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Fortaleza – CE
2011
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães  Francisco das Chagas Medeiros
Paulla Vasconcelos Valente  Luciano Silveira Pinheiro
ginecologia
baseada em problemas
Ficha Técnica
Organizadores
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Paulla Vasconcelos Valente
Luciano Silveira Pinheiro
Francisco das Chagas Medeiros
Coordenação editorial
Antônio Miguel Furtado Leitão
Revisão ortográfica
Antônio Edson de Alencar Libório
Ana Luisa Nunes Timbó Castro
Editoração eletrônica
Sheila Peixoto dos Santos Furtado
Coordenação de design
Jônatas Barros – John
Capa e projeto gráfico
Juscelino Guilherme
Catalogação na fonte
Tusnelda Maria Barbosa Coutinho - CRB-3 nº 423 /79
Impressão:
GRÁFICA E EDITORA LCR
Tel. 85 3272.7844 | Fax. 85 3272.6069
Rua Israel Bezerra, 633 | Dionísio Torres | Fortaleza | CE
atendimento01@graficalcr.com.br | www.graficalcr.com.br
G492 Ginecologia baseada em problemas. Organizada por Maria
 de Lourdes Caltabiano Magalhães et.all. Fortaleza:
 Fortaleza: Faculdade Christus, 2011.
 470p.
ISBN 978-85-99562-15-4
1. Ginecologia
2. Ginecologia - Problemas
 I. Título
 II. MAGALHÂES, Maria de Lourdes Caltabiano – Org.
 III. MEDEIROS, Francisco das Chagas – Org.
 IV. PINHEIRO, Luciano Silveira – Org.
 V. VALENTE, Paulla Vasconcelos – Org.
 VI. LEITÃO, Antônio Miguel Furtado – Coord.
 
 
 CDD 618.1
AgrAdecimentos
Uma das grandes preocupações da Instituição Christus tem sido, ao longo do tempo, manter 
elevado nível no que tange à instrução e educação dos seus alunos. Com a publicação de atuali-
zado livro-texto de Ginecologia, a responsabilidade dos autores de capítulos, dos organizadores e 
do editor se tornou muito grande, por constituir tarefa nada fácil de ser cumprida. Não obstante os 
óbices inerentes a esse procedimento e que foram pouco a pouco superados, inclusive com a ativa 
participação dos alunos, o livro chegou ao lumen. 
Este livro-texto Ginecologia Baseada em Problemas, resultante da experiência pedagógica, 
clínica e cirúrgica de docentes da Faculdade Christus, curso de Medicina, certamente deve apresen-
tar falhas despropositadas e que deverão ser sanadas nas edições vindouras.
Agradecemos à direção dessa Instituição e à Gráfica LCR, por terem tornado realidade os 
sonhos e os objetivos dos participantes da elaboração de mais um livro-texto que fará parte da 
literatura ginecológica brasileira.
Organizadores 
dedicAtóriA
Como estudantes e profissionais, dedicamos esse livro aos nossos pais, pelo incentivo cons-
tante ao crescimento pessoal e profissional e aos nossos esposos, esposas, filhos e filhas, pelo cari-
nho e pela compreensão nos momentos de privação do convívio e do lazer.
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Paulla Vasconcelos Valente
Luciano Silveira Pinheiro
Francisco das Chagas Medeiros
Autores
ÂNGELA CLOTILDE RIBEIRO FALANGA E LIMA
Graduada em Medicina. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASCO. Título 
de Habilitação em Ultrassonografia na área de ginecologia e obstetrícia conferido pela FEBRASGO 
e Colégio Brasileiro de Radiologia. Mestre em Tocoginecologia pela Faculdade de Medicina da Uni-
versidade Federal do Ceará. Professora do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
ANTÔNIO MIGUEL FURTADO LEITÃO
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Especialista em Anatomia pela Univer-
sidade Federal do Ceará. Atualmente, Coordenador Adjunto do Curso de Medicina da Faculdade 
Christus, Coordenador Pedagógico do Colégio Christus e Professor de Anatomia da Universidade 
Estadual do Ceará.
ANTÔNIO RIBEIRO DA SILVA FILHO
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Mestre em Anatomia pela Escola Pau-
lista de Medicina. Doutor em Anatomia pela Escola Paulista de Medicina. Professor Titular pelo De-
partamento de Morfologia da Universidade Federal do Ceará. Coordenador do Curso de Medicina 
da Faculdade Christus.
DIRLENE MAFALDA IDELFONSO DA SILVEIRA
Graduada em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba. Especialização em Saúde Pública pela 
Fundação Oswaldo Cruz Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. Mestrado em Saúde Pública pela 
Universidade Federal do Ceará. Residência Médica pela Maternidade Escola Assis Chateaubriand 
UFC e Aperfeiçoamento em Introduccion en Salud Publica para El Area Perinat pelo Centro Latino 
Americano de Perinatologia Y Desarrolo Humano. Atualmente é Estatutária da Secretaria de Saúde 
do Estado do Ceará, Autônoma da Clínica São Marcos Assistência Integral em Saúde Ltda, Colabo-
radora da Fundação Instituto Cearense de Saúde Reprodutiva, Professora do Curso de Medicina da 
Faculdade Christus e Professora da Faculdade Integrada do Ceará.
FRANCISCO DAS CHAGAS MEDEIROS
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Mestre em Farmacologia pela Univer-
sidade Federal do Ceará. Doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente 
é Chefe do Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade 
Federal do Ceará e Professor do Curso de Medicina da Faculdade Christus. Tem experiência na área 
de Medicina, com ênfase em Reprodução Humana, atuando principalmente nos seguintes temas: 
Endometriose, Infertilidade, Histeroscopia, Ginecologia e Educação Médica. 
FRANCISCO EDSON XIMENES GOMES PEREIRA
Graduado em Medicina. Especialista em Ginecologia. Preceptor do estágio de Cirurgia Ginecoló-
gico da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. Staff do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do 
Hospital Geral César Cals. Plantonista de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Distrital Governador 
Gonzaga Mota José Walter. Preceptor, Professor e Coordenador do Módulo de Ginecologia e Obs-
tetrícia do Internato do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
HELENA MARIA BARBOSA CARVALHO
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Atualmente é Coordenadora de Me-
dicina Legal da Perícia Forense do Estado do Ceará, Professora da Faculdade de Medicina Christus 
e Médica Pediatra, com atuação em Clínica Particular. Tem experiência na área de Medicina Legal 
e Pediatria, com ênfase em Neonatologia e Puericultura, atuando principalmente nos seguintes 
temas: recém-nascido, nutrição infantil, pacientes cirúrgicos, suporte nutricional e saúde perinatal. 
É mestre em “Saúde da Criança e do Adolescente” e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de 
Saúde Pública da USP.
JOÃO MARCOS DE MENESES E SILVA
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Residência Médica em Ginecologia e 
Obstetrícia pelo Hospital Regional da Asa Sul – Brasília-DF e Hospital Geral de Fortaleza-CE. Mestre 
em Saúde Coletiva pela UFC. Doutor em Cirurgia pela Universidade Federal do Ceará. Especialista 
em Biotecnologia em Saúde, HZI-Alemanha e Células-Tronco – Instituto Valenciano de Infertilida-
de – IVI-Espanha. Chefe do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Geral do Exército de 
Fortaleza – HGeF. Professor do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
JOSÉ DE ARIMATÉA BARRETO
Graduado em Medicina. Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia na Maternidade-Escola 
Assis Chateaubriand da Universidade Federal do Ceará. Título de Especialista em Ginecologia e 
Obstetrícia pela FEBRASGO E AMB. Mestre em Tocoginecologia pela Universidade Federal do Ce-
ará. Médico do Serviço de Medicina Materno-fetal da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand da 
Universidade Federal do Ceará e Professor do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
JOSÉ NIVON DA SILVA
Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba. Especialista em Pediatria e Infectologia Pe-
diátrica pela Universidade Federal do Ceará. Mestre em Patologia pela Universidade Federal do Ceará e 
Professor do Cursode Medicina da Faculdade Christus.
LÍGIA HELENA FERREIRA E SILVA
Graduada em Medicina pela Universidade de Catanduva-SP. Residência Médica em Ginecologia 
e Obstetrícia pelo Hospital Regional da Asa Norte – Brasília-DF e Hospital Geral de Fortaleza-CE. 
Especialista em Biotecnologia em Saúde, HZI-Alemanha. Especialista em Ultrassonografia Geral. 
Professora do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
LUCIANO SILVEIRA PINHEIRO
Graduado em Medicina. Mestre e Doutor pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Univer-
sidade de São Paulo. Professor Titular de Ginecologia e Obstetrícia na Faculdade de Medicina da 
Universidade Federal do Ceará. Coordenador do Módulo Concepção e Formação do Ser Humano 
no Curso de Medicina da Faculdade Christus.
MANOEL CLÁUDIO AZEVEDO PATROCINIO
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (1992), Residência Médica pelo Hospi-
tal Geral de Fortaleza (1995), Mestre em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará (1997) 
e Doutor em Farmacologia pela Universidade Federal do Ceará (2004). Atualmente é Professor do 
Curso de Medicina da Faculdade Christus, Anestesiologista do Instituto Dr. José Frota e Anestesio-
logista da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand. Tem experiência na área de Medicina.
MARIA DE LOURDES CALTABIANO MAGALHÃES
Médica Ginecologista e Obstetra – TEGO. Mestre pelo Departamento de Obstetrícia da Escola Pau-
lista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo - Fellow of the International Federation 
of Pediatric and Adolescent Gynecology–FIGIJ. Docente da Faculdade Christus Curso de Medicina. 
Pós-Graduada pelo “Consejo Superior de la Universidad de Buenos Aires”, “Sociedad Argentina 
de Ginecologia Infanto Juvenil”, Argentina. Especialista em Violência Doméstica contra Crianças e 
Adolescência – LACRI – Universidade de São Paulo. Especialista em Educação Sexual – Sociedade 
Brasileira de Sexualidade Humana.
MARIA DO LIVRAMENTO LEITÃO VILAR
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Especialista em Saúde Pública (FIO-
CRUZ/RJ), Clínica Médica (UFC) e Dermatologia (SBD). Mestre em Clínica Médica (UFC). Doutora em 
Medicina e Saúde Humana (Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública). Professora e Coordena-
dora do módulo horizontal de Comunicação, Habilidades e Atitudes (CHA) do Curso de Medicina 
da Faculdade Christus.
MARIA JOSÉ ARAÚJO GOMES CERQUEIRA
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Residência em Clínica Médica pela 
Universidade Federal do Ceará. Experiência em nefrologia clínica, diálise e transplante, tendo sido 
aprovada em concurso público federal na UFC na área de Nefrologia, Residência em Endocrinoloi-
ga pela UFC. Mestre em Clínica Médica (área de concentração: Endocrinologia) pela Universidade 
Federal do Ceará e Professora do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
MIGUEL NASSER HISSA
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especialista em Endocrinolo-
gia. Mestre em Medicina e Doutor em Cirurgia pela Universidade Federal do Ceará. Professor Asso-
ciado de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da UFC. Chefe do Serviço de Endocrinologia e 
Diabetes do Hospital Universitário Walter Cantídio – UFC. Coordenador do Centro de pesquisas em 
Diabetes e Doenças Endocrino-metabólicas da UFC. Fellow do Colegio Americano de Endocrinolo-
gista Clínico. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Diabetes e Professor do 
Curso de Medicina da Faculdade Christus.
OLGA VALE OLIVEIRA MACHADO
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (1982), Mestre em Patologia pela Uni-
versidade Federal do Ceará (1996). Atualmente é gestora dos sinais – Secretaria Estadual da Saúde 
atuando principalmente nos seguintes temas: infecção, perfurocortantes, antibióticos, nosocomial 
e bacilos gram negativos, AIDS e tuberculose. Professora e Coordenadora do Centro de Pesquisa e 
Monitoria do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
PAULLA VASCONCELOS VALENTE
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Especialista em Ginecologia e Obste-
trícia (TEGO). Especialista em Mastologia (TEMA). Mestre em Tocoginecologia pela Universidade 
Federal do Ceará e Docente do Curso de Medicina da Faculdade Christus.
RANDAL POMPEU PONTE
Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Especialização em Anatomia Humana 
pela Universidade Federal do Ceará. Especialização em Gestão de Organizações e Sistemas de Saúde 
pela Fundação Getúlio Vargas – RJ. Especialização em Ultrassonografia Geral pela Universidade Fede-
ral do Ceará. Residência Médica pela Universidade Federal do Ceará (1994). Atualmente é Professor 
do Curso de Medicina da Faculdade Christus e Médico do Hospital Distrital Dr. Fernandes Távora.
SHEILA MÁRCIA DE ARAÚJO FONTENELE
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Residência e Mestrado em Reumatolo-
gia pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. Doutora em Ciências da 
Saúde pela Fiocruz. Médica assistente em Reumatologia e Coordenadora da Unidade de Pesquisa 
Clínica do Hospital Geral César Cals. Professora dos Cursos de Medicina da Universidade Estadual 
do Ceará e Faculdade Christus.
TEREZA DE JESUS PINHEIRO GOMES BANDEIRA
Graduada em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Mestre em Saúde Pública pela Univer-
sidade Federal do Ceará. Especialista em Patologia Clínica pela Sociedade Brasileira de Patologia 
Clínica. Atualmente é Diretora Médica Regional (Ceará) do LabPasteur - Diagnósticos da América 
SA e Consultora Técnica e Presidente da CCIH do Hospital de Messejana da Secretaria Estadual de 
Saúde. Professora do Curso de Medicina da Faculdade Christus e Assessora Científica da Associação 
Cearense de Estudos para o Controle de Infecções Hospitalares - ACECIH.
coAutores
Acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade Christus
Ádila Mitzi Oliveira Costa
Adriana Paiva Marques Lima
Adriano Saboia de Andrade
Aline Chaves Freire
Aline Moreira do Vale Mota
Aline Tereza Carneiro Montenegro
Alysson Sales Melo
Ana Cecília de Sousa Silva
Ana Mônica Pinto Moreira
André Luis Nunes Albano de Meneses
André Pinho Sampaio
Andréa Edwirges Pinheiro de Menezes Barreto
Ane Larissa Barreto Martins
Antônio Enéas Vieira Filho
Antônio Pierre Aguiar Júnior
Augusto Saboia Neto
Camilla Viana Goes Arrais
Camylla Felipe Silva
Carla Franco Costa Lima
Caroline Franco Machado
Chiári Teixeira de Mendonça
Dandara Costa Santos
Danilo Santos Guerreiro
Daphinis Diana Brito Cavalcante
Denise Neiva Santos de Aquino
Diego de Queiroz Tavares Ferreira
Diego Lima Vasconcelos
Eulália Diógenes Almeida
Fernanda Luna Neri Benevides 
Fernando Sérgio Mendes Carneiro Filho
Francisco Nilson Fernandes Cardoso Filho
Gabriela Nasser Louvrier
Gabriella Girão Campos de Barros
Germana Barros Oliveira de Freitas Albuquerque
Germana Bastos Pontes
Giovana Araújo Borges
Guilherme Alencar de Medeiros
Guilherme de Holanda Cota
Helena Nogueira Brasil
Igor Siqueira Cavalcante
Ítalo Mendonça Lima
João Henrique Pinheiro de Menezes Barreto
Juliana Costa Alencar
Karolinne Saraiva de Araújo
Larissa Vasconcelos Bastos
Larissa Xavier Santiago da Silva
Leonardo Pereira Cabral
Leonardo Rodrigues de Morais
Lia Maria Bastos Peixoto Leitão
Lia Pontes de Melo
Liana Capelo Costa
Liana Ferreira Alencar Silva
Livia Cintra Medina
Lívia de Freitas Gurgel Alves
Livia Mara Almeida Silveira
Luana Pontes Vasconcelos Lima
Lucas Lima de Albuquerque
Luiz Gustavo Lucena Augusto Lima
Marcella Costa Maia Nogueira
Marcelo Labanca Delgado Perdigão
Maria Thereza da Frota Quinderé
Mariana Rodrigues Landim
Marta Gabriela Silvestre Coelho Carvalho
Nathália Fernandes Rebouças
Patrícia de Freitas França
Paula Neves Pimentel Gomes
Paula Soares de Mattos Carneiro
Paulla Sátiro Timbó
Priscila Lopes Studart da Fonseca
Priscila Luna da Silva
Rafaela Benevides Rodrigues
Raíssa Quezado da Nóbrega
Rálison Yure SoaresMelo
Raoni Carlos Madeiro
Raquel Fernandes Garcia
Rebeca Dourado Porto Figueiredo
Rebeca Mendes de Paula Pessoa
Rebeca Santiago Duarte
Renata Cavalcante Lima
Roberta Vieira da Nóbrega
Rodrigo Carvalho Barroso
Rodrigo Francisco Magalhães Barbosa
Rodrigo Randal Pompeu Sidrim
Rômulo Cesar Costa Barbosa Filho
Samantha Cavalcante de Brito
Sanna Roque Pinheiro
Sara Lourinho Firmino
Sara Menezes Pinheiro
Sarah Portella Costa
Suelen Rios de Melo
Tayná de Lima Freire
Thâmia Martins Marques
Thays Mendes da Silva
Thiago Emannoel Nogueira Ramos
Tiago Toscano Cavalcante
Yuri Oliveira Machado
ApresentAção
Ginecologia Baseada em Problemas é um livro diferente. Temos certeza que será extrema-
mente útil a todos os ginecologistas como um livro objetivo de consultas rápidas como também a 
todos os acadêmicos de medicina na sua formação e nos seus concursos. 
Ele nasceu de um sonho, o de proporcionar uma oportunidade aos alunos de participar de 
uma obra que terá grande repercussão dentro da Ginecologia. Como uma gravidez, foi desejado, 
planejado e construído, passo a passo, com muito carinho. 
Aborda de maneira prática os principais temas da ginecologia, priorizando o raciocínio clíni-
co, sem, no entanto, abrir mão do conhecimento teórico e dando ênfase ao diagnóstico e à prope-
dêutica. Funda-se na experiência de seus autores, com suas especialidades e resulta em uma obra 
de alta qualidade acadêmica e de um guia teórico prático assistencial. Este livro traz ao alcance 
informações sérias, disseminando ao maior número possível de pessoas o conhecimento aprendido 
e sistematizado em vários anos de trabalho dedicado. 
Para nós, profissionais, foi um processo de aprendizagem constante e crescimento contínuo 
escrever com os acadêmicos além de muito gratificante vê-los comprometidos com essa impor-
tante tarefa. 
Agradecemos a todos os colegas que compartilharam do nosso sonho e o tornaram possível. 
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães 
Paulla Vasconcelos Valente 
sumário
Agradecimento ...................................................................................................................................................................3
Dedicatória ............................................................................................................................................................................5
Autores ....................................................................................................................................................................................7
Coautores ............................................................................................................................................................................11
Apresentação .....................................................................................................................................................................13
Prefácio ................................................................................................................................................................................21
CAPÍTULO 1
ANATOMIA APLICADA AO EXAME GINECOLÓGICO .........................................................................................23
Antônio Miguel Furtado Leitão, Antônio Ribeiro da Silva Filho, José de Arimatea Barreto, Tayná de Lima Freire
CAPÍTULO 2
SEMIOLOGIA GINECOLÓGICA ...................................................................................................................................35
Francisco das Chagas Medeiros, Rálison Yure Soares Melo
CAPÍTULO 3
FARMACOLOGIA PARA GINECOLOGIA APLICADA À PRÁTICA GINECOLÓGICA .................................... 45
Manoel Cláudio Azevedo Patrocínio, Paulla Sátiro Timbó, Thiago Emannoel Nogueira Ramos
CAPÍTULO 4
CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E O EIXO NEUROENDÓCRINO ....................................................... 57
João Marcos de Meneses e Silva, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Luana Pontes Vasconcelos Lima, 
Sara Lourinho Firmino
CAPÍTULO 5
ENDOCRINOLOGIA DO CICLO MENSTRUAL .........................................................................................................63
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Liana Capelo Costa, Luiz Gustavo 
Lucena Augusto Lima 
CAPÍTULO 6
A FLORA VAGINAL NORMAL NAS DIVERSAS FASES DA VIDA ......................................................................69
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Giovana Araújo Borges
CAPÍTULO 7
A IMPORTÂNCIA DA CITOLOGIA ONCÓTICA E SUA INTERPRETAÇÃO COLPOSCÓPICA ..................... 73
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, André Luis Nunes Albano de Meneses, 
Carla Franco Costa Lima 
CAPÍTULO 8
COALESCÊNCIA DE PEQUENOS LÁBIOS ................................................................................................................81
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Ângela Clotilde Ribeiro Falanga e Lima, Samantha Cavalcante de Brito
CAPÍTULO 9
VULVOVAGINITES NA INFÂNCIA ..............................................................................................................................85
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Gabriella Girão Campos de Barros, Maria Thereza da Frota 
Quinderé Ribeiro
CAPÍTULO 10
VULVOVAGINITES NA ADOLESCÊNCIA ..................................................................................................................93
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Lívia Mara Almeida Silveira, Marta Gabriela Silvestre Coelho Carvalho
CAPÍTULO 11
VULVOVAGINITES NO MENACME ............................................................................................................................97
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Juliana Costa Alencar
CAPÍTULO 12
VULVOVAGINITES NO CLIMATÉRIO .......................................................................................................................101
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Raoni Carlos Madeiro
CAPÍTULO 13
ÚLCERAS GENITAIS .......................................................................................................................................................103
Olga Vale Oliveira Machado, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Maria do Livramento Leitão Vilar,
Ana Mônica Pinto Moreira, Antônio Pierre Aguiar Júnior
CAPÍTULO 14
DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS .....................................................................................................113
José Nivon da Silva, Augusto Saboia Neto
CAPÍTULO 15
HPV .....................................................................................................................................................................................121
Olga Vale Oliveira Machado, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Marcella Costa Maia Nogueira, 
Yuri Oliveira Machado
CAPÍTULO 16
DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA ........................................................................................................................127
José de Arimatea Barreto, Dandara Costa Santos
CAPÍTULO 17
DOR PÉLVICA CRÔNICA .............................................................................................................................................133
João Marcos de Meneses e Silva, Lígia Helena Ferreira e Silva, Caroline Franco Machado, Thâmia Martins Marques
CAPÍTULO 18
ENDOMETRIOSE ............................................................................................................................................................141
Francisco das Chagas Medeiros, Diego Lima Vasconcelos
CAPÍTULO 19
DISMENORREIA .............................................................................................................................................................149
Ângela Clotilde Ribeiro Falanga e Lima, AlyssonSales Melo, Thays Mendes da Silva
CAPÍTULO 20
MASSAS PÉLVICAS .......................................................................................................................................................155
Francisco Edson Ximenes Gomes Pereira, Guilherme de Holanda Cota, Sarah Portella Costa
CAPÍTULO 21
ABDOME AGUDO GINECOLÓGICO .......................................................................................................................161
Francisco das Chagas Medeiros, José Albuquerque Landim Junior, Rômulo Cesar Costa Barbosa Filho
CAPÍTULO 22
TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL ........................................................................................................................................169
Lígia Helena Ferreira e Silva, João Marcos de Meneses e Silva, Aline Chaves Freire, Lia Maria Bastos Peixoto Leitão
CAPÍTULO 23
TELARCA E PUBARCA PRECOCE ..............................................................................................................................173
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Adriano Saboia de Andrade
CAPÍTULO 24
PUBERDADE PRECOCE ................................................................................................................................................179
Miguel Nasser Hissa, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Priscila Luna da Silva, Rafaela Benevides Rodrigues
CAPÍTULO 25
PUBERDADE TARDIA ....................................................................................................................................................185
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Aline Moreira do Vale Mota, 
Nathalia Fernandes Rebouças
CAPÍTULO 26
SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLIMICROCISTOS
(Síndrome da Anovulação Crônica Hiperandrogênica) .................................................................................195
Francisco das Chagas Medeiros, Idália Luzia Fortaleza Chaves Pedrosa, Valcler Antônio Cabral Rodrigues
CAPÍTULO 27
SÍNDROMES HIPERANDROGÊNICAS ....................................................................................................................203
Miguel Nasser Hissa, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Ádila Mitzi Oliveira Costa, Camylla Felipe Silva
CAPÍTULO 28
PERDA SANGUÍNEA GENITAL NA INFÂNCIA .....................................................................................................209
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Germana Bastos Pontes, Suelen Rios de Melo
CAPÍTULO 29
SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL NA ADOLESCÊNCIA .......................................................................213
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Rebeca Santiago Duarte
CAPÍTULO 30
SANGRAMENTO GENITAL NO MENACME ..........................................................................................................219
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Ana Cecília de Sousa Silva
CAPÍTULO 31
SANGRAMENTO GENITAL NO CLIMATÉRIO .......................................................................................................225
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Roberta Vieira da Nóbrega
CAPÍTULO 32
AMENORREIA PRIMÁRIA ...........................................................................................................................................229
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, João Henrique Pinheiro de Menezes Barreto, Karolinne Saraiva de Araújo
CAPÍTULO 33
AMENORREIA SECUNDÁRIA ....................................................................................................................................237
João Marcos de Meneses Silva, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Patrícia de Freitas França, Paula Soares 
de Mattos Carneiro
CAPÍTULO 34
SÍNDROME CLIMATÉRICA .........................................................................................................................................243
Francisco das Chagas Meneses, Ane Larissa Barreto Martins
CAPÍTULO 35
MENOPAUSA ..................................................................................................................................................................249
Francisco das Chagas Meneses, Rodrigo Francisco Magalhães Barbosa
CAPÍTULO 36
MIOMATOSE UTERINA ................................................................................................................................................255
José de Arimatea Barreto, Leonardo Rodrigues de Morais, Lívia de Freitas Gurgel Alves 
CAPÍTULO 37
CÂNCER DO COLO UTERINO ...................................................................................................................................261
Luciano Silveira Pinheiro, Lucas Lima Albuquerque
CAPÍTULO 38
CARCINOMA DE ENDOMÉTRIO ..............................................................................................................................269
Luciano Silveira Pinheiro, Danilo Santos Guerreiro, Sanna Roque Pinheiro
CAPÍTULO 39
SARCOMA UTERINO .....................................................................................................................................................279
Luciano Silveira Pinheiro
CAPÍTULO 40
MASTALGIA .....................................................................................................................................................................285
Paulla Vasconcelos Valente, Daphinis Diana Brito Cavalcante
CAPÍTULO 41
DERRAME PAPILAR ......................................................................................................................................................289
Paulla Vasconcelos Valente, Fernanda Luna Neri Benevides, Germana Barros Oliveira de Freitas Albuquerque
CAPÍTULO 42
NÓDULOS BENIGNOS DA MAMA ..........................................................................................................................293
Paulla Vasconcelos Valente, Chiári Teixeira de Mendonça, Fernanda Luna Neri Benevides
CAPÍTULO 43
TUMORES MALIGNOS DA MAMA .........................................................................................................................299
Paulla Vasconcelos Valente, Helena Nogueira Brasil, Liana Capelo Costa
CAPÍTULO 44
PROLAPSO DOS ÓRGÃOS PÉLVICOS ....................................................................................................................307
Luciano Silveira Pinheiro, Leonardo Pereira Cabral
CAPÍTULO 45
INCONTINÊNCIA URINÁRIA .....................................................................................................................................317
Luciano Silveira Pinheiro, Lia Pontes de Melo
CAPÍTULO 46
INFECÇÃO URINÁRIA NA MULHER (GRÁVIDA E NÃO GRÁVIDA) ..............................................................327
Tereza de Jesus Pinheiro Gomes Bandeira, Antônio Enéas Vieira Filho
CAPÍTULO 47
CONTRACEPÇÃO HORMONAL ...............................................................................................................................337
Francisco das Chagas Medeiros, Livia Cintra Medina
CAPÍTULO 48
CONTRACEPÇÃO DE EMERGÊNCIA .......................................................................................................................345
Francisco das Chagas Medeiros, Rebeca Mendes de Paula Pessoa
CAPÍTULO 49
INICIAÇÃO SEXUAL E SEXO SEGURO ....................................................................................................................341
Dirlene Mafalda Idelfonso da Silveira, Ítalo Mendonça Lima, Mariana Rodrigues Landim
CAPÍTULO 50
SEXUALIDADE NA INFÂNCIA ....................................................................................................................................359
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, André Pinho Sampaio, Rebeca Dourado 
Porto Figueiredo
CAPÍTULO51
SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA .......................................................................................................................365
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Marcelo Labanca Delgado Perdigão, 
Sara Menezes Pinheiro
CAPÍTULO 52
SEXUALIDADE NO MENACME .................................................................................................................................373
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Larissa Xavier Santiago da Silva, Paula 
Neves Pimentel Gomes
CAPÍTULO 53
SEXUALIDADE NO CLIMATÉRIO ..............................................................................................................................377
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Guilherme Alencar de Medeiros, 
Renata Cavalcante Lima
CAPÍTULO 54
SEXUALIDADE NA GESTAÇÃO .................................................................................................................................383
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Paulla Vasconcelos Valente, Fernando Sérgio Mendes Carneiro Filho, 
Larissa Vasconcelos Bastos
CAPÍTULO 55
ASSISTÊNCIA À CRIANÇA E À ADOLESCENTE, VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA ................................................391
Helena Maria Barbosa Carvalho, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Francisco Nilson Fernandes Cardoso 
Filho, Raquel Fernandes Garcia
CAPÍTULO 56
ASSISTÊNCIA À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA ............................................................................................399
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Eulália Diógenes Almeida, Gabriela Nasser Louvrier
CAPÍTULO 57 
INFERTILIDADE CONJUGAL: PRINCIPAIS CAUSAS E IMPLICAÇÕES ..........................................................409
Francisco das Chagas Medeiros, Liana Ferreira Alencar Silva
CAPÍTULO 58
EXAMES DE IMAGEM NA CLÍNICA GINECOLÓGICA .......................................................................................415
Randal Pompeu Ponte, José de Arimatea Barreto, Rodrigo Randal Pompeu Sidrim, Tiago Toscano Cavalcante
CAPÍTULO 59
HISTEROSCOPIA – INDICAÇÕES .............................................................................................................................421
Francisco das Chagas Medeiros, Igor Siqueira Cavalcante, Rodrigo Carvalho Barroso
CAPÍTULO 60
VIDEOLAPAROSCOPIA EM GINECOLOGIA ..........................................................................................................427
Francisco das Chagas Medeiros, Priscila Lopes Studart da Fonseca
CAPÍTULO 61
OBESIDADE NA CLÍNICA GINECOLÓGICA ..........................................................................................................437
Maria José Araújo Gomes Cerqueira, Adriana Paiva Marques Lima, Camilla Viana Goes Arrais
CAPÍTULO 62
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DA OSTEOPOROSE ...........................................................................................441
Sheila Márcia de Araújo Fontenele, Andréa Edwirges Pinheiro de Menezes Barreto
CAPÍTULO 63
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE MAMA ..................................................................................449
Paulla Vasconcelos Valente, Diego de Queiroz Tavares Ferreira, Raissa Quezado da Nóbrega
CAPÍTULO 64
PROGRAMA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO .............................................................455
Luciano Silveira Pinheiro, Denise Neiva Santos de Aquino
CAPÍTULO 65
VACINAS NA ADOLESCÊNCIA ...................................................................................................................................463
Olga Vale Oliveira Machado, Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães, Aline Tereza Carneiro Montenegro
prefácio
Os cursos de Medicina tradicionais e aqueles surgidos nas duas últimas décadas no Brasil 
têm vivido uma verdadeira profusão de novas metodologias e modelos pedagógicos consequen-
tes, tanto ao desenvolvimento da tecnologia (e da informática, em particular), como da necessida-
de de “ajustar” a formação médica ao modelo de saúde pública adotado no nosso país, tudo isso 
acrescido da necessidade de formar bons profissionais dentro de um prazo limitado (seis anos) a 
partir de um conhecimento científico que cresce em proporções exponenciais. 
Os novos modelos pedagógicos propostos para a graduação em Medicina têm procurado 
“otimizar” a interconexão das disciplinas básicas com as várias disciplinas aplicadas à clínica e 
à cirurgia, facilitando a integração do conhecimento e a abordagem do binômio saúde-doença 
com ênfase na pessoa a partir dos seus aspectos social, psíquico, físico e econômico. Tais avan-
ços, entretanto, não se fizeram acompanhar pela editoração de compêndios que contemplassem 
essa nova realidade.
O livro Ginecologia Baseada em Problemas representa um marco nesse novo paradigma do 
ensino médico – aborda os principais temas da Ginecologia de forma objetiva, estruturada e atual, 
a partir dos objetivos de aprendizagem extraídos dos problemas que simulam as situações mais 
prevalentes relacionadas à saúde da mulher brasileira. Indispensável registrar a relevância dos ca-
pítulos que abordam a sexualidade nas várias fases da vida, bem como aqueles que enfocam um 
grave problema de saúde pública – a violência contra a mulher. 
O livro é igualmente inovador em um outro aspecto marcante – cada capítulo foi editado 
por professores experientes em coautoria com estudantes de Medicina que já haviam cursado a 
disciplina de Ginecologia – o que ensejou o surgimento de um texto com fácil assimilação sem a 
perda da qualidade e da adequada profundidade necessárias para a boa formação de um médico 
generalista de excelência.
 Antônio Ribeiro da Silva Filho
 Antônio Miguel Furtado Leitão
 Grijalva Otávio Ferreira da Costa 
Olga Vale Oliveira Machado 
Marcos Kubrusly
 
Coordenadores do Curso de Medicina
 Faculdade Christus
cApítulo 1
ANATOMIA APLICADA AO
EXAME GINECOLÓGICO
Antônio Miguel Furtado Leitão
Antônio Ribeiro da Silva Filho
José de Arimatea Barreto
Tayná de Lima Freire
A- PROBLEMA
P.M., 63 anos, dona de casa, natural de 
Caucaia-CE, procurou atendimento ginecológico 
devido à sensação de peso no baixo ventre que, 
segundo ela, acentua-se durante esforço físico, 
piora ao longo do dia e melhora com o repouso. 
Refere também obstipação, dificuldade no ato de 
defecar, exteriorização de uma “bola” pela vagina, 
ardor ao urinar, aumento da frequência das mic-
ções e incontinência urinária. Relata dois episó-
dios de infecção urinária nos últimos seis meses.
Paciente G8 P1 A1; seis partos por via va-
ginal e um por via abdominal para realização de 
laqueadura tubária.
Exame ginecológico – Inspeção estática: 
observa-se fenda vulvar entreaberta às custas de 
tumoração rosácea de 5cm de diâmetro. Inspe-
ção dinâmica: através de manobra de Valsalva ou 
pinçamento do colo uterino observa-se distopia.
O médico preceptor fez várias hipóteses 
diagnósticas como pólipos uterinos, mioma pa-
rido, cistocele, retocele, mas resolveu solicitar 
aos alunos uma revisão da Anatomia da pelve 
para melhor entender os achados e confirmar o 
diagnóstico de distopia genital.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Rever a Anatomia dos órgãos genitais femi-
ninos e suas correlações topográficas.
2. Rever a Anatomia dos sistemas osteoarticu-
lar e muscular da pelve feminina com ênfase 
no suporte dos órgãos intrapélvicos.
3. Rever a Anatomia da genitália externa feminina.
4. Conhecer a vascularização e a inervação dos 
órgãos do Sistema Genital Feminino.
5. Conhecer as formas mais prevalentes de 
distopia genital e suas possíveis causas e fa-
tores predisponentes.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Osteoarticular
O suporte dos órgãos pélvicos é deriva-
do de uma interação dinâmica dos ossos da 
pelve, tecidoconectivo endopélvico e muscu-
latura do assoalho pélvico. Anatomicamente 
é plausível que tanto a perda de suporte ho-
rizontal do assoalho pélvico quanto o alarga-
mento do hiato predispõem ao prolapso de 
órgãos pélvicos. 
A pelve é um anel ósseo interposto entre 
a parte móvel da coluna vertebral, a quem su-
porta, e os membros inferiores sobre os quais 
se apoia. Compõe-se de quatro ossos: os dois 
ossos do quadril (ossos ilíacos) lateral e ventral-
mente, o sacro e o cóccix, dorsalmente. 
Em lactentes e crianças, cada osso do 
quadril é formado por três ossos, o ílio, o ísquio 
e o púbis, unidos por uma cartilagem trirradia-
da no acetábulo que se articula com a cabeça 
do fêmur. Após a puberdade eles se fundem. Os 
dois ossos do quadril são unidos anteriormente 
na sínfise púbica e articulam-se posteriormente 
com o sacro nas articulações sacroilíacas para 
formar o cíngulo do membro inferior.
24 Faculdade christus
Capítulo 1
O ílio é a parte superior do osso do qua-
dril e tem forma de leque. A asa do ílio repre-
senta a abertura do leque; e o corpo do ílio, o 
cabo do leque. A crista ilíaca, a borda do leque, 
possui uma curva que segue o contorno da asa 
entre as espinhas ilíacas ântero-superior e pós-
tero-superior. A face côncava, ântero-medial da 
asa, forma a fossa ilíaca. Posteriormente, a face 
sacropélvica do ílio possui uma face auricular e 
uma tuberosidade ilíaca para, respectivamente, 
realizar a articulação sinovial e sindesmótica 
com o sacro. 
O ísquio possui um corpo e um ramo. O 
corpo do ísquio ajuda a formar o acetábulo e o 
ramo do ísquio forma parte do forame obtura-
do. A grande protuberância póstero-inferior do 
ísquio é o túber isquiático; a pequena projeção 
póstero-medial pontiaguda perto da junção 
do ramo e do corpo é a espinha isquiática. A 
concavidade entre a espinha isquiática e o tú-
ber isquiático é a incisura isquiática menor. A 
concavidade maior, a incisura isquiática maior, 
é superior à espinha isquiática e é parcialmente 
formada pelo ílio.
O púbis é um osso angulado, formado 
por um corpo e dois ramos: o ramo superior do 
púbis, que ajuda a formar o acetábulo, e o ramo 
inferior do púbis, que ajuda a formar o forame 
obturado. Um espessamento na parte anterior 
do corpo do púbis é a crista púbica, que termi-
na lateralmente como um botão ou tumefação 
proeminente, o tubérculo púbico. Na parte late-
ral do ramo superior, o púbis possui uma estria 
oblíqua, a linha pectínea do púbis. 
A pelve é dividida em pelve maior e pelve 
menor por um plano oblíquo que passa através 
da proeminência do sacro, das linhas arqueadas 
e pectíneas (face interna do ílio e margem su-
perior do ramo superior e corpo do púbis, res-
pectivamente) e da margem superior da sínfise 
púbica. A circunferência deste plano é denomi-
nada linha terminal ou borda pelvina. 
A pelve maior ou falsa é a porção expan-
dida da cavidade, situada cranial e ventralmente 
à linha terminal. A pelve menor ou verdadeira é 
a parte da cavidade pélvica situada distalmente 
à linha terminal. Por conveniência de descrição, 
é dividida em uma cavidade, uma entrada limi-
tada pela circunferência superior e uma saída 
limitada pela circunferência inferior.
A circunferência superior equivale à refe-
rida linha terminal. Tem três diâmetros princi-
pais: ântero-posterior, transverso e oblíquo. O 
diâmetro ântero-posterior ou anatômico esten-
de-se do ângulo sacrovertebral à sínfise púbi-
ca; sua medida habitual é de cerca de 11cm na 
mulher. O diâmetro transverso estende-se pela 
maior largura da abertura superior, do meio da 
linha terminal de um lado para o mesmo pon-
to no lado oposto; mede cerca de 13,5cm na 
mulher. O diâmetro oblíquo estende-se da emi-
nência iliopectínea de um lado à articulação sa-
croilíaca do lado oposto; tem cerca de 12,5cm.
A circunferência inferior da pelve é pos-
teriormente delimitada pela ponta do cóccix e 
lateralmente pela tuberosidade do ísquio. Os 
dois diâmetros da saída da pelve são ântero-
-posterior e transverso. O diâmetro ântero-pos-
terior estende-se da ponta do cóccix para a par-
te inferior da sínfise púbica; mede 9 a 11,5cm na 
mulher e o diâmetro transverso, medido entre 
as partes dorsais das tuberosidades dos ísquios, 
tem cerca de 11cm.
Alguns estudos radiológicos dos os-
sos da pelve têm encontrado diferenças sig-
nificativas entre mulheres com prolapso de 
moderado a severo e as com suporte pélvico 
intacto. Nas mulheres que apresentam uma di-
minuição da lordose lombar fisiológica e, por 
conseguinte, uma abertura superior orientada 
mais horizontalmente, a maior parte do peso 
das vísceras abdominais é suportada pelo as-
soalho pélvico. Outro achado importante é o 
fato de que alterações osteoporóticas signifi-
cativas provocam um aumento na cifose dor-
sal fisiológica, que, por sua vez, tem associa-
ção com prolapso. 
Especula-se que mulheres que possuem 
um maior diâmetro transverso (distância en-
tre as faces superiores da linha terminal) e 
uma menor conjugada obstétrica (menor dis-
tância entre o promontório do sacro e a sínfi-
se púbica) podem ser mais propensas a sofrer 
lesões do tecido neuromuscular e conjuntivo 
durante o trabalho de parto, predispondo à 
neuropatia pélvica, prolapso de órgão pélvi-
cos, ou ambos. 
As articulações sacroilíacas são formadas 
por articulação sinovial anterior e sindesmose 
posterior. Elas apresentam mobilidade muito 
limitada e forte união entre os ossos. Os liga-
mentos sacroilíacos anteriores representam a 
parte anterior da cápsula fibrosa do compo-
nente sinovial da articulação. Os ligamentos 
 25 Faculdade christus
 Capítulo 1
sacroilíacos interósseos e posteriores fazem 
parte da massa de tecido fibroso responsável 
pela transferência do peso do esqueleto axial 
para os dois ílios e destes para esqueleto apen-
dicular. Os ligamentos iliolombares são acessó-
rios desse mecanismo. 
O ligamento sacroespinhal insere-se na es-
pinha isquiática. Superiormente à espinha, a inci-
sura isquiática maior é transformada em forame 
pelo ligamento sacroespinhal que dá passagem 
ao músculo piriforme, aos vasos e nervos glúteos 
superiores e inferiores, aos nervos isquiático e 
cutâneo posterior da coxa, aos vasos e nervos pu-
dendos internos, e aos nervos para o obturatório 
interno e quadrado do fêmur. Inferiormente à es-
pinha, a incisura isquiática menor é transformada 
pelos ligamentos sacrotuberal e sacroespinhal em 
forame que dá passagem ao tendão do obturató-
rio interno, ao nervo que supre este músculo e aos 
vasos e nervos pudendos internos. 
A sínfise púbica consiste em um disco 
interpúbico fibrocartilagíneo e ligamentos ad-
jacentes unindo os corpos dos ossos púbis no 
plano mediano. O ligamento púbico superior 
une as faces superiores dos corpos do púbis e 
disco interpúbico, estendendo-se lateralmente 
até os tubérculos púbicos. O ligamento púbico 
inferior (arqueado) une as faces inferiores dos 
componentes articulares.
As vértebras L5 e S1 articulam-se na sín-
fise intervertebral anterior e nas duas articula-
ções dos processos articulares; os ligamentos 
iliolombares fortalecem essas articulações.
A articulação sacrococcígea é formada 
por uma fibrocartilagem e os ligamentos sacro-
coccígeos anteriores e posteriores. 
Até os 10 anos de idade existe um único 
tipo de pelve para ambos os sexos, a antropói-
de. Após essa idade, iniciam-se as diferenças 
sexuais, que se tornam evidentes entre 16 e 18 
anos. Geralmente, nos homens, a pelve se torna 
antropoide ou androide e nas mulheres forma-
-se a pelve ginecoide.
Figura 1- Vista anterior da pelve óssea feminina.
26 Faculdade christus
Capítulo 1
Figura 2- Vista superior da pelve óssea feminina.
Figura 3- Diâmetros pélvicos (pelve feminina).
 27 Faculdade christusCapítulo 1
2. Muscular
As fixações dos músculos obturadores 
internos cobrem e protegem a maior parte 
das paredes laterais da pelve. As fibras con-
vergem posteriormente, atravessando o fora-
me isquiático menor, para se fixarem no tro-
cânter maior do fêmur.
Os músculos piriformes originam-se na 
parte superior do sacro, lateralmente a seus 
forames anteriores. Deixam a pelve menor 
através do forame isquiático maior para se fi-
xarem na margem superior do trocânter maior 
de cada fêmur. Profundamente a esses mús-
culos estão os nervos do plexo sacral.
O assoalho pélvico é constituído pelo 
diafragma da pelve formado pelos músculos 
isquiococcígeo e levantador do ânus e pelas 
fáscias que recobrem as faces superior e infe-
rior desses músculos. Os músculos isquiococ-
cígeos originam-se nas faces laterais da parte 
inferior do sacro e cóccix, suas fibras situam-
-se subjacentes à face profunda do ligamento 
sacroespinhal. O músculo levantador do ânus 
é a parte maior e mais importante do assoalho 
pélvico. Uma abertura anterior entre as mar-
gens mediais dos músculos levantadores do 
ânus de cada lado – o hiato urogenital – dá 
passagem à uretra e, em mulheres, à vagina. 
O tônus basal ativo do músculo levan-
tador do ânus mantém a porção superior da 
vagina e as vísceras pélvicas suportadas pelo 
platô do levantador e conserva o hiato uro-
genital fechado. Esses músculos também se 
contraem reflexamente em resposta à tosse 
ou a outra atividade que aumente a pressão 
intra-abdominal. 
O músculo levantador do ânus possui 
três partes:
 ƒ Puborretal: parte medial, mais estreita e 
mais espessa do músculo levantador do 
ânus. Consiste em fibras contínuas entre as 
faces posteriores dos corpos do púbis di-
reito e esquerdo. Forma uma alça muscu-
lar com formato de U que passa posterior à 
junção anorretal limitando o hiato urogeni-
tal. É tido como o verdadeiro músculo ele-
vador do ânus.
 ƒ Pubococcígeo: parte intermediária com ori-
gem lateral ao músculo puborretal. Segue 
posteriormente; suas fibras laterais fixam-se 
ao cóccix e suas fibras mediais fundem-se 
àquelas do músculo contralateral para for-
mar uma lâmina tendínea.
 ƒ Iliococcígeo: parte póstero-lateral que se 
origina no arco tendíneo posterior e na es-
pinha isquiática. É fina e também se funde, 
posteriormente, ao corpo anococcígeo. 
A cúpula vaginal é sustentada pelo liga-
mento cardinal bilateral que se estende até a 
parede pélvica e pelo ligamento útero-sacro, 
que fixa o ápice vaginal ao sacro. A parede 
vaginal lateral é fixa à pelve pelo paracolpo 
– conjunto de tecidos conectivos constituídos 
de espessamentos de fáscia endopélvica, à 
semelhança do paramétrio, porém mais cur-
tos. Um espessamento da fáscia endopélvica, 
chamado de fáscia vésico-vaginal, é fixado ao 
arco tendíneo, bilateralmente. A fáscia endo-
pélvica que se insere no arco tendíneo con-
tinua caudalmente formando um coxim su-
buretral chamado ligamento uretro-pélvico e 
uma condensação do terço médio da uretra 
com o púbis, o ligamento pubo-uretral. O es-
pessamento da fáscia endopélvica localizado 
entre o reto e a parede vaginal posterior que 
se insere superiormente no ligamento útero-
-sacro, inferiormente no corpo perineal e la-
teralmente no arco tendíneo, é chamado de 
septo retovaginal. 
De grande importância anatomocirúrgi-
ca é o ligamento largo do útero (paramétrio), 
que contém estruturas nobres entre as suas 
duas camadas, como a parte distal dos ure-
teres, os vasos uterinos, o ligamento redondo 
do útero e os vasos linfáticos. É importante ci-
tar que se encontram na parede lateral pélvica 
os vasos ilíacos internos e seus ramos, o plexo 
nervoso hipogástrico, os nervos esplâncnicos 
pélvicos e cadeias de linfonodos ilíacos de im-
portância anatomocirúrgica. 
As cirurgias para correção de distopia 
genital podem ser benéficas por abolirem os 
sintomas causados pela afecção, bem como 
pela reconstituição da Anatomia, mas tais 
procedimentos podem, em contrapartida, de-
sencadear disfunção sexual por causa orgâni-
ca (dano neural, vascular, fibrose ou estenose) 
ou emocional. 
28 Faculdade christus
Capítulo 1
 Figura 4- Genitália externa.
Figura 5- Vista dos músculos superficiais do períneo e do assoalho pélvico feminino.
 29 Faculdade christus
 Capítulo 1
3. Órgãos genitais internos femininos 
3.1 Vagina
É um órgão tubular, ímpar e mediano, que 
no menacme mede cerca de 7 a 8cm de compri-
mento. Prende-se superiormente à cérvice uteri-
na, formando, com sua reflexão, os fórnices vagi-
nais, e estende-se inferiormente até o vestíbulo 
vulvar onde se abre entre os pequenos lábios.
A vagina relaciona-se anteriormente com 
a bexiga e a uretra; posteriormente, no terço 
inferior, com a cunha perineal; no terço médio, 
com o reto pélvico; e superiormente, com o fun-
do-de-saco de Douglas, permitindo uma via de 
acesso à cavidade pélvica, de grande importân-
cia clínica e cirúrgica.
Nesse órgão, distinguem-se histologica-
mente a túnica mucosa, de natureza pavimento-
sa estratificada e pregueada na mulher adulta, a 
túnica muscular e a túnica adventícia.
A vagina da recém-nascida mede aproxi-
madamente 3,5cm e suas paredes apresentam-se 
espessadas, amolecidas e úmidas, estimuladas 
pelos hormônios maternoplacentários; aos 6 
anos de idade, tem cerca de 4 a 5cm, e o epi-
télio vaginal encontra-se adelgaçado, formado 
por algumas camadas celulares; as paredes va-
ginais são secas, atróficas, róseas e pregueadas. 
No período pré-puberal, ocorre um cres-
cimento acelerado da vagina, alcançando 8cm e 
no menacme, ela atinge 10 a 12cm de profun-
didade; aumenta sua elasticidade e apresenta 
leucorreia fisiológica. 
A maior parte da vagina está localizada 
na pelve, recebendo sangue das artérias uterina 
e vaginal, ramos pélvicos da artéria ilíaca interna 
e drenando o sangue venoso diretamente para 
o plexo venoso uterovaginal, enquanto a linfa 
flui através das vias profundas (pélvicas) para 
os linfonodos ilíacos internos, ilíacos externos 
e sacrais. A parte inferior da vagina está loca-
lizada no períneo, recebendo sangue da artéria 
pudenda interna. A drenagem linfática ocorre 
através das vias superficiais (perineais) para os 
linfonodos inguinais superficiais. 
Apenas a quinta ou quarta parte inferior da 
vagina tem inervação somática, que provém do 
nervo perineal profundo, um ramo do nervo pu-
dendo que conduz fibras aferentes somáticas.
Os três quartos a dois quintos superiores 
são de inervação visceral. Os nervos são derivados 
do plexo nervoso uterovaginal, que se estende do 
plexo hipogástrico inferior às vísceras pélvicas.
 
3.2 Útero 
O útero tem o formato de pera invertida, 
normalmente encontra-se antevertido e ante-
fletido, de forma que o corpo fica sobre a bexi-
ga. Recebe sustentação passiva significativa dos 
ligamentos transversos do colo e sustentação 
ativa dos músculos do assoalho pélvico. 
Esta estrutura é formada pela junção dos 
condutos paramesonefros ou de Muller e apre-
senta, às vezes, anomalias de importância prá-
tica – útero didelfo, bicorno, unicervical, bicorno 
duplo, septado – e pode ser, eventualmente, re-
presentado tão somente por um maciço fibroso 
típico da síndrome de Rokitanski-Kuster-Hauser. 
A irrigação arterial se faz principalmente 
pela artéria uterina (ramo da hipogástrica ou ilí-
aca interna) e pela artéria ovárica, ramo da artéria 
aorta abdominal. Os vasos linfáticos oriundos do 
fundo uterino acompanham a artéria ovariana e 
drenam para os linfonodos paraórticos; os pro-
venientes do corpo e da cérvice se destinam aos 
linfonodos pélvicos ilíacos internos e externos. 
A inervação origina-se, principalmente, 
do plexo hipogástrico.
É importante a relação entre o ureter e o 
útero, pois, no seutrajeto pélvico, após cruzar 
anteriormente os vasos ilíacos, o ureter penetra 
na escavação pélvica e cruza a artéria uterina 
cerca de 1,5 a 2cm da cérvice supravaginal.
O útero da recém-nascida pode apresen-
tar-se em ligeira retroversão ou estar retificado, 
sem flexão axial. Está situado na parte estreita 
superior da bacia e pesa cerca de 4g, medin-
do em torno de 3cm de comprimento. O colo 
é relativamente espesso em relação ao corpo e 
constitui dois terços do volume total do útero 
(relação corpo/colo de 1:2). O orifício cervical 
encontra-se aberto. As glândulas cervicais, bem 
desenvolvidas, secretam muco em abundância, 
e seus cristais filiformes constituem o corrimen-
to fisiológico e transparente da recém-nascida 
que, contendo células epiteliais, torna-se es-
branquiçado. Cinco a seis dias após o nasci-
mento pode ocorrer sangramento genital por 
privação dos hormônios maternopla centários.
Na menacme, a relação corpo/colo é de 2:1 
e a consistência do colo é maior que a do corpo.
30 Faculdade christus
Capítulo 1
3.3 Tubas uterinas
São formações tubulares que se estendem 
a partir dos cornos uterinos, uma de cada lado, 
e se abrem na cavidade peritoneal, próximo aos 
ovários. Cada uma tem aproximadamente 10cm 
e localiza-se na margem superior do ligamento 
largo. Descrevem-se quatro porções: a intramu-
ral, a ístmica, a ampular e a fímbrica.
São irrigadas pelas artérias uterinas e 
ovarianas, inervadas pelo plexo hipogástrico e 
possuem vasos linfáticos que drenam para os 
linfonodos ilíacos internos e paraórticos. 
3.4 Ovários
São as gônadas femininas, com formato 
e tamanho semelhantes aos de uma amêndoa, 
nas quais se desenvolvem os óvulos. 
Estão situados nos cavos retrouterinos, 
na parte lateral da escavação pélvica e atrás do 
ligamento largo. Têm uma extremidade medial 
em relação com o útero, o ligamento útero-ova-
riano, e uma lateral, que se continua com uma 
placa peritoneal lombovariana, o ligamento 
suspensor do ovário, onde penetram os vasos 
ovarianos, nervos e linfáticos, envolvidos por 
um tecido conjuntivo denso (albugínea).
No ovário, observam-se duas camadas: a 
cortical e a medular. A primeira contém os folí-
culos ovarianos – os primordiais, os secundários 
e os terciários (de Graaf) – e as formas em re-
gressão (corpora albicantia). A medular contém 
vasos, nervos, linfáticos (hilo do ovário) e res-
quícios embrionários, área importante na etio-
patogenia dos tumores ovarianos.
Os ovários, nas recém-nascidas, situam-se 
na cavidade abdominal; a partir de mais ou menos 
1 a 1,5 anos, quando a menina começa a caminhar, 
eles se alojam na pelve. Nesta fase, o ovário tem 
de 10 a 15mm de comprimento, 3mm de largura e 
2,5mm de espessura, pesando aproximadamente 
3,5g. Na perimenarca, os ovários alcançam o peso 
de 4g. Na mulher adulta, o ovário possui de 25 a 
26mm de comprimento, 14 a 16mm de largura e 
10 a 12mm de espessura e tem forma ovoide, não 
sendo coberto pelo peritônio. 
4. Órgãos genitais externos femininos 
Correspondem aos lábios maiores, aos lá-
bios menores, ao vestíbulo, ao clitóris e ao monte 
pubiano ou de Vênus que, em seu conjunto, cons-
tituem a vulva.
Os lábios maiores ou grandes lábios são 
pregas cutâneas que delimitam a vulva: terminam 
anteriormente no monte púbico e, posteriormen-
te, ao unirem-se, formam a fúrcula. No bojo dos 
grandes lábios estão o tecido conjuntivo e as fi-
bras terminais do ligamento redondo.
Os lábios menores, pequenos lábios ou 
ninfas, são duas pregas cutâneas dispostas sagi-
talmente, com uma extremidade posterior que 
quase sempre se perde no contorno dos grandes 
lábios. Anteriormente se bifurcam, envolvendo o 
clitóris (prepúcio), e, imediatamente abaixo, for-
mam o freio do clitóris.
O espaço interlabial é virtual e apresenta 
uma fenda – a rima vulvar. Quando os pequenos 
lábios são separados, visualiza-se o espaço cha-
mado vestíbulo que apresenta, anteriormente, o 
orifício externo da uretra ladeado pelas glândulas 
de Skene e, posteriormente, o óstio da glândulas 
de Bartholin (glândulas vestibulares maiores) e, 
em toda a sua extensão, as glândulas vestibulares 
menores ou de Hugurer. Inserido no contorno do 
orifício vaginal, encontra-se o hímen, que pode 
ser bilabiado, fenestrado, puntiforme ou até im-
perfurado.
O clitóris, homólogo ao pênis, é formado 
pela confluência dos órgãos eréteis: raízes dos 
corpos clitoridianos e bulbos do vestíbulo.
Na recém-nascida, a vulva encontra-se hi-
peremiada, os grandes lábios são espessos, ver-
melhos ou levemente cianosados e se visualizam 
os pequenos lábios, o clitóris, o orifício uretral e o 
hímen. A mucosa do vestíbulo é rósea e túrgida. O 
hímen apresenta-se como uma membrana espes-
sa com orifício de 4mm de diâmetro.
Nos primeiros anos da infância, os grandes 
lábios perdem sua turgescência e transformam-
-se em delgadas pregas cutâneas que se tocam e 
cobrem os pequenos lábios; os pequenos lábios 
não recobrem o vestíbulo da vagina; o hímen en-
contra-se adelgaçado e translúcido e a mucosa do 
vestíbulo é vermelha e atrófica.
O crescimento mais pronunciado da vulva e 
do monte-de-vênus inicia-se em torno dos 7 anos 
de idade. Na perimenarca, a vulva é mais poste-
rior e horizontal, os grandes lábios se ingurgitam, 
e os pequenos lábios se pigmentam, o hímen se 
engrossa, seu orifício alcança 1cm de diâmetro e 
sua elasticidade é maior. As mucosas vulvares são 
 31 Faculdade christus
 Capítulo 1
pálidas e úmidas devido à secreção das glândulas 
de Bartholin e das parauretrais de Skene.
A artéria pudenda interna, ramo da artéria 
ilíaca interna, é a principal artéria da vulva, dividin-
do-se em ramos perineais, perianais, retais inferio-
res, dorsal do clitóris e labiais posteriores. A iner-
vação provém principalmente do nervo pudendo, 
que acompanha os vasos pudendos internos por 
baixo do ligamento sacrotuberal, passando pelo 
 Figura 6- Desenho dos órgãos genitais femininos – Hemi-pelve direita.
Figura 7- Órgãos genitais femininos – Hemi-pelve direita.
Fonte: SILVA FILHO, A.R.; LEITÃO, A.M.F.; BRUNO, J.A. Atlas-Texto de Anatomia Humana Aplicada. Fortaleza: LCR, 2009.
canal pudendo e chegando ao períneo abaixo do 
túber isquiático, onde se ramificam.
Os linfáticos estão distribuídos em dois 
grupos: o superior, que recolhe a linfa do clitóris e 
do vestíbulo, drenando para os linfonodos femo-
rais, e o inferior que abrange fúrcula, grandes lá-
bios, pequenos lábios e vestíbulo, drenando para 
os linfonodos inguinais superficiais e femorais.
32 Faculdade christus
Capítulo 1
 Figura 9 – Desenho da genitália externa feminina.
Figura 8 – Genitália externa feminina.
Fonte: SILVA FILHO, A.R.; LEITÃO, A.M.F.; BRUNO, J.A. Atlas-Texto de Anatomia Humana Aplicada. Fortaleza: LCR, 2009.
 33 Faculdade christus
 Capítulo 1
5. Correlações Topográficas 
5.1 O períneo anatômico 
Parte superficial da parede inferior do tron-
co, suavemente encurvada entre o baixo ventre, 
anteriormente, e o cóccix, posteriormente, estan-
do limitada pelas coxas e nádegas, lateralmen-
te. O períneo anatômico é delimitado, anterior-
mente, pelo ângulo púbico; posteriormente, pelo 
cóccix e, lateralmente, pelos túberes isquiáticos, 
apresentando a forma de um losango quando as 
coxas são abduzidas. Uma linha que passa trans-
versalmente na frente das tuberosidades isquiáti-
cas divide o períneo anatômico em um triângulo 
posterior ou anal e outro anterior ou urogenital.
5.2 O períneo ginecológico
É o espaço situado entre a comissura dos 
lábios menores ou fúrcula vaginal e o ânus, em 
forma de cunha triangular, cuja parede anterior 
é formada pela face posterior da vagina peri-
neal e do vestíbulo vulvar. A parede posterior 
corresponde à borda anterior doânus, à face 
anterior do canal anal e do reto perineal. O 
vértice corresponde à extremidade inferior do 
tabique vaginorretal. A base é formada pelo es-
paço entre a fúrcula e o ânus, sendo ocupado 
pela confluência dos músculos esfíncter externo 
(estriado) do ânus, transversos superficial e pro-
fundo, bulbo-esponjoso e fibras retais do levan-
tador do ânus. Importante na estática genital, 
rompe-se frequentemente no trabalho de parto 
e é onde se faz a episiotomia.
5.3 Superfície 
Na rima do pudendo, entre os lábios me-
nores, estão os óstios da vagina e da uretra. Na 
virgem, a abertura vaginal está parcialmente fe-
chada pelo hímen, sendo que depois da cópula 
os resquícios do hímen são representados pelas 
carúnculas himenais. Entre o hímen e os peque-
nos lábios, no vestíbulo vaginal, encontram-se, 
bilateralmente, os óstios das glândulas vesti-
bulares maiores (de Bartholin). Essas glândulas, 
quando aumentadas, são palpáveis na parte 
posterior do óstio vaginal.
5.4 Exame vaginal
A vagina tem paredes anterior, posterior 
e laterais. As paredes anterior e posterior, bas-
tante distensíveis, se acolam abaixo da porção 
vaginal do colo do útero que se salienta no teto 
da cavidade vaginal. Os recessos formados en-
tre o colo e as paredes vaginais são denomina-
dos fórnices vaginais.
A parede anterior, menor que a posterior, 
está separada, na sua parte superior, da bexi-
ga e dos ureteres por tecido conjuntivo frouxo. 
Inferiormente, a parede anterior tem correlação 
topográfica com a uretra, estando dela separa-
da pela fáscia endopélvica.
A parede posterior da vagina estende-se 
do vestíbulo vaginal até o colo uterino e está 
separada do canal anal e do reto por tecido 
conectivo pouco vascularizado. Com um dedo 
na vagina, por um lado, e exercendo-se pres-
são na parede abdominal anterior, por outro, 
pode-se palpar todo o colo e o corpo do útero. 
Se se introduzir um espéculo na vagina, podem 
ser expostas, para o exame visual, as paredes 
do canal vaginal, a porção vaginal do colo e o 
seu óstio externo.
O óstio externo da uretra está situado an-
teriormente à abertura da vagina, no vestíbulo. 
Distante aproximadamente 2,5cm do óstio ex-
terno da uretra, anteriormente, estão a glande 
e o prepúcio do clitóris e, ainda mais anterior e 
externamente, o monte da pube. 
D- Referências Bibliográficas
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34 Faculdade christus
Capítulo 1
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cApítulo 2
SEMIOLOGIA GINECOLÓGICA
Francisco das Chagas Medeiros
Rálison Yure Soares Melo
A- PROBLEMA 
Paciente de 35 anos, casada, costureira, 
procedente de Fortaleza, procura a emergência 
de um Hospital com queixa de dor no “baixo 
ventre”. É atendida por um clínico que consta-
ta que a patologia é ginecológica. Como não é 
a sua especialidade e não há ginecologista de 
plantão no momento, tenta se lembrar da se-
miologia correta.
 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Apropriar-se dos conceitos básicos da co-
municação médico-paciente.
2. Conhecer a consulta centrada na paciente.
3. Refletir sobra a importância da semiologia 
ginecológica no diagnóstico de patologias 
ginecológicas mais comuns.
4. Conhecer os passos do exame físico geral e 
ginecológico, incluindo o das mamas.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
1.1. Comunicação com pacientes 
A comunicação é definida como a trans-
missão de informações, pensamentos e senti-
mentos para que eles sejam satisfatoriamente 
recebidos ou entendidos. Uma boa comunica-
ção com a paciente envolve reconhecer e res-
ponder à paciente como um todo, sendo essa 
abordagem conhecida como cuidado centra-
do no paciente. Ela implica também em reco-
nhecer que de qualquer interação médico-pa-
ciente dois fatores estão presentes: primeiro, o 
do médico que tem o conhecimento clínico e 
segundo, o do cliente que tem o conhecimen-
to de fatores sociais e cultu rais que influen-
ciam efetivamente o tratamento e o cuidado. 
Abordaremos a seguir o modelo centrado no 
paciente. Apresentaremos algumas estratégias 
simples para promover a boa comunicação 
com o paciente dentro do ambiente clínico 
atual. É sabido que os médicos que acreditam 
na importância dos aspectos psicossociais do 
paciente são mais eficientes na comunicação 
e atendem melhor a suas necessidades. No 
entanto, alguns fatores estressantes como o 
tempo, podem interferir na capacidade de 
comunicação do médico com seus pacientes, 
podendo levar a um mal resultado clínico. As-
sim, deve-se levar em conta o nível social, res-
peitar o ponto de vista da paciente, não fazer 
julgamentos precipitados, evitar suposições, 
demonstrar empatia e respeito, compreender 
as barreiras, ajudá-la a superar obstáculos, 
envolver os familiares e nunca se esquecer de 
tranquilizar a paciente. O médico deve ser par-
ceiro de sua paciente/doente; para isso, deve 
se mostrar flexível, negociar papéis quando 
necessário e trabalhar em conjunto em prol da 
saúde da mesma, devendo sempre explicar a 
ela todo o andar da consulta e sempre se cer-
tificar de que está sendo realmente entendido 
e de que ela também o entende. Um problema 
que pode interferir nessa relação diz respeito a 
questões culturais; então, devemos sempre le-
var em conta a cultura e a crença, assim como 
o ponto de vista da paciente
1.2. Por que uma boa comunicação com o 
paciente é importante
a) Satisfação do paciente. Há evidências de 
que se desenvolve uma associação positiva 
36 Faculdade christus
Capítulo 2
entre a satisfação da paciente com os médi-
cos que demonstram capacidade e vontade 
de se comunicar com elas. 
b) Benefícios para a prática: As estraté-
gias para melhorar a comunicação com a 
paciente podem produzir uma maior efi-
cácia na prática. Por exemplo, perguntar 
às pacientes sobre suas preocupações e 
permitir que elas concluam suas declara-
ções, aumenta em pouco tempo a con-
sulta, enquanto aumenta enormemente 
a possibilidade de adquirir informações 
dos pacientes. 
c) Uma melhor retenção de informação pelos 
pacientese as reduções nas queixas de ne-
gligência são benefícios adicionais das prá-
ticas que têm sido associadas com a comu-
nicação eficaz médico-paciente.
1.3. Estratégias práticas para o ambiente clí-
nico atual 
A implementação de um número simples 
de estratégias que adicionam pouco tempo ao 
encontro clínico pode melhorar a comunicação 
da paciente e ir além, entre eles, os requisitos 
essenciais são ter o cuidado com a comunica-
ção pessoal ao interagir com o paciente e ter 
flexibilidade de saber se adequar à paciente.
1.4. Tornando o encontro com o paciente efi-
caz (consultas, visitas etc.). 
Nos encontros clínicos, como na maioria 
das outras interações humanas, as primeiras im-
pressões são as que ficam. Esteja sempre segu-
ro do que você irá realizar e mantenha sempre 
uma atitude amigável. Cumprimente a paciente 
pelo nome e se refira a ela utilizando o prono-
me de tratamento adequado (Senhora). Per-
gunte como gostaria de ser chamada. Caso haja 
acompanhante, cumprimente-o(a). Algumas es-
tratégias facilitam esse encontro como:
 ƒ Faça contato pessoal; olhe diretamente nos 
olhos, uma exceção para esta regra ocorre em 
casos em que a cultura da paciente pode ver 
essa prática como uma atitude rude e inapro-
priada. Respeite o comportamento da paciente.
 ƒ Sente-se ao nível da paciente, nem mais alto 
nem mais baixo.
 ƒ Use expressões faciais para responder aos co-
mentários da paciente como uma forma de 
demonstrar atenção.
 ƒ Encare a paciente durante a entrevista.
 ƒ Após o exame físico comece o contato tera-
pêutico somente quando a paciente estiver 
completamente vestida.
1.5. Monitore sua linguagem corporal 
Uma boa comunicação contém elemen-
tos verbais e não verbais. A linguagem corporal 
geralmente tem mais significado para o pacien-
te do que a linguagem falada.
 ƒ Mantenha a área do peito aberta e os braços des-
cruzados para evitar a formação de uma barreira 
à comunicação, assim como o corpo relaxado.
 ƒ Olhe sempre para a paciente.
 ƒ Mantenha uma postura fletida em direção à 
paciente e uma distância apropriada.
 ƒ Evite olhar para a paciente por cima dos olhos, 
pois pode demonstrar superioridade; retirar 
os óculos pode demonstrar interesse.
 ƒ Continue focado na paciente que pode lhe estar 
falando algo importante para o caso em questão.
1.6. Pratique habilidades de uma escuta eficiente 
Ser um bom ouvinte é a chave para pro-
ver um cuidado centrado na paciente; demons-
tre empatia, interesse e preocupação com os 
problemas da paciente. A paciente que sente 
que o médico foi um bom ouvinte fica confor-
tada, segura e mais à vontade para fornecer as 
informações sobre seu problema. Estudos mos-
tram que a maioria dos diagnósticos podem ser 
dados somente com a anamnese. Além de ouvir 
o que está sendo falado, devemos mostrar que 
estamos fazendo isso, como uma forma de en-
corajar a paciente a continuar falando. Para isso, 
podemos utilizar:
 ƒ Mudanças súbitas de expressões faciais, uma leve 
abertura de olhos em resposta a uma descrição 
de algo doloroso, isso mostra que você além de 
ouvir, está dando a devida atenção.
 ƒ Acene com cabeça em pontos chaves das fra-
ses da paciente.
 ƒ Incline-se levemente para a frente e faça con-
tato visual.
 ƒ Faça confirmações breves para mostrar que 
você está ouvindo e entendendo.
1.7. Escutando com empatia 
Abordar os elementos emocionais da ex-
periência da paciente pode demonstrar empatia, 
e não leva mais que 30 a 60 segundos, podendo, 
em alguns casos, reduzir o tempo de consulta. 
 37 Faculdade christus
 Capítulo 2
Para isso, é importante dizer frases de amparo 
e suporte do tipo: “você está ansiosa”, deve-se 
perguntar como ela se sente e encorajá-la a falar 
sobre suas preocupações em vez de escondê-las. 
Fazer perguntas é uma forma de demonstrar in-
teresse e também serve para que o médico pos-
sa colher mais dados sobre a paciente ou sobre 
sua doença. É importante que as perguntas se-
jam abertas, a fim de encorajá-la a falar.
1.8. Resultados clínicos 
Resultados que têm como base os cri-
térios objetivos mostram uma melhora da co-
municação quando os prestadores incorporam 
essas técnicas em sua prática diária.
2. A História Clínica 
Antes de iniciar a anamnese é necessário 
que o médico se apresente. Você pode iniciar a 
anamnese com uma conversa sobre a paciente 
como, por exemplo, perguntando o que ela gos-
ta de fazer, como se relaciona com as pessoas 
ou comentando alguma notícia recente; com 
isso, você conseguirá conhecê-la melhor, o que 
interpretar as várias situações que aparecerem 
durante a consulta. Isso repercutirá no grau de 
confiabilidade das informações cedidas pela 
paciente. A identificação da paciente deve ser a 
mais completa possível.
2.1. Motivo da consulta 
Deve ser registrado o motivo que levou a 
paciente à consulta. Nem sempre o motivo da 
consulta é uma queixa principal.
2.2. História da Doença (HDA)/ Problema atual 
Nesse momento é importante deixar a 
paciente falar livremente, o médico só deve in-
terromper com o intuito de esclarecer algo que 
ficou nebuloso ou que necessite mais esclare-
cimentos. É imprescindível que na HDA, todos 
os sintomas/problemas relatados pela paciente 
sejam caracterizados quanto a(aos): localização, 
início, fatores precipitantes, qualidade, irradia-
ção, intensidade, periodicidade, manifestações 
associadas. Nessa parte, as perguntas feitas 
pelo médico devem ser abertas e não devem 
induzir a uma resposta.
3. Sinais e Sintomas em Ginecologia 
Antes de descrevermos os principais si-
nais e sintomas, vamos inicialmente diferenciar 
sinal de sintoma. Sintoma relaciona-se com o 
que a paciente sente, são relatados pela pacien-
te com o intuito de esclarecer sua condição clí-
nica. Sinal é aquilo que o examinador encontra 
na anamnese ou no exame físico. 
Durante a anamnese devem-se enfatizar 
perguntas abertas com a finalidade de esclare-
cer ao máximo possível o problema da paciente, 
exemplos:
 ƒ Dor - Fale-me sobre sua dor! Sente essa dor em 
outro local? Qual? Você nota algum outro pro-
blema quando essa dor aparece? Qual?
 ƒ Sangramento anormal - Como é seu ciclo 
menstrual? Ocorre perda de sangue entre os 
períodos? Quantos absorventes a senhora 
utiliza por dia; eles ficam muito encharcados?
 ƒ Corrimento - Como é esse seu corrimento? 
Qual a cor? Apresenta algum odor? Poderia 
descrever? Seu parceiro apresenta algum sin-
toma que possa associar-se ao seu?
 ƒ Sintomas pré-menstruais - A senhora nota 
algum outro sintoma? Há algo que o alivia? 
Ou que o piora? A senhora utiliza alguma me-
dicação para esse problema? Quanto isso está 
interferindo em suas atividades diárias?
 ƒ Sintomas de menopausa - Quando foi sua 
última regra? A senhora sente algum sintoma 
que associa com o caso atual? A senhora se 
sente feliz com sua vida, atualmente? A se-
nhora faz uso de alguma medicação?
 ƒ Sintomas urinários - A senhora tem algum 
queixa/problema quando vai urinar? Como é 
sua urina, poderia descrever? A senhora sente 
mais algum problema? Está fazendo uso de 
algum remédio? Fale sobre eles!
4. História Médica Pregressa
4.1. História menstrual 
Começa-se buscando informações sobre 
a menarca, como, por exemplo, perguntando 
quando ocorreu e se ela apresentou algum sinto-
ma associado. Se a paciente já estiver no climaté-
rio pergunte acerca da menopausa, como ocor-
reu (cirúrgica ou espontânea), quais sintomas ela 
videnciou, se fez ou faz uso de terapia hormonal. 
Caso a paciente esteja na menacme (período 
reprodutivo), deve-se investigar os ciclos mens-
truais quanto à regularidade, o número de dias, 
38 Faculdade christus
Capítulo 2
a quantidade de sangue eliminado e sobre sinto-
mas associados. Para facilitar essas observações o 
médico pode pedirà paciente que relate quando 
foram as três últimas regras; assim, pode ter mais 
certeza quanto à regularidade do ciclo. 
4.2. História obstétrica 
Deve-se indagar sobre o número de ges-
tações, de partos e abortos, essas respostas são 
registradas da seguinte forma, vamos supor que 
a paciente tenha tido 3 gestações, 2 partos e 1 
aborto; na história colocaremos G3,P2,A1. De-
ve-se fazer uma investigação completa de todas 
as gravidezes (data, forma do término e compli-
cações). Caso a paciente relate algum aborto é 
necessário investigar se foi espontâneo ou in-
duzido; caso tenha sido induzido deve-se conti-
nuar a investigação com o intuito de desvendar 
o que e como foi utilizado. Se a paciente já tiver 
tido filhos é necessário saber se amamentou e 
por quanto tempo.
4.3. História ginecológica 
Registram-se informações acerca da úl-
tima regra, e se possível, das últimas duas ou 
três; com isso, o médico poderá ter informações 
acerca da regularidade ou não do ciclo da pa-
ciente. Indagar à paciente quanto à presença de 
sintomas associados com a menstruação. É im-
portante sempre questioná-la quanto à preven-
ção de câncer ginecológico ou mamário e esti-
mulá-la a fazê-los. É necessário perguntá-la se 
ela ou alguma parente próxima (principalmente 
do 1° grau) já teve alguma doença ginecológica 
de provável origem familiar ou genética (câncer 
de mama, miomas, pólipos endometriais etc.). 
Caso a paciente relate alguma cirurgia, é pru-
dente caracterizá-la quanto à localização, tem-
po, motivo, se houve alguma complicação e co-
lher informações que o médico tenha dado na 
época. Não se pode deixar de investigar acerca 
de doenças sexualmente transmissíveis.
4.4. História sexual 
A investigação abrange informações so-
bre a regularidade das relações sexuais, idade 
quando da primeira relação, o número de par-
ceiros, se ela utiliza condon em suas relações ou 
outro método anticoncepcional e se apresenta 
algum sintoma durante as relações. Dependen-
do da receptividade da paciente em relação 
a essas perguntas, o médico pode pesquisar 
também em relação ao orgasmo e ao grau de 
satisfação dela em relação a seu parceiro. Se a 
paciente já estiver no climatério é importante 
perguntar sobre libido, orgasmo e se apresenta 
algum sintoma durante a relação sexual como 
(dispareunia ou sinusiorragia).
4.5. História familiar 
É dirigida aos aspectos genéticos e am-
bientais que podem de alguma forma interferir 
na saúde de sua paciente. As causas de morte 
de parentes de primeiro grau são importantes 
na história da paciente. Algumas condições 
devido a sua prevalência e importância clínica 
não podem deixar de ser investigadas como: 
diabetes, hipertensão arterial, câncer genital, 
gravidezes múltiplas, tuberculose, cardiopatias, 
anormalidades congênitas, entre outras.
4.6. Revisão de sistemas 
Essa parte da anamnese serve para o en-
trevistador indagar sobre sintomas que ainda 
não foram questionados na anamnese e que 
devido a sua importância e prevalência não po-
dem deixar de ser investigados. Durante a in-
vestigação por meio de órgãos e aparelhos, o 
médico não deve demonstrar nenhuma expres-
são com as respostas da paciente, porque isso 
pode induzi-la a responder às perguntas para 
agradar ao médico, com o intuito de assim, 
conseguir algum beneficio com ele. Os órgãos 
e aparelhos que não podem deixar de ser ava-
liados são: gastrintestinal, urinário, endócrino, 
metabólico, cardiovascular e hematopoiético. 
4.7. História passada 
Deve-se pesquisar a história passada de 
alergias, ou de sensibilidade, se a paciente está 
usando ou usou alguma medicação, qual cirur-
gia fez, se já precisou de transfusões de sangue 
ou de derivados, se utiliza ou utilizou tabaco, 
álcool ou drogas ilícitas. 
5. Exame Físico
5.1. Exame das mamas 
Para facilitar a comunicação entre os pro-
fissionais de saúde, a mama é dividida em qua-
 39 Faculdade christus
 Capítulo 2
tro quadrantes, esses são limitados por duas 
linhas imaginárias que passam pelo mamilo de 
forma perpendicular, formando-se assim o qua-
drante superior externo e interno e o quadrante 
inferior externo e interno. 
Figura 1- Frequência de câncer mamário 
nos respectivos quadrantes.
 
Para iniciar o exame clínico das mamas é 
necessário explicar o procedimento a paciente. 
O exame inicia-se com a inspeção estática; para 
isso, a paciente deve estar sentada com os bra-
ços paralelos ao corpo; é necessário que as duas 
mamas estejam descobertas, pois é fundamen-
tal a comparação de uma mama com a outra. O 
médico descreve as mamas quanto à forma, ao 
volume, a simetria, aos contornos, a cor, ao pa-
drão venoso, a presença de mamas supranume-
rárias e edema. Os mamilos e aréolas são des-
critos quanto ao tamanho, à forma, à simetria, à 
inversão, à eversão e a descargas. Inicia-se en-
tão a inspeção dinâmica; nessa etapa solicita-se 
à paciente que pressione suas mãos contra o 
quadril; com essa manobra podemos perceber 
melhor se há alguma retração mamária. Depois, 
pede-se à paciente para levar as mãos até a ca-
beça; com isso podemos perceber melhor se há 
alguma massa; a paciente é orientada a ficar em 
uma posição fletida com o intuito de deixar as 
mamas pêndulas; com isso, veem-se melhor as 
retrações, caso existam.
Mamas desenvolvidas
Hipodesenvovimento das 
mamas
Ausência de desenvolvimento
 das mamas
Assimetria mamária
Pelos periareolares, 
Galactorreia
Anatomia topográfica
da mama
5.1.1. Exame dos linfonodos 
A paciente deve ser informada sobre o 
procedimento e permanecer sentada de fren-
te para o médico; para palpar a axila esquerda 
o médico deve segurar o antebraço esquerdo 
da paciente com a mão esquerda enquanto a 
direito palpa a região, esse tipo de posiciona-
mento facilita a palpação porque relaxa a mús-
culo peitoral. A palpação começa na região mais 
inferior e à medida que o médico movimenta o 
braço da paciente mais para medial, a palpação 
vai subindo para uma posição mais superior. As 
regiões supra e infraclaviculares também são 
palpadas. Essa palpação busca principalmente a 
presença de linfonodos, tendo em vista que a 
região axilar é um sítio frequente de metástase 
de cânceres mamários.
40 Faculdade christus
Capítulo 2
5.1.2. Palpação das mamas 
O examinador deve explicar para a paciente 
o procedimento que será feito; a paciente é então 
orientada a deitar-se na cama e a colocar o braço 
correspondente à mama que será examinada na 
cabeça, o uso de uma toalha sob o ombro pode 
facilitar o exame, o médico inspeciona novamente 
as mamas da paciente. Após terminar a inspeção, 
cobre-se uma mama e realiza-se a palpação da 
outra. Há três técnicas para a palpação das ma-
mas; a primeira é conhecida como “raio de roda”; 
nessa técnica, a palpação tem início no mamilo, o 
examinador vai palpando na direção de 12 horas 
e depois voltar sobre essa mesma linha, depois 
vai para a posição de uma hora e assim sucessi-
vamente. A segunda é conhecida como “circulo 
concêntrico”. Nessa técnica, a palpação também 
se inicia no mamilo, só que o exame prossegue 
de maneira circular e contínua. Qualquer lesão en-
contrada por uma dessas duas técnicas é descrita 
como a distância até o mamilo na hora do relógio, 
por exemplo, nódulo em mama esquerda a 1cm 
do mamilo às 3 horas. A terceira técnica é conhe-
cida como faixa vertical ou grade; nesta técnica, 
a mama é dividida em oito ou nove faixas, cada 
uma tendo a largura de um dedo; o médico apal-
pa com os três dedos do meio que estão unidos 
e um pouco fletidos, a palpação dá-se com uma 
intensidade de pressão leve, moderada e profun-
da, por demandar muito tempo essa técnica não é 
utilizada durante o exame clínico, mas é a ideal para 
o autoexame das mamas. Após apalpar a mama, o 
mamilo é examinado;primeiro, faz-se a inspeção 
à procura de retrações, fístulas ou descamação. 
Deve-se ordenhar o mamilo para buscar a presen-
ça de descargas, para isso, deve-se colocar uma 
mão em cada lado do mamilo e fazer uma leve 
compressão; se a paciente, ela mesma quiser fa-
zer, deve ser orientada sobre como deve ser feito 
e ser permitido que ela o faça. 
 
5.1.3. Documentando massas mamárias 
Qualquer achado de massa durante o 
exame físico das mamas deve ser caracterizado 
da seguinte maneira:
 ƒ Localização: qual o quadrante e a distância 
até o mamilo.
 ƒ Tamanho: deve ser dado em cm. 
 ƒ Forma: arredondado, discoide, lobulado, es-
trelado, regular ou irregular.
 ƒ Consistência: firme, macia, pétrea.
 ƒ Sensibilidade: muita ou pouca dor.
 ƒ Mobilidade: móvel (todas as direções), aderi-
dos a planos superficiais (pele) ou profundos 
(fáscia subjacente).
 ƒ Bordos: bem, moderadamente ou mal definidos.
 ƒ Retrações: presentes ou ausentes.
 ƒ Contornos: alterados ou preservados. 
5.1.4. Autoexame das mamas 
O médico deve encorajar todas as suas pa-
cientes acima de 20 anos de idade a realizar o auto-
exame das mamas mensalmente, o exame deve ser 
feito 2-3 dias a uma semana após a menstruação. 
Para as mulheres pós-menopausais é aconselhável 
que elas escolham um dia do mês para a realização 
do exame; assim, fica mais difícil de elas esquecerem.
 
5.2. Exame do abdome 
Algumas patologias ginecológicas podem 
apresentar repercussões sobre o peritônio poden-
do evoluir de forma fatal; por isso, o exame abdo-
minal é tão importante em ginecologia. O abdome 
costuma ser dividido em nove regiões (ver figura 4). 
Figura 4 - Divisão do abdome em regiões.
5.2.1. Inspeção 
A paciente deve estar em decúbito dor-
sal, com a região do ventre descoberta, o mé-
dico posiciona-se de preferência à direita. O 
abdome é então descrito quanto às caracterís-
ticas da pele, quanto à forma, quanto à sime-
tria, quanto ao volume e quanto à presença de 
circulação colateral. 
5.2.2. Palpação 
Superficial: é realizada na mesma posição da ins-
peção, o médico palpa com as mãos espalma-
das, visando caracterizar a parede abdominal. 
 41 Faculdade christus
 Capítulo 2
Profunda: é realizada a fim de identificar áreas 
dolorosas e massas. Percussão: é uma forma de 
complementar a palpação; com ela, é possível 
distinguir tumores sólidos, lesões císticas ou 
alças intestinais através dos sons maciços ou 
timpânicos. Por fim, a ausculta visa identificar 
os ruídos hidro-aéreos assim como sopros. Na 
ginecologia, pode ser utilizada ainda para dife-
renciar uma massa de uma gravidez. 
5.3. Exame pélvico 
Para a realização do exame pélvico, é 
necessário que o médico trate a paciente com 
respeito. O médico deve ter o cuidado de expli-
car como será o procedimento. Para a realiza-
ção desse exame, a paciente pode ficar em uma 
mesa ginecológica na posição litotômica, essa 
posição é obtida da seguinte forma, solicita-se 
à paciente que fique em decúbito dorsal com 
os glúteos próximo ao fim da mesa, os pés são 
colocados nos apoios, as coxas fletidas sobre o 
quadril com o intuito de reduzir a tensão dos 
músculos abdominais; os joelhos são fletidos e 
afastados o máximo possível.
5.4. Genitália externa 
Na inspeção, o médico atenta para os 
pelos pubianos em relação a sua distribuição 
(androide ou ginecoide), a quantidade e as suas 
características. Inspeciona e palpa os grandes e 
pequenos lábios, descrevendo a cor, simetria, 
tamanho, forma, se há descarga, corrimento, si-
nais flogísticos e escoriações.
Figura 5 - Genitália externa.
5.4.1. Inspeção do clitóris 
Busca-se a presença de lesões e avalia-se 
o seu tamanho.
5.4.2. Inspeção do meato uretral e vestíbulo 
vaginal 
O médico avalia a presença de pus ou 
secreção; se estiver presente busca a fonte. O 
material deve ser colhido e espalhado sobre 
uma lâmina para posterior análise. Massas e si-
nais flogísticos também são pesquisados, assim 
como pólipos ou fístulas.
5.4.3. Palpação à glândula de Bartholin 
O médico deverá estar utilizando luvas lu-
brificadas. A glândula do lábio direito deve ser 
palpada com a mão direita, o dedo indicador 
é colocado na vagina e o polegar fica fora; a 
glândula esquerda deve ser palpada com a mão 
esquerda. O normal é que elas não sejam vistas 
nem palpadas, qualquer sensibilidade na região 
deve ser notada e caracterizada. O médico após 
palpar a glândula deve pedir à paciente que 
aperte o óstio vaginal contra seus dedos com o 
intuito de avaliar a musculatura vaginal.
 
5.4.4. Distopias genitais 
Enquanto o médico deprime o períneo e 
separa os grandes lábios, solicita-se à pacien-
te que tussa ou faça força para baixo; com isso, 
pode-se notar se há abaulamento nas paredes 
vaginais em decorrência da descida de algum 
órgão; por exemplo, um abaulamento na pare-
de vaginal anterior pode ser decorrente de que-
da da bexiga. Nesse caso, temos uma cistocele, 
outros exemplos são: uretrocele, retocele.
5.4.5. Inspecione o períneo e o ânus 
A inspeção busca identificar tumores, ci-
catrizes, sinais flogísticos, fissuras e fístulas. Já 
no ânus buscam-se hemorróidas, sinais flogísti-
cos e fissuras. É necessário descrever as caracte-
rísticas da pele de ambas as estruturas.
5.5. Genitália interna
5.5.1. Exame especular 
Nesse exame, é necessário o espéculo, o 
mais usado é o de metal, conhecido como Cusco 
ou bivalvar, que consiste em duas valvas articula-
das, ao se colocar na vagina e após serem afas-
tadas; permitem a visualização dessa estrutura e 
da cérvice; esse tipo de espéculo existe em dois 
tipos: o de Graves, em que as valvas são mais lar-
gas apresentando curvas nas laterais (usado na 
42 Faculdade christus
Capítulo 2
maioria das mulheres), e o de Pedersen, em que 
as valvas são mais estreitas e achatadas, esse tipo 
é utilizado em mulheres com o introito vaginal pe-
queno. Há também o espéculo feito de plástico, 
mas que são pouco utilizados no Brasil.
5.5.2. Inserindo o espéculo 
O médico deve falar com a paciente ex-
plicando o procedimento que irá realizar, deve 
apresentar-lhe o espéculo e encostá-lo na perna 
dela, para que ela possa sentir a temperatura do 
instrumento. O médico deve inserir o espéculo 
em um ângulo de 45 graus em relação à vertical; 
o espéculo deve estar na mão direita do médico, 
enquanto os dedos esquerdos indicador e médio 
separam os lábios e deprimem o períneo. O espé-
culo é inserido fechado e calmamente até o fundo 
da vagina; quando chegar nessa posição, o espé-
culo deve ser rodado de volta à horizontal de tal 
forma que o cabo fique apontando para baixo. O 
médico vai abrindo calmamente o espéculo; com 
isso, é possível visualizar a cérvice e a vagina.
5.5.3. Inspeção do colo uterino 
A inspeção do colo uterino verifica a cor, posi-
ção, tamanho, características da superfície, ulcerações, 
massas, sinais flogísticos, corrimento, tamanho e for-
ma do orifício externo do colo. Colher papanicolaou.
Colo padrão, normal, com 
muco límpido periovulatório
Exame especular mostran-
do pólipo cervical
Colo uterino eliminando 
pus, sugestivo de cervicite
Câncer de colo uterino 
(NIC 3)
Ectopia cervical
Coleta da citologia oncótica cérvico vaginal: A. coletar material do endocervice com 
escova endocervical. B. Coleta do mateial da JEC ( junção escamo-colunar) com 
espátula de ayre e C. disposição do material na lâmina
5.5.4. Inspecione as paredes vaginais
Com o espéculo ainda na vagina, o médi-
co inspeciona as paredes vaginais buscando a cor, 
as características da superfície, secreções, sangra-
mentos, úlceras e placas de monília. Ao se retirar 
o espéculo, o médico deve visualizar as paredes 
anterior e posterior da vagina. Para retirar o es-
péculo, é necessário fechá-lo,mas não comple-
tamente; em seguida, ele deve ser rodado a um 
ângulo de 45 graus em relação à vertical e então 
ser retirado lentamente.
5.6. Toque bidigital 
O médico posiciona-se entre as pernas 
da paciente; deve estar utilizando uma luva de 
procedimentos lubrificada em sua mão direi-
ta. Após isso, coloca então os dedos indicador 
e médio da mão direita na vagina, o dedão é 
estendido e os outros dedos fletidos. Começa 
então a palpar as paredes vaginais à procura de 
áreas de sensibilidade e lesões como massas, 
cistos ou nódulos. A mão esquerda deve estar 
no abdome, mais precisamente a um terço da 
distância da sínfise púbica, a cicatriz umbilical. 
 43 Faculdade christus
 Capítulo 2
A palpação bimanual então ocorre da seguinte 
forma: a mão direita empurra os órgãos e a es-
querda apalpa.
5.6.1. Palpação do colo uterino 
A palpação do colo uterino não é dolorosa 
e ele é móvel mais ou menos de 2 a 4cm em to-
das as direções; qualquer restrição ao movimen-
to ou sensibilidade dolorosa deve ser investiga-
da. O médico descreve-o quanto ao tamanho, a 
forma e o comprimento, a posição, a mobilidade 
(se dolorosa ou não) e quanto à permeabilidade.
5.6.2. Palpação do útero 
O médico empurra a cérvice superior e 
posteriormente, dessa forma ele é mais bem 
palpado. O útero é então sentido entre as duas 
mãos e é descrito quanto à localização, ao ta-
manho, a forma e contornos, a consistência, a 
mobilidade e a sensibilidade.
5.6.3. Palpação dos anexos 
A mão direita é dirigida para o fórnice es-
querdo ou direito e a mão esquerda é dirigida 
para o quadrante inferior esquerdo ou direito, 
dependo de qual lado será palpado primeiro. A 
palpação busca a presença de massa; no entan-
to, é necessário descrever o tamanho, a forma, 
a consistência, a mobilidade e a sensibilidade. 
Com exceção dos ovários, as outras estruturas 
anexiais não são dolorosas à palpação, após ter-
minar um lado, apalpe o outro lado. Palpe os 
ligamentos uterosacrais e o fundo de saco de 
Douglas no fórnice posterior. Após retirar as lu-
vas, o médico deve analisar se há alguma secre-
ção ou sangue na luva.
5.6.4. Exame retovaginal 
Essa técnica permite melhor avaliação da 
porção posterior e do fundo de saco de Douglas. 
O médico deve colocar uma luva de procedi-
mentos lubrificada em sua mão direita; o dedo 
indicador é inserido na vagina, indo o mais lon-
ge possível na superfície da parede posterior; o 
dedo médio é colocado no ânus. Se a paciente 
for virgem pode ser utilizado somente o dedo 
médio no ânus. O tônus do esfíncter anal é ava-
liado. O septo retovaginal é palpado e descrito 
quanto à presença de: espessamento, nódulos, 
fístula, massas e áreas dolorosas. Nessa oportu-
nidade, o médico palpa a face posterior do úte-
ro, os paramétrios, descrevendo-os. A parede do 
reto é palpada buscando-se massas, pólipos, nó-
dulos, estreitamentos, irregularidades e sensibili-
dade dolorosa. Após retirar os dedos da vagina 
e do reto, analise as secreções existentes na luva.
D- Referências Bibliográficas
CULLINS, E.V.; PLUMBO, M; ROBIN, A; SCHNARE, 
S. Communicating with patients a quick ref-
erence guide for clinicians. Washington,DC: 
Association of Reprodutive Health Professionals 
(ARHP), 2000. 
LÓPEZ, M. Anamnese. In: MARIO LÓPEZ, MEDEI-
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nóstico clínico. Rio de janeiro: Revinter, 2004. 
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MEDEIROS, J.L. Exame físico. In: MARIO LÓPEZ, 
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osso púbico
bexiga
útero
vagina
ânus
cervix
44 Faculdade christus
Capítulo 2
SWARTZ, M.H. As questões da anamnese. In: 
______. Tratado de semiologia médica história 
e exame clínico. Rio de janeiro: Saunders Else-
vier, 2006. p. 3-36.
SWARTZ, M.H. Exame físico. In: ______. Tratado 
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co. Rio de janeiro: Saunders Elsevier, 2006. p. 
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SWARTZ, M.H. Respostas dos pacientes. In 
______. Tratado de semiologia médica história 
e exame clínico. Rio de janeiro: Saunders Else-
vier, 2006. p. 37-54.
cApítulo 3
FARMACOLOGIA APLICADA À
PRÁTICA GINECOLÓGICA
Manoel Cláudio Azevedo Patrocínio
Paulla Sátiro Timbó
Thiago Emannoel Nogueira Ramos
A- PROBLEMA 
Paciente, L.M.S, 24 anos, natural e proce-
dente de Fortaleza, solteira, secretária, sexual-
mente ativa, múltiplos parceiros, G1P0A1, faz uso 
de anticoncepcional oral há 2 anos e refere não 
utilizar preservativo. Deu entrada na emergên-
cia com dor intensa em baixo-ventre associada 
a náuseas, vômitos, febre 39,5 ºC. Queixava-se 
de disúria, corrimento vaginal muco-purulen-
to e dispareunia havia 2 semanas, entretanto, 
não procurou atendimento médico tendo fei-
to uso de penicilina benzatina IM. Refere que 
há 24 horas a dor aumentou de intensidade e 
se apresentou associada a náuseas, vômitos e 
febre de 39,7 ºC. Ao exame físico, encontrava-
-se orientada, agitada, pálida +/4, sudoreica, 
taquicárdica, PA 100x60 mmHg, com fácies de 
dor e sinais de irritação peritoneal, apresen-
tando dor à mobilização de colo uterino e à 
palpação de anexos.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Conhecer os principais antibióticos utiliza-
dos em Ginecologia.
2. Conhecer os principais mecanismos de ação 
dos mesmos
3. Selecionar um tratamento antibióticos ba-
seado na sensibilidade dos agentes etioló-
gicos prevalentes aos mesmos.
4. Conhecer os vários protocolos de tratamen-
to da DIP.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Antimicrobianos 
 X β- Lactâmicos
Os antibióticos β-lactâmicos têm como 
principal característica a presença do grupa-
mento químico heterocíclico denominado anel 
β-lactâmico. Apresentam atividade bacterici-
da resultante da inibição da síntese da parede 
celular. Pertencem a esse grupo as penicilinas 
(naturais e semissintéticas), cefalosporinas, car-
bapenéns, monobactâmicos e suas associações 
com inibidores de beta-lactamase.
As penicilinas interferem em uma etapa 
específica da síntese da parede celular bacteria-
na. Os antibióticos β-lactâmicos têm estrutura 
análoga à terminação de um pentapeptídeo 
que serve de substrato às proteínas ligantes da 
penicilina (PBP), e se ligam de forma covalente 
a estas proteínas inibindo a reação de transpep-
tidação o que leva a um bloqueio da síntese da 
parede celular, bem como ao bloqueio de outros 
tipos de PBPs, o que acarreta um desequilíbrio 
entre a montagem do peptidoglicano e a ativi-
dade de autolisinas que decompõem a parede 
celular, levando o micro-organismo à morte.
O mecanismo mais comum de resistência 
é a produção de β-lactamases que clivam o anel 
β-lactâmico levando à perda da atividade anti-
bacteriana. Outra forma é a alteração das PBPs-
-alvos que passam a ter baixa afinidade pelos 
β-lactâmicos, mecanismo usado por algumas 
cepas de enterococos e estaficocos resistentes 
ao grupo da meticilina, os quais são resistentes 
46 Faculdade christus
Capítulo 3
a todos os β-lactâmicos. Bactérias gram-nega-
tivas também podem reduzir a penetração dos 
β-lactâmicos por meio da redução do número 
de porinas por onde o fármaco penetra ou por 
meio de bombas de efluxo que transportam 
β-lactâmicosdo periplasma de volta à mem-
brana externa. Os β-lactâmicos não têm efeito 
em bactérias que não possuem peptidoglicano 
como Mycoplasma e Chlamydia e como não pe-
netram bem no interior das células não afetam 
micro-organismos que são parasitos intracelu-
lares como Rickettsia e Legionella.
 X Penicilinas
As penicilinas consistem em um anel tia-
zolidina ligado a um β-lactâmico modificado por 
cadeia lateral variável que confere propriedades 
farmacológicas e espectro de ação variável en-
tre as penicilinas. Possuem ampla distribuição 
nos tecidos e líquidos corporais e geralmente 
têm absorção rápida atingindo sua concentração 
máxima no plasma usualmente dentro de uma 
hora e meia-vida curta entre 30-90min e a dose 
deve ser ajustada de acordo com a função renal 
(também com a função hepática caso haja insu-
ficiência renal). A absorção via oral (VO) de peni-
cilinas é afetada por alimentos os quais devem 
ser administradas por esta via 1-2 horas antes 
ou depois de o paciente se alimentar (exceto a 
amoxicilina). São classificadas de acordo com seu 
espectro de atividade antimicrobiana em: Penici-
lina G, Penicilinas antiestafilocócicas, aminopeni-
cilinas e Penicilinas de espectro expandido.
As reações adversas são relativamente 
comuns, estimando-se que 3 a 10% das pesso-
as são alérgicas a esses agentes. Pessoas alér-
gicas a uma penicilina devem ser consideradas 
alérgicas a todas as penicilinas, e alergia cruza-
da pode se estender a outros β-lactâmicos. Os 
efeitos adversos mais comuns são reações de 
hipersensibilidade. As manifestações de alergia 
à penicilina incluem: febre, distúrbios hema-
tológicos, doença do soro, nefrite intersticial, 
erupções cutâneas de todos os tipos, vasculites, 
dermatite esfoliativa, eritema multiforme exsu-
dativo, angioedema e anafilaxia. Destas, a mais 
temida é a anafilaxia; contudo, é rara.
Penicilina G
Possui três apresentações: cristalina, pro-
caína e benzatina. Devido à instabilidade em pH 
ácido, não há apresentação oral destes compos-
tos. A penicilina G atinge rapidamente sua con-
centração máxima no plasma, porém também 
é rapidamente excretada. Então, para prolongar 
sua permanência no corpo e reduzir o número 
de aplicações são utilizadas as preparações de 
depósito, que incluem as penicilinas procaína e 
benzatina que têm administração intramuscular 
(IM) e são formuladas para retardar sua absor-
ção, resultando em concentrações sanguíneas 
relativamente mais baixas, porém persistentes. 
A penicilina G procaína quando administrada 
em grandes doses pode levar a concentrações 
tóxicas de procaína no plasma. 
O espectro de ação inclui cocos gram-po-
sitivos e negativos sensíveis como estreptoco-
cos (mas S.pneumoniae e S. viridans resistentes 
à penicilina estão se tornando mais comuns), 
estafilococos não produtores de β-lactamases, 
espécies de enterococos (mas é cada vez mais 
comum enterococos resistentes a β-lactâmicos) 
e meningococo (a N. gonorrhoeae que no pas-
sado era sensível, hoje tem a maioria das cepas 
resistentes). Também têm ação contra bastone-
tes gram-positivos, anaeróbios gram-positivos 
(exceto C.difficile) e gram-negativos não produ-
tores β-lactamases (a maioria das cepas de B. 
fragilis é resistente) e espiroquetas.
Na prática ginecológica a penicilina G 
benzatina administrada por via IM é a droga de 
escolha contra a sífilis.
Penicilinas antiestafilocócicas
São representantes dessa classe a oxacili-
na, cloxacilina, dicloxacilina, nafcilina, meticilina 
(esta não é mais utilizada). Essa classe tem re-
síduos volumosos em suas cadeias laterais que 
evitam sua ligação com as β-lactamases. As indi-
cações clínicas limitam-se ao tratamento de in-
fecções ocasionadas por estafilococos produto-
res de β-lactamases (grande maioria das cepas), 
porém já existem cepas de S. aureus e S. epider-
midis que são resistentes ao grupo da meticili-
na. Caso o antibiograma indique que o agente 
é susceptível à penicilina G este deve ser usado 
como agente preferencial. Em infecções graves 
por estafilococos, estas penicilinas devem ser 
administradas apenas por via endovenosa (EV). 
Essa classe apresenta excreção hepática não ne-
cessitando de ajuste na insuficiência renal.
Na pratica ginecológica, são utilizadas no 
tratamento de mastites, infecções de tecidos mo-
les, pele e sepse causadas por S. aureus sensíveis.
 47 Faculdade christus
 Capítulo 3
Aminopenicilinas
São representantes desse grupo a ampicili-
na e a amoxicilina que possuem o mesmo espec-
tro e a mesma atividade. Essas aminopenicilinas 
têm o espectro de atividade semelhante ao da 
penicilina G, mas devido à sua cadeia lateral ami-
no que aumenta sua hidrofilia, possuem maior 
capacidade de penetrar na membrana externa 
de gram-negativos entéricos. Contudo, devido 
à sua vulnerabilidade às β-lactamases, muitas 
bactérias gram-negativas, são hoje, resistentes. A 
amoxicilina apresenta melhor absorção intestinal 
que a ampicilina e não é afetada por alimentos.
A administração desses fármacos asso-
ciados a um inibidor de β-lactamase expande o 
espectro de ação destes fármacos que passam a 
ter maior atividade contra S. aureus, H. influen-
zae, algumas enterobactérias e anaeróbios (in-
cluindo Bacteroides spp). 
Na prática ginecológica, as aminopenicili-
nas são utilizadas no tratamento de infecções do 
trato urinário (ITU) não complicadas e no caso de 
ITU complicada durante o tratamento hospitalar, 
em associação com inibidores de β-lactamases 
ou à gentamicina. A ampicilina/sulbactam (asso-
ciada à doxiciclina) também pode ser usada no 
tratamento parenteral da DIP.
Penicilinas de espectro expandido
Nessa classe estão contidas as carboxipe-
nicilinas e as ureidopenicilinas. Elas ampliam o 
espectro de ação das aminopenicilinas devido 
às suas cadeias laterais que permitem maior pe-
netração em gram-negativos, mostrando-se ati-
vos contra espécies de P. aeruginosa e algumas 
enterobactérias resistentes à ampicilina, mas 
também são sensíveis às β-lactamases.
As carboxipenicilinas, carbenicilina e ticar-
cilina, são inferiores à ampicilina contra cocos 
gram-positivos e não têm ação contra Klebsiella. 
As ureidopenicilinas representadas pela mezlo-
cilina e piperacilina têm espectro semelhante ao 
das carboxipenicilinas, mas mantêm a excelen-
te atividade das aminopenicilinas contra cocos 
gram-positivos e também são ativas contra Kle-
bsiella. Devido à tendência da P.aeruginosa de-
senvolver resistência durante monoterapia, as 
infecções graves por esse patógeno costumam 
ser tratadas por combinações de antibióticos de 
efeitos sinérgicos como um β-lactâmico anti-
-pseudomonas mais um aminoglicosídeo ou 
uma quinolona anti-pseudomonas.
Ticarcilina e piperacilina também são 
disponíveis em associação com inibidores de 
β-lactamase, ampliando o potencial antimicro-
biano destes fármacos. Apresentam atividade 
contra a maioria das bactérias aeróbicas gram-
-positivas e gram-negativas, bem como contra 
todas bactérias anaeróbias, exceto o C. difficile.
Na prática ginecológica, as penicilinas de 
espectro expandido são utilizadas associadas a 
inibidores de β-lactamase via EV no tratamento 
hospitalar da ITU complicada e também em infec-
ções intra-abdominais e pélvicas e na septisemia. 
 X Cefalosporinas
As cefalosporinas consistem em um anel 
de 7-aminocefalosporânico ligado a um anel 
β-lactâmico e que apresenta duas cadeias la-
terais em que pode ser modificado, o que con-
fere propriedades farmacológicas e espectro 
de ação variável entre as cefalosporinas. Este 
anel de 7-aminocefalosporânico é mais resis-
tente à clivagem por β-lactamases do que o de 
tiazolidina das penicilinas, mas β-lactamases 
de bactérias gram-negativas podem degradar 
muitas cefalosporinas. 
Assim como as penicilinas, exercem seus 
efeitos através da ligaçãoe da inibição das 
PBPs, mas algumas bactérias como a Listeria 
monocytogenes, enterococos, S. pneumoniae 
resistente à penicilina, S. aureus resistente e S. 
epidermidis resistentes ao grupo da meticilina 
produzem PBPs que não se ligam com alta afini-
dade às cefalosporinas assim estes micro-orga-
nismos são resistentes a todas as cefalosporinas. 
Algumas bactérias como Enterobacter, Citrobac-
ter, Providencia e Morganella spp. contêm uma 
β-lactamase AmpC cromossomicamente codifi-
cada e induzível, algumas cepas mutantes des-
sas bactérias que expressam constitutivamente 
altos níveis desta β-lactamase, podem ser se-
lecionadas pelo tratamento com cefalosporinas 
de terceira geração, tornando-se resistentes a 
todos os β-lactâmicos incluindo suas associa-
ções com inibidores de β-lactamase, sendo sen-
síveis apenas aos carbapenéns.
A maioria tem excreção predominante-
mente renal, sendo necessário ajustar sua dose 
à função renal. Em relação ao espectro de ação 
das cefalosporinas, podem ser feitas algumas ge-
neralizações (mas que apresentam exceções): Os 
agentes de primeira geração apresentam melhor 
atividade contra bactérias aeróbicas gram-positi-
48 Faculdade christus
Capítulo 3
vas e a cada geração se tem uma atividade mais 
ampla contra bactérias gram-negativas. 
As cefalosporinas têm como atrativo sua 
pequena toxicidade. Os efeitos colaterais mais 
comuns são reações de hipersensibilidade a ce-
falosporinas, idênticas às das penicilinas, mas 
raramente estes agentes causam reação de hi-
persensibilidade imediata (exantema, urticária 
e a reação adversa mais temida a anafilaxia). 
Cerca de 5% dos indivíduos alérgicos à penici-
lina também têm reação às cefalosporinas, de 
forma que indivíduos com história de reação 
de hipersensibilidade imediata grave à penicili-
na não devem ser tratados com cefalosporinas. 
Cefotetano e cefoperazona podem causar hipo-
proteinemia, distúrbios hemorrágicos e quando 
usados com álcool podem causar reações gra-
ves do tipo dissulfiram. 
Primeira geração
Esse grupo inclui cefadroxil, cefazolina, ce-
falexina, cefalotina, cefapirina e cefradina. Essas 
drogas são muito ativas contra cocos aeróbios 
gram-positivos como estreptococos e estafiloco-
cos, mas têm atividade limitada contra as bacté-
rias anaeróbias e contra as gram-negativas, ape-
sar disso algumas cepas de E. coli, K. pneumoniae 
e Proteus mirabilis são susceptíveis. Dentre as de 
administração parenteral, a cefazolina é preferi-
da, pois pode ser administrada com menor fre-
quência. A cefalotina e a cefapirina causam dor 
quando administradas por via IM, portanto cos-
tumam ser administradas via EV.
Segunda geração
Esse grupo inclui cefaclor, cefamandol, 
cefonicida, cefuroxima, cefprozil, loracarbef, 
ceforanida e as cefamicinas (o que inclui ce-
foxitina, cefmetazol e cefotetano). As cefalos-
porinas de segunda geração em geral são tão 
ativas quanto os agentes de primeira geração, 
enquanto que as cefamicinas têm atividade li-
mitada contra este grupo de bactérias, contudo 
são mais ativas contra bactérias anaeróbicas, 
especiamente B. fragilis. As cefalosporinas de 
segunda geração, em comparação com as de 
primeira, têm maior atividade contra bactérias 
aeróbias gram-negativas, de forma que além 
de maior potência contra enterobactérias que 
poderiam ser susceptíveis as de primeira gera-
ção, também têm ação contra Neisseria spp e as 
cefalosporinas também são ativas contra H. in-
fluenzae. A cefoxitina deve ser utilizada apenas 
profilaticamente, pois pode induzir a produção 
de β-lactamases cromossômicas que podem hi-
drolisar outras cefalosporinas de segunda e ter-
ceira gerações.
Na prática ginecológica, as cefalospori-
nas de primeira e segunda geração podem ser 
utilizadas no tratamento de ITUs, no tratamen-
to de infecções de pele ou de tecidos moles 
e na profilaxia cirúrgica. A cefalexina também 
pode ser usada no tratamento ambulatorial da 
mastite. As cefamicinas podem ser utilizadas 
associadas à doxiciclina no tratamento paren-
teral da DIP.
Terceira geração
Esse grupo inclui cefoperazona, cefota-
xima, ceftazidima, ceftizoxima, ceftriaxona, ce-
fixima, cefpodoxima proxetil, cefditoreno, cef-
tibuteno e moxalactama. Apresentam maior 
resistência à β-lactamases e têm maior pene-
tração na membrana externa das bactérias. Re-
têm atividade significativa contra estreptoco-
cos e em comparação com cefalosporinas de 
segunda geração apresentam maior atividade 
e espectro de ação contra bactérias gram-ne-
gativas, incluindo muitas enterobactérias. Tam-
bém possuem atividade contra espiroquetas. A 
ceftizoxima e o moxalactama são os únicos que 
apresentam atividade contra um número sig-
nificativo de bactérias anaeróbias (incluindo B. 
fragilis). A ceftazidima e a cefoperazona são as 
únicas cefalosporinas de 3º geração que apre-
sentam atividade contra P. aeruginosa, porém 
apresentam atividade limitada contra gram-
-positivos em comparação com outras cefalos-
porinas de terceira geração. A cefoperazona e a 
ceftriaxona não necessitam de ajuste da droga 
de acordo com a função renal e a ceftriaxona é 
notável por sua longa meia-vida.
Na prática ginecológica, as cefalospori-
nas de terceira geração são utilizadas no tra-
tamento de ITU complicadas, na sepsemia, e 
quando associadas à doxiciclina no tratamento 
ambulatorial da DIP. A ceftriaxona também é 
utilizada contra cancro mole, infecção de fa-
ringe, cérvice, uretra, reto e disseminada por 
gonococo, e é uma alternativa no tratamento 
da sífilis. A cefixima também pode ser utilizada 
contra cervicites e uretrites por gonococo. O 
ministério da saúde recomenda tratar simulta-
neamente gonorreia e chlamydia.
 49 Faculdade christus
 Capítulo 3
 X Carbapenéns
Estes antibióticos estão entre os mais 
amplamente ativos contra micro-organismos 
resistentes a outros agentes, sendo muitas ve-
zes utilizados como a última linha de defesa. A 
estrutura consiste em um anel β-lactâmico fun-
dido a um anel de 5 membros, diferente da tia-
zolidina. As moléculas de carbapenéns são mui-
to pequenas e têm certas características que as 
permitem utilizar porinas especiais na membra-
na externa de bactérias gram-negativas, tam-
bém são resistentes à clivagem pela maioria das 
β-lactamases e apresentam afinidade contra 
amplo espectro de PBPs. Esse grupo é represen-
tado por imipeném, meropeném, ertapeném. 
O imipeném é ativo contra muitas espé-
cies de bactérias patogênicas aeróbicas gram-
-positivas (incluindo S. pneumoniae resistentes à 
penicilina) e gram-negativas tendo notável ação 
contra enterobactérias (incluindo muitas das alta-
mente resistentes) e P. aeruginosa. Também têm 
excelente cobertura anaeróbica (mas não são ati-
vas contra C. difficile). O meropeném tem espectro 
de ação essencialmente igual ao do imipeném. O 
ertapeném é menos ativo contra bactérias aeróbi-
cas gram-positivas, P. aeruginosa e Acinetobacter 
spp. em comparação com outros carbapenéns, 
mas tem a vantagem de ser necessária sua admi-
nistração somente uma vez ao dia. O imipeném é 
rapidamente destruído no rim pela enzima desi-
dropeptidase I, de forma que esse fármaco deve 
ser administrado com cilastatina que inibe esta 
enzima; já o meropeném e o ertapeném não são 
afetados por esta enzima. É necessário o ajuste da 
dose de acordo com a função renal. 
As reações adversas mais comuns são 
náuseas, vômitos, diarreia, exantema e febre. 
Uma complicação mais preocupante são con-
vulsões que ocorrem especialmente em pacien-
te com doença prévia em SNC (o meropeném 
tem menor risco para esta complicação) ou com 
insuficiência renal.
Os carbapenêmicos são agentes impor-
tantes no tratamento de infecções por bactérias 
resistentes a antibióticos; na prática ginecológi-
ca são utilizados no tratamento de infecções de 
ITUscomplicadas e sepse grave.
 X Vancomicina
A vancomicina é um glicopeptídeo com-
plexo. Age também inibindo a síntese da parede 
celular, porém por um mecanismo diferente da pe-
nicilina. Liga-se à porção D-alanil-D-alanina da ca-
deia lateral peptídica evitando que as PBPs tenham 
acesso a elas. É uma molécula muito grande não 
conseguindo passar através das porinas da mem-
brana externa das bactérias gram-negativas, de for-
ma que sua ação é restrita aos gram-positivos ae-
róbicos e anaeróbicos, tendo excelente cobertura 
contra esse grupo sendo eficaz até contra S. pneu-
moniae resistente a penicilina, estafilococos resis-
tentes ao grupo da meticilina e C. difficile. Ainda 
assim existem alguns enterococos que apresentam 
resistência a esse fármaco, devido a uma mudança 
da estrutura da porção da cadeia peptídica à qual 
o fármaco se liga; também já foram identificadas 
falhas clínicas contra L. monocytogenes de forma 
que à vancomicina não deve ser usada contra esse 
micro-organismo. Infelizmente, os grupos de ge-
nes que conferem resistência aos enterococos po-
dem ser transferidos e já foram identificados estafi-
lococos com sensibilidade reduzida a vancomicina, 
essas cepas são resistentes a vários antibióticos, 
sendo um problema grave.
A vancomicina deve ser administrada por 
via parenteral para tratamento de infecções sis-
têmicas, mas pode ser usada por via oral para 
tratamento de infecções intestinais. A dose 
deve ser ajustada de acordo com a função renal. 
Podem causar uma reação de hipersensi-
bilidade com erupções cutâneas e até anafilaxia. 
A infusão rápida pode causar diversos sintomas 
como síndrome do homem vermelho, taquicar-
dia e hipotensão. Concentrações excessivamen-
te elevadas no plasma podem causar perda da 
audição e nefrotoxicidade, devendo-se ter mui-
ta cautela quando esse fármaco é administrado 
com outros que também podem causar ototo-
xicidade e nefrotoxicidade. 
Na prática ginecológica, a vancomicina não 
deve ser utilizada de rotina, sendo indicada para 
tratamento de infecções graves por S. aureus ou 
nas infecções por S. aureus resistentes ao grupo 
da meticilina. Também podem ser usadas em pa-
cientes alérgicos à penicilina e à cefalosporina.
 X Aminoglicosídeos
Os aminoglicosídeos consistem de amino-
açúcares conectados por ligações glicosídicas a 
um anel central que contém grupos amino subs-
tiuintes. São representados por estreptomicina, 
neomicina, canamicina, amicacina, gentamicina, 
tobramicina, sisomicina, netilmicina. Têm ação 
bactericida, inibindo a síntese de proteínas. Sua 
50 Faculdade christus
Capítulo 3
molécula é grande (mas bem menor que a da 
vancomicina, conseguindo passar pelos poros da 
membrana externa de gram-negativos) e polar, a 
carga positiva permite que ele se ligue à mem-
brana externa (que tem carga negativa) causan-
do orifícios transitórios através dos quais o an-
tibiótico se movimenta. Para atingir seu alvo, o 
ribossomo bacteriano, ele ainda precisa penetrar 
a membrana citoplasmática da bactéria, proces-
so que depende do transporte de elétrons que 
gera um potencial de ação (com eletronegativi-
dade no interior da membrana) que impulsiona 
o transporte deste fármaco. Situações de anae-
robiose ou acidez (como ocorre em abscessos) 
comprometem a capacidade da bactéria de 
manter o potencial de membrana e assim com-
prometem o transporte do antibiótico. 
Os aminoglicosídeos estão entre os an-
tibióticos mais antigos, mas ao contrário da 
penicilina têm mantido sua eficácia. Quando 
ocorre resistência pode ser resultado de: acú-
mulo diminuído na bactéria (provavelmente 
devido a bombas de efluxo), alteração da es-
trutura do ribossomo de forma que o amino-
glicosídeo não consegue mais se ligar (esse 
mecanismo é comum para a estreptomicina, 
mas é raro para os outros membros da classe) e 
a produção de enzimas que modificam a droga 
de forma que ela não mais consegue se ligar 
ao ribossomo, que é o mecanismo mais im-
portante. Eles têm excelente atividade contra 
bacilos gram-negativos aeróbicos (incluindo P. 
aeruginosa e enterobactérias), mas têm ação li-
mitada contra gram-positivos aeróbicos e não 
têm ação contra anaeróbicos. Recomenda-se 
que os aminoglicosídeos sejam utilizados com 
outros agentes ativos mesmo contra cepas 
bacterianas sensíveis. Estreptomicina, amicaci-
na, neomicina são ativas contra algumas mi-
cobactérias. Gentamicina e tobramicina têm 
o mesmo espectro de ação. Enterococos são 
resistentes à tobramicina e à amicacina (mes-
mo quando combinadas a agentes sinérgicos). 
A amicacina e netilmicina são mais resistentes 
às enzimas inativadoras de aminoglicosídeos, 
sendo utilizadas em infecções graves por baci-
los gram-negativos resistentes à gentamicina.
Por serem cátions polares não são absor-
vidos pelo TGI. Quando instilados em cavidades 
com superfícies serosas ou quando aplicados to-
picamente por período prolongado sobre solu-
ções de continuidade muco-cutâneas pode ocor-
rer absorção rápida e toxicidade inesperada. A 
administração desse fármaco no final da gravidez 
pode resultar em seu acúmulo no plasma fetal e 
no líquido amniótico, de forma que durante a gra-
videz devem ser usados apenas em situações es-
peciais. Recomenda-se que sejam administrados 
em dose única e que sua concentração plasmática 
seja monitorada, devido aos efeitos adversos que 
podem causar. São quase totalmente excretados 
pelos rins de forma que a dose deve ser ajustada 
de acordo com a função renal. 
Todos os aminoglicosídeos podem induzir 
toxicidade renal, vestibular e coclear, sendo que 
a toxicidade dos aminoglicosídeos tem maior 
probabilidade de ocorrer quando houver con-
centrações persistentemente elevadas no plas-
ma, quando administrados com fármacos que 
também sejam tóxicos para essas estruturas, em 
pacientes com comprometimento pré-existente 
dessas estruturas e em pacientes idosos.
A ototoxicidade é em grande parte irrever-
sível. Quando a lesão é coclear, cursa com zumbi-
do e perda auditiva. Quando a lesão é vestibular, 
cursa com vertigem, perda de equilíbrio e ata-
xia. O comprometimento renal é quase sempre 
reversível após a suspensão da droga e decorre 
da concentração de aminoglicosídeos nas células 
tubulares renais. A toxicidade renal é mais prová-
vel quando administrada em cursos mais prolon-
gados. Reações de hipersensibilidade são raras. 
Na prática ginecológica, utiliza-se os 
aminoglicosídeos associados a outros agentes 
para infecções graves por bactérias aeróbicas. 
A gentamicina associados à ampicilina nas ITUs 
complicadas e associadas à clindamicina no tra-
tamento hospitalar de DIP. 
 X Clindamicina
A clindamicina, introduzida em 1966, é 
um derivado sintético da lincomicina. Apresenta 
estrutura distinta das penicilinas, com um ami-
noácido ligado a um açúcar amino.
A clindamicina liga-se à subunidade 50s 
dos ribossomos bacterianos e inibe a síntese de 
proteína. Dependendo do microorganismo, age 
como bactericida ou bacteriostática. O mecanis-
mo de ação é semelhante aos dos macrolídeos 
e do cloranfenicol.
O espectro de atividade inclui bactérias 
gram-positivas aeróbicas, como muitos estrep-
tococos e estafilococos, e bactérias anaeróbicas 
tanto gram-positivas e gram-negativas, incluin-
 51 Faculdade christus
 Capítulo 3
do B. fragilis e C. perfringens. Não apresenta uti-
lidade para gram-negativos, pois sua membra-
na externa não permite a penetração da droga.
Níveis séricos adequados são atingidos 
após administração oral, IM ou EV. Atravessa 
rapidamente a barreira placentária. Apresenta 
metabolização hepática e excreção na urina, 
na bile e em pequena quantidade nas fezes. A 
dose oral de clindamicina para adultos é de 150 
a 300mg, a cada 6 h e para tratamento de infec-
ções graves é de 300 a 600mg a cada6h.
A principal toxicidade da clindamicina é o 
desenvolvimento de colite pseudomenbranosa 
causada pelo C. difficile, pois essa destrói mui-
tos componentes da flora normal do intestino, 
permitindo o crescimento do agente causador. 
Seu uso está associado também à diarreia não 
causada por C. difficile e à erupções cutâneas mais 
frequentes em pacientes HIV positivos. Outras 
reações menos comuns são síndrome de Ste-
vens-Johnson, elevação dos níveis de enzimas 
hepáticas (ALT e AST), granulocitopenia, trom-
bocitopenia, reações anafiláticas e tromboflebite 
local quando há administração intravenosa. 
A clindamicina não constitui uma droga 
de primeira escolha, mas uma opção terapêu-
tica para pacientes alérgicos à penicilina. Na 
prática ginecológica, é utilizada no tratamento 
de vaginose bacteriana, vaginite inflamatória e 
doença inflamatória pélvica. 
 X Macrolídeos e cetolídeos
O grupo dos macrolídeos consiste na eri-
tromicina descoberta em 1952 e na claritromi-
cina e azitromicina, seus derivados semissintéti-
cos. Possuem uma estrutura química, diferente 
das cefalosporinas e das penicilinas, com um 
anel lactona macrocíclico. A telitromicina é um 
novo fármaco disponível de uma classe estrutu-
ralmente relacionada os cetolídeos, entretanto 
com espectro de ação aumentado. 
Os macrolídeos são bacteriostáticos que 
impedem síntese de proteínas através da liga-
ção à subunidade 50s no cromossomo bacteria-
no. A resistência a esse grupo está se tornando 
comum e resulta de um dos mecanismos: efluxo 
do fármaco por um mecanismo ativo de bom-
ba; produção de enzimas que alteram o local de 
ligação do fármaco; mutação do local de liga-
ção no ribossomo e hidrólise dos macrolídeos 
por enzimas produzidas por determinadas bac-
térias. A telitromicina age também no mesmo 
local, mas tem um aquilaril adicional que se liga 
ao outro local diferente no ribossomo.
São agentes de amplo espectro de ação 
sendo eficazes contra alguns estafilococos e 
estreptococos, bactérias atípicas e algumas mi-
cobactérias e espiroquetas. Bacilos gram-nega-
tivos aeróbicos são resistentes, mas algumas ce-
pas de Haemophilus, Neisseria e Bordetella são 
suscetíveis. A telitromicina é ativa contra cepas 
de S. pneumoniae, S. aureus e S. pyogenes resis-
tentes a macrolídeos.
Apresenta absorção incompleta no intesti-
no delgado, podendo ser retardada pelo alimen-
to que aumenta a secreção de suco gástrico. A 
principal forma de eliminação é a biliar. A dose 
oral de eritromicina para adultos varia de 1 a 2g/
dia fracionadas em 4 doses e a administração IM 
é contra-indicada pela dor no local da injeção.
Os macrolídeos são considerados drogas 
seguras, causando apenas algumas reações ad-
versas leves como febre, eosinofilia, erupções 
cutâneas e sintomas gastrointestinais. A hepa-
tite colestática é o efeito colateral mais notável. 
O uso clínico em ginecologia é indicado 
para portadores de C. trachomatis, H. ducreyii e 
uma alternativa para tratamento da sífilis. 
 X Tetraciclinas e Glicilciclinas
Este grupo é composto pela tetraciclina, 
doxiciclina e minociclina e a estrutura quími-
ca consiste em quatro anéis fundidos com seis 
elementos. A tigeciclina é um membro de uma 
classe relacionada com estrutura semelhante 
apenas com a diferença da adição de um grupo 
glicilamido ao anel terminal de seis elementos 
no núcleo das tetraciclinas. 
São antibióticos bacteriostáticos, pois 
agem inibindo a síntese de proteínas bacte-
rianas através de sua interação a subunidade 
30s do cromossomo bacteriano na qual impe-
dem a ligação de moléculas RNAt carregadas 
de aminoácidos. 
A resistência às tetraciclinas pode ocorrer 
por diminuição do acúmulo do antibiótico, por 
aquisição de genes que codificam bombas de 
efluxo, por genes que codificam proteínas prote-
toras de ribossoma ou por inativação enzimática. 
A diferença estrutural da tigeciclina evita que ela 
sofra a ação de bombas de efluxo bacterianas, 
tornando seu espectro de ação bastante amplo.
52 Faculdade christus
Capítulo 3
A classe é ativa contra algumas bactérias 
gram-positivas aeróbicas, gram-negativas aeró-
bicas e espiroquetas, mas sua maior atividade é 
contra bactérias atípicas. 
A absorção da maioria das tetraciclinas 
é incompleta, sendo sua maior parte no estô-
mago e na parte superior do intestino delgado 
ocorrendo mais em jejum. Atravessam a placen-
ta e são encontradas na circulação fetal e no 
leite materno. A principal via de eliminação é 
renal, mas também biliar. 
Todas as tetraciclinas apresentam como efei-
to adverso irritação gastrintestinal. A colite pseudo-
menbranosa é uma complicação potencialmente 
fatal. Podem ocasionar fotossensibilidade e toxici-
dade hepática e renal. Não devem ser administra-
das a mulheres grávidas e a crianças menores de 8 
anos, pois levam a pigmentação dos dentes. 
Na clínica ginecológica é muito utilizada no 
tratamento de infecções C. trachomatis e N. gonor-
rhoea e terapêutica alternativa para T. pallidum.
 X Quinolonas 
A primeira quinolona disponível foi o 
ácido nalidíxico, um subproduto da síntese da 
cloroquina. Todos os representantes da clas-
se apresentam uma estrutura química com um 
núcleo com estrutura dupla, no qual foi adicio-
nada uma fluorina propiciando um aumento da 
potência, surgindo assim as fluorquinolonas, 
como ciprofloxcina, levofoxacina, ofloxacina, 
monofloxacina e gemifloxacina. 
Atuam inibindo a DNA-girase e a topoi-
somerase IV, enzimas essenciais no processo de 
replicação do DNA bacteriano, portanto levam à 
rápida morte celular. 
Mostram-se eficientes contra amplo es-
pectro bacteriano, sendo altamente ativas con-
tra E. coli e várias espécies de Neisseria, Salmo-
nella, Shigella, Enterobacter e Campylobacter. 
Apresentam atividade contra alguns estafiloco-
cos, entretanto não contra os resistentes à me-
ticiclina e alguns antibióticos dessa classe agem 
contra estreptococos. São ativos também con-
tra bactérias atípicas e algumas micobactérias. 
Muitas bactérias podem apresentar resis-
tência às quinolonas por mutações espontâneas 
nos genes que codificam a DNA-girase e topoi-
somerase ou por expressão de bombas de eflu-
xo. O desenvolvimento de resistência justifica a 
não utilização do medicamento.
A classe apresenta boa absorção após ad-
ministração oral, sofrendo influência do alimento. 
São excretadas predominante pelo rim, entretan-
to moxifloxacino e pefloxacino são metaboliza-
dos pelo fígado. Em adultos, as doses orais são 
de 200 a 750 mg a cada 12hs dependendo da 
droga utilizada e norfloxacino e cirofloxacino 
apresentam meia-vida de 3 a 5 horas.
O uso terapêutico na prática ginecológica 
é para pacientes com N. gonorrhoeae, C. tracho-
matis e H. ducreyi, sendo utilizada também para 
uretrite e cervicite. 
Em geral, são drogas de baixa toxicidade, 
sendo seus efeitos adversos mais comuns sinto-
mas gastrointestinais. Pode apresentar também 
como efeitos colaterais cefaléia leve e tonteira 
e, raramente, alucinações, delírios e convulsões 
em pacientes que recebiam teofilina ou AINEs. 
Podem ocorrer exantema e, em idosos, há re-
latos de ruptura do tendão de Aquiles. É con-
traindicado o uso em grávidas e crianças, pois 
em animais jovens causam anomalias cartilagi-
nosas. O uso foi associado também a prolonga-
mento do intervalo QT.
 X Sulfonamidas e Sulfametoxazol-trimetropima
As sulfas foram um dos primeiros qui-
mioterápicos utilizados para tratamento de in-
fecções no homem no início do século XX. O 
surgimento de novos antibióticos e o desenvol-
vimento crescente de resistência levaram as sul-
fas a ocupar um lugar discreto no arsenal tera-
pêutico do médico. A utilização da combinação 
de trimetropima com sulfametoxazol, contudo 
incrementou o uso das sulfonamidas. 
As sulfonamidas impedem a síntese deacido fólico, visto que são análogos estruturais 
e antagonistas competitivos do ácido para-
-aminobenzóico (PABA); e a trimetropima é um 
poderoso inibidor competitivo seletivo da en-
zima que reduz o diidrofolato a tetraidrofolato, 
a forma ativa do ácido fólico. A combinação 
dos agentes, cotrimoxazol, inibe o crescimento 
bacteriano. A resistência a esse grupo reside no 
fato de bactérias produzirem formas alteradas 
de suas enzimas-alvo ou alterarem sua permea-
bilidade ou formarem PABA em excesso. 
O espectro bacteriano das sulfas é amplo, 
mas por terem sido utilizadas por longo período 
enfrentam o problema da resistência. São efeti-
vas in vitro contra S. pyogenes, S. pneumoniae, H. 
influenzae, H. ducreyi, Nocardia, Actinomyces, C. 
 53 Faculdade christus
 Capítulo 3
trachomatis. O cotrimoxazol é efetivo contra bac-
térias gram-positivas aeróbicas e gram-negativas 
aeróbicas, mesmo com o problema da resistência, 
muitos estreptococos, muitos estafilococos, E. coli, 
Salmonella spp., Shigella spp. são suscetíveis. 
Apresentam boa absorção oral, entretan-
to, a administração concomitante de sulfame-
toxazol e trimetropima pode retardar a absor-
ção do primeiro. As sulfonamidas atravessam 
rapidamente a placenta e alcançam a circulação 
fetal, podendo causar efeitos tanto antibacteria-
nos quanto tóxicos. Apresentam principalmente 
metabolismo hepático e excreção renal. 
Os efeitos colaterais estão associados a 
efeitos gastrointestinais, febre, exantema, leuco-
penia, plaquetopenia, hepatite e hipercalemia. 
Glossite e estomatite são relativamente comuns. 
As sulfas podem levar à cefaleia, depressão e 
alucinações. Indivíduos com AIDS apresentam 
reação de hipersensibilidade quando adminis-
trada a combinação. 
O uso na terapêutica ginecológica limita-se 
ao tratamento de donovanose, cancro mole, linfo-
granuloma venéreo e uretrocistite não complicada.
 X Metronidazol
O metronidazol, um derivado 5-nitroimi-
dazólico, descoberto nos anos 50, apresentava 
ampla atividade contra protozoários anaeróbi-
cos, sendo posteriormente observado que tinha 
atividade clínica contra bactérias anaeróbicas.
Possui em sua estrutura um grupo nitro 
que precisa ser reduzido, ou seja, aceitar elé-
trons para que o metronidazol torne-se ativo. 
Os patógenos anaeróbicos e microaerófilos 
possuem pequenas proteínas Fe-S com baixo 
potencial redox de transporte de elétrons, capa-
zes de doar elétrons ao fármaco, sendo susce-
tíveis ao metronidazol. Pode ocorrer resistência 
por comprometimento da capacidade de remo-
ver oxigênio que diminui a ativação redutiva do 
fármaco ou por menores níveis de proteínas ca-
pazes de doar elétrons. 
O metronidazol é eficaz contra ampla va-
riedade de anaeróbios tanto protozoários para-
sitos como bactérias gram-positivas e gram-ne-
gativas. É efetivo contra T. vaginalis, E. histolytica 
e G. lamblia. É clinicamente eficaz em infecções 
causadas por bactérias aeróbicas como Bacte-
riodes e Clostridium e bactérias microaerófilas 
como Helicobacter e Campylobacter spp. 
O fármaco está disponível em prepara-
ções orais, intravenosa, intravaginal e tópica. 
Apresenta absorção completa e rápida após ad-
ministração oral e distribui-se bem pelo corpo, 
com exceção da placenta. Apresenta meia-vida 
plasmática de 8h. Apresenta, principalmente, 
metabolismo hepático e excreção urinária. A 
dose terapêutica de preferência é 2g em dose 
única, mas para pacientes que não toleram há 
opção de fazer 250mg 3 vezes/dia ou 375 mg 2 
vezes/dia durante 7 dias. 
Os efeitos colaterais mais comuns são cefa-
leia, náuseas, boca seca e gosto metálico na boca. 
Podem ocorrer os sintomas gastrointestinais e 
também queixas neurológicas que justificam a 
interrupção do tratamento. Urticária, prurido e ru-
bor são indicativos de sensibilidade ao fármaco. 
O metronidazol pode causar efeito similar ao dis-
sulfiram, sendo desaconselhado o uso de álcool 
durante ou após 3 dias do tratamento com esse 
fármaco. É contraindicado no primeiro trimestre 
de gravidez e durante o aleitamento. 
Na prática ginecológica, é droga de esco-
lha para o tratamento vaginite por T. vaginalis e 
de vaginose bacteriana. 
2. Hormônios 
 X Estrógenos 
São hormônios esteroides originários do 
folículo ovariano em maturação e corpo lúteo, 
do córtex da suprarrenal, da conversão perifé-
rica de androgênios no tecido gorduroso e, na 
gravidez, do trofoblasto e placenta.
Agem através de dois receptores ER 
que existem no núcleo das células-alvo. Têm 
metabolismo primariamente hepático e de-
pois renal. 
Apresentam diversos efeitos fisioló-
gicos, sendo necessários para o amadureci-
mento sexual e crescimento normal da mu-
lher, atuam no desenvolvimento da vagina, 
do útero, das trompas uterinas, do estroma e 
no surgimento dos caracteres sexuais secun-
dários. Na puberdade, são responsáveis pelo 
crescimento acelerado e fechamento das epí-
fises, estimulam a pigmentação da pele, prin-
cipalmente, em aréolas e na região genital. 
Possuem efeitos endometriais, pois atuam no 
ciclo menstrual e levam a hiperplasia do en-
dométrio associada a sangramentos anormais 
quando há exposição contínua e prolongada. 
54 Faculdade christus
Capítulo 3
Têm efeitos metabólicos e cardiovasculares, 
visto que diminuem a taxa de reabsorção ós-
sea, estimulam a produção de lepitina pelo 
tecido adiposo, agem no colágeno, mantendo 
as características da pele jovem, aumentam 
as lipoproteínas de alta densidade, diminuem 
discretamente as de baixa densidade e dimi-
nuem os níveis plasmáticos de colesterol. Têm 
efeitos também no aumento da coagulabili-
dade do sangue e induzem à síntese de re-
ceptores de progesterona. 
Possuem muitas vias de administração e 
as mais utilizadas por ordem de frequência são 
a oral, a transdérmica, percutânea, vaginal, im-
plante e intramuscular. A via oral é a de maior 
aceitabilidade devido à facilidade e ao tempo 
de uso, sendo preferida em pacientes dislipidê-
micos. Deve-se ter cuidado com a via vaginal 
que apresenta absorção sistêmica. Independen-
te do tipo e da via administração, há variação 
na concentração sérica individualmente, pois 
depende de alterações hepáticas, alimentação, 
estado da pele e trânsito intestinal.
Existem tanto estrógenos naturais quan-
to sintéticos. Os naturais são estradiol (E2), es-
trógenos conjugados, sulfato de estrona (E1), 
valerianato de estrona, estriol, promestrieno e 
esteres de estradiol, sendo indicados na puber-
dade atrasada constitucional ou patológica, na 
terapia de reposição hormonal em menopausa-
das, na prevenção e tratamento de osteoporo-
se, na prevenção da atrofia urogenital senil e em 
doenças cardiovasculares, na regularização do 
ciclo menstrual na menacme ou na perimeno-
pausa e no retardo no desenvolvimento dos ca-
racteres sexuais secundários. Os sintéticos são 
etinil-estradiol, mestranol, quinestrol e dietiles-
tilbestrol, sendo utilizados quase exclusivamen-
te na anticoncepção hormonal. 
São contraindicados em doença hepática 
grave ou aguda, câncer de mama, sangramen-
to uterino não diagnosticado e alguns autores 
contra-indicam em no câncer de endométrio. 
 X Progestágenos 
A progesterona é um hormônio este-
roide produzido pelo corpo lúteo, placenta e 
suprarrenal e tem ação sobre o eixo hipotála-
mo-hipofisário (feedback negativo), mamas (re-
ação secretória) e endométrio (fase secretória). 
Apresenta ação antagonista do estrogênio e 
desempenha secundariamente ação androgêni-
ca, propiciando retenção hídrica e ação anabo-
lizante. Os efeitos dependem de receptores da 
progesterona, cuja expressão depende da ação 
de estrógenos. Como a metabolização da pro-
gesterona por via oral é muito rápida reduzindo 
sua ação, utiliza-se na prática clínica, hormônios 
sintéticos com ação progestagênica maisdura-
doura, que são denominados progestágenos. 
Os progestágenos são classificados em 2 
grupos: os derivados de progesterona e os da 
testosterona. O único efeito comum para todos 
os progestágenos é a habilidade de induzir a 
fase secretória em endométrio estrogenizado, 
mas dependendo de sua origem podem ter 
além dos efeitos progestagênicos (em graus 
variáveis), também efeitos androgênicos, estro-
gênicos, antiandrogênicos e antiestrogênicos. 
Os derivados da progesterona não têm efeitos 
androgênicos, enquanto os derivados da testos-
terona têm atividade androgênica e forte ativi-
dade progestagênica e androgênica.
Os progestágenos reduzem os receptores 
de estrógeno e transformam E2 em E1, que é um 
estrógeno mais fraco. Assim os progestágenos 
estão indicados em patologias que têm seu de-
senvolvimento estimulado por estrógenos. As-
sim, o emprego ocorre na puberdade precoce, 
síndrome climatérica, endometriose, síndrome 
dos ovários policísticos, hiperplasia endome-
trial, anticoncepção hormonal, carcinomas de 
mama e endométrio. Também são indicados 
quando há falta de progesterona endógena. 
Podem apresentar muitos efeitos colate-
rais como aumento de peso, diminuição da li-
bido, cansaço, depressão, acne ou seborreia, hi-
surtismo discreto, mastalgia, edema, monilíase 
e secura vaginal.
 X Andrógenos
São hormônios esteroides originários do 
estroma ovariano, da teça interna dos ovários, 
das células do hilo e do córtex da suprarrenal. 
A testosterona pode ter efeitos diretos 
na genitália interna onde produz os canais de 
Wolf durante a gestação e no músculo esque-
lético onde aumenta a força e a massa muscu-
lar durante a puberdade. Pode, entretanto, ser 
transformada em outros esteroides ativos como 
a diidrotestosterona que age na genitália exter-
na levando à diferenciação, maturação e doen-
ças prostáticas no adulto e nos folículos pilosos 
acentuando o crescimento durante a puberda-
 55 Faculdade christus
 Capítulo 3
de e o estradiol que age nos ossos levando ao 
fechamento das epífises. 
A testosterona e a diidrotestosterona 
agem por meio da ligação com o receptor de 
androgênio e o estradiol liga-se ao receptor de 
estrogênio. A testosterona apresenta metabo-
lismo principalmente hepático, como o estróge-
no, devendo ser modificada para administração, 
pois possui meia-vida muito curta. Existem tan-
to preparações oral e parenteral.
A androgenioterapia está indicada na 
pós-menopausa, pois nessa época há uma que-
da na circulação total. Apresenta como benefí-
cios a melhora da libido, diminuição da depres-
são, melhora o humor, diminui a perda óssea e 
pode ser usado na distrofia vulvar. 
São contraindicados nas dislipidemias, 
em pacientes com risco aumentado de câncer 
de mama, no câncer de mama, hipotireoidismo 
e disfunção hepática.
INDICADOR TERAPÊUTICO
Patologia Droga e posologia
Vaginose bacteriana
Metronidazol VO 500mg a cada 12 h durante 7 dias (recomendada na gravidez).
Metronidazol a 0.75% via intravaginal, aplicador cheio (5g), 1 vez ao dia durante 5 dias.
Clindamicina VO 300mg a cada 12 h durante 7 dias (recomendada na gravidez).
Creme de clindamicina a 2% via intravaginal, aplicador cheio (5g), ao deitar, durante 7 
dias
Tricomoníase
Metronidazol VO 2g em dose única (categoria B para gestação)
Tinidazol VO 2g em dose única (categoria C para gestação)
Gonococia 
Ceftriaxona IM 125mg dose única
Cefexima VO 400mg dose única
Ciprofloxacina VO 500mg dose única ou Ofloxacina VO 400mg dose única ou Levoflo-
xacina VO 250mg dose única (contraindicados na gravidez)
Gestantes que não tolerem cefalosporinas devem ser tratadas com Espectinomicina IM 
2g dose única
Infecção por Chlamydia 
trachomatis
Doxiciclina VO 100mg a cada 12hs por 7 dias (contraindicada na gravidez)
Azitromicina VO 1g dose única 
Sífilis primária, secundária 
e latente recente
Penicilina benzatina IM 2,4 mi UI dose única (sendo 1,2 mi UI em cada nádega)
Doxiciclina VO a cada 12h por 14 dias (contraindicada na gravidez)
Tetraciclina VO a cada 6h por 14 dias (contraindicada na gravidez)
Gestantes alérgicas à penicilina devem ser dessensibilizadas e tratadas com penicilina
Sífilis latente tardia e sífilis 
terciária
Penicilina benzatina IM 2, 4 mi UI por semana durante 3 semanas
Doxiciclina VO a cada 12h por 28 dias (contraindicada na gravidez)
Tetraciclina VO a cada 6h por 28 dias (contraindicada na gravidez)
Gestantes alérgicas à penicilina devem ser dessensibilizadas e tratadas com penicilina
Neurossífilis
Penicilina cristalina EV 18 a 24 mi UI por dia, sendo administrado por infusão contínua 
ou 3 a 4 mi UI a cada 4 h, durante 10 a 14 dias
Penicilina procaína IM 2,4 mi UI uma vez ao dia mais probenecida VO a cada 6 horas, 
ambos por 10-14 dias
Ceftriaxone EV ou IM 2g uma vez ao dia por 10-14 dias
Gestantes alérgicas à penicilina devem ser dessensibilizadas e tratadas com penicilina
Cancro mole
Azitromicina VO 1g dose única
Ceftriaxona IM 250mg dose única
Ciprofloxacina VO 500mg a cada 12 h durante 3 dias (contraindicada na gravidez)
Eritromicina VO 500mg a cada 8 h durante 7 dias
Linfogranuloma venéreo
Doxicilina VO 100mg a cada 12 h durante 21 dias (contraindicada na gravidez)
Eritromicina VO 500mg a cada 6 h durante 21 dias (droga de escolha na gravidez)
Donovanose
Doxicilina VO 100mg a cada 12 h pelo menos por 21 dias (contraindicada durante 
gravidez)
Ciprofloxacina 750mg ou Sulfametoxazol-trimetropim VO 800/160mg a cada 12 h por 
pelo menos 21 dias (contraindicadas na gravidez)
Azitromicina VO 1g uma vez por/semana por pelo menos 3 semanas
Eritromicina base VO 500mg a cada 6 h por pelo menos 21 dias (droga de escolha na 
gestação)
56 Faculdade christus
Capítulo 3
D- Referências Bibliográficas
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cApítulo 4
CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E 
O EIXO NEUROENDÓCRINO
João Marcos de Meneses e Silva
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Luana Pontes Vasconcelos Lima
Sara Lourinho Firmino
A- PROBLEMA 
M.A.G. procura ambulatório de ginecolo-
gia, acompanhada de sua filha Clara de 11 anos 
de idade, preocupada com o seu desenvolvi-
mento e crescimento da criança e querendo sa-
ber quando sua filha ficará “moça”. Refere não 
ter experiência em meninas porque seus outros 
dois filhos são homens. Ao exame físico, cons-
tatou-se desenvolvimento puberal pelos crité-
rios de Tanner, M3 P2 e altura compatível com a 
idade e com a genética familiar. IMC igual a 20,8 
kg/m². Como orientar a mãe sobre sua filha?
 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Descrever a idade e a ordem de apareci-
mento dos caracteres sexuais secundários. 
2. Conhecer o funcionamento do eixo neuro-
endócrino e como interferem no desenvol-
vimento e amadurecimento da puberdade.
3. Listar orientações básicas sobre o acompa-
nhamento da paciente na infância e na ado-
lescência.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Informação sobre a Idade do Apare-
cimento dos Caracteres Sexuais Se-
cundários
A adolescência, uma fase de transição 
gradual entre a infância e a idade adulta, é ca-
racterizada por profundas transformações so-
máticas, psicológicas e sociais. É a fase em que 
se exacerba o período de crescimento e desen-
volvimento, que sofre influências genéticas, am-
bientais, nutricionais, hormonais, sociais e cul-
turais. A interação constante entre esses fatores 
resulta no crescimento.
Puberdade é o processo de maturidade 
biológica inserido na adolescência, correspon-
dendo ao período no qual ocorre a maturação 
sexual, que é o processo que envolve o desen-
volvimento das características sexuais primárias, 
que estão relacionadas diretamente com a re-
produção. No entanto, os estudos da matura-
ção sexual concentram-se nas características 
sexuais secundárias (ligadas ao dimorfismo se-
xual externo) devido à impossibilidade de per-
cepção visual das características sexuais primá-
rias (desenvolvimento interno de ovários, útero 
e vagina). 
A genética é o principal determinante 
do início da puberdade. No entanto, para que 
os adolescentes possam alcançar o máximo de 
seu potencial genético, é fundamental o favore-
cimento dos fatores ambientais. Outros fatores 
tais como nutrição, saúde geral, localização ge-
ográfica, exposição à luz e fatores psicológicos 
também influenciam a idade de início e a veloci-
dade de progressão da puberdade. Cita-se como 
exemplo de influência genética, situação em que 
as crianças com história familiar de ocorrência 
precoce da puberdade, apresentam seu processo 
de puberdade mais cedo. Crianças que moram 
perto da linha do Equador, em baixas altitudes 
e em áreas urbanas tendem a iniciar a puberda-
de mais cedo do que aquelas que moram em 
latitude norte, grandes altitudes e zonas rurais, 
58 Faculdade christus
Capítulo 4
evidenciando aí a influência da localização geo-
gráfica. A obesidade infantil também é um deter-
minante da puberdade precoce.
A puberdade tem como sequência de 
acontecimentos o estirão de crescimento, telarca, 
pubarca e menarca. As características sexuais se-
cundárias ocorrem um pouco mais cedo em me-
ninas da raça negra do que nas de raça branca.
Na maioria das vezes, o primeiro sinal da 
puberdade é a aceleração do crescimento. O 
crescimento estatural é um processo que não 
ocorre de forma linear ao longo da vida, pois 
apresenta fases de aceleração e desaceleração. 
Fatores familiares são importantes determi-
nantes no ritmo de crescimento, na maturação 
esquelética e no momento da maturação e de-
senvolvimento sexual. A estatura final de uma 
pessoa depende da estatura dos pais e sua esti-
mativa segue a regra: 
 ƒ Meninas: (estatura paterna – 13) + estatura 
materna, dividida por dois, +/- 8,5cm.
 ƒ Meninos: estatura paterna + (estatura mater-
na + 13), dividida por dois, +/- 8,5cm.
O estirão de crescimento no sexo femi-
nino ocorre dois anos mais cedo que no sexo 
masculino, e em 1 ano sua velocidade de cres-
cimento duplica proporcionando um incremento 
de altura entre 6 e 11cm. Geralmente, a menina 
atinge esse pico de crescimento aos 11,4 anos; 
em média cerca de dois anos após o brotamento 
mamário e 1 ano antes da menarca. No entanto, 
o pico de velocidade de crescimento no sexo fe-
minino é menor que no masculino, o que confere 
cerca de 13cm de diferença entre a estatura final 
do adulto jovem feminino e a do masculino.
Após a menarca, existe uma desacelera-
ção do ritmo de crescimento, sendo o ganho 
máximo estatural de 6cm. O desenvolvimento 
mamário, conceituado de telarca, que ocor-
re em uma média de idade de 9,8 anos, segue 
uma sequência de eventos bem reconhecida. 
Primeiro, observa-se o aumento e a elevação 
dos mamilos e aréola, depois ocorre a elevação 
da mama pela formação do monte mamário, a 
formação do monte secundário pela aréola e 
formação dos contornos adultos aos 14,6 anos 
em média. 
Marshall e Tanner (1969) estudaram mui-
to bem essa sequência de desenvolvimento na 
década de 60 e ainda hoje é muito usada no 
acompanhamento da puberdade:
 ƒ Estágio I: discreta elevação da papila.
 ƒ Estágio II: elevação da mama e papila sob a 
forma de um montículo. Diâmetro da aréola 
aumentado. Média de idade: 9,8 anos.
 ƒ Estágio III: aumento da mama e da aréola, 
sem separação de seus contornos. Média de 
idade: 11,2 anos.
 ƒ Estágio IV: crescimento da mama e da aréo-
la, com a formação de saliência entre ambas. 
Média de idade: 12,1 anos.
 ƒ Estágio V: mama adulta, com aréola incorpo-
rada ao contorno da mama. Média de idade 
14,6 anos.
Depois do broto mamário, a adrenarca, 
crescimento dos pelos púbicos e axilares ocor-
re devido a uma produção aumentada de an-
drogênios suprarrenais. Em geral, aparece em 
média aos 10,5 anos através da pubarca, com o 
aparecimento dos pelos axilares dois anos de-
pois. Em aproximadamente 20% das crianças, o 
aparecimento de pelos pubianos é o primeiro 
sinal da puberdade. 
O período médio entre os estágios ini-
ciais de desenvolvimento das mamas (M2) e pe-
los pubianos (P2) e o estágio adulto é de três a 
quatro anos nas meninas.
O desenvolvimento dos pelos pubianos 
também foi documentado no trabalho de Tan-
ner e Marshall (1969) e serve como parâmetro 
no acompanhamento clínico:
 ƒ Estágio I: ausência de pelos púbicos.
 ƒ Estágio II: pelos pigmentados, longos, escas-
sos, principalmente nos grandes lábios. Média 
de idade 10,5 anos.
 ƒ Estágio III: pelos escuros, crespos esparsa-
mente localizados no monte pubiano. Média 
de idade 11,4 anos.
 ƒ Estágio IV: pelos do tipo adulto, abundantes, po-
rém limitados ao monte. Média de idade 12 anos.
 ƒ Estágio V: tipo adulto espalhado na sínfise,perí-
neo e raiz das coxas. Média de idade 13,7 anos.
Os dados nacionais evidenciam conside-
rável variabilidade quanto à idade da menarca, 
variando de 12,2 anos a 13,98 anos, dependen-
do da localização geográfica das meninas. Esta 
variabilidade está possivelmente relacionada a 
fatores ambientais (clima, relevo geográfico), 
genéticos, sociais (nutrição, nível sócioeconô-
mico, número de filhos na família), treinamento 
físico, entre outros.
 59 Faculdade christus
 Capítulo 4
A tendência de redução da idade de me-
narca é um fenômeno universal que vem sendo 
observado há quase 150 anos tanto em países 
desenvolvidos como naqueles em desenvol-
vimento. Chamado de tendência secular, este 
fenômeno parece dever-se a melhorias nas con-
dições sanitárias, alimentares e habitacionais, 
bem como ao controle mais efetivo de doenças.
O marco endócrino final da puberdade 
é o desenvolvimento do feedback positivo do 
estrógeno sobre a hipófise e o hipotálamo, que 
estimula o surgimento do pico de LH no meio 
do ciclo, requisito para ovulação. Até 12 a 18 
meses após a menarca, as menstruações são 
anovulatórias, mas é comum para 25-50% das 
adolescentes ainda serem anovulatórias quatro 
anos após a primeira menstruação.
2. Desenvolvimento e Amadurecimento 
do Eixo Neuroendócrino
A liberação das gonadotrofinas hipofi-
sárias ocorre somente quando a secreção do 
GnRH é pulsátil, comandada por pulso gerador 
localizado na porção médio-basal do hipotála-
mo. O início da forma pulsátil de liberação das 
gonadotrofinas acontece pouco antes do de-
sencadeamento da puberdade. Inicia-se com 
pulsos significativos somente durante o sono, 
passando à regularidade durante o sono e a 
vigília. Por meio desses sinais, assim como de 
outros sinais do SNC, pode ser modificada a se-
creção de GnRH por meio de neurotransmisso-
res, como dopamina, norepinefrina, endorfina, 
serotonina e melatonina. Devido ao estímulo 
do GnRH, a hipófise secreta duas variedades de 
gonadotrofinas, o hormônio folículo estimulan-
te (FSH) e o hormônio luteinizante (LH).
Durante o ciclo menstrual, tanto a libe-
ração quanto a secreção das gonadotrofinas 
hipofisárias dependem da modulação exercida 
pelos esteroides sexuais e da ação da ativina e 
da inibina. O estradiol atua no estímulo ao au-
mento da concentração de receptores de GnRH 
nos gonadotropos, além de estimular a secre-
ção de LH e de FSH. A progesterona é incapaz 
de interferir na secreção de LH quando atua iso-
ladamente, mas, associada ao estradiol, exerce 
efeito estimulante na secreção desse hormônio. 
Já em relação ao FSH, a progesterona estimula a 
secreção, seja isoladamente ou combinada com 
o estradiol. 
Por ocasião da secreção dos esteroides 
sexuais pelo ovário, o FSH e o LH atuam sobre 
as membranas das células dos compartimentos 
folicular e luteal. Sob o estímulo do LH, o teci-
do tecal passa a secretar andrógenos, que, ao 
se transferir das células da teca interna para as 
células da camada granulosa, sofrem conversão 
em estrógenos. O composto básico para a sín-
tese de esteroides sexuais é o LDL-colesterol, o 
qual é produzido pelas células do folículo e do 
corpo luteal, assim como outra parte é incor-
porada da circulação sanguínea. Inicialmente, 
o colesterol sofre conversão em pregnenolona, 
que, através da via delta-5, é responsável pela 
formação da 17-hidroxipregnenolona media-
da pela ação da enzima 17-α-hidroxilase. Já a 
pregnenolona, através da via delta-4, vai dar 
origem à progesterona, sob a ação das enzimas 
3-β-ol-deidrogenase e delta-4,5-isomerase. As 
duas vias darão origem à androstenediona, que 
é precursora da testosterona e da estrona. O 
estradiol resulta tanto da conversão da testos-
terona como da estrona. (Figura 1)
Figura 1 - Representação esquemática da esteroidogê-
nese adrenal e ovariana.
Os produtos secretados pelo ovário exer-
cem feedback em nível do hipotálamo e da hi-
pófise, modulando a frequência e a amplitude 
da liberação do GnRH, e a secreção e liberação 
de LH e FSH em resposta aos pulsos do GnRH.
A ativação do eixo hipotálamo, hipófise e 
ovário é o que promove o início da puberdade. 
Etapa caracterizada pelo conjunto de alterações 
corporais que ocorrem no indivíduo em cres-
cimento e desenvolvimento; quando a criança 
sexualmente imatura começa a apresentar ca-
racteres sexuais secundários, que se desenvol-
vem pela crescente ação hormonal, até adquirir 
o completo amadurecimento sexual, caracterís-
tico da fase adulta. 
60 Faculdade christus
Capítulo 4
Entretanto, a atividade do eixo neuroen-
dócrino existe desde a vida intrauterina, quando 
se detectam níveis de GnRH sintetizados pelo hi-
potálamo a partir da sexta semana do desenvol-
vimento embrionário, com aumento significativo 
a partir da décima semana. Pela ação do GnRH, 
a hipófise fetal é capaz de secretar FSH em níveis 
crescente até a 20ª semana de vida intrauterina, 
caindo progressivamente e mantendo-se em ní-
veis estacionários até o final da gravidez. A hipó-
fise, ainda, sintetiza LH a partir da 10ª semana, 
mantendo-se até a 15ª semana, momento em 
que começa a cair, atingindo níveis estacionários 
durante o restante da gestação. 
A queda nos níveis de gonadotrofinas 
fetais deve-se, provavelmente, ao amadureci-
mento de um mecanismo de feedback negativo, 
através do qual os estrogênios maternos, circu-
lantes no feto, inibiriam a atividade do hipotála-
mo e da hipófise fetais. 
O recém-nascido, pela separação com a 
fonte materna de estrogênio, em torno do 5º 
dia após o nascimento, apresenta um aumento 
de FSH e LH que se mantém por, aproximada-
mente, três meses. Nas meninas, como resulta-
do da maior elevação de FSH, há uma secreção 
aumentada de estradiol, que pode permanecer 
até os 2-4 anos de idade, quando atinge níveis 
muito baixos, mantendo-se até os 6-8 anos. Tais 
períodos são chamados, respectivamente, de 
hipergonadotrófico e hipogonadotrófico.
As baixas secreções de LH e FSH são man-
tidas até o período pré-puberal por dois meca-
nismos: o hipotálamo e a hipófise são sensíveis 
aos baixos níveis de estrogênios (por feedback 
negativo), além de uma inibição central, que re-
duz as concentrações basais de gonadotrofinas 
e limita a resposta ao GnRH. Por volta dos oito 
anos, começa o aumento do GnRH, principal-
mente, durante o sono, levando ao aumento da 
secreção hipofisária de FSH e LH.
O ressurgimento da atividade do eixo hi-
potálamo-hipófise-ovário, provavelmente, tem 
como responsáveis os estímulos provenientes 
do sistema nervoso central. O GnRH produzido 
no hipotálamo estimula a síntese das gonado-
trofinas da hipófise a agirem promovendo a ati-
vidade ovariana. Dependendo dos seus níveis, os 
esteroides ovarianos podem estimular ou inibir 
a atividade do eixo hipotálamo-hipófise. Já as 
secreções hipofisárias controlam a secreção de 
GnRH, levando à auto-regulação do hipotálamo.
Logo, em consequência do reinício da 
liberação das gonadotrofinas hipofisárias, os 
ovários respondem com sua produção hormo-
nal diretamente responsável pelas mudanças 
físicas da puberdade, pelo feedback positivo da 
liberação das gonadotrofinas e pelo aumento 
dos níveis de seus próprios hormônios.
Posteriormente, após o amadurecimento 
funcional do eixo hipotálamo-hipófise-ovário e da 
ovulação, há perda da secreção noturna diferen-
ciada do LH, cerca de um ano após a menarca. 
Associado à maturação puberal, ocorre a secreção 
dos hormônios adrenais, responsáveis pelo surgi-
mento dos pêlos pubianos e axilares. Tal produção 
continua aumentando até a idade de 13-15 anos.
3. Orientação e Acompanhamento da 
Paciente na Infância e Adolescência
O médico que atender a criança ou a ado-
lescente, seja ele pediatra ou ginecologista, de-
verá saber criar uma condição favorável para o 
exame ginecológico,junto à paciente e a seus 
acompanhantes, enfatizando a importância e a 
necessidade do acompanhamento ginecológico 
desde a mais tenra idade. Dessa forma, na ado-
lescência, a menina receberá com naturalidade 
as modificações de seu corpo como parte natural 
do processo de amadurecimento e desenvolverá 
maior responsabilidade por sua própria saúde.
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 61 Faculdade christus
 Capítulo 4
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cApítulo 5
ENDOCRINOLOGIA DO
CICLO MENSTRUAL
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Paulla Vasconcelos Valente
Liana Capelo Costa
Luis Gustavo Lucena Augusto Lima
 A- PROBLEMA 
M.P.S., levou sua filha A.M.S, 12 anos, ao 
ambulatório de ginecologia porque ela teve a 
sua primeira menstruação havia 7 meses e o ci-
clo menstrual estava muito irregular. No primei-
ro mês, sangrou 2 dias em pequena quantidade; 
depois passou 2 meses sem menstruar e no 4o 
mês, o fluxo menstrual foi de 3 dias e depois 
não mais menstruou. Preocupada, a mãe per-
guntou ao médico se havia algo de errado e se 
a menina menstruara muito cedo, pois ela tivera 
a sua menarca aos 14 anos. Exame físico e gine-
cológico: sem alterações.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Conhecer a fisiologia endócrina do ciclo 
menstrual. 
2. Interpretar as alterações menstruais segun-
do as disfunções endócrinas
3. Refletir sobre as alterações endócrinas nas 
várias fazer da vida da mulher.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
Segundo Giordano, a menstruação é fe-
nômeno essencialmente ligado à vida repro-
dutiva da mulher. O fluxo menstrual sempre 
ocupou lugar proeminente de pesquisa para 
estudiosos que se interessaram em desvendar-
-lhe os mistérios. No início do nosso século, 
surgiram novos conhecimentos de endocrino-
logia que aclararam a obscuridade de conceitos 
reinantes. O progresso dos estudos histológicos 
trouxe conhecimentos científicos embasados 
sobre as gônadas e sobre o endométrio.
Segundo Camargo et al, o conhecimen-
to da fisiologia do ciclo menstrual e de todas 
as suas interações no organismo feminino é 
de suma importância, uma vez que as patolo-
gias decorrentes das alterações desse proces-
so constituem-se em uma das causas mais fre-
quentes de queixa em nossos ambulatórios. 
Para Halbe et al, na mulher, o controle 
neuroendócrino do sistema reprodutor é reali-
zado pelos ovários; por isso, os ovários são de-
nominados “relógio pélvico” em contraposição 
ao “relógio hipotalâmico” dos roedores e dos 
animais de reprodução.
O relógio pélvico, representado pelo sis-
tema tecagranulosa dos folículos em desenvol-
vimento e depois da ovulação pelo corpo lúteo, 
que realizam a esteroidogênese, é modulado 
pela unidade hipotálamo-hipofisária. A comu-
nicação entre o relógio e a unidade é feita por 
meio dos hormônios, cuja produção é regulada 
pelos mecanismos de retroação.
Esse eixo hipotálamo-hipófise-ovário é 
considerado a “espinha dorsal” que controla as 
funções endócrinas na mulher, em especial as 
reprodutivas. No controle dessas ações, existem 
outras “influências” não menos importantes, 
mas que agem como fatores coadjuvantes. O 
conhecimento sobre as funções endócrinas da 
mulher surgiu de maneira lenta e progressiva. 
Segundo Giordano et al, sumariamente, Harris, 
64 Faculdade christus
Capítulo 5
em 1955, anteviu a influência de todo o SNC 
no controle das atividades endócrinas: “É ób-
vio que o SNC é largamente responsável pela 
inter-relação da atividade endócrina em outros 
sistemas orgânicos que demandem adaptações 
devidas a mudanças no meio externo e interno.” 
Segundo Olive, a série de eventos, cuida-
dosamente orquestrados, que contribui para o 
ciclo menstrual ovulatório normal, requer pre-
cisão do momento e do controle de estímulos 
hormonais do SNC, da hipófise e do ovário. Este 
processo, mantido por delicado equilíbrio, pode 
ser perturbado com facilidade e prejudicar a re-
produção, o que é um grande problema clínico 
enfrentado por ginecologistas. Por esse motivo, 
é de grande importância que esse profissional 
conheça a fisiologia normal do ciclo menstru-
al, as estruturas anatômicas e os componentes 
hormonais; as interações entre os dois têm papel 
fundamental na função do sistema reprodutivo. 
Para que se entenda melhor toda essa 
dinâmica, é importante que sejam abordados 
alguns dados básicos:
 X Sistema nervoso central (SNC)
Exerce influência sobre as funções somá-
ticas e endócrinas de nosso corpo, as quais são 
exercidas com síntese e liberação de numerosas 
substâncias: neuroaminas cerebrais, hormônio, 
substâncias com tropismo para o SNC. A dopa-
mina, a norepinefrina, a serotonina, o ácido ga-
ma-aminobutírico (GABA), a histamina, a acetil-
-colina, as endorfinas e encefalinas, o polipeptídio 
vasoativo intestinal (VIP), as colecistocininas e a 
substância P são algumas dessas substâncias. A 
dopamina, a norepinefrina e o GABA, com ação 
hipotalâmica, influenciam positivamente a libera-
ção de gonadotrofinas. Já a serotonina a influen-
cia negativamente. A elevação dos níveis circu-
lantes de endorfinas inibe a síntese e a liberação 
das gonadotrofinas. É o que se verifica em atletas 
com níveis aumentados desses opioides, diminui-
ção da massa gorda e aparecimento de anovula-
ção, irregularidade menstrual e até amenorreia. 
O AMPc (monofosfato cíclico de adenosina), as 
prostaglandinas e os íons são importantes na ho-
meostase do SNC. O ácido araquidônico (precur-
sor das prostaglandinas) e derivados favorecem a 
secreção do GnRH (hormônio liberador de gona-
dotrofina) hipotalâmico e das gonadotrofinas. 
Outras substâncias com ação no SNC e 
que também devem ser lembradas:
 ƒ Catecolestrogênios, esteroides com ação no 
SNC. Considerada a substância “tampão” do 
SNC. A enzimamonoamina oxidase (MAO) 
degrada catecolaminas e catecolestrogênios; 
há, porém, o tropismo para os catecolestrogê-
nios, preservando-se as catecolaminas e ade-
quada atividade do SNC. Com a queda dos 
níveis circulantes de catecolestrogênios, há 
maior degradação de catecolaminas.
 ƒ Melatonina, hormônio que influencia negati-
vamente a síntese e a liberação de GnRH e das 
gonadotrofinas; age em nível de hipotálamo. 
Seus níveis circulantes flutuam durante o ciclo 
menstrual; são baixos no período ovulatório 
e elevam-se durante a menstruação. Segun-
do Giordano, é bem conhecido que os níveis 
circulantes de melatonina são mais elevados 
na infância, caindo de modo progressivo na 
proximidade da puberdade.
 ƒ Leptina, hormônio com minuciosas e relevan-
tes funções em reprodução, hematopoiese, 
reações inflamatórias, angiogênese e siste-
ma imunológico. Algumas substâncias como 
estrogênios, a insulina e os glicocorticoides, 
elevam a síntese e a liberação de leptina pelos 
adipócitos. No hipotálamo, ela acelera a sín-
tese de GnRH, ação possivelmente mediada 
pelo GABA e pelo neuropeptídio Y. Níveis bai-
xos têm efeitos negativos no eixo HHO.
 ƒ Adiponectina, hormônio segregado pelos adi-
pócitos, importante na homeostase orgânica 
e na reprodução. Parece ter relação inversa 
com a insulina. Níveis elevados de insulina são 
acompanhados de queda na concentração 
plasmática de adiponectina com retrocontrole 
inadequado no eixo HHO.
 ƒ Resistina, hormônio também segregado pelos 
adipócitos; controla diversas funções orgâni-
cas. Níveis elevados aumentam a resistência à 
insulina com elevação desse hormônio e, tam-
bém, retrocontrole inadequado no eixo HHO.
 X Hipotálamo
Pequena área diencefálica de grande im-
portância no controle de funções somáticas e 
reprodutivas. É constituído por corpos celulares 
classicamente reunidos em núcleos com cone-
xões mútuas e com todo o cérebro. Entre os vá-
rios núcleos, pode-se ressaltar: pré-optico, su-
praquiasmático, paraventriculares, arqueado e 
eminência média. Segundo Giordano, em 1977, 
Shally identificou no hipotálamo o GnRH, deca-
peptídio importante no controle e na liberação 
das gonadotrofinas hipofisárias. A circulação 
 65 Faculdade christus
 Capítulo 5
porta-hipofisária faculta o livre trânsito desse 
peptídio entre o hipotálamo e a hipófise com 
retrocontrole mútuo.
 X Hipófise
A adeno-hipófise controla a atividade de 
todas as glândulas endócrinas e tem influência 
em todo o metabolismo orgânico. Sintetiza e 
libera hormônios glicoprotéicos (FSH, LH, hor-
mônio tireoestimulante [TSH] e polipeptídios 
(hormônio adenocorticotrófico [ACTH], hormô-
nio estimulante de melanócitos [MSH], hormô-
nio de crescimento [GH], prolactina [PRL]). Toda 
a atividade hipofisária está correlacionada com 
a conexão vascular e com o hipotálamo.
 X Ovários
Podem ser divididos anatomicamente em 
3 regiões: córtex, medula e hilo. A região corti-
cal é revestida em sua superfície por um epité-
lio composto por uma única camada de células 
cubóides, denominado epitélio germinativo, 
que se encontra assentado sobre a túnica albu-
gínea; é deste epitélio que se originam as célu-
las da granulosa. Disseminados no estroma do 
córtex, que é formado por tecido conjuntivo e 
células intersticiais derivadas do mesênquima 
embrionário, encontram-se os folículos ovaria-
nos. A medula ocupa a área central da gônada; 
ela fornece as células insterticiais que se dife-
renciarão em células da teca interna dos folícu-
los. O hilo é a região em que o ovário se liga ao 
mesovário. 
Do ponto de vista funcional, o ovário 
pode ser dividido em 3 compartimentos distin-
tos: o folicular, cujo principal produto de secre-
ção é o estrogênio; o corpo lúteo, cujo princi-
pal produto é a progesterona e o estroma, de 
onde se originam os androgênios. Esse último 
compartilha com o folículo e o corpo amarelo 
suas atividades esteroidogênicas, mostrando 
tratar-se de tecido especializado complexo e 
produtor de androgênios, que são utilizados 
como substratos para eventual conversão em 
estrogênios, mediante a atuação das aromata-
ses. Segundo Machado, a atividade secretora 
do estroma ovariano durante os ciclos ovulató-
rios normais, é desprovida de significância clí-
nica perceptível, pela predominância das ações 
estrogênicas na fase folicular e da associação 
estrogênio-progesterona na fase luteínica. É, 
contudo, nos distúrbios anovulatórios, onde a 
maturação folicular é perturbada, ou no ovário 
pós-menopausa, que o estroma ovariano assu-
me importância como fonte de esteroides ca-
pazes de provocar manifestações androgênicas 
detectáveis. 
É importante que sempre seja lembrado 
que o ovário é um órgão dinâmico, que nunca se 
encontra em repouso absoluto. Desde a 20a se-
mana de vida intrauterina até a pós-menopausa 
tardia, ele apresenta sinais de intensa e ininter-
rupta atividade; haverá sempre centenas de folí-
culos em processo de maturação parcial e outros 
tantos em regressão. Ao nascimento, cada ovário 
tem em média de 266.000 a 472.000 folículos; da 
população folicular inicial, somente cerca de 400 
folículos serão destinados a atingir a maturação 
completa e a subsequente ovulação. 
Após esses breves lembretes pode-se dizer 
que duas importantes funções estão vinculadas à 
atividade ovariana: foliculogênese e esteroidogê-
nese. A primeira relaciona-se com o crescimento 
e a maturação folicular e a segunda, direciona-se 
à síntese de esteroides ovarianos.
O eixo hipotálamo-hipófise torna-se fun-
cionalmente ativo durante o 2º trimestre da 
gestação, possibilitando a secreção das gona-
dotrofinas fetais sob o comando do GnRH. O 
feedback negativo dos esteroides sexuais sobre 
o hipotálamo torna-se operante próximo ao 
termo da gestação, causando a diminuição da 
secreção das gonadotrofinas. Durante a infân-
cia, apesar de ocorrer uma secreção noturna 
pulsátil, de baixa amplitude e baixa frequência, 
de gonadotrofinas, as concentrações séricas de 
FSH não são suficientes para sustentar o desen-
volvimento além desse estágio, e esses folículos 
são fadados à atresia. Por ocasião da puberdade, 
a remoção de um fator de restrição sobre o sis-
tema nervoso central possibilita a completa re-
ativação do gerador pulsátil do GnRH. À medida 
que a puberdade progride, a amplitude da pul-
satilidade das gonadotrofinas e a produção dos 
hormônios esteroides aumentam, resultando no 
avanço da maturação folicular. Antes de ocorrer 
a 1a ovulação, a hipófise terá que desenvolver 
a habilidade de responder ao pico de estradiol 
circulante. Isto requer uma diminuição na sensi-
bilidade do sistema de feedback negativo para 
o LH, possibilitando que os níveis de GnRH e LH 
se elevem, em vez de caírem, em reposta aos 
níveis crescentes de estradiol. Assim, o estradiol 
exercerá sempre um feedback negativo sobre o 
FSH, mas condiciona uma ação bifásica em rela-
66 Faculdade christus
Capítulo 5
ção ao LH, ou seja, negativo em baixos níveis e 
positivo em níveis elevados. O desenvolvimento 
dessa resposta positiva sinaliza a maturação do 
eixo córtex-hipotálamo-hipófise-ovário.
 X Foliculogênese e esteroidogênese
Giordano divide didaticamente, o ciclo ova-
riano em três fases: folicular, ovulatória e lútea. 
 ƒ Fase folicular
Segundo Machado, a maturação comple-
ta de um folículo primordial leva pelo menos 
85 dias; sob influencia do FSH, há crescimen-
to e maturação dos folículos ovarianos. O início 
do crescimento folicular ocorre continuamente, 
e os folículos são selecionados aleatoriamen-
te. O primeiro estágio da fase de crescimento 
envolve o aumento no tamanho do oócito e 
a proliferação das camadas de células da gra-
nulosa que o envolvem, para formar o folícu-
lo primário. Após desenvolver seu suprimento 
sanguíneo próprio, o estroma perifolicularse 
diferencia, formando a camada da teca interna. 
Este estágio de desenvolvimento, denominado 
folículo secundário, é ainda caracterizado pela 
expressão dos receptores para o LH nas célu-
las da teca interna. As células da granulosa, por 
sua vez, começam a expressar receptores para 
o FSH quando inicia a formação da cavidade 
antral. Apesar de o crescimento inicial do folí-
culo ser regulado independente da estimulação 
gonadotrófica, os estágios finais do desenvol-
vimento são FSH-dependentes. Somente nos 
estágios mais avançados de desenvolvimento 
folicular é que as células da granulosa tornam-
-se sensíveis ao FSH. 
Evidencia-se que, com a secreção aumen-
tada de FSH nesta fase, ocorre o desenvolvi-
mento de vários folículos, mas acredita-se que 
o mais bem aquinhoado com receptores de FSH 
seja o predestinado à ovulação e que os 99% 
restantes sofrerão involução. Em paralelo ao 
amadurecimento folicular, há síntese aumenta-
da de estrogênios (atividade esteroidogênica). A 
diminuição do FSH, coincidindo com a seleção 
e o desenvolvimento do folículo, pode ser devi-
do ao efeito de feedback negativo do estradiol 
sobre o eixo hipotálamo-hipófise. Coadjuvado 
pela grande elevação de inibina B, observada na 
fase folicular. Esse rápido aumento da inibina B 
ocorre logo após a elevação do FSH, entre os 
ciclos. Foi proposto que a inibina B limita a du-
ração da elevação do FSH através do feedback 
negativo sobre a hipófise e pode ser crucial para 
o desenvolvimento monofolicular.
Passados o período pré-natal e a infân-
cia, em que a atividade ovariana é pontuada 
pela redução do número de folículos através da 
apoptose, o ovário da adolescente responde ao 
estímulo inicial do FSH por meio do crescimen-
to de um número pequeno de folículos antrais 
que escaparam da atresia apoptórica. Poucos 
folículos pré-antrais eventualmente alcançam o 
estágio pré-ovulatório e ovulam em resposta ao 
pico pré-ovulatório do LH.
 Sabe-se hoje que o LH (com outros hor-
mônios e proteinas) estimula, nas células da 
teca a síntese e a liberação de androgênios (ba-
sicamente androstenodiona e testosterona). Es-
tes últimos transitam por difusão para as células 
da granulosa contíguas, onde serão aromatiza-
dos (ação da enzima aromatase). Surge, então, 
o conceito de dupla célula ovariana (síntese de 
androgênios na teca e transformação em estro-
gênios nas células da granulosa) 
Também, de maneira didática, divide-se a 
fase folicular em inicial (dias 1 a 4), média (dias 
5 a 9) e tardia (dia 10 até a ovulação). A duração 
média da fase folicular humana varia de 10 a 
14 dias, e a variabilidade nesta duração é res-
ponsável pela maioria das variações na duração 
total do ciclo.
 ƒ Fase ovulatória
É de conhecimento universal que índice 
inferior a 0,1% das células germinativas pre-
sentes nos ovários consegue alcançar o pleno 
desenvolvimento e, na idade adulta, é extruído 
pelo fenômeno ovulatório.
Segundo Machado, a ovulação constitui 
o epifenômeno da fisiologia reprodutiva e tem 
como objetivo final a perpetuação da espécie. 
Para que ela aconteça, é necessária uma fun-
ção ovariana adequada, na qual a ovulação e a 
secreção de esteroides sexuais ocorram de ma-
neira regular, pulsátil e finamente sincronizada. 
Estes eventos dependerão da presença de uma 
população folicular adequada, que obedecerá 
a estímulos específicos de outros centros que 
integram o chamado eixo córtex-hipotálamo-
-hipófise-ovário.
Este eixo, por sua vez, é modulado e sin-
cronizado por delicados mecanismos de integra-
ção, que envolvem emoções; neurotransmisso-
 67 Faculdade christus
 Capítulo 5
res como dopamina, noradrenalina, serotonina, 
GABA, endorfinas e outros menos importantes; 
fatores liberadores ou inibidores hipotalâmicos, 
como GnRH, TRH, PIF; hormônios hipofisários, 
como gonadotrofinas, prolactina, ACTH, TSH, 
GH; insulina, IGF-I e IGF-II; proteínas carreado-
ras tipo SHBG e IGFBP-I; esteroides ovarianos e 
da suprarrenal; enzimas específicas que atuam 
em cada passo da esteroidogênese; receptores 
hormonais; proteínas adaptadoras específicas de 
cada tecido, e que atuarão como coativadoras ou 
corepressoras nos “fatores de ativação de tran-
sição” (TAF-I e TAF-2); prostaglandinas; relações 
intrácrinas, autócrinas e parácrinas mediadas por 
diversos fatores de crescimento e de transforma-
ção; activinas e inibinas; citocinas, além de uma 
adequada função hepática e de um peso corpo-
ral próximo do ideal, não muito magro, nem mui-
to gordo. “Palavras de Machado (2006): “... veja 
na teoria como é complicado ovular”. Na espécie 
humana, de modo geral, um só folículo alcança 
pleno desenvolvimento durante o ciclo mens-
trual e é destinado à ovulação. Este, impede, por 
mecanismos endócrinos variados, o desenvolvi-
mento pleno de outros folículos no mesmo ová-
rio e na gônada contralateral. 
Nível adequado de estrogênio (24 a 36 
horas antes da ovulação), superior a 200pg/
mL, desencadeia elevação do LH, que precede a 
ovulação em 10 a 12 h. Outros elementos coad-
juvam a eclosão folicular: enzimas proteolíticas 
(entre elas, a plasmina) e ação da histamina e 
das prostaglandinas, estas últimas favorecendo 
a contração das fibras musculares que circun-
dam o folículo à ovulação. 
 ƒ Fase lútea
Período desde a ovulação até o início da 
menstruação, com duração média de 14 dias. De 
modo didático, esta fase subdivide-se em: inicial 
(ovulação até o 20o dia), média (2o ao 24o dia do 
ciclo) e tardia (25o até o próximo fluxo menstrual).
Após a liberação do oócito maduro, as 
células somáticas do folículo se luteinizam e 
transformam-se no corpo amarelo (ou lúteo). É 
a principal fonte de produção de progesterona 
nesta fase, e a secreção de LH, nesse período, é 
fundamental para a manutenção do hormônio.
O corpo amarelo (CA) é de soberana im-
portância para a manutenção da gravidez inicial. 
CA defectivo é acompanhado de abortamento 
de repetição, irregularidade menstrual e entida-
de clássica denominada insuficiência lútea. 
Não havendo gravidez, há regressão do 
CA em 12 a 14 dias após a ovulação
2. Ciclo Endometrial 
O ciclo menstrual humano normal pode 
ser dividido em 2 segmentos: o ciclo ovulató-
rio (abordado no início desse capítulo) e o ciclo 
uterino. Este último ainda pode ser subdividido 
nas fases: proliferativa e secretora.
Segundo Giordano, desde o trabalho 
original de Noyes et als, em 1950, a datação 
histológica do endométrio foi considerada o 
padrão-ouro na identificação de anormalidades 
impeditivas de nidação. Eles descreveram as 
alterações histológicas cíclicas do endométrio 
humano adulto. 
Durante a vida reprodutiva da mulher, o 
endométrio desenvolve-se e regride de maneira 
cíclica. A periodicidade do fenômeno ocorre em 
intervalos de, aproximadamente, 30 dias. 
Diversas substâncias foram identificadas, 
segregadas de forma cíclica pelo endométrio, 
com ação importantíssima na reprodução e 
com repercussões no eixo HHO.
O ciclo histológico do endométrio pode 
ser mais bem visto em 2 partes: as glândulas en-
dometriais e o estroma adjacente. Os dois ter-
ços superficiais do endométrio são a zona que 
prolifera, sendo finalmente eliminada a cada ci-
clo, se não houver gravidez. Esta porção cíclica 
do endométrio é conhecida como decídua fun-
cional e é formada por uma zona intermediária 
profunda (estrato esponjoso) e uma zona com-
pacta superficial (estrato compacto). A decídua 
basal é a região mais profunda do endométrio. 
Não apresenta proliferação mensal significativa, 
mas é a fonte de segurança endometrial após 
cada menstruação.
 ƒ Fase proliferativa
Por convenção, o 1o dia de sangramen-
to vaginal é denominado 1o dia do ciclo mens-
trual. Após a menstruação, a decídua basal é 
formada por glândulas primordiais e estroma 
escasso e denso em sua localizaçãoadjacente 
ao miométrio. A fase proliferativa se caracteriza 
por crescimento mitótico progressivo da decí-
dua funcional, no preparo para a implantação 
do embrião em reposta a níveis circulantes cres-
centes de estrogênio. No início da fase prolife-
68 Faculdade christus
Capítulo 5
rativa, o endométrio é relativamente fino. (1 a 
2mm). Durante a fase proliferativa, o estroma é 
uma camada compacta densa, e raramente são 
observadas estruturas vasculares.
 ƒ Fase secretora
No ciclo típico de 28 dias, a ovulação 
ocorre no 14º dia, em 48 a 72 horas após a 
ovulação. O início da secreção de progesterona 
produz uma modificação do aspecto histológico 
do endométrio para a fase secretora, assim de-
nominada devido à nítida presença de produtos 
secretores ricos em proteínas eosinofílicas na 
luz glandular. Ao contrário da fase proliferativa, 
a fase secretora do ciclo menstrual é caracte-
rizada pelos efeitos celulares da progesterona 
além do estrogênio.
Receptores de estrogênio estão presen-
tes no endométrio de forma progressiva até a 
ovulação, com declínio após esse evento. Os 
receptores de progesterona aparecem na fase 
proliferativa com elevação marcante no período 
ovulatório e, em seguida declínio progressivo, à 
semelhança dos receptores de estrogênio.
3. Menstruação 
A desagregação do endométrio acom-
panha a queda nos níveis circulantes dos es-
teroides E e P. Todas as substâncias presentes 
na mucosa uterina desaparecem. Há liberação 
de enzimas lisossômicas, catepsina D, de pros-
taglandinas com isquemia e necrose tecidual. 
Surge, então, o fluxo menstrual, precedendo 
fenômeno de regeneração e crescimento de 
novo tecido endometrial no ciclo menstrual 
que se inicia.
Os ciclos menstruais se sucedem em in-
tervalos regulares de 25 a 35 dias. 
D- Referências Bibliográficas
BYDLOWSKI, S.P. Fisiologia da gônada feminina. 
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cApítulo 6
A FLORA VAGINAL NORMAL NAS 
DIVERSAS FASES DA VIDA
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Paulla Vasconcelos Valente
Giovanna Araújo Borges
A- PROBLEMA 
M.L.S., 29 anos, professora estadual do en-
sino médio (G2P2A0) procurou o ambulatório de 
ginecologia, preocupada porque suas duas filhas, 
uma recém-nascida, e a outra de 11 anos, apre-
sentaram “corrimento” vaginal de coloração es-
branquiçada. Refere que a higiene é acompanha-
da por ela e nunca deixou de levar as crianças ao 
pediatra. Seu maior receio é porque às vezes tam-
bém tem corrimento e acha que pode ter passado 
alguma “doença” para as filhas. Durante o exame 
ginecológico das meninas, constatou-se: vulva de 
aspecto compatível com a idade e presença de 
fluxo vaginal esbranquiçado e mucóide.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Identificar as hipóteses diagnósticas
2. Conhecer a propedêutica (dados clínicos e 
exames complementares para se chegar ao 
diagnóstico)
3. Compreender a conduta terapêutica
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
A microbiota vaginal normal é um ecossis-
tema dinâmico muito complexo, que pode va-
riar segundo a idade da mulher e a fase do ciclo 
menstrual. É dominada pelos lactobacilos (bacilo 
de Doederlein). Os lactobacilos são bastonetes 
gram-positivos, imóveis e não encapsulados. 
Provocam a fermentação do glicogênio celular 
em ácido láctico e contribuem para a manuten-
ção do pH ácido (cerca de 4) do meio vaginal. 
Fatores que modificam os mecanismos de defesa 
do indivíduo (imunodepressão, estresse, drogas) 
causam um desequilíbrio na microbiota vaginal 
e favorecem infecções por bactérias patogênicas 
ou pelas próprias bactérias saprófitas. 
Observando-se a ecologia vaginal, pode-
-se constatar a flora endógena de colonização 
permanente, intermitente e transitória. Essa flora 
pode ser alterada pelo uso de tampões vaginais, 
pelo coito, pelo anticoncepcional oral ou geléias 
espermaticidas. Ela possui um número de bac-
térias que varia de 105 a 106 por grama de fluxo, 
sendo que os anaeróbios aumentam muito nas 
infecções chegando a 109-1011/g de fluxo. 
A interrelação dos micro-organismos da 
flora endógena com patógenos exógenos pode 
ser de sinergismo, antagonismo ou indiferença. 
O resultado destas relações determina a extin-
ção de algumas das bactérias ou a invasão tis-
sular e a infecção do hospedeiro.
A presença de conteúdo vaginal visível, 
sem sintomas ou sinais de inflamação vulvo-
vaginal, ocorre na neonata, geralmente, devi-
do ao estímulo das glândulas endocervicais e à 
transudação do líquido vaginal, secundária aos 
estrogênios maternos. No período de desen-
volvimento e maturação genital, sua presença é 
devido ao processo fisiológico normal de ama-
durecimento do organismo. 
Recém-nascida
A vagina da recém-nascida é estéril. Nas 
primeiras horas de vida, ela é colonizada por 
70 Faculdade christus
Capítulo 6
uma microbiota mista de bactérias não-patogê-
nicas. Após, aproximadamente, 48 horas, sob a 
influência dos hormônios estrogênicos mater-
nos, o epitélio vaginal se torna rico em glico-
gênio e ocorre a colonização por lactobacilos. 
Nesse período, pode-se observar a chamada 
“leucorréia fisiológica da recém-nata” que ten-
de a desaparecer até a 6ª semana de vida; ge-
ralmente na 3ª ou 4ª semana. Ela é mucóide 
e de coloração esbranquiçada e se exterioriza 
através do orifício himenal. O epitélio vaginal 
se apresenta semelhante ao da mulher adulta; 
o pH é ácido; permanece entre 4 e 5. O conteú-
do vaginal é composto de muco endocervical e 
células epiteliais cervicovaginais descamativas. 
À medida que os níveis de estrógeno caem, o 
conteúdo vaginal diminui. 
Infância
Em torno de 1 mês de vida e durante toda 
a infância, com o desaparecimento dos estróge-
nos maternos, cessa a produção de glicogênio, 
o epitélio vaginal se atrofia, torna-se adelgaça-
do, desaparecem os lactobacilos e o pH torna-
-se alcalino (6 – 7,5). A flora vaginal normal da 
menina passa a ser constituída por uma série de 
microrganismos (flora polimicrobiana normal) 
que são inócuos e permanecem em equilíbrio 
entre si: difteróides, estreptococos alfa hemo-
líticos, Escherichia coli, Klebsiella, estafilococos 
coagulase positivo, entre outros. O aspecto pré-
-puberal da vagina continua até que a produção 
de estrógenos nosovários se inicie.
Adolescência / Menacme
Com a produção de estrógeno, recome-
ça a síntese de glicogênio, o que torna o meio 
favorável à colonização por lactobacilos, que 
passarão a ser os principais micro-organismos 
presentes durante todo esse período. O pH 
volta a baixar (3,5 – 4,5) e a vagina passa a ser 
colonizada também por outros microorganis-
mos: difteróides, Micrococcus, Streptococcus 
epidermidis, Streptococcus faecalis, Streptococ-
cus microaerofilus, anaeróbios, ureoplasmas, 
leveduras e outros. 
Após a telarca, o estímulo da produção 
do muco cervical, da transudação vaginal e da 
descamação celular pelo estrógeno passam a 
ser responsáveis pela formação do conteúdo 
vaginal fisiológico que possui uma coloração 
branco-amarelada, não tem odor e seu aspec-
to é “mucóide”. Nessa faixa etária, é de suma 
importância orientar e tranquilizar não só a pa-
ciente como principalmente a genitora ou pes-
soa responsável, a fim de prevenir tratamentos 
desnecessários para uma suposta vulvovagi-
nite. Na pré-púbere, a frequência relativa dos 
vários germes da flora vaginal normal é dife-
rente daquela observada em adolescentes e na 
mulher adulta. Como também, as lesões cervi-
cais, que frequentemente são responsáveis por 
sintomas depois da puberdade, são raras vezes 
observadas na infância.
Com o aparecimento dos ciclos ovulató-
rios, observam-se variações no conteúdo va-
ginal e na flora, de acordo com as diferentes 
fases do ciclo. A quantidade e o tipo de lac-
tobacilos variam durante o ciclo menstrual. Os 
lactobacilos aeróbicos predominam no meio 
do ciclo, e os anaeróbicos, no período pré-
-menstrual. Durante a menstruação e no pe-
ríodo pós-menstrual, existe grande diversida-
de de microrganismos, com uma distribuição 
equilibrada entre aeróbicos e anaeróbios.
Zeiguer descreve uma alteração de pH 
ao longo da vagina, sendo este mais alcalino 
no intróito e mais ácido nos fundos-de-saco, 
com exceção do fundo-de-saco posterior, que 
é alcalinizado pelo muco endocervical. A auto-
ra refere também que essas diferenças de pH 
levam a variações da flora em suas diferentes 
porções, maior desenvolvimento de Mycoplas-
ma hominis na vagina do que no colo e maior 
concentração de Streptococcus agalactiae no 
terço inferior da vagina.
Climatério
Nessa fase, os níveis de estrogênio vol-
tam a diminuir e o epitélio vaginal se torna 
atrófico. O pH do meio vaginal sofre aumento, 
em decorrência da menor liberação de glico-
gênio e da drástica diminuição da população 
de bacilos de Doederlein. A redução da acidez 
do meio vaginal favorece o aparecimento de 
microrganismos patogênicos. 
 71 Faculdade christus
 Capítulo 6
D- Referências Bibliográficas
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Belém: UEPA, 2008. cap. 4, p. 67-70. 1 CD-
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Buenos Aires, 1996.
cApítulo 7
A IMPORTÂNCIA DA CITOLOGIA 
ONCÓTICA E SUA INTERPRETAÇÃO 
COLPOSCÓPICA
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Paulla Vasconcelos Valente
Carla Franco Costa Lima
André Luis Nunes Albano de Meneses
A- PROBLEMA 
M.C.L., 48 anos, procurou a assistência 
médica com queixa de sangramento vaginal 
associado à dispareunia e dor no baixo ventre 
de pequena intensidade há nove meses. Refere 
que o sangramento é de intensidade modera-
da com aspecto vermelho rutilante misturado 
a líquido branco e inodoro. Relata nunca ter 
feito um exame ginecológico de prevenção, 
pois mora no interior do Estado, e lá “nunca 
tem médico”. Além disso, afirma que o exame a 
deixa envergonhada. Preocupada, veio à Forta-
leza procurar assistência após ter visto propa-
ganda televisiva informando a importância do 
exame ginecológico no rastreamento de doen-
ças potencialmente graves. A menarca ocorreu 
aos 14 anos, última menstruação aos 45 anos, 
primeira relação sexual aos 16 anos. G4P3A1; 
três partos normais. Esteve casada por 10 anos, 
dos 16 aos 26 anos, e afirma que, após a sepa-
ração, teve mais oito parceiros. Nunca fez uso 
de camisinha, pois usava comprimidos para 
evitar a gravidez (sic). Foi submetida a exame 
de citologia oncótica, apresentando alterações 
citológicas que sugeriram lesão intra-epitelial 
de alto grau. A médica que a acompanhava 
solicitou colposcopia a fim de estabelecer um 
diagnóstico mais preciso. 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Demonstrar a importância da colpocitolo-
gia oncótica
2. Interpretar os principais laudos da colpoci-
tologia oncótica
3. Listar as indicações de colposcopia
4. Listar aspectos colposcópicos malignos e 
benignos
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
Segundo Focchi (2009), o exame citopa-
tológico, associado aos exames colposcópico e 
anátomo-patológico, é de fundamental impor-
tância para o diagnóstico, tratamento e segui-
mento de doenças benignas, pré-malignas e 
malignas do trato genital inferior, especialmen-
te do colo uterino e da vagina.
As modificações citológicas do trato ge-
nital feminino tiveram os primeiros enfoques 
em 1847 com a publicação de Frenchmann e 
Pouchet sobre as alterações do epitélio vaginal 
no ciclo menstrual. O crédito, em nível mundial, 
para desenvolvimento do método citológico 
para diagnóstico de carcinoma cervical é dado 
a George Papanicolaou. Em 1928, ele verificou 
que células malignas do colo uterino podiam 
ser identificadas em esfregaços vaginais. Vários 
anos após, com os trabalhos de Herbert Traut, a 
citologia do trato genital feminino renasceu e, 
74 Faculdade christus
Capítulo 7
em 1941 foi publicado “O diagnóstico do câncer 
do colo uterino pelos esfregaços vaginais”. 
Essas investigações se constituem na in-
trodução da citologia esfoliativa como um mé-
todo prático, simples e eficaz na detecção do 
câncer, susceptível de ser aplicada a grandes 
massas populacionais. Coube a Papanicolaou o 
mérito de colocá-la no terreno prático do uso 
rotineiro em larga escala. Não há dúvidas de 
que o diagnósticocitológico em oncologia se 
revela a grande arma de combate ao câncer e 
outras neoplasias em termos de prevenção e de 
diagnóstico precoce, que são fatores essenciais 
para o prolongamento da vida. 
A citologia oncótica deve ser realizada 
nas mais diversas fases da vida da mulher; tem 
o seu valor na detecção de anormalidades do 
trato genital, como alterações inflamatórias re-
parativas, pré-neoplásica, neoplásica e invasiva. 
A colposcopia é um exame que comple-
menta os achados citológicos; pode-se através 
dele, estudar e, se necessário biopsiar as lesões 
detectadas pela análise citológica. 
1. Citologia Oncótica 
O exame Papanicolaou, denominado 
também colpocitologia oncótica ou citologia 
oncótica, é o escolhido para o rastreamento e 
prevenção do câncer cervical, devido a sua ex-
celência na avaliação do grau de alteração celu-
lar do epitélio escamoso cervical. 
Segundo Serrano e Ramires (2008), para o 
entendimento e a leitura correta dos esfregaços 
cérvico-vaginais, deve-se ter conhecimento bási-
co da histologia do colo uterino. O canal cervical 
é revestido por camada simples de células altas, 
cilíndricas e mucíparas, que apresentam núcleo 
oval e citoplasma claro, abundante e vacuolizado. 
O epitélio que reveste a ectocérvice é chamado 
de epitélio pavimentoso pluriestratificado, por 
apresentar as camadas basal, parabasal, interme-
diária e superficial. A reepitelização que ocorre 
na junção desses 2 epitélios constitui o epitélio 
metaplásico, de suma importância no processo 
de displasia e carcinoma do colo do útero.
1.1. Coleta, fixação e coloração de material 
do colo uterino 
O esfregaço citológico cervicovaginal de 
rastreamento deve incluir amostras da endocér-
vice e da ectocérvice. Coleta-se o material, de 
preferência, com a espátula de Ayre, fazendo-se 
uma rotação de 360º e recolhendo material da 
ectocérvice e da junção escamo-colunar (JEC). A 
coleta endocervical é realizada com a introdu-
ção rotatória da escovinha de náilon no canal 
cervical. Esses materiais devem ser espalhados 
na superfície da lâmina, com movimento longi-
tudinal em um único sentido.
A coleta de material no fundo-de-saco 
vaginal é feita para detecção de patologia en-
dometrial e para avaliação hormonal (na ausên-
cia de processo inflamatório).
Imediatamente após a coleta, procede-se 
a fixação do material, com a finalidade de pre-
servar a estrutura original das células. O fixador 
de escolha é o álcool, em forma líquida ou de 
aerosol. A mistura de álcool e éter preconizada 
por Papanicolaou foi abandonada por motivos 
de segurança (o éter é volátil e inflamável).
A coloração é realizada por profissional 
técnico, em laboratório; utilizam a coloração de 
Papanicolaou modificada. O corante nuclear é a 
hematoxilina que, por oxidação pelo óxido de 
mercúrio, se transforma em hemateína. A he-
matoxilina cora o núcleo em azul; os corantes 
citoplasmáticos mais empregados são a eosina 
em combinação com o orange.
Atualmente, a utilização do método ci-
topatológico em meio líquido tem possibilita-
do melhorias na eficácia do rastreamento ci-
tológico do câncer cervical uterino. Apesar do 
seu alto custo, tem como vantagem a maior 
representatividade de células coletadas e pos-
sibilidade de utilizar o material para testes de 
biologia molecular e maior sensibilidade para 
detectar lesões de alto grau. As etapas de co-
leta e fixação, neste método, seguem proce-
dimentos variáveis que dependem das instru-
ções do fabricante e da tecnologia empregada 
no preparo da amostra.
Um estudo de revisão realizado pelo Na-
tional Center for Health Technology Assessment 
da Inglaterra constatou que a citologia em meio 
líquido obtinha taxas de espécimes insatisfató-
rias menores que a citologia convencional em 
24 dos 38 trabalhos analisados que traziam 
informação a esse respeito: variação de 0% a 
58,5%, com média ponderada pela população 
dos estudos de 1,63% enquanto a variação da 
citologia convencional foi de 0% a 27,5%, com 
média ponderada de 7,64. Estudo realizado por 
 75 Faculdade christus
 Capítulo 7
Caetano et al. (2005) revelou taxas de exames 
insatisfatórios com a citologia em meio líqui-
do de 1,4%, comparada a 10,4% dos espécimes 
avaliados pelo método de Papanicolaou. 
Para preservar a sensibilidade e a especi-
ficidade do teste de Papanicolaou, a Sociedade 
Norte-americana de Câncer recomenda:
 ƒ Utilizar espéculo não lubrificado
 ƒ Visualização de colo e vagina no exame
 ƒ Não realizar o exame durante o período 
menstrual
 ƒ Não realizar a coleta cervicovaginal antes de 72 
horas após a prática de relações sexuais, uso 
de medicamentos tópicos ou quaisquer proce-
dimento que possam alterar o meio vaginal
 ƒ Obter a amostra preferencialmente no perío-
do ovulatório
 ƒ Identificar a lâmina antes de fixá-la imediata-
mente após a coleta
 ƒ Preencher o pedido de exame colpocitológico 
com os dados pertinentes:
• idade;
• data da última menstruação;
• antecedentes de doenças ginecológicas, 
principalmente do trato genital inferior;
• tratamentos realizados;
• medicações em uso.
1.2. Interpretação e laudos dos achados ci-
tológicos 
Segundo Focchi (2009), a interpretação 
dos achados citológicos baseia-se no sistema 
de Bethesda (2001), que avalia essencialmente 
os seguintes dados:
 ƒ Qualidade da amostra e presença de fatores 
limitantes para a avaliação oncótica.
 ƒ Amostragem da zona de transformação (célu-
las metaplásicas e endocervicais).
 ƒ Organismos relevantes presentes.
 ƒ Alterações (reativas, reparativas ou atipias) em 
células escamosas e glandulares (uterinas ou 
genitais extra-uterinas).
 ƒ Atipias em outras células do trato genital (não epi-
teliais) e neoplasias secundárias (extra-genitais).
O diagnóstico citológico cervicovaginal, se-
gundo o sistema de Besthesda é o que se segue:
 ƒ Tipo de amostra
• Esfregaço convencional
• Citologia em meio líquido
 ƒ Qualidade da amostra
• Satisfatória para avaliação: descrever pre-
sença ou ausência de componentes endo-
cervicais, de zona de transformação e de 
quaisquer outros indicadores de qualidade 
(p. ex. parcialmente obscurecido por san-
gue, inflamação etc.)
 ƒ Insatisfatório para avaliação
• Amostra rejeitada/não processada (especifi-
car o motivo)
• Amostra processada e avaliada, mas insatis-
fatória para avaliação de anormalidade epi-
telial (especificar o motivo)
 ƒ Categorização geral (opcional)
• Negativo para lesão intra-epitelial ou malig-
nidade
• Outras: (p.ex. células endometriais em mu-
lher de idade igual ou superior a 40 anos)
• Alteração celular epitelial (especificar se es-
camoso ou glandular, quando apropriado)
 ƒ Interpretação/resultado
• Negativo para lesão intra-epitelial ou maligni-
dade: quando não existir evidência celular de 
neoplasia, deve-se descrever o fato na catego-
rização Geral e/ou na seção de Interpretação/
resultado do laudo, e se existem ou não or-
ganismos ou outros achados não neoplásicos.
 ƒ Organismos
• Trichomonas vaginalis
• Organismos fúngicos morfologicamente 
consistentes com Cândida spp
• Desvio de flora sugestivo de vaginose bac-
teriana
• Bactérias morfologicamente consistentes 
com Actinomyces spp
• Alterações celulares consistentes com vírus 
herpes simples (HSV)
• Outros achados não-neoplásicos (descrição 
opcional; relação não inclusiva)
• Alterações celulares reativas associadas à 
inflamação (incluindo reparo típico), irradia-
ção ou dispositivo intra uterino (DIU)
• Estado de células glandulares pós-histerectomia
• Atrofia
 ƒ Outros
• Células endometriais em mulheres com ida-
de igual ou superior a 40 anos. Especificar se 
negativo para lesão intra-epitelial
 ƒ Alterações das células epiteliais
• Células escamosas
• Células escamosas atípicas
 −De significadoindeterminado (ASC-US)
 −Não é possível excluir lesão intra-epite-
lial escamosa de alto grau (ASC-H)
• Lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau
76 Faculdade christus
Capítulo 7
 −Efeito citopático do HPV/displasia leve/
neoplasia intra-epitelial cervical grau 1 
(NIC 1)
• Lesão intra-epitelial escamosa de alto grau
 −Displasia moderada e acentuada e carci-
noma in situ/NIC 2 e NIC 3)
 −Características suspeitas de invasão
• Carcinoma espinocelular invasivo
• Células glandulares
• Típicas
 −Células endocervicais sem outras especi-
ficações (SOE) ou especificar nos comen-
tários
 −Células endometriais SOE ou especificar 
no comentários
 −Células glandulares SOE ou especificar 
nos comentários
• Atípicas
 −Células endocervicais, favorecendo neo-
plasia
 −Células glandulares, favorecendo neo-
plasia
• Adenocarcinoma endocervical in situ
• Adenocarcinoma
 −Endocervical
 −Endometrial
 −Extra-uterino
 −SOE
Quaisquer outras neoplasias malignas 
devem ser especificadas.
 ƒ Testes auxiliares
• Fornecer uma breve descrição do método 
do teste e relatar o resultado de modo a ser 
facilmente compreendido pelo clínico
 ƒ Revisão automatizada
• Se o caso for avaliado com equipamento 
automatizado, deve-se especificar o equi-
pamento e o resultado
 ƒ Notas educativas e sugestões (opcionais)
• As sugestões devem ser concisas e consis-
tentes, com orientações do acompanha-
mento clínico publicadas por organizações 
profissionais (referências quanto às publica-
ções relevantes podem ser incluídas)
De acordo com a Organização Mundial de 
Saúde, a exatidão do exame citológico depende 
de inúmeras variáveis, sendo elas a qualidade 
dos serviços, incluindo as práticas de coleta do 
material, a fixação das células e a interpretação 
laboratorial. Em condições ótimas, em países 
desenvolvidos, a citologia convencional permite 
detectar quase 84% das lesões precursoras e do 
câncer; em condições não adequadas, sua sen-
sibilidade reduz para 38%.
2. Colposcopia 
Hinselmann em 1925 foi o primeiro a 
descrever o equipamento colposcópico básico 
e seu uso, estabelecendo os fundamentos para 
a prática da colposcopia. Um colposcópio é um 
microscópio de campo estereoscópico, bino-
cular, de baixa potência, com uma fonte de ilu-
minação de intensidade variável que ilumina a 
área sob exame. 
A colposcopia consiste na observação 
do trato genital inferior (colo do útero, vagina 
e vulva) por meio de lentes com diferentes au-
mentos; os aparelhos modernos permitem re-
gular o aumento entre 6x e 40x. As variações 
dos aumentos são inversamente proporcionais 
ao campo observado. Os aumentos menores 
permitem visão panorâmica das lesões e os 
maiores possibilitam observação de detalhes de 
epitélio e vasos. Tais características também se 
relacionam com a profundidade do campo, que 
é tanto menor quanto maior o aumento.
Existem videocolposcópios sem oculares, 
com observação exclusiva por meio de monitor, o 
que parece diminuir a noção de profundidade no 
exame. O colposcópio pode ainda ser equipado 
com aparelho de registro fotográfico e de vídeo.
2.1. Indicações para a colposcopia 
O motivo mais comum para o encami-
nhamento de mulheres para a colposcopia é a 
citologia cervical anormal, em geral um achado 
de triagem citológica.
De acordo com a Associação Brasileira de 
Genitoscopia, são indicações do exame colpos-
cópico:
 ƒ Casos de pacientes com resultados de colpo-
citologia oncóticas alteradas:
• Lesão intra-epitelial de baixo grau ou células 
escamosas de significado indeterminado, 
em 2 citologias consecutivas
• Alterações indeterminadas em células glan-
dulares
• Lesão intra-epitelial de alto grau, adenocar-
cinoma in situ, suspeita de microinvasão e 
citologia sugestiva de neoplasia invasiva 
(escamosa ou glandular)
 ƒ Casos de pacientes que apresentem as se-
 77 Faculdade christus
 Capítulo 7
guintes alterações:
• Lesão intra-epitelial de baixo grau ou ASC-
-US em uma única citologia
• Teste DNA/HPV positivo para vírur oncogênico
• Sinusiorragia
• Alterações cervico-vaginais observadas a 
olho nu
• Eversões persistentes
• DST
• Imunosupressão
• Pré-operatório de cirurgias genitais e segui-
mento pós-operatório
2.2. Técnicas da colposcopia 
Antes do exame do colo, inspeciona-se a 
vulva e a vagina. A seguir, insere-se o especulo au-
to-estável de tamanho pequeno ou ajustado; não 
usar lubrificante; se necessário, utilizar soro fisioló-
gico.
Observar paredes vaginais, conteúdo va-
ginal e aspecto macroscópico do colo e verifi-
car se há lesões com sangramento espontâneo. 
Convém aplicar solução salina fisiológica antes 
do ácido acético para o estudo minucioso da 
arquitetura vascular subepitelial. É aconselhável 
usar um filtro verde para facilitar a observação 
do padrão vascular.
Técnica do ácido acético: aplicar solução 
aquosa de ácido acético (2 a 5%) sobre todo o 
colo do útero e paredes vaginais. Identificar os 
aspectos normais e anormais, a localização, a 
extensão, a coloração, a vascularização, os bor-
dos, os pormenores de superfície e a associa-
ção de imagens e fazer registro minucioso dos 
achados. O ácido acético provoca contração 
vascular e edema de papilas no epitélio colunar. 
No epitélio escamoso, ocorre coagulação tran-
sitória das proteínas citoplasmáticas, conferindo 
aspecto de opacidade esbranquiçada, denomi-
nado epitélio aceto-branco. Os padrões anôma-
los do epitélio acetobranco são consequentes 
à vascularização anômala subjacente ao epitélio 
atípico. A exploração da ectocérvice e do canal 
endocervical permite a observação da junção 
escamo-colunar (JEC) e da junção escamo-es-
camosa; a exploração das paredes e dos fórni-
ces vaginais é realizada após nova aplicação de 
ácido acético.
Técnica do iodo ou de Schiller: seu prin-
cípio consiste em aproveitar a propriedade que 
as células que contêm glicogênio têm de captar 
iodo existente na solução de Lugol. Os epitélios 
colunar e displásico não contêm glicogênio e, 
portanto, não se coram após aplicação de lugol 
(teste de Schiller positivo ou iodo negativo); o 
epitélio escamoso metaplásico maduro origi-
nal e o epitélio escamoso metaplásico maduro 
recém-formado contêm glicogênio, e este fixa 
o iodo contido na solução de Lugol (teste de 
Schiller negativo ou iodo positivo).
Recomenda-se a aplicação sistemática de 
solução de lugol na prática colposcópica, já que 
isso pode ajudar a identificar lesões que não fo-
ram notadas durante o exame de solução salina 
e com ácido acético.
2.3. Terminologia colposcópica 
O Comitê de Nomenclatura e a Federação 
Internacional de Patologia Cervical e Cospos-
copia aprovou no 11° Congresso Mundial em 
Barcelona, em 2002, uma terminologia colpos-
cópica única, a fim de descrever de um modo re-
produtível todos os aspectos que o observador 
pode detectar. Foram padronizados e definidos 
conceitos, tornando-o um modo eficaz de co-
municação entre os que a praticam e permitin-
do empreender pesquisas, guiar o aprendizado 
e auxiliar na decisão diagnóstica e terapêutica.
A terminologia colposcópica é a seguinte:
2.3.1. Achados colposcópicos normais
a) Epitélio escamoso original - O epitélio es-
camoso original é liso, onde não existem 
remanescentes de epitélio glandulares ou 
cistos de Naboth.O epitélio não se torna 
esbranquiçado após a aplicação de uma so-
lução de acido acético, e cora em marrom 
após a aplicação do lugol (teste de Schiller 
negativo).
b) Epitélio colunar - É um epitélio de camada 
única do tipo muco-secretor. Após a aplica-
ção de ácido acético tem aparência de ca-
cho de uva. O epitélio colunar normalmente 
está presente na ectocérvice (ectopia) ou 
em raras ocasiões na vagina.
c) Zona de transformação - A zona de trans-
formação é a área entreo epitélio escamo-
so original e o epitélio colunar onde podem 
ser identificados diversos estágios de matu-
ridade. O epitélio metaplásico pode adquirir 
coloração esbranquiçada após a aplicação 
de ácido acético e parcialmente marrom 
após a aplicação de lugol. Podem-se en-
78 Faculdade christus
Capítulo 7
contrar ilhas de epitélio colunar cercadas 
por epitélio escamoso metaplásico, orifícios 
glandulares e cistos de Naboth na zona de 
transformação normal.
2.3.2. Achados colposcópicos anormais 
a) Epitélio acetobranco - É o epitélio que se 
torna esbranquiçado após a aplicação da 
solução de ácido acético, pela alta densida-
de nuclear que apresenta. Embora isto pos-
sa ocorrer em casos de metaplasia imatu-
ra, geralmente quanto mais denso é a área 
acetobranca, tanto mais rápida a alteração 
acontece e quanto maior o tempo de dura-
ção mais severa pode ser a lesão. 
b) Epitélio acetobranco denso - Área aceto-
branca densa no epitelio colunar pode indi-
car doença glandular. 
c) Pontilhado fino - Constitui o aspecto col-
poscópico focal, no qual os capilares apa-
recem em um padrão pontilhado. Quanto 
mais fino e regular é a aparência do ponti-
lhado e com distância intercapilar pequena, 
é mais provável que a lesão seja de baixo 
grau ou metaplasia.
d) Pontilhado grosseiro - Quanto mais gros-
seiro for o pontilhado, mais provável ser a 
lesão de alto grau.
e) Mosaico fino - Alteração colposcópica apa-
rentemente focal na qual a neoformação 
vascular tem um padrão retangular como 
um mosaico. Quanto mais fino e regular é o 
mosaico, mais provável ser a lesão de baixo 
grau ou metaplasia.
f) Mosaico grosseiro - Quanto mais grosseiro for 
o mosaico e quanto maior a distância interca-
pilar, mais provável ser a lesão de alto grau.
g) Epitélio iodo parcialmente positivo.
h) Epitélio iodo negativo - Depois da aplicação 
da solução de iodo, o epitélio maduro que 
contém glicogênio apresenta uma cor mar-
rom escuro. Áreas iodo negativas podem 
representar metaplasia imatura, neoplasia 
intra-epitelial cervical ou baixa taxa de es-
trogênio. Uma aparência de salpicado mar-
rom-iodo malhado em uma área com alte-
ração acetobranca leve pode representar 
metaplasia imatura ou neoplasia intraepi-
telial de baixo grau. Completa negatividade 
ao iodo, que se revela com uma coloração 
amarelo mostarda em uma área acetobran-
ca é altamente sugestiva de neoplasia intra-
epitelial de alto grau.
i) Vasos atípicos - Aspecto colposcópico focal 
anormal no qual o padrão vascular se apre-
senta com vasos irregulares com um curdo 
interrompido abruptamente e com aparên-
cia de vírgulas, vaso capilares espiralados, 
grampos ou com formas variadas.
2.3.3. Alterações colposcópicas sugestivas de 
câncer invasivo 
A presença de uma superfície irregular 
como cadeia de montanhas em áreas acetobran-
cas densas e alterações vasculares extremamente 
bizarras falam a favor de invasão tecidual.
2.3.4. Colposcopia insatisfatória 
a) Junção escamocolunar não visível.
b) Inflamação severa, atrofia severa, trauma.
c) Cérvice não visível.
2.3.5. Miscelânea 
a) Condiloma - Pode ocorrer dentro ou fora 
da zona de transformação e indica infecção 
pelo Papilomavirus Humano. A colposcopia 
mostra um grupamento de pequenas papi-
las de base única. A aplicação de ácido acé-
tico produz área acetobranca e ao iodo se 
cora parcial ou irregularmente. 
b) Queratose - Alteração colpóscopica focal, a 
qual a hiperqueratose está presente e se pare-
ce com uma placa branca elevada. A alteração 
branca aparece antes da aplicação de ácido 
acético e pode impedir a visualização adequa-
da da zona de transformação subjacente.
c) Erosão - Uma verdadeira erosão represen-
ta uma área de epitélio desnudo. Pode ser 
causado por traumas e pode indicar que 
o epitélio de superfície seja possivelmente 
anormal.
d) Inflamação - Alteração geralmente difu-
sa caracterizada por congestão vascular e 
edema de mucosa. Podem ser pontilhados, 
diferenciando-se por apresentar capilares 
finos e muito próximos entre si em um colo 
avermelhado. Geralmente, cora-se parcial-
mente ao iodo.
e) Atrofia - Alteração epitelial devido a um 
baixo estado de estrogênio, representa-
da por uma mucosa pouco espessa que 
deixa transparecer uma fina rede vascular. 
As petéquias são frequentes e coram-se 
muito pouco ao lugol.
 79 Faculdade christus
 Capítulo 7
f) Deciduose - Fenômeno conjuntivo-vascular 
e edema estromal induzidos pela gestação.
g) Pólipos - Podem apresentar características 
de epitélio colunar e/ou zona de transfor-
mação, dependendo da metaplasia que 
possa ocorrer em sua superfície.
2.4. Características colposcópicas sugestivas 
de alterações metaplásicas
 ƒ Superfície lisa com vasos de calibre uniforme 
 ƒ Alterações acetobrancas moderadas 
 ƒ Iodo negativo ou parcialmente positivo. 
2.5. Características colposcópicas sugestivas 
de alterações de baixo grau
 ƒ Superfície lisa com um bordo externo irregular.
 ƒ Alterações acetobrancas leve, que aparecem 
tardiamente e desaparecem rapidamente.
 ƒ Iodo negativamente moderado; frequente-
mente iodo malhado com positividade parcial.
 ƒ Pontilhado fino e mosaico regular.
2.6. Características colposcópicas sugestivas 
de alterações de alto grau
 ƒ Superfície geralmente lisa com bordo externo 
agudo e bem marcado. 
 ƒ Alteração acetobranca que aparece precocemen-
te e desaparece lentamente, podendo apresentar 
um branco nacarado que lembra o de ostra. 
 ƒ Negatividade ao iodo: coloração amarelo-
-mostarda em epitélio densamente branco 
previamente existente. 
 ƒ Pontilhado grosseiro e mosaico de campos ir-
regulares e de tamanhos discrepantes. 
 ƒ Acetobranqueamento denso no epitélio colu-
nar pode indicar doença glandular. 
2.7. Características colposcópicas sugestivas 
de câncer invasivo
 ƒ Superfície irregular, erosão ou ulceração. 
 ƒ Acetobranqueamento denso. 
 ƒ Pontilhado irregular extenso e mosaico grosseiro. 
 ƒ Vasos atípicos. 
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80 Faculdade christus
Capítulo 7
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Comitê de Nomenclatura e a Federação Inter-
nacional de Patologia Cervical e Colposcopia.
Terminologia colposcópica, 2002.
cApítulo 8
COALESCÊNCIA DE PEQUENOS LÁBIOS
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Ângela Clotilde Ribeiro Falanga e Lima
Samantha Cavalcante de Brito
A- PROBLEMA 
C.D.A., 5 anos, sexo feminino foi levada 
ao ambulatório de ginecologia, por sua mãe, 
porque há alguns meses apresentou dificulda-
de para urinar e tem a “vulva diferente”. A res-
ponsável refere que nunca havia notado nada 
diferente e ficou preocupada porque essa filha 
era diferente das outras. Exame físico: sem al-
terações. Exame ginecológico: presença de fina 
membrana translúcida que se estende da fúrcu-
la ao meato uretral. 
 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Conhecer a fisiopatologia da coalescência 
de pequenos lábios
2. Realizar a propedêutica adequada para o 
diagnóstico
3. Listar doenças para o diagnóstico diferencial
4. Conhecer os tratamentos e seus mecansmos
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
A coalescência de pequenos lábios se 
caracteriza pela aderência entre as ninfas, 
deixando transparecer uma tênue membrana 
translúcida na linha mediana, com o conse-
quente desaparecimento da fenda vulvar, por 
vezes existindo apenas um orifício abaixo do 
clitóris por onde passam a urina e o sangue 
menstrual. Existem outras denominações para 
a alteração citada: aderência dos lábios, agluti-
nação ou conglutinação dos pequenos lábios, 
sinéquia vulvar.
2. Etiologia 
Segundo Campbell, essa alteração po-
derá ser congênita ou adquirida. Se congênita, 
haveria uma fusão medial das pregas labioes-
crotais entre o terceiro e quarto mês de vida 
embrionária. A variedade adquirida é a forma 
sustentada pela maioria dos autores porque 
um processo infeccioso e irritativo localizado 
nos pequenos lábios levará à perda do epitélio 
de transição, e as superfícies se acolam man-
tendo entre elas camada de tecido conjuntivo. 
Porém, cada autor defende a sua teoria para os 
fatores desencadeantes. Huffman e Magalhães 
afirmam que a causa principal é o hipoestroge-
nismo fisiológico associado a infecções vulva-
res; Zeiguer compartilha da tese de Huffman e 
Magalhães no que tange ao hipoestrogenismo, 
porém, em suas pacientes, não observou infec-
ções vulvares antecedendo a sinéquia vulvar. 
Entretanto, a associação de hipoestrogenismo 
com higiene precária é defendida por Souza; 
Vakar aventa a possibilidade de algum proces-
so inflamatório intra-uterino ou mesmo pós-
-parto; Ochsenius sugere ser a coalescência de 
pequenos lábios consequência local de infec-
ções sistêmicas como a cólera, varicela, difteria 
e escarlatina, entre outras e Scharfe afirma que 
os lábios podem se fundir em resposta a algum 
trauma genital, mesmo a dermatite por fralda. 
A vulvite adesiva envolve a fusão dos lábios 
menores, provavelmente causada pela irritação 
crônica associada com a vulvite. Afirma ainda 
que o líquen escleroso também tem sido co-
nhecido como causa de aderência secundária 
aos baixos níveis de estrogênio.
82 Faculdade christus
Capítulo 8
3. Idade e Incidência 
Para Schneider, a coalescência de peque-
nos lábios constitui 19% das consultas na gine-
cologia infanto-juvenil, sendo que, se for consi-
derada somente as pré-púberes, esse valor será 
de 37% dos casos. Afirma ainda que não exista 
uma incidência real, mas em seus estudos com 
meninas entre 1 e 18 meses, observou que a 
ocorrência foi de 5% e conclui afirmando que a 
idade da primeira consulta ocorre, em 51% dos 
casos, antes dos 12 meses de idade e apenas 
4% após os 6 anos.
Na literatura, existem vários autores afir-
mando diferentes faixas etárias. Para Zeiguer, a 
maioria das coalescências ocorre em crianças na 
primeira infância, na faixa etária de 3 a 23 meses. 
Entretanto, Magalhães em um estudo, constatou 
que a incidência maior dessa patologia ocorre de 
4 meses a 3 anos e 2 meses; para Ávila, a maior 
frequência seria de 2 a 6 anos e depois se obser-
varia diminuição progressiva e Bastos, afirma que 
pode ocorrer até os 4 anos de idade. 
Os casos de sinéquia na adolescência 
ou mulheres no período reprodutivo são raros, 
porque geralmente caminham para a cura es-
pontânea com o início da puberdade. No en-
tanto, tem-se registrado em literatura pacientes 
com 17, 18 e até mesmo com 30 anos.
4. Manifestações Clínicas 
A coalescência de pequenos lábios é assinto-
mática na maioria dos casos e, portanto diagnosti-
cada em exames físicos de rotina ou pelos pais que 
temendo uma malformação procuram assistência 
médica. Labrador observou que 70% dos casos en-
contrados foram diagnósticos fortuitos durante o 
exame físico. Algumas manifestações podem estar 
presentes como: dificuldade na micção, retenção 
de urina na vagina causando vulvovaginites de re-
petição e cistites, pielonefrites, pseudoincontinên-
cia urinária, disúria e prurido. No entanto, vale res-
saltar que não somente a coalescência pode levar à 
instalação de processos inflamatórios e infecciosos, 
mas o próprio processo pode ocasionar uma ade-
são de pequenos lábios, colaborando para a persis-
tência destas patologias. 
5. Exame Físico 
Os pequenos lábios podem estar unidos 
parcialmente (coalescência incompleta ou parcial) 
ou totalmente (coalescência completa ou total). 
Observa-se a fenda vulvar com ligeira depressão 
entre os lábios maiores, com ou sem orifício no 
extremo superior; o meato uretral e vagina po-
dem estar ocultos pela coalescência e se a união 
é muito extensa, a urina fica retida no vestíbulo 
vaginal e é eliminada por transbordamento.
6. Diagnóstico e Diagnóstico Diferencial 
O diagnóstico de coalescência de peque-
nos lábios é feito por meio do simples exame 
físico da vulva; a tênue linha translúcida que se 
estende do clitóris à furquilha, é o sinal patogno-
mônico desta entidade e permite o diagnóstico 
diferencial com hímen imperfurado, agenesia 
de vagina, atresia vaginal inferior, persistência 
de membrana urogenital e senéquia vulvar. 
7. Tratamento 
O tratamento poderá ser expectante, clí-
nico ou cirúrgico. Magalhães preconiza o ex-
pectante e refere que o movimento de tração 
para separar a coalescência deverá ser evitado 
porque poderá ter como consequência, trauma-
tismos físicos e/ou psíquicos. 
Em muitos casos, mesmo sem interven-
ção médica, se há melhora da higiene, grada-
tivamente ocorre o desaparecimento das siné-
quias. Segundo Wolf, a troca pouco frequente 
das fraldas ou o cuidado excessivo com os ge-
nitais como a aplicação de cremes que podem 
ser irritativos, à base de óxido de zinco, poderão 
corroborar no aparecimento das coalescências. 
Para Ávila, se a paciente é assintomática, com 
coalescência parcial, o tratamento se limitará a 
eliminar o produto irritativo causador da vulvite 
(sabão, parasitoses, abuso sexual) ou observar e 
esperar amenarca.
A conduta terapêutica mais utilizada con-
siste em uma aplicação vulvar, diretamente na 
linha mediana formada pela adesão das ninfas, 
de cremes de estrogênio, uma ou duas vezes ao 
dia durante 15 dias sem massagem local. Após 
a separação dos pequenos lábios, usar cremes 
ginecológicos para tratamento da vulvite ou 
cremes com vitamina A; em ambos os casos, 
com a finalidade de diminuir a incidência das 
recidivas; o êxito é de 51,3%. O uso de creme 
ginecológico deve ser mantido por 60 dias, com 
acompanhamento quinzenal, inicialmente, e de-
pois mensal até a alta.
 83 Faculdade christus
 Capítulo 8
O tratamento com cremes de estrógeno 
não deve ser realizado por um período mais 
longo devido a seus efeitos colaterais: pseu-
dopuberdade precoce iatrogênica, botão ma-
mário, lanugem pubiana chegando até a perda 
sanguínea por via vaginal. No entanto, em um 
estudo, Lewitan constatou que com o uso de 
medicação estrogênica local por 3 meses não 
ocorreram efeitos adversos e foi bem sucedida 
a abertura de aderência vulvar.
Creme estrogênico de pouca absorção 
foi estudado por alguns autores. Magalhães, 
em estudo com promestriene, que possui uma 
molécula modificada do estradiol e age como 
um estrógeno constatou a incapacidade dessa 
substância de atravessar o epitélio vaginal ou 
vulvar, portanto, de ação estritamente local; ve-
rificou que a resposta é mais lenta, a coalescên-
cia se desfaz, em média com 40 dias de uso e 
não há modificação da mucosa vulvar. 
Petti preconiza o uso de vaselina sólida, 
e diz obter resultado tão satisfatório quanto o 
obtido com cremes a base de estrógeno. Mas 
Magalhães não concorda com essa conduta, 
pois nesse caso não há o tratamento do maior 
fator desencadeante que é o hipoestrogenismo 
e/ou processo inflamatório. 
Recentemente, estudo retrospectivo, com 
uso tópico de betametasona, foi realizado por 
Mayoglou com 151 meninas com idade média 
de 3 anos, mostrou que a separação labial ocor-
reu em um período curto de tempo e sem os 
efeitos colaterais do estrogênio tópico. Da mes-
ma opinião, é Myers; afirma que a betameta-
sona a 0,05% pode ser indicada como terapia 
inicial ou em pacientes com outros tratamentos 
prévios, sem sucesso.
A indicação cirúrgica é rara; deverá ser 
particularmente reservada aos casos não so-
lucionados pelo tratamento com creme tópico 
ou em pacientes em que a fusão se encontra 
bastante espessa. Consiste na debridação ma-
nual, com ou sem anestesia local à base de cre-
mes contendo lidocaína com Prilocaína a 2,5%. 
Antes dessa manobra, está indicado o uso de 
creme de estrógeno por uma semana e Lewitan 
preconiza a continuação do seu uso por mais 
duas semanas. Refere ainda que antes da indi-
cação cirúrgica a paciente deve ser bem avalia-
da porque muitas apresentam recidivas. 
Provavelmente, o maior dano que a coa-
lescência dos pequenos lábios pode trazer seja 
a ansiedade que este quadro traz para os fami-
liares, os quais, muitas vezes, associam essa pa-
tologia com malformações da genitália externa. 
É necessário esclarecer o real diagnóstico, o 
tratamento e o prognóstico, além de orientar 
a criança e/ou o responsável quanto aos pre-
ceitos de higiene da genitália e a vestimenta 
adequada. Dessa maneira, evita-se ao máximo 
o prolongamento dos processos inflamatórios e 
as recidivas. 
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cApítulo 9
VULVOVAGINITES NA INFÂNCIA
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Gabriella Girão Campos de Barros
Maria Thereza da Frota Quinderé Ribeiro
A- PROBLEMA 
M.L.G., 4 anos, branca, natural e proce-
dente de Fortaleza-CE, foi levada por sua mãe, 
Sra. Carolina, ao ambulatório de ginecologia 
porque há 15 dias apresentou corrimento de 
cor amarelada, acompanhado de prurido e ar-
dor vulvar. Encontra-se preocupada porque a 
filha pode estar com uma doença grave. Refere 
que, como trabalha fora de casa, sua filha fica 
em uma creche e faz sua própria higiene. Exame 
físico: sem alterações. Exame ginecológico: vul-
va hiperemiada, com escoriações e presença de 
restos de papel higiênico na parte interna dos 
pequenos lábios, hímen hiperemiado e íntegro. 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Descrever a importância das vulvovaginites 
na infância. 
2. Listar os fatores predisponentes.
3. Conhecer as principais etiologias, métodos 
diagnósticos e quadro clínico correspondente. 
4. Indicar o diagnóstico diferencial
5. Citar a terapêutica
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução 
A vulvovaginite é a inflamação dos teci-
dos vulvares e vaginais. São vários os fatores 
desencadeantes. Geralmente está associada a 
corrimento anormal. Pode ser secundária a uma 
vulvite ou comprometer, desde o início, ambas 
as mucosas. 
A inflamação vulvovaginal é a queixa gi-
necológica mais comum em meninas pré-púbe-
res, sendo responsável por 40-85% das consul-
tas às clínicas ginecológicas. Não é uma afecção 
grave, mas o resultado terapêutico nem sempre 
é satisfatório. 
São causadas por agentes infecciosos ou 
elementos físico-químicos; são decorrentes de uma 
alteração da homeostasia bacteriana vaginal. 
A vagina da recém-nascida é estéril (pH 
5-5,7). Nas primeiras horas de vida, elaé colo-
nizada por uma microbiota mista de bactérias 
não patogênicas. Após 48h, com a secreção de 
glicogênio induzida pelos hormônios maternos, 
ocorre a colonização por lactobacilos. Observa-
-se uma leucorreia fisiológica, que tende a de-
saparecer até a 6a semana de vida; geralmente 
na 3a ou 4a semana.
Em torno de 1 mês de vida, os estrógenos 
maternos são excretados e cessa a produção de 
glicogênio, com isso desaparecem os lactoba-
cilos e o pH torna-se alcalino (6-7,5). A vagina 
passa a ser colonizada por uma microbiota mis-
ta em equilíbrio: difteróides, estreptococos alfa 
hemolíticos, Escherichia coli, Klebsiella, estafilo-
cocos coagulase positivo, entre outros. 
A presença de fluxo vaginal ou de molés-
tias na vulva de uma menina é um grande mo-
tivo de preocupação para os pais que prevêem 
as mais graves consequências. Tais sintomas são 
raramente graves, mas podem ser motivo de 
consideráveis transtornos por sua persistência.
Na pré-pubere, a frequência relativa dos 
vários germes da flora vaginal normal é dife-
rente daquela observada em adolescentes e na 
86 Faculdade christus
Capítulo 9
mulher adulta. Como também, as lesões cervi-
cais, que frequentemente são responsáveis por 
sintomas depois da puberdade, são raras vezes 
observadas na infância. Por outro lado, a vagi-
nite, devido à infecção por micro-organismos 
inespecíficos, escassamente observada na fase 
adulta é o achado mais comum nas meninas. 
2. Fatores Predisponentes 
Do ponto de vista fisiológico, anatômico 
e comportamental, as crianças pré-púberes re-
presentam um grupo de risco bastante suscep-
tível para o aparecimento das vulvovaginites. 
Os mecanismos de defesa não são total-
mente conhecidos na mulher adulta e são defi-
cientes ou nulos na menina. As principais alte-
rações evidenciadas nos mecanismos de defesa 
da criança são: 
 ƒ desenvolvimento anatômico incompleto, mas 
fisiológico, das estruturas vulvoperineais dei-
xa o trato genital inferior mais permeável a 
agentes agressores; a ausência de pilosidade 
pubiana, lábios menores e maiores pouco de-
senvolvidos, pequena abertura himenal obs-
truindo a saída de conteúdo vaginal na infân-
cia inicial.
 ƒ proximidade entre o ânus e a vagina favore-
cendo as infecções ascendentes por contami-
nação com micro-organismos fecais.
 ƒ ausência de mecanismos autodefensivos da 
vagina devido a um pH inadequado em con-
sequência da falta de lactobacilos. Por se tor-
nar alcalino, o conteúdo vaginal na infância 
passa a ser um bom meio de cultura para o 
crescimento de bactérias patogênicas.
 ƒ diminuição ou ausência quase total do muco 
cervical devido aos baixos níveis hormonais 
e consequente falta de lisozima, substância 
que possui uma ação defensiva contra alguns 
agentes bacterianos, micóticos e parasitários.
 ƒ falta dos anticorpos que estarão presentes na 
adolescência.
2.1. Outros fatores predisponentes
Além da diminuição dos mecanismos de 
defesa locais da menina, as infecções podem 
ser favorecidas por vários fatores sistêmicos ou 
tópicos. Segundo alguns autores, quase todas 
as meninas têm, em alguns momentos de sua 
vida, certo grau de vulvovaginite. Os principais 
fatores para isso são:
 ƒ uso frequente e muitas vezes desnecessário 
de antibióticos que modificam o ecossistema 
vaginal, desequilibrando-o.
 ƒ infecção dos tratos respiratório, urinário, in-
testinal, da pele, alergias, transtornos imuno-
lógicos, entre outros.
 ƒ doenças crônicas como diabetes que favore-
cem a instalação e manutenção de infecções.
 ƒ parasitoses intestinais, sendo a mais frequente 
as infecções por oxiúros. O enteróbio é muito 
frequente e não está necessariamente relacio-
nado com precárias condições de higiene. O 
contato entre crianças nas escolas pode fa-
vorecer a transmissão em meninas de classes 
socioeconômicas mais elevadas. Outros para-
sitas do trato digestivo raramente invadem a 
cavidade vaginal. Entretanto, Huffman relata 
que durante uma vaginoscopia, encontrou 
uma espécie de Ascaris lumbricóides enrolada 
na cúpula vaginal de uma menina.
 ƒ malformações do trato urinário e intestinal 
baixo como, por exemplo, ureter ectópico, fís-
tulas retovaginais e retoperineais. 
 ƒ incontinência urinária e/ou fecal.
 ƒ enurese.
 ƒ obesidade.
 ƒ desnutrição e avitaminose.
 ƒ dietas muito ricas em hidratos de carbono que 
aumentam os nutrientes dos microorganismos.
 ƒ influências no estado geral como tensão e stress.
 ƒ corticoides, quando usados em forma sistê-
mica, diminuem a resistência às infecções.
 ƒ precariedade da higiene genito-anal levando 
material fecal para a vulva e vagina.
 ƒ adultos portadores de infecções e que cuidam 
de crianças.
 ƒ roupa íntima mal lavada, com detergentes ou 
sabões que poderão atuar como agentes aler-
gênicos.
 ƒ uso de roupa íntima de fibras sintéticas que man-
têm os genitais úmidos e transformam a vagina 
em meio de cultura ideal para as infecções.
 ƒ irritantes locais como perfumes ou desodo-
rantes vulvares.
 ƒ asseio exagerado e duchas vaginais que mo-
dificam a flora vaginal.
 ƒ masturbação.
 ƒ abuso e agressões sexuais.
 ƒ corpo estranho na vagina. 
3. Manifestações Clínicas 
A sintomatologia não é característica; a 
gravidade dos sintomas das vulvovaginites varia 
consideravelmente e depende do quadro clínico.
 87 Faculdade christus
 Capítulo 9
O sintoma mais frequente, representan-
do 95% dos motivos de consulta é a leucorreia, 
com características diversas em sua quantidade, 
aspecto, cor, odor, e ocasionalmente acompa-
nhada por sangue. O prurido, quando presente, 
pode ser leve, moderado ou intenso e, às vezes, 
associado a lacerações vulvares. A queixa de 
ardor vulvar, principalmente à micção, poderá 
ocorrer quando há um quadro de vulvite (disú-
ria vulvar). Essa sintomatologia pode induzir o 
profissional a um diagnóstico errôneo de infec-
ção do trato urinário. 
O eritema vulvar ou anal, dor à defecação 
por irritação local, erosões, ulceração, edema, 
maceração e sinais de infecção secundária são 
sintomas que algumas vezes estão presentes. 
Podem ocorrer pequenos sangramentos ou ge-
nitorragias associados a infecções de qualquer 
etiologia. Complicações como salpingite e do-
ença inflamatória pélvica não são observadas. 
4. diagnóstico 
O diagnóstico das vulvovaginites na in-
fância se baseia fundamentalmente na anamne-
se, exame físico e exames complementares. 
O clínico deve fazer uma abordagem 
racional, paciente e interessada ao deparar-
-se com um quadro de vulvovaginite porque a 
presença de infecção genital e as implicações 
de uma possível relação com o exercício sexual 
podem ser muito significativas para a paciente 
e seu responsável. Durante a anamnese inicial, 
as perguntas devem ser pertinentes e em ter-
mos adequados à faixa etária da paciente. Esta, 
quando abordada, fornece-nos quase todos os 
dados corretamente, sem omissões, o que nos 
ajuda muito na hipótese diagnóstica. Conquis-
tar a confiança da criança e ocupar sua atenção 
com conversa interessante e não ameaçadora 
proporciona grande ajuda, minimizando a pos-
sibilidade de fracasso na entrevista. É muito im-
portante investigar se a menina já fez uso de 
alguma medicação e há quanto tempo a sinto-
matologia apareceu. Deve-se também pensar na 
possibilidade de outros motivos para a consulta, 
como, por exemplo, abuso sexual, DST e neo-
plasias. Se a história é de fluxo sanguinolento e 
fétido, a hipótese de corpo estranho ou tumor 
necrótico (raro) não pode ser esquecida, bem 
como a presença de fluxo sanguinolento e ino-
doro pode caracterizar irritação ou traumatismo 
vulvar ou até uma puberdade precoce. Durante 
a anamnese, é fundamental orientar quanto à 
higiene vulvoperineal e dependendo da idade, 
preparar a menina para a menarca.Após conquista da confiança da pequena 
paciente e dos que a acompanham, realiza-se o 
exame físico completo e, posteriormente, o exa-
me ginecológico. 
À inspeção vulvar, observam-se alterações 
na coloração, presença ou não de corrimento e 
suas características, edema, escoriações, ulcera-
ção, malformações, aspecto do clitóris, do hímen, 
das ninfas e do ânus. Deve-se observar também 
as condições de higiene, a presença de detritos 
e/ou fezes no interior dos sulcos interlabiais.
Para se ter o diagnóstico preciso da cau-
sa da vulvovaginite, deve-se realizar a coleta do 
conteúdo vaginal. São descritos vários méto-
dos atraumáticos que podem ser utilizados em 
meninas pré-púberes e a escolha depende da 
experiência do profissional. É importante que a 
coleta do material não seja realizada no intróito 
vaginal porque poderia ocorrer contaminação 
com micro-organismos gram positivos, compo-
nentes da flora da pele circunvizinha. 
Deve-se efetuar o exame microscópico 
do conteúdo vaginal para pesquisa de bacté-
rias, fungos, hemácias, ovos de parasitas, trico-
monas, leucócitos, bem como para avaliação do 
efeito estrogênico sobre o epitélio escamoso 
vaginal. A cultura do conteúdo vaginal, a não 
ser as específicas, não está indicada, pois não 
acrescentará informações clínicas úteis. 
O estudo microbiológico por meio de mé-
todos simples e de baixo custo, como o exame 
a fresco do conteúdo vaginal e a bacterioscopia 
por Gram podem ser esclarecedores na maioria 
dos casos. Assim, estudos utilizando tais métodos 
revelaram em pré-puberes com queixa de corri-
mento vaginal que, em 22% dos casos, o quadro 
é normal e os morfotipos de patógenos mais ob-
servados em quadros específicos são Cândida sp 
(em cerca de 10%), Gardnerella vaginalis (em cer-
ca de 5%) e Mobiluncus sp (em cerca de 2%).
A vaginoscopia não está indicada na maio-
ria dos casos, exceto em determinadas situações: 
sangramento vaginal, suspeita de corpo estranho, 
tumor, anomalia congênita, trauma vaginal, vulvo-
vaginite recorrente e exposição a DES in útero. 
Parasitológico de fezes para pesquisa de 
oxiúros e sumário de urina fazem parte da roti-
na de investigação. 
88 Faculdade christus
Capítulo 9
4.1. Diagnóstico diferencial 
Deve ser realizado com as seguintes pa-
tologias: vulvite seborreica, psoríase vulvar, der-
matite atópica, dermatite de contato, líquen 
escleroso, líquen simples crônico (neuroderma-
tite), líquen plano, condiloma acuminado, mo-
lusco contagioso, escabiose, impetigo, malasse-
zia furfur, vírus herpes simples (HSV) e vitiligo.
5. tratamento 
Depende do processo etiológico e é o 
mesmo, independentemente da faixa etária. As 
patologias mais frequentes são: vulvovaginites 
causadas por Cândida e Tricomonas e a vagino-
se bacteriana. 
Na infância temos as vulvovaginites classi-
ficadas como “inespecíficas” que praticamente 
não são encontradas nas outras faixas etárias. 
São responsáveis por 70% dos casos de vulvo-
vaginites pediátricas. A reação inflamatória é a 
resposta defensiva do hospedeiro à agressão de 
diferentes micro-organismos (Estafilococos, Es-
treptococos, Proteus vulgaris, E. coli.), produtos 
químicos (sabonetes, talcos, desodorantes, entre 
outros) ou físicos (roupas íntimas de material sin-
tético, tampões vaginais, etc.) ou imunológicos 
(imunodepressão, tratamento oncológico). Na 
maioria dos casos (68%), estão presentes as bac-
térias fecais, sendo a E. coli a mais encontrada.
Os fatores predisponentes associados à 
conformação anatômica própria da infância faci-
litam o desenvolvimento de infecção por germes 
“banais”. As vulvovaginites inespecíficas podem 
frequentemente associar-se às doenças sexual-
mente transmissíveis e afetarem de forma simul-
tânea, vários locais do aparelho genitourinário. 
Os sintomas mais frequentes são: fluxo 
vaginal anormal, cujo aspecto dependerá do 
agente etiológico; prurido genital e/ou anal; 
hiperemia, edema vulvar e escoriações; lesões 
hiperqueratósicas na vulva; úlceras vulvares e 
vesículas (herpéticas); lesões condilomatosas na 
vulva; despigmentação parcial ou total da pele 
da vulva; sintomas urinários.
Quando as vulvovaginites são causadas 
por Enteróbios vermiculares, a paciente apresen-
ta prurido anal que pode ser acompanhado de 
sono intranquilo e “choros ou gritos” súbitos du-
rante a noite. Em muitos casos, a má higiene está 
presente e estudos mostram que 8% a 20% das 
meninas com enterobíase se encontram na ida-
de escolar. A enterobíase é causada pelo Entero-
bius vermicularis, um verme que, quando adulto, 
habita a região cecal do intestino grosso e suas 
imediações, podendo migrar para outras regiões. 
Após a cópula, as fêmeas seguem do cólon para 
a região perianal durante a noite, onde liberam 
seus ovos. O transporte desse verme para a vagi-
na da criança é facilitado pela proximidade entre 
ânus e vagina e pelo prurido perianal ocasiona-
do pelo enterobius. A reação alérgica ao verme 
e a inflamação devido às bactérias provindas do 
intestino e carreadas pelo enterobius podem ser 
causa de vulvovaginite recorrente.
Em aproximadamente 5% dos casos de 
vulvovaginites estão presentes corpos estra-
nhos endovaginais, que podem ser introduzidos 
na vagina de forma casual, iatrogênica ou inten-
cional, pela própria menina ou por outras pes-
soas, nas brincadeiras infantis ou com finalidade 
de agressão ou abuso sexual. O conteúdo vagi-
nal nesses casos é geralmente hemopurulento 
e de odor fétido devido às erosões vaginais e 
infecção secundária. 
Kocher et al. sugeriram que algumas vul-
vovaginites de causa desconhecida poderiam ser 
causadas por vírus. O tratamento é semelhante 
ao indicado para os processos inflamatórios cau-
sados pela má higiene perineal, mas as bactérias 
geralmente são mais resistentes ao tratamento 
do que em outras variedades de vulvovaginites.
5.1. Tratamento das vulvovaginites 
inespecíficas
É possível fazer o diagnóstico com a aju-
da da clínica e de exames laboratoriais, que nos 
mostrarão o grau de inflamação para se poder 
indicar um adequado tratamento. Deve-se reali-
zar a coleta do conteúdo vaginal para estudo da 
citologia oncótica (Papanicolau), exame a fres-
co, Gram e cultura, quando necessária.
Como a principal causa de vulvovaginite 
inspecífica é a má higiene perineal, o maior alvo 
do tratamento é a orientação para a sua melho-
ra. Indicam-se medidas higiênicas como o uso 
de sabonetes neutros e banhos de assento com 
soluções adstringentes ou anti-inflamatórias e/
ou anti-sépticas. Aconselha-se evitar o uso de 
produtos químicos irritativos e de roupas ínti-
mas de material sintético. Em lactentes e crian-
ças pequenas, além da higiene precária obser-
vamos o uso de fraldas de material sintético que 
devem ser evitadas. Nas recém-natas, o asseio 
 89 Faculdade christus
 Capítulo 9
será realizado todas as vezes que a fralda for 
trocada, somente com água morna e algodão. 
As meninas devem usar calcinhas de algodão 
ou malha de algodão que têm a vantagem de 
absorver a umidade e de não conter substân-
cias corantes nem materiais sintéticos capazes 
de irritar a pele. Dependendo da intensidade 
do quadro e do prurido, indicamos cremes com 
antibiótico ou corticoide, para diminuir a sinto-
matologia e a inflamação.
Nos casos de vulvites agudas eritematosas 
ou exsudativas, utiliza-se como primeira medida, 
compressas úmidas frias, se possível com antis-
sépticos. Após o alívio da sintomatologia aguda, 
pode-se indicar creme endovaginal e/ou apenas 
vulvar, com anti-inflamatório e/ou corticoide.
Huffman refere que 80% das crianças tra-
tadas por vulvovaginite inespecífica ficam as-
sintomáticas por vários meses, quando a boa 
higiene perineal é mantida. Antibioticoterapia 
sistêmica via oral ou parenteral sódeve ser utili-
zada quando um agente específico é identifica-
do ou há infecção urinária associada. 
Se o agente for o oxiúros, todos os mem-
bros da família devem ser submetidos a trata-
mento. Outros parasitas intestinais como Giardia 
lamblia e B. hominis, se presentes, necessitam 
também ser tratados concomitantemente.
Quando a causa da enfermidade é um 
corpo estranho, este deve ser removido da va-
gina o mais rápido possível, com cuidado e de-
licadeza e concomitantemente tratar o processo 
inflamatório. 
A inoculação hematogênica da vulva e 
da vagina por germes causadores de infecção 
localizada em outro ponto do organismo e a 
transmissão por meio de mãos contaminadas 
são outras causas de vulvovaginites em crian-
ças. História de infecção, comprometendo as 
vias aéreas superiores, pele, trato urinário ou 
gastrointestinal ou outros locais, pode estar 
presente. O tratamento depende da definição 
da fonte primária de infecção, obtendo-se os 
resultados de culturas e determinando-se o tra-
tamento indicado. A antibioticoterapia prescrita 
para a infecção primária tende a curar também 
a infecção vaginal. Uma boa higiene perineal e 
banhos de assento, como antes descrito, são 
importantes para proporcionar o alívio dos sin-
tomas e evitar a recorrência. O tratamento local 
com antimicrobianos deve ser iniciado nos ca-
sos em que o exame bacterioscópico não de-
monstrar trichomonas ou fungos. Indicar aplica-
ção endovaginal de creme ginecológico; realizar 
de maneira cuidadosa para não traumatizar a 
criança, com material adequado e por pessoas 
habilitadas. Pode ser utilizado cremes à base 
de sulfonamidas ou tetraciclina e anfotericina B 
que são particularmente efetivos nesses casos. 
Quando o tratamento não é realizado correta-
mente, pode ocorrer uma melhora do processo 
inflamatório e logo que a medicação é suspen-
sa, a sintomatologia aparece novamente.
5.2. Vaginose bacteriana
É a causa mais comum de corrimento du-
rante a idade reprodutiva e não muito frequente 
nas meninas. O crescimento excessivo da flora 
bacteriana vaginal anaeróbia altera a predomi-
nância normal dos lactobacilos e resulta em va-
ginose bacteriana, que é responsável por apro-
ximadamente 1/3 de todas as vulvovaginites em 
mulheres. O pH ideal para a sua sobrevivência 
é de 5 a 5,5 não coincidindo com o da menina 
que é de 6 a 7,5. 
Quanto à forma de transmissão, afirma-
va-se que o contágio aconteceria de forma di-
reta e a transmissão na infância (menores de 
10 anos) poderia ocorrer por meio de toalhas 
úmidas, sem deixar de pensar na violência sexu-
al. Atualmente, muitos trabalhos têm mostrado 
que não há um contágio, mas uma colonização 
cujo desequilíbrio se daria provavelmente por 
um parasitismo de fagos na população bacte-
riana aeróbia. O CDC – Atlanta no seu último 
protocolo não mais considera a possibilidade 
de transmissão, principalmente sexual.
A vaginose bacteriana, nas pré-puberes, 
pode estar associada à queixa de corrimento 
em cerca de 5% dos casos e de prurido em tor-
no de 3% das vezes. O tratamento é idêntico ao 
da infecção por Trichomonas vaginalis.
Como já foi abordado anteriormente, a 
sintomatologia e o tratamento são os mesmos 
em todas as faixas etárias. Para não se tornar 
repetitivo, estenderemo-nos um pouco mais fa-
lando sobre vaginose e vaginites, no capítulo de 
vulvovaginite no menacme.
5.3. Candidíase vaginal
É o micro-organismo encontrado com 
maior frequência nas infecções da infância, na 
90 Faculdade christus
Capítulo 9
pré-menarca e pós-menarca, como único agen-
te causal ou como etiologia mista. As leveduras 
são fungos constituintes da microbiota vaginal, 
mas em algumas mulheres e em circunstâncias 
ainda obscuras, a população de Candida sp 
aumenta e provoca uma vaginite intensa, com 
uma descarga vaginal caseosa, que pode ser 
acompanhada por uretrite e disúria, simulando, 
em muitos casos, uma infecção do trato uriná-
rio. A Candida sp é responsável por 20 a 25% 
dos corrimentos genitais de natureza infeccio-
sa. Na maioria das vezes, entre 60% e 70%, a 
espécie C.albicans é a responsável por estes 
quadros. Contudo, nos restantes dos casos, ou-
tras espécies de Cândida (C.glabrata, C. krusei, 
C.tropicalis, C. parapsilosis, entre outras) ou ou-
tros fungos podem produzir idênticas manifes-
tações clínicas.
Ainda não existem estatísticas da sua 
incidência na infância. Na maioria dos casos, 
a doença se desenvolve em recém-nascidas e 
crianças com poucos meses de idade, já que 
durante essa época o meio vaginal contém gli-
cogênio, o seu pH é baixo e a vagina é mais es-
trogênica.
O alto teor de glicogênio encontrado nas 
células epiteliais vaginais, a antibioticoterapia, o 
diabetes, os imunossupressores e o tipo de ves-
timenta íntima são condições predisponentes 
ao aparecimento dessa patologia. 
À inspeção vulvar, observa-se hiperemia 
difusa, que pode se estender para a região 
perineal ou face interna das coxas. Podemos 
observar também edema vulvar, hiperemia 
vaginal e, às vezes, placas esbranquiçadas na 
parede vaginal e que se desprendem com fa-
cilidade. O aspecto da vulva se assemelha ao 
do líquen escleroso; deve-se fazer o diagnós-
tico diferencial.
O diagnóstico se faz principalmente por 
meio de exame a fresco, citologia, Gram. A cultu-
ra (Sabouraud) só estará indicada quando os mé-
todos anteriores não demonstrarem a presença 
de micélios e a clínica é indicativa de infecção mi-
cótica ou nos casos de candidíase vulvovaginal 
recorrente para identificação da espécie e de sua 
capacidade de resistência à terapia.
Quanto ao tratamento, os fatores pre-
disponentes devem ser avaliados e, a pacien-
te orientada.
O tratamento da vulvovaginite por Cân-
dida em crianças está limitado pela dificuldade 
de administração do creme tópico intravaginal. 
As opções terapêuticas incluem diversos anti-
micóticos tais como nistatina, cetoconazol, mi-
conazol, clotrimazol, itraconazol e o fluconazol. 
A medicação por via oral está indicada para eli-
minar a infecção gastrointestinal que é conside-
rada o “reservatório dos fungos”. Para pacientes 
maiores de 10 anos e com o peso acima de 40 
kg pode ser prescrito fluconazol oral, 01 cápsula 
de 150 mg em dose única, repetindo-se somen-
te em casos de recidiva. Em meninas menores 
de 10 anos, pode-se prescrever fluconazol 3 a 6 
mg/kg de peso em 01 cápsula de 50 mg diária 
ou 01 cápsula de 12 em 12 horas. Com essas 
doses se produz melhora em cerca de 90% dos 
casos. Em geral, associa-se a terapia oral com o 
tratamento tópico ou endovaginal, com cremes 
antimicóticos, que devem ser aplicados pela 
“sonda- seringa”. A aplicação do creme deverá 
ser realizada por um profissional experiente ou 
pela mãe, quando orientada, para não trauma-
tizar a criança, pois é um método atraumático, 
indolor, rápido e de fácil aplicação. 
Vários autores indicam, principalmen-
te nessa faixa etária, violeta de genciana, mas 
nós não compartilhamos dessa conduta. Um 
complemento à medicação e que alivia muito a 
sintomatologia externa é o asseio da região ge-
nital com solução alcalinizante de bicarbonato 
de sódio (4g em 240 ml de água filtrada e/ou 
fervida em temperatura natural). A associação 
de cremes antimicóticos combinados com cor-
ticoide é indicada por alguns autores, para apli-
cação vulvar, quando os sintomas e sinais são 
muito severos.
Em casos recorrentes pode-se instituir a te-
rapia preventiva prolongada, semanal ou mensal. 
5.4. Tricomoníase vaginal
Quando procuramos na literatura a tri-
comoníase na infância, a resposta é sempre a 
mesma: - é uma infecção inexistente ou pou-
co comum em meninas, pois é um parasita que 
prefere um ambiente estrogenizado para seu 
desenvolvimento. Mas pode ser encontrado em 
neonatas (infectadas no canal de parto), meni-
nas que sofreramabuso sexual, quando familia-
res estão contaminados e em pacientes duran-
te a pré-menarca. Entretanto, na tese de Livre 
Docência de Moreira, um estudo realizado em 
8081 pacientes menores de 12 anos, verifica-se 
que 80,7% (6524) eram portadoras de vulvova-
 91 Faculdade christus
 Capítulo 9
ginites e destas, 6,8% (442) apresentavam trico-
moníase vulvovaginal, mostrando assim que a 
patologia não é tão rara nessa faixa etária. O 
tricomonas é ativamente móvel no conteúdo 
vaginal, em solução salina e em ambientes com 
temperatura de 39°C e pH entre 4,8 e 7,6.2 Pode 
sobreviver em ambiente extragenital (como as-
sento de vaso sanitário), por até 45 minutos, no 
esperma por cerca de 6 horas e nas vestes úmi-
das de infectados por até 24 horas. 
Apesar do habitat natural ser a vagina, o 
tricomonas pode ser encontrado ocasionalmen-
te na uretra, bexiga, canal endocervical, glându-
las de Skene e glândulas de Bartholin. 
O quadro clínico varia de acordo com a 
intensidade do processo, seja ele agudo crônico 
ou até assintomático. 
Ao exame ginecológico, a inspeção nos 
mostra lesões dermatológicas na região vulvo-
-perineal e adjacências. Edema e congestão ves-
tibular, com exsudado espumoso, são comuns 
nos casos agudos; se ocorrerem pequenas per-
das sanguíneas, pode-se realizar a colpovirgos-
copia que evidenciará uma mucosa vaginal in-
flamada e com petéquias.
Para a identificação do parasita, o método 
de eleição é o exame direto a fresco. O conteúdo 
vaginal será diluído em solução salina a 0,09% e 
poderá se observar a mobilidade do Trichomonas 
vaginalis. O material deve ser examinado imedia-
tamente após sua retirada da vagina, uma vez que 
a demora no exame imobiliza o protozoário. 
As culturas são muito sensíveis (Diamond e/
ou de Kupferberg), mas raramente são utilizadas. 
Diferentemente da vaginose bacteriana, podem 
estar presentes lactobacilos. O tricomonas também 
é detectado no exame de Papanicolau, mas pode 
ocorrer uma alta incidência de falsos positivos. 
Quanto ao tratamento, para as recém-nasci-
das a dose recomendada é: metronidazol 5 mg/
kg a cada 8 horas por via oral durante 05 dias. 
Piato preconiza em meninas de 01 a 05 anos, 
5 mg/kg de 12 em 12 horas e nas de 05 a 10 
anos de 8 em 8 horas ou se preferir, dose úni-
ca de 01g. Quando a idade se situa entre 08 e 
12 anos, pode-se prescrever comprimidos na 
dose de 125 mg a cada 12 horas, durante 10 
dias, aumentado essa dose para 2g por dia em 
dose única, após os 12 anos. O tratamento local 
concomitante está indicado com aplicação en-
dovaginal de creme com metronidazol.
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92 Faculdade christus
Capítulo 9
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cApítulo 10
VULVOVAGINITES NA ADOLESCÊNCIA
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães 
Lívia Mara Almeida Silveira
Marta Gabriela Silvestre Coelho Carvalho
A- PROBLEMA 
A.F.P., 16 anos, compareceu ao consultó-
rio ginecológico com queixa de corrimento em 
grande quantidade, de aspecto bolhoso, com 
odor, prurido vulvar e, às vezes, disúria. Refere 
ter utilizado uma medicação antifúngica, orien-
tada por uma amiga, mas não houve melhora 
do quadro. Como tem vida sexualmente ativa 
há 2 anos e não faz uso de preservativo, está 
preocupada. Será que estou com uma doença 
grave, doutor? Exame físico, sem alterações. 
Exame ginecológico: vulva hiperemiada, ede-
maciada. Presença de conteúdo vaginal abun-
dante e colo com intensa colpite focal.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Enumerar as hipóteses diagnósticas para o caso
2. Descrever como fazer o diagnóstico dife-
rencial
3. Listar os sinais e sintomas das diferentes 
vulvovaginites
4. Propor os exames para realização do diag-
nóstico
5. Relatar a conduta terapêutica para cada vul-
vovaginite especifica da faixa etária
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
Segundo a Organização Mundial da Saú-
de (OMS), a adolescência compreende a faixa 
etária entre 10 e 19 anos. De acordo com o Es-
tatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069 
de 13/07/90), é considerado adolescente o in-
divíduo entre 12 e 18 anos de idade. Essa dife-
rença é pouco relevante frente a todas as mo-
dificações biológicas, psicológicas e sociais que 
caracterizam esse período da vida. Sexualmen-
te, a adolescente atinge muito cedo a condição 
de adulta (capacidade de procriar). Entretanto, 
precisa de mais tempo para assimilar emocio-
nalmente essas modificações.
Conforme estimativa da Organização das 
Nações Unidas (ONU), os adolescentes repre-
sentam cerca de 25% da população mundial. 
No Brasil, segundo dados do censo demográ-
fico do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
tística (IBGE) de 1991, esse grupo corresponde 
a 21,84% da população do país, sendo que nos 
últimos 25 anos a distribuição de jovens nas re-
giões urbanas triplicou. 
A maior vulnerabilidade desse grupo aos 
agravos, determinada pelo processo de cresci-
mento e desenvolvimento, coloca-o na condi-
ção de presa fácil das mais diferentes situações 
de risco, como gravidez precoce, muitas vezes 
indesejada, DST/Aids, acidentes, diversos tipos 
de violência, maus tratos, uso de drogas, eva-
são escolar, entre outros. Quando somados es-
ses fatores à importância demográfica que esse 
grupo representa, encontra-se plenamente jus-
tificada a necessidade de atenção integral à sua 
saúde,levando em consideração as peculiarida-
des específicas dessa faixa etária.
Para Halbe (2000), durante esse perío-
do, são várias as razões que configuram uma 
visita ao ginecologista: irregularidades no ci-
clo menstrual, acne, contracepção, orientação 
sexual e, em um lugar de destaque, ficam as 
vulvovaginites. É responsável por aproxima-
94 Faculdade christus
Capítulo 10
damente 10 milhões de visitas por ano ao gi-
necologista.
Os processos infecciosos são mais fre-
quentes nessa faixa etária devido às alterações 
hormonais. As sequelas dessas infecções incluem 
distúrbios mais sérios do trato genital superior 
(por exemplo, salpingooforite com resultante 
infertilidade). Na avaliação de uma adolescente 
que apresenta sinais e sintomas de vulvovagini-
te, precisa-se levar em consideração o estágio 
puberal, o envolvimento sexual atual ou recente 
(voluntário ou associado à agressão) e os mé-
todos de anticoncepção (caso sejam usados), já 
que todos estes fatores podem influenciar no 
tratamento. A possibilidade de infecção sexual-
mente transmitida é motivo de significativa pre-
ocupação para essas meninas e, dessa forma, a 
consulta clínica proporciona a oportunidade de 
orientar a paciente e facilitar sua adesão ao trata-
mento recomendado porque a atividade sexual 
expõe as jovens a muitos patógenos. 
A vulvovaginite na adolescente sem ati-
vidade sexual tem, em geral, as mesmas cau-
sas encontradas nas vulvovaginites da infância. 
Além disso, nesse período também é muito co-
mum a ocorrência de queixas de corrimento em 
determinados dias do mês, correspondente ao 
período da ovulação. Esse conteúdo vaginal, em 
geral, não apresenta sintomas associados.
Nas adolescentes com atividade sexual, 
em geral, os micro-organismos são os mesmos 
encontrados na mulher adulta: Cândida, Tricho-
monas, Gardnerella. Podem também ocorrer 
as cervicites (Clamídia ou Gonococo), além de 
infecções por HPV, que devem ser adequada-
mente acompanhadas. As infecções geralmente 
se iniciam como uma vaginite primária e o cor-
rimento associado pode provocar uma vulvite 
secundária. É necessária uma investigação adi-
cional para se determinar se o processo infla-
matório atingiu o trato genital superior. 
O uso de antibióticos, duchas, secreções 
alcalinas durante as menstruações, sabões alca-
linos e diabetes mellitus mal controlada estão 
entre as causas mais comuns de alteração da 
microflora vaginal. 
Durante a anamnese, é importantíssimo 
que o profissional estabeleça uma relação de 
confiança com a adolescente. 
Durante a anamnese e o exame físico, o 
profissional terá a oportunidade para orientar a 
paciente quanto ao desenvolvimento puberal, à 
saúde reprodutiva e enfatizar a importância do 
exame ginecológico de rotina. Faz-se inicialmen-
te a inspeção vulvar, a classificação do desen-
volvimento dos pêlos, observa-se a presença ou 
não de processo inflamatório e/ou traumatismo 
e a condição do hímen. O método utilizado para 
a coleta do conteúdo vaginal vai depender da in-
tegridade do hímen e de seu relaxamento. 
Em adolescentes, são comuns as infec-
ções mistas. A avaliação do corrimento quanto 
à intensidade, cor, características, odor e pH é 
importante. As infecções da vagina, colo, útero, 
trompas de Falópio e do trato urinário produ-
zem sintomas semelhantes, tais como disúria, 
prurido vulvar, dispareunia e aumento ou alte-
ração do conteúdo vaginal. 
A adolescente deve ser questionada sobre 
o desejo da presença do responsável durante a 
consulta. É importante, também, explicar como 
será realizado o exame bem como mostrar os 
instrumentos que serão utilizados. 
Na adolescência, as vulvovaginites de-
nominadas “inespecíficas” são encontradas 
muito raramente.
 X Vaginose bacteriana
Muitas pacientes portadoras de vaginose 
podem ser assintomáticas, mas a manifestação 
clínica mais comum desta enfermidade é um 
corrimento vaginal fino, homogêneo, branco-
-acinzentado e com forte odor. A paciente pode 
apresentar também uma sensação de “queima-
dura” na vulva e prurido, mas a característica 
principal é uma inflamação leve; daí o nome 
mais apropriado ser vaginose e não vaginite. 
A avaliação microscópica de uma gota do 
conteúdo vaginal e de soro fisiológico nos mos-
tra células epiteliais vaginais pontilhadas, cujos 
bordos se acham escurecidos pelas bactérias ade-
rentes. Esse aspecto típico é denominado “célu-
las indicadoras” ou “clue cells”. Uma coloração do 
fluido vaginal pelo Gram revela microbiota rica em 
elementos cocobacilares Gram variáveis, eventu-
almente com bacilos curvos Gram negativos para 
Gram variáveis, com poucos lactobacilos. As cul-
turas do conteúdo vaginal têm um valor limitado, 
porque esses organismos se encontram na flora 
vaginal normal em mais de 50% das mulheres. 
Para Silveira, é mais frequente em mulhe-
res que usam DIU (50%) do que nas que usam 
anticoncepcionais orais (20%). 
 95 Faculdade christus
 Capítulo 10
Vaginose bacteriana é considerada por 
muitos autores como uma síndrome que basica-
mente se associa a um desequilíbrio da micro-
biota vaginal com mudança de sua população 
bacteriana predominantemente aeróbia (Lacto-
bacillus sp), na vagina normal, para anaeróbia 
(Gardnerella vaginalis, Prevotella sp, Bacteróides 
sp, Mobiluncus sp e Peptostreptococcus sp). As 
razões para este desequilíbrio são desconheci-
das, embora a perda de lactobacilos produtores 
de peróxido de hidrogênio, que é tóxico para 
numerosos anaeróbios, deva ser um elemento 
essencial. Atualmente o diagnóstico desta con-
dição reside em critérios clínico-laboratoriais 
(critérios de Amsed (corrimento homogêneo 
e fino, teste das aminas positivo, bacilos supra 
citoplasmáticos sugestivos de Gardnerella vagi-
nalis e pH vaginal > 4,5). A presença de 3 dos 
4 critérios permite o diagnóstico em 90% das 
mulheres ou pelo exame bacterioscópico por 
coloração de Gram.
O tratamento é idêntico ao da infecção 
por Trichomonas vaginalis, não havendo neces-
sidade de tratar o parceiro sexual. 
 X Infecção por Trichomonas vaginalis
Em adolescentes, a tricomoníase é respon-
sável por 15 a 20% dos casos de vulvovaginites.
Ainda que se afirme que o germe sobre-
vive durante várias horas em ambiente extrage-
nital, sabe-se que é transmitido principalmente 
por meio do contato sexual. É frequente sua as-
sociação com outros patógenos como G. vagi-
nalis, candida, gonococos e clamídias. 
O quadro clínico varia de acordo com 
a intensidade do processo, seja ele agudo, 
crônico ou até assintomático. A queixa da pa-
ciente é a mesma em qualquer faixa etária. O 
fluxo é abundante, espumoso (anaeróbios), de 
cor amarelada, às vezes purulento e de odor 
desagradável. A leucorreia espumosa com pe-
quenas bolhas de ar é quase sempre sinal pa-
tognomônico de tricomoníase. Podemos tam-
bém observar sintomas como prurido, disúria 
e dispareunia.
Ao exame ginecológico, a inspeção nos 
mostra lesões dermatológicas na região vulvo-
-perineal e adjacências. Edema e congestão 
vestibular, com exsudado espumoso, são co-
muns nos casos agudos; podem ocorrer peque-
nas perdas sanguíneas.
Nas adolescentes com vida sexual ativa, 
nas formas leves, ao exame especular, observa-se 
um fluxo semelhante ao da vaginose. O diagnós-
tico diferencial se faz pelo aspecto da mucosa; 
na tricomoníase, a mucosa vaginal é congesta 
e pode apresentar (20%) máculas semelhantes 
a pequenas framboesas muito típicas e distri-
buídas por toda a vagina e cérvice. À inspeção, 
geralmente, encontra-se eritema vulvar e vaginal 
além de hemorragias puntiformes da vagina e do 
colo, que podem resultar em sangramento pós-
-coito, alterando a cor do corrimento.
Para adolescentes, o tratamento de elei-
ção é o metronidazol ou secnidazol, via oral, 2 
gramas em dose única, associado a medicaçãotópica, como o uso de asseio com substâncias 
acidificantes e cremes vaginais de metronida-
zol. O tratamento do parceiro sexual também 
é recomendado. A terapia sistêmica visa ao tra-
tamento adequado dos reservatórios uretrais e 
periuretrais. Após o tratamento, deve-se orien-
tar a paciente no sentido de retornar para con-
trole, com o objetivo de nos certificarmos da 
recuperação do fluxo normal.
 X Candidíase vaginal
Estima-se que três quartos da população 
mundial de mulheres adultas manifestam a can-
didíase vaginal em alguma ocasião de suas vi-
das e, em muitas delas, a doença é recorrente. 
Ainda não existem estatísticas da sua inci-
dência na adolescência.
As manifestações clínicas são semelhan-
tes em todas as faixas etárias: hiperemia vulvar, 
corrimento branco-caseoso e prurido que pode 
ser intenso.
Os principais métodos diagnósticos são 
exame a fresco, citologia e Gram.
O tratamento indicado para pacientes 
maiores de 10 anos e com peso acima de 10kg 
é o fluconazol via oral, 1 cápsula de 150mg em 
dose única, repetindo somente em casos de 
recidiva. Pode-se associar a terapia tópica com 
uma das seguintes drogas: tioconazol (dose 
única), nistatina, cetoconazol, miconazol ou clo-
trimazol (duração de 3 a 7 dias). Para alívio da 
sintomatologia externa, indica-se asseio da re-
gião genital com solução alcalinizante de bicar-
bonato de sódio (4g em 240 mL de água filtrada 
e/ou fervida em temperatura natural).
É importante reforçar as medidas de higiene.
96 Faculdade christus
Capítulo 10
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cApítulo 11
VULVOVAGINITES NO MENACME
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Juliana Costa Alencar
A- PROBLEMA 
M.C.R., 35 anos, G2P2, procurou o am-
bulatório de ginecologia com queixa de corri-
mento, em grande quantidade, prurido, disúria 
e dispareunia, que teve início há 7 dias. Refe-
re fazer a prevenção do câncer ginecológico 
anualmente e nunca apresentou quadro seme-
lhante. Seus ciclos menstruais sempre foram 
normais e faz uso de anticoncepcional oral há 
5 anos. Exame físico, sem alterações. Exame gi-
necológico: vulva hiperemiada, edema vulvar; 
vagina com grande quantidade de conteúdo 
branco, com grumos.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Enumerar as hipóteses diagnósticas para o caso
2. Descrever como fazer o diagnóstico diferencial
3. Listar os sinais e sintomas das diferentes 
vulvovaginites
4. Propor os exames para realização do diagnóstico
5. Relatar a conduta terapêutica para cada vul-
vovaginite especifica da faixa etária
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
 Os sintomas causados pelas infecções 
do trato genital inferior estão entre as quei-
xas mais comuns das pacientes ginecológicas; 
chega a 80% das hipóteses diagnósticas na 
primeira consulta. Embora comumente não 
constituam situação de gravidade, podem 
acarretar sintomas incômodos e, malgrado a 
opção terapêutica adotada, recidivas e rein-
fecções são comuns.
A anamnese deve ser bem realizada, pois 
sugere o diagnóstico em muitos casos. As queixas 
da paciente não devem ser desvalorizadas apenas 
porque o diagnóstico de vulvovaginite é comum. 
Devem ser sistematicamente pesquisados:
 ƒ Corrimento
• Cor (amarelada, esbranquiçada, esverdeada etc.)
• Aspecto (fluido, viscoso, grumoso, espumoso)
• Quantidade
• Odor
• Relação com o ato sexual
• Início e evolução temporal
• Associação a prurido
• Associação à dor pélvica
• Outros sintomas associados
 ƒ Disúria
 ƒ Dispareunia
 ƒ Desconforto vulvar
 ƒ Prurido vulvar
 ƒ História pregressa (vulvovaginite de repetição)
 ƒ Tratamentos realizados e resposta/tratamento 
do parceiro
 ƒ Antecedentes mórbidos e fatores predispo-
nentes (diabetes melittus, antibioticoterapia 
sistêmica, gestação, imunodepressão)
 ƒ Hábitos higiênicos e sexuais
Para corroborar o diagnóstico, tão impor-
tante quanto a anamnese, são os achados do 
exame ginecológico. Devem ser avaliados:
 ƒ Vulva: hiperemia, lesões de pele (escoriações) 
e presença de corrimento
 ƒ Vagina: hiperemia, edema, petéquias, ulcera-
ções, atrofia, conteúdo vaginal (descrever as-
pecto, odor, quantidade)
 ƒ Colo uterino: ectopia, petéquias, exsudato
98 Faculdade christus
Capítulo 11
Muitas vezes, somente o quadro clínico é 
insuficiente para determinar a etiologia do cor-
rimento genital, de modo que, para o estabe-
lecimento do diagnóstico etiológico, é de fun-
damental importância o estudo do ecossistema 
vaginal, o qual compreende a medida do pH e a 
avaliação da flora.
2. Testes diagnósticos
 ƒ Avaliação do pH (papel de hidrazina)
 ƒ Exame a fresco
• Preparo das lâminas:
• Montagem em solução salina (soro fisio-
lógico)
• Montagem em hidróxido de potássio 
(KOH a 10%)
• Cobrir com lamínula e levar ao microscópi-
co óptico, com aumento de 10 a 40 vezes
 ƒ Teste das aminas (Whiff-Test): com KOH a 
10%, o teste é positivo quando há liberação 
do odor característico, de “peixe podre”, pela 
liberação das aminas putrescina e cadaverina.
 ƒ Amostra endocervical (em casos especiais), 
para pesquisa de Chlamydia, Neisseria gonor-
rhoeae, herpesvírus, micoplasmas: para inves-
tigação de cervicite.
 ƒ Colpocitologia oncótica: é obrigatória no se-
guimento ambulatorial de todas as pacientes, 
para rastreamento do câncer cervical. Pode 
colaborar para o diagnóstico etiológico das 
vulvovaginites. 
 ƒ Bacterioscopia (Gram): indicada nas situações 
indicadas para cultura.
Não se deve solicitar, de rotina, cultura 
do conteúdo vaginal; apenas está indicada em 
casos selecionados em que há forte suspeita clí-nica e testes diagnósticos negativos. A cultura 
do conteúdo vaginal simples geralmente só de-
monstra os germes comensais da vagina (flora 
normal), que não necessitam de tratamento.
3. Diagnóstico Diferencial e Conduta 
Terapêutica das Principais Queixas 
de Corrimento Vaginal 
É importante considerar que nem sempre 
o fluxo vaginal é sinônimo de patologia e que 
nem toda patologia é infecciosa.
A ecologia vaginal é dinâmica, observan-
do-se flora endógena de colonização perma-
nente, intermitente e transitória. A flora da va-
gina possui um número de bactérias que varia 
de 105 a 106 por grama de fluxo, sendo que os 
anaeróbios aumentam muito nas infecções che-
gando a 109-1011/g de fluxo. 
A interrelação dos micro-organismos da 
flora endógena com patógenos exógenos pode 
ser de sinergismo, antagonismo ou indiferença. 
O resultado destas relações determina a extin-
ção de algumas das bactérias ou a invasão tis-
sular e a infecção do hospedeiro.
Como nos capítulos anteriores sobre vul-
vovaginite, abordaremos as principais causas de 
corrimento vaginal.
3.1. Vaginose bacteriana
A abordagem não difere das adolescen-
tes. Trata-se de uma síndrome caracterizada 
por infecção polimicrobiana, cuja ocorrência 
depende do sinergismo entre a Gardnerella va-
ginalis e as bactérias anaeróbicas (Mobiluncus 
e bacteroides) que estão associados ao decrés-
cimo de lactobacilos.
Prefere-se o termo vaginose ao termo va-
ginite, pois a resposta inflamatória é escassa, apa-
recendo em cerca de apenas 50% das infecções 
genitais baixas. A importância da vaginose não se 
deve apenas à sua elevada frequência, mas, prin-
cipalmente, ao relacionamento com enfermidades 
obstétricas, como a corioamnionite, trabalho de 
parto prematuro e endometrite pós-parto. Além 
dessas entidades, há relação com endometrites 
não puerperais, salpingites, infecções pós-opera-
tórias e infecções do trato urinário.
O quadro clínico: corrimento abundan-
te, homogêneo, branco-acinzentado, de odor 
fétido e com pequenas bolhas. O odor pio-
ra após o coito ou durante a menstruação, 
quando o pH vaginal se eleva. Observa-se, 
eventualmente, disúria, dispareunia, prurido e 
colpite discreta.
Testes diagnósticos: já abordados. 
Medidas medicamentosas: com o uso dos 
derivados nitroimidazólicos, os índices de cura che-
gam a 90%. Quando o Mobiluncus curtis está en-
volvido, costuma haver resistência aos nitroimida-
zólicos. Nesse caso, pode-se utilizar tianfenicol em 
dose de 2,5g/dia, por 2 dias, ou clindamicina por 7 
dias em doses de 300mg a cada 12 horas, VO.
Como opção terapêutica durante a gravi-
dez, usa-se a amoxacilina na dose de 500mg, a 
 99 Faculdade christus
 Capítulo 11
cada 8 horas, VO, durante 7 dias ou, pelo mes-
mo período, a clindamicina, VO ou vaginal.
Quanto ao parceiro da paciente, embora 
pareça controverso, prefere-se não tratá-lo ro-
tineiramente. Essa conduta alicerça-se no fato 
de a vaginose ocorrer devido a um desequilíbrio 
da flora vaginal e não pela introdução de algum 
agente agressor estranho ao meio vaginal.
3.2. Candidíase vaginal
O quadro clínico também não difere das 
outras faixas etárias: corrimento branco, em pla-
cas, aderente, com aspecto de leite coalhado e 
prurido intenso, determinando hiperemia, mace-
ração e escoriações na região vulvar, causando, 
às vezes, disúria e dispareunia. Os sintomas po-
dem ser decorrentes de reação alérgica á toxina 
da levedura (canditina) e surgem ou pioram na 
fase pré-menstrual. Existe colpite difusa ao exa-
me ginecológico e, frequentemente, ocorre a 
forma ulcerativa, acompanhada de sintomas do-
lorosos, principalmente durante a micção. Essa 
forma clínica pode simular infecção herpética.
Apenas uma minoria das mulheres com 
infecção clínica apresenta um dos fatores consi-
derados como facilitadores dessa doença como: 
gravidez, utilização de contraceptivos hormo-
nais com altas doses de estrogênio, diabetes 
melittus, utilização de antibióticos sistêmicos de 
largo espectro, vestuário inadequado com a uti-
lização de fios sintéticos, desodorantes íntimos 
e absorventes perfumados, que predispõem à 
reação alérgica local.
O tratamento das candidíases nessa faixa 
etária é idêntico ao preconizado às adolescen-
tes. Se o processo é recorrente, utiliza-se, na fase 
aguda, o tratamento oral e o creme intravaginal 
por 14 dias. Na etapa seguinte, o tratamento su-
pressivo deve perdurar por 6 meses. Se a opção 
for via tópica, prescrever clotrimazol, 01 óvulo 
intravaginal de 500mg/semana; se for por via 
sistêmica, pode-se utilizar fluconazol 150mg/
semana ou itraconazol a 50 a 100mg/dia 
Não está indicado o tratamento do par-
ceiro, a menos que ele também apresente algu-
ma sintomatologia. 
3.3. Infecção por Trichomonas vaginalis
É considerada uma infecção sexualmen-
te transmissível e responsável por cerca de 25% 
das vulvovaginites. O Trichomonas é um orga-
nismo resistente, capaz de sobreviver em toa-
lhas molhadas e em outras superfícies, e, por-
tanto pode ser transmitido por via não sexual. 
O seu período de incubação varia de 4 a 28 dias.
A associação com gonococo é comum, 
provavelmente devido à sua capacidade de 
fagocitá-lo. O sinergismo infeccioso com flora 
anaeróbica também é frequente.
O corrimento profuso, amarelo ou ama-
relo-esverdeado, bolhoso e fétido, pode ser 
acompanhado de disúria, prurido e dispaurenia. 
O aspecto bolhoso decorre da frequente asso-
ciação ao Micrococcus alcaligenies aerogenes. 
Os sintomas intensificam-se no período pré-
-mentrual e a colpite, de natureza focal, expres-
sa-se clinicamente pelo “colo em framboesa” e 
pelo aspecto “tigróide” ao teste de Schiller.
O tratamento, também como já aborda-
do, pode ser realizado por meio de nitroimi-
dazólicos, preferencialmente por via sistêmica, 
para atingir a infecção uretral e vesical. Na ges-
tação, aconselha-se clotrimazol tópico, de eficá-
cia moderada, por ser inócuo ao feto.
Nas falhas do tratamento ou recidivas, 
excluir a reinfecção; a causa mais comum é a 
ausência de tratamento do parceiro. Cepas mais 
resistentes respondem bem ao aumento da dose 
(1,2 até 2-3g/dia), ou ao emprego de tinidazol.
Os parceiros sexuais devem ser tratados e 
as pacientes devem ser instruídas a evitar o in-
tercurso sexual até que o tratamento seja com-
pletado e os sintomas resolvidos. 
D- Referências Bibliográficas
AMORIM, M.M.R. Vulvovaginites. In: SANTOS, 
L.C.; FIGUEIREDO, S.R.; AMORIM, M.M. R. GUI-
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In: BANKOWSKI, B.J.; HEARNEM A.E.; LAMBROU, 
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100 Faculdade christus
Capítulo 11
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Rio de Janeiro, v.29, n.1, Jan. 2007.
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TANAKA, V.A. et al . Perfil epidemiológico de 
mulheres com vaginose bacteriana, atendidas 
em um ambulatório de doenças sexualmentetransmissíveis, em São Paulo, SP. An. Bras. Der-
matol., Rio de Janeiro, v. 82, n. 1, Feb. 2007 .
ZAMITH, R.; NICOLAU, S.M.; SARTORI, M.G.F.; 
GIRÃO, M.J.B.C. Corrimento genital. In: GIRÃO, 
M.J.B.C.; LIMA, G.R.; BARACAT, E.C. Ginecologia. 
São Paulo: Manole, 2009. Cap.15, p.153-164.
cApítulo 12
VULVOVAGINITE NO CLIMATÉRIO
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Raoni Carlos Madeiro
A- PROBLEMA 
M.G.S., 59 anos, procurou o ambulatório de 
ginecologia com corrimento em pequena quan-
tidade, sem odor e com discreto prurido acom-
panhado de sensação de “queimação nas partes 
íntimas”. Já apresentou quadros semelhantes 
anteriormente, foi medicada e houve melhora. 
Nesse episódio, utilizou a mesma medicação e a 
sintomatologia persistiu. Refere também disúria 
e dispareunia; menopausa aos 48 anos e nega 
terapia hormonal no climatério. Tem vida sexual 
ativa e devido à sintomatologia presente, às ve-
zes não consegue ter relação sexual. Exame físi-
co: sem alterações. Exame ginecológico: vulva e 
vagina hipotrófica; ausência de conteúdo vaginal. 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Enumerar as hipóteses diagnósticas para o caso
2. Descrever como fazer o diagnóstico diferencial
3. Listar os sinais e sintomas das diferentes 
vulvovaginites
4. Propor os exames para realização do 
diagnóstico
5. Relatar a conduta terapêutica para cada vul-
vovaginite especifica da faixa etária
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
A síndrome da deficiência estrogênica na 
mulher no climatério constitui uma entidade clí-
nica de relevante importância.
Com o aumento da expectativa de vida 
nos países desenvolvidos e em desenvolvimen-
to, a mulher ficará exposta às consequências da 
privação estrogênica por um importante período 
de tempo em sua vida. A carência estrogênica 
progressiva observada no climatério acarreta al-
terações em todo o organismo, com sintomas e 
sinais característicos de cada órgão acometido.
O trato urogenital apresenta a mesma ori-
gem – seio urogenital. Portanto, as modificações 
observadas na vagina em decorrência do hipoes-
trogenismo podem refletir as da uretra, trígono e 
bexiga. No entanto, as alterações no trofismo do 
trato genital baixo da mulher podem ser lentas e 
perceptíveis para algumas, e rápidas e em curtos 
períodos para outras. Em geral, as mulheres que 
sofrem menopausa cirúrgica, actínica ou doença 
pélvica severa tendem a apresentar mudanças 
mais rápidas e sintomatologia mais intensa.
Mulheres que se encontram em estágio tar-
dio do climatério pós-menopausa e na senilida-
de, nas quais existe acentuado hipoestrogenismo, 
comumente são acometidas por vaginite atrófica 
senil e complicações urinárias, especialmente in-
fecção. Estes distúrbios caracterizam-se pelo apa-
recimento de manifestações clínicas relacionadas 
à inflamação das mucosas da vagina e da uretra. 
Esta associação é explicada não só pelo fato de que 
as mucosas da vagina e da porção distal da uretra 
assemelham-se em sua morfologia, mas também 
porque possuem receptores de estrógeno.
Com o agravamento do hipoestrogenis-
mo, o pH vaginal sofre aumento, em decorrência 
da menor liberação de glicogênio e da drástica 
diminuição da população de bacilos de Doeder-
lein. A redução da acidez do meio vaginal favore-
ce o aparecimento de micro-organismos patogê-
nicos, que são responsáveis pela vulvovaginite. O 
processo inflamatório comumente estende-se às 
áreas da vulva em que a pele é mais delgada.
102 Faculdade christus
Capítulo 12
Principais alterações que ocorrem na vulva e 
na vagina nessa faixa etária:
 ƒ Vulva: a lubrificação do vestíbulo vulvar prove-
niente das glândulas de Bartlholin diminui como 
também a secreção de muco decorrente do es-
tímulo sexual, levando à dispareunia de introdu-
ção. Do ponto de vista histopatológico há atrofia 
da pele, dos tecidos dérmicos, papilar e reticular.
 ƒ Vagina: o epitélio vaginal perde sua estratificação, 
havendo predomínio das células basais e inter-
mediárias. A mucosa vaginal torna-se adelgaçada, 
com desaparecimento de suas pregas, favorecen-
do processo inflamatório e hemorrágico. O terço 
superior da vagina tende a se retrair e a vagina 
inteira reduz seu comprimento e sua elasticidade.
Diagnóstico
As principais queixas referentes à vagini-
te são: dor espontânea em queimação, secura 
vaginal, dor às relações sexuais e sensação de 
calor local. As manifestações clínicas da síndro-
me uretral são: disúria, urgência miccional, po-
laciúria e noctúria. 
Por meio de o exame especular, observa-
-se que a mucosa vaginal apresenta-se hipere-
miada. O conteúdo vaginal comumente é escas-
so e tem aspecto purulento.
Na maioria das vezes, essa avaliação clí-
nica é suficiente para estabelecer o diagnósti-
co de vaginite senil e de síndrome uretral. Em 
situações especiais, pode-se realizar o estudo 
do conteúdo vaginal; não se deve esquecer do 
exame oncocitológico que também poderá cor-
roborar com o diagnóstico.
Tratamento
Existem várias comprovações clínicas de 
que a administração tópica exclusiva de estró-
genos ocasiona notáveis efeitos benéficos em 
relação à vaginite senil, uma vez que ocasiona 
proliferação do epitélio da mucosa da vaginal, 
melhora do pH vaginal e, aumento da popula-
ção dos bacilos de Doederlein.
O tratamento da vaginite senil deve ser fei-
to por meio de aplicação intravaginal de cremes 
contendo estrógenos. Pode-se optar pelo estriol 
ou estrógenos conjugados ou promestrieno; as 
aplicações devem ter o intervalo de 3 a 7 dias e o 
tratamento deve ser realizado indefinitivamente.
No caso de ser detectado ao exame do 
conteúdo vaginal, a vaginose bacteriana ou uma 
vulvovaginite por Trichomonas vaginalis ou Cân-
dida, o tratamento é semelhante os já abordados 
nos capítulos anteriores de vulvovaginite.
D- Referências Bibliográficas
AMORIM, M.M.R. Vulvovaginites. In: SANTOS, 
L.C.; FIGUEIREDO, S.R.; AMORIM, M.M.R.; GUI-
MARÃES, V.; PORTO, A.M. Ginecologia Clínica 
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FURTADO, F.M. Vulvovaginites. In: MAGALHÃES, 
M.L.C.; REIS, J.T. Ginecologia Infanto-Juvenil: 
Diagnóstico e Tratamento. Rio de Janeiro: Me-
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Porto Alegre: Artmed, 2006. Cap.13. p.158-167.
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J.S. Berek & Novak: Tratado de Ginecologia. 
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ZAMITH, R.; NICOLAU, S.M.; SARTORI, M.G.F.; GI-
RÃO, M.G.F.; GIRÃO, M.J.B.C. Corrimento Genital. In: 
GIRÃO, M.J.B.C.; LIMA, G.R.; BARACAT, E.C. Gineco-
logia. São Paulo: Manole, 2009. Cap.15. p.153-164.
cApítulo 13
ÚLCERAS GENITAIS
Olga Vale Oliveira Machado
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Maria do Livramento Leitão Vilar
Ana Mônica Pinto Moreira
Antônio Pierre Aguiar Junior
A- PROBLEMA 
M.S.P., 22 anos, universitária,com vida 
sexualmente ativa desde os 16 anos procurou 
assistência médica com queixa de “lesão na ge-
nitália”. Mencionou que tudo começou há cinco 
dias, quando ao tomar banho sentiu uma lesão 
na face interna dos pequenos lábios à direita. 
Procurou olhar com um espelho e viu uma le-
são ulcerada. Refere ter vários parceiros sexu-
ais e que só usa preservativo ocasionalmente. A 
paciente mostra-se bastante preocupada e tam-
bém teme estar grávida, pois sua menstruação 
está atrasada há dois meses. Nega febre, disúria 
e corrimento vaginal. Nega caso semelhante an-
teriormente. Nega história de câncer na família. 
História Ginecológica: Menarca aos 12 anos. Iní-
cio da vida sexual aos 16 anos. G1P1 A0.
Ao exame físico: vulva hiperemiada pre-
sença de lesão ulcerada, única, localizada na 
região dos pequenos lábios direita. O médico 
observou também a presença de adenomegalia 
na região inguinal, bilateralmente.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Identificar a epidemiologia das diversas 
úlceras
2. Definir o quadro clínico.
3. Estabelecer propedêutica e o diagnóstico 
diferencial 
4. Conhecer a terapêutica 
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução 
A definição de úlcera genital é motivo de 
diversas interpretações clínicas em diferentes 
países. A definição mais consensual consiste em 
perda da superfície cutânea da área anogeni-
tal, que atinge pelo menos a derme e está as-
sociada geralmente com sinais inflamatórios. A 
região genital feminina pode ser sede de várias 
patologias, sendo as úlceras genitais (UG) uma 
das mais frequentes. Estas são as manifestações 
iniciais de muitas doenças, instalando-se a par-
tir da necrose tecidual promovida pelo dano 
celular em decorrência do intenso processo in-
flamatório e isquêmico localizado. Em muitos 
casos, a lesão tecidual (necrose) poderá ser de-
corrente de: fenômenos isquêmicos, autoimu-
nes ou mesmo irritativos e não simplesmente 
das infecções de transmissão sexual. Tais úlceras 
podem variar de apresentação de acordo com a 
etiologia, tempo de evolução da doença, idade 
e imunidade do hospedeiro, acarretando dúvi-
das diagnósticas e resultado terapêutico insatis-
fatório, exigindo, portanto, em sua abordagem, 
anamnese e exame físico detalhados, associa-
dos a exames complementares.
As úlceras genitais femininas (UGF) têm 
assumido grande importância dentro dos pro-
gramas de saúde nos últimos anos, não só pelo 
desconforto orgânico próprio da doença, mas 
também por estarem, intimamente, relaciona-
das a altas taxas de transmissibilidade da AIDS. 
A presença dessas lesões aumenta em 18 vezes 
o risco de transmissão do HIV. Paralelamente a 
104 Faculdade christus
Capítulo 13
isto, essa afecção pode desempenhar um pa-
pel importante nos diagnósticos das neoplasias 
malignas da vulva. 
Diante dos vários diagnósticos diferen-
ciais e das dificuldades práticas em se esta-
belecer um diagnóstico etiológico, existe uma 
tendência acertada e prudente de considerar 
a princípio, toda úlcera genital feminina, como 
uma possível Doença Sexualmente Transmissí-
vel (DST). Assim, a Organização Mundial da Saú-
de (OMS) e o Ministério da Saúde incentivam 
fortemente a prática da abordagem sindrômica 
das úlceras genitais, já no primeiro contato da 
paciente com o serviço de saúde básico, a fim 
de minimizar não apenas a evolução da doença, 
mas também de diminuir os riscos da paciente 
adquirir outras DST, em especial a AIDS.
1.1. Epidemiologia 
As doenças sexualmente transmissíveis 
são a causa principal das úlceras genitais com 
exceção da população pediátrica e geriátrica, as 
quais podem ser causadas por outras infecções, 
doenças inflamatórias, autoimunes, neoplásicas 
ou serem idiopáticas. As doenças sexualmente 
transmissíveis reassumiram importância como 
problema de saúde pública após a epidemia 
de AIDS. Estudos demonstraram que pessoas 
com DST e infecções genitais não ulcerativas 
têm risco aumentado de cinco a dez vezes de se 
infectar pelo HIV, esse risco sobe para dezoito 
vezes se a doença cursa com lesões ulceradas. 
A prevalência dos agentes etiológicos das DST, 
à semelhança de outras infecções, varia com 
as regiões geográficas consideradas. Na Euro-
pa Ocidental e Estados Unidos, as causas mais 
frequentes de úlceras genitais são as infecções 
herpéticas e a sífilis. Na Ásia e na África, o tipo 
mais comum de úlcera genital é o cancro mole, 
seguido pela sífilis primária e herpes genital. 
1.2. Fatores de risco 
O risco de transmissibilidade de úlceras 
genitais por doenças sexualmente transmissí-
veis aumenta muito devido a diversos fatores 
predisponentes, como multiplicidade de parcei-
ros, relações sexuais sem proteção, uso de dro-
gas, prostituição e o início precoce da atividade 
sexual. A mudança comportamental determina-
da pelo aparecimento da AIDS tende a diminuir 
essa transmissibilidade.
1.3. Etiologia 
As úlceras genitais podem ser determina-
das por doenças sexualmente transmissíveis e 
por doenças não sexualmente transmissíveis.
As causas das úlceras sexualmente trans-
missíveis são: sífilis primária, herpes, cancro 
mole, donovanose, linfogranuloma venéreo.
As causas das úlceras não sexualmente 
transmissíveis são: trauma, reações a drogas 
(Síndrome de Steven Johnson), acne, doença de 
Behçet, aftose bipolar e complexa, eritema mul-
tiforme, líquen plano, pênfigo, dermatose bo-
lhosa por IgA linear, Síndrome de Reiter, doença 
de Crohn, neoplasias, eritroplasias de Queirat, 
doença de Paget, doença de Bowen, úlceras de 
Lishtpuetz (ulcus), tuberculose vulvar. 
1.4. Propedêutica 
As úlceras genitais são o principal sinal de 
inúmeras afecções. Por esse motivo, estabelecer o 
diagnóstico correto é um desafio na prática clínica.
Grande parte dos diagnósticos das doen-
ças que cursam com úlceras genitais são elu-
cidados apenas com os achados clínicos, con-
sequentemente ao se realizar a anamnese e o 
exame físico, deve-se ficar atento. 
À anamnese deve-se interrogar a idade 
da paciente, sua procedência, seu estado civil, 
atividade sexual, dados gestacionais pregressos 
e atuais, competência imunológica, tempo de 
evolução da doença, como percebeu a ulcera-
ção e se há algum sintoma associado. Ao exame 
físico, à inspeção, deve-se examinar a genitália 
externa, afastar os lábios vaginais, visualizar o 
intróito vaginal, examinar a vagina e suas pare-
des, fundo de saco e colo do útero e procurar 
outras lesões pelo resto do corpo.
1.5. Diagnóstico 
Sempre que possível, deve-se colher ma-
terial para o diagnóstico etiológico. Mesmo as-
sim, nem sempre o exame histopatológico é um 
método diagnóstico eficaz, haja vista que é de 
pouca acurácia quando se trata de úlceras por 
doenças não sexualmente transmissíveis, bem 
como por causas virais. 
Indubitavelmente, as doenças sexual-
mente transmissíveis devem fazer parte da 
hipótese diagnóstica dessa lesão, entretanto, 
 105 Faculdade christus
 Capítulo 13
não se deve descartar as causas não sexual-
mente transmissíveis. 
Os métodos diagnósticos específicos ine-
rentes às patologias relacionadas com úlcera ge-
nital serão abordados no decorrer do capítulo.
1.6. Tratamento 
Considerando o fato de que as doenças 
sexualmente transmissíveis são a principal cau-
sa das úlceras genitais, o Ministério da Saúde do 
Brasil (MS) e a Organização Mundial da Saúde 
(OMS) preconizam o tratamento sindrômico das 
úlceras genitais (Figura 1).
Apesar disso, sabe-se também que muitas 
destas úlceras podem ter etiologias não sexual-
mente transmissíveis; logo, a confirmação diag-
nóstica é fundamental para o estabelecimento de 
um tratamento específico e consequentemente, 
o sucesso terapêutico. O tratamento específico 
das patologias causadoras de úlceras genitais 
será abordado no decorrer do capítulo. 
Figura1- Abordagem sindrômica das úlceras genitais. 
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Bolso Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis DST, 2006.
2. Características Clínicas – Diagnóstico 
– Tratamento das Úlceras Genitais 
2.1. Com etiologia sexualmente transmissível 
SÍFILIS PRIMÁRIA
 X Agente etiológico: é uma espiroqueta Trepo-
nema pallidum, uma bactéria Gram-negativa.
 X Epidemiologia: a sífilis é mais comum em 
adultos com vida sexual ativa, principalmente 
na faixa de 20 a 29 anos.
 X Quadro clínico: após um período de incu-
bação de 10 a 90 dias, média de três sema-
nas, surge o cancro duro (protossifiloma), 
lesão característica da sífilis primária. O can-
cro duro apresenta-se, na maioria das vezes, 
como uma lesão indolor, única, erosada ou 
exulcerada, de bordos duros e elevados, com 
base limpa e avermelhada. O envolvimento 
linfonodal ocorre geralmente 10 dias após o 
surgimento do cancro. A adenopatia tem lo-
calização frequentemente inguinal, caracteri-
zando-se por ser indolor, múltipla, bilateral e 
sem sinais flogísticos.
 X Diagnóstico: o diagnóstico se dá por meio 
da sorologia não treponêmica, como o VDRL 
(Venereal Diseases Research Laboratory) e o 
RPR (Rapid Plasma Reagin) e por meio da so-
rologia treponêmica, como o FTA-Abs (Fluo-
rescent Treponemal Antibody - Absorption) e 
por meio da microscopia de campo escuro.
 X Tratamento: o tratamento da sífilis primária 
é feito com penicilina benzatina 2.4 milhões 
UI, IM, em dose única (1.2 milhão U.I. em 
cada glúteo). 
No final do tratamento, recomenda-se o se-
guimento sorológico quantitativo de 3 em 
3 meses durante o primeiro ano e, se ainda 
houver reatividade em titulações decrescen-
106 Faculdade christus
Capítulo 13
tes, deve-se manter o acompanhamento de 
6 em 6 meses. Caso haja elevação a duas 
diluições acima do último título do VDRL, é 
necessário um novo tratamento, mesmo na 
ausência de sintomas.
 X Complicações: a sífilis, apresentando-se 
como úlcera genital, torna-se fator predispo-
nente para a infecção por outras DST, como 
as de etiologia viral, como herpes simples 
tipo 2, hepatite B e C, e HIV.
HERPES GENITAL 
 X Agente etiológico: Herpes Vírus simplex tipo 
1 e tipo 2 ( HSV-1 e HSV-2).
 X Quadro clínico: a área infectada apresenta-se 
hiperemiada e evolui para vesículas ou pús-
tulas. Após alguns dias, as vesículas evoluem 
para úlceras e posteriormente para crostas. 
Nas áreas acometidas há dor, parestesias e 
disúria. Podem ocorrer sintomas sistêmicos, 
como prostração, febre e mal-estar.
 X Diagnóstico: apesar de o diagnóstico ser 
eminentemente clínico, a confirmação pode 
ser dada pelo teste citodiagnóstico de TZAN-
CK. A fim de elucidar o fator etiológico, pode-
mos lançar mão de testes monoclonais para 
diferenciar as infecções por HSV-1 e HSV-2 e 
técnicas de PCR.
 X Tratamento: para aliviar a dor, pode-se pres-
crever analgésicos e anti-inflamatórios. O tra-
tamento local consiste em solução fisiológica 
ou água boricada a 3% para limpar as lesões. 
A utilização de antibiótico tópico (neomicina) 
pode ser útil para prevenir infecções secun-
dárias. Infelizmente, não há um tratamento 
que proporcione a cura definitiva do herpes 
genital. Deve-se evitar o uso de substâncias 
irritantes e de corticosteróides. No primeiro 
episódio das lesões utiliza-se:
• Aciclovir 400 mg, VO, 8/8 horas, por 7 a 10 dias; 
• Valaciclovir 1g, VO, 12/12 horas, por 7 a 10 
dias; ou 
• Famciclovir 250 mg, VO, 8/8 horas, por 7 a 
10 dias.
Em gestantes, no caso de primoinfecção 
pode-se prescrever aciclovir 400 mg, VO, 8/8 
horas, por 7 a 10 dias. Nos casos de infecção ne-
onatal deve-se tratar com aciclovir 5 mg/kg/dia, 
via intravenosa, de 8/8 horas, durante 7 dias, 
ou até a regressão das lesões. Quando houver 
recorrência do herpes genital, deve-se iniciar 
o tratamento de preferência durante o apare-
cimento dos primeiros pródromos, como dores 
articulares, aumento da sensibilidade e prurido. 
Nesses casos, pode-se administrar:
• Aciclovir 400 mg, VO, 8/8 horas, por 5 dias; 
• Valaciclovir 500 mg, VO, 12/12 horas, por 5 
dias; 
• Famciclovir 125 mg, VO, 12/12 horas, por 5 
dias.
Caso a paciente apresente manifestações 
severas com lesões mais extensas, deve-se reali-
zar o tratamento sistêmico com: aciclovir 5 a 10 
mg por kg de peso, EV, de 8/8 horas, por 5 a 7 
dias ou até a regressão das lesões. Após o tra-
tamento, deve-se marcar o retorno do paciente 
após duas semanas para avaliá-lo. 
 X Complicações: em gestantes portadoras de 
herpes genital simples, o risco de contamina-
ção fetal durante a gestação é pequeno. Esse 
risco aumenta significativamente durante a 
passagem do feto pelo canal de parto, por 
isso se aconselha a realização da cesariana 
quando a paciente apresenta lesão herpéti-
cas ativas. Mesmo assim, há um risco de 50% 
de contaminação do feto durante o parto 
normal em mães assintomáticas e caso a bol-
sa amniótica esteja rota há mais de quatro 
horas, realizar a cesariana seria ineficaz para 
evitar a contaminação do bebê. Na gestante 
portadora de herpes genital simples deve-se 
considerar o risco de complicações obstétri-
cas, caso a primoinfecção ocorrer durante a 
gravidez ou se a infecção primária materna 
ocorrer no final da gestação, oferecendo um 
maior risco de contaminação neonatal do 
que o herpes genital recorrente.
CANCRO MOLE:
 X Agente etiológico: Haemophilus ducrey, co-
cobacilo Gram-negativo.
 X Epidemiologia: acomete especialmente a 
faixa etária de 20 a 30 anos. Apresenta um 
grande predomínio em homens, tendo uma 
proporção de 40 homens infectados para 
cada mulher infectada. Predomina na popu-
lação com baixo nível socioeconômico, ape-
sar de um número crescente de casos regis-
trados em clínicas particulares.
 X Quadro clínico: após um período de incuba-
ção curto, 1 a 4 dias, observa-se a lesão ini-
cial (mácula, pápula, vesícula ou pústula) que 
evolui rapidamente para uma lesão ulcerada. 
A úlcera é inicialmente única, mas, devido ao 
mecanismo de autoinoculação surgem novas 
lesões ulcerosas. Essas lesões são dolorosas, 
com bordos irregulares, talhadas a pique, 
 107 Faculdade christus
 Capítulo 13
com base mole e fundo purulento com odor 
fétido. Após uma semana do aparecimento 
do cancro, cerca de 30% a 50% dos pacientes 
apresentam uma adenite inguinal satélite re-
coberta por uma pele eritematosa, denomi-
nada bubão. O bubão inguinal é geralmen-
te unilateral, muito doloroso e pode evoluir 
para uma fístula de único orifício que drena 
um pus espesso. 
 X Diagnóstico: quando as características da 
úlcera não são bem estabelecidas, realizam-
-se testes laboratoriais, como coloração de 
GRAM, por meio do qual se visualizam pe-
quenos bacilos gram negativos e a cultura, 
este sendo um teste mais sensível, entretanto 
não muito factível, pelas exigências de cresci-
mento do bacilo. 
 X Tratamento: 
 ƒ Azitromicina 1g VO em dose única; ou 
 ƒ Ceftriaxona 250 mg, IM, dose única; ou 
 ƒ Tianfenicol 5 g, VO, dose única; ou 
 ƒ Ciprofloxacina 500 mg, VO, 12/12 horas, por 3 
dias (contraindicado para gestantes, nutrizes 
e menores de 12 anos); ou 
 ƒ Doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas, por 
10 dias ou até a cura clínica (contraindicado 
para gestantes e nutrizes); ou 
 ƒ Tetraciclina 500 mg, de 6/6 horas, por 15 dias 
(contraindicado para gestantes, nutrizes); ou 
 ƒ Sulfametoxazol / Trimetoprim (160 e 800 mg), 
VO, de 12/12 horas, por 10 dias ou até a cura 
clínica; ou 
 ƒ Eritromicina (estearato) 500 mg, VO, de 6/6 
horas, por 7 dias.
 ƒ Além do tratamento sistêmico, deve-se fazer 
a higienização das lesões.
DONOVANOSE
 X Agente etiológico: Calymammatobacterium 
granulomatis.
 X Epidemiologia: a donovanose é rara, ocu-
pando o quinto lugar em frequênciaentre as 
DST clássicas (gonorreia, sífilis, cancro mole e 
linfogranuloma venéreo). Acomete principal-
mente a população com faixa etária entre 20 
a 40 anos. Predomina em indivíduos do sexo 
masculino, na proporção de 3:1. Acomete 
principalmente populações com baixo nível 
socioeconômico e com falta de higiene. 
 X Quadro clínico: a donovanose apresenta um pe-
ríodo de incubação variável, podendo variar de 
30 a 90 dias. A lesão inicial é subcutânea e carac-
terizada por uma pápula, nódulo ou pústula que 
evolui para uma lesão ulcerosa. Por auto-inocu-
lação, surgem outras lesões que ao se juntarem 
atingem grandes áreas. A úlcera apresenta-se 
com bordos irregulares, endurados, elevados e 
bem delimitados, tendo uma coloração verme-
lho vivo e sangrando com facilidade. Não há 
adenopatia satélite, mas ocorre a presença de 
pseudobubões (granulações subcutâneas) que 
podem ser confundidos com adenites. 
 X Diagnóstico: apesar de o diagnóstico se dar 
apenas pelos dados clínicos, é confirmado 
evidenciando bacilos no interior de histióci-
tos quando corados pelo Giemsa.
 X Tratamento: 
 ƒ Doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas, até 
a cura clínica (no mínimo por 3 semanas); ou 
Sulfametoxazol / Trimetoprim (160 mg e 800 
mg), VO, de 12/12 horas, até a cura clínica (no 
mínimo por 3 semanas); ou 
 ƒ Ciprofloxacina 750 mg, VO, de 12/12 horas, 
até a cura clínica; ou
 ƒ Tianfenicol granulado, 2,5 g, VO, dose única, 
no primeiro dia de tratamento; a partir do se-
gundo dia, 500 mg, VO, de 12/12 horas, até a 
cura clínica; ou 
 ƒ Eritromicina (estearato) 500 mg, VO, de 6/6 ho-
ras, até a cura clínica (no mínimo 3 semanas).
Caso não haja melhora na aparência da le-
são nos primeiros dias de tratamento com cipro-
floxacina ou eritromicina, aconselha-se adicionar 
um aminoglicosídeo, como gentamicina 1mg/
kg/dia, EV, de 8 em 8 horas. A resposta ao trata-
mento deve ser acompanhada. O único critério 
de cura é o total desaparecimento da lesão. Caso 
haja sequelas por destruição tecidual extensa ou 
por obstrução linfática, pode-se realizar correção 
cirúrgica. Gestantes devem ser tratadas com eri-
tromicina (estearato) 500 mg, VO, de 6/6 horas, 
até a cura clínica (no mínimo por 3 semanas). 
Nunca foi relatada infecção congênita devido à 
infecção fetal. Pacientes portadores do vírus HIV 
são tratados de acordo com os esquemas cita-
dos acima; entretanto, nos casos mais graves, 
pode-se considerar o uso da gentamicina. 
LINFOGRANULOMA VENÉREO
 X Agente etiológico: Chlamydia trachomatis- 
sorotipos L1, L2 e L3.
 X Epidemiologia: a incidência é maior na po-
pulação com faixa etária entre 20 e 30 anos. 
Predomina em populações com baixo nível 
socioeconômico.
 X Quadro clínico: o período de incubação va-
ria de 3 a 32 dias. O quadro clínico caracte-
108 Faculdade christus
Capítulo 13
riza-se por três fases: 1- Inicia-se por pápula, 
pústula ou exulceração genital, no local de 
penetração da Chlamydia. Esta fase costuma 
involuir espontaneamente. 2- Após a lesão 
inicial, ocorre o acometimento linfonodal. A 
adenite inguinal é dolorosa e pode evoluir 
para nódulos inguinais superficiais dolorosos, 
os bubões, maior característica da doença. O 
gânglio afetado pode evoluir com supuração 
e fistulização por orifícios múltiplos (bico de 
regador). 3- É caracterizado por sequelas da 
obstrução linfática causadas pela infecção 
clamidiana, como elefantíase dos genitais, 
fístulas e estenose retal.
 X Diagnóstico: apesar de o diagnóstico ser ba-
sicamente clínico, a confirmação diagnóstica 
se dá por meio da imunofluorescência direta 
ou por antígenos monoclonais para Chla-
mydia trachomatis.
 X Tratamento:
 ƒ Doxiciclina 100 mg, VO, de 12/12 horas, por 
21 dias; 
 ƒ Eritromicina (estearato) 500 mg, VO, de 6/6 
horas, por 21 dias; ou 
 ƒ Sulfametoxazol / Trimetoprim (160 mg e 800 
mg),, VO, de 12/12 horas, por 21 dias; ou,, VO, 
de 12/12 horas, por 21 dias; ou 
 ƒ Tianfenicol 500 mg, VO, de 8/8 horas, por 14 dias.
 X Complicações: a obstrução linfática no linfo-
granuloma venéreo pode levar a elefantíase 
genital que, nas mulheres, é chamado de es-
tiomeno. Além disso, o agravamento das le-
sões pode acarretar a fístulas retais, vaginais 
e vesicais e estenose retal. O acometimento 
retal ocorre mais comumente em mulheres e 
em homossexuais masculinos.
2.2. Com etiologia não sexualmente transmissível 
SÍNDROME DE BEHÇET 
 X Definição: é uma doença multissistêmica que 
se caracteriza por ulcerações orais e genitais 
recorrentes, bem como alterações oculares.
 X Epidemiologia: homens e mulheres são aco-
metidos igualmente. Predomina na região do 
Mediterrâneo. Não acometem negros. 
 X Etiopatogenia: a etiopatogenia dessa do-
ença ainda não foi bem estabelecida. Sua 
fisiopatologia baseia-se na vasculite, com 
tendência a formação de trombos, e autoan-
ticorpos contra a mucosa oral.
 X Manifestações clínicas: a característica 
marcante da doença é a presença de ulcera-
ções aftosas recorrentes, sendo uma condi-
ção sine qua non para o diagnóstico. As úl-
ceras geralmente são dolorosas e com base 
necrótica central, ocorrendo na mucosa oral, 
genital e eventualmente na mucosa do trato 
gastrointestinal. As manifestações cutâneas 
incluem foliculite, eritema nodoso, exantema 
acneiforme e mais raramente vasculite. O en-
volvimento ocular caracteriza-se pela uveíte, 
irite, oclusão de vasos retinianos, podendo 
evoluir para cegueira. Artrite não deforman-
te também pode ser característica da doença. 
Trombose venosa profunda pode ocorrer em 
alguns pacientes. Apesar das ulcerações afto-
sas serem típicas da doença de Behçet, muitos 
pacientes podem apresentar-se com úlceras 
orogenitais e não apresentarem a doença de 
Behçet, enquadrando-se, portanto, nas doen-
ças pseudo-Behçet (autoimunes), como aftose 
complexa, pênfigos, erupções por drogas e 
outras situações de enfermidades.
 X Diagnóstico: o diagnóstico da doença de 
Behçet é essencialmente clínico. Exames labo-
ratoriais específicos ou anatomopatológicos 
não são usados para estes casos. Os achados 
laboratoriais são índices inespecíficos de doen-
ça inflamatória, como leucocitose e elevação da 
velocidade de hemossedimentação. Anticorpos 
contra a mucosa oral podem ser encontra-
dos. Os critérios diagnósticos para doença de 
Behçet são: ulcerações orais recorrentes e mais 
dois dos seguintes critérios: ulcerações genitais 
recorrentes, lesões oculares, lesões cutâneas, 
teste da Patergia (reação cutânea inespecífica à 
injeção intradérmica de solução salina).
 X Tratamento: o tratamento é realizado basica-
mente com corticoterapia tópica e sistêmica. 
AFTOSE BIPOLAR COMPLEXA
A aftose bipolar complexa também pode 
ser denominada de aftose, úlceras aftóides, úl-
ceras orais recorrentes ou ainda estomatite af-
tosa recorrente. As úlceras orais recorrentes têm 
como característica serem pequenas, redondas 
ou ovaladas, com halo perilesional eritematoso 
típico e, na maioria das vezes, recobertas por 
fibrina acinzentada. O paciente portador da 
aftose complexa pode apresentar úlceras loca-
lizadas na região oral, genital e até anal. Essa 
característica da doença de úlceras recorrentes 
na região oral e genital resulta, em alguns casos, 
em um falso diagnóstico de doença de Behçet. 
A aftose bipolar complexa é o diagnóstico mais 
frequente, na prática médica, das doenças de-
nominadas pseudo-Behçet. 
 109 Faculdade christus
 Capítulo 13
TUBERCULOSE VULVAR
A tuberculose vulvar é uma doença rara 
com um quadro clínico inespecífico e de diag-
nóstico geralmente tardio. Apesar de ser rara em 
alguns países, apresenta-se como uma causa im-
portante de doença inflamatória pélvica (DIP) e 
de infertilidade em países sub desenvolvidos. 
 A tuberculose extrapulmonar tem ocor-
ridomais frequentemente. Os órgãos da região 
pélvica são infectados frequentemente a partir 
de um foco primário, geralmente o tórax, por 
via hematogênica. A localização mais comum 
acometida é o trato urinário (cerca de 30%). Em 
relação aos órgãos genitais femininos, são aco-
metidos de forma decrescente, as tubas uterinas 
(90%), o útero (50%), os ovários (25%), o colo 
uterino (5%) e com um número muito pequeno 
de casos, (< 2%) a vagina e a vulva.
A tuberculose do trato genital feminino 
pode apresentar sintomas como: sangramento 
vaginal anormal, irregularidade menstrual, dor 
abdominal e sintomas constitucionais. A lesão 
na vulva pode apresentar-se ulcerada e ter uma 
evolução crônica. Microscopicamente, a lesão 
caracteriza-se por granulomas caseosos, mas 
este achado não é exclusivo da tuberculose. O 
diagnóstico diferencial da doença granuloma-
tosa do colo do útero inclui amebíase, esquis-
tossomose, brucelose, sarcoidose e reação a 
corpo estranho. O diagnóstico da tuberculose 
cervical e vulvo vaginal normalmente é feito 
por exame histológico do colo do útero e bi-
ópsia da vulva. O isolamento da micobactéria 
é o padrão-ouro para o diagnóstico, apesar de 
um terço dos casos apresentarem cultura nega-
tiva. Portanto, a presença de granulomas típicos 
é suficiente para o diagnóstico quando outras 
causas de cervicite granulomatosa são excluí-
das. A lesão deve responder aos seis meses de 
terapia padrão.
Embora rara, a tuberculose vulvar possui 
grande importância na prática clínica, pelo im-
pacto psicológico que causa na paciente e por 
necessitar de um diagnóstico preciso e trata-
mento correto.
DOENÇA DE PAGET
A doença de Paget extramamária é forma 
particular do carcinoma in situ de vulva, tendo sido 
descrita 27 anos após a doença de Paget mamária.
A doença de Paget acomete frequente-
mente mulheres brancas na pós-menopausa. 
Em geral, as manifestações clínicas de apresen-
tação são prurido e úlcera vulvar. A lesão ma-
croscopicamente tem um aspecto eczematóide 
e geralmente começa nas regiões da vulva que 
possuem pelos, podendo estender-se para o 
monte pubiano, as coxas e as nádegas. Também 
já foi descrito acometimento da mucosa do 
reto, da vagina e do sistema urinário.
DOENÇA DE BOWEN, ERITROPLASIA DE 
QUEYRAT E CARCINOMA IN SITU SIMPLES
No ano de 1976, a ISSVD (International 
Society for the Study of Vulvar Disease) estabe-
leceu que a Eritroplasia de Queyrat, Doença de 
Bowen e carcinoma in situ simples eram apenas 
variações macroscópicas da mesma entidade 
patológica, assim essas patologias deveriam ser 
incluídas sob a denominação de carcinoma de 
células escamosas. Em 1986, a ISSVD determinou 
o termo neoplasia intraepitelial (NIV) vulvar para 
essas patologias. Apesar de ser uma doença rara, 
os casos de NIV estão crescendo muito nos últi-
mos 20 anos, principalmente entre as mulheres 
jovens. A maioria das lesões da NIV se localiza 
em regiões sem pelos, em 30% dos casos são 
multifocais e estão relacionadas com neoplasia 
intraepitelial perianal em 40% dos casos. Apesar 
de não ser uma lesão pré-maligna, 3% das pa-
cientes acometidas podem desenvolver carcino-
ma de vulva. Os sintomas mais prevalentes são: 
prurido, ardência e dispareunia. O diagnóstico 
das NIVs é realizado por meio de biópsia. O tra-
tamento baseia-se em uso de laser de dióxido de 
carbono para lesões multifocais e cirurgia.
LÍQUEN PLANO
Doença que pode ocasionar em sua evo-
lução ulcerações orais e genitais. De uma manei-
ra geral, ocorre uma vaginite descamativa com 
erosão do vestíbulo. A realização de biópsia é 
fundamental para o diagnóstico. O tratamento 
é fundamentalmente à base de esteroides tópi-
cos e sistêmicos.
DOENÇA DE CROHN
A doença de Crohn é uma doença infla-
matória intestinal idiopática crônica, podendo 
acometer qualquer segmento do trato gastrin-
testinal entre a boca e o ânus. A doença de Cro-
hn pode apresentar acometimento vulvar com 
ulcerações, abscessos, fístulas, trajetos sinusais, 
fenestrações e outras fibroses. O tratamento é 
110 Faculdade christus
Capítulo 13
à base de esteroides e de outros agentes sis-
têmicos, entretanto, pode ser necessário o tra-
tamento cirúrgico da doença intestinal e vulvar. 
ÚLCERAS DE LISHTPUETZ (Ulcus) 
É uma manifestação cutânea devido a uma 
infecção por Vírus Epstein-Barr (EBV). Trata-se de 
uma úlcera genital dolorosa que ocorre em ado-
lescentes sem DST. São geralmente múltiplas e 
acompanhadas de astenia, febre, linfoadenopatia 
inguinal e que regridem espontaneamente.
SÍNDROME DE REITER
É uma doença de etiologia desconhecida, 
possivelmente reacional a infecções em indivídu-
os com predisposição genética, caracterizada pela 
tríade: uretrite inespecífica, artrite e conjuntivite. 
A uretrite inespecífica, pode ser apenas 
mucóide ou purulenta e instala-se após uretrite 
não gonocócica ou após disenteria por Shigella 
e Salmonella. A artrite, geralmente é poliarticular 
e assimétrica, atingindo as grandes articulações 
(principalmente as de membros inferiores e sa-
croilíaca). O acometimento oftálmico se dá em 
50% dos casos. As lesões vulvares raramente têm 
sido descritas e não são bem caracterizadas.
A proteína-C reativa é o indicador mais 
sensível de atividade da doença. Apesar de a ar-
trite ser soronegativa, devemos solicitar as pro-
vas de atividade reumática e sorologia anti-HIV.
 X Tratamento: é um tratamento sintomático: 
repouso, anti-inflamatório não hormonal. 
Indica-se fisioterapia a fim de evitar sequelas, 
manter a mobilidade e prevenir anquilose. A 
prednisona 30-40 mg/dia está indicada nos 
casos mais graves. Nos casos mais difíceis, 
indica-se o uso de imunomoduladores e imu-
nossupressores, como o metotrexato, ciclos-
porina, sulfasalazina ou azatioprina, inclusive 
terapia com psolareno mais luz ultravioleta 
PUVA (Psolareno + UVA).
ERITEMA MULTIFORME E SÍNDROME DE 
STEVEN-JOHNSON 
O Eritema Multiforme é uma síndrome ca-
racterizada por ter uma instalação aguda, de etio-
logia muitas vezes desconhecida. Na sua forma 
minor, tem como principais causas: infecções (her-
pes simples, Mycoplasma pneumoniae,psitacose, 
influenza tipo A, adenovírus, histoplasmose) e 
secundariamente às drogas, como sulfas, peni-
cilinas, fenolftaleína, fenobarbitúricos, alopuri-
nol e dipirona. A etiologia herpética constitui a 
mais comum. Apresenta lesões cutâneas e nas 
mucosas de morfologia variada. Podem ocorrer 
sintomas prodrômicos, como febre, indisposição 
e dor de garganta; nas formas graves, podem 
aparecer tosse, vômitos, mialgias, artralgia, sen-
sação de prurido ou ardência. No início, as lesões 
são eritematosas, com expansão centrífoga, po-
dendo atingir alguns centímetros. Forma-se um 
halo eritematoso em torno da parte central, que 
é mais plana, escura e purpúrica. Suas lesões são 
clássicas, apresentando um aspecto em “alvo” 
ou em “íris” composta por 3 zonas: uma púrpura 
central, um halo pálido e elevado e um eritema 
periférico. Nos casos mais intensos, podem sur-
gir bolhas, chegando à necrose da epiderme. As 
localizações preferenciais são: dorso das mãos 
e pés, a face extensora dos membros; sendo as 
mucosas atingidas em 20 a 45% dos casos. Em 
20% dos casos, o prurido e a sensação de ardên-
cia estão presentes.
A síndrome de Steven-Johnson trata-se 
de uma forma mais grave do Eritema Multifor-
me, sendo também conhecida como eritema 
multiforme major. Drogas, em 58% dos casos 
e infecções, em 15%, têm sido relatados como 
seus fatores causais. Nela, há comprometimen-
to intenso e extenso das mucosas (orofaringo-
esofágica, laringotraq ueobrônquica), com o 
paciente apresentando um estado geral grave 
com eventual acometimento pulmonar (pneu-
monia atípica), renal (glomerulonefrite aguda 
e necrose tubular aguda) e cardíaco (arritmia 
e pericardite). Raramente acometeos olhos, 
podendo acarretar conjuntivite e até necrose, 
vesiculação e ulceração da córnea, irite e, tar-
diamente, opacificação da córnea com perda da 
visão; balanite e vulvovaginite.
NEOPLASIA 
Carcinoma de vagina
O carcinoma invasivo da vagina é uma 
neoplasia rara representando 2% dos cânceres 
ginecológicos. Essa neoplasia acomete mais 
frequentemente mulheres idosas. 70% a 80% 
dos casos são encontrados em mulheres aci-
ma de 60 anos. Estudos evidenciam que 60% 
a 65% das mulheres com carcinoma vaginal 
são infectadas pelo HPV. Grande parte desses 
tumores pode ser nodular, ulcerativo ou pla-
cas exofíticas de qualquer tamanho. A maioria 
dos casos é assintomática, sendo, geralmente, 
 111 Faculdade christus
 Capítulo 13
diagnosticada por meio de achados anormais 
no exame de prevenção. A presença de sangra-
mento anormal após relação sexual ou após o 
uso de duchas vaginais está presente em 50% 
dos casos. Dispareunia, odor, massa palpável e 
descarga vaginal são sintomas observados nes-
ses casos. No exame ginecológico, deve-se rea-
lizar o exame minucioso da cérvice e da vagina 
e o exame bimanual. Deve-se também solicitar 
uma radiografia de tórax, hemograma completo 
e perfil bioquímico para todas as pacientes. O 
tratamento varia de acordo com o local, o tama-
nho e a distribuição do tumor dentro da vagina 
e estruturas adjacentes.
Úlceras genitais em crianças 
O acometimento vulvovaginal em criança 
deve levar a suspeita de abuso sexual. Também 
se deve considerar as úlceras genitais em crianças 
como uma manifestação de uma doença não se-
xualmente transmissível, como a doença de Behçet.
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112 Faculdade christus
Capítulo 13
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cApítulo 14
DOENÇAS SEXUALMENTE 
TRANSMISSÍVEIS (DST)
José Nivon da Silva
Augusto Saboia Neto
A- PROBLEMA 
“Será que estou com gripe forte, doutor?”
M.P.C., 17 anos, solteira, sem parceiro 
fixo nos últimos três meses, procurou aten-
dimento ambulatorial ginecológico referindo 
corrimento vaginal abundante e purulento há 
três dias, precedida de relação sexual despro-
tegida. Informa ainda, que há quatro semanas 
apresentou uma síndrome gripal com sinto-
mas constitucionais caracterizados por febre, 
astenia, mialgia, artralgia, cefaleia, rash cutâ-
neo, linfadenopatia cervical, occipital, axilar e 
faringite. Nessa ocasião, fez uso de Penicilina G 
Benzatina 1.200.000 UI intramuscular, com exa-
cerbação da doença, piorando da dor muscular 
e da vermelhidão no corpo.
Exame físico: micropoliadenomegalia ge-
neralizada, alopécia em couro cabeludo e ma-
darose em porções distais das sobrancelhas. Na 
face e tronco, exantema difuso maculopapular 
e morbiliforme em resolução. Exame especular 
evidenciou descarga cervical volumosa franca-
mente purulenta genital.
Exames laboratoriais: hemograma re-
velou leucopenia, plaquetopenia e linfocitose 
atípica. Transaminases elevadas em até três 
vezes os valores de referências. Reação em 
cadeia de polimerase (PCR) positiva para HIV 
e carga viral plasmática de 500.000 cópias/ml. 
VDRL reagente 1:128; FTA-ABS reagente. So-
rologias para hepatites AgHBs e anti-AgHBs 
IgM reagentes. 
 
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Identificar os principais diagnósticos dife-
renciais. 
2. Descrever a etiopatogenia, complicações, 
diagnóstico laboratorial e tratamento de 
cervicite e uretrite gonococica e não gono-
cocical. 
3. Correlacionar o padrão clínico do exantema 
com suas respectivas possibilidades diag-
nósticas. 
4. Descrever a epidemiologia, diagnóstico clí-
nico e laboratorial da síndrome da imuno-
deficiência humana. 
5. Explicar o fenômeno causador da reação 
atribuídaà administração da Penicilina G 
Benzatina. 
6. Descrever a epidemiologia, formas de trans-
missão, incidência e prevalência de neopla-
sia hepática, profilaxia e tratamento para 
hepatite B.
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
Cervicite e uretrite 
Os principais agentes envolvidos na 
etiopatogênese, são representados principal-
mente por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia 
trachomatis, podendo ser causadas ainda por 
Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealiticum, 
Herpes simples tipo I e tipo II e Trichomonas va-
ginalis. Os escores de riscos para a aquisição de 
uma enfermidade desencadeante de descarga 
cervical mucopurulenta incluem relações sexu-
114 Faculdade christus
Capítulo 14
ais, em que um dos parceiros apresente corri-
mento uretral, multiplicidade de parceiros ou 
sem parceiro fixo e idade feminina menor que 
20 anos, condição favorecida por epitélio colu-
nar que recobre a cérvice uterina, diferente do 
epitélio escamoso de mulheres acima dessa fai-
xa etária
O período de incubação da infecção 
causada por Neisseria gonorrhoeae varia entre 
dois e cinco dias e as queixas clínicas mais fre-
quentes são a presença de secreção purulenta 
volumosa, disúria e “esquentamento”. Mais de 
60% das mulheres podem permanecer assinto-
máticas, complicando com doença inflamatória 
pélvica, bartholinite, endometrite, infertilidade, 
conjuntivite por autoinoculação e síndrome de 
Firtz-Hugh-Curtis (perihepatite gonocócica). 
A Chlamydia trachomatis produz uma in-
fecção indolente, com presença de secreção hia-
lina, mucoide, e sintomatologia branda. O perío-
do de incubação varia entre duas a três semanas 
e está relacionada à síndrome uretro-conjuntivo-
-sinovial ou síndrome de Fiessinger-Leroy-Reiter.
2. Diagnóstico Laboratorial 
Em pacientes com gonorreia, a bacterios-
copia pelo Gram quando disponível, pode cor-
roborar para a visualização de diplococos Gram 
negativos intracelulares. A sensibilidade do exame 
é de apenas 60% para mulheres e de aproximada-
mente 95% dos homens sintomáticos. A cultura 
em meio específico de Thayer-Martin constitui o 
padrão ouro. A PCR com amplificação da sequên-
cia de DNA permite melhores resultados quando 
realizada em conteúdo vaginal do que em urina. 
A bacterioscopia para clamídia é negativa 
e a cultura pelo elevado custo não é viável, po-
dendo ser realizada imunofluorescência direta e 
ELISA, sendo a PCR o método considerado pa-
drão ouro. 
Na abordagem sindrômica de uretrites e 
cervivites, na presença de mucopus endocervical 
ou colo friável ou escore de risco maior ou igual 
a dois pontos, oferece-se tratamento empírico 
concomitante para gonococo e Clamídia, pela 
presença de coinfecção em 10 a 30% dos casos.
3. Tratamento 
A primeira opção terapêutica para infecção 
por clamídia trachomatis inclui azitromicina 1g via 
oral (VO) em dose única, ou doxiciclina 100mg VO 
de 12/12 horas, durante 7 dias. Como segunda 
opção, pode-se administrar eritromicina 500mg, 
VO, 6/6h, ou tetraciclina 500mg, VO, 6/6h, ou oflo-
xacina 400mg, VO, 12/12h, durante 7 dias. 
Para gonorreia indica-se ciprofloxacino 
500mg, VO dose única, ou ceftriaxone 250mg, 
intramuscular (IM), dose única. Como segunda 
opção usa-se cefixima 400mg, ou ofloxacina 
400mg, VO, em dose única. 
3.1. Aids 
A Aids, ou Síndrome de Imunodeficiência 
Adquirida, é causada pelo vírus HIV (human im-
munodeficiency virus) e apresenta caráter pan-
dêmico, representando um dos maiores proble-
mas de saúde pública da atualidade. De acordo 
com o Ministério da Saúde, desde 1980 até ju-
nho de 2008 foram registrados 506 mil casos 
da doença, 80% nas regiões sul e sudeste. Anti-
gamente, atingia principalmente homossexuais, 
usuários de drogas injetáveis ou indivíduos que 
receberam transfusão de sangue. Nas últimas 
décadas, a epidemia assumiu um novo perfil, 
no qual a transmissão heterossexual passou a 
ser a principal via de transmissão do HIV. Após 
a introdução da política de acesso universal ao 
tratamento antiretroviral, a mortalidade caiu e a 
sobrevida aumentou. Desde 1986, a notificação 
de casos de Aids é obrigatória. 
O HIV é um vírus de RNA que através 
de transcriptase reversa produz sequências de 
DNA viral que são integradas ao genoma do 
hospedeiro (pró-virus). As células alvo do ví-
rus são as que possuem a molécula de CD4 em 
suas membranas como macrófagos e linfócitos 
T, pois serve de receptor para o vírus. 
A infecção pelo HIV pode ocorrer de três 
formas: por meio de contato sexual, por ex-
posição parenteral a sangue ou outros fluidos 
corporais e verticalmente da mãe para o filho 
(durante gestação, parto ou amamentação). As 
chances de infecção são duas vezes maiores de 
homem para mulher (provavelmente pela alta 
concentração de HIV no sêmen, pelo coito po-
der romper a mucosa introital mais comumente 
que a pele do pênis, além de expor maior área 
de mucosa). 
De duas a quatro semanas após a infec-
ção, geralmente se desenvolve uma infecção 
retroviral aguda induzida por HIV como uma 
 115 Faculdade christus
 Capítulo 14
mononucleose-símile e seu reconhecimento 
e tratamento estão associados a um melhor 
prognóstico. Os sintomas geralmente são per-
da de peso, febre, artralgia, sudorese noturna, 
faringite, rash eritemato-maculopapular, linfa-
denopatia, náuseas, vômitos, diarreia e tosse. 
Nessa fase, ocorre uma alta viremia com uma 
diminuição considerável de células CD4 periféri-
cas ocorrendo uma distribuição do vírus para os 
diferentes tecidos podendo ser detectado por 
cultura, detecção de antígeno viral p24, PCR e 
bDNA. Entre doze semanas e seis meses, dá-se 
início à produção de anticorpos anti-HIV tor-
nando o paciente assintomático – fase latente. 
Nessa fase de baixa viremia, o tecido linfóide 
serve de reservatório para o vírus, cursando fre-
quentemente com linfadenopatia generalizada. 
A carga viral no sangue aumenta progressiva-
mente durante anos, enquanto o número de 
CD4 diminui cursando com infecções oportu-
nistas principalmente quando abaixo de 200 
células/mm3. O tempo necessário para que isso 
ocorra varia, dependendo dos níveis de viremia 
iniciais, de profilaxia de infecções oportunistas 
e de drogas antiretrovirais. Se não tratado, a 
maioria dos casos desenvolve Aids em 17 anos. 
No Brasil, as infecções oportunistas mais fre-
quentes são pneumonia por Pneumocystis ji-
rovecii, tuberculose pulmonar, candidíase oral 
e esofágica, toxoplasmose, citomegalovirose e 
criptococose no sistema nervoso central. Existe 
uma forte associação entre HIV com sífilis e he-
patite B, bem como maior risco de coinfecção 
HIV/outras DST, até 18 vezes mais em caso de 
exposição sexual na presença de doença ulce-
rativa (Treponema pallidum, Haemophilus du-
creyi e herpesvírus simples), e 3 a 10 vezes mais 
em casos de doenças não ulcerativas genitais 
(Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae 
e Trichomonas vaginalis). A circuncisão está re-
lacionada a uma redução de risco de transmis-
são, tendo em vista que o prepúcio é um tecido 
altamente vascularizado, rico em células de Lan-
gerhans, tornando-se mais susceptível a micro 
ulcerações durante o ato sexual. 
3.1.1. Diagnóstico
Segundo o Ministério da Saúde, são ne-
cessárias evidências de infecção pelo HIV e 
conjunto de sinais ou sintomas que somem no 
mínimo 10 pontos segundo critérios de OPAS/
Caracas ou pelo menos uma doença definidora 
de Aids. Neste último, não é necessário evidên-
cia laboratorial positiva contanto que não haja 
outra explicação para a inumodeficiência. 
3.1.2. Prevenção 
Redução do número de parceiros sexuais, 
especialmente aqueles em grupos de alto 
risco, e uso de camisinha para qualquer ativi-
dade sexual. Aos pacientes infectados devem 
ser oferecidos vacinação contra hepatite B, 
influenza e pneumococo. 
3.1.3. Diagnósticolaboratorial 
O teste de anticorpos anti-HIV-1 e 2 deve 
ser oferecido para mulheres: usuárias de drogas, 
prostitutas, que moram ou nasceram em comu-
nidades onde há uma alta prevalência de HIV, 
que receberam transfusões sanguíneas antes 
de 1985, com sinais de uma infecção por HIV, 
presidiárias, grávidas ou com parceiros com HIV 
ou em grupos de risco de contrair HIV. O ELISA 
funciona como um teste de rastreamento para 
HIV; no entanto, dois testes positivos são confir-
matórios de infecção com 99% de sensibilidade 
e especificidade. Testes rápidos para HIV podem 
ser feitos em mulheres durante o trabalho de 
parto dando oportunidade para profilaxia de 
uma infecção previamente não diagnosticada, 
podendo-se obter os resultados em poucas ho-
ras com sensibilidade e especificidade compa-
ráveis ao ELISA. 
3.1.4. Tratamento 
O objetivo do tratamento é reduzir a vire-
mia para níveis indetectáveis de forma estável e 
aumentar os níveis de CD4 para níveis normais. 
Qualquer paciente sintomático por infecção por 
HIV deve receber tratamento antiretroviral. No 
entanto, não há consenso a respeito dos pa-
cientes que estão na fase assintomática. Hoje já 
se recomenda começar o tratamento para pa-
cientes com contagem de CD4 entre 200-350 
células/mm3, ou caindo abruptamente (>50 cé-
lulas/mm3/ano) ou com viremia alta (>100 000 
cópias/ml). Antes disso, recomenda-se avaliar 
os riscos e benefícios do tratamento, pois uma 
má aderência precocemente pode eliminar pos-
síveis opções terapêuticas futuras. Vale ressaltar 
que não deve ser feita a carga viral até 4 sema-
nas após vacinação ou um processo infeccioso, 
inclusive gripe e herpes. 
116 Faculdade christus
Capítulo 14
A terapia antiretroviral baseia-se em qua-
tro classes de drogas. Os inibidores nucleosí-
deos da transcriptase reversa (INTR) zidovudi-
na (AZT), estavudina (d4T) lamivudina (3TC) e 
abacavir impedem a transcrição do RNA viral no 
citoplasma para DNA celular. Os inibidores não 
nucleosídeos da trancriptase reversa (INNTR) 
nevirapina, delavirdina e efavirenz (EFZ) pos-
suem o mesmo mecanismo de ação acima. Os 
inibidores da protease (IP) saquinavir, lopinavir/
ritonavir e atazanavir agem no estágio de matu-
ração viral, tornando o vírus incapaz de infectar 
outra célula. Os inibidores de fusão (IF) enfuvir-
tida atuam na molécula gp41 do vírus, inibindo 
sua entrada na célula do hospedeiro. Para iniciar 
o tratamento, considera-se o estado clínico, a 
contagem de linfócitos e a carga viral do pa-
ciente. O esquema terapêutico inicial combina 
três medicamentos: dois INTR com um INNTR 
ou um IP. Em geral, o enfuvirtida é usado como 
terapia de resgate. 
3.2. Sífilis 
É uma doença infecciosa sistêmica de 
evolução crônica sujeita a surtos de agudização 
e periodos de latência quando não tratada. Ela 
é causada pelo Treponema pallidum, uma espi-
roqueta (bactéria anaeróbia móvel) transmitida 
de forma sexual (mais comum) ou vertical que 
pode produzir as formas adquirida ou congêni-
ta da doença. 
Classifica-se em sífilis adquirida recente 
(menos de um ano de evolução: primária secun-
dária e latente recente), adquirida tardia (com 
mais de um ano de evolução: latente tardia e 
terciária), congênita recente (casos diagnosti-
cados até o 2o ano de vida) e congênita tardia 
(casos diagnosticados após o 2o ano de vida). 
O cancro duro ou protossifiloma é uma 
lesão ulcerada indolor, geralmente única, com 
bordos endurecidos, muitas vezes encontrada na 
glande e sulco bálano-prepucial no homem mas, 
raramente percebida na mulher por encontrar-se 
nos pequenos lábios, paredes vaginais e colo ute-
rino. É possível haver lesões extragenitais como 
lábios e boca por prática de sexo oral. Por ser rico 
em treponemas, o risco de aquisição da doença é 
de 60% durante a permanência do protosifiloma. 
Treponemas atravessam membranas mucosas in-
tactas ou pele com solução de continuidade, de-
senvolvendo a lesão primária autolimitada após 
10 a 90 dias, em média três semanas. 
De 6 a 8 semanas após o aparecimento do 
cancro duro, podem surgir manifestações clíni-
cas de sífilis secundária caracterizadas por lesões 
cutâneo mucosas não ulceradas, geralmente 
acompanhada de micropoliadenopatia genera-
lizada, febre, artalgia, cefaleia, exantema mor-
biliforme encontrado na roséola sifilítica, lesões 
papulosas palmo-plantares sugestivas de secun-
darismo luético, bem como alopécia no couro 
cabeludo e nas porções distais das sobrancelhas. 
Na sífilis tardia, encontram-se sintomas 
constitucionais 3 a 12 anos após a infecção pri-
mária. Lesões cutâneo-mucosas (tubérculos ou 
gomas), neurológicas (tabis dorsalis e demência), 
cardiovasculares (aneurisma aórtico) e articulares 
(artropatia de Charcot). Embora neurossífilis pos-
sa ocorrer em qualquer fase, ela é mais comum 
na fase de latência, durante o qual é importante 
avaliar o líquor cefalorraquidiano para pesquisar 
neurossífilis assintomática com contagem de ce-
lularidade global e diferencial, proteínas, glicose, 
VDRL (Venerial Disease Research Laboratory) e 
FTA-ABS (fluorescent treponemal antibody ab-
sorption). Acometimento neurológico dos siste-
mas auditivo e visual podem ser detectados, as-
sim como de pares cranianos e meninges. 
Após o desaparecimento das lesões pri-
márias e secundárias, os testes diagnósticos 
dependem basicamente dos testes sorológicos 
que se tornam positivos várias semanas após o 
aparecimento das mesmas. VDRL tornando-se 
positivo de três a seis semanas após infecção ou 
duas a três semanas após aparecimento das le-
sões primárias. A titulação geralmente é alta na 
fase secundária tornando-se baixa ou até nula 
na fase tardia. Progresso terapêutico satisfatório 
pode ser verificado por uma queda de pelo me-
nos quatro vezes os títulos de anticorpos após 
tratamento em fases iniciais ou queda ou esta-
bilização em fase tardia. 
O FTA-ABS, que se positiva após 15 dias 
da infecção, e o MHA-TP (microhemagglutina-
tion assay para Treponema pallidum) detectam 
anticorpos contra o Treponema. Ambos são 
mais sensíveis e específicos que os testes não 
treponêmicos. Como eles permanecem posi-
tivos mesmo após o tratamento, não são uti-
lizados para acompanhamento sorológico. O 
VDRL torna-se positivo em 3 a 6 semanas após 
a infecção e baseia-se em anticorpos contra 
componentes cardiolipínicos do Treponema pa-
lidum, porém falso-positivos podem acontecer, 
também em doenças do colágeno, hanseníase, 
 117 Faculdade christus
 Capítulo 14
vacinação, drogas, idade avançada, doença de 
Chagas, malária, leptospirose e gravidez. ELISA 
(Enzime-linked Immunosorbant Assay), pesqui-
sa direta por microscopia em campo escuro, 
impregnação pela prata, teste de imunofluores-
cência ou PCR, são outros métodos de identifi-
cação de infecção. 
3.2.1. Diagnóstico diferencial 
A sífilis secundária pode ser confundida 
com pitiríase rósea, psoríase, líquen plano, tínea 
versicolor, infecções parasitárias, irite, neurorre-
tinite, condiloma acuminado, exantema agudo, 
mononucleose infecciosa, alopecia e sarcoidose. 
3.2.2. Prevenção 
A divulgação de informação continua a 
melhor forma de prevenir contra a doença. Re-
comenda-se o uso de preservativo assim como 
lavagem com sabonete e água após coito como 
prevenção, embora não seja eficaz 100% das 
vezes. O aparecimento de uma lesão deve ser 
comunicado a um médico imediatamente. To-
das as pessoas expostas devem ser procuradas 
e tratadas. É também recomendado screening 
de todas as mulheres grávidas e pessoas de ris-
co de contrair a doença (por exemplo: profissio-
nais do sexo, detentos de prisões). 
3.2.3. Tratamento 
 ƒ Sífilis primária: penicilina benzatina 2,4 mi-
lhões UI, IM, dose única (1,2 milhões UI em 
cada glúteo) 
 ƒ Sífilis recente secundária e latente: penicilina 
benzatina2,4 milhões UI, IM, repetida após 1 
semana (total 4,8 milhões UI) 
 ƒ Sífilis tardia (latente tardia e terciária): penicili-
na benzatina 2,4 milhões UI, IM, semanal, por 
3 semanas (total: 7,2 milhões UI). 
Em até 50 a 75% dos pacientes com sífilis 
aguda em tratamento com penicilina ou azitro-
micina desenvolvem uma reação febril em 4-12 
horas e que melhora em até 24 horas, chamada 
reação de Jarisch-Herxheimer. Sua causa parece 
envolver a liberação de produtos tóxicos deriva-
dos da lise do treponema na circulação. 
Embora incomum, é possível haver rea-
ções adversas ao tratamento, principalmente 
alérgicas, ocorrendo em 1 a 2 casos/100 000 
habitantes. Podem ser de todos os tipos: 1. hi-
persensibilidade aguda - anafilaxia; 2. citotóxi-
cas - nefrite, anemia hemolítica positiva para 
Coombs; 3. imunocomplexos - febre medica-
mentosa, doença do soro; 4. celulares - derma-
tite de contato; e 5. reações idiopáticas - erup-
ções maculopapulosas. 
Os testes cutâneos para alergia a penici-
lina são baseados na administração de volumes 
mínimos de penicilina cristalina na concentra-
ção de 10 000U/ml podendo ser de duas for-
mas: o de puntura, em que é colocada uma gota 
na face anterior do antebraço pressionando-a 
no centro com uma agulha de insulina fazendo 
o mesmo com soro fisiológico com pelo menos 
2cm de distância no mesmo antebraço ou na 
face anterior do outro. Na ausência de altera-
ções locais quanto à cor da pele, pápula ou eri-
tema, o teste é considerado negativo e indica-
-se o teste intradérmico injetando-se 0,02 ml da 
solução na derme na face anterior do antebraço. 
Em caso de teste negativo, pode-se aplicar com 
segurança a penicilina G benzatina IM. Caso um 
dos testes seja positivo, deve-se fazer a dessen-
sibilização utilizando-se fenoximetilpenicilina 
potássica por via oral. 
3.3. Hepatite B 
Consiste em lesão hepática caracterizada 
por invasão de células inflamatórias de etiolo-
gia variada que pode ser aguda (< 6 meses), ou 
crônica (> 6 meses). Ela pode ser causada por 
toxinas como o álcool, por drogas como isonia-
zida, doença de Wilson, doenças autoimunes, 
ou pelos vírus da hepatite. Os vírus da hepati-
te podem ser agrupados em A, B, C, D e E. A 
forma crônica pode progredir rápida ou lenta-
mente para cirrose podendo então culminar em 
hepatocarcinoma. Essa cronologia nem sempre 
é obedecida. 
A OMS estima que cerca de dois bilhões 
de pessoas já tenham entrado em contato com 
o vírus da hepatite B, dos quais 325 milhões se 
tornaram portadores crônicos. Embora seja uma 
doença encontrada em todos os lugares, sua 
prevalência varia muito dependendo de algu-
mas características. Segundo a Organização Pan-
-Americana de Saúde (OPAS), no Brasil, há 130 
novos casos/100 000 habitantes/ano e que mais 
de 90% das pessoas acima de 20 anos já tenham 
entrado em contato com o vírus. A implantação 
118 Faculdade christus
Capítulo 14
de uma política de vacinação contra VHB, no final 
dos anos 80 e início dos anos 90, que inclui até 
crianças abaixo de um ano tem mudado muito 
o quadro desta doença que era considerado en-
dêmico em várias áreas. O estado do Amazonas 
chegou a ter uma prevalência de 15,3% em 1988 
que caiu para 3,4% em dez anos. 
Já os índices de hepatite C variam desde 
1% como na Inglaterra, até 26% na região da ci-
dade do Cairo. Apesar da dificuldade de se esta-
belecer a real prevalência de hepatite C no Brasil, 
alguns estudos com pré-doadores de sangue 
baseados em hemocentros estimam que a pre-
valência seja menor que 1%. Estudos populacio-
nais em São Paulo e em Salvador apontam 1,42 e 
1,50% respectivamente. Infelizmente estes dados 
não refletem a real prevalência de infecção, pois 
dependem de um sistema de notificação de saú-
de passivo, uma vez que a maioria dos acometi-
dos são assintomáticos ou oligossintomáticos e 
não procuram cuidado médico. 
O vírus da hepatite B consiste em uma 
molécula de DNA parcialmente dupla, prote-
ínas internas (HBcAg) e uma parede externa 
(HBsAg). É geralmente transmitido por contato 
com sangue contaminado ou seus produtos e 
por contato sexual, pois é encontrado no san-
gue, saliva, sêmen e secreção vaginal. Embora 
o maior número de casos se dê por contato 
heterossexual, grupos de risco para hepatite B 
incluem usuários de drogas intravenosas, ho-
mossexuais masculinos, trabalhadores da saúde 
que lidam com sangue ou seus produtos, par-
ceiros de portadores, prostitutas e presidiários. 
Sete por cento das pessoas infectadas com o 
HIV também são positivas para VHB. O risco de 
transmissão vertical de gestante para o feto é 
de até 90%. 
A classificação da hepatite crônica pode 
ser feita por sua causa ou estágio, baseada em 
estudo histológico de biópsia hepática, em que 
se determina o grau de necrose periporta e a 
presença de células inflamatórias desintegrando 
a lâmina limitante dos hepatócitos periportais. 
3.3.1. Exames 
HBsAg é a primeira evidência laboratorial 
disponível da doença e é positivo durante o cur-
so agudo. Sua presença após a fase aguda indica 
cronicidade. Logo após o seu declínio encontra-
-se o anticorpo anti-HBs. Quando encontrado 
junto com o desaparecimento do antígeno indi-
ca que o paciente se recuperou da infecção e não 
transmite mais a doença. O anti-HBs é também 
encontrado em pessoas vacinadas. Logo após, 
encontra-se também outro anticorpo, o anti-
-HBc. O IgM anti-HBc pode ser encontrado nas 
fases agudas e durante recaídas de hepatites crô-
nicas previamente assintomáticas. O IgG pode 
permanecer positivo tanto após a resolução da 
doença com aparecimento de anti-HBs, como na 
cronicidade, persistindo o HBsAg positivo. Existe 
ainda outro antígeno, HBeAg, que por ser uma 
forma secretória de HBcAg, indica replicação e 
infectividade. Logo, permanecendo positivo por 
mais de 3 semanas é um forte indicativo de cro-
nicidade. Seus níveis plasmáticos tornam-se in-
detectáveis após o aparecimento de anti-HBe. Os 
exames para hepatite C incluem detecção de an-
ticorpos anti-VHC por imunoensaio de enzimas 
ou detecção de RNA viral por PCR (polymerase 
chain reaction). 
Aproximadamente 5-10% das pessoas in-
fectadas com o vírus da hepatite B se tornam 
portadores crônicos do vírus, principalmente 
imunoincompetentes. A maioria dos casos de 
hepatite B crônica se dá em adultos que nunca 
tiveram um episódio de hepatite viral aguda cli-
nicamente relevante. Os níveis de DNA de VHB 
no sangue são a melhor ferramenta para medir 
o risco de cirrose ou carcinoma hepatocelular. 
Menos de 1% desenvolvem hepatite fulminante 
com 60% de chance de óbito. Em torno de 85% 
das pessoas infectadas com o vírus da hepatite 
C se tornaram portadores crônicos, indistinguí-
vel clinicamente de hepatites crônicas de ou-
tras etiologias. No entanto, 20% dos casos de-
senvolvem cirrose em 20 anos, principalmente 
imunossuprimidos. 
3.3.2. Diagnóstico 
Na fase aguda, incluem náuseas e vô-
mitos, diarreia ou constipação, febre baixa, ar-
tralgia, mialgia, fadiga e anorexia. Icterícia está 
presente no início da doença ou até 5 a 10 dias, 
acompanhada de piora de sintomas seguida por 
melhora clínica. Embora a síndrome aguda dure 
apenas de 2 a 3 semanas, sinais laboratoriais 
podem durar até 16 semanas para resolução. 
O diagnóstico de hepatite crônica é essencial-
mente laboratorial por testes de anticorpos e de 
ácidos nucleicos virais no sangue. Dada a lesão 
hepática, as transaminases (ALT e AST) também 
se encontram bastante aumentadas. 
 119 Faculdade christus
 Capítulo 14
3.3.3. Prevenção 
Consiste em lavagem de mãos de pro-
fissionais de saúde que lidam com material de 
pessoas infectadas como lençóis e talheres, 
exames de HBsAg e anti-HBc em doadores san-
guíneos e de HBsAg em grávidas, uso de pre-
servativo, vacinas anti-VHB, assim como vacinaanti-VHA para portadores de hepatite B crônica. 
Mais de 90% das pessoas que recebem a vacina 
anti-VHB produzem anticorpos contra o vírus. 
Ela geralmente é administrada no deltóide de 
10-20mcg repetida após 1 e 6 meses. Imuno-
globulina para Hepatite B (HBIG – 0,06mL/kg) 
pode ser usada até 7 dias após o contato com 
material contaminado ou relação sexual com 
portador, seguido então de uma série de vaci-
nas anti-VHB. É importante fazer exames para 
determinar se houve soroconversão. Essa con-
duta também é usada para bebês recém-nasci-
dos com mães HBsAg positivas. 
3.3.4. Tratamento
O tratamento da hepatite aguda é sintomáti-
co. Já na fase crônica utilizam-se análogos de nucle-
otídeos e/ou nucleosídeos que agem suprimindo o 
DNA do VHB no sangue, melhorando a histologia 
hepática, reduzindo os níveis de ALT e aumentan-
do as chances de soroconversão. Embora seja ge-
ralmente necessário tratar de forma contínua para 
evitar recaídas, infelizmente mutações no gene da 
polimerase viral geram resistência do vírus ao trata-
mento (até 70% em 5 anos). Outra opção é o uso de 
interferon alfa 2a ou peginterferon (180mcg subcu-
tânea/semana por 48 semanas) e 2b (5 milhões de 
unidades/dia ou 10milhões de unidades 3x/sema-
na por 4 a 6 meses). Alguns pacientes após o tra-
tamento desenvolvem anti-HBs e não demonstram 
mais HBsAg sendo literalmente curados. 
O tratamento para hepatite C consiste 
em peginterferon alfa-2b com glicolpolietileno 
1,5mcg/kg/semana ou peginterferon alfa-2a 
40kDa PEG, 180mcg, ambos subcutâneos. 
Lamivudine
Adefovil 
Dipivoxil
Telbivudine Entecavir
Interferon
alfa 2a
Interferon alfa 2b
100mg/dia
VO
10mg/dia
VO
600mg/dia
VO
0.5mg/dia
VO
180mcg 3x/semana 
4 a 6 meses SC
5 milhões U/dia ou 10 mi-
lhões U 3x/semana
4 a 6 meses IM
D- Referências Bibliográficas
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testing for Chlamydia trachomatis and Neisse-
ria gonorrhoeae. Annals of Internal Medicine, 
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Consensus Development Conference Statement: 
management of hepatitis B. Annals of Internal 
Medicine. v.150, n.2. p.104-10, 2009. 
cApítulo 15
HPV
Olga Vale Oliveira Machado
Maria de Lourdes Caltabiano Magalhães
Marcella Costa Maia Nogueira
Yuri Oliveira Machado
A- PROBLEMA 
J.S.S., sexo feminino, 22 anos, solteira, 
branca, universitária, católica, natural e pro-
cedente de Fortaleza. Procurou a unidade bá-
sica de saúde, após descobrir que uma amiga 
era portadora de uma Doença Sexualmente 
Transmissível (não soube dizer qual). Iniciou 
a vida sexual aos 15 anos e nunca fez exa-
me ginecológico. A mesma não se mostrou 
queixosa afirmando apenas ter “corrimento”. 
Atualmente, não tem parceiro sexual fixo, mas 
afirma que já teve vários namorados e que 
eles não costumavam usar preservativo por-
que não gostavam e ela não se sentia à von-
tade para pedir.
Exame Ginecológico:
 ƒ Genitália externa: sem alterações.
 ƒ Colposcopia: visualização de áreas acetobran-
cas após a aplicação do ácido acético.
 ƒ Mamas: simétricas, pouco volumosas, sem 
abaulamentos ou retrações.
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Identificar a epidemiologia, as vias de trans-
missão e os fatores de risco do HPV.
2. Definir o quadro clínico.
3. Estabelecer a propedêutica e o diagnóstico 
diferencial.
4. Conhecer a terapêutica. 
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Introdução
Etiologia, transmissão e fatores de risco
O Papilomavírus humano (HPV) é um ví-
rus que está classificado, atualmente, na famí-
lia Papillomaviridae, segundo a Internacional 
Committee on Taxonomy of Viruses (ICTV). Já 
foram identificados mais de cem tipos, desses, 
quarenta acometem o trato genital pelo contato 
sexual e dezoito dos quarenta são considerados 
oncogênicos: HPV 16, 1 8, 26, 31, 33, 35, 39, 45, 
51, 52, 53, 56, 58, 59, 63, 66, 68 e 82. Esses tipos 
listados são os de maior risco para neoplasias ma-
lignas, sendo em 70% dos casos os tipos 16 e 18. 
O HP V é transmitido principalmente por 
contato direto durante a relação sexual. O vírus 
penetra no hospedeiro em locais mais suscetí-
veis a microtraumas. 
Os mecanismos de defesa para impedi-
rem a entrada do vírus parecem envolver a res-
posta imune mediada por células e a resposta 
humoral. A falha na resposta imune e a associa-
ção de fatores de risco como: tabagismo, imu-
nossupressão, idade em que ocorre a primeira 
relação sexual, promiscuidade e o uso prolon-
gado de contraceptivos orais, deixam a mulher 
susceptível ao câncer de colo uterino. 
Esses fatores de risco ainda não são bem 
explicados. Com relação ao tabagismo, sabe-se 
que a nicotina e outros carcinógenos específi-
cos do tabaco foram encontrados nas células 
cervicais das mulheres tabagistas, a imunossu-
pressão está relacionada à queda da defesa do 
122 Faculdade christus
Capítulo 15
organismo, a idade da primeira relação sexual e 
a promiscuidade têm relação com o tempo de 
exposição e com a exposição a vários tipos de 
vírus e os anticoncepcionais orais podem pro-
mover a integração do DNA do HPV ao genoma 
do hospedeiro. 
2. Epidemiologia
A saúde da mulher foi incorporada às po-
líticas nacionais nas primeiras décadas do sé-
culo XX. No decorrer dos anos essas políticas 
foram se tornando mais eficazes, sendo intro-
duzidas as atividades preventivas do câncer de 
mama e de colo. As últimas três décadas têm 
testemunhado o aumento da infecção pelo HPV 
como a mais importante e incômoda forma de 
doença de transmissão sexual. Estudos no mun-
do comprovam que 50% a 80% das mulheres 
sexualmente ativas serão infectadas por um ou 
mais tipos de HPV em algum momento de suas 
vidas, sendo o pico máximo de incidência en-
tre 20-24 anos. No Brasil predomina o HPV tipo 
16, com prevalência de 59% no Nordeste, 52% 
no Sul, 57% no Centro-Oeste, 43,5% no Norte e 
52% no Sudeste. 
3. Quadro clínico
Um grande obstáculo para o diagnósti-
co precoce é o fato da forma mais comum da 
doença ser subclínica. Essa forma de infecção 
compreende 60% a 95% de todas as infecções 
por HPV. Os casos subclínicos têm o crescimen-
to vascular insuficiente para formar projeções 
estromais (lesões exofíticas), diferentemente, 
do que ocorre com os sintomáticos. Os casos 
subclínicos podem ser reconhecidos por meio 
da Colposcopia após a aplicação de ácido acé-
tico a 3-5%, onde serão percebidas alterações 
acetobrancas ou padrões vasculares anômalos. 
A infecção pelo HPV pode afetar principal-
mente a cavidade oral, órgãos genitais e região 
anal, sendo este um dos principais locais acome-
tidos. Dentre os principais sintomas destacam-
-se o prurido anal e a presença de lesões exofí-ticas. A infecção anal tem nítida predileção por 
alguns grupos de pacientes: com antecedentes 
de tratamento de HPV genital, antecedentes de 
outras DST, HIV positivos e pessoas com com-
portamento de risco para DST. As lesões ocor-
rem primariamente em regiões úmidas, como o 
vestíbulo e a pele vulvar. Dissemina-se rapida-
mente, podendo estender-se ao clitóris e monte 
de Vênus, assim como para as regiões perineal, 
perianal e canal anal. As infecções clínicas mais 
comuns na região genital são as verrugas geni-
tais ou condilomas acuminados, popularmente 
conhecidas como “crista de galo”. 
4. Associação com o câncer de colo uterino
A infecção pelo HPV tem uma associação 
já comprovada com o câncer de colo uterino. 
Dentre todos os tipos, o câncer do colo do útero 
é o que apresenta um dos mais altos potenciais 
de prevenção e cura, chegando perto de 100%, 
quando diagnosticado precocemente. O pico 
de incidência situa-se entre 40 e 60 anos de ida-
de e apenas uma pequena porcentagem ocorre 
abaixo dos 30 anos. Embora estudos epidemio-
lógicos mostrem que a infecção pelo Papilloma-
vírus é muito comum (de acordo com os últimos 
inquéritos de prevalência realizados em alguns 
grupos da população brasileira, estima-se que 
cerca de 25% das mulheres estejam infectadas 
pelo vírus), somente uma pequena fração (en-
tre 3% a 10%) das mulheres infectadas com um 
tipo de HPV com alto risco de câncer desenvol-
verá câncer do colo do útero (INCA). 
5. Diagnóstico diferencial
1. Pequenos cistos de implantação
2. Pólipos endocervicais
3. Tumores benignos (lipomas e fibromas)
4. Cistos mesonéfricos simples (de Gartner)
5. Neoplasias malignas
6. Micropapilomatose labial
7. Cândida
8. Trichomonas vaginalis
9. Neisseria gonorrhoeae
10. Vaginose bacteriana
11. Chlamydia trachomatis
12. Doença Inflamatória Pélvica (DIP)
13. Hiperplasia microgandular
6. Exames
6.1. Papanicolau 
Modalidade eficaz de triagem do câncer 
de colo uterino. É um exame que é capaz de 
reduzir bastante a taxa de incidência do câncer 
de colo, pois é de praxe ser feito rotineiramen-
te por todas as mulheres sexualmente ativas 
especialmente as que estiverem na faixa etária 
 123 Faculdade christus
 Capítulo 15
dos 25-59 anos. Inicialmente, deverá ser feito 
a cada ano e, caso dois exames seguidos (em 
um intervalo de um ano) apresentarem resul-
tados normais, o exame pode passar a ser feito 
a cada três anos. (INCA). O teste de Papanico-
lau é capaz de detectar o HPV em fase pré–
maligna ou incipiente, quando é curável com 
medidas relativamente simples. Ainda que seja 
um exame rápido, de baixo custo e efetivo para 
detecção precoce, sua técnica de realização é 
vulnerável a erros de coleta e de preparação da 
lâmina e a subjetividade na interpretação dos 
resultados. Contudo, há grande variabilidade 
nas estimativas de sensibilidade e especificida-
de do exame, com uma média de 58% (varia-
ção de 11% a 99%) e 68% (variação de 14% a 
97%), respectivamente. 
6.2. Colposcopia
Esse exame permite visualizar a vagina e o 
colo do útero por meio de um aparelho chama-
do colposcópio, que é um instrumento óptico 
que permite aumentos de 5 a 50 vezes Durante 
a colposcopia, as pacientes podem ser subme-
tidas à biópsia dirigida, sendo o material, pos-
teriormente, enviado para avaliação histológica 
para ser então classificado como negativo, lesão 
intraepitelial de baixo e alto grau. 
6.2.1. Achados
1. Epitélio acetobranco: é encontrado após 
aplicação de ácido acético;
2. Leucoplasia: epitélio branco visível antes da 
aplicação do ácido acético;
3. Pontilhado: capilares dilatados que termi-
nam na superfície;
4. Mosaico: capilares terminais que circundam 
blocos aproximadamente circulares ou poli-
gonais de epitélio acetobranco aglomerados;
5. Padrão vascular atípico: característico do 
câncer cervical invasivo, inclui vasos em 
alça, ramificados e reticulares. 
7. Biópsia 
Exame que pode ser orientado pela col-
poscopia ou realizado a olho nu. Tem a finali-
dade de retirar fragmentos do colo uterino para 
exame histopatológico. 
8. Captura híbrida
O teste molecular de captura híbrida para 
HPV é capaz de detectar o DNA de 18 tipos vi-
rais que mais comumente infectam o trato ano-
genital (masculino e feminino), e são divididos 
em grupos de baixo risco e alto risco. É um teste 
quantitativo e o único aprovado pela Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para 
diagnóstico de HPV. Em comparação com o mé-
todo da reação em cadeia da polimerase (PCR), a 
CH demonstra sensibilidade de 91,7% e especifi-
cidade de 95,4%. Como o risco de câncer cervical 
invasivo na mulher está diretamente relacionado 
à presença de HPV de alto risco, a pesquisa des-
ses tipos virais por meio de métodos moleculares 
tem sido extremamente útil para o acompanha-
mento de mulheres com alterações citológicas. 
9. tratamento
Atualmente, há diversos estudos, afirmando 
que existe uma eliminação espontânea do vírus 
em mais de 90% das pessoas infectadas no decor-
rer de um período de 24 meses. Tanto a infecção 
pelo o HPV de baixo e alto risco pode regredir es-
pontaneamente, o que sugere a eficiência da res-
posta imune nos dois grupos de vírus, porém em 
uma pequena parte, ocorre a persistência do HPV, 
o que pode levar à neoplasia e ao câncer genital.
9.1. Verrugas genitais
Não há tratamento curativo para o HPV, 
mas há métodos de controle, sendo esse inicia-
do com a remoção dos condilomas visíveis. É 
conhecido que em 20% dos casos existe a re-
moção espontânea dos casos, entretanto se o 
tratamento atrasar, as lesões podem ficar mais 
extensas havendo potencial de transmissão e 
consequentemente mais grave.
São conhecidos diversos métodos para 
removerem as lesões sendo eles: excisão, vapo-
rização a laser, eletrocauterização, crioterapia, 
podofilina, ácido tricoloacético, 5 Fluorouracil 
(5-FU) e podofiloxina.
Em caso de condilomas, há necessidade 
de biópsia quando:
 ƒ Dúvida no diagnóstico ou suspeita de neoplasia;
 ƒ Falta de resposta ao tratamento convencional;
 ƒ Aumento de tamanho das lesões durante ou 
após o tratamento;
 ƒ Em imunocomprometidos.
124 Faculdade christus
Capítulo 15
Quando não for observado melhora após 
quatro semanas ou resposta parcial após oito se-
manas é importante pensar na troca da terapia.
9.2. Neoplasia intraepitelial da vulva e pênis
Os tratamentos poderão ser: métodos 
citodestrutivos, excisionais, a combinação de 
excisão e técnicas citod strutivas, imunoterapia 
isolada ou podendo ser associada às terapias 
excisionais/citodestrutivas.
Há a precisão de levar em consideração: 
idade, sintomas, topografia das lesões, extensão 
para anexos, potencial maligno, preservação 
funcional, fatores psicológicos e recorrência.
9.3. Vagina e neoplasia intra-epitelial vaginal 
(NIVA) 
A NIVA apresenta-se com aspecto ace-
toesbranqueado, tem superfície áspera ou es-
piculada. Cerca de 2,5% das mulheres com NIC 
(neoplasia intra-epitelial), têm anormalidades 
epiteliais vaginais coexistentes, sendo que estas 
lesões se localizam na maioria no terço superior.
Na infecção subclínica mínima (colpite 
micropapilar) o tratamento é comumente des-
necessário, sendo a conduta expectante. Deve-
-se optar por agentes tópicos locais como ácido 
tricloroacético nos casos de condilomatose ou 
NIVA 1. Para NIVA 2 e 3 uma boa opção é o laser, 
pela alta precisão e superficialidade da vaporiza-
ção. Não sendo possível a utilização do laser, a 
aplicação de ácido bicloracético e tricloroacético 
(ATA) regional ou setorial para lesões mais exten-
sas. Uso do 5-FU a 5% é restrito a casos de exten-
so comprometimento por NIVA 3. Recomenda-
-se meia aplicação semanal por 10 semanas. Se 
houver sangramento deve ser interrompido.
9.4. Cérvice
Ocorre em qualquerárea da cérvice:
 ƒ verrugas genitais, lesões subclínicas puras da 
cérvice;
 ƒ lesões subclínicas da cérvice associadas à ne-
oplasia intraepitelial cervical: NIC de baixo 
grau e NIC de alto grau.
Em mulheres com HPV e com NIC 1 de bai-
xo grau, cerca de 14% as lesões podem progre-
dir. Após realizarem exames citológicos e biópsia, 
e confirmada a patologia, o tratamento pode ser 
realizado por métodos destrutivos e excisionais. 
Sendo os destrutivos: realizar destruição física 
focal, podendo ser usado o eletrocautério, crio-
cirurgia ou ablação a laser. Também é usada a 
destruição química com ácido tricloroacético 
a 50%-90%. Os métodos excisionais: mulheres 
com áreas extensas de NIC de baixo grau histoló-
gico e colposcopia insatisfatória - realizar excisão 
por cirurgia de alta frequência (CAF).
Em NIC de alto grau: realizar CAF, tam-
bém denominada Large Loop Excision of Trans-
formasion Zone (LLETZ), Loop Electrosurgical 
Excision Procedure (LEEP) ou eletrocirurgia. 
10. Prevenção
Como toda DST, a prevenção é um princí-
pio básico, principalmente quando se tem infec-
ção por HPV ou verrugas genitais:
 ƒ diminuir o número de parceiros sexuais. O nú-
mero de parceiros contribui para o maior risco 
de contrair/transmitir qualquer DST, como o 
HPV e o vírus da Aids.
 ƒ uso constante e correto de preservativos, para 
todos os parceiros sexuais, desde o início até 
o fim da relação sexual. O uso de preservati-
vos reduz muito a probabilidade de se con-
trair / transmitir uma DST, inclusive o HPV e 
o vírus da Aids. Qualquer DST funciona como 
fator facilitador na aquisição e transmissão do 
vírus da Aids (HIV).
 ƒ se existe suspeita de que o parceiro sexual 
tenha alguma DST é altamente recomendá-
vel consultar o médico. Até que isto seja feito, 
também é recomendável evitar relações sexu-
ais com este parceiro, até que o tratamento 
seja realizado, se for o caso.
 ƒ nunca se automedicar, pois desta maneira a 
DST pode ser “mascarada”, ou seja, parece 
que foi tratada, mas continua ativa.
 ƒ não compartilhar objetos de uso pessoal com 
outras pessoas e fazer higiene de objetos de 
uso comum antes do uso.
11. Vacinação
Duas vacinas contra o HPV profiláticas 
têm sido desenvolvidas. Uma das vacinas, Gar-
dasil, protege contra o HPV tipos 6, 11, 16, e 
18 (quadrivalente), e o outro, Cervarix, protege 
contra os tipos 16 e 18 (bivalente). Ambas as 
vacinas são baseadas no recombinante expres-
são e de automontagem das grandes proteína 
 125 Faculdade christus
 Capítulo 15
capsidial, L1, em partículas de vírus (VIPs) que 
lembram o exterior capsidial de todo o vírus.
A meta de vacinação é reduzir a incidên-
cia de casos de HPV genitais doença, incluindo 
cervical, pênis, vulvar, vaginal e anal, cancro, e 
outras lesões pré-cancerosas.
A eficácia e a segurança dos dados para 
estas duas vacinas estão disponíveis, mas ape-
nas uma dessas vacinas é atualmente licencia-
da pelo FDA (Fundação Americana de Drogas), 
sendo as recomendações, evidências e provas, 
principalmente no uso da vacina quadrivalente. 
Segundo os resumos das recomendações 
Eurogin (European Research Organisation on 
Genital Infection and Neoplasia) 2007, que fo-
ram mostradas no Curso de Atualização em Pa-
tologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia 
ABG – RJ Instituto de Ginecologia da UFRJ 20 de 
junho de 2009. As perspectivas clínicas a partir 
da introdução das vacinas contra HPV são:
 ƒ Vacinação de rotina em meninas entre 9-14 anos
 ƒ Vacinação catch-up (vacinação de recupera-
ção) em meninas entre 15-18 anos
 ƒ Vacinação catch-up (vacinação de recupera-
ção) em mulheres entre 19-26 pode ser apoia-
da pelo financiamento privado; no entanto, 
financiamento público não é recomendado.
 ƒ Os estudos clínicos em mulheres com idade 
superior a 26 anos já terminaram, tendo com 
desfechos clínicos a imunogenicidade e a pro-
teção da doença. No momento, aguarda-se a 
autorização das agências regulatórias respon-
sáveis que visam suportar a ampliação da in-
dicação para essa população.
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cApítulo 16
DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA
José de Arimatea Barreto
Dandara Costa Santos
B- OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
1. Listar as hipóteses diagnósticas possíveis 
para este caso
2. Enumerar os exames para a propedêutica 
apropriada
3. Descrever como fazer o diagnóstico diferencial
4. Citar fatores de risco para a doença inflama-
tória pélvica
5. Nomear as complicações decorrentes da DIP
6. Indicar os vários esquemas terapêuticos 
para situações diferentes segundo a sua 
classificação
C- ABORDAGEM TEMÁTICA
1. Definição
Doença inflamatória pélvica (DIP) é uma 
infecção aguda do sistema genital superior, 
que acomete, preferencialmente, mulheres se-
xualmente ativas. A patologia inclui endome-
trite, salpingite, peritonite pélvica, ooforite e 
perihepatite.
Nos EUA, a DIP, anualmente, é respon-
sável por aproximadamente, 2,5 milhões de 
consultas ambulatoriais, 200.000 internações 
e 100.000 procedimentos cirúrgicos. Estima-
-se que o número de casos de DIP em mulhe-
res entre 15 e 44 anos nos EUA diminuiu de 
189.662 em 2002, para 168.837 em 2003. A 
prevalência na América Latina e no Caribe é de 
36,8/100.000. É uma patologia subdiagnostica-
da, portanto, com estimativas.
A- PROBLEMA 
A.M.S, sexo feminino, 17 anos, natural 
e procedente de Fortaleza, solteira, procurou 
atendimento médico com queixa de dor na 
região hipogástrica, que se iniciou há 20 dias 
e tem aumentado de intensidade. Refere cor-
rimento branco-acinzentado, em moderada 
quantidade, que se intensifica após o período 
menstrual, com odor e sem prurido, há 6 meses. 
Afirma que seus ciclos menstruais estão irregu-
lares e que ocorrem pequenos sangramentos 
intermenstruais. Refere também picos febris há 
10 dias e posteriormente disúria.
Menarca aos 14 anos e inicialmente os 
ciclos foram regulares. Relata

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