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DIREITO CIVIL: CONTRATOS 
 
CONCEITO 
O contrato é a mais comum e a mais importante fonte de obrigação, devido às suas 
múltiplas formas e inúmeras repercussões no mundo jurídico, sendo fonte de 
obrigação o fato que lhe dá origem. Os fatos humanos que o Código Civil brasileiro 
considera geradores de obrigação são: a) os contratos; b) as declarações unilaterais da 
vontade; e c) os atos ilícitos, dolosos e culposos. 
O contrato é uma espécie de negócio jurídico que depende, para a sua formação, da 
participação de pelo menos duas partes. É, portanto, negócio jurídico bilateral ou 
plurilateral. Com efeito, distinguem-se, na teoria dos negócios jurídicos: os unilaterais, 
que se aperfeiçoam pela manifestação de vontade de apenas uma das partes; e os 
bilaterais, que resultam de uma composição de interesses. 
Sempre, pois, que o negócio jurídico resultar de um mútuo consenso, de um encontro 
de duas vontades, estaremos diante de um contrato. 
Quanto ao sacrifício patrimonial das partes Contrato 
a) Oneroso – aquele que traz vantagem para ambos os contratantes, pois estes 
sofrem o mencionado sacrifício patrimonial (ideia de proveito alcançado). 
Ambas as partes assumem deveres obrigacionais, havendo um direito subjetivo 
de exigi-lo. Há uma prestação e uma contraprestação. Exemplo: compra e 
venda. 
b) Contrato gratuito ou benéfico – aquele que onera somente uma das partes, 
proporcionando à outra uma vantagem sem qualquer contraprestação. Deve 
ser observada a norma do art. 114 do CC, que enuncia a interpretação restritiva 
dos negócios benéficos. Exemplo: doação pura ou simples. 
Quanto aos riscos que envolvem a prestação 
a) Contrato comutativo – aquele em que as partes já sabem quais são as 
prestações, ou seja, essas são conhecidas ou pré- estimadas. A compra e venda, 
por exemplo, é, em regra, um contrato comutativo, pois o vendedor sabe qual 
o preço a ser pago e o comprador qual é a coisa a ser entregue. Também é 
contrato comutativo o contrato de locação, pois as partes sabem o que será 
cedido e qual o valor do aluguel. 
b) Contrato aleatório – a prestação de uma das partes não é conhecida com 
exatidão no momento da celebração do negócio jurídico pelo fato de depender 
da sorte, da álea, que é um fator desconhecido. O Código Civil de 2002 trata 
dos contratos aleatórios nos arts. 458 a 461. Alguns negócios são aleatórios 
devido à sua própria natureza, caso dos contratos de seguro e de jogo e aposta. 
Em outros casos, contudo, o contrato é aleatório em virtude da existência de 
um elemento acidental, que torna a coisa ou o objeto incerto quanto à sua 
existência ou quantidade, como ocorre na compra e venda de uma colheita 
futura. O CC/2002 consagra duas formas básicas de contratos aleatórios: 
 
i) Contrato aleatório emptio spei – um dos contratantes toma para si o risco 
relativo à própria existência da coisa, sendo ajustado um determinado 
preço, que será devido integralmente, mesmo que a coisa não exista no 
futuro, desde que não haja dolo ou culpa da outra parte (art. 458 do CC). O 
risco é maior. No caso de compra e venda, essa forma negocial pode ser 
denominada venda da esperança. 
 
ii) Contrato aleatório emptio rei speratae – se o risco versar somente em 
relação à quantidade da coisa comprada, pois foi fixado pelas partes um 
mínimo como objeto do negócio (art. 459 do CC). Nesse contrato o risco, 
apesar de existente, é menor. Em casos tais, a parte terá direito a todo o 
preço, desde que de sua parte não tenha concorrido com culpa, ainda que 
a coisa venha a existir em quantidade inferior à esperada. Mas, se a coisa 
não vier a existir, alienação não haverá, e o alienante deverá devolver o 
preço recebido (art. 459, parágrafo único, do Código Civil). Na compra e 
venda trata-se da venda da esperança com coisa esperada. 
 
Quanto à previsão legal 
a) Contrato típico – aquele com uma previsão legal mínima, ou seja, com um 
estatuto legal suficiente. Exemplos: compra e venda, doação, locação, 
prestação de serviço, empreitada, mútuo, comodato (contratos tipificados pelo 
Código Civil de 2002, objeto do presente capítulo). 
b) Contrato atípico – não há uma previsão legal mínima, como ocorre com o 
contrato de garagem ou estacionamento. O art. 425 do CC dispõe que é lícita a 
criação de contratos atípicos, desde que observados os preceitos gerais da 
codificação privada, caso dos princípios da função social do contrato (art. 421 
do CC) e da boa-fé objetiva. 
Quanto à negociação do conteúdo pelas partes. Contrato de adesão x contrato de 
consumo 
a) Contrato de adesão – aquele em que uma parte, o estipulante, impõe o 
conteúdo negocial, restando à outra parte, o aderente, duas opções: aceitar ou 
não o conteúdo desse negócio. Na opinião deste autor, o conceito deve ser 
visto em sentido amplo, de modo a englobar todas as figuras negociais em que 
as cláusulas são preestabelecidas ou predispostas, caso do contratotipo e do 
contrato formulário, figuras negocias em que as cláusulas são predeterminadas 
até por um terceiro. Esses contratos até são comercializados, em alguns casos. 
A título de exemplo, podem ser citados os contratos de locação de imóvel 
vendidos em papelarias. O Código de Defesa do Consumidor cuidou de definir o 
contrato de adesão no seu art. 54: “contrato de adesão é aquele cujas cláusulas 
tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas 
unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que o 
consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo”. 
b) Contrato paritário ou negociado – aquele em que o conteúdo é plenamente 
discutido entre as partes, o que constitui raridade no atual momento 
contratual. 
Quanto à independência contratual. Os contratos coligados ou conexos 
a) Contrato principal ou independente – existe por si só, não havendo qualquer 
relação de dependência em relação ao outro pacto. Como exemplo, pode ser 
citado o contrato de locação de imóvel urbano, regido pela Lei 8.245/1991. 
b) Contrato acessório – aquele cuja validade depende de um outro negócio, o 
contrato principal. O exemplo típico é o contrato de fiança, que depende de 
outro, como, por exemplo, de um contrato de locação de imóvel urbano. 
Diante do princípio da gravitação jurídica, pelo qual o acessório segue o 
principal, tudo o que ocorre no contrato principal repercute no acessório. 
Desse modo, sendo nulo o contrato principal, nulo será o acessório; sendo 
anulável o principal o mesmo ocorrerá com o acessório. 
Quanto ao momento do cumprimento 
a) Contrato instantâneo ou de execução imediata – aquele que tem 
aperfeiçoamento e cumprimento de imediato, caso de uma compra e venda à 
vista. 
b) Contrato de execução diferida – tem o cumprimento previsto de uma vez só no 
futuro. Exemplo: compra e venda pactuada com pagamento por cheque pré ou 
pós-datado. 
c) Contrato de execução continuada ou de trato sucessivo – tem o cumprimento 
previsto de forma sucessiva ou periódica no tempo. É o caso de uma compra e 
venda cujo pagamento deva ser feito por meio de boleto bancário, com 
periodicidade mensal, quinzenal, bimestral, trimestral ou qualquer outra forma 
sucessiva. Exemplos: locação e financiamentos em geral. 
Quanto à pessoalidade 
a) Contratos pessoal, personalíssimos ou intuitu personae – aqueles em que a 
pessoa do contratante é elemento determinante de sua conclusão. Tal contrato 
não pode ser transmitido por ato inter vivos ou mortis causa, ou seja, pelo 
falecimento da parte. Exemplo: contrato de fiança, uma vez que a condição de 
fiador não se transmite aos herdeiros, mas somente as obrigações vencidas e 
não pagas enquanto era vivo o fiador e até os limites da herança (art. 836 do 
CC). 
b) Contrato impessoal – aquele em que a pessoa do contratante não é 
juridicamente relevante para a conclusão do negócio. Exemplo: compra e 
vendahipótese em que a causa do contrato está relacionada com a 
transmissão do domínio. 
 Quanto à definitividade do negócio 
a) Contrato preliminar ou pré-contrato (pactum de contrahendo) – negócio que 
tende à celebração de outro no futuro. Exemplo: compromisso de compra e 
venda de imóvel. O instituto está tratado entre os arts. 462 e 466 do CC, 
merecendo estudo detalhado mais à frente. 
b) Contrato definitivo – não têm qualquer dependência futura, no aspecto 
temporal. Exemplo: compra e venda de um imóvel. 
 
 
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS NO CÓDIGO CIVIL DE 2002 
É notório que os princípios assumem um papel de grande importância na atual 
codificação privada brasileira. Atualmente, é até comum afirmar que o Código Civil de 
2002 é um Código de Princípios, tão grande a sua presença na codificação vigente. 
Além disso, não se pode esquecer-se da grande importância assumida pelos princípios 
constitucionais em nosso ordenamento jurídico, nos termos do que prega a escola do 
Direito Civil Constitucional, capitaneada por Gustavo Tepedino, Luiz Edson Fachin, 
Paulo Lôbo, entre outros. Nesse sentido, repise-se que os princípios são regramentos 
básicos aplicáveis a um determinado instituto jurídico, no caso em questão, aos 
contratos. Os princípios são abstraídos das normas, dos costumes, da doutrina, da 
jurisprudência e de aspectos políticos, econômicos e sociais. Os princípios podem estar 
expressos na norma, mas não necessariamente. 
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PRIVADA 
É o poder que os particulares têm de regular, pelo exercício de sua própria vontade, as 
relações de que participam, estabelecendo-lhes o conteúdo e a respectiva disciplina 
jurídica. 
 
O FUNDAMENTO ou pressuposto da autonomia privada é a LIBERDADE. A autonomia 
privada significa então, pelo fundamento da liberdade, o espaço livre que o 
ordenamento estatal deixa ao poder jurídico dos particulares, uma verdadeira esfera 
de atuação jurídica, reconhecendo que, tratando-se de relações de direito privado, são 
os particulares os melhores, a saber, de seus interesses e da melhor forma regulá-los 
juridicamente. 
 
PRINCIPÍO DA FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO 
No contrato, as partes estão em posição horizontal, devendo agir com boa-fé 
objetiva, cooperação, honestidade e lealdade. Engloba apenas os contratantes e 
está nos arts 422, 113, 187. Função social do contrato é a relação dos contratantes 
com a sociedade, pois produz efeitos perante terceiros. A principal conseqüência 
jurídica da função social dos contratos é a ineficácia de relações que acaba por 
ofender interesses sociais, a dignidade da pessoa. 
É possível em um contrato ótimo para as partes haver boa-fé. No entanto, esse 
contrato pode ofender a terceiros, no caso, a sociedade. O contrato ótimo para 
empresas pode lesar consumidores, afetando, por exemplo, a livre iniciativa. Ou 
seja, satisfaz interesses individuais, mas afeta os meta-individuais. 
Princípio da força obrigatória do contrato (Pacta Sunt Servanda) 
O princípio da força obrigatória encontra seu pilar de sustentação na ideologia que 
norteia o “pacta sunt servanda”. Segundo este princípio, o contrato é lei entre as 
partes. 
O descumprimento do contrato implica, via de regra, em sanções de ordem pecuniária. 
Existem riscos inerentes a pessoa humana e outros que são imprevisíveis. 
Acontecendo algo imprevisível, o juiz será o responsável pela revisão contratual para 
restabelecer o equilíbrio. 
(Art. 478) 
É importante destacar que, por muito tempo, o Princípio da Força Obrigatória foi 
utilizado como um verdadeiro escudo em favor de grandes empresas, tais como 
construtoras/ incorporadoras e Bancos, respectivamente no âmbito do Direito 
Imobiliário e Direito Bancário. 
Este princípio vem sofrendo séria relativização em razão do Princípio da Função Social 
do Contrato. Há também, em paralelo, o desenvolvimento gradativo do conjunto de 
normas e Princípios que protegem o consumidor. 
Princípio da boa-fé objetiva 
Um dos princípios fundamentais do direito privado é o da boa-fé objetiva, cuja 
função é estabelecer um padrão ético de conduta para as partes nas relações 
obrigacionais. No entanto, a boa-fé não se esgota nesse campo do direito, ecoando 
por todo o ordenamento jurídico. 
A partir do Código de Defesa do Consumidor, em 1990, a boa-fé foi consagrada no 
sistema de direito privado brasileiro como um dos princípios fundamentais das 
relações de consumo e como cláusula geral para controle das cláusulas abusivas. 
“A boa-fé se constitui numa fonte autônoma de deveres, independentemente da 
vontade, e, por isso, a extensão e o conteúdo da relação obrigacional já não se medem 
somente nela (vontade), e, sim, pelas circunstâncias ou fatos referentes ao contrato, 
permitindo-se construir objetivamente o regramento do negócio jurídico com a 
admissão de um dinamismo que escapa ao controle das partes. A boa-fé significa a 
aceitação da interferência de elementos externos na intimidade da relação 
obrigacional, com poder limitador da autonomia contratual. O princípio da boa-fé 
significa que todos devem guardar fidelidade à palavra dada e não frustrar ou abusar 
da confiança que constitui a base imprescindível das relações humanas, sendo, pois, 
mister que se proceda tal como se espera que o faça qualquer pessoa que participe 
honesta e corretamente do tráfego jurídico.” 
a) Supressio e surrectio 
A supressio significa a supressão, por renúncia tácita, de um direito ou de uma posição 
jurídica, pelo seu não exercício com o passar dos tempos. (Ex art. 330 do CC “o 
pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor 
relativamente ao previsto no contrato”) 
Ao mesmo tempo em que o credor perde um direito por essa supressão, surge um 
direito a favor do devedor, por meio da surrectio, direito este que não existia 
juridicamente até então, mas que decorre da efetividade social, de acordo com os 
costumes. 
Em outras palavras, enquanto a supressio constitui a perda de um direito ou de uma 
posição jurídica pelo seu não exercício no tempo; a surrectio é o surgimento de um 
direito diante de práticas, usos e costumes. 
b) Tu Quoce 
O termo tu quoque significa que um contratante que violou uma norma jurídica não 
poderá, sem a caracterização do abuso de direito, aproveitar-se dessa situação 
anteriormente criada pelo desrespeito. Desse modo, está vedado que alguém faça 
contra o outro o que não faria contra si mesmo (regra de ouro). 
“Pelo ‘tu quoque’, expressão cuja origem, como lembra Fernando Noronha, está no 
grito de dor de Júlio César, ao perceber que seu filho adotivo Bruto estava entre os que 
atentavam contra sua vida (‘Tu quoque, filli’? Ou ‘Tu quoque, Brute, fili mi’?), evita-se 
que uma pessoa que viole uma norma jurídica possa exercer direito dessa mesma 
norma inferido ou, especialmente, que possa recorrer, em defesa, a normas que ela 
própria violou. Trata-se da regra de tradição ética que, verdadeiramente, obsta que se 
faça com outrem o que não se quer seja feito consigo mesmo”. 
c) Exceptio doli 
A exceptio doli é conceituada como sendo a defesa do réu contra ações dolosas, 
contrárias à boa-fé. Aqui a boa-fé objetiva é utilizada como defesa, tendo uma 
importante função reativa. 
A exceção mais conhecida no Direito Civil brasileiro é aquela constante no art. 476 do 
Código Civil, a exceptio non adimpleti contractus, pela qual ninguém pode exigir que 
uma parte cumpra com a sua obrigação se primeiro não cumprir com a própria. 
d) Venire contra factum proprium 
Pela máxima venire contra factum proprium non potest, determinada pessoa não pode 
exercer um direito próprio contrariando um comportamento anterior, devendo ser 
mantida a confiança e o dever de lealdade, decorrentes da boa-fé objetiva. 
e) Duty to mitigate the loss 
Trata-se do dever imposto ao credor de mitigar suas perdas,ou seja, o próprio 
prejuízo. Sobre essa premissa foi aprovado o Enunciado n. 169 do CJF/STJ na III 
Jornada de Direito Civil, pelo qual “O princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a 
evitar o agravamento do próprio prejuízo”. 
 
Princípio da relatividade dos efeitos contratuais 
O contrato, como típico instituto de direito pessoal, gera efeitos inter partes, em regra, 
máxima que representa muito bem o princípio em questão. Contrapõe-se tal 
regramento, inerente ao direito obrigacional, à eficácia erga omnes dos direitos reais, 
regidos pelo princípio da publicidade. De qualquer forma, o princípio da relatividade 
dos efeitos contratuais, consubstanciado na antiga máxima res inter alios, encontra 
exceções, na própria codificação privada. Em outras palavras, é possível afirmar que o 
contrato também gera efeitos perante terceiros. 
 
A FORMAÇÃO DO CONTRATO PELO CÓDIGO CIVIL 
O contrato nasce da conjunção de duas ou mais vontades coincidentes, sem prejuízo 
de outros elementos, o que consubstancia aquilo que se denomina autonomia privada. 
Sem o mútuo consenso, sem a alteridade, não há contrato. Desse modo, reunindo o 
que há de melhor na doutrina, é possível identificar quatro fases na formação do 
contrato civil: 
 Fase de negociações preliminares ou de puntuação. 
 Fase de proposta, policitação ou oblação. 
 Fase de contrato preliminar. 
 Fase de contrato definitivo ou de conclusão do contrato. 
 
Fase de negociações preliminares ou de pontuação. 
Essa é a fase em que ocorrem debates prévios, entendimentos, tratativas ou 
conversações sobre o contrato preliminar ou definitivo. Cumpre assinalar que a 
expressão puntuação foi difundida, na doutrina clássica, por Darcy Bessone, estando 
relacionada a acordos parciais na fase pré-contratual. A origem está no francês 
pourparlers e no italiano puntuazione (antecontrato, declaração). Essa fase não está 
prevista no Código Civil de 2002, sendo anterior à formalização da proposta, podendo 
ser também denominada fase de proposta não formalizada, estando presente, por 
exemplo, quando houver uma carta de intenções assinada pelas partes, em que elas 
apenas manifestam a sua vontade de celebrar um contrato no futuro. 
Fase de proposta, policitação ou oblação. 
A fase de proposta, denominada fase de oferta formalizada, policitação ou oblação, 
constitui a manifestação da vontade de contratar, por uma das partes, que solicita a 
concordância da outra. Trata-se de uma declaração unilateral de vontade receptícia, 
ou seja, que só produz efeitos ao ser recebido pela outra parte. Conforme o art. 427 do 
CC, a proposta vincula o proponente, gerando o dever de celebrar o contrato definitivo 
sob pena de responsabilização pelas perdas e danos que o caso concreto demonstrar. 
Esse caráter receptício é mantido se a promessa for direcionada ao público, conforme 
enuncia o art. 429 do CC, hipótese em que o oblato é determinável, não determinado. 
Também nessa hipótese, a proposta vincula aquele que a formulou quando encerrar os 
requisitos essenciais do contrato, salvo se o contrário resultar das circunstâncias ou 
dos usos. Em complemento, é possível revogar a oferta ao público, pela mesma via da 
divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na oferta realizada, isto é, desde que 
respeitado o dever de informar a outra parte (art. 429, parágrafo único, do CC). Como 
exemplo de hipótese de oferta ao público, cite-se a comum e contemporânea oferta 
de venda feita pela internet. São partes da proposta: 
Policitante, proponente ou solicitante – aquele que formula a proposta, estando a ela 
vinculado, em regra. 
Policitado, oblato ou solicitado – aquele que recebe a proposta e, se a acatar, torna-se 
aceitante, o que gera o aperfeiçoamento do contrato (choque ou encontro de 
vontades). O oblato poderá formular uma contraproposta, situação em que os papéis 
se invertem: o proponente passa a ser oblato e vice-versa. 
Fase de contrato preliminar 
O contrato preliminar, pré-contrato ou pactum de contrahendo encontra-se tratado na 
atual codificação privada, como novidade, entre os arts. 462 a 466. Contudo, vale 
esclarecer que a fase de contrato preliminar não é obrigatória entre as partes, sendo 
dispensável. Na prática, muitas vezes, o contrato preliminar é celebrado em compra e 
venda de imóvel para dar mais segurança às partes, notadamente em relação ao preço 
convencionado. 
Basicamente, dois são os tipos de contrato preliminar previstos no Direito brasileiro, 
intitulados como compromissos de contrato. 
a) Compromisso unilateral de contrato ou contrato de opção: 
Hipótese em que as duas partes assinam o instrumento, mas somente uma das 
partes assume um dever, uma obrigação de fazer o contrato definitivo. Assim, 
existe para o outro contratante apenas uma opção de celebrar o contrato 
definitivo. 
b) Compromisso bilateral de contrato: 
As duas partes assinam o instrumento e, ao mesmo tempo, assumem a 
obrigação de celebrar o contrato definitivo. Para gerar os efeitos constantes no 
atual Código Civil, no contrato preliminar não poderá constar cláusula de 
arrependimento, conforme consta do art. 463 da codificação. Assim como 
ocorre com o compromisso unilateral de contrato, o compromisso bilateral 
pode ter como objeto bens móveis ou imóveis. 
Fase de contrato definitivo 
A última fase de formação do contrato é a fase do contrato definitivo, quando ocorre o 
choque ou encontro de vontades originário da liberdade contratual ou autonomia 
privada. A partir de então, o contrato estará aperfeiçoado, gerando todas as suas 
consequências como, por exemplo, aquelas advindas da responsabilidade civil 
contratual, retirada dos arts. 389 a 391. Por fim, não se pode esquecer que a boa-fé 
objetiva, com todos os seus deveres anexos ou laterais, deve ser aplicada a essa fase, 
bem como à fase pós-contratual. 
OS VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CÓDIGO CIVIL 
(LER OS ART 441/446) 
Os vícios redibitórios, na versão atual, podem ser conceituados como sendo os 
defeitos que desvalorizam a coisa ou a tornam imprópria para uso. A matéria está 
tratada no Código Civil, entre os arts. 441 a 446, sendo aplicável aos contratos civis. O 
conceito ainda adotado pela doutrina majoritária indica que tais vícios são sempre os 
ocultos 
Entretanto, como será exposto, o art. 445 do atual Código Civil diferencia os prazos nos 
casos em que os vícios podem ser conhecidos de imediato ou mais tarde, razão pela 
qual entendemos que a atual Codificação também trata dos vícios aparentes, como já 
fazia, mas de forma diferenciada, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990). 
Essa tese, ainda minoritária, já foi debatida pela doutrina, conforme posfácio de Mário 
Luiz Delgado à obra Introdução Crítica ao Código Civil. 
Concretizando, vejamos um exemplo envolvendo vício redibitório. Imagine-se que 
alguém compre um imóvel de um particular, que não é profissional nessa atividade de 
venda de imóveis, por R$ 300.000,00, e este apresente um sério problema de 
encanamento. Como não há relação de consumo, o caso envolve um vício redibitório, 
aplicando-se o Código Civil. Sendo assim, o adquirente terá a seu favor as opções e 
prazos previstos no art. 445 do CC. 
 Vício redibitório – plano da eficácia do contrato (resolução ou abatimento no 
preço). 
 Erro – plano da validade (anulabilidade do contrato) 
 
A EVICÇÃO 
(Artigos 447 a 457.) 
A evicção ocorre quando o adquirente de um bem perde a propriedade, a posse ou o 
uso em razão de uma decisão judicial ou de um ato administrativo, que reconheça tal 
direito à terceiro, por uma situação preexistente (anterior) à compra. 
Terá então o adquirente o direito de recobrar de quem lhe transferiu esse domínio, ou 
que pagou pela coisa. 
Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia 
ainda que a aquisição setenha realizado em hasta pública. 
Princípio da Autonomia 
Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a 
responsabilidade pela evicção. 
Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem 
direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da 
evicção, ou, dele informado, não o assumiu. 
Garantia Legal 
Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do 
preço ou das quantias que pagou: 
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir; 
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente 
resultarem da evicção; 
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. 
O preço, seja a evicção total ou parcial, será o do valor da coisa, na época em que se 
evenceu, e proporcional ao desfalque sofrido, no caso de evicção parcial. 
Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, 
exceto havendo dolo do adquirente. 
Se o adquirente tiver auferido vantagens das deteriorações, e não tiver sido 
condenado a indenizá-las, o valor das vantagens será deduzido da quantia que lhe 
houver de dar o alienante. 
As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão 
pagas pelo alienante. 
Se as benfeitorias abonadas ao que sofreu a evicção tiverem sido feitas pelo alienante, 
o valor delas será levado em conta na restituição devida. 
Parte Considerável 
Se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a rescisão do 
contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido. Se não 
for considerável, caberá somente direito a indenização. 
Denunciação à Lide 
Para poder exercitar o direito que da evicção lhe resulta, o adquirente notificará do 
litígio o alienante imediato, ou qualquer dos anteriores, quando e como lhe 
determinarem as leis do processo. 
Não atendendo o alienante à denunciação da lide, e sendo manifesta a procedência da 
evicção, pode o adquirente deixar de oferecer contestação, ou usar de recursos. 
Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou 
litigiosa. 
 
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS 
(Arts. 472 a 480) 
A matéria de extinção dos contratos sempre foi divergente na doutrina. Isso porque o 
Código Civil de 1916 não sistematizou a matéria, tarefa que sempre coube à doutrina, 
com grandes divergências entre os autores. O Código Civil de 2002, muito melhor que 
a codificação anterior, trata da matéria entre os arts. 472 a 480. A tentativa de 
organização metodológica do assunto é, assim, elogiável. Entretanto, a codificação não 
esgota o tema, sendo interessante buscar socorro na melhor doutrina nacional, 
visando clarear o obscuro. Para facilitar esse trabalho de sistematização, foram 
utilizados os juristas que geralmente inspiram este autor. 72 Desse modo, pelo que 
consta do atual Código Civil e das lições da doutrina, quatro são as formas básicas de 
extinção dos contratos. 
Extinção normal dos contratos 
Inicialmente, como primeira forma básica, o contrato poderá ser extinto de forma 
normal, pelo cumprimento da obrigação. A forma normal de extinção está presente, 
por exemplo, quando é pago o preço em obrigação instantânea; quando são pagas 
todas as parcelas em obrigação de trato sucessivo a ensejar o fim da obrigação; 
quando a coisa é entregue conforme pactuado; quando na obrigação de não fazer o 
ato não é praticado, entre outros casos possíveis. 
Extinção por fatos anteriores à celebração 
Como segunda forma básica, a extinção dos contratos pode se dar por motivos 
anteriores à celebração, surgindo três casos específicos relacionados a problemas de 
formação do contrato (plano da validade) ou à autonomia privada. 
a) Invalidade contratual: Haverá invalidade nos casos envolvendo o contrato nulo 
(eivado de nulidade absoluta) e o contrato anulável (presente a nulidade 
relativa ou anulabilidade). As regras quanto a essas hipóteses não se 
encontram no capítulo específico da teoria geral dos contratos (arts. 421 a 480 
do Código Civil), mas na Parte Geral do Código Civil, particularmente nos seus 
arts. 166, 167 e 171. 
 
b) Cláusula de arrependimento: Constitui forma de extinção por fato anterior à 
celebração a previsão no negócio de direito de arrependimento, inserido no 
próprio contrato, hipótese em que os contraentes estipulam que o negócio 
será extinto, mediante declaração unilateral de vontade, se qualquer um deles 
se arrepender (cláusula de arrependimento). Com a inserção dessa cláusula já 
existe uma intenção presumida e eventual de aniquilar o negócio, sendo 
assegurado um direito potestativo à extinção para a parte contratual. Esse 
direito de arrependimento, de origem contratual, não se confunde com o 
direito de arrependimento de origem legal previsto, por exemplo, no art. 49 do 
CDC, pelo qual, para as vendas realizadas fora do estabelecimento comercial, o 
consumidor tem um prazo de arrependimento de sete dias, a contar da 
assinatura do contrato ou do ato de recebimento do produto. 
 
c) Cláusula Resolutiva Expressa: Pode existir previsão no negócio de uma cláusula 
resolutiva expressa, podendo um evento futuro e incerto (condição) acarretar a 
extinção do contrato. Justamente porque essa previsão consta da origem do 
pacto é que há a extinção por fato anterior ou contemporâneo à celebração. 
Enuncia o art. 474 do Código Civil que “a cláusula resolutiva expressa opera de 
pleno direito; a tácita depende de interpelação judicial”. 
 
Extinção por fatos posteriores à celebração 
Como terceira forma básica, o contrato pode ser extinto por fatos posteriores ou 
supervenientes à sua celebração. Toda vez em que há a extinção do contrato por fatos 
posteriores à celebração, tendo uma das partes sofrido prejuízo, fala-se em rescisão 
contratual. Nesse sentido, a ação que pretende extinguir o contrato nessas hipóteses é 
denominada ação de rescisão contratual, seguindo rito ordinário, em regra. 
O ordinário, em regra. A partir dos entendimentos doutrinários referenciados no início 
do capítulo, pode-se afirmar que a rescisão (que é o gênero) possui as seguintes 
espécies: resolução (extinção do contrato por descumprimento) e resilição (dissolução 
por vontade bilateral ou unilateral, quando admissível por lei, de forma expressa ou 
implícita, pelo reconhecimento de um direito potestativo). As duas situações básicas 
envolvem o plano da eficácia do contrato, ou seja, o terceiro degrau da Escada 
Ponteana. 
a) Resolução (descumprimento ou inadimplemento contratual): A resolução pode 
estar presente em quatro hipóteses. 
 
i. Inexecução voluntária: 
A resolução por inexecução voluntária está relacionada com a impossibilidade 
da prestação por culpa ou dolo do devedor, podendo ocorrer tanto na 
obrigação de dar como nas obrigações de fazer e de não fazer. Conforme as 
regras que constam dos arts. 389 e 390 do CC, a inexecução culposa sujeitará a 
parte inadimplente ao ressarcimento pelas perdas e danos sofridos – danos 
emergentes, lucros cessantes, danos morais, estéticos e outros danos 
imateriais, de acordo com aquilo que pode ser interpretado à luz dos arts. 402 
a 404 da codificação, da Constituição Federal e da atual jurisprudência. 
 
 
ii. Inexecução involuntária. 
O descumprimento contratual poderá ocorrer por fato alheio à vontade dos 
contratantes, situação em que estará caracterizada a resolução por inexecução 
involuntária, ou seja, as hipóteses em que ocorrer a impossibilidade de 
cumprimento da obrigação em decorrência de caso fortuito (evento totalmente 
imprevisível) ou de força maior (evento previsível, mas inevitável). Como 
consequência, a outra parte contratual não poderá pleitear perdas e danos, 
sendo tudo o que foi pagodevolvido e retornando a obrigação à situação 
primitiva (resolução sem perdas e danos). 
 
iii. Resolução por onerosidade excessiva: 
Nos termos do art. 478 do CC, poderá ocorrer a resolução do negócio em 
decorrência de um evento extraordinário e imprevisível que dificulte 
extremamente o adimplemento do contrato, gerando a extinção do negócio de 
execução diferida ou continuada (trato sucessivo). Aqui está presente a 
utilização da resolução contratual por fato superveniente, em decorrência de 
uma imprevisibilidade e extraordinariedade somadas a uma onerosidade 
excessiva. Os efeitos da sentença que determinar a resolução retroagirão à 
data da citação do processo em que se pleiteia a extinção (efeitos ex tunc). 
Repise-se que da forma como está previsto no art. 478, com a exigência literal 
de um fato imprevisível e extraordinário, é praticamente impossível a sua 
incidência. Todavia, é de se concordar com a previsão legal, eis que a extinção 
do contrato é medida extrema, somente possível em casos de situação 
insustentável para uma das partes, decorrente de evento totalmente 
imprevisível e extraordinário, tendo em vista a valorização da conservação 
contratual. 
 
iv. Cláusula resolutiva tácita: 
Finalmente, gera a extinção do contrato por resolução a cláusula resolutiva 
tácita, aquela que decorre da lei e que gera a resolução do contrato em 
decorrência de um evento futuro e incerto, geralmente relacionado ao 
inadimplemento (condição). Como essa cláusula decorre de lei, necessita de 
interpelação judicial para gerar efeitos jurídicos (art. 474 do CC). Justamente 
por não decorrer da autonomia privada, mas da lei, é que a cláusula resolutiva 
tácita gera a extinção por fato superveniente à celebração, ponto que a 
diferencia da cláusula resolutiva expressa, repise-se. Como exemplo de 
condição resolutiva tácita cite-se a exceção do contrato não cumprido (exceptio 
non adimpleti contractus), prevista no art. 476 do Código Civil, e que pode 
gerar a extinção de um contrato bilateral ou sinalagmático, nos casos de mútuo 
descumprimento total do contrato. Por esse dispositivo, uma parte somente 
pode exigir que a outra cumpra com a sua obrigação, se primeiro cumprir com 
a própria (modalidade de exceptio doli, relacionada à boa-fé objetiva). Como 
efeito resolutivo, havendo descumprimento bilateral, ou seja, de ambas as 
partes, o contrato reputar-se-á extinto. 
 
b) Resilição (exercício de um direito potestativo). Presente em duas situações 
concretas. 
 
i. Resilição bilateral: 
Prevista no art. 472 do CC, a resilição bilateral ou distrato é efetivada mediante 
a celebração de um novo negócio em que ambas as partes querem, de comum 
acordo, pôr fim ao anterior que firmaram. O distrato submete-se à mesma 
forma exigida para o contrato conforme previsão taxativa desse artigo. Desse 
modo, se o contrato foi celebrado por escritura pública, o distrato deverá 
obedecer à mesma formalidade, sob pena de nulidade absoluta, por 
desrespeito à forma e à solenidade essencial (art. 166, IV e V, do CC). É 
importante ressaltar que a quitação não se submete a essa exigência, sendo 
válida qualquer que seja a sua forma. 
 
 
ii. Resilição unilateral: 
 Existem contratos que admitem dissolução pela simples declaração de 
vontade de uma das partes, situações em que se tem a denominada 
resilição unilateral, desde que a lei, de forma explícita ou implícita, 
admita essa forma de extinção. Na resilição unilateral há o exercício de 
um direito potestativo, aquele que se contrapõe a um estado de 
sujeição. A resilição unilateral, pelo que consta do art. 473 do Código 
Civil, só é prevista em hipóteses excepcionais, como, por exemplo, na 
locação, na prestação de serviços, no mandato, no comodato, no 
depósito, na doação, na fiança, operando-se mediante denúncia 
notificada à outra parte. 
 
Extinção por morte de um dos contratantes 
Encerrando a análise do tema da extinção do contrato e o presente capítulo, como 
última forma básica de extinção dos contratos, para algumas categorias negociais a 
morte de um dos contratantes pode gerar o fim do pacto. Isso somente ocorre nos 
casos em que a parte contratual assume uma obrigação personalíssima ou intuitu 
personae, sendo denominada cessação contratual, conforme expressão de Orlando 
Gomes. 78 Em casos tais, o contrato se extingue de pleno direito, situação que ocorre, 
por exemplo, na fiança. Para este contrato, os herdeiros não recebem como herança o 
encargo de ser fiador, só respondendo até os limites da herança por dívidas 
eventualmente vencidas durante a vida do seu antecessor (art. 836 do CC). Em reforço, 
a condição de fiador não se transmite, pois ele tem apenas uma responsabilidade, sem 
que a dívida seja sua (“obligatio sem debitum” ou “Haftung sem Schuld”).

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