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Hipnoanalgésicos Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências da Saúde Departamento de Ciências Farmacêuticas Disciplina: Química Farmacêutica ANALGÉSICOS OPIÓIDES Narcóticos ou opioides Depressores seletivos do SNC → alívio de dor sem perda de consciência ↑ limiar percepção da dor Hipnoanalgésicos HISTÓRICO DO OPIUM Opiáceos se refere a analgésicos narcóticos que estão estruturalmente relacionados à morfina Opioides é o usado para abranger todos os compostos endógenos, sintético, semi-sintético, de ocorrência natural interagem com receptores opióides no corpo. O Ópio é um dos medicamentos mais antigos da humanidade. Os primeiros opióides foram extraídos do ópio – o exsudato obtido da papoula do ópio (Papaver somniferum) . Descrito seu uso em torno de 200 a.c. HISTÓRICO DO OPIUM Láudano de Sydenham (clássico): ópio, açafrão, cravo, canela e vinho. Láudano de Rousseau: ópio cozido e fermentado com mel e cerveja. Láudano vitoriano: ópio diluído em whisky ou gin. Um crescente uso indevido (recreação) e efeitos adversos causados ao seu uso a longo prazo associados ao consumo de ópio levou eventualmente à introdução de leis no século XX que restringiu seu uso a propósitos médicos e científicos. No início (sec. XII), o ópio era usado como tônico para tratar disenteria e como sedativo. Depois do sec. XVI, Paracelsus introduziu o uso do Láudano, preparações a base de Ópio, como analgésico Comercializado na Inglaterra pelo pirata Thomas Dover “Godfrey cordial” era um medicamento de livre comércio a base de Ópio, sassafrás e melaço, usado para dor de dente, reumática e diarréia. No sec. XIX (1839-1842) ocorreu a guerra do Ópio, entre China e Inglaterra, quando o comércio do Ópio era tão comum como o comércio do cigarro e chá HISTÓRICO DO OPIUM Quando os Chineses imigrantes começaram a dissipar o uso da droga na América do Sul, Estados Unidos e Austrália, diversos países se reuniram para proibir o comércio do Ópio 1909-1914: Comissão Internacional do Ópio (34 países) HISTÓRICO DO OPIUM O ópio contém uma mistura complexa de mais de 20 alcaloides. O alcalóide principal na mistura, e aquele responsável pela atividade analgésica e sedativa do ópio, é MORFINA Morfina pura foi isolada pela primeira vez em 1803 por Sürtuner. Denominou em homenagema Morféu- Deus Grego dos sonhos O princípio ativo: Morfina Por ser mal absorvida por via oral a morfina foi pouco usada na medicina até a seringa hipodérmica se descoberta/ inventada em 1853. Os riscos de dependência, tolerância e depressão respiratória Estrutura química da Morfina A morfina por ser uma molécula extremamente complexa a identificação de sua estrutura no Sec XIX foi um grande desafio para os químicos. 1881 identificação dos grupos funcionais na morfina foram identificados, mas levou muitos mais anos para estabelecer a estrutura completa. 1925 PROPOSTA DA ESTRUTURA QUÍMICA. 1952 Síntese TOTAL da Morfina 1968 validação por cristalografia da estrutura proposta Seus grupos funcionais foram identificados em 1881, mas somente em 1925, Sir Robert Robinson propôs a estrutura correta. Síntese total foi realizada apenas em 1952. Sir Robert Robinson (1886-1975) Universidade de Oxford Prêmio Nobel em Química em 1947 investigação de produtos naturais de importância biológica, especialmente alcalóides 1970s receptores na membrana das células nervosas que interagiam com opióides morfina e derivados opióides sintéticos não eram os ligantes naturais dos receptores 1975 isolamento de compostos endógenos com atividade opióide encefalinas “kaphale” “da cabeça” Tyr Gly Gly Phe R Leu-encefalina Met-encefalina R = Kerly, 2010 Existem duas encefalinas: Met-encefalina e Leu-encefalina Ambas as encefalinas são pentapeptídeos e têm uma ligeira preferência por o receptor δ (delta) Tyr Essencial a atividade Os opióides endógenos, como o encefalinas, endorfinas e dinorfinas têm tirosina no terminal N Receptor e ligante natural Efeitos Agonistas endomorfina 1 e 2, -endorfina Analgesia Euforia Redução motilidade TGI Imunossupressão Depressão respiratória Emese Tolerância Dependência física Dinorfinas e -endorfina Analgesia Sedação Miose Diurese Disforia Encefalinas e -endorfina Analgesia Estimulação imunológica Depressão respiratória RECEPTORES OPÓIDES Mu, kappa e delta Sabe-se que as encefalinas apresentam preferência para o receptor δ, enquanto as DINORFINAS mostram seletividade para o receptor κ, e Β-ENDORFINAS mostram seletividade para ambos os receptores μ e δ. porção tiramínica SEMELHANÇAS ESTRUTURAIS morfina meperidina metadona encefalinas Kerly, 2010 Estudos SAR sobre as encefalinas mostraram a importância do anel fenol e grupo amino da tirosina Sem nenhum dos dois, a atividade é perdida. Se a tirosina é substituída por outro aminoácido, a atividade também é perdida TEORIA DAS LIGAÇÕES DAS ENCEFALINAS Farmacóforos opióides podem ser definidos de diferentes maneiras, seja por definição esqueleto simples que liga os grupos funcionais que são importantes ou por triângulos farmacofóricos onde os cantos correspondem a grupos funcionais ou de ligação/interações O GRUPO FENOL é uma parte importante do farmacóforo na ligação ao receptor, mas não é necessariamente tão importante quando se considera a ATIVIDADE ANALGÉSICA de diferentes estruturas de opióides in vivo. GRUPOS FARMACÓFOROS 2 + - ligação iônica ligação H interações de van der Waals e hidrofóbicas RECEPTOR OPIÓIDE GRUPO PROTONÁVEL ANEL AROMÁTICO triângulo farmacofórico forma T GRUPO DOADOR OU ACEPTOR DE LIGAÇÃO DE HIDROGÊNIO Receptor hipotético e farmacóforo Isso é porque fatores farmacocinéticoos também têm um papel importante na atividade analgésica. Não há dúvida de que o grupo fenol é uma parte importante do farmacóforo na ligação ao receptor, mas não é necessariamente tão importante quando se considera a ATIVIDADE ANALGÉSICA de diferentes estruturas de opióides in vivo. Existem analgésicos opióides onde o grupo fenol é mascarado ou completamente ausente. Isso tem a vantagem de fazer a molécula menos suscetível ao metabolismo por fase II (Reações de conjugação II) GRUPOS FARMACÓFOROS Além disso, a ausência do grupo fenol aumenta a hidrofobicidade, de modo que a molécula é absorvida trato gastrointestinal mais facilmente e / ou pode cruzar barreira hematoencefálica de forma mais eficiente. PONTOS IMPORTANTES: A morfina é extraída do ópio e é uma das mais antiga das drogas usadas na medicina. • A morfina é um analgésico poderoso, mas tem vários efeitos colaterais,o mais sério sendo depressão respiratória, tolerância e dependência .• A estrutura da morfina consiste em cinco anéis formando um Molécula em forma de T Os grupos de ligação importantes na morfina são o fenol, o anel aromático e a amina ionizada. O que deve ser importante para a atividade? O que vocês mudariam nesta estrutura? Por onde começar, e que tipo de estratégia usar? A molécula contém cinco anéis chamados de A – E e têm uma forma de T pronunciada. Grupo amino terciário, um fenol, álcool, anel aromático, ponte de éter,e ligação dupla de alceno. REA Grupos 6-hidroxi foram modificados ou removidos A ATIVIDADE ANALGÉSICA É MANTIDA nessas estruturas, indicando que nenhum desses grupos é crucial para a atividade. REA Essa SUBSTITUIÇÃO a atividade analgésica cai significativamente para codeína, dihidroco deína e 3-etilmorfina, indicando a importância do grupo fenólico. REA REA CONCLUI-SE que os grupos funcionais importantes para a atividade analgésica são: μ (mu ou mi), κ (kappa) e δ (delta) RECEPTORES OPIÓIDES Morfina é relativamente polar e mal absorvida pelo intestino. Normalmente é administrado por injeção intravenosa. Pequena porcentagem da dose administrada de fato atinge os receptores analgésicos no SNC devido a barreira hematoencefálica o sal quaternário N-metil da morfina é inativo quando é administrado por injeção intravenosa porque é bloqueadopela barreira hematoencefálica FARMACOCINÉTICA Principais vias de metabolismo envolvendo a MORFINA ( )-morfina FARMACODINÂMICA morfina protonada (forma ionizada da base): interação com receptor FARMACOCINÉTICA ( )-morfina morfina neutra ou base livre (forma não-ionizada): Acesso ao SNC via BHE Base fraca Desenvolvimento de análogos de Morfina Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Variação dos Substituintes Extensão dos Fármaco Simplificação Molecular Introdução de Rigidez A diamorfina tem dois grupos polares mascarados, e por isso é o composto mais eficiente dos três no cruzamento da barreira hematoencefálica. Antes que possa se ligar aos receptores, o grupo 3-acetil deve ser removido por esterases no SNC. Menos potente do que 6-acetilmorfina porque o grupo 3-acetil tem que see hidrolisado. Heroína Variação dos Substituintes Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Variação dos Substituintes Pro-fármaco (20% da ação in vitro analgésica in vivo) codeina (R = Me ) 3- etilmorfina ( R = Et) 3- acetilmorfina R = acetil Diminuição da ação analgésica in vitro Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Grupo N-metílico Variação dos Substituintes O Nitrogênio é crucial para atividade e interage no receptor na forma ionizada Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Hidroxila alílica: 6-OH Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Variação dos Substituintes Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Variação dos Substituintes Extensão da cadeia Métodos Estudos de Relação Estrutura-Atividade Variação dos Substituintes Extensão da cadeia Outros substituintes testados: grupo alílico, ciclopropilmetilênico Antipsicóticos e hipnoanalgésicos. Novas estratégias: Simplificação molecular: Simplificação molecular Remoção do anel E Completa perda de atividade – importância do N básico Agonistas hipnoanalgésicos Mecanismo de ação → complexação com receptores µ, κ e δ (efeito agonista) Metabolismo → N-desalquilação Remoção do anel D Simplificação e extensão molecular Classes: derivados do Morfinano Morfinanos - São mais potentes e possuem maior tempo de duração de ação que morfina, mas apresentam maior toxicidade e levam a dependência - Sintetizados mais facilmente N-metilmorfinano foi o primeiro desses compostos testado e é apenas 20% tão ativo quanto a morfina, devido o grupo fenólico está faltando Estrutura de levorfanol (5x) do que a morfina e, embora os efeitos colaterais também aumente, o levorfanol tem uma enorme vantagem sobre morfina porque pode ser tomada por via oral e dura muito mais no corpo. Isso é porque o levorfanol não é metabolizado no fígado na mesma proporção que a morfina. Classes: derivados do Morfinano Estrutura: (-)-levorfanol: 6x mais ativo que a morfina. (+)-levorfanol: antitussígena (não empregado na medicina). Agonista: 5x mais potente que a morfina em receptores κ. Antagonista: 1/6 da atividade da naloxona nos receptores µ. Remoção dos anéis C e D Substituição do grupo N-metil de metazocinacom um grupo fenetil dá fenazocina. Foi o primeiro composto a ter um nível útil de analgesia sem propriedades de dependência. Classes: derivados de Benzomorfanos Remoção dos anéis C e D Os anéis C e D não são essenciais para a atividade analgésica; Analgesia e dependência não são necessariamente coexistentes; Promovem razoável analgesia, menor disposição ao vício e menor tolerância Classes: derivados de Benzomorfanos Estrutura: Isômero ativo: levógiro Mais potente que a morfina Menores efeitos colaterais. Agonista: 1/6 atividade da morfina nos receptores κ. Antagonista: 1/30 atividade da naloxona nos receptores µ. Classes: derivados de Benzomorfanos Remoção dos anéis B, C e D Fármacos da classe das 4- Fenilpiperidinas A atividade pode ser aumentada 6x introduzindo o grupo fenólico e alterando o éster para uma cetona para dar cetobemidona. Classes: Fenilpiperidinas e relacionados Adicionar grupos alil ou ciclopropil não dar antagonistas. A substituição do grupo metil de petidina com um resíduo de ácido cinâmico aumenta atividade 30x, enquanto colocar o mesmo grupo em morfina elimina a atividade Classes: Fenilpiperidinas e relacionados Estrutura: Analgésico, espasmolítico, anestésico geral e anti-histamínico suave. 1/10 atividade da morfina. 80x mais ativo que a morfina. Efeitos menos duradouros. Classes: Fenilpiperidinas e relacionados Remoção dos anéis B, C , D e E Simplificação molecular O analgésico metadona foi descoberto na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e é comparável em atividade à morfina. É oralmente ativo e tem menos efeitos eméticos e constipação. Efeitos colaterais, como sedação, euforia e os sintomas de abstinência também são menos graves,e assim o composto foi dado a viciados ´para para desmamar o efeito de drogas como exemplo a heroína REA: Classes: Morfina e derivados Conceito: fármacos que evitam ou eliminam a depressão respiratória excessiva provocada pela administração dos analgésicos narcóticos. Mecanismo de ação: agem competindo pelos mesmos sítios receptores de narcóticos. Antagonistas dos hipnoanalgésicos Antagonistas dos hipnoanalgésicos Estrutura: diferem na porção ligada ao grupo amínico (piperidínico). Presença dos grupos: Antagonistas dos hipnoanalgésicos image1.jpeg image2.png image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.png image9.jpeg image10.jpeg image11.png image12.emf image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.emf image22.emf image23.emf image24.emf image25.emf image26.emf image27.png image28.emf image29.emf image30.emf image31.emf image32.png image33.emf image34.emf image35.emf image36.emf image37.emf image38.png image39.png image40.png image41.png image42.emf image43.emf image44.png image45.emf image46.emf image47.emf image48.emf image49.emf image50.emf image51.emf image52.emf image53.emf image54.emf image55.emf image56.emf image57.emf image58.emf image59.emf image60.emf image61.emf image62.png image63.emf image64.emf image65.png image66.emf image67.emf image68.emf image69.emf image70.emf image71.png image72.emf image73.emf image74.emf image75.png image76.emf image77.emf image78.emf image79.emf image80.emf image81.emf image82.emf image83.png image84.emf image85.png image86.png image87.png