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Universidade Federal de Goiás Escola de Agronomia Industrialização de Cereais, Raízes e Tubérculos Extração do Glúten da Farinha de Trigo Rendimento Discentes:Ana Paula Nogueira Guimarães - 201708955 Heron Ricardo Borges - 201700238 Fernanda Rezende Borges - 201403745 Roberto Braz Filho - 201710932 Docente: Manoel Soares Soares Júnior Goiânia, 05 de Abril de 2019 1. Introdução Em relação às demais farinhas de diversos cereais somente a do trigo possui a habilidade de produzir uma massa viscoelástica que reserva o gás produzido no decorrer da fermentação e nos estágios iniciais de cocção do pão, originando um produto leve. O trabalho mecânico é essencial para a formação da rede de glúten (ORTOLAN, 2017). Segundo Wieser, a palavra "glutén" se relaciona à uma massa que é produzida através de um composto proteico que se mantém quando a farinha de trigo é lavada várias vezes, separando o amido e outros componentes que são solúveis em água (Wieser,2007). As proteínas, mais exclusivamente as produtoras do glúten, são principalmente encarregadas por esta propriedade pessoal do trigo. O glúten é formado através de duas partes protéicas: a gliadina e a glutenina. A gliadina exibe um peso molecular médio de 40.000, seu encadeamento é simples e é exageradamente gomosa sempre que hidratada, apontando moderada ou ausência de resistência à extensão, sendo assim, responsável pela coesividade da massa. A glutenina é composta por inúmeras cadeias juntas mutuamente, possuindo um peso molecular médio que apresenta uma variação de 100.000 a vários milhões, é elástica, mas não coesiva e concede à massa a característica de resistência à extensão ( HE & HOSENEY, 1991). A extração do glúten em alimentos é extremamente necessária, pois estima-se que 1% de toda a população mundial é celíaca, em outra palavras apresenta alguma intolerância ou alergia a substância, visto que, o seu único tratamento é uma dieta isenta de glúten. Em vista disso, o mercado alimentício mundial tem cada vez mais produzir alimentos livre de glúten (ARAÚJO et al., 2010). Este experimento teve como objetivo fazer a extração do glúten e analisar suas características. 2. Metodologia 2.1 Materiais ● Farinha de Trigo ● Água destilada ● Tijela ● Balança analítica ● Espatúla 2.2 Métodos Primeiramente foi pesado 200 gramas de farinha de trigo em uma tigela, misturado com 100 mililitros de água destilada, homogeneizado e amassado até obter uma massa viscoelástica. Após ocorreu a lavagem da massa em água corrente de baixa vazão até remover todo amido presente na mesma. Em seguida, foi retirada a água presente no produto, batendo a mesma contra a bancada. Por fim foi pesado o glúten obtido a partir desse procedimento. A análise foi realizada doze vezes. 3. Resultados e Discussões Neste experimento foi obtido um teor de glúten de aproximadamente 6,56%. A discrepância entre este valor e o encontrado no rótulo da farinha de trigo utilizada no experimento é notável, já que esperava-se a obtenção de cerca de 9,8 gramas de glúten em 100 gramas de farinha. Entretanto, cabe notar que o rótulo refere-se à quantidade de proteína na farinha, referindo-se tanto às proteínas formadoras de glúten (albumina e globulina) quanto às formadoras de glúten (gliadina e glutenina) (GUARIENTI, 1996). Considerando que as proteínas do glúten são insolúveis em água, a lavagem da massa obtida com água corrente é eficiente na separação dos grânulos de amido. É possível ver, na figura 1, parte do amido extraído da massa e, na figura 2, duas amostras de glúten extraídos de 200 gramas de farinha de trigo cada. Figura 1. Amido extraído após lavagem com água corrente Figura 2. Glúten 4. Conclusão A quantidade de proteína encontrada após a aula prática foi relativamente baixa, principalmente quando comparada com a farinha de trigo comum. De acordo com os resultados obtidos no laboratório, a quantidade, em 100 gramas de farinha, seria de 6,56 gramas e a farinha de trigo comum, varia entre 10 gramas a 15 gramas, resultando em erros e perdas, que podem ter acontecido durante a secagem do glúten, onde muito peso foi perdido quando, acidentalmente, quando a massa entrava em contato com papéis para secagem, ou quando, durante a lavagem, o glúten que caia da massa, não era retornado à ela. 5. Referências Bibliográficas CARUSO, V. R. Mistura para o preparo de bolo sem glúten. Centro Universitário do Instituto Mauá de Tecnologia. São Caetano do Sul, SP, 2011. GUARIENTI, E. M. Qualidade industrial de trigo. Embrapa - CNTP. 36 p., 2ed. Passo Fundo, RS, 1996 HE, H.; HOSENEY, R.C. Gas retention of different cereal flours. Cereal Chemistry, v.68, n.4, p. 334 - 336, 1991. HOSENEY, R.C. Principles of Cereal Science and Technology. St. Paul: American Association of Cereal Chemists, AACC, 1990, p.76-87. LACERDA, L. D. Avaliação das propriedades físico-químicas de proteína isolada de soja, amido e glúten e suas misturas. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2008. ORTOLAN, Fernanda et al. Características proteicas que afetam a qualidade do glúten vital para aplicação em panificação: Characteristics of proteins that affect the vital wheat gluten quality to be used in bread-making. 2017. WIESER, H. Chemistry of gluten proteins. Food microbiology, v. 24, n. 2, p. 115-119, 2007.