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MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS DE IMPORTÂNCIA EM ALIMENTOS Profa. Cleide A. Ferreira de Rezende INTRODUÇÃO Vários agentes causadores de doenças no homem podem ser transmitidos pelos alimentos: Produtos químicos (metais pesados, pesticidas etc.) Toxinas naturais de plantas e de animais (alcalóides, histaminas etc..) Vírus (hepatite, poliovírus etc..) Parasitas (amebas, helmintos etc..) Bactérias patogênicas. Fungos toxigênicos. ORIGEM DOS MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS PRESENTES NOS ALIMENTOS Podem ser: Endógenos: Já estão presente dentro das estruturas dos alimentos. Podem provocar zoonoses, enfermidades animais e vegetais transmitidas ou não ao homem. Exógenos: Se incorporam ao alimento durante sua manipulação e processamento. Podem ser agentes patogênicos ou saprófitos. GENERALIDADES As contaminações alimentares ocorrem devido à presença de microrganismos que se proliferam em quantidades que se tornam prejudiciais à saúde do homem. Esses microrganismos estão em todas as partes: No nosso corpo (nariz, boca, mãos etc.) No ar, Nos utensílios de cozinha (talheres, pratos e vasilhas) Nos equipamentos (liquidificador, batedeiras etc... TOXINFECÇÕES ALIMENTARES TRANSMITIDAS POR BACTÉRIA TOXINFECÇÕES ALIMENTARES TRANSMITIDAS POR BACTÉRIA As toxinfecções alimentares causadas por bactérias são mais comuns, e ocorrem geralmente entre 1 e 36 horas após o consumo de alimentos contaminados. Os sintomas duram entre 1 e 7 dias e compreendem principalmente náusea, vômito, dores abdominais e diarréia. A toxinfecção ocorre por ignorância ou negligência das pessoas que manipulam e preparam alimentos. PONTOS QUE DEVEM SER LEMBRADOS SOBRE TOXINFECÇÕES ALIMENTARES • As carnes que causam toxinfecção podem ter aparências, sabor, textura e aroma normais. • As bactérias que causam intoxicação estão em toda parte. • A principal razão para a toxinfecção é o armazenamento de carnes à temperatura ambiente. • Tendo as condições apropriadas de calor, tempo, alimento e umidade, as bactérias patogênicas (que causam as doenças) multiplicam-se rapidamente. CAUSAS DAS TOXINFECÇÕES ALIMENTARES • Carnes armazenadas em temperaturas superiores a 4 ºC. • Manipuladores infectados. • Uso incorreto e descuido com os restos de alimentos. • Falta de higiene de equipamentos e ambientes. • Contaminação cruzada entre alimentos crus e cozidos durante as fases de preparação e armazenamento. • Consumo de carnes mal cozidas. • Reaquecimento de carnes em baixas temperaturas. PARA QUE OCORRA UMA TOXINFECÇÃO ALIMENTAR, É NECESSÁRIO QUE OCORRA UMA SEQÜÊNCIA DE ACONTECIMENTOS: bactérias patogênicas + alimentos de alto risco (carnes e derivados, aves, peixe, leite e derivados, maionese, ovos, arroz cozido) + tempo e calor ↓ permitem a multiplicação das bactérias patogênicas ↓ o alimento contaminado é consumido ↓ OCORRE A TOXINFECÇÃO ALIMENTAR Intoxicações Infecções Intoxicações Veneno químico Enterotoxigênica Invasiva Esporulação Crescimento e lise Outros tecidos sistêmica mucosa intestinal tecidos animais tóxicos intoxicações microbiana tecidos vegetais tóxicos toxinas de algas micotoxinas toxinas Bacterianas enterotoxinas neurotoxinas interfere no metabolismo hidrocarbonetos músculo fígado Doenças / alimentos INTOXICAÇÕES E INFECÇÕES DE ORIGEM BACTERIANA Intoxicações Estafilocócica: enterotoxina causa por Staphylococcus aureus Botulismo: neurotoxina produzida por Clostridium botulinum Infecções Salmonelose: endotoxina por Salmonella Doença causada por Clostridium perfringes: enterotoxina liberada durante a esporulação Gastrenterite por Bacillus cereus: exoenterotoxina liberada durante sua lise no trato intestinal Infecção por Escherichia coli enteropagênica: vários sorotipos, algumas invasivas e outras entoxigênicas Outras: Yersinia, Shigelose, Vibrio parahaemolyticus Clostridium botulinum BOTULISMO O botulismo é uma intoxicação específica, e não uma infecção, resultante da ingestão e absorção pela mucosa digestiva de toxinas pré-formadas do Clostridium botulinum, Uma das formas mais graves de intoxicação alimentar que pode matar se não tratada a tempo. Psiu!! Você vem comigo Forma de intoxicação alimentar, causada por uma neurotoxina produzida pela bactéria C.botulinum, presente no solo e em alimentos contaminados e mal conservados. A intoxicação se caracteriza por um comprometimento severo do sistema nervoso. BOTULISMO ALIMENTOS DE RISCO Os enlatados ou embalados a vácuo são os mais vulneráveis ao Clostridium botulinum, pois a bactéria só se desenvolve em ambientes sem oxigênio. A INTOXICAÇÃO 10 - O alimento é contaminado ainda no solo, por esporos ultra- resistentes. Quando em conserva, o microrganismo se modifica e começa a produzir a toxina. Latas inchadas, que parecem cheias de ar, podem indicar a presença da bactéria. 20 Quando o alimento é ingerido, a toxina é absorvida pelo aparelho digestivo e entra na corrente sangüínea. 30 A toxina atinge o sistema nervoso, interferindo na sinapse (comunicação) entre as células nervosas. Sem esta comunicação vital, as funções do organismo começam a ficar debillitadas. 40 Como o sistema nervoso deixa de sinalizar a necessidade de contração muscular, a paralisia dos músculos é freqüente entre os que estão sob efeito da toxina. SINTOMAS Os sintomas da intoxicação pela toxina botulínica normalmente aparecem entre doze e trinta horas depois da ingestão do alimento contaminado. Alguns deles: • aversão à luz • Visão dupla com dilatação da pupila • disfonia, dificuldade para articular palavras • vômitos e secura na boca e garganta • disfagia, dificuldade para engolir • paralisia respiratória que pode levar à morte • constipação intestinal • retenção de urina • debilidade motora TRATAMENTO Consiste na manutenção das funções vitais e uso de soro antibotulínico. O soro impede que a toxina circulante no sangue se instale no sistema nervoso. A recuperação da doença é lenta, pois a toxina já instalada entre as células nervosas é destruída pelo sistema de defesa do corpo. Não há remédios ou soro que eliminem a toxina. Disseminação: animais sadios portadores assintomáticos, solo e poeira. Alimentos envolvidos: em geral alimentos de baixa e média acidez (não ácidos) conservas caseiras alimentos embalados à vácuo enlatados consumidos sem cozimento O botulismo se classifica em botulismo infantil quando a bactéria é ingerida e esta produz a toxina causando toxinfecção e morte súbita em recém nascidos; e botulismo alimentar quando o alimento carrega a toxina, causando intoxicação no indivíduo. O mel é uma fonte potencial de transmissão do botulismo, principalmente pela deficiência de fiscalização nas propriedades produtoras do mel in natura e também pela susceptibilidade do imunodeprimido e do neonato em seu primeiro ano de vida. A criança durante os primeiros anos da vida ainda está adquirindo a imunidade necessária para protegê-la de microrganismos patogênicos como o Clostridium botulinum. Outro grupo de risco são os imunodeprimidos, estes por possuir as barreiras imunológicas deficientes, apresentam uma maior susceptibilidade CLOSTRIDIUM BOTULINUM, Características fisiológicas: Bacilosgram-positivos, anaeróbios, formadores de esporos (os esporos são extremamente resistentes, podendo sobreviver por longos períodos nos mais diversos ambientes, proliferando em carcaças ou material vegetal em decomposição), Temperatura ótima: 30 a 37º C pH: 4,5 a 8,0 Produtores de gás (fermentam carboidrato) Toxina botulínica • 8 Tipos de toxinas botulínicas • A, B, E, F e G: patogênicas para o homem • C1, C2, D: patogênicas para os animais • Toxinas termolábeis inativadas a 100ºC por 15 minutos Produção de toxina botulínica • Condições ideais • Anaerobiose • pH alcalino ou próximo do neutro (4,8 a 8,5) • Atividade de água de 0,95 a 0,97 • Temperatura ótima de 37ºC Habitat: solo, água (sedimentos de lagos e oceanos), no trato gastrointestinal dos animais alimentos( peixe, rações) sedimentos de oceanos e lagos CONTROLE Tratamento térmico adequado dos alimentos, assegurando a destruição total dos esporos Uso de métodos químicos e físicos (redução de Aa, acidificação) que inibem totalmente o desenvolvimento da bactéria Staphylococcus aureus Gênero Staphylococcus Cocos Gram-positivos; Existem mais de 30 espécies; Comensais da pele e membranas mucosas; PATÔGENO OPORTUNISTA – infecções piogênicas; Podem causar doenças nos homens e nos animais. É capaz de produzir enterotoxinas termorresistentes que causam uma doença no homem, denominada intoxicação estafilocócica Habitat Cavidade nasal Pele de pessoas e animais normais DI50 = A quantidade necessária para desencadear a intoxicação 1 micrograma corresponde à quantidade encontrada no alimento quando a contaminação por Staphylococcus aureus atinge 100.000 células por grama Intoxicação estafilocócica Ingestão de alimentos contendo enterotoxinas produzidas por cepas enterotoxigênicas de S. aureus. Há sete tipos de enterotoxinas que Staphylococcus aureus é capaz de produzir. ESTAFILOCOCOS Exemplos de alimentos contaminados por enterotoxina estafilocócica: queijos, bolo recheado, refeição pronta, frango e embutidos, leite e derivados, massas e maionese caseira. SINAIS E SINTOMAS diarréia; náuseas; dor abdominal; vômito que, por vezes, ocorrem algumas horas depois da ingestão do alimento contaminado; dificuldade em respirar; febre; dor de cabeça; tonturas; visão distorcida; fraqueza e eventual paralisia; boca seca. SINAIS E SINTOMAS Idosos; Bebês e Crianças; Pessoas com doenças crônicas: a Diabetes, SIDA, ou Câncer (especialmente quimioterapia) reduzem a resposta do sistema imunitário. GRUPOS DE RISCO CONDUTA: • Repouso; • Ingestão de grande quantidade de líquidos; • Não usar antidiarréicos; • Procurar um médico. A intoxicação normalmente desaparece por si sem serem necessários mais tratamentos. Infecções Alimentares de Origem Bacteriana Infecções Salmonelose: endotoxina por Salmonella Doença causada por Clostridium perfringes: enterotoxina liberada durante a esporulação Gastrenterite por Bacillus cereus: exoenterotoxina liberada durante sua lise no trato intestinal Infecção por Escherichia coli enteropagênica: vários sorotipos, algumas invasivas e outras entoxigênicas Outras: Yersinia, Shigelose, Vibrio parahaemolyticus Salmonella Características fisiológicas bastonetes Gram – móveis anaeróbios facultativos temperatura ótima: 35 a 37°C (5 a 45°C) pH ótimo: 6,5 a 7,5 (4,5 a 9,0) resistência térmica: baixa, 60°C/ 5 min espécies mais conhecidas: S. typhi e S. paratyphi A, B, C Habitat: trato intestinal do homem e animais Os animais são o maior reservatório de Salmonella, sendo que alguns sorotipos infectam frangos, perus, patos, roedores, gatos, cachorros e tartarugas. FIGURA: Ciclo de infecção de Salmonella typhimurium em frangos. [1] Ovos altamente contaminados que não eclodem; [2] ovos moderadamente contaminados que eclodem [4] mas os frangos não sobrevivem; [3] ovos bem pouco contaminados que eclodem [5] sobrevivem, crescem e continuam a excretar Samonella. http://www.icb.ufmg.br/biq/prodap/projetos/colicinas/ colicina6.html Ciclo de infecção de Salmonella typhimurium em frangos Disseminação: • Aves e seus produtos derivados, crus ou inadequadamente cozidos, são os responsáveis pela metade de todos os casos de salmonelose. Ovos e carnes infectadas, são mais freqüentemente causadores de infecções por mal acondicionamento. • carnes preparadas, • derivados do leite • produtos de panificação • saladas diversas Sintomas: febre (38 a 39°C) diarréia mucosa, ocasionalmente com sangue dores abdominais, náuseas, vômitos. Período de incubação: 12 a 36h após a ingestão do alimento contaminado Duração: 2 a 5 dias Dose infectante: 105 a 106 UFC/g Salmoneloses Tratamento Geralmente são autolimitadas, não necessitando de tratamento com antibióticos. Todavia em crianças e idosos a perda de líquidos e eletrólitos provoca desidratação, acidose e até morte. Medidas de controle das Salmoneloses Destino apropriado para o esgoto, Pasteurização do leite, Manutenção de suprimento de água não poluídos, Exclusão de portadores crônicos das funções de manipuladores de alimentos. Shigella Características fisiológicas bastonetes Gram – Não-móveis anaeróbios facultativos temperatura ótima: mínimo 6-7ºC e no máximo de 45-47ºC Sobrevive melhor em baixas temperaturas (temperaturas abaixo de 0º e temperatura de refrigeração), embora possa sobreviver a temperaturas de 63ºC durante 2 a 3 minutos. Sobrevive na manteiga mais de 100 dias (4ºC-20ºC), no solo e queijo durante aproximadamente 50 dias. não formadores de esporos. pH ótimo: Mínimo 4,8 – 5,0 (em concentrações de NaCl entre 3,8 e 5,2%), Máximo 9,3 na presença de 5,2% de NaCl Há várias espécies que podem causar disenteria, como S.dysenteriae (sintomas mais graves), S.flexneri, S.boydii e S.sonnei (menos grave). Ao contrário de outros patógenos intestinais, as Shigella são altamente invasivas. As Shigella produzem a shiga-toxina que destroem os ribossomos das células humanas, impedindo a síntese protéica e matando a célula. Elas são endocitadas pelas células M da mucosa intestinal, invadindo a submucosa, sendo depois fagocitadas por macrófagos. São resistentes à fagocitose, e induzem a apoptose (morte) do macrófago. Então produzem proteínas extra-celulares especificas, as invasinas, que lhes permitem acoplar e invadir os enterócitos, onde se multiplicam até destruirem as células. Shigelose localiza-se no íleo terminal e cólon com invasão e destruição da camada epitelial da mucos Reação inflamatória fezes com leucócitos, muco e sangue. Raramente invade a corrente sangüínea. Shigella MANIFESTAÇÕES CLINICAS. o Período de incubação: 1 a 4 dias. o Sintomas: o Dor abdominal intensa, o Febre, o Diarréia aquosa (atribuída a exotoxina) o Após 1 a 2 dias quando a infecção afeta o “Íleo e o “Cólon” o Aumento do numero de evacuações, o Fezes menos liquidas, o Fezes com muco, sangue e pús. MANIFESTAÇÕES CLINICAS o Em mais da metade dos casos em adultos, a febre ediarréia desaparece espontaneamente em 2 a 5 dias. o Todavia em crianças e idosos a perda de líquidos e eletrólitos provoca desidratação, acidose e até morte. MEDIDAS DE CONTROLE. São transmitidas por alimentos contaminados, Água, Fezes e Contato Pessoal. Necessidade de controle sanitários (esgoto, pasteurização do leite, tratamento da água). Isolamento de pacientes com desinteria bacilar até que suas coprocultura tornem negativas. Esterilização das fezes dos pacientes. Detecção de casos subclínicos e de portadores (de curta duração) , sobretudo dos indivíduos que manipulam os alimentos. Escherichia coli Escherichia coli é um dos microrganismo tido como habitante natural da flora microbiana do trato intestinal de humanos e da maioria dos animais de sangue quente, sendo portanto, normalmente encontrado nas fezes destes animais. Muitas cepas de Escherichia coli não são patogênicas. São classificados como: bastonetes retos, Gram negativos, não formadores de esporos, possuem motilidade através de flagelos ou são imóveis. São anaeróbios facultativos e utilizam D-glicose e outros carboidratos com a formação de ácido e gás. São oxidase negativa, catalase positiva, vermelho de metil positivo, Voges-Proskauer negativo e geralmente citrato negativo. São negativos para H2S, hidrólise de uréia e lipase Existem basicamente quatro diferentes grupos de Escherichia coli que tem sido relacionados com surtos de infecção alimentar, sendo classificados de acordo com: Propriedades de virulência; Sorotipos O:H; Interações com a mucosa intestinal; Síndrome clínica; Epidemiologia; E. coli enteropatogênica clássica (EPEC). E. coli enterotoxigênica (ETEC) E. coli enteroinvasiva (EIEC) E. coli enterohemorragica (EHEC) As espécies são classificadas por sorotipagem, usando anticorpos, especialmente contra antígenos "O" somático e "H" flagelar, de várias cepas ( Reed, l994 ). E. coli enteropatogênica clássica (EPEC) É conhecida como um importante microrganismo de gastrenterite em crianças, principalmente em países sub-desenvolvidos. Sintomas: A diarréia é, geralmente acompanhada de dores abdominais, vômitos e febre. A duração da doença varia de 06 horas a 03 dias, com período de incubação de 17 a 72 horas. E. coli enterotoxigênica (ETEC) Sintomas: Se caracteriza por diarréia aquosa, normalmente acompanhada de febre baixa, dores abdominais e náuseas. Período de incubação: 08 a 44 horas. Em indivíduos desnutridos, a gastrenterite pode durar semanas, levando a um quadro de desidratação grave. Nos casos leves (diarréia do viajante) é autolimitada, sem tratamento médico. E. coli enteroinvasiva (EIEC) Sintomas: Disenteria, cólicas abdominais, febre e mal estar geral. Fezes com eliminação de sangue, pus e muco. Período de incubação: Varia de 08 a 24 horas. Acomete crianças maiores e adultos. É transmitida através da água e/ou alimentos contaminados ou contato pessoal. E. coli enterohemorragica (EHEC) O quarto grupo de E. coli é o das enterohemorrágicas. Entre os grupos patogênicos de E. coli, este é provavelmente o mais importante em termos de infecções alimentares, e o principal sorotipo envolvido é o O157:H7. Bovinos, principalmente animais jovens como bezerros e novilhos, tem sido identificados como reservatórios naturais de Escherichia coli O157:H7. O microrganismo foi isolado, em várias ocasiões, das fezes de bezerros e novilhos. Estudos sobre a inativação térmica de E. coli O157:H7 em carne moída revelaram que o microrganismo não apresenta intensa resistência ao calor. Além disso, no caso de leite o processo de pasteurização é capaz de inativar E. coli O157:H7. O microrganismo pode sobreviver bem em carne moída congelada durante estocagem à –20°C. Não há grandes alterações na população de E. coli O157:H7 em carne moída congelada à – 80°C e mantida à –20°C por mais de 9 meses. Sintomas: Colite hemorrágica Dores abdominais intensas e diarréia aguda, com sangue e ausência de febre. Período de incubação: 03 a 09 dias. A duração da doença varia de 02 a 09 dias Yersinia enterocolitica. Gastrenterite por Yersinia enterocolitica Modo de transmissão - transmissão fecal-oral através da água e alimentos contaminados, ou por contato com pessoas ou animais infectados. A Y. enterocolitica tem sido isolada de uma grande variedade de alimentos, mais comumente de produtos a base de carne suína. Devido a sua capacidade de se multiplicar sob condições de refrigeração e microaerofilia, aumenta-se o risco de adquirir a infecção quando carnes armazenadas em embalagens plásticas à vácuo são consumidas mal cozidas. Gastrenterite por Yersinia enterocolitica Transmissão hospitalar tem sido relatada, assim como, transmissão transfusional devido a sangue de doadores assintomáticos ou que tiveram gastroenterite leve. Período de incubação - provavelmente 3 a 7 dias; geralmente menos que 10 dias. Gastrenterite por Yersinia enterocolitica Sintomas: Febre, fezes as vezes sanguinolentas, diarréia e dores abdominais Náuseas e vômitos são freqüentes. Infecções extra-intestinais podem ocorrer, com septicemia, artrite, endocardite etc.. Vibrio cholerae Gastrenterite por Vibrio cholerae Descrição da doença - doença infecciosa intestinal aguda, de transmissão predominantemente hídrica, que se caracteriza, em sua forma mais evidente, por diarréia aquosa súbita, profusa e sem dor, vômitos ocasionais, desidratação rápida, acidose e colapso circulatório. O vibrião colérico produz enterotoxina que parece ser totalmente responsável pela perda maciça de líquidos. O V. cholerae, ao penetrar no intestino delgado, em quantidade suficiente para produzir infecção, inicia processo de multiplicação bacteriana, elaborando a enterotoxina que induz a secreção intestinal, associada à secreção de AMP-cíclico intestinal. Gastrenterite por Vibrio cholerae Agente etiológico e toxina - o Vibrio cholerae, ao exame microscópico de esfregaços corados pelo método de Gram é um bacilo Gram negativo e se apresenta na forma de bastonete encurvado. É um bacilo móvel. Pertence ao gênero Vibrio e à família Vibrionaceae. Pode ser classificado em 2 biotipos: o clássico e El Tor. Dependendo da constituição antigênica o Vibrio cholerae O1 pode ser dividido em 3 sorotipos. Cepas toxigênicas destes microrganismos elaboram a mesma enterotoxina, de tal forma que o quadro clínico é semelhante. Em uma epidemia tende a predominar um tipo particular. Toxina colérica: A enterotoxina colérica é a causa principal da diarréia maciça causada pelo V.cholerae. A patogênese da cólera está intimamente associada à produção e ação desta toxina sobre as células epiteliais do intestino delgado. Os bacilos penetram no organismo humano por via oral e, após ultrapassarem a barreira gástrica, colonizam o intestino delgado produzindo a toxina colérica, seu principal fator de virulência. Cada molécula da toxina colérica é constituída de cinco subunidades B e uma subunidade A. A subunidade B é responsável pela ligação da toxina a um receptor da célula intestinal e a subunidade A é a parte enzimaticamente ativa que atua sobre as células da mucosa intestinal provocando desequilíbrio hidroeletrolítico, resultando na secreçãoabundante de líquido isotônico. Gastrenterite por Vibrio cholerae Sintomas: Diarréias moderada ou intensa. Nos casos severos, o doente pode perder até 01 litro por hora, levando a uma desidratação, colapso circulatório e a morte caso não seja tratado. Período de incubação: Varia de 06 horas a 05 dias. Terapia indicada é a reposição de fluidos: oral ou endovenosa. Modo de transmissão - o Vibrio cholerae eliminado pela fezes e vômitos de pessoas infectadas, sintomáticas ou não, pode transmitir-se a outras pessoas de 2 modos: transmissão indireta - via mais freqüente e responsável pelas epidemias. A ocorrência de casos é devida à ingestão de água ou de alimentos contaminados. transmissão direta - menos freqüente, potencialmente pode ocorrer em ambiente domiciliar ou institucional, através das mãos contaminadas (do próprio infectado ou de alguém responsável por sua higiene pessoal ou de sanitários), levadas à boca. Gastrenterite por Vibrio parahaemolyticus Sintomas: O consumo de peixes, crustáceos e moluscos contaminados, geralmente provoca gastrenterite branda, com duração de 02 a 03 dias. Apresenta diarréia, cãibras abdominais, náusea, vômitos, dor de cabeça, febre baixa e calafrios. Nos casos severos, fezes com muco e sangue, levando a hospitalização com uso de antibióticos e reidratação (tetraciclina) Período de incubação: Varia de 04 a 96 horas. Campylobacter Gastrenterite por Campylobacter São bactérias com a forma de vírgula agrupadas no gênero Campylobacter que compreende 14 espécies, das quais, umas sete ou oito produzem doenças no homem. É um microrganismo microaerófilo. São móveis, têm grande capacidade de adesão às células, poder de invasão e produzem toxinas. As duas espécies mais encontradas no homem são o Campylobacter jejuni, com 50 sorotipos, e o Campylobacter fetus. Estão entre as causas mais comuns de diarréia em todo o mundo, sendo em alguns lugares mais encontradas do que as Shigellas e as Salmonellas juntas. Predominam nos meses chuvosos nos países tropicais. As maiores vítimas são as crianças abaixo dos dois anos de idade. Gastrenterite por Campylobacter Constituem uma zoonose (transmitidas ao homem pelos animais). Os pássaros, tanto os silvestres como os domésticos, os hamsters, os cães, os gatos, as aves aquáticas, os perus, os frangos, os porcos, os carneiros, as cabras e o gado são reservatórios comuns do Campylobacter. Sintomas: Causa uma infecção entérica com vômitos, dor abdominal aguda e diarréia explosiva. Transmissão: Podem ser transmitidas através dos mesmos alimentos que estão as Salmonelas ou Yersinia (carne crua do porco ou do pássaro, leite cru).