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PROCESSOS INDUSTRIAIS Caderno de Estudos Prof. Enrico Di Raimo UNIASSELVI 2013 NEAD Educação a Distância GRUPO 620.11 R153p Raimo, Enrico di Processos industriais / Enrico di Raimo. Indaial : Uniasselvi, 2013. 345 p. : il ISBN 978-85-7830- 701-1 1. Processos industriais. 2. Engenharia de materiais. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito 89130-000 - INDAIAL/SC www.uniasselvi.com.br Copyright UNIASSELVI 2013 Elaboração: Prof. Enrico Di Raimo Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. APRESENTAÇÃO Caro(a) acadêmico)a)! Produzir um material sobre os sistemas de produção não é tarefa fácil. É necessário traçar um percurso histórico para que possamos acompanhar o desenvolvimento humano, associando-o à própria evolução dos denominados sistemas industriais. Na medida em que compreendemos as formas como o homem, desde os primórdios da civilização, passou a ter conhecimentos acerca da obtenção e utilização de materiais, podemos ter uma ideia da forma como os sistemas, desde os mais elementares, chegando até o sistema industrial contemporâneo, foi delineando novas formas de organização e controle dos processos industriais. Ao tratar propriamente sobre a profissão de Engenheiro de Produção, dentre as diversas atividades relacionadas à sua atuação profissional, tais como: planejamento e controle da produção, garantia da qualidade, otimização de processos, vale destacar a necessidade do conhecimento no campo da Engenharia de Fabricação. Assim, neste aspecto, os processos de fabricação ou manufatura permitirão um conhecimento por parte do engenheiro a respeito da transformação da matéria-prima (forma, propriedades, estética) e da fabricação de produtos finais, o que está intimamente atrelado à própria dinâmica da empresa. No contexto da manufatura é essencial que o futuro engenheiro de produção tenha domínio da ciência e engenharia de materiais e dos processos de fabricação. Serão apresentadas algumas características dos principais materiais de engenharia dentro dos grupos dos metálicos, cerâmicos e polímeros, incluindo os materiais compósitos. Os processos de mudança de propriedades e proteção também serão inclusos, tais como tratamentos térmicos e tratamentos de superfícies e revestimentos. Antes do estudo específico dos principais processos industriais apresentamos as características dos sistemas de produção, sejam eles classificados como contínuos ou de fluxo em linha, intermitentes (produção em lotes ou por encomenda), e sistemas para grandes projetos sem repetição. Esta classificação, denominada tradicional, está baseada no fluxo do produto, enquanto que a classificação cruzada envolve além do fluxo de produto, a dimensão de atendimento ao consumidor com sistemas orientados para estoque e sistemas orientados para encomenda. Num sistema de produção, atividades estão envolvidas para a produção de bens e serviços utilizando-se de insumos, capital, equipamentos, tecnologias e mão de obra. De qualquer forma, o processo básico de criação ou conversão necessita de um subsistema de controle, envolvendo programações, padrões estabelecidos, aplicação de recursos eficazmente e orientação para a qualidade do produto ou serviço obtido. Numa unidade industrial outros setores estão inter-relacionados à produção para contribuir com o alcance dos objetivos da empresa. Estes setores incluem: marketing, engenharia de produto, logística, planejamento e controle da produção, finanças e contabilidade, iii recursos humanos etc. Um aspecto importante da organização industrial é o estudo do arranjo físico ou layout, isto é, a disposição dos equipamentos no espaço industrial para otimização da produção. Estes arranjos podem ser do tipo fixo, por processo, por produto ou celular. Os sistemas industriais evoluíram da produção primitiva, passando pela fase artesanal e atingindo a fase da maquino-fatura, consolidada através da Revolução Industrial e ampliando a produção massivamente. Entretanto, apesar do aumento de escala na produção, as soluções dos problemas de organização e controle da produção industrial só emergiram no início do século XX, através das postulações da administração científica de Taylor, Gilbreth, Faiol e outras contribuições tais como a linha de montagem de Ford. Os problemas da produção em massa só foram superados com o advento de um novo sistema, denominado sistema de produção flexível, ou sistema Toyota de produção, que usa automação em processos, operários polivalentes entre outras características. As operações industriais são desdobradas basicamente em operações de processamento e operações de montagem. Neste caderno interessam-nos os aspectos das operações de processamento, genericamente divididas em operações de moldagem (processos de solidificação, processamento de partículas, processos de conformação, remoção de material), melhoria da propriedade (tratamentos térmicos), processamento da superfície (revestimento e deposição). No tocante aos aspectos gerenciais, abordamos o estudo de layout e fluxograma de produção. Ainda, pensando em termos de gerência e controle, abordamos os aspectos vinculados ao gerenciamento ambiental da produção, com preocupações ligadas à prevenção e controle da poluição e gestão de resíduos industriais dentro da ótica da análise de ciclo de vida do produto. Os processos industriais de fabricação mecânica são estudados nas classes dos processos metalúrgicos e processos mecânicos. Dentre os processos metalúrgicos, destacam- se os processos primários de produção de peças, tais como fundição, os processos de produção de peças por deformação plástica, denominados de conformação plástica. Tais processos podem ser: laminação, extrusão, trefilação, estampagem, forjamento etc. e os processos de soldagem para união de peças. Os processos mecânicos são analisados em termos da usinagem (processo com separação de material) e usinagem não convencional, e a metalurgia do pó. Na usinagem tradicional, envolvendo operações de torneamento, fresamento, furação, aplainamento, entre outras, apresentamos aspectos relacionados à mecânica do corte, geometria da ferramenta de corte, materiais de ferramenta, formação de cavaco, desgaste de ferramenta, fluidos de corte, máquinas-ferramenta, ferramentas abrasivas etc. Destacamos também alguns aspectos da moldagem de peças plásticas e a fabricação de materiais compósitos modernos. Além das características dos processos industriais de produção de peças, da preocupação com os problemas ambientais gerados pela produção, dos aspectos gerenciais de processo, layout e fluxograma, introduzimos o leitor na questão de modelagem e controle de processos. A modelagem de sistemas é utilizada como ferramenta para a resolução de problemas de engenharia e envolve frequentemente a simulação para a sua validação. Prof. Enrico Di Raimo iv v UNI Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. Desejo a você excelentes estudos! UNI vi SUMÁRIO UNIDADE 1: ELEMENTOS DE PROCESSOS INDUSTRIAIS .......................................... 1 TÓPICO 1: SISTEMAS INDUSTRIAIS ............................................................................ 3 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 3 1.1 EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS INDUSTRIAIS DEPRODUÇÃO ................................. 3 1.1.1 Modelos de Administração da Produção .................................................................. 6 1.1.2 A 3ª Revolução Industrial – O Toyotismo .................................................................. 8 1.1.3 Características do Toyotismo ................................................................................... 9 1.1.4 As Três Fases da Revolução Industrial .................................................................. 10 1.1.5 A Indústria Contemporânea ..................................................................................... 11 1.2 SISTEMAS DE PRODUÇÃO ...................................................................................... 11 1.3 CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO ................................................. 18 1.3.1 Classificação Tradicional ........................................................................................ 21 1.3.2 Classificação Cruzada de Schroeder ..................................................................... 21 1.3.3 Classificação Baseada na Teoria de Sistemas ....................................................... 22 1.4 INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS .................................................................................. 24 1.4.1 O Projeto de Fábrica .............................................................................................. 24 1.4.2 Unidades típicas de uma fábrica ............................................................................ 27 LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 28 RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 32 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 34 TÓPICO 2: OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO ................................................................... 35 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 35 2 DEFINIÇÕES DE PROCESSOS .................................................................................. 35 2.1 PROCESSOS NA VISÃO DA GESTÃO .................................................................... 35 2.2 OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO E A CLASSIFICAÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS ............................................................................................................ 39 2.2.1 A Produção ............................................................................................................. 39 2.2.2 Processamento Químico Industrial ......................................................................... 43 2.2.2.1 Classificação das Operações Unitárias ............................................................... 44 2.2.3 Operações de Produção em Manufatura ............................................................... 46 2.2.3.1 Operações de Processamento ............................................................................ 48 2.2.3.2 Operações de Montagem .................................................................................... 50 LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 52 RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 62 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 63 TÓPICO 3: MATERIAIS DE ENGENHARIA ................................................................... 65 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 65 2 CONCEITOS GERAIS ................................................................................................. 65 vii viii 3 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS ........................................................................... 67 3.1 MATERIAIS METÁLICOS .......................................................................................... 68 3.1.1 Metálicos Ferrosos ................................................................................................. 70 3.1.1.1 Aços e Ferros Fundidos ....................................................................................... 70 3.1.2 Metais Não-Ferrosos .............................................................................................. 73 3.1.3 Ligas Metálicas ....................................................................................................... 75 3.1.4 Principais Propriedades Mecânicas dos Metais ..................................................... 75 3.2 MATERIAIS NÃO-METÁLICOS ................................................................................. 76 3.2.1 Polímeros ............................................................................................................... 76 3.2.1.1 Outros Constituintes das Peças de Plástico ........................................................ 79 3.2.3 Materiais Cerâmicos ............................................................................................... 79 3.2.4 Materiais Compósitos ............................................................................................. 80 3.2.5 Sistemas De Matrizes ............................................................................................. 84 3.2.6 Reforços Fibrosos .................................................................................................. 85 3.2.7 Interface Fibra/Matriz .............................................................................................. 86 3.2.8 Outros Tipos de Materiais ....................................................................................... 87 RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 88 AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 89 AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 90 UNIDADE 2: DESCRIÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS ........................................ 91 TÓPICO 1: INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS INDUSTRIAIS ..................................... 93 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 93 RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 100 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 101 TÓPICO 2: FUNDIÇÃO ................................................................................................. 103 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 103 1.2 SIDERURGIA .......................................................................................................... 105 1.3 MÉTODOS DE FUNDIÇÃO ...................................................................................... 110 2 CONFORMAÇÃO POR DEFORMAÇÃO PLÁSTICA ................................................ 113 2.1 FORJAMENTO ......................................................................................................... 118 2.1.1 Operações de forjamento ...................................................................................... 118 2.2 EXTRUSÃO ............................................................................................................. 120 2.2.1 Tipos de processos ...............................................................................................121 2.3 LAMINAÇÃO ........................................................................................................... 124 2.4 REPUXAMENTO ..................................................................................................... 127 2.5 TREFILAÇÃO .......................................................................................................... 128 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 128 2.6 ESTAMPAGEM ........................................................................................................ 131 2.6.1 Processos de estampagem .................................................................................. 134 2.6.2 Métodos de expansão .......................................................................................... 134 2.7 DOBRAMENTO ....................................................................................................... 135 ix 2.8 CORTE .................................................................................................................... 136 2.9 OUTROS PROCESSOS ......................................................................................... 137 3 SOLDAGEM ............................................................................................................... 139 3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE SOLDAGEM ........................................ 139 RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 144 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 148 TÓPICO 3: PROCESSOS MECÂNICOS DE FABRICAÇÃO ....................................... 153 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 153 1.1 USINAGEM DOS MATERIAIS E CONCEITOS GERAIS ........................................ 154 1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE USINAGEM ......................................... 155 1.2.1 Classificação quanto ao processo de remoção do material ................................. 155 1.2.2 Classificação quanto à geometria da ferramenta ................................................. 155 1.2.3 Classificação quanto à finalidade da operação de corte ...................................... 156 1.3 DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS PROCESSOS DE USINAGEM ........................... 157 1.3.1 Processos de usinagem com ferramentas de geometria definida ....................... 157 LEITURA COMPLEMENTAR 1 ..................................................................................... 158 1.3.2 Processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida ................ 163 1.3.2.1 Retificação ......................................................................................................... 164 LEITURA COMPLEMENTAR 2 ..................................................................................... 166 LEITURA COMPLEMENTAR 3 ..................................................................................... 169 1.4 MATERIAL DA FERRAMENTA DE CORTE ............................................................ 173 1.4.1 Materiais e ferramentas abrasivas ....................................................................... 181 1.4.2 Geometria da ferramenta ..................................................................................... 184 1.4.2.1 Superfícies, arestas e pontas da cunha cortante .............................................. 185 1.4.2.2 Sistema de referência e planos ......................................................................... 187 1.4.2.3 Ângulos da ferramenta ...................................................................................... 189 1.4.2.4 Ângulos da broca ............................................................................................... 190 1.4.3 Mecânica do corte ................................................................................................ 192 1.4.4 Meio lubrirrefrigerante e temperatura na região de corte ..................................... 198 LEITURA COMPLEMENTAR 4 ..................................................................................... 199 1.4.5 Máquina-ferramenta ............................................................................................. 205 1.4.6 Tipos e formas de cavaco ...................................................................................... 211 1.4.7 Falhas na ferramenta de corte ............................................................................. 214 1.4.8 Ensaios de usinabilidade ...................................................................................... 217 2 METALURGIA DO PÓ ............................................................................................... 219 2.1 PROCESSOS E OPERAÇÕES ............................................................................... 220 2.2 APLICAÇÕES E PRODUTOS DA METALURGIA DO PÓ ....................................... 223 2.3 LIMITAÇÕES AO USO DA METALURGIA DO PÓ .................................................. 225 RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 226 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 229 TÓPICO 4: TRATAMENTOS TÉRMICOS E DE SUPERFÍCIES DOS METAIS ........... 233 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 233 x 2 PRINCIPAIS OBJETIVOS DOS TRATAMENTOS TÉRMICOS ................................. 234 3 TIPOS DE TRATAMENTOS TÉRMICOS ................................................................... 235 3.1 RECOZIMENTO ...................................................................................................... 236 3.2 NORMALIZAÇÃO .................................................................................................... 236 3.3 TÊMPERA ............................................................................................................... 237 3.4 REVENIMENTO ...................................................................................................... 237 4 TRAMENTOS TERMOQUÍMICOS ............................................................................. 238 5 REVESTIMENTOS DOS METAIS .............................................................................. 240 5.1 INTRODUÇÃO À CORROSÃO DOS METAIS ........................................................ 240 5.1.1 Tipos de corrosão ................................................................................................. 241 5.1.2 Fatores de influência na corrosão ........................................................................ 242 5.2 PROTEÇÃO DOS METAIS POR REVESTIMENTOS METÁLICOS E NÃO METÁLICOS ................................................................................................ 243 5.2.1 Revestimentos metálicos ...................................................................................... 243 5.2.2 Proteção dos metais por revestimentos não metálicos ........................................ 244 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 246 RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 249 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 251 AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 254 UNIDADE 3: GESTÃO E CONTROLE DE PROCESSOS INDUSTRIAIS ...................255 TÓPICO 1: LAYOUT E FLUXOGRAMA ....................................................................... 257 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 257 2 LAYOUT ..................................................................................................................... 257 2.1 LAYOUT E OS SISTEMAS DE PRODUÇÃO .......................................................... 258 2.2 PRINCÍPIOS DO LAYOUT ...................................................................................... 259 2.3 TIPOS CLÁSSICOS DE LAYOUT ........................................................................... 261 2.3.1 Arranjo posicional ou por posição fixa .................................................................. 262 2.3.2 Arranjo funcional departamental ou por processo ................................................ 263 2.3.3 Arranjo linear ou por produto ................................................................................ 264 2.3.4 Arranjo físico celular ............................................................................................. 266 2.4 ANÁLISE COMPARATIVA DOS DIVERSOS TIPOS DE “LAYOUT” ........................ 267 3 REPRESENTAÇÕES DE FLUXO DE PROCESSO .................................................. 268 3.1 FLUXOGRAMA DO PROCESSO ............................................................................ 268 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 270 3.1.1 Fluxograma de setores ......................................................................................... 278 3.1.2 Fluxograma cronológico ....................................................................................... 278 3.2 MAPOFLUXOGRAMA ............................................................................................. 279 RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 281 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 283 TÓPICO 2: PREVENÇÂO E CONTROLE DE POLUIÇÃO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS ............................................................................................. 285 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 285 2 ALGUNS CONCEITOS AMBIENTAIS ....................................................................... 287 3 IMPACTOS AMBIENTAIS .......................................................................................... 289 3.1 HISTÓRICO ............................................................................................................. 291 3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS ................................................. 292 3.2.1 Classificação espacial dos impactos .................................................................... 292 3.2.2 Classificação temporal dos impactos ................................................................... 293 3.2.3 Classificação dos impactos ambientais pelo tipo de risco .................................... 294 3.3 LICENCIAMENTO AMBIENTAL .............................................................................. 295 4 METODOLOGIAS DE GESTÃO AMBIENTAL .......................................................... 296 LEITURA COMPLEMENTAR ........................................................................................ 297 4.1 ENFOQUES PREVENTIVOS .................................................................................. 299 LEITURA COMPLEMENTAR 2 ..................................................................................... 301 4.2 ANÁLISE DO CICLO DE VIDA (ACV) DO PRODUTO E PROCESSO ................... 303 5 PROCESSOS INDUSTRIAIS, RESÍDUOS E CONTROLE DA POLUIÇÃO ............. 305 LEITURA COMPLEMENTAR 3 ..................................................................................... 306 5.1 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS ............................................... 308 5.1.1 Resíduos sólidos industriais ................................................................................. 310 5.1.1.1 Classificação ...................................................................................................... 311 5.1.1.2 Tratamento de resíduos sólidos ......................................................................... 311 LEITURA COMPLEMENTAR 4 ..................................................................................... 314 5.1.2 Controle de poluentes atmosféricos ..................................................................... 317 5.1.3. Fontes de poluição atmosférica ........................................................................... 317 5.1.3.1 Padrões de qualidade do ar .............................................................................. 318 5.1.3.2 Medidas de controle da poluição atmosférica ................................................... 319 5.2 VENTILAÇÃO INDUSTRIAL ................................................................................... 320 5.3 CONTROLE DA POLUIÇÃO SONORA ................................................................... 322 RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 323 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 326 TÓPICO 3: ANÁLISE DE PROBLEMAS EM PROCESSOS INDUSTRIAIS ................ 327 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 327 2 SISTEMA DINÂMICO ................................................................................................ 328 3 MODELOS E CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS ...................................................... 332 3.1 MODELOS ............................................................................................................... 332 3.2 CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS ATRAVÉS DOS MODELOS .............................. 333 RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................... 337 AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 339 AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 340 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 341 xi xii UNIDADE 1 ELEMENTOS DE PROCESSOS INDUSTRIAIS ObjETIvOS DE APRENDIzAgEM Nesta unidade vamos: entender a definição de sistema de produção, sua evolução e suas características; compreender as formas de classificação de sistemas de produção; verificar as unidades típicas e áreas funcionais de uma fábrica; verificar as características das operações de produção; verificar a classificação dos processos de produção; entender a importância dos principais materiais utilizados em engenharia. TÓPICO 1 – SISTEMAS INDUSTRIAIS TÓPICO 2 – OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO TÓPICO 3 – MATERIAIS DE ENGENHARIA PLANO DE ESTUDOS Esta primeira unidade será dividida em três tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades que contribuirão para sua reflexão e análise dos estudos já realizados. SISTEMAS INDUSTRIAIS 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 A história do homem tem forte ligação com a sua habilidade de trabalhar com os materiais, começando com a Idade da Pedra e passando pelas eras do cobre e bronze, a Idade do Ferro, e recentemente a idade do Aço. Além do domíniodos materiais de fabricação, houve o desenvolvimento contínuo de ferramentas, máquinas, tecnologias, processos e conhecimentos no histórico da produção capitalista. A evolução dos sistemas de produção abrange desde a etapa de produção primitiva, passando pela produção artesanal, as transformações decorrentes da Revolução Industrial no século XVIII, as implicações da administração científica, do fordismo, da produção flexível (toyotismo), dos desdobramentos da automação e inovações tecnológicas do século XXI. UNIDADE 1 1.1 EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS INDUSTRIAIS DE PRODUÇÃO Na etapa de produção primitiva, o solo é a condição natural de produção. Neste caso, as características do sistema produtivo evidenciam-se por: • Divisão do trabalho similar a divisão familiar; • União das pessoas com geração das comunidades; • Escambo – a troca da produção excedente; • A troca da força de trabalho por mercadoria. Com a formação de excedentes de produção dos produtores houve a profissionalização da troca: o surgimento das feiras livres. Com as sobras de uns, contra as faltas de outros, houve a necessidade de intercâmbio de mercadorias, a princípio intergrupos, sem a exigência de um lugar, onde a busca de se conseguir as mercadorias que necessitam é mais intensa. A consolidação das feiras, embora haja relatos bíblicos de sua ocorrência na época de Jesus Cristo, ocorre na Idade Média, segundo Maior (1978, p. 190), que escreve: UNIDADE 1TÓPICO 14 as influências das atividades comerciais de Bizâncio foram vis não somente para a Idade Média, mas até para a Idade Moderna, pois o renovado contacto comercial com o Oriente foi uma das causas principais do aparecimento de muitas cidades do Ocidente europeu e a concorrência comercial estimulou os descobrimentos e a expansão da civilização européia no século XVI. No período medieval o sistema econômico estava baseado no feudalismo que, além do intercâmbio de produtos pelas feiras livres já mencionadas, envolve o trabalho dos artesões. Com o desenvolvimento do trabalho artesanal há o desenvolvimento de ofícios com a consequente reunião de artesões e mestre de ofícios em fábricas. O desenvolvimento econômico das sociedades, a propagação de novas ideias através do iluminismo, a centralização política através do absolutismo e posteriores revoluções liberais (tais como a Francesa e a Americana) e incremento do comércio, ocasionam o surgimento da classe dos burgueses e de profundas transformações nos sistemas produtivos. Alguns pensadores no período também influenciaram na adoção de novas medidas econômicas, podendo destacar entre lados antagônicos, Adam Smith com a sua defesa do Mercado Livre e Karl Marx com o seu entendimento sobre o modo de produção baseado no Capital e do conceito de Mais-valia (acumulação primitiva). A Revolução Industrial, com sua primeira fase ocorrendo entre 1760 e 1850, provoca profundas transformações no modo de produção vigente até então. A primeira Revolução Industrial, liderada pela Inglaterra no século XVIII, provoca, entre outros, a substituição do trabalho artesanal pela maquinofatura, o acúmulo de capital, grandes invenções, intensificando o uso das matérias primas baseadas no ferro, carvão e algodão. Com o desenvolvimento da energia do vapor, do tear mecânico, do descaroçador de algodão, as indústrias têxteis e máquinas de ferro se destacam neste período. FIGURA 1 – OS PRIMÓRDIOS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL FONTE: Disponível em: <http://senioreagles.wikispaces.com/Industrial+Revolution+Invent ion+Project>. Acesso em: 5 mar. 2013. UNIDADE 1 TÓPICO 1 5 NO TA! � A revolução industrial provocou uma intensificação do trabalho através da extensão da duração da jornada de trabalho mantendo o salário (mais-valia absoluta). A ampliação da produtividade física do trabalho ocorre pela via da mecanização (a chamada mais-valia relativa). DIC AS! Um bom filme para perceber as implicações da revolução industrial no sistema de produção e no trabalho é “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. FONTE: Disponível em: <http://www.google.com.br/search?q=revolução+in dustrial&hl=ptBR&prmd=imvnsb&tbm=isch&tbo=u&source=univ&s a=X&ei=0DSFUIqZOYk8QSYsIG4Ag&ved=0CCkQsAQ&biw=102 4&bih=627>. Acesso em: 04 out. 2012. A 2a Revolução Industrial, compreendendo o período de 1850 a 1980, apresenta como características: • Difusão dos princípios de industrialização em diversos países: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Estados Unidos e Japão. • Valorização das ciências Física e Química. • Destaque para a eletricidade e a química, resultando em novos tipos de motores (elétricos e à explosão), no aparecimento de novos produtos químicos e na substituição do ferro pelo aço no processo Bessemer. • Surgimento das grandes empresas (Ford e GM) do telégrafo sem fio, do rádio, da televisão e dos modelos de administração da produção. A Revolução Industrial trouxe uma produção acelerada, porém faltava organização e método. Surgem então novos modelos de administração da produção. UNIDADE 1TÓPICO 16 1.1.1 Modelos de Administração da Produção • Taylorismo (Frederick Taylor 1856-1915) • Fordismo (Henry Ford 1863-1947) • Toyotismo (Taiichi Ohno – 1950) O engenheiro americano Frederick Winston Taylor entra para história ao apresentar uma abordagem científica da produção em substituição ao empirismo e experimentalismo, de forma a sistematizar a produção para aumentar a produtividade, reduzindo assim o tempo e os gastos desnecessários no interior do processo produtivo. Os conceitos relacionados à organização racional do trabalho envolvem: • preocupação especial com os tempos e movimentos que cada operário utiliza na execução de suas tarefas; • economia de movimentos com o estímulo para que o trabalhador execute sua tarefa no menor tempo possível; • a recompensa (remuneração e/ou status) é utilizada para estimular a competitividade e influenciar a produtividade; • Análise dos movimentos do corpo, uma palavra importante que está presente na teoria de Taylor é a disciplina; • Adequação de instrumentos, utensílios, máquinas e ferramentas para diminuir esforço e movimentos desnecessários; • Desenvolvimento um ambiente mais adequado. Os críticos dos trabalhos de Taylor apresentam como problema decorrente de sua abordagem, a perda da autonomia e da criatividade intensificando o trabalho alienado. O engenheiro francês Henry Faiol, outro expoente da chamada abordagem científica da produção, que envolve também os trabalhos do casal Gilbreth, apresenta formulações administrativas de divisão do trabalho, disciplina, unidade de comando, ordem, remuneração e hierarquia. Partindo dos estudos de Taylor, Henry Ford (1863 -1947), proprietário das indústrias Ford Motor Company, desenvolveu seu procedimento industrial baseado na linha de montagem, um dos aspectos do denominado Fordismo, para gerar uma grande produção que deveria ser consumida em massa. FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria>. Acesso em: 5 mar. 2013. O Fordismo, como sistema de produção, apresenta como características: UNIDADE 1 TÓPICO 1 7 • Máquinas alinhadas e ritmo acelerado; • A sequência lógica das máquinas na linha de montagem; • Representaram uma economia de tempo e espaço, revolucionando o ambiente de trabalho; • Fabrica somente um produto; • Controle total do processo industrial; • Linha de produção; • Especialização do trabalho; • Produção em série e em massa. O Fordismo é um método de produção que permitiu a empresa Ford produzir mais de 2 milhões de carros, durante a década de 1920. O veículo pioneiro de Ford no processo de produção fordista foi o mítico Modelo T, mais conhecido no Brasil como "Ford Bigode". O processo de produção desenvolvido por Ford influenciou rapidamente o mundo industrializado,e foi importante para a consolidação da supremacia do EUA no século XX. Entretanto, a produção em massa gerou excedentes e altos estoques de produtos que não eram consumidos, pois os salários e renda dos trabalhadores não acompanharam o crescimento da produtividade industrial. Isto culminou com a chamada crise de 1929 e a depressão da economia americana, que encontrou recuperação somente com o início da Segunda Guerra Mundial e implantação de medidas econômicas de estímulo denominadas “Keynesianas”. Neste período de crise de superprodução houve quem defendesse a ideia de um Exército de Reserva para justificar o alto desemprego, pois “certa quantidade de desempregados é imprescindível para que o capitalismo funcione satisfatoriamente” (SANDRONI, 1982, p. 85). FIGURA 2 – LINHA DE MONTAGEM FONTE: Disponível em: <http://vestibularkercluker.blogspot.com.br/2012/08/ fordismo.html>. Acesso em: 5 mar. 2013. UNIDADE 1TÓPICO 18 NO TA! � A inspiração de Ford para a implementação da linha de montagem de automóveis na verdade veio de uma observação de “linha de desmontagem”: um abatedouro de aves. 1.1.2 A 3ª Revolução Industrial – O Toyotismo O Japão ainda lutava para se recuperar das consequências devastadoras da Segunda Guerra quando se tornou o berço da produção flexível. Em grande medida sob influência das ideias de Taiichi Ohno surge na fábrica da Toyota, que nos anos 40 estava à beira da falência. O processo de produção originou-se na automação industrial com paradas em situação anormal adaptadas do tear automático. O Toyotismo, assim denominado e gerador da 3ª Revolução Industrial é caracterizado por trabalhadores multifuncionais e um sistema produtivo flexível. A sustentação do sistema, que alavancou a Toyota e adquiriu projeção mundial principalmente a partir da década de 70, é a absoluta eliminação do desperdício e os dois pilares necessários são o Just-in-time e a Automação. UNI “O ato de produzir é o princípio de economia”. Taiichi Ohno Os antecedentes históricos do Toyotismo são: • Período Pós Segunda Guerra; • Matéria-prima escassa; • Mão de obra não especializada; • Guerra da Coréia; • Crise do Petróleo. Diferente dos EUA, o Japão enfrentava a escassez de mão-de-obra e matéria-prima. Assim, a conjuntura histórica determinou, dentre outras coisas: • Lógica de estoque mínimo de matéria-prima e produtos; • Um funcionário deveria estar habilitado para muitas funções (multifuncionalismo); UNIDADE 1 TÓPICO 1 9 • Desperdício zero; • Flexibilização das relações de trabalho (terceirização, subcontratações etc.). 1.1.3 Características do Toyotismo • Os operários interrompem a produção a qualquer momento para consertar falhas; • A maioria das peças é feita por outras companhias, os fornecedores; • O estoque é mínimo. Os fornecedores entregam as peças quando a companhia solicita; • O operário-modelo é aquele que identifica problemas e propõe soluções; • O funcionário deve se preocupar com a aplicação que o produto terá depois de vendido; • A empresa deve planejar a produção de modo a atender aos desejos de seus clientes; • Trabalho em equipes; • Mão de obra mais qualificada; • Operários controlam a qualidade; • Just in time; • Jidoka; • Multifuncionalização dos funcionários; • Controle da Qualidade Total; • Kanban. NO TA! � Just in Time = Produzir o necessário, com o necessário no tempo necessário. NO TA! � Kaizen (‘kai’ significa, em japonês, mudança e ‘zen’ para melhor) é uma palavra de origem japonesa com o significado de melhoria contínua, gradual, na vida em geral (pessoal, familiar, social e no trabalho). FONTE: Disponível em: <http://kaizen-utad.wikispaces.com/Kai-zen+Ke- isso>. Acesso em: 14 mar. 2013. UNIDADE 1TÓPICO 110 NO TA! � Kanban é uma palavra japonesa que significa literalmente registro ou placa visível. Em administração da produção significa um cartão de sinalização que controla os fluxos de produção em uma indústria. O cartão pode ser substituído por outro sistema de sinalização, como luzes, caixas vazias e até locais vazios demarcados. Coloca-se um Kanban em peças ou partes específicas de uma linha de produção, para indicar a entrega de uma determinada quantidade. Quando se esgotarem todas as peças, o mesmo aviso é levado ao seu ponto de partida, onde se converte num novo pedido para mais peças. Quando for recebido o cartão ou quando não há nenhuma peça na caixa ou no local definido, então deve-se movimentar, produzir ou solicitar a produção da peça. O Kanban permite agilizar a entrega e a produção de peças. Pode ser empregado em indústrias montadoras, desde que o nível de produção não oscile em demasia. Os Kanbans físicos (cartões ou caixas) transitam entre os locais de armazenagem e produção substituindo formulários e outras formas de solicitar peças, permitindo enfim que a produção se realize Just in time. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/exibir/750-kanban>. Acesso em: 14 mar. 2013. 1.1.4 As Três Fases da Revolução Industrial QUADRO 1 – FASES DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL PRIMEIRA SEGUNDA TERCEIRA Início 1780 1913 1975 País líder INGLATERRA EUA JAPÃO Carro-chefe Indústria têxtil (algodoeira). Indústria Automobilística. Indústria automobilística e eletroeletrônica. Tecnologia Máquina de fiar, tear mecânico, máquina a vapor, ferrovia. Eletricidade, eletromecânica, petróleo, motor a explosão, aço, petroquímica. Informática, telecomunicação, robótica, biotecnologia. FONTE: Oliveira (2004, p. 26) Algumas diferenças entre os sistemas de produção denominados Taylorismo, Fordismo e Toyotismo podem ser visualizadas sinteticamente no quadro a seguir. O Toyotismo apresenta de maneira geral maior robotização, menos mão de obra na fábrica, ocupação de menor espaço e possibilidade de alteração (flexível) da linha de montagem. UNIDADE 1 TÓPICO 1 11 QUADRO 2 – DIFERENÇAS ENTRE OS SISTEMAS DE PRODUÇÃO Modalidades Taylorismo Fordismo Toyotismo Formato da Produção Produção fabril Produção em série, linha de montagem, especialização, rigidez. Produção flexível, ilha de produção, “just in time”, qualidade total. Emprego Forte expansão principalmente na indústria. Forte expansão principalmente na grande indústria. Forte retração principalmente na indústria, trabalho parcial, precário, informal. Trabalho Semi-artesanal, qualificado, “poroso”, pesado, Insalubre. Especializado, pouco qualificado, Intenso, rotineiro, insalubre, hierarquizado, fragmentado. Polivalente, flexível, menos hierarquia, extremamente intenso, estressante, integrado em equipe. Contexto do Trabalho Quebra de máquinas, surgimento dos sindicatos. Reforço dos sindicatos, ampliação dos direitos trabalhistas (pisos salariais, jornada de trabalho de 8 horas, licença maternidade, etc.). Baixa mobilização, direitos trabalhistas ameaçados, dessindicalização, contexto de disputa entre trabalhadores formais, precarizados e desempregados. FONTE: Oliveira (2004, p. 32-33) 1.1.5 A Indústria Contemporânea Os sistemas industriais do século XVI apresentam como características e/ou tendências: • Aumento das plantas industriais; • Aumento da complexidade produtiva; • Robótica; • Reprodução da atividade humana; • Criação de sistemas especialistas. 1.2 SISTEMAS DE PRODUÇÃO “O sistema de produção ou a empresa propriamente dita é definida como o conjunto de atividades e operações inter-relacionadas envolvidas na produção de bens (caso de indústrias) UNIDADE 1TÓPICO 112 ou serviços” (MOREIRA, 2006, p. 8). Embora o sistema de produção seja uma entidade abstrata, podem-se distinguir neste alguns elementos constituintes fundamentais. São eles: os insumos,o processo de criação ou conversão, os produtos ou serviços e o subsistema de controle. O subsistema de controle é a designação genérica que se dá ao conjunto de atividades que visa assegurar que programações sejam cumpridas, que padrões sejam obedecidos, que os recursos estejam sendo usados de forma eficaz e que a qualidade desejada seja obtida. O sistema de controle, pois, promove a monitoração dos três elementos do sistema de produção. FONTE: Disponível em: <http://folgueral.com.br/anexo/tcc/Sistemas_de_Producao.pdf>. Acesso em: 5 mar. 2013. A função produção é central para a organização porque produz os bens e serviços que são a razão de sua existência, mas não é a única nem, necessariamente, a mais importante. Em termos de fronteiras e responsabilidades, a função produção poderia abarcar uma definição restrita, excluindo desta forma todas as atividades compartilhadas com quaisquer outras funções dentro de uma organização (compras, recursos humanos, desenvolvimento de produto entre outras). Em outro extremo, uma definição mais amplas da produção incluiria todas as atividades que possuíssem qualquer conexão com a produção de bens e serviços – na prática, todas as atividades, com exceção das de marketing/vendas e contabilidade/finanças. A figura a seguir ilustra a fronteira da função administração da produção decorrente das definições estreita e ampla. FIGURA 3 – FRONTEIRAS DA FUNÇÃO PRODUÇÃO: (a) DEFINIÇÃO ESTREIRA, (b) DEFINIÇÃO AMPLA FONTE: SLACK et al. (1999, p. 31) UNIDADE 1 TÓPICO 1 13 DIC AS! Qualquer operação produz bens ou serviços, ou um misto dos dois, e faz isso por um processo de transformação. Por transformação nos referimos ao uso de recursos para mudar o estado ou condição de algo para produzir outputs. FONTE: Disponível em: < https://docs.google.com/document/d/1pgJBZt NC4md19syPnqkBcqwc65xuNOXFJGpDDkQLxOk/preview?aut hkey=CMv99OgJ&pli=1>. Acesso em: 5 mar. 2013. Para descrever a natureza da produção, Slack et al. (1999, p. 36) exemplificam um modelo de transformação (conforme figura a seguir).mencionando que “a produção envolve um conjunto de recursos de input usado para transformar algo ou para ser transformado em outputs de bens e serviços”. Geralmente, os recursos transformados que a produção emprega são um composto de: • materiais; • informações; • consumidores. FIGURA 4 – MODELO DE SISTEMA DE PRODUÇÃO FONTE: Slack et al. (1999, p. 36) UNIDADE 1TÓPICO 114 As operações que processam materiais podem também transformar suas propriedades físicas (como forma, composição ou características). Isso ocorre com a maioria das operações de manufatura. Outras operações que processam materiais também mudam sua localização (empresas de entrega de encomendas, por exemplo). Algumas, como operações de varejo, também mudam a posse ou a propriedade dos materiais. Finalmente, algumas operações de processamento de materiais, principalmente, os estocam ou os acomodam, como um armazém. FONTE: Disponível em: <http://migre.me/dxNX9>. Acesso em: 5 mar. 2013. Os outputs e o propósito do processo de transformação são bens e serviços, geralmente vistos como diferentes. Neste caso, as características diferenciais entre bens e serviços se apresentam nos aspectos de tangibilidade, estocabilidade, transportabilidade, simultaneidade, contato com o consumidor e qualidade. Conforme Oliveira (2012), integradas ao sistema de produção, existem as medidas de performance (qualidade, custo, produtividade etc.) motivadas pelos resultados de bens e serviços e aplicadas como retroalimentação nos recursos de entrada e no processo de transformação em si. NO TA! � Os insumos são os recursos a serem transformados diretamente em produtos, como as matérias-primas, e mais os recursos que movem o sistema, como a mão-de-obra, o capital, as máquinas e equipamentos, as instalações, o conhecimento técnico dos processos etc. FONTE: Disponível em: < http://www.fpl.edu.br/2012/media/pdfs/03. graduacao/tcc/2012/tcc_ana_carolina_teixeira_de_souza_2012. pdf.>. Acesso em: 5 mar. 2013. Groover (2011, p. 4) define um sistema de produção como um conjunto de pessoas, equipamentos e procedimentos organizados para realizar as operações de produção de uma empresa (ou outra organização). De acordo com este autor, os sistemas de produção podem ser divididos em duas categorias ou níveis: 1. Instalações. As instalações do sistema de produção incluem a fábrica, os equipamentos instalados e a forma como estão organizados; 2. Sistemas de apoio à produção. É o conjunto de procedimentos utilizados pela empresa no gerenciamento da produção e na solução de problemas técnicos e logísticos encontrados UNIDADE 1 TÓPICO 1 15 na encomenda de materiais, na movimentação de trabalho pela fábrica e na garantia de que os produtos atenderão aos requisitos de qualidade. O projeto de produtos e determinadas funções de negócios estão incluídos nos sistemas de apoio à produção. O apoio à produção envolve um ciclo de atividades de processamento de informação, conforme ilustra a figura a seguir. As instalações do sistema de produção estão representadas no centro da figura. O ciclo de processamento da informação pode ser descrito por quatro funções: (1) funções de negócio; (2) projeto do produto; (3) planejamento da produção; (4) controle da produção. FIGURA 5 – CICLO DE PROCESSAMENTO DA INFORMAÇÃO EM UMA EMPRESA DE PRODUÇÃO TÍPICA FONTE: Groover (2011, p. 5) O sistema de produção não funciona no vazio, isoladamente. Ele sofre influências, de dentro e de fora da empresa, que podem afetar seu desempenho. Em outras palavras, ele sofre a influência de um ambiente externo e de um ambiente interno. No caso do ambiente interno, o sistema de produção encontra-se na esfera de influência das outras áreas funcionais da empresa (Marketing, Finanças, Recursos Humanos, etc.) e tem sobre elas um impacto. FONTE: Disponível em: <http://folgueral.com.br/anexo/tcc/Sistemas_de_Producao.pdf>. Acesso em: 5 mar. 2013. As empresas adotam diferentes estruturas organizacionais e definem diferentes funções, UNIDADE 1TÓPICO 116 todas com responsabilidades específicas. Neste contexto, a função produção é central para a organização, porque produz bens e serviços que são a razão de sua existência, mas não é a única nem, necessariamente, a mais importante. Em conjunto com a função produção existem outras funções principais que exercem papéis fundamentais numa empresa: • A função marketing; • A função contábil-financeira; • A função desenvolvimento de produto/serviço. Também devemos destacar as funções de apoio que suprem e apoiam a função produção: • A função recursos humanos; • A função compras; • A função engenharia/suporte técnico. De acordo com Degarmo (2003), os sistemas de produção devem servir e dar suporte aos sistemas e processos de manufatura pelo fornecimento e transmissão de informação, energia, conhecimento, habilidades e serviços às áreas de fábrica, aos fornecedores da companhia, e aos seus clientes. Tradicionalmente, a empresa inclui os seguintes departamentos ou áreas funcionais (conforme apresentado na próxima figura): • Marketing e Departamento de vendas; • Finanças e Contabilidade; • Sistema de manufatura; • Pessoal; • Pesquisa e desenvolvimento; • Engenharia de produto (projeto de produto); • Compras; • Planejamento e controle da produção (programação); • Controle de estoque; • Inspeção e controle de qualidade; • Engenharia de fábrica ou manutenção; Num modelo de empresa tradicional, as funções marketing, logística e produção possuem áreas de atuação diferenciadas, tendo às vezes objetivos conflitantes. A partir das funções de marketing e produção das organizações, pode-se apresentar a interface da logística empresarial (MORABITO; IANNONI;BALLOU apud RAMOS DA SILVA, 2011). De maneira geral podemos sintetizar as funções de produção e de marketing como: Produção: Preocupa-se com a maneira de gerar bens e/ou serviços, mediante controle adequado de qualidades e com a minimização dos custos de produção. UNIDADE 1 TÓPICO 1 17 Marketing: Possuir a responsabilidade de gerar lucros para a empresa por meios promocionais, ofertas de produto e pesquisas de mercado. FIGURA 6 – SISTEMA DE PRODUÇÃO CLÁSSICO MOSTRANDO A INCLUSÃO DO SISTEMA DE MANUFATURA E OS PRINCIPAIS ELEMENTOS FUNCIONAIS FONTE: Degarmo (2003, p. 1035) Em uma situação ideal, marketing e produção deveriam ser funções balanceadas em relação à quantidade de produtos que transacionam, ou seja, a produção deveria se ocupar de produzir apenas o que o marketing vendeu ou vice-versa; o marketing deveria vender apenas o que foi produzido. No entanto, em virtude de oscilações de mercado, do tempo decorrido entre a colocação do pedido e a sua entrega (lead time), da necessidade de disponibilizar imediatamente os produtos ao cliente no momento desejado e de outros fatores, há o desbalanceamento entre as duas funções, gerando conflitos. O estabelecimento de uma área intermediária, que pudesse atenuar os conflitos entre produção e marketing, surgiu como um novo campo de atuação que poderia ser ocupado pela logística, cobrindo necessidades das duas funções. UNIDADE 1TÓPICO 118 A logística possui interface com as funções de marketing e produção, pois as atividades primárias de transporte, manutenção de estoques e processamento de pedidos exercem influência sobre ambas. Ballou apud Ramos da Silva (2011), propõe o rearranjo de algumas atividades consideradas de responsabilidade única da produção ou do marketing, resumidas na figura a seguir. FIGURA 7 – INTERFACES DA LOGÍSTICA COM A PRODUÇÃO E O MArkeTing FONTE: Adaptado de Ballou (1993, p. 36) Hoje, os sistemas de produção são indispensáveis. Os modernos empreendimentos de manufatura que os gerenciam devem considerar as realidades econômicas do mundo moderno. Tais realidades incluem segundo Groover (2011): • Globalização; • Terceirização internacional; • Terceirização local; • Fabricação terceirizada; • Tendência rumo ao setor de serviços nas economias desenvolvidas; • Expectativas de qualidade; • Necessidade de eficiência operacional. 1.3 CLASSIFICAÇÃO DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO A produção de bens de consumo lida com os bens duráveis, a exemplo dos automóveis, eletrodomésticos e os bens não duráveis, tais como produtos alimentícios, têxteis etc. De acordo UNIDADE 1 TÓPICO 1 19 com Oliveira (2004), no tocante aos sistemas industriais, podemos ter os seguintes tipos de Indústrias: pesada ou de base (ex: siderurgia, metalurgia, produção de energia elétrica, extração mineral, petrolífera), intermediária (ex: automobilística, naval, têxtil, alimentícia, ferroviária) bens de consumo e a denominada indústria da ciência (informática, robótica, comunicações, aeroespacial, biogenética). De uma forma simples, Camarotto (1996) classifica os processos de produção nos sistemas industriais modernos como (a) contínuos, (b) repetitivos e (c) intermitentes, conforme representados na figura a seguir. FIGURA 8 – PROCESSOS DE PRODUÇÃO: CONTÍNUOS, REPETITIVOS E INTERMITENTES. FONTE: Adaptado Camarotto (1996, p. 8) Os processos produtivos podem contar com a participação humana em sua execução de formas variadas, incluindo o trabalho puramente manual, o trabalho mecanizado, a combinação de trabalho manual com máquina e a automação completa do processo. Desse ponto de vista, Groover (2011, p. 3) apresenta os sistemas de produção como: UNIDADE 1TÓPICO 120 Nos sistemas de produção, as instalações representam as fábricas, as má- quinas e as ferramentas, o equipamento para tratamento de materiais, os equipamentos de inspeção e os sistemas computadorizados que controlam as operações de produção. As instalações incluem também o layout da fábri- ca, que se refere à organização física dos equipamentos. Os equipamentos normalmente estão organizados em grupos lógicos e nos referimos a esses arranjos e aos trabalhadores que nele trabalham como sistemas de produção na fábrica. Os sistemas de produção podem ser células individuais de traba- lho, compostas por uma única máquina de produção e um único trabalhador responsável. É mais comum que se pense em um sistema de produção como grupos de maquinas e trabalhadores, por exemplo, uma linha de produção. Os sistemas de produção entram em contato físico diretamente com as peças e/ou montagens sendo feitas. Eles ´tocam’ o produto. As três categorias básicas, de acordo com Groover (2011), em termos da participação humana no processo executado pelos sistemas de produção, podem ser listadas conforme apresenta a figura a seguir: (a) sistema de trabalho manual; (b) sistemas trabalhador-máquina; (c) sistemas automatizados. FIGURA 9 – CATEGORIAS DE SISTEMAS DE PRODUÇÃO EM FUNÇÃO DA PARTICIPAÇÃO HUMANA: (A) SISTEMA DE TRABALHO MANUAL; (B) SISTEMA TRABALHADOR- MÁQUINA; (C) SISTEMA AUTOMATIZADO FONTE:Groover (2011, p. 4) UNIDADE 1 TÓPICO 1 21 Moreira (2006, p. 8) define o que é um sistema de produção e descreve brevemente seus elementos e suas interações. Apresenta então, duas classificações de sistemas de produção, a primeira denomina-se Classificação Tradicional e a segunda Classificação Cruzada de Schroeder. 1.3.1 Classificação Tradicional A Classificação Tradicional, em função do fluxo do produto, agrupa os sistemas de produção em três grandes categorias: QUADRO 3 – CATEGORIAS DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO Sistemas de produção contínua ou de fluxo em linha: apresentam seqüência linear de fluxo e trabalham com produtos padronizados: i) produção contínua propriamente dita: é o caso das indústrias de processo, este tipo de produção tende a ter um alto grau de automatização e a produzir produtos altamente padronizados; ii) produção em massa: linhas de montagem em larga escala de poucos produtos com grau de diferenciação relativamente pequeno Sistemas de produção intermitente (fluxo intermitente) i) por lotes: ao término da fabricação de um produto outros produtos tomam seu lugar nas máquinas, de maneira que o primeiro produto só voltará a ser fabricado depois de algum tempo ii) por encomenda: o cliente apresenta seu próprio projeto do produto, devendo ser seguidas essas especificações na fabricação. Sistemas de produção de grandes projetos sem repetição: produto único, não há rigorosamente um fluxo do produto, existe uma sequência predeterminada de atividades que deve ser seguida, com pouca ou nenhuma repetitividade. FONTE: Adaptado de Moreira (2006) Resumidamente, então temos: Categorias de sistemas de produção a) sistema de produção contínua ou de fluxo em linha; b) sistema de produção por lotes ou por encomenda (fluxo intermitente); c) sistemas de produção de grandes projetos sem repetição. 1.3.2 Classificação Cruzada de Schroeder No caso da Classificação Cruzada de Schroeder, citada por Moreira (2006), consideram-se duas dimensões. De um lado, a dimensão tipo de fluxo de produto de maneira UNIDADE 1TÓPICO 122 semelhante à classificação tradicional. De outro, a dimensão tipo de atendimento ao consumidor, onde existem duas classes: - Sistemas orientados para estoque: produto é fabricado e estocado antes da demanda efetiva do consumidor. Este tipo de sistema oferece atendimento rápido e a baixo custo, mas a flexibilidade de escolha do consumidor é reduzida. - Sistemas orientados para a encomenda: as operações são ligadas a um cliente em particular, discutindo-se preço e prazo de entrega. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAOBAAE/classificacao-dos- processos-produtivos>. Acesso em:6 mar. 2013. Dessa maneira Moreira (2006) apresenta um quadro de duas entradas, na horizontal os tipos de fluxo do produto e na vertical a orientação para estoque ou para encomenda, com exemplos de indústrias e do setor de serviços. 1.3.3 Classificação Baseada na Teoria de Sistemas Utilizando-se da teoria de sistemas como base para o entendimento das classificações dos sistemas de produção, podemos estabelecer relações entre os elementos do sistema e os critérios das diversas classificações. A partir do modelo de sistema de produção proposto por Slack (1999) (representado na figura 4), Perales (2001, p. 4-5) apresenta as seguintes considerações sobre sistemas de produção: QUADRO 4 – CONSIDERAÇÕES SOBRE SISTEMA DE PRODUÇÃO ANALISANDO AS ENTRADAS a) em função do tipo de recursos a serem transformados: - sistemas predominantemente processadores de materiais; - sistemas predominantemente processadores de informações; - sistemas predominantemente processadores de consumidores. ANALISANDO O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO b) em função da ação principal do processo de transformação: - sistemas que transformam as propriedades físicas; - sistemas que transformam as propriedades informativas; - sistemas que mudam a posse ou propriedade; - sistemas que mudam a localização; - sistemas que estocam ou acomodam; - sistemas que mudam o estado fisiológico ou psicológico. UNIDADE 1 TÓPICO 1 23 c) em função do fluxo dentro do processo de transformação - fluxo contínuo: - contínuo puro; - contínuo com montagem ou desmontagem; - contínuo com diferenciação final. - fluxo intermitente; - fluxo misto; - por projetos. Observa-se, que nos três primeiros os equipamentos e mão de obra geralmente têm localização fixa, enquanto existe um fluxo de materiais que passam de um posto de trabalho a outro. Porém, no caso do tipo por projetos, o produto fica estático ou fixo e os materiais, equipamentos e mão-de-obra se movimentam até o mesmo. d) em função da decisão de produzir - antecipada ou para estoque; - sob encomenda. e) em função do grau de contato com o consumidor - alto grau de contato ou linha de frente; - baixo grau de contato ou retaguarda. ANALISANDO AS SAÍDAS f) em função da natureza das saídas - fabricação ou manufatura de produtos, quando se trata de uma saída tangível, que pode ser estocada e transportada - geração ou prestação de serviço, quando a saída é intangível, consumida simultaneamente com a sua produção, onde é indispensável a presença do consumidor e não pode ser estocada ou transportada g) em função do volume de saídas - alto volume - médio volume - baixo volume h) em função da variedade ou padronização das saídas - alta variedade de saídas ou produtos sem nenhuma padronização - variedade média de saídas ou produtos com alguma padronização - baixa variedade de saídas ou produtos altamente padronizados i) em função da variação da demanda pelas saídas - produção sazonal ou com alta variação da demanda - produção não sazonal ou com baixa variação da demanda FONTE: Perales (2001, p. 4-5) UNIDADE 1TÓPICO 124 1.4 INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS Nesta unidade, abordaremos os temas voltados aos processos industriais. E ancorados nesse viés, estão o projeto de fábrica e as unidades típicas de uma fábrica. 1.4.1 O Projeto de Fábrica Por projeto de fábrica ou “plant-design” entendemos o projeto total do empreendimento. Abrange a ideia da aplicação do capital, do planejamento, das finanças, da localização da fábrica, do planejamento necessário ao levantamento dos equipamentos a serem utilizados. Diferencia-se, portanto, do estudo do “arranjo físico” ou “plant-layout”, com o qual é frequentemente confundido. “Plant Layout” é o estudo da disposição das instalações industriais em um espaço. Nisto reside a distinção: “plant layout” é tão somente um dos itens do “plant design”. FONTE: Disponível em: <http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Cap-7-Moreira-Resumo- Slides/609858.html>. Acesso em: 6 mar. 2013. NO TA! � Os itens de layout e fluxograma serão analisados na Unidade 3 deste Caderno de Estudos, quando abordaremos os aspectos de gestão e controle de processos industriais. De acordo com Camarotto (1996) os itens a serem estudados no projeto da fábrica são: • Levantamento do capital; • Projeto do produto; • Estudo de mercado e previsão de vendas; • Estudo e seleção dos processos produtivos; • Decisão de comprar ou fazer; • Dimensionamento da fábrica e de sua capacidade produtiva; • Escolha de faixa da concorrência; • Localização da indústria; UNIDADE 1 TÓPICO 1 25 • Arranjo físico (plant layout); • Estudo do edifício industrial; • Previsão de diversificação na produção; • Desenvolvimento da organização. O estudo e seleção do processo produtivo, estreitamente ligado ao estudo do “plant layout”, deve ser feito sob duas considerações: • Técnicas – segundo os conceitos vistos na tecnologia – dos processos produtivos; • Econômicos – onde a comparação de alternativas segue as regras da matemática financeira. São suas etapas: • determinação do tipo de equipamento a executar uma determinada operação; • determinação do material mais adequado à elaboração de um determinado produto; • determinação da sequência de fabricação necessária à obtenção do produto final; • determinação do retorno de investimento com a escolha do equipamento mais adequado economicamente para aquela etapa de fabricação. No tocante ao dimensionamento da fábrica e de sua capacidade produtiva, o estudo da demanda nos fornece a capacidade de absorção do mercado. No entanto, para o dimensionamento, necessitamos do volume de produção efetivo, que depende de: • capacidade de absorção do mercado; • imposição de capital; • vontade do dono. O volume de produção efetivo, juntamente com o estudo e seleção do processo produtivo, definirão e dimensionarão: • mão de obra direta; • mão de obra de preparação (“set-up”); • equipamento produtivo; • material direto; • ferramental. A partir dos dados de dimensionamento e da seleção dos processos produtivos, o estudo do “plant layout” objetiva, primordialmente, a perfeita adequação de todos os itens que concorrem para a produção. Busca harmonizar pessoal, equipamento, meios de transporte, armazenamento, serviços etc. O esquema da figura a seguir mostra que um “plant design” é essencialmente interativo e muitas vezes, em uma de suas derradeiras etapas há a necessidade de se voltar ao início UNIDADE 1TÓPICO 126 do projeto. FI G U R A 10 – E S Q U E M A IN TE G R AT IV O D E “P LA n T d e s ig n ” FO N TE : A da pt ad o de C am ar ot to (1 99 6, p . 1 1) UNIDADE 1 TÓPICO 1 27 1.4.2 Unidades típicas de uma fábrica Segundo Camarotto (1996), as unidades típicas de uma fábrica podem ser consideradas generalizadamente como: • Recepção – controle de entrada de materiais ou pessoas na fábrica. Compreende: recebimento de materiais, vias de acesso, estacionamento, controle de ponto. • Almoxarifado – armazenamento de materiais diretos ou indiretos. Os principais são: matérias-primas, partes em processo, produtos acabados. • Preparação de matérias-primas – adequação dos materiais diretos para serem processados. Compreende: controle de qualidade de matérias-primas e materiais comprados, sistema de movimentação, disposição dos materiais para processamento. • Fabricação – processamento dos materiais, transformando matérias-primas em partes intermediárias ou produtos finais. Pode ser dividida em: processamento de materiais brutos, processos intermediários/ tratamentos superficiais, processamento de componentes finais, montagem. • Acabamento/Embalagem – conferir aosprodutos finais a forma de apresentação para venda (ou expedição). Compreende: controle de qualidade/produção, embalamento e movimentação para armazenamento. • Expedição – controle de saída de pessoas, materiais ou produtos da fábrica. Compreende: movimentação de produtos finais, carregamento e vias de circulação externa. • Manutenção – conservação e adequação de equipamentos e instalações visando sua disponibilidade de uso no processo. • Suprimentos – sistemas de provimento de energia e de materiais secundários para o processamento. Compreende: reservatório de água, casa de forças, gás, óleo etc. • Ferramentaria/oficina de máquinas – confecção de ferramentas de máquinas, reparos de partes de máquinas. • Apoio de pessoal – serviços de higiene, conforto e saúde para a mão-de-obra. Compreende: ambulatório, vestiários, sanitários, refeitórios, creche, bebedouros, salas de descanso. • Administração – controle funcional, fiscal e financeiro das atividades da fábrica. Compreende: contabilidade, compras, vendas, recrutamento/seleção, pagamentos, gerência e direção. UNIDADE 1TÓPICO 128 LEITURA COMPLEMENTAR HISTÓRIA DA PRODUÇÃO A história da produção inclui dois tópicos: (1) a descoberta e a invenção de materiais e processos para fazer coisas e (2) o desenvolvimento dos sistemas de produção. Os materiais e processos antecedem os sistemas em muitos milênios. Os sistemas de produção referem- se ao modo de organização de pessoas e equipamentos, de maneira que a produção possa ser realizada de forma mais eficiente. Alguns dos processos mais básicos datam do período neolítico (entre 8.000 - 3.000 a.C.), quando foram desenvolvidas operações como carpintaria, moldagem e cozedura de argila, moagem e polimento de pedras, fiação de fibras e tecelagem e tingimento de tecidos. A metalurgia também teve início durante o período neolítico, na Mesopotâmia e em outras áreas ao redor do Mediterrâneo. Ela também se espalhou, ou se desenvolveu de forma independente, em regiões da Europa e da Ásia. Os primeiros humanos encontraram ouro em uma forma tão pura na natureza que podia ser moldado com um martelo. É provável que o cobre tenha sido o primeiro metal extraído dos minérios, o que demandou a utilização da fundição como uma técnica de processamento. O cobre não podia ser diretamente tratado com um martelo porque deformava. Assim sendo, era modelado por meio de fundição e moldagem. Prata e estanho também eram utilizados nessa época. Descobriu-se que a combinação do cobre com o estanho produzia um metal mais maleável do que o cobre puro e que permitia tanto a moldagem por martelo, como aquela por fundição. Isso impulsionou um período conhecido como Idade do Bronze (entre 3.500 -1.500 a.C.). O ferro foi fundido pela primeira vez nesse período. Meteoritos podem ter sido uma das fontes do metal, mas o ferro também foi minerado. As temperaturas necessárias à redução do ferro minerado em metal são muito mais altas do que as exigidas pelo cobre, o que dificultava as operações de forno. Os primeiros ferreiros aprenderam que, quando determinados ferros (aqueles contendo pequenas quantidades de carbono) eram corretamente aquecidos e temperados (mergulhados em água para resfriar), eles se tornavam muito resistentes. Isso permitia que pontas afiadas fossem amoladas e transformadas em facas e armas, mas também deixava o metal mais frágil. A resistência podia ser aumentada pelo reaquecimento à baixa temperatura, um processo conhecido como têmpera. Descrevemos aqui o tratamento térmico do aço. Suas propriedades superiores fizeram com que o metal substituísse o bronze em muitas aplicações (artilharia, agricultura e dispositivos mecânicos). O período de seu uso ficou conhecido como Idade do Ferro (iniciada em torno de 1.000 a. C.). Não tardou para que a demanda por aço aumentasse, já no século XIX, e novas técnicas de tratamento de metal fossem desenvolvidas. A fabricação inicial de utensílios e armas realizava-se mais como arte e moeda de troca do que como a produção que conhecemos hoje em dia. Os antigos romanos tinham o que poderia ser chamado de fábricas para produção de armas, pergaminhos, cerâmica, objetos de cristal e outros produtos da época, mas os procedimentos baseavam-se amplamente no UNIDADE 1 TÓPICO 1 29 trabalho manual. Somente na época da Revolução Industrial (em torno de 1760 – 1830) é que as principais mudanças começaram a afetar os sistemas de produção de coisas. Esse período marcou a transição de uma economia baseada na agricultura e no trabalho artesanal, para outra baseada na indústria e na produção. A mudança começou na Inglaterra, onde uma série de máquinas importantes foi inventada, a máquina a vapor começou a substituir a força animal, da água e do vento. Inicialmente, esses avanços ofereceram vantagens significativas para a indústria britânica em relação a outras nações, mas a revolução acabou se espalhando por outros países europeus e pelos Estados Unidos. A Revolução Industrial contribuiu para o desenvolvimento da produção das seguintes maneiras: (1) A máquina a vapor de Watt, uma nova tecnologia de geração de energia; (2) o desenvolvimento de máquinas-ferramenta, começando com a broqueadeira de John Wilkinson, por volta de 1775, que foi utilizada para perfurar a máquina a vapor de Watt; (3) invenção da máquina de fiar, do tear mecânico e de outras máquinas para a indústria têxtil, o que permitiu melhorias significativas na produtividade; e (4) o sistema de produção, uma nova maneira de organizar trabalhadores da produção com base na divisão do trabalho. A broqueadeira de Wilkinson normalmente marca o início da tecnologia de máquinas- ferramenta. Era movida à água. Entre 1775 e 1850, outras máquinas-ferramenta foram desenvolvidas para a maioria dos processos convencionais de usinagem, tais como furação, torneamento, fresamento, polimento, conformação e plainamento. A máquina a vapor tornou-se a fonte de energia preferida para a maioria dessas máquinas, à medida que foi sendo difundida. È interessante observar que muitos processos individuais foram criados séculos antes das máquinas-ferramenta. Perfuração, serração e torneamento (de madeira), por exemplo, existem desde os velhos tempos. Métodos de montagem foram utilizados em culturas antigas na confecção de navios, armas, ferramentas, utensílios de fazenda, maquinários, carroças e carrinhos, mobília e vestuário. Os processos incluíam união com fio e corda, soldagem, rebitagem e pregagem. Por volta da era de Cristo, foram desenvolvidas a soldagem e a colagem. O amplo uso de parafusos, arruelas e porcas – tão comuns nas montagens atuais – exigiram o desenvolvimento de máquinas-ferramenta, em especial o torno mecânico de Maudsley (1800), que fazia roscas helicoidais com precisão. Somente por volta de 1900, os processos de soldagem por fusão começaram a ser desenvolvidos como técnicas de união. Enquanto a Inglaterra liderava a Revolução Industrial, um importante conceito relacionado à tecnologia de montagem estava sendo introduzido nos Estados Unidos: o da produção de peças intercambiáveis. O crédito desse conceito costuma ser atribuído a Eli Whitney (1765-1825), mas sua importância foi reconhecida por outros. Em 1797, Whitney negociou a produção de 10 mil mosquetes para o governo norte-americano. Na época, o método tradicional de montagem de armas envolvia a fabricação sob medida de cada uma das peças de uma arma em particular e o agrupamento manual das peças para montagem da arma por meio de polimento. Cada mosquete era, portanto, único, e o tempo para construí-lo era considerável. UNIDADE 1TÓPICO 130 Whitney acreditava que era possível fazer os componentes com precisão capaz de permitir que as partes fossem montadas sem ajustes. Depois de anos de desenvolvimento em sua fábricaem Connecticut, ele viajou a Washington em 1801 para demonstrar seu princípio. Diante dos oficiais do governo, inclusive Thomas Jefferson, ele dispôs componentes para dez mosquetes e, aleatoriamente, começou a selecionar peças para montar armas. Nenhum polimento ou ajuste especial era necessário e todas as armas funcionavam com perfeição. O segredo por trás de seu feito estava na coleção de máquinas, complementos e medidores especiais que desenvolvera em sua fábrica. A produção de peças intercambiáveis demandou muitos anos de desenvolvimento e refino antes de se tornar uma realidade prática, no entanto, revolucionou os métodos de produção, e é um pré-requisito para a produção em massa de produtos montados. Como surgiu nos Estados Unidos, a produção de peças intercambiáveis é conhecida como o Sistema Americano de produção. A partir da metade da década de 1800, iniciou-se a expansão de estradas de ferro, navios movidos a vapor e de outras máquinas que criaram uma demanda constante por ferro e aço. Novos métodos de produção de aço foram criados para atender tal demanda. Além disso, diversos produtos de consumo foram desenvolvidos durante esse período, incluindo máquinas de costura, bicicletas e automóveis. Para atender à demanda massiva por esses produtos, foi necessária a criação de métodos de produção mais eficientes. Alguns historiadores chamam os avanços ocorridos nesse período de Segunda Revolução Industrial, caracterizada por seus efeitos sobre os sistemas de produção pelas seguintes características: (1) produção em massa; (2) linha de montagem; (3) movimento da administração científica; e (4) eletrificação das fábricas. A produção em massa foi primeiramente um fenômeno americano. Foi motivada pelo mercado de massa que existia nos Estados Unidos, cuja população em crescimento, era de 76 milhões de pessoas em 1900. Em 1920, excedia 106 milhões. Uma população tão grande, maior do que a de qualquer país europeu, criou uma demanda por um número maior de produtos. A produção em massa passou a fornecê-los. Uma das tecnologias importantes desse tipo de produção era a linha de montagem, introduzida por Henry Ford (1863-1947) em 1913 na fábrica de Highland Park. A linha de montagem viabilizou a produção de complexos produtos de consumo. Em 1916, o uso dos métodos da linha de montagem permitiu que Ford vendesse um automóvel Modelo T por menos de US$ 500, o que tornou viável a aquisição de carros para uma grande parcela da população americana. O movimento da administração científica começou no fim da década de 1800, nos Estados Unidos, em resposta à necessidade de planejar e controlar as atividades de um número crescente de trabalhadores na produção. O movimento foi liderado por Frederick W. Taylor (1856-1915), Frank Gilbreath (1868-1924) e sua esposa Lilian (1878-1972), dentre outros. A administração científica inclui: (1) estudo do movimento, cujo objetivo é encontrar o melhor método para execução de determinada tarefa; (2) estudo do tempo, para que se estabeleçam padrões de trabalho para uma atividade; (3) uso extensivo de padrões no setor; (4) sistema de pagamento pro peça produzida e outros planos de incentivo semelhantes; (5) uso de coleta de UNIDADE 1 TÓPICO 1 31 dados, manutenção de registros e contabilidade dos custos nas operações de fábrica. Em 1881, teve início a eletrificação com a construção, na cidade de Nova York, da primeira estação de geração de energia elétrica. A utilização de motores elétricos como fonte de energia para a operação do maquinário das fábricas não tardou a acontecer. Esse método de sistema de energia era muito mais conveniente do que a máquina a vapor, que usava polias deslizantes na distribuição mecânica de energia entre as máquinas. Em 1920, a eletricidade já tinha ultrapassado o vapor como principal fonte de energia nas fábricas norte-americanas. A eletrificação também motivou muitas invenções que afetaram as operações e os sistemas de produção. O século XX foi uma época de mais avanços tecnológicos do que todos ou outros juntos, muitos deles resultando na automação da produção. FONTE: GROOVER, Mikell P. Automação industrial e sistemas de manufatura. Pág.s 20- 22. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011 UNIDADE 1TÓPICO 132 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você viu que: • A história do homem tem forte ligação com a sua habilidade de trabalhar com os materiais, ou seja, o desenvolvimento contínuo de ferramentas, máquinas, tecnologias, processos e conhecimentos faz parte de um processo histórico do homem e do que entendemos por evolução dos sistemas industriais. • A Revolução Industrial trouxe uma produção acelerada, porém faltava organização e método. Surgem então novos modelos de administração da produção, a saber: Taylorismo; Fordismo e Toyotismo. • O sistema de produção é definido como o conjunto de atividades e operações inter- relacionadas envolvidas na produção de bens ou serviços. Os elementos constituintes fundamentais de tal sistema são: os insumos, o processo de criação ou conversão, os produtos ou serviços e o subsistema de controle. • A produção envolve um conjunto de recursos de input usado para transformar algo, ou para ser transformado em outputs de bens e serviços. • Existem alguns tipos de operações de processamento de materiais: (i) aquelas que são capazes de transformar suas propriedades físicas; (ii) aquelas a partir das quais se processam materiais em meio à mudança de sua localização (empresas de entrega de encomendas); (iii) operações de varejo que mudam a posse ou a propriedade dos materiais e (iv) operações de processamento de materiais. • O sistema de produção não funciona no vazio, isoladamente. Ele sofre a influência de um ambiente externo e de um ambiente interno. • Atrelada à função produção existem outras funções principais que exercem papéis fundamentais numa empresa tais como: função marketing; função contábil-financeira; função desenvolvimento de produto/serviço. • Em termos de classificação dos sistemas de produção, podemos ter os seguintes tipos de Indústrias: pesada ou de base, intermediária (ex: automobilística, naval, têxtil, alimentícia, ferroviária), bens de consumo e a denominada indústria da ciência (informática, robótica, comunicações, aeroespacial, biogenética). UNIDADE 1 TÓPICO 1 33 • Os processos produtivos podem contar com a participação humana em sua execução de formas variadas, incluindo o trabalho puramente manual, o trabalho mecanizado, a combinação de trabalho manual com máquina e a automação completa do processo. Além disso, é possível pensar em produção contínua ou em lote/por encomenda, produção em massa. • Por projeto de fábrica ou “plant-design” entendemos o projeto total do empreendimento, abrangendo elementos tais como: a aplicação do capital, o planejamento, as finanças, da localização da fábrica, do planejamento necessário ao levantamento dos equipamentos a serem utilizados. UNIDADE 1TÓPICO 134 AUT OAT IVID ADE � 1 Estabeleça as diferenças entre a primeira e a segunda Revolução Industrial, considerando o desenvolvimento dos sistemas industriais pertinentes às duas fases da história. 2 Comente sobre as semelhanças entre o Taylorismo e o Fordismo. 3 Se a transformação diz respeito à mudança de estado ou da condição de algo para produzir outputs, fale a respeito das operações de processamento de materiais realizadas pela indústria e das características desses materiais que podem ser transformadas. 4 De que forma os processos produtivos podem contar com a participação humana? Comente. 5 Cite três unidades típicas de uma fábrica e comente sobre sua importância no projeto total do empreendimento. OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 2 Muito antes do surgimento dos termos “gestão”ou “engenharia de produção”, o homem já procurava organizar os recursos para fazer seus produtos ou prestar serviços da forma mais racional possível. Entretanto, foi a partir da Revolução Industrial que a ciência de gestão de operações aflorou de forma mais consistente e organizada. UNIDADE 1 2 DEFINIÇÕES DE PROCESSOS “O processo deixou de ser artesanal para ser industrial. Um processo industrial pode ser definido como um conjunto de decisões e ações planejadas para transformar matérias-primas em produtos com valor de mercado” (RENTES, 2008, p. 37). 2.1 PROCESSOS NA VISÃO DA GESTÃO Processo é uma ordenação específica de atividades de trabalho através do tempo e espaço, com um início, um fim e um conjunto claramente definido de entradas e saídas: uma estrutura para a ação (DAVENPORT apud PAIM et al., 2009, p. 101). Zarifian (2004, p. 105), define processo como: uma cooperação de atividades e recursos distintos voltados à realização de um objetivo global, orientado para o cliente final, que é comum ao processo e ao produto/serviço. Um processo é repetido de maneira recorrente dentro da empresa. A um processo correspondem um desempenho, que formaliza o seu UNIDADE 1TÓPICO 236 objetivo global (nível de qualidade, prazo de entrega); uma organização, que materializa e estrutura transversalmente a interdependência das atividades do processo durante sua duração; uma co-responsabilidade dos atores nessa organização, com relação ao desempenho global; uma responsabilidade local de cada grupo de atores ao nível de sua própria atividade. Processos são definidos como um conjunto de atividades que juntas produzem um resultado de valor para um consumidor (HAMMER; CHAMPY apud PAIM et al 2009, p. 101). Para esses autores, processos são os que as empresas fazem. Antunes apud Paim et al. (2009, p. 101) afirma que os processos sempre se constituem do fluxo do objeto no tempo e no espaço. Esses objetos podem ser materiais, idéias, informações e etc. Essa definição coloca para os processos uma tarefa relacionada aos fluxos de materiais e aos fluxos de negócios, idéias, capital, informações, etc. Uma inferência a partir dessa definição nos levaria a combinar esses tipos de fluxos e reforçar o termo “processo de negócios”, quando há material, capital e informação, por exemplo, em fluxo. De acordo com Salerno apud Paim et al. (2009, p. 100 -101), as características de um processo podem ser sintetizadas como: • Uma organização estruturada, modelada em termos de trocas entre atividades constitutivas. Essa organização se constitui pela ligação como cliente final. • Entradas tangíveis (produtos, faturas, pedidos etc.) ou intangíveis (decisão de lançar novo produto, demanda de investimentos etc.). • Saídas: o resultado do processo. É um ponto de partida para a construção da organização. • Recursos: não é a somatória de recursos locais, mas a utilização racional dos recursos que são, ao mesmo tempo, localmente necessários e úteis ao processo. É possível que alguns recursos fiquem dedicados a um processo, mas outros não, podendo ter um uso variado. • Custo dos recursos globais valorizados dão o custo de um processo. • Um desempenho global, medido por alguns (poucos) indicadores, que deve ser explicitado em desempenhos locais para cada atividade. Esses indicadores seriam a única referência de avaliação sobre o resultado do processo, o único critério de co-responsabilidade entre os atores. Localmente, têm-se indicadores de meios, e não de objetivos. • Fatores de desempenho ligados aos pontos críticos: são pontos privilegia- dos de reflexão sobre a gestão econômica do processo e sobre os principais instrumentos de ação. Pontos críticos podem ser atividades ou coordenações. • Um desenrolar temporal, dado que um evento detona o processo (por exem- plo, chegada de um pedido) e outro o fecha (entrega). O processo se desenrola segundo uma temporalidade organizável e mensurável. Para Caulliraux apud Paim et al. (2009, p. 101) processo seria um conjunto de atividades (funções) estruturadas sequencialmente (requisitos e tempos). UNIDADE 1 TÓPICO 2 37 NO TA! � Para este mesmo autor, há que se fazer as seguintes considerações em relação à conjuntura de processos: conjuntura 1 – deve descrever um conjunto de atividades que se inicia e que termina em clientes externos; conjuntura 2 – deve diferenciar os processos ligados às atividades fim e às atividades meio; conjuntura 3 – por questões práticas (capacidade de entendimento), deve ser representado hierarquicamente (níveis de abstração, focos de apresentação etc.). FONTE: Disponível em: <http://books.google.com.br/books?id=ztgziTvHa MIC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r &cad=0#v=onepage&q&f=false. Acesso em: 6 mar. 2013. Na definição de Nagel e Rosemann apud Paim et al. (2009, p. 101): o processo envolve a realização de um conjunto completo de atividades. Ele é uma ordenação lógica (em paralelo e/ou em série) e temporal de atividades que são executadas para transformar um objeto de negócio com a meta de concluir uma determinada tarefa. Por outro lado, apresentam os problemas das definições, como o fato de nenhuma destacar que não há um responsável pelo processo como um todo (por exemplo, pesquisa e desenvolvimento, marketing, finanças, manufatura estão envolvidas no desenvolvimento de produtos, mas nenhuma dessas unidades é responsável pelo processo como um todo), que é susceptível a problemas como: tempo de espera, filas e aumento de tamanho de lotes. A relação de processos com a coordenação do trabalho é reforçada por Smith; Fingar apud Paim et al. (2009, p. 101), que definem processos como “um conjunto de atividades colaborativas e transacionais coordenadas dinâmica e completamente para entregar valor para o consumidor” . Segundo estes autores, num escopo mais amplo, os processos também podem apresentar as seguintes características: QUADRO 5 – CARACTERÍSTICAS DOS PROCESSOS Grandes e complexos – envolvem fluxos, do início ao fim, de materiais, informações e comprometimentos de negócio. Dinâmicos – respondem às demandas dos consumidores e às mudanças nas condições de mercado. Distribuídos e customizados amplamente através de fronteiras dentro e entre negócios, frequentemente envolvendo múltiplas aplicações de plataformas tecnológicas distintas. De longa duração – uma simples instância de um processo como “da ordem ao pagamento” ou “desenvolvimento de produtos podem durar por meses ou até mesmo anos”. Automatizados – pelo menos em parte. Atividades rotineiras ou mundanas são realizadas por computadores sempre que possível para buscar velocidade e confiabilidade. Técnicos e de negócios por natureza – processos de TI são um subconjunto de processos e negócios, e provêm suporte para grandes processos envolvendo tanto pessoas como máquinas. Processos do início ao fim dependem de sistemas de computação distribuídos que são tanto transacionais como colaborativos. Modelos de processos podem compreender modelos da rede de computadores, modelos de objetos,controle de fluxos, fluxos de mensagens, regras de negócio, métricas, exceções, transformações e atribuições. UNIDADE 1TÓPICO 238 Por outro lado, dependem de e, por outro, suportam a inteligência e o julgamento para serem delegadas para um computador ou que requerem informação rica fluindo através da cadeia de valor, resolução de problemas antes que eles irritem os consumidores e definição de estratégias para obter vantagens em novas oportunidades do mercado. De difícil visualização – na maioria das organizações, os processos de negócios nunca foram explicitados ou nem estão na cabeça das pessoas. Eles não estão documentados e estão embutidos e implícitos na história comum da organização, ou se estão documentados, a documentação ou definição é mantidaindependentemente dos sistemas que os suportam. FONTE: Smith e Fingar apud Paim et al. (2009, p. 102) A par das definições explicitadas anteriormente podemos agrupa-las para sintetizar e explicar o termo processo, na ótica de Paim et al (2009, p. 103) como sendo: • Se forem processos finalísticos, os resultados gerados são produto(s)/ serviço(s) para os clientes da organização, • Se forem processos gerenciais, promovem o funcionamento da organização de seus processos, • Se forem processos de suporte, prestam apoio aos demais processos da organização. Os processos estão intrinsecamente relacionados aos fluxos de objetos na organização, sejam eles objetos materiais, informações, capital, conhecimento, ideias ou qualquer outro objeto que demande coordenação de seu fluxo(PAIM et al, 2009, p. 103). Aos processos cabe o desenvolvimento ou desenrolar dos fluxos de objetos, enquanto às funções ou unidades organizacionais cabe a concentração de conhecimentos por semelhança. IMP OR TAN TE! � Os processos são objetos de controle e melhoria, mas também permitem que a organização os utilize como base de registro do aprendizado sobre como atua, atuou ou atuará em seu ambiente ou contexto organizacional. Os processos são a organização em movimento, são, também, uma estruturação para ação – para a geração e entrega de valor. A definição foi modificada essencialmente para relacionar processos com melhoria, controle e aprendizado, e para incluir a classificação de processos gerenciais e não só processos finalísticos e de apoio. (PAIM et al., 2009, p. 103, 104, 295). O desdobramento da definição apresentada, como síntese das definições de processos, pode levar à definição de elementos centrais e de elementos complementares. Os elementos centrais são: UNIDADE 1 TÓPICO 2 39 QUADRO 6 – ELEMENTOS CENTRAIS A ação, enquanto uma etapa genérica em qualquer nível de detalhamento. Deve-se entender que a ação é um elemento de integração e coordenação da alocação de recursos. A natureza da ação condicionará as demais características do processo. São exemplos de naturezas de um processo: concepção; consultiva; negocial; aprovatória; normativa; de planejamento/programação; de preparação; de execução; avaliação; acompanhamento; controle; e outros. Os recursos de transformação, enquanto pessoas, sistemas, máquinas etc., que, por meio da ação, transformam ou movimentam o objeto em fluxo. O uso desses recursos gera custo ou consumo de recursos. O objeto em fluxo, enquanto materiais, informações, capital, conhecimento, idéias, que está (ou estão) sendo transferido de uma ação para outra. O objeto em fluxo tem relação especial com o desenrolar temporal e os eventos que informam os estados e delimitam o fluxo de uma ação para outra, ao longo do tempo e do espaço. A transição do objeto se dá por interfaces de processo, e não por interfaces entre unidades organizacionais. Esse conceito envolve as entradas e saídas do processo. Em um processo completo ou transversal, o objeto em fluxo resulta em um produto para um cliente. FONTE: Paim et al. (2009, p. 104) 2.2 OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO E A CLASSIFICAÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS Nesta seção abordaremos temas pertinentes às operações de produção e classificação de processos industriais. Dentre os assuntos tratados podemos mencionar: a produção; o processamento químico industrial; a classificação das operações unitárias; as operações de produção de manufatura; as operações de processamento e as operações de montagem. 2.2.1 A Produção A produção ou manufatura, apesar de ser atividade humana antiga, acompanhou o desenvolvimento tecnológico e a evolução do conhecimento, de acordo com Groover (2001, p. 1): A palavra ‘manufatura’ tem sua origem em duas palavras latinas, manus (mão) e factus (fazer), e a combinação de ambas significa ‘fazer com as mãos’. Era assim que se realizava a produção quando a palavra surgiu na língua inglesa, por volta de 1567. Os produtos comerciais dessa época eram produzidos com as mãos. Os métodos eram artesanais, realizados em pequenas lojas, e os produtos eram relativamente simples se comparados com os padrões atuais. Com o passar do tempo, fábricas foram criadas, com muitos trabalhadores em um só local, e as técnicas artesanais de trabalho deram lugar às máquinas. Os produtos tornaram-se mais complexos, assim como os processos. Os trabalhadores precisaram se especializar em suas tarefas e, em vez de super- visionar a produção completa, eles passaram a ser responsáveis somente por parte do trabalho. Um planejamento mais apurado e uma maior coordenação UNIDADE 1TÓPICO 240 eram necessários para que se pudesse controlar o progresso nas fábricas. Os sistemas de produção, que contam com diversas tarefas separadas, embora relacionadas, estavam em fase de evolução. A manufatura, ou produção pode ser definida como a aplicação de processos físicos e químicos na alteração da geometria, de propriedades e/ou da aparência de determinado material inicial com vistas a produzir peças ou produtos (GROOVER, 2011). Ela também inclui a junção de diferentes peças para a criação de produtos montados. Os processos envolvidos na produção englobam uma combinação de máquinas, ferramentas, força e trabalho manual, conforme descrito na figura 11(a), e quase sempre acontecem como uma sequência de operações. Cada operação sucessiva faz com que o material fique mais próximo do estado final desejado. A manufatura, em suma, utiliza-se de um processo de conversão que muda o formato das matérias-primas ou muda a composição e a forma dos recursos. De acordo com Degarmo et.al (2003) a manufatura é o termo econômico para a fabricação de bens e serviços disponíveis para satisfação de necessidades humanas. Do ponto de vista econômico, a produção preocupa-se com a transformação de materiais em itens de maior valor por meio de uma ou mais operações de processamento e/ou montagem, conforme mostra a figura 11(b). O ponto mais importante é que a produção agrega valor ao material por meio da mudança de sua forma ou de suas propriedades ou da combinação do material com outros que também já foram alterados. Quando o minério de ferro é convertido em aço, agrega- se valor. O mesmo acontece quando a areia é transformada em vidro e o petróleo é refinado e transformado em plástico. Quando o plástico, por sua vez, é moldado segundo uma complexa geometria e transformado em uma cadeira, ele se torna ainda mais valioso. FIGURA 11 – DEFINIÇÕES DE PRODUÇÃO: (a) COMO PROCESSO TECNOLÓGICO (b) COMO PROCESSO ECONÔMICO FONTE: Groover (2011, p. 20) Analisaremos em particular os setores de produção da economia denominados secundários, aqueles que convertem os resultados da exploração do setor primário em produtos. A produção é a principal atividade na categoria dos setores secundários que incluem também a construção e a geração de energia. É útil diferenciar os setores de processos, daqueles que produzem peças discretas e produtos. Os setores de processos incluem indústrias química, UNIDADE 1 TÓPICO 2 41 farmacêutica, petrolífera, de metais básicos, alimentícia, de bebidas e de geração de energia elétrica. Os setores de produtos discretos incluem indústrias de automóveis, aeronaves, eletrodomésticos, computadores, máquinas e componentes a partir dos quais esses produtos são montados. Nas indústrias de processo e nas de produtos discretos, as operações de produção podem ser divididas em produção contínua e produção em lote segundo Groover (2011). Por outro lado, há quatro medidas ou dimensões particularmente importantes que podem ser usadas para distinguir diferentes operações, de acordo com Slack et al. (1999): • Volume de output; • Variedade de output; • Variação da demanda do output; • Grau de contato com o consumidor envolvido na produçãodo output. A tipologia de operações em função destas dimensões é apresentada na figura a seguir. FIGURA 12 – TIPOLOGIA DE OPERAÇÕES FONTE: Slack et al. (1999, p. 48) UNIDADE 1TÓPICO 242 Na abordagem de Slack et. al (1999), em atividades de produção o volume e a variedade influenciam os objetivos de desempenho e os aspectos da atividade de projeto de uma empresa. Neste caso, a posição de uma operação no continuum volume-variedade, pelo fato de influenciar a natureza de seus objetivos de desempenho e suas atividades de projeto, também determina a abordagem geral para gerenciar o processo de transformação. Estas “abordagens gerais” para gerenciar o processo de transformação são chamadas tipos de processos. São usados termos diferen- tes para identificar tipos de processos nos setores de manufatura e serviços (FUSCO; SACOMANO, 2007, p. 71). Na manufatura, esses tipos de processos são (em ordem de volume crescente e variedade decrescente): • processos de projeto; • processos de jobbing; • processos em lotes ou bateladas; • processos de produção em massa; • processos contínuos. Cada tipo diferente de processo de manufatura implica uma forma diferente de organizar as atividades das operações com diferentes características de volume e variedade. FIGURA 13 – TIPOS DE PROCESSOS EM OPERAÇÕES DE MANUFATURA FONTE: Slack et al. (1999, p. 105) UNIDADE 1 TÓPICO 2 43 2.2.2 Processamento Químico Industrial A indústria química abrange tanto a produção de bens de consumo (GLP, gasolina, querosene de aviação, óleo lubrificante, entre outros), quanto a produção de bens de produção, ou seja, aqueles que sofrerão algum processamento antes de chegar ao consumidor final (papel, ácido sulfúrico e plásticos, por exemplo). A transformação de uma dada matéria-prima em um ou mais bens de utilidade para o homem consiste, de forma geral, de um conjunto de etapas que envolvem alterações na composição química e/ou alterações físicas no material que está sendo preparado, ou separado ou purificado. A esse conjunto de etapas denominamos processo químico. Qualquer que seja a indústria química em consideração, existirão etapas semelhantes entre elas, que podem ser estudadas à luz dos princípios físicos e químicos envolvidos, independentemente do material que está sendo fabricado. Esta mesma autora, divide as etapas na produção química em três grandes grupos: • Processos unitários. Com raras exceções, a parte principal de qualquer unidade de produção é o reator químico, onde ocorre a transformação dos reagentes em produtos. As reações químicas podem ser classificadas como reações de hidrogenação, nitração, sulfonação, oxidação etc. • Preparação de carga para o reator. Antes de entrarem no reator, os reagentes passam através de vários equipamentos, onde a pressão, a temperatura, a composição e a fase são ajustadas para que sejam alcançadas as condições em que ocorrem as reações químicas. • Separação de efluentes. Os efluentes do reator são, em geral, uma mistura de produtos, contaminantes e reagentes não reagidos que devem ser separados em equipamentos apropriados para se obter o(s) produto(s) na pureza adequada para ser(em) colocado(s) no mercado. FONTE: Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAybUAH/apostila-introducao-a- engenharia-quimica>. Acesso em: 6 mar. 2013. O estudo ou a análise um processo químico pode ser feito de várias formas. De acordo com Silva (2010) podemos estudá-lo de acordo com três abordagens ou opções: • Estudo na sua totalidade, analisando toda planta química sob a ótica dos princípios de conservação de massa e energia, através de um fluxograma, por exemplo; • Estudo de cada etapa envolvida individualmente, através da análise do(s) equipamento(s) envolvido(s) em cada uma delas; • Estudo dos fenômenos de transferência que podem estar envolvidos numa determinada UNIDADE 1TÓPICO 244 etapa (transferência da quantidade de movimento, transferência de calor e transferência de massa). O estudo individual de cada etapa e/ou do equipamento envolvido numa etapa fica a cargo da disciplina de operações unitárias. “O conceito de operação unitária está baseado na filosofia de que uma sequência amplamente variável de etapas pode ser reduzida a operações simples, ou a reações, que são idênticas, independente do material que está sendo processado” (FERREIRA, s. d. p. 3). As operações unitárias englobam um grande número de operações que podem causar uma transformação física da matéria, antes ou após o processamento químico desta. Embora tenhamos um grande número de equipamentos que causam estas transformações, as operações unitárias são classificadas de acordo com a natureza da transformação, que pode incluir transporte, separação e recuperação de matérias-primas e produtos. Por exemplo, a operação unitária de destilação pode ser usada para separar o álcool após a fermentação em uma usina, mas também pode ser usada para separar hidrocarbonetos num processo petroquímico. Ao decompormos um processo químico complexo para uma análise individualizada dos equipamentos envolvidos em cada etapa, nos deparamos com uma grande quantidade de operações tais como: bombeamento, evaporação, cristalização, sedimentação, extração, filtração, secagem, destilação, agitação, centrifugação, moagem etc. Essas e muitas outras operações de transformação da indústria são chamadas de operações unitárias. Para visualização de algumas destas operações apresentamos na próxima figura, a título de exemplo, um diagrama de blocos simplificado do processo de produção de etanol. 2.2.2.1 Classificação das Operações Unitárias Uma classificação comumente utilizada em operações unitárias é feita com base nos princípios básicos e mecanismos de transferência comuns presentes nas várias operações. Por exemplo, o mecanismo de difusão ou transferência de massa ocorre nas operações de secagem, destilação, cristalização etc. O mecanismo de transferência de calor ocorre também em secagem, destilação, evaporação e assim por diante. Gomide apud SILVA (2010) apresenta uma classificação baseada nesses mecanismos e no caso de uma operação envolver mais de um, deve-se escolher aquele que controla a velocidade global da operação. O próximo quadro apresenta a classificação proposta por Gomide, que separou as operações unitárias em operações mecânicas, operações de transferência de calor e operações de transferência de massa. Na descrição de Ferraresi (2012), as várias operações que envolvem mudanças físicas UNIDADE 1 TÓPICO 2 45 no material em uma indústria química, denominadas de operações unitárias, são agrupadas em cinco grandes divisões: • mecânica dos fluidos; • transmissão de calor; • operações de agitação e mistura; • operações de separação; • operações de manuseio de sólidos. FIGURA 14 – DIAGRAMA DE BLOCOS DA PRODUÇÃO DE ETANOL. FONTE: Silva (2010, p. 2) Alguns autores preferem apresentar as operações que têm mais de um princípio envolvido, por exemplo, transferência de calor e massa juntamente e classificá-las como operações com transferência simultânea de calor e massa. QUADRO 7 – CLASSIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES UNITÁRIAS Operações Mecânicas Operações envolvendo sistemas sólidos granulados. Fragmentação; Transporte; Peneiramento; Armazenamento. Operações envolvendo sistemas fluidos: Escoamento de fluidos; Bombeamento de líquidos; Movimentação e compressão de gases; Mistura e agitação de líquidos. UNIDADE 1TÓPICO 246 Operações com sistemas sólido-fluido: Fluidização de sólidos; Separações mecânicas: Sólidos de sólidos;Sólidos de líquidos; Sólidos e/ou líquidos de gases; Líquidos de líquidos. Operações com Transferência de Calor Transferência de calor por condução em sólidos: Aquecimento e resfriamento de fluidos; Condensação; Ebulição; Evaporação; Liofilização; Transferência de calor por radiação; Operações com Transferência de Massa Destilação; Absorção de gases; Adsorção; Extração líquido-líquido; Secagem e umidificação de gases; Condicionamento de gases; Secagem de sólidos; Cristalização. FONTE: Adaptado de Gomide por Silva (2010. p. 5) 2.2.3 Operações de Produção em Manufatura Dentre os diversos processos industriais disponíveis para a obtenção de um produto, descreveremos nesta publicação aqueles relacionados à fabricação de peças e componentes mecânicos. Deve-se ter em mente que a estrutura e as propriedades dos metais estão intimamente ligadas com o processo empregado na fabricação mecânica. Neste caso, ressaltamos a importância do conhecimento dos materiais, particularmente a classe dos metais, para o domínio dos processos de fabricação, conforme SENAI/ES (1999, p. 1): Quando se fala em Mecânica, o que vem à sua cabeça? Certamente máquinas. Grandes, pequenas, complexas, simples, automatizadas ou não, elas estão por toda a parte. E se integraram às nossas vidas como um complemento indis- pensável que nos ajuda a vencer a inferioridade física diante da natureza. No caso do relacionamento do homem com os metais que já dura uns 6 mil anos. Você pode pensar nos conjuntos mecânicos que você conhece sem metais? Por enquanto não, certo? Todavia, o aperfeiçoamento desses conjuntos só se tornou possível com o domínio de dois conhecimentos: a tecnologia dos materiais e os processos de fabricação. UNIDADE 1 TÓPICO 2 47 Existem certas atividades básicas que devem ser executadas em uma fábrica, de modo a converter matérias-primas em produtos acabados. Limitando nosso escopo a uma fábrica envolvida na fabricação de produtos discretos (a fabricação mecânica), as atividades da fábrica são: 1) operações de processamento e montagem; 2) manuseio de materiais; 3) inspeção e teste; 4) coordenação e controle. Os processos de produção podem ser divididos em dois tipos básicos: 1) operações de processamento; 2) operações de montagem. Uma operação de processamento transforma um material de trabalho em um estado de completude para um estado mais avançado e que está mais próximo da peça ou produto desejado. Ela agrega valor por meio da alteração da geometria, das propriedades ou da aparência do material inicial. Em geral, as operações de processamento são executadas sobre peças individuais, mas algumas dessas operações também podem ser aplicadas a itens montados, como, por exemplo, a pintura da carroceria metálica de um carro. Uma operação de montagem junta dois ou mais componentes para criar uma nova entidade, denominada montagem, submontagem ou outro termo qualquer que faça referência ao processo específico de montagem. A figura a seguir apresenta uma classificação dos processos de produção e como eles se dividem em várias categorias. UNIDADE 1TÓPICO 248 FIGURA 15 – CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO FONTE: Groover (2011, p. 27) 2.2.3.1 Operações de Processamento Uma operação de processamento usa energia para alterar forma, propriedades físicas ou aparência de uma peça, de modo a agregar valor ao material. A energia pode ser mecânica, térmica, elétrica ou química e é aplicada de modo controlado por meio de máquinas e das ferramentas. A energia humana também pode ser necessária, mas trabalhadores humanos costumam atuar no controle de máquinas, na fiscalização de operações e no carregamento e descarregamento de peças antes e depois de cada ciclo de operação. UNIDADE 1 TÓPICO 2 49 Existem três categorias de operações de processamento: 1) operações de moldagem; 2) operações de melhoria da propriedade; 3) operações de processamento de superfície. As operações de moldagem de peças aplicam força mecânica e/ou calor ou outras formas e combinações de energia para alterar a geometria do material de trabalho. Existem diversas maneiras de classificar este processo. A categorização utilizada por Groover (2011) se baseia no estado do material inicial. As categorias são quatro: 1. Processos de solidificação. Nessa categoria, os processos importantes são os de fundição (para metais) e moldagem (para plásticos e vidros), nos quais o material inicial é um líquido aquecido ou semifluido que pode ser depositado ou forçado a escorrer para a cavidade de um molde, no qual esfria e solidifica, assumindo forma idêntica a do molde. 2. Processamento de partículas. O material inicial é um pó. A técnica mais comum envolve a prensagem a alta pressão do pó em um molde-matriz para fazer com que ele tome sua forma. Entretanto, a peça compactada não é forte o suficiente para ser utilizada de maneira útil. Para aumentar sua resistência, a peça é, então, sinterizada – aquecida a uma temperatura abaixo do ponto de fusão -, o que faz com que as partículas individuais se aglutinem. Tanto os metais (metalurgia do pó) como a cerâmica (ou seja, os produtos de argila) podem ser criados pelo processamento de partículas. 3. Processos de conformação. Na maioria dos casos, o material inicial é um metal maleável moldado por meio da aplicação de pressões que excedem a resistência do metal. Para aumentar a maleabilidade, o metal normalmente é aquecido antes da conformação. Os processos de conformação incluem forjamento, extrusão e laminação. Também incluídos nessa categoria estão os processos que trabalham com o metal em folha, como trefilação, moldagem e dobramento. 4. Remoção de material. O material inicial é um sólido (em geral, um metal, maleável ou rígido) a partir do qual o material excessivo é removido da peça de trabalho inicial de modo que a peça resultante tenha a geometria desejada. A etapa mais importante nessa categoria é a de operações de usinagem, como torneamento, furação e fresamento, alcançadas com a utilização de ferramentas de corte afiadas que são mais resistentes do que o metal trabalhado. O polimento é outro processo comum nessa categoria, no qual um rebolo abrasivo é utilizado na remoção de material. Outros processos de remoção de material são conhecidos como processos não convencionais, pois não usam ferramentas tradicionais de corte e polimento. Em vez disso, baseiam-se na utilização de laser, feixes de elétrons, erosão química, descarga elétrica ou energia eletroquímica. UNIDADE 1TÓPICO 250 As operações de melhoria da propriedade servem para melhorar as propriedades mecânicas ou físicas do material de trabalho. As operações de melhoria mais importantes envolvem tratamentos térmicos, que incluem fortalecimento induzido por temperatura e/ou processos de enrijecimento para metais e vidros. A sinterização de metais em pó e cerâmica, mencionada anteriormente, também é um tratamento térmico que fortalece uma peça em pó prensada. As operações de melhoria da propriedade não alteram a forma da peça, exceto de maneira não intencional em alguns casos, como, por exemplo, a deformação de uma peça de metal durante o aquecimento térmico ou a diminuição de uma peça de cerâmica durante a sinterização. As operações de processamento da superfície incluem processos de: 1) limpeza; 2) tratamentos superficiais; 3) revestimento e deposição de camada metálica. A limpeza utiliza processos químicos e mecânicos para a remoção de sujeira, óleo ou outro contaminante qualquer da superfície. Os tratamentossuperficiais incluem trabalho mecânico, como o shot penning (bombardeamento com esferas para encruamento superficial) e jateamento de areia, e processos físicos, como difusão e implantação de íon. Os processos de revestimento e deposição de camada fina aplicam uma camada de material ao exterior da superfície da peça de trabalho. Os processos comuns de revestimento incluem galvanoplastia, anodização do alumínio e revestimento orgânico (chamado pintura). Os processos de deposição de camada fina incluem deposição física de vapor e deposição química de vapor para formar revestimentos extremamente finos de várias substâncias. Diversas operações de processamento da superfície foram adaptadas, de modo a fabricar materiais semicondutores (mais comumente, silício) em circuitos integrados em microeletrônica. Esses processos incluem deposição química do vapor, deposição física do vapor e oxidação. Eles são aplicados a áreas bastante localizadas na superfície do fino wafer de silício (ou outro material semicondutor) para criar um circuito microscópico. 2.2.3.2 Operações de Montagem O segundo tipo básico de operação de produção é a montagem, na qual duas ou mais partes separadas são ligadas para formar uma nova entidade. Os componentes dessa nova entidade podem ser ligados de forma permanente ou semipermanente. Os processos de junção permanente incluem soldagem, brasagem forte, brasagem fraca e colagem. Eles combinam peças por meio da formação de uma nova entidade que não pode ser desconectada com facilidade. Os métodos de montagem mecânica estão disponíveis para fixar duas ou mais UNIDADE 1 TÓPICO 2 51 peças juntas em uma nova entidade que pode ser convenientemente desmontada. O uso de parafusagem (ou seja, de parafusos, porcas e arruelas) é um método tradicional importante nessa categoria. Outras técnicas de montagem mecânica para criação de uma conexão permanente incluem rebites, cravamento (press fitting) e encaixe por expansão. Na eletrônica são utilizados métodos especiais de montagem. Alguns deles são idênticos às técnicas descritas, ou apenas adaptações das mesmas. Por exemplo, a soldagem é largamente utilizada na montagem eletrônica. Esse tipo de montagem preocupa-se primeiramente com a montagem de componentes (ou seja, dos circuitos integrados) para as placas de circuito impresso usadas na produção de circuitos complexos presentes em muitos dos produtos atuais. Segundo Franco (1990) podemos dividir os processos ou técnicas de fabricação de elementos de máquinas ou peças, em dois grandes grupos. 1) processos metalúrgicos: provocam alterações na estrutura cristalina do metal e, consequentemente, nas suas propriedades. 2) processos mecânicos: a moldagem é feita exclusivamente por corte, arranque de cavaco, por abrasão ou por erosão sem alterações consideráveis na estrutura metálica Nesta classificação alternativa, juntamos os processos de moldagem e os processos de junção descritos anteriormente por Groover (2011) e os processos de conformação são aqui descritos como aqueles que provocam deformação plástica. Os processos metalúrgicos são, de uma maneira geral, de altíssima produtividade e os processos mecânicos são de baixa produtividade. Às vezes a usinagem complementa os processos metalúrgicos com dois objetivos: 1 – Conformar detalhes impossíveis de serem obtidos por processos metalúrgicos; 2 – Obter precisão dimensional inatingível por processos metalúrgicos, por razões técnicas ou econômicas. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAwOEAL/processo-fabricao>. Acesso em: 7 mar. 2013. UNIDADE 1TÓPICO 252 FIGURA 16 – PROCESSOS DE FABRICAÇÃO DE ELEMENTOS DE MÁQUINAS FONTE: Franco (1990, p. 0.01) LEITURA COMPLEMENTAR UM PASSEIO PELAS INSTALAÇÕES UMA FÁBRICA DEDICADA, FOCALIZADA NO PRODUTO: SAFETY PRODUCTS CORPORATION A Safety Products Corporation é a maior fornecedora de produtos de segurança e sinalização de transportes dos Estados Unidos. Seus produtos são vendidos em quatro grandes mercados: rodoviário, ferroviário, marítimo e de construção. Para o mercado rodoviário, seus principais produtos são os sinalizadores de emergência (flares), refletores e sinais em veículos de movimento lento. Para os mercados ferroviário e marítimo, a empresa fornece uma variedade de sinalizadores de emergência. Para o mercado de construção ela produz uma ampla variedade de sinais de aviso e dispositivos de sinalização. Fundada em 1938, a empresa logo se tornou a principal fornecedora de sinalizadores de emergência para as rodovias do país. A partir daquela época, o tráfego rodoviário bloqueou UNIDADE 1 TÓPICO 2 53 o crescimento do tráfego ferroviário, e a empresa gradualmente acrescentou produtos de segurança e de sinalização a esse crescente mercado. Entre todos os produtos da empresa, os sinalizadores rodoviários de emergência são responsáveis por cerca de 60% de sua receita de vendas. Usados como dispositivos de sinalização quando emergências rodoviárias exigem a colocação de avisos de alerta ao tráfego que se aproxima, os sinalizadores rodoviários de emergência podem ser vistos facilmente pelos motoristas tanto durante o dia como à noite, faça sol, chuva ou neve. Os órgãos que aplicam as leis municipais e estaduais são responsáveis por uma grande parte das vendas desse produto, mas as vendas de sinalizadores rodoviários de emergência para lojas de autopeças, lojas de ferragens e supermercados que vendem direto ao consumidor estão se aumentando. O crescimento das vendas de sinalizadores rodoviários de emergência foi tão grande que novas fábricas forma construídas em Richmond, na Virgínia, em Salinas, na Califórnia, e em Des Moines, no estado de Iowa. Estratégia de Negócios - A fábrica de Richmond, na Virgínia, foi construída como um elemento-chave da estratégia de negócios para o sinalizador rodoviário de emergência. Essa estratégia reforça os baixos custos de manufatura decorrentes da automação, os baixos custos de embarque e a superioridade tecnológica do produto. Os custos de manufatura e embarque são de importância estratégica, porque os órgãos que aplicam as leis compram cerca de 75% da produção, e vencer depende da capacidade da companhia para apresentar lances competitivos de baixo preço. A localização da fábrica é de importância estratégica na manutenção de baixos custos de embarque. A localização da costa leste é uma excelente escolha para controlar os custos de remessa de matérias-primas que chegam, já que papéis da costa leste dos Estados Unidos e Canadá e produtos químicos da Europa são os principais materiais recebidos pela fábrica. Os custos de remessa de produtos acabados para estrangeiro se mantêm baixos devido à proximidade da fábrica com os centros populacionais da costa leste dos Estados Unidos. A superioridade técnica dos sinalizadores rodoviários de emergência da empresa foi estabelecida através de superior formulação dos produtos químicos, extensos programas de pesquisa e desenvolvimento e serviço técnico aos clientes. A companhia criou uma valiosa reputação como a mais antiga fornecedora de sinalizadores ferroviários de emergência, com uma tradição de padrões estritos de segurança e desempenho. Extensos programas de pesquisa e desenvolvimento resultaram em projetos de produtos robustos, que têm um desempenho conforme o esperado, mesmo quando as condições de manufatura ou de campo se afastam daquilo que é comum. A empresa estimula os órgãos que aplicam as leis a realizarem testes de produtos concorrentes e fornece equipamentos e manuais para apoiá-los. Em consequência, os órgãos que aplicam as leis têm aprimorado seus critérios para a escolha de sinalizadores rodoviários de emergência, preferindo os produtos de melhor desempenho. O Produto - A figura a seguir ilustra um sinalizador rodoviário de emergênciade 15 minutos. Esse produto, feito de um tubo de papel enrolado com uma mistura de produtos UNIDADE 1TÓPICO 254 químicos chamada flame mix (mistura inflamável), tem na ponta uma mistura de produtos químicos chamada ignitor button (botão de ignição) e é adaptado com uma tampa, sendo que em uma de suas extremidades há uma superfície coberta com uma mistura de produtos químicos chamada scratch mix (mistura de raspagem). O sinalizador de emergência é acionado retirando-se a capa da superfície de raspagem e a tampa do corpo do sinalizador, segurando- se esse corpo com uma mão e a tampa com a outra, e esfregando-se levemente a superfície de raspagem no botão de ignição. Instruções de segurança e uso estão impressas no corpo do sinalizador. A Fábrica - A fábrica da Safety Products Corporation em Richmond, na Virgínia, embarca sinalizadores rodoviários de emergência de 15 minutos para 15 estados ao longo da costa leste. A fábrica custou aproximadamente US$ 50 milhões para ser construída, e suas vendas anuais são de aproximadamente US$ 25 milhões. A fábrica é chamada fábrica dedicada, ou seja, ela é dedicada a apenas um produto, o sinalizador rodoviário de emergência de 15 minutos, que é produzido continuamente na fábrica sem a necessidade de mudança para outros produtos. Existem dez operações de produção altamente automatizadas por meio das quais os produtos fluem sem parar. O único estoque de work-in-process significativo consiste nos produtos que estão no transportador que atravessa a fábrica inteira. Os materiais, via de regra, fluem dos fornecedores de forma a coincidir com a programação da fábrica. Ainda que a demanda pelo produto seja sazonal, os níveis de emprego da empresa se mantêm bastante uniformes, permitindo que estoques de produtos acabados aumentem durante períodos de baixa demanda e caiam durante períodos de alta demanda. Dois turnos completos de oito horas são trabalhados diariamente durante o ano inteiro, e são feitas horas extras durante períodos de demanda muito elevada. Esse plano de produção exige uma cuidadosa previsão da demanda. A força de trabalho na fábrica é composta de aproximadamente 150 empregados horistas. Uma divisão de um famoso sindicato de trabalhadores dos transportes representa os empregados. Cada empregado passa por um programa de treinamento de uma semana que inclui uma explanação dos programas e políticas da companhia, cursos em segurança e qualidade de produto, e treinamento no trabalho. Há 16 empregados assalariados na fábrica: um gerente de fábrica, cinco pessoas de escritório, um superintendente de produção, seis supervisores de deslocamento de produção, dois empregados de engenharia e manutenção e um especialista em controle da qualidade. UNIDADE 1 TÓPICO 2 55 SINALIZADOR RODOVIÁRIO DE EMERGÊNCIA DE 15 MINUTOS A próxima figura ilustra como os sinalizadores rodoviários de emergência são manufaturados. As matérias-primas são recebidas de caminhões ou vagões de trem no armazém de matérias-primas e são então levadas do armazém em pequenas quantidades até a linha de produção, conforme necessário. Os produtos acabados são levados da linha de produção até o armazém de produtos acabados e guardados para embarque para os clientes em caminhões. As principais operações de produção são descritas a seguir: Enrolar Tubos – Grandes rolos de papel de cor vermelha são posicionados em máquinas de enrolar tubos. Essas máquinas puxam contínua e automaticamente o papel dos rolos, cortam- no no tamanho de um sinalizador de emergência, aplicam cola num lado, enrolam papel com cola na forma de um tubo e colocam-no numa bandeja de contenção para secagem. Cada bandeja suporta 144 tubos, ou uma grosa. Os operadores dessa operação, à semelhança dos operadores de todas as operações da fábrica, monitoram o equipamento, fazem ajustes na máquina quando necessário, limpam as máquinas e a área de trabalho, e ligam e desligam as máquinas quando for preciso. Tapar e Dobra os Tubos – As bandejas de tubos de papel secos são puxadas para as máquinas de tapar e dobrar, que agarram automaticamente os tubos de papel, inserem tampões de papel nas extremidades dos tubos, dobram os tubos em torno dos tampões que fecham as extremidades inferiores dos tubos e colocam as bandejas novamente no transportador. UNIDADE 1TÓPICO 256 Misturar o Composto Inflamável, de Raspagem e de Ignição – Produtos químicos são combinados numa formulação patenteada para cada uma das três misturas para o produto: a mistura inflamável, a mistura de ignição e a mistura de raspagem. Os operadores seguem cuidadosamente os procedimentos de segurança e qualidade prescritos para assegurar uma operação segura e desempenho do produto. Os materiais são retirados de seus recipientes de embarque e colocados em máquinas de misturar, e instruções de mistura previamente programadas são codificadas nas máquinas. Depois que as misturas estão completas, elas são levadas por transportadores para as áreas da linha de produção. A principal responsabilidade dos operadores é manter condições de trabalho seguras, seguindo estritamente os procedimentos operacionais impressos e mantendo as áreas de mistura meticulosamente limpas. Além disso, os operadores devem seguir rigidamente as formulações químicas prescritas para o produto. FLUXO DE PRODUTO NA SAFETY PRODUCTS CORPORATION Preencher os Tubos – As bandejas de papel são puxadas automaticamente para máquinas de preenchimento, que preenchem os 144 tubos de papel com a mistura inflamável, compactam a coluna de mistura na densidade desejada e colocam as bandejas novamente no transportador. UNIDADE 1 TÓPICO 2 57 Dobrar e Perfurar – As bandejas de tubos de papel cheios se movem ao longo dos transportadores para máquinas de dobrar e perfurar. Essas máquinas posicionam as bandejas, dobram a parte superior dos corpos dos sinalizadores de emergência, fazem furos na parte superior dos corpos dos sinalizadores de emergência em que a mistura de ignição será colocada mais tarde e empurram as bandejas, cada qual com uma grosa de corpos de sinalizadores de emergência, novamente para o transportador. Aplicar Botões de Ignição – As bandejas de corpos de sinalizadores de emergência são colocadas automaticamente em máquinas de dosagem da mistura de ignição. Essas máquinas dosam automaticamente uma quantidade prescrita da grossa mistura de ignição líquida nas cavidades criadas na operação de dobrar e perfurar e colocam as bandejas de volta no transportador. Aplicar Tampas – Completamente automatizadas, as máquinas de tampar puxam as bandejas de corpos de sinalizadores de emergência para a posição adequada, colocam montagens de capa plástica nos corpos dos sinalizadores de emergência e põem as bandejas novamente no transportador. Banho de Cera – As bandejas de sinalizadores são transportadas automaticamente por um banho de cera quente, para garantir uma proteção de longo prazo contra umidade e infiltração de água. Empacotar – Os sinalizadores de emergência são retirados automaticamente das bandejas e colocados em caixas de papelão corrugado para embarque, com capacidade para uma grosa, ou 144 sinalizadores. As caixas de papelão são lacradas automaticamente, paletizadas e dispostas em unidades com shrink wrap. Paletes são estrados (frames) descartáveis que permitem que empilhadeiras coloquem seus garfos sob as cargas para transportá-las, e shrink wrap é um filme plástico que é envolto ao redor de uma carga inteira. Cada palete suporta 72 caixas de papelão. As cargas estão ou são colocadas no estoque ou são rotuladas para embarque imediato. A fábrica de Richmond tem obtido um desempenho além das expectativas da Safety Products Corporation. Os custos de embarque e produção têm sido tão baixos que a empresa adquiriu posição de destaqueem concorrência junto aos órgãos regionais que aplicam as leis. Adicionalmente, a qualidade e superioridade tecnológica dos produtos da companhia têm sido fatores decisivos para seu sucesso. UMA FÁBRICA FOCALIZADA NO PROCESSO: R. R. DONNELLEY & SONS A R. R. Donnelley & Sons é a maior produtora mundial de livros. Uma de suas fábricas está localizada em Willard, no centro-norte rural de Ohio, num ponto quase equidistante entre UNIDADE 1TÓPICO 258 Columbus, Cleveland e Toledo. A fábrica de Willard está em operação há cerca de 35 anos e se beneficia do fato de estar próxima à linha principal de Baltimore & Ohio Railroad e de ter uma força de trabalho local abundante. A R. R. Donnelley tem contratos com editoras para imprimir livros e produtos de documentação de software. Há muitos concorrentes locais e estrangeiros, e a estratégia de negócios da R. R. Donnelley é oferecer uma produção personalizada de livros com superior qualidade, de entregas no tempo certo, preços competitivos e flexibilidade de manufatura. A qualidade superior é obtida através de muitos meios. Primeiro, a alta administração criou um ambiente no qual a atitude “quase não é bom o bastante”. Um departamento de controle da qualidade distinto supervisiona o programa da qualidade total na fábrica. Estritas especificações são seguidas para todos os materiais comprados. Equipes de empregados estudam e encontram soluções para problemas de produção relacionados com a qualidade ao longo do processo de produção. Padrões de qualidade extremamente elevados são aplicados aos produtos em cada etapa do processo de produção, e os empregados checam cada produto para se certificar de que eles seguem os padrões. Os empregados parecem sinceramente dedicados ao programa de controle da qualidade da companhia. A fábrica tem mais de 93 mil metros quadrados de espaço de construção e mais de 1.400 empregados. Rumo à meta de fornecer entregas no tempo certo e preços competitivos, os pedidos de livros feitos pelos clientes são cuidadosamente planejados, produzidos, remetidos e controlados como lotes ou tarefas únicas. Por exemplo, se a South-Western College Publishing fizesse um pedido de 5 mil exemplares do livro Administração da Produção e Operações, de Gaither e Frazier, o pedido inteiro comumente seria produzido como um único lote que fluiria de departamento a departamento através da fábrica. Essa disposição frequentemente é chamada job shop, porque os pedidos dos clientes são tratados como tarefas (jobs) que fluem através da fábrica, e as tarefas tornam-se o foco do planejamento e controle da produção. Uma vez que existe uma enorme variedade entre as tarefas que devem ser desenvolvidas pela fábrica, uma grande flexibilidade de manufatura é necessária. Isso significa que em qualquer departamento de produção em particular, os empregados, a maquinaria de produção e os materiais devem ser flexíveis o bastante para ser mudados de uma tarefa para outra. A flexibilidade de empregados é auxiliada pelo treinamento multifuncional em diversas tarefas, treinamento nos aspectos técnicos das tarefas e recompensas por iniciativa dos empregados. Máquinas de produção devem ser projetadas de forma que sejam máquinas de uso geral, que possam ser rapidamente mudadas para outras tarefas, para que se acomodem à grande variedade de produtos. Uma vez que o grande número de materiais necessários para desenvolver a enorme variedade de tarefas deve ser pedido em grandes quantidades, de fornecedores distantes que exigem até três meses para a entrega, grandes quantidades de materiais são armazenadas. A fábrica se assemelha a todas as outras job shops, pois a produção é planejada e UNIDADE 1 TÓPICO 2 59 controlada concentrando-se em tarefas solicitadas pelos clientes. Em um aspecto, a fábrica é incomum quando comparada com outras job shops: todas as tarefas tomam o mesmo caminho básico através dos departamentos de produção – preparo da chapa de impressão, impressão, slitting1 e intercalação e encadernação. Na maioria das outras job shops, as tarefas tomam um grande número de roteiros através dos departamentos até o grau em que, para um olhar despreparado, os roteiros parecem quase aleatórios. Existem, entretanto, algumas diferenças de percurso entre as tarefas, porque tarefas podem ser atribuídas a diferentes centros de trabalho e a máquinas individuais dentro dos departamentos de produção. Os processos de produção na fábrica são ilustrados na figura a seguir. As principais etapas de produção são (1) recebimento; (2) preparo da chapa de impressão; (3) revisão da chapa de impressão; (4) impressão; (5) secagem; (6) slitting e intercalação; (7) encadernação; e (8) embarque. Recebimento – Os materiais são recebidos na fábrica, vindos de fornecedores que podem estar próximos ou distantes. Esses materiais são estoques de papel e tintas, bem como suprimentos de manutenção, produção e material de escritório. O material mais pesado e que necessita maior espaço para armazenamento, entretanto, é o papel, que chega em grandes e pesados rolos. A fábrica usa 200 milhões de libras (10.718 toneladas) de papel anualmente, e recebe centenas de diferentes tipos de papel de mais de 25 diferentes fábricas. Imagine, o espaço necessário para armazenar essa quantidade de papel. Cada material recebido deve ser checado pelo pessoal de controle da qualidade para determinar se satisfaz as especificações e os padrões de qualidade prescritos. Somente depois de aprovados nessas inspeções, os materiais podem ser colocados no armazém para ser preparados para uso. Preparo da Chapa de Impressão – Nessa operação são feitas as chapas de impressão usadas nas prensas de impressão para imprimir os livros. Essas chapas são produzidas por um processo fotográfico no qual uma imagem fotográfica de uma página original que é fornecida pelo editor é transferida para uma “chapa”. Uma chapa é uma folha de metal com letras em relevo, de tal forma que quando se aplica tinta às letras e se faz a impressão em papel, a página pretendida do livro é transferida para o papel. O equipamento usado neste processo é controlado por computador para se obter melhor controle de qualidade. Pessoal altamente capacitado é necessário nessa etapa de produção, pois, apesar dos recursos dos computadores, o preparo da chapa de impressão continua a ser manual. 1 slitting: (tip.) operação feita com o slitter, que é uma máquina de cortar bobinas; prelo cilíndrico com navalha rotativa que corta o papel em duas partes ao mesmo tempo em que efetua a impressão. UNIDADE 1TÓPICO 260 FLUXO DAS TAREFAS DE PINTURA NA R. R. DONNELLEY & SONS Prova da Chapa de Impressão – Essa operação consiste em verificar se as imagens nas chapas são duplicações exatas das páginas originais fornecidas pelo editor. As páginas originais contêm, por exemplo, texto, tabelas, fotografias e equações matemáticas. A revisão da chapa de impressão deve ser minuciosa, e até mesmo microscópios são usados para comparar as chapas de impressão com as páginas originais. Essa operação também usa mão de obra intensivamente e requer empregados comprometidos com os mais elevados padrões de qualidade de produto. Impressão e Secagem – Cada tarefa, dependendo de seu tamanho, é encaminhada para um tipo de impressão: prensa grande, uma prensa automatizada menor ou uma prensa alimentada por papel. Essas prensas incorporam a mais moderna tecnologia de impressão, com monitoração computadorizada contínua do estoque de papel, manipulação automatizada dos rolos de estoque de papel, scanners óticos e controle computadorizado de ajustes da máquina. A passagem de folhas de papel em prensas que chegam a 3 metros de largura, a velocidades de 457 metros por minuto, resulta em enormes índices de produção de páginas impressas. O estoque de papel impressopassa então, por uma série de cilindros aquecidos e resfriados até secar. O equipamento de secagem exige uma grande quantidade de espaço. Essa etapa de produção requer uso intensivo de capital. UNIDADE 1 TÓPICO 2 61 Slitting e Intercalação – A operação de slitting envolve cortar folhas de papel impresso em folhas no tamanho de página. Grandes máquinas de cisalhamento são usadas para cortar pilhas de folhas em folhas sucessivamente menores. Depois do slitting, as páginas são classificadas em sequência e colocadas em pequenos montes de 16 folhas ou 32 páginas, chamados assinaturas. As assinaturas são brevemente expostas a uma chama aberta para remover quaisquer partículas de recorte de papel em excesso e conjuntos de assinaturas correspondentes a cada livro são reunidos para encadernação. Encadernação – As capas duras são montadas num processo distinto. As capas frontal e posterior são impressas numa única folha, coladas num suporte de papelão e dobradas de maneira adequada. As capas moles são impressas diretamente no estoque de papel da capa. Quando da encadernação, um equipamento de embalagem é usado para envolver capas em torno de pacotes previamente colados de assinaturas para formar livros acabados. Embarque – Os livros acabados são colocados em caixas e depois em paletes, ou diretamente em paletes. Paletes são estrados de madeira, papel, plástico ou fibra de vidro, sobre os quais produtos são empilhados. Um embalagem shrink wrap plástica é então envolta em torno da carga de cada palete para formar uma carga unificada. Paletes de livros são transportados por empilhadeiras do departamento de expedição até caminhões ou vagões de carga para ser embarcados até os armazéns regionais dos editores. NO TA! � Work-in-process: trabalho em execução; produtos em curso de fabricação. A estratégia da R. R. Donnelley é fornecer a seus clientes qualidade superior de produto, entregar no tempo certo e preços competitivos. O projeto, o layout e a operação de sua fábrica em Willard, Ohio, parecem bem adaptados para fornecer essas competências essenciais. FONTE: GAITHER, Norman; FRAZER, Greg. Administração da Produção e Operações. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005, pág. 124-133. UNIDADE 1TÓPICO 262 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu que: • Processo é uma ordenação específica de atividades de trabalho através do tempo e espaço, com um início, um fim, isto é, trata-se de um conjunto claramente definido de entradas e saídas: uma estrutura para a ação. Os processos estão intrinsecamente relacionados aos fluxos de objetos na organização, sejam eles objetos materiais, informações, capital, conhecimento, ideias ou qualquer outro objeto que demande coordenação de seu fluxo. • A manufatura ou produção pode ser definida como a aplicação de processos físicos e químicos na alteração da geometria, de propriedades e/ou da aparência de determinado material inicial, com vistas a produzir peças ou produtos. Ela também inclui a junção de diferentes peças para a criação de produtos montados. Os processos envolvidos na produção englobam uma combinação de máquinas, ferramentas, força e trabalho manual e quase sempre acontecem como uma sequência de operações. Cada operação sucessiva faz com o material fique mais próximo do estado final desejado. • O processamento químico industrial abrange tanto a produção de bens de consumo (GLP, gasolina, querosene de aviação, óleo lubrificante, entre outros) quanto a produção de bens de produção, ou seja, aqueles que sofreram algum processamento antes de chegar ao consumidor final (papel, ácido sulfúrico e plásticos, por exemplo). As várias operações que envolvem mudanças físicas no material de uma indústria química, denominadas de operações unitárias, são agrupadas em cinco grandes divisões: mecânica dos fluidos; transmissão de calor; operações de agitação e mistura; operações de separação e operações de manuseio de sólidos. • No que se referem aos processos de produção de manufatura, dentre os diversos processos industriais disponíveis para a obtenção de um produto, é válido pensar nos processos relacionados à fabricação de peças e componentes mecânicos. Deve-se ter em mente que a estrutura e as propriedades dos metais estão intimamente ligadas com o processo empregado na fabricação mecânica. • Existem certas atividades básicas que devem ser executadas de modo a converter matérias- primas em produtos acabados, a saber: (i) operações de processamento (a partir da transformação de um material de trabalho em um estado de completude para um estado mais avançado); (ii) operações de montagem (junção de dois ou mais materiais para a criação de uma nova entidade). UNIDADE 1 TÓPICO 2 63 AUT OAT IVID ADE � 1 De acordo com Salermo, quais são as características de um processo industrial? 2 Faça um resumo do que você entendeu pelo tópico “processo químico industrial”. 3 No que diz respeito ao processo de produção mecânica, quais são os processos ou técnicas de fabricação de elementos de máquinas ou peças? UNIDADE 1TÓPICO 264 MATERIAIS DE ENGENHARIA 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 3 Segundo os cientistas, materiais são substâncias que estão intimamente ligadas em nossa cultura e vida cotidiana. Eles estão ligados à ascensão do homem, fato este que se observa em fases da história, como a Idade da Pedra, a do Bronze e a do Ferro. Achados naturalmente ou elaborados pelo homem, os materiais têm se tornado parte integrante de nossas vidas. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAZ9sAG/ciencia-dos-materiais>. Acesso em: 7 mar. 2013. UNIDADE 1 2 CONCEITOS GERAIS Os materiais são, sem dúvida, as substâncias de trabalho de nossa sociedade. Desempenham função importante não somente em nosso desenvolvimento natural de vida, mas também em nosso bem-estar. “Ao escolher um material, o projetista irá procurar aquele que possua o conjunto de propriedades exigidas pelo produto. Uma classificação elementar pode compreender aspectos relativos às categorias, propriedades desejadas e principais aplicações” (FILHO, 2007 p. 305). Mas o que são materiais? Como os identificamos, entendemos, manipulamos e usamos? Eles fazem parte da matéria do universo, são substâncias, cujas propriedades as tornam UNIDADE 1TÓPICO 366 utilizáveis em estruturas, máquinas, dispositivos, equipamentos ou produtos consumíveis. FONTE: Adaptado de: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfXbUAE/materias-construcao- mecanica>. Acesso em: 7 mar. 20113. Neste caso podem ser classificados em: • Metais; • Cerâmicos; • Supercondutores; • Dielétricos; • Plásticos; • Polímeros; • Vidros. De acordo com Provenza (1990), na construção de máquinas, além do projeto meticuloso, é necessária uma justa escolha do material a ser adotado, levando-se em conta que as características deste material estão subordinadas à função a que o elemento da máquina está submetido. Além disso, a escolha do material para obtenção de elementos de máquinas deverá ser de baixo custo e a fabricação da peça, de maneira geral, deverá apresentar um processo tecnológico simples. Dentre os processos industriais para obtenção de elementos de máquinas, que serão abordados nessa unidade – Descrição de Processos Industriais – podemos citar: • Laminação; • Trefilação; • Fundição; • Forjamento; • Solda; • Eletroerosão; • Abrasão; • Usinagem; • Estampagem; • Sinterização. Todas as substâncias são formadas por átomos. Sabe-se que eles giram em torno de um núcleo, com velocidades maiores ou menores conforme sejam as temperaturas dessas substâncias. Essa atividade das órbitas atômicas manifesta-se, então, pela coesão, levando as substâncias aos estados: gasoso, líquido, pastoso ou sólido. O agrupamento de átomos forma a molécula.Nos corpos sólidos, os metais em estado normal, os átomos podem agrupar-se de maneira ordenada, e nos corpos cristalinos e amorfos, de maneira desordenada. Todos os UNIDADE 1 TÓPICO 3 67 metais têm estrutura cristalina no estado sólido. Os átomos se reúnem formando os cristais, que são as moléculas dos metais. Essas moléculas são pequeníssimas, não visíveis. Agrupam-se entre si, formando os grãos que em determinadas circunstâncias já são visíveis a olho nu. A Ciência dos Materiais visa ao entendimento da natureza dos materiais, estabelecendo teorias ou descrições que relacionem a estrutura com a composição, as propriedades e o comportamento deles. Por outro lado, a Engenharia dos Materiais possui base nas correlações estrutura-propriedades, de modo a se poder projetar a estrutura de um dado material, para produzir um determinado conjunto de propriedades. FONTE: Adaptado de: <http://wwwp.fc.unesp.br/~betog/web/2006/cm_aula1_2006.pdf>. Acesso em: 7 mar. 2013. As propriedades de um material, entre elas as mecânicas, elétricas, ópticas, magnéticas, químicas, térmicas, ambientais etc., estão intrinsicamente relacionadas à estrutura cristalográfica ou amorfa. O comportamento mecânico dos materiais é expresso através de relações de estímulo-resposta. Destacamos que o estudo em detalhes relacionado ao quesito de materiais de engenharia foi realizado na disciplina de Ciência dos Materiais. Neste momento, apenas resgatamos alguns conhecimentos básicos da área de ciência e tecnologia dos materiais, para que você, acadêmico, possa compreender o comportamento dos materiais quando de seu processamento ou utilização em serviço. Antes de prosseguirmos com as classes de materiais utilizados no processamento industrial, é válido destacar algumas definições úteis: • Tecnologia Mecânica: estuda os materiais usados na indústria de fabricação mecânica e os processos de transformação em produtos industriais; • Metalurgia: é a ciência que estuda os processos de extração, formação e utilização dos metais e suas ligas; • Siderurgia: é a metalurgia do ferro e suas ligas, principalmente com o carbono “aço” e outros metais. 3 CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS A classificação tradicional dos materiais é geralmente baseada na estrutura atômica e UNIDADE 1TÓPICO 368 química. Os materiais sólidos são classificados tradicionalmente em: a. Materiais metálicos (ferrosos e não ferrosos); b. Materiais não-metálicos naturais e sintéticos. QUADRO 8 – CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS MATERIAIS METÁLICOS NÃO-METÁLICOS FERROSOS NÃO-FERROSOS NATURAIS SINTÉTICOS Ferro fundido Alumínio Madeira Aço Chumbo Couro Magnésio Titânio FONTE: O autor Padilha (1997), levando em conta a evolução histórica do domínio dos materiais pelo homem e as mudanças na inovação e na aplicação dos materiais ocorridas nos últimos tempos, apresenta uma classificação alternativa dos materiais, baseada em quatro níveis, conforme o grau de conhecimento científico utilizado no seu desenvolvimento: I. Materiais naturais. Exemplos: madeira, couro, diamante, cobre, ligas fer- rosas provenientes de meteoritos e borracha. II. Materiais desenvolvidos empiricamente. Exemplos: bronze, aço comum, ferro fundido, cerâmicas sílico- aluminosas, vidro, cimento e concreto. III. Materiais desenvolvidos com auxílio qualitativo de conhecimentos científicos, isto é, as considerações científicas orientaram seus descobrimen- tos e a interpretação qualitativa de suas propriedades. Exemplos: ligas mais antigas de alumínio, de titânio e de magnésio, metal duro, aços inoxidáveis, aços microligados, termoplásticos, termorrígidos, elastômeros e ferritas. IV. Materiais projetados (novos ou aperfeiçoados) quase que exclusivamente a partir de conhecimentos científicos e cujas propriedades podem ser quantitativa- mente previstas. Exemplos: semicondutores, materiais para reatores nucleares, aços de ultra-alta resistência mecânica, materiais compósitos reforçados com fibras, ligas com memória de forma e vidros metálicos (PADILHA, 1997, p. 23). 3.1 MATERIAIS METÁLICOS Uma definição simples para os metais é a que menciona que são substâncias químicas elementares, opacas, lustrosas, boas condutoras de calor, eletricidade e boa refletora de luz quando devidamente polidas. Os metais sendo então, bons condutores de energia elétrica e térmica, também, para muitos deles, são resistentes mesmo em ambientes de altas temperaturas e outros podem ser dúcteis (maleáveis) à temperatura ambiente. UNIDADE 1 TÓPICO 3 69 “Cerca de 70, dos 92 elementos da tabela periódica encontrados na natureza, têm caráter metálico preponderante” (PADILHA, 1997, p. 13). Os metais mais tradicionais, tais como: cobre, ouro, ferro, prata, estanho, mercúrio e chumbo são conhecidos desde o início da era cristã. Em função de propriedades específicas tais como: resistência mecânica, conformabilidade (ductilidade / resiliência / tenacidade), carregamentos variados, condutividades térmicas/ elétricas, opacidade, entre outras, os materiais metálicos mais empregados na construção de máquinas são: • Ferros e aços; • Ligas ferrosas; • Ligas de cobre: Bronze (Cu-Sn), Latão (Cu-Zn), Cu-Be; • Ligas de Al, Mg (ligas leves e ultra leves); • Metais anti-fricção. De uma maneira geral os metais podem ser classificados em ferrosos e não ferrosos, conforme explicitado na figura a seguir. FIGURA 17 – CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS METÁLICOS FONTE: Adaptado de Callister (2002, p. 5-7) UNIDADE 1TÓPICO 370 3.1.1 Metálicos Ferrosos Um dos grupos mais importantes dos metais é a classe dos Ferrosos, as ligas de ferro e carbono, tais como os aços e ferros fundidos. 3.1.1.1 Aços e Ferros Fundidos Os aços são ligas de ferro e carbono em que o teor de carbono (C) varia de 0,05 a 1,7%. Os aços apresentam as seguintes características: • Cor acinzentada; • Peso específico: 7,8 g/cm3; • Temperatura de fusão: 1350-1400°C; • Maleabilidade; • Ductilidade; • Tenacidade; • Elasticidade; • Resistência; • Resiliência; • Soldabilidade; • Temperabilidade; • Usinabilidade; • Forjabilidade. A composição de carbono influi nas características dos aços. Com o aumento do teor de carbono, aumenta a dureza e a resistência à tração. Em contrapartida, este aumento no teor de carbono implica em diminuição da resistência e da maleabilidade. Podemos, genericamente, classificar os aços em: aços carbono e aços especiais ou aços ligas. Os aços carbonos são aqueles com composição predominante de Fe e C mais elementos residuais. Os aços ao carbono de uso comum possuem 0,05 a 1,7% de C. Depois do ferro, o carbono é o elemento mais importante. É o elemento determinativo do aço. UNIDADE 1 TÓPICO 3 71 FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/listar_letra_mm>. Acesso em: 8 mar. 2013. Os aços-liga, além de C, contém na liga Fe-C outros elementos, tais como: Ni, Cr, Mn, Mo, W, entre outros, cuja adição melhora suas características mecânicas ou sua resistência à corrosão, ao calor ou lhe conferem particulares qualidades magnéticas etc. Estes aços são chamados também de aços ternários, (exemplo Aço Cr que é uma liga de três elementos: Fe-C-Cr), quaternários (exemplo: Aço Ni-Cr que é uma liga de 4 elementos: Fe-C-Ni-Cr) ou complexos (exemplo: Aço Ni-Cr-Mo). As ligas ferrosas são obtidas basicamente em função da temperatura e dos teores de carbono. Neste caso, as ligas são resultado de transformações na estrutura interna do material determinadas pelo equilíbrio de fases e arranjos interatômicos. As ligas Fe-C com C entre 1,7 e 6,7% são chamadas de ferros fundidos. O teor de carbono nos ferrosos aumenta a resistência mecânica e a dureza do material, mas torna o metal menos dúctil e maleável. Além dos aspectos de composição química nos aços e ferros fundidos,estes apresentam estruturas cristalinas diferenciadas. Considerando a composição dos aços, costuma-se dividi-los em dois grupos: • Aços Carbono – aqueles em que só se deve considerar o carbono como formando liga com o ferro, embora existam outros elementos contidos em quantidades suficientemente pequenas. • Aços Especiais ou Aço Liga – destinam-se a fabricar diferentes ferramentas que trabalham fundamentalmente no corte. Os diferentes tipos de aços carbonos e suas aplicações práticas são: • Aço extramacio: com aproximadamente 0,10% de carbono, é empregado na fabricação de chapas utilizadas em estampagens devido ao seu grande alongamento. • Aço macio: aproximadamente 0,15% de carbono, é empregado na fabricação de peças cementadas (endurecimento exterior por enriquecimento de carbono). • Aço semimacio: com 0,30% de carbono, utiliza-se para peças pouco carregadas e não submetidas a esforço de fadiga, para estruturas soldadas e outras peças de pouca responsabilidade. • Aço semiduro: aproximadamente 0,50% de carbono, mais utilizado entre os aços carbonos como estruturas metálicas, eixos, parafusos etc. • Aço duro: com aproximadamente 0,60%, é empregado em molas e peças muito carregadas UNIDADE 1TÓPICO 372 que não são submetidas a choques. • Aço extraduro: com mais de 0,65% de carbono, utiliza-se quase exclusivamente para fabricação de ferramentas, pontos de tornos, limas, serras e ferramentas de corte. Os elementos de liga que compõem os aços, têm várias finalidades, como por exemplo: obter estruturas mais resistentes e melhorar as características relativas a tratamentos térmicos e ao frio. Os principais elementos de liga são: Ni, C, Mn, Mg, Si, W, Ti, Va, entre outros. QUADRO 9 – AÇOS MAIS USADOS (CLASSIFICAÇAO AISI) AÇOS MAIS USADOS (CLASSIFICAÇÃO AISI) Tipos Classificação Produto final Aços carbono SAE 1010, 1020, 1045 Peças diversas Aços liga SAE 4340, 8640 Eixos Aços mola SAE 5140 Molas Aços para cementação SAE 8620, 4320, 9315 Rodas dentadas e eixos Aços para ferramenta W-2, O-1, F-1, S-1, D-3 Ferramentas de corte Aços rápido T-1, M-2, T-8 Brocas Aços inoxidáveis 30301, 30310, 30316 Talheres, facas FONTE: SENAIPR (2007, p. 29) O ferro obtido diretamente de um alto-forno é o ferro gusa, impuro com alto teor de carbono. Entretanto, se deixado solidificar em moldes (ou primitivamente em leitos de areia) forma os pães de gusa que são refundidos em fornos menores, chamados de Cubilô, com cerca de 6 m de altura, onde sofre nova fundição, refinando-se mais. Ao sair do forno, o ferro ainda contém impurezas como P e S. E um ferro de segunda fusão é utilizado para a fabricação de peças fundidas. UNIDADE 1 TÓPICO 3 73 FIGURA 18 – FORNO CUBILÔ FONTE: Provenza Franco (1990, p. 105) É o produto ferroso mais rico em carbono de 1,7% a 4,5%. Conforme o teor de carbono e a velocidade de resfriamento para solidificar-se, podemos ter os diferentes tipos de ferro fundido: • Ferro Fundido Branco: (duro e quebradiço) utilizado no preparo de peças resistentes ao desgaste; • Ferro Fundido Cinzento: serve para peças grandes que exijam esforço de compressão. Exemplos: carcaças de motores, bases de máquinas, rodas dentadas; • Ferro Fundido Nodular: apresenta maior tenacidade e características semelhantes ao aço. São exemplos: Cubos de rodas, Bielas, Mancais, Virabrequins. 3.1.2 Metais Não-Ferrosos Os metais não-ferrosos são: alumínio, cobre, zinco, estanho, níquel, entre outros. UNIDADE 1TÓPICO 374 Alumínio: A utilização e emprego do alumínio são relativamente recentes em comparação com o emprego do ferro e do cobre, conhecidos desde a antiguidade. O alumínio é extraído de um minério chamado bauxita. O seu emprego industrial data dos princípios deste século. No entanto, as suas propriedades extraordinárias e, especialmente sua capacidade de formar ligas com características específicas, levou a um progresso tão intenso que hoje se tornou o metal mais usado no mundo depois do aço. O processo de obtenção do alumínio tem três etapas: 1. Obtenção do minério (bauxita); 2. Obtenção da alumina (composto de alumínio e oxigênio); 3. Obtenção do alumínio. O alumínio é um metal branco brilhante. No estado puro é muito resistente a corrosão pelos agentes atmosféricos, além de ter boa condutibilidade térmica e elétrica. Com o avanço tecnológico foram descobertas ligas para o alumínio (Manganês, Cobre, Silício e Zinco), com isso aumentando sua resistência e aplicação. Cobre: O cobre foi o primeiro metal a ser usado pelo homem, datado de 4.000 anos a.C. Trata-se de um metal vermelho brilhante, macio e menos resistente que o ferro. O cobre é um outro metal não ferroso e não magnético, que se funde a 1080°C, depois da prata é o melhor condutor de eletricidade e calor. A quantidade de cobre puro encontrado na natureza é muito pequena, a maior parte é encontrada combinada com outros materiais. O cobre forma ligas com outros metais, como latão e bronze. Latão: É uma liga de bronze e zinco, muito utilizada, tanto na forma de peças fundidas como sob a forma de laminados, chapas, arames e principalmente na fabricação de torneiras. Bronze: Liga de cobre (Cu) e estanho (Sn) cria boa resistência ao atrito e à corrosão e é um bom condutor de eletricidade. Emprega-se mais no estado fundido, podendo ser utilizado sob a forma de peças forjadas e de barras. É usado na fabricação de tubos, evaporadores, trocadores de calor, rodas dentadas e buchas. Os tipos mais comuns de bronze para embuchamento de máquinas são: • SAE 62 liga estanho e zinco; • SAE 64 com alta concentração de chumbo (baixa e média rotação); • SAE 65 buchas submetidas a impactos; • SAE 660 buchas de alta rotação. Chumbo: Metal de cor acinzentada, suas propriedades mecânicas são: baixa tenacidade, UNIDADE 1 TÓPICO 3 75 Ligas metálicas são materiais com propriedades metálicas que contêm dois ou mais elementos químicos, sendo pelo menos um deles o metal. É importante ressaltar que as ligas possuem propriedades diferentes dos elementos que a originam. Algumas propriedades são: diminuição ou aumento do ponto de fusão, aumento da dureza e resistência. FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Liga_met%C3%A1lica>. Acesso em: 8 mar. 2013. Ligas metálicas mais comuns no cotidiano são: • Aço – constituído por Fe e C; • Aço inoxidável – constituído por Fe, C, Cr e Ni; • Ouro de jóias – constituído por Au, Ag e/ou Cobre. porém com alto índice de ductilidade e maleabilidade. É bom condutor de eletricidade, porém não sendo magnético, e é mal condutor de calor. Principal minério do qual o chumbo é extraído é a galena. Sua maior aplicação é na fabricação de baterias. 3.1.3 Ligas Metálicas 3.1.4 Principais Propriedades Mecânicas dos Metais QUADRO 10 – PROPRIEDADE MECÂNICAS DS METAIS Deformação: Deformação elástica – não é permanente, uma vez cessados os esforços, o material volta a sua forma original. Deformação plástica – é permanente, uma vez cessados os esforços, o material não volta mais a sua forma original. Dureza: é a capacidade que os materiais têm de riscar ou de se deixar riscar por outros materiais. Exemplo: diamante e grafite. Maleabilidade: é a propriedade que os metais têm de se deixar reduzir a chapas (exemplo: ouro e prata). Ductilidade: é a propriedade que os materiais têm de se deixar reduzir a fio, ou seja, deformar-se com a ação de uma força sem romper-se, transformando-se em fio. Exemplo: ouro, prata e cobre. Tenacidade: é a medida da energia requerida para ruptura de um material. Exemplos de materiais tenazes: bronze silicioso e cobre duro. Maquiabilidade: é um processo de se deixar trabalhar por qualquer processo tecnológico, através de máquinas ferramentas. Exemplos: ferro. UNIDADE 1TÓPICO 376 Elasticidade: propriedade de retornar à formaprimitiva, depois de ter sido deformado por esforço momentâneo. Dilatabilidade: propriedade de aumentar em comprimento, superfície e volume com adição de calor. Exemplo: mercúrio. Resistência à fadiga: corresponde ao limite de esforço sobre um material resultante da repetição de manobras. Cada esforço vai provocando o “envelhecimento” do material até sua ruptura. Resistência à corrosão: propriedades que os materiais têm de manterem suas propriedades quando estão expostos a agentes exteriores (atmosféricos e químicos). Estas propriedades têm particular importância nos materiais expostos ao ar e enterrados (linhas, cabos ao ar livre e tubulações). FONTE: Disponível em: <http://paginas.fe.up.pt/~mcnunes/QMAR0708/materiaiscondutoresQMAR. pdf>. Acesso em: 8 mar. 2013. 3.2 MATERIAIS NÃO-METÁLICOS Caro(a) Acadêmico(a)! Nesta seção que abordaremos temas relacionados aos materiais não-metálicos. Dentre esses materiais estão: os materiais polímeros; os materiais cerâmicos, os materiais compósitos e outros tipos de materiais. 3.2.1 Polímeros Os polímeros são constituídos de macromoléculas orgânicas, sintéticas ou naturais. Os plásticos e borrachas são exemplos de polímeros sintéticos, enquanto o couro, a seda, o chifre, o algodão, a lã, a madeira e a borracha natural são constituídos de macromoléculas orgânicas naturais. Os polímeros são baseados nos átomos de carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, flúor e em outros elementos não metálicos. A ligação química entre átomos da cadeia é covalente, enquanto a ligação intercadeias é fraca, secundária, geralmente dipolar. (PADILHA, 1997, p. 18). UNIDADE 1 TÓPICO 3 77 IMP OR TAN TE! � Existem vários tipos de macromoléculas para a constituição de polímeros, destacando-se, segundo Padilha: • Macromoléculas sintéticas orgânicas. Exemplos: polietileno, policloreto de vinila, náilon e muitos outros “plásticos”. • Macromoléculas naturais orgânicas. Exemplos: algodão, madeira, lã, cabelo, couro, seda, chifre, unha e borracha natural. • Macromoléculas naturais inorgânicas. Exemplos: diamante, grafite, sílica e asbesto. • Macromoléculas sintéticas inorgânicas. Exemplos: ácido polifosfórico e policloreto de fosfonitrila. FONTE: Disponível em: <http://www.professores.uff.br/joseflaviofeiteira/ PastaAcustica/Padilha%20-%20Materiais%20de%20 Engenharia.pdf>. Acesso em: 8 mar. 2013. A maioria dos plásticos, tecnicamente também chamados de plastômeros ou polímeros plásticos, são altos polímeros orgânicos e podem ser definidos como segue: Plásticos é um amplo grupo de materiais sólidos, compostos eminentemente orgânicos, usualmente tendo por base resinas sintéticas ou polímeros naturais modificados e que possuem, em geral, apreciável resistência mecânica. Em determinado estágio de sua operação ou manufatura, a maioria dos plásticos pode ser fundida, moldada ou polimerizada diretamente na forma final. Alguns plásticos são semelhantes à borracha, enquanto que algumas formas de bor- rachas quimicamente modificadas são consideradas plásticos. (RESENDE, 1992, p. 229). As matérias-primas básicas para obtenção da maioria dos materiais plásticos são de origem natural ou sintética, com destaque para o petróleo e o gás natural como principais fontes. Os produtos derivados de cada tipo de matéria-prima de plásticos são apresentadas a seguir. QUADRO 11 – MATÉRIAS PRIMAS DE PLÁSTICOS PRODUTO MATERIA-PRIMA ORIGEM Acetato de celulose, nitrato de celulose Celulose Natural Galalite Caseína Natural Náilon Óleo de rícino Natural Uréia-formaldeido Amônia e uréia Natural Policrolato de vinila (PVC) Poliacrilovinila Propeno Sintético Polietileno Etileno Sintético Náilon Benzeno Sintético Poliestireno Etileno+benzeno Sintético FONTE: SENAIPR (2007, p. 18) UNIDADE 1TÓPICO 378 Os materiais poliméricos são geralmente leves, pesando, a maioria, menos que o magnésio. A densidade média dos plásticos é da ordem de 1,4, excetuando as esponjas. Os polímeros são bons isolantes térmicos, elétricos e apresentam boa resistência à corrosão e baixa resistência ao calor. Além disso, podemos apresentar outras características dos plásticos, tais como: baixo ponto de fusão, facilidade de conformação, boa resistência às soluções salinas e ácidas, boa aparência, baixo coeficiente de atrito. Um polímero pode ser definido como sendo um material composto por unidades relativamente simples, repetidas vezes. Por exemplo: CH2 = CH3 – CH – CH2 (borracha natural) A polimerização é um processo químico que resulta na formação de um novo composto, cujo peso molecular é um múltiplo daquele da substância original. Assim, sob condições adequadas de pressão, de temperatura e de catalisadores, certo número de moléculas de um plástico com ligações não saturadas (todas as ligações dos átomos de carbono não estão satisfeitas) podem se juntar um uma molécula longa, como ilustrado a seguir. Os polímeros podem ser classificados em três grandes grupos: • termoplásticos. Podem ser repetidamente conformados mecanicamente desde que reaquecidos. Portanto, não só a conformação a quente de componentes é possível, mas também a reutilização de restos de produção, que podem ser reintroduzidos no processo de fabricação (reciclagem). Muitos termoplásticos são parcialmente cristalinos e alguns são totalmente amorfos. Exemplos típicos de termoplásticos são: polietileno, policloreto de vinila (PVC), polipropileno e poliestireno. • termorrígidos. São conformáveis plasticamente apenas em um estágio intermediário de sua fabricação. O produto final é duro e não amolece mais com o aumento da temperatura. Uma conformação plástica posterior não é portanto possível. Não são atualmente recicláveis. Os termorrígidos são completamente amorfos, isto é, não apresentam estrutura cristalina. Exemplos típicos de termorrígidos são: baquelite, resinas epoxídicas, poliésteres e poliuretanos. • elastômeros (borrachas). São também materiais conformáveis plasticamente, que se alongam elasticamente de maneira acentuada até a temperatura de decomposição e mantém estas características em baixas temperaturas. Os elastômeros são estruturalmente similares aos termoplásticos, isto é, eles são parcialmente cristalinos. Exemplos típicos de elastômeros são: borracha natural, neopreno, borracha de estireno, borracha de butila e borracha de nitrila. FONTE: Disponível em: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAA0LsAF/polimeros-plasticos>. Acesso em: 8 mar. 2013. UNIDADE 1 TÓPICO 3 79 3.2.1.1 Outros Constituintes das Peças de Plástico A resina plástica, na maioria das vezes, é misturada com outras substâncias, a fim de fazer o produto final. Os constituintes adicionados são chamados carga, pigmentos ou anilinas, plastificantes e lubrificantes. Os materiais de carga são adicionados à maioria dos plásticos termo-fixos e alguns termo-plásticos. O seu objetivo pode ser adicionar volume ou dar resistência ao calor ou à eletricidade. Podem representar até 80% do volume total da peça. Alguns materiais de carga são: carbonato de cálcio, serragem, tecido macerado e fibras diversas etc. Normalmente, nem as resinas, nem os materiais de carga têm cores atraentes por eles próprios. Pigmentos são adicionados para dar cor devido a sua presença; anilinas para colorir as resinas ou materiais de carga. Um plastificante sólido ou líquido é destinado a tornar o produto mais flexível. Pode auxiliar o escoamento do material no molde. Um lubrificante ou agente de desmoldagem facilita a remoção de peças nos moldes. Ele pode ser cera, ácido graxo ou sabão metálico. Um plástico pode estar em uma ou mais das três formas no estágio de matéria-prima. Em primeiro lugar são os pós, flocos ou grânulos para moldagem de peças plásticas. Em segundo lugar, são líquidos para peças fundidas, laminados impregnados, adesivos e compostosmistos de moldagem. Em terceiro, estão os filamentos, filmes, chapas, barras e tubos para serem manufaturados em artigos acabados, tais como tecendo tecidos, cortando e soldando em envoltórios, ou usinando. 3.2.3 Materiais Cerâmicos Os cerâmicos são materiais inorgânicos constituídos por elementos metálicos e não- metálicos interligados. Os principais tipos são: óxidos, nitretos e carbonetos. A esse grupo de materiais também pertencem os argilo-minerais, o cimento e os vidros. Do ponto de vista de ligações químicas, eles podem ser desde predominantemente iônicos até predominantemente covalentes. Estes materiais apresentam a vantagem de possuírem alta dureza e grande resistência UNIDADE 1TÓPICO 380 mecânica a altas temperaturas, mas tendem a ser frágeis (por vezes o material excessivamente duro é frágil na quebra, como o vidro). “As propriedades dos materiais cerâmicos variam muito – em razão das diferenças de ligação química -, as temperaturas de fusão são altas e são bons isolantes térmicos e elétricos, propriedades estas que os tornam adequados para várias aplicações na indústria” (FILHO, 2007, p. 319). Em termos obtenção de matérias primas, processamento e características podemos agrupar os cerâmicos em três classes, a partir das considerações de Padilha (1997): QUADRO 12 – CLASSES DOS CERÂMICOS Cerâmica Tradicional: obtidas a partir de matérias primas naturais, com pouco ou nenhum beneficiamento, tais como argilo-minerais e areia. A cerâmica vermelha (telhas, tijolos e manilhas) e a cerâmica branca (azulejos, sanitários e porcelanas) são constituídos principalmente de silicatos hidratados de alumínio, tais como caulinita, haloisita, pirofilita e mont-morilonita. O óxido de ferro é que confere a cor avermelhada de muitos produtos cerâmicos. Cerâmica Avançada ou Fina: obtidas a partir de matéria-prima sintética ou com elevado grau de beneficiamento: óxidos, nitretos, carbonetos e boretos com alta pureza; têm composição definida e o tamanho, a forma e a distribuição das partículas são controlados. Exemplos destas cerâmicas são encontradas em próteses, filtros cerâmicos, rotores, palhetas para turbina, catalisadores, sensores e ferramentas de corte. Vidros: os tradicionais são misturas de óxidos. Os clássicos vidros de “Murano” (ilha de Veneza) eram basicamente misturas de sílica, cal e soda. Pequenas adições de íons de cobalto, cromo, cobre, manganês e ferro causam grandes mudanças de cor. Os vidros ópticos são desenvolvidos com alta pureza para aplicações em lentes modernas e em instrumentos óticos. Outros desenvolvimentos recentes na indústria do vidro incluem a utilização de materiais reforçados com fibras de vidro e com as fibras ópticas usadas na transmissão de informações. A grande maioria (99%) da produção atual, em peso, de vidro pertence aos três tipos: SiO2(sílica) – Na2O(soda) – CaO(cal); PbO – SiO2 e B2O3 – SiO2 – Na2O – CaO. No século XX houve o desenvolvimento do vidro à base de boro. Os vidros inorgânicos apresentam ausência de ordem de longo alcance (são amorfos), têm propriedades isotrópicas, são transparentes à luz visível, podem ser formulados para absorver ou transmitir determinados comprimentos de onda, são isolantes térmicos e elétricos e amolecem antes de fundir, permitindo a conformação por sopro de formas intrincadas. Os “vidros metálicos”, ligas metálicas amorfas, são estruturalmente similares aos vidros orgânicos, mas apresentam propriedades impostas pela ligação metálica FONTE: Adaptado de Padilha (2007) 3.2.4 Materiais Compósitos Os materiais compostos são materiais projetados de modo a conjugar características desejáveis, tais como resistência mecânica e flexibilidade, de dois ou mais materiais, geralmente obtidas pela combinação de uma matriz com um ou mais reforços. UNIDADE 1 TÓPICO 3 81 A nomenclatura dos materiais denominados compósitos, com termo de origem “composite materials”, tem as seguintes versões traduzidas: materiais compostos ou materiais conjugados. Na nossa língua o termo original em inglês sofreu o aportuguesamento para Materiais Compósitos. Comumente o termo compósito é encontrado nos dicionários como sinônimo de composto, mesclado, heterogêneo. Callister (2002, p. 375) comenta sobre os materiais compósitos e sua obtenção: um dos materiais mais avançados e promissores em engenharia são os compósitos feitos a partir de uma matriz de carbono reforçado com fibras de carbono. Esse material é denominado de compósito carbono-carbono termo- estruturado, sendo aplicado em componentes avançados como motores de foguetes, materiais de atrito em aeronaves e automóveis de alto desempenho, de estampagem a quente, bem como componentes para motores de turbina avançados e como escudos térmicos em veículos espaciais de reentrada na atmosfera. O material é produzido por meio da conformação de um padrão bi ou tridimensional de fibras contínuas de carbono impregnadas por resina polimérica líquida do tipo fenólica e pirolisada, isto é, convertida em carbono através do aquecimento em atmosfera inerte. Atualmente apresenta-se a definição usual de materiais compósitos como materiais obtidos pela mistura ou combinação racional de dois ou mais materiais macroconstituintes (reforço e matriz), diferindo em composição química e/ou em formato, e, que sejam essencialmente insolúveis entre si. São características ainda desses materiais: • presença de reforços fibrosos e matriz polimérica; • cada material constituinte contribui com suas propriedades; • resistência à tração é dominada pela fibra; e • resistência à compressão e resistência ao cisalhamento são dominadas pela resina. “A matriz pode ser polimérica, metálica ou cerâmica. O mesmo vale para o reforço, que pode estar na forma de dispersão de partículas, fibras, bastonetes, lâminas ou plaquetas” (PADILHA, 1997, p. 21). Exemplos de desta classe de materiais incluem: • Fiberglass (fibras de vidro/matriz polimérica). • Compósito natural: madeira. • Compósito agregado: concreto. Nos compósitos carbono-carbono termoestruturados algumas relações entre propriedade e estrutura podem ser evidenciadas, tais como o fato da redução de ligações do tipo de van der Waals promover propriedades mecânicas superiores às dos compósitos de fibra de carbono UNIDADE 1TÓPICO 382 e resina e ainda a característica da cadeia molecular resultante do tratamento térmico em alta temperatura promover a formação de grandes cadeias carbônicas. Com relação aos compósitos avançados destacamos que estes apresentam: • propriedades são superiores aos compósitos comuns; • normalmente Vf > 50% e Ef > 200 MPa; • são compósitos de fibras contínuas; e • tem maior custo que os compósitos comuns. O compósito de aplicação estrutural (vide figura 20) é um material essencialmente “engenhado” pelo Homem. As vantagens dos compósitos incluem: - Flexibilidade de Fabricação • estruturas grandes e complexas podem ser fabricadas em uma única peça, reduzindo custos com ferramental e eliminando a necessidade de reforçadores, junções, prendedores e rebites; • a orientação das camadas pode ser variada para combinar carregamentos de cargas axiais e de cisalhamento; • sequência de empilhamento de camadas permite variações em detalhes de projeto; • bom acabamento superficial é obtido; e • vários e diferentes métodos de fabricação estão disponíveis. - Eficiência • elevadas propriedades especificas; e • economia de material - Propriedades Térmicas • baixa condutividade térmica; e • desprezível dilatação térmica, que é um fator chave no controle dimensional. - Fadiga • certos compósitos, particularmente com reforços de carbono, apresentam melhor comportamento em fadiga do que o material convencional isotrópico. - redução de Peso UNIDADE 1 TÓPICO 3 83 FIGURA19 – COMPÓSITO ESTRUTURAL FONTE: Cândido (2003, p. 9) Por outro lado, estes materiais apresentam como desvantagens: • maior custo da matéria-prima; • materiais “prepreg” devem ser armazenados em freezer; • fabricação pode utilizar equipamentos de custo elevado; • dependente de criterioso processo de fabricação; • usinagem é limitada; • sensível a danos por impacto; • absorção de umidade pode causar danos na interface fibra/matriz; • reparos estruturais requerem temperatura alta e vácuo; • treinamento especial é exigido para fabricação e reparos; e • cuidados devem ser tomado com a saúde e segurança. As aplicações típicas dos materiais compósitos estão ilustradas na figura a seguir. FIGURA 20 – APLICAÇÕES TÍPICAS DE MATERIAIS COMPÓSITOS FONTE: Cândido (2003, p. 13) UNIDADE 1TÓPICO 384 3.2.5 Sistemas De Matrizes As matrizes que compõem o material compósito atuam no sentido de agregar as fibras e dar forma às peças, proteger as fibras da abrasão mecânica, ambientes adversos e danos, transferirem a carga aplicada às fibras, servir como meio de transferência de carga às fibras descontínuas e/ou quebradas. Além disso, a resistência à compressão, a resistência ao cisalhamento interlaminar, a resistência ao cisalhamento no plano e a temperatura de serviço, são propriedades dominadas pela matriz. Em função da composição polimérica nas matrizes e considerando a temperatura de transição vítrea (Tg), temperatura em que a mobilidade molecular aumenta, resultando em significativas mudanças no comportamento mecânico do compósito, ressalta-se que os compósitos devem ser operados abaixo da desta temperatura. As matrizes poliméricas podem ser dos tipos termorrígida e termoplástica. As características das matrizes do tipo termorrígidas são entre outras: • durante a cura ocorrem mudanças químicas formando ligações cruzadas no final do processo; • após a cura não permite nova moldagem ou fusão; e • difícil reciclagem. • exemplos: epóxi, poliéster, fenólica, polimida etc. As temperaturas de cura e de serviços para matrizes termorrígidas comuns estão representadas no quadro a seguir. Na indústria aeroespacial o epóxi é, entre os materiais termorrígidos, um dos mais utilizados, apresentando entre outras características: • boa resistência a efeitos ambientais; • cura obtida por ligações cruzadas × polimerização; • utilizada como resina líquida, pré-impregnado ou adesivo; • quando queimada emite fumaça tóxica; e • possui ampla taxa de formulação e propriedades. Quanto às matrizes termoplásticas, podemos resumidamente elencar suas principais características como segue: • quando aquecidas ocorrem mudanças físicas passando de sólido a líquido; • solidificam no resfriamento; UNIDADE 1 TÓPICO 3 85 • permitem reaquecimento e nova moldagem; • fundem a altas temperaturas; e • permitem reciclagem. • exemplos: PEI, PEEK, PET, PC, nylon etc. QUADRO 13 – TEMPERATURAS DE CURA E DE SERVIÇO PARA TERMORRÍGIDOS MATRIZ TEMP. CURA (°C ) TEMP. SERVIÇO (°C) Poliéster Amb. - 121 60 - 140 Ester vinil Amb. 49 - 149 Epóxi Amb. - 177 65 - 191 Fenólica 177 - 232 148 - 232 Bismaleimida (BMI) 232 - 288 204 - 316 Ester cianato 121 - 177 93 - 288 Polimida (PI) 316 - 399 260 – 371 FONTE: Cândido (2003, p. 17) 3.2.6 Reforços Fibrosos As fibras utilizadas como reforços são o principal constituinte do compósito, ocupando a maior fração de volume de um laminado. Estes materiais podem ser dos tipos carbono, vidro, aramida, polietileno, boro, entre outros. As principais características dos reforços fibrosos são: • garantir resistência ao carregamento; • exercer maior influência sobre as propriedades mecânicas; • estão disponíveis em vários diâmetros e comprimentos; • são orientadas nas formas de pré-impregnado de fita e tecido, entrançado e manta. Os tipos mais comuns de todos os reforços fibrosos são as fibras de vidro devido as suas características de baixo custo, alta resistência à tração, alta resistência a ataques químicos, excelentes propriedades de isolação. As fibras de vidro apresentam também baixo módulo de tração, relativamente baixa resistência à fadiga e alta dureza. Dentre as fibras de vidro, o Vidro “E” e o Vidro “S-2” são caracterizados por: - Vidro “E” • disponível desde 1940 é amplamente utilizada; • ótima combinação de propriedades físicas e elétrica e boa resistência mecânica; e • utilizado em aplicações estruturais onde se requer resistência a altas temperaturas. UNIDADE 1TÓPICO 386 - Vidro “S-2” • melhor resistência à tração, compressão, flexão e módulo de flexão; • também utilizada em aplicações de blindagem balística; e • laminados de “S-2” tem melhor resistência ao impacto e tenacidade a alta temperatura. Por outro lado, as fibras de carbono são mais leves do que a fibra de vidro, apresentando as seguintes propriedades: • disponíveis comercialmente em uma variedade de módulos de tração; • resistências à tração e à compressão mais alta do que a fibra de vidro; • baixa resistência ao impacto; • coeficiente de expansão térmica desprezível; • tipos: i - alto módulo; muito rígido, geralmente utilizada em estruturas aeroespaciais; II - alta resistência; utilizada para várias estruturas e componentes; e III - moderada resistência; utilizada para ferramental e freios. A Aramida é uma fibra orgânica de cor amarela produzida pelo Dupont, sendo seus principais tipos a Kevlar 49 e a Kevlar 29. O Kevlar 49, utilizado em estruturas aeronáuticas, apresenta fios de alto módulo, excelentes valores de resistência à tração, boa resistência a danos por impacto; resiste até (- 196 °C) sem fragilidade, decomposição ou perda de resistência; também não há mudanças nas características do material até 150 °C. Outras características do material incluem a boa estabilidade dimensional, a baixa resistência à compressão e ao cisalhamento e, difícil corte ou usinagem. 3.2.7 Interface Fibra/Matriz A região de interface fibra/matriz, considerada como o “terceiro componente do compósito”, é responsável pela boa adesão fibra/matriz, sendo essencial para transferência de esforços de cisalhamento e para a garantia de boas propriedades fora do plano e também exerce influência na rigidez, tenacidade e comportamento de falha, principalmente em condições ambientais. UNIDADE 1 TÓPICO 3 87 FIGURA 21 – INTERFACE FIBRA/MATRIZ FONTE: Cândido (2003, p. 27) 3.2.8 Outros Tipos de Materiais Padilha (1997), acrescenta que além da classificação tradicional de materiais, baseada na estrutura, existem alguns grupos emergentes de materiais, tais como: materiais semicondutores, materiais supercondutores, polímeros condutores e silicones. Entre os semicondutores podemos destacar alguns exemplos: • Arseneto de gálio (AsGa): - retificadores (temperaturas elevadas); - lasers. • Sulfeto de cádmio (CdS): - células solares. • Óxido de zinco (ZnO): - televisão. • Metais (Ge e Si). UNIDADE 1TÓPICO 388 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você viu que: • Os materiais fazem parte da matéria do universo, são substâncias, cujas propriedades as tornam utilizáveis em estruturas, máquinas, dispositivos, equipamentos ou produtos consumíveis. Neste caso podem ser classificados em: metais, cerâmicos, supercondutores, dielétricos, plásticos, polímeros e vidros. • A classificação tradicional dos materiais é geralmente baseada na estrutura atômica e química. Temos, dessa forma, os materiais sólidos, classificados tradicionalmente em: (i) materiais metálicos (ferrosos e não ferrosos) e (ii) materiais não metálicos naturais e sintéticos. • Os metais são substâncias químicas elementares, opacas, lustrosas, boas condutoras de calor, eletricidade e boa refletora de luz quando devidamente polidas.Os metais, sendo então, bons condutores de energia elétrica e térmica, também, para muitos deles, são resistentes mesmo em ambientes de altas temperaturas e outros podem ser dúcteis (maleáveis) à temperatura ambiente. Ex: ferro e aço fundido (ferrosos) e alumínio, cobre, zinco, estanho, níquel, entre outros (não ferrosos). • No que concerne aos materiais não metálicos, podemos citar os polímeros, tais como os plásticos e borrachas que são exemplos de polímeros sintéticos, enquanto o couro, a seda, o chifre, o algodão, a lã, a madeira e a borracha natural são constituídos de macromoléculas orgânicas naturais. Os polímeros são baseados nos átomos de carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, flúor e em outros elementos não metálicos. • Os cerâmicos são materiais inorgânicos constituídos por elementos metálicos e não-metálicos interligados. Os principais tipos são: óxidos, nitretos e carbonetos. A esse grupo de materiais também pertencem os argilo-minerais, o cimento e os vidros. • Já os materiais compósitos (também conhecidos como materiais conjugados ou materiais compostos) são materiais projetados de modo a conjugar características desejáveis, tais como, resistência mecânica e flexibilidade, de dois ou mais materiais, geralmente obtidas pela combinação de uma matriz com um ou mais reforços. A matriz pode ser polimérica, metálica ou cerâmica. UNIDADE 1 TÓPICO 3 89 AUT OAT IVID ADE � 1 Quais as características principais dos materiais metálicos ferrosos? 2 Escolha duas propriedades mecânicas referentes aos metais e discorra sobre elas. 3 Quais são as funções de cada um dos elementos abaixo nos materiais compostos? a) matriz polimérica b) reforço fibroso c) interface fibra/matriz 4 Em termos de obtenção de matérias primas, processamento e características quais são as classes de agrupamento dos materiais cerâmicos ? UNIDADE 1TÓPICO 390 AVAL IAÇÃ O Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade. UNIDADE 2 DESCRIÇÃO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS ObjETIvOS DE APRENDIzAgEM Nessa unidade vamos: contextualizar os processos industriais no campo da engenharia de fabricação; entender os processos industriais de manufatura nos aspectos das operações básicas de separação, junção, mudança de propriedade, conformação, moldagem, recobrimento e também a classificação dos processos com remoção de material e sem remoção de material; verificar as características e finalidades dos processos metalúrgicos de fabricação denominados fundição, conformação por deformação plástica e soldagem; verificar as características e finalidades dos processos mecânicos de fabricação: usinagem, usinagem não convencional e metalurgia do pó; compreender a importância dos principais tipos de tratamentos térmicos e processos de revestimentos dos metais; adquirir algumas noções sobre o processamento de polímeros e a fabricação de materiais compósitos. TÓPICO 1 – INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS INDUSTRIAIS TÓPICO 2 – FUNDIÇÃO TÓPICO 3 – PROCESSOS MECÂNICOS DE FABRICAÇÃO TÓPICO 4 – TRATAMENTOS TÉRMICOS E TERMOQUÍMICOS DOS METAIS PLANO DE ESTUDOS Esta segunda unidade será dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles, você encontrará atividades que contribuirão para sua reflexão e análise dos estudos já realizados. INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS INDUSTRIAIS 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 1 Um produto industrial, seja ele um conjunto mecânico ou não, é fruto de uma série de transformações com a finalidade de modificar a estrutura ou a forma da matéria-prima empregada na sua produção, a fim de que possa cumprir determinadas funções. Assimilando uma fábrica a uma máquina complexa, compreende-se que um equipamento, um meio de transporte interno e outros recursos utilizados, serão como que engrenagens que devem funcionar no momento certo e de modo adequado ao previsto. Compreende-se, imediatamente, como não é absolutamente suficiente que uma máquina isolada funcione bem, é indispensável que a mesma seja eficiente. O primeiro passo que se cumpre na indústria com este objetivo é o projeto do produto que deve estabelecer as características e a qualidade do produto. Entretanto, para que tenha boa aceitação pelo consumidor, um bom projeto de dimensionamento, com suas respectivas verificações de esforços, desgastes, vidas úteis etc., não é suficiente. Dentro do ciclo de produção desse produto, a fase de projeto e dimensionamento é apenas uma das muitas que deverão ser cumpridas até que o produto seja colocado no mercado. O diagrama funcional mostrado a seguir, representa, com bastante aproximação, a organização da maioria das indústrias fabricantes de peças e máquinas, mostrando as inter- relações entre os diversos setores que a compõem. UNIDADE 2 UNIDADE 2TÓPICO 194 NO TA! � Na Unidade 1 deste Caderno de Estudos, os departamentos ou áreas funcionais de uma empresa e suas inter-relações foram ilustrados. Destacamos algumas áreas funcionais: • marketing e departamento de vendas; • finanças e contabilidade; • sistema de manufatura; • pessoal; • pesquisa e desenvolvimento; • engenharia do produto (projeto de produto); • compras; • planejamento e controle da produção (programação). FIGURA 22 – DIAGRAMA ESQUEMÁTICO DA ORGANIZAÇÃO DE UMA FÁBRICA FONTE: Resende (1993, p. 2) Observa-se que alguns setores ou departamentos desempenham papéis fundamentais. Vejamos: • Marketing e vendas UNIDADE 2 TÓPICO 1 95 Marketing é o órgão da indústria que sente as necessidades do consumidor, suas preferências e procura medir a aceitação de um produto e as condições de competição da empresa no mercado para subsidiar a decisão de se fabricar um produto ou não. • Engenharia do produto ou projeto A partir das informações de funcionamento, desempenho, vida útil etc., a Engenharia do Produto deve: a) definir dimensões, tolerâncias, acabamentos superficiais, tratamento térmico ou químico, recobrimentos superficiais etc.; b) testar os protótipos a fim de verificar sua funcionalidade e qualidade. • Engenharia de fabricação Este setor aglutina diversas atribuições, tais como: a) processos de fabricação: definição da sequência tecnológica de operações para obtenção de uma peça ou produto; b) projeto e dimensionamento de ferramental – dispositivo de fixação, dispositivos de medição, calibradores, ferramental de corte etc.; c) estudo de tempos e métodos; d) ferramentaria e afiação de ferramentas; e) controle de estoque de ferramental. A figura a seguir ilustra as atribuições da Engenharia de Fabricação. • Planejamento e controle da produção O PCP, utilizando informações recebidas de outras áreas, determina o que vai ser produzido, quanto vai ser produzido, como vai ser produzido, onde vai ser produzido, quem vai produzir e quando vai ser produzido, gerindo um sistema de informações, a fim de instruir a fábrica do que deve ser feito. • Produção A este departamento cabe a função de produzir as quantidades programadas dentro do prazo definido, dispondo de máquinas e mão de obra para este fim. • Controle de qualidade Este departamento, segundo uma filosofia mais tradicional, tem a função de cumprir as exigências dimensionais, metalúrgicas e especificações técnicas contidas no desenho. Este controle de qualidade que enfatiza a inspeção está mudando para outro desenvolvido no Japão em que: 1 – a qualidade deve ser incorporada a cada projeto e processo; 2 – a noção básica a ser considerada dentro do controle é a prevenção contra a reincidência; 3 – remover as causas básicas, e não os sintomas; 4 – a verdadeira essência do controle de qualidade (CQ) é a efetividade do controle e a garantia UNIDADE 2TÓPICO 196 da qualidadeno desenvolvimento de novos produtos. Resende (1993¸ p. 5) define em resumo o controle da qualidade como “CQ é um sistema ou estrutura para produzir de forma econômica produtos ou serviços compatíveis com a exigência do usuário ou consumidor. Denomina-se, também, Controle Estatístico da Qualidade, pelo fato de incorporar também técnicas estatísticas” (JIS). FIGURA 23 – ATRIBUIÇÕES DA ENGENHARIA DE FABRICAÇÃO FONTE: Resende (1993, p. 4) As máquinas se compõem de muitas peças, como se pode ver no exemplo de um simples redutor de rotação mostrado na figura a seguir. UNIDADE 2 TÓPICO 1 97 FIGURA 24 – UM REDUTOR E SEUS COMPONENTES a) pino encabeçado; b) pino; c) eixo excêntrico; d) cabo; e) elo; f) terminal; g) luva; h) tampa; i) suporte; j) base; k) suporte; l) engrenagem; n) eixo; o) eixo pinhão. FONTE: Resende (1993, p. 5) Estas peças obtêm suas formas finais mediante a aplicação de um ou mais processos; por exemplo, a carcaça do redutor passa por um processo de pré-formação (fundição) e a seguir, por vários processos de usinagem (fresamento, furação, mandrilamento etc.). Os principais processos tecnológicos para a produção de peças brutas ou acabadas podem ser divididos em dois grupos: 1 – Processos com remoção de material. 2 – Processos sem remoção de material, como ilustrado na figura a seguir. UNIDADE 2TÓPICO 198 FIGURA 25 – AS DUAS CATEGORIAS DE FABRICAÇÃO FONTE: Resende (1993, p. 7) Podemos agrupar os processos com remoção de material em duas modalidades: a) Processos mecânicos de usinagem, onde se incluem: torneamento, furação e correlatos, alargamento, mandrilamento, fresamento, serramento, brochamento, aplainamento, roscamento, denteamento, retificação, brunimento e outros. b) Processos não convencionais de usinagem, onde se incluem: usinagem por descarga elétrica (eletroerosão), feixe de elétrons, laser, arco plasmático, jato abrasivo, usinagem eletroquímica, fresamento químico e outros. A classificação para o caso de processos sem remoção de material apresenta as seguintes modalidades: a) Fundição. b) Metalurgia do pó. c) Processos de conformação mecânica: laminação, estiramento a frio, extrusão de metais, forjamento, estampagem e outros. UNIDADE 2 TÓPICO 1 99 d) Soldagem. e) Moldagem de plásticos. A conformação mecânica é uma das disciplinas que fazem parte dos processos de fabricação. Pode ser complementar ou um processo alternativo de outras disciplinas como: moldagem, junção, separação, recobrimento e modificação de propriedades. O quadro a seguir ilustra os processos de fabricação com alguns exemplos inerentes a cada grupo. QUADRO 14 – EXEMPLOS DE PROCESSOS DE FABRICAÇÃO Moldagem Conformação Junção Separação Recobrimento Mudanças de Propriedade Fundição Forjamento Soldagem Corte Galvanização Têmpera Galvanoplastia Embutimento Rebitagem Usinagem Pintura Recozimento Compressão e pó Laminação Colagem Eletroerosão Revestimento com solda Nitretação Trefilação Costura Desoxidação Cementação Dobramento Lavagem Magnetização Jateamento FONTE: Adaptado de Schaeffer (1995, p. 2) UNIDADE 2TÓPICO 1100 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você viu que: • Na organização de uma indústria fabricante de peças e máquinas, as principais áreas funcionais são: marketing e vendas, engenharia de produto ou projeto, engenharia de fabricação, planejamento e controle da produção, a produção e controle de qualidade. • Os principais processos tecnológicos para a produção de peças brutas ou acabadas podem ser divididos em dois grupos: 1 – Processos com remoção de material. 2 – Processos sem remoção de material. • Os processos com remoção de material são agrupados em duas modalidades: a) Processos mecânicos de usinagem, onde se incluem: torneamento, furação e correlatos, alargamento, mandrilamento, fresamento, serramento, brochamento, aplainamento, roscamento, denteamento, retificação, brunimento e outros. b) Processos não convencionais de usinagem, onde se incluem: usinagem por descarga elétrica (eletroerosão), feixe de elétrons, laser, arco plasmático, jato abrasivo, usinagem eletroquímica, fresamento químico e outros. • A classificação para o caso de processos sem remoção de material apresenta as seguintes modalidades: a) Fundição. b) Metalurgia do pó. c) Processos de conformação mecânica: laminação, estiramento a frio, extrusão de metais, forjamento, estampagem e outros. d) Soldagem. e) Moldagem de plásticos. • Outra classificação possível para os processos de fabricação agrupa-os em termos das operações básicas elementares de moldagem, conformação, junção, separação, recobrimento e mudanças de propriedade. UNIDADE 2 TÓPICO 1 101 AUT OAT IVID ADE � 1 Apresente três ou mais exemplos de processos de fabricação classificados nos seguintes grupos: a) Separação: b) Junção: c) Mudança de propriedade: d) Conformação: e) Moldagem: f) Recobrimento: 2 Quais são as funções das áreas funcionais de engenharia de produto, engenharia de fabricação e o setor de planejamento e controle da produção na organização de uma indústria fabricante de peças e máquinas? UNIDADE 2TÓPICO 1102 FUNDIÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 2 A fundição é um dos processos mais antigos de produção de peças, remontando há 2.000 anos a.C. e o processo usado, então, era pouco diferente do que se usa hoje em dia. Muitos desenvolvimentos nesse campo se deram ao longo do tempo, mas, principalmente, nos últimos sessenta anos com o objetivo de atender às altas demandas, bom acabamento superficial, pequenas tolerâncias dimensionais e propriedades melhoradas dos metais. Iniciemos nossa discussão sobre a de fundição apresentando algumas definições sobre o processo: “Fundição é o método de dar forma aos metais no estado líquido, introduzindo-os em um molde com a forma desejada e, aí, deixando-os solidificar, a fim de obter uma utilidade” (PEREIRA, 1991a, p. 1); “a conformação de peças por meio de vazamento de um metal em estado líquido em recipientes apropriados chamados moldes” (FRANCO, 1990, p. 1.01) e ainda: Os processos de fundição consistem em fabricar moldes, preparar e fundir metais, vazar metal dentro do molde, limpar as peças fundidas e recuperar a areia para reutilização. O produto da fundição é uma peça fundida que pode ter um peso desde algumas gramas até várias centenas de toneladas; pode, também, variar em composição conforme a possibilidade de fundir os metais e suas ligas. (RESENDE, 1992, p. 1). Sendo até hoje um dos processos mais importantes e básicos, genericamente a fundição é o mais econômico dos processos de fabricação, pois é direto. Além disso, este processo de fabricação tem altas possibilidades de automatização, apresentando ainda outras vantagens, tais como: • Produção de formas complicadas de qualquer tamanho. Assim, por exemplo, podemos citar os motores de explosão com seus canais para passagem de fluidos, e que só podem ser obtidos por fusão. • Produção de peças de espessuras pequenas. UNIDADE 2 UNIDADE 2TÓPICO 2104 • Custo de instalação, em geral, é bem menor que as para obtenção por outro processo – conformação e forjamento – assim como os modelos são menos custosos e de mais simples modificação, se for o caso. • Produção de qualquer material em estado de fusão, como ferro, aço, alumínio, magnésio, latão, bronze, ligas de alumínio e zinco etc. • De todos os materiais, o ferro se sobressai como o mais adequado para fundir devido a sua boa fluidez, baixa contração, resistência, rigidez e facilidade de controle, sendo por isso um dos metais mais utilizados para produção de peças fundidas. Na maioria dos casos, a fundição é o processo inicial, visto que permite a obtenção de peças com formas praticamente definitivas epossibilita a fabricação dos chamados lingotes, os quais podem ser posteriormente submetidos à conformação mecânica (laminação e forjamento, por exemplo) e transformados em suas formas finais (chapas, barras, perfis etc). Deve-se cuidar com alguns fenômenos que podem ocorrer durante a solidificação do metal líquido no interior dos moldes, tais como a cristalização, a contração do volume, a concentração de impurezas e o desprendimento de gases. FONTE: Disponível em: < http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/exibir/459-fundicao>. Acesso em: 16 mar. 2013. Os aços fundidos, por exemplo, podem apresentar elevadas tensões residuais, microporosidade, zonamento e variações no tamanho dos grãos. Tais fatores resultam em menor resistência e ductilidade, quando comparados aos aços obtidos por conformação a quente. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/3676-processos-de- fundicao>. Acesso em: 16 mar. 2013. Para determinadas ligas, como por exemplo, o ferro fundido, a fundição é o único processo para conformação. FIGURA 26 – FUNDIÇÃO FONTE: Franco (1990, p. 101) UNIDADE 2 TÓPICO 2 105 Desenvolveram-se várias modalidades de processos de fundição. Sem exceções, em todos se encontram os mesmos problemas e princípios básicos e envolvem alguns fatores fundamentais que, na descrição de Resende (1992), são: a) Deve-se fabricar um molde com uma cavidade que deve ter a forma e as dimensões desejadas com as tolerâncias adequadas para a contração do metal quando solidificar. A cavidade deve ter a forma desejada em todas as suas complexidades e o material do molde deve poder reproduzir os detalhes necessários, precisando ser suficientemente refratário para que o material fundido introduzido não o afete demasiadamente. b) Deve-se ter uma forma adequada de fazer a fusão do metal a ser vazado no molde. Este equipamento de fundição deve propiciar temperatura adequada e proporcionar um metal de qualidade aceitável e a baixo custo. c) Deve-se ter um método adequado de introduzir o metal no molde (vazamento) e assegurar o escape de ar e de todos os gases contidos na cavidade do molde antes de enchê-lo, bem como de todos os gases que se originam pela ação do metal quando age sobre o material do molde. Estas condições devem ser satisfeitas para que o metal fundido encha todos os detalhes da cavidade, proporcionando uma peça fundida sadia, densa e livre de falhas, tais como as originadas devido à existência de bolhas de ar. d) Deve-se prever a contração que advém, na maioria dos metais, durante a solidificação e esfriamento. Não só a cavidade deve ser um pouco maior que a peça a obter, mas também não deve haver muito impedimento à contração na solidificação; caso contrário, a peça fundida poderá sofrer trincas, pois estará sob tensão num estado de baixa resistência. e) Deve-se poder desmoldar a peça. Não existem dificuldades quando o molde é feito de materiais que podem ser destruídos depois do vazamento, como a areia. Esse é um problema que pode ocorrer em certos processos que utilizam moldes permanentes que têm que ser abertos para extração da peça sem danificar o molde e o fundido. f) Depois da desmoldagem da peça fundida, devem ser feitas algumas operações de acabamento (limpeza e rebarbação) para eliminar certas partes que sobressaem da peça como resultado da introdução do metal na cavidade. De acordo com os fatores fundamentais expostos acima, as instalações típicas de uma fundição contariam, então com áreas ou setores tais como de moldagem, fusão, vazamento, desmoldagem, limpeza e rebarbação e expedição de forma a propiciar um fluxo de material sempre em frente. 1.2 SIDERURGIA Antes de comentarmos essencialmente o processo de fundição na próxima seção, iniciemos a discussão com as fundições dos produtos siderúrgicos comuns, principalmente o aço e o ferro fundido. UNIDADE 2TÓPICO 2106 Nas fundições além de peças de formatos definitivos são também obtidos os lingotes que posteriormente sofrerão trabalho mecânico ou serão refundidos. Estas fundições tomam a designação de aciarias, quando produzem aço; siderúrgicas, quando se dedicam à produção de aço ou gusa; usinas, quando preparam outros metais. O ferro não se encontra na superfície da terra no estado livre, isto é, no estado puro, sem formar qualquer combinação. Assim, para sua obtenção, é necessário transformar os minerais em produtos diretamente utilizáveis para construção mecânica. Essa transformação mecânica realiza-se em fases distintas. Embora existam procedimentos para se obter o ferro e o aço diretamente partindo dos minerais, o processo mais utilizado hoje consiste na obtenção, em primeiro lugar, do ferro vazado nos altos fornos. Depois do beneficiamento, o minério de ferro vai para o alto-forno para se transformar em erro-gusa que é a matéria-prima para fabricação do aço e do ferro fundido, juntamente com os fundentes, os desoxidantes, os desfosforizantes e os combustíveis. Posteriormente é transformado, grande parte em aço, o que se consegue através da eliminação do excesso de carbono, silício, fósforo e enxofre. O fundente é o material que ajuda o minério de ferro a se fundir (calcário). Os desoxidantes e desfosforizantes são materiais utilizados para eliminar as impurezas que os minérios contêm. Por exemplo, o minério de manganês ajuda a diminuir os efeitos nocivos do enxofre que é uma impureza que torna o aço frágil. Esse minério é também um desoxidante, isto é, elimina o oxigênio que contamina o aço. Os combustíveis são muito importantes na fabricação do ferro gusa, pois precisam ter um alto poder calorífico para a geração de muito calor e também não podem contaminar o metal obtido. Existem dois tipos de combustíveis utilizados no processo de siderurgia: • Carvão vegetal: é considerado um combustível de alta qualidade, participa cerca de 40% da produção total de ferro fundido, tendo como desvantagens o prejuízo ao meio ambiente e baixa resistência mecânica, de extrema importância no alto-forno, pois o combustível fica embaixo da carga e tem que aguentar todo o seu peso. • Carvão mineral: produz o coque, que deve apresentar um elevado teor calorífico e alto teor UNIDADE 2 TÓPICO 2 107 de carbono, além de apresentar grande resistência ao esmagamento para resistir ao peso da coluna de carga. FONTE: Disponível em: <https://wiki.ifsc.edu.br/mediawiki/images/3/33/Aula_03.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2013. Na figura a seguir temos a representação esquemática de um alto-forno. FIGURA 27 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMATICA DE UM ALTO-FORNO FONTE: UOL (2012, p. 1) O ferro obtido diretamente do alto-forno é o ferro-gusa, impuro com alto teor de carbono, já comentado anteriormente. Se deixado solidificar em moldes (ou primitivamente em leitos de areia) forma os pães de gusa que são refundidos em fornos menores, chamados de cubilô, com cerca de 6 metros de altura, onde sofre nova fundição, refinando-se mais. Ao sair do forno, o ferro ainda contém impurezas como fósforo (P) e enxofre (S). E um ferro de segunda fusão é utilizado para a fabricação de peças fundidas. UNIDADE 2TÓPICO 2108 FIGURA 28 – FORNO CUBILÔ FONTE: Franco (1990, p. 105) O aço envolve uma produção mais elaborada do que a do ferro fundido. Dependendo do tipo de liga e qualidade do material a ser obtido pode ser produzido em conversores (Bessemer, Siemens-Martin) ou forno elétricos. Na figura a seguir temos uma representação esquemática em diagrama sobre a fabricação do aço. UNIDADE 2 TÓPICO 2 109 FI G U R A 29 – D IA G R A M A D A FA B R IC A Ç Ã O D O A Ç O FO N TE : F ra nc o (1 99 0, p . 1 03 ) UNIDADE 2TÓPICO 2110 1.3 MÉTODOS DE FUNDIÇÃO O processo de fundiçãopode ser classificado de acordo com o tipo e o modelo de molde e/ou pela força (ou pressão) exercida para preencher o molde com o metal líquido. Em muitos casos, as peças são usinadas antes de estarem em condições de utilização. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/exibir/459-fundicao>. Acesso em: 16 mar. 2013. NO TA! � A base de todos os processos de fundição consiste em alimentar o metal líquido na cavidade de um molde com o formato requerido, seguindo-se um esfriamento, a fim de se produzir um objeto sólido. Os vários processos diferem-se, principalmente, na maneira de formar o molde. FONTE: Disponível em: <ftp://ftp.fem.unicamp.br/pub/em335c/apostila. pdf>. Acesso em: 16 mar. 2013. Em alguns casos fabrica-se um molde para cada peça a ser fundida e em outros se usam moldes permanentes, repetidas vezes, para uma sucessão de vazamentos, removendo- se o fundido após cada vez que se vaza o metal no molde sem danificá-lo. Os métodos empregados para a obtenção das peças em fundição podem ser classificados, de acordo com Pereira (1991), em: fundição por gravidade, fundição sob pressão e, fundição centrífuga. Estes métodos de fundição se desdobram em vários processos de moldagem, que, na classificação de Resende (1992), podem ser: 1. Moldagem em areia. 2. Moldagem em casca (shell molding). 3. Moldagem em cera perdida. 4. Moldagem em gesso. 5. Moldagem em cerâmica. 6. Fundição em molde cheio. 7. Fundição em molde permanente. 8. Fundição em molde permanente misto (coquilha). 9. Fundição sob pressão. 10. Fundição centrífuga. 11. Fundição contínua. UNIDADE 2 TÓPICO 2 111 A fundição por gravidade consiste em vazar o metal líquido através de um canal em molde previamente preparado, que é enchido, deixando-se então solidificar. A principal força que atua aqui, para encher o molde é a pressão metalostática do metal líquido. Existe uma força devida a altura com que é vazado o metal dentro do molde. Os moldes podem ser metálicos (coquilhas) ou de material refratário. Na fundição sob pressão, o metal no estado líquido é injetado no interior do molde por meio de uma pressão exercida na superfície livre do metal, dentro do recipiente onde está contido. FIGURA 30 – FUNDIÇÃO SOB PRESSÃO FONTE: Pereira (1991b, p. 1) Com este processo obtêm-se peças com ótimo acabamento superficial e dimensões muito bem controladas, pois os moldes são metálicos (matrizes ou estampos). É o processo de fundição mais rápido que se conhece e apresenta as seguintes vantagens: 1) Obtenção de peças de paredes finas, o que nem sempre é possível por meio de outros processos, com exceção da metalurgia do pó, e cera perdida. 2) As dimensões das peças são mantidas dentro dos limites de tolerância muito estreitas. 3) As peças saem dos moldes praticamente acabadas. Poucas, em geral, são as operações de acabamento. 4) Melhores propriedades mecânicas. Porém, devido ao alto custo das matrizes, este processo só pode ser empregado, UNIDADE 2TÓPICO 2112 quando se trata de produção em grande escala; há também restrição quanto ao metal a ser fundido. Hoje em dia, só são empregados para esse fim o alumínio, o zinco, o magnésio, o cobre o chumbo e as suas ligas e, o ferro fundido, mais raramente. Na fundição centrífuga é a força centrífuga utilizada para forçar o metal e tomar a forma do molde. É um processo utilizado, em geral, para fundir peças simétricas: tubos, rodas etc., mas pode ser e é empregado para fundir pequenas peças que são ligadas por canais radiais a um canal central. FIGURA 31 – FUNDIÇÃO CENTRÍFUGA FONTE: Pereira (1991b, p. 2) Os dentistas empregam muitas vezes este processo para fundir as incrustações. O molde, neste processo de fundição, é feito girar em torno de um eixo e o metal líquido é forçado pela força centrífuga a penetrar ou ir de encontro às paredes do molde, aí se solidificando. FIGURA 32 – GIRO DE MOLDE EM FUNDIÇÃO CENTRÍFUGA FONTE: Pereira (1991b, p. 2) UNIDADE 2 TÓPICO 2 113 Este processo permite obter peças com maior densidade e melhores propriedades mecânicas que as obtidas pelo processo de fundição por gravidade, em moldes temporários. O processo mais largamente utilizado hoje é este último. Os moldes temporários são constituídos de uma substância que é denominada areia de fundição ou terra de fundição. NO TA! � A fundição contínua consiste em fundir e conformar o metal numa única operação, eliminando tempos intermediários de resfriamento em moldes, garantindo controle e constância de propriedades físicas e geométricas de cada produto. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_ didatico/3839-introducao-fundamentos>. Acesso em: 18 mar. 2013. 2 CONFORMAÇÃO POR DEFORMAÇÃO PLÁSTICA A importância dos metais na tecnologia moderna deve-se em grande parte à facilidade com que podem ser conformados em formas úteis, tais como tubos, barras e chapas finas. Estas formas úteis podem se obtidas de duas maneiras: 1. Por processos de deformação plástica: massa e volume são conservados. Exemplos: laminação, extrusão, trefilação etc. 2. Por processos de remoção metálica ou usinagem: retirada de material. Exemplos: torneamento, fresamento. FONTE: Disponível em: <http://www.dem.feis.unesp.br/maprotec/educ/cpm/cpm_9.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. O principal objetivo da conformação mecânica é a alteração (plástica) da forma dos materiais com adicional obtenção e controle de propriedades físicas e mecânicas. De acordo com Schaeffer (1995), de todos os processos de fabricação, a conformação mecânica tem um papel de grande importância, porque é a forma de produzir peças com excelentes propriedades mecânicas com uma perda mínima de material. Parte-se de uma geometria relativamente simples, que após uma ou mais operações é transformada em uma peça de conformação mecânica. UNIDADE 2TÓPICO 2114 Uma classificação geral para a conformação mecânica é praticamente impossível devido à interação entre diversos fatores. Pode-se classificar quanto à temperatura (o material aquecido ou não), quanto ao encruamento, quanto ao tipo de forças aplicadas ao material ou, ainda, quanto aos processos. NO TA! � Encruamento significa a elevação da tensão de escoamento na fase de deformação plástica, ou seja, é o fenômeno que ocorre no metal com aumento da dureza devido à deformação plástica (só ocorre a frio). O encruamento causa modificações nas propriedades mecânicas do material. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/listar_ letra_mm?q=e>. Acesso em: 18 mar. 2013. Do ponto de vista da temperatura de trabalho do material, a conformação mecânica diferencia-se em: trabalho a quente e trabalho a frio. O trabalho a quente é efetuado bem acima da temperatura crítica, a fim de ganhar a maioria dos benefícios do processo, mas não alta o suficiente para promover crescimento exagerado dos grãos. As vantagens do trabalho a quente são: • Permite o emprego de menor esforço mecânico. • Não altera a dureza ou ductilidade do metal. • Melhora a tenacidade, porque além de refinar (estrutura do grão é afinada), elimina a porosidade (poros são filtrados) e segrega as impurezas; escória e outras inclusões são comprimidas na forma de fibras, com orientação definida, o que torna o material mais resistente numa certa direção. • A estrutura do metal é refinada melhorando, portanto algumas propriedades mecânicas do material. • Para um determinado grau de trabalho a quente, o processo é mais rápido e máquinas menores podem ser usadas em comparação com o trabalho a frio, porque o metal é mais fraco. • Um metal pode se forçado em formas extremas, quando quente, porque a reconformação contínua de cristais elimina ruptura e trincas. As operações de conformação que utilizamtrabalho a quente incluem: laminação (rolling), forjaria (forging), extrusão (extrusion), repuxamento (spinning), trefilação (drawing). As desvantagens da conformação a quente são: UNIDADE 2 TÓPICO 2 115 • Exige ferramentas resistentes ao calor. • Altas temperaturas provocam a oxidação e a formação de cascas de óxido (carepas na superfície do metal). • Tolerâncias rigorosas não podem ser mantidas. NO TA! � Escória: rejeito da redução do minério de ferro, originado da mistura de minério de ferro, carvão, coque, ar e calcário nos altos-fornos, na fabricação do aço. Trata-se basicamente de óxidos e outras impurezas. É um resíduo com alto teor de óxidos, como, por exemplo, a sílica e a magnésia, que se formam juntamente com a fusão dos metais no início do processo para a produção do ferro-gusa. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/ exibir/483-escoria>. Acesso em: 18 mar. 2013. NO TA! � Carepas: película de óxido de ferro que se forma na superfície do aço laminado a quente, sendo removida com sprays de água em alta pressão, entre outros métodos. Em outras palavras, a carepa é a esfoliação superficial formada por resíduos oxidados. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/listar_ letra_mm?q=c>. Acesso em: 18 mar. 2013. No trabalho a frio, o metal trabalhado é conformado até sua forma final, por meio de aplicações de pressões a temperaturas abaixo da temperatura crítica. É efetuado a fim de se obter tolerâncias rigorosas e de produzir bons acabamentos superficiais, mas também para melhorar as propriedades físicas do material. As características desta variante do processo incluem: deformações limitadas, altas forças, grandes precisões. As operações de conformação a frio incluem: compressão (squeezing), laminação, forjamento, dobramento (bending), corte por cisalhamento (shering), estampagem profunda (deep drawing). Do ponto de vista do encruamento durante o processo, a conformação mecânica diferencia-se em: a) Conformação sem ou com pouco encruamento (acima da temperatura de recristalização). UNIDADE 2TÓPICO 2116 b) Conformação com alteração do estado de encruamento (abaixo da temperatura de recristalização). Além da temperatura, os processos de conformação sofrem a influência da taxa de deformação, do atrito e da anisotropia dos materiais. O efeito da temperatura é melhor analisado em conjunto com a taxa de deformação. Em relação aos processos, a conformação mecânica subdivide-se em: a) Com predominância de compressão: - Laminação. - Forjamento. - Estampagem. - Extrusão. - Cunhagem. b) Combinados tração-compressão: - Embutimento. - Embutimento profundo. - Prensagem. c) Com predominância de tração: - Trefilação. d) Com flexão: - Dobramento. e) Com cisalhamento: - Torção. - Corte. Em relação ao transcorrer do tempo durante a deformação, a conformação caracteriza- se através de processos: - Estacionários. - Não estacionários. Os processos estacionários são aqueles em que a forma geométrica da zona de deformação não muda com o tempo, isto é, “velocidade e tensão não variam em qualquer ponto”. Assim, numa observação para dentro da zona de deformação, tem-se sempre o mesmo quadro. No caso de se ter um processo não estacionário, tem-se modificação do quadro da zona de deformação para cada variação infinitesimal do tempo, isto é, “a cada instante do processo, uma nova forma do corpo, com uma nova distribuição de tensões e deformações para cada parte considerada”. Os processos não estacionários são, portanto, processos descontínuos. Para exemplificar, desconsiderando-se alguma superposição, pode-se citar: a) Processos estacionários: UNIDADE 2 TÓPICO 2 117 Trefilação. Extrusão. Laminação de chapas. b) Processos não estacionários: Dobramento. Forjamento. Embutimento. Extrusão reversa. Estampagem profunda. Na figura a seguir apresentamos um quadro com as principais operações de conformação. FIGURA 33 – OPERAÇÕES DE CONFORMAÇÃO FONTE: IFSC (2003, p. 5) UNIDADE 2TÓPICO 2118 2.1 FORJAMENTO Forjamento é o nome genérico de operações de conformação mecânica efetuadas com esforço de compressão sobre um material dúctil, de tal modo que ele tende a assumir o contorno ou perfil da ferramenta de trabalho. Na maioria das operações de forjamento emprega-se um ferramental constituído por um par de ferramentas de superfície plana ou côncava, denominadas matrizes ou estampos. A maioria das operações de forjamento é executada a quente; contudo, uma grande variedade de peças pequenas, tais como parafusos, pinos, porcas, engrenagens, pinhões etc., são produzidas por forjamento a frio. O forjamento é o mais antigo processo de conformar metais, tendo suas origens no trabalho dos ferreiros de muitos séculos antes de Cristo. A substituição do braço do ferreiro ocorreu nas primeiras etapas da Revolução Industrial. Atualmente existe um variado maquinário de forjamento, capaz de produzir peças das mais variadas formas e tamanhos, desde alfinetes, pregos, parafusos e porcas até rotores de turbinas e asas de avião. FONTE: Disponível em: <http://www.norbertocefetsc.pro.br/pfb_conformacaoi.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. 2.1.1 Operações de forjamento O forjamento pode ser dividido em dois grandes grupos de operações: Forjamento em matriz aberta ou Forjamento livre e Forjamento em matriz fechada. O forjamento em matriz aberta ocorre por compressão (prensagem) ou livre por passos. A prensagem se desdobra basicamente em três estágios para a confecção final de uma peça: a) estágio inicial, b) estágio intermediário e c) estágio final. UNIDADE 2 TÓPICO 2 119 FIGURA 34 – FORJAMENTO EM MATRIZ ABERTA FONTE: Adaptado de CIMM (2003) FIGURA 35 – FORJAMENTO EM MATRIZ FECHADA FONTE: Adaptado de CIMM (2003) Exemplos de forjamento em matriz fechada incluem as seguintes vertentes, ilustradas a seguir: forjamento com rebarba, forjamento sem rebarba (forjamento de precisão), estiramento, forjamento orbital. FIGURA 36 – FORJAMENTO EM MATRIZ FECHADA UNIDADE 2TÓPICO 2120 FONTE: Adaptado de CIMM (2003) e Schaeffer (1995) 2.2 EXTRUSÃO A extrusão é um processo de conformação plástica que consiste em fazer passar um tarugo ou lingote (de seção circular), colocado dentro de um recipiente, pela abertura existente no meio de uma ferramenta, colocada na extremidade do recipiente, por meio da ação de compressão de um pistão acionado pneumática ou hidraulicamente. A passagem do tarugo pela ferramenta, com furo de seção menor do que a do tarugo, provoca a deformação plástica, mas sem efeito de encruamento, pois comumente o processo é conduzido a uma temperatura de trabalho acima da temperatura de recristalização do metal. Para os metais não ferrosos comuns, é usual a utilização, ao invés do processo de laminação, do processo de extrusão para a obtenção de perfis de forma variada, a pesar da limitação do comprimento do produto obtido. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAet9gAI/estudo-dirigido-extrusao>. Acesso em: 18 mar. 2013. O processo de extrusão apresenta vantagens sobre a laminação, dentre elas destacamos: 1. Produtos mais homogêneos estrutural e dimensionalmente. UNIDADE 2 TÓPICO 2 121 2. Produtos menos atacados por oxidação superficialmente. 3. Temperatura de trabalho mais homogênea. Todavia, as desvantagens deste processo incluem: 1. Maior custo de aquisição do equipamento. 2. Limitação do comprimento do perfil. 3. Maior desuniformidade ao final do processo. 2.2.1 Tipos de processos No processo básico, denominado direto, um tarugo cilíndrico é colocado numa câmara e forçado através de uma abertura de matriz por meio de um pistão hidráulico (vide figura 16). A abertura da matriz pode ser circularou de outro formato. A extrusão também pode ser indireta, hidrostática ou por impacto. FIGURA 37 – EXTRUSÃO DIRETA FONTE: Moreira Filho (2003, p. 549) O fluxo do metal determina a qualidade e as propriedades mecânicas do produto final. Destacam-se os métodos mais usuais: Extrusão Indireta (reversa, invertida): a matriz se desloca na direção do tarugo. UNIDADE 2TÓPICO 2122 FIGURA 38 – EXTRUSÃO INDIRETA FONTE: Moreira Filho (2003, p. 550) Extrusão Hidrostática: o diâmetro do tarugo é menor do que o diâmetro da câmara, que é preenchida por um fluido. A pressão é transmitida ao tarugo através de um pistão. Não há fricção nas paredes da câmara. Extrusão Lateral: o material do tarugo é forçado através de abertura lateral da câmara. Os eixos do punção e da peça têm diferentes direções (ângulo reto). A seguir há uma representação do processo de extrusão lateral. FIGURA 39 – EXTRUSÃO LATERAL FONTE: Adaptado de CIMM (2003) Em termos de temperatura de processo podemos ainda classificar a extrusão em extrusão a quente e extrusão a frio. Como todo o processo de alta temperatura a extrusão a quente apresenta alguns problemas: UNIDADE 2 TÓPICO 2 123 1. O desgaste da matriz é excessivo. 2. O esfriamento do tarugo na câmara pode gerar deformações não uniformes. 3. O tarugo aquecido é coberto por filme de óxido (exceto quando aquecido em atmosfera inerte) que afeta o comportamento do fluxo do metal por suas características de fricção e pode gerar um produto de pobre acabamento superficial. FONTE: Disponível em: <http://mmborges.com/processos/Conformacao/cont_html/extrusao.htm>. Acesso em: 18 mar. 2013. DIC AS! A extrusão a frio, por outro lado, apresenta algumas vantagens em relação à extrusão a quente: 1. Melhores propriedades mecânicas resultantes do encruamento, desde que o calor gerado pela deformação não recristalize o metal. 2. Controle das tolerâncias, requerendo pouca ou nenhuma operação posterior de acabamento. 3. Melhor acabamento superficial, devido em parte pela não existência de camada de óxido, desde que a lubrificação seja eficiente. 4. Eliminação do pré-aquecimento do tarugo. Por outro lado na extrusão a frio a magnitude da tensão no ferramental de extrusão é muito alta, especialmente para trabalhar peças de aço. A dureza do punção varia de 60 a 65 HRc e a da matriz de 58 a 62 HRc. FONTE: Disponível em: <http://www.norbertocefetsc.pro.br/pfb_conformacaoii.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. NO TA! � Dureza é a resistência que o material oferece à penetração de um corpo duro. Determina-se a dureza com o auxílio de máquinas especiais, existindo diferentes métodos e escalas, que relacionam a amplitude de penetração com um valor numérico da propriedade dureza. Alguns dos métodos mais utilizados são: Brinell, Vickers e Rockwell. UNIDADE 2TÓPICO 2124 2.3 LAMINAÇÃO É um processo de fabricação por conformação mecânica, no qual uma barra grossa de metal, chamada lingote, é passada entre dois rolos, os cilindros laminadores, para se transformar em uma chapa. É exatamente como o pasteleiro “abre” sua massa de pastel. Na definição do Centro Informação Metal-Mecânica (CIMM), a Laminação é o processo de conformação mecânica que consiste em modificar a seção transversal de um metal na forma de barra, lingote, placa, fio, ou tira etc., pela passagem entre dois cilindros com geratriz retilínea (laminação de produtos planos) ou contendo canais entalhados de forma mais ou menos complexa (laminação de produtos não planos), sendo que a distância entre os dois cilindros deve ser menor que a espessura inicial da peça metálica. A laminação é o processo de transformação mecânica de metais mais utilizados, pois apresenta alta produtividade e um controle dimensional do produto acabado que pode ser bastante preciso. Neste processo de laminação o material é submetido a tensões compressivas elevadas, resultantes da ação de prensagem dos rolos e a tensões cisalhantes superficiais, resultantes do atrito entre os rolos e o material. As forças de atrito são também responsáveis pelo ato de "puxar" o metal para dentro dos cilindros. Na laminação a sequência de etapas no processo envolve: • a redução ou desbaste inicial dos lingotes em blocos, tarugos ou placas, realizada normalmente por laminação a quente; • segue-se uma nova etapa de laminação a quente para transformar o produto em chapas grossas, tiras a quente, vergalhões, barras, tubos, trilhos ou perfis estruturais. A laminação a frio que ocorre após a laminação de tiras a quente produz tiras a frio de excelente acabamento superficial, com boas propriedades mecânicas e controle dimensional do produto final bastante rigoroso. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/6475-laminacao-introducao- fundamentos>. Acesso em: 18 mar. 2013. Um laminador consiste basicamente de cilindros (ou rolos), mancais, uma carcaça chamada de gaiola ou quadro para fixar estas partes e um motor para fornecer potência aos cilindros e controlar a velocidade de rotação. As forças envolvidas na laminação podem facilmente atingir milhares de toneladas, portanto é necessária uma construção bastante rígida, além de motores muito potentes para fornecer a potência necessária. O custo, portanto, de UNIDADE 2 TÓPICO 2 125 uma moderna instalação de laminação é da ordem de milhões de dólares e consomem-se muitas horas de projetos uma vez que esses requisitos são multiplicados para as sucessivas cadeiras de laminação contínua (“tandem mill”). Um arranjo típico de cilindros de laminação pode ser visualizado na figura 19. Utilizam-se variadas disposições de cilindros na laminação, o mais simples é constituído por dois cilindros de eixo horizontais, colocados verticalmente um sobre o outro. Este equipamento é chamado de laminador duo e pode ser reversível ou não. Nos duos não reversíveis, figura 19 a, o sentido do giro dos cilindros não pode ser invertido e o material só pode ser laminado em um sentido. Nos reversíveis, figura 19b, a inversão da rotação dos cilindros permite que a laminação ocorra nos dois sentidos de passagem entre os rolos. No laminador trio, figura 19c, os cilindros sempre giram no mesmo sentido. Porém, o material pode ser laminado nos dois sentidos, passando-o alternadamente entre o cilindro superior e o intermediário e entre o intermediário e o inferior. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/6476-laminadores>. Acesso em: 18 mar. 2013. FIGURA 40 – ARRANJOS TÍPICOS DOS CILINDROS DE LAMINAÇÃO FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/6476-laminadores>. Acesso em: 18 mar. 2013. Conforme visualizado na figura a seguir, podemos classificar os principais processos de laminação em: • Laminação de chapas e perfis. • Laminação de anéis. • Laminação de tubos. UNIDADE 2TÓPICO 2126 • Laminação transversal. • Laminação de esferas. FIGURA 41 – PROCESSOS DE LAMINAÇÃO FONTE: Adaptado de Schaeffer (1995) UNIDADE 2 TÓPICO 2 127 2.4 REPUXAMENTO As peças com seções circulares podem ser obtidas a partir de chapas metálicas, mediante um repuxamento (“spinning”). Este processo é utilizado, por exemplo, na conformação de fundos de tanques. Descrevendo o processo, um “blank” de uma chapa metálica é preso pelo centro a um molde, que pode ser de plástico, madeira ou metal mole, que é fixado à árvore de um torno, que gira a alta velocidade. Um bastão ou um rolete é pressionado contra a chapa, que está girando, empurrando-a contra o molde. Esta pressão pode ser manual ou mecânica. Executando esta operação ao longo de todo o diâmetro da chapa, obtém-se uma peça com formato de molde. FIGURA 42 – REPUXAMENTO FONTE: Adaptado de CIMM (2003) FIGURA 43 – EXEMPLOS DE REPUXAMENTO FONTE:Moreira Filho (2003, p. 680) UNIDADE 2TÓPICO 2128 2.5 TREFILAÇÃO No contexto dos processos indicados para a fabricação de tubos e chapas encontramos a trefilação a extrusão e a laminação. O processo de trefilação consiste em puxar o metal através de uma matriz (denominada “fieira”), por meio de uma força de tração a ele aplicada na saída da matriz. A maior parte do escoamento plástico é causada por esforços de compressão resultantes da reação do metal com a matriz. Da redução sucessiva de diâmetro de uma barra metálica maciça podem resultar barras, vergalhões e arames. Geralmente, os processos de trefilação são realizados à temperatura ambiente; todavia, uma vez que as deformações envolvidas são normalmente grandes, ocorre um aumento considerável de temperatura durante a operação. FONTE: Adaptado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Trefilagem>. Acesso em: 18 mar. 2013. LEITURA COMPLEMENTAR Os princípios envolvidos na trefilação de barras, vergalhões e arames são basicamente os mesmos, embora os equipamentos utilizados variem para os diversos tamanhos de produtos. As barras e vergalhões, que não podem ser bobinados, são produzidos sobre uma bancada de trefilação. A barra é apontada por torneamento ou martelamento rotativo, inserida através da matriz e presa às tenazes do cabeçote de tração, o qual se movimenta por um mecanismo hidráulico ou por transmissão por corrente. Na figura a seguir observa-se uma representação da trefilação de barras. TREFILAÇÃO DE BARRAS FONTE: Adaptado de SCHAEFFER (1995) UNIDADE 2 TÓPICO 2 129 A trefilação de arame começa com vergalhão laminado a quente. O vergalhão é primeiramente decapado a fim de eliminar qualquer carepa que possa resultar em defeitos superficiais do produto ou desgaste excessivo da matriz. O ângulo de entrada da matriz é construído com tamanho suficiente para dar espaço ao lubrificador que ele se adere. O ângulo de aproximação é seção da matriz onde realmente ocorre a redução de diâmetro. Os ângulos de entrada e de aproximação podem ser visualizados na próxima figura, através da seção transversal de uma matriz de trefilação. ÂNGULOS DE ENTRADA E DE APROXIMAÇÃO FONTE: Moreira Filho (2003, p. 618) A trefilação de tubos é similar a de barras, utilizando um mandril no interior do tubo. Muitas vezes, produtos como cilindros ocos, ou tubos, que são fabricados por processos de conformação a quente, tais como extrusão ou laminação com mandril, recebem acabamento a frio por trefilação. A trefilação a frio é utilizada a fim de se obter tolerâncias dimensionais mais acuradas e melhorar superfícies de acabamento, para produzir tubos com paredes mais finas ou diâmetros menores dos que podem ser obtidos com métodos de conformação a quente. Os três tipos básicos de processos de trefilação de tubos são os que utilizam mandril, os que utilizam plugue, e o que utilizam apenas a matriz, sem mandril ou plugue. Na figura a seguir observamos os tipos de mandris utilizados na trefilação de tubos. UNIDADE 2TÓPICO 2130 MÉTODOS DE TREFILAÇÃO FONTE: Moreira Filho et. al. (2003, p. 624) No método sem mandril ou plugue, como o interior do tubo não é suportado, a parede se torna ligeiramente mais espessa e a superfície interna irregular. Também, nesse caso, uma vez que na entrada e na saída da fieira o cisalhamento é grande, a deformação redundante é maior. Na trefilação com plugue fixo, tanto o diâmetro interno como o externo são controlados durante o processo. O plugue pode ser cilíndrico ou cônico e controla o tamanho e a forma do diâmetro interno. TREFILAÇÃO DE TUBOS E TIPOS DE MANDRIS FONTE: Adaptado de Schaeffer (1995) FONTE: Adaptado de: <http://migre.me/dJC0x>. Acesso em: 18 mar. 2013. UNIDADE 2 TÓPICO 2 131 2.6 ESTAMPAGEM A conformação de chapas é definida como a transição de uma dada forma de um semiacabado plano em outra forma. Os processos de conformação de chapas têm uma importância especial na fabricação de carrocerias automotivas e componentes da indústria eletroeletrônica. A estampabilidade é a capacidade que a chapa metálica tem de adquirir a forma de uma matriz, pelo processo de estampagem sem se romper ou apresentar qualquer outro tipo de defeito de superfície ou de forma. Benazzi Jr. e Caversan (2010, p. 5) apresentam duas definições para o processo de estampagem: o conjunto de operações com as quais sem produzir cavaco submetemos uma chapa plana a uma ou mais transformações com a finalidade de obtermos peças com geometrias próprias. A estampagem é uma deformação plástica do metal. [...] processos de conformação mecânica, realizados geralmente a frio, que compreendem um conjunto de operações, por intermédio das quais uma chapa plana é submetida a transformações por corte ou deformação, de modo a adquirir uma nova forma geométrica. O processo de estampagem tem grandes aplicações nas indústrias aeronáutica, automobilística etc., sendo utilizado para grandes produções devido ao alto custo do conjunto punção-matriz. Os materiais mais utilizados neste tipo de processo são: aços acalmados em alumínio, aços efervescentes (não estabilizados), aços baixo carbono, aços inoxidáveis, cobre e suas ligas, alumínio e suas ligas, zinco e titânio. As peças oriundas do processo de estampagem resultam em bom acabamento superficial. Segundo Benazzi Jr. e Caversan (2010, p. 5), Os estampos são compostos de elementos comuns a todo e quaisquer tipos de ferramentas (base, inferior, cabeçote ou base superior, espiga, colunas de guia, placa de choque, placa guia, parafusos e pinos de fixação, e outros) e por elementos específicos e responsáveis pelo formato da peça a produzir (matriz e punções). Estes elementos estão representados na próxima figura. UNIDADE 2TÓPICO 2132 Os fatores que influenciam a estampagem podem ser de natureza mecânica ou de natureza metalúrgica. Entre os fatores de natureza mecânica destacamos: 1. Forma e dimensão da peça. 2. Máquina de conformação (tipo de prensa empregada). 3. Forma e dimensões da ferramenta: • Raio do perfil da matriz • Raio do punção: um ângulo mais agudo leva a redução de espessura localizada e espessura do material: • Folga entre o punção e a matriz: • Engrossamento ou rugas. 4. Pressão antirrugas. Prevenir o enrugamento do blank; Pressão muito alta – operação de estiramento. 5. Taxa de estampagem Razão entre o diâmetro inicial do blank e o diâmetro final do copo estampado 6. Lubrificação: características. Diminuir o atrito. Facilidade de retirada após a conformação. 7. Propriedades do escoamento plástico. 8. Propriedades mecânicas. 9. Propriedades físicas. FIGURA 44 – NOMENCLATURA DE ESTAMPOS FONTE: Benazzi Jr. e Caversan (2010, p. 5) UNIDADE 2 TÓPICO 2 133 De acordo com Moreira Filho (2003), os fatores de natureza mecânica influenciam diretamente na definição do estado de tensão e deformação que existem a cada instante do processo, distribuídos nas diversas regiões da peça em formação. Com relação aos fatores de natureza metalúrgica que influenciam o processo de estampagem, apresentamos: 1. Composição química. 2. Estrutura do material (processo de fabricação e processo de transformação mecânica). Formação de orelhas nas bordas livres devido à anisotropia planar: provoca perda de material. NO TA! � Anisotropia planar: durante os processos de conformação de chapas, grãos cristalinos individuais são alongados na direção da maior deformação de tração. O alongamento é consequência do processo de escorregamento do material durante a deformação. Nos materiais policristalinos os grãos tendem a girar para alguma orientação limite devido a um confinamento mútuo entre grãos. Este mecanismo faz com que os planos atômicos e direções cristalinas dosmateriais com orientação aleatória (materiais isotrópicos) adquiram uma textura, uma orientação preferencial (tornando-se anisotrópicos). A distribuição de orientações tem, portanto, um ou mais máximos. Se estes máximos são bem definidos são chamados de orientações preferenciais, que irão ocasionar variações das propriedades mecânicas com a direção, ou seja, anisotropia. Um modo de avaliar o grau de anisotropia das chapas quando deformadas plasticamente é através do coeficiente de anisotropia. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/6487-a- estampabilidade-dos-materiais-metalicos>. Acesso em: 18 mar. 2013. FIGURA 45 – FORMAÇÃO DE ORELHAS NAS BORDAS LIVRES DEVIDO A ANISOTROPIA PLANAR FONTE: Moreira Filho et. al. (2003, p. 640) 3. Tratamento térmico de recozimento entre duas etapas do processo. UNIDADE 2TÓPICO 2134 2.6.1 Processos de estampagem A estampagem de chapas pode ser classificada em estampagem simples e estampagem profunda (embutimento). No primeiro caso, as profundidades alcançadas são pequenas quando comparadas com o diâmetro ou largura do pescoço. Já para o embutimento a relação profundidade diâmetro é grande. A estampagem profunda de blank circular é o processo de produção de copos, peças de automóveis (paralamas) etc. Na figura a seguir apresenta-se uma representação da estampagem profunda (embutimento) com seu ferramental. FIGURA 46 – FERRAMENTAL DE ESTAMPAGEM PROFUNDA FONTE: Adaptado de CIMM (2003) 2.6.2 Métodos de expansão Uma vez que a redução máxima na estampagem profunda é da ordem de 50%, é necessário empregar operações sucessivas de estampagem caso se queira produzir peças altas e delgadas (como capa de cartuchos e tubos fechados). A operação empregada para transformar uma peça estampada em outro de diâmetro menor e altura maior é conhecida por expansão do copo. Os dois métodos básicos de expansão são o direto, ou regular, e a expansão direta ou invertida. No processo direto a superfície original do copo permanece sendo a superfície externa da peça expandida. Na expansão indireta o copo é estampado de maneira inversa, de modo que a superfície externa venha a ser a superfície interna da nova peça. O dobramento é sempre na UNIDADE 2 TÓPICO 2 135 mesma direção, ao invés de ser em direções opostas como no caso direto, acarretando menor encruamento. 2.7 DOBRAMENTO No processo de dobramento, a chapa sofre uma deformação por flexão em prensas que fornecem a energia e os movimentos necessários para realizar a operação. A forma é conferida mediante o emprego de punção e matriz específicas até atingir a forma desejada. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABA5IAK/apostila-projeto- ferramenta>. Acesso em: 18 mar. 2013. O “dobramento” é definido como a deformação plástica de metais com relação a um único eixo. Quando dois ou mais dobramentos são realizados simultaneamente, o processo é denominado “conformação”. A operação de dobra em “V” pode ser considerada em dois estágios: O primeiro corresponde ao dobramento de uma viga sobre dois apoios devido à flexão e o segundo corresponde à força de compressão suportada pela matriz e que garante a eficiência da dobra. FONTE: Disponível em: <http://www.fatecsorocaba.edu.br/principal/pesquisas/nc2m/pdf/apostila/ dez2011_apostila_te_def.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. Deve-se levar em conta, neste processo, a observância do raio mínimo da dobra. Neste caso, de acordo com a característica e espessura do material, escolhe-se o raio para o punção e para a matriz. Para que se tenham as dimensões exatas na peça dobrada, a operação de dobramento exige que se considere o fenômeno do retorno elástico (springback). A recuperação elástica da peça será tanto maior quanto maior for o limite de escoamento, menor o módulo de elasticidade e maior a deformação plástica. Estabelecidos estes parâmetros, a deformação aumenta com a razão entre as dimensões laterais da chapa e sua espessura. O efeito mola ocorre em todos os processos de conformação, mas no dobramento é facilmente detectado e estudado. O raio de curvatura antes da liberação da carga (Ro) é menor do que após a liberação (Rf). O efeito mola é representado pelo símbolo K, conforma figura a seguir. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/8212-calculo-de-peca- dobrada-deve-prever-efeito-mola>. Acesso em: 18 mar. 2013. UNIDADE 2TÓPICO 2136 FIGURA 47 – EFEITO MOLA NO DOBRAMENTO FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/8212-calculo-de-peca- dobrada-deve-prever-efeito-mola>. Acesso em: 18 mar. 2013. Na execução das ferramentas, poderá ser levado em conta este fenômeno, dando ângulos de dobra mais fechados do que os da peça, de maneira que, depois do retorno elásticos ângulos ficarão os desejados. Não existe cálculo para determinar a diminuição dos raios e dos ângulos; é feito por tentativa, por meio de provas e experiências. FONTE: Disponível em: <http://www.fatecsorocaba.edu.br/principal/pesquisas/nc2m/pdf/apostila/ dez2011_apostila_te_def.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. Os processos de conformação por dobramento incluem, entre outros: dobramento em forma de cantoneira, dobramento de tubos e perfis e dobramento de chapas para formação de roscas. 2.8 CORTE O processo de corte de chapas (shearing) metálicas é executado submetendo-as a tensões de cisalhamento, podendo ser realizado basicamente por: • Lâminas de corte: o corte é realizado por duas lâminas que se movimentam. Ex.: guilhotina. • Punção e matriz: o punção descendo empurra o material para dentro da abertura da matriz. As operações de corte em estampo envolvem: • Corte. • Entalhe. • Puncionamento. • Recorte. • Transpasse. UNIDADE 2 TÓPICO 2 137 As variáveis importantes no corte de chapas que devem ser levadas em conta em sua operação são: Processo – Punção e matriz: • Força do punção. • Velocidade do punção. • Lubrificação. • Condições superficiais. • Material do punção e matriz. • Folga entre punção e a matriz. Processo – Lâminas de corte • Folga entre as lâminas. • Material da chapa. • Afiação das lâminas. A figura a seguir apresenta uma representação do processo de corte. FIGURA 48 – CORTE DE CHAPAS: PUNÇÃO E MATRIZ FONTE: Moreira Filho (2002, p. 682) 2.9 OUTROS PROCESSOS Outros processos de conformação que não serão comentadas aqui, mas representados na próxima figura, incluem: UNIDADE 2TÓPICO 2138 • Conformação combinada com soldagem por difusão. • Dobramento de tiras a partir da trefilação. • Dobramento de tiras para a formação de tubos. • Dobramento de tiras com cilindros para formação de tubos e perfis. FIGURA 49 – OUTROS PROCESSOS DE CONFORMAÇÃO FONTE: Adaptado de Schaeffer (1995) UNIDADE 2 TÓPICO 2 139 3 SOLDAGEM Resende (1992) define a soldagem como um processo metalúrgico com fim de juntar várias peças de metal para constituírem uma única peça, produzida através de ligações permanentes, denominadas solda. Por outro lado, Franco (1990, p. 7) destaca que a solda é uma operação tecnológica que visa unir superfícies metálicas adjacentes por meio de: - fusão parcial do próprio metal (básico) ou de metal adicional que fundido se interpõe entre as superfícies a unir formando com o todo uma única peça. - compressão ou martelamento das superfícies em contato, aquecidas ao estado pastoso, até a união íntima das mesmas. Assim, a soldagem é um processo de fabricação no qual porções de chapas, perfis laminados diversos, peças fundidas e forjadas e outras peças de metal, são unidas permanentemente para produzir uma forma desejada. A soldagem, também, é usada como processo de reparo de peças quebradas, desgastadas, defeituosas etc. Podem ser soldados: aços, aços fundidos,ferro fundido, cobre, alumínio, magnésio, zinco, estanho, chumbo, níquel etc., e suas ligas. As estruturas de aço soldadas (pontes, torres, tesouras, treliças, guindastes etc.), têm peso 20% menor que as rebitadas. Em construção de máquinas, as peças soldadas pesam 50% a menos das peças fundidas. 3.1 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE SOLDAGEM De acordo com Resende (1992), os processos de soldagem podem ser classificados com base nos princípios empregados, como segue: 1- Aquecimento da junta a ser soldada abaixo da temperatura de fusão e aplicação de pressão ou impacto: a) Soldagem por forjamento. 2- Fusão do metal no local da junta: a) Soldagem a gás (oxiacetileno). b) Soldagem a arco elétrico. UNIDADE 2TÓPICO 2140 c) Soldagem com Thermit. d) Solda forte, caldeamento e solda fraca. e) Outros. 3- Fusão de metal no local da junta e aplicação de pressão: a) Soldagem à resistência. b) Soldagem a arco-elétrico. c) Soldagem a indução. 4- Especiais: a) Soldagem com feixe de elétrons. b) Soldagem com arco plasmático. c) Soldagem com raios laser. d) Outros. Por outro lado, Franco (1990) classifica os processos de soldagem por princípios de brasagem, pressão e temperatura, conforme se observa na próxima figura. FIGURA 50 – PROCESSOS DE SOLDA FONTE: Franco (1990, p. 702) UNIDADE 2 TÓPICO 2 141 A brasagem, que pode ser forte ou fraca, é uma operação de união pela interposição na junta de um material de adição na fase líquida, cujo ponto de fusão é mais baixo do que o dos metais a unir (metais de base). Desta forma, os metais de base não se fundem e a união ocorre por ancoramento mecânico devido à contração do material de adição durante a sua solidificação. FIGURA 51 – BRASAGEM FONTE: Franco (1990, p. 704) Nas soldas à pressão (vide figura a seguir), a união acontece por pressão mecânica das superfícies, em contato, aquecidas ao estado pastoso. Não há material adicional. FIGURA 52 – SOLDAS À PRESSÃO FONTE: Franco (1990, p. 703) A solda autógena é a operação tecnológica que proporciona a íntima união de dois elementos metálicos aquecidos ao estado pastoso, por meio de compressão mecânica ou interpondo entre eles o metal fundido proveniente da fusão parcial das próprias peças. Nas soldas autógenas (significa que geram a si mesmas) ou por fusão (elétrica, a gás e aluminotermia) a união acontece com ou sem material adicional. Alguns tipos de soldas por fusão estão ilustrados a seguir. UNIDADE 2TÓPICO 2142 FIGURA 53 – SOLDAS POR FUSÃO OU AUTÓGENAS FONTE: Franco (1990, p. 703) Dentre as soldas por fusão destacamos a solda a gás, conhecida também como solda autógena por maçarico, e a solda elétrica. As soldas a gás podem ser dos seguintes tipos: • Oxiacetilênica: baseada na combustão acetileno com o oxigênio. • Oxídrica: baseada na combustão do hidrogênio com o oxigênio. Empregada para soldar peças de chumbo. • Oxibenzinica ou Benzólica: baseada na combustão da benzina ou do benzol. As soldas elétricas podem ser dos seguintes tipos: a – Arco voltaico a carvão – este sistema utiliza o calor gerado pelo arco voltaico entre um eletrodo de carvão e a peça a ser soldada. O metal adicional é fornecido por barrinhas, como no processo oxiacetilênico. b – Arco voltaico metálico – esse sistema aproveita o calor gerado pelo arco voltaico entre uma barrinha metálica (eletrodo) e a peça a ser soldada. A temperatura do arco elétrico é de ± 3500 °C. O metal adicional é fornecido pelo próprio eletrodo. Na figura a seguir exemplificamos alguns tipos de chanfros utilizados em juntas soldadas. UNIDADE 2 TÓPICO 2 143 FIGURA 54 – TIPOS DE SOLDAS (CHANFROS) FONTE: Franco (1990, p. 707) UNIDADE 2TÓPICO 2144 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você viu que: • Fundição é o método de dar forma aos metais no estado líquido, introduzindo-os em um molde com a forma desejada e, aí, deixando-os solidificar, a fim de obter uma utilidade. • A fundição, como processo de fabricação, tem altas possibilidades de automatização, apresentando ainda outras vantagens, tais como: ο Produção de formas complicadas de qualquer tamanho. Assim, por exemplo, podemos citar os motores de explosão com seus canais para passagem de fluidos, e que só podem ser obtidos por fusão. ο Produção de peças de espessuras pequenas. ο Custo de instalação, em geral, é bem menor que para obtenção por outro processo – conformação e forjamento – assim como os modelos são menos custosos e de mais simples modificação, se for o caso. ο Produção de qualquer material em estado de fusão, como ferro, aço, alumínio, magnésio, latão, bronze, ligas de alumínio e zinco etc. De todos os materiais, o ferro sobressai como o mais adequado para fundir devido a sua boa fluidez, baixa contração, resistência, rigidez e facilidade de controle, sendo por isso um dos metais mais utilizados para produção de peças fundidas. • Depois do beneficiamento, o minério de ferro vai para o alto-forno para se transformar em ferro-gusa que é a matéria-prima para fabricação do aço e do ferro fundido, juntamente com os fundentes, os desoxidantes, os desfosforizantes e os combustíveis. • Os métodos empregados para a obtenção das peças em fundição podem ser classificados em: fundição por gravidade, fundição sob pressão e fundição centrífuga. • Os tipos de moldagem na fundição são classificados em: 1) Moldagem em areia, 2) Moldagem em casca (shell molding), 3) Moldagem em cera perdida; 4) Moldagem em gesso; 5) Moldagem em cerâmica; 6) Fundição em molde cheio; 7) Fundição em molde permanente; 8) Fundição em molde permanente misto (coquilha); 9) Fundição sob pressão; 10) Fundição centrífuga; 11) Fundição contínua. UNIDADE 2 TÓPICO 2 145 • O principal objetivo da conformação mecânica é a alteração (plástica) da forma dos materiais com adicional obtenção e controle de propriedades físicas e mecânicas. Neste tipo de processo, massa e volume são conservados, isto é, há uma perda mínima de material. • Os processos de conformação mecânica podem ser classificados quanto à temperatura (trabalho a quente e trabalho a frio), quanto ao encruamento, quanto ao tipo de forças aplicadas ao material ou, ainda, quanto aos processos. • As operações de conformação que utilizam trabalho a quente incluem: laminação (rolling), forjaria (forging), extrusão (extrusion), repuxamento (spinning), trefilação (drawing). Por outro lado, as operações de conformação a frio incluem: compressão (squeezing), laminação, forjamento, dobramento (bending), corte por cisalhamento (shering), estampagem profunda (deep drawing). • Do ponto de vista do encruamento durante o processo, a conformação mecânica diferencia-se em: conformação sem ou com pouco encruamento (acima da temperatura de recristalização) e conformação com alteração do estado de encruamento (abaixo da temperatura de recristalização). • Além da temperatura, os processos de conformação sofrem a influência da taxa de deformação, do atrito e da anisotropia dos materiais. O efeito da temperatura é melhor analisado em conjunto com a taxa de deformação. • Em relação aos processos, a conformação mecânica subdivide-se em: a) Com predominância de compressão: laminação, forjamento, estampagem, extrusão, cunhagem. b) Combinados tração-compressão: embutimento, embutimento profundo, prensagem. c) Com predominância de tração: trefilação. d) Com flexão: dobramento. e) Com cisalhamento: torção, corte. • Em relação ao transcorrer do tempo durante a deformação, a conformação caracteriza- se através de processos: estacionários (trefilação, extrusão, laminação de chapas) e não estacionários (dobramento, forjamento, embutimento, extrusão reversa, estampagem profunda). • Forjamento é o nome genérico de operações de conformaçãomecânica efetuadas com esforço de compressão sobre um material dúctil, de tal modo que ele tende a assumir o contorno ou perfil da ferramenta de trabalho. Na maioria das operações de forjamento emprega-se um ferramental constituído por um par de ferramentas de superfície plana ou côncava, denominadas matrizes ou estampos. • O forjamento pode ser dividido em dois grandes grupos de operações: forjamento em matriz UNIDADE 2TÓPICO 2146 aberta ou forjamento livre e forjamento em matriz fechada. • A extrusão é um processo de conformação plástica que consiste em fazer passar um tarugo ou lingote (de seção circular), colocado dentro de um recipiente, pela abertura existente no meio de uma ferramenta, colocada na extremidade do recipiente, por meio da ação de compressão de um pistão acionado pneumática ou hidraulicamente. • A laminação é o processo de conformação mecânica que consiste em modificar a seção transversal de um metal na forma de barra, lingote, placa, fio, ou tira etc., pela passagem entre dois cilindros com geratriz retilínea (laminação de produtos planos) ou contendo canais entalhados de forma mais ou menos complexa (laminação de produtos não planos), sendo que a distância entre os dois cilindros deve ser menor que a espessura inicial da peça metálica. • Os principais processos de laminação estão divididos em: laminação de chapas e perfis, laminação de anéis, laminação de tubos, laminação transversal e laminação de esferas. • As peças com seções circulares podem ser obtidas a partir de chapas metálicas, mediante um repuxamento (“spinning”). Este processo é utilizado, por exemplo, na conformação de fundos de tanques. • O processo de trefilação consiste em puxar o metal através de uma matriz (denominada “fieira”), por meio de uma força de tração a ele aplicada na saída da matriz. Da redução sucessiva de diâmetro de uma barra metálica maciça podem resultar barras, vergalhões e arames. • A estampagem pode ser definida como processo de conformação mecânica, realizado geralmente a frio, que compreende um conjunto de operações, por intermédio das quais uma chapa plana é submetida a transformações por corte ou deformação, de modo a adquirir uma nova forma geométrica. • A estampagem de chapas pode ser classificada em estampagem simples e estampagem profunda (embutimento). No primeiro caso, as profundidades alcançadas são pequenas quando comparadas com o diâmetro ou largura do pescoço. Já para o embutimento a relação profundidade diâmetro é grande. • No processo de dobramento, a chapa sofre uma deformação por flexão em prensas que fornecem a energia e os movimentos necessários para realizar a operação. A forma é conferida mediante o emprego de punção e matriz específicas até atingir a forma desejada. Os processos de conformação por dobramento incluem, entre outros: dobramento em forma de cantoneira, dobramento de tubos e perfis e dobramento de chapas para formação de roscas. • O processo de corte de chapas (shearing) metálicas é executado submetendo a mesma a tensões de cisalhamento, podendo ser realizado basicamente por: lâminas de corte (Ex.: UNIDADE 2 TÓPICO 2 147 guilhotina) e punção e matriz (a descida do punção empurra o material para dentro da abertura da matriz). As operações de corte em estampo envolvem: corte, entalhe, puncionamento, recorte, transpasse. • Outros processos de conformação incluem: ο Conformação combinada com soldagem por difusão. ο Dobramento de tiras a partir da trefilação. ο Dobramento de tiras para a formação de tubos. ο Dobramento de tiras com cilindros para formação de tubos e perfis. • A soldagem é um processo metalúrgico com a finalidade de juntar várias peças de metal para constituírem uma única peça, produzida através de ligações permanentes, denominadas solda. Os processos de soldagem podem ser classificados com base nos princípios empregados, como segue: 1- Aquecimento da junta a ser soldada abaixo da temperatura de fusão e aplicação de pressão ou impacto: soldagem por forjamento. 2- Fusão do metal no local da junta: a) soldagem a gás (oxiacetileno); b) soldagem a arco elétrico; c) soldagem com Thermit; d) solda forte, caldeamento e solda fraca; e) outros. 3- Fusão de metal no local da junta e aplicação de pressão: a) soldagem a resistência; b) soldagem a arco-elétrico; c) soldagem à indução. 4- Especiais: a) soldagem com feixe de elétrons; b) soldagem com arco plasmático; c) soldagem com raios laser; d) outros. UNIDADE 2TÓPICO 2148 AUT OAT IVID ADE � 1 Quais são os passos básicos na realização de um processo de fundição? 2 Em que tipos de equipamentos são obtidos os produtos siderúrgicos aço e ferro fundido? 3 A aciaria é o local onde ocorre o processo de transformação do ferro gusa em diferentes tipos de aço. Uma das etapas importantes deste processo é o refino do aço. Nesse contexto, analise as afirmações a seguir. I. Diminuir a concentração de gases dissolvidos no aço líquido. II. Aumentar a temperatura do aço fundido ao máximo possível. III. Redução química do óxido de ferro presente no aço fundido. IV. Eliminar completamente as inclusões de não metálicos. Enquadram-se como objetivo do refino apenas o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) III e IV. e) I, II e IV. 4 Quais são os tipos de moldagem empregados na fundição? 5 Quais são os fatores empregados na classificação dos processos de conformação mecânica? 6 Quais são as características do processo de forjamento em matriz aberta? 7 Considerando as vantagens que a laminação de chapas a frio pode apresentar em relação à laminação a quente, analise as afirmações a seguir. I. Melhor acabamento superficial. II. Superior tolerância dimensional. III. Maior resistência do produto final causada pelo encruamento. UNIDADE 2 TÓPICO 2 149 IV. Maior grau de redução em cada passe ou em cada cadeira de laminação. V. Possibilidade da união da laminação com processos de tratamento térmico. É correto apenas o que se afirma em: a) II e III. b) IV e V. c) I, II e III. d) I, II, IV e V. e) I, III, IV e V. 8 Quais são as desvantagens da extrusão a quente? 9 A tabela a seguir apresenta alguns atributos importantes a serem considerados na seleção de processos de conformação mecânica. Nos itens a seguir, são apresentadas considerações acerca dos processos apresentados na tabela. I- O forjamento a quente é adequado para obtenção de peças de alta complexidade geométrica, mas com acabamento superficial inferior ao da laminação e volume de produção equivalente ao da extrusão. II- A laminação é adequada para obtenção de peças de alta complexidade geométrica, e possibilita uma precisão dimensional superior à extrusão e um volume de produção maior que o forjamento. III-A extrusão é utilizada apenas para obtenção de peças com perfis de geometria simples e de espessura constante, e apresenta um acabamento superficial melhor que o forjamento e melhor precisão dimensional que a laminação. Considerando as características dos processos e os atributos apresentados na tabela, assinale a opção CORRETA: UNIDADE 2TÓPICO 2150 a) ( ) Apenas um item está certo. b) ( ) Apenas os itens I e II estão certos. c) ( ) Apenas os itens I e III estão certos. d) ( ) Apenas os itens II e III estão certos. e) ( ) Todos os itens estão certos. 10 A laminação de metais, conforme a figura, é um processo unitário de conformação mecânica no qual um material (peça), durante sua passagem entre rolos ou cilindros (ferramentas), é submetido a elevadas tensões compressivas, ao mesmo tempo em que sofre tensões cisalhantes superficiais resultantes da fricção entre os rolos e o material. As forças de fricção geradas são também responsáveis pela tração e movimentação do material, pois, durante a operação,os rolos giram à mesma velocidade periférica, mas em sentido contrário. Nesse contexto, avalie as asserções a seguir: Esse processo é preferivelmente empregado na fabricação de roscas em elementos de fixação, como parafusos, em comparação ao processo de usinagem de roscas, PORQUE roscas laminadas apresentam, via de regra, alta produtividade, economia de material, melhor acabamento superficial, maior resistência no flanco, redução da sensibilidade ao entalhe e maior resistência à fadiga. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. b) ( ) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa correta da primeira. c) ( ) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. d) ( ) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda, uma proposição verdadeira. UNIDADE 2 TÓPICO 2 151 e) ( ) Tanto a primeira quanto a segunda asserções são proposições falsas. 11 O repuxo ou embutimento é uma operação de estampagem em que uma chapa, inicialmente plana, é transformada em um corpo oco sem que haja o aparecimento de rugas e trincas. O material da chapa flui para dentro da matriz, configurando gradativamente as paredes laterais da peça. O(s) parâmetro(s) que influencia(m) na operação de repuxo, inclui(em): I- A capacidade de alongamento do material. II- Os lubrificantes utilizados. III- As forças que atuam na operação de repuxo. Assinale a opção CORRETA. a) ( ) Apenas um item está certo. b) ( ) Apenas os itens I e II estão certos. c) ( ) Apenas os itens II e III estão certos. d) ( ) Apenas os itens I e III estão certos. e) ( ) Todos os itens estão certos. 12 Quais são os tipos básicos de processos de trefilação de tubos? 13 O que significa a operação de “expansão do copo”? 14 Um dos processos de conformação mecânica consiste no dobramento de chapas. Para que um material metálico seja submetido a esse processo, as variáveis que devem ser consideradas para uma boa qualidade do produto final são: a) ( ) Textura do material, raio de dobra, ângulo de curvatura, elasticidade do material. b) ( ) Elasticidade do material, anisotropia da chapa, textura do material, raio de dobra. c) ( ) Raio de dobra, ângulo de curvatura, ductilidade do material, espessura da chapa. d) ( ) Espessura da chapa, elasticidade do material, textura do material, ângulo de curvatura. e) ( ) Ângulo de curvatura, anisotropia da chapa, espessura da chapa, elasticidade do material. 15 Quais são as variáveis importantes que devem ser consideradas em processos de corte de chapas? UNIDADE 2TÓPICO 2152 PROCESSOS MECÂNICOS DE FABRICAÇÃO 1 INTRODUÇÃO TÓPICO 3 No estudo das operações dos metais, distinguem-se duas grandes classes de trabalho: as operações de usinagem e as operações de conformação. Ferraresi (1977, p. XXV) faz a seguinte distinção entre estas operações: Como operações de usinagem entendemos aquelas que, ao conferir à peça a forma, ou as dimensões ou o acabamento, ou ainda uma combinação qualquer destes três itens, produzem cavaco. Definimos cavaco, a porção de material da peça, retirada pela ferramenta, caracterizando-se por apresentar forma ge- ométrica irregular. Além desta característica, estão envolvidos no mecanismo de formação do cavaco alguns fenômenos particulares, tais como o recalque, a aresta postiça de corte, a craterização na superfície de saída da ferramenta e formação periódica do cavaco (dentro de determinado campo de variação da velocidade de corte). Como operações de conformação entendemos aquelas que visam conferir à peça a forma ou as dimensões, ou o acabamento espe- cífico, ou ainda qualquer combinação destes três itens, através da deformação plástica do metal. Devido ao fato da operação de corte em chapas estar ligada aos processos de estampagem profunda, dobra e curvatura de chapas, essa operação é estudada no grupo de operações de conformação dos metais. . No Dicionário Técnico do Centro de Informação Metal-Mecânica (CIMM, 2012) encontramos a seguinte definição para usinagem: Processo de fabricação que promove a retirada de material da peça por ci- salhamento. A porção de material retirada por esse processo é chamado de cavaco. A usinagem atende aos seguintes objetivos: • Acabamento de superfícies de peças fundidas ou conformadas mecanica- mente; • Obtenção de peculiaridades (saliências, reentrâncias, furos passantes, furos rosqueados etc.); • Fabricação seriada de peças a um custo mais baixo; • Fabricação de peças, de qualquer forma, a partir de um bloco de material metálico. As operações de usinagem podem ser classificadas em: torneamento, fresa- UNIDADE 2 UNIDADE 2TÓPICO 3154 mento, aplainamento, furação, mandrilamento, serramento, brochamento e roscamento, entre outros. 1.1 USINAGEM DOS MATERIAIS E CONCEITOS GERAIS De acordo com Freire (1989), o trabalho de corte realizado pelas máquinas ferramentas para a execução de uma peça com determinada forma tem o nome de “usinagem”. Desta forma, a usinagem é um processo onde a peça é obtida através da retirada de cavacos (aparas de metal) de uma peça bruta, através de ferramentas adequadas. A usinagem confere à peça uma precisão dimensional e um acabamento superficial que não podem ser obtidos por nenhum outro processo de fabricação. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABaZIAJ/ferramentas-corte>. Acesso em: 18 mar. 2013. Na usinagem, a ferramenta de corte age penetrando no material da peça como fosse uma verdadeira cunha. Com relação aos processos mecânicos de usinagem, a conveniência da escolha de um processo de fabricação está relacionada com a forma da peça a ser trabalhada, com a qualidade do material, com a conformação da superfície etc., o que determina a utilização de máquinas que combinem movimentos apropriados para a peça e a ferramenta. Para se chegar à forma definitiva de um elemento, podem ser necessárias diferentes operações mecânicas a serem processadas em várias máquinas ou centros de usinagem que podem executar mais que uma operação, bastante diferentes entre si. A escolha da máquina operatriz que satisfaça às exigências tecnológicas deve ser feita levando em consideração os seguintes fatores: • a superfície a ser obtida; • as dimensões do elemento a ser usinado; • a quantidade de peças a ser produzida; e • a precisão exigida. Prates e Barth (1985, p. 8) definem ferramentas de corte como “ferramentas que se utilizam para reduzir consideravelmente as dimensões de uma peça através de arrancamento ou corte de uma parte do material que constitui tal peça ou objeto”. A possibilidade de realização de uma peça depende dos recursos de que se dispõe. A operação pode ser executada à máquina ou à mão, muitas vezes, o único recurso. As máquinas- UNIDADE 2 TÓPICO 3 155 ferramentas, também denominadas máquinas operatrizes, são destinadas à realização de qualquer trabalho de acabamento mecânico no material, como por exemplo, as prensas, tesouras, martelos, punções, tornos, fresadoras, plainas etc. Acrescentamos, ainda, que uma máquina-ferramenta deve ser construída de tal modo, que possa efetuar um determinado trabalho com verdadeira perfeição e economia. 1.2 CLASSIFICAÇÃO DOS PROCESSOS DE USINAGEM Nesta seção abordaremos temas referentes à classificação dos processos de usinagem, sendo: classificação quanto ao processo de remoção do material; classificação quanto à geometria de ferramenta; classificação quanto à finalidade da operação de corte. 1.2.1 Classificação quanto ao processo de remoção do material O processo de remoção por usinagem pode ser dividido em duas grandes categorias: • Processosconvencionais: em que as operações de corte empregam energia mecânica na remoção do material, principalmente por cisalhamento, no contato físico da ferramenta com a peça, exemplo: torneamento, furação e retificação. • Processos especiais (não convencionais): em que as operações se utilizam de outros tipos de energia de usinagem (por exemplo, termelétrica), não geram marcas-padrão na superfície da peça e a taxa volumétrica de remoção de material é muito menor que a dos processos convencionais, exemplo: laser (radiação), eletroerosão (elétrons) e plasma (gases quentes). 1.2.2 Classificação quanto à geometria da ferramenta Os processos convencionais de usinagem ainda podem ser subdivididos em duas classes: • Operações de corte com ferramentas de geometria definida (arestas cortantes com formato e tamanho conhecidos), por exemplo, torneamento, furação, fresamento. • Operações de corte com ferramentas de geometria não definida (partículas abrasivas com formatos aleatórios e compostas por arestas minúsculas de corte), por exemplo, retificação, brunimento, lapidação. UNIDADE 2TÓPICO 3156 1.2.3 Classificação quanto à finalidade da operação de corte Quanto à finalidade, as operações de usinagem podem ser classificadas em: • Operações de desbaste, em que a usinagem, anterior a de acabamento, visa obter na peça a forma e dimensões próximas das finais. • Operações de acabamento, em que a usinagem é destinada a obter na peça as dimensões finais, ou um acabamento especificado, ou ambos. FONTE: Adaptado de: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfRF0AD/parametros-usinagem>. Acesso em: 18 mar. 2013. No desbaste, a superfície da peça fica cheia de sulcos produzidos pela ferramenta ao cortar o material, arrancando grossos cavacos. No acabamento, ferramentas apropriadas, podendo ter a ponta arredondada, arrancam cavacos menores formando superfícies mais lisas. Em resumo, podemos afirmar que o desbaste resulta uma elevada rugosidade na superfície da peça, em algumas situações, perceptíveis ao tato. No acabamento esta rugosidade assume valores reduzidos. Por rugosidade, entendemos as imperfeições surgidas nas superfícies das peças em virtude de um processo de usinagem. A rugosidade pode ser associada aos sinais de usinagem. Em termos de superfícies trabalhadas na usinagem podemos encontrar: superfície desbastada, superfície alisada e superfície retificada. Desejando-se maior grau de perfeição que o produzido pela ferramenta, na fase de acabamento da peça, devemos empregar rebolos que são verdadeiras ferramentas, constituídas de grande número de pequenas arestas cortantes, cada uma delas podendo arrancar uma partícula tão pequena de metal quanto se deseja. Essa operação recebe o nome de “retificação”, que consiste em um processo de usinagem por abrasão, de que se retiram cavacos menores do que nos processos convencionais de usinagem por arrancamento de cavaco. A retificação é em geral feita empregando-se rebolos na máquina, ou por meio de pedras ou limas bem finas, manejadas manualmente. Comparando-se a fase de desbaste à de acabamento, podemos realizar as seguintes observações: • no acabamento os valores escolhidos para o número de rotações ou de golpes por minuto é maior; UNIDADE 2 TÓPICO 3 157 • as ferramentas utilizadas nas duas fases, apresentam os seguintes tipos de pontas, conforme apresenta a figura a seguir: FIGURA 55 – PONTAS DE FERRAMENTAS PARA DESBASTE E ACABAMENTO FONTE: Prates e Barth (1985, p. 8) 1.3 DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS PROCESSOS DE USINAGEM Os processos de usinagem têm como objetivos: • o acabamento de superfícies de peças fundidas ou conformadas mecanicamente, de modo a obter-se melhor aspecto superficial e dimensões mais precisas, de acordo com as especificações de fabricação e com o emprego; • a obtenção de peculiaridades, impossíveis de conseguir pelos processos convencionais; • a fabricação seriada de peças, a um custo mais baixo; • a fabricação de uma ou poucas peças, praticamente de qualquer forma, a partir de um bloco de material metálico. FONTE: Disponível em: <ftp://ftp.fem.unicamp.br/pub/em335c/apostila.pdf>. Acesso em: 18 mar. 2013. 1.3.1 Processos de usinagem com ferramentas de geometria definida As máquinas operatrizes de usinagem têm por objetivo fundamental transformar fisicamente um corpo, seja no sentido geométrico (forma), seja no sentido dimensional (medida). Com o auxílio de um instrumento adequado, aplicado racionalmente em uma determinada máquina operatriz, é possível produzir um grande número de vezes o mesmo ciclo de transformação em peças idênticas. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/exibir/490-maquinas-operatrizes-de- usinagem>. Acesso em: 18 mar. 2013. UNIDADE 2TÓPICO 3158 LEITURA COMPLEMENTAR 1 CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DOS PROCESSOS MECÂNICOS DE USINAGEM Torneamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies de revolução com auxílio de uma ou mais ferramentas monocortantes. Para tanto, a peça gira em torno do eixo principal de rotação da máquina e a ferramenta se desloca simultaneamente segundo uma trajetória coplanar com o referido eixo. Quanto à forma da trajetória, o torneamento pode ser retilíneo ou curvilíneo: • Torneamento cilíndrico – processo de torneamento no qual a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea. O torneamento retilíneo pode ser: cilíndrico (externo, interno, sangramento axial), cônico (externo, interno), radial (faceamento, sangramento radial) ou de perfil (radial ou axial). • Torneamento curvilíneo – Processo de torneamento no qual a ferramenta se desloca segundo uma trajetória curvilínea. NO TA! � Denomina-se ferramenta de usinagem mecânica a ferramenta destinada à remoção de cavaco. No caso de possuir uma única superfície de saída, a ferramenta é chamada ferramenta monocortante; quando possuir mais de uma superfície de saída, é chamada ferramenta multicortante. ALGUNS PROCESSOS DE TORNEAMENTO: (a) cilíndrico externo; (b) cônico externo; (c) curvilíneo; (d) cilíndrico interno; (e) cônico interno; (f) sangramento radial. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXVII) UNIDADE 2 TÓPICO 3 159 Aplainamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies regradas (“planas” e perfiladas), geradas por um movimento retilíneo alternativo (da peça ou da ferramenta). O aplainamento pode ser horizontal ou vertical. Quanto à finalidade, as operações de aplainamento podem ser classificadas ainda em: aplainamento de desbaste e aplainamento de acabamento. As possíveis operações de aplainamento são: aplainamento de rasgos, aplainamento de perfis, aplainamento de ranhuras em “T”, aplainamento de superfície côncava, aplainamento de guias. ALGUNS PROCESSOS DE APLAINAMENTO: (a) de superfícies; (b) de perfis; (c) de rasgos de chaveta. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXVIII) Furação Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de um furo, geralmente cilíndrico, numa peça, com o auxílio de uma ferramenta geralmente multicortante. Para tanto, a ferramenta ou peça giram e simultaneamente a ferramenta ou peça se deslocam segundo uma trajetória retilínea, coincidente ou paralela ao eixo principal da máquina. A furação subdivide-se nas operações: • Furação em cheio: processo destinado à abertura de um furo cilíndrico numa peça, removendo todo o material compreendido no volume do furo final, na forma de cavaco. No caso de furos de grande profundidade há necessidade de ferramenta especial. • Escareamento: processo destinado à abertura de um furo cilíndrico numa peça pré-furada. • Furação escalonada: processo destinado à obtenção de um furo com dois ou mais diâmetros, simultaneamente. • Furação de centros: processo destinado à obtenção de furos de centros, visandoa uma operação posterior na peça. • Trepanação: processo de furação em que apenas uma parte de material compreendido no volume do furo final é reduzida a cavaco, permanecendo um núcleo maciço. UNIDADE 2TÓPICO 3160 ALGUNS PROCESSOS DE FURAÇÃO: a) em cheio; (b) escareamento; (c) escalonada; (d) de centro. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXX) Alargamento Processo mecânico de usinagem destinado ao desbaste ou ao acabamento de furos cilíndricos ou cônicos com o auxílio de ferramentas geralmente multicortantes. Para tal, ou a peça ou a ferramenta gira deslocando-se numa trajetória retilínea, coincidente ou paralela ao eixo de rotação da ferramenta. O alargamento pode ser de desbaste (cilíndrico, cônico) ou acabamento (cilíndrico, cônico). ALGUNS PROCESSOS DE ALARGAMENTO: (a) cilíndrico de desbaste; (b) cilíndrico de acabamento; (c) cônico de desbaste; (d) cônico de acabamento. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXI) Rebaixamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de uma forma qualquer na extremidade de um furo. Para tanto, a ferramenta ou a peça giram e a ferramenta ou a peça se deslocam segundo uma trajetória retilínea, coincidente ou paralela ao eixo de rotação da ferramenta. PROCESSOS DE REBAIXAMENTO FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXI e XXXII) UNIDADE 2 TÓPICO 3 161 NO TA! � As operações indicadas nas figuras são denominadas por alguns autores, de escareamento. Mandrilamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies de revolução com o auxílio de uma ou várias ferramentas de barra. Para tanto, a ferramenta gira e a peça ou a ferramenta se deslocam simultaneamente segundo uma trajetória determinada. ALGUNS PROCESSOS DE MANDRILAMENTO: (a) cilíndrico; (b) radial; (c) cônico. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXII) Fresamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies quaisquer com o auxílio de ferramentas geralmente multicortantes. Para tanto, a ferramenta gira e a peça ou a ferramenta se deslocam segundo uma trajetória qualquer. Distinguem-se dois tipos básicos de fresamento: tangencial e frontal. Há casos em que os dois tipos básicos de fresamento comparecem simultaneamente, podendo haver ou não predominância de um sobre outro. • Fresamento cilíndrico tangencial: processo de fresamento destinado à obtenção de superfície plana paralela ao eixo de rotação da ferramenta. Quando a superfície obtida não for plana ou o eixo de rotação da ferramenta for inclinado em relação à superfície originada na peça, será considerado um processo especial de fresamento tangencial. • Fresamento frontal: processo de fresamento destinado à obtenção de superfície plana perpendicular ao eixo de rotação da ferramenta. UNIDADE 2TÓPICO 3162 ALGUNS PROCESSOS DE FRESAMENTO: (a) cilíndrico tangencial; (b) cilíndrico tangencial concordante; (c) cilíndrico tangencial discordante; (d) frontal; (e) frontal de canal com fresa de topo; (f) composto. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXII e XXXIV) Serramento Processo mecânico de usinagem destinado ao seccionamento ou recorte com auxílio de ferramentas multicortantes de pequena espessura. Para tanto, a ferramenta gira ou se desloca, ou executa ambos os movimentos e a peça se desloca ou se mantém parada. O serramento pode ser retilíneo (alternativo, contínuo) e circular. • Serramento retilíneo: processo de serramento no qual a ferramenta se desloca segundo uma trajetória retilínea com movimento alternativo ou não (contínuo). • Serramento circular: processo de serramento no qual a ferramenta gira ao redor de seu eixo e a peça ou a ferramenta se desloca. ALGUNS PROCESSOS DE SERRAMENTO: (a) alternativo; (b) contínuo; (c) circular. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXVI) Brochamento Operação que consiste em arrancar linear e progressivamente cavaco da superfície de um corpo, mediante uma sucessão ordenada de fios de corte. Nesta operação, a ferramenta UNIDADE 2 TÓPICO 3 163 multicortante executa movimento de translação, enquanto que a peça permanece estática. A superfície usinada resultante em geral é curva. O grau de acabamento do brochamento é superior. O processo é caro devido ao custo da ferramenta. O brochamento pode ser interno ou externo. PROCESSOS DE BROCHAMENTO FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXVI) Roscamento Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de filetes, por meio da abertura de um ou vários sulcos helicoidais de passo uniforme, em superfícies cilíndricas ou cônicas de revolução. Para tanto, a peça ou a ferramenta gira e uma delas se desloca simultaneamente segundo uma trajetória retilínea paralela ou inclinada ao eixo de rotação. O roscamento pode ser interno ou externo. ALGUNS PROCESSOS DE ROSCAMENTO: (a) externo com ferramenta de perfil único; (b) interno com ferramenta de perfil múltiplo; (c) interno com macho. FONTE: Ferraresi (1977, p. XXXVIII e XL) FONTE: Adaptado de: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABCBYAL/apostila-completa- usinagem>. Acesso em: 18 mar. 2013. 1.3.2 Processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida Nesta seção apresentaremos os temas referentes aos processos de usinagem com ferramentas de geometria não definida. Entre os assuntos abordados estão: retificação; UNIDADE 2TÓPICO 3164 brunimento; lapidação; polimento; espelhamento; lixamento; jateamento; superacabamento; afiação; limagem e tamboreamento. 1.3.2.1 Retificação Existem muitas situações de manufatura onde a peça a ser trabalhada tem material muito duro, ou muito frágil, ou sua forma é muito difícil de produzir bons resultados de forma suficientemente acurada por qualquer dos outros métodos de corte mencionados anteriormente. A retificação é o processo de usinagem destinado à obtenção de superfícies com o auxílio de ferramenta abrasiva de revolução. Para tanto, a ferramenta abrasiva gira e a peça ou a ferramenta se desloca segundo uma trajetória determinada, podendo a peça girar ou não. A retificação pode ser tangencial ou frontal. • Retificação tangencial: processo de retificação executado com a superfície de revolução da ferramenta. Pode ser: cilíndrica (externa ou interna, de revolução ou não, com diferentes avanços da ferramenta ou da peça); cônica (externa ou interna, com diferentes avanços da ferramenta ou da peça); de perfis; plana; sem centros (com avanço longitudinal da peça ou radial do rebolo). • Retificação frontal: processo de retificação executado com a face do rebolo. É geralmente executada na superfície plana da peça, perpendicularmente ao eixo do rebolo. A retificação frontal pode ser com avanço retilíneo ou circular da peça. FONTE: Disponível em: <http://www.chasqueweb.ufrgs.br/~ajsouza/ApostilaUsinagem_Parte1.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2013. NO TA! � Ferramenta abrasiva de revolução: denomina-se usinagem por abrasão ao processo mecânico de usinagem em que são empregados abrasivos ligados ou soltos. Segundo a Norma ABNT PB26, ferramenta abrasiva é aquela constituída de grãos abrasivos ligados por aglutinante, com formas e dimensões definidas. A ferramenta abrasiva com a forma de superfície de revolução adaptável a um eixo é denominada rebolo abrasivo. Não são considerados rebolos abrasivos rodas ou discos de metal, madeira, tecido, papel, tendo uma ou várias camadas de abrasivos na superfície. FONTE: Disponível em: <http://www.chasqueweb.ufrgs.br/~ajsouza/ ApostilaUsinagem_Parte1.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2013. UNIDADE 2 TÓPICO 3 165 A retificação é um processo muito utilizado na indústria metal-mecânica. Muitas das peças usinadas têm a retificação como a última operação de uma ou várias de suas superfícies. Diniz et al. (1999) aponta suas principais características como: possibilidade de obtenção de tolerâncias apertadas (tolerância dimensional entreIT4 e IT6 e tolerância geométrica compatível e de baixas rugosidades (Ra de 0,2 a 1,6 µm)); baixa capacidade de remoção de cavaco. Assim, em geral, é um processo de acabamento. Até há bem pouco tempo, a retificação, por ser um processo abrasivo de usinagem, era um dos únicos processos utilizados em peças que já haviam sido endurecidas por tratamento térmico. Atualmente, parte destas operações, principalmente as realizadas em superfícies de revolução, tem sido substituída por outros processos, como o torneamento, por exemplo. Este fato se explica pelo surgimento de materiais de ferramentas como o nitreto de boro cúbico e o material cerâmico, que podem ser utilizados para o torneamento de peças duras e também devido à melhoria das características de projeto e constru- ção das máquinas-ferramentas. O torneamento tem substituído a retificação cilíndrica externa (e, às vezes, interna) em muitos processos produtivos que exijam tolerância dimensional na casa de IT5. Por outro lado, novos desen- volvimentos têm ocorrido com o processo de retificação, tais como: novos materiais para ferramentas (CBN e diamante como material do grão abrasivo do rebolo); projeto mecânico mais moderno da máquina retificadora (mancais e guias hidrostáticas, mecanismos de compensação da deformação térmica, etc.). Assim, pode-se dizer que o espaço que a retificação tem perdido para outros processos sempre que a ordem de tolerância é IT5 ou maior, tem sido recuperado em situações em que as classes de tolerâncias são mais apertadas, como IT4 ou menor. (SOUZA, 2011, p. 14-15). FIGURA 56 – ALGUNS PROCESSOS DE RETIFICAÇÃO: (a) cilíndrico externa com avanço longitudinal; (b) tangencial plana; (c) frontal com avanço retilíneo da peça; (d) cônica externa com avanço longitudinal; (e) cilíndrica interna com avanço longitudinal; (f) cilíndrica sem centros com avanço longitudinal contínuo da peça. FONTE: Ferraresi (1977, p. XLI e XLII) De acordo com Diniz et al. (1999, p. 5), os processos de retificação podem ser classificados em função dos seguintes critérios: UNIDADE 2TÓPICO 3166 A) Dureza da peça usinada: • retificação mole ou verde – realizada antes do tratamento térmico, com a peça ainda mole, para gerar superfícies precisas que sirvam de referência para outras operações de usinagem; • retificação dura – realizada depois do tratamento térmico, com a peça já endurecida, com o fim de conferir as dimensões finais à peça usinada. B) Superfície a ser usinada. QUADRO 15 – SEGUNDO A SUPERFÍCIE USINADA A) Retificação Cilíndrica - Externa - entre pontas - de mergulho - longitudinal (ou passagem) - sem centros - mergulho - longitudinal (ou passagem) - Interna B) Retificação Plana - Tangencial - Frontal C) Retificação de Perfis FONTE: Disponível em: <http://images.engenhariagilberto.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/ RbS0DAoKCrgAABeWKsU1/Tec_Usi_EGI_07.pdf?key=engenhariagilberto:journal:42&nm id=18560711>. Acesso em: 19 mar. 2013. LEITURA COMPLEMENTAR 2 PROCESSOS DE USINAGEM COM FERRAMENTAS DE GEOMETRIA NÃO DEFINIDA Brunimento Processo mecânico de usinagem por abrasão empregado no acabamento de furos cilíndricos de revolução, no qual todos os grãos ativos da ferramenta abrasiva estão em constante contato com a superfícies da peça e descrevem trajetórias helicoidais. Para tanto, a ferramenta ou a peça gira e se desloca axialmente com movimento alternativo (figura a seguir a). Lapidação Processo mecânico de usinagem por abrasão executado com abrasivo aplicado por porta-ferramenta adequado, com objetivo de se obter dimensões especificadas da peça (Fig. a seguir b). UNIDADE 2 TÓPICO 3 167 NO TA! � Dimensões especificadas da peça: segundo a Padronização Brasileira ABNT PB26, abrasivo é um produto natural ou sintético, granulado, usado de várias formas, com a finalidade de remover o material das superfícies das peças até o desejado. Polimento Processo mecânico de usinagem por abrasão no qual a ferramenta é constituída por um disco ou conglomerado de discos revestidos de substâncias abrasivas (figura a seguir c). PROCESSOS DE USINAGEM POR ABRASÃO: (a) brunimento; (b) lapidação; (c) polimento FONTE: Ferraresi (1977, p. XLII e XLIV) Espelhamento Processo mecânico de usinagem por abrasão no qual é dado o acabamento final da peça por meio de abrasivos, associados a uma porta-ferramenta específica para cada tipo de operação, com o fim de se obter uma superfície especular. Lixamento Processo mecânico de usinagem por abrasão executado por abrasivo aderido a uma tela e movimentado com pressão contra a peça (figura a seguir a). Jateamento Processo mecânico de usinagem por abrasão no qual as peças são submetidas a um jato abrasivo, para serem rebarbadas ou receberem um acabamento (figura a seguir b). UNIDADE 2TÓPICO 3168 PROCESSOS DE USINAGEM POR ABRASÃO: (a) LIXAMENTO COM FITA ABRASIVA; (b) JATEAMENTO FONTE: Ferraresi (1977, p. XLIV) Superacabamento Processo mecânico de usinagem por abrasão, empregado no acabamento de peças, no qual os grãos ativos da ferramenta abrasiva estão em constante contato com a superfície da peça. Para tanto, a peça gira lentamente e, a ferramenta se desloca com movimento alternativo de pequena amplitude e frequência relativamente grande. O processo pode ser cilíndrico (figura a seguir a) ou plano (figura a seguir b). USINAGEM DE SUPERACABAMENTO: (a) CILINDRÍCO (b) PLANO FONTE: Ferraresi (1977, p. XLII) Afiação Processo mecânico de usinagem por abrasão, no qual é dado o acabamento das superfícies da cunha cortante da ferramenta, com o fim de habilitá-la a desempenhar sua função. Desta forma, são obtidos os ângulos finais da ferramenta. A figura a seguir mostra o processo de afiação de uma ferramenta (bit) de aço-rápido utilizando um esmeril (pedra abrasiva). Limagem UNIDADE 2 TÓPICO 3 169 Processo mecânico de usinagem destinado à obtenção de superfícies quaisquer com o auxílio de ferramentas multicortantes (elaboradas por picagem) de movimento contínuo ou alternativo. O processo contínuo se dá por lima de segmentos em forma de fita (figura a seguir b) e o processo alternativo através de ferramenta manual. Tamboreamento Processo mecânico de usinagem no qual as peças são colocadas no interior de um tambor rotativo, juntamente ou não com materiais especiais, para serem rebarbadas ou receberem acabamento. A figura a seguir (c) esquematiza o processo. PROCESSOS DE USINAGEM POR ABRASÃO: (a) AFIAÇÃO; (b) LIMAGEM CONTÍNUA; (c) TAMBOREAMENTO. FONTE: Ferraresi (1977, p. XL e XLIV) FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAUvoAK/processos-usinagem>. Acesso em: 19 mar. 2013. LEITURA COMPLEMENTAR 3 PARÂMETROS DE ENTRADA E SAÍDA DO PROCESSO O planejamento de processos é um procedimento de tomada de decisões com o objetivo de obter um plano de processo econômico. Desta forma, o planejamento deve levar em conta que: • Os parâmetros a serem considerados são: geometria da peça; matéria-prima; acabamento superficial; tolerâncias geométricas; tratamentos térmicos e superficiais; tamanho do lote (quantidade). • As restrições devem ser tecnológicas e independentes da sequência escolhida de processos de usinagem, máquinas-ferramentas e operações de corte. Estas dependem da disponibilidade de: - Peça: restrições relativas ao material, à geometria, às dimensões etc. Deve-se considerar a rugosidade e as tolerâncias dimensionais e geométricas relacionadas ao processo e aos máximos valores de avanço e profundidade de corte. Alguns pesquisadores consideram os UNIDADE 2TÓPICO 3170 valores máximos de velocidade e profundidade de corte dependentes do material. - Máquinas-ferramentas: o processo de usinagem gera esforços dinâmicos que excitam a estrutura da máquinae a peça usinada como resultado em algumas situações a superfície pode ficar ondulada ou com marcas. - Ferramentas de corte: velocidade de corte acima de um determinado limite altera o mecanismo de desgaste da ferramenta. O avanço e a geometria da ferramenta influem na rugosidade gerada na superfície usinada. As dimensões da ferramenta limitam a profundidade de corte. - Tecnologia: com base na teoria de usinagem pode-se dizer que existem limites mínimo e máximo para os valores de profundidade de corte, avanço e velocidade de corte. Valores baixos de avanço e profundidade: retorno elástico ou abrasivo; valores altos: desgaste de cratera. Velocidade de corte alta: desgaste por difusão; baixa: aresta postiça de corte. Os limites podem ser estimados com base no material a ser usinado na ferramenta. - Usuário/operador: o operador pode limitar por prática os valores de avanço, profundidade e velocidade de corte. • Os critérios de otimização devem ser econômicos, visando sempre maximizar a taxa de retorno com: máxima produção; mínimo custo; máxima produtividade. • As decisões a tomar envolvem a escolha do processo de usinagem, o detalhamento das operações de corte e a seleção de diferentes parâmetros do processo, tais como: máquina- ferramenta; tipo de fixação e localização; ferramentas de corte; trajetórias das ferramentas; condições de corte. Dentre as variáveis envolvidas no processo de fabricação com formação de cavaco, existem aquelas nas quais se podem intervir (variáveis independentes de entrada) e aquelas nas quais não se podem (variáveis dependentes de saída), já que sofrem influência da mudança nos parâmetros de entrada. A próxima figura resume as relações entrada/saída associadas com o processo de torneamento. UNIDADE 2 TÓPICO 3 171 RELAÇÕES DE ENTRADA E SAÍDA EM TORNEAMENTO FONTE: Souza (2011, p. 24) As variáveis independentes de entrada são: material da peça, material da ferramenta, geometria da ferramenta, parâmetros de corte e máquina-ferramenta. As variáveis dependentes de saída são determinadas pelo processo, baseando-se na prévia seleção das variáveis independentes de entrada. Uma maneira de controlar o processo de usinagem é atuar diretamente nas variáveis de entrada (independentes) e mensurar seu efeito através da medida de variáveis dependentes de saída. As condições ideais para um determinado processo de usinagem podem ser determinadas com um melhor aproveitamento da ferramenta de corte e uma melhor taxa de remoção de material. Desta forma, a pessoa responsável pelo controle da produção trabalha na supervisão destas variáveis, usualmente indiretas. As variáveis independentes de saída importantes são: tipo de cavaco; força e potência de corte; temperatura na região de corte; vibrações; falhas na ferramenta de corte; acabamento da superfície usinada; tamanho e propriedades finais da peça ou do componente etc. As propriedades físicas, químicas e mecânicas do material da peça bruta (dureza, resistência à tração, composição química, inclusões, afinidade química com o meio lubrirrefrigerante ou com a ferramenta, microestrutura, encruamento etc.) podem ser especificadas ou previamente conhecidas. UNIDADE 2TÓPICO 3172 NO TA! � Na Unidade 1 de seu Caderno de Estudos fizemos breves comentários sobre as características dos materiais de engenharia. Na Unidade 2, também houve comentários sobre os tratamentos térmicos dos materiais. Convidamos o aluno a recuperar e articular os conhecimentos básicos apreendidos no Caderno de Ciência e Propriedade de Materiais. A seleção dos processos de usinagem é feita com base na análise da capacidade do processo de executar o formato geométrico da peça com a exatidão e o acabamento superficial requeridos. Inicialmente selecionam-se os grupos de processos compatíveis com o tamanho e a forma geométrica da peça a ser usinada (axissimétrica ou prismática) e com as possíveis características adicionais (furos, roscas, cavidades etc.). A tabela a seguir mostra os grupos conforme o formato da superfície. GRUPOS DE PROCESSOS DE USINAGEM DE ACORDO COM O FORMATO DESEJADO DA PEÇA FONTE: Souza (2011, p. 27) UNIDADE 2 TÓPICO 3 173 DIC AS! Uma seção transversal que, ao girar em torno de um eixo, origina um sólido de revolução que corresponde a uma peça axissimétrica. Uma superfície prismática é aquela gerada por uma reta que se desloca paralelamente a si mesma acompanhando uma linha poligonal aberta ou fechada; prisma é o sólido limitado por uma superfície prismática fechada e por dois planos paralelos. Uma vez selecionado o grupo de processos de usinagem, a seleção final será feita com base no acabamento superficial e também nas tolerâncias dimensionais geométricas requeridas. A geometria de uma peça (tamanho e forma) pode ser gerada através de processos anteriores, ou pode ser selecionada a partir da matéria-prima padrão para usinagem. Geralmente estas variáveis influenciam diretamente no processo de usinagem ou nos parâmetros que são selecionados, como por exemplo, a profundidade de corte. FONTE: Disponível em: <http://www.chasqueweb.ufrgs.br/~ajsouza/ApostilaUsinagem_Parte1.pdf>. Acesso em: 19 mar. 2013. 1.4 MATERIAL DA FERRAMENTA DE CORTE Quando temos a intenção de projetar uma ferramenta de corte, a primeira dificuldade está na escolha da matéria-prima para confecção desta ferramenta que, indubitavelmente é uma tarefa de grande responsabilidade. Para realizarmos uma escolha consciente devemos ter conhecimento das características do material que desejamos trabalhar. Também poderíamos mencionar as condições impostas pelo trabalho a ser realizado como indispensáveis a esta escolha, ou seja: • A presença de choques. • Dureza do material trabalhado. • Presença de temperatura etc. É conveniente frisarmos que um material não apresenta todas estas propriedades simultaneamente e que deveremos saber optar pelo material mais correto para cada caso em função das condições anteriormente expostas. UNIDADE 2TÓPICO 3174 O primeiro metal surgiu quando pedras de minério de ferro foram usadas em fogueiras para aquecer as cavernas. Pelo efeito combinado do calor e da adição de carbono pela madeira carbonizada, o minério transformou-se em metal. A evolução ao longo dos séculos levou a sofisticação dos métodos de fabricação e combinações de elementos, resultando nos materiais de alto desempenho hoje disponíveis. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4805-materiais-para- ferramentas-de-corte>. Acesso em: 19 mar. 2013. FIGURA 57 – FERRAMENTAS DE PEDRA LASCADA FONTE: Souza (2011, p. 6) Um material de corte deve combinar diversas características e propriedades para um bom desempenho na operação de usinagem: • Elevada dureza a frio e a quente. • Tenacidade. • Resistência ao desgaste por abrasão. • Estabilidade química. • Custo e facilidade de obtenção. Para que as ferramentas tenham essas características e o desempenho esperado, elas precisam ser fabricadas com o material adequado, que deve estar relacionado: • À natureza do produto a ser usinado em função do grau de exatidão e custos. • Ao volume da produção. • Ao tipo de operação: corte intermitente ou contínuo, desbastamento ou acabamento, velocidade alta ou baixa etc. • Aos detalhes de construção da ferramenta: ângulos de corte, e de saída, métodos de fixação, dureza etc.. • Ao estado da máquina-ferramenta. • Às características do trabalho. UNIDADE 2 TÓPICO 3 175 Levando isso em consideração, os materiais mais utilizados na fabricação de ferramentas de corte são: QUADRO 16 – MATERIAIS MAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE FERRAMENTAS DE CORTE 1. Aço-carbono: usado em ferramentas pequenas para trabalhos em baixas velocidades de corte e baixas temperaturas (até 200°C),porque a temperabilidade é baixa, assim como a dureza a quente. 2. Aços-ligas médios: são usados na fabricação de brocas, machos, tarraxas e alargadores e não têm desempenho satisfatório para torneamento ou fresagem de alta velocidade de corte porque sua resistência a quente, até 400°C, é semelhante à do aço-carbono. Eles são diferentes dos aços-carbonos porque contêm cromo e molibdênio, que melhoram a temperabilidade. Apresentam também teores de tungstênio, o que melhora a resistência ao desgaste. 3. Aços rápidos: apesar do nome, as ferramentas fabricadas com esse material são indicadas para operações de baixa e média velocidade de corte. Esses aços apresentam dureza a quente, até 600°C, e resistência ao desgaste. Para isso recebem elementos de liga como o tungstênio, o molibdênio, o cobalto e o vanádio. 4. Ligas não ferrosas: têm elevado teor de cobalto, são quebradiças e não são tão duras quanto os aços especiais para ferramentas quando em temperatura ambiente. Porém, mantêm a dureza em temperaturas elevadas e são usados quando se necessita de grande resistência ao desgaste. Um exemplo desse material é a estelite, que opera muito bem até 900°C e apresenta bom rendimento na usinagem de ferro fundido. 5. Metal duro (ou carboneto sinterizado): compreende uma família de diversas composições de carbonetos metálicos (de tungstênio, de titânio, de tântalo, ou uma combinação dos três) aglomerados com cobalto e produzidos por processo de sinterização (vide Figura 108 em no tópico de metalurgia do pó). Esse material é muito duro e, portanto, quebradiço. Por isso, a ferramenta precisa estar bem presa, devendo-se evitar choques e vibrações durante seu manuseio. O metal duro está presente na ferramenta em forma de pastilhas que são soldadas ou grampeadas ao corpo da ferramenta que, por sua vez, é feito de metal de baixa liga. Essas ferramentas são empregadas para velocidades de corte elevadas e usadas para usinar ferro fundido, ligas abrasivas não ferrosas e materiais de elevada dureza como o aço temperado. Opera bem em temperaturas até 1300°C. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAwOEAL/processo-fabricao>. Acesso em: 19 mar. 2013. O metal-duro é composto de carbonetos metálicos em forma de minúsculas partículas que são incrustadas em metal ligante. Os componentes mais importantes são o carboneto de tungstênio (WC) denominado fase a (determina a resistência ao desgaste) e o metal ligante cobalto (Co) denominado fase b (determina a tenacidade). Com o tempo, outros componentes foram adicionados a essa composição básica. A adição de carbonetos de titânio (TiC) (aumentar a resistência à craterização), de tântalo (TaC) e de nióbio (NbC) (maior tenacidade ao MD) denominados fase g, melhoraram muito a performance das ferramentas de metal-duro quanto a prevenir desgastes que se originam nos processos de formação de cavacos particulares a cada tipo de material. Mais tarde, os pesquisadores descobriram a possibilidade de se revestir a superfície das pastilhas com finas camadas de fase g. Este revestimento pode ser obtido tanto pelo processo CVD (Chemical Vapor deposition), quanto pelo processo PVD (Physical Vapor deposition). Estas camadas, que medem de 3 a 5 µm de espessura, proporcionam maior durabilidade à aresta de corte, pois a camada extrafina e extremamente dura sobre o núcleo tenaz permitiu que uma mesma partilha suportasse tanto maiores esforços de corte (em operações de desbaste) quanto altas velocidades (em operações de acabamento). UNIDADE 2TÓPICO 3176 A Norma ISO 513 (2004) (classification and application of hard cutting materials for metal removal with defined cutting edges – designation of main groups and groups of application) apresenta a classificação de grupos de ferramentas. A letra de designação da classe é sempre acompanhada de um número que representa a tenacidade à resistência ao desgaste da ferramenta: quanto maior o número, maior a tenacidade e menor a resistência ao desgaste. A subdivisão dentro de cada classe de metal-duro (P, M, K) depende principalmente de: • A composição química do material da ferramenta, incluindo a qualidade e quantidade de carbonetos. Por exemplo, a presença de TiC garante maior resistência ao desgaste, e uma maior quantidade de Co garante maior tenacidade. • O tamanho dos grãos de carboneto: quanto mais finos, maior a tenacidade da ferramenta, aliada a uma maior dureza média. Comumente pode-se encontrar nos catálogos de fornecedores referências sobre o grau de dureza e tenacidade das distintas classes de metal-duro, incluindo informações sobre os seus materiais constituintes. Essas informações são úteis para a escolha e adequação da ferramenta ao processo de usinagem que se deseja executar. A tabela da figura a seguir mostra esta designação. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfTaoAB/apostila-usinagem-parte1>. Acesso em: 19 mar. 2013. Os principais fatores que afetam na escolha da pastilha de metal duro (composto de carbonetos e cobalto) a ser empregada na usinagem dos materiais são, conforme CIMM (2012): • material da peça (por exemplo, aços, aços inoxidáveis ou ferro fundido); • operação (desbaste, usinagem média ou acabamento); • condição de usinagem (boa, média ou difícil). Estes fatores estão ilustrados na figura 64. UNIDADE 2 TÓPICO 3 177 FIGURA 58 – CLASSIFICAÇÃO DOS METAIS DUROS FONTE: ISO 513 (2004 apud Souza, 2011, p. 35) FIGURA 59 – SELEÇÃO DA PASTILHA DE METAL DURO FONTE: CIMM (2012) UNIDADE 2TÓPICO 3178 Ainda existem outros materiais usados na fabricação de ferramentas para usinagem, porém de menor utilização por causa de altos custos e do emprego em operações de alto nível tecnológico. Esses materiais são: cerâmica de corte, como a alumina sinterizada e o corindo, os Cermet (compostos de cerâmica e metal) e materiais diamantados, como o diamante policristalino (PCD) e o boro policristalínico (PCB). QUADRO 17 – MATERIAIS USADOS NA FABRICAÇÃO DE FERRAMENTAS PARA USINAGEM Os cermets como materiais de ferramentas de corte possuem as seguintes características: baixa tendência à formação de gume postiço, boa resistência à corrosão, boa resistência ao desgaste, resistência à temperatura elevada, alta estabilidade química. Estes materiais têm campos de aplicação contraditórios devido à fama de suscetíveis à repentina e imprevisível falha das pastilhas. De acordo com o CIMM (2012), alguns fornecedores especificam o uso somente se os fatores operativos no torneamento de acabamento estiverem exatamente corretos; outros indicam uma área ampla de utilização, incluindo o exigente semiacabamento. Além disso, os cermets são amplamente usados no fresamento de materiais de peças duros com êxito. Assim, parece não haver diretrizes bem definidas sobre onde os cermets se encaixam na usinagem. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4817-cermet>. Acesso em: 19 mar. 2013. As cerâmicas são encontradas em dois tipos básicos para fabricação de ferramentas: a base de óxido de alumínio e a base de nitreto de silício. Estes materiais apresentam como características: alta dureza a quente (1600°C), não reage quimicamente com o aço; longa vida da ferramenta, usados com alta velocidade de corte e não formam gume postiço. As aplicações das cerâmicas incluem usinagem em ferro fundido, aço endurecido (hard steels) e ligas resistentes ao calor (heat resistant alloys). Contudo, exigem a utilização de máquinas-ferramentas com extrema rigidez e potência disponível. De acordo com o CIMM (2012), as recomendações de usinagem com ferramentas cerâmicas incluem: • Usinagem a seco para evitar choque térmico. • Evitar cortes interrompidos. • Materiais que não devem ser usinados: - Alumínio, pois reage quimicamente. - Ligas de titânio e materiais resistentes ao calor, pelatendência de reagir quimicamente, devido a altas temperaturas envolvidas durante o corte. - Magnésio, berílio e zircônio, por inflamarem na temperatura de trabalho da cerâmica. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4818-ceramica>. Acesso em: 19 mar. 2013. UNIDADE 2 TÓPICO 3 179 O nitreto de boro cúbico cristalino (CBN) é um material relativamente jovem, introduzido nos anos 50 e mais largamente nos anos 80, devido à exigência de alta estabilidade e potência da máquina-ferramenta. Estes materiais de ferramentas são recomendados para usinagem a seco (para evitar o choque térmico) e alta velocidade de corte e baixa taxa de avanço (low feed rates). O CBN, comercialmente conhecido pelos nomes de amborite, sumiboron e borazon, possui como características: • São mais estáveis que o diamante, especialmente contra a oxidação. • Dureza elevada. • Alta resistência a quente. • Excelente resistência ao desgaste. • Relativamente quebradiço. • Alto custo. • Excelente qualidade superficial da peça usinada. • Envolve elevada força de corte devido à necessidade de geometria de corte negativa, alta fricção durante a usinagem e resistência oferecida pelo material da peça. As aplicações do nitreto de boro cúbico incluem: • Usinagem de aços duros. • Usinagem de desbaste e de acabamento. • Cortes severos e interrompidos. • Peças fundidas e forjadas. • Peças de ferro fundido coquilhado. • Usinagem de aços forjados. • Componentes com superfície endurecida. • Ligas de alta resistência a quente (heat resistant alloys); • Materiais duros (98HRC). Se o componente for macio (soft), maior será o desgaste da ferramenta. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4821-cbn>. Acesso em: 19 mar. 2013. Os diamantes para materiais de ferramentas de corte apresentam-se no tipo monocristalino ou policristalino. Os diamantes monocristalinos, dos tipos carbonos, ballos e borts, são os materiais que apresentam como característica marcante sua maior dureza, podendo ser empregados na usinagem de ligas de metais, latão, bronze, borracha, vidro, plástico etc. Por outro lado, o diamante policristalino, material sintético obtido em condições de extrema pressão e temperatura apresenta propriedades semelhantes ao encontrado no diamante natural, porém mais homogêneo. Os diamantes policristalinos são usados na usinagem na usinagem de materiais não ferrosos e sintéticos. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAcH8AH/ferramentas-usinagem>. Acesso em: 19 mar. 2013. UNIDADE 2TÓPICO 3180 DIC AS! Os diamantes monocristalinos apresentam a característica de anisotropia dos materiais. A grande vantagem da utilização do diamante monocristalino como ferramenta de corte está na possibilidade de afiação extrema, com raios de até algumas dezenas de nanômetros. O diamante monocristalino é hoje o único material de ferramenta que permite graus de afiação do gume até quase o nível de um raio atômico de carbono. Comparado às ferramentas de metal duro, metais duros revestidos, diamantes policristalinos (polycrystalline diamond - PCD), entre outros, o domínio das ferramentas de diamante monocristalino é praticamente absoluto. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_ didatico/4824-diamante-texto-mais-detalhado>. Acesso em: 19 mar. 2013. NO TA! � Um material isotrópico possui as mesmas propriedades físicas e mecânicas (por exemplo: dureza, resistência e módulo de elasticidade) em todas as direções. Já um material anisotrópico tem comportamento não uniforme nas várias direções do material. Sendo recomendadas para usinagem fina, pelo grau de afiação do gume alcançado e em aplicações que exigem ferramentas de alta dureza (por exemplo, furação de poços de petróleo), as ferramentas de diamante, entretanto, não podem ser usadas na usinagem de materiais ferrosos devido à afinidade do carbono com o ferro e não pode ser usada em processos com temperaturas acima de 900°C devido à grafitização do diamante. Na figura (parte a) a seguir, temos um quadro comparativo das propriedades de resistência ao desgaste, velocidade de corte, dureza a quente dos materiais para ferramentas em contraposição às suas resistências à flexão e tenacidade. Na figura (parte b) verifica- se cronologicamente a evolução da velocidade de corte em função dos novos materiais desenvolvidos para ferramentas de corte. UNIDADE 2 TÓPICO 3 181 FIGURA 60 – COMPARATIVO DE PROPRIEDADES DE MATERIAIS PARA FERRAMENTAS FONTE: CIMM (2012) 1.4.1 Materiais e ferramentas abrasivas Os materiais abrasivos podem ser usados sob a forma de grãos soltos, de rebolos, de pedras, de bastões, ferramentas para retificar ou para outras operações de acabamento e também como cobertura de outros materiais. Têm a capacidade para cortar materiais excessivamente duros para outras ferramentas, como também permitem obter melhor acabamento e manter tolerâncias mais apertadas do que poderiam ser obtidas economicamente, por outros meios, na maioria dos materiais (DOYLE, 1962). Nos processos de remoção abrasiva a ferramenta é feita de partículas abrasivas de formas e geometria irregulares, e são colocadas juntas por ligações compatíveis como num disco de retificação. A ferramenta de retificação, denominada então de rebolo, é um corpo, em geral cilíndrico, formado pelo material aglomerante ou liga, cuja função é reunir os inúmeros e pequenos grãos abrasivos, que vão entrar em contato com a peça e realizar a usinagem. Assim, cada grão abrasivo retira uma quantidade minúscula de material da peça (cortam como dentes quando o rebolo roda em alta velocidade e é encostado à peça a ser usinada), o que confere à retificação a possibilidade de obtenção de tolerâncias bastante apertadas. FONTE: Disponível em: <http://images.engenhariagilberto.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/ RbS0DAoKCrgAABeWKsU1/Tec_Usi_EGI_07.pdf?key=engenhariagilberto:journal:42&nm id=18560711>. Acesso em: 19 mar. 2013. As propriedades de um rebolo que determinam as suas características são o tipo e o tamanho do abrasivo, a proximidade dos grãos entre si, o tipo e quantidade da liga ou agentes de cobertura ou adesivos. UNIDADE 2TÓPICO 3182 As principais substâncias abrasivas utilizadas em retificação e processos correlatos são: 1. Óxido de alumínio, quimicamente Al2O3, também conhecida comercialmente como Alundum e Aloxite. 2. Carbureto de silício, SiC, conhecido comercialmente com Carborundum e Crystolon. 3. Nitreto de boro (cúbico) – CBN e 4. Diamante. Normalmente estes materiais têm alta rigidez (E= 50 x 106 psi → 350 GPa), o que significa que eles não se deformam consideravelmente sob as forças encontradas nos processos de retificação. O uso destes processos é limitado por: 1. Remoção de material de superfícies duras ou tratadas termicamente. 2. Pouquíssimo volume de material removido. 3. Controle preciso de dimensões e tolerância. As propriedades mais importantes de um material abrasivo são: (1) dureza, (2) tenacidade e (3) resistência ao atrito. Outro aspecto importante a ser mencionado é quanto ao fenômeno da fadiga no grão abrasivo. Na próxima figura são representados esquematicamente dois tipos distintos de fadiga: desgaste por atrito e por fratura. FIGURA 61 – FADIGA EM GRÃOS ABRASIVOS FONTE: Adaptado de Al-Qureshi (1994) À medida que o grão se desgasta, a ponta de corte fica “cega” e o corte se torna ineficiente, passando então a ocorrer desgaste por atrito. Antes da ponta se tornar totalmente cega, o grão precisa ter a capacidade de fraturar com novos e pontiagudos pontos de corte que voltam a cumprir sua função. UNIDADE 2 TÓPICO 3 183 Esta propriedade é conhecida como fragilidade, consequentemente, os dois requisitos básicos para um grão abrasivosão: • Deve ter resistência à fadiga. • Deve ser suficientemente frágil. Quando o grão não pode mais cortar eficientemente, ele deve sair do esmeril de forma que novos grãos iniciem sua função de cortar. Tal esmeril, desta forma, se “autoafia”. De acordo com Al-Qureshi (1994), na retificação a força sobre o grão abrasivo aumenta com o aumento da velocidade da peça trabalhada e da profundidade do corte e diminuição do número de pontos de corte (estrutura aberta), velocidade e diâmetro do esmeril. Logo, um aumento da força significa que a tendência para a fratura do grão ou para o grão se desprender do esmeril aumente, e diz-se que o esmeril “acts soft”. Inversamente, se a força é pequena, o grão fica no esmeril por mais tempo e o esmeril “acts hard”. São usados como agentes de cobertura ou liga em rebolos e ferramentas abrasivas: a argila cerâmica (1) e porcelanas (2), silicato de sódio (3) ou “water glass” (4), borracha (5), goma-laca (6) e resinas sintéticas (7). Os grãos abrasivos são classificados em ampla escala de tamanhos para obter um produto uniforme e seguro. A classificação é executada, por peneiração, em máquinas de peneiras mecânicas. O tamanho do grão é designado pela malha da peneira pela qual consegue passar. O tamanho padrão dos grãos peneirados, tanto do óxido de alumínio quanto do carbureto de silício, abrange a faixa contida entre o tamanho n° 4 e o tamanho n° 220. Tamanhos de grãos mais finos, chamados farinhas (flours), são separados por meio de flotação. O esmeril é um rebolo de material especialmente duro (carborundum) que gira preso ao eixo de um motor elétrico. O rebolo se movimenta em alta rotação. Serve para afiar ferramentas de uma oficina, tirar rebarbas de uma peça forjada ou serrada, arredondar cantos de peças etc. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/verbetes/exibir/634-esmeril>. Acesso em: 19 mar. 2013. A performance do esmeril está relacionada à força da ligação, conhecida como o grau do esmeril. Os esmeris são cuidadosamente classificados para cada tipo de operação. Uma identificação padronizada é necessária em virtude da variedade de tamanhos de granulação. O sistema tem seis tipos de marcações (ASAB 5.11-1949): UNIDADE 2TÓPICO 3184 FIGURA 62 – SEIS TIPOS DE MARCAÇÕES (ASAB5.11-1949) FONTE: Adaptado de Al-QureshI (1994, p. 93) 1. Tipo de grão: pode usar um número e uma letra. Ex.: A (Al2O3) ou C (SiC). O número indica uma marca particular do abrasivo. 2. Tamanho do grão: um número indica a menor tela através da qual um grão passará, de 10 para o mais grosso até 600 para o mais fino. 3. Grau de ligação: indicado através de letras, que descreve a força relativa da ligação. A para o mais macio. Z para o mais duro. 4. Estrutura: variando de 0 para forte e 12 para fraca/aberta. Indicando o espaçamento do grão. 5. Tipo de ligação: é identificado por uma letra. Ex: V-Ligação vitrificada; E-Goma-laca. O agente de ligação e o processo usado na manufatura do esmeril. 6. Símbolo de Manufatura. 1.4.2 Geometria da ferramenta Para conhecer um pouco mais sobre a ferramenta de corte utilizada na usinagem, descreveremos alguns conceitos e terminologias com base numa ferramenta de tornear simples, que representa uma típica ferramenta de geometria definida. Assim buscamos fixar esta parte do conteúdo, que é muito importante para entender o funcionamento das demais ferramentas de geometria definida, como brocas e fresas. FONTE: Adaptado de: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4852-ferramenta-de-corte- de-geometria-definida>. Acesso em: 19 mar. 2013. UNIDADE 2 TÓPICO 3 185 1.4.2.1 Superfícies, arestas e pontas da cunha cortante Nas operações de usinagem, o trabalho de corte executado pela ferramenta, baseia-se num princípio muito simples: a ação de uma cunha ao penetrar num material separa uma parte deste, a que denominamos cavaco. A superfície de trabalho de qualquer ferramenta de corte apresenta-se sob a forma de uma cunha e, ao ser aplicada uma força “F”, o gume (fio de aresta cortante) da ferramenta, no vértice da cunha penetra no material separando uma parte deste. A força “F”, a ser aplicada será tanto menor quanto menor for o ângulo de cunha, porém, menor será a resistência da ferramenta. Os elementos constitutivos de uma ferramenta são suas superfícies, gumes, quinas e cunha. As superfícies de uma ferramenta de corte de geometria definida são compostas de faces, flancos e quebra cavaco, onde: • Face: superfície da cunha sobre a qual o cavaco escoa. • Face reduzida: é uma superfície que separa a face em duas regiões – face e face reduzida – de modo que o cavaco entre em contato somente com a face reduzida. • Flanco: superfície da cunha voltada para a peça. • Flanco principal: superfície da cunha voltada para a superfície transitória da peça. • Flanco secundário: superfície da cunha voltada para a superfície usinada da peça. • Quebra cavaco: são alterações presentes na face reduzida com o objetivo de controlar o tamanho do cavaco de modo que não ofereça risco ao operador e não obstrua o local de trabalho. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/3566-elementos-da- ferramenta>. Acesso em: 19 mar. 2013. FIGURA 63 – CUNHAS E SUPERFÍCIES DE UMA FERRAMENTA DE TORNO FONTE: CIMM (2012) UNIDADE 2TÓPICO 3186 Os dois gumes e a quina são usados como referência para medir os ângulos da ferramenta. FIGURA 64 – ELEMENTOS DA FERRAMENTA: GUME E QUINA FONTE: CIMM (2012) FIGURA 65 – SUPERFÍCIES, ARESTAS E PONTA DE CORTE DE UMA FERRAMENTA DE BARRA FONTE: Ferraresi (1977, p. 19) O gume é o encontro da face com o flanco, destinada à operação de corte. Podemos subdividi-lo em: • Gume principal: interseção da face e do flanco principal. UNIDADE 2 TÓPICO 3 187 • Gume secundário: interseção da face e do flanco secundário. • Gume ativo: é a parte do gume que realmente está cortando. Este ainda subdivide-se em: ο Gume principal ativo: é a parte do gume principal que realmente está cortando. ο Gume secundário ativo: é a parte do gume secundário que realmente está cortando. Por fim, a quina é o encontro do gume principal com o gume secundário. 1.4.2.2 Sistema de referência e planos Para definir os planos e medir os ângulos da ferramenta é preciso selecionar um ponto de referência posicionado em qualquer parte do gume principal. FIGURA 66 – SISTEMAS DE REFERÊNCIA DE FERRAMENTA DE TORNO a) Sistema efetivo de referência de uma ferramenta de torno b) Sistema de referência da ferramenta de torno FONTE: Ferraresi (1977, p. 24) Utilizando o sistema de referência “Ferramenta na Mão”, usado para medir os ângulos da ferramenta, podemos visualizar através da figura a seguir, os seguintes planos: • Pr (Plano de referência da ferramenta): é paralelo à base da ferramenta no ponto selecionado. É o plano perpendicular ao plano de trabalho no ponto de contato peça-ferramenta. • Pf (Plano de trabalho convencional): é perpendicular ao Pr e paralelo à direção de avanço. É o plano tangente à superfície da peça no ponto de contato peça-ferramenta ou a própria superfície da peça. UNIDADE 2TÓPICO 3188 • Pp (Plano passivo da ferramenta): é perpendicular ao Pr e ao Pf. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/3567-sistema-de- referencia-e-planos>. Acesso em: 19 mar. 2013. FIGURA 67 – PLANOS DE REFERÊNCIA, DE TRABALHO E PASSIVO DA FERRAMENTA a) Planos de referência e de trabalho da ferramenta b) Plano passivo em relação aos planos de trabalho e de referência FONTE: Adaptação livre de Prates e Barth (1985, p. 55) e CIMM (2012) Os planos ortogonal (Po), normal (Pn) e do gume (Ps) com a utilização do mesmo sistema de referência anteriorpodem ser visualizados a seguir. UNIDADE 2 TÓPICO 3 189 FIGURA 68 – PLANOS ORTOGONAL, NORMAL E DO GUME FONTE: CIMM (2012) 1.4.2.3 Ângulos da ferramenta Os ângulos que caracterizam a ferramenta são mostrados na próxima figura. Sendo assim definidos: • Ângulo de incidência – é o ângulo formado pela face de incidência e o plano tangente ao ponto de contato entre a peça e a ferramenta. É conhecido também como ângulo de folga. • Ângulo de gume, da cunha ou do fio – é o ângulo formado pelas faces de incidência e de saída (ataque). • Ângulo de saída ou de ataque – é ângulo formado pela face de ataque e o plano que passa pelo eixo da peça e o ponto de contato entre a peça e a ferramenta. • Ângulo de corte – é o ângulo formado pela face de ataque e o plano tangente ao ponto de contato entre a peça e a ferramenta. É obtido somando-se o ângulo de incidência ao ângulo do gume: δ = α + β • Ângulo de orientação, posição, ou de rendimento – é o ângulo formado pela aresta cortante e a geratriz da superfície torneada. • Ângulo da ponta ou de perfil – é o ângulo formado pelas arestas cortantes: principal e secundária (ou lateral). • Ângulo de inclinação – é o ângulo formado pela aresta cortante e o plano que passa pelo ponto de contato (peça-ferramenta) e o eixo da peça. UNIDADE 2TÓPICO 3190 FIGURA 69 – ÂNGULOS DA FERRAMENTA DE TORNO MECÂNICO α - ângulo de incidência ou de folga; β - ângulo do fio, do gume ou da cunha; γ - ângulo de saída ou de ataque; δ - ângulo de corte; κ - ângulo de orientação ou de posição, ou de rendimento; ε - ângulo da ponta ou de perfil; λ - ângulo de inclinação. FONTE: Freire (1989, p. 10) 1.4.2.4 Ângulos da broca Os principais ângulos de uma broca helicoidal estão ilustrados a seguir. FIGURA 70 – ÂNGULOS DE UMA BROCA UNIDADE 2 TÓPICO 3 191 FONTE: Freire (1989, p. 11-12) O ângulo entre as duas arestas cortantes é chamado ângulo da ponta ε; os semiângulos da ponta devem ser iguais. O mesmo deve acontecer com as arestas cortantes; de outra forma, o furo seria executado maior do que o diâmetro da broca e praticamente só uma aresta cortante trabalharia, desgastando-se rapidamente e tendendo a quebrar a ferramenta. O ângulo de incidência α, mede a inclinação da superfície atrás da aresta cortante. Os ângulos de incidência (α), saída (γ) e da tangente ao helicoide com o eixo (ϕ) representativos da ferramenta fresa estão ilustrados na figura a seguir. FIGURA 71 – ÂNGULOS DE UMA FRESA FONTE: Freire (1989, p. 12) UNIDADE 2TÓPICO 3192 Ângulos de incidência e de saída dos dentes de uma brocha. FIGURA 72 – ÂNGULOS DE UMA BROCHA a) Perfil do dente da broca b) Brochas: A, de tração; B, de compressão FONTE: Freire (1989, p. 13) 1.4.3 Mecânica do corte De acordo com Resende (1992), a conveniência da escolha de um processo de fabricação está relacionada com forma da peça a ser trabalhada, com a qualidade do material, com a conformação da superfície etc., o que determina a utilização de máquinas que combinem movimentos apropriados para a peça e a ferramenta. Para compreender melhor a mecânica do corte em operações de usinagem, verifiquemos as superfícies e arestas de uma ferramenta de corte. Por exemplo, a ferramenta empregada para o desbaste no torno mecânico (com forma ilustrada na figura a seguir) compõe-se de cabo (ou corpo) e ponta (ou bico) que é a parte ativa, das faces superior e inferior. FIGURA 73 – FERRAMENTA DE TORNO MECÂNICO A) nomes das partes da ferramenta; B) ferramenta de pastilha FONTE: Freire (1989, p. 9) UNIDADE 2 TÓPICO 3 193 A face superior da ponta é a face de corte ou saída, será plana ou recurvada, sobre a qual se formará o cavaco. Os flancos da ferramenta constituem as faces de incidência, em escape. As principais grandezas (ou parâmetros) de corte que compõem a mecânica do corte nas operações de usinagem dos metais são: • Avanço (f): é o percurso de avanço em cada volta ou curso, medido em mm/rotação. • Profundidade ou largura de corte (ap): é a penetração da aresta principal de corte medido numa direção perpendicular à superfície da peça. Pode ser vista como espessura de cavaco retirado de uma só vez (um só passe). A largura do corte da ferramenta é geralmente menor do que a largura da peça a trabalhar; assim, a retirada do material é feita por etapas sucessivas; a ferramenta, depois de retirado o material em um passe, se desloca de uma distância igual ao comprimento do passe e assim sucessivamente. A profundidade de corte, no caso do torneamento de um cilindro de diâmetro D até o diâmetro d, será: FIGURA 74 – PROFUNDIDADE DE CORTE FONTE: Freire (1989, p. 9) A figura posterior ilustra a profundidade de corte e o avanço em diferentes tipos de trabalho ou operações no torno mecânico: - carrear ou cilindrar (A) - sangrar ou cortar (B) - facear (C) - broquear (D) UNIDADE 2TÓPICO 3194 FIGURA 75 – PROFUNDIDADE DE CORTE EM DIFERENTES TIPOS DE OPERAÇÃO NO TORNO MECÂNICO FONTE: Freire (1989, p. 10) No processo de usinagem, nos interessam os movimentos relativos entre a peça e, a aresta cortante da ferramenta. Estes movimentos, desprezando outros movimentos da máquina-ferramenta, estão ilustrados na figura a seguir e são descritos de acordo com norma ABNT-P-NB204: • Movimento de corte: é o movimento entre a peça e a ferramenta que origina uma única remoção de cavaco, durante uma volta ou um curso. • Movimento de avanço: é o movimento entre a peça e a ferramenta que juntamente com o movimento de corte, origina uma remoção contínua ou repetida de cavaco o qual, combinado ao movimento de corte, proporciona uma remoção contínua do cavaco, durante várias revoluções de cursos. Citamos os movimentos de avanço principal e lateral. • Movimento efetivo de corte: é o resultante dos movimentos de corte e de avanço realizados simultaneamente. • Movimento de posicionamento: é o movimento entre a peça e a ferramenta, com o qual a ferramenta antes da usinagem, é aproximada da peça. • Movimento de profundidade: é o movimento entre a peça e ou ferramenta, no qual é pré- determinada a espessura da camada de material a ser removida. • Movimento de correção: é o movimento entre a peça e a ferramenta, na qual o desgaste da ferramenta deve ser compensado. NO TA! � No caso do aplainamento, o movimento de avanço sempre corre após o movimento de corte, permitindo assim o movimento efetivo de corte. Aqui, apenas a título de esclarecimento, informamos que cada direção corresponde à direção de deslocamento respectiva e, que a Norma Brasileira considera as seguintes direções: as de corte; de avanço; efetiva de corte. UNIDADE 2 TÓPICO 3 195 FIGURA 76 – MOVIMENTOS DE CORTE EM FURAÇÃO, COPIAGEM, RETIFICAÇÃO E FRESAMENTO a) Furação com broca helicoidal, mostrando os movimentos de corte e avanço b) Copiagem de uma peça mostrando as componentes do movimento de avanço: avanço principal e avanço lateral. c) Retificação plana tangencial mostrando os movimentos de corte e avanço d) Fresamento com fresa cilíndrica, mostrando os movimentos de corte e avanço FONTE: Ferraresi (1977, p. 2-3) Com base na Norma anteriormente citada, distinguimos os seguintes percursos da ferramenta em frente da peça: • Percurso de corte: (lc) é o espaço percorrido sobre a peça pela aresta cortante da ferramenta, segundo a direção de corte. • Percurso de avanço: (la) é o espaço percorrido pela ferramenta segundo a direção de avanço. • Percurso efetivo de corte: (le) é o espaço percorrido pela aresta cortante da ferramenta, segundo a direção efetiva de corte. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAUvoAK/processos-usinagem>.Acesso em: 19 mar. 2013. UNIDADE 2TÓPICO 3196 FIGURA 77 – PERCURSO DE CORTE EM FRESAMENTO TANGENCIAL COM FRESA CILÍNDRICA Percurso de corte lc; percurso efetivo de corte le; percurso de avanço la. (Os dentes 1 e 2 mostram movimento da fresa) FONTE: Ferraresi (1977, p. 4) As velocidades importantes nas operações de usinagem e objeto de estudos de outras disciplinas são: • de corte (v); • de avanço (vf); • efetiva de corte (ve); • de posicionamento (vp); • de profundidade (vp); • de correção (vc). A velocidade de corte (v) é a velocidade com a qual ocorre o movimento de corte, segundo direção e sentido de corte. Numa operação de torneamento v é calculada pela relação: Onde, d = diâmetro da peça (ferramenta) em mm, n = rotação da peça (ferramenta) em rpm. A velocidade de avanço (vf) é a velocidade com a qual ocorre o movimento de avanço, segundo direção e sentido de avanço. Esta velocidade, medida em mm/min, é calculada pela seguinte relação em uma operação de torneamento: UNIDADE 2 TÓPICO 3 197 Onde, f = avanço [mm/rot.], n = rotação da peça (ferramenta) [rpm], vc = velocidade de corte [m/min] e d = diâmetro da peça (ferramenta) [mm]. A velocidade efetiva de corte (ve) é aquela com a qual ocorre o movimento efetivo de corte ou a velocidade com qual cortamos efetivamente a peça, retirando cavacos. Na figura a seguir temos uma representação dos principais elementos constitutivos da mecânica do corte, a profundidade de corte, velocidade de corte e avanço, observando que na integração desses elementos, há a geração das superfícies usinadas e transitórias. FIGURA 78 – MECÂNICA DO CORTE FONTE: CIMM (2012) Os períodos de trabalho na usinagem dos materiais são divididos em tempos ativos e tempos passivos no ciclo de produção. Os tempos de corte (ativos), medidos em minutos, são calculados pela relação: Os tempos passivos nem sempre podem ser calculados. Geralmente são estimados por técnicas específicas que estudam os movimentos e a cronometragem dos tempos a eles relacionados, estabelecendo os chamados tempos padrões. UNIDADE 2TÓPICO 3198 A área de seção transversal de um cavaco a ser removido, medida em mm2, é calculada pela relação: 1.4.4 Meio lubrirrefrigerante e temperatura na região de corte De acordo com Mark´s (1995) fluidos de corte são aqueles líquidos e gases aplicados na ferramenta e no material que está sendo usinado, a fim de facilitar a operação de corte. O termo "meios lubrirefrigerantes", é mais abrangente e se refere a qualquer substância (ou mistura) usada para lubrificar e/ou refrigerar uma operação de corte. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4829-classificacao-dos- fluidos-de-corte>. Acesso em: 19 mar. 2013. De acordo com Ferraresi (1977), os fluidos de corte ou meios lubrirrefrigerantes para usinagem têm como objetivos: • aumentar a vida da ferramenta; • aumentar a eficiência de remoção de material; • melhorar o acabamento superficial; e • reduzir a força e potência de corte. O uso correto dos fluidos de corte nos processos de usinagem pode trazer muitos benefícios, observados na qualidade e na produtividade. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAepHQAH/trabalho-fluidos>. Acesso em: 19 mar. 2013. Assim, além das melhorias citadas anteriormente, podemos acrescentar outros benefícios, tais como: redução do consumo de energia; diminuição da temperatura da peça e da ferramenta em trabalho; desobstrução da região de corte; eliminação do gume postiço. As funções dos fluidos de corte, de maneira geral, compreendem: • Refrigeração da ferramenta. • Lubrificação as superfícies em atrito. • Proteção da ferramenta, peça e máquina contra oxidação e corrosão. • Arrastamento dos cavacos da área de corte. • Eliminação do gume postiço. • Outras: qualidades acessórias, ponto de vista econômico. UNIDADE 2 TÓPICO 3 199 FIGURA 79 – USO DE FLUIDO DE CORTE NA SERRAGEM FONTE: CIMM (2012) LEITURA COMPLEMENTAR 4 FLUIDOS DE CORTE SOLUCIONAM PROBLEMAS DA USINAGEM A refrigeração é uma das principais funções e mais importante do fluido de corte. Ao remover o calor gerado durante a operação se prolonga a vida útil das ferramentas e garante a precisão dimensional das peças pela redução dos gradientes térmicos. De maneira geral, quanto maior a velocidade de corte (Vc), maiores serão as temperaturas e maior a necessidade de refrigeração. Na figura a seguir está representada a distribuição típica de temperaturas na região de corte. DISTRIBUIÇÃO DE TEMPERATURAS NAS INTERFACES CAVACO- FERRAMENTA FONTE: CIMM (2012) UNIDADE 2TÓPICO 3200 Na usinagem com ferramenta de geometria definida, a maior parte do calor gerado vai para o cavaco. A próxima figura exemplifica uma distribuição de calor na região de corte. DISTRIBUIÇÃO DO CALOR GERADO FONTE: CIMM (2012) Na maioria dos casos, é benéfico diminuir temperaturas tão altas. Nesses casos, se o calor não for removido, ocorrerão distorções térmicas nas peças e alterações prejudiciais na estrutura da ferramenta. Como resultado, tem-se o desgaste prematuro e trocas mais frequentes da ferramenta. O efeito da temperatura sobre a dureza de alguns materiais de ferramenta é mostrado no gráfico, em que observamos a nítida diminuição da dureza dos materiais com o aumento da temperatura. GRADIENTE DE DUREZA EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA FONTE: CIMM (2012) UNIDADE 2 TÓPICO 3 201 Por outro lado, há casos onde as temperaturas elevadas facilitam o corte da peça em virtude desta redução de dureza. Nesses casos, é importante usar uma ferramenta com temperatura crítica maior. Um fator importante na vida da ferramenta é que a temperatura de nenhuma de suas partes, especialmente do gume, ultrapasse um valor crítico, além do qual se verifica forte redução da dureza. As temperaturas críticas para diferentes materiais de ferramenta estão indicadas a seguir. TEMPERATURAS CRÍTICAS PARA MATERIAIS DE FERRAMENTAS FONTE: CIMM (2012) A figura posterior mostra a aplicação de um fluido refrigerante numa operação de retificação. As faíscas que saem da região de corte são pequenos cavacos a altíssimas temperaturas. REFRIGERAÇÃO NA RETIFICAÇÃO FONTE: CIMM (2012) UNIDADE 2TÓPICO 3202 Tanto a superfície do cavaco quanto a da ferramenta não são perfeitamente lisas. Elas são rugosas, ou seja, apresentam minúsculas saliências, asperezas em forma de picos e vales da ordem de micrômetros. Os picos mais salientes atritam-se, desgastando a ferramenta, gerando calor e uma força de atrito. Com a progressão do desgaste, pequenas partículas soldam-se no gume da ferramenta, formando o gume postiço. Para reduzir esse atrito, o fluido de corte penetra na interface rugosa por capilaridade (Runge, 1990, apud CIMM, 2012). Como conseqüência, reduz-se uma parcela da geração de calor. Também se reduz o consumo de energia, a força necessária ao corte e praticamente elimina-se o gume postiço. FLUIDOS DE CORTE ATUANDO COMO LUBRIFICANTES Fluido de corte no brochamento interno Fluido de corte na retificação FONTE: CIMM (2012) Em alguns processos de usinagem é muito importante considerar o destino do cavaco após a sua formação. O cavaco formado deve ser retirado da área de trabalho para não riscar ou comprometer o acabamento da peça, danificar a ferramenta ou impedir a própria usinagem. Na furação profunda, por exemplo, o cavaco formado no fundo do furo tende a se acumular excessivamente, dificultandoo corte e a formação de mais cavaco. Até mesmo no torneamento externo, cavacos em forma de fitas longas podem se enroscar na peça e na ferramenta e atrapalhar o trabalho. Por isso os fluidos de corte são empregados também como removedores de cavaco da área de trabalho. Isso pode ocorrer de três formas: • O escoamento de alta vazão do fluido ajuda a carregar ou empurrar o cavaco para longe. • O resfriamento brusco do cavaco fragiliza-o e facilita sua quebra ou fragmentação. • Ao se utilizar fluidos de corte os parâmetros de usinagem podem ser ajustados de modo a UNIDADE 2 TÓPICO 3 203 facilitar a obtenção de cavacos menores. Uma boa remoção dos cavacos também evita a formação de pontos onde poderiam instalar-se focos de microorganismos cuja proliferação causaria a infectação do fluido de corte. REMOÇÃO DE CAVACO NA FURAÇÃO PROFUNDA FONTE: CIMM (2012) FONTE: Adaptado de: <http://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/6777-fluidos-de-corte- solucionam-problemas-da-usinagem>. Acesso em: 19 mar. 2013. Apresentamos a seguir uma classificação dos meios lubrirrefrigerantes (LR) em quatro grupos, conforme as considerações de Ferraresi (1977): QUADRO 18 – TIPOS DE MEIOS – LUBRIRREFRIGERANTES A – MEIOS LR MISCÍVEIS COM ÁGUA a – Soluções aquosas b – Emulsões Sabões [alcalinos, amínicos, naftênicos] Sulfatos [óleos graxos sulfatados e alcoóis graxos] Sulfonatos [sulf. alifáticos, sulf. aromáticos] B – MEIOS LR NÃO MISCÍVEIS COM ÁGUA a – Óleos graxos (ação física) b – Óleos minerais puros c – Óleos mistos d – Óleos com aditivos EP (ação química) e – Óleos sulfurados f – Óleos clorados g – Óleos fosforados h – Óleos sulfoclorados C – GASES E NÉVOAS D – SÓLIDOS Ex.: Bissulfeto de molibdênio (Molikote) MoS2 FONTE: Adaptado de Ferraresi (1977) UNIDADE 2TÓPICO 3204 Por outro lado, Prates & Barth (1985) de uma maneira ampla classificam os fluidos de corte adequando-os nos grupos a seguir: 1. Fluidos integrais – nestes não se adiciona nada para utilização. 2. Fluidos solúveis – são dissolvidos em solvente apropriado para posteriormente serem utilizados, isto, respeitando-se a proporção adequada a cada caso abaixo: - Mistura normal para operação convencional de corte (torneamento, plainamento): 10.1 até 50.1 dependendo das características do fluido solúvel. - Mistura para retificação: de 30.1 até 100.1 dependendo das características do fluido solúvel. 3. Fluidos sintéticos – são fluidos desenvolvidos em laboratórios para determinadas aplicações (refrigeração de corte). Em contraposição a aqueles derivados diretos de petróleo. 4. Jatos de ar – utilizadas em situações especiais. A escolha do fluido de corte influi diretamente na qualidade do acabamento superficial das peças, na produtividade, nos custos operacionais e também na saúde dos operadores e no meio-ambiente. FONTE: Disponível em: <http://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4757-os-fluidos-de-corte>. Acesso em: 20 mar. 2013. Os parâmetros de influência são o processo de usinagem em questão, o material da peça, o material da ferramenta, tipo de máquina, forma de aplicação dos meios LR. Na figura a seguir apresentamos um quadro com os fatores de influência na seleção dos fluidos de corte. FIGURA 80 – FATORES DE INFLUÊNCIA NA SELEÇÃO DOS MEIOS LR PARA USINAGEM DOS METAIS UNIDADE 2 TÓPICO 3 205 FONTE: Adaptado de Ferraresi (1977) 1.4.5 Máquina-ferramenta O conceito de máquina é bastante genérico e significa “um conjunto de mecanismos capaz de cumprir uma determinada função”. Máquinas-ferramentas têm um sentido mais limitado e significa “um conjunto de mecanismos que permite fabricar alguma coisa”. Máquinas- ferramentas de usinagem têm um sentido mais restrito ainda e abrange aquelas, cuja função é permitir a geração de cavacos na remoção de material da peça. Uma definição simples para as máquinas-ferramentas é que são máquinas utilizadas para fabricar outras máquinas. De acordo com Freire (1989, p. 4), as máquinas-ferramentas se baseiam nos princípios fundamentais: - os movimentos dos órgãos que trabalham devem ser perfeitamente definidos; - os órgãos que transmitem o movimento das peças a trabalhar, assim como as ferramentas, devem ser suficientemente robustos, a fim de resistirem, sem rupturas, deformações e vibrações perceptíveis, aos esforços a que estiverem submetidos; - as ferramentas cortantes devem ter uma forma tal que assegure o corte nas melhores condições possíveis, com o mínimo de resistências a vencer, absorvendo potência. Máquina-ferramenta é a máquina constituída por um conjunto de componentes/ UNIDADE 2TÓPICO 3206 elementos/sistemas mecânicos, elétricos, hidráulicos e/ou pneumáticos (simples ou complexos), capaz de transformar fisicamente um corpo (formato geométrico e dimensões). A transformação física que o corpo sofre até chegar a sua forma final pode ser com ou sem a retirada de material. Esta transformação pode ser tanto por usinagem como por conformação. Nos dois casos é necessário operar com ferramentas adequadas para se chegar ao objetivo. Quase sempre o produto final parte de um corpo que tem uma forma aproximada. Através de transformações sucessivas chega-se então à forma desejada. A sucessão ordenada dessas transformações é chamada de ciclo de fabricação (SOUZA, 2011). Aqui será abordado apenas o estudo das máquinas que transformam os corpos com formação de cavacos na retirada de material. As máquinas ferramentas clássicas realizam, com muita facilidade, movimentos retilíneos e de rotação. Com elas, é possível conseguir exatidão em superfícies planas e de revolução. Combinações simples permitem obter formas helicoidais (roscas e perfis de dentes de engrenagens) e superfícies combinadas (perfis simultaneamente helicoidais e cônicos). Perfis mais complexos podem ser obtidos por reprodução. Os pantógrafos para gravação de moldes e de matrizes e as laminadoras de roscas são exemplos desse tipo de máquinas. Entre as máquinas de reprodução que funcionam por abrasão, merecem menção as retificadoras de cames cilíndricos, utilizadas para fabricação de calibradores, virabrequins, eixos-comando de válvulas etc. Essas máquinas funcionam com a ajuda de um gabarito, ou por comparação ótica de um traçado com o perfil da peça. Para usinar peças de grandes dimensões, foi necessário acrescentar potência e massa a essas máquinas, o que tornou indispensável o uso de servomecanismos, comandados por embreagens magnéticas, distribuidores hidráulicos ou amplificadores eletrônicos, com evidentes reflexos sobre seu preço. O fator econômico não deve ser negligenciado, pois interfere na avaliação do interesse industrial de cada método de trabalho. A viabilização técnica e econômica dos novos métodos não implica, contudo, o desaparecimento das formas tradicionais de trabalho. É possível prever que as máquinas de reprodução clássicas associadas a equipamentos de comando numérico serão reservadas para os trabalhos em grandes séries. Para que seja econômico atribuir-lhes tarefas menos repetitivas, é necessário que a quantidade de material a retirar seja grande e que a quantidade de peças a reproduzir compense os gastos com o ferramental. FONTE: Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/123079249/22009320-Evolucao-Dos-Processos-de- Producao>. Acesso em: 20 mar. 2013. Freire (1989) apresenta uma classificação geral das máquinas-ferramentas de usinagem, UNIDADE 2 TÓPICO 3 207 baseando-se no movimento de corte ou no movimento de avanço, sejam estes movimentos dotados para a peça ou para a ferramenta, e na quantidade de arestas de corte (ferramentas monocortantes ou multicortantes). As principais máquinas-ferramentas utilizadas em construção mecânica, por usinagem, segundo este autorestão ilustrados a seguir. Ainda, nesta linha de classificar as máquinas-ferramentas em função dos movimentos, Resende (1992) apresenta um quadro sinóptico das principais máquinas operatrizes e dos movimentos operacionais e de avanço de ferramenta ou de peças. Existem também máquinas especiais dotadas de ferramentas de corte (mono ou multicortantes) tais como as dentadoras ou geradoras de dentes de engrenagens. QUADRO 19 – CLASSIFICAÇÃO DAS MÁQUINAS-FERRAMENTA QUE TRABALHAM COM FERRAMENTA DE GEOMETRIA DEFINIDA FONTE: Adaptado de Freire (1989) UNIDADE 2TÓPICO 3208 FIGURA 81 – QUADRO SINÓPTICO DOS MOVIMENTOS DE TRABALHO E AVANÇO DAS PRINCIPAIS MÁQUINAS OPERATRIZES PARA USINAGEM DOS METAIS FONTE: Resende (1992, p. 9) Para o desempenho de diferentes operações de torneamento, existe uma grande variedade de tornos que podem ter diferentes configurações: universal, revólver, vertical, coplador, automático, com comando numérico etc. UNIDADE 2 TÓPICO 3 209 FIGURA 82 – MÁQUINAS-FERRAMENTAS PARA TORNEAMENTO: (a) torno universal NARDINI; (b) detalhe de um torno revólver; (c) torno CNC ROMI; (d) torno automático “corta-tubos” ATLASMAQ. FONTE: Souza (2011, p. 48) As máquinas-ferramenta de furar, ou simplesmente furadeiras, consistem basicamente de uma árvore, que gira com velocidades determinadas, onde se fixa a ferramenta. Esta árvore pode deslizar na direção de seu eixo. Também se pode ter uma mesa onde se fixa e se movimenta a peça. As partes principais de uma furadeira variam de acordo com a sua estrutura. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAJC0AE/furacao>. Acesso em: 20 mar. 2013. Podem-se classificar as furadeiras de diversas maneiras. Quanto ao sistema de avanço pode-se classificar como manual (ou sensitiva) ou automática (elétrico ou hidráulico). Quanto ao tipo de máquina pode-se classificar como: portátil, de coluna, de bancada, radial e horizontal. Quanto ao número de árvore podem-se classificar as furadeiras como: simples, quando possuem apenas uma árvore; gêmea, que possui duas árvores; e múltipla quando possui três ou mais árvores. A próxima figura mostra algumas máquinas-ferramenta para furação. UNIDADE 2TÓPICO 3210 FIGURA 83 – MÁQUINAS-FERRAMENTA PARA FURAÇÃO: (a) furadeira de bancada SCHULZ; (b) furadeira de coluna CLARK; (c) furadeira radial BRUMAGIO; (d) furadeira horizontal VERRY STILLER. FONTE: Souza (2011, p. 49) As máquinas-ferramentas de fresar, ou simplesmente fresadoras, possibilitam usinar praticamente qualquer peça com superfícies de todos os tipos e formatos com auxílio de suas ferramentas e dispositivos especiais. Para tanto, elas devem: ser projetadas para suportar grandes esforços; apresentar acionamento eficiente e posicionamentos precisos do eixo-árvore e da mesa de trabalho (lugar da máquina onde se fixa a peça a ser usinada); ser facilmente operáveis. As fresadoras podem ser classificadas de diversas formas, sendo que as principais levam em consideração o tipo de avanço, a estrutura, a posição do eixo-árvore em relação à mesa de trabalho e a sua aplicação. As fresadoras são, na maioria dos casos, classificadas de acordo com a posição do seu eixo-árvore em relação à mesa de trabalho. Por existirem diversos modelos de fresadoras, as partes principais de uma máquina podem variar de uma configuração para outra. Quanto ao sistema de avanço pode-se classificar como manual ou automática (elétrica ou hidráulica). Quanto à sua estrutura podem-se ter fresadoras de oficina (ou ferramenteira – maior flexibilidade) e de produção (maior produtividade). Quanto à posição do eixo-árvore: horizontal (eixo árvore paralelo à mesa de trabalho); vertical (eixo árvore perpendicular à mesa de trabalho); universal (pode ser configurada para vertical ou horizontal); omniversal (universal com a mesa que pode ser inclinada); duplex (dois eixos-árvores simultâneos); triplex; multiplex; especiais. Quanto à aplicação, tem-se fresadoras: convencional (ferramenteira); pantográfica (gravadora); chaveteira (específica para fazer chavetas internas e/ou externas); dentadora (específica para usinar engrenagens); copiadora (o apalpador toca um modelo e a ferramenta reproduz na peça). FONTE: Disponível em: <http://www.iem.unifei.edu.br/gorgulho/download/Parte_1_Fresamento.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2013. A figura a seguir mostra algumas máquinas-ferramentas para fresamento. UNIDADE 2 TÓPICO 3 211 FIGURA 84 – MÁQUINAS-FERRAMENTA PARA FRESAMENTO: (a) fresadora vertical FRITZ WERNER; (b) fresadora universal DEB’MAQ; (c) fresadora CNC (centro de usinagem) DIMA; (d) hexapod VARIAX (Universidade de Nottingham). FONTE: Souza (2011, p. 50) As máquinas que trabalham com ferramentas abrasivas são classificadas, segundo Freire (1989), em: • Máquinas de esmerilhar (retificação grosseira – desbaste). • Máquinas de retificar (retificação fina – acabamento). 1°) Máquinas de retificar superfícies de revolução (retificação cilíndrica, retificação cônica, retificação de perfis, etc.). 2°) Máquinas de retificar superfícies planas. • Máquinas de afiar (retificação de ferramentas). • Máquinas de brunir ou espelhar e de lapidar (retificação superfina ou superacabamento). 1.4.6 Tipos e formas de cavaco A aresta cortante ou gume da ferramenta, ao penetrar na peça recalca a camada de material que se encontra à frente da face de ataque (saída), acarretando o arrancamento ou encruamento local. A solicitação a que o material é submetido aumenta até ultrapassar a UNIDADE 2TÓPICO 3212 carga de ruptura, quando, então, ocorre a formação da apara, cavaco ou limalha, por fratura ou deformação contínua, conforme o material trabalhado (FREIRE, 1989). FIGURA 85 – FORMAÇÃO DA APARA OU CAVACO: A) ferramenta agindo no material como se fosse uma cunha; B) ângulos e faces da ferramenta; C) mecanismo de corte. FONTE: Freire (1989, p. 8) FIGURA 86 – FORMAÇÃO DO CAVACO, NO TORNEAMENTO A) penetração da cunha da ferramenta no material da peça; B) dimensões do cavaco. FONTE: Freire (1989, p. 9) Logo, os cavacos resultam do processo de usinagem e podem ser de dois tipos fundamentais, dependendo basicamente do tipo de material da peça. Assim sendo, temos: • Cavacos partidos: resulta da usinagem dos materiais de pequena ductibilidade (ferro fundido, bronze duro, etc.). • Cavacos contínuos: resultam da usinagem de materiais de apreciável ductibilidade (aços com baixo teor de C). De acordo com Souza (2011), a formação do cavaco influencia diversos fatores ligados à usinagem, tais como o desgaste da ferramenta, os esforços de corte, o calor gerado na usinagem, a penetração do meio lubirrefrigerante etc. Assim, estão envolvidos com o processo de formação do cavaco aspectos econômicos e de qualidade da peça, a segurança do operador, a utilização adequada da máquina-ferramenta etc. Pressupondo que as condições de corte na região de cisalhamento podem levar a grau de deformação máxima ε0, este mesmo autor apresenta uma classificação dos cavacos em quatro tipos principais (conforme figura a seguir) UNIDADE 2 TÓPICO 3 213 no diagrama tensão de cisalhamento (τ) x deformação (ε). O cavaco contínuo é o mais desejável do ponto de vista de acabamento da peça, durabilidade da ferramenta e energia consumida, pois ele desliza suave e uniformemente sobre a face (superfície de saída) da ferramenta. O material rompe na zona primária de cisalhamento com deformações elevadas (ε0 < εp) e permanece homogêneo, com estrutura regular, sem fragmentação. As deformações não levam a encruamentos acentuados. Apesar da forma de fita externa não apresentar nenhuma evidência clara de fratura ou trinca, esses fenômenos ocorrem para que uma nova superfície seja formada. O processo não é restringidopor vibrações. O cavaco é removido com a ajuda de quebra-cavacos e sua formação é favorecida pela utilização de: ângulo de saída grande, avanço pequeno (pequena espessura de cavaco), velocidade de corte alta, ferramenta afiada, lubrirrefrigerante eficiente e máquina rígida. FIGURA 87 – TIPOS DE CAVACOS EM DEPENDÊNCIA DAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS FONTE: Souza (2011, p. 53) O cavaco lamelar (ou segmentados) ocorre quando a estrutura do material é irregular ou quando vibrações (geradas por grandes avanços e/ou altas velocidades de corte) levam a variações na espessura do cavaco. Apresentam-se constituídos de lamelas (ou segmentos) distintas justapostas em uma disposição contínua. São caracterizados por grandes deformações (εp < ε0 < εR) continuadas em estreitas bandas entre segmentos com pouca ou quase nenhuma deformação nos seus interiores. Trata-se de um processo muito diferente do que se verifica na formação do cavaco contínuo. Podem ocorrer tanto para grandes avanços como para altas velocidades de corte. UNIDADE 2TÓPICO 3214 No cavaco cisalhado (ou cavaco parcialmente contínuo), a formação é descontínua, pois a força de corte cresce progressivamente com a deformação do material até seu encruamento acentuado, rompimento e fragmentação (ε0 > εR), quando então a força cai bruscamente e a aresta cortante reinicia o processo de deformação, repetindo-se o ciclo. A qualidade da superfície usinada passa a ser inferior e há uma tendência de se ter vibrações. Apresenta-se em geral como uma fita contínua, pois os efeitos da pressão e da temperatura caldeiam (soldam por fricção) os fragmentos. O que difere um cavaco cisalhado de um contínuo (aparentemente), é que somente o primeiro apresenta serrilhado nas bordas. Podem ocorrer para velocidades de corte extremamente baixas (1 a 3 m/min). O cavaco arrancado (descontínuo ou de ruptura) tem a forma de pequenos fragmentos independentes e distintos, gerados por ruptura (tensões de tração e compressão), já que não são capazes de suportar grandes deformações sem se quebrar. Os cavacos não são cisalhados e sim arrancados das superfícies com o que a estrutura superficial da peça, muitas vezes é danificada por microlascamentos. 1.4.7 Falhas na ferramenta de corte Em função das condições de corte durante o processo de usinagem, a ferramenta fica sujeita a uma combinação de vários fatores de origem térmica, mecânica, química e abrasiva (elevada pressão de contato entre peça/ferramenta/cavaco). Como nem o material da peça nem o da ferramenta de corte é homogêneo, desgastes e avarias de naturezas distintas podem ser observados na ferramenta durante seu uso. Em decorrência de tais solicitações, a deterioração da mesma torna-se relativamente rápida. A figura a seguir ilustra o aspecto da ferramenta de corte com os principais tipos de falha durante as operações de torneamento. Os efeitos superficiais representam os desgastes (no flanco e na face) e os efeitos volumétricos as avarias (trincas e fraturas). UNIDADE 2 TÓPICO 3 215 FIGURA 88 – TIPOS DE FALHAS NA FERRAMENTA DE CORTE EM TORNEAMENTO FONTE: Souza (2011, p. 73) Em geral, os desgastes se apresentam como falhas contínuas, isto é possuem comportamento determinístico (podem ser modeladas matematicamente) ao longo de sua progressão até a deterioração completa da ferramenta. Isto permite um controle maior da vida. Por outro lado, as avarias são falhas transitórias que ocorrem aleatoriamente (não podem ser descritas explicitamente por uma função matemática), levam a ferramenta ao colapso (quebra total) e são detectadas frequentemente somente após o ocorrido. Por exemplo, no lascamento da aresta cortante, a superfície usinada pode ficar extremamente danificada sem falar na quebra, que pode acarretar danos irreversíveis à peça. FONTE: Disponível em: <http://www.bdtd.ufu.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2965>. Acesso em: 20 mar. 2013. Os diversos mecanismos (processos) de falhas em ferramentas de corte agem simultaneamente, de forma que tanto sua causa como seu efeito dificilmente podem ser distinguidos entre si. Todos eles são observados na prática, mas certamente um prevalecerá sobre os demais, dependendo principalmente do material da peça e da ferramenta, da operação de usinagem, das condições de corte, da geometria da ferramenta de corte e do emprego do meio lubrirrefrigerante. O conhecimento do mecanismo de desgaste é de grande interesse, pois permite uma seleção criteriosa da ferramenta mais indicada e das condições mais apropriadas de usinagem. A literatura apresenta variações na classificação dos mecanismos e processos de falhas em ferramentas de corte. Porém, grande parte dos trabalhos existentes considera pelo menos quatro diferentes mecanismos (processos): abrasão, adesão, difusão e oxidação (Figura 95). O mecanismo de abrasão mecânica ocorre em toda a faixa de temperatura a qual é UNIDADE 2TÓPICO 3216 submetida uma ferramenta de corte. A presença da adesão limita-se a baixas velocidades de corte (formação da aresta postiça de corte). Os mecanismos de difusão e oxidação só ocorrem de forma acentuada em altas velocidades de corte (altas temperaturas). A figura a seguir representa a ação desses mecanismos sobre o desgaste total da ferramenta em função do aumento da temperatura de corte. FIGURA 89 – MECANISMOS DE DESGASTE: (a) abrasão; (b) adesão; (c) difusão; (d) oxidação FONTE: Souza (2011, p. 74) FIGURA 90 – REGIÕES DE INFLUÊNCIA DAS CAUSAS DE DESGASTE FONTE: Souza (2011, p. 74) Em suma, podemos considerar que os principais tipos de desgastes (vide figura a seguir) que ocorrem nas ferramentas durante a usinagem são: desgaste de cratera, desgaste de flanco e entalhe. As avarias, por outro lado, ilustradas na figura 91, são: (a) aresta postiça de corte (APC); (b) deformação plástica; (c) trincas térmicas; (d) lascamento; (e) quebra. UNIDADE 2 TÓPICO 3 217 FIGURA 91 – DESGASTES NA FERRAMENTA DE CORTE (a) desgaste de cratera; (b) desgaste de flanco; (c) flanco. FONTE: Souza (2011, p. 75) FIGURA 92 – AVARIAS NA FERRAMENTA DE CORTE: (a) aresta postiça de corte (APC); (b) deformação plástica; (c) trincas térmicas; (d) lascamento; (e) quebras. FONTE: Souza (2011, p. 76) 1.4.8 Ensaios de usinabilidade A usinabilidade de um metal pode ser definida como uma grandeza tecnológica, que expressa por meio de um valor numérico comparativo (índice ou porcentagem) um conjunto de propriedades de usinagem do metal, em relação a outro tomado como padrão. UNIDADE 2TÓPICO 3218 Entende-se como propriedades de usinagem de um metal, àquelas que expressam o seu efeito sobre grandezas mensuráveis inerentes ao processo de usinagem dos metais, tais como a vida da ferramenta, a força de usinagem, o acabamento superficial da peça, a temperatura de corte, a produtividade, as características do cavaco. FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABh3wAK/relatorio-estagio-rodrigo- vaz-jf>. Acesso em: 20 mar. 2013. A usinabilidade não é, portanto, uma grandeza específica de um dado material, tal como a resistência à tração, o alongamento, o módulo de elasticidade etc. Neste sentido, o planejamento e o desempenho dos processos de fabricação por usinagem são altamente dependentes das propriedades de usinagem dos materiais. Como as propriedades de usinagem interessam tanto a fabricantes de materiais e de ferramentas quanto aos seus usuários (indústrias), os ensaios de usinabilidade ganham importância relevante na determinação dessas propriedades. No entanto, existe uma série de dificuldades tanto para a realização de ensaios de usinabilidade quanto para a obtenção de resultados confiáveis e representativosda aplicação nos processos de fabricação, restringindo, assim, a aplicação dos resultados de maneira ampla e sistemática nas indústrias. As dificuldades associadas aos ensaios de usinabilidade têm relações com uma diversidade de fatores influentes na usinagem dos materiais. A usinabilidade é uma propriedade resultante da combinação de variáveis e não apenas do material da peça. Influem, de maneira geral, fatores relacionados ao tipo de processo de fabricação, à máquina, à ferramenta e aos parâmetros de usinagem. Isto torna difícil a análise e interpretação dos resultados dos ensaios, com perda de confiabilidade. Para uma boa representatividade do efeito de cada variável, seriam necessários testes considerando análise isolada de cada condição de aplicação, o que evidentemente, seria muito oneroso. Outro aspecto a ser considerado é a dificuldade de padronização da metodologia, pois em primeiro lugar, não existe uma unidade de medida para a usinabilidade que seja adotada com referência sistemática nos ensaios. Além disso, diversos critérios para medir os efeitos das variáveis de processo são empregados em ensaios de usinabilidade, como: desgaste da ferramenta, temperatura de corte, força de corte, rugosidade ou tolerância da peça, entre outros. Por fim, para diferentes processos de fabricação as variáveis e seus efeitos também são diferentes, exigindo assim ensaios direcionados aos processos, que são muitos, o que dificulta qualquer padronização ou sistematização de metodologia de ensaio. Considerando a questão da viabilidade econômica e técnica, para que um ensaio de usinabilidade seja representativo, terá que ser realizado de maneira a reproduzir as condições UNIDADE 2 TÓPICO 3 219 do processo de fabricação a que se destinam os seus resultados; isto significa que estes ensaios envolvem grande consumo de tempo e recursos (material, ferramenta, equipamentos), que inviabilizam economicamente sua realização nas indústrias e as tornam dependentes de instituições de P&D. Ainda, no que se refere ao aspecto técnico, a realização dos ensaios de usinabilidade requer recursos laboratoriais e capacitação pessoal qualificada no assunto da tecnologia da usinagem, o que nem sempre está disponível. FONTE: Adaptado de: < http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2011/ ENGENHARIA_GRUPO_%20III.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2013. 2 METALURGIA DO PÓ A metalurgia do pó é a tecnologia que trata dos pós metálicos não só no que se refere à sua utilização, mas também no que se refere ao seu tratamento posterior, em que é utilizado como pó ou em fabricação de partes metálicas empregadas nos mais variados fins. Franco (1990) define a metalurgia do pó ou sinterização como a conformação de peças obtidas por agregação de pó metálico convenientemente comprimido e aquecido à temperatura elevada. FIGURA 93 – SINTERIZAÇÃO FONTE: Franco (1990, p. 401) Pós soltos de metais são adicionados a algumas famílias de produtos. Pós de alumínio e bronze são misturados em tintas para aparentar acabamentos metálicos. Os pós metálicos dão maior resistência à tração e ao desgaste aos plásticos. Em fogos de artifício, metais em pó queimam com efeitos coloridos. Entretanto, as aplicações mais importantes e crescentes da metalurgia do pó na indústria estão na fabricação de uma diversificada linha de peças. A metalurgia do pó como processo é conhecido pela humanidade desde a antiguidade, UNIDADE 2TÓPICO 3220 embora somente a partir do século XX se compreendeu o imenso campo de aplicações por ele oferecido. Em tempos muito remotos, certos metais e ligas metálicas, como o ouro, cobre, bronze e também certos óxidos já eram conhecidos e usados na forma de pós para certas finalidades, sobretudo, na cerâmica para fins decorativos. Os incas usaram o processo de metalurgia do pó para tratamento da platina semelhante ao usado hoje em dia. Modernamente dois importantes desenvolvimentos contribuíram para o renascimento da metalurgia do pó: a) Fabricação da platina maleável por Wollaston (1829). A platina tem alto ponto de fusão (1775°C), como, também, tem a tendência de se contaminar com os gases do forno quando fundida. Wollaston desenvolveu o processo para tratamento do cloroplatinato de amônia com uma substância carbonácea, reduzindo-o de forma a produzir platina na forma de um pó muito fino. Esse pó era, então, lavado com água e em seguida comprimido. A briquete resultante era aquecida ao rubro e martelada com um pesado martelo. b) Fabricação do filamento de tungstênio por Coolidge (1909). Os mais importantes passos, entretanto, ocorreram no século XX, começando pelo desenvolvimento de fio de tungstênio. Coolidge compactou pó metálico de tungstênio e o sintetizou bem abaixo do seu ponto de fusão, aplicando-se a seguir, forjamento a quente, seguido de trefilação para a produção de fios apropriados para a utilização em lâmpadas elétricas. Sua patente, entretanto, adquiriu valor comercial somente por volta de 1916, criando-se um vasto setor industrial. 2.1 PROCESSOS E OPERAÇÕES Na fabricação de peças por processos de metalurgia do pó, devem-se considerar várias etapas: 1 – obtenção dos pós metálicos; 2 – mistura dos pós em proporções determinadas, de acordo com o tipo de peça a ser produzida; 3 – compressão da mistura em matrizes especiais por meio de prensas; 4 – sinterização da briquete obtida na compressão a temperaturas determinadas, de acordo com os tipos de pós constituintes da peça moldada. Alguns produtos podem passar por outras operações após a sinterização, como por exemplo, calibragem por compressão em prensa, infiltração de lubrificantes e até mesmo uma nova sinterização (RESENDE, 1992). As matérias-primas na metalurgia do pó são pós metálicos e não metálicos, cujas UNIDADE 2 TÓPICO 3 221 características tecnológicas influem não só no comportamento do pó durante seu processamento, como também nas qualidades finais do produto acabado. Essas características que devem ser conhecidas e controladas são as seguintes: pureza química, forma da partícula, tamanho da partícula, granulometria, fluidez e densidade aparente. Os principais processos de obtenção dos pós metálicos são: • Processo de moagem. • Processo de atomização. • Processo de decomposição térmica; • Processo com redução de óxido de metais; • Processo de eletrólise. Existem outros processos como a precipitação química, condensação etc. A compactação dos pós é uma das operações básicas do processo de metalurgia do pó. A compressão ou moldagem dos pós metálicos tem por finalidade formar um “compactado’ (“briquete”) que, geralmente, já possui a forma final da peça que está sendo fabricada. A operação tem por finalidade produzir entre as partículas a necessária aglomeração de modo a dar à peça acabada o necessário grau de coesão. As características físicas e químicas dos pós vão desempenhar importante papel na técnica empregada para compactação. O pó é colocado em cavidades de matrizes montadas em prensas de compressão, onde é comprimido a pressões determinadas, de acordo com o tipo de pó usado e com as características finais desejadas nas peças sinterizadas. As etapas de compactação, exemplificando de uma maneira genérica e simples, são as seguintes: 1 – enchimento da cavidade da matriz com pó; 2 – abaixamento do punção superior e parcialmente pelo punção inferior; 3 – aplicação de pressão pelo punção superior e parcialmente pelo punção inferior; 4 – subida e retirada do punção superior; e 5 – subida do punção inferior para forçar o briquete comprimido a sair da matriz. A compressão dá à peça a forma final, mas não lhe confere uma resistência boa que lhe permita trabalhar, pois a pressão não foi suficientepara ligar fortemente as diferentes partes que compõem o material da peça. A aglomeração necessária é conseguida através da sinterização que é um processo de aquecimento da peça obtida a frio, durante um tempo determinado e numa atmosfera conveniente. Esse tratamento varia com o tipo de material considerado e com as características UNIDADE 2TÓPICO 3222 finais do produto. Na sinterização devem-se considerar dois tipos de ligação entre os grãos: 1 – Pós em que um dos constituintes de mistura se funde. Exemplos: fusão de estanho nas buchas de bronze poroso onde o cobre permanece sólido; o cobalto dos carburetos duros cementados (metal duro) em que o carboneto de tungstênio permanece sólido. 2 – Pós em que os constituintes não se fundem. A operação, neste caso, é efetuada de 60% a 80% da temperatura de fusão. Podemos citar dois processos típicos da metalurgia do pó, os quais incluem: • A fabricação de metal duro (carboneto cementado), em que uma mistura de carboneto de W, carboneto de Ti, carboneto de Ta, cobalto, lubrificante e opcionalmente uma mistura são submetidos à prensagem, pré-sinterizados em forno em atmosfera de hidrogênio à temperatura de 1500°C, conformados em prensa e finalmente sinterizadas para acabamento em forno com atmosfera de hidrogênio na temperatura de 1500°C. • Fabricação de buchas para mancais impregnados de óleo (buchas autolubrificantes), em que uma combinação de cobre, estanho, grafita e mistura são submetidos à prensagem, sinterização em forno de atmosfera de hidrogênio à temperatura de 1500°C, calibração em prensa (recompressão para eliminar distorções e empenamentos) e impregnação (infiltração para encher todos os poros do metal com um líquido lubrificante) em forno de atmosfera controlada. Na figura a seguir apresenta-se a representação esquemática para a fabricação de pastilhas de metal duro, empregadas em ferramentas de corte, pelo processo de metalurgia do pó. UNIDADE 2 TÓPICO 3 223 FIGURA 94 – PROCESSO DE SINTERIZAÇÃO DE PASTILHAS DE METAL DURO FONTE: Franco (1990, p. 402) 2.2 APLICAÇÕES E PRODUTOS DA METALURGIA DO PÓ As aplicações típicas da metalurgia do pó incluem as seguintes para a produção de peças: 1 – Combinação de metais não ligáveis: existem produtos, como contatos elétricos para chaves de ligar e desligar que devem ter alta resistência ao desgaste e excelente condutibilidade elétrica. O níquel, que tem alta resistência ao desgaste e a prata, que é excelente condutor, são combinados pela metalurgia do pó para obter um material que tem as duas qualidades desejáveis. Se fundidos juntos, estes metais se separam como água e óleo. 2 – Combinação de materiais metálicos e não metálicos. Isto é necessário na fabricação de partes para freios e embreagens, que devem ser capazes de suportar altas temperaturas e conter bons materiais resistentes aos desgastes por fricção. Esta combinação de propriedades UNIDADE 2TÓPICO 3224 é obtida pelo uso de uma mistura de cobre e zinco como materiais de ligadura com suficiente resistência térmica e uma mistura de chumbo, ferro, sílica e grafita para dar propriedades de fricção. Outra aplicação é a fabricação de escovas coletoras usadas na indústria elétrica, onde uma mistura de cobre e grafita combina a boa condutividade elétrica do cobre com o efeito lubrificador da grafita. A adição de chumbo, estanho, zinco e níquel aumenta a resistência ao desgaste. 3 – Utilização de metais com pontos de fusão muito altos para fundir. Um bom exemplo disso é a fabricação de filamento de tungstênio para lâmpadas incandescentes, que deve ter ductibilidade, alto ponto de fusão e características elétricas apropriadas. 4 – Utilização de materiais extremamente duros, mas frágeis. Outra aplicação é a fabricação de carburetos duros cementados, cuja base é o carbureto de Tungstênio – CW, que é uma substância extremamente dura e muito frágil quando pura, impossibilitando seu uso como ferramenta. Misturando-se o CW com outra substância em pó, cujo ponto de fusão é relativamente baixo, comprimindo a mistura e submetendo a briquete resultante a uma temperatura pouco mais alta que o ponto de fusão da substância aglomerante, vai se obter, após a sinterização, um material que, conservando a dureza característica do CW, vai possuir também grande tenacidade, resistência a compressão e ao desgaste. O material que propicia a cementação do CW deve possuir as seguintes características: possua alta tenacidade, seja refratário para possibilitar trabalhos a temperaturas elevadas. O cobalto (Co) satisfaz estas condições e é feita a adição na proporção de 3 a 13%. 5 – Fabricação de metais para a obtenção de propriedade estrutural específica. Um bom exemplo é a fabricação de buchas autolubrificantes com estrutura porosa. Os pós usados são cobre, zinco, grafite e uma pequena quantidade de ácido esteárico, que é um agente efetivo para a formação de porosidades. Durante a sinterização, o ácido esteárico, que é volátil, ajuda na obtenção de canais intercomunicados, ou poros, através do material. Na produção de buchas autolubrificantes, as peças são impregnadas com óleo. Outra aplicação é a fabricação de filtros metálicos. 6 – Eliminação de operações de usinagem em produção em massa. Pequenas peças, como engrenagens e muitas outras, podem ser produzidas economicamente, substituindo processos de fundição e usinagem. 7 – Fabricação de metais pesados, produtos bi-metálicos, magnetos alnico (Al, Ni, Cu, Fe). UNIDADE 2 TÓPICO 3 225 2.3 LIMITAÇÕES AO USO DA METALURGIA DO PÓ A metalurgia do pó tem certas limitações que restringe sua utilização, particularmente para produtos que podem ser feitos economicamente através de outros processos. Além disso, existem outras limitações referentes ao equipamento mecânico, às características térmicas dos pós, segurança e projeto. Algumas dessas limitações são: • Metais em pó são de custos elevados e algumas vezes difíceis de serem armazenados sem alguma deterioração. • Altos custos dos equipamentos: prensas com capacidades de até 100 ton./pol2 são necessárias para alguns produtos. As matrizes, também, são de elevado custo devido à precisão necessária e aos materiais utilizados em sua fabricação. Os fornos de sinterização apresentam problemas de temperaturas e controle de atmosfera. Esses fatos impedem o uso deste processo para pequenas quantidades de peças. • O tamanho da peça a ser fabricada está relacionado com a capacidade da prensa e também pela taxa de compressão dos vários pós. • É difícil o atendimento para peças intrincadas. A falta de fluidez do pó torna este problema mais complicado. • Algumas dificuldades térmicas aparecem na operação de sinterização. Alguns óxidos de metais, como o zinco, estanho, cádmio não podem ser reduzidos a temperaturas abaixo de seus pontos de fusão. Assim, se tais óxidos existem, afetam a qualidade do produto. • Alguns pós, em um estado de divisão em graus muito finos, podem apresentar o problema de explosão ou incêndio, necessitando de cuidados especiais. Assim, são os pós de alumínio, magnésio, zircônio e titânio. • Um produto completamente denso não é possível por este processo. Entretanto, as porosidades podem ser reduzidas se for feito prensagem a quente ou infiltração. UNIDADE 2TÓPICO 3226 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você viu que: • A usinagem é o processo de fabricação que promove a retirada de material da peça por cisalhamento. A porção de material retirada por esse processo é chamada de cavaco. A usinagem atende aos seguintes objetivos: acabamento de superfícies de peças fundidas ou conformadas mecanicamente; obtenção de peculiaridades (saliências, reentrâncias, furos passantes, furos rosqueados etc.); fabricação seriada de peças a um custo mais baixo; fabricaçãode peças, de qualquer forma, a partir de um bloco de material metálico. • As superfícies de uma ferramenta de corte de geometria são compostas de faces, flancos e quebra cavaco. • Os movimentos da peça e da ferramenta proporcionam a formação e remoção contínua do cavaco e a formação de uma superfície usinada. Desprezando outros movimentos da máquina-ferramenta, estes movimentos são denominados como: movimento de corte, movimento de avanço e movimento resultante de avanço. • Os parâmetros que compõem a mecânica do corte nas operações de usinagem dos metais são: profundidade de corte (p), velocidade de corte (vc) e avanço (a). • Os principais ângulos que caracterizam uma ferramenta são: ângulo de incidência ou de folga (α), ângulo do fio, do gume ou da cunha (β), ângulo de saída ou de ataque (γ), ângulo de corte (δ), ângulo de orientação ou de posição, ou de rendimento (κ), ângulo da ponta ou de perfil (ε), ângulo de inclinação (λ). • Os principais materiais utilizados na fabricação de ferramentas de corte, pela ordem crescente de velocidade de corte e dureza, são: aço ferramenta, aço rápido, ligas fundidas, metal duro, cermet, cerâmica, nitreto de boro cúbico cristalino, diamante. • Conforme as condições de deformação e cisalhamento, os cavacos são classificados nos tipos contínuo, lamelar, cisalhado e arrancado. • Os fluidos de corte ou meios lubrirrefrigerantes (LR) para usinagem têm entre seus objetivos: aumentar a vida da ferramenta; aumentar a eficiência de remoção de material; melhorar o acabamento superficial; reduzir a força e potência de corte. As funções dos meios LR incluem: refrigeração da ferramenta, lubrificação as superfícies em atrito, proteção da ferramenta, UNIDADE 2 TÓPICO 3 227 peça e máquina contra oxidação e corrosão, arrastamento dos cavacos da área de corte, eliminação do gume postiço e ainda outras, tais como as qualidades acessórias e o ponto de vista econômico. • Os meios lubrirrefrigerantes (LR) podem ser classificados em 4 grupos: A – Meios LR miscíveis em água: envolvendo as soluções aquosas e emulsões (sabões, sulfatos e sulfonatos). B – Meios LR não miscíveis em água: óleos graxos, óleos minerais puros, óleos mistos, óleos com aditivos EP, óleos sulfurados, óleos clorados, óleos fosforados, óleos sulfoclorados. C – Gases e névoas. D – Sólidos: ex.: bissulfeto de molibdênio (Molikote) MoS2. • As principais substâncias abrasivas utilizadas em retificação e processos correlatos são: óxido de alumínio, quimicamente Al2O3, também conhecida comercialmente como Alundum e Aloxite, carbureto de silício, SiC, conhecido comercialmente com Carborundum e Crystolon, Nitreto de boro (cúbico) – CBN e diamante. • Os processos de retificação podem ser classificados de acordo com a dureza da peça usinada (retificação mole ou verde, retificação dura) ou de acordo com a superfície a ser usinada: (a- retificação cilíndrica (externa, sem centros, interna); b- retificação plana (tangencial ou frontal); c- retificação de perfis). • A metalurgia do pó ou sinterização é um processo de conformação de peças obtidas por agregação de pó metálico convenientemente comprimido e aquecido à temperatura elevada. • A fabricação de peças por processos de metalurgia do pó envolve as seguintes etapas: 1 – obtenção dos pós metálicos; 2 – mistura dos pós em proporções determinadas, de acordo com o tipo de peça a ser produzida; 3 – compressão da mistura em matrizes especiais por meio de prensas; 4 – sinterização da briquete obtida na compressão a temperaturas determinadas, de acordo com os tipos de pós constituintes da peça moldada. • A aglomeração necessária dos pós é conseguida através da sinterização que é um processo de aquecimento da peça obtida a frio, durante um tempo determinado e numa atmosfera conveniente. • Dois processos típicos da metalurgia do pó incluem: ο a fabricação de metal duro (carboneto cementado); ο fabricação de buchas para mancais impregnados de óleo (buchas autolubrificantes). • As aplicações típicas da metalurgia do pó incluem as seguintes para a produção de peças: 1 – combinação de metais não ligáveis; UNIDADE 2TÓPICO 3228 2 – combinação de materiais metálicos e não metálicos; 3 – utilização de metais com pontos de fusão muito altos para fundir; 4 – utilização de materiais extremamente duros, mas frágeis; 5 – fabricação de metais para a obtenção de propriedade estrutural específica; 6 – eliminação de operações de usinagem em produção em massa; 7 – fabricação de metais pesados, produtos bi-metálicos, magnetos alnico (Al, Ni, Cu, Fe). • A metalurgia do pó tem certas limitações que restringe sua utilização, particularmente para produtos que podem ser feitos economicamente através de outros processos. Além disso, existem outras limitações referentes ao equipamento mecânico, às características térmicas dos pós, segurança e projeto. • Dentre os processos não convencionais de usinagem podemos citar: usinagem por feixes de elétrons (“electron Beam Machining”), eletroerosão (“electric discharge Machining”), plasma (“Plasmas Arc Machining”), jato d’água, ultrassom, laser, jato abrasivo (“Abrasive Jet Machining” – AJM), eletroquímica (electro-Chemical Machining - ECM), usinagem química ou erosão química. UNIDADE 2 TÓPICO 3 229 AUT OAT IVID ADE � 1 Associe nas colunas a seguir o tipo de cavaco com materiais em corte e condições de usinagem: 2 O que é uma ferramenta de corte em material cerâmico e qual a sua vantagem ? 3 Faça a correspondência entre os ângulos das ferramentas e a resistência oferecida ao corte pelos materiais no quadro a seguir. 4 Quais devem ser características de um fluido de corte? 5 Quais são os critérios utilizados para avaliar o desgaste de uma ferramenta de corte? 6 Qual é a região da ferramenta onde ocorre a maior geração de calor? Como podemos diminuir esse efeito? 7 Uma empresa produz diariamente 650 buchas de ferro fundido cinzento da classe FE-45012, com dureza de 191 HB, utilizando o processo de torneamento. São normalmente realizadas as operações de desbaste, acabamento e faceamento nas peças. As ferramentas de usinagem estão com baixa produtividade, apresentando desgastes de flanco prematuros. No processo, foi verificado que são utilizadas a) ( ) Contínuo 1. Avanço médio e Vc superior a 60 m/min. Materiais homogêneos, aço de baixo carbono e alumínio. b) ( ) Ruptura 2. Depósito de material na peça que adere à ferramenta. Aço de baixo carbono. c) ( ) Cisalhado 3. Grandes avanços e vc inferior a 100m/min. Materiais dúcteis, ferro maleável, aço. d) ( ) Contínuo com gume postiço 4. Avanço e vc pequenos. Materiais frágeis, ferro fundido, latão. Tipos de ângulos de ferramenta Resistência dos materiais a) ( ) Ângulo cunha mais aberto e ângulo saída menor. 1. Materiais de superfície irregulares e plásticos. b) ( ) Ângulo saída negativo. 2. Materiais mais duros. c) ( ) Ângulo cunha mais e agudo ângulo saída maior. 3. Pouca resistência ao corte. UNIDADE 2TÓPICO 3230 ferramentas da Classe ISO P40, sem cobertura, sendo que os parâmetros de corte estão de acordo com o catálogo do fornecedor. Nessas condições de trabalho, a melhor estratégia para aumentar a produtividade do processo e minimizar o desgaste das ferramentas é: a) ( ) Utilizar fluido de corte emulsionável. b) ( ) Usar ferramenta da Classe ISO K40, sem cobertura. c) ( ) Usar ferramenta da Classe ISO K10, com revestimento de TiN. d) ( ) Usar ferramenta da Classe ISO M40, sem cobertura de TiN. e) ( ) Diminuir os parâmetros de corte (velocidade de corte e avanço). 8 Identifique as arestas e superfícies indicadas na ferramenta de barra de torno: 9 Dados de um torneamento cilíndrico: • Comprimento a usinar: 500 mm • Diâmetro