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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA 
FACULDADE DE MEDICINA 
DEPARTAMENTO DE MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
_______________________________________________________________ 
ALIMENTOS E ALIMENTAÇÃO EM VETERINÁRIA 
 
 
 
 
Professora: Almira Biazon França 
Disciplina: Alimentos e Alimentação em Veterinária 
Código da disciplina: VET 013 
Curso: Medicina Veterinária 
 
 
 
 
 
Juiz de Fora-MG 
2016 
2 
 
SUMÁRIO 
CAPÍTULO 1 - CONCEITOS SOBRE NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO 
ANIMAL.................................................................................................................................. 4 
 
 
1. Introdução......................................................................................................................... 4 
2. Principais conceitos sobre nutrição e alimentação animal........................................ 4 
2.1) Dieta, concentrado e ração.............................................................................................. 4 
2.2) Exigência nutricional........................................................................................................ 5 
2.3) Fibra................................................................................................................................. 5 
2.4) Aminoácidos essenciais, não essenciais e limitantes.................................................... 8 
2.5) Proteína ideal................................................................................................................... 8 
2.6) Proteína degradada no rúmen e proteína não degradada no rúmen............................ 9 
2.7) Suplementos.................................................................................................................... 10 
a) Aditivos................................................................................................................................ 10 
a.1) Minerais orgânicos – aditivo nutricional........................................................................... 11 
a.2) Prebióticos – aditivo zootécnico....................................................................................... 11 
a.3) Probióticos – aditivo zootécnico....................................................................................... 11 
a.4) Simbióticos – aditivo zootécnico...................................................................................... 12 
a.5) Antimicrobianos – Aditivo zootécnico melhorador do crescimento e anticoccidianos.... 12 
a.6) Óleos essenciais - Aditivo zootécnico melhorador do crescimento................................ 13 
a.7) Enzimas – Aditivo zootécnico digestivo........................................................................... 14 
 
CAPÍTULO 2 – CONTITUINTES DOS ALIMENTOS PARA NUTRIÇÃO ANIMAL............. 16 
 
 
1. Introdução......................................................................................................................... 16 
2. Nutrientes.......................................................................................................................... 16 
2.1 Água.................................................................................................................................. 16 
2.2 Carboidratos...................................................................................................................... 17 
2.3 Proteínas........................................................................................................................... 19 
2.4 Lipídeos............................................................................................................................. 20 
a) Lipídeos simples................................................................................................................. 21 
b) Lipídeos complexos............................................................................................................ 21 
2.5 Minerais............................................................................................................................. 22 
a) Macrominerais..................................................................................................................... 22 
i) Cálcio (Ca)........................................................................................................................... 22 
ii) Fósforo (P)........................................................................................................................... 23 
iii) Potássio (K) ....................................................................................................................... 23 
iv) Magnésio (Mg).................................................................................................................... 24 
v) Sódio (Na)........................................................................................................................... 24 
vi) Cloro (Cl)............................................................................................................................ 24 
vii) Enxofre (S)......................................................................................................................... 24 
b) Microminerais...................................................................................................................... 25 
i) Ferro (Fe)............................................................................................................................. 25 
ii) Cobre (Cu)........................................................................................................................... 25 
2.6 Vitaminas........................................................................................................................... 25 
a) Vitaminas lipossolúveis....................................................................................................... 26 
i) Vitamina A............................................................................................................................ 26 
ii) Vitamina D........................................................................................................................... 26 
iii) Vitamina E.......................................................................................................................... 26 
iv) Vitamina K.......................................................................................................................... 27 
b) Vitaminas Hidrossolúveis.................................................................................................... 27 
i) Tiamina................................................................................................................................ 27 
ii) Niacina................................................................................................................................. 27 
iii) Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal e piridoxamina).............................................................. 27 
iv) Ácido fólico......................................................................................................................... 27 
 
CAPÍTULO 3 – TÉCNICAS PARA ANÁLISE DE ALIMENTOS PARA NUTRIÇÃO 
ANIMAL................................................................................................................................... 28 
3 
 
 
 
1. Introdução.......................................................................................................................... 28 
2. Obtenção de amostras...................................................................................................... 28 
2.1 Amostragem de pasto....................................................................................................... 28 
2.2 Amostragem de silagens e fenos......................................................................................29 
2.3 Amostragem de grãos e farelos em sacarias................................................................... 29 
2.4 Amostragem de grãos e farelos a granel.......................................................................... 29 
3. Processamento físico da amostra................................................................................... 30 
3.1 Redução do teor de umidade em estufa com circulação forçada de ar......................... 30 
3.2 Redução do tamanho de partículas.................................................................................. 31 
4. Métodos de análises de alimentos.................................................................................. 31 
4.1 Avaliação do teor de umidade.......................................................................................... 33 
4.2 Avaliação das cinzas ou matéria mineral.......................................................................... 33 
4.3 Avaliação do nitrogênio total (proteína bruta) pelo método de Kjeldahl......................... 34 
4.4 Avaliação da gordura bruta ou do extrato etéreo.............................................................. 34 
4.5 Avaliação da fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) e da fibra insolúvel em 
detergente ácido (FDA)........................................................................................................... 35 
4.6 Avaliação da lignina e celulose......................................................................................... 36 
4.7 Avaliação da energia bruta................................................................................................ 37 
4.8 Método de refletância no infravermelho proximal (NIRS)................................................. 37 
5. Avaliações biológicas....................................................................................................... 38 
 
 
 
4 
 
CAPÍTULO 1 
 
 
CONCEITOS SOBRE NUTRIÇÃO E ALIMENTAÇÃO ANIMAL 
 
1. Introdução 
Entende-se por nutrição a associação dos processos físicos, químicos e 
biológicos pelo qual o animal assimila o alimento. Para que os animais possam 
ser supridos de suas necessidades nutricionais diárias, aos mesmos devem ser 
fornecidos alimentos que possuam todos aqueles nutrientes dos quais 
necessitam. 
Por sua vez, o alimento constitui em toda matéria possível de ser 
ingerida pelo animal, podendo ou não conter nutrientes digestíveis, assim, 
alimentar é diferente de nutrir. Desta forma, só se está nutrindo um animal 
quando se estiver fornecendo, pela dieta, todas as quantidades de nutrientes 
dos quais ele necessita para a sua manutenção e produção, e se está 
alimentando quando se fornece um alimento ou conjunto de alimentos aos 
animais. 
 
2. Principais conceitos sobre nutrição e alimentação animal 
2.1) Dieta, concentrado e ração 
A dieta consiste na porção ou mistura de alimentos, incluindo a água, a 
serem ingeridos pelos animais. Considerando um animal herbívoro, como por 
exemplo, uma vaca leiteira, a dieta é composta por forragens, concentrado e 
água, os quais, exceto á água, devem ser misturados em uma proporção ótima 
para se obter uma mistura de conteúdo nutricional. Esta é a filosofia no uso da 
Dieta Completa (TMR) como sistema alimentar. O termo concentrado refere-se 
a mistura de ingredientes adicionados a um ou mais alimentos em proporções 
adequadas, devidamente conhecidos e especificados, destinado a alimentação 
dos animais, e o termo ração se refere a quantidade total de alimentos 
fornecidos a um animal no espaço de 24 h. Assim, para animais onívoros, 
como por exemplo, os suínos e aves criados em sistemas convencionais, ração 
5 
 
e concentrado significam a mesma coisa, pois estes animais não consomem 
forragem. 
 
2.2) Exigência nutricional 
A exigência nutricional é um conceito teórico prático que descreve o 
nível ideal de um nutriente e/ou energia que permita atender uma função 
fisiológica (mantença, crescimento, reprodução, produção). Estas exigências 
mínimas, embora fisiologicamente relevantes, são difíceis de definir e 
impossíveis de medir com precisão. 
As exigências nutricionais têm sido atualmente estimadas por meio de 
dois métodos: dose resposta (empírico) ou fatorial (mecanicista). No método 
dose resposta, as necessidades nutricionais são estimadas com base na 
resposta média da população obtidas de animais alimentados com diferentes 
níveis de um determinado nutriente na dieta. No método fatorial, as exigências 
nutricionais são estimadas pela soma das exigências de mantença, ganho, 
gestação, lactação e/ou produção em diferentes condições. Os modelos de 
crescimento estimam as exigências de um indivíduo representativo da 
população pela integração do método fatorial. Devido à complexidade das 
respostas dos animais e os muitos fatores que modulam estas respostas, os 
modelos matemáticos têm sido propostos para simular o crescimento e estimar 
exigências nutricionais dos animais sob diferentes condições de produção (Van 
Milgen et al., 2008) 
No Brasil, os estudos de exigências de aves e suínos embasam as 
recomendações da “Tabelas Brasileiras para aves e suínos” (Rostango et al., 
2011), e estudos na área de exigência de bovinos de corte a publicação do BR 
CORTE (Valadares Filho et al., 2010), o qual apresenta os requerimentos 
nutricionais para bovinos de corte (Nelore e cruzados) criados em condições 
brasileiras. 
 
2.3) Fibra 
A definição de fibra, do ponto de vista da morfologia vegetal, 
corresponde aos componentes estruturais das plantas, sendo os constituintes 
da parede celular destas, a qual é composta de pectina, celulose, 
6 
 
hemicelulose, complexos fenólicos (lignina) e proteína. Do ponto de vista 
nutricional, a fibra designa a fração do alimento composta por unidades 
formadoras unidas por ligações do tipo beta, não digerida por enzimas 
secretadas pelo trato digestivo dos animais, mas passível de degradação 
microbiana no estômago de animais ruminantes e no intestino grosso dos 
animais ruminantes e não ruminantes. 
No entanto, o conceito de fibra encontrado na literatura diverge entre as 
linhas de pesquisas da nutrição de ruminantes e não ruminantes. 
Na nutrição de não ruminantes quimicamente a fibra representa um 
agregado de compostos, e entre eles se destacam os polissacarídeos não 
amiláceos (PNA), como a celulose, hemicelulose, pectina e frutctana, e os 
compostos fenólicos, dos quais se destaca a lignina. 
No entanto na nutrição de ruminantes a fibra é definida como a fração 
indigestível ou de lenta digestão do alimento que ocupa espaço no trato 
gastrointestinal, e que promove o perfeito funcionamento do rúmen. Desta 
forma, a parede celular vegetal e/ou os PNA não podem ser considerados 
como medida acurada da fibra, pois também contém pectina, que possui 
digestibilidade alta e constante no rúmen. Desta forma, em termos nutricionais, 
a classificação dos carboidratos em fibrosos e não fibrosos parece mais 
apropriada porque é baseada em características nutritivas, ao invés de 
composição química ou função exercida na planta. Nessa classificação, os 
carboidratos não fibrosos (CNF) representão as frações degradadas mais 
rapidamente e incluem a pectina, amido e açúcares. Os carboidratos fibrosos 
(CF), que ocupam espaço no trato gastrintestinal e exigem mastigação para 
redução do tamanho de partícula e passagem através desse trato, incluem a 
celulose, hemecelulose. No caso dos CF a fibra em detergente neutro (FDN) 
tem o mesmo significado nutricional, pois representam a mesma fração de 
carboidratos dos alimentos. 
Os termos fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente ácido 
(FDA) referem-se aos métodos de análise originalmente desenvolvidos por P.J. 
Van Soest na década de 1960. Esse método se baseia na separação por meio 
de detergente neutro o conteúdocelular (formado principalmente de proteínas, 
gorduras, carboidratos solúveis, pectina e outros constituintes solúveis em 
7 
 
água) da parede celular, chamada de FDN que é constituída de celulose, 
hemicelulose e lignina. Já o uso do detergente ácido solubiliza o conteúdo 
celular, a hemicelulose e os minerais solúveis, além da maior parte da proteína 
insolúvel, obtendo assim um resíduo insolúvel em detergente ácido, 
denominado de fibra em detergente ácido (FDA), constituído de celulose e 
lignina. 
Sniffen et al. (1992) classificaram os carboidratos com base no modo 
diferenciado em que os microrganismos, presentes no rúmen-retículo, fazem 
uso desses, ou seja de acordo com sua taxa de degradação (h-1) ruminal. 
Dessa forma os carboidratos foram classificados em quatro frações: Fração A – 
formada pelos carboidratos que apresentam taxas de degradação rápida, são 
considerados nesse grupo os açúcares simples, glicose, sacarose e ácidos 
orgânicos; Fração B1 - carboidratos de degradação intermediária como o 
amido e pectina; Fração B2 - conhecida como fibra disponível, são os 
carboidratos de taxa de degradação lenta como a celulose e a hemicelulose e 
Fração C – denominada como fibra indigestível ou não disponível. 
A fibra fisicamente efetiva (peFDN) de um alimento corresponde às 
propriedades físicas da FDN (principalmente tamanho de partículas) que 
estimulam mastigação e estabelecem uma estratificação bifásica do conteúdo 
ruminal, contribuindo para formação de uma camada flutuante de partículas 
grandes, denominadas de “mat” sobre um pool de líquido, e partículas 
pequenas (Mertens, 1997). O valor de peFDN dos alimentos está relacionado à 
concentração de FDN e na variação do tamanho de partícula, sendo esses 
fatores críticos para estimulação da ruminação e motilidade do rúmen (Mertens, 
1998). 
Considerando que a secreção de tampões da saliva é fator importante 
para manutenção do pH ruminal em nível ótimo, a peFDN está diretamente 
relacionada à saúde do animal e depressão da gordura do leite, porque afeta a 
atividade de mastigação, a produção de saliva e pH ruminal (Mertens, 1998). A 
fração da FDN efetiva (eFDN) esta relacionada com a capacidade total de FDN 
de um alimento em manter efetivamente o teor de gordura no leite(Mertens, 
1997). Portanto peFDN e eFDN diferem em conceito e valores estabelecidos 
para cada alimento. 
8 
 
 
2.4) Aminoácidos essenciais, não essenciais e limitantes 
Os aminoácidos essenciais não são sintetizados ou são em quantidades 
muito inferiores às necessidades dos animais, enquanto que os aminoácidos 
não essenciais são sintetizados a partir do esqueleto de carbono da glicose ou 
de outros aminoácidos e dos grupos amino de aminoácidos em excesso. 
Dentre os aminoácidos não essências podemos citar o ácido glutâmico, 
glutamina, cistina, glicina, serina, alanina, aspartato e asparagina. Os 
mamíferos exigem cerca de nove aminoácidos essenciais, sendo eles a 
metionina, lisina, treonina, triptofano, valina, fenilalanina, leucina, isoleucina e 
histidina. Contudo, a essencialidade de um aminoácido pode ser transitória, e a 
ausência de alguns aminoácidos na dieta pode ser mais letal do que a de 
outros. 
A limitação de um aminoácido por deficiência se dá quando um ou mais 
aminoácidos não são fornecidos na dieta e limitam a síntese proteica. O 
aminoácido causador da interrupção da síntese proteica é considerado o 
limitante. Uma vez suplementado, pode surgir um segundo ou terceiro 
aminoácido limitante. Desta forma, na nutrição de suínos o primeiro aminoácido 
limitante é a lisina, enquanto que para aves a metionina. Para bovinos a 
maioria dos trabalhos tem mostrado que dois aminoácidos essenciais são 
limitantes para a produção de leite e de carne, a lisina e a metionina, já os 
aminoácidos essências limitantes para a síntese de proteína microbiana são os 
de cadeia ramificada, leucina, valina e isoleucina. 
 
2.5) Proteína ideal 
O conceito de proteína ideal é utilizado na nutrição de aves e suínos e 
refere-se ao balanço de aminoácidos da dieta, capaz de prover, sem 
deficiência nem excesso, as exigências de todos os aminoácidos necessários à 
perfeita manutenção, e máxima deposição proteica. O conceito prevê a relação 
entre os aminoácidos essenciais e a lisina, considerada padrão (100) em 
virtude de ser utilizada basicamente para a síntese proteica, sendo o 
componente principal do tecido magro (tecido muscular). 
9 
 
A ideia básica é que, embora as exigências de aminoácidos essenciais 
possam variar entre as diversas situações práticas, as relações entre estes 
aminoácidos permanecem razoavelmente estáveis. Desta forma, ao se estimar 
a exigência para um único aminoácido referência (lisina) em determinada 
condição de campo, basta ajustar as exigências dos aminoácidos restantes 
pela relação entre estes e a lisina. 
A lisina foi escolhida como aminoácido referência principalmente em 
função de ser um aminoácido utilizado quase que exclusivamente para a 
síntese proteica, não sofrendo transaminação para síntese de aminoácidos não 
essenciais, havendo, assim, alta correlação entre a digestibilidade ileal 
verdadeira e a disponibilidade biológica deste aminoácido. 
 
2.6) Proteína degradada no rúmen e proteína não degradada no rúmen 
A proteína bruta (PB) contida nos alimentos dos ruminantes é composta 
por uma fração degradada no rúmen (PDR) e uma fração não degradada no 
rúmen (PNDR). A degradação da proteína no rúmen ocorre por meio da ação 
de enzimas (proteases, peptidases e deaminases) secretadas pelos 
microrganismos ruminais. Peptostreptococcus ssp., Clostridium aminophilum e 
Clostridium sticklandii, esses microrganismos degradam a fração PDR da 
proteína bruta da ração e utilizam peptídeos, aminoácidos e amônia para 
síntese de proteína microbiana (Pmic) e multiplicação celular. A proteína 
microbiana é a principal fonte de proteína metabolizável para os ruminantes, 
segundo Clarck (2009) a Pmic corresponde a 59% da proteína utilizada pelos 
ruminantes. 
Na nutrição de animais ruminantes a proteína dos alimentos também foi 
classificada por Sniffen et al. (1992) conforme a sua taxa de degradação (h-1) 
ruminal em cinco frações, sendo elas: Fração A – proteína de rápida 
fermentação (nitrogênio não proteico – NNP e peptídeos); Fração B - 
representa a proteína potencialmente degradável, sendo dividida em três 
subfrações; Fração B1 - proteína solúvel no rúmen, Fração B2 - proteína 
insolúvel de degradação intermediária e Fração B3 – proteína insolúvel de 
degradação lenta; e Fração C - insolúvel em detergente ácido. 
 
10 
 
2.7) Suplementos 
Suplemento, conforme descrito na Instrução Normativa nº 15 de 2009 do 
MAPA, é a mistura composta por ingredientes (macro e micro minerais, ureia e 
ingrediente energético) ou aditivos, podendo conter veículo ou excipiente, que 
deve ser fornecida diretamente aos animais ou ser indicada para diluição para 
melhor balanço nutricional. 
Dentre os suplementos serão abordados alguns aditivos de maior 
destaque na nutrição e alimentação animal 
 
a) Aditivos 
Conforme a Instrução Normativa nº 13 de 2004 do MAPA, aditivo é a 
substância, microrganismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente 
aos produtos, que não é utilizada normalmente como ingrediente, tenha ou não 
valor nutritivo e que melhore as características dos produtos destinados à 
alimentação animal ou dos produtos animais, melhore o desempenho dos 
animais sadios e atenda às necessidades nutricionais ou tenha efeito 
anticoccidiano. 
Segundo estabelece a IN nº 13 de 2004 os aditivos foram classificados 
em cinco categorias: 
1) Aditivos Tecnológicos: qualquer substância adicionada ao produto 
destinado à alimentação animal com fins tecnológicos, exemplos aditivos 
adsorventes, aglomerantes, antioxidantes, conservantes,estabilizantes, 
emulsificantes, espessantes, reguladores da acidez entre outros; 
2) Aditivos Sensoriais: qualquer substância adicionada ao produto para 
melhorar ou modificar as características visuais dos produtos, exemplos os 
aditivos corantes e pigmentos, aromatizantes e palatabillizantes; 
3) Aditivos Nutricionais: toda substância utilizada para manter ou 
melhorar as propriedades nutricionais do produto, exemplos vitaminas, 
oligoelementos ou seus compostos (microminerais orgânicos), aminoácidos, 
seus derivados e análagos, ureia e seus derivados; 
4) Aditivos Zootécnicos: toda substância utilizada para influir 
positivamente na melhoria do desempenho dos animais, exemplos aditivos 
digestivos (enzimas), equilibradores da flora intestinal (probióticos, prebióticos 
11 
 
e acidificantes) e melhoradores de desempenho (antimicrobianos como a 
avilamicina, flavomicina e monensina); 
5) Anticoccidianos: substância destinada a eliminar ou inibir 
protozoários, exemplo os anticoccidianos químicos e os ionóforos. 
 
a.1) Minerais orgânicos – aditivo nutricional 
Minerais orgânicos, ou quelatos, são compostos formados por íons 
metálicos sequestrados por substâncias orgânicas como aminoácidos, 
peptídeos ou complexos polissacarídeos que proporcionam a esses íons alta 
disponibilidade biológica, alta estabilidade e solubilidade (Kiefer, 2005). 
Os microminerais orgânicos disponíveis atualmente no mercado 
possuem diferentes características químicas e físicas, em decorrência do tipo 
de ligante utilizado e, consequentemente, geram diferentes respostas 
nutricionais. Deve-se levar em consideração que nem todos minerais orgânicos 
são capazes de aumentar a biodisponibilidade de um mineral da mesma 
maneira (Cao et al., 2000). 
 
a.2) Prebióticos – aditivo zootécnico 
Os prebióticos podem ser definidos como substâncias alimentares, 
carboidratos não digestíveis, que nutrem um grupo seleto de microrganismos 
que povoam o intestino, favorecendo a sua multiplicação. Em geral, com o uso 
desses produtos busca-se maior multiplicação das bactérias benéficas, em 
detrimento das bactérias prejudiciais. Estes carboidratos não digestíveis (como 
parede celular de plantas e leveduras) são classificados desta forma por serem 
constituídos de complexos de oligomananoproteínas, principalmente de 
mananoligossacarídeos (MOS), que possuem a capacidade de ligar-se a 
fímbria das bactérias e inibir a colonização do aparelho digestivo. Os 
prebióticos mais estudados e utilizados na nutrição animal são os 
mananoligossacarídeos (MOS) e os frutoligossacarédeos (FOS). 
 
a.3) Probióticos – aditivo zootécnico 
Os probióticos são microrganismos vivos, administrados em quantidades 
adequadas, que conferem benefícios à saúde do hospedeiro. Os probióticos 
12 
 
influenciam beneficamente a saúde do hospedeiro pela melhoria do balanço 
microbiano intestinal, ou seja, eles competem com a flora patogênica por 
nutrientes, locais de adesão no epitélio intestinal, sintetizando metabólitos 
(ácidos orgânicos) que criam resistência ao crescimento de microrganismos 
patogênicos. Segundo Butolo (1999), nos produtos comerciais disponíveis para 
aves, suínos, bovinos, ovinos e equinos, as espécies de bactérias mais 
comumente utilizadas no preparo são as dos gêneros Lactobacillus, 
Bifidobacterium, Enterococcus, Streptococus, Bacillus e as leveduras. 
 
a.4) Simbióticos – aditivo zootécnico 
Um produto simbiótico é aquele no qual estão combinados um probiótico 
e um prebiótico, ou seja, alia o fornecimento de microrganismos probióticos 
juntamente com substâncias prebióticos específicas que estimulem seu 
desenvolvimento e atividade, potencializando o efeito de ambos os produtos. 
 
a.5) Antimicrobianos – Aditivo zootécnico melhorador do crescimento e 
anticoccidianos 
A suplementação de antimicrobianos nas dietas de suínos e aves tem 
sido utilizada com finalidades profiláticas e como meio de melhorar o 
crescimento e a utilização de alimentos pelos animais. Quando adicionados às 
dietas em doses subterapêuticas como promotores de crescimento, têm se 
mostrado eficientes no controle de bactérias patogênicas intestinais. Os 
principais benefícios da utilização dos antimicrobianos são alterações no 
metabolismo da microbiota intestinal, assim como a troca de organismos 
patogênicos por bactérias benéficas, resultando em maior utilização dos 
nutrientes, menor carga de substratos para proliferação microbiana patogênica 
e melhoria na condição de saúde e integridade intestinal. Entretanto, esse 
efeito nas bactérias sempre foi muito contestado, alegando-se que essa é uma 
forma de estabelecer, nos animais, reservatórios para organismos patógenos 
resistentes a antibióticos específicos isolados em humanos. 
Apesar dos conhecidos benefícios associados à produção animal, a 
atribuição do desenvolvimento de resistência bacteriana levou a diferentes 
casos de proibição do uso de antibióticos como promotores de crescimento nos 
13 
 
sistemas de produção animal, como a União Europeia, que a partir de janeiro 
de 2006, o uso de antibióticos para este fim passou a ser proibido nas dietas de 
aves e suínos. No entanto no Brasil, alguns antibióticos utilizados como aditivos 
melhoradores do desempenho e como anticoccidianos são permitidos pelo 
MAPA, dentre eles podemos citar: a bacitracina, avilamicina, flavomicina, 
monensina (melhoradores do desempenho) e lasalocida, salinomicina e 
monensina (anticoccidianos). 
Na nutrição de ruminantes, a monensina (ionóforo), é provavelmente o 
aditivo mais pesquisado. A ação dos ionóforos no rúmen ocorre por mudanças 
na população microbiana, selecionando as bactérias Gram-negativas, 
produtoras de ácido succínico, e inibindo as Gram-positivas, produtoras de 
ácidos acético, butírico e lático e H+. Como resultado dessa alteração na 
população microbiana, há mudanças nos produtos finais da fermentação, em 
geral com redução das concentrações de ácido acético e butírico e aumento 
das de propionato. Consequentemente, em virtude da relação inversa entre o 
ácido propiônico e a produção de metano, observa-se redução da produção de 
metano em resposta ao aditivo. 
Consequentemente, pesquisadores e nutricionistas têm o desafio de 
encontrar alternativas seguras ao uso de antibióticos, e dentre as alternativas 
que são estudadas nos dias de hoje, é dada especial atenção ao uso de óleos 
essenciais e ácidos orgânicos como promotores de desempenho e saúde 
animal. 
 
a.6) Óleos essenciais - Aditivo zootécnico melhorador do crescimento 
Quanto aos óleos essenciais, diversas referências na literatura científica 
demonstram clara evidência de atividade antimicrobiana, antifúngica e antiviral 
in vitro de extratos vegetais contra patógenos dos animais, dos alimentos e 
humanos. Brugalli (2003) relata que, dentre os possíveis mecanismos de ação 
dos óleos essenciais no organismo animal, aponta-se alterações na microflora 
intestinal, aumento na digestibilidade e absorção de nutrientes através do 
estímulo à atividade enzimática, melhoria da resposta imune, controle na 
produção de amônia e modificações morfo-histológicas no trato gastrointestinal. 
14 
 
Apresentam ainda certa vantagem sobre os antimicrobianos tradicionais, 
pois estes possuem apenas um princípio ativo, enquanto os óleos essenciais 
podem conter vários compostos e um só produto, tendo assim, efeito sinérgico 
benéfico na melhora do desempenho do animal. 
Recentemente, espécies como a do alho, manjerona, orégano, hortelã, 
alecrim, tomilho, pimenta-vermelha e cebola despertaram interesse dos 
pesquisadores da nutrição animal, pois possuem princípios ativos que podem 
trazer benefícios aos animais. No entanto, considerando a vasta diversidade de 
plantas existentes, o grande desafio na utilização de extratos vegetais, como 
alternativas ao usode antimicrobianos na alimentação animal está na 
identificação e quantificação dos efeitos exercidos pelos diferentes 
componentes presentes nos óleos essenciais sobre o organismo animal. 
O uso de ácidos orgânicos como controladores da carga microbiana no 
trato digestivo e promotor de melhoria da morfologia intestinal tem 
demonstrando resultados interessantes. Dentre os efeitos dos ácidos orgânicos 
estão a inibição do crescimento da E. coli e outras bactérias patogênicas, 
assim como efeito redutor do pH gástrico, resultando em aumento da proteólise 
e consequentemente melhoria na digestão da proteína e aminoácidos. 
 
a.7) Enzimas – Aditivo zootécnico digestivo 
Dentre os aditivos zootécnicos podemos destacar o uso das enzimas, 
que tem sua utilização voltada para a melhoria do processo de digestão e 
absorção de nutrientes. Na alimentação de monogástricos é preconizada de 
forma suplementar a ação das enzimas endógenas (amilases, proteases e 
lípases), ou de forma aditiva, visando reduzir os fatores antinutricionais de 
alguns ingredientes, bem como melhorar a disponibilidade dos nutrientes, 
principalmente aqueles encapsulados dentro da parede celular e/ou ligados em 
estrutura química que as enzimas endógenas ao animal não conseguem 
degradar eficientemente, como no caso das fitase, beta-glucanases e 
pentosanases, que degradam fitatos, beta-glucanos e pentosanas, 
respectivamente. 
Dentre as enzimas citadas a fitase ganha destaque, visto que possibilita 
a liberação do fósforo fítico e de outros nutrientes. Isto pode reduzir a 
15 
 
suplementação com fósforo inorgânico, reduzindo custo e melhorando a 
utilização do fósforo presente nos alimentos, além de reduzir o fósforo 
excretado. 
As enzimas são usadas na elaboração de rações pela adição direta 
(forma granular) ou por incorporação pela indústria em pré-misturas (premix). 
Os benefícios com o uso de enzimas podem ser obtidos também no custo, pela 
substituição de ingredientes tradicionais de alto custo por ingredientes 
alternativos de menor custo. 
16 
 
 
CAPÍTULO 2 
 
 
CONSTITUINTES DOS ALIMENTOS PARA NUTRIÇÃO ANIMAL 
 
1. Introdução 
O alimento constitui em toda matéria possível de ser ingerida pelo 
animal, podendo ou não conter nutrientes digestíveis. Os alimentos são 
constituídos por uma mistura complexa de nutrientes, os quais por sua vez 
podem ser divididos em duas frações: água e matéria seca; sendo na fração da 
matéria seca que se encontram os nutrientes orgânicos (matéria orgânica) e 
inorgânicos (matéria mineral), exceto a água, naturalmente. Desta forma, os 
nutrientes podem ser classificados em nutrientes orgânicos (lipídeos, 
carboidratos, proteínas, nitrogênio não proteico e vitaminas) e inorgânicos 
(minerais e água). 
 
2. Nutrientes 
2.1 Água 
As fontes de água para os animais são: a) água de beber; b) água 
presente nos alimentos consumidos e, c) água metabólica isto é, a água 
resultante da oxidação do H2 contidos nas proteínas, carboidratos e lipídeos. 
Os fatores que afetam as exigências de água são a espécie animal; a 
ingestão de matéria seca (MS); a temperatura ambiente; a ingestão de sal; a 
ingestão de proteína para excreção de ureia e incremento calórico; a condição 
fisiológica; e entre outros fatores. 
No organismo animal a água atuará principalmente no transporte de 
nutrientes para as células, no transporte de compostos a serem eliminados, 
nas reações químicas do metabolismo, na regulação da temperatura corporal, 
na manutenção da forma das células e na lubrificação das articulações, além 
de compor grande parte do sangue, leite e urina, bem como muitos outros 
fluídos do organismo. 
17 
 
A principal fonte de água que supre as necessidades diárias dos animais 
é a de beber, a qual deve estar sempre disponível para o animal, de forma 
limpa e livre de contaminantes e odores. Com relação á água encontrada nos 
alimentos, os alimentos volumosos úmidos, naturalmente, apresentam maior 
teor de água que os alimentos concentrados. Como exemplo pode-se citar o 
clone de capim elefante anão, BRS Kurumi, lançado pela EMBRAPA, o qual 
apresentou teor de matéria seca de 13,38% quando manejado em regime de 
lotação intermitente na época das águas no município de Valença-RJ (Madeiro, 
2010); e o grão de milho, alimento concentrado energético, que possui em 
média 87% de matéria seca. 
Estima-se o consumo diário, aproximado, de água por bovinos de corte 
com até 410 kg de peso corporal, de 32 L; por vacas leiteiras em lactação de 
62 L; por frangos de corte com 1 semana de 32 mL e com 8 semanas de 286 
mL e; por suínos, de 56 a 95 dias, de 8 litros (Embrapa 2005). 
 
2.2 Carboidratos 
Os compostos mais abundantes na natureza são os carboidratos. A 
origem primária dos carboidratos está na fotossíntese quando a energia 
luminosa da radiação solar é incorporada às ligações químicas da molécula de 
glicose. O arranjo das moléculas de glicose nos vegetais, com ligações do tipo 
alfa (α) do amido e beta (β) da celulose, moldou o desenvolvimento dos 
sistemas digestivos dos animais heterótrofos. 
Os carboidratos são classificados pelo grupo funcional em aldoses 
(presença do grupo funcional aldeído) e cetoses (presença do grupo funcional 
cetona), e estas podem ser classificadas pelo número de carbonos de sua 
estrutura como trioses (3C), tetroses (4C), pentoses (5C – ribose, arabinose e 
xilose), hexoses (6C-glicose, galactose e frutose), heptoses (7C) e assim por 
diante. 
A classificação dos carboidratos em estruturais e não estruturais refere-
se unicamente à função desempenhada nas plantas e não deve ser confundida 
com papel dos carboidratos na nutrição animal. Os carboidratos estruturais são 
encontrados na parede celular dos vegetais e fornecem o suporte físico 
necessário para o crescimento das plantas. A parede celular é composta de 
18 
 
pectina, celulose, hemicelulose, compostos fenólicos, dentre os quais se 
destaca a lignina, e proteína. Os carboidratos não estruturais estão localizados 
no conteúdo celular e são encontrados em maior concentração nas sementes, 
folhas e hastes e representam reservas de energia usadas para reprodução, 
crescimento e sobrevivência durante períodos de estresse. 
Em relação à composição de alimentos, fibra é um termo usado para 
estabelecer um conceito puramente nutricional que designa a fração do 
alimento composta por unidades formadoras unidas por ligações do tipo beta, 
não digerida por enzimas secretadas pelo trato digestivo dos animais, mas 
passível de degradação microbiana no estômago de animais ruminantes e no 
intestino grosso doa animais ruminantes e não ruminantes. 
Na nutrição de ruminantes a fibra é definida como a fração indigestível 
ou de lenta digestão do alimento que ocupa espaço no trato gastrointestinal, e 
que promove o perfeito funcionamento do rúmen. Desta forma, a prede celular 
vegetal não pode ser considerada como medida acurada da fibra, pois também 
contém pectina, que possui digestibilidade alta e constante. Desta forma, em 
termos nutricionais, a classificação dos carboidratos em fibrosos e não fibrosos 
parece mais apropriada porque é baseada em características nutritivas, ao 
invés de composição química ou função exercida na planta. Nessa 
classificação, os carboidratos não fibrosos (CNF) representão as frações 
degradadas mais rapidamente e incluem a pectina, amido e açúcares. Os 
carboidratos fibrosos (CF), que ocupam espaço no trato gastrintestinal e 
exigem mastigação para redução do tamanho de partícula e passagem através 
desse trato, incluem a celulose, hemecelulose. No caso dos CF a fibra em 
detergente neutro (FDN) tem o mesmo significado nutricional, pois representa a 
mesma fração de carboidratos dos alimentos. 
Sniffen et al. (1992) classificaram os carboidratos com base no modo 
diferenciado em queos microrganismos, presentes no rúmen-retículo, fazem 
uso desses, ou seja de acordo com a sua taxa de degradação (h-1). Dessa 
forma os carboidratos foram classificados em quatro frações: Fração A - 
apresenta taxas de degradação rápida, são considerados nesse grupo os 
açúcares simples, glicose, sacarose e ácidos orgânicos; Fração B1 - 
carboidratos de degradação intermediária como o amido e pectina; Fração B2 - 
19 
 
conhecida como fibra disponível, são os carboidratos de taxa de degradação 
lenta como a celulose e a hemicelulose e Fração C – denominada como fibra 
indigestível ou não disponível. 
 
2.3 Proteínas 
As proteínas são macromoléculas presentes nas células com funções 
diversas, como componentes estruturais, funções enzimáticas e hormonais e 
armazenamento de informações genéticas. Embora não exerçam função de 
reserva energética como os carboidratos e os lipídeos, as proteínas, pela 
oxidação dos aminoácidos, podem liberar energia, mas isso tem alto preço 
para o produtor e um custo elevado para o organismo e para o meio ambiente. 
Todas as proteínas são constituídas por aminoácidos unidos 
covalentemente em sequências caracterizadas por ligações denominadas 
peptídicas, em que o ácido carboxílico de um aminoácido se liga ao radical 
amina do outro aminoácido. Na natureza podem ser encontrados mais de 200 
aminoácidos, mas destes, apenas 20 são considerados proteicos. 
A proteína é o componente mais caro da ração animal, e a qualidade da 
proteína de um alimento pode ser comparada com a de outro pela composição 
dos aminoácidos, especialmente a proporção dos nove aminoácidos 
essenciais. 
Os aminoácidos são classificados como essenciais (metionina, lisina, 
treonina, triptofano, valina, fenilalanina, leucina, isoleucina e histidina) e não 
essenciais (ácido glutâmico, glutamina, cistina, glicina, serina, alanina, 
aspartato, asparagina) e, considerando a espécie animal, surgem mais duas 
categorias: os exigidos pela espécie animal (Arginina – gatos, aves e peixes; 
taurina – gatos) e os condicionalmente não essenciais. Os aminoácidos 
essenciais não são sintetizados ou são em quantidades muito inferiores às 
necessidades dos animais, enquanto que os aminoácidos não essenciais são 
sintetizados a partir do esqueleto de carbono da glicose ou de outros 
aminoácidos e dos grupos amino de aminoácidos em excesso. 
Considerando a nutrição de ruminantes a proteína bruta dos alimentos 
pode ser classificada em proteína degradável no rúmen (PDR) e proteína não 
degradável no rúmen (PNDR). Dentro deste contexto, Sniffen et al. (1992) 
20 
 
classificaram a proteína dos alimentos em cinco frações, sendo elas: Fração A 
- de rápida fermentação (nitrogênio não proteico – NNP e peptídeos); Fração B 
- representa a proteína potencialmente degradável, sendo dividida em três 
subfrações; Fração B1 - proteína solúvel no rúmen, Fração B2 - proteína 
insolúvel de degradação intermediária e Fração B3 – proteína insolúvel de 
degradação lenta; e Fração C - insolúvel em detergente ácido. 
Dentre os alimentos disponíveis para serem utilizados na alimentação 
animal como fonte de proteína, destacam-se os concentrados: farelo de soja 
com 45 a 48% de proteína bruta (PB); o farelo de algodão com 30% de PB; o 
farelo de girassol com 46% de PB; e dentre os volumosos destacam-se as 
leguminosas, como a alfafa com 21% de PB (Rostango et al., 2011;Valadares 
Filho et al., 2011). 
 
2.4 Lipídeos 
Biologicamente, os lipídeos fazem parte de um grupo de compostos 
quimicamente heterogêneos entre si, e a única característica comum a todos 
eles é a insolubilidade em água e, portanto, são solúveis em solventes 
orgânicos (clorofórmio, benzeno, éter, acetona e octano). 
As funções biológicas dos lipídeos são tão diversas quanto à sua 
química. Gorduras e óleos são as principais formas de armazenamento de 
energia em muitos organismos. Os fosfolipídeos e os esteróis são os 
elementos estruturais mais presentes nas membranas biológicas. Outros 
lipídeos, embora relativamente presentes em pequenas quantidades, têm papel 
importante como cofatores enzimáticos (vitaminas), carreadores de elétrons, 
pigmentos para absorção de energia, agentes emulsificantes no trato digestivo, 
hormônios e mensageiros intracelulares (Lehninger, 2011). 
Em termos energéticos, as gorduras são mais concentradas (9,4 kcal 
EB) que os carboidratos (4,15 kcal EB) e as proteínas (6,65 kcal EB), 
entretanto a densidade energética das gorduras depende do tamanho da 
cadeia carbônica e da presença e do número de duplas ligações na cadeia. 
Os lipídeos podem ser classificados como lipídeos simples, sendo 
aqueles que não possuem ácido graxos na sua molécula, e lipídeos complexos 
os quais apresentam ácido graxos na sua molécula. 
21 
 
Os ácidos graxos geralmente não apresentam cadeia ramificada, e 
quando contêm apenas ligações simples são chamados de saturados 
(gorduras), e com uma ou mais dupla ligação, são chamados de insaturados 
(óleos). Os principais ácidos graxos saturados são o acético (2C), propiônico 
(3C), Butírico (4C), Valérico (5C), Caproico (6C), Caprílico (8C), Cáprico (10C), 
Láurico (12C) Mirístico (14C), Palmítico (16C) e Esteárico (18C); já os 
insaturados são o Caprílico (C8-1), Palmitoleico (C16 -1), Oleico (C18-1) e 
Linoleico (C18-2), Linolênico (C18-3). 
 
a) Lipídeos simples 
Constituem este grupo os terpenos e os esteroides. Os terpenos são 
lipídeos de cadeia longa, sendo componentes de moléculas biologicamente 
ativas tais como os pigmentos da clorofila, carotenoides como beta-caroteno 
(provitamina A), tocoferóis como precursores da vitamina E, ubiquinona 
(coenzima Q), vitamina K e componentes dos óleos essenciais como o da 
laranja (limoneno), das flores (geraniol), do óleo da hortelã (mentol). Os 
esteroides pertencem ao grupo de moléculas derivadas do colesterol, como por 
exemplo, os hormônios esteroides (testosterona e estrógeno) e a vitamina D3 
(colicalciferol). 
 
b) Lipídeos complexos 
São os mais presentes na ração e no corpo dos animais, sendo 
formados por triacilgliceróis, galactolipídeos, fosfolipídeos, glicolipídeos e 
ceras. 
Os triacilgliceróis ou triglicerídeos são ésteres de três ácidos graxos com 
o glicerol (carboidrato), e representam a forma típica de armazenamento de 
energia nos organismos animais e vetais e, portanto, têm maior importância 
nutricional para os animais onívoros como suínos e aves. Os herbívoros como 
coelhos, cavalos e ruminantes ingerem considerável quantidade de 
galactolipídeos vegetais, os quais são formados por um ou dois resíduos de 
galactose esterificados na posição três (Mayes & Botham, 2006). 
Dentre os cereais, a canola apresenta elevada concentração, 60%, do 
ácido graxo oleico (C18:1), também conhecido como ômega 9; e a soja e o 
22 
 
girassol elevada concentração, 52%, de ácido linoleico (C18:2), ou ômega 6 
(Rostango et al., 2011). 
Com relação à concentração de ácidos graxos nas forrageiras, segundo 
Bauchart et al. (1984) gramíneas de clima temperado contêm 1 a 3% de ácidos 
graxos na matéria seca, sendo sua composição, predominantemente, de 
ácidos graxos insaturados (em média, 70 a 90%), com prevalência dos ácidos 
graxos linoleico e α-linolênico. Lopes et al (2011) em compilação dos dados da 
literatura reportaram o perfil de ácidos graxos de forrageiras tropicais com 
destaque para os elevados teores de ácido α-linolênico nas gramíneas do 
gênero Brachiaria e no capim elefante, e as concentrações de ácido linoleico 
na cana de açúcar e na silagem de milho. 
 
2.5 Minerais 
Os minerais podem ser classificados quanto aos seus requerimentos em 
macro e microminerais. Os que são necessários em grandes quantidades 
(quantidades maiores que 100 mg/dL) são denominados macrominerais: Cálcio 
(Ca), Cloro(Cl), Enxofre(S), Fósforo(P), Magnésio(Mg),Potássio(K), e 
Sódio(Na); e os que são exigidos em menores quantidades (quantidades 
inferiores a 100 mg/dL) são os microminerais: Ferro (Fe), Cobre(Cu), 
Cobalto(Co), Iodo(I), Manganês(Mn), Zinco(Zn), Selênio(Se), Molibdênio(Mo) e 
Flúor (F). A falta ou quantidades insuficientes destes resultam em sintomas de 
deficiência de minerais, reduzindo o desempenho, e quantidades em excesso, 
por outro lado, também levam a redução no desempenho pela ocorrência de 
toxidez. 
 
a) Macrominerais 
i) Cálcio (Ca) 
É o elemento mais abundante no organismo animal e, juntamente com o 
fósforo, compreende aproximadamente 70% das “cinzas” do organismo. 
Aproximadamente 99% do cálcio estão contidos nos ossos e dentes. Apresenta 
interação com o P e o Mg, em que, o excesso de ambos interferem na 
absorção de cálcio. O sinal mais evidente de deficiência observa-se na 
estrutura do esqueleto, com raquitismo nos jovens e osteomalácea nos adultos. 
23 
 
Possui ainda interação com a vitamina D, a qual ativa o sistema de absorção 
de cálcio. 
O conteúdo de cálcio na forragem é influenciado pela espécie, porção da 
planta consumida, maturidade, quantidade de Ca trocálvel no solo e clima. As 
forrageiras geralmente são boas fontes de Ca, as leguminosas apresentam 
maior teor de Ca que as gramíneas, e o grão e cereais são pobres em cálcio. 
No entanto, a literatura mostra que o cálcio nas leguminosas é geralmente 
menos disponível que na farinha de carne e ossos ou no fosfato bicálcico. 
Cerca de 20 a 30% do cálcio da alfafa está na forma de oxalato de cálcio e, 
aparentemente indisponível para ruminantes. 
 
ii) Fósforo (P) 
A absorção do P pode ser prejudicada pelo Mg, Al, Fe e Ca, que formam 
precipitados fosfatados no trato gastrintestinal. O P pode ser ingerido pelo 
animal na forma inorgânica como mono, di ou trifosfato, ou na forma orgânica 
como fitatos, fosfolipídeos ou fosfoproteínas. Nos vegetais, o maior percentual 
do fósforo presente encontra-se ligado ao ácido fítico que não é digerido pelos 
animais não ruminantes e, portanto não é aproveitado. A inclusão da enzima 
fitase impacta positivamente a biodisponibilidade do P presente no milho e 
farelo de soja em rações práticas para não ruminantes, porém, em animais 
ruminantes, em virtude da produção de fitase microbiana no rúmen o fitato é 
amplamente utilizado. 
 
iii) Potássio (K) 
Desempenha importante papel na regulação da pressão osmótica dos 
líquidos do organismo e no balanço ácido base. No rúmen, o potássio está 
ligado à manutenção da ação tampão. As forragens contêm entre 1% e 4% de 
K, portanto, são excelentes fontes desse mineral. Em geral, os grãos de 
cereais são deficientes, com menos de 0,5% de K, no entanto, farelos de 
oleaginosas são uma boa fonte. 
 
 
 
24 
 
iv) Magnésio (Mg) 
Cerca de 70% do magnésio encontra-se formando o esqueleto, 
enquanto os 30% restantes estão no interior das células e nos líquidos do 
organismo. Em relação à absorção, apresenta interação com o Ca e P. Em 
geral, os grãos de cereais contêm entre 0,11 e 0,17% de Mg. A concentração 
de Mg nas forrageiras varia com a espécie, teor de Mg do solo, estádio de 
crescimento e condições ambientais. As leguminosas, em geral, possuem 
maior teor de Mg que as gramíneas 
 
v) Sódio (Na) 
É o principal cátion do fluído extracelular, e juntamente com o K 
apresenta papel importante na manutenção do equilíbrio ácido base. Grãos de 
cereais e farelos de oleaginosas fornecem inadequado conteúdo de Na. 
Geralmente, os produtos de origem animal são mais ricos em Na do que 
produtos vegetais. O teor de Na nas forragens varia consideravelmente, mas 
sempre está presente em baixas concentrações e é considerado um elemento 
prejudicial à planta. 
 
vi) Cloro (Cl) 
É o principal ânion do fluído extracelular, desempenhando, através de 
sua combinação com o Na e o K papel importante na regulação do equilíbrio 
ácido base. Por outro lado é importante na digestão dos alimentos no 
estômago, onde é secretado na forma de ácido clorídrico (HCl) pelas células 
principais, garantindo o pH ácido (pH 2). Grãos de cereais e farelos de 
oleaginosas fornecem inadequado conteúdo de Na. O teor de Na nas forragens 
varia consideravelmente, mas sempre está presente em baixas concentrações 
e é considerado um elemento prejudicial à planta. 
 
vii) Enxofre (S) 
O S é encontrado amplamente nos alimentos como um constituinte da 
proteína, no entanto, a deficiência de S no solo pode refletir no seu conteúdo 
na planta, que se relaciona diretamente com o teor de proteína dos alimentos. 
 
25 
 
b) Microminerais 
i) Ferro (Fe) 
O ferro esta presente no sangue, principalmente na hemoglobina, nos 
eritrócitos e na transferrina. Tem interações com a vitamina E e faz parte de 
vários sistemas enzimáticos. Grão de cereais contêm normalmente de 30 a 60 
mg de Fe/kg; farelos de oleaginosas contêm de 100 a 200 mg de Fe/kg. Com 
exceção do leite e seus derivados, os alimentos de origem animal possuem alto 
teor de Fe. Nas plantas forrageiras, o conteúdo de Fe varia de 70 a 500 mg de 
Fe/kg. No Brasil, os teores de Fe nos solos são elevados, proporcionando 
concentração desse mineral nas plantas que atende as exigências dos animais. 
 
ii) Cobre (Cu) 
O cobre está envolvido na absorção e utilização do Ferro. O conteúdo de 
Cu na forragem varia muito, dependendo da espécie da planta e da 
disponibilidade de Cu no solo. As leguminosas apresentam geralmente mais 
Cu do que as gramíneas. 
 
2.6 Vitaminas 
As vitaminas são moléculas orgânicas complexas encontradas 
naturalmente nos alimentos ou na forma de precursores, responsáveis pelo 
controle de muitos processos metabólicos e requeridos em quantidades 
mínimas para a manutenção da saúde, crescimento e reprodução. Na ausência 
de uma ou mais vitaminas sintomas específicos, conhecidos como doenças 
carenciais, podem acometer animais jovens e adultos. 
As vitaminas são classificadas segundo a solubilidade em dois grandes 
grupos: 
a)Vitaminas lipossolúveis, solúveis nos lipídeos e nos solventes 
orgânicos, formado pelas vitaminas A, D, E e K; 
b)Vitaminas hidrossolúveis, solúveis em água, formado pelas vitaminas 
B1, B2, B6, B12 e ácido nicotínico, ácido pantotênico, ácido fólico, biotina, 
colina e ácido ascórbico. 
 
 
26 
 
a) Vitaminas lipossolúveis 
i) Vitamina A 
Nas plantas (frutas e vegetais), pode-se encontrar o caroteno, precursor 
da vitamina A (provitamina A). As funções da vitamina A incluem o 
metabolismo da visão (previne xeroftalmia), pela formação da rodopsina e a 
síntese de mucopolissacarídeos, que atuam no crescimento dos ossos e 
dentes, e no desenvolvimento do tecido epitelial. As fontes de vitamina A nos 
alimentos são o milho, feno de gramíneas e leguminosas e pastagens verdes. 
Os carotenoides, especialmente o beta-caroteno, transformam-se em 
vitamina A no intestino delgado. A eficácia desta conversão, na vaca, é 
relativamente pequena, de forma que, a gordura do leite das raças Jersy e 
Guernsey apresenta três vezes mais caroteno que as vacas da raça 
Holandesa, o que explica a intensa cor amarela do leite destas raças. Por sua 
vez, os bubalinos possuem eficácia na transformação do beta-caroteno em 
vitamina A no intestino, de forma que o leite de búfala apresenta coloração 
branca. 
 
ii) Vitamina D 
A vitamina D é encontrada nas plantas na forma de ergocalciferol 
(vitamina D2). O ergosterol das plantas sob a ação dos raios ultravioleta é 
transformado em ergocalciferol (vitamina D2). As funções da vitamina D 
incluem o controle do metabolismo do cálcio e fósforo, a atuação como 
promotor do crescimento e mineralização dos ossos e dentes. 
 
iii) Vitamina E 
A vitamina E, também chamada de tocoferol, está presente na fração 
lipídica dos vegetais na forma dealfa-tocoferol. A vitamina E atua como 
antioxidante, em que retarda a rancificação, protegendo as células corporais de 
substâncias tóxicas formadas pela oxidação de ácidos graxos insaturados. As 
fontes de vitamina E são as forragens verdes, milho e farelo de soja. 
 
 
 
27 
 
iv) Vitamina K 
A vitamina K ocorre em duas formas naturais, a vitamina K1 presente 
nas plantas verdes, e a vitamina k2 sintetizada pelos microrganismos presentes 
no rúmen e intestino grosso. A vitamina K atua na coagulação sanguínea, em 
que a mesma é indispensável à produção de protrombina, que junto com o 
cálcio são transformados em trombina, que adicionado ao fibrinogênio, produz 
a fibrina (coágulo). As rações são, normalmente, ricas em vitamina K, como 
também a pastagem verde, o feno,o milho e o farelo de soja. 
 
b) Vitaminas Hidrossolúveis 
i) Tiamina 
A tiamina (vitamina B1) é ingerida no alimento e também disponível na 
forma livre, na forma de tiamina pirofosfato (TPP) e como complexo de proteína 
fosfato. 
 
ii) Niacina 
A niacina encontra-se na forma de ácido nicotínico e nicotinamida, 
estando o ácido nicotínico presente nas plantas e a nicotinamida no corpo do 
animal. A niacina é constituinte do NAD e NADP. 
 
iii) Vitamina B6 (piridoxina, piridoxal e piridoxamina) 
A vitamina B6 encontra-se na forma de piridoxina, piridoxal e 
piridoxamina. A forma predominante nas plantas é a piridoxina e as 
predominantes nos animais são o piridoxal e piridoxina. A vitamina B6 atua no 
metabolismo dos aminoácidos, envolvendo os processos de transaminação e 
descarboxilação. 
 
iv) Ácido fólico 
O ácido fólico é encontrado em folhas de plantas verdes (espinafre) e é 
uma vitamina essencial para o crescimento, reprodução, prevenção de 
desordens sanguíneas, e entre outros. Atua na formação do heme (proteína 
contendo ferro na hemoglbina) e na síntese de aminoácidos não essenciais. 
 
28 
 
CAPÍTULO 3 
 
 
TÉCNICAS PARA ANÁLISE DE ALIMENTOS PARA NUTRIÇÃO ANIMAL 
 
1. Introdução 
A análise de alimentos é um dos principais pontos a serem observados 
no setor de nutrição animal. O objetivo principal da análise é conhecer a 
composição química do alimento, sua ação no organismo, seu valor alimentício 
e calórico, suas propriedades físicas, toxicológicas e também adulterantes, 
contaminações, fraudes, etc (Silva e Queiroz, 2002). 
Desta forma serão abordadas as principais técnicas de análise de 
alimentos empregadas, desde a obtenção e preparo da amostra até os ensaios 
de digestibilidade nos laboratórios de nutrição e alimentação animal. 
 
2. Obtenção de amostras 
Para a realização de uma análise é necessária à obtenção de amostra 
representativa do material a ser analisado; assim, a amostragem de alimentos 
tem por finalidade a obtenção de uma fração (amostra) química e fisicamente 
representativa do material a ser avaliado, e que tenha tamanho apropriado 
para o trabalho no laboratório (Silva e Queiroz, 2002). 
O método de amostragem deve ser realizado em função do material e do 
ambiente de amostragem, tornando-se, portanto, essencial o cuidado na coleta 
destas amostras. A quantidade de amostra tomada para a realização da 
análise é relativamente pequena em comparação com a amostra total, de 
forma que, a amostragem deve compreender de 10 a 20% do número de 
embalagens ou de 5 a 10% do peso total do alimento a ser analisado (Cecchi, 
2003). 
 
2.1 Amostragem de pasto 
A pastagem constitui um ambiente muito complexo, devendo ser 
coletado o material representativo do consumido pelo animal. No caso de 
sistemas de pastejo intermitente, a amostragem deve ser feita com cortes em 
29 
 
vários pontos do pasto simulando a altura de saída dos animais. Para sistemas 
de pastejo contínuo as amostras devem ser obtidas por simulação manual do 
pastejo (pastejo simulado), buscando-se obter porções da planta similares 
àquelas ingeridas pelos animais. Deve-se evitar amostrar próximo de estrada 
ou cochos de sal mineral por conta de eventuais contaminações. 
 
2.2 Amostragem de silagens e fenos 
No caso das silagens, deve-se fazer a amostragem em todo o perfil do 
silo devido à heterogeneidade causada por diversos fatores (compactação, 
tempo de enchimento, respiração, umidade). Deve-se evitar a tomada de 
amostras nas proximidades das paredes e do chão, pois são locais propícios à 
degradação da silagem devido à presença de oxigênio e/ou acúmulo de 
umidade. No caso de feno a campo (medas ou montes), deve-se desprezar a 
camada exposta ao ar e retirar do fardo uma camada de 8-15 cm de 
espessura, em vários pontos. 
 
2.3 Amostragem de grãos e farelos em sacarias 
A coleta da amostra deve ser realizada utilizando-se calador simples, 
introduzindo-o na diagonal, procurando chegar o mais fundo possível. Com 
relação ao número de sacos a amostrar recomenda-se na prática amostrar 
10% dos sacos, respeitando a premesse de que em lotes constituídos de 10 
sacos coletar amostra em todos. 
 
2.4 Amostragem de grãos e farelos a granel 
As amostras devem ser colhidas usando-se caladores de parede dupla. 
É necessário que a amostra seja coletada ao acaso, em lugares diferentes. As 
amostras devem ser coletadas em todo o perfil vertical devido à estratificação 
ocorrida durante o transporte do produto. Deve-se evitar amostrar menos de 50 
cm da borda do caminhão, pois os grãos localizados na parte superior e lateral 
do caminhão ou vagão podem ter sofrido influência de ventos, chuva ou sol. 
 
Depois de colhidas, as amostras deverão ser colocadas em sacos 
plásticos, lacradas, identificadas e transportadas imediatamente ao laboratório, 
30 
 
a fim de não alterar a umidade do material durante o transporte e evitar 
ocorrência de fermentação. O ideal seria analisar as amostras frescas o mais 
rápido possível. Mas nem sempre isto é possível e, nesses casos, deve-se 
preservá-las até o momento do processamento e/ou análise (Cecchi, 2003). 
Quando as análises não forem processadas imediatamente, é necessário que 
as amostras sejam conservadas em congelador entre -5 e -10ºC para evitar 
alterações na composição do alimento. 
 
3. Processamento físico da amostra 
 O processamento físico da amostra constituí a adequação da amostra 
para análise, sem alteração ou com a mínima alteração possível, evitando-se 
promover a perda de sua representatividade. Esse processo geralmente 
envolve secagem e moagem. 
Se a massa de amostra é muito grande para a análise, esta deve ser 
reduzida. A redução (quarteamento) poderá ser feita manualmente ou por meio 
de equipamentos (amostrados tipo Jones, tipo Riffle, Tipo Boener). 
 
3.1 Redução do teor de umidade em estufa com circulação forçada de ar 
Materiais que contenham teor de umidade acima de 15%, como silagens 
e amostras de pasto, devem ser submetidos a uma secagem parcial, ou pré-
secagem, para facilitar o processamento mecânico (moagem) e permitir seu 
armazenamento até a realização das análises. 
A secagem parcial é realizada em estufa com circulação forçada de ar e 
temperatura de 60±5ºC, por 72 horas (AOAC, 1995), para evitar perda de 
compostos voláteis e alterações químicas permitindo a análise dos seus 
componentes posteriormente. Após a secagem, a amostra deve entrar em 
equilíbrio com a temperatura ambiente, com a finalidade de minimizar 
alterações da umidade que podem ocorrer durante o processo de moagem e 
de armazenamento. 
Contudo, alimentos que contêm altos valores de umidade, e que sofrem 
aquecimento acima de 60ºC, sofrem modificações induzidas pela reação de 
Maillard, reações não enzimáticas entre os carboidratos solúveis e grupos 
aminas dos aminoácidos, resultando em compostos denominados produtos da 
31 
 
reação de Maillard, que têm como principal consequência a diminuição do valor 
nutritivodas proteínas afetando as características da parede celular. 
Os compostos de Maillard são mensurados junto com a lignina, quando 
esta é determinada pelo método da lignina em detergente ácido (Van Soest, 
1994), gerando dados errôneos acerca da composição química do alimento e 
influenciando negativamente no balanceamento da dieta pelo sistema CNCPS. 
 
3.2 Redução do tamanho de partículas 
A redução do tamanho de partículas é necessária para padronização da 
superfície específica do alimento, promovendo, assim, melhor homogeneização 
para uma futura sub-amostragem ou suprindo as exigências de métodos 
específicos. 
Para análise quantitativa do alimento, este deve ter seu tamanho de 
partícula reduzido após a secagem, pois a moagem de amostras úmidas pode 
causar perdas do material e mudanças químicas. Essa redução ocorre por 
desintegração mecânica, procedendo à moagem em moinho de facas ou 
similar. Sugere-se peneiras com porosidade de 5 mm para avaliação in situ de 
alimentos para ruminantes e de 1 mm para as análises quantitativas. 
 
4. Métodos de análises de alimentos 
A partir do estabelecimento dos pressupostos para avaliação quantitativa 
de alimentos na Estação Experimental de Weende no século XIX, quatro 
grupos de compostos químicos foram adotados como análises laboratoriais 
usuais para alimentos: cinzas ou matéria mineral (MM), proteína bruta (PB), 
gordura bruta ou extrato etéreo (EE) e fibra bruta (FB). 
Contudo, a avaliação quantitativa de um alimento deve se basear na 
pressuposição de que sua composição centesimal é inteiramente conhecida. 
Portanto, a união dos compostos químicos definidas acima em uma avaliação 
quantitativa de alimento somente pode ser realizada se, e somente se, sua 
soma produza a composição total do alimento. Isto obviamente não é 
verificado. A partir disso, um quinto grupo químico foi estabelecido, o qual 
deveria compreender todas as características químicas que não fossem 
contempladas nos demais grupos. Este novo grupo de compostos químicos 
32 
 
seria estimado como: ENN=100-(MM+PB+EE+FB), em que ENN é o extrativo 
não nitrogenado (todos os temos são expressos como percentual da matéria 
seca (MS)). 
De um ponto de vista teórico, o ENN deveria compreender todos os 
compostos não nitrogenados, não gordurosos e não fibrosos do alimento e 
deveria apresentar alta digestibilidade (pois conteria amido, açúcares, etc.). 
Adicionalmente, como o ENN é calculado por diferença, a soma dos cinco 
grupos de compostos químicos resultaria no alimento total (100%), fazendo 
com que a suposição básica para avaliação quantitativa fosse suprida. 
Ao contrário do ENN, a FB deveria representar ou mensurar o material 
indigestível dos alimentos, notoriamente para animais não ruminantes. O 
conceito analítico FB foi baseado em características químicas da digestão 
(extração em ácido simulando a digestão estomacal, seguida por extração em 
base, simulando o intestino) (Detmann, 2010). No entanto, a extração ácido-
base causa a solubilização de hemicelullose e de lignina solúvel (Van Soest, 
1994). Portanto, a FB é teoricamente formada por celulose, lignina insolúvel e 
por resíduos de hemicelulose. Assim, grande parte da hemicelulose e da 
lignina seria incluída no ENN. A partir disso, o ENN, o qual deveria representar 
a fração facilmente digerível dos carboidratos, passa a apresentar 
digestibilidade baixa e altamente variável entre alimentos (Detmann, 2010). 
Este aspecto, em conjunto com a subestimação dos compostos fibrosos, 
constitui a principal limitação funcional para utilização da FB e do ENN na 
nutrição de ruminantes. 
A partir do desenvolvimento do conceito analítico de fibra insolúvel em 
detergente neutro (FDN) por P.J. Van Soest na década de 1960, novas 
perspectivas foram geradas para a avaliação quantitativa de alimentos e dietas 
para animais ruminantes. A FDN representa uma aproximação química da fibra 
insolúvel em meio aquoso (como o rúmen) e corresponde à porção do alimento 
que efetivamente causa efeito de enchimento no rúmen ou em outros 
segmentos do trato gastrintestinal (Detmann, 2010). A FDN é formada 
basicamente por celulose, hemicelulose e lignina e sua utilização elimina 
grande parte das distorções causadas pela solubilização de compostos fibrosos 
durante a análise por intermédio do conceito de FB. 
33 
 
A substituição da FB pela FDN representa uma opção lógica na nutrição 
de animais ruminantes, pois confere entendimento nutricional mais correto e 
amplo de alimentos e dietas. 
Assim, inicialmente, o novo grupo de compostos calculado “por 
diferença” foi denominado de carboidratos não estruturais (CNE) (Sniffen et.al., 
1992). Contudo, uma inconsistência teórica foi observada com esta 
nomenclatura, pois a pectina (um composto fibroso solúvel com papel estrutural 
na planta) seria classificada como não estrutural. Posteriormente, essa 
nomenclatura foi alterada para carboidratos não fibrosos (CNF) (Mertens, 
1997). Neste contexto, o novo grupo de compostos químicos seria estimado 
como: CNF=100-(MM+PB+EE+FDN), sendo todos os termos expressos como 
base da MS. 
 
4.1 Avaliação do teor de umidade 
O teor de umidade residual de uma amostra manejada em laboratório 
representa a umidade remanescente em um alimento úmido após sua 
desidratação prévia em estufas de ventilação forçada, ou a umidade total de 
alimentos com baixo teor de umidade, como grãos e farelos. Essa umidade é 
rotineiramente denominada de “amostra seca em estufa” (ASE). 
Os teores de ASE de alimentos são normalmente obtidos no Brasil por 
intermédio da secagem em estufas isentas de ventilação forçada sob 
temperatura de 105ª por 16 horas. O teor de ASE é utilizado para correta 
expressão dos teores obtidos com base na matéria seca (MS) da amostra. 
Contudo, por constituir denominador comum a todos os demais procedimentos 
laboratoriais, erros cometidos na quantificação dos teores de ASE tornam-se 
vícios ou erros sistemáticos em todas as demais avaliações, propagando-se, 
desta forma, ao entendimento global de todas as características do alimento 
(Mertens, 2003). 
 
4.2 Avaliação das cinzas ou matéria mineral 
A matéria mineral (MM) é constituída pelo resíduo inorgânico obtido 
após a queima da matéria orgânica a qual é convertida em CO2, H2O e NO2 e 
34 
 
eliminada em conjunto com as substâncias voláteis decompostas pelo calor 
(Harbers, 1998). 
O método consiste basicamente na incineração do alimento em altas 
temperaturas (normalmente de 500 a 600ºC) por 3 a 4 horas, ou tempo 
suficiente para que ocorra combustão total da matéria orgânica (Silva e 
Queiroz, 2002). 
Sendo a matéria seca total do alimento formada pelas frações orgânica e 
inorgânica, o teor de MM em alimentos constitui estimador indireto do conteúdo 
de componentes orgânicos totais. Adicionalmente, o conhecimento do teor de 
MM se faz necessário para se conhecer a proporção dos componentes 
quantificados por diferença em alimentos, como o extrativo não nitrogenado e 
os carboidratos não fibrosos. 
 
4.3 Avaliação do nitrogênio total (proteína bruta) pelo método de Kjeldahl 
O termo proteína bruta (PB) envolve grande grupo de substâncias com 
algumas semelhanças químicas, porém com funções bioquímicas e fisiológicas 
diferentes. O nitrogênio é o elemento de propriedades mais distintas presente 
nas proteínas. O teor de nitrogênio não provém somente das proteínas, mas 
também de outros componentes como ácidos nucleicos, aminas, aminoácidos 
não proteicos, etc (Gomes e Oliveira, 2011). 
Assim, baseado no fato de as proteínas terem percentual de nitrogênio 
(16%) aproximadamente constante, pode-se proceder à sua avaliação indireta 
por intermédio da concentração de nitrogênio no material e utilizando-se fatores 
de conversão para a expressão do resultado em termos de equivalentes 
proteicos (Silvae Queiroz, 2002). Ou seja, o teor de nitrogênio obtido é 
multiplicado pelo fator 6,25 para obtenção do teor de proteína bruta. 
O método mais utilizado no Brasil foi proposto por Kjeldahl na Dinamarca 
em 1883, quando estudava proteína em grãos. Este apresenta três etapas 
distintas: digestão, destilação e titulação. 
 
4.4 Avaliação da gordura bruta ou do extrato etéreo 
O termo extrato etéreo (EE) envolve grande grupo de substâncias 
insolúveis em água, mas solúveis em solventes orgânicos, denominados 
35 
 
extratores (éter etílico, éter de petróleo, clorofórmio, benzeno). O conhecimento 
do teor de EE é relevante na análise de alimentos, pois constitui a fração de 
maior energia dos alimentos, fornecendo, em média 2,25 vezes mais energia 
que os carboidratos (Silva e Queiroz, 2002). 
O resíduo obtido é, na verdade, uma fração heterogênea, constituída, 
além dos lipídeos (galactolipídeos e triglecerídeos), por todos os demais 
compostos apolares que possam ser extraídos pelo solvente, como: 
fosfatídeos, esteróis, pigmentos, vitaminas lipossolúveis, ceras, etc. Por isso o 
resíduo extraído é corretamente denominado de gordura bruta em função da 
divergência entre o conceito analítico e o conceito bioquímico de lipídeos 
(Silva, et al., 2011). 
O método de Goldfish utilizado para a quantificação de EE apresenta 
três etapas distintas: extração, remoção e pesagem. O método de Randall ou 
de submersão, também utilizado para avaliação do teor de EE, constitui 
método previamente aplicado para alimentos à base de carne; no entanto esse 
pode ser usado nos laboratórios de análises de alimentos para quantificação do 
teor de EE em rações, grãos e forragens. O Método difere do Goldfish na etapa 
de extração com o solvente orgânico, pois este deve estar em quantidade 
suficiente para que ocorra a submersão do cartucho, aumentado a taxa de 
extração do EE. O método de submersão diminui consideravelmente o tempo 
de extração necessário para concluir a análise. 
 
4.5 Avaliação da fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) e da fibra 
insolúvel em detergente ácido (FDA) 
Em termos teóricos, os métodos laboratoriais para análise de fibra em 
alimentos deveriam ser desenvolvidos para se ajustarem a um conceito 
nutricional e não o contrário. Contudo, torna-se praticamente impossível que 
algum método baseado em mensurações laboratoriais químicas ou enzimáticas 
possa reproduzir todos os efeitos nutricionais da fibra no trato digestivo do 
animal (Mertens, 2003). Assim, embora a fibra da dieta devesse ser definida 
por conceitos nutricionais (e não analíticos), esta constitui na prática uma 
mensuração empírica que é definida pelo método de análise em si. 
36 
 
Os métodos de análise denominados fibra insolúvel em detergente 
neutro (FDN) e fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) foram originalmente 
desenvolvidos por P.J. Van Soest na década de 1960. Esse método se baseia 
na separação por meio de detergente neutro o conteúdo celular (formado 
principalmente de proteínas, gorduras, carboidratos solúveis, pectina e outros 
constituintes solúveis em água) da parede celular, chamada de FDN que é 
constituída de celulose, hemicelulose e lignina. Já o uso do detergente ácido 
solubiliza o conteúdo celular, a hemicelulose e os minerais solúveis, além da 
maior parte da proteína insolúvel, obtendo assim um resíduo insolúvel em 
detergente ácido, denominado de fibra em detergente ácido (FDA), constituído 
de celulose e lignina. 
O método para determinação da FDN e FDA descritos, em que o 
processo de aquecimento é realizado em aquecedores tem sido substituído 
pelo uso do autoclave e de analisadores de Fibra Ankom®, o que permite a 
análise de um número de amostras maior por tempo. 
 
4.6 Avaliação da lignina e celulose 
Existem diferentes métodos empregados na avaliação da lignina, porém 
nenhum atende plenamente à expectativa nutricional, relacionando o teor de 
lignina ao processo digestivo do animal. Há divergências significativas nos 
resultados obtidos em laboratórios para todos os métodos aplicados. 
Dentre os métodos, cita-se o da lignina insolúvel em ácido sulfúrico com 
extração prévia com detergente ácido (método da hidrólise ácida), adotado 
como padrão por alguns sistemas nutricionais (ex. NRC, 2001), o método de 
oxidação por permanganato de potássio, que constituí na avaliação 
gravimétrica do teor de lignina (Van Soest e Robertson, 1985), e o método da 
lignina Klason. 
Como rotina em diferentes laboratórios de bromatologia utiliza-se o 
método de permanganato de potássio, o qual é realizado sequencialmente a 
análise de FDA. De forma sequencial, também, pode-se analisar a celulose, 
submetendo o resíduo da análise da lignina em permanganato para o forno 
mufla, a 500ºC por 3 horas. No entanto, quando realizada análises sequencial 
37 
 
incorre a soma dos erros associados às análises químicas realizadas 
anteriormente. 
 
4.7 Avaliação da energia bruta 
Para a avaliação do valor energético dos alimentos faz-se necessária a 
realização de ensaios de digestibilidade, onde, após o fornecimento das dietas 
experimentais são coletadas as fezes e urina e/ ou excretas. As dietas e o 
material coletado são analisados em bomba calorimétrica, fornecendo o valor 
de energia bruta (EB). 
A energia bruta refere-se a quantidade de calor liberado (kcal/kg ou 
kcal/g) de determinada amostra, quando está é completamente oxidada em 
meio rico em oxigênio (25 a 30 atm de oxigênio), por meio do uso da bomba 
calorimétrica. No entanto, os nutrientes de um alimento têm diferentes 
capacidades de produção de energia quando completamente oxidados. 
Apesar da energia bruta pode ser medida de forma relativamente 
simples, a variabilidade na digestibilidade e metabolismo entre alimentos exclui 
o seu uso na formulação de ração de ruminantes. Dentre as fontes de variação 
estão o animal, o alimento e os fatores dietéticos. Além disso, a grande 
demanda por energia pelos ruminantes de alta produção requer uma 
determinação mais acurada da energia disponível dos alimentos para o animal. 
 
4.8 Método de refletância no infravermelho proximal (NIRS) 
O equipamento NIRS (Near Infra Red Spectrometry), ou seja, aparelho 
de Refletância no Infravermelho Próximo, é um procedimento rápido de análise 
que não envolve reagentes químicos e destruição da amostra. O 
funcionamento do NIRS baseia-se na absorção de energia monocromática 
infravermelha, por ligações químicas dos grupos funcionais dos nutrientes. O 
espectro obtido é relacionado com uma amostragem padrão, mediante a 
utilização de equações de predição pré-estabelecidas. São necessárias no 
mínimo 60 amostras de cada alimento para elaborar as equações de calibração 
do aparelho. 
O uso do NIRS para estimar o conteúdo de aminoácido total dos 
alimentos é uma ferramenta importante para a indústria de rações, pois é 
38 
 
rápida e de baixo custo, tornando a formulação mais precisa que em termos de 
conteúdo de aminoácido total. 
É importante que o banco de dados seja representativo da variedade de 
alimentos utilizados na nutrição animal, não limitando sua aplicação a um grupo 
pequeno de ingredientes. 
 
5. Avaliações biológicas 
Outra forma de avaliação de alimentos é a biológica, a qual não visa 
avaliar a composição química do alimento, mas principalmente a sua 
digestibilidade. 
A digestibilidade aparente de um alimento é considerada a proporção do 
ingerido que não foi excretada nas fezes, não considerando a matéria 
metabólica fecal, representada principalmente pelas secreções endógenas, 
contaminação por microrganismos e descamações do epitélio. Quando se 
desconta a perda de matéria fecal metabólica, obtém-se a digestibilidade 
verdadeira dos alimentos. 
Existem três diferentes métodos utilizados na experimentação animal 
para a determinaçãoou estimativa da digestibilidade, sendo eles os métodos in 
vivo, in situ e in vitro. 
O método in vivo é o qual se obtém o controle do total de alimento 
ingerido e do total de fezes produzidas, e por meio da diferença entre 
consumido e excretado se obtém a digestibilidade aparente do alimento. Esse 
método é considerado o mais confiável, no entanto, apresenta o inconveniente 
de requerer maior número de animais, controle rigoroso da quantidade ingerida 
e excretada, e instalações adequadas. Para isso os animais devem 
permanecer estabulados individualmente ou em gaiolas metabólicas que 
permitem a coleta de amostras de fezes e urina separadamente e o consumo 
individual. É comum o uso de bolsas coletoras de fezes em animais em baias 
ou até mesmo mantidos em gaiolas, para evitar a contaminação das fezes pela 
urina, o que leva a alteração no teor de nitrogênio da amostra. Neste ensaio 
muitas vezes o uso de machos facilita o procedimento experimental pela maior 
facilidade de separação das fezes e urina. 
39 
 
Em algumas situações, com animais sob condições de pastejo ou 
quando não se possuem instalações adequadas, o controle efetivo do 
consumido e/ou excretado pelos animais não é possível. Nesses casos, torna-
se necessário o uso de ferramentas que possibilitem estimar alguns 
parâmetros com o uso de marcadores (indicadores). 
Os marcadores são substâncias indigestíveis, normalmente de fácil 
determinação, podendo ser administrada com o alimento ou diretamente em 
algum segmento do trato digestivo, sendo posteriormente identificados e 
quantificados nas fezes. Dentre as características ideais de um indicador, 
pode-se enfatizar a capacidade deste ser completamente recuperado nas 
fezes, ou em qualquer segmento do trato gastrintestinal, ser inerte, não tóxico, 
não ter função fisiológicas, entre outras. 
Os marcadores são classificados em internos, representados por 
substâncias indigestíveis, presentes naturalmente em algum componente no 
alimento, como a MS, FDN e FDA, denominados de matéria seca idigestível-
MSi, fibra em detergente neutro indigestível-FDNi, e fibra em detergente ácido 
indigestível-FDAi; e os marcadores externos, quando adicionados 
intencionalmente à dieta ou fornecido via oral ou ruminal, como o óxido crômico 
(Cr3O3), titânio e LIPE. O óxido crômico é o indicador externo mais utilizado 
para quantificação de excreção fecal de bovinos em confinamento ou a pasto. 
Tal peculiaridade se deve ao fato do óxido crômico ser facilmente adicionado à 
dieta, ser facilmente analisado e apresentar baixo custo. 
A técnica da degradabilidade in situ propicia uma estimativa rápida e 
simples da degradação dos nutrientes no rúmen, além de permitir o 
acompanhamento da degradação ao longo do tempo. O método foi criado por 
Mehrez e Orskov em 1977 e baseia-se no desparecimento da amostra de 
alimento acondicionada em sacos de náilon e incubados no rúmen por 
diferentes períodos de tempo. 
O método apresenta como vantagem o fato do processo de degradação 
ocorrer em condições reais do rúmen, de rápida e fácil execução. No entanto, 
apresenta alguns entraves como a necessidade de animais fistulados no 
rúmen, os sacos no rúmen devem apresentar livre movimentação, o ambiente 
ruminal deve estar adaptado aos ingredientes a serem avaliados, e a 
40 
 
contaminação do resíduo obtido devido à colonização das partículas pelos 
microrganismos ruminais, que é possivelmente uma das maiores fontes de erro 
da técnica. 
Os métodos in vitro, teoricamente, devem ser capazes de representar o 
processo de digestão que ocorre no rúmen, abomaso ou intestino, para estimar 
quantitativamente a taxa e o grau de digestão similar aos obtidos in vivo. A 
metodologia discrita por Tilly e Terry (1963) ainda é a mais utilizada para a 
predição da digestibilidade in vitro, simulando a digestão ruminal por 48 horas, 
seguida por digestão com pepsina e ácido fraco (pH 2) por 48 h. A técnica 
exige um animal doador de líquido ruminal, normalmente fistulado, que será 
utilizado em laboratório para incubação das amostras. 
Outra possibilidade para estudos in vitro que envolvem a taxa de 
extensão da degradação dos alimentos é a técnica da produção de gás, 
estimando a digestibilidade do alimento por correlação entre a produção 
microbiana de gás e a matéria orgânica fermentada. Os sistemas aplicados à 
determinação da produção de gás fazem uso da incubação in vitro de 
amostras, mensurando o gás produzido com a utilização de seringas (por meio 
do deslocamento do êmbolo), por meio do aparato de vasos comunicantes, ou 
sensores com leitura computadorizada, o que permite a medição contínua e 
melhor acompanhamento do perfil de degradação por intermédio dos dados de 
taxa e extensão de fermentação. 
Entre os fatores que podem influenciar os resultados estão o baixo peso 
das amostras, variações causadas pela variabilidade do inoculo ruminal, a 
variação entre alimentos, e outros fatores como temperatura, pressão 
atmosférica, pH da amostra e conteúdo de ácidos orgânicos no alimento.

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