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QUIMICA FARMACEUTICA 
DEFINIÇÃO ............................................ 1 
CLASSIFICAÇÃO DOS FÁRMACOS .......... 1 
Origem dos fármacos ........................ 1 
Fontes de Fármacos ........................... 1 
Fontes antigas e modernas de 
medicamentos ................................ 1 
Protótipos .......................................... 1 
Propriedades biológicas .................... 1 
Interações hidrofóbicas ...................... 1 
Associação de fármacos .................... 2 
Grupo farmacofórico ......................... 2 
GÊNESE DE FÁRMACOS ......................... 3 
MODIFICAÇÃO MOLECULAR ................. 3 
Fatores conformacionais ................... 3 
Conformação e atividade biológica ... 3 
RELAÇÃO ESTRUTURA ATIVIDADE 
(REA) .................................................. 4 
Fármacos Estruturalmente 
Inespecíficos.................................... 4 
Fármacos estruturalmente 
específicos ....................................... 4 
Parâmetros de Solubilidade. .............. 4 
Parâmetros Eletrônicos Empíricos ..... 4 
Parâmetros Eletrônicos Semi-
Empiricos ........................................ 5 
Parâmetros Estericos ......................... 5 
Efeitos gerais de grupamentos. ......... 5 
Grupos Ácidos e Básicos (COOH e 
NH2). ............................................... 5 
Grupos Hidroxila (OH). ...................... 5 
Grupos Tiólico e Dissulfeto ................ 5 
Grupo Nitro (NO2) .............................. 5 
Processos especiais ............................ 6 
Alteração de grupos metila ................ 6 
Introdução ou remoção de anel ......... 7 
Halogênização .................................... 8 
Grupos volumosos apolares ............... 8 
Homólogos mais baixos e altos .......... 9 
Introdução de ligações duplas ............ 9 
Substituição isostérica ........................ 9 
Processos gerais .............................. 10 
Associaçãomolecular ....................... 10 
Dissociação molecular ..................... 10 
Latenciação ..................................... 11 
Macromoléculas transportadoras ... 11 
FÁRMACOS ANTIMICROBIANOS .......... 12 
CLORAFENICOL ................................... 12 
Relação de estrutura atividade ....... 12 
TETRACICLINA .................................... 12 
Relação estrutura atividade ............ 12 
MACROLÍDEOS ................................... 13 
Relação estrutura atividade ............ 13 
SULFAS ............................................... 13 
Relação estrutura atividade ............ 13 
ANTIBIÓTICOS Β-LACTÂMICOS ........... 14 
Penicilina ......................................... 14 
Relação estrutura atividade ............. 14 
Cefalosporina .................................. 15 
Relação estrutura atividade ............. 15 
HIPNÓTICO E SEDATIVO ...................... 17 
SONO .................................................. 17 
BENZODIAZEPINAS ............................. 17 
Relação estrutura atividade ............ 18 
BARBITÚRICOS ................................... 18 
Relação estrutura atividade ............ 18 
ANTIDEPRESSIVOS ............................... 19 
INIBIDORES MAO ............................. 19 
INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO 
SEROTONINA ................................ 19 
TRICÍCLICOS ..................................... 19 
Relação estrutura atividade ............ 19 
ANESTÉSICOS ....................................... 20 
ANESTÉSICOS LOCAIS (AL) .................. 20 
Relação estrutura atividade ............ 20 
ANESTÉSICOS GERAIS (AGS) ................. 22 
Anestésicos por inalação (AI) ........... 22 
Relação estrutura atividade (REA) ... 22 
Anestésicos intravenosos .................22 
Midazolam ....................................... 22 
Propofol ........................................... 22 
Cetamina .......................................... 23 
Flumazenil ........................................ 23 
Etomidato ........................................ 23 
Associação à anestesia .....................23 
HIPNOANALGÉSICO ............................ 24 
HIPNOANALGÉSICO EXÓGENO ............24 
HIPNOANALGÉSICO ENDÓGENO .........24 
Relação estrutura atividade .............24 
MORFINA ............................................25 
Relação estrutura atividade .............25 
HEROÍNA .......................................... 26 
Fenilpiperidinas ................................26 
Difenilpropilaminas ..........................26 
Antagonistas dos narcóticos ............26 
ANTI-INFLAMATÓRIO ......................... 27 
Fosfolipase A2, COX e 5-LO ...............27 
Relação estrutura atividade .............27 
Indometacina ...................................27 
Salicilatos .........................................27 
Ácido salicílico .................................. 27 
Ácido acetilsalicílico ......................... 27 
Derivados do p-aminofenol. .............28 
Ácidos Fenâmicos (N-
arilantranílico) ...............................28 
ANTIVIRAIS ......................................... 29 
Mecanismo de ação .........................29 
Interferon .........................................29 
Inibidores da neuraminidase ............29 
Uridina ............................................. 29 
METILXANTINA ................................... 30 
Relação estrutura atividade .............30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
DEFINIÇÃO 
 Ciência que engloba inovação, descoberta, 
síntese ou modificação molecular, extração, 
isolamento, identificação de substâncias bioativas, 
e suas respectivas relações entre estrutura 
química e atividade biológica. 
Desenvolvimento de novos compostos, 
suassínteses e o estudo (no campo molecular) da 
relação entre a estrutura química e atividade 
biológica, para quese possam entender os 
diversos mecanismos do fármaco sejam eles 
terapêuticos ou colaterais, assim comoentender 
seu comportamento farmacocinético e físico-
químico. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS FÁRMACOS 
Os fármacos podem ser classificados de diversas 
formas: de acordo com a estrutura química, a 
ação farmacológica, e a ação sobre os sistemas 
fisiológicos e como fármacos ou pró-fármacos. 
 
Origem dos fármacos 
 Inicialmente os fármacos eram obtidos de fontes 
naturais, principalmente de plantas; hoje há uma 
prevalência de medicamentos de origem sintética, 
o isolamento e identificação de moléculas que 
exercem efeitos biológicos variados. 
 
Fontes de Fármacos 
Essencialmente há três tipos de fontes: 
1. Naturais: 
 Inorgânicos: enxofre, iodo, fosfato, cálcio, 
sódio, magnésio, ferro, sais de bismuto. 
 Animais: hormônios como a insulina, óleos de 
fígado de peixe, vitaminas A e E, sais biliares 
como precursores para hemissíntese de 
esteroides, corticoides e hormônios sexuais. 
2. Vegetais:Alcaloides, glicosídico cardiotónicos, 
algumas drogas anticancerígenos, taxol. 
 Via sintética:Fornece análogos sintéticos, 
cuja produção não depende de 
fornecimento botânico. 
 Origem intermediária:Produto de 
fermentação: vitaminas, antibióticos, 
aminoácidos e resultantes de engenharia 
genética: insulina recombinante. 
 
Fontes antigas e modernas de medicamentos 
Antigamente acreditava-se que as doenças eram 
causadas por espíritos maus, ou demônios, e que 
o único meio de eliminá-los era submeter à 
habitação do demônio, o corpo do paciente, a 
muito desconforto e sofrimento; o demônio, não 
suportando os maus tratos, abandonaria o corpo 
do doente por causa da aparência repugnante, 
tais como urina, fezes e plantas mal cheirosas.A 
base da maioria dos tratamentos consistia em 
drogas de origem vegetal e animal. 
Fontes modernas de medicamentos: Após a 
descoberta acidental da penicilina, os 
pesquisadores, começaram uma busca intensiva 
de novos antibióticos. Graças ao grande 
progresso da químicaorgânica a partir do fim do 
século passado, no arsenal terapêutico 
predominam os fármacos de origem sintética. 
 
Protótipos 
O composto protótipoé a desidratação do 
etanol. 
 
 
Halotano 
 Líquido não inflamável, não explosivo e não 
irritante. A presença de três átomos de flúor 
confere-lhe estabilidade alta. É usado para 
pacientes asmáticos. É preparados pelo 
tratamento do 1-cloro-2,2,2 tritifluoretano com 
bromo e é também preparado pelo tratamento do 
1-bromo-2,2,2-trifluoretano com cloro. 
 
 
Enflurano 
 Líquido incolor, límpido, estável, potente, não 
inflamável, com baixo ponto de ebulição. Suas 
propriedades são parecidas do halotano. 
 
 
 
 
 
Relação estrutura atividade (REA) 
 
Figura 66: (A) grupo etílico: com átomos de H substituídos 
por halogênios F e Cl; (B) grupo metílicos: com átomos de H 
substituídos por halogênios F e Cl. Não podem ter todos 
átomos de H substituídos por halogênios. 
 
Anestésicos intravenosos 
 Os anestésicos intravenosos são sólidos 
nãoexplosivos. Produzem perda rápida de 
consciência. Os mais usados são os barbitúricos 
de ação ultra rápida e cetamina. Todos são 
usados como anestésicos basais, são usados 
para alcançar um grau de inconsciência antes da 
administração do anestésico. 
 
Figura 67: barbitúricos (hipnótico-sedativos); X= O e S mais 
lipofílico; R´´= H e CH3 efeito excitatório indesejáveis; R e R´= 
cadeia alquímica longa e ramificada. 
 
Figura 68: (A) Hexobarbital; (B) Metoexital; (C) Tiopental. 
Midazolam 
 Faz parte da classe dos benzodiazepínicos, age 
nos receptores GABAérgicos aumentando a 
permeabilidade neuronal aos íons cloretos, 
colocando a célula num estado de 
hiperpolarização. Seus efeitos são ansiolise, 
relaxamento muscular, amnésia e em altas doses 
pode causar hipnose. 
 
 
Propofol 
 Fármaco deultra curta duração da classe dos 
anestésicos parenterais. O mecanismo de ação 
proposto é atividade agonista de receptores do 
tipo GABA. Sua ligação provoca a abertura de 
canais de íons cloreto levando à hiperpolarização 
neuronal. Foi um medicamento usado pelo canto 
Michael Jackson antes de sua morte. 
 
 
23 
 
Cetamina 
 Uma droga dissociativa usada para anestesia, 
com efeito hipnótico e característicos analgésicos. 
Os efeitos negativos podem incluir boca seca, 
problemas respiratórios e aceleração cardíaca. 
 
 
Flumazenil 
 É um antagonista dos efeitos hipnóticos, 
sedativos e da inibição psicomotora provocada 
pelos benzodiazepínicos. Ele se liga com alta 
afinidade a locais específicos sobre o receptor 
GABA, onde impede a ligação e os efeitos 
hipinóticos dos benzodiazepínicos. 
 
 
Etomidato 
 É um fármaco anestésico hipnótico de curta 
ação, administrado por via endovenosa 
geralmente utilizado em indução de anestesia 
geral. Algumas de suas particularidades são a 
estabilidade cardiovascular e a inibição do eixo 
hipotálamo hipofisário quando administrado em 
infusão contínua. Diminui a pressão intracraniana. 
 Não libera histamina e sua dose letal é 16 vezes 
maior do que a dose terapêutica. 
 Efeitos adversos: A injeção é frequentemente 
dolorosa e induz movimentos musculares 
mioclônicos. Produz supressão suprarrenal 
importante (diminuição da síntes de corticóides), o 
que limita seu uso prolongado, já que esta se 
relaciona com uma menor taxa de sobrevida pós-
operatória, mesmo motivo pelo qual o uso é 
contraindicado, por exemplo, em caso de choque 
séptico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Associação à anestesia 
 Alguns pacientes recebem fármacos, 
suplementares geralmente modificações pré-
anestésicas. Esta prática tem o objetivo de reduzir 
a ansiedade que são usados sedativos e 
hipnóticos, como os barbitúricos: amobarbital, 
pentobarbital e secobarbital. 
 Neurolétipticos fenotiazinicos e ansiolíticos como 
o clordiazepoxido, diazepam e midazolam. 
 Controle da dor: a administração 
analgésica potente como alfaprodina, 
fentanila, hidromorfina e pantopon. 
 Inibição da salivação: os mais usados 
são os anticolinérgicos, como atropina, 
escopolamina e a hiosciamina. 
 Prevenção de náusea e vômito: usando 
antieméticos fenotiazínicos, propiomazina, 
e tietil piperazina. 
 Produção do relaxamento do músculo 
esquelético, os agentes mais usados são: 
Galamina agentes bloqueadores não 
despolarizantes como dimetiltubocuranina, 
agentes bloqueadores despolarizantes, como 
decametônio e suxametônio. 
 
Efeitos adversos: Os principais efeitos 
adversos causados pelos anestésicos gerais 
são: 
 Anestésicos por inalação: parada 
circulatória (dose excessivas), arritmias, 
depressão ventilatória, dano hepático. 
 Anestésicos intravenosos: depressão 
ventilatória acentuada e apneia após 
injeção rápida ou superdose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/GABA
http://pt.wikipedia.org/wiki/Benzodiazepina
http://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1rmaco
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipn%C3%B3tico
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anestesia_geral
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anestesia_geral
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anestesia_geral
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mioclonia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Suprarrenais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Cortic%C3%B3ide
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sobrevida
24 
 
HIPNOANALGÉSICO 
 Os analgésicos são depressores seletivos do 
SNC usado para aliviar a dor sem causar a perda 
da consciência. Agem elevando o limiar da 
percepção da dor. 
 
HIPNOANALGÉSICO EXÓGENO 
 O ópio é usado há centenas de anos para aliviar 
a dor é extraído da papoula. Seu uso dizimou-se 
por todas civilizações antigas. Após o isolamento 
e da proposição da estrutura da morfina iniciou-se 
uma fase de intensivos trabalhos de modificação 
molecular visando à obtenção de melhores 
analgésicos. 
 A metadona foi desenvolvida na Alemanha 
durante a 2ª guerra mundial. Os americanos 
sintetizaram e testaram centenas de substâncias 
quimicamente relacionadas. Estas modificações 
moleculares resultaram na introdução de 
dextromoramida, dipipanona, iso-metado e 
fármacos similares. 
 
 
HIPNOANALGÉSICO ENDÓGENO 
 Snyder e Goldstein, isolaram, purificaram e 
identificaram uma substância endógena que 
exerce efeito hipnoanalgésico parecido ao da 
morfina. Foi um polipeptídio extraído do cérebro 
de vários vertebrados. Chamada endorfina, a 
ação narcótica dessa substância é antagonizada 
seletivamente pela Naxolona. 
 
Relação estrutura atividade 
 Hughes isolou do cérebro de porcos dois 
pentapeptídios que diferem apenas em um 
aminoácido. Foram chamadas respectivamente, 
de Leu-encefalina e Met-encefalina. Suas 
estruturas são: 
 H-Tyr-Gly-Gly-Phe-Leu-OH 
 H-Tyr-Gly-Gly-Phe-Met-OH 
 São substâncias encontradas nas regiões de 
receptor opiáceo e liga-se a ele com afinidade 
comparável à da morfina, produzindo efeitos 
semelhantes a esta. Seus efeitos são 
antagonizados pela Naxolonas. 
 Já tentou-se explicar a anestesia produzida por 
acupunturaatribuindo a essa prática a liberação do 
hipnoanalgésico endógeno. Várias endorfinas, 
chamadas α, β, γ e δ foram isolados do extrato 
hipotalâmico neuro-hipofisário. 
 O isolamento e caracterização desses 
hipnoanalgésiconarcos-endogenos forneceram 
subsídios para o planejamento racional de novos 
analgésicos narcóticos. As modificações 
estruturais nas encefalinas, que já são mais de 
1000 análogos, resultam em analgésicos que não 
causem dependência, nem apresentam as 
atividades antidiarréicas e antifúngicas na morfina 
e seus derivados. 
 
Figura 69: (A) encefalina; (B) morfina; (C) oripavina. 
 
Figura 70:resíduo Leu/Met; tirosina;Phe: remoção de Tyr 
diminui a atividade;Substituição de L-aa por D-aa produz 
resistência a peptidases;Viárias conformações causam 
ligação em diferentes tipos de receptores opióides. 
 
Mecanismo de ação: As ações farmacológicas 
dos hipnoanalgésicos devem se à 
complexação destes fármacos com receptores 
específicos localizados na região periaquedutal 
central cinzenta da medula espinhal, interferindo 
os impulsos da dor nas vizinhanças do tálamo. 
Levando em consideração que os analgésicos 
derivados da morfina ou análogos ea ele têm em 
comum o grupamento N-metil-γ-fenilpiperidina.Nestes três sítios são essenciais: 
1. Uma porção plana, que permite a ligação com 
anel aromático do fármaco através de forças 
de Van Der Waals; 
2. Um sítio aniônico, capaz de associar-se com o 
nitrogênio protonizado do fármaco; 
3. Uma cavidade, orientada para acomodar a 
porção –CH2-CH2- que se projeta do anel 
peperidinico, que jaz perpendicularmente ao 
plano que contém o anel aromático e o 
nitrogênio protonizado. 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
MORFINA 
 A morfina é derivada da semente da papoula. 
Inicialmente foi isolada do ópio, em 1803. 
Robison propôs uma estrutura para a morfina, em 
1925. A morfina existe no ópio em concentrações 
entre 5 e 10%. Substância cristalina branca e 
inodora, de sabor amargo. É insolúvel em água, 
mas solúvel em soluções alcalinas devido à 
presença do grupo hidroxila fenólico. As formas 
mais usadas na medicina são o sulfato e o 
cloridrato. A morfina é destoxificada no fígado, por 
conjugação, junto ao grupo hidroxi-3-fenólico. 
 
Relação estrutura atividade 
 Os estudos da relação estrutura atividade nos 
derivados da morfina permitiram que chegar-se às 
seguintes conclusões: 
1. O bloqueio da hidroxila fenólica resulta na 
diminuição da ação depressora no SNC e 
aumento da ação antitussígena, bem como 
aumento da ação convulsivante; 
2. O bloqueio da hidroxila alcoólica ou sua 
oxidação ou substituição resulta em aumento 
da ação depressora no SNC, aumento 
moderado da ação estimulante, bem como 
aumento da toxicidade; 
3. Deslocamento da hidroxila alcoólica da 
posição 6 para posição 8, no composto 
reduzido, provoca queda brusca da atividade 
analgésica; 
4. Inversão da configuração da hidroxila no 
carbono 6 aumenta a potencia analgésica; 
5. Hidrogenação da dupla ligação em 7 e 8 
resulta em atividade depressora igual ou 
superior à do protótipo; 
6. Substituição no anel aromático diminui a 
atividade de analgesia. 
7. Quebra da ponte etérea entre 4 e 5 implica em 
diminuição da atividade. 
8. A abertura do anel piperidinico provoca 
diminuição da atividade; 
9. Desmetilação na posição 17 e aumento da 
cadeia alifática no N resultam em diminuição 
da potência. Se substituintes tiver 3 carbonos 
insaturados, surgirá ação antagonista 
competitiva. 
A maioria dos derivados da morfina são usados na 
forma de sal. 
 
Figura 71: (A) Morfina; (B) Modificação no 3-OH; (C) 3,6 
diacetilmorfina (heroína); (D) modificação no anel E; (E) 
etorfina; (F) adição no 14 beta-OH; (G) substituição do 6-OH 
por meio metileno. 
 
 Todas as substâncias que possuem esta 
estrutura de 5 anéis possuem atividade 
analgésica. A fusão entre os anéis B e C devem 
ser Cis e a fusão entre os anéis C e D devem ser 
Trans. Além disso a morfina apresenta duas 
hidroxilas: um fenol (3-OH) e um álcool (6-OH). 
 
 
Figura 72: molécula da morfina. É constituída por um anel 
aromático e dois heterociclicos. (A) aromático; (B) 
ciclohexano; (C) ciclohaxeno; (D) apiperidina; (E) 
tetrahidrofurano. 
 
Figura 73: Modelo dos 3 pontos de Beckett & Casy´s. (A); 
Grupo fenólico; (B) Região hidrofóbica; (C) Grupo iônico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
HEROÍNA 
 Heroína é obtida pela reação da morfinacom 
anidrido acético. Foi proposto como antídoto da 
dependência à morfina.O nome cientifico da 
heroína é diacelmorfina. Sua atividade analgesia 
é superior à da morfina, tende a provocar 
dependência. 
 
Figura 74: Reação do anidrido (A) com morfina (B) acético 
formando a heroína (C).grupo amino não carregado pode 
atravessar a BHE e, carregado na interação com receptor. 
 
Efeitos adversos: Podem provocar depressão 
respiratória, constipação, vômitos, náuseas, 
distúrbios cardiovasculares e diversos outros 
efeitos adversos, tais como tonturas, 
obnubilização e alterações do humor. O uso 
crônico pode causar tolerância e dependência 
física e psíquica.No tratamento de desintoxicação 
de pacientes dependente de heroína e outros 
agentes morfinóides usam-se fármacos diversos: 
 Metadona, por via oral; 
 Misturas de metadona e naloxona, por via 
oral; 
 Acetilmetado, pró-fármaco do metadol. 
 
Fenilpiperidinas 
 Apresentam algumas semelhanças com a 
morfina, com o átomo de carbono e quartenário 
central, cadeia etilênica, o grupo amino e o anel 
aromático. Diversas fenilpiperidinas e fármacos 
aparentados têm atividade hipnoanalgésica. 
Alfentanila, aliprodina, fenerinadina, fenoperidina, 
hidroxipetidina. 
 
 
 
 
 
 
 
Difenilpropilaminas 
 São usados na forma de sais, principalmente 
como cloridratos, que são cristalinos brancos ou 
incolores, todos solúveis em água. Embora não 
tenham o anel piperidinico do grupo N-metil-γ-
fenilpiperidina presente na morfina, peptina e 
análogos, em soluções e no meio interno formam 
parcialmente tal anel graças à atração dipolo-
dipolo que se estabelece entre o nitrogênio básico 
e o grupo carbonílico. A esta classe pertencem os 
seguintes grupos: acetilmetado, dimefeptanol, 
dipipanona e fenadoxona. 
 
Antagonistas dos narcóticos 
 São fármacos que evitam ou eliminam a 
depressão respiratória excessiva provocada pela 
administração de analgésicos narcóticos. Eles 
agem competindo pelos mesmos sítios receptores 
dos hipnoanalgésicos, com os quais são 
estruturalmente aparentados, sendo a única 
diferença a porção ligada ao átomo de nitrogênio 
aminico. 
Também são usados em testes de dependência 
narcóticos. Por exemplo, a Nalorfina causa 
dilatação da pupila em indivíduos dependente e 
diminuição das dimensões da pupila em não 
viciados. Os antagonistas dos narcóticos 
competem com estes pelos mesmos receptores, 
pois são parecidos com os narcóticos, diferindo 
apenas pelos grupos ligados ao átomo de 
nitrogênio amínico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
ANTI-INFLAMATÓRIO 
 Têm a finalidade de controlar o processo 
inflamatório, quando esteencontra-se exacerbado. 
Os anti-inflamatórios são classificados de acordo 
com o seu mecanismo de ação em anti-
inflamatórios não esteroidais e fármacos anti-
inflamatório esteroidais. 
 O processo inflamatório é dependente de 
enzimas como a fosfolipase A2, 5-LO, PGHs ou 
COX-1 e 2, as quais sintetizam os mediadores do 
processo inflamatório na cascata do ácido 
araquidônico. 
 
Fosfolipase A2, COX e 5-LO 
A ciclo oxigenase ou prostaglandina H sintetase 
foi inicialmente purificada em 1976 e clonado em 
1988. Inibidores seletivos de COX2 não se ligam a 
Argenina 121, sítio de ligação do ácido 
araquidônio e dos ácidos carboxílicos dos 
inibidores da COX-1, gerando um antagonismo 
não competitivo. 
 
Relação estrutura atividade 
 Em 1971 foi proposto um receptor para a 
atividade anti-inflamatória,baseado na estrutura 
dos ácidos acéticos indóies, tendo como protótipo 
a indometacina. 
A maioria dos FAINEs, tais como Salicilatos, 
Oxicams e outros, possuem em comum: 
1: ácido central; 
1: anel aromático ou heteroaromático; 
1: centro lipofílico adicional. 
 
Indometacina 
 É um medicamento, derivado do Indolmetilado e 
relacionado com o diclofenaco. Inibe a produção 
de prostaglandina sendo indicado para o alivio da 
dor, febre e inflamação em pacientes com osteo-
artrite. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Salicilatos 
São analgésicos, antipiréticos e anti-inflamatórios. 
 
Ácido salicílico 
 Usado deste o séc. 19 usado localmente para 
retirada de calos e ferrugas. Atua ligando-se na 
porção Ser-530 da COX-1 e Ser-516 da COX-2. 
 Toda a estrutura é necessária para seus efeitos 
farmacológicos, reduzindo a sua acidez, diminui-
se atividade anti-inflamatória. A OH em para ou 
meta, gera perda da atividade. 
 Halogênio no anel aromático gera aumento da 
atividade e toxicidade. 
 Substituição no C5 no ácido salicílico gera um 
aumento da atividade anti-inflamatória. Derivados 
menos agressivos ao tecido e ao paladar, podem 
serpor: 
 Formulação de sais, ésteres ou amidas no 
grupo carboxila; 
 Substituição do grupo OH; 
 Modificação de ambos os grupos 
funcionais. 
 
 
Ácido acetilsalicílico 
 Possui atividade anti-inflamatória,analgésica e 
antipirética. É o mais usado dentre os salicilatos, é 
um anti-agreganteplaquetário devido ao poder de 
doar o grupo acetil, possui um metabólito ativo 
(salicilato). 
 
Figura 75: (A) Inativos. 
 
Figura 76: aumento da atIvidadeantiinflamatória e toxicidade. 
 
 
 
28 
 
Derivados do p-aminofenol. 
 Tem como principal representante o 
paracetamol, metabólito da acetanilida e da 
fecacetina. O paracetamol é um analgésico e 
antipirético, devido inibir a COX-1. 
 
 
Ácidos Fenâmicos (N-arilantranílico) 
 As metilas do anel aril, geram uma torção, 
fazendo com que este fique fora do plano do anel 
antranílico, aumento na atividade antiinflamatória. 
O mesmo faz o CF
3 
do ácido flufenâmico. O grupo 
NH é essencial para a atividade. Sua substituição 
por (O, CH
2
, S, SO
2
, NCH
3
, NCOCH
3
), reduz 
significativa-mente a atividade. Os derivados 
metae para aminobenzóico são inativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
ANTIVIRAIS 
São substâncias usadas no tratamento eprofilaxia 
de doenças causadas por vírus. Os vírus 
pertencem a duas grandes classes: os vírus de 
DNA e os vírus de RNA. 
Os agentes antivirais têm sido pesquisados deste 
1938, não apenas por triagem empírica e por 
modificação molecular de substâncias ativas, mas 
também por métodos mais racionais: 
 Inibição da fixação, penetração e liberação 
do material genético viral; 
 Inibição da síntese de ácidos nucleicos; 
 Inibição da tradução do RNAm viral; 
 Inibição da transcriptase reversa (TR); 
 Inibição das proteases virais. 
As substâncias que apresentam atividade antiviral 
pertencem às seguintes classes: 
 Adamantanas: amantadina, rimantadina e 
tromantadina; 
 Nucleosideos, nucleotídeos e análogos: 
ácido poli-8-azidoadenilixo, ácido poli-8-
dimetilaminoadenilico; 
 Tiossemicarbazonos: citenozona, 
metisoprinol; 
 Amidinas, guanidinas e análogos: 
canavanina, guanidina; 
 Isoquinolinas: famofina, memotina; 
 Benzimidazois. 
As características desejadas de um antiviralsão: 
 Amplo espectro; 
 Inibição completa da replicação viral; 
 Capacidade de atingir o alvo sem interferir 
com o sistema imune do hospedeiro; 
 Toxicidade mínima; 
 Atividade frente a mutantes resistentes. 
 
Mecanismo de ação 
Os agentes antivirais atuam em diferentes locais e 
processos do ciclo replicativo viral. 
A amanatadina e derivados bloqueiam a 
penetração de certas cepas de vírus de RNA nas 
células dos mamíferos e inibem o 
desencapamento destes vírus no interior das 
células hospedeiras. 
A amantadina e rimantadina, são as primeiras 
drogas usadas contra o influência. Elas inibem a 
ação da proteína M2. Os adamantanas possuem 
alguns problemas, o primeiro deles é que são 
neurotóxicos, atacando o SNC como efeito 
colateral. 
 Inibi a penetração da partícula viral; 
 Bloqueia desencapsulação do genoma 
viral e transferência deste para a célula 
hospedeira; 
 Impedimento estérico do canal iônico 
formado pela proteína viral M2. 
 
Figura 77: (A) Damantanas; (B) Amantadina; (C) Rimantadina. 
 
Interferon 
O interferon age por inibir a ligação do RNAm viral 
aos ribossomos. Esta inibição é seletiva, pois o 
inicio da síntese de proteínas virais é impedido 
sem interferência na tradução do RNAm da célula 
hospedeira.osinterferons são eficazes contra vírus 
da hepatite B, hepatite C, papilovírus, herbes e 
câncer. 
 
Inibidores da neuraminidase 
Representam a nova classe de agentes anti-
víricos para o tratamento da gripe. Um dos 
primeiros compostos que atuam como inibidorda 
neuraminidase, foi o derivado 2-desoxi-2,3-
didesidro do ácido siálico. A substituição de um 
grupo hidroxila deste composto por um grupo 
quanidino levou ao aparecimento de um inibidor 
muito mais potente, que é o zanamivir. 
A neuraminidase cliva as ligações glicosídicas 
entre ácido siálico e açúcar adjacente causando 
danos à ligação do vírus ao alvo pela HÁ. 
 
Uridina 
É uma molécula formada quando uma uracila é 
ligada a um anel de ribose via uma β-N1-ligação 
glicosídica. Ela é ativa contra o DNA do vírus. 
 
Figura 78: (A); (B) Idoxuridina; (C) Citarabina; (D) 
Fluordesoxiuridina; (E) Bromodesoxiuridina; (E) 5-
aminoidoxuridina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
 
METILXANTINA 
São alcalóides com alto pode de estimular o 
SNC. São antagonistas dos receptores de 
adenosina, e inibem a enzima adenil-cliclase, e 
na inbição da enzima fosfodiesterase. 
São substâncias químicas encontradas em 
bebidas alimenticias ou estimulantes não 
alcoólicas como café, chá da índia, guaraná, 
cola e chocolate. As mais abundantes são: 
cafeína, teofilina e teobromina. 
Apresentam caráter anfótero (comportam-se 
como ácidos ou bases fracas. São solúveis em 
aquosas ácidas a quente e etanol a quente, 
solvente orgânicos clorados e solçoes alcalinas. 
Agem sobre o SNC estimulando-o e inibindo o 
sono, diminui a sensação de fadiiga, etc. 
 
Relação estrutura atividade 
Os principais precursores da metilxantinas são 
as bases púricas livres. A adenina é a mais 
importante. A purina contem um anel de 6 
membros (piridimidínico) fundido com um anel 
de 5 membros (imidazólico). 
 
Figura 79: Principais estruturas químicas das principais 
metilxantinas: (A) Cafeína; (B) Teofilina; (C) Teobromina.é o primeiro derivado puro, 
identificado em uma série congêneres de novas 
substancias bioensaiada em modelos animais 
padronizados relacionados à patologia a ser 
tratada.Corresponde aquele composto promissor 
que exibe uma atividade farmacológica útil, mas 
ainda é portador de efeitos secundários 
indesejáveis que não pode ser negligenciados. O 
protótipo representa um ponto de partida de onde 
incidirá futuros estudos, e experimentos para 
refinamento da resposta biológica, com ação 
terapêutica desejada. 
 
Figura 1: (A) Cloroquina; (B) Ácido nalidíxico. O ácido nalidíxico 
é protótipo da série, foi primeiramente obtido como subproduto 
da sintese de cloroquina nos anos 1950 ao 60. 
Propriedades biológicas 
As propriedades biológicas de um fármaco são 
determinadas por sua estrutura química. 
Pequenas variações estruturais implicam grandes 
alterações nas propriedades físico-químicas e 
biológicas de alguns compostos químicos. Para 
que os fármacos ajam é preciso que sejam 
absorvidos, mas para serem absorvidos é preciso 
que atravessem as barreiras biológicas,para 
atravessar as barreiras biológicas é preciso que se 
solubilizem. Através da corrente sanguínea os 
fármacos se distribuem pelos diversos 
compartimentos do sistema biológico e, nos 
tecidos alvos interagem com os bioreceptores 
para desencadear a ação farmacológica. 
 
Interações hidrofóbicas 
É um tipo de interação molecular onde, compostos 
apolares sofrem consequência das ações dos 
compostos polares. Isso significa que, os 
compostos polares interagem entre si e, como 
apolares não tem qualquer tipo de interações, eles 
são forçados numa condição que atrapalhe menos 
a interação dos compostos polares. 
A habilidade em entender e predizer a alterações 
na solubilidade e no coeficiente de partição de um 
fármaco, proveniente de modificação em sua 
estrutura molecular ou inserções de grupos 
funcionais específicos, proporcionária a produção 
racional de formulações com solubilidade 
apropriada ou com adequado balanço hidrofóbica. 
2 
 
A atividade dos fármacos está relacionada com os 
mecanismos de absorção, distribuição e atividade 
intrínseca. 
 Para que os fármacos atuem é necessário que se 
dissolvam, atravessando a membrana biológica e 
alcancem os seus sítios de ação. Os fármacos 
são, em geral, ácidos ou bases fracas cujas 
formas neutras e ionizadas se mantêm em 
equilíbrio quando em solução. A forma neutra, 
mais lipossolúvel é absorvida por difusão através 
das membranas, e depende do seu coeficiente de 
partição. A forma ionizada é absorvida por 
processo ativo e tem sua distribuição 
condicionada ao seu pKa e ao pH do meio. 
 
Associação de fármacos 
É a combinação de duas ou mais substancias 
ativa numa formulação. Com o objetivo de 
potencializar os efeitos por sinergismo. Suas 
vantagens são mesmos efeitosterapêuticos com 
doses e RAM menores. Ex.: 50mg/kg do fármacoA 
mais 5mg/kg do fármaco B produzem o mesmo 
efeito e com menos reação adversas. 
Alivio dos sintomas enquanto o fármaco principal 
exerce seu efeito. Ex.: nas infecções respiratórias 
usa-se quimioterápico para curar, e analgésico, 
anti-histamínico e descongestionante para aliviar 
os sintomas.Suas desvantagenssão:não permitem 
a flexibilidade de dosagem, e podem interferir com 
a identificação do agente etiológico. 
 
Grupo farmacofórico 
É a primeira etapa do processo de otimização da 
substância protótipo. Essa identificação é efetuada 
através de procedimentos sintéticos, usando 
dados espectrométricos, cristalográficos e 
computacionais. Seguindo à identificação e a 
preservação do farmacofórico, põe-se em prática 
um processo de modificação molecular nas 
substâncias protótipos,para valorizar as 
propriedades farmacocinético-farmacodinâmicas 
consideradas importantes para o alcance da 
resposta biológica desejada. 
 
Figura 2: (A) Cocaina; (B) Benzocaina; (C) Procaina. As áreas 
em destaque são os grupos farmacofóricos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
GÊNESE DE FÁRMACOS 
Os fármacos são introduzidos na terapêutica pelos 
seguintes processos: acaso, triagem empírica, 
extração de princípios ativos de fontes naturais, 
modificações moleculares do medicamento 
conhecidos e planejamento racional. 
 
MODIFICAÇÃO MOLECULAR 
É o método mais usado, constitui e um 
desenvolvimento natural da química orgânica. 
Torna uma substância química bem determinada e 
de ação biológica conhecida, como modelo ou 
protótipo e daí sintetizar e ensaios novos 
compostos que sejam congêneres homólogos ou 
análogos estruturais dos fármacos matrizes.São 
dois os objetivos deste método: 
1. Descobrir o grupamento farmacofórico: a 
característica molecular que dá a ação 
farmacológica ao medicamento. 
2. Obter fármacos que apresentam propriedades 
mais desejadas que o protótipo em potência, 
especificidade, duração de ação, facilidade de 
aplicação ou administração ou manejo, 
estabilidade e custo de produção. 
Efetuada na molécula protótipo, através da síntese 
apropriada de análogos, dependem dos objetivos 
das pesquisas, tais objetivos podem querer atingir, 
não apenas melhoria da resposta biológica, mas 
também modificações na farmacocinética, ou 
então minimização dos efeitos colaterais 
indesejados, que estão presentes nas moléculas 
protótipos, uma vez que a resposta biológica 
depende, não somente da forma como os ligantes 
interagem com seu receptor, mas também da 
totalidade das propriedades físico-químicas, como 
basicidade, lipofilixidade, distribuição eletrônica e 
tamanho molecular, entre outras. 
 
Fatores conformacionais 
As interações entre a biomolécula e a 
micromolécula apresentam características 
tridimensionais dinâmicas.Dessa forma, o volume 
molecular do ligante, as distâncias interatômicas e 
o arranjo espacial entre os grupamentos 
farmacofórico compõem aspectos fundamentais 
na compreensão das diferenças na interação 
fármaco-receptor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conformação e atividade biológica 
As variações do arranjo espacial envolvendo a 
rotação da ligação covalente sigma, associadas a 
energia inferiores à 10kcal/mol, caracterizam as 
formações. Este tipo particular de estereoisômeria 
é extremamente relevante para o reconhecimento 
molecular de uma molécula, inclusive endógena 
(Ex.: dopamina, serotonina, histamina, 
acetilcolina) e explica as diferenças de atividades 
biológicas, dependentes da modulação de 
diferentes subtipos de receptores.A acetilcolina é 
capaz de sensibilizar dois subtipos de receptores: 
 Os receptores muscarínicos, e os receptores 
nicotínicos. Entretanto, os diferentes efeitos 
biológicos promovidos por esse autacóides são 
decorrentes de interações que envolvem 
diferentes arranjos espaciais dos grupamentos 
farmacofórico com o sitio receptor correspondente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
RELAÇÃO ESTRUTURA ATIVIDADE (REA) 
Os fármacos agem num sítio específico: enzima e 
receptor.Essas diferenças estruturalmente 
relacionadas são referidas como relação 
estrutura atividade (REA). Os estudos das REA 
de um composto protótipo determinam partes da 
estrutura do protótipo responsáveis por seus 
efeitos colaterais.Estas informações são usadas 
para o desenvolvimento de novos fármacos para 
estudar: 
 Atividade aumentada; 
 Atividade diferente; 
 Menos efeitos colaterais indesejados; 
 Maior facilidade de administração ao paciente. 
Considerando o modo de exercerem a ação 
biológica, os fármacos podem ser divididos em 
duas classes: estruturalmente inespecíficos e 
específicos. 
 
Fármacos Estruturalmente Inespecíficos 
 São os que a ação biológica não está 
diretamente ligada à estrutura química específica 
do fármaco, e sim às suas propriedades físico-
químicas. Os fármacos estruturalmente 
inespecíficos atuam por um processo físico-
químico pelas seguintes razões: 
 Atuam em doses relativamente elevadas; 
 Embora apresentemestruturas químicas 
muito variadas, sem nenhuma relação 
entre si, podem provocar reação biológica 
semelhante; 
 Pequenas alterações em sua estrutura 
química, não resultam em alterações 
acentuadas na ação biológica. 
 
Fármacos estruturalmente específicos 
 Essa classe compreende a maioria dos 
fármacos, e seu efeito biológico deve-se à 
interação específica com determinada 
biomacromolécula chamada receptor ou 
biorreceptor. 
O reconhecimento molecular dos fármacos pelo 
receptor é dependente da estrutura do fármaco, 
incluindo o arranjo espacial dos seus grupamentos 
funcionais, que devem ser complementar ao sítio 
de ligação localizada na macromolécula (sitio 
receptor). Com o modelo chave-fechadura 
podemos comparar a biomacromolécula com a 
fechadura, o sítio receptor como sendo o buraco 
da fechadura, e as diferentes chaves, como 
ligantes do sítio receptor, região da 
macromolécula que vai interagir diretamente com 
a macromolécula. Neste caso abrir a porta, 
representaria as respostas biológicas em função 
desta interação. 
 
Figura 3: modelo chave-fechadura e reconhecimento ligante-
receptor. (A) a chave original, que se encaixa adequadamente 
com a fechadura permitindo a abertura da porta, corresponderia 
ao antagonista natural ou substrato natural de uma enzima, que 
interage com sítio receptor e uma resposta biológica 
quimicamente similar aquela do agonista natural.(B) chave 
modificada, que tem propriedades estruturais que a tornam 
semelhante à chave original e permite seu acesso à fechadura e 
à abertura da porta, sintético ou de origem natural, capaz de 
reconhecer complementarmente o sítio receptor ma resposta 
biológicas qualitativamente similares aquela do agonista natural. 
(C) chave falsa, apresenta estruturas mínimas que permitem seu 
acesso à fechadura, não permitindo sua abertura, 
corresponderia ao antagonista. 
 
Parâmetros de Solubilidade. 
Medem o grau de atração dos fármacos pelos 
lipídios e pelas regiões hidrofóbicas das 
macromoléculas, ou seja a interação entre regiões 
hidrofóbicas do fármaco e do receptor. 
A atividade anestésica local de alguns ésteres 
estão diretamente relacionadas com a sua 
lipossolubilidade. 
A atividade biológica de vários grupos de 
compostos pode ser correlacionada com os seus 
coeficientes de partição em solventes polares e 
apolares. 
Certos narcóticos e anestésicos gerais,devem 
suaação biológica, à sua maior afinidade pelos 
lipídios, se fixando às células do sistema nervoso, 
ricas em lipídios. 
Certos grupos químicos caracterizam-se pela 
propriedade de conferir hidrossolubilidade às 
moléculas de que fazem parte. Entre tais grupos, 
chamados hidrofílicos, lipofóbicos ou polares, 
na ordem decrescente de eficiência, os seguintes: 
-OSO2ONa, ← -COONa, ← -SO2Na, ← -
OSO2H←SO2H. 
Grupos, lipofílicos, hidrofóbicos ou apoIares, 
tornam lipossolúveis os compostos de que são 
constituintes. Como exemplo temos:Cadeias de 
hidrocarbonetos alifáticos, grupos arilalquílicos e 
grupos de hidrocarbonetos policíclicos. 
 
Parâmetros Eletrônicos Empíricos 
Devido à natureza parcialmente lipídica das 
membranas biológicas, a passagem dos fármacos 
através das mesmas é facilitada quando 
apresentam lipossolubilidade alta. 
Esta, passagem é influenciada pelo pH do meio e 
pelo grau de dissociação ácida (pKa) do fármaco. 
Geralmente os fármacos são ácidos fracos ou 
bases fracas. O grau de dissociação ácida (pKa) 
do fármaco é o valor de pH em que o fármaco 
encontra-se 50% na sua forma ionizada e 50% na 
sua forma não ionizada. Ácidos fracos têm pKa 
alto e bases fracas têm pKa baixo. 
A atividade biológica de determinados ácidos e 
bases está diretamente relacionada com o seu 
grau de ionização. Enquanto alguns agem na 
forma molecular (fenóis e ácidos carboxílicos), 
outros o fazem na forma ionizada (sais de amônio 
quaternário). Portanto, o pH desempenha papel 
importante na atividade biológica. Os ácidos são 
mais ativos em pH mais baixo e as bases são 
mais ativas em pH mais alto. 
O aumento da ionização aumenta a 
hidrosolubilidade do fármaco e diminui a sua 
lipossolubilidade, conseqüentemente, dificulta sua 
absorção e passagem através das barreiras e 
membranas biológicas. 
5 
 
Em geral, os fármacos atravessam as membranas 
celulares nas formas não-dissociadas (ionizadas), 
como moléculas íntegras, e atuam nas formas 
dissociadas (ionizadas).Isso se dá porque a 
passagem de íons através da membrana celular é 
impedida por dois fatores: 
• A membrana celular é fosfolipoprotéica e 
eletricamente carregada, o que atrai ou 
repele os íons; 
• A hidratação dos íons aumenta os seus 
volumes, dificultando a difusão destes 
através dos poros e transportes ativos. 
 
Parâmetros Eletrônicos Semi-Empiricos 
Relacionam-se com os eletrons π, visto que os 
mesmos por serem deslocalizados, condicionam a 
maioria das propriedades fisico-quimicas das 
moléculas. 
 
Parâmetros Estericos 
Representam a forma e o tamanho do substituinte 
introduzido na molécula do composto 
matriz.Efeito estérico: Esse efeito é exercido 
por átomos ou grupos volumosos. Ele dificulta a 
aproximação da espécie que reage com o ácido 
ou base orgânica, assim, o efeito estérico sempre 
leva a uma redução da acidez ou da basicidade. 
 
Figura 6: (A) ácido benzoico pKa=5,05; (B) ácido 2,6-di0t-butil 
benzoico pKa=6,25. 
 
Efeitos gerais de grupamentos. 
 A atividade biológica de fármacos 
estruturalmente específicos depende diretamente 
de seu tamanho, forma e distribuição eletrônica. 
 A presença de um grupo específico não afirma 
que a molécula terá determinada atividade 
biológica, visto que o efeito biológico da molécula 
depende dela como um todo. 
 Os grupos químicos presentes ou introduzidos 
num fármaco exercem dois tipos de efeitos: 
Estéricos e Eletrônicos, sendo importantes por 
dois motivos: 
1. São essenciais para a manifestação de 
determinada ação biológica, em razão de sua 
reatividade química ou da disposição espacial; 
2. Modificar a intensidade de determinada ação 
biológica. 
 
Grupos Ácidos e Básicos (COOH e NH2). 
Devido à sua polaridade, os grupos ácidos e 
básicos determinam as características físico-
químicas dos fármacos em que estão presentes, 
influindo nas atividades biológicas. 
Grupos ácidos, como SO3H atribuem a molécula 
atividade tripanomicida e quimioterápicos.Alguns 
ésteres alquílicos conferem a molécula maior 
lipossolubilidade e atividade anestésica local. 
Amidas possuem atividade biológica de fármacos 
estruturalmente inespecíficos, contudo fazem 
pontes de hidrogênio com macromoléculas 
orgânicas, gerando atividade narcótica. 
As bases fortes apresentam reduzida atividade 
biológica. Entretanto, em aminas quaternárias 
ionizadas e nas aminas primárias, secundárias e 
terciárias protonizadas, os grupos básicos, que 
são positivamente carregados, desempenham a 
função de ligar-se eletrostaticamente a grupos 
negativamente carregados dos receptores e, por 
isso, são essenciais para atividade farmacológica. 
 
Grupos Hidroxila (OH). 
 Exercem dois efeitos farmacológicos 
principais: alteração das propriedades físicas 
(melhorando a solubilidade do composto) e 
modificação da reatividade química (interação 
fármaco receptor). 
 Inúmeros são os fármacos que, in vivo, sofrem 
hidroxilação, podendo gerar produtos: 
a) Menos ativos que o fármaco matriz 
ou até inativos; 
b) Mais ativos que o fármaco matriz 
que, em alguns casos, não tem 
nenhuma atividade; 
c) Diferentes na atividade com relação 
ao fármaco matriz. 
 
Grupos Tiólico e Dissulfeto. 
Têm a capacidade de: 
a) Interconverter-se em dissulfetos 
mediante reações de oxidação-redução 
(atraido ao receptor por forças 
eletrostáticas e pontes de H); 
b) Adicionar-se a ligações duplas; 
c) Formar complexos não-dissociados com 
metais pesados; 
d) Formar complexos de adição com o anel 
piridínico de certas enzimas. 
 
Grupo Nitro (NO2) 
Entre os vários efeitos exercidos pelo grupo nitro, 
os principais são: físico-químicos, bioquímicose 
farmacológicos.Fornece atividade antiparasitária, 
bactericida e mutagênica após sua redução via 
enzimática.Graças ao efeito indutivo no sentido de 
atrair elétrons, o grupo nitro pode: 
a) formar quelatos; 
b) modificar de uma quelação preexistente; 
c) modificar a polarização da molécula. 
O grupo nitro aumenta a lipossolubilidade da 
molécula do fármaco, portanto, geralmente, os 
compostos nitrados permanecem no organismo 
por mais tempo do que os seus análogos não-
nitrados e, por esta razão, suas ações 
terapêuticas e tóxicas são mais persistentes. A 
ação quimioterápica dos compostos nitratos é 
conseqüência de sua redução à aminas. 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Processos especiais 
O método da modificação molecular usa diversos 
processos especiais, que são agrupados em duas 
classes: 
1. Alterações que aumentam ou diminuem as 
dimensões e a flexibilidade de uma 
molécula; 
2. Alterações das propriedades físicas e 
químicas através da introdução de novos 
grupos ou substituição de determinados 
grupamentos por grupos diferentes. 
A primeira classe compreende processos como: 
 Fechamento ou abertura de anel; 
 Formação de homólogos mais baixos ou 
mais altos; 
 Introdução de ligações duplas; 
 Introdução, retiradas ou substituição de 
grupos volumosos; 
A segunda classe inclui: 
 Substituição isostérica; 
 Mudança de posição ou orientação de 
determinados grupos; 
 Introdução de grupos alquilantes; 
 Modificação visando à inibição ou 
promoção de estados eletrônicos. 
 
Alteração de grupos metila 
Introduzindo grupamentos metila, temos aumento 
da lipofilia e restrições estérica. Também, temos 
aumento do tamanho e da natureza lipídica do 
composto com consequente aumento na atividade 
biológica. Em cadeias e sistemas lineares, 
formando, homólogos lineares e cíclicos, aumenta 
a dimensão, lipofilicidade das substâncias. A 
introdução desses grupos promovem a passagem 
através da membrana biológica. 
 
Figura 3: (A) Difenidramina; (B) análogo 0-metil; (b) 
impedimento estérico entre os átomos de hidrogênio e os 
pares isolados; (C) análogos p-metil; (c) nenhum 
impedimento estérico entre os átomos de hidrogênio e os 
pares isolados. 
 
Os efeitos da introdução de grupos metila no 
metabolismo são aumento da taxa de 
metabolismo por oxidação de CH3 para COOH. 
A substituição do átomo de enxofre no agente 
antipsicóticosclorpromazina pelo grupo –CH2CH2- 
produz clomipramina, substância de propriedade 
antidepressiva. 
 
Figura 4: (A) Clorpromazina (antipsicóticos); (B) Clomipramina 
(antidepressivo). 
 
A introdução do –CH3em posição orto-anti-
histamínico-difenidramina, pode causar 
impedimento estérico entre o átomo de hidrogênio 
metílico e o par eletrônico do oxigênio da cadeia 
lateral, restringe a livre rotação em torno da 
ligação C-O e provoca perda da atividade. Quando 
o –CH3 está em posição pode observar-se um 
aumento de potencia na ordem 3,7 em relação à 
difenidramina. 
 
Figura 5: (A) Difenidramina; (B) Análogo o-metil-
difenidramina; (C) Análogo p-metil-difenidramina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
Introdução ou remoção de anel 
A introdução causa mudanças na conformação e 
aumento do tamanho global do análogo. É difícil 
prever o resultado na potência e tipo de atividade. 
O aumento do tamanho é útil no preenchimento de 
uma fenda hidrofóbica num sítio-alvo que irá 
fortalecer a ligação do fármaco ao alvo(Fig 6). 
Introdução de anéis pequenos reduz a 
possibilidade de produzir um análogo que é 
grande demais para o sítio alvo. Reduz a 
possibilidade de existência de conformeros. A 
estabilidade pode variar com a introdução de 
anéis. 
 
Figura 7: (A) Tranilcipromina(mais estável); (B) 1-Amino-2-
fenileteno (menos estável). 
 
Introduções de anéis aromáticos causam: 
 Rigidez na estrutura; 
 Aumento do tamanho do análogo; 
 Os elétrons π podem ou não melhorar a 
ligação ao sítio alvo; 
 Sistema aromático heterocíclico, a 
introdução de grupos funcionais extras que 
podem afetar a atividade. 
Sistema de anéis: análogos resistentes ao 
ataque enzimático por impedimento estérico. 
 
Figura 8: (A) Benzilpenicilina(sensível à β-lactamase); (B) 
Difenicilina(resistente à β-lactamase). 
 
O aumento das dimensões moleculares pela 
introdução de um anel pode ser extremamente útil 
quando existe uma cavidade hidrofóbica no sítio 
receptor passível de ser ocupada por aquele anel, 
fortalecendo a energia de ligação e a seletividade 
do ligante. 
Ex.: a estrutura cristalina do domínio catalítico da 
fosfodiesterase cíclica tipo quatro. Associada a 
inibidores específicos, demonstrou que a menor 
potencia do antidepressivo 3-(3,4-dimetoxi-fenil)-
butirolactam, em relação ao análogo rolibram. 
 
Figura 9: (A) 3-(3,4 dimetoxi-fenil) butirolactam; (B) Rolipram. 
Substituição do anel aromático da adrenalina pelo 
sistema conjugado naftalênico, como observado 
no pronetalol, resulta em fármacos seletivos aos 
β-receptores que possuem maior superfície, capaz 
de formar mais interações de 
Van Der Waals do que os α-receptores. 
 
Figura 10: (A) adrenalina (seletiva aos α e β-receptores); (B) 
pronetalol (seletivo aos β-receptores). 
Fechamento ou abertura de anéis: São muito 
exploradas nas sínteses de análogos quando se 
visa à intensificação da potência farmacológica. 
Há vários exemplos de novos fármacos 
planejados, seja por fechamento ou abertura de 
anel. Ex.: o fechamento do anel realça a atividade 
anorexígena na fenmetrazina. 
 
Figura 11: (A) Efredina; (B) Fenmetrazina. (A) estradiol; (B) 
Dietilestilbertrol. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
Halogênização 
A introdução de halogênios causa aumento da 
lipofilia (tendência de acumular-se nos tecidos 
adiposos). C-F é mais forte que C-H, C-Cl, C-Br e 
C-I são mais fracas que C-H que é o composto 
mais reativo. Cl e C-F3 possuem tamanhos 
semelhantes, dependem da posição da 
substituição.Os halogênios exercem 3 tipos de 
efeitos: estéricos, eletrônicos e obstrutivos. Os 
quais quando inseridos em fármacos geram 
compostos estruturalmente análogos com 
atividade biológica modificada. 
Exemplo de efeito obstrutivo é a halogenação na 
posição parados anéis aromáticos de alguns 
fármacos como o fenobarbital, a fim de impedir a 
hidroxilação, nessa posição seguida de 
conjugação com o ácido glicurônico. 
 
Figura 12: (A) fenobarbital; (B) p-clorofenobarbital; (C) p-
hidroxifenobarbital. 
 
A obtenção de análogos pela introdução de 
halogênios resulta em aumento do 
caráterlipolifilico e diminuição da solubilidade em 
água, assim como efetoras sobre a reatividade 
química, cuja intensidade depende da posição e 
natureza do halogênio. Os compostos alifáticos 
contendohalogênicos são mais reativos do que os 
aromáticos. 
 
Figura 13: (A) (2,6 Dicloro-fenil)-imidazolidin-2-ilideno-amina 
(Clonidina); (B) (3,4-Dicloro-fenil)imidazolidin-2-ilideno-amina. 
Os grupos hidroxilas quando introduzidos em 
estruturas análogas, diminuem a lipofilicidade e 
aumenta a solubilidade em água, além de 
proporcionar a possibilidade de formação das 
ligações de hidrogênio com o receptor. 
 
Figura 14:(A) Isoprenalina (agonista); (B) propanolol 
(Antagonista). 
 
 
 
 
 
 
Grupos volumosos apolares 
Esse processo é usado para converter agonista 
em antagonista, e vice-versa. A diferença entre 
agonista e antagonistas é a presença de grupos 
volumosos apolares nos antagonistas. 
A estratégia de introduzir grupos substituintes para 
formação de análogos de substância protótipos 
produz compostos com propriedades 
farmacodinâmicas, farmacocinéticas e 
toxicológicas. 
 
Figura 15: (A) Agonistas; (B) Antagonista. 
 
Um exemplo interessante encontra-se nas 
penicilinas resistentes à lactamases. Grupos 
volumosos introduzidos na proximidade do anel 
impedem por obstrução estérica a aproximação da 
enzima tornando as penicilinas assim formadas 
resistentes a elas. 
 
Figura 16: (A) Grupo volumoso; (a) Meticilina; (b) Oxaciclina;(c) 
Cloxacilina; (d) Dicloxacilina; (e) Nafelina. (B) penicilina 
resistentes à β-lactamase. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
Homólogos mais baixos e altos 
São facilmente formadas series alcânicas 
polimetilênica e ciclopolimetilênicas de 
homólogos:A atividade aumenta regularmente, 
até atingir um valor máximo, sendo os membros 
mais altos quase ou totalmente inativos; 
 
Figura 17: (A) Tiopental; (B) Barbital; (C) fenobarbital. 
Introdução de ligações duplas 
 Causam dois efeitos principais: modificando a 
estereoquimica do fármaco poderão dar origem os 
compostos de atividade diferente da apresentada 
pelo composto saturado. Alterando as 
propriedades físico-químicas, pode modificar a 
atividade biológica.A introdução ou retirada de 
duplas ligações, aumenta ou diminui a flexibilidade 
de uma molécula, de modo que pode favorecer o 
análogo a um melhor ajustamento na interação 
com o receptor.Ex.: A introdução da dupla ligação 
na prednisolona confere-lhe uma potência anti-
inflamatória 30 vezes maiores que a análoga 
hidrocortisona (cortisol). 
 
 
Figura 18: (A) Hidrocortisona; (B) Prednisolona. 
A hidrogenação das ligações duplas planares em 
compostos orgânicos confere maiores dimensões. 
Se o fármaco insaturado estiver envolvido em 
ligações de Van Der Waals com uma superfície 
plana de um receptor, incapacitando o análogo de 
e aproximar inadequadamente da superfície 
receptora, a saturação poderá enfraquecer tal 
interação acarretando perda da atividade.Ex.: o 
ácido Z-cinâmico, possui atividade reguladora do 
crescimento de plantas, enquanto que 
correspondente hidrogenado, o ácido β-fenil-
propiônico, é inativo. 
 
Figura 19: (A) ácido β-fenil-propiônico (inativo); (B) ácido Z-
cinâmico (regulador do crescimento de plantas). 
 
 
 
 
 
 
Substituição isostérica 
Isosteros são compostos ou grupos de átomos 
que têm o mesmo número e disposição de 
elétrons. Ou seja, Isósteros, são átomos, grupos 
de átomos, íonsou moléculas cuja camada externa 
eletrônica ésemelhante. 
Ex.: -SH, -NH2 e –CH3são Isósterosde –OH, -S-, -
NH- e –CH2- são isosterosde –O-. 
Biosósteros são grupos de átomos ou 
substituintes que apresentam propriedades 
biológicas similares da substância protótipo. O 
termo bioisóstero é reservado ao grupo químico 
que substitui outro grupo em uma molécula 
bioativa, desde que não comprometa a atividade 
farmacológica. A substituição biosostérica do 
átomo do hidrogênio pelo átomo de flúor é muito 
usada na preparação de análogos.Por exemplo, a 
estrutura geral dos anti-histaminicos é a seguinte: 
 
Onde X pode ser qualquer um dos seguintes 
grupos de isósteros: O,NH ou CH2. 
 
Figura 20: Isósteros: (A) procaína; (B) Procainamida; (C) 
Carbutamina; (D) Tolbutamina; (E) Nicotinamida; (F) 
Pirazinamida. 
 
Isósteros clássicos 
São os abrangidos pela definição de Erlenmeyer, 
os representados na lei deslocamento de hidreto. 
Apresentam aproximadamente o mesmo tamanho, 
forma e configuração eletrônica na camada 
externa 
-S-, e–CH=CH- 
 
Figura 21: (A) Adenina; (B) hipoxantina; (C) 6-mercaptourina 
(antitumoral). 
 
Isósteros nãoclássicos 
Os que, substituídos numa determinada molécula, 
dão origem a um composto com disposição 
estérica e configuração eletrônica semelhante às 
do composto matriz. Mas, não apresentam o 
mesmo número de átomos e as mesmas 
características estéricas e eletrônicas dos 
isosteros clássicos, mas produzem atividades 
biológicas similares. Exemplo de pares desses 
isosteros:H e F, -CO- e –SO2-, -SO2NH2e –
PO(OH)NH2 
 
 
10 
 
Processos gerais 
Há dois processos gerais usados no método da 
modificação: 
 
Associaçãomolecular 
Consiste na associação de análogos mais 
complexos do protótipo. Esses análogos 
incorporam características do composto. Há três 
tipos de associação: 
Adição molecular: associação de grupamentos 
diferentes por forças fracas; 
 
Figura 22: (A)Difenidramina; (B) 8-cloroteofilina; (C) 
Dimenidrinato. A associação de difenidramina e 8-
cloroteofilina geram Dimenidrinato um anti-histamínico. 
Replicação molecular: associação de 
grupamentos idênticos através de formação de 
ligação covalente, se a associação for de dois 
grupos, teremos duplicação molecular. 
 
Figura 23: (A) Acetilcolina; (B) Succinilcolina. A Succinilcolina é 
uma associação de duas moléculas de Acetilcolina. 
Hibridação molecular: associação de 
grupamentos diferentes ou mistos através de 
formação de ligação covalente. 
 
Figura 24: (A) ácido salicílico; (B) paracetamol; (C) 
acetaminossalol. O Acetaminossalol é a associação do ácido 
salicílico e paracetamol. 
 
 
 
 
 
Dissociação molecular 
Consiste na síntese de análogo, cada vez, mais 
simples do composto modelo. Eles são réplicas 
parciais ou virtuais do fármaco protótipo. Este 
protótipo é geralmente um produto natural de 
estrutura química muito complexa 
 
Figura 25: (A) Cocaína; (B) Benzocaína; (C) Procaína; (D) 
Tetracaína; (E) Butetamina. 
 
Figura 26: O processo de disjunção no método da variação 
aplicada à molécula do estradiol resultou no trans-
dietilbestrol, que apresenta a mesma potencia estrogênica 
que o seu protótipo estradiol e pode ser administrada por via 
oral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 
 
Latenciação 
O termo latente significa: presente ou existente, 
mas não manifestada, exibida ou desenvolvida. 
A latenciação é a transformação do fármaco de 
transporte inativo que, in vivo, mediante reação 
química ou enzimática, libera a porção ativa no 
local de ação ou próximo dele.O fármaco latente 
é uma espécie de “Cavalo de Tróia”, uma vez que 
este engana o organismo, mas não para destruí-lo 
e sim para ajudá-lo. 
As formas latentes de fármacos podem ser 
divididas em pró-fármacos e fármacos alvo. 
Pró-fármacos: é qualquer composto o qual sofre 
biotransformação antes de exibir seus efeitos 
farmacológicos.Alguns critérios devem ser 
considerados durante o planejamento do pró-
fármaco: 
 Existência de grupos funcionais na molécula 
matriz capazes de sofrer derivatização; 
 Existência de mecanismos ou sistemas nos 
organismos capazes de bioativar o pró-
fármaco; 
 Facilidade e simplicidade de síntese e 
purificação do pró-fármaco; 
 Estabilidade química de pró-fármaco. 
 Ser inativo ou menos ativo do que o fármaco 
matriz; 
 A ligação entre o fármaco matriz e o 
transportador deve ser desfeita “in vivo”, por 
via química ou enzimática; 
Um exemplo de pró-fármaco bem conhecido é a 
codeína, derivada da morfina, que, no organismo, 
se converte em morfina para promover seus 
efeitos narcóticos. 
 
Figura 27: Representação esquemática do conceito de pró-
fármaco. 
A Levodopa, utilizada para o tratamento da 
Síndrome de Parkinson, é um pró-fármaco 
dosneurotransmissores dopamina. Como a 
dopamina é muito polar (hidrofílica) precisa 
atravessar a barreira hematoencefálica (BHE), 
mas como nesta barreira existe um sistema 
transportador de aminoácidos, ele transporta a 
Levodopa. Quando a Levodopa consegue entrar 
no cérebro, ela é descarboxilada, formando a 
dopamina, fármacos ativo. 
Os métodos mais usados de latenciação são 
esterificação e a amidificação. O processo de 
latenciaçãodos fármacos ligados diretamente a 
transportadores não são hidrolisados por enzimas 
lisossômicas, dificultando a liberação da porção 
ativa. 
Nesse caso é preciso introduzir agente espaçante 
(grupo químico intermediário que se liga entre o 
fármaco e o transportador).Esses agentes 
espaçantes permitem acesso maior e melhor das 
enzimas. 
 
Figura 28: No caso dos 17-β-estradiol, a esterificação do 
grupo fenólicoaumenta em 5 a 7 vezes a sua 
biodisponibilidade oral.Estrutura química de 17-β-estradiol 
(A) e seu pró-fármaco o (B) O-sacarinilmetil-17-β-estradiol. 
 
Sabendo-se que a γ-glutamiltransferase estava 
presenteem grandes quantidades nos rins, 
pesquisadores dos LaboratóriosAbbott, em 1979, 
desenvolveram o pró-fármaco γ-glutamildopamina. 
Estesconvertem-se em dopamina, provocandoa 
dilatação preferencialmentedos vasos sanguíneos 
do órgão,efeito desejado no tratamento de 
hipotensão aguda, fase inicialdo estado de 
choque, que compreende a incapacidade do 
sistemacardiovascular em suprir adequadamente 
oxigênio e nutrientespara as células do organismo. 
 
Macromoléculas transportadoras 
É um dos sistemas baseados no princípio da 
latenciação, para diminuir toxicidade de um 
fármaco. Os transportadoresmacromoléculares 
devem apresentar as seguintes características: 
 Ser, de preferência, biodegradável; 
 Não apresentar toxicidade ou antigenicidade 
intrínseca; 
 Não acumular no organismo; 
 Apresentar grupos funcionais para ligação 
química; 
 Manter a atividade original do fármaco liberado 
até que este atinja o local de ação. 
Macromoléculas naturais 
 Proteínas (albumina, globulina); 
 Polissacarídios (dextrano, quitina, quitosano, 
inulina); 
 Ácidos nucléicos (DNA). 
Macromoléculas sintéticas 
 Ácidos poliamínicos (polilisina, ácido 
poliaspártico, ácido poliglutâmico). 
Macromoléculas mistas 
 Copolímero de anidrido estireno de ácido 
maléico (SMA); 
 Copolímero de anidrido éter divinil maléico 
(DIVEMA); 
 Copolímero de N-(2-hidroxipropil) 
metacrilamida (HPMA); 
 Polietilenoglicol (PEG); 
 Álcool polivinílico (PVA). 
12 
 
FÁRMACOS ANTIMICROBIANOS 
CLORAFENICOL 
 Também chamado Levomicetina. É pouco 
solúvel em água. A administração por via oral é 
contra indicada ou impraticável. O clorafenicol é 
usado para infecções graves, como, H influenzae 
resistente a outros fármacos, meningites em 
pacientes que não podem usar penicilinas, 
conjuntivite bacteriana. 
 O clorafenicol age contra bactérias gram-
positivas e negativas, aeróbias, clamídias e 
espiroquetas. O clorafenicol inibe a síntese 
proteica bloqueando a subunidade de 30S 
ribossômica. 
 
Relação de estrutura atividade 
 Sua estrutura fundamental é essencial para 
atividade. Apenas o isômero natural possui 
atividade antibacteriana elevada. Modificações 
moleculares não conduziram a compostos 
melhores. O grupo nitro pode ser substituído, 
sem perda significativa de atividade, por outros 
grupos puxadores de elétrons: acetil (CH3CO– 
cetofenicol); metilsulfonila [CH3SO2 – tianfenicol]. 
 A inativação se dá por acetilação das hidroxilas, 
portanto eles devem estar livres para a substância 
apresentar a atividade biológica. A amina deve ser 
sempre secundária, se for terciária torna-se 
inativa. O clorafenicol é usado como antibiótico de 
amplo espectro. 
 
Figura 29: (A) a presença da unidade Propanodial é crucial a 
atividade; (B) os grupos OH não podem ser protegidos, 
provavelmente estão relacionados à formação de pontes de 
hidrogênio o receptor; (C) a dicloroacetamida é importante 
para a atividade, mas pode ser substituída por outros grupos 
eletronegativos; (D) o grupo NO2 pode ser substituído por 
outro que entre em ressonância com o anel; (E) a 
estereoquimica R, R é crucial para atividade. 
 Produtos de biotransformação do clorafenicol 
 
Figura 30: (A) sítio de glicuronidação; (B) sítio de redução. 
Análogos do cloranfenicol obtidos por substituição 
bioisostérica. 
 
 
TETRACICLINA 
 Caracteriza-se pelo esqueleto do 
octaidronaftaceno, sistema formado de quatro 
anéis condensados, e pelo seu amplo espectro de 
ação. A tetraciclina é um derivado obtido por 
latenciação são menos tóxicos, portanto efeitos 
adversos menores. Os efeitos adversos: 
discrasias sanguíneas, deposição (nos dentes) 
dos compostos por quelação do cálcio e também 
compromete o crescimento ósseo. Esse antibiótico 
inibe a síntese de proteínas aminoarilno RNAt, 
impedindo que se ligue ao RNAm. Apresentam 
certa instabilidade na posição 6. 
 
Relação estrutura atividade 
 A tetraciclina possui cinco centros quirais. As 
características importantes para a atividade 
quimioterápica são: 
O grupo 2-amida um dos átomos de hidrogênio 
pode ser substituído sem a perda da atividade; 
A fração 4-metilamino, a remoção deste grupo 
resulta em perda substancial da atividade; 
A esteroquimica correta da fração 
acimamencionada, as 4-epitetrociclinas são 
menos ativas que as tetraciclinas naturais; 
A esteroquimica correta dos substituintes no 
carbono 5, a epimerização ou desidrogenação 
causa sensível perda de atividade. 
Sistema conjugado formado pelos átomos de 
carbono 10 e 12, no qual o oxigênio se dispõe nas 
posições 10, 11, e 12, parece ser essencial para a 
ocorrência de atividade em compostos de 
atividade mínima ou até compostos 
complementares inativos. 
 
Figura 31: Esquema do sítio de ligação das tetraciclinas ao 
RNAr e informações de REA. (A) Tetraciclina; (B) 
Oxitetraciclina; (C) Doxiciclina. 
 
Figura 32: (A) região com liberdade para modificação 
molecular; (B) Região limitada quanto a alterações 
estruturais. 
 
13 
 
MACROLÍDEOS 
 São substâncias de amplo espectro. Os 
macrolídeos também sofrem latenciação para 
diminuir ação dos efeitos adversos. Ele inibe a 
síntese proteica pela ligação a subunidade 50s 
dos ribossomos 70s das bactérias. Estes 
compostos destroem a flora microbiana natural, e 
também desequilibra os componentes desta flora. 
São usados em infecções por: 
 Bordetella pertusis; 
 Corynebacterium diphtheriae; 
 Legronella pneumophila; 
 Mycoplasma pneumoniae 
 pneumococcus... 
 Os efeitos adversos são perda da audição, febre, 
colite, erupções cutâneas. 
 
Relação estrutura atividade 
São caracterizados por 5 estruturas em comum: 
 Grande anel lactona (éster cíclico) com 12 a 
17 carbonos; 
 1 grupo cetona; 
 1 ou 2 aminoaçúcares unidos ao núcleo por 
ligações glicosídicas; 
 1 açúcar neutro ligado ao aminoaçúcar ou ao 
núcleo; 
 1 grupo dimetilamino no resíduo de açúcar. 
 
Figura 33: Eritromicina (A) macrolactona; (B) açúcar; (C) 
aminoaçúcar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SULFAS 
 A primeira sulfa foi sintetizada em 1908, e foi 
patenteada em 1909, como possível agente 
antibacteriano. O termo sulfonamidas é usado 
para referir-se aos derivados do para-amino-
benzeno-sulfonamida. 
 As sulfonamidas são inibidores competitivos da 
di-hidropteroato-sintetase, a enzima bacteriana 
responsável pela incorporação do PABA no ácido 
di-hidropteroico, precursor imediato do ácido 
fólico. A imagem abaixo caracteriza as interações 
de sulfas e PABA com a enzima 
diidropteroatosintase. 
 
Figura 34: (A) Sulfanilamida; (B) PABA; (a) ligação de H; (b) 
Van Der Waals; (c) ligação iônica. 
 Os microrganismos sensíveis são os que 
precisam sintetizar seu próprio ácido fólico, as 
bactérias capazes de usar o folato pré-formado 
não são afetadas. As sulfonamidas apresentam 
um amplo espectro de ação: Gram positivo, 
negativo, e protozoários. As sulfonamidas são 
usadas para infecções como: 
 Sistêmicas (ação lenta, intermediária e 
longa); 
 Intestinais; 
 Urinárias (excreção lenta); 
 Vaginais; 
 Oftálmicas (conjuntivites, tracoma); 
 Outros fins. 
 São bacteriostáticos. Podem causar vários 
efeitos adversos como, deposição de cristais na 
urina, Hipersensibilidade,discrasias sanguíneas 
(leucopenia, agranulocitose, anemia hemolítica), 
Hepatotoxidade, Náuseas, Vômitos, Dor de 
cabeça. 
 
Relação estrutura atividade 
 O grupo p-NH2 desse composto é essencial e só 
pode ser substituído por radicais capazes de 
serem convertidos in vivo em grupo amino livre. 
 Essas substituições possuem efeitos variáveis 
sobre a atividade antibacteriana da molécula. As 
sulfonamidas são análogos estruturais e 
antagonistas competitivos do ácido para-
aminobenzoico (PABA) e impedem o uso pelas 
bactérias na síntese do ácido fólico ou vitamina 
B9. 
 
14 
 
 
Figura 35: as moléculas de sulfonamidas e as de PABA são 
muito semelhantes. (A) PABA; (B) Sulfonamida. 
 
Figura 36: Por terem estruturas moleculares muito parecidas 
as sulfonamidas e os PABAs possuem também nuvens 
eletrônicas muito parecidas. (A) PABA; (B) Sulfonamida. 
 
Figura 37: (A) sulfanilamida, protótipo da classe das 
sulfonamidas; (B) sulfadiazina; (C) sulfametoxazol;(D) 
sulfadimetoxina; (F) ftalilsulfacetamida; (G) 
sulfametoxipiridozina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTIBIÓTICOS β-LACTÂMICOS 
 A semelhança estrutural entre as cefalosporinas 
e penicilinas com o grupo terminal D-alanil-D-
alanuna da porção pentapeptidica, destes 
glicopeptídeos nascentes faz com que a enzima 
se ligue aos antibióticos por ligações covalentes, 
impedindo desta maneira a formação da parede 
celular bacteriana. 
 Ao nível molecular, o mecanismo de ação 
consiste em ataque nucleofílico do grupo tiólico da 
enzima ao carbono carbonílicos do anel β-
lactamico das penicilinas e das cefalosporinas. 
 Como consequência, a alta pressão interna das 
bactérias provoca a ruptura da parede celular, o 
extravasamento do citoplasma e a subsequente 
morte do microrganismo. Estes antibióticos agem 
em bactérias em crescimento. 
 
 
Figura 38: (A) Penicilina; (B) Cefalosporina. 
Penicilina 
 A maioria das penicilinas é usada na forma de 
sais de sódio, potássio ou outros, todos 
hidrossolúveis, as penicilinas livres são poucos 
solúveis em água. 
 
Relação estrutura atividade 
 As penicilinas fazem parte do grupo dos 
antibióticos β-lactâmicos clássicos, caracterizado 
por três aspectos estruturais em comum: 
 Estrutura β-lactâmicos; 
 Carboxila livre; 
 Grupo amino. 
 
 Figura 39: (A) β-lactama; (B) Tiazolidina; (C) núcleo da 
penicilina; (D) determina propriedade farmacológica; (E) 
essencial para atividade antibiótica. 
 
15 
 
 Todas as penicilinas possuema mesma estrutura 
geral B-lactamico com três quirais. Devido ao 
grupo carboxílico ligado ao anel condensado, 
todas as penicilinas são ácidos fortes. 
 Devido à tensão à qual se encontram submetidas 
à ligação amidica no anel β-lactamico condensado 
do núcleo, faz com que as penicilinas sejam 
bastante reativas. Elas são suscetíveis a ataques 
núcleo e eletrofílicos. São inativadas por hidrolise, 
especialmente de bases e também por ação 
catalítica de enzimas; acilase e β-lactamase. A 
figura abaixo mostra as características essenciais 
para atividade das penicilinas 
 
Figura 40: (A) amida; (B) estereoquimicacis; (C) lactama; (D) 
sistema biciclico; (E) carboxilatolivre 
Penicilina semi-sintética 
 Inicialmente as penicilinas foram isoladas de 
cultura de fungos Penicillium notatum e P. 
chrysogenum. Mais tarde, passou a ser obtidas 
pela adição de precursores, como ácidos 
carboxílicos ou compostos relacionados, ao meio 
de fermentação. Como nenhum desses métodos é 
eficaz, foi desenvolvido o isolamento do ácido-6-
aminopenicilâmico (6-APA) nos laboratórios de 
pesquisa da Beecham, em 1959. Uma vez obtido 
o 6-APA, escolhe-se o R conveniente na forma de 
ácido carboxílico e um agente condensador e 
também RCOOR’, RCOCl (+ aceptor de ecomo 
piridina ou mesmo RCOOCOR). 
 
Figura 41: (A) penicilina; (B) 6-APA; (C) penilaldeído; (D) 
penicilamina; (E) ácido penilico; (a) amidase; (b) sais de 
mercúrio. 
 
Presença de -lactamases 
 Mecanismo mais importante pelo qual as 
bactérias desenvolvem resistência à penicilina. 
 
Figura 42: (A) β-lactamase. 
 
 
Cefalosporina 
 Isolada em 1948, são antibióticos β-lactâmicos 
clássicos que apresentam as mesmas 
características estruturais das penicilinas. É ativa 
contra bactérias Gram-positivas e Gram-
negativas, mais resistente à hidrólise ácida e às b-
lactamases. A cefalosporina é um bactericida de 
espectro de ação contra S. aureus, S.epidermidis, 
Klebsiellasp, etc. os microrganismos resistentes a 
cefalosporinas são os S. meticilina-resistentes. A 
cefalosporina é muito usada em pneumonias, 
infecções urinárias, infecções da pele e de tecidos 
moles, infecções das vias aéreas superiores e etc. 
A interação medicamentosa ocorre com 
aminoglicosídeos, diuréticos de alça e a 
vacomicina potencializa a nefrotoxidade. As 
reações adversas são hipersensibilidade, diarreia, 
necrose tubular renal e nefrite intersticial. 
 
Relação estrutura atividade 
Cefalosporina clássica: 
 Anel β-lactâmicos fundido a um anel di-
hidrotiazinico, levando a menor tensão que as 
penicilinas. 
 Grupo carboxílico na posição 4. 
 Ramificação em C-3, relacionada com as 
propriedades farmacocinéticas (R´). 
 Ramificação em C-7, relacionada com 
espectro antibacteriano (R´´). 
 CH3- em C7, aumenta a resistência à β-
lactamse. 
 Cadeia lateral amídica adequadamente 
substituída. 
 Dois centrosquirais (quatro formas opticamente 
ativas): somente os estereoisômeros 6R:7R 
apresenta ativação biológica. 
 Possibilidade de ressonância da enamina no 
anel di-hidrotiazínica, se R´ tiver grupo retirada 
de elétrons ou grupos abandonados, 
aumentando a potência e a reatividade. 
 
 Menos potente que a penicilina. A menor tensão 
do sistema biciclico é compensada, em termos de 
reatividade, pela presença do grupo acetoxi que 
funciona como um bom grupo abandonante no 
mecanismo de inibição. Mecanismo de inibição da 
transpeptidase é o mesmo que paraas penicilinas 
 
16 
 
 
 O sistema biciclico é importante 
 O grupo carboxilato na posição 4 é importante 
É possível fazer modificações: 
 Na cadeia, lateral 7-acilamino 
 Na cadeia lateral 3-acetoximetilo 
 Substituição extra no carbono 7 
 
Figura 43: (A) Cefalotina, Uma das cefalosporinas de 1ª 
geração mais utilizada; (B) Menos ativo, o álcool é pior grupo 
abandonante. 
 
O grupo piridinio é metabolicamente mais 
estável.Bom grupo abandonante. A cefaloridina 
é solúvel em água, mas pouco absorvida por via 
oral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
HIPNÓTICO E SEDATIVO 
São depressores gerais ou não seletivos do 
sistema nervoso central; usados para reduzir a 
inquietação e tensão emocional e para induzir 
sono ou sedação. 
Os sedativos são usados em situações de tensão 
emocional, hipertensão, potencialização de 
analgésico, controle de convulsões, adjuvantes da 
anestesia, narcoanálise. Os hipnóticos são usados 
para combater casos de insônia de diversos tipos; 
em muitos casos, a insônia provém de problemas 
não resolvidos. A diferença entre a ação hipnótica 
e a sedativa depende da dose: doses maiores 
causam efeitos hipnóticos, ao passo que doses 
menores produzem sedação. As reações adversas 
mais comuns são: sonolência, letargia e ressaca. 
Coma e até a morte, causadas pela depressão 
dos centros medulares vitais do cérebro resultam 
de superdose. O uso prolongado, mesmo em dose 
terapêuticas, pode causar dependênciafísica e 
psíquica. 
 
SONO 
 É um estado fisiológico cíclico, caracterizado no 
ser humano por estágios, que se diferenciam de 
acordo com o padrão do eletroencefalograma e a 
presença ou ausência de movimentos oculares 
rápidos (rapid eye movements REM) um ciclo 
noturno de 90 minutos marca a variação entre os 
quatro estágios do sono não-REM para o sono 
REM, descrevendo uma arquitetura característica, 
com proporções definidas de cada estágio, que 
variam segundo a faixa etária. 
 Num individuo normal o sono noturno inicia-se 
pelo estágio 1 do sono Não-REM, após um tempo 
de aproximadamente de 10 minutos. Após poucos 
minutos em sono 1, há o aprofundamento para o 
sono 2, em que se torna mais difícil despertar do 
indivíduo. Após 30 a 60 minutos, instala-se o sono 
de onda lentas, respectivamente, os estágios 3 e 
4, com interpretação de ambos no decorrer desta 
etapa mais profunda do sono Não-REM. Passados 
90 minutos, acontece o primeiro sono REM, que 
costuma ter curta duração no inicio da noite 10 a 
20 minutos, completando-se o primeiro ciclo Não-
REM-REM do sono noturno. 
 O organismo humano apresenta ciclos de 
secreções hormonais e neurotransmissores, bem 
como, padrões de atividade de determinados 
centros encefálico, que se acoplam aos 
sincronizadores externos para permitir uma 
variação do bio-ritmo do repouso e atividade, em 
sintonia com o ciclo circadiano da terra.Um centro 
encefálico importante nesta sincronização é o 
núcleo supra-óptico, no hipotálamo anterior, que 
recebe impulsos luminosos carreados pelo nervo 
óptico, tendo a luz como um dos elementos que 
controlam o funcionamento deste centro. 
 Os estímulos luminosos também atuam sobre a 
glândula pineal, que secreta a melatonina, um 
neuro-hormônio implicado na cronobiologia do 
ciclo vigilia-sono. A secreção de melatonina segue 
um padrão programado com seu pico máximo nas 
primeiras horas da noite. Alguns hormônios e 
neurotransmissores tem sua secreção vinculada 
ao ciclo vigilia-sono, facilitando o estado de vigília 
ou estado de sono. 
Nas primeiras horas da manhã, há aumento da 
secreção do hormônio tireoidiano, de cortisol e de 
insulina. O hormônio do crescimento tem seu pico 
de secreção durante o sono Não-REM, assim 
como a testosterona. A maioria dos fármacos que 
atuam no SNC diminui o sono REM. O uso 
prolongado causa tolerância, e déficit crônico no 
sono REM. 
 
BENZODIAZEPINAS 
 Esta classe tem inúmeros fármacos introduzidos, 
entre eles temos: alprazolam, cetazolam, 
ciprazepam, etc. embora tenham ação hipnótica e 
sedativa, estes fármacos, são mais usados como 
ansiolítico. Alguns mecanismos bioquímicos 
explicam a ação dos hipnóticos e sedativos, tais 
como inibição especifica de enzimas respiratórias 
e desacoplamento da fosforilação oxidativas. 
 São moduladores alostéricos do receptor, só 
produzem efeitos se o GABA tiver sido liberado do 
neurônio pré-sináptico e se encontrar no receptor. 
 Os benzodiazepínicos aumentam a duração do 
sono estágio 3 e 4 Não-REM, supressão do sono 
REM, diminuem a latência do sono. Eles são 
indicados para pessoas com ansiedade, 
transtorno de ansiedade, convulsões, síndrome do 
pânico, abstinência alcoólica, depressão, etc. 
 Os benzodiazepínicos têm rápida redistribuição 
do SNC para outros tecidos, rápida eliminação por 
biotransformação e presença de metabólitos 
ativos. 
 Este fármaco tem ação curta seu tempo de meia 
vida é mais ou menos de 6 horas. Seus efeitos 
colaterais são sonolência, confusão, amnésia, 
euforia, alucinações, ansiedade, taquicardia e 
efeitos aditivos com outros depressores do SNC. 
 O uso prolongado causa abstinência é 
inversamente os benzodiazepínicos prolongam a 
ação do GABA. 
 Os benzodiazepínicos mais consumidos de 
forma ilícita são o Lorazepan e o Aloprazolam. 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
Relação estrutura atividade 
 O termo benzodiazepínicos refere-se à porção da 
estrutura composta por um anel benzeno fundido 
a um anel diazepínico de 7 membros. Todos os 
benzodiazepínicos têm um substituintes 5 arilas. 
 
Figura 44: (A) anel aromático ou heteroaromático essencial 
para atividade. Grupo eletronegativo e, C7 aumenta a 
atividade. Substituintes em 6, 8 e 9 diminui a atividade; (B) 
Interação com resíduos de no receptortriazol e imidazol-
benzoadiasepia aumenta a afinidade; (B3) 3-OH-excreção 
facilitada: (C) Grupo acessório relação com planaridade do 
anel A, 5-fenil-1,4-benzodiazepin-2-ona. 
 
Figura 45: (A) anel benzênico; (B) anela diazepínico; (C) 
substituinte 5-arila. 
 
Figura 46: (A) Lorazepan; (B) Estaolan; (C) Flurazepan. 
. 
 
Figura 47: (A) Cefalozan; (B) Oxazolam; (C) Clobazam, a 
variação da posição dos átomos de nitrogênio (1,4)só 
conduziu a derivados ativos no caso das 1,5-benzodiazepinas 
. (AB) os derivados do tipo hemiaminal que tem um anel 
fusionado em d (cetazolan e oxazolam) são pró-fármacos que 
se transformam após ativação em benzodiazepinos clássicos. 
 
 
BARBITÚRICOS 
 Até hoje, sintetizamos mais de 3000 barbitúricos, 
mas comercializamos apenas cerca de 30. Os 
barbitúricos têm ação sobre o SNC e o músculo 
esquelético, liso e cardíaco. Dependendo da dose 
e via de administração, os barbitúricos produzem 
diferentes graus de depressão do SNC. Eram 
usados como sedativos e hipnóticos, hoje em dia 
sua aplicação é como anestésico e 
anticonvulsivante. Os barbitúricos podem 
potenciar a ação GABAérgica inibitória de um 
modo parecido aos benzodiazepinas, porque 
levam a um aumento de abertura do canal de Cl 
também reduzem a transmissão glutaminérgica. 
 
Relação estrutura atividade 
 Apenas os ácidos barbitúricos 5,5-di-substituido 
ou os 5,5-tiobarbitúricos possuem propriedades 
hipnóticas, anticonvulsivos ou anestésicos 
aceitáveis. A natureza do substituinte em C5 
influencia o tempo de meia vida. O tempo de meia 
vida é curto ou muito curto são obtidos 
comsubstituintes insaturados ou halogenados. 
Substituintes alifáticos saturados ou aromáticos 
dão aos barbitúricos com tempo de meia vida 
longas. 
 
Figura 48: (A) o aumento do número de carbono aumenta a 
lipofilicidade: ramificação, insaturação, substituição de 
aromáticos e ciclos por alifáticos, aumenta a atividade e 
encurta a ação. Halogênio em R1 e R2= alquila aumenta a 
potencia. (B) alquilas em R3 encurtam ação, alquilas nos dois 
nitrogênios, inativa a molécula (não-ácido). (C) enxofre (S) 
encurta ação. 
 
 Ação longa- grupo fenilainsaturado em 5; 
 Ação curta- cadeia longa em 5; 
 Ação intermediária- cadeias menores e menor 
ramificadas em 5; 
 Ação-ultra curta- 5 em 2 cadeias longas em 
5. 
 
Figura 49: (A) Amorbarbital; (B) butabarbital; (C) 
pentobarbital; (D) fenilbarbital; (E) secobarbital. 
 
 
 
19 
 
ANTIDEPRESSIVOS 
 Os transtornos do humor são desordens 
psiquiátricas em que há predomínio de alterações 
de humor e sintomas vegetativos associados de 
alterações no apetite, libido, sono, peso, etc. que 
perduram por semanas a meses. 
 A teoria monoaminérgica da depressão propõe 
que a depressão é consequência de uma menor 
disponibilidade de aminas biogênica cerebrais, em 
particular de serotonina, noradrenalina e 
dopamina. 
 O mecânismo de ação dos antidepressivos 
baseia-se no aumento da disponibilidade desses 
neurotransmissores na fenda sináptica, seja pela 
inibição de suas recaptação, pela inibição da 
enzima responsável pela degradação. 
 Os primeiros antidepressivos foram descobertos 
por acaso ha mais de 40 anos. Somente mais 
tarde se determinou que a ação desses agentes 
se fizesse pela inibição da enzima 
monoaminoxidase (MAO) ou pelo bloqueio da 
recaptação de noradrenalina ou serotonina. 
 
INIBIDORES MAO 
 Foram uns dos primeiros fármacos usados no 
tratamento da depressão. A MAO é uma enzima 
portadora de flavina, localizada na membrana 
externa das mitocôndrias e encontradas nos 
terminais nervosos, no fígado e em outros órgãos. 
Estas enzimas oxidativas inativa as aminas 
biogênicas, tais como NE, DA e 5-HT Os 
inibidores de MAO ligam-se de forma irreversível e 
não seletiva às enzimas MAO-A e MAO-B. 
 
Figura 50:(A) Isocarboxazida; (B) fenelzina; (C) irponiazida; 
(D) moclobemida inibidor reversível MAO-A 3ª geração. 
 
INIBIDORES DA RECAPTAÇÃO SEROTONINA 
 A luoxetina é um antidepressivo seletivo para 
inibição da recaptação de 5-HT apresenta pouca 
toxicidade. Eles estão envolvidos no aumento da 
neurotransmissão serotoninérgica em algumas 
áreas do cérebro, pelo aumento da liberação de 5-
HT somatodendríticos e terminais, os quais, 
normalmente, exercem efeito negativo sobre os 
neurônios serotonérgicos. 
 
 
TRICÍCLICOS 
São relativamente não seletivo em suas ações, 
sendo caracterizado como inibidores da 
recaptação de NE e 5-HT. Os fármacos tricíclicos 
atuam como inibidores do mecanismo de 
recaptação neuronal. Estão associados às suas 
similaridades conformacionais com a NE. 
 
Relação estrutura atividade 
 Estruturalmente os tricíclicos não muitos seletivos 
ao neurotransmissor apresentam, anel tricíclico, 
cadeia com três carbonos e amina terciária. 
 
Figura 51: (A) amitriptilina; (B) imipramina; (C) clomipramina; 
(D) doxepina; (E) trimipramina. 
 
Figura 52: (A) nortriptilina; (B) desipromina; (C) protriptilina. 
Os tricíclicos mais seletivos para inibição de recaptura de 
NOR apresenta anel tricíclico, cadeia com 3 carbonos e amina 
secundária.20 
 
ANESTÉSICOS 
ANESTÉSICOS LOCAIS (AL) 
 São usados para abolir a sensação da dor em 
regiões restritas do corpo.São muito usados em 
cirurgias odontológicas e oftalmológicas, com 
intenção de provocar o bloqueio parcial ou 
completo, da transmissão de impulsos nervosos 
periféricos ou terminações nervosas. 
 Compreende um grande número de moléculas 
de diferentes estruturas químicas, como amino-
ésteres, amino-amida, amino-cetonas, amidas, tio-
esteres, tio-aminadas, derivados da ureia, 
poliéster, derivados de monoterpenos decarano, 
capazes de bloquear, reversivelmente a condução 
do estimulo nervoso. 
 Os anestésicos locais podem ser ineficazes em 
áreas inflamadas, pois nestas o pH é ácido 
facilitando a ionização do fármaco, 
impossibilitando sua penetração no neurônio e 
consequentemente não havendo interação com 
seu receptor intracelular. 
 A cocaína foi isolada em 1860, por Albert 
Niemann que constatou que a mesma causava 
entorpecimento da língua. 
 
Figura 53:Albert Niemann (1834-1861) foi o primeiro a isolar a 
molécula da cocaína, também descobriu o gás mostarda, muito 
usado na 1ª guerra mundial. Começou sua carreiracomo 
estagiário de farmácia na prefeitura de göttigem. 
 
 
Figura 54: molécula de cocaína vista de quatro formas. 
 
 As propriedades anestésicas da cocaína levaram 
à sua classificação como o primeiro anestésico de 
ação local. A tentativa de diminuir o potencial 
tóxico da cocaína levou ao desenvolvimento de 
análogos sintéticos e, em 1980, sintetizou-se a 
benzocaína, um éster derivado do ácido 
benzoico, assim como da cocaína, em 1904 
apareceu o primeiro AL sintético, a procaína. 
 
Figura 55: (A) Cocaina; (B) procaina; (C) Benzocaina. 
Relação estrutura atividade 
 A estrutura química típica dos ALs se caracteriza 
por uma região hidrofílica (grupamento amina) e 
outra hidrofóbica (anel aromático)separadas por 
um grupo polar do tipo éster ou amida. 
 
Figura 56: (A) Resíduo aromático (lipofílico); (B) cadeia 
intermediária éster ou amida; (C) resíduo amínico terciário 
(hidrofílico). 
 
Figura 57: Fórmula geral dos ALs. (A) Centro lipofílico; (B) 
Cadeia intermediária; (C) centro hidrofilico. 
 
 O radical aromático é a porção lipossolúvel 
(penetra no nervo) a cadeia intermediária trata da 
variação da potência e toxicidade, e o grupo 
amina ionizável sofre influência do pH do meio, 
influenciando a velocidade de ação. 
 Os anestésicos locais apresentam valores de 
pKa 7,6 a 8,9, o que gera diferenças na proporção 
entre a forma neutra e a carregável. Por serem 
moléculas anfifílicas, os Als têm grande afinidade 
pelas membranas celulares. 
 Os exemplos de amidas são a lidocaína, 
bupivacaína e prilocaína. Os exemplos de ésteres 
incluem a cocapina e ametocaína. 
 
Figura 58: (A) Lidocaína; (B) Bupivacaína; (C) Prilocaína. 
 A ligação molecular que existe nos ALs do tipo 
éster é mais fácil de ser quebrada que a ligação 
molecular do grupo amida, por isso os ésteres são 
mais estáveis em solução e não podem ser 
armazenados por tanto tempo quanto as amidas. 
 
Figura 59: Ligação da molécula da procaína ao aceptor. 
 
 A introdução de um grupo retirador de elétrons 
(NO2) na posição para do anel fenílico diminui esta 
Cδ+ e Oδ-, reduzindo a potência do anestésico 
local. 
 
Figura 60: – Influência dos grupos substituintes no anel 
aromático dos ALs. (A) Favorável; (B) desfavorável. 
21 
 
 No primeiro caso, o composto resultante uni-seá 
ao aceptor firmemente, e assim prolongará a ação 
anestésica local. 
 No segundo caso, o composto resultante não 
poderá ligar-se tão bem ao aceptor, quanto o 
composto matriz e, consequentemente, sua 
atividade anestésica local será reduzida. 
 O mesmo resultado será obtido se o sistema de 
duplas ligações conjugadas for interrompido com a 
introdução de um grupo -C- ou -C-C- entre o anel 
aromático e o grupo carbonila. 
 Em todos os ALs dos tipos éster e amida o grupo 
carbonila é ativado pela presença de carga 
positiva parcial no átomo de carbono. Isso é 
possibilitado pelas duplas ligações conjugadas, 
que permitem à nuvem eletrônica π do anel 
aromático deslocalizar-se até o oxigênio da 
carbonila. 
 
Figura 61: Efeito sobre a nuvem eletrônica π, da introdução 
de um grupo –CH2- entre o anel aromático e o grupo 
carbonila. 
 
 Quanto à duração do efeito, ela depende da 
velocidade de hidrólise enzimática e da 
hidrofobicidade dos compostos. Assim, na 
seguinte série de anestésicos locais a duração do 
efeito aumenta progressivamente na seqüência: 
 
Figura 62: (A) Procaína; (B) lidocaína; (C) prilocaína; (D) 
mepivacaína; (F) bupivacaína. 
 
 O metabolismo da maioria dos ésteres resulta na 
produção de ácido-amino-benzóico (PABA) que 
pode ser associado a reações alérgicas, enquanto 
as amidas raramente causam reações alérgicas 
 
Figura 63: (A) Éster; (B) Amida. Modificação durante a ação. 
 Todos os ALs são bases fracas, podendo se 
apresentar de duas formas: não ionizada (B) ou 
ionizada (BH+). O pKa de uma base fraca define o 
pH no qual as duas formas coexistem em 
equilíbrio como o pH dos tecidos difere do pKa de 
uma determinada droga, haverá maior proporção 
de uma das formas, a ionizada ou não ionizadas. 
 Mecanismo de ação: Os ALs bloqueiam a ação 
de canais iônicos na membrana celular neuronal 
impedindo a neurotransmissão potencial de ação. 
 A forma ionizada do AL liga-se de modo 
especifico aos canais de sódio, inativando-os e 
impedindo a propagação da despolarização 
celular. A ligação específica ocorre no meio 
intracelular ultrapassando a membrana plasmática 
para então bloquear os canais de sódio. 
 O bloqueio das fibras nervosas ocorre 
gradualmente, iniciando com a perda de 
sensibilidade a dor, a temperatura, ao toque, a 
perda de tônus muscular esquelético. 
 Em membranas excitáveis, eles inativam canais 
de sódio voltagem dependentes, impedindo o 
influxo de íons necessários à despolarização da 
membrana. 
 Os mecanismos de ação do AL envolvem tanto a 
interação com a fase lipídica membranar quanto 
com o sítio na proteína canal de sódio voltagem-
dependente, os Als ligam-se a uma ou mais 
regiões diferentes da proteína canal de sódio, 
bloqueando o transporte de íons. 
 A teoria dos lipídios sugere que o AL, por sua 
atividade na bicamada lipídica, produz uma 
alteração no empacotamento dos lipídios, 
causando uma modificação conformacional nos 
canais de sódio, o que levaria a inativação 
temporária da mesma. 
 
Figura 64: propagação do impulso nervoso. 
 
Figura 65: (A) região extracelular; (B) citoplasma; (AL) 
anestésico local; (C) canal de sódio. Interação AL com a fase 
lipídica e as possíveis vias de acesso deste sítio na proteína 
canal de sódio. 
 Efeitos adversos: A superdose de AL e a 
absorção sistêmica rápida podem provocar 
reações sistêmicas adversas afetando o SNC, 
com sintomas como, náuseas, euforia, tontura e, 
na pior das hipóteses, convulsões, coma, parada 
cardíaca ou respiratória e morte, o sistema 
cardiovascular, com bradicardia, hipotensão e um 
estado semelhante de choque. 
 
 
 
 
 
 
 
22 
 
ANESTÉSICOS GERAIS (AGs) 
 São fármacos que produzem analgesia, perda de 
consciência, relaxamento muscular e redução da 
atividade reflexa, deprimindo não seletivamente, 
mas reversivelmente, o SNC. 
 Classificação: Os AGs são divididos em 
anestésicos por inalação e anestésicos 
intravenosos. 
 
Anestésicos por inalação (AI) 
 Podem ser gases ou líquidos voláteis, variam 
quanto à potência, segurança e a capacidade em 
induzir anestesia e relaxamento muscular. Com 
base em sua estrutura química, os líquidos 
voláteis são divididos em éteres e hidro 
carbonetos halogenados. 
 
Óxido nitroso 
 Conhecido também como gás do riso, é incolor e 
não-inflamável, com sabor doce. É o menos tóxico 
dos anestésicos gasosos. É obtido pela 
decomposição térmica do nitrato de amônio. 
N2O 
 
Éter 
 Líquido incolor, muito volátil, inflamável, com 
odor pungente. O éter é preparado por vários 
métodos. O mais usado

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