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Paralisia Facial Periférica Daniel de Sousa Ribeiro • Objetivos • Descrever a anatomia do nervo facial; • Diferenciar a paralisia facial central da paralisia facial periférica; • Descrever o quadro clínico da paralisia facial periférica; • Descrever a avaliação do paciente com paralisia facial periférica; • Elaborar um plano de tratamento para pacientes com paralisia facial periférica baseado nos modernos conceitos de controle motor; • Estrutura do Conteúdo • Descrever anatomicamente o nervo facial • Correlacionar o nível da lesão com a sequela apresentada pelo paciente • Diferenciar a paralisia facial central da periférica • Etiologia • Exames complementares (ENMG) • Avaliação fisioterapêutica • Retreinamento motor da face • Descrita pela primeira vez em 1821 pelo britânico Sir Charles Bell, a paralisia de Bell (PB) consiste na paralisia do sétimo par craniano (nervo facial) de forma aguda, sem causa detectável, caracterizada clinicamente desde paresia facial unilateral e dor retro auricular até diminuição da sensibilidade gustativa e alterações de produção lacrimal. • A paralisia facial periférica ocorre devido a interrupção do nervo facial (VII par de nervos craniano) em seu trajeto a partir de sua origem aparente no encéfalo, no sulco bulbo pontino, ou durante sua passagem pelo interior do osso temporal devido a diferentes fatores etiológicos. • O 7º nervo facial é um dos 12 nervos cranianos; • É um nervo misto; • Sua maior porção, motora; • Inerva 26 músculos faciais, com funções diferentes; • Menor porção possui componentes funcionais com fibras aferentes sensitivas e fibras eferentes parassimpáticas. UMN esq LMN dir CENTRAL PERIFÉRICO Etiologia Incidência • Estima-se que a incidência da doença seja de 13 a 34 casos por 100.000 pessoas por ano nos Estados Unidos e de 11,5 a 40,2 casos por 100.000 pessoas por ano na Espanha. • Afeta ambos os sexos, no entanto a incidência é maior em mulheres grávidas (45 casos por 100.000). • As hemifaces são acometidas com a mesma frequência. • A incidência é maior em pessoas com mais de 70 anos (53 por 100.000) e menor em indivíduos com menos de 10 anos (4 por 100.000) Exame Físico Diagnóstico É basicamente clínico RNM de encéfalo – Demonstra aumento da captação do nervo facial em alguns de seus segmentos. Também exclui outras causas de paralisia facial. Eletroneuromiografia - Também pode ser útil para predizer o prognóstico. ENMG Classifico a lesão de acordo com a agressão – processos de compressão •Neuropraxia •Axonotimese •Neurotimese – Neuropraxia: axonios sem descontinuidade – Axoniotmesis: • Degeneração Walleriana (distal a lesão) • Bainhas endoneurais intactas – Neurotmesis: • Degeneração Walleriana (distal a lesão) • Interrupção dos axonios, perda dos túbulos e células de suporte Lesões no Nervo Facial Neuropraxia • Axônios intactos (bloqueio apenas “fisiológico”) • 90% normalizam entre 2-4 semanas • Paralisia de Bell Lesões no Nervo Facial Axoniotmese • Lesão parcial de axônios • Neurilema preservado • Sincinesias: Regeneração parcial e desordenada dos axônios (“Síndrome de Lágrima de Crocodilo”) Lesões no Nervo Facial Neurotmese • Lesão total/parcial do axônio • Neurilema comprometido • Seqüelas funcionais graves • Raro na Paralisia de Bell • Corticosteróides • Cirurgia - descompressão (???) • Cuidados locais –Lágrima artificial (LACRIMA) –Curativo oclusivo a noite (EPITEZAN) Paralisia Facial Periférica Tratamento geral Fisiopatologia Do ponto de vista fisiopatológico, três teorias procuram explicar a paralisia de Bell: •Teoria vasculoisquêmica •Teoria Viral •Teoria Imunológica · Sulco do nariz fica apagado Comissura labial cai · Boca e língua se desviam para o lado sadio · Dificuldade para falar, assobiar, inflar a bochecha · Hiperacusia: som alto gera dor de ouvido · Diminuição das secreções lacrimais e salivares · 2/3 anteriores da língua perde o gosto · Instalação dos sintomas é rápida, geralmente o único sinal é uma dor no rosto. · Lacrimejamento constante. Tratamento médico · Corticóide em altas doses para diminuir o processo inflamatório. · Cirurgia para descompressão do nervo; não é muito aceito. • Prednisona 1mg/kg até 80mg qD 2s: (reduz o edema inflamatório) • Aciclovir 800mg QID 5d: tomado nas primeiras 72h previne a replicação viral • Enfatizar que não é um AVC ! FISIOTERAPIA Avaliação: dependendo o ramo acometido temos q trabalhar mais determinada função ou área do rosto · Utilizar 1 fotografia do paciente anterior a patologia · Avaliação criteriosa da função muscular, para saber quais são os exercícios recomendados · Cinesioterapia é muito utilizada, porém é um pouco lenta. - cinesioterapia: 100% dos pacientes realizam; é dividida em duas partes: 1 – feita com o terapeuta na clínica 2- exercícios domiciliares Um grande auxiliar da cinesioterapia é o espelho. Os músculos que trabalhamos são: - bucinador: para manter a tensão nas bochechas - risório - orbicular da boca - depressor do lábio inferior - mentório para enrugar o queixo Exercícios/treino muscular (são feitos várias vezes por dia): 1. Levantar a sobrancelha 2. Franzir a sobrancelha 3. Apertar os olhos 4. Comprimir os lábios 5. Encher a bochecha de ar/água 6. Sorrir com os lábios fechados 7. Sorrir com a boca aberta 8. Bico para baixo Recursos auxiliares •Massoterapia •Estimulação simples: com gelo •Eletroterapia: FES •Biofeedback Melhor prognostico: < idade, fraqueza incompleta dos mm acometidos (parte da função se mantém, mesmo inicialmente). Inicio de recuperação: entre 10 e 21 dias. Até 20% de seqüela (pode ser sensibilidade ou final da função) é considerado esperado. A literatura diz q até 4 anos depois o paciente tem recuperação.