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DEFINIÇÕES O tromboembolismo venoso (TEV) inclui trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar. A TVP geralmente envolve as veias profundas das pernas ou braços, mas pode ocorrer em outros locais. A oclusão das veias profundas em um membro por trombo prejudica a drenagem de sangue, causando dor e edema distal à obstrução. A embolia pulmonar refere-se à obstrução de uma artéria pulmonar por trombo que se deslocou de outras partes do corpo, através da corrente sanguínea e para os pulmões. TVP nas pernas, ou menos comumente, nos braços, é sem dúvida a principal fonte de embolia pulmonar. As complicações crônicas da TVP e da embolia pulmonar incluem síndrome pós-trombótica e hipertensão arterial pulmonar (HAP) tromboembólica crônica, respectivamente. A síndrome pós-trombótica, que ocorre em até 40% dos pacientes com TVP extensa, é caracterizada por edema dependente e desconforto no membro acometido e, em casos graves, pode levar a úlceras venosas. A síndrome é causada por hipertensão venosa como resultado de obstrução venosa por trombo residual e refluxo de sangue decorrente de válvulas venosas incompetentes. A hipertensão pulmonar tromboembólica crônica, que complica até 4% dos casos de embolia pulmonar, ocorre quando os êmbolos nas principais artérias pulmonares não desaparecem e são substituídos por tecido fibroso que se incorpora às paredes dos vasos, estreitando-os ou obstruindo-os. A obstrução do leito vascular pulmonar aumenta a resistência arterial pulmonar e pode levar à insuficiência cardíaca direita. A trombose também pode ocorrer em veias superficiais. Embora benigna e autolimitada quando as veias da mão ou da fossa antecubital estão envolvidas como uma complicação da coleta de sangue, cateteres intravenosos ou administração de substâncias psicoativas, a trombose venosa superficial nos membros inferiores pode estender-se para as veias profundas, levando assim a TVP e embolia pulmonar. EPIDEMIOLOGIA Um primeiro episódio de TEV ocorre em cerca de 1 a 2 pessoas por 1.000 a cada ano nos EUA. A incidência aumenta com a idade, com 5 a 10 casos por 1.000 pessoas por ano aos 80 anos. Embora homens e mulheres sejam acometidos igualmente, a incidência é maior em brancos e afro-americanos do que em hispânicos e em habitantes das ilhas do Pacífico Asiático.1 A prevalência de TEV é de aproximadamente 17% nos pacientes hospitalizados com infecção pelo SARS-CoV-2 (Capítulo 342). A0, 1b Aproximadamente um terço dos pacientes com TEV sintomático apresentam embolia pulmonar, enquanto o restante apresenta TVP.2 Estima- se que a embolia pulmonar seja responsável por 15% das mortes em pacientes hospitalizados e por cerca de 150.000 mortes a cada ano nos EUA. Como resultado, a TEV é a terceira causa mais comum de morte vascular após infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico (AVE). A TVP geralmente começa nas veias da panturrilha. Em pacientes com sinais/sintomas sugestivos de TVP, o diagnóstico é confirmado em até 25%. A TVP é restrita à panturrilha em cerca de 15% desses pacientes. A maioria dos casos de TVP restrita à panturrilha desaparece espontaneamente, mas em cerca de 20% desses pacientes, o trombo estende-se para as veias proximais, geralmente em 1 semana após o início dos sintomas. Após o trombo estender-se para as veias proximais da perna, eles podem deslocar- se e causar embolia pulmonar. BIOPATOLOGIA Fatores de risco hereditários e adquiridos determinam o risco intrínseco de TEV para cada indivíduo (e-Figura 74.1). Os fatores de risco hereditários incluem anormalidades associadas à hipercoagulabilidade do sangue (Capítulo 73); as mais comuns são o fator V de Leiden e as mutações do gene da protrombina G20210A.3 Os fatores de risco adquiridos incluem idade avançada, história de TEV anterior, obesidade e câncer ativo, todos os quais limitam a mobilidade e podem estar associados à hipercoagulabilidade. Sobreposto a este risco de fundo, o VTE frequentemente ocorre na presença de fatores desencadeantes, que aumentam o risco acima do limite crítico. Fatores desencadeantes como cirurgia, traumatismo e gravidez ou terapia com estrogênio levam a ativação celular endotelial, estase e hipercoagulabilidade, que são componentes da tríade de Virchow. E-FIGURA 74.1 Limiar de trombose. Fatores de risco hereditários e adquiridos se combinam para criar um risco intrínseco de trombose para cada indivíduo. Esse risco é aumentado por fatores desencadeantes extrínsecos. Se as forças intrínsecas e extrínsecas excederem um limiar crítico em que a geração de trombina supere os mecanismos de proteção, ocorre trombose. TEV = tromboembolismo venoso. Até metade dos pacientes com um primeiro episódio de TEV não apresentou fatores de risco identificáveis e é descrita como tendo TEV não provocado ou idiopático. O restante desenvolve TEV secundário a fatores de risco ou desencadeantes; esses episódios são considerados provocados. Os fatores de risco para TEV podem ser classificados de acordo com a magnitude e duração como maior ou menor e transitório ou persistente, respectivamente. Os fatores de risco transitórios maiores incluem cirurgia ou traumatismo, enquanto o câncer ativo é um exemplo de fator de risco persistente maior. Fatores de risco transitórios menores incluem terapia com estrogênio ou viagem prolongada, enquanto obesidade, história pregressa ou familiar de TEV e defeitos trombofílicos como fator V de Leiden ou mutações do gene da protrombina são exemplos de fatores de risco persistentes menores (Capítulo 73). A TVP pode ocorrer em qualquer uma das pernas. Entretanto, a TVP na gravidez envolve veias iliofemorais da perna esquerda em 90% dos casos e tipicamente poupa as veias da panturrilha e poplíteas. Essa localização reflete compressão da veia ilíaca esquerda pelo útero aumentado; um exagero da chamada síndrome de May-Thurner, em que redes venosas e compressão da veia ilíaca pela artéria ilíaca direita sobrejacente reduzem o fluxo sanguíneo e podem causar TVP. A maior parte dos êmbolos pulmonares origina-se de TVP nos membros inferiores, e a embolia pulmonar pode ser detectada em cerca de 40% dos pacientes com TVP proximal. Da mesma maneira, pelo menos 50% dos pacientes com embolia pulmonar comprovada apresentam TVP demonstrável. A TVP em membro superior envolvendo veias axilares ou subclávias também dá origem a embolia pulmonar, mas apenas em 10 a 15% desses pacientes. A TVP em membro superior ocorre mais frequentemente em pacientes com câncer (Capítulo 169), particularmente em pacientes com cateteres venosos centrais de demora. A TVP espontânea em membro superior, geralmente envolvendo o braço dominante, pode ocorrer com esforço extenuante – a chamada síndrome de Paget-Schroetter. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os pacientes com TVP tipicamente apresentam edema, dor, calor e vermelhidão no membro acometido (Figura 74.1). Entretanto, alguns pacientes têm sinais/sintomas mínimos. O diagnóstico diferencial inclui traumatismo, infecção, cisto de Baker rompido (Capítulo 248; Tabela 74.1), doença arterial periférica (Capítulo 71) e outras doenças venosas como insuficiência venosa crônica; TVP pode coexistir com esses distúrbios. FIGURA 74.1 Trombose venosa profunda (TVP) manifestando- se como edema agudo da perna esquerda. Observe a dilatação das veias superficiais. A perna estava quente ao toque e havia dor à palpação ao longo do trajeto das veias poplítea e femoral esquerdas. Menos de 50% dos pacientes com TVP apresentam esses achados, e outras condições podem mimetizar TVP; portanto, investigação adicional é sempre indicada. Observe a lesão psoriásica coincidente abaixo do joelho direito. (De Forbes CD, Jackson WF. Color Atlas and Text of Clinical Medicine, 3rd ed. London: Mosby; 2003.) Tabela 74.1 Diagnósticos alternativos em 87 pacientes consecutivos com trombose venosa profunda clinicamente suspeita e venogramas normais.* DIAGNÓSTICO PACIENTES (%) Tensão muscular 24 Lesão por torção direta do membro inferior 10 Edema do membro inferior paralisado 9 Linfangite, obstrução linfática7 Refluxo venoso 7 Lesão muscular 6 Cisto de Baker 5 Celulite 3 Anormalidade interna do joelho 2 Desconhecido 26 *O diagnóstico foi feito após a exclusão de trombose venosa profunda por venografia. Os sinais e sintomas mais comuns de embolia pulmonar incluem dispneia aos esforços, dor torácica que frequentemente é de natureza pleurítica, taquipneia e tosse. Muitos pacientes com embolia pulmonar têm sinais e sintomas concomitantes de TVP. Os sinais e sintomas menos comuns incluem febre, hemoptise, cianose, hipotensão e choque. Outros sintomas inespecíficos incluem palpitações, ansiedade e sensação de desmaio. Pacientes com embolia pulmonar maciça frequentemente apresentam dispneia em repouso e hipotensão e podem ter síncope (Capítulos 45 e 56) em decorrência de hipoxemia e baixo débito cardíaco. Pode ocorrer cianose central e periférica, e um ritmo de galope pode se desenvolver como consequência da insuficiência cardíaca. As veias jugulares estão distendidas se houver desenvolvimento de insuficiência cardíaca direita. A segunda bulha cardíaca (B2) pode ser amplamente desdobrada e o componente pulmonar (P2) pode estar hiperfonético em razão do retardo do esvaziamento do ventrículo direito. Elevação paraesternal do ventrículo direito pode ocorrer na embolia pulmonar maciça e hipertensão pulmonar aguda. A combinação de hipotensão, hipoxemia e aumento da carga de trabalho cardíaca pode desencadear angina (Capítulo 62) ou infarto do miocárdio evidente (Capítulos 63 e 64). Quando os pacientes apresentam sinais/sintomas torácicos sugestivos de embolia pulmonar, o diagnóstico diferencial inclui distúrbios pulmonares, como pneumonia (Capítulo 91), exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica (Capítulo 82) ou asma (Capítulo 81); pleurisia secundária à doença do tecido conjuntivo (Capítulo 92); distúrbios cardíacos, como insuficiência cardíaca (Capítulo 52), síndrome coronariana aguda (Capítulo 63) ou pericardite (Capítulo 68); e distúrbios musculoesqueléticos, como fratura de costelas. DIAGNÓSTICO O diagnóstico clínico de TVP ou embolia pulmonar é, em si, inacurado porque nenhum sinal ou sintoma individual é suficientemente preditivo para confirmar ou excluir o diagnóstico. Portanto, o diagnóstico começa com a determinação da probabilidade pré-teste usando modelos de avaliação de risco validados para TVP (Tabela 74.2) ou embolia pulmonar (Tabela 74.3).4 Embora essas ferramentas de avaliação clínica categorizem os pacientes de acordo com a probabilidade pré-teste de TEV com razoável precisão, raramente devem ser usadas como testes independentes. Em vez disso, os modelos de avaliação de risco devem ser combinados com outros exames, como o dímero D, que, se normal, pode ser usado para excluir o diagnóstico de TEV em pacientes com probabilidade pré-teste baixa a moderada. Se o teste do dímero D for positivo ou se a probabilidade pré- teste for alta, o diagnóstico de TVP ou embolia pulmonar deve ser confirmado por ultrassonografia (US) de compressão venosa ou angiografia pulmonar por tomografia computadorizada (APTC), respectivamente (Figura 74.2). Tabela 74.2 Regra de previsão da probabilidade de trombose venosa profunda. CARACTERÍSTICA CLÍNICA ESCORE* Câncer ativo (tratamento em andamento nos 6 meses anteriores ou tratamento paliativo)* 1 Paralisia, paresia ou imobilização gessada recente dos membros inferiores 1 Repouso recente na cama por mais de 3 dias ou cirurgia de grande porte nos 3 meses anteriores que exigiu anestesia 1 Dor à palpação localizada das veias profundas da perna 1 Edema de todo o membro inferior 1 Edema da panturrilha > 3 cm maior do que o lado assintomático medido 10 cm abaixo da tuberosidade tibial 1 Edema depressível restrito à perna sintomática 1 Veias superficiais colaterais (não varicosas) 1 Trombose venosa profunda previamente documentada 1 Diagnóstico alternativo tão ou mais provável do que trombose venosa profunda –2 *Uma pontuação de 0 ou menos indica baixa probabilidade, 1 ou 2 indica probabilidade moderada e 3 ou mais indica alta probabilidade. O câncer de pele não melanoma não é um risco. Modificada por Wells PS, Anderson DR, Bormanis J, et al. Valor da avaliação da probabilidade pré- teste de trombose venosa profunda no manejo clínico. Lancet. 1997;350:1795-1798. Tabela 74.3 Regra de previsão da probabilidade de embolia pulmonar. VARIÁVEL PONTOS FATORES PREDISPONENTES TEV anterior 1,5 Cirurgia ou imobilização recente 1,5 Câncer 1 SINTOMAS Hemoptise 1 SINAIS Frequência cardíaca > 100 bpm 1,5 Sinais clínicos de TVP 3 JULGAMENTO CLÍNICO Diagnóstico alternativo menos provável do que EP 3 PROBABILIDADE CLÍNICA TOTAL DE PONTOS Baixo < 2 Moderado 2 a 6 Alto > 6 TVP = trombose venosa profunda; EP = embolia pulmonar; TEV = tromboembolismo venoso. Adaptada de Wells PS, Ginsberg JS, Anderson DR, et al. Use of a clinical model for safe management of patients with suspected pulmonary embolism. Ann Intern Med. 1998;129:997-1005. Exames de diagnóstico Dímero D Um produto de degradação derivado da plasmina da fibrina reticulada, o dímero D pode ser medido no sangue total ou plasma e é um biomarcador que reflete a ativação contínua do sistema de coagulação. Os ensaios de dímero D variam em sua sensibilidade e especificidade. Ensaios imunoenzimáticos e turbidimétricos avançados de dímero D têm sensibilidades acima de 95%, mas não são específicos para o diagnóstico de TEV.5 Os níveis de dímero D podem ser elevados com a idade avançada, condições inflamatórias crônicas e malignidade. Além disso, os pacientes hospitalizados têm maior probabilidade de apresentar níveis elevados de dímero D do que os pacientes ambulatoriais. Em decorrência dessa falta de especificidade, o valor do ensaio de dímero D reside em seu alto valor preditivo negativo. Um nível normal de dímero D em um paciente com probabilidade pré-teste baixa ou moderada de TVP ou embolia pulmonar essencialmente exclui o diagnóstico, evitando assim a necessidade de exames diagnósticos adicionais. FIGURA 74.2 Abordagem clínica em pacientes com suspeita de trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (EP). APTC = angiografia pulmonar por tomografia computadorizada; USC = ultrassonografia de compressão; TEV = tromboembolismo venoso. Ultrassonografia com compressão A US com compressão com ou sem imagem Doppler é o exame não invasivo mais amplamente usado para o diagnóstico de TVP em razão de sua acurácia na detecção de trombo envolvendo as veias poplítea ou mais proximais. A ausência de compressibilidade (Figura 74.3) das veias proximais da perna na US confirma o diagnóstico de TVP em pacientes sintomáticos e é uma indicação de tratamento. A sensibilidade da US para detecção de TVP da panturrilha é menor do que para detecção de TVP proximal; consequentemente, alguns centros examinam apenas as veias acima da trifurcação da panturrilha, enquanto outros examinam as veias proximal e da panturrilha. O resultado normal da US de todo o membro inferior exclui o diagnóstico de TVP. Se apenas as veias proximais forem examinadas, a US deve ser repetida em 1 semana para identificar os 20% dos pacientes que inicialmente têm trombose isolada da veia da panturrilha, mas cujo trombo subsequentemente se estende para as veias proximais. Venografia contrastada Embora a venografia com contraste ascendente continue sendo o padrão- ouro para o diagnóstico de TVP, o exame raramente é realizado em função de seu custo, do desconforto para o paciente e do potencial para complicações. Um defeito de enchimento intraluminal constante é diagnóstico de trombose aguda (Figura 74.4), e a TVP pode ser excluída em pacientes com um venograma normal e realizado de maneira adequada. Efeitos colaterais menores, como dor local, náuseas e vômitos, não são incomuns, enquanto reações adversas mais graves, como anafilaxia ou outras manifestações alérgicas, são raras. Angiografia pulmonar por tomografia computadorizada A angiografia pulmonar por TC (APTC) de multidetectores substituiu amplamente a cintilografiapulmonar de ventilação-perfusão para o diagnóstico de embolia pulmonar devido à sua ampla disponibilidade, à rapidez de seus resultados e às sensibilidade e especificidade suficientes para seu uso como único exame. Ao contrário da cintilografia pulmonar, a APTC não só possibilita a visualização direta de trombos nas artérias pulmonares de pacientes com embolia pulmonar (Figura 74.5), mas também fornece um diagnóstico alternativo em muitos daqueles que comprovam não ter embolia pulmonar. Uma APTC mostrando trombo em artérias pulmonares até o nível segmentar fornece evidências de embolia pulmonar, enquanto uma APTC negativa exclui embolia pulmonar e está associada a desfechos clínicos subsequentes que são pelo menos tão bons quanto aqueles em pacientes com cintilografia pulmonar negativa. Comparada com a cintilografia pulmonar, a APTC detecta mais trombos subsegmentares isolados em cerca de 1 a 5% dos pacientes, mas não está claro se os defeitos subsegmentares isolados são benignos ou associados a desfechos semelhantes aos de trombos mais proximais. Um dímero D negativo e/ou US com compressão venosa bilateral normal pode ajudar a excluir a possibilidade de TEV. A APTC pode ser combinada com a venografia por TC para que o diagnóstico de embolia pulmonar e TVP possa ser estabelecido com um único exame e apenas uma injeção de contraste. Comparada com a APTC isolada, a combinação de APTC e venografia por TC aumenta a sensibilidade para o diagnóstico de embolia pulmonar de 83 para 90%, mas a especificidade permanece inalterada, resultando em apenas um aumento modesto no valor preditivo negativo. A venografia por TC adiciona exposição significativa à radiação e aumenta apenas marginalmente a taxa de detecção geral. Portanto, a US com compressão venosa é preferível à venografia por TC para o diagnóstico de TVP, porque fornece as mesmas informações sem expor os pacientes à radiação ionizante. Cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão Esse exame em duas partes consiste em uma fase de ventilação e uma fase de perfusão. A fase de ventilação envolve a inalação de um aerossol de isótopos radioativos de xenônio ou tecnécio para avaliar o fornecimento de ar às várias partes do pulmão. Em contrapartida, a fase de perfusão envolve a injeção intravenosa de macroagregados de albumina marcados com tecnécio, o que possibilita a avaliação do fluxo sanguíneo nos pulmões, uma vez que os agregados se alojam na microcirculação pulmonar. As imagens para ambas as partes do exame são adquiridas usando um contador gama. As áreas do pulmão acometidas pela embolia pulmonar não se iluminam na cintilografia de perfusão porque os macroagregados da albumina não conseguem alcançar os locais onde as artérias pulmonares estão obstruídas (Figura 74.6). Em comparação, as áreas com perfusão anormal em razão da embolia pulmonar irão ventilar normalmente, resultando em desequilíbrio entre ventilação e perfusão. Uma cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão normal exclui efetivamente o diagnóstico de embolia pulmonar, mas apenas 25% dos pacientes com suspeita de embolia pulmonar apresentam uma cintilografia normal. Um ou mais defeitos de perfusão segmentares ou maiores que ventilam normalmente caracterizam uma cintilografia pulmonar de alta probabilidade, que estabelece o diagnóstico de embolia pulmonar. No entanto, mesmo com a tecnologia de TC de emissão de fóton único, apenas cerca de 10% dos pacientes com suspeita de êmbolos pulmonares apresentam uma cintilografia pulmonar de alta probabilidade. Os 65% restantes dos exames de pulmão exibem áreas menores de incompatibilidade ou defeitos compatíveis e se enquadram na categoria de probabilidade não alta. Como até 40% dos pacientes com exames de não alta probabilidade têm êmbolos pulmonares, esses pacientes requerem investigações adicionais para excluir o diagnóstico.6 FIGURA 74.3 A ultrassonografia venosa com compressão demonstra trombose da veia poplítea. As imagens no painel superior mostram o que ocorre sem (lado esquerdo) e com (lado direito) compressão da pele sobreposta à veia poplítea pelo transdutor. A falta de compressibilidade é diagnóstica de trombose venosa profunda. O painel inferior mostra vistas análogas da veia femoral, que mostra compressibilidade parcial. FIGURA 74.4 Venografia ascendente. O venograma demonstra um defeito de enchimento intraluminal persistente (em duas ou mais vistas diferentes) na veia poplítea. FIGURA 74.5 Angiografia pulmonar por tomografia computadorizada. A imagem mostra um êmbolo em sela na artéria pulmonar principal. FIGURA 74.6 Cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão. A cintilografia de ventilação (V) é normal, enquanto a cintilografia de perfusão (Q) mostra múltiplos defeitos. Essa combinação é diagnóstica de embolia pulmonar. Embora a APTC tenha substituído amplamente a cintilografia pulmonar para o diagnóstico de embolia pulmonar, a cintilografia pulmonar é o exame de escolha para pacientes com insuficiência renal ou história de alergia a meios de contraste angiográficos e para mulheres com menos de 40 anos para reduzir a exposição à radiação das mamas. Para o diagnóstico de embolia pulmonar na gravidez, a cintilografia pulmonar produz menos exposição à radiação materna e fetal e, às vezes, é preferível à APTC. No entanto, o valor incremental de uma varredura de ventilação-perfusão é muito baixo em pacientes com APTC não diagnóstica.7 Ressonância magnética Ao contrário da APTC, a ressonância magnética (RM) com gadolínio não submete os pacientes à radiação ionizante, e o gadolínio pode ser administrado com segurança a pacientes com história pregressa de alergia a contraste, mas não a pacientes com insuficiência renal. A combinação de angiografia pulmonar por RM com venografia por RM tem sensibilidade maior do que a angiografia pulmonar por RM isolada para o diagnóstico de embolia pulmonar.8 e a RM pode ser útil sobretudo no diagnóstico de TVP ipsolateral recorrente.8b No entanto, os protocolos de angio-RM e venografia são tecnicamente exigentes, então a RM deve ser usada para diagnosticar embolia pulmonar apenas em centros experientes e em pacientes para os quais os exames padrão sejam contraindicados. Angiografia pulmonar contrastada intervencionista A angiografia pulmonar exige injeção direta de contraste nas artérias pulmonares, seguida por captura de imagens usando tecnologia de subtração digital. O achado de trombo, que se apresenta como defeito de enchimento ou corte súbito do fluxo sanguíneo em um ramo da artéria pulmonar, estabelece o diagnóstico de embolia pulmonar. Embora a angiografia direta possibilite a visualização de pequenos trombos em artérias pulmonares subsegmentares, a alta variabilidade interobservador na interpretação de defeitos de enchimento isolados neste nível limita a especificidade desse achado. Como exame invasivo, a taxa de mortalidade associada à angiografia pulmonar é de 0,2%, com óbitos geralmente ocorrendo em pacientes com comprometimento hemodinâmico ou insuficiência respiratória. Em razão de seus riscos associados e porque a APTC oferece informações semelhantes ou melhores, a angiografia pulmonar direta raramente é realizada. Outros exames Exames de sangue de rotina em pacientes com suspeita ou diagnóstico de TEV devem contar com hemograma completo, incluindo contagem de plaquetas, uma razão normalizada internacional (RNI) de base e tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa). Os níveis séricos de creatinina e ureia são necessários para ajudar a orientar a escolha da terapia anticoagulante, e os eletrólitos séricos e enzimas hepáticas fornecem informações úteis. Os marcadores sanguíneos da disfunção ventricular direita, que ocorre com embolia pulmonar extensa, incluem o peptídio natriurético cerebral (BNP) ou seu precursor, o próBNP N-terminal, que são liberados em resposta ao alongamento miocárdico (Capítulo 52). Níveis elevados de troponina I ou T fornecem evidências de lesão miocárdica (Capítulo 63). Embora esses marcadores estejam associados a um pior prognósticoem pacientes com embolia pulmonar, seu valor preditivo positivo (VPP) para o diagnóstico é baixo. O ECG pode mostrar novas alterações sugestivas de distensão ventricular direita, como inversão da onda T nas derivações V1 a V4, o padrão clássico S1, Q3 e T3 (Figura 74.7) e bloqueio completo ou incompleto de ramo direito. No entanto, essas alterações no ECG têm sensibilidade limitada e são encontradas principalmente em pacientes com êmbolos pulmonares mais extensos. Achados ecocardiográficos sugestivos de disfunção ventricular direita incluem dilatação ou hipocinesia do ventrículo direito, aumento do diâmetro do ventrículo direito em relação ao ventrículo esquerdo e aumento da velocidade do jato de regurgitação tricúspide. A ecocardiografia também consegue detectar shunt da direita para a esquerda através de um forame oval pérvio (Capítulo 61) e pode fornecer evidências de trombo ventricular direito, ambos associados a aumento da mortalidade em pacientes com êmbolos pulmonares. Sem critérios universais para o diagnóstico de disfunção ventricular direita, entretanto, a utilidade da ecocardiografia de rotina permanece incerta. Em geral, a ecocardiografia de rotina é recomendada apenas em pacientes com hipoxemia grave ou outra evidência que sugira comprometimento hemodinâmico. TRATAMENTO O tratamento ambulatorial é tão seguro quanto o tratamento hospitalar de rotina para a maioria dos pacientes com TVP e para pacientes de baixo risco com embolia pulmonar aguda.A1 Em pacientes com embolia pulmonar de risco intermediário, como pacientes com aumento ventricular direito, o manejo ambulatorial pode ser considerado, mas a internação hospitalar breve é uma abordagem segura. Portanto, uma rápida estratificação de risco é crucial para ajudar a orientar o tratamento. Pacientes com contraindicações à terapia anticoagulante podem exigir a inserção de um filtro recuperável na veia cava inferior. A anticoagulação é a base do tratamento para TEV e deve ser iniciada imediatamente em pacientes com suspeita de embolia pulmonar ou TVP, mesmo enquanto aguardam os resultados dos exames confirmatórios. Embora os anticoagulantes ainda sejam o principal tratamento da embolia pulmonar, os pacientes com comprometimento hemodinâmico grave precisam de terapia de reperfusão ou trombectomia cirúrgica para restaurar rapidamente o fluxo sanguíneo para as artérias pulmonares e reduzir a pressão arterial pulmonar.9 O risco de TEV recorrente é maior nas primeiras semanas após o diagnóstico, e diminui progressivamente a partir de então. Consequentemente, o tratamento de TEV foi dividido em três etapas: terapia inicial nas primeiras 1 a 3 semanas, cujos objetivos são prevenir a extensão do trombo e embolia pulmonar fatal; terapia para os 3 meses subsequentes, que geralmente é denominada terapia a longo prazo e é administrada para tratar a TEV e reduzir o risco de complicações, como síndrome pós- trombótica e hipertensão pulmonar tromboembólica crônica; e terapia estendida além de 3 meses, administrada quando o risco de TEV recorrente sem terapia anticoagulante é alto e excede o risco de sangramento maior com terapia anticoagulante continuada9b. Embolia pulmonar maciça ou de alto risco Pacientes de alto risco podem ser identificados à beira do leito com base no comprometimento hemodinâmico. Esses pacientes também podem ter disfunção ventricular direita e níveis elevados de biomarcadores. A causa mais comum de morte em pacientes com embolia pulmonar grave é a insuficiência ventricular direita aguda, que causa baixo débito sistêmico. Para prevenir essa complicação, os pacientes com embolia pulmonar grave requerem suporte hemodinâmico e respiratório e beneficiam-se da terapia de reperfusão. Pacientes com insuficiência ventricular direita geralmente precisam de uma expansão modesta da volemia e podem precisar de agentes inotrópicos, como dobutamina, dopamina ou norepinefrina, para hipotensão grave ou choque. Dados recentes levantam a possibilidade de que os antagonistas da endotelina e os inibidores da fosfodiesterase-5 atenuem a hipertensão arterial pulmonar em pacientes com embolia pulmonar grave, mas esses medicamentos não estão atualmente aprovados pela FDA para essa indicação. Pacientes com embolia pulmonar frequentemente apresentam hipoxemia e hipocapnia. A hipoxemia geralmente pode ser revertida com oxigênio nasal. Medidas para reduzir a febre e a agitação com paracetamol e sedação leve podem ajudar a minimizar o consumo de oxigênio. Em pacientes com embolia pulmonar grave e que requerem ventilação mecânica, volumes correntes baixos devem ser usados e a pressão expiratória final positiva deve ser aplicada com cautela, pois pode reduzir o retorno venoso e piorar a insuficiência ventricular direita (Capítulo 97). Pacientes com embolia pulmonar maciça associada a hipotensão ou choque podem se beneficiar da terapia de reperfusão farmacológica, mecânica ou cirúrgica. A terapia de reperfusão farmacológica envolve a administração sistêmica de um agente fibrinolítico (Tabela 74.4), de preferência nas primeiras 48 horas após o aparecimento dos sinais/sintomas, mas o tratamento posterior ainda pode ser benéfico. Até 13% dos pacientes que recebem terapia fibrinolítica apresentam sangramento importante, e a taxa de sangramento intracraniano ou fatal pode chegar a 1,8%. Consequentemente, a terapia fibrinolítica atualmente é justificada apenas em pacientes que apresentam embolia pulmonar grave e sem contraindicações (Tabela 74.5). Em pacientes com risco intermediário, a terapia fibrolítica evita a deterioração hemodinâmica, mas aumenta o sangramento e o AVE.A2 Se os pacientes com embolia pulmonar grave não receberem terapia de reperfusão, eles devem ser medicados com heparina (Tabela 74.6) porque os outros agentes não foram avaliados extensivamente nesse cenário. A reperfusão mecânica inclui trombectomia percutânea por cateter, uma abordagem que evita a necessidade de fármacos fibrinolíticos ou terapia fibrinolítica dirigida por cateter (sem ou com assistência de US), que requer doses menores de agentes fibrinolíticos do que as usadas para administração sistêmica. Em alguns centros, a embolectomia pulmonar cirúrgica é uma opção para pacientes que apresentam embolia pulmonar grave, como uma embolia em sela que oclui o tronco da artéria pulmonar (Figura 74.5), e que correm alto risco de sangramento com terapia fibrinolítica sistêmica ou que não tiveram sucesso com esse tratamento. As técnicas mecânicas e cirúrgicas exigem profissionais qualificados e só devem ser realizadas em centros de alto volume. TVP e embolia pulmonar de baixo risco A maioria dos pacientes com TVP e pacientes de baixo risco com embolia pulmonar é tratada ambulatorialmente.10 As principais indicações de internação incluem instabilidade clínica, impossibilidade de adesão à terapia ambulatorial ou necessidade de intervenções para tratamento de embolia pulmonar maciça ou TVP iliofemoral extensa. O tratamento começa com um anticoagulante parenteral de ação rápida (p. ex., heparina, heparina de baixo peso molecular [HBPM], fondaparinux ou um inibidor oral do fator Xa (p. ex., rivaroxabana 15 mg, 2 vezes/dia ou apixabana 10 mg, 2 vezes/dia)10b. A heparina deve ser usada em pacientes com insuficiência renal grave (depuração da creatinina < 15 m ℓ /min) porque HBPM, fondaparinux, rivaroxabana e apixabana são eliminados pelos rins. Anticoagulantes orais diretos O tratamento de TEV foi revolucionado com a introdução dos anticoagulantes orais diretos, que podem ser administrados em doses fixas sem monitoramento de rotina (Tabela 76.3). Quatro anticoagulantes orais diretos são licenciados para o tratamento de TEV: dabigatrana, que inibe a trombina; e rivaroxabana, apixabana e edoxabana, que inibem o fator Xa (Capítulo 76). Esses agentes são tão efetivos quanto a HBPM seguida pela varfarina, mas estão associados a menos sangramento.A3 Em pacientes sem câncer ativo, as diretrizes agora favorecem esses agentes para o tratamento de TEV com base em sua eficácia e segurança,bem como na facilidade de dosagem fixa sem a necessidade de monitoramento. Em pacientes adequados para o tratamento com anticoagulantes orais diretos, apixabana (começa com 10 mg, 2 vezes/dia durante 7 dias, seguidos de 5 mg, 2 vezes/dia depois) e rivaroxabana (inicia-se com 15 mg, 2 vezes/dia durante 21 dias seguidos por 20 mg, 1 vez/dia depois) pode ser iniciado assim que o diagnóstico for estabelecido.A4,A5 Se dabigatrana ou edoxabana for escolhida, um curso mínimo de 5 dias de tratamento com um anticoagulante parenteral (ver adiante) é necessário antes de seu início porque esses agentes ainda não foram avaliados para o tratamento inicial de TEV.A6,A7 A dabigatrana é administrada na dose de 150 mg, 2 vezes/dia, enquanto a edoxabana é administrada na dose de 60 mg, 1 vez/dia. A dose de edoxabana é reduzida para 30 mg, 1 vez/dia em pacientes com depuração da creatinina de 15 a 50 m ℓ /min, peso de 60 kg ou menos ou que estejam tomando inibidores potentes da glicoproteína P. Os pacientes que precisam de terapia trombolítica para embolia pulmonar maciça ou tratamento farmacomecânico para TVP extensa geralmente iniciam com heparina ou HBPM, mas pode-se trocar para um anticoagulante oral direto quando sua condição se estabilizar. Anticoagulantes orais diretos devem ser evitados em pacientes com insuficiência renal (depuração da creatinina < 15 mℓ/min para rivaroxabana, apixabana e edoxabana e < 30 mℓ/min para dabigatrana), em pacientes com insuficiência hepática grave associada à coagulopatia, naqueles com menos de 18 anos e em mulheres grávidas ou amamentando. A varfarina ainda é o tratamento de escolha para pacientes com TEV com depuração de creatinina < 15 m ℓ /min e para pacientes com síndrome de anticorpos antifosfolipídio (Capítulo 73). Os anticoagulantes orais diretos devem ser usados com cautela em pacientes com peso > 150 kg, porque os dados sobre sua eficácia nesses pacientes são limitados. Pacientes que não possam pagar anticoagulantes orais diretos devem receber tratamento anticoagulante convencional, porque a varfarina é mais barata. Finalmente, se a adesão ao tratamento for uma preocupação, ou se o paciente estiver tomando vários medicamentos que possam interagir com os anticoagulantes orais diretos (p. ex., inibidores fortes da glicoproteína P, como verapamil ou dronederona, ou indutores potentes ou inibidores da glicoproteína P e isoenzimas do citocromo P450 A34, como carbamazepina, fenitoína, refampicina ou itraconazol ou cetoconazol oral), a varfarina pode ser uma escolha melhor porque o monitoramento da RNI garantirá a dosagem terapêutica. Anticoagulação parenteral seguida por varfarina A terapia anticoagulante parenteral começa com um agente de ação rápida, como heparina não fracionada, HBPM ou fondaparinux, administrado durante pelo menos 5 dias e sobreposto com varfarina. A heparina não fracionada é o agente parenteral de escolha para pacientes com depuração de creatinina inferior a 30 mℓ/min, pois a HBPM e o fondaparinux são eliminados pelos rins. A heparina deve ser administrada por infusão intravenosa contínua e dosada usando um nomograma baseado no peso (Tabela 74.6). Tipicamente, um bolus de 80 UI/kg é seguido por uma infusão de 18 UI/kg/hora e as doses subsequentes são ajustadas com base nos resultados do tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPa). O TTPa é determinado 6 h após o início da heparina ou após a alteração da velocidade de infusão. A determinação do TTPa 1 vez/dia é suficiente após um valor terapêutico ser atingido. A obtenção e a manutenção rápidas dos valores terapêuticos de TTPa são importantes para reduzir o risco de TEV recorrente. Até 25% dos pacientes com TEV agudo têm resistência à heparina não fracionada, que é definida como uma necessidade de doses maiores do que o esperado para atingir um TTPa terapêutico. Se disponível, o monitoramento com antifator Xa é recomendado no lugar do monitoramento de TTPa nesses pacientes. Além do monitoramento da coagulação, a contagem de plaquetas deve ser medida pelo menos 2 ou 3 vezes/semana em razão do risco de trombocitopenia induzida por heparina (Capítulo 163). A dose de HBPM é baseada no peso corporal, e o uso de seringas pré-cheias simplifica sua aplicação. Os esquemas de dosagem são diferentes para as várias formulações de HBPM (Tabela 74.7), mas a administração de HBPM 1 vez/dia parece ser tão segura e efetiva quanto a administração 2 vezes/dia. O monitoramento do antifator Xa deve ser considerado para três tipos de pacientes: pacientes com insuficiência renal grave (depuração da creatinina < 30 mℓ/min); pacientes com obesidade mórbida, porque o volume de distribuição de HBPM em tais indivíduos pode tornar a dosagem ajustada ao peso inadequada; e mulheres grávidas, porque a dose pode requerer ajuste conforme a mudança de peso corporal. Os níveis de antifator Xa são geralmente determinados em amostras de sangue colhidas 4 h após a injeção subcutânea; foram propostos intervalos terapêuticos de 0,5 a 1,0 UI/mℓ para a dosagem 2 vezes/dia e 1,0 a 1,8 UI/mℓ para a dosagem 1 vez/dia. O fondaparinux é um análogo sintético da sequência pentassacarídica necessária para a ligação da heparina à antitrombina. O medicamento é administrado por via subcutânea 1 vez/dia de acordo com o peso corporal: 5 mg quando o peso corporal é inferior a 50 kg; 7,5 mg para 50 a 100 kg de peso corporal e 10 mg para pesos superiores a 100 kg. A varfarina pode ser iniciada no mesmo dia em que a terapia anticoagulante parenteral é iniciada. A terapia anticoagulante parenteral deve ser continuada por pelo menos 5 dias e só deve ser interrompida quando a RNI estiver dentro da faixa terapêutica de 2 a 3 por pelo menos 48 horas. O início da terapia com varfarina deve ser adiado em pacientes com embolia pulmonar maciça ou TVP extensa; esses pacientes devem receber apenas um anticoagulante parenteral até que estejam estabilizados. Fatores farmacogenéticos influenciam a faixa relativamente ampla de necessidades de dose de varfarina entre diferentes populações, mas sua capacidade de orientar a dosagem de varfarina e aumentar a porcentagem de tempo em que os pacientes têm valores de RNI dentro da faixa terapêutica é limitada. As necessidades de varfarina variam com o tempo em pacientes isolados (Capítulo 76) e não se sabe se os algoritmos de dosagem aumentam a eficácia ou a segurança da terapia com varfarina. Embora a HBPM e o fondaparinux sejam efetivos e seguros, eles exigem injeção subcutânea diária, o que é difícil para alguns pacientes. A varfarina também é problemática porque exige monitoramento frequente e ajustes de dose, que são incômodos para pacientes e médicos e caros para os sistemas de saúde. O uso de anticoagulantes orais diretos contorna esses problemas. Terapia trombolítica para TVP Embora a terapia trombolítica dirigida por cateter com ou sem intervenção mecânica possa aumentar as taxas de permeabilidade precoce em pacientes com TVP proximal, tal terapia não demonstrou reduzir a taxa subsequente de síndrome pós-trombótica.A8 Portanto, a trombólise é recomendada apenas para pacientes cuja TVP proximal esteja associada a inchaço extenso das pernas ou gangrena venosa incipiente. Investigação de malignidade subjacente Assim que o tratamento estiver em andamento, a possibilidade de malignidade subjacente deve ser considerada, especialmente em pacientes com TEV aparentemente não provocado. Exames de rastreamento para câncer específicos para idade e sexo (como colonoscopia e mamografia) podem ser considerados para excluir malignidade não diagnosticada anteriormente como o precipitante. Se esses exames forem negativos e a anamnese meticulosa, o exame físico e os exames de rotina (hemogramas, análises químicas do soro, radiografia de tórax, análise de urina, pesquisa de sangue oculto nas fezes) não forem reveladores ou se suas anormalidades forem avaliadas posteriormente sem achados histopatológicos, a probabilidade de encontrar câncer oculto dentro de 1 ano após o diagnóstico é de cerca de 5%.11 Portanto, a TC abdominale pélvica de rotina ou a tomografia por emissão de pósitrons não são recomendadas, porque esses exames são caros e não aumentam a taxa de diagnóstico de câncer nem melhoram os desfechos.A9,A10 Terapia anticoagulante a longo prazo Todos os pacientes com TEV precisam de terapia anticoagulante durante pelo menos 3 meses,12 quando uma decisão deve ser tomada quanto a interromper ou manter com base no equilíbrio entre o risco de recorrência se o tratamento for interrompido e o risco de sangramento se não for12b. A preferência do paciente também é um fator importante a considerar. Um curso de tratamento de 3 meses é suficiente para pacientes cujo TEV foi provocado por fatores de risco transitórios e reversíveis importantes, como cirurgia ou traumatismo, desde que esses fatores de risco tenham sido resolvidos. O risco de recorrência após a interrupção do tratamento com anticoagulação nesses pacientes é de cerca de 1% em 1 ano e 5% em 5 anos. Mulheres que desenvolvem TEV com terapia com estrogênio também podem ser tratadas por 3 meses se o tratamento hormonal for suspenso. Pacientes com TEV não provocado ou fatores de risco maiores persistentes, como câncer ativo, correm maior risco de recorrência se a terapia anticoagulante for interrompida e, portanto, requerem tratamento prolongado, a menos que tenham alto risco de sangramento. Pacientes com embolia pulmonar têm maior probabilidade de apresentar êmbolos pulmonares recorrentes, que estão associados a uma taxa de letalidade duas vezes maior do que a TVP. Pacientes com história de TEV anterior correm risco 1,5 vez maior de recorrência do que após o primeiro TEV. Pacientes com TVP recorrente também correm maior risco de síndrome pós-trombótica e podem se beneficiar de anticoagulação prolongada. Um nível elevado de dímero D 1 mês após a interrupção da terapia anticoagulante identifica os pacientes com maior risco de recorrência.13 Mesmo com um nível normal de dímero D, no entanto, os homens correm risco de recorrência de cerca de 9% em 1 ano, o que tipicamente é muito alto para justificar a interrupção da anticoagulação. O risco de recorrência em mulheres com um nível normal de dímero D 1 mês após a interrupção da terapia anticoagulante é de cerca de 5%. Portanto, as únicas mulheres que devem interromper o tratamento são aquelas com menos de 65 anos, não obesas, sem evidências de síndrome pós-trombótica e com nível de dímero D normal 1 mês após a interrupção da terapia anticoagulante ou um nível de dímero D < 250 μg/ ℓ enquanto ainda estiver em terapia anticoagulante.14 Para terapia de anticoagulação estendida além de 6 meses, a dose de apixabana pode ser reduzida de 5 mg, 2 vezes/dia para 2,5 mg, 2 vezes/dia e a dose de rivaroxabana pode ser reduzida de 20 mg, 1 vez/dia para 10 mg, 1 vez/dia sem comprometer a eficácia e com o potencial de redução do risco de sangramento. A terapia anticoagulante é superior ao ácido acetilsalicílico (AAS) para prevenção secundária de TEV e não está associada a risco aumentado de sangramento importante.A11,A12 Não se sabe se os esquemas de dose mais baixa de apixabana ou rivaroxabana são tão efetivos quanto os de dose mais alta para prevenção de TEV recorrente em pacientes com câncer ativo. Os esquemas de dose mais alta devem ser reiniciados se os pacientes desenvolverem TEV recorrente quando a dose for reduzida. Se a varfarina for usada para terapia de anticoagulação prolongada, a RNI desejada permanece entre 2,0 e 3,0. Para pacientes com valores de RNI erráticos, deve-se considerar a mudança para um anticoagulante oral direto. A troca também pode ser considerada para aqueles que consideram o teste de RNI e o ajuste da dose de varfarina difíceis, tais como pacientes com mobilidade limitada ou que viajam com frequência. Efeitos colaterais dos anticoagulantes Sangramento é o efeito colateral mais comum da terapia anticoagulante. Fatores como cirurgia recente, traumatismo e uso concomitante de AAS ou terapia trombolítica aumentam o risco de sangramento. Sangramento importante – como sangramento intracraniano (Capítulo 380), gastrintestinal (Capítulo 126) ou retroperitoneal – leva a hospitalização, transfusão ou morte em aproximadamente 2% dos pacientes tratados com heparina não fracionada intravenosa para TEV agudo. O risco de sangramento maior com varfarina em dose ajustada direcionada para RNI de 2,0 a 3,0 varia de 1 a 3% ao ano e parece ser maior logo após o início do tratamento ou se a anticoagulação for difícil de controlar. A taxa de sangramento importante em pacientes com TEV tratados com anticoagulantes orais diretos é cerca de 40% menor do que com varfarina. Com varfarina e anticoagulantes orais diretos, o risco de sangramento maior aumenta com a idade, comorbidades (p. ex., diabetes melito, hipertensão arterial sistêmica, insuficiência renal, sangramento gastrintestinal prévio ou câncer) e o uso de medicamentos concomitantes, sobretudo agentes antiplaquetários. Se ocorrer sangramento grave com heparina ou HBPM, o sulfato de protamina (Capítulo 76) reverte completamente o efeito anticoagulante da heparina, mas reverte apenas parcialmente o da HBPM porque não consegue se ligar a cadeias mais curtas de HBPM. Para sangramento grave com varfarina, a vitamina K deve ser administrada por infusão intravenosa lenta junto com o concentrado de complexo de protrombina de quatro fatores para repor os fatores de coagulação dependentes de vitamina K ausentes (Capítulo 76). A dabigatrana pode ser rapidamente revertida com idarucizumabe (Capítulo 76), um fragmento de anticorpo monoclonal que se liga à dabigatrana com alta afinidade.15 Andexanete alfa, uma variante recombinante do fator Xa que compete com o fator Xa nativo para se ligar a esses fármacos, está licenciada nos EUA para reversão de apixabana e rivaroxabana (Capítulo 76);16 se não estiver disponível, o concentrado de complexo de protrombina de quatro fatores é recomendado para sangramento com risco à vida (Capítulo 76). Trombocitopenia induzida por heparina (Capítulo 163), que é uma complicação não hemorrágica relativamente comum da heparina não fracionada, mas uma complicação muito incomum com HBPM ou fondaparinux, tipicamente se apresenta com trombocitopenia e nova trombose (Capítulo 163). O monitoramento da contagem de plaquetas é recomendado pelo menos 2 a 3 vezes/semana em pacientes que recebem heparina não fracionada terapêutica, mas não é recomendado rotineiramente com HBPM ou fondaparinux. Quando os medicamentos falham ou são contraindicados As estratégias terapêuticas para tratar pacientes nos quais o TEV sintomático recorre enquanto eles estão recebendo varfarina de intensidade convencional ou anticoagulantes orais diretos incluem HBPM, varfarina de alta intensidade (faixa de RNI de 3,0 a 4,0), doses de anticoagulante oral direto mais altas ou inserção de filtro de veia cava. No entanto, o tratamento ideal de tais pacientes é desconhecido porque nenhum estudo randomizado foi realizado. Os filtros da veia cava inferior, que são inseridos por via percutânea, geralmente são colocados abaixo do nível das veias renais, mas podem ser colocados mais alto se o trombo se estender para a veia cava inferior. Os filtros permanentes e recuperáveis reduzem o risco de embolia pulmonar recorrente,17 mas não reduzem a taxa de mortalidade, em parte porque os filtros permanentes podem estar associados a complicações a longo prazo, como oclusão da veia cava inferior em razão de trombo, TVP recorrente e síndrome pós-trombótica.A13 Filtros recuperáveis, projetados para serem removidos em 2 a 4 semanas após a implantação, podem contornar essas complicações a longo prazo, mas a migração do dispositivo ou trombose ocorre em até 10% dos pacientes com esses filtros porque muitos não são removidos. Em função desses problemas potenciais, os filtros de veia cava devem ser usados apenas em pacientes com alto risco de embolia pulmonar e que tenham uma contraindicação absoluta para terapia anticoagulante, como pacientes que desenvolvem TVP extensa após cirurgia de grandeporte, pacientes que apresentam sangramento importante com terapia anticoagulante e gestantes que apresentam TVP pouco antes do parto. Filtros recuperáveis devem ser usados nesses casos, e os dispositivos devem ser removidos assim que a terapia anticoagulante puder ser administrada com segurança. Filtros permanentes são adequados para pacientes com contraindicações contínuas à anticoagulação. Subgrupos específicos de pacientes Pacientes com TEV em quadro de câncer ativo e mulheres que sofrem de TEV durante a gravidez precisam de tratamento especial. TEV associado ao câncer O câncer ativo (Capítulo 73) e seu manejo com quimioterapia, radioterapia e fatores de crescimento ou outros agentes biológicos aumentam o risco de TEV (Capítulo 169). Pacientes com câncer avançado geralmente têm mobilidade limitada, e a compressão venosa pelo tumor aumenta o risco de TEV. Além disso, cateteres de acesso venoso central podem desencadear TVP dos membros superiores, o que pode levar a embolia pulmonar. Portanto, o índice de suspeita deve ser alto em pacientes com câncer que apresentam sinais e sintomas sugestivos de TEV. Com os avanços no diagnóstico por imagem, êmbolos pulmonares incidentais podem ser descobertos em TCs realizadas para fins de estadiamento ou para monitorar a resposta ao tratamento. Os êmbolos pulmonares incidentais envolvendo veias segmentares ou mais proximais devem ser tratados, mas não está claro se os êmbolos pulmonares subsegmentares isolados, principalmente se apenas um único vaso estiver envolvido, exigem tratamento. Em pacientes com câncer ativo, a HBPM reduz o risco de TEV recorrente de maneira mais efetiva que a varfarina, sem aumentar significativamente o risco de sangramento.A14 No entanto, o tratamento com HBPM é muitas vezes limitado em decorrência de seu custo e pela necessidade de injeções subcutâneas diárias. A edoxabana oral reduz o TEV recorrente em comparação com a dalteparina subcutânea, mas resulta em mais sangramento geral;A15 no entanto, as taxas de sangramento grave são semelhantes com os dois esquemas, e a maior parte do excesso de sangramento com edoxabana é do sistema digestório e ocorre em pacientes com câncer gastrintestinal. Resultados semelhantes foram relatados com rivaroxabana e apixabana.A16,A16b No todo, os anticoagulantes orais de ação direta são uma alternativa adequada para a HBPM no tratamento de TEV associado a câncer, embora devam ser usados com cautela em pacientes com cânceres intactos envolvendo os sistemas digestório ou geniturinário e devem ser evitados quando os pacientes têm contagens de plaquetas inferiores a 50.000/mm3. Apixibana (2,5 mg, 2 vezes/dia) e rivaroxabana (10 mg/dia) também são eficazes na prevenção de um primeiro TEV em pacientes com câncer de risco intermediário e alto.A16b,A16c Como resultado, os anticoagulantes orais diretos representam uma alternativa à HBPM para o tratamento de TEV associado ao câncer e são provavelmente preferidos para a prevenção de um primeiro TEV, mas devem ser usados com cautela em pacientes com câncer envolve o sistema digestório ou urogenital.18 TEV na gravidez O tratamento de gestantes com TEV (Capítulo 226) é problemático porque a varfarina e os anticoagulantes orais diretos atravessam a placenta. A varfarina pode causar embriopatia, com hipoplasia nasal e pontilhado epifisário, se o recém-nascido for exposto à varfarina entre 6 e 12 semanas de gestação; sangramento fetal pode ocorrer com exposição mais tarde na gestação. Consequentemente, a heparina não fracionada ou a HBPM, que não atravessam a placenta e são seguras para o feto, são os agentes de escolha para o tratamento de TEV na gravidez. A abordagem mais fácil é iniciar a terapia com doses de tratamento de HBPM ajustadas ao peso (Tabela 74.7),19 que é continuada durante a gravidez. Conforme a gravidez avança, as mulheres ganham peso e geralmente precisam de doses mais altas de HBPM para atingir um nível de antifator Xa semelhante ao obtido no momento do diagnóstico. A adequação da dose pode ser avaliada medindo-se um nível de antifator Xa pós-injeção de 4 horas e ajustando a dose para atingir um nível de 0,5 a 1,0 UI/mℓ para HBPM 2 vezes/dia e 0,8 a 1,5 UI/mℓ para HBPM 1 vez/dia. Alternativamente, a dose de HBPM pode simplesmente ser ajustada com base no peso. A heparina não fracionada subcutânea é menos atraente do que a HBPM porque deve ser administrada 2 vezes/dia e está associada a maior redução na densidade óssea e maior risco de trombocitopenia induzida por heparina do que a HBPM. A heparina não fracionada pode ser iniciada por infusão intravenosa contínua em doses ajustadas para manter um TTPa na faixa terapêutica (Tabela 74.6), ou simplesmente com injeções subcutâneas a cada 12 horas durante a gravidez. A dose subcutânea deve ser ajustada para atingir um TTPa terapêutico 6 horas após sua injeção. As gestantes com TEV devem, provavelmente, ser tratadas durante a gravidez e pelo menos 6 semanas após o parto. Se o TEV ocorrer no início da gravidez, recomenda-se a indução eletiva do parto em aproximadamente 37 semanas com descontinuação da heparina 24 horas antes. Se o TEV ocorrer na última parte do terceiro trimestre, a heparina intravenosa deve ser administrada por infusão contínua até aproximadamente 6 horas antes da hora prevista para o parto. A heparina não fracionada intravenosa ou a HBPM subcutânea devem ser iniciadas após o parto assim que a hemostasia for alcançada. A varfarina é segura para lactantes porque nem o fármaco original nem seus metabólitos são secretados no leite materno. Consequentemente, a varfarina pode ser iniciada após o parto, com uso concomitante de HBPM ou heparina não fracionada até que a RNI seja igual ou superior a 2,0. Os anticoagulantes orais diretos não devem ser usados por lactantes porque pequenas quantidades passam para o leite materno. FIGURA 74.7 Achados de eletrocardiograma clássicos na embolia pulmonar. Observe as ondas S na derivação I e as ondas Q e as ondas T invertidas na derivação III, achados que compreendem o padrão S1, Q3 e T3. Tabela 74.4 Esquemas aprovados pela FDA para terapia fibrinolítica para embolia pulmonar grave. AGENTES ESQUEMAS RECOMENDADOS Estreptoquinase 250.000 UI como dose de ataque ao longo de 30 min, seguidas por 100.000 UI/h ao longo de 12 a 24 h Ativador de plasminogênio 100 mg ao longo de 2 h, ou 0,6 mg/kg ao longo de 10 a 15 min (dose máxima de tecidual 50 mg) Tabela 74.5 Contraindicações da terapia fibrinolítica. CONTRAINDICAÇÕES ABSOLUTAS Qualquer acidente vascular encefálico (AVE) hemorrágico ou AVE de origem desconhecida Lesão do sistema nervoso central ou neoplasia Traumatismo grave, cirurgia ou lesão na cabeça nas últimas 3 semanas Sangramento gastrintestinal no último mês Sangramento contínuo significativo CONTRAINDICAÇÕES RELATIVAS AVC isquêmico ou ataque isquêmico transitório nos 6 meses anteriores Tratamento com um antagonista da vitamina K Gravidez ou na semana seguinte ao parto Local de punção não compressível Reanimação traumática Doença hepática avançada Endocardite infecciosa Úlcera péptica ativa Tabela 74.6 Nomograma com base no peso para terapia inicial com heparina intravenosa. TTPa DOSE (UI/kg) Dose inicial 80 UI/kg em bolus, depois 18 UI/kg/h < 35 s (< 1,2 ×)* 80 UI/kg em bolus, depois 4 UI/kg/h 35 a 45 s (1,2 a 1,5 ×) 40 UI/kg em bolus, depois 2 UI/kg/h 46 a 70 s (1,5 a 2,3 ×) Sem mudança 71 a 90 s (2,3 a 3 ×) Reduzir a velocidade de infusão em 2 UI/kg/h > 90 s (> 3 ×) Manter a infusão por 1 h e, em seguida, diminuir a velocidade de infusão em 3 UI/kg/h Modificada de Raschke RA, Reilly BM, Guidry JR, et al. The weight-based heparin dosing nomogram compared with a “standard care” nomogram: a randomized controlled trial. Ann Intern Med. 1993;119:874.881. *Os números entre parênteses mostram a comparação com o controle. TTPa = tempo de tromboplastina parcial ativado. Em geral, com reagentes contemporâneos, o intervalo terapêutico alvo é mais do que 1,2 a 2,3 vezes o controle. Tabela 74.7 Esquemasposológicos para várias preparações de heparina de baixo peso molecular. AGENTE DOSE INTERVALO Enoxaparina 1 mg/kg 1,5 mg/kg 2 vezes/dia 1 vez/dia Dalteparina 100 UI/kg 200 UI/kg 2 vezes/dia 1 vez/dia Tinzaparina 175 UI/kg 1 vez/dia UI = unidade internacional (observe que 1 mg de enoxaparina = 100 UI). PROGNÓSTICO Aos 30 dias, as taxas de mortalidade em pacientes com TVP e embolia pulmonar são cerca de 6 e 12%, respectivamente. Muitas dessas mortes são decorrentes de doenças concomitantes, e não do TEV. As taxas de mortalidade são cerca de 75% mais altas se a embolia preliminar se apresentar com síncope.19b Se a terapia de anticoagulação for interrompida após 3 meses, os pacientes cujo TEV foi provocado por um importante fator de risco transitório, como cirurgia ou traumatismo, têm o menor risco de recorrência (cerca de 1% em 1 ano e 5% em 5 anos), enquanto aqueles com TEV não provocado apresentam maior risco (cerca de 10% em 1 ano e 25% em 5 anos19c). Pacientes cujo TEV foi provocado por fatores de risco não cirúrgicos menores, como viagens prolongadas ou imobilidade a curto prazo, encontram-se em risco intermediário de TEV recorrente (cerca de 5% em 1 ano e 15% em 5 anos), enquanto aqueles com fatores de risco persistentes maiores, como o câncer ativo (particularmente câncer cerebral, pancreático ou colorretal), apresentam maior risco de recorrência (pelo menos 15% em 1 ano e 40% em 5 anos). Portanto, ao avaliar pacientes com TEV, é importante determinar se o episódio foi não provocado ou provocado e, se provocado, se o fator desencadeante foi maior ou menor e transitório ou persistente. COMPLICAÇÕES DE TEV A LONGO PRAZO A síndrome pós-trombótica, o TEV recorrente e a hipertensão arterial pulmonar (HAP) tromboembólica crônica são complicações potenciais a longo prazo de TEV. Síndrome pós-trombótica A dor e o edema iniciais em pacientes com TVP são causados pela obstrução venosa e a inflamação que acompanha a trombose venosa. Após o início da terapia anticoagulante, a obstrução aguda geralmente desaparece à medida que ocorre a recanalização e os canais venosos colaterais se desenvolvem, levando à redução da dor e do edema. No entanto, a hipertensão venosa pode ocorrer se houver obstrução venosa residual e incompetência das válvulas venosas. A hipertensão venosa é característica da síndrome pós-trombótica, que se desenvolve em até 50% dos pacientes com TVP proximal, geralmente 6 meses a 2 anos após o evento.20 A síndrome é caracterizada por dor e edema posturais que pioram ao final do dia e são aliviados pela elevação dos membros inferiores. As meias de compressão não previnem a síndrome pós-trombótica;A17 portanto, é razoável adiar o uso das meias por vários meses até que o processo inflamatório agudo e a obstrução do fluxo passem e, então, prescrevê-las apenas para pacientes com sintomas persistentes. Alterações no estilo de vida, como elevação frequente dos membros inferiores, evitar ficar em pé ou sentar por muito tempo e o uso ocasional de analgésicos aliviam os sintomas em muitos pacientes. Se os sintomas forem graves, a meia de leve compressão pode ser útil até que o edema melhore. A meia que aplica 30 a 40 mmHg de pressão no tornozelo pode ser prescrita se os sintomas persistirem ou piorarem apesar dessas medidas. No entanto, se os sintomas diminuírem ou tiverem pouco ou nenhum impacto na qualidade de vida, a maioria dos pacientes opta por evitar o uso de meias. Úlceras venosas, que são a complicação mais grave da síndrome pós- trombótica, geralmente ocorrem na área perimaleolar da perna. O melhor tratamento é a prevenção com a aplicação de meias de compressão graduada, se ocorrerem alterações na pele associadas ao edema de membros inferiores. O tratamento de úlceras consiste em um creme emoliente, como um hidratante, com ou sem corticosteroide tópico de baixa dosagem (Tabela 407.2) e aplicação de ataduras nos membros inferiores. Depois que a úlcera cicatrizar, meias de compressão graduada devem ser prescritas. O fechamento cirúrgico ou a remoção das veias safenas incompetentes não acelera o tempo de cicatrização em pacientes com úlceras venosas crônicas em comparação com o tratamento apenas com curativos, mas pode reduzir significativamente a taxa de ulceração recorrente.A18 Suspeita de TEV recorrente Aproximadamente 10% dos pacientes com TEV não provocado terão um evento tromboembólico recorrente no primeiro ano após a interrupção da terapia anticoagulante. O diagnóstico de TVP recorrente é complicado pelo fato de muitos pacientes com TVP prévia apresentarem edema posicional e dor nos membros inferiores como resultado da síndrome pós-trombótica. Essa síndrome e outros distúrbios venosos, como a insuficiência venosa crônica, podem provocar sinais/sintomas semelhantes aos da TVP aguda; portanto, exames complementares acurados para confirmar a recorrência são obrigatórios. Anormalidades venosas residuais na US são comuns em pacientes com história pregressa de TVP proximal e são encontradas em aproximadamente 80% dos pacientes em 3 meses e em 50% dos pacientes em 1 ano após o evento. Portanto, a comparação com imagens anteriores de US é necessária em pacientes com suspeita de recidiva. Embora um aumento no diâmetro da veia de 4 mm ou mais no segmento de veia comprimido sugira TVP recorrente, um novo segmento venoso proximal não compressível é o critério mais confiável para o diagnóstico de recorrência. Um resultado normal do dímero D ajuda a descartar a possibilidade de TVP recorrente. Para pacientes com suspeita de embolia pulmonar recorrente, o diagnóstico é confirmado pela descoberta de novos trombos na APTC. A comparação com os exames anteriores é importante, principalmente se a cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão for realizada, pois os defeitos de perfusão residuais são comuns em pacientes com história prévia de embolia pulmonar. Tal como acontece com a suspeita de TVP recorrente, um teste normal de dímero D ajuda a excluir o diagnóstico. O tratamento de TEV recorrente é o mesmo que para o primeiro evento, exceto que a maioria dos pacientes com TEV recorrente não provocado ou provocado por fatores de risco menores requerem terapia de anticoagulação prolongada. Hipertensão arterial pulmonar tromboembólica crônica Uma complicação rara da embolia pulmonar, a hipertensão arterial pulmonar (HAP) tromboembólica crônica desenvolve-se em 0,5 a 5% dos pacientes ao longo de meses ou anos, quando os êmbolos nas principais artérias pulmonares são substituídos por tecido fibroso que se incorpora às paredes dos vasos, estreitando ou obstruindo-os.21,21b A obstrução crônica do leito vascular pulmonar aumenta a resistência arterial pulmonar e pode levar à insuficiência cardíaca direita. Embora os pacientes inicialmente possam ser assintomáticos, eles apresentam agravamento da dispneia aos esforços e hipoxemia à medida que a doença evolui. Deve-se suspeitar de HAP tromboembólica crônica em pacientes com HAP (Capítulo 75), e o diagnóstico pode ser estabelecido com uma combinação de ecocardiografia e cintilografia pulmonar ou APTC. A terapia clínica concentra-se no tratamento da insuficiência cardíaca direita e no uso de análogos da prostaciclina, como a treprostinila, que é administrada por infusão subcutânea contínua em doses que variam de 1 a 22 ng/kg/min; antagonistas dos receptores da endotelina, como bosentana, que é iniciado com uma dose de 62,5 mg, 2 vezes/dia e aumentada para 125 mg, 2 vezes/dia em pacientes com peso superior a 40 kg; inibidores da fosfodiesterase-5, como sildenafila 40 mg, 3 vezes/dia; ou uma combinação desses, para diminuir a pressão da artéria pulmonar. Riociguate, um estimulador de guanilato ciclase solúvel, começando com 1 mg, 3 vezes/dia e titulado até 2,5 mg, 3 vezes/dia, é outra opção.A19 Contudo, esses agentes podem ser de utilidade limitada em razão da natureza fibrótica do material obstrutivo. Portanto, o tratamento definitivo envolve tromboendarterectomia cirúrgica para remoção do material que oclui as artérias pulmonares. Parapacientes considerados doentes demais para a cirurgia, a angioplastia pulmonar com balão pode ser efetiva e, em pacientes selecionados, promover desfechos excelentes. Esse procedimento está associado a uma taxa de mortalidade peroperatória que pode chegar a 4%, dependendo da gravidade da doença, e a uma sobrevida de 3 anos de cerca de 80%. Em pacientes com hipertensão pulmonar residual após endarterectomia, a desnervação da artéria pulmonar é uma opção potencial para reduzir os níveis tensionais e melhorar a capacidade funcional.21c TROMBOSE VENOSA EM MEMBROS SUPERIORES A TVP em membros superiores (incluindo as veias axilar, subclávia e jugular interna, bem como a veia cava superior) é muito menos comum do que a TVP em membros inferiores, mas não é rara, especialmente em adultos em estado grave internados em unidades de terapia intensiva.22 Os fatores associados à TVP em membro superior incluem cateteres venosos centrais, trombofilias adquiridas ou hereditárias (Capítulo 73) e compressão anatômica (costela cervical) e fisiológica (indivíduos musculosos) da veia. A incidência de síndrome pós-trombótica clinicamente importante não é alta se os pacientes receberem terapia anticoagulante. A venografia contrastada é o padrão-ouro para o diagnóstico de TVP dos membros superiores, mas a US venosa é acurada e menos invasiva. Como não é possível testar a compressão da veia subclávia, o diagnóstico de TVP dessa veia por US é baseado em anormalidades de fluxo ou visualização direta do trombo por US em modo B. A TVP em membro superior pode causar êmbolos pulmonares, embora a frequência exata não seja conhecida. Existe controvérsia sobre o manejo de pacientes nos quais a TVP se desenvolve em associação com um cateter venoso central. Se o cateter não for mais necessário ou estiver obstruído, alguns especialistas recomendam a remoção do cateter sem terapia anticoagulante subsequente, enquanto outros recomendam terapia anticoagulante em dose plena. Se o cateter estiver funcional e for necessário para a administração do medicamento ou acesso venoso, deve-se administrar terapia anticoagulante em dose plena. Essa terapia deve ser administrada a todos os pacientes cuja TVP em membro superior não tiver sido desencadeada por um cateter venoso central. Os medicamentos, as doses, os esquemas e as durações do tratamento geralmente são idênticos aos do tratamento da TVP da perna.22b TROMBOSE VENOSA SUPERFICIAL A trombose venosa superficial geralmente se manifesta com dor, edema, vermelhidão e dor à palpação das veias superficiais. Veias varicosas trombosadas (Figura 74.8) podem estar vermelhas, quentes e agrupadas em uma área circunscrita. Quando a trombose da veia superficial envolve as veias safenas maiores ou menores, um cordão doloroso à palpação frequentemente segue o trajeto da veia envolvida na coxa ou na face medial da panturrilha, respectivamente. A trombose da veia superficial também pode ocorrer no local de inserção de cateteres intravenosos. Aproximadamente 25% dos pacientes com trombose de veia superficial no membro inferior têm TVP concomitante no momento da apresentação e aproximadamente 3% dos outros desenvolverão TVP ou embolia pulmonar nos próximos 3 meses, com risco subsequente de cerca de 1% ao ano posteriormente.23 Portanto, a US com compressão deve ser realizada para descartar a possibilidade de TVP em pacientes com trombose de veia superficial no membro inferior. FIGURA 74.8 Varizes. As veias varicosas são um fator de risco para trombose venosa superficial e profunda. (De Forbes CD, Jackson WF. Color Atlas and Text of Clinical Medicine, 3rd ed. London: Mosby; 2003.) O tratamento com fármacos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), doses moderadas ou plenas de HBPM, fondaparinux e rivaroxabana é, cada um, 70% melhor do que o placebo para tratamento de trombose de veias superficiais. A HBPM alivia os sinais/sintomas mais rapidamente e evita a extensão trombótica de maneira mais efetiva do que os AINEs. Fondaparinux, 2,5 mg/dia durante 45 dias, reduz o risco de TVP ou embolia pulmonar de aproximadamente 1,3% para 0,2% sem efeitos adversos notáveis. Um curso de 45 dias de rivaroxabana (10 mg, 1 vez/dia) é tão efetivo e seguro quanto o fondaparinux.A20 Desse modo, é razoável usar doses moderadas de rivaroxabana, fondaparinux ou HBPM para tratar a trombose da veia superficial sintomática, sobretudo quando os pacientes apresentam sinais/sintomas graves, trombose da veia safena proximal, doença recorrente ou câncer subjacente ou trombofilia. Para casos menos graves, AINEs tópicos ou sistêmicos podem ser prescritos. Para o tratamento de veias varicosas, os tratamentos a laser e cirúrgicos parecem ser superiores à escleroterapia com espuma.A20b PREVENÇÃO DE TEV Pelo menos metade de todos os pacientes ambulatoriais com TEV recém- diagnosticado tem história de hospitalização recente e a maioria não recebeu tromboprofilaxia durante a internação. Consequentemente, a embolia pulmonar é a causa de morte evitável mais comum em pacientes hospitalizados nos EUA. Portanto, todo paciente admitido no hospital deve ser avaliado quanto ao risco de TEV e, se indicado, deve ser administrada tromboprofilaxia adequada. Apesar da abundância de ensaios clínicos randomizados de grande porte que demonstram a eficácia e segurança das medidas mecânicas e farmacológicas na redução do risco de TEV em uma ampla gama de populações de pacientes hospitalizados, a profilaxia ainda é muito subutilizada. Fatores que aumentam o risco de TVP incluem cirurgia (sobretudo cirurgia ortopédica de grande porte e neurocirurgia [Capítulos 260 e 403]), traumatismo grave (Capítulo 103), repouso prolongado no leito ou imobilização, viagens aéreas ou de carro prolongadas (Capítulo 270), história pregressa de TEV, existência de doença maligna, paralisia ou paresia, obesidade mórbida e idade avançada. Vale mencionar que a inibição da PCSK9 (pró-proteína convertase subtilisina/quexina do tipo 9) para reduzir os níveis de lipoproteína de baixa densidade também diminui o risco de tromboembolismo venoso, talvez por causa de seus efeitos redutores da Lp(a). Em geral, a profilaxia mecânica (meias antiembólicas e compressão pneumática intermitente) deve ser usada como adjuvante à profilaxia farmacológica ou como profilaxia independente em pacientes com alto risco de sangramento. A compressão pneumática ou meias são frequentemente adicionadas à tromboprofilaxia farmacológica, mas um estudo randomizado não mostrou valor aumentado de adicionar compressão pneumática a tais medicamentos em pacientes criticamente enfermos.A20d A colocação profilática precoce de um filtro de veia cava não traz nenhum benefício em pacientes gravemente feridos que têm contraindicação para tromboprofilaxia farmacológica.A20e Para pacientes de clínica geral admitidos no hospital com uma doença grave e nos quais a mobilidade provavelmente será reduzida por 72 horas ou mais, um curso de 45 dias de betrixabana oral (80 mg, 1 vez/dia) foi superior a um curso de 10 dias de enoxaparina em baixa dose; todavia, betrixabana não é mais comercializada.A21 Felizmente, um ciclo de 45 dias de rivaroxabana (10 mg/dia) também consegue reduzir o risco de TEV sintomático sem aumento significativo de sangramento importante em pacientes clínicos de alto risco após alta hospitalar.A21b Para pacientes hospitalizados com COVID-19 (Capítulo 342A) dá-se preferência a profilaxia com dose padrão (p. ex., 40 mg/dia de enoxaparina) em vez de doses terapêuticas intermediárias (p. ex., 1 mg/kg/dia de enoxaparina). A21c Em pacientes submetidos a cirurgias de quadril ou joelho de grande porte, rivaroxabana oral (10 mg, 1 vez/dia), apixabana (2,5 mg, 2 vezes/dia), varfarina (dose ajustada para atingir uma RNI de 2,0 a 3,0), HBPM subcutânea ou fondaparinux subcutâneo (2,5 mg/dia) deve ser administrado durante pelo menos 14 dias de pós-operatório. Em pacientes de menor risco submetidos a artroplastia de joelho ou quadril, um ciclo de 5 dias de rivaroxabana (10 mg 1 vez/dia) seguido por 9 ou 30 dias deAAS (81 mg/dia) parece ser tão efetivo e seguro quanto um ciclo estendido de rivaroxabana.A21d Em pacientes com imobilidade prolongada, a profilaxia deve ser considerada até que a mobilidade total seja recuperada. Em comparação com a inibição do fator Xa, menos ainda é conhecido sobre a utilidade clínica da inibição do fator XIa. Em um estudo, contudo, uma dose IV pós-operatória de osocimabe (anticorpo monoclonal contra o fator XIa) parece ser tão efetiva quanto enoxaparina ou apixabana na prevenção de tromboembolismo venoso após artroplastia de joelho.A21e É preciso aguardar mais estudos para se determinar se essa abordagem será amplamente aplicada. EMBOLIA PULMONAR NÃO TROMBÓTICA DEFINIÇÃO Material não trombótico que pode embolizar para os pulmões inclui gordura, ar, líquido amniótico, células tumorais, talco em usuários de drogas intravenosas (UDIV) e dispositivos médicos. Síndrome da embolia gordurosa EPIDEMIOLOGIA A síndrome de embolia gordurosa geralmente ocorre em caso de traumatismo, principalmente após a fratura de ossos longos ou da pelve. O risco aumenta com o número de ossos fraturados, e a síndrome ocorre mais frequentemente com fraturas fechadas do que abertas. A embolia gordurosa também pode complicar a cirurgia ortopédica ou traumatismo em tecidos ricos em gordura, como pode ocorrer com a lipoaspiração. BIOPATOLOGIA Caracterizada por uma combinação de manifestações respiratórias, neurológicas, hematológicas e cutâneas, a síndrome da embolia gordurosa reflete uma combinação de obstrução vascular por glóbulos de gordura (e- Figura 74.2), bem como os efeitos deletérios dos ácidos graxos livres liberados desses glóbulos de gordura pela ação das lipases lipoproteicas. Esses ácidos graxos livres aumentam a permeabilidade vascular, induzem uma síndrome de extravasamento capilar e podem desencadear agregação plaquetária. E-FIGURA 74.2 Embolia gordurosa. Glóbulos de gordura em pequenos vasos do pulmão em um paciente que morreu 2 dias após fratura traumática do fêmur. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os sintomas geralmente se desenvolvem 24 a 72 horas após traumatismo ou cirurgia. Os pacientes frequentemente se queixam de dor torácica vaga e dispneia.24 Taquipneia e febre associadas a taquicardia desproporcional são comuns. A síndrome pode evoluir rapidamente para hipoxemia grave que exige ventilação mecânica. As manifestações neurológicas, que frequentemente começam após desconforto respiratório, incluem sonolência, confusão, diminuição do nível de consciência e convulsões. Os pacientes podem ter petéquias, particularmente na conjuntiva, na mucosa oral e na metade superior do corpo. DIAGNÓSTICO A síndrome de embolia gordurosa deve ser suspeitada quando ocorre desconforto respiratório 1 dia ou mais após um grande traumatismo ou cirurgia ortopédica, sobretudo quando há defeitos neurológicos e petéquias associados.24b A radiografia de tórax pode revelar infiltrados alveolares difusos. Embora gotículas de gordura possam ser encontradas no líquido do lavado broncoalveolar, esse achado não é específico para a síndrome da embolia gordurosa. PREVENÇÃO, TRATAMENTO E PROGNÓSTICO A estabilização precoce de fraturas de ossos longos reduz o risco de embolização de gordura. Deve ser fornecido tratamento de suporte, como oxigênio e ventilação mecânica. A utilidade dos corticosteroides permanece controversa. Embora taxas de mortalidade de até 10% tenham sido relatadas, o prognóstico é geralmente bom. Embolia gasosa venosa EPIDEMIOLOGIA A embolia gasosa venosa, que envolve o aprisionamento de ar ambiental ou gás exógeno no sistema venoso, exige comunicação direta entre o ar e uma veia, bem como um gradiente de pressão que favoreça a entrada de ar na veia. O ar pode ser introduzido por meio de cateteres venosos centrais como consequência de procedimentos cirúrgicos ou clínicos invasivos ou após barotrauma. BIOPATOLOGIA Grandes êmbolos gasosos venosos obstruem a via de saída pulmonar do ventrículo direito, enquanto misturas de bolhas de ar e trombos de fibrina podem obstruir as arteríolas pulmonares. Em ambos os casos, pode ocorrer insuficiência ventricular direita. Quando há persistência do forame oval (Capítulo 61), os êmbolos gasosos no sangue venoso podem entrar na circulação coronária, cerebral ou sistêmica. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os sinais e sintomas dependem do volume de ar e da rapidez com que entra na circulação. Bolus grandes e rápidos de ar são menos tolerados do que a entrada lenta de pequenos volumes. Êmbolos gasosos pequenos podem ser assintomáticos. No caso de êmbolos maiores, os pacientes frequentemente se queixam de dispneia e desconforto torácico retroesternal, e sentem tontura.25 Os achados físicos incluem taquipneia, taquicardia e evidências de dificuldade respiratória. Os pacientes podem apresentar sinais de insuficiência cardíaca direita. Pode-se auscultar um sopro contínuo, semelhante a um tambor, roda de moinho, que reflete ar no ventrículo direito. PREVENÇÃO E TRATAMENTO Todos os cateteres devem ser removidos usando técnicas que minimizam a embolia gasosa, o ar deve ser removido das seringas antes da injeção e deve-se tomar cuidado durante a cirurgia para garantir que bolhas de ar não se formem nos vasos sanguíneos. Para evitar embolia gasosa associada ao barotrauma, os mergulhadores precisam ser treinados para mergulhar e emergir com segurança (Capítulo 88). A fonte de qualquer embolia gasosa deve ser identificada para que outras embolias possam ser prevenidas. O posicionamento em decúbito lateral esquerdo pode beneficiar pacientes que tenham uma grande bolha de ar retida na via de saída do ventrículo direito; esse posicionamento coloca a via de saída abaixo da cavidade ventricular direita, possibilitando, assim, que a bolha de ar migre para uma posição não obstrutiva. A aspiração do ventrículo direito por meio de um cateter venoso central também pode ser benéfica. Os pacientes devem receber oxigênio suplementar de alto fluxo e a oxigenação hiperbárica deve ser considerada para pacientes com disfunção cardíaca ou neurológica. DIAGNÓSTICO Os pacientes podem apresentar evidências no ECG de disfunção ventricular direita associada a níveis elevados de troponina, indicativos de lesão miocárdica. A ecocardiografia ou a TC de tórax podem revelar ar no ventrículo direito. Os pacientes podem ter hipoxemia e hipercapnia, e a contagem de plaquetas pode ser baixa. PROGNÓSTICO O desfecho depende da magnitude da embolia gasosa. Com bons cuidados de suporte, a taxa de mortalidade pode ser inferior a 10%, mesmo em pacientes com grandes êmbolos gasosos. Entretanto, defeitos neurológicos residuais frequentemente persistem. Embolia de líquido amniótico EPIDEMIOLOGIA E BIOPATOLOGIA A embolia amniótica é uma complicação rara, mas catastrófica da gravidez, que ocorre em cerca de 1 em 8.000 a 1 em 80.000 gestações.26 A síndrome desenvolve-se quando líquido amniótico e células fetais entram na corrente sanguínea materna através de pequenas lacerações nas veias uterinas durante o trabalho de parto. Êmbolos para o coração e os pulmões (e-Figura 74.3) causam disfunção cardíaca e dificuldade respiratória. Além disso, o líquido amniótico e outros debris ativam o sistema de coagulação e a trombina resultante, então, desencadeia a formação de fibrina e a ativação plaquetária para induzir a coagulação intravascular disseminada (Capítulo 166). E-FIGURA 74.3 Embolia de líquido amniótico. Células escamosas fetais, cabelo e mucina na vasculatura pulmonar de mulher que desenvolveu dispneia aguda, colapso circulatório e coagulopatia logo após o parto. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E DIAGNÓSTICO A síndrome frequentemente começa com o início abrupto de dispneia, cianose e hipotensão que evoluem rapidamente para colapso cardiovascular e morte. As pacientes que sobrevivem a esse estágio frequentemente desenvolvem manifestações de coagulação intravascular disseminada (Capítulo 166), caracterizada por sangramento difuso, petéquias e equimoses. O diagnóstico deve ser suspeitado em mulheres no final dagravidez, frequentemente em trabalho de parto, que apresentam início súbito de dificuldade respiratória seguida de cianose, hipotensão e choque. Esses achados estão frequentemente associados a confusão ou redução do nível de consciência, convulsões e evidências de coagulopatia consuntiva. TRATAMENTO As medidas de suporte incluem oxigênio, ventilação mecânica e suporte hemodinâmico. Plasma recém-congelado, crioprecipitado e transfusão de plaquetas podem ser administrados para repor os fatores de coagulação e plaquetas consumidos. A heparina, frequentemente em baixas doses terapêuticas, pode ser útil em alguns casos. Se a embolia por líquido amniótico ocorrer antes ou durante o parto, frequentemente o desfecho fetal é ruim. Assim que as condições da mãe forem estabilizadas, toda atenção deve ser voltada para o feto. PROGNÓSTICO Embora rara, a embolia por líquido amniótico ainda é a principal causa de morte materna durante o trabalho de parto e nas primeiras horas após o parto. Apesar dos avanços no manejo de cuidados intensivos, as taxas de mortalidade materna e fetal continuam sendo de cerca de 60 e 20%, respectivamente, com até metade dos sobreviventes, mãe e recém-nascido, sofrendo de disfunção neurológica permanente induzida por hipoxia. Outro material embólico Muitas substâncias, como talco, amido e celulose, são adicionadas na fabricação de drogas ilícitas.27 Algumas dessas substâncias são trituradas por usuários de drogas (Capítulo 31), misturadas em líquidos e, em seguida, injetadas por via intravenosa. As partículas de talco, amido e celulose podem ficar aprisionadas na vasculatura pulmonar, onde induzem a formação de granuloma. Os êmbolos tumorais28 no pulmão podem mimetizar pneumonia, tuberculose ou doença pulmonar intersticial na radiografia de tórax. Cânceres de próstata e mama são as fontes mais comuns desses êmbolos, seguidos por câncer hepatocelular e câncer de estômago e pâncreas. Embora encontrados em até 26% das necropsias em pacientes com câncer avançado, os êmbolos tumorais raramente são identificados antes da morte. Vários tipos de dispositivos intravasculares podem embolizar para os pulmões, incluindo filtros de veia cava, pontas de cateter quebradas, fios- guia, fragmentos de stent e bobinas (coils) usadas para embolização. Muitos desses dispositivos se alojam no átrio direito, no ventrículo direito ou nas artérias pulmonares. É possível recuperar a maioria desses dispositivos por via intravascular; cirurgia a céu aberto pode ser necessária para o restante. Capa Rosto Créditos Nota Revisão Técnica e Tradução Editores Associados Colaboradores Material Suplementar Prefácio Conteúdos Dos Vídeos Sumário Seção 1: Aspectos Éticos E Sociais Em Medicina 1 Abordagem à Medicina, ao Paciente e à Profissão Médica: A Medicina Como Profissão Humana e Aprendida 2 Bioética na Prática da Medicina 3 Cuidados Paliativos 4 Disparidades na Saúde e nos Cuidados de Saúde 5 Saúde Global Seção 2: Princípios Da Avaliação E Manejo 6 Abordagem ao Paciente: Anamnese e Exame Físico 7 Abordagem do Paciente com Sinais Vitais Anormais 8 Interpretação Estatística de Dados e Uso dos Dados para as Decisões Clínicas 9 Quantificação da Saúde e dos Cuidados de Saúde 10 Qualidade, Segurança e Valor 11 Manejo Abrangente das Doenças Crônicas Seção 3: Questões Relacionadas À Prevenção E Ao Ambiente 12 O Exame Periódico de Saúde 13 Atividade Física 14 Medicina de Adolescente 15 Imunização 16 Princípios da Medicina Ocupacional e Ambiental 17 Lesão por Radiação 18 Bioterrorismo 19 Envenenamento Crônico: Oligoelementos e Outros Metais Seção 4: Envelhecimento E Medicina Geriátrica 20 Epidemiologia do Envelhecimento: Implicações do Envelhecimento da Sociedade 21 Avaliação Geriátrica 22 Sequelas Clínicas Comuns do Envelhecimento 23 Incontinência Urinária 24 Aspectos Neuropsiquiátricos do Envelhecimento 25 Delirium no Paciente Idoso Seção 5: Farmacologia Clínica 26 Princípios da Terapia Medicamentosa 27 Dor 28 Biologia da Drogadição 29 Nicotina e Tabaco 30 Transtornos por Uso de Álcool 31 Drogas de Abuso 32 Agentes Imunomoduladores 33 Agentes Biológicos e Inibidores da Sinalização 34 Medicina Complementar, Alternativa e Integrativa Seção 6: Genética 35 Princípios de Genética 36 Genômica Clínica – Estrutura e Variação Genômicas 37 Aplicações das Tecnologias Moleculares na Medicina Clínica 38 Medicina Regenerativa e Terapias Celulares e Gênicas Seção 7: Princípios De Imunologia E De Inflamação 39 Sistema Imunológico Inato 40 Sistema Imune Adaptativo 41 Mecanismos de Lesão Tecidual Mediada pelo Sistema Imune 42 Mecanismos de Inflamação e Reparo Tecidual 43 Imunologia do Transplante 44 Sistema Complemento na Doença Seção 8: Doenças Cardiovasculares 45 Abordagem do Paciente com Possível Doença Cardiovascular 46 Epidemiologia das Doenças Cardiovasculares 47 Funções Cardíaca e Circulatória 48 Eletrocardiografia 49 Ecocardiografia 50 Exames de Imagem Cardíacos Não Invasivos 51 Cateterismo e Angiografia 52 Insuficiência Cardíaca: Fisiopatologia e Diagnóstico 53 Insuficiência Cardíaca: Manejo e Prognóstico 54 Doenças do Miocárdio e do Endocárdio 55 Princípios de Eletrofisiologia 56 Abordagem ao Paciente com Suspeita de Arritmia 57 Abordagem a Parada Cardíaca e Arritmias Potencialmente Fatais 58 Arritmias Cardíacas Supraventriculares 59 Arritmias Ventriculares 60 Cirurgia e Procedimentos Intervencionistas Eletrofisiológicos 61 Cardiopatia Congênita em Adultos 62 Angina Pectoris e Cardiopatia Isquêmica Estável 63 Síndrome Coronariana Aguda: Angina Instável e Infarto do Miocárdio sem Supradesnivelamento do Segmento ST 64 Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST e Complicações 65 Tratamento Intervencionista e Cirúrgico da Doença da Artéria Coronária 66 Valvopatia Cardíaca 67 Endocardite Infecciosa 68 Doenças Pericárdicas Seção 9: Medicina Vascular 69 Doenças da Aorta 70 Hipertensão Arterial 71 Doença Arterial Aterosclerótica Periférica 72 Outras Doenças Arteriais Periféricas 73 Distúrbios Trombóticos: Estados Hipercoaguláveis 74 Trombose Venosa e Embolia 75 Hipertensão Pulmonar 76 Terapia Antitrombótica e Antiplaquetária Seção 10: Doenças Respiratórias 77 Abordagem ao Paciente com Doença Respiratória 78 Exames de Imagem na Doença Pulmonar 79 Teste e Função Respiratórios 80 Distúrbios do Controle Ventilatório 81 Asma Brônquica 82 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica 83 Fibrose Cística 84 Bronquiectasia, Atelectasia, Cistos e Distúrbios Pulmonares Localizados 85 Distúrbios de Enchimento Alveolar 86 Doença Pulmonar Intersticial 87 Distúrbios Pulmonares Ocupacionais 88 Lesões Físicas e Químicas do Pulmão 89 Sarcoidose 90 Bronquite Aguda e Traqueíte 91 Visão Geral da Pneumonia 92 Doenças do Diafragma, da Parede Torácica, da Pleura e do Mediastino 93 Abordagens Intervencionistas e Cirúrgicas à Doença Pulmonar Seção 11: Medicina Intensiva 94 Abordagem ao Paciente na Unidade de Cuidado Crítico 95 Monitoramento Respiratório nos Cuidados Críticos 96 Insuficiência Respiratória Aguda 97 Ventilação Mecânica 98 Abordagem ao Paciente em Choque 99 Choque Cardiogênico 100 Síndromes do Choque Relacionadas à Sepse 101 Distúrbios Decorrentes do Calor e do Frio 102 Envenenamento Agudo 103 Aspectos Clínicos do Traumatismo e das Queimaduras 104 Acidentes por Animais Peçonhentos 105 Rabdomiólise Seção 12: Doenças Renais E Geniturinárias 106 Abordagem ao Paciente com Doença Renal 107 Estrutura e Função dos Rins 108 Distúrbios de Sódio e Água 109 Distúrbios do Potássio 110 Distúrbios Ácido-Básicos 111 Distúrbios do Magnésio e do Fósforo 112 Lesão Renal Aguda 113 Distúrbios Glomerulares e Síndromes Nefróticas 114 Doenças Tubulointersticiais 115 Doença Renal do Diabetes 116 Distúrbios Vasculares do Rim 117 Nefrolitíase 118 Doenças Renais Císticas 119 Nefropatias Hereditárias e Anormalidades do Desenvolvimento do Sistema Urinário 120 Hiperplasia Prostática Benigna e Prostatite 121Doença Renal Crônica 122 Tratamento da Insuficiência Renal Irreversível Seção 13: Doenças Gastrintestinais 123 Abordagem ao Paciente com Doença Gastrintestinal 124 Procedimentos de Imagem Diagnóstica em Gastrenterologia 125 Endoscopia Gastrintestinal 126 Hemorragia Digestiva 127 Distúrbios de Motilidade Gastrintestinal 128 Distúrbios Gastrintestinais Funcionais: Síndrome do Intestino Irritável, Dispepsia, Dor Torácica de Origem Esofágica e Pirose 129 Doenças do Esôfago 130 Doença Péptica Ácida 131 Abordagem ao Paciente com Diarreia e Má Absorção 132 Doença Inflamatória Intestinal 133 Doenças Inflamatórias e Anatômicas do Intestino, do Peritônio, do Mesentério e do Omento 134 Doenças Vasculares do Sistema Digestório 135 Pancreatite 136 Doenças do Reto e do Ânus Seção 14: Doenças Do Fígado, Da Vesícula Biliar E Dos Ductos Biliares 137 Abordagem ao Paciente com Doença Hepática 138 Abordagem ao Paciente com Icterícia ou Provas de Função Hepática Anormais 139 Hepatite Viral Aguda 140 Hepatites Virais Crônicas e Hepatite Autoimune 141 Doença Hepática Induzida por Toxinas e Fármacos 142 Doenças Hepáticas Bacterianas, Parasitárias, Fúngicas e Granulomatosas 143 Esteato-Hepatite Alcoólica e Não Alcoólica 144 Cirrose e Suas Sequelas 145 Insuficiência Hepática e Transplante de Fígado 146 Doenças da Vesícula Biliar e dos Ductos Biliares Seção 15: Doenças Hematológicas 147 Hematopoese e Fatores de Crescimento Hematopoéticos 148 Esfregaço de Sangue Periférico 149 Abordagem das Anemias 150 Anemias Microcíticas e Hipocrômicas 151 Anemias Hemolíticas Autoimunes e Intravasculares 152 Anemias Hemolíticas: Defeitos da Membrana e do Metabolismo dos Eritrócitos 153 Talassemias 154 Doença Falciforme e Outras Hemoglobinopatias 155 Anemias Megaloblásticas 156 Anemia Aplásica e Estados Relacionados de Insuficiência da Medula Óssea 157 Policitemia Vera, Trombocitemia Essencial e Mielofibrose Primária 158 Leucocitose e Leucopenia 159 Abordagem do Paciente com Linfadenomegalia e com Esplenomegalia 160 Histiocitoses 161 Síndromes Eosinofílicas 162 Abordagem ao Paciente com Hemorragia e Trombose 163 Trombocitopenia 164 Doença de von Willebrand e Anormalidades Hemorrágicas da Função Plaquetária e Vascular 165 Distúrbios Hemorrágicos: Deficiências dos Fatores da Coagulação 166 Distúrbios Hemorrágicos: Coagulação Intravascular Disseminada, Insuficiência Hepática e Deficiência de Vitamina K 167 Medicina Transfusional 168 Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas Seção 16: Oncologia 169 Abordagem do Paciente com Câncer 170 Epidemiologia do Câncer 171 Biologia e Genética do Câncer 172 Síndromes Mielodisplásicas 173 Leucemias Agudas 174 Leucemia Linfocítica Crônica 175 Leucemia Mieloide Crônica 176 Linfomas Não Hodgkin 177 Linfoma de Hodgkin 178 Distúrbios de Plasmócitos 179 Amiloidose 180 Tumores do Sistema Nervoso Central 181 Câncer de Cabeça e Pescoço 182 Câncer de Pulmão e Outras Neoplasias Pulmonares 183 Neoplasias de Esôfago e Estômago 184 Neoplasias dos Intestinos Delgado e Grosso 185 Câncer Pancreático 186 Cânceres de Fígado e das Vias Biliares 187 Tumores de Rim, Bexiga, Ureteres e Pelve Renal 188 Câncer de Mama e Distúrbios Mamários Benignos 189 Cânceres Ginecológicos 190 Câncer Testicular 191 Câncer de Próstata 192 Tumores Malignos de Ossos, Sarcomas e Outras Neoplasias de Tecidos Moles 193 Melanoma e Cânceres de Pele Não Melanoma Seção 17: Doenças metabólicas 194 Abordagem aos Erros Inatos do Metabolismo 195 Distúrbios do Metabolismo dos Lipídios 196 Doenças de Depósito do Glicogênio 197 Doenças Lisossômicas de Depósito 198 Homocistinúria e Hiper-Homocisteinemia 199 Porfirias 200 Doença de Wilson 201 Sobrecarga de Ferro (Hemocromatose) Seção 18: Doenças nutricionais 202 Interface da Nutrição com Saúde e Doença 203 Desnutrição Proteico-Calórica 204 Desnutrição: Avaliação e Suporte 205 Vitaminas, Oligoelementos e outros Micronutrientes 206 Transtornos Alimentares 207 Obesidade Seção 19: Doenças endócrinas 208 Abordagem ao Paciente com Doença Endócrina 209 Princípios de Endocrinologia 210 Neuroendocrinologia e Sistema Neuroendócrino 211 Adeno-Hipófise 212 Neuro-Hipófise 213 Tireoide 214 Córtex Suprarrenal 215 Medula Suprarrenal, Catecolaminas e Feocromocitoma 216 Diabetes Melito 217 Hipoglicemia e Distúrbios das Células das Ilhotas Pancreáticas 218 Distúrbios Poliglandulares 219 Tumores Neuroendócrinos 220 Desenvolvimento e Identidade Sexuais 221 Testículos, Hipogonadismo Masculino, Infertilidade e Disfunção Sexual 222 Ovários e Desenvolvimento Puberal 223 Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade Seção 20: Saúde das mulheres 224 Abordagem à Saúde das Mulheres 225 Contracepção 226 Condições Clínicas Comuns na Gravidez 227 Menopausa 228 Violência por Parceiro Íntimo Seção 21: Doenças do metabolismo ósseo e mineral 229 Abordagem ao Paciente com Doença Óssea Metabólica 230 Osteoporose 231 Osteomalacia e Raquitismo 232 Glândulas Paratireoides, Hipercalcemia e Hipocalcemia 233 Doença de Paget Óssea 234 Osteonecrose, Osteosclerose/Hiperostose e Outras Afecções Ósseas Seção 22: Doenças alérgicas e imunologia clínica 235 Abordagem do Paciente com Doença Alérgica ou Imune 236 Imunodeficiências Primárias 237 Urticária e Angioedema 238 Anafilaxia Sistêmica, Alergia Alimentar e Alergia a Picadas de Insetos 239 Alergia a Medicamentos 240 Mastocitose Seção 23: Doenças reumáticas 241 Abordagem ao Paciente com Doença Reumática 242 Exames Laboratoriais nas Doenças Reumáticas 243 Exames de Imagem nas Doenças Reumáticas 244 Doenças Hereditárias do Tecido Conjuntivo 245 Doenças Autoinflamatórias Sistêmicas 246 Osteoartrite 247 Bursite, Tendinite e Outros Distúrbios Periarticulares e Medicina Esportiva 248 Artrite Reumatoide 249 Espondiloartropatias 250 Lúpus Eritematoso Sistêmico 251 Esclerose Sistêmica (Escleroderma) 252 Síndrome de Sjögren 253 Miopatias Inflamatórias 254 Vasculites Sistêmicas 255 Arterite de Células Gigantes e Polimialgia Reumática 256 Infecções de Bolsas, Articulações e Ossos 257 Doenças por Depósito de Cristais 258 Fibromialgia, Síndrome da Fadiga Crônica e Dor Miofascial 259 Doenças Sistêmicas nas quais a Artrite É uma Característica 260 Tratamento Cirúrgico de Doenças Articulares Seção 24: Doenças infecciosas 261 Introdução às Doenças Microbianas: Fisiopatologia e Diagnóstico 262 Microbioma Humano 263 Princípios de Terapia Anti-infecciosa 264 Abordagem da Febre ou da Suspeita de Infecção no Hospedeiro Normal 265 Abordagem da Febre e da Suspeita de Infecção no Hospedeiro Imunocomprometido 266 Prevenção e Controle das Infecções Associadas aos Cuidados de Saúde 267 Abordagem ao Paciente com Suspeita de Infecção Entérica 268 Abordagem ao Paciente com Infecção do Trato Urinário 269 Abordagem ao Paciente com Infecção Sexualmente Transmissível 270 Abordagem ao Paciente Antes e Depois de Viagens 271 Quimioterapia Antibacteriana 272 Infecções Estafilocócicas 273 Infecções por Streptococcus pneumoniae 274 Infecções Estreptocócicas Não Pneumocócicas e Febre Reumática 275 Infecções Enterocócicas 276 Difteria e Outras Infecções por Corynebacterium 277 Listeriose 278 Antraz 279 Infecções por Erysipelothrix 280 Infecções por Clostrídios 281 Doenças Causadas por Bactérias Anaeróbias Não Formadoras de Esporos 282 Infecções por Neisseria meningitidis 283 Infecções por Neisseria gonorrhoeae 284 Infecções por Haemophilus e Moraxella 285 Cancroide 286 Cólera e Outras Infecções por Vibrio 287 Infecções por Campylobacter 288 Infecções Entéricas por Escherichia coli 289 Infecções Causadas por Outros Membros da Família Enterobacteriaceae, Incluindo Manejo de Cepas Multidrogarresistentes 290 Pseudomonas e Infecções por Bacilos Gram-Negativos Relacionados 291 Doenças Causadas por Espécies de Acinetobacter e Stenotrophomonas 292 Infecções por Salmonella (Incluindo Febre Entérica) 293 Shigelose 294 Brucelose 295 Tularemia e Outras Infecções por Francisella296 Peste e Outras Infecções por Yersinia 297 Coqueluche e Outras Infecções por Bordetella 298 Infecções por Legionella 299 Infecções por Bartonella 300 Granuloma Inguinal (Donovanose) 301 Infecções por Mycoplasma 302 Doenças Causadas por Clamídias 303 Sífilis 304 Treponematoses Não Sifilíticas 305 Doença de Lyme 306 Febre Recorrente e Outras Infecções por Borrelia 307 Leptospirose 308 Tuberculose 309 Micobactérias Não Tuberculosas 310 Hanseníase 311 Infecções por Riquétsias 312 Zoonoses 313 Actinomicose 314 Nocardiose 315 Agentes Antifúngicos Sistêmicos 316 Micoses Endêmicas 317 Criptococose 318 Candidíase 319 Aspergilose 320 Mucormicose 321 Pneumonia por Pneumocystis 322 Micetoma e Infecções por Fungos Dematiáceos 323 Terapia Antiparasitária 324 Malária 325 Tripanossomíase Africana (Doença do Sono) 326 Doença de Chagas 327 Leishmaniose 328 Toxoplasmose 329 Criptosporidiose 330 Giardíase 331 Amebíase 332 Babesiose e Outras Doenças Causadas por Protozoários 333 Cestódios 334 Infecções por Trematódeos 335 Infecções por Nematódeos 336 Terapia Antiviral (Exceto para HIV) 337 Resfriado Comum 338 Vírus Sincicial Respiratório 339 Doença por Vírus Parainfluenza 340 Influenza 341 Doenças por Adenovírus 342 Coronavírus Pré-2019 342 A Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Grave (SARS-CoV-2) e COVID-19 343 Sarampo 344 Rubéola 345 Caxumba 346 Infecções do Sistema Nervoso Central por Citomegalovírus, Vírus Epstein-Barr e Vírus Lentos 347 Parvovírus 348 Varíola, Varíola do Macaco e Outras Infecções por Poxvírus 349 Papilomavírus 350 Infecções por Herpes-Vírus Simples 351 Vírus Varicela-Zóster (Catapora, Herpes-Zóster) 352 Citomegalovírus 353 Infecção pelo Vírus Epstein-Barr 354 Outros Retrovírus Diferentes do Vírus da Imunodeficiência Humana 355 Enterovírus 356 Rotavírus, Norovírus e Outros Vírus Gastrintestinais 357 Febres Hemorrágicas Virais 358 Arbovírus Causadores de Febre e Síndromes Exantemáticas 359 Arbovírus que Afetam o Sistema Nervoso Central Seção 25: Hiv e síndrome da imunodeficiência adquirida 360 Epidemiologia e Diagnóstico da Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida 361 Imunopatogênese da Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana 362 Biologia da Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana 363 Prevenção da Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana 364 Tratamento Antirretroviral para Infecção pelo HIV e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida 365 Complicações Microbianas em Pacientes Infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana 366 Manifestações Sistêmicas da AIDS 367 Síndrome Inflamatória de Reconstituição Imune na Infecção pelo HIV/AIDS Seção 26: Neurologia 368 Abordagem ao Paciente com Doença Neurológica 369 Transtornos Psiquiátricos na Prática Clínica 370 Cefaleias e Outras Dores de Cabeça 371 Lesão Cerebral Traumática e Lesão Traumática da Medula Espinal 372 Lesões Mecânicas e Outras Lesões de Coluna Vertebral, Raízes dos Nervos e Medula Espinal 373 Disfunção Cerebral Regional: Funções Mentais Superiores 374 Déficit Cognitivo e Demência 375 Epilepsias 376 Coma, Estado Vegetativo e Morte Encefálica 377 Transtornos do Sono 378 Abordagem às Doenças Cerebrovasculares 379 Doença Cerebrovascular Isquêmica 380 Doença Cerebrovascular Hemorrágica 381 Parkinsonismo 382 Outros Transtornos de Movimento 383 Esclerose Múltipla e Doenças Desmielinizantes do Sistema Nervoso Central 384 Meningite Bacteriana, Viral e Outras 385 Abscesso Cerebral e Infecções Parameníngeas 386 Encefalite Viral Aguda 387 Doenças Priônicas 388 Distúrbios Neurológicos Relacionados à Nutrição e ao Álcool 389 Distúrbios Congênitos, de Desenvolvimento e Neurocutâneos 390 Distúrbios Autônomos e Tratamento 391 Esclerose Lateral Amiotrófica e Outras Doenças do Neurônio Motor 392 Neuropatias Periféricas 393 Doenças Musculares 394 Distúrbios da Transmissão Neuromuscular Seção 27: Doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta 395 Doenças do Sistema Visual 396 Neuro-Oftalmologia 397 Doenças da Boca e das Glândulas Salivares 398 Abordagem ao Paciente com Distúrbios no Nariz, nos Seios Paranasais e nas Orelhas 399 Olfato e Paladar 400 Audição e Equilíbrio 401 Distúrbios da Faringe Seção 28: Consultoria médica 402 Princípios da Consultoria Médica 403 Avaliação Pré-Operatória 404 Considerações Gerais sobre Anestesia 405 Cuidado Pós-Operatório e Complicações 406 Consultoria Médica em Psiquiatria Seção 29: Doenças cutâneas 407 Abordagem das Doenças Cutâneas 408 Princípios do Tratamento de Doenças Cutâneas 409 Eczemas, Fotodermatoses, Doenças Papulodescamativas (Incluindo Micoses) e Eritemas Figurados 410 Doenças Maculares, Papulares, Purpúricas, Vesicobolhosas e Pustulares 411 Urticária, Erupção de Hipersensibilidade a Medicamentos, Nódulos, Tumores e Doenças Atróficas 412 Infecções, Hiperpigmentação e Hipopigmentação, Dermatologia Regional e Lesões Distintivas na Pele Negra 413 Doenças Capilares e Ungueais Apêndice Intervalos de Referência e Valores Laboratoriais