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Analgésico opióides Francielle Melo Introdução • Base do tratamento para dor • O termo opiáceo refere-se aos compostos relacionados estruturalmente com os produtos encontrados no ópio (opos – palavra grega para “suco”), porque os opiáceos naturais são derivados da resina retirada da papoula (Papaver somniferum) • Os opiáceos incluem alcalóides vegetais naturais como morfina, codeína e muitos derivados semissintéticos. – Ópios contém uma mistura complexa de cerca de 20 alcalóides Mecanismo da dor Receptores opióides • São amplamente distribuídos no cérebro e medula espinhal. • Expressos em menor quantidade em grande variedade de tecidos periféricos, inclusive vasos sanguíneos, coração, vias respiratórias/pulmões, intestino, células imunes. • Família da rodopsina das GPCRs – δ (DOR),μ (MOR) e κ (KOR)– apresentam homologia de sequência muito ampla (55-58%) • Acoplados a proteína G – Reduzir os canais de Ca+2 – Estimulação da corrente de K+ por vários canais – Inibição da adenililciclase Receptores opióides • SNC ativam receptores de analgesia reduzindo a transmissão dos sinais de dor no cérebro – Agonistas podem ativar os três receptoras (δ,μ e κ), conduzindo uma variedade de efeitos • μ – sedação e forte efeito analgésico. Porém está associado aos mais perigosos efeitos colaterais (depressão respiratória, euforia, dependência física) • δ – não produz o mesmo nível de analgesia que μ, mas apresenta quantidade menor de efeitos colaterais (não causa sedação, euforia e dependência física). • Κ - não produz o mesmo nível de analgesia que μ mas apresenta quantidade menor de efeitos colaterais (sem efeito respiratório, sem efeito na euforia e baixo risco de dependência física). Apresenta sedação e alguns efeitos psicológicos, como ansiedade e depressão. Receptores opióides Receptores opióides • Dessensibilização – A dessensibilização aguda provavelmente depende da fosforilação de receptores, resultando no desacoplamento do receptor de sua proteína G e/ou na interiorização do receptor. • Tolerância- a administração prolongada de um agonista opióide resulta na perda progressiva de efeito de um fármaco • Dependência- no estado de tolerância observa-se o fenômeno da dependência. O termo dependência descreve um estado de adaptação evidenciada pela síndrome de abstinência específica para a classe de receptor/fármaco que é produzida pela interrupção da exposição à substância • Principal alcalóide da mistura do ópio, responsável pela atividade sedativa e analgésica • Contém 5 anéis (A-E) que se apresentam em forma de T • Se liga fortemente ao receptor μ e em menor quantidade nos δ ou κ. Pode apresentar efeitos colaterais – Tolerância – Dependência – Depressão respiratória Princípio ativo: morfina Abstinência ― Constipação ―Euforia ―Nausea ―Vômito Relação estrutura-atividade • Grupos não essenciais para a atividade – Alcenos e grupos 6-hidroxi -> podem ser modificados ou removidos sendo que a atividade analgésica é conservada, indicando que nenhum desses grupos é essenciail para a atividade. • SssHeterocodeína R=Metil 6-etilmorfina R=Etil 6-acetilmorfina R=Acetil 6-Oxomorfina Hidromorfona Dihidromorfina R=H Relação estrutura-atividade • Importância do grupo fenólico – Substituições na 3-hidroxila diminuem a atividade analgésica, indicando a importância do grupo fenólico Codeína R=Metil 3-etilmorfina R= Etil Dihidrocodeina R=Me Relação estrutura-atividade • Grupos importantes para a atividade analgésica – Grupo OH do fenol – Anel aromático – Amina terciária quando é ionizada Ligação de hidrogênio Interação iônica van der Waals Grupos de ligação Relação estrutura-atividade • Molécula quiral – Vários centros assimétricos e existe naturalmente em um único estereoisômero – Sua síntese forma uma mistura racêmica do enantiômero que ocorre naturalmente e o enantiômero que é a sua imagem. O enantiômero que não é natural não possui atividade analgésica Relação estrutura-atividade • Epimerização – Centro assimétrico que não é benéfico para a atividade; a mudança da estereoquímica de um único centro assimétrico pode resultar em uma drástica mudança da forma e que pode afetar o modo de ligação da molécula no sítio ativo. A epimerização do centro assimétrico na posição 14 resulta em um composto com 10% de atividade da morfina Atividade relacionada a morfina – 10% Mudança da estereoquímica Mudança da estereoquímica Anel original Relação estrutura-atividade • Epimerização – Em resumo, a atividade analgésica não está apenas relacionado a presença de importantes grupos funcionais, mas também de sua posição (farmacóforo) Esqueleto farmacofórico Triângulo farmacofórico Relação estrutura-atividade • Grupo fenol – observação importante – O grupo fenol é uma parte importante do farmacóforo para formar ligação com o receptor, mas não é necessariamente importante quando se considera a atividade analgésica de diferentes estruturas opióides in vivo. Isso porque a farmacocinética tem um importante papel nos níveis de atividade analgésica • Alguns analgésicos opióides tem um grupo fenol mascarado ou não o tem. – Sintetizar molécula menos susceptível ao metabolismo (reação de fase II). A substituição OH pode aumentar a hidrofobicidade sendo que, assim, a molécula é absorvida mais facilmente no TGI e/ou pode atravessar mais facilmente a barreira hematoencefálica, compensando a interação mais fraca desses compostos • Alguns grupos fenólicos mascarados atuam como pró-fármaco, onde o grupo mascarado é removido por metabolização enzimática Morfina: farmacodinâmica e farmacocinética Ligação iônica Receptor analgésico Ligação de hidrogênio Interação de van der Waals •Farmacodinâmica •Nitrogênio da amina é cionizada permitindo a formação da ligação iônica em uma região do sítio ativo que é negativamente carregada •O fenol atua como doador de hidrogênio que forma uma ligação de hidrogênio com um aceptor no sítio ativo •A estrutura rígida da morfina significa que o anel aromático tem uma orientação definida com respeito ao resto da molécula, permitindo ligações de van der Waals com uma região hidrofóbica no sítio ativo Sal do N-metil quaternário da morfina Normorfina Diamorfina Morfina: farmacodinâmica e farmacocinética • Farmacocinética – Relativamente polar e pouco absorvido pelo TGI, sendo normalmente administrada por via intravenosa – Pequena porcentagem da dose administrada alcançam o SNC por causa da barreira hematoencefálica Inativo por via endovenosa, sendo bloqueado na barreira hematoencefálica 25% da atividade da morfina. O NH secundário é mais polar que o terciário da morfina, sendo menos eficiente em passar a barreira hematoencefálica Pró-fármaco da morfina: aumenta o nível de morfina no cérebro 6-acetilmorfina R=Acetil Morfina: farmacodinâmica e farmacocinética • Farmacocinética x farmacodinâmica O mais ativo (e com maior efeito colateral) é o 6-acetilmorfina, que é 4x mais ativo que a morfina. Diamorfina é 2x mais ativa que a morfina. O 6-acetilmorfina é menos polar que a morfina e pode atravessar a barreira hematoencefálica mais rapidamente e em maior concentração. O grupo fenólico está livre e pode interagir rapidamente com receptores de analgesia. A diamorfina tem 2 grupos polares mascarados e é mais eficiente do que a morfina e o 6-acetilmorfina em atravessar a barreira hematoencefálica. Mas, para se ligar ao receptor, o 3-acetil deve ser removido por esterases no SNC. Isso significa que é mais potente que a morfina (mais polar) e menos potente que o 6-acetilmorfina, pois precisa ser hidrolisado.Diamorfina atua como pró-fármaco Diamorfina Morfina: farmacodinâmica e farmacocinética • Farmacocinética x farmacodinâmica Codeína R=Metil Morfina R= H Codeína tem um 3 metil éter da morfina e tem afinidade com o receptor opióide em apenas 0,1% que a morfina, ou seja, não tem atividade analgésica quando injetada diretamente no cérebro. Mas a farmacocinética influencia na sua atividade. A codeína tem efeito analgésico de 20% do que a morfina por via endovenosa. Isso porque é metabolizada no fígado sofrendo uma O-demetilação gerando a morfina. A codeína pode ser um pró- fármaco da morfina Análogos da morfina • Extensão do fármaco – Adição de grupos funcionais extra na tentativa de achar uma região extra do sítio ativo • Adição do grupo hidroxil na posição 14 aumenta a atividade, sugerindo que pode ter uma ligação de hidrogênio extra no sítio ativo Oximorfina (2,5x mais potente que a morfina) Hidrocodona R=H Oxicodona R=OH Análogos da morfina • Extensão do fármaco – Variação do substituinte alquil no átomo de N – Quando o alquil grupo é aumentado de tamanho de metil para butil, a atividade diminui para 0. Com um grupo amplo, como pentil e hexil, a atividade se recupera lentamente. Forte indicação de uma região de ligação hidrofóbica que favorece anéis aromáticos Interação de van der Waals Extensão Fenetilmorfina – 14x mais ativo que a morfina Atividade zero Agonistas 14x mais ativo que a morfina Diminuição da atividade agonista Aumento da atividade antagonista O tamanho e a natureza do grupo de nitrogênio é importante para o espectro de atividade Análogos da morfina • Extensão do fármaco – Grupo alil ou ciclopropenil ligados ao nitrogênio • Naloxona e naltrexona - não tem atividade analgésica • Nalorfina - retém baixa atividade analgésica ANTAGONISTAS DA MORFINA – se ligam aos receptores de analgesia e bloqueia a ligação da morfina aos receptores. Pode ser usado com pacientes que tenha overdose de morfina Naloxona Naltrexona (X=O) Nalorfina Alil Ciclopropilmetil Alil Naltrexona é 8x mais ativo que naloxona Análogos da morfina • Simplificação molecular – Se a molécula pode ser simplificada, sintetizar análogos ficará mais fácil – A estrutura da morfina tem 5 anéis Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção do anel E – Conduz perda da atividade. Isso enfatiza a importância do nitrogênio para atividade analgésica • Simplificação molecular – Remoção do anel D (morfan) – Retirada da ponte do O, que demonstra atividade analgésica. Isso demonstra que a ponte de O não é importante – Levorfanol e Fenetil-levorfanol são mais ativos que a morfina e seus efeitos colaterais são aumentados. Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção do anel D (morfan) – Morfans são mais potentes que a morfina, mas tem alta toxicidade se comparado as características de dependência – Modificações no morfans tem resultado de REA igual a morfina, implicando que se ligam nos mesmos receptores Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis C e D (benzomorfans) • sss •Dois grupos metil são necessários para obter atividade •Mesma atividade que a morfina Fenazocina – 4x mais potente que a morfina Primeiro composto útil em níveis de analgesia com pouca propriedade de dependência Metazocina Pentazocina –33% atividade morfina; curta duração e dependência; Antagonista μ; agonista parcial κ e fraco agonista δ Efeitos alucinógenos ativação κ Bremazocina – Longa duração; 200x mais ativo que a morfina sem depressão respiratória Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis C e D (benzomorfan) – Anéis C e D não são essenciais para a atividade analgésica – Analgesia e dependência não são necessariamente co-existente – Benzomorfans são compostos úteis clinicamente, com razoável atividade analgésica, baixa dependência e baixa tolerância Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis B, C e D (4- fenilpiperidinas) Fetidina ou meperidina •Menor efeito analgésico comparado a morfina, com mesmos efeitos colaterais •Benefício – rápida ação e curta duração usado em partos por ter menor chance de depressão respiratória no bebê. •Adição de grupos alil ou ciclopropil não gera antagonistas •Adição de ácido cinâmico – 30x mais potente que fetidina •Adição de ácido cinâmico na morfina – nenhuma atividade •São ligantes mais flexíveis e pode ter diferentes modos de ligação no receptor Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis B, C e D (4- anilinopiperidinas) – agonistas mais potentes do receptor μ – Não possuem o grupo fenólico – Atravessam a barreira hemato-encefálica mais eficientemente que 4- fenilpiperidinas – Usados durante cirurgias para analgesia Fentanil – 100x mais ativo que a morfina como sedativo e analgésico. Overdose, como a morfina, causa depressão respiratória Remifentanil – pequena duração pela introdução de grupos ésteres que são rapidamente metabolizados por enzimas esterases. Alfentanil – pequena duração em relação ao fentanil Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis B, C e D (4-fenilpiperidinas) – Anéis B, C e D não são importantes para a atividade analgésica – As piperidinas retêm efeitos colaterais, como vício e depressão do centro respiratório, porque são agonistas do receptor μ; – Os analgésicos de piperidina são de ação mais rápida e têm duração de ação mais curta que a morfina; – O anel aromático e o nitrogênio são essenciais à atividade, mas o grupo fenol não é; Análogos da morfina • Simplificação molecular – Remoção dos aneis B, C, D e E Metadona Centro assimétrico R- 2x + potente que morfina S- inativo •Via de adm- oral •Baixo efeito emético e constipação •Efeitos colaterais como sedação, euforia e sintomas de abstinência também são menos graves retirada da morfina ou da heroína •Dipipanona- administração oral •Dipipanona e L-α acetilmetadol são análogos da metadona e também são utilizados na terapia de dependência de opióides Dipipanona L-α acetilmetadol