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Módulo 21 - Pneumonia EPIDEMIOLOGIA → PAC principal causa de morte no mundo → Altas taxas de morbi e mortalidade → No Brasil 3ª causa de mortalidade → Manejo e diagnóstico heterogêneo CONCEITO Pneumonia: doença infecciosa aguda em que um microorganismo inflama o parênquima (tecido) do pulmão. Há assim presença de infiltrado inflamatório intra-alveolar (dentro do álveolo). Difere assim de "pneumonite" em que há infiltrado inflamatório principalmente na região dos septos alveolares (interstício). Pneumonia Adquirida na Comunidade: são aquelas adquiridas fora do ambiente hospitalar, ou ainda, aquelas que surgem nas primeiras 48 horas da admissão hospitalar (o paciente "trouxe" o microorganismo de casa e estava incubando). Obs: além disso, o paciente não pode ter história de internação por mais de 2 dias nos últimos 90 dias e não ter usado antibiótico intravenoso nos últimos 30 dias. → Doença inflamatória aguda de causa infecciosa que acometem os espaços aéreos → Causadas por vírus, bactérias ou fungos → Fora do ambiente hospitalar → Manifesta em até 48 horas após admissão CLASSIFICAÇÃO Segundo o local de aquisição: – Pneumonias adquiridas na comunidade – Pneumonias associadas à cuidados de saúde – Pneumonias adquiridas no hospital – Pneumonias associadas à ventilação mecânica Segundo o tipo de hospedeiro: – Imunocompetente – Imunodeprimido • HIV positivo • Oncológico • Uso de imunossupressores • Transplantado de órgão sólido • Transplantado de medula óssea PATOGENIA Patógeno chega ao pulmão: – Microaspiração do microorganismo da orofaringe – Inalação do microorganismo – Disseminação hematogênica de um foco extrapulmonar – Extensão direta do mediastino e espaço subfrênico São comorbidades que aumentam a mortalidade na PAC: Doença cerebrovascular, DPOC, Asma, Diabetes mellitis, Insuficiência renal e neoplasias MANEJO PELAS DIRETRIZES Módulo 21 - Pneumonia 1) DIAGNÓSTICO → Sintomas - Infecção respiratória aguda - Tosse - Febre - Expectoração - Dor torácica → Outros sintomas - Confusão - Cefaleia - Sudorese - Calafrios - Mialgia - Febre > 4 dias → Achados no exame físico - Dispneia - Taquipnéia - Taquicardia → Achado radiológico - Presença de opacidade pulmonar nova na RX de tórax Exames de imagem → TC de tórax: É o método mais sensível, avalia melhor as complicações e diagnóstico diferencial. Útil para pacientes obesos, imunossuprimidos e com alterações radiológicas prévias. → RX de tórax: Útil para avaliar extensão e gravidade da doença, identificação de complicações, sugerir etiologias alternativas e monitorar o tratamento. É o principal método de escolha, tendo em vista o seu baixo custo efetividade, fácil disponibilidade, baixa dose de radiação. No entanto, tem limitada utilidade na predição do agente causal (típico x atípico) → USG de tórax: maior acurácia e sensibilidade para identificar alterações do parênquima, derrames pleurais pequenos, guiar punção. É utilizado na suspeita de loculação e em pacientes críticos ou em gestantes. Achados radiológicos nas pneumonias Imagem à esquerda (PA - posteroanterior): • Nota-se uma opacificação no pulmão direito, mais evidente no lobo inferior, com perda da definição do contorno diafragmático e da borda cardíaca direita — achado sugestivo de consolidação pulmonar, característico de pneumonia. • Pode também haver broncograma aéreo visível (linhas escuras dentro da área opacificada), típico de processo alveolar como a pneumonia. Imagem à direita (perfil): • A opacidade está localizada anteriormente, provavelmente Módulo 21 - Pneumonia confirmando acometimento do lobo médio direito, uma vez que é visualizada anteriormente no perfil. • Isso ajuda a localizar topograficamente a pneumonia. • Observa-se uma opacificação alveolar no hemitórax esquerdo, com borramento do contorno do diafragma e da borda cardíaca esquerda. • Isso é compatível com consolidação no lobo inferior esquerdo, um achado clássico de pneumonia. • Pode haver presença de broncograma aéreo, embora não esteja muito nítido. • A tomografia evidencia áreas de consolidação pulmonar bilateral, com opacidades de vidro fosco e broncogramas aéreos — achados altamente sugestivos de pneumonia. • Pode-se observar também uma distribuição mais difusa, o que pode indicar pneumonia viral ou atípica, dependendo do contexto clínico. Análise da imagem da esquerda (PA): • Radiografia mostra opacificação na região perihilar esquerda com extensão para o lobo inferior. • A distribuição é não homogênea, sugerindo padrão alveolar, provavelmente com broncograma aéreo (embora discreto). • Pode representar pneumonia lobar ou segmentar, comum em crianças. Imagem da direita (lateral): • A seta indica uma opacificação localizada na região posterior do pulmão inferior, possivelmente o lobo inferior esquerdo. • Essa incidência lateral ajuda a confirmar a localização da consolidação vista na PA. • Também é possível observar discreto broncograma aéreo. A seta evidencia um infiltrado intersticial Módulo 21 - Pneumonia 2) BIOMARCADORES E SUA APLICABILIDADE Procalcitonina 1. Produzida pelas células parenquimatosas em resposta a toxinas bacterianas e citocinas pró- inflamatórias; 2. Pouco produzidas na presença de infecções virais 3. Elevam 2 horas após estímulo bacteriano. 4. Auxiliam o diagnóstico PAC bacteriana Proteína C reativa 1. Secretada pelas células hepáticas/linfócitos, monócitos, neurónios e outras; 2. Pico ocorre em 48 horas 3. Se eleva em qualquer processo inflamatório O uso dos biomarcadores deve ser complementar à avaliação clínica e não ser tomado como um critério isolado para estabelecer ou modificar a conduta terapêutica. 3) INVESTIGAÇÃO ETIOLÓGICA Menos de 50% dos casos têm agente identificado → Tratamento costuma ser empírico → Baseado em: clínica, epidemiologia, radiologia e faixa etária Streptococcus pneumoniae é o principal agente (40%) → Epidemiologicamente é importante observar padrão de resistência bacteriana, justificando vigilância PAC não grave → não necessita investigação etiológica Exceções: → RN: bactérias mais prevalentes são aquelas do canal vaginal (gram negativos – como E. coli) → Em pacientes DPOC, o principal germe causador de PAC é o H. influenzae Papel da investigação epidemiológica – Vírus → Presente em até 1/3 dos casos PAC → Influenza é o mais isolado → Outros: rinovírus, adenovírus, VSR, parainfluenza → Copatógenos ou colonizadores → Prejuízo mecanismo de defesa trato respiratório sup. → Casos graves – testes moleculares e pesquisa vírus Módulo 21 - Pneumonia 4) ESTRATIFICAÇÃO DA GRAVIDADE Escores falham em não prever necessidade de ventilação mecânica e uso de droga vasoativa : PSI e CURB 65. O SMART-COP deve ser utilizado especialmente se a dúvida for sobre gravidade respiratória e necessidade de suporte intensivo (IRVS). Muito útil em decisões sobre internação em UTI. O escore SCAP (Severe Community-Acquired Pneumonia), é uma ferramenta prognóstica para estratificação da gravidade da PAC (pneumonia adquirida na comunidade), auxiliando na Módulo 21 - Pneumonia decisão sobre nível de cuidado (enfermaria, unidade intermediária ou UTI). A avaliação é dividida em dois grupos de critérios: Critérios maiores (PS) – Se 1 presente → cuidado intermediário: • pH 30 mg/dL • R: FR > 30 irpm • X: Rx com infiltrado multilobar/bilateral• O: PaO₂/FiO₂ 4h Critérios Menores (≥ 3 sugerem UTI): • PaO₂/FiO₂ ≤ 250 • Pneumonia bilateral ou multilobar • Hipotensão: PAS 20 mg/dL • Leucopenia (leucócitos 10 mg/d). • Antibióticos de largo espectro (> 7 dias, nos últimos 30 dias). • Desnutrição Uso de Corticóide na PAC • Reservado PAC grave • Falta padronizar - dose 200 a 300mg/dia hidrocortisona e metilpredinosolona 0.5mg/Kg de 12/12 horas • 5- 7 dias com boa tolerância • Efeito adverso principal hiperglicemia 6) PREVENÇÃO Inibidores de Neuraminidase (NA) Indicação: • Formas iniciais graves de PAC (segundo a OMS), especialmente comorbidades. Módulo 21 - Pneumonia Medicamentos: • Oseltamivir (via oral): 75 mg a cada 12 horas por 5 dias. Em casos mais graves: 10 dias. • Zanamivir (aerossol): 5 mg a cada 12 horas por 5 dias. Reservar para casos com resistência ao oseltamivir. Mecanismo de ação: • A neuraminidase permite a liberação dos vírus recém-formados das células infectadas, promovendo a disseminação do vírus. Ideal: • Início do tratamento nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas. Atividade dos antivirais: • Atuam contra: Vírus Influenza A (todas as 9 moléculas de NA) Vírus Influenza B – cepa A H1N1 Vacina Influenza → Anual → A partir de 6 meses de idade → Reduz intensidade sintomas/ mortalidade/ hospitalização → Trivalente – fornecida SUS → Tetravalente – clínicas privadas → Evitar alergia ovo/ Guillain Barré/ quadro febre atual Indicações: • Adultos >= 60 anos; • Pessoas doenças crônicas com doença cardíaca, pulmonar, DM, doença falciforme, alcoolismo, cirrose; • Indivíduos com distúrbios neuromusculares, comprometimento funcional pulmonar; • Adultos em estado imunosupressão (CE, tto de neoplasia ou passado RDT); • Gestantes, nutrizes e que planejam engravidar; • Cuidadores domiciliares de crianças e adultos • Profissionais de saúde • População indígena e privada de liberdade Prevenção - Cuidados com cavidade oral; Módulo 21 - Pneumonia