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Resumo elaborado pela equipe de monitores. Todos os direitos reservados ao Master Juris. São proibidas a 
reprodução e quaisquer outras formas de compartilhamento. 
 
Turma e Ano: Tribcast 2016 
Matéria / Aula: Leis Penais 2016 
Professor: Marcelo Uzeda 
Monitor: Mário Alexandre de Oliveira Ferreira 
 
Aula 01 
 
Lei 8.137/90 
O art. 1º trata da Sonegação Própria (Sonegação propriamente dita), na qual se visa à 
supressão ou à redução de tributo, trazendo efetivo prejuízo para a Administração 
Fazendária. 
 
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou 
contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 
9.964, de 10.4.2000) 
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; 
II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação 
de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; 
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro 
documento relativo à operação tributável; 
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber 
falso ou inexato; 
V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento 
equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente 
realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) 
dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da 
matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração 
prevista no inciso V. 
 
Como auxílio na compreensão dos conceitos de sonegação e de fraude, recomenda-se a 
leitura dos art. 71 e 72 da revogada lei 4502/64: 
 
Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou 
parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 
I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou 
circunstâncias materiais; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9964.htm#art15
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9964.htm#art15
 
 
 
 
 
 
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II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária 
principal ou o crédito tributário correspondente. 
 
Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou 
parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir 
ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto 
devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 
 
Em suma, SONEGAR é esconder/retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou 
de condições pessoais do contribuinte. Exemplo de sonegação se dá quando o contribuinte 
omite a cura de uma doença que lhe dava direito a determinada isenção fiscal. 
 
Ao mesmo tempo, FRAUDAR é impedir a ocorrência do fato gerador, como no caso da 
simulação de um negócio jurídico. 
 
O art. 1º (SONEGAÇÃO PRÓPRIA) pode ser classificado como crime material, crime de 
dano, sendo que o seu resultado naturalístico exigido é a redução ou a supressão do tributo 
com base em algum comportamento fraudulento anterior. 
 
O bem jurídico tutelado do art. 1º é a veracidade material da Ordem Tributária. 
 
Com relação ao Sujeito Ativo, trata-se de um crime comum, na medida em que pode ser 
cometido por qualquer pessoa. 
 
Com relação ao Sujeito Passivo, pode-se dizer que é a Coletividade sob uma tríplice vertente 
(Estado, Sociedade e Fazenda Pública) 
 
OBSERVAÇÃO: SÚMULA VINCULANTE 24 
Súmula Vinculante 24: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto 
no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. 
 
Esta Súmula estabelece que não se pode falar nos crimes materiais contra a Ordem Tributária 
antes do lançamento definitivo do tributo. 
 
Em outras palavras, para a SV 24, o lançamento definitivo do tributo é ELEMENTO 
NORMATIVO DO TIPO. 
 
A conduta não se tipificaria como crime tributário. 
 
 
 
 
 
 
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Portanto, o Lançamento Tributário tem uma tripla função: 
 Atestar a EXISTÊNCIA do Crédito Tributário 
 Definir o VALOR DEVIDO 
 Conferir EXIGIBILIDADE 
 
Eis decisão do Supremo anterior à elaboração do enunciado de súmula vinculante, proferida 
no HC 81.611: 
 
EMENTA: I. Crime material contra a ordem tributária (L. 8137/90, art. 1º): lançamento do 
tributo pendente de decisão definitiva do processo administrativo: falta de justa causa 
para a ação penal, suspenso, porém, o curso da prescrição enquanto obstada a sua 
propositura pela falta do lançamento definitivo. 1. Embora não condicionada a denúncia à 
representação da autoridade fiscal (ADInMC 1571), falta justa causa para a ação penal pela 
prática do crime tipificado no art. 1º da L. 8137/90 - que é material ou de resultado -, 
enquanto não haja decisão definitiva do processo administrativo de lançamento, quer se 
considere o lançamento definitivo uma condição objetiva de punibilidade ou um 
elemento normativo de tipo. 2. Por outro lado, admitida por lei a extinção da punibilidade 
do crime pela satisfação do tributo devido, antes do recebimento da denúncia (L. 9249/95, 
art. 34), princípios e garantias constitucionais eminentes não permitem que, pela 
antecipada propositura da ação penal, se subtraia do cidadão os meios que a lei mesma lhe 
propicia para questionar, perante o Fisco, a exatidão do lançamento provisório, ao qual se 
devesse submeter para fugir ao estigma e às agruras de toda sorte do processo criminal. 3. 
No entanto, enquanto dure, por iniciativa do contribuinte, o processo administrativo 
suspende o curso da prescrição da ação penal por crime contra a ordem tributária que 
dependa do lançamento definitivo. (HC 81611, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, 
Tribunal Pleno, julgado em 10/12/2003, DJ 13-05-2005 PP-00006 EMENT VOL-02191-1 PP-
00084) 
 
Neste julgado, estabeleceu-se que a não ocorrência do lançamento definitivo implica a 
ausência de justa causa para a ação penal. 
 
No mesmo viés, entende-se que o processo administrativo suspende a prescrição punitiva, 
na medida em que ele é um questão prejudicial. 
 
Desta forma, ver o art. 83, lei 9430/96: 
 
 
 
 
 
 
 
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Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem 
tributária previstos nos arts. 1o e 2o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos 
crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168-A e 337-A do Decreto-Lei 
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério 
Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência 
fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) 
§ 1o Na hipótese de concessão de parcelamento do crédito tributário, a representação 
fiscal para fins penais somente será encaminhada ao Ministério Público após a exclusão 
da pessoa física ou jurídica do parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 
§ 2o É suspensa a pretensão punitiva do Estado referente aos crimes previstos no caput, 
durante o período em que a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente 
dos aludidoscrimes estiver incluída no parcelamento, desde que o pedido de 
parcelamento tenha sido formalizado antes do recebimento da denúncia 
criminal. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 
§ 3o A prescrição criminal não corre durante o período de suspensão da pretensão 
punitiva. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 
§ 4o Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput quando a pessoa física ou a 
pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o pagamento integral dos débitos 
oriundos de tributos, inclusive acessórios, que tiverem sido objeto de concessão de 
parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 
§ 5o O disposto nos §§ 1o a 4o não se aplica nas hipóteses de vedação legal de 
parcelamento. (Incluído pela Lei nº 12.382, de 2011). 
§ 6o As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 
1995, aplicam-se aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, 
desde que não recebida a denúncia pelo juiz. (Renumerado do Parágrafo único pela Lei nº 
12.382, de 2011). 
 
Segundo o dispositivo acima, a representação fiscal só pode se dar após o lançamento 
definitivo, mesmo a ação penal sendo pública incondicionada. 
 
O STJ decidiu, no RHC 23.753, que a ação civil de impugnação do lançamento não é 
prejudicial, salvo em se tratando de anulação do mesmo: 
 
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM 
TRIBUTÁRIA. ART. 1º DA LEI Nº 8.137/1990. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO 
POR SENTENÇA PROFERIDA EM SEDE DE AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO 
FISCAL. SUPERVENIÊNCIA DE CONDENAÇÃO PENAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO 
JURIDICAMENTE INEXISTENTE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL VERIFICADO. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12350.htm#art43
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12382.htm#art6
 
 
 
 
 
 
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TRANCAMENTO QUE SE IMPÕE. ORDEM CONCEDIDA. 1. A despeito da existência 
de ação anulatória não obstar o prosseguimento do processo criminal, eventual conclusão 
alcançada pelo juízo cível que afete diretamente o lançamento do tributo, anulando-o, 
macula a própria constituição do crédito tributário, que é daquele decorrente. 2. Não há 
como justificar a existência de processo penal, tampouco de condenação criminal pela 
prática do crime material de sonegação fiscal, tipificado no art. 1º da Lei nº 8.137/1990, 
quando o lançamento que originou o crédito tributário foi anulado, de forma definitiva, 
por decisão judicial proferida em sede de ação anulatória de débito fiscal. 3. Caso a 
conclusão ora alcançada se desse no bojo de recurso próprio, a saber, o recurso especial, a 
consequência não seria outra que não a absolvição. Contudo, como tal juízo tem sido 
reiteradamente vedado por esta Corte, na via estreita do habeas corpus, por demandar, 
necessariamente, revolvimento do conjunto fático-probatório, a melhor solução, já que 
mais técnica e nem por isso de menor alcance, é o trancamento da ação penal, ainda que já 
proferida sentença condenatória. 4. Recurso provido a fim de trancar a ação penal. 
 
Sob o viés processual, portanto, o lançamento definitivo é condição de procedibilidade para 
o efetivo exercício da ação penal. 
 
Também se destaca o AgRg no REsp 1.233.411/DF, no qual o STJ entendeu que o processo 
administrativo de compensação só afeta a ação penal se o resultado for positivo para o 
contribuinte. 
 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. ART. 1º, II, DA LEI N.º 8.137/90. CRIME 
MATERIAL. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONDIÇAO 
DE PROCEDIBILIDADE ADIMPLIDA. PENDÊNCIA DE PROCESSO 
ADMINISTRATIVO EM QUE SE DISCUTE EVENTUAL DIREITO À COMPENSAÇAO. 
SUSPENSAO DA AÇAO PENAL. IMPOSSIBILIDADE. 
1. A constituição definitiva do tributo sonegado é condição de procedibilidade nas ações 
penais em que se apura os crimes contra a ordem tributária. 
2. In casu , as instâncias ordinárias afirmaram categoricamente que o crédito tributário 
estava devidamente constituído com inscrição em dívida ativa da Fazenda Pública, o que 
viabiliza o ajuizamento da ação penal por crime contra o ordem tributária. Precedentes. 
3. A pendência de procedimento administrativo em que se discuta eventual direito de 
compensação de débitos tributários com eventuais créditos perante o Fisco não tem o 
condão, por si só, de suspender o curso da ação penal, eis que devidamente constituído o 
crédito tributário sobre o qual recai a persecução penal. 
4. Agravo regimental a que se nega provimento. 
 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11266256/artigo-1-da-lei-n-8137-de-27-de-dezembro-de-1990
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11266184/inciso-ii-do-artigo-1-da-lei-n-8137-de-27-de-dezembro-de-1990
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103291/lei-de-crimes-contra-a-ordem-tribut%C3%A1ria-lei-8137-90
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111982551/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/111982551/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
 
 
 
 
 
 
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PERGUNTA-SE: A apresentação de documento falso é novo crime? 
NÃO! Trata-se de representação material de informação falsa previamente prestada. Em 
outras palavras, trata-se mero exaurimento, por ser conduta sem potencialidade lesiva na 
forma do art. 304, CP, ou seja, é post factum impunível. 
 
Ver o HC 94.240 do STF: 
 
EMENTA Habeas corpus. Penal. Processual penal. Crime contra a ordem tributária. Artigo 
1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90. Desclassificação para tipo previsto no art. 2º, inciso I, da 
indigitada lei. Questão não analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Supressão de 
instância. Inadmissibilidade. Precedentes. Alegada atipicidade da conduta baseada na 
circunstância de que os valores movimentados nas contas bancárias do paciente seriam 
provenientes de contravenção penal. Artigo 58 do Decreto-Lei nº 6.259/44 - Jogo do Bicho. 
Possibilidade jurídica de tributação sobre valores oriundos de prática ou atividade ilícita. 
Princípio do Direito Tributário do non olet. Precedente. Ordem parcialmente conhecida e 
denegada. 1. A pretendida desclassificação do tipo previsto no art. 1º, inciso I, para art. 2º, 
inciso I, da Lei nº 8.137/90 não foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça. Com efeito 
sua análise neste ensejo configuraria, na linha de precedentes, verdadeira supressão de 
instância, o que não se admite. 2. A jurisprudência da Corte, à luz do art. 118 do Código 
Tributário Nacional, assentou entendimento de ser possível a tributação de renda obtida 
em razão de atividade ilícita, visto que a definição legal do fato gerador é interpretada com 
abstração da validade jurídica do ato efetivamente praticado, bem como da natureza do 
seu objeto ou dos seus efeitos. Princípio do non olet. Vide o HC nº 77.530/RS, Primeira 
Turma, Relator o Ministro Sepúlveda Pertence, DJ de 18/9/98. 3. Ordem parcialmente 
conhecida e denegada. 
 
Neste julgado, o Supremo trata do Princípio do Pecunia non olet e entendeu que a tributação 
de renda oriunda de atividade ilícita é cabível e sua omissão caracteriza sonegação 
 
O STJ, no Informativo 502, previuque, em se tratando de crimes conexos, é possível a 
realização de medidas investigatórias, mesmo na pendência do lançamento definitivo, de 
forma que nada obsta a futura reunião dos processos. 
 
MEDIDAS INVESTIGATÓRIAS. DELITOS CONEXOS A CRIMES CONTRA A ORDEM 
TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DEFINITIVO. 
Não há nulidade na decretação de medidas investigatórias para apurar crimes autônomos 
conexos ao crime de sonegação fiscal quando o crédito tributário ainda pende de 
lançamento definitivo. Conforme a jurisprudência do STF, à qual esta Corte vem 
 
 
 
 
 
 
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aderindo, não há justa causa para a persecução penal do crime de sonegação fiscal antes do 
lançamento do crédito tributário, sendo este condição objetiva de punibilidade. No caso, 
foram decretadas medidas investigatórias (interceptação telefônica, busca e apreensão e 
quebra de sigilo bancário e fiscal) antes do lançamento do crédito tributário. Porém, 
buscava-se apurar não apenas crimes contra a ordem tributária, mas também os de 
formação de quadrilha e falsidade ideológica. Portanto, não há ilegalidade na autorização 
das medidas investigatórias, visto que foram decretadas para apurar outros crimes nos 
quais não há necessidade de instauração de processo administrativo-tributário. Nesse 
caso, incumbe ao juízo criminal investigar o esquema criminoso, cabendo à autoridade 
administrativo-fiscal averiguar o montante de tributo que não foi pago. Assim, a Turma 
entendeu que não são nulas as medidas decretadas, pois atenderam os pressupostos e 
fundamentos de cautelaridade, sobretudo porque, quando do oferecimento da denúncia, 
os créditos tributários já tinham sido definitivamente lançados. Precedentes do STF: HC 
81.611-DF, DJ 13/5/2005, e do STJ: RHC 24.049-SP, DJe 7/2/2011. HC 148.829-RS, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 21/8/2012. 
 
O inciso I trata de OMISSÃO (ocultar/não mencionar) e de PRESTAÇÃO 
(transmitir/comunicar). Tratam-se de espécies de falsidade ideológica, que se 
consubstanciam em menos para a sonegação, sendo que esta absorve o falso, com base no 
Princípio da Consunção. 
 
O inciso II do art. 1º trata de FRAUDE, que pode se dar por meio de inserção ou de omissão, 
como no caso do lançamento de notas fiscais no livro de ICMS com valores inferiores aos 
reais. 
 
 
 
 
 
http://www.stj.gov.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=HC%20148829