à lei complementar.</p><p>VIII – Da Antecipação de Tutela Recursal</p><p>Reza o artigo 995, §º único do CPC combinado com o artigo 1.019, I do CPC que poderão as</p><p>partes agravantes solicitar a concessão da antecipação da tutela recursal.</p><p>Ocorre, no presente caso, que houve indeferimento do pedido de exclusão das sócias da</p><p>execução fiscal, sendo assim proferida decisão interlocutória.</p><p>Diante disso, resta esclarecido que as partes agravantes observam os requisitos necessários para</p><p>o provimento do pedido de tutela recursal, uma vez que estão preenchidos os requisitos dispostos</p><p>no artigo 300 do CPC, ou seja, fundamento relevante e perigo de dano.</p><p>IX – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) seja admitido o presente recurso, uma vez presentes os requisitos e pressupostos de</p><p>admissibilidade, mais notadamente aqueles previstos nos artigos 1.017, §1º combinado com o</p><p>artigo 1.007 e artigo 1.003, §5º, todos do CPC.</p><p>b) Seja intimada a parte agravada para que, desejando, apresente suas contrarrazões no prazo</p><p>legal de 15 dias, na forma do artigo 1.003, §5º do CPC e artigo 1.019, II, do CPC.</p><p>c) Seja intimado o membro do Ministério Público para que, desejando, apresente suas</p><p>considerações sobre o presente recurso, na forma do artigo 1.019, III, do CPC.</p><p>d) Seja deferida por Vossa Excelência o pedido de antecipação de tutela recursal, na forma do</p><p>artigo 995, §º único do CPC e artigo 1.019, I, do CPC.</p><p>e) Por fim, desejam os agravantes que seja provido o presente recurso de agravo de instrumento,</p><p>sendo prolatado novo acórdão, reformando-se a decisão interlocutória indeferida, para efeitos de</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>62</p><p>Após visualizarmos e compreendermos o recurso de Agravo de Instrumento, vamos falar</p><p>um pouco sobre o recurso de Apelação. O presente recurso apresenta como fundamento legal o</p><p>artigo 1.019, II do NCPC. Tal medida será utilizada quando houver sentença, inobstante seja ela</p><p>com ou sem resolução de mérito.</p><p>Mas afinal o que é sentença? Sentença é a decisão proferida pelo JUIZ, em sede de 1º</p><p>GRAU, onde o mesmo encerra sua participação no processo. Vale ressaltar: via de regra, caberá</p><p>apelação, mas nem sempre será somente apelação.</p><p>É importante, ainda, ressaltar que:</p><p>• Julgou os Embargos à Execução? Apelação.</p><p>• Julgou Exceção de Pré-Executividade? Agravo.</p><p>• Acolheu Exceção e Extinguiu Execução? Apelação.</p><p>• Decisão que não concede Mandado de Segurança? Apelação.</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o recurso, vamos</p><p>agora vislumbrar um modelo de peça-prática do presente recurso tratado neste capítulo. É</p><p>importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que</p><p>serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>extinguir do polo passivo da Execução Fiscal as sócias quotistas, com fundamento na Súmula 430</p><p>do STJ e artigo 146, III, “a” e “b”, da Constituição Federal.</p><p>Nestes termos, pede e espera deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>Em janeiro de 2007, a Fazenda Nacional lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica ABC,</p><p>visando a cobrança de contribuições previdenciárias dos anos de 2005 e 2006. Não houve</p><p>impugnação administrativa por parte do contribuinte. Em janeiro de 2014, a Fazenda Nacional</p><p>ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica ABC visando a cobrança do referido tributo.</p><p>Antes mesmo da citação da contribuinte, a Fazenda Nacional requereu a inclusão, no polo passivo</p><p>da execução fiscal, de Carlos, gerente da pessoa jurídica ABC, por entender que o não recolhimento</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>63</p><p>da contribuição é motivo para o redirecionamento da execução, o que foi acolhido pelo Juízo da 2ª</p><p>Vara de Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Estado X. Após garantia do Juízo, Carlos opôs</p><p>embargos de execução alegando a prescrição do crédito tributário, a ausência de responsabilidade</p><p>tributária e, por fim, a nulidade da certidão de dívida ativa, uma vez que não constava na Certidão</p><p>de Dívida Ativa (CDA) o número do auto de infração que originou o crédito tributário. No entanto,</p><p>ao proferir a sentença nos embargos à execução, o juiz julgou improcedente o pedido,</p><p>determinando o prosseguimento da execução fiscal, por entender que:</p><p>(i) Inexiste prescrição dos créditos tributários, uma vez que às contribuições previdenciárias se</p><p>aplicam os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91;</p><p>(ii) O mero inadimplemento gera responsabilidade tributária; e</p><p>(iii) A inexistência do número do auto de infração na CDA não gera a referida nulidade.</p><p>Diante do exposto, elabore, como advogado (a) de Carlos, a medida judicial cabível contra a</p><p>decisão publicada na quarta-feira, dia 21/09/2016, dia útil, para a defesa dos interesses de seu</p><p>cliente, abordando as teses, o prazo recursal, todos os fundamentos legais que poderiam ser</p><p>usados em favor do autor, ciente de que inexiste qualquer omissão, contradição e/ou obscuridade</p><p>na decisão. (Valor: 5,00)</p><p>Douto Juízo Federal da 2ª Vara das Execuções Fiscais da Seção Judiciária do Estado...</p><p>Autos do processo nº ...</p><p>Embargante: Carlos</p><p>Embargado: União</p><p>Carlos, nacionalidade, estado civil, inscrito no CPF sob o nº ..., com endereço eletrônico ...,</p><p>residente e estabelecido ..., vem por intermédio de seu procurador (procuração em anexo),</p><p>estabelecido este ..., local onde receberá intimações, apresentar, com fundamento no artigo 1.009</p><p>do CPC:</p><p>APELAÇÃO</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>64</p><p>Em face da sentença proferida por Vossa Excelência nos autos do processo nº ..., folhas ..., onde</p><p>litiga com a União, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço</p><p>eletrônico ..., estabelecida ..., pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) que o presente recurso seja recebido e admitido, uma vez presentes todos os requisitos de</p><p>admissibilidade.</p><p>b) Que a parte contrária seja intimada para que, caso queira, manifeste-se e apresente suas</p><p>contrarrazões recursais, no prazo de 15 dias, na forma do artigo 1,010, §1º do CPC.</p><p>c) Caso Vossa Excelência compreenda pela não observância dos requisitos de admissibilidade,</p><p>que seja observado o que disposto no artigo 1.010, §3º do CPC.</p><p>d) O presente recurso seja recebido em seu efeito suspensivo e devolutivo, na forma dos artigos</p><p>1.012 e 1.013 do CPC.</p><p>e) Que o presente recurso seja remetido para o Tribunal Regional Federal.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>DAS RAZÕES RECURSAIS</p><p>Egrégio Tribunal Regional Federal da Região ...</p><p>Doutos Desembargadores</p><p>Douto Relator Desembargador</p><p>Autos do Processo nº ...</p><p>Apelante: Carlos</p><p>Apelada: União</p><p>I – Cabimento</p><p>Reza o artigo 1.009 do CPC que da decisão de 1º grau onde fora proferida sentença, caberá a</p><p>interposição de recurso de apelação.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>65</p><p>Diante disso, considerando que da sentença dos embargos não existe omissão, obscuridade ou</p><p>contradição, compreende-se possível a interposição do presente recurso para fazer reformar a</p><p>decisão proferida pelo juízo de 1º grau.</p><p>Outrossim, resta salientar que estão presentes todos os requisitos de admissibilidade, seja</p><p>aqueles extrínsecos ou intrínsecos para a interposição do presente recurso de apelação. Mais</p><p>notadamente se fazem presentes os requisitos de legitimidade, na forma do artigo 996 do CPC.</p><p>Além disso, não existe causa impeditiva ou extintiva de direito, na forma dos artigos 998 até 1000,</p><p>todos do CPC. E cumpre ainda à parte apelante o requisito de forma, exposto no artigo 1.010 do</p><p>CPC.</p><p>II – Tempestividade e preparo</p><p>Reza o artigo 1.003, §5º do CPC que o presente recurso de apelação deverá ser interposto no</p><p>prazo de 15 dias úteis, igualmente, observando o que leciona o artigo 212 do CPC. Diante da</p><p>ocorrência da intimação, no dia 21/09/2016, contando o prazo em dias úteis, compreende-se</p><p>totalmente possível a interposição do presente recurso, uma vez que tempestiva a sua realização.</p><p>Igualmente, leciona o artigo 1007 do CPC que deverá a parte apelante realizar o preparo (custas</p><p>judiciais) para que seja interposto o recurso de apelação.</p><p>Diante disso, comprova a parte apelante, conforme guia em anexo, o pagamento das custas</p><p>(preparo) para a realização da interposição do presente recurso.</p><p>III – Fatos</p><p>Doutos Desembargadores. Os presentes embargos à execução fiscal têm origem na Execução</p><p>Fiscal promovida pela União, em razão do possível inadimplemento da Pessoa Jurídica ABC, no</p><p>que tange à contribuições previdenciárias devidas e não satisfeitas.</p><p>Inobstante o ajuizamento da Execução Fiscal, ocorre que a União, não satisfeita em ingressar</p><p>contra a Pessoa Jurídica ABC, acabou por solicitar o redirecionamento, antes mesmo da citação</p><p>da executada, ao apelante, então sócio gerente da empresa Carlos.</p><p>Diante da não concordância de Carlos e da existência da garantia do juízo, o mesmo optou em</p><p>ingressar com Embargos à Execução Fiscal pedindo a sua procedência, tendo em vista que:</p><p>existe prescrição, não houve observância dos requisitos da CDA e não existe responsabilidade.</p><p>Assim, diante dos Embargos interpostos, ocorre que houve sentença improcedente. Sendo assim,</p><p>diante da inexistência de obscuridade, contradição ou omissão, resolveu a parte apelante interpor</p><p>o presente recurso.</p><p>IV – Direitos</p><p>Considerando o que disposto na Súmula Vinculante nº 08 do STF compreende-se inconstitucional</p><p>a previsão legal disposta nos artigos 45 e 46 da Lei 8.21291. Além disso, os presentes artigos</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>66</p><p>são inconstitucionais em razão da não observância da necessidade de lei complementar legislar</p><p>sobre normais gerais de direito tributário, na forma do artigo 146, III, “b”, da CF.</p><p>Diante disso, considerando a inconstitucionalidade dos artigos da lei ordinária acima referida,</p><p>compreende-se que houve prescrição das contribuições cobradas, uma vez que o auto de</p><p>infração fora lavrado em 2007 e a Execução Fiscal interposta apenas em 2014, logo, decorridos</p><p>o prazo superior a 5 anos, ocorrendo, portanto, a prescrição, na forma do artigo 174 do CTN.</p><p>Leciona, igualmente, o artigo 135 do CTN que somente poderá existir responsabilidade do sócio</p><p>gerente se houver desvio de finalidade ou excesso de poderes. Considerando a sua inexistência,</p><p>compreende-se não ser possível o redirecionamento da Execução Fiscal contra o Sócio Gerente</p><p>Carlos. Outrossim, tal fundamento também guarda relação total com o que disposto na Súmula</p><p>430 do STJ, eis que, segundo a mesma, o mero inadimplemento de tributo pela pessoa jurídica</p><p>não gera responsabilidade automática do sócio gerente.</p><p>Leciona o artigo 202, inciso V, do CTN, que a Certidão de Dívida Ativa deverá cumprir requisitos,</p><p>e um destes é a referência ao nº do auto de infração, cujo qual o débito fora originado.</p><p>Considerando a inexistência de tal consideração na CDA, compreende-se nula a mesma.</p><p>Outrossim, tal fundamento é respaldado pela Lei 6.830/80 no seu artigo 2º, §5º, eis que a nulidade</p><p>de tal CDA acabou por deixar de lado o princípio básico de violação ao devido processo legal.</p><p>V – Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) que o presente recurso seja recebido e admitido, eis que presentes todos os requisitos de</p><p>admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Mais notadamente, estão presentes os</p><p>requisitos do preparo, na forma do artigo 1.007 do CPC e da tempestividade, na forma do artigo</p><p>1.003, §5º do CPC.</p><p>b) Requer a possibilidade de que o relator dê provimento ao presente recurso de forma</p><p>monocrática, uma vez que a decisão viola as súmulas do STF e do STJ, conforme acima exposto</p><p>nas razões recursais, nos termos do artigo 932, V, alínea “a”, do CPC. (Nem sempre terá –</p><p>somente conforme possibilidade aventada pelo CPC).</p><p>c) Entretanto, caso Vossa Excelência compreenda não ser possível julgar monocraticamente, que</p><p>a sentença seja totalmente reformada, sendo assim, provido o presente recurso, eis que existe</p><p>prescrição, ausência de responsabilidade do sócio e nulidade de CDA.</p><p>d) Que sejam invertidos os ônus sucumbenciais fixados na sentença, condenando, assim, a parte</p><p>apelada nas custas processuais e nos honorários advocatícios.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ..</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>67</p><p>11. Recurso de Agravo Interno e Ordinário Constitucional</p><p>O presente recurso trata-se do grande bicho papão do Exame de Tributário que fora objeto</p><p>de cobrança até os dias de hoje. Ele servirá basicamente para questionar as decisões proferidas</p><p>por Desembargador Relator, em sede de 2º Grau (Tribunal).</p><p>O Agravo Interno apresenta como fundamento básico o art. 1.021 do CPC e deverá ser</p><p>endereçado observando o disposto no regimento interno do tribunal = decidir quem vai julgar.</p><p>Ainda, é importante ressaltar que o recurso será de duas petições: folha de rosto para</p><p>relator (admissão + contrarrazões) e folha das razões para o órgão colegiado, conforme</p><p>regimento interno.</p><p>O recurso de agravo de interno deverá ser utilizado quando o contribuinte/examinando</p><p>desejar desafiar decisão proferida de forma monocrática pelo desembargador (quando for</p><p>Tribunal), ou ministro (quando for Tribunal Superior) em seu respectivo tribunal.</p><p>Logo, o examinando deverá lembrar que nos tribunais vige o princípio do colegiado, ou</p><p>seja, o recurso uma vez interposto deverá ser julgado por um conjunto de desembargadores ou</p><p>ministros que componham determinada câmara ou turma do respectivo tribunal. Entretanto,</p><p>determinados recursos e excepcionalmente, a lei autoriza que sejam julgados de forma</p><p>monocrática pelo relator. E para estas decisões monocráticas é que caberá o recurso de agravo</p><p>interno.</p><p>O fundamento base do recurso de agravo interno é o art. 1.021 do CPC. Trata-se de</p><p>petição também realizada sobre duas vertentes: a folha de rosto dirigida ao relator que julgou</p><p>monocraticamente e a folha das razões que deverá ser dirigida para o colegiado.</p><p>Este recurso de agravo interno deverá ser interposto no prazo de 15 (quinze) dias úteis</p><p>da intimação da decisão monocrática, mas, entretanto, não terá a exigência de custas recursais</p><p>para que seja realizado e admitido. Neste recurso, terá a parte contrária possibilidade igualmente</p><p>de contra-arrazoar atendendo ao contraditório e ampla defesa, bem como o magistrado que</p><p>proferiu decisão monocrática o direito de retratar-se.</p><p>As regras de processamento do agravo interno estarão dispostas junto ao Regimento</p><p>Interno de cada Tribunal, portanto não sendo possível a sua exigência dos examinandos do</p><p>Exame da Ordem.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>68</p><p>O Município Beta instituiu por meio de lei complementar, publicada em 28 de dezembro de 2012,</p><p>Taxa de Iluminação Pública (TIP). A lei complementar previa que os proprietários de</p><p>imóveis em áreas do Município Beta, que contassem com iluminação pública, seriam os</p><p>contribuintes do tributo. O novo tributo incidiria uma única vez ao ano, em janeiro, à alíquota</p><p>de 0,5%, e a base de cálculo seria o valor venal do imóvel, utilizado para o cálculo do Imposto</p><p>sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) lançado no exercício anterior. Fulano de</p><p>Tal, proprietário de imóvel servido por iluminação pública no Município Beta, recebeu em sua</p><p>residência, no início de janeiro de 2013, o boleto de cobrança da TIP relativo àquele exercício</p><p>(2013), no valor de 0,5% do valor venal do imóvel, utilizado como base de cálculo do IPTU lançado</p><p>no exercício de 2012 – tudo em conformidade com o previsto na lei complementar municipal</p><p>instituidora da TIP. O tributo não foi recolhido e Fulano de Tal contratou advogado para ajuizar</p><p>ação anulatória do débito fiscal. A despeito dos bons fundamentos em favor de Fulano de Tal, sua</p><p>ação anulatória foi julgada improcedente. A apelação interposta foi admitida na primeira instância</p><p>e regularmente processada, sendo os autos encaminhados ao Tribunal de Justiça após a</p><p>apresentação da resposta ao apelo por parte da Procuradoria Municipal. No Tribunal, os autos</p><p>foram distribuídos ao Desembargador Relator, que negou seguimento à apelação sob o</p><p>equivocado fundamento de que o recurso era manifestamente improcedente. Não há, na decisão</p><p>monocrática do Desembargador Relator, qualquer obscuridade, contradição ou omissão que</p><p>justifique a interposição de Embargos de Declaração. Elabore a peça processual adequada ao</p><p>reexame da matéria no âmbito do próprio Tribunal de Justiça, indicando o prazo legal para a</p><p>interposição do recurso e os fundamentos que revelam a(s) inconstitucionalidade(s) da TIP.</p><p>Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Relator</p><p>Do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado ...</p><p>Recurso nº ...</p><p>Fulano de tal, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o no ..., endereço eletrônico ...,</p><p>residente e domiciliado ..., vem por meio de seu advogado (procuração anexa), estabelecido ...,</p><p>local onde receberá intimações, com fundamento nos arts. 994, III, e 1.021 do CPC, interpor o</p><p>presente:</p><p>AGRAVO INTERNO</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>69</p><p>Em face de decisão monocrática proferida nos autos de no ..., fls. ..., que indeferiu o recurso de</p><p>apelação através de decisão, no processo em que litiga com o Município Beta, pessoa jurídica de</p><p>direito público, inscrita no CNPJ sob o n ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato</p><p>representada por seu representante na forma do art. 75, III, do CPC, nos termos das razões que</p><p>seguem em anexo.</p><p>I – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) Que o relator possa se retratar da presente decisão, na forma do art. 1.021, § 2o, combinado</p><p>com o art. 932, V, “a”, do CPC, dando, assim, provimento ao recurso, uma vez que existe decisão</p><p>que contraria a Súmula Vinculante no 41 do STF.</p><p>b) Que a parte contrária seja intimada para que, caso queira, venha produzir contrarrazões do</p><p>presente recurso, na forma do art. 1.021, § 2o, do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>Razões de Recurso</p><p>Egrégio Tribunal de Justiça ...</p><p>Doutos Desembargadores</p><p>Recurso de nº ...</p><p>Agravante: Fulano de Tal</p><p>Agravado: Município Beta</p><p>I – Do Cabimento e Pressupostos de Admissibilidade</p><p>Reza o art. 1.021 do CPC que da decisão monocrática realizada por relator caberá agravo interno.</p><p>Considerando que no presente caso houve decisão monocrática proferida por desembargador,</p><p>considera-se cabível a interposição do presente recurso. Ainda cabe dizer que estão presentes</p><p>todos os demais requisitos intrínsecos para a realização do presente recurso, vez que existe</p><p>legitimidade, na forma do art. 996 do CPC e não existem causas impeditivas, extintivas ou</p><p>suspensivas ao direito de recurso, na forma dos arts. 996 até 1.000</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>70</p><p>do CPC.</p><p>II – Da Tempestividade</p><p>O agravante informa que o presente agravo é tempestivo, pois fora observado o prazo legal de</p><p>15 dias, conforme o que dispõe o art. 1.003, § 5o, combinado com o art. 212/219, todos do CPC.</p><p>III – Dos Fatos</p><p>O Município Beta, por intermédio de lei complementar, resolveu criar, em dezembro de 2012,</p><p>Taxa de Iluminação Pública com base de cálculo idêntica à de IPTU. Considerando a existência</p><p>da hipótese de incidência, Fulano de Tal foi cobrado em Janeiro de 2013, referente a tal exação</p><p>fiscal. Não concordando com a cobrança, Fulano de Tal ajuizou Ação Anulatória a fim de</p><p>desconstituir e anular tal cobrança, o que fora julgado improcedente. Inconformado com tal</p><p>decisão, promoveu a interposição de Apelação, que foi julgada monocraticamente por relator</p><p>improcedente. Diante disso, considerando a inexistência de obscuridade, contradição e/ou</p><p>omissão, resolveu Fulano de Tal apresentar recurso cabível.</p><p>IV – Das Razões para Reforma</p><p>Reza a Súmula Vinculante no 41 do STF que não caberá cobrança de taxa de iluminação pública.</p><p>Outrossim, reza o art. 145, II, da Constituição Federal, que a taxa não poderá ser cobrada quando</p><p>não for específica e divisível. Considerando a cobrança realizada de Fulano de Tal, referente à</p><p>taxa de Iluminação Pública, compreende-se inconstitucional e impossível tal cobrança.</p><p>Reza o art. 145, § 2º, da Constituição Federal que a taxa não poderá ter base de cálculo igual a</p><p>de outro imposto. No presente caso, o Município Beta resolveu instituir cobrança da referida taxa,</p><p>observando a base de cálculo de IPTU. Portanto, igualmente, resta salientar que tal cobrança é</p><p>inconstitucional, visto que não se observa a base de cálculo adequada para a cobrança da referida</p><p>taxa.</p><p>Por fim, reza o art. 150, III, “c”, da Constituição Federal que o tributo, uma vez criado, deverá</p><p>aguardar 90 dias para ser exigido do contribuinte, ou seja, deverá aguardar a anterioridade</p><p>nonagesimal a fim de exigir o tributo. No presente caso, considerando que o tributo foi criado em</p><p>dezembro de 2012 e já exigido em janeiro de 2013, compreende-se por sua inconstitucionalidade,</p><p>visto que não aguardou o período adequado de 90 dias para a sua perfeita exigência.</p><p>V – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>71</p><p>Findo o Agravo Interno, vamos dar início ao Recurso Ordinário Constitucional.</p><p>O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm respectivamente como</p><p>dever institucional e funcional a guarda pela Constituição e da Norma Infra Constitucional.</p><p>Entretanto, apesar deste papel singular, a estes tribunais superiores também coube</p><p>excepcionalmente o papel de fazer às vezes de segunda grau de jurisdição. Tudo isto com a</p><p>finalidade de assegurar o contraditório, ampla defesa e acima de tudo, o duplo grau de jurisdição.</p><p>Logo e objetivamente, para poucas situações, será papel do Supremo Tribunal Federal e</p><p>do Superior Tribunal de Justiça julgar este Recurso Ordinário Constitucional tendo como escopo</p><p>precipuamente o respeito ao duplo grau de jurisdição.</p><p>Mas afinal de contas eis quais demandas o STF e o STJ terão de julgar este Recurso</p><p>Ordinário Constitucional? Terão de julgar quando houver necessidade de processar</p><p>originariamente e diretamente nos tribunais determinadas ações, como por exemplo, um</p><p>Mandado de Segurança contra ato do Secretário da Fazenda e/ou Governador do Estado que</p><p>normalmente terá como foro de competência originária o Tribunal de Justiça. Logo, neste caso</p><p>exemplificado, do acórdão denegatório de segurança caberá buscar a reforma da decisão</p><p>através de um ROC para o STJ.</p><p>O Recurso Ordinário Constitucional encontra previsão nos artigos 102, II da Constituição</p><p>Federal e 105, II da Constituição Federal.</p><p>Para efeitos de Direito Tributário e Exame da Ordem cai ao lanço afirmar sobre o</p><p>cabimento:</p><p>a) Que o presente recurso seja conhecido e admitido, vez que estão presentes todos os requisitos</p><p>de admissibilidade, mais precisamente a tempestividade observando-se o que leciona os arts.</p><p>1.003, § 5o, combinado com o art. 212/219 do CPC.</p><p>b) Caso não seja realizada a retratação e/ou o julgamento monocrático, na forma do art. 932, V,</p><p>“a”, do CPC, que seja conhecido o agravo para que seja remetido à Câmara/Turma para</p><p>julgamento, na forma do art. 1.021, § 2º, do CPC, para que enfim seja provido o presente recurso,</p><p>a fim de reformar tal decisão, dando-se provimento ao recurso de apelação.</p><p>Nestes termos, pede e espera deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>72</p><p>É importante frisar que em se tratando de Mandado de Segurança apenas caberá o</p><p>Recurso Ordinário Constitucional quando tratar-se de procedimento impetrado diretamente em</p><p>foro de competência originária e a decisão for denegatório. Acaso for sentença denegando à</p><p>segurança em um simples Mandado de Segurança, caberá Apelação.</p><p>Outra informação bastante relevante é que, apesar do texto legal sempre referir-se sobre</p><p>a possibilidade do ROC enquanto tratar-se apenas de decisão denegatória de Mandado de</p><p>Segurança impetrado em foro de competência originária, já existe leve preponderância</p><p>doutrinária e até jurisprudencial sobre o cabimento também do ROC quando tratar-se de acórdão</p><p>terminativo, isto é, que extingue o remédio constitucional sem julgar o mérito.</p><p>Sobre o cabimento do Recurso Ordinário Constitucional também encontramos previsão</p><p>de cabimento no CPC, mais precisamente à partir do artigo 1.027.</p><p>O presente Recurso Ordinário deverá ser interposto observando-se o prazo geral, isto é,</p><p>15 dias úteis da intimação da decisão na forma do artigo 1.003, §5º do CPC combinado com os</p><p>artigos 212/219 também do CPC. Ademais para interposição do mesmo deverá a parte</p><p>recorrente efetuar o pagamento das custas</p><p>da peça profissional, o examinando deverá formular texto com a extensão</p><p>máxima definida na capa do caderno de textos definitivos; para a redação das respostas às</p><p>questões discursivas, a extensão máxima do texto será de 30 (trinta) linhas para cada questão.</p><p>Será desconsiderado, para efeito de avaliação, qualquer fragmento de texto que for escrito fora</p><p>do local apropriado ou que ultrapassar a extensão máxima permitida.</p><p>O examinando deverá observar atentamente a ordem de transcrição das suas respostas</p><p>quando da realização da prova prático-profissional, devendo iniciá-la pela redação de sua peça</p><p>profissional, seguida das respostas às quatro questões discursivas, em sua ordem crescente.</p><p>Aquele que não observar tal ordem de transcrição das respostas, assim como o número máximo</p><p>de páginas destinadas à redação da peça profissional e das questões discursivas, receberá nota</p><p>0 (zero), sendo vedado qualquer tipo de rasura e/ou adulteração na identificação das páginas,</p><p>sob pena de eliminação sumária do examinando do Exame.</p><p>Quando da realização das provas prático-profissionais, caso a peça profissional e/ou as</p><p>respostas das questões discursivas exijam assinatura, o examinando deverá utilizar apenas a</p><p>palavra “ADVOGADO...”. Ao texto que contenha outra assinatura, será atribuída NOTA ZERO,</p><p>por se tratar de identificação do examinando em local indevido.</p><p>Na elaboração dos textos da peça profissional e das respostas às questões discursivas, o</p><p>examinando deverá incluir todos os dados que se façam necessários, sem, contudo, produzir</p><p>qualquer identificação além daquelas fornecidas e permitidas no caderno de prova. Assim, o</p><p>examinando deverá escrever o nome do dado seguido de reticências “...” ou “XXX” exemplo:</p><p>Local... Data...</p><p>Advogado...</p><p>Oab...</p><p>Para a realização da prova prático-profissional o examinando deverá ter conhecimento</p><p>das regras processuais inerentes ao fazimento da mesma.</p><p>O texto da peça profissional e as respostas às questões discursivas serão avaliadas</p><p>quanto à adequação ao problema apresentado, ao domínio do raciocínio jurídico, à</p><p>fundamentação e sua consistência, à capacidade de interpretação e exposição e à técnica</p><p>profissional demonstrada, sendo que a mera transcrição de dispositivos legais, desprovida do</p><p>raciocínio jurídico, NÃO ENSEJARÁ PONTUAÇÃO, você deve explicar a sua resposta, jamais</p><p>meramente transcrever o artigo, súmula ou OJ.</p><p>O examinando, ao término da realização da prova prático-profissional, deverá,</p><p>obrigatoriamente, devolver o caderno de textos definitivos, assinado no local indicado (capa do</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>8</p><p>caderno), sem qualquer termo, contudo, que identifique as folhas em que foram transcritos os</p><p>textos definitivos.</p><p>Para a realização da prova prático-profissional, deverá comparecer ao local designado</p><p>com antecedência, considerando a necessidade de vistoria do material de consulta permitida</p><p>nesta fase. O examinando deverá estar munido somente de caneta esferográfica de tinta azul ou</p><p>preta, fabricada em material transparente, e só será permitido o acesso ao local de prova munido</p><p>de documento de identidade com foto original para a realização das provas objetiva e prático-</p><p>profissional. Não será permitido o uso de borracha e/ou corretivo de qualquer espécie durante a</p><p>realização das provas.</p><p>Durante a realização da prova prático-profissional, será permitida, exclusivamente, a</p><p>consulta à legislação, súmulas, enunciados, orientações jurisprudenciais e precedentes</p><p>normativos SEM QUALQUER ANOTAÇÃO OU COMENTÁRIO.</p><p>Legislação com entrada em vigor após a data de publicação deste edital, bem como</p><p>alterações em dispositivos legais e normativos a ele posteriores não serão objeto de avaliação</p><p>nas provas, assim como não serão consideradas para fins de correção das mesmas. Em virtude</p><p>disso, somente será permitida a consulta a publicações produzidas pelas editoras, sendo vedada</p><p>a atualização de legislação pelos examinandos com anotações ou material impresso</p><p>separadamente.</p><p>As remissões a artigo ou lei são permitidas apenas para referenciar assuntos isolados.</p><p>Quando for verificado pelo fiscal advogado que o examinando se utilizou de tal expediente com</p><p>o intuito de burlar as regras de consulta previstas neste edital, formulando palavras, textos ou</p><p>quaisquer outros métodos que articulem a estrutura de uma peça jurídica, o uso do material será</p><p>impedido, sem prejuízo das demais sanções cabíveis ao examinando.</p><p>LEMBRE-SE: não é mais permitido o uso do post-it em branco, somente o de editoras,</p><p>também não é possível usar símbolos para fazer marcações na legislação!!!</p><p>Lembre-se ainda que serão terminantemente proibidos: códigos comentados, anotados,</p><p>comparados ou com organização de índices temáticos estruturando roteiros de peças</p><p>processuais. Jurisprudências. Anotações pessoais ou transcrições. Cópias reprográficas (xerox).</p><p>Impressos da Internet. Informativos de Tribunais. Livros de Doutrina, revistas, apostilas,</p><p>calendários e anotações. Dicionários ou qualquer outro material de consulta. Legislação</p><p>comentada, anotada ou comparada. Súmulas, Enunciados e Orientações Jurisprudenciais</p><p>comentados, anotados ou comparados.</p><p>Quando possível, a critério do fiscal advogado e dos representantes da Seccional da OAB</p><p>presentes no local, poderá haver o isolamento dos conteúdos proibidos, seja por grampo, fita</p><p>adesiva, destacamento ou qualquer outro meio. Caso, contudo, seja constatado que a obra</p><p>possui trechos proibidos de forma aleatória ou partes tais que inviabilizem o procedimento de</p><p>isolamento retro mencionado, o examinando poderá ter seu material recolhido pela fiscalização,</p><p>sendo impedido seu uso. Os materiais que possuírem conteúdo proibido não poderão ser</p><p>utilizados durante a prova prático-profissional, sendo garantido ao fiscal advogado a autonomia</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>9</p><p>de requisitar os materiais de consulta para nova vistoria minuciosa durante todo o tempo de</p><p>realização do Exame. O examinando que, durante a aplicação das provas, estiver portando e/ou</p><p>utilizando material proibido, ou se utilizar de qualquer expediente que vise burlar as regras deste</p><p>edital, especialmente as concernentes aos materiais de consulta, terá suas provas anuladas e</p><p>será automaticamente eliminado do Exame.</p><p>As questões e a redação da peça profissional serão avaliadas quanto à adequação das</p><p>respostas ao problema apresentado. A redação da peça profissional terá o valor máximo de 5,00</p><p>(cinco) pontos e cada questão terá o valor máximo de 1,25 (um e vinte e cinco) pontos. A Nota</p><p>na Prova Prático-Profissional (NPPP) será a soma das notas obtidas nas questões e na redação</p><p>da peça profissional. A NPPP será calculada na escala de 0,00 (zero) a 10,00 (dez) pontos.</p><p>Para cada examinando, a NPPP será obtida pelo seguinte procedimento: poderão ser</p><p>concedidas notas não inteiras para as respostas do examinando tanto na peça profissional</p><p>quanto nas questões; o somatório dessas notas constituirá a nota na prova prático-profissional,</p><p>vedado o arredondamento. Será considerado aprovado o examinando que obtiver NPPP igual</p><p>ou superior a 6,00 (seis) pontos na prova prático-profissional, vedado o arredondamento.</p><p>Nos casos de propositura da peça inadequada para a solução do problema proposto,</p><p>considerando para este fim peça que não esteja exclusivamente em conformidade com a solução</p><p>técnica indicada no padrão de respostas da prova, ou de apresentação de resposta incoerente</p><p>com a situação proposta ou de ausência de texto, o examinando receberá nota ZERO na redação</p><p>da peça profissional ou na questão.</p><p>A indicação correta da peça prática é verificada no nomen iuris da peça</p><p>concomitantemente com o correto e completo fundamento legal usado para justificar</p><p>tecnicamente</p><p>recursais obedecendo o artigo 1.007 do CPC.</p><p>Já no que tange ao efeito suspensivo, considerando a omissão legal, muitos doutrinadores</p><p>sustentam que o presente recurso terá apenas efeito devolutivo. Entretanto, salvo melhor juízo,</p><p>compreende-se que tal efeito suspendido poderá ser formulado ao juízo nos exatos termos do</p><p>artigo 1.012, §3º e 1.029, §5º todos do CPC.</p><p>Por fim, cabe dizer que apesar das situações excepcionais de cabimento, o presente</p><p>recurso guarda enorme similaridade com a apelação. Tanto é verdade que o próprio CPC faz</p><p>menção que o presente recurso deverá seguir as regras da apelação.</p><p>1º) De acórdão denegando a segurança proferido pelo STJ contra ato do Ministro da Fazenda</p><p>-> caberá ROC para o STF.</p><p>2º) De acórdão denegando a segurança proferido pelo STJ contra ato de</p><p>Secretário/Governador do Estado -> caberá ROC para o STJ.</p><p>3º) De sentença proferida na Justiça Federal de demanda que envolva Estado Estrangeiro ou</p><p>Organismo Internacional versus Município ou Pessoa Física -> caberá ROC para o STJ.</p><p>A sociedade empresária Sigma S/A, concessionária de serviço público de telefonia, foi autuada pelo</p><p>Fisco do Estado X, em 31/07/2017, por não recolher ICMS sobre operações de habilitação de</p><p>telefone celular ocorridas de janeiro a junho de 2010, sendo-lhe dado prazo de trinta dias para</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>73</p><p>pagamento do débito tributário. Inconformada com a exigência, a sociedade resolve primeiro tentar</p><p>desconstituir tal autuação na via administrativa, recorrendo ao Conselho de Contribuintes do Estado</p><p>X. Nesse órgão colegiado administrativo, o recurso da sociedade tem seu provimento negado.</p><p>Irresignada, a sociedade empresária interpõe recurso hierárquico ao Secretário Estadual de</p><p>Fazenda, conforme permitia a legislação do Estado X. O Secretário de Fazenda nega provimento</p><p>ao recurso, mantendo a exigência de cobrança do tributo. Esgotada a via administrativa, a empresa</p><p>imediatamente ingressa em juízo com mandado de segurança de competência originária do</p><p>Tribunal de Justiça local contra o ato do Secretário Estadual, nos termos do estabelecido pela</p><p>Constituição do Estado X. Julgado o mandamus pelo Tribunal de Justiça local, a ordem é denegada</p><p>e a empresa é condenada em honorários sucumbenciais em favor da Fazenda Pública estadual.</p><p>Diante desse cenário, sete dias úteis após a intimação dessa decisão, como advogado(a) da</p><p>sociedade empresária Sigma S/A, redija a medida judicial adequada para tutela dos interesses do</p><p>contribuinte no bojo desse mesmo processo.</p><p>Douto Desembargador Presidente ou Vice Presidente do Estado X</p><p>Autos do Processo nº ...</p><p>Sigma S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com atos constitutivos</p><p>em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu procurador</p><p>(procuração em anexo), este estabelecido ..., local onde receberá intimações, vem</p><p>respeitosamente perante Vossa Excelência, com fundamento no artigo 105, II, B da Constituição</p><p>Federal e artigos 1.027 e 1.028 do CPC, interpor o presente:</p><p>RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL</p><p>Em face do acórdão proferido nos autos do processo nº ..., em que denegou a segurança</p><p>requerida, do processo que move em face do Estado X, pessoa jurídica de direito público, inscrita</p><p>no CNPJ sob o nº ..., endereço eletrônico ..., estabelecida ..., neste ato representada por seu</p><p>representante, na forma do artigo 75, II do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto requer:</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>74</p><p>a) a intimação da parte recorrida, para que desejando, venha apresentar contrarrazões nos termos</p><p>do artigo 1.028, §2º combinado com o artigo 183 do CPC.</p><p>b) que o recurso seja remetido ao STJ, independentemente de admissibilidade na forma do artigo</p><p>1.028, §3º do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>Colendo Superior Tribunal de Justiça</p><p>Ilustres Ministros</p><p>Douto Ministro Relator</p><p>I – Do Cabimento</p><p>Reza o artigo 105, II, B da Constituição Federal que caberá ao STJ o julgamento, através de</p><p>recurso ordinário, do mandado de segurança denegado e decidido em foro de competência</p><p>originária. No presente caso, houve impetração de Mandado de Segurança diretamente no</p><p>Tribunal de Justiça, onde fora denegado a segurança. Assim torna-se plenamente cabível a</p><p>utilização do presente recurso.</p><p>II – Dos Requisitos de Admissibilidade</p><p>Reza o artigo 1.007 do CPC para que ocorra a possibilidade de interposição de recurso, deverá</p><p>a parte efetuar o recolhimento das custas recursais. Assim, vem a parte recorrente informar que</p><p>houve o recolhimento das custas, momento este que se anexa comprovante de pagamento.</p><p>Na forma do artigo 1.003, §5º combinado com os artigos 212/219 a parte terá prazo de 15 dias</p><p>úteis para interposição de recurso. No presente caso, considerando que ainda restam 8 dias úteis</p><p>para interposição, o presente recurso ordinário é totalmente tempestivo.</p><p>III – Das Razões de Reforma</p><p>Reza a súmula 350 do STJ que o serviço de comunicação de habilitação de telefonia celular é</p><p>atividade meio e/ou preparatória para o exercício da atividade fim pela empresa recorrente. Logo,</p><p>considerando que houve tributação da atividade meio e que se compreende ser esta ilegal, torna-</p><p>se impossível a constituição do referido crédito pelo representante do Estado X.</p><p>Ainda na forma do artigo 173, I do CTN ou artigo 150, §4º do CTN terá o ente competente prazo</p><p>de 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte, para que o crédito tributário seja</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>75</p><p>constituído pelo Estado X. No presente caso, considerando que o fato gerador ocorreu em 2010</p><p>e a constituição do mesmo apenas em 2017, considera-se que houve decadência do referido</p><p>crédito, estando o mesmo portanto, extinto na forma do artigo 156, V do CTN.</p><p>Por fim, na forma da S. 512 do STF não é possível a condenação da parte sucumbente nos ônus</p><p>sucumbenciais. Logo, considerando que no presente caso, houve a condenação da empresa</p><p>recorrente nos honorários sucumbenciais, compreende-se que tal condenação não merece</p><p>prosperar, sendo portanto, ilegal.</p><p>IV – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto requer:</p><p>A) que seja admitido o presente recurso, vez que presentes todos os requisitos de admissibilidade,</p><p>mais notadamente as custas processuais recursais na forma do artigo 1.007 do CPC, bem como</p><p>a interposição do presente recurso é totalmente tempestivo visto que ainda faltam 8 dias para a</p><p>preclusão de tal direito na forma do artigo 1.003, §5º combinado com o artigo 212/219 do CPC.</p><p>B) que o presente recurso seja provido pelo próprio relator, de forma monocrática, visto que na</p><p>forma do artigo 932, V, A do CPC, a decisão judicial da qual se recorre é contrária a Súmula do</p><p>STJ.</p><p>C) que seja reformada a presente decisão, dando-se provimento ao presente recurso, para que</p><p>seja extinta a possibilidade de qualquer exigência da empresa recorrente visto que operou-se a</p><p>decadência na forma do artigo 173. I do CTN, bem como tal exigência não merece prosperar na</p><p>forma da Súmula 350 do STJ.</p><p>D) que seja condenado o recorrido nos ônus sucumbenciais, mais notadamente as custas</p><p>processuais na forma do artigo 82, §2º do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado... OAB...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>76</p><p>12. Recurso Especial e Recurso Extraordinário</p><p>O presente recurso apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e seguintes do</p><p>NCPC. Ademais, apresenta-se como fundamento o artigo 105, III, “a”,</p><p>da Constituição Federal.</p><p>Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º Grau) que contrarie norma</p><p>federal, exemplificando, o CTN.</p><p>Agora, lembre-se de algo muito importante: ele sempre será realizado contra decisão</p><p>proferida em sede de TRIBUNAL.</p><p>CABIMENTO: terá como objeto reformar decisão de TJ ou TRF, nos casos previstos no</p><p>art. 105, III, da CF. Poderá ocorrer de decisão que contrarie lei federal (lei complementar, CTN),</p><p>e interpretação divergente entre tribunais.</p><p>Lembrar dos requisitos de admissibilidade: total de 9 (Pré questionamento + Esgotamento</p><p>das vias recursais ordinárias).</p><p>Considerando que repassamos por alguns tópicos sobre a presente demanda, vamos</p><p>agora vislumbrar uma estrutura do presente recurso tratado neste capítulo. É importante dizer</p><p>que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que serão realizadas</p><p>conforme grade de horários.</p><p>Tem competência na Constituição Federal e quem julgará é o STJ.</p><p>Tem previsão no art. 105, III, da CF.</p><p>Art. 994, VI do CPC traz sua possibilidade.</p><p>Art. 1029 até 1.041 do CPC traz especificidades.</p><p>Excelentíssimo Senhor Doutor Desembargador Presidente ou Vice Presidente do Tribunal de</p><p>Justiça do Estado ... (aqui poderá ser Tribunal Regional Federal da ... Região)</p><p>Processo n º ...</p><p>Recorrente ...</p><p>Recorrido ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>77</p><p>Qualificação do Recorrente (artigo 319, II, do CPC), vem por intermédio de seu advogado</p><p>(procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações, respeitosamente</p><p>perante Vossa Excelência, com fulcro no artigo 105, III, ..., da CF e dos artigos 994, VI, e 1.029</p><p>até 1.041, todos do CPC, interpor o presente:</p><p>RECURSO ESPECIAL</p><p>Em face da decisão prolatada por Vossas Excelências, por intermédio do acórdão motivado pelo</p><p>recurso de apelação, nas folhas ..., nos autos do processo supra indicado, em que litiga com a</p><p>qualificação do recorrido (art. 319, II, do CPC), pelos fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) que o presente recurso seja admitido por Vossa Excelência, uma vez presentes todos os</p><p>requisitos de admissibilidade, sejam os intrínsecos e os extrínsecos. Além disso, resta</p><p>demonstrado que a matéria estava pré questionada anteriormente e não existe outra possibilidade</p><p>de interposição de recurso nas vias ordinárias. Por fim, resta ainda dizer que foram preenchidos</p><p>os requisitos da tempestividade e do preparo.</p><p>b) Que seja intimada a parte recorrida para que, desejando, apresente no prazo legal suas</p><p>contrarrazões, conforme o que disposto no artigo 1.030 do CPC.</p><p>c) Por fim, que seja dado prosseguimento no presente recurso, atendendo ao que exposto no</p><p>artigo 1.030, II, V, do CPC, e nos termos do inciso V seja encaminhado os autos processuais por</p><p>completo ao Superior Tribunal de Justiça. Por fim, que Vossa Excelência atribua ao presente</p><p>recurso efeito suspensivo, nos termos do artigo 995, §º único e artigo 1.029, §5º, ambos do CPC.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>RAZÕES DE RECURSO</p><p>Egrégio Superior Tribunal de Justiça</p><p>Douto Ministro Presidente</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>78</p><p>Ilustres Ministros</p><p>Digno Ministro Relator</p><p>Processo nº ...</p><p>Recorrente ...</p><p>Recorrido ...</p><p>I – Dos Fatos</p><p>Lembrar do que está exposto no enunciado.</p><p>Lembrar da motivação da decisão e dos recursos.</p><p>II – Do Cabimento e Pressuposto de Admissibilidade</p><p>Reza o artigo 105, III, ..., da CF, que poderá a parte recorrente interpor o presente recurso especial</p><p>quando houver ofensa ao direito material ora exposto. Ocorre que a decisão prolatada em 2º grau</p><p>deixou de observar o dispositivo eleito no direito material. Por isso, compreende-se possível a</p><p>interposição do presente recurso.</p><p>Igualmente, no presente caso, resta salientar que estão presentes os requisitos de</p><p>admissibilidade. Vale ressaltar aqui que estão presentes todos os requisitos intrínsecos e os</p><p>extrínsecos. Além do pré questionamento e do esgotamento das vias recursais ordinárias.</p><p>Vale ressaltar que não existe nenhuma inovação recursal que não tenha sido arguida em recurso</p><p>anterior, justificando, portanto, o pré questionamento disposto no artigo 1.025 do CPC.</p><p>III – Da Tempestividade e do Preparo</p><p>O presente recurso especial é tempestivo, uma vez obedecido o prazo de 15 dias para a presente</p><p>interposição. Ademais, vale ressaltar que houve o pagamento das custas processuais para</p><p>recurso, o que justifica-se com a juntada da guia de pagamento.</p><p>IV – Do Direito: Razões para Reforma ou Anulação</p><p>Lembrar que para cada tese haverá uma norma, um fato concreto e uma conclusão.</p><p>V – Do Efeito Suspensivo</p><p>A parte recorrente deseja que Vossa Excelência atribua efeito suspensivo ao acórdão que está</p><p>sendo recorrido, impedindo, assim, .... Tudo isso conforme o que disposto no artigo 995, §º único</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>79</p><p>Já o Recurso Extraordinário apresenta como fundamento legal o artigo 1.029 e seguintes</p><p>do NCPC. Ademais, apresenta-se como fundamento o artigo 102, III, a, da Constituição Federal.</p><p>Tal medida será utilizada quando houver acórdão (resultado de 2º Grau) que contrarie a nossa</p><p>carta mãe (Constituição Federal).</p><p>Trata-se do recurso que desafia acórdão em matéria constitucional referente a controle</p><p>difuso de constitucionalidade. Efeito concreto, inter partes. Lembrar que o enunciado vai narrar</p><p>que tribunal violou Constituição, por exemplo.</p><p>do CPC, combinado com o artigo 1.029, §5º do CPC. Tudo isso serve para que se evite grande</p><p>dano à parte recorrente, eis que está claro o fundamento relevante que alberga seu recurso.</p><p>VI – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) que Vossa Excelência novamente conheça do recurso e o admita, uma vez observados todos</p><p>os requisitos de admissibilidade, além disso, foi realizado o pré questionamento e o esgotamento</p><p>das vias ordinárias recursais. Por fim, vale ressaltar, ainda, que o presente recurso deve ser</p><p>admitido, uma vez tempestivo e realizado o pagamento das custas, na forma dos artigos 1.003,</p><p>§5º e art. 1.007, todos do CPC.</p><p>b) Que Vossa Excelência dê provimento ao presente recurso para a finalidade de modificar o</p><p>acórdão, reformando a mesma de maneira integral, reconhecendo, portanto, o direito da parte</p><p>recorrente.</p><p>c) Que Vossa Excelência, por fim, inverta os ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais e os honorários advocatícios, para que seja atribuída a sua responsabilidade à parte</p><p>recorrida.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>80</p><p>Agora vamos vislumbrar uma estruturação da presente peça tratada neste capítulo. É</p><p>importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao vivo que</p><p>serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Tem previsão constitucional e processual.</p><p>a. Constitucional: art. 102, II, da CF.</p><p>b. Processual: art. 1.029 do CPC.</p><p>Lembrar dos requisitos de admissibilidade.</p><p>RE: teremos 7 + 3 requisitos = total de 10.</p><p>- Pré questionamento.</p><p>- Esgotamento das vias recursais ordinárias.</p><p>- Repercussão geral.</p><p>Excelentíssimo Senhor Doutor Presidente ou Vice Presidente do Tribunal de Justiça do Estado ...</p><p>Recurso extraordinário</p><p>Processo de nº ...</p><p>Recorrente ...</p><p>Recorrido ...</p><p>Qualificação requerente, vem por meio de seu advogado (procuração anexa) estabelecido ..., local</p><p>onde receberá intimações, respeitosamente perante à vossa excelência, com fulcro nos artigos</p><p>102, III, ... e 102, §3º, todos da CF e dos artigos 994, VII e art. 1.029 e seguintes, todos do CPC,</p><p>interpor o presente</p><p>RECURSO EXTRAORDINÁRIO</p><p>Em face do acórdão proferido pela ... câmara do presente tribunal de justiça onde fora negado</p><p>provimento ao recurso de apelação interposto pela parte requerente, que litiga com (qualificação</p><p>da parte requerida – art. 319, II, CPC). Diante disso, deseja a parte recorrente reformar a decisão</p><p>pelos fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>81</p><p>I – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) que o presente recurso extraordinário seja admitido por vossa excelência considerando a</p><p>presença de todos os requisitos de admissibilidade. Notadamente, foram satisfeitas as custas</p><p>para o recurso, assim como observado o prazo para a sua realização, bem como cumpriu a parte</p><p>requerente os requisitos do pré questionamento, esgotamento das vias recursais ordinárias e, por</p><p>fim, a repercussão geral.</p><p>b) Que a parte recorrida seja intimada da realização do presente recurso para que, caso queira,</p><p>venha apresentar suas contrarrazões no prazo de 15 dias, conforme o que lecionado no artigo</p><p>1.030 do CPC.</p><p>c) Por fim, deseja a parte recorrente que o presente recurso seja encaminhado junto com os autos</p><p>processuais ao Supremo Tribunal Federal, sendo, igualmente, atribuído efeito suspensivo, tudo</p><p>isso conforme os termos dos artigos 1.030, II, “a”, V do CPC e artigos 995, § único combinado</p><p>com o artigo 1.029, §5º, III, do CPC.</p><p>Nestes termos,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Local ... Lata ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>RAZÕES DE RECURSO</p><p>Colendo Supremo Tribunal Federal</p><p>Digno Ministro Presidente</p><p>Doutos Ministros</p><p>Ilustre Ministro Relator</p><p>Processo nº ...</p><p>Recorrente ...</p><p>Recorrido ...</p><p>I – Dos Fatos</p><p>- Lembrar do enunciado:</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>82</p><p>- Contar do porquê do processo.</p><p>- Contar do porquê das decisões.</p><p>- Do porquê do presente recurso.</p><p>II – Do Cabimento e Dos Pressupostos de Admissibilidade</p><p>A parte recorrente vem aos autos comprovar que houve atendimento ao artigo 102, III, “d” da CF.</p><p>Diante disso, torna-se possível e cabível a interposição do presente recurso extraordinário.</p><p>Ademais, vem a parte recorrente esclarecer que foram cumpridos todos os requisitos de</p><p>admissibilidade, notadamente o prazo tempestivo de 15 dias, assim como o recolhimento do</p><p>preparo das custas para recorrer, conforme guia em anexo. Ainda, cabe esclarecer a parte</p><p>recorrente que é parte legítima para interposição do presente recurso, assim como não existe</p><p>qualquer fato impeditivo ou extintivo de direito para que ocorra o presente recurso, obedecendo,</p><p>portanto, os artigos 998 até 1.000 do CPC.</p><p>III – Do Pré Questionamento</p><p>A parte recorrente anuncia no presente recurso que não existe qualquer espécie de novidade ou</p><p>inovação no que tange às provas e teses jurídicas abordadas no presente feito. Ademais, cabe</p><p>esclarecer, ainda, que o presente recurso trata-se de recurso extraordinário, ou seja, difere-se do</p><p>ordinário, onde caberia inovação, por exemplo, no que tange a tese jurídica.</p><p>IV – Do Esgotamento das Vias Recursais Ordinárias</p><p>Esclarece a parte recorrente que a interposição do presente recurso trata-se de última tentativa</p><p>específica para a resolução do presente caso. Diante disso, esclarece a parte que não existe mais</p><p>possibilidade de interposição de qualquer recurso ordinário.</p><p>V – Da Repercussão Geral</p><p>Esclarece, igualmente, que o presente recurso tem temática relevante sob vários pontos de vista.</p><p>Mais especificamente no que tange a visão política, econômica e social. Diante disso, o presente</p><p>recurso ultrapassa a esfera pessoal subjetiva, sendo que sua matéria é de interesse de toda</p><p>coletividade. Assim, esclarece a parte recorrente a repercussão e relevância do presente recurso,</p><p>nos termos do artigo 1.035, §1º do CPC.</p><p>VI – Dos Direitos</p><p>Que a decisão prolatada pelo tribunal de justiça foi contrário ao entendimento do colendo tribunal</p><p>e, consequentemente, desconforme com a nossa constituição federal.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>83</p><p>LEMBRAR:</p><p>- Norma</p><p>- Fato concreto</p><p>- Conclusão</p><p>VII – Do Efeito Suspensivo</p><p>Deseja a parte recorrente que seja declarado e decidido por vossa excelência o efeito suspensivo</p><p>sobre a decisão que está sendo objeto de recurso. Assim, impedindo-se a realização da execução</p><p>ou cumprimento da obrigação. Tudo isso conforme os artigos 995, §º único e art. 1.029, §5º, I e</p><p>II, todos do CPC. Justifica-se o pedido de efeito suspensivo, tendo em vista o perigo de demora</p><p>e a probabilidade do direito.</p><p>VIII – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça e admitida do presente recurso, tendo</p><p>em vista, conforme acima já comprovado, estarem presentes todos os requisitos de</p><p>admissibilidade.</p><p>b) Deseja a parte recorrente que vossa excelência conheça da solicitação do efeito suspensivo e,</p><p>principalmente, da repercussão geral.</p><p>c) Requer que o presente recurso extraordinário seja provido, modificando-se, assim, o acórdão</p><p>prolatado em 2º grau, declarando-se a inconstitucionalidade da norma (artigo) que fora objeto de</p><p>recurso, dando o direito ao recorrente.</p><p>d) Por fim, deseja a parte recorrente a inversão dos ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais e os honorários advocatícios, imputando as respectivas responsabilidades para a</p><p>parte recorrida.</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>84</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>85</p><p>13. Tributo</p><p>Ao iniciarmos o estudo do direito tributário, parte material, compreende-se necessário</p><p>estudar o conceito de tributo e suas repercussões frente a matéria que será objeto de análise na</p><p>presente obra.</p><p>Leciona o artigo 3º do CTN que tributo é:</p><p>Diante do referido acima, compreende-se que tributo é toda prestação pecuniária</p><p>compulsória, ou seja, uma vez prevista em norma criada pelo respectivo ente competente,</p><p>ocorrendo o fato gerador e sem qualquer dispensa prevista na Constituição Federal (imunidades)</p><p>ou em norma infraconstitucional (isenções ou convênios), o tributo terá que ser pago. Diante</p><p>disso, o pagamento de tributo é obrigatório, compulsório.</p><p>Outrossim, o pagamento do referido tributo previsto em norma deverá ser realizado, via</p><p>de regra, em dinheiro. Entretanto, o próprio Código Tributário Nacional faculta a possibilidade de</p><p>pagamento de tributo mediante a dação em pagamento de bem imóvel, uma vez presente tal</p><p>opção nas formas de extinção do crédito tributário.</p><p>Mas questiona-se: será sempre possível realizar a extinção do crédito tributário, ou seja,</p><p>o pagamento mediante dação em pagamento de bem imóvel? A resposta é negativa. Somente</p><p>poderá ser assim realizada mediante a existência de alguns requisitos e observações: a)</p><p>Necessidade de lei específica e b) do respectivo ente competente.</p><p>Art. 3º. Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se</p><p>possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante</p><p>atividade administrativa plenamente vinculada.</p><p>Art. 156. Extinguem o crédito tributário:</p><p>(...)</p><p>XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.</p><p>(Incluído pela LCP nº 104, de 2001).</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário</p><p>| Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>86</p><p>Podcast sobre conceito de tributo</p><p>Ainda, além do ponto acima exposto, pergunta-se: poderão os entes competentes criar</p><p>norma infraconstitucional que estabeleça novas formas de extinção do crédito tributário, como</p><p>por exemplo, dação em pagamento de bem móvel?</p><p>Mediante análise legalista e constitucionalista, compreende-se que não, visto que a</p><p>Constituição Federal, no seu artigo 146, é bastante clara ao afirmar que as normas gerais de</p><p>direito tributário somente poderão ser realizadas pela União, mediante lei complementar.</p><p>Ainda, sobre o conceito de tributo, leciona o artigo 3º do CTN que nenhum tributo poderá</p><p>ter caráter sancionatório, ou seja, ser forma de punição a qualquer pessoa. Por esta razão,</p><p>compreende-se que, se alguém vende drogas, pratica o jogo do bicho ou realiza crime ambiental,</p><p>para este jamais poderá ser criado um tributo como espécie de sanção ou punição pelo ato</p><p>realizado.</p><p>Mas, importante dizer que os frutos oriundos da atividade ilícita poderão ser tributados,</p><p>visto que na forma do artigo 118, I do Código Tributário Nacional abstrai-se a validade dos fatos</p><p>jurídicos praticados pelo contribuinte. Logo, para o direito tributário, aplicamos o princípio da</p><p>pecunia non olet, ou seja, o dinheiro não tem cheiro.</p><p>Por fim, vale ressaltar que nenhum tributo será pago, sem lei que o estabeleça, atendendo</p><p>ao princípio máximo da legalidade estrita, na forma do artigo 150, I da Constituição Federal, bem</p><p>como o administrador público deverá analisar objetivamente o que contido na norma (vinculação</p><p>total) para tributar o contribuinte, não podendo, assim, realizar nenhum ato discricionário para a</p><p>cobrança do mesmo.</p><p>Podcast sobre tributo</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/conceito-de-tributo-oab-tributario/s-nSaw5TdwPOI?si=f6122ea22baf468ebc745c75aba2928e&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/conceito-de-tributo-oab-tributario-1/s-VYnZzoIZYbe?si=d215262cabef4e81b350fba5610fba64&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>87</p><p>14. Competência Tributária</p><p>Mas, afinal de contas, quem poderá criar o que compreendemos de tributo? Lembre-se</p><p>que a Constituição Federal não criará nenhum tributo ou fará sua exigência, mas tão somente a</p><p>nossa Carta Mãe entregará poderes para que os respectivos entes competentes (União,</p><p>Estados, Distrito Federal e Municípios) venham a criar as espécies de tributo.</p><p>Antes de citar quais tipos de tributos os entes poderão criar, importante dizer sobre as</p><p>características da competência tributária.</p><p>a) Indelegável: nenhum ente poderá transferir a sua competência de criar e/ou majorar</p><p>tributo para outro ente competente na forma do artigo 7º do CTN.</p><p>Entretanto, muito embora indelegável a competência tributária, a capacidade ativa</p><p>tributária poderá ser delegada para outra pessoa jurídica de direito público. Mas do que trata-se</p><p>a capacidade ativa tributária? Exercer a capacidade ativa tributária não compreende o exercício</p><p>da competência de criar e/ou majorar, mas sim o exercício administrativo de fiscalizar, executar</p><p>as normas e arrecadar tributo em nome do ente competente. Leia-se os clássicos exemplos do</p><p>ITR e IR Retido na Fonte.</p><p>b) Facultativa: o ente competente, assim compreendido na forma do texto constitucional,</p><p>somente criará o tributo de sua competência se assim desejar. Veja o que diz o artigo 145 da</p><p>Constituição:</p><p>c) Irrenunciável: nenhum ente poderá abrir mão e/ou renunciar a competência tributária</p><p>para qualquer outro ente ou pessoa jurídica, seja pública ou privada.</p><p>d) Inalterável: a competência tributária não poderá ser alterada mediante norma</p><p>infraconstitucional, podendo sim ser alterada mediante emenda constitucional.</p><p>Podcast conceito de competência tributária.</p><p>Após analisada as características da competência tributária, temos de saber quais são os</p><p>tributos que os entes (União, Estados, DF e Municípios) poderão criar, conforme texto</p><p>constitucional.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/conceito-de-compeencia-oab-tributario/s-hcmPtzDKdxr?si=948ef1fd261141dfa32e359b12377127&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>88</p><p>Das competências da União, acima expostas, duas questões são extremamente</p><p>importantes e tem recorrência em provas: será sempre e somente da União a competência para</p><p>criar novos tipos de impostos (os chamados residuais) e novas contribuições sociais residuais.</p><p>E tudo isto, somente mediante lei complementar.</p><p>Art. 154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar, impostos não previstos no</p><p>artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de</p><p>cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>89</p><p>Podcast sobre competência residual.</p><p>Após análise da competência da União, vejamos a competência do Distrito Federal.</p><p>Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta,</p><p>nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados,</p><p>do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda</p><p>Constitucional nº 20, de 1998)</p><p>§ 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da</p><p>seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/competencia-residual-online-audio-convertercom/s-GJb9W1UYHOe?si=1b951f1fc3b44a53b3e7047e230cb737&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>90</p><p>Vale dizer que, na forma do artigo 147 e 155 da Constituição Federal, o Distrito Federal</p><p>terá competência cumulativa dos Estados e dos Municípios.</p><p>Já os Estados poderão criar os seguintes tributos na forma do artigo 155 da Constituição</p><p>Federal:</p><p>Distrito</p><p>Federal</p><p>Impostos</p><p>Imposto Predial Territorial Urbano</p><p>Imposto Transmissão Bens Imóveis</p><p>Imposto sobre Serviços</p><p>Imposto sobre Propriedade Veicular</p><p>Imposto Transmissão Causa Mortis ou</p><p>Doação</p><p>Imposto sobre Circulação de</p><p>Mercadorias</p><p>Taxa</p><p>Contribuição</p><p>de Melhoria</p><p>Contribuições</p><p>Especiais</p><p>Contribuição Previdenciária de Servidor</p><p>Contribuição sobre Custeio de</p><p>Iluminação Pública</p><p>Estados</p><p>Impostos</p><p>Imposto sobre Propriedade Veicular</p><p>Imposto Transmissão Causa Mortis ou</p><p>Doação</p><p>Imposto sobre Circulação de MercadoriasTaxa</p><p>Contribuição</p><p>de Melhoria</p><p>Contribuições</p><p>Especiais</p><p>Contribuição Previdenciária de Servidor</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>91</p><p>Por fim, os Municípios, na forma do artigo 156 da Constituição Federal, poderão criar os</p><p>seguintes tributos:</p><p>Ainda, no que tange a competência para os mais variados tributos, faço-me uso da tabela</p><p>retirada do livro Direito Tributário Esquematizado, do Professor Ricardo Alexandre2:</p><p>CLASSIFICAÇÃO ESPÉCIES DEFINIÇÃO EXEMPLOS</p><p>Quanto à</p><p>competência</p><p>impositiva</p><p>Federais Criados privativamente pela</p><p>União</p><p>II; IE; IR; IPI; ITR;</p><p>IOF; IGF</p><p>Estaduais Criados privativamente pelos</p><p>Estados e pelo DF</p><p>ITCMD; ICMS;</p><p>IPVA</p><p>Municipais Criados privativamente pelos</p><p>Municípios e pelo DF</p><p>IPTU; ITBI; ISS</p><p>Quanto ao exercício</p><p>da competência</p><p>Privativos A competência para criação é</p><p>atribuída a determinado ente</p><p>com caráter</p><p>de exclusividade</p><p>Impostos;</p><p>empréstimos</p><p>compulsórios;</p><p>contribuições</p><p>especiais</p><p>2 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São</p><p>Paulo:</p><p>MÉTODO, 2014. Página 237.</p><p>Municípios</p><p>Impostos</p><p>Imposto Predial Territorial Urbano</p><p>Imposto Transmissão Bens Imóveis</p><p>Imposto sobre ServiçosTaxa</p><p>Contribuição</p><p>de Melhoria</p><p>Contribuições</p><p>Especiais</p><p>Contribuição Previdenciária de Servidor</p><p>Contribuição sobre Custeio de Iluminação</p><p>Pública</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>92</p><p>Comuns A competência para criação é</p><p>atribuída indiscriminadamente</p><p>a todos os entes políticos</p><p>Taxas e</p><p>contribuições de</p><p>melhoria</p><p>Residuais A Constituição atribui à União</p><p>competência para criar</p><p>tributos não previstos</p><p>ordinariamente</p><p>Novos impostos e</p><p>novas</p><p>contribuições para</p><p>a seguridade social</p><p>Quanto à finalidade Fiscais Finalidade arrecadatória IR; IGF; IPVA;</p><p>ICMS; ITCMD;</p><p>IPTU; ITBI; ISS;</p><p>IEG; empréstimos</p><p>compulsórios</p><p>Extrafiscais Finalidade interventiva II; IE; IPI, IOF; ITR;</p><p>CIDE</p><p>Parafiscais Finalidade de arrecadar para</p><p>atividades específicas</p><p>Contribuições</p><p>sociais e</p><p>corporativas</p><p>Quanto à hipótese de</p><p>incidência</p><p>Vinculados Cobrança depende de</p><p>atividade estatal específica</p><p>relativa ao contribuinte</p><p>Taxas e</p><p>contribuições de</p><p>melhoria</p><p>Não</p><p>vinculados</p><p>Cobrança independe de</p><p>atividade estatal específica</p><p>relativa ao contribuinte</p><p>Impostos</p><p>Quanto ao destino da</p><p>arrecadação</p><p>De</p><p>arrecadação</p><p>vinculada</p><p>Os recursos arrecadados</p><p>somente podem ser utilizados</p><p>em atividades determinadas</p><p>Empréstimos</p><p>compulsórios;</p><p>CPMF; custas e</p><p>emolumentos</p><p>De</p><p>arrecadação</p><p>não vinculada</p><p>Os recursos arrecadados</p><p>podem ser utilizados em</p><p>qualquer despesa prevista no</p><p>orçamento</p><p>Impostos</p><p>Quanto à</p><p>possibilidade de</p><p>repercussão</p><p>Diretos Oneram diretamente a pessoa</p><p>definida como sujeito passivo</p><p>(não permitem a repercussão)</p><p>IR; ITR; IPTU</p><p>Indiretos Oneram pessoa diferente</p><p>daquela definida como sujeito</p><p>ICMS; ISS; IPI; IOF</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>93</p><p>passivo (permitem a</p><p>repercussão)</p><p>Quanto aos aspectos</p><p>subjetivos e</p><p>objetivos da hipótese</p><p>de incidência</p><p>Reais Incidem objetivamente sobre</p><p>coisas, desprezando aspectos</p><p>subjetivos</p><p>IPTU; ITR; ITCMD;</p><p>IPI</p><p>Pessoais Incidem de forma subjetiva,</p><p>levando em consideração</p><p>aspectos pessoais do sujeito</p><p>passivo</p><p>IR</p><p>Quanto às bases</p><p>econômicas</p><p>tributadas</p><p>Sobre o</p><p>comércio</p><p>exterior</p><p>Incidem sobre as operações</p><p>de importação e exportação</p><p>II e IE</p><p>Sobre o</p><p>patrimônio e a</p><p>renda</p><p>Incidem sobre a propriedade</p><p>de bens móveis ou imóveis e</p><p>sobre o produto do capital, do</p><p>trabalho ou da combinação de</p><p>ambos</p><p>ITR; IPTU; IPVA;</p><p>IGF; IR</p><p>Sobre a</p><p>produção e a</p><p>circulação</p><p>Incidem sobre a circulação de</p><p>bens ou valores e sobre a</p><p>produção de bens</p><p>ICMS; ISS; IPI; IOF</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>94</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>95</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>Nova lei complementar de iniciativa do Presidente da República, aprovada pelo Congresso</p><p>Nacional e sancionada pelo chefe do Executivo, foi publicada em 10/11/2021, mas</p><p>expressamente prevendo que seus efeitos apenas se produziriam 30 dias após sua publicação.</p><p>Ela determina que, na falência, todos os créditos tributários, inclusive aqueles constituídos antes</p><p>da produção de efeitos da nova lei, terão preferência sobre todos os créditos com garantia real.</p><p>Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Esta lei pode alterar dispositivos expressos do Código Tributário Nacional?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A autarquia municipal responsável pelo serviço de coleta de lixo envia a Marcos Silva, possuidor</p><p>em vias de usucapir imóvel situado no Município X, carnê de cobrança da taxa de coleta de lixo</p><p>proveniente de imóveis, por força de delegação feita regularmente pelo referido ente municipal.</p><p>Marcos insurge-se contra a cobrança, alegando que somente o Município, na qualidade de ente</p><p>federado, poderia cobrar tributos, bem como o fato de que não seria contribuinte dessa taxa, por</p><p>ser mero possuidor do imóvel, devendo a cobrança ser feita diretamente ao proprietário. Diante</p><p>desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A autarquia municipal pode realizar a cobrança dessa taxa? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>Maria, servidora pública do Estado X, verificou no contracheque referente ao mês de março que</p><p>foi retido de sua remuneração um adicional de 2%, referente ao Imposto sobre a Renda Pessoa</p><p>Física – IRPF. Ao questionar seu órgão de vinculação, obteve a informação de que a cobrança</p><p>tinha por fundamento a Lei Estadual nº 12.345, editada no último dia do exercício imediatamente</p><p>anterior. Indignada com a cobrança, Maria procura você, na condição de advogado(a), para que</p><p>adote as providências cabíveis, a fim de questionar judicialmente o desconto e obter a devolução</p><p>do valor recolhido, já que seu pedido administrativo foi negado. Analisando o contexto fático</p><p>descrito, responda aos itens a seguir.</p><p>B) O Estado X poderia ter estipulado o adicional de IRPF para seus servidores?</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>O Estado XXX, novo Estado da Federação, resultante de desmembramento do Estado YYY, tem</p><p>dificuldade de instituir, cobrar e fiscalizar o Imposto sobre a Propriedade de Veículos</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>96</p><p>Automotores (IPVA) em todos os seus 200 municípios. Assim, decidiu delegar competência</p><p>legislativa a seus Municípios para que instituíssem o tributo, realizassem a cobrança e</p><p>promovessem a fiscalização e a administração do referido tributo, impondo aos Municípios o</p><p>dever de repassar 50% das quantias arrecadadas ao Estado. A empresa de transportes de</p><p>passageiros Sigma, detentora de grande frota de veículos, entendeu por questionar a cobrança</p><p>do IPVA. Diante dos fatos acima expostos, na condição de advogado(a), responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) Você vislumbra êxito na pretensão da empresa de transportes Sigma? Justifique.</p><p>B) Se a delegação repousasse apenas sobre as atividades de arrecadação e fiscalização do</p><p>IPVA, seria devida a pretensão da empresa Sigma? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>O Estado”X” instituiu um adicional de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores</p><p>(IPVA) que tem como fato gerador a propriedade de veículos em mau estado de conservação</p><p>e/ou que possuam duas ou mais multas não pagas. Caio, proprietário de veículo automotor em</p><p>mau estado de conservação e com cinco multas não pagas, é notificado da cobrança do adicional</p><p>do tributo por meio de auto de infração. Como não apresentou defesa e não pagou o tributo, o</p><p>Estado “X” ajuíza execução fiscal. Caio, no entanto, não possui meios para garantir a execução</p><p>fiscal e opor embargos à execução, mas possui todos os documentos que comprovam sua</p><p>defesa. Com base na hipótese formulada, responda aos itens a seguir.</p><p>A) O adicional de IPVA instituído pelo Estado “X” é devido?</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>Certa empresa de produtos químicos recebeu notificação do Município “X” para que pagasse um</p><p>imposto por ele instituído no ano de 2013. O fato gerador do imposto era o ato de poluir o meio</p><p>ambiente e a sua base de cálculo era a quantidade de lixo produzida. Com base em tais fatos,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) Pode o fato gerador de um imposto ser o ato de poluir o meio ambiente?</p><p>B) O Município “X” teria competência constitucional para criar um novo imposto?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>O deputado federal Y apresentou dois projetos de lei ordinária federal. O primeiro pretende alterar</p><p>o Código Tributário Nacional no que se refere aos artigos que tratam de responsabilidade</p><p>tributária (obrigação tributária) e</p><p>o segundo pretende instituir uma taxa de licenciamento de</p><p>importação, cuja base de cálculo é o valor aduaneiro do produto importado.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>97</p><p>A) Analise a constitucionalidade do primeiro projeto de lei apresentado pelo deputado.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>O Presidente da República editou Medida Provisória estabelecendo normas gerais sobre o</p><p>imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), relativamente ao seu fato gerador,</p><p>base de cálculo e contribuintes. Partindo da premissa de que estão preenchidos os requisitos de</p><p>relevância e urgência, responda aos itens a seguir, de forma fundamentada, indicando os</p><p>dispositivos legais pertinentes.</p><p>A) Pode uma Medida Provisória do Presidente da República estabelecer normas gerais sobre o</p><p>imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA), tal como a acima referida?</p><p>B) Inexistindo normas gerais relativas ao imposto sobre propriedade de veículos automotores</p><p>(IPVA), podem os legisladores estaduais definir, no âmbito de suas competências, e observados</p><p>os limites impostos pela Constituição Federal, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes</p><p>desse imposto?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>98</p><p>RESPOSTAS DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>A) Sim, pois o Código Tributário Nacional foi recepcionado pela CRFB/88 como lei complementar</p><p>que veicula normas gerais em matéria de legislação tributária, somente podendo ser alterada por</p><p>outra lei complementar nacional, tal como descrito no enunciado, cf. o Art. 146, inciso III, da</p><p>CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A) Sim, a autarquia municipal pode cobrar essa taxa, desde que por meio da chamada delegação</p><p>de “capacidade tributária ativa”, isto é, a delegação de “funções de arrecadar ou fiscalizar</p><p>tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária,</p><p>conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra”, conforme previsto no Art. 7º, caput,</p><p>do CTN. Portanto, tendo a autarquia municipal recebido a delegação da capacidade tributária</p><p>ativa do Município, poderá realizar a cobrança.</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>B) Não. A competência tributária é da União, seja para instituir imposto sobre renda e proventos,</p><p>seja sob a perspectiva da competência residual, na forma do Art. 153, inciso III, ou do Art. 154,</p><p>I, ambos da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A) Sim. Nos termos do Art. 6º do CTN, a atribuição constitucional de competência tributária é</p><p>plena, ressalvados os limites ali estabelecidos. Todavia, a competência legislativa é indelegável,</p><p>a teor do artigo 7º do CTN, sendo, portanto, ilegal o IPVA que vier a ser instituído por lei municipal.</p><p>Dessa forma, a empresa Sigma encontra respaldo jurídico no referido Art. 7º do CTN.</p><p>B) Não. Embora o Art. 7º do CTN vede a delegação de competência legislativa, o mesmo</p><p>dispositivo legal faz ressalva expressa à delegação das atividades de arrecadação e de</p><p>fiscalização do tributo.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>A) O tributo não é devido por duas razões: primeiro porque sua previsão tem natureza</p><p>sancionatória e, com isso, viola o conceito de tributo do Art. 3º do CTN (“Tributo é toda prestação</p><p>pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua</p><p>sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>99</p><p>vinculada”); segundo, sob a roupagem de “adicional”, criou-se verdadeiro tributo novo, para o</p><p>qual só a a União tem competência, e, ainda assim, com observância dos requisitos do Art. 154,</p><p>inciso I, da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>A) A resposta é negativa. De acordo com o Art. 3º do CTN é da essência de um tributo não ter</p><p>natureza sancionatória.</p><p>B) É negativa a resposta. Só a União tem competência para instituir impostos residuais (isto é,</p><p>impostos não indicados na própria Constituição da República), conforme o Art. 154, inciso I, da</p><p>CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A) O Código Tributário Nacional (Lei Ordinária nº 5.172/66) foi recepcionado pela Constituição</p><p>Federal de 1988 como lei complementar, uma vez que estabelece normas gerais em matéria de</p><p>legislação tributária. Sendo assim, a alteração do CTN, especialmente no que se refere à</p><p>responsabilidade tributária, deve ser feita por lei complementar, conforme o Art. 146, III, “b”, da</p><p>Constituição Federal.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>A) Não. De acordo com o Art. 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição da República, cabe à Lei</p><p>Complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, definindo, inclusive</p><p>em relação ao IPVA, os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes. Como o</p><p>Art. 62, § 1º, inciso III, da Constituição da República, veda a edição de Medidas Provisórias em</p><p>relação a matéria reservada à Lei Complementar, conclui-se que uma Medida Provisória não</p><p>pode veicular normas gerais sobre o IPVA.</p><p>B) Sim. Inexistindo normas gerais relativas ao imposto sobre propriedade de veículos</p><p>automotores (IPVA), o legislador estadual, no contexto da competência concorrente, exerce</p><p>competência plena sobre a matéria, nos termos do Art. 24, § 3º, da Constituição da República e</p><p>Art. 34, § 3º, do ADCT.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>100</p><p>15. Limitações ao Poder de Tributar - Princípios</p><p>Para que o ente público, através dos seus poderes constituídos, exerça a sua competência</p><p>tributária, será necessário balizar suas atividades nas limitações ao exercício do poder de tributar</p><p>dispostos na Constituição Federal.</p><p>15.1 Princípio da Legalidade</p><p>Reza o artigo 150, I, da Constituição Federal que:</p><p>Logo, conforme acima exposto, nenhum tributo poderá ser criado ou majorado sem lei que</p><p>o estabeleça. Portanto, via de regra, somente o Poder Legislativo poderá criar ou majorar tributo,</p><p>sempre mediante observação do devido processo legislativo.</p><p>E o Poder Executivo não poderá atuar na criação ou majoração de tributos? Obviamente</p><p>que a Constituição Federal lhe reservou possibilidades, até como forma de controlar a economia</p><p>e o mercado. Diante disso, podemos afirmar que houve mitigação ao princípio da legalidade.</p><p>a) 1ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo da União, mediante</p><p>decreto, portaria ou resolução, alterar as alíquotas dos impostos (II, IE, IOF e IPI) abaixo</p><p>descritos.</p><p>Outro fato que pode-se questionar é o do porquê é mitigado aqui o princípio da legalidade:</p><p>tais impostos são extrafiscais, ou seja, servem para regular o mercado econômico.</p><p>Por fim, cabe dizer que tal possibilidade encontra-se respaldada em nosso texto</p><p>constitucional, em seu artigo 153, §1º da Constituição Federal:</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>101</p><p>b) 2ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo, igualmente, por meio</p><p>de decreto ou convênio, reduzir ou restabelecer as alíquotas de CIDE e ICMS Combustível.</p><p>Porém cuidado, não esqueça: aqui não se trata de majoração, mas tão somente redução ou</p><p>retorno das alíquotas anteriores.</p><p>c) 3ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá o Poder Executivo, também através de</p><p>decreto ou portaria, atualizar base de cálculo de tributo. Mas aqui é importante ressaltar: trata-</p><p>se de mera atualização, recomposição da base, jamais podendo representar onerosidade ao</p><p>contribuinte.</p><p>Assim, é importante também salientar que esta</p><p>atualização deverá observar os limites</p><p>estabelecidos pelos indexadores oficiais, ou seja, dentro de um máximo permitido observando-</p><p>se estes índices.</p><p>d) 4ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá, igualmente, o Poder Executivo Federal,</p><p>mediante Medida Provisória, criar ou majorar qualquer espécie tributária. Entretanto, para que</p><p>Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:</p><p>§ 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar</p><p>as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V.</p><p>Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:</p><p>§ 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em</p><p>torná-lo mais oneroso.</p><p>§ 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a</p><p>atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo.</p><p>É defeso, ao município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice oficial</p><p>de correção monetária.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>102</p><p>assim o faça terá de atender a dois requisitos: que o tributo possa ser criado por lei ordinária e</p><p>que seja convertido em lei no mesmo ano de sua edição.</p><p>e) 5ª Exceção ao Princípio da Legalidade: poderá, por fim, o Poder Executivo alterar o</p><p>prazo para pagamento de tributo por meio de decreto ou portaria. Compreende-se pela</p><p>desnecessidade de norma, visto que tal matéria não está assim disposta no artigo 97 do CTN,</p><p>ou seja, não sendo necessária lei para tal realização.</p><p>Podcast Princípio da Legalidade</p><p>15.2 Princípio da Isonomia</p><p>Reza o artigo 150, II, da Constituição Federal que:</p><p>Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas</p><p>provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação</p><p>dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)</p><p>§ 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos</p><p>arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido</p><p>convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/principio-da-legalidade-oab-tributario/s-rAqjiQ3fEiS?si=477c93939e414f7c9c5a25c20eec6a37&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>103</p><p>Diante do que compreendido pelo inciso supra citado todos terão tratamento igualitário</p><p>perante a norma tributária, carecendo somente de um trato desigual aqueles que se apresentam</p><p>em uma situação de desigualdade.</p><p>15.3 Princípio da Anterioridade</p><p>Tal princípio irá limitar a possibilidade e atividade dos entes competentes de cobrarem os</p><p>tributos por eles respectivamente realizados. Logo, este princípio servirá para informar ao</p><p>contribuinte quando ele deverá e poderá ser cobrado dos respectivos tributos, uma vez</p><p>realizados os fatos geradores dispostos na norma tributária.</p><p>Mas desde já, lembre-se: como se trata de limitação ao exercício da competência</p><p>tributária, ele será observado apenas quando da criação ou majoração de tributo, visto que</p><p>quando tratar-se de medida desonerativa (mais favorável) ao contribuinte, tal norma terá</p><p>aplicação imediata.</p><p>O princípio da anterioridade, com razão precípua da necessidade de evitar a surpresa aos</p><p>contribuintes, é entendido conforme texto constitucional pela anterioridade do exercício e a</p><p>anterioridade nonagesimal.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente,</p><p>proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida,</p><p>independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>III - cobrar tributos:</p><p>b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou;</p><p>(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou</p><p>aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de</p><p>19.12.2003)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>104</p><p>Diante disto, na forma do artigo 150, III, B, da Constituição Federal, todo tributo criado ou</p><p>majorado somente poderá ser exigido no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, uma vez</p><p>publicado, por exemplo, no ano de 2017, somente poderá ser exigido no primeiro dia do ano de</p><p>2018.</p><p>E para evitar esta surpresa, houve uma alteração no texto constitucional, vindo a criar o</p><p>princípio da anterioridade nonagesimal. Assim, na forma do artigo 150, III, C, da Constituição</p><p>Federal, todo tributo criado ou majorado, somente poderá ser exigido após 90 (noventa) dias da</p><p>publicação, justamente para evitar as surpresas acima citadas.</p><p>Assim, via de regra, todos os tributos criados ou majorados deverão aguardar as duas</p><p>anterioridades (requisitos cumulativos), ou seja, somente poderão ser exigidos no exercício</p><p>seguinte ao de sua publicação, somado a 90 (noventa) dias, igualmente da publicação.</p><p>Entretanto, compreendeu por bem o constituinte reservar à alguns tributos uma</p><p>possibilidade de exigência mitigada, justamente para enfrentar o mercado econômico (política</p><p>econômica e social) ou a necessidade de exigência do tributo. Assim, positivou o constituinte,</p><p>mitigando, portanto, os princípios da anterioridade:</p><p>Logo, conforme positivado no parágrafo supra indicado, assim compreendeu o</p><p>constituinte:</p><p>- Terão exigência imediata, ou seja, mesmo que majorados ou criados poderão ser</p><p>exigidos tão logo publicados: Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto sobre</p><p>Operações Financeiras, Empréstimo Compulsório de Guerra Externa ou sua Iminência,</p><p>Empréstimo Compulsório de Calamidade e Imposto Extraordinário de Guerra.</p><p>- Outrossim, terão exigência respeitando apenas a anterioridade nonagesimal, ou seja 90</p><p>dias após a sua publicação, sendo, portanto, possível a sua exigência no mesmo ano de sua</p><p>publicação: Imposto sobre Produtos Industrializados, Contribuições Sociais e CIDE/ICMS</p><p>Combustíveis.</p><p>- E terão exigência respeitando apenas a anterioridade do exercício, ou seja, podendo ser</p><p>majorados em 28 de dezembro, publicados em 29 e já exigidos no dia 01 de janeiro: Imposto de</p><p>Renda (alíquotas, base de cálculo) e Base de Cálculo (apenas) de IPVA e IPTU.</p><p>Art. 150 da CF - § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I,</p><p>153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts.</p><p>148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts.</p><p>155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>105</p><p>Por fim, outra questão de grande valia sobre o princípio da anterioridade é de que a</p><p>modificação de prazo para pagamento, mesmo que venha a antecipar a</p><p>arrecadação/pagamento, não estará sujeita a anterioridade, na forma da Súmula Vinculante nº</p><p>50 do STF.</p><p>15.4 Princípio da Irretroatividade</p><p>Reza o artigo 150, III, A, da Constituição Federal que:</p><p>Em face do que disposto na presente alínea, a norma tributária não poderá retroagir, ou</p><p>seja, não poderá atingir fatos geradores que ocorreram antes de sua vigência. Sendo assim,</p><p>aplica-se</p><p>a lei vigente, alíquota e base de cálculo que estiverem em vigor quando da ocorrência</p><p>do fato gerador. Logo, conclui-se: a norma tributária, via de regra, não poderá retroagir</p><p>justamente para preservar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a proporcionar para todos</p><p>uma segurança jurídica.</p><p>E vale dizer, ainda, que a Constituição Federal não traz nenhuma mitigação ou exceção.</p><p>Entretanto, o Código Tributário Nacional nos apresenta 3 exceções a este princípio:</p><p>a) 1ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: a norma nova que tenha caráter</p><p>interpretativo da norma antiga, que venha solucionar pontos obscuros, portanto, da norma antiga,</p><p>desde que não cause penalidade ao contribuinte, poderá retroagir. Assim, a lei nova de caráter</p><p>interpretativo poderá retroagir, desde que não cause onerosidade ao contribuinte.</p><p>Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio</p><p>da anterioridade.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>III - cobrar tributos:</p><p>a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído</p><p>ou aumentado;</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>106</p><p>b) 2ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: a norma nova que venha deixar de tratar</p><p>ato como infração (extinguir multa) ou reduzir a infração (reduzir o percentual da multa), poderá</p><p>retroagir para fatos geradores já ocorridos, desde que exista ato pendente de julgamento (seja</p><p>judicial ou administrativo). Vale ressaltar: trata-se de retroatividade mais benéfica somente e tão</p><p>exclusivamente no campo das infrações (jamais no tocante as alíquotas ou base de cálculo).</p><p>c) 3ª Exceção ao Princípio da Irretroatividade: por fim, poderá retroagir norma nova que</p><p>venha instituir ou estabelecer novos critérios de fiscalização e/ou proporcionar ao crédito</p><p>tributário nova classificação.</p><p>Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:</p><p>I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade</p><p>à infração dos dispositivos interpretados;</p><p>Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito:</p><p>II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:</p><p>a) quando deixe de defini-lo como infração;</p><p>c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua</p><p>prática.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>107</p><p>Podcast sobre Princípio da Irretroatividade.</p><p>15.5 Princípio do Não Confisco</p><p>Reza o artigo 150, IV, da Constituição Federal que:</p><p>Conforme acima exposto, nenhum ente público poderá estabelecer ou exigir tributo com</p><p>caráter confiscatório, ou seja, que impeça o uso adequado da propriedade ou não possibilite o</p><p>livre exercício da atividade privada.</p><p>Logo, o contribuinte não precisará vender seus bens em face da exigência de tributos que</p><p>o impeçam de fazer o livre exercício do direito fundamental da propriedade. Importante, ainda,</p><p>Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela</p><p>lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.</p><p>§1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da</p><p>obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os</p><p>poderes de investigação das autoridades administrativas ou</p><p>outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de</p><p>atribuir responsabilidade tributária a terceiros.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>IV - utilizar tributo com efeito de confisco;</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/principio-da-irretroatividade-oab-tributario/s-UDGbO2ttIhF?si=bea98a89eca74015aed5b88e4bd5b677&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>108</p><p>ressaltar que o STF passou a aplicar o presente dispositivo para as multas, ou seja, nenhuma</p><p>multa (penalidade) poderá ser exigida com o caráter confiscatório, como, por exemplo, multa</p><p>moratória (por atraso no pagamento) não poderá ter percentual superior a 20% (vinte por cento).</p><p>Sobre a matéria, importante colacionar 3 súmulas que tem trato recorrente no Exame da</p><p>Ordem, inclusive como teses para peças processuais.</p><p>15.6 Princípio da Liberdade de Tráfego</p><p>Reza o artigo 150, V, da Constituição Federal que:</p><p>Nenhum tributo poderá impedir o livre exercício do direito de ir e vir, salvo a própria</p><p>mitigação exposta no inciso mencionado no que tange à cobrança de pedágios. Lembrando que,</p><p>salvo melhor juízo, quem cobra pedágio não cobra tributo, mas sim tarifas ou preço público em</p><p>que o contribuinte pagará para permissionários e/ou concessionárias do serviço público.</p><p>15.7 Princípio da Uniformidade Geográfica</p><p>Súmula 70 - É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de</p><p>tributo.</p><p>Súmula 323 - É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de</p><p>tributos.</p><p>Súmula 547 - Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas,</p><p>despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou</p><p>intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder</p><p>Público.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>109</p><p>Reza o artigo 151, I e II, da Constituição Federal que:</p><p>Tal princípio tem força coercitiva diretamente para a União. Assim, o presente ente</p><p>federativo, em razão do texto constitucional, não poderá tratar os demais entes federativos e</p><p>seus contribuintes de forma desigual. Exemplo: a incidência sobre o Imposto de Renda que será</p><p>considerado no Rio Grande do Sul, igualmente deverá ser no Rio de Janeiro, não podendo haver</p><p>tratamento diferenciado. A justificativa para a presente norma cogente é: respeito à isonomia e</p><p>ao pacto federativo.</p><p>Entretanto, o mesmo inciso I trabalha com uma mitigação onde faculta a União conceder</p><p>tratamento diferenciado na tributação de sua competência, a fim de proporcionar</p><p>desenvolvimento socioeconômico de determinada região. Aqui encontra-se o clássico exemplo</p><p>da Zona Franca de Manaus.</p><p>Na forma do inciso II do artigo supra indicado, a União também não poderá conceder</p><p>tratamento diferenciado para seus servidores, bem como as obrigações de dívidas públicas.</p><p>Logo, se um Magistrado Federal tem retenção de 27,5% de seu ordenado, o mesmo deverá valer</p><p>para o Magistrado Estadual, não podendo, portanto, a União conceder tratamento diferenciado</p><p>para o federal em face deste pertencer aos quadros federais.</p><p>15.8 Princípio da Isenção Heterônoma</p><p>Reza o artigo 151, III, da Constituição Federal que:</p><p>Art. 151. É vedado à União:</p><p>I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou</p><p>preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro,</p><p>admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento</p><p>sócio-econômico entre as diferentes regiões do País;</p><p>II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados, do Distrito Federal e dos</p><p>Municípios, bem como a remuneração e os proventos dos respectivos</p><p>agentes públicos, em níveis</p><p>superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>110</p><p>Na forma do presente inciso, a União não poderá intrometer-se no que tange a benefícios</p><p>fiscais nos tributos que não são de sua competência. Assim, não caberá isenções heterônomas,</p><p>ou seja, a União não poderá conceder isenção de tributos que são de competência dos demais</p><p>entes.</p><p>Entretanto, algumas mitigações compreendidas na realidade como imunidades por</p><p>estarem expressas na Constituição Federal, poderemos visualizar:</p><p>a) 1ª Exceção: Imunidade de ISSQN para serviços destinados ao Exterior.</p><p>b) 2ª Exceção: Imunidade de ICMS para Mercadorias e Serviços para o Exterior:</p><p>Art. 151. É vedado à União:</p><p>III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.</p><p>Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:</p><p>III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei</p><p>complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar:</p><p>(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 37, de 2002)</p><p>II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o exterior. (Incluído pela Emenda</p><p>Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (Redação dada pela</p><p>Emenda Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte</p><p>interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem</p><p>no exterior; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>111</p><p>c) 3ª Exceção: segundo o STF os Tratados ou Convenções Internacionais, uma vez</p><p>ratificados pelo Presidente da República, este agindo como Chefe de Estado (Pessoa Jurídica</p><p>de Direito Público Internacional), poderá isentar tributos estaduais e municipais, observando o</p><p>que disposto no artigo 98 do CTN.</p><p>Podcast sobre Princípio da Vedação da Isenção Heterônoma</p><p>§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (Redação dada pela Emenda</p><p>Constitucional nº 3, de 1993)</p><p>X - não incidirá:</p><p>a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a</p><p>destinatários no exterior, assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto</p><p>cobrado nas operações e prestações anteriores; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42,</p><p>de 19.12.2003)</p><p>Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária</p><p>interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/principio-da-vedacao-da-isencao-heteronoma-oab-tributario/s-qFWUP6qkQ5S?si=f0f211fe7b754adb9403af1297041e27&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>112</p><p>16. Limitações ao Poder de Tributar - Imunidades</p><p>Imunidade é a dispensa constitucional de pagar tributo, ou seja, tratam-se de formas de</p><p>dispensas constitucionais para que o contribuinte não realize o pagamento do crédito tributário.</p><p>Ademais, vale ressaltar que apresentam-se dois tipos de imunidades: as específicas e as</p><p>genéricas.</p><p>As imunidades específicas são todas aquelas dispostas no texto constitucional, que dizem</p><p>respeito a determinado caso concreto. E o mais importante: poderão albergar qualquer espécie</p><p>tributária. Aqui, exemplificando, apresentam-se os casos no texto constitucional: não incidir ISS</p><p>de serviço destinado ao exterior, não incidir contribuição social para as entidades de assistência</p><p>social sem fins lucrativos, entre outros.</p><p>Podcast sobre Conceito de Imunidade</p><p>Outrossim, também apresentam-se na Carta Magna as imunidades genéricas, dispostas</p><p>todas no artigo 150, VI, da Constituição Federal e apresentam dispensa constitucional apenas</p><p>no que tange aos impostos. São espécies de imunidades genéricas:</p><p>a) 1ª Espécie – Art. 150, VI, A, CF – Imunidade Recíproca: os entes públicos (União,</p><p>Estados, Distrito Federal e Municípios) não poderão cobrar impostos entre si sobre o patrimônio,</p><p>renda e serviços. Assim, exemplificando, a União não poderá cobrar IR sobre a renda auferida</p><p>pelo Município, bem como o Estado não poderá cobrar IPVA dos automóveis da União.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>VI - instituir impostos sobre:</p><p>a) Patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/conceito-de-imunidade-tributaria-oab-tributario/s-W2HlayiEh71?si=cf8086aa439b45aeb065b410f2ca6cbc&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>113</p><p>Sobre a presente espécie de imunidade genérica vale ressaltar que elas são extensivas</p><p>às autarquias e fundações públicas, na forma do artigo 150, §2º da Constituição Federal, desde</p><p>que a renda, patrimônio e serviços sejam destinados e/ou utilizados para o cumprimento da</p><p>finalidade essencial das referidas entidades públicas citadas.</p><p>Mas para que estas autarquias e fundações públicas gozem de imunidade elas precisam</p><p>cumprir alguns requisitos que estão dispostos no artigo 150, §3º e §4º da Constituição Federal,</p><p>isto é:</p><p>Também cabe ressaltar a posição do Supremo Tribunal Federal, muito embora a omissão</p><p>da Constituição Federal, de que as Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista também</p><p>terão direito a gozar desta espécie de imunidade genérica, desde que explorem atividade</p><p>essencial pública em caráter de monopólio e não visem lucro. Neste condão, foram deferidas as</p><p>imunidades para os Correios (Agência e não Franquia), Infraero, Casa da Moeda, entre outros.</p><p>§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas</p><p>pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas</p><p>finalidades essenciais ou às delas decorrentes.</p><p>a. Ser mantidas ou instituídas pelo poder público;</p><p>b. Manter atividade essencialmente pública;</p><p>c. Não entrar na concorrência privada;</p><p>d. Não cobrar taxa ou tarifa.</p><p>§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e</p><p>aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas</p><p>aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços</p><p>ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto</p><p>relativamente ao bem imóvel.</p><p>§ 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a</p><p>renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>114</p><p>b) 2ª Espécie – Art. 150, VI, B, CF – Imunidade Templos de Qualquer Culto: a presente</p><p>imunidade, tão criticada contemporaneamente, visa proteger a liberdade religiosa. Lembrando</p><p>que a Constituição Federal não objetivou ser aquela ou outra a religião a ser imunizada, visto</p><p>que vivemos em um estado laico.</p><p>Portanto, gozarão desta imunidade toda e qualquer religião que prestigie um Deus, que</p><p>tenha como objetivo levar a palavra de Deus para toda uma comunidade. Entretanto, para que</p><p>estas religiões gozem desta espécie de imunidade genérica sobre seu patrimônio, renda e</p><p>serviços, deverão aplicar seu patrimônio</p><p>ou renda auferida para o cumprimento da finalidade</p><p>essencial.</p><p>Logo, se a igreja ou templo faz um bingo para manter a “Casa do Senhor”, ou seja, a renda</p><p>auferida será revertida para a finalidade essencial, não terá que pagar impostos sobre tal valor</p><p>recebido. O mesmo vale para cobrança de dízimos, estacionamento para fiéis ou até mesmo</p><p>cemitério em nome da instituição religiosa. Tudo isso, observando o que disposto no artigo 150,</p><p>§4º da Constituição Federal.</p><p>Mas sobre a presente imunidade, algumas perguntas restarão em aberto e faz-se</p><p>necessário a devida resposta:</p><p>Maçonaria goza de imunidade? Não, visto tratar-se de filosofia de vida.</p><p>Cemitério em nome de empresa privada goza de imunidade? Não, visto que</p><p>empresa privada visa lucro.</p><p>Por fim, na forma do artigo 156, §1º - A da CF, se o templo figurar na condição de locatário</p><p>e o contrato lhe imputar o dever de pagar o IPTU, não haverá a incidência do imposto, mesmo</p><p>que o templo figure na condição de inquilino.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>VI - instituir impostos sobre:</p><p>b) templos de qualquer culto;</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>115</p><p>Podcast sobre Imunidade de Templos de Qualquer Culto</p><p>c) 3ª Espécie – Art. 150, VI, C, CF – Imunidade Subjetiva: a presente imunidade contempla</p><p>algumas pessoas, ou seja, observando igualmente o artigo 150, §4º do CTN, os partidos políticos</p><p>e suas fundações, sindicato dos trabalhadores, instituições de educação e de assistência social</p><p>sem fins lucrativos, terão direito a não pagar impostos sobre seus patrimônios, rendas e serviços,</p><p>desde que observado o cumprimento da norma e a finalidade essencial.</p><p>Mas diferente das demais espécies de imunidades genéricas, a norma elenca a</p><p>observação e cumprimento dos requisitos previstos em lei. Qual seria a lei, artigo e seus</p><p>requisitos? São aqueles dispostos no artigo 14 do CTN. Assim, para estas pessoas gozarem</p><p>desta imunidade também deverão ater-se aos requisitos do artigo supra referido.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>VI - instituir impostos sobre:</p><p>c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades</p><p>sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins</p><p>lucrativos, atendidos os requisitos da lei;</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/imunidades-templos-oab-tributario/s-RISYg1SIelF?si=e9c96d0fe952486d9144e745cf17a9c8&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>116</p><p>Vale ressaltar nesta imunidade, que as entidades de assistência social sem fins lucrativos,</p><p>na forma do artigo 195, §7º da Constituição Federal também terão imunidade no que tange as</p><p>contribuições sociais, tratando-se aqui de clássico exemplo de imunidade específica.</p><p>E, caso estas pessoas venham a locar um imóvel seu e reverter os valores locatícios para</p><p>o cumprimento da finalidade essencial, gozarão desta imunidade? Sim, na forma da Súmula</p><p>Vinculante 52 e Súmula 724 do STF, continuarão a gozar desta imunidade genérica.</p><p>d) 4ª Espécie – Art. 150, VI, D e E, CF – Imunidade Objetiva: por fim, a presente imunidade</p><p>diz respeito a espécie de imunidade genérica no tocante a alguns objetos. Portanto, os livros,</p><p>periódicos, jornais e papéis destinados a sua impressão, bem como CD´S e DVD´s</p><p>confeccionados por artistas ou intérpretes brasileiros não pagarão impostos.</p><p>Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes</p><p>requisitos pelas entidades nele referidas:</p><p>I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;</p><p>(Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos</p><p>institucionais;</p><p>III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades</p><p>capazes de assegurar sua exatidão.</p><p>§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência</p><p>social que atendam às exigências estabelecidas em lei.</p><p>Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das</p><p>entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis</p><p>seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>117</p><p>Mas é importante que se diga: aqui a imunidade será apenas no tocante ao objeto e não</p><p>sobre eventual renda auferida com a venda do objeto ou imóvel pertencente a fábrica do jornal.</p><p>E para gozarem desta imunidade quais são os requisitos necessários que devem ser</p><p>observados: transmitir um pensamento e ter uma ideia formalmente orientada</p><p>independentemente do conteúdo. Portanto, inclusive as revistas com apelo sexual gozarão desta</p><p>imunidade.</p><p>E as revistas com finalidade de marketing, que desejam prioritariamente vender produtos?</p><p>Estas revistas não gozarão de imunidade.</p><p>Já a lista telefônica gozará desta imunidade? Sim, visto que ela tem caráter informativo.</p><p>Vale ressaltar, ainda, que inclusive o papel fotográfico destinado (Súmula) a impressão</p><p>dos itens acima expostos gozará de imunidade, ao contrário da tinta destinada à impressão, que</p><p>não terá imunidade.</p><p>Por fim, segue importante e recente julgado, que faz contemplar a presente imunidade</p><p>dos livros eletrônicos, decisão esta realizada pelo STF e reconhecida em sede de repercussão</p><p>geral.</p><p>Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos</p><p>Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>VI - instituir impostos sobre:</p><p>d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.</p><p>e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou</p><p>literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem</p><p>como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação</p><p>industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de</p><p>15.10.2013)</p><p>A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da Constituição Federal abrange os filmes e papéis</p><p>fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>118</p><p>EMENTA - Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tributário. Imunidade objetiva constante</p><p>do art. 150, VI, d, da CF/88. Teleologia multifacetada. Aplicabilidade. Livro eletrônico ou digital.</p><p>Suportes. Interpretação evolutiva. Avanços tecnológicos, sociais e culturais. Projeção. Aparelhos</p><p>leitores de livros eletrônicos (ou e-readers). 1. A teleologia da imunidade contida no art. 150, VI,</p><p>d, da Constituição, aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada importância,</p><p>tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da cultura; a formação</p><p>cultural do povo indene de manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre</p><p>grupos economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc; a liberdade de informar e de</p><p>ser informado; o barateamento do custo de produção dos livros, jornais e periódicos, de modo a</p><p>facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e informações etc. Ao se invocar a</p><p>interpretação finalística, se o livro não constituir veículo de ideias, de transmissão de</p><p>pensamentos, ainda que formalmente possa ser considerado</p><p>a escolha feita.</p><p>No que tange a escrita, você, mais do que nunca, precisa ser compreendido, o que</p><p>significa dizer que não basta escrever de forma que somente você entenda. Quem vai corrigir</p><p>sua prova, pode estar exausto, em razão da correção de outras provas, antes da sua, por isso</p><p>facilite a vida do examinador... seja CLARO e OBJETIVO, e coloque as informações que o</p><p>examinador busca identificar na sua peça e questões.</p><p>Além disso, a letra precisa ser legível. Treine, escreva, faça as tarefas de forma</p><p>manuscrita, e tente melhorar a sua letra. Não use termos rebuscados ou inapropriados e tenha</p><p>cuidado com erros de português.</p><p>Por fim, como veremos nas aulas, existem dados importantes e que são imprescindíveis</p><p>para cada peça e questão, por isso interpretar o enunciado é fundamental. Para isso, leia com</p><p>calma, anotando as informações relevantes, e na hora de responder, lembre-se de procurar a</p><p>fundamentação apropriada.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>10</p><p>Caro estudante, uma questão crucial para a sua aprovação diz respeito à organização do</p><p>seu material e do seu tempo de estudo. Por isso, adquira a legislação que pretende utilizar para</p><p>a prova, e comece a utilizá-la o mais rápido possível. Conhecer a legislação e ter agilidade em</p><p>localizar os fundamentos legais é importantíssimo.</p><p>Também, defina qual horário dedicará para o estudo. Não há um tempo mínimo e máximo,</p><p>pois isso depende de cada pessoa e de sua rotina, mas você precisa entender que, nesse</p><p>período, precisará abdicar de outras atividades e ter FOCO na prova que se aproxima.</p><p>a. Ter calma;</p><p>b. Redação clara e objetiva;</p><p>c. Dados importantes – vamos ver em cada peça;</p><p>d. Sempre procurar a fundamentação(ou seja, o artigo, súmula ou OJ);</p><p>e. NÃO ESQUEÇA DE INDICAR OS INCISOS E §§ CORRETAMENTE.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>11</p><p>Posteriormente falaremos um pouco mais sobre métodos de estudo, forma de otimização</p><p>e preparação para esta segunda fase. Tenham a certeza e convicção: dá certo, basta caprichar,</p><p>que o resultado não será diverso da aprovação. Antes de falar sobre os requisitos básicos da</p><p>inicial, gostaria que vocês vislumbrassem quais peças poderão ser objeto de cobrança de vocês,</p><p>via de regra, neste nosso Exame.</p><p>a. NÃO É PERMITIDO USAR (...), ____________________________, (________),</p><p>pois pode ser considerado identificação de prova.</p><p>b. Na falta de informações no enunciado não invente dados, utilize: ... OU XXX</p><p>c. Não escreva fora da margem!</p><p>d. Não rabisque sua prova. Errou? Faça um traço simples e continue escrevendo ao</p><p>lado.</p><p>e. Você NÃO PONTUARÁ se não especificar o inciso ou §, quando houver, não</p><p>basta indicar o artigo sem especificar!</p><p>f. Jamais assine sua peça, nem no fechamento, coloque apenas a palavra</p><p>ADVOGADO seguida de reticências: Advogado...</p><p>g. JAMAIS INVENTE DADOS QUE NÃO ESTÃO NO ENUNCIADO.</p><p>h. Não faça marcações indevidas na sua legislação, como: símbolos, palavras-</p><p>chave, frases, nomes de lei, estruturação de peça.</p><p>i. Aproveite conscientemente sua folha rascunho, não faça a prova toda nela,</p><p>correndo o risco de não dar tempo suficiente para passar a limpo.</p><p>j. As remissões são permissões, desde que sejam simples remissões. Exemplos do</p><p>que pode: Art. 58, súmula 22 STJ, Lei 8.069/90.</p><p>https://ceisc.com.br/LINK_PODCAST_AQUI</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>12</p><p>As presentes ações poderão levar vocês a confusão no tocante à identificação. Entretanto,</p><p>existem formas bem fáceis e claras que irão apontar quando da utilização de uma demanda e/ou</p><p>respectivamente da outra. Outrossim, faz-se importante ressaltar que temos três grandes</p><p>gêneros/grupos de demandas e/ou peças que poderão ser objeto de cobrança de nossos alunos</p><p>examinandos na 2ª Fase de Direito Tributário.</p><p>Ato contínuo, por fim, vamos falar sobre petição inicial. Mas, afinal de contas, quais são</p><p>os passos básicos de uma petição inicial:</p><p>•Mandado de Segurança</p><p>•Mandado de Segurança Coletivo</p><p>•Ação Declaratória</p><p>•Ação Anulatória</p><p>•Ação de Consignação em Pagamento</p><p>•Ação de Repetição de Indébito Tributário</p><p>•Ação de Embargos à Execução Fiscal</p><p>•Petição de Exceção de Pré Executividade</p><p>Processo Subjetivo</p><p>•Agravo de Instrumento</p><p>•Apelação</p><p>•Agravo Interno</p><p>•Recurso Especial</p><p>•Recurso Extraordinário</p><p>•Recurso Ordinário Constitucional</p><p>•Embargos de Divergência</p><p>Recursos</p><p>Processuais</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>13</p><p>Basicamente são estes os passos de uma peça inicial. Em sala de aula, falaremos sobre</p><p>cada um, sua importância e forma de utilização.</p><p>1) Endereçamento.</p><p>2) Qualificação do Requerente.</p><p>3) Fundamento do Requerente.</p><p>4) Nome da Peça do Requerente.</p><p>5) Qualificação do Requerido.</p><p>6) Cabimento da Demanda.</p><p>7) Descrição dos Fatos.</p><p>8) Descrição dos Direitos.</p><p>9) Pedidos.</p><p>10) Valor da Causa.</p><p>11) Local e Data.</p><p>12) Advogado e OAB.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>14</p><p>2. Petição Inicial</p><p>Quando do estudo da prática processual em direito tributário, algumas questões iniciais</p><p>são relevantes e precisam ser citadas a fim de que exista nexo e lógica no aprendizado didático</p><p>da referida matéria.</p><p>Inicialmente, cabe afirmar que não existe nenhuma codificação especial sobre processo</p><p>tributário e sua formatação, fazendo-se, portanto, utilização tanto de normas específicas (Lei de</p><p>Execução Fiscal, Lei do Mandado de Segurança, entre outras), quanto as gerais, leia-se, Código</p><p>de Processo Civil.</p><p>E, considerando a inexistência de legislação especial, costuma-se dividir as peças</p><p>processuais tributárias em três grandes grupos: processo subjetivo, objetivo e peças recursais.</p><p>Logo, inclusive em face da maior utilização na prática, o presente capítulo irá trabalhar sobre a</p><p>petição inicial na égide do processo subjetivo, levando em consideração a defesa do contribuinte.</p><p>Diante deste contexto, o contribuinte poderá inaugurar a esfera judicial por meio das</p><p>seguintes ações e peças subjetivas: Mandado de Segurança, Ação Declaratória, Ação</p><p>Anulatória, Ação de Consignação em Pagamento, Ação de Repetição de Indébito, Ação de</p><p>Embargos à Execução Fiscal e a Petição de Exceção de Pré Executividade.</p><p>E o que as presentes peças apresentam em comum? A sua estrutura. Lembrando aqui</p><p>que, muito embora o presente texto seja dirigido para quem está estudando para a 2ª Fase da</p><p>OAB em Direito Tributário (no Ceisc), em nada obsta utilizar-se desta estrutura para a prática</p><p>diária da advocacia tributária. Portanto, qual é a estrutura básica destas peças processuais do</p><p>processo subjetivo:</p><p>1) Endereçamento.</p><p>2) Qualificação do Requerente.</p><p>3) Fundamento do Requerente.</p><p>4) Nome da Peça do Requerente.</p><p>5) Qualificação do Requerido.</p><p>6) Cabimento da Demanda.</p><p>7) Descrição dos Fatos.</p><p>8) Descrição dos Direitos.</p><p>9) Pedidos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>15</p><p>Endereçamento</p><p>Mas o que é o endereçamento? Endereçamento será o destinatário da demanda, ou seja,</p><p>será o juízo responsável pelo julgamento do litígio, da causa controversa em que o contribuinte</p><p>buscará a solução para os seus problemas. Tal previsão encontra-se disposta no artigo 319, I,</p><p>do Código de Processo Civil.</p><p>Normalmente a grande regra no direito tributário é de que as causas serão ajuizadas em</p><p>1º Grau (quem julga será um juiz singular), na Justiça Federal (Subseção) se houver interesse</p><p>da União, Autarquia Federal ou Empresa Pública Federal, na forma do artigo 109, I, da</p><p>Constituição Federal, ou como critério</p><p>como tal, será descabida a</p><p>aplicação da imunidade. 2. A imunidade dos livros, jornais e periódicos e do papel destinado a</p><p>sua impressão não deve ser interpretada em seus extremos, sob pena de se subtrair da</p><p>salvaguarda toda a racionalidade que inspira seu alcance prático, ou de transformar a imunidade</p><p>em subjetiva, na medida em que acabaria por desonerar de todo a pessoa do contribuinte, numa</p><p>imunidade a que a Constituição atribui desenganada feição objetiva. A delimitação negativa da</p><p>competência tributária apenas abrange os impostos incidentes sobre materialidades próprias das</p><p>operações com livros, jornais, periódicos e com o papel destinado a sua impressão. 3. A</p><p>interpretação das imunidades tributárias deve se projetar no futuro e levar em conta os novos</p><p>fenômenos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, evita-se o esvaziamento das normas</p><p>imunizantes por mero lapso temporal, além de se propiciar a constante atualização do alcance de</p><p>seus preceitos. 4. O art. 150,</p><p>VI, d, da Constituição não se refere apenas ao método gutenberguiano de produção de livros,</p><p>jornais e periódicos. O vocábulo “papel” não é, do mesmo modo, essencial ao conceito desses</p><p>bens finais. O suporte das publicações é apenas o continente (corpus mechanicum) que abrange</p><p>o conteúdo (corpus misticum) das obras. O corpo mecânico não é o essencial ou o condicionante</p><p>para o gozo da imunidade, pois a variedade de tipos de suporte (tangível ou intangível) que um</p><p>livro pode ter aponta para a direção de que ele só pode ser considerado como elemento acidental</p><p>no conceito de livro. A imunidade de que trata o art. 150, VI, d, da Constituição, portanto, alcança</p><p>o livro digital (e-book). 5. É dispensável para o enquadramento do livro na imunidade em questão</p><p>que seu destinatário (consumidor) tenha necessariamente que passar sua visão pelo texto e</p><p>decifrar os signos da escrita. Quero dizer que a imunidade alcança o denominado “audio book”,</p><p>ou audiolivro (livros gravados em áudio, seja no suporte CD-Rom, seja em qualquer outro). 6. A</p><p>teleologia da regra de imunidade igualmente alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos</p><p>(ou e-readers) confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam</p><p>equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais</p><p>como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte etc. Esse</p><p>entendimento não é aplicável aos aparelhos multifuncionais, como tablets, smartphone e laptops,</p><p>os quais vão muito além de meros equipamentos utilizados para a leitura de livros digitais. 7. O</p><p>CD-Rom é apenas um corpo mecânico ou suporte. Aquilo que está nele fixado (seu conteúdo</p><p>textual) é o livro. Tanto o suporte (o CD-Rom) quanto o livro (conteúdo) estão abarcados pela</p><p>imunidade da alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 8. Recurso extraordinário</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>119</p><p>Podcast sobre Imunidade Objetiva</p><p>e) Por fim, segue um quadro retirado da obra do Professor Ricardo Alexandre que trabalha</p><p>as demais formas de imunidades previstas no texto constitucional3:</p><p>Fundamento</p><p>constitucional</p><p>Objeto/Pessoa/Operação imunizadas Tributos cuja</p><p>incidência é</p><p>impedida</p><p>Art. 5.º, XXXIV - Obtenção de certidões, exercício do direito de petição Taxas em geral</p><p>Art. 5.º, LXXIII - Ação popular, salvo comprovada má-fé Custas judiciais</p><p>(consideradas taxas</p><p>pelo STF)</p><p>Art. 5.º, LXXVI - Registro civil de nascimento e certidão de óbito, para os</p><p>reconhecidamente pobres</p><p>Emolumentos</p><p>(considerados taxas</p><p>pelo STF)</p><p>Art. 5.º, LXXVII - Habeas corpus, habeas data e, na forma da lei, atos</p><p>necessários ao exercício da cidadania</p><p>Custas judiciais e</p><p>emolumentos</p><p>(considerados taxas</p><p>pelo STF)</p><p>Art. 149, § 2.º, I - Receitas decorrentes de exportação Contribuições</p><p>sociais e de</p><p>3 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São</p><p>Paulo: MÉTODO, 2014. Página 509.</p><p>a que se nega provimento. TESE DA REPERCUSSÃO GERAL: 9. Em relação ao tema nº 593 da</p><p>Gestão por Temas da Repercussão Geral do portal do STF na internet, foi aprovada a seguinte tese:</p><p>“A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se ao livro eletrônico (e-book),</p><p>inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo.” RE 330817-RJ</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/imunidade-objetiva-oab-tributario/s-59hI9aGEa19?si=f634b839c63140729270a715c809f332&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>120</p><p>intervenção no</p><p>domínio econômico</p><p>Art. 153, § 3.º, III - Exportação de produtos industrializados IPI</p><p>Art. 153, § 4.º, II - Pequenas glebas rurais, definidas em lei, exploradas por</p><p>proprietário que não possua outro imóvel</p><p>ITR</p><p>Art. 153, § 5.º c/c</p><p>ADCT, art. 74, §</p><p>2.º</p><p>- Ouro definido em lei como ativo financeiro ou instrumento</p><p>cambial</p><p>Tributos em geral,</p><p>salvo CPMF e IOF</p><p>Art. 155, § 2.º, X - Exportações de mercadorias e serviços;</p><p>- Operações que destinem a outros Estados petróleo,</p><p>inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos</p><p>dele derivados, e energia elétrica;</p><p>- Prestações de serviço de comunicação nas modalidades</p><p>de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção</p><p>livre e gratuita</p><p>ICMS</p><p>Art. 155, § 3.º - Operações relativas a energia elétrica, serviços de</p><p>telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e</p><p>minerais do País</p><p>Impostos em geral,</p><p>exceto II, IE e ICMS</p><p>Art. 156, § 2.º, I - Transmissão de bens ou direitos incorporados ao</p><p>patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital;</p><p>- Transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão,</p><p>incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo</p><p>se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente</p><p>for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de</p><p>bens imóveis ou arrendamento mercantil</p><p>ITBI</p><p>Art. 184, § 5.º - Operações de transferência de imóveis desapropriados</p><p>para fins de reforma agrária</p><p>Impostos em geral</p><p>Art. 195, II - Rendimentos de aposentadoria e pensão concedidas pelo</p><p>regime geral de previdência social</p><p>Contribuição</p><p>previdenciária</p><p>Art. 195, § 7.º - Entidades beneficentes de assistência social que atendam</p><p>às exigências estabelecidas em lei</p><p>Contribuições para</p><p>financiamento da</p><p>seguridade social</p><p>Art. 226, § 1.º - Celebração do casamento civil Taxas em geral</p><p>Art. 85 do ADCT - Contas-correntes de depósito especialmente abertas e</p><p>exclusivamente utilizadas para operações de:</p><p>a) câmaras e prestadoras de serviços de compensação e</p><p>de liquidação de que trata o parágrafo único do art. 2.º da</p><p>Lei 10.214, de 27 de março de 2001;</p><p>CPMF</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>121</p><p>b) companhias securitizadoras de que trata a Lei 9.514, de</p><p>20 de novembro de 1997;</p><p>c) sociedades anônimas que tenham por objeto exclusivo a</p><p>aquisição de créditos oriundos de operações praticadas no</p><p>mercado financeiro;</p><p>- Contas-correntes de depósito, relativos a:</p><p>a) operações de compra e venda de ações, realizadas em</p><p>recintos ou sistemas de negociação de bolsas de valores e</p><p>no mercado de balcão organizado;</p><p>b) contratos referenciados em ações ou índices de ações,</p><p>em suas diversas modalidades, negociados em bolsas de</p><p>valores, de mercadorias e de futuros;</p><p>- Contas de investidores estrangeiros, relativos a entradas</p><p>no País e a remessas para o exterior de recursos</p><p>financeiros empregados, exclusivamente, em operações e</p><p>contratos referidos nas letras “a” e “b” do item anterior.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>122</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>123</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>Nova lei complementar de iniciativa do Presidente da República, aprovada pelo Congresso</p><p>Nacional e sancionada pelo chefe do Executivo, foi publicada em 10/11/2021, mas</p><p>expressamente prevendo que seus efeitos apenas se produziriam 30 dias após sua publicação.</p><p>Ela determina que, na falência, todos os créditos tributários, inclusive aqueles constituídos antes</p><p>da produção de efeitos da nova lei, terão preferência sobre todos os créditos com garantia real.</p><p>Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Tal lei viola o princípio da irretroatividade tributária ao estabelecer que se aplica também a</p><p>créditos tributários constituídos antes da sua produção de efeitos?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>O partido político XYZ do Brasil alugou um imóvel de sua propriedade ao locatário Mateus Silva.</p><p>Posteriormente, Mateus recebeu, no imóvel, um carnê contendo cobrança de Taxa de Coleta</p><p>Domiciliar de Lixo, com lançamento efetuado em nome do proprietário. Mateus Silva, verificando</p><p>seu contrato de locação, percebeu que havia previsão de que o locatário deveria arcar com o</p><p>valor do pagamento de taxas que recaíssem sobre o imóvel. Entendendo que a cobrança era</p><p>indevida, por violar a imunidade tributária dos partidos políticos e por não se tratar de serviço</p><p>público remunerável por taxa, o locatário promove ação judicial para discutir o débito. Diante</p><p>desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) É devida a cobrança da Taxa de Coleta Domiciliar de Lixo em relação ao imóvel?</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>Após se lograr vencedora em um processo licitatório privado para fornecimento de 300 notebooks</p><p>para a Associação X, reconhecida como entidade beneficente de assistência social, a pessoa</p><p>jurídica Alpha ingressa com Mandado de Segurança, visando afastar o pagamento do ICMS</p><p>incidente na importação desses notebooks, sob o fundamento de que a Associação X,</p><p>destinatária final das mercadorias, possui imunidade tributária, por força do disposto no Art. 150,</p><p>inciso VI, alínea c, da CRFB/88. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Quanto ao mérito, procede o argumento da pessoa jurídica Alpha?</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>O Brasil firmou com um país escandinavo, signatário do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas</p><p>Aduaneiras e Comércio), um tratado, concedendo isenção de ICMS na importação de alguns</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>124</p><p>produtos deste país estrangeiro, e garantindo reciprocidade aos similares nacionais, quando</p><p>importados pelo país estrangeiro. Um Estado-membro da Federação brasileira, já tendo sido o</p><p>tratado internacional internalizado, não concordou com a perda de receita que começou a sofrer</p><p>como resultado de sua aplicação. Por isso, promulgou uma lei estadual revogando a isenção</p><p>concedida. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Tal isenção de ICMS pode ser concedida mediante tratado em que os Estados-membros da</p><p>Federação não são parte?</p><p>B) Sendo o ICMS um tributo de competência estadual, lei estadual superveniente pode revogar</p><p>a isenção concedida por um tratado internacional?</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>A entidade beneficente de assistência social Associação Lar Das Crianças, devidamente</p><p>registrada e cumprindo todos os requisitos legais para o gozo de imunidade tributária, requereu</p><p>à Receita Federal o reconhecimento de imunidade tributária quanto às contribuições para a</p><p>seguridade social. O Fisco federal negou o pedido, afirmando que a imunidade tributária das</p><p>entidades beneficentes de assistência social somente abarcava impostos, nos termos do Art.</p><p>150, inciso VI, alínea c, da CRFB/88, mas não contribuições. Além disso, o Fisco notificou a</p><p>entidade para que apresentasse a escrituração de suas receitas e despesas, o que a entidade</p><p>se recusou a fazer, alegando que não estava obrigada a manter essa escrituração em razão de</p><p>sua imunidade tributária. Sobre o caso narrado, responda aos itens a seguir.</p><p>A) As entidades beneficentes de assistência social, que cumprem todos os requisitos legais para</p><p>o gozo de imunidade tributária, também fazem jus ao reconhecimento de imunidade tributária</p><p>quanto a contribuições para a seguridade social ou apenas quanto a impostos?</p><p>B) Está correta tal entidade beneficente de assistência social em se negar a apresentar a</p><p>escrituração de suas receitas e despesas?</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>No intuito de aumentar a arrecadação, o prefeito do Município X sancionou lei que fixou uma</p><p>nova base de cálculo do IPTU. A referida lei foi publicada em novembro de 2016, estabelecendo</p><p>que sua vigência se dará após a data de sua publicação. Bruno e Thiago são irmãos que, por</p><p>herança, tornaram-se proprietários de um imóvel, no qual, apenas Thiago reside. Em janeiro de</p><p>2017, Bruno foi notificado do lançamento do IPTU referente ao imóvel de residência de Thiago,</p><p>tendo 30 dias para pagá-lo. Bruno alegou que, pelo fato de apenas Thiago residir no imóvel,</p><p>mesmo ele sendo coproprietário do bem, não precisaria pagar o imposto. Além disso, afirmou</p><p>que, ainda que tivesse que pagá-lo, a lei que fixou uma nova base de cálculo do IPTU não</p><p>respeitou a anterioridade nonagesimal. Sobre a hipótese apresentada, responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>125</p><p>B) Bruno está correto ao alegar que a lei que fixou uma nova base de cálculo do IPTU violou a</p><p>anterioridade nonagesimal?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>João, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do Município X, informa que o Fisco Municipal</p><p>cobrou Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de um imóvel que o</p><p>sindicato aluga a terceiros e cujo valor é integralmente utilizado para a defesa dos interesses dos</p><p>trabalhadores sindicalizados. João o consulta, sobre a viabilidade da exigência fiscal. Na</p><p>oportunidade, um dirigente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas do Município “X” (sindicato</p><p>patronal) indaga se o IPTU deveria incidir sobre imóvel de propriedade deste Sindicato, nas</p><p>mesmas condições. Sobre a hipótese apresentada, responda aos itens a seguir.</p><p>A) O município está correto em cobrar o IPTU sobre o imóvel de propriedade do sindicato dos</p><p>trabalhadores? Justifique.</p><p>B) Haveria incidência do IPTU sobre o imóvel de propriedade do sindicato patronal? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>No Estado “X”, até o ano de 2016, o mês para pagamento de Imposto Sobre a Propriedade de</p><p>Veículos Automotores (IPVA) era março, e o valor poderia ser dividido em, no máximo, três</p><p>parcelas. Em janeiro de 2017, foi editada a Lei nº 123 alterando tal sistemática. A nova lei</p><p>estabeleceu o pagamento para o mês de fevereiro do mesmo exercício, sem a possibilidade de</p><p>parcelamento. Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A alteração do prazo para pagamento poderia se dar por meio de decreto?</p><p>B) A Lei nº 123 precisa respeitar o princípio da anterioridade do exercício financeiro e o da</p><p>anterioridade nonagesimal?</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>Antes de realizado qualquer procedimento para a constituição do crédito tributário, determinado</p><p>partido político optou, em 2016, pelo parcelamento da Contribuição para o Financiamento da</p><p>Seguridade Social (COFINS), com vencimentos entre 2005 e 2009, não pagas no prazo</p><p>determinado. Para tanto, nos termos da lei que instituiu o parcelamento, o partido político</p><p>apresentou “confissão irrevogável e irretratável dos débitos”. No entanto, o advogado do partido</p><p>político opina que este deve rescindir o parcelamento, uma vez que, independentemente da</p><p>assinatura do termo de confissão de débitos, a renda dos partidos políticos é imune, e os débitos</p><p>estão alcançados pela decadência.</p><p>Sobre a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>A) No que se refere à imunidade dos partidos políticos, o advogado está correto?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>126</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>A União publicou, no Diário Oficial de 30 de junho de 2017, decreto que majorou a alíquota do</p><p>Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No decreto, foi estipulado que a alíquota majorada</p><p>já seria válida para fatos geradores ocorridos a partir do mês seguinte. Tendo em vista a</p><p>anterioridade nonagesimal e a anterioridade do exercício financeiro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) É válida a exigência da alíquota majorada no mês seguinte à publicação do decreto?</p><p>B) Se, em vez de majorar a alíquota, o decreto alterasse apenas o prazo de recolhimento da</p><p>obrigação tributária, seria válida a sua exigência a partir do mês seguinte ao da publicação?</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>Em 12 de novembro de 2016, o Estado “X” publicou lei para modificar, para além da inflação, a</p><p>tabela que estabelece os valores venais de veículos - base de cálculo do Imposto Sobre a</p><p>Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). O fato gerador do tributo, naquela unidade da</p><p>Federação, ocorre em 1º de janeiro de cada ano. Em janeiro de 2017, a autoridade administrativa</p><p>efetuou o lançamento do tributo, já com base nos valores modificados. Diante de tal quadro,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) O Estado “X” pode realizar o lançamento do IPVA, em janeiro de 2017, já com a nova base</p><p>de cálculo instituída em novembro de 2016?</p><p>B) Se a nova lei, publicada em 12 de novembro de 2016, aumentasse a alíquota incidente sobre</p><p>a base de cálculo, a majoração passaria a ser exigível para os fatos geradores ocorridos a partir</p><p>de qual exercício (inclusive)?</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>A sociedade empresária “X” foi autuada pelo Estado “Z” em 35% do valor do Imposto sobre</p><p>Circulação de Mercadorias e de Serviços (ICMS) devido, em razão do preenchimento incorreto</p><p>de determinado documento fiscal. Observadas diversas inconsistências no auto de infração, os</p><p>advogados da sociedade impugnaram administrativamente a autuação. No curso do processo,</p><p>nova lei foi publicada, estabelecendo nova penalidade para os casos de preenchimento incorreto</p><p>de documentos fiscais, agora no percentual de 15% do valor do imposto. Ocorre que, embora</p><p>pendente a decisão da impugnação, o fisco inscreveu a sociedade em dívida ativa, assinalando,</p><p>no termo de inscrição, a penalidade anterior, de 35%. Com base nessas informações e de acordo</p><p>com o disposto no CTN, responda aos itens a seguir.</p><p>B) O percentual da multa assinalado no ato de inscrição está correto? Fundamente.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>127</p><p>QUESTÃO Nº 13</p><p>A pessoa jurídica A realizou a importação de peças para utilização no processo de fabricação de</p><p>equipamentos eletrônicos. Diante da constatação de que a contribuinte não havia recolhido o</p><p>Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a liberação das mercadorias</p><p>importadas foi condicionada ao pagamento do referido tributo, tendo, ainda, sido determinada a</p><p>interdição do estabelecimento da pessoa jurídica A. Diante desse panorama, responda aos itens</p><p>a seguir.</p><p>B) A interdição do estabelecimento realizada pelo Fisco está correta?</p><p>QUESTÃO Nº 14</p><p>Em abril de 2016, o Estado X publicou lei disciplinando as custas judiciais, concedendo isenção</p><p>a todos os servidores do Poder Judiciário. Sobre a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>B) É legítima a isenção de custas judiciais concedida aos servidores da justiça?</p><p>QUESTÃO Nº 15</p><p>O Estado Alfa editou duas leis relativas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços</p><p>– ICMS. A primeira, com o objetivo de fomentar a indústria de uma determinada área e atrair</p><p>contribuintes de outros Estados da Federação, concedeu redução da base de cálculo do ICMS</p><p>para pessoas jurídicas que instalassem indústrias dentro daquela região, sem a deliberação dos</p><p>outros Estados. A segunda, de abril de 2016, reduziu o prazo para recolhimento do ICMS. Sobre</p><p>a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>B) A segunda lei está sujeita ao princípio da anterioridade?</p><p>QUESTÃO Nº 16</p><p>O governo federal, com o objetivo de proteger a indústria nacional fabricante de aço, publicou,</p><p>no ano de 2015, um decreto que aumentava de 15 para 20% a alíquota do imposto sobre a</p><p>importação de produtos siderúrgicos, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei</p><p>formal. O decreto previu que o aumento já valeria para aquele mesmo exercício financeiro.</p><p>Considerando a hipótese acima, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A majoração da alíquota do imposto de importação poderia se dar por meio de um ato do</p><p>Poder Executivo?</p><p>B) O governo federal agiu legalmente ao exigir a alíquota majorada do imposto de importação no</p><p>mesmo exercício financeiro?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>128</p><p>QUESTÃO Nº 17</p><p>Em dezembro de 2014, o Município de Macaé-RJ editou a Lei nº 1.234, estendendo o prazo para</p><p>a cobrança judicial dos créditos de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de cinco para seis</p><p>anos. O mesmo Município ajuizou, em 2015, execução fiscal em face da pessoa jurídica Ômega,</p><p>para a cobrança de créditos IPTU não pagos. Os valores desses créditos sofreram correção</p><p>monetária por ato do Poder Executivo em percentual superior ao índice oficial. Diante disso,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>B) É correta a atualização monetária do IPTU em percentual superior aos índices oficiais por ato</p><p>do Poder Executivo?</p><p>QUESTÃO Nº 18</p><p>No dia 23 de dezembro de 2013, a União, atendendo aos limites da disciplina legal do Imposto</p><p>sobre Produtos Industrializados (IPI), publicou decreto aumentando a alíquota para automóveis,</p><p>a partir da data de sua publicação. Em vista desse aumento, a pessoa jurídica X decide impugná-</p><p>lo, tendo como base a violação do princípio da anterioridade nonagesimal/noventena. Com</p><p>fundamento no princípio da legalidade tributária, a pessoa jurídica entende, ainda, que o aumento</p><p>da alíquota não poderia ter sido veiculado por meio de decreto, considerando o disposto no Art.</p><p>150, I, da Constituição, que veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça.</p><p>Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Prospera o argumento da pessoa jurídica relativo ao princípio da anterioridade</p><p>nonagesimal/noventena?</p><p>QUESTÃO Nº 19</p><p>O Município “X” notificou a instituição de educação “Y” para que realizasse o pagamento do valor</p><p>correspondente ao Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) referente ao</p><p>imóvel de sua propriedade, alugado a terceiros, por meio do envio de carnê para pagamento do</p><p>tributo pelos correios. Apesar de constatar que o valor dos aluguéis é aplicado no</p><p>desenvolvimento das atividades essenciais da instituição, o Município entendeu que a imunidade</p><p>conferida pelo texto constitucional somente se aplica quando o imóvel é usado como sede da</p><p>instituição. Com base no caso descrito, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir.</p><p>A) A cobrança do IPTU, realizada pelo Município “X”, está correta?</p><p>QUESTÃO Nº 20</p><p>Determinado Estado da Federação brasileira publicou, em 19/12/2013, a Lei Estadual nº 5.678,</p><p>a qual introduziu algumas alterações na Lei Estadual nº 1.234, que dispõe sobre a cobrança do</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>129</p><p>imposto sobre transmissão causa mortis e doação – ITCMD no âmbito daquele Estado. A nova</p><p>Lei Estadual nº 5.678 passou a vigorar na data da sua publicação, conforme expressamente</p><p>previsto em um dos seus artigos. Dentre as alterações introduzidas pelo novo diploma legal,</p><p>houve (i) o aumento da al��quota do imposto; e (ii) a redução da penalidade incidente</p><p>para o caso</p><p>de atraso no pagamento. João, dono de vários veículos, doou um veículo a Pedro em 02/12/2013,</p><p>mas, na qualidade de contribuinte, deixou de efetuar o pagamento do imposto no prazo legal,</p><p>que venceu em 17/12/2013, antes do advento da Lei Estadual nº 5.678. Posteriormente, em</p><p>03/01/2014, João doou outro veículo a Tiago. Tendo em vista o exposto, responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) João faz jus à penalidade reduzida, introduzida pela Lei Estadual nº 5.678, para o pagamento</p><p>do crédito tributário inadimplido incidente sobre a doação efetuada a Pedro?</p><p>B) Na doação efetuada a Tiago, incide a alíquota do imposto majorada pela Lei Estadual nº</p><p>5.678?</p><p>QUESTÃO Nº 21</p><p>No município X, a lei determina que, no caso de aquisição de imóvel em hasta pública, o fato</p><p>gerador do Imposto sobre Transmissão inter-vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens</p><p>imóveis (ITBI) ocorre quando do registro do título aquisitivo no Registro de Imóveis. Em março</p><p>de 2012, um imóvel localizado no município X é arrematado em hasta pública, e o arrematante</p><p>paga o ITBI antecipadamente. A emissão da carta de arrematação e o registro da mesma no</p><p>competente cartório do Registro de Imóveis ocorrem em maio do mesmo ano. Em novembro do</p><p>referido exercício, o município X publica lei (vigente a partir da publicação) aumentando a</p><p>alíquota de ITBI e, ato contínuo, emite lançamento para cobrar, do citado arrematante, a</p><p>correspondente diferença de ITBI em relação ao já pago. Responda fundamentadamente:</p><p>B) Procede a cobrança, pelo município X, da diferença referida no enunciado?</p><p>QUESTÃO Nº 22</p><p>Uma pessoa jurídica, contribuinte do ICMS do Estado X, foi autuada por não recolhimento do</p><p>ICMS devidamente escriturado, mas não informado em GIA-ICMS, dos meses de janeiro a julho</p><p>de 2011. Foi exigida multa de 80% do valor não recolhido. No mês de maio de 2012, foi ajuizada</p><p>a execução fiscal para cobrança do crédito tributário. Devidamente citada, a sociedade ofereceu</p><p>um caminhão em garantia, que foi aceito pelo exequente e penhorado. A pessoa jurídica</p><p>apresentou embargos à execução, sendo os mesmos desprovidos. Recorreu para o Tribunal de</p><p>Justiça, que, por sua vez, não proveu a apelação. Protocolou recurso especial, estando este</p><p>sujeito ao exame de admissibilidade. A Fazenda Estadual requereu o leilão do veículo, o que foi</p><p>deferido em agosto de 2013. O leilão foi marcado para 16 de dezembro de 2013. No dia 6 de</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>130</p><p>dezembro foi publicada lei estabelecendo o percentual da multa para a mesma infração em 50%.</p><p>Diante da hipótese, qual é o percentual de multa que deve prevalecer?</p><p>QUESTÃO Nº 23</p><p>A Procuradoria de Estado membro da Federação insurge-se, por meio de ação judicial, contra</p><p>disposição constante de tratado internacional assinado entre os governos do Brasil e de outro</p><p>país aderente ao Acordo Geral Sobre Tarifas e Comércio (GATT), o qual prevê a isenção de</p><p>ICMS em relação a determinadas mercadorias importadas, listadas no acordo, quando também</p><p>são isentados do imposto os produtos nacionais do mesmo gênero. A Unidade da Federação,</p><p>acima referenciada, sentindo-se lesada e alegando ter ocorrido a transgressão pela União de</p><p>preceito relativo à competência tributária, busca a anulação da cláusula do pacto internacional.</p><p>Deve ser acolhido o pedido do ente federativo? Responda fundamentadamente, apresentando a</p><p>posição predominante no Supremo Tribunal Federal.</p><p>QUESTÃO Nº 24</p><p>Baseado em uma efetiva hipótese de calamidade pública, o Presidente da República edita, em</p><p>março de determinado ano, Medida Provisória instituindo empréstimo compulsório que passará</p><p>a incidir a partir do mês subsequente. Indaga-se:</p><p>A) Pode o empréstimo compulsório pode ser instituído por Medida Provisória?</p><p>B) Qualquer que seja a resposta à questão anterior, deve o empréstimo compulsório observar o</p><p>princípio da anterioridade?</p><p>QUESTÃO Nº 25</p><p>Determinado Prefeito Municipal editou o Decreto nº X, publicado em 20/09/2011, a fim de</p><p>modificar os critérios relativos à apuração da base de cálculo do IPTU, tornando-o mais oneroso</p><p>para os contribuintes da respectiva municipalidade. Sabe-se que as mudanças inseridas no</p><p>aludido Decreto só entrariam em vigor a partir do dia 01/01/2012. Nesse caso, o referido ato</p><p>normativo compatibiliza-se com o ordenamento jurídico tributário em vigor? Justifique, com o</p><p>apontamento dos dispositivos legais pertinentes.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>131</p><p>RESPOSTA DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>B) Não, pois a irretroatividade tributária é princípio constitucional tributário que se aplica apenas</p><p>à hipótese de cobrança de tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da</p><p>vigência da lei que os houver instituído ou aumentado, cf. o Art. 150, inciso III, alínea a, da</p><p>CRFB/88, e não à legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação,</p><p>apenas tenha outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, cf. Art. 144, § 1º, do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A) Sim, a cobrança é devida. A imunidade tributária, que abrange patrimônio, renda e serviços</p><p>relacionados com as finalidades essenciais dos partidos políticos (Art. 150, inciso VI, alínea c,</p><p>c/c. Art. 150, § 4º, da CRFB/88), referese apenas a impostos, nos termos literais do Art. 150,</p><p>inciso VI, caput, da CRFB/88. Ademais, o STF, por meio da Súmula Vinculante 19, já assentou</p><p>que a referida taxa é constitucional, por se tratar de serviço público específico e divisível que não</p><p>viola o Art. 145, inciso II, da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A) Não, uma vez que a imunidade tributária subjetiva se aplica a seus beneficiários na posição</p><p>de contribuinte de direito, mas não na de simples contribuinte de fato, sendo irrelevante para a</p><p>verificação da existência da imunidade tributária a repercussão econômica do tributo envolvido,</p><p>conforme decidido pelo STF, quando do julgamento do RE 608872, com repercussão geral</p><p>reconhecida.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A) Sim, o tratado internacional pode conceder tal isenção. Na verdade, não está presente a</p><p>vedação de isenção heterônoma prevista no Art. 151, inciso III, da CRFB, pois não é a União,</p><p>enquanto ente federado interno, que está a conceder a isenção de tributo estadual, mas sim a</p><p>República Federativa do Brasil, que está a se obrigar no plano internacional. A respeito dessa</p><p>mesma situação, o STF sedimentou seu entendimento por meio da Súmula 575: à mercadoria</p><p>importada de país signatário do GATT, ou membro da ALALC, estende-se a isenção do imposto</p><p>sobre circulação de mercadorias concedida a similar nacional.</p><p>B) A lei estadual não pode revogar tal isenção, porque o Estado-membro não pode representar</p><p>a República no plano internacional, desobrigando-a de tratado por ela firmado, bem como o Art.</p><p>98 do CTN estabelece que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>132</p><p>legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha, de modo que a lei</p><p>estadual superveniente terá de observar o tratado.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>A) Sim, as entidades beneficentes de assistência social que cumprem todos os requisitos legais</p><p>para o gozo de imunidade tributária também fazem jus ao reconhecimento de imunidade tributária</p><p>quanto a contribuições para a seguridade social, mas não por força do Art. 150, inciso VI, alínea</p><p>c, da CRFB/88, que de fato versa apenas sobre imunidade de impostos. Existe, contudo, previsão</p><p>específica desta imunidade no Art. 195, § 7º, da CRFB/88, in verbis: “§ 7º. São isentas de</p><p>contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que</p><p>atendam às exigências estabelecidas em lei.” (ainda que, por atecnia</p><p>do constituinte, tenha sido</p><p>chamada “isenção”).</p><p>B) Não. A entidade beneficente de assistência social não está correta ao se negar a apresentar</p><p>a escrituração de suas receitas e despesas. O fato de ser entidade imune não a libera da</p><p>obrigação acessória de manter a escrituração contábil em dia, como se pode ver do próprio Art.</p><p>14 do CTN, que elenca as condições para que uma entidade beneficente de assistência social</p><p>possa fruir da imunidade, dentre as quais a do inciso III: “manterem escrituração de suas receitas</p><p>e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>B) Não. A fixação de nova base de cálculo do IPTU apenas deve respeitar a anterioridade do</p><p>exercício financeiro, estando excepcionada da anterioridade nonagesimal, na forma do Art. 150,</p><p>§ 1º, da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A) O município não está correto. O sindicato dos trabalhadores tem direito à imunidade tributária</p><p>prevista no Art. 150, inciso VI, alínea c, da CRFB/88, inclusive com relação a imóveis alugados,</p><p>se o aluguel for revertido para suas atividades fins, conforme a Súmula Vinculante nº 52.</p><p>B) Sim, pois o direito à imunidade tributária é limitado aos sindicatos de trabalhadores, não</p><p>constando os sindicatos patronais no rol taxativo das entidades imunes, conforme o Art. 150,</p><p>inciso VI, alínea c, da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>133</p><p>A) Sim. O prazo de pagamento não representa majoração do tributo, razão pela qual não se</p><p>sujeita ao princípio da legalidade, conforme o Art. 150, inciso I, da CRFB/88 E/OU o Art. 97 do</p><p>CTN.</p><p>B) Não. A alteração do prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao princípio</p><p>da anterioridade do exercício financeiro (anterioridade geral), nem ao princípio da anterioridade</p><p>nonagesimal, conforme a Súmula Vinculante 50.</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>A) Não. A imunidade da renda dos partidos políticos, prevista no Art. 150, inciso VI, alínea c, da</p><p>CRFB/88, não alcança as contribuições sociais, mas tão somente os impostos.</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>A) Não, pois embora o IPI não se submeta à anterioridade do exercício financeiro, está sujeito à</p><p>anterioridade nonagesimal, na forma do disposto no Art. 150, § 1º, da CRFB/88.</p><p>B) Sim, pois a alteração do prazo de recolhimento de tributo não se sujeita ao princípio da</p><p>anterioridade, conforme Súmula Vinculante 50 do STF.</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>A) Sim. A fixação da base de cálculo do IPVA é uma exceção ao princípio da anterioridade</p><p>nonagesimal, conforme o Art. 150, inciso III, alínea c, e o Art. 150, § 1º, ambos da CRFB/88.</p><p>Desse modo, a autoridade administrativa pode realizar a cobrança do IPVA de 2017 já com base</p><p>na nova tabela de valores. Ressalta-se, ainda, que a fixação da base de cálculo do IPVA não é</p><p>exceção ao princípio da anterioridade do exercício. Desse modo, como a nova lei foi editada em</p><p>2016, não há problema em realizar a cobrança pelos novos valores no ano seguinte.</p><p>B) A majoração passaria a ser exigível para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de</p><p>2018 (ou do exercício de 2018 e seguintes), pois a alteração da alíquota do IPVA deve observar</p><p>o princípio da anterioridade nonagesimal, conforme o Art. 150, inciso III, alínea c, da CRFB/88.</p><p>Desse modo, a majoração da alíquota promovida em novembro de 2016 somente passaria a ser</p><p>aplicável a partir de fevereiro de 2017, após a ocorrência do fato gerador do IPVA de 2017.</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>B) Não. Deve ser aplicada ao contribuinte a penalidade da lei mais benéfica, no percentual de</p><p>15%, na forma do Art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>134</p><p>QUESTÃO Nº 13</p><p>B) O examinando deverá responder que a interdição do estabelecimento comercial não está</p><p>correta, eis que, na forma da Súmula nº 70 do STF, é inadmissível a interdição de</p><p>estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo.</p><p>QUESTÃO Nº 14</p><p>B) Não. O Art. 150, inciso II, da CRFB/88, reconhece a isonomia como uma limitação ao poder</p><p>de tributar. O referido artigo é expresso ao proibir “qualquer distinção em razão da ocupação</p><p>profissional ou função por eles [contribuintes] exercida, independentemente da denominação</p><p>jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos”. Portanto, a concessão de benefício fiscal para um</p><p>determinado grupo, em razão da função por ele exercida, viola o princípio de isonomia.</p><p>QUESTÃO Nº 15</p><p>B) Não. A alteração do prazo de recolhimento, uma vez que não implica instituição ou majoração</p><p>de tributos, não está sujeita ao princípio da anterioridade. Nesse sentido, é o teor da Súmula</p><p>Vinculante nº 50, do Supremo Tribunal Federal: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento</p><p>de obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade”.</p><p>QUESTÃO Nº 16</p><p>A) Sim. O Imposto de Importação é exceção ao princípio da legalidade, ou seja, sua alíquota</p><p>pode ser majorada por meio de ato do Poder Executivo, desde que atendidas às condições e</p><p>aos limites estabelecidos em lei, conforme dispõe o Art. 153, §1º, da CRFB/88.</p><p>B) Sim. Por ser um imposto que tem como função regular o mercado, o Imposto de Importação</p><p>é exceção ao princípio da anterioridade, podendo ser alterado e cobrado ao tempo conveniente,</p><p>conforme o Art. 150, § 1º, da CRFB/88.</p><p>QUESTÃO Nº 17</p><p>B) Não é correta a atualização monetária do IPTU em percentual superior aos índices oficiais por</p><p>ato do Poder Executivo, uma vez que é defeso ao Município atualizar o IPTU, mediante decreto,</p><p>em percentual superior ao índice oficial de correção monetária, nos termos da Súmula 160 do</p><p>Superior Tribunal de Justiça.</p><p>QUESTÃO Nº 18</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>135</p><p>A) Quanto à alegada violação ao princípio da anterioridade nonagesimal/noventena, o argumento</p><p>está correto, por força do Art. 150, III, c, da Constituição, não excepcionado, para o IPI, pelo Art.</p><p>150, § 1º, da CRFB.</p><p>B) Não há violação ao princípio da legalidade tributária, pois o Art. 153, § 1º, da Constituição,</p><p>faculta ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as</p><p>alíquotas do IPI.</p><p>QUESTÃO Nº 19</p><p>A) A cobrança feita pelo Município “X” não está correta, tendo em vista que, de acordo com a</p><p>Súmula nº 724, do STF, in verbis, “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU</p><p>o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo Art. 150, VI, c, da Constituição,</p><p>desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.”</p><p>QUESTÃO Nº 20</p><p>A) João faz jus à penalidade reduzida introduzida pela Lei Estadual nº 5678, mesmo</p><p>considerando que o prazo de pagamento do imposto devido pela doação a Pedro venceu antes</p><p>da publicação da referida Lei. Isso porque, de acordo com o Art. 106, inciso II, alínea c, do Código</p><p>Tributário Nacional, que trata da retroatividade benigna, a lei tributária aplica-se a ato ou fato</p><p>pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da</p><p>sua prática.</p><p>B) Na doação efetuada a Tiago, não incide a alíquota do imposto majorada pela Lei Estadual nº</p><p>5678. De acordo com o Art. 150, inciso III, da Constituição da República, é vedada a cobrança</p><p>do tributo com a alíquota majorada: (i) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada</p><p>a lei que o aumentou (alínea b); (ii) antes de decorridos 90 (noventa) dias da data em que haja</p><p>sido publicada a lei que o aumentou. No caso, embora a Lei nº 5678 tenha sido publicada no</p><p>exercício anterior àquele em que ocorreu o fato gerador (“doação”), em observância à</p><p>anterioridade prevista no Art. 150, inciso III, alínea b, da Constituição da República, entre a data</p><p>da publicação e a realização do fato gerador não transcorreram os</p><p>90 (noventa) dias previstos</p><p>no Art. 150, inciso III, alínea c, da Constituição da República. Dessa forma, em razão da</p><p>necessidade de observância do referido dispositivo, a alíquota do imposto, majorada pela Lei</p><p>Estadual nº 5.678, somente incidirá sobre fatos geradores ocorridos após 90 (noventa) dias da</p><p>data de sua publicação.</p><p>QUESTÃO Nº 21</p><p>B) Não, pois a cobrança se volta para fato ocorrido anteriormente à vigência da lei que majorou</p><p>o tributo, o que viola o princípio constitucional da irretroatividade tributária (art. 150, III, “a”, da</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>136</p><p>CRFB). Além disso, trata-se de fato ocorrido no mesmo exercício daquele de publicação da lei</p><p>majorante e antes de decorridos noventa dias da referida publicação, o que viola os princípios</p><p>constitucionais da anterioridade de exercício e anterioridade nonagesimal (art. 150, III, “b” e “c”,</p><p>da CRFB) cuja aplicabilidade não é excepcionada pela Carta Política no caso do ITBI.</p><p>QUESTÃO Nº 22</p><p>Deve ser considerado o percentual estabelecido na nova lei (50%), sendo aplicável a lei mais</p><p>benéfica de forma retroativa por força do disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN. Isso por tratar-</p><p>se de ato ainda não definitivamente julgado, assim entendida a execução fiscal não</p><p>definitivamente encerrada, ou seja, aquela em que não foram ultimados os atos executivos</p><p>destinados à satisfação da prestação.</p><p>QUESTÃO Nº 23</p><p>O candidato deverá, na essência, observar quanto à pergunta, o seguinte: Não. O Presidente da</p><p>República age como Chefe de Estado ao firmar tratados internacionais em nome da soberana</p><p>República Federativa do Brasil (Estado Brasileiro), ou seja, atua em nome do país, visto como</p><p>unidade dos Entes que compõem a Federação, e não em nome exclusivo e único da União.</p><p>Deverá observar, por fim, que o STF entende que a concessão de isenção na via do tratado não</p><p>se sujeita à vedação à concessão de isenção heterônoma, pois o âmbito de aplicação do Art.151,</p><p>III, da CRFB é o das relações das entidades federadas entre si, não alcançando a União quando</p><p>esta se apresenta na ordem externa.</p><p>QUESTÃO Nº 24</p><p>A) É negativa a resposta relativa à questão A. A Constituição da República veda, expressamente,</p><p>a edição de Medida Provisória para dispor sobre matéria reservada à lei complementar (Art. 62,</p><p>§ 1º, inciso III). E os empréstimos compulsórios só podem ser instituídos por meio de lei</p><p>complementar (CRFB, Art. 148).</p><p>B) Também é negativa a resposta à questão B. A observância ao princípio da anterioridade é</p><p>expressamente excepcionada com relação aos empréstimos compulsórios instituídos por força</p><p>de calamidade pública (CRFB, Art. 150, § 1º, conjugado com Art. 148, inciso I).</p><p>QUESTÃO Nº 25</p><p>O Decreto nº X é inconstitucional, visto que contraria o Art. 150, I, da CRFB/88 e o Art. 97, § 1º,</p><p>do CTN. Nessa linha, o referido Decreto fere o princípio da legalidade tributária, pois somente a</p><p>lei poderá criar novos critérios relativos à base de cálculo do IPTU, uma vez que a alteração da</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>137</p><p>base de cálculo de modo a torná-lo mais oneroso, como ocorreu na hipótese aqui cuidada,</p><p>equipara-se à majoração de tributo.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>138</p><p>17. Legislação Tributária</p><p>A legislação tributária, muito embora ignorada por grande parte dos “oabzeiros fiscais” tem</p><p>relevante importância para a resolução de questões do Exame da Ordem em Direito Tributário.</p><p>Outrossim, tal temática também enseja inúmeras dúvidas, o que tentarei dirimir através de um</p><p>texto sistematizado.</p><p>E a primeira grande questão que é recorrente é: qual tipo normativo poderá criar e/ou</p><p>majorar tributo? Via de regra, será mediante lei ordinária, possível a criação ou majoração.</p><p>Entretanto, existem 4 (quatro) espécies tributárias que somente poderão ser criadas ou</p><p>majoradas mediante lei complementar: Imposto Residual (art. 154, I, CF), Contribuição Social</p><p>Residual (art. 195, §4º, CF), Imposto sobre Grandes Fortunas (art. 153, VII, CF) e Empréstimos</p><p>Compulsórios (art. 148, CF).</p><p>Para que sejam criados esses tributos, seja por meio de lei ordinária ou complementar, o</p><p>legislador terá que ater-se a uma série de requisitos e imposições legais descritas em lei</p><p>complementar. Portanto, via de regra, normas gerais de direito tributário somente poderão ser</p><p>realizadas mediante lei complementar, na forma do artigo 146 da Constituição Federal.</p><p>E onde estão estas normas gerais de direito tributário? Estão no Código Tributário</p><p>Nacional, visto que este foi recepcionado como lei complementar pela Constituição Federal de</p><p>1988.</p><p>Importante ainda referir que tal temática tem vínculo com o princípio da legalidade.</p><p>Portanto, muito embora acima cita-se a possibilidade de criação ou majoração de tributo</p><p>mediante lei ordinária, não podemos esquecer que Medida Provisória também assim poderá</p><p>fazer, uma vez obedecidos os requisitos do artigo 62, §2º da Constituição Federal.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>139</p><p>18. Obrigação Tributária e Constituição do Crédito</p><p>Tributário</p><p>Teremos a ocorrência da obrigação tributária toda vez que o contribuinte praticar um fato</p><p>(fato gerador) que está descrito em uma lei (hipótese de incidência). Assim, a obrigação nada</p><p>mais é do que o resultado da realização do fato gerador no mundo exterior. Sobre a obrigação</p><p>tributária leciona o CTN:</p><p>Podcast sobre Obrigação Tributária</p><p>No teor do referido artigo conseguimos vislumbrar a existência de dois tipos de obrigação</p><p>tributária: a principal e a acessória.</p><p>A obrigação principal é toda aquela obrigação do contribuinte para o pagamento do tributo</p><p>ou da penalidade (multa). Já a obrigação acessória é toda aquela obrigação que não consiste</p><p>em pagamento, mas sim no ato de fazer ou deixar de fazer. Portanto, são exemplos de</p><p>obrigações acessórias o ato de fazer um speed contábil, um balanço, tirar ou não rasurar uma</p><p>nota fiscal. Lembrando, ainda, que a obrigação acessória tem como objetivo colaborar para a</p><p>fiscalização e o pagamento do crédito tributário.</p><p>Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.</p><p>§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de</p><p>tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.</p><p>§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas</p><p>ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.</p><p>§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação</p><p>principal relativamente à penalidade pecuniária.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/conceito-de-obrigacao-tributaria-oab-tributario/s-7caZZVFsrjt?si=c64c4cca8c0242b8952acb322a0f7ade&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>140</p><p>Ainda, sobre o referido artigo, mais precisamente na forma do parágrafo 3º, uma vez o</p><p>contribuinte não realizando ou cumprindo com sua obrigação acessória, surgirá uma obrigação</p><p>principal (multa).</p><p>18.1 Elisão Fiscal</p><p>Reza o artigo 116, §º único do CTN:</p><p>O presente parágrafo único faz nascer a subjetividade frente à realização de planejamento</p><p>tributário pelo contribuinte e sua validação ou não. Mas como a presente obra não tem como</p><p>objetivo doutrinar ou suscitar divergências, cabe ao signatário informar que, caso o enunciado</p><p>da peça ou questão no Exame da Ordem deixe claro a existência de ato realizado com</p><p>a tentativa</p><p>de não pagar tributo, simular ou cometer fraude, poderá o fisco desconsiderar tal ato e cobrar os</p><p>tributos devidos pela realização dos fatos geradores.</p><p>18.2 Sujeito Ativo e Passivo da Relação Tributária</p><p>Mas afinal de contas, quem poderá cobrar e quem irá pagar a obrigação tributária? Serão,</p><p>respectivamente, o sujeito ativo e passivo da relação tributária.</p><p>O sujeito ativo, na forma do artigo 119 do CTN, é toda pessoa jurídica de direito público</p><p>que tem a competência constitucional para criar e/ou exigir o crédito tributário, observando a</p><p>norma e a realização do fato gerador pelo contribuinte.</p><p>Já o sujeito passivo será aquele responsável pelo pagamento do crédito tributário e até</p><p>mesmo da multa, uma vez realizado o fato gerador ou descumprida eventual obrigação</p><p>acessória. Na forma do artigo 121 do CTN, o sujeito passivo poderá ser tanto o contribuinte</p><p>(aquele que realiza e tem vínculo direto com o fato gerador), quanto o responsável (não realiza</p><p>o fato gerador, mas a norma legal lhe atribui o dever de pagar tributo).</p><p>Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os</p><p>seus efeitos:</p><p>Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos</p><p>praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos</p><p>elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem</p><p>estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>141</p><p>18.3 Das convenções particulares e da Obrigação Tributária</p><p>Reza o artigo 123 do CTN:</p><p>Logo, na forma do presente artigo, nenhum contrato, acordo ou instrumento particular</p><p>poderá ser oposto/apresentado contra a fazenda pública a fim de modificar a responsabilidade</p><p>pelo pagamento do crédito tributário. Assim, na realização locatícia, por exemplo, onde 99% dos</p><p>contratos estabelecem a responsabilidade pelo pagamento do IPTU ao locatário, caso este não</p><p>venha a satisfazer o crédito, o fisco irá exigir o IPTU do proprietário, in casu, locador.</p><p>Podcast sobre Obrigação Tributária: Convenção particular</p><p>18.4 Da Solidariedade</p><p>Reza o artigo 124 do CTN que os sujeitos passivos poderão ser solidariamente obrigados,</p><p>caso exista interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.</p><p>Lembrando, ainda, que tal solidariedade não comportará benefício de ordem, ou seja, quem</p><p>pagará primeiro ou não.</p><p>Ademais, o tema mais recorrente sobre solidariedade é o que disposto no artigo 125 do</p><p>CTN sobre os efeitos da solidariedade. Cito aqui o campeão de cobrança em prova, que é o</p><p>inciso II, onde leciona que eventual isenção concedida em razão de caráter pessoal não será</p><p>Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à</p><p>responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para</p><p>modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/obrigacao-tributaria-convencao-particular-oab-tributario/s-x1yu9cECwTs?si=52f7e4ef054b4e899d2aa6b9d0504ae9&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>142</p><p>estendida para os demais, mantendo-se o saldo devido pelos demais sujeitos passivos (logo,</p><p>desconta-se a cota parte do sujeito isento).</p><p>18.5 Da capacidade tributária</p><p>Na forma do artigo 126, I, do CTN a capacidade tributária não dependerá da capacidade</p><p>civil das pessoas naturais. Logo, mesmo que o sujeito passivo não tenha capacidade civil plena</p><p>(por exemplo, seja menor de idade, portador de deficiência) ele terá que pagar tributo. Essa</p><p>conclusão também será estendida para o falido que quebrou uma empresa e hoje realiza outra</p><p>atividade capaz de gerar fato gerador, bem como para sociedades de fato ou irregulares.</p><p>18.6 Da constituição do Crédito Tributário</p><p>Não basta a ocorrência do fato gerador para que o tributo possa ser constituído e,</p><p>consequentemente, exigido do contribuinte. Para que o mesmo possa ser cobrado faz-se</p><p>necessário que ocorra o lançamento. Logo, conclui-se que a constituição do crédito tributário</p><p>ocorrerá por meio do ato administrativo de lançamento.</p><p>A primeira espécie de lançamento é a de ofício, regulada pelo artigo 148 do CTN. Nessa</p><p>hipótese de constituição do crédito, o fisco identifica a ocorrência do fato gerador, faz o cálculo</p><p>do valor devido, emite à guia e notifica o contribuinte. Portanto, aqui teremos apenas a</p><p>participação da fazenda pública, em nada participando o contribuinte. São exemplos de</p><p>lançamento de ofício: IPVA, IPTU, Taxas, Contribuição de Iluminação Pública.</p><p>A segunda espécie de lançamento é a por declaração, regulada pelo artigo 147 do CTN.</p><p>Aqui o contribuinte apenas irá informar ao fisco que realizou o fato gerador, sendo de atribuição</p><p>da fazenda pública os demais itens para ensejar a cobrança do crédito tributário. O fisco irá</p><p>calcular o valor do tributo e emitir a guia. São exemplos de lançamento por declaração: ITBI,</p><p>ITCMD.</p><p>Por fim, a terceira espécie para constituição do crédito tributário é o lançamento por</p><p>homologação. Na forma do artigo 150 do CTN será o contribuinte que irá declarar a existência</p><p>do fato gerador, fará o cálculo do tributo devido, bem como irá emitir a guia para pagamento.</p><p>Trata-se da regra de constituição do direito tributário. São exemplos deste lançamento por</p><p>homologação: IR, IPI, ICMS, ISS, entre outros.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>143</p><p>Podcast sobre Constituição do Crédito Tributário</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/formas-de-constituicao-do-credito-tributario-oab/s-urBmCD9avTo?si=09b80e9b9e404172aab939349d307bf8&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>144</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>145</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>Calçados Couro Bom Ltda. remeteu, por meio de veículos próprios, diversas caixas de sapato</p><p>de uma para outra de suas lojas. Contudo, os veículos foram parados pela fiscalização tributária</p><p>estadual e, não tendo sido emitida nota fiscal das mercadorias transportadas, houve autuação</p><p>pelo Fisco Estadual, que cobrou o valor de ICMS, bem como a multa pela ausência da nota fiscal,</p><p>com base em legislação estadual que impede a circulação física de mercadorias</p><p>desacompanhadas de nota fiscal. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Está correto o Fisco estadual em multar a sociedade empresária por ausência de nota fiscal?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>João dos Santos, em abril de 2016, declarou, à Receita Federal do Brasil, os rendimentos que</p><p>auferiu no exercício financeiro anterior, reconhecendo o débito tributário do Imposto sobre a</p><p>Renda (IR). Apesar de a declaração ter sido regular, o contribuinte não pagou o Imposto sobre a</p><p>Renda devido. No mês seguinte ao vencimento do tributo, antes do início de qualquer</p><p>procedimento administrativo ou medida de fiscalização, João emite a respectiva guia e faz o</p><p>recolhimento do tributo ao Fisco. Diante de tal quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Em que momento o crédito tributário foi constituído definitivamente?</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>No intuito de aumentar a arrecadação, o prefeito do Município X sancionou lei que fixou uma</p><p>nova base de cálculo do IPTU. A referida lei foi publicada em novembro</p><p>de 2016, estabelecendo</p><p>que sua vigência se dará após a data de sua publicação. Bruno e Thiago são irmãos que, por</p><p>herança, tornaram-se proprietários de um imóvel, no qual, apenas Thiago reside. Em janeiro de</p><p>2017, Bruno foi notificado do lançamento do IPTU referente ao imóvel de residência de Thiago,</p><p>tendo 30 dias para pagá-lo. Bruno alegou que, pelo fato de apenas Thiago residir no imóvel,</p><p>mesmo ele sendo coproprietário do bem, não precisaria pagar o imposto. Além disso, afirmou</p><p>que, ainda que tivesse que pagá-lo, a lei que fixou uma nova base de cálculo do IPTU não</p><p>respeitou a anterioridade nonagesimal. Sobre a hipótese apresentada, responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) Bruno está correto ao alegar que não é obrigado ao pagamento do imposto?</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>146</p><p>Mário, 16 anos, ao chegar de viagem do exterior, desacompanhado de seus responsáveis, teve</p><p>sua bagagem verificada pela alfândega. Nesse momento, o representante do fisco identificou</p><p>vinte aparelhos de celular de último tipo e diversos presentes, todos excluídos do conceito de</p><p>bagagem, e promoveu o lançamento do imposto de importação e de multa em nome de Mário,</p><p>por irregularidade na importação das mercadorias que adentraram no país. Representado por</p><p>seu pai, Mário apresentou impugnação ao lançamento do crédito, alegando que não tem</p><p>capacidade civil e que, portanto, não pode ser contribuinte do imposto de importação, tendo o</p><p>provimento negado pela autoridade administrativa. Certo de suas alegações, após transcorrida</p><p>a primeira etapa da esfera administrativa, o representante de Mário pretende discutir em segunda</p><p>instância, porém é surpreendido com a exigência, por parte da autoridade administrativa, de</p><p>depósito prévio como garantia de admissibilidade do recurso. A partir dos fatos apresentados,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) Mário pode ser considerado contribuinte do imposto de importação? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>Eduardo arrematou em hasta pública um imóvel situado no Município Alfa, no ano de 2013.</p><p>Eduardo não efetuou o pagamento referente ao IPTU do imóvel nos anos de 2014 e 2015. Em</p><p>2016, surpreende-se com a sua citação, em sede de execução fiscal, para o pagamento do</p><p>imposto referente aos anos de 2012, 2014 e 2015. Em seus Embargos à Execução Fiscal alegou</p><p>que não deveria pagar o imposto referente a 2012 porque arrematou o imóvel em hasta pública.</p><p>Com relação aos anos de 2014 e 2015, argumentou ter alugado o imóvel a Fernando e com ele</p><p>realizado contrato por meio do qual o locatário seria o responsável pelo recolhimento do IPTU.</p><p>Baseando-se na situação acima, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Eduardo está correto com relação ao argumento de que Fernando seria o responsável pelo</p><p>IPTU?</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>Em março de 2016, a União ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica Alfa para a</p><p>cobrança de créditos de Imposto sobre a Renda (IRPJ), referentes aos anos-calendários de 2013</p><p>e 2014. De acordo com o exequente, em que pese a declaração dos créditos relativos aos anos-</p><p>calendários em questão, a contribuinte apenas efetuou o pagamento parcial dos tributos, sendo,</p><p>dessa forma, devido o pagamento da diferença inadimplida. Devidamente cientificada da</p><p>demanda, a contribuinte, após o oferecimento de garantia, apresentou embargos à execução,</p><p>objetivando sua extinção, uma vez que a União não instruiu a petição inicial com o demonstrativo</p><p>de cálculo do débito, inviabilizando a ampla defesa. Alegou a contribuinte, ainda, que o crédito</p><p>não poderia ser objeto de execução, eis que não foi realizado, por parte da Administração</p><p>Fazendária, o prévio lançamento por meio de processo administrativo regularmente instaurado.</p><p>Em vista das alegações da pessoa jurídica Alfa, responda aos itens a seguir.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>147</p><p>B) A ausência de prévio lançamento por meio de processo administrativo regularmente</p><p>instaurado inviabiliza a execução do crédito?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>Em janeiro de 2014, a pessoa jurídica Beta adquiriu o estabelecimento comercial da pessoa</p><p>jurídica Delta e continuou a explorar a atividade sob outra razão social. Ao adquirir o</p><p>estabelecimento, a pessoa jurídica Beta não elegeu domicílio tributário. Três meses após a</p><p>alienação, a pessoa jurídica Delta iniciou nova atividade no mesmo ramo de comércio. Em janeiro</p><p>de 2015, a pessoa jurídica Beta foi notificada pelo Estado de Minas Gerais para pagamento de</p><p>créditos de ICMS relativos ao estabelecimento adquirido e referentes ao ano de 2013, uma vez</p><p>que, de acordo com o Estado de Minas Gerais, a responsabilidade da pessoa jurídica Beta</p><p>quanto a tais créditos seria integral. Diante disso, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Diante da falta de eleição de domicílio tributário pela pessoa jurídica Beta, qual(is) local(is)</p><p>deve(m) ser indicado(s) pela administração tributária para a notificação?</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>Caio tem 10 anos e seu pai o presenteou com uma casa de praia no litoral do Município Y. No</p><p>entanto, Caio não realizou o pagamento do carnê do Imposto sobre a Propriedade Predial e</p><p>Territorial Urbana (IPTU) incidente sobre o imóvel de sua propriedade. Caio, representado por</p><p>seu pai, apresentou uma impugnação ao lançamento do crédito, alegando que Caio não tem</p><p>capacidade civil e que, portanto, não pode ser contribuinte do IPTU. O Município Y negou</p><p>provimento à impugnação e Caio apresentou recurso voluntário ao Conselho Municipal de</p><p>Contribuintes, que foi inadmitido por inexistência de depósito recursal prévio, conforme exigência</p><p>da legislação municipal. A partir da questão proposta, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Caio pode ser considerado contribuinte do imposto? Fundamente.</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>O Estado X instituiu, em 2010, por meio de lei, taxa pelo serviço de prevenção e extinção de</p><p>incêndio prestado ou colocado à disposição do contribuinte. A referida lei definiu o contribuinte</p><p>como o proprietário de unidade imobiliária, residencial ou não residencial, à qual o serviço estaria</p><p>dirigido, bem como determinou que o valor da taxa seria calculado com base no tamanho da</p><p>unidade imobiliária. Nada se dispôs na lei sobre eventuais responsáveis tributários pelo</p><p>pagamento da taxa. João, na qualidade de proprietário, aluga, desde 2011, seu imóvel, situado</p><p>no referido Estado X, para Pedro. No contrato de locação celebrado entre as partes, o qual foi</p><p>devidamente registrado no Registro de Imóveis, estabeleceu-se, em uma das cláusulas, que a</p><p>responsabilidade pelo pagamento da taxa de prevenção e extinção de incêndio seria</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>148</p><p>exclusivamente de Pedro, isentando João de qualquer obrigação sobre ela. Tendo em vista o</p><p>exposto, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Considerando que nem João nem Pedro recolheram a taxa de prevenção e extinção de</p><p>incêndio relativas aos exercícios de 2012 e 2013, bem como o que consta no contrato de locação</p><p>celebrado entre eles e registrado no Registro de Imóveis, em face de quem o Estado X deve</p><p>efetuar a cobrança dos exercícios não pagos?</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>O setor contábil da pessoa jurídica LP Ltda. entrega ao Fisco a Declaração de Débitos e Créditos</p><p>Tributários Federais (DCTF), devidamente preenchida, com relação ao recolhimento da</p><p>contribuição para o PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional atestou que os respectivos tributos</p><p>declarados no documento foram recolhidos a menor e enviou simples aviso de cobrança, quanto</p><p>à diferença não recolhida. Para participar em procedimento licitatório de seu interesse, a LP Ltda.</p><p>não pode apresentar pendências fiscais e, por isso, interessa saber, com base na situação</p><p>descrita:</p><p>A) Houve a constituição do crédito tributário relativo à diferença do valor já declarado</p><p>mas não</p><p>recolhido pela LP Ltda.? Qual a posição dominante no STJ sobre o momento da constituição do</p><p>crédito tributário?</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>João, de apenas 3 anos de idade, recebeu por herança apartamento que foi devidamente</p><p>registrado em seu nome. Ao receber a primeira notificação para o pagamento de imposto predial</p><p>e territorial urbano (IPTU) do referido imóvel no início de 2013, os pais de João deixam de efetuar</p><p>o recolhimento do tributo por entender que a cobrança seria improcedente, em razão da</p><p>incapacidade civil do proprietário do imóvel. Diante deste caso, responda de forma</p><p>fundamentada:</p><p>A) O entendimento dos pais de João está correto?</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>Determinada instituição de educação sem fins lucrativos foi autuada pelo Estado “X”, em razão</p><p>do descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação estadual. No caso, a</p><p>obrigação acessória consistia em manter o livro de registro do imposto sobre serviços de</p><p>qualquer natureza (ISSQN). Em sua defesa administrativa, a entidade sustentou que, por gozar</p><p>de imunidade tributária, nos termos do Art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição da</p><p>República, e por não ser contribuinte do ISSQN, não estava obrigada a manter o livro de registro</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>149</p><p>do referido imposto. A tese sustentada na defesa apresentada pela entidade imune é</p><p>procedente? Responda de forma fundamentada.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>150</p><p>RESPOSTAS DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>B) Sim, está correto. O Estado pode instituir obrigação acessória para viabilizar o exercício do</p><p>poder-dever fiscalizador da Administração Tributária, ainda que o sujeito passivo da obrigação</p><p>acessória não seja devedor do tributo ou que inexistente hipótese de incidência tributária, nos</p><p>termos do Art. 115 ou do Art. 175, parágrafo único, ou do Art. 194, parágrafo único, ou Art. 113,</p><p>§§ 2º e 3º, todos do CTN. Assim, mesmo que não haja fato gerador de ICMS, a empresa estava</p><p>sim obrigada a emitir Nota Fiscal para o transporte destas mercadorias, ainda que indicando</p><p>nesta Nota que não haveria ICMS a recolher, por se tratar de hipótese de não incidência</p><p>tributária.</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A) O crédito tributário foi constituído com a entrega de declaração pelo contribuinte (ou com o</p><p>vencimento do tributo, o que ocorrer por último), reconhecendo o débito fiscal, dispensada</p><p>qualquer outra providência por parte do Fisco, nos termos da Súmula 436 do Superior Tribunal</p><p>de Justiça.</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A) Não. Bruno e Thiago são solidariamente obrigados ao pagamento do IPTU por terem comum</p><p>interesse no bem, diante da copropriedade, na forma do Art. 124, inciso I, do CTN OU do Art. 34</p><p>do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A) Sim, de acordo com o Art. 126, inciso I, do CTN, a capacidade tributária não depende da</p><p>capacidade civil das pessoas naturais.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>B) Eduardo não está correto. Conforme o Art. 123 do CTN, as convenções particulares, relativas</p><p>à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública para</p><p>modificar a definição legal do sujeito passivo. Ou seja, contratos privado não têm força para</p><p>alterar o sujeito passivo definido pela lei. No caso, o contribuinte do IPTU é o proprietário do</p><p>imóvel.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>151</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>B) O examinando deverá responder que não, uma vez que a entrega de declaração pelo</p><p>contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer</p><p>outra providência por parte do Fisco, conforme Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>B) Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da</p><p>legislação aplicável, considera-se como tal, quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às</p><p>firmas individuais, o lugar da sua sede ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à</p><p>obrigação, o de cada estabelecimento, conforme o Art. 127, II, do Código Tributário Nacional.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>A) Sim. A capacidade tributária independe da capacidade civil das pessoas naturais. Sendo</p><p>assim, Caio é contribuinte do IPTU, independente de não ter capacidade civil. Nesse sentido, o</p><p>Art. 126, inciso I, do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>B) O Estado X deve efetuar a cobrança da taxa de prevenção e extinção de incêndio, relativa</p><p>aos exercícios de 2012 e de 2013, diretamente de João, proprietário do imóvel, por ser ele o</p><p>contribuinte do tributo, conforme disposto na lei estadual. No caso, é irrelevante para a Fazenda</p><p>Estadual a cláusula constante no contrato de locação celebrado entre as partes, que atribui a</p><p>responsabilidade pelo pagamento da taxa de prevenção e extinção de incêndio exclusivamente</p><p>a Pedro, locatário do imóvel, ainda que o referido contrato tenha sido registrado no Registro de</p><p>Imóveis, tendo em vista que, nos termos do Art. 123 do CTN, salvo disposição de lei em contrário,</p><p>as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem</p><p>ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações</p><p>tributárias correspondentes.</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>A) Sim, houve. Ela ocorreu no momento da entrega da DCTF. A Súmula 436 do STJ estabelece</p><p>que: “A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito</p><p>tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco”.</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>152</p><p>A) Inicialmente o candidato deverá indicar que o entendimento dos pais de João não está correto,</p><p>tendo em vista que a condição de contribuinte independe da capacidade civil, na forma do artigo</p><p>126, I, do Código Tributário Nacional.</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>A obrigação tributária acessória, nos termos do Art. 113, §2º do CTN, tem por objeto as</p><p>prestações, positivas ou negativas, previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos</p><p>tributos. Ou seja, o objetivo das obrigações tributárias acessórias é conferir meios para que a</p><p>Administração Tributária possa fiscalizar o devido cumprimento de uma obrigação principal (de</p><p>pagar o tributo). Diferentemente do que ocorre no Direito Privado, a obrigação tributária acessória</p><p>não depende da existência de uma obrigação tributária principal nem a ela se subordina. A</p><p>referida “acessoriedade” decorre desse caráter instrumental dessa espécie de obrigação, para</p><p>fins de controle do cumprimento da obrigação principal. São deveres instrumentais autônomos</p><p>em relação à obrigação principal, estabelecidos com a finalidade de viabilizar a fiscalização do</p><p>cumprimento das obrigações principais. Assim, obrigação tributária acessória é autônoma em</p><p>relação à obrigação principal, como se pode verificar no Art. 175, parágrafo único, e no Art. 194,</p><p>parágrafo único, todos do CTN. Em razão dessa autonomia, os efeitos da imunidade podem</p><p>restringir-se às obrigações tributárias principais, não dispensando a entidade imune de cumprir</p><p>obrigações acessórias eventualmente previstas na legislação, conforme estabelece o Art. 9º,</p><p>inciso IV, alínea “c”, c/c Art. 14, inciso III, todos do CTN. Assim, no caso em tela, em razão de</p><p>previsão legal, a imunidade tributária da instituição de educação não dispensava a obrigação de</p><p>manter livro de registro do imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN). Portanto, a</p><p>tese apresentada na defesa da instituição imune é improcedente.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>153</p><p>19. Da suspensão da exigibilidade do crédito</p><p>Na forma do art. 151 do CTN teremos algumas hipóteses de suspensão do crédito</p><p>tributário. Quando da ocorrência de quaisquer uma das hipóteses (incisos) situadas no rol</p><p>taxativo do referido artigo, o fisco estará impedido (temporariamente) de cobrar (exigir) o crédito</p><p>tributário. Mas veja, trata-se de hipótese que impede a Execução Fiscal, mas não a constituição</p><p>do crédito através do lançamento, sob pena de ocorrer a decadência. Sobre isso, colaciona</p><p>importante esquema de Ricardo Alexandre4:</p><p>Outrossim, igualmente a título introdutório, é importante compreender que a fazenda</p><p>pública/contribuinte somente poderá utilizar-se das hipóteses de suspensão que estão</p><p>lecionados no CTN, bem como qualquer alteração somente poderá ser realizada mediante lei</p><p>complementar, na forma do artigo 146, III, B, da CF.</p><p>São formas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do artigo 151 do</p><p>CTN:</p><p>4 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São</p><p>Paulo: MÉTODO, 2014. Página 1005.</p><p>Prévia</p><p>•Não impede a marcha do</p><p>procedimento de</p><p>lançamento; mas impede a</p><p>cobrança do respectivo</p><p>crédito (impede a</p><p>exigibilidade)</p><p>Posterior</p><p>•Lançamento já</p><p>realizado(suspende a</p><p>exigibilidade)</p><p>A</p><p>d</p><p>v</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>d</p><p>a</p><p>c</p><p>a</p><p>u</p><p>s</p><p>a</p><p>“</p><p>s</p><p>u</p><p>s</p><p>p</p><p>e</p><p>n</p><p>s</p><p>iv</p><p>a</p><p>”</p><p>Impedem propositura</p><p>de execução fiscal</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>154</p><p>A primeira hipótese de suspensão prevista no rol é a moratória. Este instituto trata-se da</p><p>concessão, mediante lei específica do ente competente, do aumento do prazo para pagamento</p><p>do crédito tributário devido. Logo, caso o contribuinte albergue-se em lei que concede moratória,</p><p>terá prazo dilatado para o pagamento do tributo.</p><p>A moratória é utilizada, na maioria das vezes, como medida política a fim de colaborar</p><p>com os contribuintes que passam por situações extremas, como de calamidades ou estragos</p><p>causados pela natureza.</p><p>Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:</p><p>I - moratória;</p><p>II - o depósito do seu montante integral;</p><p>III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário</p><p>administrativo;</p><p>IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.</p><p>V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial;</p><p>(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>Art. 152. A moratória somente pode ser concedida:</p><p>I - em caráter geral:</p><p>a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se refira;</p><p>b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios,</p><p>quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência federal e às obrigações</p><p>de direito privado;</p><p>II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada por lei</p><p>nas condições do inciso anterior.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>155</p><p>O presente instituto poderá ser concedido de forma geral ou individual. Na ocorrência da</p><p>moratória geral, a mesma irá abranger um número indeterminado de contribuintes, não</p><p>dependendo de requisitos ou autorização da autoridade administrativa competente.</p><p>Já a moratória em caráter individual será quando a lei específica do ente competente exigir</p><p>alguns requisitos para que o contribuinte faça uso da norma protelatória, bem como depende da</p><p>checagem de tais itens pela autoridade administrativa do ente competente, não gerando,</p><p>portanto, direito adquirido.</p><p>Por fim, é importante colacionar que, via de regra, a moratória é concedida por lei do ente</p><p>competente. Entretanto, mitigando tal informação, na forma do art. 152, I, B, da CF, a União</p><p>poderá conceder moratória de tributos que não são de sua competência (Estados, DF e</p><p>Municípios) desde que faça o mesmo com seus tributos.</p><p>Sobre moratória, trago importante esquema de Ricardo Alexandre5</p><p>5 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São</p><p>Paulo: MÉTODO, 2014. Página 1037.</p><p>Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua</p><p>aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir,</p><p>ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos.</p><p>Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado</p><p>de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições</p><p>ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito</p><p>acrescido de juros de mora (...)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>156</p><p>A segunda hipótese de suspensão prevista no rol é o depósito do montante integral. Este</p><p>instituto será realizado, via de regra, dentro dos processos judiciais, visto que a simples</p><p>interposição de recurso administrativo já suspende a exigibilidade, não sendo, portanto,</p><p>necessário e muito menos exigível a realização de depósito para suspender quando do processo</p><p>administrativo, na forma da SV 21 do STF.</p><p>Igualmente, esta segunda hipótese de suspensão quase sempre será faculdade da parte.</p><p>Ao ver do presente autor somente não será faculdade da parte quando da utilização da ação de</p><p>Consignação em Pagamento, visto que conjugando-se a motivação da ação (quero pagar e não</p><p>posso) com o artigo 542, I, do CPC, compreende-se que, neste caso, apenas o depósito será</p><p>condição de ação.</p><p>Apenas o depósito integral e em dinheiro irá suspender a exigibilidade do crédito, bem</p><p>como ele jamais poderá ser condição para ingresso de recurso administrativo ou de ajuizamento</p><p>de ação judicial (com exceção da Consignação em Pagamento).</p><p>Moratória</p><p>CARÁTER GERAL</p><p>(beneficia a todos que</p><p>se encontram em</p><p>determinada situação</p><p>- art. 152, I)</p><p>Autônoma (art. 152, I,</p><p>a)</p><p>Heterônoma</p><p>(situações</p><p>excepcionais - art.</p><p>152, I, b)</p><p>Gera direito adquirido e</p><p>dispensa o oferecimento de</p><p>garantias pelo beneficiário</p><p>CARÁTER INDIVIDUAL</p><p>(depende da</p><p>comprovação de</p><p>condições e requisitos -</p><p>art. 152, II)</p><p>Não gera direito</p><p>adquiridoe pode</p><p>depender do</p><p>oferecimentode</p><p>garantia pelo</p><p>beneficiário</p><p>Súmula 112 do STJ - O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral</p><p>e em dinheiro.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>157</p><p>A terceira hipótese de suspensão prevista no rol é a reclamação e o recurso administrativo.</p><p>Tal hipótese será realizada toda vez que houver interposição de qualquer recurso administrativo</p><p>de forma tempestiva pelo contribuinte. Lembrando mais uma vez aqui que não poderá ser exigido</p><p>depósito recursal ou custas recursais para a realização desta forma de suspensão.</p><p>A quarta hipótese de suspensão prevista no rol é a liminar e a tutela provisória. As</p><p>presentes hipóteses de suspensão irão ocorrer, respectivamente, em sede de Mandado de</p><p>Segurança (liminar) e nas demais ações do processo subjetivo (tutela provisória).</p><p>Para ocorrência de quaisquer uma destas formas terá o contribuinte que solicitar, ou seja,</p><p>fazer pedido expresso para a concessão, bem como o magistrado, para o deferimento, poderá</p><p>solicitar a realização de caução para garantir indenização em caso de eventual dano à parte</p><p>prejudicada.</p><p>Por fim, é importante lembrar que a concessão de tais medidas não impedirá a fazenda</p><p>pública de efetuar o lançamento.</p><p>A quinta hipótese de suspensão prevista no rol é o parcelamento. Esta última hipótese de</p><p>suspensão é uma espécie de moratória, apresentando como item diverso é que esta forma irá</p><p>fracionar (parcelar)</p><p>residual na Justiça Estadual (Comarca) caso não haja a</p><p>incidência da regra do artigo supra referido.</p><p>Assim, como primeiro critério de endereçamento faz-se necessário estabelecer se o seu</p><p>processo será dirigido para a Justiça Federal ou Estadual. Após analisado o presente critério,</p><p>deverá ser analisado pelo representante do contribuinte se não existe a possibilidade da petição</p><p>inicial ser dirigida aos Juizados Especiais.</p><p>Mas existe possibilidade de endereçamento para os Juizados Especiais? Sim, tanto a</p><p>Justiça Federal, quanto a Justiça Estadual apresentam seus próprios juizados especiais. Na</p><p>Justiça Federal teremos os Juizados Especiais Federais e na Justiça Estadual os Juizados</p><p>Especiais da Fazenda Pública.</p><p>E qual é o critério para que tais petições iniciais sejam dirigidas para os juizados? Trata-</p><p>se de critério cumulativo onde deverá o autor da demanda ser pessoa física, micro empresa ou</p><p>empresa de pequeno porte e a demanda a ser ajuizada ter valor igual ou inferior a 60 Salários</p><p>Mínimos Nacionais. Caso estejam presentes estes dois requisitos de forma cumulativa, o</p><p>procedimento deverá ser dirigido para os Juizados Especiais Federais (observando-se o critério</p><p>do artigo 109, I, da CF) ou para os Juizados Especiais da Fazenda Pública.</p><p>Lembrando, ainda, que jamais poderão ser dirigidos para os Juizados: Mandado de</p><p>Segurança, Embargos à Execução Fiscal e Exceção de Pré Executividade, em face de previsão</p><p>expressa na norma.</p><p>10) Valor da Causa.</p><p>11) Local e Data.</p><p>12) Advogado e OAB.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>16</p><p>Logo, o segundo critério, para efeitos de definição do endereçamento, é analisar a</p><p>possibilidade de direcionamento da causa para os Juizados ou não.</p><p>Por fim, para efeitos de endereçamento, ainda é necessário ater-se a qual comarca ou</p><p>subseção deverá ser dirigida a petição inicial. E, para efeitos deste critério, recomenda-se a</p><p>utilização e observância dos artigos do Código de Processo Civil.</p><p>Art. 3º. Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e julgar causas de</p><p>competência da Justiça Federal até o valor de sessenta salários-mínimos, bem como</p><p>executar as suas sentenças.</p><p>§ 1º. Não se incluem na competência do Juizado Especial Cível as causas:</p><p>I - referidas no art. 109, incisos II, III e XI, da Constituição Federal, as ações de mandado de</p><p>segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, execuções fiscais (...)</p><p>Art. 6º Podem ser partes no Juizado Especial Federal Cível:</p><p>I – Como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte,</p><p>assim definidas na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996;</p><p>Art. 2º. É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar</p><p>causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o</p><p>valor de 60 (sessenta) salários-mínimos.</p><p>§ 1º. Não se incluem na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública:</p><p>I – As ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares,</p><p>por improbidade administrativa, execuções fiscais (...)</p><p>Art. 5º. Podem ser partes no Juizado Especial da Fazenda Pública:</p><p>I – Como autores, as pessoas físicas e as microempresas e empresas de pequeno porte, assim</p><p>definidas na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>17</p><p>Diante disso, como terceiro critério para o endereçamento, a demanda será distribuída,</p><p>via de regra, no local do domicílio do requerente da demanda. Mas cuidado: caso trate-se de</p><p>embargos à execução fiscal ou exceção de pré executividade, tais peças deverão ser</p><p>endereçadas para o local onde tramita a execução fiscal.</p><p>Findas as exposições sobre endereçamento, os mesmos se apresentarão da seguinte</p><p>forma:</p><p>Endereçamento para a Justiça Estadual</p><p>•Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de ... do</p><p>Estado ...</p><p>Endereçamento para os Juizados Especiais da Fazenda Pública</p><p>•Douto Juízo de Direito dos Juizados Especiais da Fazenda Pública da Comarca de</p><p>... do Estado ...</p><p>Endereçamento para a Justiça Federal</p><p>•Douto Juízo Federal da ... Vara (Federal/Fazenda Pública) da Subseção Judiciária</p><p>... da Seção Judiciária do Estado ...</p><p>Endereçamento para os Juizados Especiais Federais</p><p>•Douto Juízo Federal dos Juizados Especiais Federais da Subseção Judiciária ... da</p><p>Seção Judiciária do Estado ...</p><p>Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União.</p><p>Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de</p><p>domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação</p><p>da coisa ou no Distrito Federal.</p><p>Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado</p><p>ou o Distrito Federal.</p><p>Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser</p><p>proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a</p><p>demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>18</p><p>Qualificação do Requerente</p><p>A qualificação do requerente deverá observar estritamente o que disposto no artigo 319,</p><p>II, do Código de Processo Civil. Diante disso, deverá constar na qualificação obrigatoriamente os</p><p>seguintes itens: “os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a</p><p>profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da</p><p>Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu”.</p><p>Para efeitos de 2ª Fase do Exame de Ordem, questiona-se: se não houver a presença de</p><p>tais itens acima expostos no enunciado, poderão ser criados? A resposta é negativa. Lembrando</p><p>que nada poderá ser criado ou imaginado no Exame de Ordem, sob pena do examinador</p><p>considerar como identificação de peça e o examinando vir a reprovar.</p><p>Lembrando, antes de citar alguns exemplos, que no momento de elaborar tal qualificação,</p><p>deverá o examinando fazer a indicação do advogado (procurador) e endereço para intimação,</p><p>visto que somente este último detém capacidade postulatória para representação em juízo.</p><p>Fundamento e Nome da Peça</p><p>Toda peça processual terá um fundamento e uma denominação. Para efeitos práticos</p><p>(prática na advocacia) a certeza de tais quesitos muito pouco altera a possibilidade de</p><p>recebimento ou não da peça vestibular. Entretanto, para efeitos de 2ª Fase de Exame da Ordem,</p><p>tais requisitos são imprescindíveis para a correção da peça processual.</p><p>Em cada capítulo do presente texto iremos trabalhar individualmente sobre o fundamento</p><p>e o nome de cada peça processual possível no direito tributário. Lembrando sempre que o</p><p>candidato deverá colocar tais requisitos de forma expressa e legível, a fim de que o examinador</p><p>não tenha dúvidas sobre a escolha por ele realizada.</p><p>Qualificação da Pessoa Física</p><p>•Nome, prenome, estado civil ..., profissão ..., inscrito no CPF sob o nº ..., endereço</p><p>eletrônico ..., residente e domiciliado ..., neste ato representado por seu procurador</p><p>(procuração em anexo), estabelecido ..., local onde receberá intimações.</p><p>Qualificação da Pessoa Jurídica</p><p>•Nome da Empresa, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ...,</p><p>estabelecida ..., endereço eletrônico ..., neste ato representada por seu procurador</p><p>(procuração anexa), estabelecido ..., local onde receberá intimações.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>19</p><p>Qualificação do Requerido</p><p>Para qualificar em face de quem será realizado o processo, ou seja, o réu da ação judicial,</p><p>deverá</p><p>o pagamento da dívida tributária. Tal concessão de suspensão não importará</p><p>obrigatoriamente no corte de juros e multas.</p><p>Súmula Vinculante nº 21 do STF - É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios</p><p>de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.</p><p>Súmula Vinculante nº 28 do STF - É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito</p><p>de admissibilidade de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.</p><p>Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei específica.</p><p>(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>§ 1º Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência</p><p>de juros e multas. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>158</p><p>Por fim, finalizando o presente capítulo, cumpre informar que, ocorrendo qualquer uma</p><p>das hipóteses de suspensão, suspenderá apenas a obrigação principal (de pagar), devendo o</p><p>contribuinte continuar a efetuar o cumprimento das obrigações acessórias (de fazer ou não</p><p>fazer).</p><p>Podcast sobre Suspensão da Exigibilidade</p><p>Podcast sobre Suspensão da Exigibilidade: depósito</p><p>§ 2º Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória.</p><p>(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/suspensao-da-exigibilidade-oab-tributario/s-nxUwQeZj8Ta?si=5b707da74cd24da29e7dc69d2665329e&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/suspensao-da-eigibilidade-deposito-integral-oab-tributario/s-qjnkQYCKm6q?si=ae878b85e3a84264bf4c56ae67cc2306&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>159</p><p>20. Da extinção do crédito tributário</p><p>Na forma do artigo 156 do Código Tributário Nacional apresentam-se várias formas de</p><p>extinção do crédito tributário. Lembrando que tais modalidades contemplam um rol taxativo,</p><p>podendo ser alterados apenas mediante lei complementar.</p><p>A primeira forma de extinção é o pagamento. Trata-se da forma mais aguardada de</p><p>extinção do crédito tributário, onde o contribuinte, a fim de extinguir o tributo, faz o pagamento</p><p>através da entrega de dinheiro ao ente público competente.</p><p>Importante referir ainda que, diferentemente do direito civil, na forma do artigo 158 do</p><p>CTN, o pagamento parcial de parcelas não poderá fazer presumir que as demais estão quitadas,</p><p>assim como o pagamento, por exemplo, de IPTU do ano de 2017, não poderá fazer presumir que</p><p>os anteriores estão quitados.</p><p>Caso o pagamento do tributo devido não seja feito no prazo legal, os efeitos moratórios</p><p>serão automáticos, na forma do artigo 161 do CTN.</p><p>Quanto ao prazo de pagamento, igualmente, caso não haja regra específica na legislação</p><p>tributária do ente competente, o vencimento do crédito ocorrerá trinta dias depois da data em</p><p>que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Lembre-se, ainda, sobre o prazo</p><p>para pagamento6:</p><p>6 ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário Esquematizado. 8. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense; São</p><p>Paulo: MÉTODO, 2014. Página 1067.</p><p>P</p><p>ra</p><p>z</p><p>o</p><p>p</p><p>a</p><p>ra</p><p>p</p><p>a</p><p>g</p><p>a</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>/m</p><p>o</p><p>d</p><p>a</p><p>lid</p><p>a</p><p>d</p><p>e</p><p>d</p><p>e</p><p>l</p><p>a</p><p>n</p><p>ç</p><p>a</p><p>m</p><p>e</p><p>n</p><p>to</p><p>Direito</p><p>Por declaração</p><p>O vencimento do crédito deve</p><p>ser estabelecido pela legislação</p><p>pertinente a cada tributo. Sendo</p><p>a lei omissa, aplica-se a regra</p><p>do art. 160 do CTN - 30 dias da</p><p>ciência da notificação.</p><p>Por homologação</p><p>A legislação tributáriado tributo</p><p>deve estabelecer o prazo de</p><p>pagamento, não se aplicando</p><p>a regra do art. 160 do CTN</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>160</p><p>Lembre-se que em Tributos Federais (âmbito federal), a correção monetária e os juros de</p><p>mora estão reunidos em único índice, a taxa SELIC. Sendo assim, conforme orientação pacífica</p><p>do STJ, não posso cumular SELIC com qualquer outro índice de correção monetária.</p><p>Conforme o artigo 162 do CTN, o pagamento poderá ser efetuado em moeda corrente,</p><p>cheque ou vale postal. E nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por</p><p>processo mecânico.</p><p>A segunda forma de extinção é o compensação. Ocorrerá o direito a compensar quando</p><p>duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra. Agora, não bastará para</p><p>ocorrer a compensação ter crédito e débito, mas também faz-se necessário a existência de</p><p>norma específica do ente competente que estipule as condições e garantias, observando o teor</p><p>do artigo 170 do CTN.</p><p>Sobre a compensação é importante o examinando conhecer o teor das Súmulas 213, 460</p><p>e 461 do STJ.</p><p>A terceira forma de extinção é a transação. Trata-se de forma de negociação realizada</p><p>entre as partes que, mediante concessão mútua, acabam por extinguir obrigações, visando</p><p>terminar litígios. Na forma do artigo 171 do CTN ela somente irá terminar litígios, não cabendo,</p><p>portanto, transação de forma preventiva.</p><p>Outrossim, a presente modalidade de extinção somente poderá ser realizada mediante lei</p><p>específica do ente competente, onde tal norma irá delimitar as condições para a realização da</p><p>transação. Veja que o CTN não afirma a necessidade do litígio ser judicial ou administrativo,</p><p>cabendo assim, ao ver do signatário, tanto para litígios administrativos quanto para judiciais.</p><p>A quarta forma de extinção é a remissão. A remissão trata-se da dispensa gratuita da</p><p>dívida tributária. Na forma do artigo 150, §6º da Constituição Federal a remissão somente poderá</p><p>ser concedida mediante lei específica do ente competente.</p><p>A remissão, diferente da anistia, poderá perdoar tributo e multa. Além disso, por tratar-se</p><p>de forma de extinção do crédito tributário, somente poderá existir de créditos já constituídos</p><p>(lançados).</p><p>Art. 162. O pagamento é efetuado:</p><p>I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;</p><p>II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>161</p><p>Por fim, teremos a remissão de forma individual ou geral, devendo utilizar-se dos</p><p>parâmetros da moratória para realização.</p><p>A quinta forma de extinção é a prescrição e a decadência.</p><p>O prazo para que a Administração Tributária, por meio da autoridade competente,</p><p>promova o lançamento é decadencial. O prazo para que se ajuíze a ação de execução fiscal é</p><p>prescricional.</p><p>Operada a decadência, tem-se por extinto o direito de lançar. Verificada a prescrição, tem-</p><p>se impossibilitado o manejo da execução fiscal.</p><p>Lembre-se que, diferentemente do direito civil, aqui no Direito Tributário o pagamento de</p><p>débito prescrito gera direito a sua repetição, na medida em que, muito embora exista o direito</p><p>material, a pretensão estará extinta quando da ocorrência do pagamento.</p><p>Ademais, ressalta-se: o lançamento é exatamente o marco que separa, na linha do tempo,</p><p>a prescrição da decadência.</p><p>Importante ainda dizer que: o termo inicial do prazo decadencial não é exatamente a data</p><p>da ocorrência do fato gerador, mas uma data em torno deste momento (via de regra, o primeiro</p><p>exercício financeiro subsequente). Mas no caso do lançamento por homologação, contudo, o</p><p>termo inicial pode coincidir com precisão com a data do fato gerador.</p><p>O prazo decadencial é de 5 anos. Outrossim, a decadência tem algumas regras próprias</p><p>que veremos abaixo.</p><p>Regra Geral do Prazo Decadencial</p><p>O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos,</p><p>contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido</p><p>efetuado.</p><p>Percebe-se nitidamente que a Administração Pública acaba tendo mais de cinco anos</p><p>para exercer o direito de constituir o crédito. Mas na OAB = o prazo decadencial é de 5 anos.</p><p>Regra do Lançamento por Homologação</p><p>O término do prazo para a homologação, sem que esta tenha sido expressamente</p><p>realizada, não apenas configura homologação tácita, mas também decadência do direito de</p><p>constituir o crédito relativo a qualquer diferença.</p><p>Aqui, no lançamento por homologação, a regra é: único caso em que o prazo decadencial</p><p>é contado exatamente da data da ocorrência do fato gerador.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>162</p><p>Assim, se o contribuinte antecipou o pagamento dentro do prazo legal, mesmo que o valor</p><p>recolhido tenha sido ínfimo, a homologação tácita ocorrerá em cinco anos, contados da data do</p><p>fato gerador.</p><p>Mas atenção aos casos de lançamento por homologação onde não houver lançamento ou</p><p>ele for realizado com dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial passará para a regra geral</p><p>(art. 173, I, do CTN, ou seja, 1º dia do exercício subsequente.</p><p>Cuidado que a FGV ainda insiste em cobrar o prazo decadencial para a realização do</p><p>lançamento das contribuições para o financiamento da seguridade social. A própria lei fala em</p><p>10 anos, mas o STJ, em 2007, e o STF, em 2008 (súmula vinculante nº 8), decidiu que tal prazo</p><p>é inconstitucional, sendo o mesmo igual aos demais (5 anos).</p><p>Prescrição</p><p>Já opera-se a prescrição quando a Fazenda Pública não propõe, no prazo legalmente</p><p>estipulado, a ação de execução fiscal para obter a satisfação coativa do crédito tributário.</p><p>Conforme o artigo 174 do CTN o prazo de prescrição é de cinco anos, iniciando sua</p><p>contagem da data da constituição definitiva do crédito tributário.</p><p>Mas cuidado: não será com a notificação que o crédito estará definitivamente constituído,</p><p>mas sim, não havendo pagamento ou impugnação (ou após o processo administrativo), e</p><p>ultrapassado o prazo para pagamento do crédito tributário sem pagamento, é que começará a</p><p>fluir o prazo prescricional.</p><p>Lembre-se que a prescrição se interromperá quando: houver despacho do juiz ordenando</p><p>citação em execução, qualquer protesto judicial ou ato judicial que constitua o devedor em mora</p><p>Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data</p><p>da sua constituição definitiva.</p><p>Parágrafo único. A prescrição se interrompe:</p><p>I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº</p><p>118, de 2005)</p><p>II - pelo protesto judicial;</p><p>III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;</p><p>IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito</p><p>pelo devedor.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>163</p><p>e por qualquer ato inequívoco (mesmo que seja extrajudicial) que importe reconhecimento do</p><p>débito pelo devedor.</p><p>A sexta forma de extinção é a conversão de depósito em renda. Tal modalidade irá ocorrer</p><p>quando da realização de depósito ou penhora de dinheiro em processo judicial e em caso de</p><p>vitória (decisão favorável de mérito ao fisco) o dinheiro irá para a fazenda pública. Tal ato é</p><p>nominado de conversão de depósito em renda.</p><p>A sétima forma de extinção é a consignação em pagamento. A presente forma irá ocorrer</p><p>quando do ajuizamento de Ação de Consignação em Pagamento pelo contribuinte nas</p><p>possibilidades ofertadas do artigo 164 do CTN. Lembrando que tal demanda judicial busca</p><p>justamente a satisfação do crédito tributário não recebido pela fazenda pública. Assim, julgando-</p><p>se procedente a presente ação, o dinheiro que fora depositado, na forma do artigo 542, I, do</p><p>CPC, será convertido em renda, vindo a extinguir o crédito tributário pela consignação.</p><p>Podcast sobre Extinção do Crédito Tributário</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/extincao-do-credito-tributario-oab-tributario/s-sth5iheMZZd?si=15bd476772c74fad88b0caad343ecd09&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>164</p><p>21. Da exclusão do crédito tributário</p><p>As formas de exclusão do crédito, que estão dispostas no artigo 175 do Código Tributário</p><p>Nacional, sempre serão realizadas mediante lei própria do ente competente, bem como vão</p><p>impedir a fazenda pública de constituir o crédito. Logo, como consequência disso, o contribuinte</p><p>está livre do cumprimento da obrigação principal.</p><p>Diante do referido no artigo supra copiado, serão formas de exclusão do crédito a isenção</p><p>e a anistia. Reforçando-se, assim, que são institutos desonerativos, que o Poder Executivo não</p><p>poderá realizar (somente mediante lei) e que não dispensa a obrigação acessória.</p><p>21.1 Isenção</p><p>A isenção trata-se de um instituto desonerativo que visa dispensar, mediante lei, o dever</p><p>de pagar tributo. Veja que trata-se de um instituto diferente da imunidade, visto que esta última</p><p>trata-se de dispensa constitucional do dever de pagar tributo. Ainda, sobre a isenção é importante</p><p>ressaltar:</p><p>Art. 175 do CTN - Excluem o crédito tributário:</p><p>I - a isenção;</p><p>II - a anistia.</p><p>Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações</p><p>acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente.</p><p>- Dispensa legal realizada pelo respectivo ente competente.</p><p>- Via de regra, poderá ser revogada a qualquer tempo.</p><p>- Só admite interpretação literal.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>165</p><p>Logo, conforme acima exposto, a isenção, via de regra, poderá ser revogada a todo e</p><p>qualquer tempo, com exceção da isenção onerosa, que é aquela realizada por condição e tempo,</p><p>na forma do artigo 178 do CTN. Tal isenção onerosa é aquela realizada na maioria das vezes</p><p>quando uma empresa deseja instalar-se em determinado local (condição) e deseja por certo</p><p>período (tempo) não pagar tributo. Essa, em razão da segurança jurídica, não poderá ser</p><p>revogada a qualquer tempo.</p><p>Ainda, sobre isenções, cabe dizer que a sua concessão, em razão de tratar-se de um</p><p>benefício para o contribuinte, não observará a anterioridade, bem como na forma do artigo 177</p><p>do CTN, via de regra, não se estenderá a taxas e contribuições de melhoria, salvo previsão</p><p>expressa em norma.</p><p>Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique</p><p>as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso,</p><p>o prazo de sua duração.</p><p>Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante,</p><p>em função de condições a ela peculiares.</p><p>Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições,</p><p>pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do</p><p>art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975)</p><p>Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas.</p><p>Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:</p><p>I - às taxas e às contribuições de melhoria;</p><p>II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>166</p><p>Importante referir que as isenções poderão ter caráter individual ou geral. A de caráter</p><p>individual só alcançará determinadas pessoas, que preenchem requisitos, mediante análise da</p><p>autoridade administrativa competente. Ainda, ela não gerará direito adquirido, justamente em</p><p>face da necessidade da análise dos requisitos para sua concessão.</p><p>Por fim, cumpre mencionar questão recorrente em</p><p>prova sobre isenção: trata-se das</p><p>isenções de ICMS. Estas somente poderão ser realizadas mediante convênio e não por meio de</p><p>lei, na forma do artigo 155, §2º, XII, G, da CF combinado com a Lei Complementar 24/75. Tudo</p><p>isso a fim de evitar guerra fiscal entre os entes federativos.</p><p>Podcast sobre Isenção Tributária</p><p>21.2 Anistia</p><p>Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por</p><p>despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do</p><p>preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para</p><p>sua concessão.</p><p>§ 1º Tratando-se de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo</p><p>será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a</p><p>partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do</p><p>reconhecimento da isenção.</p><p>§ 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o</p><p>disposto no artigo 155.</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/isencao-tributaria-oab-tributario/s-hyOC02VQ19h?si=67800612717045cf86a16ffed4143ebf&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>167</p><p>A anistia também trata-se de medida desonerativa que, entretanto, visa retirar (perdoar)</p><p>do contribuinte o aspecto, a denominação de infrator. Logo, o legislador, mediante lei própria</p><p>(específica do ente competente), poderá excluir e dispensar o contribuinte do pagamento da</p><p>multa tributária.</p><p>Tal anistia poderia ser realizada, inclusive, sobre determinado território e/ou região, sendo</p><p>possível, portanto, a delimitação da extensão do referido instituto.</p><p>E, por fim, o referido instituto político poderá ser concedido em caráter geral e individual,</p><p>obedecendo os mesmos critérios da isenção.</p><p>Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei</p><p>que a concede, não se aplicando:</p><p>I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa</p><p>qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro</p><p>em benefício daquele;</p><p>II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas</p><p>naturais ou jurídicas.</p><p>Art. 181. A anistia pode ser concedida:</p><p>I - em caráter geral;</p><p>II - limitadamente:</p><p>a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo;</p><p>b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas ou</p><p>não com penalidades de outra natureza;</p><p>c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela</p><p>peculiares;</p><p>d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação</p><p>seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>168</p><p>Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho</p><p>da autoridade administrativa, em requerimento com a qual o interessado faça prova do</p><p>preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para sua concessão.</p><p>Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando</p><p>cabível, o disposto no artigo 155.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>169</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>170</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>João, residente no estado X, é proprietário de veículo licenciado no município Y, situado no</p><p>estado X. João não pagou o IPVA do carro, com vencimento previsto para a data de 11/05/2017,</p><p>data esta publicada no Diário Oficial, pelo ente público, em calendário específico para</p><p>recolhimento do IPVA. Considerando que não houve envio de correspondência à residência de</p><p>João, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Qual será o termo inicial do prazo prescricional para o ajuizamento da Execução Fiscal, na</p><p>hipótese de constituição definitiva do crédito de IPVA?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A sociedade empresária ABC Ltda. realizou, em 10/01/2014, fato gerador de um tributo sujeito a</p><p>lançamento por homologação. O prazo final para entrega da declaração e pagamento era</p><p>10/02/2014, mas a empresa nem entregou a declaração, nem pagou o tributo devido. Em razão</p><p>disso, o Fisco, em 05/02/2019, realizou lançamento de ofício do tributo devido, notificando a</p><p>contribuinte, em 15/02/2019, para impugnar ou pagar o débito em 30 dias. A sociedade</p><p>empresária, no entanto, nem pagou, nem impugnou administrativamente tal lançamento. O</p><p>débito é inscrito em dívida ativa e, em 10/06/2019, é ajuizada ação de execução fiscal contra ela,</p><p>com despacho do juiz ordenando a citação, em 30/06/2019. A sociedade empresária, ao fazer</p><p>sua defesa em embargos à execução fiscal, alega que o direito de lançar aquele crédito tributário</p><p>já havia sido alcançado pela decadência, pois, nos termos do Art. 150, § 4º, do CTN, aplicável</p><p>aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, já havia transcorrido mais de cinco anos</p><p>entre a data do fato gerador e o lançamento efetuado pelo Fisco. Diante desse cenário, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>A) Tem razão a sociedade empresária em sua alegação?</p><p>B) Caso a sociedade empresária houvesse declarado corretamente o tributo devido em</p><p>10/02/2014, mas não tivesse efetuado o seu recolhimento, seria possível ajuizar a execução</p><p>fiscal em 10/06/2019?</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A pessoa jurídica X, na condição de importadora de produtos industrializados, ajuizou medida</p><p>judicial pleiteando a restituição de valores pagos a título de Imposto sobre Produtos</p><p>Industrializados (“IPI”). No caso em questão, o contribuinte pagou o tributo em operação de</p><p>revenda por ocasião da saída de seu estabelecimento e entendeu que o pagamento foi feito</p><p>indevidamente, uma vez que não houve processo de industrialização no Brasil. Em seu pleito, a</p><p>pessoa jurídica X requereu, em sede de antecipação de tutela, a compensação dos valores</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>171</p><p>pagos a título de IPI, objeto de contestação. Com base nos fatos apresentados acima, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>B) É possível requerer, em sede de antecipação de tutela, a compensação de eventual tributo</p><p>pago indevidamente?</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>José da Silva, aposentado, foi acometido de neoplasia maligna (câncer), doença prevista em lei</p><p>como moléstia grave e que autoriza a concessão de isenção de Imposto sobre a Renda da</p><p>Pessoa Física sobre os proventos de aposentadoria. Ele apresentou seus exames e laudos de</p><p>seus médicos particulares, requerendo à Receita Federal do Brasil que a isenção fosse</p><p>reconhecida. O Fisco federal, contudo, negou o pedido, exigindo que fosse apresentado laudo</p><p>médico oficial, e não de médicos privados. Diante da negativa, José da Silva buscou a declaração</p><p>do seu direito à isenção pela via judicial. Diante desse quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A apresentação de laudo médico oficial é imprescindível para o reconhecimento judicial da</p><p>isenção?</p><p>B) Se, após o tratamento adequado, José da Silva não apresentar mais sintomas da</p><p>enfermidade, a isenção deverá ser revogada por ele não cumprir mais o requisito de ser portador</p><p>de moléstia grave, nos termos do Art. 179, § 2º, do CTN?</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>Mário, 16 anos, ao chegar de viagem do exterior, desacompanhado</p><p>de seus responsáveis, teve</p><p>sua bagagem verificada pela alfândega. Nesse momento, o representante do fisco identificou</p><p>vinte aparelhos de celular de último tipo e diversos presentes, todos excluídos do conceito de</p><p>bagagem, e promoveu o lançamento do imposto de importação e de multa em nome de Mário,</p><p>por irregularidade na importação das mercadorias que adentraram no país. Representado por</p><p>seu pai, Mário apresentou impugnação ao lançamento do crédito, alegando que não tem</p><p>capacidade civil e que, portanto, não pode ser contribuinte do imposto de importação, tendo o</p><p>provimento negado pela autoridade administrativa. Certo de suas alegações, após transcorrida</p><p>a primeira etapa da esfera administrativa, o representante de Mário pretende discutir em segunda</p><p>instância, porém é surpreendido com a exigência, por parte da autoridade administrativa, de</p><p>depósito prévio como garantia de admissibilidade do recurso. A partir dos fatos apresentados,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>B) Ressalvada a excepcionalidade da eventual ausência de bens, é possível a exigência por</p><p>parte da autoridade administrativa de depósito prévio ou de outra forma de garantia como</p><p>requisito de admissibilidade dos recursos na esfera administrativa?</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>172</p><p>Antes de realizado qualquer procedimento para a constituição do crédito tributário, determinado</p><p>partido político optou, em 2016, pelo parcelamento da Contribuição para o Financiamento da</p><p>Seguridade Social (COFINS), com vencimentos entre 2005 e 2009, não pagas no prazo</p><p>determinado. Para tanto, nos termos da lei que instituiu o parcelamento, o partido político</p><p>apresentou “confissão irrevogável e irretratável dos débitos”. No entanto, o advogado do partido</p><p>político opina que este deve rescindir o parcelamento, uma vez que, independentemente da</p><p>assinatura do termo de confissão de débitos, a renda dos partidos políticos é imune, e os débitos</p><p>estão alcançados pela decadência. Sobre a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>B) A alegação sobre a ineficácia da confissão de débitos, no que se refere aos débitos</p><p>alcançados pela decadência, está correta?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A União ajuizou, em 2016, execução fiscal em face da pessoa jurídica “X”. Estavam em cobrança</p><p>dois débitos distintos: um deles era relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)</p><p>vencido no final do mês de março de 2009, regularmente declarado pelo contribuinte no mesmo</p><p>mês, mas que não foi recolhido; o outro era relativo à multa pelo descumprimento, em 2014, de</p><p>obrigação acessória do IPI. Regularmente citada, a pessoa jurídica “X” alegou a ocorrência de</p><p>prescrição do débito relativo ao ano de 2009. Para tanto, sustentou que foi ultrapassado o prazo</p><p>de cinco anos para a exigência do imposto – pois tal prazo tivera início com o vencimento do</p><p>tributo, já que o montante devido foi oportunamente declarado. No que se refere à multa,</p><p>sustentou a inexigibilidade da obrigação, porquanto referente a uma operação específica que,</p><p>no momento de sua realização, estava coberta por isenção concedida pela própria União</p><p>(isenção esta que efetivamente existia em 2014). Com base no caso relatado, responda aos itens</p><p>a seguir.</p><p>A) Conforme sustentado pela contribuinte, operou-se a prescrição no presente caso?</p><p>B) Está correto o argumento da pessoa jurídica “X” quanto à improcedência da multa?</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>A sociedade empresária “X” foi autuada pelo Estado “Z” em 35% do valor do Imposto sobre</p><p>Circulação de Mercadorias e de Serviços (ICMS) devido, em razão do preenchimento incorreto</p><p>de determinado documento fiscal. Observadas diversas inconsistências no auto de infração, os</p><p>advogados da sociedade impugnaram administrativamente a autuação. No curso do processo,</p><p>nova lei foi publicada, estabelecendo nova penalidade para os casos de preenchimento incorreto</p><p>de documentos fiscais, agora no percentual de 15% do valor do imposto. Ocorre que, embora</p><p>pendente a decisão da impugnação, o fisco inscreveu a sociedade em dívida ativa, assinalando,</p><p>no termo de inscrição, a penalidade anterior, de 35%. Com base nessas informações e de acordo</p><p>com o disposto no CTN, responda aos itens a seguir.</p><p>A) O fisco poderia ter inscrito o contribuinte em dívida ativa naquele momento? Justifique</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>173</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>Em 2015, devido a uma grande enchente que assolou o município X, foi aprovada uma lei que</p><p>reabria, por um ano, o prazo de pagamento do IPTU já vencido dos contribuintes proprietários</p><p>de imóveis localizados nas áreas atingidas pela enchente. Com base nessa situação, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>A) Qual o nome do instituto tributário utilizado para ajudar os contribuintes das áreas mais</p><p>atingidas pela enchente? Aponte o seu dispositivo legal.</p><p>B) A lei poderia ter delimitado a aplicação desse instituto a apenas um conjunto de sujeitos</p><p>passivos, como fez neste caso, aplicando-o somente aos contribuintes das áreas mais atingidas?</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>O Estado X estabeleceu alíquotas diferenciadas de Imposto sobre a Propriedade de Veículos</p><p>Automotores (IPVA), entre veículos nacionais e importados. Segundo a legislação estadual, a</p><p>alíquota dos veículos importados será superior à dos veículos nacionais. Caio, proprietário de</p><p>um automóvel importado, ajuizou ação questionando a diferença entre as alíquotas. No entanto,</p><p>o juiz de 1ª instância determinou a realização do depósito integral do montante discutido, sob</p><p>pena de extinção do processo sem julgamento de mérito, por entender que o depósito é requisito</p><p>de admissibilidade de ação judicial. Sobre a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Ao determinar a realização do depósito, o juiz está correto?</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>Em 2015, a pessoa jurídica "X" verificou a existência de débito de Imposto sobre a Renda (IRPJ)</p><p>não declarado, referente ao ano calendário de 2012. Antes do início de procedimento</p><p>administrativo ou medida de fiscalização, realizou o pagamento do tributo devido, acrescido dos</p><p>juros de mora. Ao constatar o pagamento, a União notificou a contribuinte para que pagasse</p><p>multa sancionatória incidente sobre o tributo pago extemporaneamente. Adicionalmente, efetuou</p><p>o lançamento do IRPJ referente ao ano calendário 2008, que também não havia sido declarado</p><p>nem pago pela contribuinte. Diante disso, responda aos itens a seguir.</p><p>B) É correta a cobrança do IRPJ referente ao ano calendário 2008?</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>Em dezembro de 2014, o Município de Macaé-RJ editou a Lei nº 1.234, estendendo o prazo para</p><p>a cobrança judicial dos créditos de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de cinco para seis</p><p>anos. O mesmo Município ajuizou, em 2015, execução fiscal em face da pessoa jurídica Ômega,</p><p>para a cobrança de créditos IPTU não pagos. Os valores desses créditos sofreram correção</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>174</p><p>monetária por ato do Poder Executivo em percentual superior ao índice oficial. Diante disso,</p><p>responda aos itens a seguir.</p><p>A) O Município de Macaé-RJ agiu corretamente ao editar a Lei nº 1.234?</p><p>QUESTÃO Nº 13</p><p>Caio tem 10 anos e seu pai o presenteou com uma casa de praia no litoral do Município Y. No</p><p>entanto, Caio não realizou o pagamento do carnê do Imposto sobre a Propriedade Predial e</p><p>Territorial Urbana (IPTU) incidente sobre o imóvel de sua propriedade. Caio, representado por</p><p>seu pai, apresentou uma impugnação ao lançamento do crédito, alegando que Caio não tem</p><p>capacidade civil e que, portanto, não pode ser contribuinte do IPTU. O Município Y negou</p><p>provimento à impugnação e Caio apresentou recurso voluntário ao Conselho Municipal de</p><p>Contribuintes, que foi inadmitido por inexistência de depósito recursal prévio, conforme exigência</p><p>da legislação municipal. A partir da questão proposta, responda aos itens a seguir.</p><p>B) É constitucional a exigência do depósito como condição para o recurso administrativo,</p><p>conforme decisão do Conselho Municipal? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 14</p><p>Em 2008, constou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) da pessoa</p><p>jurídica AB&C Participações Ltda. que era devido, a título de Contribuição para o Financiamento</p><p>da Seguridade Social – COFINS, o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). No entanto, a</p><p>AB&C Participações Ltda. não efetuou o recolhimento antes do vencimento do tributo. Em 2009,</p><p>antes do início de qualquer fiscalização por parte da Fazenda Nacional, a AB&C Participações</p><p>Ltda. efetuou o recolhimento daquele montante da COFINS informado no ano anterior na DCTF,</p><p>sem, no entanto, o acréscimo da multa de mora, em razão da ocorrência da denúncia</p><p>espontânea. Por não concordar com a AB&C Participações Ltda., a Fazenda Nacional lavrou</p><p>auto de infração cobrando o valor integral do tributo (deduzido do montante já recolhido), sendo</p><p>a AB&C Participações Ltda. intimada para pagar ou apresentar defesa. Sobre o caso, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>B) Caso a pessoa jurídica proponha ação anulatória buscando desconstituir o auto de infração,</p><p>poderá apresentar, simultaneamente, defesa no processo administrativo?</p><p>QUESTÃO Nº 15</p><p>Em 2001, Caio Silva comprou um imóvel de Tício Santos. Em 2002, a Fazenda Nacional</p><p>inscreveu em dívida ativa créditos decorrentes do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física –</p><p>IRPF, que em 2000 haviam sido objeto de constituição definitiva contra Tício. Em 2007, a</p><p>Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal visando à cobrança dos créditos de IRPF. Após Tício</p><p>ser citado sem garantir o Juízo, a Fazenda Nacional requereu a penhora do imóvel vendido a</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>175</p><p>Caio, visto que a alienação foi realizada quando o fato gerador do IRPF já tinha ocorrido, o que</p><p>a tornaria, segundo a Fazenda Nacional, fraudulenta.</p><p>B) Qual o argumento que Tício, contribuinte do IRPF, poderia alegar em sua defesa, em eventual</p><p>oposição de embargos à execução?</p><p>QUESTÃO Nº 16</p><p>Ocorre o fato gerador do imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITCMD) em</p><p>15.01.2001. Como não houve o recolhimento do imposto devido nem declaração por parte do</p><p>contribuinte, em 17.07.2006 a Fazenda Estadual realiza o lançamento de ofício do imposto,</p><p>dando ciência ao contribuinte. Após a interposição tempestiva de impugnação administrativa pelo</p><p>contribuinte contra o lançamento e trâmite regular do processo administrativo tributário, o crédito</p><p>foi constituído definitivamente em 10.06.2007, sendo o sujeito passivo notificado, pessoalmente,</p><p>na mesma data. Em razão de o valor do crédito tributário estar abaixo do limite de ajuizamento</p><p>previsto na legislação estadual para a sua cobrança judicial, a Fazenda Estadual não ajuizou a</p><p>respectiva Execução Fiscal. Em 24.07.2012, a fim de regularizar sua situação junto ao Fisco, o</p><p>contribuinte realiza o pagamento da dívida. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Na data em que foi realizado o pagamento, o crédito tributário estava decaído?</p><p>B) Na data em que foi realizado o pagamento, o crédito tributário estava prescrito?</p><p>C) Caso efetue o pagamento de um crédito prescrito, pode o contribuinte pleitear a restituição da</p><p>quantia que foi paga?</p><p>QUESTÃO Nº 17</p><p>A empresa XYZ deixou de declarar e pagar imposto sobre a renda, devido no ano calendário</p><p>2006. No início de 2013, a empresa decidiu incluir todos os valores não declarados e não pagos</p><p>em um parcelamento previsto em lei federal assinando, para tanto, termo de confissão de dívida.</p><p>Após quitação integral do parcelamento, a empresa XYZ percebeu que, antes mesmo da inclusão</p><p>dos valores no referido programa, os débitos já tinham sido atingidos pela decadência, tendo em</p><p>vista que em nenhum momento houve a constituição do crédito através do lançamento. Diante</p><p>disso, responda, fundamentadamente, aos itens a seguir.</p><p>A) Considerando o instrumento de confissão de dívida assinado pelo contribuinte, bem como a</p><p>quitação integral do tributo, é possível que o contribuinte pleiteie a restituição dos valores que</p><p>foram atingidos pela decadência?</p><p>B) Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação não pago e não declarado, que</p><p>dispositivo do Código Tributário Nacional é aplicável para regular a contagem do prazo para o</p><p>Fisco realizar o lançamento?</p><p>QUESTÃO Nº 18</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>176</p><p>Em 20/05/95, a Receita Federal, em decorrência de fiscalização realizada na sede da empresa</p><p>ABC, constatou que a empresa não havia declarado, e consequentemente recolhido, a COFINS</p><p>referente a todos os meses do exercício de 1990. Notificada a empresa, esta impugnou, sem</p><p>sucesso, o auto de infração e, depois, recorreu administrativamente ao Conselho de</p><p>Contribuintes. Em 20/07/04, adveio a decisão definitiva, confirmando o ato da autoridade</p><p>tributária, sendo a empresa notificada da referida decisão na própria data. A União Federal</p><p>ajuizou execução fiscal relativa ao crédito em 20/06/2009, sendo que o despacho de citação foi</p><p>exarado em 20/08/10, entretanto, não encontrada de pronto a executada, a exequente não mais</p><p>movimentou o processo. Examine as questões envolvidas e responda aos itens a seguir,</p><p>utilizando os argumentos jurídicos apropriados e a fundamentação legal pertinente ao caso.</p><p>A) Analise a constituição do crédito tributário pelo Fisco, referindo se ocorreu de forma regular</p><p>ou não, bem como se adveio dentro do prazo legal.</p><p>B) Houve, na hipótese, interrupção ou suspensão do prazo de cobrança do crédito fiscal?</p><p>C) A propositura da execução em 20/06/2009 e o despacho de citação em 20/08/2010</p><p>resguardarão o direito da Fazenda Pública?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>177</p><p>RESPOSTAS DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>B) Na hipótese de constituição definitiva do crédito de IPVA, o prazo prescricional deverá ser</p><p>contado a partir do dia seguinte à data estipulada como vencimento do imposto, ou seja, a partir</p><p>de 12/05/2017, conforme entendimento específico fixado pelo STJ, em Recurso Repetitivo.</p><p>(REsp nº 1.320.825-RJ).</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>A) A sociedade empresária não tem razão. Como não houve sequer declaração do tributo devido,</p><p>o Fisco teve de efetuar um lançamento de ofício, cujo início do prazo decadencial, nos termos</p><p>do Art. 173, inciso I, do CTN, não se vincula ao fato gerador, mas sim ao primeiro dia do exercício</p><p>seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Portanto, não se trata de caso</p><p>de aplicação do Art. 150, § 4º, do CTN, de acordo com a própria orientação da Súmula 555 do</p><p>STJ: “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco</p><p>constituir o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do Art. 173, inciso I, do CTN, nos</p><p>casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem</p><p>prévio exame da autoridade administrativa”. É inequívoco que o prazo decadencial de cinco anos</p><p>não se consumara em 05/02/2019, pois deve ser contado do primeiro dia do exercício seguinte,</p><p>e não do fato gerador, ocorrido em 10/01/2014.</p><p>B) Não seria mais possível. Caso a sociedade empresária houvesse declarado corretamente ao</p><p>Fisco o valor devido em 10/02/2014, nos termos da Súmula 436 do STJ, a simples entrega da</p><p>declaração correta já constitui o crédito tributário, contando-se o prazo prescricional de 5 anos</p><p>para a propositura da ação de execução fiscal, a partir daí. Portanto, já teria ocorrido a prescrição</p><p>quando do ajuizamento da execução fiscal.</p><p>QUESTÃO</p><p>Nº 03</p><p>B) Não. De acordo com o Art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o</p><p>aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito</p><p>em julgado da respectiva decisão judicial.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A) Não, a apresentação de laudo médico oficial não é o único meio de prova habilitado à</p><p>comprovação da existência de moléstia grave para fins de isenção de imposto, não sendo</p><p>imprescindível para o reconhecimento judicial da isenção, de acordo com a Súmula 598 do STJ:</p><p>“É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>178</p><p>isenção do Imposto sobre a Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente</p><p>demonstrada a doença grave por outros meios de prova.”</p><p>B) Não, apesar da previsão do Art. 179, § 2º, do CTN, a isenção não deverá ser revogada, em</p><p>razão da gravidade da doença (que sempre inspira acompanhamento constante ou cuidados</p><p>médicos ou medicamentosos posteriores), mesmo que a pessoa não apresente mais os sintomas</p><p>do câncer após o tratamento, nos termos da Súmula 627 do STJ: “O contribuinte faz jus à</p><p>concessão ou à manutenção da isenção do imposto sobre a renda, não se lhe exigindo a</p><p>demonstração da contemporaneidade dos sintomas da doença nem da recidiva da enfermidade”.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>B) Na esfera administrativa, é inconstitucional a exigência de depósito prévio ou outra forma de</p><p>garantia, conforme preceitua a Súmula Vinculante 21 do STF.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>B) Sim. O parcelamento postulado depois de transcorrido o prazo decadencial não restabelece</p><p>o crédito tributário, uma vez que já estava extinto por força da decadência. Essa é a orientação</p><p>pacificada pelo STJ, em julgamento pela sistemática dos Recursos Repetitivos, no qual foi</p><p>consolidada a orientação de que “A decadência, consoante a letra do Art. 156, inciso V, do CTN,</p><p>é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser</p><p>reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento</p><p>de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer”.</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A) Sim, já que de acordo com a Súmula 436 do STJ, “A entrega de declaração pelo contribuinte</p><p>reconhecendo débito fiscal constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por</p><p>parte do fisco,” razão pela qual o prazo prescricional teve início com o vencimento do tributo, em</p><p>março de 2009, estando a prescrição consumada desde março de 2014.</p><p>B) Não, pois de acordo com o Art. 175, parágrafo único, do CTN, a exclusão do crédito tributário</p><p>não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo</p><p>crédito seja excluído ou dela consequente.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>A) Não. A impugnação administrativa é hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito</p><p>tributário, impedindo que o fisco inscreva o crédito tributário em dívida ativa, na forma do Art.</p><p>151, inciso III, c/c o Art. 201, ambos do CTN</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>179</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>A) O instituto é o da moratória, que é uma das modalidades de suspensão de exigibilidade do</p><p>crédito tributário. Caracteriza-se por ser uma prorrogação do prazo de pagamento de tributo pelo</p><p>ente competente para instituí-lo. Está previsto no Art. 151, inciso I, e nos artigos 152 a 155, todos</p><p>do CTN.</p><p>B) Sim, a lei que institui a moratória pode delimitar os sujeitos passivos que dela se beneficiarão,</p><p>na forma do Art. 152, parágrafo único, do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>B) O juiz não está correto. A exigência de depósito prévio, como requisito de admissibilidade de</p><p>ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário, é inconstitucional,</p><p>conforme redação da Súmula Vinculante nº 28 do Supremo Tribunal Federal.</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>B) Não está correta a cobrança do IRPJ referente ao ano calendário de 2008, uma vez que se</p><p>trata de crédito tributário atingido pela decadência, na forma do Art. 173, inciso I, do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>A) O Município de Maricá-RJ não agiu corretamente ao editar a Lei nº 1.234, já que cabe à União,</p><p>por meio de lei complementar, estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária,</p><p>especialmente sobre prescrição, conforme Art. 146, III, b, da Constituição Federal.</p><p>QUESTÃO Nº 13</p><p>B) Conforme a Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal, a exigência de um</p><p>depósito prévio como requisito de admissibilidade de recurso administrativo é inconstitucional,</p><p>pois fere o Art. 5º, incisos XXXIV (direito de petição independente do pagamento) e LV</p><p>(assegurados o contraditório e a ampla defesa).</p><p>QUESTÃO Nº 14</p><p>B) Não. A Lei nº 6.830/1980 (a chamada Lei de Execuções Fiscais) prevê, em seu Art. 38,</p><p>parágrafo único, que “A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo (que é a</p><p>ação anulatória) importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência</p><p>do recurso acaso interposto”.</p><p>QUESTÃO Nº 15</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>180</p><p>B) Tício poderá alegar que os créditos cobrados na execução fiscal foram alcançados pela</p><p>prescrição. Isso porque, conforme destacado no enunciado, os créditos foram constituídos em</p><p>2000. Sendo assim, a Fazenda teria até o ano de 2005, conforme previsto no Art. 174, do CTN,</p><p>para cobrar os créditos tributários. No entanto, a execução fiscal somente foi ajuizada em 2007,</p><p>quando os créditos já estavam prescritos.</p><p>QUESTÃO Nº 16</p><p>A) No caso em tela, não se pode falar em decadência. Com efeito, nos termos do Art. 173, inciso</p><p>I, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 05 anos</p><p>contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido</p><p>realizado. Como o lançamento poderia ser realizado no exercício de 2001, já que o fato gerador</p><p>foi praticado 15/01/2001, o prazo de 05 anos iniciou-se no primeiro dia útil do exercício seguinte,</p><p>ou seja, 01/01/2002. Dessa forma, como o lançamento foi realizado em 17/07/2006, não</p><p>transcorreram os 05 anos previstos no CTN para a extinção do direito da Fazenda Pública</p><p>constituir o crédito.</p><p>B) No que concerne à prescrição, o artigo 174, do CTN, estabelece que a ação para a cobrança</p><p>do crédito tributário prescreve em 05 anos contados da data da sua constituição definitiva. O</p><p>crédito em questão foi definitivamente constituído em 10/06/2007. Portanto, em 24/07/2012,</p><p>quando foi efetuado o pagamento, a dívida já estava prescrita.</p><p>C) Nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN, a prescrição extingue o crédito tributário. Assim,</p><p>se na data do pagamento o crédito tributário já estava extinto, pode-se afirmar que o pagamento</p><p>é indevido. Em sendo indevido, o contribuinte pode pleitear a restituição da quantia paga nos</p><p>termos do Art. 165 do CTN.</p><p>QUESTÃO Nº 17</p><p>A) O examinando deve afirmar que a decadência é forma de extinção do crédito tributário,</p><p>incidindo, neste caso, o disposto no Art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Nesse contexto, o</p><p>instrumento de confissão de dívida assinado pelo contribuinte não tem o condão de restabelecer</p><p>o crédito tributário, havendo inclusive entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça</p><p>em sede de recurso repetitivo Sendo assim, é possível que a pessoa jurídica “XYZ” pleiteie a</p><p>restituição dos valores que foram atingidos pela decadência.</p><p>B) O prazo é regido pelo Art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Conforme assentado pela</p><p>jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo: “O prazo</p><p>decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-</p><p>se do primeiro dia do exercício</p><p>seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado,</p><p>nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da</p><p>previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do</p><p>contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>181</p><p>QUESTÃO Nº 18</p><p>A) A constituição do crédito tributário ocorreu de forma regular pelo Fisco, pois como a empresa</p><p>não havia declarado qualquer valor a recolher a título de COFINS, deve ser aplicada a regra</p><p>prevista no artigo 173, I do CTN, que estipula que o prazo decadencial somente se inicia no</p><p>primeiro dia útil do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Assim, não se verificou</p><p>a decadência do direito de lançar o tributo.</p><p>B) Houve, inicialmente, suspensão do prazo de cobrança com a apresentação de impugnação</p><p>administrativa que, conforme previsto no artigo 151, III do CTN, suspende a exigibilidade do</p><p>crédito tributário, o qual somente retoma a sua plena exigibilidade após a sua constituição</p><p>definitiva, ocorrido após o término do processo administrativo. Portanto, conforme previsto no</p><p>artigo 174 do CTN, a execução fiscal deve ser ajuizada no prazo de 5 (cinco) anos a contar do</p><p>encerramento do processo administrativo, sob pena de restar caracterizada a ocorrência de</p><p>prescrição. No presente caso, o primeiro ato que interrompeu a fluência do prazo prescricional</p><p>ocorreu com a determinação de citação do devedor. Como a executada não foi encontrada, o</p><p>processo deve ser suspenso na forma do artigo 40 da LEF Lei n. 6830/80.</p><p>C) Como a execução fiscal foi ajuizada antes do prazo prescricional, o crédito tributário exigido</p><p>através da presente execução não se encontra prescrito, já que a demora na citação decorreu</p><p>de motivos inerentes ao mecanismo da Justiça, na forma da Súmula 106 do STJ.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>182</p><p>22. Da responsabilidade tributária</p><p>Via de regra, todo tributo será satisfeito pela pessoa que realiza o fato gerador, ou seja,</p><p>aquele que tem vínculo direto com a realização da hipótese descrita em norma legal. Entretanto,</p><p>o artigo 121 do CTN afirma que será também sujeito passivo da relação tributária, além do</p><p>contribuinte, o responsável.</p><p>Mas afinal de contas quem é o responsável? É aquele que não tem vínculo direto com à</p><p>realização (fato) da hipótese prevista na norma, entretanto, a lei lhe atribuí responsabilidade para</p><p>satisfazer o crédito tributário.</p><p>Outrossim, antes de iniciarmos os tipos de responsabilidade, é importante referir que o</p><p>próprio CTN afirma e entrega a possibilidade ao legislador ordinário de estabelecer hipóteses</p><p>específicas de responsabilidade tributária, conforme leciona o artigo 128.</p><p>Como a presente obra não tem o condão de exaurir qualquer matéria exposta, vamos</p><p>trabalhar especificamente a responsabilidade por transferência (sucessão e terceiros), que está</p><p>disciplinada entre os artigos 130 até 135 do CTN.</p><p>Reza o artigo 130 do CTN que:</p><p>O que disposto no artigo supra, trata-se da responsabilidade dos adquirentes de bens</p><p>imóveis. Portanto, todos os tributos devidos, relativos ao bem imóvel (impostos, taxas e</p><p>contribuição de melhoria) serão transferidos ao adquirente do bem.</p><p>Entretanto, o adquirente apenas não poderá ser responsabilizado quando houver</p><p>comprovação da negativa de débitos (possuir certidão negativa na data da compra) ou quando</p><p>adquirir o bem em leilão judicial, visto que neste último caso, os valores das dívidas estarão sub-</p><p>rogadas pelo preço pago em hasta pública. Logo, se houver saldo pendente, mesmo com a</p><p>realização da arrematação, o adquirente não poderá ser cobrado pelo saldo devido.</p><p>Por fim, ainda sobre o referido artigo, cabe dizer que a mesma hipótese de</p><p>responsabilidade será do adquirente de bem móvel, na forma do artigo 131, I, do CTN.</p><p>Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio</p><p>útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços</p><p>referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos</p><p>adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.</p><p>Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o</p><p>respectivo preço.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>183</p><p>Outrossim, decidiu o STJ que as possibilidades de não pagamento dos débitos para o presente</p><p>caso pelo adquirente, aplicam-se as mesmas regras expostas para o artigo 130 do CTN.</p><p>Responsabilidade do Artigo 131 do CTN</p><p>a. Inciso I (2 casos):</p><p>a. Responsável é o Adquirente.</p><p>b. É do Bem Móvel (Exemplo IPVA – Compra de Veículo).</p><p>c. Responsável é o Remitente.</p><p>d. É o Resgaste do Bem (Exonerando de Dívida).</p><p>b. Inciso II e III:</p><p>a. Responsável é o Espólio.</p><p>b. Responsável é o Cônjuge Meeiro.</p><p>c. Responsável Sucessor à Qualquer Título</p><p>i. Só ocorrerá após a sentença de partilha.</p><p>Responsabilidade do Artigo 132 do CTN</p><p>a. Pessoa Jurídica de Direito Privado.</p><p>a. Fusão, Transformação, Incorporação.</p><p>b. Operação Societária é o exemplo.</p><p>c. Cuidado que Cisão também é: Lei S.A.</p><p>d. Responsável: Unidade Resultante.</p><p>Responsabilidade do Artigo 133 do CTN</p><p>a. Aquele que Compra e Continua a Explorar Comercialmente.</p><p>a. Regra: quem responderá é o Adquirente.</p><p>b. Integralmente será pelo Adquirente: se quem vendeu cessar a prática de</p><p>exploração.</p><p>c. Subsidiariamente será: se aquele quem vendeu continuar a explorar ou retornou no</p><p>prazo de até 6 meses.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>184</p><p>Responsabilidade do Artigo 134 do CTN</p><p>a. Aqui é a Responsabilidade do Terceiro = Dever de Zelo.</p><p>a. Portanto aqui não é quem comete o fato gerador.</p><p>b. Quem são os responsáveis: (pais, tutores, curadores, sindico, tabelião).</p><p>c. Aqui tem responsabilidade solidária: primeiro você vai no contribuinte e depois no</p><p>responsável. Cuidado porque não é subsidiária, mas sim ordem de vocação do artigo</p><p>134, caput.</p><p>d. Mas importante: aqui não tem dolo.</p><p>Responsabilidade do Artigo 135 do CTN</p><p>a. Aqui é a Responsabilidade do Terceiro = Dever de Zelo.</p><p>b. Mas quando ocorrer dolo, são pessoalmente responsáveis.</p><p>c. Tutor, Curador, Tabelião = se cometerem atos em excesso.</p><p>d. Aqui entram os administradores da empresa também. Mas tenha muito cuidado:</p><p>não é qualquer sócio. Aqui são aqueles que tenham e exerçam cargo de administração</p><p>da empresa.</p><p>Vide: Súmula 430 do STJ e 435 do STJ.</p><p>Podcast sobre Responsabilidade Tributária</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/responsabilidade-tributaria-oab-tributario/s-H3sRBTwt3GU?si=6b5e7e0fedb545b0acb1129f5cce37ca&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>185</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>186</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>João dos Santos, em abril de 2016, declarou, à Receita Federal do Brasil, os rendimentos que</p><p>auferiu no exercício financeiro anterior, reconhecendo o débito tributário do Imposto sobre a</p><p>Renda (IR). Apesar de a declaração ter sido regular, o contribuinte não pagou o Imposto sobre a</p><p>Renda devido. No mês seguinte ao vencimento do tributo, antes do início de qualquer</p><p>procedimento administrativo ou medida de fiscalização, João emite a respectiva guia e faz o</p><p>recolhimento do tributo ao Fisco. Diante de tal</p><p>quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>B) O Fisco poderá cobrar multa de João pelo pagamento feito após o vencimento, mesmo à luz</p><p>do Art. 138 do CTN, que prevê o benefício da denúncia espontânea?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>O Fisco Federal ajuíza uma ação de execução fiscal contra a sociedade empresária ABC Ltda.</p><p>por créditos tributários vencidos e não pagos. Contudo, ao se tentar promover a citação da</p><p>executada pelos Correios, percebese que a sociedade já não funciona no local por ela declarado</p><p>ao Fisco, sem que tenha comunicado a nenhum órgão competente o local onde pode receber</p><p>citações ou onde continua realizando suas atividades. Também não são encontrados bens da</p><p>executada que pudessem ser objeto de penhora. Diante dessa situação, responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>B) Qual a consequência, para o sócio-administrador que sempre integrou a sociedade, de a</p><p>executada não ser encontrada no domicílio por ela declarado?</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A sociedade empresária ABC Ltda., devedora de tributos não pagos no prazo devido e de multas</p><p>tributárias punitivas não pagas, foi incorporada pela sociedade XYZ Ltda. A sociedade XYZ</p><p>resolveu pagar os tributos atrasados da sociedade incorporada, mas foi informada pela</p><p>Administração Tributária que também era responsável pelas multas tributárias moratórias e</p><p>punitivas devidas pela sociedade ABC Ltda., ainda que referentes a fatos anteriores à</p><p>incorporação. Diante desse quadro, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A Administração Tributária está correta em exigir da sociedade empresária XYZ Ltda. as</p><p>multas tributárias moratórias e punitivas a que não deu causa, por serem anteriores à</p><p>incorporação?</p><p>B) Os sócios-administradores da sociedade incorporadora podem ser pessoalmente</p><p>responsabilizados pelo pagamento das multas tributárias punitivas da sociedade incorporada</p><p>antes da incorporação?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>187</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A pessoa jurídica Z fez uma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e não</p><p>pagou o débito referente ao Imposto sobre a Renda (IRPJ). Meses depois, com o intuito de obter</p><p>a regularidade fiscal necessária para celebrar contrato com pessoa jurídica de direito público, a</p><p>pessoa jurídica Z realizou o pagamento do tributo. Entendendo que seu pagamento se deu de</p><p>forma espontânea, face a ausência de qualquer procedimento por parte do fisco, não efetuou o</p><p>recolhimento da multa de mora. Sobre a hipótese descrita, responda aos itens a seguir:</p><p>A) A multa de mora é devida? Fundamente.</p><p>B) Poderia o contribuinte recolher espontaneamente os valores devidos, acrescidos de multa e</p><p>encargos legais, após o início de um procedimento de fiscalização relativo ao mesmo tributo e</p><p>período de apuração? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>Eduardo arrematou em hasta pública um imóvel situado no Município Alfa, no ano de 2013.</p><p>Eduardo não efetuou o pagamento referente ao IPTU do imóvel nos anos de 2014 e 2015. Em</p><p>2016, surpreende-se com a sua citação, em sede de execução fiscal, para o pagamento do</p><p>imposto referente aos anos de 2012, 2014 e 2015. Em seus Embargos à Execução Fiscal alegou</p><p>que não deveria pagar o imposto referente a 2012 porque arrematou o imóvel em hasta pública.</p><p>Com relação aos anos de 2014 e 2015, argumentou ter alugado o imóvel a Fernando e com ele</p><p>realizado contrato por meio do qual o locatário seria o responsável pelo recolhimento do IPTU.</p><p>Baseando-se na situação acima, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Eduardo está correto com relação ao argumento utilizado para se esquivar do pagamento do</p><p>imposto referente a 2012? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>Em 2015, a pessoa jurídica "X" verificou a existência de débito de Imposto sobre a Renda (IRPJ)</p><p>não declarado, referente ao ano calendário de 2012. Antes do início de procedimento</p><p>administrativo ou medida de fiscalização, realizou o pagamento do tributo devido, acrescido dos</p><p>juros de mora. Ao constatar o pagamento, a União notificou a contribuinte para que pagasse</p><p>multa sancionatória incidente sobre o tributo pago extemporaneamente. Adicionalmente, efetuou</p><p>o lançamento do IRPJ referente ao ano calendário 2008, que também não havia sido declarado</p><p>nem pago pela contribuinte. Diante disso, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Está correta a cobrança da multa?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A pessoa jurídica Theta S.A. declarou e não pagou o débito referente à Contribuição para o</p><p>Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Meses depois, como iria participar de uma</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>188</p><p>licitação e precisava apresentar certidão de regularidade fiscal, antes do início de qualquer</p><p>procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da União, a pessoa jurídica</p><p>Theta S.A. realizou o pagamento do tributo, excluindo, no entanto, a multa moratória. Sobre a</p><p>hipótese descrita, responda aos itens a seguir.</p><p>A) Está correta a exclusão da multa moratória? Fundamente.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>Em janeiro de 2014, a pessoa jurídica Beta adquiriu o estabelecimento comercial da pessoa</p><p>jurídica Delta e continuou a explorar a atividade sob outra razão social. Ao adquirir o</p><p>estabelecimento, a pessoa jurídica Beta não elegeu domicílio tributário. Três meses após a</p><p>alienação, a pessoa jurídica Delta iniciou nova atividade no mesmo ramo de comércio. Em janeiro</p><p>de 2015, a pessoa jurídica Beta foi notificada pelo Estado de Minas Gerais para pagamento de</p><p>créditos de ICMS relativos ao estabelecimento adquirido e referentes ao ano de 2013, uma vez</p><p>que, de acordo com o Estado de Minas Gerais, a responsabilidade da pessoa jurídica Beta</p><p>quanto a tais créditos seria integral. Diante disso, responda aos itens a seguir.</p><p>A) É correto o entendimento do Estado de Minas Gerais no sentido de que a responsabilidade</p><p>da pessoa jurídica Beta é integral?</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>A União ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica ABC Águas Ltda. e de João, diretor</p><p>da pessoa jurídica, cujo nome estava indicado na certidão de dívida ativa (CDA), para a cobrança</p><p>de valores relativos ao Imposto sobre a Renda (IR), supostamente devidos. De acordo com a</p><p>União, a atribuição de responsabilidade ao Diretor estaria correta, tendo em vista o</p><p>inadimplemento do tributo pela pessoa jurídica. Diante desse caso, responda aos itens a seguir.</p><p>A) A inclusão de João na CDA como responsável tributário, em razão do mero inadimplemento</p><p>do tributo pela pessoa jurídica ABC Águas Ltda., está correta?</p><p>B) Caso a execução fiscal tivesse sido ajuizada somente em face da pessoa jurídica, a União</p><p>teria que demonstrar algum requisito para a inclusão do Diretor no polo passivo da execução</p><p>fiscal?</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>Em 2008, constou na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) da pessoa</p><p>jurídica AB&C Participações Ltda. que era devido, a título de Contribuição para o Financiamento</p><p>da Seguridade Social – COFINS, o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). No entanto, a</p><p>AB&C Participações Ltda. não efetuou o recolhimento antes do vencimento do tributo. Em 2009,</p><p>antes do início de qualquer fiscalização por parte da Fazenda Nacional, a AB&C Participações</p><p>Ltda. efetuou o recolhimento daquele montante da COFINS informado no ano anterior na DCTF,</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>189</p><p>sem, no entanto, o acréscimo da multa de mora, em razão da ocorrência da denúncia</p><p>espontânea. Por não concordar com a AB&C Participações Ltda., a Fazenda Nacional lavrou</p><p>auto de infração cobrando o valor integral do tributo (deduzido do montante já recolhido), sendo</p><p>a AB&C Participações Ltda. intimada para pagar ou apresentar defesa. Sobre o caso, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>A) Está correto o entendimento da pessoa jurídica AB&C Participações Ltda. sobre a ocorrência</p><p>da denúncia espontânea?</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>João, de apenas 3 anos de idade, recebeu por herança apartamento que foi devidamente</p><p>registrado em seu nome. Ao receber a primeira notificação para o pagamento de imposto predial</p><p>e territorial urbano (IPTU) do referido imóvel no início de 2013, os pais de João deixam de efetuar</p><p>o recolhimento do tributo por entender que a cobrança seria improcedente, em razão da</p><p>incapacidade civil do proprietário do imóvel. Diante deste caso, responda de forma</p><p>fundamentada:</p><p>B) O Fisco poderia cobrar o tributo diretamente dos pais de João?</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>No ano de 2012, Caio doou um bem móvel no valor de R$ 100.000,00 para Tício, sem que tenha</p><p>sido recolhido qualquer tributo. No ano seguinte, Tício, aconselhado por um amigo, antes de</p><p>qualquer fiscalização por parte da Fazenda do Estado “X”, declarou e recolheu o Imposto sobre</p><p>Transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCD) devido, acompanhado</p><p>de juros de mora e correção monetária. Ao tomar ciência do fato gerador do ITCD e verificar que</p><p>não houve recolhimento da multa moratória, a Fazenda autuou Caio, visando à cobrança da</p><p>multa. Considerando o caso descrito e que a lei estadual previa que o doador é o contribuinte do</p><p>ITD, responda aos itens a seguir, fundamentadamente.</p><p>A) Está correta a exclusão da multa moratória?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>190</p><p>RESPOSTAS DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>B) Sim. O benefício da denúncia espontânea (Art. 138 do CTN) não se aplica aos tributos sujeitos</p><p>a lançamento por homologação, regularmente declarados, mas pagos após o vencimento,</p><p>conforme Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>B) A consequência será a responsabilidade tributária do sócio-administrador pela prática de um</p><p>ato com infração de lei (Art. 135, inciso III, do CTN), a saber, o ato de dissolução irregular da</p><p>sociedade, a qual é presumida quando a empresa deixou de funcionar no seu domicílio fiscal</p><p>sem comunicação aos órgãos competentes, enseja o redirecionamento da execução fiscal para</p><p>o sócio-administrador (Súmula 435 do STJ).</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A) Sim. Nos termos do Art. 132 do CTN, a pessoa jurídica de direito privado que resultar de</p><p>incorporação em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas</p><p>jurídicas de direito privado incorporadas, conforme interpretado pela Súmula 554 do STJ: "Na</p><p>hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os</p><p>tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos</p><p>geradores ocorridos até a data da sucessão".</p><p>B) Não. Os sócios-administradores da sociedade incorporadora não podem ser pessoalmente</p><p>responsabilizados. Para que houvesse responsabilidade pessoal, seria necessário que, à época</p><p>dos fatos que ensejaram a aplicação de multa punitiva, fossem administradores da sociedade</p><p>incorporada. Somente são pessoalmente responsáveis aqueles que praticarem atos "com</p><p>excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos" (Art. 135, caput, do CTN).</p><p>Ademais, o Art. 137 do CTN, que trata de responsabilidade por infrações, não cria</p><p>responsabilidade pessoal do agente pelo mero fato de ser sócio-administrador de sociedade</p><p>incorporadora. Portanto, apenas a sociedade incorporadora, com seu patrimônio, responde por</p><p>esses débitos em razão da sucessão de empresas.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A) Sim a multa de mora é devida. A questão trata do alcance da denúncia espontânea</p><p>disciplinada pelo Art. 138 do CTN. O examinando deverá indicar que não é cabível a denúncia</p><p>espontânea para tributos sujeitos a homologação e regularmente declarados, ainda que pagos a</p><p>destempo, consoante Súmula 360 STJ</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>191</p><p>B) No caso, como o procedimento foi iniciado pelo fisco, o Art. 138, parágrafo único, do CTN</p><p>prevê que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de procedimento</p><p>administrativo.</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>A) Sim, Eduardo está correto. Conforme o Art. 130, parágrafo único, do CTN, no caso de</p><p>arrematação de bem em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço. Assim,</p><p>todos os impostos incidentes sobre a propriedade do imóvel deverão ser descontados do preço</p><p>pago pelo arrematante do bem.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>A) Não está correta a cobrança da multa, uma vez que, de acordo com o Art. 138 do Código</p><p>Tributário Nacional, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração,</p><p>acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Nesse sentido</p><p>o julgamento, pelo STJ, sob o rito dos Repetitivos, do REsp nº 1.149.022-SP.</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>A) Trata-se de questão que versa sobre denúncia espontânea. O examinando deverá indicar</p><p>que, na hipótese, não é cabível a denúncia espontânea, prevista no Art. 138 do Código Tributário</p><p>Nacional, pois a COFINS, tributo sujeito a lançamento por homologação, foi regularmente</p><p>declarada, porém paga a destempo. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de</p><p>Justiça, conforme Súmula 360.</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>A) O entendimento do Estado de Minas Gerais não está correto, uma vez que, de acordo com o</p><p>Art. 133, II, do Código Tributário Nacional, a pessoa jurídica de direito privado que adquirir de</p><p>outra, por qualquer título, estabelecimento comercial e continuar a respectiva exploração sob</p><p>outra razão social responde pelos tributos relativos ao estabelecimento adquirido devidos até a</p><p>data do ato, subsidiariamente com o alienante, se este iniciar, dentro de seis meses, a contar da</p><p>data da alienação, nova atividade no mesmo ramo de comércio.</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>A) O examinando deverá indicar que o argumento apresentado pela União não está correto,</p><p>tendo em vista que a falta de pagamento do tributo não gera, por si só, a responsabilidade do</p><p>diretor, prevista no Art. 135 do CTN. Nesse sentido, a Súmula n. 430 do Superior Tribunal de</p><p>Justiça.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>192</p><p>B) O examinando deve destacar que, se a execução tivesse sido proposta somente em face da</p><p>pessoa jurídica, havendo indicação do nome do Diretor na CDA, a União não teria de provar a</p><p>presença dos requisitos do Art. 135 do CTN, tendo em vista a presunção relativa de liquidez e</p><p>certeza da CDA, conforme o Art. 3º da Lei 6.830/80 e/ou o Art. 204 do CTN. Admite-se como</p><p>correta a resposta que indicar que caso o nome de João não constasse da CDA, a União teria</p><p>de provar a presença de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato</p><p>social ou estatuto ou a dissolução irregular da pessoa jurídica, nos termos do Art. 135, do CTN</p><p>ou da Súmula n. 435, do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>QUESTÃO Nº 10</p><p>A) Não. O benefício da denúncia espontânea, com a exclusão da multa de mora, não se aplica</p><p>nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso da COFINS,</p><p>quando, regularmente declarados, foram pagos a destempo, conforme enunciado da Súmula nº</p><p>360, do STJ.</p><p>QUESTÃO Nº 11</p><p>B) Além disso, cabe ao candidato afirmar que o Fisco poderia cobrar o tributo dos pais de João,</p><p>tendo em vista a responsabilidade dos pais em relação aos tributos devidos por seus filhos</p><p>menores, determinada pelo Art. 134, I, do Código Tributário Nacional.</p><p>QUESTÃO Nº 12</p><p>A) Para se caracterizar o instituto da denúncia espontânea, o pagamento do tributo deve vir</p><p>acompanhado da correção monetária e dos juros moratórios, conforme previsão legal. A</p><p>denúncia espontânea, no entanto, exclui as multas de caráter punitivo, decorrentes do atraso no</p><p>pagamento. Sendo assim, o candidato deve responder que está correta a exclusão da multa</p><p>moratória no caso descrito, tendo</p><p>em vista a ocorrência da denúncia espontânea, prevista no Art.</p><p>138, do CTN.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>193</p><p>23. Da denúncia espontânea, garantias e privilégios do</p><p>crédito tributário</p><p>A denúncia espontânea é o famoso instituto que imita a delação premiada no direito penal.</p><p>Ela ocorrerá quando o contribuinte e/ou responsável realizar um fato gerador e, posteriormente</p><p>a sua ocorrência, o realizador do fato gerador vem realizar tal comunicação junto a autoridade</p><p>fazendária.</p><p>E qual benefício gozará o contribuinte/responsável que delatar-se para o fisco? Ele, na</p><p>forma do artigo 138 do CTN, estará livre do pagamento da multa, devendo pagar apenas o tributo</p><p>devido, este acrescido de multa e juros.</p><p>Mas lembre-se da condição disposta na norma: tal fato gerador deverá ser totalmente</p><p>desconhecido da autoridade fazendária, sob pena de ser impossível utilizar-se do referido</p><p>instituto.</p><p>Por fim, e não menos importante: aplica-se o instituto da denúncia espontânea aos tributos</p><p>sujeitos ao lançamento por homologação, desde que estes não venham a ser declarados. Acaso</p><p>declarados, por mais que não sejam pagos e/ou cobrados, não poderá mais o sujeito passivo</p><p>utilizar-se de tal benefício na forma da súmula 360 do STJ.</p><p>Reza o artigo 184 do CTN:</p><p>Na forma do artigo supra citado, o crédito tributário poderá servir-se, via de regra, de</p><p>quaisquer bens do devedor para a satisfação do crédito, inclusive aquelas gravadas com cláusula</p><p>de inalienabilidade ou impenhorabilidade. Entretanto, os bens descritos no artigo 833 do CPC e</p><p>na lei 8.009/90 (único bem imóvel – família) serão impenhoráveis.</p><p>Mas tenha cuidado, visto que na própria lei 8.009/90 (art. 3º) temos uma exceção à</p><p>impenhorabilidade por dívida fiscal, visto que quando o crédito tributário for oriundo do bem</p><p>imóvel, ele poderá ser penhorado para pagamento destes débitos (exemplo: IPTU, Taxa,</p><p>Contribuição de Melhoria).</p><p>Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em</p><p>lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer</p><p>origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por</p><p>ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição</p><p>do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente</p><p>impenhoráveis.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>194</p><p>Ainda, quanto as disposições legais sobre a garantia, é importante referir o artigo 185 do</p><p>CTN:</p><p>Reza o artigo acima que será presumida fraude toda vez que ocorrer alienação (venda)</p><p>de bens com a finalidade de não pagar tributo. O lapso temporal para definição da referida fraude</p><p>é a inscrição em dívida ativa. Ainda, afirma o parágrafo único do referido artigo que apenas não</p><p>será considerado fraude se o devedor conservar bens suficientes para à satisfação do crédito</p><p>tributário.</p><p>Sobre o artigo, ainda é importante lecionar que não aplicamos para efeitos de Execução</p><p>Fiscal a Súmula 375 do STJ, visto que aqui trata-se de norma especial.</p><p>Já sobre preferências do crédito tributário, leciona o artigo 186 do CTN:</p><p>Logo, no entendimento do caput do artigo supra citado, o crédito tributário tem preferência,</p><p>via de regra, sobre qualquer outro, independente da natureza do crédito. Na forma do caput e da</p><p>regra geral, o crédito tributário apenas perde na preferência para os créditos de natureza</p><p>trabalhista e de acidente de trabalho.</p><p>Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por</p><p>sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito</p><p>como dívida ativa. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo</p><p>devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.</p><p>Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo de sua</p><p>constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de</p><p>trabalho. (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>Parágrafo único. Na falência: (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>I – o crédito tributário não prefere aos créditos extra concursais ou às importâncias passíveis de</p><p>restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor do</p><p>bem gravado; (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferência dos créditos decorrentes da</p><p>legislação do trabalho; e (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordinados. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>195</p><p>Entretanto, conforme dispositivo do parágrafo único do referido artigo, combinado com o</p><p>artigo 83 da Lei 11.101/05, em processo de falência, o crédito tributário será satisfeito em 4º</p><p>lugar, desde que tenha ocorrido o fato gerador antes da falência (se for após a decretação da</p><p>falência, será extraconcursal – art. 188 do CTN). Assim, na prática, o crédito tributário no</p><p>processo de falência perderá para: extraconcursal, trabalho (limitado em 150 SM) e acidente de</p><p>trabalho, crédito com garantia real no limite do valor do bem gravado.</p><p>Por fim, sobre o parágrafo único do artigo 187 do CTN, que lecionava: “existindo o</p><p>concurso de preferência no processo de falência, serão satisfeitos os créditos na seguinte ordem:</p><p>União, Estados, Distrito Federal e, por fim, os Municípios”, vale ressaltar que tal mandamento</p><p>legal foi revogado por decisão do STF.</p><p>Podcast sobre Bens que podem satisfazer o crédito</p><p>https://soundcloud.com/ceisc/bens-que-podem-ser-penhorados-online-audio-convertercom-1/s-hK9jcfHOSvG?si=bbdcdf8f80d34651b9cc751c1865cbaa&utm_source=clipboard&utm_medium=text&utm_campaign=social_sharing</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>196</p><p>24. Da Administração Pública</p><p>A administração tributária nada mais é do que a possibilidade objetiva do exercício do</p><p>poder de polícia por parte da autoridade fazendária. Assim, este poderá fiscalizar, executar e</p><p>arrecadar tributo para o respectivo ente competente.</p><p>Vale ressaltar que o exercício desta administração tributária deverá ser sempre balizada</p><p>observando-se os ditames legais, bem como a capacidade contributiva e econômica do</p><p>contribuinte.</p><p>Leciona o artigo 194, §º único do CTN que qualquer livro do contribuinte poderá ser</p><p>fiscalizado, mesmo de pessoa que goza de imunidade ou isenção.</p><p>Também ensina o artigo 195, §º único do CTN que o contribuinte deverá guardar todos os</p><p>documentos fiscais dentro do prazo prescricional. E lembre-se: cuidado ao observar apenas o</p><p>prazo de 5 anos, visto que por vezes o crédito poderá ter sofrido interrupção ou suspensão da</p><p>prescrição, devendo, portanto, o contribuinte ter cuidado com a contagem do prazo.</p><p>Na forma do artigo 199 do CTN as fazendas públicas poderão cooperar entre si, inclusive</p><p>fazendo trocas de informações.</p><p>Quando do exercício da fiscalização, ou seja, da atribuição do Poder de Polícia, a</p><p>administração pública terá que entregar obrigatoriamente um termo de início de ação fiscal onde</p><p>o mesmo trará o motivo da fiscalização e o período que está sendo objeto de análise. Tudo isso</p><p>a fim de garantir o devido processo legal.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>197</p><p>observar-se o que disposto igualmente no artigo 319, II, do CPC. Entretanto, como em</p><p>nosso direito tributário, o requerido normalmente é uma pessoa jurídica de direito público,</p><p>compreende-se necessário acrescer em tal qualificação a representação processual do mesmo</p><p>exposta no artigo 75 do CPC.</p><p>Importante ainda ressaltar que tal qualificação, para efeitos de 2ª Fase de Exame da</p><p>Ordem, é genérica, ou seja, a ação será ajuizada em face da União, Estado, Distrito Federal ou</p><p>Município. Somente será diferenciada quando tratar-se de Mandado de Segurança.</p><p>Cabimento</p><p>Após realizada a fase preambular da petição inicial, ou seja, informei quem irá julgar e</p><p>apreciar meus pedidos (Endereçamento), quem está propondo a demanda (Requerente),</p><p>fundamentos e nome da peça (Ação Escolhida) e em face de quem estarei ajuizando</p><p>(Requerido), iniciaremos as fases dos tópicos processuais.</p><p>Inaugura os presentes tópicos aquele que denomino de cabimento, ou seja, o que justifica</p><p>a opção pela ação escolhida pelo requerente e seu procurador. O presente tópico trata-se da</p><p>justificativa do porquê da ação escolhida pelo examinando ou requerente.</p><p>Dos Fatos</p><p>Exemplo de Fundamtação e Nome da Peça</p><p>•(...) vem à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 38 da Lei</p><p>6.830/80, propor a presente ação ANULATÓRIA.</p><p>Qualificação da Pessoa Jurídica de Direito Público</p><p>•Ente Público (União, Estado, Distrito Federal ou Município), pessoa jurídica de</p><p>direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., estabelecida ..., endereço eletrônico</p><p>..., representada neste ato por seu representante, na forma do artigo 75, (ver o</p><p>inciso que se encaixa) do CPC.</p><p>I - Do Cabimento</p><p>•Reza o artigo 38 da LEF que poderá a parte desconstituir, via Ação Anulatória,</p><p>lançamento realizado equivocamente ou ilegalmente. No presente caso,</p><p>compreende-se pela ilegalidade do presente lançamento, portanto, sendo cabível a</p><p>utilização da presente ação anulatória.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>20</p><p>Após à realização do cabimento, caberá ao examinando descrever os fatos que levaram</p><p>a ocorrência do litígio (problema), ou seja, o que ocorreu de fato para seu cliente requerer a</p><p>prestação jurisdicional.</p><p>Para efeitos de Exame da Ordem caberá ao examinando informar/descrever, sempre</p><p>observando suas próprias palavras (cópia não será considerada), os fatos conforme descritos no</p><p>enunciado, desde que não traga nenhuma inovação.</p><p>Dos Direitos</p><p>Descritos os fatos que levaram o contribuinte a desejar a prestação jurisdicional faz-se</p><p>necessário elaborar o ponto mais importante e pontuado da peça processual no Exame da</p><p>Ordem: os direitos (direito material) do seu cliente.</p><p>Lembre-se: nenhum problema apresentado, para efeitos de Exame da Ordem, será livre</p><p>de vícios, ilegalidades ou inconstitucionalidades. Portanto, na análise do caso, o candidato</p><p>deverá extrair do enunciado as informações necessárias para identificar tais lesões ao direito</p><p>material.</p><p>Por fim, é importante acrescer que neste item da peça processual, o candidato poderá</p><p>igualmente falar sobre o cabimento de eventual liminar ou tutela provisória. Entretanto, para</p><p>efeitos de Exame da Ordem, recomenda-se abrir um tópico novo abaixo do presente item.</p><p>Dos Pedidos</p><p>Finalizando a peça processual deverá ser elaborado o resumo das intenções com a peça</p><p>vestibular, isto é, o candidato irá citar de forma breve e objetiva os seus pedidos. Tais itens irão</p><p>variar a depender da peça processual que será redigida. Portanto, recomenda-se a análise de</p><p>cada peça para verificar a lista dos pedidos.</p><p>Valor da Causa</p><p>O valor da causa representa a expressão financeira do objeto da demanda que está sendo</p><p>ajuizada. Lembrando que para efeitos do Exame da Ordem somente deverá ser mencionado o</p><p>valor da ação se houver expresso no enunciado tal número correspondente.</p><p>Do Local, Data, Advogado e nº da OAB</p><p>Recomenda-se que tais itens sejam apenas mencionados (citados e acrescidos das</p><p>reticências), não devendo o examinando colocar qualquer local, data, nome de advogado e/ou</p><p>número de inscrição nos quadros da ordem dos advogados.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>21</p><p>3. Mandado de Segurança</p><p>O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 5º, LXIX,</p><p>da CF, combinado com o artigo 1º da Lei 12.016/2009. Importante dizer que tal demanda desfruta</p><p>de status de remédio constitucional, onde para aqueles que o utilizam fundamenta-se sempre na</p><p>seguinte premissa: “direito líquido e certo”.</p><p>Mas esse direito líquido e certo seria de quem? Daquele que venha sofrer uma ilegalidade</p><p>ou abuso de poder, ou que até mesmo tenha medo de sofrer.</p><p>Mas quem cometerá tais atos? Esses atos são realizados pela autoridade pública ou</p><p>agente de pessoa jurídica. Mas atenção: sempre no exercício de poder dado pelo Poder Público.</p><p>Ademais, onde encaixa-se o Mandado de Segurança dentro do processo fiscal? Lembre-</p><p>se que, conforme o artigo 3º do CTN, o ato de cobrar tributo está vinculado à lei. Logo, se houver</p><p>cobrança sem respaldo legal, poderemos estar frente à utilização da presente demanda.</p><p>Lembre-se que o Mandado de Segurança poderá ser repressivo ou preventivo. Assim,</p><p>usa-se o repressivo para fatos que sucedem o lançamento. Já o preventivo, quando houver uma</p><p>lei, mas que ainda não produziu efeitos sobre determinado contribuinte.</p><p>Outrossim, no que tange ao direito líquido e certo, quer dizer aquela norma que está</p><p>devidamente postada e poderá ser de pleno comprovada pelo ínclito julgador. Lembre-se e não</p><p>esqueça: uma das grandes diferenças no Mandado de Segurança é que não existirá dilação</p><p>probatória, logo, as provas deverão ser anexadas e provadas de pleno (pré-constituída).</p><p>Queridos alunos, vocês não entrarão com MS contra Ente Público, mas sim contra aquele</p><p>representante do ente que cometeu o ato ilegal ou abusivo.</p><p>Ademais, nunca é demais salientar que o prazo para a propositura da demanda será de</p><p>120 dias (art. 23 da Lei 12.016/09), contados da ciência do ato a ser impugnado por parte do</p><p>prejudicado. Cuidado na hora da prova também: tal prazo jamais se interromperá ou suspenderá</p><p>(uma vez iniciado, vai até o fim).</p><p>Mas e no que tange ao Mandado Preventivo? A doutrina majoritária compreende que não</p><p>existe prazo decadencial, pois a cada dia que passa, a ameaça se prospera. Importante salientar,</p><p>ainda, conforme Lei própria do Mandado de Segurança, que não caberá o presente remédio</p><p>Aquele que Entra com Mandado de Segurança = Polo Ativo = Impetrante</p><p>Aquele que Cometeu o Ato Ilegal ou Abusivo = Polo Passivo = Impetrado</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>22</p><p>constitucional quando:</p><p>E como eu, aluno, fundamento um Mandado de Segurança? Conjuga-se os termos do</p><p>artigo 1º da Lei Própria, do art. 5º, LXIX da CF, combinado com o artigo 319 do Novo Código de</p><p>Processo Civil.</p><p>É importante dizer que, na maioria das vezes, a utilização do Mandado de Segurança</p><p>remonta a ideia de utilização do pedido liminar. Outrossim, tenha cuidado, eis que nos termos do</p><p>artigo 7º, §2º da Lei própria, não caberia liminar em MS nas seguintes condições. Entretanto</p><p>tal parágrafo foi julgado inconstitucional pelo STF.</p><p>Art. 5º - Não se concederá mandado de segurança quando se tratar:</p><p>I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente</p><p>de caução;</p><p>II - de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;</p><p>III - de decisão judicial transitada em julgado.</p><p>§ 2º - Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos</p><p>tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou</p><p>equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>198</p><p>ENUNCIADO DAS QUESTÕES</p><p>QUESTÃO Nº 01</p><p>A sociedade empresária Mal-Entendido Ltda., sediada no Brasil mas também com filial no país</p><p>estrangeiro X, possui uma série de dívidas tributárias para com o Fisco federal. Em razão disso,</p><p>no sítio eletrônico da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil (SERFB), foram</p><p>divulgadas informações relativas a suas inscrições na Dívida Ativa Tributária da União, bem</p><p>como informações quanto a parcelamentos tributários a que havia aderido. Além disso, a</p><p>Fazenda Pública da União, sem fazer uso do mecanismo de cooperação jurídica internacional e</p><p>sem que houvesse tratado, acordo ou convênio com o país estrangeiro X, permutou informações</p><p>fiscais da sociedade empresária com aquele Estado estrangeiro, no interesse da arrecadação e</p><p>da fiscalização de tributos. Diante desse cenário, responda aos itens a seguir.</p><p>A) É possível, sem autorização judicial, divulgar no sítio eletrônico da SERFB informações</p><p>relativas a inscrições na Dívida Ativa Tributária da União, bem como informações quanto a</p><p>parcelamentos tributários a que a empresa havia aderido?</p><p>B) É possível, sem fazer uso do mecanismo de cooperação jurídica internacional e sem que</p><p>houvesse tratado, acordo ou convênio com o País Estrangeiro X, à Fazenda Pública da União</p><p>permutar com Estado estrangeiro informações fiscais da empresa no interesse da arrecadação</p><p>e da fiscalização de tributos?</p><p>QUESTÃO Nº 02</p><p>Marcos dos Santos, em grave dificuldade financeira, embora tenha entregado a declaração de</p><p>ajuste anual do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) no último dia de abril de 2018,</p><p>não pagou o IR devido, cujo valor era de R$ 22.000,00. Em agosto de 2018, o débito foi</p><p>devidamente inscrito em dívida ativa e, em dezembro do mesmo ano, foi proposta a execução</p><p>fiscal contra ele. Marcos é proprietário apenas do imóvel em que reside, não tendo outros bens</p><p>ou rendas suficientes para o total pagamento da dívida inscrita. Diante desse cenário, responda</p><p>aos itens a seguir.</p><p>A) O referido imóvel responde pelo pagamento desse crédito tributário?</p><p>B) Se Marcos tivesse um imóvel e um automóvel para lazer, e efetuasse doação do automóvel</p><p>antes da inscrição em dívida ativa (mas após o vencimento do tributo), poderia ser presumida</p><p>fraudulenta a doação?</p><p>QUESTÃO Nº 03</p><p>A Pessoa Jurídica X é devedora de crédito tributário regularmente inscrito em dívida ativa da</p><p>União no valor de R$ 1 milhão. Antes de iniciada a execução, decidiu alienar seu único imóvel,</p><p>avaliado em R$ 2 milhões, por valor muito inferior ao da avaliação. Tomando ciência do fato, a</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>199</p><p>Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) moveu ação anulatória do negócio jurídico, alegando</p><p>fraude à execução. Considerando os fatos narrados, responda aos itens a seguir.</p><p>A) É correto afirmar que, não tendo sido iniciada a execução fiscal, descabe a arguição de fraude</p><p>pretendida pela PFN? Justifique.</p><p>B) Mesmo que o devedor reserve bens suficientes para a garantia da dívida inscrita, a fraude à</p><p>execução remanesce? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 04</p><p>A pessoa física X ajuizou ação de indenização por danos morais em face da pessoa jurídica W</p><p>Ltda., em razão da inclusão indevida do seu nome no cadastro de inadimplentes. A pessoa</p><p>jurídica foi condenada ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 15.000,00</p><p>(quinze mil reais). A União, ao tomar ciência da condenação, lavrou auto de infração visando à</p><p>cobrança de imposto sobre a renda da pessoa física, incidente sobre a indenização recebida. A</p><p>pessoa física X apresenta impugnação ao auto de infração, que está pendente de julgamento.</p><p>Sobre a hipótese, responda aos itens a seguir.</p><p>B) Na hipótese, a União poderá negar certidão de regularidade fiscal ao contribuinte?</p><p>QUESTÃO Nº 05</p><p>A pessoa jurídica Theta S.A. declarou e não pagou o débito referente à Contribuição para o</p><p>Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Meses depois, como iria participar de uma</p><p>licitação e precisava apresentar certidão de regularidade fiscal, antes do início de qualquer</p><p>procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da União, a pessoa jurídica</p><p>Theta S.A. realizou o pagamento do tributo, excluindo, no entanto, a multa moratória. Sobre a</p><p>hipótese descrita, responda aos itens a seguir.</p><p>B) O contribuinte tem direito à certidão negativa de débitos? Justifique.</p><p>QUESTÃO Nº 06</p><p>Em dezembro de 2014, a pessoa jurídica W teve a falência decretada durante o seu processo</p><p>de recuperação judicial, iniciado no mesmo ano, em virtude da não apresentação do plano de</p><p>recuperação judicial no prazo previsto em lei. Considerando a ordem a ser observada na</p><p>classificação dos créditos na falência, a União alegou que os créditos de Imposto sobre a Renda</p><p>da Pessoa Jurídica (IRPJ) devidos pela contribuinte, relativos aos exercícios de 2011 e 2012,</p><p>deveriam ser pagos antes dos créditos extraconcursais. Diante disso, responda aos itens a</p><p>seguir.</p><p>A) Está correto o argumento da União?</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>200</p><p>B) Após a decretação da falência, a cobrança judicial do crédito tributário pode prosseguir por</p><p>meio de execução fiscal?</p><p>QUESTÃO Nº 07</p><p>O Município "M" notificou a pessoa jurídica "Z", fabricante de peças automotivas, para que</p><p>efetuasse o pagamento do Imposto sobre a Transmissão inter vivos de Bens Imóveis (ITBI),</p><p>incidente sobre a transmissão de bens decorrentes de processo de incorporação de outra pessoa</p><p>jurídica. Inconformada com a cobrança, a pessoa jurídica "Z" decide apresentar impugnação.</p><p>Verificando a inexistência de outros débitos, após a regular apresentação da impugnação, a</p><p>pessoa jurídica "Z" requer a emissão da certidão de regularidade fiscal (no caso, Certidão</p><p>Positiva de Débito com efeito de Negativa), que lhe é negada, sob o argumento de que, para a</p><p>sua emissão, seria necessário o depósito do montante integral do crédito cobrado. Diante desta</p><p>situação, responda aos itens a seguir.</p><p>B) A pessoa jurídica "Z" tem direito à certidão de regularidade fiscal?</p><p>QUESTÃO Nº 08</p><p>Em 2001, Caio Silva comprou um imóvel de Tício Santos. Em 2002, a Fazenda Nacional</p><p>inscreveu em dívida ativa créditos decorrentes do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física –</p><p>IRPF, que em 2000 haviam sido objeto de constituição definitiva contra Tício. Em 2007, a</p><p>Fazenda Nacional ajuizou execução fiscal visando à cobrança dos créditos de IRPF. Após Tício</p><p>ser citado sem garantir o Juízo, a Fazenda Nacional requereu a penhora do imóvel vendido a</p><p>Caio, visto que a alienação foi realizada quando o fato gerador do IRPF já tinha ocorrido, o que</p><p>a tornaria, segundo a Fazenda Nacional, fraudulenta.</p><p>A) Está correto o entendimento da Fazenda Nacional de que a alienação foi fraudulenta?</p><p>QUESTÃO Nº 09</p><p>O Município Z ajuizou execução fiscal em face da pessoa jurídica X para cobrança de valores de</p><p>Imposto sobre Prestação de Serviços (ISS), referentes ao ano-calendário 2013, recolhidos a</p><p>menor. Verificando a improcedência de referida cobrança, o contribuinte apresenta embargos à</p><p>execução, nos quais se insurge contra a pretensão da Fazenda e requer que lhe seja garantida</p><p>a obtenção de certidão negativa de débitos. Em garantia da execução, o contribuinte realiza o</p><p>depósito do montante integral do tributo cobrado. Os embargos à execução são julgados</p><p>procedentes em primeira instância e, em face da sentença, a Fazenda interpõe apelação, que</p><p>aguarda julgamento pelo Tribunal. Diante do caso apresentado, responda, fundamentadamente,</p><p>aos itens a seguir.</p><p>A) O contribuinte tem direito à certidão negativa de débitos (ou à certidão positiva com efeitos de</p><p>negativa) antes da sentença de primeira instância</p><p>ou a extensão de vantagens</p><p>ou pagamento de qualquer natureza.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>23</p><p>Também existirá uma possibilidade, remota é verdade, de Mandado de Segurança</p><p>Coletivo. Neste caso, os efeitos irão atingir determinado grupo de pessoas. Não será qualquer</p><p>pessoa que poderá impetrar. O rol taxativo está no artigo 5º, LXX (70) da CF. Assim, o que muda</p><p>aqui serão os efeitos da decisão.</p><p>Lembrando ainda que no MS Coletivo só posso impetrar na defesa dos filiados, e conforme</p><p>finalidades/objetivos institucionais. Assim, por exemplo, a OAB não poderá tutelar direito dos</p><p>médicos.</p><p>Já no que tange a suspensão da exigibilidade do crédito: toda vez que for possível você</p><p>deverá pedir. No Mandado de Segurança, são duas formas: depósito e liminar (jamais</p><p>antecipação de tutela provisória de urgência ou de evidência).</p><p>Por fim, ATENÇÃO se eu não souber se é MS Repressivo ou Preventivo. Na dúvida,</p><p>coloque só Mandado de Segurança. E antes de irmos para a demonstração da peça, colaciono</p><p>importante resumo para fixação sobre o Mandado de Segurança1:</p><p>Competência A da pessoa jurídica a qual a autoridade está vinculada.</p><p>Legitimidade ativa a) Titular do direito lesado ou ameaçado.</p><p>b) Quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas,</p><p>qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança (artigo 1.º, §</p><p>3.º, da Lei 12.016/2009).</p><p>1 NASSER, Guilherme Sacomano. Prática tributário / Guilherme Sacomano Nasser, Nathaly Campitelli Roque;</p><p>coordenação Alvaro de Azevedo Gonzaga, Nathaly Campitelli Roque – 3. ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: MÉTODO: 2015.Página 184 e 185.</p><p>- Mandado de Segurança é para proteção de direito líquido e certo. Logo, não caberá no</p><p>Mandado de Segurança dilação probatória. As provas documentais deverão ser juntadas</p><p>junto com a inicial, assim, admite-se prova documental, mas jamais no curso do processo.</p><p>- Súmula 271 do STF - não posso cumular MS com Repetição de Indébito.</p><p>O MS é um rito mais célere (rápido) e tem prioridade de andamento. O MS não permite</p><p>condenação de honorários sucumbenciais. Mas o que são honorários sucumbenciais? São</p><p>aqueles honorários devidos para o advogado da parte contrária.</p><p>- A FGV tem dito também sobre MS: ingresse com a ação menos custosa para o cliente.</p><p>Considere que só precise comprovar através de prova documental.</p><p>- E se for para o Rito Ordinário? A prova te dará pistas, do tipo: precisa provar através de</p><p>prova pericial. Não bastam somente os documentos para comprovação. Logo, se a prova</p><p>mencionar quaisquer destas expressões: advogado quer honorários ou preciso de provas</p><p>(periciais, testemunhas), não posso entrar com MS.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>24</p><p>c) Terceiro que tenha direito em condições idênticas à do titular: pode</p><p>impetrar Mandado de Segurança caso o titular não o faça em prazo</p><p>razoável, se o seu titular não o fizer, no prazo de 30 (trinta) dias, quando</p><p>notificado judicialmente (artigo 3.º).</p><p>Legitimidade</p><p>passiva</p><p>Considera-se autoridade coatora aquela que tenha praticado o ato</p><p>impugnado ou da qual emane a ordem para a sua prática (artigo 6.º, §</p><p>3.º, da Lei 12.016/2009).</p><p>São equiparados os representantes ou órgãos de partidos políticos e os</p><p>administradores de entidades autárquicas, bem como os dirigentes de</p><p>pessoas jurídicas ou as pessoas naturais no exercício de atribuições do</p><p>poder público, somente no que disser respeito a essas atribuições.</p><p>Legitimidade</p><p>passiva</p><p>Considerar-se-á federal a autoridade coatora se as consequências de</p><p>ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem</p><p>de ser suportadas pela União ou entidade por ela controlada (artigo 2.º</p><p>da Lei 12.016/2009).</p><p>Litisconsórcio</p><p>ativo</p><p>É admitido até o despacho inicial (artigo 10, § 2.º, Lei 12.016/2009).</p><p>Litisconsórcio</p><p>passivo</p><p>necessário</p><p>Pessoa jurídica de direito público a quem se liga a autoridade. Terá ela</p><p>a legitimidade para recorrer.</p><p>Causa de pedir Alegação e demonstração da:</p><p>a) lesão ou ameaça de lesão (ameaça fundada);</p><p>b) ato ilegal ou praticado com abuso de poder por autoridade ou</p><p>equiparado;</p><p>c) a direito líquido e certo do impetrante;</p><p>d) se o caso, a condição de prejudicado indireto pelo ato, quanto a seu</p><p>interesse processual específico.</p><p>Súmula 625 do Supremo Tribunal Federal: “Controvérsia sobre matéria</p><p>de direito não impede concessão de mandado de segurança”.</p><p>Pedido Concessão da segurança para suprir a ilegalidade ou abuso de</p><p>autoridade.</p><p>Prazo Caberá mandado de segurança no prazo máximo de 120 dias contado</p><p>do ato impugnado (art. 23 da Lei 12.016/2009).</p><p>Valor da causa Benefício material a ser aferido pela demanda.</p><p>Intimação da</p><p>autoridade</p><p>Requerimento de intimação da autoridade, para apresentar informações</p><p>no prazo de 10 (dez) dias e da pessoa jurídica de direito público a quem</p><p>a autoridade pertence (artigo 7.º, I, Lei 12.016/2009).</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre o Mandado de</p><p>Segurança, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>25</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Zeta é uma sociedade empresária cujo objeto social é a compra, venda e montagem de peças</p><p>metálicas utilizadas em estruturas de shows e demais eventos. Para o regular exercício de sua</p><p>atividade, usualmente necessita transferir tais bens entre seus estabelecimentos, localizados entre</p><p>diferentes municípios do Estado de São Paulo. Apesar de nessas operações não haver</p><p>transferência da propriedade dos bens, mas apenas seu deslocamento físico entre diferentes filiais</p><p>de Zeta, o fisco do Estado de São Paulo entende que há incidência de Imposto sobre Circulação</p><p>de Mercadorias e Prestação de Serviços – ICMS nesse remanejamento. Diante da falta de</p><p>recolhimento do imposto, o fisco já reteve por mais de uma vez, por seus Auditores Fiscais,</p><p>algumas mercadorias que estavam sendo deslocadas entre as filiais, buscando, assim, forçar o</p><p>pagamento do imposto pela sociedade empresária. Considere que, entre a primeira retenção e a</p><p>sua constituição como advogado, passaram-se menos de dois meses. Considere, ainda, que todas</p><p>as provas necessárias já estão disponíveis e que o efetivo pagamento do tributo, ou o depósito</p><p>integral deste, obstaria a continuidade das operações da empresa que, ademais, não quer se expor</p><p>ao risco de eventual condenação em honorários, no caso de insucesso na medida judicial a ser</p><p>proposta. Com receio de sofrer outras cobranças do ICMS e novas retenções, e também</p><p>pretendendo a rápida liberação das mercadorias já apreendidas, uma vez que elas são essenciais</p><p>para a continuidade de suas atividades, a sociedade empresária Zeta o procura para, na qualidade</p><p>de advogado, elaborar a petição cabível, ciente de que, entre a retenção e a constituição do</p><p>advogado, há período inferior a 120 (cento e vinte) dias, e que, para a demonstração dos fatos, há</p><p>a necessidade, apenas, de prova documental que lhe foi entregue. (Valor: 5,00 pontos)</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado de São Paulo.</p><p>Zeta, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos constitutivos em anexo,</p><p>endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem respeitosamente, por intermédio de seu procurador</p><p>(procuração em anexo), este estabelecido ..., local onde receberá intimações, à presença de Vossa</p><p>Excelência, com fulcro nos artigos 5º, LXIX, da CF e Art. 1º e Seguintes da Lei 12.016/09, impetrar:</p><p>MANDADO DE SEGURANÇA REPRESSIVO COM PEDIDO LIMINAR</p><p>Em face de ato do Delegado</p><p>da Receita Estadual, integrante dos quadros dos servidores do Estado</p><p>de São Paulo, pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob o nº ..., estabelecido ..., neste</p><p>ato onde poderá ser representado pelo Procurador do Estado, na forma do artigo 75, II, do CPC,</p><p>pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>26</p><p>I – Cabimento</p><p>No presente caso existe lesão à direito líquido e certo da parte impetrante, uma vez que está</p><p>sendo cobrado da mesma imposto não devido e, consequentemente, a retenção indevida das</p><p>suas mercadorias.</p><p>Diante disso, leciona o artigo 5º, LXIX, da Constituição Federal que caberá para toda lesão à</p><p>direito líquido e certo a possibilidade de reparação via instrumento mandamental. Igualmente,</p><p>leciona o artigo 1º e seguintes da Lei 12.016/09 sobre a possibilidade de reparação à lesão, como</p><p>no presente caso ocorre, via Mandado de Segurança.</p><p>Logo, frente ao que exposto, compreende-se possível a impetração do presente Mandado de</p><p>Segurança, eis que presentes os requisitos para a sua interposição, visto que: existe necessidade</p><p>de rápida reparação, a demanda a ser ajuizada não possibilita a condenação em honorários, bem</p><p>como estão presentes todos os documentos para a comprovação do direito da parte.</p><p>II – Tempestividade</p><p>Leciona o artigo 23 da Lei 12.016/09 que a parte lesada terá prazo decadencial de 120 dias para</p><p>impetrar Mandado de Segurança quando da ocorrência de lesão a direito líquido e certo. Tal prazo</p><p>tem seu cômputo inicial a partir da ciência do ato.</p><p>No presente caso, conforme expresso no enunciado, existe prazo inferior à 2 meses da ciência</p><p>do ato.</p><p>Diante disso, compreende-se possível e tempestiva a utilização do Mandado de Segurança, a fim</p><p>de reparar a lesão da parte impetrante.</p><p>III – Dos Fatos</p><p>A empresa Zeta tem como objeto a comercialização de peças metálicas. Ocorre que frente a</p><p>necessidade de transportar tais peças entre seus estabelecimentos, o fisco do Estado de São</p><p>Paulo resolveu tributar tal operação, mesmo não ocorrendo modificação de titularidade dos bens</p><p>transportados. Ademais, por intermédio de seus auditores, o fisco resolveu reter as mercadorias</p><p>com o intuito de cobrar os tributos compreendidos como devidos pelos mesmos. Diante disso,</p><p>considerando a lesão ocorrida frente à empresa impetrante, torna-se possível o ajuizamento do</p><p>presente Mandado de Segurança, a fim de reparar o ato manifestamente ilegal e inconstitucional</p><p>realizado pela parte impetrada.</p><p>IV – Dos Direitos</p><p>Leciona o artigo 155, II, da Constituição Federal, que teremos a incidência de ICMS toda vez que</p><p>ocorrer operações relativas à circulação de mercadorias.</p><p>No presente caso, não existe a presente circulação, tendo em vista que a titularidade da</p><p>propriedade não é alterada pelo simples fato de haver transferência dos bens da impetrante entre</p><p>seus estabelecidos.</p><p>Diante disso, tendo em vista a não modificação de titularidade de propriedade dos bens da</p><p>empresa impetrante, compreende-se pela não possibilidade e não ocorrência do fato gerador de</p><p>ICMS. Outrossim, tal fundamento corresponde ao que disposto na Súmula 166 do STJ.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>27</p><p>Leciona a Súmula 323 do STF que é vedada a conduta de apreender mercadorias ou retê-las</p><p>com o intuito de obrigar contribuinte a pagar tributo. No presente caso, houve retenção de</p><p>mercadorias da parte impetrante, eis que compreendeu o fisco estadual sobre a incidência de</p><p>ICMS nas operações de transferência dos bens pertencentes a empresa.</p><p>Sendo assim, além de não existir tal incidência de imposto, torna-se ilegal a retenção/apreensão</p><p>de mercadorias para obrigar o pagamento de impostos, conforme leciona a Súmula 323 do STF.</p><p>V – Da Liminar</p><p>Leciona o artigo 7º, III, da Lei 12.016/09 que poderá o magistrado, através de solicitação da parte,</p><p>conceder medida liminar, uma vez presentes os requisitos da fumaça do bom direito e perigo de</p><p>demora.</p><p>No presente caso, resta comprovada a fumaça do bom direito, eis que, conforme acima</p><p>explicitado, não existe a incidência de ICMS na presente operação realizada pela empresa, frente</p><p>ao que disposto na Súmula 166 do STJ e compreende-se, igualmente, pela impossibilidade de</p><p>retenção de mercadoria, na forma da Súmula 323 do STF.</p><p>Igualmente, o perigo de demora está claramente demonstrado, eis que se porventura continuar a</p><p>ocorrer a retenção de mercadorias da parte impetrante, assim como mantiver a decisão de não</p><p>liberar aquelas apreendidas, a parte não poderá dar continuidade aos seus serviços, colocando</p><p>em risco a sua empresa.</p><p>Diante do que exposto, compreende-se possível a concessão da medida liminar, uma vez</p><p>presentes os requisitos dispostos no artigo 7º, III, da Lei 12.016/09.</p><p>Por fim, deseja a parte que tal medida liminar seja deferida sem solicitação de caução, eis que a</p><p>empresa não apresenta suporte para contemplar tal pedido, caso seja solicitada.</p><p>VI – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) A concessão da medida liminar, uma vez presentes os requisitos do artigo 7º, III, da Lei</p><p>12.016/09, a fim de que exista a liberação das mercadorias retidas, assim como seja</p><p>impossibilitada a cobrança de imposto e que o fisco não realize mais retenções de mercadorias</p><p>da parte impetrante.</p><p>b) Que a parte impetrada seja notificada, para que, desejando, preste esclarecimentos na forma</p><p>do artigo 7º, I, da Lei 12.016/09.</p><p>c) Que seja cientificado o representante legal da autoridade coatora, para que tome ciência da</p><p>presente ação, assim como do ato realizado pela autoridade, e que lhe seja enviada cópia da</p><p>inicial. Tudo isso na forma do art. 7º, II, da Lei 12.016/09.</p><p>d) Que seja intimado o Membro do Ministério Público, fiscal da lei, a fim de tomar ciência da</p><p>presente demanda, na forma do artigo 12, da Lei 12.016/09.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>28</p><p>e) Que seja confirmada a presente liminar e mantida até a sentença, e que ao final seja concedida</p><p>a segurança, a fim de: liberar as mercadorias apreendidas e que novas não sejam retidas, na forma</p><p>da Súmula 323 do STF, bem como implique na impossibilidade de lançamento de ICMS, eis que</p><p>não existe fato gerador para tanto, na forma do artigo 155, II, da CF.</p><p>f) Que seja condenado o representante da autoridade impetrada nas custas processuais.</p><p>Valor da Causa: R$ ...</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>29</p><p>4. Ação Declaratória e Anulatória</p><p>Após vista a nossa primeira demanda e peça sempre possível de cair em nossa OAB,</p><p>vamos falar um pouco sobre a Ação Declaratória. Vale ressaltar que tal demanda confunde-se</p><p>muito com o Mandado de Segurança Preventivo, visto que ambos servem para afastar a ameaça</p><p>concreta de lesão.</p><p>A presente Ação Declaratória apresenta como fundamento legal básico o que lecionado</p><p>no artigo 19 do NCPC. Outrossim, quando do ajuizamento igualmente o requerente deverá</p><p>vislumbrar os requisitos do artigo 319 do NCPC.</p><p>A ação declaratória apresenta como finalidade a declaração de existência ou inexistência</p><p>de relação jurídica tributária, e as suas devidas consequências jurídicas.</p><p>Lembre-se e não esqueça: em exame da OAB, via de regra, você utilizará a presente</p><p>demanda quando inexistir a constituição do crédito tributário (inexistir lançamento). Porém,</p><p>deverá haver algum ato concreto que sinalize a incerteza jurídica no que tange ao ato de ser</p><p>cobrado ou não.</p><p>Agora, se já houver lançamento tributário, você, estimado aluno, já poderá começar a</p><p>pensar em demanda Anulatória</p><p>de Débito Fiscal.</p><p>Mas tenha atenção: se você, contribuinte, deseja afastar possível cobrança futura, e na</p><p>mesma demanda repetir aquele tributo pago indevidamente, é totalmente pleno e cabível uma</p><p>Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica-Tributária cumulada com Repetição de</p><p>Indébito Tributário. Se, caso for este seu pedido, não esqueça do artigo 165 do CTN e do pedido</p><p>de repetição.</p><p>Ressalta-se, ainda, que a presente Ação Declaratória poderá ser utilizada para todo e</p><p>qualquer tipo de tributo, inclusive no que tange a declaração de inexistência de cumprimento-</p><p>dever das obrigações acessórias. Para isto, vide o artigo 113, §1 e 2º do CTN.</p><p>Aonde vou entrar com a presente ação: no local de domicílio do contribuinte.</p><p>Ademais, não esqueça, portanto, quando caberá ação declaratória:</p><p>• Declarar existência ou inexistência de relação jurídica-tributária.</p><p>• Declarar autenticidade ou falsidade de documento tributário.</p><p>E você poderá ficar com dúvidas, como optar pela Ação Declaratória ou Mandado de</p><p>Segurança Preventivo? Buenas, sugiro ir para o rito especial, ou seja, analisar a possibilidade</p><p>de cabimento de Mandado de Segurança Preventivo quando estiverem presentes algumas</p><p>condições descritas no próprio enunciado:</p><p>• Enunciado falar na possibilidade de adoção de procedimento mais célere.</p><p>• Enunciado falar na possibilidade de procedimento menos custoso.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>30</p><p>• Enunciado falar na impossibilidade de dilação probatória.</p><p>Depois de trabalhados alguns aspectos relevantes da Ação Declaratória trago importante</p><p>quadro resumido sobre ela:</p><p>Critérios da regra matriz de</p><p>incidência tributária</p><p>Defeito</p><p>Material Não ser o fato concreto passível da incidência daquela</p><p>tributação.</p><p>Temporal a) O fato não ter ocorrido.</p><p>b) Já ter havido a decadência do direito de lançar.</p><p>Territorial O fato não ter ocorrido nos limites da competência do</p><p>sujeito ativo.</p><p>Pessoal O ente que pretende a cobrança não é o sujeito ativo da</p><p>obrigação tributária;</p><p>O interessado não é o sujeito passivo da obrigação</p><p>tributária.</p><p>Quantitativo Inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da base de cálculo</p><p>ou da alíquota;</p><p>Alíquota e/ou base de cálculo pretendidos em desacordo</p><p>com a regência legal da matéria.</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>A Igreja Guigui Faz Passar, com sede na cidade de Santa Cruz do Sul – RS resolve, aos finais de</p><p>semana, vender bolos e negrinhos a fim de obter renda para a manutenção da igreja. Ocorre que,</p><p>através de notícia veiculada em vários portais da internet, o Secretário da Fazenda do Estado do</p><p>Rio Grande do Sul informa que passará a cobrar ICMS pelas comercializações realizadas pela Igreja</p><p>Guigui Faz Passar, conforme lei que entrará em vigor no ano de 2017. Temendo, assim, ser</p><p>tributada, a Igreja Guigui Faz Passar resolve lhe procurar para que seja garantido o seu direito de</p><p>não pagar tributo. Você, como procurador da Igreja Guigui Faz Passar, deverá, portanto, utilizar o</p><p>procedimento judicial adequado a fim de defender os interesses da mesma, ciente da necessidade</p><p>de produção probatória.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>31</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca de Santa Cruz do Sul do</p><p>Estado do Rio Grande do Sul</p><p>Igreja Guigui Faz Passar, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., atos</p><p>constitutivos em anexo, estabelecida ..., endereço eletrônico ..., na cidade de Santa Cruz do Sul</p><p>– RS, vem respeitosamente, por intermédio de seu advogado (com procuração em anexo),</p><p>estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante Vossa Excelência, com fulcro nos artigos</p><p>19, I do CPC, ajuizar a presente:</p><p>AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA COM</p><p>PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA</p><p>Em face do Estado do Rio Grande do Sul, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob</p><p>o nº ..., estabelecido ..., endereço eletrônico ..., neste ato representado por seu procurador, nos</p><p>termos do artigo 75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Cabimento</p><p>Reza o artigo 19, I, do CPC que caberá ação declaratória a fim de declarar a inexistência da</p><p>relação jurídica. Ocorre no presente caso, tendo em vista a possibilidade concreta de continuar a</p><p>ser a parte requerente tributada. Assim, deseja que seja declarada a impossibilidade de pagar o</p><p>referido imposto de ICMS. Diante disso, compreende-se possível o presente ajuizamento, a fim</p><p>de afastar a ameaça concreta frente a possibilidade do fisco continuar a cobrar indevidamente o</p><p>ICMS, diante da realização de comercialização de bolos e negrinhos.</p><p>II – Dos Fatos</p><p>A Igreja Guigui Faz passar resolveu, aos finais de semana, a fim de implementar novas rendas</p><p>para manter a igreja e sua finalidade, comercializar bolos e negrinhos. Ocorre que, após notícia</p><p>veiculada em vários portais de internet, soube a parte requerente da legislação que poderá</p><p>implicar em efeitos futuros de tributação nas presentes comercializações. Logo, compreendendo</p><p>pela não possibilidade legal de tais atos, deseja a Igreja buscar seus direitos, a fim de ser</p><p>declarada a impossibilidade de ser tributada pelo fato de comercializar negrinhos e bolos, a fim</p><p>de obter renda para manter suas finalidades.</p><p>III – Dos Direitos</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>32</p><p>Reza o artigo 150, VI, B, da Constituição Federal, que gozará de imunidade os templos de</p><p>qualquer culto no que tange a não possibilidade de ser tributado de impostos. No presente caso,</p><p>existe clara e manifesta intenção do fisco de tributar a comercialização de bolos e negrinhos da</p><p>Igreja Guigui Faz Passar. Logo, considerando a norma acima exposta, e diante do manejamento</p><p>do lucro obtido para o cumprimento da manutenção e finalidade essencial da Igreja, compreende-</p><p>se impossível tal tributação, frente ao que deseja que seja provida e declarada a</p><p>inconstitucionalidade da referida norma.</p><p>IV – Da Tutela Provisória de Urgência</p><p>Reza o artigo 294 e 300 do CPC que poderá ser concedida a tutela provisória de urgência toda</p><p>vez que presentes a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do</p><p>processo.</p><p>Sendo assim, a probabilidade do direito está respaldada no artigo 150, VI, b da Constituição</p><p>Federal, onde está proibida a instituição de impostos frente aos Templos de Qualquer Culto.</p><p>Ademais, o perigo de dano resta configurado de forma implícita, uma vez que a Igreja poderá ser</p><p>tributada e terá que contribuir aos cofres públicos ao invés de ter possibilidade financeira de</p><p>manter a sua igreja e finalidade.</p><p>Em face do que acima exposto, deseja a parte requerente, já que presentes todos os requisitos,</p><p>a concessão da tutela provisória de urgência para que seja suspensa à exigibilidade do crédito</p><p>na forma do artigo 151, V do CTN.</p><p>V – Dos Pedidos</p><p>Ante o exposto, requer:</p><p>a) O deferimento da tutela provisória, na forma do artigo 294 do CPC, mais notadamente da tutela</p><p>de urgência, na forma do artigo 300 do CPC, uma vez presentes os requisitos da probabilidade</p><p>do direito e do perigo de dano, para que sejam antecipados os efeitos da tutela, a fim da parte</p><p>requerente não poder ser cobrada do ICMS. Tudo isso, igualmente, a fim de suspender a</p><p>exigibilidade do crédito, na forma do artigo 151, V do CTN.</p><p>b) A citação da parte requerida, para que, desejando, venha contestar a presente ação no prazo</p><p>legal.</p><p>c) Seja julgada procedente a demanda, a fim de ser declarada a inexistência da relação jurídica</p><p>tributária, reconhecendo o direito da parte requerente de não ser tributada, frente a ameaça</p><p>concreta, considerando a inconstitucionalidade do ICMS, conforme reza o artigo 150, VI, B, da</p><p>CF.</p><p>e) Seja possível a produção de todas as provas admitidas em direito, principalmente testemunhal,</p><p>documental e pericial, na forma do artigo 319, VI, do CPC.</p><p>f) A parte requerente vem informar que não deseja a audiência de conciliação e/ou mediação, na</p><p>forma do artigo 319, VII, do CPC.</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>33</p><p>Após realizados os estudos sobre a Ação Declaratória, passaremos à famosa Ação</p><p>Anulatória.</p><p>O fundamento legal básico da presente demanda encontra-se esculpido no artigo 38 da</p><p>Lei nº 6.830/80. Outrossim, quando do ajuizamento, igualmente, o requerente deverá vislumbrar</p><p>os requisitos do artigo 319 do CPC.</p><p>A presente ação anulatória de débito fiscal tem por finalidade a anulação de lançamento</p><p>tributário que seja viciado (ilegal). Sendo assim, jamais esqueça: para você utilizar a presente</p><p>demanda é necessário a notícia de constituição de crédito tributário.</p><p>Outra questão que é de extrema valia é aquela que fala sobre depósito para ingresso da</p><p>demanda. Conforme já deve ser de seu conhecimento, por intermédio da Súmula Vinculante nº</p><p>28, o STF compreendeu não ser possível a exigência de qualquer depósito para o ingresso de</p><p>demanda judicial.</p><p>Lembre-se que para suspender não bastará o ajuizamento da ação, visto que você muito</p><p>possivelmente terá que suspender: por meio de depósito integral em dinheiro ou por meio da</p><p>tutela provisória. A regra na sua demanda será solicitar tutela provisória.</p><p>Depósito: é uma escolha do contribuinte. Ninguém será obrigado a depositar e poderá ser</p><p>realizado em qualquer fase do processo. O depósito interrompe fluência dos juros e correção.</p><p>Logo, se perder a ação no máximo será conversão.</p><p>COMO FAÇO NA PROVA? Depósito ou tutela de urgência? O enunciado da questão irá</p><p>te direcionar. Se o problema falar em falta de dinheiro ou quebrado, te socorre da tutela de</p><p>urgência. E se o problema falar em condições ou meios pelo cliente, te socorre do depósito</p><p>integral em dinheiro. Assim, na prova, o que você deverá fazer? Optar entre depósito ou tutela</p><p>de urgência. Mas se ficar na dúvida pede inicialmente a tutela de urgência e em caso de não</p><p>concessão, peça depósito.</p><p>Ademais, a ação anulatória poderá ser utilizada para toda e qualquer espécie de tributo.</p><p>g) Que seja condenada a parte requerida nos ônus sucumbenciais, notadamente as custas</p><p>processuais, na forma do artigo 82, §2º do CPC e dos honorários advocatícios, na forma do artigo</p><p>85, §3º do CPC.</p><p>Valor da Causa: R$ ...</p><p>Nestes termos, pede deferimento.</p><p>Local ... Data ...</p><p>Advogado ... OAB ...</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>34</p><p>Considerando que repassamos por alguns dos principais tópicos sobre a presente</p><p>demanda, vamos agora vislumbrar um modelo de peça-prática da presente ação tratada neste</p><p>capítulo. É importante dizer que o presente material deverá ser complementado com as aulas ao</p><p>vivo que serão realizadas conforme grade de horários.</p><p>Ação Anulatória -> rito ordinário comum. Logo, a única dúvida que você poderá ter é se é MS</p><p>Repressivo ou ação Anulatória. E aí o que você fará, primeiro descarte se não é mandado de</p><p>segurança:</p><p>• Rito mais célere.</p><p>• Rito menos custoso.</p><p>• Preferência no julgamento.</p><p>• Não tem honorários sucumbenciais.</p><p>• Não tem dilação probatória.</p><p>Equipamentos (partes e peças) que estavam sendo transportados para a empresa Micro Informática</p><p>Ltda. e que seriam utilizados em sua produção foram apreendidos, sob a alegação da Secretaria</p><p>de Arrecadação Estadual de que a nota fiscal que os acompanhava não registrava uma diferença</p><p>de alíquota devida ao Fisco e não teria havido, portanto, o recolhimento do imposto. Na ocasião,</p><p>houve o auto de infração e foi realizado o respectivo lançamento. A empresa, que tem uma</p><p>encomenda para entregar, procura você, na condição de advogado, para a defesa de seus</p><p>interesses. Na qualidade de advogado da empresa Micro Informática, apresente a peça processual</p><p>cabível para a defesa dos interesses da empresa, empregando todos os argumentos e fundamentos</p><p>jurídicos cabíveis, considerando ainda a necessidade de obter condenação da parte contrária nos</p><p>honorários advocatícios de sucumbência.</p><p>Douto Juízo de Direito da ... Vara (Cível/Fazenda Pública) da Comarca ... do Estado ...</p><p>Micro Informática Ltda., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº ..., com atos</p><p>constitutivos em anexo, endereço eletrônico ..., estabelecida ..., vem por meio de seu procurador</p><p>(procuração em anexo), este devidamente estabelecido ..., local onde receberá intimações, perante</p><p>Vossa Excelência, com fulcro nos artigos 38 da Lei 6.830/80, propor a presente:</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>35</p><p>AÇÃO ANULATÓRIA COM PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA</p><p>Em face do Estado ..., pessoa jurídica de direito público, inscrita no CNPJ sob o nº ..., endereço</p><p>eletrônico ..., estabelecido ..., neste ato representado por seu procurador, nos termos do artigo</p><p>75, II, do CPC, pelos fatos e fundamentos abaixo aduzidos.</p><p>I – Cabimento</p><p>Reza o artigo 38 da LEF que é possível o ajuizamento de ação anulatória para questionar</p><p>legalidade de ato, lançamento ou penalidade que seja realizada de maneira equivocada, ou seja,</p><p>para fins de discussão judicial.</p><p>Ocorre, no presente caso, que houve apreensão das mercadorias e a consequente realização do</p><p>lançamento por tributo compreendido como não satisfeito por parte da Secretaria Estadual de</p><p>Arrecadação.</p><p>Sendo assim, diante da ilegalidade da apreensão da mercadoria (equipamentos = partes e peças),</p><p>torna-se possível o ajuizamento da presente ação anulatória a fim de liberar a mercadoria</p><p>apreendida.</p><p>II – Dos Fatos</p><p>Ocorre que a empresa requerente teve apreensão de suas mercadorias (equipamentos = partes</p><p>e peças) com o intuito de fazer pagar tributo. Assim, procedeu a Secretaria de Arrecadação</p><p>Estadual, diante do alegado não recolhimento da diferença de alíquota de imposto, com a</p><p>retenção das mercadorias pertencentes à empresa. Considerando a necessidade de entrega dos</p><p>equipamentos elaborados pela empresa requerente, não restou outra alternativa senão procurar</p><p>o Poder Judiciário a fim de realizar a prestação jurisdicional e resolver a celeuma criada.</p><p>III – Dos Direitos</p><p>Reza a Súmula 323 do STF que é vedado ao fisco a apreensão/retenção de mercadoria com o</p><p>intuito de exigir tributo. No presente caso, ocorreu que a Secretaria de Arrecadação Estadual</p><p>resolveu apreender as mercadorias da empresa requerente, tendo em vista sua interpretação de</p><p>falta de recolhimento de imposto no que tange a diferença de alíquota. Sendo assim,</p><p>considerando o que disposto na Súmula acima elencada, compreende-se pela não legalidade da</p><p>referida apreensão, eis que a empresa depende destes equipamentos para produzir e dar</p><p>sequência às suas atividades.</p><p>Reza o artigo 170 da Constituição Federal, que as empresas terão livre iniciativa para produzir e,</p><p>assim, introduzir mercadorias junto ao mercado comercial. Ocorre no presente caso, diante da</p><p>apreensão indevida, que a empresa Micro Informática está impossibilitada de colocar seu produto</p><p>2ª Fase Tributário | 37º Exame de Ordem</p><p>Direito Tributário | Prof. Guilherme Pedrozo da Silva</p><p>36</p><p>no mercado. Sendo assim, a presente apreensão igualmente fere o princípio da livre iniciativa,</p><p>conforme o artigo acima exposto.</p><p>É defeso (vedado/proibido) que a administração pública impeça ou faça cessar de</p>

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