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Tromboembolismo pulmonar Definição Bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja, ou emboliza, para o fornecimento sanguíneo arterial de um dos pulmões. Os sintomas podem incluir falta de ar, dor torácica na inspiração e tosse com sangue. Etiologia – provocado Considerado como “provocado” quando existe um fator causal nos ultimas 6 a 12 semanas, como: cirurgia, trauma, imobilização, internação por doenças agudas etc. Etiologia – não provocado Por outro lado, quando não existe um fator causal conhecido o TEP é denominado “não provocado”. Isso inclui os estados de hipercoagulabilidade (fator V de Leiden, mutação do gene da protrombina, deficiência de proteína C, deficiência de proteína S, deficiência de antitrombina, defeitos na fibrinólise, função plaquetária alterada etc.), doenças autoimunes, síndrome do anticorpo antifosfolípidio e trombocitopenia induzida pela heparina. Principais fatores predisponentes para embolia pulmonar Embolia pulmonar e câncer Ha uma forte associação entre câncer e EP. O risco de tromboembolia venosa é maior quando ele e metastático e/ou o paciente está em quimioterapia. Adicionalmente, o risco varia com os diferentes tipos de câncer, sendo os mais associados: as neoplasias hematológicas, o câncer de pulmão, do sistema nervoso central, de pâncreas e do trato gastrintestinal. A mortalidade é significativamente maior quando o episódio de embolia acomete um paciente com câncer. Origem do trombo Em geral, o trombo causador da EP origina-se de veias dos MMII ou de veias pélvicas, embora, recentemente, tenha ocorrido um aumento exponencial de EPs cujos trombos se originam de veias de MMSS (em razão de cateter central em UTIs e de quimioterapias em acesso central). Uma vez na vasculatura pulmonar, o trombo exerce um efeito mecânico, obstruindo segmentos da artéria pulmonar e reduzindo a pré-carga, mas também ocasiona uma série de efeitos secundários em razão da liberação de substancias vasoativas e inflamatórias. A obstrução vascular anatômica, junto com a vasoconstrição secundaria a liberação de trombo ano A2 e serotonina, contribui para o aumento da resistência vascular pulmonar. O VD agudamente tem que manter o débito às custas de maiores pressões na vasculatura pulmonar. A extensão dessa resposta adaptativa e limitada, o que pode levar a dilatação de ventrículo direito e uma serie de consequências negativas para o sistema cardiovascular e respiratório. Distúrbios hemodinâmicos Insuficiência respiratória é predominantemente uma consequência dos graves distúrbios Hemodinâmicos. Baixo débito cardíaco, queda da PA, queda de saturação de O2. Principal fator de mau prognóstico Um importante fator de pior prognostico é a presença de disfunção de ventrículo direito (VD), manifestada clinicamente ou por meio de um exame de imagem (ecocardiograma ou TC). A falência ventricular direita e considerada a causa primaria de morte nos casos mais graves. Outros fatores que pioram prognóstico Idade > 70 anos, pacientes com câncer, insuficiência cardíaca ou DPOC, imobilização por doença neurológica, frequência respiratória > 20 irpm, PA sistólica < 90 mmHg, TVP concomitante a EP. Manifestações clínicas A apresentação clínica pode variar desde pacientes oligoassintomaticos ou com queixas inespecíficas, até pacientes graves com instabilidade hemodinâmica ou em parada cardiorrespiratória. A sincope pode ser a apresentação inicial de um paciente com EP em cerca de 10% dos pacientes (varia entre estudos, de 5% a 35%). Em geral, a sincope se associa a disfunção de VD trombos proximais e/ou mais extensos. Paciente com diagnostico final de EP e que apresentou uma sincope tem maior risco de morte precoce. Tríade da TEP A tríade clássica de dor pleurítica, taquipneia e hemoptise e raramente encontrada. A presença de instabilidade hemodinâmica em suspeita de EP Deve ser detectada precocemente, pois define o subgrupo de maior mortalidade! Essa instabilidade hemodinâmica é definida como: - PA sistólica < 90 mmHg ou uma ↓ aguda em mais de 40 mmHg. - Duração de mais de 15 minutos. - Não causada por arritmia de início recente, hipovolemia ou sepse. Diagnóstico diferencial de TEP Pacientes com crise aguda de ansiedade, especialmente, se não há história prévia, síndrome coronariana aguda, IC (EP pode ser causa de descompensação), DPOC (EP também pode ser causa de exacerbação), infecções do trato respiratório, hipertensão pulmonar. Escores de Genebra modificado e de Wells para EP Escore PERC (Pulmonary Embolism Rule-Out Criteria) O escore PERC foi desenvolvido com o objetivo de identificar o paciente com muito baixo risco de EP (< 2% de chance de EP), sugerindo que não haja a necessidade de exames adicionais para investigar uma EP. Alguns pontos são importantes nesse aspecto: - O paciente deve ser avaliado por um dos escores de probabilidade (Wells ou Genebra): - Baixa probabilidade: continuar com o escore PERC; - Intermediaria ou alta probabilidade: escore PERC não tem utilidade. * Todas as variáveis do escore PERC obrigatoriamente devem ser negativas (“não”). Qualquer resposta “sim” indica que o escore PERC não pode descartar EP. Escore PERC Idade ≥ 50 anos? Hemoptise? História de cirurgia ou trauma recentes necessitando de intubação nas últimas 4 semanas? TVP ou EP prévios? Uso de estrógeno? Pulso ≥ 100 bpm Oximetria de pulso < 95% em ar ambiente? Edema unilateral de perna? Exames complementares Radiografia de tórax Tem maior utilidade para excluir outras causas de dispneia e dor torácica. Achados clássicos de EP, embora raramente encontrados na pratica clínica: sinal de Westermark (oligemia localizada distal ao embolo), corcova de Hampton (consolidação em forma de cunha se estendendo até a pleura), sinal de Fleischner (artéria pulmonar central distendida em razão da presença de um grande coágulo) e linhas de Fleischner (linhas longas de atelectasias encontradas na consolidação). Gasometria arterial A gasometria arterial pode ser normal em 40% dos pacientes. Mesmo o gradiente alvéolo-arterial pode ser normal também em 20% dos pacientes. Graus variáveis de hipoxemia e hipocapnia podem ocorrer, mas são inespecíficos. ECG O eletrocardiograma pode ser absolutamente normal. Da mesma forma que a radiografia de tórax, tem maior utilidade para o diagnostico diferencial com outras causas de dor torácica. As alterações descritas são: taquicardia sinusal em 40% dos pacientes, inversão de onda T anterosseptal (V1 a V3 ou V4): indicativa de estresse de VD; inversão de onda T em DII, DIII e AVF. *Achado mais sugestivo, embora não comum: bloqueio de ramo direito e/ou sobrecarga de câmaras direitas. D-dímeros Os D-dímeros são produzidos quando a enzima plasmina inicia o processo de degradação de um coágulo (fibrina). D-dímeros são muito sensíveis, mas pouco específicos, sendo indicados somente no paciente com baixa ou media probabilidade de EP (um D-dímero normal não descarta EP no paciente classificado como de alta probabilidade). Cintilografia pulmonar ventilação-perfusão (V/Q) Tomografia de tórax Vantagens: em relação ao V/Q, a TC permite uma melhor avaliação das doenças que simulam EP. A tomografia possibilita a visualização direta do embolo; em relação a angiografia pulmonar, não e invasiva e muito mais segura. Desvantagens: necessita de contraste IV, alta exposição a radiação, e exame relativamente caro e necessita de médico com experiência na interpretação do resultado. USG de veias e membros inferioresVantagens: exame barato, disponível, não invasivo, não usa iodo ou substancias IV, sem radiação e pode ser repetido várias vezes. Desvantagens: necessita de medico treinado no exame, e por isso, e um exame dependente do operador. Ecocardiograma de beira de leito Diagnostico diferencial de pacientes que se apresentam com dispneia, dor torácica e colapso cardiovascular. Nessas situações, o ecocardiograma pode mostrar a disfunção ou dilatação de VD ou sugerir um diagnóstico alternativo, como tamponamento pericárdico, grave disfunção de ventrículo esquerdo, síndrome aórtica aguda, hipovolemia, disfunção valvar aguda ou IAM extenso. É uma ferramenta importante no manuseio hemodinâmico de pacientes instáveis. Estratificação da gravidade de pacientes com EP Hipocinesia de VD, hipertensão pulmonar persistente, desvio paradoxal de septo, trombo livre e flutuante em átrio direito identificam pacientes de alto risco de óbito ou de tromboembolismo recorrente. Índice de gravidade da embolia pulmonar (PESI) Índice de gravidade da embolia pulmonar (PESI) simplificado Classificação do risco de morte no paciente com EP Tratamento Suporte clínico Garantir volume (500 ml SF 0,9 bolus paciente hipotenso), macro O2 ou intubação para ventilação mecânica, anticoagulação (heparina comum IV bolus 80 u/kg (max 4.000 U), manutenção 18 u/kg/h; ajustar pelo TTAP ou INR), iniciar warfarina oral junto com anticoagulante; utilizar trombolítico (t-PA) 100 mg IV em BIC por 2 horas. Filtro de veia cava Filtro de cava e habitualmente colocado na porção infrarrenal da veia cava inferior. Ha vários tipos de filtros que podem ser inseridos por via percutânea, o que facilita e diminui a chance de complicações, especialmente os filtros “removíveis” (podem ser retirados semanas ou meses após). As principais indicações são: - Pacientes com contraindicações a anticoagulação plena. - Embolia recorrente, objetivamente confirmada, e o paciente adequadamente anticoagulado.