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ROTEIRO DE AULA ATUALIZADO E ENVIADO ATÉ 09/04
PROPRIEDADE (1228 A 1368)
Imagem: http://www.modernaeducacional.com/cursos/direito/
Fundamentação: art. 1.228 ao art. 1.368CC
Conceito:
“é um direito complexo, que consiste em um feixe de atributos (poderes) consubstanciados nas faculdades de usar, gozar, dispor e reivindicar a coisa de que lhe serve de objeto.”
Conceito e elementos da propriedade: nosso Código Civil não trouxe uma definição de propriedade, preferindo enunciar no artigo 1.228 os poderes do proprietário, fornecendo elementos para sua definição. Em termos analíticos, todavia, podemos dizer que a propriedade é o direito que a pessoa (física ou jurídica) tem, dentro dos limites normativos, de usar, gozar e dispor de um bem (corpóreo ou incorpóreo), bem como de reivindicá-lo de quem injustamente o detenha, tirando da coisa toda a sua utilidade jurídica; é o mais completo dos direitos subjetivos, a matriz dos direitos reais e o núcleo do direito das coisas.
- O sentido etimológico da palavra propriedade, que descende de proprietas, do latim, que tem a ver com o que é proprius (próprio, particular, peculiar).
- A propriedade é, assim, o estado da coisa, que pertence, em caráter próprio e exclusivo, a determinada pessoa, encontrando-se em seu patrimônio e a sua disposição.
OBS: A propriedade no CC refere-se basicamente às coisas corpóreas, vez que as incorpóreas estão abrangidas pelas leis 9.279/96 (lei de patentes e marcas), 9.609/98 (programas de computador) e 9.610/98 (Direitos Autorais).
-Utilizar (ius utendi) – é a faculdade do proprietário servir-se da coisa conforme sua destinação econômica
-Fruir (ius fruendi – tirar proveito que essa coisa lhe conceda: frutos(o art. 1.232 de nosso Código Civil: "Os frutos e mais produtos da coisa pertencem, ainda quando separados, ao seu proprietário, salvo se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem.")
-Reaver (ius vindicandi ou ius persequendi, ius reivindicandi)- associado ao direito de sequela, é o que fundamenta a ação reivindicatória. É o elemento externo da propriedade por representar a faculdade de excluir terceiros da indevida ingerência sobre a coisa, permitindo que o proprietário mantenha a sua dominação sobre o bem.
-Alienar/Dispor (ius disponendi) – é o direito de repassar livremente o bem.
OBS: Lembrete:
- Quem tem os 04 poderes e + o título tem = propriedade.
- Quem tem os 04 poderes – título = Domínio.
- Quem tem apenas 01 poder tem = Posse.
Formas de aquisição da propriedade imóvel
Originária: contato direito entre pessoa e coisa. A propriedade é zerada, ou seja, os seus acessórios (tributos, dívidas de condomínio, hipoteca, propter rem) são extintos. STF – Re 94596-6/RS. usucapião.
Derivada: intermediação pessoal. A propriedade continua com os mesmos atributos, em razão da solução de continuidade. Compra e venda.
a) Originárias
- Acessões – são incorporações naturais ou artificiais
ACESSÃO: é o direito em razão do qual o proprietário de um bem passa a adquirir a propriedade de tudo aquilo que a ele se adere. Isto é, pela acessão contínua, uma coisa se une ou se incorpora a outra, em estado permanente, por ação humana ou causa natural, e o proprietário da coisa principal adquire a propriedade da coisa que se lhe uniu ou incorporou.
“O ius satisfiendi é o direito à percepção de indenização pelo dano sofrido sobre a coisa por causa da conduta de terceiro. Ex: o art. 1.255, parágrafo único do CC que considera a plantação principal, fazendo com que o terreno acompanhe a acessão (o que é acessão? É o modo originário de aquisição da propriedade em razão do qual o proprietário de um bem passa a adquirir a titularidade de tudo que a ele se adere).
OBS: Assim como a usucapião e o registro do título, a acessão também é modo de aquisição da propriedade.
Figura 01
Figura 02
Acessão: “é o modo de aquisição da propriedade, criado pela lei, em virtude do qual tudo o que se incorpora a um bem fica pertencendo ao seu proprietário.” GONÇALVES (2012, p.314)
“é o aumento de volume ou do valor do objeto da propriedade”
ORLANDO GOMES (2004, p.173)
“é o modo de aquisição da propriedade que decorre do acréscimo sofrido pela coisa devido a um novo elemento externo que nela se incorpora torna-se parte integrante, quer seja por ação do homem ou por força da natureza.”
Quais os tipos de acessões?
A Regra é a acessão: aquele que, com materiais próprios age em terreno alheio e estando de boa fé, receberá o equivalente do material despendido. Contudo, se agiu de má-fé, perderá tudo o que despendeu.
A exceção é a acessão inversa (é a acessão inversa ou invertida) que transfere a titularidade do bem imóvel em favor do que plantou ou edificou, desde que tenha procedido de boa fé, e se a plantação ou construção exceder consideravelmente o valor do terreno.
OBS: A análise do art. 1.253 CC reflete que o princípio da acessão vincula toda plantação e construção a uma presunção relativa de propriedade em favor do titular do terreno.
O construtor proprietário dos materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida pela construção, quando não puder havê-la do contratante.
Ex: a empresa "A" contratou uma construtora para fazer um centro comercial no terreno pertencente à empresa "B". A empresa "B", mesmo não tendo participado do contrato, poderá ser responsabilizada subsidiariamente caso a construção seja realizada e a construtora não seja paga.
Aplica-se, ao caso, o parágrafo único do art. 1.257: "O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor."
STJ. 4ª Turma. REsp 963.199-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2016 (Info 593).
Imagine a seguinte situação hipotética:
A empresa "A" decidiu fazer, em conjunto com a empresa "B", um centro comercial de três andares.
O local escolhido para a construção foi um terreno vazio, que é de propriedade da empresa "B".
A empresa "B" ficou cuidando de outros assuntos relacionados com o projeto e a empresa "A" ficou responsável por selecionar a construtora que iria edificar o centro comercial.
A empresa "A" celebrou, então, contrato com a construtora "Bom Cimento" para que esta construísse o prédio onde funcionará o comércio.
A obra foi toda realizada, mas a empresa "A" ficou devendo o pagamento das últimas parcelas que haviam sido combinadas.
A construtora ficou tentando receber amigavelmente a quantia devida, mas não obteve êxito e, quando foi tentar propor ação judicial, descobriu que a empresa "A" fechou suas portas sem deixar novo endereço nem bens disponíveis.
Diante desta situação, a construtora ajuizou ação de cobrança contra a empresa "B", proprietária do terreno onde foi construído o centro comercial.
A empresa "B" contestou a demanda afirmando que é pessoa jurídica distinta da empresa "A", possuindo CNPJ diferente e sócios diversos. Além disso, sustentou que o contrato foi celebrado apenas entre a empresa "A" e a construtora e que ela (empresa "B") não pode ser obrigada a cumprir um ajuste do qual não participou.
A pergunta a ser respondida é, portanto, a seguinte: a construtora terá direito de ser ressarcida pela empresa "B" (proprietária do terreno)?
SIM.
O construtor proprietário dos materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida pela construção, quando não puder havê-la do contratante.
STJ. 4ª Turma. REsp 963.199-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2016 (Info 593).
A empresa "B", proprietária do terreno, mesmo que não tenha sido a contratante da construção e embora não tenha qualquer vínculo obrigacional com a construtora, pode vir a ser responsabilizada pelo pagamento do débito por força do parágrafo único do art. 1.257 do CC:
Art. 1.257 (...)
Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida, quando nãopuder havê-la do plantador ou construtor.
A construtora, na condição de proprietária dos materiais utilizados (tijolos, areia, cimento, ferros, azulejos etc), poderá cobrar da empresa "B", proprietária do solo, a indenização devida pela construção, em virtude de não ter podido recebê-la do construtor da obra (empresa "A").
Vale ressaltar que a empresa "B" adquiriu a propriedade da construção que foi realizada em seu terreno por meio do instituto chamado de "acessão".
"Acessão é o modo originário aquisitivo de propriedade em razão do qual o proprietário de um bem passa a adquirir a titularidade de tudo que a ele se adere. Isto é, pela acessão contínua, uma coisa se une ou se incorpora materialmente a outra, em estado permanente, por ação humana ou causa natural, e o proprietário da coisa principal adquire a propriedade da coisa acessória que se lhe uniu ou incorporou.
[...]
A acessão como modo de aquisição de propriedade imóvel pode-se dar de imóvel a imóvel (aluvião, avulsão, formação de ilhas, álveo abandonado) e de móvel a imóvel (plantações e construções). Subdivide-se ainda em acessão natural (aluvião, avulsão, álveo abandonado, formação de ilhas) ou artificial (construções e plantações).
Este modo de aquisição da propriedade é centrado em dois problemas jurídicos:
a) a quem atribuir a propriedade da coisa acedente à principal;
b) as consequências patrimoniais decorrentes da acessão.
a) a quem atribuir a propriedade da coisa acedente à principal;
A primeira questão é solucionada invocando-se a antiga parêmia de que o acessório segue o principal. O fundamento jurídico da acessão repousa na inconveniência de destacar-se o que acede ao principal, pois é preferível atribuir a propriedade toda do dono da coisa principal do que estabelecer um condomínio indesejável entre os proprietários das coisas que se uniram. Percebe-se que as regras da acessão objetivam indicar qual será a propriedade preponderante, quando o acréscimo é de titularidade diversa da coisa que foi acrescida.
b) as consequências patrimoniais decorrentes da acessão.
O segundo problema é examinado de forma a, sempre que possível, indenizar o titular desfalcado da propriedade, em respeito ao princípio que veda o enriquecimento sem causa."
(FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil. Direito Reais. Vol. V. 5ª ed. Juspodivm: Salvador, 2013, p. 482-483)
O ordenamento jurídico pátrio repudia o enriquecimento sem causa. Assim, a construção representou um acréscimo no patrimônio da empresa "B" e, em razão disso, esta, na qualidade de proprietária do lote, pode ser subsidiariamente responsabilizada, restando-lhe ajuizar ação de regresso contra a empresa contratante ("A") caso entenda que esta lhe deve algum valor.
Quanto aos outros tipos de acessões, como funcionam?
Em alguns casos, o titular desfalcado do domínio será indenizado, em respeito ao princípio que veda o enriquecimento sem causa. Pode se dar:
DE IMÓVEL A IMÓVEL (NATURAL):
Aluvião. LENTO.
- aluvião própria - acréscimo PAULATINO de terras que o rio deixa naturalmente nos terrenos ribeirinhos; Art. 1250CC sem indenização.
É o aumento insensível que o rio anexa às terras, tão vagarosamente que seria impossível, em dado momento, apreciar a quantidade acrescida. (Rodrigues)
- aluvião imprópria – acréscimo que se forma quando parte do álveo descobre-se em razão do afastamento das águas correntes.
Ilhas – só beneficiará o particular quando, por força natural, surgir um pedaço de terra em um rio não navegável; se navegável, pertencerá à pessoa jurídica de Direito Público
Avulsão - é o desprendimento, por força natural, VIOLENTA e ABRUPTA, de uma porção de terra que se vai juntar ao terreno de outro proprietário, ocorrendo a consolidação de duas coisas em uma. O proprietário perdente reclamará a devolução no prazo decadencial de um ano. Nesse caso, o titular do prédio acrescido terá o direito potestativo de OPTAR entre aquiescer que se remova a parte acrescida ou indenizar o dono da propriedade do qual se destacara a porção de terra; art.1.251CC e art. 19 do Código das Águas – Decreto 24.643/34.
A regra é a indenização.
Fonte: http://profpatriciadonzele.blogspot.com.br/2011_09_01_archive.html
Álveo abandonado – não se confunde com a aluvião imprópria , em que parte do álveo descobre-se em razão de um desvio no curso das águas. No álveo abandonado, há um total e permanente abandono do antigo leito, ficando este inteiramente descoberto e passando a pertencer aos proprietários ribeirinhos das duas margens, seja o rio público ou particular.
DE MÓVEL A IMÓVEL (ARTIFICIAL):
Plantações e construções
-plantações e construções – semeadura, plantação e edificação, quando a titularidade das sementes não coincidir com a do terreno:
Terreno próprio + materiais alheios: se o dono do terreno estava de boa-fé, pagará ao proprietário o valor dos materiais; se de má-fé, além desse pagamento, indenizará por perdas e danos.
Terreno alheio + materiais próprios: o titular perde o material próprio. Se de boa-fé, com base em justo título, tem direito à indenização; se de má-fé, perde as acessões e não recebe indenização.
Proprietário que semeia ou constrói em terreno próprio com sementes ou materiais alheios (art. 1.254 CC)
Donos de sementes ou materiais que planta ou edifica em terreno alheio (art. 1.255 CC)
Se de boa-fé o proprietário, adquirirá a propriedade das sementes e materiais, mas deverá pagar ao terceiro pelo valor deste.
Se de boa-fé, perde, em proveito do proprietário, as sementes e construções, mas terá direito à indenização.
Caso a construção ou plantação exceda consideravelmente o valor do terreno, aquele que plantou ou edificou adquirirá o imóvel mediante pagamento de indenização ao proprietário.
Se de má-fé também adquirirá a propriedade das sementes e matérias, mas além de pagar o terceiro o valor destes também está obrigado a indenizá-lo pelas perdas e danos.
Se de má-fé, perde em favor do proprietário, as sementes e construções, não lhe sendo garantido o direito de indenização.
COMO CONFIGURAR MÁ FÉ?
OBS: Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões.
Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua.
OBS: Ainda posso ter uma terceira situação – o terceiro que planta ou edifica com semente ou material alheio em terreno igualmente alheio.
Terceiro que semeia ou constrói em terreno alheio com sementes ou materiais alheios (art. 1.257 CC)
Se de boa-fé, deverá ser ressarcido pelo proprietário pelas sementes e materiais que usou, pois agregaram (acessão) ao seu terreno o valor.
O proprietário estará subsidiariamente obrigado a indenizar o dono das sementes ou materiais caso o plantador ou construtor assim não o fizer. (leitura do parágrafo único do artigo 1.257CC)
Se de má-fé, o construtor ou plantador que edificou ou plantou com materiais ou sementes alheias em terreno alheio, não terá o direito de receber indenização do proprietário pelas sementes e materiais que empregou.
Fonte: https://www.imovelweb.com.br/noticias/reforma-e-construcao/construir-ou-comprar-uma-casa/
Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente.
Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmenteo dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção.
RESUMINDO O 1.258CC:
O construtor de boa fé só adquirirá a área alheia sobre a qual equivocadamente estendeu sua construção quando presentes os seguintes requisitos:
Área invadida = ou < a 1/20 da área total do imóvel alheio;
Indenização abrangendo a área invadida e a desvalorização sofrida pelo imóvel;
Valor da construção exceder ao valor da porção invadida.
O construtor de má fé que estender a sua obra por até 1/20 do imóvel alheio e cujo valor da construção exceder consideravelmente ao valor da porção invadida só adquirirá a propriedade dessa respectiva área se indenizar o proprietário do terreno alheio pelo décuplo das perdas e danos sofridos (abrangendo além da aera efetivamente ocupada, o valor da desvalorização do imóvel) e desde que a parte invasora não possa ser demolida sem grave prejuízo para o restante da construção.
E se a construção superar 1/20?
Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste:
adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente;
se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro.
VAMOS DE QUIZ?
Fonte: https://br.freepik.com/fotos-gratis/mulher-nova-pensativa-com-um-ponto-de-interrogacao_973771.htm
QUESTÃO 01. (Procurador Jurídico/VUNESP/2017) João é proprietário de um terreno desocupado na cidade de Altinópolis. José é proprietário do terreno situado ao lado do terreno de João. Diante desses fatos, assinale a alternativa correta.
A)Se José, agindo de boa-fé, construir no terreno de João, José tem direito a ficar com a construção.
B)Se José, agindo de má-fé, construir no terreno de João, José tem direito apenas a indenização.
C)Se José, agindo de boa-fé, construir no seu próprio terreno e invadir metade da propriedade de João, José adquire a propriedade de João, pagando apenas indenização pela desvalorização da área remanescente.
D)Se José, agindo de má-fé, construir no seu próprio terreno e invadir metade da propriedade de João, José deverá pagar apenas as perdas e danos em dobro.
E)Se João, agindo de má-fé, decide construir em seu terreno, utilizando os materiais que José está utilizando para sua reforma, João irá adquirir a propriedade dos materiais, mas será obrigado a pagar o valor correspondente, além de perdas e danos.
Resposta: E
Comentários:
E) Correta. Se João, agindo de má-fé, decide construir em seu terreno, utilizando os materiais que José está utilizando para sua reforma, João irá adquirir a propriedade dos materiais, mas será obrigado a pagar o valor correspondente, além de perdas e danos.
Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé.
A) Incorreta. Se José, agindo de boa-fé, construir no terreno de João, José tem direito a ficar com a construção.
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização.
B) Incorreta. Se José, agindo de má-fé, construir no terreno de João, José tem direito apenas a indenização.
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde (presunção de má-fé, já que a segunda parte do art. traz expressamente a hipótese de boa-fé), em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização.
C e D Incorretas:
C) Se José, agindo de boa-fé, construir no seu próprio terreno e invadir metade da propriedade de João, José adquire a propriedade de João, pagando apenas indenização pela desvalorização da área remanescente.
D) Se José, agindo de má-fé, construir no seu próprio terreno e invadir metade da propriedade de João, José deverá pagar apenas as perdas e danos em dobro.
Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro.
QUESTÃO 02. (Advogado/FCC/2019) Quanto às formas de aquisição da propriedade imóvel,
A) ter-se-á o aluvião quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, acrescendo-o.
B) a usucapião é modo derivado de aquisição da propriedade e a sentença que a reconhece é de natureza constitutiva do domínio.
C) quando isto se der pelo registro do título, enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade desse título, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.
D) o álveo abandonado de corrente pertence por igual aos proprietários ribeirinhos das duas margens, indenizando-se os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso.
E) aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes, sem a obrigação de pagar-lhes o valor correspondente se agiu de boa-fé.
Resposta: C
Letra A: Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado.
aVulsão = Violenta
aLuvião = de Leve, imperceptível.
Letra B: A Usucapião é uma forma originária de aquisição da propriedade. Também chamada de prescrição aquisitiva, ela destina-se tanto a móveis quanto a imóveis.
Letra C:
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.
§ 1 Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel.
§ 2 Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.
Letra D:
Art. 1.252. O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens,sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo.
Letra E:
Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé.
QUESTÃO 03. (Magistratura Federal/2018) Dez anos atrás o Município de São Paulo realizou obra que acabou por definir novo traçado ao rio Tietê, cujas águas abandonaram parte do antigo leito e passaram a correr em outra região. Com o desvio do rio e consequentemente esvaziamento das águas, a “Sociedade Especial Veículos e Peças Ltda” que era proprietária de terreno localizado às margens do antigo traçado do rio Tietê, tomou posse da área do álveo descoberto que ficava no limite de sua testada, totalizando 791,5 m2. Dois sujeitos se insurgiram contra tal ocupação: a) o dono do imóvel ribeirinho localizado na mesma direção da Sociedade, mas na outra margem; b) o Município de São Paulo. Assinale a alternativa correta:
A) a propriedade do álveo abandonado é do Município.**
B) ambos os proprietários ribeirinhos têm direito à metade do terreno descoberto pelo álveo abandonado.
C) o Município de São Paulo terá que desfazer a obra para que seja retomado o cursodo rio Tietê.
D) nenhum dos insurgentes tem razão.
E) a área passou a ser considerada res nullius.
CC, Art. 1252: O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendem até o meio do álveo.
Ocorre abandono de álveo quando uma corrente de águas, DE FORMA NATURAL, altera seu curso e abandona aquele leito, passando a correr sobre outra superfície de terras, tornando o leito seco.
Os proprietários do álveo abandonado adquirem, assim, a propriedade da terra seca, procedendo-se à sua divisão de acordo com a metade do álveo, destinada para cada um dos proprietários ribeirinhos.
Ainda que se verifique inundação sobre outras porções de terra, os proprietários do álveo abandonado não são obrigados a indenizar aqueles donos do novo leito, em razão de aquisição por força da natureza, e não da atividade.
Se a corrente retomar seu curso anterior, a situação jurídica se estabelece como antes corria, segundo o art. 26, parágrafo único, do Código de Águas.
NÃO OCORRERÁ ACESSÃO se o leito do rio for DESVIADO POR ATIVIDADE HUMANA, e não por força da natureza.
Ementa: Processo Civil. Agravo no Recurso Especial. Ação de divisão. Desvio do curso do rio. Utilidade pública. Álveo abandonado. Propriedade do Estado. Código de Águas, art. 27. Litigância de má-fé. Atentado à verdade dos fatos. Reexame de prova. Prova do prejuízo e julgamento extra petita. Prequestionamento. Ausência. (...) Se o rio teve seu curso alterado por ingerência do Poder Público, e não por fato exclusivo da natureza, pertence ao expropriante a fração de terra correspondente ao álveo abandonado (...) [STJ, 3ª T, AgRg no REsp 431698/SP. Rel. Min. Nancy Andrighi., j. em 27.8.02, DJ 30.9.02]
RIO TIETÊ ANTES
Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/poluicao/fotos-do-rio-tiete
RIO TIETÊ HOJE
Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/poluicao/fotos-do-rio-tiete
Fonte: https://exame.abril.com.br/mundo/hidrovias-podem-reduzir-30-trafego-cargas-sp-597950/
Fonte: Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/poluicao/fotos-do-rio-tiete
“É o Rio Tietê já perto de desaguar no Rio Paraná, longe dos trechos mais poluídos da região metropolitana da Capital.”
Fonte: https://revistaatencao.com.br/rio-tiete-tambem-e-lugar-de-lazer-e-de-admirar-a-natureza/
QUESTÃO 04. (TJMG/Cartorios/2016) O rompimento da barragem de Fundão destruiu o distrito de Bento Rodrigues, Mariana, Minas Gerais, e deixou mais de 900 pessoas desabrigadas, causando grande impacto social na vida daquelas pessoas. Além dos impactos ambientais e sociais, diversos outros danos foram causados, inclusive aos proprietários de áreas ribeirinhas.
Supondo que os fatos tenham ocorrido por força natural, como abalo sísmico, e que tenha deslocado uma porção de terras de um imóvel a outro, aderindo-se de maneira definitiva às margens do outro, nos termos do código civil, quanto à forma de acessão de imóvel a imóvel, é correto afirmar que o proprietário ribeirinho
A)torna-se dono do acréscimo por avulsão, desde que indenize o proprietário das terras perdidas. Não havendo indenização, concede a lei ao dono do prédio desfalcado o direito de, em um ano, reivindicar as terras perdidas, se for possível retorná-las.
B)torna-se dono do acréscimo por aluvião, desde que indenize o proprietário das terras perdidas. Não havendo indenização, concede a lei ao dono do prédio desfalcado o direito de, em três anos, reivindicar as terras perdidas, se for possível retorná-las.
C)torna-se dono do acréscimo por abandono álveo, sem indenização.
D)torna-se dono do acréscimo pela aluvião. Os acréscimos formados, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização.
Resposta: A.
ALUVIÃO - Art. 1.250. Os acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenização.
Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem.
AVULSÃO - Art. 1.251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado.
Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida.
Gente, socorro!
Está brotando conteúdo?
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Fonte: https://professoremsala.com.br/5-cuidados-indispensaveis-para-o-professor-iniciante-nos-primeiros-dias-de-aula/
Questão 05. (FCC/Magistratura TJ/AL/2015)A propriedade do solo:
A)abrange a do subsolo apenas para explorar os recursos minerais de emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial.
B)abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-las.
C)não abrange a do subsolo, por isso o proprietário não pode opor-se a atividades que sejam realizadas por terceiros no subsolo, ainda que tenha interesse em impedi-las.
D)não abrange a do espaço aéreo, mas abrange a do subsolo.
E)não abrange a do espaço aéreo e o subsolo correspondentes, em qualquer altura ou profundidade, mesmo que úteis ao seu exercício, podendo, entretanto, obter autorização administrativa para sua utilização, desde que não prejudique terceiros ou o interesse público.
Resposta: B
Art. 1.229 do CC - A propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondentes, em altura e profundidade úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo em impedi-la.
Art. 1230. Parágrafo único. O proprietário do solo tem o direito de explorar os recursos minerais de emprego imediato na construção civil, desde que não submetidos a transformação industrial, obedecido o disposto em lei especial.
Atentar que a propriedade desse subsolo e do espaço aéreo não significa possibilidade de exploração econômica deles. Assim, riquezas do subsolo são da UNIÃO, somente podendo o proprietário utiliza-las como recurso útil ao próprio imóvel (extração de cascalho para construir uma casa, p. ex.) - cf. p.ú do art. 1230, CC. Assim, o proprietário pode usar o subsolo para construir um porão ou para fazer a fundação da sua casa (art. 1229, CC), já que úteis ao exercício da propriedade; agora, isso não significa que poderá explorar economicamente o que está no "seu" subsolo, pois há limitações da lei.
Esse dispositivo legal adota o critério de utilidade da coisa, de forma que o proprietário só terá direito de impedir o uso do subsolo por terceiros se ficar demonstrado que a conduta invasora lhe traga dano, incômodo ou que o proíba de utilizar normalmente o bem.
Devemos lembrar o alerta do art.1230 do CÓDIGO CIVIL: legislador adotou o critério da utilidade como parâmetro definidor da propriedade do subsolo, limitando-a ao proveito normal e atual que pode proporcionar, conforme as possibilidades técnicas então existentes” ((STJ-RT 919/770: 3ª T., REsp 1.233.852).
Do voto da relatora: “Não tendo havido nenhum prejuízo ou restrição ao direito de uso, gozo e fruição, conclui-se que a parcela do subsolo utilizada pelos recorridos para a realização de obras em seu imóvel não deve ser considerada parte integrante da propriedadedos recorrentes”.
Art. 1.230: 1. CF 176: “As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. § 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo somente poderão ser efetuados
Atentar que a propriedade desse subsolo e do espaço aéreo não significa possibilidade de exploração econômica deles. Assim, riquezas do subsolo são da UNIÃO, somente podendo o proprietário utiliza-las como recurso útil ao próprio imóvel (extração de cascalho para construir uma casa, p. ex.)
- cf. p.ú do art. 1230, CC. Assim, o proprietário pode usar o subsolo para construir um porão ou para fazer a fundação da sua casa (art. 1229, CC), já que úteis ao exercício da propriedade; agora, isso não significa que poderá explorar economicamente o que está no "seu" subsolo, pois há limitações da lei.
Perfuração (ver julgado)
Uma grande rede começou a construir um supermercado. Para isso, foi necessário instalar uns “tirantes”, que invadiram o subsolo do imóvel vizinho. “Tirantes” são pinos de ferro ou concreto utilizados para sustentar prédios que tenham um grande porte. No caso do supermercado, esses tirantes (de concreto) ficavam embaixo da terra e, por serem muito grandes para sustentar a estrutura do empreendimento, invadiam o subsolo do imóvel vizinho, que era um imóvel residencial.
Desse modo, esses pinos inclinados utilizados para ajudar na sustentação do supermercado invadiram cerca de 10 metros o subsolo do imóvel vizinho. Vale ressaltar que ficou provado, por perícia, que não houve qualquer dano à estrutura do prédio ao lado que teve seu subsolo invadido. O imóvel vizinho, contudo, não ficou satisfeito e ajuizou ação pedindo a retirada dos tirantes e a condenação do supermercado em perdas e danos. Na ação argumentou que o subsolo pertence ao proprietário do imóvel e que, portanto, o supermercado não poderia ter invadido seu subsolo sem autorização.
PROPRIEDADE DE SUBSOLO - Proprietário somente pode se opor que terceiros façam atividades no seu subsolo se demonstrar interesse legítimo No caso em que o subsolo de imóvel tenha sido invadido por tirantes (pinos de concreto) provenientes de obra de sustentação do imóvel vizinho, o proprietário do imóvel invadido não terá legítimo interesse para requerer, com base no art. 1.229 do CC, a remoção dos tirantes nem indenização por perdas e danos, desde que fique constatado que a invasão não acarretou prejuízos comprovados a ele, tampouco impossibilitou o perfeito uso, gozo e fruição do seu imóvel. STJ. 3ª Turma. REsp 1.256.825-SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5/3/2015 (Info 557)
E QUANDO A AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE MÓVEL, COMO FAÇO?
Fundamentação nos artigos 1.260 ao 1.274CC
OCUPAÇÃO: é o modo ORIGINÁRIO por excelência de aquisição da propriedade móvel, pelo qual alguém imediatamente apropria-se de coisas SEM DONO, seja porque nunca foram apropriadas (RES NULLIUS), seja porque foram abandonadas (RES DERELICTAE). As coisas abandonadas não se confundem com as perdidas, pois aqui há apenas um temporário afastamento do corpus, mas é mantido o animus. Para estas, há a descoberta. A ocupação tem como objeto seres vivos (caça e pesca) e seres inanimados.
CAÇA
- lei específica trata a matéria.
- é forma de aquisição da propriedade.
- pode ser exercida em terras públicas ou particulares com a anuência do proprietário.
- SEM A ANUÊNCIA: pode perder a caça para o proprietário do imóvel e ainda terá que indenizar pelas perdas e danos.
- se caçando em terras públicas o animal já ferido adentrar em terras particulares, ao caçador deverá ser deferido o seu domínio.
PESCA
- deverá ser exercida em rios públicos ou particulares, desde que o proprietário tenha assim concordado.
- perderá os peixes em proveito do proprietário do terreno se nele adentrou sem autorização.
- se o rio for público, ao pescador pertencerá o peixe por ele fisgado ainda que outrem venha a capturá-lo enquanto o pescador estiver em seu encalço.
ACHADO DO TESOURO: tesouro é o depósito antigo de coisas preciosas ocultas cujo DONO É DESCONHECIDO. Todavia, se o descobridor penetrar no prédio alheio com o propósito de encontrar o tesouro, não terá direito a nada, pois não se permite a obtenção de vantagem quando do esbulho.
ACHADO DE TESOURO
(Alexandre Camanho/Mundo Estranho)
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/13-tesouros-perdidos-que-podem-te-deixar-milionario/
O que é Entre 1586 e 1588, o navegador britânico Thomas Cavendish (1560-1592) rodou o mundo, passando por Peru e China. No caminho, saqueou o que pôde, inclusive as riquezas do galeão Santa Ana, que levava especiarias e peças de ouro das Filipinas a Acapulco, no México.
Como sumiu As riquezas, que incluíam peças de ouro incas e astecas, teriam sido escondidas pelo próprio navegador.
Onde pode estar Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, abriga dezenas de embarcações que naufragaram ao longo dos últimos quatro séculos. Também esconde tesouros deixados por piratas. A praia do Saco do Sombrio, na borda oeste da baía dos Castelhanos, era uma das preferidas: tem acesso difícil por terra, é cercada por montanhas e tem saída para o oceano Atlântico.
- depósito antigo e oculto de coisas preciosas de cujo proprietário não se haja memória. (1.264CC)
- se a propriedade for presumível, não é tesouro.
- Se o tesouro for achado pelo proprietário do terreno, a ele pertence; caso seja encontrado por outra pessoa que não seja proprietária, terá este direito à metade do tesouro.
Ex.1: se alguém estiver construindo o porão de uma casa encontrar eventualmente um tesouro, será ele dividido entre o proprietário do imóvel e aquele que o descobriu.
CUIDADO!
Ex. 2: se o tesouro for encontrado por pessoa contratada pelo proprietário do imóvel justamente para empenhar buscas e pesquisas de tesouros supostamente existentes no local. (1.265) Neste caso, o tesouro pertencerá total e exclusivamente ao proprietário do imóvel que ordenou a pesquisa.
Ouro de Lima
O que é Em 1820, os espanhóis fugiram de Lima, Peru, durante uma revolta civil. O vice-rei escapou com ouro, prata e joias, além de 113 estátuas religiosas de ouro (incluindo uma Virgem Maria em tamanho real), 273 espadas com joias encravadas e pelo menos mil diamantes.
Como sumiu O capitão William Thompson, encarregado de levar a carga para a Espanha, matou os guardas reais e fugiu para a Costa Rica. Foi capturado pelos espanhóis, mas escapou de novo e desapareceu sem dar pistas sobre onde deixou as riquezas.
Onde pode estar Na ilha do Coco, na Costa Rica, que até hoje recebe caçadores de relíquias do mundo todo. O presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt (1882-1945) e o ator Errol Flynn (1909-1959) organizaram, em vão, expedições para achar o tesouro.
- só são considerados tesouros os objetos móveis valiosos e ocultos que, por serem antigos, não mais resta memória de quem seja o proprietário. (ou cujos donos possam ser identificados)
Assim, se o próprio dono do imóvel ocultou objetos valiosos e, portanto, sabe da existência e localização dos mesmos, não serão considerados tesouros.
USUCAPIÃO:
Ordinária: Art. 1.260, CC – posse mansa e pacífica, ininterruptamente e sem oposição, durante TRÊS ANOS, exercida com animus domini, JUSTO TÍTULO e BOA FÉ.
Extraordinária: Art. 1.261, CC – posse ininterrupta e pacífica com animus domini pelo PRAZO DE CINCO ANOS.
Obs.: Súmula 193, STJ – o direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião. Os bens objeto de furto podem ser adquiridos por usucapião extraordinária pelo próprio autor do furto.
- O indivíduo que tem a propriedade de um veículo que, no entanto, está registrado em nome de um terceiro no DETRAN, possui interesse de agirpara propor ação de usucapião extraordinária (art. 1.261 do CC) já que, com a sentença favorável, poderá regularizar o bem no órgão de trânsito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.582.177-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 25/10/2016 (Info 593).
TRADIÇÃO: é modo DERIVADO de aquisição da propriedade móvel, consistindo na entrega de bem móvel pelo transmitente ao adquirente, com a intenção de transferir-lhe a propriedade. Pode ser real (entrega material da coisa ao adquirente), simbólica (entrega das chaves de um veículo, p.e.) e consensual (resulta do acordo de vontade dos interessados, por aposição contratual, sem qualquer alteração do mundo dos fatos – constituto possesório e tradição brevi manu). No CONSTITUTO POSSESSÓRIO o proprietário de um bem o aliena a outrem, mas continua como possuidor direto, isto é, há inversão no título da posse, já que alguém que possuía a coisa em nome próprio passa a possuir em nome alheio. Já na TRADIÇÃO BREVI MANU ocorre o contrário. Aquele que detinha o bem em nome alheio, passa a possuí-lo como proprietário.
Obs.: O novo código Civil não incluiu a descoberta (antiga invenção) como modo de aquisição da propriedade, visto que quem acha o bem perdido não adquire a sua propriedade. Colocou a descoberta na parte geral da propriedade. Para fins didáticos, vou incluir tal ponto aqui, após os modos de aquisição da propriedade.
DESCOBERTA: é o fato jurídico que consiste em alguém encontrar coisa alheia perdida (art. 1.233, CC). A descoberta gera para o descobridor uma obrigação de fazer consistente em entregar a coisa que saiu da esfera de proteção do titular. Cuida-se de obrigação que se origina de um ato jurídico stricto sensu.
No CC/16, era denominada invenção e estava entre os modos de aquisição da propriedade. Hoje, não é mais assim considerada porque se tutela a propriedade de quem se desligou da coisa sem intencionalidade (bens do evento), não se confundindo com a ocupação, na qual há a aquisição das coisas abandonadas. A descoberta gera apenas um direito de recompensa, em favor do descobridor, não inferior a 5% sobre o valor do bem (ACHÁDEGO), além das despesas com a conservação da coisa, como depositário.
O descobridor é obrigado a restituir o objeto ao legítimo possuidor. Caso não o encontre, deverá entregá-lo à autoridade competente. Se, decorridos 60 dias da divulgação da notícia pela imprensa, ou do edital, o proprietário não comparecer, o bem será vendido em hasta pública. A apreciação do valor a ser pago a título de recompensa será feita pelo magistrado. Após a venda em leilão, e retirado o valor do achádego, o restante do valor é concedido ao município em que o bem houver sido descoberto. Tanto o proprietário quanto o Município podem deliberar por abandonar a coisa para exonerar-se da obrigação de custear o achádego.
Aos objetos deixados em hotéis, lavanderias, etc, também se aplica esse processo de arrecadação, sendo considerada abusiva a cláusula que permite, após certo prazo, que o estabelecimento comercial apodere-se do objeto, ou o aliene para se ressarcir por despesas não pagas.
Ocupação
Descoberta
- é a aquisição da propriedade da coisa sem dono (por abandono(res derelicta)/de ninguém). Crítica em desuso pela modalidade coisa de ninguém(res nullis).
- apenas sobre bens móveis.
- não é modo de aquisição da propriedade.
-em hipótese alguma se permite ao descobridor apropriar-se do bem.
- ocorre quando alguém acha coisa móvel que fora perdida pelo seu proprietário e que deve a ele ser devolvida.
- há o dever de devolver de forma imediata ao proprietário ou possuidor que a perdeu ou a de entregar à autoridade policial. (art. 1233 CC + art. 1236CC, parágrafo único+ art. 1237)
- o artigo 1.237CC : traz a vacância pro rem que é a forma de transferência que cria uma vacância, transmitindo à municipalidade o bem ou mesmo sendo apropriado pelo descobridor. Com isto, passa-se de uma descoberta de coisa perdida a uma descoberta de coisa sem dono.
- sanção detenção de 1 mês a 1 ano ou multa (artigo 169,IICP).
- há o dever, enquanto não devolvido, de adotar as medidas de conservação, respondendo pelos prejuízos causados ao proprietário, se comprovar dolo.
Roteiro de Estudo Atualizado em 09/04/2019
AULA SOBRE DESAPROPRIAÇÃO:
Característica da Perpetuidade:
“a propriedade é um direito perpétuo, pois não se perde pelo não-uso, mas somente pelos meios e formas legais: desapropriação, usucapião, renúncia, abandono etc”
“Perpetuidade: os direitos de crédito prescrevem, mas a propriedade dura para sempre, passa inclusive para nossos filhos através do direito das sucessões. Quanto mais o dono usa a coisa, mais o direito de propriedade se fortalece. A propriedade não se extingue pelo não-uso do dono, mas sim pelo uso de terceiros. Então eu posso guardar meu relógio na gaveta que ele continuará meu para sempre. Eu posso passar décadas sem ir ao meu terreno na praia. Mas se alguém começar a usá-lo, poderá adquiri-lo pela usucapião.” http://rafaeldemenezes.adv.br/assunto/Direitos-Reais/7/aula/7
Exemplo:
Pode, ainda, revogar-se a propriedade, no caso da doação por ingratidão do donatário ou descumprimento do encargo (art. 555 do Código Civil); ou resolver-se, no caso de fideicomisso, quando, por ocasião da morte do testador, a herança ou O legado se transmite ao fiduciário, resolvendo-se o direito deste, por sua morte, a certo termo ou sob certa condição, em favor do fideicomissário (art. 1.951 do Código Civil); entre outros casos.
Crédito da imagem: http://autossustentavel.com/tag/propriedade
OBS: DESAPROPRIAÇÃO: “é a forma de perda da propriedade para o poder público (excepcionalmente para o particular), por interesse social ou utilidade pública, mediante indenização.”
“a desapropriação é instituto de direito público, fundado no direito constitucional e regulado pelo direito administrativo, mas com reflexo no direito civil, por determinar a perda da propriedade do imóvel, de modo unilateral, com a ressalva da prévia e justa indenização.” Carlos Gonçalves.
Com a desapropriação opera-se, no interesse da coletividade, a transferência do domínio para a entidade que a promove.
Atenção – não representa confisco, vez que esse não é modo de perda da propriedade.
Não confundir com compra e venda – essa decorre de um ato voluntário e a desapropriação é uma alienação compulsória.
Não é servidão administrativa – nesta, o poder público não adquire o bem, pois esse permanece no domínio do particular, suportando o uso público.
A desapropriação constitui um modo de transferência compulsória, forçada, da propriedade, do domínio particular ou do domínio de outra entidade pública de grau inferior, para a Administração Pública ou seus concessionários.
É uma limitação ao direito de propriedade, baseada na ideia da prevalência do interesse social sobre o individual.
A desapropriação é modo originário de aquisição da propriedade.
O registro é meramente declarativo, ocorrendo a aquisição do domínio independentemente dele.
Por ser modo originário de aquisição da propriedade é registrável por força própria, e a carta de adjudicação deve conter a individualização da coisa desapropriada.
De acordo com o disposto no art. 5º, XXIV, da Constituição Federal, a desapropriação só se justifica para atender a uma necessidade ou utilidade pública, ou a um interesse social.
Objetivos de uma desapropriação:
Interesse social: ocorre nos casos disciplinados pela Constituição Federal para imposição do cumprimento da função social da propriedade dos bens imóveis.
Interesse social ocorre quando a transferência de bens particulares para o domínio público ou de delegados do poder público se impõe, como medida destinada a resolver problemas da coletividade.
Destinada apenas aos bens imóveis, rurais e urbanos.
Ex: art. 184CF
Se for imóvel rural, o pagamento se dará por títulos da dívida agrária; para imóveis urbanos, o pagamento será por títulos da dívida pública.
(Questão de prova doTribunal de Contas) Caso um indivíduo possua uma fazenda de 500 hectares na qual, em 2008, tenha sido descoberta plantação de maconha em 7 hectares de sua propriedade, a administração poderá expropriar toda a fazenda para destiná-la ao assentamento de colonos, sem indenizar seu proprietário.
Utilidade pública: ocorre em favor do poder público, independentemente do cumprimento ou descumprimento da função social da propriedade pelo dono do imóvel. Conforme art. 2º do Decreto-lei 3.365/41 (diz que todos os bens poderão ser desapropriados. – ou seja, apesar de raro, bens móveis são suscetíveis).
A utilidade pública acontece quando a utilização de bens particulares é conveniente aos interesses administrativos, embora não sejam imprescindíveis.
O poder público exerce interesse no imóvel para alcançar seus objetivos precípuos da Administração, art. 5º (decreto - lei) ex: construção de pontes, estradas, instalação de serviços públicos, salubridade pública, construção e ampliação de distritos industriais, construção de edifícios públicos, cemitérios...
C) Necessidade pública ocorre quando a Administração defronta problemas que só se podem resolver com a transferência de bens particulares para o domínio da pessoa administrativa incumbida de solucioná-los.
Formaliza-se pela expedição de decreto pelo poder público expropriante (federal, estadual ou municipal) (art. 6º do decreto-lei).
De quem é a competência para realizar a desapropriação?
A competência para realizar a desapropriação pode ser dividida em duas espécies:
Competência DECLARATÓRIA
Competência EXECUTÓRIA
Consiste na competência para declarar que determinado bem é de utilidade pública, de necessidade pública ou de interesse social para fins de desapropriação.
Essa declaração é feita por meio de Decreto (do Presidente, do Governador ou do Prefeito) ou por intermédio de lei de efeitos concretos.
Em regra, essa competência declaratória é comum aos três entes federativos.
Em regra, apenas os entes políticos (União, Estados, DF e Municípios) possuem competência declaratória.
Assim, as entidades da administração indireta não têm essa competência. Obs: existem algumas exceções, como no caso do art. 82, IX, da Lei nº 10.233/2001, mas elas não interessam no momento.
Compete ao DNIT:
IX – declarar a utilidade pública de bens e propriedades a serem desapropriados para implantação do Sistema Federal de Viação;
É a competência para promover os demais atos necessários à desapropriação.
Quem possui competência para executar a desapropriação:
• os entes políticos (União, Estados, DF e Municípios);
• as entidades da Administração Indireta (autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista);
• os concessionários, permissionários, autorizatários e arrendatários;
• as entidades públicas;
• as entidades que exerçam funções delegadas do Poder Público; e
• o contratado pelo Poder Público para fins de execução de obras e serviços de engenharia sob os regimes de empreitada por preço global, empreitada integral e contratação integrada.
Obs: com exceção dos entes políticos, os demais legitimados só poderão exercer a competência executória para a desapropriação se receberem expressa autorização em lei ou contrato.
(FCC/2018)Editado decreto de declaração de utilidade pública e ajuizada a ação de desapropriação para aquisição de uma faixa de terras destinada a ampliação de uma rodovia, a Administração pública identificou a necessidade de utilizar um perímetro com largura maior de uma mesma matrícula em determinado trecho, para execução de uma alça de acesso. Considerando que o decreto de declaração de utilidade pública já abrange a área cuja desapropriação passou a ser necessária, bem como que já havia sido ajuizada ação de desapropriação para aquisição da parte inicialmente identificada da mesma matrícula, pendente citação dos réus,
Resposta: caberá aditamento da petição inicial para ampliação do objeto da desapropriação, acompanhado de depósito da oferta complementar para a nova área, observada a fase processual.
Lembrando que na hipótese de indenização, será feito pelo valor da área efetivamente desapropriada e não pela constante na matrícula.
No procedimento judicial, o poder expropriante deve depositar o valor pelo qual avaliou a área, podendo a defesa do expropriado atingir apenas o vício do processo judicial ou impugnação do preço, conforme art. 9º e 20. (art. 9º - Ao Poder Judiciário é vedado, no processo de desapropriação, decidir se verificam ou não os casos de utilidade pública – juízo de mérito sobre o ato administrativo.)
O STF tem considerado que o pagamento da diferença entre o valor oferecido pelo poder público e aquele apurado na ação de desapropriação é através de precatório. (RE 427761/2008 , 1ª Turma do STF e RE 598678/2009, 2ª Turma STF).
Sugestão de leitura: A DESAPROPRIAÇÃO ENTRE ENTES PÚBLICOS E O PRINCÍPIO FEDERATIVO: UMA INTERPRETAÇÃO COM BASE NA TEORIA DOS PRINCÍPIOS
https://www.conpedi.org.br/publicacoes/66fsl345/1ppyi8tz/5x44QhPAqULHT7A6.
- Quando o administrador obedece aos passos previstos pela legislação para a realização da desapropriação, ela se chama direta. (ou seja, primeiro emite-se o decreto declarando a utilidade, depois se avalia a área e oferece a justa e prévia indenização em dinheiro)
Entretanto, quando não se obedece ao rito, em face da urgência, e primeiro realiza a obra para depois formalizar, chama-se de desapropriação indireta. Nesses casos, abre-se ao dono do imóvel apenas o direito de indenização pela perda de fato da propriedade.
Requisitos para a imissão provisória
Para a imissão provisória na posse são necessários dois requisitos:
• urgência da medida;
• depósito do valor do bem, segundo critérios definidos na lei.
Cumpridos os requisitos acima, é direito subjetivo do expropriante a imissão provisória.
OBS: O exercício do direito à indenização nasce a partir do momento em que a área é esbulhada pelo poder público, ou seja, desde quando começa a utilizar a parte do imóvel.
Quanto à prescrição é de 10 anos de acordo com o artigo 205 CC e art. 2028CC.
Quanto à origem: a desapropriação pode ser pública ou privada. Será pública quando se perde a propriedade, em prol do interesse público, mediante indenização; será privada quando se perde esse direito em favor de outro particular (art. 1258 e 1259CC).
OBS: Quando for a desapropriação privada do art. 1258 do CC, devem ser verificados dois requisitos:
Invasão parcial do terreno alheio (até a vigésima parte).
Relevância do que foi construído, móvel da invasão.
Concluindo:
- Se de boa fé, poderá adquirir a propriedade do terreno invadido, desde que compense seu proprietário, pelo valor perdido de área e o reflexo de prejuízo na parte remanescente (podendo mesmo ser total, se causa a impossibilidade de aproveitamento da área residual).
- Se de má fé, a primeira ação possível é a demolição. Contudo, não se possibilitando esta, será viabilizado ao construtor a porção pelo décuplo do valor (dela e do prejuízo reflexo sobre o remanescente). Não podendo adquirir, deve-se compreender que o caminho será a demolição efetiva, mesmo que com prejuízo do construtor de má fé.
A desapropriação pública pode ser: administrativa, quando ocorre por ato do Executivo ou judicial, que é a prevista no artigo 1228, parágrafos 4ºe5º CC.
Na Administrativa:
A transferência do bem poderá ocorrer por duas formas:
1) por via administrativa: quando o expropriado aceita o valor oferecido pelo Poder Público como indenização pelo bem. Chamada de “desapropriação amigável”;
2) por via judicial: quando o expropriado não aceita o valor oferecido pelo Poder Público. Neste caso, encerra-se a etapa administrativa e o Poder Público terá que ajuizar uma “ação de desapropriação”.
O momento que se consuma a desapropriação é o do pagamento ou do depósito judicial da indenização.
A aquisição decorrente de desapropriação não se subordina a transcrição do título, porémesse é necessário para fins de registro e para dar os efeitos extintivos da propriedade anterior.
Pressupostos para a desapropriação
As normas básicas da desapropriação se acham consubstanciadas no Decreto-Lei n. 3.365, de 21 de junho de 1941, com as modificações posteriores.
São sujeitos ativos da desapropriação a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal e os Territórios (Dec.-Lei n. 3.365/41, art. 2º), bem como os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de caráter público, ou que exerçam funções delegadas, de interesse geral. Nesse caso, porém, dependem de autorização expressa, constante de lei ou contrato (art. 3º).
A competência pertence ao Poder Executivo e ao Poder Legislativo. No último caso, cumpre ao Poder Executivo praticar os atos necessários à efetivação da desapropriação (arts. 6º e 8º).
O Poder Judiciário apenas intervém na fase contenciosa da desapropriação.
Objeto da desapropriação
Todos os bens e direitos patrimoniais estão sujeitos a desapropriação, desde que, de um modo ou de outro, sirvam a uma utilidade ou a um interesse social, inclusive o espaço aéreo e o subsolo (Dec.-Lei n. 3.365/41, art. 2º, caput e § 1º).
Excluem-se da desapropriação os direitos personalíssimos, (artigo 11 do CC) e a moeda corrente do país.
A desapropriação de bem imóvel pode abranger a sua totalidade, ou somente parte.
Todavia, a desapropriação de edificações recairá sempre sobre a sua totalidade, indenizando-se os proprietários proporcionalmente ao valor das suas unidades autônomas (artigos 1.357, § 2º, e 1.358 do CC).
Além dos bens particulares, os bens dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal e dos Territórios são suscetíveis de desapropriação pela União, assim como os dos Municípios podem ser desapropriados pelos Estados, devendo o ato, em qualquer caso, ser precedido de autorização legal (Dec.-Lei n. 3.365/41, art. 2º, § 2º).
Respeita-se a ordem hierárquica, seguindo-se sempre a descendente, nunca a ascendente.
Podem ser desapropriados terrenos, prédios, fazendas, usinas, águas e estradas de ferro, bem como “a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda” (Dec.-Lei n. 3.365/41, art. 4º).
É comum a desapropriação parcial, para a instituição de servidão.
Não necessitando de todo o imóvel, o Poder Público o desapropria para certa finalidade, impondo-lhe certas restrições, ou o utiliza sem afastar o proprietário, que continua a usá-lo com alguma limitação.
Trata-se da denominada desapropriação administrativa para a instituição da servidão, pela qual o apossamento do imóvel não envolve todos os direitos sobre ele, mas apenas alguns.
Porém quando a instituição da servidão administrativa acarreta a inutilização da exploração econômica do imóvel objeto do ato, a indenização devida deve corresponder à totalidade da propriedade.
Competência, Forma e Processo de Desapropriação
A desapropriação pode ocorrer de forma amigável, através de acordo entre expropriante e expropriado sobre o montante da indenização, consubstanciado em escritura pública se o imóvel tiver valor superior ao legal.
Não havendo entendimento entre os interessados, será observado o processo expropriatório judicial regulado nos artigos 11 a 30 do Decreto-Lei n. 3.365/41.
A ação será proposta no foro da situação do imóvel, salvo se a União for autora. Neste caso, a competência será do foro da Justiça Federal com sede na Capital do Estado onde for domiciliado o réu. Intentada pelo Estado, tramitará na vara privativa; pelos Municípios, perante os juízes das respectivas comarcas, que tiverem as garantias de vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade dos vencimentos (arts. 11 e 12).
Faculta-se ao autor, mesmo antes da citação do réu, alegando urgência e depositando a importância arbitrada pelo juiz, requerer a imissão provisória na posse dos bens (art. 15).
O Supremo Tribunal Federal tem admitido, no entanto, que seja depositada quantia inferior ao do valor de mercado do bem, ponderando que o pagamento integral deve ser efetuado no momento da transferência definitiva do domínio ao desapropriante.
A desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária segue o procedimento da Lei Complementar n. 76, de 6 de julho de 1993. A Constituição Federal determina no art. 184, § 3º, o procedimento sumário.
Quando o Poder Público desapossa alguém sem o processo expropriatório regular, pratica esbulho.
Valor da indenização
A indenização deve ser justa e prévia. Deve também ser paga sempre em dinheiro (CF, art. 5º, XXIV), salvo no caso dos arts. 184 e 182, § 4º, III, da Constituição Federal. (títulos de dívida pública e títulos da dívida agrária)
Para que seja justa, a indenização há de ser a mais completa, devendo abranger não só o valor real e atual dos bens à data da avaliação, como também os lucros cessantes do proprietário, as despesas com a sub-rogação se for imóvel vinculado, juros da mora e juros compensatórios, custas, salários de peritos e honorários de advogado se o quantum for fixado judicialmente, em importância superior à oferecida pela Administração.
Dispõe a Súmula 131 do Superior Tribunal de Justiça que “nas ações de desapropriação incluem-se no cálculo da verba advocatícia as parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios, devidamente corrigidos”.
Duas espécies de juros admitem-se na indenização: os moratórios e os compensatórios.
Os juros moratórios correspondem à reparação devida pelo retardamento no cumprimento da obrigação de indenizar.
Os juros compensatórios equivalem aos frutos civis do capital empregado. São devidos a partir do ato que retira o imóvel da posse do dono. Seu pagamento é justificado em razão da perda antecipada da posse.
Súmula 12 do STJ: “Em desapropriação, são cumuláveis juros compensatórios e moratórios”.
Súmula 164 do STF: “No processo de desapropriação, são devidos juros compensatórios desde a antecipada imissão de posse, ordenada pelo juiz, por motivo de urgência”.
No quantum da indenização serão computadas as benfeitorias necessárias posteriores, e as úteis, quando autorizadas pelo expropriante.
O expropriante responde, também, pelos gastos que o expropriado tiver de fazer para levantar o preço da indenização bem como pela desvalorização da área remanescente, conseqüente a desapropriação.
Súmula 561 do STF: “Em desapropriação, é devida a correção monetária até a data do efetivo pagamento da indenização, devendo proceder-se à atualização do cálculo, ainda que por mais de uma vez”.
Retrocessão
Se a Administração Pública deixa de utilizar o imóvel desapropriado, não lhe dando a destinação mencionada no decreto de expropriação, surge a obrigação de oferecê-lo ao ex-proprietário, pelo preço atual da coisa.
Artigo 519 do Código Civil:
“Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de preferência, pelo preço atual da coisa”.
A jurisprudência tem entendido que converte-se em perdas e danos e não em reaver o bem. Bem como que a destinação do imóvel possa ser outra utilidade de interesse público.
O que se entende por retrocessão?
Depois de realizada a desapropriação e paga a indenização, ainda existe a possibilidade do Poder Público não concretizar a destinação dada ao bem conforme declarado na primeira fase do procedimento expropriatório.
Sobre o tema Hely Lopes Meirelles[ 1 ] ensina que "Retrocessão é a obrigação que se impõe ao expropriante de oferecer o bem ao expropriado, mediante a devolução do valor da indenização, quando não lhe der o destino declarado no atoexpropriatório (...) A retrocessão é, pois, uma obrigação pessoal de devolver o bem ao expropriado, e não um instituto invalidatório da desapropriação, nem um direito real inerente ao bem. Daí o conseqüente entendimento de que a retrocessão só é devida ao antigo proprietário, mas não aos seus herdeiros, sucessores e cessionários".
O direito de retrocessão é uma faculdade do direito real de propriedade, que se traduz na prerrogativa de reaver o bem que foi possuído injustamente por terceiros. Acerca do tema, Celso Antônio Bandeira de Mello: "não se pode nega ao ex-proprietário o direito de reaver o bem nos casos aludidos, e é isto que se constitui a retrocessão propriamente dita, direito de natureza real". ( Alternativa encontra-se equivocada ao afirmar que o expropriado tem direito de reaver o bem mediante devolução do valor pago, sendo que o instituto dispõe ex-proprietário pode reaver o bem expropriado, mas não preposto a finalidade pública ).
Atenta-se para o fato que: a natureza jurídica do direito de retrocessão é bastante controversa, não havendo consenso entre os estudiosos do tema. Isso ocorre porque parte da doutrina entende que o proprietário tem direito a reaver o bem, mesmo que alienado a terceiros, dando ao instituto, caráter de direito real, enquanto o remanescente entende que a situação se resolveria em perdas e danos, a serem exigidas pelo particular expropriado, do ente público expropriante, não sendo possível opor a garantia a terceiros adquirentes do bem, haja vista a natureza de direito pessoal da retrocessão. (Direito Administrativo. Matheus Carvalho)
Resumindo:
As limitações ao direito de propriedade:
Regra: a propriedade se presume plena e exclusiva, até prova em contrário.
Limitações voluntárias: são restrições determinadas pela vontade do proprietário ou de terceiro.
Limitações legais: direitos de vizinhança art. 1277 – uso anormal da propriedade (poderá o interessado se valer das hipóteses de tutela de urgência do art. 294 NCPC) leitura do enunciado 319;
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art. 1280CC e art 1286Cc – interferência na propriedade por interesse público(passagem e cabos, tubulações, fiações – cabe indenização do beneficiário ao particular/vizinho favorecido; caberá proteção do art. 1.279CC);
Questão do MPE/FCC/2014 apontava como correta: “O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha, entretanto esse direito não prevalece quando as interferências forem justificadas por interesse público, caso em que o proprietário ou o possuidor, causador delas, pagará ao vizinho indenização cabal”.
Questão do PGM/2008 apontava como correta: “O direito de passagem forçada é uma limitação legal imposta aos proprietário vizinho, fundada no princípio da solidariedade social, que reside nas relações de vizinhança”.
“consiste na prerrogativa que tem o dono de um imóvel de transitar pelo outro, mas, para tanto, deve decorrer do encravamento do prédio, ou seja, é indispensável que o prédio não tenha acesso à via pública, nascente ou porto.”
Questão do PGM/2008 apontava como correta: “Havendo alienação parcial do prédio, por necessidade econômica, que torne essa parte alienada encravada pela perda do acesso à via pública, deverá o alienante, que ficou com a passagem já existente, tolerar o seu uso pelo adquirente.”
Questão do MPF/2015 apontava como correta: “O direito de passagem forçada não comporta oposição do vizinho, cabendo ao juiz fixar o rumo da passagem de forma mais cômoda e menos onerosa para as partes”.
Obs: Enunciado 88: Art. 1285CC – o direito de passagem forçada, previsto no artigo, também é garantido nos casos em que o acesso à via pública for insuficiente ou inadequado, consideradas, inclusive, as necessidades de exploração econômica.
Limitações legais (continuação): espaciais (art. 1229CC); naturais (art. 1230CC); familiares (art. 496, 548, 549 e 550 do CC); administrativas; desapropriação; função social da propriedade.
OBS: Os elementos para a função social da propriedade rural:
Aproveitamento racional do solo.
Utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente.
Observância das disposições que regulam as relações de trabalho.
Exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
OBS: Enunciado 506: na aplicação do princípio da função social da propriedade imobiliária rural, deve ser observada a cláusula aberta do parágrafo primeiro do art. 1228CC, que, em consonância com o disposto no art. 5º, inciso XXIII, da CRFB/88, permite melhor objetivar a funcionalização mediante critérios de valoração centrados na primazia do trabalho.
Questão da magistratura de SP apontava como correta: “A imposição dos deveres ao proprietário, como os de proteção das chamadas áreas de preservação permanente e de mantença ou recuperação de matas ou vegetação nativa, a titulo de reserva legal, de determinado percentual dos imóveis rurais, pode ser considerada como medida voltada para a preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado”.
Limitações judiciais: são aquela impostas como medida necessária à preservação da efetividade do próprio processo no qual é determinada. Ex: penhora, arresto, sequestro, pois são ordens judiciais que visam a garantia da satisfação do direito pelo qual se funda o processo.
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DA PROPRIEDADE:
esta figura jurídica deita raízes no direito romano, onde primava pelo individualismo, atribuindo somente ao cidadão romano o privilégio de adquirir a propriedade. Atualmente, a configuração da propriedade depende do regime político adotado, por exemplo, a antiga URSS, que socializava os bens de produção; já nos países do ocidente, incluindo o Brasil, temos a propriedade individual, com restrições voluntárias e legais, para que seja possível o desempenho da sua função social.
Fundamento do direito de propriedade: Existem várias teorias que informam o seu fundamento, destacando-se a da (1) ocupação, (2) da lei, (3) da especificação e (4) da natureza humana. Pela primeira, fundamenta o direito de propriedade na ocupação, na apropriação de coisas que não pertencem a ninguém (res nullius). Pela segunda, a teoria da lei, afirma-se que o domínio fundamenta-se na lei. Por ela, a propriedade é instituição de direito civil, positivamente amparado. Existirá a propriedade porque a lei a criou e a garantirá. Pela teoria da especificação, o trabalho é o único criador de bens, consistindo, portanto, no título legítimo da propriedade. Por último, a teoria da natureza humana, é a que melhor fornece o fundamento da propriedade. Para ela a propriedade está na natureza humana, pois é o instinto de conservação que leva o homem a se apropriar de bens para saciar sua fome e para satisfazer suas necessidades de ordem física e moral, justificando, assim, plenamente a existência jurídica da propriedade.
Conceito e elementos da propriedade: nosso Código Civil não trouxe uma definição de propriedade, preferindo enunciar no artigo 1.228 os poderes do proprietário, fornecendo elementos para sua definição. Em termos analíticos, todavia, podemos dizer que a propriedade é o direito que a pessoa (física ou jurídica) tem, dentro dos limites normativos, de usar, gozar e dispor de um bem (corpóreo ou incorpóreo), bem como de reivindicá-lo de quem injustamente o detenha, tirando da coisa toda a sua utilidade jurídica; é o mais completo dos direitos subjetivos, a matriz dos direitos reais e o núcleo do direito das coisas.
Em relação aos seus elementos constitutivos da propriedade, temos o “jus utendi” (direito de usar), que é a faculdade de o dono servir-se da coisa e utilizá-la da maneira que entender mais conveniente, podendo excluir terceiros de igual uso. O “jus fruendi” (direito de gozar ou usufruir), que é o poder de perceber os frutos naturais e civis da coisae aproveitar economicamente os seus produtos. O “jus abutendi” ou “jus disponendi” (direito de dispor), que é o direito de dispor da coisa, de transferi-la ou aliená-la a outrem a qualquer título, envolvendo o poder de consumir o bem, de dividi-lo ou gravá-lo, como vender, distribuir, doar a coisa. E, por último, a “reivindicatio” (direito de reivindicar), sendo o direito de reaver a coisa, de reivindicá-la das mãos de quem injustamente a detenha; ele envolve a proteção específica da propriedade, que se perfaz pela “ação reivindicatória” (direito de sequela).
Caracteres da propriedade: este direito sofre restrições impostas pelo direito de vizinhança, pelo interesse público, pelo fim social, pela própria vontade do proprietário e outras normas administrativas e constitucionais. É um direito absoluto desde que não contrarie interesse público e outras normas de convivência social. A propriedade caracteriza-se pela exclusividade, ilimitabilidade, perpetuidade e elasticidade. É exclusiva, no sentido de poder o seu titular afastar da coisa quem quer que dela queira utilizar-se. A mesma coisa não pode pertencer com exclusividade e simultaneidade a duas ou mais pessoas. O direito de um exclui o de outro. Mesmo no condomínio não desaparece o exclusivismo, pois o direito dos condôminos são exclusivos. É ilimitada ou absoluta, no sentido de encontrar-se liberta dos encargos que a constrangiam desde os tempos feudais, quando o que lavrava o solo tinha o dever de pagar foro ao fidalgo; hoje, o proprietário tem amplo poder sobre o que lhe pertence. Não só por ser oponível erga omnes, mas pelo fato de que seu titular pode desfrutar e dispor do bem como quiser, sujeitando-se apenas às limitações impostas em razão do interesse público ou da coexistência do direito de propriedade de outros titulares. Até prova em contrário, considera-se a propriedade plena e exclusiva, limitando-a quando pesar sobre ela ônus reais, como no caso do usufruto e de outros direito reais sobre coisas alheias, em virtude do desmembramento dos direitos elementares do proprietário, de usar, gozar e dispor, ou quando for resolúvel, estando sujeita a resolução. Possui também, caráter perpétuo, no sentido de que subsiste a propriedade independentemente de exercício, enquanto não sobrevier causa legal extintiva, ou seja, enquanto o proprietário desejar ou em virtude de lei ela subsistirá. É irrevogável ou perpétua, porque não se extingue pelo não-uso. Por fim, temos o caráter elástico, que é a característica que consiste na possibilidade do domínio ser estendido ou contraído no seu exercício conforme lhe somem ou retirem poderes destacáveis.
Do caráter social da propriedade: a CR/88 traz essa ideia (art. 5º, XXIII), determinando ainda, que a ordem econômica observará a função da propriedade, impondo freios à atividade empresarial (art. 170, III). É possível dizer que a função social pode se confundir com o próprio conceito de propriedade, diante de um caráter inafastável de acompanhamento (Tartuce). Nessa ordem, o Código Civil, no artigo 1.228, § 1º, afirma que o direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas; o § 2º, que são proibidos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade ou utilidade e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem (direito de vizinhança); o §3º traz a privação de propriedade nos casos de desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. Pelos §§ 4º e 5º, cria-se uma nova forma de usucapião, determinada pelo Poder Judiciário na hipótese de o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e esta nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante, fixando por este a justa indenização ao proprietário. Neste caso, trata-se de inovação de alto alcance, inspirada no sentido social do direito de propriedade e também no novo conceito de posse, dita por Miguel Reale como posse-trabalho, conforme leciona Carlos Roberto Gonçalves.
Além do disposto no artigo 1.228 do CC e do Estatuto da Cidade, temos ainda outras legislações que trazem restrições ao direito de propriedade, como o Código de Mineração, Florestal, Lei de Proteção do Meio Ambiente, além, é claro, das limitações advindas do direito de vizinhança e de cláusulas impostas nas liberalidades, matérias tratadas pelo diploma substantivo civil. Esse conjunto de normas nos dá, portanto, a noção de que o direito de propriedade deixou de apresentar características de direito absoluto e ilimitado para transformar-se em direito de finalidade social.
Propriedade plena e limitada: são espécies de propriedade, quanto à extensão do direito do titular: a plena ou limitada; quanto à perpetuidade do domínio: perpétua ou resolúvel. Será plena, também chamada de alodial, quando todos os direitos elementares da propriedade estão reunidos nas mãos da mesma pessoa. Ter-se-á propriedade limitada ou restrita, quando tem um ônus real, o qual consiste em estar um ou mais elementos constitutivos da propriedade em poder de outrem. Será perpétua quando tiver duração ilimitada. Será resolúvel, quando se encontrar no seu próprio título constitutivo uma razão de sua extinção, ou seja, as próprias partes estabelecem uma condição resolutiva, como na alienação fiduciária, ao fideicomisso ( fiduciário e fideicomissário), ou no pacto de retrovenda.
Espaço aéreo e subsolo: a noção geométrica de superfície, como expressão de solo, não satisfaz às exigências jurídicas, pois é óbvio que o proprietário não teria a possibilidade de exercer os poderes dominiais de uso e gozo se lhe fosse negado o direito ao que está abaixo e acima. Não poderia construir ou plantar, não teria meios de utilizar se a concepção de domínio ficasse adstrita à camada externa de revestimento da terra. Por estas razões, podemos dizer que a propriedade do solo estende-se ao subsolo e ao espaço aéreo, questionando, contudo, se encontra ou não um limite. Conjugando concepções germânica (interesse do proprietário) e suíça (utilidade), nosso Código Civil autoriza no artigo 1.229, tanto no espaço aéreo como no subsolo, a titularidade do domínio, desde que seja útil e possua o proprietário legítimo interesse.
Descoberta: é uma das formas de aquisição e perda da propriedade móvel. É o achado de coisa perdida. Descobridor, achador ou inventor é o que a encontra. Nos termos do artigo 1.233, quem achar coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor. Não o conhecendo, fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa à autoridade competente. Aquele que restituir a coisa achada terá direito a uma recompensa não inferior a 5 % do seu valor, e à indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e o transporte da coisa, se o dono não preferir abandoná-la. Neste caso, a coisa não mais será perdida, mas sim abandonada, o que gerará para o inventor (descobridor), direito aquisitivo pela “res derelicta” (coisa abandonada). Todavia, há uma exceção que a coisa perdida passa a pertencer ao achador ou inventor, afora o abandono pelo dono como visto acima, é o caso de descoberta de tesouro, onde a lei afirma que metade de seu valor passará a pertencer a quem achou. Neste caso, excepcionalmente, a coisa perdida passa a ser forma aquisitiva de propriedade móvel.
Aquisição da propriedade imóvel: consiste na personalização do direito num titular, gerando-lhe um direito subjetivo. São pressupostos para aquisição da propriedade: 1) que a pessoa seja capaz de adquirir; 2) que a coisa seja suscetível de aquisição; e, 3) que exista um modo de adquirir. Pode-sedizer que se adquire a propriedade pelos modos: 1) originário e 2) derivado. Propriedade originária é aquela em que não há vínculo jurídico entre o proprietário anterior e o atual, por exemplo, as acessões e a usucapião. Por outro lado, derivada é a que se caracteriza pela existência de um liame jurídico entre o proprietário anterior e o atual, como o direito hereditário e o contrato seguido de tradição. Nos termos da legislação civil, têm-se como modos de aquisição da propriedade imobiliária: 1) a usucapião; 2) a aquisição pelo registro do título; 3) as acessões; e, 4) o direito hereditário, que é o que surge em decorrência do vínculo de parentesco que o herdeiro tem com o falecido.
Da usucapião: modo de aquisição da propriedade de forma originária. Essencialmente, deita raízes na posse, por tempo prolongado, que transforma uma situação de fato em direito. O instituto do usucapião visa a garantir a estabilidade e a segurança da propriedade, fixando um prazo além do qual não se pode mais levantar dúvidas ou contestações a respeito, e sanar a ausência de título do possuidor, bem como os vícios intrínsecos do título que esse mesmo possuidor tiver. É um direito novo, autônomo, independente de qualquer ato negocial provindo de um possível proprietário, tanto assim que o transmitente da coisa objeto do usucapião não é o antecessor, o primitivo proprietário, mas a autoridade judiciária que reconhece e declara por sentença a aquisição por usucapião. Diz-se também, tratar-se de uma prescrição aquisitiva de propriedade. Sua natureza jurídica é de instituto autônomo afinando-se, destarte, com a prescrição.
Ver Ponto 17 A – Processo Civil
Requisitos da usucapião: 1) que a coisa seja suscetível de usucapião; 2) posse mansa, pacífica (sem oposição) e contínua (sem interrupção), com o ânimo de dono (“animus domini”); 3) decurso do tempo; 4) para o usucapião ordinário, a boa-fé e justo título.
As coisas fora do comércio, as naturalmente insuscetíveis de apreensão, as legalmente elencadas e os bens públicos não são objeto do usucapião.
Não é qualquer posse, mas aquela qualificada pela intenção de ter a coisa como própria. Exige a lei que seja “ad usucapionem”, ou seja, aquela que contém os requisitos exigidos pelo artigo 1.238.
Espécies de usucapião: 1) Extraordinário (artigo 1.238); 2) Ordinário (artigo 1.242); 3) Urbano (artigo 183, § 1° a 3°, CF e artigo 1.240 do CC); 4) Rural (artigo 1.239 do CC e artigo 191 da CF); 5) coletivo (§ 4º do art. 1.228, entendidos por uns como apropriação indireta) e 6) por abandono do lar ou familiar ou conjugal (art. 1.240-A do CC).
Da usucapião extraordinária: caracteriza-se quando alguém que possua como seu um imóvel de forma pacífica, sem oposição e sem interrupção durante quinze anos, independentemente de justo título e boa-fé, poderá requerer em juízo a declaração de domínio, que será levada a registro no cartório competente do imóvel (CC, art. 1238). Todavia, o prazo de quinze anos reduzir-se-á para dez se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo (forma especial de usucapião extraordinária). Só as pessoas naturais podem se valer da usucapião extraordinária de dez anos. Ao contrário da usucapião especial urbana, que não legitima aquele que tiver outro imóvel urbano ou rural, aqui não se encontra a restrição. Em se tratando de usucapião apoiado em moradia habitual, não se admite a acessio possessionis porque o caráter da posse é pessoal, ou seja, o que se pretende é que o autor do pedido esteja morando no imóvel por todo o prazo, o que não se atende com a soma das posses. A outra hipótese prevista no parágrafo único do art. 1.238 é a realização de obras ou serviços de caráter produtivo. Aqui estamos diante da posse vinculada ao trabalho. O possuidor não mora no imóvel, mas fê-lo produtivo, gerando uma fonte de riqueza, o que é compatível com a finalidade social da propriedade. O desenvolvimento das obras ou serviços deve se ter realizado pelo prazo de dez anos, não se podendo admitir que o possuidor invoque a redução do prazo, quando realizou as obras ou serviços apenas poucos anos antes de se completar dez anos.
Da usucapião ordinária: é o que possibilita a aquisição do domínio do imóvel por aquele que por dez anos possuir como seu ininterruptamente, pacificamente e sem oposição, incontestadamente, com justo título e boa-fé (CC, art. 1.242, “caput”). Ainda, reduzir-se-á o prazo para cinco anos, se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico (CC, art. 1.242, parágrafo único). Por justo título deve-se entender o ato jurídico hábil, em tese, à transferência do domínio.
O vocábulo título não está sendo utilizado no sentido de escrito. Ele significa "ato jurídico cuja função econômica consiste em justificar a transferência do domínio". Para que se tenha o título por justo é necessário, ainda, que ele seja válido, certo e real. Sua validade está vinculada à observância das formalidades legais externas substanciais. Mas se nos deparamos com a omissão de formalidades internas, como ocorre quando o alienante era incapaz, a solução se reduz em uma questão de boa ou má-fé. Por isso é que vamos encontrar, na doutrina, posição firme no sentido de se admitir o título anulável como justo, enquanto o nulo não o é.
A boa-fé é a integração ética do justo título, ou seja, o possuidor tem convicção de que o negócio jurídico que lhe assegurou a posse da coisa está escoimado de vício, não havendo qualquer irregularidade que lhe impeça haver o domínio. Ele ignora o vício que macula o negócio jurídico. A boa-fé deve estar presente no início da posse e por todo o prazo, gozando o possuidor com justo título de presunção iuris tantum a seu favor.
O justo título pode existir sem boa-fé, o que se dá quando o comprador sabe que a coisa comprada não pertence ao vendedor, o que autoriza concluir que a boa-fé é elemento autônomo na usucapião ordinária.
Há a hipótese de usucapião ordinária com prazo reduzido, em que os requisitos são: a) aquisição onerosa do imóvel com base no registro constante do respectivo cartório; b) cancelamento posterior; c) os possuidores devem estar estabelecidos nele com sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. Reduz-se o prazo, desde que os requisitos apontados estejam alinhados, presente a boa-fé.
Da usucapião especial: especial por darem nova roupagem à destinação da propriedade, que de privada propriamente dita, como a extraordinária e a ordinário, passa a ter finalidade social. São elas: usucapião pro labore ( rural ) e o pro misero ou pro moradia ( urbano), ambos previstos na CF, nos art. 183 e 191.
Tanto para o rural ( “pro labore”), como o urbano ( “pro moradia” ou “misero”), não se autoriza a soma de posses (art. 1.207 e 1.243, do CC), por contrariar o caráter social objetivado, diferenciando-se aí, portanto, das outras espécies (extraordinário e ordinário).
Da usucapião coletiva: O usucapião urbano coletivo, como espécie de usucapião urbano que é, é posto no Estatuto da Cidade (EC) como um instrumento jurídico e político destinado a permitir que sejam alcançados os escopos daquele diploma legal (art. 4º, V, j, do EC), no sentido de que se facilite o acesso à propriedade urbana por comunidades carentes (ou, na dicção legal, de baixa renda).
O artigo 10 do Estatuto da Cidade, trazendo mais uma subespécie de usucapião especial, quando se tratar de área urbana, de mais de 250 metros quadrados, de população de baixa renda, com posse de cinco anos ininterrupta e sem oposição, onde não foi possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são suscetíveis de serem apropriados coletivamente. Cada possuidor terá uma fração ideal, salvo acordo escrito entre os condôminos. Trata-se de hipótese de condomínio indivisível, sendo vedado a suaextinção, a não ser por deliberação de 2/3 dos condôminos. O artigo 12 da referida, traz a legitimidade para usucapião urbano e o coletivo.
Da usucapião familiar ou conjugal: a Lei nº 12.424, de 16 de junho de 2011, acrescentou o art. 1240-A ao Código Civil, criando nova modalidade de usucapião, a qual os juristas vêm denominando "usucapião especial por abandono do lar", "usucapião familiar" ou, ainda, "usucapião conjugal.
No caso da usucapião pelo abandono do lar, entretanto, não se enxerga a razão, tampouco a finalidade que levou o legislador a inserir o art. 1240-A no Código Civil. Previsto no meio de uma lei instituidora do programa "Minha Casa, Minha Vida", que tem por finalidade a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas urbanas e a construção de casas para famílias de baixa renda.
Elpídio Donizetti só vislumbra malefícios nessa modalidade de usucapião. “O requisito nuclear da aquisição da propriedade pelo ex-cônjuge que permanece no imóvel é o abandono do lar pelo outro. Abandono do lar pressupõe culpa ou, no mínimo, falta de motivo justificado para não mais morar sob o mesmo teto. O fato é que essa esdrúxula modalidade de usucapião vai ensejar o revolvimento de antigas e dolorosas feridas, tudo no afã de demonstrar que o "meu inferno é o outro". Estamos assistindo ao retorno do ingrediente denominado culpa, o qual foi abolido da indigesta receita das separações conjugais pela recente EC 66/2010. A propósito, a principiologia constitucional, na qual se assentam as múltiplas possibilidades de uniões afetivas, sejam casamentos ou uniões estáveis, é informada pelo afeto, o que não se coaduna com qualquer perquirição acerca da culpa. Nessa linha, não se descarta a inconstitucionalidade do novel art. 1240-A. Interessante que o legislador não se preocupou com a sorte de quem foi abandonado num casebre na zona rural. Essa pessoa, abandonada pela sorte e pelo cônjuge, também o foi pelo legislador, que não se dignou em lhe conferir a prerrogativa de aquisição da pequena área de terras onde mora. Dois pesos e duas medidas.”
A crítica é justamente trazer o execrado abandono de lar para a frente do instituto, o que tem sérias repercussões no Direito de Família.
A regra excepciona o Art. 197, I, do CC que impede o transcurso do prazo prescricional na vigência da sociedade conjugal, permitindo que o cônjuge que permaneceu no imóvel adquira a parcela do outra na meação, ou mesmo o próprio imóvel.
Da aquisição pelo registro do título: adquire-se a propriedade imóvel com a transcrição do título aquisitivo no registro imobiliário competente, ou seja, no da circunscrição imobiliária da propriedade. O fim do registro público, como está no art. 1º da Lei nº 6.015/73, é a autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos. O simples contrato, mesmo que constituído por instrumento público, não transfere o domínio, apenas gera entre as partes direitos e obrigações. A propriedade não se adquire “solo consensu”, ou seja, só pelo consenso ou pelo contrato, exclusivamente. A data da aquisição da propriedade é a da apresentação do título ao cartório, onde se faz a prenotação, estando em conformidade, o oficial do cartório providenciará a inscrição na matrícula do imóvel, caso suscite dúvida e a mesma não sendo solucionada pelo interessado, será ela encaminhada a juízo, e sendo julgada improcedente o oficial providenciará a inscrição com a data da prenotação. Sendo julgada procedente a dúvida o oficial cancelará a apresentação do título.
Em que pese a presunção ser relativa, o registro favorece a prova do direito registrado e de sua titularidade. Para provar o direito real é bastante que o titular com registro apresente a certidão do registro. Mas como a presunção é relativa, admite prova em contrário, que fica a cargo daquele que o contesta. Por isso é que o adquirente, mesmo de boa-fé, pode ver o registro cancelado, como se dá com o reconhecimento de uma fraude contra credores, que vicia a transmissão ocorrida alguns anos antes da aquisição. O mesmo vale para uma aquisição a non domino, em um dos elos da corrente, é suficiente para que venha o cancelamento, na via judicial, de todos os registros posteriores. É possível que transmissão que se efetive sem o consentimento do proprietário com registro, que teve, por exemplo, sua assinatura falsificada. Nesse caso o registro será cancelado indiretamente por intermédio da desconstituição do título registrado.
Documentos: os documentos que deverão ser transcritos são: 1) os títulos translativos de propriedade por ato entre vivos; 2) os julgados, pelos quais nas ações divisórias, se puser termo à indivisão; 3) as sentenças, que, nos inventários e partilhas, adjudicarem bens imóveis em pagamento das dívidas da herança; e, 4) a arrematação e a adjudicação em hasta pública.
Retificação: Havendo descompasso entre a realidade registral e a fática ou extrarregistral, o mecanismo de que se dispõe, no ordenamento jurídico pátrio, para se obter a adaptação é a retificação (art. 1.247 do Código Civil). Como o registro não é imutável e intangível, podendo não exprimir a realidade jurídica ou a verdade dos fatos, admite modificação mediante pedido do prejudicado. O que se persegue com a retificação ou a anulação é que se efetive a correção do erro, sanando o defeito, aquilo que não está certo. Isso se obtém administrativamente ou contenciosamente. O objeto da retificação é o direito ou os fatos constantes do registro.
Não havendo erro evidente, a retificação, se não acarretar prejuízo para terceiro, efetiva-se mediante processo de jurisdição voluntária. Somente se tem o contencioso quando haja prejuízo para os confrontantes. A jurisdição contenciosa é indispensável quando a retificação envolver o direito de terceiros. Isso pode ocorrer quando se pretende alterar descrição das divisas ou áreas do imóvel, e houver impugnação fundamentada por parte de terceiro.
Cancelamento: concretiza-se por decisão judicial transitada em julgado; a requerimento unânime das partes que tenham participado do ato registrado, se capazes e com as firmas reconhecidas por tabelião; a requerimento do interessado, instruído com documento hábil. O cancelamento leva a duas situações: 1ª) o assento cancelado perde sua eficácia; 2ª) estabelece a eficácia do assento que passou a vigorar como decorrência do cancelamento. Põe-se fim ao descompasso entre o registrado e a realidade jurídica extrarregistral. Efetivado o cancelamento, o proprietário do imóvel está autorizado a reivindicar o imóvel. Lembramos que o cancelamento do registro da alienação implicou na cessação da eficácia do assento, e estabeleceu a eficácia do assento do alienante Como decorrência disso ele passa a dispor do imóvel em toda sua amplitude, podendo exercer a pretensão reivindicatória, que se efetiva pela ação reivindicatória, prevista pelo art. 1.228 do CC.
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Da aquisição pela acessão: esta é o acréscimo natural ou artificial de tudo o que adere a propriedade aumentando seu valor ou volume. É modo originário ou derivado de aquisição da propriedade, criado por lei, em virtude do qual tudo o que se incorpora, se estende o direito do proprietário a tudo que ao bem se incorpora inseparavelmente. Aqui predomina o princípio segundo o qual “a coisa acessória segue a principal”. Em relação as suas consequências, aplica-se também o princípio que “veda o enriquecimento sem causa”. O legislador entendeu mais conveniente atribuir o domínio da coisa acessória também ao dono da principal, para evitar o estabelecimento de um condomínio forçado e indesejado, porém, ao mesmo tempo, procurou evitar o enriquecimento indevido, possibilitando ao proprietário desfalcado o recebimento de uma indenização.
Os requisitos para a configuração da acessão são: 1) conjunção entre duas coisas até então separadas; e, 2) caráter acessório de uma dessas coisas, em confronto com a outra.
Dá-se a acessão de três modos: 1) de imóvel a imóvel; 2) de móvel a imóvel; e, 3) de móvel a móvel, sendo esta pertinenteà propriedade mobiliária.
Quanto à sua divisão, podem ser: 1) natural quando o acréscimo se dá por força da natureza, como a aluvião, a avulsão, o abandono de álveo e a formação de ilhas e, 2) artificial,quando o acréscimo ocorre com a participação do homem.
Existem 5 espécies de acessões: 1) pela formação de ilhas; 2) por aluvião; 3) por avulsão; 4) por abandono de álveo; 5) pela construção de obras ou plantações. Venosa aborda a questão da acessão natural de animais domésticos que reassumem sua liberdade, voltando à condição de selvagens, esses animais passam a ser “res nullius”, podendo ser objeto de apropriação. Quando o animal doméstico emigra, ou seja, desloca-se para viver em outra propriedade, perante o nosso ordenamento jurídico, podemos resolver essa situação por meio da usucapião do semovente. Se, contudo, o animal for identificável, o proprietário poderá reivindicá-lo enquanto estiver a sua procura.
Ilhas: as ilhas surgem do desdobramento de um braço do rio ou pelo acúmulo de areia e materiais levados pela correnteza, ou de detritos quando ultrapassa a superfície da água, surgidas nos rios não navegáveis. Ocorrendo em rios públicos, pertencerá ao poder público. Surgindo em rios particulares, ou seja, rios não navegáveis, pertencerá ao proprietário ribeirinho na proporção de sua testada. Havendo duas propriedades que fazem divisa em um rio, a divisa é a metade do rio, também denominada de linha de “talweg”, ou seja, a parte mais funda do rio. Surgindo ilha em um dos lados pertencerá ao proprietário desta propriedade; surgindo-a ao meio do rio pertencerá metade da ilha a cada um dos proprietários.
Aluvião: é o acréscimo lento e vagaroso, que o rio anexa às terras de forma imperceptível a olho nu em um determinado momento. Será própria a aluvião quando o acréscimo a margem do rio for natural, proveniente de águas correntes; imprópria quando o acréscimo se formar pelo afastamento, pela retração das águas dormentes como lagos e tanques, descobrindo a margem do álveo.
Não se consideram terrenos de aluvião os aterros artificiais, ou as terras decorrentes de trabalhos individuais do proprietário ribeirinho, eis que lhes falta a circunstância do incremento paulatino e natural. O Código de Águas, Decreto nº 24.643 de 10 de Julho de 1934, alterou a legislação Civil, ampliando o conceito de terreno aluvial aos acréscimos formados em acessão ao mar e as correntes, como também, admitindo como modo aquisitivo a aluvião imprópria, repelida pelo Diploma Civil pátrio.
Avulsão: é o inesperado deslocamento de uma porção de terra por força natural violenta, soltando-se de um prédio para se juntar a outro. Poderá o dono de o primeiro reclamá-lo ao segundo, cabendo a esse a opção entre aquiescer a que se remova a parte acrescida, ou indenizar ao reclamante (art. 1.251). Portanto, a opção é do que teve sua propriedade acrescida, em permitir a remoção ou indenização (por meio de perícia avaliatória se determinará o valor). O prazo para o pleito é decadencial, e se o antigo dono não requerer em um ano, não poderá mais requerê-lo. Quando é de coisa não suscetível de união natural, aplica-se o disposto quanto às coisas perdidas, que devem ser devolvidas ao dono, caso contrário, o acréscimo passa a pertencer ao dono da coisa principal.
Do álveo abandonado: álveo é a superfície que as águas cobrem sem transbordar para o solo natural e ordinariamente enxuto de rio público ou particular (art. 9º do Código das Águas). Pertencerá aos proprietários das duas margens, na proporção das testadas (parte fronteiriça ou extensão de um prédio em relação a outro), até a linha mediana daquele. Os limites dos imóveis confinantes não sofrem modificação se o curso d’água que serve de divisa vem a ser alterado. O art. 1.252 do CC disciplina o abandono do álveo por fenômeno da natureza. Se, contudo, a mudança do álveo for por intervenção do poder público, o álveo abandonado pertencerá ao órgão desapropriante, tendo esse que indenizar o proprietário da terra por onde o novo álveo passará. Não há que se falar em acessão.
Construções e plantações: são modalidades de acessão artificiais ou industriais por serem resultado do trabalho do homem, presumindo-se que em havendo construção ou plantação em um terreno, fora feita pelo proprietário e a suas expensas. Trata-se de acessão de móvel a imóvel. Os materiais utilizados na construção, bem como as plantas são bens móveis que acrescentados a um imóvel ficam imobilizados, incorporando-se a ele, trazendo, destarte, a presunção de que tudo o que existe ou se incorpora a uma propriedade pertença ao dono dessa. Trata-se de presunção vencível, admitindo prova contrária, conforme se infere pela letra do artigo 1.253 do Código Civil. A presunção se ilide nas hipóteses mencionadas nos artigos 1.254 e seguintes.
Comentando a hipótese do art. 1.255, salienta que não seria justo que o plantador ou construtor que procedesse de má-fé fosse encontrar para esta uma proteção da ordem jurídica e receber indenização pelos seus atos ilícitos (art. 1.255, parágrafo único). Esta regra constitui inovação trazida pelo novo Código Civil, aduz, caracterizando uma espécie de desapropriação no interesse privado.
Os respectivos artigos aplicam-se às construções e plantações, que são acessões industriais, e não às benfeitorias, que não são coisas novas, mas apenas acréscimos, introduções, ou melhoramentos em obras já feitas. Nas acessões, o proprietário paga o justo valor, ou seja, o valor efetivo dos materiais e da mão-de-obra. Nas benfeitorias, estando o possuidor de má-fé, pode o proprietário optar entre o valor atual e o seu custo, conforme afirma o artigo 1.222, do Código Civil, devendo este, contudo, ser corrigido monetariamente.
O parágrafo único do art. 1.258 excepciona a regra de que o acessório segue o principal.
Da aquisição da propriedade móvel: Usucapião: Da mesma forma que o usucapião de coisas imóveis, há as espécies ordinária e extraordinária para a prescrição aquisitiva de bens móveis. Ao sucessor singular é facultado para totalizar o prazo somar a posse de seus antecessores. Aplicam-se também ao usucapião as causas que obstam, suspendem, ou interrompem a prescrição, bem como o disposto nos artigos 1.243 e 1.244.
Ocupação: modo originário de aquisição da propriedade móvel, pois o proprietário atual não tem qualquer vínculo jurídico com o antecessor. Sua aquisição independe da vontade de outrem. É a tomada de posse de coisa sem dono, com a intenção de lhe adquirir o domínio. É a aquisição de coisa móvel, recaindo sobre coisas sem dono, isto é, das coisas de ninguém (“res nullius”) e das abandonadas (“res derelicta”), não sendo vedada por lei.
Achado de tesouro: para alguns doutrinadores, a natureza jurídica do tesouro é invenção; para outros é acessão; e, para outros é ocupação. Tesouro é o depósito antigo de moedas ou de coisas preciosas, enterrado ou oculto, de cujo dono não haja memória. Não será tesouro o achado quando alguém mostrar que lhe pertence. Para caracterização do tesouro, necessário o preenchimento dos seguintes pressupostos: 1) que a coisa seja móvel; 2) que a coisa achada seja preciosa; 3) que a propriedade não possa ser provada; e, 4) que a coisa esteja escondida.
No caso da descoberta do tesouro, o inventor, excepcionalmente, por determinação legal, mesmo em se tratando de coisa perdida, ficará com metade de seu valor. Somente incorpora ao patrimônio do achador se a coisa for abandonada, não perdida como vimos, o que se diferencia do regime jurídico do instituto da descoberta (art. 1.233 e ss. do CC).
Tradição: é a entrega de um bem que seu proprietário faz a outrem, com intenção recíproca de transferir e adquirir direitos. É mediante a tradição que se transmite, inter vivos, a propriedade, o domínio ou a posse das coisas. A entrega pode ser real, simbólica ou ficta.
Especificação: é um modo de adquirir a propriedade mediante transformação de coisa móvel em espécie nova, em virtude do trabalho ou da indústria do especificador, desde que não seja possível reduzi-la à suaforma primitiva. Exemplo: a escultura em relação a madeira, ou a pintura em relação a tela, como a transformação da uva em vinho.
Confusão, comistão e adjunção: são uniões de várias coisas, de pessoas diversas, numa única coisa nova. Exemplo: um álbum filatélico, com selos de diversas pessoas nele coladas. As coisas podem misturar-se de tal forma que se torna difícil separá-las e distingui-las. Quando essa mistura ocorre entre coisas líquidas ou liquefeitas, chama-se de confusão (mistura de água e vinho ou de vários tipos de vinho); quando se dá entre coisas sólidas ou secas, de comistão (mistura de diversos tipos de feijão, de arroz); e, quando apenas ocorre justaposição, a união de uma coisa à outra, de adjunção (quando se compõe uma estátua, justapondo-se a ela o braço, a perna, a cabeça etc.). Ocorrerão estas figuras, quando não for possível separá-las ou seu custo seja excessivamente dispendioso.
Entende-se que a confusão, a comistão e a adjunção não se caracterizam, por si só, uma acessão. Somente a adjunção pode-se dizer que se trata de uma acessão; de uma aquisição de propriedade por acessão.
Da perda da propriedade: A enumeração do art. 1.275 do CC é exemplificativa. Há outras causas, por exemplo, a acessão e o usucapião. Podem-se dividir as causas em: 1) voluntárias; e, 2) involuntários. O primeiro modo ocorre por vontade do agente, o que difere do segundo, que é por imposição legal. Como modo voluntário tem a alienação, a renúncia e o abandono. Involuntário, o perecimento do imóvel e a desapropriação.
Tanto a alienação como a renúncia, quanto aos seus efeitos, estão subordinados à transcrição do título transmissivo ou do ato renunciativo no registro do lugar do imóvel.
Alienação: consiste num ato jurídico voluntário, em que o titular do domínio aliena a coisa, tanto gratuitamente como onerosamente, sendo indispensável, todavia, o registro no cartório imobiliário. Alienar é tornar a coisa alheia, perdê-la para outrem.
Renúncia; é um ato unilateral, irretratável e incondicional, em que alguém abre mão dos poderes inerentes a propriedade. Quando há renúncia de um bem imóvel, e somente nesta hipótese que a lei determina forma (escritura pública), necessário se faz registrá-la em cartório imobiliário, ou seja, lavra-se a escritura de renúncia transcrevendo-a no Cartório Registral Imobiliário.
A renúncia é expressa, podendo ser translativa, sendo aquela que se assemelha a alienação, ou preventiva, também chamada de pura ou abdicativa, que se realiza pela recusa à aquisição do direito integrado no patrimônio.
Abandono: é um ato unilateral em que o proprietário manifesta desejo de não mais sê-lo. O não uso da propriedade imóvel não implica necessariamente em abandono. Como a intenção fica no campo subjetivo e ninguém poderá conhecê-la, se não exteriorizada é difícil ser identificada, por isso a lei determina que passado determinado período de tempo, pelo abandono presumido será ele arrecadado, declarado vago e, após pertencente ao domínio público. Presume-se abandonada a propriedade pela desídia, pelo desleixo, não exigindo a lei que o abandono seja registrado em cartório imobiliário. Presumir-se-á de modo absoluto a intenção de não mais conservar o imóvel em seu patrimônio quando, cessados os atos de posse, deixar de satisfazer os ônus fiscais (art. 1.276, “caput” e §§ 1º e 2º, CC) .
Perecimento: perecendo o objeto da propriedade, quer por força natural ou por atividade humana, não mais existirá o direito. Não há direito sem objeto.
Desapropriação: perde-se também a propriedade mediante desapropriação nos casos expressos na Constituição Federal. É um exemplo de perda do domínio involuntário. O CC refere-se ao instituto apenas como perda da propriedade de bens. Trata-se de um ato do poder público em que se transfere o domínio de um bem, que era de um particular para o domínio público, mediante prévia e justa indenização, pagável em dinheiro, ou em títulos de dívida pública, com cláusula de exata correção monetária. Para o desapropriado, pouco ou nenhuma diferença faz saber se a desapropriação foi por necessidade, utilidade pública ou por interesse social, pois em qualquer caso será privado compulsoriamente de sua propriedade. Antigamente o poder público era obrigado a dar a coisa a destinação prevista no ato expropriatório, sob pena de ensejar a retrocessão, ou seja, a coisa voltar ao desapropriado mediante a devolução da importância recebida. Hoje, não importa se a desapropriação foi por necessidade pública e a destinação foi outra, razão esta que muitos entendem não mais existir a figura da retrocessão.
Enunciados CJF:
DIREITO DAS COISAS
236 – Arts. 1.196, 1.205 e 1.212: Considera-se possuidor, para todos os efeitos legais, também a coletividade desprovida de personalidade jurídica.
237 – Art. 1.203: É cabível a modificação do título da posse – interversio possessionis – na hipótese em que o até então possuidor direto demonstrar ato exterior e inequívoco de oposição ao antigo possuidor indireto, tendo por efeito a caracterização do animus domini.
238 – Art. 1.210: Ainda que a ação possessória seja intentada além de “ano e dia” da turbação ou esbulho, e, em razão disso, tenha seu trâmite regido pelo procedimento ordinário (CPC, art. 924), nada impede que o juiz conceda a tutela possessória liminarmente, mediante antecipação de tutela, desde que presentes os requisitos autorizadores do art. 273, I ou II, bem como aqueles previstos no art. 461-A e §§, todos do CPC.
239 – Art. 1.210: Na falta de demonstração inequívoca de posse que atenda à função social, deve-se utilizar a noção de “melhor posse”, com base nos critérios previstos no parágrafo único do art. 507 do CC/1916.
DIREITO DAS COISAS – Enunciados correlatos – 4ª Jornada de Direito Civil
301 – Art.1.198. c/c art.1.204. É possível a conversão da detenção em posse, desde que rompida a subordinação, na hipótese de exercício em nome próprio dos atos possessórios.
302 – Art.1.200 e 1.214. Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil.
303 – Art.1.201. Considera-se justo título para presunção relativa da boa-fé do possuidor o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da posse, esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. Compreensão na perspectiva da função social da posse.
304 – Art.1.228. São aplicáveis as disposições dos §§ 4º e 5º do art. 1.228 do Código Civil às ações reivindicatórias relativas a bens públicos dominicais, mantido, parcialmente, o Enunciado 83 da I Jornada de Direito Civil, no que concerne às demais classificações dos bens públicos.
305 – Art.1.228. Tendo em vista as disposições dos §§ 3º e 4º do art. 1.228 do Código Civil, o Ministério Público tem o poder-dever de atuação nas hipóteses de desapropriação, inclusive a indireta, que envolvam relevante interesse público, determinado pela natureza dos bens jurídicos envolvidos.
306 – Art.1.228. A situação descrita no § 4º do art. 1.228 do Código Civil enseja a improcedência do pedido reivindicatório.
307 – Art.1.228. Na desapropriação judicial (art. 1.228, § 4º), poderá o juiz determinar a intervenção dos órgãos públicos competentes para o licenciamento ambiental e urbanístico.
308 – Art.1.228. A justa indenização devida ao proprietário em caso de desapropriação judicial (art. 1.228, § 5°) somente deverá ser suportada pela Administração Pública no contexto das políticas públicas de reforma urbana ou agrária, em se tratando de possuidores de baixa renda e desde que tenha havido intervenção daquela nos termos da lei processual. Não sendo os possuidores de baixa renda, aplica-se a orientação do Enunciado 84 da I Jornada de Direito Civil.
309 – Art.1.228. O conceito de posse de boa-fé de que trata o art. 1.201 do Código Civil não se aplica ao instituto previsto no § 4º do art. 1.228.
310 - Art.1.228. Interpreta-se extensivamente a expressão “imóvel reivindicado” (art. 1.228, § 4º), abrangendo pretensões tantono juízo petitório quanto no possessório.
311 - Art.1.228. Caso não seja pago o preço fixado para a desapropriação judicial, e ultrapassado o prazo prescricional para se exigir o crédito correspondente, estará autorizada a expedição de mandado para registro da propriedade em favor dos possuidores.
312 – Art.1.239. Observado o teto constitucional, a fixação da área máxima para fins de usucapião especial rural levará em consideração o módulo rural e a atividade agrária regionalizada.
313 – Arts.1.239 e 1.240. Quando a posse ocorre sobre área superior aos limites legais, não é possível a aquisição pela via da usucapião especial, ainda que o pedido restrinja a dimensão do que se quer usucapir.
314 – Art. 1.240. Para os efeitos do art. 1.240, não se deve computar, para fins de limite de metragem máxima, a extensão compreendida pela fração ideal correspondente à área comum.
315 – Art. 1.241. O art. 1.241 do Código Civil permite que o possuidor que figurar como réu em ação reivindicatória ou possessória formule pedido contraposto e postule ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel, valendo a sentença como instrumento para registro imobiliário, ressalvados eventuais interesses de confinantes e terceiros.
316 – Art. 1.276. Eventual ação judicial de abandono de imóvel, caso procedente, impede o sucesso de demanda petitória.
317 – Art. 1.243. A accessio possessionis, de que trata o art. 1.243, primeira parte, do Código Civil, não encontra aplicabilidade relativamente aos arts. 1.239 e 1.240 do mesmo diploma legal, em face da normatividade do usucapião constitucional urbano e rural, arts. 183 e 191, respectivamente.
318 – Art.1.258. O direito à aquisição da propriedade do solo em favor do construtor de má-fé (art. 1.258, parágrafo único) somente é viável quando, além dos requisitos explícitos previstos em lei, houver necessidade de proteger terceiros de boa-fé.
319 – Art.1.277. A condução e a solução das causas envolvendo conflitos de vizinhança devem guardar estreita sintonia com os princípios constitucionais da intimidade, da inviolabilidade da vida privada e da proteção ao meio ambiente.
320 – Art.1.338 e 1.331. O direito de preferência de que trata o art. 1.338 deve ser assegurado não apenas nos casos de locação, mas também na hipótese de venda da garagem.
321 – Art. 1.369. Os direitos e obrigações vinculados ao terreno e, bem assim, aqueles vinculados à construção ou à plantação formam patrimônios distintos e autônomos, respondendo cada um dos seus titulares exclusivamente por suas próprias dívidas e obrigações, ressalvadas as fiscais decorrentes do imóvel.
322 – Art. 1.376. O momento da desapropriação e as condições da concessão superficiária serão considerados para fins da divisão do montante indenizatório (art. 1.376), constituindo-se litisconsórcio passivo necessário simples entre proprietário e superficiário.
323 - É dispensável a anuência dos adquirentes de unidades imobiliárias no “termo de afetação” da incorporação imobiliária.
324 - É possível a averbação do termo de afetação de incorporação imobiliária (Lei n. 4.591/64, art. 31b) a qualquer tempo, na matrícula do terreno, mesmo antes do registro do respectivo Memorial de Incorporação no Registro de Imóveis.
325 - É impenhorável, nos termos da Lei n. 8.009/90, o direito real de aquisição do devedor fiduciante.
491) A posse constitui direito autônomo em relação à propriedade e deve expressar o aproveitamento dos bens para o alcance de interesses existenciais, econômicos e sociais merecedores de tutela.
492) O detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a autodefesa do bem sob seu poder.
493) A faculdade conferida ao sucessor singular de somar ou não o tempo da posse de seu antecessor não significa que, ao optar por nova contagem, estará livre do vício objetivo que maculava a posse anterior.
494) No desforço possessório, a expressão "contanto que o faça logo" deve ser entendida restritivamente, apenas como a reação imediata ao fato do esbulho ou da turbação, cabendo ao possuidor recorrer à via jurisdicional nas demais hipóteses.
495) O conteúdo do art. 1.228, §§ 4º e 5º, pode ser objeto de ação autônoma, não se restringindo à defesa em pretensões reivindicatórias.
496) O prazo, na ação de usucapião, pode ser completado no curso do processo, ressalvadas as hipóteses de má-fé processual do autor.
497) A fluência do prazo de 2 anos previsto pelo art. 1.240-A para a nova modalidade de usucapião nele contemplada tem início com a entrada em vigor da Lei n. 12.424/2011.
498) A aquisição da propriedade na modalidade de usucapião prevista no art. 1.240-A do Código Civil só pode ocorrer em virtude de implemento de seus pressupostos anteriormente ao divórcio. O requisito "abandono do lar" deve ser interpretado de maneira cautelosa, mediante a verificação de que o afastamento do lar conjugal representa descumprimento simultâneo de outros deveres conjugais, tais como assistência material e sustento do lar, onerando desigualmente aquele que se manteve na residência familiar e que se responsabiliza unilateralmente pelas despesas oriundas da manutenção da família e do próprio imóvel, o que justifica a perda da propriedade e a alteração do regime de bens quanto ao imóvel objeto de usucapião.
499) A modalidade de usucapião prevista no art. 1.240-A do Código Civil pressupõe a propriedade comum do casal e compreende todas as formas de família ou entidades familiares, inclusive homoafetivas.
500) As expressões "ex-cônjuge" e "ex-companheiro", contidas no art. 1.240-A do Código Civil, correspondem à situação fática da separação, independentemente de divórcio.
501) O conceito de posse direta referido no art. 1.240-A do Código Civil não coincide com a acepção empregada no art. 1.197 do mesmo Código.
502) É relativa a presunção de propriedade decorrente do registro imobiliário, ressalvado o sistema Torrens.
506) Na aplicação do princípio da função social da propriedade imobiliária rural, deve ser observada a cláusula aberta do § 1º do art. 1.228 do Código Civil, que, em consonância com o disposto no art. 5º, inciso XXIII, da Constituição de 1988, permite melhor objetivar a funcionalização mediante critérios de valoração centrados na primazia do trabalho.
508) A resolução da propriedade, quando determinada por causa originária, prevista no título, opera ex tunc e erga omnes; se decorrente de causa superveniente, atua ex nunc e inter partes.
Questões objetivas
(MPF\25º) questão n.º75 – Em relação às afirmativas abaixo:
I. A acessão é chamada de industrial ou artificial quando a incorporação de uma coisa a outra resultar do trabalho humano, processando-se de móvel a imóvel; CORRETA
II. As ilhas que se formem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, mesmo se o rio for público;
III. A acessão natural por abandono de álveo de uma corrente ocorre quando um rio seca ou se desvia em decorrência de um fenômeno da natureza; CORRETA
IV. O construtor de má-fé em zona lindeira, que exceder a vigésima parte do solo alheio, é obrigado a demolir a construção, indenizando a desvalorização da área perdida.
Das proposições acima:
I e II estão corretas
I e III estão corretas
I e IV estão corretas
Todas estão corretas
Resposta: Acerca da classificação das acessões, pertinentes são os ensinamentos de Orlando Gomes: “ na acepção estrita, por conseguinte, a acessão é o aumento do volume ou do valor do objeto da propriedade, devido a forças externas. Numa palavra, é a acessão contínua, pela qual uma coisa se une ou se incorpora a outra por ação humana ou causa natural. O proprietário da coisa principal adquire a propriedade da coisa acessória, que se lhe uniu ou incorporou. A acessão discreta, isto é, o aumento da coisa de dentro para fora, não é acessão propriamente dita. Divide-se, ainda, a acessão em natural e artificial ou industrial. Natural quando a união ou incorporação da coisa acessória à principal resulta em acontecimento natural.Artificial ou indutrial, quando é conseqüência do trabalho humano. A Aluvião, a avulsão e a formação de ilhas são casos de acessão natural. As plantações e construções de acessão artificial. Segundo, ainda, o autor, a acessão contínua, realiza-se por três modos: de imóvel a imóvel(aluvião, avulsão e formação de ilhas); de móvel a imóvel(plantações e contruções); de móvel a móvel(comistão, confusão, adjunção e especificação). Assm, o item I, está correto. O item II, incorreto, visto que contraria o art.1249, do CC. O item III, foi apontado como correto, mas pela redação poderia causar duvidas. Explica-se: dentro das lições de Orlando Gomes, necessário distinguir e definir as seguintes figuras: aluvião própria (acréscimo que se forma pelo depósitos ou aterros naturais nos terrenos marginais do rio); aluvião imprópria(acréscimo que se forma quanto parte do álveo se descobre em razão do afastamento das águas); álveo abandonado(há total e permanente abandono do antigo leito) Esta figura pressupõe a ação de forças naturais para ser tida como acessão. O fato é que o fenômeno do rio secar pode tanto ocorrer no caso de aluvião imprópria, como no álveo abandonado. Contudo, pela indicação da causa posterior, qual seja, de o rio se desviar, o candidato deveria presumir que a opção estaria a tratar de um abandono total e permanente do antigo leito. O item IV está incorreto, por contrariar o art.1259, do CC, segundo o qual, o construtor de má-fé em zona lindeira exceder a vigésima parte do solo alheio, é obrigado a demolir o que nele construiu e pagar perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro
Questões Subjetivas
(MPF\24º) Limitações à propriedade em virtude de interesse social. Fundamentos. Limitações constitucionais.
Ensina José Afonso da Silva que a função social da propriedade não é uma limitação externa ao direito de propriedade, compondo, em verdade, a sua estrutura interna, sua substância, não é mero condicionante, mas um aspecto intriseco do direito em apreço. O direito administrativo e constitucional enumeram diversos institutos pelos quais se limita a propriedade no interesse social, tais como o tombamento, a requisição, ocupação, desapropriação, registro, restrição parcial e outros. Na seara civil, poderíamos mencionar os direitos de vizinhança, que modulam o uso, gozo e disposição da propriedade, no interesse da sadia convivência social. A propriedade, assim, inicialmente concebida como exclusiva, absoluta e perpetua, encontra limitações constitucionais no art.5º, inciso XXV, da CR; na exigência, do cumprimento de sua intrínseca função social,o que, caso não realizado, enseja as desapropriação sancionatorias urbanísticas, previstas no inciso III, do § 4º, do art.182, da CR, ou no art.184, que trata da desapropriação sancionatória rural, com fim especifico de interesse social.
(MPF\27º) Assertiva adaptada n.:º 87 - I - Em demandas possessórias, o autor pode cumular o pedido de condenação em perdas e danos e o de desfazimento de construção, feita em detrimento de sua posse, bem como pode, não sendo possível determinar as consequências do ato ou fato ilícito, formular pedido genérico. CORRETA, vide DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO INEXISTÊNCIA. CUMULAÇÃO DE PLEITO POSSESSÓRIO E INDENIZATÓRIO NA INICIAL DA AÇÃO POSSESSÓRIA. POSSIBILIDADE. AÇÃO POSSESSÓRIA VINDICANDO APENAS A MANUTENÇÃO DE SERVIDÃO DE PASSAGEM E CESSAÇÃO DA TURBAÇÃO DA POSSE DE ÁREA PERTENCENTE À AUTORA. DEFERIMENTO DE INDENIZAÇÃO, POR ALEGADO SUPERVENIENTE ESBULHO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ADSTRIÇÃO DO PROVIMENTO JURISDICIONAL AOS PLEITOS EXORDIAIS.
1. O artigo 128 do Código de Processo Civil concretiza o princípio da demanda, pois impõe ao julgador, para que não prolate decisão inquinada de vício de nulidade, a adstrição do provimento jurisdicional aos pleitos exordiais. Inteligência da Súmula 381/STJ.
2. Por um lado, o artigo 921 do Código de Processo Civil expressamente prevê que, em demandas possessórias, é lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de condenação em perdas e danos e de desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse. Por outro lado, o artigo 286, II, CPC, permite ao autor, quando não for possível determinar, de modo definitivo, as consequências do ato ou do fato ilícito, formular pedido genérico.
3. No caso em julgamento, os pleitos formulados na inicial limitam-se a vindicar a manutenção da primitiva servidão de passagem e cessação da turbação de posse de área pertencente à autora, sem pleito genérico, e a autora, ora recorrente, afirma que a recorrida suprimiu área de seu terreno para construção de estrada, e também vem se valendo dessa mesma via, obtendo proveito logístico, é de todo inviável a apreciação desse pleito indenizatório incidental, pois o eventual acolhimento, a par de resultar em decisão extra petita por extravasar o pedido vestibular, também violaria a ampla defesa e o contraditório, por não ter supedâneo na causa de pedir.
4. Recurso especial não provido.
(REsp 1060748/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 09/04/2013, DJe 18/04/2013)
Súmulas
STF
237 - O usucapião pode ser argüído em defesa.
340 - Desde a vigência do código civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião.
415 - Servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória.
STJ
193 - O direito de uso de linha telefonica pode ser adquirido por usucapião
496 - Os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União.
Julgados
PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. EXECUÇÃO. LEI 8.009/90. PENHORA DE BEM DE FAMÍLIA. DEVEDOR NÃO RESIDENTE EM VIRTUDE DE USUFRUTO VITALÍCIO DO IMÓVEL EM BENEFÍCIO DE SUA GENITORA. DIREITO À MORADIA COMO DIREITO FUNDAMENTAL. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA. ESTATUTO DO IDOSO. IMPENHORABILIDADE DO IMÓVEL.
1. A Lei 8.009/1990 institui a impenhorabilidade do bem de família como um dos instrumentos de tutela do direito constitucional fundamental à moradia e, portanto, indispensável à composição de um mínimo existencial para vida digna, sendo certo que o princípio da dignidade da pessoa humana constitui-se em um dos baluartes da República Federativa do Brasil (art. 1º da CF/1988), razão pela qual deve nortear a exegese das normas jurídicas, mormente aquelas relacionadas a direito fundamental.
2. A Carta Política, no capítulo VII, intitulado "Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso", preconizou especial proteção ao idoso, incumbindo desse mister a sociedade, o Estado e a própria família, o que foi regulamentado pela Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), que consagra ao idoso a condição de sujeito de todos os direitos fundamentais, conferindo-lhe expectativa de moradia digna no seio da família natural, e situando o idoso, por conseguinte, como parte integrante dessa família.
3. O caso sob análise encarta a peculiaridade de a genitora do proprietário residir no imóvel, na condição de usufrutuária vitalícia, e aquele, por tal razão, habita com sua família imóvel alugado. Forçoso concluir, então, que a Constituição Federal alçou o direito à moradia à condição de desdobramento da própria dignidade humana, razão pela qual, quer por considerar que a genitora do recorrido é membro dessa entidade familiar, quer por vislumbrar que o amparo à mãe idosa é razão mais do que suficiente para justificar o fato de que o nu-proprietário habita imóvel alugado com sua família direta, ressoa estreme de dúvidas que o seu único bem imóvel faz jus à proteção conferida pela Lei 8.009/1990.
4. Ademais, no caso ora sob análise, o Tribunal de origem, com ampla cognição fático-probatória, entendeu pela impenhorabilidade do bem litigioso, consignando a inexistência de propriedade sobre outros imóveis. Infirmar tal decisão implicaria o revolvimento de fatos e provas, o que é defeso a esta Corte ante o teor da Súmula 7 doSTJ.
5. Recurso especial não provido. (REsp 950.663/SC, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 10/04/2012, DJe 23/04/2012)
RECURSO ESPECIAL. HIPOTECA JUDICIAL DE GLEBA DE TERRAS. POSTERIOR PROCEDÊNCIA DE AÇÃO DE USUCAPIÃO DE PARTE DAS TERRAS HIPOTECADAS.
PARTICIPAÇÃO DO CREDOR HIPOTECÁRIO NA AÇÃO DE USUCAPIÃO COMO ASSISTENTE DO RÉU. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PREVALÊNCIA DA USUCAPIÃO. EFEITOS EX TUNC DA SENTENÇA DECLARATÓRIA. CANCELAMENTO PARCIAL DA HIPOTECA JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO.
1 - Assegurada ao primitivo credor hipotecário participação na posterior ação de usucapião, não se pode ter como ilegal a decisão que reconhece ser a usucapião modo originário de aquisição da propriedade e, portanto, prevalente sobre os direitos reais de garantia que anteriormente gravavam a coisa. Precedentes.
2 - Recurso especial desprovido.
(REsp 620.610/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 19/02/2014)
INEXISTÊNCIA. USUCAPIÃO. MODO DE AQUISIÇÃO ORIGINÁRIA DA PROPRIEDADE. TERRENO DE MARINHA. BEM PÚBLICO. DEMARCAÇÃO POR MEIO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO DISCIPLINADO PELO DECRETO-LEI N. 9.760/1946. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DA USUCAPIÃO, POR ALEGAÇÃO POR PARTE DA UNIÃO DE QUE, EM FUTURO E INCERTO PROCEDIMENTO DE DEMARCAÇÃO PODERÁ SER CONSTATADO QUE A ÁREA USUCAPIENDA ABRANGE A FAIXA DE MARINHA. DESCABIMENTO.
1. Embora seja dever de todo magistrado velar a Constituição Federal, para que se evite supressão de competência do egrégio STF, não se admite apreciação, em sede de recurso especial, de matéria constitucional, ainda que para viabilizar a interposição de recurso extraordinário.
2. A usucapião é modo de aquisição originária da propriedade, portanto é descabido cogitar em violação ao artigo 237 da Lei 6.015/1973, pois o dispositivo limita-se a prescrever que não se fará registro que dependa de apresentação de título anterior, a fim de que se preserve a continuidade do registro. Ademais, a sentença anota que o imóvel usucapiendo não tem matrícula no registro de imóveis.
3. Os terrenos de marinha, conforme disposto nos artigos 1º, alínea a, do Decreto-lei 9.760/46 e 20, VII, da Constituição Federal, são bens imóveis da União, necessários à defesa e à segurança nacional, que se estendem à distância de 33 metros para a área terrestre, contados da linha do preamar médio de 1831. Sua origem remonta aos tempos coloniais, incluem-se entre os bens públicos dominicais de propriedade da União, tendo o Código Civil adotado presunção relativa no que se refere ao registro de propriedade imobiliária, por isso, em regra, o registro de propriedade não é oponível à União 4. A Súmula 340/STF orienta que, desde a vigência do Código Civil de 1916, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião, e a Súmula 496/STJ esclarece que "os registros de propriedade particular de imóveis situados em terrenos de marinha não são oponíveis à União".
5. No caso, não é possível afirmar que a área usucapienda abrange a faixa de marinha, visto que a apuração demanda complexo procedimento administrativo, realizado no âmbito do Poder Executivo, com notificação pessoal de todos os interessados, sempre que identificados pela União e certo o domicílio, com observância à garantia do contraditório e da ampla defesa. Por um lado, em vista dos inúmeros procedimentos exigidos pela Lei, a exigir juízo de oportunidade e conveniência por parte da Administração Pública para a realização da demarcação da faixa de marinha, e em vista da tripartição dos poderes, não é cabível a imposição, pelo Judiciário, de sua realização; por outro lado, não é também razoável que os jurisdicionados fiquem à mercê de fato futuro, mas, como incontroverso, sem qualquer previsibilidade de sua materialização, para que possam usucapir terreno que já ocupam com ânimo de dono há quase três décadas.
6. Ademais, a eficácia preclusiva da coisa julgada alcança apenas as questões passíveis de alegação e efetivamente decididas pelo Juízo constantes do mérito da causa, e nem sequer se pode considerar deduzível a matéria acerca de tratar-se de terreno de marinha a área usucapienda.
7. Quanto à alegação de que os embargos de declaração não foram protelatórios, fica nítido que não houve imposição de sanção, mas apenas, em caráter de advertência, menção à possibilidade de arbitramento de multa; de modo que é incompreensível a invocação à Súmula 98/STJ e a afirmação de ter sido violado o artigo 538 do CPC - o que atrai a incidência da Súmula 284/STF - a impossibilitar o conhecimento do recurso.
8. Recurso especial a que se nega provimento.
(REsp 1090847/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/04/2013, DJe 10/05/2013)
Classificação
Formas de Aquisição
Conceito de Propriedade: Direito que a pessoa física ou jurídica tem de usar, gozar (ou fruir), dispor de um bem ou reivindicá-lo de quem injustamente o possua.
Função Social da Propriedade: Acolhida no art. 5, XXIII da CF/88.
Restrições ao direito de propriedade: Constitucionais, administrativas, militares e civis.
Elementos da propriedade: Uso, gozo, disposição e reivindicação.
Classificação da Propriedade:
a) Plena: Quando estão presentes todos os elementos da propriedade (uso, gozo, disposição e reivindicação)
b) Limitada: Quando recai sobre ela algum ônus (ex. hipoteca) ou é resolúvel.
Propriedade Imóvel
#Formas de aquisição da propriedade:
a) Originária = = a posse;
b) Derivada = em consequência do proprietário anterior (inter vivus e causa mortis) = entrega de documentos e registro . Direito hereditário. Art. 1228 $ 1 e 2.
1. Aquisição da Propriedade Imóvel
a) Acessão (1250, 1252): formação de ilhas; aluvião (1251) (acréscimo paulatino de terras às margens do rio mediante lentos depósitos naturais ou desvio de águas); avulsão (repentino deslocamento de uma porção de terra por força natural violenta, desprendendo de um prédio e juntando-se a um outro); álveo abandonado (rio que seca ou desvia totalmente seu curso); e artificiais (acréscimos feitos pelo homem, como exemplo plantações e construções.
# Outros artigos relacionados a propriedade: 1254, 1255, 1257
b) Usucapião:
Modalidades:
a) Extraordinário (1238 único): 15 anos (o prazo cai para 10 anos se o possuidor estabelecer moradia ou realizar obras de caráter produtivo);
b) Ordinário (1242): 10 anos e justo título – prova de boa-fé (o prazo cai para 5 anos se o imóvel foi adquirido onerosamente, estabelecendo moradia ou investimento de caráter econômico);
c) Documental (1242) Constitucional: 5 anos; o limite na área rural é 50 ha (191 CF e 1239 CC) e na urbana é 250 m (183 CF, 1240 CC)
# Requisitos para o Usucapião = a) posse, b) tempo, c) continuidade
# O usucapião independe de justo título.
# Usucapião rural (1239 – independe de justo título e má-fé.
# Usucapião coletivo = 1228 $4
Condições para o Usucapião (1210 a 1222): a) Não ser proprietário de nenhum outro imóvel; b) Os imóveis públicos não podem ser objeto de usucapião.
c) Modos Derivados: Sucessão hereditária (causa mortis) e registro de transferência (inter vivus)
2. Perda da Propriedade Imóvel
Alienação (venda, doação), Renúncia (1276), abandono, perecimento, desapropriação(1228) e usucapião.
Vedação da desapropriação = bens produtivos
Propriedade Móvel
Aquisição e Perda da Propriedade Móvel:
a) Originária: Ocupação e usucapião (extraordinário = 5 anos; ordinário = 3 anos).
b) Derivada: Especificação (transformação de coisa móvel em espécie nova); Confusão (mistura entre coisas líquidas); Comistão (mistura entre coisas sólidas); Adjunção (justaposição de uma coisa sobre a outra; Tradição (entrega de coisa); Herança.
Condomínio ou Compropriedade
É a propriedade em comum. Um mesmo bem pode pertencer a várias pessoas, cabendo a cada uma igual direito sobre o todo.
Espécies de Condomínio: a) Convencional ou voluntário (1314 a 1330) – resulta de acordo de vontade das pessoas; b) Edifício – prédio deapartamentos (1331 a 1358)
Direitos de Vizinhança na Propriedade (1277 a 1313)
Aplica-se nos casos de: a) Uso anormal da propriedade, b) Árvores limítrofes; c) Passagem forçada; d) Águas; e) Limites entre prédios e construção (devassamento, águas e beirais, paredes divisórias e tapagem).
Propriedade Resolúvel: É a que se extingue com a ocorrência de uma condição resolutiva ou de um termo final (ex. dou minha fazenda a X de abril de 2020, quando então a propriedade será de eventual neto).
# Natureza jurídica da Propriedade
. Baseada na lei 1225
. Objeto do direito da propriedade = domínio – 1228
Conceito: Usufruto é o direito real e temporário de usar e fruir (retirar frutos e utilidades) coisa alheia (bem móvel ou imóvel), de forma gratuita, sem alterar-lhe a substância ou destinação econômica.
Exemplo:
A mãe tinha uma casa e resolve doar para seu fi lho. Ao fazer a doação, contudo, a mãe estabelece seu direito real de usufruto sobre o imóvel enquanto viver (usufruto vitalício). Assim, a mãe terá o direito real de usar e fruir da casa (no caso, morar) até que venha a falecer.
Nu-proprietário:É o titular do domínio.Tem apenas a nua propriedade, despida dos direitos de usar e fruir.O nu-proprietário mantém apenas os direitos de dispor e reivindicar o bem.Em nosso exemplo, é o fi lho.
Usufrutuário: É o titular do direito real de usufruto. É o detentor do domínio útil do bem,uma vez que a ele pertencem o uso e o gozo sobre a coisa. Tem a posse direta do bem. Tem a posse indireta do bem.Em nosso exemplo, é a mãe.
Caso Concreto Julgado pelo STJ:
Incide sobre o imóvel “X” um usufruto. A mãe é a usufrutuária. O fi lho (“A”) é o nu-proprietário. “A” mora de aluguel em uma outra casa e neste imóvel “X” quem reside é a sua mãe. O Banco ajuizou execução contra “A” e pleiteou a penhora do imóvel “X”.
O imóvel “X” poderá ser penhorado? Melhor dizendo, como o que “A” possui em relação ao imóvel “X” é apenas a nua propriedade, o Banco poderá penhorar esse direito (nua propriedade) que pertence ao indivíduo “A”?
O STJ decidiu que, em regra, a nua propriedade é suscetível de constrição judicial, salvo se o imóvel do executado for considerado bem de família.
Assim, em tese, o Banco poderia penhorar a nua propriedade que pertence a “A”.
No entanto, no caso concreto, a penhora não foi admitida porque este imóvel é utilizado como bem de família pela mãe de “A”. Logo, está protegido pela Lei nº 8.009/90.
Na hipótese dos autos, a proteção conferida pela Lei nº 8.009/1990 foi estendida ao imóvel do nu-proprietário (executado), onde reside sua genitora na condição de usufrutuária vitalícia.
Segundo se asseverou, a Constituição Federal alçou o direito à moradia à condição de desdobramento da própria dignidade humana. Em especial atenção ao idoso, conferiu-lhe expectativa de moradia digna no seio da família natural, situando-o, por conseguinte, como parte integrante desse núcleo familiar.
Dessa feita, quer por considerar a genitora do nu-proprietário como membro dessa entidade familiar, quer por vislumbrar o devido amparo à mãe idosa — pois o nu-proprietário habita com sua família direta outro imóvel alugado — reputou-se devidamente justificada a proteção legal ao imóvel em questão.
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DO USUFRUTO:
Conceito. Direito de usar uma coisa pertencente a outrem e perceber-lhe os frutos, ressalvada a sua substância.
O direito à substância, a prerrogativa de dispor dela e a expectativa de consolidar a propriedade mais cedo ou mais tarde, por ser o usufruto sempre temporário, ficam nas mãos do proprietário do bem, conhecido aqui como nu-proprietario. Para as mãos do usufrutuário passam, temporariamente, os direitos de uso e gozo, mediante desmembramento do domínio.
Objeto. Não há restrição, podendo ser constituído sobre imóveis ou móveis. Fica a dúvida sobre os bens consumíveis ou fungíveis, ou seja, se poderiam ser eles alvo do usufruto. A resposta, segundo boa parte da doutrina, é positiva, sendo essa modalidade denominada pelos romanos de quase-usufruto e, modernamente, de usufruto impróprio. As coisas fora de comércio não poderão ser alvo de usufruto, uma vez que o bem, para os efeitos de ser objeto, necessita ser alienável e gravável.
Modos de constituição:
Por determinação legal. Exemplo: usufruto dos pais sobre os bens dos filhos menores;
Por ato de vontade, podendo ser inter vivos ou mortis causa. Exemplo: usufruto instituído através de testamento ou contrato;
Pela usucapião. Exemplo: Quando o objeto sobre que recai não pertence àquele que o constituiu.
Características do Usufruto.
O usufruto é inalienável (art. 1393 do CC) e temporário (embora possa durar toda a vida do usufrutuário, quando será chamado de vitalício). O uso é a utilização pessoal da coisa, pelo usufrutuário ou seus representantes; o gozo representa a prerrogativa de retirar e fazer seus os frutos naturais e civis da coisa, podendo o usufrutuário consumir ou vender os frutos, como também dar a coisa em locação, fazendo seus os alugueres. Pode-se mesmo dizer que o usufruto é um direito real em benefício de um indivíduo, o que explica o fato dos antigos o chamarem, juntamente com o uso e a habitação, de servidões pessoais.
Exige-se a transcrição imobiliária no registro, averbando-se junto à matrícula, quando se tratar de imóvel. O usufrutuário mantém a posse direta do bem e o nu-proprietário passa a ser mero detentor da posse indireta, podendo o primeiro defender-se pelos meios possessórios, inclusive contra o detentor da substância, ou seja, o já citado nu-proprietário. Desta forma podemos afirmar que poderá o possuidor direto fruir da coisa, auferir seus frutos naturais e civis, dar a coisa em locação e comodato, ou qualquer outro negócio atípico para essa finalidade.
Tem finalidade primordialmente assistencial e alimentar, restringindo-se, praticamente às relações familiares. Em geral, advém de testamento ou de doação com reserva de usufruto, mas pode ser gerado através dos negócios em geral, gratuitos ou onerosos.
O usufruto é divisível, podendo ser atribuído simultaneamente a mais de uma pessoa, mais de um usufrutuário, estabelecendo-se o co-usufruto, não podendo ser dado a vários titulares de forma sucessiva. Serão facultados o uso e o gozo a mais de um usufrutuário, sempre simultaneamente.
Não havendo ressalva, o usufruto estende-se aos acessórios da coisa e seus acrescidos (art. 1392 do CC). O usufruto é, em regra, instituído sobre uma unidade materialmente considerada e estende-se também às acessões verificadas nos bens usufruídos, bem como aos acessórios e pertenças que o dono coloca na coisa antes de instituí-lo. O direito também envolve as servidões ligadas ao prédio alvo do usufruto.
Os direitos do usufrutuário elecados no artigo 1.394 do CC constituem o mínimo assegurado ao usufrutuário, podendo, mediante acordo de vontades, ser complementados e ampliados.
Espécies:
- Quanto à origem ou modo de constituição: LEGAL ou CONVENCIONAL;
- Quanto à sua duração: TEMPORÁRIO (prazo certo de vigência) ou VITALÍCIO (perdura até a morte do usufrutuário ou enquanto não sobrevier causa legal extintiva).
- Quanto ao objeto: PRÓPRIO (tem por objetos bens inconsumíveis e infungíveis) e IMPRÓPRIO (incide sobre bens consumíveis ou fungíveis – quase-usufruto).
- Quanto aos titulares: SIMULTÂNEO (constituído em favor de duas ou mais pessoas ao mesmo tempo) e SUCESSIVO (é o instituído em favor de uma pessoa, para que depois da sua morte transmita-se a terceiro. Essa modalidade não é admitida pelo nosso ordenamento, que prevê a extinção do usufruto pela morte do usufrutuário.
Distinções.
a) Usufruto e enfiteuse: A enfiteuse possui como característica a perpetuidade, distinguindo-se, assim, da temporariedade do usufruto. O direito do enfiteuta é transmissível, já o do usufrutuário não o é. O art. 1.390 do CC determina que o usufruto pode recair em um ou mais bens,móveis ou imóveis. Já a enfiteuse recai somente sobre bens imóveis. Portanto, o usufruto tem um campo de incidência muito maior que a enfiteuse.
b) Usufruto e condomínio: Não se confunde o usufruto com o condomínio, pois neste os comunheiros exercem em conjunto todos os poderes da propriedade, a propriedade plena, em idêntico nível, apenas limitados pela existência de sujeitos com direitos iguais. No usufruto, existe gradação ou repartição no exercício dos direitos de proprietário, além de ser temporário o direito do usufruto.
c) Usufruto e locação (ou arrendamento): Quando constituído a título oneroso, poderia o usufruto assemelhar-se à locação ou arrendamento. Mas as diferenças são nítidas. O usufruto é elevado à condição de direito real sobre coisa alheia; a locação é relação obrigacional.
d) Usufruto e anticrese: Em relação à anticrese, o usufruto distingue-se porque a primeira tem por base a extinção de uma obrigação preexistente, colocando-se um bem como garantia de seu cumprimento. Saliente-se, por oportuno que, nos sistemas que não admitem a anticrese, o usufruto pode lhe fazer as vezes.
e) Usufruto, uso e habitação: O uso é uma espécie de usufruto de abrangência mais restrita, pois insuscetível de cessão e é limitado pelas necessidades do usuário e de sua família. O direito real de habitação, por sua vez, é ainda mais restrito que o uso e consiste na faculdade de residir num prédio, com sua família. O prédio em causa não pode ser cedido (a título gratuito ou oneroso). Ao uso e à habitação aplicam-se, naquilo que não contrariarem suas naturezas, as disposições concernentes ao usufruto, principalmente no que tange às ações reivindicatórias contra aqueles que estejam obstando o direito do usuário, habitador ou usufrutuário. O uso e a habitação gozam de pessoalidade
f) Usufruto x fideicomisso: No usufruto, ocorre repartição dos poderes da propriedade entre o nu-proprietário e o usufrutuário, que os exercem de forma simultânea. Ambos são titulares concomitantes de direitos inerentes à propriedade. No fideicomisso, há uma disposição sucessiva da propriedade plena, que primeiramente é atribuída ao fiduciário, que em certo tempo, sob determinada condição ou em sua morte, a transferirá ao fideicomissário. O usufruto é um direito real sobre a coisa alheia, enquanto o fideicomisso é uma forma de substituição. No fideicomisso há dois beneficiários sucessivos: o fiduciário, que recebe a propriedade (uso, gozo e disponibilidade), para depois, findo o termo, transferi-la ao outro beneficiário (fideicomissário). No usufruto, os dois beneficiários são simultâneos: o usufrutuário tem o uso e o gozo da coisa, ao mesmo tempo em que o nu-proprietário tem o domínio limitado daquela. Daí decorre que, como no fideicomisso os beneficiários o são sucessivamente, nada impede que a prole eventual de alguém seja fideicomissária, enquanto que no usufruto, por serem os beneficiários simultâneos, devem eles existir no momento da constituição do direito. Portanto, não pode ser usufrutuária ou nu-proprietária a prole eventual de uma pessoa, pois é necessário, no usufruto, a existência atual dos beneficiários.
Como fideicomisso e usufruto podem aproximar-se nas dicções testamentárias, mister entender a ocorrência do fideicomisso quando o testador diz que os bens passam de um beneficiário a outro, após a morte, por certo prazo ou condição. Se o testador beneficia alguém, com reserva da substância a outrem, institui usufruto, ainda que não seja expresso. Persistindo dúvida na interpretação, há que se preponderar pela conclusão da instituição de usufruto, uma vez que ambos os beneficiários poderão usar e gozar de planos dos bens, sem a falibilidade inerente ao fideicomisso.
As distinções acima apontadas fazem surgir a necessidade de esclarecer alguns pontos sobre o usufruto sucessivo, já conceituado acima. Embora seja vetado pelo ordenamento nacional, existem julgados admitindo a inalienabilidade. Se o testador usou a expressão “passagem de bens de um para outro beneficiário”, portanto domínios sucessivos, entende-se que é a hipótese de fideicomisso.
Inalienabilidade. Segundo determina o art. 1393 do CC/02, o direito do usufrutuário é intransmissível. Essa regra é confirmada no art. 1410, I, da mesma norma, quando dispõe que o usufruto se extingue com a morte do usufrutuário. Não obstante, cabe ressaltar que o exercício do direito de usufruto pode ser concedido a título gratuito ou oneroso; somente o direito de usar e gozar a coisa podem ser cedidos. O direito de usufruto só pode ser alienado ao nu-proprietário, havendo com isso a consolidação da propriedade e a extinção do direito real. Se o usufrutuário tiver auferindo rendimentos com o usufruto, o exercício do direito poderá ser penhorado até que os frutos colhidos extingam totalmente a dívida.
g) Usufruto de empresa. O usufruto de empresa ocorre nas execuções cíveis e está previsto nos artigos 716/729 do CPC. Quando for menos gravoso para o devedor, o Juiz poderá conceder, de ofício, o usufruto da empresa, para que o credor vá recebendo paulatinamente o seu crédito. Desse modo, o devedor/executado perde o gozo da empresa, até que seja paga a dívida principal, mais juros, custas e honorários advocatícios. A eficácia de tal instituto se inicia com a publicação da sentença e com esta o magistrado deve nomear um administrador, que atuará tal qual um usufrutuário (ressalte-se que o credor e o devedor podem ser administradores, desde que a outra parte consinta). O Juiz deve, ainda, nomear perito para avaliar os frutos e rendimentos da empresa e para calcular o tempo necessário para a liquidação da dívida. Após o laudo pericial e a manifestação das partes, o magistrado ordenará a expedição de carta de constituição de usufruto, a qual deverá ser registrada no cartório da matrícula do imóvel. A constituição do usufruto não impede a alienação da empresa, desde que o adquirente concorde em manter o credor na posse do bem durante o prazo do usufruto. O arrematante pode, no entanto, pagar o saldo ao credor e extinguir o usufruto.
Extinção do usufruto.
Art. 1410 do CC: O usufruto extingue-se, cancelando-se o registro no Cartório de Registro de Imóveis:
I - pela renúncia ou morte do usufrutuário;
II - pelo termo de sua duração;
II - pela extinção da pessoa jurídica, em favor de quem o usufruto foi constituído, ou, se ela perdurar, pelo decurso de trinta anos da data em que se começou a exercer;
IV - pela cessação do motivo de que se origina;
V - pela destruição da coisa, guardadas as disposições dos arts. 1.407, 1.408, 2ª parte, e 1.409;
VI - pela consolidação;
VII - por culpa do usufrutuário, quando aliena, deteriora, ou deixa arruinar os bens, não lhes acudindo com os reparos de conservação, ou quando, no usufruto de títulos de crédito, não dá às importâncias recebidas a aplicação prevista no parágrafo único do art. 1.395; (OBS: A extinção depende do reconhecimento da culpa por sentença)
VIII - Pelo não uso, ou não fruição, da coisa em que o usufruto recai (arts. 1.390 e 1.399).
A regra básica referente ao usufruto de pessoas físicas estabelece que o direito real se extingue com o falecimento do usufrutuário, não sendo transferido a seus herdeiros, diferentemente da enfiteuse. O legislador justifica essa hipótese no sentido de evitar usufrutos sucessivos, que retiram certos bens do comércio indefinidamente. No entanto, a morte do nu-proprietário não altera a relação jurídica, uma vez que seus sucessores se tornam proprietários. Se o usufrutuário for pessoa jurídica, o direito real se extinguirá em trinta anos.
O perecimento ou a destruição da coisa também faz com que o usufruto seja extinto, ressalvadas as hipóteses de existência de seguro (art. 1407), reconstrução do imóvel (art. 1408) e indenização ou reparação paga por terceiros (ex: desapropriação – art. 1409), pois nesses casos pode ocorrer sub-rogação do usufruto sobre o preço. Se a destruição/perecimento for apenas parcial, o direito real subsiste sobre o remanescente. Caso o usufrutuáriotenha concorrido com culpa, deverá indenizar o nu-proprietário.
Caso o usufrutuário deixe de usar (não-fruição ou não-uso) o bem imóvel por dez anos (art. 205 do CC), o usufruto irá se extinguir. Alguns doutrinadores entendem que o prazo sustentável para essas hipóteses é o do usucapião extraordinário e que a aquisição da propriedade plena se constitui com o decurso do tempo, sendo que a sentença é meramente declaratória (art. 1238). No caso de bens móveis, o usufruto se extingue se o usufrutuário deixar de usar ou fruir do bem por três anos. Para ocorrer a perda do usufruto por prescrição, o usufrutuário não deverá ter praticado nenhum ato de gozo voluntariamente.
O procedimento de extinção do usufruto está disposto nos art. 1103 e 1112, VI, do CPC, já que é um procedimento de jurisdição voluntária. Quando decorre de morte do usufrutuário, prescinde-se de decisão judicial, bem como quando resulta de acordo consensual dos interessados, consolidação, renúncia, entre outros (art. 250, II e III, da Lei de Registros Públicos), quando deve haver o requerimento de averbação junto ao registro imobiliário, como já assentado pelo STF. Se o usufruto for legal, a sua extinção, via de regra, não exige qualquer conduta ou procedimento especial, uma vez que o instituto é típico de jurisdição voluntária e a sua consolidação prescindiu de qualquer espécie de registro.
4 - DO USO:
Conceito e Natureza Jurídica. Direito de usar a coisa, tendo o usuário sobre ela o gozo limitado, podendo perceber os frutos (para consumo) dentro dos limites das necessidades pessoais suas e de sua família, aferidas pelo juiz, de acordo com a condição social do usuário e os costumes do lugar em que vive. São pessoas da família do usuário: cônjuge, filhos solteiros e pessoas que estão a seu serviço doméstico. É um direito real sobre coisa alheia. É direito de gozo ou fruição.
Características:
a) é direito personalíssimo e temporário;
b) é indivisível;
c) recai sobre móveis ou imóveis, coisas singulares ou coletivas;
Distinção do usufruto. O uso não implica o gozo amplo e ilimitado da coisa; é considerado um usufruto restrito, porque ostenta as mesmas características de direito real, temporárrio e resultante do desmembramento da propriedade, distinguido-se entretanto pelo fato de o usufrutuário auferir o uso e a fruição da coisa, enquanto ao usuário não é concedida senão a utilização restrita aos limites das necessidades suas e de sua família. Equipara-se ao usufruto quando recai sobre coisa fungível; não cabe cessão do direito em si nem de seu exercício (já o usufruto é intransferível, mas cabe cessão do seu exercício). Mas se o uso que o proprietário fazia da coisa consistia em arrendá-lo ou locá-lo, o usuário poderá manter esse comportamento (Orlando Gomes). Obs.:São aplicáveis ao uso, no que não for contrário à sua natureza, as disposições relativas ao usufruto.
Direitos e obrigações:
a) direitos: usar, perceber os frutos para necessidades pessoais suas e de sua família, administrar com diligência;
b) obrigações: conservar e restituir a coisa; prestar caução, se exigida.
Constituição. Por ato inter vivos ou causa mortis. Se imóvel, deve haver também o registro. O uso não se adquire por usucapião.
Extinção: Extingue-se pela mesma forma do usufruto (artigo 1.410, CC), com exceção apenas do não-uso, que não se aplica também ao direito real de habitação.
Direito de uso resolúvel (Decreto-Lei 271/67): Direito de uso resolúvel de terrenos públicos ou particulares, remunerado ou gratuito, por tempo certo ou não, destinando-se à urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra ou outras utilizações de interesse social. Dá-se por instrumento público ou particular, ou por termo administrativo, todos levados a registro. Pode ser transmissível inter vivos ou causa mortis, levando-se também a registro.
5 - DA HABITAÇÃO:
Conceito e Natureza Jurídica. Consiste em utilizar gratuitamente imóvel alheio para fim de moradia. A ocupação dá-se pelo habitador, sua família, dependentes e eventuais hóspedes. É um direito real sobre coisa alheia. É direito de gozo ou fruição.
Características:
a) é direito personalíssimo (não pode ser cedido a título gratuito ou oneroso; titular não pode alugar nem emprestar o imóvel);
b) é impenhorável o imóvel;
c) pode recair sobre o imóvel todo ou parte dele;
d) é temporário;
e) titular: pessoa física ou jurídica;
f) em caso de existir mais de um titular, qualquer um pode habitar a casa sem pagar aluguel ao outro, e este não pode impedi-lo de exercer o direito; falecendo um dos titulares, o seu direito extingue-se sem beneficiar outros habitadores, salvo disposição em contrário ou quando se tratar de relação de parentesco ou afetividade, para a jurisprudência;
Direitos e obrigações:
a) Direitos: utilizar imóvel como moradia; perceber os frutos que entram no conceito de utilização da casa;
b) Obrigações: dever de conservação.
Obs.: São aplicáveis à habitação, no que não for contrário à sua natureza, as disposições relativas ao usufruto.
Extinção: Extingue-se pela mesma forma do usufruto (artigo 1.410, CC), com exceção apenas do não-uso.
Direito de habitação e direito das sucessões. Cabe direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente, enquanto viver e permanecer viúvo, sem prejuízo de sua participação que lhe caiba na herança ou meação, relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único bem daquela natureza a inventariar.
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar.
E a companheira? Antes do CC (na lei da união estável) constava o direito real de habitação. Entretanto, o direito real de habitação conferido à companheira pelo artigo 7o. da Lei 9278/96 NÃO foi consagrado em norma expressa do CC/02. Daí, surgirem duas correntes:
1a. CORRENTE (FRANCISCO CAHALI, INÁCIO DE CARVALHO NETO): a companheira não tem direito de habitação, porque o CC/02 não previu.
2a. CORRENTE (PABLO STOLZE, SILVIO VENOSA): a companheira tem direito de habitação, porque o dispositivo não foi expressamente revogado. Invocam o fundamento de CANOTILHO para afirmar que entendimento contrário viola o PRINCÍPIO DO RETROCESSO, a previsão de uma lei nova que revogando uma lei anterior miniminiza ou extingue um direito fundamental. Na CF/88, a união estável é equiparável ao casamento.
Direito real de habitação
O direito real de habitação é previsto no Código Civil nos seguintes termos:
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar.
Exemplo:
João era casado com Maria e faleceu deixando quatro filhos e, como herança, um único apartamento que estava em seu nome e onde ele morava com a esposa. Nesse caso, Maria terá direito real de habitação sobre esse imóvel.
O que significa isso?
Em palavras simples, a pessoa que tem direito real de habitação poderá residir no imóvel. Logo, mesmo havendo quatro filhos como herdeiros, Maria terá direito de residir no apartamento.
O direito real de habitação tem por objetivo garantir o direito fundamental à moradia (art. 6º, caput, da CF/88) e o postulado da dignidade da pessoa humana (art. art. 1º, III).
Recai sobre o imóvel destinado à residência da família
O cônjuge sobrevivente tem direito real de habitação sobre o imóvel em que residia o casal, desde que seja o único dessa natureza e que integre o patrimônio comum ou particular do cônjuge falecido no momento da abertura da sucessão (STJ. 3ª Turma. REsp 1273222/SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 18/06/2013).
O regime de bens do casamentointerfere no reconhecimento do direito real de habitação?
NÃO. Poderá ser assegurado o direito real de habitação qualquer que seja o regime de bens.
Até quando dura o direito real de habitação?
O titular do direito real de habitação poderá, se quiser, morar no imóvel até a sua morte. Trata-se, portanto, de um direito vitalício.
O fato de o cônjuge falecido ter tido filhos com outra mulher, interfere no direito real de habitação da esposa sobrevivente?
NÃO. O direito real de habitação sobre o imóvel que servia de residência do casal deve ser conferido ao cônjuge/companheiro sobrevivente não apenas quando houver descendentes comuns, mas também quando concorrerem filhos exclusivos do de cujos (STJ. 3ª Turma. REsp 1134387/SP, julgado em 16/04/2013).
Se o cônjuge sobrevivente casar novamente, ele continuará tendo direito real de habitação?
SIM (posição majoritária). Isso porque o Código Civil de 1916 previa que o direito real de habitação seria extinto caso o cônjuge sobrevivente deixasse de ser viúvo, ou seja, caso se casasse ou iniciasse uma união estável (art. 1.611, § 2º). Como o CC-2002 não repetiu essa regra, entende-se que houve um silêncio eloquente e que não mais existe causa de extinção do direito real de habitação em caso de novo casamento ou união estável. Veja o que diz a doutrina:
“Comparando-se o art. 1831 do Código Civil de 2002 com o seu antecessor (art. 1.611, CC 1916), houve substancial acréscimo qualitativo do direito real de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. Primeiro, o cônjuge passa a desfrutar do direito real de habitação, independente do regime de bens adotado no matrimônio - no CC de 1916, só caberia em prol do meeiro no regime da comunhão universal. Segundo, no CC de 1916 o direito de habitação era vidual, posto condicionada a sua permanência à manutenção da viuvez. Doravante, mesmo que o cônjuge sobrevivente case novamente ou inaugure união estável, não poderá ser excluído da habitação, pois tal direito se torna vitalício.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Direitos Reais. 8ª ed., Salvador: Juspodivm, 2012, p. 856-857).
O direito real de habitação precisa ser inscrito no registro imobiliário?
NÃO. O STJ possui precedentes afirmando que o direito real de habitação em favor do cônjuge sobrevivente se dá ex vi legis, ou seja, por força de lei, dispensando registro no registro imobiliário, já que guarda estreita relação com o direito de família (STJ. 3ª Turma. REsp 565.820/PR, julgado em 16/09/2004).
Existe direito real de habitação no caso da morte de companheiro (união estável)? João vivia em união estável com Maria e faleceu deixando quatro filhos e, como herança, um único apartamento que estava em seu nome e onde ele morava com a companheira. Nesse caso, Maria terá direito real de habitação sobre esse imóvel?
SIM. O STJ possui o entendimento tranquilo de que a companheira sobrevivente faz jus ao direito real de habitação sobre o imóvel no qual convivia com o companheiro falecido.
O art. 1.831 do CC-2002 fala apenas em cônjuge. Qual é o fundamento para estender o direito real de habitação também aos companheiros?
De fato, o art. 1.831 do CC-2002, ao tratar sobre o direito real de habitação, menciona apenas o cônjuge sobrevivente, silenciando quanto à extensão desse direito ao companheiro sobrevivente. No entanto, esse dispositivo do CC deverá ser interpretado conforme a regra contida no art. 226, § 3º, da CF/88, que reconhece a união estável como entidade familiar.
Assim, deve-se buscar uma interpretação que garanta à pessoa que viva em união estável os mesmos direitos que ela teria caso fosse casada.
O art. 226, § 3º da CF/88 é uma norma de inclusão, sendo contrária ao seu espírito a tentativa de lhe extrair efeitos discriminatórios entre cônjuge e companheiro.
Desse modo, o direto real de habitação contido no art. 1.831 do CC deve ser aplicado também ao companheiro sobrevivente.
Lei n. 9.278/96
O argumento acima (equiparação constitucional dos cônjuges e companheiros) é o mais correto e pertinente. Vale ressaltar, no entanto, que você pode encontrar alguns doutrinadores mencionando, ainda, mais um fundamento pelo qual o direito real de habitação poderia ser concedido aos companheiros: o fato de a Lei n. 9.278/96 conceder esse direito à união estável.
De qualquer modo, seja por uma razão, seja por outra, o certo é que o direito real de habitação é extensível ao companheiro supérstite (sobrevivente).
Enunciado 117 da I Jornada de Direito Civil:
117: O direito real de habitação deve ser estendido ao companheiro, seja por não ter sido revogada a previsão da Lei 9.278, seja em razão da interpretação analógica do artigo 1.831, informado pelo artigo 6º, caput, da Constituição de 88.
Imagine agora seguinte situação:
João vivia em união estável com Maria e faleceu deixando quatro filhos e, como herança, um apartamento que estava em seu nome e onde ele morava com a companheira.
Além disso, João deixou um seguro de vida, em que sua esposa figurava como beneficiária da apólice, tendo ela, portanto, recebido 300 mil reais de indenização da seguradora.
Com o dinheiro, Maria comprou uma casa, que aluga para terceiros.
Diante disso, indaga-se: Maria continuará tendo direito real de habitação sobre o apartamento?
SIM. O fato de a companheira ter adquirido outro imóvel residencial com o dinheiro recebido pelo seguro de vida do de cujus não tem o condão de exclui-la do direito real de habitação referente ao imóvel em que residia com seu companheiro, ao tempo da abertura da sucessão, uma vez que, segundo o art. 794 do CC, no seguro de vida, para o caso de morte, o capital estipulado não está sujeitos às dívidas do segurado, nem se considera herança para todos os efeitos de direito.
Dessa forma, se o dinheiro do seguro não se insere no patrimônio do de cujus, não há falar em restrição ao direito real de habitação, porquanto o imóvel adquirido pela companheira sobrevivente não faz parte dos bens a inventariar.
STJ. 4ª Turma. REsp 1.249.227-SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 17/12/2013 (Info 533).
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Direito de Laje
*#NOVIDADELEGISLATIVA: MP 759/2016: Modifica a redação do CC, no art. 1.225, passando a prever como direito real: “XIII - a laje”.
DIREITO REAL DE LAJE
Um dos pontos mais relevantes e interessantes da MP 759/2016 é que ela altera o Código Civil e passa a prever uma nova espécie de direito real: a laje.
No art. 1.225 do CC é acrescentado um novo inciso:
Art. 1.225. São direitos reais:
(...)
XIII - a laje.
Em que consiste este novo direito real?
O direito real de laje consiste na possibilidade de coexistência de unidades imobiliárias autônomas de titularidades distintas situadas em uma mesma área, de maneira a permitir que o proprietário ceda a superfície de sua construção a fim de que terceiro edifique unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo (novo art. 1.510-A do Código Civil).
Em outras palavras, o Código Civil passa a permitir algo que já existia na prática: alguém tem um imóvel (uma casa, p. ex.) e cede a outra pessoa a parte de cima deste imóvel (a "laje") para que lá ela construa outra edificação autônoma em relação à construção existente na parte de baixo.
Veja a íntegra do novo artigo inserido no Código Civil:
Art. 1.510-A. O direito real de laje consiste na possibilidade de coexistência de unidades imobiliárias autônomas de titularidades distintas situadas em uma mesma área, de maneira a permitir que o proprietário ceda a superfície de sua construção a fim de que terceiro edifique unidade distinta daquela originalmente construída sobre o solo.
§ 1º O direito real de laje somente se aplica quando se constatar a impossibilidade de individualização de lotes, a sobreposição ou a solidariedade de edificações ou terrenos.
§ 2º O direito real de laje contempla o espaço aéreo ou o subsolo de terrenos públicos ou privados, tomados em projeção vertical, como unidade imobiliária autônoma,não contemplando as demais áreas edificadas ou não pertencentes ao proprietário do imóvel original.
§ 3º Consideram-se unidades imobiliárias autônomas aquelas que possuam isolamento funcional e acesso independente, qualquer que seja o seu uso, devendo ser aberta matrícula própria para cada uma das referidas unidades.
§ 4º O titular do direito real de laje responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre a sua unidade.
§ 5º As unidades autônomas constituídas em matrícula própria poderão ser alienadas e gravadas livremente por seus titulares, não podendo o adquirente instituir sobrelevações sucessivas, observadas as posturas previstas em legislação local.
§ 6º A instituição do direito real de laje não implica atribuição de fração ideal de terreno ao beneficiário ou participação proporcional em áreas já edificadas.
§ 7º O disposto neste artigo não se aplica às edificações ou aos conjuntos de edificações, de um ou mais pavimentos, construídos sob a forma de unidades isoladas entre si, destinadas a fins residenciais ou não, nos termos deste Código Civil e da legislação específica de condomínios.
§ 8º Os Municípios e o Distrito Federal poderão dispor sobre posturas edilícias e urbanísticas associadas ao direito real de laje.
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Os direitos reais podem ser classificados em:
Direitos reais sobre coisa própria e direitos reais sobre coisa alheia;
Direitos de gozo ou fruição ou direitos de garantia;
Direitos reais mobiliários e direitos reais imobiliários.
De acordo com as classificações acima, os direitos reais enumerados no Livro III do CC/02 recaem sobre coisa própria (propriedade) ou sobre coisa alheia.
Os Direitos reais na coisa alheia, que nos interessa por ora, podem ser classificados de acordo com a tabela abaixo:
Direito real de gozo ou fruição
DIREITO REAL DA COISA ALHEIA DE GARANTIA.
Direito real A AQUISIÇÃO
Permitir que uma pessoa tenha consigo os poderes de utilização da coisa.
Não terá a coisa consigo. É vedada a utilização da coisa.
Credor tem o direito real.
- Busca-se através do domínio ser proprietário.
- O exercício dos poderes do domínio viabilizem a aquisição da propriedade.
Permitir que terceiro retire as utilidades da coisa.
ASSEGURAR CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO.
UTILIDADE
6 hipóteses
4 hipÓteses
1 hipótese (ou 2)
Enfiteuse (código 16)
Superfície
Servidão predial
Usufruto
Uso
Habitação
Hipoteca
Penhor
Anticrese
Alienação fiduciária em garantia.
Promessa irretratável de compra e venda
Direito de preferência (não unânime)
Os direitos reais de gozo ou fruição são autônomos, enquanto os de garantia são acessórios.
A Renda constituída sobre imóvel é apenas um contrato, não mais um direito real.