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Módulo 21 – DPOC 
 
EPIDEMIOLOGIA 
→ No mundo: 400 milhões de pessoas 
com DPOC, mais de 3 milhões de 
mortes por ano, é a terceira principal 
causa de morte no mundo 
→ No Brasil: Mais de 6 milhões de 
pessoas com DPOC (cerca de 15% 
da população), 40.000 mortes por 
anos, 70% subdiagnosticado 
CONSIDERAÇÕES GERAIS 
→ Definição: Doença caracterizada por 
limitação crônica ao fluxo aéreo. 
Geralmente progressiva, não 
totalmente reversível e associada à 
uma resposta inflamatória anormal 
dos pulmões à partículas e gases 
nocivos 
→ Manifestação espirométrica: 
Limitação persistente ao fluxo aéreo 
com má resposta à prova 
broncodilatadora da espirometria 
FATORES DE RISCO 
→ Tabagismo (> 20 maços ano, 
enfisema nos lobos superiores) 
→ Poluição – Queima de biomassa 
→ Exposição ocupacional – Carvão, 
mineração 
→ Fatores genéticos – Deficiência de 
alfa-1-antitripsina (perda das forças 
elásticas do pulmão, com 
complacência aumentada; enfisema 
panlobular, base do pulmão) 
→ Asma e hiperreatividade brônquica 
→ Bronquite crônica 
→ Infecções na infância 
Deficiência de alfa-1-antitripsina: Investigar 
quando DPOC em pacientes jovens, não 
fumantes, enfisema em bases e de caráter 
panlobular, histórico familiar. 
 
FISIOPATOLOGIA 
1. Exposição a partículas e gases 
tóxicos 
2. Prejuízo ao transporte mucociliar e 
quebra de barreira epitelial 
3. Ação de neutrófilos, macrófagos e 
linfócitos TCD8+ 
4. Liberação de citocinas pró-
inflamatórias IL-06, IL-08, IL-1 beta, 
TNF-alfa), elastase neutrofílica, 
metaloproteinases 
5. Dano tecidual 
6. Resposta inflamatória Crônica 
sistêmica 
Podem cursar com: 
A. Bronquite Crônica: Inflamação das 
vias aéreas, hipersecreção de muco, 
fibrose subeptelial, hipertrofia de 
músculo liso, neovascularização 
*Alteração da difusão 
Manifestação clínica: “Blue bloater” – 
Hipozemia crônica, produção de muco 
aumentada 
B. Enfizema: Destruição dos septos 
interalveolares (perde a elasticidade), 
coalescência dos espaços aéreos 
(hiperinsuflação) 
*Obstrução heterogênea ao fluxo aéreo 
Manifestação clínica: “Pink puffer” – 
Emagrecido, sinais de uso de musculatura 
respiratória acessória, dispneia 
*A dispneia é reflexo do aumento do volume residual 
nos pulmões, sendo mais característico do perfil 
enfisematoso, já que tem um aumento da 
complacência pulmonar, ou seja, aumenta a 
quantidade de ar “guardado” mas não consegue fazer 
uso 
Módulo 21 – DPOC 
 
 
Características: Hipersecreção de muco, 
disfunção ciliar, limitação ao fluxo aéreo, 
hiperinsuflação pulmonar, 
Hipóxia/descondicionamento/desnutrição/ 
processo sistêmico 
 
QUADRO CLÍNICO 
Principais sintomas: 
→ Tosse crônica 
→ Produção de muco 
→ Dispnéia 
 
 
A. BRONQUITE CRÔNICA 
Clinicamente caracterizada por uma tosse 
produtiva -causada pela produção excessiva 
de muco pela árvore brônquica, por pelo 
menos 3 meses por ano por pelo menos 2 
anos consecutivos, tendo excluído outras 
causas. Pode ou não ter dispneia associada. 
 
B. ENFIZEMA 
Histologicamente marcada pelo alargamento 
permanente dos espaços aéreos distais ao 
bronquíolo teminal (zonas de 
hiperinsuflação), acompanhado por 
destruição das suas paredes, sem fibrose 
óbvia. 
 
 
DIAGNÓSTICO 
→ Para o diagnóstico, deve-se 
confirmar na avaliação clínica: 
 
Presença dos sintomas (tosse, 
expectoração e/ou dispneia) 
+ 
História de exposição a fatores de 
risco 
+ 
Espirometria 
 
 
Tosse: Primeiro sintoma a se 
desenvolver, normalmente produtiva, 
no início de predomínio matutino, 
tornando-se progressivamente 
presente durante todo o dia. 
 
Expectoração: Normalmente 
mucosa e em pequena quantidade, de 
predomínio matutino no início. 
Alteração na cor (purulenta) ou no 
Módulo 21 – DPOC 
 
volume da expectoração sugerem 
exacerbação infecciosa. 
Tosse com expectoração num 
período > 3 meses em 2 anos 
consecutivos define bronquite 
crônica. 
 
Dispneia: Experiência subjetiva de 
desconforto respiratório, sendo 
ausente no início da doença, 
agravada com esforço/agudizações, 
com a progressão da doença torna-se 
persistente. Devido ao sedentarismo 
é valorizada apenas quando 
compromete atividades do cotidiano, 
conduzindo a um atraso no 
diagnóstico Utilizada como fator 
prognóstico. 
 
Exame Objetivo 
→ Identificar o tabagismo – Fator de 
risco 
→ Frequentemente normal no início da 
doença, com a progressão ocorrem 
mais visitas ao OS 
→ Em estágios avançados, 
exacerbações e internações 
Fatores de risco 
→ Fumaça cigarro (charuto/cachimbo/ 
narguile/ cigarro 
eletrônico/maconha) 
→ Poluição (queima de biomassa) 
→ Exposição Ocupacional ( 
carvão/mineração/ agentes 
químicos) 
→ Fatores genéticos (deficiência de 
alfa 1 anti tripsina) 
→ Idade e sexo (sexo femino e 
envelhecimento) 
→ Desenvolvimento e crescimento 
pulmonar ( baixo peso, 
prematuridade etc) 
→ Estado sócio econômico ( relação 
inversa quanto melhor estado-
menos DPOC) 
→ Asma e hiperreatividade brônquica 
→ Bronquite crônica ( aumento das 
crises de exacerbação) 
 
 
Propedêutica na DPOC 
a) Inspeção 
→ Tórax em tonel 
→ Dispnéia/taquipneia 
→ Tempo expiratório prolongado 
→ Respiração com lábios semicerrados 
→ Uso dos músculos respiratórios 
acessórios 
→ Sinal de hoover (retração dos 
espaços intercostais inferiores 
durante inspiração)´ 
Módulo 21 – DPOC 
 
 
→ Cianose central 
→ Ingurgitamento jugular 
→ Edema dos membros inferiores 
→ Emagrecimento/caquexia 
 
b) Percussão pulmonar 
→ Hipersonoridade 
 
c) Palpação 
→ Expansibilidade reduzida 
→ FTV reduzido 
→ Bordo hépatico palpável 
( Deslocamento devido à hiperinsuflação; 
Hepatomegália devido a cor pulmonale) 
 
d) Ausculta pulmonar 
→ Sibilos, sobretudo na expiração 
forçada 
→ Tempo expiratório prolongado 
→ Diminuição global do MV 
→ Roncos/Crepitações inspiratórias 
 
e) Ausculta cardíaca 
→ Sinais de cor pulmonale 
→ Hipofonese de bulhas cardíacas 
 
 
 
 
Alterações radiológicas – RX de tórax 
 
Útil na exclusão de outras patologias neoplasia, 
tuberculose, doença intersticial pulmonar, 
insuficiência cardíaca. 
 
 
 
Tomografia Computadorizada de Tórax 
→ Maior sensibilidade e especificidade 
que RX 
→ Não é necessário na rotina 
→ Útil no diagnóstico diferencial 
quando existem dúvidas no 
diagnóstico de DPOC 
→ Necessário na programação cirúrgica 
 
Módulo 21 – DPOC 
 
 
 
Espirometria 
→ A espirometria ou prova de função 
pulmonar é obrigatória para o 
diagnóstico de DPOC 
VEF1/CVF pós-broncodilatadorduração ( 12 horas salmeterol, 
formoterol, vilanterol, indacaterol) 
Indicações: podem ser usados como 
monoterapia de alívio ou em associação com 
anticolinérgicos de curta duração 
Efeitos colaterais: palpitações, tremores de 
extremidades, hipocalemia e alteração do 
sono, essa última associada aos BD de longa 
Contraindicações: sem contra indicação 
absoluta, devendo ser usado com cautela em 
pacientes com história dea taquiarritmia e 
DAC 
 
Broncodilatores: Anticolinérgicos 
A ação se dá pelo bloqueio dos receptores 
colinérgicos muscarínicos. Existem 5 tipos 
de receptores, sendo que 3 deles estão nas 
vias aéreas (M1, M2 e M3). O M1 localizado 
no gânglio parassimpático , facilita a 
neurotransmissão colinérgica, estimulando, 
assim, a broncoconstrição. 
Os receptores M3, encontrados na 
musculatua lisa e nas glândulas das vias 
aéreas induzem aumento do tônus 
broncomotor e maior produção de muco. 
São classificados como: 
– Curta duração ( 12 horas tiotrópio) 
Indicações: podem ser usados como 
monoterapia de alívio ou em associação com 
beta 2 agonista de curta duração 
Efeitos colaterais: boca seca, hálito metálico 
e fechamento do ângulo no glaucoma; 
broncoconstrição paradoxal em alguns 
asmáticos 
Contraindicações: sem contraindicação 
absoluta, devendo ser usado com cautela em 
pacientes com prostatismo, obstrução do 
colo vesical e glaucoma 
Os broncodilatores são prescritos com base 
nas necessidades, ou de forma regular, a fim 
de prevenirem ou reduzirem os sintomas. 
Os broncodilatadores de ação prolongada 
são mais convenientes, e podem serem 
utilizados para casos mais avançados 
Em comparação com o aumento da 
dosagem de um único broncodilatador, a 
combinação de broncodilatores pode 
melhorar a eficácia e reduzir o risco de 
efeitos colaterais. 
 
Metilxantinas 
Bloqueadores inespecíficos da 
fosfodiesterase, levando a um aumento do 
AMP cíclico na musculatura lisa das vias 
aéreas. Outro mecanismo de melhora, além 
da broncodilatação , seria uma possível ação 
ergogênica sobre a musculatura respiratória 
e periférica 
Deve have cuidado pois pode existir 
interação com outras substâncias, existem 
algumas situações clínicas que reduzem a 
Módulo 21 – DPOC 
 
depuração hepática aumentando o risco de 
toxicidade (idade avançada, hipoxemia, 
acidose, ICC, cirrose hepática e viroses) 
Indicações: baixa margem 
terapêutica(relação dose 
broncodilatadora/dose tóxica) relegou esta 
classe a um papel secundário na terapêutica 
atual da DPOC 
Efeitos colaterais: taquiarritmias, náuseas, 
vômito, cefaléia, insônia, pirose, azia, 
convulsões do tipo grande mal 
Contraindicações: devendo ser evitado em 
pacientes com arritmias atriais ou 
ventriculares, além de história de convulsões 
e intolerância gástrica 
 
Indicações uso de CI na DPOC: 
– pacientes exacerbadores sem resposta 
satisfatória com uso de LABA + LAMA; 
– DPOC associada a Asma e 
– fenótipo exacerbador com eosinofilia 
periférica (>3%) 
Efeitos colaterais: sensação de irritação 
garganta, rouquidão, disfonia, candidíase 
orofaríngea, hematomas, risco de PNM, 
reducão cortisol basal e densidade mineral 
osséa 
 
 
 
Avaliação Inicial categoriza doentes em 
GOLD ABE - GOLD E (exacerbadores) 
Terapêutica Inalatória em único inalador 
mais eficaz e conveniente do que em 
múltiplos inaladores. Terapêutica em único 
inalador melhora adesão ao tratamento. 
O uso de LABA+ICS na DPOC não é 
incentivado. Se houver indicação de ICS, 
então LABA+LAMA+ICS demonstrou ser 
superior ao LABA+ICS e, portanto é a 
escolha preferencial. 
Módulo 21 – DPOC 
 
 
 
 
Doentes com DPOC sem caracteristicas de 
asma e que estejam com ICS+LABA que 
estejam controlados a nível de sintomas e de 
exacerbações podem continuar com 
ICS+LABA. 
No entanto, caso: 
• Exacerbações adicionais: terape ̂utica deve 
ser escalada para LABA+LAMA+ICS se eos 
≥ 100 células/μL ou trocado para 
LABA+LAMA se eos

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